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28/10/2014 História Secreta do Brasil (Portugalidade e Brasilidade na Obra Divina) – Entrevistas de Vitor Manuel Adrião à Comunicação Social brasileira

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Lusophia – Vitor Manuel Adrião

História Secreta do Brasil (Portugalidade e


Brasilidade na Obra Divina) – Entrevistas de Vitor
Manuel Adrião à Comunicação Social brasileira
Sexta-feira, Ago 1 2014

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A edição do meu livro História Secreta do Brasil (Flos Sanctorum Brasiliae) em 2004 pela
Madras Editora, São Paulo, entrando nos circuitos comerciais logo ao início de 2005,
provocou uma reacção muito positiva em todo o território brasileiro, com os seus meios de
comunicação social anunciando-o profusa e elogiosamente, o que apesar de sensibilizar-me e
impor-me a consciência do dever cumprido, igualmente não deixou de aumentar a minha
responsabilidade para com a historiografia brasileira e sobretudo para com a sua
espiritualidade, que sendo brasílica por isto mesmo é universal. Para mim foi hora grata de
dever cumprido, já o disse, mantendo a humildade ante as luzes da ribalta esquivando-me à
exaltação presunçosa que, bem sabia por há muito pisar palcos e bisar fama pública, era hora
feliz mas que haveria de passar… como passou, e ficou só a obra que esta é a única que afinal
importa.

Das várias entrevistas orais e escritas que concedi à comunicação social brasileira, além das
entrevistas directas às Rádios Eldorado e CBN de São Paulo, com cobertura nacional, e de
uma anterior à Rádio Oásis de Sobral de Monte Agraço, em Portugal, também pertinente ao
tema Brasilidade onde a radialista eera brasileira, destaco e transcrevo a seguir os textos
integrais de duas reportagens cedidas a dois jornais importantes do Brasil, acreditando que o
seu conteúdo acaso possa transmitir ao leitor o senso de Espírito Único subjacente a duas
modalidades distintas na aparência mas interligadas na essência de Portugalidade e
Brasilidade.

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JORNAL DE TOCANTINS

Aurélio Prado Peixoto entrevista V.M.A. em 20.1.2005

P. – Que tipo de surpresa o leitor tocantinense (Tocantins é um Estado do Brasil) poderá


encontrar nas páginas do seu livro?

R. – As mais variadas e creio que as mais agradáveis, mesmo que acaso sejam de espanto
geral pelas conclusões a que cheguei, baseado não em ficções delirantes mas em dados
sólidos, verificados e comprovados no terreno e em gabinete, numa pesquisa laboriosa que
me consumiu vários anos na qual abrangi um campo vasto de gente, locais e imóveis
patrimoniais, desde o bibliográfico ao monumental natural ou artificial, em que entrou a
mão do homem. Da Pré-História à Proto-História brasileiras e daí à sua Actualidade, são
vários os cenários abrangidos, por exemplo, o mito da Atlântida reachada no Brasil, as

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navegações transoceânicas dos povos mediterrânicos a estas partes, o projecto marítimo da


antiga Ordem dos Templários e o mito do “Ocidente Eterno”, a geografia sagrada brasileira e
as cidades do Futuro, como, por exemplo, Brasília, etc.

P. – Baseado em que factos, documentos e depoimentos o senhor chegou a essas


conclusões?

R. – Como disse, abrangi um vasto campo de pesquisa. Para chegar à validade das
conclusões que apresento consultei os mais renomeados autores, desde as Crónicas das
Capuchinhos e dos Jesuítas, os Relatos das Bandeiras ou dos seus capitães, passando
Gustavo Barroso e Ludwig Schwennhagen até ao “Champollion” brasileiro que foi Bernardo
Ramos, não descurando outros e brilhantes autores da historiografia, arqueologia,
espeleologia, etnologia, etc., da Academia Brasileira mas também da Portuguesa, como Jaime
Cortesão e Joaquim Ribeiro. Todos, desde os mais aos menos conhecidos, a maioria com
obras de vulto onde avulta o saber e demonstra o amor à sua Pátria brasílica. Além disso,
para dar interpretação plausível a muitos aspectos da História do Brasil, até agora “hiatos”
inexplicáveis, recorri à Tradição Iniciática da Teosofia “Brasileira”, isto é, a da Sociedade
Teosófica Brasileira, socorrendo-me pelos inúmeros escritos do seu fundador, Professor
Henrique José de Souza (1883-1963), baiano de alma portuguesa, provavelmente o maior
Mestre de Pensamento Espiritual que o Brasil e o Mundo conheceram no século XX. Nisto,
fiz igualmente recurso de alguns decanos da Teosofia Brasileira coevos e discípulos do
mesmo Professor, como, por exemplo, António Castaño Ferreira, Paulo Albernaz e Roberto
Lucíola. Aproveito ainda esta oportunidade para agradecer aos inúmeros colaboradores na
feitura deste meu livro agora dado à estampa, pois sem eles tal não seria possível: Wagner
Veneziani, David Caparelli, Oriental Luiz Noronha, Arthur Henrique de Souza e a todos os
mais para não esquecer nenhum.

