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Professor TERROR

Resoluções de provas de
A

PORTUGUES
Banca FCÇ

+ BREVE TEORIA

-Niterói, RJ
2015
© 2015, Editora lmpetus Ltda.

Editora Impetus Ltda.


Rua Alexandre Moura, 31 - Gragoatá - Nittrói - RJ
CEP: 24210-200- Telefax: (21) 2621-7007

PROJETO GRÁFICO: EDITORA h!PETUS LTD,\.

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CAPA: EDITOHA h!PETUS LTDA.

REviSÃO DE PORTUGUÊS: CÍ\:C CRIAÇÕES E TEXTOS LTDA

IMPRESSÃO E ENCADERNAÇÃO: VOZES EDITOR.\ E GR.i.FICA LTDA.

T317r

Terror Filho, Décio


Resolução de provas de português : banca FCC I Décio
Terror Filho.- Niterói, R.]: Impetus, 2015
592p.; 16 X 23 em.
Inclui bibliografia
ISBN: 978-85-7626-811-6

1. Serviço público - Brasil - Concursos. 2. Língua portu-


guesa - Problemas, questões, exercícios. 3. Fundação Carlos
Chagas - Concursos. I. Título.
CDD- 351.81076

José Carlos d()s Santos Macedo -Bibliotecário CRB7 n" 3.575

O autor é seu professor; respeite-o: não faça cópia ilegal.


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ideológicas, às· rcfcréncias, à originalidade c à atualização da obra são de total responsabilidade do autor/atualizador.
www.impetus. com. br
Dedicatória

Ao Criador, fonte de tudo e de todos.

A Carla Marques Antunes Terror e


Marianna Antunes Terror,
esposa e filha, que são a
razão da minha vida.

A Décio Terror e
Maria de Lourdes Grázia Terror,
meus pais, exemplos de amor à vida.

A meus irmãos e família,


companheiros de sempre.

A Helena Maria Marques (i11 memoriam) e


Fernando Antunes,
meus amados sogros.

A todos os colegas professores, aos coordenadores e aos alunos


que fazem parte da grande família Ponto dos Concursos.
J

j
J.
j

l
OAutor

Décio Terror Filho


Graduado em Letras na Universidade Federal de Juiz de Fora
Pós-graduado em Ensino da Língua Portuguesa na Universidade
Federal de Juiz de Fora
Professor concursado de Português do Quadro Complementar de
Oficiais do Exército Brasileiro .
Professor de Língua Portuguesa e Redação do Ponto dos Concursos

Site: <http:/ /www.terrorportugues.com.br


r
Nota do Autor

Caro leitor!
Iniciamos nosso estudo das provas da FCC com uma breve introdução,
para que saibamos a pretensão desta obra.
Ela tem por objetivo fazer com que o leitor pratique bastante seus
conhecimentos nas questões, de uma maneira global, acompanhando os
comentários do professor.
A resolução das provas nos faz ter uma noção global do conteúdo
programático previsto nos editais, e o estudo de cada questão acompanhando
o comentário do professor dirige seu foco ao que é mais importante.
Entendemos que se o leitor vê como cai na prova e entende o conteúdo
gramatical, ele fixa a forma, fica mais ágil, mais confiante e com muito
mais possibilidade de acerto, seja qual for a prova e o nível das questões,
como ficou claro nas respostas de vários ex-alunos que tiveram êxito nos
diversos concursos, com base nesse princípio.
É claro que todo universo possui heterogeneidade, assim também ocorre
com os candidatos a concursos. Há alunos que respondem rapidamente, .,
outros não. Há alunos que aprofundam no conhecimento, outros não. Nosso
objetivo é resolver as questões passo a passo, didaticamente.Assim, será natural
alguém "achar" a resposta e partir para outra questão, sem necessitar de ler
o restante dos comentários; mas aquele que teve dúvida poderá acompanhar
a resolução de cada alternativa aprofundando o conhecimento gramatical.
A fim de proporcionar um bom acompanhamento dos comentários das
questões, o primeiro capítulo resume os assuntos principais cobrados pela
F CC.
Esse resumo não tem a intenção de incentivar a memorização, por
exemplo, de nomes de orações, de termos sintáticos, das regras de crase, de
acentuação etc. O resumo ocorre porque, vez por outra, a fim de enquadrar
na regra gramatical um fenômeno linguístico extraído do texto, utilizamos
a nomenclatura gramatical para que o leitor entenda didaticamente em que
regra a banca se baseou para cobrar determinado conteúdo. Dessa forma,
evita-se que haja resolução de qu~stão apenas por "instinto", "por achar
que uma alternativa soou feio, desagradável aos ouvidos". Deve-se tornar
cuidado com essa resolução instintiva, pois muitas vezes o que parece soar
estranho aos ouvidos está gramaticalmente correto. Assim, o que queremos
é que o leitor resolva a questão com a devida clareza gramatical.
Por isso, durante a resolução das provas; vamos nos deparar com a
osigla "v. t.", seguida de uma numeração. Tal sigla estará nas questões que
exigem conhecimento peculiar e significa "VER TÓPICO", e a numeração
corresponde ao conteúdo gramatical exigido na questão.
Ao longo das provas, a tendência é que essas siglas vão ficando mais raras,
pois evitamos repetir muitas vezes a mesma indicação.
Bom estudo!
Sumário

Capítulo 1 - Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC ............................. 1


1. Estrutura básica da oração ............................................................................................. 3
2. As vozes verbais .......................................................................................................... 13
3. Esquema do período composto por coordenação .......................................................... 18
4. Principais conjunções subordinativas adverbiais ........................................................... 21
5. Período composto por subordinação substantiva ........ ,................................................. 24
6. Período composto por subordinação adjetiva ............................................................... 31
7. Concordância verbal (com base nos tipos de sujeito) .................................................... 34
8. Pontuação ......................................................... ,....:.................................................... 42
9. A estrutura padrão da crase ............................ :.......... .': ...·.: .... ::.................................. ,. 51
1O. Colocação dos pronomes oblíquos átonos ...... :........................................................ :.. 54
11. Regência .................................................................................................................. 56
12. Verbo ........................... :............................................................................................ 63
13.1nterpretação de texto ............................................................................................. 101
14. Relações de causa e consequência entre as partes .de um teXt'a ............................... 109
Capítulo 2 ........................................................................................................................ 115
Prova 1: Tribunal Regional do Trabalho 8"- Região - 201 O- Analista Judiciário -
Área Judiciária ....::::'::~ .................................................................................. 115
Prova 2: Tribunal Regional do Trabal~q 12"- Região- 201 O-Técnico Judiciário-
Área Administrativa ......::.::.: ................................................................................... 147
Prova 3: Tribunal Regional Eleitoral- TO- 2011 -Técnico Judiciário-
Área Administrativa ...................................................................................... 171
Prova 4: Tribunal Regional do Trabalho 24' Região- 2011 -Analista Judiciário-
Área Administrativa ................................................................................................ 183
Prova 5: lnfraero 2011 - Analista superior ................................................................. 205
Prova 6: Tribunal Regional do Trabalho 23' Região- 2011 -Analista Judiciário-
Área Judiciária ........................................................................................................ 221
Prova 7: Tribunal Regional Eleitoral- PR- 2012- Técnico Judiciário-
Área Administrativa ...................................................................................... 245
Prova 8: Tribunal Regional Eleitoral - PR - 2012- Analista Judiciário -
Área Administrativa ...................................................................................... 269
Prova 9: Instituto Nacional do Seguro Sociai-INSS- 2012- Técnico do Seguro Social. ......... 291
Prova 10: Tribunal Superior do Trabalho- 2012- Analista Judiciário- Área Apoio
Especializado - Especialidade Suporte em Tecnologia da Informação ............ 299
Prova 11: Tribunal Regional do Trabalho 9~ Região- 2013- Analistà Judiciário- Área
Administrativa .............................................................................................. 315
Prova 12: Tribunal Regional do Trabalho 9~ Região- 2013- Técnico Judiciário- Área
Administrativa .. ,............................................................................................ 335
~rova 13: Tribun~l Regional do Trabalho 1~ Região- 2013- Analista Judiciário-
Área Judiciár.ia- Especialidade Execução de Mandados .................................... 351
Prova 14: Tribunal Regional do Trabalho V Região - 2013 - Analista Judiciário -
Área Judiciária ................................................................................................... 363
Prova 15: Tribunal Regional do Trabalho 1~ 'Região - 2013 - Técnico Judiciário -
· Área Administrativa·····:········: ............................................................................ 377
Prova 16: Banco do Brasil S.A. - 2013 - Cargo de Escriturário ......................... ,.......... 389
Prova 17: Defensoria Pública do Estado de São Paulo- 2013- Oficial de Defensoria
Pública ..................... ,................................................................................... 407
. Prova 18: Defensoria Pública do Estado de São Paülo - 2013 ~ Agente de Defensoria
Pública Administrador de Redes ......................... ~ ............................................... 427
Prova 19: Sergipe Gás S.A. 2013 -·Administrador ........................................................ 441
Prova 20: Tribunal Regio·nal do TrabaU10 ·19~ Região- 2014- Técnico Judiciário-
Área Administrátivâ .... :..........:...................................................................... 457
Prova 21 : Tribunal Regional do Trabalho 19~ Região - 2014- Analista Judiciário -
Área Judiciária ................................................................................................... 483
Prova 22: Tribunal Regional Federal3~ Região- 2014- Técnico Judiciário-
Área Administrativa ............................................................................. :......... 501
Prova 23: Tribunal Regional Federal3~ Região- 2014- Analista Judiciário-
Área Judiciária ............................................................................................. 515
Prova 24: Tribunal Regional do Trabalho 2~ Região- 2014- Técnico Judiciário-
Área Administrativa ...................................................................................... 531
Prova 25: Tribunal Regional do Trabalho 2~ Região- 2014- Analista JudiCiário-
Área Administrativa ...................................................................................... 559
Referências Bibliográfi~as ., .......,............ ,....................................................................... 5i7
CAPÍTULO 1
Esquemas do conteúdo programático cobrado pela
FCC

Veremos muitas vezes, durante a resolução das provas, expressões, como


"valor semântico"; "preju{zo moifológico", "erro si11 tático" etc.
Mas o que significam essas expressões?
Para responder a isso, devemos nos basear nos princípios gramaticais.
A gramática normativa divide-se em três estruturas básicas: a semântica,
a morfologia e a sintaxe.
O valor semântico é o sentido que o vocábulo terá no contexto da
frase. A base de seu estudo são os sentidos das conjunções coordenativas,
subordinativas adverbiais, preposições, além dos substantivos, adjetivos, e
advérbios.
A morfologia é tudo que norteia o vocábulo em si: a fonologia (som da
palavra), a estrutura da palavra, a ortografia, a acentuação gráfica e as classes
de palavras. Estas classes são os nomes dos vocábulos dentro de uma frase.
Esses vocábulos podem ser:
a) substantivo (dá nome aos seres);
b) artigo (determina o substantivo);
c) adjetivo (caracteriza o substantivo);
d) advérbio (modifica o verbo, adjetivo ou outro advérbio);
e) pronome (substitui ou acompanha um termo substantivo);
f) verbo (transmite processos, como ação, atividade intelectual, desejo,
etc.);
g) conjunção (liga orações ou palavras);
h) preposição (liga orações, palavras ou inicia complementos);
2 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho

i) numeral (quantifica, ordena, multiplica ou divide os seres);


j) interjeição (marca exclamações).
Essas classes de palavras normalmente ocupam uma função sintática,
que é o desempenho de cada palavra ou expressão dentro de uma oração.
Uma classe gramatical pode desempenhar várias funções sintáticas,
dependendo do contexto em que é inserida. Um substantivo, por exemplo,
pode desempenhar as funções de sujeito, objeto direto, objeto indireto,
complemento nominal, predicativo, vocativo, aposto, agente da passiva. Já
um adjetivo pode, além das funções de predicativo e aposto, desempenhar a
,_ de adjunto adnominal. O advérbio ocupa unicamente a função de adjunto
adverbial. Das classes gramaticais, as que não possuem funções sintáticas são
o verbo, a conjunção, a preposição e a inteljeição.
Veja a seguir um quadro que estrutura melhor essa explicação:

(continua)
Capítulo 11 Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 3

Observação: O substantivo pode também ser o núcleo do adjunto


adverbial, quando este é constituído de uma locução adverbial, mas
isso não constou no quadro acima, porque tal expressão não tem "valor
substantivo". Esse quadro é apenas um guia para percebermos melhor
as relações morfossintáticas e as diferenças eritre sintaxe e morfologia.

1. Estrutura básica da oração


A sintaxe trabalha a relação das. palavras dentro de uma oração, a qual
deve ter um verbo e este verbo normalmente se fiexiona de acordo com o
sujeito (de quem se fala) e relaciona-se com o predicado (o que se fala), de
acordo com a transitividade.
Veja as frases a seguir para que fique tudo bem claro. Pautemo-nos na
estrutura SVO (sujeito~verbo~complemento).

1. Ocandidato realizou a prova.


2. duvidou do gabarito.
3. enviou recursos à banca examinadora.
4. tem certeza de sua aprovação.
5. viajou.
estava tranquilo.

sujeito predicado
4 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho

Toda vez que fazemos uma análise sintática, devemos nos basear no verbo.
A partir dele, reconhecemos os outros termos da oração.
Veja os verbos elencados nos exemplos. Todos eles estão no singular.
Isso ocorreu porque eles dizem respeito a um termo, que é o sujeito "O
candidato". Se ele está no singular, é natural que o verbo também esteja. Já
que o verbo se fl.exiona de acordo com o sujeito, a gramática dá o nome a
isso de "concordância verbal".
Veja agora a relação do verbo dentro do predicado. Nas frases de 1 a 4,
os verbos "realizou", "duvidou", "enviou" e "tem" necessitan1 dos vocábulos
posterior~s para terem sentido na oração, .por exemplo: realizou o quê?,
duv{dou de quê?, enviou o quê? a quem?, tem o quê?
·Assim, você vai notar que eles dependem dos termos subsequentes para
terem sentido. Isso ocorre porque o sentido deve transitar do verbo para
o complemento. Por isso falamos que o verbo é transitivo. Sozinho, não
consegue transmitir todo o sentido, necessitando de um c;P}nplemento. Dessa
forma, os termos "a prova"," do gabarito", "recursos"," à banca examinadora" e
"certeza" completam o sentido desses verbos.
1\JgUIJ1aS vezes, esse complemento verbal é precedido de preposição.
- .
~-'' ~ •.. .
Para facilitar· o entendimento, podemç:>s dizer que essa preposição seria um
obstáculo. Havendo unia pr~posição, o trânsito é indireto. Retirando-se a
preposição, o trânsito é livre, direto.
Então, observe o verbo "realizou". Ele não exige preposição. Assim,
o termo que vem em seguiqa ·é ieu complemento verbàl direto. Já o
complemento do verbo "duvidou" é indireto, pois o trânsito está dificultado
(indireto) tendo em vista a preposição "de".
Já que, na frase 1, há complemento Yerbal direto, o verbo "realizou" é
chamado de transitivo direto (VTD). Na frase 2, como há preposição exigida
pelo verbo "dtJVidou", diz-se que este verbo é transitivo indireto (VTI) e seu
complemento é indireto. Na frase 3, há dois complementos exigidos pelo
verbo: um direto e outro indireto.. .
A gramática dá o nome a todo complemento verbal de objeto, por isso o
complemento verbal direto é o objeto direto (OD) e o complemento verbal
indireto é o objeto indire"to(OI). ·
Já que entendemos que a transitividade é uma exigência do verbo, pois
necessita de um complemento verbal, a gramática dá o nome a este processo
de "Regência", pois ele exige (rege) o complemento. Se é um verbo que
exige, é natural que a regência seja verbal.
Capítulo 1 I Esquemas do éonteúdo programático cobrado pela FCC' 5

Veja:

Regência Verbal
-----~
1. O candidato realizou a prova.
VTO + OD

2. duvidou do gabarito.
VTI + OI

3. enviou recursos à banca examinadora.


VTDI + 00 + OI

~
sujeito predicado

Mas não é só o verbo que pode ser transmvo. Nome também pode
ter transitividade. Nomes como "certeza", obedi~ncía, dúvida, longe, perto,fiel,
etc. São chamados de transitivos porque necessitam de um complemento
para terem sentido. Alguém tem certeza de algo, d!Ívida de algo, obedí~ncia a
alguém ou a algo. Alguém mora perto de outra pessoa ou longe dela. Alguém
é fiel a algo ou a alguém.
Esses nomes exigem transitividade, com isso há um complemento, o qual
é chamado de complemento nominal (CN).
Logicamente, há contextos em que o complemento não estará explícito
na frase; por exemplo, se queremos dizer que alguém reside muito distante,
podemos dizer que ele mora longe. Neste caso o nome "longe" deixou de ser
transitivo, não exigiu o complemento nominal, pois este ficou implícito. Por
isso não devemos decorar, mas entender o contexto, a funcionalidade. Se o
complemento não está explícito, não temos de identificá-lo. Assim, tudo
depende do contexto.
Vimos que a regência verbal trata basicamente do complemento do verbo.
Mas, se há um nome que exige complemento, então temos a Regência
Nominal.Veja a frase 4:

Regência Nominal

4. O candidato tem certeza de sua aprovação.


VTD + 00 + CN

sujeito predicado
6 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho

Note que o verbo "tem" é transitivo direto e "certeza" é o objeto direto.


A expressão "de sua aprovação" não complementa o verbo, mas o nome
"certeza": certeza de srw aprovação.
O estudo da Regência Nominal, na realidade, é realizado para
descobrirmos quais preposições iniciam o complemento nominal.
1
j•
Então atente quanto à diferença da oração 3 (VTOI + 00 + OI) para a
4 (VTO + 00 + CN).
Agora, vamos à oração 5. Note que o verbo "viajou" não exige nenhum
complemento verbal. Então não há transitividade. Se quisermos uma
" estrutura posterior, naturalmente inseriremos uma ou mais circunstâncias.
A essas circunstâncias damos o nome de adjunto adverbial. Poderíamos
dizer que o candidato viajou a algum lugar, em determinado momento, o
modo como viajou, a causa da viagem. Tudo isso são circunstâncias, as quais
possuem o valor de lugar, tempo, modo e causa. Então veja como ficaria:

Ocandidato viajou para São Paulo ontem confortavelmente a trabalho.


~ "---y--1 '------v----' "---y--1 \. v .I '-y-----1

sujeito VI Adj Adv lugar Adj Adv tempo Adj Adv modo Adj Adv causa
'-
As cinco frases anteriores possuem verbos com transitividade (VTO,VTI,
VTOI) e sem transitividade (VI). Toda vez que, na oração, ocorrerem esses
tipos verbais, dizemos que eles são os núcleos (palavra mais importante) do
predicado. Assim, teremos os Predicados Verbais, com a seguinte estrutura:
Predicado verbal = VTO + 00
VTI +OI
VTOI + 00 +OI
VI

1.1} Uma questão típica da banca FCC é o reconhecimento do tipo de complemento


verbal (00 ou OI}. Por exemplo, ela insere uma frase com verbo transitivo direto e objeto-
direto, e o candidato deve marcar a alternativa que contenha o mesmo complemento,
1 isto é, verbo transitivo direto com seu objeto direto. Questão simples que iremos
observar muitas vezes nas provas comentadas.

I Vimos que o verbo intransitivo não exige complemento verbal, mas


pode necessitar de adjunto adverbial para transmitir uma circunstância. Veja:
Adoeci.
Fui à praia.
verbo intransitivo adjunto adverbial de lugar
predicado verbal
Capítulo 1 I Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 7

Na realidade, há dois tipos de verbos intransitivos.


O primeiro diz respeito àquele que não exige nenhum termo que
complemente seu sentido, como "Adoeci."; "Juvenal morreu."; "Um
vendaval ocorreu.". Esses verbos não necessitam de termo que os complete.
1
Esse tipo de intransitividade mostra que o verbo por si só já transmite
j•
o sentido necessário; podendo o autor acrescentar termos acessórios para
transmitir mais clareza ou ser mais pontual no sentido, por exemplo:" Adoeci
por causa do mau tempo."; "Juvenal morreu atzteotztem." e "Um vendaval
ocorreu aqui.".
Por outro lado, existe a intransitividade que necessita de um termo que
produza sentido. Se alguém diz que vai, tem que dizer que vai a algum
lugar. Se alguém diz que voltou, tem que continuar a fala mostrando de
otzde voltou. Por isso muita gente confunde esse tipo de intransitividade
com a transitividade indireta; mas há um3; diferença muito grande, pois
o termo que completa o sentido deste tipo de intransitividade transmite
normalmente circunstâncias de lugar ou modo. ..
'- Veja:
Vou a São Paulo. Vim de Manaus. Estou bem.
o objeto indireto apenas completa o sentido do verbo, ele não transmite
valores circunstanciais de lugar ou de modo, s~ntidos que são demonstrados
nos vocábulos "a São Paulo", "de Manaus:' e "bem-,. Qtíando se quer saber
se há circunstância de lugar ou modo, faz-se a pergunta "Onde?", "Com-o?",
respectivamente.
Didaticamente, podemos dividir o adjunto adverbial em dois tipos:
Adjunto adverbial solto: Oproblema ocorreu naquela tarde de sábado.
Adjunto adverbial preso: Eu estou bem.
Eu fui a São Paulo.
Eu vim de São Paulo.
Caro leitor, esta Q.ivisão dos adjuntos adverbiais é apenas didática, não é
cobrada em prova dessa forma, mas entendermos isso é importante para a
pontuação. Observe que não é comum vermos vírgula separando adjuntos
adverbiais presos, como as três últimas frases. Já com o adjunto adverbial
solto, é natural podermos inserir a vírgula.
Veja:
Oproblema ocorreu, naquela tarde de sábado.
Falaremos mais sobre essa pontuação no tópico 8.
8 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho

Bom, para completar os tipos verbais, falta apenas um: o de ligação.


Veja a frase 6: O candidato estava tranquilo.
O termo" tranquílo" caracteriza o sujeito" O candidato", por isso se flexiona
de acordo com ele. O verbo "estava" serve para ligar esta característica ao
sujeito, por isso é chamado de verbo de ligação, e o termo que caracteriza
o sujeito é chamado de predicativo.
Note que, se o sujeito fosse "candidata", naturalmente o predicativo seria
"tranquila". A essa flexão de um predicativo em relação ao sujeito damos o
nome de Concordância No minai.
O predicativo sempre será o núcleo, por causa disso seu predicado é
chamado de Predicado Nominal, com a seguinte estrutura:
Predicado Nominal = VL + predicativo
Assim, é importante entender a seguinte estrutura:
Concordância verbal

~ Regência verbal

1. à candidato realizou a prova. _


VTD + ·ob .
2. duvidou do gabarito.
VTI + OI

3. enviou recursos à banca examinadora. Predicado


· · ·VÍDI · -+. OD-· + OI Verbal
. Regência nominal

4. . tem . certeza. de sua aprovação.·


V1D' ,. + ... OD + CN

5. viajou.
VI

6. estava
VL +
tranquilo.
predicativo } Predicado
Nominal

~
Concordância nominal

sujeito ·Predicado
~-~

Com isso, vimos a estrutura básica dos predicados verbal (VTD + OD;
VTI + OI;VTDI + OD + OI;VI) e nominal (VL +predicativo).

1.2) Portanto:· podemos perceber que, entre sujeito, verbo, complementos (verbais
e nominais) e predicativo, não há vírgula. Observe as orações anteriores. Elas não
possuem vírgula, justamente porque são constituídas de termos básicos da oração.
Capítulo 1 I Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC , 9

1.3) Atente ao fato de que os objetos direto e indireto servem para completar o sentido
do verbo e o complemento nominal serve para completar o sentido do nome. lembre-se
também de que o predicativo existe para caracterizar o sujeito.
·Além dos termos básicos, também há:

1.4) Agente da passiva: ele é quem pratica a ação verbal quando o verbo está na voz
passiva analítica. É introduzido pelas preposições por (e suas contrações) ou, mais
raramente, de:
A grama foi aparada pelo jardineiro. (voz passiva)
A casa estava cercada de ladrões. (voz passiva)

1.5) Aposto: Funciona na oração como uma ampliação, explicação, desenvolvimento ou


resumo da ideia do termo anterior:
Este país, o Brasil, tem procurado desenvolver políticas econômicas aliando produção
e sustentabilidade.
Nessa oração, "Este país" é o sujeito, e "o Brasil" é aposto desse sujeito,
pois explica o conteúdo do termo a que se refere.
O aposto pode ser classificado em:
1.5.1) Explicativo: muito cobrado nas provas da FCC quanto à pontuação,
pois pode ser separado por vírgulas, dois-pontos, travessões e até por
parênteses. Ele também pode vir antecipado de palavras denotativas de
explicação do tipo: a saber, isto é, quer dizer etc.
Raquel,.contadora da empresa, está viajando.
Só queria algo: apoio.
Um trabalho - tua monografia - foi premiado.
A ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) foi criada em 1999.
1.5.2) Enumerativo ou distribÚtivo: é uma sequência de elementos, a qual
chamamos de enumeração, usada para desenvolver uma ideia anterior.
É separado por dois-pontos. Veja:
Ganhei dois presentes: um tênis e uma camisa.
As reivindicações dos funcionários incluíam muitas coisas: melhor
salário, melhores condições de trabalho, assistência médica extensiva a
familiares.
10 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho

1.5.3) Resumitivo ou Recapitulativo: é usado para condensar a ideia de


termos anteriores, geralmente, por meio de um pronome indefinido.
"Grana, poder, sucesso, nada sobrevive à marcha inexorável do tempo."
O sujeito composto "Grana, poder, sucesso" é resumido pelo pronome
indefinido nada, por isso o verbo concorda com o aposto e se flexiona no
singular. Note que este tipo de aposto é separado por vírgula do termo
anterior.
1.5.4) Especificativo: indica o nome de alguém ou de algo dito
anteriormente. Note que não é separado por sinais de pontuação. I
~

O compositor Chico Buarque é também um excelente escritor.


O estado é cortado pelo rio São Francisco.
1.5.5) O aposto também pode se referir a uma oração:
Esforcei-me bastante, o que causou muita alegria em todos.
Palavras como o, coisa,Jato podem referir-se a toda uma oração. Nestes
casos, obrigatoriamente haverá separação por vírgula.
~ ) .
1.6. Vocativo: é o termo sintático que serve para convocar, chamar um interlocutor
a quem se dirige a palavra. É um termo independente: não faz parte do sujeito nem
do predicado, por isso deve ser separado por vírgula. Veja que ele pode aparecer em
posições variadas na frase. ···-

Jú/ia, venha cá.


Veja, menina, aquela nuvem.
Estamos aqui, meu amigo.

1.7) Veremos, agora, algumas palavras que não fazem parte da função sintática
exatamente, mas ajudam (e muito) na interpretação de texto e na pontuação. São as
chamadas palavras denotativas. As gramáticas normalmente as elencam junto aos
advérbios, por possuírem valores semânticos peculiares. Trabalhamos estas palavras
neste resumo para que possamos perceber principalmente os termos de valor explicativo,
exemplificativo e retificativo, os quais recebem vírgula.

1. 7.1) Designação: eis.


Eis aí a figura de Domingues!
Tal palavra tem o mesn1o sentido de "estar", "encontrar-se".
Capítulo 11 Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 11

1.7.2) Exclusão: exceto, senZio, salvo, menos, tirante, exclttsive, ou melhor etc.
Voltaram todos, menos André.
Roubaram tudo, salvo o telefone.
1.7.3) Limitação: só, apenas, somente, unicamente:
Só Deus é imortal. Apenas-um livro foi vendido.
A possibilidade de cobrança em prova é na interpretação de texto.
Quando se inserem as palavras só, somente, apenas; há o recurso textual
I
~
chamado palavra categórica. Ele .transmite uma ideia veemente do autor,
que não abre caminhos para outra possibilidade. Isso dirige a interpretação
de texto.Veja:
Só o rico ganha. O dinheiro chega apenas à classe nobre.
Compare com as estruturas sem essas palavras categóricas:
Orico ganha. O dinheiro chega à classe nobre.
Naturalmente você observou que o sentido mudou significativamente.
) . Na prova normalmente o texto sugere algo de maneira geral, como a
segunda construção. Já, na interpretação de texto, a banca inclui a palavra
categórica para o candidato perceber o erro.
1. 7.4) Explicação, explanação ou exemplificação: a saber, por exemplo,
isto é, como, ou melhor etc. -
Eram três irmãos, a saber, Pedro, Antônio e Gilberto.
Lá, no inverno, usa-se roupa pesada, como sobretudo e poncho.
Os elementos do mundo físico são quatro, a saber: terra, fogo, água e ar.
Esses valores são normalmente separados por vírgula ou dois-pontos.
Pode-se ter em mente que, quando se explica, quer-se ratificar, confirmar
argumentos; então isso pode ser cobrado numa interpretação de texto ou
no uso da pontuação.
1.7.5) Inclusão: mesmo, além disso, ademais, até, também, inclttsive, ainda,
sobretudo etc.
Até o professor riu-se. Ninguém veio, mesmo o irmão.
I - Costumam-se ficar entre vírgulas as estruturas além disso, também,
inclusive, ainda. Normalmente a banca insere apenas uma das vírgulas e isso
torna o texto errado.
Ele disse, inclusive que não viria hoje. (errado)

Ele disse, inclusive, que não viria hoje. (certo)


r
12 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho

II - Cumpre lembrar que não se pode confundir o valor de mesmo


(inclusão), mesmo (pronome demonstrativo de valor adjetivo) e mesmo
(advérbio de afirmação/ certeza). O primeiro não se ftexiona e pode ser
substituído por até, inclusive:
Mesmo ela realizou as atividades.
O segundo ftexiona-se e diz respeito a um reforço ~eftexivo, equivalendo
a sozinha:
Ela mesma realizou as atividades.
O terceiro não se ftexiona e serve para ratificar, confirmar uma ação,
equivalendo-se a sim, com certeza:
Ela realizou mesmo as atividades.
1. 7.6) Retificação: aliás, ou melhor, isto é, ou antes etc.
Comprei cinco, aliás, seis livros. Correu, isto é, voou até nossa casa.
Para a banca é importante notar a ideia de correção ao que foi dito
anteriormente e po_risso ~expressão deve ficar_separada por vírgula(s). Note
'que a expressão "i.sto é;' também fÕi vista c~mo explicação (ratificação), por
isso deve-se ter muito cuidado com o cõn"texto:
-1. 7. 7) Situação: mas, então, pois, aji1wl, agora etc.
Mas que felíckj,ade. Então duvida que se falasse latim?
Pois não é que ele veio. Afinal, quem tem razão?
Posso m,ostra:r-[hes o síUo; agora, vender eu não vendo.
A banca pergunta se os v·ocábulos "Mas", "Então" e "Pois", nestes casos,
possuem valor de oposição, conclusão e explicação, respectivamente. Pode-
-se notar claramente que não; esses vocábulos apenas motivam o início do
discurso, con1o ocorre com o coloquialismo "Hmn ...", "senão vejamos" etc.
1.7.8) Expletivo e realce: é que; lá, cá, só, ora, que, mesmo, embora.
Nós é que somos brasileiros. Eu sei lá!
Eu·cá me arranjo. Vejam só que coisa!
Ora, decidamos Jogo o negócio. Oh! Que saudades que tenho!
É isso mesmo. Vá embora!
Normalmente as palavras expletivas ocorrem por motivo de ênfase e
estilo e geralmente podem ser excluídas dp. fmse. Neste caso, perde-se a
ênfase, mas o sentido permanece o mesmo. Dos exemplos acima, somente
o expletivo "lá" não pode ser excluído, pois ele transmite valor negativo.
Capítulo 11 Esquemas do.conteúdo programático cobrado pela FCC. 13

Nota-se que o expletivo "ora" geralmente inicia uma consideração do autor,


uma avaliação que pode também ser entendida como conclusão.
1.7.9) Afetividade: felizmente, injelizmer1te, ainda bem:
Felizmente não me machuquei.
Ainda bem que o orador foi breve!

2. As vozes verbais
Vimos anteriormente os termos da oração. Agora, vamos observar que
a oração pode se estruturar em três vozes verbais: a ativa, a passiva e a
reflexiva, podendo variar para a recíproca.
O reconhecimento dessas estruturas é altamente relevante, pois a banca
FCC costuma cobrá-las na reestruturação de frases e na concordância.

2.1) As vozes verbais ativa e passiva

A voz verbal baseia-se no sujeito. Quando o SUJelto é agente, a voz é


chamada de ATIVA. Quando o sujeito sofre a ação, ou seja, é paciente; a
voz é chamada de PASSIVA.
A estrutura da voz ativa é basicamente a das seis frases inseridas
anteriormente no tópico . 1, em que falamos sobre os tipos básicos de
predicação (verbal e nominal):

VTO + 00; VTI +OI; VTOI + 00 + OI; VI; VL + predicativo.


~-----------------~~
Predicado verbal Predicado nominal

2.2) Admite-se a transposição para voz passiva quando há verbo transitivo direto (VTD)
ou verbo transitivo direto e indireto (VTDI):

Veja o esquema abaixo:


Voz ativa (sujeito agente)
Ocandidato~ a prova.

Voz passiva (sujeito paciente)


A prova foi realizada pelo candidato.
'---v---" VTD ~
sujeito paciente agente da passiva
14 Resoluçoes ae rrovas oe ronugues- o anca rLL- + ureve umm• 1u"~1u 1.,li u1 nn1u

Você percebeu que o sujeito da voz ativa é agente ("O candidato").


Quando este termo agente passa para a voz passiva, automaticamente muda
o nome para agente da passiva ("pelo candidato").
Quando temos a voz ativa, o objeto direto ("a prova") é o termo paciente
(sofre a ação que o sujeito realiza). Ao passarmos para a voz passiva, este
termo paciente passa a ter a função de sujeito paciente ("A prova").
Para transpormos da voz ativa para a passiva, devemos inserir o verbo "ser",
no mesmo tempo que o verbo original. Por isso "realizou" transformou-se
em "foi realizada".
Veja a transposição com outros tempos verbais. Perceba a inserção do
verbo "ser" no mesmo tempo do verbo original:

Ocandidato realiza a prova. Ocandidato realizava a prova.



7r
A prova é realizada pelo candidato. A prova era realizada pelo candidato.

Simples, não é?
2.2.1) Mas por que usamos a voz passiva?
Geralmente, usamos a voz passiva para enfatizar o sujeito paciente. Veja
que, na voz ativa, "a prova" era o objeto direto e se encontrava no final da
oração. Ao transpormos para a voz passiva, passamos a dar destaque a este
termo, que agora se encontra no início da oração, com a função de sujeito
paciente.
2.2.2) Podemos indeterminar o agente na voz passiva?
Muito cuidado com a nomenclatura! Ao transpormos uma oração da voz
ativa com sujeito indeterminado para a voz passiva, naturalmente o agente
da passiva ficará indeterminado também.Veja:
Voz ativa (sujeito agente)
Realizaram a prova.
-------~- VTD
sujeito indeterm1 00 (paciente)
agente
Voz passiva (sujeito paciente)

A prova foi realizada.


'---y-J VTD '----y-----1
sujeito paciente agente da passiva indeterminado
Lapnmo 1 1 esquemas ao comeuoo programaiiGO cooraoo pe1a rLL l:J

Mudando os tempos, teríamos:

7rmaprova. Rea izavam a prova.


~ .
A prova é realizada. A prova era realizada.

Devemos ter muito cuidado com ·a nomenclatura, porque as orações


acima tiveram o agente indeterminado; isto é, na voz ativa, o sujeito agente
estava indeterminado; na voz passiva, foi o agente da passiva que ficou
indeterminado. Então não podemos confundir a palavra "agente" com a
palavra "sujeito", pois, dependendo da voz verbal, eles serão elementos
diferentes.Veja que, na voz ativa, "agente" e "sujeito" são a mesma coisa; já,
na voz passiva, "agente" é o agente da passiva; e o "sujeito" é paciente.
2.2.2.1) Respondendo a pergunta, podemos indeterminar o agente na voz
passiva, omitindo o agente da passiva, mas não podemos indeterminar o
sujeito paciente, prova disso é que, nas estrutÜras passivas acima, o srueito
paciente estava determinado (''A prova"). Então, temos outro motivo para
empregar a voz passiva: quando queremos desconsiderar o agente da ação,·
omitindo o agente da passiva, pois a intenção é valorizãt a ação, e não o
agente. Veja isso na estrutura ''A ·prova foi realizada."
2.2.3) Agora, vejamos a transposição da voz verbal com locução verbal.
Quando houver uma locução ;e~bal na· voz ativa, bâst~ inserir o verbo
"ser" na mesma forma nominal do verbo princip·al, para que este verbo
principal fique no particípio.
Veja:
O candidato tem realizado a prova.
/1
A prova tem sido realizada pelo candidato.

A prova está sendo realizada pelo candidato.

O candidato vai realizar a prova.


/~
Aprova vai ser realizada pelo candidato.
16 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho

Indeterminado o sujeito agente, teremos:


Têm realizado a prova.

f"x
A prova tem sido realizada.

Estão realizando a prova.

f"~
A prova está sendo realizada.

Vão realizar a prova .

. f"x
A prova vai ser r.ealh:ada.

2.2.4) A voz passiva se divide em dois tipos: a voz passiva analítica e a voz
passiva sintética. A analítica já foi vista anteriormente, agora, veremos a
sintética, a qual basicamente é empre,gada para omitir o agerite (agente da
passiva) e valorizar a ação. Ela se apresenta da seguinte forma:

~
- VTD + se + sujeito paciente
Veja a aplicaÇão: .,..•· ·'
:Alugam-se casas.
VTD + PAp + sujeito paciente

É"'natur;l ~ocê·fa~~/a seg~inte p~rgunt~·:se o verbo é ~ransitivo direto,


onde está o objeto direto?
Bom, o vocábulo "se" é chamado de pronome apassivador (P Ap). Como
o próprio nome diz, temos voz passiva sintética. Devemos lembrar que, na
voz passiva, não existe objeto direto. O termo que seria o objeto direto
passou a ser o sujeito paciente, como vimos na estrutura do tópico 2.2.2.
Veja que "alugam" é verbo transitivo direto. Assim, o pronome "se" é
apassivadoi e o termo posterior "casas" é o sujeito paciente. Toda vez que
tivermos ·esta estrutura passiva sintética, devemos trocá-la pela analítica
(casas são alugadas), para termos certeza de que realmente há voz passiva.
O pronome apassivador não ocorre· só com o verbo transitivo direto
(VTD).Ele também ocorre com o verbo transitivo direto e indireto (VTDI):

~
VTDI + se + OI + sujeito paciente
Capítulo 1 I Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 17

Veja a aplicação:
Enviaram-se ao gerente oedidos de aumento.
VTOI + PAp + OI + sujeito paciente

Para termos certeza de que há pronome apassivador, basta transformarmos


a voz passiva sintética em passiva analítica:
Pedidos de aumento foram enviados ao gerente.
Essas construções podem ser estruturadas também com locução verbal. Para
isso, basta observar a transitividade do verbo principal (sempre o último).Veja:

~ ~
Deve-se alugar casa. Devem-se alugar casas.
P Ap + VTO + sujeito paciente P Ap + VTO + sujeito paciente

Estão-se enviando ao gerente pedidos de aumento.


P Ap + VTOI + OI + sujeito paciente

~
Agora vamos juntar essas vozes verbais para ficar mais claro.
VeJ·a: •· .,._. .;.··
... ,.·...-"'
Voz ativa
(sujeito agente)

Voz passiva analítica A prova foi realizada.


'---'--v-----' '-----v-----'
(sujeito paciente) sujeito paciente VTO agente da passiva indeterminado

Voz passiva sintética: Realizou-se a prova.


(sujeito paciente) VTD P Ap sujeito paciente

2.3) Voz reflexiva: diz-se que há voz reflexiva quando a ação "reflete" ao mesmo
elemento. Isto é, o sujeito age e o objeto sofre a ação, porém esses termos representam
o mesmo ser. Esta voz verbal é indicada pelo pronome reflexivo. Veja:

Ana olhou-se no espelho. (Ana olhou alguém e esse alguém é ela mesma)

Porém, podemos ter dúvida se esse pronome é reflexivo ou apassivador.


Por isso, vamos a suas diferenças:
Feriu-se o atleta durante a partida.
Há ambiguidade gerada a partir do se, pois não se sabe se o atleta agiu ou
sofreu a ação. Por isso há necessidade de um contexto, e isso pode cair em prova.
18 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria 1Décio Terror Filho

Supondo-se que o atleta agiu contra ele mesmo (caiu sozinho, por
exemplo), o pronome se será entendido como pronome reflexivo(P Refi):
Feriu-se o atleta durante a partida.
VTO + P Refi sujeito agente adjunto adverbial de tempo
(00)

A ambiguidade é desfeita, substituindo o pronome átono "se" pela


expressão tônica" a si mesmo", da seguinte maneira:
Oatleta feriu a si mesmo durante a partida.
sujeito agente VTD + P Refi (00 prep) adjunto adverbial de tempo

Supondo-se que o atleta sofreu a ação de alguém (agente da passiva)


que não foi identificado, o pronome se será entendido corno pronome
apassivador:
Feriu-se o atleta durante a partida. (*O agente da passiva
VTD + P Ap sujeito paciente adjunto adverbial de tempo está indeterminado)

A ambiguidade é desfeita da seguinte maneira:


Oatleta foi ferido durante a partida. (* O agente da passiva
continua indeterminado)
sujeito paciente locução verbal adjunto adverbial de tempo

2.3.1) Voz reflexiva recíproca: indica uma reação dos objetos direto ou
indireto à ação do sujeito e é representada pelo pronome reflexivo
recíproco (P Rec). Essa voz é apenas uma variação da reflexiva, com o
detalhe de que se necessita de no mínimo dois indivíduos para se efetivar
a reciprocidade. Uma forma prática de visualizar o pronome reflexivo
recíproco é subentender os advérbios de modo "reciprocamente", "mutuamente":

Os deputados cumprimentaram-se após a sessão plenária.


sujeito VTO + P Rec (00) adjunto adverbial de tempo
voz reflexiva reciproca

3. Esquema do período composto por coordenação


- - - - + - - - - e - - - - - + - - - - - - - ' · (aditiva)
- - - - - - 1 ! - - - - - - - - ' mas . (adversativa)
----1-----ou . (alternativa)
- - - - + - - - - ' portanto . (conclusiva)
---~----'' pois . (explicativa)
oração inicial oração coordenada sindética

Período composto por coordenação


Capítulo 1 I Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 19

Este esquema vai nos guiar sempre que falarmos de orações coordenadas.
As orações coordenadas estão iniciadas pelas conjunções "e", "mas", "ou",
"portanto", "pois".

3.1) A palavra conjunção tem alguns sinônimos como conectivos e síndetos. Assim,
quando uma oração coordenada é iniciada por"conjunção, ela é chamada de coordenada
sindética e a vírgula vai depender de seu valor semântico, conforme apontado no
esquema acima.

3.2) Porém, podemos encontrar orações coordenadas sem conjunção, neste caso as
chamamos de orações coordenadas assindéticas. Éimportante reconhecê-las porque
a vírgula será obrigatória, independente do sentido.

Exemplo: Mauro saiu e voltou tarde. (oração sindética)


Mauro saiÚ, voltou tarde. (oração·assindética)

3.3) A oração que precede a coordenada é chamada de inicial. Assim, nas duas
construções acima, "Mauro saiu" é uma oração inicial.

3.4) Você verá em algumas provas comentadas que a banca FCC costuma pedir a
simples troca de uma conjunção por outra. de igual valor ou ·o valor .semântico de uma
conjunção grifada no texto. ·

Principais _conjunções coordenativas e seus valores semânticos

3.5) Aditivas: servem para somar termos, encadear enumeração dentro de uma lógica.
As principais são: e, nem, tampouco, não só ••. mas também, não só .•. como
também, senão também, tanto ••. como.

Ex.: Ele caminha e corre todos os dias.

3.6) Adversativas: exprimem contraste, oposição, ressalva, compensação. As principais


são: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto.

Além delas, há outras palavras que, em determinado contexto, passam a


valor adversativo e podem iniciar este tipo de oração, tais como setrão, ao
passo qtte, antes (=pelo contrário), já, não obstante, apesar disso, em todo caso.
Há urna diversidade de vocábulos que transmitem o valor adversativo; por
isso é importante entender a oposição e não apenas memorizar as conjunções.
20 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho

Ex.: Ele teve aumento salarial, porém não quis continuar na empresa.
Orico esbanja gastos desnecessários, já o pobre só quer sobreviver.

3.7} Alternativas: a conjunção alternativa é por excelência "ou", sozinha ou repetida em


cada uma das orações. As principais são: ou, ou ... ou, ora ... ora, já ... já, quer ... quer.
Ex.: Estude com muita dedicação, ou se dedique a outra atividade.
Ou você estuda, ou dorme!

3.8} Conclusivas: são muito utilizadas em textos dissertativos, como resultado de um


fato originário, fechamento de argumento conclusivo e dedução. As principais são:
logo, portanto, por conseguinte, pois (colocada depois do verbo e entre vírgulas},
por isso, então, assim, em vista disso.
Ex.: Trabalhou muito, portanto tem direito a longo período de descanso.
Algumas vezes, a conjunção :'e" inicia oração que transmite o resultado
de uma afirmação anterior. Neste caso, além do valor aditivo, há também o
...,."""... " ·
de conclusão · ..-.._·.···
....,.,...
Ex.: Ele pesquisou na internet e encontrou a solução.

3.9} Explicativas: iniciam termo que esClarece uma declaração anterior ou ameniza uma
ordem. As principais conjunções s~o: porqllf!,.poís (anteposto ao verbo), porquanto,
que, tanto que.

a) Esclarecimen.te de~'uma informação anterior:


Ex.: Ele deve ter chorado muito, porque os olhos estão inchados.
Joana está mesmo cansada, pois pediu desconto em férias.
b) Amenização de uma ordem:
Ex.: Estudem, que o conc.urso não é fácil.

3.10} Vamos a um·a diferença básica entre coordenação e subordinação.


Veja o seguinte exemplo:
<D ~ @
Se você. se maii'tiver 'atento à aula, realizar todas as atividades e ficar calmo
. • . @
Pflrante a provq,.passará 110 concurso. .
,·"·~~·.•~~;.... ,.; . • i ·• •

-· ·""·.
Note que temos apenas uma frase, porque só há um ponto final. Com
isso, percebemos que temos também um período. Como há vários verbos,
há várias oraÇões em um período composto.
Capítulo 1 (Esquemas do tonteúdo programático cobrado pela FCC 21

O resultado principal do enunciado é "passará no co11curso.". Para que


alguém consiga esse resultado, deverá passar por algumas condições: manter-
se atento à aula, realizar todas as atividades, ficar calmo durante a prova. Essas
tr.ês condições estão paralelas, unidas, por isso as chamamos de estruturas
coordenadas. Elas estão justapostas porque todas possuem o mesmo valor:
condição.
Chamamos esta justaposição (coordenação) de ENUMERAÇÃO.
Assim, perceba que as orações 1, 2 e 3 estão coordenadas entre si. Mas note
também que a junção destas três condições (estruturadas em coordenação)
foi necessária para se ter um resultado: "passará 110 concurso".
Portanto, essas três estruturas sozinhas, sem a última oração, não teriam
sentido; por isso, além de estarem coordenadas entre si, elas dependem do
resultado, passando a uma relação de subordinação. Elas precisam de outra
para terem sentido.
3.10.1) Imagine a estrutura acima sem a oração 4, ela teria sentido?
m 0 ®
.Se você se mantiver ateuto à aula, realizar todas as atividades e ficar calmo
dura11te a prova ... passará no concurso do TSE.

Lógico que não; então percebemos que a oração 4 é necessária para que
as outr<>.s (subordinadas) tenham sentido.
Resumindo, entendemos que as orações 1, 2, 3 estão coordenadas
entre si Uustapostas, paralelas, enumeradas) e que essas mesmas orações
estão subordinadas em relação à oração 4 (principal).
A oração sub'ordinada se refere a uma oração principal e a oração
coordenada se liga a outra também coordenada (ou também chamada de
oração inicial).

4. Principais conjunções subordinativas adverbiais

4.1) Causais: exprimem causa, motivo, razão. As principais são porque, pois, que,
como (quando a oração adverbial estiver antecipada), já que, visto que, desde que,
uma vez que, porquanto, na medida em que etc.:
. Ex.: Como fazia frio, fechou as janelas.
Já que estou cansado, vou descansar.
22 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria 1Décio Terror Filho

4.2) Consecutivas: exprimem um efeito, um resultado, uma consequência, e aparecem


de duas formas:

I - conjunção que precedida de tal, tão, tanto, tamanho:


Ex.: Trabalharam tanto que suas mãos ficaram inchadas.
Tal foi o problema na empresa que todos foram demitidos.
Nesta estrutura, os intensiftcadores tal, tamarzho, tão, tanto podem ftcar
subentendidos.
Ex.: Bebia que caía pelas ruas. (beb1a tanto .. .)

II - locuções conjuntivas de maneira que, de jeito que, de ordem que, de


sorte que, de modo que etc.:
Ex.: Motivamos a classe empresarial, de sorte qu,e o Brasil
aumentou o nível de empregos regulares.
III- locução conjuntiva sem que, e a conjunção q1te, seguida de negação.
Ex.: Lúcia não pode ver uma roupa bonita na vitrine sem que a queira comprar.
Lúcia não pode ver uma roupa bonita na vitrine, que não a queira comprar.
Perceba que, na primeira estrutura, a preposição sem tem valor de negação;
na segunda, sua ausência é substituída pelo advérbio de negação "rtão".

4.3) Condicionais: exprimem condição para a realização de algo ou uma hipótese. As


principais são se, caso, contanto que, desde que, salvo se, sem que (=se não), a não
ser que, a menos que, dado que, uma vez que (com verbo no subjuntivo).
Ex.: Caminharei com você desde que não chova.
Não terminará a matéria, sem que se dedique muito.

4.4) Concessivas: exprimem um fato que se concede, que se admite, em oposição,


contraste, ressalva ao da oração principal. As conjunções são embora, conquanto,
que, ainda que, mesmo que, ainda quando, mesmo quando, posto que, por mais
que, por muito que, por menos que, se bem que, em que pese, nem que, dado que,
sem que (=embora não}, mesmo se.

4.4.1) É importante ressaltar que os verbos das orações adverbiais iniciadas


por esses conectivos devem se flexionar no modo subjuntivo. ·
Ex.: Gostava de Matemática, embora tivesse dificuldades com cálculos.
Capítulo t 1Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 23

4.4.2) Deve-se tomar muito cuidado quando a banca pedir a substituição


de conjunção ou locução conjuntiva por preposição ou locução prepositiva.
Embora chegasse cedo, não conseguiu lugar para sentar-se.
Ao se substituir a conjunção embora pela preposição mesmo, o verbo é
obrigado a sair da forma conjugada em modo e tempo verbal para a forma
nominal gerúndio. Isso fará com que esta oração seja reduzida de gerúndio:
Mesmo chegando cedo, não conseguiu lugar para sentar-se.
Se fosse substituída pela locução prepositiva "apesar de", a oração seria
reduzida de infinitivo:
Apesar de chegar cedo, não conseguiu lugar para sentar-se.
Algumas vezes a banca utiliza a locução prepositiva" a despeito de", a qual
possui o mesmo valor de concessão. Veja:
A despeito de chegar cedo, não conseguiu lugar para sentar-se.
Assim, cuidado com as substituições pedidas na prova.

4.5) Comparativas: representam o segundo termo de uma comparação e se expressam


de três formas, com as conjunções como, (tal) qual tal e qual, àssím como, (tal)
como, (tão ou tanto) como, (mais) que ou do que, (mimos) que ou do que, tania
quanto, que nem, feito (=como, do mesmo modo que), o mesmo que (=como):
:. .~

4.5.1) com verbo expresso:


Ex.: A praia é tal qual você descreveu. (tal como)

4.5.2) com o predicado ou verbo subentendido:


Ex.: A luz é mais veloz do que o som. (do que o som él
4.5.3) Nas estruturas comparativas de superioridade e inferioridade (com
verbos expressos ou não), a palavra "do" é opcional.
Cantava mais do que trabalhava.} I. Com verbo expresso..I
Cantava mais que trabalhava.

Os mais magros correm mais do que os mais cheinhos.}


Os mais magros correm mais que os mais cheinhos. c.:.::.:==:.::.:..J

4.5.4) corno comparação hipotética (uso da conjunção se):


Ex.: Oidoso gritou, como se estivesse sozinho·no quarto.
r
24 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho

4.6) Conformativas: exprimem acordo ou conformidade de um fato com outro. Suas


conjunções são como, conforme, segundo, consoante. A oração principal é a
declaração feita pelo autor e a oração subordinada adverbial conformativa é a base de
sustentação do argumento, muito marcado por leis, regulamentos, fala de especialistas
etc. Esse valor adverbial é vastamente explorado como argumento de autoridade:
Ex.: Como disse o prefeito, o IPTU vai subir 5% este ano.
Conforme prevê o artigo 37 da CF, o serviço público é impessoal.

4.7) Proporcionais: iniciam ideia de proporção, com as locuções conjuntivas à proporção


que, à medida que, ao passo que, quanto mais ..• tanto mais, quanto mais ... tanto
menos, quanto menos ..• tanto menos, quanto menos ... tanto mais, quanto mais ••.
mais, quanto menos •.. menos, tanto ... quanto (como}.

Ex.: Os alunos respondiam, à medida que eram chamados.


À proporção que subiam a montanha, o ar ia ficando rarefeito.

4.8) Finais: indicam finalidade, objetivo, com os conectivos pará· -que; a fim de que,
que(= para que), porque(= para que):
Ex.: Afastou-se depressa, para que não o víssemos.
Viemos aqui a fim de que realizássemos um acordo.
"Fiz-lhe sinal que se calasse." (Machado de Assis)

4.9) Temporais: indicam o tempo em que se realiza o fato expresso na oração principal,
podendo ser um tempo geral, concomitante, antes ou depois de um referente. Suas
conjunções são quando, enquanto, logo que, mal(= logo que}, sempre que, assim
que, desde que, antes que, depois que, até que, agora que, ao mesmo tempo que,
toda vez que.

Ex.: · Não fale enquanto come.


Mal você saiu, ela chegou.

5. Período composto por subordinação substantiva


A conjunção que inicia a oração subordinada substantiva é chamada de
integrante e são os vocábulos "que" e "se". Além disso, devemos perceber
que os termos sujeito, objeto direto, objeto indireto e complemento nominal
são eminentemente substantivos. Isso quer dizer que seus núcleos devem
ser substantivos ou palavras de valor substantivo. Os termos predicativo e
Capítulo 11 Esquemas dÓ conteúdo programático cobrado pela FCC 25

aposto podem ter núcleos substantivos ou adjetivos, mas cabe agora falarmos
apenas de seu valor substantivo .
. Por exemplo, "isso" é um pronome. Por possuir valor substantivo, pode
ocupar as funções sintáticas faladas anteriormente. Veja:
Isso é lindo. (Isso = sujeito)
Vi isso. (isso = objeto direto)
Sei disso. (disso = objeto indireto)
Sou obediente a isso. (a isso = complemento nominal)
Ela é isso. (isso = predicativo)
Só quero uma coisa: isso. (isso = aposto)
Um macete para sabermos se a palavra tem valor substantivo é trocá-la
pelo pronome demonstrativo substantivo "ISSO". Não é sempre que dá
certo com o aposto, mas ele tem uma estrutura bem característica.
E por que isso é importante?
Quando os termos sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento
nominal, predicativo e aposto (de valor substantivo) recebem um verbo,
transformam-se numa oração subordinada substantiva.

