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© 1984 Living Stream Ministry

Edição para Língua Portuguesa


© 1984 Editora Árvore da Vida

Título do Original Inglês:


Life-Study of Romans

1ª Edição — 1984
2ª Edição Revisada-1991

Traduzido e publicado com a devida autorização do Living Stream Ministry e todos os


direitos reservados para a língua portuguesa pela Editora Árvore da Vida

Editora Árvore da Vida


Av. Bosque da Saúde, 225, Saúde — CEP 04142
Telefone: (011) 577-5399 — São Paulo-SP — Brasil

Impresso no Brasil
pela Copiadora Árvore da Vida
PREFÁCIO
O enfoque mais notório das Epístolas de Paulo é
a economia de Deus do Novo Testamento (Ef 1:10;
3:9; 1 Tm 1:4). Essa economia divina, como o mistério
oculto de Deus revelado na dispensação da graça (Ef
3:9, 5; Cl 1:26), é o mistério de Deus, o qual é Cristo
como a corporificação dc Deus (Cl 2:2, 9), e o mistério
de Cristo, o qual é a igreja, como o Corpo de Cristo (Ef
3:4; 1:23). Para revelar essa economia, a estrutura
básica e intrínseca dos escritos de Paulo é: Deus em
Sua Trindade — o Pai, o Filho e o Espírito
dispensando-se para dentro do Seu povo escolhido,
redimido e regenerado como a vida deles, como
suprimento de vida e como tudo para torná-los os
membros de Cristo (Rm 8:29; Ef 5:30). Como Seus
filhos, eles são edificados juntos para ser Sua
habitação no espírito deles (Ef 2:21, 22), e como
membros de Cristo são misturados para ser Seu
Corpo na vida divina (1Co 12:12, 13). Assim, são
unidos a Ele numa união orgânica espiritual (1Co
6:17), participando da Sua filiação divina (Ef 1:5) e
desfrutando Suas riquezas insondáveis em Cristo (Ef
3;8) até a Sua plenitude (Ef 3:19), para ser Sua
expressão em Cristo pelo Espírito, nesta era e pela
eternidade. Que economia é revelada nessas catorze
epístolas!
Witness Lee
Anaheim, Califórnia, EUA
7 de junho de 1984
Nota do Tradutor
Todas as citações bíblicas deste livro são da
Versão Revista e Atualizada de João Ferreira de
Almeida, salvo quando indicadas pelas seguintes
abreviações: VRC Versão Revista e Corrigida de João
Ferreira de Almeida; IBB - Rev. — Versão da
Imprensa Bíblica Brasileira Revisada; lit. — literal.
ESTUDO-VIDA DE ROMANOS
MENSAGEM 1
PREFÁCIO
Agradecemos ao Senhor por nos ter
proporcionado este treinamento, o qual abrangerá a
vida cristã normal com a vida da igreja adequada.
Daremos toda nossa atenção a esta questão de vida: a
vida cristã e a vida da igreja. Isso significa que o nosso
propósito não é ter um treinamento nas doutrinas,
embora ainda precisemos conhecer as verdades e os
princípios básicos da Palavra Divina. Todo o
treinamento será dedicado ao livro de Romanos.
Precisamos fazer um es-. tudo completo sobre a
Versão Restauração de Romanos. Esta mensagem
servirá de prefácio ao livro de Romanos.

I. A POSIÇÃO DE ROMANOS NA BÍBLIA


Primeiramente, precisamos conhecer a posição
do livro de Romanos na Bíblia. A fim de conhecê-la,
precisamos considerar a Bíblia como um todo.

1. A Bíblia: um Romance de um Casal


Universal
A Bíblia é um romance. Você já ouviu isso antes?
Isso pode soar Como algo secular e não religioso.
Entretanto, se você penetrar no pensamento
profundo da Bíblia, perceberá que ela, no sentido
mais puro e santo, é o romance de um casal universal.

A. Deus em Cristo como o Noivo


A parte masculina deste casal é o próprio Deus.
Embora seja uma Pessoa divina, Ele deseja ser a parte
masculina deste casal universal. O próprio Deus,
depois de um longo processo, resultou em Cristo
como o Noivo.

B. O Povo Redimido de Deus como a Noiva


A parte feminina deste casal é um ser humano
corporativo, o povo redimido de Deus, incluindo
todos os santos do Velho e do Novo Testamento. Após
um longo processo, esta pessoa corporativa resultará
na Nova Jerusalém como a Noiva.

C. Este Romance no Velho Testamento


Este romance santo é revelado repetidamente em
todo o Velho Testamento.

a. A História de um Casamento
Imediatamente após o registro da criação de
Deus, encontramos a história deum casamento (Gn
2:21-25). Nesse casamento, Adão é o tipo de Cristo
como o esposo, e Eva é o tipo da igreja como a esposa.
Em Efésios 5, vemos o casal tipificado por Adão e
Eva: Cristo e a igreja. O tipo de Adão e Eva revela que
as pessoas deste casal universal devem ser da mesma
fonte. Deus criou uma pessoa, Adão, e a partir dessa
pessoa surgiu uma esposa. Eva não foi criada por
Deus separadamente, mas ela saiu de Adão. Eva foi
feita de uma costela, uma parte de osso proveniente
de Adão, indicando que tanto Adão quanto Eva
originaram-se da mesma fonte. Neste casal universal,
a esposa deve sair do esposo. Semelhantemente, a
igreja deve sair de Cristo. As duas pessoas deste casal
devem ser da mesma fonte. Devem também ser da
mesma natureza. Além disso, devem compartilhar de
uma vida comum. A natureza e a vida de Adão eram
também as de Eva. Eva possuía a mesma natureza e
vida de Adão. As duas pessoas deste casal eram de
uma só fonte, de uma só natureza e possuíam a
mesma vida. Sem dúvida, eles tinham também um só
viver. Eles viviam juntos. Eva vivia por meio de Adão
e com Adão, e Adão vivia por meio de Eva e com Eva.
Este, casal é o segredo do universo. O segredo de
todo o universo e que Deus e seus escolhidos venham
a ser um casal. A1cluia! Deus e nós, os Seus
escolhidos somos da mesma fonte, da mesma
natureza e temos a mesma vida. Agora, nós também
necessitamos ter um só viver. Não estamos vivendo
por nós mesmos ou para nós mesmos; estamos
vivendo com Deus e para Deus, e Deus está vivendo
conosco e para nós. Aleluia!

b. Deus como o Esposo e Seu Povo como a Esposa


Muitas vezes, no Velho Testamento Deus
referiu-se a Si mesmo como o Esposo e a Seu povo'
como a esposa (Is 54:5; 62:5; Jr 2:2; 3:1, 14; 31:32; Ez
16:8; 23:5; Os 2:7, 19). Deus desejava ser um esposo e
ter o Seu povo como a esposa. Muitas vezes, os
profetas falaram de Deus como o Esposo e de Seu
povo como a esposa. Humanamente falando, sempre
pensamos em Deus de uma maneira religiosa como o
Todo-poderoso, sentindo-nos compelidos a adorá-Lo.
Mas, irmãos casados, vocês esperam isso das
esposas? Suponha que sua esposa o considere uma
grande pessoa, um gigante, e aproxime-se de você
reverentemente curvando-se e ajoelhando-se para
adorá-lo. Que você diria? Você diria: “Esposa tola,
não necessito de uma adoradora. Necessito de uma
querida esposa que me abrace e me beije. Se você
Simplesmente me der um beijinho, vou começar a
voar!” O nosso Deus, certamente, é o Deus
Todo-poderoso e, como Suas criaturas, devemos
adorá-Lo. Muitos versículos falam sobre adorar a
Deus dessa maneira. Entretanto, você nunca leu em
Isaías, Jeremias, Ezequiel e Oséias que Deus deseja
ser. um mando? Nos tempos antigos, o povo de Deus
construiu o templo estabeleceu um sistema de
adoração com sacerdócio e sacrifícios. Um dia, Deus
interveio e falou por meio de Isaías, dizendo: “Estou
cansado disto. Estou farto dos seus sacrifícios. Quero
que Me amem. Sou seu Esposo e vocês devem ser
Minha esposa. Quero ter uma vida de casado. Sou
solitário. Necessito que vocês, Meu povo escolhido,
sejam Minha esposa.”

c. o Romance Completo no Cântico dos Cânticos


Entre os trinta e nove livros do Velho
Testamento, há um chamado o Cântico dos Cânticos
(Cantares). O Cântico dos Cânticos é mais que um
romance, é um romance extraordinário. Você já leu
um romance como o Cântico dos Cânticos? No que
me diz respeito, o Cântico dos Cânticos é o romance
mais refinado. Fala de duas pessoas que se
apaixonaram. Embora não goste de usar este termo,
“apaixonar-se”, não posso negar esse fato”. No
Cântico dos Cânticos encontramos uma mulher
apaixonada por um homem, dizendo: “Que ele me
beije com os beijos da sua boca. Eu estou ansiosa por
isto.” Imediatamente seu amado está próximo, e o
pronome muda de “ele” para “você” (Ct 1:2, 3 —
VRC). “Teu nome é doce e teu amor é melhor do que o
vinho. Leva-me, meu amado. Não me ensine;
leva-me. Eu não preciso de um pastor ou pregador.
Não preciso de um presbítero, nem mesmo de um
apóstolo. Necessito que você me leve. Leva-me,
correremos após ti.” Que romance!
No caso de Adão e Eva vimos 'que o casal tinha
uma só fonte, uma só natureza, uma só vida e um só
viver. Em Isaías, Jeremias, Ezequiel e Oséias, vimos
que Deus deseja ter uma esposa que viva junto com
Ele. Deus anseia ter uma vida de casado, ter a
divindade vivendo junto com a humanidade. Mas o
Seu povo falhou com Ele. No Cântico dos Cânticos,
entretanto, vemos a genuína vida conjugal. Qual é o
segredo deste romance? O segredo é que a esposa
deve tomar o esposo não apenas como a sua vida e o
seu viver, mas como a sua pessoa.
Conforme salientamos durante o treinamento
informal de 1972, o Senhor usou muitas figuras de
linguagem para caracterizar aquela que O busca no
Cântico dos Cânticos, enquanto ela passava por vários
estágios no crescimento de vida. A primeira figura
que Ele usou foi a das éguas (Ct 1:9). As éguas são
fortes, vigorosas, cheias de personalidade e buscam
um alvo definido para si mesmas. Gradualmente, por
meio do trabalho do amor, esta que busca foi mudada
de égua para lírio, que era perfumado, bonito e
florescente (Ct 2:2). Esta que busca tornou-se um
lírio, sem vontade, emoção ou personalidade.
Posteriormente, ela se tornou uma coluna. Embora a
palavra coluna indique algo forte, aquela que busca
foi comparada a uma coluna de fumo (Ct 3:6), não
uma coluna de mármore. Ela era uma coluna de fumo
que permanecia ereta e firme no universo, contudo,
era bastante flexível. Gosto de ver jovens esposas
sendo colunas de fumo, dizendo: “Minha vontade está
no coração de meu esposo, minha emoção está nele e
minha mente está em sua cabeça. Eu sou
simplesmente uma coluna de fumo.” Uma coluna de
fumo não tem personalidade em si mesma; não tem
mente, emoção e vontade. Quando o marido diz à
mulher: “Vamos”, ela instantaneamente obedecerá.
Se ocorrer o contrário e o marido disser: “Vamos ficar
aqui pela eternidade”, não haverá problema.
Entretanto, as notícias que recebo sobre os casais
jovens são absolutamente diferentes disto. Se o irmão
diz: “Vamos”, a esposa se recusa a ir. Se o esposo diz:
“Vamos ficar”, a esposa insiste em ir. Ela ainda é uma
égua selvagem do Egito puxando o carro do Faraó.
Esta irmã pode estar buscando o Senhor, mas carrega
Faraó. Ela precisa ser aliviada da sua carga. Como?
Por meio da perda da sua mente, vontade e emoção,
tornando-se, assim, uma coluna de fumo.
Depois, aquela que busca no Cântico dos
Cânticos, torna-se um palanquim para carregar o seu
amado (Ct 3:9). Ela não tem mais uma personalidade
própria; o seu Amado, Cristo, o Senhor, é agora a
Pessoa dentro dela. Ela mesma é um palanquim
conduzindo a Pessoa de Cristo. Mais tarde, aquela
que busca torna-se um jardim, onde cresce alguma
coisa para satisfazer o seu amado (Ct 4:12, 13).
Finalmente, ela se torna a cidade (Ct 6:4), a Nova
Jerusalém (Ap 21:2), sem qualquer personalidade
própria, mas com a forte Pessoa de Cristo dentro dela.
Louvado seja o Senhor! Este é o santo romance.

D. Este Romance 1W Novo Testamento


Precisamos agora considerar este romance tal
como é retratado no Novo Testamento.
a. Cristo como o Noivo nos Evangelhos
Não' há dúvida de que os Evangelhos nos dão um
registro completo de Cristo como o nosso Salvador.
Entretanto, você já notou que os quatro Evangelhos
também nos falam que Cristo veio como o Noivo? (Mt
9:15; Mc 2:19; Lc 5:34; Jo 3:29). Ele veio para a Sua
noiva. Quando os discípulos de João Batista viram
muitas pessoas abandonando-o para seguir o Senhor
Jesus, João disse-lhes que não se preocupassem, pois
Cristo é o Noivo e todo o crescimento pertence a Ele
(Jo 3:30). O Noivo veio para a Noiva. Que é a Noiva?
A Noiva é a expansão de Cristo. Cada um dos quatro
Evangelhos apresenta Cristo como o Noivo vindo
para a Noiva.

b. O Esposo e a Esposa nas Epístolas


Nas Epístolas, Cristo e a igreja são retratados
como esposo e esposa (Ef 5:25-32; 2Co 11:2). As
Epístolas claramente comparam Cristo e a igreja com
o esposo e a esposa. Se conhecermos o que é exposto
nas Epístolas, veremos que nelas Cristo é revelado
como o nosso Esposo, e os crentes são revelados
como o Seu complemento, a Sua esposa. Devemos ser
um com Ele em fonte, em natureza, em vida e no viver
diário.

c. O Casamento de Cristo e Seu Povo em Apocalipse


No livro de Apocalipse, Cristo é desvendado
como Aquele que se está casando (Ap 19:7), e a Nova
Jerusalém é apresentada como Sua esposa (Ap 21:2,
9). Em Apocalipse 19, vemos que Cristo desfrutará de
uma festa das bodas, e, no capítulo 21, vemos que a
Nova Jerusalém será a Sua esposa. Em Apocalipse 21
e 22, os dois últimos capítulos da Bíblia, vemos que a
consumação final de toda a Bíblia é este casal
universal: o esposo e a esposa.

E. O Casal Universal e o Homem Universal


Além disso, a Bíblia nos diz que este casal, com as
duas pessoas, é uma só carne (Gn 2:24; Ef 5:31). Adão
e Eva eram uma só carne. Visto que eles eram uma só
carne, eram também um só homem. Cristo e Seu povo
escolhido são um homem universal, corporativo, com
Cristo, o Marido, como o Cabeça (Ef 4:15) e com a
igreja, a mulher, como o Corpo (Ef 1:22, 23).
Posteriormente, estes dois tomam-se um homem
todo-inclusivo, universal e corporativo. Em Efésios 5,
a igreja é apresentada como a esposa, e em Efésios 1,
a igreja é apresentada como o Corpo de Cristo. Ela é a
esposa e o Corpo de Cristo. Cristo é o seu Esposo e
Cabeça. Portanto, Cristo e a igreja são um homem
universal e corporativo. Este é o âmago da revelação
divina na Palavra de Deus. O âmago é simplesmente
um casal e um homem: um casal incluindo o Deus
Triúno como o Marido, e Seu povo escolhido como a
mulher, e um homem incluindo Cristo como o Cabeça
e Seu povo escolhido como o Corpo. Esta é a
revelação central de toda a Bíblia. No casal, o aspecto
essencial é o amor, e no homem é a vida. Cristo e a
igreja como um casal é uma questão de amor e Cristo
e a igreja, como um homem, é lima questão de vida.

2. O Velho Testamento como uma Predição

A. As Profecias sobre Cristo


O Velho Testamento é uma predição sobre Cristo
por meio de claras profecias, tipos, figuras e sombras.
Se você ler o Velho Testamento cuidadosamente,
descobrirá muitos tipos de profecias claras e
evidentes sobre Cristo. O Velho Testamento fala-nos
de quem Cristo nasceria, onde Ele nasceria, e a
respeito de muitos acontecimentos em Sua vida. Um
grande número de versículos relacionam-se a estas
profecias sobre Cristo. Além dessas profecias, existem
tipos, figuras e sombras que revelam e retratam
Cristo de uma maneira detalhada. Assim, o Velho
Testamento é considerado uma revelação de Cristo
(Lc 24:27, 44; Jo 5:39).

B. A Igreja em Tipos, Figuras e Sombras


O Velho Testamento também é uma predição da
igreja, não em palavras claras, mas somente em tipos,
figuras e sombras. Tratando-se de palavras claras, a
igreja nunca foi mencionada no Velho Testamento.
No Velho Testamento a igreja era um mistério oculto
(Ef 3:3-6). Apesar disso, ela foi predita por
numerosos tipos, figuras e sombras. Os tipos e
sombras da igreja são, principalmente, de duas
categorias. A primeira categoria é composta pelas
esposas dos homens que tipificaram a Cristo. Eva foi
um tipo da igreja (Ef 5:31, 32). Rebeca, a esposa de
Isaque, também foi um tipo da igreja (Gn 24). Rute
tipificou a igreja (Rt 4), e a Sulamita, no Cântico dos
Cânticos (Ct 6:13), também o fez. Em hebraico,
Sulamita é o feminino de Salomão. Tanto Salo mão
como Sulamita são um nome, sendo um masculino:
Salomão, e o outro feminino: Sulamita. Essa Sulamita
também foi um tipo da igreja. A segunda categoria
inclui o tabernáculo e o templo, cada um sendo um
tipo da igreja. Apesar de a igreja não ser mencionada
no Velho Testamento em palavras claras e evidentes,
ela foi, não obstante, plenamente tipificada.

3. O Novo Testamento, o Cumprimento do


Velho Testamento
E o Novo Testamento? O Novo Testamento é o
cumprimento do Velho Testamento. Tudo o que o
Velho Testamento predisse com relação a Cristo e à
igreja foi totalmente cumprido no Novo Testamento.

A. O Cristo Individual nos Evangelhos


Os quatro Evangelhos são uma bibliografia viva
de uma Pessoa maravilhosa. Os quatro Evangelhos
revelam uma Pessoa maravilhosa, o Cristo individual,
que veio para cumprir o Velho Testamento. Talvez
você tenha lido os Evangelhos freqüentemente sem
reconhecer os muitos aspectos de Cristo revelados
neles. Nos Evangelhos de Mateus e de João mais de
sessenta aspectos de Cristo são apresentados. Como
já enfatizamos em ocasioes passadas, no capítulo 1 de
Mateus vemos que Cristo é Jesus, Jeová o Salvador, e
também Emanuel, Deus conosco. No capítulo 4, Ele é
revelado como a grande luz. Nos capítulos seguintes,
vemo-Lo como o maior Davi, o maior templo, o maior
Salomão, o maior Jonas, o vivo Moisés com os
regulamentos atuais, e como o vivo Elias o qual
cumpre as profecias. Se lermos o livro de Mateus
cuidadosamente, acharemos, ao menos, mais de
trinta itens sobre Cristo. Estes itens são citados no
primeiro Estudo-Vida de Mateus. Cristo é o Davi real,
o Moisés real, o Salomão real e o templo real. Cristo é
tudo. No Evangelho de João encontramos mais vinte
ou trinta itens. Cristo é a luz, o ar, a água, a comida, o
pastor, a porta e o pasto. Cristo é todo-inclusivo. Ele é
tudo. Você viu este Cristo? Embora seja o nosso
Salvador, Ele é muito mais do que isso. Ele é tudo. Ele
é a Pessoa mais maravilhosa.
Você simplesmente não pode dizer quem é
Cristo. Se você disser que Ele é Deus, eu direi que Ele
é homem. Se disser que Ele é homem, eu direi que Ele
é Deus. Se você disser que Ele é o Filho de Deus, eu
direi que Ele é Deus Pai. Se disser que Ele é Deus Pai,
eu direi que Ele é Deus Espírito. Se você disser que
Ele é o Criador, eu direi que Ele é o Redentor. Cristo é
tudo!

B. O Cristo Corporativo em Atos


O livro de Atos vem em seguida aos Evangelhos.
Que é Atos? Atos é a expansão, o aumento, a
ampliação desta Pessoa maravilhosa. Esta Pessoa
maravilhosa estava limitada, confinada no pequeno
homem Jesus; mas em Atos Ele foi reproduzido,
aumentado, ampliado. Ele foi aumentado por meio de
estender-se para o interior de Pedro, João, Tiago,
Estêvão e até mesmo de Saulo de Tarso. Ele se
estendeu para o interior de dezenas de milhares, até
mesmo de centenas de milhares de Seus crentes,
fazendo de todos os crentes parte Dele. Coletivamente
falando, todos esses crentes, juntamente com Ele,
tornaram-se o Cristo corporativo. Portanto, nos
quatro Evangelhos temos o Cristo individual; em Atos
temos o Cristo corporativo. Perto do fim de Atos,
vemos tanto' o Cristo individual como o Cristo
corporativo. Entretanto, não sabemos como o Cristo
individual pode tornar-se o Cristo corporativo. Como
nós, esta vasta multidão de crentes, podemos nos
tornar uma parte de Cristo?
C. A Definição Plena do Cristo Corporativo
em Romanos
Isto nos traz ao livro de Romanos. Romanos
explica como o Cristo individual pode tornar-se o
Cristo corporativo e como todos nós, que em outro
tempo éramos pecadores e inimigos de Deus,
podemos nos tornar partes de Cristo e formar Seu
único Corpo. O livro de Romanos oferece-nos uma
definição plena disso, desvendando detalhadamente
tanto a vida cristã como a vida da igreja. Assim,
chegamos ao livro de Romanos para um treinamento
sobre a vida cristã e a vida da igreja. Romanos provê
um esboço de ambas. Agora conhecemos a posição de
Romanos na Bíblia.

II. AS SEÇÕES DE ROMANOS


Neste ponto, precisamos considerar as seções do
livro de Romanos. O Senhor nos deu oito palavras
para denotarem as oito seções deste livro: introdução,
condenação, justificação, santificação, glorificação,
eleição, transformação e conclusão. Todos
precisamos lembrar dessas oito palavras. Eu nunca
havia visto esta sinopse de Romanos antes, até que,
recentemente, o Senhor a deu para mim.
Apesar de ter conduzido um estudo completo do
livro de Romanos há vinte e dois anos, com os santos
em Formosa, devo declarar que a sinopse que usei
naquela época é agora muito velha. A sinopse atual
com as oito palavras denotando as oito seções é nova
e atualizada. Devemos prestar cuidadosa atenção ao
conteúdo dessas oito seções.

1. Introdução: o Evangelho de Deus


A introdução (1:1-7) esboça o terna do livro de
Romanos: o evangelho de Deus. Este é o conteúdo da
introdução. Na próxima mensagem veremos o que é o
evangelho de Deus.

2. Condenação: A Necessidade de Salvação


Seguindo a introdução, temos a seção sobre
condenação (1:18--3:20) que nos desvenda a
necessidade da salvação de Deus. Todos nós somos
incapazes e sem esperança e estamos sob a
condenação de Deus. Precisamos da salvação de
Deus.

3. Justificação: o Cumprimento da Salvação


A terceira seção, justificação (3:31-5:11), revela o
cumprimento da salvação de Deus. Temos três outros
itens relacionados com a questão de justificação:
propiciação, redenção e reconciliação. Abrangeremos
estes termos quando chegarmos ao capítulo 3. Neste
ponto, apenas desejo dizer uma palavra breve. A
justificação de Deus depende da redenção de Cristo.
Sem a redenção de Cristo, Deus não tem um caminho
para justificar os pecadores. Portanto, a justificação
depende da redenção, e a redenção tem um aspecto
principal: a propiciação, A propiciação é a estrutura
principal da redenção. A propiciação é a parte
principal da redenção de Cristo, pois como pecadores
devíamos uma grande quantia a Deus. Estávamos
detidos por Deus para pagarmos essa dívida, e isso
causava um tremendo problema. Este problema foi
resolvido por Cristo como o nosso sacrifício
propiciatório. Urna vez que esta propiciação
solucionou nossos problemas com Deus, fornos
redimidos. Baseado na redenção de Cristo, Deus pode
justificar-nos fácil e legalmente. Assim, a justificação
depende da redenção, e a parte principal da redenção
é a propiciação, Que é, então, a reconciliação? A
reconciliação é o resultado da justificação. A
justificação de Deus resulta na reconciliação. Tudo
isso foi cumprido. Aleluia! Embora, no presente,
possa não estar claro a respeito de todas estas
palavras, você pode dizer ao Senhor: “Senhor, não
entendo todos esses termos, mas eu Te louvo pois
tudo foi cumprido.”
A justificação traz-nos a Deus. Na verdade, não
somente nos traz a Deus, mas também para dentro de
Deus. Portanto, podemos ter o desfrute pleno de
Deus. A Versão King James diz: “Nos alegramos em
Deus” (Rm 5:11). Não somente nos alegramos em
Deus; nós desfrutamos Deus. Deus é o nosso desfrute.
Isto é justificação.

4. Santificação: o Processo-de-Vida na
Salvação
Em seguida, temos a santificação (5:12--8:13).
Quão bom é estar em Deus e desfrutar Deus!
Entretanto, não olhe para si mesmo. Muitas vezes,
enquanto estava desfrutando Deus, louvando-O e
compartilhando Suas riquezas, o sutil disse para
mim: “Olhe para si mesmo. Pense em como tratou
sua esposa esta manhã.” No momento em que aceitei
esta sugestão, desci do céu para o inferno. Fiquei
profundamente desapontado. Enquanto estava em
meu quarto louvando, minha esposa estava na
cozinha, cozinhando. Quando Satanás levantou a
pergunta de como eu havia tratado a minha esposa
aquela manhã, fiquei com medo de que ela ouvisse os
meus louvores e viesse deter-me, dizendo: “Não louve
mais. Você não se lembra do que me fez esta manhã?”
Após sermos justificados, precisamos ser
santificados.
Que significa ser santificado? Mais uma vez
podemos usar a ilustração do chá. Se colocarmos chá
dentro de um copo com água pura, a água será
“chaificada”. Na melhor das hipóteses somos' a água
pura, embora, na verdade, não sejamos puros, mas
sujos. Mesmo se formos a água pura, falta-nos o
sabor do chá, a essência do chá e a cor do chá.
Precisamos que o chá penetre em nosso ser. O
próprio Cristo é o chá celestial. Cristo está em nós.
Aleluia!
Recentemente, enfatizei para os santos em
Anaheim que o nosso Deus é revelado
progressivamente, do começo ao fim do livro de
Romanos. No capítulo 1, Ele é Deus na criação; no
capítulo 3, Deus na redenção; no capítulo 4, Deus
'na justificação; no capítulo 5, Deus na
reconciliação; e no capítulo 6, Deus na identificação.
Quando chegamos ao capítulo 8, vemos que o nosso
Deus está agora dentro de nós. Cristo está em nós
(Rm 8:10)! Ele não está mais simplesmente na
criação, redenção, justificação, reconciliação e
identificação; mas, agora, Ele está dentro de nós, em
nosso espírito. Cristo está em nós fazendo uma obra
transformadora e santificadora, exatamente como o
chá que quando é posto na água trabalha nela o
elemento do chá. Por fim, a água será totalmente
“chaificada”. Terá a aparência, o sabor e o gosto do
verdadeiro chá. Se eu lhe servir um pouco dessa
bebida, estarei servindo-lhe chá, e não água pura.
Se eu lhes perguntasse se vocês foram ou não
justificados, todos responderiam: “Aleluia, fomos
justificados porque Cristo cumpriu a redenção. Deus
reconciliou-nos e agora estamos desfrutando-O.” Isto
é maravilhoso. Entretanto, e quanto à santificação?
Vocês foram santificados? Se alguns irmãos casados
afirmarem que foram santificados, as esposas
discordarão, dizendo: “Os irmãos certamente já
foram justificados, mas é muito duvidoso que tenham
sido santificados.” Irmãos, sua esposa foi santificada?
Esposas, vocês acham que seu esposo foi santificado?
Algumas podem dizer que seu esposo foi santificado
um pouco. Outras podem sentir que ele está um
pouco melhorado. Entretanto, não estou falando
acerca de ser melhorado, mas de ser santificado, isto
é, ter Cristo trabalhado para o interior do nosso ser,
assim como a essência, o sabor e a cor do chá são
trabalhados para dentro da água. Isto é santificação.

5. Glorificação: o Propósito da Salvação


A próxima seção no livro de Romanos é a
glorificação (Rm 8:14-39), desvendando o propósito
da salvação de Deus. Seguindo a santificação, há
necessidade da glorificação. Nosso corpo necessita
ser glorificado. Embora um irmão possa ser bastante
santo, seu corpo necessita ser glorificado por causa de
suas imperfeições físicas e limitações. Quando o
Senhor Jesus vier, seremos glorificados. Agora
preciso usar óculos grossos, especiais, mas quando o
Senhor vier, serei glorificado. Não seremos somente
justificados e santificados; seremos glorificados, isto
é, o nosso corpo será redimido. Glorificação é a
redenção plena de nosso corpo.
Essa glorificação revela o propósito da salvação
de Deus. O propósito da salvação de Deus é produzir
muitos irmãos para Cristo. Originalmente, Cristo era
o Filho. unigênito do Pai. Agora o Filho unigênito
tornou-se o primogênito. Nós mesmos seremos
processados nos muitos irmãos de Cristo e nos
muitos filhos de Deus. Na próxima mensagem
veremos que Cristo é o protótipo e que nós somos Sua
duplicação, Sua produção em massa. O pequeno
Jesus foi processado e designado Filho de Deus, e nós
também estamos no mesmo processo para sermos
designados como os muitos filhos de Deus. Ele é o
Filho primogênito, e nós, os muitos filhos, somos
Seus muitos irmãos. Este é o propósito da salvação de
Deus .:6. Eleição: a Economia da Salvação
Após a glorificação, chegamos à eleição, que
revela a economia da salvação (Rm 9:1-11:36). Deus
tem um propósito e uma economia. A Sua economia é
para o cumprimento do Seu propósito. Deus é muito
sábio e prepara tudo para o cumprimento de Seu
propósito. Ele sabe o que está fazendo. Ele sabe quem
é o Seu povo escolhido e sabe quando o Seu povo
escolhido será chamado. Em relação. a Deus, a eleição
é para o cumprimento de Seu propósito; em relação a
nós, a eleição é o nosso destino.

7. Transformação: a Prática-de-Vida na
Salvação
Depois disso, temos a seção sobre
transformação, desvendando a prática-de-vida na
salvação (Rm 12:1-15:13). Nesta seção vemos a
prática-de-vida de tudo o que foi produzido pelo
processo-de-vida. Tudo o que é produzido na seção
sobre santificação é posto em prática na seção sobre
transformação. Por fim, santificação torna-se
transformação. Por um lado, estamos em
santificação; por outro lado, estamos também em
transformação. Estamos no processo de vida e na
prática de vida para que tenhamos a vida do Corpo
com a vida particular adequada. Cada aspecto da vida
cristã adequada e da vida da igreja estão incluídos
nesta seção sobre transformação. Enquanto somos
santificados, também estamos sendo transformados,
de uma forma a outra forma, de um formato a outro
formato. Louvado seja o Senhor! Todos nós estamos
sob o processo-de-vida da santificação para a
prática-de-vida da transformação.

8. Conclusão: a Consumação Máxima da


Salvação
A última seção do livro de Romanos é a
conclusão, indicando a consumação máxima da
salvação (Rm 15:14--16:27). A consumação máxima
da salvação de Deus são as igrejas, não somente o
Corpo, mas as igrejas locais como as expressões do
Corpo. Aleluia! O livro de Romanos inicia com o
evangelho de Deus e termina com as igrejas locais.
Em Romanos, não temos a vida da igreja em doutrina
mas as igrejas locais na prática. Como veremos nas
mensagens posteriores, muitas igrejas são
mencionadas no capítulo 16 de Romanos.

III. AS ESTRUTURAS PRINCIPAIS DE


ROMANOS
As estruturas principais do livro de Romanos são
três: salvação, vida e edificação.

1. Salvação
A estrutura principal de Romanos é a salvação,
revelada em 1:1-5:11 e em 9:1-11:31. A salvação inclui
a propiciação, a redenção, a justificação, a
reconciliação, a eleição e a predestinação. Na
eternidade passada, Deus nos predestinou. Em
seguida, nos chamou, redimiu, justificou e nos
reconciliou com Ele mesmo. Assim, temos a plena
salvação.
Precisamos diferenciar a redenção da salvação.
Redenção é o que Cristo cumpriu aos olhos de Deus.
Salvação é o que Deus trabalhou sobre nós baseado
na redenção de Cristo. A redenção é objetiva e a
salvação é subjetiva. Quando a redenção se torna
nossa experiência, ela se torna salvação.

2. Vida
A salvação destina-se à vida revelada em
5:12-8:39. Nesta seção, a palavra vida é usada pelo
menos sete vezes e, de acordo com o capítulo oito,
essa vida é quadruplicada. Veremos isso quando
chegarmos àquele capítulo.

3. Edificação
Na última parte de Romanos, 12:1-16:27, temos a
edificação, o Corpo com todas as suas expressões nas
igrejas locais. A salvação destina-se à vida, e a vida
destina-se à edificação. Assim, as três estruturas
principais de Romanos são salvação, vida e
edificação.
ESTUDO-VIDA DE ROMANOS
MENSAGEM 2
O EV ANGELIIO DE DEUS
O evangelho de Deus é o tema do livro de
Romanos (1:1). Os cristãos costumam dizer que há
quatro Evangelhos: os livros de Mateus, Marcos,
Lucas e João. Entretanto, Paulo refere-se também a
sua Epístola aos Romanos como um evangelho. O
evangelho nos quatro primeiros livros do Novo
Testamento diz respeito a Cristo na carne, vivendo
entre Seus discípulos, antes de Sua morte e
ressurreição. Após Sua encarnação e antes de Sua
morte e ressurreição, Ele estava entre os Seus
discípulos, mas não ainda dentro deles. O evangelho
em Romanos diz respeito a Cristo como o Espírito,
não a Cristo na carne. Em Romanos 8, vemos que o
Espírito da vida que habita em nosso interior é
simplesmente o próprio Cristo. Cristo está em nós.
Cristo nos quatro Evangelhos estava entre os
discípulos; Cristo em Romanos está dentro de nós.
Cristo nos quatro Evangelhos é Cristo após a
encarnação, porém, antes da morte e ressurreição.
Como tal, Ele é Cristo fora de nós. Cristo em
Romanos é Cristo após Sua ressurreição. Dessa
forma, Ele é Cristo dentro de nós. Isto é algo mais
profundo e mais subjetivo do que Cristo nos
Evangelhos. Guarde este único ponto em mente: o
evangelho em Romanos diz respeito a Cristo como o
Espírito em nós, após a Sua ressurreição.
Se tivermos somente o evangelho relacionado a
Cristo como nos quatro primeiros livros do Novo
Testamento, nosso evangelho será muito objetivo.
Necessitamos do quinto evangelho, o livro de
Romanos, para revelar o evangelho subjetivo de
Cristo. O nosso Cristo não é simplesmente Cristo na
carne após a encarnação e antes da ressurreição,
Cristo que estava entre Seus discípulos. O nosso
Cristo é mais elevado e mais subjetivo. Ele é o
Espírito da vida em nosso interior. Ele é esse tal
subjetivo. Apesar dos capítulos 14 e 15 de João
revelarem que Cristo estaria em Seus crentes, isso
não foi cumprido antes da Sua ressurreição. O livro
de Romanos é o evangelho de Cristo após a Sua
ressurreição, mostrando também que agora Ele é o
Salvador subjetivo em Seus crentes. Assim, este
evangelho é mais profundo e mais subjetivo.

I. PROMETIDO NAS ESCRITURAS


Este evangelho foi prometido por Deus, por
intermédio dos profetas, nas Escrituras. Isso significa
que o evangelho de Deus não foi um acidente; ele foi
planejado e preparado por Ele. A Bíblia nos mostra
que esse evangelho foi planejado por Deus na
eternidade passada. Antes da fundação do mundo,
Ele planejou tê-lo, Por isso, numerosas vezes nas
Sagradas Escrituras, de Gênesis a Malaquias, Deus
falou em promessa, por intermédio dos profetas, com
respeito ao Seu evangelho.

II. COM RESPEITO A CRISTO


Este evangelho de Deus diz respeito à Pessoa:
Cristo.
Sem dúvida, o perdão, a salvação, etc. , estão
incluídos no evangelho, mas não são o ponto central.
O evangelho de Deus relaciona-se à Pessoa do Filho
de Deus, Jesus Cristo nosso Senhor. Esta Pessoa
maravilhosa possui duas naturezas: a divina ~ a
humana, divindade e humanidade.

1. Vindo da Semente de Davi


Primeiramente, Paulo menciona a humanidade
de Cristo, não a Sua divindade, dizendo que Ele
nasceu da semente de Davi segundo a carne (1:3).
Essa é a Sua natureza humana, Sua humanidade.

2. Designado Filho de Deus, Procedente da


Ressurreição
Em seguida, Paulo diz que Ele foi “designado
Filho de Deus com poder, segundo o espírito de
santidade, pela ressurreição dos mortos” (1:4). Isso é
uma clara referência à divindade de Cristo. Por que
Sua humanidade é mencionada primeiro e a Sua
divindade por último?
Paulo menciona primeiro a humanidade de
Cristo porque ele mantém a seqüência do Seu
processo. Primeiramente, Cristo passou pelo processo
da encarnação para tornar-se carne. Em seguida, Ele
passou pelo processo de morte e ressurreição. Por
meio do segundo passo de Seu processo, Ele se tornou
Filho de Deus procedente da ressurreição. Cristo foi
processado por meio de dois passos: o primeiro —
encarnação, o segundo — morte e ressurreição. Por
meio desses dois passos, Ele se tornou duas coisas
diferentes. Tornou-se carne pela encarnação e
tornou-se Filho de Deus mediante a morte e
ressurreição. Seu primeiro passo trouxe Deus para
dentro da humanidade. O segundo, levou o homem
para dentro da divindade. Antes de Sua encarnação,
Cristo, como uma Pessoa divina, já era o Filho de
Deus (Jo 1. 18). Ele era o Filho de Deus antes de Sua
encarnação, e até mesmo Romanos 8:3 diz: “Deus
enviando o seu próprio Filho”. Uma vez que Cristo já
era Filho de Deus antes da encarnação, por que
precisava ser designado Filho de Deus procedente da
ressurreição? Porque pela encarnação Ele vestiu um
elemento, a carne” a natureza humana, que nada
tinha a ver com a divindade. Como uma Pessoa
divina, Cristo era o Filho de Deus antes de Sua
encarnação, mas aquela Sua parte que era Jesus com
a carne, a natureza humana, nascida de Maria, não
era o Filho de Deus. Aquela parte era humana. Por
meio da Sua ressurreição Cristo santificou e 'elevou
aquela parte de Sua natureza humana, Sua
humanidade; e foi designado, procedente desta
ressurreição, Filho de Deus com esta natureza
humana. Assim, nesse sentido, a Bíblia diz que Ele foi
gerado Filho de Deus em Sua ressurreição (At 13:33;
Hb 1:5).
Consideremos o exemplo de uma pequena
semente de cravo. Quando esta semente é semeada na
terra, ela cresce e floresce, processo que podemos
chamar de designação. Quando observamos uma
pequena semente de cravo, antes de ser semeada na
terra, podemos ser incapazes de determinar que tipo
de semente ela é. Entretanto, após ter sido semeada,
ter crescido e florescido, é designada. O seu florescer
é a sua designação. Logo, todos podem dizer: “Isto é
um cravo.” Tanto a semente quanto a flor são o cravo,
mas, em forma, a flor é muito diferente da semente.
Se a semente permanecesse como uma semente, sem
florescer, seria difícil para a maioria das pessoas
perceber que ela é um cravo. Mas, após ter crescido e
florescido, ela é designada um cravo para que todos a
vejam.
Quando Cristo estava na carne durante Seus
trinta e três anos e meio na terra, Ele era exatamente
como a semente de cravo. Embora o Filho de Deus
estivesse Nele, ninguém podia reconhecer isso
facilmente. Por ser semeado para dentro da morte e
crescer em ressurreição, Ele floresceu. Por meio deste
processo, foi designado Filho de Deus, e por este
processo Ele elevou a carne, a natureza humana. Ele
não se despiu da carne, Ele não se despiu da
humanidade. Ele santificou, elevou e transformou-a,
e com essa humanidade transformada foi designado
Filho de Deus com o poder divino. Quando era Filho
de Deus antes de Sua encarnação, não tinha natureza
humana. Após Sua ressurreição Ele é Filho de Deus
com a humanidade elevada, santificada e
transformada procedente da ressurreição. Ele é
constituído tanto de humanidade quanto de
divindade. Ele é tanto a semente de Davi quanto o
Filho de Deus. Ele é uma Pessoa maravilhosa!
Cristo tornou-se carne para cumprir a obra de
redenção. A redenção requer sangue. E certo que a
divindade não possui sangue; apenas a humanidade o
possui. Contudo, a redenção exige sangue, pois sem
derramamento de sangue não há remissão de pecados
(Hb 9:22). Assim, Cristo tornou-se carne para a obra
da redenção. Entretanto, a redenção não é o objetivo
de Deus. A redenção abre caminho para que a vida
seja dada. No Evangelho de João, primeiramente
Cristo foi introduzido como o Cordeiro de Deus que
tira o pecado do mundo (Jo 1:29). Isso visava a
redenção. Em seguida, João O apresenta como a
Pomba que dá vida (Jo 1:32, 33). Em primeiro lugar,
Cristo cumpriu a redenção por nós; em seguida,
tornou-se a nossa vida. Cristo tornou-se carne para
cumprir a obra de redenção por nós, e foi designado
Filho de Deus procedente da ressurreição para que
pudesse dispensar a Si mesmo para nós, como nossa
vida. O primeiro passo do Seu processo visava a
redenção, e o segundo o dispensar de vida. Agora
temos o Cristo ressurreto dentro de nós como nossa
vida. O Cristo ressurreto como Filho de Deus é vida
para nós. Aquele que tem o Filho de Deus tem a vida
(1Jo 5:12).
A. primeira seção do livro de Romanos trata da
redenção cumprida por Cristo na carne. Romanos 8:3
diz que Deus enviou Seu Filho em semelhança da
carne de pecado e condenou o pecado na carne. A
segunda parte de Romanos trata do dispensar de
vida. Romanos, primeiramente, revela Cristo como o
Redentor na carne, e em seguida, revela-O como o
Espírito que dá vida. Em Romanos 8:2 encontramos
o termo “o Espírito da vida”. Este é o Espírito que
habita interiormente. Este Espírito que habita
interiormente é o Espírito de Cristo, e o Espírito de
Cristo na verdade é o próprio Cristo dentro de nós
(8:9, 10).
Por que o livro de Romanos inicia-se desta
maneira? ~ada livro da Bíblia inicia-se de um modo
particular, cada um diferente dos outros. Paulo inicia
o livro de Romanos desse modo porque Romanos tem
um objetivo, como visto no capítulo 8, versículos 29 e
30. Esse objetivo é produzir os muitos filhos de Deus.
Esse objetivo de produzir os muitos filhos de Deus
requer a redenção, o dispensar de vida e o viver por
meio dessa vida. Como homens caídos e como
pecadores necessitamos da redenção, necessitamos
da vida divina e necessitamos viver pela vida divina
para que sejamos regenerados, transformados e
plenamente glorificados como os filhos de Deus.
Finalmente, todos seremos filhos de Deus em
plenitude.
Deus possuía somente um Filho, o Seu Filho
unigênito. Entretanto, Ele não estava satisfeito em ter
apenas um Filho. Desejava que muitos filhos fossem
introduzidos na glória. Portanto, Deus usou o Seu
Filho unigênito como um modelo, u~ padrão, para
produzir muitos filhos. Você percebe que Cristo
passou por um processo para ser designado Filho de
Deus, _ e que nós também estamos passando pelo
mesmo processo para sermos designados filhos de
Deus? Originalmente, Cristo era o único Filho de
Deus. No tempo determinado, este Filho de Deus veio
em carne com o nome de Jesus. O Filho de Deus na
carne chamava-se Jesus. Após trinta e três anos e
meio, Jesus foi designado procedente da ressurreição
para ser Filho de Deus. Nesta época, Deus obteve um
Filho que possuía tanto a divindade como a
humanidade. Antes de Sua encarnação, o Filho de
Deus possuía apenas a divindade; após Sua
ressurreição, este Filho de Deus tinha tanto a
divindade como a humanidade. Aleluia! Agora a
humanidade tem uma parte no Filho de Deus. O Filho
de Deus, hoje, possui tanto a humanidade como a
divindade.
E quanto a nós? Nascemos filhos do homem,
renascemos filhos de Deus. Quer sejamos homem ou
mulher, somos todos filhos de Deus. Em certo
sentido, Deus não possui filhas. Embora o Senhor
Jesus tenha muitos irmãos, Ele não tem irmãs. Neste
sentido, toda irmã é um irmão. Somos todos irmãos e
somos todos filhos de Deus. Somos filhos de Deus
porque o Espírito do Filho de Deus entrou em nós (Gl
4:6). Exatamente como o Filho de Deus entrou na
carne pela encarnação, assim, agora, o Espírito do
Filho de Deus entrou em muitos de nós que somos
carne. Portanto, em certo sentido, cada um de nós é o
mesmo que Jesus. Jesus foi um homem na carne com
o Filho de Deus dentro de Si. Nós também somos
homens de carne com o Filho de Deus em nós. Você
não é um homem de carne com o Filho de Deus em
você? Certamente que sim. Mas, não devemos
permanecer como somos, devemos? Esperamos ser
designados. Oh! esse homem de carne será designado
pela santificação, transformação e glorificação.
Aleluia! Esse homem de carne, com o Filho de Deus
nele, está sob o processo de santificação,
transformação e glorificação. Virá o tempo quando
todos declararemos: Somos designados filhos de
Deus procedentes da ressurreição! Se você falar às
pessoas na rua que é filho de Deus, elas pensarão que
você está louco. Lembre-se de como eles trataram
Jesus quando Ele confessou que era Filho de Deus:
mataram-No. Mas, pela morte e ressurreição, Ele foi
designado Filho de Deus. Após Sua ressurreição, era
desnecessário Jesus reivindicar ser Filho de Deus,
uma vez que Ele já havia sido designado. Hoje, se
falarmos às pessoas que somos filhos de Deus, elas
pensarão que estamos mentalmente perturbados.
Contudo, está chegando o dia — o livro de Romanos
refere-se a este dia como a revelação ou a
manifestação da glória dos filhos de Deus — no qual.
seremos designados em glória como filhos de Deus.
Não haverá necessidade de fazermos uma declaração.
Espontaneamente seremos designados filhos de
Deus.
Romanos 1:3, 4 mostra-nos Jesus como o
protótipo. Em Romanos 8:29, 30 temos os muitos
filhos como a produção em massa. Nesta mensagem
estamos considerando o protótipo. Com o protótipo,
há o Espírito de santidade, a carne e a designação
como Filho de Deus. Louvado seja o Senhor! Também
temos o Espírito de santidade interiormente, a carne
humana exteriormente, e seremos designados em
plenitude filhos de Deus.

III. PREGADO PELOS ENVIADOS


Agora precisamos seguir mais adiante e
considerar como o evangelho de Deus é pregado. Ele
é pregado pelos enviados. Os enviados são os
apóstolos (1:5) separados para este propósito. Nem
todos os crentes são apóstolos, mas, em. certo
sentido, todos os crentes são enviados pelo Senhor
para pregar o evangelho.

1. Em Espírito
Este evangelho é pregado em espírito (1:9). Note
que a palavra espírito aqui começa com letra
minúscula, indicando, assim, que não se refere ao
Espírito Santo. Todos os cristãos crêem que
precisamos estar no Espírito Santo a fim de pregar o
evangelho. Entretanto, nunca ouvi alguém dizer que
precisamos estar em nosso espírito. Mas Paulo diz
que necessitamos estar em nosso espírito. Pregar o
evangelho depende de nosso espírito. Paulo disse que
servia a Deus em espírito no evangelho de Seu Filho.
Quando pregamos o evangelho, não devemos
empregar nenhum artifício; devemos exercitar nosso
espírito.
Por que somente no livro de Romanos Paulo diz
que serve a Deus em seu espírito? Porque neste livro
ele argumenta com os religiosos que constantemente
estão em alguma outra coisa além do espírito — em
letras, em formas, ou em doutrinas. No livro de
Romanos, Paulo argumenta que o que quer que
façamos para com Deus deve ser feito em nosso
espírito, o que quer que sejamos deve ser em espírito
e o que quer que tenhamos deve ser em espírito. No
capítulo 2, versículo 29, ele diz que o povo genuíno de
Deus precisa estar 00 espírito, que a verdadeira
circuncisão não é exterior na carne, mas no espírito.
No capítulo 7, versículo 6, ele diz que devemos servir
a Deus em novidade de espírito. Paulo refere-se ao
nosso espírito humano onze vezes no livro de
Romanos. A última ocasião é encontrada no capítulo
12, versículo 11, onde diz que devemos ser fervorosos
em espírito. Pregar o evangelho de Deus é
absolutamente uma questão do nosso espírito.

2. Pela Oração
Para pregar o evangelho necessitamos de muita
oração (1:9). Necessitamos orar pelas almas e orar
pelo evangelho. Ao pregar o evangelho, a oração é
mais necessária que qualquer tipo de esforço. Se
somos de pouca oração, seremos infrutíferos na
pregação do evangelho.

3. Com Fervor
Terceiro, precisamos pregar o evangelho com
fervor (1:13-15). Se agirmos seriamente com o Senhor
nesta questão de pregar o evangelho, precisamos
exercitar essas três coisas: em espírito, pela oração e
com fervor. Artifícios e técnicas não serão eficazes.
Todos precisamos exercitar nosso espírito para
contatar as pessoas, orar e estar prontos com fervor.
Se o evangelho não lhe inspira, nunca inspirará os
outros. Se o evangelho não lhe pode convencer, nunca
convencerá os outros. Se você mesmo não chora com
o evangelho, ninguém se arrependerá. Se você chora,
outros chorarão em arrependimento. Certa vez li a
biografia de um irmão prevalecente no evangelho. Ele
não pregava muito. Entretanto, quando se levantava,
chorava diante de todas as pessoas. Após um período
de choro diante deles, lágrimas de arrependimento
desciam dos olhos das pessoas. Aquilo era pregar o
evangelho com fervor.

IV. RECEBIDO PELOS CHAMADOS


O evangelho de Deus é recebido pelos chamados
(1:6, 7). Que fazem estes chamados? Eles crêem.
Portanto, o evangelho é recebido pelos chamados e
pelos que crêem. Nós somos os chamados e os que
crêem. Ser chamado é ser chamado para fora; crer é
crer para dentro.
Romanos nos dá o exemplo de Abraão. Abraão
foi chamado por Deus para fora da raça criada. A raça
criada caiu em muitas outras coisas além de Deus e
tornou-se sem esperança no que diz respeito a Deus.
Deus abandonou aquela raça, chamando para fora
dela um homem de nome Abraão. Assim, Abraão
tornou-se o pai da raça chamada, uma raça que não
foi criada por Deus, mas uma raça que foi chamada
por Deus. Fomos chamados para fora de todas as
outras coisas além de Deus: para fora da velha
criação, do mundo, da raça humana e de nós mesmos.
Fomos chamados para fora das coisas boas e das más,
para fora de tudo que não é o próprio Deus. Portanto,
ser chamado é sair de tudo que não é o próprio Deus.
Após sermos chamados, cremos. Crer significa
crer para dentro. Crer em Jesus não significa
simplesmente crer que Jesus existe. Crer em Jesus
significa crer para dentro de Jesus; crer em Deus
significa crer para dentro de Deus. Crer requer que
admitamos que somos sem esperança e incapazes e
que nada podemos fazer para agradar a Deus.
Precisamos esquecer de nós mesmos e terminar
conosco mesmos, terminar com tudo o que somos,
temos e fazemos. Isso é crer. Do lado negativo, crer
significa terminar com tudo o que somos, com tudo o
que temos e com tudo o que podemos fazer. Do lado
positivo, significa tomar Deus como nosso tudo,
colocarmo-nos dentro de Deus, confiar no que Ele fez,
no que Ele pode fazer e no que Ele fará por nós. Em
outras palavras, crer é simplesmente nos terminar e
nos colocar dentro da plena confiança de Deus. Esse
crer é imputado diante de Deus como justiça e obriga
Deus a nos salvar.
O evangelho é recebido pelas pessoas que foram
chamadas para fora de todas as outras coisas além de
Deus e que creram para dentro do Deus Triúno,
terminando com o que elas são, têm e fazem, e
confiando em Deus pelo que Ele fez, pode fazer e fará.
Se como tal pessoa você recebe o evangelho de Deus,
você confessará: “Estou terminado. Não mais eu, mas
Cristo vive em mim. Não preciso fazer nada, pois Ele
fez tudo, e Ele fará tudo para mim. Tudo o que tenho,
tudo o que sou e tudo o que posso fazer foi terminado
por meio de meu crer para dentro Dele. Agora, Ele é
meu tudo.” Este é o tipo de pessoa que recebe o
evangelho de Deus.

1. Mediante a Obediência da Fé
Os chamados receberam o evangelho de Deus
mediante a obediência da fé (1:5). Que é isto? Sob a
lei de Moisés, Deus deu dez mandamentos para o
povo obedecer. Esse tipo de obediência era a
obediência da lei, a obediência do mandamento.
Nesta era da graça, Deus nos deu um mandamento
único, singular: crer em Jesus. Deus não requer que
guardemos nenhum outro mandamento além desse.
Independentemente de quem somos, precisamos
obedecer ao mandamento de Deus, crer em Jesus.
Todo aquele que crê em Cristo será salvo, e todo
aquele que não crê em Cristo já foi condenado por
causa de sua incredulidade (Jo 3:18). Quando
obedecemos ao único mandamento de Deus, temos a
obediência da fé. Essa é a razão pela qual o Senhor
Jesus disse em João 16:8, 9 que o Espírito Santo
convencerá o mundo do pecado por não crer Nele.
Hoje há um mandamento único, singular — crer em
Jesus — e há um pecado único, singular — não crer
Nele. Se você crê, você tem a obediência da fé e recebe
o evangelho de Deus mediante esta obediência. Aos
olhos de Deus, a pessoa mais obediente é aquela que
crê em Jesus. A pessoa mais desobediente é aquela
que não crê Nele. Nada é mais ofensivo a Deus do que
não crer em Jesus, e, ao contrário, nada é mais
agradável a Deus do que crer Nele. Se qualquer
pecador, qualquer filho pródigo disser: “O Deus,
obrigado por ter enviado Jesus Cristo, eu creio Nele”,
o Pai ficará satisfeito. Deus fica feliz quando você tem
a obediência da fé.
2. Para Graça e Paz
Receber o evangelho mediante a obediência da fé
resulta em graça e paz. Graça é Deus em Cristo como
tudo para nós, para o nosso desfrute; e paz é o
resultado do desfrute da graça de Deus. Esta paz é o
descanso, conforto e satisfação interior, não é algo
exterior.

V. O PODER DE DEUS
Este evangelho é o poder de Deus para a salvação
(1:16). No livro de Romanos a salvação é bastante
significativa. Salvação não significa apenas nos salvar
da condenação de Deus e do inferno; significa
salvar-nos da nossa maneira natural, do nosso
amor-próprio, do nosso individualismo e da nossa
tendência à divisão. Esta salvação salva-nos ao
máximo, capacitando-nos a ser santificados,
conformados, glorificados, transformados, edificados
com os outros como o único Corpo, e a não sermos os
que causam divisão na vida da igreja. O evangelho de
Deus é o poder de Deus para essa salvação plena,
completa e final. É o poder de Deus para todos os que
crêem. Louvado seja o Senhor! Nós cremos.

VI. A JUSTIÇA DE DEUS REVELADA NO


EVANGELHO
Por que o evangelho é tão poderoso? Ele é
poderoso porque a justiça de Deus é revelada nele
(1:17). De acordo com João 3:16, a salvação é
procedente do amor de Deus. De acordo com Efésios
2:8, a salvação é pela graça de Deus. Mas, aqui, Paulo
não diz que a salvação é procedente do amor de Deus
ou que é pela graça de Deus; ele diz que ela vem pela
justiça de Deus.
Nem o amor nem a graça estão relacionados à lei.
Nenhuma lei obriga as pessoas a amar e nenhuma lei
constrange as pessoas a dar graça. Quer eu ame você
ou não, ainda estou lícito e quer eu conceda graça a
você ou não, ainda estou sob
a lei. Em certo sentido, Deus não é obrigado a
nos amar. Se Ele quiser, pode amar-nos; se não
quiser, pode esquecer-nos. Além disso Deus não é
obrigado legalmente a nos mostrar graça. Sempre que
Ele se sente feliz, pode dizer: “Aqui est~ a graça”;
quando se sente triste, Ele pode afastar-se de nós.
Deus não é obrigado a amar, nem legalmente
obrigado a conceder graça. A justiça, ao contrário,
está muito relacionada à lei. Uma vez que Cristo
cumpriu todas as Justas exigências da lei, Deus é
obrigado a nos salvar. Se você disser: “Senhor Jesus,
Tu és meu Salvador”, você pode voltar-se para Deus e
dizer: “Deus, Tu tens de me perdoar. Quer gostes ou
não, Tu precisas me perdoar. Se Tu me perdoares, Tu
és justo, se não me perdoares, és injusto.” Seja forte
ao falar a Deus desta maneira. Porque Cristo cumpriu
todas as Justas exigências da lei, Deus é obrigado,
pela Sua justiça, a nos salvar: A justiça e um vínculo
poderoso. Deus está sob tal obrigação para nos salvar.
Deus não pode escapar; Ele tem de nos salvar porque
Ele é justo. A Primeira Epístola de João 1:9 diz que se
confessarmos os nossos pecados, Deus é justo para
nos perdoar os pecados porque Cristo morreu por nós
e derramou o Seu sangue por nós. Portanto, Deus
precisa nos limpar. Havia poder no evangelho
pregado por Paulo porque a Justiça de Deus estava
revelada nele. Quando chegarmos ao capítulo 3,
veremos a justiça de Deus.
1. Da Fé para Fé
A justiça de Deus é revelada no evangelho de fé
para fé (1:17), significando que enquanto tivermos a
fé, ~eremos a justiça de Deus. A justiça de Deus vem
da nossa fé e para ~ nossa fé. Não diga que você não
tem fé. Contanto que você invoque o nome do Senhor
Jesus, Ele é rico para você. Quando você invocar: “Ó
Senhor Jesus”, Ele é a sua fé. Talvez você diga que
não possui nenhum sentimento de que crê. Em
resposta a isso lhe contarei o que aconteceu comigo
há mais de quarenta anos quando li um livro acerca
da certeza da salvação. Esse livro dizia fortemente
que uma vez que cremos, somos salvos.
Imediatamente perguntei a mim mesmo: “Você crê?
Você tem fé?” Comecei a duvidar. Por alguns dias
fiquei preocupado com isso e fui incapaz de comer e
dormir bem. Eu não tinha sentimento de que havia
crido. Após ter sido incomodado por alguns dias, o
Senhor foi misericordioso para comigo e me ajudou.
O Senhor disse: “Tolo, aborde esta questão de um
outro ângulo e pergunte a si mesmo: Você não crê?
Esforce-se ao máximo para não crer.” Tentei não crer
em Jesus, mas fui incapaz de fazê-lo. Simplesmente
não podia deixar de crer Nele. Essa era a prova de que
eu tinha fé. Se você sente que não tem fé, tente parar
de crer. Uma vez que é incapaz de deixar de crer, isso
prova que você tem a fé. Louvado seja o Senhor!
Todos temos a fé. Desde que tenhamos essa fé, a
justiça de Deus é revelada desta fé e para essa fé.
Embora tente ao máximo rejeitar a sua fé, você não
pode fazê-lo porque a fé entrou em você. Em seu
interior há algo que a Bíblia chama de “a fé”. Uma vez
que tem a fé, você tem a justiça de Deus.
Dizer que a justiça de Deus é revelada não quer
dizer que ela não tivesse existência anterior.
Simplesmente significa que, embora existisse
previamente, ela não havia sido revelada ou tornada
visível. Pois tudo o que pode ser revelado deve existir
anteriormente. Essa justiça de Deus é revelada de fé
para fé.
Deixe-me ilustrar segurando um belo calendário
diante de seus olhos. Esse calendário existe desde
algum tempo, mas só agora está sendo revelado a
você. Como está sendo revelado? Está sendo revelado
da sua vista e para sua vista. Se você fosse cego, o
calendário não lhe poderia ser revelado, pois a
revelação do calendário é da sua vista e para a sua
vista. A justiça de Deus existe e tem existido por eras.
Desde que cremos em Jesus, temos a fé, e esta fé é a
nossa visão espiritual. Desta fé e para esta fé a justiça
de Deus é revelada. Portanto, no evangelho, a justiça
de Deus é revelada de fé e para fé. Louvado seja o
Senhor!

2. O Justo Tem Vida e Vive por Fé


A justiça de Deus é revelada no evangelho para
que o justo tenha vida e viva por fé (1:17). A palavra
grega traduzida por “viverá” neste versículo significa
tanto “viver” como “ter vida”. A versão chinesa traduz
por “ter vida”. A Concordância de Young também nos
fala que a palavra grega significa viver e ter vida. Esse
versículo é uma citação de Habacuque 2:4, um
versículo citado três vezes no Novo Testamento. Ele é
encontrado em Hebreus 10:38 onde, de acordo com o
contexto, significa que o justo viverá por fé. Em
Gálatas 3:11 significa que o justo terá vida por fé
porque o contexto de Gálatas 3 diz que a lei não pode
dar vida ao povo (Gl 3:21), aquele povo somente pode
ter vida por fé. Assim, em Gálatas 3 não é uma
questão de viver, é uma questão de ter vida. Romanos
1:17 inclui ambos os significados: ter vida e viver.
Portanto, podemos traduzir o versículo dessa
maneira: “O justo terá vida e viverá por fé”.
Esta curta sentença é um breve resumo de todo o
livro de Romanos. O livro de Romanos tem três
seções. A primeira seção abrange o resultado da
justificação, mostrando-nos como ser reto, como ser
justo aos olhos de Deus. A segunda seção fala-nos de
como ter vida sendo justificado para vida (5:18). A
maneira de ter morte é ser condenado por Deus; a
maneira de ter vida é ser justificado por Ele. Então, a
terceira seção fala-nos de como viver. Após termos
recebido esta vida, necessitamos vivê-la,
principalmente por praticar a vida do Corpo. A última
seção de Romanos, do capítulo 12 até o final do
capítulo 16, trata do nosso viver. Precisamos
principalmente ter a vida da igreja. As igrejas locais
são a parte principal do nosso viver, como revelado
no capítulo 16. Portanto, todo o livro de Romanos
abrange três coisas: ser justo, ter vida e viver
adequadamente. Louvado seja o Senhor! Todos nós
fomos justificados e recebemos a vida divina. Agora
estamos vivendo essa vida principalmente no Corpo,
na igreja local. Esse é o caminho para vivermos pela
vida divina. O justo terá vida e viverá por fé.
ESTUDO-VIDA DE ROMANOS
MENSAGEM 3
A ORIGEM DA PERVERSIDADE E O CAMINHO DA
RESTRIÇÃO
Nesta mensagem abordaremos a origem da
perversidade, mostrada na condenação da
humanidade e o caminho da restrição manifesto na
condenação dos que se julgam justos. Depois da
introdução, Paulo apresenta a questão da condenação
em quatro aspectos: sobre a humanidade, em geral
(1:18-32), sobre os que se julgam justos, em particular
(2:1-16), especificamente sobre os religiosos
(2:17-3:8) e sobre todo o mundo, totalmente (3:9-20).
Primeiro, o livro de Romanos revela que a
condenação veio sobre a humanidade, em geral. Em
seguida, é dada atenção a dois grupos específicos da
humanidade: o grupo dos que se julgam justos e o
grupo dos cultos e religiosos. Por fim, o mundo todo é
trazido sob a condenação. Quer sejamos bons ou
maus, religiosos ou não religiosos, estamos sob a
condenação de Deus. Apesar de não querer
estender-nos sobre o assunto da condenação, há dois
pontos a ela relacionados, que são muito importantes.
O primeiro é a origem do mal, a origem da
perversidade. Por causa dessa origem, a humanidade
é maligna. Assim, nesta mensagem veremos a origem
da perversidade do homem. Em segundo lugar,
precisamos ver o caminho da restrição. Há um
caminho para restringir essa perversidade. Uma vez
que fomos salvos da condenação, não precisamos
dar-lhe muita atenção. Entretanto, precisamos nos
voltar a ela o suficiente para aprendermos a origem
do mal e o caminho para restringi-lo,

I. A CONDENAÇÃO SOBRE A HUMANIDADE


1. A Origem da Perversidade
Precisamos considerar agora a origem da
perversidade. Esta seção de Romanos (1:18-32) revela
quatro elementos da origem do mal.

A. Reprimindo a Verdade em Injustiça


O primeiro elemento da origem da perversidade
é reprimir a verdade em injustiça (1:18). Que é a
verdade? A verdade não é mera doutrina ou
conhecimento. A verdade é a realidade, que é sólida e
substancial. Há realidade neste universo e a realidade
principal é o próprio Deus. Dizer que não há Deus é
dizer vaidade; declarar a realidade de Deus é dizer
algo sólido, substancial, genuíno e verdadeiro. Deus é
real. Ninguém pode negar a realidade de Deus ou
rejeitar o fato de que Ele existe, pois a existência de
Deus é uma realidade. Entretanto, desde o princípio,
a humanidade não respeitou a realidade de Deus, mas
abafou-a. Simplesmente não se importaram com essa
realidade e recusaram considerá-la de maneira
apropriada. Eles reprimiram a verdade em injustiça,
abafando-a de uma maneira injusta. Hoje, nos
Estados Unidos, contemplamos o mal em toda parte e
os jornais estão repletos de coisas más e vergonhosas.
Por que há tantas coisas vergonhosas no país líder do
mundo? E pelo fato de muitas pessoas não
preservarem a verdade, mas pelo contrário,
reprimirem-na injustamente. Esse é o aspecto mais
significativo da origem da perversidade.

B. Desaprovando Ter Deus no Pleno


Conhecimento
Apesar de os homens saberem que existe Deus,
eles O testaram e colocaram-No à prova, decidindo,
por fim, não tê-Lo no seu pleno conhecimento. Eles
não aprovaram ter Deus no seu pleno conhecimento
(1:28). Muitos professores e profissionais não crêem
em Cristo. Se perguntar a eles a respeito de Deus,
dirão: “Sabemos que há um Deus, mas não gostamos
de crer Nele.” Tais pessoas não aprovam ter Deus no
seu pleno conhecimento. Devemos ter Deus em nosso
conhecimento, pois é horrível recusar-se a fazer isso.

C. Não Glorificando a Deus e Não O


Adorando
Em tempos antigos, os homens conheciam Deus,
mas não O glorificavam como Deus, nem Lhe davam
graças ou adoravam-No ou serviam-No (1:21, 25).
Esse é outro elemento da origem do mal. Recusar-se a
glorificar a Deus, dar-Lhe graças, adorá-Lo e servi-Lo
é o aspecto principal da origem da perversidade.
Contudo, se nós O glorificarmos e Lhe dermos graças,
adorarmo-Lo e servirmo-Lo seremos protegidos de
todo mal. Hoje há tantos divórcios e tanta
imoralidade por toda parte do mundo, porque as
pessoas não querem glorificar a Deus e adorá-Lo. Um
homem que glorifica a Deus, dá-Lhe graças, adora-O
e serve-O, jamais se divorciará da esposa. Todos os
divórcios e imoralidades procedem de uma origem:
recusar adorar a Deus. Jamais pense que adorar a
Deus seja algo insignificante e que glorificá-Lo seja
trivial. São coisas de muito significado para o nosso
viver humano. Precisamos dar graças a Deus. Temos
muitas coisas pelas quais podemos dar-Lhe graças.
Algumas pessoas não dão graças a Deus até à hora de
sua morte. Embora nessa hora já seja muito tarde, é
melhor do que nada.
Precisamos perceber que é extremamente
importante glorificar a Deus, dar-Lhe graças,
adorá-Lo e servi-Lo. Suponha que eu tenha um mau
temperamento, uma disposição vergonhosa e má. Se
tentasse dominá-la, jamais seria bem sucedido.
Entretanto, se continuamente agradecer e louvar a
Deus, acharei o melhor método para escapar da
minha miserável disposição. Sempre que você estiver
a ponto de perder a calma, deve dizer: “Eu vou servir
a Deus. Não tenho tempo para perder a calma. Deus,
dou-Te graças porque Tu és meu Deus, porque Tu és
meu Criador. Sem Ti eu não existiria. Devo minha
própria existência a Ti. Dou-Te graças, adoro-Te e
sirvo-Te.” Se você fizer isso, será liberto de sua
disposição, imediatamente. Quanto precisamos
adorar a Deus!

D. Trocando Deus
Em seguida, a humanidade trocou Deus (1:23,
25). É terrível trocar Deus, pois Ele é a glória e a
realidade do universo. Quando Deus é expresso, isso
é glória. Trocar Deus significa abandoná-Lo por
alguma outra coisa. As pessoas trocaram Deus por
ídolos. Deus é glória; ídolos são vaidade. Deus é
realidade; ídolos são falsidade e mentira. Quão tolo e
horrível foi para o homem trocar Deus por ídolos! A
maioria das pessoas nos Estados Unidos aprendeu a
não adorar ídolos visíveis, embora haja quem os
adore. Contudo, muitas pessoas neste país trocaram
Deus por ídolos feitos por eles mesmos: os futuros,
posições, diplomas e objetivos. Isso significa que seus
futuros, posições, diplomas e objetivos, tornaram-se
seus ídolos. Eles se preocupam com esses ídolos, não
com Deus. Portanto, também trocaram Deus por
ídolos.
Se considerarmos cuidadosamente esses quatro
aspectos da origem da perversidade, veremos que eles
constituem a origem de todo tipo de mal e
pecaminosidade.

2. O Resultado de Abandonar a Deus


Agora precisamos indagar qual é o resultado de
abandonar a Deus.

A. Ser Abandonado por Deus


O primeiro resultado de abandonar a Deus é ser
abandonado por Ele. Quando você abandona a Deus,
isso O força a abandoná-la. Se você se afastar de
Deus, Ele será compelido a afastar-se de você. Isso é
muitíssimo deplorável. É terrível ser abandonado por
Deus. Devemos dizer a Deus: “Mesmo se eu deixar-Te
ir, não deixes que eu me vá. Talvez seja tão tolo a
ponto de abandonar-Te. Senhor, sê misericordioso
para comigo e nunca me abandones.” Precisamos
orar dessa maneira, pois é terrível ser abandonado
por Deus. Quando uma pessoa for abandonada por
Deus, jamais fará coisas boas. Ela não melhorará,
mas, pelo contrário, decairá cada vez mais.
De acordo com Romanos 1, Deus abandona as
pessoas a três coisas. Primeiro, à imundícia (1:24).
Quando uma pessoa abandona a Deus e força-O a
abandoná-la, essa pessoa será corrompida,
envolvendo-se imediatamente com a imundícia.
Segundo, Deus abandona as pessoas às paixões de
desonra, às concupiscências vergonhosas (1:26). Não
gosto de mencionar essas concupiscências
vergonhosas com meus lábios limpos. Tais pessoas
podem tornar-se sodomitas, entregando-se a paixões
malignas e emoções sem restrição, desonrando seus
corpos entre si. Terceiro, Deus abandona as pessoas a
uma mente desaprovada (1:28). Se você não aprova
ter Deus no seu pleno conhecimento, Deus
permitir-lhe-á ter uma mente que Ele não aprova. A
mente de homens pecaminosos jamais pode ser
aprovada por Deus. Por exemplo: Deus não aprova
uma mente que esteja ocupada com pensamentos
sobre divórcios. Olhe para a sociedade pecaminosa de
hoje: ninguém possui uma mente que pode ser
aprovada por Deus. Todos foram abandonados por
Ele a uma mente desaprovada, pois fazem o que é
impróprio. As pessoas são tão tolas e vergonhosas em
seus costumes pecaminosos! O comportamento delas
é absolutamente impróprio. Apesar disso, continuam
em pecado, pois Deus as abandonou a uma mente
desaprovada.

B. Praticando Fornicação: Confusão na


Ordem
Quando uma pessoa foi abandonada por Deus à
imundícia, às concupiscências desonrosas e a uma
mente desaprovada, a conseqüência é a fornicação
(1:24, 26, 27). Você sabe qual é o verdadeiro
significado da formicação? Fornicação significa violar
o princípio governante e controlador. Isso produz
confusão na ordem. A economia de Deus é um marido
para uma mulher. Isso não é apenas a economia de
Deus, é o Seu princípio governante e controlador. As
pessoas que foram abandonadas por Deus farão
quase tudo para romper esse princípio, violando o
princípio governante de um marido para uma
mulher. O resultado é a fornicação, a confusão na
ordem. Por que as pessoas se empenham nisso? Por
causa da imundícia, das paixões de desonra e da
mente desaprovada. Quando as pessoas abandonam
Deus, Ele as abandona à fornicação.
Todo tipo de maldade resulta dessa fornicação
(1:2932). No, final de Romanos 1, Paulo cita vários
tipos de males e descreve as pessoas perversas, tais
como os murmuradores, caluniadores e os que
odeiam a Deus. Por meio disso podemos ver que, se
uma pessoa abandonar Deus, Ele a abandonará às
concupiscências, à confusão e a todo tipo imaginável
de mal.

II. A CONDENAÇÃO DOS QUE SE JULGAM


JUSTOS
O trecho de Romanos sobre a condenação dos
que se julgam justos (2:1-16), junto com a condenação
sobre a humanidade, mostra-nos o caminho da
restrição.

1. o Caminho da Restrição
Agora chegamos ao caminho da restrição, o
caminho para restringir o mal e a perversidade. Gosto
desta parte de Romanos. Todos nós, especialmente os
jovens, precisamos dedicar toda atenção a esse
caminho de restrição.

A. Conhecendo Deus Por Meio da Sua


Criação
O primeiro item do caminho da restrição é
conhecer Deus por meio da Sua criação (1:19, 20). As
coisas invisíveis de Deus, o Seu eterno poder e a Sua
natureza divina, podem ser compreendidos pela Sua
criação. Os céus e a terra manifestam as coisas
invisíveis de Deus. Há vinte anos, aproximadamente,
os irmãos em Taiwan recolheram material biográfico
de famosos cientistas dos séculos passados. Eles
descobriram que apenas uma pequena porcentagem
desses cientistas proeminentes disseram que não
criam em Deus. A maioria deles cria em Deus. Certa
vez, li um artigo no qual perguntaram a Einstein se
ele cria ou não em Deus. Ele respondeu: “Sua
pergunta é um insulto a mim. Como poderia um
cientista como eu não crer em Deus?” Se estudar a
ciência, ela lhe dirá que há um Deus.
Embora eu não conheça a ciência, sei um pouco
sobre o corpo humano. Muitas vezes, ao pregar às
pessoas sobre Deus, pedi-lhes que considerassem seu
corpo. Eu lhes dizia: “Pense quão maravilhoso você é.
Quem é que lhe fez? Todos os pêlos em nosso corpo,
tanto os interiores como os exteriores, crescem para
baixo, exceto os pêlos da traquéia, que crescem para
cima. Isso é muito significativo. Se os pêlos na
garganta crescessem para baixo, morreríamos,
porque a secreção não poderia ser expelida. Quem é
que nos fez dessa maneira? Além disso, pense no
projeto maravilhoso da face humana. A boca foi
posicionada adequadamente. Quão inadequado e
quão terrível seria se a boca fosse colocada entre os
olhos! Você também já pensou na função das
sobrancelhas? Elas funcionam como quebra-ondas,
mantendo o suor longe dos olhos. Quem nos projetou
assim?” Recentemente, fui submetido a duas
operações no olho direito. O cirurgião mostrou-me
um olho artificial, apontando especialmente para o
cristalino e a retina. Imediatamente vi que era uma
cópia exata da melhor câmara fotográfica. Ninguém
pode fazer uma câmara fotográfica que corresponda
ao. olho humano. Quem é que fez essas coisas?
Nossos dentes também foram projetados de urna
maneira maravilhosa. Os frontais, os incisivos, atuam
como duas facas, cortando tudo o que é colocado
entre eles. Em seguida, a língua envia o alimento para
trás, para os molares que são como pedras de moer,
triturando o alimento até se tornar uma substância
digerível. Enquanto os molares trituram, a saliva é
segregada para liquefazer o alimento. Isso é
maravilhoso. Quem é que o fez? Precisamos dizer:
“Senhor, obrigado. Tu és meu Criador. Criaste-me de
tal maneira maravilhosa!”
Quando contemplamos a criação, de um modo
geral, e o corpo humano, em particular, como
podemos dizer que não existe Deus? Até mesmo um
médico ateu tem de confessar que há um Ser
Todo-poderoso que criou o corpo humano. Portanto,
por meio das coisas criadas, podemos entender o
poder eterno e a natureza divina de Deus. Quando
vemos Deus nas belezas e maravilhas da Sua criação,
temos de adorá-Lo e glorificá-Lo. Conhecer Deus por
meio da Sua criação é o primeiro aspecto no caminho
de restringir o mal.

B. Tendo a Verdade em Justiça


Precisamos ter a realidade de Deus em justiça,
aprovando mantê-Lo em nosso pleno conhecimento
(1:18, 28). Precisamos glorificá-Lo, dar-Lhe graças,
adorá-Lo e servi-Lo (1:21, 25). E muito importante
praticar essas quatro coisas. Como avô, digo uma
palavra a meus netos que estão participando desse
treinamento. Eu sei o que é a vida humana.
Acreditem em mim quando digo que adorar a Deus
nunca pode estar errado. A primeira coisa que vocês,
adolescentes, devem aprender é adorar a Deus. Nada
é mais importante na vida humana do que adorar a
Deus. Detestaria se meus filhos ganhassem muito
dinheiro e, no entanto, não adorassem a Deus. Não
desejo ver minha segunda ou terceira geração
tornar-se rica, sem, contudo, adorar a Deus.
Preferiria vê-los vindo aqui para aprender como
adorar o Senhor. A maior bênção na vida humana é
ser treinado para adorar nosso Deus.

C. Obedecendo às Leis da Natureza


Em seguida, precisamos fazer as coisas de acordo
com a nossa natureza (2:14). Algumas pessoas são tão
espirituais que condenam todas as coisas naturais.
Parecem sentir que nada que é natural pode ser bom.
Em certo sentido, concordo com isto quase
completamente. Em outro sentido, entretanto, eu os
advertiria a não esquecerem de sua natureza. Nossa
natureza original, criada por Deus, era boa. Tudo
criado pelo nosso Pai, incluindo a nossa natureza, era
originalmente bom. Sem dúvida, a nossa natureza foi
envenenada pela queda. Não pode haver dúvida
quanto a isso. Não obstante, como seres humanos,
temos uma natureza boa, criada por Deus e devemos
agir de acordo com ela. Deveríamos prestar atenção a
essa natureza. Apesar de argumentar que não é
errado roubar, a natureza no seu interior protesta
quando você é tentado a roubar. Até mesmo os
assaltantes de bancos admitirão que, quando roubam
os bancos, sua natureza 'diz-lhes: Não faça isso.
Entretanto, eles não ouvem. Ocorre o mesmo com
todo malfeitor. Quando fazem algo errado, a natureza
deles discorda. Precisamos observar as exigências da
natureza em nosso interior.
Em Romanos 2:14, 15 Paulo diz que, quando os
gentios, que não têm a lei, praticam as coisas da lei,
eles provam que a função da lei está escrita no
coração deles. A lei de Deus tem uma função em
nossa natureza. Em outras palavras, nossa natureza
corresponde à lei de Deus porque foi feita por Ele. A
lei de Deus foi dada de acordo com a Sua natureza,
pois um legislador sempre decreta a lei de acordo com
o seu próprio ser. Deus criou o homem de acordo com
o que Ele é. Portanto, a lei dada por Deus e o homem
criado por Ele se correspondem. Portanto, não
necessitamos de uma lei exterior, porque temos a
função da lei escrita em nossa natureza. Precisamos
apenas viver de acordo com a nossa natureza.

D. Ouvindo a Consciência
Junto com a nossa natureza boa, temos também
uma consciência (2:15). A consciência é uma entidade
maravilhosa e devemos ouvi-la. Apesar dos médicos
não poderem localizá-la, ninguém pode negar que a
possuímos. Nossa consciência continuamente
protesta. Quando você discute com seus pais, a
consciência diz: Não faça isso. Se ofender os seus
pais, sua consciência o aborrecerá por três noites.
Todo esposo que procura divorciar-se da esposa
também será declarado culpado por sua consciência.
Todos os homens possuem consciência. Isto é uma
grande coisa. Na vida cristã normal, todos devemos
cuidar da nossa consciência de uma maneira
adequada.
E. Importando-se com os Arrazoamentos
Adequados
Além da nossa natureza e consciência, temos os
arrazoamentos na mente (2:15). Não seja tão
espiritual a ponto de dizer que nossa mente é
absolutamente inútil. Nela temos bons
arrazoamentos. Às vezes, esses arrazoamentos
acusam e condenam e outras vezes eles desculpam e
justificam. Freqüentemente, ao determinarmos fazer
certa coisa, experimentamos um conflito em nossos
arrazoamentos, com alguns deles dizendo: Sim, está
certo, e outros: Não, está errado. Todos nós
experimentamos isso. Precisamos importar-nos com
nossa natureza, nossa consciência e com os
arrazoamentos em nosso interior.
Vimos cinco itens no caminho da restrição:
conhecer Deus por meio da Sua criação, ter a verdade
de Deus em justiça, viver de acordo com a nossa
natureza, ouvir a nossa consciência e
importarmo-nos com os arrazoamentos adequados.
Se observamos todas estas coisas, seremos
restringidos de todo tipo de mal. Embora todos
sejamos salvos e vivamos em algum lugar nos
capítulos 5 a 8 de Romanos, ainda precisamos
conhecer a origem do mal e o caminho para sermos
restringidos a não praticar o mal. Aleluia, nós o
encontramos! Precisamos conhecer a Deus por meio
da Sua criação e ter a verdade em justiça. Precisamos
agir de acordo com nossa natureza, prestar atenção à
voz da nossa consciência e importarmo-nos com os
arrazoamentos adequados em nosso interior. Se
praticarmos todas estas coisas, seremos protegidos.
ESTUDO-VIDA DE ROMANOS
MENSAGEM 4
A VAIDADE DA RELIGIÃO E A TOTAL
DESESPERANÇA
Nesta, mensagem abordaremos a vaidade da
religião, mostrada na condenação sobre os religiosos
(2:17, 3:8) e a total desesperança manifestada na
condenação de todo o mundo (3:9-20). Como
salientamos, Paulo trata da condenação em quatro
aspectos: sobre a humanidade, em geral, sobre os que
se julgam justos, em particular, sobre os religiosos,
especificamente e sobre todo o mundo, totalmente.
Isso é muito significativo. Desses aspectos da
condenação de Deus podemos ver quatro itens: a
origem da perversidade, o caminho da restrição, a
vaidade da religião e a total desesperança.

I. A CONDENAÇÃO SOBRE OS RELIGIOSOS


A VAIDADE DA RELIGIÃO
Consideremos, primeiramente, a vaidade da
religião. A cultura humana é a melhor invenção do
homem e, nessa cultura, o item principal é a religião.
A religião é o ápice da cultura do homem. A cultura
humana necessita da religião, pois sem esta, a cultura
é selvagem. Se a religião fosse eliminada da cultura
humana, esta permaneceria rude. Por isso muitas
pessoas respeitam a religião.
Entre a raça humana, as duas melhores religiões
são o judaísmo e o cristianismo. Estas são as religiões
típicas. São religiões genuínas, sólidas e
fundamentais. Ambas procedem da mesma origem: a
revelação divina na Bíblia. Junto com essas duas
religiões temos o islamismo, uma imitação do
judaísmo. O judaísmo foi a origem do islamismo. O
Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos é, na
verdade uma imitação do Velho Testamento, embora
o seu conteúdo tenha sido mudado para propagar
mentiras. O Alcorão fala até mesmo sobre Cristo,
dizendo que Ele é maior do que Maomé. Segundo o
Alcorão, Cristo nunca foi crucificado. Quando as
pessoas tentaram pregá-Lo na cruz, anjos desceram e
levaram-No para o céu. O Alcorão até nos diz que esse
Jesus voltará. Portanto é evidente que o islamismo e o
seu livro sagrado, o Alcorão, são imitações.
Rigorosamente falando, além do judaísmo, do
cristianismo e da imitação de religião, o islamismo,
não há outras religiões. O budismo não é religião, é
tolice. Uma religião ensina as pessoas a adorarem a
Deus; no budismo, porém, não há nenhum Deus.
Você pode perguntar sobre o confucionismo. Os
ensinamentos de Confúcio são irreligiosos, são
totalmente ensinamentos éticos, nada tendo a ver
com Deus. Em seus escritos clássicos, Confúcio
provavelmente mencionou Deus apenas uma ou duas
vezes, chamando-O “os Céus”. Não devemos
considerar o confucionismo uma religião. Nesta terra
há somente três religiões: as religiões genuínas do
judaísmo e cristianismo e a imitação de religião, o
islamismo.
Mesmo com as duas religiões genuínas não há
nada além de vaidade. Não necessitamos de religião.
Precisamos de uma Pessoa viva. Não necessitamos de
algo relacionado com Deus, precisamos do próprio
Deus. Não necessitamos de uma maneira de adorar a
Deus; precisamos que a Pessoa viva de Deus venha
para dentro de nós. Quando Deus nos deu a Bíblia,
Ele não tinha a intenção de nos dar uma religião. A
intenção de Deus era revelar a Si mesmo para dentro
de nós, por meio da Santa Palavra e não ter uma
forma religiosa. Entretanto os antigos judeus
formaram uma religião a partir do Velho Testamento.
Depois, o cristianismo fez uma religião mais forte
pelo fato de ter vinte e sete livros a mais do que os
judeus. Os judeus tinham somente trinta e nove livros
para usar no estabelecimento de uma religião; o
cristianismo tem sessenta e seis. Desse modo, o
cristianismo formou uma religião ainda mais forte.
Entretanto, quanto mais forte uma religião é, mais
vaidade ela contém.
Reconheço que posso ofender algumas pessoas
falando dessa maneira. A palavra cristianismo é doce
e preciosa aos ouvidos de muitos cristãos; é uma
ofensa para eles um homem dizer que o cristianismo
é vaidade. Se estiver ofendido, isso prova que você é
extremamente religioso. Não digo que Cristo é
vaidade e não digo que os cristãos são vaidade, mas
afirmo, com convicção, que o cristianismo é vaidade.
Qualquer “ISMO” é vaidade, incluindo
“IGREJISMO”. A igreja é preciosa, mas se você lhe
adiciona “ISMO”, ela se torna vaidade. Queremos
Cristo, os cristãos e a igreja, mas não queremos
nenhuma “ISMO”. Isso não é o meu ensinamento, Se
voltarmos à pura palavra do Novo Testamento,
encontraremos o termo Cristo e o termo cristãos (At
11:26). Contudo, 'os termos cristianismo e Natal
(Christmas) não estão na Bíblia. Um “ISMO” e um
“MAS” (Christmas) foram adicionados a Cristo. O
Natal (Christmas) é vaidade. Quando as pessoas
penduram lâmpadas numa pequena árvore, isto é
“ISMO”. Isso é vaidade. Precisamos tomar cuidado
com a religião; religião é vaidade.

1. Tendo um Nome Exterior


Agora precisamos considerar algumas questões
sobre a vaidade da religião. Primeiramente, a religião
tem um nome exterior (2:17). Recentemente fui a
uma barbearia para cortar o cabelo. O barbeiro
falou-me sobre assistir à missa de Natal. Usei a
oportunidade para perguntar-lhe quantas pessoas
estariam ali. Ele disse: “Você sabe, isto é
simplesmente um dever religioso. Algumas pessoas
assistem à missa apenas uma vez ao ano, na época do
Natal.” Aqui vemos um exemplo da vaidade da
religião: assistir à missa uma vez ao ano, como um
dever religioso, a fim de manter o nome de católico.
Que tipo de crente é esse? Um crente com um mero
nome exterior. Se você é verdadeiro no espírito,
significando que é um crente genuíno, isto é
maravilhoso. Contudo, se lhe falta a realidade e você
apenas mantém o nome exterior, isso nada significa.
Isso é vaidade.

2. Conhecendo Deus no Conhecimento


Exterior
O segundo aspecto da vaidade da religião é
conhecer a Deus no conhecimento exterior (2:17, 18).
É vão conhecer I? ~u~ tão-somente no conhecimento
exterior, na superficialidade das letras. Precisamos do
conhecimento interior de Deus, o conhecimento em
nosso espírito, o qual se espalha dentro de todo o
nosso ser. Precisamos de tal conhecimento interior e
subjetivo de Deus.

3. Tendo as Escrituras Exteriormente


O terceiro item da vaidade da religião é ter as
Escrituras exteriormente (3:2). Tanto os judeus como
os cristãos têm a Bíblia, mas a Bíblia para muitos
deles, tornou-se um livro supersticioso. Eles mantêm
a Bíblia de uma maneira supersticiosa. Alguns
cristãos disseram-me que têm medo de dormir à
noite se não tiverem a Bíblia junto de si. Se não
colocarem a Bíblia ao lado do travesseiro ou sobre a
mesa eles não têm paz para dormir à noite. Pensam
que a Bíblia Sagrada manterá os demônios longe
deles. Isso é superstição. Outros cristãos usam a
Bíblia para encontrar orientação de uma maneira
extraordinária. Abrem a Bíblia, apontam com o dedo
certo trecho e seguem a orientação dada em qualquer
versículo que localizem. Certa vez ouvi falar de uma
pessoa supersticiosa que abriu a Bíblia e colocou o
dedo sobre o versículo q~e diz que Judas retirou-se t;
foi enforcar-se (Mt 27:5). Imagino o que essa pessoa
fez! E terrível e absolutamente supersticioso
manusear as Escrituras dessa maneira. Todas essas
práticas vãs devem ser abolidas.
Sem dúvida, a maioria dos judeus ortodoxos e os
cristãos genuínos não_ manuseiam a Bíblia dessa
maneira supersticiosa, mas não tomam as Escrituras
de uma maneira real e viva. Eles se importam com os
ensinamentos em letras e não com Cristo, a Pessoa
viva. Em João 5:39, 40, o Senhor Jesus disse aos
religiosos judeus que eles examinavam as Escrituras
por causa do conhecimento, porém não iam a Ele
para terem vida. Hoje muitos cristãos enquadram-se
na mesma categoria. Portanto a Bíblia não lhes
significa muito quanto à vida e realidade.

4. Mantendo a Forma Exterior, na Letra


Algumas pessoas religiosas mantêm a forma
exterior, na letra (2:27, 28). Tome o exemplo do
batismo. Muitos queridos cristãos agarram-se a seus
conceitos sobre o batismo por imersão na água. Eu
mesmo sou fortemente a favor do batismo por
imersão, de acordo com as Escrituras e jamais
batizaria as pessoas por aspersão. Todavia, essa
questão do batismo tornou-se quase que inteiramente
uma mera formalidade exterior. Devemos evitar
todas as formalidades exteriores. Paulo disse aos
judeus que se a circuncisão deles fosse meramente
exterior, essa seria irreal. A genuína circuncisão é
interior, no coração e no espírito. Podemos empregar
a mesma palavra ao batismo, pois em certo sentido, o
batismo substitui a circuncisão. No Velho Testamento
havia a circuncisão; no Novo Testamento a
circuncisão foi substituída pelo batismo. Uma vez que
a circuncisão é irreal se praticada como uma simples
forma exterior, assim o batismo nunca poderá ser real
se for apenas exterior. Sinto dizer que quase todos os
batismos degradaram-se a uma forma exterior.
Posso ilustrar com minha própria experiência.
Primeiro fui aspergido com algumas gotas de água
por um pastor. Mais tarde percebi que isso estava
errado, que não era bíblico. Então fui imerso no mar
por um mestre dos Irmãos Unidos. Depois disso,
alguns me disseram que é errado ser batizado em
água salgada ao invés de água doce. De acordo com
eles, as pessoas devem seguir o exemplo de Jesus e
serem imersas num rio. Então um pastor talvez
argumentará que isso ainda está errado, porque não
foi no rio Jordão. Finalmente percebi que, mesmo
que as pessoas fossem batizadas no rio Jordão,
alguém ainda diria que estava errado, porque não
foram imersas no lugar exato onde o próprio Jesus foi
batizado. Os argumentos são intermináveis e as
críticas são injustas e irracionais.
As pessoas têm argumentado e discutido a
respeito do batismo por séculos, porque se apegaram
a uma forma exterior. Alguns, como os Quakers e a
Senhora Penn-Lewis, repudiaram o batismo físico,
exterior. Embora não concorde com isso, advirto-os a
não prestarem atenção a uma forma que seja correta
de acordo com o seu ponto de vista. Vocês não são o
Senhor, nem eu O sou. Se foram batizados em água
quente ou fria, salgada ou doce, no rio ou oceano,
uma vez ou várias vezes, a simples forma exterior não
significa nada. Necessitamos da realidade interior.
Não os encorajo a praticar alguma coisa como uma
formalidade. Não devemos apegar-nos a qualquer
forma, mas prestar toda nossa atenção à realidade.

5. Faltando a Realidade Interior em Espírito


Religião é vaidade porque lhe falta a realidade
interior no espírito (2:29). Romanos 2:29 diz que o
que quer que sejamos, façamos e tenhamos deve ser
tudo em espírito. Se você é judeu circuncidado, sua
circuncisão deve ser em espírito. Se é cristão
batizado, o seu batismo tem de ser em espírito. Tudo
precisa ser em espírito. O espírito, aqui, certamente é
o espírito humano. Por que é que tudo precisa ser
feito em nosso espírito? Porque o nosso espírito é o
lugar exato, em nosso interior, onde Deus pode
habitar. O espírito é o lugar, a base, onde Deus pode
agir em nosso favor. Se você é um cristão em seu
espírito, isso significa que é um cristão com Deus. Se
você age em seu espírito, significa que age com Deus.
Sem Deus, tudo é vão; com Ele, tudo é realidade.
Portanto devemos retomar ao nosso espírito. Se
amamos outras pessoas, devemos amá-las em nosso
espírito. Caso contrário, nosso amor não será
genuíno. Será um amor político. Entretanto, se
amamos em nosso espírito, nosso amor é com Deus.
Quando vocês, esposos, dizem às suas esposas que as
amam, necessitam dizer isso com seu espírito. Se seu
amor não é no espírito, é uma fraude, um amor
político. Muitas mulheres foram enganadas pelo
amor político dos maridos. Se disser uma palavra a
você, devo dizê-la em meu espírito. Assim essa
palavra será uma palavra com Deus. Caso contrário,
será uma conversa política. O nosso espírito é o órgão
por meio do qual Deus nos toca e pelo qual podemos
tocar Deus: Tudo o que somos e tudo o que fazemos
deve ser em nosso espírito. Isso não é religião; é
realidade.

6. Praticando Males como os Irreligiosos


Por fim, as pessoas religiosas praticam os
mesmos males que os irreligiosos (2:21-22). Parece
não haver diferença entre os irreligiosos e os
religiosos. Todos são iguais. Apesar de os judeus
serem religiosos, eles se portavam até mesmo pior do
que os gentios.
Nesta parte sobre a condenação dos religiosos,
vemos que a religião nada significa; que ela é vaidade.
Por isso devemos ficar afastados da religião e nada ter
a ver com ela. Precisamos da Pessoa viva do Deus
Triúno.

II. A CONDENAÇÃO SOBRE TODO O MUNDO


A TOTAL DESESPERANÇA
Agora chegamos à condenação sobre todo o
mundo, a condenação que revela a total desesperança
(3:9-20). A situação do mundo é sem esperança. Não
tente curá-lo, corrigi-lo ou aperfeiçoá-lo. Abandone a
sua esperança. A situação do mundo é incurável.
Nesta seção de Romanos, Paulo retrata o homem
como totalmente mau e dá várias provas de que a
situação do mundo é sem esperança. Nenhuma
pessoa busca a Deus e ninguém entende a Deus
(3:11). Todos se desviaram de Deus e se tornaram
inúteis (3:12). Ninguém é justo (3:10), ninguém
pratica o bem (3:12). Em outras palavras, não há
nenhum homem justo e nenhum homem é bom. Você
sabe qual é a diferença entre um homem justo e um
homem bom? Se eu trabalhar para você durante um
mês, por um salário de quinhentos dólares ao mês e
você se recusar a me pagar, você é injusto.
Entretanto, se me pagar, você é um homem justo. Se
não trabalhasse para você e você me desse quinhentos
dólares, como um presente, quando eu deles
precisasse, esse seria um ato de graça. Se fizesse isso,
você seria um homem bom. Todavia, Paulo diz que
entre os seres humanos do mundo, nenhum é justo e
nenhum é bom. Você crê nisso? Eu creio. Não
devemos pensar que somos exceção. Ninguém é justo,
ninguém é bom. Portanto todos se tornaram sujeitos
ao julgamento de Deus (3:19). A condição do mundo é
de total desesperança.
Onde estávamos antes de sermos salvos? Todos
estávamos debaixo do justo julgamento de Deus.
Todos estávamos errados. Nenhum de nós buscava ou
entendia a Deus. Todos nós nos desviamos e nos
tornamos inúteis. Nenhum de nós era justo ou bom.
Todos estávamos debaixo do justo julgamento de
Deus. Por meio disso podemos ver a condição sem
esperança do mundo.
Aprecio os escritos de Paulo. Na seção sobre a
condenação, vemos a origem da perversidade, o
caminho da restrição, a vaidade da religião e a
condição sem esperança do mundo. Aqui está a
conclusão dos escritos de Paulo sobre a condenação:
todo o mundo está sujeito ao justo julgamento de
Deus. Onde estaríamos e que seria de nós se ainda
não fôssemos salvos? Seríamos um caso sem
esperança debaixo do julgamento de Deus.
Independente do que fizemos, do que tivemos, do que
fomos, estávamos debaixo do justo julgamento de
Deus. Todos nós percebemos nossa necessidade da
salvação de Deus. Esta seção sobre a condenação
prepara o caminho para a salvação de Deus e abre a
porta para as pessoas entrarem na Sua salvação. A
despeito do que somos, precisamos de Cristo.
Precisamos de Cristo com a Sua redenção.
A intenção de Paulo nesta seção sobre a
condenação foi preparar o caminho para ele ministrar
Cristo para dentro de nós. O objetivo máximo do
evangelho de Paulo é ministrar Cristo para dentro de
nós. Quando chegarmos a Romanos 8,
encontraremos um versículo que diz: “Cristo está em
vós” (8:10). Esse é o alvo de Paulo. Quer sejamos
apenas alguém da humanidade, um dos que se julgam
justos, um dos que são religiosos ou uma pessoa no
mundo, precisamos de Jesus. A nossa necessidade
está em nosso espírito. Não devemos atentar às coisas
exteriores ou aos feitos exteriores, mas voltarmo-nos
ao espírito. No espírito encontraremos Cristo. No
espírito desfrutaremos Cristo. O escrito de Paulo
sobre a condenação pavimenta o caminho para
recebermos Cristo. Abre o caminho para Cristo vir
para dentro de nós.
ESTUDO-VIDA DE ROMANOS
MENSAGEM 5
JUSTIFICAÇÃO À MANEIRA DE DEUS
Chegamos agora à seção sobre a justificação,
uma doutrina de grande importância (3:21-5:11).
Martinho Lutero foi levantado por Deus para lutar
uma violenta batalha sobre a justificação, por ser ela
tão grande doutrina na Bíblia. Apesar de Lutero ter
lutado pela verdade da justificação, precisamos
compreender como a justificação relaciona-se à
propiciação, redenção e reconciliação. Nesta
mensagem, abrangeremos todos estes termos e
procuraremos torná-los claros. Entretanto,
precisamos primeiramente considerar a justiça de
Deus.

I. A JUSTIÇA DE DEUS

1. Deus em Justiça e Retidão


Que é a justiça de Deus? Podemos dizer que a
justiça de Deus é aquilo que Deus é com respeito à
justiça e retidão (Rm 3:21, 22; 1:17; 10:3; Fp 3:9).
Deus é justo e reto. O que quer que Deus seja em Sua
justiça e retidão constitui a Sua justiça. Além disso,
tudo o que Deus é em Sua justiça e retidão é na
verdade Ele mesmo. Portanto a justiça de Deus é o
próprio Deus. A justiça de Deus é uma Pessoa, não
meramente um atributo divino.

2. Cristo como a Justiça de Deus para os


Crentes
Muitos cristãos dizem erroneamente que eles
têm a justiça de Cristo. Não deveríamos dizer isso. A
nossa justiça não é a justiça de Cristo; é o próprio
Cristo. O próprio Cristo como uma Pessoa, e não a
justiça como o Seu atributo, foi feito a justiça de Deus
para nós (1Co 1:30). Não diga que a justiça de Cristo
se tornou a sua justiça. Em vez disso você deve dizer:
Cristo é a minha justiça. A minha justiça perante
Deus é a Pessoa viva de Cristo, não um atributo. O
Cristo justo é meu. Deus fez Cristo, que é a
corporificação exata do próprio Deus, a nossa justiça.

3. Os Crentes Feitos a Justiça de Deus em


Cristo
A Segunda Epístola aos Coríntios 5:21 afirma que
os crentes são feitos a justiça de Deus em Cristo.
Paulo não diz que os crentes são feitos justos; diz que
eles são feitos justiça. Fomos feitos a justiça de Deus,
em Cristo. Essa é uma questão profunda. Como
podemos tornar-nos a justiça de Deus? Tendo Cristo
trabalhado dentro de nós. Temos visto que Cristo é a
corporificação de Deus, e que Deus, como uma Pessoa
viva, é justiça. Portanto justiça, Deus e Cristo são um.
A justiça de Deus é o próprio Deus. Visto que Deus
está corporificado em Cristo, Cristo é a justiça de
Deus. Cristo foi trabalhado dentro de nós e nós fomos
colocados dentro Dele. Junto com Cristo fomos
amalgamados em um. Desta maneira tornamo-nos a
justiça de Deus. Paulo declara: “Para mim o viver é
Cristo” (Fp 1:21). Por ter Cristo sido trabalhado
dentro de nós, podemos dizer juntamente com Paulo:
“Para mim o viver é Cristo”. Suponha que tenhamos
um copo de água. Quando a ela se mistura chá, já não
é apenas água, é chá. Do mesmo modo, uma vez que
Cristo foi trabalhado dentro de nós, tornamo-nos um
com Ele.
A justiça de Deus não é apenas o próprio Deus
em Sua justiça e retidão, nem apenas a Pessoa viva de
Cristo; também somos nós que fomos feitos um com
Cristo. A Pessoa viva de Cristo como justiça de Deus
foi trabalhada dentro de nós e fomos colocados
dentro Dele. Portanto fomos feitos a justiça de Deus.
Devemos proclamar: Sou a justiça de Deus. Fui
justificado. Deus é justiça e eu também sou. Sou a
justiça de Deus em Cristo. Sou o que Deus é. Estou
completamente justificado. Eu e Deus fomos
identificados. Aprovo Deus e Ele me aprova.
Aprovamo-nos mutuamente. Essa é a justificação
pela fé.
Alguns podem pensar que não deveríamos dizer
que aprovamos Deus. Apesar disso, todos devemos
aprová-Lo. Deus gosta de ser julgado e aprovado por
nós (Rm 3:4). Assim, podemos dizer para Deus: Você
nos aprova e nós O aprovamos.

