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Direito Penal I
Prof. Marcelo Valdir Monteiro
profmarcelovaldir@gmail.com
mmonteiro@prof.faditu.edu.br

Facebook: Marcelo.valdir.monteiro
Instagram: @marcelovaldir
Noções introdutórias

•  Conceito: Direito Penal é o conjunto de normas


jurídicas que regulam o poder punitivo do Estado,
tendo em vista os fatos de natureza criminal e as
medidas aplicáveis a quem os pratica (Magalhães
Noronha)

•  Nomenclatura (Direito Penal x Direito Criminal)


Finalidade do Direito Penal

- Proteção dos bens jurídicos


x
- Garantir a vigência da norma (Jakobs)
Fontes do DP
•  Material

- direta (= lei)
•  formal
- indireta - costumes
- princípios gerais do direito
- Relação do DP com outras áreas
- Direito constitucional;

- direito processual penal;


- direito administrativo;
-direito internacional;
-direito civil e comercial
-direito do trabalho
-direito tributário;
-ciências auxiliares (medicina legal, psiquiatria forense,
criminologia, psicologia forense, política criminal etc)
- Princípios constitucionais do DP
-legalidade ou reserva legal (art. 5º, XXXIX, CF e art. 1º, CP);

- da anterioridade ou da irretroatividade da lei penal (art.


5º, XL, CF);

- princ. da individualização da pena (art. 5º, XLV e XLVI,


CF, art. 59, CP, art. 5º, XLVIII, CF e arts. 5º e 6º, LEP) ;

-princ. da taxatividade ou da determinação (art. 5º, XLVI e


XLVII);

-princ. do respeito ao preso (art. 5º, XLIX, CF e arts. 38, 40,


41, 88 e 92, LEP);

- princ. da presunção de inocência ou não culpabilidade


(art. 5º, LVII, CF e art. 8º, 1, Decreto 678/92).
Outros princípios do Direito Penal

-  Intervenção mínima
-  Subsidiariedade (subs aos outros ramos do direito
(“ultima ratio”)
-  Fragmentariedade (protege bens mais
importantes);
-  Insignificância/bagatela (furto de uma bala nas
lojas americanas – há tipicidade formal, mas não
material);
Requisitos do princípio da insignificância:

-  Mínima ofensividade da conduta;


-  Ausência de periculosidade social
Desvalor da
da ação;
conduta
-  Reduzido grau de reprovabilidade
da conduta;
-  Inexpressividade da lesão Desvalor do
jurídica. resultado

Obs.:…
Obs. quanto ao princípio da insignificância / bagatela

1- não se aplica aos crimes com violência ou grave


ameaça à pessoa;

2- a reincidência só afasta o princípio se houver


habitualidade criminosa em crimes desta natureza (ex.
soma dos valores);

3- Crimes contra ordem tributária (analisados os outros


requisitos)
- para STJ = até R$ 10 mil (art. 20, Lei de Exec. Fiscal)
- para STF = até 20 mil (Portaria 75/12, Min. da Fazenda
Nacional).
Obs. quanto ao princípio da insignificância / bagatela

4- Crimes contra a administração pública


- para o STJ não é cabível
- para o STF se estiverem preenchidos os 4
requisitos pode ser aplicado.

5- Não se aplica aos crimes de perigo abstrato (ex. Porte


ilegal de munição de arma de fogo)

Atenção: princípio da irrelevância penal do fato /


bagatela imprópria / insignificância imprópria: é
aplicado quando a conduta nasce materialmente típica, mas
é desnecessária a aplicação da pena. Ex.: perdão judicial.
Outros princípios do Direito Penal

Ofensividade (ou lesividade; ou alteridade): deve atingir


bens de terceiros, por isso, atitudes internas (estados de
consciência ou atos de cogitação) não devem ser
incriminados.
- Com base neste princípio alguns doutrinadores entendem
que os crimes de perigo abstrato não foram recepcionados
pela CF
- Se não há lesão a terceiros, não há crime. Ex.: auto-lesão;
Outros princípios do Direito Penal

- Humanidade (vedada penas cruéis, de trabalhos forçados


etc – art. 5º, XLVII, CF/88) alguns doutrinadores tratam tb.
como princ. da limitação das penas (proibida pena
perpétua e de morte; quanto a Med. Seg., Súmula 527, STJ
– pena máxima em abstrato para o crime);
- proporcionalidade da pena (proibição do excesso e
proibição da proteção deficiente é chamado de
“garantismo binocular”);
- Non bis in idem
- igualdade
Princípio da adequação social

O DP não deve atingir condutas que já são adequadas a


realidade histórica e cultural do país. Pode ser analisado
sob dois ângulos:

- Política Criminal = ao legislador

- Interpretativo dogmático = ao julgador

Obs.: costume não afasta aplicação da lei, portanto só pode


ser usado sob o aspecto de política criminal. Ex.: venda de
CD e DVD pirata (Súmula 502, STJ) e casa de prostituição
(art. 229, CP)
Breve história do DP

