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O QUE É

LIDERANÇA?

Diante dos desafios eclesiásticos existentes se faz necessário redefinir o que é ser um
líder nos nossos dias. Com essa finalidade, abordaremos o conceito bíblico de liderança
e faremos uma análise detalhada de um novo paradigma de liderança. A liderança
influenciadora. Discorreremos, também sobre o processo, a preparação e os valores
pessoais que são necessários à eficácia dessa Liderança Influenciadora.
I. Conceituando Liderança

Desde os tempos mais remotos observa-se que os líderes exercem uma função muito
importante em todos os tipos de civilização, sociedades ou organizações. É uma
condição de sucesso das mesmas (Cunha, Rego, Cunha & Cardoso, 2003).
No cenário eclesiástico os líderes estão despertando para a importância desse tema
pois, eles compreenderam que ter poder não é suficiente para a concretização dos
objetivos propostos, e sem essa concretização. A relevância da missão da igreja fica
comprometida dentro do seu próprio contexto social.

1. Liderança Bíblica
Robert Clinton (1993) define liderança bíblica como um processo dinâmico em que um
homem ou uma mulher com uma capacidade dada por Deus influencia um grupo
específico de pessoas para alcançar um propósito divino.
A história bíblica é marcada por grandes líderes que influenciaram suas Gerações, sendo
Jesus, o maior de todos eles. John Maxwell (2001) explica que o chamado à liderança é
um padrão constante na Bíblia. Quando Deus decidiu erguer uma nação para si, ele
chamou um líder: Abraão. Quando quis libertar o seu povo do Egito, ele levantou um
líder para fazer isso: Moisés. Quando chegou a hora de entrar na Terra Prometida, o
povo seguiu um homem: Josué.

Sempre que Deus desejou fazer algo específico, ele chamou um líder para tomar a
frente. Ainda hoje Ele chama líderes para conduzir a execução de cada projeto que Ele
quer executar no mundo e no meio do seu povo.

Quando se trata da formação e desenvolvimento de líderes existem duas correntes


extremas: a primeira que diz que “as pessoas já nascem líderes”. A segunda diz que “
líderes são feitos através de técnicas e treinamento”. A verdade é que existem processos
que Deus usa para produzir líderes e esses líderes chamados por Deus passam por uma
mudança interior para estabelecerem valores, princípios e desenvolverem habilidades
para liderarem as pessoas.

Segundo James Hunter (2014), é crucial que os líderes se reúnam com frequência para
refletir sobre sua chamada, seu comportamento e renovar seus conceitos de liderança.
Ele afirma que há três coisas que devem ser feitas nesses períodos de reflexão: a
primeira é reaprender e redescobrir os princípios da liderança; a segunda é discutir os
passos necessários para colocá-los em prática e manter esses princípios na nossa vida;
em terceiro e último lugar, está a necessidade de examinar como treinar outros líderes
e construir uma cultura sadia dentro das organizações. Essa reflexão precisa acontecer
num ambiente de integração com outros líderes que queiram crescer para trazer as
mudanças necessárias, inovando as formas mas sem perder os princípios.
O fato é que, a liderança existe e é importante em todos os grupos, sejam
organizacionais, eclesiástico, familiares e outros. Sabemos o que é uma boa liderança
quando se vê bons líderes e sabemos quando não a temos. Há uma grande necessidade
de uma liderança cristã que modele as práticas e condutas e que seja contextualizada à
realidade.

[É crucial que os líderes de vez em quando se reúnam para refletir sobre sua chamada,
seu comportamento e renovar seus conceitos de liderança.]

Então, como poderíamos definir liderança?

2. Liderança Influenciadora
Dentro do contexto eclesiástico institucional/ organizacional foi escolhido como novo
paradigma uma liderança influenciadora. Esta liderança, exerce uma ação capaz de
inspirar, instruir e afetar o desenvolvimento de condutas e estabelecer princípios
bíblicos pelos quais direcionará a condução e a mobilização da igreja local. Eis aqui então
a definição de liderança que será usada em todo o treinamento:

Liderança Influenciadora é a habilidade de inspirar pessoas a realização de um


objetivo comum.