P. – O que foi mais difícil na hora de escrever o livro?

R. – O mais difícil foi contrariar a História corrente do Brasil ensinada nas carteiras escolares
que um certo sindicalismo marxista impôs após o usurpo nos anos 20, 30 e sobretudo 40 do
século XX do senso nascente de brasilidade como afirmação política de independência,
esquerdismo esse que “trocou as voltas” aos mais elementares factos históricos de maneira a
justificar um certo caos psicossocial como culpa original dos “bandidos portugueses” que
invadiram o Brasil após o «achamento» que realmente não houve e sim Descobrimento, logo,
os males próprios de um país novo só podiam encontrar “a culpa no Cabral”. Essa tornou-se
uma História «vermelha» forjada quase inteiramente (hoje já é questionada e até posta de
lado por excessiva viciação dos dados factuais), pois a frota do almirante Pedro Álvares
Cabral que ia a caminho da Índia, aproveitando as correntes do Golfo da Guiné para a partir
de Cabo Verde deslocar-se propositadamente para ocidente chegando a Vera Cruz, dizia, a
sua tripulação além dos marujos era exclusivamente composta por militares da Ordem de
Cristo e por religiosos franciscanos de Coimbra, que absolutamente nada tinha de “celerados
incultos”. E mesmo as feitorias que os portugueses fundaram depois ao longo do litoral de
Vera Cruz, eram sobretudo povoadas por militares da mesma Ordem de Cristo, alguns da de
Avis, e religiosos letrados franciscanos juntos com carmelitas (os jesuítas vieram muito
depois), além de comerciantes mandatados pela coroa, que os proibia sob severos castigos de
dedicarem-se ao desregro de exploração e usurpo do autóctone e suas riquezas. Só na
segunda metade do século XVII e ao longo do século XVIII, com a chegada de aventureiros
portugueses mas sobretudo franceses e holandeses, que foram estes quem deram “caça ao

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índio” quase o exterminando, é que aconteceram as iniquidades desumanas que a História


relata. Mas convém não confundir “a árvore com a floresta”… Ora toda essa historiografia
de dados viciados propositadamente, sempre deixou um sabor amargo de inconsistência e
divagação na própria intelectualidade brasileira. Por minha parte, deixo o meu contributo a
comatar tal, e fazendo ante o que antes era “secreto e misterioso”, fiz a História não-contada
ou a Intra-História que assim só poderá legitimamente ter o título de História Secreta do
Brasil feita num ramalhete literário de flores brasílicas, ou seja, Flos Sanctorum Brasiliae.

P. – O senhor conhece a fundo a História do Brasil?

R. – Conheço boa parte da historiografia brasileira e a maioria dos autores clássicos que a
têm feito, tanto no vector académico, quanto no esotérico e até no fantástico, este que inibo-
me comentar. Se “conheço a fundo” a História mítica e cronológica do Brasil, creio que
ninguém a conhece inteiramente. Todos os dias surgem novidades, não raro as mais
surpreendentes, desde logo descartando a possibilidade de se a conhecer por inteiro. A
presunção do contrário é tão inútil quanto pueril, tanto para a Tradição como para a Ciência.

P. – O senhor concorda com tudo aquilo que está no seu livro ou apenas relatou nas
páginas como sendo parte da pesquisa?

R. – Quando o autor não concorda consigo e as suas conclusões, mal vai ele e mais parece
que escreve ao gosto do cifrão a quem se vende como triste “sabe-tudo”. Se eu não
acreditasse no que escrevo e transmito, há muito que me teria dedicado a outras artes
porventura mais lucrativas. Como já disse, assinalei e desenvolvi factos que considero como
principais da História Secreta do Brasil, assim mesmo nunca tendo aparecido quem a
sistematizasse com fiz. Nisto é completa e inédita, e mesmo Gustavo Barroso nos seis
volumes da sua “História Secreta do Brasil” foi tão quanto eu, talvez por estar possuído
daquilo que despossuo: certa tendência político-religiosa inserta num vasto movimento
«anti-portugalidade» em prol do fincar da nascente brasilidade ou identidade
exclusivamente brasílica, que depois o marxismo usurpou e adulterou e se conservou
durante o «nacionalismo» da ditadura militar, como deixei subentendido em resposta
anterior. De maneira diferente mas com fim igual, fez o ditador Oliveira Salazar com a
História Portuguesa. Posso, pois, afirmar que esta minha é a primeira História Mítica do
Brasil isenta de quaisquer partidarismos aparecida na terra de Vera Cruz desde a fundação
do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro no Rio de Janeiro, em 21 de Outubro de 1848.

