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Atividades para Estimular as Funções Executivas

Luiza Araújo

Enquanto descasca as batatas, refoga o feijão e tempera a carne para o almoço, uma mãe consegue
ajudar os filhos a fazer os deveres de casa, atender ao telefone e organizar os compromissos da
semana – às vezes ao preço de ter o arroz um pouco queimado. Pais conseguem fazer milagres com
o tempo para atender às demandas do trabalho e da família. Adultos memorizam um número de
telefone que alguém acabou de lhes dizer até encontrarem caneta e papel para anotá-lo. E são
perfeitamente capazes de respirar fundo – em vez de buzinar ou esbravejar – quando o sinal abre,
mas o carro da frente demora para arrancar. Nossas capacidades de executar muitas tarefas ao
mesmo tempo, de ter autocontrole, de seguir instruções envolvendo várias etapas – mesmo se
somos interrompidos – e de manter o foco no que estamos fazendo – apesar das distrações – são o
que sustenta o comportamento deliberado, intencional e objetivo necessário para o dia-a-dia e para
ter êxito no trabalho.

Precisamos dessas habilidades básicas em todas as áreas de nossas vidas. Sem elas, não
conseguiríamos tomar decisões, resolver problemas complexos, desempenhar tarefas entediantes,
fazer planos e ajustá-los quando preciso, reconhecer e corrigir erros, controlar nossos impulsos,
estabelecer objetivos nem monitorar nosso progresso até conseguirmos alcançá-los – embora
realizar tais coisas não dependa exclusivamente de habilidades cognitivas. No nosso cérebro, as
funções executivas são, em grande medida, responsáveis por essas habilidades. As funções
executivas têm três dimensões básicas, que não são inteiramente distintas, mas trabalham juntas:

Memória de trabalho (ou de curto prazo) – é a capacidade de armazenar e processar informações


por curtos períodos de tempo.

Controle inibitório – é a habilidade de controlar e filtrar nossos pensamentos e impulsos para que
possamos resistir a distrações e tentações. Auxilia-nos também a parar e pensar antes de agir.

Flexibilidade cognitiva – é a capacidade que nos permite aplicar regras diferentes em contextos
diferentes, observar as coisas sob novas perspectivas, perceber erros e corrigi-los.

Embora muitas vezes pensemos que as crianças são como “mini adultos”, elas ainda não têm essas
habilidades desenvolvidas. Portanto, não podemos exigir delas o autocontrole, o foco, a atenção e
a memória de adultos. Podemos, contudo, ajudá-las a desenvolverem essas habilidades. Assim
evitaremos problemas em seu desenvolvimento e futuras dificuldades de aprendizagem. Mas como
fazê-lo?

Na primeira infância, as interações sociais (com adultos e outras crianças) ajudam os bebês a
concentrar a atenção, a robustecer a memória de trabalho e a reagir a experiências
estimulantes. Para crianças com mais de 1 ano e meio de idade, as brincadeiras e os jogos
desempenham um papel importante: brincando, elas aprendem a esperar por sua vez, a planejar, a
aguardar o melhor momento para agir, a resolver problemas, além de exercitarem o armazenamento
de informações por períodos curtos. A estimulação verbal, sempre recomendada no blog Como
Educar seus Filhos, também tem papel fundamental durante a infância.
Dos 6 aos 18 meses

Compartilharemos uma série de artigos com algumas dicas de atividades organizadas por faixa etária
que, se praticadas com regularidade, poderão ajudar seu filho a desenvolver as habilidades aqui
mencionadas. Começaremos hoje indicando atividades para bebês de 6 a 18 meses.

1 – Esconde-esconde

Quem nunca brincou de esconder e revelar seu rosto a um bebezinho? Esse tipo de brincadeira
exercita a memória de trabalho, porque desafia o bebê a lembrar quem está se escondendo. Depois
de realizada repetidas vezes, a brincadeira também auxilia a desenvolver habilidades básicas de auto-
controle, uma vez que exige que o bebê espere até o adulto se revelar. Ela pode ser bastante útil dos
6 aos 10 meses, quando é comum os bebês sofrerem de ansiedade de separação.

