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Toda e qualquer fonte de movimento no mundo, seja uma pessoa, seja uma coisa,

seja um
pensamento, é um “motor movido”. Dessa sorte, o arado move a terra, a mão move o
arado, o
cérebro move a mão, o desejo de alimento move o cérebro, o instinto da vida move o
desejo
de alimento, e assim por diante. Em outras palavras, a causa de todo movimento é o
resultado
de outro movimento qualquer, o amo de todo escravo é escravo de algum outro amo.
O
próprio tirano é escravo de sua ambição. Deus, no entanto, não pode ser resultado de
nenhuma
ação. Não pode ser escravo de amo nenhum. É a fonte de toda a ação, o amo de
todos os
amos, o instigador de todo o pensamento, o “motor não movido do mundo

Deus, ou quer impedir os males e não pode, ou pode e não quer, ou não quer
nem pode, ou quer e pode.
Se quer e não pode, é impotente: o que é impossível em Deus.
Se pode e não quer, é invejoso: o que, do mesmo modo, é contrário a Deus.
Se nem quer nem pode, é invejoso e impotente: portanto nem sequer é Deus.
Se pode e quer, que é a única coisa compatível com Deus, donde provém
então existência dos males?
Por que razão é que não os impede?

Talvez eu venha a envelhecer rápido demais.Mas lutarei para que cada dia tenha
valido a pena.
Talvez eu sofra inúmeras desilusões no decorrer de minha vida.Mas farei que elas
percam a importância diante dos gestos de amor que encontrei.
Talvez eu não tenha forças para realizar todos os meus ideais.Mas jamais irei me
considerar um derrotado.
Talvez em algum instante eu sofra uma terrível queda.Mas não ficarei por muito tempo
olhando para o chão.
Talvez um dia o sol deixe de brilhar.Mas então irei me banhar na chuva.
Talvez um dia eu sofra alguma injustiça.Mas jamais irei assumir o papel de vítima.
Talvez eu tenha que enfrentar alguns inimigos.Mas terei humildade para aceitar as
mãos que se estenderão em minha direção.
Talvez numa dessas noites frias, eu derrame muitas lágrimas.Mas não terei vergonha
por esse gesto.
Talvez eu seja enganado inúmeras vezes.Mas não deixarei de acreditar que em algum
lugar alguém merece a minha confiança.
Talvez com o tempo eu perceba que cometi grandes erros.Mas não desistirei de
continuar trilhando meu caminho.
Talvez com o decorrer dos anos eu perca grandes amizades.Mas irei aprender que
aqueles que realmente são meus verdadeiros amigos nunca estarão perdidos.
Talvez algumas pessoas queiram o meu mal.Mas irei continuar plantando a semente
da fraternidade por onde passar.
Talvez eu fique triste ao concluir que não consigo seguir o ritmo da música.Mas então,
farei que a música siga o compasso dos meus passos.
Talvez eu nunca consiga enxergar um arco-íris.Mas aprenderei a desenhar um, nem
que seja dentro do meu coração.
Talvez hoje eu me sinta fraco.Mas amanhã irei recomeçar, nem que seja de uma
maneira diferente.
Talvez eu não aprenda todas as lições necessárias.Mas terei a consciência que os
verdadeiros ensinamentos já estão gravados em minha alma.
Talvez eu me deprima por não ser capaz de saber a letra daquela música.Mas ficarei
feliz com as outras capacidades que possuo.
Talvez eu não tenha motivos para grandes comemorações.Mas não deixarei de me
alegrar com as pequenas conquistas.
Talvez a vontade de abandonar tudo torne-se a minha companheira.Mas ao invés de
fugir, irei correr atrás do que almejo.
Talvez eu não seja exatamente quem gostaria de ser.Mas passarei a admirar quem
sou.Porque no final saberei que, mesmo com incontáveis dúvidas, eu sou capaz de
construir uma vida melhor.
E se ainda não me convenci disso, é porque como diz aquele ditado: “ainda não
chegou o fim”Porque no final não haverá nenhum “talvez” e sim a certeza de que a
minha vida valeu a pena e eu fiz o melhor que podia.

AS TRÊS PENEIRAS

Um rapaz procurou Sócrates e disse-lhe que precisava contar-lhe algo sobre alguém.