4. Justificação — Sendo Aprovado de Acordo


com o Padrão da Justiça de Deus
Que é justificação? É o ato de Deus aprovar as
pessoas de acordo com o Seu padrão de justiça. A Sua
justiça, não a nossa, é o padrão. Embora pensemos
que somos justos, nossa justiça tem somente alguns
milímetros de altura. Não importa quão justos
sejamos ou quão justos pensemos ser, a nossa justiça
tem a altura de apenas uma fração de centímetro.
Qual é a altura da justiça de Deus? É ilimitada! Você
pode ser aprovado por Deus de acordo com a sua
própria justiça? Isso é impossível. Embora possa agir
corretamente com todos — com os pais, com os filhos
e com os amigos — sua justiça jamais o justificará
perante Deus. Você pode justificar-se de acordo com
6 seu padrão de justiça, mas isso não o capacita a ser
justificado por Deus de acordo com o Seu padrão.
Precisamos da justificação pela fé. Justificação pela
fé, perante Deus, significa que somos aprovados por
Ele de acordo com o padrão de Sua justiça.
Como Deus pode fazer isso? Ele pode fazê-lo
porque nossa justificação está baseada na redenção
de Cristo. Quando a redenção de Cristo é aplicada a
nós, somos justificados. Se não houvesse tal
redenção, ser-nos-ia impossível sermos justificados
por Deus. A redenção é a base da justificação.

II. A REDENÇÃO DE CRISTO

1. A Expiação no Velho Testamento


Como chegamos à questão da redenção de Cristo,
precisamos considerar a expiação no Velho
Testamento (Lv 16:34; 25:9).

A. A Expiação
A expiação no Velho Testamento foi uma
reparação (Lv 25:9; Nm 5:8). Expiação significa
apaziguar Deus em relação a nós, conciliá-Lo,
satisfazendo as Suas justas exigências.

B. A Cobertura Expiatória da Arca


A cobertura expiatória (traduzida por
“propiciatório” pela versão de João Ferreira de
Almeida) era a tampa da arca (Êx 25:17-22; Lv 16:14;
Hb 9:5). Sob esta cobertura estava a lei que foi
chamada de o testemunho de Deus (Êx 25:21). Por
que foi chamada de o testemunho de Deus? Porque a
lei testifica o que Deus é. Deus é totalmente
testificado e expresso pela Sua lei. Acima da
cobertura expiatória estavam os querubins da glória,
tipificando a expressão de Deus (Êx 25:19, 20; Hb
9:5; Rm 3:23). Portanto, debaixo da cobertura estava
o testemunho de Deus, mostrando que tipo de Deus
'Ele é, e acima da cobertura estavam os querubins da
glória, expressando a glória de Deus.
A cobertura expiatória era aspergida com o
sangue expiatório (Lv 16:14, cf. 18). No dia da
expiação, o sangue do sacrifício expiatório era
derramado, introduzido no Santo dos Santos e
aspergido na cobertura expiatória. Aquele sangue era
um sangue que falava. Naquela época existiam alguns
problemas entre Deus e o povo. Todos haviam pecado
contra Deus e estavam carentes da glória de Deus.
Assim havia dois problemas — o problema dos
pecados e o problema do carecer da glória de Deus —
entre Deus e o povo, criando uma separação entre
eles. Não havia qualquer maneira para. se ajuntarem.
Embora o povo precisasse da graça de Deus e Deus
tivesse graça para lhes dispensar, não havia um meio
para as duas partes se aproximarem. A expiação foi o
meio de união. Nos tempos do Velho Testamento, o
meio de. reparação, isto é, de expiação requeria um
sacrifício no qual era derramado sangue. Esse sangue
era introduzido no Santo dos Santos e aspergido
sobre a cobertura da arca. Como temos visto, debaixo
dessa cobertura estava a lei, expondo e condenando o
povo quando este se aproximava de Deus, e acima da
cobertura estavam os querubins da glória,
observando tudo. Quando o sangue da expiação era
aspergido sobre a cobertura da arca, ele satisfazia os
justos requisitos da lei de Deus e cumpria as
exigências da glória de Deus. Portanto sobre a
cobertura expiatória da arca, Deus podia encontrar-se
com o homem, falar ao homem e ter comunhão com
ele de uma maneira legal, sem contradizer a Sua
justiça ou glória. Era nesse lugar que Deus e o homem
eram feitos um. Aquilo era a reparação, a expiação.

2. A Redenção no Novo Testamento

A. A Propiciação
A expiação no Velho Testamento foi um tipo da
propiciação no Novo Testamento. A propiciação é
mencionada pelo menos cinco vezes no Novo
Testamento. Em 1 João 2:2 e 4:10 é-nos dito que
Cristo, o Filho de Deus, é Ele próprio a propiciação
pelos nossos pecados. Em ambas as passagens a
palavra propiciação, na verdade, significa um
sacrifício e deveria ser traduzia como “sacrifício
propiciatório”. A palavra grega nesses versículos é
hilasmos, que significa “aquilo que propicia”, isto é,
um sacrifício propiciatório. Em 1 João 2:2 e 4:10 o
Senhor Jesus é o sacrifício propiciatório pelos nossos
pecados. Uma outra palavra grega relacionada à
propiciação, hilasterion, é encontrada em Hebreus
9:5 e Romanos 3:25. Hilasterion significa o lugar
onde a propiciação era realizada. Os bons livros de
referência indicam que a palavra hilasterion, nestes
dois versículos, significa o lugar de propicíação, e a
versão de João Ferreira de Almeida a traduz como
“propiciatório”, Na Septuaginta, a versão grega do
Velho Testamento, hilasterion é a palavra para
“propiciatório” em Êxodo 25 e Levítico! li. Assim,
hilasterion é o lugar de propiciação. Além disso, em
Hebreus 2:17 aparece a palavra hilaskomai, que é a
forma verbal do substantivo hilasmos. A versão de
João Ferreira de Almeida traduz hilaskomai como
“fazer propiciação por”. Cristo faz propiciação pelos
nossos pecados. A questão da propiciação é
mencionada cinco vezes no Novo Testamento em
relação a Cristo: duas vezes refere-se ao próprio
Cristo como o sacrifício propiciatório, duas vezes
refere-se ao lugar onde a propiciação foi realizada e
uma vez refere-se à ação, de propiciação.
Em adição a estas cinco referências à propiciação
no Novo Testamento, encontramos outra palavra da
mesma raiz usada pelo publicano em sua oração no
templo (Lc 18:13). De acordo com a versão de João
Ferreira de Almeida, o publicano orou: “Ó Deus, sê
propício a mim.” Contudo, o grego diz: “Faça
propiciação por mim.” O publicano, na verdade,
estava dizendo: “O Deus, faça propiciação por mim.
Sou pecador aos Teus olhos. Preciso de propiciação.”
Qual é o significado de propiciação? Como a
distinguiremos da redenção por um lado e da
reconciliação por outro lado? Se lermos o Novo
Testamento cuidadosamente, descobriremos que a
reconciliação inclui a propiciação. Apesar disso, há
uma diferença entre elas. Propiciação significa que
você tem um problema com outra pessoa. Ou você a
ofendeu ou então deve-lhe algo. Por exemplo: se lhe
causo dano ou estou em débito com você, existe um
problema entre nós. Por causa desse problema ou
dívida, você tem uma exigência sobre mim e, a menos
que a sua exigência seja satisfeita, O problema entre
nós não pode ser resolvido. Assim, há a necessidade
de propiciação,
A palavra grega hilasmos implica em que eu lhe
causei dano e que agora estou em débito com você.
Há um problema entre nós, que impede o nosso
relacionamento. A propiciação, portanto, envolve
duas partes, uma das quais causou dano à outra, ficou
em débito com esta e deve agir para satisfazer as suas
exigências. Para a parte ofensora apaziguar a parte
ofendida, ela deve cumprir suas exigências. A
Septuaginta usa a palavra hilasmos para expiação em
Levítico 25:9 e em Números 5:8, porque essa palavra
grega significa conciliar duas partes e torná-las uma.
A forma inglesa para a palavra expiar é “atone”,
que é composta de duas palavras “at” e “one”, isto é,
“em” e “um”. O significado da expiação é fazer com
que duas partes tornem-se uma. Quando duas partes
foram separadas e buscam estar em unidade, há a
necessidade de propiciação. Isto é expiação. O ato de
propiciação é a expiação. A propiciação significa
fazer-nos um com Deus, porque havia uma separação
entre nós e Ele. Qual era o problema que nos
mantinha apartados de Deus, que tornava impossível
termos comunhão direta com Ele? O problema era os
nossos pecados. Os nossos pecados mantinham-nos
apartados da presença de Deus e O impedia de se
achegar a nós. Portanto precisávamos de propiciação
para apaziguar as exigências de Deus. Cristo realizou
isso na cruz quando ofereceu a Si mesmo como
sacrifício propiciatório. Na cruz Ele fez propiciação
por nós e levou-nos de volta a Deus, fazendo-nos um
com Deus.

B. A Redenção
Qual é a diferença entre propiciação e redenção?
A palavra redimir significa comprar de volta algo que
originalmente era seu, mas que foi perdido. Este
hinário me pertence. Se o perdesse e pagasse para
comprá-lo de volta, estaria redimindo o hinário.
Assim, redenção significa readquirir por um custo.
Nós, originalmente, pertencíamos a Deus.
Éramos a Sua possessão. Contudo fomos perdidos.
Apesar disso, Deus não desistiu de nós. Ele pagou o
preço para nos ter de volta, readquirindo-nos por um
alto custo. Isso é redenção. Ele quis ganhar-nos
novamente, mesmo após termos nos tornado
perdidos. Todavia não foi fácil para Deus fazer isso,
porque o nosso ser perdido envolvia-nos em pecados
e em muitas outras coisas que eram contra a Sua
justiça, santidade e glória. Por estarmos perdidos,
tínhamos muitos problemas com Deus em relação à
Sua justiça, santidade e glória. Estávamos sob uma
exigência tripla, a exigência da justiça, santidade e
glória. Muitas exigências foram colocadas sobre nós e
era-nos impossível cumpri-las. O preço era grande
demais. Deus pagou o preço por nós,
readquirindo-nos por um tremendo custo. Cristo
morreu na cruz para realizar a eterna redenção para
nós (GI3:13; 1Pe 2:24; 3:18; 2Co 5:21; Hb 10:12;
9:28). Seu sangue obteve eterna redenção para nós
(Hb 9:12, 14; 1Pe 1:18, 19).

C. A Reconciliação
O problema de ser um inimigo é até mesmo mais
sério do que necessitar de propiciação. Se eu sou seu
inimigo, a propiciação é inadequada. Preciso de
reconciliação. Pecadores precisam de propiciação;
inimigos necessitam de reconciliação. A inimizade é o
maior problema entre o homem e Deus. Quando
éramos inimigos de Deus, não precisávamos apenas
da propiciação, mas também da reconciliação. A
propiciação trata principalmente com pecados; a
reconciliação trata tanto com a inimizade como com
os pecados. Portanto a reconciliação inclui a
, propiciação. Romanos 5 diz-nos que, antes de
sermos salvos, éramos tanto pecadores como
inimigos. Como pecadores precisávamos de
propiciação e como inimigos, de reconciliação. Nisto
está a diferença entre propiciação e reconciliação:
propiciação é para pecados; reconciliação é tanto para
pecados como para inimizade.
A reconciliação está baseada na redenção de
Cristo (Rm 5:10, 11) e foi realizada mediante a
justificação de Deus (2Co 5:18, 19; Rm 5:1, 11). Por
isso a reconciliação é o resultado da redenção com
justificação.
Nos pontos anteriores abrangemos
principalmente a definição de vários termos: a justiça
de Deus, a justificação, a propiciação, a redenção e a
reconciliação. Uma vez que temos a definição
apropriada destes termos, podemos entender o que
significa ser justificado. Agora trataremos
diretamente com a justificação.

III. A JUSTIÇA DE DEUS TENDO SIDO


MANIFESTADA
Que é a justificação? Justificação significa que a
justiça de Deus foi manifestada. Embora a justiça de
Deus existisse há muitas eras, ela não nos foi
manifestada até que cremos no Senhor e invocamos o
Seu nome. Então ela nos foi revelada. Quando a
justiça de Deus é revelada, é manifestada. Ela é
manifestada a nós quando cremos no Senhor Jesus. A
sua manifestação é mencionada duas vezes no livro
de Romanos. Romanos 1:17 diz que a justiça de Deus
é revelada de fé para fé. A justiça de Deus é
manifestada no evangelho, a partir da nossa fé e para
a nossa fé. Em seguida, Romanos 3:21 mostra que a
justiça de Deus foi manifestada sem lei, sendo
testemunhada pela lei e pelos profetas.

1. Sem Lei
O fato de a justiça de Deus ter sido manifestada
sem lei significa que ela não tem nada a ver com a lei.
Jamais confunda a justiça de Deus com a lei. Ambas
devem ser mantidas separadas. A justiça de Deus
nada tem a ver com a lei. Jamais podemos obter a
justiça de Deus indo à lei. No que diz respeito à
justiça de Deus, a lei está terminada. A lei era a velha
dispensação. Agora, sem lei, fora da lei, a justiça de
Deus foi manifestada mediante a fé de Jesus Cristo.

2. Mediante a Fé de Jesus Cristo


Os estudiosos da Bíblia têm grande dificuldade
com a frase “fé de Jesus Cristo” (3:22, lit.). Alguns
dizem que ela significa nosso ato de crer em Jesus
Cristo. Outros dizem que se refere à fé de Jesus, que a
fé de Jesus torna-se nossa. Eu diria desta maneira: o
genuíno crer é crer no Senhor Jesus pela Sua fé.
Cremos em Jesus Cristo pela Sua fé, pois não temos fé
propriamente nossa. Jesus é o Autor e Consumador
da nossa fé (Hb 12:2). Quanto mais olhamos para nós
mesmos e nos examinamos, mais rapidamente nossa
fé desaparece. Fé não é nossa invenção; ela jamais
pode ser iniciada por nós. É-nos impossível gerar fé.
Fé é um aspecto do próprio Cristo. De fato, fé é Cristo.
Gálatas 2:20 diz que nós vivemos pela fé do Filho de
Deus. Eu não vivo pela minha fé — não tenho fé
propriamente minha — mas pela fé do Filho do Deus
vivo, O qual tem fé e Ele mesmo é fé para mim. Se
olhar para si mesmo, você jamais encontrará fé, mas
se esquecer de si mesmo e disser: “Ó Senhor Jesus, eu
Te amo”, imediatamente a fé surgirá dentro de você.
Essa fé é a fé de Jesus ou podemos dizer que ela é
Jesus crendo dentro de nós. Assim a frase “mediante
a fé de Jesus Cristo” significa crer em Jesus Cristo
pela Sua fé.
A justiça de Deus foi manifestada fora da lei, por
meio do nosso crer em Jesus Cristo mediante a Sua
fé. Cremos em Cristo pela Sua fé, não pela nossa
própria fé. Cristo é nossa fé. Nunca diga que você não
pode crer pois pode crer se quiser. Não tente crer por
meio de você mesmo, pois quanto mais tenta, menos
fé você tem. Simplesmente diga: “Ó Senhor Jesus, eu
Te amo. Senhor Jesus, Tu és tão bom.” Se fizer isso,
imediatamente você terá fé. Cremos em Jesus Cristo
mediante a Sua fé e dessa fé e para essa fé a justiça de
Deus é revelada para todos os que crêem.

3. Satisfazendo as Exigências da Lei Justa de


Deus e da Glória de Deus
A justiça de Deus foi manifestada para satisfazer
as exigências da Sua lei e da Sua glória (3:23).
Quando cremos no Senhor Jesus, recebemos a justiça
de Deus que satisfaz todas as exigências de Deus. Em
Romanos 3 notamos que as exigências de Deus são de
duas categorias: da Sua justiça e da Sua glória. Paulo
menciona claramente a lei de Deus e a glória de Deus.
Todos nós violamos a lei e todos nós carecemos da
glória. Por isso Romanos 3:23 diz que todos pecaram
e carecem da glória de Deus.
Por que Paulo menciona subitamente a glória de
Deus? A resposta envolve o propiciatório mencionado
no versículo 25. Quando Paulo estava escrevendo esta
parte de Romanos, provavelmente tinha em mente a
figura da arca do testemunho, especialmente o
propiciatório. Sobre essa cobertura estavam os
querubins da glória. Como já mencionamos, debaixo
da cobertura da arca estava a lei, expondo a
pecaminosidade do povo e condenando-o, e acima da
cobertura da arca estavam os dois querubins,
representando a glória de Deus e observando cada ato
do povo. Sob a cobertura havia a lei que expunha;
sobre ela estavam os querubins que vigiavam e
observavam. A lei que expõe e condena tipificava as
exigências da justiça de Deus de acordo com a lei, e os
querubins observadores tipificavam as exigências da
glória de Deus de acordo com a expressão de Deus. A
menos que essas exigências fossem cumpridas e Deus
fosse satisfeito, não haveria um meio dos pecadores
contatarem Deus e de Deus comunicar-se com eles.
Aleluia pelo sangue expiatório! O sangue expiatório
foi aspergido no propiciatório, satisfazendo as
exigências da lei justa e da glória de Deus.
Propiciação não é apenas um ato; é um lugar.
Propiciação é um lugar onde Deus pode encontrar-se
com o homem. Sob a inspiração do Espírito Santo,
Paulo foi ousado ao dizer que esse lugar de
propiciação é Jesus Cristo. Deus estabeleceu a Cristo
Jesus como um propiciatório (3:25) e esse
propiciatório é o lugar de propiciação, onde Deus
pode encontrar-se com o homem. Esse lugar é a
Pessoa de Jesus Cristo, o Senhor. Embora muitos
cristãos amem o Senhor Jesus e percebam que Ele
significa tanto para eles, podem não saber que Cristo
é o lugar de propiciação, onde Deus pode
encontrar-se conosco e onde podemos contatar Deus.
Antes de sabermos desse lugar, éramos
amedrontados pela idéia de nos aproximarmos de
Deus, mas agora não mais estamos com medo Dele.
Sobre Cristo como o propiciatório podemos nos
encontrar com Deus. Esse é o significado dos escritos
de Paulo em Romanos 3. Ele usou o tipo da arca com
a sua cobertura para mostrar o significado da
justificação.
Neste universo, o Senhor Jesus foi estabelecido
como o lugar de propiciação e todos os pecadores
podem vir para encontrar-se com Deus sobre Ele.
Onde nós estamos hoje? Estamos no lugar de
propiciação. Realmente temos uma posição, uma
base, para nos encontrarmos com Deus e Deus tem a
mesma base para comunicar-se conosco. Onde está a
lei? A lei está debaixo do propiciatório, coberta pelo
Cristo propiciador. Onde está a glória de Deus? Está
acima de nós, contudo ela não tem reivindicações
para conosco, porque estamos sobre Cristo como o
lugar de propiciação. Aqui somos justificados. Neste
propiciatório somos o mesmo que Deus em Sua
justiça. Nós e Deus correspondemos um ao outro e
somos mutuamente aprovados. Nós aprovamos Deus
e Deus nos aprova; Deus nos justifica e nós O
justificamos.
Você pensa que é muito ousado dizer que
podemos justificar Deus? Romanos 3:4 dá-nos base
para dizermos isso. Esse versículo diz que Deus seria
justificado nos Seus dizeres e venceria quando fosse
julgado. Nós podemos justificar Deus. Fiz isso várias
vezes. Embora reconhecesse que era um pecador, não
segui a Deus cegamente. Esforcei-me ao máximo a
fim de averiguar Suas palavras. Por fim, aprovei-O
totalmente como sendo correto. Não tenha medo de
estudar sobre Deus e investigá-Lo u~ pouco para ver
se Ele é correto. Se O investigar, você descobrirá que
Ele está mil por cento e até mesmo um milhão por
cento correto. Você justificará Deus. Sobre Cristo,
como a cobertura de propiciação, Deus e nós
aprovamo-nos mutuamente.
De acordo com a nossa experiência, não foi Deus
quem primeiramente nos aprovou, mas fomos nós
que O aprovamos. Não sabemos quanto tempo Ele
gastou para convencer-nos de Sua justiça. Éramos
rebeldes e dizíamos: Eu não gosto de Deus. Deus não
está certo. Todos pensávamos dessa maneira antes de
sermos salvos. Muitas pessoas falam contra Deus,
dizendo: Se Deus é correto, por que há tantos pobres
na terra? Se Deus é correto, por que não há justiça
entre as nações? Eles admitem que Deus existe, mas
alegam que Ele não é justo. Muitos de nós podemos
testificar a mesma coisa, confessando que
pensávamos que Deus estivesse errado, que Ele não
fosse justo. Entretanto Deus foi paciente conosco,
fazendo-nos muitas coisas até que Ele, finalmente,
nos convenceu de Sua justiça. Quem foi justificado
primeiro? Primeiramente nós justificamos Deus.
Quando fomos convencidos por Deus de Sua justiça,
nós O justificamos e choramos arrependidos,
dizendo: “Deus, perdoa-me. Sou tão pecaminoso e
impuro. Eu preciso do Teu perdão.” Quando
invocamos o nome do Senhor Jesus, fomos colocados
não somente para dentro de Cristo mas também
sobre Cristo. Agora estamos sobre Cristo como nosso
lugar de propiciação, onde nós e Deus podemos
justificar um ao outro. Declaramos: “Deus, Tu és
justo. Não tenho qualquer problema Contigo.” Em
seguida Deus responde: “Querido filho, também
nenhum problema tenho contigo.” Primeiramente,
nós aprovamos Deus e, em seguida, Deus nos
aprovou. Nós justificamos Deus, então, Deus nos
justificou. Tudo isso ocorreu sobre Cristo como o
lugar de propiciação. Debaixo Dele a lei está coberta e
sobre Ele os querubins estão alegres, quando vêem a
justificação mútua que ocorre sobre Ele como o
propiciatório.
Onde estamos agora? Estamos em Jesus Cristo
como o lugar de propiciação. Estamos no
propiciatório. A lei está debaixo de nossos pés, e a
glória de Deus, acima de nossa cabeça está satisfeita.
A lei foi calada; ela não pode mais falar contra nós,
mas a glória de Deus pode regozijar-se sobre nós com
satisfação. Aqui, sobre o propiciatório, desfrutamos a
plena justificação de Deus.

IV. A JUSTIÇA DE DEUS TENDO SIDO


DEMONSTRADA

1. Para os Santos do Velho Testamento


A justiça de Deus foi demonstrada aos santos do
Velho Testamento, no fato de Deus não levar em
conta os pecados deles. Paulo usa este termo “não
levar em conta” em Romanos 3:25. Durante os
tempos do Velho Testamento, os pecados do povo não
tinham sido tirados, mas apenas cobertos pelo sangue
expiatório. Os pecados deles não foram levados
embora até que Jesus Cristo morreu na cruz. “Eis o
Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo
1:29). Antes de o Senhor Jesus morrer na cruz, os
pecados dos santos do Velho Testamento ainda
permaneciam, embora fossem cobertos com o sangue
do tipo de Cristo. Deus teve de não levar em conta os
pecados deles, por ser Ele justo. O sangue do tipo de
Cristo foi derramado na presença de Deus e o Deus
justo foi obrigado a não levar em conta todos os
pecados cobertos por aquele sangue. Não levando em
conta aqueles pecados cobertos, Deus demonstrou a
Sua justiça.
Deixem-me ilustrar. Suponha que eu deva a certa
pessoa um bilhão de dólares. Embora seja impossível
para eu pagar essa quantia, sou obrigado por aquela
pessoa a pagá-la. Tenho, contudo, um amigo que é
um bilionário. Meu amigo começa a dizer para ambas
as partes que não existe nenhum problema; que ele
próprio pagará a dívida toda, e escreve uma nota
promissória como prova. Uma vez que a nota
promissória tenha sido emitida e aceita, eu devo ser
liberto por causa da justiça. Da mesma forma, os
santos do Velho Testamento deviam a Deus uma
tremenda quantia, mas houve uma nota promissora
— o sangue _do sacrifício expiatório, aspergido sobre
a cobertura expiatória — a qual garantia que Cristo
viria tirar os pecados. Esta nota promissória cobriu
todos os pecados dos santos do Velho Testamento.
Cristo redimiu a nota promissória quando morreu na
cruz e pagou o preço total. Portanto, por causa de Sua
justiça, Deus teve de não levar em conta os pecados
deles. Fazendo assim, Ele demonstrou a Sua justiça
para os santos do Velho Testamento. Esse é o
significado de Romanos 3:25.

2. Para os Santos do Novo Testamento


A justiça de Deus foi demonstrada aos santos do
Novo Testamento no fato de Deus justificá-los. Deus
nos tem justificado gratuitamente por Sua graça, por
meio da redenção em Cristo e por meio da fé em
Jesus (3:24, 26). Desde que Cristo pagou o preço
pelos nossos pecados e cumpriu a completa redenção
para satisfazer todos os requisitos de Deus, Este, para
ser justo, deve justificar-nos. Do lado de Deus,
justificação é pela Sua justiça; do nosso lado,
justificação é por Sua graça gratuita, quando
comparada com justificação pela obra da lei. Para
sermos justificados pela obra da lei, precisamos fazer
obras; mas para sermos justificados pela redenção em
Cristo, não são necessárias as nossas obras; ela é dada
gratuitamente pela Sua graça. Nós não a merecemos.
Mas Deus é obrigado pela Sua justiça a justificar-nos,
por causa da redenção de Cristo, a qual satisfaz todos
os Seus requisitos. Assim Deus tem demonstrado Sua
justiça para os santos do Velho Testamento, não
levando em conta os pecados deles, e para os santos
do Novo Testamento, ao justificá-los. O tratamento
de Deus conosco, hoje, não é simplesmente não levar
em conta nossos pecados, mas justificar-nos. Deus
nos justificou.

V. A JACTÂNCIA SENDO EXCLUÍDA


Por isso, a jactância é excluída. Nenhum de nós
tem qualquer coisa em que se vangloriar. Não temos
sido justificados pela lei das obras, mas pela lei da fé
(3:27). Essa fé não se origina em nós, ela é do Cristo
vivo.

VI. UM DEUS JUSTIFICANDO DOIS POVOS


Deus é um. Este único Deus justifica tanto judeus
como gentios (3:30). Ele é o Deus tanto dos judeus
como dos gentios (~:29). Dizendo isso, Paulo abre
caminho para o Corpo de Cristo. Se o tratamento de
Deus com os povos diferisse de um grupo para o
outro, seria difícil ter a vida do Corpo. Contudo Deus
tem uma maneira de tratar com todos os povos e esse
Deus único, com Sua maneira única, conduz os
diferentes povos juntos como um. Quer sejamos
judeus ou gentios, é o único Deus quem justifica
todos nós. Entre nós, temos muitos irmãos e irmãs
judeus e Deus os justificou da mesma maneira como
nos tem justificado, os gentios. O único Deus
justificou todos nós, a fim de que possamos ser um
como o Corpo de Cristo.
Deus, a partir da fé, justifica a circuncisão e por
meio da fé, a incircuncisão. Note as preposições: os
judeus, a circuncisão, são justificados a partir da fé;
os gentios, a incircuncisão, são justificados por meio
da fé. Que significa isso? Os judeus têm uma posição
perante Deus como o Seu povo. Apesar da
incredulidade deles e aparente impureza, os Judeus
ainda têm a posição de povo de Deus. Devemos
admitir isso e sermos cuidadosos quando nos
referirmos aos judeus, pois Deus irá dizer deles: “Eles
são Meu povo”. Ter a posição do povo de Deus faz
uma grande diferença e precisamos respeitar isso. Em
Gênesis 12:3, Deus prometeu a Abraão, o antepassado
dos judeus, que todo aquele que o abençoasse seria
abençoado por Deus e que todo aquele que o
amaldiçoasse seria amaldiçoado por Deus. Deus
continua a cumprir Gênesis 12:3. Todo aquele que
toca os judeus amaldiçoando-os será amaldiçoado. Ao
longo dos vinte e cinco séculos passados, não tem
havido qualquer exceção: cada pessoa e nação que
tem amaldiçoado os judeus tem sido amaldiçoada e
todos que têm abençoado os judeus têm sido
abençoados.
Embora os judeus não estejam em condição
correta com Deus hoje, ainda são o povo de Deus
posicionalmente. Em outro lugar em Romanos, Paulo
diz que a escolha de Deus é irrevogável (11:28, 29). O
povo judeu é a escolha de Deus e a escolha de Deus é
eterna. A despeito de quão incrédulos os judeus
sejam, no presente, ainda são o povo de Deus
posicionalmente. Portanto, quando Deus justifica os
judeus, Ele os justifica a partir da fé, não por meio da
fé. Por que não é por meio da fé? Porque os judeus já
têm a posição. Contudo, quando Deus justifica os
gentios, deve justificá-los por meio da fé, porque eles
estão longe de Deus. Há urna grande distância entre
os gentios e Deus. Urna vez que os judeus, a
circuncisão, já têm a posição, são justificados a partir
da fé; urna vez que os gentios estão a \ urna grande
distância de Deus, são justificados por meio da fé. É
por meio da fé que os gentios alcançam a posição
correta. Em ambos os casos é urna questão de fé.
Um Deus justifica todos nós. Tanto judeus como
gentios estão sob um Deus e em um caminho. A
palavra de Paulo em Romanos 3:29, 30 prepara o
caminho para o Corpo de Cristo no capítulo 12. Quer
sejamos crentes judeus ou crentes gentios, somos um
Corpo em Cristo, sob a única economia do Deus
único.
ESTUDO-VIDA DE ROMANOS
MENSAGEM 6
O EXEMPLO DE JUSTIFICAÇÃO
Amo o livro de Romanos porque foi escrito de
uma maneira sólida e substancial. Apesar de abranger
muitas doutrinas, este livro, na verdade, foi escrito de
acordo com fatos e experiências. O livro de Romanos
baseia-se na experiência. A justificação pode parecer
uma questão doutrinária, porém, o apóstolo Paulo,
junto com essa doutrina, nos dá um exemplo vivo de
justificação: a pessoa de Abraão (4:1-25). Nesta
mensagem consideraremos Abraão, o exemplo de
justificação. Ele é nosso modelo e padrão. O nome
Abraão significa “pai de uma multidão”. De acordo
com as Escrituras, Abraão foi o pai tanto dos judeus
como dos gentios que crêem (Rm 4:11, 12, 16, 17; Gl
3:7-9, 29). Todo aquele que é da fé, quer judeu ou
gentio, é um descendente de Abraão.

I. O CHAMADO
Abraão foi o chamado. Adão foi criado, mas
Abraão foi chamado. Há uma grande diferença entre
ser criado e ser chamado. O livro de Gênesis está
dividido em duas seções principais: a primeira
abrange os primeiros dez capítulos e meio e relata a
história da raça criada, com Adão como o pai e
cabeça. A segunda seção vai da metade do capítulo
onze até o final do livro, relatando a história da raça
chamada, com Abraão como o pai e cabeça. A história
da raça criada, como descrita em Gênesis, tem seu
auge na edificação da torre e cidade de Babel
(Babilônia em grego). Nomes de ídolos foram escritos
nessa torre, significando que toda a raça criada se
havia voltado à idolatria. Assim, Paulo diz que a raça
humana havia trocado Deus pelos ídolos (1:23, 25).
Paulo escreveu Romanos 1 segundo a história
narrada em Gênesis. Começando na época de Caim, o
homem não aprovou ter Deus em seu pleno
conhecimento e abandonou-O. A humanidade
abandonou Deus e edificou a cidade de Enoque, a
primeira cultura humana, como está relatado em
Gênesis 4. Com aquela cultura, a raça humana caiu
em corrupção e permaneceu nesse estado até que o
dilúvio, como julgamento de Deus, veio sobre eles.
Pela misericórdia de Deus, oito pessoas foram salvas
através da arca, que tipificava Cristo. O número oito é
o número da ressurreição, indicando que essas
pessoas foram salvas e preservadas em ressurreição.
Em certo sentido, Noé era o cabeça da nova raça.
Todavia, não muito tempo depois, os descendentes de
Noé também abandonaram a Deus em Babel, em
Gênesis 11. Quando eles trocaram Deus por ídolos, o
abandono a Deus se completou. O abandono a Deus
não foi completado antes do dilúvio e sim depois,
pelos descendentes de Noé, que caíram em idolatria.
A fornicação seguiu a idolatria. Após Babel,
surgiu Sodoma. Esta foi uma cidade de formicação.
Na língua portuguesa, há as palavras sodomia e
sodomitas, que significam os atos mais vergonhosos
de fornicação. Os habitantes de Sodoma violaram a
sua própria natureza e causaram grande confusão. Na
época de Gênesis 19, a raça humana, que havia
trocado Deus por ídolos, caiu em sodomia. Como
resultado, manifestou-se todo tipo de perversidade.
Essa era a situação relatada em Romanos 1. Este
capítulo foi escrito de acordo com a história da queda
humana: não aprovando ter Deus, trocando Deus por
ídolos, caindo em formicação e produzindo todo tipo
de perversidade.
Durante o terrível processo da queda, a
humanidade substituiu Deus por ídolos e
abandonou-O por completo. Por sua vez, Deus
também abandonou a humanidade. Ele parecia dizer:
“Uma vez que vocês Me abandonaram Eu os deixarei
ir.” A raça criada abandonou a Deus e Ele a
abandonou.
Todavia, Deus chamou para fora dessa raça um
homem com a esposa. Ele não tinha intenção de
chamar uma terceira pessoa. Sua intenção era chamar
uma pessoa completa, que inclui um homem e a
esposa. Se você é um homem solteiro, você está
incompleto. Sem esposa, você é uma pessoa
incompleta, necessitando dela para completá-lo.
Juntos, vocês são uma entidade completa. Assim,
Deus chamou Abraão com a' esposa, como uma
pessoa completa.
Podemos pensar que não somos muito absolutos
por Deus. Todavia, Abraão, nosso modelo e pai
crente, não foi absoluto. Quando foi chamado por
Deus para deixar Ur dos caldeus, ele não apenas levou
a esposa, mas também outros parentes.
Deus chamou Abraão aparecendo a ele como
Deus da glória (At 7:2, 3). Deus não o chamou por
meras palavras, mas por meio de Sua glória. Abraão
viu a glória de Deus' e foi atraído.
A nossa experiência é a mesma. Em certo
sentido, também temos visto a glória de Deus.
Quando ouvimos o evangelho e ele penetrou em nós,
vimos a glória de Deus. Você não viu a glória de Deus
quando foi salvo? Eu a vi quando era um jovem
ambicioso. Não tinha intenção de receber Deus, mas
quando o evangelho penetrou em mim, não pude
deixar de dizer: “Deus, eu quero a Ti.” Não pude
negar que a glória de Deus tinha aparecido a mim. Tal
experiência é indescritível. Nenhuma palavra
humana pode expressar de maneira adequada o que
vimos quando o evangelho penetrou em nosso ser.
Podemos apenas dizer que o Deus da glória apareceu
a nós, atraindo-nos e chamando-nos. Como Abraão,
fomos chamados pelo Deus da glória.
Abraão foi o mesmo que somos. Não deveríamos
pensar que somos diferentes dele. Não deveríamos
apreciar Abraão e depreciar-nos, pois todos estamos
no mesmo nível. Somos todos Abraão. Ele não se
sobressaiu. Quando criança, ouvia a história de
Abraão e pensava que ele era extraordinário.
Contudo, ao ler a Palavra anos mais tarde, percebi
que há pouca diferença entre mim e Abraão, e que
somos quase os mesmos. Apesar de Abraão ter sido
chamado por Deus, ele não teve a ousadia de deixar a
terra da idolatria, forçando Deus a usar o seu pai a
fim de levá-lo para fora de Ur. Abraão foi o chamado,
porém, seu pai deu início à verdadeira partida. Eles
deixaram Ur dos caldeus e habitaram em Harã.
Porém, como Abraão não era suficientemente ousado
para seguir Deus de maneira absoluta, este foi
forçado a levar seu pai. O pai de Abraão morreu em
Harã e Deus o chamou pela segunda vez.
O primeiro chamamento de Abraão está
registrado em Atos 7:2-4 e o segundo em Gênesis
12:1. Deveríamos notar a diferença entre esses dois
chamamentos. De acordo com Atos 7:2, Deus chamou
Abraão para fora de duas coisas: seu país e sua
parentela. De acordo com Gênesis 12:1, outro item é
adicionado: a casa de seu pai. O primeiro
chamamento exigia que Abraão deixasse seu país e
seu povo, o segundo pedia-lhe que deixasse seu país,
sua parentela e a casa de seu pai. Abraão e a esposa
tinham de partir sozinhos. Deus tirou o pai de Abraão
e não queria que ele levasse consigo outro parente.
Se pensarmos no que fez Abraão, perceberemos
que não somos os únicos que não são absolutos em
obedecer ao chamamento do Senhor. Nosso pai
Abraão foi a primeira pessoa a seguir Deus sem ser
absoluto. Ele se sentiu só. Não quis partir sozinho.
Assim levou consigo o sobrinho Lá. Isso violou o
chamamento de Deus. Apesar de Abraão ter
respondido ao chamamento do Senhor, sua resposta,
pelo menos em parte, desobedeceu àquele chamado.
Nenhum de nós respondeu ao Seu chamamento de
um modo absoluto. Entretanto, Deus é absoluto. Não
importa o quanto não somos absolutos, Deus
cumprirá o Seu chamamento: Abraão amava Lá. Deus
usou-o para disciplinar Abraão.
Por fim, Lá separou-se de Abraão e este seguiu o
chamamento de Deus de maneira absoluta. Ele não
mais possuía seu pai ou seu sobrinho. Estava só, com
a esposa. Tinha deixado seu país, sua parentela e a
casa de seu pai. Todavia, Abraão tinha de deixar
ainda uma coisa mais: a si mesmo. Ele se agarrou a si
mesmo.
Sabemos que Abraão ainda se apegava a si
mesmo, pela sua reação diante da sugestão de Sara
para ter um filho por Hagar. Apesar dessa proposta
ter sido feita com boa intenção, era contrária ao
chamamento de Deus. Abraão deveria ter exercitado
discernimento e não ter ouvido a esposa. A sugestão
de Sara foi um teste para provar que Abraão
permanecia no seu velho ego, que parte dele ainda era
a velha criação. A intenção de Deus, porém, era
chamar Abraão completamente para fora de cada
parte da velha criação; não apenas para fora de seu
país, parentela e da casa de seu pai, mas também para
fora de si mesmo. Parecia que Deus estava
dizendo-lhe: “Você não deve fazer nada. Precisa sair
de si mesmo. Eu farei tudo por você . Mas nada posso
fazer enquanto você permanecer em si mesmo.”
Apesar disso, Abraão agiu segundo a proposta de Sara
e o resultado foi Ismael. Esse foi um erro muito sério
e os judeus ainda sofrem por causa dele. Por que
Abraão cometeu tal erro? Por ainda permanecer em si
mesmo. Ele tinha abandonado muitas outras coisas
mas não a si mesmo.
Quando Abraão deixou a si mesmo? Ele se
abandonou quando tinha cem anos de idade, quando
considerou-se como morto. Não tenha dúvida: toda
pessoa morta saiu de si mesma. Na idade de cem
anos, Abraão olhou para si e disse: “Estou acabado.
Sou como morto.” Romanos 4:19 diz: “Nem atentou
para o seu próprio corpo já amortecido” (VRC). Isso
indica que ele tinha finalmente saído de si.
Tornara-se uma pessoa totalmente chamada. Você foi
chamado? Apesar de ser uma pessoa chamada ainda
não abandonou a si mesmo.
Como temos visto, a raça criada corrompeu-se a
tal ponto que trocaram Deus por ídolos. Deus foi
incapaz de fazer qualquer coisa com eles. Até no que
se referia a Deus, a raça criada, sob a liderança de
Adão, era sem esperança, e Ele a abandonou
completamente. Contudo, para fora daquela raça
criada e caída, Deus chamou Abraão para ser o pai e
cabeça de uma nova raça, a raça chamada. A qual raça
pertencemos: à raça criada ou à raça chamada?
Pertencemos à raça chamada! Entretanto, somos o
mesmo que nosso pai Abraão. Nós, como ele, estamos
reagindo ao chamamento do Senhor passo por passo,
não de uma maneira absoluta. Estamos todos no
processo de responder ao chamamento de Deus. Não
importa quão fraco você seja, estou certo de que por
fim será chamado. Todavia, você deveria apressar o
seu chamamento e abandonar tudo o que não é o
próprio Deus. Quanto mais rápido você se mover,
melhor. Eu o encorajo a apressar-se. Saia de tudo o
que não é Deus.

II. AQUELE QUE CRÊ


A raça chamada torna-se a raça que crê. Abraão
foi, primeiramente, uma pessoa chamada, depois um
crente. Ele abandonara tudo e não tinha qualquer
maneira de prosseguir além de confiar em Deus. Ele
confiou em Deus pois não sabia para onde estava
indo. Deus lhe tinha dito apenas para deixar seu país,
sua parentela e a casa de seu pai. Ele não lhe dissera
para onde estava indo, forçando-o a confiar em Deus.
Abraão poderia dizer: Simplesmente confio em Deus.
Vou aonde quer que Ele me dirija. Se estudarmos a
história de Abraão, saberemos que sua vida foi uma
vida de confiar e crer. Deus não esperava que Abraão
fizesse qualquer coisa. Parecia dizer-lhe; “Abraão,
você foi chamado por Mim. Não faça nada. Farei tudo
por você. Apenas permaneça Comigo. Quando Me
mover, você se move. Você deve ir aonde quer que eu
vá. Não faça nada para si ou por si mesmo”. Este é o
significado de confiar em Deus.
Muitas pessoas têm a impressão errada de que
crer no Senhor Jesus é simplesmente dizer: “Senhor
Jesus, eu creio em Ti. Eu O tomo como meu
Salvador.” Isso está correto, mas as implicações vão
muito além. Isso significa que precisamos ser
terminados, admitindo que nada somos, nada temos
e nada podemos fazer. A cada passo e a todo
momento precisamos confiar Nele. Não sei como
fazer as coisas, somente sei como confiar em meu
Senhor. Fui chamado para fora de tudo o que não é
Deus e agora creio em tudo o que é Deus. Creio Nele e
em tudo o que Ele cumpriu por mim. Creio no que Ele
pode fazer por mim e no que fará por mim. Coloco
minha total confiança Nele. Este é o testemunho da
raça chamada e que crê. Como filhos de Abraão, o pai
que crê, somos um povo que crê (GI3:7-9).

1. Deus que Chama à Existência Coisas que


Não Existem
Em que tipo de Deus Abraão cria? Quem é o
Deus em quem cremos? O Deus em quem Abraão
acreditava era o Deus que chama as coisas não
existentes como existentes (4:17). O Deus de Abraão
chama as coisas não existentes como existentes,
significando que Ele cria as coisas do nada. Deus é o
Criador. Abraão cria neste Deus e aplicava-O à sua
situação. Em certo sentido, Abraão era incapaz de
produzir um herdeiro. Todavia, Deus chamou Isaque
à existência. Ainda que Isaque não existisse, Deus
chamou-o à existência. Quando ele não existia e não
havia qualquer possibilidade de ele existir, Deus
declarou: “Haverá um Isaque.” Isaque nasceu. Deus
chamou à existência algo que não existia. Precisamos
crer no mesmo Deus, pois Ele é o Criador
Todo-poderoso que chama à existência coisas que não
existem.
2. Deus que Dá Vida aos Mortos
O Deus em quem Abraão creu foi o Deus que dá
vida aos mortos (4:17). Abraão experimentou isto
quando Deus pediu-lhe que oferecesse Isaque,
Abraão obedeceu. Ao oferecê-lo, creu que Deus
ressuscitá-lo-ia dos mortos (Hb 11:17-19). Ele creu
que Deus daria vida ao seu filho e que teria o seu filho
de volta, em ressurreição.
Precisamos crer no Senhor Jesus da mesma
maneira. Cremos em Deus, o Criador, Aquele que.
chama as coisas não existentes como existentes.
Também cremos Nele como Aquele que dá vida, que
pode ressuscitar os mortos. Ele pode criar coisas do
nada e pode dai vida aos mortos.
Podemos aplicar isto à vida da igreja. Você pode
sentir que a situação em sua igreja é pobre. Sim, é
muito pobre, na verdade é nada. Você deve dizer ao
Senhor: “Senhor, venha chamar as coisas não
existentes como existentes.” Talvez você emigre para
uma certa localidade e descubra que aquele lugar é
cheio de morte. Esta é a razão pela qual Deus o
enviou. Você deve crer Nele como Aquele que dá vida
aos mortos.
Em 1949 fui enviado a Formosa. Via aquela ilha
como uma região atrasada. Tinha vivido e trabalhado
em Xangai, a maior. cidade do Oriente, onde a obra
do Senhor era poderosa. Mil santos estavam
reunindo-se lá. Tínhamos dezessete casas para
reuniões e quatro publicações. De repente, fui
transferido da China Continental e enviado à pequena
ilha de Formosa. Quando avaliei a situação, fiquei
profundamente desapontado. Não podia fazer nada e
nada queria fazer. Não tinha vontade de trabalhar
naquela região atrasada, com seu povo pobre.
Deitei-me na cama e fiquei olhando para o teto,
dizendo a mim mesmo: Que você está fazendo aqui?
Por que você veio para cá? Depois voltei-me para
minha esposa e perguntei: Por que viemos? Que
podemos fazer? Estava muito aborrecido e minha
esposa não tinha nenhuma palavra para ajudar-me.
Um dia, o Deus que chama as coisas não existentes
como existentes e que dá vida aos mortos, tocou meu
coração dizendo-me que não ficasse desapontado.
Depois disso, fiquei cheio de encargo pela obra em
Formosa. Em menos de cinco anos crescemos em
número de trezentos e cinqüenta pessoas para vinte
mil. Durante o primeiro ano aumentamos quase
trinta vezes. Muitos dos que foram salvos durante
aquela época são agora cooperadores.
Precisamos crer no Deus que chama coisas não
existentes como existentes e que dá vida aos mortos.
Não fique desapontado com a situação em sua
localidade. Não diga que tudo é pobre e morto. Este é
o lugar adequado para você e para Deus. Ele é pobre?
Você possui um Deus rico que chama as coisas não
existentes como existentes. É morto? Você tem um
Deus vivo que dá vida aos mortos. Sua situação dá a
Deus uma oportunidade de vir e dar vida aos mortos.
Não reclame. Invoque-O e creia Nele. Não fique
desapontado com a situação da sua família. Não diga
que sua mulher é pobre ou que seu marido está
morto. Quanto mais você disser que sua mulher é
pobre, pior ela será. Quanto mais disser que seu
marido está morto, pior ele será. Você deve declarar:
Minha mulher é pobre, mas meu Deus não o é. Meu
marido está morto, mas meu Deus não está. O Deus
em quem creio é o Deus que cria coisas do nada e que
dá vida aos mortos. Meu Deus não dá vida aos vivos,
Ele dá vida aos mortos. Minha situação é para Ele
uma excelente oportunidade.

III. SUA FÉ. IMPUTADA COMO JUSTIÇA


Este tipo de fé é imputada por Deus como justiça
(4:3, 22). Quanto mais cremos em Deus dessa
maneira, maior é a sensação de que Deus está
satisfeito conosco. Essa é a justiça de Deus imputada
a nós como resultado de nossa fé. Como vimos na
última mensagem, fé é o próprio Cristo vivo. Quando
Ele entra em nós como Aquele que crê, Ele é a nossa
fé. Então Deus imputa nossa fé como justiça. Assim,
temos tanto fé como justiça. Isso significa que
estamos ganhando mais de Cristo. Nós O temos como
nossa fé e nossa justiça. Ele é a fé pela qual cremos
Nele, e a justiça que Deus imputa a nós. Ele é o nosso
tudo. Quanto mais cremos Nele, mais ganhamos
Dele. Quanto mais cremos Nele, mais Ele é dado a
nós, por Deus.

IV. A CIRCUNCISÃO RECEBIDA COMO UM


SELO
A fé imputada a Abraão como justiça não
dependeu da forma exterior da circuncisão porque
esta veio mais tarde. Abraão recebeu o sinal da
circuncisão como um selo da justiça da fé que teve
enquanto estava na incircuncisão (4:11). A
circuncisão como uma forma exterior, foi um selo da
realidade interior. Se não temos a realidade,
deveríamos nos esquecer da forma exterior. Se temos
a realidade, podemos ocasionalmente necessitar de
uma forma exterior como selo. A circuncisão foi este
selo para Abraão. Além disso, ela (a circuncisão de
Abraão — N. R.) foi um selo para os crentes gentios —
a incircuncisão — de quem Abraão também foi o pai.

V. FEITO O PAI DA FÉ
Portanto, Abraão tornou-se o pai da fé (Rm 4:16;
GI3:7-9, 29). Ele foi o pai da incircuncisão que tem a
mesma fé (4:11) e da circuncisão que anda nas
pisadas da mesma fé (4:12). Abraão foi o pai de dois
grupos de pessoas: os judeus crentes e os gentios
crentes. Se você crê no Senhor, Abraão é seu pai.
Todos os que crêem em Cristo são seus descendentes.

VI. A PROMESSA DADA A ELE E À SUA


DESCENDÊNCIA PARA SEREM HERDEIROS
DO MUNDO
A promessa foi dada a Abraão e à sua
descendência, para que fossem herdeiros do mundo
(4:13). Isso é algo grandioso. Abraão e seus
descendentes herdaram Deus e também herdarão o
mundo. Deixe que outros lutem pelo controle do
mundo. Ele será nosso. Após as guerras acabarem,
Deus dirá: “Deixem Meu povo possuir o mundo”.
Essa promessa não foi concedida por obras da lei e
sim pela justiça da fé. Quem herdará a terra? Aqueles
que foram chamados e crêem no Senhor Jesus,
aqueles que têm Cristo como sua fé e como sua
justiça. Esteja certo de que o mundo será nosso. Não
há necessidade de lutarmos ou esforçarmo-nos.
Simplesmente precisamos crer nos atos poderosos de
Deus. Todos os dias leio as notícias internacionais
para ver o que Deus está fazendo, especialmente no
Oriente Médio. E maravilhoso estar vivendo nessa
era, uma era de atividade de Deus. Deus não apenas
está atuando a favor dos judeus, mas também a nosso
favor. Um dia o mundo pertencerá a todos os
herdeiros crentes de Abraão.
Você acredita nisto? Tenho plena certeza de que
um dia herdaremos a terra. Devemos esperar herdar
o mundo. A Bíblia nos garante que herdaremos o
mundo. O próprio Cristo está ansioso para voltar e
restaurar a terra. Ele. está muito mais interessado na
terra do que nos céus. O Senhor voltará para tomar a
terra não apenas para Si mesmo, mas também para
nós. Somos os herdeiros da promessa e herdaremos o
mundo.

VII. A PROVA DA JUSTIFICAÇÃO DE DEUS


A prova da justificação de Deus é o Cristo
ressurreto. Eu gosto do hino que diz:
Deus Pai, Tu aceitaste
Jesus como nosso substituto;
Julgaste o Justo pelos injustos,
Poderias Tu mudar Tua deliberação?
Como uma prova de perfeita justiça,
À Tua própria direita Ele se assenta;
Ele, como Tua plena satisfação,
Justamente à Tua necessidade serve.
Assim, o Cristo ressurreto que se assenta à
direita de Deus é a indicação de que fomos
justificados. A morte redentora de Cristo como a base
para Deus nos justificar tem sido plenamente aceita
por Deus, e Cristo foi ressurreto de entre os mortos
como uma prova disto. Esta é a prova da justificação
que Deus nos deu.
A morte de Cristo cumpriu plenamente e satisfez
os requisitos justos de Deus; assim, somos
justificados por Deus por meio de Sua morte (3:24).
Sua ressurreição é uma prova de que Deus está
satisfeito com Sua morte por nós e de que somos
justificados por Deus por causa de Sua morte, e Nele,
o ressurreto, nós somos aceitos diante de Deus. Não
apenas isso, mas, como o ressurreto, Ele também está
em nós para viver por nós uma vida que pode ser
justificada por Deus e é sempre aceitável a Deus.
Assim, Romanos 4:25 diz que Ele foi ressuscitado por
causa de nossa justificação.
ESTUDO-VIDA DE ROMANOS
MENSAGEM 7
A EXPERIÊNCIA SUBJETIVA DA JUSTIFICAÇÃO (1)

A EXPERIÊNCIA DE DEUS NA
JUSTIFICAÇÃO
Romanos 4 é um capítulo profundo. Não
devemos compreendê-lo apenas de um modo
superficial. Se penetrarmos nas profundezas deste
capítulo, veremos que ele revela que a justificação
adequada e viva é o trabalho mais profundo de Deus
ao chamar as pessoas caídas para fora de tudo que
não seja Ele e trazê-las de volta a Si mesmo. Deus
criou o homem por Si mesmo e para Si mesmo.
Entretanto, o homem caiu. O significado da queda do
homem é estar afastado de Deus por qualquer coisa
que não seja Deus. O homem que havia sido criado
para Deus, caiu, afastando-se Dele para outras coisas.
Não importa se uma coisa é boa ou má. Contanto que
não seja Deus e afaste o homem de Deus, ela constitui
uma queda. Em sua justificação, Deus chama o
homem caído para fora de tudo, trazendo-o de volta a
Si mesmo. Portanto, quando Deus chamou Abraão,
não lhe disse onde deveria ir, pois a Sua intenção era
trazê-lo de volta a Si mesmo. Momento após
momento e passo por passo, o coração de Abraão teve
de confiar em Deus. Ele precisou confiar Nele a cada
movimento, não deixando Sua presença por nenhum
instante. Em outras palavras, Abraão teve de ser um
com Deus.
Depois que Deus chamou Abraão de Ur dos
caldeus, Deus treinou-o a crer Nele. Como temos
visto, crer em Deus significa crer para dentro de Deus
e fazer-nos um com Ele. Neste tipo de crer, o homem
admite que não é nada, nada possui e nada pode
fazer. Ele concorda que deve ser terminado. Assim,
crer em Deus significa terminar a nós mesmos e
deixá-Lo ser a nossa própria pessoa, deixá-Lo ser
tudo o que devemos ser. Desde o início, quando
cremos Nele, não deveríamos ser alguma coisa.
Deveríamos ser completamente terminados e
permitir a Deus ser tudo em nós. Esse é o significado
exato da circuncisão. É inadequado até mesmo pedir
ao Senhor que circuncide nosso coração, pois a
circuncisão profunda e adequada é terminar a si
mesmo e permitir que Deus seja tudo.
Quando uma pessoa é chamada por Deus desta
maneira, o Deus vivo infunde-se dentro dela. Esta
palavra infundir é importante para descrever o que
acontece no chamamento de Deus. O Deus vivo
espontaneamente infunde-se dentro da pessoa
chamada. Como resultado, ela é atraída por Deus e
para Deus. Inconscientemente, algum elemento,
alguma essência do Deus vivo é infundida dentro
dessa pessoa, e ela reage crendo Nele. Esta reação é
fé.
Ao ouvir o evangelho da glória a respeito do
Senhor Jesus, você se arrependeu. Isso significa que
Deus o chamou para fora de todas as coisas que não
eram Ele. Naquele momento, sem que você soubesse,
o Cristo vivo, em Seu evangelho da glória, infundiu-se
dentro de você (2Co 4:4). Algum elemento de Cristo
penetrou em seu ser, atraindo-o a Ele. Você reagiu, e
sua reação espontânea foi seu ato de crer, sua fé. O
Cristo que se infundiu em você tornou-se sua fé.
Portanto, fé não tem origem em nós; ela vem de Deus.
Fé não é separada de Cristo, porque, na verdade, ela é
o próprio Cristo infundindo-se dentro de nós e
produzindo uma reação em nosso interior.
Nosso crer é um eco. Como pode haver um eco
sem um som? E impossível. Cristo é o som. Quando
este som atinge nosso coração e espírito, ele causa
uma reação, um eco. Esta reação é nossa apreciação e
fé no Senhor Jesus. Esta fé é, na verdade, o próprio
Cristo dentro de nós respondendo ao evangelho.
Portanto, essa fé nos é imputada, por Deus, como
justiça. Quando Cristo infundiu-se dentro de você,
houve uma reação em seu interior — o crer. Após você
ter crido no Senhor, Deus reagiu a você, imputando
sua fé, que é Cristo, como justiça. Não encontraremos
esta experiência na Bíblia se a lermos
superficialmente, mas se sondarmos as profundezas
das Escrituras, lá a encontraremos. É como se Deus
dissesse a nós: “Pobre pecador, você não tem justiça.
Quando Eu, o Deus vivo, estou falando com você,
Minha essência está sendo infundida em você. Isso o
levará a reagir a Mim em fé, e Eu atribuirei esta fé a
você como justiça.” Quando Deus age desta maneira
para conosco, temos uma reação apreciativa e
afetuosa para com Ele. Essa reação é nossa fé, uma fé
que não se origina em nós, mas que é a essência do
Cristo vivo em nosso interior. Essa fé retoma a Deus,
causando uma reação em Deus para conosco: a
justiça de Deus é imputada como nossa, e temos algo
que nunca tivemos antes. Esta é nossa experiência de
Deus na justificação.
Assim, temos a justiça de Deus, que é Cristo.
Isaque foi um tipo de Cristo. Nosso pai que creu,
Abraão, recebeu a justiça de Deus e Isaque. Da
mesma maneira, temos recebido tanto a justiça de
Deus como Cristo, o Isaque atual. Esta é uma
experiência de Deus chamando coisas não existentes
como existentes. Quando nos aproximamos de Deus
no dia em que fomos salvos, não tínhamos nada.
Contudo, Deus apareceu a nós e chamou coisas não
existentes como existentes. Antes, não possuíamos a
justiça de Deus, após uns poucos minutos nós a
tivemos. Antes daquele momento, não tínhamos
Cristo; após uns poucos minutos nós O tivemos.
Uma vez que tenhamos uma experiência da
justiça de Deus e Cristo, nós a guardaremos como um
tesouro inestimável. Proclamaremos: “Eu tenho a
justiça de Deus. Eu tenho Cristo.” Entretanto, um dia
Deus vai intervir e dirá: “Ofereça isto no altar.” Você o
fará? Nem mesmo um entre cem cristãos está
disposto. Pelo contrário, eles dizem: “Ó Senhor, não
me peça para fazer isso. Eu faria qualquer outra coisa,
mas não isso.” Contudo, devemos nos lembrar das
reações vai-e-vem entre o homem e Deus. A justiça de
Deus e Cristo são nossos — vieram como reação de
Deus à nossa fé. Agora devemos fazer esta reação
voltar a Deus, oferecendo-a a Ele. Após reagirmos
desta maneira, Deus reagirá novamente. A primeira
reação de Deus foi chamar coisas não existentes como
existentes. Sua segunda reação é dar vida aos mortos.
Isto é profundo.
De acordo com Romanos 4, o resultado final
desta série de reações é o Cristo ressurreto. Este
Cristo ressurreto está agora nos céus como uma forte
prova de que Deus foi satisfeito e de que nós fomos
justificados. O Cristo ressurreto está no terceiro céu, à
direita de Deus, como evidência conclusiva de que
todas as exigências de Deus foram satisfeitas e de que
nós fomos justificados completa e adequadamente.
Entretanto, este Cristo ressurreto não está somente
nos céus, mas também dentro de nós para dispensar
vida, a fim de que possamos ter uma vida de
justificação. Portanto, justificação não é meramente
uma questão posicional; ela se torna uma questão
disposicional. A morte de Cristo nos deu uma
justificação posicional, e o Cristo ressurreto nos céus
é uma prova disso. Agora o Cristo ressurreto também
vive em nosso interior, reagindo dentro de nós e
vivendo uma vida de justificação disposicional.
Finalmente, somos justificados tanto em posição
como em disposição. Não só temos uma justificação
objetiva, mas também uma justificação subjetiva.
Podemos agora viver tal justificação subjetiva e
disposicional.
Esta justificação é a circuncisão viva e
verdadeira. Que é circuncisão? Circuncisão significa
terminar a nós mesmos e entrar em Deus: ela nos
termina e germina Deus dentro de nós. Os judeus não
se preocupam com a realidade interior da
circuncisão; preocupam-se apenas com a forma
exterior, a prática de cortar fora um pedaço da carne.
Isso não é circuncisão aos olhos de Deus. Aos olhos de
Deus, circuncisão significa cortar fora a você mesmo,
terminar a si mesmo e permitir que o próprio Deus
germine em seu interior para ser sua vida, a fim de
que você possa ter um novo começo. Esta circuncisão
é o selo exterior da verdadeira justificação interior.
Abraão experimentou Deus como Aquele que
chama coisas não existentes como existentes. Por
meio do nascimento de Isaque, Abraão experimentou
Deus dessa maneira. Além disso, pela ressurreição de
Isaque, Abraão experimentou Deus como Aquele que
dá vida aos mortos. Há dois tipos de Isaque: o
primeiro é o Isaque nascido; o segundo é o Isaque
ressurreto. O Deus em quem Abraão creu possuía
esses dois aspectos. Ele creu no Deus que chama as
coisas não existentes como existentes e que dá vida
aos mortos (Rm 4:17).
Não importando quem sejamos ou em que
situação nos encontremos, a condição humana geral é
a de não existente. Isso significa que nada existe. A
segunda condição geral de todos e de tudo é morte.
Assim, a situação global do homem tem dois aspectos
— inexistência e morte. A verdadeira condição de
todos nós é inexistência e morte. Mas o Deus em
quem nosso pai Abraão creu e em quem também
cremos é o Deus que chama as coisas à existência do
nada. Quando dizemos: “Nada”, Ele diz: “Algo”.
Quando dizemos: “Não existente”, Ele diz:
“Existente”. Não diga que a igreja em um certo lugar é
pobre. Ela pode ser pobre aos seus olhos, mas não aos
olhos do Deus em quem Abraão creu. Deus pode dizer
a você: “Você diz que nada existe. Após um minuto,
chamarei algo à existência.” Suponha que a pessoa de
James Barber não existiu. Se Deus quisesse um
James Barber, Ele simplesmente chamaria: “James
Barber”, e James Barber viria a existir. Isso significa
que Deus chamou coisas não existentes como
existentes. Quando Deus disse a Abraão: “Sua
descendência será como as estrelas dos céus”, nada
existia naquela época no que se refere aos
descendentes de Abraão. Não havia sequer um
descendente. Contudo, Deus fez tal declaração acerca
da descendência de Abraão, e Abraão creu.
Aproximadamente um ano mais tarde, o primeiro
descendente de Abraão veio a existir: Isaque nasceu.
Pelo nascimento de Isaque, Abraão experimentou
Deus como Aquele que chama coisas não existentes
como existentes.
Entretanto, esta é apenas metade da experiência
de Deus, pois Abraão também experimentou-O como
Aquele que dá vida aos mortos. Quando Abraão
recebeu Isaque de volta após oferecê-lo a Deus no
altar, ele experimentou Deus dando vida aos mortos.
Uma igreja pode existir numa certa localidade, mas
ser totalmente morta. Não seja rápido no julgamento,
porque Deus dá vida aos mortos. Quando uma igreja
está morta, isso dá uma excelente oportunidade para
o Deus em quem Abraão creu entrar e dispensar vida
àquela igreja morta.

O PROPÓSITO DE DEUS NA JUSTIFICAÇÃO


O entendimento comum de justificação entre a
maioria dos cristãos é este: nós somos pecaminosos,
Deus é justo e santo, e não há maneira para O
contatarmos ou para Ele nos contatar. Por isso, Cristo
morreu na cruz e completou a redenção pelo
derramar do Seu sangue. Debaixo de Seu sangue
somos redimidos e Deus tem uma posição justa para
nos justificar. Tudo isso está absolutamente correto.
Entretanto o apóstolo Paulo não concluiu a seção
sobre justificação neste ponto, o qual é atingido no
fim do capítulo 3. Ao estudar o livro de Romanos
quando era um cristão jovem, pensava que o capítulo
4 era desnecessário. Parecia-me que a justificação
havia sido completamente abrangida ao final do
capítulo 3, que o capítulo 5 deveria ter sido ligado ao
capítulo 3, e que o capítulo 4 deveria ter sido
eliminado. Mais tarde percebi que o apóstolo Paulo
não era tão superficial. Seu interesse ia além da
redenção — ele se preocupava com o propósito de
Deus. A redenção não é o propósito de Deus; é um
processo para alcançar o propósito de Deus. Em
Romanos 3 vemos a redenção produzindo a
justificação de Deus, mas não vemos o propósito de
Deus. Qual era o propósito de Deus na justificação?
Ao responder essa questão, Paulo usou a história de
Abraão como um exemplo, como uma figura a
explicar o que nenhuma palavra humana consegue
explicar. Se estudarmos a figura no capítulo 4,
perceberemos que ela é mais profunda, mais
penetrante e mais abrangente do que o capítulo 3.
Pensávamos que a justificação era apenas uma
questão relacionada a pecados. Entretanto, quando
lemos Gênesis 15, onde a fé de Abraão foi imputada
por Deus como justiça, não encontramos nenhuma
menção de pecado. O pecado não estava envolvido. A
ênfase era sobre uma descendência que se tornaria
um reino para o cumprimento do propósito de Deus.
Abraão não foi chamado por Deus simplesmente
porque Ele teve misericórdia da sua condição
pecaminosa. Deus não disse: “Abraão, você é tão
deplorável. Não quero que vá para o inferno. Na
Minha misericórdia venho chamá-lo para fora da sua
condição caída.” O problema não era este, de modo
algum. Em Gênesis 1 é-nos dito que Deus fez o
homem à Sua própria imagem para expressar a Si
mesmo e que este homem era um homem
corporativo, não individual. Deus criou um homem
corporativo que incluía tanto o varão quanto a varoa.
De acordo com Gênesis 5:2, tanto Adão como Eva são
chamados de Adão, significando que Deus criou um
homem corporativo para expressá-Lo e exercer o Seu
domínio. Em outras palavras, Deus queria ter um
reino, como uma esfera, no qual pudesse expressar
Sua glória. Embora este fosse o propósito de Deus, o
homem se afastou dele. Uma vez que o homem
desviou-se de Deus, foi distraído do propósito de
Deus e foi ocupado com outras coisas, ele caiu
profundamente no pecado. Contudo, a implicação em
Gênesis 15 não é pecado, e sim como o propósito de
Deus pode ser cumprido. Não é uma questão de ser
salvo, mas de cumprir o proposito de Deus. Contanto
que você esteja envolvido no cumprimento do
propósito de Deus, você será salvo.
O cristianismo é superficial, relacionando a si
mesmo com a salvação do homem, não com o
propósito de Deus. A justificação de Deus não é,
originalmente, para a salvação do homem; é para o
cumprimento do Seu propósito. Por que Deus
escolheu você? Ele não o escolheu, originalmente,
para a salvação; Ele o escolheu para Seu propósito.
Por que Deus o. chamo~? Ele não o chamou para o
céu. Ele o chamou para o cumprimento do Seu
propósito. Contanto que você esteja envolvido com o
proposito de Deus, sua salvação está assegurada.
Entretanto, se apenas se preocupar com a sua
salvação, você pode perder a meta do propósito de
Deus. A salvação propriamente dita não é um fim; ela
destina-se ao propósito de Deus. Assim, a justificação
de Deus é para o cumprimento do Seu propósito.
Não há menção de pecado em Gênesis 15. Deus
disse a Abraão: “Olhe para os céus e conte as estrelas.
Sua descendência será como as estrelas do céu.”
Abraão creu e sua fé foi imputada por Deus como
justiça. A justificação de Deus a Abraão não estava
relacionada com pecado. Estava totalmente envolvida
com o propósito de Deus com a existência de uma
descendência a fim de produzir um reino para o
cumprimento do propósito de Deus. Este é o motivo
pelo qual o apóstolo Paulo em Romanos 4, após
referir-se a Gênesis 15 onde a fé de Abraão foi
imputada como justiça, menciona a promessa dada a
Abraão e à sua descendência de herdarem o mundo
(4:13). Que herdar o mundo tem a ver com
justificação? Por que Paulo menciona isto no capítulo
4? Abraão e seus descendentes devem herdar o
mundo por causa do reino de Deus, e o reino de Deus
é para o Seu propósito. Romanos 4 diz-nos que a
justificação de Deus não é para ir aos céus ou
meramente para nossa salvação. A justificação
capacitou Abraão e seus herdeiros que crêem a
herdarem o mundo e exercerem o domínio de Deus
sobre esta terra, como mencionado em Gênesis 1. Se
tivéssemos somente Romanos 3, diríamos que a
justificação de Deus, baseada na redenção de Cristo, é
para nossa salvação. O capítulo 4, entretanto, revela
claramente que a justificação de Deus a Seus
escolhidos não é meramente para a salvação deles; ela
tem o propósito de que eles herdem o mundo para
que possam exercer o domínio de Deus sobre a terra.

O RESULTADO DA EXPERIÊNCIA
SUBJETIVA DE JUSTIFICAÇÃO
De acordo com Gênesis 15:6, Abraão creu na
palavra de Deus acerca de sua descendência ser como
as estrelas do céus, e Deus imputou sua fé como
justiça. Embora Abraão tenha recebido a justiça de
Deus naquele tempo, ele não a compreendeu muito
bem. Aquela justiça era abstrata, não era sólida nem
concreta. Ela pode apenas ter significado pouco mais
do que um termo a Abraão.
Em Gênesis 16, encontramos o nascimento de
Ismael. Embora Deus tenha imputado justiça a
Abraão, ele não possuía nada de concreto. Então,
Sara propôs que ele tivesse um filho por meio de
Hagar, e Abraão usou sua própria força para produzir
Ismael. Posicionalmente falando, Abraão possuía a
justiça de Deus; disposicionalmente falando, ele não a
possuía. Ele somente tinha um Ismael. Portanto,
Deus interveio e pareceu dizer: “Abraão, você deve ser
completo. Eu sou um Deus completo. Você deve
acreditar na Minha palavra e crer em Mim. Eu
imputei sua fé como justiça a você. Você não deveria
agir por si mesmo para produzir um Ismael para
cumprir Meu propósito. Isto não é o que imputei a
você. Ismael não é a justiça que imputei a você. Você
deve parar a sua ação. Como um lembrete para você,
quero que seja circuncidado." A circuncisão veio
simplesmente porque Abraão agiu por iniciativa
própria para cumprir a justiça de Deus. Gálatas 4
diz-nos que Hagar tipifica a lei. Produzir um Ismael
por meio de Hagar significa ter as obras da lei, obras
que não são a justiça de Deus. Abraão teve de
aprender a terminar a si mesmo, e cessar sua própria
energia, e ser circuncidado.
Em Gênesis 17 Deus fala sobre Isaque,
prometendo fazer Sua aliança com ele. Em tipologia,
Isaque prefigura Cristo como a justiça de Deus
concedida aos que crêem pela fé. Em Gênesis 15
Abraão tinha a justiça de Deus posicionalmente.
Quando Isaque nasceu, ele teve a justiça de Deus
disposicionalmente. Ele teve uma experiência real da
Sua justiça.
O entendimento de muitos cristãos é bastante
superficial. Eles dizem: Nós somos pecaminosos.
Cristo morreu por nós. Se crermos Nele, debaixo de
Seu sangue Deus nos dará Sua justiça e nos
justificará. De acordo com este conceito, justiça é
meramente posicional e objetiva. Entretanto, por
meio de nossas experiências podemos perceber que a
própria justiça que nos foi imputada no tempo em
que cremos foi Cristo. Isaque foi uma figura de Cristo.
Uma vez que Isaque prefigura Cristo, podemos dizer
que Ele foi nossa justiça. Finalmente, a justiça de
Deus não é um termo abstrato, mas uma pessoa, o
Cristo ressurreto. Este Cristo ressurreto se tornou
nosso Isaque atual. Embora tenhamos recebido a
justiça de Deus no dia em que cremos, não
percebemos que esta justiça era, na verdade, Cristo, o
Filho de Deus.
Imediatamente após receber Cristo,
determinamos fazer boas ações para Deus. Isso
significa que nos casamos com Hagar e produzimos
um Ismael. Lembrem-se de que Ismael prefigura a
obra da lei. Mesmo que fizéssemos uma boa obra
Deus diria: “Expulse Ismael. Eu não quero isso. Você
deve ser tratado com a cruz, e colocado nela. Deve ser
terminado. Você deve ser cortado. Deve ser
circuncidado. Você necessita que o meu Filho, como a
justiça viva de Deus, nasça em você e se torne visível.”
Desta maneira, temos uma experiência genuína da
justiça de Deus e somos justificados tanto
disposicional como posicionalmente.
Depois que Abraão recebeu seu Isaque, estava
totalmente satisfeito com ele. Da mesma forma,
quando temos uma experiência de Cristo
individualmente, ficamos muito satisfeitos com Ele e
dizemos: Há poucos anos eu somente conheci a
justiça de Deus. Nunca experimentei que a justiça de
Deus é o próprio Cristo. Agora experimento e
desfruto Cristo como a justiça de Deus. Entretanto,
enquanto estiver desfrutando seu Cristo individual,
Deus aparece, como fez a Abraão, dizendo: “Ofereça o
seu Isaque a Mim.” Talvez o Senhor lhe dirá para ir à
igreja. Isto o incomoda. Você replica: Não me importo
com a igreja. Conquanto que tenha minha experiência
de Cristo, não é suficiente? Este tipo de resposta
prova que você não está querendo apresentar seu
Isaque sobre o altar. Entretanto, se você oferecer seu
Isaque individual a Deus, Ele reagirá a você uma vez
mais, e milhares de Isaques retomarão a você. Abraão
ofereceu um Isaque, mas recebeu milhares de
descendentes de volta. Esses descendentes formaram
o reino, a nação de Israel, para o propósito de exercer
o domínio de Deus. Esta é a razão de Paulo ter dito
que Abraão e seus herdeiros herdariam a terra.
A vida do Corpo está implícita aqui. No capítulo
12 encontramos o Corpo: “Nós, conquanto muitos,
somos um só corpo em Cristo”. No capítulo 14 Paulo
interpreta o Corpo como sendo o reino de Deus,
dizendo-nos que devemos receber todos os irmãos
por causa do reino de Deus. Romanos 14:17 diz que o
reino é justiça, paz e alegria no Espírito Santo. A vida
do Corpo é o reino de Deus para o cumprimento do
propósito de Deus.
Um dia o Deus da glória veio a nós por meio da
pregação do evangelho. Fomos atraídos, convencidos,
e começamos a apreciá-Lo. Naquele tempo, o Deus da
glória infundiu algum elemento do Seu ser divino em
nós, e cremos Nele espontaneamente. Então
dissemos: “Ó Deus, sou um pecador. Agradeço-Lhe
que Seu Filho Jesus Cristo morreu na cruz por mim.”
Fomos capazes de dizer isso porque o Cristo vivo
trabalhou em nosso interior para ser a nossa
capacidade de crer. Depois daquilo, se alguém nos
aconselhasse a não crer em Cristo, teríamos achado
impossível não crer Nele. Nada pode tirar essa fé de
nós porque ela é, na verdade, o Cristo vivo
trabalhando em nós e reagindo a Deus.
Imediatamente após reagirmos a Deus dessa
maneira, Ele reagiu a nós, nos justificando. Então
tivemos a sensação de que fomos perdoados e
justificados por Deus. Tivemos paz e alegria.
Seguindo-se a isso, todos determinamos fazer o bem
— comportar-nos, amar nossa mulher, e
submeter-nos ao nosso marido. Tudo o que
produzimos foi Ismael. Então percebemos que
precisávamos ser terminados, sermos circuncidados,
para que Deus pudesse trabalhar em nós a fim de
produzir o Isaque atual, que é Cristo, a realidade da
justiça de Deus. Uma vez que tenhamos este Cristo
devemos oferecê-Lo a Deus para que O recebamos de
'volta em ressurreição. O resultado disto é o reino, a
vida da igreja. Isto é o Corpo de Cristo.
Paulo escreveu Romanos 4 porque ele desejava
mostrar que a justificação de Deus é Rara o
cumprimento do Seu propósito, O propósito de Deus
é ter o único Corpo, que é o remo, para expressá-Lo e
exercer Seu domínio sobre a terra. Portanto,
Romanos 4 estabelece a base para Romanos 1216,
onde vemos a prática da vida do Corpo, da vida da
igreja e da vida do reino.
ESTUDO-VIDA DE ROMANOS
MENSAGEM 8
A EXPERIÊNCIA SUBJETIVA DA JUSTIFICAÇÃO (2)
Quando Paulo escreveu o livro de Romanos deve
ter tido em mente o Velho Testamento. Em Romanos
1 encontramos uma clara referência ao livro de
Gênesis. A frase “as suas coisas invisíveis, desde a
criação do mundo, se entendem e claramente se vêem
pelas coisas que estão criadas” (VRC) refere-se a
Gênesis 1. As coisas invisíveis, significando os
atributos divinos de Deus, podem ser entendidas pela
criação. Dessa maneira, Paulo começou o livro de
Romanos com uma menção do primeiro capítulo de
Gênesis. Além disso, a descrição da condenação da
humanidade feita por Paulo segue os estágios da
queda do homem registrados em Gênesis. Em
Gênesis 4, Caim abandonou Deus, não aprovando ter
Deus no seu entendimento. Na época de Gênesis 11,
toda a raça caída havia trocado Deus pelos ídolos.
Trocaram o Deus da glória por ídolos de vaidade e
degeneraram-se em fornicação e confusão, que foram
manifestas ao extremo em Sodoma. Isso resultou na
prática de todo mal imaginável. Paulo usou essa
história da raça corrompida como a base para a seção
sobre a condenação da humanidade. Em Romanos 3,
Paulo faz alusão à figura da arca com sua cobertura
enquanto retrata Cristo como o lugar de propiciação.
Portanto Romanos 3 também foi escrito tendo em
mente o Velho Testamento. Além disso, quando
Paulo chegou na conclusão da justificação, empregou
a história de Abraão como um exemplo completo. A
história de Abraão proporciona um padrão completo
da justificação subjetiva e genuína de Deus. Se
tivéssemos somente o ensinamento de Paulo em
Romanos 3, nunca apreciaríamos as profundezas da
justificação de Deus. Teríamos apenas a semente da
justificação sem o seu âmago.

O TRANSFUNDIR DE DEUS
Sinto a necessidade de compartilhar mais sobre a
experiência subjetiva de justificação. Estou com
encargo em meu espírito para que Romanos 4 seja
totalmente aberto ao povo do Senhor. Como já havia
dito, Romanos 4 é um capítulo profundo, muito mais
profundo do que percebemos. Ele apresenta a
experiência de Abraão com Deus. Abraão é um
exemplo da experiência dos chamados por Deus com
Ele. Não temos a linguagem humana adequada para
descrever esta experiência. Após muito seriamente
ter considerado esta questão, escolhi a palavra
transfundir para ajudar-nos à entender a interação
entre Deus e o homem.
A aplicação da eletricidade depende do fusível, e
podemos dizer que o poder da eletricidade é aplicado
através do fusível. Isso é o transfundir. A eletricidade
celestial está bem longe nos céus, mas o lugar onde
essa eletricidade deve ser aplicada está aqui na terra.
Se essa eletricidade-divina é para vir até nós,
precisamos do transfundir. Desse modo, Deus
transfunde-se para o nosso interior. Desde que
tenhamos esse transfundir, experimentaremos a
infusão espiritual enquanto a essência de Deus
infiltra o nosso ser. Essa infusão do elemento de Deus
nos saturará e permeará. O transfundir introduz o
infundir, e esta infusão nos permeia com o elemento
de Deus.
FÉ COMO UMA REAÇÃO
Este permear causa uma reação. As virtudes
espirituais e os atributos divinos que foram
transmitidos para o nosso interior, reagirão dentro de
nós. A primeira reação é crer. Isto é a nossa fé. Essa é
a mais elevada definição de fé. Fé não é a nossa
habilidade natural ou virtude. Fé é a nossa reação
para com Deus, que resulta do transfundir do próprio
Deus para o nosso interior e da infusão de Seus
elementos divinos para dentro do nosso ser. Quando
os elementos de Deus permeiam o nosso ser,
reagimos a Ele, e esta reação é fé. Fé não é uma
virtude humana; é absolutamente uma reação
causada pela infusão divina que permeia e satura
nosso ser. Uma vez que temos tal fé, nunca a
perderemos. Ela é mais profunda que o nosso sangue,
pois foi infundida em nosso interior e constituída em
nosso ser. Embora possamos tentar não crer, nunca
obteremos sucesso. Isto é o que a Bíblia quer dizer
por crer em Deus.
Se não me falha a memória, Paulo nunca usa o
termo “pela fé em Jesus”. Contudo pelo menos duas
ou três vezes ele menciona “a fé de Jesus”, frase que
causa problema à maioria dos tradutores. Alguns,
encontrando dificuldade para definir tal frase,
trocaram a preposição “de” por “em”. Se trocarmos a
preposição, a frase será lida “fé em Jesus” e significa
que cremos em Jesus por nós mesmos. Esse não é o
significado de Paulo. Paulo quer dizer que cremos no
Senhor Jesus por meio do próprio Senhor Jesus como
nossa fé. Uma vez que não temos a habilidade de crer,
devemos tomar Cristo como nossa habilidade de crer.
Precisamos crer no Senhor Jesus por meio de Sua fé.
Tentei entender isto por quase quarenta anos. No
passado eu explicava fé como Cristo trabalhando-se
em nosso interior. Esta era a melhor definição que eu
tinha naquela época. Contudo, há poucos dias, o
Senhor me deu um termo melhor: fé é a nossa reação
a Deus produzida pelo Seu transfundir, infundir e
saturar.

O PROCESSO DO TRANSFUNDIR
Como este transfundir se cumpre? Deus, como a
eletricidade celestial, vem aos Seus escolhidos. Por
exemplo, Deus foi a Abraão pela Sua aparição a ele.
Se estudarmos Gênesis de 11 a 24, incluindo o registro
de Atos 7, descobriremos que Deus apareceu várias
vezes a Abraão. Atos 7:2 diz que o Deus da glória
apareceu a Abraão. É certo que Abraão foi atraído
pela aparição do Deus da, glória. Ser atraído
simplesmente significa que Deus transfundiu-se para
o interior de Abraão sem que ele percebesse ou
tivesse consciência disso. É semelhante ao
tratamento com rádio praticado pela medicina
moderna. O paciente é colocado sob o raio X,
inconsciente dos raios que estão penetrando nele.
Deus é o mais forte rádio. Se sentarmos sob Ele por
uma hora, Ele transfundir-se-á para o nosso interior.
Esse transfundir originará o infundir, o saturar e o
permear.

O TRANSFUNDIR NO EVANGELHO
Em qualquer pregação adequada do evangelho
deve haver esse transfundir, o transfundir de Cristo
para o interior das pessoas. Como Cristo pode ser
transfundido para o nosso interior? Por meio da
pregação do evangelho. Sempre que pregarmos o
evangelho de Jesus Cristo de uma maneira normal,
haverá uma aparição do Cristo vivo, e esta aparição
transfundirá Cristo para o interior das pessoas.
Posso confirmar isto por minha própria
experiência. Embora tenha nascido na China e
aprendido os ensinamentos de Confúcio, Confúcio
não me atraía. O cristianismo como uma religião
também não me interessava. Quando eu tinha
dezenove anos, o Senhor enviou uma jovem irmã à
minha cidade para pregar o evangelho. Eu tinha
curiosidade em vê-la. Quando sentei no lugar da
reunião e a ouvi cantar e falar, a glória do Senhor
apareceu, e eu fui atraído. Ninguém teve de me
convencer a crer. Enquanto a ouvia, Deus
transfundiu-se para o meu interior, e esse transfundir
me pôs por terra e me conquistou, causando uma
reação muito positiva. Saindo do local da reunião e
caminhando pela estrada, levantei os olhos para os
céus e disse: “Deus, Tu sabes que sou um jovem
ambicioso. Mas mesmo se as pessoas me
prometessem o mundo inteiro por meu império, eu
recusaria. Quero a Ti. Deste dia em diante quero
servir-Te. Quero ser um pregador humilde indo de
povoado a povoado e falando às pessoas quão bom é
Jesus.” Desta maneira o Jesus vivo foi transfundido
para o interior do meu ser. Imediatamente reagi a
Deus, e Deus reagiu de volta a mim. Minha reação
para com Deus foi o meu crer Nele. Isso foi minha fé.
A reação de Deus de volta a mim foi justificar-me e
dar a mim a sua justiça com a paz e a alegria. A justiça
de Deus reagiu a mim, e daquela hora em diante eu
tive a justiça. Cristo foi feito a justiça de Deus para
mim. Assim tive paz e alegria e fui preenchido com a
esperança. Eu havia sido justificado por Deus. Deus
me havia chamado para fora de tudo além Dele.
Uma vez que Cristo transfundiu-se para o seu
interior, você nunca poderá escapar; você tem de crer
Nele. Estou familiarizado com muitos casos que
ocorreram sob: minha própria pregação do
evangelho. Algumas pessoas disseram: Simplesmente
não sei o que aconteceu comigo. Após ter ouvido
aquele pregador pela primeira vez e ter voltado para
casa, disse que não queria nada relacionado a este
Jesus, que não gostava de Jesus. Mas algo entrou em
mim. Tentei expulsar mas não consegui. Embora não
quisesse voltar, algo n<} meu interior insistia em ir
ouvi-lo novamente. Que é isto? E o efeito do
transfundir de Cristo para o interior das pessoas.
Desse transfundir vem uma reação: crer em Jesus
pela fé de Jesus.

A APARIÇÃO DE DEUS A ABRAÃO


Por várias vezes Deus apareceu a Abraão. Muitos
de nós mantínhamos um conceito errado de Abraão,
o conceito de que ele era um gigante na fé. Quando
era um jovem cristão e ouvi isso, fiquei assustado,
pensando comigo mesmo: Esqueça. Você nunca
poderá ser um gigante da fé. Depois, enquanto
considerava a história de Abraão, percebi que ele não
era um gigante da fé. O único gigante da fé é o próprio
Deus. Deus, como o gigante da fé, transfundiu-se para
o interior dele. Após Abraão ter despendido tempo na
presença de Deus, nada podia fazer além de crer Nele,
pois Deus se havia transfundido para ele. Assim,
Abraão foi atraído em direção a. Deus e reagiu a Ele
crendo. Sua reação foi seu crer. Suponha que um
homem pobre visitasse Abraão e dissesse: “Abraão,
sei que você não tem filhos. No próximo ano, vou
capacitá-lo a ter um filho nascido de sua esposa.”
Abraão teria afugentado tal homem para longe dele,
dizendo-lhe para não falar coisas sem sentido. Na
verdade quem apareceu a Abraão? O Deus da glória.
O acontecimento em Gênesis 15 não foi a primeira
aparição de Deus para ele. Muitas outras aparições a
antecederam.
A primeira aparição foi aquela registrada em
Atos 7. Duas outras aparições são encontradas em
Gênesis 12: na primeira delas (vs. 1-3), Deus falou a
Abraão para deixar sua terra, sua parentela e a casa
de seu pai; na segunda (vs. 7, 8), Deus prometeu a
Abraão dar a terra para sua descendência. Depois
disso, Abraão, que tinha pouca experiência em crer,
caiu para o Egito. A quarta aparição de Deus a Abraão
foi em Gênesis 13:14-17, quando disse a Abraão para
erguer os olhos e olhar para a terra em todas as
direções. Portanto a aparição de Deus em Gênesis
15:1-7 foi a quinta; não era nada de novo para Abraão.
Deus apareceu a Abraão repetidamente, e Abraão
experimentou as riquezas das aparições de Deus,
chegando a confiar nelas. Durante as quatro
primeiras aparições, o elemento de Deus foi
transfundido para o ser de Abraão. Quando Deus
aparecia a Abraão, não o deixava repentinamente. Ele
ficava com Abraão por algum tempo. Quanto tempo
Deus permaneceu com Abraão em Gênesis 18?
Aproximadamente a metade de um dia, conversando
com Ele por horas como um amigo íntimo. Do
princípio ao fim de toda aquela visitação Abraão foi
infundido com Deus. Durante a quinta aparição (Gn
15), Deus lhe disse que o número de sua descendência
seria como o das estrelas dos céus. Como resultado da
quinta aparição, Abraão experimentou uma infusão
tão rica de Deus que ele creu. “Creu Abraão em Deus,
e isso lhe foi imputado como justiça” (Rm 4:3; Gn
15:6 — VRC).
A fé de Abraão não foi proveniente de sua
habilidade natural, e não se originou a partir de si
próprio. Seu crer em Deus foi uma reação ao rádio
celestial, uma resposta à infusão divina.
Figurativamente falando, o crer de Abraão foi
simplesmente Deus trabalhando como o rádio dentro
dele. Que é a fé adequada? A genuína fé é o trabalhar
de Deus em nosso interior. Essa é a razão de Deus ter
considerado a fé de Abraão como justiça. Parece que
Deus estava dizendo: “Esta fé é algo Meu. Ela
corresponde a Mim. É a justiça de Abraão diante de
Mim.” Que era tal justiça? Era a justiça de Deus.

A EXPERIÊNCIA ULTERIOR DE ABRAÃO


Esta palavra divina é profunda na Bíblia e somos
incapazes de entendê-la, se a lermos somente de
maneira superficial. Abraão recebeu o elemento de
Deus pelo processo de infusão divina. Embora a
justiça houvesse sido imputada a Abraão, ele ainda
não tinha experimentado tal justiça de maneira sólida
e concreta. Da mesma forma, podemos ter Cristo
como nossa justiça sem de fato experimentá-Lo de
maneira substancial. No momento em que O
invocamos, recebemos Cristo, e Cristo foi feito nossa
justiça. Contudo Cristo ainda deve tornar-se a nossa
experiência. Por isso precisamos de Sara.
Sara prefigura a graça. Hagar, a concubina de
Abraão, prefigura a lei (Gl 4:22-26). Temos Cristo em
nosso interior, mas somos faltos da experiência de
Cristo. Quem pode nos ajudar com a experiência?
Sara. Lembre-se de que Sara prefigura a graça de
Deus. Não trabalhe com a lei indo até Hagar, porém
coopere com a graça indo até Sara. Se você se unir a
Sara, experimentará Cristo como Sua justiça. Não vá
até a lei e não ajuste sua mente para fazer o bem.
Precisamos lembrar da própria experiência de Paulo
como narrada em Romanos 7: “Querer o bem está em
mim; não, porém, o efetuá-lo”. Se quer fazer o bem,
isto significa que você está voltando-se à lei. Se
decidir honrar os pais, amar a esposa, ou submeter-se
ao marido, você está voltando-se à lei e casando-se
com Hagar. O resultado dessa união sempre é um
Ismael. Contudo, se você se uniu à graça, esta união
produzirá Cristo, o verdadeiro Isaque.
Isaque significa a experiência sólida da justiça
que Deus havia imputado a Abraão. No dia em que
creu no Senhor Jesus, Cristo foi dado a você e
infundido em seu interior. Você respondeu em fé, e
sua fé foi imputada por Deus como justiça. Dessa
maneira, Deus fez Cristo a sua justificação, a sua
justiça. Entretanto, naquele momento, você não teve
a experiência real. Depois de salvo, foi até Hagar, até
a lei, ajustando sua mente para fazer o bem. Até certo
ponto você obteve sucesso, mas o resultado foi
Ismael. Agora, você deve unir-se à graça de Deus, a
Sara. Com Sara você terá a experiência genuína do
Cristo que já recebeu.
Em tipologia, a justiça que Deus imputou a
Abraão foi Isaque. De acordo com Gênesis 17:21,
Deus veio a Abraão e disse: “Isaque, o qual Sara te
dará à luz neste mesmo tempo, daqui a um ano.” Em
Gênesis 18:10, Deus reiterou esta palavra de um
modo ligeiramente diferente: “Certamente voltarei a
ti, daqui a um ano; e Sara, tua mulher dará à luz um
filho. '; Se colocarmos juntos esses dois versículos,
perceberemos que o nascimento de Isaque foi na
verdade a vinda de Deus. Infelizmente a tradução
King James obscurece esses dois versículos usando a
frase “tempo da vida”. A tradução correta dessa frase
é encontrada na New American Standard Version,
que diz: “Daqui a um ano, neste mesmo tempo”. O
Senhor disse a Abraão que o nascimento de Isaque,
dali a um ano, seria a vinda de Deus. Portanto o
nascimento de Isaque foi extraordinário: foi a vinda
de Deus.

A EXPERIÊNCIA DO CRENTE
Podemos aplicar tudo isso à nossa experiência.
Na pregação do evangelho, por meio da aparição e do
transfundir de Deus, reagimos a Deus crendo com
Cristo como fé. Então Deus imputou essa fé de volta a
nós, como nossa justiça, o que foi uma experiência
real de Cristo na época de nossa salvação. Isso foi a
volta de Cristo, a vinda ulterior de Cristo a nós depois
de termos reagido a Deus crendo, tendo-O como
nossa fé. Como resultado da aparição de Cristo e de
Seu transfundir divino, Ele se tornou nossa fé,
reagindo a Deus. Essa fé foi imputada por Deus de
volta a nós como justiça, e Cristo tornou-se,
ulteriormente, a justiça de Deus a nós. Por meio da
vinda ulterior de Cristo, por meio da graça de Deus,
tivemos Cristo como nossa justiça diante de Deus.
Podemos resumir o 'processo desse modo: em Sua
aparição e em Seu transfundir Cristo tornou-se nossa
fé para Deus; e de volta Cristo tornou-se a justiça de
Deus para nós. Então, Cristo tornou-se nossa
experiência.
Além disso, não somente temos Cristo como a
justiça de Deus imputada a nós, mas também temos a
experiência de Cristo como nosso Isaque. Estimamos
esta experiência, mantendo-a como cara e preciosa, e
apreciando-a como única.

O CUMPRIMENTO DO PROPÓSITO DE DEUS


PARA A SATISFAÇÃO DE DEUS
Neste momento Deus poderá aparecer
novamente e perguntar: “Você está desejoso por
prosseguir Comigo? Quer. desfrutar de Minha
aparição ulterior? Se quer, deve abandonar Isaque.
Abandone aquilo que lhe dei. Não expulse Isaque,
mas ofereça-o a Mim. Traga o próprio Cristo que
experimentou, coloque-O sobre o Meu altar e
ofereça-O a Mim para que Eu possa ser satisfeito. Sua
experiência de Cristo tornou-se sua porção e lhe
satisfez. Agora peço-lhe para oferecer-Me esta porção
para que Eu possa ser totalmente satisfeito.” Você
fará isto? Dentre cem cristãos que têm esse tipo de
experiência, nem um o fará. Todos responderão:
Como posso abandonar a minha cara e preciosa
experiência de Cristo? Está errado pedir-me para
abandoná-la. Nunca concordarei com isto. Entretanto
todo aquele a quem se pediu oferecer a Deus a sua
experiência de Cristo como Isaque, e que o não esteve
desejoso de fazê-lo, foi mortificado em sua vida
espiritual. Para tais pessoas Deus parece dizer:
“Desde que você estima sua experiência — Isaque e
não vai dá-la a Mim, deixá-la-ei com você. Não posso
prosseguir com você. Você tem seu desfrute e
satisfação, mas Eu não tenho o Meu. Nada posso fazer
com você para o cumprimento do Meu propósito.”
Abraão ofereceu Isaque para a satisfação de
Deus. Esta foi uma oferta queimada genuína. No
Monte Moriá, Deus recebeu Sua satisfação completa.
Em Gênesis 22 vemos que Deus não é somente o
Deus que chama as coisas não existentes como
existentes — Ele foi revelado como este Deus em
Gênesis 15 e 17 — mas o Deus que dá vida aos mortos.
Aos olhos de Deus, Isaque morreu quando Abraão o
colocou sobre o altar e ergueu o cutelo para matá-lo,
Deus interrompeu Abraão, proibindo-o de matar
Isaque. Em tipologia, isso significa que Deus infundiu
vida no Isaque morto. De acordo com Hebreus
11:17-19, Isaque ressuscitou, e Abraão recebeu Isaque
de volta da parte de Deus em ressurreição. Isso
resultou. num transfundir, infundir e permear mais
rico e ulterior de Deus para o interior de Abraão.
No Monte Moriá a experiência espiritual de
Abraão alcançou seu máximo. Como resultado,
Abraão tornou-se tão espiritual e tão maduro em vida
que em Gênesis 24 ele prefigura Deus Pai. Onde ele se
tornou tão maduro? No Monte Moriá, onde recebeu a
porção plena de Deus. Deus Pai foi transfundido para
o seu interior. Portanto Abraão tornou-se o pai, não
apenas do Isaque individual, mas do corpo de
milhares de descendentes que são o reino de Deus
nesta terra, para o cumprimento do propósito de
Deus.
Agora podemos ver porque Paulo, após ter
escrito Romanos 3, teve o encargo de usar a história
de Abraão no capítulo quatro como um retrato para
mostrar o clímax da justificação de Deus. O propósito
da justificação de Deus é ter uma reprodução de
Cristo em milhões de santos. Estes santos, como a
reprodução de Cristo, tornam-se membros de Seu
Corpo (Rm 12:5). Esse Corpo torna-se então o reino
de Deus na terra (Rm 14:17) para o cumprimento do
propósito de Deus. O Corpo como o reino de Deus é
apresentado em Romanos 12-16. Todas as igrejas
locais são expressões do Corpo de Cristo como o reino
de Deus. A igreja como o reino de Deus não é
composta por um Isaque, mas por muitos Isaques que
procederam da justificação de Deus. Tudo isso é o
resultado da experiência subjetiva e mais profunda da
justificação.

DE VOLTA À ÁRVORE DA VIDA


Além disso, ainda precisamos ver mais. Voltemos
novamente ao primeiro capítulo de Gênesis.
De acordo com Gênesis 1, o homem não foi
apenas criado por Deus mas também para Deus e
voltado a Deus. O homem foi criado para Deus, para
que pudesse expressar a imagem de Deus e exercer o
domínio de Deus para a edificação de Seu reino. O
homem foi criado por Deus para este propósito
elevado. Em Gênesis 2 vemos que Deus estava
representado pela árvore da vida, indicando que o
homem criado por Deus deveria comer desta árvore
continuamente. O homem precisava ir até Deus,
contatar Deus e ter Deus transfundido e infundido em
seu interior. Contudo o homem falhou ao fazê-lo,
indo até a fonte errada, a árvore do conhecimento.
Assim, o homem que fora feito para Deus desviou-se
de Deus. Este é o significado preciso da queda do
homem.
Deus apareceu para chamar Abraão para fora
dessa condição caída, o que significa que Deus queria
trazer o homem de volta a Si mesmo. Quando Deus
chamou Abraão de Ur dos caldeus, não lhe disse
aonde devia ir, pois a intenção de Deus era trazê-lo de
volta a Si mesmo. O homem teve de voltar a Deus
para que Deus pudesse se transfundir em seu interior.
Ao chamar Abraão para fora de Ur, Deus estava
trazendo-o de volta à árvore da vida. O princípio da
árvore da vida é a dependência; o princípio da árvore
do conhecimento é a independência. Vir até a árvore
da vida significa depender de Deus; voltar-se à árvore
do conhecimento significa abandonar Deus. Cada dia
e cada hora precisamos depender de Deus como
nossa vida. Nunca podemos nos afastar de Deus como
nossa vida. Portanto Abraão foi trazido de volta a
Deus como a árvore da vida. Enquanto Abraão
despendeu tempo na presença de Deus, desfrutou da
árvore da vida. Cada vez que isso ocorreu, a essência
de Deus foi transfundida para o seu interior. Dessa
maneira Deus treinou Abraão para ser totalmente
transfundido, infundido e permeado com Deus, e a
não mais agir por si próprio. Essa não foi uma lição
de fácil aprendizado para Abraão.
Hoje estamos submetidos ao mesmo
treinamento. Deus chamou-nos para fora de nossa
condição caída e de volta a Ele mesmo como a árvore
da vida. Agora estamos sob Seu transfundir, infundir
e saturar. Não devemos fazer nada por nós mesmos.
Nosso ego deve ser terminado. Nosso velho homem
deve ser cortado e enterrado para que Deus seja tudo
para nós. Então poderemos dizer com realidade: “E
vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida
que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de
Deus” (Gl 2:20 VRC). Esta é a vida de Abraão. Como
descendentes de Abraão somos iguais a ele. Andamos
nas suas pisadas de fé e estamos sob a obra de
saturação de Deus.
Ao experimentarmos esse processo, temos várias
reações para com Deus. A primeira é crer Nele com a
fé de Cristo. Isso provoca outra reação da parte de
Deus, que é imputar Cristo a nós como a nossa
justiça. Após isso, agimos por nós mesmos e
produzimos um erro. Vamos até a fonte errada,
Hagar, a lei, e damos à luz Ismael. Em seguida,
precisamos ser circuncidados. Isso introduz uma
experiência ulterior de Cristo como nosso Isaque
atual. Então ser-nos-á requerido oferecermos este
Isaque a Deus como um sacrifício para Sua satisfação.
Se obedecemos esta exigência, Deus reagirá a nós
novamente, dando-nos uma experiência de
ressurreição que produz muitos Isaques. Desde que
ofereçamos nossa experiência individual de Cristo a
Deus, nos acharemos na igreja com muitos Isaques a
nossa volta, e teremos a experiência corporativa de
Cristo. Nesse momento não somos mais
individualistas; somos um reino, o Corpo de Cristo
cumprindo o propósito de Deus.
Este é o significado mais profundo de justificação
mostrado pelo exemplo de Abraão. Devemos
confessar que a fonte de tudo é o transfundir,
infundir e saturar de Deus. Este processo do
transfundir e do infundir causa muitas reações entre
o homem e Deus. Esse tráfego, esse intercâmbio entre
nós e Deus, faz-nos um com Ele e traz à existência um
homem universal para o cumprimento do eterno
propósito de Deus. Nesse processo a divindade é
amalgamada com a humanidade. Isso é a
consumação da justificação de Deus.
ESTUDO-VIDA DE ROMANOS
MENSAGEM 9
O RESULTADO DA JUSTIFICAÇÃOO DESFRUTE
PLENO DE DEUS EM CRISTO
No final de Romanos 3, Paulo dá a definição da
justificação à maneira de Deus, e no capítulo 4 ele
apresenta Abraão como exemplo desta justificação.
Romanos 5:1-11 deve ser considerado como a
conclusão do ensinamento de Paulo sobre a
justificação. Esta conclusão revela o resultado, a
conseqüência da justificação. Estes onze versículos
enumeram vários itens maravilhosos que são a
conseqüência de sermos justificados por Deus.
Em Romanos 5:1-11 Paulo menciona seis
palavras proeminentes: amor, graça, paz, esperança,
vida e glória. O amor de Deus foi derramado em
nosso coração por meio do Espírito Santo (v. 5).
Temos acesso para dentro desta graça na qual
estamos firmes (v. 2). Desde que fomos justificados
pela fé, temos paz para com Deus. Em seguida
gloriamo-nos, exultamos e gabamo-nos na esperança
(v. 2). O versículo 10 nos diz que seremos salvos em
Sua vida. Finalmente, esperamos partilhar da glória
de Deus (v. 2). Esses seis itens fazem parte do
resultado da justificação de Deus. Você quer o amor e
a graça de Deus? Deseja paz e esperança? Quer
partilhar da vida divina e eterna de Deus e estar em
Sua glória? Para tudo isso, você necessita de
justificação. Tudo isso é a nossa porção como o
resultado da justificação de Deus.
Junto com estas seis palavras proeminentes,
temos três Pessoas maravilhosas (apesar de não
gostar do termo “Pessoas” por estar sendo entendido
de maneira inexata nos ensinamentos sobre a
Trindade, contudo, não há termo mais adequado na
linguagem humana para ser usado tratando-se da
Deidade). Em Romanos 5:1-11 vemos as três Pessoas
do Deus Triúno. O versículo 5 fala do Espírito Santo,
dizendo-nos que o Espírito Santo derramou o amor
de Deus em nosso coração. Em seguida o versículo 6
nos diz que, quando ainda éramos fracos e
impiedosos, Cristo morreu por nós. Finalmente, o
versículo 11 diz que agora nos gloriamos em Deus. Na
versão King James lê-se:) “alegramo-nos em Deus”,
significando que Deus tornou-se o nosso desfrute.
Alegramo-nos, gloriamo-nos, exultamos e
gabamo-nos em Deus porque Ele é o nosso desfrute.
Assim Romanos 5 desvenda seis coisas maravilhosas
e três Pessoas maravilhosas. Temos amor, graça, paz,
esperança, vida e glória. Como resultado da
justificação de Deus, temos o Espírito Santo, Cristo e
Deus como nosso desfrute. Oh! como é rico este
trecho da Palavra! Precisamos de uma grande
quantidade de mensagens para abrangê-lo
adequadamente.

