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CENÁRIO ATUAL E FUTURO DO AGRONEGÓCIO

DO CEARÁ, 2015.
Francisco Mavignier Cavalcante França
Técnico do Instituto Centec

1 Introdução

O agronegócio cearense tem como cadeias produtivas mais importantes:


Caju, Camarão, Flores, Fruticultura Tropical, Leite Bovino, Mel de Abelha,
Ovinocaprinocultura, Avicultura de Corte e Tilápia. Em vinte anos, saímos de
menos de um milhão de dólares em exportação de frutas para 117 milhões em
2013, acrescidos ainda de 42,9 milhões em sucos e água de coco, 3,9 milhões
em plantas ornamentais, 7,2 milhões em mel, 4 milhões em peixe e 1,8 milhões
em camarão. Pela primeira vez na história do Ceará o valor bruto da produção
de agricultura irrigada superou 1,2 bilhões de reais. Sem incluir o leite.
Formamos, hoje, um polo de alta tecnologia e produção de culturas de alto valor
agregado.

2 Cenários Atual e Futuro para as Cadeias Produtivas

a) Caju

A importância socioeconômica da cajucultura para o Ceará é traduzida nos


expressivos números representados por uma área plantada de 386.757
hectares, com uma produção de castanha de 121.045 toneladas produzida por
57.557 produtores distribuídos em cinco polos, bem como um valor bruto da
produção de R$ 148 milhões. As exportações de amêndoas atingiram a cifra de
US$ 109 milhões em 2013. O néctar do caju vem crescendo a taxa elevadas no
mercado interno a ponto de se poder afirmar que em futuro próximo será mais
importante que a amêndoa, em termos de geração de renda. Enquanto a
produção de caju vem crescendo a taxas muito elevadas no mundo, no Brasil,
tal crescimento é inexpressivo frente ao grande potencial que é detentor.
b) Carcinicultura

No Ceará, são mais de 500 fazendas (todos os tamanhos) que atuam no


segmento de produção de camarão, gerando aproximadamente 10 mil empregos
diretos nos polos de produção de Acaraú, Coreaú, Mundaú-Curu, Baixo e Médio
Jaguaribe. A produção de 2014 foi de 41 mil/t e os empresários do setor apostam
que, em 2020, produzirão 80 mil/t. Nos primeiros anos do atual século, 90% da
produção era exportada e, presentemente, houve uma reversão, pois, apenas
10% da produção é exportada. Este fato denota o grande potencial de
exportação do camarão cearense.

c) Floricultura

O setor da floricultura no Ceará tinha um viés basicamente exportador. A Câmara


Setorial de Flores vem trabalhando para fomentar também o aumento do
consumo de flores e plantas ornamentais no mercado cearense. Com a crise
internacional, de 2008 e 2009, atividades voltadas exclusivamente para
exportação tiveram graves problemas. Dos 174 produtores conhecidos no
Ceará, menos de dez exportam. A área cultivada com flores é de 287 ha. O
crescimento do mercado local é fundamental para o desenvolvimento do setor.
O Ceará é o principal produtor de rosas do Brasil. A cadeia produtiva é moderna
e os agentes produtivos são cearenses e sulistas, atraídos pelas condições
climáticas e a posição estratégica do Ceará para exportação.

d) Fruticultura Tropical

A área estruturada para a exploração da fruticultura irrigada do Ceará, feita em


oito perímetros públicos de irrigação, é de 32 mil/ha, sendo a área total de
referidos projetos de 38 mil hectares, sendo que deste total apenas 16 mil estão
sendo efetivamente explorados. A área irrigada, fora dos perímetros púbicos, é
de 33 mil hectares. Estima-se que o Ceará tenha solos e água para irrigar (em
anos com pluviosidade normais) até 100 mil hectares. As culturas irrigadas mais
expressivas do Ceará são: melão, banana, acerola, coco-da-baía, mamão,
graviola, melancia e abacaxi. Já as culturas com grande potencialidade são:
manga, limão, laranja, uva, além de hortaliças. As exportações de frutas
alcançaram a cifra de US$ 117 milhões em 2013.

e) Leite e Derivados

Em 2006, o leite gerou de renda bruta o valor de R$ 255 milhões, constituindo-


se na sexta maior fonte de renda dentre os 15 principais agronegócios do Ceará.
São oito polos de produção com um rebanho de vacas ordenhadas (2010) de
525 mil cabeças e uma produção de 432 milhões de litros de leite no ano
referenciado. Está em operação 49 lacticínios de todos os portes. A produção
estadual não atende a sua demanda, ocorrendo a importação de elevados
volumes de leite e derivados de outras regiões do Brasil e, até do exterior.

f) Mel de Abelha

O mel cearense, oriundo quase que exclusivamente da produção de abelhas


africanizadas (Apismellifera L.), é um produto de boa qualidade e de bastante
procura no mercado internacional, principalmente, pelos países da Comunidade
Europeia e Estados Unidos. O Estado, no ano de 2014, exportou US$ 10 milhões
apesar de haver exportado US$ 14 milhões em 2009. Tal queda deveu-se a
redução das chuvas neste período. Saliente-se que o maior volume da produção
de mel é consumido no mercado interno. A produção, em 2011, foi de 5,4 milhões
de litros, conferindo ao Ceará a 3ª. posição como produtora de mel do Brasil.