- Fases da Vingança Penal

- Período Medieval

- Idade moderna (séc. XVI)


- Período humanitário – séc XVIII;

- Período científico – séc. XIX


- Escola clássica
-Escola positivista

- Direito Penal no Brasil


HISTÓRIA DO DIREITO PENAL

!  A fase da vingança divina


! O s f e n ô m e n o s n a t u r a i s e r a m
considerados manifestações divinas
revoltadas com atos que exigiam
reparação
! Punia-se o infrator para desagravar a
divindade
! O infrator tinha sua vida sacrificada
! Não importava a proporcionalidade e
justiça
HISTÓRIA DO DIREITO PENAL

!  A fase da vingança divina


! A pena era rigorosa, pois deveria estar de
acordo com a grandeza da divindade
! Era aplicada pelos sacerdotes, que tinham
delegação divina
! Aplicada no Egito (Cinco Livros), China
(Livro das Cinco Penas), Pérsia (Avesta) e
Israel (Pentateuco)
! Ex. Código de Manu (Índia – séc. II a.C. a
séc. II d.C.)
HISTÓRIA DO DIREITO PENAL

!  A fase da vingança privada


! Infração cometida por membro do próprio
grupo – banimento
! Infração cometida por membro de outro
grupo – vingança de sangue – guerra
grupal
! Para evitar a dizimação, surge a lei do
talião: olho por olho, dente por dente
! T entativa de humanização e de
proporcionalidade
HISTÓRIA DO DIREITO PENAL

! A fase da vingança privada


! Adotada pelo Código de Hamurabi
(Babilônia), Êxodo (hebreus) e Lei das XII
Tábuas (romanos)
! Como o número de infratores era grande,
muitos ficavam deformados
! Para evitar isso, evoluiu-se para o sistema
de composição, em que o infrator comprava
sua liberdade, livrando-se do castigo
HISTÓRIA DO DIREITO PENAL

!  A fase da vingança pública


! Com a evolução da organização social, o
Estado passa a ter o poder e o dever de
manter a ordem e a segurança
! A primeira finalidade reconhecida desta
fase foi a segurança do soberano,
mantendo-se a crueldade e a severidade
para intimidar
! Em Roma, inicialmente, manteve-se o
caráter religioso, que foi mais tarde
separado do Direito
DIREITO PENAL MEDIEVAL
(séc. XII)

! Tem início no séc. XII, com o início da


formação dos Estados Nacionais

! Era uma grande miscelânia entre normas


do Direito Romano, Canônico e Germânico

! Período sombrio do Direito Penal que


tinha como objetivo a defesa do príncipe
e da religião
DIREITO PENAL MEDIEVAL

! Alto nível de insegurança na definição dos


crimes e determinação da pena

! Desigualdade de punição para nobres e


plebeus

! Caracterizou-se principalmente pela


atrocidade das penas
DIREITO PENAL MEDIEVAL

! Pena de morte aplicada com frequência,


pelos mais atrozes meios – forca, fogueira,
roda, arrastamento, retirada das vísceras,
enterramento vivo, açoites

! Mutilações – pés, mãos, língua, lábios,


nariz, orelhas, castrações, açoite

! Esse terror gerou uma oposição – Rev.


Francesa – Período Humanitário
PERÍODO HUMANITÁRIO
(séc. XVIII)

! Surge como resposta às arbitrariedades e


excessos cometidos no período anterior
! Faz parte do movimento Iluminista –
ampliou o uso da razão em todas as áreas
! Consciência do problema penal como
problema filosófico e jurídico
! Qual o fundamento do direito de punir e da
legitimidade das penas?
PERÍODO HUMANITÁRIO

! Influência nítida de Montesquieu, Voltaire,


Rousseau e Locke
! Defesa veemente da liberdade, igualdade e
justiça
! Severa crítica dos excessos das penas
! Pena deve ser proporcional ao crime
! 3 principais autores para o DP: Beccaria,
Howard e Bentham
CESARE DE BECCARIA

! 1738 - 1794

! Dos Delitos e das Penas - 1764

! Marcou o início do DP moderno – Escola


Clássica do Direito Penal e Criminologia

! Baseado no contratualismo e utilitarismo


CESARE DE BECCARIA
! Principais idéias:

!  1) Os cidadãos cedem uma parte de sua


liberdade e direitos para viverem em
sociedade. Assim, as penas não podem
atingir direitos não cedidos (pena de morte e
cruéis).