I. JUSTIFICADO E RECONCILIADO
Originalmente, não éramos apenas pecadores,
mas também inimigos de Deus. Pela morte redentora
de Cristo, Deus justificou a nós, os pecadores, e
reconciliou a nós, seus inimigos Consigo mesmo (5:1,
10, 11). Isso ocorreu quando cremos no Senhor Jesus.
Recebemos a justificação e a reconciliação de Deus
pela fé. Isso abriu o caminho e nos introduziu na
esfera da graça para o desfrute de Deus.
II. COM O AMOR DE DEUS DERRAMADO
Na esfera da graça, a primeira coisa que
desfrutamos é o amor de Deus. “O amor de Deus é
derramado em nossos corações pelo Espírito Santo,
que nos foi outorgado” (5:5). Muitas vezes, em nossa
vida cristã, precisamos de encorajamento e de
confirmação. Ao passarmos por períodos de
sofrimentos, podemos questionar e ter dúvidas.
Talvez você pergunte: Por que há tantos problemas
em minha vida cristã? Por que há tantas provas e
testes? Podemos ter tais perguntas e dúvidas sobre
nossa situação. Apesar de essas dúvidas surgirem,
não podemos negar que o amor de Deus está dentro
de nós. Desde o dia em que invocamos o Senhor Jesus
pela primeira vez, o amor de Deus foi derramado em
nosso coração por meio do Espírito Santo. Isso
significa que o Espírito revela, confirma e
assegura-nos com o amor de Deus. O Espírito Santo
que habita interiormente parece dizer: “Não duvide.
Deus o ama. Você não entende porque deve sofrer
agora, mas um dia você dirá: 'Pai, agradeço-Te pelos
problemas e provas que passei. ' “Quando você entrar
na eternidade, dirá: Louvado seja o Senhor pelos
sofrimentos e testes que me sobrevieram em minha
jornada. Deus os usou para me transformar.
Oh! O amor de Deus foi derramado em nosso
coração! Embora possamos ser afligidos, pobres e
abatidos, não podemos negar a presença do amor de
Deus dentro de nós. Podemos negar que Cristo
morreu por nós? Cristo morreu por pecadores
impiedosos como nós. Éramos inimigos, mas Cristo
derramou o Seu sangue na cruz para nos reconciliar
com Deus. Que amor! Se Deus nos deu Seu próprio
Filho, certamente, Ele nada fará para nos prejudicar.
Deus é soberano. Ele sabe o que é melhor para nós. A
escolha é Dele, não nossa. Não importa a nossa
preferência, o que Deus planejou para nós será a
nossa porção. Todas as coisas relacionadas conosco
[oram preparadas por nosso Pai. Deveríamos
simplesmente orar: “Senhor, aja segundo a Tua
maneira. Simplesmente quero o que Tu queres. Deixo
tudo inteiramente em Tuas mãos.” Esta é a nossa
reação para com Deus quando novamente
percebemos quanto Ele nos ama e que o Seu amor foi
derramado em nosso coração por meio do Espírito
Santo.

III. PERMANECENDO NA ESFERA DA


GRAÇA
Romanos 5:2 diz: “Obtivemos igualmente acesso,
pela fé, a esta graça na qual estamos firmes”. Graça é
a esfera na qual estamos firmes. Precisamos
permanecer onde a graça está. Não me pergunte onde
você deve estar firme. Você precisa estar firme na
graça. Sempre que se sentir fora da esfera da graça,
volte-se para ela imediatamente. Se você está prestes
a discutir com a sua esposa e sente que está fora da
esfera da graça, pare o que estiver fazendo, volte-se
para a esfera da graça e permaneça lá.
Não precisamos fazer algo pecaminoso para
sermos cortados da graça. Precisamos, apenas,
permanecer em certa situação por muito tempo e
sentiremos que mudamos da esfera da graça para
outra esfera. Que deveríamos fazer neste caso?
Deveríamos orar: “Senhor, perdoe-me. Leve-me de
volta à esfera da graça.” Voltamos para a esfera da
graça da mesma maneira que originalmente nela
entramos. Entramos na esfera da graça por meio da
justificação pela fé. Simplesmente confessamos
nossos pecados a Deus, recebemos o Senhor Jesus
como nosso Salvador, aplicamos o Seu sangue e
fomos justificados. A justificação de Deus nos
introduziu nesta graça, na qual estamos firmes.
Sempre que agirmos erroneamente e sentirmos que
estamos fora da graça, precisamos repetir a mesma
oração: “Ó Deus, perdoe-me. Purifique-me com o
sangue precioso.” Se fizer isto, você será
instantaneamente levado de volta à graça.
Uma vez que fomos justificados pela fé e estamos
firmes na esfera da graça, temos paz para com Deus
por meio de nosso Senhor Jesus Cristo (5:1). Paulo
não diz que temos paz com Deus, mas paz para com
Deus. Isso significa que ainda estamos no caminho
em direção a Deus. Não terminamos a nossa jornada.
No mundo espiritual, primeiro entramos pela porta e
em seguida andamos ao longo do caminho. A
justificação pela fé é o abrir da porta, dando-nos um
acesso, uma entrada para um amplo campo de
desfrute. Uma vez que passamos pela porta da
justificação, necessitamos andar pelo caminho da
paz. Os pecadores não têm paz. Romanos 3:17 diz
que, quando éramos pecadores, não conhecíamos o
caminho da paz. Hoje, porém, estamos andando no
caminho da paz.
Se você estiver movendo-se em certa direção e
não sentir a paz interior, deve parar. Ande sempre
junto com a paz. De acordo com Lucas 7:50, o Senhor
Jesus disse à mulher pecadora, uma vez que ela tinha
sido salva, que fosse em paz. Jovens, após serem
salvos, vocês devem seguir o seu caminho em paz.
Onde quer que você vá, deve tomar o caminho da paz.
Se não tiver paz, não vá. O que quer que você fizer,
faça-o em paz. Se não tiver paz, não aja. A graça é
para o nosso permanecer e a paz é para o nosso
caminhar. Se você não tiver a graça para permanecer
em certo lugar, não fique lá. Se não tiver paz para
tomar certa direção, não caminhe. Permaneça na
graça e ande na paz.

IV. DESFRUTANDO DEUS POR GLORIAR-SE,


EXULTAR E GABAR-SE NELE
Na esfera da graça nós nos gloriamos em Deus
(5:11). A palavra grega traduzida como gloriar-se
possui, pelo menos, três significados: gloriar-se,
exultar (com o sentido de alegrar-se) e gabar-se.
Assim gloriamo-nos, exultamos e gabamo-nos em
Deus. Enquanto estamos firmes na esfera da graça e
andamos no caminho da paz, constantemente
gloriamo-nos, exultamos e gabamo-nos em nosso
Deus. Isto significa que desfrutamos Deus. Deus é a
nossa porção para o nosso desfrute. Temos tal Deus
no qual gloriamo-nos, exultamos e gabamo-nos.

A. Gloriando-se na Tribulação
O nosso ser natural precisa ser santificado,
transformado e conformado. Por essa razão, Deus
introduz certas tribulações e sofrimentos para o
nosso bem. Isso está claramente revelado em
Romanos 8:28, 29, onde nos é dito que Deus faz todas
as coisas cooperarem para o bem, para que possamos
ser conformados à imagem do Seu Filho. Assim a
tribulação e o sofrimento visam a nossa
transformação. Todos nós apreciamos a paz, a graça e
a glória, contudo, ninguém gosta de tribulação.
Recentemente fiz duas operações no olho direito.
Apesar de não gostar deste sofrimento, devo declarar
que nestes últimos anos, nada me favoreceu mais do
que essas duas operações.
Na verdade, a tribulação é a encarnação da graça
com todas as riquezas de Cristo. Isto é semelhante à
encarnação de Deus em Jesus. Aparentemente Ele era
apenas o homem Jesus; na verdade, era Deus.
Aparentemente a nossa situação é tribulação; na
verdade, é graça. Se lermos Romanos 5
cuidadosamente, veremos que a tribulação não está
no mesmo nível que a graça, e sim sob ela. Os seis
itens: amor, graça, paz, esperança, vida e glória,
juntamente com as três Pessoas da Deidade,
substituem a tribulação. Todavia, a tribulação é uma
visitação da graça.
Se dissermos que apreciamos a graça, mas não a
tribulação, é como dizer que amamos Deus mas não
Jesus. Contudo rejeitar Jesus é rejeitar Deus. De
semelhante modo, rejeitar a tribulação é rejeitar a
graça. Por que Deus se encarnou? Por querer vir a
nós. A encarnação de Deus foi a Sua graciosa
visitação. Certamente, todos. amamos esta visita de
Deus. Se amamos a Sua visita, devemos amar a Sua
encarnação. O mesmo ocorre com a graça e a
tribulação. A tribulação é a encarnação da graça nos
visitando. Embora amemos a graça de Deus, devemos
também saudar a tribulação, que é a encarnação da
graça, a doce visitação da graça.
Madame Guyon disse que saudava as cruzes que
eram dadas a ela. Muitas pessoas têm aversão à cruz
porque ela é um sofrimento, uma tribulação. Madame
Guyon, pelo contrário, saudava cada cruz, esperando
por mais, porque percebeu que a cruz trazia Deus a
ela. Ela dizia: “Deus me dá a cruz, e a cruz traz-me
Deus.” Ela dava boas-vindas à cruz, pois quando ela
tinha cruz, tinha Deus. A tribulação é uma cruz e a
graça é Deus como nossa porção para o nosso
desfrute. Esta graça nos visita, principalmente, na
forma de tribulação.
A experiência da tribulação produz perseverança
(5:3). A perseverança é mais do que a paciência; é a
soma da paciência mais o sofrimento. Nenhum de nós
nasceu com perseverança; ela é produzida pelo
sofrimento da tribulação. Portanto, Paulo diz que a
tribulação produz a perseverança.
Podemos experimentar esta perseverança rias
coisas pequenas da vida. Algo que eu não gosto é
ouvir o sinal de ocupado quando faço uma ligação
telefônica. Por que não gosto disso? Por ter pouca
perseverança. Outra pequena coisa que detesto é
quando as pessoas estão atrasadas para um
compromisso. Apesar de esses atrasos serem um
sofrimento para mim, eles me ajudam a ganhar
perseverança.
A perseverança produz aprovação (5:4).
Aprovação é uma qualidade aprovada, resultante da
perseverança da tribulação e do teste. Assim a
aprovação é uma qualidade ou atributo que pode ser
aprovado. Às vezes, é difícil aos irmãos jovens
obterem a aprovação de outros. Eles precisam da
perseverança que produz uma qualidade que seja
facilmente aprovada pelos outros. A tribulação
resulta na perseverança e a perseverança produz a
qualidade de aprovação. Algumas versões traduzem a
palavra grega aqui como “experiência”. Isso está
correto, pois a aprovação inclui a experiência.
Todavia, não é principalmente a experiência em si,
mas o atributo ou a virtude que é obtida por meio das
experiências de sofrimento. Quanto mais você sofre,
mais tem perseverança e mais a virtude de aprovação
será produzida. Aprovação não é um atributo que
temos por meio do nosso nascimento natural.
Considere o exemplo do ouro bruto. Embora seja
ouro verdadeiro, é bruto e sem atrativo. Precisa do
fogo purificador. Quanto mais o ouro sofre o queimar
do fogo, mais uma qualidade aprovada será
produzida. Após a queima e a prova, o ouro adquire
uma qualidade que é facilmente aprovada por
qualquer pessoa. Talvez, muitos dos jovens sejam
como o ouro bruto. Eles não necessitam de polimento
nem de pintura; precisam da queima. Alguns dos
santos que amam o Senhor possuem uma certa
porção de vida e luz. Porque têm essas coisas, pensam
ser adequados para trabalhar para o Senhor.
Entretanto falta-lhes a aprovação. Por um lado,
podem ser produtivos onde quer que forem; por outro
lado, são brutos e falta-lhes a virtude que torna as
pessoas alegres, doces e satisfeitas. Eles possuem o
oposto da aprovação, que podemos chamar de
desaprovação. Por que a sua situação era tão boa no
princípio, mas bastante pobre após um certo tempo?
Era boa no começo por causa do seu dom e da luz que
você possuía. A situação não continuou assim porque
você era demasiadamente bruto, faltando-lhe a
qualidade de aprovação. Se tivermos a virtude da
aprovação, não seremos um problema para os outros.
Todos precisamos orar: “Senhor, conceda-me a
aprovação.”
Se orar dessa maneira, o Senhor lhe perguntará:
“Você está realmente falando sério?” Se responder
afirmativamente, Ele levantará circunstâncias que
produzirão em você a aprovação. Por exemplo, Ele
poderá dar-lhe a esposa mais adequada, mais útil
para produzir esta qualidade em você. A maioria das
esposas são excelentes ajudantes, auxiliando Deus na
produção da aprovação para os Seus servos. A
maioria dos servos do Senhor necessitam de tais
esposas. A esposa não ajuda o marido, ajuda Deus. O
temperamento das mulheres ajuda Deus a produzir a
aprovação nos maridos.
Deus é soberano. Muitos de nós percebemos que
não fomos apenas chamados, mas também
capturados. Precisamos ser escravos de Cristo Jesus,
não temos outra escolha. Se pudesse ter feito outra
escolha, a teria feito. Contudo devo ser escravo do
Senhor. Apesar de sermos escravos de Cristo,
falta-nos aprovação. Isso aborrece a Deus e nos
prejudica. Também aborrece os santos e a família de
Deus. Nós os ajudamos por um lado e os ferimos por
outro. Por meio de nossa luz e do nosso dom nós os
ajudamos; pela nossa falta de aprovação nós os
ferimos. Por isso precisamos da aprovação que
procede da perseverança.

B. Gloriando-se na Esperança de Partilhar da


Glória de Deus
Junto com essa aprovação, temos esperança
(5:4). Que é esta esperança? É a esperança de que um
dia todos seremos levados para dentro da glória de
Deus (5:2). Apesar de permanecermos na graça e
caminharmos na paz, ainda não estamos na glória.
Todavia, o dia virá quando seremos introduzidos
nela. Que é glória? Como mencionamos várias vezes
no passado, glória é o próprio Deus expresso. Sempre
que Deus é expresso, isso é glória. Isso é bastante
parecido com a expressão da corrente elétrica numa
lâmpada. A expressão da eletricidade é a glória da
eletricidade. Não podemos ver a própria eletricidade,
mas o brilhar da eletricidade nas luzes é a expressão,
a glória da eletricidade. Da mesma maneira, glória é
Deus expresso.
Esta glória está vindo, e nada pode comparar-se a
ela. Vários versículos mostram-nos que Deus
conduzirá muitos filhos à glória (Rm 8:18; 2Co 4:17;
1Ts 2:12; Hb 2:10; 1Pe 5:10). Aqui e agora
desfrutamos Deus na esperança dessa glória
vindoura. Enquanto nós O desfrutamos, esperamos
pela glória que há de vir. Veremos mais sobre isso
quando considerarmos Romanos 8.

V. SENDO SALVOS NA VIDA DE CRISTO


Enquanto desfrutamos Deus desta maneira,
estamos sendo salvos na Sua vida (5:10). “Muito mais
seremos salvos pela (em — lit.) Sua vida”.
Diariamente precisamos ser salvos de tantas coisas
negativas. Precisamos ser salvos do nosso
temperamento e do nosso ego. Enquanto
desfrutamos Deus nos sofrimentos, precisamos da
salvação na Sua vida. Precisamos ser salvos do
pecado costumeiro na Sua vida, isto é, sermos libertos
da lei do pecado e da morte. Na Sua vida, precisamos
ser salvos de sermos mundanos, isto é, sermos
santificados. Na Sua vida, precisamos ser salvos do
nosso ser natural, isto é, sermos transformados da
nossa vida natural. Na Sua vida, precisamos ser
salvos de sermos egocêntricos, isto é, sermos
conformados à imagem de Cristo, o Filho
primogênito de Deus. E precisamos ser salvos, na Sua
vida, de sermos individualistas, ou seja, sermos
edificados uns com os outros em um Corpo. Estas são
as salvações na vida de Cristo, que serão
completamente definidas nos capítulos seguintes.
Este tipo de salvação em vida é o principal desfrute
que temos em Deus.
A justificação introduziu-nos na esfera do
desfrute. Nesta esfera, permanecemos na graça,
andamos na paz, sofremos na esperança e
desfrutamos Deus em nossas tribulações. Enquanto
estamos sofrendo e desfrutando, estamos sendo
salvos na Sua vida. Este é o resultado da justificação.
ESTUDO-VIDA DE ROMANOS
MENSAGEM 10
O DOM EM CRISTO SOBREPUJANDO A HERANÇA EM
ADÃO
Se lermos o livro de Romanos cuidadosamente,
observaremos que a seção referente à justificação
termina em Romanos 5:11. Isso significa que na
primeira parte de Romanos temos principalmente
duas seções: condenação e justificação. A seção
referente à condenação começa em 1:18 e termina em
3:20. O trecho referente à justificação começa em
3:21 e é concluído em 5:11.
Na seção referente à justificação, Paulo fala a
respeito da nossa posição exterior perante Deus.
Originalmente, éramos cheios de pecado e
necessitávamos da redenção de Cristo como uma base
sobre a qual Cristo pudesse nos justificar. A
justificação de Deus mudou a nossa posição.
Antigamente, nossa posição era sob a condenação de
Deus; agora nossa posição é sob a justificação de
Deus. Como um resultado da justificação, temos
amor, graça, paz, esperança, vida, glória, Deus, Cristo
e o Espírito Santo. Embora possamos desfrutar esses
seis itens significantes e essas três Pessoas
maravilhosas, eles são principalmente exteriores e
objetivos. Todavia, na seção referente à justificação,
Paulo dá algumas pistas para indicar que continuará
tratando com a nossa disposição interior.
A primeira pista é encontrada em Romanos 4:24,
25, onde Paulo fala do Cristo ressurreto. O Cristo
crucificado jamais poderia entrar no nosso ser, mas o
Cristo ressurreto é capaz de vir para dentro de nós.
Nosso Cristo não é apenas Aquele que foi crucificado
para a nossa redenção; Ele é também o Cristo que foi
ressurreto para que pudesse dispensar vida para
dentro de nós. Portanto Romanos 4:24, 25 indica que
Cristo virá para dentro daqueles que foram
justificados e viverá neles uma vida de justificação.
Vemos outra pista em Romanos 5:10, que diz que
seremos salvos na Sua vida. A palavra “seremos”
implica em experiências futuras. Antes de Romanos
5:10, foi-nos dito que já fomos salvos, pois fomos
redimidos, justificados e reconciliados. Por que, de
repente, este versículo fala que seremos salvos?
Embora tenhamos sido salvos pela morte de Cristo
para a redenção, justificação e reconciliação, ainda
não fomos salvos para a santificação, transformação e
conformação. Tanto a redenção quanto a justificação
e a reconciliação requerem a morte de Cristo, na qual
Seu sangue foi derramado, ao passo que a
santificação, transformação e conformação requerem
o trabalho interior da Sua vida. A morte de Cristo na
cruz salvou-nos de maneira objetiva e Sua vida
salva-nos de maneira subjetiva. O Cristo crucificado
salvou-nos objetivamente na cruz; o Cristo ressurreto
no nosso interior salva-nos subjetivamente. Sua vida
precisa entrar em nós. Finalmente, em Romanos 8, a
conclusão da seção que trata com nossa disposição,
vemos que Cristo está em nós (8:10). Antes do
capítulo cinco, Cristo estava crucificado na cruz, mas
ainda não estava em nós. No capítulo oito Cristo não
está mais na cruz: Ele está em nós. Este Cristo que
habita interiormente é a vida que nos salvará
subjetivamente depois que fomos salvos
objetivamente. Precisamos ser salvos mais e mais.
Fomos salvos do inferno e da condenação de Deus:
esta é a salvação posicional. Agora, precisamos ser
salvos da nossa disposição, ou seja: nosso velho
homem, nosso ~go, nossa vida natural etc.; esta é a
salvação disposicional.
Outra pista de que Romanos muda do aspecto
posicional para o aspecto disposicional, depois de
5:11, é encontrada na ocorrência das palavras pecado
e pecados. Antes de Romanos 5:12, a palavra pecado é
sempre encontrada no plural. Contudo, em Romanos
5:12, essa palavra aparece repentinamente no
singular. Por que há esta mudança? Pecados são
exteriores e dizem respeito à nossa posição; pecado é
interior e diz respeito à nossa disposição. Os pecados
exteriores em nossa posição, nossas ações
pecaminosas, foram tratados completamente por
meio da morte de Cristo, mas o pecado da nossa
disposição, nossa natureza pecaminosa, ainda não foi
tratado. Iniciando em Romanos 5:12, Paulo começa a
tratar com o pecado disposicional no nosso interior.
Além disso, embora estejamos em Deus e Cristo
na época de Romanos 5:11, não temos tido muita
experiência de Deus e Cristo vivendo no nosso
interior. Embora estejamos em Deus, gloriando-nos e
regozijando-nos em Deus e permanecendo na esfera
da graça, não temos experimentado totalmente Deus
e Cristo habitando dentro de nós. Estar em Cristo é
uma questão posicional; ter Cristo em nós,
especialmente. vivendo e habitando em nós, é uma
questão disposicional e experimental. Precisamos
estar em Cristo daí Cristo pode estar em nós e viver
dentro de nós. Encontramos esses dois aspectos em
João 15:4, que diz: “Permanecei em mim, e eu
permanecerei em vós”. “Permanecei em mim”
significa estar em Cristo; “Eu permanecerei em vós”
significa' que Cristo vive em nós. Primeiramente,
estamos em Cristo daí Cristo vive em nós. A
questão disposicional de Cristo vivendo em nós é
abrangida do versículo 5:12 de Romanos até 0
versículo 8:30, a seção referente à santificação e
glorificação. Tanto a santificação quanto a
glorificação tratam com nossa disposição e natureza,
não com nosso comportamento exterior. Paulo tratou
com o nosso comportamento exterior nas seções
precedentes. Em 5:12--8:30, ele está ocupado com a
nossa natureza, o nosso ego. Se não estivermos claros
a respeito dessas distinções, seremos incapazes de
entender Romanos 5:12--8:30 adequadamente.
A medida que nos aproximamos da seção
referente à santificação, precisamos perceber que o
dom em Cristo sobrepuja a herança em Adão. Uma
vez que todos nascemos de Adão e em Adão,
herdamos tudo o que ele é e tem. Quais são os itens
da nossa herança em Adão? Duas coisas terríveis:
pecado e morte. Independente de sermos bons ou
maus temos pecado e morte como nossa herança,
pois nascemos da raça adâmica. Louvado seja Deus
pelo dom em Cristo! O dom em Cristo sobrepuja a
herança em Adão. Não há comparação.

I. DOIS HOMENS, DOIS ATOS E DOIS


RESULTADOS
Em Romanos 5:12-21 temos dois homens, dois
atos e dois resultados. Esta passagem é difícil de ser
lembrada porque tudo nela transcende o nosso
entendimento. Naturalmente, não temos noção do
que é revelado nesta passagem da Escritura. Se
tivéssemos, seríamos facilmente impressionados com
o pensamento de Paulo. Alguma vez você já pensou
que em todo o universo existem somente dois
homens? Todavia, aos olhos de Deus, existem apenas
dois homens: Adão e Cristo. Nós mesmos somos
ninguém. Estamos todos incluídos ou no primeiro
homem, ou no segundo. Tudo depende de onde você
está. Se está em Adão, você é uma parte de Adão. Se
está em Cristo, você é uma parte de Cristo. Há
cinqüenta anos atrás, eu estava em Adão, mas hoje e
para sempre estou em Cristo.

A. Dois Homens

1. Adão
Adão foi o primeiro homem (1Co 15:47). Ele não
somente foi o primeiro homem, mas também o
primeiro Adão (1Co 15:45). Adão foi criado por Deus
(Gn 1:27) e nada tinha da natureza divina e da vida de
Deus. Ele era meramente uma criação de Deus, uma
obra de Suas mãos.

2. Cristo
Cristo é o segundo homem (1Co 15:47) e o último
Adão (1Co 15:45). Que significa dizer que Cristo é o
segundo homem e o último Adão? Significa que
Cristo é o último homem. Após Ele, não existe um
terceiro homem, pois o segundo homem é o último.
Isto exclui a possibilidade de um terceiro homem.
Cristo é o segundo homem e o último Adão.
Após Ele, não há um terceiro Adão. Este segundo
homem não foi criado por Deus. E um homem
amalgamado com Deus. Ele é Deus encarnado para
ser um homem (Jo 1:14). O primeiro homem nada
tinha da
natureza divina e da vida de Deus, pois era
meramente uma criação de Deus. O segundo homem
é o amalgamar de Deus com Sua criatura, pleno da
natureza divina e da vida de Deus. É um homem
amalgamado com Deus, um homem-Deus. A
plenitude da Deidade está corporificada Nele (Cl 2:9;
Jo 1:16).

B. Dois Atos

1. A Transgressão de Adão no Jardim


Romanos 5:14 menciona a transgressão de Adão,
referindo-se à transgressão de ter comido da árvore
do conhecimento do bem e do mal no jardim. Após
Deus ter criado Adão, Ele o colocou em frente à
árvore da vida indicando que Adão deveria comer
desta árvore. Isso o capacitaria a receber a vida de
Deus e viver com Deus. Adão fracassou. Abandonou a
árvore da vida que denotava Deus como vida e
voltou-se para a árvore do conhecimento que
significava Satanás como a origem da morte. Assim, a
transgressão de Adão consistiu em abandonar a
árvore da vida e buscar a árvore do conhecimento (Gn
2:8, 9, 17; 3:1-7). O resultado da árvore da vida é vida,
mas o resultado da árvore do conhecimento é morte.
Isso significa que Adão abandonou a vida e escolheu a
morte.

2. A Obediência de Cristo na Cruz


O segundo ato foi a obediência de Cristo na cruz
(Fp 2:8). Este ato de obediência, um ato justo
efetuado por Cristo, terminou com o homem do
conhecimento (6:6). Adão trouxe o homem para o
conhecimento, fazendo dele um homem de
conhecimento. Cristo, por meio de Sua obediência na
cruz, terminou com o homem do conhecimento e
trouxe-o de volta à vida. Em 1 Pedro 2:24 é dito que a
morte de Cristo restaurou o homem à vida e João
3:14, 15 diz que Cristo foi levantado na cruz a fim de
trazer o homem de volta à vida eterna. Portanto, a
obediência de Cristo na cruz terminou com o homem
caído do conhecimento, o homem da morte, e
restaurou o homem de volta à vida, fazendo dele um
homem de vida.

C. Dois Resultados
Esses dois homens têm dois atos e esses dois atos
produziram dois resultados.

1. O Resultado da Transgressão de Adão

a. O Pecado Entrou
, O pecado entrou pela transgressão de Adão
(5:12). Parece que o pecado é mencionado do capítulo
5 d~ Romanos até o capítulo 8 de uma maneira
personificada. E como uma pessoa que é capaz de
reinar (5:21), dominar sobre as pessoas (6:14),
enganar e matar as pessoas (7:11), habitar nas pessoas
e fazer coisas contra a vontade delas (7:17, 20). O
pecado é vivo e excessivamente ativo (?:9). Assim,
este pecado deve ser a natureza maligna de Satanás, o
maligno, que habita, age e opera na humanidade
caída. O pecado é, na verdade, uma pessoa maligna.
Pela transgressão de Adão o pecado entrou.

b. Muitos Foram Constituídos Pecadores


Como resultado da desobediência de Adão,
muitos, inclusive nós, foram constituídos pecadores
(5:19). Não apenas fomos feitos pecadores; fomos
constituídos pecadores. Não fomos criados
pecadores, mas constituídos pecadores. Um elemento
não criado por Deus foi injetado dentro do nosso ser e
constituiu-nos pecadores. Não somos pecadores
acidentalmente; somos pecadores por constituição. O
pecado foi trabalhado dentro de nós e constituído
dentro do nosso ser. Portanto o pecado não é apenas
uma ação exterior, mas um elemento interior e
subjetivo em nossa constituição. Assim somos
pecadores típicos por natureza.

c. Todos os Homens Foram Condenados à


Morte
Além disso, todos os homens foram condenados
à morte (5:18). Todos os homens nasceram de Adão e
em Adão. Portanto, por meio da única ofensa de
Adão, todos os homens foram condenados a morrer
nele, ao ser ele condenado.

d. A Morte Reinou sobre todos os Homens


Assim, a morte reinou sobre todos os homens
(5:14). A morte tornou-se um rei governando sobre
todos. “Assim como o pecado reinou na morte” (5:21
— VRC), da mesma forma a morte reina por meio do
pecado.

e. Em Adão Todos Morrem


O resultado final da transgressão de Adão é que
em Adão todos morrem (1Co 15:22). Todos morreram
em Adão. Algumas vezes dizemos de uma certa
pessoa: Ela está morrendo. A primeira vez que ouvi
essa frase, pensei imediatamente: Não apenas aquela
pessoa está morrendo; todos estão morrendo. Não
diga que você está vivendo, pois, como todos os
outros, você está morrendo. Você está vivendo para
morrer. Quanto mais você vive, mais você morre. Em
certo sentido, as pessoas não estão vivendo; pelo
contrário, estão morrendo. Todos nascemos para
morrer, porque temos um rei poderoso sobre nós
chamado morte. Ele foi empossado pelo pecado, seu
precursor. O pecado trouxe a morte ao poder.
Portanto todos os homens estão debaixo do reino da
morte. Essa pessoa terrível foi empossada como rei.
Quando nascemos em Adão, começamos a morrer.
Antes das pessoas morrerem completamente, elas
pecam, e o pecado apressa a hora da morte. Quanto
mais peca, mais rapidamente você morre; quanto
menos peca, mais vagarosamente você morre. Se não
quiser morrer rapidamente, você não deve pecar.
Precisamos manter-nos longe do pecado.

2. O Resultado da Obediência de Cristo


Louvado seja o Senhor porque temos o segundo
homem, o segundo ato e o segundo resultado! Qual é
o resultado da obediência de Cristo?

a. A Graça Veio
A graça veio (Jo 1:17) pela obediência de Cristo. A
graça de Deus abundou para muitos (5:15). Paulo não
diz que a vida abundou. Isto é semelhante à
transgressão de Adão, na qual veio primeiro o pecado
e a morte o seguiu. Da mesma maneira, por meio da
obediência de Cristo, a graça veio primeiro e a vida
seguiu-a. Morte é contrária à vida e graça é contrária
ao pecado. O pecado veio da transgressão de Adão,
mas a graça veio por meio da obediência de Cristo. O
pecado é Satanás personificado, vindo para
envenenar-nos, danificar-nos e trazer-nos morte. A
graça é Deus personificado, vindo para dar-nos vida e
gozo. Pela transgressão de Adão, o pecado entrou na
raça humana como veneno para a destruição' do
homem, mas pelo ato justo e obediente de Cristo,
Deus veio como graça para o nosso desfrute.

b. Muitos Foram Constituídos Justos


Romanos 5:19 diz-nos: “pela obediência de um
muitos serão constituídos justos” (IBB — Rev.). Não
somos apenas justos; somos constituídos justos. Se
você pintar minha pele de verde, isso não afetará
minha constituição interna. Entretanto se você
injetar tinta verde no meu sangue, todo o meu ser
finalmente será constituído com tinta verde. Isso não
seria uma pintura exterior, mas uma constituição
interior. Quando o Deus vivo vem para dentro do
nosso ser como graça, somos constituídos justos.

c. Muitos Foram Justificados para Vida


Um resultado adicional da obediência de Cristo é
que fomos justificados para vida (5:18). Uma vez que
fomos constituídos justos, satisfazemos ao padrão da
justiça de Deus e agora correspondemos a Ele. Assim
espontaneamente fomos justificados para a vida. Em
Adão, por meio de sua única ofensa, fomos
condenados à morte; em Cristo, por meio de Sua
única ação justa, fomos justificados para a vida. A
justificação é para a vida. Primeiro temos a
justificação, então temos a vida. A justificação muda a
nossa posição exterior e a vida muda a nossa
disposição interior. Agora temos tanto a justificação
exteriormente para a nossa posição, como a vida
interiormente para a nossa disposição.

d. A Graça Reinou pela Justiça para a Vida


Eterna
Romanos 5:21 diz: “Reinasse a graça pela justiça
para a vida eterna, mediante Jesus Cristo nosso
Senhor”. A graça reina. Agora temos outro rei, porque
estamos em outro reino. Noutro tempo, estávamos no
reino da morte e o pecado era o nosso rei por meio da
morte. Agora estamos no reino da vida e a graça é o
nosso rei. A graça reina pela justiça para a vida
eterna. Este pensamento é muito profundo. Por que
deve a graça reinar pela justiça? Porque éramos
pecadores. Se não tivéssemos sido constituídos
pecadores, seríamos puros e justos, com nada em
nosso ser contradizendo o caráter de Deus. Se este
fosse o caso, não teríamos necessidade de justiça.
Entretanto, fomos constituídos pecadores. Como
pode a graça, que é o próprio Deus, reinar sobre tais
pessoas injustas? A graça precisa de um instrumento,
um meio para reinar. Este instrumento, este meio, é a
justiça de Deus. Assim a graça reina pela justiça de
Deus para a vida eterna. Pelo fato de Cristo ter
morrido na cruz para cumprir a redenção por nós e
pelo fato de a justiça de Deus ter sido revelada 'a nós,
temos uma posição para desfrutar Deus como graça.
Até mesmo temos a posição para reivindicar Deus
como nossa graça. Portanto a graça pode reinar pela
justiça para a vida eterna.
Apliquemos isto à nossa experiência. Suponha
que eu seja um pecador, um moribundo. Estou
condenado à morte e ela reina sobre mim. Um dia
percebo que Cristo morreu na cruz para cumprir a
redenção de Deus e a justiça de Deus me é revelada.
Como um pecador, venho a Deus debaixo do sangue
redentor de Cristo. Imediatamente, a justiça de Deus
obriga-O a me justificar e Ele se torna minha porção.
Posso reivindicá-Lo como minha porção, porque a
redenção de Cristo cumpriu todos os requisitos da
Sua justiça. Agora tenho a posição para reivindicá-Lo
como minha porção. Ele não tem escolha. Por causa
da Sua justiça, Ele deve vir a mim como graça para o
meu desfrute. Graça significa que eu recebo um
presente que não mereço. Se trabalho para você, você
deve o meu salário como uma dívida, não como graça.
Contudo, se você me der cinco mil cruzeiros como um
presente, isto é graça, porque não sou merecedor
desse dinheiro. Por meio da justiça de Deus, recebo
graça, da qual não sou merecedor.
Deus tem dado a Si mesmo para nós como uma
graça que não merecemos. Nunca labor amos por ela
e não podemos pagá-la. O preço é muito alto. Deus
simplesmente dá-se a Si mesmo para nós como graça
por meio da justiça. Esta graça torna-se nossa porção
para o nosso desfrute e reina pela justiça, resultando
em vida eterna. Isso não se refere à bênção eterna,
mas à vida eterna, que podemos desfrutar hoje. Não é
a vida humana ou a vida criada; é a vida divina,
eterna e incriada.
Debaixo do sangue de Cristo, reivindicamos Deus
como nossa porção e recebemos Dele uma medida
que não merecemos. Essa medida é graça como o
nosso desfrute. O resultado desse desfrute é a vida
eterna, uma vida que transformará todo o nosso ser.
Ela nos santificará e tratará completamente com
nossa disposição. Assim tornar-nos-emos pessoas
santificadas, transformadas, conformadas e
glorificadas.

e. Em Cristo Todos Serão Vivificados


Em Adão todos morrem, mas em Cristo todos
serão vivificados (1Co 15:22). A transgressão de Adão
levou e ainda leva todos os seus descendentes à
morte, mas a obediência de Cristo leva todos os
homens a viver. Em Adão todos estão morrendo; em
Cristo todos estão vivendo. O resultado da
transgressão de Adão é morte para todos. O resultado
da obediência de Cristo é vida para todos.

II. QUATRO COISAS REINANTES


Vimos dois homens, dois atos e dois resultados.
Esses dois homens com seus dois atos e dois
resultados produziram quatro coisas reinantes.
Devemos conhecer esses homens, atos e resultados;
devemos conhecer também as quatro coisas reinantes
a fim de ficarmos claros acerca de Romanos 5:1221.

A. Pecado

1. Tendo Entrado pelo Primeiro Homem


Como vimos, o pecado entrou pelo primeiro
homem (5:12). Por meio da desobediência de Adão, o
maligno entrou no mundo como pecado. Aqui, o
mundo refere-se à humanidade em geral, pois em
certo sentido, a palavra mundo no Novo Testamento
significa humanidade. Por exemplo, João 3:16 diz que
Deus amou o mundo, significando que Deus amou a
humanidade. Assim o pecado entrou na humanidade,
na natureza humana, por meio do primeiro homem
Adão.

2. Habitando no Corpo Caído do Homem


Após entrar na raça humana, o pecado fez seu
lugar de habitação no corpo caído do homem (7:17,
18, 21, 23). O pecado não habita em nossa mente,
alma ou espírito. A morada do pecado é o nosso
corpo. Paulo disse que o pecado habitava dentro dele,
que a lei do pecado estava nos membros de seu corpo
e que na sua carne não havia bem nenhum, somente
pecado (7:17, 18, 23). O pecado habita em nosso
corpo. Embora o nosso corpo tenha sido criado bom
por Deus, tornou-se carne uma vez que o pecado foi
injetado nele e fez ali sua morada. Embora Deus
tenha criado o nosso corpo, Ele não criou a carne. A
carne é uma mistura da criação de Deus com o
pecado, o maligno. Assim o corpo tornou-se carne, e o
pecado habita nessa carne. Todo tipo de
concupiscência tem sua fonte na carne.

3. Tendo a Lei como seu Poder


O pecado tem a lei como o seu poder (1Co 15:56;
Rm 7:11). Sem a lei, o pecado é impotente. De acordo
com Romanos 7:11, o pecado mata-nos por meio da
lei porque a lei dá ao pecado o seu poder. O pecado
usa a lei como uma faca para matar-nos. Em 1
Coríntios 15:56 é Adito: “A força? o pecado é a lei.”
Não toque a lei, pois se você o fizer, tocara a faca
mortal do pecado. Somos absolutamente incapazes de
cumprir a lei, e até mesmo tentar é loucura para nós.
Se nos esforçarmos para cumprir a lei, o pecado a
usará para matar-nos.

4. Reinando na Morte
O pecado reina na morte (5:21; 6:12). O pecado,
como qualquer outro rei, precisa de uma autoridade a
fim de poder reinar. A autoridade do pecado é a
morte. O pecado tem autoridade para reinar como um
rei na morte. Romanos 5:21 e 6:12 mostram o pecado
reinando como um rei.
O pecado está na nossa carne, nosso corpo caído.
Este pecado não é um ato de maldade; é a
personificação do maligno. Em Romanos 7:21 Paulo
diz que “o mal” estava presente nele. Neste versículo,
a palavra grega traduzida como “o mal” é kakos, uma
palavra que denota aquilo que é mau em caráter. Isso
deve referir-se ao caráter maligno do próprio Satanás.
Não tenho dúvida de que o pecado que entrou em
nosso corpo é a encarnação de Satanás. Quando o
homem comeu do fruto da árvore do conhecimento,
este fruto entrou em seu ser. Na verdade, tudo o que
comemos vem para dentro do nosso corpo. Como já
vimos, a árvore da vida no jardim denotava Deus e a
árvore do conhecimento significava Satanás.
Portanto, quando o homem p, artilhou ~a árvore do
conhecimento, o homem tomou Satanás, o maligno,
para dentro dele. O corpo criado por Deus,
originalmente, não tinha mal em si. A Bíblia diz que o
homem criado por Deus era muito bom e reto (Gn
1:31; Ec 7:29). Entretanto, depois da queda, um outro
elemento foi injetado no corpo do homem. Esse
elemento era o pecado, a própria natureza do
maligno. Esse pecado reina em nós. Seu poder é a lei
e ele reina na morte.

B. Morte

1. Vindo pelo Pecado


A segunda coisa reinante é a morte. A morte veio
pelo pecado (5:12), pois o pecado abriu o caminho
para a morte entrar na humanidade. O. aguilhão da
morte é o pecado (1Co 15:56). Um aguilhão, assim
como o ferrão de um escorpião, contem veneno. Da
mesma forma, o pecado tem o elemento do veneno.
Uma vez que o pecado nos envenena,
experimentamos morte.

2. Reinando por meio de um Homem sobre


todos os Homens
Por meio da ofensa de Adão, a morte reina sobre
todos os homens (5:17, 14). De acordo com Hebreus
2:14, Satanás tem o poder da morte. Assim, Satanás
está intimamente ligado com a morte. O pecado
introduz a morte e a morte rema. com poder nas
mãos de Satanás. Portanto, Satanás está relacionado
com a morte, a morte está relacionada com o pecado e
o poder do pecado é a lei. Todos devemos permanecer
afastados da lei, do pecado, da morte e de Satanás.

C. Graça

1. Vindo por meio do Segundo Homem


João 1:14 diz-nos que quando Cristo encarnou-se
como um homem, Ele era cheio de graça. João 1:17
diz que a lei foi dada por intermédio de Moisés, mas
que a graça veio por meio de Jesus Cristo. A graça
veio com Cristo. Isso significa que quando Cristo está
presente, a graça também está. Assim como o pecado
é a corporificação de Satanás, a graça é a
corporificação de Cristo. Portanto, graça é Cristo, a
corporificação de Deus. Que é graça? Graça é Deus
encarnado para ser o nosso desfrute. Deus deu-se a Si
mesmo a nós para o nosso desfrute. Se compararmos
1 Coríntios 15:10 com Gálatas 2:20, veremos que a
graça de Deus é Cristo. Em 1 Coríntios 15:10 Paulo diz
que ele trabalhou mais abundantemente do que os
outros apóstolos, todavia não era ele mesmo, mas a
graça de Deus que estava com ele. Em Gálatas 2:20,
Paulo diz que já não era mais ele, mas Cristo vivendo
nele. Portanto, graça é 'a Pessoa viva de Cristo. Em 2
Coríntios 13:13 também se menciona a graça de
Cristo. Assim Cristo é a graça de Deus. Quando Cristo
vem a nós como Deus encarnado para o nosso
desfrute, isto é graça. Essa graça veio por meio do
segundo homem.

2. Tornando-se Abundante e Reinando pela


Justiça para a Vula Eterna
Esta graça torna-se abundante, multiplica-se e
reina pela justiça para a vida eterna (Rm 5:15, 20, 21).
Vimos que por meio da redenção de Cristo, temos a
justiça de Deus e que essa justiça nos dá a base para
reivindicarmos Cristo como nossa graça. Essa graça
está continuamente abundando e multiplicando-se. A
abundância da graça resulta em reinar para a vida
eterna. O resultado não é algo material ou temporal,
mas é algo no reino da graça, que é eterno e divino: a
vida divina de Deus. Quanto mais desfrutamos a
graça, mais vida temos. Essa vida é uma vida que
santifica, transforma, conforma e glorifica. Essa vida
é proveniente da graça.

D. Os Crentes
Os crentes também reinam, pois crentes são reis.

1. Tendo Recebido a Abundância da Graça e o


Dom da Justiça
Romanos 5:17 diz: “os que recebem a abundância
da graça e o dom da justiça, reinarão em vida por
meio de um só, a saber, Jesus Cristo”. Como podemos
reinar em vida? Reinamos em vida por meio de
receber da abundância da graça. Precisamos
considerar o significado prático da abundância da
graça. Suponha que você tenha um certo problema.
Se você acha fácil cuidar desse problema, significa
que você tem um suprimento adequado de graça. Se
você considera sua situação insuportável, isso prova
que lhe falta abundância de graça. Embora você tenha
graça, tem somente uma pequena porção. Você não
tem a abundância da graça. Muitas vezes, um irmão é
ofendido quando falamos a ele uma palavra franca.
Por que ele se ofende? Porque lhe falta graça. Se ele
tivesse a abundância da graça, essa graça o
sustentaria e capacitaria a suportar uma palavra
dura. A coisa mais difícil para nós é suportarmos uma
palavra dura. Todos gostamos de ouvir palavras
suaves, agradáveis e adocicadas. Aqueles que falam
de maneira suave sabem como cobrir suas palavras de
açúcar. Entretanto se você gosta de palavras cobertas
de açúcar, será enganado. É muito melhor falar
palavras salgadas. Em Colossenses 4:6 Paulo nos diz
que o nosso falar deve sempre ser temperado com sal.
Isso significa que precisamos ser restringidos no
nosso falar. As palavras proveitosas são as palavras
salgadas, não as cobertas de açúcar. Aprenda a aceitar
palavras salgadas. Se você está preenchido com graça
e tem a abundância da graça, ficará feliz com
qualquer tipo de palavra.
Paulo tinha um certo problema, um espinho na
carne, e pediu três vezes ao Senhor para removê-lo
(2Co 12:7-9). O Senhor parecia responder-lhe: “Não
removerei o espinho. Você deve suportá-lo por meio
da Minha graça. Minha graça l~e é suficiente.” Que é
esta graça? É a encarnação de Cristo. E nada menos
do que o próprio Cristo como o nosso desfrute.
Quando você desfruta essa graça, o resultado será
vida. Você será rico em vida. Quanto mais você
suportar dificuldades pela graça, mais você será
preenchido com vida.
Portanto, Paulo disse que a graça não somente
“abundou para muitos”, mas também que “a graça
reinasse pela justiça para a vida eterna”. A vida
continuamente resulta da multiplicação da graça. A
graça deve abundar. Romanos 5:20 diz: “Onde
abundou o pecado, superabundou a graça”. A graça
sempre excede o pecado. Embora o pecado seja
poderoso, a graça é ainda mais poderosa. A graça é
mais forte do que o pecado. Precisamos abrir-nos a
esta graça e alargar nossa capacidade de receber
graça sobre graça. João 1:16 diz: “todos nós temos
recebido da sua plenitude, e graça sobre graça”.
Cristo é a origem da graça e Cristo é a própria graça.
Se nos abrirmos a Cristo e recebermos a “abundância
da graça”, seremos preenchidos com vida.
Esta vida torna-se a vida que cresce encontrada
em Romanos 6. É também a vida que santifica,
liberta, transforma e conforma. Por fim, essa vida
será a vida que glorifica. Esse é o resultado de
desfrutar Cristo como graça .

2. Reinando em Vida por meio do Homem


Cristo
Assim como a graça reina para a vida, de igual
modo nós que recebemos a abundância da graça,
reinaremos em vida por meio de Um: Jesus Cristo
(5:17). Do início de Romanos até o versículo 5:11,
existem poucas referências à vida. Romanos 5:10 diz
que seremos salvos na Sua vida, e Romanos 1:17
diz-nos que o justo viverá e terá sua vida por fé.
Entretanto, quando entramos na seção referente à
santificação, encontramos uma palavra forte em
Romanos 5:17, dizendo-nos que “reinaremos em
vida”. Assim podemos' “andar em novidade de vida”
(6:4). Reinamos em vida e andamos em novidade de
vida porque recebemos a abundância da graça com
Cristo. Hoje, por meio do homem Jesus Cristo, pela
abundância da Sua graça, temos não, somente a vida
eterna, mas podemos reinar sobre todas as coisas e
sobre todas as situações desta vida, e podemos andar
em novidade de vida.
ESTUDO-VIDA DE ROMANOS
MENSAGEM 11
IDENTIFICAÇÃO COM CRISTO
Romanos 5:12 indica uma grande mudança nos
escritos de Paulo neste livro. Como já salientamos,
essa mudança é de pecados para pecado, de posição
para disposição e de justificação para santificação ou,
podemos dizer, de salvação para vida. Após fazer tal
mudança, Paulo começa a tratar com a nossa pessoa,
em vez de nosso comportamento. Nos primeiros
quatro capítulos e meio de Romanos, Paulo estava
preocupado com as ações do homem, não com o
próprio homem, e os atos pecaminosos do homem
caído foram compreensivelmente cobertos. Fomos
tirados daquele estado caído e levados para dentro da
esfera da graça, onde podemos desfrutar Deus.
Contudo isso foi meramente uma mudança de estado,
esfera e posição. Até agora não havia ocorrido
nenhuma mudança no próprio homem, na sua
natureza ou disposição. Embora as ações do homem
tenham sido tratadas e sua condição mudada, o
próprio homem não fora ainda tocado.
A partir de Romanos 5:12, Paulo trata com o
próprio homem. Devemos ir além da condição do
homem, sua situação, ambiente e estado, pois todas
essas coisas foram completamente abordadas nos
capítulos precedentes. Esses problemas foram
resolvidos e o homem foi purificado, perdoado,
justificado e reconciliado. O problema agora em vista
é o próprio homem. Em nenhuma outra porção da
Palavra Divina o homem é exposto tão
minuciosamente como em Romanos 5 a 8. Nesses
quatro capítulos o homem é cuidadosamente
diagnosticado por Paulo. Paulo parece usar todo
instrumento espiritual disponível para diagnosticar a
doença do homem.
Que tipo de homem é exposto nesta seção de
Romanos? É um homem com o pecado em si mesmo,
um homem sob o reino da morte e, portanto, um
homem sob a condenação e o justo julgamento de
Deus. O homem foi envenenado com a natureza
maligna de Satanás, picado pelo veneno do pecado. O
homem em si mesmo é totalmente pecaminoso, não
apenas em suas ações terríveis, mas também em sua
disposição e natureza. No que diz respeito à essência
do homem, este é completamente pecaminoso. O
pecado está no corpo caído do homem e este está
debaixo do reino da morte, julgado e condenado por
Deus. Esse é o diagnóstico dado em Romanos 5 a 8.
Antes de continuar com Romanos 6, quero rever
o assunto abordado na última parte do capítulo 5 —
os dois homens, dois atos e dois resultados com as
quatro coisas reinantes. Apesar de esses assuntos
serem abordados sucintamente na mensagem dez,
talvez ajude o leitor aproximarmo-nos deles por outro
ângulo.
Agora quero fazer um contraste claro e definido
entre tudo o que pertence a Adão e tudo o que
pertence a Cristo. Para isso podemos usar a
terminologia de débito e crédito encontrada em
contabilidade. Em contabilidade ternos urna coluna
de débito e urna de crédito. Baseados nessas colunas,
podemos considerar ou fazer urna conta. Não sou o
primeiro a usar a palavra conta com respeito às coisas
espirituais, pois o apóstolo Paulo, que foi um bom
contador celestial, usou, ele próprio, esse termo. No
livro de Romanos Paulo emprega várias vezes a
palavra “considerar” que também significa “levar em
conta”. Primeiro, Deus considerou a fé de Abraão
como justiça (4:3, 9, 22). Quando Abraão reagiu a
Deus, crendo Nele, Deus, como o contador-chefe
celestial, olhou nos algarismos e parece ter dito: “Essa
fé de Abraão deve ser considerada como justiça. Eu
credito Abraão por justiça.” Assim Deus colocou
justiça na coluna de crédito da conta de Abraão. Além
disso Paulo diz que o pecado não é considerado onde
não há lei (5:13). Urna melhor tradução dessa palavra
é que o pecado não é levado em conta sem a lei. Dizer
que o pecado não é considerado, realmente significa
que o pecado não é levado em conta. Sem a lei o
pecado existiu, mas não foi introduzido no livro
contábil de Deus. Quando vamos a Romanos 6
devemos usar nossa matemática espiritual para fazer
certa contabilidade (v. 11). Urna vez que fornos
crucificados com Cristo e ressuscitados com Ele,
devemos dar entrada desse fato em nosso livro
contábil, isto é, devemos nos considerar mortos para
o pecado e vivos para Deus.
Continuemos a preencher as duas colunas, urna
de débito e urna de crédito, para Adão e para Cristo.
O primeiro item no lado do débito do livro de
contabilidade é o próprio Adão. Adão constitui um
grande débito para todos nós. Debaixo de Adão, o
segundo item é a transgressão ou, usando termos
sinônimos, ofensa ou desobediência. Como usado em
Romanos 5, as palavras transgressão, ofensa e
desobediência referem-se todas à mesma coisa. Elas
são usadas de maneira intercambiável para designar
a queda de Adão. Essa queda causou um tremendo
débito que, quando colocado em termos monetários,
representa urna quantidade que atinge os bilhões. O
terceiro item na coluna de débito é o pecado que veio
por meio da transgressão de Adão. De acordo com
Romanos 5, o julgamento, o quarto item do débito
segue a entrada do pecado. Deus é um Deus sóbrio.
Ele não é apenas justo, mas também sóbrio, sempre
alerta. Deus nunca dorme. Imediatamente após Adão
transgredir, Deus interveio e exerceu o julgamento.
Assim o julgamento sempre segue o pecado. Não
pense que você deve esperar até a sua morte para ser
julgado, pois todos nós fornos julgados em Adâo seis
mil anos atrás. Fornos julgados antes de nascer.
Assim o julgamento é o quarto item na coluna de
débito. O quinto item é a condenação. A condenação
de Deus segue o Seu julgamento. Portanto Adão, com
todos incluídos nele, está debaixo da condenação de
Deus. Urna vez que saímos de Adão, estávamos lá
quando ele foi condenado.
Qual é o resultado da coluna de débito? O
resultado é morte. Podemos registrar morte como o
sexto item, embora, na realidade, ela seja o resultado
dos cinco primeiros itens. A sorna total de Adão,
transgressão, pecado, julgamento e condenação é
morte. Esse é o resultado da coluna de débito
universal no registro da contabilidade da raça
humana.
Aleluia pela coluna de crédito! Na contabilidade
universal também temos uma coluna de crédito. O
primeiro item nessa coluna é Cristo, que é contra
Adão. Embora Cristo seja contra Adão, não há
comparação entre eles. Paulo diz: “Não é assim o dom
gratuito como a ofensa” (5:15). Adão não é como
Cristo, pois não se pode compará-lo com Cristo.
Cristo ultrapassa em muito a Adão. Quando o registro
de Cristo é colocado na coluna de crédito, ele é
seguido por bilhões de zeros. Estou muito contente
que tudo isso seja agora o nosso crédito. Não me
preocupo pelo débito de Adão. Tenho Cristo.
Abaixo de Cristo temos o segundo item na coluna
de crédito: a obediência. A obediência de Cristo até à
morte de cruz é chamada Seu ato de justiça. Os dois
termos: obediência e ato de justiça são sinônimos. O
ato de Adão é chamado transgressão, ofensa e
desobediência; o ato de Cristo é chamado obediência
ou ato de justiça. Qual é o valor da obediência de
Cristo? Não existe nenhum computador que possa
calcular isso.
Como a justiça e a obediência de Cristo são
contra a transgressão e a desobediência de Adão,
assim também a graça é contra o pecado. Daí a graça
é o terceiro item na coluna de crédito. Qual é
predominante, pecado ou graça? Paulo nos diz
claramente que não há comparação, pois “onde
abundou o pecado, superabundou a graça” (5:20).
Em que grau a graça excedeu o pecado'! Eu não sei, e
mesmo o próprio Paulo simplesmente disse que foi
“muito mais”. Não se preocupe com o débito do
pecado, porque o crédito da graça é muito mais
(5:17).
Vimos que o julgamento é o quarto item na
coluna de débito. Que item na coluna de crédito
corresponde a isso? O item que é contra o julgamento
é o dom da justiça (5:17). Talvez você nunca tenha
entendido isso. Que significa a palavra dom em
Romanos 5? Alguns dirão que significa falar em
línguas ou outros dons miraculosos. Contudo se você
ler Romanos 5, verá que o dom mencionado lá é a
justiça de Deus. Romanos 5:17 fala da abundância da
graça e do dom da justiça. A graça de Deus foi
desvendada vindo a nós e dando-nos um dom
gratuito — a justiça de Deus. Se você ler Romanos 5
repetidas vezes, verá que isto é assim, que o dom em
Romanos 5 é a própria justiça dada a nós pela graça
de Deus. Como vimos, graça é o próprio Deus como
nosso desfrute. Em razão desse desfrute, esta graça, a
justiça de Deus, é dada a nós como nosso dom. Por
causa do pecado veio o julgamento e por causa da
graça vem a justiça. Assim justiça é contra o
julgamento. Enquanto tem a justiça de Deus, você
não está debaixo de julgamento. A justiça apaga o
julgamento. Se eu tenho a justiça de Deus, como você
pode julgar-me? Sou tão justo quanto Deus o é.
Enquanto temos o dom da justiça, o julgamento é
impossível.
Seguindo o dom da justiça, temos a justificação,
que é contra a condenação. Portanto temos cinco
itens na coluna de crédito. O resultado desses itens é
a vida, que pode ser também considerada como o
sexto item.
Façamos um balanço da nossa conta. Temos a
morte como o resultado no lado do débito e vida
como o resultado no lado do crédito. Qual é o maior?
Certamente a resposta é vida. Contudo essa vida não
é a nossa vida física (bios, Lc 8:14) ou nossa vida da
alma (psique, Mt 16:25, 26; Ia 12:25); ela se refere à
divina, eterna, não criada e ilimitada vida de Deus,
que traga a morte (zoê, 10 11:25; 14:6; Cl 3:4). Essa
vida é o próprio Cristo como a nossa vida de
ressurreição. Assim o total no lado do crédito pesa
muito mais que o total no lado do débito.
Com tudo isso como base, podemos agora
prosseguir para Romanos 6. Se não tivermos
Romanos 5 como base, nunca poderemos estar claros
a respeito de Romanos 6. Isso não é mais uma
questão de duas situações ou dois estados, é uma
questão de duas pessoas, dois homens. O primeiro
homem é Adão com todos os débitos e o segundo
homem é Cristo com todos os créditos. A qual pessoa
você pertence?

I. IDENTIFICADO COM CRISTO EM. SUA


MORTE E RESSURREIÇÃO
Visto que todos nós nascemos em Adão, como
podemos dizer que agora estamos em Cristo?

A. Batizados para dentro de Cristo


Em Romanos 6:3 Paulo diz: “Ou, porventura,
ignorais que todos os que fomos batizados em Cristo
Jesus, fomos batizados na sua morte?” Embora
nascemos na primeira pessoa, Adão, fomos batizados
para dentro da segunda pessoa, Cristo. Quão
lamentável é para os cristãos discutir sobre a forma
exterior do batismo! Alguns contendem por causa do
tipo de água usada e alguns discutem a respeito do
método de batismo. Batismo significa ser colocado
para dentro de Cristo e para dentro de Sua morte. Se
éramos bons ou maus, nascemos em Adão. Agora
vemos outro homem, Cristo. Como podemos entrar
Nele e ser uma parte Dele? O caminho é ser batizado
para dentro de Cristo. O significado do batismo é
colocar as pessoas dentro de Cristo. Não um ritual ou
uma forma; é uma experiência extremamente
significante. Uma transferência espiritual deve
acontecer no ato do batismo e se não temos a
percepção disso, não devemos tocar na questão do
batismo. Nunca batize as pessoas de uma maneira
ritualística. Devemos ter a certeza e a percepção de
que, quando batizamos as pessoas, estamos
colocando-as para dentro de Cristo. Uma vez que
compreendemos o significado do batismo, não o
permitiremos degenerar em uma forma externa ou
ritual. O batismo é um ato no qual colocamos os
membros de Adão na morte, assim transferindo-os
para fora de Adão e para dentro de Cristo. As pessoas
são batizadas para dentro de Cristo. Mesmo a versão
de King James usa a palavra “para dentro” em
Romanos 6:3. Como as pessoas erraram o alvo com
respeito ao batismo, em seus argumentos causadores
de divisão, sobre as formas e os métodos! Todas as
vezes que batizamos as pessoas, al? enas nos
preocupamos em colocá-las para dentro de Cristo. E
horrível perpetuar um ritual, mas é maravilhoso
batizar as pessoas para dentro de Cristo.
Louvado seja o Senhor pois fomos batizados para
dentro de Cristo! Embora nascemos em Adão, pelo
batismo fomos identificados com Cristo em Sua
morte e ressurreição. Por meio da morte e
ressurreição, Cristo foi transfigurado da carne para o
Espírito. Mesmo o próprio Cristo precisou de morte e
ressurreição para transformá-lo da carne para o
Espírito. Do mesmo modo, pela identificação com
Cristo em Sua morte e ressurreição, fomos
transferidos de Adão para Cristo. Quando fomos
batizados para dentro de Cristo, fomos transferidos
de ser uma parte de Adão para ser uma parte de
Cristo. Agora não estamos mais em Adão. Estamos
totalmente em Cristo. Esse é o fato da identificação.
Agora devemos ver e entender claramente dois
pontos adicionais relacionados a isso.
B. Batizados para dentro de Sua Morte —
Crescidos Juntamente com Ele na
Semelhança de Sua Morte
Romanos 6:5 diz que: “Crescemos juntamente
com Ele na semelhança de Sua morte” (lit.). Que isso
significa? A frase “semelhança de Sua morte” em
Romanos 6:5 refere-se ao batismo. Batismo é a
semelhança da morte de Cristo. No batismo
crescemos juntamente com Cristo. Essa frase “crescer
juntamente” proporciona aos tradutores um
problema difícil. Contudo se permanecermos muito
próximo do significado da palavra grega, não haverá
dificuldades. A mesma palavra grega é usada em
Lucas 8:7 para falar dos espinhos que cresceram
juntamente com o trigo. Do mesmo modo, crescemos
junto com Cristo. Quando fomos batizados para
dentro de Cristo, por um lado fomos colocados à
morte; por outro, começamos a crescer. Isso se parece
muito com a semeadura da semente na terra.
Aparentemente a semente é semeada, na verdade, ela
começa a crescer. Por sermos batizados em Cristo,
todos crescemos juntamente com Ele na semelhança
de Sua morte. Visto que crescemos juntamente com
Ele na semelhança de Sua morte, agora estamos
crescendo juntamente com Ele. Crescemos e ainda
estamos crescendo.

C. Andar em Novidade de Vida


Estamos também crescendo juntamente com
Cristo na semelhança de Sua ressurreição (6:4-5).
Que é a semelhança de Sua ressurreição? É a
novidade de vida. Todos deveríamos andar nessa
novidade de vida. Todos nós devemos ver estes dois
pontos. Devemos ver que crescemos juntamente com
Cristo no batismo e que crescemos junto com Ele na
semelhança de Sua ressurreição, isto é, na novidade
de Sua vida ressurreta. Se vemos isso, significa que
vemos que morremos com Ele e que agora estamos
crescendo com Ele. Fomos sepultados com Ele no
batismo e agora estamos crescendo com Ele em Sua
ressurreição, em Sua vida divina. Devemos andar de
acordo com o que vemos, isto é, andar em novidade
de vida.

II. SABER E CONSIDERAR

A. Saber por meio da Visão


Em Romanos 5 nascemos em Adão e fomos
constituídos pecadores. Em Romanos 6 fomos
batizados para dentro de Cristo e fomos identificados
com Sua morte e ressurreição. Agora estamos em
Cristo. Visto que estamos Nele, tudo o que Ele passou
é nossa história. Ele foi crucificado e ressuscitou.
Assim Sua crucificação e ressurreição são nossas. Isso
e um fato glorioso. Precisamos ver isso, não apenas
compreender. Precisamos orar para que o Senhor nos
dê uma visão clara do fato glorioso de que estamos
Nele e que fomos crucificados e ressuscitados com
Ele. Para saber isso precisamos ter dessa visão. Tal
visão é básica para 0 nosso conhecimento. Após
vermos algo, nunca podemos dizer que não o
conhecemos. Deus cumpriu o glorioso fato de
colocar-nos para dentro de Cristo; fomos crucificados
e ressuscitados com Ele.
Nosso conhecimento baseia-se em nosso ver e
nosso ver vem da visão. Necessitamos de uma visão
para ver nossa co-crucificação com Cristo em
Romanos 6:6-7, e nossa co-ressurreição com Cristo
em Romanos 6:8-10. Se vimos esses dois aspectos do
fato da nossa identificação com Cristo, sabemos que
estamos mortos para o pecado e vivos para Deus.
Aqui não se trata de uma questão baseada no
nosso crer mas absolutamente baseada no nosso ver.
Quando, por meio de uma visão, vemos esse fato
glorioso, nada podemos fazer, além de crer e perceber
que morremos com Cristo e que também fomos
ressuscitados com Ele. Por esse tipo de ver sabemos,
com total segurança, que estamos mortos para o
pecado e vivos para Deus.
Devo enfatizar, mais uma vez, que necessitamos
de uma visão, para ver o fato glorioso revelado em
Romanos 6. Muitos cristãos têm o conhecimento
doutrinário de Romanos 6, mas nunca viram uma
visão do fato revelado neste capítulo. Compreender
uma coisa doutrinariamente é completamente
diferente de ver esta mesma coisa numa visão. Esse
problema com respeito a Romanos 6 é freqüente
entre os cristãos. Muitos pensam que compreendem a
doutrina de Romanos 6, mas não viram o fato por
meio de uma visão. Muitos enfatizam a questão de
crer. Mas se não vir o fato, será difícil para você crer
por meio de sua compreensão doutrinária. Uma vez
que você. o vê em uma visão, espontaneamente terá fé
nele. Daí, o que Paulo quer dizer por “sabendo isto” é,
na verdade, ver o fato em uma visão espiritual. Assim
todos devemos orar, a fim de que o Senhor nos livre
de nos contentarmos com uma mera compreensão
doutrinária de Romanos 6 e nos dê uma visão clara
em nosso espírito, a fim de que possamos ver o fato
glorioso revelado nesse capítulo. Então
conhecê-lo-emos em sua realidade.
B. Considerar por meio de Crer
Baseados na nossa visão do fato revelado em
Romanos 6, devemos fazer nosso trabalho contábil.
Devemos nos considerar mortos para o pecado e vivos
para Deus (6:11). Por um lado devemos
considerar-nos mortos para o pecado; por outro,
devemos considerar-nos vivos para Deus. Esse
considerar baseia-se em nossa visão. Vi que morri
com Cristo e que estou crescendo com Ele em Sua
ressurreição. Portanto, automática e continuamente,
considero-me morto para o pecado e vivo para Deus.
Essa é uma questão de contabilidade. Sob nossa conta
temos um grande item de crédito — mortos para o
pecado e vivos par. a Deus.
Considerar é uma questão de crer, produzido
pela visão.
Vendo os fatos, consideramo-nos mortos para o
pecado e vivos para Deus, por meio de crer que fomos
crucificados e ressuscitados com Cristo. Uma vez que
vimos o fato, cremos que somos esses tais. Então
consideramos pelo crer o que vimos.
A muitos cristãos foi ensinada a técnica de
considerarem-se mortos e muitos praticaram-na.
Como resultado, como todos podem provar, essa
técnica não funciona. Não é uma questão de técnica; é
uma questão de ver o fato, que resulta em considerar
com fé espontânea. Usar simplesmente a técnica de
considerar-se, de acordo com a compreensão
doutrinária, sem ver o fato, sempre terminará em
falha. Somente após o apóstolo Paulo mencionar a
questão de saber por meio de ver o fato (vs. 6-10), é
que ele nos direciona a considerar-nos mortos para o
pecado e vivos para Deus (v. 11). Considerar-se
precisa do ver que resulta em crer. Se vimos o fato,
conseqüentemente acreditaremos e
considerá-lo-emos.

III. COOPERAÇÃO PELO REJEITAR E


APRESENTAR
Quando nos consideramos mortos para o pecado
e vivos para Deus, precisamos apresentar nossos
membros como “armas de justiça para Deus” (6:13).
A maioria das versões não traduz essa parte da
palavra dessa maneira. Em vez de “armas”, a versão
de João Ferreira de Almeida Revista e Atualizada usa
a palavra “instrumentos”. Contudo, a mesma palavra
grega é usada em 2 Coríntios 6:7, na frase que é
traduzida por “armas de justiça”. Paulo diz que ele
tem as armas da justiça. Assim o conceito de Paulo
em Romanos 6 é de armas de justiça, não de
instrumentos de justiça, devido à guerra entre a
justiça e a injustiça. Romanos 7:23 prova que uma
batalha está sendo travada dentro do homem.
Romanos 13:12 diz: “Revistamo-nos das armas da
luz.” Isso também prova que uma guerra está sendo
travada. Em tal combate não precisamos de
instrumentos, precisamos de armas. Cada membro
do nosso corpo é uma arma. Devemos estar alertas
para a próxima batalha, pois estamos guerreando
constantemente. Uma vez que percebemos que
estamos mortos para o pecado e vivos para Deus e
nos consideramos assim, devemos apresentar os
nossos membros como armas de justiça para lutar a
batalha.
Além disso precisamos apresentar a nós próprios
e nossos membros como escravos de Deus (6:16, 19,
22). Se nos apresentarmos a Deus como escravos e
nossos membros como armas de justiça
espontaneamente seremos santificados. Isso significa
que nós nos colocamos ao lado do Cristo ressurreto
que habita dentro de nós como vida. Colocamo-nos
ao lado dessa vida eterna. Dessa forma damos à vida
eterna a oportunidade para trabalhar dentro de nós,
para nos separar de tudo que é comum e nos
santificar. O resultado desse apresentar é a
santificação. Esta é a ordem da nossa experiência:
vemos, consideramo-nos, nos apresentamos para
Deus, rejeitamos o pecado e cooperamos com Deus.
Devemos rejeitar o pecado, pois ele ainda habita
em nosso corpo caído (6:12). Não coopere com o
pecado por mais tempo. Rejeite o pecado e coopere
com Deus. Não seja tão espiritual a ponto de se tornar
passivo e parar de fazer qualquer coisa. Passividade é
horrível. Se você for passivo, será enganado e iludido.
Nunca deveríamos ser passivos nem ativos, uma vez
que nem a nossa passividade nem a nossa atividade é
de algum valor. Que, então, devemos fazer? Devemos
ver os fatos, considerar-nos mortos para o pecado e
vivos para Deus, apresentar os nossos membros e nós
mesmos para Deus, rejeitar o pecado e cooperar com
nosso Deus. Não devemos fazer qualquer coisa por
nós próprios. Não tente amar sua esposa ou
submeter-se ao seu marido. Não tente ser humilde ou
amável. Contudo, você precisa rejeitar o pecado.
Quando o pecado vem a você com uma proposta, você
deve dizer: “Pecado, afaste-se de mim. Eu não tenho
nada a ver com você.” Não permita que o pecado
continue a dominar você (6:14). Isso quer dizer que
você rejeita o pecado, se volta para Deus e diz:
“Senhor, sou Teu escravo. Quero cooperar Contigo.
Se amo ou não minha esposa, depende de Ti. Na
questão de amar quero cooperar Contigo. Quero ser
Teu escravo. Tudo que Tu fizeres, seguirei e
cooperarei Contigo”. Não seja passivo ou ativo.
Simplesmente rejeite o pecado e coopere com Deus.
Se fizer isso, não apenas será justo, mas também
santificado. Você experimentará uma mudança
disposicional, interior.
O resultado de santificação é vida eterna (6:22).
Assim Romanos 8 segue Romanos 6. Romanos 6
termina com a santificação para a vida eterna;
Romanos 8 começa com o Espírito da vida. Não me
pergunte onde colocar Romanos 7. Embora esse
capítulo esteja na Bíblia e não possa ser eliminado,
ele pode ser erradicado da nossa experiência.
Podemos pular do final de Romanos 6 para o início de
Romanos 8.
O que o apóstolo Paulo quer dizer em Romanos 6
é que, por um lado, estamos no fato de termos sido
crucificados e ressuscitados com Cristo e, por outro
lado, temos a vida divina. Este fato de termos sido
crucificados e ressuscitados com Cristo nos tem
transferido para fora de Adão e para dentro de Cristo.
A vida divina nos capacita a viver uma vida
santificada. Precisamos ver que fomos transferidos.
Baseados no nosso ver consideramo-nos como tal
pelo crer. Então precisamos cooperar com a vida
divina, rejeitando o pecado e apresentando a nós
próprios e nossos membros para Deus. Temos uma
posição para rejeitar o pecado, pois agora estamos
“não debaixo da lei, mas debaixo da graça” (6:14). O
pecado não tem base, nenhum direito para fazer
qualquer exigência sobre nós, mas, em vez disso, nós,
permanecendo sob a graça, temos todo direito de
rejeitar o pecado e o seu poder. Ao mesmo tempo, por
colocarmo-nos do lado de Cristo, apresentamos a nós
mesmos e nossos membros como escravos para Deus,
a fim de que a vida divina possa trabalhar dentro de
nós para nos santificar, não apenas posicionalmente,
mas também disposicionalmente, com a natureza
santa de Deus.
Em resumo podemos dizer que todos nós fomos
batizados para dentro de Cristo. Por sermos batizados
para dentro Dele, fomos identificados com Ele em
Sua morte e ressurreição. Crescemos juntamente com
Ele em Sua morte e estamos agora crescendo junto
com Ele em Sua vida de ressurreição. Vemos que
estamos mortos para o pecado e vivos para Deus e
nos consideramos assim em nosso livro de contas
celestial. Baseados nessa consideração, nos
apresentamos como escravos para Deus e nossos
membros como armas de justiça. Isso proporciona a
oportunidade para a vida divina dentro de nós fazer o
seu trabalho de santificação. Então aprendemos a
rejeitar o pecado e a cooperar com Deus. O resultado
de tudo isso é a santificação, que termina com a vida
eterna. Louvado seja o Senhor!
ESTUDO-VIDA DE ROMANOS
MENSAGEM 12
A ESCRAVIDÃO DA LEI EM NOSSA CARNE (1)
Vimos em Romanos 5:12-21 que o dom em Cristo
sobrepuja a herança em Adão. Romanos 6 revelou
nossa identificação com Cristo. A fim de termos uma
experiência genuína de nossa identificação com
Cristo, devemos prestar atenção a dois itens negativos
encontrados em Romanos 7: a lei e a carne. Romanos
7 expõe a escravidão da lei em nossa carne. Embora
fomos identificados com Cristo pelo batismo, e apesar
de termos crescido juntamente com Ele na
semelhança da Sua morte e agora estarmos crescendo
juntamente com Ele na semelhança da Sua
ressurreição, a lei e a carne continuam a existir.
Podemos apresentar a nós mesmos como escravos e
nossos membros como instrumentos (“armas” — lit.)
de justiça para Deus, a fim de sermos santificados e
para podermos desfrutar as riquezas da vida divina.
Contudo a lei de Deus fora de nós e a carne em nosso
interior ainda existem.
Por que Paulo em Romanos 7 fala tão
detalhadamente sobre a lei e a carne? Porque
Romanos 6:14 diz: “Não estais debaixo da lei, e, sim,
da graça”. Em Romanos 5 e 6 Paulo explica
claramente que agora estamos debaixo da graça, não
debaixo da lei. Entretanto ele ainda não explicou
como pode ser que nós não estamos debaixo da lei.
Pelo fato de Paulo ter dito em 6:14 “não estais debaixo
da lei”, precisou escrever outro capítulo para explicar
como não estamos debaixo da lei. Sem Romanos 7
nunca poderíamos estar claros sobre essa questão.
Embora a lei continue a existir, não estamos debaixo
dela; não temos mais nada a ver com ela. Deus
revogou, anulou ou aboliu a lei? A resposta para essas
questões é não. Como então podemos dizer que não
estamos debaixo da lei? Como podemos estar fora da
lei e isentos dela? Como podemos estar livres da lei?
A resposta para essas questões é encontrada em
Romanos 7, especialmente nos seis primeiros
versículos. Essa porção da Palavra nos dá uma plena
definição e explicação do porquê de não estarmos
mais debaixo da lei. Se entendermos Romanos 7:1-6,
saberemos como fomos isentos da lei.

I. OS DOIS MARIDOS
Se quisermos entender a maneira pela qual
fomos libertos da lei, devemos conhecer os dois
maridos em Romanos 7. Em Romanos 5 temos dois
homens, dois atos e dois resultados com as quatro
coisas reinantes. Em Romanos 7:1-6 temos dois
maridos e em 7:7-25 temos três leis. Quais são os dois
maridos em Romanos 7?
Como jovem cristão, eu desejava conhecer a
Bíblia. Achei especialmente difícil, em Romanos 7,
aprender quem era o primeiro marido. Tentei reunir
as melhores exposições das Escrituras. Entretanto eu
ainda não podia determinar quem era o primeiro
marido em Romanos 7. Era ele a lei ou a carne?
Perguntei àqueles que eram cheios de conhecimento
das Escrituras, mas nenhum deles estava claro sobre
isto. Alguns me disseram que o primeiro marido era a
lei, enquanto outros diziam que era a carne. Li
Romanos 7, repetidamente, esforçando-me ao
máximo para entendê-lo. Continuei a estudar essa
questão por anos. Vinte e dois anos atrás conduzi um
estudo minucioso do livro de Romanos, mas mesmo
naquele tempo não estava absolutamente certo sobre
o primeiro marido. Agora, após muitos anos de
estudo e experiência, essa questão está clara.
Quem é o primeiro marido em Romanos 7?
Precisamos nos aproximar dessa questão com uma
visão de toda a Bíblia, pois deveríamos entender cada
versículo, segundo a Bíblia, como um todo. Adotemos
agora essa visão com respeito ao primeiro marido em
Romanos 7.

A. A Posição Original do Homem uma Posição


de Esposa
Na criação de Deus, a posição original do homem
era a de uma esposa. Isaías 54:5 diz que Deus, nosso
Criador, é nosso marido. Assim, de acordo com a
criação de Deus, o homem tinha a posição de uma
esposa. Como esposa para Deus, devemos depender
Dele e tomá-Lo como nosso cabeça. Essa era a nossa
posição original.

B. A Posição Auto-Assumida do Homem


Caído
Quando o homem caiu, ele tomou outra posição,
a posição auto-assumida do velho homem. O homem
caído assumiu a posição de um marido. O homem
criado por Deus era uma esposa; com a queda,
tornou-se um esposo. Assumindo a posição do
esposo, o homem caído tornou-se independente de
Deus e fez de si mesmo o cabeça, como o marido.
Antes de ser salvo, você jamais considerou-se como
esposa. Se mulher, você pode se ter considerado mais
forte do que o homem. Entre as pessoas caídas, tanto
os homens quanto as mulheres consideram-se
maridos. Muitas esposas disseram: “Por que devo
estar sob meu esposo? Ele deve estar sob mim. Por
que deve ele ser o cabeça? Eu quero ser o cabeça”.
Dessa maneira o homem caído tornou-se um marido
forte e feio.

C. A Lei do Velho Homem


Uma vez que o homem caído quis ser o marido,
Deus lhe deu a lei. A lei não se destina à mulher, mas
ao marido caído. Assim essa lei torna-se a lei do velho
homem a lei do marido (7:2). Entretanto não era a
intenção de Deus que o velho-homem guardasse a lei,
porque este não pode guarda-la. A lei foi dada para
que o velho homem pudesse ser exposto. As pessoas
cometem um grande erro quando pensam que Deus
deu a lei ao homem para que ele pudesse cumpri-la.
Pelo contrário, Deus deu a lei ao homem para que ele
a transgredisse e, assim, ao transgredi-la, pudesse ser
completamente exposto. Se tentar guardar a lei, você
estará errado, se transgredi-la, estará correto. A lei
não foi dada para que o homem a guardasse; ela foi
dada para que o homem a transgredisse.
Esta idéia está de acordo com as Escrituras.
Romanos 3:20 diz: “Pela lei vem o pleno
conhecimento do pecado”. A lei nos dá o
conhecimento do pecado. Se o homem não tivesse a
lei, continuaria a cometer pecados, mas não os
reconheceria como tais. O homem desculpar-se-ia
dos seus feitos pecaminosos, usando termos
favoráveis para descrevê-los. Entretanto a lei
identifica o pecado como pecado. Além disso
Romanos 4:15 diz: “Onde não há lei, também não há
transgressão”. Você pode pensar que a lei previne a
transgressão, mas este versículo diz que a lei expõe a
transgressão. Além disso Romanos 5:20 diz:
“Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa”. A lei
não foi introduzida para que a ofensa pudesse ser
reduzida ou limitada. Esses são o nosso pensamento e
conceito naturais. Paulo diz que a lei veio para que
abundasse a ofensa, significando que — ela
aumentaria abundantemente. Assim a Bíblia indica
que a lei não foi dada “para que a guardássemos, mas
para a violarmos.
Você pode dizer: “Tentarei não transgredir a lei”.
Se quisermos transgredir a lei ou não, nada significa,
pois você transgredi-la-á. Você nada pode fazer além
de transgredi-la. A lei diz: “Amarás o teu próximo
como a ti mesmo.” Embora você possa tentar amar o
seu próximo, não consegue fazê-lo, Até mesmo as
crianças na escola não conseguem amar os seus
colegas de classe como a si mesmos. Todos os que
estão lendo esta mensagem transgrediram e
continuam a transgredir pelo menos um dos dez
mandamentos. Quem pode guardar a lei? Ninguém. A
lei entrou para que abundasse a ofensa.
De acordo com Romanos 7:7, não teríamos
conhecido o pecado, senão por intermédio da lei.
Neste versículo, Paulo diz que não teria conhecido a
cobiça, se a lei não tivesse dito: “Não cobiçarás.” Em
resumo podemos dizer que a lei opera para que a
ofensa possa abundar. Uma vez que abunda a ofensa,
a lei a expõe como pecado. Desta maneira a lei nos
conduz para o conhecimento do pecado.

D. A Posição do Homem Regenerado — a


Genuína Posição de Esposa
A posição do novo homem regenerado é a
genuína posição de esposa. A regeneração nos
restabelece para nossa posição original.

1. Tendo o Velho Homem Crucificado


O primeiro marido de Romanos 7:2-3 não é a
carne ou a lei, mas o velho homem de Romanos 6:6, o
qual foi crucificado com Cristo. Se lermos Romanos
7:1-6 cuidadosamente, poderemos ver uma
correspondência entre esses versículos e Romanos
6:6.
Muitos cristãos tiveram dificuldade para
entender o primeiro marido mencionado em
Romanos 7, porque a maioria deles negligencia o fato
de que nós, os crentes, após sermos salvos, temos
duas posições — a velha e a nova. Devido à queda
temos a velha posição, e devido à regeneração temos a
nova posição. Por causa da queda, somos o velho
homem e por causa da regeneração, somos o novo
homem. Como o velho homem éramos o esposo;
como o novo homem somos a esposa. Portanto temos
duas posições.
Vamos explorar isso ainda mais, considerando
Romanos 7:1-6 relacionado a Romanos 6:6 e a
Gálatas 2:19-20. Romanos 7:1 diz: “A lei tem domínio
sobre o homem por todo o tempo que vive.” Esse
versículo não apresenta dificuldade. Em 7:2 é-nos
dito que à mulher casada está ligada pela lei a seu
marido enquanto ele viver; mas se ele morrer, ela está
livre da lei do marido. Notem, por favor, que não diz
“ela vive”, mas “ele vive”. Se o marido morre, a esposa
fica desobrigada da lei do marido. Romanos 7:3 nos
diz que, se, enquanto o marido vive, a esposa casar-se
com outro marido, será chamada adúltera. Mas se
morre o marido, ela está livre da lei e poderá casar-se
com outro.
Os próximos três versículos em Romanos 7
apresentam algumas dificuldades. O ponto crítico
está em 7:4. Examinemos esse versículo muito
cuidadosamente. “Assim, meus irmãos, também vós
morrestes relativamente à lei, por meio do corpo de
Cristo.” Não fomos mortos como resultado de
suicídio, mas por meio do corpo de Cristo,
significando que morremos na cruz de Cristo. A
expressão: “por meio do corpo de Cristo” modifica a
morte, indicando que tipo de morte foi essa. Não foi
um suicídio, foi uma co-crucificação com Cristo.
Quando Cristo foi crucificado, nós morremos com
Ele. Precisamos comparar isso com Romanos 6:6, o
qual diz: “Sabendo isto, que foi crucificado com ele o
nosso velho homem”. Você não crê que esse versículo
que diz que nosso velho homem foi crucificado com
Ele corresponde a Romanos 7:4, o qual diz que
morremos por meio do corpo de Cristo? Devemos
admitir que essas duas declarações se correspondem.
Sem dúvida, “vós” que “morrestes relativamente à lei,
por meio do corpo de Cristo” em 7:4 é o “velho
homem”, que “foi crucificado com Ele” em 6:6.
Simplificando, o “vós” em 7:4 é o “velho homem” em
6:6.
Romanos 6:6 diz que o velho homem foi
crucificado com Ele para que o corpo do pecado seja
feito de nenhum efeito. O velho homem, não o corpo,
foi crucificado. Se disser que o seu corpo foi
crucificado, você precisa de um funeral e de um
enterro. Que então ocorreu ao corpo? O
corpo/tornou-se de nenhum efeito. Tornou-se inútil.
O velho homem foi crucificado, mas o corpo
permanece. Uma vez que o velho homem foi
crucificado, o corpo é inútil. Contudo Romanos 6:6
continua com a frase “e não sirvamos mais o pecado
como escravos”. O velho homem foi crucificado,
contudo nós ainda vivemos. Não mais devemos servir
o pecado como escravos.
Agora voltemos para Gálatas 2:19. Esse versículo
diz: “Porque eu, mediante a própria lei, morri para a
lei, a fim de viver para Deus.” Estamos mortos ou
vivos? Somos duas pessoas ou uma? Por esse
versículo podemos ver que temos duas posições, que
há dois “eus”: um velho “eu” e um novo “eu”. O velho
“eu” está morto para que o novo “eu” possa viver.
Essa não é a minha interpretação; é minha citação de
Gálatas 2:19. Gálatas 2:19 diz que eu morri para que
eu possa viver. Se não estivesse morto, nunca poderia
viver. Necessito estar morto a fim de viver. Eu morro
para viver. Estou morto para o quê? De acordo com
Gálatas 2:19 morri para ale: Gálatas 2:20 segue
dizendo: “Estou crucificado com Cristo” (VRC), uma
frase que, sem dúvida, corresponde a Romanos 6:6 e
7:4. Estes três versículos se correspondem. Gálatas
2:20 diz: “Já estou crucificado com Cristo e vivo”
(VRC). Como podemos ser pessoas crucificadas e
continuarmos a viver? Estamos mortos ou vivos?
Ambas as afirmativas são verdadeiras. Como o velho
homem estou morto; como o novo homem, vivo.
Embora eu viva, no entanto não mais eu, mas Cristo
vive em mim. Gosto das três palavras “e”, “no entanto
e mas. e nos concentrarmos nestas três palavras,
estaremos claros sobre a nossa dupla posição. Fui
crucificado com Cristo e vivo, no entanto não mais eu,
mas Cristo vive em mim. Isso é maravilhoso. Este é o
ensinamento enfático d~ Bíblia. Em seguida Gálatas
2:20 diz: “E a vida que agora vivo na carne vivo-a na
fé do Filho de Deus” (VRC). Esse versículo revela que
um crente tem duas posições; a posição de um velho
homem e a posição do novo homem regenerado.
Tínhamos problemas com o velho marido em
Romanos 7:4 porque não prestávamos atenção à
dupla posição de um cristão. Como velho homem
éramos o marido; como o novo homem somos a
mulher.
Agora voltemos para Romanos 7:4. “Assim, meus
irmãos, também vós morrestes relativamente à lei,
por meio do corpo de Cristo, para pertencerdes a
outro, a saber, aquele que ressuscitou dentre os
mortos e deste modo frutifiquemos para Deus.” Nesse
versículo Paulo coloca junto um funeral e um
casamento. Por um lado fomos enterrados por outro,
casamos. Morremos para podermos casar com outro.
Em Romanos 7:4 estamos mortos para casar; em
Gálatas 2:19 estamos mortos para viver. Se não
tivéssemos duas posições, como isso seria possível?
Morremos segundo a nossa velha posição para
podermos casar com outra pessoa, segundo a nossa
nova posição. Conforme a nossa nova posição
casamos com Aquele que ressuscitou dentre os
mortos, a fim de que frutifiquemos para Deus.
Agora vamos para Romanos 7:5-6. O versículo
cinco diz: “Porque quando vivíamos segundo a carne,
as paixões pecaminosas postas em realce pela lei,
operavam em nossos membros a fim de frutificarem
para a morte.” Esse versículo fala como vivíamos. O
versículos seis diz: “Agora, porém, libertados da lei,
estamos mortos para aquilo a que estávamos sujeitos,
de modo que servimos em novidade de espírito e não
na caducidade da letra.” Quando estávamos na carne
(v. 5) éramos o velho marido. Quando fomos
desobrigados da lei (v. 6) nos tornamos a mulher.
Fomos desobrigados da lei do velho marido, tendo
morrido para aquilo a que estávamos sujeitos.
Agora deve estar bastante claro quem é o velho
marido. O velho marido é nosso velho homem. A
mulher é nosso novo homem regenerado. Como o
velho homem estamos mortos e como o novo homem
estamos vivos. Como velho marido estávamos
mortos, mas agora, estamos vivos como a mulher.
Como veremos, a mulher faz duas coisas: frutifica
para Deus e serve em novidade de espírito.

2. Libertos da Lei do Velho Homem


O homem regenerado, tendo o velho homem
crucificado, está agora livre da lei do velho homem
(Rm 7:3, 4, 6; Gl 2:19). A lei foi dada para o velho
homem, mas o velho homem, o velho marido, está
morto. Uma vez que meu velho marido está morto,
eu, como sua mulher, fui libertada de sua lei. Paulo
diz que a lei do marido governa a mulher enquanto
ele vive. Entretanto, quando o marido morre, a
mulher está livre. Nosso velho marido era nosso velho
homem. Agora somos o novo homem regenerado.
Uma vez que a lei foi dada para o velho marido e
desde que ele morreu na cruz, fomos libertados da
sua lei. Esta é a razão de não estarmos mais debaixo
da lei.

3. Casados com Cristo, o Novo Marido


Agora estamos casados com Cristo, nosso novo
marido.
Vimos que Romanos 7:4 diz que estamos casados
com Cristo: “Aquele que ressuscitou dentre os
mortos”. Em 2 Coríntios 11:2 Paulo também diz que
nos desposou a um marido, Cristo. Cristo é o nosso
novo marido.

4. Tomando Cristo como o Cabeça


Como seres regenerados, tanto homens quanto
mulheres crentes são parte da esposa. Uma vez que
Cristo é o nosso marido devemos depender Dele e
tomá-Lo como nosso Cabeça (Ef 5:23). Se fizermos
isso, frutificaremos em ressurreição para Deus (7:4) e
serviremos ao Senhor em novidade de espírito (7:6).
Não mais estaremos na carne, mas em novidade de
espírito.
O pensamento profundo aqui corresponde à
profundeza da justificação de Deus, vista no exemplo
de Abraão. Na justificação de Deus, Ele chamou o Seu
povo escolhido para fora de tudo o que não era Deus,
de volta para Si mesmo. Ele os chamou para fora de
seu estado caído, de volta para Si mesmo, para que
Seu povo chamado e escolhido não dependesse de si
mesmo para viver, mas dependesse de Deus em todas
as coisas. Isso significa que, quando se voltam para
Deus, eles O tomam como o Seu marido. Tomar Deus
como nosso marido significa terminar tudo o que
somos, temos e fazemos e confiar em Deus para todas
as coisas. Tomar Cristo como nosso marido também
significa que cremos Nele. Não mais deveríamos viver
por nós mesmos, mas por Cristo. Devemos deixá-Lo
viver por nós. Logo o pensamento profundo em
Romanos 7:1-6 corresponde ao pensamento profundo
concernente à justificação em Romanos 4 — a
intenção de Deus é levar-nos de volta para Si mesmo
e fazer-nos depositar nossa plena confiança Nele. Não
mais deveríamos viver por nós mesmos, agir por nós
mesmos ou ser alguma coisa em nós mesmos.
Devemos estar totalmente
. terminados e nossa cabeça deve estar
completamente coberta. Não somos mais o marido.
Nós, como o velho homem, fomos crucificados. Cristo
é agora o nosso marido.
Em qualquer cerimônia de casamento, a cabeça
da noiva está sempre coberta. Assim em um
casamento há duas pessoas, mas apenas uma cabeça.
A cabeça da mulher está coberta pelo marido e o
marido é o cabeça. Que aconteceu com a mulher? Ela
não é mais independente. Ela foi reduzida a ninguém
em si própria. Você gosta de ouvir isto? Eu gosto.
Gosto de ouvir isto não por ser um marido, mas
porque sou uma parte da mulher. Fui completamente
anulado e não sou ninguém. Cristo é meu marido e
meu cabeça. Não tenho mais minha cabeça. Minha
cabeça foi coberta.
Cristo não é somente meu cabeça — Ele é
também minha pessoa. As mulheres devem tomar o
marido como sua pessoa, não apenas como sua
cabeça. Devemos até mesmo tomar Cristo como
nossa vida. Cristo é nosso marido, nosso cabeça,
nossa pessoa e nossa vida. Fomos terminados e nos
tornamos ninguém, Cristo vive em nós e por nós. Fui
completamente chamado para fora de todas as coisas
e para dentro Dele. Creio Nele e Nele deposito toda
minha confiança. Cristo é tudo para mim. Ele é meu
marido, meu cabeça, minha pessoa e minha vida.
Portanto estou inteiramente debaixo da graça, não
mais debaixo da lei, de modo algum. A lei não tem
nada a ver comigo e eu não tenho nada a ver com a
lei. “Mediante a própria lei, morri para a lei” (Gl
2:19). Agora, na graça estou vivo para Deus.
Você ainda é oprimido por todos os velhos
ensinamentos que o ordenam a fazer tantas coisas?
Quando você tenta fazer algo por si mesmo, isso
significa que você, como o velho homem, uma vez
mais está voltando-se para Hagar. Tudo o que você
pode produzir é Ismael. Não se una a Hagar,
divorcie-se dela. Coloque-a de lado e diga-lhe que
você nada tem a ver com ela. Então, como o novo
homem, venha para Sara, a graça de Deus; em união
com ela você produzirá Isaque, Cristo. Você
experimentará Cristo e desfrutará Dele. Isto não é
apenas doutrinariamente correto, mas
maravilhosamente verdadeiro, segundo a nossa
experiência.
Consideremos Gálatas 4:21-26 um pouco mais.
Nessa passagem, Paulo alegoriza Hagar e Sara como
duas alianças: Hagar como a aliança da lei e Sara
como a aliança da graça. Por isso podemos entender
que Hagar prefigura a aliança da lei e que Sara
prefigura a aliança da graça. Assim Ismael foi
produzido pela obra da lei e Isaque foi gerado pela
graça. Gálatas 4:31 diz: “E assim, irmãos, somos
filhos não da escrava, e, sim, da livre”. Isto significa
que não somos filhos da lei, mas filhos da graça.
Portanto se vamos para Hagar voltamos para a lei,
mas se vamos para Sara voltamos para a graça. Todos
nós devemos vir para Sara e estar debaixo da graça
para podermos experimentar Cristo mais e mais.

5. Frutificando para Deus


Como esposa frutificamos para Deus. Que isso
significa e por que Paulo a menciona em Romanos
7:4? Quando estávamos na carne — isto é, quando
éramos o velho marido — todas as coisas a nós
relacionadas eram morte. Tudo o que podíamos
produzir era morte. Todas as coisas que gerávamos
era fruto de morte e para a morte. Agora como uma
pessoa regenerada — ou seja, como a esposa —
frutificamos para Deus. Antigamente, tudo o que
éramos e tudo quanto fazíamos era morte. Portanto
nesses versículos vemos um nítido contraste entre
morte e Deus, entre frutificar para morte e frutificar
para Deus. Isso prova que quando éramos o velho
homem e o velho marido, mantidos sob a lei, tudo o
que éramos e fazíamos era morte. O resultado era o
fruto para a morte. Como novo homem e mulher,
casada com um novo marido, tudo o que somos e
fazemos está relacionado com Deus. Frutificamos
para Deus. Que significa a frase “frutificar para
Deus”? Significa que Deus sai, que Deus é gerado
como fruto. Assim tudo o que somos e fazemos deve
ser o Deus vivo. Precisamos gerá-Lo como um
transbordar de Deus. Dessa maneira temos o Deus
vivo como nosso fruto e frutificamos para Deus.

6. Servindo o Senhor em Novidade de


Espírito
Como esposa também devemos servir o Senhor
em novidade de espírito, não na caducidade da letra.
A palavra espírito, nesse versículo, denota o nosso
espírito humano, regenerado, no qual o Senhor
habita como o Espírito (2Tm 4:22). Podemos servir
em novidade de espírito porque Deus renovou o
nosso espírito. O nosso espírito humano regenerado,
renovado, é uma fonte de novidade para todo o nosso
ser. Em nosso espírito regenerado todas as coisas são
novas e tudo o que procede dele é novo. A caducidade
não está relacionada ao nosso espírito regenerado, e,
sim, à velha lei, aos velhos regulamentos, e às velhas
letras. Portanto não servimos o Senhor na caducidade
da letra, mas na novidade do nosso espírito
regenerado.
Todos devemos aprender a exercitar o espírito.
Quando você vem para as reuniões da igreja, não
exercite a memória. Exercite o seu espírito. Se
exercitar o seu espírito, você terá algo novo para
oferecer aos irmãos e irmãs. Isso também é verídico
quanto a dar uma mensagem. Se retenho uma grande
quantidade de informação em minha memória e
tento dar uma mensagem de acordo com esse
material memorizado, essa mensagem será velha,
cheia da caducidade do conhecimento morto.
Entretanto se esqueço minha memória e exercito o
espírito quando dou a mensagem, algo novo jorra.
Tive esse tipo de experiência em Erie, em 1969. Em
uma reunião levantei para falar, mas não estava claro
sobre o conteúdo da mensagem. Permaneci em pé
pela fé, exercitando o meu espírito. Imediatamente, a
questão dos sete Espíritos no livro de Apocalipse
surgiu. Todos que ouviram aquela mensagem podem
testificar que era nova, fresca, vigorosa e viva. Aquele
foi o primeiro dia que a questão do Espírito sete vezes
intensificado brotou. Em seguida voltei a Los Angeles
para realizar a conferência de verão de 1969, sobre.
aquele mesmo assunto. Para a restauração do Senhor
neste país, aquele verão foi crucial e testemunhou
uma mudança de grande importância.
Necessitamos exercitar o espírito
continuamente, porque o nosso espírito regenerado é
uma fonte de novidade. O Senhor, a vida divina e o
Espírito Santo estão todos em nosso espírito
regenerado. Todas as coisas em nosso espírito
regenerado são novas. Não se lembre da lei, porque
na lei não há nada a não ser caducidade. Em nosso
espírito regenerado não há nada além de novidade.
Como povo regenerado, casado com Cristo, como
o novo marido, devemos frutificar para Deus. O que
quer que façamos, somos e temos, deve ser o próprio
Deus. Deus flui do nosso ser para se tornar o nosso
fruto ao próprio Deus. Devemos também servir o
Senhor em novidade de espírito, não na caducidade
da letra e da lei. Não temos mais nada a ver com a lei.
Fomos libertos dela. Agora estamos debaixo da graça,
vivendo com o nosso novo marido e por meio Dele, o
qual é Cristo.
ESTUDO-VIDA DE ROMANOS
MENSAGEM 13
A ESCRAVIDÃO DA LEI EM NOSSA CARNE (2)

II. AS TRÊS LEIS


Na mensagem anterior vimos os dois maridos
revelados em Romanos 7:1-6. Nesta mensagem
consideraremos as três leis reveladas em 7:7-25.
Gostaria de ler cada versículo e, quando necessário,
fazer algumas observações sobre eles.
“Que diremos pois? É a lei pecado? De modo
nenhum! Mas eu não teria conhecido o pecado, senão
por intermédio da lei; pois não teria eu conhecido a
cobiça, se a lei não dissera: Não cobiçarás” (v. 7). Esse
versículo deixa bem claro que a lei nos dá o
conhecimento do pecado, pois a lei expõe o pecado e o
identifica como pecado.
“Mas o pecado, tomando ocasião pelo
mandamento, despertou em mim toda sorte de
concupiscência; porque sem a lei está morto o
pecado” (v. 8). O pecado utiliza a lei e a lei ajuda o
pecado a operar em nós. Logo a lei não foi dada para
nos ajudar, mas para assistir o pecado. Sem lei ou à
parte da lei, está morto o pecado.
“Outrora, sem a lei, eu vivia; mas, sobrevindo o
preceito, reviveu o pecado, e eu morri” (v. 9).
Asseguradamente a lei não nos ajuda; ajuda o pecado.
A lei veio para reviver o pecado, para fazer vivo o
pecado. Antes que viesse a lei, o pecado estava
adormecido. Todavia, quando a lei apareceu, o
pecado foi estimulado e avivado.
“E o mandamento que me fora para vida,
verifiquei que este mesmo se me tornou para morte”
(v. 10). Embora a lei devesse ser para a vida,
finalmente, até aonde nos diz respeito, ela foi para a
morte.
“Porque o pecado, prevalecendo-se do
mandamento, pelo mesmo mandamento me enganou
e me matou” (v. 11). O pecado é o que mata e a lei é o
instrumento para matar. Sem uma faca ou um
instrumento para matar é difícil matar pessoas. O
pecado, usando a lei, primeiramente nos engane
depois nos mata. Desde que os atos de enganar e
matar são, certamente, o comportamento de uma
pessoa, devemos considerar o pecado como a
personificação de Satanás.
“Por conseguinte, a lei é santa; e o mandamento,
santo e justo e bom.” (v. 12). Não há problema
referente à natureza da lei. A natureza, a essência da
lei é santa, justa e boa.
“Acaso o bom se me tornou em morte? De modo
nenhum; pelo contrário, o pecado, para revelar-se
como pecado, por meio de uma cousa boa, causou-me
a morte, a fim de que pelo mandamento se mostrasse
sobremaneira maligno” (v. 13). Esse versículo é prova
adicional de que ~ lei não nos ajuda. Ao invés disso, a
lei faz o pecado excessivamente pecaminoso. Você
ainda é atraído pela lei? Você deve ficar longe dela.
“Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas
eu sou carnal, vendido sob o pecado” (v. 14 — VRC). A
frase “vendido sob o pecado” significa vendido ao
pecado. O pecado é o que compra, o mestre
comprador, e nós temos sido vendidos a ele.
“Porque o que faço não o aprovo; pois o que
quero isso não faço; mas o que aborreço isso faço” (v.
15). A palavra admito neste versículo não significa
que nós não sabemos. Como podemos dizer que não
sabemos o que fazemos? Certamente sabemos. Este
versículo diz que Paulo não admitia o que fazia. Isso
significa que embora possamos agir erroneamente
não o admitimos ou aprovamos.
“Ora se faço o que não quero, consinto com a lei,
que é boa. Neste caso, quem faz isto já não sou eu,
mas o pecado que habita em mim” (vs. 16-17). Paulo
diz que não é mais ele que faz o que não quer fazer,
mas o. pecado que habita dentro dele. A palavra
habita não é a mesma palavra grega, traduzida em
outra parte como “residir”; é uma palavra grega que,
na verdade, significa “fazer um lar”, porque o verbo
tem o significado radical de lar ou casa. Assim, esse
versículo não significa que o pecado simplesmente
reside ou permanece em nós por um pouco, mas que
o pecado faz seu lar em nós. Portanto já não somos
nós que fazemos o mal que não queremos, mas o
pecado que faz seu lar dentro de nós.
“Porque eu sei que em mim, isto é, na minha
carne, não habita bem nenhum; pois o querer o bem
está em mim; não, porém, o efetuá-lo” (v. 18). Paulo
não diz que não há nada de bom nele; ele diz que não
há nada de bom em sua carne. Devemos prestar
cuidadosa atenção ao modifica dor usado por Paulo —
“na minha carne”. Nunca diga que não há bem
nenhum em você, pois há bem em você. Todavia em
nossa carne, isto é, em nosso corpo caído, não habita
bem nenhum. Em nosso corpo caído, ao qual a Bíblia
chama “carne”, o pecado habita com todas as suas
concupiscências. Assim nenhum bem é encontrado
em nossa carne.
“Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal
que não quero, esse faço” (v. 19). Esse versículo prova
que há bem em nós, pois, realmente, temos uma boa
vontade, uma vontade para fazer o bem. Todavia
somos incapazes de praticar o bem que desejamos
fazer.
“Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu
quem o faz, e, sim, o pecado que habita em mim.
Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o
mal reside em mim” (vs. 20-21). O versículo 21
menciona a lei que opera sempre que desejamos fazer
o bem. Essa lei é o mal, pois sempre que tentamos
fazer o bem, o mal está presente em nós. A palavra
mal é a mesma palavra grega que pode ser traduzida
como “maligno” em Mateus 6:13 e 1 João 5:19.
“Porque, no tocante ao homem interior, tenho
prazer na lei de Deus; mas vejo nos meus membros
outra lei que, guerreando contra a lei da minha
mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está
nos meus membros” (vs. 22-23). O versículo 22
menciona a lei de Deus, na qual Paulo se deleita
segundo o homem interior. Podemos classificar isso
como lei número um. No versículo 23 Paulo refere-se
à lei da mente, a qual podemos classificar como lei
número dois. Desde que essa é a lei da mente e a
mente é uma parte da alma, isso significa que há uma
lei em nossa alma. O versículo 23 também menciona
o que Paulo chama de “uma lei diferente nos meus
membros”. Desde que essa lei está nos nossos
membros e nossos membros são uma parte de nossa
carne, nosso corpo caído, isso significa que em nossa
carne está um~ outra lei-, Essa lei, lei número três,
guerreia contra a lei de nossa mente. Em 7:23
encontramos duas leis lutando uma contra outra
guerreando uma contra a outra. Paulo diz que essa lei
diferente” em nossos membros nos faz cativos à lei do
pecado. Esta “lei do pecado que está nos meu~,
membros” é equivalente à “lei diferente nos meus
membros mencionada anteriormente no versículo.
Essa lei e a terceira lei, Assim, nesse único versículo,
encontramos duas leis: uma é a lei do bem em nossa
mente, e a outra é a lei do mal em nossos membros.
“Desventurado homem que sou! quem me livrara
do corpo desta morte?” (v. 24). Por que o nosso
corpo, é chamado “corpo desta morte”? Porque no
nosso corpo esta a lei maligna que guerreia contra a
lei do bem em nossa alma. Essa lei maligna faz nosso
corpo um corpo es a morte”. Que é “esta morte”? É a
morte de ser derrotado, a morte de ser feito cativo e
levado embora pela lei do pecado no nosso corpo.
“Graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor.
De maneira que eu de mim mesmo, com a mente sou
escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne da lei do
pecado” (v. , 25). Esse versículo dá a resposta à
questão levantada no versículo anterior. De acordo
com o versículo 25, a libertação do corpo desta morte
é por meio de Jesus Cristo nosso Senhor. Nesse
versículo Paulo nos diz que com a sua mente, por Si
mesmo, não no seu espírito por meio do Senhor
Jesus, servia a lei de Deus como escravo. Ele também
diz que com sua carne servia a lei do pecado.
Em 7:7-25 vemos três leis e é possível para nos as
localizarmos.