P. – O Brasil seria descoberto se Pedro Álvares Cabral não tivesse errado o caminho das
Índias?

R. – Eis aqui um grande equívoco que acredito propositado na História: Pedro Álvares
Cabral não errou o caminho marítimo das Índias, logo, não navegou equivocado para
Ocidente. Ele sabia onde se dirigia, nunca mareou ao acaso nem acaso andou perdido no
mar!… Não. Herdeiro legítimo dos conhecimentos da Tradição Templária transmitida à
Ordem de Cristo a que pertencia a Escola de Navegação ou Marítima do Infante Henrique de
Sagres, Administrador e 8.º Mestre Geral da Ordem Militar de Nosso-Senhor Jesus Cristo,
vulgo Ordem de Cristo, Cabral veio ao Brasil propositadamente para inaugurar o ciclo ibero-
ameríndio em 1500. Acompanharam-no Nicolau Coelho, mestre já experiente nas artes de
mar e ofícios de letras e saberes herméticos, e frei Henrique Soares de Coimbra chefiando
uma delegação de cinco franciscanos, contando com ele. Todos eles aparentemente
mandatados pela Ordem de Cristo e o rei de Portugal, mas secretamente por uma certa e
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misteriosa Ordem de Mariz a qual, diz a Tradição, está por detrás dos destinos de Portugal e
mesmo do Brasil. Esperavam-nos em Porto Seguro os melhores da raça autóctone tupi, no
caso os tupinambás do litoral, cujos chefes seriam Tibiriçá, Icaraí e Saixê. A Ordem de Cristo,
herdeira directa dos saberes da Ordem dos Cavaleiros Pobres de Cristo e do Templo de
Salomão, como disse, sabia pela abundante mas reservada documentação dela haver terra
vasta a Ocidente, principalmente graças às navegações dos fenícios na Proto-História e dos
árabes na História. Aliás, o nome Insula Brasil já era conhecido de há muito: os cartógrafos
medievais destacaram nos seus mapas o nome da terra Brasil, como foi o caso da Carta de
Pizigano, de 1367, do Atla de Andrea Bianco, de 1436, ou da Carta de Bartolomeo Pareto, de 1455.
Por seu turno, aquando da viagem à Índia do almirante Vasco da Gama, em 1498, ele
navegou a Ocidente e ancorou defronte a terra firme e larga, que os historiadores
consideram hoje ter sido o Brasil, antes de retomar a marcha a Oriente. Já antes, em 1487 e
em 1488, Pedro Vaz da Cunha, o “Bizagudo”, e João Fernandes de Andrade navegaram do
Golfo da Guiné para o Brasil aproveitando as correntes marítimas sudoeste. Duarte Pacheco
Pereira, autor do famoso Esmeraldo de Situ Orbis, também aqui se dirigiu várias vezes antes
de Cabral. E antes de todos esses, o capitão de mar Sancho Brandão, pertencente à Marinha
de Guerra da Ordem do Templo, fez uma expedição ao Brasil, notícia comunicada pelo rei de
Portugal ao papa Clemente VI, em 12 de Fevereiro de 1343, portanto, já depois da abolição
dessa Ordem em 1312. Por conseguinte, as referências abundam apesar de dispersas, mas
mais abundante é o “muro de silêncio” sobre isso e que não se consegue explicar, a não ser
talvez por preconceitos político-sociais que, em si mesmos, também não se conseguem
explicar coerentemente.

P. – O que mais o intrigou nessa pesquisa?

R. – O que não me intrigou mas mais fascinou foi a controvérsia acerca dos bandeirantes.
Tudo quanto há de mau, cruel e selvático é-lhes atribuído, é claro que eram portugueses.
Contudo, abundam as crónicas jesuítas sobre os bandeirantes e rareiam os documentos das
próprias Bandeiras. Isto é muito sintomático, pois jesuíta e bandeirante eram como “cão e
gato”, aquele querendo um império para a sua Companhia, e este um País livre para o seu
povo; aquele não se misturando a raças estranhas, este fundindo-se no autóctone e dando o
mameluco, o genuíno luso-brasileiro. Repara-se nos sintomáticos episódios sangrentos que
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no século XVII deram-se em São Paulo em volta do mosteiro de São Bento de Piratininga,
envolvendo bandeirantes e jesuítas. Creio ser mais que tempo de começar a ver o
bandeirante com outros olhos que não os jesuiticamente preconceituosos.

P. – Apresente um breve currículo do senhor.

R. – Sou licenciado na antiga cadeira de História e Filosofia, especializado na área da


“religiosidade medieval”, bacharel em Sociologia da História, comendador do título da
cadeira Histórica e Cultural da Sociedade de Estudos de Problemas Brasileiros, interventor
em diversas campanhas de investigação historiográfica desde há cerca de 30 anos, com cerca
de 40 livros publicados, várias centenas de artigos escritos, algumas dezenas de cursos na
especialidade realizados, alguns milhares de conferências feitas e intervenção em órgãos de
comunicação social nacionais e estrangeiros. Sou o actual presidente e fundador da
Comunidade Teúrgica Portuguesa, iniciada no Promontório de Sagres em 1978 e logo depois
instalada em Sintra, esta que nós, Lusos, consideramos a Montanha Sagrada da Europa, logo,
“Capital Espiritual” da mesma.