Trabalhando essa definição detalhadamente determinou-se os seguintes conceitos:


Habilidade – A liderança é entendida como uma habilidade porque se trata de uma
capacidade que pode ser adquirida, aprendida e desenvolvida por alguém que tenha a
vontade e coloque em prática os valores, os princípios e as ações adequadas.
Inspirar – O valor da liderança está determinado pela capacidade de inspirar. Porque
liderar é gerar um ideal no coração das pessoas.
Pessoas – Essa habilidade de inspirar diz respeito tanto a indivíduos como equipes. Um
líder influenciador não somente tem a capacidade de fazer, mas principalmente de
inspirar os outros a fazerem. A inspiração acontece quando as pessoas acreditam
genuinamente que o líder as coloca em primeiro lugar.
Realização - Torna-se a finalidade da liderança, no sentido de tornar real aquilo que foi
inspirado. A realização se efetua através da orientação das ações dos indivíduos e
equipes e do compromisso para com o objetivo comum e para uns com os outros.
Objetivo Comum – São os resultados a atingir e não as atividades. Ele é fundamental
porque foi abraçado como um compromisso pessoal e coletivo.

Concluímos, com a afirmação que, o líder influenciador é aquele capaz de inspirar


pessoas a realizar um objetivo comum.
A liderança influenciadora é uma forma de relacionamento entre as pessoas e o mesmo
deve ser desenvolvido diariamente. Para que essa liderança seja capaz e conduzir as
pessoas a cumprir os propósitos de Deus. Esse relacionamento não está baseado na
posição de poder, no título, mas na chamada divina, na integridade do coração e nas
habilidades pessoais, como vemos na liderança de Davi no Salmo 78.70-72. “Também
elegeu a Davi seu servo, e o tirou dos apriscos das ovelhas; E o tirou do cuidado das que
se acharam prenhes; para apascentar a Jacó, seu povo, e a Israel, sua herança. Assim os
apascentou, segundo a integridade do seu coração, e os guiou pela perícia de suas
mãos”.

II . Processo de Preparação de um Líder

Todos aqueles que são chamados a posição de liderança devem tomar consciência que
líderes não nascem prontos mas são formados por Deus. Ser um líder influenciador, que
inspira pessoas, exige um processo de preparação que muitas vezes custará caro ao líder
antes de sua liderança ser reconhecida e aprovada por Deus e pelos homens.

Deus tem um processo específico para cada líder, cada fase varia de líder para líder
mas se o líder estiver disposto a se submeter a Deus e aprender as lições de cada fase,
de cada teste, de cada treinamento, Deus o levará através de um processo de
transformação a experimentar toda a plenitude e satisfação de cumprir aquilo pelo
qual ele foi chamado por Deus.

Deus deseja que todos os chamados à liderança sejam treinados e preparados por Ele,
para isso Ele usa muitos meios. A preparação ocorre muitas vezes antes de se exercer
qualquer liderança e também enquanto se lidera. A preparação é um processo continuo
na vida do líder. O profeta Isaías declarou: “Mas agora, ó Senhor, tu és nosso Pai; nós o
barro e tu o nosso oleiro; e todos nós a obra das tuas mãos (Is 64.8)”. Os líderes não
devem resistir ao processo de Deus para sua formação e capacitação para não ocorrer
que durante a jornada ministerial muitos sejam desqualificados.
Nesse processo preparatório o foco está nos fundamentos que são a perseverança na
visão recebida de Deus, o caráter, e as competências necessárias que formam um
conjunto de valores pessoais e princípios essenciais para realizar os propósitos divinos.
José foi um desses líderes que passou por um profundo e doloroso processo de
preparação antes e durante o cumprimento de sua chamada de salvar Israel e o mundo
da grande fome revelada a faraó, de acordo com Salmos 105.13-15, e para a tua
semente em terra em que não é sua; e servi-los-á e aflingi-la-ão quatrocentos anos (Gn.
15.13).”
Quais são então os valores pessoais de um líder influenciador dentro de uma instituição
eclesiástica?
III. Valores Pessoais de um Líder