!  2)Só as leis podem definir crimes e fixar as


penas – veda-se ao juiz interpretá-las ou
aplicar sanções arbitrariamente
27
CESARE DE BECCARIA

!  3) As leis devem ser conhecidas pelo


povo – redigidas com clareza para que o
povo possa as entender e cumprir
!  4) A prisão preventiva só se justifica
diante da prova da existência do crime e
de sua autoria
!  5) Vedado o confisco (atinge os
herdeiros) e penas infamantes (recaem
sobre toda a família)
CESARE DE BECCARIA

!  6)Vedado o testemunho secreto, a tortura


e os juízos de Deus (não levam à verdade)

!  7) A pena deve ser utilizada não só para


intimidar, mas também para recuperar o
delinquente
JOHN HOWARD

! 1725-1790
! Iniciou o penitenciarismo
! Foi sheriff e alcaide de Bedford
! Ao viajar a Portugal logo depois de 1755,
seu barco foi capturado por corsários
franceses – conheceu o terror das prisões
! Iniciou a busca pela humanização das
prisões e a reforma do delinquente
JOHN HOWARD

! Escreveu The State of the Prisons in


England and Wales, with Preliminary
Observations and an Account of Some
Foreign Prisons – 1777
! Passou a ser considerado o apóstolo da
humanização das prisões
! Influenciou até mais os EUA do que seu
país
! Filadélfia – primeira prisão celular - 1797
JOHN HOWARD

! Principais idéias:
!  1) Educação religiosa;

!  2) Trabalho regular organizado;

!  3) Condições alimentícias e de higiene


humanas;
!  4) Isolamento parcial para evitar o
contágio moral;
JOHN HOWARD

!  5) separação entre processados,


condenados e devedores;
!  6) separação entre mulheres e homens;

!  7) separação entre jovens e maduras;

!  8) Inspeções periódicas - conveniência


da fiscalização das penitenciária por um
juiz – Juiz das Execuções Criminais.
JEREMY BENTHAM

! 1748-1832
! Seguidor de Howard - contemporâneos
! Utilitarista convicto – David Hume – a
maior felicidade para o maior número
! Aplicou essas idéias ao sistema prisional
! Na sua obra The Constitutional Code , de
1830, defendeu a necessidade da
prevenção e da punição dos delitos
JEREMY BENTHAM

! Apresentou um regime penitenciário que


assentava essencialmente em três pilares:
1- doçura; 2 – rigor; 3 – severidade.
! A par destas três regras defendeu:
!  1) A separação dos reclusos por sexo;
!  2) A manutenção adequada da higiene e do
vestuário dos detidos;
!  3) O fornecimento de uma alimentação
apropriada;
!  4) A aplicação rigorosa do regime disciplinar.
JEREMY BENTHAM

! Bentham pretendia reformar e corrigir os


presos, para que quando saíssem em
liberdade não constituíssem uma desgraça
para (…) a sociedade

! A apresentou uma nova concepção


arquitetônica do edifício prisional a que
chamou Panopticon
JEREMY BENTHAM

! O objetivo do panótico era o de permitir que


o observador – o guarda prisional –
conseguisse observar ( opticon ) todos os
prisioneiros ( pan ) sem que fosse visto por
estes, alimentando-lhes um sentimento de
que estariam constantemente em
observação e por isso refreariam os seus
impulsos ( self-discipline )
JEREMY BENTHAM

! Foram construídos alguns edifícios


prisionais de acordo com a estrutura do
Panopticon:

!  Eastern State Penitentiary – Filadélfia;


!  Pentonville Prison - Londres;

!  Millbank Prison – Londres;

!  Penitenciária Central – Costa Rica.


JEREMY BENTHAM

! Conseguiu que suas idéias diminuíssem o


castigo bárbaro e excessivo que se
produzia nas prisões inglesas
Códigos brasileiros:
- Ordenações Afonsinas (1446) – D. Afonso V;
- Ordenações Manuelinas (1521) – D. Manuel I;
- Compilações de Duarte Nunes de Leão (1569) – D.
Sebastião;
- Ordenações Filipinas (1603) – Filipe II;
- Código Criminal do Império (1830) – D. Pedro I;
- Código Penal da República (1890) – Batista Pereira;
- Código Penal (1940) – Alcântara Machado em 1937 no
Estado Novo, sancionada em 1940 e entrou em vigor
apenas em 1942.
- Anteprojeto de Código Penal (1969) – Nélson Hungria
- Reforma da parte geral (1984)
A lei penal

Características:
- imperativa;
- geral;
- impessoal;
- exclusiva
Formas de interpretação da lei penal

- Autêntica;
Quanto a fonte - Jurisprudencial;
- Doutrinária

- gramatical;

Quanto ao meio - histórica;


empregado - lógico-sistemática;
- teleológica
Formas de interpretação da lei penal

- Declarativa;
Quanto aos resultados
- extensiva;
- restritiva

Vigência e Revogação da Lei penal


- Vacatio legis
- revogação expressa e revogação tácita
- revogação total e revogação parcial
Código Penal – Parte Geral
(Decreto-Lei 2.848/40 alterado pela Lei 7.209/84)

Título I – da aplicação da lei penal (arts. 1º/12)


Título II – do crime (art. 13/25)
Título III – da imputabilidade penal (art. 26/28)
Título IV – do concurso e pessoas (art. 29/31)
Título V – das penas (art. 32/95)
Título VI – das medidas de segurança (art. 96/99)
Título VII – da ação penal (art. 100/106)
Título VIII – da extinção da punibilidade (art. 107/120)
Da aplicação da lei penal (art. 1º/12, CP)