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P. – Demais considerações sobre a obra, que porventura tenha interesse em divulgar.

R. – A História Secreta do Brasil que há muito vinha prometendo fazê-la, assim o cumpri
com amor incondicional a esta Terra de Promissão, que sendo país é maior que um
continente. Se a Europa é Passado-Presente, o Brasil já é Presente no Futuro que não se
pressente mas vislumbra, e cada vez mais. Esta é a Pátria da Concórdia Universal, o que vai
bem até no seu lema Ordem e Progresso visto à luz dos signos principais do seu mapa
astrológico: signo solar Virgem (Ordem) e signo ascendente Aquário (Progresso), mesmo que
próximo ao primeiro grau de Peixes que como símbolo são dois: um para Portugal e outro
para o Brasil. Um para a imaginação e criatividade (peixe superior), e outro (peixe inferior)
para o fatalismo e a maledicência. Até nisso Portugal e Brasil comungam das mesmas
virtudes e vícios psicossociais. É meu desejo sincero que o leitor deste livro que ofereço à
Brasilidade encontre nele os mais altos e imortais valores do que é ser Brasil e Brasileiro, e
igualmente à Portugalidade, para que, em arremedo final, saiba que ser Português é não ter
fronteiras, é ter a Língua que é o Espírito, que é Portugal.

JORNAL “O TEMPO”

(MINAS GERAIS)

Ana Elizabeth Diniz entrevista V.M.A. em 11.2.2005

P. – Como surgiu a ideia desse livro?

R. – O projecto de escrever uma História “não-contada” nos bancos de escola do Brasil é uma
ideia antiga que agora realizei e a Madras Editora deu à forja, para maior entendimento do
que é realmente este país maior que um continente, e para o engrandecimento ainda do
espírito singular que fez e projectou o ser brasileiro. Com efeito, durante alguns anos vim
prometendo que um dia haveria de escrever uma História do Brasil, sobre o que o país
possui de imaginário colectivo que surpreende e assombra a perspicácia até do investigador
mais arguto, assim não raro paralisando ante o enigma maior subjacente à formação e

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desenvolvimento desta terra imensa e das pretensões ocultadas sob o véu das aparências dos
inúmeros constituintes do Paanteão Humano, nobre e digno, feitores tanto da Portugalidade
como da Brasilidade, unidos pelo Verbo único do falar Lusitano, ou melhor, Português, já
que a língua lusitana original era uma mescla de celta e eslavo a que se juntaria depois o
grego e o latim. Repara-se nisso inclusive na pronúncia brasileira, de raiz toponímica tupi
mas de sonoridade portuguesa do Alentejo – no Sul de Portugal, de ascendência etnológica
árabe – de onde era originária a maioria dos bandeirantes nos séculos XVI-XVII, a quem se
juntou o crioulo da África e as três línguas vieram a dar nesta forma cantante agradável de
ouvir e falar. Paul Teyssier, na sua História da Língua Portuguesa, aborda este tema com
profusão e alguma felicidade.

P. – Qual a sua religião ou ligação com grupos iniciáticos ou exotéricos?

R. – A minha religião é a Humanidade, o Pensamento Humano. A minha filiação iniciática é


favorável à integração do mesmo Homem em uma Socidade mais Justa e Perfeita. Ainda
assim, compreendendo e limitando a sua pergunta, a minha orientação mental tem sido a
Teosofia, nomeadamente a “Brasileira” da tónica do Professor Henrique José de Souza, que
em Portugal, na Serra Sagrada de Sintra, é levada à prática como Teurgia ou a aplicação da
mesma Teosofia, individual e colectivamente, com vínculo profundo aos Mistérios de
Melkitsedek e à Linhagem Templária do Santo Graal. Resta saber o que significa tudo isso e
o que tudo isso implica, mas concorde não ser este o espaço mais indicado para o seu
desenvolvimento apurado.

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P. – Remanescentes atlantes viveram no Brasil?

R. – Quando a Academia fala no “Homem antediluviano” está-se referindo ao Homem


Atlante da, em termos teosóficos, 4.ª Raça-Raiz antecessora da actual 5.ª Raça-Raiz ou Mãe, a
Ária ou Ariana por ter começado a sua evolução antropológica na região asiática da
Aryavartha, a antiga Índia. A Era Secundária, a Terciária e o início da Quaternária, indo do
Triássico ao Plioceno, correspondeu ao da existência dessa Raça, e é dessa época que se
registam os primeiros afloramentos humanos, cientificamente aceites, no Brasil. O Homo
Brasilicus, isto é, o Homem Brasileiro original, Tupi-Guarani, é todo ele descendente afastado
dessa Raça em cujo continente vasto, hoje a maior parte sepultado no Atlântico, oceano que
lhe herda o nome, o Brasil se integrava.

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P. – O senhor poderia explicar melhor sobre o império fenício no Brasil? Existem


evidências geográficas em solo brasileiro?