Comece escondendo seu rosto com as mãos e aguardando alguns instantes; depois apareça e curta
a reação do bebê. Você também pode se esconder atrás de um pano ou móvel e deixar um braço de
fora para servir de pista.

2 – Escondendo um brinquedo

Escolha o brinquedo de que o bebê mais gosta e mostre a ele. Depois, esconda-o sob um pano ou
almofada, certificando-se de que o bebê esteja prestando atenção ao que você faz. Incentive-o a
puxar o pano e descobrir o objeto. Quando a brincadeira ficar muito fácil, esconda o brinquedo em
outro lugar, mais distante, e chame-o para “descobrir o esconderijo”.

3 – Jogo dos copinhos

Esta variante do jogo das tampinhas também exercita a memória de trabalho. Vire três ou quatro
copos de boca para baixo e esconda uma bolinha colorida sob um deles. Troque lentamente os copos
de lugar, arrastando-os sobre a mesa e depois convide o bebê a procurar a bolinha escondida.

4 – Sons do ambiente

Esta atividade é um treinamento para a memória de curto prazo, além de um exercício simples e
eficaz de escuta e concentração.

5 – Jogos de imitação

Os bebês adoram imitar os adultos, especialmente a partir dos 12 meses. Aproveite essa empolgação
para envolver seu filho em jogos de imitação que demandam atenção, auto-controle e trabalham a
memória de trabalho.

A estrutura desses jogos é simples: você realiza um gesto, emite um som ou faz uma determinada
expressão facial e então incentiva seu filho a imitá-lo. Você pode, por exemplo, fazer uma careta,
imitar o canto de um pássaro, erguer os braços, balançar a cabeça ou empilhar alguns blocos. Para
que o bebê o imite ele terá primeiro de observá-lo, guardar na memória o gesto, som ou expressão,
lembrar-se dele, esperar pela sua vez e só então tentar imitar o que você fez.
À medida que o bebê for crescendo, aumente a dificuldade da atividade. Faça sequências de gestos
e peça para ele reproduzi-las. Brinque também de sequência de sons.

6 – Macaco disse, O mestre mandou e Carneirinho, Carneirão

Brincadeiras como “Macaco disse”, “O mestre mandou” e “Carneirinho, Carneirão” também são bons
exercícios de imitação para crianças a partir de 1 ano. Se outras crianças participarem, melhor ainda!

7 – Pequenas tarefas domésticas

Ainda aproveitando a vontade de imitar os adultos, incentive seu filho – com mais de 1 ano de idade
– a ajudá-lo com tarefas domésticas simples como limpar a mesa do cadeirão com um pano ou
guardar os brinquedos na caixa. Executar tais tarefas pressupõe a resposta a um comando verbal
armazenado pela memória de trabalho e exige autocontrole e atenção seletiva, já que a criança terá
de manter a atividade na mente e cumpri-la, evitando as distrações que surgirem e inibindo o impulso
de fazer outras coisas.

8 – Conversas

Uma simples conversa com o bebê é uma maneira de exercitar a atenção, a memória de trabalho e
o autocontrole do pequeno. Mantenha contato visual e fale com ele: nomeie objetos ao seu redor,
narre o que você está fazendo (“agora eu vou trocar a sua fralda”) e dirija perguntas breves ao bebê,
lembrando-se de fazer pequenas pausas para que ele “responda” à conversa à sua maneira: com
gestos, olhares, risos ou balbucios.

9 – Leitura em voz alta

Leia com frequência parlendas, poesias e histórias rimadas. Além de serem de fácil memorização, os
textos ritmados e ricos em repetições e rimas são capazes de prender a atenção dos pequenos e
mantê-los concentrados na escuta.
Apresentamos atividades para você fazer com seu filho de 18 meses a 3 anos. As crianças maiores
também podem praticá-las, mas para que elas se divirtam e se sintam desafiadas será preciso, na
maioria dos casos, aumentar a dificuldade.

