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‘Contos dos Orixás’ transforma divindades afro em super-

heróis de gibi
Após financiamento coletivo, projeto de quadrinhos que busca quebrar
preconceitos é lançado

SARAH PANDA (PONTE)

7 DEZ 2018 - 22:01 BRST

Um homem negro, forte com superpoderes. Poderia ser o Pantera


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Negra, mas aqui é o Rei Xangô, protagonista de Contos dos Orixás. O
livro (Graphic Novel) de 120 páginas traz histórias de mitos do povo
Yorubá no estilo dos heróis em quadrinhos da Marvel. O projeto do
quadrinista Hugo Canuto, 32 anos, começou em 2016. Primeiro, com
pôsteres e revistas. Dois anos e meio depois, acaba de ficar pronta a
O brasileiro que
venceu ‘Oscar’ dos história em quadrinhos com narrativas cheias de ação com Yemanjá,
quadrinhos com
Iansã , Oxum e outros. O lançamento será em São Paulo, no CCXP
história sobre
escravidão (Comic Con Experience), no São Paulo Expo, na Rodovia dos
Imigrantes,
Chega ao cinemakm
a 1,5, que acontece de quinta-feira (6/12) até domingo
(9/12).

O Contos dos Orixás só foi possível por um financiamento coletivo


bem sucedido pela internet. Embora a campanha ainda esteja no ar
primeira heroína
‘plus size’ até 18 de janeiro de 2019, no Catarse, o crowdfunding que era de
20.000 reais atingiu três vezes essa meta. Dependendo do valor da
colaboração, é possível receber revistas impressas e o livro em casa.
Como Hugo consegui mais do que esperava, decidiu destinar parte do recurso para
programas sociais de Salvador, sua cidade natal. Também serão doados 100
exemplares para espaços culturais.

O apoio veio principalmente do mundo dos quadrinhos e de muitas comunidades


religiosas que cultuam os orixás como Candomblé, Umbanda e Santeria Cubana.
“Tratamos o tema com respeito e cuidado, de modo a honrar a cultura e herança
espiritual africanas, não entrar em polêmicas ou expor fundamentos sagrados”, explica
Canuto. “Hoje, nosso trabalho é constantemente utilizado como referência em salas de
aula, presente em livros didáticos, citado por teses universitárias e exposições em
países como Estados Unidos e Inglaterra”.
Apesar de não ser uma obra estritamente religiosa, Canuto sabia da responsabilidade
em falar sobre figuras sagradas para tantas pessoas, ainda mais sendo um autêntico
soteropolitano. Fez a lição de casa. Visitou terreiros e estudou muito. “Tivemos
sugestões, acompanhamento, com destaque para o professor Mawô Adelson S. de
Brito, sacerdote e físico, principalmente nas questões da língua e cultura Yorubá, de
quem fui aluno”.

Canuto explica que os Yorubá são uma das mais tradicionais civilizações da África
Ocidental, originalmente de territórios onde hoje estão a Nigéria, e partes do Benin e do
Togo. “Através da terrível diáspora, parte dos saberes disseminou para Brasil e Cuba”,
conta. O artista lamenta a falta de representatividade da cultura afro-brasileira no nosso
dia a dia. “Acredito no poder da arte e das histórias para transformar mentalidades,
desconstruir pré-conceitos e ampliar os horizontes críticos e da imaginação”. Talvez
esse seja o super-poder de Hugo Canuto: com um papel, um lápis e uma ideia distribuir
mais que revistinhas. Uma ferramenta para dissolver preconceitos. “É um instrumento
de força e empoderamento artístico na luta cotidiana por respeito, reconhecimento e
resistência seculares”, conclui.

Adere a

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