R. – O empório fenício do Brasil, sito entre 1050 e 1000 a. C., terá sido uma imensa colónia de
exilados de Tiro, capital política da Fenícia, hoje Síria, cuja odisseia conto no meu livro com
pormenores e bibliografia vasta. Essa colónia teve papel marcante, durante muito tempo,
entre os povos mediterrânicos, a ponto de estar assinalada na própria Bíblia como Ophir, a
terra a ocidente de onde vinham papagaios, ave que, afinal de contas, não existe em
nenhuma ilha do Atlântico, mas em contrapartida até hoje o Brasil é conhecido como a
ocidental “Terra dos Papagaios”. As evidências arqueológicas e etnológicas da presença
fenícia no Brasil são vastíssimas e espalham-se desde o Rio Amazonas até ao Rio da Prata.
Falta só a constituição de um roteiro, devidamente identificado e catalogado, do Brasil Pré e
Proto-Histórico, dando continuidade ao trabalho colossal de Bernardo Ramos por parte da
especialidade na Academia Brasileira. Para isso, creio, é necessário antes perderem-se
definitivamente os envergonhados complexos intelectuais que minam e limitam o panorama
científico até hoje. Só assim a Ciência poderá unir-se à sua Mãe incoercível: a Tradição das
Idades, e de Idades se faz a História.

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P. – O senhor poderia explicar melhor sobre a Pedra da Gávea ser uma esfinge? Ela guarda
algum segredo?

R. – Guardou… A Pedra da Gávea altaneira à cidade do Rio de Janeiro é talvez o maior


enigma da Proto-História brasileira. Sendo o maior maciço rochoso litoral do mundo, foi
aproveitado por mãos humanas em tempos perdidos nos milénios que se foram, diz a
Tradição, facto que hoje a Geologia pode contestar mas não negar ante as evidências sobejas,
dizendo-se ter servido de gávea ou posto alto de vigia a quanto se aproximava e adentrava a
“baía grande”, isto é, Guanabara. Ainda segundo a mesma Tradição Iniciática pertinente ao
Brasil, diz-se que também terá sido parcialmente cinzelada de maneira a configurar uma
esfinge em cujo interior ter-se-á escavado um templo e um túmulo. O seu maior segredo ou
inquietação será, talvez, o de continuar a desafiar os modernos a decifrarem-na, a
apreenderem o seu significado último e real. Não esqueça que, assim como a cidade do
Salvador na Bahia, também a do Rio de Janeiro assenta numa quadra de artérias
subterrâneas, e mesmo que aparentemente isto nada queira dizer, na realidade diz tudo.

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P. – O que dizem as inscrições petroglíficas da Pedra da Gávea?

R. – Bernardo Ramos, cerca de 1930, interpretou as inscrições petroglíficas da Pedra da


Gávea como sendo fenícias e querendo dizer: “Tiro Fenícia, Badezir Primogénito de
Jethbaal”. Mas a frase foi posteriormente corrigida, cerca de 1950, pelo maior sábio e
espiritualista que o Brasil já teve, em minha opinião, o Professor Henrique José de Souza:
“Jethbaal, Tiro Fenícia, Primogénito de Badezir”.

P. – Como a Ordem Templária se iniciou no Brasil?

R. – Se entende por Ordem Templária os altos graus maçónicos, dir-lhe-ei que ela aparece
como tal em solo brasileiro só no quartel final do século XX, apesar de haverem algumas
semelhanças à mesma no último quartel do século XIX na Maçonaria Adonhiramita, que é a
original brasileira importada de Portugal. Por outro lado, vários apontamentos documentais
de cronologia histórica, com destaque para os escritos do jesuíta eborense Manuel Fialho
(1616 – 21.12.1718), apontam Sancho Brandão, pertencente à Marinha de Guerra da Ordem
dos Cavaleiros Pobres de Cristo e do Templo de Salomão, vulgo Ordem dos Templários,
como capitaneando uma expedição de reconhecimento à “Ilha Perdida do Mar do Ocidente”,
apontada como o Brasil, notícia comunicada pelo rei de Portugal ao papa Clemente VI em 12
de Fevereiro de 1343. Mas já antes haviam saído de Lisboa outras expedições à “Ilha
Venturosa”, em plenos séculos XII e XIII, facto que depois entrou nas falas lisboetas para
designar os carvoeiros da cidade como os “brasis”, alcunha evocativa do estado sujo e
miserável em que regressavam à terra esses marinheiros esquecidos de uma época sem
comparação alguma aos confortos modernos da navegação actual, na altura inimagináveis.