5.1) Com base nas frases abaixo, observe os termos em negrito e suas funções
sintáticas. Quando o termo recebe um verbo, vira uma oração. Veja:

1. Era indispensável teu regresso.


VL + predicativo (sujeito simples)
período simples (oração absoluta)

2. Era indispensável que tu regressasses.


VL + predicativo I Suj + VI
oração principal I oração subordinada substantiva subjetiva
período composto

3. Era indispensável tu regressares.


VL + predicativo I Suj + VI
oração principal .I oração subordinada substantiva
subjetiva (reduzida de infinitivo)
período composto

Na frase 1, temos apenas uma oração (período simples), pois há apenas


um verbo: "Era". Esse verbo é de ligação (VL), seguido do predicativo
"indispensável" e o sujeito "teu regresso".
26 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC -+breve teoria 1 Décio Terror Filho

Na frase 2, o então sujeito" teu regresso" recebeu um verbo e foi modificado


para "que tu regressasses". Assim, há duas orações (período composto). No te
que esta oração recentemente formada não produz sentido sozinha; por
isso a chamamos de subordinada. Ela é considerada substantiva por ter sido
gerada de um termo substantivo. Para reforçar isso, podemos trocá-la pelo
pronome "isso". Veja: Isso era indispensável. O pronome "isso" continua na
função de sujeito, então a oração sublinhada terá a função de sujeito da
oração principal.
Note que a oração subordinada substantiva será sempre o termo que
; falta na oração principal. Confirme isso na frase 2: na oração principal só há
verbo de ligação e predicativo, falta o sujeito, que é toda a oração posterior.
Esta oração é chamada de desenvolvida, pois possui conjunção (integrante
"que") e o verbo está conjugado em tempo e modo verbal (regressasses).
Na frase 3, a oração sublinhada perdeu a conjunção integrante "que" e
isso fez com que reduzíssemos a quantidade de vocábulos da oração. Assim,
o verbo que se encontrava conjugado passou a uma forma infinitiva. Por esse
motivo, dizemo~ que a oração sublinhada na frase é reduzida de infinitivo.
Essa denominação completa você não precisa decorar, basta entender o·
processo, a estrutura. A banca FCC não pergunta o nome, mas quer saber o
emprego disso.
Seguem agora outras estruturas em que o termo, ao receber o verbo,
passa a ser uma oração subordinada substantiva.Veja:
No documento constava a presença deles. (Isso constava no documento)
Adj. adverbial de lugar + VI + sujeito

No documento constava que eles estavam presentes. (!ill. constava ...)


oração principal + oração subordinada substantiva subjetiva

No documento constava eles estarem presentes. (!ill. constava ...)


oração principal + oração subordinada substantiva subjetiva reduzida de infinitivo

Foi anunciado o debate deles. (Isso foi anunciado)


locução verbal + sujeito

Foi anunciado gue eles debateriam. (Isso foi anunciado)


oração principal + oração subordinada substantiva subjetiva

Foi anunciado eles debaterem. (Isso foi anunciado)


oração principal + oração subordinada substantiva subjetiva reduzida de infinitivo
Capítulo 11 Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC . 27

5.1.1) As orações subordinadas substantivas subjetivas são . também


denominadas sujeito oracional. Vale lembrar que o verbo da oração
principal que tem como sujeito a oração subordinada substantiva subjetiva
deve ficar sempre na terceira pessoa do singular. Assim, mesmo que haja~
vocábulos no plural no sujeito oracional, a oração principal permanecerá
com o verbo no singular. Veja que os v.erbos "constava" e "Foi anunciado" não
se flexionaram no plural, mesmo o sujeito oracional possuindo vocábulos
no plural.

5.2) Agora veremos o complemento verbal direto. Perceba a seguir que, nas orações
principais, os verbos possuem sujeito, são transitivos diretos e necessitam de um
complemento, o qual será toda a oração posterior.

5.2.1) Com base na afirmação do tópico 1.3, sobre o objeto direto, a


oração subordinada substantiva objetiva direta também completa o sentido
do verbo transitivo direto. A diferença é que este verbo se encontra em
outra oração: na oração principal.
Ele imaginava sua classificação para a segunda fase. (Eie imaginava iill. l
sujeito + VTD + objeto direto

Ele imaginava que seria classificado para a segunda fase. (Ele imaginava iill..)
oração principal + oração subordinada substantiva objetiva direta .

Ele imaginava ser classificado para a segunda fase. (Ele imaginava iill..)
oração principal +.oração subordinada substantiva objetiva direta reduzida de infinitivo

5.2.2) Mas cabe uma peculiaridade da oração subordinada substantiva


objetiva direta. Nas frases interrogativas indiretas, as orações subordinadas
substantivas objetivas di,retas podem ser introduzidas pela conjunção
subordinada integrante "se" e por pronomes ou advérbios interrogativos:
Ninguém sabe se ela aceitará a proposta.
Ninguémsabe como ela aceitará a proposta.
Ninguém sabe quando ela aceitará a proposta.
Ninguém sabe onde ela aceitará a proposta.
Ninguém sabe qual é a proposta.
Ninguém sabe quanto é a proposta.
Ninguém sabe por que ela não aceitou a proposta.
28 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho

5.2.3) Com os verbos deixar, mandar, jazer (chamados auxiliares causativos)


e ver, sentir, ouvir, perceber (chamados auxiliares sensitivos) ocorre uma
forma peculiar de oração subordinada substantiva objetiva direta reduzida
de infinitivo:
Deixe-me repousar.
Nesses três últimos casos, as orações destacadas são todas objetivas diretas
reduzidas de infinitivo e, o que é mais interessante, os pronomes oblíquos
átonos atuam todos como sujeitos dos infinitivos verbais e são conhecidos
por sujeito acusativo. Essa é a única situação da língua portuguesa em que
um pronome oblíquo pode atuar como sujeito. Para. perceber melhor o que
ocorre, convém transformar as orações reduzidas em desenvolvidas:
· D?fxe que eu repouse.
Mandei que eles saíssem.
Ouvi que ele gritava .
.É bom esclarece_r que.. o's verbos causa ti vos e sensitivos não formam
locução verbal, pois fazem parte de um período composto .

. 5.3) Agora, passemos às orações CDIJl função de objeto indireto e complemento


nominal. Se o objeto indireto e o complemento nominal (os quais são termos iniciados
por preposição) recebem o verbo, naturalmente vão continuar com a . preposição
antecedendo-os.

5.3.1) Com base na afirmação do tópico 1.3, sobre o objeto indireto,


a oração subordinada substantiva objetiva indireta também completa
o sentido do verbo transitivo indireto. A diferença é que este verbo se
encontra ern outra oração: ria oração principal.
Teus amigos confiam em tua vitória. (Teus amigos confiam nisso.)
sujeito + VTI .+ objeto indireto

Teús amigos confiam em gue tu vencerás. (Teus amigos Confiam nisso.)


orãção prin.cijJal + oração subordinada substantiva objetiva indireta

Teus amigos confiam em vencerÇs.,(Teus amigos confiam nisso.)


oração principal + oração subordinada substantiva objetiva indireta reduzida de infinitivo
Capítulo 11 Esquemas do· conteúdo programático cobrado pela FCé 29

5.4) Perceba que, na completiva nominal, não é o verbo que exige o complemento, é o
nome.

5.:4.1) Com base na afirmação do top1co 1.3, sobre o complemento


nominal, a oração subordinada substantiva completiva nominal também
completa o sentido do nome. A diferença é que este nome se encontra em
outra oração: na oração principal.
Teus pais estavam certos de tua volta. (Teus pais estavam certos disso.)
sujeito + VL + predicativo + complemento nominal

Teus pais estavam certos de gue tit voltarias. (Teus pais estavam certos disso.)
oração principal + oração subordinada substantiva completiva nominal

Teus pais estavam certos de voltares. (Teus pais estavam certos disso.)
oração principal + oração subordinada substantiva completiva nominal reduzida de infinitivo

5.5) Note que a oração predicativa transmite a característica do sujeito.

Nossa maior preocupação era a chuva. (Nossa maior preocupação era~)


sujeito + VL + predicativo

Nossa maior preocupação era gue chovesse. (Nossa maior preocupação era illQ)
oração principal + oração subordinada substantiva predicativa

Nossa maior preocupação era chover. (Nossa maior preocupação era illQ)
oração principal + oração subordinada substantiva predicativa reduzida de infinitivo

5.6) Todas as orações até aqui elencadas puderam ser substituídas pela palavra "ISSO".
Apenas a oração apositiva não transmite coerência com essa troca; porém, observe que
a banca não cobra o nome, mas pergunta se os dois pontos marcam o início de um
aposto ou se marcam o início de um esclarecimento, desenvolvimento de uma palavra 1

anterior. Veja:

Todos defendiam esta ideia: a desapropriação do prédio.


sujeito + VTD + objeto direto + aposto

Todos defendiam esta ideia: gue o prédio fosse desapropriado.


oração principal + oração subordinada substantiva apositiva

Todos defendiam esta ideia: o prédio ser desapropriado.


oração principal + oração subordinada substantiva apositiva reduzida de infinitivo
30 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho

5.7) Agora que já vimos todas as orações substantivas, vem a pergunta: Por que temos
de identificar esse tipo de oração? Porque ...

5. 7.1) excetuando o aposto, não podemos separar a oração subordinada


substantiva de sua oração principal por vírgula;
5.7.2) quando esse tipo de oração tiver a função de st~eito, objeto direto e
predicativo, não deve haver uso de preposição antecedendo-o;
5.7.3) a conjunção que as inicia é chamada de integrante (que, se), a
qual não possui valor semântico, nem função sintática;
5.7.4) quando houver oração subordinada substantiva subjetiva (st~eito
oracional), o verbo da oração principal sempre ficará na terceira pessoa do
singular;
5. 7. 5) a conjunção integrante "que" geralmente expressa certeza:
Diga que começou o trabalho.
5.7.6) a conjunção integrante "se" geralmente expressa dúvida:
Diga se começou o trabalho.
Neste contexto, algumas gramáticas admitem, além do sentido de dúvida,
uma condição subentendida, principalmente com a antecipação da estrutura
substantiva. Veja:
Se desaprovo sua conduta você saberá amanhã. (você saberá llli. amanhã.)

Resumindo, a oração" Se desaprovo sua conduta" é subordinada substantiva


objetin direta, porém se admite subentender nela também o valor secundário
de condição, dúvida.
5.7.7) especial atenção deve-se ter nas orações subordinadas substantivas
objetiYas indiretas e completivas nominais reduzidas de infinitivo, pois tais
orações são iniciadas por preposição e, quando o sujeito for precedido de
artigo ou for constituído de pronome, tal preposição não pode contrair-se
com o artigo ou pronome. Veja quatro estruturas equivocadas:
Oproblema procedeu do gerenté não ter agido energicamente.
Oproblema procedeu dele não ter agido energicamente~

É hora da sociedade cobrar respeito dos políticos com o dinheiro público.


É hora dela cobrar respeito dos políticos com o dinheiro público.
Capítulo 11 Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 31

Essas estruturas estão erradas, porque os sujeitos dos verbos "procedeu" e


"cobrar" não são as expressões "do gerente", "dele", "da sociedade" e "dela", mas
simplesmente "o gerente"," ele"," a sociedade" e "ela". Assim, deve-se desfazer
as contrações. Veja as estruturas corretas:
Oproblema procedeu de o gerente não ter agido energicamente.
Oproblema procedeu de ele não ter agido energicamente.
É hora de a sociedade cobrar respeito dos políticos com o dinheiro público.
É hora de ela cobrar respeito dos políticos com o dinheiro público.

6. Período composto por subordinação adjetiva


As orações subordinadas adjetivas têm esse nome porque equivalem a um
adjetivo. Sintaticamente, elas exercem duas funções que cabem ao adjetivo
(adjunto adnominal ou aposto explicativo). Lembre-se de que todo termo
da oração possui no mínimo um vocábulo, o qual chamamos de núcleo. Por
vezes, esse núcleo vem antecipado ou seguido de outros vocábulos de valor
adjetivo, os quais passam à função de adjunto adnominal.
Perceba isso no exemplo a seguir:
Detesto gente mentirosa.
VTD I núcleo do oo I Adj Adrr
I objeto direto
período simples

Nesta construção, o objeto direto é o termo "gente metltiro;a". O núcleo é


o substantivo "gente" e o adjunto adnominal é "mentirosa", o qual serve para
caracterizar esse núcleo.
Ao se inserir um verbo nesta função adjetiva, naturalmente haverá uma
oração de mesmo valor. Por isso passa a ser uma orà.ção subordinada adjetiva:
Detesto gente que mente.
oração principal Or Sub Adjetiva
periodo composto

6.1) A conexão entre a oração subordinada adjetiva e a oração principal é feita pelo
pronome relativo que. Esse vocábulo não pode ser confundido com a conjunção integrante
"que", vista anteriormente, a qual inicia uma oração subordinada substantiva. Portanto,
vamos às formas de se evitar o erro:
f

32 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria 1 Décio Terror Filho

Detesto mentiras. Detesto gente mentirosa.


Detesto que mintam. •
Detesto gente que mente.
a) O vocábulo "mentiras" é um a) Ovocábulo "mentirosa" é um adjetivo.
substantivo. Quando é substituído Quando é substituído por um verbo, passa
por verbo, passa a fazer parte de uma a fazer parte de uma oração adjetiva.
oração subordinada substantiva. b) "mentirosa" é adjunto adnominal e
b) "mentiras" é núcleo do objeto direto do restringe o núcleo do objeto direto.
verbo "Detesto", por isso "que mintam" é c) Não há coesão em se substituir a
oração subordinada substantiva obje~iva oração "que mente" pelo vocábulo "isso".
direta da oração principal "Detesto". Veja: Detesto gente isso. Assim, não é
c) O vocábulo "que" é uma conjunção oração substantiva. O segundo passo
integrante e toda a oração a partir desse é substituir o "que" por "o qual" e suas
vocábulo pode . ser substituída pelo variações, para confirmar se é pronome
vocábulo "isso", para a confirmação de relativo iniciando oração adjetiva. Veja:
ser oração substantivª: V~eja: Detesto isso. Detesto gente a qual mente.
.~ -~ ..

No período "Detesto gente· que mente", desenvolvem-se duas i dei as,


. relacionadas à palavra "gente": a prirneir~ é a cfe que e11 a detesto e a segunda
é a de q11e e_[a mente. As.sim:
Detesto gente. Gente mente. .
VTD + OD Suj + VI

sujeito

6.2) Visando ao que é exigido pela banca FCC, muitas vezes se vê questão que pede para
substituir um vocábulo por outro, permanecendo o sentido e a gramaticalidade. Neste
caso, se a banca pedisse para substituirmos "gente" por "pessoas", permaneceria a
Capítulo 11 Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC · 33

semântica, mesmo um estando no singular e o outro no plural. Mas essa substituição


implicaria mudança na concordância do verbo "mente", que deveria flexionar-se no
plural, haja vista que o pronome relativo "que" é sujeito e retomaria "pessoas". Assim:

Detesto pessoas que mentem.


VTD + objeto direto Suj + V. intransitivo
Oração principal Oração Sub Adjetiva

Outras vezes a banca FCC cobra simplesmente a atenção voltada ao


contexto para identificar o referente. Chamamos isso de coesão referencial:

a. Conheci o dono daquela empresa de cosméticos que demitiu duzentos funcionários.


b. Conheci o dono daquela empresa de cosméticos que exportou para a Europa.
c. Conheci o dono daquela empresa de cosméticos que embelezam as mulheres.

Na frase "a", o pron01ne relativo "que" reton1ou o substantivo "dono",


pois se entende que quem demite é o "dono"; na frase "b", foi retomado o
substantivo "empresa", pois é mais adequado dizer que a exportação é feita
o'

pela "empresa" e não pelo "dono". Na frase "c", a concordância é feita no


plural, porque o pronome relativo retomou" cosméticos", que também está
no plural. Isso é muito cobrado na prova, por isso tenha muita atenção.
Uma forma de isso ficar mais claro é substituir o pronome "que" pelo
pronome relativo "o qual" e suas variações. Assim, na frase 1 seria "o qual",
na 2, "a qual" e, na 3, "os quais". Veja:

a. Conheci o dono da9uela empresa de cosméticos o qual demitiu duzentos funcionários.


b. Conheci o dono daquela empresa de cosméticos a qual exportou para a Europa.
c. Conheci o dono daquela empresa de cosméticos os quais embelezam as mulheres.

6.3) Quando são iniciadas por um pronome relativo e apresentam verbo conjugado
em modo e tempo verbal, as orações subordinadas adjetivas são chamadas de
desenvolvidas. Além delas, existem as orações subordinadas adjetivas reduzidas, que
não são introduzidas por pronome relativo e apresentam o verbo numa das formas
nominais (infinitivo, gerúndio ou particípio).

Ele foi o primeiro aluno que se apresentou. (oração desenvolvida)

Ele foi o primeiro aluno a se aoresentar. (oração reduzida)

Ocandidato que foi aprovado em primeiro lugar tomou posse ontem. (oração desenvolvida)

O candidato aprovado em primeiro lugar tomou posse ontem. (oração reduzida)


34 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC -+breve teoria 1Décio Terror Filho

7. Concordância verbal (com base nos tipos de sujeito)


Veremos agora os tipos de sujeito para entendermos a concordância
verbal.

7.1) Determinado (aquele que se pode identificar com precisão). Divide-se em:

7.1.1) Simples: constituído de apenas um núcleo (palavra de valor


substantivo).
O valor das mensalidades do curso preparatório para -ª carreira jurídica
subiu muito no último semestre.
7.1.1.1) As e:x,pressões partitivas a maior parte, grande parte, a maioria,
grande número, acompanhadas de adjunto adnominal no plural, fazem o
verbo concordar com o núcleo do sujeito ou com o especificador (adjunto
adnominal).
A maior P..M1fl. dos constituintes se retirou.
A maior parte dos constituintes se retiraram.
7.1.1.2) A expressão "Cada um de" enfatiza a parte separadâ de um todo,
por isso, na função de sujeito, leva o ve~bo ao singular:
Cada um dos candidatos ooderá requerer recurso apenas uma vez.
7.1.2) St~eito composto: formado por mais de um núcleo e força o verbo
ao plural:
Manuel e Cristina pretendem casar-se.
núcleo conjunção aditiva núcleo
sujeito predicado

Porém, quando o sujeito composto estiver posposto ao verbo, este


poderá concordar com todos os núcleos (plural) ou com o mais próximo
(concordância atrativa):
Discutiram muito o chefe e o funcionário.
Discutiu muito o chefe e o funcionário.
Se houver ideia de reciprocidade, o verbo vai para o plural:
Estimam-se o chefe e o funcionário.

7.2) Indeterminado: aquele que não está identificado. Esse tipo de estrutura aparece de
duas formas:
Capítulo 11 Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 35

7.2.1) Com o verbo na terceira pessoa do plural sem o sujeito escrito no


texto:
Falaram bem de você.
Colocaram o anúncio.
Alugaram o apartamento.
Note que não houve a intenção de apontar a pessoa que "falou", que
"colocou", que "alugou". Por isso, o sujeito é indeterminado.
7.2.2) Com o "índice de indeterminação do sujeito" se +verbo transitivo
indireto (VTI) ou intransitivo (VI) ou de ligação (VL), no singular:
Trata-se de casos delicadíssimos. (verbo transitivo indireto)
Vive-se melhor fora das cidades grandes. (verbo intransitivo)
É.-se muito pretensioso na adolescência. (verbo de ligação) ·
Note que não houve a intenção de apontar a pessoa que "trata", que
"vive", que "é". Por isso, o sujeito é indeterminado.
7.2.2.1) Cuidado com o verbo "tra~ar" nas prov.as dJ. FCC, pois muitas
vezes a banca quer nos enrolar, inserindo o índice de indeterminação do
sujeito "se", mas o sujeito já está determinad? na oração. Veja:
·~ Lei de Acesso à Informação (LA/) trata-se de um avanço significativo para a
transparência, uma vez que dá efeti~idade ao direito de acesso às informações
públicas." (construção errada)
Neste caso, devemos corrigir retirando o pronome "se". Veja:
·~ Lei de Acesso à !nformaçãó (LA!) trata de um avanço significativo para a
transparência, um.a vez que dá efetividade ao direito de acesso às informações
públicas." (construção correta)

7.3) Oração sem sujeito: quando a oração tem apenas o predicado, isto é, o verbo é
impessoal. É importante saber quando uma oração não possui sujeito, tendo em vista
que o verbo deve se flexionar na terceira pessoa do singular:

7.3.1) Verbos que exprimem fenômenos da natureza:


Venta muito naquela cidade. Amanhã não choverá.
7.3.2) Verbo haver significando existir, ocorrer:
Havia muitas pessoas na sala. Há vários problemas na empresa.
Quando esse verbo for o principal numa locução verbal, seu verbo
auxiliar não pode se flexionar. Veja:
36 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho

Deve haver vários problemas na empresa. ("vários problemas" é apenas


um complemento do verbo)
Tem havido vários problemas na empresa. ("vários problemas" é apenas
um complemento do verbo)
Está havendo vários problemas na empresa. ("vários problemas" é apenas
um complemento do verbo)
7.3.3) Verbos lzat,er e fazer indicando tempo decorrido ou fenômeno
natural:
Já faz meses que não viajo com ele. (É a primeira oração que não tem sujeito)
Há três anos não vejo minha família .. (É aprimeira oração que não tem sujeito)
7.3.4) Verbos ser; estar e ir (este, quando seguido de para) na indicação
de tempo.
São três horas. Hoje são dez de setembro. Hoje está muito frio.
O v~rbo "ser" tem uma concordância peculiar, pois, quando no sentido
de tempo, mesmo não possuindo ~ujeito, ele concorda com a expressão
temporal.
Ag~ra,'passarei11os a algumas concordâncias típicas que caem nas provas
da FCC. . . .

7.4) A concordâncit! utilizando o pronome apassivador "se":


• 4 ~ : •

Quando há verbo transi_tivo díreto (VTD) ou verbo transitivo direto e


indireto (VTDI),juntamente com o pronome "se", este pode ser apassivador.
Assim, devemos verificar se o sujeito é paciente, transpondo para a voz
passiva analítica. Isso força a seguinte estrutura:
Consertam-se carrocerias. ----lll~.,. Carrocerias são consertadas.
VTD .+ PAp + suj paciente suj paciente + locução verbal
Voz passiva sintética Voz passiva analítica

Pagou-se a conta ao banco.


VTDI + PAp+suj paciente + OI
----llliJI!t.,. A conta foi paga ao banco.
suj paciente + locução verbal + OI
Voz passiva sintética Vóz passiva analítica

Assim, o verbo deve concordar com o sujeito paciente.

7.5) Concordância com o pronome relativo "que":

O pronome relativo inicia uma oração subordinada adjetiva e serve para


retomar um substantivo anterior. Ele pode cumprir várias funções sintáticas
e a que nos interessa para a concordância é a de sujeito:
Capítulo 11 Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 37

Conversei com o fundador da instituição que cuida de crianças carentes.


A oração grifada possui o verbo "cuida", o qual é transitivo indireto. Seu
objeto indireto é" de crianças care11tes". Assim o termo que falta é o sujeito.
Perceba que o pronome relativo "qlie" retoma o substantivo "instituição".
Assim, quando lemos "que", entendemos "instituição" e então teremos: "a
instituição cuida de crianças carentes".
Veja:
objeto indireto

sujeito VTI
Conversei com o fundador da instituição u cuida de crian as carentes.
objeto indireto
sujeito VTI
Conversei com o fundador da instituição. A instituição cuida de crianças carentes.
Um ponto muitas vezes duvidoso na hora da concordância é com o
pronome relativo na função de sujeito antecipado da expressão "um dos".
Isso porque depende contextualmente de identificar que palavra será
retoú_1ada por esse pronome.Veja:

Pelé foi um dos homenageados que levou o Brasil ao tricampeonato.


Pela concordância do verbo, percebemos que o sujeito "que" retomou
o vocábulo "um" dentre vários homenageados. Temos, assim, a ênfase a um
dos homenageados. Mas, se não se quisesse dar essa relevância, o pronome
relativo poderia retomar "home11ageados" e assim o verbo se flexionaria no
plural. Veja:

Pelé foi um dos homenageados que levaram o Brasil ao tricampeonato.


Não podemos, assim, decorar que a concordância pode ser no singular
ou plural, na realidade depende da intenção comunicativa do texto. Perceba
o exemplo abaixo, que exige a in.terpretação de retomada de apenas um dos
termos:

Este é um dos países candidatos que sediará a copa do mundo.


Especial atenção deve ser dada à estrutura" o que", em que" o" é pronome
demonstrativo reduzido (=aquilo, aquele, isso) e "que" é pronome relativo e
seu valor de coesão é retomá-lo. Sendo o pronome relativo sujeito, o verbo
se flexionará no singular. Veja:
Nas análises feitas pela Petrobras, os técnicos encontraram novas fontes, o
que possibilita um ganho no campo da energia.
38 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria J Décio Terror Filho

O pronome relativo "que" está na função de sujeito, o qual retoma o


pronome demonstrativo "o" (singular), por isso o verbo "possibilita" está no
singular.

7.6) Concordância com o pronome relativo "o qual" e suas variações:


Este pronome também inicia uma oração subordinada adjetiva.

Algumas leis as quais estão em vigor no país deverão ser revistas.


~~

Note que "Algumas leis" é o sujeito da locução verbal "deverão· ser


revistas" e o pronome relativo "que" (ou "as quais") é o sujeito do verbo
"estão". Quando se lê "que" ou "os quais", devemos entender o substantivo
"leis": leis estão em visar no país.

7.7) Concordância com o pronome relativo "quem":


Há uma particularidade deste pronome relativo na função de SUJeito.
Como ele também pode ser pronome indefmido e pronome interrogativo
(em determinados contextos), ele sugere uma indefinição da pessoa de
quem se fala, por isso possui força para levar o verbo para a terceira pessoa
do singular, mesmo se o substantivo retomado tiver flexão diferente:

,.-...... )~"\,.-......
Fui eu quem falou. Fui eu quem falei.
,.-...... )~"\,.-......

Fomos nós quem falou. Fomos nós quem falamos.


Compare com o pronome relativo "que": não há essa dupla possibilidade
de concordância:
Fui eu que falei. Fomos nós que falamos.

7.8) Concordância verbal com o sujeito oracional:


Toda vez que tivermos um verbo referindo-se ao SUJeito oracional,
obrigatoriamente deverá permanecer na terceira pessoa do singular.

I
Capítulo 11 Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC. 39

Para ficar bem claro. Quando tivermos um sujeito oracional, troquemos


pela palavra ISSO. Como este vocábulo está no singular, o verbo também
estará.Vamos fazer um teste:

É preciso que se adotem providências eficazes.
VL + predicativo + sujeito oracional

~
Parece estar comprovado não funcionarem soluções mágicas.
Locução verbal de ligação + predicativo + sujeito oracional (oração reduzida de infinitivo)

~ Isso é preciso.
Parece ser ela a pessoa indicada.
VI + sujeito oracionaJ (oração reduzida de infinitivo)
Isso parece estar comprovado.
--
~ Isso parece.
Coube-nos sustentar aquela informação. .!ll.Q nos coube.
VTJ + OI + sujeito oracional (oração reduzida de infinitivo)

7.9) A concordância de verbo no infinitivo:

O verbo no infinitiv0 pode ser considerado impessoal ou pessoal.


Logicamente sabemos que um infinitivo de Úma locução v~rbal não se
flexiona: começamos a caminhar, devo trabalhar, voltou a comemorar.
Este não gera dúvida, por isso, nossa ênfase aqui recai no infinitivo dentro
de uma oração reduzida.
As regras que você verá abaixo não podem ser entendidas de maneira
categórica, elas nos apontam as possibilidades de flexão. Na prova, o que vai
fazer com que você acerte a questão é o contexto e o bom. sepso.
. . -~·

7. 9.1) O infinitivo impessoal é aquele que não se f!exiona, por não


ter um st~eito, ou, mesmo o tendo, não se quer realçá-lo na oração, por
não estar explícito. Isso ocorre por alguns motivos e vamos citar os mais
importantes para a prova. Veja:
7.9.1.1) quando o verbo assume valor substantivo:
Estudar é importante! (estudo é importante)
Pensar é um princípio do ser humano. (o pensamento é um princípio do ser humano)
7.9.1.2) quando possui valor geral, isto é, não se refere explicitamente a
um termo do período:
Em 2001, os Estados Unidos eo mundo viveram situações difíceis de esquecer.
Os viajantes foram obrigados a ficar à espera de outro avião.
f1

40 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho

Acusaram-nos de praticar atos suspeitos.


Todos estão dispostos a colaborar.
7.9.1.3) quando o infinitivo é empregado numa oração reduzida que
complementa um verbo causativo (deixar, mandar, fazer) ou sensitivo
(ver, sentir, ouvir, perceber) e tem como sujeito um pronome oblíquo,
conforme vimos no tópico 5.2.3:
Faça-os ficar. Não os vi entrar. Deixaram-nos sair.
7.9.1.3.1) quando esses pronomes são substituídos por nomes, o infinitivo
passa a ser pessoal e se flexiona no plural:
Faça os trabalhadores ficarem. Não vi osooe_[ários saírem.
7.9.1.3.2) quando o infinitivo é empregado numa oração substantiva
objetiva indireta reduzida de infinitivo que completa um verbo cansativo
transitivo direto e indireto, como "forçar", "levar", "i11duzir", "obrigar",
"estimular" o infinitivo pode se flexionar ou não, dependendo da intenção
do autor:
"O FMI obrigou os países a reduzirem gastos de cunho soe/a/."
"O FMI obrigou os países a reduzir gastos dé cunho social."
Note que, na primeira construção, .o verbo "reduzirfm" referé-se ao
termo "OS paÚes'' CQl110"_.,lUÚ S).ljeito suj)entendido, chamado nas gramáticas
·de sujeito acusativo. Ele não é· o sujeito explícito desse infinitivo pessoal,
porque há a preposição "â" entre o termo plural e o verbo "reduzirem".
Além disso, o termo plural"os países" é o objeto direto do verbo transitivo
direto e indireto "obr(í{ot/'.
A segunda construção também está correta, apesar de ser pouco usada,
porque o autor pode querer enfatizar a ação e desconsiderar o sujeito dessa
oração. Por 1sso, o infinitivo é chamado de impessoal, isto é, não tem
sujeito.
7.9.1.3.3) Da mesma forma que vimos no tópico 7.9.i.3, se o objeto direto
do verbo causativo for substituído por um pronome átono, o infinitivo não
se flexionará:
Obrigaram-nos a ficar. A empresa forçou-os a pagar.
7.9.2) O infinitivo pessoal é aquele que necessita enfatizar o agente
da ação por motivo de clareza ou para evitar ambiguidade. Assim o
encontramos em orações com sujeito explícito ou diferente do sujeito da
oração anterior:
Capítulo 1 I Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 41

7.9.2.1) com sujeito explícito:


Suponho serem eles os responsáveis.
Note que o verbo "suponho" é a oração principal e serem eles os
respo;15áveis" é uma oração subordinada substantiva objetiva direta reduzida
de infinitivo, cujo sujeito ("eles") está em destaque. Por isso, a concordância
do infinitivo no plural é obrigatória.
7.9.2.2) com sujeito implícito:
Esqueci-me da solicitação de entregares a carta, quando chegares ao escritório.
Perceba que o infinitivo "chegares" possui sujeito diferente do da oração
anterior (eu me esqueci). Isso ocorre por motivo de ênfase ao agente da
ação e evitar a ambiguidade.
Veja outros casos:
É hora de vocês estudarem. ("É hora" não tem sujeito/ "estudarem" possui
sujeito "vocês")
Ouvi chamarem Lúcia. (eu ouvi I "chamarem" possui sujeito indeterminado)

7.10)Concordância do verbo de ligação "ser" com predicativo de valor substantivo

7.10.1) Se estiver entre dois núcleos das classes a seguir, em ordem,


concordará, preferencialmente, com a classe que tiver prioridade,
independente de função sintática:
Pronome pessoal > substantivo próprio de pessoa > substantivo concreto
> substantivo abstrato > pronome indefinido, demonstrativo ou interrogativo
Tu és Maria. Maria és tu.
Tu és minhas alegrias. Minhas alegrias és tu.
Maria é minhas alegrias. Minhas alegrias é Maria.
As terras são a riqueza. A riqueza são as terras.
Emoções são tudo. Tudo são emoções.
Às vezes, pode-se subverter a regra por motivo de ênfase:
"Tudo é flores no presente" (Gonçalves Dias)

7.10.2) Se o sujeito indica peso, medida, quantidade, seguido de é pouco, é


muito, é bastante, é suficiente, é tanto, o verbo ser ftca no singular:
Três mil reais é pouco pelo serviço.
Dez qui/ómetros já é bastante para um dia.
42 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC -+breve teoria 1 Décio Terror Filho

8. Pontuação I
8.1} Em estruturas adverbiais:

8.1.1) Quando o adjunto adverbial de grande extensão está após a estrutura


principal, a vírgula é facultativa:
"A centralização administrativa ocorre quando o Estado executa suas tarefas,
por meio dos órgãos e dos agentes integrantes da Administração Direta."
I
8.1.2) Quando o adjunto adverbial de grande extensão está antecipado à
estrutura principal, a vírgula é obrigatória:
"Além dos elementos descritos acima. é necessária a comprovação de
negligência do Poder Público."
8.1.3) Quando o adjunto adverbial de grande extensão está intercalado na
estrutura principal, a dupla vírgula é obrigatória:
"O lançamento, de acordo com o Código Tributário Nacional. pode ser efetuado
por três modalidades distintas."
8.1.4) Quando o adjunto adverbial for de pequena extensão, a vírgula
é facultativa, mesmo estando antecipado ou intercalado. Estando ele
intercalado, não pode receber apenas uma vírgula: ou fica entre dupla
vírgula, ou não recebe nenhuma.
8.1.4.1) Vale lembrar que as gramáticas não apontam a quantidade
máxima de palavras que determinam ser o adjunto adverbial de grande ou
de pequena extensão. O bom senso dos autores demonstram que até três
palavras é o ideal, porém não há rigidez nisso.
"Nessa hipótese. as alíquotas do ITBI não podem ser aumentadas."
"Nessa hipótese as alíquotas do ITBI não podem ser aumentadas."
"As alíquotas do ITBI, nessa hioótese, não podem ser aumentadas."
"As alíquotas do ITBI nessa hipótese. não podem ser aumentadas."
"As alíquotas do ITBI não podem ser aumentadas, nessa hipótese."
"As alíquotas do ITBI não podem ser aumentadas nessa hipótese."
8.1.5) Quando a oração subordinada adverbial se encontra após a oração
principal, a vírgula é facultativa:
"A autoridade administrativa pode realizar a revisão, quando houver alguma
irregularidade."
Capítulo 11 Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 43
I 8.1.6) Quando a oração subordinada adverbial se encontra antecipada da
oração principal, a vírgula é obrigatória:

I "Embora o Código Tributário Nacional defiria o lapso temporal decadencial de


cinco anos. o início da respectiva contagem depende da modalidade."
8.1.7) Quando a oração subor.dinada advetbial se encontra intercalada na
oração principal, a dupla vírgula é obrigatória:
"O governo, a fim de garantir a saúde e o acesso a bens e serviços de saúde
por parte de certos grupos populacionais mais suscetíveis a determinados
riscos e agravos. elaborou diversas políticas de proteção à saúde dessas
minorias sociais."

8.2) Pontuação com termos explicativos, enumerativos e com os comentários do autor.


\ 8.2.1) O aposto explicativo e os comentários à parte do autor (expressão
I parentética) podem ser separados por dupla vírgula, duplo travessão e
parênteses, quando estão intercalados:
Xxxxxxx, explicação·,· xxxxxxx.
I
Xxxxxxx - explicação - xxxxxxx,
Xxxxxxx (explicação) xxxxxxx:
I "No caso em discussão, o poder de polícia~ polícia administrativa, é
I exercido pelos Auditores-Fiscais da Receita Federal e o poder da polícia,
polícia judiciária. é praticado pelos Agentes da Polícia Federal."

I "No caso em discussão, o poder de polícia - polícia administrativa - é


exercido pelos Auditores-Fiscais da Receita Federal e o poder da polícia -
I polícia judiciária - é praticado pelos Agentes da Polícia Federal."
I "No caso em discussão, o poder de polícia (polícia administrativa) é
exercido pelos Auditores-Fiscais da Receita Federal e o poder da polícia
(polícia judiciária) é praticado pelos Agentes da Polícia Federal."
"O limite para a ação fiscal, ponto muito importante esquematizado no
I !
capítulo 111 do livro daquele renomado professor. é encontrado nos direitos e
garantias individuais, as quais só podem ser restringidas se estiverem dando
guarida à prática de ilícitos."
"O limite para a ação fiscal - ponto muito importante esquematizado no
capítulo 111 do livro daquele renomado professor- é encontrado nos direitos e
garantias individuais, as quais só podem ser restringidas se estiverem dando
guarida à prática de ilícitos."
44 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho

"O limite para a ação fiscal (ponto muito importante esquematizado no


caoítulo 111 do livro daquele renomado professor) é encontrado nos direitos e
garantias individuais, as quais só podem ser restringidas se estiverem dando
guarida à prática de ilícitos."
8.2.2) Quando em final de período, a vírgula, o travessão e os parênteses,
que sinalizam termos explicativos e comentários 'do autor, podem ser
substituídos por dois-pontos:
Xxxxxxx, explicação.
Xxxxxxx- explicação.
Xxxx~xx (explicação).
Xxxxxxx: explicação.
"Coin o propósito de efetuar o monitoramento da saúde, a SEGEP utiliza
o DATASUS, instrumento com os principais dados dos indicadores de saúde
do país."
. "Com o propósito de ~fetuar o monitoramento da saúde, a SEGEP utiliza
o DATASU$,-:)nstFumento com os principais dados dos indicadores de saúde
do país." ·
"Com o propósito de efetuar o monitoramento da saúde, a SEGEP utiliza
o DATASUS (instrumento com os principais dados dos indicadores de saúde
do pais)~ .· ;:·· · ·.. ·
"Com. o}rÕpósito de efetuar o monitoramento da saúde, a SEGEP utiliza
o DATASUS: instrumento com os principais dados dos indicadores de saúde
do pafs,"
8.2.3) O aposto enumerativo basicamente cumpre a função de explicar,
exemplificar, desenvolver ideia anterior, por isso tem similaridade de
pontuação com os termos explicativos:
"O Código Nacional Tributário classifica o lançamento em três
modalidades:. lançamento de ofício, lançamento por declaração e lançamento
'

por homologação."
"O planejamento das ações do Sistema Único de Saúde (SUS) tem como
principais instrumentoy!s Planos de Saúde, com duração de quatro anQs, ,
feitos em cada esfera de gestao :.... municipal, estadual e nacional."
"Em outras palavr(}_s, não há. competência dos entes políticos (União.
Estados. Distrito Federal e Municípios! para tributar as pessoas ou objetos
relacionados na própria CF/88."
Capítulo 1 J Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 45

8.2.4) As expressões denotativas de explicação, exemplificação, retificação


(ou seja, isto é, quais sejam, como, por exemplo, ou melhor) são separadas
por dupla vírgula. Quando precede o termo explicativo em final de
perí<:>do, admite-se o sinal de dois-pontos:
':4 competência para efetuar o lançamento tributário é da Fazenda Pública
e é uma atividade plenamente vinculada à lei, ou seia. a autoridade fiscal tem
o poder-dever de executá-lo."
':4 competência para efetuar o lançamento tributário é da Fazenda Pública
e é uma atividade plenamente vinculada à lei, ou seja: a autoridade fiscal tem
o poder-dever de executá-lo."

8.3) A pontuação nas orações subordinadas adjetivas:

8.3.1) A oração subordinada adjetiva restritiva não pode ser separada por
vírgula. Ela transmite uma característica que não é essencial do termo
referenciado. Deve-se tomar muito cuidado quando ela se encontra
intercalada, pois muitas vezes a banca FCC a insere ampliando o tamanho
do termo anterior (sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento
nominal) e dá uma falsa necessidade de pausa.
':4 lei que cumore essa função no atual ordenamento jurídico brasileiro. é
o próprio Código Tributário Nacional (CTN)." (construção errada)
;,A lei que cumpre essa função no atual ordenamento jurídico brasileiro é o
próprio Código Tributário Nacional (CTN)." (construção correta)
8.3.1.1) Quando essa oração intercalada amplia o tamanho do adjunto
adverbial, é comum.o uso da vírgula em seguida. Veja:
"Nos casos em que não atue como proponente da ação, deverá o Ministério
Público atuar como fiscal da lei, sob pena de nulidade da ação."
Note que o adjunto adverbial "Nos casos" é de pequena extensão e é
apenas ampliado pela oração subordinada adjetiva restritiva" em que não atue
como proponente da ação". Assim, a vírgula é importante.
8.3.2) A oração subordinada adjetiva explicativa traÍ1smite uma
característica essencial do termo referenciado e deve ser separada por
vírgula. Quando se encontra intercalada, deve receber dupla vírgula.
"Isso reflete o princípio da regionalização, que visa à adaptação das ações
em saúde nas realidades sociais de cada localidade no país."
"O acesso do cidadão ao SUS, que está devidamente institucionalizado,
necessita da participação popular para efetivação e adequação à realidade."
46 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC -+breve teoria I Décio Terror Filho

8.3.3) Dependendo do uso da vírgula numa oração adjetiva, haverá I


mudança de sentido. Em determinadas situações, a vírgula poderá ser
inserida ou retirada, isso fará com que a oração mude o sentido, mas nem
sempre quer dizer que haverá incoerência com os argumentos do texto.
Exemplo:
j
Angélica, encontrei seu irmão que mora em Paris. I
Angélica, encontrei seu irmão, que mora em Paris. I
I
Uma forma prática de se enxergar melhor a restrição é subentender a
expressão somente aq~tele q~te. Assim, no pí.-imeiro período, observa-se que
somente o irmão de Angélica o qual mora em Paris foi encontrado por
mim, os outros irmãos dela não foram citados no contexto. Portanto, sem
vírgulas, entende-se que ela tem mais de um irmão.
Já, no segundo período, entende-se que a característica básica de irmão
de Angélica é ser morador de Paris, pois ele é o único irmão.
Veja outros exemplos:
O curso possui oitocentos alunos que farão a prova da OAB.
O curso possui oitocentos alunos, que farão a prova da OAB.
No primeiro período, entende-se q~1e somente oitocentos alunos do
curso farão a prova da OAB, os outros não. Então o curso possui mais
de oitocentos alunos. No segundo período, percebe-se que todo o efetivo
discente do curso fará a prova da OAB e sua totalidade é de oitocentos
alunos.
Escolha a joia de que goste. Escolha a joia, de que gosta.
No primeiro período, alguma pessoa foi convidada a escolher uma joia
ainda não apreciada, conhecida pela felizarda. Aquela da qual gostar poderá
ser escolhida. Já, no segundo período, a pessoa presenteada já conhecia ajoia
e já gostava. dela, por isso passou a haver a característica explicativa.

8.4) Conforme abordado no tópico 1.2, não pode haver vírgula entre o sujeito e o
predicado, entre o verbo e seus complementos e entre o nome e seu complemento:

"O CTN estabelece prazo de cinco anos para que a autoridade administrativa
efetue o lançamento.
ª-
"... não possível a responsabi/ização de agente público por ato de
improbidade quando não puder se verificar culpa ou dolo ... "
Capítulo 11 Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC. 47
I 8.5) Conforme abordado no tópico 5.7.1, não pode haver vírgula entre a oração
subordinada substantiva e a principal:

"Deve-se observar que o descumorímento ·de ·qualquer dos requisitos


1 enseja a suspensão do benefício concedido."
I "O CTN dispõe que as penalidades pecuniárias de natureza tributária são
I obrigações principais." ·
I
8.6) Não pode haver vírgula após conjunção integrante, conjunção ou locução conjuntiva
adverbial. Isso só pode ocorrer após conjunções coordenativas adversativas (porém,
contudo, no entanto, todavia, entretanto etc.) ou conclusivas (portanto, por conseguinte,
assim, por isso etc.).

Note que, após a conjunção coordenativa "mas", também não pode


haver vírgula.

"Entretanto. o fato de a força policial acompanhar a autoridade fiscal não


constituí abuso de poder, porquanto há previsão Jega! no Código Tributário
Nacional (CTN)." · · • <·
Não cabe vírgula aqui.
Pode-se inserir vírgula aqui.

"Porêm o mesmo não ocorrerá cqm a ação de ressarcimento de prejuízo


apurado ao Erário, pois. conforme ensina o professor Marcelo Alexandrino
em sua obra Direito Admr&ístratívo Descomplicado. ações dessa natureza são
imprescritíveis, podendo s~ propostas a qualquer tempo."
Aqui não houve uma vírgula após a conjunção causal "pois", mas a primeira
das duas vírgulas que estão intercalando o adjunto adverbial sublinhado.

"Ressalta-se que, conforme prescrição legal. o Fisco tem a prerrogativa


de suspender o ben 'cio concedido caso haja o descumprimento dessas
disposições."
Aqu·l não houve uma vírgula após a conjunção integrante "que", mas a primeira
das duas vírgulas que estão intercalando o adjunto adverbial sublinhado.

"Imunidades tributárias são hipóteses de não incidência constitucionalmente


qualificadas, visto que afastam determinados fatos do âmbito material de
incidência estabelecido la Constituição Federal."
Não cabe vírgula aqui.
48 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Rlho Ca:

8.7) Pontuação nas estruturas coordenadas:

8. 7.1) Os termos coordenados são separados por vírgula:


"As principais características da política de substituição de importações
são as seguintes: orientação para o mercado interno. proteção aduaneira
à indústria nacional. integração regional com países no mesmo estágio de
desenvolvimento".
8.7.2) O último dos termos coordenados pode ser iniciado pela coqjunção "e":
"As principais características da política de substituição de importações
8
são as seguintes: orientação para o mercado interno. proteção· aduaneira à
d
indústria nacional e integração regional com países no mesmo estágio de
desenvolvimento".
8. 7.3) Quando há apenas dois elementos enumerados, pode haver separação
pela vírgula ou pela conjunção "e":
"Muitos fatores contribuem para o sucesso da industrialização: os c
investimentos governamentàis em pesquisa. o investimento em educação."
"MuitOs fatorJJs· éohiribuém para o sucesso da industrialização: os
investimentos governamentais em pesquisa e o investimento em educação."
8.7.4) Havendo divisão interna em_ um dos termos, por meio da conjunção
"e", podê ocorre{ vírglilà'antes da outra conjunção "e":
"MuitB& · fâtõr~s ·contribue.m para o sucesso da industrialização: os
investimentos govemamentais em pesquisa e desenvolvimento. e Q
investimento em educação."
8.7.5) Pode ocorrer ponto e vírgula em enumerações quando houver
divisão interna por meio de vírgula ou conjunção coordenativa em pelo
menos un1 dos termos:
·~s principais características da política de substituição de importações
são as seguintes: orientação para o mercado interno e coordenação: proteção
aduaneira à indústria nacional; integração regional com países no mesmo
estágio de desenvolvimento".
8.7.6) Pode haver ponto e vírgula antes da conjunção "e" no último termo,
quando houver conjunção "e" num do_s termos anteriores:
"O órgão responsável pela questão no país prejudicado (no caso do Brasil,
o Departamento de Comércio Exterior - DECOM) dá inicio, a pedido dos
·produtores nacionais do setor em questão ou de ofício, a uma investigação
Capítulo 1 I Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 49

Este 'e' admite ser antecipado de ponto e vírgula, porque o


segundo termo já se sé parou do primeiro por meio de ponto e Este 'e' não admite ser antecipado de vírgula,
vírgula e há conjunções coordenativas 'e' e 'ou' dentro desses porque ele liga apenas os termos internos
termos anteriores (cada termo está sublinhado). ·a seus produtos" e "de qual tipo'.

8.7.7) Pode haver vírgula antes da conjunção "e" quando há sujeitos


diferentes ou valor adversativo (=mas):
"O Brasil exportou mais, e a balança comercial teve saldo positivo."
"A voz bravia comanda homens, e o exemplo arrasta multidões". (e= mas)
8. 7. 8) As orações coordenadas sindéticas adversativas, explicativas e
conclusivas são precedidas de vírgulas.
"O país exporta muito, mas depende sobremaneira da importação."
· "A ameaça vem de dentro, pois o próprio brasileiro não acredita no nosso
potencial econômico."
"Há crise nos EUA, portanto há crise no resto do mundo."
8.7.9) As orações coordenadas adversativas ou conclusivas (com divisão
interna ou de certa extensão) podem ser separadas por ponto e vírgula.
"O número de votos assegurados já era suficiente, com folga, para a
aprovação do projeto; o Presidente, no entanto, continuava tentando construir
Um COnSenSO geral." (Manual de Redação da Câmara dos Deputados)
"Os líderes partidários parecem ter chegado a um acordo; o impasse,
portantO, está SUperado." (Manual de Redação da Câmara dos Deputados)

8.8) As conjunções adversativas (à exceção de "mas") e as conclusivas têm a capacidade


de mobilidade, por isso podem se posicionar no início, no meio ou no final da oração. Veja
as possibilidades da pontuação:

Há muito serviço, porém ninguém trabalhava.


Há muito serviço, ninguém, porém, trabalhava.
Há muito serviço, ninguém trabalhava, porém.
Há muito serviço; porém ninguém trabalhava.
Há muito serviço; porém, ninguém trabalhava.
50 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- + breve teoria I Décio Terror Filho

Há muito serviço; ninguém, porém, trabalhava.


Há muito serviço; ninguém trabalhava, porém.
Há muito serviço, portanto trabalharemos até tarde.
Há muito serviço, trabalharemos, portanto, até tarde.
Há muito serviço, trabalharemos até tarde, portanto.
Há muito serviço; portanto trabalharemos até tarde.
Há muito serviço; portanto, trabalharemos até tarde.
Há muito serviço; trabalharemos, portanto, até tarde.
Há muito serviço; trabalharemos até tarde, portanto.

8.9) Para se evitar a repetição viciosa, é lícito suprimir o verbo ou outra palavra, os
quais estejam facilmente subentendidos:

Nós falamos de fatos concretos e vocês, de hipóteses remotas.


(= e vocês falam de hipóteses remotas)
As ruas estão esburacadas; os postes, sem luz.
(= os postes estão sem luz)

8.10) Pontuação com dativos de opinião e de interesse: Evanildo Bechara, em sua


Moderna Gramática Portuguesa, RJ, Ed. Lucerna, 2002, explica que existem algumas
expressões que se assemelham ao objeto indireto, mas transmitem certa .carga
semântica próxima das circunstâncias adverbiais. A Norma Gramatical Brasileira (NGB)
classificou-as como dativos livres. Neste caso, podem transmitir, dentre outros, os
sentidos de opin'1ão de alguém ou interesse. A identificação desses dativos éimportante,
tendo em vista a possibilidade do uso das vírgulas.

8.10.1) Dativo de opinião:


Para ele a vida deve ser intensamente vivida.
Para mim, ela foi a mentora do plano.
Para o diretor do Banco Central, os indicadores de massa salarial
apresentam "aumento substancial" nos últimos anos. (Fernando Nakagawa, de o
Estado de S. Paulo)

8.10.2) Dativo de interesse/ético:


Envie para mim essas cartas ao Padre Gumercindo.
Envie, para mim, essas cartas ao Padre Gumercindo.
Capítulo 11 Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 51

É fácil para o governo colaborar e trabalhar de modo mais eficiente a fim


de implementar soluções.
É fácil, para o governo, colaborar e trabalhar de modo mais eficiente a fim
de implementar soluções.

8.11) As reticências são muito utilizadas em final de frase normalmente para indicar que
a declaração que vinha sendo feita ainda continua. Isso ocorre quando recortamos um
trecho de algum texto. Mas muitas vezes o autor usa esta continuidade do pensamento
para que o leitor reflita mais sobre o assunto.

Um jovem sem esperança, perturbado, sem sonho, com cirico revólveres


e muita munição, entra num colégio em Realengo (RJ) e...
Neste exemplo, as reticências nos remetem a pensar na catástrofe ocorrida
em abril de 2011, em Realengo-RJ. O autor não precisa dizer mais nada,
nós já entendemos que ele (o autor) .ciuer nossa atenção ao problema.
8.11.1) Algumas vezes usamos as reticências para transmitir ironia:
Marta tinha um apetite de leão! Uma eduqaçâo à mesa. ...
8.11.2) Outras vezes a us'amos para transmitir indecisão, incerteza,
hesitação:
"Pensamos que ... Achamos que ... óue isso não é ce~to." (Manual de Redação da
Cãmara dos Deputados)

9. A estrutura padrão da crase


A crase é fenômeno linguístico que é caracterizado pela acumulação de
duas vogais "a". Esse fenômeno é sinalizado na escrita por meio do acento
grave (').
preposição
r---.
verbo a a~ntivo feminino
ou + aquele, aquela, aquilo
nome a a (=aquela)
~
a qual (pronome relativo)

Quando um verbo ou um nome exigir a preposição "a" e o substantivo


posterior admitir artigo "a", haverá crase. Além disso, se houver a preposição
f
52 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho

" a " segm.d a dos pronomes " aque1e " , " aque 1a " , " aqm"1 o " , " a " (=aque 1a) e " a
qual", ocorrerá crase. Veja as frases abaixo e procure entendê-las com base
no nosso esquen1a.
a. Obedeço à lei. b. Obedeço ao código.
c. Tenho aversão à atividade manual. d. Tenho aversão ao trabalho manual.
e. Refiro-me àquela casa. f. Refiro-me àquele livro.
g. Refiro-me àquilo. h. Esta é a casa à qual me referi.
i. Não me refiro àquela casa da esquerda, mas à da direita.
Na frase "a", o verbo "Obedeço" é transiti\·o indireto e exige preposição
"a", e o substantivo "lei" é feminino e admite artigo "a", por isso há crase .

Na frase "b";··o mesmo verbo exige a preposição, poré~n o substantivo
posterior é masculino, por isso não há crase.
Na frase "c", a crase ocorre porque o substantivo "aversão" exigiu a
preposição "a" e o substantivo "atividade." admitiu o artigo feminino "a".
Na frase" d", "aversão" exigy preposição "a", mas "trabalho" é substantivo
masculino, por isso nãc··há Crf!se. .
Nas frases "e", "f" e "g", "Refiro-n1e" exige preposição "a", e os pronon1es
demonstrativos "aqt_iela", "aquele" e "aquilo" possuem vogal "a" inicial (não
é artigo), por isso há crase.
Na frase "h' 1 , "me referi''exige preposição "a", e o pronome relativo "a
qual" é iniciado por artigo "a"; por isso há crase.
Na frase "i";·"rÍ1~ ~efiro" exige preposiçã~ "a", "aquela" possui vogal
"a" inicial (não é artigo) e "a" tem valor de "aquela", por isso há duas
ocorrências de crase.

9.1) Muitas vezes o substantivo feminino está sendo tomado de valor geral, estando no
singular ou ·plural, e por isso não admite artigo "a".
Os substantivos "leis", "lei" estão em sentido
geral, por isso não recebem artigo "as", "a" e
Obedeço a leis.
não há crase. Na segunda frase, o que ratificou
Obedeço a /ele a regulamento.
o sentido geral foi o substantivo masculino
"regulamento" não ser antecedido do artigo "o".
Capítulo 1 I Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 53

9.2) Outras vezes o substantivo é antecipado de palavra que não admite artigo, por isso
não haverá crase:

Obedeço a uma lei.


O artigo "uma" é indefinido, os pronomes
Obedeço a qualquer lei.
"qualquer, toda, cada" são indefinidos. Como
Obedeço a toda lei. eles indefinem, não admitem artigo definido "a".
Obedeço a cada lei. Os pronomes "tal" e "esta" são demonstrativos.
Obedeço a ta/lei. Por eles já especificarem o substantivo "lei",
Obedeço a esta lei.
não admitem o artigo "a". Por isso não há crase.
~ '-..J(

9.3) Crase Facultativa

Emprega-se facultativamente o acento indicativo de crase quando for


opcional a preposição "a" ou o artigo definido feminino.
9.3.1) A preposição "a" é facultativa depois da preposição "até":
Ovisitante foi até a sala do Diretor.
Ovisitante foi até à sala do Diretor.
A sessão prolongou-se até à meia-noite .
. A sessão prolongou-se até a meia-noite.
9.3.2) O artigo definido é facultativo diante de pronome possessivo. Mas,
para a crase ser facultativa, esse pronome possessivo deve ser feminino
singular.
Refiro-me à minha amiga.}
Crase facultativa
Refiro-me a minha amiga.
Refiro-me às minhas amigas. crase obrigatória

Refiro-me a minhas amigas. crase proibida

9.3.3) O artigo definido é facultativo diante de nome próprio de pessoa.


Assim, se o nome for feminino e o verbo exigir preposição, a crase será
facultativa:
Refiro-me à Marianna.
Refiro-me a Marianna.
Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria 1 Décio Terror Filho

1O. Colocação dos pronomes oblíquos átonos


A colocação significa a posição do pronome oblíquo átono antes do
verbo (próclise), depois do verbo (ênclise) ou no meio do verbo (mesóclise).

10.1) Ênclise: o pronome surge após o verbo. Pode ser considerada a colocação básica
do pronome, pois obedece à sequência verbo-complemento. Na língua culta, é observada
no início das frases ou quando não houver palavra que atraia esse pronome:

Apresento-lhe meus cumprimentos . . Contaram-te tudo?


Joana cansou-se de tanto andar.
10.1.1) Deve-se ter em mente que não se micJa oração com pronome
oblíquo átono: estão erradas construções, como "i\!Je disseram assim.", "Te
dogiaram na reunião.". O ideal é "Disseram-me assim.", "Elogiaram-te na
f"l'ttnião."

I 0.2) Próclise: o pronome surge antes do verbo, porque há uma palavra que o atrai,
chamada palavra atrativa.

Não nos mostraram nada. Nada me disseram.