g) Ovinos e Caprinos

A Região Nordeste do Brasil sempre se destacou na produção de ovinos e


caprinos, sendo que o rebanho caprino responde por 93% e o ovino por 49% do
efetivo nacional. Segundo o IBGE, em 2013, o Ceará detinha um rebanho de
caprinos de 2.062 mil cabeças, enquanto o de ovinos era de 1.029 mil cabeças.
Os principais polos de criação de caprinos e ovinos, no Ceará, são as
microrregiões de: Sertão dos Inhamuns, Sertão de Crateús e Médio Jaguaribe.
A ovinocaprinocultura, mesmo sendo explorada em moldes pouco tecnificados,
tem exercido, historicamente, um papel fundamental na geração de emprego,
renda e suprimento de proteína animal, na forma de leite e carne, às populações
interioranas. Com a adoção de novas tecnologias, em todos os elos da cadeia
produtiva, associada a frenética demanda por carne desses animais, vislumbra-
se um futuro muito promissor para a atividade e para os atores envolvidos na
sua exploração. Ressalte-se que a demanda é amplamente reprimida. No
momento, cerca de 50% da carne ovina comercializada nas regiões Nordeste e
Centro-Oeste do Brasil proveem do Estado do Rio Grande do Sul, além da
Argentina, Uruguai e Nova Zelândia.

h) Avicultura de Corte

O Ceará é um dos principais produtores de carne de frango do Nordeste. Em


2011 produziu 12,9 milhões de toneladas a partir de em um plantel de 95,4
milhões de aves alojadas. A avicultura cearense é moderna e competitiva apesar
do Estado não ser produtor de grãos. Seu potencial de crescimento, com
competitividade, reside em quatro fatores: a) capacidade instalada; b)
experiência dos avicultores locais, c) mercado interno e regional não atendido, e
d) efetivação do corredor de exportação de grãos do Brasil Central pela Ferrovia
Transnordestina, que passará pelo Porto do Pecém, no Ceará.

i) Tilápia

A produção de tilápia no Ceará é favorecida pelo clima quente, ao longo do ano,


e pelo grande volume de espelhos d’água de excelente qualidade dos principais
açudes do Ceará. Os reservatórios Castanhão e Orós, com 6,7 bilhões e 2,1
bilhões de m3 de capacidade máxima, respectivamente, são os de maior
potencial de produção, mas ainda estão sub explorados. A produção já é
significativa e pode crescer ainda mais com a regularização de novos parques
aquícolas pelo Ministério da Pesca e Aquicultura. Hoje a produção é de 30
mil/t/ano, sendo o 4º maior produtor do Brasil. No entanto, o potencial de
produção do Ceará é superior a 100 t/ano.
3 Destaques
 Em 2010, o Ceará esteve em segundo lugar do Brasil na exportação de
flores e plantas ornamentais. No ano de 2006, o Estado assume o primeiro
lugar no ranking brasileiro de exportação de rosas, com o Prêmio Apex,
na categoria Impacto Social;

 A área explorada com hortaliças alcança a expressiva cifra de 6,8 mil/ha;

 Hoje, o Ceará é o terceiro maior exportador de frutas do Brasil, o que faz


do Porto do Pecém o terminal que mais exporta frutas no Brasil,
concentrando quase a metade de toda fruta exportada no País. Neste
cenário, o grande destaque é o melão, que é, inclusive, a fruta mais
exportada do Brasil;

 O Ceará volta a ter um bom desempenho nas exportações de produtos


da castanha de caju em 2013, com a geração de US$ 177 milhões. O
Ceará continua a ser o maior exportador nacional de produtos da
castanha de caju, que é o segundo produto em participação nas
exportações cearenses;

 Construção de mais um terminal de cargas para a fruticultura (TEMUT)


no píer do Porto do Pecém;

4. Desafios e Oportunidades
 Ampliar a capacidade de crescimento da agricultura irrigada, pecuária de
leite e aquicultura e, sobretudo, de culturas de alto valor agregado como
forma de geração de uma nova oportunidade de desenvolvimento na área
rural e pequenas cidades interioranas;

 Promover a garantia hídrica para os atuais empreendimentos de


fruticultura irrigada e para novos investimentos no agronegócio;

 Atrair novas agroindústrias, promovendo a interiorização do


desenvolvimento, sobretudo, agroindústrias de sucos tropicais,
lacticínios, avícolas e frigoríficos de pescados;

 Incorporar áreas de grande aptidão para o agronegócio, abrindo novas


fronteiras de terra fértil com oferta hídrica;

 Atração de investimentos e de empreendedores ligados à rede


internacional de suprimentos de alimentos;
 Assegurar a continuidade e a conclusão da infraestrutura hídrica do
Estado para dar segurança hídrica aos novos empreendimentos do
agronegócio do Estado (Cinturão das Água e Transposição do Rio São
Francisco).

 Criar mecanismos inovadores de financiamento do agronegócio que


sejam menos burocráticos, integrados aos compradores da produção, que
adotem sistema de garantia mais compatível com o mercado, análise de
risco focado na rentabilidade e na capacidade de gestão, dentre outros
mecanismos atuais de mercado financeiro.

5 Vantagens Competitivas do Ceará

 Localização estratégica do Ceará em relação aos Estados Unidos,


Europa, Oriente Médio e Ásia (novo Canal do Panamá), otimizada pelo
Porto do Pecém;

 Existência de nichos de mercado externo e interno onde nossos produtos


são mais competitivos em função da localização do Ceará, da qualidade
da produção e da tradição como fornecedor;

 Existência de mais de 22 mil hectares aptos a serem utilizados para


irrigação no curto e no médio prazos;

 Clima favorável (sanidade e produtividade) à produção de frutas com


irrigação, de leite bovino, de frangos de corte e de mel de abelha;

 Incentivos fiscais e creditícios (BNB-FNE, BNDES) à instalação de novos


empreendimentos.