Art. 1º- princípio da legalidade e da anterioridade


Art. 2º - lei penal no tempo
Art. 3º - Lei excepcional ou temporária
Art. 4º - Tempo do crime
Art. 5º - territorialidade
Art. 6º - Lugar do Crime
Art. 8º - Pena cumprida no estrangeiro
Art. 10 – Contagem de prazos
Art. 12 – Legislação Penal Especial
Tít. I - Aplicação da Lei Penal

- Princípio da legalidade ou da reserva legal


(art. 5º, XXXIX, CF/88 e art. 1º, CP)

•  Funções do princípio da legalidade (Nilo Bastista):


-  Proibir a retroatividade da lei penal;
-  Proibir a criação de crimes e penas pelo costume;
-  Proibir o emprego da analogia para criar crimes,
fundamentar ou agravar penas;
-  Proibir incriminações vagas ou indeterminadas
Art. 5º, XXXIX, CF/88 - não há crime sem lei anterior
que o defina, nem pena sem prévia cominação legal;

Anterioridade da Lei
Art. 1º, CP - Não há crime sem lei anterior que o
defina. Não há pena sem prévia cominação legal.
Garantias do princípio da legalidade:

- Lei escrita: ordinária ou complementar, sendo vedado


o costume incriminador.

- Lei estrita: não permite a analogia in malam partem.


Ex.: roubo com emprego de arma (art. 157, §2º, I, CP) – se
for arma de brinquedo não majora a pena, pois seria uma
analogia in malam partem.
Obs.1: interpretação analógica é permitida. Ex.: quando
utiliza fórmula casuística seguida de fórmula genérica,
como no art. 121, §2º, I, CP).
Obs.2: interpretação extensiva tb. é permitida. Ex.: crime
de bigamia (art. 235, CP) abrange a trigamia e poligamia.
Garantias do princípio da legalidade:

- Lei prévia: decorre do princípio da anterioridade. A


lei penal que prejudica o réu é irretroativa.

- Lei certa: decorre do princípio da taxatividade ou


legalidade penal estrita. O tipo penal deve definir de
forma clara a contuda criminosa, sendo vedada previsões
abertas ou imprecisas.
Ex.: art. 20, Lei 7.170/83 (praticar atos de terrorismo); art.
3º, Lei 4.898/65 (constitui abuso de autoridade qualquer
atentado à liberdade…).
Obs.: os tipos penais culposos são abertos, mas pela sua
peculiar natureza aceitos pela dogmática penal. Ex.:
praticar homicídio culposo – art. 121, §3º, CP)
Norma Penal em Branco: é a norma incriminadora que
necessita de complementação em seu preceito primário
(aquele que descreve a conduta criminosa)
- em sentido estrito (ou heterogênea ou própria): o
complemento está em norma de diferente hierarquia. Ex.:
Tráfico de drogas (o que é droga? Art. 66, Lei 11.343/06
determina que uma portaria deve regulamentar; o mesmo no
estatuto do desarmamento – Lei 10.826/03).
- em sentido amplo (ou homogênea ou lato ou imprópria):
o complemento está em norma do mesmo nível. Ex.: art. 312
e art. 327, CP (funcionário público no crime de peculato); ou
ainda art. 237, CP pune quem contrai casamento,
conhecendo a existência de impedimentos que estão
previstos no Código Civil.
Ex. norma penal em branco em sentido amplo ou homogêneo

Conhecimento prévio de impedimento

Art. 237, CP - Contrair casamento, conhecendo a


existência de impedimento que lhe cause a nulidade
absoluta:
Pena - detenção, de três meses a um ano.

Quais são os impedimentos ??


CAPÍTULO III - Dos Impedimentos
Art. 1.521, C.C. Não podem casar:
I - os ascendentes com os descendentes, seja o parentesco
natural ou civil;
II - os afins em linha reta;
III - o adotante com quem foi cônjuge do adotado e o
adotado com quem o foi do adotante;
IV - os irmãos, unilaterais ou bilaterais, e demais colaterais,
até o terceiro grau inclusive;
V - o adotado com o filho do adotante;
VI - as pessoas casadas;
VII - o cônjuge sobrevivente com o condenado por
homicídio ou tentativa de homicídio contra o seu consorte.
Obs.1: Classificação da norma penal em branco em
sentido amplo, lato, homogênea ou imprópria:

- Homóloga ou homovitelínea: o complemento está na


mesma norma (na mesma Lei, no mesmo código). Ex.:
art. 312, CP e art. 327, CP;

- Heteróloga ou heterovitelínea: o complemento está


em outra norma (em outra Lei ou outro Código). Ex.: art.
237, Cód. Penal e art. 1.521, Cód. Civil.
Obs.2: Norma penal em branco às avessas, ou
incompletas ou ao revés ou secundariamente
remetidas: É aquela que precisa de complementação em
seu preceito secundário (na descrição da pena)

Ex.: art. 304, CP (é uma NP em branco homogênea e


homovitelínea e às avessas)
- Princípio da anterioridade e da
irretroatividade da lei penal
(art. 5º, XL, CF/88 e art. 2º, par. único, CP)