I 0.2.1) São palavras atrativas: ~dvérbios\ pronomes relativos 2 ,
111terrogativos3 , conjunções subordinativas• e, normalmente~-~a~- negações 5 :
Sempre 1 se encontram.
É a pessoa que 2 nos orientou.
Quem 3 te disse isso?
Nada foi feito, embora 4 se conhecessem as consequências da omissão.
Não 5 me falaram nada a respeito disso.
l0.2.2) Se, após a palavra atrativa houver pausa (vírgula, ponto e vírgula,
dois-pontos etc.), a atração perde força e o pronome deve posicionar-se
,1pós o verbo:
Não nos falaram a verdade. Não, falaram-nos a verdade.
Agora nos fale a verdade. Agora, fale-nos a verdade.
l0.2.3) O pronome átono, não inicial, pode vir antes da palavra negativa:
"... descia eu para Nápoles a busca de sol que o não havia nas terras do norte."
l0.2.4) A colocação pronominal enclítica ocorre por força gramatical,
l'orém os autores modernos têm optado pela próclise, mesmo não havendo
l'alavra atrativa, h~a vista o processo eufônico (soar J]lelhor). Veja:
Capítulo 11 Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 55

Omarceneiro feriu-se com a lâmina.


Omarceneiro se feriu com a lâmina.
Esse recurso ganhou gosto nos tempos modernos tendo em vista fugir de
um suposto artificialismo da linguagem.
Assim, chegamos à conclusão de que, com palavra atrativa, ocorrerá
próclise obrigatoriamente. Além disso, mesmo sem palavra atrativa, pode
ocorrer próclise, por eufonia.
10.2 .5) A tradição f1xou a próclise aindà nos seguintes casos:
10.2.5.1) com o gerúndio precedido da preposição em:
Em lhe chegando o turno, volte ao trabalho com eficiência.
10.2.5.2) nas orações exclamativas e optativas, com o verbo no subjuntivo
e sujeito anteposto ao verbo:
Bons ventos o levem! Deus te ajude!
Note a diferença com: "Benza-o Deus!". Nesta frase, o sujeito ficou
posposto ao verbo, porque o pronome teve de ser deslocado para não iniciar
a frase. ·
10.2.5.3) Com a prepos.ição "para'! seguida de infinitivo, -a colocação
pronominal é facultativa (próclise ou ênclise), inclusive com palavra
negativa:
Para se equilibrar, ele segurou um graveto.
Para equilibrar-se, ele segurou um graveto.
Para não se esquecer, escreveu o recado na mão.
Para não esquecer-se, escreveu o recado na mão.

10.3) Mesóclise: o pronome é intercalado ao verbo, que deve estar no futuro do presente
do indicativo ou futuro do pretérito do indicativo. Mas, se houver palavra atrativa,
mesmo com os verbos nestes tempos, a colocação é a próclise:
Mostrar-lhe-ei meus escritos. Falar-vos-iam a verdade?
Nunca lhe mostrarei meus escritos. Jamais vos falarei a verdade.

10.4) Agora, veja essas regras com uma locução verbal:


O pronome oblíquo átono pode posicionar-se em qualquer das três
formas a seguir:
56 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho

infinitivo gerúndio particípio


10.4.1) Vou-lhe falar. Estou-lhe falando. Tenho-lhe falado.
10.4.2) Vou lhe falar. Estou lhe falando. Tenho lhe falado.
10.4.3) Vou falar-lhe. Estou falando-lhe.
verbo verbo verbo verbo verbo verbo
auxiliar principal auxiliar principal auxiliar principal

Quando há hífen, sabe-se que ocorre ênclise. Assim, na estrutura 1, há


ênclise ao verbo auxiliar; na 2 há próclise ao verbO principal e na 3 há
ênclise ao verbo principal.
10.4.4) Note que não pode haver ênclise com verbo no particípio.
10.4.. 5) Observe também que não se muda o sentido com a nmdança de
posição do pronome obÜquo átono.

10.5} Outra importante observação: via de regra, com palavra atrativa, o pronome
oblíquo átono ficará proclítico ao auxiliar 1 ou ao principaF, e enclítico ao principaP:

infinitivd gerúndio particípio ......


10.5.1) Não lhe vou falat.:1 :: "Não flíeestou falando.· .Não lhe tenho falado.
10.5.2) Não vou lhe falar. Não estou lhe falando. Não tenho lhe falado.
. 10.5.3) Não vou falar-lhe: Nao estou falando-lhe .
verbo verbo verbo verbo verbo verbo
auxiliar principal auxiliar principal auxiliar principal

11. Regência

11.1. Regência com pronomes relativos


O pronome relativo é uma palavra que inicia as orações subordinadas
adjetivas e. pode estar antecedido de preposição. Isso depende da função
sintática do pronome relativo. Por isso é importante visualizarmos quais são
os pronomes relativos mais empregados.
que: retoma coisa ou pessoa
o/a qu.al: retoma coisa ou pessoa
quem: retoma pessoa
cujo: relação de posse
onde: retoma lugar
quando: retoma tempo
Agora, aplicaremos nos períodos esses pronomes relativos para termos a
noção de suas funções sintáticas.
Capítulo 1 I Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 57

11.1.1) Sujeito:
Ohomem, que é um ser racional, aprende com seus erros.
oração subordinada adjetiva
oração principal

Sempre se deve partir do verbo para entender a função sintática dos


termos. Assim, há o verbo de ligação "é", o predicativo "um ser racional";
logo, falta o sujeito, que é o pronome relativo "que". Onde se lê "que",
entende-se "homem", então se pode ter a seguinte estrutura:
Ohomem é um ser social.
11.1.1.1) Como se pode substituir "que" por "o qual" e suas variações,
dependendo da palavra que foi retomada, teremos:
O homem, o qual é um ser racional, aprende com seus erros.
11.1.1.2) Para a resolução da prova, atente também quanto ao fato de
que o sujeito não pode ser preposicionado, por isso, nas frases acima, o
pronome relativo não foi precedido de preposição.
...... Abaixo "Serão listadas Õutras funções do pronome relativo e suas
possibilidades de substituição. Nos exemplos, a palavra retomada é o
substantivo feminino singular "casa", por isso o pronome relativo "a qual"
substitui "que":
11.1.2) Objeto direto:
Esta é a casa que amamos.
a qual amamos.
i,
00 VTD

11.1.3) Objeto indireto:


Esta é a casa de que gostamos.
(de + a qual)
da qual gostamos.
OI VTI

11.1.4) Objeto indireto:


Esta é a casa a que nos referimos.
(a+ a qual)
à qual nos referimos.
OI VTI
58 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria 1Décio Terror Filho

11.1.5) Complemento nominal:


Esta é a casa a que fizemos referência.
(a + a qual)
à qual fizemos referência.
CN VTD + DO

11.1.6) Na função de adjunto adverbial, o pronome relativo "que" deve ser


preposicionado tendo em vista transmitir os seus valores circunstanciais,
normalmente os de tempo e lugar. Quando transmite valor de lugar, pode
também ser substituído pelo pronome relativo "onde".
A preposição "em" é de rigor quando o verbo intransitivo transmite
processo estático (Estar em algum lu~ç;ar, nascer em algum lttgar). Porém, se
transmitir lugar de destino, regerá preposição "a" (vai a a(ç;um lugar, vai para
algum lugar); se transmitir lugar de origem, regerá a preposição "de" (vir de
algum lugar). Pode ainda, na ideia de desenvolvimento do deslocamento, ser
regido pela preposição "por" (passar por algum lugar). Veja:
11.1.7) Adjunto adverbial de lugar (estático: com preposição "em"):
Esta é a casa onde moramos.
em que moramos.
(em +a qual)
naqual moramos.
Adj Adv lugar VI

11.1.8) Adjunto adverbial de lugar (destino: com preposição "a"):


Esta é a casa aonde chegamos.
a que chegamos.
(a+ a qual)
à qual chegamos.
Adj Adv lugar VI

11.1.9) Adjunto adverbial de lugar (destino: com preposição "para"):


Esta é a casa para onde vamos.

(para + a qual)
para a qual vamos.
Adj Adv lugar VI
Capítulo 1 I Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 59

Observação: Não se usa pronome relativo "que" antecedido de preposição


com duas ou màis sílabas. Deve-se transformá-lo em "o qual" e suas
variações.
Assim, temos "mediante o qual", "perante o qual", "segundo o qual",
"conforme o qual", "sobre o qual", "para o qual" etc.
11.1.10) Adjunto adverbial de lugar (origem: com preposição "de"):
Esta é a casa de onde viemos. (ou donde)
de que viemos
(de + a qual)
da qual viemos.
Adj Adv lugar VI

Observação: Soa mais agradável a construção "da qual", mas "de que"
também está correta.
11.1.11) Adjunto adverbial de lugar (desenvolvimento do trajeto: com
preposição "por"):
Esta é a casa por onde passamos.
por que passamos ·
(por + a qual)
pela qual passamos.
Adj Adv lugar VI

11.1.11.1) Perceba que o pronome relativo "onde" deve ser usado


unicamente como adjunto adverbial de lugar. Evite construções viciosas
como:
Vivemos uma época onde o consumismo tala mais alto. (errado)
Neste caso, o pronome relativo está retomando o substantivo "época",
com valor de temp·o. Assim, é conveniente ser substituído por "quando",
"en1 que" ou "na qual".
Vivemos uma época quando o consumismo tala mais alto.
Vivemos uma época em que o consumismo fala mais alto.
Vivemos uma época na qual o consumismo fala mais alto.
60 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria 1 Décio Terror Filho

11.1.12) O pronome relativo cujo transmite valor de posse e tem


característica bem peculiar. Entendamos o seu uso culto da seguinte forma:
11.1.12.1) Posiciona-se entre substantivos, fazendo subentender a
preposição "de" (valor de posse).

substantivo ---~substantivo

de

11.1.12.2) Ao se ler "cujo", entende-se "de" +substantivo anterior.

substantivo ~substantivo
~ de

11.1.12.3) O pronome "cujo"+ o substantivo posterior formam um termo


da oração. Se forem objeto ihdireto, coinplemento nominal ou adjunto
adverbial, serão .prepbsicil>nadcis. Se forem sujeito e objeto direto, não
serão preposiç_i,QJ<.idos. ~ . ·
sujeito, 00, OI, CN, adj adv

·.substantivo . ~substantivo
··"". ~-~-

. ~
· . de ·
. '

11.1.12.4) O substantívo posterior é o núcleo do termo, e o pronome relativo


"cujo" é o adjunto adnominal, por isso se flexiona de acordo com o núcleo.
sujeito, 00, OI, CN, adj adv
r~--~-
~--~'\
A

substantivo ---~substantivo
.. ~ núcleo
de

. Veja a aplicaçã~ disso:


.-------------~-------------------.

O artista do filme foi premiado.


sujeito
Capítulo 1 I Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 61

Li a sinopse do filme.
objeto direto

Não gostei da sinopse do filme.


objeto indireto

complemento nominal

Fiz alusão à sinopse do filme.


complemento nominal

adjunto adverbial de lugar

~
Estive ontem na praça em u·o centro foi montado um rande circo.

"'de
Um grande circo foi montado no centro da praça.
adjunto adverbial de lugar

11.1.12.5) Não se pode inserir artigo, verbo, advérbio, preposição,


conjunção ou pronome após o pronome relativo "cujo" e suas variações.
É vício de linguagem construções do tipo:
"A casa cujo!! teto caiu foi reformada." (errado)
"A casa cujo teto caiu foi reformada." (certo)
62 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC -+breve teoria 1Décio Terror Filho

"A empresa cujos aqueles funcionários reuniram-se ontem deflagrará a


greve." (errado)
"A empresa cujos funcionários reuniram-se ontem deflagrará a greve." (certo)

11.2) Regência com pronomes oblíquos átonos

Os pronomes pessoais oblíquos átonos são "me, te, se, o, a, lhe, nos, vos,
os, as, lhes". Porém, cabe aqui trabalharmos apenas os pronomes pessoais
oblíquos átonos "o, a, os, as, lhe, lhes", por serem exigidos pela regência no
tipo de questão que trabalharemos nas provas.
11.2.1) Os pronomes "o, a, os, as" serão os objetos diretos.
Veja:
Ana comprou um livro (comprou-o). Ana comprou IJJJ~Jivros (comprou-os).
11.2.1.1) Quando esse verbo transitivo direto terminar com "r", "s" ou
"z", o pronome oblíquo átono "o" e suas variações receberão "1". Veja:
Vou cantar uma música. Vou vender o carro. Vou compor uma música.
VTO + OD VTD + OD VTD + OD

Vou cantá-/.Q. Vou vendê-/Q. Vou compô-/.Q.


VTD+ OD VTD+ 00 VTD + OD

Note que os verbos "cantar", "vender" e "c01npor" são palavras oxítonas.


Ao perderem o "r", passam a receber acento gráfico, por serem oxítonas
terminadas en1 "a", "e", "o".
Mas, com verbo terminado em "ir", a retirada do "r" não faz com que
haja acento, pois não se acentua oxítona terminada em "i":
Vou partir o bolo. Vou parti-/Q.
VTO + DD VTD + OD

Porém, acentua-se a palavra que possua hiato em que a segunda vogal


tônica seja "i". Veja:
A prefeitura vai construir uma ponte. ---llll!illlll>- A prefeitura vai construí-/.Q.
VTD + OD VTD + OD

11.2.1.2) Vamos agora a exemplos com "s" e "z":


Solicitamos o documento. ~ Solicitamo-!Q.
VTD + OD VTD + OD

Refiz o documento. ----IJ!!I~ Refi-/.Q.


VTD + OD VTD + OD
Capítulo 11 Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 63

11.2.1.3) Quando o verbo transitivo direto terminar com "m" ou sinal de


nasalização (~), recebe "n":
Cantam a música. Silo Cantam-na. Põe a música! J!ll Põe-na!
VTD + DO VTD + 00 VTD + OD VTD + OD

11.2.2) Os pronomes "lhe, "lhes" ocúpam as funções sintáticas de objeto


indireto , comtllemento nominal , além de poderem possuir valor
' de posse
Objeto indireto:
Paguei ao músico. ., Comglemento nominal:
Paguei-lhe . Sou fiel a você. ____,... Sou-lhe fiel.
VTI + OI VTI +OI VL + predicativo + CN VL+CN+ t
predicativo

Valor de posse:
Há gramáticos que entepdê-rit-este prffllome como objeto indireto, outros
como adjunto. adno;linàl'; más isso, para a Fundação Carlos Chagas, não
importa. O que interessa é o nlor de posse.
As pernas dela doem. Roubaram a sua bolsa.
Sujeito + VI VTD + OD

Doem-lhe as pernas. Roubaram-lhea bolsa.


VI + sujeito VTD + OD

12. VERBO
Para flexionarmos os verbos, devemos, antes, reconhecer sua estrutura e
alguns conceitos básicos.

12.1) Estrutura das formas verbais e alguns conceitos básicos:

Há três tipos de morfemas (partes da palavra) que participam da estrutura


das formas verbais: o radical, a vogal temática e as desinências.
12.1.1) Radical- é a base de sentido do verbo:
estud-ar • vend-er permit-ir
am-ar beb-er part-ir
cant-ar escond-er proib-ir
12.1.2) Vogal temática- permite a ligação entre o radical e as desinências.
Há três vogais temáticas:
12.1.2.1) -a- caracteriza os verbos da primeira conjugação: solt-a-r,
cant-a-r.
64 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria 1 Décio Terror Filho

12.1.2.2) -e- caracteriza os verbos da segunda conjugação: viv-e-r,


esquec-e-r.
O verbo pôr e seus derivados (supor, depor, rep01; compor etc.) pertencem à
segunda conjugação, pois apresentam a vogal temática "e" subentendida no
infinitivo, mas fica evidente em algumas flexões, como "põe", "pões", "põem".
12.1.2.3) -i- caracteriza os verbos da terceira conjugação: assist-i-r,
decid-i-r.
O conjunto formado pelo radical e pela vogal temática recebe o nome
de tema. Assim:

tema tema tema


~ ~
cantªr vend.e.r 'Pártlr
1• conjugação 2' conjugação 3• conjugação

12.1.3) Desinências indicam as flexões do verbo. Há desinências


número-pessoais e desinências modo-temporais:

. . cant á sse mos


~/ ~ Desinência número-pessoal
Radical
É a base de
sentido do verbo.
Vogaltem~lica
\
Desinência modo-temporal
Indica a pessoa do discurso
(1•, 2'. 3•) e número
(singular ou plural)
" .• lndic.a a Indica o modo (indicativo e
conjugação subjuntivo) e o tempo verbal
(1'. 2•, 31) (presente, passado, futuro)

Essas desinências serão fundamentais para notarmos em que modos e


tempos os verbos estão e com isso sabermos empregá-los. Mais à frente em
nossa aula, faremos a conjugação do verbo e você terá discriminado cada
morfema para entender melhor o processo de conjugação.

12.2) Uma das desinências aponta o modo verbal. Mas o que é MODO VERBAL?

Podemos entender os modos verbais como os divisores dos tempos


verbais. Cada modo possui tempos verbais peculiares. Os modos verbais são:
o indicativo, o subjuntivo e o imperativo. Entendê-los é importante para
sabermos seu emprego no texto. Veja:
12-:'2.1{ Indicativo: transmite certeza, convicção: ·
Eu estudo todos os dias.
Capítulo 1 1 Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 65

12.2.2) Subjuntivo: transmite dúvida, incerteza, possibilidade:


Talvez eu estude ainda hoje.
12.2.3) Imperativo: transmite ordem, pedido, solicitação, conselho:
Estude, pois esta matéria é importante para a prova.
Então vejamos a flexão dos verbos em cada tempo e em seguida o
emprego do tempo verbal.
Para fins didáticos, vamos notar algumas letras com contornos diferentes
para chamar sua atenção quanto à estrutura do verbo. Isso é apenas para
facilitar seu entendimento da conjugação. As letras marcadas em negrito
são vogais temáticas, as sublinhadas são desinências número-pessoais.
O morfema entre a vogal temática e a desinência número-pessoal é a
desinência modo-temporal, marcada com IC(lJ)lTil(:;@m(Ql.

radical vogal temática desinência modo-temporal desinência número-pessoal.

Vimos o que é a raiz (radical) de um verbo: cantar, beber e partir. Agora


veremos que, quando a vogal tôni~a está no radical do verbo, temos as
formas rizotônicas (rizo=raiz/radical; tônica=vogal de som mais forte):
estudo, compreendam, cantam.
Há também as formas arrizotônicas, isto é, a vogal tônica está fora do
radical: venderão, cantarei, conseguiríamos.
Outros conceitos importantes são os seguintes:
Regulares: verbos que mantêm a mesma base (radical). Perceba que, na
flexão do verbo "cantar", n1antén1-se a base "cant":
eu canto ... talvez eu cante ... se eu cantasse ...
Irregulares: verbos que não mantêm a mesma base (radical).Veja que na
flexão do verbo "saber", a base "sab" se modifica:
eu ~ei ... talvez eu saiba ... se eu soubesse ...
Essa variação da base (radical), quando mudamos os tempos, mostra que
o verbo é irregular.
Vamos a algumas questões:
Os verbos ser e i1; por apresentarem profundas alterações nos radicais em
sua conjugação, são chamados anômalos.
(ser) eu ~ou ... talvez eu ma ... se eu tosse ...
(ir) eu y_ou ... talvez eu y_á ... se eu tosse ...
66 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC -+breve teoria 1Décio Terror Filho

Perceba que não mudamos só o radical. A palavra está totalmente


modificada.
Defectivos: não são conjugados em determinadas pessoas, tempos ou
modos (teremos exemplos adiante).

.I.
Abundantes: apresentam mais de uma forma para determinada flexão.
Agora, vamos reconhecer quais são os modos e tempos verbais de um
verbo simples e composto. Primeiro, trabalharemos a conjugação dos verbos
regulares, reconhecendo esses tempos; depois vamos trabalhar os irregulares.

12.3) MODO INDICATIVO


Paradigmas dos verbos regulares -Tempos simples
12.3.1) Presente do indicativo. Basicamente, este tempo verbal é
empregado para indicar:
12.3.1.1) regularidade, costume, hábito:
Estudo todos dias. Sempre venho neste ônibus.
12.3:1.2) o momento em que se fala:
Estou em Belo Horizonte agora.
12.3.1.3) dados conceituais ou de validade permanente:
Todos os cidadãos são iguais perante a lei.
Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes
efeitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.
(Art. 1', parágrafo único, da CF/88)

12.3.1.4) presente histórico, isto é, narrar um acontecimento passado com


a ênfase didática ou literária do presente:
Ao final da missa solene e festiva de N. Sra. da Glória, suas Majestades,
O. Pedro 11 e O. Tereza descem a ladeira da Igreja da Glória, dirigem-se ao
palacete Meriti, bem perto da dita Igreja e tomam parte nos esplendorosos
bailes oferecidos pelo dono da mansão, o rico Visconde de Meríti.
.I>RESENTE !'
3• conjuga ão
eu permit.Q
tu ama~ esconde~ permite~
ele ama esconde permite
nós amamos escondemos permitimos
vós amalli_ escondelli permiti~
eles amam escondem permitem
Capítulo 11 Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 67

12.3.2) Pretérito imperfeito do indicativo. É empregado para indicar:


12.3.2.1) processos regulares, habituais no passado. Transmite, assim,
uma ideia de continuidade, de processo que no passado era constante ou
frequente:
I
':
Naquela época, eu estudava todos dias.
Ele era o funcionário que mais vendia carros.
12.3.2.2) É importante perceber as desinências modo-temporais "-va",
nos verbos de primeira conjugação e "-ia", nos verbos de segunda e terceira
conjugações. Essa diferença é muito cobrada pela banca FCC.
,',; . •. ··•·.·i. PRETÉRITO IMPERFEITO r ' . •' . ::/.!','··./·. :·•·. : '
1a conjugação 2a conjugação 3a conjugação
eu amawm escondua~ permiUjij
tu amawm.s. escond~~ permit~m.s.
ele amaVJdll escondu® permiUdll
nós amáw®mos escond~mos permitff®~
VÓS amá'~!"®~ escondu®~ permitu®i.s.
eles amawjijm escondu~ permit~®m

12.3.3) Pretérito perfeito do indic~tivo. É empreg~dopara indicar:


12.3.3.1) processos terminados no passado:
Ontem, ocorreu uma manifestaçã'd no centro de São Paulo.
Acabei o trabalho e fui para casa cedo .
..
; ;,·,,:, ..
.PRETÉRITO PERFEITO ,'
,•
·. ,'·.<·'·•··.' ··:

1a conjugação 2a conjugação 3a conjugação


eu amei escondi permiti
tu amaste escondeste permitiste
ele amo!J. esconde!! permiti!!
nós amamos escondemos permitimos
VÓS amastes esconde~ permitistes
eles ama]i[lm esconde?éllm permitit~1m

12.3.4) Pretérito mais-que-perfeito do indicativo. É empregado para


indicar:
12.3.4.1) um processo que ocorreu antes de outro passado:
Já amanhecia quando ela percebeu que ele partira.
Ele concordou que trabalhara menos que o combinado.
68 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria J Décio Terror Filho Ca

12.3.4.2) Perceba a desinência modo-temporal "-ra" átona. Note que essa


desinência, na segunda pessoa do plural, varia para "-re".
•. .. PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO •• >' ' .... ,. · ...
1a conjugação 2a conjugação 3• conjugação
eu amaií'&l esconde:r&l permitim
tu amaií'&l.s. escondetéil.S. permitilfliD.S.
ele amam escondeum permitim
nós amáií'&lmos escondêJ'&Jmos permitíií'&lmos
VÓS amá~lli. escondêffilli permitíll'®i.S.
eles amaií'&lm escondeii'&;m permitill'@m

12.3.5) Futuro do presenfe do indicativo. É empregado para indicar


processos tidos como. certos ou prováveis:
Chegaremos lá amanhã cedo.
12.3.5.1) Perceba a desinência modo-temporal "-ra" tomca. Note que
essa desinência em algumas pessoas do discurso varia para "-re".
:: ,< : ,,> ' FUliJRO DO PRESENTE < ~:;.
..
.
'•·
1a conjugaÇâ'fr 2a conjugação 3a conjugação
eu amall'®i esconde!ii~i permiti~i
tu amall'®.s. esconderri.s. permitill'®.s.
ele ama~. escondeU'® permitiU'®
nós amammos · escondeiT"®mos permitill'®mos
VÓS. amall'®lli_ escondeiT"®lli permitill'®i.S.
eles ama!Rhlo esconde!Rhlo permitiliilo

12.3.6. Futuro do pretérito do indicativo. É empregado para indicar:


12.3.6.1) processos posteriores ao momento passado a que nos estamos
referindo:
Muito tempo depois. chegaria a sensação de fracasso.
12.3.6.2) Também se emprega esse tempo para expressar dúvida, incerteza
ou hipótese em relação a um fato passado:
Se ela conversasse menos, teria facilidade na matéria.
12.3.6,3) Pode denotar cortesia, pedido, necessidade:
Gostaria de falar com a Senhora Diretora!·
Você me emprestaria o livro?!
Capítulo 1 I Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 69

12.3.6.4) Perceba a desinência modo-temporal "-ria". Note que essa


desinência, na segunda pessoa do plural, varia para "-rie".
·.. . .;; ..·.............. ·. >: •FUTURO DO PRETÉRITO ·, ) . .. .. ·
. ..
•••••
1• conjugação 2a conjugação 3• conjugação
eu amarrt~ escondelffi&J permititrn'ill
tu ama!rt\tllâ esconde~ permitim;â
ele amauftll escondetffitll permitirrítll
nós amal11ítllill.Q.â esco nde!íVSJ!!!QS. permitirríffimos
vós amal11í$lli · escondetr1ír,iâ permiti\lf$lli
eles ama~m escondelít>&lffi permitilít18m

12.4) MODO SUBJUNTIVO

12.4.1) Presente do subjuntivo: Normalmente expressa processos


hipotéticos, que muitas vezes estão ligados ao desejo, à suposição, bem
como à possibilidade de ação futura:
Talvez eu vá a sua casa ainda hoje.
É possível que o Brasil invista mais em educaçâo no próximo ânó. ··
... ..... ·; ..·
1• conjugação
PRES'ENTE .· :. .
2• conjugação 3a conjugação
eu am® escondtll permit®
tu am®â escond®â permit®â
ele am® escond® permit®
nós am®mos escondm1mos permit®mos
VÓS am®iâ escond®iâ permitllliâ
eles arií®m escondtílm permit©m

Agora, vamos observar os três tempos simples do modo subjuntivo. Esse


modo transmite dúvida, incerteza sobre alguma ação, sentimento etc.
Dica: insira o advérbio "talvez" antes deste tempo verbal (talvez eu ame).
Isso sempre ajuda.
É importante lembrar que a vogal temática "a" se transforma em
desinência modo-temporal "e" no presente do subjuntivo. Se houver vogal
temática "e" ou "i", naturalmente teremos desinência modo-temporal "a"
no presente do subjuntivo.Veja:
70 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria J Décio Terror Filho

Presente do indicativo Presente do subjuntivo


Nós am!mos ... Talvez nós am@mos ...
:4J ;:;·i
Nós escondémos ...
;},l
Talvez nós escond@mos ...
J.q
Nós permi{l~os ... Talvez nós permit~mos ...
"'./ 'l
(vogal temática) (desinência modo-temporal)
Não importa o nome, mas sim a modificação destas vogais!!!!!

12.4.2) Pretérito imperfeito do subjuntivo:


12.4.2.1) Pode indicar processo de limites imprecisos, anteriores ao
momento em que se fala ou escreve:
Os baixos salários que o pai e a mãe ganhavam não permitiam que ele
estudasse em escolas particulares.
12.4.2.2) Pode transmitir possibilidade, incerteza, imprecisão:
Seria conveniente que você estudasse mais.
12.4.2.3) Este tempo se associa ao futuro do pretérito do indicativo
quando há circunstância de condição (Se ele fosse politizado, não votaria
naquele farsante.) ou concessão (Embora se esforçasse, não conseguiria a simpatia
dos colegas.)
Dica: insira a conjunção condicional "se" antes deste tempo verbal (se eu
amasse). Isso sempre ajuda. Perceba a desinência modo-temporal "-sse".
. PRETÉRITO IMPERFEITO < >
•·•·.·
.. ·: ...•
1a conjugação 2a conjugação 3a conjugação
eu ama~:~ esconde@~® permiti~~®
tu ama:§@C@â esconde®ll:®â permiti~~(!lâ
ele ama®®® esconde®~~ permiti~®
nós amá®&.<l!mos escondê®®®mos permití~i'ílmos
VÓS amá~®i.s. escondê®~~i.s. permití&~®i.s.
eles ama®®®m esconde~®m permiti~~m

12.4.3) Futuro do subjuntivo:


12.4.3.1) Esse tempo normalmente se associa ao futuro do presente do
indicativo quando se expressa circunstância de condição (Se fizer o regime,
emagrecerá rapidamente.)
Dica: insira a conjunção "quando" antes deste tempo verbal (qttattdo eu
amar). Perceba a desinência modo-temporal "-r".
Capítulo 11 Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 71

.lic'Y~.''r,v:,~rc ~1"~'1:' kN'J;:'ftl~~~:;;ciiffív1':ittFUlURO.. DO·SUBJUNJIVO.·,;lf'l'í;~',•·• 'r>i~??t:;i/,~f~}iif~i~~f':/;11~7l:.fN~


1a conjugação. 2a conjugação 3a conjugação
eu amar escondeu permitir
tu ama;es esconderes permitir~
ele amar esconder permiti?
nós ama;mos escondeJmos permitirmos
VÓS amardes esconderdes permitirdes
eles ama?em esconde~em permiti?em

12.5) MODO IMPERATIVO


O imperativo transmite uma ordem, mas, de acordo com os elementos
linguísticos a ele associados, pode passar a transmitir sentido de conselho,
pedido, solicitação, súplica etc. Assim, este modo trabalha a locução direta
com o receptor da mensagem; por isso não há a primeira pessoa do singular
(eu), e os pronon1es "ele", "eles" são .sub;tituídos por "você", "vocês". Veja
como é formado o imperativo.
12.5.1) imperativo afirmativo: a segunda pessoa do singular e a segunda
pessoa do plural são retiradas diretamente··~ do p"1'é'"sente do indicativo,
suprimindo-se o -s final: tu amas - a-ma .tu; vós amais - amai vós.
As formas das demais pessoas são exatatn~nte as· mesmas do presente do
subjuntivo. Lembre-se de que não se·conjuga a primeira pessoa do singular
no modo imperativo.
12.5.2) imperativo negativo: todas as pessoas são idênticas às pessoas
correspondentes do presente do subjuntivo, excluindo-se a primeira pessoa
do singular. Veja o esquema de formação, acompanhando as setas.
-;;:-ESQUEMA DE. FORMAÇÃO DOS.TEMPOS DERIVADOS DO PRESENTE DO INDICATIVO ;é .,
PRESENTE DO IMPERATIVO IMPERATIVO PRESENTE DO
INDICATIVO AFIRMATIVO NEGATIVO SUBJUNTIVO
amQ - - am®
amas ama não amEis am®§.
ama am® não amEi am®
amamos am®mos não am~mos am®mos
amais amai não am~is am®i§.
amam ar'ng;m não amJJm am®m

Obs.: Na linguagem coloquial temos percebido muitas vezes a mistura


de tratamentos (o verbo em uma pessoa verbal e o pronome em outra).
Veja o exemplo da propaganda da Caixa Econômica Federal:
Vem pra Caixa você também, vem!
72 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- + breve teoria I Décio Terror Filho

O verbo "Vem" está na segunda pessoa do singular do imperativo afirmativo


(eu vetilw, tu vens. Retirando-se o "s", formamos a segunda pessoa do singular
do imperativo afirmativo: Vem tu). Porém, a propaganda usa o pronome "você".
Essa mistura é aceitável numa propaganda, assim como nas músicas, na
linguagem do cotidiano; isso porque a intenção, nestes casos, é fugir dos
artificialismos da linguagem, levando a uma aproximação da coloquialidade,
além da influência da adequação da sonoridade.
Porém, na norma culta essa mistura deve ser evitada. Corrigindo, teríamos
duas possibilidades: ou transpomos tudo para a segunda pessoa. ou para a terceira:
Vem para a Caixa tu também, vem!
Venha para a Caixa você também, venha!
Como você deve conhecer essa música, cante-a, agora, de acordo com a
norma culta. A sonoridade e o ritmo são convidativos? Fica estranho, não é?
Por isso mesmo dizemos que as músicas e poemas têm a licença poética, pois
a associação das palavras pela sonoridade e ritmo são mais importantes do
que o rigor gramatical.
Mas, num texto formal, nãQ exist~ licença poética e quem dita as regras
é o rigor gramaticaL ..

· 12.6) TEMPOS COMPOSTOS

Os verbos ter, liaver combil;am-se com o particípio do verbo principal


para constituírem novo·s tem.pos, chamados compostos. Estas combinações
exprimem que a ação verbal está concluída.
Temos nove formas compostas:
Indicativo:
Pretérito perfeito composto: tenho ou hei cantado, vendido, partido
Pretérito mais-que-perfeito composto: tinha ou havia cantado, vendido, partido
Futuro do presente composto: terei ou haverei cantado, vendido, partido
Futuro do pretérito ~omposto: teria ou haveria ~antado, vendido, partido
Subjuntivo:
Pretérito perfeito composto: tenha ou haja cantado, vendido, partido
Pretérito mais-que-perfeito composto: tivesse ou houvesse cantado, vendido, partido
Futuro composto: tiver ou houver cantado, vendido, partido
Formas nominais
Infinitivo composto: ter ou haver cantado, vendido, partido
Gerúndio composto: tendo ou havendo cantado, vendido, partido
Capítulo 1 I Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 73

A seguir, conjugamos estes tempos verbais em todas as pessoas do discurso,


para que você tenha uma melhor ideia de sua flexão.
12.6.1) Pretérito perfeito composto:
12.6.Í.1) É empregado para indicar processos que se repetem ou prolongam
do passado até o presente:
Tenho amado muito nestes últimos dias.
12.6.1.2) É natural. substituirmos este tempo composto pela locução
verbal vir + gerúndio.
Venho amando muito nestes últimos .dias.

verbo auxiliar verbo principal


eu tenho hei
tu te~ há~
ele tem. há ama@© escondi@'m permiti@@
nós temos havemos
VÓS tendes havelli
eles têm. hãQ

12.6.2) Pretérito mais-que-perfeito composto:


12.6.2.1) Como visto no tempo simples, o pretérito-mais-que-perfeito
exprime um processo que ocorreu antes de outro processo passado. Na
linguagem cotidiana, usa-se muito pouco a forma simples do pretérito
mais-que-perfeito, prefere-se, assim, o tempo composto:
Ele disse que tinha (havia) pegado o dinheiro pela manhã. (= pegara)
PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO DO INDICATIVO COMPOSTO
verbo auxiliar verbo principal
eu . t~lffillili!il havu®
tu t!IT'Uilil®~ hav~®~
ele ttil'illlili!il havu!ID ama«uiPJ escondi@tv permiti©©
nós t~IT'U!ru®mos haviTffimos
VÓS tullilllil®lli havffillis
eles tuil'ilifu!IDID haVL~ffi

12.6.3) Futuro do presente composto: Normalmente, o futuro do


presente composto expressa um fato ainda não realizado no momento
presente, mas já passado em relação a outro fato futuro. Isso acontece por
influência da forma nominal particípio:
74 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria 1Décio Terror Filho

Quando estivermos lá, o dia já terá amanhecido.


Quando eu voltar ao trabalho, você já terá entrado em férias.
FUTURO DO PRESENTE DO INDICATIVO COMPOSTO
verbo auxiliar verbo principal
eu teii'®l havetmll
tu teJts. haveníí.s.
ele teníí haveGil amarif@ escondi@@ permiti@@
nós teJ®mos haveJ®!lJ..Q.$.
VÓS teii'®l.s. haveml.s.
eles te~ o haveifi.Q

12.6.3) Futuro do pretérito composto:


12.6.3.1) Normalmente, o futuro do pretérito composto expressa um
processo encerrado posteriormente a uma época passada que mencionamos
no presente:
Partiu-se do pressuposto de que às cinco horas da tarde o comício já teria
sido encerrado.
Anunciou-se que no dia anterior o jogador já teria assinado contrato com
outro clube.
12.6.3.2) Esse tempo também expressa dúvida sobre fatos passados:
Teria sido ele o responsável pela fraude?
12.6.3.3) Quando expressa circunstância de condição, o futuro do
pretérito composto se relaciona com o pretérito mais-que-perfeito do
subjuntivo, exprimindo processos hipotéticos ou de realização desejada,
mas já impossível:
Se ele me tivesse procurado antes, eu o teria ajudado.
O país teria melhorado muito se tivessem sido feitos investimentos na
educação e na saúde.
FUTURO DO PRETÉRITO DO SUBJUNTIVO COMPOSTO
verbo auxiliar verbo principal
eu telil~ have::iil
tu ten~.s. have~íll.S.
ele te~~ have:t'!l amaiQJ© escondi@© permitiiQJ!Q)
nós teífiil!lJ..Q.$. have:f&Jmos
VÓS telff®l.$. have:~])l.$.
eles telil&Jm have:~ffim
Capítulo 11 Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 75

12.6.4) Pretérito perfeito do subjuntivo composto


Expressa processos anteriores tidos como concluídos no momento em
que se fala ou escreve:
lmagíno que ela tenha procurado uma solução.
PRETÉRITO PERFEITO DO SUBJUNTIVO COMPOSTO
verbo auxiliar verbo principal
eu temJilu~ ha:a
tu temJirJ~~ ha:1il~
ele temJI!u&l ha:a amaw© escondi@]© permiti@~©
nós temJI!u~mos ha:.amos
VÓS temJâi~i.s. ha,;ai.s.
eles temJâi&Jm ha:am

12.6.5) Pretérito mais-que-perfeito do subjuntivo composto


Expressa um processo anterior a outro processo já passado:
Espereí que tivesse exposto completamente sua tese para contrapor meus
argumentos.
Esse tempo pode associar-se ao futuro do pretérito simples ou composto
do indicativo quando são expressos fatos irreais e hipotéticos do passado:
Se me tivesse apresentado na data combínada, já sería funcíonárío da
empresa.
Mesmo que ela o tivesse procurado' ele não a tería recebído
PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO DO SUBJUNTIVO COMPOSTO
verbo auxiliar verbo principal
eu tive®ii1® houve~:ll
tu tive~®~ houve~®~
ele tive®®® houve~JJ ama:Q:J escondi~@ permiti@~©
nós tivé®®®mos houvé~®mos
VÓS tivéJ!®®i.s. houvé~®i.s.
eles tive®®®m houve®®®m

12.6.6) Futuro do subjuntivo composto


Expressa um pro.cesso futuro que estará terminado antes de outro,
também futuro:
Quando tiverem concluído os estudos, receberão o díploma.
Iremos embora depoís que ela tiver adormecido.
r
Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho Cal
76

FUTURO DO SUBJUNTIVO COMPOSTO ac


verbo auxiliar verbo principal o
eu tivew houvew D
tu tivewes houvelíes
ele tivew houvew amam@ escondi@:t permiti@© 1:
nós tivewmos houvemw.~
VÓS tivewdes houvew~
eles tiverem houvew.em li

11

12.7} Oinfinitivo normalmente expressa um processo verbal sem indicação de tempo. p

.. ;
.· .. ·
. : •.· FORMAS NOMINAIS ,. :.t:i> ..•·.·.······· <· •. ·.······•> . c
INFINITIVO IMPESSOAL (pretérito)
}
verbo auxiliar verbo principal
tew havelí' amai@ escondi@~ permiti@©

INFINITIVO PESSOAL (pretérito)


verbo auxilia[ .. ,·· verbo principal
.. ...... ·- . .
eu te/i' havelí'
tu telí'es havelí'es
ele teu· havelí' · ama~© escondi@@ permiti©:ID
nós . teü'lll.Q.â havewmós
VÓS tewdes havelí'ill
eles telí'.em
. haverem

12.8} A forma composta do gerúndio tem valor de pretérito e indica processo já


concluído no momento em que se fala ou escreve:

Tendo feito, por telefone, várias reclamações que não foram atendidas, resolvi
ir pe_ssoalmente à Administração Regional.
GERÚNDIO (pretérito)
verbo auxiliar verbo principal
tell1J@© havell1l©© ama:idi escondi@óJ permiti@©

Até agora, praticamente reconhecemos os tempos e modos com verbos


regulares. A partir deste ponto, trabalharemos os irregulares.

12.9) Conjugação de alguns verbos irregulares

Muitas questões têm base nos verbos pôr, ter, ver e vir (e seus derivados).
Assim, atente à conjugação a seguir especificada na região sombreada,
Capítulo 1 I Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 77

acompanhando as setas. Elas vão apontar os tempos primitivos e os derivados.


O primeiro tempo primitivo do qual vamos falar é o presente do indicativo.
Depois trabalharemos o pretérito perfeito do indicativo.

12.10) Tempos e modos derivados do presente do indicativo (primitivo):


Perceba que o radical da primeira pessoa do singular do presente do
indicativo normalmente gera o radical do presente do subjuntivo. Isso é
importante porque nos livra da decoreba, basta aplicar na conjugação. Veja:
presente do indicativo: eu yçjo
Esse radical '\·ej-" será empregado na flexão déste verbo no presente
do subjuntivo: talvez eu y:tia, tu mas, ele .Ytia, nós yçjamos, vós y:tiais, eles
y:tiam.
Como vimos, a vogal temática (A) vira desinência (E), e a vogal temática
(E ou I) vira desinência (A), quando temos o presente do subjuntivo. Observe
que este verbo possui vogal temática "e": v~r. É lógico que no concurso não
se pede' ,o nome desta vogal, mas a troca dela.
Veja outro: ele cria (infinitivo: criª-r -vogal temática: "a")
Talvez ele cri~ (desinência modo-t~mporal "e"). Confira isso pelo uso
da seta nas conjugações posteriores.
Lembre-se da formação do imperativo. O afirmativo é gerado pelo
presente do indicativo nas segundas pessoas (tu/vós), retirando-se o "s".
A terceira pessoa do singular (você) e do plural (vocês) e a primeira do
plural (nós) do imperativo afirmativo e todo o imperativo negativo são
gerados do presente d~ subjuntivo. (É só copiar!!!!)

12.11) Tempos derivados do pretérito perfeito do indicativo (primitivo):


Note que, na segunda pessoa do singular do tempo pretérito perfeito do
indicativo, encontramos a terminação "-ste" (desinência número-pessoal).
Ao retirarmos esta terminação, sobra uma base, chamada tema. Essa base forma
o pretérito-niais-que-perfeito do indicativo, com acréscimo da desinência
modo temporal (-ra) e os tempos pretérito imperfeito do subjundvo e futuro
do subjuntivo, com as desinências" -sse" e" -r", respectivamente. Todos estão
sombreados a seguir.
78 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria 1Décio Terror Filho

12.11.1) pôr
Indicativo
presente pretérito pretérito perfeito pretérito mais-que- futuro futuro do pretérito
imperfeito
eu onho punha porei poria
tu pões punhas porás porias
ele põe punha pôs porá poria
nós pomos púnhamos pusemos poremos poríamos
VÓS pondes púnheis pusestes poreis poríeis
eles põem punham puseram porão poriam

Subjuntivo Imperativo
presente pretérito futuro afirmativo negativo

eu ponha não
tu QQ!l.!!as põe tu não ponhas tu
ele ponha ponha você não ponha você
nós QQ!l.!!amos ponhamos nós não ponhamos nós
vós QQ!J.!!ais ponde VÓS não ponhais VÓS
eles ponham ponham vocês não ponham vocês

Normalmente não é o verbo "pôr" que cai na prova, são seus derivados
que são cobrados nas questões. Então veja quais são:
antepor, apor, compor, contrapor, decompor, depor, expor, impor, indispor,
justapor, opor, predispor, pressupor, propor, repor, supor, transpor etc.
12.11.2) ter e seus derivados abster, conter, deter, entreter, manter, obter, reter,
suster.
Indicativo
presente pretérito pretérito perfeito pretérito mais- futuro futuro do pretérito
imperfeito
eu tenho tinha tive terei teria
tu tens tinhas terás terias
ele tem tinha teve terá teria
nós temos tínhamos tivemos teremos teríamos
VÓS tendes tínheis tivestes tereis teríeis
eles têm tinham tiveram terão teriam

Subjuntivo Imperativo
presente pretérito futuro afirmativo negativo
imperfeito
eu tenha não
tu Nn!J.as tem tu não tenhas tu
ele tenha tenha você não tenha você
nós tenhamos tenhamos nós não tenhamos nós
VÓS Nn!J.ais tende VÓS não tenhais VÓS
eles tenham tenham vocês não tenham vocês
Capítulo 11 Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 79

12.11.3) ver e seus derivados antever, cntrever, prever e rever


Indicativo
presente pretérito pretérito pretérito mais-que- futuro futuro do pretérito
imperfeito perfeito
eu ve·o via vi verei veria
tu vês vias rl~~r!JEI verás verias
ele vê via viu verá veria
nós vemos víamos vimos veremos veríamos
VÓS vedes víeis vistes vereis veríeis
eles veem viam viram verão veriam

Subjuntivo Imperativo
presente pretérito futuro afirmativo negativo

eu Yfia não
tu Yfjas vê tu não vejas tu
ele Yfja veja você não veja você
nós Yfjamos vejamos nós não vejamos nós
vós Yfjais vede vós não vejais vós
eles Yfjam vejam vocês não vejam vocês

12.11.4) Vir e seus derivados advir, avir~se~ contravir, convir, desavir-se,


desconvir, intervir, provir,. sobrevir.
Indicativo
presente pretérito pretérito mais- futuro futuro do pretérito
imperfeito i
eu venho vinha virei viria
tu vens vinhas virás virias
ele vem vinha virá viria
nós vimos vínhamos viemos viremos viríamos
VÓS vindes vínheis vi estes vi reis viríeis
eles vêm vinham vieram virão viriam

Subjuntivo Imperativo
presente pretérito futuro afirmativo negativo

eu venha não
tu venhas vem tu não venhas tu
ele venha venha você não venha você
nós venhamos venhamos nós não venhamos nós
VÓS venhais vinde VÓS não venhais VÓS
eles venham venham vocés não venham vocês

Cuidado, também, com o particípio e gerúndio deste verbo, pois é o


mesmo: vindo. Veja:
Eu tenho vindo de carro ao trabalho. (particípio)
Eu estava vindo de carro ao trabalho. (gerúndio)
80 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria J Décio Terror Filho c

Confronte com outro verbo


Eu tenho trabalhado muito. (particípio)
Eu estava trabalhando muito. (gerúndio)
12.11.5) Diferença na conjugação dos verbos pre11er, provir e pro11er:
O verbo prever é conjugado como o verbo ver. O verbo provir é
conjugado como o verbo 11ír. Assim, basta observar as conjugações de seus
verbos primitivos per e vir, respectivamente, e acrescentar os prefixos. Mas
o verbo prot,er é conjugado, em boa parte, como o verbo ver e, no tempo
pretérito perfeito do indicativo e seus tempos derivados, ele é regular.
Veja:
Indicativo
presente pretérito pretérito mais· futuro futuro do
imperfeito pretérito
eu pro e·o provia proverei proveria
tu provês provias proverás proverias
ele provê provia proverá proveria
nós provem.os províamos provemos proveremos proveríamos
VÓS provedes · províeis provestes prove reis proveríeis
eles proveem proviam proveram proverão proveriam

...S.ubjunUyO Imperativo
presente pretérito futuro afirmativo negativo

eu prowa não
tu prowas provê tu não provejas tu
ele prowa proveja você não proveja você
nós prowamos provejamos nós não provejamos nós
VÓS prowais prove de VÓS não provejais vós
eles prowam provejam vocês não provejam vocês

. .
Verbos que despertam dúyidas de pr~núncia e flexão
12.11.6) Adaptar, desigttar, impugttar, obstar, ritmár, digna1·-se, impreguar,
ittdigttar-se, optar, pe1·signar-se, pugnar, raptar, resignar-se. Esses verbos
não formam sílaba nova na conjugação. Atente principalmente ao presente
do indicativo de alguns deles:
Deve-se dizer: Impugnam a lei, e não: *impuguinam;A injustiça nos indigna,
e não: *nos indiguina; Opto por ficar, e não: *opito.
Capítulo 1 J Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 81

Indicativo
presente pretérito pretérito perfeito futuro futuro do pretérito
imperfeito
eu impugno impugnava impugnarei impugnaria
tu impugnas impugnavas impugnarás impugnarias
ele impugna impugnava impugnou impugnará impugnaria
nós impugnamos impugnávamos impugnamos impugnaremos impugnaríamos
vós impugnais impugnáveis impugnastes impugnareis impugnaríeis
eles impugnam impugnavam impugnaram impugnarão impugnariam

Subjuntivo Imperativo
presente pretérito futuro afirmativo negativo

eu impugne não
tu impugnes impugna tu não impugnes tu
ele impugne impugne você não impugne você
nós impugnemos impugnemos nós não impugnemos nós
VÓS impugneis impugnai VÓS não impugneis vós
eles impugnem impugnem vocês não impugnem vocês

12.11.7) Aderir, advertir, competir, diferir, repelir ...


. .. compelir, conferir, convergir, despir, desservir, discernir, dissentir,
divergir, ferir, impelir, interferir, investir, mentir, preferir, preterir, proferir,
referir, repetir, servir, sugerir, transferir etc. A irregularidade desses verbos
está em a vogal e, última do radical, passar a i na 1'1 pessoa do singular do
presente do indicativo e em todo o presente do subjuntivo, e a e aberto na 2ª
e 3ª pessoas do singular e 3• do plural do presente do indicativo e 2• pessoa
do singular do imperativo.
Indicativo
presente pretérito pretérito pretérito mais- futuro futuro do
imperfeito perfeito pretérito
eu adiro aderia aderi aderirei aderiria
tu aderes aderias aderirás aderirias
ele adere aderia aderiu aderirá aderiria
nós aderimos aderíamos aderimos aderiremos aderiríamos
VÓS aderis aderíeis aderistes aderireis aderiríeis
eles aderem aderiam aderiram aderirão adeririam

Subjuntivo Imperativo
presente pretérito futuro afirmativo negativo

eu adira não
tu adiras adere tu não adiras tu
ele adira adira você não adira você
nós adiramos adiramos nós não adiramos nós
VÓS adirais aderi vós não adirais VÓS

eles adiram adiram vocês não adiram vocês


82 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria 1 Décio Terror Filho

12.11.8) Aguar e enxaguar


Com a reforma ortográfica, o 11 passou a ser tanto átono quanto tônico.
Assim, esses são verbos com duas possibilidades de conjugação.
Pres. ind.: águo, águas, água, aguªmos, aguªis, águam.
ag.u.o, ag.u.as, ag.u.a, aguªmos, agug_is, ag.u.am.
Pret. perf. ind.: aguei, aguaste, aguou, aguamos, aguastes, aguaram.
Pres. subj.: águe, águes, águe, agu.e.mos, agu.e.is, águem.
ag.u.e, agu.e,s, ag.u.e, agu.e.mos, agu.e_is, ag.u.em.
/mper. afirm.: água, águe, agu.e.mos, aguªi, águem.
ag.u.a, ag.u.e, agu.e.mos, aguªi, ag.u.em.
12.11.9) Apaziguar, averigmtr, obliquar
No presente do indicativo, o "u" é tônico, exceto na primeira e segunda
pessoas do plural. Compare com os dois verbos anteriores.
Presente do indicativo:
apazig.u.o, apazig.u.as, apazig.u.a, apaziguªmos, apazigu.ais, apazig.u.am.
Pretérito perfeito do indicativo:
apazigu.e.i, apaziguaste, apaziguQu, apaziguªmos, apaziguastes, apaziguªram.
Presente do subjuntivo:
apazig.u.e, apazig.u.es, apazig.u.e, apazigu.e_mos, apazigu.e.is, apazig.u.em.
12.11.10) Arguir, redarguir (o "u" é semivogal tzo injinitivo)
O 11 é tônico em quatro formas do presente do indicativo e subjuntivo.
No restante da conjugação, é átono quando seguido de i.
Pres. ind.: arg.u.o , arguis, argui, argulmos, arguls, arguem.
Pret. lmp. lnd.: arguía, argolas, arguía, arguiamos, arguieis, arguíam.
Pret. perf. ind.: arguí, arguiste, argulu, arguimos, argulstes, argulram.
Pres. subj.: arg.u.a , arguas, argua, argug_mos, arguªis, arguam.
12.11.11) Verbos terminados em "guir": Distinguir, extinguir
Esses verbos possuem o dígrafo "gu" (duas letras com apenas um som).
Após "g" e "q" e antes de "e" e "i" (que, qui, gue, gui"), o "U" aparece para
soar IKÊ! e !GÊI. A falta do "u" no infinitivo "distinguir", por exemplo,
faria com que o som fosse IJI!. Perceba, na conjugação deste verbo, que,
quando recebe as vogais "a" e "o", deve perder o "u" (distingo, distinga).
Quando recebe as vogais "e" ou "i", automatican1ente se insere o "u" (sem
som): distinguir, distinguisse, distingue.
Capítulo 11 Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 83

Veja à conjugação.
Indicativo
presente pretérito pretérito perfeito pretérito mais- futuro futuro do pretérito
imperfeito -que-perfeito
eu distingo distinguia distinguirei distinguiria
tu distingues distinguias distinguirás distinguirias
ele distingue distinguia distinguiu distinguirá distinguiria
nós distinguimos distinguíamos distinguimos distinguiremos distinguiríam·as
VÓS distinguis distinguieis distinguistes distinguireis distinguiríeis
eles distinguem distinguiam distinguiram distinguirão distinguiriam

Subjuntivo Imperativo
presente pretérito imperfeito futuro afirmativo negativo
eu distinga não
tu distingas distingue tu não distingas tu
ele distinga distinga você não distinga você
nós distingamos distingamos nós não distingamos nós
VÓS distingais distingui VÓS não distingais VÓS

eles distingam disti~gam vocês não distingam vocês

12.11.12) Crer, descrer: Estes verbos conjugam-se como ler.