Compromisso com a organização: liderança é criar um ambiente de participação e


integração. O líder deve certificar-se que as pessoas participem ativamente dos
objetivos, dos resultados e do cumprimento da visão dada por Deus para aquela
organização.
Comportamento ético: A liderança deve firmar modelos e padrões de comportamento
ético. A maneira como cada líder se comporta poderá afetar a imagem da instituição.
Pronto para servir: Liderar pelo exemplo é a chave da transformação de uma
organização. Jesus transformou o mundo porque liderou sendo exemplo a ser seguido.
Boa Comunicação: Liderança demanda informação compartilhada. O líder deve ter a
habilidade para ouvir e saber falar, certificar-se que todas as pessoas sob sua liderança
tenham as informações necessárias para executarem suas funções satisfatoriamente.
Trabalhar em equipe: O sucesso de um líder está na capacidade de saber trabalhar com
as pessoas e organizá-las em equipes. O líder deve ter habilidade para inspirar equipes,
treiná-las e desenvolver o que há de melhor nas pessoas.
Saber delegar: um líder deve ser competente na delegação das tarefas para outras
pessoas. Líderes devem encorajar e treinar outros a se tornarem líderes.
Honestidade e integridade: Líderes devem ter um caráter inquestionável. A sua fala e a
sua prática devem dizer a mesma coisa.
Assumir Responsabilidades: Líderes assumem responsabilidades e demonstram
confiança sem arrogância no exercício das suas funções. Eles assumem
responsabilidades por suas decisões, pelas pessoas que estão sob sua liderança e pela
equipe que trabalha com ele.
Aprendizado continuo: Posições de liderança requerem um constante processo de
aprendizado, prática e treinamento durante toda a vida do líder. Aprender é crescer.
Sentir paixão e entusiasmo pelo trabalho: A motivação para o trabalho deve ser fruto
de uma chamada de Deus. Os líderes devem ter um sentimento profundo de
compromisso pela chamada divina. Esta deve queimar no seu coração e motivar seu
trabalho.
Capacidade de relacionamento interpessoal: O líder deve ter autoconhecimento e
autocontrole. Deve saber controlar suas emoções, administrar suas atitudes, podendo
assim construir um modelo de relacionamento saudável com as outras pessoas.

Conclusão

Há uma relação profunda entre os valores pessoais e a eficácia da liderança. Essa relação
se torna extremamente importante, pois uma vez que esses valores são internalizados
torna-se, consciente ou inconscientemente, um padrão ou critério para guiar ações e
atitudes com relação às outras pessoas. As pessoas decidem de acordo com o sistema
de valores que adotam. Os valores e atitudes são importantes porque podem definir o
comportamento e este irá influenciar as pessoas.

A INTEGRIDADE
DO LÍDER
Há certos valores que precisam estar sempre presentes na vida, relacionamentos e
processos de liderança. Um deles chama-se integridade. Infelizmente, a igreja
evangélica brasileira vem passando por uma gravíssima crise de integridade, daí a
relevância desse estudo para a reflexão da liderança eclesiástica desse tempo.

Neste estudo sobre a integridade na vida do líder, especificamente, trata-se de três


áreas imprescindíveis para a construção de uma liderança eficaz. Integridade do Coração
– Integridade nos Relacionamentos – Integridade na Liderança.

Conceito de Integridade
Veja a definição: “Integridade” vem do latim, integritas, qualidade de ser autêntico,
transparente, sincero, reto, honesto exemplar. É fato que nenhum homem tem garantia
segura que nunca e em circunstância alguma será apanhado em alguma falha ou algum
pecado. Dentre tantas verdades marcantes do cristianismo, uma delas é esta: todos
dependem de Deus. Assim sendo, o objetivo de Cristo é tão-somente levar o homem a
orar como o salmista Davi: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro em
mim um espírito reto” (Sl 51.10).

Você deve entender que a integridade vai além da sinceridade e da fidelidade. A


sinceridade é um comportamento da alma expresso através do reconhecimento da
verdade; enquanto que a fidelidade é a observância rigorosa dessa verdade.
Integridade, portanto, é a vivência da sinceridade e da fidelidade com base na
obediência.

O pastor Ronaldo Lidório (LIDÓRIO, 2008, p.16), em seu livro, “Liderança e Integridade”
define a questão assim: “A Integridade leva-nos a uma profunda inquietação que produz
transformações internas e externas. Faz-nos desejar viver de acordo com a nossa fé,
nossos valores, nossos sermões e de acordo com a bíblia que lemos e o Deus no qual
cremos”.
O Comentário da Bíblia Shedd (SHEDD, 1998) fala a respeito de Jó, que foi chamado
íntegro. Em Jó 1.1, comenta-se ali: “Homem íntegro. Literalmente: completo, que não
ignifica sem pecado, mas um homem de honradez, reto, com o temor de Deus em seu
coração”. Tudo que Jó fazia era buscar a cada dia viver de forma autêntica.
Muitos de vocês devem conhecer líderes na caminhada cristã que tem um
relacionamento superficial com Deus. Reconhecem os seus erros, as bem o caminho a
seguir, mas não o fazem. Isso porque não conseguem aplicar aos processos da sua vida,
a integridade.