Art. 5º, XL, CF - a lei penal não retroagirá, salvo para


beneficiar o réu;

Lei penal no tempo


Art. 2º, CP - Ninguém pode ser punido por fato que lei
posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude
dela a execução e os efeitos penais da sentença
condenatória.
Parágrafo único - A lei posterior, que de qualquer modo
favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que
decididos por sentença condenatória transitada em julgado.
- Princípio da anterioridade e da
irretroatividade da lei penal
(art. 5º, XL, CF/88 e art. 2º, par. único, CP)

- novatio legis incriminadora; Lex gravior =


-  novatio legis in pejus; irretroativa

- novatio legis in mellius; Lex mitior =


- abolitio criminis retroatividade e
ultratividade
Lei Penal no Tempo
(conflito de leis penais no tempo)

- Novatio legis incriminadora: lei nova


que torna típico fato anteriormente não
incriminado. É irretroativa por ser mais
severa.

- Novatio legis in pejus: lei nova é mais


severa que a anterior. É irretroativa por ser
mais severa.
Lei Penal no Tempo

- Novatio legis in mellius: lei nova mais


favorável que a anterior. É retroativa, pois
beneficia o réu.

- Abolitio criminis: não incrimina mais o


fato que anteriormente era ilícito penal. É
retroativa por ser mais benéfica.
Lei Penal no tempo - observações

1- Dúvida a respeito da lei penal mais benéfica: deve ser


analisada no caso concreto, havendo posições extremas
onde poderia se consultar o próprio agente !;

2- Successão de leis penais: aplica-se a regra geral (Ex.


Lei A na data do fato, depois lei B e depois lei C na
senteça)

3- Medida de segurança: aplica-se a regra geral

4- Ocorrendo abolitio criminis, a sentença penal não


apaga os efeitos extra penais da sentença condenatória,
apenas os efeitos penais (art. 2º, CP)
Lei Penal no tempo - observações
5- Crime permanente ou continuado: é aplicável a
última lei que entra em vigor durante a permanência ou
continuidade (Súmula 711, STF)
6- Combinação de leis penais: STF e STJ não admitem –
ex. Art. 33, § 4º, Lei de Drogas (Súm. 501, STJ); mas para
doutrina seria o correto, pois é uma integração do
ordenamento jurídico, ante as normas já criandas pelo
Legislativo
Obs.: informativo 559, STJ, embora não trate de lei no
tempo entendeu que é possível a combinação de leis quanto
ao crime do art. 273, CP com pena de 10 a 15 anos para
falsificação de produtos medicinais, pois viola o princ. da
proporcionalidade e determinou a aplicação da pena da lei
de drogas – art. 33, Lei 11.343/06, com pena de 5 a 15 ano;
Lei Penal no tempo - observações

7- NP em branco: prevalece o entendimento no STF que


a modificação do complemento de uma NP em branco
deve respeitar os princípios da anterioridade ou
retroatividade conforme seja benéfica ou maléfica ao réu.
Ex.: cloreto de etila (HC 94.397-BA, Inf. 578, STF)

Obs.: Há jurisprudência em sentido contrário quando se


trata de mudança de complemento por situação de
anormalidade, possuindo o mesmo efeito de norma penal
excepcional, ou seja, não retroagirá (RHC 16172-SP, 5ª T,
STJ).
Lei Penal no tempo - observações

8- Lei Processual Penal tem aplicação imediata,


diferente da Lei Penal, conforme art. 2º, CPP (tempus
regit actum)

Obs.: para as normas de natureza hibrida prevalece o


entendimento que mantém seu caráter material, não
podendo a lei retroagir, salvo para beneficiar o réu
(considera-se de natureza híbrida quando a lei versa sobre
liberdade do réu ou punibilidade do Estatal, portanto
aplica-se as regras do Direito Penal).
Lei Penal no tempo - observações

9- Abolitio criminis temporária (também chamada de


vacatio legis indireta): o tipo penal não é aplicável por
determinado tempo, por expressa disposição da lei (art. 30,
Lei 10.826/03 – Estatuto do Desarmamento – para posse
de armas de fogo até o prazo de 23/10/05 não era mais
crime – Súm. 513, STJ, mas posteriormente foi várias
vezes adiada por Medida Provisória)

Obs.: última MP era até 31/12/08, portanto até aqui a


posse não era crime. Mas, em 14/04/09 veio nova MP (que
tratava de matéria tributária !!) e estendeu o prazo até
31/12/09. O STJ no Informativo 519 entendeu então que a
posse de arma de fogo não era criminosa até 31/12/09.
Competência para aplicação da lei mais benéfica
-  Na fase de IP ou conhecimento: juiz de direito;

-  Na fase recursal: Câmara ou Turma recursal;

-  Na fase de execução da pena: Juízo das execuções


penais (art. 66, I, LEP e Súmula 611, STF)
Obs.: a coisa julgada é uma garantia do cidadão, mas a
aplicação da lei benéfica tb., portanto há ponderação/
relatividade nos direitos individuais e prevalece que a
retroatividade da lei benéfica não respeita a coisa
julgada, conforme art. 2º, parágrafo único, CP e o
próprio juiz da execução aplica esta retroatividade
(Súmula 611, STF)
Lei excepcional ou temporária
Art. 3º, CP - A lei excepcional ou temporária, embora
decorrido o período de sua duração ou cessadas as
circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato
praticado durante sua vigência.