O particípio é esquisito, mas é isso mesmo: crido.
Indicativo
presente pretérito pretérito pretérito mais-que- futuro · futuro do pretérito
imperfeito perfeito
eu creio cria crerei creria
tu crês crias crerás crerias
ele crê cria crerá creria
nós cremos críamos cremos creremos creríamos
VÓS credes crieis crestes crereis creríeis
eles creem criam creram crerão creriam

Subjuntivo Imperativo
presente pretérito futuro afirmativo negativo
imperfeito
eu creia não
tu creias crê tu não creias tu
ele creia creia você não creia você
nós creiamos creiamos nós não creiamos nós
VÓS creiais crede VÓS não creiais VÓS

eles creiam creiam vocês não creiam vocês


r
84 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho

12.11.13) HaPer
Indicativo
presente pretérito pretérito perfeito pretérito mais- futuro futuro do pretérito
Imperfeito -que-perfeito
eu hei havia haverei haveria
tu hás havias haverás haverias
ele há havia haverá haveria
nós havemos havíamos houvemos haveremos haveríamos
VÓS haveis havíeis houvestes havereis haveríeis
eles hão haviam houveram haverão haveriam

Subjuntivo Imperativo
presente afirmativo negativo

eu haja não
tu hajas há tu não hajas tu
ele haja haja você não haja você
nós hajamos hajamos nós não hajamos nós
VÓS hajais havei VÓS não hajais VÓS

eles hajam hajam vocês não hajam vocês

Note a irie·gularidãde no presente do subjuntivo "haja", forma que é não


originada do·p:t:~senteo.d.o indica_tivo. A primeira e segunda pessoas do plural
do presente do i~-idi_c.ativo também. podem ser "hemos" e ''heis".
-
12.11.14) Estar
Indicativo
presente pretérito pretérito perfeito pretérito mais- futuro futuro do pretérito
imperfeito -que-perfeito
eu estou estava estarei estaria
tu estás estavas estarás estarias
ele está estava estará estaria
nós estamos estávamos estivemos estaremos estaríamos
VÓS estais estáveis estivestes estareis estaríeis
eles estão estavam estiveram estarão estariam

Subjuntivo Imperativo
presente pretérito futuro afirmativo negativo

eu esteja não
*"" ...... -··
tu estejas está tu não estejas tu
ele esteja esteja você não esteja você
nós estejamos estejamos nós não estejamos nós
VÓS estejais estai vós não estejais VÓS

eles estejam estejam vocês não estejam vocês


Capítulo 1 I Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 85

12.11.15) Pesar
No sentido de" causar mágoa, desgosto", pesar é defectivo e só se conjuga
nas terceiras pessoas. Quando possui sujeito oracional, permanece na
3a pessoa do singular. Quando o sujeito é substantivo ou palavra equivalente,
conc;rda com ele no singular ou plural:
Pesa-me saber essas notícias. (sujeito oracional == saber essas notícias)
Pesam-me notícias de morte. (sujeito == noticias de morte)
12.11.16) Querer (Compare com a conjugação do verbo "requerer",
adiante, no pretérito perfeito do indicativo e seus tempos derivados)
Indicativo ·
presente pretérito pretérito perteito futuro futuro do
imperfeito pretérito
eu quero queria quererei quereria
tu queres querias quererás quererias
ele quer queria quererá quereria
nós queremos queríamos quereremos quereríamos
VÓS quereis queríeis querereis quereríeis
eles querem queriam quererão quereriam

Subjuntivo Imperativo
presente pretérito futuro afirmativo negativo

eu queira não
tu queiras quere tu não queiras tu
ele queira queira você não queira você
nós queiramos queiramos nós não queiramos nós
vós queirais querei VÓS não queirais vós
eles queiram queiram vocês não queiram vocês

Neste verbo há. uma quebra da derivação do tempo presente do


subjuntivo em relação à primeira pessoa do presente do indicativo. Perceba
que "queira", no presente do subjuntivo, não foi gerado de "quero", presente
do indicativo; pois este verbo não possui o "i".
12.11.17) Requerer (compare com. o verbo "querer", Já conJugado)
Indicativo
presente pretérito pretérito futuro futuro do
imperfeito perfeito pretérito
eu requeiro requeria requeri requererei requereria
tu requeres requerias requererás requererias
ele requer requeria requereu requererá requereria
nós requeremos requeríamos requeremos requereremos requereríamos
VÓS requereis requeríeis requerestes requerereis requereríeis
eles requerem requeriam requereram requererão requereriam
86 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC -+breve teoria 1Décio Terror Filho

Subjuntivo Imperativo
presente pretérito futuro afirmativo negativo
imperfeito
eu requeira não
tu requeiras requere tu não requeiras tu
ele requeira requeira você não requeira você
nós requeiramos requeiramos nós não requeiramos nós
vós requeirais requerei VÓS não requeirais VÓS

eles requeiram requeiram vocês não requeiram vocês

Note que o verbo "requerer" tem conjugação parecida com o verbo


"querer"; porém, no tempo pretérito perfeito do indicativo e seus derivados
(sombreados na conjugação), ele é conjugado regularmente. Isso é muito
importante.
12.11.18) Ser
Indicativo
presente pretérito pretérito pretérito mais· futuro futuro do
imperfeito perfeito -que-perfeito pretérito
eu sou era serei seria
tu és eras serás serias
ele é era será seria
nós somos éramos fomos seremos seríamos
VÓS sois éreis fostes sereis seríeis
eles são eram foram serão seriam

Subjuntivo Imperativo
presente pretérito futuro afirmativo negativo
imperfeito
eu seja nào
tu sejas sê tu não sejas tu
ele seja seja você não seja você
nós sejamos sejamos nós não sejamos nós
VÓS sejais sede VÓS não sejais VÓS

eles sejam sejam vocês não sejam vocês

12.11.19) Verbos terminados em -ear


Os verbos em -ear (cear, frear, nomear, passear, recear, basear etc.) trocam
o e pelo ditongo ei nas formas rizotônicas (1 a, 2•, 3• pessoas do singulár e
3• pessoa do plural dos presentes do indicativo e subjuntivo).
Capítulo 1 I Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 87

Indicativo
presente pretérito imperfeito pretérito mais- futuro futuro do pretérito

eu nomeio nomeava nomearei nomearia


tu nomeias nomeavas nomearás nomearias
ele nomeia nomeava nomeará nomearia
nós nomeamos nomeávamos nomearemos nomearíamos
VÓS nomeais nomeáveis nomeastes nomeareis nomearíeis
eles nomeiam nomeavam nomearam nomearão nomeariam

Subjuntivo Imperativo
presente pretérito imperfeito futuro afirmativo negativo
eu nomeie não
tu nomeies nomeia tu não nomeies tu
ele nomeie nomeie você não nomeie você
nós nomeemos nomeemos nós não nomeemos nós
VÓS nomeeis nomeai vós não nomeeis VÓS
eles nomeiem nomeiem vocês não nomeiem vocês

12.11.20) Verbos terminados em -iar·


Os verbos em -i ar, como premiar, avaliar, criar e maq11iar, com exceção dos
verbos "MARIO" (ver adiante), são conjugados regularmente.
Indicativo ., ...
presente pretérito pretérito perfeito pretérito mais- futuro futuro do
imperfeito -que-perfeito pretérito
eu maquio maquiava maquiei maquiarei maquiaria
tu maquias maquiavas maquiarás maquiarias
ele maquia maquiava maquiou maquiará maquiaria
nós maquiamos maquiávamos maquiamos maquiaremos maquiaríamos
VÓS maquiais maquiáveis maquiastes maquiareis maquiaríeis
eles maquiam maquiavam maquiaram maquiarão maquiariam

Subjuntivo Imperativo
presente pretérito futuro afirmativo negativo
imperfeito
eu maquie não
tu maquies maquia tu não maquies tu
ele maquie maquie você não maquie você
nós maquiemos maquiemos nós não maquiemos nós
VÓS maquieis maquiai VÓS não maquieis vós
eles maquiem maquiem vocês não maquiem vocês
88 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho
Ca

12.11.21) Os verbos mediar, ansiar, remediar, incendiar e odiar, cujas


iniciais formam a palavra MARIO, conjugam-se, nas formas rizotônicas
(P, 2a, 3a pessoas do singular e 3a pessoa do plural dos presentes do
indicativo e subjuntivo), como se terminassem em -ear. Será conjugado
abaixo o verbo "mediar", o qual é o de maior ocorrência em concursos
dentre os verbos desta regra. Note que o verbo "intermediar" é derivado
de "mediar", portanto segue esta mesma regra.
Indicativo
presente pretérito pretérito perfeito pretérito mais- futuro futuro do
imperteito pretérito
eu medeio mediava mediarei mediaria
tu medeias mediavas mediarás mediarias
ele medeia mediava mediará mediaria
nós mediamos mediávamos mediamos mediaremos mediaríamos
VÓS mediais mediáveis mediastes mediareis mediaríeis
eles medeiam mediavam mediaram mediarão mediariam

Subjuntivo Imperativo
presente pJetérito luturo afirmativo negativo
imperfeito
eu rnedeie não
tu medeies medeia tu não medeies tu
ele medeie medeie você não medeie você
nós mediemos mediemos nós não mediemos nós
vós medieis mediai VÓS não medieis VÓS

eles medeiem medeiem vocês não medeiem vocês

12.11.22) Verbos terminados em -uar


Verbos como atuar, atenuat; ifetum; extenuar etc. possuem a vogal temática
"a", a qual se transforma en1 desinência "e", e não i, no presente do
subjuntivo.
Indicativo
presente pretérito pretérito perfeito pretérito mais- futuro futuro do
imperteito -que-perfeitÓ pretérito
eu atuo atuava atuarei atuaria
tu atuas atuavas atuarás atuarias
ele atua atuava atuará atuaria
nós atuamos atuávamos atuamos atuaremos atuaríamos
vós atuais atuáveis atuastes atuareis atuaríeis
eles atuam atuavam atuaram atuarão atuariam
Capítulo 11 Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 89

Subjuntivo Imperativo
presente pretérito 1uturo afirmativo negativo

eu .atue não
tu ·atues atua tu não atues tu
ele atue atue você não atue você
nós atuemos atuemos nós não atuemos nós
vós atueis atuai VÓS não atueis vós
eles atuem atuem vocês não atuem vocês

12.11.23) Verbos terminados em -uir


Os verbos afluir, anuir, atribuir, concluir, constituir, contribuir, destituir,
diluir, diminuir, distribuir, estatuir, imbuir, imiscuir, influir, instituir, instruir,
obstruir, possuir, restituir, ruir etc. são grafados com is e i na 2• e Ja pessoa
do singular do presente do indicativo.
Indicativo
presente pretérito pretérito mais· futuro futuro do pretérito
imperteito
eu possuo possuía possuirei possuiria
tu possuis possuías possuirás possuirias
ele possui possuía possuirá possuiria
nós possuímos possuíamos possuímos possuiremos possuiríamos
VÓS possuís possuíeis possuístes possuireis possuiríeis
eles possuem possuíam possuíram possuirão possuiriam

Subjuntivo Imperativo
presente pretérito futuro afirmativo negativo
imperfeito
eu possua não
tu possuas possui tu não possuas tu
ele possua possua você não possua você
nós possuamos possuamos nós não possuamos nós
vós possuais possuí VÓS não possuais VÓS

eles possuam possuam vocês não possuam vocês


90 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC -+breve teoria 1Décio Terror Filho

12.11.24) Verbos terminados em -zer e -zir


a) fazer, liquifazer, peifazer, deifazer, rifazer, satiifazer
Note que esses verbos perdem a vogal e final na 3" pessoa do singular do
presente do indicativo e (não obrigatoriamente) na 2• pessoa do singular do
imperativo afirmativo, quando o z não é precedido de consoante. Uma seta
indicará isso na conjugação abaixo:
Indicativo
presente pretérito pretérito perfeito pretérito mais- futuro futuro do
imperfeito pretérito
eu fa o fazia fiz farei faria
tu fazes fazias farás farias
ele faz fazia fez fará faria
nós fazemos fazíamos fizemos faremos faríamos
VÓS faz eis fazíeis fizestes fareis faríeis
eles fazem faziam fizeram farão fariam

Subjuntivo Imperativo
presente pretérito futuro afirmativo negativo

eu lliç.a não
tu lliç.as tu não faças tu
ele lliç.a você não faça você
nós fgç.amos nós não façamos nós
VÓS fgç.ais VÓS não façais vós
eles fgç.am vocês não façam vocês

(ou faz)

b) dizer, bendizer, condizer, contradizer, desdizer, maldizer, predizer


Os futuros do indicativo desse verbo e seus derivados são irregulares, já
que perdem a sílaba "ze" (confira na conjugação).
O particípio desse verbo e de seus derivados é irregular: dito, bendito,
contradito ...
Note que esses verbos perdem a vogal e fmal na 3" pessoa do singular do
presente do indicativo e (não obrigatoriamente) na 2" pessoa do singular do
imperativo afirmativo, quando o z não é precedido de consoante. Uma seta
indicará isso na conjugação a seguir:
Capítulo 11 Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC
91

Indicativo
presente pretérito pretérito perfeito futuro futuro do
imperfeito pretérito
eu di o dizia direi diria
tu dizes dizias dirás dirias
ele diz dizia dirá diria
nós dizemos dizíamos dissemos diremos diríamos
VÓS dizeis dizíeis dissestes direis diríeis
eles dizem diziam disseram dirão diriam
Subjuntivo Imperativo
presente pretérito futuro afirmativo .. negativo
imperfeito
eu .Qlga não
tu .Qlgas tu não digas tu
ele .Qlga você não diga você
nós .Qlgamos nós não digamos nós
VÓS .Qlgais VÓS não digais VÓS
eles .Qlgam vocês não digam vocês

(ou diz)

c) trazer
Os futuros do indicativo desse verbo e seus derivados são irregulares, já
que perdem a sílaba "ze" (confira na conjugação).
Indicativo
presente pretérito pretérito perfeito pretérito mais· futuro futuro do
imperfeito pretérito
eu tra o trazia trarei traria
tu trazes trazias trarás trarias
ele traz trazia trará traria
nós trazemos trazíamos trouxemos traremos traríamos
VÓS trazeis trazíeis trouxestes trareis traríeis
eles trazem traziam trouxeram trarão trariam

Subjuntivo Imperativo
presente pretérito imperfeito futuro afirmativo negativo
eu i@Q.a não
tu i@Q.as tu não tragas tu
ele i@Q.a você não traga você
nós i@Q.amos nós não tragamos nós
vós i@Q.ais vós não tragais VÓS

eles i@Q.am vocês não tragam vocês

(ou traz)
92 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho
r c
d) Aprazer, comprazer, desprazer, descomprazer
Embora sejam derivados de prazer, que quase não é usado na 1a e 2"
pessoa, estes verbos possuem conjugação completa.
Observação: os verbos "comprazer" e "descomprazer" também podem
ter conjugação regular.
Indicativo
presente pretérito pretérito perfeito pretérito mais· futuro futuro do
imperfeito pretérito
eu aprazo aprazia apraze rei aprazeria ~

tu aprazes aprazias ap(azerás aprazerias


ele apraz aprazia aprazerá aprazeria
nós aprazemos apraziamos aprouvemos aprazeremos aprazeríarnos
vós aprazeis aprazieis aprouveste~ apraze reis aprazeríeís
eles aprazem apraziam aprouveram aprazerão aprazeriam
Subjuntivo Imperativo
presente pretérito imperfeito futuro afirmativo negativo
eu apraza não
tu aprazas apraze tu não aprazas tu
ele apraza apraza você não apraza você
nós aprazamos aprazamos nós não aprazall]OS nós
VÓS aprazais aprazei VÓS não aprazais VÓS

eles aprazam aprazam vocês não aprazam vocês

e) aduzir, couduzir; d~JIZÍ.fj .itztroduzi_r,- traduzir


Indicativo
presente pretérito pretérito mais- futuro futuro do pretérito
imperfeito
eu traduzo traduzia traduzirei traduziria
tu traduzes traduzias traduzirás traduzirias
ele traduz traduzia traduzirá traduziria
nós traduzimos traduzíamos traduzimos traduziremos traduziríamos
VÓS traduzis traduzíeis traduzistes traduzi reis traduziríeis
eles traduzem traduziam traduziram traduzirão traduziriam

Subjuntivo Imperativo
presente pretérito futuro afirmativo negativo

eu traduza não
tu traduzas traduze tu não traduzas tu
ele traduza traduz você não traduza você
nós traduzamos nós não traduzamos nós
VÓS traduzais VÓS não traduzais vós
eles traduzam vocês não traduzam vocês

(ou traduz).
Capítulo 1 I Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 93

12.12) Verbos Defectivos


Chamam-se defectivos os verbos que não possuem conjugação completa,
ou seja, deixam de ser flexionados em algumas formas.
Em geral, o fator determinante da classificação de um \'erbo como
defectivo é ·de natureza morfológica ou eufônica. Se fosse completo, o
verbo falir, por exemplo, apresentaria, no presente do indicativo, C!t falo, tu
fales, ele fale. Falo é forma do presente do indicativo de falar; }1/cs e fale são
do presente do subjuntivo do mesmo verbo. Isso implicaria um problema
morfológico, ou seja, formas iguais para verbos diferentes (porém a norma
gramatical deixou escapar alguns verbos de formas iguais, não os colocando
como defectivos para evitar problemas ainda maiores).
Dividimos os defectivos em dois grupos para facilitar a aprendizagem.
12.12.1) Primeiro grupo
Verbos que, no presente do indicativo, deixam de ser conjugados apenas
na primeira pessoa do singular, consequentemente não apresentam presente
do subjuntivo e imperativo negativo. O imperativo afirmativo limita-se às
pessoas diretamente provenientes do indicativo (tu e vós). É o caso, entre
outros, dos verbos:
abolir aturdir banir bramir
carpir colorir delinquir demolir
esculpir espargir exaurir explodir
extorquir feder tremer (ou fremir) fulgir
haurir impingir retorquir ruir

ABOLIR
presente do indicativo imperativo afirmativo
eu
tu aboles abole tu
ele abole
nós abolimos
vós abolis aboli vós
eles abolem

Na necessidade de se utilizarem. esses verbos na primeira pessoa do


singular, ou no presente do subjuntivo, é recomendado substituir por um
sinônimo não defectivo. Por exemplo: "É preciso que se ret'ogue", "É preciso
que se anule", pois não se pode usar que "se abula" (do verbo "abolir").
Da mesma forma, utilize "Para que se esgotem", evitando a construção
"exauram" (do verbo "exaurir").
94 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria 1Décio Terror Filho

12.12.2) Segundo grupo


Verbos que, no presente do indicativo, são cor'tiugados apenas na primeira
e na segunda pessoas do plural (nós, vós). Os verbos desse grupo não possuem
presente do subjuntivo e imperativo negativo. O imperativo afirmativo
limita-se à forma diretamente retirada do presente do indicativo.
É o caso dos verbos:
adequar aguerrir combalir comedir-se falir tom ir
foragir-se precaver reaver remir ressarcir ressequir

12.12.2.1) adequar, falir, precaver, reaver


presente do indicativo imperativo afirmativo
eu
tu
ele
nós adequamos, falimos, precavemos, reavemos
VÓS adequais, falis, precaveis, reaveis adequai, fali, precavei, reavei
eles

Veja a flexão de dois verbos que normalmente caem na prova:


12.12.2.2) precaver
Indicativo
presente pretérito pretérito mais· futuro futuro do pretérito
imperfeito
eu precavia precaverei precaveria
tu precavias precaverás precaverias
ele precavia precaverá precaveria
nós precavemos precavíamos precavemos precaveremos precaveríamos
VÓS precaveis precavíeis precavestes precavereis precaveríeis
eles precaviam precaveram precaverão precaveriam

Subjuntivo Imperativo
presente pretérito futuro afirmativo negativo
i
eu não
tu tu não tu
ele você não você
nós nós não nós
VÓS precavei VÓS não VÓS

eles vocês não vocês


Capítulo 11 Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 95

12.12.2.3) reaver
Indicativo
presente pretérito pretérito perfeito futuro futuro do
imperfeito pretérito
eu reavia reaverei reaveria
tu reavias reaverás reaverias
ele reavia reaverá reaveria
nós reavemos reavíamos reouvemos reaveremos reaveríamos
VÓS reaveis reavíeis reouvestes reavereis reaverieis
eles reaviam reouveram reaverão reaveriam

Subjuntivo ImperativO
presente pretérito imperfeito futuro afirmativo negativo
eu não
tu tu não tu
ele você não você
nós nós não nós
vós reavei VÓS não VÓS
eles V9CêS não vocês

a) Como dissemos anteriormente, na necessidade de .se utilizarem esses


verbos no presente do subjuntivo, por exemplo, é. recomendado substituí-
-los por um sinônimo não defectivo. Assim: ..
É necessário que se adapte. ( Não use adeque)
Para que eles se precatem, se acautelem, se previnam. (Não use precavejam
ou precavenham.)
Ele espera que eu recupere, resgate o dinheiro. (Não use reaveja)

b) Precaver não deriva de ver, nem de vir. Não existem as formas "precavejo,
precavo, precavenho". No pretérito perfeito do indicativo e tempos derivados,
comporta-se como verbo regular: precavi, precaveste, precaveu ...
Então, use: Ele se precaveu. (Não use precaviu ou precaveio)

c) Na prática, pode-se dizer que reaver é conjugado como haver, mas só


existe nas formas ein que o verbo haver apresenta "v". Observe com atenção
o pretérito perfeito do indicativo: reouve, reouveste, reouve, reouvemos,
reouvestes, reouvera1n.
Por isso, cuidado:
Eles reouveram a joia desaparecida. (Não use reaveram).
96 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho

12.13) locução verbal {uso de verbos auxiliares e principais)

12.13.1) A explicação abaixo foi extraída da gramática do renomado


professor Evanildo Bechara (edição de 2000). Ela resume de modo claro
tudo aquilo de que necessitamos para entender esse tópico.
A locução verbal é a combinação de um· verbo auxiliar com as formas
nominais infmitivo, gerúndio ou particípio, os quais são chamados de verbo
principal.
hei de amar estou amando tenho amado
verbo verbo verbo verbo verbo verbo
auxiliar principal .•. auxiliar principal auxiliar principal
(infinitivo) (gerúndio) (particípio)
locução verbal locúção verbal locução verbal

Muitas vezes o verbo auxiliar traduz um valor semântico ao verbo


principal dando origem aos chamados aspectos
.. • verbais.
. •' '

Entre o auxiliar e o verbo principal no infinitivo pode aparecer ou i1ão


uma preposição (de, em, por,a, para). :· ..~ · ·
Na locução verbal é somente o auxiliar que recebe as flexões de pessoa,
número, tempo e modo:
haveremos·fie tç_zer ·, estavam trabalhando · tinhas visto.
' Também pode oc.~~Ter 1 ~;n vát;i~s casos, a alternância da preposição
(começar a I de fazer)." · '·• .
Os verbos ser, estar, ficar combinam-se com o particípio (variável em
gênero e número) do verbo principal para constituir a voz passiva (de
ação, de estado e de mudança de estado):
O filho é amado pela mãe.
A empresa está prejudicada pelo empresário.
Os pássaros ficaram rodeados de predadores.
Às vezes a_ forma nominal particípio pode varia.r de acordo com o seu
verbo auxiliar. Quando o particípio tem sua terminação normal com o
sufixo "do", é chamado de particípio regular (matado, soltado). Quando
ele permite uma variação, é chamado. de particípio irregular (morto, solto).
Os particípios regulares são empregados nori1ulmente com os auxiliares
ter e lzaver; os particípios irregulares são normalmente empregados com os
auxiliares ser e estar:
OBrasil tem elegido deputados preguiçosos. Ele está eleito.
O professor havia imprimido bom ritmo de aula. A folha foi impressa.
Capítulo 1 I Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC
97

12.13.2) Veja um quadro com mais exemplos:

•i ~,; i~~i6!~:~, ;· ;· •· ~articípi~ · · ·


· · irregular ··
aceitar aceitado aceito
entregar entregado entregue
enxugar enxugado enxuto
expressar expressado expresso
expulsar expulsado expulso
findar findado findo
ganhar ganhado ganho
isentar isentado isento
limpar limpado limpo
matar matado _morto
salvar salvado salvo
secar secado seco
segurar segurado seguro
soltar soltado solto
acender acendido aceso
benzer benzido bento
eleger elegido eleito
morrer morrido morto
· prender prendido preso
suspender suspendido suspenso
emergir emergido emerso
expelir expelido expulso
exprimir exprimido expresso
extinguir extinguido extinto
imergir imergido imerso
imprimir imprimido impresso
inserir inserido inserto
omitir omitido omisso
submergir submergido submerso
(ter I haver) (ser/estar)

12.13.3) Na gramática de Evanildo Bechara, há ênfase nos verbos auxiliares


conhecidos como awrativos, os quais transmitem maior precisão temporaL
Eles combinam-se com o infinitivo ou gerúndio do verbo principal para
determinar com mais rigor os aspectos do momento da ação verbal que
não se acham bem definidos na divisão geral de tempo presente, passado e
futuro. Veja os principais:
Início de ação: começar a escrevet; pôr-se a escrever etc.
Iminência de ação: estar para (po1) escrevet; pegar a (de) escrever etc.
Continuidade de ação: continuar escrevendo, continuar a escrever etc.
98 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria J Décio Terror Filho

Desenvolvimento gradual de ação: estar a escrevet; andar escrevendo, vir


escrevendo, ir escrevendo etc.
Repetição de ação: tornar a escrever, costumar escrever (repetição habitual),
vem escrevendo (ação que se desenvolve do passado até o presente) etc.
Término de ação: acabar de escrever, cessar de escrever, deixar de escrever,
parar de escrever, vir de escrever (construção arcaica) etc. ...
(

12.13.4) São também conhecidos os auxiliares modais, os quais


se combinam com o infinitivo ou gerúndio do verbo principal para
determinar com mais rigor o modo como se realiza ou se deixa de realizar
a ação verbal:
Necessidade, obrigação, dever: haver de escrever, ter de(qtte) escrever,
dever escrever, precisar (de) escrever etc.
Possibilidade ou capacidade: poder escrever etc.
Vontade ou desejo (volitivo): querer escrever, desejar escrever, odiar escrever,
abominar escrever etc.
Tentativa ou esforço: buscar escrever, pretender escrever, tentar escrever, ousar
escrever, atrever-se a escrever etc.
Consecução: conse,q;rlir escrever, lograr escrever etc.
Aparência, dúvida: parecer escrever etc.
Intento futuro: ir escrever (voH escrever) etc.
Resultado: vir a escrever, che~~Çar a escrever etc.
12.13.5) Cuidado com os verbos cansativos e sensitivos. Conforme o
que foi visto no tópico 5.2.3, eles têm estrutura parecida com a locução
verbal, mas não são. Eles são verbos distintos.
Cansativos são os verbos deixar, mandar,fazer e sinônimos. São chamados
assim, porque naturalmente são a causa da outra ação verbal. Veja:
Jardel deixou seu filho sair à noite.
(Entendemos que o filho saiu porque'Jardel autorizou.)
Mandei assinarem o documento.
(Só assinaram porque mandei.)
Fizeram-me retornar ao ponto inicial.
(Só retornei porque me colocaram essa imposição.)
Capítulo 11 Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 99

Sensitivos são os verbos ver, ouvir, olhar, sentir e sinônimos. Pelo próprio
nome, entendemos que são aqueles que trabalham um dos aspectos sensitivo.s.
Ouvi chamarem Joaquim.
Senti forçarem a porta.
Vi as crianças saírem.
..
(

'
Resumindo, esses verbos cansativos e sensitivos não formam locução
verbal.
12.13.6) Correlação
Correlação é a combinação (articulação) entre determinados tempos e
modos verbais. Vimos as correlações básicas ao tratarmos do emprego dos
tempos:
pretérito imperfeito do indicativo, futuro do presente do
indicativo, futuro do pretérito do indicativo, presente do
subjuntivo, pretérito imperfeito do subjuntivo e futuro do
subjuntivo.
Es~e assunto é a terceira forma em que o verbo é càbfado nas provas Cla
Fundação Carlos Chagas. Por isso, veja o esquema a seguir: Listamos os mais
importantes em ordem de importânci'a nas provas.

Se tiver dinheiro, pagarei à vista.


Se houver pressão popular, as reformas sociais virão.

Para enfatizar a ação como próxima à certeza, pode-se substituir o futuro


do presente do indicativo pelo presente do indicativo:
Se tiver dinheiro, PMQ à vista.
Se houver pressão popular, as reformas sociais vêm.

A depender do contexto, cabe o imperativo no lugar do futuro do


presente e do presente do indicativo:
Se tiver dinheiro, PMJ1Jl. à vista.
Se houver pressão popular, faça as reformas sociais.
100 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho cap1

pr~

ob
est
v
Se ele quisesse. tudo seria diferente.
to Se pudesse, viveria em outro lugar.

Pode-se substituir o futuro do pretérito do indicativo pelo pretérito


imperfeito do indicativo, tanto na linguagem coloquial como na literária:
Se ele pudesse. largava tudo e ficava com ela.
"Se eu fosse você, eu voltava pra mim."

\i
Caso haia mais determina"çãO, ·o resultado poderá ser melhor.
Uma vez que se pense assim, a única saída será investir.

. Como falado ·anteiiormérú~, .. er11 determinados contextos, pode-se


substituir o futuro do pres'ente do -indic.ativo pelo presente do indicativo: 13
., .. · . .
Caso haja mais determinação, o resultado pode ser melhor.
Uma vez que se pense assim, a única saída li investir. be
qu
O mesmo ocorre com o imperativo: co
Caso haja mais problemas, seja cauteloso. do
Uma vez que o índice baixe. invista mais. ter
di f
En
sal

qu
O sol já despontavª quando a escola entrou na passarela. int
A torcida ainda acreditava no empate quando o time levou o segundo gol.
Capítulo 1 I Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 101

Essas são as correlações básicas e as n1.ais importantes para a


prova. Outras mais são encontradas e o candidato deve setnpre
observar o contexto para não haver prejuízo da coerência. Perceba
estas outras correlações.
Percebo que você estuda.
(presente do indicativo)
Percebi que você estudou.
(pretérito perfeito do indicativo)
Sugiro-lhe que leia o manual.
(presente do indicativo + presente do subjuntivo)
Sugeri-lhe que lesse o manual.
(pretérito perfeito do indicativo + pretérito imperfeito do subjuntivo)
Suponho que ela tenha participado da conversa.
(presente do indicativo + verbo auxiliar no presente do subjuntivo)
Supunha que ela tivesse participado da conversa.
(pretérito imperfeito do indicativo + verbo auxiliar no pretérito
imperfeito do subjuntivo)

13. Interpretação de texto


A banca Fundação Carlos Chagas trabalha a interpretação de uma forma
bem clara. Deve-se lembrar do seguinte: todo professor que propõe qualquer
questão de concurso tem que provar que a alternativa eleita por ele como
correta é a única resposta possível. Para isso, as bancas cobram dele tudo
documentado: os fundamentos, prováveis recursos, índice de dificuldade,
tempo aproximado de resolução. Com a interpretação de texto, não há
diferença. Interpretar não é algo subjetivo, como muitos têm dito por aí.
Entender o texto tem sua lógica, seu princípio norteador, e a banca FCC
sabe cobrar isso como ninguém.
Assim, quem monta a questão de interpretação tem que provar no texto
qual alternativa é a correta. Por isso, não podemos resolver questões de
interpretação somente no achismo. Temos que provar que nossa alternativa
é a correta, com fundamento no texto.
102 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria 1Décio Terror Filho

É importante notarmos que, dentro de um texto, há informações


implícitas e explícitas. É mais fácil o concursando encontrar as informações í

explícitas, por isso basicamente a banca FCC explora o outro tipo de


t'
informação: o implícito- o autor não mostra claramente, mas a interpretação
bem feita alcança essa informação.
Toda informação implícita do texto é "carregada" de vestígios. Como
em uma investigação, o criminoso não está explícito, mas ele existe. Um bom
investigador é um excelente leitor de vestígios. Os vestígios podem ser: uma
palavra irônica, as características do ambiente e do personagem, a época
em que o texto foi escrito ou aquela a que o texto se refere, o vocabulário
do autor, o rodapé do texto, as figuras de linguagem, o uso da primeira ou
terceira pessoa verbal etc. Tudo isso pode indicar a intenção do autor ao
escrever o texto, daí se tira o vestígio que nos leva à boà interpretação.
Outro ponto que devemos entender é que, quando se interpreta um
texto para realizar um concurso, temos, na realidade, duas interpretações
a serem feitas. A primeira é a compreensão do texto em si, entender
as expressões ali colocadas, tirar conclusões, compreender as entrelinhas, o
contexto; a outra é a compreensão do pedido da questão.
Às vezes até compreendemos bem o texto, mas não entendemos o pedido
da questão.

Conteúdo
da
questão

Interpretação
do
texto

Portanto, devemos comparar dois textos: o propriamente dito e o


enunciado da questão. Após isso, devemos confrontá-los e julgar se possüem
ideias semelhantes ou não. Isso é a interpretação.
Capítulo 11 Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 103

13.1) Como vimos, em um texto podemos encontrar os dados explícitos, isto é, aquilo
í
que o pedido da questão informou é encontrado literalmente no texto. Didaticamente,
t
' representamos os dados explícitos-com o sinal "xxx":

Texto:
Questão
XXX
~ r...... .,..,.,
XXX

! dados explícitos I
Este é o tipo de questão mais simples e o veremos algumas vezes na
resolução das provas.

13.2) Outro tipo de interpretação ocorre com dados implícitos:

Texto:

Questão:
........ =XXX

Asoma dos vestígios (. ..) gera o dado implícito


(xxx).

Neste tipo de interpretação, a questão não possui literalmente o mesmo


trecho do texto. Nela há um entendimento, uma conclusão (xxx), a qual
podemos chamar de inferência, com base nos vestígios (.,._,_,_), que são os
vocábulos no texto. Para saber se a questão está correta, basta confrontar
esses dois textos e observar se há semelhança de sentido.

13.3) As questões da Fundação Carlos Chagas têm uma tendência: elas podem ser
localizadas (voltadas só para um determinado trecho do texto) ou referir-se ao conjunto,
às ideias gerais do texto. No primeiro caso, leia não apenas o trecho referido, mas
todo o parágrafo em que ele se situa. lembre-se: quanto mais você lê, mais entende o
texto. Tudo é uma questão de costume, e você vai se acostumar a agir dessa forma.
Capí
104 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho

2.
13.4) Muitas vezes, nas alternativas das questões, vemos expressões categóricas
que eliminam a possibilidade de semelhança no sentido. Por exemplo:

Podemos dizer que o Brasil vem crescendo economicamente e que o brasileiro


está melhorando sua qualidade de vida e aumentando seu poder de compra. Mas 3.
isso não quer dizer que todo brasileiro aumentou seu poder de compra. Por
isso, chamamos de palavra categórica aquela que especifica demais ou amplia
demais o universo a que se refere o termo. Perceba que a palavra "todo" ampliou
4.
muito (todo brasileiro aumentou seu poder de compra) um referente tomado de
maneira geral (o brasileiro aumentou seu poder de compra).
Assim, palavras como só, somente, apenas, nunca, sempre, ninguém, tudo,
nada etc. têm papel importante nas afirmativas das questões. Essas palavras
categóricas não admitem outra interpretação e normalmente estão nas
questões para que o candidato as visualize como erradas.
Vale lembrar que essas palavras categóricas são encontradas nos diversos 5
tipos de interpretação (literal ou implícita). Vamos exercitar tomando como
exei11plo a segu~J1te frase: ' .
Épreciso construir mís!:Ieis nucleares para defender o Ocidente de ataques de
extremistas.
E

Marque (C) parl!-·infor~ação de.. possível inferência do texto e (E) como informação
equivocada do texto. •.. · ·
1. O Ocidente necessita construir mísseis.
2. Há uma fínalidad_e de defesa contra ataques de extremistas.
3. Os mísseis atuais não são suficientes para conter os ataques de extremistas.
4. Uma guerra de mísseis vai destruir o mundo inteiro e não apenas os extremistas.
5. ) A ação dos diplomatas com os extremistas é o único meio real de dissuadi-/os de um
ataque ao Ocidente.
6. Todo o Oriente está contra o Ocidente.
7. O Ocidente está sempre sofrendo invasões do Oriente. .
8. ) Mísseis nuéleáres são a melhor saída para qualquer situaÇão bélica.
9. Os extremistas não têm bom relacionamento com o Ocidente.
10. ( O Ocidente aguarda estático um ataque do Oriente.

Vamos às respostas com base nos vestígios!

1. (C) O Ocidente 11ecessita construir mísseis.


(Inferência certa, pois o vestígio é" É preciso")
Capítulo 1 I Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 105

2. (C) Há umaji11alidade de difesa contra o ataque de extremistas.


(Inferência certa, pois o vestígio é a oração subordinada adverbial de
finalidade "para difender o Ocidmte de ataqrw de extremistas".)

3. (E)' Os mísseis atuais 11ão são srificientes para conter o ataque de extremistas.
(Inferência errada, pois não há evidência no texto de que já haja
mísseis construídos no Ocidente.)

4. (E) Uma guerra de mísseis vai destruir o muudo itlteiro e não apenas os
extremistas.
(Inferência errada, pois a expressão "destruir o mundo inteiro" é uma
suposição com base em expressão categórica. Não há certeza de que
os mísseis destruirão por completo o mundo, mas é certo que vão
abalar o mundo inteiro.)

5. (E) A ação dos diplomatas com os extremistas é o tínico meio real de dissuadi-
-los de um ataque ao Ocidente.
(Inferência errada, pois novamente há expressão categórica e pode
haver outros meios, outras negociações, não só pelos diplomatas.)

6. (E) Todo o Oriente está contra o OCidente.


(Inferência errada, pois novamente há expressão categórica. Não se
sabe se todo o Oriente está contra o Ocidente. O texto refere-se
apenas aos extremistas.)

7. (E) O Ocidente está sempre sofrendo invasões do Oriente.


(Inferência errada, pois novamente há expressão categórica:"sempre".
Além disso, houve uma palavra que extrapolou o texto: "invasões".
Não foi afirmado no texto que o Ocidente já tenha sofrido invasões
do Oriente.)

8. (E) Mísseis nucleares são a melhor saída para qualquer situação bélica.
(Consideração sem fundamento no texto.Veja as palavras categóricas.)

9. (C) Os extremistas não têm bom relacionamento com o Ocidente.


(Inferência possível, pois é vista a preocupação de possível ataque.)

10. (E) O Ocidente aguarda estático um ataque do Orie11te.


(Consideração sem fundamento no texto.)
106 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria 1 Décio Terror Filho

Quando realizamos as questões de interpretação, vemos muitas dessas


expressões categóricas ou palavras que extrapolam o conteúdo do texto.
Normalmente, já consideramos as questões erradas já na primeira leitura,
por estarem bem fora do contexto. Mas, logicamente, sempre devemos voltar
ao texto para confmnar. Aí vem o "burilamento". Deve-se ter paciência
para encontrar os vestígios que comprovem as respostas erradas e a correta.

TRATAMENTO DE CHOQUE
A rifrigeração é uma questão delicada para osfruticultores.As baixas temperaturas,
ao mesmo tempo em que são necessárias à conservação das frutas, tambénz podem
causar danos ao produto, se a exposição ao frio for prolongada. Essa contradição,
entretanto, está com os dias contados. É o que promete um novo método desenvolvido
por pesquisadores do Laboratório de Fisiologia e Bioquímica Pós-Colheita da Esalq
-Escola Superior de Agriwltura Luiz de Queiroz.
O processo, chamado de condicionamento térmico, consiste em mergulhar o fruto
em água quente antes de rifrigerá-lo. "O frio Jaz com que a fruta fique vulnerável
à ação de substâncias que deterioram a casca, ;nas o uso da água quente ativa seu
sistema de difesa", afirma o pesquisador Ricardo Kluge.
A temperatura da água e a duração do mergulho variam para cada espécie, mas,
em média, as frutas são mantidas em 52 grcÍus por poucos minutos. Em alguns casos,
o tratamento aumenta a conservação em até 50% do tempo; se um produto durava
40 dias em ambiente frio, pode passar a durar 60.
Resistência.A Esalq também desenvolveu um outro tipo de tratamento, o "aquecimento
intermitente". Essa técnica consiste em pôr a fruta em ambiente r~(rigerado e, depois de
dez dias, deixá-la em temperatura ambiente por 24 horas, para então devolvê-la à câmara
fria. "Isso faz com que o produto crie resistência ao frio e não seja danijicado", afirma
Ricardo Kluge. Para o produtor de pêssegos VValdir Parise, isso será muito válido, pois
melhora a qualidade final do produto. Ele acredita que a /lava técnica aumentará o valor
da fruta no mercado. "Acho que facilitará bastante nossa vida."
De acordo com o pesquisador Kluge, o grande desC!fio é fazer com que essa
novidade passe a ser usada pelo produtor. "No começo é difícil, pois muitos
aprese11tam resistência às novidades", diz. Neste ano, os pesquisadores trabalharão
mais próximos dos agricultores, tentando ensinar-lhes a técnica. "Acho que daqui a
três anos ela será mais usada". O Chile já usa o método nas ameixas.
As Jmtas tropicais devem ser as mais abordadas pelo estudo, pois não apresetÍtam
resistência natural às baixas temperaturas. A pesquisa testou o método só no limiio
taiti, na laranja valência e 110 pêsse,~o dourado-2.
(L11is Rt>berto 7.!1/cdo e Cn/os G11tierrez. Revista Globo R11ral- iHarço/2006)
Capítulo 11 Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 107

13.5) Todo texto veicula um assunto, que é especificado pela visão do autor, a qual
chamamos de tema. Otema é a ideia principal do texto, é o resumo do conteúdo central
em uma palavra ou expressão. Poderíamos sugerir como tema deste texto a expressão
"Conservação de frutas".

Esse resumo pode ser expresso no título, e isso já nos ajuda muito na
interpretação do texto. Quando alguém realiza a leitura de um texto para
interpretá-lo e não se lembra do título ou não entendeu seu emprego, isso
é sinal de que não o interpretou bem, pois o título nos induz ao caminho
principal das ideias do autor, ou pelo menos sugere.
O título deste texto ("Tratamento de Choque") nos sinaliza técnicas de
conservação das frutas.

13.6) Muitas vezes o posicionamento do autor é expresso numa frase, a qual chamamos
de tese ou tópico frasal. Essa tese normalmente é expressa na introdução do texto,
mas pode aparecer também no seu final, na conclusão. No caso deste texto a tese é: "A
refrigeração é uma questão delicada para os fruticultores."

Assim, entre a refrigeração e os fruticultores, há uma questão delicada,


que será explicada err1. seguida: as baixas temperaturas ~o necessárias à
conservação das frutas (utiliúção benéfica), mas tan1bén1 pode causar danos
(utilização maléfica). Tudo vai depeüder do mo pelo fruticultor.

13.7) Oparágrafo de introdução (apresentação, generalização)

No texto ora lido, perceba que a primeira frase "A rifrigeraçào é uma
questão delicada para os fruticultores." é a tese, o tópico frasal. Esta frase nos
mostra que o assunto a ser tratado no texto impõe contrastes.
Em seguida, ainda neste primeiro parágrafo, há uma explicação de a
refrigeração ser interpretada como questão delicada para os fruticultores:
as baixas temperaturas são necessárias, mas podem causar danos. Em
seguida, é sugerido um método possível para solucionar o problema (final
do primeiro parágrafo). Dessa forma, o autor introduziu o texto, gerando
uma expectativa em sua leitura, o leitor vê necessidade de continuar lendo
o texto para entender o método, o qual é desenvolvido e explicado nos
parágrafos seguintes.
Assim, podemos entender que o parágrafo de introdução sinaliza de
maneira geral sobre o que o texto tratará.
r
I

108 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho

13.8) Os parágrafos de desenvolvimento (análise, especificação)


Nesta parte do texto, o leitor observa que há uma ampliação dos de
argumentos iniciados na introdução. Agora, é hora de provar o que fora dito pt
anteriormente. CC
pt
Para tanto, o autor pode se valer de procedimentos argumentativos,
a1
como contrastes ("!JJ.íll o uso da água qrte1lte ativa sw sistema de defesa",
c~
"mas, em média, as _{l-rifas são mal1tid,JS em 52 graus por poucos mitwtos."),
explicações ("O processo consiste em mergulhar o ji·uto em água quet1te antes de
C<
nifi·igerá-lo", "Essa téwica co11siste em pâr a Ji'u ta em ambíw te r~fi'igerado", "pois
melhora a qualidade _fi11al do prodrito."), conformidade ou argutnento de
is:
autoridade ("É o que promete um 1101'0 método desenvolvido por pesquisadores
do Laboratório de Fisiologia e Bioquímica Pós-Colheita da Esalq- Escola Superior
te
de Agricultura Luiz de Queiroz", '\!firma o pesquisador Ricardo Kluge", "Para o
produtor de pêssegos Vilaldír Parise,", causa/consequência ("O frio faz com
que a fruta ,fique V!{lnerável", "o u~o da á_yua quente ativa seu sistema de dç{esa"), O!

dado estatístico ou -estimativa ('' ,w111e11ta a conservação em até 50%. do


tempo'') etc. ·· · ·
O importante é perceber que,. nos parágrafos de desenvolvimento, são
.feitas as análises para provar o que foi af~rn').ado na introdução do texto.

13.9) Oparágrafo de conclus;!o (fechamento, confirmação}


Aqui, podemos perceber que, após toda a argumentação nos parágrafos
de desenvolvimento, o autor chega a uma conclusão que confirma o
que foi dito na introdução: ao afirmar que "As frutas tropicais devem ser e1
as mais abordadas pelo estudo, pois não <1presentam resistê11da natural às baixas CI

temperaturas.", o autor confirmou a importância da informação veiculada te


na tese: a de que a "refrigeração é uma questão delicada para os fruticultores". o
. Assim, os dados ~l~ncados n~s parágrafos de desenvolvimento servem para
convencer o leitor sobre a opinião do autor, expressa pela tese do texto, a .fi
qual será ratificada (confirmada) no parágrafo de conclusão. É como se ele 1!
dissesse informalmente ao leitor:
"Está vendo, leitor, como foi importa11te o meu discurso inicial? Com isso, o
devemos realizar tais ações... ou prestar atenção em tais aspectos ... ou nos 11
mover a evitar tais problemas... e assim por diante".
h
Capítulo 11 Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 109

14. Relações de causa e consequência entre as partes de um texto


A relação de causa e consequência entre as partes de um texto é chamada
de relação de causalidade e tem sido cobrada insistentemente nas diversas
provas :da banca Fundação Carlos Chagas. Tal tipo de questão é cobrada
como fundamento da interpretação de texto, sintaxe da oração, sintaxe do
período e valor semântico das conjunções. Assim, quando o edital previr
algum desses assuntos, naturalmente a banca pode cobrar a relação de
causalidade.
Para aprofundarmos nessa estrutura, é importante entendermos o que é
causa e o que é consequência.
Causa é aquilo que faz com que uma coisa exista, é a sua origem, por
isso ocorre temporalmente antes.
Consequência é o resultado, o efeito, de uma ação, por isso ocorre
temporalmente depois.
Um fato pode ser em relação a outro a causa ou a consequência. Observe
os fatos seguintes e a relação existente entre eles.
·M«Úor)iscalização da"leí seca':
,,, i/"-,,, '','' '<'' ,''

Em nosso esquema acima, veja que o fato de haver uma maior fiscalização
em relação ao uso de álcool na condução de veículo é a causa e isso faz
com que os motoristas não bebam ao dirigir. Assim, naturalmente, há uma
tendência de diminuição de acidentes de trânsito. Esta é a consequência,
o resultado, o efeito.
Partindo-se do ponto de vista da fiscalização, vimos que o f.1to Maior
fiscalização da "Lei Seca" gerou a consequência Dimi11uição dos acidentes de
trânsito.
Mas também podemos partir da consequência. Se constatarmos que há
o fato da Diminuição dos acide11tes de trâ11Sito, entendemos que sua causa é a
Maior .fiscalização da "Lei Seca".
Sempre que houver uma estrutura linguística com causa, obrigatoriamente
haverá outro elemento linguístico com a consequência.
.,,
i
110 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria 1Décio Terror Filho

Vamos às formas como aparecem no texto:

14.1 I Adjuntos adverbiais de causa. Os adjuntos adverbiais de causa são precedidos


das preposições a seguir:

a: Ela acordou aos gritos das crianças.


Jurema voltou a pedido dos amigos.
ante: Ante os protestos, recuou da decisão.
com: Assustei-me com o trovão.
Muita gente ficou pobre com a inflação.
de: Aquele pedinte morreu de fome.
Tremi de medo.
Chorar de saudade.
devido a: Encontrou seu futuro, devido a muito esforço.
diante de: Diante de tais ofertas, não pude deixar de comprar.
em consequência de, em virtude de, em face de:
Em consequência de seu estudo eficaz, passou em primeiro lugar.
Em virtude de muitas vaias, o show foi interrompido.
O que o salvou, em face do perigo, foi sua habitual calma. (em virtude de)

face a: Face a tantos perigos, resolveu voltar.


graças a: Graças ao estudo, passou no concurso.
por: Encontrei Carla por uma coincidência.
Ele foi preso por vadiagem.
Esta preposição também pode ser entendida como em favor de: morrer
pela pátria; lutar pela liberdade; falar pelo réu. Não deixa de possuir valor
causal.

Observação: Nas frà"s'es acima, o termo em negrito é o adjunto adverbial


de causa e a expressão que não está em negrito é a consequência.

14.2) Orações subordinativas adverbiais causais. Outra estrutura comumente vista


como causa é a oração subordinada adverbial causal, iniciada pelas conjunções porque,
pois, que, como (quando a oração adverbial estiver antecipada), já que, visto que, desde
que, uma vez que, porquanto, na medida em que etc.
Capítulo 11 Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 111

Veja alguns exemplos:


A mulher gritou porque teve medo.
ocorreu depois: consequência ocorreu antes: causa

Como fazia frio, fechou as janelas.


ocorreu antes: causa ocorreu depois: consequência

Já que me pediram, vou continuar.


ocorreu antes: causa ocorreu depois: consequência

Uma vez que desfruta de bons pensamentos, realiza boas atitudes.


ocorreu antes: causa ocorreu depois: consequência

A conjunção se também pode transmitir valor de causa a orações que


funcionam como base ou ponto de partida de um raciocínio, em construções
como:
Se o estudo é o pri11cípio do cottwrseiro, é imprescindível a organização de
seu material didático.
As orações subordinadas podem ser divididas também em dois tipos:
desenvolvidas (aquelas que possuem conjunção e verbos conjugados em
modos e tempos verbais);
J2 candidato passou no concur~ J}Orque se esforçou no estudg,
--....----------- -v-
oração principal oração ~u.b2rdinada
adverbial causal
(desenvolvida)
reduzidas (aquelas que perdem a conjunção, por isso os verbos passam a
uma das formas nominais:-gerúndio, infinitivo e particípio):
Ocandidato passou no concurso, _por se esforçar no estud9.
y
oração principal oração subordinada adverbial causal
(reduzida de infinitivo)

14.3) Orações subordinativas adverbiais consecutivas. Há conjunções ou locuções


conjuntivas que expressam a consequência. Nesta relação causa-consequência, o
processo verbal da consequência ocorre temporalmente depois da causa,- e suas
conjunções exprimem um efeito, um resultado e aparecem de duas formas:

I - conjunção que precedida de tal, tão, tanto, tamanho:


Fazia tanto frio fl1@. meus dedos congelavam.
ocorreu antes: causa ocorreu depois: consequência

Tal foi seu entusiasmo fl1@. todos o seguiram.


ocorreu antes: causa ocorreu depois: consequência
r
112 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho Capítl

Nesta estrutura, os intensit!cadores tal, tamanho, tão, tanto podem ficar


subentendidos.
Bebia que caía pelas ruas. (bebia tanto.. .)
causa ocorreu depois: consequência en1
"e'
II - locuções conjuntivas de ma11eira que, de jeito q11e, de ordem que, de sorte
tan
que, de modo q11e etc.
Ontem estive doente, de sorte que não pude ír ao trabalho.
ocorreu antes: causa ocorreu depois: consequéncia

'fls notícias de casa eram boas, de maneira que pude prolongar minha viagem."
ocorreu antes: causa ocorreu depois: consequência

III -locução conjuntiva sem que, e a conjunção que, seguida de negação.


Lúcia não pode ver uma roupa bonita na vitrine sem que a queira comprar.
Lúcia não pode ver uma roupa bonita na vitrine, que não a queira comprar.
Perceba que, na primeira estrutura, a preposição sem tem valor de negação;
na segunda, sua ausência é substituídapelo advérbio de negação "uão".

14.4) Orações coordenadas conclusivas. Elas são muito utilizadas em textos


. disserta ti vos, como resultado de um fato originário, fechamento de argumento conclusivo
e dedução. A oração conclusiva pode também ser entendida como consequência numa
relação de causalidade. · · . .·

As principais cónjunções são:


logo, portanto, por conseguinte, pois (colocada depois do verbo),
por isso; então, assim, em vista disso.
Ex.: Ele se manteve organizado, logo teve êxito nas tarefas.
ocorreu antes: causa ocorreú depois: conclusão, consequência

O Brasil vem exportando muito, portanto está crescendo economicamente.


ocorreu antes: causa ocorreu depois: conclusão, conseqiJência

Joaquim trabalhou duro; terminou. pois. sua casa próoria.


ocorreu antes: causa ocorreu depois: conclusão, consequência

Realizamos muitos exercícios, por conseguinte a prova foi fácil.


ocorreu antes: causa ocorreu depois: conclusão, consequencia

OutrO fato relevante para as provas é notarmos que algumas vezes este
tipo de oração encontra-se com verbo no gerúndio e sem conjunção.Assim,
ocorre a oração reduzida de gerúndio. Veja:
Capítulo 11 Esquemas do conteúdo programático cobrado pela FCC 113

O Brasil exportou mais em 2010, contitwando sua trajetória eco11Ômica


ascensio11al.
As questões pedem muitas vezes para transformar essa oração reduzida
em desenvolvida, com as conjunções conclusivas ou até com a conjunção
"e" (v.t 3.8). Neste caso, esta conjunção, além de ter valor adicional, terá
também o de conclusão. Veja:
O Brasil exportou mais em 2010, portanto continua sua trajetória econômica
ascensional.
O Brasil exportou mais em 2010; logo, continua sua trajetória econômica
ascensional.
O Brasil exportou mais em 2010, e continua sua trajetória ecónômica
ascensional.

14.5) Substantivos com valor causal: causa, motivo, razão, explicação, pretexto,
base, fundamento, gênese, origem, o porquê etc.
"O estudo metódico é a causa da aprovação dela."
- "O motivo de sua alegria foi a promoção a gerente."

14.6) Verbos com valor causal: causar, gerar, acarretar, originar, provocar, motivar,
permitir, fazer~ implicar etc.
"O estudo metódico implicou a aprovação dela."
"A promoção a gerente motivou grande alegria."

14.7) Substantivos ou adjetivos com valor de consequênca: efeito, produto,


decorrência, fruto, reflexo, desfecho, desenlace, consequência, decorrente etc.
"A aprovação dela foi consequência do estudo metódico."
"A sua alegria é decorrente da promoção a gerente."

14.8) Verbos com valor de consequênca: derivar de, vir de, resultar de, ser resultado
de, ter origem em, decorrer de, provir de etc.
"A aprovação dela decorreu de um estudo metódico."
"A grande alegria resultou de sua promoção a gerente."
114
115

CAPÍTULO 2
Prova 1
Tribunal Regional do Trabalho 8ª Região- 201 O-
Analista Judiciário - Área Judiciária .

Atenção: As questões de números 1 a 3 referem-se ao texto abaixo.

Os filhos dos japoneses davam um duro danado, em poucos anos tinham feito
muitas coisas, trabalho de 11111 séwlo. Na roça deles tinha tudo ... Entra~am tia Agt~~
e cortavam a juta, era111 corajosos e disciplinados:
. Vi vários deles, magros e tristes, na ilha das Ciganas, en1 Sarawra, Ara ri, Itaboraí,
e até 110 Paraná do Limão. C(jrtavam juta com. 11n1 terçado, secavam as .fibras num
varal e depois as carregavam para. a propriedade, onde eram prensadas e ettf;lrdadas; a
maioria dos etnpre,~ados Ínorava em case!Jfes espalhados em redor de Okayama Ken;
quando adoeciam, eram tratados por 11111 dos poucos médicos de Parintíns, que uma
vez por semana visitava os trabalhadores da propriedade.
(Cinzas do Norte. Milton HatOI/111. sao Pattlo: C ia. das Letras. 2005, p. 71' com adaptações)

1. Está INCORRETO o que se afirma em:


a) Segundo o narrador, os trabalhadores da propriedade em questão tinham acesso
precário à saúde.
b) O narrador deixa claro que admira os filhos dos imigrantes japoneses por trabalharem
com afinco e eficiência.
c) A cultura da juta constitui um trabalho pesado, que envolve várias etapas de produção.
d) No local descrito no texto, os trabalhadores são apresentados como pessoas de baixo
poder econômico, embora com acesso aos meios de subsistência.
e) Atristeza dos trabalhadores famélicos retratados no texto desperta emoções negativas
com relação a eles no narrador do texto.
r
116 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho

Comentário: Note que foi pedida a informação errada em relação ao texto. Assim, devemos
comparar as afirmações de cada alternativa e confrontar com os vestígios deixados no texto
(v.t. 13.2).
A alternativa (A) está correta, pois a expressão final do texto ("quando adoeciam, eram
tratados por um dos poucos médicos de Parintins, que uma vez por semana visitava os
trabalhadores da propriedade.'') confirma que os trabalhadores tinham acesso precário à
saúde.
A alternativa (B) está correta, pois a expressão "eram corajosos e disciplinados" confirma
que o narrador admira os filhos dos imigrantes japoneses.
A alternativa (C) está correta e a expressão "Cortavam juta com um terça do, secavam
as fibras num varal e depois as carregavam para a propriedade, onde eram prensadas e
enfardadas" nos mostra que a cultura da juta realmente constitui um trabalho pesado, com
vã rias etapas de produção.
A alternativa (D) está correta. Veja as expressões entre parênteses que confirmam isso:
No local descrito no texto, os trabalhadores são apresentados como pessoas de baixo
poder econômico ("a maioria dos empregados morava em casebres", "magros e tristes"),
embora com acesso aos meios de subs{stência ("Na roça deles tinha tudo ... ").
A alternativa (E) é a érrad~·. bs trabalhadores transpareciam tristeza ("magros e tristes"),
mas não eram "famélicos" (= famin.tos), pois o texto mostra que eles tinham um meio de
subsistência(" Na roça deles'iinha tudo... "). Além disso, o narrador demonstrou uma admiração
·por eles ("eram corajosos e q(~ciplinados''), e não uma emoção negativa.