Fundamentos da Integridade na Vida do Líder

I. Integridade do Coração
A espiritualidade cristã é uma espiritualidade do coração. O livro de provérbios ensina
que: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem
as saídas da vida” (Pv 4.23). A vida espiritual é aquela que leva a tirar do coração o que
há de mais precioso e oferecê-lo ao Senhor; que leva a buscar nos compartimentos mais
secretos da alma os sentimentos mais nobres e puros e dedica-los ao serviço do Mestre.

A Palavra de Deus usa expressões como coração puro (Sl 51.10), de todo o teu coração
(Mt 22.37), integridade do coração (Sl 78.72) e santidade ao Senhor (Ex 28.36), para que
haja entendimento de que o homem é avaliado por Cristo pelas coisas do coração, e não
pela aparência exterior de suas atitudes realizações e conquistas. Em 1º Samuel 16. 7 o
profeta Samuel deixa claro que “o homem vê o que está diante dos olhos, porém o
Senhor olha para o coração”. O Senhor sonda o coração (Sl 139.23,24). Portanto é a
imagem interna, e não a externa, que precisa de maior cuidado.

Nesse ponto atente para três verdades que servirão como âncora na busca de um
coração íntegro. Um coração perfeito diante do Senhor precisa de cuidados
permanentes (2ºCr 16.9).

[1ª Verdade - Para um coração perfeito diante de Deus é preciso tratar as


afeições mundanas que combatem contra a integridade do coração (1ªJo 2.15).
2ª Verdade – Para um coração perfeito diante de Deus é preciso tratar a questão
das motivações impuras que povoam os pensamentos e influenciam as ações
(Nm 23).
3ª Verdade - Para um coração perfeito diante de Deus é preciso vigilância para
que as intenções erradas do coração não acionem o juízo do Senhor levando-
lhe a destruição e a morte (At 5.1-11).

É no campo privado e particular do coração que as batalhas são travadas. Nesse


ponto, tire um tempo para ponderar sobre o real estado do seu coração. Antes
de refletir e ponderar ore como o salmista (Sl 139.23,24). Como está a sua vida
com Deus? Não com relação ao seu ministério, realizações, títulos ou condição
social. Deixe tudo isso de lado por um momento, e, na presença do Pai, peça
que Ele, que sonda os corações, lhe traga à memória aquilo que necessita de
concerto, de perdão e de quebrantamento para restaurar a integridade do seu
coração.]

II. Integridade nos Relacionamentos


Aqueles que têm problemas em estabelecer relacionamentos no plano horizontal com
as pessoas, também têm problemas para estabelecer um genuíno relacionamento no
plano vertical com Deus. De certa forma, é mais fácil desenvolver um caráter íntegro no
horizonte da alma do que nos relacionamentos interpessoais.

Na vida ministerial deveria haver mais espaço para o desenvolvimento de


relacionamentos sinceros. O pastor Ronaldo Lidório (LIDÓRIO, 2008, p.51) afirma quanto
à integridade nos relacionamentos com justificada preocupação, o seguinte: “Em geral,
tratamos as pessoas de acordo com aquilo que pensamos a respeito delas. E a verdade
é que invariavelmente, desconhecemos aqueles que nos cercam. Desconhecemos suas
ansiedades, e frustrações, sonhos e esperanças, histórias e paixões”.

[“Em geral, tratamos as pessoas de acordo com aquilo que pensamos


a respeito delas. E a verdade é que invariavelmente, desconhecemos
aqueles que nos cercam. Desconhecemos suas ansiedades, e
frustrações, sonhos e esperanças, histórias e paixões”]

Veja alguns parâmetros que te ajudará a julgar seus relacionamentos e motivações em


relação ao próximo:

1. Avalie a qualidade de suas ações


“E se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis demais? Não fazem
os publicanos também assim?” (Mt 5.47). Este “que fazeis demais” é o
questionamento de Jesus em relação às atitudes quanto a vários aspectos
fundamentais da vivência diária e que afetam a todos, principalmente a liderança
eclesiástica na questão dos seus relacionamentos (Mt 5. 23,24,28, 41,42,44).
Dentre estes aspectos, destacam-se dois:

Primeiro: Não haverá integridade nos relacionamentos à parte do amor de Deus


(1Co 13.1-8). Segundo: A humildade é um elemento fundamental para
relacionamentos íntegros. O apóstolo Pedro lembra de que “Deus resiste aos
soberbos” e ensina dizendo: “cingi-vos todos de humildade” (1Pe 5.5).

2. Saiba que o requisito principal para a liderança é a fidelidade


O QUE É
LIDERANÇA?