A. A Lei de Deus
A lei de Deus é justa, boa, santa e espiritual (vs.
12, 14, 16). Essa lei está fora de nós ou podemos dizer
que está acima de nós. Essa lei de Deus faz muitas
exigências e requer muito do homem caído para que
ele possa ser exposto (vs. 711).
B. A Lei do Bem
Enquanto a lei de Deus está acima e fora de nós,
fazendo exigências sobre nós, a lei do bem está na
mente da alma do homem (vs. 23, 22). Podemos dizer
que a lei do bem na nossa mente corresponde à lei de
Deus e responde às suas exigências, tentando
guardá-la (vs. 18, 21, 22). Sempre que a lei de Deus
coloca uma exigência sobre nós, a lei do bem na nossa
mente responde a ela. Se a lei de Deus diz: “Honra a
seus pais”, a lei do bem na nossa mente
imediatamente responde: “Amém! Eu farei isso. Eu
honrarei meus pais.” Essa tem sido nossa experiência
ao longo da vida. Cada vez que a lei de Deus fez uma
exigência, a lei do bem, na nossa mente,
respondeu-lhe e prometeu cumpri-la.

C. A Lei do Pecado (e da Morte)


Contudo, em nossos membros há uma terceira
lei, a lei do pecado, a qual guerreia contra a lei do
bem. Como temos visto, a lei do pecado está nos
membros do nosso corpo caído, a carne (vs. 17, 18,
20, 23). Ela constantemente guerreia contra a lei do
bem e torna o homem um cativo (v. 23). Sempre que a
lei do bem responde à lei de Deus e tenta cumprir os
requisitos da lei de Deus, a lei maligna em nossa
carne é despertada. Se a lei do bem falhasse em
responder, a lei maligna talvez permanecesse inativa,
como se estivesse dormindo. Todavia, quando a lei
maligna toma conhecimento de que a lei do bem está
respondendo; a lei maligna parece dizer: “Você vai
praticar o bem de acordo com a lei de Deus? Eu não
permitirei isso!” A lei maligna guerreia contra a lei do
bem e invariavelmente nos aprisiona. Assim nos
tornamos cativos da lei do pecado que está nos nossos
membros. Isso não é uma doutrina, é a história da
nossa vida.
A ordem: “Maridos, amai vossas mulheres”
parece tão boa e fácil de cumprir. Quando essa ordem
é dada, a lei do bem na mente do homem
imediatamente responde: “Sim, eu o farei.” Todavia a
lei maligna na carne toma conhecimento disso e
responde: “Você vai cumprir essa lei? Você não sabe
que estou aqui?” O resultado é derrota. Ao invés de
amar sua esposa, ele pode esbofetear sua face ou
jogar sua faca ou garfo com raiva. As esposas têm
experiência semelhante quando tentam, em si
mesmas, guardar a lei que lhes diz para serem
submissas a seus próprios maridos. A lei do bem na
mente da esposa se agrada dessa ordem e diz: “Eu
obedecerei. Como uma boa esposa, devo certamente
submeter-me ao meu esposo. Eu farei isso.” Se uma
mulher disser isso, ela perceberá que uma outra lei
está esperando por uma oportunidade para atacar. A
lei maligna dirá: “Você crê que pode fazer isso? Eu
estou aqui para mostrar-lhe que você não pode.” Mais
uma vez, o resultado é fracasso. Ao invés de se
submeter a seu marido, ela se zanga com ele. Poucos
minutos mais tarde, ela chora por causa de sua
situação deplorável. Essa é a experiência de Romanos
7.
Em Romanos 7 vemos três leis: a primeira lei, a
lei de Deus, ordena e faz exigências; a segunda lei, a
lei do bem em nossa mente, é rápida em responder; a
terceira lei, a lei do pecado em nossos membros, está
sempre alerta para guerrear contra a lei do bem em
nossa mente e nos derrotar, capturar e aprisionar.
Cada lei tem seu aspecto próprio. Romanos 7
descreve a experiência de cada um de nós. Talvez
ainda hoje você continue a repetir Romanos 7. Não
pense que você é diferente. De acordo com a
economia de Deus, todavia, Romanos 7 não é
necessário. Como ressaltamos numa mensagem
anterior, Romanos 8 continua Romanos 6.
Entretanto, devido a nossa pobre situação,
precisamos de Romanos 7 para nos expor e ajudar.
Alguns cristãos insistem que Romanos 7 é
necessário, e que, experiencialmente falando, deve vir
entre Romanos 6 e Romanos 8. Alguns bons cristãos
mantêm esse conceito. Você ainda se apega ao
pensamento de que Romanos 7 é necessário entre
Romanos 6 e 8? O argumento entre os mestres da
Bíblia diz respeito ao tempo que essa experiência
ocorreu — antes ou depois da salvação de Paulo.
Embora alguns creiam que Romanos 7 seja uma
continuação em experiência de Romanos 6, se lermos
Romanos 6 até 8 cuidadosamente, descobriremos que
Romanos 7 relata a experiência de Paulo antes de ele
ser salvo. Em 7:24 Paulo disse: “Desventurado
homem que sou!” Em 8:1 ele disse: “Agora, pois, já
nenhuma condenação há para os que estão em Cristo
Jesus.” Romanos 8:1 prova que a experiência narrada
em Romanos 7 ocorreu antes de Paulo ser salvo. Não
é a sua experiência presente, porque ele disse que
agora nenhuma condenação há para aqueles que
estão em Cristo Jesus. Assim a experiência de
Romanos 7 ocorreu antes de Paulo estar em Corinto;
era sua experiência antes de ser salvo.
Por que, então, Paulo achou necessário, depois
de Romanos 6, descrever sua experiência antes de ser
salvo? Ele a incluiu para provar que não estamos mais
debaixo da lei. Eu já mencionei que Romanos 7 foi
escrito para explicar uma pequena oração em 6:14,
que diz que nós “não estamos debaixo da lei, mas
debaixo da graça”. Romanos 7 nos diz que quando
estávamos debaixo da lei éramos o velho homem.
Quando nosso velho homem ainda era vivo, nós
estávamos debaixo da lei. Todavia, como novos
homens, regenerados, não estamos mais debaixo da
lei, porque nosso velho marido, o velho homem
debaixo da lei, foi crucificado. Então Paulo continua
a relatar quão deplorável e desventurado é para
alguém estar debaixo da lei. Parece que Paulo estava
dizendo: “Queridos santos, vocês ainda querem estar
debaixo da lei? Se querem, deixem-me dizer-lhes
acerca da experiência que tive. A lei não o ajuda; ela o
engana e dá ocasião ao pecado para operar em você. A
lei até mesmo o mata. Você jamais deveria querer
estar debaixo da lei. Mas mesmo que queira estar
debaixo da lei, você nunca poderá guardá-la.” Paulo,
então, descreve a história completa de sua
experiência antes de ser salvo. Diz que a lei de Deus
fez exigências sobre' ele, que a lei do bem na sua
mente respondeu à lei de Deus, mas que a lei do
pecado nos membros do seu corpo caído guerreou
contra a lei da sua mente, derrotando aquela 'lei e
levando-o para o cativeiro. A conclusão de Paulo foi:
“Desventurado homem que sou. Meu corpo é o corpo
desta morte. Eu não posso escapar.” Assim Romanos
7 é um relato da experiência de Paulo antes de ele ser
salvo, um relato que prova que não podemos guardar
a lei e que nos encoraja a não tentar. Sempre que
tentamos guardar a lei, a terceira lei, a lei do pecado,
nos capturará. Guardar a lei é coisa impossível para o
homem caído.
Deus não nos deu a lei com a intenção de nos
ajudar. O propósito dela é instigar Satanás a nos
afligir. A intenção de Deus ao dar-nos a lei era expor a
lei pecaminosa dentro de nós. Se pensamos que
podemos guardar a lei, estamos totalmente errados.
Nós não somos fortes o suficiente para cumprir os
requisitos da lei. Você não sabe que a lei maligna
dentro de você é, na verdade, a pessoa poderosa de
Satanás? Você pode, como um homem caído, derrotar
Satanás? Isso é impossível. Ele é um gigante e,
comparado a ele, você é um fraco. Você é fraco, e a lei
do bem dentro de você é impotente. Você tem uma
boa vontade e um desejo positivo, mas não pode
cumpri-la. Você, como o velho homem, é bom apenas
para ser crucificado e enterrado com Cristo, como
você já foi em 6:6. Você não deveria puxar para fora o
velho homem que foi enterrado em um túmulo e
esperar que ele guarde o mandamento de Deus. A lei
do bem na sua mente representa sua força e a lei
maligna na sua carne representa o poder de Satanás.
Desde que Satanás é mais poderoso que sua força,
você nunca pode derrotá-lo, mas será sempre
capturado por ele toda vez que tentar guardar a lei de
Deus. Esse é o significado e compreensão corretos de
Romanos 7.
Embora Romanos 7 descreva a experiência de
Paulo antes de ele ser salvo, ele descreve a
experiência de muitos cristãos depois de serem
salvos. Duvido que haja uma única exceção a isso.
Depois que fomos salvos, nós todos respondemos
plenamente à lei de Deus. Considere como exemplo
um jovem que tenha sido salvo recentemente. Ele se
arrependeu e fez uma confissão completa de seus
pecados ao Senhor. Na noite em que foi salvo tomou
uma decisão, dizendo a si mesmo: “Eu jamais devo
comportar-me dessa maneira. Eu não devo fazer as
coisas más que outrora fiz. Hoje à noite eu resolvi
nunca mais fazê-las novamente.” Então esse novo
convertido ora ao Senhor: “Senhor, eu sinto muito
pela maneira que tenho vivido. De agora em diante
quero ser um bom cristão. Não quero fazer aquelas
coisas nunca mais.” Esse jovem é um representante
típico de todos os cristãos genuínos. Como um cristão
jovem fiz isso várias vezes. Todos fizemos a mesma
coisa diante do Senhor. Mas todos nós podemos
testificar que não conseguimos fazer o que decidimos.
Simplesmente somos o que somos — pessoas com a
lei do bem dentro de nós. Depois que fomos salvos,
essa lei do bem em nossa mente respondeu à lei de
Deus fora de nós, e decidimos ser uma pessoa melhor.
Alguns cristãos têm dito, erroneamente, às
pessoas que de maneira alguma há algo de bom
dentro delas. Quando alguns pregadores estavam
falando dessa maneira, alguns professores
argumentaram com eles dizendo: “Não creio nisso.
Posso testificar que tenho alguma coisa boa dentro de
mim. Honro minha mãe e tenho um coração sincero
para amá-la. Isso não é algo bom dentro de mim? E
realmente decidi não tratar meus alunos
injustamente. Isso não significa que tenho alguma
coisa boa em mim? Como vocês podem dizer que não
há nada bom nas pessoas?” Devemos ser cuidadosos a
esse respeito, como Paulo foi ao escrever Romanos 7.
Paulo disse: “Em mim, isto é, na minha carne, não
habita bem nenhum.” Se ele não — fizesse essa
modificação, contradizer-se-ia, pois no versículo
seguinte ele menciona sua vontade de fazer o bem. O
homem tem três partes: um espírito, uma alma com
uma mente, e um corpo com seus muitos membros.
Nos membros de nosso corpo caído, nenhum bem
habita. Todavia devemos nos lembrar de que o
homem foi criado por Deus bom e um pouco de
bondade permanece em todos os homens. Por
exemplo, se você pegar um pedaço de metal e atirá-lo
na sujeira, ele pode ser corrompido, mas sua natureza
ainda é metal. Você não pode alegar que o metal não é
mais metal. O homem foi criado por Deus e Deus
nunca criou nada mau. Tudo o que Deus criou era
bom, inclusive o homem como criatura de Deus. Não
importa o quão caído o homem se tornou, a bondade
da criação de Deus permanece nele. Até mesmo os
ladrões de banco têm em si um elemento do bem, um
elemento que foi criado por Deus.
Embora o homem tenha sido criado bom, a
natureza maligna de Satanás foi injetada para dentro
do seu corpo, quando ele participou do fruto da
árvore do conhecimento. A árvore do conhecimento
denotava Satanás, o maligno, que tem o poder da
morte. Assim quando o homem comeu o fruto da
árvore do conhecimento, Satanás entrou em seu
corpo. O princípio de Satanás, o financiador de toda
coisa maligna, é a lei do pecado. Na nossa mente
temos um princípio criado por Deus, a lei do bem.
Assim, se compreendermos Romanos 7
adequadamente, saberemos onde estamos e o que
temos dentro de nós. Temos uma lei do bem em nossa
mente e uma lei maligna em nossa carne; duas leis
que são incompatíveis. A lei do bem representa o bom
princípio criado por Deus e a lei maligna é o princípio
de Satanás na nossa carne. Satanás na nossa carne
odeia a Deus, engana o homem, e tenta o máximo
para danificar e arruinar a humanidade. Assim
sempre que a mente do homem, pela lei do bem,
pensa em fazer o bem, a lei maligna imediatamente se
levanta para lutar, derrotar o deplorável e
desventurado homem. Essa era a experiência de
Paulo antes de ser salvo, quando era um judaizante
entusiasmado e amante da lei. Dia e noite ele tentava
guardar a lei de Deus. Finalmente, percebeu que a lei
de Deus estava fora dele, a lei do bem,
correspondendo à lei de Deus, estava na sua mente, e
que sempre que desejava fazer o bem uma outra lei
nos seus membros lutava contra a lei do bem na sua
mente, capturando-o e fazendo-o desventurado.
Paulo descobriu que seu corpo era o corpo de morte.
Ao guardar a lei de Deus, ao fazer o bem para agradar
a Deus, este corpo de morte é exatamente como um
cadáver. Paulo veio a perceber que ele era um caso
sem esperança, devido ao poderoso elemento do
pecado habitando no seu corpo caído. Essa é a figura
clara retratada em Romanos 7. Uma vez que vejamos
essa figura, louvaremos ao Senhor pois Ele não tem
intenção alguma de que nós guardemos a Sua lei.
Romanos 7 revela que uma batalha está sendo
travada dentro de nós. A lei do bem, respondendo à
lei de Deus, está na nossa mente e a lei do pecado está
nos nossos membros, lutando contra a lei do bem. A
batalha é extremamente intensa. Alguns mestres da
Bíblia dizem que a guerra em Romanos 7 é a mesma
que o conflito em Gálatas 5. Todavia eles são
diferentes. Se examinarmos Gálatas 5 veremos a
diferença. Porém, antes que voltemos a Gálatas 5,
quero dizer uma palavra sobre a carne.
Alguns cristãos mantêm o conceito de que antes
de serem salvos tinham concupiscências em sua
carne, mas depois que foram salvos, suas
concupiscências desapareceram. Há uma escola de
ensinamento que instrui as pessoas dessa maneira.
Esse ensinamento diz que antes de sermos salvos
havia concupiscência em nossa carne, mas que depois
a concupiscência foi removida. De acordo com esse
ensinamento, a carne de uma pessoa salva torna-se
boa.
Como um contraste a essa escola temos Gálatas
5:16 que diz: “Andai pelo (lit.) Espírito, e jamais
satisfareis à concupiscência da carne.” Certamente
“vós” refere-se aos cristãos genuínos. Assim ainda é
possível para verdadeiros crentes cumprirem a
concupiscência da carne, pois tal concupiscência
permanece dentro de nós. Não importando o quanto
possamos ser crentes genuínos, devemos estar
abertos e não sermos iludidos pelo inimigo, o qual
pode dizer-nos que não temos mais concupiscências
em nossa carne. Tal conceito é terrível e enganador.
Deixem-me contar um incidente que ocorreu no
norte da China muitos anos atrás. Um determinado
movimento Pentecostal era prevalecente naquela
região, estendendo-se por todo o norte da China. Eles
diziam que, desde que receberam o batismo do
Espírito Santo, não mais tinham quaisquer
concupiscências. Como resultado desse ensinamento,
homens e mulheres começaram a ficar juntos
alegando que eram espirituais e sem concupiscência.
Depois de pouco tempo houve vários exemplos de
fornicação e aquele movimento foi quase extinguido.
De fato, foi até mesmo difícil de pregar o evangelho
por um período de tempo, porque o povo chinês,
principalmente devido ao ensinamento ético de
Confúcio, odeia qualquer tipo de fornicação. Portanto
aquele movimento Pentecostal deu ao cristianismo
má-fama no norte da China. Nunca deveríamos
aceitar? ensinamento enganoso, que alega que desde
que somos filhos de Deus e temos o Espírito Santo
não temos concupiscências na nossa carne.
Paulo diz: “Andai pelo (lit.) Espírito, e jamais
satisfareis à concupiscência da carne.” Ele continua
dizendo que a carne milita contra o Espírito e o
Espírito contra a carne (Gl 5:17). Essa não é a guerra
entre a lei maligna e a lei do bem; é a guerra entre a
carne e o Espírito. A carne e o Espírito são contrários
um ao outro. Isso prova que, embora andemos em
Espírito, continuamos tendo as concupiscências na
carne e que a nossa carne mantém-se inimiga do
Espírito. O Senhor Jesus disse: “O que é nascido da
carne é carne” (Jo 3:6). Carne é carne e nada pode
mudar sua natureza. Nunca aceite o pensamento que
depois que você se tornou espiritual sua carne é
melhorada. Esse ensinamento é um grande erro e é
perigoso.
Gálatas 5:24 diz: “E os que são de Cristo Jesus
crucificaram a carne, com as suas paixões e
concupiscências.” Diferentemente de Romanos 6:6,
que diz que nosso velho homem foi crucificado,
Gálatas 5:24 não diz que a carne, as paixões e as
concupiscências foram crucifica das. Diz que
devemos crucificar a carne com as paixões e as
concupiscências. O pensamento aqui é o mesmo que
em Romanos 8:13, que diz que. pelo Espírito
mortificamos as práticas do nosso corpo. Não
podemos crucificar nosso velho homem, porque
nosso velho homem é nosso ser. Ninguém pode
colocar a si mesmo na cruz e, desse modo, cometer
suicídio. Contudo podemos crucificar nossa carne por
meio do Espírito, significando que continuamente
mortificamos a nossa carne. Nosso velho homem foi
crucificado com Cristo de uma vez por todas, mas
temos de crucificar a nossa carne continuamente, dia
a dia. Então Gálatas 5:25 diz: “Se vivemos pelo
Espírito, andemos também pelo Espírito” (IBB —
Rev).
Assim Gálatas 5 revela a guerra entre a carne e o
Espírito. Embora muitos tradutores achem difícil
decidir se o espírito em Gálatas 5:25 denota o nosso
espírito humano ou o Espírito Santo, estou seguro
que denota o espírito amalgamado, o amalgamar do
Espírito Santo com o nosso espírito regenerado.
Devemos andar em tal Espírito. Dessa maneira a
batalha em Gálatas 5 é a batalha entre a nossa carne e
o Espírito, um conflito inteiramente diferente da
guerra descrita em Romanos 7.
A guerra mencionada em Romanos 7 é a guerra
entre duas leis, a lei do bem e a lei maligna. Nada tem
a ver com o Espírito. É ainda discutida em alguns dos
velhos escritos chineses, onde é chamada a guerra
entre o princípio e a concupiscência. O princípio a
que estes escritos se referem é, sem dúvida, a lei do
bem. Eles também mencionam a concupiscência que
luta contra o princípio no corpo do homem. Quando,
como um jovem, comparei essa guerra entre o
princípio e a concupiscência com Romanos 7, fiquei
surpreso ao notar que eram idênticos. Assim, quando
ouvi que alguns mestres cristãos alegavam que
Romanos 7 descreve a experiência de Paulo depois de
salvo, fiquei muito perturbado. Desde que até mesmo
os velhos escritos chineses mencionavam a guerra
entre o princípio e a concupiscência, e desde que isso
é idêntico à experiência de Paulo em Romanos 7,
como podemos dizer que Romanos 7 é a experiência
de um cristão?
Romanos 7 descreve a experiência de Paulo antes
de ele ser salvo. Antes de ser salvo ele era muito
entusiasmado com a lei de Deus, tentando guardá-la e
fazer o bem para agradar a Deus. Embora os chineses,
há centenas de anos atrás, não conhecessem a lei de
Deus, eles entendiam a natureza boa do homem
mencionada em Romanos 2:14-15. Segundo Romanos
2, o homem pela criação tem três coisas positivas na
sua constituição. A primeira é a natureza boa do
homem, pois os gentios, por natureza, fazem as coisas
da lei (2:15). Segundo, o homem tem uma consciência
(2:15). Terceiro, ele tem os arrazoamentos que
acusam, desculpam, condenam e justificam (2:15).
Todo ser humano tem esses três elementos dentro
dele. Você não precisa ser um crente em Cristo para
possuí-los. Toda pessoa tem a natureza boa, uma
consciência e os arrazoamentos. Devido à presença
desses três elementos' no homem, há uma guerra
entre a lei do bem e a lei maligna ou, segundo os
escritos chineses, entre o princípio e a
concupiscência.
Romanos 7 refere-se à essa guerra. Por que
tantos cristãos experimentam tal conflito depois de
serem salvos? Ao contrário de Paulo, eles não
desejavam fazer o bem e agradar a Deus. Contudo
muitas pessoas boas, não apenas entre os chineses
mas por todo o mundo; desejam vencer suas
concupiscências. Certamente tais pessoas
experimentam Romanos 7. Eles experimentam o
antagonismo entre a lei do bem e a lei maligna. Assim
Romanos 7 não descreve a guerra entre o Espírito e a
carne que é revelada em Gálatas 5. A guerra em
Gálatas 5 é a experiência física dos cristãos; a guerra
em Romanos 7 é a experiência de pessoas que tentam
fazer o bem, a despeito de serem ou não cristãs.
Muitos cristãos têm a experiência de Romanos 7
depois de serem salvos, porque é somente após serem
salvos que decidem ser cuidadosos acerca de seu
comportamento e tentam, ao máximo, serem bons.
Assim eles experimentaram depois de serem salvos o
que Paulo conhecia antes de ser salvo. Esses cristãos,
na verdade, fazem a mesma coisa que os chineses
tentaram fazer centenas de anos atrás. Todavia a luta
relatada em Romanos 7, a despeito de ser travada
antes ou depois da salvação, não é uma experiência
cristã típica. É uma experiência do nosso ser natural. '
Pessoas que tentam fazer o bem antes de serem salvas
têm essa experiência, anteriormente à sua salvação.
Muitos outros a experimentam apenas depois de
serem salvos, depois que decidem fazer o bem e
agradar a Deus.
Em todo ser humano, sendo ele salvo ou não, há
um elemento bom na sua mente e um elemento
maligno no seu corpo, a carne. Paulo usa pelo menos
três termos para descrever o elemento maligno —
pecado, mal e a lei do pecado. Paulo chama o
elemento bom na sua mente de “a lei da minha
mente”. Essa lei da mente é a lei do bem. Assim temos
duas leis: uma na nossa mente e uma outra no nosso
corpo caído. Temos essas duas leis porque temos pelo
menos duas vidas. Com cada vida há uma lei. Por que
temos a lei do bem? Porque temos uma vida boa. Por
que temos a lei do pecado? Porque temos uma vida
pecaminosa. Todas as pessoas têm essas duas vidas —
a vida criada por Deus que é boa e a vida satânica que
entrou no corpo do homem como um resultado da
queda.
Algumas pessoas insistem que a natureza do
homem é maligna, outras alegam que é boa. Um dia,
quando estava lendo Romanos 7, encontrei a resposta
para esse argumento. As duas escolas estão corretas;
todavia estão corretas apenas parcialmente. As duas
escolas estão certas porque o homem não é simples. O
homem é muito complicado. Por exemplo, pela
manhã um homem pode ser muito amável,
comportando-se como um cavalheiro. Ele tem uma
vida humana e se conduz como um homem segundo a
lei da sua vida humana. Todavia naquela noite ele vai
a um cassino e age como um demônio. Ele é um
demônio ou um homem? A resposta correta é que ele
é ambos.
Durante sua jornada no deserto, os filhos de
Israel falaram contra Deus e Moisés e foram
mordidos por serpentes abrasadoras, as quais fizeram
com que muitos deles morressem (Nm 21:4-9).
Quando o povo clamou a Deus, Deus disse a Moisés
que levantasse uma serpente de bronze numa haste.
Aqueles filhos de Israel eram serpentes ou homens?
Eles eram homens, porque tinham a vida e aparência
verdadeira de homens. Também eram serpentes
porque o veneno de serpente entrou dentro deles e os
permeou. Assim foi levantada uma serpente de
bronze como representante e substituto deles. Os
filhos de Israel eram tanto homens quanto serpentes.
Semelhantemente, o Senhor Jesus repreendeu os
fariseus dizendo: “Vós geração de víboras”. Por um
lado, os fariseus eram a geração de homens; por
outro, eram a geração de serpentes venenosas. Todos
nós temos duas naturezas: uma natureza é boa, pois
foi criada por Deus; a outra é maligna, pois é a
natureza de Satanás, injetada para dentro do nosso
corpo no tempo da queda. A natureza boa está na
nossa mente e a natureza maligna está na nossa
carne, que é o nosso corpo caído. Com cada natureza
há uma lei e as duas leis lutam uma contra a outra. Se
tentar fazer o bem, sendo salvo ou não, você
descobrirá a guerra entre essas duas leis. Todavia se
for uma pessoa descuidada você pode não
percebê-las. Mas, sempre que tentar ser bom,
descobrirá essas duas leis dentro de você. Antes de
ser salvo você tentou ao máximo ser bom, mas, por
fim, foi derrotado. Você descobriu que dentro de você
há duas coisas, lutando uma contra a outra. Essa é a
razão pela qual algumas pessoas tentam desenvolver
uma forte vontade para controlar e subjugar a
concupiscência em seu corpo. A, despeito de suas
tentativas, finalmente nenhuma delas pode ter pleno
êxito.
Portanto Romanos 7 não é a experiência típica de
um cristão. Desde que seja uma pessoa que tenta
fazer o bem, você terá a experiência do conflito
descrito em Romanos 7. A experiência em Romanos 7
é para este tipo de pessoa.

D. O Corpo desta Morte


Em Romanos 6:6 nosso corpo caído é chamado
“o corpo do pecado”, mas em 7:24 é chamado “o
corpo desta morte”. O “corpo do pecado” significa que
o corpo é habitado, ocupado, possuído e utilizado
pelo pecado para fazer coisas-pecaminosas. Assim, ao
pecar, o corpo é ativo, capaz e cheio de força. O
“corpo desta morte” significa que o corpo está
envenenado, enfraquecido, paralisado e mortificado,
incapaz de guardar a lei e de fazer o bem para agradar
a Deus. Portanto, ao guardar a lei de Deus e ao fazer o
bem, o corpo é fraco e impotente; é como um cadáver.
Todos temos experimentado que ao fazer coisas
pecaminosas nosso corpo é capaz e forte; ele nunca
pode ser esgotado. Mas ao guardar a lei de Deus ou ao
fazer o bem para agradar a Deus o corpo é fraco ao
máximo, como se estivesse morto. Assim, se
tentarmos guardar a lei ou agradar a Deus por nós
mesmos, será como arrastar um cadáver conosco.
Quanto mais tentamos fazer o bem, mais morte nosso
corpo nos traz. Então o apóstolo Paulo chama o nosso
corpo de “o corpo desta morte”, isto é, a morte de
tentar guardar a lei e agradar a Deus.
Com respeito ao corpo do pecado, o qual é ativo e
poderoso com sua concupiscência para pecar, não
precisamos tentar subjugá-lo por uma vontade forte
ou por quaisquer outros meios. Romanos 6:6 nos diz
que, desde que o nosso velho homem foi crucificado
com Cristo, nosso “corpo do pecado” foi “feito de
nenhum efeito”, significando que está agora sem
emprego. Desde que a pessoa que peca, o velho
homem, foi crucificado, o corpo nada tem a fazer e
está desempregado.
Com respeito ao corpo da morte, não precisamos
mais carregá-lo conosco. Desde que somos um novo
homem; , I regenerado e estamos libertos da lei do
velho homem, não precisamos nos esforçar para
guardar a lei, pois tal esforço somente causa mais
morte por meio do corpo caído, o qual é a carne.
Desde que vivamos pelo novo homem com nosso
novo marido, o Cristo vivo, estamos libertos da lei e
livres da carne e da lei do pecado nela contida.

E. A Desventura do Homem Tentando


Cumprir a Lei
O homem tornou-se carnal, vendido debaixo do
pecado (v. 14). Na carne do homem não habita bem
nenhum (v. 18), e o homem é incapaz de dominar o
pecado (vs. 15-20). Em tal situação, se o homem
tentar cumprir a lei de Deus como Paulo fez,
certamente nada obterá a não ser fracasso. Todo
aquele que tenta fazer isso é derrotado e torna-se um
homem desventurado. O homem caído com a lei do
pecado na sua carne, é um caso sem solução e sem
esperança. Após termos sido salvos, não deveríamos
fazer nenhuma tentativa para cumprir a lei de Deus
ou para fazer o bem de maneira a agradar a Deus. Se o
fizermos, certamente experienciaremos Romanos 7 e
nos tornaremos um homem desventurado.
Precisamos perceber que nós, como o velho homem,
fomos crucificados com Cristo e que, como o novo
homem, estamos libertos da lei do velho homem e
estamos casados com o nosso novo marido, o Cristo
ressurreto, para que possamos frutificar para Deus e
servir ao Senhor em novidade de espírito.
ESTUDO-VIDA DE ROMANOS
MENSAGEM 14
A LIBERDADE DO ESPÍRITO EM NOSSO ESPÍRITO
(1)

I. A LEI DO ESPÍRITO DA VIDA


No capítulo quinto de Romanos vimos que o dom
em Cristo sobrepuja a herança em Adão, no capítulo
sexto foi mostrado a nossa identificação com Cristo, e
no capítulo sétimo encontramos a escravidão da lei
em nossa carne. Romanos 8 é um contraste com
Romanos 7. Em Romanos 7 temos escravidão; em
Romanos 8 temos liberdade. Em Romanos 7 temos a
lei; em Romanos 8 temos o Espírito Santo. Em
Romanos 7 temos a nossa carne; em Romanos 8
temos o nosso espírito. Assim Romanos 7 revela a
escravidão da lei em nossa carne, enquanto que
Romanos 8 desvenda a liberdade do Espírito em
nosso espírito.
Precisamos ler Romanos 8:1-6 cuidadosa e
atentamente. “Portanto agora nenhuma condenação
há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam
segundo a carne, mas segundo o espírito. Porque a lei
do espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei
do pecado e da morte” (vs. 1, 2 VRC). A frase “a lei do
Espírito da vida” é muito significativa. Nesta frase
vemos três elementos que compõem uma entidade —
a lei, o Espírito e a vida. Estes três itens são um.
“Porquanto o que era impossível à lei, visto como
estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu
Filho em semelhança da carne do pecado, pelo
pecado condenou o pecado na carne” (v. 3 — VRC).
Deus é o sujeito desta sentença. Ele condenou o
pecado na carne de Cristo “enviando o seu Filho em
semelhança da carne do pecado”.
“Para que a justiça da lei se cumprisse em nós,
que não andamos segundo a carne, mas segundo o
espírito. Porque os que são segundo a carne
inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são
segundo o espírito para as coisas do espírito” (vs. 4, 5
— VRC). Deus condenou o pecado na carne para que a
exigência justa da lei fosse cumprida em nós, que
andamos segundo o espírito. Aqueles que são
segundo o espírito cogitam as coisas do Espírito. Por
favor, notem que a primeira menção do espírito no
versículo 5 refere-se ao nosso espírito humano e que a
segunda menção refere-se ao Espírito Santo,
significando que aqueles que são segundo o seu
espírito humano cogitam das coisas do Espírito
Santo.
“Porque a mente posta na carne é morte, mas a
mente posta no espírito é vida e paz” (v. 6 — lit.). A
mente posta no espírito humano é vida e paz. Cada
palavra em Romanos 8:16 é preciosa. Não devemos
ignorar nem mesmo uma palavra nestes versículos.
Devido a limitação de tempo, posso somente
apresentar um esboço de Romanos 8.

A. O Espírito da Vida
Antes de abordarmos Romanos 8, precisamos
considerar um termo glorioso e maravilhoso
encontrado em 8:2 — “o Espírito da vida”. Esse termo
é usado apenas uma vez em toda a Bíblia. No livro de
Romanos o termo “o Espírito da vida” não é revelado
até 8:2. Entretanto antes do capítulo oitavo temos
várias referências à vida divina, eterna e incriada. A
primeira ocorrência da palavra vida no livro de
Romanos é em 1:17 que diz que o justo terá vida e
viverá por fé. A palavra vida neste versículo denota a
vida divina. A segunda ocorrência desta palavra em
Romanos é em 2:7, onde é-nos dito que “a vida eterna
aos que, com perseverança em fazer o bem, procuram
glória, e honra e incorrupção”. Se buscarmos Deus
continuamente, Ele nos dará vida eterna. Romanos
5:10 diz que seremos salvos em Sua vida, e 5:17
diz-nos que, após recebermos a abundância da graça
e do dom da justiça, reinaremos em vida. Romanos
5:18 menciona a justificação de vida, e 5:21 diz que a
graça reina para a vida eterna. Em 6:4 é-nos dito que
andemos em novidade de vida. Romanos 6:22-23 diz
que a vida eterna é o fim da santificação e que o dom
gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus
nosso Senhor. Assim nos primeiros seis capítulos de
Romanos existem muitas referências à vida divina.
Vida é o objetivo da salvação de Deus. Deus
redimiu-nos, justificou-nos e reconciliou-nos para
que participássemos desta vida. Uma vez que a
recebemos, deveríamos ser salvos em vida, reinar em
vida, andar em novidade de vida e ser santificados em
vida.
Embora os capítulos precedentes em Romanos
digam que deveríamos ser salvos, reinar, andar e ser
santificados em vida, Paulo todavia não disse como
podemos fazer todas essas coisas. Como podemos ser
salvos em vida e reinar em vida? Como podemos
andar em novidade de vida? Como podemos
experimentar a santificação em vida? Paulo não nos
disse. Nem nos disse precisamente como o justo terá
vida. Embora ele diga que esta vida é procedente de
fé, não explicou a questão claramente. Entre os
capítulos primeiro e sexto de Romanos, Paulo
refere-se à vida nove vezes. Agora, em Romanos 8:2,
ele subitamente une vida com o Espírito na frase “o
Espírito da vida”.
O caminho para ter vida é o Espírito. O caminho
para ser salvo em Sua vida é o Espírito. O caminho
para andar em novidade de vida é o Espírito. O
caminho para ser santificado em vida é o Espírito. O
Espírito é o caminho. A vida pertence ao Espírito e o
Espírito é de vida. Esses dois na verdade são um.
Nunca podemos separar vida do Espírito, nem o
Espírito da vida. O próprio Senhor Jesus disse: “As
palavras que eu vos tenho dito, são espírito e são
vida” (Jo 6:63). Nesta palavra o Senhor Jesus une o
Espírito e a vida. Se temos o Espírito, temos a vida; se
não temos o Espírito, não temos vida. Se andamos no
Espírito, andamos em vida, mas se não andamos no
Espírito, não andamos em novidade de vida. Assim a
maneira de experimentar a vida divina, eterna e
incriada é o Espírito. Por meio disso podemos ver a
relação entre Romanos 8 e os capítulos anteriores. Os
sete capítulos precedentes nos levam à vida e
consumam em vida. Agora em 8:2 estamos no auge
da vida. Precisamos dar especial atenção à palavra
vida em Romanos 8.

B. A Vida Quádrupla
A palavra vida é usada quatro vezes no capítulo
oitavo. Romanos 8:2 menciona a lei do Espírito da
vida. Romanos 8:6 diz que a mente posta no espírito é
vida. Em Romanos 8:10 é-nos dito que se Cristo está
em nós, nosso espírito é vida por causa da justiça.
Romanos 8:11 diz que o Espírito que em nós habita
dará vida aos nossos corpos mortais. A primeira vez
que vida é mencionada neste capítulo ela é ligada ao
Espírito Santo, a segunda vez ela é relacionada a
nossa mente, a terceira vez é associada com o nosso
espírito, e a quarta vez é uma questão do nosso corpo.
Romanos 8 desvenda uma vida quádrupla.
Primeiramente, vida é o Espírito. Em seguida o
Espírito vem para dentro do nosso espírito para
torná-lo vida. Então o Espírito espalha-se do nosso
espírito para a nossa mente a fim de torná-la vida. O
Espírito até mesmo dispensa esta vida aos nossos
corpos mortais para tornar o corpo de pecado num
corpo de vida. Temos uma vida quádrupla. O foco
disso tudo é o Espírito Santo habitando em nosso
espírito. Esta vida espalhar-se-á do nosso espírito
para a nossa mente e através de toda a nossa alma,
até mesmo alcançando todos os membros do nosso
corpo. Por fim todo nosso ser será preenchido com
vida e seremos um homem de vida. Você já viu isso?
Podemos chamar isso de vida quádrupla. O Espírito é
vida, nosso espírito é vida, nossa mente é vida, e até
mesmo nosso corpo é de vida. Assim a ligação entre
Romanos 8 e todos os capítulos precedentes é a vida
acrescida do Espírito.

C. A Lei do Espírito da Vida


. Em Romanos 8 não temos apenas o Espírito da
vida, mas a lei do Espírito da vida. A palavra vida
indica que Romanos 8 é uma continuação de
Romanos 6, porque Romanos 6 termina com vida. A
palavra lei indica que Romanos 8 também é uma
continuação de Romanos 7, onde a questão da lei é
discutida. Em Romanos 8 Paulo continua o seu falar
acerca da lei. Em Romanos 7 ele menciona três leis: a
lei de Deus, a lei do bem e a lei do pecado. Se
tivéssemos apenas estas três leis, todos teríamos de
declarar: “Desventurado homem que sou!” A lei de
Deus é justa, santa, boa e espiritual. Entretanto
quanto mais justa e santa esta lei é mais ela exige de
nós. Por que a lei de Deus é tão exigente?
Porque ela é santa, justa e boa. Se a lei fosse má,
as exigências seriam muito baixas. Todavia, a lei de
Deus é santa e justa. Essa lei apenas faz exigências;
ela não supre. Gálatas 3:21 mostra que a lei é incapaz
de dar vida às pessoas. A lei não foi dada por Deus
para ser um suprimento, mas para fazer exigências.
Porque pensamos ser bons, precisamos da lei a
expor-nos que não somos.
Você se lembra das circunstâncias nas quais a lei
foi dada? Pela Sua graça, Deus tirou o Seu povo do
Egito. O êxodo do Egito não foi realizado porque o
povo guardou a lei, mas porque Deus foi gracioso
para libertá-los mediante a Sua redenção. Quando
Deus levou os israelitas ao Monte Sinai, a Sua
intenção era fazê-los um reino de sacerdotes (Êx
19:3-6). Embora o povo concordasse com isso, Deus
sabia que eles não percebiam o quanto eram maus.
Portanto por intermédio de Moisés, Deus marcou um
encontro com o povo com o propósito de dar-lhe a lei.
Imediatamente a atmosfera mudou e tornou-se
excessivamente ameaçadora. O povo estava
assustado. No meio dessa situação ameaçadora, Deus
deu aos israelitas a Sua lei. Contudo, enquanto a lei
estava sendo dada no monte, o povo fez um bezerro
de ouro. Portanto, antes de a lei ser dada o povo já a
havia quebrado. Assim, quando Moisés observou a
situação, ele quebrou as duas tábuas de pedra.
Não podemos guardar a lei. Nunca deveríamos
pensar que a lei nos foi dada para guardar. Em vez
disso, devemos curvar-nos diante do misericordioso e
gracioso Deus e dizer: “Senhor, eu não consigo
guardar a Tua lei, ou fazer qualquer coisa boa para Te
agradar.” A fim de levar-nos a esta conclusão, Paulo
escreveu Romanos 7 explicando a questão da lei.
Paulo foi um excelente escritor. Ele era muito
profundo. Escreveu cada capítulo do livro de
Romanos tendo em vista o Velho Testamento. Ele
escreveu o livro de Romanos na luz e no
conhecimento do Velho Testamento.
Em Romanos 7 Paulo fala sobre a lei. Ele nos
mostra que fora de nós está a lei de Deus com as Suas
exigências, que em nossa alma está a lei do bem
respondendo à lei de Deus, e que nos membros do
nosso corpo está uma outra. lei que guerreia contra a
lei boa em nossa alma. Paulo nos disse que a lei em
nossa mente é fraca e impotente, mas que a lei em
nossos membros é potente e cheia de força. Creio que
Paulo era uma pessoa forte com uma vontade forte.
Seu caráter era tão forte que somente o Senhor Jesus
pode subjugá-lo, como o fez quando Paulo estava a
caminho de Damasco. A despeito de quão forte fosse
ele antes de ser salvo, não podia vencer a lei do
pecado em seus membros. Ele disse: “Porque não faço
o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse
faço” (7:19). Em seguida Paulo continuou dizendo:
“Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem
o faz, e, sim, o pecado que habita em mim” (7:20).
Quem é este pecado? É Satanás. A lei do pecado é na
verdade o poder espontâneo do próprio Satanás.
Satanás é mais poderoso do que qualquer ser
humano. Ninguém, nem mesmo Paulo, pode
derrotá-lo. A força da sua vontade nada significa para
o poderoso Satanás. Dessa forma, se tentar guardar a
lei de Deus, o resultado será: “Desventurado homem
que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?”
Paulo usou a frase “desta morte”. Que é morte? Morte
é o resultado do poder maligno de Satanás. Em
Romanos 7 encontramos dois termos usados de
maneira sinônima para descrever Satanás: “o mal” e
“o pecado que habita em mim”. Satanás é o pecado e o
mal, e o seu poder automático é a lei do pecado. Ele é
tão poderoso que nenhum ser humano pode
derrotá-lo. Até mesmo todos os seres humanos
somados juntos não podem sobrepujá-lo. A1eluia, há
alguém que é mais poderoso do que este gigante
maligno!
Seguindo Romanos 7 temos Romanos 8, o qual
menciona a lei do Espírito da vida. Esta lei não é a lei
de Deus nem a lei do bem em nossa mente; é a lei do
Espírito da vida.
Romanos 8:2 revela que Deus se tornou o
Espírito da vida. Podemos dizer que o Espírito da
vida neste versículo denota o Deus processado. Deus
em Cristo passou por um longo processo — o processo
da encarnação, crucificação, ressurreição e ascensão.
O próprio Deus de Gênesis 1 sofreu tal processo.
Assim Ele já não é o Deus “cru”. Embora fosse o Deus
“cru” em Gênesis 1, Ele é o Deus processado em
Romanos 8.
Os mantimentos que você traz do armazém para
casa são todos itens crus. Eles precisam sofrer um
processo de corte, tostadura e cozimento a fim de se
tornarem apropriados para comer. Sem passar por tal
processo, o alimento cru não é apropriado para
comer. Não gosto de comer nada que não tenha sido
processado. Todo alimento no refrigerador é um
gênero alimentício cru, mas tudo sobre a mesa de
jantar é alimento processado.
Louvamos ao Senhor porque Romanos 8 não é
um refrigerador; é nossa mesa de jantar. Sempre que
você estiver com fome, venha e jante em Romanos 8.
Sobre a mesa de Romanos 8 temos o Deus
processado, porque aqui Seu título não é nem Jeová
nem o Deus todo-poderoso, mas o Espírito da vida.
Louvado seja o Senhor! Quase sempre minha esposa
prepara caldo de galinha ou de carne bovina. Quando
ela vê que estou cansado, freqüentemente me serve
uma tigela de caldo. Esse caldo é doce, saboroso e
fácil de tomar. Depois de tomar uma xícara de caldo,
todo meu ser é 'renovado. O Espírito da vida é como o
caldo. De onde vem o Espírito da vida? Ele vem de
Deus que um dia era como a grande galinha ou vaca
que foi processada em um caldo. Em Romanos 8, Ele
não e mais como uma galinha ou uma vaca; Ele é o
Espírito da vida, tão fácil de tomar. Apenas
precisamos dizer: “O Senhor Jesus, o Espírito da vida,
amém. Cristo está em você e o espírito é vida. Amém.
Colocar a mente no espírito é vida. Amém. O Espírito
que habita interiormente dará vida a seu corpo
mortal. Amém.” Se bebermos do Espírito em
Romanos 8, descobriremos que ele é como o caldo.
Neste Espírito da vida há uma lei. Essa lei não é a
lei do Deus “cru” com suas. exigências. É a lei do Deus
processado, a lei do Espírito da vida, com seu
suprimento. Quando minha esposa serve-me uma
tigela de caldo de galinha, ela não faz exigências sobre
mim, Algumas vezes, nem mesmo sei o que é que ela
m~ dá, exceto que é um caldo bom para beber.
Louvado seja o Senhor que com o Deus processado há
a lei do Espírito da vida! Essa lei é o princípio, o
poder e a força do Deus processado. Todos devemos
gritar: “Aleluia”, porque essa lei, que é o poder
espontâneo, divino, não está fora de nós, mas está em
nosso espírito. A lei do Deus processado está em
nosso espírito.
Que temos nesta lei? Qual é a essência desta lei?
Quais são seus elementos? Os elementos da lei do
Espírito da vida são o Espírito divino e a vida eterna.
O Espírito divino e a vida eterna são os elementos
desta lei. Assim ela é poderosa e dinâmica e o seu
poder é espontâneo. Tal lei está em nosso espírito.

D. Três Vidas com Três Leis


Somos pessoas complicadas, pois temos quatro
leis relacionadas a nós. Acima de nós está a lei de
Deus com suas exigências. Em nossa mente está a lei
do bem respondendo à lei de Deus. Em nosso corpo
está a lei do pecado, a qual guerreia contra a lei do
bem. Tudo isso está registrado em Romanos 7.
Todavia Romanos 8 diz-nos que em nosso espírito
está a lei do Espírito da vida. Assim temos quatro leis:
uma exterior, exigindo; uma na mente, respondendo;
uma no corpo, guerreando; e uma em nosso espírito,
suprindo, dando poder e vencendo.
Por que somos tão complicados? Somos
complicados porque passamos por três situações — a
criação, a queda e a salvação de Deus. Fomos criados,
caímos e fomos salvos. Esta é a nossa história, nossa
biografia. Nossa biografia é simplesmente que fomos
criados, que caímos e que fomos salvos por Deus. Na
criação de Deus recebemos uma vida humana, a vida
que nos faz um ser humano. Na queda uma outra vida
foi injetada em nós, a vida maligna de Satanás que
entrou em nosso corpo. Depois de sermos salvos, o
Deus processado como o Espírito da vida entrou em
nosso espírito. Portanto, três pessoas estão em nós;
nós mesmos em nossa alma, Satanás em nosso corpo,
e o Deus processado como o Espírito da vida em
nosso espírito. Temos três partes em nosso ser e cada
parte tem uma pessoa: em nosso corpo, o pecado, isto
é, Satanás habita; em nossa alma, nosso ego habita; e
em nosso espírito, o Deus processado como Espírito
da vida habita.
Cada uma destas pessoas tem uma vida com uma
lei. Satanás tem sua vida satânica com sua lei
maligna, a lei do pecado. Nosso homem natural tem
uma vida criada com uma lei boa. O Deus processado
como o Espírito que dá vida tem a vida divina com a
lei do Espírito da vida. Portanto temos uma lei
maligna, uma lei boa e a lei do Espírito da vida, em
resumo, a lei da vida. Esta lei da vida é oposta tanto
ao bem quanto ao mal; ela não tem nada a ver com o
bem e o mal, pois tanto um como o outro pertencem à
árvore do conhecimento do bem e do mal (Gn 2:9,
17). A lei da vida certamente pertence à árvore da vida
(Gn 2:9). Dentro de nós temos a árvore do
conhecimento e a árvore da vida. Portanto cada um
de nós é uma miniatura do jardim do Éden. O homem
está aqui, Satanás como a árvore do conhecimento
está aqui, e Deus como a árvore da vida também está,
aqui. Estas três partes, que uma vez estavam no
jardim do Éden, estão agora todas em nós. A batalha
que estava ocorrendo entre Satanás e Deus no jardim
do Éden agora ocorre dentro de nós. Essa batalha
envolve três pessoas três vidas e três leis.

E. Deus em Nosso Espírito


Como salientei em outras ocasiões, Deus é
revelado progressivamente no livro de Romanos. Em
Romanos 1 Ele é o Deus na criação, em Romanos 3, o
Deus na redenção, em Romanos 4, o Deus na
justificação, em Romanos 5 o Deus na reconciliação, e
em Romanos 6, Ele é o Deus na identificação.
Podemos ver o processo ou progresso de Deus da
criação à redenção, da redenção à justificação, da
justificação a reconciliação, e da reconciliação à
identificação. Deus avançou da criação à
identificação. Em Sua criação Deus era exterior às
Suas criaturas; na identificação Ele nos fez um
Consigo mesmo, introduzindo-nos em Si mesmo.
Todos que fomos batizados, fomos batizados para
dentro de Cristo (Rm 6:3; Gl 3:27). Deus
introduziu-nos em Cristo identificando-nos
completamente Consigo mesmo.
Em Romanos 8, Deus torna-se o Deus em nosso
espírito. Ele não é apenas o Deus na identificação,
mas o Deus em nosso espírito. Ele não apenas fez-nos
um com Ele, mas também fez a Si mesmo um
conosco. Agora nosso Deus está em nosso espírito.
Que tipo de Deus Ele é? Ele é o Deus processado em
nosso espírito. O Deus na criação passou pela
redenção, justificação, reconciliação, identificação e
Ele agora está em nosso espírito. O Deus em nosso
espírito não é meramente Deus; Ele foi processado no
Espírito da vida, pois o Espírito da vida é o Deus
processado. De acordo com a nossa experiência, nada
é mais agradável do que isto. Podemos banquetear tal
Deus.

F. o Gozo de Cristo como o Espírito que Dá


Vida
Chegar a urna mesa de jantar para desfrutar
Deus como comida não é meu conceito. Nos
Evangelhos o Senhor Jesus disse que o evangelho era
urna ceia. O Senhor Jesus disse que tudo está
preparado e que devemos vir à ceia (Lc 14:1617). Ele
nos disse para virmos e cearmos. Esse pensamento
nós encontramos até mesmo na parábola do filho
pródigo (Lc 15:11-32). Quando o filho voltou para
casa, o pai vestiu-lhe a melhor roupa, urna roupa
significando Cristo como nossa justiça para nossa
justificação. Quando o filho voltou, era como um
pobre mendigo de pé perante um pai rico. Parecia não
haver correspondência entre eles: o pai era rico e o
filho era pobre. Assim o pai disse aos servos para
tornarem a melhor roupa e vesti-la no filho. Após esta
lhe ter sido colocada, o filho foi justificado perante o
pai e correspondeu a ele. Agora o filho é como o pai,
justificado e aprovado. Cristo como justiça cobre o
filho que voltou. Embora isto satisfizesse ao pai, o
filho poderia ter dito: “Pai, não me importo tanto com
a roupa quanto com o meu estômago vazio. Pai, estou
faminto. Você está satisfeito, mas eu não estou.” Foi
por isso que o pai disse aos servos para prepararem o
novilho cevado, processarem-no e colocarem-no
sobre a mesa. O pai disse: “Comamos e
regozijemo-nos.” Quem-é aquele novilho cevado? O
novilho é Cristo que foi processado na cruz, há
dezenove séculos. Após Ele ter sido processado na
cruz, tornou-se o Espírito que dá vida em
ressurreição (1Co 15:45). r
Onde está Cristo hoje? Para onde foi Ele depois
que foi processado mediante Sua morte e
ressurreição? Indubitavelmente, Ele foi para os céus.
Entretanto se Ele fosse apenas aos céus, seria
impossível às pessoas comerem-No. Os céus estão
muito longe. Contudo Cristo não está apenas nos céus
(8:34), mas também em nós (8:10), até mesmo em
nosso espírito (2Tm 4:22). A mesa de jantar é o nosso
espírito. Após ter sido processado, Cristo tornou-se o
Espírito que dá vida. O Cristo processado é o Espírito
(2Co 3:17). Ele entrou em nosso espírito como vida e
como suprimento de vida para o nosso gozo.
Isto não é meu conceito. Embora Cristo seja vida,
é-Lhe difícil dar vida a você. Quem dá vida? O
Espírito é o que dá vida (Jo 6:63; 2Co 3:6). Cristo é
vida, mas é o Espírito quem dá Cristo como vida a
nós. Sem o Espírito, Cristo pode ser vida, mas Cristo
como vida não pode ser dado a nós. Por ser o Espírito,
Cristo é dispensado a nós como vida. Hoje, após ser
processado, o próprio Cristo é o Espírito que dá vida.
Agora em nosso espírito podemos desfrutar este
maravilhoso
Espírito. Nunca se esqueça de que Cristo é o
próprio Deus, Jeová, o Salvador, Deus conosco. Cristo
é Deus. Este Cristo, após ser processado, é agora o
Espírito que dá vida. Devemos desfrutá-Lo em Sua
plenitude como tal Espírito. Nosso espírito
regenerado é a mesa de jantar e o Cristo processado é
a nossa comida. Ele não é a comida em urna forma
física, mas na forma do Espírito. Nossa comida é o
Espírito. Que rico Espírito é este! Divindade,
humanidade, amor, luz, vida, poder, justiça,
santidade, graça — tudo o que precisamos está no
Espírito. Romanos 8 certamente é esta mesa de
jantar.
ESTUDO-VIDA DE ROMANOS
MENSAGEM 15
A LIBERDADE DO ESPÍRITO EM NOSSO ESPÍRITO
(2)
Nesta mensagem continuaremos considerando
Romanos 8:1-6. Como vimos, Romanos 8 está em
nítido contraste com Romanos 7. Em Romanos 7
vemos a escravidão da lei em nossa carne e em
Romanos 8 vemos a liberdade do Espírito em nosso
espírito. Quando chegamos ao capítulo 8, vamos da
escravidão na carne para a liberdade no Espírito.

II. A LIBERDADE DA LEI DO ESPÍRITO DA


VIDA

A. Agora Nenhuma Condenação


No fim de Romanos 7, Paulo exclamou:
“Desventurado homem que sou! quem me livrará do
corpo desta morte?” (v. 24). Paulo iniciou o capítulo
oito dizendo: “Agora, pois, já nenhuma condenação
há para os que estão em Cristo Jesus” (v. 1). No livro
de Romanos existem dois tipos de condenação: a
exterior, objetiva, e a interior, subjetiva. A
condenação exterior vem de Deus, e a condenação
interior vem de nós mesmos. Vemos a condenação
objetiva de Deus nos primeiros capítulos de
Romanos, como por exemplo em 3:19 que diz: “Para
que se cale. toda boca e todo o mundo fique sujeito ao
juízo de Deus” (IBB — rev.). Portanto a condenação
objetiva resulta de estarmos sob o julgamento justo
de Deus. Este tipo de condenação está
completamente solucionado pelo sangue redentor de
Cristo. O sangue redentor de Cristo salvou-nos do
julgamento de Deus.

1. A Condenação Fora de Cristo


A condenação interior, subjetiva, é encontrada
no capítulo sete. Quando Paulo se lamentou:
“Desventurado homem que sou!”, não estava
experienciando a condenação de Deus, mas a
condenação que procedia dele mesmo, a
autocondenação daquele que tenta guardar a lei. Essa
condenação procede da própria pessoa, e não de
Deus. Quanto mais você se esforçar para ser bom e
cumprir a lei, mais condenação interior terá. Se for
uma pessoa desleixada, que nunca tenta ser boa, você
nunca experimentará a condenação interior. Contudo
se disser: “Devo ser reto e perfeito”, será condenado
por si mesmo. Quanto mais tentar aperfeiçoar-se,
mais estará sob a autocondenação, A condenação em
Romanos 7 é a de uma pessoa fora de Cristo, embora
seja experimentada por muitos cristãos que após
serem salvos esforçam-se para cumprir a lei. Essa
condenação não procede de Deus. Deus poderia dizer:
“Filho tolo, não quero que você tenha este tipo de
condenação. Você causou este problema para si
mesmo.” Muitos cristãos, tendo O problema da
condenação objetiva solucionado, criaram para si
próprios o problema da condenação interior. Alguns
têm sido tão condenados que não conseguem comer
ou dormir adequadamente. Eu até mesmo conheço
algumas pessoas que desenvolveram problemas
mentais devido à condenação subjetiva. Alguns
irmãos se condenam severamente por não amarem
suas esposas, e certas irmãs julgam a si mesmas por
não serem amáveis com seus maridos. Finalmente o
sentimento da condenação subjetiva tornou-se tão
intenso que eles desenvolveram problemas mentais.
Tais pessoas estão sob um tremendo peso de
autocondenação.

2. Agora Nenhuma Condenação em Cristo


Após sua exclamação de desventura no fim do
capítulo sete, Paulo declarou de maneira vitoriosa:
“Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que
estão em Cristo Jesus.” Isso significa que o que ele
havia experimentado em Romanos 7, não era uma
experiência em Cristo. Sem Cristo, ou fora de Cristo,
ele lutou segundo a lei em sua mente a fim de guardar
a lei de Deus para que pudesse agradar a Deus, mas
foi totalmente derrotado pela lei do pecado. Isso
ocorreu quando ele estava sem Cristo. Dessa maneira
Paulo condenava a si mesmo. Ele tinha uma
convicção profunda da condenação interior,
subjetiva. Mas “agora” “em Cristo Jesus” não há mais
esse tipo de condenação. Paulo não tinha “nenhuma
condenação” porque em Cristo ele não necessitava
guardar a lei de Deus por si mesmo, um esforço que
produzia a autocondenação; “nenhuma condenação”,
pois em Cristo ele tinha a lei do Espírito da vida que é
mais poderosa que a lei do pecado e que o libertou da
lei do pecado; “nenhuma condenação” agora, não por
causa do sangue redentor de Cristo que removeu a
condenação objetiva de Deus, mas por causa da lei do
Espírito da vida que introduziu a liberdade do
Espírito em seu espírito e que rompeu toda a sua
condenação subjetiva; e “nenhuma condenação”
porque foi liberto tanto da lei de Deus como da lei do
pecado.
B. A Liberdade da Lei do Espírito da Vida
Em Romanos 8, Paulo não diz: “Nenhuma
condenação há em Cristo Jesus porque o sangue de
Jesus me limpou.” Este tipo de condenação não é
tratado pelo sangue. Somos libertos da condenação
subjetiva, não por causa do sangue que nos limpa,
mas por causa da lei que nos liberta. Existe uma lei
que nos livra da condenação interior. Esta lei que nos
liberta tem um potencial maior do que qualquer lei.
Embora tenhamos a lei de Deus fora de nós exigindo,
a lei do bem em nossa mente concordando com a lei
de Deus, e a lei do pecado em nosso corpo guerreando
com a lei do bem e derrotando-a' devemos, contudo,
louvar ao Senhor porque no nosso espírito está a lei
do Espírito da vida. Nenhuma lei pode prevalecer
sobre esta lei. Quem pode derrotar o Espírito da vida?
Ninguém, nem coisa alguma pode derrotar o Espírito
da vida. Esta lei do Espírito da vida é o poder
espontâneo do Espírito da vida. É a lei mais poderosa
do universo; ela está em nós e nos liberta.
Como a lei do Espírito da vida nos liberta? Ela
nos liberta de uma “super” maneira. De acordo com
os métodos antigos de combate, se alguns soldados
fossem cercados por tropas inimigas, teriam de lutar
até o fim. Contudo no combate moderno não há esta
necessidade. Se estamos cercados pelo inimigo, não
precisamos lutar até o fim, temos um caminho para
cima. Temos um caminho ascendente. Assim
podemos dizer a Satanás: “Satanás, comparado a
mim, você é poderoso. Mas você não sabe que eu
tenho um Deus maravilhoso que está tanto no meu
espírito como nos céus? Ir aos céus pode ser difícil
para mim, mas para Ele é fácil. Ele está tanto em mim
como nos céus. Satanás, não preciso lutar até o fim.
Somente digo: 'Louvado seja o Senhor' e estou no
terceiro céu. Satanás, você e seu exército ofensivo
estão sob meus pés e eu estou livre.”
Se pensa que isso é um pouco mais que uma boa
teoria, deixem-me aplicá-la e fazê-la muito prática.
Suponha que tenhamos uma irmã que deseja
submeter-se ao marido de acordo com Efésios 5. Ela
diz: “Amo esta palavra. Ela é tão doce e santa. Desejo
submeter-me a meu marido.” Isto é simplesmente o
exercício de sua mente enquanto esforça-se por
cumprir o mandamento dado em Efésios 5.
Entretanto quando ela decide praticar isto, algo
estranho acontece. Parece que seu ambiente muda e
ocorre exatamente o oposto à submissão. Seu marido,
que sempre é amável e gentil para com ela, naquela
exata manhã em que ela decidiu submeter-se a ele,
está bastante intratável. Para sua maior decepção, ela
falha ao cumprir o mandamento. Satanás se levanta
contra ela, a rodeia e ataca. Quanto mais tenta
reprimir sua irritação com o comportamento do
marido, mais brava se torna, até que, finalmente, ela
perde o controle de seu temperamento. Sua luta, seu
esforço, foi vão. A irmã foi derrotada porque usou a
estratégia errada. Sempre que estivermos cercados
pelo inimigo, devemos esquecer todas as tentativas de
lutar até o fim e dizer: “Louvado seja o Senhor!
Amém!” Imediatamente, iremos transcender. Todo
inimigo, incluindo as pessoas que nos importunam,
estarão sob os nossos pés. Se não crê nisto, peço-lhe
para experimentar. Esta estratégia funciona; é a arma
mais “moderna” e mais prevalecente contra o
inimigo. Ao invés de condenação, há louvor. Por que
existe louvor e libertação em vez de condenação?
Porque a lei do Espírito da vida nos liberta da lei do
pecado e da morte.
Para os dois tipos de condenação, temos dois
remédios diferentes. O sangue do Cristo crucificado é
o remédio para a condenação objetiva, e o Espírito da
vida — Cristo processado para ser o Espírito que dá
vida — dentro do nosso espírito, é o remédio para a
condenação subjetiva. Quando experimentarmos a
condenação subjetiva, tudo o que precisamos fazer é
louvar ao Senhor e transcenderemos. Neste
momento, não ore, pois, quanto mais você orar, mais
condenação experimentará. Tampouco deve dizer:
“Senhor, aplico o Teu sangue.” Este não é o remédio
para este tipo de situação. Este é o remédio errado
para esta enfermidade. Quando estamos sob a
condenação subjetiva, precisamos do Espírito da
vida. “Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo
Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte” (VRC).

1. Em Cristo
Esta não é uma experiência fora de Cristo, mas
uma experiência absolutamente em Cristo. Em
Cristo, não em Adão ou em nós mesmos, mas em
Cristo, temos o Espírito da vida, que é o próprio
Cristo como o Espírito que dá vida, em nosso espírito.
Em Cristo, nosso espírito foi vivificado com Cristo
como vida. Por estarmos em Cristo, o Espírito da
vida, que é o próprio Cristo, habita em nosso espírito
e amalgama-se a nosso espírito, como um só espírito.
Em Cristo, temos nosso espírito vivificado, a vida
divina e o Espírito da vida. Em Cristo, todos os três:
nosso espírito, a vida divina e o Espírito da vida estão
amalgamados como uma unidade. Em Cristo, com
esta unidade, há o poder espontâneo, que é a lei do
Espírito da vida, que nos liberta continuamente da lei
do pecado e da morte, ao andarmos de acordo com o
espírito amalgamado.

2. Diariamente
Esta experiência não é de uma vez por todas;
deve ser uma experiência diária, contínua. Dia após
dia, momento após momento, precisamos viver no
espírito amalgamado, andar segundo esse espírito e
ter nossa mente posta nesse espírito maravilhoso,
esquecendo-nos de nossos esforços para guardar a lei
de Deus e para fazer o bem, de modo a agradar a
Deus. Pois uma vez que somos impelidos de volta à
nossa maneira velha e habitual de tentar fazer o bem,
somos imediatamente isolados da lei poderosa do
Espírito da vida. Devemos olhar para o Senhor, a fim
de que possamos sempre habitar em nosso espírito de
modo a desfrutarmos a liberdade da lei do Espírito da
vida.

C. A Impossibilidade da Lei
Romanos 8:3 diz: “Porquanto o que era
impossível à lei, visto como estava enferma pela
carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da
carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na
carne” (VRC). Esse versículo diz que há uma
impossibilidade relacionada à lei, não se referindo à
lei do Espírito da vida, com a qual não existe
impossibilidade, mas à lei de Deus fora de nós. Existe
uma impossibilidade associada à lei de Deus, porque
essa lei é fraca por meio da carne. A carne é o fator de
fraqueza, produzindo a impossibilidade mencionada
em 8:3.
O sujeito de 8:3 é Deus. Deus enviou Seu próprio
Filho em semelhança da carne de pecado e, no
tocante ao pecado, condenou o pecado na carne. Esse
versículo, o versículo mais profundo em Romanos 8,
é muito difícil de ser entendido.
Que é a “carne de pecado”? A carne de pecado é o
nosso corpo. Em 8:3 a carne de pecado corresponde à
frase “O corpo do pecado” em 6:6, onde nos é dito que
o-nosso velho homem foi crucificado com Cristo, para
que “o corpo do pecado” seja feito de nenhum efeito.
Por que o nosso corpo é chamado de “corpo do
pecado” e de “carne de pecado”? Porque, como vimos
em Romanos 7, o pecado habita em nosso corpo. Uma
vez que o nosso corpo é o lugar de habitação do
pecado, ele é chamado de “corpo do pecado”. Uma vez
que o nosso corpo tornou-se caído, é também
chamado de a “carne” isto é, de a “carne de pecado”.
Nossa fraqueza em guardar a lei de Deus está em
nosso corpo' de pecado. No que se refere ao guardar a
lei de Deus, nosso corpo é fraco ao máximo. Embora
nossa mente queira guardar a lei de Deus, nosso
corpo não tem a força para fazê10. Ele é enfraquecido
e paralisado pelo pecado. O pecado é como a
poliomielite que paralisa e invalida o corpo das
crianças. Da mesma forma, os corpos humanos foram
paralisados pelo pecado. Esse corpo do pecado é o
fator básico da fraqueza no guardar a lei de Deus.
Romanos 8:3 diz que a lei de Deus era fraca por meio
da carne. Por que a lei de Deus se tornou fraca? Por
causa da carne. A lei de Deus faz suas exigências, mas
o corpo dos pecadores não pode cumpri-las, porque
dentro do corpo está o pecado como o fator
enfraquecedor.
Embora o corpo do pecado ou a carne de pecado
seja excessivamente fraco em guardar a lei de Deus,
ele é poderoso em cometer pecado. A menos que você
tenha misericórdia e graça do Senhor, é difícil
permanecer sentado até o final das reuniões da igreja.
Quando pensa em ir para uma reunião de oração,
você pode dizer: “Não dormi bem a noite passada e
estou com dor de cabeça. Estou muito cansado para ir
à reunião.” Contudo se alguém lhe convidar para ir ao
cinema, o corpo do pecado é enérgico e poderoso.
Portanto nosso corpo é fraco para a lei de Deus, mas
muito forte para cometer pecado. Por isso, por meio
do nosso corpo do pecado a lei de Deus é fraca.

D. O Pecado Condenado
Sendo a lei fraca por meio do corpo do pecado,
que fez Deus quanto a isso? Que Deus fez nessa
situação? A lei de Deus faz suas exigências, mas foi
enfraquecida por meio da carne. O problema não está
com a lei em si; a dificuldade está com o pecado e com
a carne de pecado. O pecado é o transgressor e a
carne de pecado é sua ajudante. Os dois trabalham
juntos. Se Deus fosse resolver o problema, teria de
tratar tanto com o pecado como com a carne. Embora
o pecado, e não a carne, seja o primeiro problema,
Deus tem de tratar com ambos. Como Ele fez isso?
Deus o fez de maneira maravilhosa, de uma maneira
cuja explicação adequada está além das palavras
humanas. Deus solucionou o problema enviando Seu
próprio Filho “em semelhança da carne de pecado.”
Deus foi sábio. Sabia que não devia enviar Seu Filho
para ser carne de pecado, pois, se o fizesse, Seu Filho
seria envolvido com o pecado. Portanto enviou Seu
Filho “em semelhança da carne de pecado”, como
tipificado pela serpente de bronze levantada por
Moisés no deserto (Nm 21:9) e mencionado pelo
próprio Senhor Jesus. Em João 3:14, Jesus disse: “E?
o modo por que Moisés levantou a serpente no
deserto, assim importa que o Filho do homem seja
levantado”, indicando que a serpente de bronze era
uma figura Dele na cruz em nosso lugar. Quando
estava na cruz, aos olhos de Deus, Jesus estava na
forma de serpente. Quando Deus olhou para Jesus
sendo pregado na cruz, viu-O na forma de serpente.
Quem é a serpente? Satanás. Que é o pecado que foi
injetado no corpo do homem, transmutando-o na
carne de pecado? A natureza de Satanás. Portanto, a
carne de pecado realmente significa a carne com a
natureza de Satanás. A Bíblia diz que Jesus, o Filho de
Deus, tornou-se carne (Jo 1:14). Contudo isto
absolutamente não significa que Jesus tornou-se a
carne com a natureza de Satanás, porque 8:3 diz que
Ele foi enviado “em semelhança da carne de pecado”,
indicando, assim, que Jesus assumiu somente a
“semelhança da carne”, não a natureza pecaminosa
da carne. Além disso, 2 Coríntios 5:21 diz: “Ele O
(Cristo) fez pecado por nós”. Apesar desse versículo
dizer claramente que Cristo foi feito pecado, não
significa que Ele era pecaminoso em natureza. Ele
somente foi feito “em semelhança da carne de
pecado”. A serpente de bronze possuía a forma
serpentina da serpente, mas não possuía o veneno da
serpente. Possuía a forma serpentina, sem a natureza
serpentina. Em forma, Cristo foi feito pecado. Dentro
Dele não havia “nenhum pecado” (2Co 5:21; Hb 4:15).
Ele nada tinha a ver com a natureza do pecado. Ele
somente foi feito na forma da serpente, “em
semelhança da carne/de pecado” por nós.
João 12:31 diz: “Chegou o momento de ser
julgado este mundo, e agora o seu príncipe será
expulso.” Quando o Senhor Jesus proferiu essas
palavras, estava falando acerca de Sua morte
vindoura na cruz. O Senhor estava dizendo que a hora
de Sua crucificação seria a hora do julgamento de
Satanás, pois Satanás é o príncipe deste mundo, cujo
julgamento foi anunciado em João 12:31. Jesus foi
Aquele que foi pendurado na cruz, mas, aos olhos de
Deus, Satanás ali foi julgado. Portanto Hebreus 2:14
diz que pela morte, Cristo destruiu aquele que tem o
poder da morte, o diabo, Satanás. Por Sua morte na
carne sobre a cruz, Cristo destruiu Satanás. Na cruz,
Cristo, “em semelhança da carne de pecado”, não foi
apenas um substituto para os pecadores, tirando todo
seu pecado; Ele também foi crucificado na forma da
serpente destruindo completamente Satanás, o diabo.
A lei de Deus era fraca devido à carne de pecado.
Portanto Deus teve de tratar com ambos, carne e
pecado. Ele enviou Seu Filho “em semelhança da
carne de pecado”, isto é, na forma da serpente. Cristo
trouxe tal carne à cruz e lá crucificou-a. Todos os
seres do mundo espiritual, os anjos e os espíritos
malignos, sabem o significado disso. Quando
entrarmos na eternidade, olharemos para trás e
diremos: “Agora entendo como Satanás foi esmagado
por meio da carne de Cristo na cruz.” Satanás foi
esmagado, destruído por meio da própria carne que
Cristo a Si mesmo vestiu, porque tal carne estava na
forma da serpente. Quando tal carne foi crucificada
na cruz, Satanás foi esmagado e destruído.
Romanos 8:3 não diz apenas que Deus enviou
Seu Filho “em semelhança da carne de pecado”, mas
também que Ele O enviou “no tocante ao pecado”.
Algumas versões traduzem “no tocante ao pecado”
em “como uma oferta pelo pecado”, tomando aqui a
palavra pecado como sendo uma referência à oferta
pelo pecado. Apesar dessa interpretação não estar
errada, ela não transmite a idéia completamente. O
conceito de Paulo é que Deus enviou Seu Filho, não
apenas “em semelhança da carne de pecado”, mas
também “no tocante ao pecado”, isto é, para tudo
relacionado ao pecado, para que condenasse o pecado
e tudo relacionado a ele. Todas as coisas associadas
ao pecado foram condenadas na carne de Cristo na
cruz. Nunca se esqueça que o pecado é a natureza de
Satanás. A natureza de Satanás, isto é, o pecado,
estava na carne, e Cristo vestiu esta carne na qual o
pecado, a natureza de Satanás, habitava. Então Cristo
levou esta carne para a cruz e a crucificou. Por meio
disso, ambos, o pecado e Satanás, foram condenados.
Satanás estava ansioso e feliz por entrar no corpo
do homem, o qual se tornou carne após sua entrada,
ficando contente por ter um alojamento. Não importa
quão sábio seja Satanás, ele nunca poderá superar a
Deus. Deus é muito mais sábio. Deus enviou Seu
Filho em semelhança desta carne na qual Satanás
estava e condenou-a na cruz. Foi como se Satanás
houvesse pensado: “Agora, posso entrar no corpo do
homem.” Contudo Satanás não percebeu que isso era
uma armadilha. Quando Satanás tomou a isca, foi
capturado. Podemos usar a ilustração de uma
ratoeira. É difícil capturar um rato porque ele sempre
foge. Entretanto podemos usar uma ratoeira com
uma isca. O rato entra na armadilha intrigado com a
perspectiva de ter a isca em sua posse. Então é
capturado e um homem pode facilmente esmagá-lo.
Do mesmo modo, Satanás foi capturado e esmagado
na carne de Cristo sobre a cruz. Fazendo isso Deus
resolveu dois problemas de uma só vez: resolveu o
problema do pecado e da carne de pecado. Deus
resolveu o problema do pecado, cuja natureza e fonte
é Satanás, e o problema da carne. Louvado seja o
Senhor!

E. Cumprida a Exigência Justa da Lei


Romanos 8:4 diz: “Para que a justiça da lei se
cumprisse em nós, que não andamos segundo a
carne, mas segundo o espírito” (VRC). O fato de 8:3
acabar com um ponto e vírgula indica que o que foi
cumprido' naquele versículo destina-se ao versículo
seguinte. Deus condenou o pecado na carne a fim de
que a exigência justa da lei se cumprisse em nós.
Havia uma impossibilidade relacionada à lei de Deus
devido à carne. Portanto Deus enviou Seu Filho “em
semelhança da carne de pecado” e condenou o
pecado, resolvendo o problema duplo do pecado e da
carne, para que a exigência justa da lei se cumprisse
em nós. “Nós” refere-se àqueles “que não andam
segundo a carne, mas segundo o espírito”. O escrito
de Paulo é maravilhoso. Em 8:2 ele menciona o
Espírito Santo e em 8:4 não se refere somente ao
Espírito Santo, mas até mesmo ao espírito humano. O
Espírito Santo é o Espírito da vida, e o espírito
humano habitado pelo Espírito Santo e amalgamado
com o Espírito Santo é o espírito segundo o qual
devemos andar. O Espírito Santo da vida está em
nosso espírito humano. Se andarmos segundo este
espírito amalgamado, todas as exigências justas da lei
serão espontaneamente cumpridas. Não há
necessidade de guardarmos a lei. As exigências da lei
são espontaneamente cumpridas pela lei do Espírito
da vida.
F. A Mente como a Chave
Os próximos versículos oferecem alguma
explicação adicional. “Porque os que se inclinam para
a carne cogitam das cousas da carne; mas os que se
inclinam para o Espírito, das cousas do Espírito.”
Após mencionar o Espírito da vida e o espírito
humano amalgamado com o Espírito Santo, Paulo
chega até a mente. Paulo havia mencionado a mente
anteriormente em 7:25, que diz: “Com a mente sou
escravo da lei de Deus”. A frase “com a mente, (eu
mesmo)” indica que a mente em 7:25 era
independente. A mente no capítulo oito é diferente; é
a mente posta nas coisas do Espírito. Em Romanos 7,
a mente parte para agir independente; em Romanos
8, a mente volta a confiar no espírito, não agindo
mais por si própria.
A mente tem a posição de uma esposa. A maneira
mais sábia de uma esposa viver é não agir
independentemente, mas ir até seu esposo. Se a
esposa tem uma dificuldade, não deve por si própria
tratá-la. Deve apresentá-la ao esposo. Em Romanos 7,
a mente era independente, uma esposa agindo como
um esposo. Em Romanos 8, a mente mantém sua
posição como esposa, não mais partindo por si
própria, mas sempre se voltando ao esposo. A mente
no capítulo oito diz: “Querido marido espírito, que
devo fazer?” O marido espírito responde: “Querida
mulher, você não precisa fazer nada, eu tomarei conta
da situação.” Romanos 7 e 8 mostram-nos que a
mesma mente pode ter duas atitudes diferentes. No
capítulo sete, a mente age independentemente numa
posição errada, auto-assumida como o marido. No
capítulo oito a mente se torna a esposa adequada,
mantendo sua posição legítima e voltando a confiar
em seu esposo, o espírito .
Concluiremos com 8:6: “Porque a mente posta
na carne é morte, mas a mente posta no espírito é
vida e paz” (lit.) Desse versículo podemos ver que
mesmo a mente pode ser vida. A mente independente
não pode guardar a lei de Deus, mas a mente posta no
espírito é vida e paz. Tal mente é cheia de desfrute e
descanso. Paz é para o descanso e vida é para o
desfrute. Quando a mente é posta no espírito, não há
derrota, condenação ou sentimentos negativos —
somente vida e paz, desfrute e descanso. A mesma
mente que em si mesma é incapaz de guardar a lei de
Deus, pode ser uma mente de vida e paz através de
ser posta no espírito.
Isso não é uma teoria; isso funciona na prática.
Se você praticar, verá por si mesmo. Paulo não
escreveu Romanos 8 segundo a teoria, mas segundo
sua experiência. É fácil a lei ser cumprida
espontaneamente. Na verdade, não precisamos
fazê-lo por nós mesmos, pois a lei será cumprida em
nós espontânea e subconscientemente. Mesmo se não
tivermos intenção de cumprir a lei, descobriremos
que ela é cumprida. Você pode não ter a intenção de
amar sua esposa, contudo a ama inconscientemente.
Pode não estar consciente da submissão a seu
marido, todavia é inteiramente submissa, sem
percebê-lo. Esse é o cumprimento espontâneo,
automático das exigências da lei por ter a mente posta
no espírito.
Tanto em 7:25 quanto em 8:6, a mente sendo
independente ou dependente do espírito, representa
a própria pessoa. Assim quando a mente é
independente do espírito, significa que a pessoa age
por si mesma, sem confiar no espírito. Mas quando a
mente é dependente do espírito, a pessoa não age por
si mesma; ela confia no espírito. Portanto, ter a mente
posta no espírito significa ter todo nosso ser posto no
espírito e agir segundo o espírito. Como Cristo agora
é o Espírito que dá vida, habitando em nosso espírito
como nossa vida e tudo para nós, não devemos mais
agir por nós mesmos segundo a nossa mente
independente. Devemos manter nossa mente sendo
uma com o nosso espírito e agir, andar e ter todo o
nosso ser de acordo com o espírito, para que
possamos ser libertos da lei do pecado e da carne e
espontaneamente cumprir a exigência justa da lei de
Deus. Isso é ser liberto da lei do pecado e da morte
pela lei do Espírito da vida em Cristo. E é também
desfrutar o Cristo que habita interiormente como
nossa vida e suprimento de vida.
ESTUDO-VIDA DE ROMANOS
MENSAGEM 16
A LIBERDADE DO ESPÍRITO EM NOSSO ESPÍRITO
(3)

III. O HABITAR INTERIOR DE CRISTO O


ESPÍRITO
Embora em Romanos 8:1-6 vejamos claramente
a liberdade da lei do Espírito da vida, é difícil vermos
o ponto central dos próximos sete versículos.
Contudo, se aprofundarmo-nos no pensamento desta
porção, veremos que nela Paulo está tentando
dizer-nos que algo além do pecado faz morada em
nosso interior. Em 7:20 Paulo disse: “Mas, se eu faço
o que não quero, já não sou eu quem o faz, e, sim, o
pecado que habita em mim.” Portanto Romanos 7
expõe o pecado que habita em nós. Como vimos,
Romanos 8 está em nítido contraste com Romanos 7.
Romanos 7 tem a escravidão, Romanos 8 tem a
liberdade. Romanos 7 tem a lei, Romanos 8 tem o
Espírito. Romanos 7 tem a nossa carne, Romanos 8
tem o nosso espírito. Além disso Romanos 7 tem o
pecado que habita interiormente. Segundo Romanos
8, habita em nós o quê? É Cristo, o Cristo que habita
interiormente. Em Romanos 7 temos o pecado que
habita em nós como o fator principal de toda
desventura. Em Romanos 8 temos o Cristo que habita
interiormente como o fator de toda bem-aventurança,
Se Cristo não fosse o Espírito, jamais poderia
habitar em nós. Ele tem de ser o Espírito a fim de
habitar em nós. Nos versículos 9 e 10 encontramos
três termos sinônimos usados de forma permutável:
“o Espírito de Deus”, “o Espírito de Cristo” e “Cristo”.
Além disso, o versículo 11 refere-se ao Espírito que
habita interiormente. Estes sinônimos indicam e
provam que Cristo é o Espírito que habita
interiormente. Sem dúvida, o “Espírito de Deus” no
versículo 9 é “o Espírito da vida” no versículo 2. Após
Paulo mencionar “o Espírito de Deus”, fala sobre o
“Espírito de Cristo” e o próprio “Cristo”. Então, no
versículo 11 refere-se ao Espírito que habita
interiormente. Isso significa que o “Espírito de Deus”
é o “Espírito de Cristo” e que o “Espírito de Cristo” é o
próprio Cristo. Portanto Cristo em nós é o Espírito
que habita interiormente. Ele é o “Espírito da vida”, é
“o Espírito de Deus” e também é “o Espírito de
Cristo” habitando em nós para dispensar-se como
vida para nós. Cristo não somente dispensa vida para
o nosso espírito (v. 10), mas também para a nossa
mente (v. 6) e para o nosso corpo mortal (v. 11).
Portanto Cristo agora é vida no Espírito Santo (v. 2),
vida em nosso espírito (v. 10), vida em nossa mente
(v. 6) e vida em nosso corpo mortal (v. 11). Cristo é
vida com riquezas quádruplas.
Apesar de o livro de Romanos ter estado em
minhas mãos por anos, apenas recentemente vi que
Cristo é a vida quádrupla. Cristo é vida para nós com
riquezas quádruplas, intensificadas. Ele não é
somente vida no Espírito divino e em nosso espírito
humano; Ele é vida até mesmo em nossa mente. Além
disso Cristo pode ser vida para o nosso corpo mortal.
Em outras palavras, Ele agora é a vida de Deus, bem
como a vida no povo de Deus. Este é o ponto principal
de 8:7-13. O ponto central é que Cristo como o
Espírito que habita interiormente é vida para nós
com riquezas quádruplas. Ele é tão rico. Ele sustenta
nosso espírito, supre nossa mente e ainda vivifica
nosso corpo mortal. Essa vida, que é o próprio Cristo,
é a vida que desfrutamos hoje. Possa o Senhor revelar
isto completamente para nós, não meramente de uma
maneira doutrinária, mas no aspecto da experiência.
Todos devemos ver que nosso Cristo é o Espírito que
habita interiormente como vida com riquezas
quádruplas.

A. A Carne
Romanos 8:7 diz: “Por isso o pendor da carne é
inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de
Deus, nem mesmo pode estar.” Esse versículo diz
enfaticamente que nossa carne é um caso sem
esperança. Se a nossa mente for posta na nossa carne,
ela também se torna sem esperança. Tudo o que é um
com a carne é sem esperança. Não pense que você
pode santificar a sua carne. Isso é impossível. Carne é
carne, e a carne é absolutamente sem esperança.
Nunca deposite qualquer esperança na sua carne. Ela
nunca pode ser melhorada. Deus tomou a decisão
definitiva de que a carne deve ser terminada porque
ela é totalmente corrupta. Deus julgou a geração de
Noé com o dilúvio porque aquela geração tornara-se
carne (Gn 6:3). Quando aquela geração tornou-se
carne, Deus a considerou sem esperança. Deus achou
impossível resgatá-la, restaurá-la ou melhorá-la.
Deus parecia dizer: “Que tal geração se vá. Preciso
colocá-la completamente sob o meu julgamento.” O
julgamento do dilúvio foi o julgamento sobre a carne.
Somente quando o homem se tornou carne é que
Deus exerceu julgamento sobre ele como carne.
Portanto nunca diga que sua carne pode ser
melhorada. Nunca pense que sua carne hoje é melhor
do que antes de você ser salvo. Quer uma pessoa seja
ou não salva, a carne continua sendo a carne. A carne
é sem esperança, e tudo que se relaciona a ela
também é sem esperança.
Paulo disse que a mente posta na carne é
inimizade contra Deus. A carne é inimizade contra
Deus, e a mente posta nela também é inimizade
contra Deus. A mente posta na carne não está sujeita
à lei de Deus. É impossível a esta mente estar sujeita à
lei de Deus, mesmo se ela o desejar. Assim o veredito
sobre a carne é definitivo. A carne está perdida e
também tudo o que se relaciona a ela.
Paulo prossegue esse pensamento no versículo 8,
que diz: “Os que estão na carne não podem agradar a
Deus.” Enquanto estivermos na carne não podemos
agradar a Deus. Nunca diga que sua carne é boa. Nos
versículos 7 e 8 vemos quatro pontos: que a carne é
inimizade contra Deus, que não está sujeita à lei de
Deus, que não pode estar sujeita à lei de Deus e que
não pode agradar a Deus. Essa é a condição da carne.

B. o Habitar Interior de Cristo o Espírito


“Vós, porém, não estais na carne, mas no
espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós.
Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal
não é dele” (v. 9 — VRC). Nas Epístolas muitos
versículos iniciam com a maravilhosa palavra
“porém”. Aleluia pelo “porém”! Em nossa história
precisamos de muitos “poréns” como este.
Deveríamos ser capazes de dizer: “Oh, eu estava
abatido esta manhã, 'porém'. Sou tão fraco em mim
mesmo, 'porém'. Sou absolutamente sem esperança,
'porém'.” Paulo diz: “Vós, porém, não estais na
carne”. Nunca diga que você tem uma boa carne e que
está em sua boa carne. Não deveríamos permanecer
em nossa carne, pois nossa carne foi condenada. Se
uma casa foi condenada pelo governo, é ilegal você
permanecer nela. Da mesma forma, a. carne foi
totalmente condenada por Deus e não deveríamos
permanecer nela argumentando que nossa carne
melhorou. Não deveríamos estar na carne, mas no
espírito. Este espírito denota o espírito humano
amalgamado com o Espírito divino.

1. O Habitar Interior do Espírito de Deus


Há uma condição para estarmos no espírito. A
condição é que o Espírito de Deus habite em nós (v.
9). A palavra “habitar” na verdade significa “fazer
morada”. Estamos no espírito se o Espírito de Deus
habita, faz Sua morada, em nós. Embora seja salvo,
talvez o Espírito de Deus ainda não faça Sua morada
em você. Isso explica porque você ainda não está no
espírito. Embora o Espírito de Deus esteja em você,
Ele tem sido incapaz de fazer Sua morada em você.
Ele não habita em você. Posso ser convidado para ir à
sua casa, mas sou impossibilitado de fazer minha
morada em sua casa. Estou lá como um convidado,
impossibilitado de estabelecer-me ali. Do mesmo
modo o Espírito de Deus está em nós, contudo, pode
ser impossibilitado de habitar em nós. Ele é o
convidado, e não o morador. Se o, Espírito de Deus
puder fazer Sua morada em nós, estabelecendo-se em
nós com um espaço adequado, então estaremos no
espírito e não na carne. Entretanto, se o Espírito de
Deus não tiver este espaço para se alojar,
permaneceremos na carne e não no espírito.

2. O Habitar Interior do Espírito de Cristo


O versículo 9 diz: “Mas, se alguém não tem o
Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (VRC).
Imediatamente “o Espírito de Deus” é mudado para
“o Espírito de Cristo”. Ninguém pode negar que isso
indica que “o Espírito de Deus” é “o Espírito de
Cristo” e que “o Espírito de Cristo” é “o Espírito de
Deus”. Paulo diz: “Se alguém não tem o Espírito de
Cristo, esse tal não é Dele.” Se você percebeu que o
Espírito de Deus ainda não faz morada em você, não
fique desencorajado. Não diga: “Uma vez que o
Espírito de Deus não tem uma morada em mim,
desisto.” Embora o Espírito de Deus não habite em
você, certamente você tem o Espírito de Deus, que é o
Espírito de Cristo. Contanto que tenha o Espírito de
Cristo, você é de Cristo. Você não é de Cristo? Todos
devemos declarar: “Aleluia, sou de Cristo!” Temos o
Espírito de Cristo em nós e somos de Cristo.
Entretanto, se o Espírito de Deus, que é o Espírito de
Cristo, habita ou não em nós, é uma questão
condicional. O Espírito de Cristo tem de fazer Sua
morada em nós, tem de tomar posse do nosso ser
interior, para que possamos estar no espírito.

3. O Habitar Interior de Cristo


O versículo 10 diz: “Se, porém, Cristo está em
vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do
pecado, mas o espírito é vida por causa da justiça.”
Aqui é dito que Cristo está em nós. No versículo 9 é o
“Espírito de Deus” e em seguida “o Espírito de
Cristo”. Agora, no versículo 10 é o próprio “Cristo”.
Isso certamente prova que “Cristo” é “o Espírito de
Deus” e “o Espírito de Cristo”. Todos precisamos
admitir isso. Cristo como o Espírito está em nós. Isto
é uma coisa tremenda. Em Romanos 3, onde Cristo
estava? Ele estava na cruz, derramando Seu sangue
para a redenção. No capítulo 4, onde Cristo estava?
Ele estava em ressurreição. Mas. no capítulo 8, Cristo
está em nós. No capítulo 6 estamos em Cristo, mas no
capítulo 8 Cristo está em nós. Estar em Cristo é um
aspecto, ter Cristo em nós é outro. Primeiro,
habitamos em Cristo, em seguida Cristo habita em
nós (Jo 15:4). Nosso habitar Nele produz o Seu
habitar em nós. Estar em Cristo é a condição para
Cristo estar em nós. Louvado seja o Senhor porque
Cristo está em nós. Cristo tem trabalhado a Si mesmo
dentro de nós; Ele tem sido processado para dentro
de nós. Este Cristo tem de habitar e fazer a Sua
morada em nós.

a. O Pecado que Habita Interiormente


Trazendo Morte para o Corpo
Apesar de Cristo estar em nós, nosso corpo ainda
permanece morto por causa do pecado. Após lerem a
mensagem anterior na qual salientamos que Deus
condenou o pecado na carne, alguns podem dizer:
“Uma vez que Deus condenou o pecado, ele não pode
mais atuar. Nosso corpo não mais está morto, agora
ele está vivo.” Esta não é a compreensão correta da
palavra de Paulo. Embora Deus tenha condenado o
pecado na carne, o pecado continua a habitar em
nosso corpo, e assim nosso corpo ainda não está
morto. Há muita discussão sobre este ponto. Alguns
dizem que uma vez que Deus condenou o pecado na
cruz, ele foi anulado e os crentes não podem pecar.
Alguns até mesmo dizem que após sermos salvos, o
pecado está erradicado ou desarraigado. A escola da
erradicação ensina que quando fomos salvos a raiz do
pecado dentro de nós foi extraída. Todos os que
seguem esta escola crêem que o pecado foi erradicado
do ser de uma pessoa que é salva.
Aproximadamente quarenta anos atrás, em
Xangai, havia um pregador que ensinava fortemente
esse conceito da erradicação. Ele dizia às pessoas que
elas não podiam pecar após serem salvas. Certo dia,
este pregador e vários jovens que estavam sob seu
ensinamento foram para o parque da cidade, em
Xangai. Aquele parque exigia a aquisição de um
bilhete para a entrada. Esse homem comprou três ou
quatro bilhetes para serem usados por um total de
cinco pessoas. Como ele fez isso? Primeiramente
alguns deles entraram no parque com os bilhetes.
Então, um deles saía com os bilhetes e dava um
bilhete a um dos outros. Isso continuou até que todos
os cinco homens entraram no parque. Dessa forma
pecaminosa, aquele pregador introduziu seus quatro
jovens discípulos pelo portão do parque. Como
resultado disso, um dos jovens começou a duvidar do
ensinamento da erradicação. Ele disse para si
mesmo: “Que você está fazendo? Você disse que o
pecado foi erradicado de você. Que é isso?” Por fim o
jovem foi ao pregador e disse: 'Aquilo não foi um
pecado?” O pregador replicou: “Não, aquilo não foi
um pecado. Foi apenas uma pequena fraqueza.” Não
importa os termos que usemos, pecado é pecado.
Embora você possa chamá-lo por outro nome, mesmo
assim, ele permanece pecado. Nunca aceite um
ensinamento que diga que nos tornamos tão
espirituais e santos que é impossível pecarmos. Se
aceitarmos tal doutrina, seremos iludidos e o
resultado será a miséria.
O Senhor Jesus consumou tudo na cruz, mas o
efeito do que Ele fez somente pode ser tornado real
por nós quando estamos no Espírito. De fato, tudo o
que Cristo fez na cruz nos inclui. Nós realmente
temos uma parte, uma porção, em tudo o que Cristo
consumou na cruz. Isso é um fato glorioso.
. Entretanto, ainda precisamos experimentá-lo
embora o pecado em nosso corpo tenha sido
totalmente tratado pela cruz de Cristo. Como
podemos experimentar esse fato? A única maneira é
estar no Espírito. O Espírito de Cristo é
todo-inclusivo. Tudo o que Cristo é, fez, obteve e
alcançou está no Espírito todo-inclusivo. Assim se
vamos experimentar tudo o que temos em Cristo,
precisamos estar no Espírito de maneira
experimental e experiencial. É o Espírito
todo-inclusivo que transmite para o nosso interior
tudo o que temos em Cristo.
Não podemos permitir-nos ficar fora do Espírito.
Dia após dia, hora após hora e mesmo momento após
momento precisamos estar no Espírito. Não diga: '1\
noite passada tive um momento maravilhoso com o
Senhor. Agora sou mais santo que os anjos e todos os
meus problemas se acabaram.”
Embora você nossa ter tido tal experiência por
um breve momento ~ noite A passada, se não
permanecer no Espírito todo-inclusivo você pode
afundar até o inferno. Não diga que desde que
recebeu uma certa visão ou revelação ou teve uma
experiência espiritual particular, você é santo e não
tem problemas. Se disser ISSO, mais tarde poderá
achar-se em desventura.
Uma boa figura do Espírito é o ar. Necessitamos
respirá-lo constantemente. Nunca podemos dizer:
“De manhã respirei profundamente, assimilando uma
grande quantidade de ar fresco. Agora estou
preenchido de ar e não necessito mais respirar.” Você
nunca deve cessar de respirar e nunca deve afastar-se
do ar. Nunca pense que uma vez que foi preenchido,
não precisa respirar novamente. Se parar de respirar,
estará morto após cinco minutos. A experiência do
Espírito da Vida e como o respirar. Precisamos
respirar a cada momento. Devemos permanecer no
Espírito que dá vida, pois, uma vez separados Dele,
estamos mortos. Não diga que você e qualificado e
experimentado. Você precisa estar sempre fresco e,
novo. Não me preocupo há quanto tempo estou salvo
ou ha quanto tempo tenho experimentado as riquezas
do Senhor. Somente me preocupo com uma coisa:
que eu esteja, agora, no Espírito. Devo estar a todo
instante e de maneira fresca no Espírito. O Espírito
que dá vida é como o ar. Devemos respirá-Lo
incessantemente.

b. O Cristo que Habita Interiormente


Trazendo Vida para o Nosso Espírito
Embora Cristo esteja em nós, nosso corpo ainda
está morto por causa do pecado. O pecado que habita
interiormente trouxe morte ao nosso corpo.
Entretanto não devemos ficar aborrecidos pelo nosso
corpo morto uma vez que nosso espírito é vida. por
causa da justiça. Cristo que habita interiormente traz
Vida ao nosso espírito por intermédio da justiça. Essa
justiça é a justiça de Deus, que é Cristo.
Primeiramente, Cristo é justiça para nós, e então, por
causa disso, Ele também é vida para nós. Quando o
filho pródigo voltou a casa, ao seu pai, não estava
qualificado a sentar-se com ele e comer o novilho
cevado. Ele ainda não estava vestido com a
vestimenta apropriada, a melhor roupa, que tipifica
Cristo, a justiça de Deus, como a cobertura que nos
qualifica a sentarmos com o Pai e a desfrutarmos
Cristo como vida. Primeiro devemos ter Cristo como a
nossa justiça. Então, sob esta justiça, sob esta “roupa”
justa, estamos qualificados a desfrutar Cristo como a
nossa vida. Uma vez que Cristo está em nosso
espírito, nosso espírito é vida por causa de Cristo
como a nossa justiça. Agora, não somente o Espírito
de Deus é vida, até mesmo o nosso espírito
regenerado é vida. O Espírito, que é o próprio Cristo,
agora é vida em nosso espírito. Portanto nosso
espírito torna-se vida. O Cristo que habita
interiormente trouxe vida ao nosso espírito.

c. O Dispensar de Vida
O versículo 11 diz: “E, se o Espírito daquele que
dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele
que dos mortos ressuscitou a Cristo também
vivificará os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito
que em vós habita.” O Espírito, nesse versículo, é o
Espírito da ressurreição. Vimos que o nosso espírito é
vida (v. 10) e que a nossa mente também é vida (v. 6).
Chegamos agora ao último item do nosso ser: nosso
corpo mortal. Nosso corpo está perecendo.
Entretanto, a vida é dispensada até mesmo para o
nosso corpo mortal que está perecendo. Nosso corpo
pode participar desta vida, ser sustentado com ela e
ser suprido com esta vida por meio do Seu Espírito
que em nós habita. Sem dúvida o Espírito que habita
interiormente é o Cristo ressurreto (1Co 15:45; 2Co
3:17). Cristo, como o Espírito que habita
interiormente, continuamente dispensa vida a cada
parte do nosso ser.
Uma excelente ilustração disto é a eletricidade.
Embora a eletricidade tenha sido instalada numa
casa, sua corrente pode ser cortada. Cristo, o Espírito
que dá vida, foi instalado em nosso ser como a
eletricidade celestial. Entretanto, só uma pequena
parte do nosso ser Lhe dá um caminho livre; a maior
parte não está aberta para Ele, pelo contrário, O
frustra. Por exemplo, as suas emoções podem ser
uma frustração para Cristo. Portanto, Cristo tem
dificuldade em se dispensar como vida em suas
emoções. Você precisa orar: “Senhor, trata com as
minhas emoções. Transpõe minhas emoções para se
dispensar como vida nelas.” Precisamos desse tipo de
experiência. Não tome isso como uma doutrina ou
ensinamento. Isso deve ser posto em prática. Se
praticar isso, descobrirá que Cristo como vida está
agora em seu espírito, esperando por uma
oportunidade para se expandir em cada área e
avenida do seu ser. Se você se abrir a Ele, Ele até
mesmo se dispensará como vida para o seu corpo
mortal, fazendo de você uma pessoa que é preenchida
com todas as riquezas da Sua vida. Ele se tornará uma
vida quádrupla em você, para fazer o seu espírito,
mente e corpo vivos.

D. Nossa Cooperação
O versículo 12 diz: 'Assim, pois, irmãos, somos
devedores, não à carne como se constrangidos a viver
segundo a carne” e Esse versículo também prova que
após sermos salvos, ainda permanece a possibilidade
de vivermos segundo a carne. Se isso fosse
impossível, por que Paulo nos lembraria que não
somos devedores à carne? Precisamos dizer: 'Aleluia!
Não sou um devedor à carne. Não devo nada a ela.
Não estou obrigado a ela. Estou desobrigado e livre.
Fui libertado totalmente dessa coisa sem esperança
chamada carne. Não sou mais um devedor à carne
para viver segundo ela.”