Gaba!ito: E

2. Os filhos dos japoneses em poucos anos tinham feito o trabalho de um século.


Entravam na água e cortavam a juta, eram corajosos e disciplinados.
O período acima está reescrito com correção, mantendo o sentido original, em:
a) Corajosos e disciplinados, os filhos dos japoneses entravam na água e cortavam a juta,
e em poucos anos tinham feito o trabalho de um século.
b) Os filhos dos japoneses corajosos e disciplinados, em poucos anos tinham feito o
trabalho de um sécul~, entravam na água e cortavam a juta.
c) Entravam na água e cortavam a juta, os filhos dos japoneses corajosos e disciplinados
e em poucos anos tinham feito o trabalho de um século.
d) Os filhos dos japoneses, entravam na água, cortavam a juta, eram corajosos,
disciplinados e tem feito o trabalho de um século em poucos anos.
e) Os filhos dos japoneses corajosos e disciplinados entravam na água e cortavam a juta,
tinha sido feito o trabalho de um século em poucos anos.
Capítulo 21 Prova 1 -Tribunal Regional do Trabalho 8' Região- 2010-
Analista Judiciário- Área Judiciária ' 117

Comentário: Para resolver a questão, veja o trecho original abaixo, com destaque para as
partes numeradas, Assim, fica mais fácil perceber o sentido.
Os fi.lhos dos japoneses em poucos anos tinham feito o trabalho de um século'. Entravam
na água e cortavam a iuta~ eram corajosos e disciplinados 3•
A alternativa (A) é a correta. Perceba a numeração que confirma que a semântica foi
preservada. Poderíamos ficar na dúvida quanto à vírgula antes da conjunção "e". Porém, note
que essa conjunção já está presente anteriormente, Além disso, essa conjunção agrega valor
conclusivo, não só de adição. Por tudo isso, pode haver vírgula antes do segundo "e" (v.t. 8.7.4).
Confira:
Corajosos e disciplinados~ os filhos dos japoneses entravam na água e cortavam a juta~
e em poucos anos tinham feito o trabalho de um século'.
A alternativa (B) está errada, pois a expressão "corajosos e disciplinados" não está
separada por vírgulas, passando a transmitir valor de restrição (somente os filhos dos japoneses
corajosos e disciplinados). Isso prejudica a coerência com o texto. Além disso, perceba que o
adjunto adverbial "em poucos anos" está intercalado. Por ser de pequena extensão, esse termo
pode ficar entre vírgulas ou sem nenhuma vírgula, mas nunca com apenas uma (v.t. 8.1.4).
Confira:
Os filhos dos japoneses corajosos e disciplinados 3, em poucos anos tinham feito o trabalho
de um século', entravam na água e cortavam a juta 1•
Na alternativa (C), há vírgula entre sujeito e predicado, por isso a vírgula após "juta" deve
ser retirada (v.t. 1.2; 8.4). Além disso, o termo "corajosos e disciplinados" deve ficar entre
vírgulas, por ser aposto explicativo (v.t. 8.2.1). Confira:
Entravam na água e cortavam a juta, os filhos dos japoneseS' corajosos e disciplinados 3 e
em poucos anos tinham feito o trabalho de um século'.
Na alternativa (D), há vírgula entre sujeito e predicado. Assim, a vírgula após "japoneses"
deve ser retirada. A est.rutura "e tem feito" está gramaticalmente errada, pois está em tempo
verbal diferente do original (tinha feito). Além disso, deveria se flexionar no plural, pois se
refere ao termo "filhos dos japoneses". Confira:
Os filhos dos japoneses, entravam na água, cortavam a juta 1, eram corajosos, disciplinados 3
e tem feito o trabalho de um século em poucos anos'.
Na alternativa (E), além de o termo "corajosos e disciplinados" dever estar entre vírgulas,
a locução verbal da voz passiva "tinha sido feito" causa incoerência e não transmite o sentido
original. Confira:
Os filhos dos japoneses corajosos e disciplinados 3 entravam na água e cortavam a juta 2,
tinha sido feito o trabalho de um século em poucos anos'.

Gabarito: A
118 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria 1Décio Terror Filho

3. ... secavam as fibras num varal e {... )as carregavam para a propriedade, onde eram
prensadas i enfardadas...
Invertendo-se as vozes passiva e ativa da frase acima, a frase correta resultante será:
a) As fibras eram secadas num varal e carregadas para a propriedade, onde a prensava e
enfardava.
b) As fibras secavam num varal e eram carregadas para a propriedade, onde lhes
prensavam e enfardavam.
c) As fibras eram secas num varal e carregadas para a propriedade, onde as prensavam e
enfardavam.
d) As fibras secaram num varal e foram carregadas para a propriedade, onde lhes
prensavam e enfardavam.
e) As fibras ficavam secando num varal e lhes carregavam para a propriedade, onde as
prensavam e enfardavam.

Comentário: Note que as duas primeiras orações estão na voz ativa, e as duas últimas estão
na voz passiva (v.t. 2.1; 2.2).
Nas duas primeiras orações, as expressões "as fibras" e "as" são o objeto direto e o
sujeito está subentendido (os trabalhadores). Como os verbos estão no pretérito imperfeito
do indicativo (secavam, carregavam), basta inserir o verbo "ser" neste mesmo tempo verbal
e transformar esses verbos em particípios. Mas perceba que o verbo "secar" é abundante
(v.t. 12.13.2), então, na presença do verbo "ser", ele se flexiona no particípio irregular "secas":
. Voz ativa:
... secavam as fibras num varal e(...) as carregavam para a propriedade
Voz passiva analítica:
... as fibras eram secas num varal e carregadas para a propriedade
As outras orações estão na voz passiva. Basta fazer o inverso agora: retirar o verbo "ser" e
transformar o particípio no mesmo tempo verbal que o verbo "eram" (pretérito imperfeito do
indicativo). Note que as locuções verbais "eram prensadas e enfardadas' estão no plural para
concordar com "fibras'. O agente da passiva não está explícito, mas podemos subentender
"os trabalhadores" como agentes. Por isso, na transformação para a voz ativa, os verbos
continuarão no plural para concordar com "trabalhadores". Assim:
Voz passiva analítica:
... onde eram prensadas e enfardadas...
Voz ativa:
... onde as prensavam e enfardavam ...
Note que foi inserido o pronome "as" como objeto direto, o qual retoma "as fibras". Assim,
a alternativa correta é a (C).
....... ,..~ ....... - I • •"" w ... • • ' ,..., ..... ~, • '"'~'""'"'"'' ........ • ' .................. • ,..,~,....... _.., ' ...

Analista Judiciário- Área Judiciária 119

Você poderia ter ficado na dúvida na alternativa (A), mas veja que nela o particípio inserido
é o regular (secadas), além de o objeto direto das últimas orações se flexionar no singular "a".
O correto é o plural "as".

Gabarito: C

Atenção: As questões de números 4 e 5 referem-se ao texto abaixo.


Quando eu me encontrava preso
Na cela de uma cadeia
Foi que vi pela primeira vez
As tais fotografias
Em que apareces inteira
Porém lá não estavas nua
E sim coberta de /IH Vens ...
Terra! Terra!
Por mais distante
O errmtte navegante
Quem jamais te esqueceria? ...

Caetano Veloso
{fnti?IIICiltO de "Terra"- ltttp: I /letras. terra. com/
caetauo ve/oso/447801)

4. Considere as afirmativas abaixo.


I. Ao transpor-se para a voz passiva o período constituído pelos versos Foi que vi pela
primeira vez I As tais fotografias, a forma verbal resultante é foram vistas.
11. Caso o verbo esquecer em Quem jamais te esqueceria?. .. tivesse sido empregado em
sua forma pronominal (esquecer-se), a regência verbal teria permanecido inalterada.
111. Na frase que constitui a segunda estrofe do fragmento transcrito, o verso Por mais
distante exerce a função sintática de adjunto adverbial.
Está correto o que se afirma APENAS em:
a) I.
b) 11.
c) 111.
d) I e 111.
e) 11 e 111.
120 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho

Comentário: Na frase I, perceba que o importante é destacar sujeito, verbo e objeto direto.
Assim:
... vi... as tais fotografias ...
Na transposição para a voz passiva, o objeto direto (as fotografias} vira sujeito paciente
e o sujeito agente (eu) vira agente da passiva. O verbo "vi" recebe o verbo "ser" no tempo
pretérito perfeito do indicativo (foram) para que fique liberado a se flexionar no particípio:
vistas (v.t. 2.2). Veja:
... as tais fotografias foram vistas por mim: ..
Como a questão pediu apenas o resultado verbal, a resposta é "foram vistas". Assim, a
frase I está correta.
Afrase li está errada, pois o verbo "esquecer" (sem pronome) é transitivo direto; mas, quando
recebe o pronome oblíquo, vira transitivo indireto com exigência da preposição "de". Veja:
Quem jamais te esqueceria?. ..
sujeito+ advérbio+ 00 + VTO

Quem jamais se esqueceria de ti?. ..


sujeito+ advérbio+ VTI OI

Note que este pronome "se" é chamado de parte integrante do verbo, por isso não tem
função sintática, e o verbo é chamado de pronominal.
A frase 111 está correta, pois a expressao "Por mais distante" exerce a função sintática de
·adjunto adverbial de concessão.
Portanto, a alternativa corretà é a (D).

Gabarito: D

5. Desconsiderada a sua organização em versos, a primeira estrofe da canção está


corretamente pontuada em:
a) Quando eu me encontrava preso na cela de uma cadeia, foi que vi, pela primeira vez, as
tais fotografias em que apareces: inteira. Porém, lá não estavas, nua e sim coberta de
nuvens ...
b) Quando eu me encontrava preso, na cela de uma cadeia foi que vi pela primeira vez, as tais
fotografias, em que apareces inteira: porém, lá não estavas nua, e sim coberta de nuvens ...
c) Quando eu me encontrava preso na cela de uma cadeia, foi que vi pela primeira vez as tais
fotografias em que apareces inteira. Porém, lá não estavas nua e, sim, coberta de nuvens ...
d) Quando eu me encontrava, preso na cela de uma cadeia, foi que vi pela primeira vez as
tais fotografias em que apareces inteira, porém: lá não estavas nua e sim coberta de
nuvens ...
e) Quando eu me encontrava preso na cela, de uma cadeia, foi que vi pela primeira vez as
tais fotografias em que apareces, inteira. Porém, lá, não estavas nua e sim, coberta de
nuvens ...
Capítulo 2J Prova 1- Tribunal Regional do Trabalho 8• Região- 2010-,
Anali.sta Judiciário- Área Judiciária 121

Comentário: Ao comentarmos a correta, por exclusão resolveremos as demais alternativas.


Veja:
Alterl')ativa (C): Quando eu me encontrava preso na cela de uma cadeia, foi que vi pela primeira
vez as tais fotografias em que apareces inteira. Porém, lá não estavas nua e, sim, coberta de
nuvens...
A primeira vírgula está correta, porque separa a oração subordinada adverbial temporal
"Quando eu me encontrava preso na cela de uma cadeia': que se encontra antecipada de sua
oração principal (v.t. 8.1.6). A expressão "pela primeira vez' é um adjunto adverbial de tempo
e está intercalado. Assim, pode ficar entre vírgulas ou sem nenhuma vírgula, pois pode ser
considerado de pequena extensão (v.t. 8.1.4).
A vírgula após "Porém" está correta, pois as únicas conjunções que admitem vírgula
posposta são as coordenadas adversativas (porém, contudo, todavia etc.) e conclusivas
(portanto, logo, por conseguinte etc.) (v.t. 8.8).
<&advérbio "sim" está intercalado, por isso se encontra entre vírgulas (v.t. 8.1.4).
A vírgula antes do "e" não estaria errada, pois isso enfatizaria um contraste (v.t. 8.7.7).

Gabarito: C

Atenção: As questões de números 6· a 11 referem-se ao texto abaixo.


Há uma rotina de ideias a que não escapa sequer o escritor original. Os grandes
temas, os temas universais, reduzem-se a uma contagem nos dedos - e quem escreve
ficção vai beber sempre na mesma aguada. Um ficcionista puxa outro. Dostoievski,
Faulk11e1; Kajka dfjlagraram muitos contemporâneos,graças à sua força extraordinária
de gravitação. Servem de impulso à primeira largada, seus modos de dizer e maneira
de ver e sentir o mundo deixam de ser propriedade privada, incorporam-se à literatura
como conquista de uma época, 11111 cotJdomínio em que as ideias se desligam eflutuam
soltas.
Fala-se cotm;mente em influências na obra deste ou daquele autor. O termo, com o
tempo, perdeu contomo pejoratit'O. Quem não tem influências, quem 11ão se abeberou
em alguém? Literatura é um (J/;ganismo vivo que não cessa de receber subsídios.
Felizes os que, contribuindo com essa coisa inquietante que é escrevet; revigoram-
-lhe o lastro. Eles se realizam em termos de criação artística e contribuem, com sua
experiência e suas descobertas, para que outros cheguem e deitem ali, também, o seu
fardo.
Stendhal itwetttou para o amor a teoria da cristalização que se poderia aplicar
à coisa literária. No fundo, as ideias são as mesmas, descrevem um cfrculo vicioso
122 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC-+ breve teoria 1 Décio Terror Filho

que o escritor preenche conscientemente, se acrescentar ao que já encontrou feito


uma dimensão pessoal. Criação espontânea, inspiração, musa? Provavelmente não
existem, pelo merzos na proporção em que os românticos quiseram valorizar as
manifestações do seu espírito. Escrever - e falo sempre em termos de criar - é
um exercício meticuloso em busca do amadurecimento; quem escreve retoma uma
experiência sedimentada, com o dever, que só a(quns eleitos cumprem, de alargá-la
dentro da perspectiva do homem e da época.
(Hélio Pólt~om.Graciliauo, Machado, Drummortd & Outros.
Rio de Janeiro: Francisco Alves, 197 5, pp. 37-38)

6. A ideia central do texto está corretamente reproduzida em:


a) Alguns temas, que são universais, tornam-se a matéria-prima de escritores, que
habitualmente se influenciam uns aos outros.
b) Obras que tratam de alguns temas, abordados sob influência explícita de outros
autores, nem sempre apresentam verdadeiro valor literário.
c) Poucos escritores conseguiram, em sua época e em seu meio, abordar em suas obras
temas edificantes para o acervo cultural da humanidade.
d) Os autores românticos parecem ter sido, realmente, os únicos inovadores quanto à
transformação de experiências de vida em temas literários.
e) Temas de domínio comum, compartilhados por autores sob influência mútua em uma
mesma época, resultam em pequena valorização das obras em que são tratados.

Comentário: A ide ia central do texto está explícita na sua tese (v.t. 13.6): "Há uma rotina
de ideias a que não escapa sequer o escritor original." Essa tese é ampliada pelas frases
"Os grandes temas, os temas universais, reduzem-se a uma contagem nos dedos- e quem
escreve ficção vai beber sempre na mesma aguada. Um ficcionista puxa outro."
Assim, entendemos que os temas universais são poucos e os escritores vão se basear nesses
temas na sua produção literária. Portanto, é natural a influência de um autor sobre outros.
A alternativa que retrata isso é apenas a (A). Veja:
Alguns temas, que são universais, tornam-se a matéria-prima de escritores, que
habitualmente se influenciam uns aos outros.
As demais alternativas podem até transmitir alguma verdade descrita no texto, porém não
se ativeram à ideia central do texto. Se houver dúvida, basta ler o primeiro parágrafo e depois
as alternativas (8), (C), (D) e (E). Dessa forma, nota-se claramente a diferença.

Gabarito: A
Capítulo 21 Prova 1- )ribunal Regional do Trabalho 8' Região- 2010-
Analista Judiciário- Are a Judiciária 123

7. A afirmativa correta, de acordo com o texto, é:


a) A criação literária deve ser entendida como resultado de um amadurecimento pessoal,
capaz de trabalhar temas universais segundo novos prismas, característicos de um ..
tempo específico.
b) A literatura se baseia, segundo alguns escritores, em grandes causas humanistas,
principalmente aquelas pertencentes a uma única comunidade, ainda que em épocas
distintas.
c) O fato de se transformarem em conhecimento de domínio público, pela troca recíproca
de influências entre os autores de uma mesma época, compromete o valor literário de
certas obras.
d) Os ficcionistas realmente considerados como modelo para que outros se deixem
influenciar por eles são pouquíssimos, ainda que a literatura, como organismo vivo,
sempre esteja se modificando.
e) A ideia de transformação da literatura em um condomínio, com temas inalteráveis tanto
no tempo quanto nos mais variados lugares, reduz o ato de criação a mero exercício
imitativo de publicações anteriores.

Comentário: Nesta questão, perceba que não se pede mais o tema central, mas alguma
afirmação que tenha sentido no texto.
A alternativa (A) está correta e se baseia no último parágrafo, por isso vamos transcrevê-lo.
Compare os textos com a nu·meração.
Stendha! inventou para o amor a teoria da cr{stafização que se poderia aplicar à coisa
literária. No fundo, as ideias são as mesmas; descrevem um círculo vicioso que o escritor
preenche conscientemente; se acrescentar ao que já encontrou feito uma dimensão pessoal'.
Criação espontânea, inspiração, musa? Provavelmente não existem, pelo menos na proporção
em que os românticos quiseram valorizar as manifestações do seu espírito. Escrever'- e fato
semore em termos de criar2 - é um exercício meticuloso em busca do amadurecimento';
quem escreve retoma uma experiência sedimentada', com o dever, que só alguns efeitos
cumprem, de alargá-la dentro da perspectiva4 do homem e da época4.
Agora, vejamos a interpretação da questão:
A criacão fiterária 2 deve ser entendida como resultado de um amadurecimento pessoa/I,
capaz de trabalhar temas universais' segundo novos prismas, característicos de um
tempo específico4.
A alternativa (B) está errada, porque houve uma restrição dos temas universais como
humanistas, e isso não ~stá previsto no texto, além da restrição a uma única comunidade.
A alternativa (C), está errada, porque o fato de se transformarem em conhecimento de
domínio público não compromete o valor literário de certas obras.
A alternativa (D) está errada, pois enfatiza que o texto faz referência apenas aos ficcionistas
como influência aos demais escritores. Na realidade, são os temas universais que influenciam
os escritores. Veja isso no primeiro parágrafo: Os grandes temas, os temas universais, reduzem-
-se a uma contagem nos dedos- e quem escreve ficção vai beber sempre na mesma aguada.
124 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria 1 Décio Terror Filho
c
t
Aalternativa (E) está errada, pois a ideia de transformação da literatura em um condomínio
não reduz o ato de criação a mero exercício imitativo de publicações anteriores. Note que em
todo o texto se mostra justamente o contrário: a influência, não a imitação.

Gabarito: A

8. Fala-se comumente em influências na obra deste ou daquele autor. O termo, com o


tempo, perdeu contorno pejorativo. (2• parágrafo)
A opinião exposta acima está corretamente reproduzida, com outras palavras, em:
a) Um ou outro autor recebem influências, que pode ser apontado por seu viés negativista,
como a perda do sentido da própria criação.
p) Mudanças positivas na maneira de se avaliar obras literárias, a partir das influências
recebidas nessas mesmas obras, sempre foi bem recebido por um ou outro autor.
c) A maneira pejorativa de comparar obras literárias com influência deste ou daquele
autor coexistiu nas críticas elaboradas ao. longo do tempo.
d) Influências que, com frequência, são apontadas em obras de diferentes autores
\
passaram a ser vistas, ao longo do tempo, sem conotação negativa.
e) Quando se fa"rã~·~ influêriciás na obrá escrita por certo autor, é comum haver conotação
pejorativa na avaliação da mesma.

Comentário: A questão quer testar do candidato a avaliação de conteúdo e de correção


gramatical. ·· · ·. · .
O que se quer dizer na frase do pedido da questão basicamente é que a palavra "influência"
não tem sentido negativo, quando se trata de obra literária baseando-se em temas universais.
Note que a alternativa (D) é a correta, pois realmente se quer dizer que as influências
passaram a ser vistas sem conotação negativa (pejorativa). Além disso, veja que não há
problema gramatical. Compare:
Texto:
Fala-se comumente 2 em influências na obra deste ou daquele autor'. O termo, com o tempo,
perdeu contorno pejorativo 3•
Alternativa (D):
Influências que, com frequência 2, são apontadas em obras de diferentes autores' passaram a
ser vistas, ao longo do tempo, sem conotação negativa'.
Veja como nas demais alternativas ou o sentido muda, ou há erro gramatical. A seguir,
serão reescritas as alternativas apenas com o apontamento dos erros para ficar mais fácil a
· visualização. '
Na alternativa (A), há erro em afirmar que a influência transmite perda do sentido da própria
criação. Além disso, o pronome relativo "que" está na função de sujeito e retoma "influências",
por isso, a locução verbal deve passar a plural e feminino: "podem ser apontadas". Confirme:
Capítulo 21 Prova 1- !ribunal Regional do Trabalho 8• Região- 2010-,
Analista Judiciário- Are a Judiciária 125

Um ou outro autor recebem influências, que pode ser apontado por seu viés negativista,
como a oerda do sentido da própria criação.
Na alternativa (B), há erro, pois a frase original não se refere a "mudanças". Quanto ao
aspeçto gramatical, o verbo "avaliai' é transitivo direto, o pronome "se" é apassivador, por isso
o sujeito paciente é "obras literárias", que deve forçar o verbo para o plural:" ... se avaliarem
as obras literárias'. Além disso, o sujeito da locução verbal passiva" foi recebido" é" Mudanças
positivas'; por isso essa locução deve se flexionar no plural: "foram recebidas". Confirme:
Mudanças positivas na maneira de se avaliar obras literárias, a partir das influências recebidas
nessas mesmas obras, sempre foi bem recebido por um ou outro autor.
A alternativa (C) não possui erro gramatical, porém as trocas e o posicionamento de
algumas palavras levaram a uma mudança semântica. Veja que o trecho original afirma que as
influências perderam contorno pejorativo. Já a alternativa mostra que pejorativa é a maneira
de comparar obras literárias que tenham influência deste ou daquele autor. Assim, fica fácil
perceber a diferença de sentido. Confirme:
A maneira oeiorativa de comparar obras literárias com influência deste ou daquele autor
coexistiu nas críticas elaboradas ao longo do tempo.
\ Aafirmativa (E) está errada, porque nela é informado ser comum haver conotação pejorativa
na avaliação de certo autor que se deixa influenciar, mas essa não é a informação original,
justamente porque no texto é afirmado que o termo "influência" perdeu o tom pejorativo.
Confirme:
Quando se fala em influências na obra esCrita por certo autor, é comum haver conotação
pejorativa na avaliação da mesma.

Gabarito: D

9. É correto afirmar que as questões colocadas nos 2• e 3• parágrafos


a) estimulam a estranheza do leitor por introduzirem uma voluntária incoerência de seu
autor no contexto.
b) apresentam semelhança de sentido e pressupõem respostas que embasam a opinião
defendida pelo autor.
c) constituem recursos enfáticos adotados pelo autor para contradizer a opinião exposta
no 12 parágrafo.
d) assinalam uma crítica velada do autor a escritores que recebem influência de outros,
pois tratam dos mesmos temas.
e) permitem perceber o sentido irônico do questionamento que se coloca entre a criação
artística espontânea e a imitação de terceiros.

Comentário: As perguntas inseridas neste texto fazem com que o leitor dê a resposta. Veja
a primeira: Quem não tem influências, quem não se abeberou em alguém? Nossa resposta
natural, de acordo com a linha argumentativa do texto, seria que vários autores se influenciam.
126 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria J Décio Terror Filho

Então notamos no texto o desenvolvimento, a explicação, de nossa suposta resposta: (pois)


"Literatura é um organismo vivo que não cessa de receber subsídios. Felizes os que, contribuindo
com essa coisa inquietante que é escrever, revigoram-lhe o lastro."
Na segunda frase interrogativa, notamos que o próprio autor responde induzindo o leitor
em sua argumentação.
Criação espontânea, inspiração, musa? Provavelmente não existem, pelo menos na
proporção em que os românticos quiseram valorizar as manifestações do seu espírito.
Note que as duas perguntas têm o mesmo fundamento: a influência dos temas universais
aos escritores da literatura, visto com viés positivo.
Assim, a alternativa (B) é a correta, pois percebemos que as duas perguntas têm o mesmo
fundamento e as supostas respostas servem de base à argumentação do autor.
A alternativa (A) está errada. Não há incoerência, tampouco estranheza, pois essas
perguntas seguem a linha argumentativa do texto.
A alternativa (C) está errada, pois não há contradição ao primeiro parágrafo, mas
confirmação.
A alternativa (D) está errada, pois não há crítica aos autores, perceba que foi afirmado que
o termo "influência" perdeu o tom pejorativo.
A alternativa (E) está errada, pois não há tom irônico nas questões.

Gabarito: B

(jl:}; A respeito do 12 parágrafo, é INCORRETO o que se afirma em:


a) Há uma rotina de ideias a que não escapa sequer o escritor original.
Uma nova redação, sem alteração do sentido original da frase acima, está em: Nem
mesmo o escritor original escapa a uma rotina de ideias.
b) ... e quem escreve ficção vai beber sempre na mesma aguada ...
O sentido da afirmativa acima é retomado na questão colocada no 2Q parágrafo: quem
não se abeberou em alguém?
c) Dostoievskt; faulkner, Kafka deflagraram muitos contemporâneos, graças à sua força
extraordinária de gravitação.
Observa-se entre as orações do período acima relação sintática de consequência e sua
causa imediata, respectivamente.
d) Servem de impulso à primeira largada,(. .. ) incorporam-se à literatura como conquista
de uma época ... Os segmentos grifados exercem a mesma função sintática, em seus
respectivos períodos.
e) ... um condomínio em que as ideias se desligam e flutuam soltas.
Na frase acima, a noção de condomínio pressupõe um conjunto de autores que
deixaram o testemunho de sua maneira de ver e de sentir o mundo, característica de
determinada época.
Capítulo 21 Prova 1- Tribunal Regional do Trabalho 8' Região- 2010-
Analista Judiciário- Área Judiciária 127

Comentário: Cuidado, pois foi pedida a alternativa errada.


A alternativa (A) está correta, pois apenas houve a substituição da palavra "sequer" pela
expressão de mesmo valor "Nem mesmo", com algumas.adaptações sintáticas. lss·o fez com
que se preservasse a ideia original. Compare:
Há uma rotina de ideias a que não escapa sequer o escritor origJnal.
Nem mesmo o escritor original escapa a uma rotina de ide ias.
A alternativa (B) está correta, pois a frase interrogativa retoma a ideia da influência de um
tema desenvolvido por um escritor em outro. Compare:
... e quem escreve ficção vai beber sempre na mesma aguada...
quem não se abeberou em alguém?
A alternativa (C) está correta, pois a expressão "graças à sua força extraordinária de
gravitaçãd' é um adjunto adverbial de causa (v.t.14.1). Assim, a estrutura anterior(" Dostoievski,
Faulkner, Kafka deflagraram muitos contemporâneos') é o resultado, a consequência.
A alternativa (D) é a errada, pois a expressão "à primeira largada" é um complemento
nominal, por ser exigido pelo nome "impu/sd'. Já a expressão "à literatura" é um complemento
do verbo "incorporam-se". Assim, sua função sintática é objeto indireto. Portanto, são funções
sintáticas diferentes (v.t. 1.3).
A alternativa (E) está correta, pois a palavra "condomínid~ tem o sentido de "domínio com",
"copropriedade". Assim, não há mais o sentido de unicidade, a !nterpretação passa a domínio
geral. Por isso, é correto entendermos como um conjunto de autores com sua maneira de ver e
de sentir o mundo, pois são diversas as formas de int~rpretar ~mundo através da linguagem.

Gabarito: O

11. Considere as afirmativas abaixo.


I. O emprego do pronome lhe em revigoram-lhe o lastro imprime a esse pronome valor
de possessivo, pois equivale a revigoram seu lastro ou, de outro modo, revigoram o
lastro da literatura. (2 2 parágrafo) -"
11. O emprego das formas verbais contribuem, cheguem e deitem, flexionadas nos mesmos
tempo e modo, denota, no contexto, uma mesma noção, a de hipótese provável.
(2 2 parágrafo)
111. Ao transpor para a voz passiva a oração que o escritor preenche conscientemente, o
resultado será preenchidas conscientemente pelo escritor, porque o pronome que
refere-se diretamente a ideias. (3 2 parágrafo)
IV. A forma pronominal grifada em alargá-/E. dentro da perspectiva do homem e da
época evita a substituição, no contexto, da expressão uma experiência sedimentada.
(3º parágrafo) -
128 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho

Está correto o que se afirma APENAS em:


a) li e 111.
b) I e IV.
c) I, 111 e IV.
d) I, li e 111.
e) 11,111 e IV.

Comentário: A afirmativa I está correta, pois o pronome oblíquo "lhe" possui valor de posse
neste contexto (v.t.11.2.2). Ele naturalmente pode ser substituído pelo pronome possessivo "seu".
Aquele pronome faz referência direta no trecho do texto à expressão "essa coisa inquietante
que é escrever", mas sabemos que essa expressão se refere ao substantivo "literatura". Por
isso, a afirmativa I está correta.
Literatura é um organismo vivo que não cessa de receber subsídios. Felizes os que,
~
contribuindo com essa coisa inquietante que é escrever, revigoram-lhe o lastro.
Assim, podemos eliminar as alternativas (A) e (E).
A afirmativa li está errada, pois o ver.bo "contribuem" encontra-se no tempo presente do
modo indicativo e transmite certeza. Já eis verbos "cheguem" e "deitem" estão no tempo
presente do modo subjuntivo, os quais transmitem uma hipótese provável. Veja o contexto:
Eles se realizam em termos de criação artística e contribuem, com sua experiência e suas
descobertas, para que outros cheguem·e deitemaJi, também, o seu fardo.
- .
Por isso, podemos elimi~ar a alternativa (0).
A afirmativa 111 está errada, pois o pronome relativo "que" retoma a expressão "círculo
vicioso". Assim, a transformação para a voz passiva seria:
... círculo vicioso que é preenchido conscientemente pelo escritor...
Assim, eliminamos a alternativa (C), sobrando a (B) como correta. Mas vamos verificar se
realmente a afirmativa IV está mesmo correta.
A afirmativa IV está correta, pois a forma pronominal "-la" realmente retoma a expressão
"uma experiência sedimentada" para evitar sua repetição desnecessária.

Gabarito: B

12. Minha frase célebre


I. O remédio é a gente silenciar, "pondô a modéstia de parte", como dizia o bom Noel.
li. Até eu já posso posar como ladrão de frase.
111. Em todo CêSO, Noel, desculpe o mau jeito. :;
IV. A letra de Noel foi esquecida por muita gente, e várias vezes, através dos anos,
encabulei ao ganhar elogios pela "minha" frase. x
Capítulo 21 Prova 1- Tribunal Regional do Trabalho 8• Região- 2010-
Analista Judiciário- Área Judiciária , 129

V. Afinal ele escreveu tanta coisa bonita que com certeza não se importaria muito com
este pequeno furto. ''
VI. É que certa vez escrevi: Nasci, modéstia à parte, em Cachoeira de ltapemirim - mas
. escrevi parodiando declaradamente uma letra de Noel Rosa sobre Vila Isabel.
Para que o texto de Rubem Braga (Recado de primavera. Rio de Janeiro: Record, 7. ed,
1998, p. 94) seja entendido com lógica e clareza, os parágrafos numerados acima devem
ser lidos na seguinte ordem:
a) I, IV, VI, 111, 11, V. ~

b) 11, VI, IV, I, V, 111.


c) III,VI,V, 11,1, IV."'
d) V, 111, VI, IV, 11, 1."
e) VI, V, 111, IV, I, 11.

Comentário: Esta não é uma questão típica da banca Fundação Carlos Chagas. Ela normalmente
é vista na banca ESAF (área fiscal). Nesta prova se quis do candidato a percepção da coesão
referencial: palavras que se referem a outras escritas anteriormente.
Assim, nosso primeiro passo é encontrar uma frase sem elementos que se refiram a dado
expresso anteriormente, pois sabemos que a primeira frase de um texto inicia os dados.
Logicamente, não possuirá referente a uma frase anterior.
A frase I possui referência a algo dito anteriormente. O remédio é a gente silenciar por
quê? Algo deve ser d.ito antes para que cheguemos a esta conclusão. Então, esta não pode ser
a primeira frase do texto e eliminamos a alternativa (A).
A frase 11 pode iniciar o texto, pois a expressão "Até eu já posso posar como ladrão de
frase" tem uma ideia geral que pode suscitar desenvolvimento posterior. Então, não eliminamos
nenhuma alternativa. Vamos aguardar as próximas frases.
Afrase 111 certamente não pode iniciar nosso texto, pois a expressão" Em todo caso" remete
a uma concessão (mesmo assim) a algo anterior. Assim, devemos eliminar a alternativa (C).
Veja que a frase IV não possui elementos linguísticos que façam referências a algo anterior,
além de ter um tom geral, típico de tese, tópico frasal, a qual será desenvolvida posteriormente.
Esta seria uma possível frase para inicia'rmos um texto, mas observe as alternativas: nenhuma
delas se inicia com esta frase. Isso é ótimo, vai nos ajudar bastante à frente.
A frase V certamente não pode começar nosso texto, pois o pronome "ele" substituiu um
substantivo anterior. Assim, devemos eliminar a alternativa (D).
A frase VI também não pode iniciar nosso texto, pois a expressão "É que" marca um
desenvolvimento de algo anterior. Assim, eliminamos a alternativa (E), sobrando apenas a
alternativa (B) como correta. Confirme com o texto já ordenado:
130 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- + breve teoria J Décio Terror Filho

11. (1º) Até eu já posso posar como ladrão de frase.

VI. (2 2) É que c~modéstia à parte, em Cachoeira de ltapemirim - mas


escrevi parodiando declaradamente uma letra de Noel Rosa sobre Vila Isabel.
IV. (3 2) A letra de Noel foi esquecida por muita gente, e várias vezes, através dos anos,
___,...
encabulei ao ganhar elogios pela "minha" frase.
I. (4º) O remédio é a gente silenciar, "pondo a modéstia de parte", como dizia o bom Noel.
V. (5 2 ) Afinal ele escreveu tanta coisa bonita que com certeza não se importaria muito com
este pequeno furto.
--
111. (6 2) Em todo caso, Noel, desculpe o mau jeito.
A frase·ll (primeira do texto) transmite uma abertura do tema.
-li'"

Na frase VI (segunda do texto), a expressão" É que" inicia segmento que explica a atitude
de ter roubado a frase de Noel. A expressão "escrevi parodiando", de certa forma, refere-se à
expressão "ladrão de frase".
Na frase IV (terceira do texto), a expressão "A letra de Noel' retoma a expressão" uma letra
de Noel Rosa", expressa na frase VI.
Na frase I (quarta do texto), a expressão "o remédio é a gente silenciar" é a única saída
após ter ficado encabulado ao ganhar elogios pela frase copiada, dado constante na frase IV.
Na frase V (quinta do texto), "ele" retomou "Noel", constante na frase I.
A frase 111 (sexta do texto) é o arremate do texto, ao se pedir desculpas pelo mau jeito, isto
é, pelo "pequeno furto", expresso na frase V.

Gabarito: B

13. Leia a tirinha reproduzida abaixo.

(Qui no. Toda a Mafalda. São Paulo, Martins Fontes, 1993, p.. 40)
Capítulo 21 Prova 1- Tribunal Regional do Trabalho 8• Região- 2010-
Analista Judiciário- Área Judiciária 131

É correto afirmar que o diálogo entre Susanita e Mafalda opõe, do modo mais cru, a fim de
provocar o riso,
a) a vaidade de uma à modéstia da outra ..,
b) a ignorância de uma à sabedoria da outra.
c) o egocentrismo de uma ao desprendimento da outra ..;
d) o senso de realidade de uma ao idealismo da outra.
e) a esperteza de uma à ingenuidade da outra. x

Comentário: Veja que a frase da questão nos pede a oposição marcada na fala das personagens
de modo mais cru (simples, evidente).
Há realmente uma oposição entre a realidade (consumo: comprar vestidos) e o idealismo
(conhecimento: ter muita cultura). É feita, então, uma suposição que na realidade não mede a
importância de um e outro, aí começa o humor: uma incoerência nas hipóteses que beneficia
apenas uma das partes, pois o conhecimento não é palpável concretamente, visualmente; mas
o vestido sim.
Note que Mafalda teve de sair de sua ideologia e partir para a realidade (bater em alguém
por perder a razão naquele contexto).
Assim, houve a oposição do senso de realidade de uma ~m relação ao ideafis~·o da outra.
Perceba que as demais alternativas estão erradas, porque não houve. as relações de
oposição vaidade X modéstia, ignorância X sabedori~, egocentrismo Xdesp.;endimento e
esperteza X ingenuidade.

Gabarito: D

Atenção: As questões de número~ 14 ~ 18 referem-se ao texto abaixo.


Tecendo a manhã.

Um galo sozinho não tece uma manhã:


ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de tl/11 outro <~alo
qite apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de sws gritos de galo,
para que a manlzã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.
Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho CaJ
132 An;

E se encotpando em tela, entre todos,


se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo* para todos, no toldo
(a manhã) que pla11a li!nc de armação.
A manhã, toldo de 11111 tecido tão aéreo'
que, tecido, se eleva por si: luz baliio.

*neologismo

João Cabral de Melo .Ycto (A educação pela pedra, Obra completa.


Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1995. p. 345)

14. Considere as seguintes afirmações:


de
I. No verso De um que apanhe esse grito que ele evidencia-se tanto a omissão da palavra
galo quanto a de determinado verbo.
11. No poema, o uso de alguns·vsrbos no gerúndio reforça a imagem do desenvolvimento
gradual de uma teia que se transforma, nesta ordem, em tela, tenda e toldo.
111. A imagem predomltiante no poema é a de galos que despertam os habitantes de um 15
determinado local. para o trabalho duro que começa cedo, mas que no fim do dia é
recompensa dor.
Está correto o que se ..afirma APENAS em:
a) I.
b) 11.
c) 111.
d) I e 11.
e) 11 e 111.

Comentário: A frase I está correta, pois há realmente a omissão da palavra "galo" e do verbo
"apanhou". Veja:
Um galo sozinho não tece uma manhã: Cc
ele precisará sempre de outros galos.
De um (galo)que apanhe esse grito que ele (apanhou)
se
e o lance a outro; de um outro galo...
Assim, eliminamos as alternativas (B), (C) e (E).
A frase 11 está correta, pois o final da primeira estrofe e a segunda nos motivam a visualizar
a formação gradual de um grande toldo (o amanhecer) embalado pelo cantar do galos. Veja: CC
su
pr
se
Capítulo 21 Prova 1- }ribunal Regional do Trabalho 8' Região- 2010
Analista Judiciário- Are a Judiciária 133

para que a manhã, desde uma teia tênue,


se vá tecendo, entre todos os galos. Os gerúndios marcam
uma evolução gradual
na formação da manhã:
Ese encorpando em J.gj_g_, entre todos, de uma tcia tênue a um
se erguendo tenda. onde entrem todos, toldo.

se entretendendo* para todos, no toldo


(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo (o céu)

que, tecido, se eleva por si: luz balão.


Assim, já sabemos que a alternativa correta é a (D), mas devemos nos certificar analisando
a próxima frase.
A frase 111 está errada, pois o texto não faz menção ao trabalho duro diário de habitantes
de determinado local. Esse dado extrapolou o texto.

Gabarito: D

15. A manhã, toldo de um tecido tão aéreo/ que, tecido, se eleva por si: luz balão.
Sobre os versos acima, é INCORRETO afirmar:
a) No segundo verso, a palavra tecido pode ser interpretada como o particípio do verbo
tecer.
b) O verbo da oração principal do período formado pelos dois versos acima é eleva.
c) A expressão luz balão representa, no contexto, uma síntese explicativa do segmento
que a precede.
d) As vírgulas que isolam a palavra tecido, no segundo verso, são necessárias para garantir
o sentido no contexto, não podendo, portanto, ser suprimidas.
e) A associação de manhã a toldo causa a ruptura abrupta da ideia que vinha sendo
desenvolvida, pois a manhã fora apresentada como fios de sol.

Comentário: Deve-se ter cuidado, pois a questão pede a alternativa incorreta.


A alternativa (A) está correta, pois o poeta fez um jogo de palavras entre o substantivo
"tecido" (do primeiro verso) e o particípio "tecido" do segundo verso, mostrando que, no
segundo vocábulo, houve a ação de tecer.
A alternativa (B) está correta, pois a oração principal é "A manhã(. ..) se eleva por si: luz
balão" e a oração subordinada é "tecido".
À época desta prova, muita gente questionou esta alternativa, tendo em vista que a
conjunção "que" é precedida do intensificador "tão" e supostamente iniciaria a oração
subordinada adverbial consecutiva (v.t. 4.2) e o verbo "eleva" deixaria de estar numa oração
principal, mas sim numa oração subordinada. Com essa interpretação equivocada, a alternativa
seria a errada.
134 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho

Porém, deve-se notar que este período possui apenas dois verbos: o particípio "tecido"
e o presente do indicativo "eleva". Dessa forma, para que o conectivo "tão ... que" iniciasse
oração subordinada adverbial consecutiva, ela deveria fazer referência à sua oração principal.
Entretanto, a expressão "toldo de um tecido tão aéreo" é apenas um aposto explicativo
(v.t. 1.5.1), não é uma oração.
Além disso, "tecido" é uma oração subordinada adverbial causal reduzida de particípio (v.t. 14.2).
O contexto admite também o valor temporal nesta oração reduzida. Veja toda a estrutura:
A meoh§, toldo de um teddo tão ''"" que, tero, se elm po' slc lu' b'l&o
sujeito aposto explicativo . ~ VTD ~posto explicativo
pronome refiexivo adjunto
na função de adverbial de
objeto direto modo

oração subordinada adverbial causal (ou temporal) reduzida de participio

Confirmando, a expressão "que(.. .) se eleva por si: luz balão" só não pode ser considerada
oração subordinada adverbial consecutiva, porque "toldo de um tecido tão aéreo" é apenas
um aposto explicativo. Assim, se não possui verbo, não é oração principal. Este é o motivo de a
banca FCC ter sustentado o gabarito.
A alternativa (C) está correta, porque os dois-pontos sinalizam o aposto explicativo, o qual
serve para explicar o segmento anterior, mostrando que a manhã se eleva por si, como um
grande balão iluminado.
A alternativa (D) está correta, pois as vírgulas demarcam que há um verbo que representa
uma oração adverbial intercalada. A retirada da vírgula mudaria o sentido e passaria a
transmitir incoerência no texto.
A alternativa (E) é a errada, pois não há quebra (ruptura), há uma evolução gradual de fios
de sol a toda a manhã iluminada.

Gabarito: E

16. O verso que melhor traduz a imagem luz balão, entre os listados abaixo, é:
a) os fios de sol de seus gritos de galo
b) (a manhã) que plana livre de armação
c) Um galo sozinho não tece uma manhã
d) que com muitos outros galos se cruzem
e) Ese encorpando em tela, entre todos

Comentário: A banca quer saber se você percebeu a imagem motivada pelo texto poético,
em que luz-balão seria o céu iluminado. Naturalmente, percebemos essa imagem também no
verso da alternativa (B):
(a manhã) que plana livre de armação

Gabarito: B
Capítulo 21 Prova 1- Tribunal Regional do Trabalho 8' Região- 2010-
Analista Judiciário- Área Judiciária 135

17. ... de um outro galo que apanhe o grito...


O verbo que se encontra conjugado nos mesmos temP.o e modo que o grifado na frase
acima está presente nos seguintes versos de João Cabral de Melo Neto, retirados de Morte
e Vida Severina:
a) Por onde andará a gente/ que tantas canascultiva?
b) Os rios que correm aqui/ têm a água vitalícia ...
c) Quem sabe se nesta terra/ não plantarei minha sina?
d) só morte tem encontrado/ quem pensava encontrar vida...
e) primeiro é preciso achar/ um trabalho de que viva.

Comentário: O verbo "apanhe" encontra-se no presente do subjuntivo. Lembre-se de colocar


o advérbio "talvez" para se lembrar deste tempo verbal (v.t. 12.4.1). O mesmo podemos fazer
com o verbo "viva" da alternativa (E): talvez ele viva.
Os verbos "andará" e "plantare?' encontram-se -no futuro do presente do indicativo
(v.t. 12.3.5); "correm", "têm", "sabe" e "é'~ no presente do indicativo (v.t. 12.3.1); "tem
encontrado" no pretérito perfeito composto do indicativo (v.t. 12.6.1); "pensava" no pretérito
imperfeito do indicativo (v.t. 12.3.2) e "encontrar" no infinitivo (v.t. 12.7).

Gabarito: E

18. Considere as frases abaixo.


I. ...... quem não o podia pegar o grito foi lançadq.
11. Aludiam ...... uma imensa tela dourada os fios de sol que se cruzavam.
111. O resultado de seu trabalho foi comparado ...... luz da manhã.
Preenchem corretamente as lacunas, respectivamente:
a) A- a- à
b) A- a- a
c) À-à-a
d) A-à-à
e) À-a-à

Comentário: Como o pronome "quem" não admite artigo, certamente não há crase na frase I.
Com isso, eliminamos as alternativas (C) e (E).
Como o artigo "uma" é indefinido, não pode haver artigo "a", assim também não haverá
crase. Portanto, eliminamos a alternativa (D).
O particípio "comparado" exige preposição "a" e o substantivo "luz" admite artigo "a". Por
isso, há crase, e a alternativa correta é a (A).

Gabarito: A
Ca
136 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho An

Atencão: As questões de números 19 e 20 referem-se ao texto abaixo. (e<


Queimada do bem un
Algumas consequências dos íncê11díos Jiorestaís ainda são pouco conhecidas. Não in1
se sabe exatamente quanto de C02 é liberado com a queima, CMIIO a mata nativa eh
ex
resiste e depois se recompõe e quais as alterações que ocorrem no microclima de
te
uma floresta queimada. Para responder a essas questi'ies, pe~quisadores do Instituto úl'
de Pesquisa Ambie11tal da Amazônia (Ipam) em parceria com tl norte-americano
Centro de Pesquisa Woods Hole (WHRC, na sigla em inglês) realizaram em agosto es
uma queimada controlada no twrdeste de 1\Iato Grosso. "Queremos entender qual a
intensidade e a frequência de incê11dios que poderiam causar tran~{ormações severas sa
em florestas da Amazônia e ufilizar essas iriformaçi'ies para gerar cenários futuros se
para .fio restas na região", diz Pat~lo Brando, do Ipam. O experimmto foi provocado re
em 150 hectares de uma Jioresta de transição entre o Cerrado e a mata míiazÔ11ica.
Parte da área foi mantida intocada, um terço vem sendo queimado anualmente. desde
2004 e outro teve queimadas controladas a cada três anos. Agora, até 2013 os
pesquisadores acompanharão a recuperação da Jioresta.
(Pesquisa FAPESP, sereml:ro 201 O, 11. 175, p.3)
2(

.19. Considere as seguintes afirmativas sobre o texto.


I. O título "Queimada d?. bem" alude,. por oposição, aos danos que as queimadas
costumam provocar e aos atos criminosos que por vezes estão na sua origem.
11. A parte da área em estudo, entre o Cerrado e a mata amazônica, que é mantida intocada
representa um terço do total.
111. Ainda que os pesquisadores estejam preocupados em estudar as consequências das
queimadas, a pesquisa também prevê o estudo de suas causas.
Está correto o que se afirma em:
a) I, apenas.
b) I e li, apenas. p!
c) 11 e !li, apenas. di
d) I e 111, apenas.
e) I, 11 e 111.
a1
Comentário: Entendemos que o título "Queimada do bem" tem relação com uma queimada fo
controlada usada para fins de pesquisa. Por oposição, entendemos qu~ a queimada do mal seria li I
"(
a rotineira, provocada por irregularidades. Por isso, a frase I está correta. Assim, eliminamos
a alternativa (C).
Capítulo 21 Prova 1- Tribunal Regional do Trabalho 8• Região- 2010-
Analista Judiciário- Área Judiciária 137

Afrase 11 também está correta. A base da interpretação está na enumeração de três elementos
(cada um forma um terço da terra em pesquisa). O primeiro elemento enumerado representa
um terço desta área: Parte da área foi mantida intocada. Apenas por esta expressão, não há
indicação de que ela comporia um terço. Por isso, devemos analisar os demais termos. O segundo
elementÓ é o segundo terço: um terço vem sendo queimado anualmente desde 2004. Nesta
expressão, há indicação explícita de" um terço". O terceiro elemento da enumeração é o terceiro
terço: outro teve queimadas controladas a cada três anos. O pronome "outro" faz subentender o
último terÇo. Por isso, a frase 11 está correta e eliminamos as alternativas (A) e (D).
1
A frase 111 está errada, pois a finalidade da pesquisa é entender as consequências, e não o
estudo de suas causas. Veja os dados explícitos no texto que confirmam isso:
Aliiumas consequências dos incêndios florestais ainda são pouco conhecidas. Não se
sabe exatamente quanto de C02 é liberado com a queima, como a mata nativa resiste e depois
se recompõe e quais as alterações que ocorrem no microc!ima de uma floresta queimada. Para
responder a essas questões... "
Assim, a alternativa correta é a (B).

Gabarito: B

20. A frase, baseada no assunto do texto e reescrita com correção, clareza e coerência é:
a) Quase não se conhece as consequências dos incêndios nas florestas.
b) Não se têm ideia exata da quantidade de C02 que é liberado com a queima.
c) Os pesquisadores lograram, no mês de agosto, uma queimada controlada no nordeste
matog rossence.
d) A experiência, levada à cabo em 150 hectares de uma floresta de transição, existente
entre o Cerrado e a mata amazônica.
e) Até o ano de 2013, o grupo de pesquisadores irá dedicar-se à observação do
revigoramento da floresta.

Comentário: A alternativa (A) está errada, pois o verbo "conhece" é transitivo direto, o
pronome "se" é apassivador e "consequências" é o núcleo do sujeito paciente. Assim, o verbo
deve se flexionar no plural (v.t.7.4):
Quase não se conhecem as consequências dos incêndios nas florestas.
A alternativa (B) está errada, pois o verbo "têm" é transitivo direto, o pronome "se" é
apassivador. Assim, o núcleo do sujeito paciente é "ideia", o qual se encontra no singular e
força este verbo também ao singular. Não se pode condenar a concordância do predicado "é
liberado", pois o pronome relativo "que" é o sujeito e pode retomar tanto "quantidade" quanto
"C02". Por isso a locução verbal "é liberada" pode se flexionar no feminino (v.t.7.5):
Não se tem ideia exata da quantidade de C02 !J.ll§. é liberado com a queima.
138 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho

A alternativa (C) está errada, pois o verbo "lograram" não é o adequado nesta construção.
Esse vocábulo tem o sentido de "obter êxitd'. Como a questão pede clareza no uso da
linguagem, com base no assunto do texto, esta não seria uma palavra adequada. De acordo
com o contexto, o ideal seria sua substituição por "realizaram", "fizeram". Além disso, o
adjetivo corretamente escrito é "mato"grossense". Veja a correção:
Os pesquisadores realizaram, no mês de agosto, uma queimada controlada no nordeste
mato-grossense.
A alternativa (D) está errada, pois o vocábulo "cabo" é masculino, assim não há crase.
Além disso, segundo o contexto, não é conveniente a expressão" levar a cabo", pois transmite
noção de aniquilamento, mas o texto tem outro posicionamento. Assim, seria importante
manter a mesma intenção comunicativa e substituir tal expressão por "provocou a queima
de': A segunda vírgula deve ser excluída, pois o adjetivo "existente" tem valor restritivo. Veja
a correção:
A experiência provocou a queima de 750 hectares de uma floresta· de transição existente
entre o Cerrado e a mata amazônica.
Aalternativa (E) é a correta tanto no sentido em relação ao texto quanto na gramatical idade.
Note a vírgula separando o adjunto adverbial antecipado "Até o ano de 2073":
Até o ano de 2073. o grupo de pesquisadores irá dedicar-se à observação do revigoramento
da floresta.

Gabarito: E

Atencão: As questões de números 21 e 22 referem-se ao texto abaixo.


O Parque Nacional de Galápagos, rw Equador, assinou um convênio com a
ONG Sea Slzepard e vVWF para implementar um sistema de vigilância dos barcos
que navegam dentro da reserva marinha do arquipélago. Esse arquipélago posmi
13 3 mil quilômetros quadrados. O sistema será instalado em todas as embarcações
com menos de 20 toneladas de peso bruto, a maioria das quais embarcações que
trafegam na reserva. O sistema emitirá um sinal de rádio, que será captado por
antenas em pontos estratégicos. O arquipéla,t,;o é considerado um dos locais de maior
biodiversidade do planeta.
(Jéxto elaborado a partir de matéria publicada em 4 de setembro de 201 O
110 jomal O Estado de S. Paulo, Vida, A21)

21. A principal informação transmitida pelo texto é:


a) Somente embarcações de menor peso navegarão pelo Arquipélago de Galápagos. ·
b) A maior biodiversidade do planeta, em Galápagos, se encontra em risco de extinção.
c) Sistema de vigilância em embarcações será implantado no arquipélago de Galápagos.
d) Interesses privados e governamentais buscam equilíbrio ambiental em Galápagos.
e) Sinais de rádio indicam perigo à reserva marinha do arquipélago de Galápagos.
Capítulo 21 Prova 1- Tribunal Regional do Trabalho 8' Região- 2010-
Analista Judiciário- Área Judiciária 139

Comentário: A questão pede a ideia central, a mais importante. Assim, devemos procurar a
tese (v.t.13.6), a qual normalmente é encontrada na introdução do texto. Veja:
Texto: O Parque Nacional de Calá pagos', no Equador, assinou um convênio com a ONC Sea
Shepard e WWF para implementar 2 um sistema de vigilância dos barcos 3 que navegam dentro
da reserva marinha do arquipélago. Esse arquipélago possui 733 mil quilômetros quadrados.
Alternativa (C): Sistema de vigilância em embarcações' será implantado 2 no arquipélago de
Galápagos'.
Com base nisso, percebemos que as demais alternativas não transmitem a ideia mais
importante.
Gabarito: C

22. O texto está corretamente transcrito com lógica, correção e clareza, sem repetições
desnecessárias, em:
a) Nos barcos que navegam dentro da reserva marinha do arquipélago, que possui 133
mil quilômetros quadrados considerando ser um dos locais de maior biodiversidade do
planeta, o Parque Nacional de Galápagos, no Equador, assinou um convênio com a ONG
Sea Shepard e WWF para instalar um sistema de vigilância nesses barcos com menos de
20 toneladas de peso bruto, cuja a maioria trafegam na reserva. O sinal de rádio, que será
captado por antenas em pontos estratégicos,·será emitido por esse sistema.
b) O Parque Nacional de Galápagos, no Equador, assinou um convênio com a ONG Sea
Shepard e WWF para impor um sistema de vigilância dos barcos que navegam dentro
da reserva marinha do arquipélago, contando com 133 mil quilômetros quadrados
considerado um dos locais de maior biodiversidade do planeta. É um sistema- o qual
será instalado em todas as embarcações com menos de 20 toneladas de peso bruto:-
cuja maioria das que trafegam na reserva. O sistema vai emitir um sinal de rádio, que
será captado por antenas em pontos estratégicos.
c) Tratando-se de um sistema de vigilância de barcos, o Parque Nacional de Galápagos,
no Equador, assinou um convênio com a ONG Sea Shepard e WWF para implementar tal
sistema dos barcos que navegam dentro da reserva marinha do arquipélago. Possuindo.
133 mil quilômetros quadrados e considerado um dos locais de maior biodiversidade
do planeta. Será instalado em todas as embarcações com menos de 20 toneladas de
peso bruto, que constitui a maioria das que trafegam na reserva. O sistema vai emitir
um sinal de rádio, que antenas em pontos estratégicos vão captar.
d) No arquipélago de Galápagos, no Equador, considerado um dos locais de maior
biodiversidade do plàneta que possui 133 mil quilômetros quadrados, será instalado
em todas as embarcé]ções com menos de 20 toneladas de peso bruto, onde a maioria
das que trafegam na reserva, um sistema de vigilância o qual emitirá um sinal de rádio,
captado por antenas em pontos estratégicos - pelo convênio assinado pelo Parque
Nacional com a ONG Sea Shepard e WWF- para impor esse sistema.
e) O Parque Nacional de Galápagos, no Equador, a ONG Sea Shepard e WWF assinaram um
convênio para estabelecer um sistema de vigilância dos barcos que navegam pela reserva
marinha do arquipélago, de 133 mil quilômetros quadrados, considerado um dos locais de
maior biodiversidade do planeta. Esse sistema será instalado em todas as embarcações
com menos de 20 toneladas de peso bruto- a maioria das que trafegam na reserva-, e
emitirá um sinal de rádio, a ser captado por antenas colocadas em pontos estratégicos.
r c
140 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho A

Comentário: Este tipo de questão trabalha sua atenção quanto ao tempo de realização
da prova. Veja que ela é extensa. Assim, o ideal é sempre procurar os erros vitais nas
alternativas e, então, eliminá-las. Após achar um erro já bem convincente, deve-se partir para
a próxima alternativa. Nesta resolução, por questões didáticas, serão comentados os erros
mais importantes e em seguida eles serão apontados. Dessa forma, o trecho abaixo de cada
comentário é a simples reprodução da respectiva alternativa.
Na alternativa (A), há erro grosseiro, porque o pronome relativo "cuja" não admite artigo
"a" (v.t.11.12.5); o verbo "trafegam" deve se flexionar no singular, pois o sujeito "cuja maioria"
está no singular: cuja maioria trafega. Isso nos faz eliminar esta alternativa e partir para a
seguinte. Além disso, houve prejuízo da clareza, por causa da inversão dos termos, iniciando
o período com o adjunto adverbial "Nos barcos", seguido de um aglomerado de erações
subordinadas mal estruturadas. O sujeito apareceu somente na terceira linha: "O Parque
Nacional de Calá pagos". Isso torna o trecho pouco claro e desconexo. Confira:
Nos barcos que navegam dentro da reserva marinha do arquipélago, que possui 733 mil
quilômetros quadrados considerando ser um dos locais de maior biodiversidade do olaneta, o
Pa~qÜ~ Nacional de CalápJjgoç,.qp Equador, assinou um convênio com a ONC Sea Shepard e
WWF para instalar úm sistema de vigilância nesses barcos com menos de 20 toneladas de peso
bruto, cuja a maioria trafegam na reserva. o sinal de rádio, que será captado por antenas em
pontos estratégicos, será emitido por esse sistema.
Aalternativa (B) está errada, porque, na primeira frase, os verbos "contando" e "considerado"
não permitem uma boa articulação entre as orações. O ideal s_eria a inserção de conectivos
. que transmitissem clareza, da seguinte forma: "... um sistema de vigilância dos barcos que
navegam dentro da reserva marinha do arquipélago, o qual conta com 733 mil quilômetros
quadrados e é considerado um dos locais de maior biodiversidade do planeta."
Além disso, o período "É um sistema {. ..) cuja maioria das que trafegam na reserva" está
incoerente, pois a expressão "cuja maioria das que" apresenta a preposição "de", com valor
de posse. Porém, já há o pronome relativo "cuja", o qual só pode ser usado com esse valor
(v.t. 11.12.1). Dessa forma, o ideal seria substituir a expressão "cuja maioria das que trafegam"
por "e a maioria delas trafega". Confira:
O Parque Nacional de Calápagos, no Equador, assinou um convênio com a ONC Sea
Shepard e WWF para impor um sistema de vigilância dos barcos que navegam dentro da
reserva marinha do arquipélago, contando com 133 mil quilômetros quadrados considerado um
dos locais de maior biodiversidade do planeta. É um sistema -o qual será instalado em todas
as embarcações com menos de 20 toneladas de peso bruto -cuja maioria das que trafegam
na reserva. O sistema vai emitir um sinal de rádio, que será captado por antenas em pontos
estratégicos.
A alternativa (C) está errada, pois houve a repetição desnecessária das palavras "sistema"
e "barco". Note que o período "Possuindo 733 mil quilômetros quadrados e considerado um
dos locais de maior biodiversidade do planeta" é iniciado por um verbo no gerúndio, o qual
inicia termo subordinado, sem que a oração principal apareça, o que causa um truncamento
sintático, uma incoerência.
Capítulo 2J Prova 1- Tribunal Regional do Trabalho 8' Região- 2010-
Analista Judiciário- Área Judiciária 141

Além disso, o pronome relativo "que" retoma o vocábulo "embarcações", por isso o verbo
"constitui" deve se flexionar no plural "constituem": Será instalado em todas as embarcações
com menos de 20 toneladas de peso bruto, que constituem a maioria das que trafegam na
reserva, Com isso, reafirmamos a certeza de que esta alternativa está errada. Confirme:
Tratando-se de um sistema de vigilância de barcos, o Parque Nacional de Galápagos, no
Equador, assinou um convênio com a ONG Sea Shepard e WWF para implementar tal sistema
dos barcos que navegam dentro da reserva marinha do arquipélago. Possuindo 733 mil
quilômetros quadrados e considerado um dos locais de maior biodiversidade do olaneta. Será
instalado em todas as embarcações com menos de 20 toneladas de peso bruto, f1.Yft constitui a
maioria das que trafegam na reserva. O sistema vai emitir um sinal de rádio, que antenas em
pontos estratégicos vão captar.
A alternativa (D) está errada, pois o particípio "considerado", na posição em que se
encontra, não transmite clareza quanto ao seu referente (Equador ou arquipélago?). O mesmo
ocorre com o pronome relativo "que", o qual se encontra imediatamente após o substantivo
"planeta", porém ele retoma "arquipélago", o qual se encontra muito distante, trazendo
prejuízo à clareza e à correção gramatical do texto. Além disso, há apenas uma frase e ela é
muito longa, com muitos referentes equivocados, causando prejuízo à correção gramatical.
Confira:
No arquipélago de Galápagos, no Equador. considerado um dos locais de maior
biodiversidade do planeta f/.Yft possui 733 mil quilômetros quadrados, será instalado em todas
as embarcações com menos de 20 toneladas de peso bruto, onde a maioria das que trafegam
na reserva, um sistema de vigilância o qual emitirá um sinal de rádio, captado por antenas em
pontos estratégicos -pelo convênio assinado pelo Parque Nacional com a ONG Sea Shepard
e WWF- para impor esse sistema.
A alternativa (E) é a correta. Note que os referentes estão próximos, facilitando a clareza
no texto. Além disso, perceba que o texto mantém a correção gramatical. Note que o trecho
entre travessões "a maioria das que trafegam na reserva" é um termo que explica, faz uma
consideração sobre o vocábulo "embarcações". Por isso está corretamente pontuado. Avírgula
antes do "e" está colocada apenas por clareza, a fim de indicar nova oração e evitar confusão
com o termo da oração anterior. A vírgula antes de "a ser captado por antenas colocadas
em pontos estratégicos" ocorreu porque temos uma oração subordinada adjetiva explicativa
reduzida de infinitivo. Veja que podemos desenvolvê-la: que será captado por antenas
colocadas em pontos estratégicos.