Diante dos desafios eclesiásticos existentes se faz necessário redefinir o que é ser um
líder nos nossos dias. Com essa finalidade, abordaremos o conceito bíblico de liderança
e faremos uma análise detalhada de um novo paradigma de liderança. A liderança
influenciadora. Discorreremos, também sobre o processo, a preparação e os valores
pessoais que são necessários à eficácia dessa Liderança Influenciadora.
I. Conceituando Liderança

Desde os tempos mais remotos observa-se que os líderes exercem uma função muito
importante em todos os tipos de civilização, sociedades ou organizações. É uma
condição de sucesso das mesmas (Cunha, Rego, Cunha & Cardoso, 2003).
No cenário eclesiástico os líderes estão despertando para a importância desse tema
pois, eles compreenderam que ter poder não é suficiente para a concretização dos
objetivos propostos, e sem essa concretização. A relevância da missão da igreja fica
comprometida dentro do seu próprio contexto social.

1. Liderança Bíblica
Robert Clinton (1993) define liderança bíblica como um processo dinâmico em que um
homem ou uma mulher com uma capacidade dada por Deus influencia um grupo
específico de pessoas para alcançar um propósito divino.
A história bíblica é marcada por grandes líderes que influenciaram suas Gerações, sendo
Jesus, o maior de todos eles. John Maxwell (2001) explica que o chamado à liderança é
um padrão constante na Bíblia. Quando Deus decidiu erguer uma nação para si, ele
chamou um líder: Abraão. Quando quis libertar o seu povo do Egito, ele levantou um
líder para fazer isso: Moisés. Quando chegou a hora de entrar na Terra Prometida, o
povo seguiu um homem: Josué.

Sempre que Deus desejou fazer algo específico, ele chamou um líder para tomar a
frente. Ainda hoje Ele chama líderes para conduzir a execução de cada projeto que Ele
quer executar no mundo e no meio do seu povo.

Quando se trata da formação e desenvolvimento de líderes existem duas correntes


extremas: a primeira que diz que “as pessoas já nascem líderes”. A segunda diz que “
líderes são feitos através de técnicas e treinamento”. A verdade é que existem processos
que Deus usa para produzir líderes e esses líderes chamados por Deus passam por uma
mudança interior para estabelecerem valores, princípios e desenvolverem habilidades
para liderarem as pessoas.

Segundo James Hunter (2014), é crucial que os líderes se reúnam com frequência para
refletir sobre sua chamada, seu comportamento e renovar seus conceitos de liderança.
Ele afirma que há três coisas que devem ser feitas nesses períodos de reflexão: a
primeira é reaprender e redescobrir os princípios da liderança; a segunda é discutir os
passos necessários para colocá-los em prática e manter esses princípios na nossa vida;
em terceiro e último lugar, está a necessidade de examinar como treinar outros líderes
e construir uma cultura sadia dentro das organizações. Essa reflexão precisa acontecer
num ambiente de integração com outros líderes que queiram crescer para trazer as
mudanças necessárias, inovando as formas mas sem perder os princípios.
O fato é que, a liderança existe e é importante em todos os grupos, sejam
organizacionais, eclesiástico, familiares e outros. Sabemos o que é uma boa liderança
quando se vê bons líderes e sabemos quando não a temos. Há uma grande necessidade
de uma liderança cristã que modele as práticas e condutas e que seja contextualizada à
realidade.

[É crucial que os líderes de vez em quando se reúnam para refletir sobre sua chamada,
seu comportamento e renovar seus conceitos de liderança.]

Então, como poderíamos definir liderança?

2. Liderança Influenciadora
Dentro do contexto eclesiástico institucional/ organizacional foi escolhido como novo
paradigma uma liderança influenciadora. Esta liderança, exerce uma ação capaz de
inspirar, instruir e afetar o desenvolvimento de condutas e estabelecer princípios
bíblicos pelos quais direcionará a condução e a mobilização da igreja local. Eis aqui então
a definição de liderança que será usada em todo o treinamento:

Liderança Influenciadora é a habilidade de inspirar pessoas a realização de um


objetivo comum.