1. Não Vivendo Segundo a Carne


Paulo prossegue: “Porque, se viverdes segundo a
carne, caminhais para a morte; mas, se pelo Espírito
mortificardes os feitos do corpo, certamente vivereis”
(8:13). O sujeito, aqui, certamente denota pessoas
salvas. Assim esse versículo é mais uma prova de que
uma pessoa salva pode viver segundo a carne. Se
vivermos segundo a carne, estaremos prestes a
morrer. Obviamente esse tipo de morte não é física; é
espiritual. Se você vive segundo a carne, está prestes a
morrer em seu espírito. Contudo se pelo Espírito
mortificar as práticas do corpo — isto é, mortificar ou
crucificá-las — você viverá. Isso significa que você
viverá no espírito. Esse versículo corresponde ao
versículo 6, que diz que a mente posta na carne é
morte, e que a mente posta no espírito é vida. Viver
segundo a carne significa, em primeiro lugar, por a
nossa mente na carne e, do mesmo modo, pôr a nossa
mente na carne significa, principalmente, viver
segundo a carne. A fim de mortificarmos as práticas
do corpo, precisamos pôr a nossa mente no espírito e
andar segundo o espírito.
Tomem o exemplo de uma irmã indo fazer
compras. Ela vê um certo artigo na loja que está à
venda por cinco mil cruzeiros. A irmã pensa consigo
mesma: “Ganho quatrocentos mil cruzeiros por mês.
Gastar cinco mil cruzeiros em roupas nada significa.
O Senhor não é. pobre, Ele é rico. j\ semana passada
dei noventa mil cruzeiros para a edificação da igreja.
Que há de errado em gastar cinco mil cruzeiros?
Certamente o Senhor é gracioso.” Quanto mais
argumenta, mais ela morre. Enquanto está pensando
dessa maneira, seu espírito está sufocado. Ela pode
tentar confortar-se, dizendo: “Não devo ser tão
religiosa. Não há nada de errado com o que estou
fazendo.” Contudo quanto mais tenta sustentar seu
espírito, mais baixo ele desce. Quando ela vem a
reunião tudo o que pode fazer é conservar a aparência
e esforçar-se por manter a imagem de uma irmã
espiritual. Embora ela grite: “Aleluia!”, é sem vida e
vazio, como um sinal de que ela está morta em seu
espírito. Embora sofra morte em seu espírito, ela não
se arrepende imediatamente. Na semana seguinte ela
pondera se a peça de roupa ainda esta disponível. Por
fim, ela a adquire e leva para casa. Neste ponto ela
não está somente morta, seu espírito foi colocado
dentro de um caixão e está pronto para ser enterrado.
Quando vier à reunião não poderá sequer exibir um
aleluia formal. Ela assiste às reuniões, mas fica
sentada lá como um cadáver. Um dos presbíteros diz
ao outro: “Que aconteceu àquela irmã? Dois meses
atrás ela estava tão viva. Qual é o problema agora? Há
algum problema com seu casamento?” Não precisou
de um grande problema, tal como uma dificuldade
em seu casamento, para colocá-la em um caixão. A
pequena questão de adquirir uma peça de roupa por
cinco mil cruzeiros matou seu espírito. Ela
permanece nesta condição até que um dia, pela
misericórdia do Senhor, se arrepende.
Você precisa examinar a sua própria
exponencial. Se ao pensar sobre certo assunto, você
não tiver descanso em seu espírito, pare de pensar.
Chame sua mente para fora daquilo que deixa seu
espírito sem descanso. Sempre que tentar
argumentar e se sentir vazio em seu espírito, pare e
volte sua mente ao espírito. Você precisa dizer: “Ó
Senhor Jesus, salva-me. Senhor, livra a minha mente
dessa consideração que me traz morte.” Se fizer isso,
imediatamente terá descanso, conforto, satisfação e
mesmo fortalecimento em seu espírito. Enquanto
tiver descanso, conforto e satisfação interior isso será
uma indicação de que sua mente esta colocada na
'direção correta. Se não tiver descanso, conforto ou
satisfação, mas pelo contrário, sentir-se triste, vazio e
m: quieto, isto será uma indicação de que a sua
direção e rumo a morte. Neste caso você precisa
trazer a sua mente de volta ao espírito.
Em Romanos 8 não encontramos ensinamentos.
É-nos dito simplesmente, para andarmos segundo o
espírito. Como podemos andar segundo o espírito?
Cuidando de nossa mente colocando-a sempre na
direção correta. A mente não deve estar voltada para
o exterior, mas para o interior; não para as compras,
exteriormente, mas par~? espírito, interiormente. Se
colocar a sua mente no espírito, você andara segundo
o espírito. Desse modo, desfrutamos Cristo e
participamos totalmente do Espírito todo-inclusivo.
Automática e inconscientemente temos o
cumprimento das exigências justas da lei de Deus (v.
4). Dia a dia teremos o desfrute de Cristo como a
nossa vida quádrupla. Tudo o que precisamos fazer é
cuidar da nossa mente. Onde está a sua mente? Em
que direção está a sua mente? Precisamos dizer:
“Senhor, tenha misericórdia de mim e concede-me a
Tua graça para que eu tenha sempre a mente voltada
a Ti e posta no meu espírito.”

2. Mortificando as Práticas do Corpo


Quando tivermos nossa mente posta no espírito,
nossa carne será mortificada. Colocando nossa mente
no espírito, mortificamos as práticas do corpo. Isto é
o “crucificar a carne” (Gl 5:24). Quando desejamos
fazer compras, nossos pés podem tentar andar, mas o
nosso espírito dirá: “Permaneça na cruz.” Isto é
mortificar, levar à morte ou crucificar os feitos do
nosso corpo. Como resultado experimentaremos a
morte de Cristo. A genuína experiência da
co-crucificação com Cristo está no mortificar das
práticas do corpo por meio do Espírito. Isso não
ocorre de uma vez por todas; é um exercitar diário
constante. Toda prática do corpo deve ser mortificada
por voltarmos nossa mente ao espírito e a colocarmos
no espírito. Este é o modo de “andar segundo o
espírito” (v. 4).
A palavra “andar” inclui todo o nosso viver: o que
dizemos, o que fazemos e aonde vamos. Quando,
continuamente, colocamos a nossa mente no espírito,
todo o nosso andar será segundo o espírito. Podemos
chamar isto de vida santa, de vida vitoriosa ou de vida
gloriosa Não importa como possamos chamá-la, ela é
a expressão do Cristo que habita interiormente como
nossa vida quádrupla. Esta é a experiência que
precisamos ter na vida da igreja.
ESTUDO-VIDA DE ROMANOS
MENSAGEM 17
SANTIFICAÇÃO EM VIDA
Antes de entrarmos na seção referente à
glorificação, tenho encargo para liberar uma
mensagem adicional sobre a questão da santificação
em vida.

A JUSTIÇA, A SANTIDADE E A GLÓRIA DE


DEUS
Paulo era um excelente escritor e seu tema era
muito profundo. No livro de Romanos, Paulo aborda
primeiro a questão da condenação e então prossegue
abordando a justificação, a santificação e a
glorificação. Ao tratar conosco, Deus sempre se
preocupa com três de Seus atributos divinos: Sua
justiça, Sua santidade e Sua glória. Deus é justo, Deus
é santo e Deus é um Deus de glória. A justiça
relaciona-se aos Seus atos, caminhos e atividades.
Tudo o que Deus faz é justo. A santidade é a natureza
de Deus. Santidade não é uma questão de ação, mas
de natureza. Assim como a natureza de uma mesa é
madeira e a natureza de um livro é papel, a natureza
de Deus é santidade. Os atos de Deus são justos e Sua
natureza é santidade. Que é glória? Glória é o próprio
Deus expressado. Quando Deus é expressado, isto é
glória. Portanto, na justiça vemos os caminhos de
Deus; na santidade vemos a natureza de Deus e na
glória vemos Deus expressado. Três seções de
Romanos — justificação, santificação e glorificação —
são compostas de acordo com estes três atributos de
Deus: justificação de acordo com a Sua justiça,
santificação de acordo com a Sua santidade e
glorificação de acordo com a Sua glória.
No primeiro estágio da salvação de Deus,
participamos de Sua justiça. Esta é a justificação na
qual ganhamos a justiça de Deus. No segundo estágio,
estamos no processo de santificação, processo em que
Deus trabalha Sua natureza divina em nosso interior.
A justiça de Deus é imputada a nós como justificação,
mas não é trabalhada em nosso interior. Contudo, na
santificação de Deus, Sua santidade é trabalhada em
nosso interior. Apesar de termos obtido a justiça de
Deus e de termos participado dela exteriormente, a
santidade de Deus precisa ser trabalhada em nós
interiormente. O segundo estágio da salvação de Deus
é aquele no qual Ele trabalha Sua natureza santa para
dentro do nosso ser.
A fim de executar isso, Deus foi processado no
Espírito da vida disponível (8:2). Antes de ser
processado, Ele não era disponível para executar este
trabalho subjetivo de santificação. Antes de ser
processado, Ele foi capaz de criar o mundo, mas era
incapaz de entrar em Sua criatura. Embora pudesse
fazer muitas coisas fora de nós, não poderia vir para
dentro de nós, até que passasse pelo processo
completo de encarnação, crucificação e ressurreição.
Uma vez processado, Ele se tornou e ainda é o
Espírito da vida disponível. Agora, da mesma
maneira que o ar que respiramos (Jo 20:22), é tão
fácil para Ele entrar em nós! Deus, como o Espírito da
vida disponível, entrou em nosso espírito, tornando-o
vida. Uma vez que Cristo, o Espírito que dá vida, está
em nós, nosso espírito é vida por causa da justiça
(8:10). Por meio da regeneração, o Senhor fez com
que o nosso espírito se tornasse vida. Agora, como o
Espírito da vida em nosso espírito, Ele está se
expandindo do nosso espírito para a nossa alma:
nossa mente, emoção e vontade. Finalmente, Ele se
expandirá até mesmo para o nosso corpo mortal.
Dessa maneira, Deus nos satura Consigo mesmo.
Essa saturação é chamada de santificação. Por meio
dessa saturação, Deus trabalha a Si mesmo, com Sua
natureza santa para dentro de todo o nosso ser: nosso
espírito, alma e corpo (1Ts 5:23). Assim, todo o nosso
ser será completamente permeado e santificado com
Sua natureza santa. Atualmente estamos sendo
submetidos. a este processo de santificação, o
segundo estágio da salvação de Deus.
No próximo estágio, seremos arrebatados e
glorificados. Será a redenção do nosso corpo.
Glorificação significa transfigurar nosso corpo de
humilhação em um corpo glorioso (Fp 3:21). Naquele
tempo, seremos introduzidos completa e
absolutamente no próprio Deus como nossa glória.
Então seremos plenamente glorificados.
O primeiro estágio da salvação de Deus, a
justificação, cuida do nosso espírito; o segundo
estágio, a santificação, trata principalmente da nossa
alma, com uma pequena quantidade de saturação no
nosso corpo; o terceiro estágio, a glorificação,
refere-se ao nosso corpo. Em Romanos 8:10, Paulo
diz que se Cristo está em nós, nosso espírito é vida
por causa da justiça, significando que na justificação
de Deus ganhamos justiça. Por meio dessa justiça,
nosso espírito tornou-se vivo, e mais do que isso,
torna-se vida. Contudo ainda não existe a vida divina
na nossa alma. Portanto precisamos cooperar com
Cristo que habita em nosso interior pondo nossa
mente no espírito e permitindo que o Espírito da vida
sature a nossa mente Consigo mesmo. Então, nossa
mente será vida. Se continuarmos a cooperar, Aquele
que satura e se expande, expandir-se-á do nosso
espírito até' mesmo para o nosso corpo mortal.
Depois, precisaremos apenas esperar pelo tempo em
que o nosso corpo será levado para Sua glória. Esta
será a nossa glorificação.
Agora podemos entender por que Paulo escreveu
Romanos nesta ordem: primeiro justificação, em
seguida santificação e glorificação. Essas três seções
abrangem os três estágios da salvação completa e
correspondem às três partes do nosso ser. Na
justificação, nosso espírito é vivificado; na
santificação, nossa alma torna-se vida e na
glorificação, até mesmo o nosso corpo será cheio de
vida. Quando esse processo for completado, seremos
não apenas justificados e santificados, mas também
glorificados. Atualmente estamos no processo de
santificação. Portanto tenho encargo de liberar esta
mensagem sobre a santificação em vida. Embora você
possa nunca ter ouvido o termo santificação em vida,
ele é um fato.
Desde o início do livro de Romanos até o
versículo 8:13, duas coisas principais são abordadas:
justificação e santificação, Na justificação, Deus nos
dá a Sua justiça, que é o próprio Cristo. Deus fez
Cristo justiça para nós. Contudo, isto é objetivo, pois
justiça é Cristo como nossa cobertura. Portanto a
justiça é objetiva, assim como o telhado que nos
cobre. Entretanto, no segundo estágio, o estágio da
santificação, Deus está trabalhando Cristo no nosso
interior, a fim de fazê-Lo nossa santificação
subjetivamente. Todo o nosso ser será permeado com
a natureza santa de Deus. Isso é santificação em vida.
VIDA E SANTIFICAÇÃO EM ROMANOS
Nos primeiros sete capítulos e meio de Romanos,
a palavra vida é usada muitas vezes. Esta vida é
principalmente para a santificação. É por meio desta
vida que Cristo nos permeia, satura e infunde a
natureza santa de Deus em nosso interior,
fazendo-nos santos disposicionalmente. Em outros
livros da Bíblia, a santificação por meio do sangue é
mencionada e é-nos dito que o sangue de Cristo nos
santifica (Hb 13:12). Contudo não encontramos este
aspecto da santificação no livro de Romanos. Neste
livro, não temos a santificação objetiva por meio do
sangue, e sim a santificação subjetiva em vida. Por
isso esta mensagem refere-se à santificação em vida.
Portanto precisamos ler e considerar alguns
versículos que mencionam essa questão de vida.
Em 1:4, Paulo fala de Cristo, dizendo que Ele “foi
designado Filho de Deus, com poder, segundo o
Espírito de santidade, pela ressurreição dos mortos”.
Aqui, o “Espírito de santidade” está em contraste com
a “carne” em 1:3. Assim como a carne em 1:3 refere-se
à essência humana de Cristo, assim também o
Espírito, em 1:4, não se refere à Pessoa do Espírito
Santo, mas à essência divina de Cristo, que é “a
plenitude da' Divindade [Deidade — lit.]” (Cl 2:9).
Essa essência divina de Cristo, sendo Deus o próprio
Espírito (Jo 4:24), é de santidade, plena da natureza e
qualidade de ser santo. Cristo tem duas naturezas: a
humana e a divina. Cada natureza tem uma essência.
A essência de Sua natureza humana, Sua
humanidade, é carne; a essência de Sua divindade é o
Espírito de santidade. Aqui, portanto, o Espírito de
santidade é a essência divina da Pessoa de Cristo.
Esta essência é santidade.
A última parte do versículo 1:17 declara: “O justo
viverá por fé”. “Viverá” pode ser traduzido por “terá
vida e viverá”. Com que propósito teremos vida?
Principalmente para que sejamos santificados.
Embora tenhamos sido Justificados, ainda
necessitamos ter vida para que possamos ser
santificados, isto é, tenhamos a natureza santa de
Deus trabalhada dentro do nosso ser. Isto é
santificação,
Em 5:10, Paulo diz que “seremos salvos pela [em
— lit.] Sua vida”. Esta salvação em Sua vida não visa a
justificação, pois esta já foi obtida por meio de Sua
morte. Embora tenhamos recebido a justificação
salvadora pela morte de Cristo, precisamos ser
santificados em Sua vida salvadora. Assim sermos
salvos em vida não é para a justificação, mas
principalmente para a santificação.
Romanos 5:17 [ala de reinar em vida. Paulo diz:
Os que recebem a abundância da graça e o dom da
justiça, reinarão em vida por meio de um só, a saber,
Jesus Cristo”. Nós recebemos a justiça objetivamente,
mas ainda não temos a santidade subjetivamente.
Precisamos reinar em vida para que tenhamos a
santidade subjetiva para a nossa santificação.
Portanto nesse versículo, a vida é para um estágio
mais avançado da salvação de Deus, principalmente o
estágio da santificação.
Em 5:21, Paulo diz que “a graça pela Justiça
remasse para a vida eterna, mediante Jesus Cristo
nosso Senhor”. Com que propósito a graça reina pela
Justiça para a vida eterna? Uma vez que esse
versículo está na seção referente à santificação,
devemos dizer que a graça reina pela justiça para a
vida eterna principalmente para a. santificação.
Romanos 6:4 diz que “como Cristo foi
ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai,
assim também andemos nós em novidade de vida”.
Andar em novidade de vida não é para a justificação e
sim para a santificação, como é indicado nos
versículos 19 e 22 pela expressão “para santificação”.
Então, em 6:5 lê-se: “Porque se crescemos
juntamente com Ele na semelhança da Sua morte,
assim também cresceremos na semelhança da Sua
ressurreição” (lit.). Esse versículo fala sobre crescer, e
crescer é uma questão de vida. Crescemos juntamente
com Cristo na semelhança da Sua morte e agora
estamos crescendo com Ele na semelhança da Sua
ressurreição, isto é, “em novidade de vida”. Esse
crescer com Cristo em novidade de vida também é
principalmente para a santificação.
Quando pregamos o evangelho às pessoas de
uma maneira adequada e viva, o Cristo vivo será
transfundido nelas. As pessoas não somente
receberão a capacidade de crer, mas também, pelo
crer, receberão a semente da vida. Quando batizamos
recém-convertidos, neste batismo a semente da vida,
que está dentro deles, cresce juntamente com Cristo.
Isso é exatamente o que Paulo quer dizer em 6:5. Em
ca~a recém-convertido que batizamos, a semente da
vida que foi semeada para dentro dele, cresce
juntamente com Cristo na semelhança da Sua morte,
isto é, “no batismo”. Depois disso, o
recém-convertido deve crescer juntamente com
Cristo na semelhança da Sua ressurreição, isto é, “em
novidade de vida”. Portanto, a partir do momento em
que Cristo foi semeado para dentro de um
recém-convertido, ele deve crescer em vida. Esse
crescimento não visa a Justificação e sim
principalmente a santificação.
Agora precisamos ler 6:11: “Assim também vós
considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para
Deus em Cristo Jesus”. Podemos traduzir a última
parte desse versículo por: “Vivendo para Deus em
Cristo Jesus”. Devemos nos considerar em Cristo,
vivendo para Deus. Isso significa que depois de
termos sido justificados, estamos então, vivendo para
a santificação.
Romanos 6:19 diz: “Apresentai os vossos
membros como escravos, à justiça para santificação”.
Assim como apresentamos os nossos membros como
escravos à imundícia para ilicitude, agora somos
solicitados a oferecê-los como escravos à justiça para
santificação. A santificação não é apenas uma questão
de posição, isto é, ser separado de uma. posição
comum e mundana para uma posição para Deus;
como e Ilustrado em Mateus 23:17, 19 (onde o ouro é
santificado pelo santuário e a oferta pelo altar, devido
a uma mudança de suas posições) e em 1 Timóteo
4:3-5 (onde o alimento é santificado pela oração dos
santos). A santificação também e uma questão de
disposição, isto é, ser transformado de uma
disposição natural para uma disposição espiritual,
como é mencionado em Romanos 12:2 e em 2
Coríntios 3:18. Esta é uma questão que envolve um
longo processo, começando com a regeneração (1Pe
1:2-3; Tt 3:5), atravessando toda a vida cristã (1Ts
4:3; Hb 12:14; Ef 5:26), e alcançando a conclusão à
época do arrebatamento, na maturidade de vida (1Ts
5:23).
As palavras gregas: hagios, hagiosune, hagiazo e
hagiasmos usadas no livro de Romanos provêm da
mesma raiz, que fundamentalmente significa
separado, posto à parte. Hagios é traduzido por
“santo” (adjetivo) em 1:2; 5:5; 7:12; 9:1; 11:16; 12:1;
14:17; 15:13, 16; 16:16 e por “santos” (substantivo) em
1:7; 8:27; 12:13; 15:25, 26, 31; 16:15. Hagiosune é
traduzido por “santidade” em 1:4. Hagiazo é um
verbo usado no particípio e traduzido por
“santificado” em 15:16. Hagiasmos é traduzido por
“santificação” em 6:19, 22. Portanto “santo” significa
que são separados, postos à parte (para Deus).
“Santidade” é a natureza e qualidade de ser santo.
“Santificação” é o efeito prático produzido, o caráter,
a atividade e o estado resultante de ser santificado
(para Deus).
Agora leiamos 6:22: “Agora, porém, libertados
do pecado, transformados em servos de Deus, tendes
o vosso fruto para a santificação, e por fim a vida
eterna”. Aqui não é dito: “fruto para justificação e por
fim, os céus”. O versículo diz: “fruto para a
santificação, e por fim a vida eterna”, referindo-se à
santificação em vida. A santificação resulta nas
riquezas da vida, trazendo-nos ao desfrute das
riquezas da vida divina.
Em seguida, 6:23 diz: “O dom gratuito de Deus é
a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” A vida
eterna, como o dom gratuito de Deus, é-nos dada
principalmente para santificar-nos, e a santificação
leva-nos a participar das riquezas desta vida.
Agora prossigamos ao capítulo oito. Embora
estejamos bastante familiarizados com os versículos
concernentes à vida em Romanos 8, tenho encargo
para que eles os impressionem tão profundamente, a
ponto de você nunca mais esquecê-los. Romanos 8:2
declara: “Porque a lei do Espírito da vida em Cristo
Jesus te livrou da lei do pecado e da morte.” A lei do
Espírito da vida não nos libertou visando a
justificação, mas nos libertou, principalmente para
que fôssemos santificados.
Romanos 8:6 diz que “a mente posta no espírito
é vida e paz” (lit.). A mente posta no espírito é vida,
principalmente para a santificaçâo, para a saturação
em vida com a natureza santa de Deus.
Veja Romanos 8:10: “Se, porém, Cristo está em
vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do
pecado, mas o espírito é vida por causa da justiça.”
Precisamos prestar atenção às palavras “ainda” e
“contudo”: se Cristo está em nós, “ainda que o corpo
esteja morto por causa do pecado, contudo o espírito
é vida por causa da justiça”. Quando Cristo entra em
nós, nosso corpo ainda está morto por causa do
pecado. Mas, pelo fato de termos obtido a justiça de
Deus, nosso espírito é vida. Esse versículo não
representa um avanço a mais em nossa vida
espiritual; ele é, na verdade, o começo da nossa vida
espiritual. Refere-se à época em que fomos
justificados e Cristo entrou em nós. Na época da
nossa justificação, obtivemos a justiça de Deus e
Cristo entrou em nós. Embora nosso corpo
permanecesse morto por causa do pecado, nosso
espírito tornou-se vida por causa da justiça de Deus.
Em 8:11, vemos um “e” bastante significativo. “E, se o
Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus
habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a
Cristo também vivificará os vossos corpos mortais,
pelo seu Espírito que em vós habita” (VRC). Uma vez
que Ele veio para dentro de nós, Ele precisa habitar,
fazer Sua casa em nós. Se permitirmos que Ele o faça,
Ele dará vida ao nosso corpo mortal. Nosso corpo que
estava morto será vivificado, por meio do Espírito que
em nós habita. Quando 8:10 diz que Cristo está em
nós, refere-se ao primeiro estágio da nossa
experiência espiritual. Ao falar do Espírito que em
nós habita, o versículo 8:11 designa um estágio mais
avançado. Quando Cristo entra em nós, Ele vivifica o
nosso espírito e torna-o vida. Mas ao habitar em nós,
fazendo em nós Sua casa, Cristo vivifica o nosso corpo
e satura-o com vida. Lembre-se de que o versículo
8:10 refere-se ao estágio inicial da vinda de Cristo
para dentro de nós. O estágio inicial é aquele em que
Cristo vem para dentro de nós, nosso espírito é vida, e
nosso corpo permanece morto. Entretanto, se a partir
daí, permitirmos que Cristo faça Sua casa em nós, que
significa deixá-Lo expandir-se para a nossa mente,
emoção e vontade, Ele virá infundir-se como vida até
mesmo ao nosso corpo. Neste momento, nosso corpo
será saturado com vida, visando principalmente a
santificação.
Romanos 8:13 continua: “Porque, se viverdes
segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo
Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis.” Se
pelo Espírito mortificarmos as práticas do corpo,
viveremos principalmente com o propósito da
santificação, para sermos permeados completa e
plenamente com Cristo. O versículo 11 diz que se o
Espírito fizer Sua casa em nós, infundirá vida em
nosso corpo mortal. O versículo 13 diz que se
mortificarmos todas as práticas do nosso corpo,
viveremos. Significa que é necessário cooperarmos.
Interiormente, precisamos deixar Cristo, o Espírito
que dá vida, fazer Sua casa em nosso coração para
que Ele infunda vida no nosso corpo. Exteriormente,
precisamos mortificar todas as práticas do nosso
corpo para que vivamos. Isso é aplicar a cruz de
Cristo de maneira prática a todas as práticas do nosso
corpo. Se o fizermos, viveremos e desfrutaremos
Cristo como vida. Entraremos nas riquezas de Cristo
como vida. Então, essa vida saturará o nosso ser com
tudo o que Deus é. Ela nos permeará com a natureza
santa de Deus e seremos santificados. Paulo até
mesmo diz em 15:16: “para que seja agradável a oferta
dos gentios, santificada pelo Espírito Santo.” Os
gentios, as nações, incluindo muitos que eram
adoradores de ídolos e sodomitas, serão
disposicionalmente santificados pela natureza de
Deus. Isto é santificação em vida. Como vimos, as
palavras santificação e vida são usadas. muitas vezes
nesta seção referente à santificação. Todos temos de
ver a relação que existe entre elas.
O tema de Paulo era muito profundo. No seu
interior havia a idéia da justiça, santidade e glória de
Deus. Esses atributos divinos precisam ser nossos: a
justiça de Deus precisa ser a nossa justiça; Sua
santidade precisa ser a nossa santidade e Sua glória
precisa ser a nossa glória. Paulo refere-se a essas três
coisas em 1 Coríntios 1:30, onde ele diz que fez Cristo
sabedoria para nós: tanto justiça, quanto santificação
e redenção (redenção em 1 Coríntios 1:30 significa
glorificação). Assim, em 1 Coríntios 1:30 Paulo
abrange essas três coisas em uma sentença, mas no
livro de Romanos, ele ocupa oito capítulos para
expô-las. Os capítulos de 1 a 8 de Romanos são uma
exposição de 1 Coríntios 1:30.
Como podemos ter a justiça de Deus? Quatro
itens são necessários a fim de possuirmos Sua justiça:
propiciação, redenção, justificação e reconciliação.
Essas quatro palavras indicam o trabalho de Deus ao
dispensar a nós Sua justiça. Portanto Deus fez muita
coisa a fim de conceder-nos Sua justiça; não foi uma
tarefa fácil. Deus teve de executar a propiciação,
redenção, justificação e reconciliação. Devemos
lembrar as definições desses quatro termos e da
diferença entre eles que abordamos na mensagem
cinco.
Depois de ter trabalhado objetivamente para
dar-nos Sua justiça, Deus está agora trabalhando
subjetivamente para dispensar Sua santidade para
dentro de nós. Deus irá transfundir e infundir Sua
natureza santa em nosso ser. Assim, teremos Sua
essência santa e divina no nosso interior. Seremos
completamente saturados e permeados com a
natureza santa de Deus. Esta é a santificação
encontrada no livro de Romanos. Embora a
santificação tenha um aspecto posicional, não é este o
aspecto que encontramos em Romanos. A
santificação em Romanos é subjetiva e disposicional,
pois a natureza de Deus está sendo trabalhada na
nossa natureza. Sua natureza será até mesmo
trabalhada na nossa disposição, mudando todo o
nosso ser.

O PROPÓSITO DE DEUS NA SANTIFICAÇÃO


Qual é o propósito dessa santificação
disposicional? O propósito é que Deus possa produzir
muitos filhos (Rm 8:29). João 1:12 diz-nos que fomos
feitos filhos de Deus, que fomos nascidos como filhos
de Deus. Contudo, deixe-me perguntar-lhe: você crê
que realmente se parece com um filho de Deus? Filho
de quem você se parece? Embora muitos cristãos
queiram discutir comigo doutrinariamente, eu prefiro
perguntar-lhes que tipo de pessoa eles são. Sim, todos
os verdadeiros cristãos nasceram como filhos de
Deus, mas eles necessitam crescer em santificação, a
fim de que se pareçam com filhos de Deus. Muitos
cristãos genuínos, após serem regenerados a fim de
serem filhos de Deus, continuam a viver de maneira
terrena. Eles precisam ser santificados na vida divina,
a fim de crescerem até a maturidade da filiação
divina.
O Senhor nos trouxe à Sua restauração, a qual
destina-se à realidade e à praticabilidade. Que
possamos buscar o Senhor, pela Sua misericórdia,
para que Ele nos livre do conhecimento vão. O que
necessitamos é realidade e praticabilidade. No livro
de Romanos, o que Paulo escreveu visa a realidade e a
praticabilidade. Deus executou uma grande obra para
que tivéssemos Sua justiça. Agora, Ele está
trabalhando dentro de nós a fim de que sejamos
santificados, para que Sua natureza santa seja
completamente trabalhada no nosso interior.
Seremos santificados não apenas exterior e
objetivamente, mas também interior e
subjetivamente. Por fim seremos preenchidos com
Sua natureza santa. Nestas mensagens, não tenho
intenção de dar meramente uma outra exposição do
livro de Romanos. O que o Senhor está fazendo hoje
no nosso meio é nos abrir os olhos a fim de que
vejamos nossa necessidade de Seu trabalho
santificador. Precisamos de Sua vida santificadora.
Precisamos que Sua vida eterna trabalhe o Seu ser
santo para dentro da nossa natureza, a fim de que
sejamos Seus filhos verdadeira e praticamente; não
em palavras, mas em realidade. Embora sejamos
nascidos filhos de Deus, não nos parecemos com
filhos de Deus. Portanto, precisamos da santificação
subjetiva em vida.
A santificação introduz a 'transformação.
Precisamos ser transformados de uma aparência para
outra. Contudo, não somente a aparência exterior
deve ser mudada, mas também a substância, a
essência interior precisa ser mudada. Essa mudança
da substância interior requer o processo de
santificação. Louvado seja o Senhor, pois Ele está
trabalhando em nós! Fomos justificados e agora
estamos sendo santificados. Deus está trabalhando
Sua santidade para dentro de nós, e seremos
santificados em vida.
O Cristo crucificado foi para a nossa justificação,
e o Cristo ressurreto é para a nossa santificação.
Cristo morreu na cruz primeiramente para a nossa
justificação. Cristo, como o Redentor na carne,
destinou-se a nossa justificação, mas agora, como o
Espírito que dá vida em nosso espírito, vive no nosso
interior para a nossa santificação. Ele foi o
crucificado; agora Ele é o ressurreto. Foi o nosso
Redentor na carne; agora é o Espírito que dá vida em
nosso espírito. Como Espírito que dá vida, Ele é a
nossa vida e está saturando nosso ser com Sua
natureza santa, até que sejamos totalmente
santificados de maneira disposicional. Esta é a razão
pela qual em Romanos, como em nenhum outro livro
do Novo Testamento, a santificação não é posicional
pelo sangue, mas é disposicional pela vida, pelo
próprio Senhor vivo. Ele está trabalhando dentro do
nosso espírito, expandindo-se completamente a
partir do centro do nosso ser para todas as nossas
partes até alcançar a circunferência. Então, seremos
completamente saturados com Sua natureza santa.
Assim, todo o nosso ser será santificado por meio de
Cristo como o Espírito que dá vida e por meio de Sua
vida quádrupla. Temos visto que Sua vida é
quádrupla: é a vida no Espírito divino, no nosso
espírito humano, na nossa mente e em nosso corpo
mortal. Portanto como o Espírito que dá vida, Ele está
nos santificando com Sua rica vida. Ele é tão rico! Ele
é rico o suficiente para suprir até mesmo nosso corpo
mortal com vida.
A justificação visa a santificação e a santificação
visa a glorificação. Na próxima mensagem
consideraremos o objetivo da glorificação de Deus.
ESTUDO-VIDA DE ROMANOS
MENSAGEM 18
HERDEIROS DA GLÓRIA (1)
Nesta mensagem chegamos à questão da
glorificação. Qual é o objetivo da glorificação? O
objetivo da glorificação é a plena filiação dos filhos de
Deus. A condenação requer a justificação; a
justificação é para a santificação; a santificação é para
a glorificação e a glorificação é para a plena filiação
dos filhos de Deus.

I. AS BÊNÇÃOS DA FILIAÇÃO
Antes de 8:14 o termo “filhos de Deus” não foi
usado no livro de Romanos. O conceito de “filhos
(crianças) 1 de Deus” é introduzido somente nesse
ponto, provando que Paulo escreveu este livro tendo
em vista um profundo propósito. A partir de 8:14,
Paulo começa a falar sobre os filhos de Deus e os
filhos (crianças) de Deus. Entretanto, o conceito
principal da seção sobre a glorificação (8:14-39) não
diz respeito aos filhos (crianças) ou aos filhos
maduros, mas aos herdeiros. Podemos ser um filho
(criança) de Deus sem o crescimento de um filho
maduro de Deus, ou um filho maduro de Deus sem a
qualificação para herdeiro. Assim o conceito principal
de Paulo, nesta porção de Romanos, diz respeito aos
herdeiros da glória.
Romanos 8:14 diz: “Pois todos os que são
1
*N. R. — No grego, língua original do Novo Testamento, há duas palavras que em português são
traduzidas por “filho”: Teknon e Huios. Teknon (filho; criança), dá ênfase ao fato do nascimento,
enquanto que Huios (filho) enfatiza a dignidade e o caráter do relacionamento de filho (vine's). No
original do Estudo-Vida em inglês, Teknon = child e Huios = son.
guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus.”
Esse versículo é uma continuação da porção anterior
na qual Paulo nos diz que devemos andar de acordo
com o espírito (v. 4). Em certo sentido, andar de
acordo com o espírito é estar debaixo da direção do
Espírito Santo. Assim o versículo 14 continua o
pensamento de Paulo ao dizer que todos os que são
guiados pelo Espírito Santo, ou pelo Espírito de Deus,
são filhos de Deus. Por meio dessa pequena sentença,
Paulo muda todo o conceito transferindo o enfoque
de “os santificados” para os “filhos de Deus”. No final
do versículo 13 o pensamento era referente aos
santificados, aos que foram condenados, justificados,
reconciliados, identificados e finalmente santificados.
Com o versículo 14, Paulo introduz o conceito de
filhos de Deus. Como somos santificados? Andando
segundo o espírito. Em certo sentido, andar segundo
o espírito significa ser guiado pelo Espírito de Deus, e
“todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses
são filhos de Deus.” Desta maneira Paulo nos faz
voltar de santificação para filiação. Agora chegamos à
questão dos filhos de Deus.
Precisamos abordar o assunto da filiação no
espírito, não na letra. Se estivermos na letra, teremos
dificuldades. Por quê? Porque de acordo com a letra
todas as irmãs estão excluídas. Como as irmãs podem
ser filhos? Paulo não disse: “Todos os que são guiados
pelo Espírito de Deus, esses são os filhos e as filhas de
Deus.” Contudo todos nós, irmãos e irmãs
igualmente, somos filhos de Deus. Devemos ler a
Bíblia não meramente na letra, mas em espírito.
Embora sejamos homens e mulheres, irmãos e irmãs,
em espírito somos todos filhos de Deus. Na
eternidade não haverá filhas somente filhos.
O Um dia os saduceus vieram ao Senhor Jesus
perguntando-Lhe à respeito da ressurreição (Mt
22:23-33). Eles pensavam que eram muito sábios.
Perguntaram ao Senhor sobre o caso de uma mulher
que casara sucessivamente com sete irmãos. Após
todos eles terem morrido, morreu também a mulher.
Então os saduceus perguntaram-Lhe de quem ela
seria esposa, na ressurreição, uma vez que todos os
sete tinham-na desposado. O Senhor disse que eles
estavam errados e não conheciam as Escrituras, nem
o poder de Deus. O Senhor disse, além disso, que na
ressurreição não casaríamos nem seríamos dados em
casamento, mas seríamos como os anjos de Deus.
Seremos pessoas maravilhosas sem diferença entre
homens e mulheres. Não apenas seremos justificados
e santificados, mas também glorificados. Seremos
todos pessoas glorificadas, os filhos eternos de Deus.
Se andamos de acordo com o espírito, não há
diferença entre homens e mulheres, porque somos
todos filhos de Deus. Contudo não devemos esquecer
que ainda estamos na carne. Na carne temos homem
e mulher, esposo e esposa. Não devemos aplicar algo
que será verdade na ressurreição à situação atual. Se
fizermos isso, teremos problemas. Apesar disso,
todos nós, irmãos e irmãs igualmente, somos filhos
de Deus.

A. O Espírito de Filiação
“Porque não recebestes o espírito de escravidão
para temerdes novamente, mas recebestes o espírito
de filiação, no qual clamamos: Aba, Pai.” Como
recebemos esse espírito de filiação? Pelo Espírito do
Filho de Deus vindo para dentro do nosso espírito.
Gálatas 4:6, um versículo semelhante a Romanos 8:15
diz: “E, porque vós sais filhos, enviou Deus aos nossos
corações o espírito de seu Filho, que clama, Aba, Pai.
Romanos 8:15 diz que “recebemos o espírito de
filiação Gálatas 4:6 diz que “Deus enviou o Espírito de
seu Filho para dentro de nós. Porque o Espírito do
Filho de Deus entra dentro do nosso espírito, nosso
espírito torna-se em espírito de filiação. Assim, o
versículo 15 diz que recebemos o espírito de filiação.
Além disso o versículo 15 menciona “o espírito de
filiação, no qual clamamos: Aba Pai”; mas Gálatas 4:6
diz que: ” 0 Espírito de seu Filho; clama: “Aba, Pai.”
Há uma diferença aqui. Não obstante, se nos
clamamos ou se Ele clama, ambos clamamos juntos.
Quando clamamos, Ele clama em nosso clamor.
Quando Ele cl~~a, clamamos com Ele. De acordo
com a gramática o sujeito de clamar é “nós” no
versículo 15, mas em Gálatas 4:6 o sujeito é “o
Espírito”. Esses dois versículos provam que nós e Ele,
nosso espírito e o Espírito, são um. Quando
clamamos: “Aba, Pai”, Ele se junta a nós em nosso
clamor. O Espírito clama em nosso clamor, porque o
Espírito do Filho de Deus habita em nosso espírito.
Daí não há temor, apenas um doce clamor: “Aba,
Pai.”
“Aba” é uma palavra aramaica que também
significa pai. Quando esses dois termos “Aba” e “Pai”
são colocados juntos, o resultado é um sentido
profundo e doce, um sentido que é extremamente
íntimo. “Aba, Pai” é docemente intensificado. As
crianças de todas as raças dirigem-se a seus pais
dessa maneira doce; no Brasil dizemos: “Papai”; na
China eles dizem: “Baba”; nas Filipinas dizem:
“Papa”. Não falamos uma sílaba, tal como: “Pa” ou
“Ba”. Não seria nada doce se falássemos apenas uma
sílaba. Precisamos dizer: “Papai”,
“Baba” ou “Papa”. Necessitamos clamar: “Aba,
Pai”. Se fizer isso, perceberá quão doce é. Por que
clamamos: “Aba, Pai”? Porque temos o espírito de
filiação. Se certo homem não é meu pai, será difícil
para mim chamá-lo: “Papai”. Pode ser fácil, para
mim, chamá-lo: “Senhor”, mas não sou capaz de
chamá-lo: “Papai”. Para mim seria ainda mais difícil
dizer-lhe: “Aba, Pai”. Na verdade seria impossível. Se
meu querido pai ainda estivesse vivo, gostaria de
chamá-lo: “Papai”. Seria tão doce dirigir-me a ele
dessa maneira, porque nasci dele. Jovens, não há
necessidade de duvidarem se são ou não filhos de
Deus. Quando você diz: “Aba, Pai”, você tem uma
sensação doce e íntima dentro de você? Se tiver, isso
prova que você é um filho de Deus e que tem o
espírito de filiação. Se você se acha capaz de
chamá-Lo Deus, mas não Aba Pai, isso indica que
você não é um filho de Deus. Contudo, uma vez que
você pode chamar: “Aba, Pai”, docemente, pode estar
certo que você é filho de Deus.

B. O Testificar do Espírito
“O próprio Espírito testifica com o nosso espírito
que somos filhos de Deus.” No versículo 14 vemos “os
filhos de Deus” e no versículo 15 “o espírito de
filiação”, Por que no versículo 16 Paulo, de repente,
menciona “os filhos (crianças)”? Porque o Espírito
testifica algo básico. Testifica o nosso relacionamento
primário e inicial com Deus. Como já mencionei,
podemos ser filhos (crianças) de Deus sem o
crescimento de um filho adulto, e podemos ser filhos
adultos sem a qualificação de um herdeiro. Seria
prematuro para o Espírito Santo testificar que todos
nós somos herdeiros de Deus. A maioria de nós não
está maduro o suficiente para tal testemunho. Assim
o Espírito testifica o relacionamento mais básico e
elementar — o de sermos filhos (crianças) de Deus.
Ele testifica com o nosso espírito que somos os filhos
(crianças) de Deus. Portanto o testificar do Espírito
Santo começa com a tenra idade, desde o nosso
nascimento espiritual. A despeito de quão jovem ou
novo você possa ser, se for um filho (criança) de Deus,
o Espírito de Deus testifica com o seu espírito. Note
que o versículo não diz “em nosso espírito”. Se
dissesse “em nosso espírito”, significaria que apenas o
Espírito de Deus testifica, mas que o nosso espírito
não testifica. Contudo diz que o Espírito testifica com
o nosso espírito, significando que ambos testificam
juntos. O Espírito de Deus testifica e,
simultaneamente, nosso espírito testifica junto com
Ele. Isso é maravilhoso!
Alguns podem dizer: “Não sinto que o Espírito de
Deus testifica. Onde está o Espírito de Deus? Não o
sinto. Não tenho qualquer sensação de que o Espírito
de Deus esteja dentro de mim. Nunca O vi e não sou
capaz de senti-Lo. Simplesmente não posso senti-Lo”.
Entretanto você não sente que o seu espírito testifica?
Você deve perceber que enquanto o seu espírito está
testificando, significa que o Espírito Santo também o
está. Você não pode negar que o seu espírito testifica
dentro de você. O apóstolo Paulo foi muito sábio. Ele
disse que o Espírito testifica com o nosso espírito.
Quando o nosso espírito testifica, isso é também o
testificar do Espírito~ porque os dois espíritos foram
misturados como um. E muito difícil para qualquer
pessoa distinguir esses dois espíritos.
C. O Guiar do Espírito
Muitos cristãos têm um conceito natural e errado
com respeito ao guiar do Espírito. As pessoas
constantemente pensam que a direção do Espírito
vem de repente do terceiro céu ou de qualquer outra
parte. Alguns pedem ao Senhor um sinal, dizendo: “6
Senhor, dá-me um sinal, uma indicação, se devo ou
não comprar isto. Senhor, se houver transporte
disponível, isto será um sinal que Tu queres que o
compre, mas se não houver transporte, significa que
Tu não desejas que eu compre. Senhor, mantém as
lojas abertas, pois se elas estiverem fechadas indicará
que Tu não queres que eu compre qualquer coisa.”
Esse é um exemplo de um conceito errado com
respeito à direção do Senhor.
Você observou a primeira palavra no versículo 14
relacionada ao guiar do Senhor? A primeira palavra é
“porque”, uma palavra que nos leva de volta ao que
Paulo mencionou anteriormente e que indica que o
versículo 14 é uma continuação daquele assunto.
Assim o guiar no versículo 14 relaciona-se aos itens
que foram abordados nos versículos precedentes.
Agora o ponto principal dos versículos anteriores é
andar de acordo com o espírito para podermos
cumprir os requisitos. justos da lei de Deus. Como
podemos ter o guiar do Espírito? Não é pelo orar nem
pelo olhar para sinais ou indicações. Podemos ter o
guiar do Espírito por andarmos de acordo com o
espírito.
A direção do Espírito não provém, nem depende
de coisas externas. O guiar do Espírito é o resultado
da Vida Interior. Eu diria que ele vem da sensação da
vida, da consciência da vida divina dentro de nós. A
palavra vida é mencionada no mínimo cinco vezes em
Romanos 8. Assim a direção do Espírito é uma
questão de vida, uma questão da sensação e da
consciência da vida. A mente posta no espírito é vida
(v. 6). Como podemos conhecer essa vida? Não é por
meio de coisas exteriores, mas pela sensação interior
e pela consciência da vida. Há um sentido interior
que vem de pôr a mente no espírito. Se nossa mente é
posta no espírito, somos imediatamente fortalecidos
e interiormente satisfeitos. Também somos lavados e
refrescados. Por meio dessa sensação e dessa
consciência podemos conhecer a vida dentro de nós, e
por meio desse sentido da vida podemos conhecer
que estamos andando corretamente. Em outras
palavras, sabemos que estamos debaixo do guiar do
Espírito. Portanto o guiar do Espírito no versículo 14
não depende de coisas exteriores; depende
totalmente da sensação da vida dentro do nosso
espírito.
Irmãs, quando vocês estão para ir às compras
não precisam orar: “Senhor, devo ir às compras ou
não? Se não devo ir, dá-me um sinal.” Não há
necessidade de orarem dessa forma. Vocês não
deveriam dizer: “6 Senhor, se não queres que eu vá à
loja, impede-me.” Nunca ore ou pense dessa maneira.
Não pense que, se o Senhor não a impedir de ir fazer
compras, você tem o guiar do Senhor. Tudo poderia
estar desimpedido externamente, mas como estaria
interiormente? Talvez após estacionar o automóvel e
enquanto estiver andando em direção à porta da loja,
você não tenha paz interior. Ao invés de estar
interiormente fortalecida, você se sente frustrada.
Entretanto, uma vez que tudo está desimpedido
exteriormente, você prossegue. Contudo,
interiormente, quanto mais perto da loja você estiver,
mais vazia se sentirá. Você pode ser capaz de se
justificar por meio de coisas externas: pelo fato de
que você tem o dinheiro; que o seu marido, que receia
por você, está consentindo; que o tempo está
excelente, e que há pouco tráfego. Você diz a si
mesma: “Você não crê que Deus é soberano? Todas as
coisas estão cooperando para o bem.” Não questiono
as coisas externas. Pergunto a respeito das suas
sensações interiores. Embora tudo esteja certo
externamente, você está vazia e fraca interiormente.
Você não tem a unção, o lavar ou a paz interior.
Que isso significa? Significa que a direção do
Espírito está dentro de você, em sua vida interior. Os
incrédulos não têm a vida divina que está dentro de
nós. A vida divina dentro de nós nos guia
constantemente, não através de sinais ou indicações,
mas por nos dar uma sensação interior, um
sentimento ou uma consciência. Assim Paulo diz:
“Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus
são filhos de Deus.” Se você é guiado por coisas
exteriores, isso não prova que você é um filho de
Deus. Contudo, se você é guiado pela sensação
interior da vida divina, isso indica que você é um filho
de Deus. Somos os filhos de Deus porque temos a
vida de Deus. Por que as pessoas do mundo não são
filhos de Deus? Porque eles não têm a vida de Deus.
Considere o caso do burro usado por Balaão, o
profeta pagão. Sem dúvida, o burro foi levado a falar
uma linguagem humana. Apesar disso aquela direção
não proveio da vida, mas de um dom miraculoso. O
guiar que vem de tal dom não indica que somos filhos
de Deus. O burro foi levado a falar linguagem
humana, mas isso não era indicação de que ele tivesse
vida humana, muito menos que fosse um filho de
Deus.
Quando vocês, irmãs, estão para ir a uma loja,
embora tudo esteja claro externamente, vocês
precisam obedecer a sensação interior da vida.
Quando se aproximar da entrada da loja, algo
interior, dentro de você, pode lhe falar: “Volte”. Você
não ouve uma palavra audível, mas tem a sensação de
trevas, fraqueza e sequidão, quando está quase para
entrar na loja. Uma vez que você é um filho de Deus,
tem tal indicação da vida interior. Você tem algo que
as pessoas no mundo não têm. Porque você tem a
vida de Deus, tem o guiar que resulta dessa vida. Essa
direção indica que você é um filho de Deus. Essa é a
razão pela qual no versículo 14 Paulo diz que todos os
que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de
Deus.
Onde está o guiar que Paulo menciona no
versículo 14?
Está nos versículos 4 e 6. A direção do Espírito
vem quando você anda de acordo com o espírito e põe
sua mente no espírito. Se você andar de acordo com o
espírito e puser sua mente no espírito, descobrirá que
tem o guiar do Espírito. Você terá a consciência de
que está andando, comportando-se e vivendo de
acordo com o espírito. Você não deveria violar essa
sensação interior ou desobedecer essa consciência
interna, pois ela é, verdadeiramente, o guiar do
Espírito. Quando você tem essa sensação interior,
significa que está sendo conduzido pelo Espírito.
Portanto, pôr sua mente no espírito é estar debaixo
do guiar do Espírito. A vida interior dá a você a
sensação, mesmo nas pequenas coisas, de que você
está ou não debaixo da direção do Senhor. Assim
somos guiados pelo Espírito por andarmos de acordo
com o espírito e por colocarmos nossa mente no
espírito. Portanto, o guiar do Espírito mencionado no
versículo 14 não veio do ambiente exterior, mas da
sensação interior e da consciência da vida divina.
Esse guiar prova que somos filhos de Deus, pois
“todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são
filhos de Deus.”
Gostaria de dizer uma palavra especialmente
para os adolescentes que possam estar lendo esta
mensagem. Enquanto seus colegas de classe estão
conversando de maneira mundana, vocês podem se
achar, até certo ponto, incapazes de se juntar a eles na
conversa. Embora nada exteriormente os frustre,
vocês sentem uma proibição interior. Esse controle
interior vem da vida de Deus dentro de você, a vida
que faz de você um filho (criança) de Deus. Os seus
colegas de classe podem estar discutindo sobre coisas
pecaminosas de maneira alegre, excitada, mas a vida
divina dentro de você não lhe permite dizer uma
palavra. Pelo contrário ela leva você para longe deles.
Esse é o guiar do Espírito. Essa direção do Espírito o
distingue como um filho maduro de Deus. Por causa
dessa separação pelo guiar do Espírito, seus colegas
de classe desejarão saber o que lhe aconteceu. Eles
desejarão saber porque você não fala o que eles falam
e o que é diferente em você. Desejarão saber por que
eles são filhos do diabo e por que você é um filho de
Deus. Você tem a direção do Espírito dentro de si.
Também gostaria de dizer uma palavra sobre
modas e estilos de roupas. Hoje os filhos do diabo
têm seus estilos e modas. Certamente toda última
moda é o guiar do diabo. A última moda é uma marca
dos filhos do maligno. Nenhum cristão deveria
vestir-se de tal maneira. Apesar de as igrejas na
restauração do Senhor não afixarem uma lista de
regulamentos exteriores com respeito ao vestir,
dentro de você há a vida divina que o faz um filho de
Deus. Quando os seus amigos, parentes e colegas de
classe se vestem de maneira diabólica, dentro de você
está uma sensação que não lhe permite vestir-se
daquela maneira. Essa é a direção do Espírito, a
marca que o designa um filho de Deus.
Como sabemos que somos os filhos de Deus?
Sabemos pelo guiar do Espírito, pois o guiar do
Espírito põe uma marca sobre nós. A vida interior
constantemente nos dá uma sensação ou consciência
de que não deveríamos nos comportar como as
pessoas mundanas o fazem. Devemos ser diferentes
dos nossos parentes, amigos, colegas de classe e
vizinhos. Quando obedecemos a sensação interior da
vida, espontaneamente expomos uma marca que diz
às pessoas que somos diferentes dos filhos do diabo,
que temos a vida de Deus dentro de nós, a qual nos
faz filhos de Deus. Esse é o guiar do Espírito. Não
considere o guiar do Espírito mencionado no
versículo 14 como uma questão exterior. É totalmente
uma sensação interior, que provém da vida divina em
nosso espírito.
Este guiar do Espírito pela sensação interior da
vida divina não acontece como um acidente. É uma
questão contínua em nossa vida diária, exatamente
como a respiração. A respiração normal é uma
respiração contínua. Quando a respiração se torna
algo acidental, é uma indicação que algo está errado
com a nossa saúde. Visto que o guiar do Espírito é
uma questão de vida, deveria continuar normalmente
em cada aspecto do nosso andar diário. Esse é o guiar
do Espírito. Essa direção do Espírito em nossa vida
diária é a prova de que nós somos filhos de Deus.
Se não vivemos e andamos de acordo com esse
guiar do Espírito, podemos ser filhos (crianças) de
Deus no que diz respeito a que o Espírito testifica com
o nosso espírito em clamar: “Aba, Pai”, mas nós não
temos a marca que nos designa filhos de Deus.
Podemos ser os filhos (crianças) de Deus, mas não
termos o crescimento que vem pelo viver e andar de
acordo com o guiar do Espírito na vida. O guiar do
Espírito nos distingue como os filhos maduros de
Deus, no crescimento de vida.
Precisamos perceber a diferença entre os filhos
(crianças) de Deus no versículo 16 e os filhos maduros
de Deus no versículo 14. Os filhos (crianças) de Deus
estão no estágio inicial da vida divina, o estágio que
diz respeito principalmente ao nascimento, enquanto
os filhos maduros de Deus estão em um estágio mais
avançado, o estágio que diz respeito ao crescimento
em vida. Para sermos filhos (crianças) de Deus,
precisamos do testificar do Espírito com o nosso
espírito, mas a fim de sermos os filhos maduros de
Deus precisamos da direção do Espírito, por meio da
sensação da vida divina. Uma vez que temos o
testificar do Espírito com o nosso espírito, temos a
certeza de que somos os filhos (crianças) de Deus.
Contudo, a fim de termos a prova, a marca, de que
somos os filhos maduros de Deus, precisamos ter a
direção do Espírito e viver e andar de acordo com a
sensação interior da vida divina. Todos os cristãos
verdadeiros são filhos (crianças) de Deus, tendo o
testificar do Espírito com o espírito deles, mas nem
todos têm a marca de que eles são os filhos maduros
de Deus, que estão crescendo na vida divina e vivendo
e andando de acordo com a direção do Espírito.
Portanto todos nós devemos avançar no crescimento
em vida, do estágio inicial de sermos os filhos
(crianças) de Deus para o estágio mais avançado,
mostrando que somos os filhos maduros de Deus por
levarmos a marca distinta do guiar do Espírito em
vida.
ESTUDO-VIDA DE ROMANOS
MENSAGEM 19
HERDEIROS DA GLÓRIA (2)

D. As Primícias do Espírito
Romanos 8:17 diz: “E, se filhos, também
herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo;
se é certo que com ele padecemos, para que também
com ele sejamos glorificados” (IBB — Rev.). No
versículo 17 vemos que progredimos de filhos para
herdeiros. Somos herdeiros de Deus e co-hcrdeiros de
Cristo. O pensamento de Paulo aqui
é muito forte. Notem, por favor, o ponto e vírgula
neste versículo. Ele indica que há uma condição
envolvida em ser-, um herdeiro. Não deveríamos
dizer que simplesmente por sermos filhos somos
herdeiros. Isso é muito precipitado. Não há qualquer
condição imposta para nós sermos os filhos de Deus.
Uma vez que o Espírito testifica com o nosso espírito,
somos os filhos de Deus. Contudo para progredirmos
de filhos para herdeiros há uma condição. Essa
condição é mencionada na parte final do versículo.
A condição para sermos herdeiros de Deus e
co-hcrdeiros de Cristo é que “se é certo que com ele
padecemos, para que também com ele sejamos
glorificados.” Podemos não gostar de sofrimento, mas
necessitamos dele. Lembrem-se de que o sofrimento
é a encarnação da graça. Não deveríamos ser afligidos
pelo sofrimento. Se sofrermos com Ele, seremos
glorificados com Ele. Embora eu não possa dizer que
sem sofrimento não seremos 'glorificados, é certo que
o grau do nosso sofrimento determina o grau da
nossa glória. Quanto mais passarmos por sofrimento,
mais nossa glória será intensificada, pois o
sofrimento aumenta a intensidade da nossa glória.
Gostamos de ser glorificados ~as não queremos
experimentar o sofrimento. Contudo o sofrimento
aumenta a glória. Em 1 Coríntios 15:41 Paulo diz que
uma estrela difere da outra em glória, indicando que
algumas estrelas brilham mais intensamente que
outras. Todos brilharemos e todos seremos
glorificados: mas a intensidade da nossa glória
dependerá da quantidade de sofrimento que
desejamos suportar. É certo que o apóstolo Paulo
naquele dia brilhará mais intensamente que todos
nós. Você crê que brilhará tão intensamente quanto
Paulo? Todos seremos glorificados, mas a intensidade
da nossa glória diferirá de acordo com o nosso
sofrimento. Por isso Paulo diz no versículo 18:
“Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos
do tempo presente não são para comparar com a
glória por vir a ser revelada em nós.” O sofrimento
presente nada significa comparado com a glória
vindoura.
No versículo 19 lê-se: “A ardente expectativa da
criação aguarda a revelação dos filhos de Deus.”
Todos somos filhos de Deus. Como mencionei
anteriormente, se dissermos as pessoas na rua que
somos filhos de Deus, elas pensarão que estamos
loucos. Elas dirão: “Olhe para você e para mim. Qual
é a diferença entre nós? Nós dois somos seres
humanos. Você não é diferente de mim. Você é
apenas outra pessoa. Por que você diz que é um filho
de Deus?” Contudo o dia virá quando os filhos de
Deus serão manifestados. Naquele dia não haverá
qualquer necessidade de declarar: “De agora em
diante somos os filhos de Deus”, porque todos
seremos glorificados. Estaremos na glória,
designados como filhos pela glória de Deus. Então
todas as outras pessoas terão de admitir que somos os
filhos de Deus. Elas dirão: Olhe para estas pessoas.
Quem são estas pessoas tão cheias de glória. Elas
devem ser filhos de Deus.” Não haverá necessidade de
dizermos nada. Seremos designados pela nossa
glorificação. Toda a criação está esperando por isto
com olhos vigilantes, pois a criação aguarda
ardentemente a revelação dos filhos de Deus.
O versículo 20 continua: “Pois a criação está
sujeita à vaidade não voluntariamente, mas por causa
daquele que a sujeitou.” Devemos notar a palavra
“vaidade”. Toda a criação está sob a vaidade. Tudo
debaixo do sol é vaidade. O sábio rei Salomão disse:
“Vaidade de vaidade! Tudo é vaidade” (Ec 1:2). A
criação está sujeita à vaidade.
Em seguida, o versículo 21 diz: “Na esperança de
que também a própria criação há de ser liberta do
cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos
filhos de Deus” (IBB — Rev.). Devemos notar outras
duas palavras: “escravidão” e “corrupção”, Em todo 6
universo não há nada exceto vaidade e corrupção,
Essa corrupção é uma espécie de escravidão, uma
escravidão que amarra toda a criação. A criação foi
sujeita à vaidade na esperança de que estará livre da
escravidão da corrupção para a liberdade da glória
dos filhos de Deus. Um dia os filhos de Deus serão
glorificados, introduzidos na glória. No tocante
àquela glória haverá liberdade, e aquela liberdade
será um reino, uma esfera ou domínio. A glória toda
será um reino, uma esfera para dentro da qual
seremos levados. Quando formos levados para aquela
liberdade ou reino de glória, a criação será libertada
da vaidade, da corrupção e da escravidão. Essa é a
razão porque toda a criação está esperando aquele
tempo. Temos muito a ver com a criação, pois o
destino futuro dela depende de nós. Se
amadurecermos lentamente, a criação culpar-nos-á e
murmurará contra nós. Ela dirá: “Queridos filhos de
Deus, vocês estão crescendo muito lentamente;
estamos esperando pelo tempo da sua maturidade, a
época quando vocês entrarão na glória, a época
quando seremos libertos da vaidade, da corrupção e
da escravidão.” Devemos ser fiéis à criação e não
desapontá-la.
O versículo 22 diz: “Porque sabemos que toda a
criação, conjuntamente, geme e está com dores de
parto até agora” (IBB — Rev.). Parece que uma estrela
geme para a outra e que a lua geme para os planetas.
Todos eles gemem juntos. Não somente a criação
geme juntamente, ela também suporta angústia como
nas dores de parto. Toda a criação está gemendo e
suportando angústias até agora.
O versículo 23 segue dizendo: “E não somente
isso, mas também nós mesmos, que temos as
primícias do Espírito, até nós gememos em nós
mesmos, aguardando ardentemente a filiação, a
redenção do nosso corpo.” Embora tenhamos nascido
pela regeneração como filhos de Deus e temos o
Espírito como a primícia, também gememos porque
ainda estamos no corpo que está ligado à velha
criação. Devemos admitir que nosso corpo ainda
pertence à velha criação. Uma vez que o nosso corpo
pertence à velha criação e ainda não foi redimido,
estamos gemendo nele como faz a criação. Contudo
enquanto estamos gemendo, temos a primícia do
Espírito. A primícia do Espírito é para o nosso
desfrute, é um antegozo da colheita vindoura. Essa
primícia é o Espírito Santo como amostra do sabor
completo de Deus como nosso desfrute de tudo o que
Deus é para nós. Deus é muito para nós. O sabor
completo virá no dia da glória. Apesar disto, antes de
vir o sabor completo, Deus nos deu hoje um antegozo.
Esse antegozo é o Seu Espírito divino como primícia
da colheita do desfrute pleno de tudo o que Ele é para
nós.
Se você falar com os incrédulos eles admitirão
que, de certa forma, têm algum gozo em suas
diversões, tais como dançar e jogar. Contudo, eles
também lhe dirão que são infelizes. Você pode
perguntar-lhes: “Por que você vai dançar ou vai a uma
casa de jogos”? Eles responderão: “Por estar muito
triste, muito deprimido. Eu preciso fazer alguma
coisa.” Eles também estão gemendo, mas somente
gemendo, nada mais. Nós, pelo contrário, quando
estamos gemendo, temos dentro de nós o Espírito
como a primícia, como um antegozo do próprio Deus.
Mesmo quando estamos sofrendo, temos gozo.
Temos o sabor da presença do Senhor. A presença do
Senhor é simplesmente o Espírito como a primícia
para o nosso gozo. Assim somos diferentes das
pessoas do mundo. Elas experimentam o gemer sem
o gozo interior. Nós, contudo, gememos
exteriormente, mas regozijamo-nos interiormente.
Por que nos regozijamos? Regozijamo-nos porque
temos a primícia do Espírito. O Espírito divino dentro
de nós é o antegozo de Deus que nos conduz a
experimentar completamente o desfrute de Deus.
Esse é um grande item nas bênçãos da filiação.
Enquanto estamos gemendo e desfrutando da
primícia do Espírito, estamos aguardando a filiação.
Aqui filiação significa a filiação plena. Ainda que
tenhamos a filiação dentro de nós, esta filiação ainda
não se tornou plena. Naquele dia conheceremos a
filiação plena. Que é a filiação plena? É a redenção do
nosso corpo. Temos a filiação em nosso espírito pela
regeneração e podemos também ter a filiação em
nossa alma pela transformação, mas por enquanto
não a temos em nosso corpo, por meio da
transfiguração. No dia vindouro também teremos a
filiação no nosso corpo. Isto é a filiação plena, a nossa
ardente esperança.
Enquanto estamos esperando, precisamos
crescer. Não precisamos tanto de gemer como
precisamos de crescer. Ainda que precisemos nos
alegrar continuamente, enquanto estamos nos
alegrando, precisamos crescer. Muitos entre nós são
muito jovens, muito imaturos. Todos precisamos
crescer e ser amadurecidos. A hora da vinda daquele
glorioso dia depende do nosso crescimento em vida.
Quanto mais depressa crescermos, mais cedo aquele
dia virá.
No versículo 24 Paulo diz: “Porque na esperança
fomos salvos. Ora, esperança que se vê não é
esperança; pois o que alguém vê) como o espera?”
Qual é a esperança aqui mencionada? E a esperança
da glória. Fomos salvos na esperança de que algum
dia entraremos na glória. Paulo diz que “a esperança
que se vê não é a esperança; pois o que alguém vê,
como o espera?” Que isso significa? Significa que
aquilo pelo qual nós esperarmos será maravilhoso,
pois nunca o vimos. Portanto é uma esperança real.
Se tivéssemos visto ainda que um pouco dela, tal não
seria uma esperança excelente. Se você me
perguntasse acerca da glória no futuro, eu diria que
não sei nada sobre ela porque nunca a vi. Não posso
falar sobre aquela glória porque não a vi. É uma
esperança maravilhosa.
O versículo 25 continua: “Mas, se esperamos o
que não vemos, com paciência o aguardamos.”
Muitos santos esperançosos têm perguntado:
“Senhor, por quanto tempo? Outros dez anos? Mais
uma geração? Quanto tempo Senhor?” Isso é um teste
para a nossa paciência.

E. A Ajuda do Espírito
“E da mesma maneira também o Espírito ajuda
as nossas fraquezas; porque não sabemos o que
havemos de pedir como convém, mas o mesmo
Espírito intercede por nós com gemidos
inexprimíveis” (VRC). Que a frase: “da mesma
maneira” significa? Por que Paulo diz isso? E difícil
entender essa frase. Eu creio que ela tem um
significado todo-inclusivo. “Da mesma maneira”
inclui todos os pontos dos versículos precedentes:
aguardando, ardentemente, gemido, perseverança,
esperança e assim por diante. A frase “da mesma
maneira” relaciona-se a todos estes pontos. Enquanto
estamos gemendo, o Espírito Santo também está
gemendo. Enquanto estamos aguardando, Ele está
aguardando. Enquanto estamos esperando e
perseverando, Ele está esperando e perseverando.
Tudo o que somos Ele também é o mesmo. “Da
mesma maneira” o Espírito se une para ajudar-nos.
Que conforto' isto é! Enquanto estamos gemendo,
vigiando e aguardando, Ele também está gemendo,
vigiando e aguardando. Ele é exatamente como nós.
Se estamos fracos, Ele também está aparentemente
fraco, embora na verdade Ele não seja. Ele se
compadece das nossas fraquezas. Ele parece estar
fraco por causa de nossa fraqueza para poder
participar nela. Quando oramos alto: “Oh, Pai”, Ele
também ora alto. Ele também ora em voz baixa
quando oramos em voz baixa. Podemos dizer: “Oh,
Pai, sou tão miserável. Tenha misericórdia de mim.”
Quando oramos desta maneira, Ele também ora por
nós “da mesma maneira”. Da forma como oramos,
Ele também ora. Da forma como somos, Ele também
é. Se oramos rápida, alegre e altamente, Ele também
ora dessa maneira. Nossa maneira é a Sua maneira.
Não pense que o Espírito Santo é tão diferente de nós
que quando O recebermos seremos pessoas
extraordinárias. Não é este o pensamento contido em
Romanos 8. Romanos 8 revela-nos que o Espírito
Santo é de acordo com a nossa maneira. Irmãs, vocês
estão desiludidas? Algumas irmãs dizem: “Não
podemos gritar. Não podemos orar da maneira alta
como os irmãos. Por causa disso, parece que fomos
desprezadas.” Confortem-se irmãs. O Espírito ora na
maneira de vocês. De qualquer maneira que você seja,
Ele também é. Louvado seja o Senhor!
Paulo também diz que o Espírito une-se a nós
para ajudar-nos. Ele participa nas nossas fraquezas a
fim de ajudar-nos. O Espírito não nos pede que nos
unamos a Ele; Ele se une a nós. O Espírito não diz:
“Suba para o mais elevado padrão para unir-se a
mim.” Nenhum de nós pode fazer isso. Assim o
Espírito une-se segundo a nossa maneira. Se a sua
maneira é rápida, Ele também será rápido. Se você é
lento, Ele será lento. Tente orar. Quer você ore forte
ou fracamente, alto ou de maneira baixa, não importa
para Ele. Se você orar, Ele orará em você “da mesma
maneira”. “Da mesma maneira” Ele unir-se-á a você
para ajudá-lo.
Se um homem é coxo e eu quiser ajudá-lo a
andar, tenho de ter a sua maneira. De igual forma, se
quero aproximar-me de um menininho, devo fazê-lo
da sua maneira. Não deveria dizer: “Menininho, eu
sou um grande gigante que veio ajuda-la.” Se fizer
isso, o menino olhará para mim e dirá: “Não quero
você. Você é muito diferente de mim.” Se quiser
ajudar o menininho, devo diminuir-me e
espremer-me até ser um menininho e dizer: “Posso
brincar com você?” Se disser isso, o menininho ficará
feliz e responderá: “Bom! Vamos brincar juntos.” Isso
quer dizer que me uno para ajudá-lo na maneira dele.
Algumas vezes os irmãos mais velhos na vida da
igreja são muito grandes, muito altos. Embora eles
tentem ajudar os santos, eles não os ajudam na
maneira deles. No dia da ressurreição, o Senhor Jesus
veio para dois discípulos que estavam no caminho de
Emaús (Lucas 24:13-33). O Senhor uniu-se a eles
totalmente à maneira deles. Enquanto eles estavam
conversando, o Senhor Jesus aparentou não saber de
nada. Ele parecia perguntar: “Que vocês estão
falando?” Os dois discípulos repreenderam-No: “Não
sabes as coisas que aconteceram nestes dias?” O
Senhor disse: “Que coisas?” Eles disseram: “O
homem Jesus de Nazaré, um profeta poderoso em
palavra e obras foi condenado à morte e crucificado.”
O Senhor Jesus nem os repreendeu nem se revelou a
eles. Manteve-se segundo a maneira deles,
caminhando com eles até chegarem perto da vila. Eles
pediram-Lhe para ficar com eles e Ele o fez. Enquanto
estavam sentados na sala, o Senhor tomou o pão e o
partiu. Somente então os olhos deles foram abertos
para ver que era o Senhor. Quando perceberam que
era o Senhor, Ele desapareceu.
Na vida da igreja os irmãos e irmãs mais velhos
precisam ajudar os mais novos conforme a maneira
deles. Eles precisam unir-se para ajudá-las nas suas
fraquezas. Nenhum de nós é muito forte. Todos
estamos gemendo, aguardando e dizendo: “Oh
Senhor, quando?” Dia após dia estamos sofrendo.
Apesar disso o Espírito Santo está presente,
unindo-se a nós para ajudar-nos à nossa maneira.

F. o Interceder do Espírito
Paulo continua dizendo: “Porque não sabemos o
que havemos de pedir como convém, mas o mesmo
Espírito intercede por nós com gemidos
inexprimíveis” (VRC). O Espírito intercede por nós
com gemidos, de acordo com nossa maneira. Este
gemido é aparentemente nos, so gemido, mas em
nosso gemido há o gemido do Espírito. E por isso que
o Seu gemido é da mesma maneira que nosso gemido.
Ele está em nós e Seu gemido está em nosso gemido.
Ele geme conosco “da mesma maneira”. A maioria
das nossas orações são bem expressadas com
palavras claras, mas podem não ser provenientes do
nosso espírito. Mas quando temos um encargo real
para orar, ainda que não saibamos como expressá-lo,
então, espontaneamente, somente gememos com
aquele encargo sem qualquer palavra exprimível.
Esta será a melhor oração, em que interiormente o
Espírito intercede por nós gemendo conosco.
Esta espécie de oração inexprimível visa
principalmente o crescimento de vida, com respeito a
verdadeira necessidade da qual não temos muito
entendimento. No tocante a nossa necessidade
material e assuntos de negócios somos claros e
expressamos a oração acerca dessas coisas, mas com
relação à questão do nosso crescimento em vida
estamos necessitados de ambos — do entendimento e
expressão em palavras. Contudo, se estamos
buscando o Senhor com relação ao crescimento em
vida, freqüentemente no profundo do nosso espírito
seremos encarregados com alguma oração acerca da
qual não temos um entendimento claro e pela qual
não temos expressão com palavras. Assim,
espontaneamente somos forçados a gemer. Enquanto
estamos gemendo de dentro do profundo do nosso
espírito, o Espírito que habita em nosso espírito
automaticamente une-se ao nosso gemido,
intercedendo por nós principalmente para que
tenhamos a transformação em vida para o
crescimento até a maturidade da filiação.
O versículo 27 diz: “E aquele que sonda os
corações sabe qual é a mente do Espírito, porque
segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos
santos.” O Espírito intercede segundo Deus. Que
significa isso? Significa que o Espírito intercessor ora
por nós a fim de que possamos ser conformados à
imagem de Deus. Consideraremos mais sobre isso na
próxima mensagem.

G. A Filiação Completa
Temos visto que somos os filhos de Deus
desfrutando todas as bênçãos da filiação. Podemos
enumerar as bênçãos: O Espírito de filiação, o
Espírito que testifica, o conduzir do Espírito, as
primícias do Espírito, o ajudar do Espírito e o
interceder do Espírito. Finalmente teremos a filiação
completa dos filhos de Deus revelada na liberdade da
glória (vs. 19, 21).
Nesta porção da Palavra são usados três termos
importantes — filhos crianças, filhos e herdeiros.
Estas três palavras correspondem aos três
estágios da filiação. A vida de Deus opera em três
estágios para tornar-nos filhos de Deus. A vida de
Deus regenera-nos em nosso espírito, transforma-nos
em nossa alma e transfigura o nosso corpo. Assim
temos regeneração, transformação e transfiguração.
Esses juntos dão-nos a filiação completa. Como
resultado destes três estágios os filhos são
plenamente amadurecidos.
Nesta porção de Romanos está dito que o
Espírito testifica com nosso espírito que somos filhos
(crianças) de Deus (v. 16). No versículo 16 não diz
filhos ou herdeiros, pois no primeiro estágio da
filiação somos simplesmente criancinhas que foram
regeneradas pela vida de Deus. Após isso
cresceremos. Então o versículo 14 diz: “Pois todos os
que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de
Deus.” No versículo 14 não mais somos bebês ou
filhos crianças, mas filhos maduros. Quando somos
capazes de ser guiados pelo Espírito, significa que
atingimos certo crescimento em vida. Crescemos de
filhos crianças para filhos maduros que podem ser
guiados pelo Espírito. Isso quer dizer que estamos no
segundo estágio, o estágio de transformação. Como
resultado, tornar-nos-emos herdeiros. Segundo a lei
antiga, os herdeiros tinham de ser maiores,
declarados legalmente herdeiros a fim de
reivindicarem a herança. Portanto, nessa porção de
Romanos temos filhos (crianças) pela regeneração,
filhos maduros pela transformação e herdeiros pela
transfiguração ou glorificação. Nascemos filhos
(crianças) de Deus, estamos crescendo como filhos de
Deus e estamos esperando pelo tempo quando
estaremos totalmente maduros e legalmente
declarados os legítimos herdeiros de Deus. O
processo que nos torna legalmente herdeiros é a
transfiguração do nosso corpo, isto é, a redenção do
nosso corpo, a redenção plena (v. 23). A
transfiguração do nosso corpo qualificar-nos-á para
sermos os herdeiros da herança divina. Essa
transfiguração será consumada pela glorificação.
Há grandes riquezas nesta porção de Romanos e
precisamos de várias mensagens para abrangê-las.
Nesta mensagem vimos um dos três estágios da
composição dos filhos de Deus: regeneração,
transformação e glorificação. Como resultado desses
três estágios, obteremos a filiação plena. Estes três
estágios correspondem aos três estágios da salvação
de Deus: o primeiro estágio, a justificação, produz os
filhos (crianças); o segundo estágio, a santificação,
capacita os filhos (crianças) para crescerem até serem
filhos; e o terceiro estágio, a glorificação, resulta na
transfiguração do corpo a fim de podermos nos
tornar legalmente herdeiros da herança divina.
ESTUDO-VIDA DE ROMANOS
MENSAGEM 20
HERDEIROS DA GLÓRIA (3)

11. HERDEIROS CONFORMADOS PARA


GLORIFICAÇÃO

A. Muitos Irmãos do Primogênito


Nas duas últimas mensagens consideramos as
bênçãos da filiação. Nesta mensagem veremos que os
herdeiros são conformados para glorificação. A que
são os herdeiros conformados? À imagem de Cristo, o
Filho primogênito de Deus (Hb 1:5-6). Cristo é o Filho
primogênito de Deus, e os que crêem são os muitos
filhos de Deus (Hb 2:10). Como Filho primogênito de
Deus, Cristo é o modelo, o exemplo, o padrão e o
protótipo para todos os Seus irmãos, os muitos filhos
de Deus, que serão conformados à Sua imagem. Essa
conformação é para a glorificação vindoura. Não
deveríamos esperar ser glorificados sem primeiro
crescer em vida e ser conformados à imagem do Filho
de Deus. Se esperamos ser glorificados sem ser
conformados, seremos desapontados. A glorificação
por vir depende da nossa conformação à imagem do
Filho de Deus. Assim, glorificação depende do nosso
crescimento em vida.
Novamente uso a ilustração de uma semente de
cravo. A semente é plantada na terra e brota; isso é
regeneração. Então o craveiro cresce; isso é o
crescimento em vida, o estágio de transformação.
Finalmente o craveiro cresce até o ponto de floração;
isso é transfiguração e glorificação. O estágio de
floração do craveiro é o estágio da sua glorificação.
Se, enquanto o craveiro estiver no estágio de
brotamento, esperar florir c ser glorificado sem
crescer, o tempo da floração nunca virá. Se você não
cresce em vida, mas espera o tempo da floração, o
tempo da glorificação, você e um sonhador. Contudo,
esta é exatamente a situação entre muitos cristãos
hoje.
Recentemente, eu jantei com alguns amigos
cristãos que estão muito familiarizados com a
situação externa do mundo. Eles nos disseram que
uma grande quantidade de cristãos estão
interessados em dois aspectos principais de profecia:
o arrebatamento e os sinais referentes à vinda do
Senhor. Entretanto se esperamos ser arrebatados sem
crescimento em vida, somos sonhadores, porque o
arrebatamento é, na verdade, a nossa transfiguração e
glorificação. Nenhuma semente de cravo pode crescer
de um broto para uma flor da noite para o dia.
Imagine que um broto de cravo sonhou que da noite
para o dia ele cresceu de um estágio de broto para um
estágio de flor. Isso pode ocorrer em um sonho mas
não na Vida real, pois tal desenvolvimento incomum
é absolutamente contra a lei da vida. De acordo com a
lei da vida um craveiro deve crescer gradualmente até
alcançar a maturidade. Assim e somente assim uma
flor surgirá. Da mesma maneira, devemos crescer
gradualmente até chegarmos a um homem
plenamente crescido (Ef 4:13, lit.). Uma vez
alcançado o estágio de floração, estaremos prontos
para sermos transfigurados e glorificados. Portanto, a
glorificação com a transfiguração é possível somente
depois de termos atingido a maturidade.
Também podemos usar a ilustração de
graduar-se na universidade. Suponha que um calouro
universitário sonhasse que completaria sua educação
em uma noite e que se graduaria na manhã seguinte.
Isso é meramente sonho. Na realidade, ele não
deveria esperar graduar-se até que tenha completado
quatro anos de estudo. Depois de ter terminado todos
os seus cursos e passado em todos os exames, ele
estará aprovado para a graduação. A graduação
nunca vem subitamente.
Muitos cristãos vivem num sonho. Embora
muitos cristãos esperaram ser levados para o ar, por
fim todos eles passaram para a terra. Durante o
último século e meio houve muitas predições
peculiares com respeito à vinda do Senhor. Muitos
assim chamados mestres de profecias até mesmo
ousaram marcar a data de quando o Senhor desceria
do ar. Contudo os anos passaram e nada aconteceu.
Toda predição falhou em se concretizar.
Fui salvo adolescente, poucos anos após o fim da
Primeira Guerra Mundial. Eu amava ler a Bíblia e
conhecer suas verdades. Assim, embora fosse um
estudante com pouco dinheiro, tentei comprar livros
espirituais. Muitos daqueles que ensinaram e
escreveram sobre profecia propuseram várias
predições, muitas das quais foram arruinadas pelo
início da Segunda Guerra Mundial; nenhuma foi
cumprida. D. M. Panton, um grande mestre da Bíblia,
publicou um jornal intitulado Alvorada. Em meados
de 1930 ele imprimiu um artigo que incluía duas
fotos, uma de César Nero e a outra de Mussolini. D.
M. Panton disse: “Olhe para estas fotos. Veja como
elas se parecem uma com a outra, Mussolini deve ser
o anticristo.” Depois que viemos a saber deste artigo,
eu disse em uma das reuniões da igreja: “Queridos
santos, o senhor Panton publicou um artigo
dizendo-nos que Mussolini é o anticristo. Se este é o
caso, certamente o Senhor virá em breve, e nós
seremos arrebatados. Irmãos, no profundo do meu
espírito, eu realmente conheço um princípio — que o
arrebatamento é o resultado da maturidade. No Novo
Testamento o arrebatamento é comparado a uma
colheita, e uma colheita só é possível após a safra ter
amadurecido e estar pronta para ser colhida. Se a
safra não está madura, mas ainda está tenra e verde,
como pode vir a colheita? Isso é impossível. Irmãos e
irmãs, olhem para a situação entre o povo do Senhor
hoje. Olhem para a safra. Está madura? Vocês crêem
que, de acordo com o atual estágio de crescimento da
safra, a colheita é iminente? Isso é impossível. Olhem
para o campo — em parte alguma há qualquer
crescimento real. Embora haja milhares de cristãos
genuínos sobre toda a terra como um resultado de
dois séculos de evangelização, de missionários indo
às partes mais remotas da terra com o evangelho,
ainda há muito pouco crescimento. Onde está o
verdadeiro crescimento em vida? Dificilmente existe
algum crescimento e não há maturidade. Como
podemos então esperar ter a colheita? Ouso dizer que
a co-lheita não virá até que a safra esteja madura.”
Falei esta palavra aproximadamente quarenta anos
atrás; contudo, o arrebatamento ainda não aconteceu.
Mussolini foi morto e enterrado, e nenhum cristão viu
o anticristo.
Não deveríamos abordar a profecia na maneira
peculiar de predição. Muitos escritores fizeram isso e
todos eles foram postos à vergonha. Devemos
perceber que a glorificação com a transfiguração
depende do nosso crescimento em vida até
alcançarmos a maturidade. Se quisermos ser
glorificados, devemos crescer, pois a glorificação vem
como o resultado da maturidade. Quando entrarmos
na maturidade, esta resultará na glorificação. A
glorificação não virá como uma casualidade, como
um acontecimento da noite para o dia; ela é o
resultado do crescimento em vida. Irmãos e irmãs,
precisamos crescer. Como a safra de Deus,
precisamos amadurecer até o tempo da colheita, o
tempo da nossa transfiguração e glorificação.

B. Co-herdeiros de Cristo
Daqui em diante precisamos ler mais versículos
de Romanos 8 e comentá-los, incluindo alguns dos
versículos que abrangemos nas duas mensagens
anteriores. Podemos começar com o versículo 17. “E,
se filhos, herdeiros também; herdeiros de Deus e
co-herdeiros de Cristo, se de fato sofrermos com Ele
para que com Ele também sejamos glorificados” (IBB
— Rev.). Filhos crianças não podem ser legalmente
herdeiros. A fim de tornarem-se legalmente
herdeiros, os filhos crianças devem crescer até serem
filhos e os filhos devem crescer até serem herdeiros.
Quando atingirmos este estágio de crescimento,
seremos glorificados. Embora tenhamos considerado
esse versículo na última mensagem, quero abordá-lo
agora de um outro ângulo. Precisamos entender que o
crescimento genuíno de qualquer tipo de vida
depende de sofrimento e dor. Sem sofrimento ou dor
é difícil para qualquer vida crescer. No versículo 17
encontramos a questão de sofrimento. Já salientei
que quanto mais sofrimentos experimentarmos,
maior será o nosso grau de glória. Entretanto o
sofrimento mencionado no versículo 17 não se
relaciona apenas à glorificação exterior; sofrimento é
também para o crescimento em vida. Quanto mais
sofremos, mais crescemos e mais rápido ficamos
maduros. Se uma safra no campo pudesse falar, ela
diria que não cresce somente pela ação do solo, água,
fertilizante, ar e luz solar, mas também pelo
sofrimento. Até mesmo a própria luz solar é uma
fonte de sofrimento, pois o calor ardente do sol
queima a safra até a colheita. Portanto, se espera
crescer, você precisa dizer ao Senhor: “Senhor, eu não
rejeito qualquer tipo de sofrimento. O sofrimento
ajuda o meu crescimento.” Não deveríamos esperar
uma vida livre de sofrimento.
Muitas vezes usei a ilustração do casamento.
Como um irmão jovem, você sem dúvida espera ter
como esposa uma irmã que se ajuste exatamente à
sua situação. Finalmente, contudo, você descobre que
sua esposa é totalmente o oposto de suas
expectativas. Não pense que seu casamento é
destinado para cortar você em pedaços. Não, você
deve dizer: “Senhor, eu Te agradeço por tal boa
esposa. Minha esposa não me corta em pedaços, ela
me ajuda a crescer.” Nenhum marido gosta de ouvir a
palavra “não” da boca da esposa. Todos nós gostamos
que nossa esposa diga “sim”. Quão doce isso é!
Todavia parece que a maioria das esposas está
acostumada a dizer “não”. Estes “não” proporcionam
muito crescimento para nós, maridos. Irmãos jovens,
vocês deveriam ser confortados quando suas queridas
esposas dizem “não” a vocês. Não fiquem perturbados
ou ofendidos, mas digam: “Senhor, eu Te agradeço
por todos estes 'nãos'.” Tal sofrimento nos ajuda a
crescer e amadurecer. Entretanto, como Paulo diz no
versículo 18, “os sofrimentos deste tempo presente
não são dignos de serem comparados com a glória
vindoura, a ser revelada a nós”. Nós abrangemos esse
aspecto de sofrimento na mensagem anterior.

C. Conformados à Imagem do Primogênito


Os versículos 26 e 27 dizem: “E da mesma
maneira também o Espírito ajuda as nossas
fraquezas; porque não sabemos o que havemos de
pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede
por nós com gemidos inexprimíveis (VRC). E aquele
que sonda os corações sabe qual é a mente do
Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele
intercede pelos santos.” Aqui temos o condoer-se, o
assistir e o interceder do Espírito. Para que propósito
temos essas coisas? O propósito é encontrado nos
versículos 28 até 30. Paulo começa o versículo 28
com as palavras “E sabemos”, palavras que conectam
este versículo aos versículos seguintes. “Sabemos que
todas as cousas cooperam para o bem daqueles que
amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o
seu propósito.” Qual é o propósito do chamamento de
Deus? Nós o encontramos no versículo 29.
“Porquanto aos que de antemão conheceu, também
os predestinou para serem conformes à imagem de
seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre
muitos irmãos.” Paulo não diz que Deus nos
préconheceu e predestinou para irmos a um lugar
feliz ou termos uma vida que durará para sempre.
Isto não é o nosso destino. Deus nos predestinou para
sermos conformados à imagem de Seu Filho. Este
destino foi determinado antes mesmo de sermos
criados. Antes da criação do mundo, Deus decretou
tal destino a nós. Portanto isso é uma predestinação.
O Filho primogênito de Deus é o protótipo e nós
somos a produção em série. Cristo é o modelo, o
molde e a forma. Deus colocou a todos nós dentro
Dele para que possamos ser moldados à imagem do
Seu Filho primogénito. Conseqüentemente, seremos
conformados ao molde. Às vezes, quando as irmãs
fazem bolo, elas colocam a massa dentro de um
molde. Por ser colocada dentro do molde, a massa
assume a forma e a imagem dele. Em seguida, a
massa também deve ser assada para que o bolo possa
ter: a forma do molde sem qualquer alteração. Se a
massa pudesse falar, ela provavelmente gritaria:
“Irmã, tenha misericórdia de mim. Não aplique tanta
pressão. Eu não posso suportar. Por favor mantenha
suas mãos afastadas.” Contudo, a irmã replicaria: “Se
mantiver minhas mãos afastadas, como você se
encaixará à forma do molde? Querida massa, depois
do meu moldar você deve ser posta no forno. Você
pode pensar que pressão é sofrimento suficiente para
você, mas você também precisa do queimar. Após ter
experimentado pressão e calor intenso você exibirá a
forma do molde permanentemente.” Da mesma
maneira, Cristo, o Filho primogênito de Deus, é o
protótipo, a forma e o molde e nós somos pedaços da
massa. Todos fomos colocados dentro do molde e
agora estamos sendo amassados pela mão de Deus.
Fomos predestinados para sermos conformados
à imagem do Filho de Deus, para que Ele possa ser o
primogénito entre muitos irmãos. Este é o propósito
de Deus. O propósito de Deus é produzir muitos
irmãos de Seu Filho primogênito, Quando Cristo era
o Filho unigênito, Ele era único, mas Deus desejou ter
muitos filhos que serão os muitos irmãos de Seu
Filho. Desta maneira, o Filho unigênito de Deus
torna-se o primogênito entre muitos irmãos. Ele é o
Filho primogênito e nós somos os muitos filhos. Qual
é o propósito disso? O propósito é que expressemos
Deus de uma maneira corporativa. O reino de Deus é
edificado com Seus muitos filhos e o Corpo de Cristo é
edificado com Seus muitos irmãos. Sem os muitos
filhos, Deus nunca poderia ter um reino, e sem os
muitos irmãos, Cristo nunca poderia ter um Corpo.
Assim, os muitos filhos de Deus são para o reino de
Deus e os muitos irmãos de Cristo são para o Corpo
de Cristo. O reino de Deus é simplesmente a vida de
Corpo, e esta 'Vida de Corpo, na igreja, é o reino de
Deus, onde Ele é expressado e onde Seu domínio é
exercido sobre a terra. Este é o propósito de Deus.
Por essa razão o versículo 30 diz: “E aos que
predestinou, a esses também chamou; e aos que
chamou, a esses também justificou; e aos que
justificou, a esses também glorificou.” Na eternidade
fomos predestinados e no tempo fomos chamados.
Por que Deus prepara nosso ambiente,
circunstâncias e situações de tal maneira que
experimentemos sofrimento? Não deveríamos
explicar isso segundo o nosso conceito natural
dizendo: “A terra toda está cheia de sofrimentos e
todos experimentam dor. Por que deveríamos ser
uma exceção?” Esse é um conceito natural e não
deveríamos aceitá-la. Devemos perceber que o
propósito de Deus é fazer-nos filhos plenamente
crescidos, não pequenas crianças. Não deveríamos
estar satisfeitos por continuarmos como crianças
desfrutando do Seu carinho e amor. Deus pretende
fazer de nós filhos plenos, completamente crescidos
para sermos herdeiros legais a fim de herdarmos tudo
o que Ele é neste universo e para expressarmo-Lo e
exercermos Seu domínio sobre a terra. Uma vez que a
intenção de Deus é trazer-nos para a plena filiação,
precisamos crescer. Não há dúvida de que o
crescimento vem da alimentação interior, mas essa
alimentação interna necessita da coordenação do
ambiente exterior. De acordo com nosso sentimento,
a maior parte do ambiente exterior é desagradável.
Assim o ambiente exterior torna-se um sofrimento no
que nos diz respeito. Não digo que o ambiente
exterior não é bom; é sempre bom, mas pode não
parecer bom na sua opinião.
Algumas vezes os pais fazem coisas para os filhos
que, segundo a opinião dos filhos, não são positivas.
Os filhos podem gritar e chorar imaginando estarem
sofrendo. Contudo os bons pais não são enganados
pelas lágrimas dos filhos. Algumas mães jovens têm
sido enganadas pelo choro de seus filhos, mudando o
sistema quando vêem as lágrimas dos pequeninos.
Não é ganho para os filhos enganarem os pais com
lágrimas. Uma mãe deve dizer ao filho: “Eu não ligo
para o seu choro. Eu sei que estou pondo você em um
ambiente muito bom, o que é melhor para você. Você
pode dizer que é um sofrimento. Mas eu sei quão bom
ele é para você.”
Deus trata conosco exatamente da mesma
maneira. Ele sabe em qual situação e ambiente
podemos crescer bem. Ele é nosso Pai, e tudo está sob
Seu arranjo. Ele não pode fazer nada errado. Tudo o
que Ele faz para nós é excelente e maravilhoso,
embora em nossa opinião possa não ser bom. Todavia
não deveríamos nos preocupar com as nossas
opiniões, deveríamos atentar ao arranjo de Deus. Foi
você que decidiu nascer no século vinte? Foi você que
planejou em que família nasceria e que pais e irmãos
e irmãs teria? Foi você que desenhou sua face? Você
não fez nenhuma dessas coisas. Foi Deus que
escolheu o lugar do seu nascimento e a forma de sua
face. Deus nos escolheu, predestinou e fez com que
nascêssemos no tempo certo e no lugar certo. Ele
sabe o que é melhor para nós, e todas as coisas estão
debaixo do Seu controle. Digo mais uma vez que,
segundo nossas opiniões, o nosso ambiente pode ser
um sofrimento, mas, na verdade, é uma bênção, é a
provisão soberana de Deus. Tudo o que necessitamos
para o nosso crescimento em vida tem sido
soberanamente suprido por Deus. Tudo está certo.
Por isso, quando estamos experimentando dor e sofri.
mento, devemos negá-los e dizer: “Satanás, você é um
mentiroso. Isso não e uma dor ou sofrimento para
mim; isso é o arranjo de Deus. Isso é uma bênção
para que eu possa crescer até a plena filiação.” Todos
nós necessitamos de um ambiente adequado para
fornecer os elementos que são necessários para o
nosso crescimento em vida. Todavia, quando coisas
desagradáveis acontecem conosco podemos não
entender que elas procedem da mão do nosso Pai
para o nosso crescimento.

1. Interiormente pelo Operar do Espírito


Mesmo se entendemos, nós ainda dizemos:
“Como vou tratar com isso? Oh, eu não sei como
orar.” Por isso, você começa a gemer e enquanto está
gemendo, o Espírito geme em seu gemido. Quando
cheguei a essa porção da palavra como um jovem eu
disse: “Nunca ouvi o gemido ~o Espírito. Quando Ele
gemeu por mim? Finalmente descobri que, neste
capítulo, o que quer que façamos o Espírito faz
também. Quando clamamos “Aba, Pai” o Espírito
clama também. Quando seu espírito testifica dentro
de você, o Espírito também testifica. De semelhante
modo, quando você geme o Espírito também geme.
Por que gememos? Porque sofremos e não
sabemos como orar. Parece que o Espírito Santo não
dá a você expressão alguma. Você é ignorante e o
Espírito Santo de maneira semelhante parece ser
Ignorante. Você não sabe como orar, e o Espírito
também parece não saber como orar. O Espírito ora
da sua maneira. Você geme, e, Ele geme também.
Dificilmente você geme com algum propósito, mas o
Espírito geme em seu gemido com um propósito
definido. Esse propósito não pode ser exprimido por
você, mas pode ser exprimido pelo Espírito. Contudo
se Ele o exprimisse, você não entenderia, pois seria
uma linguagem divina, celestial. Uma vez que é difícil
para você entender, o Espírito não lhe dá expressão.
Ele “intercede por nós com gemidos inexprimíveis”.
Contudo há um propósito em tudo isso.
Qual é o propósito? O Espírito Santo geme em
seu gemido para que você esteja plenamente moldado
e conformado à imagem do Filho primogênito de
Deus. Este é o propósito. Quando muitos santos
encontram-se em necessidade, eles dizem: “Eu não
sei exatamente por que isso me acontece. Por que isso
me acontece?” Creio que todos nós temos dito isso
muitas vezes. Mesmo você, que foi salvo
recentemente, talvez já tenha falado dessa maneira.
Por que certas coisas lhe acontecem? Porque o
Espírito que geme suplicou por elas. Embora você
não conheça o propósito, Ele sabe, e ora segundo
Deus. Cristo é a forma e o Espírito ora, para que tudo
o que lhe aconteça possa moldá-lo para dentro dessa
forma, para dentro da imagem do Filho primogénito.
Não só o Espírito Santo geme dentro de nós
desse modo; nós também clamamos por outros dessa
maneira. Experimentei isso várias vezes em meu
ministério. Lembro-me do caso de um querido irmão
que amava muito o Senhor. Contudo ele. tinha, um
temperamento muito peculiar e ninguém podia
tolera-la. Por isso, nós oramos por ele dizendo:
“Senhor, aqui está um irmão tão querido com um
bom potencial. Ele é tão bom material. Senhor, ele Te
ama. Mas ninguém pode suportar seu temperamento
peculiar. Senhor, cuide disso. O Senhor conhece a
situação do nosso irmão.” Depois de certo tempo o
irmão ficou doente e começou a lamentar: “Eu não sei
porque isso me aconteceu.” Imediatamente ele pediu
à esposa para contatar os presbíteros e solicitar que
eles o visitassem para terem comunhão. Nós fomos. A
primeira sentença proveniente da sua boca
foi::'Irmãos, vocês conhecem minha situação. Eu não
sei porque isso me aconteceu.” Interiormente, nós,
assim como o Espírito Santo, sabíamos porque ele
estava sofrendo; contudo não ousamos dizer nada.
Simplesmente falamos da maneira do nosso irmão:
“Oh irmão, por que isso lhe aconteceu?” Isso foi tudo
o que pudemos dizer. Quando o irmão pediu para
orarmos com, ele, não sabíamos como orar.
Simplesmente dissemos: “O Senhor Jesus, por que
isso aconteceu ao nosso irmão?” Embora
interiormente soubéssemos a razão, tudo o que
pudemos dizer foi: “Senhor, faça o melhor.” Isso não
o ofendeu porque ele também esperava o melhor, e
disse: “Amém.” Ele entendeu nossa oração num
sentido, e nós a entendemos em outro. Estávamos
pensando: “Senhor, faça o melhor para tratar com ele,
para subjugá-lo, para queimá-la.” Embora não
ousamos dizer isso, tivemos tal propósito dentro de
nós, um propósito que não poderíamos expressar
naquele momento. Entretanto, o Deus que sonda o
coração respondeu àquela oração, uma oração que
era de acordo com Ele mesmo. A dificuldade do irmão
continuou e a doença prolongou-se por outro período
de tempo. Ele estava bastante perturbado e pediu à
esposa para mandar buscar-nos novamente. Nós
fomos e perguntamos junto com ele: “Oh irmão, por
que essa doença prolongou-se por tanto tempo?”
Mais uma vez estávamos claros interiormente, mas
não dissemos nada. Quando ele nos pediu para orar,
nós simplesmente oramos: “Ó Senhor, ainda lhe
pedimos que faça o melhor.” Louvado seja o Senhor
que depois de um período de tempo a situação desse
irmão mudou. Primeiramente ele teve um pouco de
libertação do seu temperamento; depois ele foi
curado da doença. Finalmente ele pôde gritar:
“Aleluia! Agora eu sei.”
Por que o Espírito geme em nós com palavras
que não podem ser expressadas? Ele geme para que
possamos ser moldados, conformados à imagem do
Filho de Deus. É muito mais fácil falar sobre
santificação em vida. Entretanto, acompanhando a
santificação há a questão da conformação. Não
precisamos apenas ser santificados, ser saturados
com o que Deus é, mas também precisamos ser
moldados. Podemos ser separados de todas as coisas
comuns e ser saturados com a natureza santa de
Deus, mas ainda nos falta essa conformidade. A
santificação provavelmente não exige qualquer
sofrimento. A conformação, ao contrário, necessita de
sofrimento. Em santificação não há nenhuma forma,
apenas uma mudança na disposição, na natureza;
mas na conformação há um molde pelo qual somos
conformados à imagem do Filho de Deus. Junto com
este molde há a pressão, a moldagem, a mistura com
água e o queimar com fogo. Se a massa, a fina farinha
branca, pudesse falar, ela diria: “Que sofrimento isso
é para mim. Você me mistura com outras coisas, me,
pressiona, e até me coloca em um forno para me
queimar. O processo inteiro do cozinhar é um
sofrimento.” Isto está correto. Sem o sofrimento não
podemos ser moldados para dentro da forma.
ESTUDO-VIDA DE ROMANOS
MENSAGEM 21
HERDEIROS DA GLÓRIA (4)

2. Exteriormente pelo Cooperar de Todas as


Coisas
Não podemos evitar o processo mencionado na
mensagem anterior, pois ele é o propósito da
intercessão com gemidos do Espírito Santo. Deus Pai
conhece o propósito do gemido do Espírito e assim
Ele faz todas as coisas cooperarem (v. 28). Após os
versículos 26 e 27, que falam da intercessão do
Espírito, temos o versículo 28 que diz: “Sabemos que
todas as cousas cooperam para o bem daqueles que
amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o
seu propósito.” O Espírito Santo geme em nós,
intercedendo por nós, e Deus Pai responde a esta
intercessão fazendo todas as coisas cooperarem para
o bem. No grego, a palavra traduzida como “todas as
coisas” significa todas as questões, todas as pessoas,
todas as coisas, tudo em tudo. Deus Pai é soberano e
arranja tudo. Ele sabe de quantos cabelos você
precisa (Mt 10:30) e quantos filhos deve ter. Não se
queixe de seus filhos, pois Deus não lhe dará nem
mais nem menos do que você necessita. Ele é
soberano. Ele sabe. Sabe se você precisa de filhos
obedientes ou desobedientes. Sabe se você precisa de
meninos ou meninas. Eu digo repetidas vezes que Ele
sabe. Ele faz com que todas as coisas, todas as
questões e todas as pessoas cooperem para o seu bem.
Parece que Deus sacrifica a todos por você. Para a
esposa, o esposo é um sacrifício, e para o esposo, a
esposa é um sacrifício. Para os filhos, os pais são o
sacrifício, e para os pais, os filhos são o sacrifício.
Quem pode fazer tal obra? Somente Deus. Tenho dito
ao Senhor: “Senhor, por que Tu sacrificas a todos
apenas por mim?” Tenho a sensação interior de que
todos os irmãos com os quais eu coopero e até mesmo
todas as igrejas são sacrifícios para mim. Contudo,
quando você sofre, eu sofro mais. Quando a esposa
sofre perda, o esposo sofre mais, e quando as crianças
sofrem, os pais sofrem mais. Louvado seja o Senhor
porque Deus faz com que todas as coisas; todas as
questões e todas as pessoas cooperem para o bem
daqueles que O amam e que foram por Ele chamados
a fim de que Ele cumpra o Seu propósito.
Deus determinou nosso destino de antemão, e
esse destino nunca pode ser cumprido sem o arranjo
divino, que faz todas as coisas cooperarem conosco.
Nosso destino é sermos conformados à imagem do
primogênito Filho de Deus. Ainda não somos plenos
na imagem do primogênito Filho de Deus, mas Deus
Pai está planejando, moldando e executando, por
levar todas as coisas a cooperarem para o bem.
Louvado seja o Senhor! Enquanto estamos crescendo,
Ele está moldando.
Devemos todos estar satisfeitos. Se você tem uma
“esposa agradável, louve o Senhor por sua agradável
esposa. Se tem uma esposa difícil, louve o Senhor
ainda mais por sua esposa difícil. Se tem uma esposa
agradável ou difícil, um esposo agradável ou difícil,
filhos obedientes ou desobedientes — com o que quer
que tenha, você deve estar satisfeito. Você deve dizer
ao Senhor: “Senhor, eu posso e tenho cometido
muitos enganos, mas Tu nunca podes estar enganado.
Até mesmo os meus enganos estão em Tuas mãos. Se
Tu não me permitisses cometer um engano,
simplesmente moverias Teu polegar e mudarias a
situação e eu não o cometeria. Tudo está em Tuas
mãos.” Portanto, todos devemos estar satisfeitos.
Entretanto, não seja tão espiritual ao ponto de chegar
ao extremo de orar ao Pai que lhe dê sofrimento. Não
ore por sofrimentos. Pelo contrário ore: “Pai, livra-me
da tentação. Livra-me de toda espécie de sofrimentos.
Afasta-me de toda sorte de confusão.” Embora ore
dessa maneira, algumas dificuldades e aflições
visitarão você. Quando elas vierem, não se queixe e
não se turbe, mas diga: “Pai, agradeço-Te por isso.
Pai, se possível, afasta de mim este cálice. Contudo,
Pai, não a minha mas a Tua vontade seja feita.” Esta é
a atitude adequada. Nunca ore para que sofrimentos
venham, mas ore ao Pai para mantê-los longe de você.
Entretanto, quando os sofrimentos vêm, não fique
desapontado; aceite-os e continue a orar: “Pai, se
possível leve isso embora. Mantenha-me na Tua
presença, longe de todo problema e distração.” Por
um lado devemos orar desta maneira; por outro lado
devemos estar felizes com tudo o que o Pai nos dá,
porque sabemos que todas as coisas estão em Suas
mãos e aparecem em nosso caminho para que
sejamos conformados à imagem de Seu Filho
primogênito. Esta conformação é a preparação para a
nossa glorificação.
Prossigamos agora para o versículo 31: “Que
diremos, pois, à vista destas cousas? Se Deus é por
nós, quem será contra nós?” Não devemos tomar esta
palavra de acordo com nosso conceito natural. Deus é
por nós não à nossa maneira, mas à Dele.
O versículo 32 diz: “Aquele que não poupou a seu
próprio Filho, antes, por todos nós o entregou,
porventura não nos dará graciosamente com ele todas
as cousas?” A palavra “todas” neste versículo é a
palavra grega panta, que significa todas as coisas,
questões e pessoas. Todas as coisas, questões e
pessoas têm sido gratuitamente dadas a nós.
Devemos crer que tudo coopera para o bem. Mesmo
nossos inimigos são para o nosso bem.
“Quem intentará acusação contra os eleitos de
Deus? É Deus quem os justifica” (v. 33). Somente
Deus é qualificado a fazer uma acusação contra nós,
mas Ele nos justifica.
“Quem os condenará? E Cristo Jesus quem
morreu, ou antes, quem ressuscitou, o qual está à
direita de Deus, e também intercede por nós.” No
versículo 10 vemos claramente que Cristo está em
nós, mas aqui no versículo 34 é-nos dito que Cristo
está à direita de Deus. Portanto, em um capítulo
é-nos dito que Cristo está em dois lugares — em nós e
à direita de Deus. Onde Cristo está? Porque Ele é o
Espírito (2Co 3:17), Ele é onipresente. Ele está tanto
no céu como sobre a terra, tanto à direita de Deus
como em nosso espírito. De acordo com o versículo
26, o Espírito intercede dentro de nós, e de acordo
com o versículo 34, Cristo intercede por nós à direita
de Deus. Temos dois intercessores _ um dentro de
nós e o outro à direita de Deus? Não, esses dois são
um. Isto é semelhante à eletricidade. Temos
eletricidade tanto em nossas casas como na usina
elétrica; contudo há apenas uma eletricidade. Da
mesma maneira, Cristo intercede por nós tanto à
direita de Deus como de dentro do nosso espírito.
Eu gostaria, agora, de chamar sua atenção ao fato
de que, no versículo 30, todos os verbos estão no
passado. Leiamos esse versículo uma vez mais. “E aos
que predestinou, a esses também chamou; e aos que
chamou, a esses também justificou; e aos que
justificou, a esses também glorificou.” Uma vez que a
glorificação ocorrerá no futuro, por que Paulo diz
“glorificou” e não “glorificará”? Embora a glorificação
não tenha ainda ocorrido, Paulo usa o tempo passado.
Que isso significa? Novamente vemos que se lermos a
Bíblia apenas de acordo com as letras encontraremos
dificuldades. Pergunto a você: a glorificação ocorreu?
Por que o apóstolo Paulo aqui diz “glorificou”? Você
foi glorificado? A Bíblia diz que já fomos glorificados.
Tudo o que é mencionado no versículo 30 é um fato
consumado predestinado, chamado, justificado e
glorificado. Não há problema em dizer “predestinou”,
porque aquilo foi uma ação realizada no passado.
Também podemos dizer “chamou”; entretanto,
muitas pessoas ainda não foram chamadas e
precisamos pregar o evangelho a elas para que sejam
chamadas. Além disso, apesar de termos sido
justificados, muitos novos convertidos serão
justificados. Além do mais, nenhum de nós, incluindo
o próprio Paulo, foi glorificado. Contudo, Paulo
colocou tudo no tempo passado.
Devemos nos lembrar de que estamos sujeitos ao
tempo. Um grande mestre disse que não há relógio no
céu, porque Deus é o Deus da eternidade. Ele é o Deus
eterno, com Ele não existe tempo. Quando vocês
foram glorificados? Vocês foram predestinados,
chamados, justificados e glorificados na eternidade
passada. Aos olhos de Deus e segundo Seu conceito,
tudo foi consumado. Digam-me, se a glorificação não
ocorreu, como o apóstolo João pôde ter visto a Nova
Jerusalém mil e novecentos anos atrás? Ele não
estava sonhando — ele realmente a viu (Ap 21:2).
Vocês já notaram que quase todos os verbos usados
no livro de Apocalipse, um livro cheio de profecias de
eventos futuros, estão no passado, indicando que
tudo foi consumado? Por que menciono isso? Porque
isso explica a razão pela qual o versículo 31 vem após
o versículo 30. A nossa predestinação foi assegurada e
não precisamos de uma companhia de seguros. A
nossa justificação e glorificação estão protegidas e
asseguradas no próprio Deus eterno. Não há
companhia de seguros na terra que possa
comparar-se a Ele. Ele mesmo é a maior companhia
de seguros. A nossa salvação, justificação e
glorificação estão asseguradas porque Ele cumpriu
tudo. De acordo com nosso sentimento, a glorificação
ocorrerá no futuro, mas segundo o conceito de Deus
ela já ocorreu. Com Deus tudo é eterno. Nossa
predestinação, chamamento, justificação e
glorificação são questões eternas, não questões
temporais. Assim, estamos assegurados.