- Lei excepcional Ultratividade maléfica


- Lei temporária

Obs.: São normas ultra-ativas, pois aplicam-se aos


atos praticados durante sua vigência, mesmo após sua
revogação.
Lei excepcional: feita para vigorar em épocas especiais,
como guerra ou calamidade. Não tem prazo certo, pois
depende do término da situação excepcional.

Lei temporária: feita para vigorar por prazo determinado.


Ex.: Lei geral da Copa (lei 12.663/12 com prazo de vigência
até 31/12/14, nos termos do seu art. 36)

Obs.: Zafaroni e Nucci entendem que o art. 3º não foi


recepcionado pelo art. 5º, XL, CF/88, que ordena a
retroatividade da lei penal benéfica. Outros doutrinadores
entendem que não há incompatibilidade com a CF, pois não
se trata de um conflito de leis no tempo, mas sim auto-
revogação da Lei. O STF ainda não analisou este caso.
Tempo do crime
- Teoria da atividade: considera como
crime o momento da conduta (art. 4º, CP);

- Teoria do Resultado: considera o


momento da consumação;

- Teoria mista: considera tanto o momento


da conduta quanto do resultado.
Tempo do crime Momento consumativo

Tempo do crime
Art. 4º - Considera-se praticado o crime no
momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o
momento do resultado

Art. 14 - Diz-se o crime:


Crime consumado
I - consumado, quando nele se reúnem todos os elementos de
sua definição legal;
Tentativa
II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma
por circunstâncias alheias à vontade do agente.
Conflito aparente de normas:

Tem como pressuposto um fato e duas ou mais leis.


O conflito é apenas aparente, pois apenas uma
norma será aplicada.

Ex.: matar alguém é homicídio, infanticídio ou


latrocínio ?

Há 4 princípios para solucionar este conflito aparente


de normas:
Conflito aparente de normas

-  Princípio da especialidade (lei especial


derroga lei geral) possui elementos especializantes,
independente da gravidade do crime.

-  Ex.: art. 121 (homicídio) x art. 123 (infanticídio)

-  Ex.: art. 334-A, CP (contrabando=importar


mercadoria proibida) e art. 33, Lei 11.343/06
(tráfico de drogas).
- Princípio da subsidiariedade (lei principal anula
lei subsidiária, que é um soldado de reserva). Considera-
se primária a norma que prevê uma violação mais
ampla e grave ao bem jurídico tutelado.
- Expressa: Art. 132, CP (perigo para a vida ou saúde de
outrem) – é um soldado de reserva em relação ao crime de
lesões corporais ou homicídio; art. 15, Lei 10.826/03 -Est.
Desarm. (disparo de arma de fogo)
- Tácita: ocorre quando o tipo penal serve em determinado
contexto como qualificadora, majorante ou elemento
constitutivo de outro tipo penal. Ex.: art. 163, CP (crime de
dano) e art. 155, §4º, I, CP (furto com rompimento de
obstáculo)
Conflito aparente de normas

-  Princípio da consunção ou absorção


(anulação da norma já está contida em outra). A conduta
criminosa que serve como meio de preparação, execução
ou mero exaurimento de outra é por esta absorvida. Um
delito serve a prática de outro.
-  Ante-fato impunível: uma conduta criminosa é meio de
praparação para outra, sendo por esta absorvida. Ex.:
violação de domicílio - art. 150- já está contida no furto
– art. 155). O delito fim absorve o delito meio.
-  Art. 297, CP (falsificação de doc) e art. 171, CP
(estelionato) = Súm. 17, STJ.
-  Princípio da consunção ou absorção.
-  Pós-fato impunível: Ocorre quando o agente pratica um
segundo crime, violando o mesmo bem jurídico para
obter a vantagem que queria com o primeiro. O 2º crime
é mero exaurimento do 1º.
-  Ex.: art. 289, CP (moeda falsa) x art. 289, §1º, CP
(colocar moeda falsa em circulação);
-  Art. 297, CP (falsificação de doc) x art. 304, CP (uso de
doc. falso).

-  Obs.: Cezar R. Bitencourt entende que princ. da


consunção ou absorção não é conflito aparente de
normas, pois são condutas diversas.
-  Princípio da consunção ou absorção.

-  Crime progressivo: ocorre quando o agente precisa


progressivamente passar por determinados tipos penais
para violar certos bens jurídicos, respondendo apenas
pelo crime mais grave.

-  Ex.: Art. 121, CP (homicídio) – para matar alguém o


agente precisa obrigatoriamente passar pelo art. 129, CP
(lesões corporais), que será absorvido.
-  Princípio da consunção ou absorção.