Trabalhando essa definição detalhadamente determinou-se os seguintes conceitos:


Habilidade – A liderança é entendida como uma habilidade porque se trata de uma
capacidade que pode ser adquirida, aprendida e desenvolvida por alguém que tenha a
vontade e coloque em prática os valores, os princípios e as ações adequadas.
Inspirar – O valor da liderança está determinado pela capacidade de inspirar. Porque
liderar é gerar um ideal no coração das pessoas.
Pessoas – Essa habilidade de inspirar diz respeito tanto a indivíduos como equipes. Um
líder influenciador não somente tem a capacidade de fazer, mas principalmente de
inspirar os outros a fazerem. A inspiração acontece quando as pessoas acreditam
genuinamente que o líder as coloca em primeiro lugar.
Realização - Torna-se a finalidade da liderança, no sentido de tornar real aquilo que foi
inspirado. A realização se efetua através da orientação das ações dos indivíduos e
equipes e do compromisso para com o objetivo comum e para uns com os outros.
Objetivo Comum – São os resultados a atingir e não as atividades. Ele é fundamental
porque foi abraçado como um compromisso pessoal e coletivo.

Concluímos, com a afirmação que, o líder influenciador é aquele capaz de inspirar


pessoas a realizar um objetivo comum.
A liderança influenciadora é uma forma de relacionamento entre as pessoas e o mesmo
deve ser desenvolvido diariamente. Para que essa liderança seja capaz e conduzir as
pessoas a cumprir os propósitos de Deus. Esse relacionamento não está baseado na
posição de poder, no título, mas na chamada divina, na integridade do coração e nas
habilidades pessoais, como vemos na liderança de Davi no Salmo 78.70-72. “Também
elegeu a Davi seu servo, e o tirou dos apriscos das ovelhas; E o tirou do cuidado das que
se acharam prenhes; para apascentar a Jacó, seu povo, e a Israel, sua herança. Assim os
apascentou, segundo a integridade do seu coração, e os guiou pela perícia de suas
mãos”.

II . Processo de Preparação de um Líder

Todos aqueles que são chamados a posição de liderança devem tomar consciência que
líderes não nascem prontos mas são formados por Deus. Ser um líder influenciador, que
inspira pessoas, exige um processo de preparação que muitas vezes custará caro ao líder
antes de sua liderança ser reconhecida e aprovada por Deus e pelos homens.

Deus tem um processo específico para cada líder, cada fase varia de líder para líder
mas se o líder estiver disposto a se submeter a Deus e aprender as lições de cada fase,
de cada teste, de cada treinamento, Deus o levará através de um processo de
transformação a experimentar toda a plenitude e satisfação de cumprir aquilo pelo
qual ele foi chamado por Deus.

Deus deseja que todos os chamados à liderança sejam treinados e preparados por Ele,
para isso Ele usa muitos meios. A preparação ocorre muitas vezes antes de se exercer
qualquer liderança e também enquanto se lidera. A preparação é um processo continuo
na vida do líder. O profeta Isaías declarou: “Mas agora, ó Senhor, tu és nosso Pai; nós o
barro e tu o nosso oleiro; e todos nós a obra das tuas mãos (Is 64.8)”. Os líderes não
devem resistir ao processo de Deus para sua formação e capacitação para não ocorrer
que durante a jornada ministerial muitos sejam desqualificados.
Nesse processo preparatório o foco está nos fundamentos que são a perseverança na
visão recebida de Deus, o caráter, e as competências necessárias que formam um
conjunto de valores pessoais e princípios essenciais para realizar os propósitos divinos.
José foi um desses líderes que passou por um profundo e doloroso processo de
preparação antes e durante o cumprimento de sua chamada de salvar Israel e o mundo
da grande fome revelada a faraó, de acordo com Salmos 105.13-15, e para a tua
semente em terra em que não é sua; e servi-los-á e aflingi-la-ão quatrocentos anos (Gn.
15.13).”
Quais são então os valores pessoais de um líder influenciador dentro de uma instituição
eclesiástica?
III. Valores Pessoais de um Líder