Como nessa fase as crianças expandem muito rapidamente a linguagem, os jogos de linguagem e as
brincadeiras que envolvem a audição e a fala são especialmente importantes.

BRINCADEIRAS

Estátua

Brincadeiras como “Estátua” trabalham o controle e a inibição de movimentos. Escolha um local


adequado, de preferência ao ar livre, e explique a brincadeira com bastante clareza para a(s)
criança(s): “Eu vou cantar uma música. Enquanto canto, todos nós vamos correr. Quando eu parar
de cantar e gritar ‘Estátua’, todos têm de parar de correr e manter-se parados como estátuas.” Tenha
paciência, pois crianças com menos de 3 anos precisarão que você repita várias vezes as regras do
jogo. Geralmente os pequenos imitam os mais velhos, então espere um pouco até que eles se
posicionem. Com crianças mais velhas, as regras podem ser cumpridas mais rigorosamente e você
pode tirar da brincadeira aquelas que rirem ou se mexerem após o comando “Estátua”.

Brincadeiras musicais

Cante com seu filho músicas como “Cabeça, ombro, joelho e pé”. Elas exigem que as crianças prestem
atenção às palavras da canção e as armazenem na memória de trabalho, usando a canção para guiar
suas ações.

Crianças dessa idade costumam adorar canções que envolvem a execução de gestos. Elas são um
desafio para a atenção, a memória de trabalho e o controle inibitório.

No site do Estevão Marques, há brincadeiras musicais para crianças de várias idades. Crianças de 2 a
3 anos podem ser capazes de acompanhar, por exemplo, os gestos da canção “Baile Tré-lé-lé”.

Atividades de psicomotricidade

Pratique atividades de psicomotricidade com seu filho para que ele, além de alcançar consciência
corporal e noção espacial, adquira o poder de neutralizar os movimentos do corpo conscientemente.
Proponha atividades como lançar bolas em uma caixa, andar sobre uma linha traçada no chão, andar
sobre uma plataforma, saltar obstáculos, passar por debaixo de cadeiras, correr até um determinado
lugar e voltar, etc. Como essas atividades envolvem comandos verbais, a memória auditiva de curto
prazo também é trabalhada.

BRINQUEDOS

Blocos

Vários estudos sugerem que brincar com blocos (de madeira, de plástico, de espuma, magnéticos,
etc.) ajuda as crianças a desenvolver, além das coordenações motora e visomotora, a orientação
espacial, a capacidade de resolver problemas com mais de uma solução possível, o foco e a
criatividade.

Ao brincar com blocos, lego ou com brinquedos como “Brincando de Engenheiro”, as crianças têm a
possibilidade de montar as peças de muitas maneiras diferentes, desenvolvendo assim a habilidade
de resolver problemas que podem ser solucionados de mais de uma maneira.

Quebra-cabeça

Já os quebra-cabeças desenvolvem a capacidade de resolver problemas com apenas uma solução


possível. Montar quebra-cabeças também treina a memória de curto prazo e as capacidades
cognitivas de comparar, analisar e sintetizar. Opte por quebra-cabeças mais simples e com poucas
peças. Há boas opções em madeira. Brinquedos passa-formas também são indicados.

Os adultos podem ajudar perguntando à criança onde devem colocar uma determinada peça; caso
ela não caiba no lugar escolhido pela criança, pergunte novamente onde ela acha que deve colocá-
la. Assim, exercita as habilidades de reflexão e planejamento.

Separando brinquedos segundo um critério predefinido

Use brinquedos variados em um jogo de separar objetos por categoria, tamanho, forma ou cor. Você
propõe uma regra e a criança tem de memorizá-la, observar os objetos e separar aqueles que se
adequam. Por exemplo, use blocos de montar e peça para colocar somente os vermelhos numa caixa.
Ou misture carrinhos de vários tamanhos e peça para a criança colocar os carrinhos pequenos numa
caixa.