Gabarito: E

Atencão: As questões de números 23 a 25 referem-se ao texto abaixo.


Rita
No meio da noite despertei sonhando comminhafilha Rita. Eu a via nitidamente,
11a graça de seus cinco anos.
Seus cabelos castat1hos - a fita azul- o nariz reto, correto, os olhos de água, o
riso fino, e11graçado, brusco ...
142 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho

Depois 11m instante de seriedade; minlza filha Rita encarando a vida sem medo,
mas séria, com dignidade.
Rita ouvindo mâsica; vendo campos, mares, montanhas; ouvindo de seu pai o
pouco, o nada que ele sabe das coisas, mas pega11do dele seu Jeito de amar- sério,
quieto, devagar.
Eu lhe traria caJus amarelos e vennelhos, seus olhos brilhariam de prazer. Eu lhe
ensinaria a palavra cica, e também a amar os bichos tristes, a anta e a pequena cutia;
e o córrego; e a nuvem tangida pela viração.
Minha filha Rita em meu sonho me sorria .:_com pena deste seu pai, que nunca
a teve.
(Rrtbem Braga. 200 Crôuicas escolhidas. 13. ed. Rio de ]mzciro. Record, 1998, p. 200)

:23-;o emprego de um mesmo tempo e modo verbal em traria, brilhariam e ensinaria, no


~- penúltimo parágrafo do texto,
a) indica que tais ações foram efetivamente realizadas enquanto a filha do autor ainda
vivia, isto é, antes da morte dela aos cinco anos de idade.
b) denota o desejo do autor de ver tais ações realizadas no futuro, quando a filha atingir
a idade de cinco anos.
c) enfatiza a tristeza do autor por não ter mais a guarda da criança, o que é revelado
apenas no último parágrafo do texto.
d) sugere que o sonho nada mais é que a lembrança de ações recém-realizadas durante o
estado de vigília do autor.
e) antecipa a revelação feita no último parágrafo de que a filha do autor nunca existiu,
sendo tais ações apenas hipotéticas.

Comentário: A hipótese marcada pelas ações no futuro do pretérito do indicativo é confirmada


pela última frase, por meio da expressão "que nunca a teve". Esta expressão nos revela que
a filha nunca existiu. Se ele a tivesse, naturalmente a expressão" ... traria cajus amarelos e
vermelhos, seus olhos brilhariam de prazer. Eu lhe ensinaria a palavra cica..." teria o tempo
verbal trocado para o futuro do presente do indicativo "trarei cajus amarelos e vermelhos,
seus olhos brilharão de prazer e eu lhe ensinarei a palavra cica"; pois seria algo possível
de execução. O fato de a filha não existir enfatiza que há apenas hipótese, por isso o uso dos
verbos no futuro do pretérito do indicativo.

Gabarito: E
\IOJIIlUIU L 1 I I UVO f - IIIUUI ICI I H:::81Uit01 UU li OUCJIIIU o~ nt::yldU- LU l U -

Analista Judiciário- Área Judiciária 143

24.... na graça de seus cinco anos. (primeiro parágrafo)


... e a nuvem tangida pela viração. (penúltimo parágrafo)
As palavras grifadas nas frases transcritas acima têm, respectivamente, o sentido de
a) dádiva e calmaria.
1 b) encanto e brisa marinha.
c) gratuidade e vento forte.
I d) alegria e mudança do clima.

I e) inocência graciosa e tempestade.

Comentário: Partamos da primeira palavra: "graça". Neste contexto, esse substantivo não
possui o sentido de gratuito, mas de encantamento, alegria etc. Com isso, eliminamos as
alternativas (A) e (C). Note que o vocábulo "dádiva" significa "presente", "oferta", "dom". Isso
confirma a exclusão da alternativa (A).
O substantivo "viração" significa vento brando, brisa marítima. Assim, só cabe a alternativa
(B) como correta.

Gabarito: B

~--·com pena deste seu pai, fJ..YP. nunca a teve. (último parágrafo)
O pronome relativo grifado na frase at:ima está também presente na seguinte frase:
a) Com frequência, o sonho nada mais é que a: realização de nossos mais recônditos
desejos.
b) Éde se perguntar que outro dilema poderia ter recebido expressão poética tão saborosa:
"Filhos? Melhor não tê-los! Mas se não os temos, como sabê-lo?"
c) Tornou-se difícil encontrar nos jornais crônicas que não tenham como tema a política
ou a economia, _isto é, crônicas propriamente ditas.
d) Muitos já notaram que as crônicas de Rubem Braga são verdadeiros poemas em prosa.<
e) Talvez não haja nada mais ambivalente que a maternidade ou a paternidade, com sua
teimosa mistura de risos e lágrimas. .•

Comentário: A questão quer apenas que você localize um pronome relativo nas alternativas.
Para termos certeza de que há um pronome relativo, basta substituirmos o "que" por "o qual"
e suas variações.
Na alternativa (A), não há pronome relativo. O vocábulo "que" compõe a expressão
comparativa de superioridade: mais que.
Na alternativa (B), também não há pronome relativo. O vocábulo "que" é uma conjunção
integrante. Veja que podemos substituir toda a oração posterior pela palavra ISSO, o que
comprova que há uma oração substantiva. (É de se perguntar isso.)
Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho
c
144 t

A alternativa (C) é a correta, pois o vocábulo "que" realmente é um pronome relativo. Note
que podemos substituí-lo por 'E__guajs:'. Veja:
Tornou-se difícil encontrar nos jornais crônicas as quais não tenham como tema a política
ou a economia, isto é, crônicas propriamente ditas.
Na alternativa (D), o vocábulo "que" é conjunção integrante. V~;:ja que podemos substituir
toda a oração iniciada por este vocábulo pela palavra "isso": Muitos já notaram ISSO._
Na alternativa (E), o vocábulo "que" tem o mesmo valor já falado na alternativa (A):
comparação de superioridade.

Gabarito: C

Edital do conéurso TRT 8ª Região - 2010


Analista Judiciário - Área Administrativa
Ortografia oficial. Acentuação gráfica. Flexão nominal e verbal. Pronomes:
emprego, formas de tratamento e colocação. Emprego de tempos e modos
verbais. Vozes do verbo. Concordância nominal e verbal. R:êgência nominal
e verbal. Ocorrência de crase. Pontuação. Sintaxe da oração e do período.
Redação (confronto e reconhecimento de frases corretas e incorretas).
Intelecção de texto. Significação literal e contextual de vocábulos.

Quadro-resumo das questões com relação ao conteúdo do edital:


Questão 1: IntelecÇão de texto.
.... . . .
Questão 2: Redação "(confronto e reconhecünento de frases corretas e
incorret:l.s):
Questão 3: Vozes do verbo.
Questão 4: Vozes do verbo. Regência verbal. Sintaxe da oração.
Questão 5: Pontuação.
Questão 6: Intelecção de texto.
Questão 7: Intelecção de texto.
Questão 8: Redação (confronto e reconhecimento de frases corretas e
incorretas).
Questão 9: Intelecção de texto.
Questão 10: Redação (confronto e reconhecimento de frases corretas
e incorretas). Intelecção de texto. Sintaxe da oração e do
período.
Questão 11: Pronomes: emprego. Emprego de tempos e modos verbais.
Vozes do verbo. Concordância nominal e verbal.
Capítulo 2\ Prova 1- Tribunal Regional do Trabalho 8• Região- 2010-
Analista Judiciário- Área Judiciária 145

Questão 12: Intelecção de texto.


Questão 13: Intelecção de texto.
Que~tão 14: Intelecção de texto.
Questão 15: Sintaxe da oração e do período. Intelecção de texto.
Pontuação.
Questão 16: Intelecção de texto.
Questão 17: Flexão verbal.
Questão 18: Ocorrência de crase.
Questão 19: Intelecção de texto.
Questão 20: Redação (confronto e reconhecimento de frases corretas e
incorretas).
Questão 21: Intelecção de texto.
Questão 22: Redação (confronto e reconhecimento de frases corretas e
incorretas).
Questão 23: Emprego de tempos e modos verbais.
Questão 24: Significação literal e contextual de vocábulos.
Questão 25: Sintaxe do período.

Assim, podemos eleger uma prioridade de estudo com base nos temas mais
relevantes, ordenando de forma decrescente os temas que maiS caem nas
provas, da seguinte forma:
1º- Intelecção de texto. (12 ocorrências)
2º- Redação (confronto e reconhecitnento de frases corretas e
incorretas). (5 ocorrências)
3si Vozes do verbo. (4 ocorrências)
4'! Sintaxe da oração. (3 ocorrências)
Sintaxe do período. (3 ocorrências)
62 Emprego de tempos e modos verbais. (2 ocorrências)
Pontuação. (2 ocorrências)
8º- Flexão Verbal. (1 ocorrência)
Regência verbal. (1 ocorrência)
Pronomes: emprego. (1 ocorrência)
Significação literal e contextual de vocábulos. (1 ocorrência)
Concordância nominal e verbal. (1 ocorrência)
Ocorrência de crase. (1 ocorrência)
146 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria 1Décio Terror Filho

13 2 Flexão nominal e verbal. (nenhuma ocorrência)


Ortografia oficial. (nenhuma ocorrência)
Acentuação gráfica. (nenhuma ocorrência)
Pronomes: formas de tratamento e colocação. (nenhuma
ocorrência)
Regência nominal. (nenhuma ocorrência)
147

Prova 2
Tribunal Regional do Trabalho 12ª Região- ?010-
Técnico Judiciário- Área Administrativa

Atenção: As questões de números 1 a 11 baseiam-se no texto abaixo.


Gilda de i\lfello e Souza dizia que o Brasil é muito bom nas noPclas. Para ter
público, a noPcla precisa dispor de personagens de todas as classes sociais, explicaPa
ela, o que exige uma trama complexa. Acrescento: a mobilidade social é decisiva nas
noPclas e se dá sobretudo pelo ,wwr entre ricos e pobres. Provavelmente flS noPclas
exibam casos de ascensão social pelo amor - genuíno ou fingido - em proporção
maior que a vida real. .. j\lfas a li OPela não é tl/11 ,retrato do Brasil, ou melhor, é sim,
mas como aqueles retratos antigos do avô e da a'vó, fotografados em preto e brani:o,
mas, depois, widadosamente rei,1cados e coloridos. O fundo é real. A tela: ideais,
sonhos, Jantas ias.
NoPelas viPem de coriflitos. Eles são movidos, quase todos, pela oposição do bem e
do mal. Esse confronto dramático nos empolga. Tah:ez por, issO c! democracia não nos
empolgue tanto, 110 seu dia a dia: porque, nela, os conflitos são a norma e 11ão a exceção.
Ela é o único regime em que dú,etgir, sem ter de se explicar e justificar, é legítimo.
Quando uma democracia Juncio11a bem, não escolhemos em razão da honestidade e
competência- que deveriam existir nos dois ou mais lados em concorrência- mas com
base nos valores que priferimos, por exemplo, liberalismo ou socialismo. Mas uossa
tendência, mesmo nas democracias, é converter as eleições em lutas do bem contra o mal.
É demonizar o adPersário, tran~fórmá-lo em inimigo. Creio que isso explica por que a
democracia, uma vez instalada, empolga menos que a nopefa. De noite, dá mais prazer
reeditar o *ágon milenar do bem e do mal, do que aceitar que os coriflitos jazem parte
essencial da vida e, portanto, as duas partes podem ter alguma razão. Aliás, há muitos
séwlos que é encenada essa situaçiio de cotifronto irremediáPel entre dois lados que têm
r
148 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho

razão: desde os gregos antigos, tem o nome de tragédia. A democracia é uma tragédia
sem .final infeliz- ou, talvez, sem j1nal.
As novelas recompensam, em gemi, os bons.•~1as eles são bollS só na vida privada.
É difícil alguém se empenhar em melhorar a cidade, a sociedade. As personagens
boas são afetuosas, solidárias, mas não têm vida pública. As personagens más são
menos m1merosas, mas são indispensáveis. Condimentam a trama. Seu destino é
mais variado, e assim deve se1; se quisermos uma boa novela. Não podem ser todas
punidas, nem sair todas impunes.
* ágon - elemento de origem grega: assembleia; local onde se realizam jogos sacros e
lutas; luta.
(Treclw do art(go de Rmato j.mi11e Ribeiro. O Estado de S. Paulo,
C2+mrísica, D 17, 11 de setembro de 201 O, com adaptações.)

1. De acordo com o texto,


a) as novelas são mais interessantes do que qualquer disputa eleitoral, porque elas trazem
novidades que não se encontram em um regime democrático que funciona bem.
b) os conflitos extremos f!JOStrados nas novelas despertam maior interesse do que a ~.
rotina diária, em que os fatos-e opiniões nem sempre despertam maior entusiasmo nas
pessoas.
c) a rotina da vida diária, mesmo em regimes democráticos, acaba premiando apenas os
bons, deixa rido de l-ado pessoas más, que geralmente se livram das merecidas punições.
d) a deturpaçãoda vida real: F~ as nov~liJS, que se voltam acentuadamente para sonhos
e fantasias •.,pode J~ilnsformá-las êm fator alienante dos problemas normalmente
existentes em uma d"e~·oc~aC:ia. ·
e) as emoções trazidas pelos conflitos que surgem nas novelas nem sempre são suficientes
pará despertar sentimentos mais nobres nas pessoas, que tendem rotineiramente para
.. .
comportamentos ant1et1cos. "-----·

Comentário:.Neste tipo de questão, é cobrada alguma afirmação que tenha relação com a
linha argumentativa do texto. Assim, devemos partir de cada afirmação das alternativas e
verificar se ·há sustentação com dados do texto (v.t. 13.2).
A alternativa (B) é a correta e teve como base a expressão do segundo parágrafo abaixo
reproduzido:
"Novelas vivem de conflitos'. Eles sãd movidos, quase todos, pela oposição do bem e do
mal. Esse confronto dramático nos empolga. Talvez por isso a democracia não nos empolgue
tanto, no seu dia-a dia': porque, nela, os conflitos são a norma e não a exceção. Ela é o único
regime ein que divergir, sem ter de se explicar e justificar, é legítimo. 3 "
Agora, confirme com esta alternativa, por meio dos trechos numerados:
"os conflitos' extremos mostrados nas novelas despertam maior interesse do que a rotina
diária>, em que os fatos e opiniões nem sempre despertam maior entusiasmo nas pessoas•."
Capítulo 21 Prova 2- _Tribunal Regional do Trabalho 12' Região- 2010-,
Técnico Judiciário- Are a Administrativa
149

Ora, se alguém pode divergir sem ter que explicar, isso é sinal de que os fatos e opiniões
nem sempre despertam maior entusiasmo nas pessoas,
Com base nesses dados, percebemos os indícios que nos mostram a alternativa (B) como
correta,
Agora, vejamos as demais:
A alternativa (A) está errada, porque o texto faz um paralelo entre 'novela e democracia;
assim, não houve restrição a gualguer disputa eleitoral. como afirmou a alternativa,
A alternativa (C) está errada, Além de o texto não afirmar que a rotina da vida diária
premia apenas os bons, perceba a incoerência: foi expresso na alternativa que a democracia
premia os bons, deixando de lado pessoas más, Ora, se deixa de lado as pessoas más, isso
significa que elas não seriam beneficiadas,., Mas elas acabam sendo, pois logo em seguida
a alternativa afirma que geralmente essas pessoas más se livram das merecidas punições,
Assim, também as pessoas más seriam premiadas, o que resulta numa afirmação contraditória,
A alternativa (D) está errada, pois o autor não encarou a novela como deturpação da
vida reaL Esta é uma afirmação extratexto, pois o leitor pode até identificar-se com este
pensamento, mas não foi essa a argumentação do autor do texto,
A alternativa (E) está errada, porque a afirmativa não possui elementos no texto que a
comprovem, Assim, houve uma extrapolação do conteúdo.

Gabarito: B

2. Conclui-se do texto que democracia


a) pode levar as pessoas a situações de fantasia, distantes do mundo real, tal como se faz
em novelas que despertam grande audiência.
b) tende a nivelar o comportamento das pessoas, padronizando seus desejos, tendo em
vista que as oportunidades de realização são iguais para todos.
c) exige, assim como nas novelas, que seus desdobramentos sejam acompanhados de
perto por todos, para que as coisas boas sempre superem as más.
d) é sempre um processo dinâmico, em que opiniões, valores e escolhas pessoais
divergentes se manifestam no fluxo diário da convivência sociaL
e) nem sempre parece ser o melhor regime, pois as pessoas, mesmo de índoles diferentes,
convivem tranquilamente na sociedade, sem quaisquer restrições.

Comentário: Concluir do texto alguma coisa significa tirar dele uma inferência, uma lógica
guiadas por alguns vestígios (v.t. 13.2).
A alternativa (A) está errada, porque não há menção no texto de que a democracia pode
levar as pessoas a situações de fantasia, distantes do mundo reaL
A alternativa (B) está errada, pois a democracia não tem a intenção de nivelar
comportamentos e não há nada no texto que traduza essa interpretação.
150 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- + breve teoria 1 Décio Terror Filho

A alternativa (C) está errada, porque no texto não há nenhuma referência a uma exigência
da democracia quanto aos desdobramentos serem acompanhados por todos.
A alternativa (D) está correta. Para entendermos melhor, transcrevemos tanto um trecho
do segundo parágrafo quanto a alternativa:
Texto: "Talvez por isso a democracia não nos empolgue tanto, no seu dia a dia': porque,
nela, os conflitos 2 são a norma e não a exceção. Ela é o único regime em que divergir 1, sem ter
de se explicar e justificar, é legítimo."
Assim, podemos concluir do texto que a democracia é sempre um processo dinâmico 2 (pois
se reflete nos "conflitos", que são a regra, a base), em que opiniões. valores e escolhas pessoais
divergentes 2 (subentendendo-se que estão expressos nos "conflitos") se manifestam no fluxo
c diário' da convivência social (no dia a dia).
A alternativa (E) está errada, pois democracia não significa viver tranquilamente sem
restrições.

Gabarito: O

3. No 1• parágrafo, o autor
a) incorpora uma opinião alheia sobre as novelas como base para iniciar o desenvolvimento
de suas próprias ideias a respeito desse tema.
b) estabelece a oposição básica que perpassa todo o assunto do texto, entre sinceridade
e fingimento, que também vai nortear o debate político na democracia.
c) se vale da ficção apresentada nas novelas como imagem diluída de uma sociedade
permissiva, que aceita, sem restrições, comportamentos antiéticos.
d) condena o uso, muitas vezes indevido, de um sentimento amoroso que deveria unir
pessoas, como meio válido de ascensão social.
e) critica o hábito, comum em autores de novelas, de criar conflitos nem sempre válidos,
para tornar a trama mais atraente.

Comentário: Esta questão e a próxima exploram a interpretação localizada (v.t. 13.3), pois se
especificou dado do primeiro parágrafo do texto. Assim, antes de resolver essas questões, é
importante reler o primeiro parágrafo.
A alternativa (A) é a correta, porque realmente há uma opinião alheia (a de Gilda de Mello
e Souza) e isso é uma base para iniciar o desenvolvimento de suas próprias ideias a respeito
desse tema, que é a democracia. Essas ideias são desenvolvidas ao longo do texto, mas tem
uma abertura neste parágrafo a partir de expressões como "Acrescento", "em proporção maior
que a vida real', "a novela não é um retrato do Brasil, ou melhor, é sim" e" O fundo é real. A
tela: ideais, sonhos, fantasias':
A alternativa (B) está errada, pois não houve oposição entre "sinceridade e fingimento",
que traz uma carga semântica pejorativa, mas entre "ficção e realidade".
~,;apuuw li t'rova z- 1nbunal Regional do Trabalho 12' Região- 2010-
Técnico Judiciário- Área Administrativa 151

A alternativa (C) está errada, porque o primeiro parágrafo não alude categoricamente a
que haja uma sociedade permissiva, que aceita, sem restrições, comportamentos anti éticos.
A alternativa (D) está errada, pois, no primeiro parágrafo, não há condenação do uso de
um sentimento amoroso.
A alternativa (E) está errada, pois não há crítica ao hábito de criar conflitos.

Gabarito: A

4. A referência, no 1• parágrafo, aos retratos retocados e coloridos


a) acentua o caráter alienante das novelas, cuja trama desconsidera os reais problemas a
serem enfrentados pelas pessoas envolvidas no enredo.
b) demonstra a capacidade de disfarce que caracteriza as personagens de má índole, que
dão vida ao desenrolar da novela.
c) aponta para o papel da ficção que, embora se baseie em fatos e personagens reais, cria
situações fantasiosas, que preenchem o imaginário popular.
d) alerta para o constante desvirtuamento, mostrado na~ novelas, de valores básicos da
sociedade, sugerindo modelos de comportamentos antiéticos.
e) reproduz as atitudes previamente preparadas pelos maus para prejudicar os bons,
atraindo o interesse daqueles dispostos a acompanhar o drama novelesco.

Comentário: Para resolver esta questão, é ip1portante voltar ao trecho do texto que ambienta
a frase: "Mas a novela não é um retrato do Brasil, ou melhor, é sim, mas como aqueles retratos
antigos do avô e da avó, fotografados em preto e branco, mas, depois, cuidadosamente
retocados e coloridos. Q fundo é real. A tela: ideais, sonhos, fantasias."
Note que esse retrato não espelha a realidade, por ser retocado e colorido de "ideais,
sonhos, fantasias''.
Com base nisso, vemos que a alternativa correta é a (C), a qual literalmente nos mostra
a ideia de contraste entre o real e a ficção: "aponta para o papel da ficção que, embora se
baseie em fatos e personagens reais. cria situações fantasiosas, que preenchem o imaginário
popular."
A alternativa (A) está errada, principalmente por causa dos vocábulos "alienante",
"desconsidera".
A alternativa (B) está errada, porque, com tal expressão, não se quis mostrar capacidade de
disfarce, tampouco restringir a personagens de má índole.
A alternativa (D) está errada, pois tal expressão não teve a intenção de alertar para
constante desvirtuamento, tampouco sugere modelos de comportamentos anti éticos.
A alternativa (E) está errada, pois tal expressão não teve a intenção de reproduzir as ações
dos maus.

Gabarito: C
152 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria J Décio Terror Filho

5. O fundo é real. A tela: ideais, sonhos, fantasias. (final do 12 parágrafo)


Com outras palavras, o sentido do que se diz acima está corretamente reproduzido em:
a) Sendo a verdadeira realidade, na representação de ideais, sonhos e fantasias.
b) A base dos fatos é verdadeira, mas na tela surgem ideais, sonhos, fantasias.
c) No fundo da história, é a verdade, que na tela só tem ideais de sonhos e fantasias.
d) A realidade é vista com profundidade, conquanto na tela se veja ideais de sonhos
fantasiosos.
e) Os ideais, sonhos e fantasias da tela se transformam na mais profunda verdade.

Comentário: Percebemos no texto que há um contraste entre o real e o imaginário (a tela); por
isso a alternativa (B) é a correta, pois entre esses enunciados cabe a conjunção coorcjenada
adversativa "mas" (v.t. 3.6). Veja que, nesta alternativa, "fundo" é o mesmo que "base dos
fatos' e "reaf' é o mesmo que "verdadeira".
A alternativa (A) está errada, primeiro porque não há período apenas com oração
reduzida de gerúndio. Assim, falta uma oração principal para a ora~ão "Sendo a verdadeira... "
(v.t. 3.10.1). Além disso, a construção sintática da oração mostra que "verdadeira realidade"
e "representação de ideais, sonhos e fàntasias' não representam contraste, e sim um mesmo
nível semântico.
A alternativa (C) está errada, pois o período sintático está truncado, sem coerência. Uma
. reconstrução possível seria:" No fundo, é verdade que na tela só há ideais, sonhos e fantasias."
A alternativa (D) .está errada, pois "fundo", neste contexto, significa "base" e não
profundidade, como sugere a alternativa. Além disso, o verbo" veja" deve se flexronar no plural,
porque é transitivo direto, o pronome·''se" é__?passivador, e o sujeito paciente é "ideais de
sonhos fantasiosos'. (v.l 2.2:4 é 7.4)
A alternativa (E) está errada, pois não há transformação de ideais, sonhos e fantasias em
realidade.

Gabarito: B

6. Provavelmente as novelas exibam casos de ascensão social pelo amor- genuíno ou


fingido- em proporção maior que a vida real... (1 2 parágra~
O emprego das reticências no final do segmento transcrito acima denota
a) nova referência, desnecessária, ao comentário de alguém alheio ao contexto.
b) recurso adotado pelo autor, no sentido de estimular o interesse do leitor.
c) certeza da concordância de um eventual leitor com a opinião ali exposta.
d) desejo de que a ficção possa se deter, realmente, em fatos que ocorrem na vida real.
e) hesitação, pela presença de um comentário de cunho subjetivo, sem base em dados
reais.
Capítulo 21 Prova 2- Tribunal Regional do Trabalho 12• Região- 2010-,
Técnico Judiciário- Área Administrativa 153

Comentário: As reticências geralmente são usadas para marcar uma continuação da fala do
locutor, de certo grau de emoção, de se fazer subentendeL Além disso, pode também transmitir
incerteza, indecisão, hesitação (v.t. 8.11.2), como ocorre no texto. Por isso, cabe a interpretação
de um·a hesitação, pelo comentário subjetivo, sem dados reais. Isso é ratificado pelo
advérbio "Provavelmente".

Gabarito: E

7. Mas a novela não é um retrato do Brasil, ou melhor, é sim... (lº parágrafo)


O emprego da expressão grifada acima assinala uma
a) contradição involuntária.
b) repetição para realçar a ideia.
c) retificação do que havia sido dito.
d) conclusão decorrente da afirmativa inicial.
e) condição básica de um fato evidente.

Comentário: A expressão "ou melhor' é chamada de palavra denotativa de retificação


(v.t. 1.7.6 e 8.2.4), por isso a alternativa (C) é a correta.

Gabarito: C

8. Gilda de Mello e Souza dizia que o Brasil é muito bom nas novelas... (início do texto)
O verbo flexionado nos mesmos tempos e modos em que se encontra o grifado acima está em:
a) ... explicava ela ...
b) Novelas vivem de conflitos.
c) Talvez por isso a democracia não nos empolgue tanto, no seu dia a dia ...
d) - que deveriam existir nos dois ou mais lados em concorrência -
e) Mas eles são bons só na vida privada.

Comentário: O verbo "dizia" possui a desinência modo-temporal "-ia" (segunda conjugação),


a qual indica o tempo pretérito imperfeito do indicativo (v.t. 12.3.2.2).
Ficaria muito evidente nas alternativas se a banca inserisse outro verbo no mesmo
tempo verbal e com a mesma desinência "ia". Assim, para a questão não ficar muito simples,
a banca apenas troca o verbo da segunda conjugação (infinitivo terminado em "er"), num
verbo da primeira conjugação (infinitivo terminado em "ar"). Dessa forma, automaticamente,
a desinência "ia" muda para "va".
Este é o motivo de a alternativa (A) ser a correta. O verbo "explicava" também se encontra
no tempo pretérito imperfeito do indicativo, pois possui a desinência modo-temporal "- va"
(típica dos verbos de primeira conjugação).
154 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria 1Décio Terror Filho

Na alternativa (B), o verbo" vivem" encontra-se no presente do indicativo (v.t. 12.3.1).


Na alternativa (C), o verbo "empolgue" encontra-se no presente do subjuntivo (v.t. 12.4.1).
Na alternativa (O), o verbo "deveriam" encontra-se no futuro do pretérito do indicativo
(v. t. 12.3.6).
Na alternativa (E), o verbo "são" encontra-se no presente do indicativo (v.t. 12.3.1).

Gabarito: A

9. A expressão em que preenche corretamente a lacuna da frase:


" a) A trama das novelas transforma fatos reais em sonhos, ...... muitos se distraem à noite,
em suas casas.
b) Após algum tempo, as pessoas esquecem as propostas ...... marcaram o andamento da
trama novelesca, mesmo que tenha obtido sucesso.
c) Devemos estar atentos ao fato ...... novelas, por serem instrumento de lazer, tendem a
mostram visão fantasiosa do mundo.
d) Formas de comportamento ...... o autor projeta defeitos e virtudes da sociedade podem
ser encontradas diariamente nas ruas.
e) As novelas ...... o crítico se referia haviam discutido situações desagradáveis, que
passam despercebidas para a maioria das pessoas.

Comentário: Esta questão explora a regência com pronome rela,ti~q- (v.t-11). Assim, é importante
notar as funções sintáticas do pronome relativo vistas nesse tópico.
Na-alternativa (A), a oração subordinada adjetiva restritiva deve receber o pronome relativo
"que" com preposição "com". Isso ocorre porque o verbo pronominal "se distraem' é transitivo
direto e indireto, o pronome "se" é reflexivo (v.t 2.3), na função de objeto direto, as expressões
"à noite" e" em suas casas" são adjuntos adverbiais de tempo, lugar, respectivamente, e" com
que" é o objeto indireto. Por isso o pronome relativo é preposicionado. Veja:
A trama das novelas transforma fatos reais em sonhos, com que muitos se distraem à noite,
em suas casas.
Na alternativa (B), a oração subordinada adjetiva restritiva deve receber o pronome relativo
"que" sem preposição. Isso ocorre porque o verbo "marcaram' está no plural por concordar
com o sujeito "que", o qual retomou o substantivo "propostas'. Note que a expressão "o
andamento da trama novelesca" é o objeto direto.
Após algum tempo, as pessoas esquecem as propostas que marcaram o andamento da trama
novelesca, mesmo que tenha obtido sucesso.
Na alternativa (C), o substantivo" fato" rege a preposição "de", por isso a oração sublinhada
abaixo é subordinada substantiva completiva nominal (v.t. 5.4). Veja:
Devemos estar atentos ao fato de que novelas, por serem instrumento de lazer, tendem a
mostram visão fantasiosa do mundo.
Capítulo 21 Prova 2- Tribunal Regional do Trabalho 12• Região- 2010-
Técnico Judiciário- Área Administrativa 155

A alternativa (D) é a correta, pois a oração subordinada adjetiva restritiva deve receber o
pronome relativo "qur!' precedido da preposição "em", porque o verbo "projeta" é transitivo
direto e indireto, o sujeito é o termo "o autor", "defeitos e virtudes da sociedade" é o objeto
direto e o pronome relativo "em que" é o objeto indireto. Po-r isso deve ser precedido da
preposição "errl'. Veja:
Formas de comportamento em que o autor projeta defeitos e virtudes da sociedade podem ser
encontradas diariamente nas ruas.
Na alternativa (E), o verbo pronominal "se referia" é transitivo indireto e rege a preposição
"a", por isso o pronome relativo deve ser precedido dessa preposição, por ser objeto indireto.
O sujeito é o termo "o críticd'. Veja:
As novelas a que o crítico se referia haviam discutido situações desagradáveis, que passam
despercebidas para a maioria das pessoas.

Gabarito: I

11. A concordância verbal e nominal está inteiramente correta na frase:


a) Personagens do bem e personagens do mal mostra a dualidade que existe em todas as
ações humanas no decorrer de uma trama realmente capaz de manter o interesse dos
espectadores. ··
b) O drama representado em uma novela, com personagens_atraentes que se divide entre
o bem e o mal, atraem, durante vários meses, a atenção de um público fiel e interessado
em suas peripécias.
c) Uma novela que chame a atenção do público e leve os espectadores a acompanhar a trama,
muitas vezes longa, deve basear-se em uma realidade transmudada em sonho e fantasia.
d) Para que seja atraente as situações criadas pelo autor de uma novelas, é preciso
que as personagens tenham atitudes coerentes e convincentes para o público que a
acompanham diariamente.
e) O drama qÚe vive ás personagens de novelas, ainda que seja baseado em tipos humanos
reais, nem sempre convencem os espectadores, que desejam se distrair em casa, após o
trabalho.

Comentário: As frases foram reescritas abaixo já corrigidas com os verbos em negrito e seus
sujeitos sublinhados. Para verificar a concordância correta (v.t. 7), basta grifar o verbo e
perceber a quem ele se refere.
Na alternativa (A), o primeiro verbo deve se flexionar no plural (mostram), porque o sujeito
é" Personagens do bem e personagens do ma/'. O verbo "existe" está corretamente no singular,
porque seu sujeito é o pronome relativo "que", o qual retoma o substantivo "dualidadr!'.
O verbo "mantel' está corretamente no singular por concordar com seu sujeito subentendido
"uma trama". Veja:
Personagens do bem e personagens do mal mostram a dualidade~ existe em todas as ações
humanas no decorrer de uma trama realmente capaz de manter o interesse dos espectadores.
Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho
r
156

Na alternativa (B), o primeiro verbo deve se flexionar no plural ("dividem"), pois é transitivo
direto e o pronome apassivador "se" (v.t. 7.4) leva o pronome "que" a ser o seu sujeito paciente,
o qual retoma o substantivo plural "personagens'. O segundo verbo deve se flexionar no
singular, pois seu sujeito é "drama". Veja:
O drama representado em uma novela, com personagens atraentes Q!!.fi. se dividem entre o bem e
o mal, atrai, durante vários meses, a atenção de um público fiel e interessado em suas peripécias.
A alternativa (C) é a correta. Os verbos "chame" e "leve" encontram-se no singular,
porque seu sujeito é o pronome relativo "que", o qual retoma. o substantivo "novela".
O infinitivo "acompanhar" pode ser impessoal, como ocorre na questão, mas também pode se
referir ao substantivo "espectadores', tornando-se pessoal e podendo se flexionar no plural
(v.t. 7.9.1.3.2). A locução "deve basear-se" concorda com o seu sujeito" Uma novela". Veja:
Uma npvela Íll!ft ch(lme a atenção do público e leve os espectadores a acompanhar a trama,
muitas vezes .longa, devé baseú-se em uma realidade transmudada em sonho e fantasia.
Na alternativa (D), o predicado nominal deve se flexionar no plural (sejam atraentes), porque o
sujeito é "as situações'. O substantivo "novela" deve se flexionar no singular, porque o artigo indefinido
"uma" se encontra no singular e o contexto exige isso. Overbo" tenham' está corretamente flexionado
no plural, porque seu sujeito é "as personagens'. O último verbo deve se flexionar no singular, pois
seu sujeito é o pronome relativo "que", o qual retoma o substantivo "públicd'. O pronome deve se
flexionar no plural (as) por se referir ao substantivo "personagens'. Veja:
Para que sejam atraentes as situações criadas pelo autor de uma novela, é preciso que as personagens
tenham atitudes coerentes e convincentes para o público Q!!.fi. as acompanha diariamente.
Na alternativa (E), o primeiro verbo deve ser flexionado no plural ("vivem"), pois o sujeito é
"as personagens de nove.Ja.S'. A locução verba I "seja baseado" se refere ao substantivo" drama",
por isso se flexiona no singular. o terceiro verbo deve se flexionar no singular, porque seu
sujeito é "O drama". A última locuÇao verb~lf-ést~ corretamente flexionada no plural, porque
seu sujeito é o pronome relativü "que", o qual.retoma o substantivo "espectadores'. Veja:
O drama que vivem as personagens de novelas, ainda que seja baseado em tipos humanos
reais, nem sempre convence os espectadores, Q!JJ;. desejam se distrair em casa, após o trabalho.
Gabarito: C

11. As personagens más são menos numerosas, mas são indispensáveis. Condimentam
a trama. Seu destino é mais variado, e assim deve ser, se quisermos uma boa novela.
Não podem ser todas punidas, nem sair todas impunes. ·
As frases acima, do final do texto, se organizam de modo lógico, claro e correto em um
único período, sem alteração do sentido original, em:
a) Indispensáveis, porém não tanto más, as personagens numa boa novela é o condimento
da trama, onde o destino é mais variado, como déve ser, e nem todas punidas, nem
todas impunes.
b) As personagens más, cujo destino é mais variado, pois nem todas são punidas, nem
saem todas impunes, são menos numerosas em uma boa novela, porém indispensáveis,
porque condimentam a trama.
Capítulo 21 Prova 2- }ribunal flegional do Trabalho 12• Região- 2010- .
Té.cnico Judiciário -Area Administrativa 157

c) Mesmo que as personagens más são menos numerosas, mas indispensáveis na trama
de uma boa e condimentada novela, seu destino é mais variado, e assim nem todas
saem punidas, nem todas saem impunes.
d) . Se quisermos uma boa novela, em cujas personagens não podem ser todas punidas,
· nem sair todas impunes, as más são menos numerosas, enquanto são indispensáveis
na trama quefica mais condimentada por seu destino mais variado.
e) Assim deve ser numa boa novela de cujas personagens más menos numerosas, mas
indispensáveis na condimentação da trama, que o destino é mais variado, nem todas
punidas, nem todas impunes.

Comentário: Desmembramos o trecho em destaque para melhor visualização do conteúdo e


análise das respostas.
1. As personagens más são menos numerosas,
2. mas são indispensáveis.
3. Condimentam a trama.
4. Seu destino é mais variado, e assim deve ser, se quisermos uma boa novela.
5. Não podem ser todas punidas,
6. nem sair todas impunes.
Comparando es;;as informações numeradas com a alternativa (B), vemos que há correção
gramatical e permânência de sentido. Compa·re:
(1)As personagens más, (4)cujo destino é mais variado, (5)pois nem todas são punidas, (6)nem
saem todas impunes, (1)são menos numerosas em uma boa novela, (2)porém indispensáveis,
(3)porque condimentam a trama.
Na alternativa (A), já há uma incoerência na primeira expressão "Indispensáveis, porém
não tanto más", pois o trecho afirma que as personagens más são menos numerosas. Isso
não quer dizer que elas não sejam tão más, como sugere a expressão "não tanto más", desta
alternativa.
Na alternativa (C), temos vários problemas de sentido e de correção gramatical, mas
podemos citar apenas um para partirmos para a alternativa seguinte. A locução conjuntiva
"Mesmo que" obriga o verbo "são" a se flexionar no subjuntivo "sejam" (v.t. 4.4.1).
Na alternativa (D), há uma mistura de informações que transmitem incoerência. Para
segurança4 que ela está errada também gramaticalmente, vemos que a preposição "em"
antes d/ pronome relativo "cuja" deve ser retirada, pois este pronome está na função de
sujeito da locução verbal "podem ser punidas' (v.t. 11.12.3).
A alternativa (E) está truncada, pois as misturas de informações e de orações sem coesão
atrapalham a coerência do texto.

Gabarito: B
158 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho

Atencão: As questões de números 12 a 18 baseiam-se no texto abaixo.


O crescimento das cidades médias, aquelas com mais de 100.000 e menos de
500.000 habitantes, é o grande fenômeno nacional. Na próxima década, a catarinense
Joinville, a gaúcha Caxias do Sul, Niterói c Campos dos Goytacazes, tzo Rio de
Janeiro, e Santos e São José do Rio Preto, em São Partio, devem ombrear com Londrina,
no Paraná. No sertão nordestino, a pernambucana Petrolína e a paraibana Campitw
Grande já se comportam como metrópoles. Há vários casos de cidades médias que
crescem a um ritmo chinês, como a paulista Hortolândia, a paraense JV!arabá e Angra
dos Reis e Cabo Frio, estas no Rio de Janeiro. Uin estudo da socióloga Diana i\1otta
,. e do economista Daniel da A1ata, ambos do Instituto de Pesqtlisa Econômica Aplicada
(Ipea) mostra que, nos últimos dez anos, elas se converteram no verdadeiro nwtor do
desenvolvimento brasileiro. Para se ter uma ideia, entre 2002 c 2007 o produto interno
bruto cresceu a uma taxa de 4% ao ano. O das cidades médias contribtlitt, em média,
5, 4% ao ano- quase o dobro do crescimento verificado nos municípios grandes. Donas
de um parque industrial e um setor de serviços mais pujantes, elas respondem, agora,
por 2 8% da economia t~acíonal.
Hoje, um em cada quatro brasileiros vive em cidades médias. O dinamismo
constatado pelos dois pesquisadores é um sinal inequívoco de progresso. "A evolução
das cidades médias indica que o Brasil está s,uperando ttma deficiência histórica: a
concentração da riqueza nos grandes centros situados ao longo do litoral", diz o
economista Danilo Igliori, da Universidade de São Paulo. No séwlo XVII, frei
Vicente do Salvador, considerado o primeiro historiador do país, condenava o modelo
de owpação do território. "Contentam-se de andar arranhando (as terras) ao longo
do mar como caranguejos", escreveu em sua História do Brazil, publicada em
163 O. Somente durante o tnilagre econômico dos anos 70 o governo federal percebeu
que algumas cidades 111édias tinham se tomado polos econdmicos regionais, atraíam
contingentes de imigrantes e precisavant adotar políticas específicas para não erifrerztar
processos de favelização semelhantes aos vividos por São Pa11lo e Rio de Janeiro.
O projeto rendeu _fr11tos. Embora abriguem bolsões de pobreza, esses mt~nicípios
obtiveram melhores resultados na preservação de seu tecido urbano.
Em meados dos anos 90, os investidores depararam com capitais estranguladas
e resolveram interiorizar suas operações industriais e comerciais. Hoje, de cada real
produzido nas fábricas brasileiras, 44 centavos são provenientes de unidades instaladas
em cidades médias. Um dos resultados da expansão econômica foi o aumento
vertiginoso do setor de serviços. Tais mudanças conferiram tanta independência âs
cidades médias que 60% delas não precisam ter maiores vínwlos com a região
metropolitana da capital de seu Estado.
(ESPECIAL CIDADES l'viÉDIAS. Veja, 1" de setembro de 2010,
pp. 78-80, com adaptações.)
Capítulo 21 Prova 2- Tribunal Regional do Trabalho 12• Região- 2010-
Técnico Judiciário- Área Administrativa 159

12. Em relação ao assunto do texto, é correto afirmar:


a) A exposição busca comprovar a noção histórica de que no país sempre houve
a concentração da riqueza nos grandes centros situados ao longo do litoral,
comprometendo o desenvolvimento econômico do interior.
b) A maior alteração surgida em relação às cidades médias por todo o país se concentrou
no aumento vertiginoso do setor de serviços, ó que beneficiou até mesmo as capitais,
antes impossibilitadas de expandir o comércio e a indústria.
c) Houve tentativas governamentais de controle da imigração para evitar que as
cidades que atraíam contingentes de imigrantes estivessem sujeitas aos processos de
favelização.
d) Encontram-se em todo o texto dados referentes ao desempenho econômico das cidades
médias, que servem de sustentação para a afirmativa inicial de que seu crescimento é o
grande fenômeno nacional.
e) A longa listagem de cidades localizadas em todo o país compromete o desenvolvimento
claro e lógico da exposição dos fatos econômicos nas cidades consideradas médias,
aquelas com mais de 700.000 e menos de 500.000 habitantes.

Comentário: Aalternativa correta é a (D), pois percebemos que a tese do texto(" O crescimento
das cidades médias, aquelas com mais de 700.000 e menos de 500.000 habitantes, é o
grande fenômeno nacional.") é reforçada ao longo do texto. por me.ip de dados que mostram a
importância e o crescimento das cidades médias.
A alternativa (A) está errada, porque o texto nãd buscou comprovar a noção histórica da
concentração da riqueza nos grandes centros, mas mostrar a relevânciadas cidades médias
na superação da deficiência histórica dessa concentração, conforme dados do 2° parágrafo.
A alternativa (B) está errada, pois a expressão "aumento vertiginoso do setor de serviços"
(3° parágrafo) é apenas um "dos resultados da expansão econômica" (3° parágrafo), e não é
sinal de maior alteração surgida em relação às cidades médias.
A alternativa (C) está errada. No segundo parágrafo, o fato de adotar políticas específicas
para não enfrentar processos de favelização não significa tentativas governamentais de
controle da imigração. O texto faz subentender medidas sociais e econômicas que evitem a
favelização. Já a alternativa faz subentender medida de controle ostensivo de imigrantes, o
que é bem diferente.
A alternativa (E) está errada, pois não há nenhuma evidência no texto sobre
comprometimento do desenvolvimento das cidades médias.

Gabarito: D
r
I

160 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho

13. ... elas se converteram no verdadeiro motor do desenvolvimento brasileiro.


(1° parágrafo)
O segmento que embasa com propriedade o que foi afirmado acima, considerando-se o
contexto, está em:
a) Hoje, um em cada quatro brasileiros vive em cidades médias.
b) No século XVII, frei Vicente do Salvador, considerado o primeiro historiador do país,
condenava o modelo de ocupação do território.
c) ... e precisavam adotar políticas específicas para não enfrentar processos de favelização
semelhantes aos vividos por São Paulo e Rio de Janeiro.
d) Embora abriguem bolsões de pobreza, esses municípios obtiveram melhoresresultados
na preservação de seu tecido urbano.
e) ... de cada real produzido nas fábricas brasileiras, 44 centavos são provenientes de
unidades instaladas em cidades médias.

Comentário: Nesta questão, todas as alternativas têm base em características da cidade


média, reforçando-a como símbolo de desenvolvimento. Porém, o pedido da questão é bem
claro, devemos achar o ..segfllento que embasa com propriedade as cidades médias como
verdadeiro motor do desenválvimento brasileiro.
A única alternativa que prova clara e substanciálmente que as cidades médias se tornaram
um verdadeiro motor de desenvolvimento é a (E), pois os dados econômicos ("de cada real
produzido nas fábricas brasileiras,. 44 centavos são provenientes de unÍdades instaladas em
cidades médias'} são fortespara p.rovar isso. ··
Como vimos, as demais alternativas possuem dados que comprovam o desenvolvimento,
mas não são substanciais quanto ao poder econômico éxpresso nesta alternativa.

Gabarito: E

14. Tais mudanças conferiram tanta independência às cidades médias que 60% delas
não precisam ter maiores vínculos com a região metropolitana da capital de seu
Estado. (final do texto)
A relação sintático-semâ~tica que se estabelece entre as or~ções do período acima é,
respectivamente, de
a) causa e consequência.
b) condição e fato dela decorrente.
c) hipótese provável e ressalva.
d) temporalidade e constatação de um fato.
e) fato real e finalidade decorrente desse fato.
Capítulo 21 Prova 2- Tribunal Regional do Trabalho 12• Região- 2010-
161
Técnico Judiciário- Área Administrativa

Comentário: Aconjunção "que" tem valor de consequência, isto é, inicia a oração subordinativa
adverbial consecutiva, quando a oração anterior possui os intensificadores "tal", "tamanho(a)"
e "tanto(a)" (v.t. 4.2). Exatamente isso ocorreu na alternativa (A). Veja:

oração principal (causa)


Tais mudanças conferiram tanta independência às cidades médias que 60% delas não
precisam ter maiores vínculos com a região metropolitana da capital de seu Estado.
(oração subordinada adverbial consecutiva: consequência)

Gabarito: A

15. A afirmativa INCORRETA em relação a cada um dos segmentos transcritos do


12 parágrafo é:
a) devem ombrear com Londrina, no Paraná = o segmento grifado pode ser substituído
por igualar-se a, sem prejuízo do sentido original.
b) que crescem a um ritmo chinês= a expressão grifada remete aos altíssimos índices de
expansão da economia chinesa.
c) Um estudo da socióloga Diana Motta e do economista Daniel da Mata, ambos do
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (lpea) mostra ... = o verbo grifado deverá
manter-se no singular, mesmo que o in.ício da frase seja alterado para Os estudos da
socióloga (. .. ) e do economista L.)
d) Q das cidades médias contribuiu, em média, 5,4% ao ano= o pronome grifado no início
da frase evita a repetição, no contexto, de O produto interno bruto.
e) - quase o dobro do crescimento verificado nos municípios grandes ~travessão
poderia ser substituído por uma vírgula, permanecendo a correção do segmento.

Comentário: A alternativa· (A) está correta, pois percebemos que "ombreai' tem o sentido
conotativo de assemelhar-se, assim cabe também o verbo "igualar-se".
Aalternativa (B) está correta. Note que essa expressão requer do candidato o conhecimento
da expansão rápida da economia chinesa.
A alternativa (C) é a errada, pois o núcleo do sujeito é o substantivo singular "estudo": Um
estudo(. ..) mostra. O termo composto "da socióloga Diana Motta e do economista Daniel
da Mata" é apenas o adjunto adnominal e não interfere na concordância. Porém, se o núcleo
do sujeito passa para o plural, obrigatoriamente esse verbo vai para o plural: Os estudos(.. .)
mostram...
A alternativa (D) está correta, pois o vocábulo "o" realmente se refere ao termo anterior
"produto interno bruto". O vocábulo "o" pode ser interpretado tanto como artigo (ao deixar
subentendida a expressão "o produto interno bruto"), quanto como pronome demonstrativo (ao
deixar suj~ntendida a expressão "esse produto interno bruto"). Ambos os termos anafóricos
(artigo "o" ou pronome demonstrativo "o") evitam a repetição, no contexto, de O produto 1.
interno bruto. Por isso, está correta esta alternativa.
162 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria 1 Décio Terror Filho

A alternativa (E) está correta, pois o travessão inicia o termo explicativo. É bom lembrar
que o termo explicativo pode ser separado por travessão, vírgula ou dois-pontos (v.t. 8.2.2).

Gabarito: C

16. -quase o dobro do crescimento verificado nos municípios grandes. (lº parágrafo)
Considerando-se o contexto, a afirmativa acima constitui
a) comentário sem articulação direta com o contexto.
b) hipótese a ser comprovada por evidências com base em dados reais.
c) suposição de que as informações não possam ser comprovadas.
d) opinião sujeita a ser referendada por estudos mais recentes.
e) constatação a partir da comparação entre os dados apresentados.

Comentário: Veja o contexto em que se encontra essa expressão:


O das cidades médias contribuiu, em média, 5,4% ao ano - quase o dobro do crescimento
verificado nos municípios grandes.
A expressão separada pelo travessão é o comentário do autor (v.t. 8.2.2), o qual transmite
uma constatação, com base na comparação entre o PIB das cidades médias e o das cidades
grandes. Por isso, só cabe a alternativa (E) como correta.
A alternativa (A) está errada, por afirmar que o comentário não tem articulação direta com
o contexto.
As alternativas (B) e (C) estão erradas, pois não há hipótese ou ·suposição: os dados são
concretos, reais.
A alternativa (D) está errada, pois não houve apenas uma opinião, mas uma conclusão a
partir de dados já concretos, enquanto a alternativa abordou que ainda haveria dados para a
comprovação.

Gabarito: E

17. O projeto rendeu frutos. (final do 2º parágrafo)


A mesma relação entre verbo e complemento, ambos grifados acima, se reproduz na frase:
a) ... entre 2002 e 2007 o produto interno bruto cresceu a uma taxa de 4% ao ano.
b) ... elas respondem, agora, por 28% da economia nacional.
c) Hoje, um em cada quatro brasileiros vive em cidades médias.
d) ... esses municípios obtiveram melhores resultados na preservação de seu tecido
urbano.
e) ... os investidores depararam com capitais estranguladas...
Capítulo 21 Prova 2- Tribunal Regional do Trabalho 12• Região- 2010-
Técnico Judiciário- Área Administrativa 163

Comentário: Neste tipo de questão, devemos relembrar o que foi trabalhado no tópico 1.1, pois
complemento verbal são os objetos direto ou indireto. Se o termo for preposicionado, temos o
objeto indireto, se o termo não for preposicionado, será objeto direto.
Assim, o verbo "rendetl' é transitivo direto e" frutos' é o objeto direto.
Observando a alternativa (D), percebemos que é a única em que o complemento não possui
preposição. Assim, esta é a correta. Veja:
... esses municípios obtiveram melhores resultados na preservação de seu tecido urbano.
Passando os olhos nas demais alternativas, vemos que todas possuem complementos
precedidos de preposição. Assim, já confirmamos a alternativa (D) como correta e passaríamos
para a próxima questão ganhando tempo na execução da prova. Porém, por efeitos didáticos,
vamos comentar as demais alternativas.
Na alternativa (A), o verbo "cresce ti' é intransitivo "a uma taxa de 4% ao ano" é o adjunto
adverbial de quantidade ou modo. (O PIB cresceu quanto? Cresceu como?)
Na alternativa (B), o verbo "responderam" é transitivo indireto e "por 28% da economia
nacional" é o objeto indireto. (Responder por algo)
Na alternativa (C), o verbo "vive" é intransitivo e "em cidades médias" é adjunto adverbial
de lugar. (Vive onde?)
Na alternativa (E), o verbo i'tfepararam" é transitivo indireto e·"com·capitais estranguladas"
é objeto indireto. (Depararam com quê?)

