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O Testamento é o ato jurídico, solene, revogável, unilateral e personalíssimo, pelo qual alguém,

em plena capacidade e de livre e espontânea vontade, dispõe sobre sua última vontade acerca
de questões patrimoniais ou não patrimoniais, para ser cumprida depois de sua morte. Existem
várias modalidades de testamento e o advogado Rodrigo da Cunha Pereira, especialista em
Direito de Família e Sucessões, explicou 10 delas no texto abaixo, confira:

TESTAMENTO CERRADO – É aquele elaborado de forma sigilosa, ou seja, fica cerrado, lacrado
até sua morte. Também conhecido como testamento secreto, testamento místico, testamento
misto. Místico, tanto no grego como no latim, significa misterioso, oculto, segredo. O conteúdo do
testamento cerrado somente será conhecido após a morte do testador e no momento de sua
abertura. Os analfabetos e os deficientes visuais (impedidos de ler) não podem dispor de seus
bens por meio do testamento cerrado.

TESTAMENTO CONJUNTIVO – É o testamento feito por duas pessoas, capazes, dispondo de


seus bens reciprocamente, ou em favor de terceiros, em um só instrumento. É também chamado
de testamento conjunto, mancomunado ou de mão comum. Essa modalidade de testamento é
proibida pela ordem jurídica brasileira (Art. 1.863, CCB). Todavia, isto não significa que duas
pessoas não possam estabelecer cláusulas de reciprocidade ou simultaneidade em seus
respectivos testamentos. Apenas não podem fazê-lo em um único instrumento, mas poderão
fazê-lo em testamentos separados.

TESTAMENTO ÉTICO – No Direito americano Ethical Will é o testamento em que se transmite


aos familiares ou outros herdeiros, valores menos patrimoniais e mais morais, espirituais,
conselhos, condutas ou experiências que sirvam de reflexão a quem se destina. No Brasil, a
modalidade semelhante é o testamento codicilo, que é o testamento de bens de “pequena monta”
(Art. 1.881, CCB). Contudo, dele se diferencia por trazer consigo e em sua essência, um
conteúdo imaterial, de transmissão de valores morais e éticos. Tais disposições, obviamente,
podem constar em quaisquer outras formas testamentárias, inclusive em conjunto com outras
disposições de última vontade.

TESTAMENTO GENÉTICO – É a disposição testamentária feita por quem tem material genético
criopreservado (espermatozoide, óvulo, embrião), estabelecendo-se aí instruções no sentido de o
material ser utilizado ou descartado após a sua morte. Por exemplo, o falecido pode deixar para
seus ascendentes o material genético congelado no intuito de que eles o utilizem para gerar um
descendente seu, isto é, um filho dele. No Brasil, a Resolução nº 2.121/2015, do Conselho
Federal de Medicina, dispõe apenas que não constitui ilícito ético a reprodução assistida post
mortem, desde que haja autorização prévia específica do(a) falecido(a) para o uso do material
biológico criopreservado, de acordo com a legislação vigente.

TESTAMENTO HOLÓGRAFO – É espécie do gênero testamento particular. Do grego holo,


inteiro, e graphos, por escrito, expressa a ideia de escrito por inteiro. É o testamento escrito
inteiramente pelas mãos do testador. A sua característica, e requisito essencial, é ser escrito de
próprio punho pelo testador. Todavia, isto, por si, não garante sua autenticidade e validade. É
necessário que seja confirmado pelas testemunhas, que são três, reconhecido e homologado em
juízo após a morte do testador.

TESTAMENTO NUNCUPATIVO – É o testamento realizado inteiramente na forma verbal. É o


testamento oral quando feito por militar que se encontra in articulo mortis (à beira da morte) ou na
iminência de morrer. De origem romana, é utilizado pelos feridos em combate/guerra, e o testador
declara para duas testemunhas as disposições da sua última vontade. Com a morte do testador
as testemunhas devem procurar o oficial responsável para reduzir a declaração a termo e,
posteriormente, assinarem.

TESTAMENTO PARTICULAR – É uma das formas ordinárias de testamento, assim como o


público e o cerrado. É aquele elaborado e assinado pelo próprio testador sem o registro e as
formalidades do testamento público. Pode ser em idioma estrangeiro e até mesmo em um misto
de idiomas, desde que compreensível. Pode ser feito de próprio punho ou mecanicamente (Art.
1.876, CCB). Após sua confecção, o testador deve ler o documento em voz alta na presença de 3
(três) testemunhas maiores e capazes, que irão subscrevê-lo.

TESTAMENTO PÚBLICO – É uma das formas ordinárias de testamento, assim como o particular
e o cerrado. É a modalidade de testamento mais utilizada no Brasil em virtude da segurança que
o cerca, pois fica registrado no livro de notas do tabelião. Também chamado de testamento
notarial. É aquele feito pelo tabelião, em cartório de livre escolha do testador, escrito em língua
nacional, de acordo com a declaração de vontade do testador e na presença de duas
testemunhas maiores, capazes, idôneas e desimpedidas de testemunharem. O tabelião deve ler
em voz alta o testamento, assinar e colher as assinaturas do testador e das testemunhas.

TESTAMENTO VITAL– É o ato jurídico pessoal, unilateral, gratuito e revogável pelo qual uma
pessoa, em pleno gozo de sua capacidade mental, manifesta sua vontade quanto ao tratamento
que deseja receber, ou deixar de recebê-lo, quando estiver acometido de uma doença terminal ou
impossibilitado de manifestar sua vontade. Muito comum também, quando alguém acometido de
doença degenerativa lança mão de tal instrumento jurídico no início da doença e antes de suas
manifestações incapacitantes. O testamento vital é também chamado de Consentimento
Informado ou Diretivas Antecipadas de Vontade. No Testamento Vital é possível também nomear
o “curador” ou nomear alguém que o represente em caso de necessidade.

TESTAMENTOS ESPECIAIS – São modalidades de testamento previstas em lei para situações


incomuns e específicas, que observam forma e procedimento privilegiados em razão da
circunstância. Diferenciam-se das ordinárias, que são os testamentos públicos, particulares ou
cerrados. São considerados especiais o testamento marítimo, aeronáutico e militar. Os
testamentos especiais observam formalidades relativamente simples, dado o caráter emergencial
em que são feitos e, entretanto, sua eficácia subordinar-se à morte do declarante dentro do prazo
de 90 dias, caducando o instrumento caso o autor sobreviva.