Compromisso com a organização: liderança é criar um ambiente de participação e


integração. O líder deve certificar-se que as pessoas participem ativamente dos
objetivos, dos resultados e do cumprimento da visão dada por Deus para aquela
organização.
Comportamento ético: A liderança deve firmar modelos e padrões de comportamento
ético. A maneira como cada líder se comporta poderá afetar a imagem da instituição.
Pronto para servir: Liderar pelo exemplo é a chave da transformação de uma
organização. Jesus transformou o mundo porque liderou sendo exemplo a ser seguido.
Boa Comunicação: Liderança demanda informação compartilhada. O líder deve ter a
habilidade para ouvir e saber falar, certificar-se que todas as pessoas sob sua liderança
tenham as informações necessárias para executarem suas funções satisfatoriamente.
Trabalhar em equipe: O sucesso de um líder está na capacidade de saber trabalhar com
as pessoas e organizá-las em equipes. O líder deve ter habilidade para inspirar equipes,
treiná-las e desenvolver o que há de melhor nas pessoas.
Saber delegar: um líder deve ser competente na delegação das tarefas para outras
pessoas. Líderes devem encorajar e treinar outros a se tornarem líderes.
Honestidade e integridade: Líderes devem ter um caráter inquestionável. A sua fala e a
sua prática devem dizer a mesma coisa.
Assumir Responsabilidades: Líderes assumem responsabilidades e demonstram
confiança sem arrogância no exercício das suas funções. Eles assumem
responsabilidades por suas decisões, pelas pessoas que estão sob sua liderança e pela
equipe que trabalha com ele.
Aprendizado continuo: Posições de liderança requerem um constante processo de
aprendizado, prática e treinamento durante toda a vida do líder. Aprender é crescer.
Sentir paixão e entusiasmo pelo trabalho: A motivação para o trabalho deve ser fruto
de uma chamada de Deus. Os líderes devem ter um sentimento profundo de
compromisso pela chamada divina. Esta deve queimar no seu coração e motivar seu
trabalho.
Capacidade de relacionamento interpessoal: O líder deve ter autoconhecimento e
autocontrole. Deve saber controlar suas emoções, administrar suas atitudes, podendo
assim construir um modelo de relacionamento saudável com as outras pessoas.

Conclusão

Há uma relação profunda entre os valores pessoais e a eficácia da liderança. Essa relação
se torna extremamente importante, pois uma vez que esses valores são internalizados
torna-se, consciente ou inconscientemente, um padrão ou critério para guiar ações e
atitudes com relação às outras pessoas. As pessoas decidem de acordo com o sistema
de valores que adotam. Os valores e atitudes são importantes porque podem definir o
comportamento e este irá influenciar as pessoas.

A INTEGRIDADE
DO LÍDER
Há certos valores que precisam estar sempre presentes na vida, relacionamentos e
processos de liderança. Um deles chama-se integridade. Infelizmente, a igreja
evangélica brasileira vem passando por uma gravíssima crise de integridade, daí a
relevância desse estudo para a reflexão da liderança eclesiástica desse tempo.

Neste estudo sobre a integridade na vida do líder, especificamente, trata-se de três


áreas imprescindíveis para a construção de uma liderança eficaz. Integridade do Coração
– Integridade nos Relacionamentos – Integridade na Liderança.

Conceito de Integridade
Veja a definição: “Integridade” vem do latim, integritas, qualidade de ser autêntico,
transparente, sincero, reto, honesto exemplar. É fato que nenhum homem tem garantia
segura que nunca e em circunstância alguma será apanhado em alguma falha ou algum
pecado. Dentre tantas verdades marcantes do cristianismo, uma delas é esta: todos
dependem de Deus. Assim sendo, o objetivo de Cristo é tão-somente levar o homem a
orar como o salmista Davi: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro em
mim um espírito reto” (Sl 51.10).

Você deve entender que a integridade vai além da sinceridade e da fidelidade. A


sinceridade é um comportamento da alma expresso através do reconhecimento da
verdade; enquanto que a fidelidade é a observância rigorosa dessa verdade.
Integridade, portanto, é a vivência da sinceridade e da fidelidade com base na
obediência.

O pastor Ronaldo Lidório (LIDÓRIO, 2008, p.16), em seu livro, “Liderança e Integridade”
define a questão assim: “A Integridade leva-nos a uma profunda inquietação que produz
transformações internas e externas. Faz-nos desejar viver de acordo com a nossa fé,
nossos valores, nossos sermões e de acordo com a bíblia que lemos e o Deus no qual
cremos”.
O Comentário da Bíblia Shedd (SHEDD, 1998) fala a respeito de Jó, que foi chamado
íntegro. Em Jó 1.1, comenta-se ali: “Homem íntegro. Literalmente: completo, que não
ignifica sem pecado, mas um homem de honradez, reto, com o temor de Deus em seu
coração”. Tudo que Jó fazia era buscar a cada dia viver de forma autêntica.
Muitos de vocês devem conhecer líderes na caminhada cristã que tem um
relacionamento superficial com Deus. Reconhecem os seus erros, as bem o caminho a
seguir, mas não o fazem. Isso porque não conseguem aplicar aos processos da sua vida,
a integridade.