P. – Brasil é um nome cabalístico?

R. – Sim, é. Isto se fizer socorro da Kaballah Gemátrica Sefardita, a Profética genuína da


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R. – Sim, é. Isto se fizer socorro da Kaballah Gemátrica Sefardita, a Profética genuína da


Península Ibérica, aliás, a “Terra de Sefarad” da diáspora judaica no século IV d. C. Por ela
poderei transpor o nome Brasil para o hebraico BRSL, com a interpretação de “o Lugar
elevado de Deus Pai e Mãe”, de modo que o próprio “Lugar” ou Trono expressará o Filho,
desta maneira expressando a Santíssima Trindade judaico-cristã, ou a mesma Trimurti
hindu, na Terra de Eleição que assim é o próprio Brasil. De maneira que BRSL funde-se
cabalisticamente em JHS, sigla avatárica ou messiânica expressiva de “Deus feito Homem”,
cabível a todo o verdadeiro Iluminado, e neste particular “Deus feito Carne, Corpo, Terra”:
BRSL, expressando a “Jerusalém Celeste” do Apocalipse descida, manifestada nesta Terra
Edénica venturosa e virgem assim firmada “Nova Jerusalém”, antes, Nova Lusitânia.

P. – Quais foram os principais profetas que viveram no Basil e que legado deixaram?

R. – O cardápio de profetas com intenções de santidade, no Brasil, é vastíssimo, vem


praticamente desde 1500 com o padre franciscano Henrique Soares, de Coimbra, a bordo das
caravelas de Pedro Álvares Cabral, tendo celebrado a primeira missa no Brasil e que foi a
Missa do Espírito Santo no domingo de Pascoela. Dentre muitos outros, pode-se evocar o
cabalista António de Montesinos, anunciando em 1650 que achara as “tribos perdidas de
Israel” na Colômbia e no Brasil; encontra-se também Pedro Rates de Hanequim, natural de
Lisboa e residente durante vinte anos em Minas Gerais, preso pela Inquisição em 1741, o
qual sustentava que a Bahia fazia parte do Paraíso Terreal e que Adão ali habitara, por ter
encontrado umas pegadas gravadas numas rochas perto do litoral baiano. Seria imperdoável
não evocar aqui os inolvidáveis padres Manuel da Nóbrega e José de Anchieta, assim como o
incomparável profeta milenarista do V Império, o padre António Vieira. Esse V Império do
Futuro, Pedro de Mariz, em 1670, disse ir irromper na “Nova Lusitânia”, isto é, no Brasil,
tanto que Nova Luzitânia veio a ser o nome de um município do Estado de São Paulo,
pertencente à microrregião de Auriflama, enquanto Feliz Lusitânia era assim conhecido o
núcleo inicial de Belém do Pará. Atestando o testemunho vaticinador do padre António Vieira
em São Luís do Maranhão, é este o lugar do Brasil onde têm maior e mais vincada presença
as festas populares do “Império” (do Divino Espírito Santo), inteiramente milenaristas que o
mesmo religioso terá dinamizado pela intensidade dos seus sermões de Advento ou de
Parúsia universal. Também elas deverão a sua origem aqui aos franciscanos que assistiram
os cavaleiros da Ordem de Cristo em 1500, vindos na cabrálica “Cavalaria do Mar”.

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28/10/2014 História Secreta do Brasil (Portugalidade e Brasilidade na Obra Divina) – Entrevistas de Vitor Manuel Adrião à Comunicação Social brasileira «Lu…

P. – Qual o verdadeiro papel do padre José de Anchieta?

R. – Fundador espiritual da actual metrópole económica do Brasil e a maior da América do


Sul, São Paulo, o padre José de Anchieta deverá também ser considerado como o “pai” do
Teatro religioso brasileiro, portanto, indo bem com a supradita vertente Teatro, iniciada por
ele em São Sebastião do Rio de Janeiro e desfechada em São Paulo de Piratininga. Para a
vertente Escola tem-se o padre Manuel da Nóbrega, “pai” da Literatura religiosa do Brasil,
que quando não tinha papel à mão compunha hinos e mais louvores à Mãe Divina
escrevendo-os nas areias douradas da paradísiaca Ilha de Itaparica, defronte a São Salvador
da Bahia de Todos os Santos, a “tebaida de Nassau” berço da Raça Brasileira. Por fim, tem-se
o Templo assumido pelo padre António Vieira, “pai” do Futurismo espiritual do Brasil.
Futurismo esse que começa antes em 1500, com Pedro Álvares Cabral, dando início ao ciclo
ibero-ameríndio, ano em que espiritualmente, diz a Tradição, Sintra se liga a São Tomé das
Letras aqui mesmo, em plena Lavra de Minas no coração do Brasil.

P. – Por que São Lourenço é a capital espiritual do Brasil?

R. – São muitos os escritos apontando São Lourenço como a capital espiritual do Brasil, vêm
desde Pedro Álvares Cabral, frei Henrique Soares, Nicolau Coelho e Pêro Vaz de Caminha,
redactor do “codicilo espiritual do Brasil”, a famosa carta da sua Descoberta comunicada a
D.Manuel I, rei de Portugal, passam as crónicas capuchinhas, jesuítas bandeirantes, chegam
ao polígrafo ibérico Mário Roso de Luna e têm a apoteose última no magistral Henrique José
de Souza, a quem esta cidade turística por sua estância hidromineral no Sul de Minas, tanto e
quase tudo lhe deve. Consagro-lhe capítulo extenso no meu livro História Secreta do Brasil,
mas, ainda assim e aqui, pressentindo ou intuindo o papel determinante de Minas Gerais no
futuro imediato do Mundo, o caríssimo e saudoso amigo pessoal, professor Agostinho da
Silva, a quem a Academia brasileira tanto deve, teve ocasião de proferir cerca de 1966:

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“Minas Gerais não é, como nas estrelas gregas, a doce e melancólica jovem que adormece
para sempre na morte, irmã do sono e do amor; é como no conto nosso, a Bela Adormecida
que espera no Palácio encantado a vinda do Príncipe seu Mago”.