ESTIMULAÇÃO VERBAL

Narrações

Observar a brincadeira e narrar o que está acontecendo é uma maneira de ajudar crianças mais novas
a compreenderem como a linguagem é capaz de descrever suas ações. À medida que elas vão
crescendo, podem-se acrescentar perguntas como “O que você vai fazer depois?” ou “Estou vendo
que você quer colocar a bola dentro do pote. Há alguma outra maneira de fazer isso?” Esses
comentários ajudam a criança a parar e refletir sobre o que está tentando fazer e a planejar o que
fazer em seguida.

Contar e recontar histórias

Aproveite momentos marcantes como um final de semana no sítio, um passeio no parque de


diversões ou uma viagem para que a criança reflita sobre essas experiências. Comece narrando
cronologicamente o que vocês fizeram. Depois peça à criança para recontar o que vocês vivenciaram.
As mais novas terão mais dificuldade por conta do vocabulário limitado e por conhecerem poucas
estruturas frasais. Essas histórias podem ser registradas em um diário pelos pais e ilustradas por um
desenho ou pintura da criança.
Atividades para Estimular as Funções Executivas dos 3 aos 5 anos

Segundo estudos, nessa fase da infância as habilidades das funções executivas e de autorregulação
crescem em ritmo acelerado. Daí a importância de adaptar as atividades às habilidades de cada
criança e reduzir gradativamente a ajuda prestada para que ela vá ganhando autonomia,
conseguindo resolver cada vez mais problemas sozinha. As crianças mais novas precisarão de mais
apoio para aprender e lembrar regras e padrões ao passo que as mais velhas conseguirão ser mais
independentes.

BRINQUEDOS

Estimule as crianças a criarem seus próprios brinquedos

Desde muito pequenas, as crianças se divertem com os objetos que encontram pela casa. Por volta
dos 3 anos elas já estão mais aptas a “transformar” os objetos, adaptando-os com o auxílio de um
adulto, recortando, colando, pintando, etc.

Há vários materiais que se pode aproveitar para confeccionar brinquedos. Caixas de papelão
convertem-se em carros, navio pirata, trens, aviões, castelos, casas, camas, fogões… Com galhos,
pedrinhas, areia e terra, criam-se incríveis cenários para brincar com bonecos e animais de
brinquedo. Rolos de papel alumínio viram lunetas, foguetes e torres de castelos. Lençóis e toalhas
velhas amarrados a cadeiras, grades ou hastes transformam-se em lindas cabanas onde as crianças
podem passar horas brincando ou ouvindo histórias.

Pega varetas

Além de ser um bom treinamento para a coordenação motora fina, ele exercita as habilidades das
funções executivas, é barato e tem regras muito simples.

Quebra-cabeça

Os quebra-cabeças ajudam a desenvolver a capacidade de resolver problemas com apenas uma


solução possível, treinam a memória de curto prazo e as capacidades cognitivas de comparar, analisar
e sintetizar.

Para crianças de 3 a 5 anos, o ideal é escolher um quebra-cabeça de 20 a 60 peças grandes ou médias.


Se a criança tiver muita dificuldade, ajude-a dando dicas de como posicionar as peças. Quando
montar um determinado quebra-cabeça já for uma tarefa fácil para o pequeno, providencie um novo,
mais desafiador.

BRINCANDO COM A IMAGINAÇÃO

Quando uma criança brinca de bombeiro, de médico, de cozinheiro ou de professora, ela estabelece
certas regras que orientarão sua conduta durante a encenação. Ao longo da brincadeira, ela busca
seguir aquelas regras e inibe impulsos e atitudes que não se adequam ao papel desempenhado. Em
geral, ela se inspira em adultos com que tem algum contato ou em personagens de livros, filmes ou
desenhos.

Ela atua como o médico examinando um paciente, dando uma injeção, prescrevendo
medicamentos… O “doutor” fala com a segurança de um doutor, o doente age e fala como um
doente, com a voz fraca, denotando certo medo. A menina que embala a boneca diz que tem nos
braços sua filha. Leva-a para passear no carrinho, troca suas fraldas, dá-lhe de comer. Para encarnar
o papel de mãe, a menina imita a voz de sua própria mãe, seu linguajar e suas expressões faciais.