-  Progressão criminosa: ocorre quando, após realizar


determinada violação de um bem jurídico, o agente
modifica seu dolo decidindo por praticar crime mais
grave no mesmo contexto fático. Responderá apenas por
este último.

-  Ex.: quer praticar lesão corporal e pratica dando uma


facada no abdomem da vítima. Depois, já que está com a
vítima no chão, resolve dar uma facada na jugular ! Só
responde pelo homicídio pela progressão criminosa.
Conflito aparente de normas
- Princípio da alternatividade (só é punido por
uma conduta nos crimes de ação múltipla). É aplicável
nos tipos mistos alternativos, nos quais a prática de
vários núcleos no mesmo contexto fático gera crime
único.
- Ex.: art. 122, CP (induzimento, instigação o auxílio ao
suicídio;
- Art. 33, Lei 11.343/06 (tráfico de drogas)
Obs.: na verdade não há conflito de normas, pois o tipo
penal é um só, com vários verbos !
Obs.: não se aplica nos tipos mistos cumulativos. Ex.:
art. 242, CP.
Lei Penal no Espaço
Quanto ao lugar do crime:
-  Teoria da atividade: é o local da conduta
criminosa

-  Teoria do resultado: é o local da consumação

-  Teoria mista ou da ubiqüidade: é tanto o local


da conduta como o do resultado (art. 6º, CP).
Lugar do Crime (art. 6º, CP)

Fixação de competência (art. 70, CPP)

Lugar do crime
Art. 6º, CP - Considera-se praticado o crime no lugar
em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte,
bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o
resultado.

Art. 70, CPP. A competência será, de regra,


determinada pelo lugar em que se consumar a infração,
ou, no caso de tentativa, pelo lugar em que for
praticado o último ato de execução.
Princípios de aplicação da lei penal no
espaço
•  Princípio da territorialidade: aplica-se a lei
nacional ao fato praticado no território do
próprio país (art. 5º, caput, CP)

-Absoluta: só é aplicável a lei nacional;


Territorialidade -Temperada/mitigada: excepcionalmente
se aplica lei estrangeira (art. 5º, caput, CP)

Territorialidade
Art. 5º, CP - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções,
tratados e regras de direito internacional, ao crime cometido no
território nacional.
O que é território nacional para fins penais ?
Onde o Estado exerce sua soberania nacional (solo, rios,
lagos, mares, 12 milhas da costa, espaço aéreo) e mais:
Art. 5º, § 1º, CP - Para os efeitos penais, consideram-se como
extensão do território nacional as embarcações e aeronaves
brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo
brasileiro onde quer que se encontrem, bem como as aeronaves e
as embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade
privada, que se achem, respectivamente, no espaço aéreo
correspondente ou em alto-mar.

§ 2º - É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados


a bordo de aeronaves ou embarcações estrangeiras de
propriedade privada, achando-se aquelas em pouso no território
nacional ou em vôo no espaço aéreo correspondente, e estas em
porto ou mar territorial do Brasil.
Princípio da territorialidade

Obs.: nos termos do art. 6º, CP, se qualquer parte do


crime ocorre no Brasil, aplica-se, via de regra, a lei penal
brasileira, pelo princípio da territorialidade. Ex.: conduta
em um país e resultado em outro (crime à distância)

Obs.: a embaixada não é extensão territorial para fins


de aplicação da lei penal. Ex.: crime praticado na
embaixada dos EUA, como regra, se aplica a lei
brasileira (salvo se houver convenções ou tratados em
sentido contrário).
Princípio da territorialidade
Obs.: com base no art. 5º, §2º, CP a lei penal brasileira
tb é aplicável a embarcação ou aeronave privada
estrangeira quando em nosso território em sentido
estrito, mas não se aplica a lei brasileira quanto as
embaracações ou aeronaves públicas estrangeiras.

Obs.: o direito brasileiro garante a passagem inocente da


embarcação estrangeira privada com base no art. 3º, Lei
8.617/93 (Cód. das Águas)

Obs.: os destroços de embarcação mantém a bandeira de


seu país de origem para fins de aplicação da lei penal.
Extraterritorialidade: aplica-se a lei penal
brasileira a fatos ocorridos no exterior (é
excepcional e aplicada apenas nas hipóteses
previstas em lei).