D. Glorificação

1. A Revelação dos Filhos de Deus na


Liberdade da Glória
Chegamos agora à questão da glorificação e
continuamos com o versículo 19. “A ardente
expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos
de Deus.” A palavra “revelação”, uma tradução mais
precisa da palavra grega usada neste versículo, é uma
palavra melhor que manifestação. Revelação significa
abrir o véu. Algo foi velado, coberto por um véu. Um
dia, o véu será removido, e as coisas ocultas serão
reveladas. Embora sejamos os filhos de Deus,
estamos velados, não revelados ainda. Quando o
Senhor Jesus estava na terra, Ele era o Filho de Deus,
mas estava velado pela Sua carne humana. Um dia,
no monte, Ele foi desvendado e revelado (Mt 17:1, 2).
Ocorre o mesmo conosco. Embora sejamos os filhos
de Deus, ainda estamos sob um véu. Um dia este véu
será removido — aquilo será a nossa glorificação.
Todos os filhos de Deus sairão de sob o véu e serão
revelados. Então, todo o universo contemplará os
filhos de Deus.
A criação está aguardando ardentemente e
vigiando ansiosamente para ver esta revelação dos
filhos de Deus, porque “a criação foi sujeita à vaidade,
não voluntariamente, mas por causa daquele que a
sujeitou, na esperança de que a própria criação será
redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade
da glória dos filhos de Deus” (vs. 20-21). Como temos
visto, toda a criação está sob vaidade, servidão e sob a
escravidão da corrupção, A única esperança da
criação é ser libertada desta escravidão da corrupção
para a liberdade da glória dos filhos de Deus, quando
esses forem revelados. Embora toda criação esteja,
atualmente, presa a uma condição de vaidade e
corrupção, Deus introduzirá um reino para substituir
esta condição atuaL A presente condição é vaidade e
escravidão da corrupção; o reino vindouro será um
reino da glória de Deus, um reino composto,
primariamente, dos filhos de Deus revelados. No
tempo da revelação desse reino, toda a criação será
libertada. A criação está aguardando ardentemente e
vigiando ansiosamente a vinda desse reino. Assim,
“toda a criação geme e está juntamente com dores de
parto até agora” (v. 22 — VRC). O universo está
gemendo e com dores de parto, aguardando a
revelação dos filhos de Deus. Além disso, nós
mesmos, “que temos as primícias do Espírito”,
igualmente gememos, aguardando a filiação, a
redenção do nosso corpo (v. 23).
No versículo 24, Paulo diz “que na esperança
fomos salvos. Ora, esperança que se vê não é
esperança; pois o que alguém vê, como o espera?” A
esperança mencionada neste versículo é a esperança
da glória. Uma vez que nenhum de nós jamais viu
esta esperança, ela é uma esperança completa e
genuína. Há esperança que é parcial, porque vemos
uma certa porcentagem dela. Entretanto, a esperança
da glória é uma esperança total, porque não vemos
qualquer parte dela. Por isso estamos aguardando
essa esperança, “com paciência o aguardamos” (v.
25).

2. Compartilhar da Glória de Deus


O capítulo 5:2 diz, que “nos gloriamos na
esperança da glória de Deus” (VRC) e 9:23 diz que
somos “vasos de misericórdia, que para glória
preparou de antemão”. Esta glória será na revelação
do reino vindouro, no qual nós, como filhos de Deus
revelados, participaremos. Deus nos chamou para
essa glória (1Ts 2:12; 2Ts 2:14; 1Pe 5:10). O próprio
Cristo é a esperança desta glória (Cl 1:27), que
estamos aguardando e pela qual estamos esperando.
Nossa esperança não é outra senão o próprio Cristo
que será revelado como nossa glória. Agora nos
gloriamos e regozijamos nesta esperança da glória.
Nós partilharemos dessa glória no dia da nossa
glorificação. Quando Cristo se manifestar, seremos
manifestados com Ele em glória (Cl 3:4). Esse é o
nosso destino.
III. HERDEIROS INSEPARÁVEIS DO AMOR
DE DEUS
“Quem nos separará do amor de Cristo? Será
tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou
nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: Por
amor de ti, somos entregues à morte o dia todo,
fomos considerados como ovelhas para o matadouro”
(vs. 35-36). Embora isso certamente fale de
sofrimento, os versículos seguintes declaram: “Em
todas estas cousas, porém, somos mais que
vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque
eu estou bem certo de que nem morte, nem vida, nem
anjos, nem principados, nem cousas do presente,
nem do porvir, nem poderes, nem altura, nem
profundidade, nem qualquer outra criatura poderá
separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo
Jesus nosso Senhor” (vs. 37-39). Não estamos
derrotados; mais que vencemos porque Deus nos
ama. Por que Deus se importa tanto conosco e faz
tantas coisas por nós? Simplesmente porque somos
os Seus amados. Ninguém pode separar-nos do Seu
amor. Uma vez que Ele nos ama, Ele nos ama para
sempre com um amor eterno. Nada pode separar-nos
Dele. Porque Ele nos ama e porque somos os Seus
amados, mais cedo ou mais tarde todos seremos
santificados, transformados, conformados e
glorificados.
Paulo era sábio e muito profundo. Como ressaltei
anteriormente, ele compôs três das seções em
Romanos segundo três atributos de Deus — Sua
justiça, santidade e glória. Por fim, entretanto, Paulo
conduz-nos para dentro do amor de Deus. Ao final, a
nossa segurança não é apenas a justiça, santidade e
glória de Deus, mas também o Seu amor. Que é o
amor de Deus? O amor é o coração de Deus. O amor
de Deus brota do Seu coração. A justiça é o caminho
de Deus, a santidade é a natureza de Deus, a glória é a
expressão de Deus e o amor é o coração de Deus.
Após falar da justiça, santidade e glória de Deus,
Paulo introduz-nos no coração amoroso de Deus. Por
que Deus demonstrou a Sua justiça? Porque o homem
havia caído. O homem estava errado com Deus e
precisava da Sua justiça. Por que Deus deve exercer
Sua santidade? Porque o homem é comum. Deus
precisa santificar tudo de Seus escolhidos, Seus
comuns. Por que Deus precisa dar-nos a Sua glória?
Porque todos os Seus escolhidos são baixos,
medíocres e vis. Assim Ele precisa exercer a Sua
glória para transfigurar-nos. Mas que estava no
coração de Deus originalmente? O amor. Antes que
Deus exercesse a Sua justiça, santidade e glória, Ele
nos amou. O amor foi a origem, o amor foi a raiz e o
amor foi a fonte de tudo. Deus nos amou antes de
predestinar-nos, Ele nos amou antes de chamar-nos,
Ele nos amou antes de justificar-nos e Ele nos amou
antes de glorificar-nos. Antes de tudo e de qualquer
coisa Ele nos amou. A nossa salvação originou-se do
amor de Deus. O amor é a fonte de tudo o que Deus
faz por nós, e este amor é o Seu coração. O amor foi a
fonte da salvação eterna de Deus, que inclui a
redenção, a justificação, a reconciliação, a
santificação, a transformação, a conformação e a
glorificação. A salvação teve início no coração
amoroso de Deus.
Portanto, após a salvação de Deus ter sido
plenamente cumprida, o Seu amor continua a ser
nossa segurança. O amor de Deus não é somente a
fonte da nossa salvação, ele é a segurança da nossa
salvação. Muitos cristãos falam acerca da segurança
eterna. A segurança eterna é o amor de Deus. Deus
não pode estar errado em qualquer dos Seus
atributos. A nossa segurança é o Seu amor. No
versículo 31, Paulo pergunta: “Que diremos, pois, à
vista destas cousas?” Que diremos acerca da
predestinação, chamamento, justificação e
glorificação? Nada temos a dizer exceto: “Aleluia”.
“Se Deus é por nós, quem pode ser contra nós?”
Agora podemos entender essa palavra de uma
maneira mais profunda. Deus é por nós porque desde
a eternidade o Seu coração nos amou. Assim, o Seu
amor é a nossa segurança.
Paulo referiu-se a esse amor em 5:8, quando
disse que “Deus prova o seu próprio amor para
conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós,
sendo nós ainda pecadores.” Isso, na verdade, foi uma
introdução e uma recomendação ao amor de Deus.
Quando cremos em Jesus, o Espírito Santo derramou
o amor de Deus em nosso coração (5:5). Apesar de
Paulo referir-se à questão do amor em Romanos 5, ele
não o fez adequadamente. Ele esperou até que tivesse
percorrido o vasto campo da predestinação,
chamamento, justificação e glorificação de Deus.
Depois de terminar todo o registro, ele chegou ao
momento e lugar apropriados para apresentar-nos
uma revelação total do amor de Deus. Paulo estava
persuadido de que nada pode separar-nos do amor de
Deus, pois ele sabia que esse amor não provém e nem
depende de nós, mas do próprio Deus. Esse amor não
teve início em nós; ele foi iniciado por Deus na
eternidade. Por isso Paulo pôde dizer que vencemos
em todas as coisas. Paulo estava convencido de que
nada pode “separar-nos do amor de Deus, que está
em Cristo Jesus nosso Senhor.”
Essa frase “em Cristo Jesus” é muito
significativa. Por que Paulo disse isso? Porque ele
sabia que haveria problema se o amor de Deus tivesse
sido mostrado à parte de Cristo Jesus. À parte de
Cristo Jesus até mesmo um pequeno pecado, como
perder a nossa calma, nos separaria do amor de Deus.
Entretanto, o amor de Deus não é meramente o amor
de Deus em si, mas o amor de Deus que está em
Cristo Jesus. Desde que o amor de Deus esteja em
Cristo Jesus tudo está seguro, e estamos certos de que
nada pode separar-nos Dele. Você está seguro? Paulo
estava. Eu uso a palavra seguro; Paulo usa a palavra
“persuadido”, dizendo, “estou persuadido”. Paulo
estava convencido de que em todas as coisas “mais
que vencemos, por meio Daquele que nos amou.” Isso
não significa que em nós mesmos sejamos capazes de
vencer; significa que Deus é amor e que Cristo é
vitorioso. Deus nos ama e Cristo cumpriu tudo por
nós. Uma vez que o amor de Deus é eterno, Seu amor
em Cristo Jesus é a nossa segurança. Não estamos
somente sob a justiça, santidade e glória de Deus,
mas estamos em Seu coração de amor. Agora
podemos entender 2 Coríntios 13:13 que diz: '~ graça
do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a
comunhão do Espírito Santo seja com todos vós”
(VRC). O amor de Deus é a fonte. Portanto, o apóstolo
Paulo nos introduziu por meio da justiça de Deus, da
santidade de Deus e da glória de Deus para dentro do
coração do Deus de amor. Esse é o lugar em que
estamos. Aleluia! É a nossa apólice de seguro eterna.
Agora você sabe como responder às pessoas quando
elas perguntarem se você tem seguro. Você pode
dizer: “Eu tenho seguro. Minha apólice de seguro é
Romanos 8:31-39. Estou assegurado pelo amor no
coração de Deus.” Estamos assegurados pelo eterno
amor de Deus em Cristo Jesus.
ESTUDO-VIDA DE ROMANOS
MENSAGEM 22
A ELEIÇÃO DE DEUS, NOSSO DESTINO (1)
Abrangemos Romanos de 1 a 8. Podemos
considerar os capítulos de 9 a 11 como um parêntese e
o capítulo doze como a continuação do capítulo oito.
No sentido do processo-de-vida ou da
prática-de-vida, é correto dizer isso; contudo, não
acho que no conceito de Paulo esses capítulos fossem
parentéticos, pois neles estão alguns elementos que
são uma continuação entre os capítulos de um a oito e
os capítulos doze a dezesseis. Portanto, em certo
sentido, estes três capítulos são um parêntese, mas
num outro sentido, eles formam uma continuação
entre Romanos 8 e 12.

I. PELO DEUS QUE CHAMA


A eleição de Deus é o nosso destino. Nosso
destino eterno foi totalmente estabelecido pela
eleição de Deus. Esta eleição e destino são do próprio
Deus que chama, e não daqueles que fazem obras.
Nossa eleição é totalmente pelo Deus que chama. A
fim de entender esse ponto precisamos ler 9:1-13.
“Digo a verdade em Cristo, não minto,
testemunhando comigo, no Espírito Santo, a minha
própria consciência.” Este versículo prova que a
consciência é uma parte do espírito humano. Vimos
que o Espírito Santo testifica com o nosso espírito
(8:16). Contudo, nesse versículo é-nos dito que a
nossa consciência dá testemunho no Espírito Santo.
Portanto, uma vez que o Espírito Santo testifica com
o nosso espírito e a nossa consciência testemunha
com o Espírito Santo, a nossa consciência deve ser
uma parte do nosso espírito.
A consciência de Paulo. testificava que ele tinha
grande tristeza e incessante dor em seu coração (v. 2).
Esta era a dor que Paulo sofria por seus compatriotas
para que eles fossem salvos.
“Porque eu mesmo desejaria ser anátema,
separado de Cristo, por amor de meus irmãos, meus
compatriotas, segundo a carne” (v. 3). Esta é uma
oração séria. Paulo orou de tal maneira zelosa por
causa de seu desejo que Israel fosse salvo. Orar para
que Israel fosse salvo era necessário, mas orar para
que ele fosse uma maldição era muito extremo.
Independente de quão espiritual possamos ser e de
quanto em nosso espírito podemos estar, ainda é
possível para nós proferirmos uma oração de uma
maneira que não seja do Senhor. Quando Paulo
estava orando para que ele fosse uma maldição,
separado de Cristo, não creio que isto era do Senhor.
Você crê que o Senhor compeliu Paulo a orar para que
se tornasse uma maldição, separado de Cristo? Não
penso que o Senhor requereu isso dele. Então, que o
motivou a orar dessa maneira? O desejo intenso de
Paulo. Ele orou dessa maneira por causa de seu
grande amor para com seus compatriotas.
Muitas vezes temos um desejo intenso por
determinada coisa e esse desejo nos leva a proferir
uma oração de uma maneira extrema. Um irmão
pode orar por sua esposa que está seriamente doente,
orando desesperadamente de toda maneira, até
mesmo com jejum. O Senhor pode responder a sua
oração, mas não de acordo com a sua maneira. Este
foi o caso com a oração de Paulo no versículo 3. Ele
orou com grande desejo de que Deus o colocasse de
lado e o fizesse uma maldição para que seus irmãos
fossem salvos. Deus respondeu à sua oração mas não
de sua maneira.
“São israelitas. Pertence-lhes a filiação (lit.), e
também a glória, as alianças, a legislação, o culto e as
promessas” (v. 4). A filiação significa o direito da
herança. Que é a glória mencionada neste versículo?
A glória de Deus foi manifestada, pelo menos, duas
vezes ao povo de Israel: no deserto, quando o
tabernáculo foi levantado (Êx 40:34) e em Jerusalém,
quando o templo foi edificado e dedicado (2Cr
5:13-14). Em ambas as ocasiões, os israelitas viram a
glória de Deus. As alianças são aquelas que Deus fez
com Abraão (Gn 17:2; At 3:25; GI3:16-17) e com os
filhos de Israel no Sinai (Êx 24:7; Dt 5:2) e em Moabe
(Dt 29:1, 14). Estas alianças são valorizadas pelos
israelitas (Ef 2:12). A outorga da lei refere-se à lei (Dt
4:13; Sl 147:19), que é preciosa para os israelitas. O
serviço mencionado nesse versículo, sem dúvida é o
serviço sacerdotal ou levítico, pois todo serviço
relacionado ao tabernáculo estava sob a mão dos
sacerdotes e levitas. As promessas são aquelas dadas
por Deus a Abraão, Isaque, Jacó e Davi (Rm 15:8; At
13:32).
O versículo 5 diz: “Deles são' os patriarcas e
também deles descende o Cristo, segundo a carne, o
qual é sobre todos, Deus bendito para todo o sempre.
Amém.” Os patriarcas são Abraão, Isaque, Jacó e
outros. Além disso, segundo Sua natureza humana,
Cristo veio dos filhos de Israel. Paulo diz que Cristo é
“sobre todos, Deus bendito para sempre.” Quando
Paulo atingiu este ponto em seu escrito, estava tão
preenchido com a Pessoa gloriosa de Cristo que
derramou o que estava em seu coração: “Cristo é
sobre todos, Deus bendito para sempre. Amém.”
Todos temos de ser profundamente impressionados
com este fato, percebê-lo e apreciá-lo totalmente: o
nosso Senhor Jesus Cristo é o próprio Deus que é
sobre todos e bendito para sempre. Embora tenha
procedido da raça judaica na carne, Ele é o próprio
Deus infinito. Portanto, Isaías 9:6 diz: “Um menino
nos nasceu... e o seu nome será... Deus Forte”.
Louvamo-Lo por Sua deidade e O adoramos como o
próprio Deus, para sempre.
“E não pensemos que a palavra de Deus haja
falhado, porque nem todos os de Israel são de fato
israelitas” (v. 6). No versículo 3, Paulo orou o seu
desejo que seus compatriotas fossem salvos. Quando
chega ao versículo 6, ele fala da economia de Deus.
No versículo 3 ele proferiu uma oração proveniente
de seu desespero, querendo até mesmo ser “uma
maldição, separado de Cristo”. No versículo 6 ele diz:
“Nem todos os de Israel são de fato israelitas”. A
economia de Deus é que nem todos os de Israel, isto
é, todos que nasceram de Israel, são o verdadeiro
Israel. Todos os judeus nasceram de Israel, mas nem
todos foram eleitos por Deus. Todos eles são da
religião judaica, mas nem todos são salvos, mesmo
que exteriormente tenham todas as coisas boas,
incluindo Cristo, prometido por Deus em Sua Santa
Palavra.
“Nem por serem descendentes de Abraão são
todos seus filhos; mas: Em Isaque será chamada a tua
descendência” (v. 7). Nos versículos 6 e 7, Paulo está
na luz da economia de Deus e vê as coisas claramente.
Somente aquela parte da descendência de Abraão,
que é Isaque, é chamada. Além de Isaque, Abraão
teve outro filho chamado Ismael. Embora Ismael
tenha nascido de Abraão, nem ele nem os seus
descendentes, os árabes, foram eleitos por Deus. Eles
são filhos da carne e não podem ser reconhecidos
como filhos de Deus. Somente Isaque e uma parte de
seus descendentes são eleitos por Deus e
reconhecidos como filhos de Deus.
O versículo 8 continua: “Isto é, estes filhos de
Deus não são propriamente os da carne, mas devem
ser considerados como descendência os filhos da
promessa.” De acordo com a economia de Deus, não
são os filhos da carne que são os filhos de Deus, mas
os filhos da promessa é que são considerados como a
descendência. Nem toda a descendência de Abraão
são os filhos de Deus. a nascimento natural é
inadequado para fazê-las filhos de Deus; eles
precisam nascer de novo (Jo 3:7). A frase “filhos da
promessa” denota o segundo nascimento, pois
somente pelo segundo nascimento é que eles podem
ser os filhos da promessa e portanto serem
reconhecidos como a descendência.
“Porque a palavra da promessa é esta: Por esse
tempo virei, e Sara terá um filho. E não ela somente,
mas também Rebeca ao conceber de um só, Isaque,
nosso pai. E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem
tinham praticado o bem ou o mal (para que o
propósito de Deus, quanto à eleição prevalecesse, não
por obras, mas por aquele que chama), já fora dito a
ela: a mais velho será servo do mais moço. Como está
escrito: Amei a Jacó, porém me aborreci de Esaú” (vs.
9-13). Estes versículos desvendam-nos o fato de que a
eleição de Deus não é segundo a obra do homem, mas
totalmente segundo a Sua escolha. É-nos dito que de
um homem, Isaque, Rebeca concebeu e deu à luz a
dois filhos, Esaú e Jacó. Antes de as crianças terem
nascido e antes de terem feito o bem ou o mal, Deus
falou a Rebeca que o maior, que era Esaú, serviria o
menor, que era Jacó. Isso prova que a eleição de Deus
depende de Seu gostar ou não gostar. Assim, Deus
disse: “Amei a Jacó, mas odiei a Esaú2 (Ml 1:2, 3).
Esta palavra é muito forte. Pensamos que Deus
somente ama e nunca odeia, mas aqui é dito que Deus
odiou. “Amei a Jacó, mas odiei a Esaú.” Somente
aqueles que são amados e eleitos por Deus são
considerados como a descendência. A eleição de Deus
depende Dele, que chama segundo Seus gostos; não
depende das obras do homem. Embora Deus tenha
dito: “Por Isaque será chamada a tua descendência”
(Gn 21:12), mesmo assim, somente um dos dois filhos
de Isaque foi eleito por Deus. Isso revela o fato de que
a eleição de Deus também não é segundo o
nascimento do homem. Deus não elegeu as pessoas
segundo nada além de Si próprio.

II. DA MISERICÓRDIA DE DEUS


“Que diremos, pois? Há injustiça da parte de
Deus? De modo nenhum! Pois ele diz a Moisés: Terei
misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia, e
compadecer-me-ei de quem me aprouver ter
compaixão (vs. 14, 15). Quando Deus diz: “Eu quero”,
não devemos argumentar com Ele. Não somos Deus e
não temos Sua soberania. Podemos arrazoar com Ele
perguntando: “Por que Tu amas a Jacó e odeias a
Esaú?” Deus pode responder: “Não argumente
Comigo. Eu quero fazer assim. Terei misericórdia de
quem Eu tiver misericórdia. Tudo depende da Minha
vontade.”
2
Segundo o original em inglês.
Qual a diferença entre misericórdia e
compaixão? E difícil distinguir. Apesar da compaixão
ser muito próxima da misericórdia, eu diria que a
compaixão é mais profunda, mais refinada e rica que
a misericórdia. Posicionar a compaixão junto com a
misericórdia, nesse versículo, fortalece o fato que
Deus é misericordioso.
“Assim, pois, não depende de quem quer, ou de
quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia” (v.
16). A misericórdia vai além da graça. Se quando eu
estiver numa boa condição e minha posição estiver à
altura da sua, você me der um presente, isso será
graça. Contudo, quando eu estiver numa condição
miserável e minha posição estiver bastante distante
da sua e você me der alguma coisa, isso será
misericórdia. Se me achego a você como um querido
amigo e você me dá uma Bíblia de presente, isso é
graça. Contudo, se sou um mendigo sujo e miserável,
incapaz de fazer qualquer coisa sozinho e você me dá
dez dólares, isso não é graça, é misericórdia. Assim, a
misericórdia tem maior alcance que a graça. A graça
se estende somente até uma situação que
corresponde a ela, mas a misericórdia vai muito além,
atingindo uma situação que é miserável e indigna da
graça. De acordo com a nossa condição natural,
estávamos bastante longe de Deus, totalmente
indignos de 'Sua graça. Éramos aceitáveis somente
para receber Sua misericórdia. Assim 9:15 não diz:
“Terei graça de quem eu tiver graça.” Mas diz: “Terei
misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia.”
Você pode pensar que não havia nada de bom
relacionado com Jacó, que ele era completamente
uma pessoa sutil, astuta, e que Esaú era muito melhor
do que ele. Você está certo. Essa é a maneira pela qual
Deus mostrou Sua misericórdia. Jacó era miserável,
mas Deus teve misericórdia dele. A misericórdia de
Deus não depende de uma condição boa do homem,
pelo contrário, ela é mostrada na condição miserável
do homem. Ela alcança além de Sua graça.
Foi a misericórdia de Deus que alcançou a todos
nós. Nenhum de nós estava numa condição que
correspondia à Sua graça. Éramos tão pobres e tão
miseráveis que houve necessidade de que a
misericórdia de Deus construísse uma ponte sobre o
vão entre nós e Deus. Foi a misericórdia de Deus que
nos introduziu em Sua graça. Como precisamos
perceber isso e adorar a Deus por Sua misericórdia!
Mesmo agora, depois de sermos salvos e de termos
participado das riquezas da Sua vida, sob certos
aspectos ainda estamos numa condição que necessita
de que a misericórdia de Deus construa uma ponte
sobre o vão. Esta é a razão pela qual Hebreus 4:16 diz
que primeiramente precisamos obter misericórdia, e
então podemos achar graça para socorro em ocasião
oportuna. Oh, quanto precisamos de Sua
misericórdia! Devemos valorizar a misericórdia de
Deus que nos qualifica a participarmos de Sua graça.
Daí, então: “Não é de quem quer, nem de quem
corre, mas de Deus, Aquele que mostra misericórdia”.
O nosso conceito é que aquele que quer, obterá aquilo
que quer e que aquele que corre, ganhará aquilo pelo
que corre. Se fosse esse o caso, então a eleição de
Deus seria conforme o nosso esforço e labor. Mas não
é assim. Ela é totalmente pelo Deus que mostra
misericórdia. Não precisamos querer ou correr, pois
Deus tem misericórdia de nós. Se conhecermos
realmente a misericórdia de Deus, não colocaremos
nossa confiança em nossos esforços, nem ficaremos
desapontados pelo nosso fracasso. A esperança para
nossa condição de desventura é a misericórdia de
Deus.
“Porque a Escritura diz a Faraó: Para isto mesmo
te levantei, para mostrar em ti o meu poder, e para
que o meu nome seja anunciado por toda a terra” (v.
17). Em Faraó, Deus mostrou o Seu poder, e não a Sua
misericórdia, para que Seu nome fosse proclamado
em toda a terra. Isso mostra que até mesmo, os
inimigos de Deus são úteis a Ele no cumprimento de
Seu propósito. Logo, o versículo 18 diz: “Tem ele
misericórdia de quem quer, e também endurece a
quem lhe apraz.” Que devemos dizer a respeito disso?
Não devemos dizer nada, mas adorar a maneira de
Deus. Tudo depende do que Ele quer fazer. Ele é
Deus!

III. DA SOBERANIA DE DEUS


Paulo continua: “Tu, porém, me dirás: De que se
queixa ele ainda? Pois quem jamais resistiu à sua
vontade? Quem és tu, ó homem, para discutires com
Deus?!” Todos temos de perceber quem nós somos.
Somos criaturas de Deus, e Ele é o nosso Criador.
Como Suas criaturas, não devemos dizer nada a Ele, o
Criador. Então Paulo pergunta: “Porventura pode o
objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste
assim? Ou não tem o oleiro direito sobre a massa,
para do mesmo barro fazer um vaso para honra e
outro para desonra?” (vs. 19-21). Deus é o oleiro, e
nós somos pedaços de barro. Como o oleiro, Deus tem
autoridade sobre o barro. Se Ele quiser, pode fazer
um vaso para honra e outro vaso para desonra. Não
depende de nossa escolha, depende de Sua soberania.
Romanos 9:21 revela o propósito de Deus ao
criar o homem. Este versículo é singular em sua
revelação do propósito de Deus na criação do homem.
Sem esse versículo, seria difícil para nós percebermos
que o propósito de Deus ao criar o homem era fazê-lo
Seu vaso para contê-Lo, Todos precisamos entender
perfeitamente que somos os recipientes de Deus e que
Deus é o nosso conteúdo. Em 2 Coríntios 4:7 diz que
“temos este tesouro em vasos de barro”. Somos vasos
de barro, e Deus é o tesouro e o conteúdo. Deus,
soberanamente, nos criou para sermos Seus
recipientes de acordo com Sua predestinação.
A Segunda Epístola a Timóteo 2:20-21 transmite
a mesma idéia, dizendo que somos vasos para honra.
Portanto, precisamos nos purificar de coisas
desonrosas para que sejamos santificados e
adequados para o uso do Senhor. Entretanto, sermos
vasos para honra não é resultado de nossa escolha;
isto se origina com a soberania de Deus. Foi pela Sua
soberania que Ele fez Sua glória conhecida por meio
de criar vasos de misericórdia para contê-Lo. Esta é
uma palavra profunda. A soberania de Deus é a base
de Sua eleição. Sua eleição depende de Sua soberania.
“Que diremos, pois, se Deus querendo mostrar a
sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com
muita longanimidade os vasos de ira, preparados
para a perdição” (v. 22). Que diremos acerca disso?
Não temos nada a dizer. Ele é o oleiro e Ele tem a
autoridade. Seres humanos são simplesmente barro.
“A fim de que também desse a conhecer as
riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que
para glória preparou de antemão, os quais somos nós,
a quem também chamou, não só dentre os judeus,
mas também dentre os gentios?” (vs. 23-24). Tudo
depende da autoridade de Deus. Deus tem autoridade
para fazer-nos, aqueles a quem Ele' elegeu e chamou
não somente dentre os judeus, mas também dentre os
gentios, vasos de misericórdia para contê-Lo, para
que as riquezas da Sua glória se tornassem
conhecidas, isto é, manifestadas. Segundo a Sua
autoridade soberana Ele nos preparou de antemão
para esta glória. Fomos predestinados pela Sua
soberania para sermos Seus recipientes, vasos de
honra para expressar o que Ele é em glória. Isto não é
apenas uma questão de Sua misericórdia, mas
também de Sua soberania.
A eleição de Deus tem um objetivo: ter muitos
vasos para contê-Lo e para expressá-Lo eternamente.
Assim, muitos de nós perderam o alvo do objetivo de
Deus, pensando que ele era simplesmente mostrar
Seu amor ao salvar-nos. Sim, Ele nos ama. Contudo,
Seu amor não é mostrado somente por salvar-nos,
mas por fazer-nos Seus vasos. Deus nos criou de
maneira a sermos capazes de tomá-Lo para dentro de
nós e contê-Lo como a nossa vida e suprimento de
vida, com o fim de que sejamos um com Ele para
expressarmos o que Ele é, e de que Ele seja
glorificado em nós e conosco. Este é o objetivo eterno
da eleição de Deus. Este é também nosso destino
eterno.
Esta porção da Palavra desvenda também o
clímax de nossa utilidade para Deus, que não é
sermos usados por Ele como servos, sacerdotes ou
reis, mas como vasos para contê-Lo e expressá-Lo. Se
somos para ser usados como vasos de Deus,
certamente Ele tem de ser um conosco. Somos Seu
recipiente e Sua expressão; Ele é nosso conteúdo e
nossa vida. Ele vive em nós para que possamos viver
por meio Dele. Ele e nós, nós e Ele, por fim seremos
um, tanto em vida quanto em natureza. Este é o
objetivo de Sua eleição segundo a Sua soberania. E
também o nosso destino segundo a Sua eleição,
destino que será plenamente revelado na Nova
Jerusalém.
Os versículos 25 e 26 são citações de Oséias, que
confirmam o fato de que alguns gentios foram eleitos
e chamados por Deus para serem Seu povo.
Os versículos de 27 a 29 são citações de Isaías,
que confirmam o fato de que nem todo Israel foi
eleito, mas que somente um remanescente dele, uma
descendência guardada pelo Senhor, seria salva.

IV. PELA JUSTIÇA DA FÉ


A eleição de Deus é também pela justiça da fé.
“Que diremos pois? Que os gentios, que não
buscavam a justificação vieram a alcançá-la, todavia a
que decorre da fé” (v. 30). Os gentios obtiveram a
justiça, embora não a tivessem perseguido. Essa
justiça não é a justiça da lei, mas aquela que é
procedente da fé. Os gentios tiveram parte na eleição
de Deus pela justiça de Deus que é procedente da fé.
“E Israel que buscava lei de justiça não chegou a
atingir essa lei. Por quê? Porque não decorreu da fé,
e, sim, como que das obras. Tropeçaram na pedra de
tropeço, como está escrito: Eis que ponho em Sião
uma pedra de tropeço e rocha de escândalo, e aquele
que nela crê não será confundido” (vs. 31-33). Nunca
podemos chegar à justiça por meio de perseguir a lei
da justiça. Os israelitas buscaram estabelecer sua
própria justiça, mas tropeçaram na “pedra de
tropeço”, que é Cristo, a “rocha de escândalo”.
Contudo, “aquele que nela crê não será confundido”.
Nesta conexão, precisamos também ler os três
primeiros versículos do capítulo dez. “Irmãos, a boa
vontade do meu coração e a minha súplica a Deus a
favor deles é para que sejam salvos. Porque lhes dou
testemunho de que eles têm zelo por Deus, porém não
com entendimento. Porquanto, desconhecendo a
justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua
própria, não se sujeitaram à que vem de Deus.” É
possível ser extremamente zeloso por Deus e ao
mesmo tempo ser falto do conhecimento adequado de
Sua. maneira. Os judeus tinham perdido e continuam
a perder o alvo da eleição de Deus, porque eles, sendo
ignorantes da justiça de Deus, procuraram
estabelecer a sua própria justiça tentando guardar a
lei e não se submeteram à justiça de Deus, que é o
próprio Cristo. Portanto, perderam a salvação de
Deus. Qualquer esforço para guardar a lei ou para
fazer o bem para agradar a Deus, sendo os esforços do
homem para estabelecer sua própria justiça, levarão
as pessoas a perderem o caminho da salvação de
Deus.
ESTUDO-VIDA DE ROMANOS,
MENSAGEM 23
A ELEIÇÃO DE DEUS, NOSSO DESTINO (2)

V. POR MEIO DE CRISTO

A. Cristo, o Fim da Lei


Romanos 10:4 diz: “Pois Cristo é o fim da lei para
justificar a todo aquele que crê” (IBB — Rev.). Cristo é
o fim da lei. Isto significa que Ele completou e
terminou a lei. Ele veio para cumprir a lei (Mt 5:17).
Ao cumprir a lei, Ele pôs fim a ela e a terminou. O
resultado de Cristo ter terminado a lei é que a justiça
de Deus é dada a todo aquele que crê em Cristo.
Quando morreu na cruz, Cristo completou e terminou
a lei. A lei terminou Nele. Uma vez que a lei foi
terminada na cruz de Cristo, não devemos mais estar
sob ela. Podemos simplesmente receber a justiça de
Deus crendo em Cristo.
Os judeus valorizaram a lei e tentaram guardá-la
de modo a poderem estabelecer sua justiça própria
diante de Deus. Não viram que a lei havia sido
totalmente completada e terminada por Cristo. Se
tivessem visto isso, teriam parado com suas
tentativas de guardar a lei . Nunca mais tentariam
estabelecer sua própria justiça diante de Deus, mas
tomariam Cristo como sua justiça.
O princípio é o mesmo com muitos cristãos hoje.
Após serem salvos, eles ajustam a mente para fazer o
bem a fim de agradar a Deus. Como resultado,
espontaneamente fazem regulamentos para si
mesmos, regulamentos que podem ser considerados
como as suas leis auto confeccionadas, e esforçam-se
em cumpri-las a fim de serem agradáveis a Deus.
Como os judeus, eles não vêem que Cristo é o
fim, o término de todos os regulamentos e que devem
tomá-Lo como a sua vida para que possam viver
justamente diante de Deus. Além disso, necessitam
ver que a genuína justiça perante Deus é Cristo,
Aquele que terminou a lei para que fosse a justiça viva
para todo aquele que Nele crê. Romanos 10 revela
tanto de Cristo, que podemos saber como partilhar
Dele e desfrutá-Lo como a nossa justiça viva e real
diante de Deus.

B. Cristo, Encarnado e Ressurreto


Precisamos ler os versículos de 5 a 7: “Ora,
Moisés escreveu que o homem que praticar a justiça
decorrente da lei, viverá por ela. Mas a justiça
decorrente da fé assim diz: Não perguntes em teu
coração: Quem subirá ao céu? (isto é, para trazer do
alto a Cristo); ou: quem descerá ao abismo? (isto é,
para levantar a Cristo dentre os mortos).” O escrito de
Paulo é muito profundo. Aparentemente estes
versículos não mencionam a encarnação e
ressurreição de Cristo; na verdade, ambas estão
incluídas nesta porção. Embora Paulo não use as
palavras encarnação e ressurreição, ainda assim ele
teve ambas na mente quando escreveu esta parte de
Romanos. Paulo cita Deuteronômio 30:12, dizendo:
“Não digas em teu coração: Quem subirá ao céu?” Ele,
então, enfatiza que isso significa “trazer Cristo para
baixo” e que isto se refere à encarnação de Cristo, pois
Cristo desceu dos céus em Sua encarnação. Além
disso, Paulo diz que não devemos perguntar: “Quem
descerá ao abismo?” “Descer ao abismo” significa
“levantar Cristo dentre os mortos”, e isso se refere à
ressurreição de Cristo. Descer ao abismo significa
morrer e entrar no Hades. Quando Cristo morreu, Ele
desceu ao abismo, e em ressurreição, foi levantado
dentre os mortos, isto é, para fora do abismo. Cristo é
Aquele que passou através da encarnação e
ressurreição. Portanto, podemos dizer que Ele é o
Cristo “processado”, o Cristo encarnado e ressurreto.
Cristo passou por um longo processo desde a
encarnação até a ressurreição. Neste processo, Ele
cumpriu tudo o que é exigido pela justiça, santidade e
glória de Deus e tudo o que é necessário para
capacitar-nos a participar Dele. Ele foi Deus
encarnado para ser um homem, e como um homem,
foi transfigurado por meio da ressurreição no Espírito
que dá vida (1Co 15:45). Agora, em ressurreição,
como o Espírito que dá vida, Ele está muito acessível
a nós para que possamos recebê-Lo e tomá-Lo em
qualquer hora e em qualquer lugar.
Precisamos dizer uma palavra sobre o “abismo”
mencionado no versículo 7. No grego a palavra
traduzida por “abismo” é abyssos. Esta palavra é
usada em Lucas 8:31, referindo-se ao lugar de
habitação dos demônios. Também é encontrada em
Apocalipse 9:1, 2, 11, denotando o lugar do qual os
“gafanhotos”, cujo rei é Apoliom (Satanás), sairão;
em Apocalipse 11:7 e 17:8, significando o lugar do
qual a besta, que é o anticristo, surgirá; e em
Apocalipse 20:1, 3, especificando o lugar para dentro
do qual Satanás será lançado e aprisionado durante o
milênio. A Septuaginta, a tradução grega do Velho
Testamento, usa esta palavra para a palavra “abismo”
em Gênesis 1:2. Aqui, em Romanos 10:7, ela indica o
lugar que Cristo visitou após Sua morte e antes de Sua
ressurreição, lugar que, segundo Atos 2:24, 27, é o
Hades. Pois Atos 2:24, 27 revela que Cristo foi para o
Hades após ter morrido e ascendeu daquele lugar em
ressurreição. Assim, de acordo com o uso bíblico, a
palavra abismo sempre
. se refere à região de morte e de poder de trevas
de Satanás, para dentro da qual Cristo, após Sua
morte, desceu, como às partes mais baixas da terra
(Ef 4:9), a qual Ele conquistou e da qual ascendeu em
Sua ressurreição.

C. Cristo, Perto de Ti
Por favor, prestem atenção ao que Paulo diz no
versículo 8: “Porém, que se diz? A palavra está perto
de ti, na tua boca e no teu coração; isto é, a palavra da
fé que pregamos.” O Cristo ressurreto, como a Palavra
viva, está perto de nós, em nossa boca e em nosso
coração. Neste versículo Paulo repentinamente usa o
termo “a palavra” de maneira permutável com Cristo,
indicando assim que esta Palavra é sem dúvida o
próprio Cristo. Cristo em ressurreição, como o
Espírito que dá vida, é a Palavra viva. Isto
corresponde à revelação do Novo Testamento de que
a Palavra é o Espírito. Se ler Efésios 6:18 no texto
grego, você descobrirá que o Espírito é a Palavra.
Portanto, Cristo em ressurreição é tanto o Espírito
como a Palavra. Ele é o Espírito para tocarmos e Ele é
a Palavra para entendermos. Podemos recebê-Lo
tanto como o Espírito quanto como a Palavra. O
Cristo ressurreto como o Espírito que dá vida é a
Palavra viva que está tão perto de nós. Ele está em
nossa boca e em nosso coração. Nossa boca é para
chamar e nosso coração é para crer. Assim podemos
invocá-Lo com a nossa boca e crer Nele com o nosso
coração. Quando O invocamos somos salvos; quando
cremos Nele somos justificados.
Após ser processado por meio da encarnação e
ressurreição, Cristo hoje é tanto o Senhor sentado no
trono de Deus nos céus, como o Espírito que dá vida
movendo-se na terra. Assim, Ele está perto e acessível
a nós. Está tão perto que está até mesmo em nossa
boca e em nosso coração. Ninguém pode estar mais
perto do que isto. Ele é tão acessível que, todo aquele
que Nele crer com o seu coração e invocá-Lo com a
sua boca, participará Dele. Ele cumpriu todas as
coisas, e passou por meio de todo o processo. Agora
Ele está movendo-se na terra, pronto e acessível para
todo aquele que deseja recebê-Lo.

D. Cristo, Crido e Invocado


Precisamos ler os versículos de 9 a 13: “Se com a
tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu
coração creres que Deus o ressuscitou dentre os
mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para
justiça, e com a boca se confessa a respeito da
salvação. Porquanto a Escritura diz: Todo aquele que
nele crê não será confundido. Pois não há distinção
entre judeu e grego, uma vez que o mesmo é o Senhor
de todos, rico para com todos os que o invocam.
Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor,
será salvo.” Paulo diz que com o coração “se crê para
justiça”. “Para” é o equivalente a uma preposição
grega que, em muitas ocasiões, significa “resulta em”.
Portanto, o resultado de se crer com o coração é a
justiça, enquanto que o resultado de confessar com a
boca é a salvação. Se quisermos ser justificados, isto
é, ter a justiça de Deus, devemos crer no Senhor
Jesus. Se quisermos ser salvos, precisamos confessar
o Senhor Jesus, isto é, invocá-Lo.
Em Romanos 9:21, 23, é-nos dito que sob a
eleição de Deus, nós, os chamados, fomos feitos vasos
de misericórdia para honra e glória. Entretanto, ainda
devemos perceber que tais vasos são vazios em si
mesmos. Vasos precisam de conteúdo. Embora
Romanos 9 nos diga que somos vasos, não nos dá a
maneira de sermos enchidos. É maravilhoso ser um
vaso de misericórdia para honra e glória, mas é
deplorável estar vazio. Precisamos ser enchidos. A
maneira de ser enchido é encontrada em Romanos
10. Todo vaso tem uma boca, uma abertura. Se não
tiver boca, não é um vaso. Instrumentos tais como
martelos, facas e machados não têm boca. Entretanto,
nós somos vasos, e como vasos temos uma abertura: a
boca. Você sabe por que tem uma boca? Você foi feito
com uma boca para que possa ser enchido com as
riquezas de Cristo. Nossa boca foi feita para invocar o
nome do Senhor Jesus. O Senhor é tão rico! Ele é rico
para com todos os que O invocam. Há um versículo
em Salmos que diz: “Abre bem a tua boca, e ta
encherei” (81:10). Como vasos vazios com uma boca,
devemos abri-la bem para que possamos ser enchi
dos com as riquezas do Senhor.
Para sermos salvos precisamos invocar o nome
do Senhor. Entretanto, invocar o Seu nome não é
somente para a salvação; é também a maneira pela
qual recebemos as riquezas de Cristo. O Senhor é rico
para com todos os que O invocam. Quando O
invocamos, participamos e desfrutamos de Suas
riquezas. Você quer participar e desfrutar das
riquezas de Cristo? Se quer, não fique calado; abra a
boca e invoque-O. Nos anos recentes, o Senhor nos
revelou muito acerca dessa questão de invocar o Seu
nome. Até mesmo tão recentemente como há dez
anos, conhecíamos pouco sobre isso. Agradecemos ao
Senhor porque nos tem feito claros. Apreciamos
Romanos 10, especialmente o versículo 12: “Pois não
há distinção entre judeu e grego, uma vez que o
mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os
que o invocam.” O versículo 13 é muito usado na
pregação do evangelho. Mas também devemos usá-lo
com o versículo 12, não para a pregação do evangelho,
mas para encher completamente todos os vasos
vazios com as riquezas da Deidade. Se deseja abrir
bem a sua boca e invocar o Senhor, as riquezas da
Divindade serão a sua porção. Agora temos a maneira
para encher os vasos vazios. Temos uma boca para
invocá-Lo a fim de sermos enchi dos com Ele, e temos
um coração para crer Nele e para retê-Lo.
A Bíblia revela claramente que invocar o Senhor
é a maneira de participar do Senhor e de desfrutá-Lo.
Deuteronômio 4:7 diz que o Senhor é “chegado a nós
todas as vezes que o invocamos”3. Salmos 145:18 diz:
“Perto está o Senhor de todos os que o invocam.” Os
Salmos 18:6 e 118:5 dizem que Davi invocou o Senhor
em sua angústia. Em Salmos 50:15 o Senhor pede-nos
que O invoquemos no dia da angústia, e em Salmos
86:7 Davi o fez assim. Salmos 81:7 diz que os filhos de
Israel fizeram a mesma coisa (Êx 2:23) e que o
Senhor lhes disse: “Abre bem a tua boca, e ta
encherei” (Sl 81:10). Salmos 86:5 diz que o Senhor é
bom, pronto para perdoar e abundante em
misericórdia para com todos os que O invocam.
Salmos 116:3, 4 diz: “Laços de morte me cercaram, e
angústias do inferno se apoderaram de mim: Caí em
3
Segundo o original em inglês.
tribulação e tristeza. Então invoquei o nome do
Senhor.” O versículo 13 do mesmo Salmo diz:
“Tomarei o cálice da salvação, e invocarei o nome do
Senhor.” A fim de tomar o cálice da salvação, isto é,
de participar e desfrutar da salvação do Senhor,
precisamos invocar o Seu nome. Isaías 12:2-6 diz-nos
que o Senhor é a nossa salvação, a nossa força e o
nosso cântico, e que com alegria podemos tirar águas
das fontes da Sua salvação. A maneira de tirar águas
das fontes da salvação do Senhor, isto é, de desfrutar
o Senhor como nossa salvação, é louvá-Lo, invocar o
Seu nome, cantar a Ele e até mesmo clamar e gritar.
Em Isaías 55:1-6 encontramos o chamado
maravilhoso de Deus ao povo. Ele chama os sedentos
para virem às águas para desfrutarem das riquezas da
provisão do Senhor, tais como o vinho, o leite e a boa
comida, e deleitarem-se em abundância. A maneira
de fazer isso é buscar o Senhor e “invocá-Lo enquanto
Ele está perto”. Isaías 64:7 mostra-nos que por
invocar o Senhor podemos despertar a nós mesmos
para tocá-Lo.
Lamentações 3:55-57 deixa claro que quando
invocamos o Senhor Ele se aproxima de nós, e que
invocá-Lo é o nosso respirar, o nosso clamar. De
acordo com isso podemos perceber que invocar o
Senhor não é somente clamar a Ele, mas também
experimentar uma respiração espiritual (Êx 2:23) na
qual expiramos tudo que está dentro de nós, seja
agonia, dor, aflição, etc. Jeremias experimentou isso
quando invocou o Senhor do profundo do calabouço,
isto é, da mais profunda cova. Sempre que estivermos
em um calabouço ou cova espiritual, sob uma certa
opressão, podemos invocar o Senhor, expirando o
peso de dentro de nós, e assim sermos libertos da
mais profunda cova. Esse tipo de invocar o Senhor
não só nos capacita a expirar as coisas negativas do
nosso interior, mas também a inspirar o próprio
Senhor com todas as Suas riquezas como nossa força,
nosso desfrute, conforto e descanso. Dessa maneira
participamos das riquezas do Senhor. Portanto, aqui
em Romanos 10:12, Paulo nos diz que: “O Senhor é
rico para com todos os que O invocam”. Hoje, em
ressurreição, o Senhor está pronto e acessível para
nossa participação Nele e Ele é rico para nosso
desfrute Dele. Simplesmente precisamos invocá-Lo
todo o tempo. Invocando-O, participamos e
desfrutamos de todas as Suas riquezas.
Invocar o Senhor é diferente de simplesmente
orar a Ele. A palavra grega para “invocar” significa
evocar uma pessoa, chamar uma pessoa pelo nome.
Embora seja possível orar ao Senhor silenciosamente,
invocar o Senhor requer que clamemos a Ele ou nos
dirijamos a Ele audivelmente. A palavra hebraica
para “invocar” em Gênesis 4:26 significa
primeiramente “gritar a” ou “clamar por”. Isaías 12:4
e 6 mostra que invocar o nome do Senhor é “clamar e
gritar”. Lamentações 3:55 e 56 revelam a mesma
coisa: invocar o nome do Senhor é “clamar” ao
Senhor. Por isso, Davi disse: “Invoquei o Senhor,
clamei a meu Deus” (2Sm 22:7). Invocar o Senhor é
clamar a Ele.
Segundo o registro da Escritura, essa questão de
invocar o nome do Senhor iniciou-se com a terceira
geração da humanidade. Desde o tempo de Enos “se
começou a invocar o nome do Senhor” (Gn 4:26). Em
seguida Abraão (Gn 12:8), Isaque (Gn 26:25), Jó (Jó
12:4), Moisés (Dt 4:7), Jabez (1Cr 4:10), Sansão (Jz
16:28), Samuel (1Sm 12:18), Davi (2Sm 22:4; 1Cr
21:17), Jonas (Jn 1:6), Elias (1Rs 18:24), Eliseu (2Rs
5:11), Jeremias (Lm 3:55), todos praticaram esta
questão de invocar o nome do Senhor. Além disso, em
Joel 2:32, Sofonias 3:9 e Zacarias 13:9 é profetizado
que as pessoas iriam invocar o nome do Senhor.
No dia de Pentecoste, os crentes do Novo
Testamento também invocaram o nome do Senhor
para receberem o derramamento do Espírito como o
cumprimento da profecia de Joel (At 2:17-21). Deus
derramou o Seu Espírito, e os crentes abriram a boca
para receberem o Espírito invocando o nome do
Senhor. O Espírito é derramado por Deus, porém, nós
temos de recebê-Lo. A maneira de recebê-Lo é abrir a
boca e invocar o Senhor. Por isso, os crentes do Novo
Testamento, como Estêvão (At 7:59), praticaram isso.
Praticando isso faziam conhecido que eram
seguidores do Senhor (At 9:14). Quando Paulo era
Saulo, o perseguidor da igreja, era sua intenção
prender os crentes, reconhecendo-os ~elo invocar o
nome do Senhor. Após se converter, foi advertido a
lavar s~us pecados (principalmente sua perseguição
aqueles que invocavam o Senhor) invocando o nome
do próprio Senhor (At 22:16). Sem dúvida, essa
prática era comum entre os santos primitivos.
Ao endereçar sua primeira epístola à igreja em
Corinto, Paulo diz: “Todos os que em todo lugar
invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo” (1Co
1:2). Isso indica que todos os crentes primitivos
praticavam esta questão de invocar. Em sua Segunda
Epístola a Timóteo, Paulo encarregou-o a perseguir
as coisas espirituais “com os que, de coração puro,
invocam o Senhor” (2:22). Assim, também devemos
praticar ISSO. OS santos do Velho Testamento
invocavam o Senhor diariamente (Sl 88:9) e durante
toda a sua vida (Sl 116:2). E quanto a nós? Devemos
praticar mais, invocando o Senhor “de coração puro”
(2Tm 2:22) e com “lábios puros” (Sf 3:9, heb.). Se
praticarmos isso, certamente participaremos das
riquezas do Senhor e as desfrutaremos. Invocar o
Senhor não é somente para a salvação, mas também
para o desfrute do Senhor com todas as Suas
riquezas.
A Primeira Epístola aos Coríntios inicia-se com
invocando o nome do Senhor, revelando que este é
um livro sobre o desfrutar do Senhor. Diz-nos que
Cristo é a nossa sabedoria e o nosso poder (1Co 1:24)
e que Ele foi feito nossa justiça, santificação,
redenção (1:30) e muitos outros itens para o nosso
desfrute. Finalmente, na ressurreição, Ele se tornou o
Espírito que dá vida de quem podemos beber (1Co
15:45; 12:13). A maneira de beber Dele como o
Espírito que dá vida é invocar o Seu nome. Assim, 1
Coríntios 12:3 indica que se dizemos “Senhor Jesus”,
imediatamente estamos no Espírito. Dizer “Senhor
Jesus” é invocar o nome do Senhor. Jesus é o nome
do Senhor, e o Espírito é a Sua Pessoa. Quando
invocamos o nome do Senhor, obtemos a Pessoa do
Senhor. Quando invocamos “Senhor Jesus” obtemos
o Espírito. Este tipo de invocar o nome do Senhor
para receber o Espírito não é somente um respirar
espiritual, mas também um beber espiritual. Quando
invocamos o nome do Senhor, nós O respiramos
como o sopro da vida e bebemos Dele como a água da
vida. A segunda estrofe do hino setenta e três em
nosso hinário (inglês) diz:
Bendito Jesus! Poderoso Salvador!
Em Teu nome está tudo o que preciso;
Respirar o nome de Jesus,
É, na verdade, beber da vida.
Essa é a maneira para participarmos e
desfrutarmos do Senhor. Todos nós precisamos fazer
isso. Que o Senhor possa abençoar-nos nessa questão.
Que isso possa ser totalmente restaurado nestes dias.

E. Cristo, Pregado e Ouvido


Nos versículos 14 e 15 Paulo diz: “Como, porém,
invocarão aquele em que não creram? e como crerão
naquele de quem nada ouviram? e como ouvirão, se
não há quem pregue? E como pregarão se não forem
enviados? como está escrito: Quão formosos são os
pés dos que anunciam cousas boas!” Invocar o Senhor
requer o crer Nele, crer Nele requer o ouvir Dele, e
ouvir Dele requer o pregar das boas novas. Se o
evangelho é para ser pregado, alguém deve ser
enviado por Deus. Aqueles que são enviados por Deus
pregam as boas novas para que as pessoas possam
ouvir, crer, invocar o nome do Senhor e serem salvas.
Após termos crido no Senhor e O invocado, devemos
também pregá-Lo, Cristo tem sido pregado e ouvido
por toda a terra. Ele tem sido pregado pelos enviados
e ouvido tanto pelos judeus como pelos gentios.
Muitos deles têm crido para justiça e invocado para a
salvação.

F. Cristo, Recebido e Rejeitado


Nos versículos de 16 até 21 vemos Cristo recebido
e rejeitado. Por um lado Cristo foi recebido pelos
gentios, mas por outro lado foi rejeitado por Israel.
Tanto o capítulo nove como o capítulo dez de
Romanos cobrem um ponto: a eleição de Deus. A
eleição de Deus é o nosso destino. Esta eleição é por
Deus que chama; é da misericórdia e soberania de
Deus; é pela justiça da fé e é por meio de Cristo.
De todos os capítulos do livro de Romanos, o
capítulo dez é o que apresenta mais sobre Cristo. Em
10:4 Cristo é chamado “o fim da lei”. Em nenhum
outro capítulo de todo o Novo Testamento Cristo é
designado de tal maneira. Portanto, Romanos 10 nos
dá um título muito crucial de Cristo: o fim da lei. Este
Cristo foi encarnado vindo do céu e ressuscitou
subindo do abismo. Tendo passado por meio desse
processo, Cristo, que é o fim da lei, tornou-se a
Palavra viva. Ele está perto de nós, até mesmo na
nossa boca e no nosso coração. As duas frases “na tua
boca” e “no teu coração” implicam que Cristo é como
o ar. Somente o ar pode estar em nossa boca e em
nosso coração. O Cristo ressurreto é a Palavra viva, a
qual é o Espírito; Ele é como o ar, o sopro, que
tomamos para dentro do nosso ser. Tudo o que
precisamos é exercitar a nossa boca para respirá-Lo, o
nosso coração para recebê-Lo e o nosso espírito para
retê-Lo. Se assim fizermos, seremos salvos e supridos
com todas as Suas riquezas pelo invocar o Seu nome.
Precisamos também pregá-Lo, Quando O pregamos e
as pessoas O ouvem, alguns crerão e outros
rejeitarão.
Romanos 10 apresenta uma excelente descrição e
definição de Cristo para a nossa participação. Não só
temos de crer Nele com o coração, mas também
invocá-Lo com a boca. Temos de invocá-Lo, não
somente para a salvação, mas também para o desfrute
de Suas riquezas. Fomos feitos vasos. para contê-Lo;
fomos eleitos e predestinados para sermos Seus
recipientes. Isso requer a nossa cooperação em
recebe-Lo e tomá-Lo. Para fazermos isso, precisamos
nos abrir das profundezas do nosso ser e invocá-Lo
com a boca do profundo do nosso espírito. Assim, no
capítulo nove temos os vasos e no capítulo dez nos é
dada a maneira para termos os vasos preenchidos
com as riquezas de Cristo. Esta é a economia da
eleição de Deus, o propósito do desejo do Seu
coração.
ESTUDO-VIDA DE ROMANOS
MENSAGEM 24
A ECONOMIA DE DEUS NA SUA ELEIÇÃO
Nesta mensagem chegamos ao segundo ponto na
seção referente à eleição de Deus: a economia de
Deus. Deus tem uma economia, um arranjo divino em
Sua eleição. Este arranjo divino ou administração
está sobre todo o mundo e toda a raça humana. Esta
administração, debaixo da soberania de Deus, é Sua
economia divina.

I. UM REMANESCENTE RESERVADO PELA


GRAÇA
Em 11:1 Paulo pergunta: “Pergunto, pois: Terá
Deus, porventura, rejeitado o seu povo? De modo
nenhum.” Paulo era um excelente advogado, capaz de
argumentar e ganhar qualquer partido de uma causa.
Se não tivéssemos Romanos 11, certamente
pensaríamos que Deus, após ter escolhido Israel,
devia ter mudado de idéia. Os capítulos nove e dez de
Romanos parecem indicar que Deus abandonou
Israel. Porque alguns pensavam dessa maneira, Paulo
perguntou: “Terá Deus, porventura, rejeitado o seu
povo? De modo nenhum; porque eu também sou
israelita da descendência de Abraão, da tribo de
Benjamim. Deus não rejeitou o seu povo a quem de
antemão conheceu. Ou não sabeis o que a Escritura
refere a respeito de Elias, como insta perante Deus
contra Israel, dizendo: Senhor, mataram os teus
profetas, arrasaram os teus altares, e só fiquei, e
procuram tirar-me a vida. Que lhe disse, porém, a
resposta divina? Preservei para mim sete mil homens,
que não dobraram joelhos diante de Baal” (11:1-4).
Elias, um profeta de Deus, implorou a Deus contra
Israel. Entretanto, Deus disse a Elias que não
acusasse o povo diante Dele, porque Ele havia
reservado para Si sete mil homens que não dobraram
joelho a Baal. Paulo continua: “Assim, pois, também
agora, no tempo de hoje, sobrevive um remanescente
segundo a eleição da graça. E se é pela graça, já não é
pelas obras; do contrário, a graça já não é graça” (vs.
5-6).
Paulo argumentou de maneira maravilhosa,
sempre ganhando a causa, independente de que lado
da questão ele discutia. No capítulo dez, quando ele
disse que Israel era maligno, ele provou quão
malignos eles eram. Romanos 10:21 diz: “Quanto a
Israel, porém, diz: Todo o dia estendi as minhas mãos
a um povo rebelde e contradizente.” Certamente o
pior povo da terra é um povo desobediente e
contradizente. Quando lemos uma afirmação tal
como essa, somos inclinados a dizer: “a situação de
Israel é sem esperança. Israel está terminado.”
Contudo, quando chegamos ao capítulo onze, vemos
um registro de como o próprio Senhor argumentou
com Elias. Elias disse: “Senhor, eles mataram os Teus
profetas e derrubaram os Teus altares.” Essas duas
afirmações eram verdadeiras. Então Elias disse:
“Deixaram-me só, e buscam a minha vida.” a Senhor
veio para Elias e parecia dizer: “Elias, ouça-Me. Você
não está só. Eu reservei sete mil homens. Elias, que
você está falando?” No capítulo dez parecia que, em
certo sentido, Paulo era contra Israel. Agora, no
capítulo onze, ele é a favor de Israel. No versículo
11:5, Paulo diz que “também agora, no tempo de hoje,
sobrevive um remanescente segundo a eleição da
graça.”. Paulo simplesmente não podia ser vencido.
Paulo estava dizendo: “Não apenas foram os sete mil
homens reservados por Deus no tempo de Elias, mas
também no tempo presente, à época em que estamos
vivendo, Deus ainda tem uma eleição segundo a
graça. Hoje também existe um remanescente
reservado.” a princípio é o mesmo para a época em
que vivemos hoje. Independente de quanto o
cristianismo se tem degradado, cremos que entre os
milhares e até mesmo milhões de cristãos existe um
número, um remanescente, que tem sido reservado
por Deus.
Não estou falando orgulhosamente, mas me
considero como alguém que o Senhor reservou. Como
você se sente com respeito a si mesmo? Várias vezes
nos anos passados, meu pensamento foi o mesmo que
o de Elias. Mas louvo o Senhor porque finalmente
descobri que o Senhor havia reservado um bom
número para Si mesmo. Deus reservou um
remanescente para o Seu propósito eterno. Não fique
desapontado.
O versículo 6 diz: “E se é pela graça, já não é
pelas obras; do contrário, a graça já não é graça.”
Nunca se esqueçam de que nós todos temos sido
reservados por graça. Não é o resultado da nossa
obra; é totalmente por sua graça. Se fosse de outra
maneira, a graça não seria mais graça.
“Pois quê? a que Israel busca, isso não o
alcançou; mas os eleitos o alcançaram; e os outros
foram endurecidos” (v. 7 — IBB — rev.). Em
princípio, a situação hoje é a mesma. Em que temos
de nos gloriar? Apenas na graça do Senhor.
a versículo 8 diz: “Como está escrito: Deus lhes
deu espírito de profundo sono: olhos para não verem,
e ouvidos para não ouvirem, até ao dia de hoje”
(VRC). É esta a nossa condição? Algumas pessoas têm
olhos, mas seus olhos perderam a visão; alguns têm
ouvidos, mas seus ouvidos perderam a função. Esta é
exatamente a situação da nossa época. Em 1937, fui
designado pela obra do Senhor para viajar por todo o
norte da China com o propósito de compartilhar com
o cristianismo todas as verdades que o Senhor nos
havia dado. Fui designado para fazê-lo por meio da
obra sob a liderança do irmão Nee. Exortaram-me a
não permanecer em nenhuma das igrejas locais, mas
a viajar por todo o norte da China. Naquela época
desempenhei bastante o ministério de viajar pelas
denominações. Por meio disso, aprendi que a
situação era lamentável. Não eram muitas as pessoas
que tinham um coração; a maioria delas não tinha
olhos para ver ou ouvidos para ouvir. Então, desisti
de viajar e permaneci em Chefu, minha cidade natal.
a Senhor claramente me deu encargo de não viajar
mais, mas simplesmente permanecer naquela cidade
com a igreja local. Após eu ter permanecido lá por
quatro anos, ocorreu um reavivamento.
Deixem-me contar-lhes outra história. Em 1934,
permaneci em Xangai por um tempo prolongado com
o irmão Nee. Um dia, quando estávamos nos
dirigindo a outra cidade, ele me disse: “Irmão, as
denominações nos rejeitaram.” Citando as palavras
de Paulo em Atos 13:46, ele disse: “Voltemo-nos aos
gentios.” Desde aquela época, a obra na restauração
do Senhor voltou-se de modo definido em direção aos
gentios. Desde a primeira vez que fiquei com o irmão
Nee em 1933 até o momento em que nos separamos
em 1950, ele não recebeu nenhum convite de
nenhuma denominação da China. Embora nenhuma
denominação o tenha convidado para ministrar, seus
livros são muito populares. Independente da
situação, o Senhor tem Seu remanescente hoje.
Vamos ao versículo 9: “E Davi diz: Torne-se-lhes
a sua mesa em laço, e em armadilha, e em tropeço e
punição”. Temos visto acontecer a mesma coisa na
situação de hoje.
O versículo 10' diz: “Escureçam-se-lhes os olhos
para que não vejam, e fiquem para sempre
encurvadas as suas costas.” Não ocorre o mesmo no
cristianismo hoje? Não estão os olhos de muitos
escurecidos e suas costas encurvadas? Falta-lhes
visão para ver e são incapazes de permanecer firmes
de pé.

II. OS GENTIOS SALVOS PELO TROPEÇO DE


ISRAEL
A economia de Deus em Sua eleição é
primeiramente com o remanescente reservado por
graça e em segundo lugar com os gentios, as nações,
salvos pelo tropeço de Israel. No versículo 11 Paulo
diz: “Logo, pergunto: Porventura tropeçaram de
modo que caíssem? De maneira nenhuma, antes pelo
seu tropeço veio a salvação aos gentios, para os
incitar à emulação (ao ciúmes — lit.)” (IBB — rev.).
Em 9:32, Paulo disse que Israel “tropeçou na Pedra
de tropeço”. Agora, no versículo 11:11, Paulo diz que
eles não tropeçaram para que caíssem. Paulo
desenvolveu seu argumento com muito cuidado,
dizendo que eles tropeçaram, mas não caíram. Na
parte seguinte do versículo 11, Paulo descreve seu
tropeço como um “passo em falso”. Como um
resultado desse passo em falso de incredulidade, a
salvação veio aos gentios. Que causa Paulo apresenta
e que advogado ele era! Ninguém pode derrotá-lo.
Todos devem submeter-se a ele. No versículo 11:12,
Paulo diz: “Ora se o tropeço deles é a riqueza do
mundo, e a sua diminuição a riqueza dos gentios,
quanto mais a sua plenitude!” (IBB — Rev.). O passo
em falso dado por Israel, tornou-se a riqueza do
mundo, e a sua perda a riqueza dos gentios. Quem,
além de Paulo, seria capaz de argumentar deste
modo?
Em 11:13, 14 Paulo diz que ele magnifica seu
ministério entre os gentios. “Dirijo-me a vós outros,
que sois gentios! Visto, pois, que eu sou apóstolo dos
gentios, glorifico o meu ministério, para ver se de
algum modo posso incitar à emulação (ciúmes — lit.)
os do meu povo e salvar alguns deles.” Embora Paulo
estivesse glorificando seu ministério entre os gentios,
ele estava, na verdade, debatendo em favor de Israel.
Precisamos ler o versículo 15 cuidadosamente:
“Porque se o fato de terem sido eles rejeitados trouxe
reconciliação ao mundo, que será o seu
restabelecimento, senão vida dentre os mortos?”
Notem que Paulo não disse “lançados fora”. Lançar
fora é uma coisa; rejeitar é outra. No versículo 11:1,
Paulo pergunta: “Terá Deus, porventura rejeitado o
seu povo?” Paulo respondeu a pergunta por si
mesmo, dizendo: “De modo nenhum!” Portanto,
existe uma diferença significante entre ser lançado
fora e ser rejeitado. Ser lançado fora significa ser
abandonado, enquanto que ser rejeitado significa ser
posto de lado por certo período de tempo. Portanto, o
pensamento de Paulo é que Deus havia rejeitado
Israel, não que Ele os havia lançado fora.
Leiamos os versículos 16 a 18: “E, se foram santas
as primícias da massa, igualmente o será a sua
totalidade; se for santa a raiz, também os ramos o
serão. Se; porém, alguns dos ramos foram quebrados,
e tu, sendo oliveira brava, foste enxertado em meio
deles, e te tornaste participante da raiz e da seiva da
oliveira, não te glories contra os ramos; porém se te
gloriares, sabe que não és tu que sustentas a raiz, mas
a raiz a ti.” Quem é a raiz da oliveira e quem é a
farinha oferecida como primícias? Creio que a
resposta correta é Abraão, Isaque e Jacó. Em 11:28
Paulo diz que Israel é amado por causa dos pais
(patriarcas). Os “pais” referem-se aos patriarcas:
Abraão, Isaque e Jacó. Esses três patriarcas eram a
raiz da oliveira e a farinha oferecida como primícias.
Precisamos estar claros com respeito à diferença
entre a farinha oferecida como primícias e a massa.
Suponha que você tenha uma massa de farinha para a
preparação de bolos e você tira uma porção de farinha
desta massa. Essa porção de farinha que foi tirada
pode ser chamada de primícias. Na Bíblia, a farinha
oferecida que foi tirada pode ser chamada de
primícias. Na Bíblia, a farinha oferecida como
primícias não era para o povo comer; era
primeiramente oferecida a Deus e então dada aos
sacerdotes para ser o alimento deles. De acordo com
Números 15:18-21, Deus disse a Israel que depois que
eles entrassem na terra, deveriam oferecer a primeira
porção de farinha ao Senhor. Essa porção de farinha
era chamada de primícias e a expressão: “A farinha
oferecida como primícias” em Romanos 11:16 é uma
referência a ela. O apóstolo Paulo usa a primeira
porção de farinha para ilustrar Abraão junto com
Isaque e Jacó. Quando chegarmos a Abraão, Isaque e
Jacó no Estudo-Vida de Gênesis, descobriremos que
esses três patriarcas devem ser considerados como
uma única pessoa e que as experiências espirituais
desses três são, na verdade, experiências de uma
pessoa. Esses três patriarcas eram e ainda são a
primeira porção da farinha oferecida a Deus como
primícias, e todos os seus descendentes são a massa.
Da mesma maneira, os três patriarcas eram. e ainda
são a raiz da oliveira cultivada de Deus (Jr 11:16), e
todos os seus descendentes são ramos. Portanto, o
argumento de Paulo é que se a farinha oferecida a
Deus é santa, então toda a massa é santa. Isso
significa que todos os israelitas são santos. Além
disso, se a raiz (os patriarcas) é santa, então todos os
ramos (os descendentes dos patriarcas) também são
santos. Embora Israel tenha tropeçado, eles não
caíram. Foram cortados temporariamente; depois
serão enxertados novamente.
Em Romanos 9, os escolhidos de Deus são
assemelhados ao barro e em Romanos 11 são
assemelhados a uma massa de farinha usada na
preparação de bolos. Que você acha melhor? Você
gostaria de ser uma porção de barro ou de farinha?
Embora eu preferisse ser uma porção de farinha,
também é bom ser barro, pois o barro é usado para
fazer vasos de misericórdia a fim de conter Cristo.
Assim, em 2 Coríntios 4:7, é-nos dito que: “Temos,
porém, este tesouro em vasos de barro.” Além disso,
em 2 Timóteo 2:20 diz: “há... vasos de ouro e de
prata... para honra.”4 Vimos que os vasos de barro
em Romanos 9 são preenchidos por meio de invocar o
nome do Senhor, como é revelado em Romanos 10.
Ocorre o mesmo com os vasos em 2 Timóteo 2:20. No
versículo 22 desse capítulo, é-nos dito que os que
4
Segundo o original em inglês.
buscam o Senhor precisam invocá-Lo com um
coração puro. Portanto, a maneira pela qual os vasos
de honra são preenchidos é por meio de invocar o
nome do Senhor.
Romanos 9 mostra-nos que somos porções de
barro moldados em vasos que contêm Cristo. Isto é
maravilhoso. Entretanto, fico ainda mais feliz por ser
uma porção de farinha, uma parte da massa. O barro
não tem vida, mas a massa é uma questão de vida,
sendo feita de fina farinha de trigo. Apesar do barro
ser útil para fazer vasos a fim de conter Cristo para a
glória de Deus, a massa é para a satisfação de Deus; é
oferecida a Deus como alimento para a Sua
satisfação. Uma porção de barro sem vida não pode
satisfazer Deus. Apenas na massa vemos o elemento
vivo que satisfaz Deus.
Enquanto a farinha é para a satisfação de Deus, a
raiz é para a nossa satisfação. Romanos 11:17 diz que
nós sendo oliveira brava, fomos enxertados em meio
deles, e nos tornamos co-participantes da raiz e da
seiva da oliveira. Quando chegarmos à vida de
Abraão, Isaque e Jacó no nosso Estudo-Vida de
Gênesis, veremos que eles eram a raiz da seiva da
oliveira. Toda a oliveira depende da seiva deles.
Louvado seja o Senhor, porque nós, a oliveira brava,
fomos enxertados na oliveira cultivada de Deus, a fim
de que fôssemos co-participantes da sua raiz e da
seiva! Esse é o nosso desfrute. Deus desfruta da
farinha; nós desfrutamos da raiz. Tanto a farinha
como a raiz são provenientes da vida vegetal, a vida
que satisfaz Deus e o homem. Tanto o trigo como a
azeitona produzem gozo e satisfação para Deus e o
homem. Louvado seja o Senhor! Mais uma vez vemos
quão profundo escritor Paulo era. Nada em Romanos
é superficial.
No versículo 17, Paulo diz que nós, os gentios,
“sendo oliveira brava, fomos enxertados e nos
tornamos co-participantes da raiz.” O enxerto é uma
questão de vida. O enxerto do ramo de uma árvore
brava em uma árvore cultivada é para que este ramo
receba a vida da árvore cultivada. Assim, não é o caso
de nós, gentios, mudarmos de religião, mas
recebermos a vida da raiz, a qual vida é Cristo. Muitos
gentios se têm convertido de suas religiões pagãs à
religião cristã, sem nunca terem recebido a vida de
Cristo. Eles nunca foram enxertados na oliveira
cultivada por Deus com Cristo como vida. Mas nós
fomos enxertados para desfrutar das riquezas da vida
de Cristo com Abraão, Isaque e Jacó. Louvado seja o
Senhor!
Paulo, falando a favor dos gentios, diz no
versículo 19: “Dirás, pois: Alguns ramos foram
quebrados, para que eu fosse enxertado.” Os gentios
podem pensar dessa maneira. Paulo respondeu:
“Bem! pela sua incredulidade foram quebrados; tu,
porém, mediante a fé estás firme. Não te
ensoberbeças, mas teme. Porque se Deus não poupou
os ramos naturais, também não te poupará.
Considerai, pois, a bondade e a severidade de Deus:
para com os que caíram, severidade; mas para
contigo, a bondade de Deus, se nela permaneceres;
doutra sorte também tu serás cortado” (vs. 20-22).
Quão sábia é a palavra de Paulo!
Portanto, pelo passo em falso de Israel, pelo
tropeço deles, a salvação veio aos gentios. Entretanto,
Israel não caiu; eles apenas tropeçaram. Essa é a
economia de Deus em Sua eleição.
III. ISRAEL RESTAURADO POR MEIO DA
MISERICÓRDIA DOS GENTIOS
“Eles também, se não permanecerem na
incredulidade, serão enxertados; pois Deus é
poderoso para os enxertar de novo. Pois se foste
cortado da que, por natureza, era oliveira brava, e
contra a natureza enxertado em boa oliveira, quanto
mais não serão enxertados na sua própria oliveira
aqueles que são ramos naturais!” (vs. 23-24). Embora
Paulo pareça estar falando em favor dos gentios, na
verdade ele é mais em favor dos judeus, porque ele
próprio era judeu. Seu encargo pelos judeus é a base
das suas palavras acerca dos gentios.
“Porque não quero, irmãos, que ignoreis este
mistério, para que não sejais presumidos em vós
mesmos, que veio endurecimento em parte a Israel,
até que haja entrado a plenitude dos gentios” (v. 25).
A “plenitude dos gentios” refere-se aos convertidos
entre os gentios. Agora é a época em que gentios
serão convertidos. Assim, a “plenitude dos gentios”
ainda não se completou; está prosseguindo no
tempo presente. A “plenitude dos gentios” é diferente
da expressão “até que os tempos dos gentios se
completem” (Lc 21:24). Alguns cristãos confundem
essas duas expressões. As palavras “até que os tempos
dos gentios se completem” indicam a profecia
referente ao término do poder dos gentios; “a
plenitude dos gentios” indica a finalização da
conversão entre os gentios.
No versículo 26 Paulo declara: “E assim todo o
Israel será salvo, como está escrito: Virá de Sião, o
Libertador, ele apartará de Jacó as impiedades.”
Nessa hora, todos os israelitas remanescentes serão
salvos. “Esta é a minha aliança com eles, quando eu
tirar os seus pecados. Quanto ao evangelho, são eles
inimigos por vossa causa; quanto, porém, à eleição,
amados por causa dos patriarcas” (vs. 27-28). Note as
duas “causas” no versículo 28: “vossa causa” e “por
causa dos patriarcas [pais]”. Eles são inimigos por
nossa causa, mas amados por causa dos pais. “Porque
os dons e a vocação (chamamento — lit.) de Deus são
irrevogáveis” (v. 29). Os dons de Deus e o
chamamento de Deus são eternos, sem
arrependimento, sem mudança. Uma vez que o dom
de Deus é dado, ele é dado para sempre. Uma vez que
Deus nos chamou, Ele nos chamou por toda a
eternidade. Ele nunca se arrependeria de Seus dons e
Seu chamamento. Como somos gratos a Deus pois
com Ele não há variação (Tg 1:17). “Porque assim
como vós também outrora fostes desobedientes a
Deus, mas agora alcançastes misericórdia à vista da
desobediência deles, assim também estes agora foram
desobedientes, para que igualmente eles alcancem
misericórdia (pela vossa misericórdia — lit.), à vista
da que vos foi concedida. Porque Deus a todos
encerrou na desobediência, a fim de usar de
misericórdia para com todos” (vs. 30-32). Aqui vemos
que Paulo usa tanto a desobediência quanto a
misericórdia como recursos para a sua argumentação.
A desobediência do homem proporcionou uma
oportunidade à misericórdia de Deus, e a
misericórdia de Deus trouxe a salvação ao homem.
Assim, vemos novamente que Paulo ganhou todas as
causas. Deus encerrou todos em desobediência, para
mostrar misericórdia a todos. Isso é a economia de
Deus. Que podemos dizer? Tudo o que podemos dizer
é: “Aleluia por Sua misericórdia!” Ele usou até mesmo
a nossa desobediência como um cofre para
guardar-nos como vasos nos quais Ele mostra a Sua
misericórdia.

IV. LOUVOR PELA ELEIÇÃO DE DEUS


Neste ponto, Paulo eleva um louvor a Deus, um
louvor pela eleição de Deus. “Ó profundidade da
riqueza, tanto da sabedoria, como do conhecimento
de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos e quão
inescrutáveis os seus caminhos! Quem, pois,
conheceu a mente do Senhor? ou quem foi o seu
conselheiro? Ou quem primeiro lhe deu a ele para que
lhe venha a ser restituído? Porque dele e por meio
dele e para ele são todas as cousas. A ele, pois, a glória
eternamente. Amém” (vs. 33-36). Parece que nos
capítulos 9 a 11 de Romanos, Paulo nos deu um mapa
por meio do qual podemos traçar os caminhos de
Deus. Deus recebe louvor e glória. em três estágios:
no passado, porque todas as coisas vieram Dele; no
presente, porque todas as coisas são por meio Dele e
no futuro, porque todas as coisas serão para Ele. No
passado, todas as coisas vieram à existência
procedentes de Deus; no presente, todas as coisas
existem por meio Dele e no futuro, todas as coisas
serão para Ele. A eleição de Deus é de acordo com Ele
mesmo, de acordo com Sua escolha e não de acordo
com nada mais. Todas as coisas são Dele, por Ele e
para Ele. “A Ele a glória para sempre, Amém.”
ESTUDO-VIDA DE ROMANOS
MENSAGEM 25
TRANSFORMAÇÃO AO PRATICAR A VIDA DO CORPO
(1)
Nesta mensagem chegamos à seção mais prática
do livro de Romanos, a seção referente à
transformação (12:1-15:13). Transformação visa a
prática da vida. Como temos visto, a santificação é
para o processo da vida. Desde o dia em que fomos
justificados estamos participando deste
processo-devida. Este processo-de-vida nos
santificará e, por fim, nos glorificará. A prática da
vida é um pouco diferente do processo-de-vida. Para
a prática-de-vida necessitamos de transformação,
pois nunca poderemos ter a prática-de-vida adequada
em nossa vida natural. Nada natural é útil à prática da
vida. O elemento natural precisa ser transformado em
um elemento que é espiritual e santo. Assim, por
causa da prática-de-vida, necessitamos de uma
transformação completa. Além disso, a Palavra Santa
revela que a prática-devida relaciona-se,
principalmente, à igreja, à vida do Corpo. A vida da
igreja é o reino prático de Deus na terra, atualmente.
Muitos dos assim chamados cristãos espirituais
verdadeiramente amam o Senhor e procuram o
crescimento de vida, segundo Romanos 6 e 8.
Contudo, após Romanos 8 e mesmo após Romanos 11
há outra seção, indicando que embora tenhamos
alcançado o padrão revelado em Romanos 8, ainda
nos falta algo pelo fato de não termos a vida da igreja.
As experiências espirituais de santificação,
glorificação e conformação não existem para si
mesmas. A santificação não é para a santificação e a
conformação não é para a conformação. Ambas
experiências são para a vida da igreja. Como veremos
após os capítulos oito e onze, Paulo roga-nos que
apresentemos nosso corpo como um sacrifício vivo. O
propósito desse apresentar não é para que sejamos
mais espirituais mas para que pratiquemos a vida do
Corpo.
Muitos cristãos sequiosos não gostam de falar
acerca da vida da igreja. Parecem dizer: “Contanto
que sejamos espirituais, santificados e estejamos
crescendo na vida, tudo está bom. O Senhor um dia
nos edificará juntos, de maneira espontânea.” Diria
fortemente que o livro de Romanos deles possui
somente oito capítulos, apenas metade do livro.
Parece que eles não percebem que Romanos possui
dezesseis capítulos. No livro de Romanos, porém,
temos cinco capítulos completos que discorrem
longamente sobre a questão da igreja. Vida não é para
vida; vida visa o Corpo. A vida é para a igreja.
Precisamos estar alertas, pois poderemos ter a nossa
visão coberta até mesmo pelas melhores coisas.
Louvado seja o Senhor porque em Romanos temos
cinco capítulos sobre a vida da igreja. Sobre
justificação, santificação e glorificação, juntas, há
cinco capítulos e meio, contudo, só a vida da igreja
ocupa cinco capítulos.
Desejo enfatizar que a igreja é a palavra
conclusiva de Paulo no livro de Romanos. Quando
ouvimos alguém falar, sempre esperamos sua palavra
conclusiva, e esta, no livro de Romanos, é
concernente à igreja. Por conseguinte, se parar no
capítulo oito, você perderá muito, separando a si
próprio da palavra conclusiva da dissertação de
Paulo. Precisamos prosseguir até o final, à conclusão
de Paulo.
Por que Paulo escreveu o livro de Romanos? Não
o escreveu apenas tendo em vista a justificação, a
santificação ou nem mesmo a glorificação. Romanos
foi escrito tendo como auge e conclusão a vida da
igreja. A consumação de Romanos é a igreja. Louvado
seja o Senhor porque Paulo era tão ardoroso e estava
tão rico na questão da igreja, a ponto de usar cinco
capítulos para enfatizá-la. Ele usou cinco capítulos
para abordar a vida da igreja de uma maneira
maravilhosa. Em Romanos, Paulo não apresenta a
vida da igreja doutrinariamente, mas de uma maneira
experimental e prática. Quando chegarmos em
Romanos 15 e 16, veremos que Paulo descreve e
apresenta as igrejas em experiência e em prática, não
em doutrina.
Se deixar de penetrar nas profundezas de
Romanos 12 até 16, você considerará esses cinco
capítulos simplesmente como capítulos cheios de
exortações e ensinamentos relacionados ao
comportamento dos cristãos. Se pensa dessa maneira,
isso prova que você ainda mantém um conceito
natural ao entender essa porção da Bíblia. Não
devemos entender a Palavra Santa de acordo com o
nosso conceito natural. A maioria dos mestres
cristãos dizem que os capítulos doze a dezesseis de
Romanos descrevem o comportamento dos crentes.
Dizem que após sermos salvos precisamos apresentar
um bom comportamento cristão. Devo admitir que ao
liderar um estudo completo de Romanos, há mais de
vinte anos, com quase mil pessoas, eu ainda me
apegava a esse conceito natural. Naquele estudo
também disse que os capítulos doze a dezesseis de
Romanos retratam o comportamento dos crentes. Foi
nesses últimos anos, após estudar Romanos
repetidamente, que disse a mim mesmo: “Homem,
quão natural foi você ao entender a santa revelação
divina.”
Aparentemente, os últimos cinco capítulos de
Romanos descrevem a conduta dos cristãos. Todavia,
qual é o item principal, o aspecto principal da
conduta de um crente? É a vida da igreja. A vida da
igreja, a vida do Corpo, é a estrutura principal do
comportamento cristão. Após ter sido salvo, o
procedimento de um crente está principalmente
relacionado à vida da igreja. Você percebe que a nossa
vida da igreja representa noventa por cento do nosso
viver? Nós até mesmo inventamos uma nova palavra:
“igrejando”. Dia após dia estamos igrejando. Somos
um povo que “igreja”. Posso testificar a vocês que
estou igrejando dia e noite. Gastamos muito tempo,
dinheiro e energia para podermos continuar
igrejando. Não nos preocupamos com o tempo, o
custo ou a energia — apenas nos preocupamos com a
igreja. Estamos igrejando todo o tempo. O apóstolo
Paulo manteve esse conceito do “igrejar” quando
escreveu o livro de Romanos. Ele não se preocupou
apenas com o assim chamado comportamento
cristão; sua ênfase principal foi a vida da igreja.
Precisamos praticar a vida processada, que é exposta
na seção referente à santificação nos capítulos cinco
até oito, na vida da igreja, e para isso necessitamos
transformação. Por conseguinte, a transformação na
vida visa a prática-de-vida e a prática-devida é
conduzida principalmente na vida da igreja.
Considere o conteúdo dos capítulos 12 a 16 de
Romanos. Sem dúvida, o centro de Romanos 12 é a
vida do Corpo. Do início do capítulo quatorze até a
primeira parte do capítulo quinze temos um trecho
longo que trata da questão de receber os santos.
Receber os santos é também para a vida da igreja.
Além disso, os capítulos quinze e dezesseis são um
relato prático da vida da igreja, não da igreja nos
céus, mas das igrejas nas localidades sobre a terra.
Entre essas duas porções temos o capítulo treze.
Tenho sido incomodado pelo capítulo treze, e acho
difícil determinar se ele pertence à prática da vida do
Corpo exposta no capítulo doze ou se deveria
permanecer unicamente com os três itens de
submissão, amor e batalha espiritual, Até mesmo
neste escrito não estou muito certo quanto à posição
de Romanos 13. Pode ser considerado como parte da
subseção sobre o viver uma vida normal. Se assim for,
os capítulos doze a dezesseis de Romanos terão três
itens relacionados à transformação, e todos esses
itens pertencem à vida da igreja: primeiramente, a
prática da vida do Corpo; em segundo lugar, o receber
os santos e em terceiro lugar, a consumação final do
evangelho, isto é, as igrejas locais.
Conseqüentemente, cada aspecto da seção referente à
transformação está relacionada à vida do Corpo. Que
é a sua vida diária? Falando adequadamente, a sua
vida diária é uma parte da sua vida da igreja. Se não
tivesse qualquer vida diária, você não poderia ter a
vida da igreja genuína. A sua vida diária é para a vida
da igreja. Portanto, baseado nesse entendimento,
prefiro dizer que o capítulo treze é uma continuação
do capítulo doze e parte da subseção relacionada à
vida normal dos cristãos para a vida da igreja.

I. TRANSFORMAÇÃO PARA A. VIDA DO


CORPO

A. Transformação
Antes de considerarmos 12:1, 2, gostaria de dar a
definição de transformação. Transformação é uma
boa palavra. Em grego ela inclui o significado de
mudar, ter uma mudança. Assim a versão em inglês
“King James” traduziu essa palavra em 2 Coríntios
3:18 por “mudados” em vez de “transformados”.
Todavia, essa versão traduz a mesma palavra grega
como “transformados” em Romanos 12:2. Traduzir
essa palavra grega como “mudados” é muito
inadequado. Transformação não denota meramente
uma mudança; significa que algo é mudado tanto em
natureza como em forma. Em português, as palavras
transformado e transformação também significam
uma mudança tanto em natureza como em forma.
Esse tipo de mudança é uma mudança metabólica.
Não é apenas uma mudança exterior, mas uma
mudança tanto na constituição interior como na
forma externa. Essa mudança ocorre por meio do
processo de metabolismo. No processo de
metabolismo, um elemento orgânico cheio de
vitaminas entra em nosso ser e produz uma mudança
química em nossa vida orgânica. Essa reação química
muda a constituição do nosso ser de uma forma para
outra. Isso é transformação.
Suponhamos que certa pessoa tenha uma
aparência muito pálida e que outra pessoa qualquer,
desejando mudar seu aspecto descorado, aplica-lhe
sobre a pele alguma maquilagem. Isso, sem dúvida,
produz uma mudança exterior, não sendo, contudo,
uma mudança orgânica, uma mudança em vida.
Como, então, pode uma pessoa possuir
verdadeiramente um rosto corado? Assimilando
diariamente em seu corpo comida saudável, com os
elementos orgânicos necessários. Pelo fato de o seu
corpo ser um organismo vivo, quando entra nele uma
substância orgânica, um composto químico é
organicamente formado pelo processo do
metabolismo. Gradualmente esse processo interior
mudará a coloração de sua face. Essa mudança não é
exterior, é uma mudança do interior, mudança que
resulta do processo do metabolismo.
De acordo com a Bíblia, essa mudança
metabólica é denominada transformação. No
processo de transformação, a vida de Cristo é
adicionada ao nosso ser. Quando a Sua vida, que é
orgânica e cheia de vitaminas, penetra em nosso ser,
um composto químico espiritual é formado. Isso
muda a nossa constituição tanto em natureza como
em forma. Isto é transformação. Não se trata de uma
correção exterior ou de um ajuste externo. É
totalmente uma mudança metabólica interior, em
nosso elemento orgânico, uma mudança em vida e
com vida por meio do Senhor Espírito (2Co 3:18). No
processo de transformação, o elemento divino é
trabalhado em nós. Se guardarmos em mente esse
entendimento adequado sobre a transformação, ao
abordarmos Romanos 12 até 16, perceberemos que
essa porção da Palavra é totalmente diferente daquilo
que o nosso conceito natural nos levaria a crer que é.
No final de Romanos 8, o processo de vida atinge
a sua conclusão. No capítulo um éramos pecadores,
miseráveis, pessoas vis e cheias do mal. Todavia, após
passarmos por vários capítulos e chegarmos ao final
de Romanos 8, fomos santificados e conformados
como filhos de Deus. Que diferença! No final de
Romanos 8 chegamos à conformidade de filhos de
Deus, filhos amados Dele para sempre. Assim, os
primeiros oito capítulos de Romanos desvendam o
processo da vida que nos leva de pecadores a filhos de
Deus. Então, em Romanos 9 até 11, Paulo
proporciona-nos a revelação da eleição de Deus, da
economia de Deus e do nosso destino. Nessa porção,
Paulo ajuda-nos a perceber como Deus nos elegeu,
fez-nos vasos para contê-Lo, como Ele deseja
preencher-nos com todas as riquezas de Cristo e
estabeleceu uma economia relacionada à ordem na
qual os homens serão salvos. Após falar sobre essas
coisas, Paulo está pronto para falar sobre a prática da
vida. No princípio de Romanos 12, Paulo está
preparado para nos dizer como praticarmos a própria
vida na qual fomos processados e ainda o estamos
sendo. A prática desta vida processada é a vida da
igreja.

B. A Vida do Corpo

1. A Praticabilidade da Vida da Igreja


Já salientamos que o ponto central de Romanos
12 é a vida do Corpo. A vida do Corpo é a
praticabilidade da vida da igreja. Sem a vida do
Corpo, a vida da igreja é apenas um termo. A vida da
igreja é compreendida e torna-se real na prática da
vida do Corpo. Os cristãos atuais possuem o termo
“igreja”, faltando-lhes, porém, a vida do Corpo. Com
relação à vida do Corpo, há uma carência na
experiência de muitos cristãos. Há, assim, a
necessidade de uma verdadeira restauração da vida
do Corpo, para que o Senhor possa ter Sua igreja
edificada na terra hoje, de uma maneira prática. Essa
é a razão pela qual temos tanto encargo pela vida do
Corpo.

2. Uma Vida Corporativa


A vida do Corpo é uma vida corporativa.
Podemos perceber isso olhando para o nosso corpo.
Nosso corpo é uma entidade corporativa composta de
muitos membros. Todos os membros possuem sua
vida e função no corpo. Se qualquer membro for
separado ou desligado do corpo, ele perde sua vida e
função. Nenhum membro do corpo pode ser
independente dele ou tornar-se individualista.
Precisamos perceber que nenhum de nós, como
membros do Corpo, pode ser uma entidade completa.
Cada um de nós é simplesmente um membro do
Corpo. Precisamos permanecer no Corpo por causa
da vida e da função. Tantos cristãos não possuem as
riquezas da vida e são totalmente incapazes de
funcionar, simplesmente por estarem desligados do
Corpo. Romanos 12 revela a importância da prática
da vida do Corpo. Mostra-nos que somos membros
uns dos outros, num único Corpo. Nós, sendo muitos,
somos um Corpo, uma entidade. No Corpo podemos
funcionar e expressar Cristo de uma maneira
corporativa.
É triste ver que atualmente muito poucos
cristãos têm visto a vida corporativa ou estão
desejando dar atenção a ela. A maioria dos cristãos
sequiosos dedicam toda sua atenção a Romanos 8,
procurando as experiências do Espírito da vida. Eles,
contudo, não percebem que as experiências de
Romanos 8 visam a vida corporativa em Romanos 12.
O objetivo de Deus é que vivamos uma vida de Corpo,
a qual é uma vida corporativa. Sua redenção,
justificação e santificação visam esse objetivo. Se não”
prestarmos atenção à vida do Corpo, certamente
perderemos o objetivo de Deus. Ser redimido,
justificado, santificado e conformado a Cristo são
todos para que tenhamos a vida corporativa
adequada. Não deveríamos parar nas experiências de
santificação e conformação em Romanos 8.
Precisamos ver que as experiências de santificação e
conformação no Espírito são mencionadas para
fazer-nos prosseguir até Romanos 12, para que
possamos praticar a vida corporativa. Ser apenas
santificado individualmente ou ser espiritual de uma
maneira individualista não é santificação e
espiritualidade à maneira de Deus. Santificação e
espiritualidade genuínas visam a vida do Corpo.
Realmente cremos que nestes últimos dias o Senhor,
na Sua restauração, moveu-se de Romanos 8 a
Romanos 12. O ponto central da restauração do
Senhor hoje não é santificação ou espiritualidade de
uma maneira individual, mas a vida do Corpo, a vida
da igreja, de uma maneira corporativa. Que o Senhor
possa ter misericórdia de nós para que vejamos e
pratiquemos isso pelas experiências da santificação
no Espírito da vida.

II. PELO APRESENTAR DO NOSSO CORPO

A. O Rogar do Apóstolo
Romanos 12:1 diz: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas
compaixões (lit.) de Deus que apresenteis os vossos
corpos por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus,
que é o vosso culto racional.” Em 12:1 Paulo fala
rogando, revelando a importância da questão da qual
ele nos irá incumbir. Esta desvenda o desejo e o
propósito de Deus. Por séculos e eras Deus tem
possuído um único desejo — ter um Corpo para
Cristo. Por isso o apóstolo disse: “Rogo-vos, pois,
irmãos, pelas compaixões (lit.) de Deus”. Note que
não se trata de “compaixão” no singular, mas
“compaixões” no plural. Em 9:15 vimos que
compaixão é mais rica e profunda do que
misericórdia. Deus não possui apenas um tipo de
compaixão, mas muitos tipos de compaixões com
respeito a nós. Ele teve compaixão para conosco ao
eleger-nos. Teve compaixão para conosco ao
chamar-nos, salvar-nos e levar-nos à Sua vida. Como
mostram os capítulos anteriores, Ele teve muitas
compaixões a nosso favor, no passado. Foi por meio
dessas compaixões de Deus que o apóstolo Paulo
rogou-nos que apresentássemos nosso corpo a Deus.
Se percebermos as compaixões de Deus e formos
comovidos por elas, faremos o que o apóstolo nos
rogou.

B. Apresentar Nosso Corpo como um


Sacrifício

1. Muitos Corpos, Um Sacrifício


No versículo 1 Paulo também roga-nos que
apresentemos nosso corpo por “um sacrifício vivo”.
Em 6:13 e 19, encorajou-nos a apresentar os membros
do nosso corpo como armas para lutar e como servos
para servir, pois Romanos 6 é uma questão de batalha
e serviço. Todavia, no que diz respeito à vida da
igreja, trata-se de uma questão de sacrifício. O, de
oferecer-nos a Deus para Sua satisfação. A vida da
Igreja como um todo e uma oferta para a satisfação de
Deus: ~pesar de serem apresentados muitos corpos,
um é o sacrifício. Por que há muitos corpos, porém
apenas um sacrifício? Por serem os muitos membros
um Corpo e os muitos crentes uma igreja. .
Por que Paulo usa a palavra “vivo”? Por
comparar esse sacrifício com os sacrifícios do Velho
Testamento. Os sacrifícios oferecidos nos tempos do
Velho Testamento eram todos mortos, porém, a igreja
não é uma oferta morta; é uma oferta viva, cheia de
Cristo como vida. No capítulo oito vemos que os
crentes são cheios de Cristo como o Espírito que dá
vida. Chegando ao capítulo doze, para oferecerem-se
a Deus como sacrifício, os crentes são uma oferta
cheia do Espírito da vida.
Além disso, o sacrifício é santo, significando que
é separado das coisas comuns e que possui a natureza
de Deus. Nosso Deus é santo”. Ele é totalmente
diferente e separado de todas as outras coisas. Essa
Sua natureza tem sido trabalhada nos membros do
Corpo. Por isso o Corpo é santo e único. E algo
diferente de um clube, da ACM5 e de todo tipo de
organização social. O Corpo é santo e nada comum
pode ser introduzido Nele. Assim, essa oferta é a
única coisa que é agradável a Deus e que é para o
Corpo de Cristo. Para a prática da vida do Corpo, essa
oferta é necessária. Precisamos oferecer nosso corpo
para o Corpo de Cristo.