P. – Na sua opinião que futuro nos espera?

R. – O Brasil não tem Futuro… porque é o próprio Futuro! Agora, isto sim, deve libertar-se
de vez do “banditismo politiqueiro vendido” e do esclavagismo socioeconómico que outras e
menos apetecíveis potências lhe impõem. O Brasil já de si é ele mesmo uma potência
socioeconómica, e poderá figurar como a maior do mundo se o quiser e os seus políticos
tiverem coragem para tanto, dando provas práticas – que palavras bonitas e ocas leva-as o
vento dos floreados retóricos… – de serem verdadeiramente amigos dedicados da sua pátria
e do povo que os elegeu para que os defenda. Em seu seio vibra intensamente o espírito de
Concórdia e Fraternidade, senão, de Ordem e Progresso, e é esse espírito desta Terra virgem
que alastra já a todos os continentes por via da actual diáspora brasileira, levando consigo a
Paz e o Futuro que afinal caracteriza cada brasileiro. Terra venturosa onde se diz que “Deus
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é Baiano, Deus é Mineiro, Deus é Brasileiro”, e sendo assim só me resta terminar com o
encómio tupi: Oromoetê Tupan Thoru – Iá Cunca Idathâ Oca Juco Nipireaí, que é dizer, “Glória a
Deus nas Alturas e Paz na Terra aos homens de boa vontade”!

ENTREVISTA DE VITOR MANUEL ADRIÃO POR CLAIRE BONNET, JORNALISTA


BRASILEIRA, DA RÁDIO “OÁSIS” DE SOBRAL DE MONTE AGRAÇO, PORTUGAL,
EM 31 DE OUTUBRO DE 1993

Radialista após apresentar o convidado:

P. – Dr. Vitor Manuel Adrião, para si que relação pode haver entre o português, o
brasileiro e a música?

R. – Boa-tarde, Claire Bonnet e estimados ouvintes. É com enorme satisfação que acedo ao
convite de tão prestimosa presença brasileira quanto a voz que por esta prestigiosa Rádio
vem transmitindo regularmente os valores culturais, artísticos e musicais do grande país
irmão do nosso Portugal que é o Brasil. Respondendo à sua pergunta, direi que a Música é a
Fala Universal pela qual os povos se entendem e mesmo irmanam!… Quando em Seiscentos
as caravelas de Cristo alcançaram as praias seguras de Vera Cruz, os seus nautas levavam
consigo a música tradicional portuguesa: as danças várias, o folclore, o fado que pela
primeira vez foi aí cantado, não o fado menor ou de lamento, não o fado maior, o mouraria
ou de afirmação, mas o fado corrido, dançável, portanto, cantou-se e dançou-se juntamente
com o índio autóctone, o tupinambá habitante do litoral, representante de toda a Raça Tupi-
Guarani, que acolheu os recém-chegados com demonstrações puras de alegria, com flores e
palavras de amor. Após a primeira Missa de Júbilo no areal dourado de Vera Cruz, na ponta
da Coroa Vermelha onde hoje é a Bahia de Todos-os-Santos que está defronte para a Ilha
Sagrada de Itaparica, a qual foi celebrada pelo santo frei padre Henrique Soares, franciscano
da Congregação de Santa Cruz de Coimbra ao serviço da Ordem de Cristo, logo a seguir a
essa celebração estalaram naturalmente as danças e cantares, misturaram-se os risos e
sorrisos lusos e tupis, e, pela primeira e única vez em toda a História Universal pertinente a
qualquer colonização, foi a tradição musical o ponto de encontro e fusão de dois grandes
povos de novo irmanados, após a tragédia atlante os trazer por separados. Portanto, em
arremedo apologético à questão posta, foi a Música quem uniu o nascente ibero-ameríndio.

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P. – Dr. Vitor Adrião, que é para si a relação espiritual Portugal – Brasil?