Embora crianças mais novas costumem brincar sozinhas, crianças com 3 anos ou mais já estão
aprendendo a brincar com outras de maneira cooperativa, assim como a regular o comportamento
delas. É comum vermos meninos de 4 ou 5 anos corrigindo colegas que desrespeitam as regras de
uma brincadeira ou que infringem normas estipuladas pelos adultos.

Seguem algumas dicas de como promover brincadeiras imaginativas mais frutuosas:

Faça viagens para o campo, para a praia, para as montanhas e leia muitas histórias. Em geral, o
repertório das crianças pequenas é limitado, restringindo-se ao que observam à sua volta. Os pais
devem, portanto, ajudá-las a preencher as lacunas deixadas por uma experiência de vida restrita.
Como fazê-lo? Nutrindo-lhes com imagens ricas, alimentando-lhes o imaginário.

Coloque seu filho em contato com as mais variadas belezas da natureza e com muitas situações e
tipos de comportamento humano representados pela boa literatura e pela arte. Ele irá se maravilhar
com tudo isso e não terá apenas um repertório maior para as brincadeiras; estará apurando o senso
estético, a sensibilidade e a inteligência, e conhecendo e aprendendo a ler a realidade com os
grandes autores e artistas e com o Autor do mundo.

Disponibilize materiais para as brincadeiras. Crianças pequenas podem precisar de “muletas” nas
brincadeiras imaginativas, que as ajudarão a ingressar na fantasia: um quadro negro para brincar de
professora, espadas e um chapéu para brincar de pirata, um pano para o doutor enfaixar o braço do
paciente, uma bolsa para o carteiro levar as correspondências. Não há necessidade de comprar nada.
Com o material que se tem em casa é possível inventar muita coisa! Reaproveitar objetos é uma
ótima maneira de exercitar a flexibilidade cognitiva.

CONTANDO E ENCENANDO HISTÓRIAS

Além de manter a prática da leitura em voz alta – fundamental para a alimentação do imaginário, o
aumento de vocabulário e o contato com estruturas frasais mais complexas -, estimule a criança a
recontar histórias que ouviu, a criar e contar as suas próprias e a fazer encenações. As crianças
adoram! As primeiras histórias criadas costumam ser um encadeamento de eventos com alguma
relação entre si, mas sem uma estrutura mais ampla. Com a prática – associada à escuta frequente
de histórias -, elas irão desenvolver enredos mais complexos e organizados. Contando e recontando
histórias, elas têm de armazenar e utilizar informações da memória de trabalho e usar a criatividade.

Incentive a criança a contar histórias para você. Escreva-as e leia-as posteriormente para ela. Ela
também pode fazer desenhos ou pinturas a partir da história criada e criar seus próprios livros de
histórias – obviamente, se se tratar de uma criança que ainda não escreve, você terá de escrever em
seu lugar.

Crie histórias em grupo. Uma criança inicia contando uma história e as demais vão dando
prosseguimento ao enredo. Para tanto, ela terá de prestar atenção ao que as outras pessoas dizem,
esperar pela sua vez, refletir sobre possíveis reviravoltas e pensar em uma continuação para a
história. É um desafio para a atenção, a memória de trabalho e o autocontrole.

Proponha a encenação de histórias. Escolha uma história de que a criança gosta muito, leia-a para
ela e escreva no papel um resumo com as principais cenas em sequência. Junto com a criança, crie
figurinos e adereços para incrementar a encenação. Isso ajuda a criança a empolgar-se com a
atividade e a envolver-se com a história.

CONTROLANDO O CORPO
Atividades físicas

Essa é uma ótima idade para as crianças começarem a brincar em balanços, gangorras e estruturas
para escalada. Providencie também cordas, colchonetes, bolas, pneus, bambolês, traves de equilíbrio
e construa circuitos que desafiem a criança a fazer movimentos como saltos, aterrissagens e
rolamentos. Ao passar por essas atividades, elas precisam concentrar-se, monitorar e ajustar suas
ações e persistir para alcançar o objetivo. Eles ainda as ajudarão a adquirir consciência corporal e
noção espacial, o que abre caminho para um bom desempenho em leitura e escrita no futuro.