• P rincípio da nacionalidade ativa (ou


personalidade): aplica-se a lei do país de
origem do agente (art. 7º, II, b, CP – extraterrit.
condicionada);

• Princípio de proteção (ou da defesa ou


real): é usada a lei do país que teve o seu bem
jurídico atingido/violado (art. 7º, I, CP –
extraterrit. incond.);
•  Princípio da competência universal (ou da
justiça universal ou cosmopolita): é usada a
lei do país onde o criminoso foi detido (art. 7º, II,
a, CP - extraterrit. condicionada);

•  Princípio da representação (ou da bandeira):


em delitos cometidos em aeronaves ou
embarcações usa-se a lei do país (da bandeira)
quando outros que deveriam reprimir não o
fazem (art. 7º, II, c, CP - extraterrit.
condicionada, quando não julgado no
estrangeiro).
Quanto ao espaço aéreo:
•  Teoria da absoluta liberdade do ar

•  Teoria da soberania

•  Teoria da soberania sobre a coluna


atmosférica (art. 11 do Código Brasileiro
da Aeronáutica - Lei nº 7.565/86)
Extraterritorialidade
•  Extraterritorialidade incondicionada (art. 7º,
§, 1º, CP)

•  Extraterritorialidade condicionada (art. 7º, §


2º e 3º, CP)
Extraterritorialidade
Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora
cometidos no estrangeiro:
I - os crimes: (extraterrit incondicionada)
a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da
República;
b) contra o patrimônio (art. 155/180, CP) ou a fé
pública (art. 289/311-A, CP) da União, do Distrito
Federal, de Estado, de Território, de Município, de
empresa pública, sociedade de economia mista,
autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público;
c) contra a administração pública (art. 312/326,
CP), por quem está a seu serviço;
d) de genocídio (art. 1º/3º, Lei 2.889/56), quando o
agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil;
Art. 7º... (extraterrit condicionada)
II - os crimes:
a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou
a reprimir;
b) praticados por brasileiro;
c) praticados em aeronaves ou embarcações
brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, quando
em território estrangeiro e aí não sejam julgados.

§ 1º - Nos casos do inciso I, o agente é punido segundo a


lei brasileira, ainda que absolvido ou condenado no
estrangeiro.
Art. 7º... (extraterrit condicionada),
§ 2º - Nos casos do inciso II, a aplicação da lei
brasileira depende do concurso das seguintes condições:
a) entrar o agente no território nacional;
b) ser o fato punível também no país em que foi
praticado;
c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a
lei brasileira autoriza a extradição;
d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou
não ter aí cumprido a pena;
e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou,
por outro motivo, não estar extinta a punibilidade, segundo
a lei mais favorável.
Art. 7º,
§ 3º - A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido
por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, se,
reunidas as condições previstas no parágrafo anterior:
a) não foi pedida ou foi negada a extradição;
b) houve requisição do Ministro da Justiça.
Lei Penal em Relação às
pessoas

•  Imunidades diplomáticas

•  Imunidades parlamentares
- Absoluta ou material
- relativa ou formal
»  em relação a prisão
»  em relação ao processo
•  Imunidade de deputados estaduais e vereadores

•  Imunidade do Presidente da República


- Cláusula de imunidade penal relativa
»  em relação à prisão
»  em relação ao processo

•  Imunidade dos advogados


•  Pena cumprida no estrangeiro (art. 8º)

Art. 8º - A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena


imposta no Brasil pelo mesmo crime, quando diversas,
ou nela é computada, quando idênticas.

Ex. penas idênticas: pena privativa de liberdade no


estrangeiro e no Brasil, computa-se a pena estrangeira.

Ex. penas diversas: pena privativa de liberdade no


Brasil e chibatada no estrangeiro. Não há como
computar, portanto só vai atenuar a pena.
Eficácia de sentença estrangeira (art. 9º)
Art. 9º - A sentença estrangeira, quando a aplicação da lei
brasileira produz na espécie as mesmas conseqüências, pode
ser homologada no Brasil para: (a comp. é do STJ)
I - obrigar o condenado à reparação do dano, a
restituições e a outros efeitos civis;
II - sujeitá-lo a medida de segurança.

Parágrafo único - A homologação depende:


a) para os efeitos previstos no inciso I, de pedido da
parte interessada;
b) para os outros efeitos, da existência de tratado de
extradição com o país de cuja autoridade judiciária emanou
a sentença, ou, na falta de tratado, de requisição do Ministro
da Justiça.
Extradição (crime cometido fora do Brasil)
Brasileiro nato = NUNCA
Bras. naturalizado crime comum antes da naturalização
tráfico de drogas a qualquer tempo

Expulsão (crime cometido no Brasil)


- Somente de estrangeiros

Deportação (entrada irregular no Brasil)


- Somente de estrangeiros
Contagem de prazo (art. 10)
Art. 10 - O dia do começo inclui-se no cômputo do
prazo. Contam-se os dias, os meses e os anos pelo
calendário comum.

- penal
- processual penal (art. 798, § 1º, CPP)
- calendário comum : dias, meses e anos.

Frações não computáveis da pena (art. 11, CP)


- horas, minutos e centavos são desprezados

Legislação Especial (art. 12, CP)


Código Penal – Parte Geral
(Decreto-Lei 2.848/40 alterado pela Lei 7.209/84)

Título I – da aplicação da lei penal (arts. 1º/12)

Título II – do crime (art. 13/25)


Título III – da imputabilidade penal (art. 26/28)
Título IV – do concurso e pessoas (art. 29/31)
Título V – das penas (art. 32/95)
Título VI – das medidas de segurança (art. 96/99)
Título VII – da ação penal (art. 100/106)
Título VIII – da extinção da punibilidade (art. 107/120)