Gabarito: O

18. Embora abriguem bo/sões de pobreza, esses municípios obtiveram melhores


resultados na preservação de seu tecido urbano. (final do 2° parágrafo)
Com outras palavras, a mesma ide ia está expressa com correção e clareza em:
a) A malha urbana foi resguardada nas cidades médias,_ apesar de se observarem nelas
alguns núcleos de moradores vivendo em condições ~e pobreza.
b) As cidades médias, tal como nas grandes, tiveram crescimento em sua população
urbana, mesmo se elas se manteram mais pobres em relação à outras.
c) Os municípios onde a organização urbana ficou intacta, foi nas médias, diferente da
situação das grandes cidades que não ocorreu maior favorecimento.
d) Conquanto se visse a existência de locais mais pobres, foi as cidades médias que se
desenvolveu melhor, com a manutenção da área urbana.
e) Para favorecer as áreas urbanas, o que aconteceu nas cidades médias, com efeitos mais
garantidos de melhoria das condições de vida.

Comentário: Neste tipo de questão, devemos observar a manutenção do sentido e a correção


gramatical. A questão é grande, demanda tempo e não devemos logicamente ir a muitos
detalhes, pois há muitas questões ainda a serem respondidas dentro do tempo de execução
da prova.
C;
164 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho
TI

A banca FCC quer fazer o candidato perder tempo mesmo, mas devemos verificar um erro
crasso, eliminar a alternativa e partir para a próxima. Assim, não se perde mais do que 2 u
minutos nesta questão. (•
Logicamente, por efeitos didáticos, todas as alternativas serão comentadas 1
pormenorizadamente e serão apontados os erros nas alternativas.
A alternativa (A) é a correta, pois se preservou o sentido na reescrita. O sentido da
conjunção "Embora" é preservado com a locução prepositiva "apesar de", a qual força a
oração subordinada concessiva a ser reduzida de infinitivo. Esse é o motivo da presença do
verbo "observarem". A locução verbal "foi resguardada" tem o mesmo sentido do substantivo
"preservação". Compare:
Embora abriguem bolsões de pobreza', esses municípios obtiveram melhores resultados na
preservação de seu tecido urbano 2•
A malha urbana foi resguardada nas cidades médias~ apesar de se observarem nelas alguns
núcleos de moradores vivendo em condições de pobreza'.
A alternativa (B) está errada. É mais rápido observar os erros gramaticais, para eliminar
a alternativa. O valor adverbial concessivo da conjunção "Embora" é mantido pela locução
conjuntiva subordinativa adverbial concessiva "mesmo se" (v.t. 4.4). Porém, "mesmo se" traz
tanibém uma ideia de hipótese, pelo uso da conjunção "se", o que não cabe neste contexto.
Além disso, a forma verbal "manteram" não existe (v.t. 12.11.2).
Para preservar a crase, deve haver acréscimo de "s" no artigo "a": em relação às outras.
Como a expressão "tal como nas grandes" é uma comparação referindo-se ao sujeito, não
cabe a preposição "em". Assim, o correto é "tal. como as".Confirme:
As cidades médias, tal como !Ji1S grandes, tiveram crescimento em sua população urbana,
mesmo se elas se manteram mais pobres. em relação ,1 outras.
A alternativa (C) está errada, pois, além de não manter o sentido original do texto, deve-se
retirar a vírgula antes do verbo "foi', pois a oração "onde a organização urbana ficou intacta"
é subordinada adjetiva restritiva (v.t. 8.3.1). A oração principal "Os municípios(.. .} foi nas
médias" está desconexa, truncada. Assim, um forma ideal de reescrita das duas primeiras
orações seria a seguinte: a organização urbana ficou intacta nas cidades médias. Ademais,
há necessidade de inserir a preposição "em" antes do pronome relativo "que", pois os dois
passam à função sintática de adjunto adverbial de lugar (grandes cidades em que não ocorreu
maior favorecimento= maior favorecimento não ocorreu nas grandes cidades). Confirme:
Os municíoios onde a organização urbana ficou intacta. foi nas médias, diferente da situação
das grandes cidades fJ.1!ft não ocorreu maior favorecimento.
A alternativa (D) está errada, pois, além de não se manter o sentido original do texto, o verbo
"foi' deve se flexionar no plural para concordar com o sujeito "as cidades médias", o verbo
"desenvolveu" deve se flexionar no plural para concordar com o sujeito :·as cidades médias".
O segundo pronome "se", a segunda vírgula e a preposição "corri' devem ser excluídos (foram
as cidades médias que desenvolveram melhor a manutenção da área urbana). Confirme:
Conquanto se visse a existência de locais mais pobres, foi as cidades médias que se desenvolveu
melhor. com a manutenção da área urbana. ·
Capítulo 21 Prova 2- Tribunal Regional do Traball1o 12' Região- 2010-
Técnico Judiciário- Área Administrativa 165

A alternativa (E) está errada. Além de não haver manutenção do sentido original, há
um truncamento sintático, pois não há uma oração principal para as demais subordinadas
(v.t. 3.10.1). Isso torna o texto incoerente. Confirme:
Para favorecer as áreas urbanas, o gue aconteceu nas cidades médias, com efeitos mais
garantidos de melhoria das condições de vida.

Gabarito: A

19. Esses mesmos princípios{... ) aplicam-se às comunicações oficiais: elas devem sempre
permitir uma única interpretação e ser estritamente impessoais e uniformes, o que
exige o uso de certo nível de linguagem.
As observações acima estão inteiramente respeitadas em:
a) Tendo sido convidado para participar junto de V.Sa. da festa de encerramento do ano,
apesar da evidente prova de amizade dada ao dirigir-me tão honroso convite, devo
dizer-lhe que, infelizmente não poderei comparecer a tão auspicioso evento, por ter
assumido outro importante compromisso na mesma data.
b) Em cumprimento ao despacho de V.Exa., publicado nesta data no Diário Oficial do
Estado, encaminhamos-lhe as informações referentes ao andamento dos serviços, em
consonância com o cronograma previamente estabelecido por esta pasta.
c) Venho, em nome de toda a comunidade que tenho a honra de estar representando,
enviar a V.Exa. e a todos servidores de seu gabinete, o convite para a merecida
homenagem que desejamos prestar-lhe, em agradecimento ao vosso valioso auxílio
para o andamento de nossos projetos sociais.
d) Como estamos com tempo realmente reduzido, encaminho a vós, Senhor Responsável
pelo setor de entregas deste Departamento, pedindo-lhe o despacho dos produtos com
urgência, que se destina ao pessoal da limpeza destas dependências.
e) Complementando,· como deve ser feito, as informações que se ref~ ao ato que o
Diário Oficial publicou, de V.Sa., na semana passada, é meu dever informar a V.Sa. de
que já está sendo tomada as devidas providências a respeito.

Comentário: O trecho do pedido da questão é um parágrafo do Manual de Redação da


Presidência da República. Este parágrafo sintetiza que deve haver clareza, impessoalidade,
uniformidade e padrão culto na linguagem.
A alternativa (A) está errada, pois ocorrem duas expressões que transmitem pessoalidade:
"apesar da evidente prova de amizade dada ao dirigir-me tão honroso convite" e" tão auspicioso
evento". Além disso, há erro grama!ical, porque o advérbio "infelizmente" está intercalado e
não deve receber apenas urnMJ!:r~~ula. Ou_.fica entre vírgulas, ou não recebe nenhuma.
Veja a correção:
Tendo sido convidado para participar junto de V.Sa. da festa de encerramento do ano, devo
dizer-lhe que, infelizmente, não poderei comparecer ao evento, por ter assumido outro
importante compromisso na mesma data.
166 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria 1Décio Terror Filho

A alternativa (B) é a correta. Perceba que o texto está claro, correto gramaticalmente e
sem tom pessoal. Note o pronome de terceira pessoa "lhe", o qual cumpre a função sintática I
de objeto indireto. +
Em cumprimento ao despacho de V. Exa., publicado nesta data no Diário Oficial do Estado,
encaminhamos-lhe as informações referentes ao andamento dos serviços, em consonância
com o cronograma previamente estabelecido por esta pasta.
A alternativa (C) está errada, pois as expressões "tenho a honra", "merecida" e "valioso"
ferem a impessoalidade. As expressões "de estar representandd', "todos servidores' e o
emprego do pronome "vosso" ferem o padrão culto da linguagem. O primeiro é o famoso
gerundismo, o qual pode ser corrigido para "de representar". O segundo é a necessidade
do artigo "os', por exigência do pronome "todos'. No terceiro, a referência ao pronome de
tratamento deve ser feita em terceira pessoa do singular "seu".
Além disso não pode haver vírgula entre o objeto indireto e o direto, por isso devemos
excluir a vírgula após "gabinete". Veja a correção:
Venho, em nome de toda a comunidade, enviar a V. Exa. e a todos os servidores de seu gabinete
o convite para uma homenagem que desejamos prestar-lhe, em agradecimento ao seu auxílio
para o andamento de nossos projetos sociais.
A alternativa (D) está errada, pois as expressões "a vós' (segunda pessGa do plural) e
"lhe" (terceira pessoa do singular) não combinam, pois fazem referência ao mesmo termo e
estão em pessoas diferentes do discurso. Além disso, o verbo "encaminho" é transitivo direto
e indireto, o objeto indireto (a vós) está presente, mas falta o objeto direto. Como o termo
"Senhor Responsável pelo setor de entregas deste Departamento" não é essencial porque
apenas explica, podemos transformar o trecho em uma linguagem mais clara e concisa-'Sa
seguinte forma. Veja a correção: ··
Encaminho com urgência a Vossa Senhoria pedido de despacho dos produtos, que se
destinam ao pessoal da limpeza destas dependências.
A alternativa (E) está errada, pois as expressões "como deve ser feitd' e "meu devei'
não são essenciais para o entendimento do texto, além de transmitirem subjetividade. Para
tornar o texto mais conciso, podem ser suprimidas. A expressão "de V. Sa." também deve ser
excluída para evitar repetição viciosa no texto, além de as vírgulas estarem erradas. A segunda
ocorrência dessa expressão é o objeto indireto do verbo transitivo direto e indireto "informal'.
Por isso, deve-se retirar a preposição "de" antes da oração subordinada substantiva objetiva
direta: "que já está sendo tomada as devidas providências a respeito". Dentro de tal oração,
a locução verbal da voz passiva "está sendo tomada" deve concordar com o núcleo do sujeito
plural e feminino "providências'. Veja a correção:
Complementando as informações que se referem ao ato que o Diário Oficial publicou, na
semana passada, é meu dever informar a V.Sa. que já estão sendo tomadas as devidas
providências a respeito.

Gabarito: B
Capítulo 21 Prova 2- Tribunal Regional do Trabalho 12 1 Região- 2010-
Técnico Judiciário- Área Administrativa 167

20. O emprego dos pronomes de tratamento está inteiramente correto em:


I
+ a) Senhor João das Neves, respeitável representante da Sociedade Amigos e Amigos,
queremos cumprimentar-vos pela gestão que V. Exa. tão bem tem conduzido neste
último ano.
b) Estamos à disposição de V. Exa. para dar continuidade aos trabalhos que vós encetaram
neste setor, e esperamos fazê-lo tão bem quanto vós mesmos o fizestes.
c) Énotório que V. Sa. deveis estar sabendo dos progressos conseguidos por estas pessoas,
e por isso vimos solicitar-vos vossa atenção para uma situação surgida recentemente.
d) Pedimos encarecida mente a Vossa Senhoria que. não abandoneis a organização de
nossos programas culturais, em nome daqueles que dependem de vosso.conhecimento
nessa área.
e) A Vossa Excelência, nossa prestigiada Embaixadora, dirigimos os votos de que possa
cumprir com êxito sua missão diplomática em região tão conturbada por conflitos entre
nações vizinhas.

Comentário: Nesta questão foi cobrado apenas o uso dos pronomes. Assim, mesmo havendo
algumas frases com posicionamento s.ubjetivo e pouco claio, devemos nos ater apenas ao uso
desses pronomes.
Na alternativa (A), o pronome correto seria "V. Sa." (Vossa Senhoria), pois Vossa Excelência·
é tratamento voltado às altas autoridades dos Três Poderes do Estado brasileiro. Além disso, a
expressão "cumprimentar-vos" deve ser corrigida para "cumprimentá-/o", tendo em vista que
o discurso não foi dirigido a uma segunda pessoa do pluràt (Vós), mas ã··uma terceira pessoa
do singular (V. Sa.). Veja: '
Senhor João das Neves, respeitável representante da Sociedade Amigos e Amigos, queremos
cumprimentá-lo pela gestão que V. Sa. t~o bem tem cpnduzido neste último ano.
Na alternativa (B), o verbo" encetaram" é transitivo direto e tem como sujeito subentendido
"V. Exa", por isso deve ser flexionado na terceira pessoa do singular (encetou). Além disso,
deve ser excluído o pronome pessoal "vós", tendo em vista que não se fez referência à segunda
pessoa do plural, mas à terceira do singular (V. Exa.). O pronome relativo "que" está na função
de objeto direto e retoma "os trabalhos". A expressão "vós mesmos o fizestes' deve ser
corrigida para "Vossa Excelência mesma o feZ'. O pronome demonstrativo pode também ser
flexionado no gênero masculino (mesmo), quando houver algum referente do sexo masculino.
Veja:
Estamos à disposição de V. Exa. para dar continuidade aos trabalhos que encetou neste setor,
e esperamos fazê-lo tão bem quanto Vossa Excelência mesma o fez.
Para evitar que haja a repetição do pronome de tratamento e tendo em vista que "de V.
Exa. "transmite valor de posse, deve-se substituir tal expressão por "sua".
Veja:
Estamos à sua disposição para dar continuidade aos trabalhos que encetou neste setor, e
esperamos fazê-/o tão bem quanto Vossa Excelência mesma o fez.
168 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho

Dessa forma, o verbo "encetou" continua se referindo a "Vossa Excelência", o qual se


encontra no final do período.
Na alternativa (C), o verbo e pronomes devem ser flexionados na terceira pessoa, porque
fazem referência a um pronome de tratamento. Corrigindo, teremos "deve estar", "lhe", "sua".
É notório que V. Sa. deve estar sabendo dos progressos conseguidos por estas pessoas, e por
isso vimos solicitar-lhe sua atenção para uma situação surgida recentemente.
Na alternativa (D), o verbo "abandoneis" e o pronome "vosso" devem se flexionar na
terceira pessoa (abandone e seu), porque fazem referência a um pronome de tratamento.
Pedimos encarecidamente a Vossa Senhoria que não abandone a organização de nossos
programas culturais, em nome daqueles que dependem de seu conhecimento nessa área.
A alternativa (E) está correta, pois.os verbos e pronomes estão corretamente flexionados na
terceira pessoa do singular, _concordando com "Vossa Excelência".
Note que, mesmo havendo preposição "a" antes do pronome de tratamento "Vossa
Excelência", ele não admite artigo "a", por isso não há crase.
Veja que a linguagem da frase está subjetiva, porém não foi isso o cobrado nesta questão.
,1 Vossa Excelência, nossa prestigiada Embaixadora, dirigimos os votos de que possa cumprir
com êxito sua missão diplomática em região tão conturbada por conflitos entre nações vizinhas.

Gabarito: E

Edital do_ coricursoTRT 12ª Região 2010


Técnico Judiciário ~ Área Administrativa:

Ortografia oficial.Acentuação gráfica. Flexão nominal e verbal. Concordância


nominal . e verbal. Regência nominal e verbal. Pronomes: emprego,
colocação e formas de tratamento. Emprego de tempos e modos verbais.
Vozes do verbo. Emprego do sinal indicativo de crase. Pontuação. Sintaxe da
oração e do período. Redação e correspondências oficiais. Compreensão e
interpretação de textos.

Quadro-resumo das questões com relação ao conteúdo do edital:


Questão 1: Compreensão e interpretação de textos.
Questão 2: Compreensão e interpretação de textos.
Questão 3: Compreensão e interpretação de textos.
Questão 4: Coinpreensão e interpretação de textos.
Questão 5: Redação.
Questão 6: Pontuação.
Capítulo2[ Prova 2- Tribunal Regional do Trabalho 12' Região-2010-,
Técnico Judiciário- Área Administrativa 169

Questão 7: Sintaxe da oração.


Questão 8: Flexão verbal.
Que~tão 9: Regência nominal e verbal.
Questão 10: Concordância nominal e verbal.
Questão 11: Redação.
Questão 12: Compreensão e interpretação de textos.
Questão 13: Compreensão e interpretação de textos.
Questão 14: Sintaxe do Período.
Questão 15: Compreensão e interpretação de textos. Concordância
nominal e verbal. Pronomes: emprego. Pontuação.
Questão 16: Compreensão e interpretação de textos. Pontuação.
Questão 17: Sintaxe da oração. Regência verbal.
Questão 18: Redação.
Questão 19: Correspondências oficiais.
Questão 20: Pronomes: emprego e formas de tratamento.

Assim, podemos eleger uma prioridade de estudo com base nos temas mais
relevantes, ordenando de forma decrescente os temas que mais caem nas
provas, da seguinte forma:
1Q Compreensão e interpretação de textos. (8 ocorrências)
2Q Redação. (3 ocorrências)
Pontuação. (3 ocorrências)
4Q Concordância nominal e verbal. (2 ocorrências)
Regência verbal e nominal. (2 ocorrências)
Sintaxe da oração. (2 ocorrências)
Pronomes: colocação, emprego e formas de tratamento. (2 ocorrências)
8Q Sintaxe do período. (1 ocorrência)
Emprego do sinal indicativo de crase. (1 ocorrência)
Correspondências oficiais. (1 ocorrência)
Flexão verbal. (1 ocorrência)
12Q Emprego de tempos e tnodos verbais. (nenhuma ocorrência)
Vozes do verbo. (nenhuma ocorrência)
Ortografia oficial. (nenhuma ocorrência)
Acentuação gráfica. (nenhuma ocorrência)
1/U
171

Prova 3
Tribunal Regional Eleitoral-TO- 2011
Técnico Judiciário -Área Administrativa

Atenção: As questões de números 1 a 4 teferem-se ao texto abaixo.


O documentário E Agora? pretende revelar detalhes dó' tráfico de aves silvestres
no Brasil. Segundo o produtor Fábio Cavalheiro, o longa-metragem apresentará
cenas de flagrantes de trqfico, as rotas do comércio ilegal e entrevistas com autoridades
e representantes de ONGs.
A A~ç;ência Nacional de Cinema (Ancíne) aprovou o projeto e, agora, busca-se
patrocínio. A ONG SOS Fauna, c:,pecialízada em resg(Ít~s,foi it/na das orientadoras
para a produçao do filme.
O longa tambénr se propõe a diswtir outro problema: o Jato de que, 1nesmo
quando salvas das maos dos traficantes, nruitas aves nao sao reintroduzidas na
natureza.
Além da versa ofinal editada para o cíne111a, as entrevistas e materiais pesqttisados
estarao disponíveis para pesquisadores que queiram se aprofundar no tema.
A intençao é a de que o filme contribua para a educaçao- e, por isso, será ciferecído
para estabelecimentos de ensino.
Entre as espécies mais visadas pelos trqficantes esteio papagaios, a araponga, o
pixoxó, o canário-da-terra, o tico-tico, a saíra-preta, o galo-de-campina, sabiás e
bigodinho.
(O Estado de S. Paulo, AJO Vida, Pla11eta,
21 de 11ovembro de 201 O)
172 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho

1. O assunto do texto está corretamente resumido em:


a) Um longa-metragem, em forma de documentário, abordará o tráfico de aves silvestres
no Brasil, e terá objetivos educativos.
b) A Ancine deverá escolher e patrocinar a realização de alguns projetos de filmes
educativos, destinados às escolas brasileiras.
c) ONGs voltadas para a proteção de aves silvestres buscam a realização de novos
projetos, como a de filmes educativos.
d) Várias espécies de aves silvestres encontram-se em extinção, apesar dos constantes
cuidados de ONGs destinadas à sua proteção.
e) Apesar das intenções didáticas, filme sobre tráfico de aves silvestres não atinge sua
-finalidade educativa.

Comentário: A alternativa (A) é a correta, pois explícita a base do texto. Veja que a introdução
do texto representa a tese central: O documentário E Agora? pretende revelar detalhes do
tráfico de aves silvestres no Brasil. (v.t. 13.6)
Na linha 2, é informado que será um longa-metragem e no penúltimo parágrafo é informado
que tem fins educativos. Assim, com dildos literais (v.t. 13.1), a alternativa (A) realmente é a
correta.
A alternativa (B) está errada, principalmente porque a Ancine apenas aprovou o projeto.
. Isso não quer dizer que ela vá patrocinar ou esteja em busca de novos projetos para exibição
em escolas bras ilei ras. ·
A alternativa (C) está e_!"rada, porque o que foi dito sobre as ONGs é que alguns
representantes concederão entrevistas e que "SOS Fauna" foi uma das orientadoras. Não foi
afirmado no texto que as ONGs buscariam a realização de novos projetos.
A alternativa (D) está errada. Sabemos que realmente várias espécies de aves silvestres
encontram-se em extinção, apesar dos constantes cuidados de ONGs destinadas à sua
proteção, porém esta não é a ideia central do texto, o resumo de seu assunto.
A alternativa (E) está errada, primeiro porque não expressa a ideia central, um resumo do
texto. Além disso, o contexto indica que o filme ainda será lançado. Logo, não se pode afirmar
que ele não atinge sua finalidade educativa.

Gabarito: A

2. O texto informa claramente que


a) o produtor do documentário sobre aves silvestres baseou-se em entrevistas com
pesquisadores para desenvolver ·a roteiro do filme.
b) as discussões referentes aos diversos problemas que colocam em perigo as aves
silvestres já estão em andamento na Ancine.
c) algumas Organizações Não Governamentais estão se propondo a proteger aves
silvestres capturadas e a preparar seu retorno à natureza.
Capítulo 21 Prova 3- Tribunal Regional Eleitoral TO- 2011
.Técnico Judiciário- Área Administrativa 173

d) o objetivo principal do documentário será oferecer subsídios a pesquisadores


interessados em estudos sobre aves silvestres brasileiras.
e) o projeto do documentário sobre o tráfico de aves silvestres já foi aprovado, mas ainda
.não há patrocinador para sua produção.

Comentário: Perceba o pedido da questão: o texto informa claramente que ...


A banca quer que você tenha por base a interpretação por dado explícito (v.t. 13.1). Assim,
a alternativa (E) é a correta, pois no segundo parágrafo encontramos a frase que confirma os
dados desta alternativa. Compare:
29. parágrafo do texto:
"A Agência Nacional de Cinema (Ancine) aprovou o projeto' e, agora, busca-se patrocínio 2 ".
Alternativa (E):
... o projeto do documentário sobre o tráfico de aves silvestres já foi aprovado', mas ainda não
há patrocinador para sua produção>.
O erro na alternativa (A) foi a afirmação de que o produtor se baseou nas entrevistas com
pesquisadores para desenvolver o roteiro do filme. Na realidade, percebe-se que as entrevistas
fazem parte do documentário. Assim, subentende-se do texto que essas entrevistas já estavam
previstas em roteiro.
A alternativa (B) está errada, porque a Ancine é apenas a Agência Nacional de Cinema,
a qual aprovou o projeto. Assim, não foram veiculadas na Ancine discussões sobre esse tema.
A alternativa (C) está errada, pois o texto não veiculou a informação clara de que "algumas
Organizações Não Governamentais estão se propondo a proteger aves silvestres capturadas e
a preparar seu retorno à natureza".
O erro da alternativa (D) foi a expressão "objetivo principaf'. Há, sim, objetivo de "oferecer
subsídios a pesquisadores interessados em estudos sobre aves silvestres brasileiras". Veja:
Além da versão final editada para o cinema, as entrevistas e materiais pesquisados estarão
disponíveis para pesquisadores que queiram se aprofundar no tema.
Porém, este não é o objetivo principal do documentário.

.Gabarito: E

3. O longa também se propõe a discutir outro problema: o fato de que, mesmo quando
salvas das mãos dos traficantes, muitas aves não são reintroduzidas na natureza.
Considere as afirmativas seguintes, a respeito do parágrafo reproduzido acima:
I. Os dois pontos introduzem um segmento que especifica o sentido da expressão anterior
a eles, outro problema.
11. O segmento isolado por vírgulas no período tem sentido concessivo.
111. Transpondo para a voz ativa a última oração do período, ela deverá ser: os traficantes
não reintroduzem muitas aves na natureza.
1/'t nes01uçoes ue novas ue ronugues -lianca tt;t; -+breve teoria 1Décio Terror Filho

Está correto o que se afirma APENAS em


a) I e 11.
b) I e 111.
c) 11 e 111.
d) 111.
e) 11.

Comentário: A frase I está corretíssima, pois o trecho após os dois-pontos sinaliza uma
explicação do que seria o outro problema (v.t. 8.2.2). Você poderia ter dúvida quanto ao
vocábulo "especifica". Neste contexto, observe que, ao explicar o que viria a ser este
"outro problema", naturalmente estamos especificando seu sentido. Por isso, são sinônimos
contextuais "especificação" e "explicação". Por tudo isso, a frase está correta e já eliminamos
as alternativas (C), (D) e (E).
A frase li está correta, pois o trecho "mesmo quando salvas das mãos dos traficantes"
é iniciado pela locução conjuntiva "mesmo quandd', a qual transmite o valor adverbial de
concessão (contraste) (v.t. 4.4). Assim, eliminamos a alternativa (B), sobrando a (A) como
correta. Mas por questôes didáticas devemos resolver a última frase.
A frase 111 está incorreta. Na transposição de vozes verbais abaixo, primeiro leia a voz
passiva, depois a ativa:
Voz ativa: =(.. .}não reintroduzem muitas aves.
(OD)

Voz passiva:
(sujeito paciente) (agente da passiva)

Como o agente da passiva está indeterminado (v.t. 2.2.2), isto é, não foi mostrado no texto,
o sujeito agente também está indeterminado e o verbo fica na terceira pessoa do plural para
marcar que este sujeito está indeterminado. Assim, o erro da questão foi inserir como sujeito
agente a expressão "os traficantes".
Isso confirma que a alternativa correta é a (A).

Gabarito: A

4. A intenção é a de que o filme contribua para a educação ... (4 2 parágrafo)


O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo em que se encontra o grifado acima está
em:
a) ... e, agora, busca-se patrocínio.
b) A Agência Nacional de Cinema (Ancine) aprovou o projeto ...
c) ... o longa-metragem apresentará cenas de flagrantes de tráfico ...
d) ... que queiram se aprofundar no tema.
e) ... e, por isso, será oferecido para estabelecimentos de ensino.
"'WJII .. UIU "-I I I vva v- IIIUUIIdl nt::gJOnal t:le/Ioral I u- zu I 1 -
Técnico Judiciário -Área Administrativa 175

Comentário: O verbo "contribua" encontra-se no presente do subjuntivo (v.t. 12.4.1). Para


se lembrar deste tempo verbal, basta acrescentar o advérbio "talvez" (talvez ele contribua).
A alternativa correta é a (D), pois "queiram' também está no presente do subjuntivo (talvez
queiram).
As demais alternativas apresentam "busca" no presente do indicativo, "aprovotl' no
pretérito perfeito do indicativo, "apresentará" n·o futuro. do· presente do indicativo e "será
oferecido" é uma locução verbal também no futuro do presente do indicativo.

Gabarito: D

Atencão: As questões de números 5 e 6 referem-se ao texto abâixo.


A bailarina
A profissão de btifarinlzeiro estâ regulamentada; contudo, ninguém mais a exerce,
porfalta de bt4arinhas*. Passaram a vender sorvetes e sucos de fruta, e são conhecidos
como ambulantes.
Conheci o último .btifa~inheiro de verdade1 e comprei dele um espelhinho que·--
tinha 110 lado oposto a figura de uma bailarina .nua: Que mulher! Sorria péa
mim como prometendo c-oisas, mas eu era pequeno, e 1Íão sabia que coisas fossem.
Perturbava-me.
Um dia quebrei o espelho, mas a bailarina ficou intata. Só que não sorria mais
para mim. Era um cromo como outro qualquer. Promreí. o.. b[ifarinheíro, que não
estava mais na cidade, e pnwavelmente teria mitdadó ~e pro/lSSão. Até hoje não sei
qual era o mágico: se o btifaritiheiro, se o espelho. .
* bufarinhas - mercadorias de pouco valor; coisas insignificantes.
!Carlos Dn;llllll<>lld de A11drade. Coutos plausíveis, in Prosa Seleta.
Rio de.]aneiro: Nova Aguilar, 2003, p. 89)

5. O texto se desenvolve como


a) depoimento de uma criança sobre o espelhinho que tinha no lado oposto a figura de
uma bailarina nua, registrado em sua memória.
b) discussão em torno da importância de certas profissões, ainda que se destinem ao
comércio de bufarinhas.
c) crítica a um tipo de vendedores que não se preocupa com valores morais, como no caso
da figura da bailarina nua vendida a uma criança.
d) relato de caráter pessoal, em que o autor relembra uma situação vivida quando era
pequeno e reflete sobre ela.
e) ensaio de caráter filosófico, em que o autor questiona o dilema diante de certos fatos
da vida, apontado na dúvida final: Até hoje não sei qual era o mágico.
r
'
176 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho

Comentário: Veja o caráter geral da resposta correta (D). Há realmente um relato (transmissão
de um fato, informação) de caráter pessoal (verbos em primeira pessoa) em que o autor
relembra uma situação vivida quando era pequeno (Zº parágrafo) e reflete sobre ela (última
frase do 32 par ágrafo).
Já sabemos que a única resposta possível já foi apontada. Mas, por questões didáticas,
verificaremos as demais.
A alternativa (A) está errada, porque o texto não tem a intenção de realizar um depoimento.
Além disso, tal depoimento não seria de uma criança, pois o autor, já adulto, relembra a
infância.
A alternativa (B) está errada, porque discussões ocorrem com análises aprofundadas,
típicas de textos dissertativos. Porém, este texto é uma narrativa, relatando lembranças do
autor.
A alternativa (C) está errada, pois não há crítica a vendedores.
A alternativa (E) está errada, porque ensaios de caráter filosófico, questionamentos sobre
dilema demandam análises aprofundadas, típicas de textos dissertativos. Porém, este texto é
uma narrativa, relatando lembranças do autor.

Gabarito: O

6. É INCORRETO afirmar que:


a) A exclamação Que M.'!fher! cria uma incoerência no contexto, por referir-se a uma
figura feminina ·que era, na verdade, um cromo como outro qualquer.
b)· Percebe-se, na fala do contista, certa nostalgia em relação aos bufarinheiros, que
vendiam sonh?s, embu~idos nas pequenas coisas.
c) Bufarinheiroé uma palavra atualmente em desuso no idioma, porém é possível entender
seu sentido no decorrer do texto.
d) Uma possível conclusão do texto é a de que a verdadeira mágica estava no encanto da
criança, quebrado com o espelho partido.
e) No 1º parágrafo o autor constata mudança de hábitos na substituição das bufarinhas
por sorvetes e sucos de fruta.

Comentário: A alternativa a ser marcada é a (A), pois com a expressão "Que mulher!': na
realidade, o autor quis enfatizar que havia uma linda imagem de uma mulher. Esse foi o motivo
da exclamação, para mostrar seu envolvimento emocional. Assim, não houve incoerência e
esta é a alternativa a ser marcada.
A alternativa (B) está correta, pois o desenvolvimento do texto mostra um envolvimento
emocional do autor com os bufarinheiros. Portanto, há, sim, uma relação de nostalgia.
A alternativa (C) também está correta, pois o texto explícita o que são os bufarinheiros:
"são conhecidos como ambulantes."
Capítulo 21 Prova 3- Tribunal Regional Eleitoral TO 2011 -
Técnico Judiciário- Área Administrativa
177

A alternativa (D) está correta, pois é possível inferir que o então menino estava maravilhado
com o brinquedo, remetendo à infância de maneira geral, como o campo para os sonhos,
imaginações. Esta talvez fosse a verdadeira mágica: a ilusão da criança.
A alternativa (E) está correta, pois a expressão "passaram a" denota uma mudança de
estado'. Naturalmente, há uma mudança de hábitos.

Gabarito: A

Atenção: As questões de números 7 a 1O baseiam-se no texto abaixo.


Na Academia Brasileira de Letras, há um salão bonito, mas um pouco sinistro.
É o Salão dos Poetas R01nânticos, com bustos dos nossos principais românticos
na poesia: Castro Alves, Gonçalves Dias, Casimira de Abreu, Fagu11des l/are/a e
Alvares de Azevedo.
Os modemístas de 22, e antes deles os pamasianos, decidiram avacalhar com
essa turma de jovens, que trouxe o Brasil para dentro de nossa literatura. Foram
os românticos, na prosa e no verso, que colocaram em nossas letras as palmeiras, os
índios, as praias se/vage11s, o sabíá, as borboletas de asas azuis, a juriti - o cheiro e
o gosto de nossa gente. Não fosse o romantismo, ficaríamos atrelados ao classicismo
das arcá dias, à pomposídade do verso burilado. Sem falar nos poemas-piadas, a partir
de 1922, todos como vanguarda da vang;~arda.
Foram jovens. Casimira morreu com 21 anos, Alvares de Azevedo com 22,
Castro Alves com 2 4, Fagundes Vare/a com 3 4. O mais velho de todos, Gonçalves
Dias, mal chegara aos 40 anos. O Salão dos Poetas Românticos é também sinistro
pois é de lá que saí o enterro dos imortais, que morrem como todo mundo.
(Adaptado de Carlos Heitor Corty "Salão dos românticos".
FSP, 16/1212010) \

7. No 2º parágrafo, identifica-se
a) aceitação, com ressalvas, do fato de a escola romântica ser considerada superior à
parnasiana por esta última não ter sido produzida por jovens talentos.
b) elogio à produção literária dos autores parnasianos, cujas obras clássicas teriam
inspirado o modernismo de 22.
c) comparação do movimento de 22 com o romantismo, e conclusão de que o primeiro,
mais ousado, é superior ao segundo.
d) reflexão a respeito do valor dos poetas românticos brasileiros, que teriam sido
injustamente criticados por parnasianos e modernistas.
e) constatação dos inúmeros defeitos da produção literária modernista, com base na falta
de seriedade de seus autores.
178 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho

Comentário: O texto faz uma menção a três escolas literárias: a romântica, a parnasiana e a
modernista. O autor ressalta o valor dos românticos, mas não se pode entender uma relação
de superioridade ou inferioridade entre essas escolas.
A alternativa (A) está errada, pois não se observa no texto nenhum julgamento de
superioridade de uma escola a outra. Perceba que no segundo parágrafo há uma valorização
dos jovens românticos.
A alternativa (B) está errada, pois não há elogio aos parnasianos, mas à produção literária
dos românticos.
A alternativa (C) está errada, pois, como afirmad-o na alternativa (A), não houve no texto
nenhum julgamento de superioridade de uma escola a outra. Mesmo que haja dúvida, note que
o romantismo está sendo elogiado, então ele não seria inferiorizado neste contexto.
Aalternativa (D) é a correta, pois realmente houve a menção ao valor dos poetas românticos.
Veja isso no seguinte trecho do segundo parágrafo:
"Foram os românticos, na prosa e no verso, que colocaram em nossas letras as palmeiras, os
índios, as praias selvagens, o sabiá, as borboletas de asas azuis, a juriti- o cheiro e o gosto de
nossa gente. Não fosse o romantismo, ficaríamos atrelados ao classicismo... ".
Além disso, os românticos teriam sido injustamente criticados por parnasianos e
modernistas. Veja que esta interpretação não é literal. O parágrafo informa que "Os
modernistas de 22, e antes deles os parnasianos, decidiram avacalhar com essa turma de
jovens". Daí se infere que a expressão "decidiram avacalhai' traz a noção de crítica aguda,
que vai contra o elogio referido no texto, por isso a crítica aos românticos pode ser entendida
como injusta_,
Aalternativa (E) está errada, pois no texto não há qualquer sugestão de defeito da produção
literária modernista: o texto elogia os românticos e ressalta a crítica dos modernistas àqueles.
Isso não implica a interpretação de que houvesse defeitos na produção literária modernista,
muito menos falta de seriedade.
Além disso, dizer que os modernistas "decidiram avacalhar" e que produziram poemas-
-piadas não implica dizer que eles não eram sérios em sua produção artística, isso é o resultado
da vanguarda, estar à frente da composição de sua época.

Gabarito: O

8. ... pois é de lá que sai o enterro dos imortais, que morrem como todo mundo. (final do
texto)
A frase acima
a) aponta a desvalorização dos escritores que já foram considerados os melhores do'país.
b) produz efeito humorístico advindo do paradoxo causado por um jogo de palavras com
os conceitos de mortalidade e imortalidade.
c) conclui que apenas os autores românticos merecem ser chamados de imortais.
Capítulo 21 Prova 3- Tribunal Regional Eleitoral TO- 2011-
Técnico Judiciário- Área Administrativa 179

d) repudia com sarcasmo o privilégio oferecido aos autores da Academia, pois são mortais
como os demais escritores.
e) estabelece oposição à ideia de que o Salão dos Poetas Românticos teria algo de fúnebre.

Comentário: Na frase, há um jogo de palavras que causa um paradoxo (enterro dos


O efeito disso é o humor sobre o conceito de imortalidade dos escritores. Assim,
imortais).
percebemos que a alternativa (B) é a correta.
A alternativa (A) está errada, pois o autor do texto não tem a intenção de desvalorizar
escritores.
A alternativa (C) está errada, pois não houve uma inclinação aos poetas românticos a
respeito do conceito de imortalidade.
A alternativa (D) está errada, pois não há sinal de repúdio no texto.
A alternativa (E) está errada, pois a frase não estabelece oposição à ideia de o Salão ter
algo de fúnebre.

Gabarito: B

9. -o cheiro e o gosto de nossa gente. (22 parágrafo)


O segmento acima configura-se como
a) ressalva ao que foi afirmado antes.
b) síntese valorativa da enumeração que o antecede.
c) causa dos fatos que foram apresentados.
d) opinião que sintetiza a ideia principal do parágrafo.
e) explicação que complementao termo imediatamente anterior.

Comentário: Note que o segmento após o travessão é uma explicação dos termos elencados
anteriormente, não só do último. Então, cuidado com a "pegadinha" da alternativa (E), pois não
foi feita uma explicação só do último termo.
Na realidade, a alternativa correta é a (B), pois síntese valorativa é uma apreciação,
uma consideração que o autor faz, a qual pode ser entendida como a sua explicação sobre
o simbolismo que os termos enumerados transmitem para o Romantismo: "as palmeiras, os
índios, as praias selvagens, o sabiá, as borboletas de asas azuis, a juriti"são "o cheiro e o gosto
de nossa gente".
A alternativa (A) está errada, pois a palavra "ressalva" é um contraste, oposição. Isso não
ocorreu nesta parte do texto.
As alternativas (C) e (D) estão erradas, pois não houve causa, tampouco opinião que
expressasse a ideia principal do parágrafo.

Gabarito: B
180 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho
r
10. O mais velho de todos, Gonçalves Dias, mal chegara aos 40 anos.
I
O segmento grifado acima poderia ser substituído, sem alterar o contexto, por:
a) em breve completaria.
b) afinal atingia.
c) havia acabado de completar.
d) haveria de ter completado.
e) tampouco atingira.

Comentário: Aexpressão "mal chegara" transmite a ide ia de que os-40 anos foram completados
há. pouco. A expressão da alternativa (C) "havia acabado de completar" também transmite a
ideía de que os 40 anos fora.m completados há pouco. Por isso, é a alternativa correta.
Na alternativa (A), há erro, pois a expressão "em breve completaria" transmite a ideia de
que ainda não teria atingido os 40 anos.
Na alternativa· (B), há erro, porque a expressão "afinal" significa "finalmente", não
especificando o aspecto temporal da expressão grifada no pedido da questão.
Na alternativa {D), há erro, pois a lpcução verbal ''haveria de ter completado" transmite
dúvida, sentido que não coube ao pedido da questão.
Na alternativa.(E), há erro, pois"tampouco" significa" também não". Assim, não há mesmo
. sentido.
,__..• .
Gabarito: C

Edital do concurso TRE Tocantins - 2011


Técnico Judiciário -Área Administrativa

Ortografia oficial. Acentuação gráfica. Flexão nominal e verbal. Pronomes:


emprego, formas de tratamento e. colocação. Emprego de tempos e
modos verbais. Vozes do verbo. Concordância nominal e verbal. Regência
nominal e verbal. Ocorrência de crase. Pontuação. Redação (confronto e
reconhecimento de frases corretas e incorretas). Irúelecção de texto.

Quadro-resumo das questões com relação ao conteúdo do edital:


Questão 1: h~telecção de texto.
Questão 2: Intelec:ção de texto.
Questão 3: Pontuação.Vozes do verbo.
Questão 4: Flexão verbal.
Questão 5: Intelecção de texto.
Capítulo 21 Prova 3- Tribunal Regional Eleitoral TO- 2011 -
Técnico Judiciário- Área Administrativa 181

Questão 6: Intelecção de texto.


Questão 7: Intelecção de texto.
Questão 8: Intelecção de texto.
Questão 9: Intelecção de texto.
Questão 10: Emprego de tempos e modos verbais.

Assim, podemos eleger uma prioridade de estudo com base nos temas mais
relevantes, ordenando de forma decrescente os temas que mais caem nas
provas, da seguinte forma:
1º Intelecção de texto. (7 ocorrências)
2º Pontuação. (1 ocorrência)
Emprego de tempos e modos verbais. (1 ocorrência)
Vozes do verbo. (1 ocorrência)
Flexão verbal. (1 ocorrência)
6º Concordância nominal e verbal. (nenhuma ocorrência)
Regência nominal e verbal. (nenhuma ocorrência)
Ocorrência de crase. (nenhuma ocorrência)
Redação (confronto e reconhecimento de frases corretas e
incorretas). (nenhuma ocorrência)
Pronomes: emprego, formas de tratamento e colocação.
(nenhuma ocorrência)
Ortografia oficial. (nenhuma ocorrência)
Acentuação gráfica. (nenhuma ocorrência)
Flexão nominal. (nenhuma ocorrência)
182
183

Prova 4
Tribunal Regional do Trabalho 24ª Região:- 2011
Analista Judiciário - Área Administrativa

Atenção: As questões de núr:neros 1 a 1O referem~se ao texto seguinte.


Pensando os blogs.
• • _, ,):;(\!•,

Há não nwíto tempo,jalava-se em imprensa escrita,Jala'da e televisada quando


se desejava abarcar todas as possibilidades da co1nurzicação jornalísticà. Os jamais e
as revistas, o rádio e a televisão constituíam o pleno. espaço público das informações.
Tinham em comum o que se pode chaJnar de "autoria.)N!ititucional": dizia-se, por
exemplo, que tal notícia "deu no Diário Populm:", ou 'Joi ouvida na rádio Cacique",
011 "passou no telejomal da TV Excelsior". Funcionava como prova de veracidade

do Jato.
Hoje a autoria institucional enfrenta séria concorrência dos autorçs anommos,
ou senzíanônimos, que se valem dos rewrsos .da internet, entre eles os incontáveis
blogs. Considerados uma espécie de cadernos pessoais abertos, os blogs possibilitam
intervenção imediata do público e exploram enz seu espaço virtual as mais distintas
formas de linguagem: textos, desenhos, gravuras, fotos, músicas, vídeos, ilustrações,
reportagens, entrevistas, arquivos importados etc. etc. A novidade maior dos blogs
está nessa imediata conexão que podem realizar entre o que seria essencialmente
privado e o que seria essencialmente público. Até mesmo alguns velhos jomalistas
malltêm com regularidàde esses espaços abertos da internet, sem prejuízo para suas
colunas nos jornais tradicionais. A diferença é que, em seus blogs, eles se permitem
depoimentos subjetivos e apreciações pessoais que não teriam lugar numa Folha
de S. Paulo ou mtm O Globo, por exemplo. São capazes de narrar a cerimônia
de posse do presidente da República incluindo os apartes e as impressões dos filhos
pequenos que também acompanhauam e comentavam o evento.
184 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho
r
Qualquer cidadão pode resolver sair da casca e dizer ao mundo o que pe11sa da
seleção brasileira, ou da nwlher que o abandonou, ou da falta de oportunidades
no seu ramo de negócio. Artistas plásticos trocam figurinhas em seus blogs diante
de um largo público de espectadores, escritores adiantam 11111 capítulo do próximo
romance, um músico resolve divulgar sua no!la canção já acompanhada de cifras para
acompanhamento 110 Fiolão. É só abrir um espaço na intemet.
Outro dia, num blog de algum sucesso, o autor gaba!la-se de promo!ler
democraticammte, entre os incontáveis secí?uidores seus, uma discussão sobre as mesmas
questões que preocupa!!am a roda fechada e cerimoniosa dos filósofos compar1heiros
de Platão. Isso sim, argumentava ele, é que é um diálogo verdadeiro. Tal atreFimento
supõe que quqntidade implicaria q~4alídade, e que democracia é uma soma infir1ita
das impressões e opiniões de todo mrwdo ...
Não importa a extensão das descobertas tecnológicas, sempre será imprescíndÍFel
a atuação do nosso espírito crítico diante de cada fato novo que se imponha à nossa
atenção.
(Belarmi11o Braga, itJédito)
-..
1. Considerando-se o contexto, deve-se entender por "autoria institucional" uma
atribuição que se aplica a
a) grupos<de pessoas que participamreg[Jiarmente, de um mesmoblog.
b) informações publicadas em conhecidos órgãos da imprensa.
c) linguagens jornalísticas criadas para concorrer com as dos blogs.
d) · matérias publicadas em série sucessiva num mesmo órgão da imprensa.
e) reportagens assinadas por jornalistas devidamente credenciados.

Comentário: Releia o primeiro parágrafo e observe o contexto em que está inserida a expressão
"autoria institucional". Veja que o autor quis mostrar que "Os jornais e as revistas, o rádio e a
televisão constituíam o pleno espaço público das informações'~ As informações ali veiculadas
tinham muita Credibilidade ("Funcionava como prova de veracidade do fato'). Assim, a autoria
institucional tém o sentido de ir além do autor, do pessoal; transcende para a credibilidade do
órgão comunicativo renomado e de prestígio.
Dessa forma, prova-se que a alternati'{a (B) é a correta, pois essa credibilidade ocorria
(e ainda ocorre) nas informações publicadas em conhecidos órgãos da imprensa.

Gabarito: B
Capítulo 21 Prova 4- Tribunal Regional do Trabalho 24' Região- 2011 -'-
Analista Judiciário- Área Administrativa 185

2. De acordo com o texto, os b/ogstêm como característica


I. a abertura para participação autoral de leitores interessados em se manifestar num
espaço virtual já constituído;
11. a reversão de matérias que seriam, a princípio, de interesse público em matérias de
interesse exclusivamente privado;
111. a exploração de diferentes gêneros literários e linguagens outras que não a verbal,
além da plena liberdade na eleição dos temas a serem tratados.
Em relação ao texto, é correto depreender o que se afirma em
a) I, li e 111.
b) I e 11, apenas.
c) I e 111, apenas.
d) li e 111, apenas.
e) I, apenas.

Comentário: A frase I está correta, pois no segundo parágrafo se mostra que os blogs são
"uma espécie de cadernos pessoais abertos" de que se valem os "autores anônimos, ou semi-
anônimos" e até· autores conhecidos na intenção de se expressar no espaço virtual ("na
internet") já constituído ("blog").
A frase 11 está errada. Veja a seguinte frase do segundo parágrafo: "A novidade maior
dos blogs está nessa imediata conexão que podem realizar entre o que seria essencialmente
privado e o que seria essencialmente público." Assim, perceba que não há reversão de matérias
de interesse público em interesse exclusivamente privado. Eles estão paralelos: são igualmente
veiculados assuntos de interesse privado ou de interesse público.
A frase 111 está correta, pois os diferentes gêneros literários estão expressos em
"reportagens", "entrevistas", e as outras linguagens não verbais estão expressas em
"desenhos, gravuras, fotos, músicas, vídeos, ilustrações'~ Na realidade, a banca não queria
que você soubesse a diferença entre esses conceitos, bastava notar o trecho do texto que
enumera "as mais distintas formas de linguagem", assim expressa em diferentes gêneros e
outras linguagens sem "palavra" (não verbal). Em diversas passagens do texto, notamos que
o autor de um blog tem a liberdade de produzir a comunicação partindo do tema que lhe
convier. Dentre vários, percebemos no texto esse fragmento "dizer ao mundo o que pensa da
seleção brasileira, ou da mulher que o abandonou, ou da falta de oportunidades no seu ramo
de negócio'~
Assim, a alternativa correta é a (C).

Gabarito: C
lHo Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria 1Décio Terror Filho

3. Ao final do texto, o autor desaprova, precisamente, o fácil entusiasmo de quem


considera os b/ogs
a) irrefutáveis evidências das vantagens tecnológicas de que muitos podem usufruir.
b) exemplos incontestes da superioridade da inteligência artificial em relação à humana.
c) válidos desafios, que podem e devem estimular a nossa reação e análise críticas.
d) diálogos espontâneos e, por isso, verdadeiros, em consonância com a tradição dos
diálogos platônicos.
e) espaços generosos que multiplicam debates de nível superior aos diálogos dos
pensadores clássicos.

Comentário: Aalternativa (A) está errada, porque o autor, na rea !idade, aprova essas evidências
das vantagens tecnológicas, apenas temos de ser críticos ao analisar as informações.
A alternativa (B) está errada, pois extrapolou as informações dei texto. Não há qualquer
referência à inteligência artificial.
A alternativa (C) está errada, pois o autor aprova os válidos desafios, que podem e devem
estimular a nossa reação e análise críticas.
A alternativa (D) está errada, porque a estrutura da frase faz entender que as informações
dos blogs são verdadeiras por serem espontâneas e acaba por comparar aos diálogos de
Platão. Veja: "diálogos espontâneos e, por isso. verdadeiros, em consonância com a tradição
dos diálogos platônicos". Isso é justamente o que rebate o autor do texto.
A alternativa (E) é a correta, pois a questão faz menção direta ao penÚltimo parágrafo.
Releia-o e note que o autor desse blog menosprezou a alta roda de filósofos companheiros
de Platão, achando que apenas promovendo uma discussão sobre as mesmas questões aos
incontáveis seguidores haveria um resultado superior aos pensamentos desses filósofos. Daí
foi gerada a reprovação do autor do texto (Belarmino Braga), o qual refuta o atrevimento
esclarecendo que quantidade não significa qualidade(" Tal atrevimento supõe que quantidade
implicaria qualidade'~. Assim, o autor desaprovou quem acredita que simplesmente lançar
questões de alta complexidade com muitos achismos a um número grande de interlocutores
(espaços generosos que multiplicam debates) possa ter o resultado superior aos diálogos de
grandes pensadores.

Gabarito: E

4. Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento


em:
a) abarcar todas as possibilidades (lQ parágrafo)= incrementar todas as hipóteses. ·
b) prova de veracidade do fato (1Q parágrafo) = aprovação da verossimilhança da
ocorrência.
~;apltUio Zj Prova 4- Tribunal Regional do Trabalho 24' Região- 2011- •
Analista Judiciário- Área Administrativa 187

c) possibilitam intervenção imediata do público(2° parágrafo)= consignam o imediatismo


do público participante.
d) a roda fechada e cerimoniosà dos filósofos (4° parágrafo)= o círculo restrito .e solen~
dos pensadores.
e) atuação do nosso espírito crítico (5° parágrafo)= apropriação de nossa sensibilidade
intuitiva.

Comentário: Questão típica da FCC é a enumeração de segmentos e seus significados


contextuais. Normalmente, essa banca não insere em seus editais a semântica, isto é, o sentido
das palavras, mas ela cobra isso como simples interpretação do texto.
Na alternativa (A), há erro, pois "abarcar todas as possibilidades" significa englobar,
alcançar todos os meios de comunicação. O verbo "incrementar" tem o sentido de aumentar,
desenvolver, e "hipótese" é algo suposto. Por isso, essas expressões não têm o mesmo sentido.
Na (B), há erro, pois "prova de veracidade do fato" significa comprovação da verdade.
Já o substantivo "aprovação" significa concordar. O sub_stantivo ')~~rossimilhança" significa
semelhança com a verdade, parecido com ela. Por isso, âs expressões r~ão são sinônimas.
Na (C), há erro, pois "possibilitam intervenção imediata do p_úblico" significa que o público
pode interagir rapidamente. Já o substantivo "imediatismo" tira o sentido de intervenção
rápida, passa a ter o sentido pejorativo de realizar algo sem analisar criticamente.
A alternativa (D) é a correta, pois literalmente cà-da palavra tem seu sinônimo: "a roda
(círculo) fechada (restrito) e cerimoniosa (solene) dos filós()fos.(pen.sadores)".
Na (E), há erro, pois "atuação do nosso espírito crítico" sign.ifica que devemos ter postura
crítica. Já a expressão "apropriação de nossa sensibilidade intuitiva" significa que devemos
ter boa intuição. •

Gabarito: D

5. A expressão cadernos pessoais abertos (2° parágrafo), no contexto,


a) assinala a conexão que os blogs promovem entre a esfera do privado e a esfera pública.
b) refere-se ao caráter acidental e transitório que marca a vigência dos blogs como
espaço virtual.
c) indica o primarismo um tanto escolar que costuma caracterizar as linguagens
exploradas nos blogs.
d) enfatiza a contradição que impede os blogs de constituírem um espaço de discussão
democrática.
e) ressalta o improviso e a superficialidade das confidências que habitualmente se fazem
nos blogs.
Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho
rI
188
I
I
II
Comentário: A expressão "cadernos pessoais" nos faz lembrar um diário pessoal, de leitura e
escrita altamente reservadas à pessoa, a cada indivíduo. Os blogs abrem este espaço, deixam-
-no aberto à intervenção do outro (do público). Por isso, entendemos que há a conexão que os
blogs promovem entre a esfera do privado (eu) e a esfera pública (qualquer internauta).
Note que as demais alternativas podem até ter conclusões satisfatórias sobre blogs, mas
não têm nenhuma relação com a expressão "cadernos pessoais abertos'. Assim, a alternativa
(A) é a correta.

Gabarito: A

6. As normas de concordância verbal estão plenamente respeitadas na frase:


·a) No passado, com as qualificações escrita, falada e televisada pretendiam-se designar
toda a abrangência das formas de comunicação jornalística.
b) A multiplicação de tantos autores anônimos de blogs acabaram por representar uma
séria concorrência para os profissionais da comunicação.
c) Em nossos dias, cabem a quaisqu~r cidadãos tomar a iniciativa de criar um blog para
neles desen_y91ye_rem seus_ temas d po_oJos de vista.
d) Já não se opõem, num blog, a instância do que seja de interesse privado e a instância
do que seja de interesse público.
e) Permitem-se aos seguidores de um blog levantar discordância quanto às linhas de
argumentação d~senvolvidas por seu autor.

Comentário: Na alternativa (A), o verbo "pretendiam" é transitivo direto. Assim, o pronome


"se" é apassivador (v.t. 7.4) e o sujeito paciente é a oração subordinada substantiva "designar
toda a abrangência" (v.t. 5.1.1). Devemos sempre confirmar se realmente há pronome
apassivador, transpondo a oração para a voz passiva analítica (designar toda a abrangência
era pretendido). Por isso, o verbo deve se flexionar no singular: "pretendia-se designar toda
a abrangência" (v.t. 7.8). A banca quis induzir o candidato ao erro, colocando o termo "com as
qualificações escrita, falada e televisada" no plural, mas perceba que ele não é o sujeito, pois
é iniciado pela preposição "com".

... com as qualificações (. ..}pretendia-se designar toda a abrangência ...


Adj. Adv. de modo+ VTD + PAp I VTD objeto direto
oração principal I oração sub substantiva subjetiva
período composto

Na alternativa (B), há erro, pois o sujeito é "A multiplicação", levando o verbo ao singular:
"A multiolicacão de tantos autores anônimos de blogs acabou por representar... ".
Na alternativa (C), há erro, pois o verbo "cabem" é transitivo indireto, o objeto indireto
é "a quaisquer cidadãos' (note que este termo está preposicionado, por isso não pode ser o
sujeito). O sujeito deste verbo é a oração subordinada substantiva subjetiva" tomar a iniciativa"
(v.t. 5.1.1). Por isso, obrigatoriamente, o verbo da oração principal deve se flexionar no singular.
Capítulo 21 Prova 4- Tribunal Regional do Trabalho 24• Região- 2011-,
. Analista Judiciário- Área Administrativa 189

Veja:

... cabe a quaisquer cidadãos tomar a iniciativa ...

I
VTI + objeto indireto VTD + objeto direto
oração principal oração sub substantiva subjetiva
período composto

Na outra estrutura, note que o verbo "desenvolverem' não possui um sujeito literalmente escrito
em sua oração. Seu sujeito, na realidade, está elíptico (implícito), subentendendo a expressão "a
quaisquer cidadãos'. Por isso, esse verbo está corretamente flexionado no plural. Veja:
" ... de criar um blog para neles(nos blogs) (quaisquer cidadãos) desenvolverem seus temas
e pontos de vista."
A alternativa (D) é a correta, pois o verbo "opõem" concorda com o sujeito composto "a
instância do que seja de interesse privado e a instância do que seja de interesse público".
Já não se ooõem, num blog, a instância do que seja de interesse privado e a instância do
que seja de interesse público.
Na alternativa (E), o vérbó é transitivo direto e indireto. O pronome "se" é apassivador,
o termo "aos seguidores de um blog" é o objeto indireto (colocado no plural para confundir
o candidato) e a oração subordinada substantiva subjetiva "levantar discordância quanto
às linhas de argumentação desenvolvidas por seu autor" é o sujeito (v.t. 5.1.1). Como já d.[to~ ..
devemos sempre confirmar se realmente é pronome apassivador transpondo a oração para a
voz passiva analítica (levantar discordância quanto às linhas de argumentacão desenvolvidas
por seu autor é permitido aos seguidores- isso é permitido) (v.t. 2.2.5). Por isso, o verbo deve

--------
se flexionar no singular. Veja:

Permite-se aos seguidores de um blog levantar discordância quanto às linhas...