Normalização

Convide a criança a fazer a lição do silêncio e a realizar atividades de vida prática – como transvasar
líquidos e sólidos, abotoar camisas, pegar objetos com a pinça, dobrar camisas, etc. Essas são formas
muito eficazes de ensiná-la a controlar e neutralizar os movimentos do corpo conscientemente e a
inibir movimentos dispersivos.

Brincadeiras com música

Jogos e brincadeiras envolvendo música, gestos e movimentos corporais estimulam as funções


executivas, porque as crianças têm de se mover em um determinado ritmo e sincronizar palavras e
ações com o andamento da música. Todas essas tarefas colaboram com o controle inibitório e a
memória de trabalho. É importante que essas canções e jogos sejam cada vez mais complexos. Assim
representarão sempre um desafio para as crianças e evitarão que percam o interesse.

Cante uma música em andamento muito rápido e depois em andamento muito devagar e proponha
à criança que acompanhe o ritmo da música. É algo simples, mas exige que a criança esteja atenta
aos comandos verbais e acelere e desacelere seus movimentos logo que os ouvir. A clássica dança
das cadeiras e a brincadeira vivo-morto são outras formas de exercitar a atenção e o controle.
Atividades para Estimular as Funções Executivas dos 5 aos 7 anos

Nessa idade, as crianças começam a desfrutar melhor de jogos que envolvem regras, embora o nível
de interesse varie bastante. Como um aspecto importante do desenvolvimento dessas habilidades
é a presença constante do desafio, é importante escolher jogos complexos, mas não tão difíceis. À
medida que a criança for se familiarizando com esses jogos, tente reduzir a participação dos adultos:
o desafio é maior para a criança quando ela lembra e aplica as regras por conta própria.

Atividades indicadas nas postagens anteriores (dramatização de histórias, quebra-cabeças, pega-


varetas, atividades de vida prática, lição do silêncio, etc.) podem continuar a ser praticadas com
crianças nesta faixa etária, mas adapte as atividades, tornando-as mais complexas. Ofereça quebra-
cabeças com mais de 40 peças. Busque aumentar a duração da lição do silêncio. Proponha
atividades de vida prática mais instigantes, que exijam melhor coordenação motora fina, mais
destreza e/ou maior concentração, além de proporcionarem maior autonomia à criança: atar
cadarços de sapatos, dobrar as próprias roupas e guardá-las, cortar alimentos de média consistência
com uma faca sem ponta, descascar legumes com um utensílio próprio, etc.

JOGOS DE CARTAS E DE TABULEIRO

Jogos de tabuleiro tradicionais

Jogos de tabuleiro tradicionais como Ludo, Trilha, Damas, Damas Chinesas, Resta 1, Batalha Naval e
Xadrez envolvem decisões estratégicas e, portanto, exigem que a criança (1) aprenda e guarde as
regras – que no xadrez são mais complexas que nos demais jogos -, (2) faça planejamentos a curto e
longo prazo, (3) antecipe jogadas, (4) imagine possíveis jogadas do oponente e (5) adapte sua
estratégia ao longo do jogo. A memória de trabalho, o controle inibitório e a flexibilidade cognitiva
precisam trabalhar juntos para que tudo isso ocorra.

O jogo Senha é outro clássico. Nele, um jogador faz uma combinação de pinos que deve ser
adivinhada pelo outro jogador. Por meio das pistas dadas pelo codificador, o decifrador terá de
formular hipóteses e deduzir qual a senha correta, empregando para isso o raciocínio lógico. Embora
recomendado para crianças com 8 anos ou mais, pode ser adaptado para as mais novas, reduzindo-
se o número de itens da senha.
Outros jogos de tabuleiro

Para essa faixa etária, recomendamos os jogos Cilada e Lince. Outra opção interessante é o jogo Hora
do Rush, indicado para crianças a partir de 6 anos. A criança é desafiada a tirar um veículo de um
congestionamento e, para isso, precisa mover os carros no tabuleiro sem infringir certas regras.