Sócrates ergueu os olhos do livro que estava lendo e perguntou:

- O que você vai me contar já passou pelas três peneiras?

- Três peneiras? - indagou o rapaz.

- Sim! A primeira peneira é a VERDADE. O que você quer me contar dos outros é um
fato? Caso tenha ouvido falar, a coisa deve morrer aqui mesmo. Suponhamos que
seja verdade. Deve, então, passar pela segunda peneira: a BONDADE. O que você
vai contar é uma coisa boa? Ajuda a construir ou destruir o caminho, a fama do
próximo? Se o que você quer contar é verdade e é coisa boa, deverá passar ainda
pela terceira peneira: a NECESSIDADE. Convém contar? Resolve alguma coisa?
Ajuda a comunidade? Pode melhorar o planeta?

Arremata Sócrates:

Se passou pelas três peneiras, conte! Tanto eu, como você e seu irmão iremos nos
beneficiar. Caso contrário, esqueça e enterre tudo. Será uma fofoca a menos para
envenenar o ambiente e fomentar a discórdia entre irmãos, colegas do planeta.

Uma frente avançada das ciências, hoje, é constituída pelo estudo do cérebro e de
suas múltiplas inteligências. Alcançaram-se resultados relevantes, também para a
religião e a espiritualidade. Enfatizam-se três tipos de inteligência. A primeira é a
inteligência intelectual, o famoso QI (Quociente de Inteligência), ao qual se deu tanta
importância em todo o século XX. É a inteligência analítica pela qual elaboramos
conceitos e fazemos ciência. Com ela organizamos o mundo e solucionamos
problemas objetivos.

A segunda é a inteligência emocional, popularizada especialmente pelo psicólogo e


neurocientista de Harvard David Goleman, com seu conhecido livro A Inteligência
emocional (QE = Quociente Emocional). Empiricamente mostrou o que era convicção
de toda uma tradição de pensadores, desde Platão, passando por Santo Agostinho e
culminando em Freud: a estrutura de
base do ser humano não é razão (logos) mas é emoção (pathos). Somos,
primariamente, seres de paixão, empatia e compaixão, e só em seguida, de razão.
Quando combinamos QI com QE conseguimos nos mobilizar a nós e a outros.

A terceira é a inteligência espiritual. A prova empírica de sua existência deriva de


pesquisas muito recentes, dos últimos 10 anos, feitas por neurólogos,
neuropsicólogos, neurolingüistas e técnicos em magnetoencefalografia (que estudam
os campos magnéticos e elétricos do cérebro). Segundo esses cientistas, existe em
nós, cientificamente verificável, um outro tipo de inteligência, pela qual não só
captamos fatos, idéias e emoções, mas percebemos os contextos maiores de nossa
vida, totalidades significativas, e nos faz sentir inseridos no Todo. Ela nos torna
sensíveis a valores, a questões ligadas a Deus e à transcendência. É chamada de
inteligência espiritual (QEs = Quociente espiritual), porque é próprio da espiritualidade
captar totalidades
e se orientar por visões transcendentais.

Sua base empírica reside na biologia dos neurônios. Verificou-se cientificamente que a
experiência unificadora se origina de oscilações neurais a 40 herz, especialmente
localizada nos lobos temporais. Desencadeia-se, então, uma experiência de exaltação
e de intensa alegria como se estivéssemos diante de uma Presença viva.

Ou inversamente, sempre que se abordam temas religiosos, Deus ou valores que


concernem o sentido profundo das coisas, não superficialmente mas num
envolvimento sincero, produz-se igual excitação de 40 herz.

Por essa razão, neurobiólogos como Persinger, Ramachandran e a física quântica


Danah Zohar batizaram essa região dos lobos temporais de ''o ponto Deus''.

Se assim é, podemos dizer em termos do processo evolucionário: o universo evoluiu,


em bilhões de anos, até produzir no cérebro o instrumento que capacita o ser humano
perceber a Presença de Deus, que sempre esteve lá embora não perceptível
conscientemente. A existência desse ''ponto Deus'' representa uma vantagem
evolutiva de nossa espécie humana. Ela constitui uma referência de sentido para a
nossa vida. A espiritualidade pertence ao humano e não é monopólio
das religiões. Antes, as religiões são uma das expressões desse ''ponto Deus''.