Fundamentos da Integridade na Vida do Líder

I. Integridade do Coração
A espiritualidade cristã é uma espiritualidade do coração. O livro de provérbios ensina
que: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem
as saídas da vida” (Pv 4.23). A vida espiritual é aquela que leva a tirar do coração o que
há de mais precioso e oferecê-lo ao Senhor; que leva a buscar nos compartimentos mais
secretos da alma os sentimentos mais nobres e puros e dedica-los ao serviço do Mestre.

A Palavra de Deus usa expressões como coração puro (Sl 51.10), de todo o teu coração
(Mt 22.37), integridade do coração (Sl 78.72) e santidade ao Senhor (Ex 28.36), para que
haja entendimento de que o homem é avaliado por Cristo pelas coisas do coração, e não
pela aparência exterior de suas atitudes realizações e conquistas. Em 1º Samuel 16. 7 o
profeta Samuel deixa claro que “o homem vê o que está diante dos olhos, porém o
Senhor olha para o coração”. O Senhor sonda o coração (Sl 139.23,24). Portanto é a
imagem interna, e não a externa, que precisa de maior cuidado.

Nesse ponto atente para três verdades que servirão como âncora na busca de um
coração íntegro. Um coração perfeito diante do Senhor precisa de cuidados
permanentes (2ºCr 16.9).

[1ª Verdade - Para um coração perfeito diante de Deus é preciso tratar as


afeições mundanas que combatem contra a integridade do coração (1ªJo 2.15).
2ª Verdade – Para um coração perfeito diante de Deus é preciso tratar a questão
das motivações impuras que povoam os pensamentos e influenciam as ações
(Nm 23).
3ª Verdade - Para um coração perfeito diante de Deus é preciso vigilância para
que as intenções erradas do coração não acionem o juízo do Senhor levando-
lhe a destruição e a morte (At 5.1-11).

É no campo privado e particular do coração que as batalhas são travadas. Nesse


ponto, tire um tempo para ponderar sobre o real estado do seu coração. Antes
de refletir e ponderar ore como o salmista (Sl 139.23,24). Como está a sua vida
com Deus? Não com relação ao seu ministério, realizações, títulos ou condição
social. Deixe tudo isso de lado por um momento, e, na presença do Pai, peça
que Ele, que sonda os corações, lhe traga à memória aquilo que necessita de
concerto, de perdão e de quebrantamento para restaurar a integridade do seu
coração.]

II. Integridade nos Relacionamentos


Aqueles que têm problemas em estabelecer relacionamentos no plano horizontal com
as pessoas, também têm problemas para estabelecer um genuíno relacionamento no
plano vertical com Deus. De certa forma, é mais fácil desenvolver um caráter íntegro no
horizonte da alma do que nos relacionamentos interpessoais.

Na vida ministerial deveria haver mais espaço para o desenvolvimento de


relacionamentos sinceros. O pastor Ronaldo Lidório (LIDÓRIO, 2008, p.51) afirma quanto
à integridade nos relacionamentos com justificada preocupação, o seguinte: “Em geral,
tratamos as pessoas de acordo com aquilo que pensamos a respeito delas. E a verdade
é que invariavelmente, desconhecemos aqueles que nos cercam. Desconhecemos suas
ansiedades, e frustrações, sonhos e esperanças, histórias e paixões”.

[“Em geral, tratamos as pessoas de acordo com aquilo que pensamos


a respeito delas. E a verdade é que invariavelmente, desconhecemos
aqueles que nos cercam. Desconhecemos suas ansiedades, e
frustrações, sonhos e esperanças, histórias e paixões”]

Veja alguns parâmetros que te ajudará a julgar seus relacionamentos e motivações em


relação ao próximo:

1. Avalie a qualidade de suas ações


“E se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis demais? Não fazem
os publicanos também assim?” (Mt 5.47). Este “que fazeis demais” é o
questionamento de Jesus em relação às atitudes quanto a vários aspectos
fundamentais da vivência diária e que afetam a todos, principalmente a liderança
eclesiástica na questão dos seus relacionamentos (Mt 5. 23,24,28, 41,42,44).
Dentre estes aspectos, destacam-se dois:

Primeiro: Não haverá integridade nos relacionamentos à parte do amor de Deus


(1Co 13.1-8). Segundo: A humildade é um elemento fundamental para
relacionamentos íntegros. O apóstolo Pedro lembra de que “Deus resiste aos
soberbos” e ensina dizendo: “cingi-vos todos de humildade” (1Pe 5.5).

2. Saiba que o requisito principal para a liderança é a fidelidade