2. Um Serviço Sacerdotal, o qual é o Mais


Racional Serviço
Oferecer-nos a Deus como um sacrifício vivo é o
nosso serviço mais racional. As palavras “apresentar”
e “sacrifício”, acima mencionadas, indicam que o
5
N. do T.: Associação Cristã de Moços.
“racional serviço” é um serviço sacerdotal. Se temos
uma mente sóbria e se desejamos ser racionais,
razoáveis e lógicos, então certamente precisamos ter
a vida da igreja. As pessoas que não gostam de ter a
vida da igreja são as mais tolas das pessoas. Praticar
qualquer coisa além da vida da igreja é tolice, porém,
abandonar tudo pela vida da igreja é lógico e racional.
Nada é mais racional do que “igrejar”. Gastar dois mil
cruzeiros num artigo ou divertimento mundano é
tolice, mas gastar dois milhões de cruzeiros na vida
da igreja é racional. Se tivesse cem vidas, daria todas
elas à vida da igreja. Todavia, não daria nem mesmo a
menor fração da minha vida às coisas mundanas, pois
fazer isso seria estúpido. Que racional serviço é
dar-nos à vida da igreja! Posso testificar que tenho
estado na obra do Senhor por mais de quarenta anos
e que não me arrependo nem um pouco. Toda vez que
penso sobre a igreja fico empolgado. Toda vez que
penso sobre a vida da igreja e sobre o meu ministério
para ela, estou nos céus. Que serviço racional é esse!
Quando Paulo começou a falar sobre a vida da
igreja, implorou aos crentes que apresentassem cada
um o seu corpo, pois, como seres humanos, nada é
mais real e prático do que nosso corpo. Se o seu corpo
não se encontra na vida da igreja, por favor, não diga
o quanto você é por ela. Em anos passados, muitas
pessoas me disseram: “Irmão, estou com você. Por
causa dos meus negócios não posso estar na vida da
igreja, mas sou um com o que você está fazendo.”
Outros disseram: “Estou muito cansado para ir à
reunião. Vá você e eu ficarei em casa e orarei por
você. Não posso ir à reunião fisicamente, porque
estou muito cansado, mas o meu coração e espírito
estarão lá com você.” Essas palavras soam de maneira
agradável, mas são falsidade. Precisamos perceber
que estamos em nosso corpo. Onde estiver nosso
corpo, lá estaremos. Suponha que todos os santos
dissessem que estão muito cansados para ir à
reunião. Que aconteceria à reunião? Assim, Paulo
rogou aos irmãos que apresentassem cada um o seu
corpo. Se você leva a sério o propósito do Senhor,
precisa apresentar o seu corpo.
E bom que você vá à reunião mesmo que durma
por quase toda ela. É melhor ir à reunião e dormir do
que nem aparecer. Você poderá ir a uma reunião e
dormir durante toda ela, exceto durante os últimos
minutos. Talvez nos últimos cinco minutos você seja
inspirado e receba uma grande ajuda. Conheço vários
casos em que isso aconteceu.
Deixem-me contar-lhes um caso que ocorreu em
Xantung, minha província natal. Estava visitando
certa igreja com um jovem aprendiz, um irmão que
estava sob os meus cuidados, aprendendo a servir o
Senhor. O seu nome era Chao. A esposa do irmão
líder naquela pequena igreja amava muito ao Senhor
e servia-nos comida três vezes ao dia. Como resultado
de todo o seu trabalho, ela ficava exausta. Entretanto,
ela não podia parar de ir às reuniões. Certo dia, ela
veio e sentou-se na primeira fileira. Ao irmão Chao foi
pedido que falasse uma palavra na reunião daquela
noite. Enquanto ele falava, a irmã dormiu. Durante a
sua mensagem, o jovem irmão estava muito paciente.
Contudo, perto do fim de sua mensagem, incapaz de
conter-se por mais tempo, ele virou-se para a irmã e
disse: “Se continuar dormindo, irei expulsá-la!”
Quando ele fez isso, fiquei muito preocupado. Após a
reunião, disse-lhe que jamais fizesse isso novamente.
Senti-me envergonhado quando voltamos para a casa
daquela irmã onde estávamos hospedado. Contudo, a
irmã saudou-nos alegremente. Esta irmã foi à reunião
e dormiu por quase toda ela, porém, durante os
últimos minutos, — ela recebeu ajuda. Precisamos ir
às reuniões fisicamente. Não diga que estará na igreja
espiritualmente mas não fisicamente. Você precisa
apresentar o seu corpo.

III. PELA RENOVAÇÃO DA NOSSA MENTE

A. Não Sejais Conformados a este Século


Romanos 12:2 diz: “E não vos conformeis com
este século mas transformai-vos pela renovação da
vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa,
agradável e perfeita vontade de Deus.” Paulo nos diz
que não sejamos “conformados a este século”. Não
devemos ser moldados por este século. Que é este
século? O século é a vida do mundo presente e
prática, que está em oposição à vida da igreja e é um
substituto dela. O mundo todo é um sistema satânico,
um sistema constituído por Satanás. A palavra grega
para mundo cosmos denota uma organização, um
sistema.
Satanás sistematizou todas as pessoas e tudo
relacionado a vida humana. Este sistema mundano é
composto de muitos séculos. Assim como a igreja
universal é composta de muitas igrejas locais,
também o mundo é com rosto de muitos séculos.
Cada igreja local é uma parte da igreja universal e
cada século é uma parte do mundo. Cada século
possui o seu estilo moderno. A palavra portuguesa
“moderno” é equivalente à palavra grega traduzida
por “século”. As palavras gregas traduzidas por: “Não
vos conformeis a este século” podem ser traduzidas
por: “Não vos modernizeis”. Portanto ser
modernizado significa ser moldado, conformado de
'acordo com o presente século. Uma vez que século,
sendo a atual vida do mundo prática, é uma parte do
sistema do mundo, você não pode estar no mundo
sem estar em um dos seus séculos. Você não pode
tocar no mundo a não ser que toque num dos seus
séculos. Assim, para abandonar o mundo, você
precisa também abandonar o século.
As mudanças no século do sistema do mundo
podem ser ilustradas pelas mudanças nos penteados
das mulheres. Sessenta anos atrás, especialmente no
mundo ocidental, era comum às mulheres pentearem
seus cabelos na forma de uma torre alta, quanto mais
alta melhor. Familiarizei-me com isso porque as
senhoras ocidentais compravam redes de cabelo
importadas do norte da China, onde eu morava
quando garoto. De repente, os pedidos começaram a
especificar redes de cabelo pequenas. Desejava saber
qual a razão da mudança. Por fim, descobri que o
século havia mudado e. que o estilo moderno havia
sido alterado. Cada século possui sua moda e seu
estilo. Sessenta anos atrás, as senhoras ocidentais
modelavam seus cabelos como uma torre elevada.
Mais tarde, o cabelo curto tornou-se comum e o assim
chamado “cabelo enrolado” tornou-se popular. Em
anos recentes, os jovens adotaram o estilo de
penteado “tipo hippie”, deste século. Se um homem
jovem permite a seu cabelo crescer bastante, isso
prova que ele modernizou-se.
O mundo opõe-se à igreja e os séculos opõem-se
as igrejas. Se tratarmos seriamente a questão de ter a
vida da igreja, devemos abandonar este século. Uma
vez que o presente século opõe-se à vida da igreja, não
podemos segul10 e sermos moldados de acordo com
ele e ao mesmo tempo experimentarmos, de forma
verdadeira, a vida do Corpo. Uma pessoa que é
possuída pelo século moderno poderá comparecer às
reuniões de domingo, mas não poderá praticar a vida
da igreja. Se quisermos a Vida do Corpo, a pratica da
vida da igreja, não devemos seguir este século, nem
ser conformados a ele. Essa é a razão pela qual Paulo
nos disse para não sermos conformados a este século.

B. Sede Transformados pela Renovação da


Mente
Não deveríamos ser conformados com este
século, mas ser transformados pela renovação da
nossa mente (Ef 4:23; Tt 3:5). Ser conformado ao
século significa adotar os estilos modernos
exteriormente; ser transformado é ter um elemento
orgânico trabalhado dentro do nosso ser, a fim de
produzir uma mudança metabólica interiormente.
Precisamos ser transformados pela renovação da
nossa mente. A mente em Romanos 12 é diferente da
mente tanto em Romanos 7 como em Romanos 8. Em
Romanos 7 a mente estava só, agindo
independentemente. Em Romanos 8 a mente era
dependente, sendo colocada no espírito. Contudo,
duvido que a mente em Romanos 8 tenha sido
transformada ou renovada. Apenas colocar nossa
mente no espírito é inadequado. A mente não deveria
ser apenas dependente mas também renovada.
Romanos 12:2 nos diz que precisamos de uma mente
renovada. A mente não é renovada apenas por
ensinamentos exteriores, mas por meio da adição do
elemento de Cristo a ela. Quando o Senhor Jesus
expandir-se do nosso espírito para a nossa mente,
nossa mente será renovada. Pela renovação da nossa
mente, nossa alma é mudada metabolicamente.
Dessa maneira experimentamos a transformação na
nossa alma, algo necessário para a vida da igreja. Se
desejarmos praticar a vida da igreja, precisamos
experimentar tal transformação na nossa alma, pela
renovação da nossa mente.

C. Para Testar e Provar a Vontade de Deus


Precisamos da renovação da nossa mente e da
transformação da nossa alma para que “provemos,
por testar, qual é a vontade de Deus, a qual é boa e
agradável e perfeita” (lit.). Qual é a vontade de Deus?
A Sua vontade é ter a vida do Corpo, a vida da igreja.
Não aplique a menção da vontade de Deus em 12:2 à
sua situação humana pessoal, às questões de
casamento, emprego ou de habitação. Algumas
pessoas oram: “Ó Senhor, vou comprar uma casa
nova. Qual é a Tua vontade? Quantos quartos e
banheiros ela deveria ter? Quanto deveria pagar por
ela? Senhor, quero conhecer Tua vontade.”
Esqueça-se desta maneira de orar, pois quanto mais
você ora e busca a vontade do Senhor dessa maneira,
mais você se achará em trevas e fora da vontade Dele.
A vontade mencionada em 12:2 é ter a vida da igreja.
A casa que você compra, o emprego que possui e a
pessoa com que você se casa dependem todos da vida
da igreja. Até mesmo as roupas que você veste
deveriam depender da vida da igreja. Se estiver
correto com respeito à vida da igreja, saberá o que
deve fazer. Tudo deve visar a vida da igreja, pois ter a
vida da igreja é a única vontade de Deus. Isso é bom,
agradável e perfeito. Isso também é para a vida do
Corpo. O apresentar do nosso corpo, a transformação
da nossa alma e a renovação de nossa mente visam
todos a vida do Corpo.
ESTUDO-VIDA DE ROMANOS
MENSAGEM 26
TRANSFORMAÇÃO AO PRATICAR A VIDA DO CORPO
(2)
Na mensagem anterior consideramos os
assuntos da transformação para a vida do Corpo, ao
apresentar nosso corpo um sacrifício vivo para a
satisfação de Deus, e a renovação da nossa mente
para que possamos provar a vontade de Deus, que é
ter a vida da igreja. Nesta mensagem consideraremos
alguns outros aspectos da transformação no praticar
a vida do Corpo.

IV. PELO EXERCITAR DE NOSSOS DONS

A. Não Pensando Elevadamente de Nós


Mesmos, Mas Pensando Sobriamente
Segundo a Medida de Fé
Romanos 12:3 diz: “Porque pela graça que me foi
dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si
mesmo, além do que convém, antes, pense com
moderação segundo a medida da fé que Deus repartiu
a cada um.” Neste versículo chegamos a um ponto
muito prático. Todos nós nos temos em alta conta.
Exteriormente pode parecer ser humilde, mas
interiormente você se tem em alta conta. Isto é um
problema para a vida da igreja. Se vamos ter a vida da
igreja adequada, a primeira coisa que deve ser
derrubada é o alto conceito que temos de nós
mesmos. Precisamos “pensar com moderação”. Se
você se tem em alta conta, sua mente não é sóbria ou
normal. Isso significa que você tem um elemento
anormal em sua mente. Ela precisa ser ajustada e
renovada, e todos os elementos negativos nela
precisam ser tragados pela vida de Cristo. Então a sua
mente será renovada e ficará sóbria.
Além disso, precisamos pensar “segundo a
medida da fé que Deus repartiu a cada um.” Não é
difícil entender o significado de “medida de fé”. O
quanto Deus transfundiu e infundiu a Si mesmo em
você, constitui-se a sua medida de fé. A sua medida de
fé equivale à quantidade do elemento de Deus que
tem sido transfundido em você. Essa é a fé que Deus
lhe aquinhoou, e você precisa considerar-se
sobriamente, segundo essa medida.

B. Percebendo Um Corpo com Muitos


Membros Tendo Funções Diferentes
“Porque, assim como num só corpo temos muitos
membros, mas nem todos os membros têm a mesma
função; assim também nós, conquanto muitos, somos
um só corpo em Cristo e membros uns dos outros”
(vs. 4, 5). Necessitamos perceber que os muitos
membros de um Corpo têm diferentes funções. Duas
irmãs jovens podem ser muito próximas uma da
outra em idade, mas ainda assim têm funções
diferentes. O que uma irmã pode fazer, a outra não
pode. Se todos percebêssemos isso, não nos teríamos
em tão alta conta, mas respeitaríamos os outros.
Espero que muitos irmãos jovens possam dizer um ao
outro: “Irmão, o que eu posso fazer, você não pode, e
o que você pode, eu não posso.” Todos temos funções
diferentes.
As diferentes funções dos membros do Corpo são
ilustradas pela face humana. Olhe para o seu rosto:
você tem olhos, orelhas, um nariz e lábios. O Olho
pode dizer ao irmão Nariz: “Sabia que não posso fazer
o que você faz e que você não pode fazer o que eu
faço?” O irmão Nariz responderia: “Sim, irmão Olho.
Isto é maravilhoso. E todos nós precisamos entender
que nenhum de nós pode fazer o que a irmã Orelha
pode fazer.” Em seguida, talvez a irmã Orelha
respondesse: “Irmãos, vocês estão certos. Mas o
irmão Lábios pode fazer o que nenhum de nós é capaz
de fazer.” O rosto ilustra o que é verdadeiro em todo o
corpo: temos muitos membros e cada um tem uma
função diferente. Desta maneira deveria ser a vida da
igreja. Quando vejo os membros funcionando nas
reuniões fico muito feliz, porque eles podem fazer o
que eu não posso. Naturalmente, também é verdade
que posso fazer o que eles não podem.

C. Como Membros Coordenados Uns com os


Outros
O versículo 5 diz: “Assim nós, que somos muitos,
somos um só corpo em Cristo, mas individualmente
somos membros uns dos outros” (VRC). Isto significa
que apesar de sermos muitos, somos contudo, um
Corpo. Somos muitos membros, não muitas unidades
independentes. Como membros, temos de nos
coordenar um com o outro para que possamos ser um
Corpo vivo que funciona. Se não cooperamos
mutuamente, então somos membros separados, e a
vida do Corpo não pode ser percebida de forma
prática. Quando se diz no versículo 5 que
“individualmente somos membros uns dos outros”, a
palavra “individualmente” não significa
separadamente, e sim diferentemente. Significa que
você é um tipo de membro e eu outro. Talvez você
seja um nariz, ou um olho, e outra irmã uma orelha.
Assim somos individualmente membros uns dos
outros. Isto requer uma cooperação total.

D. Exercitando Nossos Diferentes Dons


Segundo a Graça Dada a Nós
Precisamos ler os versículos 6 a 8. “Tendo,
porém, diferentes dons segundo a graça que nos foi
dada: se profecia, seja segundo a proporção da fé; se
ministério, dediquemo-nos ao ministério; ou o que
ensina, esmere-se no fazê-la; ou o que exorta, faça-o
com dedicação; o que contribui, com liberalidade; o
que preside, com diligência; quem exerce
misericórdia com alegria.” No versículo 6 Paulo diz
que “temos diferentes dons segundo a graça que nos
foi dada”. Que é graça? Como vimos numa mensagem
anterior, graça é simplesmente Deus em Cristo como
o nosso deleite. Quando esta graça, este elemento
divino, que é a vida divina, entra para dentro do
nosso ser, traz consigo certas destrezas e habilidades,
que são os dons. Os dons, as habilidades espirituais,
vêm do elemento divino que desfrutamos. Quando
você desfruta Deus, recebendo e assimilando o Seu
elemento divino em seu ser, deste elemento divino
procede algum dom, destreza ou habilidade. Estes
dons diferem segundo o elemento divino que
desfrutamos e assimilamos em nosso ser. A graça
dada a nós refere-se àquela que desfrutamos e
assimilamos. Por conseguinte, os dons mencionados
em Romanos 12 são os dons da graça em vida.
Isso pode ser provado por outros versículos no
livro de Romanos. Romanos 5:17 diz que “os que
recebem a abundância da graça e o dom da justiça,
reinarão em vida.” Esse versículo indica que a graça
está relacionada à vida. Além disso, em 5:21, Paulo
diz que “assim também reinasse a graça pela justiça
para a vida eterna, mediante Jesus Cristo nosso
Senhor.” Estes dois versículos de Romanos 5 provam
que a graça relaciona-se à vida. Que é graça? É a vida
divina para o nosso deleite. Quando a vida eterna de
Deus torna-se o nosso deleite, isto é graça. Em 1
Coríntios 15:10, Paulo disse: “Trabalhei muito mais
do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de
Deus comigo.” A graça de Deus que estava com Paulo,
era a vida divina nele, como o seu deleite. Assim ele
trabalhou mais que os outros apóstolos, ainda que na
verdade não era o próprio Paulo, mas a vida divina
que desfrutara. Por conseguinte, a graça em Romanos
é uma questão de vida.
Os dons em Romanos 12 são segundo a graça.
Isto quer dizer que os dons são concedidos de acordo
com a medida de vida. Se desfrutar a vida de Deus em
um grau elevado, você receberá um dom mais
elevado. Todavia, se o seu desfrute da vida de Deus é
limitado, seu dom também será limitado, porque a
medida de seu dom é limitada pela proporção em que
você desfruta a vida divina como graça dentro de si.
Os dons enumerados em Romanos 12 não são os dons
miraculosos que chegam até você repentinamente.
Não, os dons em Romanos 12 são semelhantes às
habilidades dos membros do nosso corpo humano. A
medida da habilidade depende da quantidade de vida
no corpo. Se o corpo é maduro, com considerável
crescimento de vida e com grande quantidade de
vida, haverá um abundante transbordar de vida, e
este transbordar da vida interior do corpo produzirá
habilidades. Estas assemelham-se aos dons em
Romanos 12. Todos os itens incluídos nos versículos 6
até 8 são dons da graça em vida. Podemos registrar
sete deles: profecia, serviço, ensino, exortação, dar,
liderar e mostrar misericórdia. Precisamos recordar
que cada um destes sete itens, incluindo o mostrar
misericórdia, é um dom.
Muitos cristãos parecem pensar que os únicos
dons são: falar em línguas, interpretação, cura e
milagres. Entretanto, é muito estranho que nenhum
desses dons sejam citados em Romanos 12. Aqui,
Paulo nada diz sobre falar em línguas, interpretação,
cura e milagres, porém, ele fala sobre os dons que são
necessários para a vida do Corpo. Por favor, notem
que o versículo 6 diz: “tendo, porém, diferentes dons
segundo a graça que nos foi dada,” e que não diz
“segundo o assim chamado batismo”. Preciso repetir
uma vez mais a definição de graça: a graça é o
elemento divino entrando em nosso ser a fim de ser a
nossa vida, para o nosso desfrute. A graça não é
exterior, é o elemento da vida divina que é trabalhado
interiormente no nosso ser e que nos dá alguma
destreza ou habilidade. Agora, consideremos os dons
da graça em vida, em maiores detalhes.

1. Profecia Segundo a Proporção da Fé


Se consultar várias versões e traduções de
Romanos, você verificará que a maioria delas
reconhece que, essencialmente, a profecia em
Romanos 12 não significa predição. Mesmo na
Escritura, como um todo, a palavra profetizar não
significa essencialmente predizer. Tanto no Velho
quanto no Novo Testamento, profetizar quer dizer:
(1) dizer por, isto é, falar por outros; (2) declarar, isto
é, falar coisas publicamente, e (3) vaticinar, isto é,
predizer, falar as coisas antes que aconteçam. Todo o
livro de Isaías é um livro de profecia. Ele não é
composto somente de predições, mas na maior parte
de declarações e narrativas. É verdade que Isaías
contém algumas palavras proféticas, mas a maioria
dos oráculos e expressões, naquele livro, são a
declaração do profeta a favor de Deus. Portanto, o
significado da palavra profetizar é principalmente
“falar por” e “declarar”. Que é profecia? É falar por
Deus, sob a Sua inspiração direta. Em seus Estudos
da Palavra no Novo Testamento (vol. 3, pg. 156)
Marvin Vicent, diz isto, a respeito de profecia: “Tanto
no Novo Testamento, como no Velho, a idéia
predominante não é a predição, mas o
pronunciamento inspirado de admoestação,
exortação, instrução, juízo e o tornar manifesto os
segredos do coração. Veja 1 Coríntios 14:3, 24 e 25. Os
profetas no Novo Testamento são distinguidos dos
mestres por falarem sob inspiração direta.” Assim, a
idéia principal de profecia na Bíblia não é de
predição, mas de falar por Deus sob Sua inspiração
direta.

2. Serviço no Serviço
A palavra “serviço” no versículo 7 indica o serviço
dos diáconos e das diaconisas nas igrejas locais (ver
Rm 16:1; 1Tm 3:8-13 e Fp 1:1). Os diáconos e
diaconisas são aqueles que servem em uma igreja
local. Eles. precisa~ ter um espírito de servir e uma
atitude de servir. Eles tem de se manter sempre em
serviço. A prática da vida do Corpo necessita desse
tipo de serviço.

3. Ensino em Ensino
Qual é a diferença entre ensinar e profetizar?
Como vimos, profetizar é falar pelo Senhor sob Sua
inspiração direta, isto é, falar segundo a revelação que
o Senhor dispensou. Ensinar é diferente disso. E falar
fundamentado no profetizar. Alguns irmãos podem se
apropriar do que é dado no profetizar dos outros e
ensinar as pessoas de acordo com isso. Isso é ensino.
Os que ensinam têm de se manter no exercício do seu
dom de ensino.

4. Exortação em Exortação
Que, então, é exortação? Em que ela se difere da
profecia e ensino? A profecia, o ensino e a exortação
são todos dons de falar. Entretanto, a exortação
baseia-se tanto na profecia como no ensino. Talvez
durante uma conferência ou treinamento especial,
um irmão profetize sob a inspiração direta de Deus.
Alguns irmãos recebem a revelação dada naquele
profetizar, levam-na de volta com eles para sua
localidade e ensinam outros segundo ela. Isto é o
ensino. Então, baseado no falar direto sob a
inspiração de Deus e no ensino segundo essa
inspiração, outros podem exortar. Isto é exortação.
Esses três tipos de falar são para a edificação do
Corpo; eles ministram o suprimento de vida aos
santos para que possam crescer juntos pela Palavra
de Deus. Os que exortam também têm de se manter
no exercício do seu dom de exortar.

5. Dar em Simplicidade
A habilidade de dar com simplicidade é também
um dom da graça em vida. Isto denota o dar que
supre e cuida dos necessitados na igreja. Na igreja,
precisamos desses que dão. Precisamos desses que
estão aptos a dispensar bens materiais para ajudar os
necessitados, para apressar a obra do Senhor e para
cuidar das necessidades práticas da igreja. Portanto,
precisamos de muitos santos com tal medida de vida
a fim de que tenham o dom de dar e estarem aptos a
dar com simplicidade.

6. Liderança em Diligência
“O que lidera”, significa os irmãos líderes na
igreja. Todo aquele que deseja ser um irmão líder,
deve primeiro aprender a ser diligente. Se é
desleixado, você não pode tomar parte na liderança.
Eu chamaria a atenção de todos os irmãos líderes
para uma coisa: que a primeira qualidade da
liderança é a diligência. Um irmão líder, isto é, um
presbítero, precisa ser diligente em tudo, de toda
maneira, todo o tempo. A habilidade, a função e o
dom dos presbíteros em tomar a direção depende da
sua diligência.

7. Mostrar Misericórdia em Alegria


A habilidade em vida para mostrar misericórdia
também é um dom. Mostrar misericórdia, com
alegria, não é uma questão de generosidade natural.
Algumas pessoas têm um caráter naturalmente
generoso; elas nasceram desse jeito. Entretanto,
mostrar misericórdia com alegria é uma qualidade
que é formada em nós pela transformação. Quando
crescer na vida de Cristo e vir a amar mais o Senhor,
uma certa qualidade será formada em você, e será
encarregado de cuidar dos outros e mostrar
misericórdia para com os indignos. Esta não é uma
característica do seu nascimento natural, mas uma
qualidade desenvolvida em você pelo seu crescimento
em vida, por meio do processo de transformação.
Assim, mostrar misericórdia também é um dos dons
em vida. Mostrar misericórdia significa ajudar com
condolência. Sempre que você verdadeiramente
ajudar alguém por compadecer-se dele, isto indica
que você está mostrando misericórdia para com ele.
Suponha que um irmão tenha um problema ou uma
dificuldade e você se condoa dele e oferece-lhe ajuda.
Aquele é um ato de mostrar misericórdia.
Se colocar juntos todos os sete dons
mencionados em Romanos 12, você descobrirá que
eles são os dons que são necessários para praticar a
vida do Corpo para a igreja local. Na igreja nós,
primeiramente, precisamos do falar por Deus sob a
Sua inspiração direta. Fundamentado neste falar
inspirado podemos ter o ensino, e fundamentado
tanto no profetizar como no ensinar, podemos ter a
exortação. Junto com isso, temos a liderança dos
presbíteros e o serviço dos diáconos. Além disso,
temos aqueles que são aptos a dar coisas materiais
para a igreja, cuidar dos necessitados, e também da
obra do Senhor. Finalmente, há os que mostram
misericórdia para com os outros. Numa época cheia
de dificuldades e problemas, eles podem se
compadecer dos outros e mostrar-lhes misericórdia.
Esses sete dons são adequados para a prática da vida
da igreja. Paulo foi maravilhoso. Ele era um perito na
vida da igreja, apresentando todas essas questões de
uma forma muito simples, porém abrangente. Como
devemos adorar ao Senhor por este apóstolo!
Todos precisamos ficar impressionados com o
fato de que em Romanos 12 os dons de falar em
línguas, interpretação, cura e milagres não são
mencionados. Estes são dons miraculosos, mas em
Romanos 12 encontramos os dons da graça em vida.
Um exemplo de um dom miraculoso é o falar da
jumenta de Balaão em uma linguagem humana.
Embora a jumenta não possuísse uma vida humana,
ela falou uma linguagem humana. Sem dúvida, aquilo
foi um dom miraculoso. Os dons registrados em
Romanos 12 não são dons miraculosos; são os dons
da graça em vida. Quando você desfruta Deus como
vida e cresce em vida, você descobre que,
correspondendo ao seu crescimento em vida, você
tem uma certa destreza ou habilidade. Isto é o que
chamamos um dom da graça em vida. A jumenta não
precisou ter crescimento em vida a fim de falar uma
linguagem humana. Não importava se era pequena
ou grande, nova ou velha. O dom foi miraculoso; não
dependeu do seu crescimento. Entretanto, ser um
presbítero na igreja não depende de um dom
miraculoso. Não pense que, pouco tempo depois de
ser salvo, você poderá orar por várias horas, receber o
assim chamado batismo, e de repente tornar-se um
presbítero. Se uma pessoa pudesse tornar-se um
presbítero dessa maneira, isto indicaria que o
presbiterato é um dom miraculoso. Mas para ser um
presbítero você não precisa de dons miraculosos;
precisa do dom da graça pelo crescimento em vida.
Precisa crescer dia após dia e ano após ano. Se não
apresentar crescimento em vida, você não poderá ser
um presbítero. Não poderá ser presbítero se lhe faltar
a medida de vida adequada. Espero que todos os que
lêem esta mensagem, estejam agora aptos para
diferenciarem estas duas categorias de dons: os dons
miraculosos e os dons da graça em vida.
Muitos dos dons mencionados em 1 Coríntios 12
são dons miraculosos. Entretanto, mesmo ali, alguns
dos dons não são miraculosos. Por exemplo, nem a
palavra de sabedoria, nem a palavra de conhecimento
são miraculosos. Como vimos, em Romanos 12
nenhum dos dons são miraculosos; todos os dons ali
encontrados são os dons da graça em vida, que
requerem o crescimento em vida. O seu crescimento
em vida lhe dá uma certa medida de vida, ' e a partir
dela, sua destreza ou dom será manifestado. Esse o
qualificará para um ministério ou serviço particular
na vida da igreja.
Os dons da graça em vida são necessários para a
prática da vida do Corpo. Se negligenciá-los e
concentrar-se nos dons miraculosos, a igreja estará
dividida em pouquíssimo tempo. Esteja certo de que
nunca podemos ser um dando ênfase aos dons
miraculosos. Os dons miraculosos tendem a dividir,
enquanto os dons da graça em vida edificam. Paulo
era muito experiente na vida do Corpo e sabia que os
dons da graça em vida são necessários para a
edificação da igreja. Portanto, em Romanos 12 ele não
registra os dons miraculosos entre os itens
necessários para a vida da igreja. Ninguém pode
negar a sabedoria do apóstolo Paulo. Embora
mencionasse o falar em línguas em 1 Coríntios, ele
não o incluiu no livro de Romanos. Certamente deve
haver uma razão para isso. Paulo, um perito na vida
da igreja, sabia, pelo seu escrito em 1 Coríntios, que
os dons miraculosos tinham sido a causa das divisões
lá em Corinto. Mesmo em 1 Coríntios podemos ver o
fato de que o falar em línguas e os outros dons
miraculosos causaram divisão na igreja. Por isso,
Paulo não incluiu esses dons no livro de Romanos.
Ele era tanto sábio como cuidadoso, reconhecendo o
fato de que os dons miraculosos eram úteis aos
cristãos individuais. Em 1 Coríntios Paulo disse que
falar em línguas edifica o indivíduo que o exercita,
mas não edifica a igreja (1Co 14:4). Ele disse aos
coríntios que se preocupassem com a edificação da
igreja (1Co 14:12, 26). No livro de Romanos, seu
interesse não era a edificação de um indivíduo
particular, mas a edificação do Corpo. Assim, ele não
incluiu os dons miraculosos nesse livro. Sei que esta
palavra pode não ser agradável àqueles que tiveram
um antecedente de falar línguas. Apesar disso,
peço-lhes que sejam pacientes e que considerem, no
decorrer do tempo, o que é melhor para a vida da
igreja. Se você é sério na prática da vida da igreja, não
deve apreciar tanto os dons miraculosos, mas pelo
contrário, dar toda atenção aos dons da graça em vida
que edificarão a igreja.
O livro de Romanos foi escrito logo após 1
Coríntios. Ambos os livros foram escritos enquanto
Paulo estava na sua terceira viagem do ministério.
Enquanto ele permanecia em Éfeso, na sua terceira
viagem do ministério, chegou-lhe a informação sobre
a confusão e a divisão que estavam incontroláveis em
Corinto. Assim, de Éfeso ele escreveu sua primeira
carta aos coríntios, regulando-os devido ao abuso dos
dons miraculosos. Após escrever esta carta ele visitou
Corinto pessoalmente. Enquanto permanecia em
Corinto, escreveu o livro de Romanos. Esses são fatos
da história. Primeira Coríntios foi escrita em 56, 57
ou 59 após Cristo, e Romanos foi escrito
aproximadamente um ano mais tarde. Em 1
Coríntios, Paulo regulou o abuso do falar em línguas e
dos outros dons miraculosos. Logo depois, quando
escreveu o livro de Romanos, nada disse sobre os
dons miraculosos, provavelmente porque estava
profundamente ciente da confusão que tinham
causado em Corinto. Lembre-se de que ele escreveu o
livro de Romanos em Corinto, o cenário da confusão e
abuso com relação aos dons miraculosos. Não
devemos negligenciar a história, pois ela tem muitas
lições a nos ensinar. E muito significativo que o livro
de Romanos foi escrito em Corinto. Naquele tempo,
Corinto era o berço fervoroso dos dons miraculosos,
contudo, Paulo não disse uma. palavra sobre eles no
livro de Romanos. Isto é muito significativo e merece
a nossa atenção.
Quero falar um pouco mais sobre os dons que
procedem do crescimento de vida. Antes que Paulo
falasse acerca dos dons em 1 Coríntios 12 e 14, ele
falou fortemente sobre o crescimento em vida no
capítulo três. Paulo disse aos coríntios: “Lavoura de
Deus, edifício de Deus sois vós” (1Co 3:9). Como
enfatizamos muitas vezes no passado, a lavoura faz
crescer os materiais para o edifício. Todos os
materiais necessários para a edificação da casa de
Deus são o produto do crescimento da lavoura. Então
Paulo disse que, como o prudente construtor lançou o
fundamento, e todos nós precisamos ser cuidadosos
do modo que edificamos sobre ele (1Co 3:10).
Devemos edificar com ouro, prata e pedras preciosas
e não com madeira, feno e palha (v. 12). Se puser
Juntos todos esses versículos de 1 Coríntios 3, você
verá que Paulo estava dizendo aos coríntios a maneira
adequada de edificar a igreja na sua localidade. A
maneira adequada de edificar a igreja não é por meio
de dons miraculosos, mas pelo genuíno crescimento
em vida, que transformará os santos em materiais
preciosos para o templo de Deus. Além disso, Paulo
disse que os alimentou e plantou e que Apolo os regou
(1Co 3:2-6). O alimentar, o plantar e o regar são todos
para o crescimento, o crescimento que cultivará os
talentos e os dons para que sejam úteis na edificação
da casa de Deus com os materiais adequados
transformados.
Considere uma criança recém-nascida. Na época
do nascimento, a criança tem todos os órgãos
necessários. Entretanto, poucos órgãos podem
funcionar na época do nascimento porque a criança
carece da medida necessária de crescimento em vida.
Quanto mais a mãe alimenta a criança, mais ela
cresce. Após certo tempo, a criança será capaz de
andar, e após outro período de tempo, será capaz de
falar. Por fim, ela estará plenamente crescida, e todos
os seus talentos terão sido completamente cultivados
pelo uso prático. Quando ela amadurecer, terá as
destrezas requeridas e estas são os dons que provêm
do crescimento em vida. Isto é o que Paulo quis dizer
com os dons em Romanos 12.
ESTUDO-VIDA DE ROMANOS
MENSAGEM 27
TRANSFORMAÇÃO AO PRATICAR A VIDA DO CORPO
(3)
E EM SUBMISSÃO, AMOR E COMBATE

V. PELO VIVER DE UMA VIDA NORMAL


Vimos a definição de transformação e três pontos
referentes à transformação no praticar a vida do
Corpo: o apresentar do nosso corpo, a renovação da
nossa mente e o exercitar dos nossos dons. Agora
chegamos a mais um ponto, o viver de uma vida
normal (12:9-21).

A. Para com os Outros

1. Amando
Ao viver uma vida normal, primeiramente
devemos ter amor para com os outros, No versículo 9
Paulo diz: “O amor seja sem hipocrisia,” e no
versículo 10 diz: “Amai-vos cordialmente uns aos
outros com amor fraterna1.”

2. Mostrando Honra
O versículo 10 também fala de “preferindo-vos
em honra uns aos outros.” Na questão de mostrar
honra devemos nos mover rapidamente e ser os
primeiros a mostrar honra a outros.

3. Tendo Comunhão e Mostrando


Hospitalidade
Além disso, precisamos ter comunhão nas
necessidades dos santos e perseguir a hospitalidade
(v. 13).

4. Alegrando-se com os que se Alegram e


Chorando com os que Choram
No versículo 15 Paulo diz: “Alegrai-vos com os
que se alegram, e chorai com os que choram.”
Devemos ser transformados antes de podermos nos
alegrar e chorar com os outros. Algumas pessoas
nasceram de tal maneira que são incapazes de chorar
ou alegrar-se. Não importa quão feliz ou alegre você
esteja, elas permanecem inexpressivas,
assemelhando-se à estátua de Maria na entrada de
uma Igreja Católica, a qual nunca muda sua
expressão. Alguns irmãos e irmãs são assim. Eles não
sabem como se regozijar ou chorar com os outros;
parecem pedras sem sentimento humano. Contudo, a
igreja precisa de pessoas emotivas. Todos precisamos
ser adequadamente emotivos e cheios de emoção.
Gostaria de ter uma face que pudesse expressar todas
as minhas emoções, própria e adequadamente. Não
podemos reunir pessoas com faces de pedra e chamar
isso de vida da igreja; precisamos ser pedras vivas,
pedras cheias de sentimento. Precisamos aprender a
regozijar-nos e chorar com os outros.

5. Sendo de Mesma Mente


Então Paulo nos admoesta, dizendo: “Tende o
mesmo sentimento uns para com os outros; em lugar
de serdes orgulhosos, condescendei com o que é
humilde; não sejais sábios aos vossos próprios olhos”
(v. 16). Paulo era prático. Quando nos diz para sermos
conduzidos a coisas humildes, ele inclui todas as
coisas. Deveríamos tentar ser conduzidos a tudo o
que é humilde. Não seja tão altivo, mas seja
conduzido a coisas humildes.

B. Para com Deus


O versículo 11 descreve a maneira que
deveríamos ser para com Deus: “No zelo não sejais
remissos: sede fervorosos de espírito, servindo ao
Senhor.”

1. Não Remissos
Na vida da igreja precisamos ser diligentes.
Nenhuma pessoa remissa pode prevalecer em
praticar a vida da igreja. Para o bem do Corpo, a
nossa preguiça deve ser tratada.

2. Ardendo em Espírito
Pela vida do Corpo, precisamos de um corpo que
é apresentado, uma mente que é renovada na
transformação da alma e um espírito que é ardente.
Todo o nosso ser espírito, alma e corpo — está
incluído na vida da igreja. Pelo bem da vida da igreja,
o nosso corpo precisa ser apresentado, a nossa alma
precisa ser transformada e a nossa mente
metabolicamente mudada. Nossa mente deve ser
renovada, não simplesmente por ser ensinada, mas
por ser transformada, tendo o elemento de Cristo
espalhado para dentro dela, para produzir uma
mudança metabólica. A transformação da nossa alma
primariamente depende da renovação da nossa'
mente. Se levamos a sério praticar a vida da igreja,
precisamos apresentar o nosso corpo, ter a nossa
alma transformada e estar ardentes e ardendo em
nosso espírito. Se temos um coração para a vida da
igreja, mas falhamos em apresentar nosso corpo para
a igreja, não somos práticos. Contudo, suponha que
estejamos fisicamente na vida da igreja, mas nossa
mente está cheia de velhos conceitos, pensamentos e
tradições. Suponha que nossa mente esteja ocupada
por nossa esperteza, imaginações e conceitos
naturais. Podemos vir para a igreja com nosso corpo,
mas. trazemos conosco nossa mente muito
problemática. Tal mente não renovada será um
grande problema para a igreja. O nosso corpo deve
ser apresentado e a nossa mente deve ser renovada.
Suponha, pela misericórdia do Senhor, que o nosso
corpo fosse apresentado e a nossa mente fosse
renovada, mas o nosso espírito ficasse frio. Isso
jamais funcionará na vida da igreja. Após a
apresentação do nosso corpo e a renovação da mente,
precisamos do arder do espírito. Como desejamos ver
todos os santos na restauração do Senhor tendo três
características: um corpo que tem sido totalmente
apresentado para a vida da igreja; uma mente que
tem sido completamente renovada pela
transformação metabólica na alma, uma mente que é
livre de pensamentos mundanos, naturais e
religiosos, inteiramente saturada com a mente do
Senhor; e um espírito que é inflamado. Se todos os
santos na restauração do Senhor forem assim, quão
maravilhosa a vida da igreja será.

3. Servindo como Escravos


Na vida da igreja devemos servir o Senhor como
escravos. Um escravo é alguém que foi vendido ao seu
mestre e que não tem mais qualquer liberdade.
Precisamos ser esse tipo de pessoa para a vida do
Corpo, servindo o Senhor como escravos e não tendo
liberdade de fazer coisas segundo nós mesmos.
Portanto, para com Deus não devemos ser remissos.
Devemos arder em nosso espírito e servi-Lo como
escravos.

C. Para Conosco
Em Romanos 12 também vemos quatro aspectos
de uma vida normal para conosco.

1. Regozijando em Esperança
Nós, cristãos, deveríamos ser um povo alegre,
pois sempre temos o gozo do Senhor. Se desfrutamos
o Senhor em Suas riquezas, não apenas seremos
felizes interiormente, mas alegres exteriormente.
Mesmo em tempos de problema, deveríamos e
podemos nos regozijar em esperança. Não somos
pessoas que estão sem Deus e sem Cristo, não tendo
esperança (Ef 2:12). Temos Deus e temos Cristo.
Portanto, independentemente da situação, temos
esperança e podemos nos regozijar em esperança.

2. Perseverando em Tribulação
Nós, cristãos, também devemos ser capazes de
perseverar em tribulação. Devemos ser um povo
perseverante. Por meio de nos regozijarmos em
esperança, podemos perseverar em qualquer tipo de
tribulação. O capítulo 5:3 diz que podemos exultar
em tribulação. Não apenas perseveramos, mas
também exultamos em tribulação.

3. Persistindo em Oração
Para perseverarmos em tribulação precisamos
ser persistentes em oração. Precisamos orar
persistentemente. Isso não apenas nos capacitará a
perseverar em tribulação, mas também a permanecer
no gozo do Senhor, na Sua presença e na Sua vontade.

4. Detestando e Subjugando o que é Maligno


e Apegando-nos ao que é Bom
Em adição a tudo isso, como povo santo de Deus,
devemos detestar e vencer as coisas malignas e
apegarmo-nos às coisas boas. Nós, cristãos, que
somos separados para Deus, devemos manter o mais
alto padrão de comportamento, um padrão acima
daquele das pessoas morais e éticas.

D. Para com o Perseguidor e Inimigo


Também devemos viver uma vida normal em
relação a nossos perseguidores e inimigos.

1. Abençoando e Não Amaldiçoando


Devemos abençoar aqueles que nos perseguem e
não os amaldiçoar (v. 14). Independente de quão más
as pessoas possam ser para conosco, nossa boca deve
apenas expressar bênção, não maldição. Como o
Senhor nos abençoou quando éramos Seus inimigos!
Devemos abençoar nossos inimigos e perseguidores
da mesma maneira. Esse também é um aspecto da
vida que segue os passos do Senhor.

2. Não Retribuindo Mal por Mal


Não devemos retribuir a ninguém mal por mal
(v. 17).
Debaixo da lei era olho por olho e dente por
dente. Hoje, não estamos debaixo da lei, mas debaixo
da graça. Não devemos retribuir mal por mal, mas,
pelo contrário, retribuir bem pelo mal que
recebemos, como o Senhor fez a nós.

3. Não nos Vingando


Além do mais, não devemos nos vingar, mas dar
lugar à ira de Deus, porque a vingança pertence ao
Senhor (v. 19). Enquanto estamos praticando a vida
da igreja com uma vida normal, não devemos nos
vingar de maneira nenhuma. Devemos ser
voluntários para sofrer os danos causados por
pessoas e a perda de todas as coisas. Devemos deixar
toda a situação na mão soberana do Senhor e dar a
Ele o lugar para fazer tudo o que Ele gosta, segundo
Sua soberania.

4. Amontoando Carvão em Brasa sobre Eles


por meio de os Alimentar e Lhes Dar de
Beber
No versículo 20 Paulo diz: “Pelo contrário, se o
teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede,
dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás
brasas vivas sobre a sua cabeça.” Isso é
verdadeiramente amar nossos inimigos. Nosso amor
para com eles será carvão em brasa, amontoado sobre
suas cabeças, para voltá-los ao Senhor. A melhor
maneira para acalmar nossos inimigos é-lhes dar algo
para comer e beber. Portanto, Paulo nos ordena:
“Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o
bem” (v. 21).

5. Vivendo em Paz. com todos os Homens


Finalmente, precisamos viver em paz com todos
os homens, até onde depende de nós para fazê-lo (v.
18). Algumas vezes não é possível viver em paz com
todos os homens, porque as outras partes não estão
desejando ter uma vida de paz. Em tal situação, não
há nada que possamos fazer. Por isso Paulo diz que
devemos viver em paz com todos os homens, “se
possível”.

E. Em Geral: Considerando Antecipadamente


Coisas Dignas à Vista de Todos os Homens
Em geral, devemos considerar “as coisas dignas,
perante todos os homens” (v. 17 — IBB — Rev.).
Devemos ser muito atenciosos, diante de todos os
homens, acerca de coisas dignas e devemos ser
atenciosos de antemão. Para nos guardarmos de
ofender pessoas, não devemos nos opor a nada que é
digno. Contudo, não devemos atentar a estas coisas
dignas de uma maneira cega, para que não sejamos
desviados do caminho do Senhor. Uma vez que não
estamos apenas vivendo diante de Deus, mas também
diante dos homens, precisamos considerar
antecipadamente “as coisas dignas, à vista de todos os
homens” (grego).

TRANSFORMAÇÃO EM SUBMISSÃO, AMOR


E COMBATE

I. EM SUBMISSÃO
Romanos 13:1 diz: “Todo homem esteja sujeito às
autoridades superiores; porque não há autoridade
que não proceda de Deus; e as autoridades que
existem foram por ele instituídas.” Um caráter
natural é um caráter rebelde, mas um caráter
transformado é submisso. Submeter-nos às
autoridades designadas por Deus requer certa
quantidade de transformação. Irmãs, se vocês
querem submeter-se a seus maridos, precisam de
transformação. Se somos submissos às autoridades
designadas por Deus, é uma indicação que temos
certa quantidade de transformação, porque nosso
caráter natural e disposição são rebeldes. Nascemos
rebeldes e nossa resposta natural à autoridade é
dizer: “Não.” Portanto, submissão à autoridade
requer transformação, proveniente do crescimento
em vida. “De modo que aquele que se opõe à
autoridade, resiste à ordenação de Deus; e os que
resistem trarão sobre si mesmos condenação” (v. 2).
Não é bom resistir à autoridade. O julgamento ou
cairá sobre você, vindo da autoridade, ou virá a você
diretamente de Deus.
No versículo 5 Paulo diz que “é necessário estar
sujeitos, não somente por causa da ira, mas também
por causa da consciência.” Por causa da consciência,
precisamos aprender, por meio de sermos
transformados, ser sujeitos às autoridades.
Além disso precisamos pagar tributos e impostos
a quem é devido. Também devemos dar respeito e
honra a quem é devido. Dar tributos, temor e honra a
quem é devido, indica que estamos sujeitos à
autoridade.

II. EM AMOR
“A ninguém fiqueis devendo cousa alguma,
exceto o amor com que vos ameis uns aos outros: pois
quem ama ao próximo, tem cumprido a lei. Pois isto:
Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não
cobiçarás, e se há qualquer outro mandamento, tudo
nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo
como a ti mesmo. O amor não pratica o mal contra o
próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o
amor.” O mandamento para amar engloba todos os
outros mandamentos. Precisamos do Espírito Santo
para operar em nós e nos dar uma quantidade de
transformação em vida, para que possamos praticar o
amor para com todos os homens. Amor é a expressão
da vida. Não é apenas um comportamento exterior,
mas a expressão da vida interior. Simplesmente
tentar amar sem o suprimento da vida não funciona.
Para amar pessoas e espontaneamente cumprir os
mandamentos, precisamos do suprimento de vida e
da transformação em vida. Nossa vida natural não é
urna vida do amor de Deus. Precisamos ser
transformados em vida, para que tenhamos a
natureza divina de amor para amar pessoas. Se somos
descuidados em amar os outros, não precisamos
transformação em vida. Mas se vamos praticar amor
para com todos os homens, precisamos ser
transformados em vida.

III. NO COMBATE
Agora chegamos à transformação no combater o
combate, indicando combate espiritual. O versículo 11
diz: “E digo isto a vós outros que conheceis o tempo,
que já é hora de vos despertardes do sono; porque a
nossa salvação está agora mais perto do que quando
no princípio cremos.” Salvação aqui significa salvação
no último estágio, que é a redenção do nosso corpo.
Salvação abrange nosso espírito, alma e corpo. No
primeiro estágio da salvação, o Senhor regenera
nosso espírito, no segundo, Ele transforma nossa
alma, e no terceiro, que é o último, no tempo de Sua
volta, Ele transfigurará nosso corpo desprezível em
um glorioso (Fp 3:21). Quando o versículo 11 diz que a
nossa salvação está mais próxima agora do que
quando cremos, está referindo-se ao terceiro estágio
da salvação, à transfiguração do nosso corpo, ou, para
usar outro termo, à filiação plena revelada em 8:19,
21 e 23.

A. Ser Despertados do Sono


Precisamos perceber que agora é o tempo de
despertar do sono. Embora a noite seja o tempo para
dormir, “a noite está bem avançada” (13:12).
Portanto, devemos acordar, estar alertas e não dormir
mais.
B.Despojar-se das Obras das Trevas e Revestir-se das
Armas da Luz
A era atual é o tempo da noite. Quando o Senhor
Jesus voltar, o dia amanhecerá. A próxima era será o
tempo do dia. Uma vez que a noite está avançada e o
dia está próximo, precisamos não apenas acordar do
sono, mas também despojar-nos das obras das trevas
e revestirmo-nos das armas da luz (v. 12). Isso indica
um combate.

C. Andar Convenientemente, como de Dia


“Andemos dignamente, como em pleno dia, não
em orgias e bebedices, não em impudicícias e
dissoluções, não em contendas e ciúmes” (v. 13).
Todas essas obras devem ser abandonadas. Elas são
as obras das trevas e nós somos os filhos do dia.

D. Revestir-se de Cristo
O versículo 14 é muito importante. “Mas
revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e nada disponhais
para a carne, no tocante às suas concupiscências.” No
versículo 12 nos é dito para “revestirmo-nos das
armas da luz” e no versículo 14 para “revestirmo-nos
do Senhor Jesus Cristo.” Pondo essas duas frases
juntas, podemos ver que o Senhor Jesus é, Ele
mesmo, as armas da luz. Além disso, a frase “nada
disponhais para a carne” corresponde a 8:12, onde
Paulo diz que “somos devedores, não à carne como se
constrangidos a viver segundo a carne.” O combate
em 13:14 é entre as concupiscências e o Espírito,
como em Gálatas 5:17. Cristo é o Espírito (2Co 3:17).
Por isso precisamos nos revestir de Cristo para lutar a
batalha contra nossas concupiscências. Aqui, a
batalha não é com respeito ao diabo ou principados
do ar, como em Efésios 6:12; refere-se às
concupiscências, contra as quais devemos lutar, por
meio de revestirmo-nos do Senhor Jesus Cristo como
nossas armas da luz. Esse tipo de combate é diferente
daquele em 7:23. Ali há a lei do mal da nossa carne
combatendo a lei do bem na nossa mente; nada tem a
ver com o Espírito. Mas aqui é que nós, por meio de
revestirmo-nos de Cristo, lutamos contra as obras
carnais das trevas.
Que significa revestir-se de Cristo? Fomos
batizados em Cristo e já estamos em Cristo (Rm 6:4;
Gl 3:27). Por que então ainda precisamos revestir-nos
de Cristo? Revestir-se de Cristo, na verdade, significa
viver por Cristo e viver Cristo. Embora estejamos em
Cristo, precisamos viver por Cristo e viver Cristo
praticamente. Precisamos ter um viver diário que é
por Cristo e que expressa Cristo. A expressão de
Cristo em nossa vida diária é a nossa arma, para
lutarmos contra a carne. Uma vez que a batalha, no
versículo 14, não é contra o diabo e a perversidade
espiritual, mas contra a carne com todas as suas
concupiscências, precisamos viver por Cristo. Quanto
mais vivemos por Cristo, mais Ele se torna nossas
armas contra as concupiscências da carne.

E. Não Fazendo Provisão à Carne


Paulo diz que deveríamos nada dispor para a
carne. Não deveríamos suprir a carne com nada. Isso
indica que a carne continua a existir. Não importa
quão espirituais nos tornemos, a carne ainda pode ser
reanimada. A carne está faminta e deseja comida,
mas devemos fazê-la passar fome até a morte, nada
dispondo que lhe permitirá cumprir suas
concupiscências.
Que significa fazer provisão à carne? Uma vez
que especialmente os jovens podem achar difícil
entender isso, gostaria de dar algumas ilustrações. A
sociedade humana atual é tenebrosa e maligna,
contendo numerosas provisões para a carne.
Considere, por exemplo, os jornais com suas figuras e
publicidades. Não creio que alguém é tão espiritual
quando vê uma figura maligna no jornal, a ponto de
não ser influenciado. Suas experiências testificarão a
vocês que, quando olharam a alguma publicidade ou
figura no jornal, sua carne foi despertada. Aqueles
filmes de publicidade foram uma provisão para a
carne. Além disso, a televisão também tem sido muito
usada pelo inimigo para prover alimento à carne
faminta. Não sou tão restrito a ponto de dizer que os
cristãos não deveriam assistir televisão, mas digo que
é melhor manterem-se longe dela. Não pense que
você é tão forte. Suponha haver um poço profundo
por perto. Se não desejo cair no poço, fico longe dele e
não ando ao seu redor. Contudo, se continuo a andar
perto do poço, embora p'0ssa não cair nele hoje, eu
provavelmente cairei no futuro. E melhor ser
protegido e ficar longe do poço. De semelhante modo,
é perigoso assistir televisão. Se você pretende assistir
televisão, deve orar: “Senhor, vê televisão comigo. Sê
um comigo em meu espírito para que eu possa assistir
televisão.” Se orar dessa maneira, tudo pode estar
bem para você fazê10. Caso contrário, talvez deva
pensar em abandoná-la. De qualquer maneira, a
televisão tem sido um meio poderoso para o inimigo
fazer provisão à carne e muitas coisas malignas têm
ocorrido como resultado da sua influência.
Como disse anteriormente, é difícil determinar
em que subseção do livro de Romanos colocar o
capítulo treze. Pode ser uma continuação do capítulo
doze. Se realmente não pertence à porção de viver
uma vida normal, está ao menos intimamente
associado com ela. Portanto, 12:9 até 13:14 pode ser
considerada toda uma porção referente ao viver de
uma vida normal. Sem dúvida, 12:1-8 refere-se à
prática da vida do Corpo. Juntamente com essa
prática da vida do Corpo, precisamos do viver de uma
vida normal, que é retratado em 12:9-21 e
possivelmente no capítulo treze também. Não
deveríamos desprezar essa parte de Romanos. Todos
os versículos nessa seção são muito claros e não
precisamos dizer muito a respeito deles. Seria uma
grande ajuda aos jovens memorizar alguns desses
versículos tais como: “o amor seja sem hipocrisia” e
“detestai o que é mal, apegai-vos ao que é bom” e
“amai-vos uns aos outros afetuosamente em amor
fraternal”. Esses dizeres são quase provérbios. Se os
jovens memorizarem esses versículos, isso os ajudará
a experimentarem a transformação que lhes dará o
viver de uma vida normal, para praticar a vida da
igreja adequada. Sem o viver de tal vida normal,
falta-nos a base necessária para a vida da igreja. Creio
que essa é a razão pela qual imediatamente após
descrever a prática da vida da igreja, Paulo apresenta
os requisitos para uma vida normal. A melhor
apresentação da vida normal em toda a Bíblia é
encontrada nesses versículos. Portanto, precisamos
orar a seu respeito e ter comunhão uns com os outros
a respeito deles.
ESTUDO-VIDA DE ROMANOS
MENSAGEM 28
A TRANSFORMAÇÃO NO ACOLHIMENTO AOS
CRENTES (1)
O evangelho de Romanos é maravilhoso. Nos
primeiros onze capítulos, Paulo abrange
completamente a justificação, a santificação, a
glorificação e a eleição. Se lermos estas quatro seções
principais, veremos que Deus executou quase tudo o
que pretendia fazer. De Romanos 1 até 11, vimos a
criação de Deus, a queda do homem, a redenção de
Cristo, a justificação de Deus e a reconciliação de
Deus. Além disso, Paulo desvendou-nos a
identificação de Deus, o processo de santificação pela
vida e a glorificação. Paulo também nos conduziu
para a fonte de todas as atividades de Deus — o Seu
coração de amor. Ele também nos conduziu à câmara
secreta da escolha de Deus, onde vimos a Sua
economia. Que vista panorâmica nós vimos!
Considere todos os itens pelos quais passamos: a
criação de Deus, a queda do homem, a redenção de
Deus, a justificação, a reconciliação, a identificação, a
santificação, a glorificação, o amor e a eleição. Apesar
de todos estes itens serem maravilhosos, nenhum
deles é a consumação final da obra de Deus.
A consumação final da obra de Deus é a vida da
igreja. Satanás é sutil e tem feito com que muitos dos
queridos cristãos que buscam o Senhor até mesmo
odeiem a palavra igreja. Muitos cristãos exaltam a
santificação e a vida, mas parecem largar a igreja para
trás, não se importando com ela, e até mesmo
opondo-se a ela. A maioria deles possui o conceito
errôneo de que a igreja não é para o presente, mas
para o futuro. Assim, sempre que conversamos acerca
da igreja, encontramo-nos em dificuldades. Esta é a
sutileza do inimigo. Há quase dois mil anos, o Senhor
Jesus prometeu que voltaria em breve; no entanto,
Ele não veio porque a igreja não está pronta. Onde
está a igreja edificada adequadamente como o Senhor
mencionou em Mateus 16:18? Sem a igreja preparada
adequadamente, não há meio para o Senhor Jesus
voltar. A Sua volta requer duas coisas: o
restabelecimento da nação de Israel e a restauração
da vida da igreja. Se estiver familiarizado com
profecia, você perceberá que estes dois fatos são os
maiores sinais da volta do Senhor. O
restabelecimento de Israel e a restauração da igreja
são necessários para a Sua volta. Sem esta preparação
é impossível o Senhor voltar. Na restauração do
Senhor, estamos preparando caminho para a Sua
volta. Todos os dias lemos nos jornais a respeito dos
acontecimentos no Oriente Médio. Tudo o que está
ocorrendo lá é a preparação para o restabelecimento
da nação de Israel. Embora esteja certo de que o
Senhor esteja trabalhando no Oriente Médio, estou
realmente preocupado acerca do Seu trabalho entre
nós. Ele deve igualar o Seu trabalho com Israel ao Seu
trabalho com a igreja. Desse modo, devemos dar toda
nossa atenção à vida da igreja.
Após onze capítulos de discurso, Paulo chega ao
último ponto, a vida da igreja, em Romanos 12. Já
vimos que Paulo usa cinco capítulos para abranger a
vida da igreja. Anteriormente ressaltei que a seção
sobre a vida da igreja começa de uma forma
específica, com Paulo dizendo: “Rogo-vos, pois,
irmãos” (12:1). Ele rogava que apresentássemos nosso
corpo de modo físico e prático para a vida da igreja.
Após rogar que apresentássemos nosso corpo para a
vida da igreja, Paulo prosseguiu para a segunda parte
do nosso ser, a alma, e falou acerca da necessidade de
sermos transformados pela renovação da mente
(12:2). A nossa alma precisa de uma mudança radical,
essencial e metabólica, tanto em natureza como em
forma. Todo nosso ser precisa ser mudado por causa
da vida da igreja, pois nada que seja natural, comum,
mundano ou moderno é adequado para a vida do
Corpo. Precisamos de uma transformação
metabólica, por meio do trabalhar interior do
elemento da vida divina. Precisamos de uma
revolução radical em nosso pensamento, emoção e
vontade. Uma vez que passemos por esse tipo de
transformação metabólica em todo nosso ser,
seremos adequados para a vida da igreja. Além disso,
uma vez que o nosso corpo é apresentado e a alma
transformada pela renovação da mente, o nosso
espírito precisa estar queimando. Nosso espírito deve
ser inflamado. Se tivermos todas estas qualidades,
veremos surgir, do crescimento em vida, a
manifestação dos dons da graça em vida. Os
diferentes dons e funções começarão a emergir. Não
devemos ser como os sentadores de bancos nas assim
chamadas igrejas, que vão ao prédio da Igreja e
sentam nos bancos como membros mortos sem
qualquer função. Estas pessoas nunca poderiam
participar da vida da igreja. As pessoas na vida da
igreja devem apresentar o seu corpo, terem sua alma
transformada pela renovação da mente e seu espírito
queimando. Então os dons necessários serão
exercitados e teremos a vida da igreja.
Para a vida da igreja adequada, precisamos da
vida cristã adequada. Portanto, começando em 12:9 e
prosseguindo até 13:14 Paulo abrange a vida cristã
normal. Vimos que nesta porção de Romanos, ele
abrange muitos pontos: a nossa atitude e
comportamento para com Deus, para com nossos
companheiros, para com nós mesmos e para com
nossos perseguidores; a nossa atitude com relação ao
governo e autoridades instituídas; o exercício do
princípio do amor, e a luta contra a carne. A fim de
praticarmos a vida da igreja, precisamos ter uma vida
cristã normal diária, uma vida que corresponda à vida
da igreja. Precisamos ter o nosso corpo apresentado,
a nossa alma transformada, a nossa mente renovada,
o nosso espírito queimando e os nossos dons
exercitados. Assim, no final de Romanos 13, a vida da
igreja é retratada e a vida cristã é definida
adequadamente.
Entretanto, ainda existe uma grande
necessidade. Devemos cuidar da questão de receber
os santos. Nesta questão, precisamos exercitar o
discernimento que vem do praticar a vida da igreja e
de viver uma vida cristã normal. Se não estivermos
claros com respeito a receber os crentes,
estragaremos a vida da igreja e cortá-la-emos em
pedaços. Nos assemelharemos a uma pessoa que, em
muitos pormenores, cuida do seu corpo, mas é
negligente em uma questão particular que pode
causar morte. Se não formos cuidadosos quanto ao
receber os santos, a igreja será mutilada. Durante
mais de quarenta anos que estou na vida da igreja,
conheci um considerável número de queridos santos
que proclamavam terem visto o Corpo, mas que após
pouco tempo tornaram-se causadores de divisão por
causa de doutrinas, danificaram a igreja e cortaram a
si mesmos da comunhão da igreja. Quando
contataram pela primeira vez a igreja, eles disseram:
'Aleluia, eu vi a igreja”, mas se tornaram discordantes
poucos meses mais tarde. Portanto, digo que
devemos ser muito cuidadosos sobre como receber os
crentes adequadamente.
A fim de recebermos nossos companheiros
crentes no Senhor, precisamos de transformação. Se
permanecermos naturais, seremos incapazes de
acompanhar os outros. De fato, segundo a nossa
disposição natural, não conseguimos concordar
coerentemente com nós mesmos. Todos lutamos
conosco mesmos. Assim é muito difícil para qualquer
cristão que permanece na sua disposição natural
acompanhar os outros, Receber os santos exige
transformação. Creio, que a palavra de Paulo em
Romanos 12:2, a respeito de sermos transformados
pela renovação da mente, não somente governa a
seção sobre a prática da vida do Corpo, mas também
todos os outros capítulos relacionados com a vida da
igreja. A transformação governa os itens encontrados
no capítulo treze bem como alguns dos aspectos dos
capítulos quatorze e quinze. Se não formos
transformados pelo menos até um certo grau,
seremos incapazes de ser um com outros crentes.
Embora possamos nos reunir com eles, seremos
incapazes de ter comunhão ou de nos abrirmos a eles.
Se nos abríssemos a eles, terminaríamos brigando
porque não somos transformados e somos naturais
demais em nosso conceito, comportamento e em tudo
o que somos e fazemos. Por conseguinte, para
recebermos nossos companheiros crentes,
precisamos de transformação. Romanos 14 todo e
parte do 15 é dedicado a essa questão. Como veremos,
Paulo trata do receber os crentes com respeito a cinco
pontos principais.

I. SEGUNDO O RECEBER DE DEUS NÃO


SEGUNDO CONCEITOS DOUTRINÁRIOS
Devemos receber os santos segundo o receber de
Deus. Todo aquele que Deus recebeu, somos
obrigados a receber. Não temos escolha. Considere
uma família com muitas crianças. Algumas delas são
boas e outras más; algumas são dóceis e outras
travessas. Talvez, em tal família tão grande, algumas
das crianças possam não estar contentes com todos os
seus irmãos e irmãs. Entretanto, as crianças devem
perceber que não cabe a elas determinarem quem
serão os seus irmãos e irmãs. Isso depende dos pais.
Se uma das crianças nessa família acha que seu irmão
é meio e queixa-se dele, sua queixa não deveria ser
contra o seu irmão, mas contra seus pais que o
geraram. O nosso Pai celestial produziu muitas
crianças, muitos cristãos e Ele recebeu a todos eles.
Portanto, devemos também recebê-los, não segundo
os nossos gostos ou preferências, mas segundo Deus.
Entretanto, a maior parte da recepção dos
crentes no cristianismo não é segundo Deus, mas
segundo conceitos doutrinários. Considerem o
exemplo do batismo. Existem muitos conceitos
diferentes sobre o batismo. Algumas pessoas insistem
na aspersão, outras na imersão, outras argumentam
sobre o nome no qual batizamos as pessoas e ainda
outras argumentam contra o batismo físico
afirmando que o batismo é puramente espiritual.
Quantas diferentes escolas de opiniões existem sobre
esta única questão do batismo! Isso é horrível. E isso
apenas sobre uma doutrina! Levaríamos meses para
abranger todos os diferentes conceitos doutrinários,
tais como a segurança da salvação eterna,
predestinação, livre arbítrio, arrebatamento, etc.
Mesmo o ensino do cobrir a cabeça tem causado
algumas divisões. Certos grupos cristãos prestam
bastante atenção à questão do cobrir a cabeça pelas
irmãs. Há muita argumentação até mesmo quando as
pessoas discutem o tamanho, a cor e espessura do
material usado como cobertura. Sei de um grupo que
insiste em uma cobertura branca, não permitindo
qualquer outra cor. Mesmo essa pequena questão tem
causado divisão.
Ninguém pode dizer que as igrejas na
restauração do Senhor são heréticas. Cremos que a
Bíblia é a Palavra de Deus e é divinamente inspirada,
palavra por palavra. Cremos que Jesus é o Filho de
Deus, que Ele foi encarnado como um homem e viveu
nesta terra, que Ele morreu na cruz por nossos
pecados, que Ele ressuscitou fisicamente e
espiritualmente, que Ele ascendeu aos céus e é o
Senhor de todos à direita de Deus, e que Ele habita
dentro de nós. Cremos no Deus único, o Deus Triúno,
o Pai, o Filho e o Espírito. Cremos que o Senhor Jesus
virá novamente e que Ele estabelecerá o Seu reino
sobre a terra. Nada há de herético nisso. Não
obstante, algumas pessoas nos criticam e procuram
defeitos em nós porque não concordamos com todas
as suas opiniões com respeito a doutrina. Alguns
insistem em batizar os outros três vezes e exigem que
a igreja pratique isso. Entretanto, se fizermos disso a
nossa prática, denominar-nos-emos como a “igreja
que batiza três vezes”. Outros insistem em falar em
línguas. Sem dúvida a Bíblia inclui o falar em línguas,
porém não podemos fazer da igreja uma
igreja-que-fala-línguas. A igreja deve ser geral.
Muitos queridos santos têm tentado transformar a
igreja na restauração do Senhor em um tipo
particular de igreja de acordo com seu conceito
doutrinário, mas simplesmente não podemos
concordar com isso. Assim, alguns separam-se de nós
porque eram causadores de divisão acerca de
doutrinas ou práticas particulares.
A lamentável história do cristianismo é uma
história de divisão e confusão. Muito dessa divisão é
causada por conceitos doutrinários divergentes.
Aprendemos essa lição após um estudo completo da
história da igreja e não queremos repetir a tragédia
da história do cristianismo. Portanto, nunca
argumentaremos acerca do cobrir a cabeça, ou
batismo, ou dias santos, ou sobre o vinho usado na
mesa do Senhor. Nunca contenderemos acerca de
questões insignificantes tais como o pão e o cálice
usado na mesa do Senhor, o tipo de água usado no
batismo e a maneira de batizar as pessoas. A
restauração do Senhor não está preocupada com isso.
A restauração do Senhor é por Cristo como vida e pela
igreja como a expressão de Cristo em unidade em
cada localidade. Alguns queridos santos, após
proclamarem terem visto a igreja, continuaram
mantendo o seu entendimento doutrinário particular.
Como resultado, eles causaram muitos problemas,
infligindo sofrimento sobre si mesmos e
separando-se da restauração do Senhor na sua
tentativa de cortar a igreja em pedaços. Assim,
devemos ser cuidadosos em não receber as pessoas
segundo conceitos doutrinários, mas segundo o
receber de Deus.
Paulo sabia como era importante a questão de
receber os crentes e, conseqüentemente, dedicou todo
o capítulo quatorze e mais uma parte do capítulo
quinze a este assunto. Em Romanos 12 vemos o
Corpo. Em Romanos 14 é-nos dada uma
admoestação. Se não dermos atenção a ela, usaremos
a doutrina como uma faca para cortar em pedaços
este mesmo Corpo revelado no capítulo doze. Muitos
cristãos falam sobre o Corpo de Cristo de acordo com
Romanos 12; contudo, são responsáveis pela morte
do Corpo e pelo cortá-lo em pedaços por manejarem a
faca da doutrina causadora de divisão. Este é o
motivo do Corpo, que é revelado conforme Romanos
12, precisar ser vivido conforme Romanos 14. Sem
Romanos 14 somos incapazes de ter a prática
adequada do Corpo desvendada no capítulo doze.
Muitos cristãos dão atenção a Romanos 12, porém
desprezam Romanos 14, falando sobre o Corpo, mas
permanecendo os divisores e divididos porque
continuam agarrados a seus conceitos doutrinários.
Estão sem vontade de largá-los. Assim, é impossível
que experimentem a vida do Corpo. Por isso, Paulo,
após revelar a vida da igreja adequada e a vida cristã
normal, trata do ponto crucial de receber os crentes.
Se não cuidarmos desse ponto, cometeremos suicídio
espiritual no que diz respeito à vida da igreja. Para
termos a vida do Corpo devemos receber os crentes
segundo Deus os recebe, de uma maneira geral, não
de maneira particular segundo os nossos conceitos
doutrinários.
Os mais terríveis conceitos doutrinários são
principalmente aqueles mantidos pelos crentes
judeus, religiosos. Esses conceitos são de duas
categorias: o comer e o guardar dias. Aqueles que
mantêm esses conceitos insistem que certos
alimentos são santos e que outros são impuros, que
certos dias são santos e que outros são comuns. Eles
baseiam seus regulamentos dietéticos em Levítico 11.
Aos olhos deles, os gentios são pouco mais que
animais imundos que comem de tudo. Atos 10 mostra
que mesmo Pedra, o primeiro apóstolo, era religioso
com relação ao comer. Sua natureza religiosa forçou
Deus a lhe dar a mesma revelação três vezes acerca do
que é santificado e do que é comum (At 10:9-16).
Quando o Senhor disse a Pedro para “matar e comer”,
Pedro disse: “De modo nenhum, Senhor, porque
jamais comi cousa alguma comum e imunda” (At
10:13-14). O Senhor respondeu a Pedro dizendo: 'Ao
que Deus purificou não considere comum” (At 10:15).
Vemos com isso que Pedro, da mesma forma que
muitos outros, apegou-se a conceitos doutrinários
porque era religioso. Quando essas pessoas
argumentam por seus conceitos, acham que estão
lutando pela verdade de Deus. Na verdade, estão
frustrando o mover de Deus na edificação do Corpo
de Cristo. Nenhum conceito doutrinário deveria ser a
nossa base para receber os crentes. A única base para
recebermos os crentes é o receber de Deus.

A. Receba aquele que É Fraco na Fé


Em 14:1 Paulo diz: “Ora, ao que é fraco na fé,
acolhei-o” (IBB — rev.). Alguns crentes são fracos na
fé porque ainda não receberam muito da transfusão e
infusão do elemento de Deus dentro deles. Contudo,
eles têm uma medida de fé e devem ser recebidos.
Alguns crentes, sendo fracos na fé, não ousam
comer de tudo ou julgar todos os dias iguais. Não
obstante, eles de fato possuem uma medida de fé e
são genuínos crentes em Cristo. Assim, com base
nesta medida de fé deles e no fato de que são crentes,
devemos recebê-los.

B. Não Julgando Opiniões


Precisamos ler todos os versículos de 14:1-5.
“Ora, ao que é fraco na fé, acolhei-o, mas não para
condenar-lhe os escrúpulos. Um crê que de tudo se
pode comer, e outro, que é fraco, come só legumes.
Quem come não despreze a quem não come; e quem
não come não julgue a quem come; pois Deus o
acolheu. Quem és tu, que julgas o servo alheio? Para
seu próprio senhor ele está em pé ou cai; mas estará
firme, porque poderoso é o Senhor para o firmar. Um
faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais
todos os dias. Cada um esteja inteiramente convicto
em sua própria mente” (IBB rev.). Em Romanos 14, o
próprio Paulo foi um excelente exemplo de não
condenar sobre opiniões doutrinárias, pois ele não
expressou a sua opinião sobre que doutrina é certa ou
errada. Certamente conhecia as doutrinas corretas
sobre comer e guardar os dias. Contudo, ele não
tomou partido, mas encarregou-nos a todos a sermos
gerais e não criticarmos os outros. Deixem os outros
serem livres para comer o que quiserem e guardar os
dias que quiserem. Para eles, um dia é mais santo que
outro, mas para os que são mais fortes na fé todos os
dias são iguais.
Devemos também aprender a não proferir
sentenças contra arrazoamentos doutrinários.
Quando as pessoas lhe perguntarem acerca de
método de batismo ou do tipo de água usada, você
não deve entrar em um argumento doutrinário. Em
outras palavras, não faça um julgamento sobre a
questão. A melhor maneira de responder a questões
doutrinárias é ajudar as pessoas a voltarem-se dos
conceitos doutrinários para Cristo, que é a nossa vida.
Por natureza somos todos propensos a convencer os
outros e argumentar com eles sobre os nossos
conceitos. Devemos evitar isso.

C. Receba-o, pois Deus o Recebeu


Em 14:3 Paulo diz: “Pois Deus o acolheu”. Esta é
a base sobre a qual recebemos os outros. Desde que o
nosso Pai recebeu uma pessoa, devemos recebê-la
também. Não temos escolha. Independente de quão
fraco ou quão peculiar um crente seja, devemos
recebê-lo.

D. Todos Somos do Senhor e Vivemos para o


Senhor
Leiamos 14:6-9: “Aquele que faz caso do dia, para
o Senhor o faz. E quem come, para o Senhor come,
porque dá graças a Deus; e quem não come, para o
Senhor não come, e dá graças a Deus. Porque
nenhum de nós vive para si, e nenhum morre para si.
Pois, se vivemos, para o Senhor vivemos; se
morremos, para o Senhor morremos. De sorte que,
quer vivamos quer morramos, somos do Senhor.
Porque foi para isto mesmo que Cristo morreu e
tornou a viver, para ser Senhor tanto de mortos como
de vivos” (IBB — rev.). Todos os crentes genuínos são
do Senhor. Todos nasceram do mesmo Senhor, não
importando a maneira pela qual foram batizados, o
alimento que comem, ou os dias que guardam. Os
versículos 6 até 9 nos mostram o que é importante e o
que não é. Viver para o Senhor e pertencer ao Senhor
são importantes. Contanto que uma pessoa pertença
ao Senhor e viva para Ele, ela está bem. Não devemos
colocar mais exigências sobre ela, de acordo com os
nossos conceitos doutrinários. Se, por outro lado,
começarmos a argumentar sobre doutrina, logo
estaremos divididos segundo os nossos diversos
conceitos. Devemos cuidar das coisas importantes.
Uma vez que Deus Pai nos recebeu a todos e uma vez
que cremos no Senhor e vivemos para Ele,
deveríamos receber uns aos outros.

II. NA LUZ DO TRONO DE JULGAMENTO


Além disso, também devemos receber os santos
na luz do tribunal. Precisamos ler os versículos 10 a
12: “Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu,
também, por que desprezas teu irmão? Pois todos
havemos de comparecer ante o tribunal de Deus.
Porque está escrito: Por minha vida, diz o Senhor,
diante de mim se dobrará todo joelho, e toda língua
louvará a Deus. Assim, pois, cada um de nós dará
conta de si mesmo a Deus” (IBB — rev.). O
“trono-julgamento de Deus” do versículo 10 é o
“trono de julgamento de Cristo” de 2 Coríntios 5:10. O
julgamento no tribunal de Deus será realizado antes
do milênio, imediatamente após a volta de Cristo (1Co
4:5; Mt 16:27; 25:19; Lc 19:15), e a vida e obra dos
crentes serão julgadas naquele tempo (Ap 22:12; Mt
16:27; 1Co 4:5; 3:13-15; Mt 25:19; Lc 19:15). Esse
julgamento nada tem a ver com a salvação do crente,
pois todos que comparecerem no tribunal de Deus já
terão sido salvos. Este julgamento julgará a vida e
obra dos crentes após terem sido salvos. Determinará
a recompensa de um crente no reino milenar (Mt
25:21, 23; Lc 19:17, 19; 1Co 3:14, 15; Mt 16:27; Ap
22:12; Lc 14:14; 2Tm 4:8). Os crentes comparecerão
ante este tribunal para darem contas a Deus da sua
vida e obra. O pensamento de Paulo aqui é: não
devemos discutir com os outros ou criticá-los, mas
cuidar de nós mesmos, porque um dia
compareceremos diante do tribunal de Deus para
darmos conta da nossa vida e obra depois que fomos
salvos. Uma vez que esse julgamento diz respeito ao
modo como os crentes viveram diante do Senhor e ao
que fizeram pelo Senhor após serem salvos, e desde
que a transformação dos crentes tem muito a ver com
esse julgamento, ele é mencionado aqui na seção a
respeito da transformação.
Porque a verdade do julgamento dos crentes tem
sido quase que completamente oculta dos santos,
precisamos ler e comentar alguns dos versículos
dados como referências no parágrafo anterior.
Podemos começar com 2 Coríntios 5:10: “Porque
importa que todos nós compareçamos perante o
tribunal de Cristo para que cada um receba segundo o
bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo.” Isso
não é o julgamento eterno de Deus mencionado em
Romanos 2:2, 3, 5, 16 e 3:8, que será principalmente
cumprido no trono branco revelado em Apocalipse
20:11-15. O julgamento eterno no trono branco será
após o milênio, julgará todos os mortos incrédulos e
dirá respeito à punição eterna no lago de fogo. O
julgamento no tribunal de Cristo julgará a vida e obra
dos crentes e determinará se os crentes receberão
recompensa pelo “bem” ou sofrerão um tipo de perda
pelo “mal”. Então 1 Coríntios 4:5 diz: “Portanto, nada
julgueis antes de tempo, até que venha o Senhor, o
qual não somente trará à plena luz as cousas ocultas
das trevas, mas também manifestará os desígnios dos
corações; e então cada um receberá o seu louvor da
parte de Deus.” Esse versículo também denota o
julgamento ou tribunal de Deus ou de Cristo. Se
agirmos corretamente, receberemos “louvor da parte
de Deus.” Mateus 16:27 também fala do julgamento
dos crentes: “Porque o Filho do homem há de vir na
glória de seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá
a cada um conforme as suas obras.” Esse versículo
diz-nos que, na Sua vinda, o Senhor nos retribuirá
conforme as nossas obras. Encontramos um
pensamento semelhante em Mateus 25:19. “Depois
de muito tempo, voltou o senhor daqueles servos e
ajustou contas com eles.” Que isto significa? Significa
que o Senhor examinará o nosso registro e que
teremos de prestar contas a Ele, de um modo pleno,
da nossa vida e obra depois que fomos salvos. Isto
ocorrerá no tribunal de Cristo. Lucas 19:15 está muito
relacionado a isso. “Quando ele voltou, depois de
haver tomado posse do reino, mandou chamar os
servos a quem dera o dinheiro, a fim de saber que
negócio cada um teria conseguido.” Uma vez mais,
isso denota o acerto de contas que será feito ao
Senhor no tribunal de Cristo.
Precisamos prestar muita atenção a 1 Coríntios
3:13-15. “Manifesta se tornará a obra de cada um;
pois o dia a demonstrará, porque está sendo revelada
pelo fogo; e qual seja a obra de cada um o próprio
fogo o provará. Se permanecer a obra de alguém que
sobre o fundamento edificou, esse receberá galardão;
se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas
esse mesmo será salvo, todavia, como que através do
fogo.” As palavras “sofrerá ele dano” no versículo 15
não significa perecer. A nossa salvação é eterna e não
podemos perecer. Entretanto, se sofrer dano, você
será salvo “como que através de fogo.” Muitos
cristãos negligenciam este versículo. Quase todos eles
proclamam que uma vez que são salvos não haverá
problema no julgamento futuro. Se lhes disser que
poderão sofrer dano, eles insistirão que tal
pensamento é herético. Contudo, devemos ouvir a
palavra clara de Paulo em 1 Coríntios 3:15. Paulo
definitivamente diz que se a obra de um homem é
queimada, ele sofrerá dano. Que tipo de obra será
queimada? A madeira, feno e palha mencionados no
versículo 12. Que tipo de dano será este? Embora não
possamos dizer com certeza, é certo que algum dano
ocorrerá. Não é a perda da nossa salvação, pois Paulo
diz do homem, cuja obra foi queimada, que “esse
mesmo será salvo.” Contudo, não deveríamos ser
complacentes, porque Paulo conclui o versículo
dizendo que o homem será salvo “como que através
do fogo.” Ao ouvir isso alguns podem responder que
isso é o ensino católico do purgatório. Estou
familiarizado com o ensino católico sobre purgatório
e com o fato de que o catolicismo realmente usa esse
versículo de 1 Coríntios como base para o seu ensino
sobre isso. De acordo com o ensino católico acerca do
purgatório, você pode abreviar o sofrimento de um
parente que está suportando o fogo purificador do
purgatório depois da sua morte fazendo uma.
contribuição monetária no nome dele. Entretanto,
quando nos referimos à pura palavra da Bíblia, não
temos em mente esse conceito de purgatório. Junto
com Paulo, simplesmente estamos dizendo que
devemos ser cuidadosos, pois quando o Senhor
voltar, Ele pedirá que prestemos contas a Ele de um
modo completo da nossa vida e obra. Ele dirá: “Eu lhe
dei um certo dom. Que você fez por Mim? Que você
cumpriu por Mim desde que foi salvo? Que tipo de
serviço de edificação tem feito? Você edificou com
madeira, feno e palha, ou com ouro, prata e pedras
preciosas?” Isso determinará se o Senhor nos
recompensará ou não. Em 1 Coríntios 3, Paulo
diz-nos claramente que se nossa obra permanece,
receberemos uma recompensa positiva, mas se nossa
obra é consumida, sofreremos dano, embora
estejamos eternamente salvos. Eu não ouso dizer que
dano será, mas sei que não será agradável.
Simplesmente apresento-lhes a Palavra pura. Isso é
um aspecto do tribunal de Cristo. Isto é a palavra
clara da Bíblia, e a Bíblia nunca pode estar errada. Ser
salvo é uma coisa; receber uma recompensa positiva
do Senhor pela sua obra é outra coisa, e sofrer dano
pela sua obra imprópria é ainda outra. Isso é muito
sério e não devemos ser negligentes acerca disso.
Porque os cristãos não estão claros sobre a
palavra pura de Deus, existem duas escolas
principais, a do Calvinismo e a do Armenianismo.
Segundo a escola calvinista, uma vez que você é salvo,
é eternamente salvo e não haverá problemas no
futuro. Segundo a escola armênia, é possível estar
perdido novamente se você não viver e trabalhar
honestamente depois que foi salvo. Estas duas escolas
representam dois extremos e nenhuma escola
encontrou uma ponte na Bíblia que transponha o
espaço entre eles. A ponte é o tribunal de Deus. Uma
vez que tenhamos sido salvos, somos eternamente
salvos e nunca podemos nos perder. Isso contrasta
com o ensino pentecostal que proclama que as
pessoas não estão eternamente salvas nesta vida e
que é possível ser salvo e perdido muitas vezes
durante o intervalo de uma vida. Esse tipo de
salvação é como um elevador: vai para cima e para
baixo. Entretanto, a Bíblia declara que a salvação de
Deus é eterna. Em João 10:28-29 é-nos dito que uma
vez que tenhamos a vida eterna, nunca pereceremos.
Contudo, existem versículos, tais como 1 Coríntios
3:15, que nos dizem que no futuro podemos sofrer
dano. Quando o Senhor retornar, Ele reunirá todos os
Seus servos diante Dele e terão de dar contas a Ele da
sua vida e obra. Embora estejamos salvos
eternamente, devemos ainda dar contas ao Senhor da
nossa vida e obra no tribunal de Cristo. O Senhor
examinará nossa conta e decidirá se receberemos
uma recompensa ou se sofreremos um dano. Em 2
Timóteo 4:8, Paulo pôde dizer: “Já agora a coroa da
justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz,
me dará naquele dia.” Entretanto, isso não significa
que cada crente receberá tal coroa. Se você receberá
ou não a coroa da justiça dependerá do resultado no
tribunal. Finalmente, em Apocalipse 22:12, o próprio
Senhor Jesus diz: “E eis que venho sem demora, e
comigo está o galardão que tenho para retribuir a
cada um segundo as suas obras.” Creio que agora a
questão do julgamento no tribunal de Cristo está
clara. Devemos ser cuidadosos acerca de julgar os
outros, pois nós mesmos seremos julgados por Deus.
Devemos receber os crentes na luz do tribunal de
Deus. Não deveríamos criticar os outros, mas julgar a
nós mesmos. Se não julgarmos a nós mesmos,
teremos de prestar contas diante do tribunal de
Cristo. Alguns crentes julgaram aqueles que queriam
livrar-se da sua velharia pelo sepultamento nas águas,
mas não julgaram a si mesmos por irem aos cinemas.
Se vocês criticam os outros sem julgar a si mesmos
por irem aos cinemas, no tribunal o Senhor pedirá
que você dê contas daquilo. Algumas irmãs em certo
grupo cobrem a cabeça com um longo véu branco e
estão acostumadas a julgar e condenar outras irmãs
que oram sem um véu ou que, quando muito, usam
uma pequena touca. Embora essas irmãs se cubram
com um longo véu branco nas reuniões da igreja,
algumas delas usurpam a chefia de seus maridos no
lar. Elas precisam julgar a si mesmas nessa questão.
Não julgue os outros, julgue a si mesmo. Sempre que
estamos para receber outro crente no Senhor,
devemos exercitar o nosso discernimento na luz do
tribunal e dizer: “Ó Senhor, tem misericórdia de mim.
Não sou digno de julgar o meu irmão. Cubra-me,
Senhor. Quero ser julgado por Ti. Quero julgar a mim
mesmo, a minha vida e meu viver.” Esta deve ser a
nossa atitude.
Não deveríamos criticar os outros, mas julgar a
nós mesmos. Se falharmos em fazê-lo agora,
compareceremos diante do tribunal de Deus e então o
faremos. Todos nós devemos ser iluminados pelo
tribunal. Sempre que um novo crente vem a nós,
devemos exercitar o nosso discernimento em
recebê-lo. Entretanto, na luz do tribunal de Deus,
devemos julgar mais a nós mesmos. Desse modo, o
pensamento de Paulo em Romanos 14:10-12 é que
não devemos julgar os outros, mas permitir que o
Senhor cuide deles. Devemos julgar a nós mesmos.
Quando estivermos para julgar os outros,
lembremo-nos de que o Senhor ajustará contas
conosco quando Ele voltar. Essa é uma questão séria.
ESTUDO-VIDA DE ROMANOS
MENSAGEM 29
A TRANSFORMAÇÃO NO ACOLHIMENTO AOS
CRENTES (2)
Nesta mensagem precisamos considerar mais
alguns pontos que dizem respeito à questão da
transformação no acolhimento aos crentes.

III. NO PRINCÍPIO DO AMOR


Precisamos acolher os crentes no princípio do
amor. Em 14:13-15 Paulo diz: “Não nos julguemos
mais uns aos outros; pelo contrário, tomai o
propósito de não pordes tropeço ou escândalo ao
vosso irmão. Eu sei, e disso estou persuadido no
Senhor Jesus, que nenhuma cousa é de si mesma
impura, salvo para aquele que assim a considera;
para esse é impura. Se por causa de comida o teu
irmão se entristece, já não andas segundo o amor
fraternal. Por causa da tua comida não faças perecer
aquele a favor de quem Cristo morreu.” Se acolhemos
os crentes em amor, não deveremos julgar uns aos
outros, nem pôr tropeço diante deles, nem entristecer
os irmãos, nem destruir aquele por, quem Cristo
morreu, mas, pelo contrário, andar segundo o amor.
Precisamos acolher no princípio do amor todos os
crentes pelos quais Cristo morreu. Lembrem-se, por
favor, que Romanos foi escrito logo após Paulo ter
escrito 1 Coríntios, e que ele escreveu Romanos em
Corinto. Paulo dedicou 1 Coríntios 13 à questão do
amor, inserindo-o entre os dois capítulos que tratam
com os dons espirituais. No capítulo treze, Paulo
apresentou o caminho mais excelente de exercitar os
dons e relacionou muitos dos atributos e
características do amor. Creio que esse conceito de
amor estava fresco em seu interior quando escreveu o
capítulo catorze de Romanos. Portanto, em Romanos,
parece que Paulo estava dizendo aos santos: “Vocês
devem acolher os outros no princípio do amor. O
amor deve governar vocês. O amor deve ser o
princípio controlado r ao acolherem os santos.”

IV. PARA A VIDA DO REINO


O acolhimento aos crentes não é uma questão
insignificante. Está relacionado ao trono de
julgamento no futuro e com a vida do reino no
presente.

A. Não Permitindo que Seu Bem Seja


Vituperado
Segundo o contexto, o versículo 16 refere-se ao
comer daqueles que são mais fortes na fé. É bom ser
forte na fé a ponto de não haver nada comum e tudo
ser adequado para se comer. Mas você não deve
permitir que o seu bem seja vituperado por você estar
relutante em cuidar daqueles que são fracos na fé. Por
causa deles, você deve ser cuidadoso acerca de comer
o que acha adequado para comer. A intenção de Paulo
era que, por causa dos mais fracos, é melhor que você
não coma.

B. Vivendo a Vida do Reino de Deus

1. A Igreja: o Reino de Deus nesta Era


A igreja é o reino de Deus nesta era (Mt 16:18-19;
1Co 6:10; Gl 5:21; Ef 5:5). Existe muita discussão
concernente ao reino de Deus entre as várias escolas
de ensinamentos. Uma escola de pensamento afirma
que o reino de Deus não está conosco hoje. Segundo
essa escola, o reino de Deus foi suspenso na época de
Mateus 13. Essa escola afirma que quando o Senhor
Jesus veio, Ele veio com o reino de Deus e
apresentou-o ao povo judeu. Uma vez que o povo
judeu rejeitou o reino de Deus, o Senhor o suspendeu
até a época da Sua volta. Portanto, essa escola ensina
que durante o período em que vivemos não há o reino
de Deus. Contudo, Romanos 14:17 diz: “O reino de
Deus não é... “Isto é uma forte prova de que o reino de
Deus está aqui, hoje. Uma evidência ulterior de que a
igreja é o reino de Deus hoje é encontrada em Mateus
16:18, 19, onde vemos que as palavras igreja e reino
são sinônimas, e são usadas de maneira permutável
pelo próprio Senhor Jesus. No versículo 18 o Senhor
disse: “Edificarei a minha igreja”, e no versículo 19
Ele disse: “Dar-te-ei as chaves do reino dos céus”.
Assim a edificação da igreja, na verdade, é o
estabelecimento do reino. Além disso, nas epístolas,
Paulo considerou o reino de Deus como sendo
equivalente à igreja (1Co 6:10; Gl 5:21; Ef 5:5). Como
é errado dizer que o reino de Deus foi suspenso e que
voltará na vinda do Senhor Jesus! Não devemos
aceitar este conceito concernente ao reino. Devemos
voltar à Palavra pura que diz que a vida da igreja é o
reino de Deus.

2. Uma Questão de Exercício e Disciplina


A igreja é uma questão de graça e vida, ao passo
que o reino é uma questão de exercício nesta era e
disciplina na era vindoura (Mt 25:15-30; 1Co 3:13-15).
A igreja, como a cabeça de um homem, tem
aparências diferentes quando vista de diferentes
ângulos. Se você olhar para a parte de trás da minha
cabeça, não verá nenhuma cavidade; contudo, se
olhar para a parte da frente, verá sete. Embora a parte
de trás seja diferente da parte da frente, ambas são
aspectos de uma entidade. E o mesmo com a igreja.
De um ângulo, vemos a igreja como uma questão de
graça e vida; de outro, a vemos como o reino de Deus
com exercício e disciplina. Na igreja, por um lado,
desfrutamos graça e experimentamos vida, enquanto
por outro lado, passamos por certa quantidade de
exercício.
Não devemos negligenciar nossa necessidade de
tal exercitar. Por causa da nossa necessidade de
exercício a igreja e o remo presente de Deus. Segundo
alguns mestres dos Irmãos Unidos, todo crente
entrará no reino milenar como um rei. Mas olhem
para nós. Parecemo-nos com reis? Se o Senhor Jesus
viesse e pedisse para você ser um rei, acho que você
ficaria amedrontado por não saber como ser um rei.
Você nunca foi exercitado e treinado para ser um rei.
Disseram-me que os reis da Inglaterra são treinados
para serem reis desde sua juventude. O nascimento é
insuficiente; um rei deve ser treinado e exercitado.
Embora você tenha o potencial para ser um rei, o
reinado depende de seu exercitar. Não seja folgado e
descuidado. Se você não deseja o exercitar nesta era,
será disciplinado na era vindoura. O seu destino é ser
um rei, e mais cedo ou mais tarde o Senhor o fará um
rei.
Deus preparou todos os detalhes de sua vida
diária para capacitá-lo a exercitar. Cada evento que
sobrevém em sua vida faz parte do preparo soberano
de Deus. Sem a ajuda de seu ambiente e das
circunstâncias, você não consegue conhecer-se. Você
se imagina como um anjo, considerando-se agradável
e maravilhoso, mas ignora quão pobre, mesquinho e
selvagem você, na verdade é. Você precisa de uma
esposa, filhos, irmãos e irmãs na igreja, e de várias
circunstâncias para lhe darem uma fotografia
multidimensional, de modo que você seja exposto em
todas as direções. Quando vir esta fotografia, você
declarará: “Este sou eu? Não sabia que eu era tão
ruim.” Eu mesmo já experimentei isso. Quando
estava sendo tentado a culpar os outros, o Senhor
disse-me para pôr a culpa em mim mesmo. Disse-me
que O agradecesse pelos queridos irmãos que me
expõem e me dão uma visão saudável de mim mesmo.
Sem estes irmãos eu não poderia ser exposto. Esse é
um exercício por que passamos na vida da igreja por
causa do reino.
Num sentido, a igreja é a família de Deus, o lar de
Deus (Ef 2:19; 1Tm 3:15). Nesta casa desfrutamos
graça e recebemos o suprimento de vida. Em outro
sentido, a igreja é também o reino. Qual é o
significado da palavra reino? Ela significa o governar.
Muitos cristãos dizem: “Gosto de freqüentar as
reuniões, mas não gosto de ser regulado. Quem
aqueles presbíteros pensam que são? Por que eles
devem estar na liderança?” Por um lado a igreja é
uma família, um lar que é cheio de graça e vida; por
outro lado a igreja é um reino, um governo para
governar. Na igreja como o reino temos realmente a
liderança e o governo sob o encabeçamento de Cristo.
Isto é uma questão de exercício. A fim de termos a
vida da igreja precisamos do exercitar do reino. Desse
modo, a igreja é o nosso lar e a igreja é também o
nosso reino. Em nosso lar temos o desfrute do amor,
o suprimento de graça e as riquezas da vida. No reino
temos o regra r, o governo, o exercício e a disciplina.
Louvado seja o Senhor pelos dois aspectos da igreja!
Tenho ouvido muitos santos proclamarem com
respeito à igreja: “Louvado seja o Senhor, estou no
meu lar!” Contudo, precisamos também proclamar:
“Aleluia, estou também no reino!”

3. O que É a Vida do Reino


Romanos 14:17 diz: “Porque o reino de Deus não
é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no
Espírito Santo.” Quando você está prestes a acolher
os santos, deve perceber que os santos não devem ser
acolhidos segundo os conceitos doutrinários ou
práticas religiosas que você possui com respeito a
comer e beber. O reino de Deus não é comer e beber.
O reino de Deus é justiça para com você mesmo, paz
para com os outros e alegria com Deus em seu
espírito. Se você come tartaruga ou couve, isso nada
significa. Entretanto, justiça, paz e alegria significam
muito, pois esses itens são a expressão de Cristo.
Quando Cristo é expressado, Ele é justiça para
conosco, nossa paz para com os outros e nossa alegria
com Deus. Devemos ser rigorosos conosco e não criar
desculpas para nós mesmos. Para conosco devemos
ser retos, restritos e justos em tudo o que fazemos.
Para com os outros devemos esforçar-nos por
perseguir a paz, buscando continuamente estar em
paz com eles. Porém, alguns irmãos não têm paz
mesmo com a esposa, e algumas irmãs não têm paz
com o marido. Devemos cuidar por manter a paz com
toda pessoa relacionada a nós. Esta paz é Cristo
vivido de nosso ser. Além disso precisamos de alegria.
Todo dia devemos estar jubilantes. Se não pudermos
dizer a cada dia: 'Aleluia, louvado seja o Senhor”, isso
significará que estamos derrotados e não estamos no
Espírito Santo. O Espírito Santo é um Espírito
de-alegria. Constantemente devemos estar alegres
com Deus, louvando-O e dizendo: “Aleluia”. Justiça,
paz e alegria são as características do reino de Deus
hoje. E o reino de Deus é o exercitar da vida da igreja.
A vida da igreja é para a vida do reino e a vida do
reino é um exercício da vida cristã. Precisamos de tal
exercício.

C. Nisto Servindo a Cristo


No versículo 18 Paulo diz: “Aquele que deste
modo serve a Cristo, é agradável a Deus e aprovado
pelos homens.” Por meio desta palavra podemos ver
que o que é mencionado no versículo 17 é para nós
servirmos a Cristo. Isso significa que acolher os
crentes é servir a Cristo. Temos de fazê-lo como no
reino de Deus e de maneira a servir a Cristo como um
escravo, no caminho da justiça, paz e alegria no
Espírito Santo e não de maneira a cuidar dos
conceitos doutrinários. Certamente tal maneira será
agradável a Deus e aprovada pelos homens. E tal
maneira nunca causará qualquer divisão, mas sempre
manterá a unidade do Espírito para a vida prática do
Corpo.

D. Perseguindo as Coisas da Paz e as Coisas


que Edificam
Além disso, no versículo 19 Paulo diz: “Assim,
pois, seguimos as cousas da paz e também as da
edificação de uns para com os outros.” As coisas da
paz são as coisas que mantêm a unidade do Corpo. As
coisas que edificam uns aos outros são as coisas que
ministram vida aos membros do Corpo para a
edificação mútua. Devemos perseguir essas duas
categorias de coisas. Temos de procurar obter as
coisas que mantêm a unidade do Corpo com paz e as
coisas que ministram vida aos outros. A fim de
fazê-lo, temos de deixar para trás todos os conceitos
doutrinários e vencer todas as frustrações que se
originam a partir do conhecimento mental. Satanás é
sutil. Através dos séculos, ele tem usado, e ainda está
usando, os conceitos doutrinários e o conhecimento
mental para frustrar o ministrar de vida e para dividir
o Corpo de Cristo. Portanto, precisamos vencer sua
sutileza por perseguir as coisas da paz para manter a
unidade, e as coisas que ministram vida aos outros
para a edificação do Corpo.

E. Não Derrubando a Obra de Deus


Os versículos 20 e 21 dizem: “Não destruas a
obra de Deus por causa da comida. Todas as coisas,
na verdade, são limpas, mas é mau para o homem o
comer com escândalo. É bom não comer carne, nem
beber vinho, nem fazer qualquer coisa com que teu
irmão tropece.” Em todas as pessoas salvas há certa
quantidade da obra de Deus. Deus as chamou e
salvou. Deus fez, ao menos, este tanto da obra divina
neles. Se fazemos com que qualquer dos crentes
tropece pelos nossos conceitos doutrinários,
derrubamos, destruímos a obra da graça de Deus
nele. Devemos cuidar da obra de Deus e não dos
nossos conceitos doutrinários. Todas as nossas
práticas religiosas devem ser rejeitadas por causa da
obra da graça de Deus nos outros. Somos livres para
comer todas as coisas, e podemos fazer tudo o que
não é pecaminoso, mas não devemos comer algo ou
fazer algo que leve um irmão a tropeçar. Devemos
cuidar da edificação dos irmãos em vida e não da
manutenção de nossos conceitos religiosos no
conhecimento.

F. Fazendo Tudo em Fé Sem Duvidar


Nos versículos 22 e 23 Paulo diz: “A fé que tens,
tem-na para ti mesmo perante Deus.
Bem-aventurado é aquele que não se condena naquilo
que aprova. Mas aquele que tem dúvidas, é
condenado, se comer, porque o que faz não provém
de fé; e tudo o que não provém de fé é pecado.” Se
somos os fortes em fé, devemos ter fé para nós
mesmos perante Deus. É uma bem-aventurança que
não julguemos o que aprovamos fazer porque temos a
fé em fazê-lo. Mas os mais fracos em fé, que não têm a
fé que temos, são condenados se comerem algo acerca
de que tenham dúvida, porque não comem por fé.
Tudo o que não é por fé é pecado. Portanto, temos de
cuidar dos mais fracos em fé, não os levando a fazer
algo acerca do que eles não têm fé.

V. SEGUNDO CRISTO
Paulo era muito sábio. Se não estivermos no
espírito ao ler esta porção de Romanos, perderemos
muito das profundezas daquilo que Paulo escreveu.
Paulo inicia a seção sobre o acolhimento aos santos
com a questão dos conceitos doutrinários, conceitos
mantidos principalmente pelos judeus religiosos, e a
conclui com o acolhimento aos santos segundo Cristo.
Devemos acolher os crentes não segundo os conceitos
doutrinários, mas segundo Cristo.
A. Suportando as Fraquezas do Fraco
Romanos 15:1 diz: “Mas nós, que somos fortes,
devemos suportar as fraquezas dos fracos, e não
agradar a nós mesmos” (VRC). No acolhimento aos
crentes, devemos suportar as fraquezas do fraco e não
agradar a nós mesmos. O Senhor Jesus sempre
suporta a fraqueza de Seus crentes (2Co 12:9) e não
agrada a Si mesmo. Ao acolher os crentes, temos de
fazer o mesmo segundo Ele, não agradando a nós
mesmos, mas suportando as fraquezas dos outros.

B. Agradando Nosso Próximo para a


Edificação como Cristo Fez
“Portanto cada um de nós agrade ao seu próximo
no que é bom para edificação. Porque também Cristo
não agradou a si mesmo, mas, como está escrito:
Sobre mim caíram as injúrias dos que te injuriavam”
(vs. 2-3, VRC). Temos de agradar aos outros para que
eles possam ser edificados no Corpo. Não precisamos
agradar aos outros para nenhum outro propósito
além do propósito de edificá-los no Corpo. Por causa
deste propósito, devemos pagar o preço a fim de
agradar aos outros. Cristo não agradou a Si mesmo;
Ele agradou ao Pai por suportar as injúrias que
cairiam sobre o Pai. Da mesma forma, não devemos
agradar a nós mesmos, devemos agradar aos outros
suportando suas fraquezas para que sejam edificados
no Corpo de Cristo.