Jogos de cartas

Uma ótima forma de exercitar a memória de trabalho é através de jogos de cartas que exigem que
os jogadores localizem cartas específicas. Os exemplos mais óbvios são o Jogo da Memória,
encontrado no mercado com as mais variadas ilustrações, e o Mico. Ambos podem ser jogados com
cartas simples de baralho.

Um pouco mais complexo é o Jogo das Sete Famílias, para 2 a 6 jogadores. A cada turno, os jogadores
fazem perguntas uns para os outros no intuito de descobrir quem está com as cartas que completam
certa família (“Quem está com o filho da família x?”) Vence quem consegue formar o maior número
de famílias completas.

Jogos que requerem respostas rápidas e monitoramento também são bons desafios para a atenção
e a inibição. O Tapão é um exemplo, e pode ser jogado por 3 pessoas ou mais.

Outras sugestões de jogos de cartas para essa faixa etária: Rouba-montes, Bom dia, meu Senhor,
Borboleta e Mau-mau. Todos eles exigem atenção e memorização e aplicação de regras.

BRINCADEIRAS MUSICAIS

Canções acumulativas

Assim como há histórias acumulativas, há também canções acumulativas. Nelas, ocorre repetição por
acumulação: os episódios se repetem e se acumulam. É o caso das canções “Árvore da montanha”,
“A velha a fiar”, “Seu Lobato tinha um sítio” e “Mestre André”. Cante-as com freqüência para seu
filho e proponha um desafio: ele terá de memorizá-las e cantá-las sozinho.

Cânones

Outra forma de exercitar a memória de trabalho, a atenção e a inibição é cantando cânones. Os


cânones são peças musicais reproduzidas por duas ou mais pessoas que cantam exatamente a
mesma melodia, mas iniciando em momentos diferentes. A composição é feita de maneira tal, que
mesmo que cada pessoa comece a cantar em um momento diferente, as partes cantadas se
harmonizam. Um famoso cânone é Frère Jacques – é muito simples e pode ser cantado por 2 a 4
pessoas. A primeira pessoa principia cantando “Frère Jacques, Frère Jacques”, a seguinte. No início,
crianças sem prática de canto coral polifônico terão dificuldade em cantar em coro melodias que não
sejam uníssonas; mas elas se adaptarão aos poucos.
Melodias com brincadeiras de mão

Brincadeiras de mão acompanhadas de melodias cantadas – como Adoleta, Escravos e Jó, Popeye e
Nós somos quatro – treinam a memória de trabalho, a inibição e a flexibilidade cognitiva. Quando
envolvem ritmos difíceis ou regras complexas são ainda mais desafiadoras e divertidas para as
crianças, razão pela qual foram preservadas por muitas gerações e são praticadas ainda hoje.

ATIVIDADES FÍSICAS

Esportes e artes marciais

Artes marciais tradicionais como o Kung fu, o Karatê e o Tae Kwon Do, além de proporcionarem
diversos benefícios motores e o desenvolvimento da consciência corporal, favorecem a atenção, o
controle dos movimentos, a formulação de estratégias e o raciocínio. Melhoram também a
lateralidade e a orientação no tempo e no espaço, habilidades fundamentais para um bom
desempenho em escrita. Mas é essencial buscar bons instrutores.

Jogos de bola como a Queimada exigem muita atenção, autocontrole, monitoramento constante,
conhecimento e aplicação de regras e rápida tomada de decisões.

Estátua e Dança da Cadeira

Pratique jogos que demandam atenção e respostas rápidas. O jogo Estátua, já indicado para crianças
menores, pode agora ser praticado com regras mais rigorosas, excluindo-se da partida aqueles que
rirem ou fizerem pequenas movimentações quando em posição de estátua. A Dança das Cadeiras é
uma alternativa muito conhecida, que também trabalha a atenção e a inibição.