R. – Quando as caravelas lusitanas vogando sobre as vagas do sonho empurradas pelos


ventos do espírito alcançaram Vera Cruz, a fim de lusos e tupis se unirem pelo sangue e pela
alma, esse foi o maior anúncio do alvor da então ainda distante Era do Aquário ou III
Milénio que ora começa, o qual se deseja e quer que seja de promissão, de redenção e de
felicidade para todo o Orbe, para toda a Família Humana. Nesta Idade do Espírito Santo
vaticina a Tradição dos nossos Maiores que o luso-brasileiro desempenhará papel
predominante e decisivo no destino e evolução do Mundo. A relação espiritual, e também
humana, Portugal – Brasil, é a que têm quaisquer Pai e Filho. Nenhuma e falaz tendência
política, económica ou social a poderá destruir e tampouco macular, pois os laços de união
são por demais profundos e sagrados, criados pelo divino Pensamento de um punhado de
bravos mais parecendo deuses humanizados. Brasil e Portugal fitam-se hoje
enternecidamente um vendo no outro a sua STELLA MARIS, um sonho sinárquico ainda
encoberto mas já pressentido e mais ainda desejado. Nestas curtas palavras está, pois, a
essência espiritual e também humana, repito, da relação Portugal – Brasil, cimentada na
aventura do heroísmo e da fé, assim se podendo dizer que se Deus existe – e existe! – então
Deus é tagano, é baiano, Deus é luso-brasileiro.

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P. – Palavras bonitas e poéticas, dr. Vitor Adrião. Elas levam a perguntar-lhe: que pensa
sobre o futuro do Brasil?

R. – O futuro do Brasil não se pressente por já se antever. Esse grandioso país é hoje um
caldeirão fervilhante de raças de todas as latitudes e longitudes para aí confluídas, em
profunda mutação pelo que a presente confusão psicossocial tão só faz parte da grande
alquimia por que está passando, de maneira a que da sua essência nasça o ouro mais puro de
Humanidade, sim, o simbólico da Raça Dourada do Futuro hoje antevendo-se um pouco por
toda a parte. O BRASIL criou-se de uma gigantesca TEURGIA ou “Obra Divina” e do seu
Futuro, neste século, terá sido o seu mais preclaro difusor, imbuído de forte censo patriótico,
o brasileiro de ascendência portuguesa HENRIQUE JOSÉ DE SOUZA, verdadeiro Mestre
Vivo saído do nosso “Pico do Graal”, Sintra, para insistir em apontar a mais bela estância
hidromineral de todo o continente americano, ou seja, a cidade de São Lourenço, no Sul do
Estado de Minas Gerais, como a futura capital espiritual do Brasil e do Mundo. O mesmo
proferiu o eminente professor Agostinho da Silva quando, quer a sertanejos, quer a letrados,
apontava “Minas Gerais como a Bela Adormecida”!… Já o grande etnógrafo mexicano, José
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de Vasconcelos, dizia que “era dentre as bacias do Amazonas e do Prata que haveria de sair
a RAÇA CÓSMICA”. Isto bem no Planalto Central, o Brasil Central de Dom Bosco e de
Juscelino Kubitschek para onde hoje concorrem todas as línguas, todas as expressões
culturais e artísticas da Humanidade de que sairá, num Futuro que se antevê imediato ante o
“colapso da velocidade” do Ciclo precipitando os acontecimentos mais inesperados, essa
mesma RAÇA CÓSMICA nascida das angústias e anseios de toda a Humanidade, a
renascida TATWANTYSIO do antigo império inca-tupi.

P. – O sr. dr. viveu entre os índios da Amazónia. Para fechar esta entrevista, gostaria de
falar um pouco na língua indígena para os nossos ouvintes?

R. – Se me permite, responderei de outro modo. De facto, conheci de perto os meinaku do


Alto Xingú e os txukarramãe do Baixo Xingú, além de descendentes mais ou menos
próximos dos misteriosos xavantes, os índios de pele branca, dos quais há ainda tribos
incontactadas pelo homem «civilizado» no interior do mato cerrado entre Mato Grosso,
Goiás e o Acre. Antes de terminar quero dizer que o índio, o verdadeiro dono do Brasil por
ser o seu verdadeiro natural, é essencialmente puro, uma verdadeira criança semelhante ao
Homem da Idade de Ouro e sem a maldade e as doenças mentais, psíquicas e físicas das
gentes das grandes cidades, e que ele está sendo exterminado num holocausto envolvendo a
própria floresta amazónica, sendo mais que altura das forças ditas civilizadas pararem
tamanho crime não só a um país e a um continente mas a todo o planeta. Este e o meu voto,
este é o meu apelo. Com ele, a velha saudação da Nação Tupi: OROMO-ETÊ-ARA-TUPÃ na
Taba Brasil, que é dizer, “Salve a Luz de Deus em sua Pátria Brasileira”! Pátria esta trazendo
consigo o sangue não menos nobre do seu progenitor lusitano. Resta, pois, no Propósito dos
Deuses cumprir-se o “Brasil Português” ou o “Portugal Brasileiro” no alvor da Nova
Civilização que ora desponta para maior glória do Género Humano. E assim: “Ó Makaras da
Taba sagrada. Ó Makaras da tribo Tupi. Falam Deuses no canto do Piaga. Ó Makaras, meu

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canto ouvi”. Por isto e muito mais, OROMOETÊ TUPAN THORU – IÁ CUNCA IDATHÂ
OCA JUCO NIPIREAÍ, ou seja, “Glória a Deus nas Alturas e Paz na Terra aos homens de boa
vontade”!

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