C. Sendo de Mesma Mente Uns para com


Outros Segundo Cristo
“Pois tudo quanto outrora foi escrito, para o
nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência,
e pela consolação das Escrituras, tenhamos
esperança. Ora, o Deus de paciência e consolação vos
conceda o mesmo sentir de uns para com os outros,
segundo Cristo Jesus” (vs. 4-5). “Tudo quanto foi
escrito” refere-se àquilo que é citado no versículo 3
concernente a Cristo e é para a instrução que produz
perseverança e encorajamento com esperança. O
registro concernente a Cristo nas Escrituras é
certamente cheio de instrução. Se recebermos sua
instrução, seremos supridos com a perseverança e
encorajamento de Cristo para que tenhamos
esperança. Ao acolher os crentes, precisamos desse
tipo de perseverança e encorajamento com esperança.
Ao acolher os crentes precisamos suportar as
fraquezas daqueles que vamos acolher. Também
precisamos ser encorajados com a esperança de que
eles possam progredir e terem poder em fé pela graça
do Senhor. Em receber os crentes mais fracos, temos
de perceber que nosso Deus é o Deus de perseverança
e encorajamento que pode levar-nos a suportar as
fraquezas dos outros e a sermos encorajados com o
que Ele pode fazer nos outros pela Sua graça. Se
formos tão encorajados por tal Deus, seremos de
mesma mente uns para com os outros segundo Cristo
Jesus, não segundo nada mais. Uma vez que existe
somente um Cristo Jesus, se formos todos segundo
Cristo, seremos de mesma mente uns para com os
outros. Contudo, se nossa mente está de acordo com
ensinamentos, conceitos, dons, práticas religiosas ou
com qualquer outra coisa do gênero, estaremos
divididos. A única maneira de sermos de mesma
mente uns para com os outros é sermos segundo
Cristo. Acolher os crentes de acordo com nossos
ensinamentos, conceitos, dons ou práticas religiosas
não requer nenhuma perseverança ou encorajamento
com esperança. Mas acolher todos os crentes segundo
Cristo, requer. mesmo certa quantidade de
perseverança e de encorajamento com esperança que
o próprio Deus da perseverança e encorajamento
suprir-nos-á se atentarmos para a manutenção da
unidade e para a edificação do Corpo.

D. Glorificando a Deus Concordemente e a


Uma Boca
O versículo 6 diz: “Para que concordemente e a
uma voz glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor
Jesus Cristo”. Algumas versões dizem: “Com uma
mente e com uma boca”. Entretanto, em grego, a
palavra é acordo, não mente. Contudo, a palavra
acordo, na verdade, significa uma mente. Todos
precisamos ser de mesma mente. Quando formos de
mesma mente, seremos concordes e teremos uma
boca, significando que teremos o mesmo conceito e a
mesma maneira de falar. Haverá muitos crentes, mas
somente uma boca. Sempre que tivermos a mesma
mente e. formos concordes, diremos todos a mesma
coisa. Portanto, com uma mente e uma boca
glorificaremos ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus
Cristo.
No capítulo 9, versículo 5, é dito que Cristo é o
Deus sobre todos e bendito para sempre. Isto é
segundo Sua divindade. Mas aqui é falado do Deus de
nosso Senhor Jesus Cristo. Isto é segundo Sua
humanidade. Segundo Sua divindade, Ele é o Deus
sobre todos e bendito para sempre; segundo Sua
humanidade, Deus é Seu Deus. Se, ao acolhermos. os
santos, nos comportarmos segundo o Senhor Jesus,
glorificaremos a Deus como Ele glorifica.
E. Acolhendo Uns aos Outros como Cristo nos
Acolheu
O versículo 7 diz: “Portanto acolhei-vos uns aos
outros, como também Cristo nos acolheu para a glória
de Deus.” Este versículo, quando tomado juntamente
com 14:3, prova que o acolhimento de Cristo é o
acolhimento de Deus. O que Cristo acolheu, Deus
acolheu. Cristo nos acolheu para a glória de Deus.
Nosso acolhimento aos crentes deve ser segundo o
acolhimento de Deus e de Cristo, e não segundo nada
mais. Todo aquele que Deus e Cristo receberam,
temos de receber, sem importarmo-nos com o tanto
que eles diferem em conceitos doutrinários ou
práticas religiosas. Isso é para a glória de Deus.

F. Cristo, Um Servo para a Circuncisão e para


os Gentios
Precisamos ler 15:8-11. “Digo, pois, que Cristo foi
constituído ministro (servidor-lit.) da circuncisão. '
em prol da verdade de Deus, para confirmar as
promessas feitas aos nossos pais; e para que os
gentios glorifiquem a Deus por causa da sua
misericórdia, como está escrito: Por ISSO eu te
glorificarei entre os gentios, e cantarei louvores ao teu
nome. E também diz: Alegrai-vos, ó gentios, com o
seu povo. E ainda: Louvai ao Senhor, vós todos os
gentios, e todos os povos o louvem.” Nesses versículos
vemos que Cristo á todo-inclusivo. Por que Ele se
tornou servo da circuncisão, dos judeus? Ele se
tornou servo dos judeus por causa da verdade de
Deus, para confirmar as promessas dadas aos seus
pais. Entretanto, o versículo 9 diz que Ele não é
somente servo para a circuncisão, mas “para os
gentios glorificarem a Deus pela Sua misericórdia.”
Para a circuncisão, os Judeus, Cristo e servo para a
verdade de Deus, mas para os gentios Ele é servo para
que os gentios glorifiquem a Deus pela Sua
misericórdia. Cristo é todo-inclusivo. Ele é para as
nações, os gentios, tanto quanto para a circuncisão,
os judeus.
Para os judeus, é uma questão da verdade de
Deus, pois Deus fez promessas a seus pais. Cristo
tornou-se um servo para eles a fim de confirmar todas
as promessas que Deus dera a seus pais. Por isso,
Deus é verdadeiro, Para os gentios, é uma questão da
misericórdia de Deus. Cristo tornou-se servo para
eles glorificarem a Deus pela Sua misericórdia. Cristo
confessou Deus e levou o Seu nome entre os gentios.
Ele pediu aos gentios para regozijarem-se e louvarem
a Deus pela Sua misericórdia. Para os judeus, Deus
e:erda~elfo, mas para os gentios, Deus é
misericordioso. Por isso nós, os gentios, temos de
louvá-Lo a fim de que Ele seja glorificado em Sua
misericórdia.

G. Cristo, a Raiz de Jessé para os Gentios


O versículo 12 revela ainda mais da
todo-inclusividade de Cristo. “Também Isaías diz:
Haverá a raiz de Jessé, aquele que se levanta para
governar os gentios, nele os gentios esperarão.”
Embora Cristo seja a raiz de Jessé, a origem dos pais
dos judeus, Ele será o governador dos gentios, e Nele
os gentios esperarão. Aqui vemos a
todo-inclusividade de Cristo. Ele é a raiz de Jessé,
significando que Ele é o suprimento para o povo
judeu. De acordo com Romanos 11 Ele ser a raiz
significa que Ele é a origem e o suprimento para os
Judeus. No futuro, esta raiz de Jessé levantar-se-á
para governar sobre todas as nações gentias. Assim
Ele suprirá os Judeus e dominará as nações. Por ser a
raiz para o povo judeu e P? r ser o Dominador, o
governador das nações, Ele reunirá os Judeus e os
gentios, fazendo-os um. Creio que este deve ter sido o
conceito mais profundo do apóstolo Paulo ao escrever
esta porção de Romanos. Cristo engloba tanto os
Judeus quanto os gentios. Por ser a raiz de Jessé e o
Dominador das nações, Cristo engloba esses dois
povos e reúne-os em um Corpo, um novo homem, a
igreja.
Cristo é todo-inclusivo e todo-abrangente. Uma
vez que Cristo é Aquele todo-abrangente, unindo os
judeus e os gentios, devemos acolher todos os
diferentes crentes segundo este Cristo. Nunca diga:
“Este é americano, aquele é inglês, aquele é alemão,
aquele é japonês, aquele é filipino e aquele e coreano.
Não posso aceitar tantas pessoas diferentes.”
Considere Cristo, que é a raiz de um povo e é o
governador, o Dominador de outro povo. Ele é
todo-inclusivo. Ao acolher os santos, da mesma
maneira, devemos ser todo-abrangentes, acolhendo
as pessoas do leste, oeste, sul e norte. Quem quer que
sejam e o que quer que sejam, devemos abranger
todos os crentes juntos em um Corpo. Creio que este e
o significado de acolher os santos segundo Cristo.
Nesta mensagem e na anterior abrangemos cinco
aspectos de transformação no acolhimento aos
crentes: segundo o acolhimento de Deus, na luz do
trono do julgamento, no principio do amor para a
vida do reino e segundo Cristo. Precisamos lembrar
de todos esses pontos e praticá-los. Se acolhermos os
santos dessa maneira, receberemos a bênção do
Senhor com esperança, alegria e paz no crer.
Portanto, Paulo concluiu esta porção de Romanos
com as palavras: “E o Deus da esperança vos encha de
todo o gozo e paz no vosso crer, para que sejais ricos
de esperança no poder do Espírito Santo” (v. 13). No
acolhimento aos crentes, na maneira instruída nesta
seção de Romanos, experimentamos o Deus da
perseverança e encorajamento e o Deus da esperança.
Na vida da igreja adequada, estaremos preenchidos
com toda alegria e paz com fé. Em tal vida da igreja,
experimentamos o poder do Espírito Santo e
abundamos em esperança. A vida da igreja significa
muito para nós. Todos precisamos penetrar e viver
nela.
ESTUDO-VIDA DE ROMANOS
MENSAGEM 30
A CONSUMAÇÃO DO EVANGELHO
Em todas as mensagens anteriores abrangemos
sete seções do livro de Romanos: introdução,
condenação, justificação, santificação, glorificação,
eleição e transformação. Agora chegamos à última
seção, a conclusão (15:14-16:27). Embora muito já
tenha sido abrangido por Paulo, ele nos mostra
algumas questões experienciais e práticas nesta seção
de Romanos. Ele apresenta uma revelação completa
da consumação final do evangelho. Uso a palavra
“revelação” porque muitas coisas preciosas têm
estado veladas. Nesta mensagem quero mostrar
alguns dos tesouros que estão ocultos e encobertos na
última seção de Romanos.
Nenhuma outra epístola de Paulo tem uma
conclusão tão longa quanto a carta aos Romanos. Por
que a conclusão é tão longa? Duvido que algum de
nós compusesse uma carta dessa maneira.
Entretanto, Paulo foi sábio e profundo, sabendo que
após a seção referente à transformação ele ainda
precisava apresentar a consumação final do
evangelho de Deus: a vida prática da igreja. Além
disso, ele não escreveu sobre a vida da igreja de
maneira doutrinária, mas de maneira extremamente
prática. Portanto, não encontramos nenhuma
doutrina na conclusão; tudo nesta seção é
experiencial e prático. Como veremos, nesta seção
Paulo nos fala de seu zelo em pregar o evangelho e de
seu desejo de visitar a Espanha. Ele nos fala que foi
encarregado de suprir as necessidades materiais dos
santos na Judéia e que os crentes gentios desejavam
ajudar os santos judeus nesta questão.
Em Romanos 16, as palavras “igreja” e “igrejas”
são usadas cinco vezes. Se lermos este capítulo
cuidadosamente no espírito, perceberemos que Paulo
o escreveu com um propósito definido. Cada
referência à igreja neste capítulo é experiencial e
prática. Em 16:1, Paulo fala de Febe, uma diaconisa
da igreja em Cencréia. Em 16:4, ele diz que as igrejas
dos gentios eram gratas a Prisca e Áqüila por terem
arriscado o pescoço por Paulo e também pelas igrejas.
Em 16:5, encontramos a menção da “igreja na casa
deles”, significando que a igreja em Roma reunia-se
na casa de Prisca e Áqüila. Em 16:16, ele menciona as
igrejas de Cristo e em 16:23, diz que Gaio era
hospedeiro de toda a igreja. O versículo 20 também é
muito importante: “E o Deus da paz em breve
esmagará debaixo dos vossos pés a Satanás. A graça
de nosso Senhor Jesus seja convosco.” Debaixo dos
pés de quem Satanás será esmagado pelo Deus da
paz? Debaixo dos pés das pessoas nas igrejas. Deus
esmagará Satanás debaixo dos pés do povo que
“igreja”, e a graça do Senhor Jesus será dispensada
para dentro deles. Por fim, Paulo envia suas
saudações a muitos santos; quase todo o capítulo é
dedicado a isso. Admiro a memória excelente de
Paulo, pois ele recorda os nomes de tantos santos e
menciona suas características particulares.
A conclusão de Romanos assemelha-se à pintura
de uma floresta. Se você olhar para essa pintura à
distância, somente verá a própria floresta; você será
incapaz de perceber as coisas ocultas, os tesouros
ocultos no interior das matas e sob as folhas das
árvores. Todas as vezes que, quando jovem, estudava
o livro de Romanos, eu pulava a conclusão, pensando
que havia completado as porções doutrinárias e que
não precisava dar atenção à lista de nomes no
capítulo dezesseis. Por achar esses nomes peculiares
difíceis de pronunciar, decidi estudar este livro
somente até 15:13 e os últimos três versículos do
capítulo dezesseis, os quais são uma melodia de
louvor a Deus e não devem ser negligenciados.
Recentemente, entretanto, o Espírito Santo
trouxe-me para dentro da floresta e me mostrou
alguns dos tesouros encobertos debaixo das sombras
lançadas pelas árvores. Agora creio que a conclusão é
a seção mais preciosa e valiosa de todo o livro de
Romanos. A vida prática da igreja está oculta sob as
sombras das árvores. Podemos dizer que as
saudações aos santos individuais são as árvores e que,
sob as árvores, estão as igrejas como os tesouros — a
igreja em Cencréia, as igrejas dos gentios, a igreja na
casa de Prisca e Áqüila, as igrejas de Cristo e a igreja
que recebeu a hospitalidade de Gaio. Agora quero
considerar estes tesouros ocultos em alguns detalhes.

I. A OFERTA DOS GENTIOS

A. Por Meio do Ministrar Cristo


Precisamos ler 15:16: “Para que eu seja ministro
de Cristo Jesus entre os gentios, ministrando como
sacerdote (lit.) o evangelho de Deus, de modo que a
oferta deles seja aceitável, uma vez santificada pelo
Espírito Santo.” Paulo foi ministro de Cristo, um
servo público servindo as pessoas com Cristo,
ministrando Cristo para o interior dos crentes
gentios. Ele era como um garçom, servindo as
pessoas à mesa de jantar com uma comida deliciosa.
Paulo era um garçom para mesa de jantar universal,
servindo as pessoas com Cristo. Todas as pessoas
àquela mesa de jantar estavam preenchidas com
Cristo, e Cristo tornou-se o elemento transformador
dentro do ser delas. Assim, os gentios foram
transformados com a essência do Cristo maravilhoso,
todo-inclusivo, que é o Espírito que dá vida. Além
disso, esse versículo revela que Paulo era um
sacerdote, pois ele estava ministrando como
sacerdote o evangelho de Deus. Como um sacerdote
ele ofereceu a Deus os crentes gentios como um doce
sacrifício para Sua satisfação. Os próprios gentios, a
quem ele serviu com Cristo, apresentou a Deus como
uma oferta.

B. Na Pregação Amplamente Difundida do


Evangelho
A oferta dos gentios tornou-se possível por meio
da pregação amplamente difundida do evangelho
(15:18-23). Em 15:19 Paulo diz que “desde Jerusalém
e circunvizinhanças, até ao Ilírico, tenho divulgado o
evangelho de Cristo.” Durante a época de Paulo, o
Ilírico era uma região remota no nordeste da Europa.
Paulo pregou o evangelho desde Jerusalém, uma
cidade culta, até uma região remota, inculta. Além
disso, ele desejou viajar até a Espanha (v. 24).
Nossa pregação do evangelho deve ser elevada.
Nosso evangelho não deve ser um tipo de evangelho
de ir para o céu; deve ser um evangelho que ministra
Cristo às pessoas. Precisamos ministrar Cristo às
pessoas para que elas sejam santificadas e
transformadas com a própria essência de Cristo e
desse modo tornarem-se uma oferta a Deus. Todas as
vezes e todos os lugares em que a igreja pregar o
evangelho, precisamos fazê-la com a convicção de que
estamos ministrando Cristo às pessoas, que estamos
servindo Cristo como comida a pecadores famintos.
Precisamos ministrar Cristo a eles a fim de que Cristo
se torne, no interior deles, o elemento santificador
para mudar o seu ser.

C. Santificada no Espírito Santo e Aceita por


Deus
Em 15:16, Paulo diz que “a oferta dos gentios,
santificada pelo Espírito Santo” (VRC). Ser
santificada significa ser separada, ser feita santa com
a transformação em vida. Paulo considera os crentes
gentios como uma doce oferta para Deus. Em tempos
passados eles eram um povo impuro e sujo, mas
agora estão santificados e tornaram-se uma oferta
agradável a Deus. Eles foram transformados e
conformados à imagem de Deus e assim são
totalmente aceitáveis a Deus. Isso foi o resultado de
Paulo ministrar Cristo para o interior dos gentios.
Quando Cristo foi trabalhado para dentro deles,
tornando-se seu próprio elemento, os gentios
tornaram-se uma oferta corporativa para Deus, uma
oferta que havia sido saturada com Cristo e permeada
com Sua essência divina. Portanto, foram
apresentados a Deus para a Sua satisfação.

II. A COMUNICAÇÃO EM AMOR

A. Entre os Santos Gentios e Judeus


Do ministrar de Cristo aos gentios e da oferta
deles como um sacrifício a Deus, desenvolveu-se a
comunhão de amor, a comunicação em amor entre os
santos gentios e judeus (15:25-28, 30, 32). Os santos
gentios comunicaram-se com os santos judeus por
meio da doação prática de coisas materiais.
Anteriormente, aos olhos dos judeus, os gentios eram
suínos; agora tornaram-se santos, uma oferta
aromática a Deus. Assim, os crentes gentios tinham
isto em seu coração: preocuparem-se com as
necessidades materiais dos seus irmãos judeus e
ofereceram suas próprias posses como expressão do
seu desejo de cuidar das necessidades dos santos na
Judéia. Quando o apóstolo Paulo foi até os gentios,
ele foi com Cristo e ministrou Cristo para dentro
deles. Quando retomou dos gentios para a Judéia, ele
retomou com os bens materiais para os santos
necessitados. Paulo foi com Cristo e retomou com os
bens materiais do amor dos santos. Este foi o
resultado do ministério de Paulo.
A espiritualidade de muitos cristãos hoje é
demasiadamente não prática. Eles dizem: “Sou por
Cristo e desejo levar Cristo a todo lugar, porém não
me importo com o dinheiro ou com os bens
materiais.” Se assim disser, isso pode significar que a
sua espiritualidade não é prática. Considere o
exemplo do apóstolo Paulo. Ele foi à Acaia e
Macedônia ministrando Cristo às pessoas. Qual foi o
resultado disso? O resultado foi que os crentes
gentios contribuíram com seus bens materiais para
cuidar dos ex-inimigos, seus irmãos judeus em Cristo.
Após os gentios terem sido convertidos, regenerados,
santificados e transformados, seu velho coração foi
removido e um novo coração foi implantado, um
coração de preocupação pelos irmãos judeus. Eles
expressaram essa preocupação de maneira prática,
doando coisas materiais. Eles não disseram: “Paulo,
estamos contigo, prosseguimos contigo e nossas
orações te seguem. Envia nossas saudações aos
queridos santos na Terra Santa.” Paulo exemplificou
a vida prática da igreja indo com Cristo e retomando
com os bens materiais. Essa é a comunicação genuína
em amor e a expressão prática da preocupação.

B. Para o Participar na Plenitude da Bênção


de Cristo
Vimos o relacionamento de Paulo com as duas
partes: os gentios, a quem ele ministrou Cristo, e os
judeus, a quem ele levou os bens materiais.
Entretanto, o versículo 15:29 revela seu
relacionamento com a terceira parte: os crentes em
Roma, a quem ele esperava ver em seu caminho para
a Espanha. Neste versículo, vemos como Paulo
esperava ir aos santos em Roma: “E bem sei que, ao
visitar-vos, irei na plenitude da bênção de Cristo.”
Paulo não falou isso em nenhuma outra epístola.
Paulo foi aos gentios com Cristo, retomou aos irmãos
judeus com os bens materiais e esperava visitar Roma
na plenitude da bênção de Cristo. Essa é a vida da
igreja. A vida da igreja tem sido preenchida com
Cristo, preenchida com amor na comunicação de
bens materiais, e preenchida com a plenitude da
bênção de Cristo. Espero ver em todas as igrejas na
restauração do Senhor que Cristo e ministrado às
pessoas em todo lugar, que essas pessoas
responderão com sinceridade e amor em seus bens
materiais, e que haverá também participação mútua
na plenitude da bênção de Cristo. Não devemos ser
aqueles que compartilham verdades doutrinárias
aonde quer que vão. Em qualquer lugar que formos,
devemos ir com a plenitude da bênção de Cristo.
Entretendo, antes que possamos Ir com a bênção de
Cristo, primeiramente nós mesmos devemos
experimentá-la. Paulo podia ir a qualquer lugar
compartilhar a plenitude da bênção de Cristo porque
ele tinha plena experiência dela. Quando viajarmos
pelas igrejas, não levemos conosco doutrinas e dons,
mas a plenitude da bênção de Cristo. Não é apenas
uma questão de doação de coisas materiais, embora
tal comunicação seja uma verdadeira expressão da
realidade de Cristo. Se temos a realidade de Cristo,
devemos nos derramar como uma expressão do nosso
amor para com os santos necessitados. Paulo foi
muito sábio, dando-nos um quadro da pratica
adequada da vida da igreja na experiência, não em
doutrina. Com Paulo vemos a experiência de todas as
riquezas de Cristo. Quando ele ia até as pessoas com a
plenitude da bênção de Cristo, isso significava que ele
ia até elas ministrando todas as riquezas de Cristo.

III. A COMUNHÃO DO CUIDADO

A. Entre os Santos, Entre as Igrejas


Creio que o apóstolo Paulo tomou a liderança na
comunhão do cuidado entre os santos e entre as
igrejas (16:1-19, 21-23). Paulo iniciou a comunhão do
cuidado. Ele tinha cuidado com os santos, os servos
do Senhor, e com as igrejas. Ele era um irmão que
estava totalmente imerso na comunhão do cuidado.
Todas as saudações particulares registradas em
Romanos 16 são uma evidência de seu cuidado de
longo alcance. Gosto deste capítulo porque revela que
as igrejas estão incluídas nessa comunhão do
cuidado. Essa comunhão do cuidado era entre os
santos dentro das igrejas e entre as igrejas.
Eu já disse que a igreja e as igrejas são
mencionadas cinco vezes em Romanos 16.
Examinemos agora cada ocorrência em maior
detalhe. Em 16:1, Paulo diz: “Recomendo-vos a nossa
irmã Febe, que é diaconisa da igreja que está em
Cencréia.” Febe era uma diaconisa, isto é, alguém que
servia. Paulo a tinha em tão alta estima que no
versículo seguinte diz que “tem sido patrona (lit.) de
muitos e também de mim.” O termo “patrona” em
grego é uma palavra de dignidade, denotando alguém
que ajuda, sustenta e supre. Uma: patrona é alguém
que permanece ao seu lado, o serve, nutre e alimenta,
e cuida de todas as suas necessidades. O fato de Paulo
usar esta palavra com referência a Febe revela o
quanto ela era apreciada e estimada. Febe era uma
irmã que servia aos outros a qualquer preço e a
qualquer custo. Se agimos a sério com o Senhor na
vida da igreja, precisamos também servir a igreja e
cuidar dela independentemente do preço. Se nos falta
um coração de cuidado pela igreja, somos indignos da
prática da vida da igreja. O primeiro requisito para a
prática da vida da igreja é que sirvamos a igreja. A
irmã Febe era a patrona da igreja. Da mesma forma,
todos devemos ser pessoas que servem na vida da
igreja.
Em segundo lugar, Paulo mostra que precisamos
a! riscar nosso pescoço pela igreja. Referindo-se a
Prisca e Aqüila, Paulo diz em 16:4 que eles “pela
minha vida arriscaram seus próprios pescoços (lit.); e
isto lhes agradeço, não somente eu mas também
todas as igrejas dos gentios.” Precisamos arriscar a
vida pela vida da igreja. Prisca e Áqüila não
consideravam a própria vida como preciosa para eles;
eles eram desejosos de cuidar das igrejas ao custo da
própria vida. Portanto, todas as igrejas das nações, do
mundo gentio, eram gratas a eles. Não pense que
Paulo falou de Prisca e Áqüila de uma maneira leve.
Ele escreveu com um propósito definido, mostrando
que se realmente amamos a igreja do Senhor,
precisamos arriscar nossa vida por ela. Devemos estar
desejosos de pagar este preço não apenas pela igreja,
mas também pelas igrejas. Alguns queridos santos
cuidam somente da igreja em sua localidade. Isso está
absolutamente errado. Prisca e Aqüila eram por todas
as igrejas. Embora seja correto estar estabelecido pelo
Senhor em um lugar específico, nosso coração deve
ser suficientemente largo e espaçoso para conter
todas as igrejas.
A terceira menção da igreja é em 16:5, onde
Paulo diz: “saudai também a igreja na casa deles”
(IBB — rev.), referindo-se à casa de Prisca e Áqüila.
Por um lado, este casal era por todas as igrejas; por
outro lado, eles, eram por sua igreja local em
particular. Quando viviam em Éfeso (At 18:18, 19), a
igreja em Éfeso estava em sua casa (1Co 16:19).
Quando estavam em Roma, a igreja em Roma
reunia-se em sua casa. A “igreja na casa deles”, no
versículo 5, era a igreja em Roma. Ter a igreja em sua
casa é um encargo muito pesado. Se você o
experimentar, verá que pesado encargo é. Contudo,
Prisca e Áqüila eram absolutos pela vida da igreja;
não se preocupavam pelo encargo pesado.
Em 16:16, Paulo diz: “As igrejas de Cristo vos
saúdam.” Subitamente Paulo menciona “as igrejas de
Cristo”. Onde quer que as igrejas estejam localizadas,
na sua cidade ou na minha cidade, elas devem ser as
igrejas de Cristo. Em cada localidade a igreja deve ser
a igreja de Cristo. Não diga que a igreja é a igreja do
irmão fulano. Falar assim é errado. Devemos todos
aprender a dizer: 'As igrejas de Cristo”.
A última menção da igreja em Romanos diz
respeito à hospitalidade. “Saúda-vos Gaio, meu
hospedeiro e de toda a igreja” (v. 23). Sem
hospitalidade há alguma coisa faltando na vida
prática da igreja. Se não há hospitalidade em uma
determinada igreja, essa igreja deve ser pobre.
Entretanto, quanto mais hospitalidade você tem,
mais rica será a sua vida da igreja. Gaio não foi
somente o hospedeiro de um apóstolo, mas o
hospedeiro de toda a igreja. Não creio que ele tenha
proporcionado hospitalidade para toda a igreja de
uma só vez, mas que provavelmente os santos que
viajavam para a sua cidade e que talvez permaneciam
lá por um pouco recebiam hospitalidade. Sua casa era
aberta e disponível a todos os santos. A genuína vida
da igreja depende desse tipo de hospitalidade.
Quando uma casa for aberta para a hospitalidade, ela
será preenchida com a bênção de Cristo. Louvamos
ao Senhor que quanto mais hospitalidade
oferecermos, maior será a nossa experiência da vida
da igreja. Isso é prático.
Em resumo, podemos fazer uma lista desses
cinco aspectos da vida da igreja: servir a igreja,
arriscar nossa vida pela igreja, ter a igreja em nossa
casa, nunca considerá-la como a igreja de alguém,
mas reconhecer que é a igreja de Cristo, estender a
hospitalidade a todos na igreja e ser um hospedeiro
para todas as igrejas. Em suas saudações registradas
em Romanos 16, Paulo revelou os indicadores
cruciais da vida da igreja adequada, tanto em uma
igreja local específica, quanto entre as igrejas. Suas
saudações também sublinham as qualidades de
muitos queridos santos, Assim, em Romanos 16,
vemos as igrejas nas localidades e os detalhes da vida
da igreja genuína expressados nos atributos e
virtudes de tantos santos. Esse é um quadro completo
da vida da igreja primitiva. Mais uma vez digo que em
Romanos não encontramos a doutrina da igreja;
observamos a praticalidade da vida da igreja.
Portanto, ' a consumação final do evangelho é a vida
da igreja.
Que grande contraste há entre Romanos 1 e
Romanos 16. No capítulo um vemos pecadores,
pessoas que são más, impuras e condenadas; no
capítulo dezesseis vemos as igrejas, que são santas e
gloriosas. Não há comparação. Como pecadores
miseráveis se tornaram igrejas gloriosas? Por meio do
lento processo revelado do capítulo um ao dezesseis,
o processo da redenção, justificação, santificação,
glorificação, eleição e transformação. Como resultado
de um longo processo, pecadores tornaram-se igrejas
gloriosas, igrejas que são santas e todavia tão
práticas.

B. Para o Esmagar de Satanás


Após a saudação que mostra a comunhão do
cuidado entre os santos e entre as igrejas, o apóstolo
declarou que o Deus da paz esmagará Satanás, e o
esmagará debaixo dos pés dos santos que estão na
vida da igreja (16:20). Isso mostra que o esmagar de
Satanás por Deus está relacionado à vida da igreja. Se
não estamos na igreja e não praticamos a vida da
igreja, será difícil termos Satanás esmagado debaixo
de nossos pés por Deus. A vida da igreja é o meio mais
forte pelo qual Deus vence Satanás. Sempre que
estamos separados da igreja, nos tornamos uma presa
para Satanás, pois, individualmente, é difícil para nós
lutarmos com Satanás. Mas, louvado seja o Senhor,
que quando estamos na igreja e somos um com o
Corpo, Satanás está debaixo de nossos pés e
desfrutamos Deus como o Deus da paz na vida da
igreja. Experimentamos e participamos da paz de
Deus pela nossa vitória sobre o causador de
problemas, Satanás. Enquanto Satanás, o causador de
problemas, não está debaixo dos nossos pés, é difícil
termos paz. Quando ele está esmagado debaixo dos
nossos pés na vida da igreja, temos a paz de Deus
como um sinal de nossa vitória sobre ele. Dessa
maneira, tanto o esmagar a Satanás quanto a paz de
Deus são experimentados na vida da igreja.

C. Para a Graça de Cristo Ser Dispensada a


Todos os Santos
Seguindo sua declaração de que Deus esmagará
Satanás debaixo dos pés do povo da igreja, o apóstolo
dá sua bênção a eles, dizendo que a graça do Senhor
Jesus fosse com eles (16:20). Isso mostra que é na
vida da igreja que a graça do Senhor Jesus é
dispensada para todos os santos. Grande quantidade
de crentes perdem esta' graça porque estão separados
da vida da igreja. Todos podemos testificar que temos
um desfrute rico da graça do Senhor quando estamos
vivendo nas igrejas e praticando a vida do Corpo com
todos os santos. A igreja é o lugar onde o Senhor
dispensa a Sua graça e onde podemos participar dela.
A igreja não é somente o lugar onde temos Satanás
esmagado debaixo dos nossos pés e experimentamos
o Deus da paz, mas é também o lugar onde
desfrutamos a rica graça do Senhor.

IV. O LOUVOR CONCLUSIVO


Leiamos 16:25-27: “Ora, àquele que é poderoso
para vos confirmar, segundo o meu evangelho e a
pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do
mistério guardado em silêncio desde os tempos
eternos, mas agora manifesto e, por meio das
Escrituras proféticas, segundo o mandamento do
Deus, eterno, dado a conhecer a todas as nações para
obediência da fé; ao único Deus sábio seja dada glória
por Jesus Cristo para todo o sempre. Amém” (VRC).
Este louvor conclusivo é como uma melodia. Paulo
refere-se a Deus como Aquele que tem “poder para
vos firmar” (lit.). Em Romanos 16, a nossa
necessidade não é mais a salvação ou a santificação; a
nossa necessidade é sermos firmados. Todas as coisas
foram consumadas e somente precisamos ser
firmados. Não somos firmados segundo doutrinas ou
verdades dispensacionais, mas' segundo o evangelho,
a pregação de Cristo e a revelação do mistério. Oh,
como os santos hoje precisam ser resgatados das
doutrinas e práticas causadoras de divisão e serem
firmados pelo evangelho puro e completo de Deus,
pelo pregar e ministrar do Cristo vivo e todo-inclusivo
e pela revelação do mistério de Deus! Somente o
evangelho puro, o Cristo vivo e o mistério de Deus
revelado podem firmar-nos e manter-nos em unidade
para a vida da igreja.
Este mistério, que foi guardado em silêncio nas
eras passadas e não havia sido revelado, é
principalmente de dois aspectos: um é o mistério de
Deus (Cl 2:2), o qual é Cristo, que está nos crentes (Cl
1:26, 27) como sua vida e seu tudo para que eles se
tornem os membros de Seu Corpo; o outro é o
mistério de Cristo (Ef 3:4-6), que é a igreja como o
Seu Corpo para expressar a Sua plenitude (Ef
1:22-23). Portanto, Cristo e a igreja são o grande
mistério (Ef 5:32). Primeiramente Romanos nos fala
como os crentes foram batiza dos em Cristo (6:3),
como Cristo foi trabalhado nos crentes (8:10), e como
os crentes revestiram-se de Cristo (13:14). Em
seguida revela como todos estes crentes são
edificados em um Corpo (12:4, 5) para expressar
Cristo. Assim as igrejas vieram a existir em muitas
cidades de uma maneira local e prática, com os santos
amando uns aos outros e tendo comunhão uns com os
outros entre todas as igrejas para expressar o Corpo
de Cristo para o cumprimento do mistério de Deus.
Esta é a consumação final do evangelho pleno de
Deus. Por meio disso é que Satanás é esmagado
debaixo dos pés dos santos (16:20), a graça de Cristo
é dispensada a todos os santos (16:20) e a glória é e
será a Deus para sempre e sempre (16:27). O Deus
eterno tornou este mistério conhecido a todas as
nações para obediência da fé.
Em Romanos 15 e 16, Deus é chamado o Deus da
perseverança e encorajamento (15:5), o Deus da
esperança (15:13), o Deus da paz (16:20), o Deus
eterno (16:26) e o único Deus sábio (16:27). Nosso
Deus é um Deus rico em muitos aspectos: em
perseverança, encorajamento, esperança, paz,
sabedoria e em ser eterno, e o evangelho em Romanos
é o evangelho deste Deus rico. O evangelho deste
Deus rico é consumado na vida prática da igreja.
Aleluia!
ESTUDO-VIDA DE ROMANOS
MENSAGEM 31
UMA PALAVRA CONCLUSIVA

I. DEUS EM ROMANOS
Vimos que Deus é revelado progressivamente ao
longo de todo o livro de Romanos. Neste livro, Deus é
revelado em doze situações. Em primeiro lugar,
Romanos mostra-nos Deus em Sua criação (1:19, 20).
Deus é invisível; contudo as coisas invisíveis de Deus,
tais como Seu eterno poder e Sua divindade, são
claramente vistas, sendo compreendidas pelas coisas
criadas por Ele.
Em segundo lugar, Romanos revela-nos Deus na
condenação (Rm 2). Após ser criado, o homem caiu e
tornou-se pecaminoso. Isso introduziu a condenação
de Deus.
Depois disso, Romanos apresenta-nos Deus na
redenção (Rm 3). A condenação de Deus revela a
necessidade de salvação do homem, mas para que o
Deus justo salve o homem pecaminoso, a redenção é
necessária.
Após a redenção, Deus é revelado na justificação
(Rm 3 e 4). Deus é justo, Ele não pode ser injusto. A
morte redentora de Cristo cumpriu e satisfez as
exigências justas de Deus para nós, pecadores.
Portanto, a redenção de Cristo não apenas
proporcionou a Deus a base justa para justificar
aqueles que crêem na redenção de Cristo, mas
também o próprio Deus é obrigado por Sua justiça a
fazer assim.
Em seguida, Deus é visto na reconciliação (Rm
5). Éramos não apenas pecadores, mas também
inimigos de Deus. A justificação de Deus está baseada
na redenção de Cristo e resulta em Sua reconciliação.
Aqui, exultamos em Deus e desfrutamos Dele ~m
tudo o que Ele é para nós.
Mais do que isso, Deus é percebido por nós em
nossa identificação com Cristo (Rm 6). Deus não
apenas nos reconciliou Consigo mesmo, mas também
identificou-nos com Cristo. Nascemos em Adão, mas
Deus transferiu-nos de Adão para Cristo. Em
Romanos 6, Deus se tornou o Deus na identificação,
tendo cumprido urna grande tarefa a fim de fazer-nos
um com Ele mesmo. Deus nos identificou com Ele
mesmo em Cristo.
Romanos também mostra que Deus é
experienciado por nós na santificação (Rm 6 a 8). Ele
nos fez um com Cristo, para que fôssemos
santificados não apenas posicionalmente mas
também disposicionalmente, Portanto, a
identificação resulta em santificação. Na santificação,
Ele é Deus em nosso espírito. O próprio Deus que nos
criou, redimiu e nos justificou está agora em nós! Ele
não é mais meramente objetivo para nós, mas é muito
subjetivo. Ele não está apenas nos céus, longe de nós,
está agora dentro de nós, em “nosso espírito” (8:16).
Romanos também revela que Deus é desfrutado
por nós na glorificação (Rm 8). Ele nos preconheceu,
predestinou, chamou e nos justificou. Agora, está
santificando-nos e Ele nos glorificará (8:29, 30).
Além disso, Deus é revelado a nós ainda mais em
Seu amor, que assegura o nosso destino (8:31-39). Na
justificação, Ele nos fez participantes da Sua justiça;
na santificação está trabalhando Sua santidade para
dentro do nosso ser e na glorificação nos levará para
Sua glória. Seu amor é a segurança de todas essas
coisas.
Deus também é visto em Sua eleição (Rm 9 a 11).
Não fornos nós que O elegemos, e, sim, foi Ele que
nos elegeu. Sua eleição é o nosso destino. Em Sua
eleição, fornos destinados a ter urna parte, urna
porção Nele.
Finalmente, Deus é glorificado no Corpo de
Cristo (Rm 12). No capítulo 12, Deus está no Corpo.
Ele não é apenas Deus no espírito dos crentes, mas
também é Deus em urna entidade corporativa e
coletiva.
Por fim, Romanos revela-nos que Deus é
expresso na vida da igreja (Rm 16). O Corpo de Cristo
é espiritual e universal. Ele deve ser expressado de
maneira prática como igrejas em várias localidades.
Deus é expresso em Cristo, Cristo é expresso em Seu
Corpo e o Corpo de Cristo é ex-presso nas igrejas.
Quando chegamos em Romanos 16, descobrimos que
Deus está nas igrejas locais. Por um lado, Deus está
em nosso espírito; por outro lado, está em todas as
igrejas locais.

II. A CONSUMAÇÃO DA OBRA DE DEUS


Em Romanos 1, encontramos a palavra “criação”,
em Romanos 16, encontramos a palavra “igrejas”. É
bem fácil dizer como Deus criou: Ele proferiu urna
palavra e a criação veio à existência. Entretanto, é
difícil dizer como Ele produziu as igrejas. Deus tinha
de executar urna obra em vários estágios, como parte
de um longo processo, que incluía a redenção,
justificação, reconciliação, regeneração, santificação,
transformação, conformação e glorificação. Como
resultado desse longo processo, Deus fez as igrejas.
As igrejas são o ápice, a consumação da obra e
edificação de Deus. Ele não pode ir além disso.
Portanto, o livro de Romanos acaba com o capítulo
dezesseis. Em Romanos 16, a obra do Senhor atingiu
o cume. Quando leio Romanos 16 fico satisfeito
porque Ele está satisfeito. Precisamos dizer a Deus:
“Senhor, Tu não podes prosseguir. Atingiste o ápice.”
Com o estabelecimento das igrejas em Romanos 16, o
Deus Eterno atingiu o pico de Sua obra e está
satisfeito.
A maioria dos mestres cristãos diz: “Olhem
adiante. Olhem para o futuro. Este mundo é maligno
e a era é negra. Não há nada de bom na terra. Espere
vir o futuro.” Entretanto esta não era a atitude de
Paulo no livro de Romanos. Se tivéssemos escrito
Romanos, adicionaríamos outro capítulo, dizendo:
“Amados irmãos, veja a pobre situação. Precisamos
olhar para o futuro, quando então seremos todos
arrebatados. Nesse tempo, estaremos no céu.” Paulo,
entretanto, não falou dessa maneira em Romanos, e
deve ter havido urna razão para não fazê-lo. Embora
os cristãos gostem de sonhar com o futuro no céu,
Paulo sabia que o Senhor deseja ter as igrejas na
terra. Pensamos no futuro, mas o Senhor quer que
tenhamos primeiramente a vida da igreja na época
atual. Paulo entendeu que o Senhor se satisfaz em
ter igrejas locais na terra.
Se você estudar todos os livros do Novo
Testamento, descobrirá que, além de Romanos,
nenhum outro termina com tal melodia, assim como
encontramos nos últimos três versículos do capítulo
dezesseis. Embora algumas pessoas tenham chamado
esses versículos de doxologia e bendizer, eu prefiro
chamá-los de melodia. Quando Paulo escreveu tais
palavras, estava empolgado, feliz e satisfeito. Não
apenas o livro de Apocalipse é concluído com tal
melodia. Em Romanos 16, temos as igrejas locais e
quando as temos, isso é suficiente para ficarmos
empolgados, felizes e satisfeitos. Uma vez que você
tem as igrejas locais, do que mais precisa? Depois que
Paulo desvendou a vida da igreja local, incluindo
muitas virtudes e atributos dos santos amados, ele
estava muito feliz e concluiu sua carta com uma
melodia de louvor.
Em seu louvor conclusivo, Paulo disse: “Ora,
àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o
meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo,
conforme a revelação do mistério guardado em
silêncio nos tempos eternos” (16:25). Não precisamos
de nada mais. Simplesmente precisamos reconhecer
que Deus nos deu tudo e então conservaremos o que
já temos. Paulo disse que Deus era de poder para nos
firmar segundo o seu evangelho, não segundo o
evangelho de Marcos ou Lucas. Qual é a diferença
entre os evangelhos de Marcos e Lucas e o evangelho
de Paulo? Em Marcos e Lucas temos a salvação, mas
em nenhum deles encontramos as igrejas. Entretanto,
o evangelho de Paulo inclui as igrejas e apresenta
uma figura da vida da igreja local, mencionando
pessoas tais como Febe, que servia a igreja, e Prisca e
Áqüila que arriscaram o próprio pescoço pelas
igrejas. Nunca se esqueça de que o evangelho de
Paulo tem dezesseis capítulos e não oito ou doze.
Digo mais uma vez que Paulo estava empolgado e
satisfeito no final de Romanos. Deus começou pela
criação e atingiu Seu ápice nas igrejas locais.
Portanto, Romanos é um extrato ou resumo de toda a
Bíblia. A Bíblia começa em Gênesis com a criação de
Deus e é concluída em Apocalipse com a Nova
Jerusalém, a totalidade de todas as igrejas locais e a
consumação da edificação de Deus. Romanos é
concluído com as igrejas locais e a Bíblia como um
todo é concluída com a Nova Jerusalém, como a
totalidade de todas as igrejas locais. Essa é a visão da
parte de Deus.

III. UMA VISÃO PRÁTICA


Agora precisamos considerar a visão da nossa
parte. No capítulo um, vimos que éramos pecadores e
nem a cultura ou a religião poderiam nos ajudar.
Independente do tipo de pessoa que éramos,
estávamos todos sob a condenação de Deus. Nossos
problemas começaram a ser resolvidos no capítulo
três com a redenção de Deus. Então veio a
justificação, a reconciliação, a identificação, a
santificação, a conformação e a glorificação. Em
seguida chegamos ao capítulo doze, onde nos
encontramos sendo transformados, no Corpo.
Tornamo-nos membros do Corpo. Muitos cristãos
estão satisfeitos com a experiência de Romanos 8.
Contanto que eles sejam santos e espirituais, estão
contentes. Entretanto, outros prosseguem um pouco
mais e falam acerca do Corpo revelado em Romanos
12. No entanto, se você indagar, descobrirá que
muitos deles estão desapontados e dizem: “Sabemos
que existe tal coisa como o Corpo, mas não temos
maneira de praticá-lo. Onde está o Corpo? Como
podemos tê-lo e praticá-lo?” Alguns cristãos usam os
termos “vida do Corpo” e “ministério do Corpo”, mas
consideram como ministério do Corpo umas poucas
pessoas ministrando, em vez de um só pastor. Esse é
o seu conceito de ministério do Corpo. Portanto,
preciso perguntar-lhes: Onde está o Corpo? Muitos
cristãos sequiosos não podem achá-lo e não têm uma
maneira de percebê-Lo.
Muitos daqueles que falam acerca de Romanos
12 têm negligenciado a prática de Romanos 14.
Entretanto, é impossível ter a realidade do capítulo
doze sem a prática apropriada do capítulo catorze.
Sem Romanos 14, não podemos ter o Corpo, porque
sem a prática do acolher os crentes revelada nesse
capítulo, os cristãos permanecerão divididos por
causa de conceitos doutrinários. A doutrina divide; a
vida une. A história. cristã provou cabalmente que
nenhuma doutrina edifica; toda doutrina causa
divisão. Quer seja a doutrina de acordo com a
Escritura ou não, certa ou errada ela ainda divide. O
cristianismo foi cortado em milhares de pedaços por
causa de todas as doutrinas diferente. Sem exceção,
toda doutrina produziu uma seita ou divisão. Não há
necessidade de dizer que as doutrinas heréticas
dividem até mesmo as doutrinas apropriadas,
corretas, fundamentadas de acordo com a Escritura,
espirituais, são causadoras 'de divisão. Portanto, não
deveríamos dedicar nossa atenção à doutrina. Em vez
disso, deveríamos orar: “Senhor, resgata-nos de todos
os conceitos doutrinários. Senhor, leva-nos para Ti
mesmo. Tu és nosso único conceito. Nosso conceito é
Cristo.” Cristo é um; as doutrinas são muitas. Cristo
precisa ser nosso único conceito.
Isto foi o que Paulo quis dizer quando nos falou:
“Ora, o Deus de paciência e consolação vos conceda o
mesmo sentir de uns para com os outros, segundo
Cristo Jesus” (15:5). Os crentes judeus, nos tempos
antigos, mantinham. muitos princípios doutrinários.
Também alguns crentes gentios. mantinham certos
conceitos filosóficos. Aprendemos, da história da
igreja, que na época do apóstolo Paulo os
antecedentes religiosos dos judeus e os antecedentes
culturais dos gentios causavam problemas na vida da
igreja. Embora os Judeus e gentios fossem genuínos
crentes no Senhor Jesus, trouxeram com eles os
conceitos dos seus antecedentes para vida da igreja;
os judeus trouxeram suas crenças religiosas e os
gentios seus conceitos filosóficos. Alguns assim
chamados crentes gentios consideravam que sua
filosofia correspondia a muitos ensinamentos
bíblicos. Como resultado, os santos achavam difícil
ser um. Assim, Paulo disse-lhes para abandonarem
seus conceitos doutrinários em favor da unidade.
Paulo disse aos crentes judeus e gentios que
igualmente viessem a Cristo e O tomassem como a
vida e conceito deles. Por isso Paulo disse aos crentes
que Cristo é tanto para a circuncisão, como para os
gentios. Cristo é a raiz de Jessé, a fonte de suprimento
para todos os judeus e Ele é Aquele que se levanta
para governar os gentios. O governo de Cristo sobre
os gentios é doce, gracioso e cheio de cura. Cristo
reúne tanto os judeus como os gentios em um Corpo.
Portanto, precisamos esquecer nossos antecedentes
Judeus ou gentios, religiosos ou filosóficos, e manter
Cristo como nosso I único conceito. Não devemos ter
nada além de Cristo. Se alguém lhe perguntasse sobre
filosofia, você deveria replicar: “Não conheço nada de
filosofia. O que conheço é somente Cristo.” Se alguém
lhe fizesse uma pergunta acerca de religião, você
deveria responder: “Não tenho religião. Cristo é
minha vida e o meu tudo. Tenho apenas Cristo.”
Cristo é a raiz de Jessé e é Aquele que governará
sobre os gentios.
No livro de Romanos, vemos que o apóstolo
Paulo era absolutamente pelas igrejas locais. Em 16:1,
recomendou Febe, uma diaconisa da igreja em
Cencréia. A primeira recomendação de Paulo foi de
uma irmã, servindo uma igreja local em particular.
Não recomendou nenhum crente que não estivesse
numa igreja local. Não diga: “Eu lhe recomendo a
irmã “Fulana”, que pertence ao Corpo de Cristo e que
está viajando pelo mundo.” Não tenho dúvida de que
tal irmã pertence ao Corpo de Cristo, mas onde está a
igreja dela? Uma vez que eu conheço a sua igreja,
gostaria então de saber que tipo de irmã ela é nessa
igreja. Ela participa das reuniões apenas nos
domingos de manhã a fim de receber ensinamentos?
É uma irmã que serve a igreja? Como serve a igreja? A
igreja é prática. Não deveria ser apenas um termo ou
teoria. Portanto, devemos ser práticos na vida da
igreja, participando em alguma função definida na
igreja local, assim como a irmã Febe fez na igreja em
Cencréia. No capítulo um, éramos pecadores sob a
condenação de Deus. Por meio do processo. dos
capítulos três a quinze, no capítulo dezesseis somos
os santos que compõem as igrejas locais. Louvado
seja Deus por Sua obra redentora, santificadora,
transformadora e edificadora! É a obra-prima de Seu
trabalho.

IV. OS ESTÁGIOS EM ROMANOS


No livro de Romanos vemos muitos estágios.
Muitos cristãos pararam no estágio da justificação em
Romanos 4. Alguns prosseguiram um pouco mais ao
estágio da santificação em Romanos 8. Outros
cristãos sequiosos foram até o capítulo doze e falaram
sobre o Corpo, embora falte-lhes a experiência
genuína do Corpo. Assim, Romanos 12 torna-se um
estágio, que podemos descrever como o estágio dos
que falam sobre o Corpo. Se você se contenta em
permanecer em Romanos 12, não terá o Corpo de
maneira prática e verdadeira, pois Ele é percebido
totalmente nas igrejas locais. Se você não está em
uma igreja local, não pode tocar o Corpo. A palavra
“Corpo” permanecerá simplesmente um termo vazio,
no que lhe diz respeito. Se você quiser estar no Corpo,
precisa estar em uma igreja local. Portanto, nosso
estágio é no capítulo dezesseis, o último estágio do
livro de Romanos. Onde você está? Passamos pelo
estágio da justificação, santificação e o estágio de
falar sobre o Corpo. Louvado seja o Senhor porque
estamos permanecendo nesse último estágio, nas
igrejas locais, onde percebemos a genuína vida do
Corpo. Quando você está descansando neste' estágio,
pode unir-se a Paulo em sua melodia conclusiva de
louvor.

V. UMA ADVERTÊNCIA COM RESPEITO À


DMSÁO
Apesar disso, em Romanos 16, um capítulo que
desvenda a consumação final da obra de Deus, Paulo
fala de algumas coisas negativas, porque Satanás, o
inimigo de Deus, ainda está trabalhando aqui. “E
rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem
dissensões e escândalos contra o ensinamento (lit.)
que aprendestes; desviais-vos deles. Porque os tais
não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu
ventre: e com suaves palavras e lisonjas enganam os
corações dos símplices” (vs. 17, 18 — VRC). Enquanto
estamos desfrutando a vida da igreja local,
precisamos estar atentos àqueles que causam
divisões. No versículo 17, Paulo refere-se ao
“ensinamento”. Que ensinamento é esse? É o
ensinamento do apóstolo, tal como no livro de
Romanos. Qualquer discussão ou dissensão contrária
ao ensinamento do apóstolo é provocador de divisão e
precisamos manter olhar vigilante e com
discernimento. De acordo com o versículo 17,
devemos nos afastar daqueles que causam divisões e
queda e que são contrários a esse ensinamento. Até
mesmo na época de Paulo havia o problema da
divisão causado pelos dissensores. Portanto, também
precisamos estar alertas. De outra maneira, nossa
vida da igreja poderá ser danificada pelo “falar suave
e lisonjeiro” dos dissensores, que estão do lado de
fora para enganar os símplices. A maior parte das
pessoas que estão “igrejando” são símplices. Devemos
ser símplices para estarmos na vida da igreja.
Entretanto, alguns podem vir a você com um falar
suave, lisonjeiro e eloqüente, procurando dividir a
igreja e fazê-lo cair. Não pense que você não pode' ser
enganado. Esteja alerta.
Como podemos discernir o falar dos que vêm a
nós com palavras lisonjeiras? Existe apenas uma
maneira. Devemos perguntar: Isso causa divisão?
Não aceite nenhum falar que cause divisão,
independente de quão suaves e lisonjeiras as palavras
possam ser. Devemos rejeitar qualquer falar contrário
ao ensinamento do livro de Romanos. Precisamos
rejeitá-lo fortemente. Além disso devemos nos afastar
daqueles que falam dessa maneira. Se Paulo
enfrentou esse tipo de dificuldade na sua época,
certamente isso ocorrerá na nossa, por causa da
sutileza do inimigo. Assim, enquanto estamos felizes,
empolgados e louvando o Senhor pela vida da igreja,
precisamos manter olho vigilante sobre aqueles que
causam divisões. Não deveríamos ser enganados por
palavras suaves de homens, mas deveríamos fazer
uma pergunta a nós mesmos: Este falar é contrário ao
ensinamento do apóstolo e é causador de divisão?
Devemos prestar atenção à advertência dada a nós
por Paulo no último capítulo de Romanos.
ESTUDO-VIDA DE ROMANOS
MENSAGEM 32
O CONCEITO BÁSICO DE ROMANOS
Nas trinta e uma mensagens anteriores,
abordamos o livro de Romanos de uma maneira
geral. Porém, há ainda certo número de pontos
cruciais relacionados à questão da vida, que precisam
ser abordados em pormenores. Começando com esta
mensagem, consideraremos esses pontos, um por
um, não levando em conta a seqüência dos capítulos
deste livro, mas nos importando com os importantes
aspectos da vida. Nesta mensagem abordaremos
alguns pontos básicos de Romanos 5, 6, 7 e 8.
Contudo, antes de avançarmos sobre estes
pontos básicos, desejo dizer-lhes uma palavra a
respeito do conceito básico deste livro. Romanos é
um livro bastante longo, contendo dezesseis
capítulos. Sem dúvida, Paulo deu o melhor de si para
condensar nestes capítulos tudo o que se relaciona à
salvação de Deus. Em todo tipo de escrita há o
pensamento básico do qual a escrita inteira depende.
Isto também é verdade quanto ao livro de Romanos.
Uma vez que Romanos é um livro longo e aborda
muitos pontos, é muito difícil para a maioria dos
leitores encontrar o pensamento básico.

O PENSAMENTO BÁSICO DE ROMANOS


Muitos cristãos dizem que o pensamento básico
de Romanos é a justificação pela fé, e outros dizem
que é a salvação de Deus. Esses pontos de vista não
são incorretos, mas são inadequados. O pensamento
básico deste livro é que Deus de pecadores está
fazendo filhos, para formar um corpo para Cristo, a
fim de que Ele possa ser expresso. Nós, pecadores,
somos o material básico que Deus está usando para
produzir muitos filhos para Ele mesmo. Paulo
recebeu uma revelação do plano eterno de Deus, do
propósito eterno de Deus. O plano eterno de Deus é
produzir muitos filhos para Ele mesmo, por meio
Dele mesmo como a vida deles. Isso significa que
Deus pretende trabalhar-se a Si mesmo, comovida,
para dentro de muitos pecadores, e que esses
pecadores tornar-se-ão Seus muitos filhos, após
serem redimidos e salvos e terem Sua vida. Todo
pecador que nasceu de Deus e recebeu a vida de Deus
tornou-se um de Seus filhos (Jo 1:12-13). Isso,
contudo, não é ainda o objetivo principal do
propósito de Deus. O objetivo principal do Seu
propósito é edificar todos esses filhos juntos, em um
Corpo, para expressar Cristo. A partir de pecadores,
Deus está fazendo filhos para formar o Corpo, para
expressar Cristo. Essa é uma exposição completa do
conceito fundamental do livro de Romanos. Esse era
um pensamento profundo no coração de Paulo e em
seu espírito, quando compôs este livro. Seus escritos
nesta Epístola estavam baseados nisso. Tendo esse
conceito como o conteúdo básico de Romanos Paulo
abordou muitos pormenores a ele relacionados em
dezesseis capítulos. Quando penetramos neste livro,
vemos que ele revela que Deus está trabalhando para
fazer filhos a partir de pecadores, para formar o
Corpo para expressar Cristo.

AS SEÇÕES PRINCIPAIS
Agora precisamos considerar as principais seções
do livro de Romanos. Nenhum dos outros livros na
Bíblia é tão bem organizado como Romanos.
Portanto, é fácil subdividi10. Este livro está
subdividido em três seções principais. O capítulo um
até o oito compõem a primeira seção; o capítulo nove
até o onze, a segunda seção; o doze até o dezesseis, a
tercei! a seção. Nesta mensagem colocaremos de lado,
temporariamente, a seção intermediária e
consideraremos apenas a primeira e a última seção.

A SALVAÇÃO PESSOAL
A primeira seção trata da salvação pessoal dos
que creêm em Cristo. Em outras palavras, é uma
seção referente à salvação pessoal. Não vemos o
Corpo nessa seção. Temos os muitos irmãos de Cristo,
mas ainda não temos os muitos membros do Corpo.
No capítulo oito lemos a respeito dos muitos irmãos
do Primogênito (v. 29). Embora os muitos irmãos
sejam, sem dúvida, os membros do Corpo de Cristo, o
capítulo oito não se refere a eles como membros, mas
como irmãos do Filho primogênito. No capítulo oito,
o conceito não foi tão longe a ponto de alcançar o
Corpo. É ainda uma questão da vida divina produzir
os muitos filhos. Assim, os muitos filhos são
chamados não os muitos membros do Corpo de
Cristo, mas os muitos irmãos do Filho primogênito.
No Novo Testamento, o Filho de Deus está
relacionado à vida. Se você tem o Filho de Deus, você
tem a vida (1Jo 5:11-12). Se você não tem o Filho, não
tem a vida. Porque temos a vida divina, tornamo-nos
irmãos do Filho primogênito. Agora Deus não apenas
tem o único Filho, apenas o Filho gerado, mas
também os muitos filhos, os irmãos do Primogênito.

O CORPO, A EXPRESSÃO DE CRISTO


A última seção de Romanos, dos capítulos doze
ao dezesseis, aborda o Corpo, a vida da igreja. Os
muitos irmãos no capítulo oito tornaram-se os
membros do Corpo no capítulo doze. Isso não é uma
questão de vida — a vida é completamente abordada
na primeira seção — mas uma questão de função. Ser
um filho é uma questão de vida, mas ser um membro
do Corpo é uma questão de função. Todos nós
devemos funcionar juntos como o Corpo, para
expressar Cristo.
Este Corpo deve ser expresso de uma maneira
prática, em todas as igrejas locais. Em outras
palavras, as igrejas locais são a expressão prática do
Corpo de Cristo. O Corpo de Cristo é a expressão de
Cristo e Cristo é a expressão de Deus. Deus é expresso
em Cristo, Cristo é expresso no Corpo e o Corpo é
expresso nas igrejas locais. Portanto, no capítulo
dezesseis temos as igrejas: a igreja em Cencréia (v. 1),
a igreja em Roma, que se reunia na casa de Prisca e
Áqüila (vs. 3, 5), as igrejas dos gentios (v. 4) e as
igrejas de Cristo (v. 16). Agora, somos as igrejas.
Aleluia! O Corpo está nas igrejas; Cristo está no
Corpo e Deus está em Cristo. Quão maravilhoso é
isso! Se vemos isso, então vemos o conceito básico
deste livro.
Essa questão é digna de toda nossa atenção. A
primeira seção de Romanos aborda a salvação pessoal
e a última seção aborda o Corpo, que não é uma
questão de salvação individual, mas de função
corporativa. A primeira seção é referente à salvação
individual e a última refere-se à função corporativa.
Essa função corporativa é o Corpo, que é expresso em
centenas e até mesmo em milhares de localidades,
como as igrejas locais. Essa é a razão pela qual Paulo
escreveu o capítulo dezesseis dessa maneira
maravilhosa, não doutrinariamente, mas na maneira
de experiência prática, na maneira de saudações. Por
meio de suas saudações, Paulo abriu uma janela
através da qual podemos olhar para as igrejas do
primeiro século. Romanos 16 é uma janela. Louvado
seja o Senhor por essa janela! Sem esse capítulo
nunca estaríamos tão claros quanto ao que estava
acontecendo nas igrejas naquele tempo.

NOSSAS AÇÕES EXPOSTAS


Consideremos agora algumas das questões
encontradas na primeira seção. Nessa seção, Paulo
primeiramente nos expõe em nossos feitos. Não
tenho palavras para expressar quão sujas, malignas,
perversas e feias são as coisas expostas por Paulo nos
capítulos revelados deste livro. Nesses capítulos, não
são as pessoas que são expostas, mas os seus feitos.
Deveríamos observar esse princípio ao pregar o
evangelho. Não exponha apressadamente o que as
pessoas são. Você precisa primeiro expor o que elas
fazem — suas ações, comportamento e atividades. Por
exemplo, quando você prega o evangelho, pode
perguntar a uma pessoa o que ela estava fazendo na
noite passada, às vinte e duas horas. Fizemos isso
muitas vezes. Uma vez, enquanto pregava o
evangelho na presença do Espírito Santo, apontei
para certo estudante jovem e disse: “Você sabe o que
você fez? Você

roubou giz da escola e trouxe-o para casa.”


Quando apontei o meu dedo para ele e disse aquelas
palavras, ele disse para si mesmo: “Isso não significa
nada.” Imediatamente respondi: “Você está dizendo
que isso não significa nada?” Aquilo o amedrontou.
Então eu disse: “Você trouxe o giz para casa e
desenhou círculos no chão.” Isso era exatamente o
que ele tinha feito. Após a mensagem, ele foi o
primeiro a se levantar e a aceitar Cristo. Com tremor
ele disse: “O irmão Lee apontou exatamente o que eu
fiz. Roubei o giz da escola e trouxe-o para casa.
Quando ele me disse que eu estava dizendo que isso
nada significava, aquilo foi justamente o que eu
estava dizendo, e desenhei círculos, exatamente como
ele disse.” Esse rapaz foi exposto em suas ações. Você
crê que pode suportar a exposição de Deus? Se Deus
fosse expor tudo o que fizemos no passado, não
seríamos capazes de resistir a isso, pois o que fizemos
foi sujo, feio, maligno e perverso.

CONSTITUÍDOS PECADORES
A partir de 5:12, Paulo não expõe o que fizemos,
mas o que somos. Somos constituídos pecadores
(5:19). Antes de termos pecado, já tínhamos sido
constituídos como pecadores. Tomem como exemplo
uma macieira. Antes de ela produzir maçãs, ela já é
um pé de maçã. Ela produz maçãs porque é uma
macieira. Se não fosse um pé de maçã, não seria capaz
de produzir maçãs. Do mesmo modo, cometemos
pecados porque somos pecadores. Não pense que nos
tornamos pecadores por cometermos pecados. Não,
cometemos pecados porque somos pecadores,
exatamente como a macieira produz maçãs, porque é
uma macieira. Não diga: “Eu não sou um pecador,
porque não faço coisas malignas. Sou sempre muito
bom.” Embora possa ser bom, você ainda é um
pecador, pois nasceu um pecador. Você foi
constituído um pecador antes mesmo de ter nascido.
Quando viemos ao mundo, viemos como pecadores.
Não pense que você se tornou um pecador depois de
ter nascido. Não, você foi constituído um pecador em
Adão, muito antes de ter nascido. Esse é o conceito de
Paulo. Assim, em nosso comportamento, somos
pecaminosos e em nosso ser somos constituídos
pecadores.
Além disso, somos também carentes da glória de
Deus (3:23). O pensamento de carecermos da glória
de Deus pode soar estranho para muitos. Nenhum
conceito humano pode explicar isso. As pessoas
podem entender-nos quando lhes falamos que suas
ações são pecaminosas e podem ser convencidas de
que foram constituídas pecadores. Porém, se lhes
dissermos que, como pecadores constituídos que
fazem coisas malignas, eles são carentes da glória de
Deus, eles dirão: “Que você quer dizer? Que é a glória
de Deus?” A glória de Deus é o próprio Deus expresso.
Sempre que Deus é expresso, a glória é vista. Fomos
feitos por Deus à Sua imagem para podermos
expressar a Sua glória. Contudo, pecamos. Agora, ao
invés de expressarmos Deus, expressamos pecado e o
nosso ego pecaminoso. Por isso somos carentes da
glória de Deus. Somos pecaminosos no que fazemos,
somos constituídos pecadores no que somos e somos
carentes da glória de Deus. Essa é a nossa situação,
nossa condição.

A JUSTIÇA DE DEUS IMPUTADA A NÓS


Como Deus pode fazer de tais pecadores, filhos?
Ele o pode somente por três coisas: pela Sua justiça,
santidade e glória. Em Romanos, Paulo nos diz que
Deus pôs Sua justiça sobre nós e que Ele imputou Sua
justiça para ser nossa (4:22-24). Isso significa que
Deus nos deu a Sua justiça. Porque fomos vestidos
com a justiça de Deus, podemos dizer: “Sou justo
porque estou na justiça de Deus. Fui completamente
coberto com Sua justiça.” Como isso é realizado?
Como a justiça de Deus pode ser contada como
nossa? É por meio da morte redentora de Cristo.
Visto que a justiça de Deus foi imputada a nós por
meio da morte de Cristo, nossas ações pecaminosas
foram apagadas da conta, e a justiça de Deus cobre
todo o nosso ser. Essa' é a justiça de Deus dada a nós
como nossa cobertura, por meio da morte redentora
de Cristo. Cristo morreu na cru~ para que
pudéssemos obter a justiça de Deus. Deus pôs Sua
justiça sobre nós, exatamente como o pai com a
melhor roupa vestiu o filho pródigo que “voltou.
Nessa parábola em Lucas 15, o pai disse aos seus
servos: “Trazei depressa a melhor roupa; vesti-o” (v.
22). Essa roupa significa à justiça de Deus, que é o
Cristo. Louvado seja o Senhor pelo fato de a justiça de
Deus ter sido vestida em nós! A justiça de Deus trata
tudo o que fizemos. Por meio da morte redentora de
Cristo, isso foi completamente realizado.

A SANTIDADE DE DEUS TRABALHADA


PARA DENTRO DE NÓS
Além disso, Deus agora está trabalhando Sua
santidade para dentro de nós. A santidade de Deus
não está sobre nós, está sendo trabalhada para dentro
de nós. Isso não é meramente uma questão de
cobertura externa, mas de um dispensar interior.
Como vimos, santidade é a natureza de Deus. Deus
trabalha Sua santidade para dentro de nós por meio
de infundir Sua natureza em nós. Ele faz isso por
meio de vir para dentro de nós para ser nossa vida.
Deus vem para dentro de nós como vida, para que Ele
possa saturar todas as partes interiores do nosso ser,
com o que Ele é. Mesmo agora, Deus está saturando
cada parte de nosso ser com o Seu elemento. Dessa
maneira, Deus nos fez santos. Isso não é justiça
exterior; é santidade interior. Ela nos faz santos, não
apenas posicionalmente, mas também
disposicionalmente, Isso é santificação.
A justiça de Deus foi imputada a nós por meio da
morte redentora de Cristo, e agora a santidade de
Deus está sendo trabalhada para dentro de nós, por
meio do viver de Cristo em nós. Cristo morreu na cruz
para que a justiça de Deus pudesse ser colocada sobre
nós e Cristo vive dentro de nós para que a santidade
de Deus possa ser trabalhada em nós. Louvo o Senhor
porque posso permanecer aqui e testificar
fortemente: “Por meio da morte redentora de Cristo,
a justiça de Deus foi colocada sobre mim. Posso
permanecer diante de Deus sem qualquer temor.
Estou completamente em paz na presença de Deus,
porque Sua justiça está sobre mim.” Posso também
testificar que a santidade de Deus está sendo
trabalhada para dentro de mim, por meio de Cristo
viver em mim. Hoje, Cristo está vivendo nas
profundezas do meu ser, para me saturar com tudo o
que Deus é. Constantemente estou sob esse processo
de saturação. Sempre que falo com minha esposa ou
filhos, Cristo está trabalhando para me saturar e me
permear completa e absolutamente. Dia após dia, a
natureza divina está sendo infundida para dentro de
mim, para me fazer santo disposicionalmente.
Contudo, devo confessar que embora este trabalho
esteja indo muito bem, ele ainda não está terminado,
porque certas partes do meu ser ainda não foram
saturadas com a natureza de Deus. A infusão divina
ainda está ocorrendo.
Às vezes pode parecer que essa infusão é
temporária, que ela não penetra profundamente o
nosso ser. Pode parecer com um arco-íris que aparece
no céu por uns poucos minutos; se você tenta
localizá-lo, ele desaparece. Nossa santidade é
algumas vezes assim. Podemos ser santos e
separados, mas por apenas alguns minutos. Por
exemplo, certa irmã pode ser muito santa
imediatamente após a vigília matinal. Porém, poucos
minutos mais tarde, ela pode agir como o próprio
diabo. Ainda que nossa santidade possa parecer
temporária, é fato que estamos debaixo da infusão de
Deus, do permear de Deus. O Seu trabalho de
saturação continua. a se processar. Não fique
desapontado. Mais cedo ou mais tarde seu
comportamento diabólico irá embora. Virá o tempo
quando você não será capaz de agir como o diabo,
mesmo se tentar fazer o melhor de si. Você será
aquele que foi completamente santificado com a
natureza de Deus.

A GLORIFICAÇÃO COM A GLÓRIA DE DEUS


Contudo, ainda há mais do que isso. Podemos ser
totalmente permeados com a santidade de Deus e
mesmo assim não estarmos em glória. Lembrem-se: a
última etapa do trabalho de Deus em nós é a
glorificação. Um dia, todos nós seremos glorificados
(8:30). Fomos justificados com a Sua justiça, estamos
sendo santificados com a Sua santidade e seremos
glorificados com a Sua glória. Todos nós seremos
introduzidos na glória. Como os filhos de Deus
glorificados, brilharemos com a Sua glória. Essa é a
salvação completa para todo aquele que crê em
Cristo. Todo o que crê no Senhor Jesus finalmente,
tornar-se-á um filho de Deus glorificado, levando a
justiça de Deus externamente, sendo saturado com a
santidade de Deus interiormente e brilhando na
esfera da Sua glória completa, como um de Seus
filhos. O dia da nossa glorificação será o tempo da
revelação dos filhos de Deus (8:19). Nesse tempo,
todos nós entraremos na liberdade da glória de Deus
(8:21). Então não haverá mais escravidão, limitação,
depressão ou repressão. Ao contrário, desfrutaremos
plena liberação e resplendor com a glória de Deus.
Essa será a salvação completa.

O CORAÇÃO DE DEUS
Como salientamos numa mensagem anterior,
após Paulo nos mostrar o trabalho da justiça de Deus,
o saturar de Sua santidade e a glorificação de Sua
glória, ele nos introduz no coração de Deus (8:31-39).
Deus faz tanto por nós, simplesmente porque nos
ama. Ele nos amou eternamente. Desde a eternidade
passada Deus nos amou e Ele ainda nos ama hoje.
Seu coração é nosso apoio, nossa segurança e o Seu
amor é nossa proteção. Não tenha qualquer dúvida
sobre sua salvação pessoal. Deus ama você e lhe
assegura que realizará tudo a seu favor. Se você
cooperar com Ele, Ele realizará isso suavemente. Se
não cooperar com Ele, Ele encontrará algumas
dificuldades, mas finalmente terminará. Embora
possa proporcionar-Lhe algum contratempo, você
não pode frustrá-Lo. Esse contratempo não significa
muito para Ele. Mais cedo ou mais tarde você dirá:
“Pai, eu Te adoro porque Tu me amas. Tu me
escolheste, predestinaste, chamaste e justificaste-me.
Louvado sejas, Senhor, porque Tu me santificaste e
ainda me glorificaste. Aqui estou em glória.” Um dia,
todos nós oraremos dessa maneira. Não mais
louvaremos o Senhor por tais coisas como carros e
casas. Pelo contrário, louvá-Lo-emos pela justiça de
Deus, santidade de Deus, glória de Deus e amor de
Deus. Essa é a estrutura dos oito primeiros capítulos
do livro. de Romanos.
ESTUDO-VIDA DE ROMANOS
MENSAGEM 33
OS PONTOS BÁSICOS NOS CAPÍTULOS CINCO A OITO
Nesta mensagem consideraremos alguns dos
pontos básicos em Romanos 5 a 8.

DOIS FATOS E DUAS EXPERIÊNCIAS


A última parte do capítulo 5 trata do fato de que
estivemos em Adão. É fato que uma vez estivemos em
Adão; ninguém pode negar isso. Todo ser humano ou
está em Adão ou esteve nele. O capítulo seis trata do
fato de que agora estamos em Cristo. Assim podemos
intitular Romanos 5 “Em Adão”, e Romanos 6 “Em
Cristo”. Lembrem-se, essas duas coisas são fatos, um
passado e outro presente. Estivemos em Adão, mas
agora estamos em Cristo. Quão melhor é este fato
presente!
O capítulo sete trata da experiência na carne.
Não é simplesmente um fato, mas uma experiência.
Portanto, sobre o capítulo sete podemos escrever “Na
carne”.
O capítulo oito trata da nossa experiência no
espírito. É difícil determinar se este é o Espírito Santo
ou o nosso espírito humano, porque refere-se ao
espírito amalgamado. Portanto, sobre o capítulo oito
podemos escrever “No espírito”.
Nos capítulos cinco e seis temos dois fatos, os
fatos de estarmos em Adão e em Cristo. Nos capítulos
sete e oito temos dois tipos de experiências, a
experiência na carne e a experiência no espírito . A
experiência na carne é a experiência do fato de
estarmos em Adão. O fato de se estar em Adão,
revelado no capítulo cinco, é experienciado na carne,
como descrito no capítulo sete. Se tivéssemos
somente o capítulo cinco sem o capítulo sete,
teríamos o fato de que estávamos mortos, mas não
teríamos a experiência. Da mesma forma, a
experiência no espírito, no capítulo oito, é a
experiência do fato de estar em Cristo, revelado no
capítulo seis. Em outras palavras, o fato de estar em
Cristo pode ser experimentado somente no espírito.

EM ADÃO
Em Adão há três coisas principais: o pecado, a
morte e o sermos constituídos pecadores (5:19). Em
Adão, herdamos o pecado, estávamos sob o reinar da
morte (5:12, 14) e éramos constituídos pecadores.
Sem dúvida, estávamos também sob a condenação de
Deus. Se éramos bons ou maus, nada significa.
Mesmo que fôssemos as melhores pessoas, em Adão
ainda éramos pecadores sob a condenação de Deus.
Em Adão herdamos o pecado, estávamos sob o reinar
da morte e éramos constituídos pecadores sob a
condenação de Deus. Estes são os fatos. Todos fomos
condenados mesmo antes de nascer. Essa era a nossa
situação.

EM CRISTO
Louvado seja o Senhor por termos o segundo
fato, o fato de estar em Cristo! Como resultado de
estar em Cristo temos graça com justiça (5:17). Em
Adão tivemos o pecado; em Cristo temos graça com a
justiça. O que temos não é só justiça ou só graça, mas
graça com a justiça. A graça com a justiça é contra o
pecado. Em Adão herdamos o pecado. Em Cristo
recebemos graça com o dom da justiça. A graça e a
justiça trabalham juntas porque a graça opera por
meio da justiça. Além disso, em Cristo temos a vida
eterna em lugar da morte. Podemos até reinar nesta
vida eterna (5:17). Embora a morte reinasse uma vez
sobre nós (5:14), agora podemos reinar em vida.
Ainda mais, em Cristo não estamos sob a condenação
de Deus; estamos debaixo da Sua justificação. Em
Cristo fomos todos justificados.
Talvez você esteja perguntando como pode estar
em Cristo. Não ternos dúvidas a respeito de estarmos
em Adão. Mas como podemos estar em Cristo? É por
sermos batizados para dentro Dele (6:3) e crendo
Nele (Jo 3:15). Ser batizado para dentro de Cristo
inclui crer Nele. Portanto, estamos em Cristo por crer
e por sermos batizados. Quando você crê em Cristo,
você, na verdade, crê a si mesmo para dentro Dele. Da
mesma forma, ser batizado dentro da água é um sinal
indicando que estamos sendo batizados para dentro
de Cristo. Deus nos pôs dentro de Cristo (1Co 1:30) e
devemos todos crer neste fato e contar com ele.
Aleluia, estamos em Cristo! Fomos transferidos de
Adão para dentro de Cristo. Hoje posso testificar
confiantemente que não estou mais em Adão — estou
em Cristo. Por estar em Cristo, Sua morte, Sua
ressurreição e tudo o que Ele é tornou-se meu. Tudo o
que Ele fez é meu porque estou Nele.
Considere o exemplo da arca de Noé. A arca, com
as oito pessoas dentro dela, passou por muitas coisas.
O que quer que a arca tenha passado foi também a
experiência daquelas oito pessoas, porque elas
estavam na arca. Este é um tipo claro do nosso estar
em Cristo. Cristo é a nossa arca e nos, o povo
ressurreto, estamos Nele. (O número oito significa
ressurreição). Tudo o que Cristo obteve e conseguiu, e
tudo o que Ele é, agora é nosso. Sua morte é nossa,
Sua ressurreição é nossa e Sua vida é nossa. A morte
de Cristo terminou com todas as coisas negativas no
universo, e Sua morte é nossa. Nada põe fim a uma
pessoa como a morte. Se alguém lhe perguntar se está
morto ou não, você deve responder fortemente: “Sim,
morri dois mil anos atrás (6:6). A morte de Cristo na
cruz resolveu tudo para mim e terminou comigo
completamente. Estou morto.” Louvado seja o Senhor
que estamos todos mortos! Por um lado morremos
com Cristo, por outro lado ressuscitamos com Ele
(6:8, 11). Estamos ressurretos, estamos vivendo e
estamos crescendo juntamente com Cristo na
semelhança da Sua ressurreição (6:5). Todos nós
devemos crer nesses fatos, reconhecê-los e nos
considerar de acordo com eles.
Se permanecermos nesses fatos, podemos nos
apresentar a Deus como escravos, e apresentar
nossos membros como armas de justiça para a
santificação (6:13, 19). Quando consideramos o fato
de que o nosso velho homem foi crucificado e que
estamos vivos para Deus em Cristo Jesus, e quando
nos apresentamos com todos os nossos membros
como armas de justiça para Deus, o caminho está
aberto para a vida divina trabalhar livremente dentro
do nosso ser. Esta vida divina transfundirá tudo o que
Deus é para dentro do nosso ser. Isso é santificação,
Não se trata da redenção objetiva na cruz; este é o
trabalho subjetivo e santificador de Deus em nosso
próprio ser.

NA CARNE
Após percebermos que morremos com Cristo,
devemos também ver que não temos mais nada a ver
com a lei. Por estarmos mortos, estamos libertos,
desobrigados da lei (7:6). Não volte para a lei. Voltar
para a lei significa decidir fazer o bem. Quando você
decide fazer o bem, você está retomando à lei. Se você
ora: “Ó Deus, ajuda-me a ser humilde de agora em
diante”, você está voltando à lei. Embora esteja
orando a Deus, você não está indo a Deus; está indo à
lei. Considere um marido que se arrepende por não
amar a mulher. Ele decide amar sua esposa de agora
em diante e pede ao Senhor para ajudá-lo a amá-la.
Essa oração indica que ele está voltando para a lei.
Posso assegurar-lhe que ele não será capaz de amá-la.
Por mais que ele tente amá-la, mais falhará em
amá-la. Ele encontrar-se-á em Romanos 7, na
situação de não fazer o que deseja mas de fazer o que
não deseja (7:19). Embora possa desejar amar a sua
esposa, você não pode fazê-lo. Você pode desejar
nunca se irar, mas por fim se ira como nunca. Por
quê? Porque indo à lei você está indo à fonte errada.
Você ainda não percebeu que é um caso
completamente sem esperança e sem solução.
Precisamos rejeitar a nós mesmos e dizer ao ego:
“Ego, não confio em você. Ego, não decida fazer coisa
alguma. Você não é apto para fazer qualquer coisa.”
Quando um marido é tentado a decidir amar a
mulher, ele deveria imediatamente dizer: “Satanás, vá
embora de mim. Jamais tentarei isso. Em vez disso,
eu rejeitarei o ego. Meu ego deve ir embora.”
Não decida fazer o bem. Paulo disse: “Pois o
querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo”
(7:18). Paulo prosseguiu dizendo: “Porque não faço o
bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço”
(7:19). Portanto, no versículo seguinte ele conclui:
“Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem
o faz, e, sim, o pecado que habita em mim.” (7:20).
Como mostramos, essa foi a experiência de Paulo
antes de ele ser salvo, mas quase todos os cristãos
passam por isso após serem salvos. Se não tivermos
tal experiência, não seremos expostos ao máximo e
não perceberemos quão sem esperança somos.
Talvez hoje mesmo você tenha decidido fazer o
bem. É tão natural, tão fácil querer isto. Quando
estava um pouco frio para com o Senhor, não decidiu
fazer-Lhe o bem, mas após ser reanimado e voltar-se
ao Senhor, você imediatamente decidiu fazer o bem.
Toda vez que decide fazer o bem, você faz um
mandamento, uma lei autoconfeccionada, para si
mesmo. Essas não são as leis dadas por Moisés; são as
leis decretadas pelo ego. Contudo, o princípio é o
mesmo. Quer seja uma lei dada por Moisés ou uma lei
feita pelo ego, você acabará sendo exposto.
Muitos anos atrás eu costumava orar: “Ó Senhor,
— não quero ficar irado com minha esposa. Quero ser
um bom esposo e amar minha esposa todo o tempo.
Senhor, ajuda-me a amá-la.” Segundo a minha
experiência, nunca recebi uma resposta para tal
oração. Na verdade, quanto mais eu orava sobre
perder a calma, mais eu a perdia. Se você não orar
dessa maneira, pode não perder a calma por uma ou
duas semanas. Mas se orar assim, você perderá a
calma logo após. Nos anos passados, muitas irmãs
vieram a mim e disseram que elas oravam sobre ter
uma boa atitude para com o marido e filhos, mas que
no mesmo dia que oravam, suas atitudes eram piores
do que nunca. Quando as pessoas me faziam tais
perguntas nos anos passados do meu ministério, eu
era como elas. Falando doutrinariamente, eu lhes
dizia que isto era para ajudá-las a saber o que elas
eram. Isso é mera doutrina para nós, até que um dia
somos forçados a perceber que não somos.
absolutamente bons. Uma vez que vemos isso, jamais
decidiremos fazer o bem. Em vez disso, iremos para
Romanos 8.

NO ESPÍRITO
Em Romanos 8 encontramos algo muito simples.
Esqueça-se de fazer o bem. A mente deve ser uma
esposa submissa, mas ela presume ser o esposo. No
capítulo sete, Paulo disse claramente: “Com a mente,
sou escravo da lei de Deus” (v. 25). Essa mente é
muito independente. A mente deveria ser uma
mulher, mas ela presume ser um homem. No capítulo
oito vemos que deveríamos simplesmente andar
segundo o espírito (8:4). Mas e a nossa mente? A
mente dever ser posta no espírito (8:6). Precisamos
andar segundo o espírito e pôr nossa mente no
espírito. Isso é suficiente. Não decida fazer o bem
nem ore para que o Senhor o ajude a fazer o bem.
Esqueça todos esses conceitos religiosos. Precisamos
andar, comportar-nos e ter nosso ser segundo o
espírito e continuamente pôr nossa mente no
espírito. Então teremos liberdade e o Cristo que
habita interiormente dispensará vida para dentro de
todas as partes do nosso ser, até mesmo para dentro
dos membros fracos do nosso corpo mortal (8:11).
Então, todo nosso ser será infundido com a vida
divina. Esta não é uma questão de fazer o bem, de
guardar a lei ou de cumprir os requisitos da lei. É uma
questão de vida vivida pelo nosso espírito. Essa vida
fará até mais do que cumprir os justos requisitos da
lei. Quando nos comportamos, andamos e temos
nosso ser segundo o espírito amalgamado, e quando
colocamos nossa mente no espírito, não permitindo à
mente agir por si só para fazer qualquer coisa,
desfrutamos o dispensar de vida pelo Cristo que
habita interiormente. Desfrutamos a salvação de
Deus e a santificação que procede do ser saturado
com a Sua vida.
ESTUDO-VIDA DE ROMANOS
MENSAGEM 34
SENDO LIBERTOS DO PECADO, DA LEI E DA CARNE
Na mensagem anterior vimos que o pensamento
central do livro de Romanos é que Deus está
transformando pecadores em filhos para formar o
Corpo de Cristo. Isto, e não a justificação pela fé, é o
conceito básico deste livro. Se não tivermos esta
visão, teremos uma compreensão muito superficial de
Romanos. Em suma, este livro não é meramente para
nossa salvação pessoal; é para a formação do Corpo
de Cristo.

QUATRO ESTAÇÕES
No livro de Romanos há quatro estações:
justificação, santificação, o Corpo e as igrejas. Todos
os cristãos podem ser classificados de acordo com
essas quatro estações. Muitos cristãos verdadeiros
pararam na estação da justificação. Eles foram
redimidos, justificados, reconciliados e salvos, mas
pararam sua jornada na justificação. Parece que eles
estão satisfeitos e não querem ouvir nada além. No
passado conversei com muitos cristãos sobre buscar o
Senhor e prosseguir com Ele. Mas alguns disseram:
“Não é bom o suficiente ser salvo? Fui salvo, o sangue
de Jesus me redimiu, fui regenerado e agora sou um
filho de Deus. Um dia irei para o céu. Por favor não
me perturbe com outras coisas.” Uma grande parte de
cristãos genuínos não vão além dessa estação.
Pela graça do Senhor, outros cristãos buscam o
que é chamado de vida profunda ou a vida interior.
Eles não estão satisfeitos meramente com
justificação, mas perseguem alguma coisa a mais,
mais elevada, mais rica e mais profunda. Estes
cristãos finalmente atingem a estação de santificação
em Romanos 8.
Após o fim da Segunda Guerra Mundial, alguns
dos santos na segunda estação começaram a falar
muito a respeito do Corpo. Segundo o livro de
Romanos, o capítulo doze é a estação da vida do
Corpo adequada. Mas de acordo com a experiência de
muitos cristãos hoje, não é, na verdade, a estação do
Corpo, mas a estação do falar do Corpo. Portanto,
podemos chamar estes cristãos de faladores do
Corpo. Quando vim para este país, estava surpreso
com toda a conversa sobre o ministério do Corpo.
Mais tarde aprendi que aquilo que se entendia por
ministério do Corpo era várias pessoas pregando,
uma a uma, ao invés de apenas uma pregando.
Embora os cristãos falem muito acerca do Corpo,
onde está o Corpo? Quanto mais falam a respeito do
Corpo, mais divisão provocam. Antes de 1945 não
havia tantas divisões nos Estados Unidos como há
hoje. Mas desde aquele tempo, centenas de pequenos
grupos começaram a se formar, quase todos eles
falavam sobre o Corpo.
Não temos o Corpo simplesmente por falar a
respeito do Corpo. O Corpo pode ser percebido
somente nas igrejas locais. Se você não tem a vida da
igreja, como pode ter o Corpo? Portanto, juntamente
com a terceira categoria de cristãos — os faladores do
Corpo-, há a quarta categoria: aqueles que praticam a
vida da igreja. Esta é a quarta estação em Romanos.
Onde você está com relação a essas quatro
estações? Tenho plena certeza de que estou na
estação quatro. Deus tem trabalhado e ainda está
trabalhando para transformar pecadores em filhos de
Deus. Esses filhos de Deus são os membros formando
o Corpo de Cristo para expressar Cristo. Como temos
visto, Deus está em Cristo, Cristo está em Seu Corpo e
Seu Corpo está nas igrejas locais. Este é o conceito
básico e o pensamento central deste livro. Se não
vemos isso, somos pessoas de visão curta.

CUIDANDO DO QUE TEMOS FEITO E DO


QUE SOMOS
Para cumprir a tarefa de produzir filhos a partir
de pecadores para formar o Corpo de Cristo, Deus
primeiramente teve de cuidar de nossos feitos
passados. Você ainda se lembra das coisas que fez
antes de ser salvo? Se você me fizesse essa pergunta,
eu diria: “Por favor, não me lembre disto. O que fiz no
passado foi muito sujo, maligno e feio. Eu não quero
falar sobre isto.” Se você pensa que seus feitos
passados não foram ruins, deixe-me perguntar se
você nunca roubou nada. Quando as pessoas me
dizem quão boas elas são, verifico com elas com
respeito ao roubar. Nenhum de nós pode se gloriar do
nosso passado. Uma vez que Deus não pôde nos
receber como Seus filhos com tal história passada
maligna, Ele teve de cuidar disso.
Deus não tratou somente com o que fizemos, mas
também com o que somos. Mesmo depois de sermos
salvos, não somos tão bons. Somos todos um
problema para os outros. As esposas são um
problema para os esposos, e os esposos são um
problema para as esposas. Os filhos são um problema
para os pais, e os pais são um problema para os filhos.
Sou um problema para meus vizinhos, para meus
parentes e para minha querida esposa e filhos. Graças
a Deus porque Ele cuida do que somos!
A morte de Cristo na cruz trata com o que
fizemos, e o Cristo ressurreto vivendo em nós trata
com o que somos. Pela Sua morte obtivemos justiça, e
portanto, estamos justificados na presença de Deus.
Por meio disso, o problema do nosso passado foi
resolvido. Agora Cristo está vivendo em nós,
operando a santidade de Deus para dentro do nosso
ser para cumprir por nós uma santificação subjetiva.
Sua morte trouxe a justiça de Deus a nós, mas Seu
habitar em nós opera a santidade de Deus para
dentro do nosso próprio ser. Dessa maneira Ele cuida
do que somos. Cuidando do nosso passado por meio
da Sua morte e cuidando do que somos pelo Seu viver
em nós, Ele está transformando pecadores nos
próprios filhos de Deus.
Quão maravilhoso isso é, mas ainda não é o fim
do processo. Na Sua vinda, o Senhor nos glorificará.
Ele levará nosso corpo mortal para dentro da glória
de Deus, transfigurando nosso corpo amortecido em
um corpo de glória. Nesse tempo seremos
introduzidos na filiação plena. Sua morte ganhou
para nós a justiça de Deus, Seu viver está operando a
santidade de Deus para dentro do nosso ser e Sua
volta nos levará para dentro da glória divina para que
possamos ter a plena filiação.

A EXPERIÊNCIA DE ESTAR EM ADÃO E EM


CRISTO
Na mensagem passada ressaltamos que em
Romanos 5 estamos em Adão, em Romanos 6
estamos em Cristo, em Romanos 7 estamos na carne e
em Romanos 8 estamos no espírito. Se estamos na
carne, experimentamos Adão e se estamos no espírito
experimentamos Cristo. O Adão no capítulo cinco
pode ser experimentado apenas na carne no capítulo
sete, e o Cristo no capítulo seis pode ser
experimentado apenas no espírito no capítulo oito.
Sem o capítulo sete não temos a experiência de estar
em Adão. Uma criança recém-nascida certamente
está em Adão. Mas com aquela pequena criança você
não vê a experiência de estar em Adão. Contudo,
quanto mais velhos somos, mais temos a experiência
de estar na carne. Tudo o que herdamos em Adão é
experimentado por nós de uma maneira prática na
carne. Quando vivemos na carne, experimentamos
todas as riquezas de Adão. Mães, embora vocês amem
seus pequenos bebês, aquele bebê é um grande
depósito das riquezas de Adão. Se você não crê nisso,
peço que espere vinte anos. Durante esses anos, as
riquezas estocadas de Adão serão mostradas a você
gradativamente. Então você dirá: “O irmão Lee estava
certo. Vinte anos atrás ele disse que esse pequenino
era um depósito das riquezas de Adão. Naquela época
eu não acreditei nele, mas agora, depois de vinte anos
de experiência, estou convencida. Todas as riquezas
de Adão estavam de fato estocadas naquela pequena
criança.” O que temos em Adão é experimentado por
estarmos na carne.
No mesmo princípio, o fato de estar em Cristo
pode ser experienciado apenas por estar no espírito.
Quando andamos segundo o espírito,
experimentamos todas as riquezas de Cristo. As
riquezas de Cristo são muito maiores do que as de
Adão. Mas para experimentá-las precisamos andar
segundo o espírito.

COLOCADOS PARA DENTRO DE CRISTO


Romanos 5:19 diz: “Porque, como pela
desobediência de um só homem muitos se tornaram
pecadores”. Você pode pensar que porque foi salvo,
não é mais um pecador. Em certo sentido concordo
com você. Entretanto, ainda temos o elemento
pecaminoso da nossa velha constituição. Somos
pecadores constituídos com pecado. Não somos
pecadores porque pecamos. Não, somos pecadores
porque somos constituídos com pecado. Até mesmo
antes de nascer, você já era um pecador. Quer
sejamos bons ou maus, todos fomos constituídos
pecadores.
Romanos 6:3 diz que nós “fomos batizados em
Cristo Jesus”. Isso significa que fomos colocados
dentro de Cristo. Nascemos em Adão, mas fomos
colocados dentro de Cristo. Nascemos no campo, na
esfera e no elemento de Adão, mas fomos transferidos
para o campo, a esfera e o elemento de Cristo. Este é
um fato e não depende de nossos sentimentos.
Quando digo que nasceu em Adão, você pode
replicar: “Eu não sinto que nasci em Adão.” Quer você
sinta ou não, contudo, isto é um fato. Por exemplo, é
um fato que estou nos Estados Unidos, embora possa
sentir como se estivesse em Taiwan. Por meio disso
podemos ver que nosso sentimento pode ser uma
mentira. Posso sentir-me como se fosse um rei, mas
sou, na verdade, um pequeno homem. Posso sentir
que sou muito bom, mas na realidade posso ser muito
pobre. Com respeito aos fatos espirituais, não
deveríamos depender de nossos sentimentos.
Em Romanos 6 há o fato de que fomos colocados
dentro de Cristo. Você está em Cristo agora? Alguns
podem responder: “Pode ser que eu esteja em Cristo,
mas não sinto que estou Nele. Como posso dizer que
estou em Cristo quando perdi a calma apenas uma
hora atrás? Se meu comportamento foi tão pobre uma
hora atrás, como posso estar em Cristo agora?” Mas
baseados no fato de Romanos 6, devemos declarar:
“Amém, estou em Cristo!” Em Romanos 6 temos o
fato de que fomos colocados dentro de Cristo. Quer
gostemos disso ou não e quer sintamos ou não, não
importa. O fato permanece o fato. Nós estamos em
Cristo.

NOSSO VELHO HOMEM SENDO


CRUCIFICADO COM CRISTO
Romanos 6:6 diz: “Sabendo isto, que foi
crucificado com ele o nosso velho homem, para que o
corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o
pecado como escravos”. Por meio da morte de Cristo,
nosso velho homem foi terminado. Ele teve até
mesmo um funeral. Você sabe que nosso velho
homem foi crucificado com Cristo e enterrado? Se
cremos que estamos em Cristo, então também
devemos crer que nosso velho homem foi crucificado
com Ele. Se sentimos ou não dessa forma, é um fato
que nosso velho homem está morto e enterrado. Por
isso Paulo diz: “Sabendo isto, que foi crucificado com
ele o nosso velho homem”. Em Cristo, o nosso velho
homem foi morto.

O CORPO DO PECADO SENDO FEITO DE


NENHUM EFEITO
Uma vez que nosso velho homem foi crucificado
e enterrado, “o corpo do pecado” foi “destruído”
(6:6). Por causa da queda, nosso corpo é um corpo de
pecado. Como tal corpo caído, é bom apenas para
cometer pecados. Nesse corpo não há nada exceto
pecado. Por isso em 7:19 e 20 Paulo diz: “Porque não
faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse
faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu
quem o faz, e, sim, o pecado que habita em mim.” O
pecado habitando em nosso corpo o torna “o corpo do
pecado”. Por mais cansados que estejamos, nosso
corpo é muito ativo quando há oportunidade para
pecar. Por exemplo, algumas pessoas podem jogar
por três dias e três noites sem dormir ou comer
adequadamente. Mas nenhum empregado poderia
trabalhar por setenta e duas horas sem dormir. Pelo
contrário, um empregado queixar-se-ia se fosse
compelido a isso. Mas ninguém em uma mesa de
jogos se queixa de cansaço, porque todos estão cheios
de energia porque o corpo é um corpo do pecado. Eu
nunca vi um jogador dizer que ele estava cansado e
queria ir para casa. Mesmo se a esposa de um homem
implorasse para que ele fosse para casa, ele ficaria na
mesa de jogos por mais algumas horas. Isso indica
que o corpo nunca está cansado de pecar, embora
possa cansar-se facilmente de outras coisas. Quando
os pais incumbem os filhos de fazer a tarefa, os filhos
sempre dizem: “Oh, estou tão cansado. Além do mais,
não estou sentindo-me bem.” Mas quando é para
fazer alguma coisa pecaminosa, o corpo está cheio de
energia.
Porque o nosso velho homem foi sepultado com
Cristo, o corpo do pecado perdeu seu emprego.
Tornou-se de nenhum efeito porque a pessoa que
peca, o velho homem, foi crucificado. O corpo não é a
pessoa que peca; é o instrumento pecador, o meio
pelo qual a pessoa comete coisas pecaminosas. Mas
agora que a pessoa foi enterrada, o corpo do pecado
está desempregado. Isso significa que fomos libertos
do pecado. Uma vez que nosso velho homem foi
crucificado e enterrado com Cristo, estamos libertos
do pecado. Este é o ponto principal de Romanos 6.

O PROBLEMA DA LEI
No tempo da queda, o pecado entrou no homem.
Contudo, o homem não percebeu quão pecaminoso
era. Isso trouxe a necessidade de Deus dar ao homem
a lei para que a pecaminosidade do homem pudesse
ser exposta. Embora a lei não devesse ser um
problema, tornou-se contudo um problema. A
intenção de Deus em dar ao homem a lei era para
expô-lo e convencê-lo de sua pecaminosidade. Mas
apesar de o homem ser exposto pelos requisitos da
lei, ele ainda se recusou a admitir que era pecador.
Pelo contrário, ele usou a lei de uma maneira
imprópria, como se dissesse: “A lei é excelente. Eu
cumprirei todos os seus requisitos.” A intenção de
Deus era usar a lei para expor o homem, mas o
homem pensou que a podia guardar. Contudo, o
propósito de Deus ao dar a lei foi cumprido. Quanto
mais o homem tentou guardar a lei, mais a infringiu,
e quanto mais infringiu a lei, mais foi exposto. Assim
não temos apenas o problema do pecado, mas
também o problema da lei.
Como temos visto, o problema do pecado é
resolvido em Romanos 6. Mas como pode ser
resolvido o problema da lei? Em Romanos 7 temos o
caminho para sermos libertos da lei. O caminho para
ser livre da lei, bem como o caminho para ser liberto
do pecado é por meio da morte do velho homem. No
capítulo seis, nosso velho homem é a pessoa que peca,
mas no capítulo sete nosso velho homem é o marido
que se auto-assumiu. O velho homem não deveria ter
sido o marido, ao invés disso, ele deveria ser a
mulher. O velho homem, contudo, não manteve sua
posição, mas assumiu a posição de marido. Louvado
seja o Senhor que o velho homem como a pessoa que
peca e como o marido que se auto-assumiu foi
crucificado e sepultado! Agora estamos libertos do
pecado e da lei. Isso abrange a primeira parte de
Romanos 7.

O PROBLEMA DA CARNE
Na segunda parte deste capítulo temos um outro
problema: a carne. O pecado levou nosso corpo a
tornar-se um corpo de carne pecaminosa. Assim,
juntamente com o problema do pecado, temos o
problema do corpo caído, a carne pecaminosa. Nosso
corpo caído de maneira alguma é bom; ele se tornou a
carne. Em 7:18 Paulo diz: “Porque eu sei que em mim,
isto é, na minha carne, não habita bem nenhum”.
Posicionando-se absolutamente ao lado da lei de
Deus, Paulo sinceramente queria fazer o bem e
guardar a lei, mas ele notou que a sua carne, que se
opunha ao seu desejo, era uma grande frustração. Em
7:22 e 23 ele diz: “Porque, no tocante ao homem
interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo nos
meus membros outra lei que, guerreando contra a lei
da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado
que está nos meus membros.” Em 7:25 ele diz: “Com
a mente sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a
carne da lei do pecado.” Todos nós precisamos ser
libertos do pecado, da lei e da carne, todos os quais
vieram como um resultado de nossa queda.

LIBERTOS DA CARNE POR ANDAR


SEGUNDO O ESPÍRITO
Como temos visto, Romanos 5 diz que fomos
constituídos pecadores. Como tais pecadores, temos
os problemas do pecado, da lei e da carne. Fomos
libertos do pecado por ter nosso velho homem como a
pessoa que peca, crucificado. Somos libertos da lei
por ter nosso velho homem, como o marido que se
auto-assumiu, crucificado. O caminho para ser liberto
da carne é encontrado em Romanos 8, onde vemos
que somos libertos da carne por andar segundo o
espírito. Quando andamos segundo o espírito somos
espontaneamente libertos da carne. Se não andamos
segundo o espírito ainda estamos na carne, embora
possamos estar libertos tanto do pecado como da lei.
A única maneira de ser liberto da carne é estar no
espírito e andar segundo o espírito.
Nos capítulos de cinco a oito, temos quatro
pontos principais. O ponto principal no capítulo cinco
é que fomos constituídos pecadores. O principal
ponto no capítulo seis é que o nosso velho homem foi
crucificado e que fomos libertos do pecado. O
principal ponto no capítulo sete é que o nosso velho
marido foi crucificado e que fomos libertos da lei. O
principal ponto no capítulo oito é que quando
estamos no espírito e andamos segundo o espírito,
somos libertos da carne e não mais sujeitos a ela.
“Somos devedores, não à carne como se
constrangidos a viver segundo a carne” (8:12).
Precisamos aplicar isso em nosso viver diário.
Suponha que eu ofenda um irmão quando estou
trabalhando com ele. Por um lado, verdadeiramente o
amo; por outro lado, não consigo deixar de ofendê-la.
Depois de ofendê-la, minha consciência é perturbada
e vou ao Senhor, confesso, recebo perdão e sou lavado
pelo sangue. Imediatamente após isso, posso tomar
uma decisão e dizer: “Não farei isso novamente . De
agora em diante não falarei com meu irmão de tal
maneira.” Então ajoelho e oro: “Oh! Senhor, Tu me
perdoaste! Senhor, eu oro porque de agora em diante
Tu me ajudarás a não fazer isso novamente.” Logo
após orar dessa maneira, vou trabalhar com esse
irmão de novo. Por algum motivo, trabalhar com ele
dessa vez está tão difícil que eu não consigo agüentar.
Depois de uns poucos minutos, perco a minha calma
e novamente tenho uma grande falha. Novamente me
arrependo, confesso, peço perdão e aplico o sangue.
Mas agora estou envergonhado de tomar uma
decisão, porque comecei a sentir que isso não
funciona muito bem. Contudo, mais tarde durante o
dia, decido tentar novamente e peço ao Senhor para
me ajudar mais uma vez.
Romanos 7:18 diz: “Pois o querer o bem está em
mim; não, porém, o efetuá-lo.” Desejar fazer o bem e
não perder a nossa calma está sempre em nós.
Contudo, fazer o que desejamos não está presente.
Em 7:19 Paulo diz: “Porque não faço o bem que
prefiro”. Meu tratamento com o irmão no exemplo
mencionado acima era metade espiritual e metade
não espiritual; era metade de misericórdia e graça e
metade da lei. Eu fiz uma confissão, apliquei o sangue
e pedi perdão ao Senhor. Tudo isso era proveniente
da graça. Mas, então, decidi fazer o bem e orei para
que pudesse me sair bem. Isso era de acordo com a
lei. Ao confessar e aplicar o sangue, fui a Romanos 3 e
4. Isso estava correto. Mas quando decidi querer, fui a
Romanos 7. Todo cristão comete esse erro, talvez
centenas e até mesmo milhares de vezes. Quando era
jovem, repetia esse erro mais de cinqüenta vezes por
dia. Como alguém que verdadeiramente buscava
santidade, descobri' que sempre tinha pensamentos
não santos. Por exemplo, eu podia falar
bondosamente a um irmão exteriormente, mas
interiormente n