VTDI + Pron. Ap.+ objeto indireto+ compl nominal
oração principal
I VTD + objeto direto+ Adj. adverbial de assunto
oração sub substantiva subjetiva
período composto

Gabarito: D

7. Está clara e correta a redação deste livre comentário sobre o texto:


a) Nos blogs há uma subjetividade da qual os outros meios de comunicação jornalística
se ressentem, uma vez que não é de sua característica contemplá-la.
b) O autor do texto exime-se ao diferenciar autoria institucional de outras modalidades
autorais, presumindo que a primeira obtém maior crédito.
c) Para muitos, os blogs são um recurso de comunicação de eficácia nunca antes
alcançada, suplantando em extensão e profundidade os diálogos platônicos.
d) Ainda que possam ser benvindos, os blogs não devem constituir uma obcessão tal que
remova seus usuários de diligenciarem outras formas de linguagem.
e) A democratização do pensamento não pode ficar presa à uma forma de comunicação,
visto que são os conteúdos que determinam sua consumação.
190 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria 1Décio Terror Filho

Comentário: Neste tipo de questão, devemos encontrar a frase correta (gramaticalmente) e


clara (sem ambiguidade). Por efeito didático, todas as frases serão posicionadas imediatamente
abaixo do comentário, a fim de facilitar os apontamentos.
Na alternativa (A), o pronome "sua" gera ambiguidade, pois não há clareza se está se
referindo a "outros meios de comunicação jornalística" ou a "blogs". Confirme:
Nos blogs há uma subjetividade da qual os outros meios de comunicação jornalística se
ressentem, uma vez que não é de sua característica contemplá-/a.
Na alternativa (B), o verbo "exime-se" é transitivo direto e indireto. O pronome "se" é
reflexivo (eximir a si mesmo) e está na função de objeto direto (v.t. 2.3). O objeto indireto
desse verbo deve se iniciar com a preposição "de", por isso a estrutura deve ser mudada para
"O autor do texto exime-se de diferenciar... " Confirme:
O autor do texto exime-se ao diferenciar autoria institucional de outras modalidades autorais,
presumindo que a primeira obtém maior crédito.
A alternativa (C) é a correta gramaticalmente e possui clareza. De acordo com o texto,
podemos até discordar da afirmação de que os blogs suplantaram (são superiores a) os diálogos
platônicos, mas essa não é uma opinião geral, mas de algumas pessoas. Note a expressão
"Para muitos". Além disso, a questão informou que há livre comentário (apreciação sobre
as informações do texto). Assim, na realidade, devemos observar apenas a gramaticalidade e
a ligação entre as orações, com coerência. Também poderíamos ter ficado na dúvida sobre a
concordância de "alcançada". Ela está correta, por concordar com "eficácia". Confirme:
Para muitos, os b!ogs são um recurso de comunicação de eficácia nunca antes a/cancada.
suplantando em extensão e profundidade os diálogos platônicos.
Na alternativa (D), as grafias corretas são "bem-vindos" e "obsessão". Confirme:
Ainda que possam ser benvindos. os blogs não devem constituir uma obcessão tal que remova
seus usuários de diligenciarem outras formas de linguagem.
Na alternativa (E), o erro é a crase antes do artigo indefinido "uma". Confirme:
A democratização do pensamento não pode ficar presa~ uma forma de comunicação, visto que
são os conteúdos que determinam sua consumação.

Gabarito: C

8. No contexto do 3 2 parágrafo, a frase final É só abrir um espaço na internet tem como


sentido implícito o que enuncia este segmento:
a) e assim se comprovará como é possível superar Platão.
b) para corporificar essas iniciativas na linguagem de um b!og.
c) e advirão as reações que costuma provocar a autoria institucional.
d) para se comprovar a efemeridade das informações de um b!og.
e) para que um blog passe a enfrentar severa reação crítica.
Capítulo 21 Prova 4- Tribunal Regional do Tralialho 24' Região·- 2011-
Analista Judiciário- Área Administrativa 191

Comentário: Perceba que a alternativa (B) é a correta, porque "para corporificar" significa
justamente "abrir espaço na internet", fazer com que as expressões do pensamento tomem
forma, tomem corpo (corporificar). Essas expressões são as iniciativas de" Qualquer cidadão",
"Artistas plásticos", "escritores': "músico': todos expressos neste parágrafo, na linguagem de
um blog. As demais alternativas estão bem fora do contexto. Veja:
Na (A), não há, nesta expressão, referência a superar Platão.
Na (C), a autoria institucional, no texto, é característica dos veículos de comunicação
clássicos, não é uma reação aos blogs.
Na (D), não se quer dizer com essa expressão que as informações de um blog são
passageiras.
Na (E), não há na expressão qualquer inferência sobre enfrentamento de qualquer reação
crítica.

Gabarito: B

9. Está adequado o emprego de ambos os elementos sublinhados na _frase:


a) Os recursos da internet, dos quais podemos nos valer a qualquer momento, permitem
veicular mensagens por cujo conteúdo seremos responsáveis.
b) Artistas plásticos, que suas obras lhes interessa divulgar, frequentam os espaços da
internet, mediante aos quais promovem a divulgaç_ão de seu trabalho.
c) Jornalistas veteranos, de cujas colunas tantos leitores.fáfrequentaram, passaram a
criar seus próprios blogs, pelos quais acrescel)tam uma dose de subjetivismo.
d) É comum que, num blog, os assuntos públicos, a cujo interesse social ninguém duvida,
coabitem aos assuntos particulares, que a poucos interessará.
e) As múltiplas formas de linguagem com que o autor de um blog pode lançar mão
obrigam-no a se familiarizar com técnicas de que jamais cogitou dominar.

Comentário: Para resolver este tipo de questão, devemos primeiro ir ao verbo, verificar a qual
oração ele pertence, descobrir quem é seu sujeito e possíveis complementos.
A alternativa (A) é a correta. Note que a locução verbal "podemos valer" é transitiva direta
e indireta, seu sujeito está oculto "nós", o pronome "nos" é reflexivo (v.t. 2.3) na função de
objeto direto e o pronome relativo "dos quais" é antecipado da preposição "de", para formar o
objeto indireto "dos quais" (alguém pode se valer de algo). Veja que a expressão "a qualquer
momento" é um adjunto adverbial de tempo.

Os recursos da internet dos quais podemos nos valer a qualquer momento permitem
sujeito OI+ verbo auxiliar+OD +vrDI + Adj. adverbial de tempo VfD
oração sub adjetiva restritiva
oração principal
periodo composto
192 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho
r Ca
Ar

Na outra oração, o verbo de ligação "seremos" possui sujeito oculto (nós), seu predicativo
é "responsáveis". Esse nome exige um complemento nominal com preposição "por", assim a
expressão "por cujo conteúdo" está corretamente empregada (v.t. 11.12).
I (d

... mensagens por cujo conteúdo seremos responsáveis


CN + V lig + ' predicativo
-oração principal oração subordinada adjetiva restritiva

Na alternativa (B), o verbo "interessa" é transitivo indireto, por isso o pronome "lhes" foi
empregado na função de objeto indireto. O verbo "divulgar" é o sujeito oracional do verbo
"interessa" (isso interessa a alguém) e é transitivo direto, exigindo o objeto direto "cujas
obras". Note que não se pode empregar "que suas obras", pois há uma relação de posse entre
o substantivo "obras" e a expressão "Artistas plásticos" (v.t. 11.12). Veja a correção:

Artistas plásticos cujas obras lhes interessa divulgar frequentam ...


Sujeito I 00 + OI + VTI
oração sub adjetiva restritiva
I Suí. oracional I
VTD VTD

oração principal
Período composto

Na outra estrutura, basta retirar a preposição "a" antes do pronome relativo, pois
"mediante" não exige preposição "a". Assim, entendemos que o sujeito do verbo "promovem"
está elíptico, subentendendo ''Artistas plásticos"; "promovem" é um verbo transitivo direto;
"divulgação" é o objeto direto. "de seu trabalho'; é o complemento nominal e "mediante os
quais" é o adjunto adverbial de meio. Veja a correção:
.:. espaços da internet, mediante os quais (artistas plásticos) promovem a divulgação de seu
trabalho.
Na alternativa (C), o verbo" frequentaram" é transitivo direto, seu sujeito é" tantos leitores"
e seu objeto direto é "cujas colunas", por isso devemos excluir a preposição "de" (v.t. 11.12).
Veja a correção:
Jornalistas veteranos, cujas colunas tantos leitores já frequentaram, passaram...
O verbo "acrescentam" é transitivo direto, a expressão "uma dose de subjetivismo" é o
objeto direto, o sujeito está elíptico e subentende a expressão "Jornalistas veteranos'. Assim,
o pronome relativo tem a função sintática de adjunto adverbial de lugar, devendo receber a
preposição "em" ("nos quais'). Veja a correção:
... seus próprios blogs, nos quais ljornalistas veteranos) acrescentam uma dose de...
Na alternativa (D), o verbo "duvida" é transitivo indireto e exige a preposição "de", o
sujeito é "ninguém" e o objeto indireto é "de cujo interesse social'. (v.t. 11.12). Veja a correção:
... os assuntos públicos, de cujo interesse social ninguém duvida ...
O verbo "coabitem" é transitivo direto, seu sujeito é "os assuntos públicos' e seu objeto
direto deve excluir a preposição "a", ficando "os assuntos particulares'. Veja a correção:
... os assuntos públicos(. .. ) coabitem os assuntos particulares...
Na alternativa (E), a expressão "lançar mão" exige preposição "de", por isso o pronome
relativo "que" deve ser antecipado da preposição "de". Veja a correção:
As múltiplas formas de linguagem de que o autor de um blog pode lançar mão
Capítulo 21 Prova 4- Jribunal Regional do Trabalho 24• Região 2011-
Analista Judiciário- Are a Administrativa 193

o verbo "dominar" é transitivo direto e exige o objeto direto "que", o qual retoma "técnicas"
(dominar as técnicas). Por isso, a preposição "de" deve ser excluída. Veja a correção:
... técnicas fll!.gjamais cogitou dominar

Gabarito: A

10. Transpondo-se para a voz passiva a frase Hoje a autoria institucional enfrenta séria
concorrência dos autores anônimos, obter-se-á a seguinte forma verbal:
a) são enfrentados.
b) tem enfrentado.
c) tem sido enfrentada.
d) têm sido enfrentados.
e) é enfrentada. (
Comentário: O verbo "enfrenta" está no presente do indicativo. Assim, com a transposição
para a voz passiva, o verbo "ser" também deve ficar no mesmo tempo verbal (é). Por isso, a
alternativa correta é a (E):
Voz ativa: ... a autoria institucional enfrenta séria concorrência ...

''"''""':::><"
Voz passiva: ... séria concorrência é enfrentada pela autoria institucional. ..
(sujeito paciente) (agente da passiva)

Gabarito: E

Atenção: As questões de números 11 a 17 referem-se ao texto seguinte.


Leis religiosas e leis civis
As leis religiosas têm mais sublimidade; as leis civis dispõem de mais extensão.
As leis de peifeição, extraídas da religião, têm por objeto mais a bondade d\1
homem que as segue do que a da sociedade na qual são observadas; ao contrário, as
leis civis versam mais sobre a bo11dade moral dos homens em geral do que sobre a
dos indivíduos.
Deste modo, por respeitáveis que sejam os ideais que nascem imediatamente d, 1
religião, não devem sempre servir de pri11cípio às leis civis, porque é outro o princípi\1
destas, que é o bem geral da sociedade.
(Montesquieu, Do espírito das leis)
HesoiUçoes ae t'rovas ae t'ortugues -I:! anca FCG- +breve teoria 1Décio Terror Filho

11. Atentando-se para a primeira frase e considerando-se o conjunto do texto, os termos


sublimidade e extensão dizem respeito, respectivamente, ao caráter
a) místico dos evangelhos canônicos e materialista dos textos da jurisprudência.
b) de espiritualidade das normas religiosas e de abrangência social do direito civil.
c) dogmático das convicções de fé e libertá rio das legislações constitucionais.
d) divino dos postulados cristãos e humanista da declaração dos direitos humanos.
e) de profundidade das certezas místicas e de superficialidade da ordem jurídica.

Comentário: Note no primeiro parágrafo que o substantivo "sublimidade" se refere às leis


religiosas (espiritualidade); já o substantivo "extensão" (abrangência) se refere às leis civis
(direito civil). Por isso, a alternativa (B) é a correta. As demais alternativas ou aprofundam,
especificam demais e fogem ao que está expresso no texto, ou estão totalmente fora do
contexto.

Gabarito: B

12. Atente para as seguintes afirmações:


I. A bondade do indivíduo e as virtudes coletivas são instâncias que se ligam entre si, de
modo inextricável e em recíproca dependência.
11. A diferença de princípios permite distinguir entre o que há de respeitável nos ideais
religiosos e o que se elege como um bem comum nas leis civis.
111. Tanto no âmbito das leis civis quanto no das religiosas, o objetivo último é o mesmo: o
aprimoramento moral do indivíduo.
Em relação ao texto, está correto o que se afirma em
a) I, 11 e 111.
b) I e 11, apenas.
c) li e 111, apenas.
d) I e 111, apenas.
e) 11, apenas.

Comentário: A frase I está errada, por afirmar que "A bondade do indivíduo e as virtudes
coletivas" estão relacionadas de modo inextricável e em recíproca dependência. No texto, foi
afirmado que os ideais da religião não devem sempre servir de princípios às leis civis, porque
seus princípios são diferentes.
A frase li está correta e faz referência ao último parágrafo do texto. Veja: "Deste modo,
por respeitáveis que sejam os ideais que nascem imediatamente da religião, não devem
sempre servir de princípio às leis civis, porque é outro o princípio destas, que é o bem geral
da sociedade."
uupHUIU L I I I uva '1'- IIIUUIIdl nt:yiUIIdl uu I raoamo Lo/ MeglaO- zu li-
Analista Judiciário- Área Administrativa 195

A frase 111 está errada e faz referência basicamente ao segundo parágrafo. Note que há
um contraste entre as leis da religião terem por objetivo a bondade do homem (indivíduo) e as
leis civis terem por objetivo a bondade moral dos homens em geral (bem geral da sociedade).
Assim, a alternativa correta é a (E).

Gabarito: E

13. As leis religiosas têm niais sublimidade; as leis civis dispõem de mais extensão.
A respeito da construção da frase acima, é correto afirmar que
a) o verbo dispor foi empregado no mesmo sentido que assume na frase A solidão dispõe
o homem à melancolia.
b) da comparação entre leis civis e leis religiosas, expressa pelo termo mais, resulta a
superioridade inconteste de uma delas.
c) entre os dois segmentos separados pelo ponto e vírgula· estabelece-se uma relação d.e
sentido equivalente ao da expressão ao passo que.
d) entre os dois segmentos separados por ponto e vírgula estabelece-se uma relação de
sentido equivalente ao da expressão por conseguinte.
e) o verbo dispor foi empregado no mesmo sentido que assume na frase O sacristão
dispôs o altar para a f1!issa. ., . ...... ~-.:

Comentário: Na alternativa (A), há erro, pois o verb~ "dispõem" tem o sentido de possuir, ter.
Já o verbo "dispõe" no outro contexto tem o sentido de induzir, incitar.
Na alternativa (B), há erro, já que ca.da uma recebe.u o termo "mais". Assim, todas têm seu
valor distinto, sem superioridade entre uma e outra.
A alternativa (C) é a correta, porque a locução conjuntiva "ao passo que", além de possuir
valor de tempo simultâneo (ao mesmo tempo que um possui uma característica, o outro possui
característica diferente), possui também valor de contraste, adversidade, oposição (v.t 3.6); por
isso, utiliza-se o ponto e vírgula (v.t. 8.7.9).
Na alternativa (D), há erro, porque não se transmite entre esses termos uma conclusão,
como expressaria a conjunção "por conseguinte".
Na alternativa (E), hiÍ erro, pois o verbo "dispôs" tem o sentido de "arrumar", "ajeitar";
diferente do sentido no texto.

Gabarito: C
196 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho Cap
Ana

14. Está plenamente adequada a correlação entre tempos e modos verbais na frase: 15.
a) As leis de perfeição teriam por objeto mais a bondade do homem que as seguisse do
que a da sociedade na qual fossem observadas.
b) As leis de perfeição tinham por objeto mais a bondade dos homens que as seguir do
que a da sociedade na qual serão observadas.
c) As leis de perfeição terão por objeto mais a bondade dos homens que as tivessem
seguido do que a da sociedade na qual terão sido observadas.
d) As leis de perfeição teriam por objeto mais a bondade do homem que as siga do que a
da sociedade na qual têm sido observadas.
e) leis de perfeição terão tido por objeto mais a bondade do homem que viesse a segui-las
do que a da sociedade na qual fossem observadas.

Co
Comentário: Abaixo será sublinhado o primeiro verbo como base e os verbos em negrito foram no
os que necessitaram de correção. lss
A alternativa (A) é a correta, porque o verbo "teriam", no futuro do pretérito do indicativo, 05
força os verbos "seguisse" e "fossem" ao pretérito Imperfeito do subjuntivo. (v.t. 12.13.6.2) a)
As leis de perfeição teriam PC}r objeto mais a bondade do homem que as seguisse do que a da
sociedade na qual fossem observadas.
Na alternativa (B), há erro, pois o verbo "tinham" está no pretérito imperfeito do indicativo. de
Çomo se transmite a ideia de passado, os verbos seguintes são forçados a também se en
flexionarem no pretérito imperfe_ito do indicativo (seguia, eram). Veja: co
As leis de perfeição tinham por objeto mais a bondade dos homens que as seguia do que a da é!
sociedade na qual eram observãdas. ·
b)
Na alternativa (C), há erro, pois o verbo "terão", no futuro do presente do indicativo, induz
os demais verbos ao mesmo tempo (terão seguido).
As leis de perfeição terão por objeto mais a bondade dos homens que as terão seguido do que c)
a da sociedade na qual terão sido observadas. A

Na alternativa (D), há erro, pois o verbo "teriam" está no futuro do pretérito do indicativo,
fazendo com que os demais verbos se flexionem no pretérito imperfeito do subjuntivo (seguisse
e tivessem). d)
AI
As leis de perfeição teriam por objeto mais a bondade do homem que as seguisse do que a da
sociedade na ·qual tivessem sido observadas.
Na alternativa (E), há erro, pois a locução verbal "terão tido" encontra-se no futuro do e)
presente do indicativo composto, forçando os demais verbos ao futuro do subjuntivo composto (
(tiver vindo, tiverem sido).
As leis de perfeição terão tido por objeto mais a bondade do homem que tiver vindo a segui-
-/as do que a da sociedade na qual tiverem sido observadas.

Gabarito: A
Capítulo 21 Prova 4- Tribunal Regional do Trabalho 24• Região- 2011 -
Analista Judiciário- Área Administrativa 197

15. O verbo indicado entre parênteses deverá ser flexionado numa forma do plural para
preencher de modo correto a lacuna da frase:
a) Às bondades individuais ...... (dever) seguir um benefício que se estenda ao conjunto
de uma sociedade.
b) Nem sempre ...... (haver) de respeitar as leis da religião quem se curva às leis civis.
c) Não se ...... (respeitar) as leis civis por bondade, nem as religiosas por espírito cívico.
d) Não se ...... (opor) o princípio da religião ao da ordem civil, embora as instâncias de
uma e outra sejam distintas.
e) ...... (ser) de se notar, entre as leis civis e as religiosas, a diferença dos princípios que
as regem.

Comentário: Para resolver a questão, devemos observar que o termo sem a preposição
normalmente é o sujeito. Não se pode flexionar o verbo em relação a um termo preposicionado.
Isso parece óbvio, mas é 5!AUe mais faz o candidato ter problema na questão. Será sublinhado
o sujeito para que você visualize melhor que a resposta correta é a (C).
a) Às bondades individuais deve seguir um benefício ...
objeto direto preposicionado+ V Aux VTD + sujeito

Note que o verbo "seguir" é transitivo direto, o sujeito é "um benefício", o qual se encontra
deslo.cado de sua posição normal. O objeto direto só recebeu a preposição "a", porque se
encontra deslocado, antes do verbo, e isso poderia levar a um prejuízo semântico (confundir
como sendo o sujeito). Assim, para dar mais clareza ao texto, é indicado ao leitor que o sujeito
é o termo sem preposição e o complemento recebe a preposição.

b) Nem sempre há de respeitar as leis da religião quem ...


Adj Adv tempo+ V Aux + VTD objeto direto + sujeito

c) Não se respeitam as leis civis(. .. ), nem as religiosas ... Voz passiva


{ sintética
A A Neg +PApas+ VTD + sujeito paciente composto

Voz passiva
(as leis civis e as religiosas não são respeitadas) { analítica

d) Não se opõe o princípio da religião ao da ordem civil. .. Voz passiva


{ sintética
A A Neg +PApas+ VTDI + sujeito paciente + objeto indireto

(o princípio da religião não é oposto ao da ordem civil) Voz passiva


{ analítica

e) É de se notar, entre as leis civis e as religiosas, a diferenca ... {Voz passiva


.:!_ Aux + r_;pas + VTD adjunto adverbial de lugar + sujeito paciente sintética
1
locução verbal (a diferença ... é de ser notada) {Voz passiva
analítica

Gabarito: C
198 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- + breve teoria 1Décio Terror Filho

16. Está plenamente adequada a pontuação da seguinte frase:


a) Se as leis da religião, pretendem levar o indivíduo ao exercício da bondade, o desígnio
das leis civis em qualquer sociedade, é contribuir para o bem de todos não importando
a religião que cada um professe, ou deixe de professar.
b) Se as leis da religião pretendem levar o indivíduo, ao exercício da bondade, o desígnio
das leis civis em qualquer sociedade é contribuir para o bem de todos não importando
a religião, que cada um professe ou deixe de professar.
c) Se, as leis da religião pretendem levar o indivíduo, ao exercício da bondade, o desígnio
das leis civis em qualquer sociedade é: contribuir para o bem de todos, não importando
a religião que cada um professe, ou deixe de professar.
d) Se as leis da religião pretendem levar o indivíduo, ao exercício da bondade, o desígnio
das leis civis, em qualquer sociedade, é contribuir para o bem de todos; não importando
a religião que, cada um, professe ou deixe de professar.
e) Se as leis da religião pretendem levar o indivíduo ao exercício da bondade, o desígnio
das leis civis, em qualquer sociedade, é contribuir para o bem de todos, não importando
a religião que cada um professe ou deixe de professar.

Comentário: Será comentada a alternativa correta (E) e as vírgulas obrigatórias ou facultativas,


para que se possa, por exclusão, entender o erro das demais alternativas. Veja:
e) Se as leis da religião pretendem levar o indivíduo ao exercício da bondade, o desígnio das
leis civis, em qualquer sociedade, é contribuir para o bem de todos, não importando a religião
que cada um professe ou deixe de professar.
A primeira vírgula é obrigatória e marca a antecipação da oração subordinada adverbial
condicional (v.t. 8.1.6; 4.3). Dentro desta oração, não pode haver vírgula, pois, na ordem,
encontram-se os seguintes termos: conjunção "Se", o sujeito "as leis da religião", a locução
verbal transitiva direta e indireta "pretendem levar", o objeto direto "o indivíduo", o objeto
indireto "ao exercício" e o complemento nominal "da bondade". (v.t. 8.4)
Na outra oração, a dupla vírgula ocorre porque expressão "em qualquer sociedade"
é um adjunto adverbial de lugar intercalado. A dupla vírgula poderia até ser retirada se
interpretássemos como adjunto adverbial de pequena extensão (apenas três palavras), mas
nunca se pode deixar apenas uma das duas vírgulas. (v.t. 8.1.4.1)
A vírgula antes de "não importando" inicia uma oração reduzida de gerúndio. Essa oração
tem valor conclusivo ou de consequência, por isso esta vírgula não é obrigatória. Note que o
vocábulo "religião" está sendo caracterizado pelas orações subordinadas adjetivas restritivas
"que cada um professe ou deixe de professar" (v.t. 8.3.1). Veja que elas estão coordenadas
entre si. Assim, não cabe vírgula antecipando, nem dentro deste trecho.

Gabarito: E
Capítulo 21 Prova 4- Tribunal Regional do Trabalho 24' Região- 2011-
Analista Judiciário- Área Administrativa 199

17. (. .. ) as leis civis versam mais sobre a bondade moral dos homens em gera/do que
sobre a dos indivíduos. ·
Pode-se substituir o segmento sublinhado na frase acima, sem prejuízo para a correção e
o sentido, por:
a) cuidam melhor da bondade moral e genérica dos homens do que cuidam a
b) dizem respeito mais à bondade moral do conjunto dos homens do que à
c) disputam melhor sobre a bondade moral da sociedade do que a
d) controvertem melhor sobre a bondade moral de todos os homens do que a
e) determinam mais o que seja moralmente a bondade dos homens do que aquela

Comentário: De antemão, percebemos que os verbos "cuidam", "disputam", "controvertem" e


"determinam" não traduzem o mesmo sentido de "versam". Assim, eliminamos as alternativas
(A), (C), (D) e (E), restando a (B) como correta. Perceba que "versar mais sobre" tem o mesmo
sentido de "dizem respeito mais à".
Portanto, realmente a alternativa (B) é a correta.

Gabarito: B

18. O Brasil poderá sofrer a primeira consequência diplcinática por ter decidido não
extraditar o terrorista italiano Cesare Battísti daqui a menos de duas semanas.
A frase acima, de uma notícia de jornal, tem como defeito de construção
a) duplicidade de sentido, por conta da posição de daqui a menos de duas semanas.
b) duplicidade de sentido, decorrente da falta de vírgulas entre as quais deveria estar o
segmento o terrorista italiano Ce~are Battisti.
c) a falta de clareza decorrente da ausência de vírgula em seguida a diplomática.
d) a incoerência gerada pelas expressões por ter decidido e não extraditar.
e) a incoerência decorrente do emprego de primeira consequência sem esclarecer que
outras haveria.

Comentário: A alternativa {A) está correta. Realmente houve ambiguidade na frase, porque o
adjunto adverbial de tempo "daqui a menos de duas semanas" pode se referir tanto a" O Brasil
poderá sofrer a primeira consequência diplomática" ou a "por ter decidido não extraditar o
terrorista italiano Cesare Battistl'. Poderíamos corrigir a frase deslocando esse adjunto
adverbial. Veja:
O Brasil poderá sofrer, daqui a menos de duas semanas, a primeira consequência diplomática
por ter decidido não extraditar o terrorista italiano Cesare Battisti.
O Brasil poderá sofrer a primeira consequência diplomática por ter decidido não extraditar,
daqui a menos de duas semanas, o terrorista italiano Cesare Battisti.
.r
.

Cap
200 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho Ana

A alternativa (B) está errada, porque o termo "o terrorista italiano Cesare Battisti" é o
(op
objeto direto e não pode ficar entre vírgulas.
A alternativa (C) está errada, porque a vírgula após "diplomática" é facultativa, pois inicia
uma oração subordinada adverbial causal posposta à oração principal (v.t. 8.1.5). A falta da
vírgula não prejudica a clareza.
A alternativa (D) está errada, pois não há incoerência nas expressões "por ter decidido" e 20
"não extraditar'~
A alternativa (E) está errada, pois o uso da expressão "primeirà consequência" significa
que esta será a primeira. Isso não impõe a referência às demais no texto.

Gabarito: A

19. Ninguém imaginou que ele nos trairia. Supúnhamos, mesmo, que fosse o mais leal de
Cc
nossos parceiros.
an
As frases acima estão reorganizadas numa só frase, sem prejuízo para a correção e o "a
sentido, em: pc
a) Sendo o mais leal de nossos parceiro~, .como sempre supomos, não é de se imaginar. E/
que nos traia. · ·· · · . .., - ~;·.
b) Uma vez que fosse o mais leal de nossos parceiros, como imaginar que haveria de nos trair? "d
c)· Na suposição de que ele era, mesmo, o mais leal.de nossos parceiros, nenhum de nós e
imaginou que ~os. trairia. . D
d) Conquanto tenha sido o ma[s leal de nossos parceiros, sua traição era para nós algo
mesmo inimaginável. p!
e) Por havermos suposto que fora o mais leal dos parceiros, não imaginaríamos que d!
mesmo ele possa nos trair. p1
p,
Comentário: Na primeira frase, há uma declaração "Ninguém imaginou que ele nos trairia.".
Em seguida há uma explicação em que se ratifica uma suposição por meio do advérbio de P'
certeza "mesmo", no sentido de "sim", "realmente". Note que há uma suposição de que ele era CI
o mais leal dos parceiros. CI

Agora, compare com as alternativas. À


Na (A), os verbos no presente mudam o sentido, pois a traição já ocorrera. Então não cabe
este tempo. d
Na (B), omitiu-se a suposição, houve apénas a declaração. Assim, mudou-se o sentido. c
A alternativa (C) é a correta, pois permaneceram a ideia da suposição e a ratificação por meio a
do advérbio "mesmo". O adjetivo "inimaginável" tem o mesmo sentido de "Ninguém imaginava".
Na (D), o advérbio de certeza "mesmo" foi deslocado e a conjunção "Conquanto" também
muda o sentido e torna o texto incoerente, pois esta conjunção inicia oração subordinada
adverbial concessiva. Se ela transmite uma ideia positiva (ser leal), força a oração principal a
transmitir uma ideia contrastante (sua traição era imaginável).
Capítulo 21 Prova 4- Tribunal Regional do Trabalho 24• Região -2011 -
Analista Judiciário- Área Administrativa
201

Na (E), o vocábulo "mesmo" mudou o sentido, passou a transmitir o valor de concessão


(oposição).

Gabarito: C

20. Justifica-se plenamente o emprego de ambos os sinais de crase em:


a) Ela pode voltar à qualquer momento, fiquemos atentos à sua chegada.
b) Dispôs-se à devolver o livro, à condição de o liberarem da multa por atraso.
c) Postei-me à entrada do cinema, mas ela faltou também à esse compromisso.
d) Àquela altura da velhice já não assistia à filmes trágicos, apenas aos de humor.
e) Não confie à priminha os documentos que obtive à revelia do nosso advogado.

Comentário: Na alternativa {A), o pronome "qualquer" não admite artigo "a", o vocábulo "a"
antes deste pronome é apenas uma preposição. Por isso, não pode haver crase. O adjetivo
"atentos" exige preposição "a" e o sub~tantivo "chegada" admite artigo "a". Como o pronome
possessivo singular e feminino está presente, a crase é facultativa.
Ela pode voltar a qualquer momento, fiquemos atentos à sua chegada.
Na (B), não pode haver crase antes de verbo, por isso há apenas preposição antes do verbo
"devolver". A expressão "à condição de" é uma locução adverbial iniciada pela preposição "a"
e o substantivo "condição" admite artigo "a". Assim, ocorre a crase.
Dispôs-se a devolver o livro, à condição de o liberarem da multa por atraso.
Na (C), a expressão "à entrada do cinema" é uma locução adverbial de lugar, iniciada
pela preposição "a" e o substantivo "entrada" admite artigo "a". Assim, há crase. O pronome
demonstrativo "esse" não admite artigo, por isso o vocábulo "a" antes deste pronome é apenas
preposição. Portanto, não pode haver crase.
Postei-me à entrada do cinema, mas ela faltou também a esse compromisso.
Na (D), a expressão "Àquela altura da velhice" é um adjunto adverbial de tempo iniciado
pela preposição "a". Como o pronome demonstrativo "Aquela" é iniciado pela vogal "A", ocorre
crase. Já o substantivo "filmes" é substantivo masculino e está no plural. Assim, não admite
crase ..
Àquela altura da velhice já não assistia a filmes trágicos, apenas aos de humor.
A alternativa (E) é a correta, pois o verbo "confie" é transitivo direto e indireto, "os
documentos" é o objeto direto, e o objeto indireto, iniciado pela preposição "a", deve receber
crase, porque o substantivo "priminha" admite artigo "a". A expressão "à revelia" é um adjunto
adverbial de modo, o qual se inicia pela preposição "a" e o substantivo "revelia" admite o artigo
"a". Assim, há crase.
Não confie à priminha os documentos que obtive à revelia do nosso advogado.

Gabarito: E
202 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria 1Décio Terror Filho

Edital do concurso TRT 24ª Região - 2011


Analista Judiciário - Área Administrativa

Ortografia oficial. Acentuação gráfica. Flexão nominal e verbal. Pronomes:


emprego, formas de tratamento e colocação. Emprego de tempos e
modos verbais. Vozes do verbo. Concordância nominal e verbal. Regência
nominal e verbal. Ocorrência de crase. Pontuação. Redação (confronto e
reconhecimento de frases corretas e incorretas). Intelecção de texto.

Quadro-resumo das questões com relação ao conteúdo do edital:


Questão 1: Intelecção de texto.
Questão 2: Intelecção de texto.
Questão 3: Intelecção de texto.
Questão 4: Sentido das palavras ou expressões (dentro de Intelecção de
texto).
Questão 5: Intelecção de texto.
Questão 6: Concordância verbal.
Questão 7: Redação (confronto e reconhecimento de frases corretas e
incorretas).
Questão 8: Intelecção de texto.
Questão 9: Regência nominal e verbal.
Questão 10: Vozes do verbo.
Questão 11: Intelecção de texto.
Questão 12: Intelecção de texto.
Questão 13: Sentido das palavras ou expressões (dentro de Intelecção de
texto). Pontuação.
Questão 14: Emprego de tempos e modos verbais.
Questão 15: Concordância verbal.
Questão 16: Pontuação.
Questão 17: Sentido das palavras ou expressões (dentro de Intelecção de
texto).
Questão 18: Redação (confronto e reconhecimento de frases corretas e
incorretas). '
Questão 19: Redação (confronto e reconhecimento de frases corretas e
incorretas).
Questão 20: Ocorrência de crase.
Capítulo 21 Prova 4- Tribunal Regional do Trabalho 24' Região- 2011-
Analista Judiciário- Área Administrativa 203

Assim, podemos eleger uma prioridade de estudo com base nos temas mais
relevantes, ordenando de forma decrescente os temas que mais caem nas
provas, da seguinte forma:
1º- Intelecção de texto. (10 ocorrências)
2º- Redaçãó (confronto e reconhecimento de frases corretas e
incorretas). (3 ocorrências)
3º- Concordância verbal. (2 ocorrências)
4º- Regência nominal e verbal. (1 ocorrência)
Vozes do verbo. (1 ocorrência)
Pontuação. (1 ocorrência)
Emprego de tempos e modos ve:t:bais. (1 ocorrência)
Ocorrência de crase. (1 ocorrência)
9º- Ortografia oficial. (nenhuma ocorrência)
Acentuação gráfica. (nenhuma ocorrência)
Flexão nominal e verbal. (nenhuma ocorrência)
Pronomes: emprego, for-mas· dé tratamento e col~cação.
(nenhuma ocorrência)
Concordância nominal. (nenhuma ocorrência)
204

c
e:
--.~

p
C(
[(

j(

C<
C(

I<
u
p

• 1.
205

Prova 5
lnfraero ~O 11 - Analista superior

Atenção: As questões de números 1 a 3 referem-se ao texto abaixo.


Primeiras estórias é, certamente, o melhor livro para começar a entmder
Guimarães Rosa. Com uma variedade de temas e situações or1de se encontram
exemplares de vários tipos de conto - do jm1tástico ao anedótico, passando pelo
psicológico, o autobiográfico e o satírico- Guimarães Rosa mantém seu estilo próprio
com uma estrutura mais assimilável pelo leitor, em consequência do próprio gênero
conto. O tratamento que é dado aos tema; também é diversificado: ora patético, ora
jocoso, ora sarcástico, lírico, erudito e popular.
A maioria dos contos desemola-se rwma região não especificada, mas reconhecível
como a das obras anteriores, embora seu cenário seja apenas esboçado. E isso porque,
como há um estilo Guimarães Rosa, há também r4m mundo, um universo Guimarães
Rosa peifeitamente identificável, 110 sentido de que sua obra criou um âmbito próprio,
um espaço geográfico e temporal que não se demarca por latitudes e longitudes, nem
pelo calendário. É o espaço que circunscreve seus m{ticos personagens, e tão amplo
como aquele outro, o mundo real, de cujos habitantes esses personagens são outras
tantas facetas.
(Adaptado do texto de apresentação de Primeiras estórias, de G11imarães Rosa,
retirado da q11arta capa da 26' edição - Ed. Nova Fronteira)

1. De acordo com o texto, é correto afirmar:


a) Ao qualificar de míticos os personagens do livro, o autor sugere não terem eles qualquer ·
vínculo com as pessoas que de fato existem.
b) Primeiras estórias é considerado pelo autor do texto como o melhor dos livros
publicados por Guimarães Rosa.
c) A diversidade presente em Primeiras estórias não se restringe à temática, mas se
estende à composição dos próprios contos.
LVU M>umçoes oe rrovas oe t'Ortugues- Banca FCC- + breve teoria 1Décio Terror Filho

d) Ainda que não tragam uma precisa demarcação geográfica -latitudes e longitudes-,
todos os contos do livro se passam em torno da cidade onde nasceu Guimarães Rosa. I
I
i
e) A linguagem de Primeiras estórias é mais intrincada do que aquela utilizada nos
outros livros de Guimarães Rosa. I
Comentário: Na alternativa (A), não temos que saber literalmente o que significa a palavra
\
"mítico", para responder a esta alternativa. Simplesmente foi afirmado que o autor sugere não
terem eles qualquer vínculo com as pessoas que de fato existem. í
O segundo parágrafo do texto tem vários trechos que nos ajudam a entender que há, sim,
uma relação entre os míticos personagens e as pessoas reais. Segundo o autor, é esse o brilho
da obra de Guimarães Rosa. Veja:
I
''A.maioria dos contos desenrola-se numa região não especificada, mas reconhecível como a
das obras anteriores';· "há também um mundo, um universo Guimarães Rosa perfeitamente
identificável';· "É o espaço que circunscreve seus míticos personagens, e tão amplo como
aquele outro. o mundo real, de cujos habitantes esses personagens são outras tantas facetas."
Perceba que o leitor consegue reconhecer, identificar, perfeitamente o cenário, apesar
de Guimarães Rosa desenvolver sua narrativa em espaço não especificado. Assim, não só o
I
espaço, mas também os personagens são outras tantas facetas do mundo real. Portanto, há
vínculo entre os míticos personagens com as pessoas que de fato existem.
I
Na alternativa (B), a frase foi categórica, informando que "Primeiras estórias" é considerado
pelo autor o melhor livro de Guimarães Rosa, porém no texto é informado que é o melhor livro I
para começar a entender Guimarães Rosa. Com dado explícito, eliminamos esta alternativa.
A alternativa (C) é a correta. Perceba que a alternativa afirma que há diversidade lI
temática' e na composicão 2 dos próprios contos. O primeiro parágrafo está recheado de
dados explícitos que caracterizam essa diversidade. Acompanhe a numeração:
"Primeiras estórias é, certamente, o melhor livro para começar a entender Guimarães Rosa. I
Com uma variedade de temas 1 e situacões 2 onde se encontram exemplares de vários tipos 2 I
de conto- do fantástico ao anedótico, passando pelo psicológico, o autobiográfico e o
satírico 2 - Guimarães Rosa mantém seu estilo próprio com uma estrutura mais assimilável
I
pelo leitor, em consequência do próprio gênero conto. O tratamento que é dado aos temas 1
também é diversificado: ora patético, ora jocoso, ora sarcástico, lírico, erudito e popular."
Na alternativa (D), não há no texto qualquer referência a um espaço especificado à região
onde morava Guimarães Rosa. Segundo o autor, o que faz sua obra notável é justamente
I
i
I
a amplidão do espaço, tão vasto como o universo real. Veja isso nos trechos do segundo I
parágrafo: i
"... um espaço geográfico e temporal que não se demarca por latitudes e longitudes ... tão
amplo como aquele outro, o mundo real".
I
Na alternativa (E), veja que a afirmativa extrapolou o texto. Não há passagem no texto que
I!
informe sobre a linguagem utilizada por Guimarães Rosa.

Gabarito: C
I
I
I
Caprtulo 21 Prova 5 -Infra era 2011- Analista superior 207

I 2. A substituição do elemento grifado pelo pronome correspondente, com os necessários


I ajustes, foi realizada de modo INCORRETO em:
i
a) O tratamento que é dado aos temas= O tratamento que lhes é dado.
I b) que circunscreve seus míticos personagens= que os circunscreve.
c) para começar a entender Guimarães Rosa= para começar a entendê-lo.
I d) sua obra criou um âmbito próprio= sua obra criou-o.
í e) Guimarães Rosa mantém seu estilo próprio= Guimarães Rosa lhe mantém.

I Comentário: A alternativa incorreta e que deve ser marcada é a (E), pois o verbo "mantém" é
transitivo direto e não admite o pronome "lhe". O pronome correto deve ser "o". Como o verbo
termina em "m", acrescenta-se "n" (mantém-no) (v.t. 11.2.1.3). As demais alternativas estão
corretas. Veja!
Na alternativa (A), "é dado" é locução verbal da voz passiva. Ela é transitiva direta e
indireta e "aos temas" é o objeto indireto, que está corretamente substituído pelo pronome
I "lhes" (v.t. 11.2.2).
Na alternativa (B), "seus míticos personagens' é o objeto direto, por isso pode ser
4

I substituído por "os". Como ocorre a palavra atrativa "que", esse pronome está antes do verbo
(v.t. 10.2.1).

I Na 'àlternativa (C), "Guimarães Rosa" é o objeto direto e àdmite ser substituído por "o".
Como o verbo termina em "r", exclui-se essa letra e acrescenta-se o "I", não se descuidando·
de acentuar o vocábulo (~.t. 11.2.1.1).
i Na alternativa (D), "seu estilo próprio" é o objeto direto •.e·iJode ser substituído por "o"
I (v.t. 11.2.1). -

Gabarito: E
I
I
I 3. O verbo empregado pelo autor do texto no singular e que poderia i·gualmente ter sido
empregado no plural, mantidos o sentido e a correção da frase, está em:
a) ... um espaço geográfico e temporal que não se demarca por latitudes e longitudes...
A maioria dos contos desenrola-se numa região não especificada...
I
b)
c) ... sua obra criou um âmbito próprio, um espaço geográfico e temporal...
i d) ... espaço que circunscreve seus míticos personagens...
I
I e) ... há também um mundo, um universo Guimarães Rosa ...

Comentário: A alternativa correta é a (B), pois a expressão partitiva "A maioria dos contos"
permite que o verbo concorde com o núcleo ("maioria") ou com o adjunto adnominal ("dos
contos") (v.t. 7.1.1.1).
Nas alternativas (A) e (D), o pronome relativo "que" é o sujeito de "demarca" e de
"circunscreve". Esse pronome relativo retoma o substantivo "espaço"; por isso esses verbos
estão obrigatoriamente no singular.
208 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho
r
Na alternativa (C), o sujeito está no singular ("sua obra"), forçando o verbo "criou" para o
singular.
Na alternativa (E), o verbo "há" é impessoal e não tem sujeito, porque está no sentido de
"existir" (v.t. 7.3.2). Por isso, permanece no singular.

Gabarito: B

4. Leia o texto abaixo e as afirmações I, 11 e 111 feitas em seguida.


Panorama é o nome dado, grosso modo, a qualquer vista abrangente de um espaço
físico, ou seja, é uma ampla vista geral de uma paisagem, território, cidade ou de parte
destes elementos, normalmente vi~tos de um ponto elevado ou relativamente distante.
A palavra foi originalmente cunhada na segunda metade do século XVIII pelo pintor
irlandês Robert Barker para descrever suas pinturas "panorâmicas" de Edimburgo.
O vocábulo é formado por dois termos do grego antigo - pan, que significa "total'~ e
órama, que significa "vista':
(Adaptado de http://pt wikipedia.org/wiki/Panorama, acessado em 09/03/2011)
.1. A expressão grosso modo equiva!e a de modo genérico.
11. O segmento originalmente cun_h'ada poderia ser substituído, preservando-se o sentido
e a .correção; por gravada de modo original.
111. Em normalmente vistos de um ponto elevado ou relativamente distante, a utilização do
termo normalmente indica serem os pontos de observação mencionadÓS os únicos que
permitem carac~eri~ar uma imagem como panorâmica.
Tendo como base o texto acima, está correto o que consta em
a) I, somente.
b) I e 11, somente.
c) 11 e 111, somente.
d) 111, somente.
e) I, li e 111.

Comentário: A frase I está correta, pois o adjunto adverbiàl de modo "grosso modo" significa
geralmente, normalmente, de modo geral, "de modo genérico".
A frase li está errada, pois o particípio "cunhada" significa criada, inventada, difundida.
Assim, não possui o sentido de "gravada". Além disso, "originalmente", neste contexto, tem o
sentido de "em sua origem".
A frase 111 está errada, pois o advérbio "normalmente" não é categórico. Entende-se que os
elementos foram vistos geralmente daqueles pontos. Então não podem ser entendidos como
os únicos pontos de observação.

Gabarito: A
Capítulo 21 Prova 5- lnfraero 2011 -Analista superior 209

5. Leia os quadrinhos da tirinha abaixo.


NÍQUEL NÁUSEA FERNANDO GONSALES

Que
absurdo!
Um cavalo
assistindo à
corrida de

(Folha de S. Paulo, ilustrada, 24.03.20/Z p. E13)


É correto afirmar que o humor da tira provém principalmente
a) do fato de o cavalo concordar com a observação do homem de chapéu de que um
cavalo assistindo à corrida de cavalo é mesmo um absurdo.
b) do uso equivocado da palavra absurdo, pois o leitor sabe que não há nada de inusitado
ou incomum no envolvimento com o trabalho de quem está de férias.
c) da posição dos dois personagens, que conversam sobre a corrida de cavalos, mas estão
voltados de costas para ela, o que só é revelado no último quadrinho.
d) da quebra das expectativas do leitor ao dar-se conta, no último quadrinho, de que o
absurdo aludido no primeiro tem sentido diverso do imaginado.
e) do jogo de palavras que se estabelece entre o absurdo referido no primeiro quadrinho
e a última frase dita pelo cavalo, no último- Faz sentido!

Comentário: O sentido da palavra "absurdo" para quem só viu o primeiro quadrinho realmente
é o de perceber uma situação inusitada: um cavalo sentado assistindo a uma corrida de cavalo.
Porém, a mudança para o segundo quadrinho quebra a expectativa (o entendimento) do
leitor, pois muda a perspectiva do vocábulo "absurdo". Agora, o absurdo é estar de férias e
estar envolvido com o mesmo tema de sua rotina. Assim, a alternativa (D) é a correta.
As demais alternativas encontram-se bem fora dessa ideia.

Gabarito: D
210 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria 1Décio Terror Filho

6. Analise as frases abaixo do ponto de vista da redação.


I. A Gestão por Competências, alternativa aos modelos gerenciais tradicionalmente
utilizados pelas organizações, propõem-se a orientar esforços para planejar, captar,
desenvolver e avaliar, nos diferentes níveis da organização, as competências necessárias
à consecussão de seus objetivos.
11. A proposta da Gestão por Competências é compreender quais são as competências
organizacionais críticas para o sucesso empresarial, desdobrá-las em termos de
competências profissionais e desenvolvê-las junto ao quadro de funcionários internos.
111. Na Gestão por Competências, direcionam-se as ações prioritariamente para o
gerenciamento da lacuna de competências eventualmente existente na organização
ou equipe, procurando suprimi-la ou minimizá-la.
IV. Minimizar eventuais lacunas de competências significam orientar e estimular os
profissionais a eliminar as discrepânsias entre o que eles são capazes de fazer e o que
a organização espera que eles façam.
(Adaptado de "Gestão por competências':
http://pt. wikipedia.org/wiki/Gest%C3%A3o_por_compet%C3%
AAncias, acessado em 07/04/2017)
Estão redigidas de acordo com a norma culta APENAS as frases
a) I e 111.

. J>) 11 e 111.
c) I e IV. . ""~""-'
d) I, 11 e IV.
e) 11,111 e IV.

Comentário: Serão reescritas abaixo somente as frases erradas gramaticalmente, com as


devidas correções.
A frase I está errada gramaticalmente. O verbo "propõem" deve se flexionar no singular,
tendo em vista que o núcleo do sujeito está no singular: "Gestão". O vocábulo "níveis" deve
receber acento gráfico, por ser paroxítono terminado em ditongo oral (ei) seguido de "s".
O substantivo "consecussão" deve ser grafado com "ç". Veja a correção:
A Gestão por Competênc ias, alternativa aos modelos gerenciais tradicionalmente utilizados
pelas organizações, propõe-se a orientar esforços para planejar, captar, desenvolver e avaliar,
nos diferentes níveis da organização, as competências necessárias à consecução de seus
objetivos.
A frase 11 está correta, pois mantém a correta concordância, regência e pontuação.
A frase 111 também está correta. Poderia haver dúvida quanto à concordância do verbo
"direcionam-se". Ela está correta. Veja que ele é transitivo direto e indireto e possui o pronome
apassivador "se". Com i~so,·o sujeito paciente "as ações" força o verbo para o plural (v.t. 7.4).
Capítulo 21 Prova 5 -Infra era 2011- Analista superior 211

A frase IV está errada gramaticalmente. Perceba que o verbo "significam" deve se


flexionar no singular, porque seu sujeito é a oração subordinada substantiva "Minimizar
eventuais lacunas de competências" (v.t. 7.8). O infinitivo "eliminar" se refere ao substantivo
"profissionais", por isso cabe sua flexão no plural, mas a flexão no singular também está
correta (v.t. 7.9.1.3.2). O vocábulo "discrepânsias" deve receber a letra "c" no lugar do segundo
"s". Veja a correção:
Minimizar eventuais lacunas de competências significa orientar e estimular os profissionais
a eliminar (ou eliminarem} as discrepâncias entre o que eles são capazes de fazer e o que a
organização espera que eles façám.

Gabarito: B

Atenção: As questões de números 7 e 8 referem-se ao texto abaixo.


Electra II*
( ... )
Electra li é
para IIIÍ/11
ponte-aérea
Rio-S. Paulo
é cartão
de e/ri'barqr1e ··:·· ."!>

na miio e vento
nos cabelos
e'
subir a escada
e voar
Electra li
para mim
é a cidade
do alto a ponte
e a salgada
baía
e a Illza
Fiscal
antes de pousar
( ... )
Natural pois
encontrá-lo
no aeroporto
Santos Dumont
212 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC-+ breve teoria I Décio Terror Filho
r
mas mmca
11a rua Paula ]\![atos
I
ait1da que
acima da minha
cabeça (e
das casas)
espiando
entre os ramos
como se me buscasse
pela cidade
(... )
*O mais famoso avião a operar, dur:tfite muitos anos, a ponte aérea Rio-São
Paulo.
Ferreira Gullar (Muitas t'ozes. 2. ed. Rio de )a11eiro:)osé 0/ympio, 1999, p. 4-8)

7. .Os segmentos Natural pois e mas.nunca aludem, respectivamente,


a) ao que é próprio da natureza e ao que é artificial.
b) à Ilha Fiscal e ao Electra 11.
c) ao acidental ou episódico e ao acontecimento previsto, rotineiro.
d) ao previsto ou esperado e à súbita e inesperada aparição.
e) à ponte aérea Rio-S. Paulo e ao aeroporto Santos Dumont.

Comentário: Para responder a e~ta questão, devemos observar cada expressão. A primeira é
"Natural pois" e o trecho em que está inserida é a seguinte:
Natural ooís encontrá-lo (Electra 11) no aeroporto Santos Dumont. ..
Portanto, entendemos que é natural (normal) encontrar o Electra 11 no aeroporto Santos
Dumont.
Na alternâtiva (A), foi dito que a expressão "Natural pois" alude ao que é próprio
da natureza. Isso está fora do contexto, pois os vocábulos "Natural" e "natureza" não são
sinônimos neste contexto. Assim, eliminamos esta alternativa.
Na alternativa (B), perceba que a expressão não se refere ã "Ilha Fiscal". Assim, também
eliminamos esta alternativa.
Na alternativa {C), "ao acidental e ao episódico" significa aquilo que não é programado,
marcado. Um avião no aeroporto, com certeza, é algo programado. Assim, também eliminamos
esta alternativa.
A alternativa {D) está correta, pois é esperado, previsto que o avião esteja no aeroporto, por
ser algo programado. Então partiremos para a próxima alternativa para confirmar.
Na alternativa (E), perceba que a expressão não se refere à ponte aérea Rio-S. Paulo.
Assim, também eliminamos esta alternativa.
Capítulo 21 Prova 5 -lnfraero 2011 -Analista superior 213

Voltando à alternativa (D) para confirmarmos que é a correta, percebemos que o trecho
"mas nunca" se refere a algo inesperado, que não seria comum na rotina daquele avião: na rua
Paula Matos acima da cabeça do autor e das casas.

Ga~arito: O

8. Considere~s versos abaixo.


Natural pois
enco11trá-lo
110 aeroporto
Santos Du111011t ...
mas nunca
11a ma Paula Matos
ainda que
acima da minha
cabeça (e
das casas)
espim1do
entre os ramos
como ~e me buscasse
pela cidade
Reorganizados num único período em prosa, apresenta pontuação inteiramente adequada:
a) Natural, pois encontrá-lo no aeroporto Santos Dumont, mas, nunca na rua Paula Matos,
ainda que acima da minha cabeça (e das casas): espiando, entre os ramos como se me
buscasse pela cidade.
b) Natural pois, encontrá-lo no aeroporto Santos Dumont, mas nunca na rua Paula Matos,
ainda que acima da minha cabeça (e das casas) espiando, entre os ramos como se me
buscasse pela cidade.
c) Natural, pois, encontrá-lo no aeroporto Santos Dumont, mas nunca na rua Paula Matos,
ainda que acima da minha cabeça (e das casas), espiando entre os ramos como se me
buscasse pela cidade.
d) Natural, pois, encontrá-lo no aeroporto Santos Dumont mas, nunca na rua Paula Matos
ainda que, acima da minha cabeça (e das casas), espiando entre os ramos: como se me
buscasse pela cidade.
e) Natural pois, encontrá-lo no aeroporto Santos Dumont, mas nunca, na rua Paula Matos,
ainda que acima da minha cabeça (e das casas), espiando entre os ramos como se me
buscasse- pela cidade.
214 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria 1Décio Terror Filho

Comentário: Será comentada a alternativa correta e as vírgulas obrigatórias ou facultativas,


para que se possa, por exclusão, entender o erro das demais alternativas. Veja:
Natural, pois, encontrá-/o no aeroporto Santos Dumont, mas nunca na rua Paula Matos, ainda
que acima da minha cabeça (e das casas), espiando entre os ramos como se me buscasse pela
cidade.
A conjunção "pois" é coordenada conclusiva e se encontra deslocada, por isso recebe
obrigatoriamente a dupla vírgula (v.t. 3.8). Veja que o poeta não inseriu essas vírgulas em
seu texto original. A oração coordenada sindética adversativa deve ser separada por vírgula,
por isso a vírgula antes da conjunção "mas" está correta (v.t. 8.7.8). A vírgula antes de "ainda
que" e a que se encontra antes de "espiando" são facultativas haja vista iniciarem orações
subordinadas adverbiais que se posicionaram após a oração principal (v.t. 8.1.5). A expressão
entre parênteses está corretamente empregada por ser uma expressão intercalada, um
comentário do autor (v.t 8.2.1). Poderia haver uma vírgula antes de "como se", pois ali se inicia
outra oração subordinada adverbial, que se encontra após a principal (v.t. 8.1.5). Por isso a
vírgula é facultativa.

Gabarito: C

Atencão: As questões de números 9 a 12 referem-se ao texto abaixo.


Ingres é o mais contraditório dos pintorçs. Defendia valores etemos, imutáveis e,
num certo sentido, retrógrados. lVIas, de maneira involuntária, perverteu os prindpios
clássicos que proclamava e foi essencial para artistas da modernidade, como Picasso
ou JV!atisse. Quando hour;e, em 1911, uma exposição de In,gres em Paris, Degas
prestou-lhe uma homenagem única: já velho e cego,Joi, ainda assim, para pelo menos
passar a tnão sobre a sttpeifície das telas do ,grande mestre.
In,l?res concedia tanta intensidadefomzal ao estampado de um vestido, a um leque
ou a 11m vaso, quanto aos braços, às espáduas, aos rostos. Nessa ausência de hierarquia,
nesse universo de eternidades estáticas e o~jetivadas, instala-se o descompasso, o
bizarro, o desconforto para o olhar. Não há pintor tão enigmático quanto esse mestre,
que se queria conservador, claro e clássico.
(Adaptado de Jorge Co/i. Ponto de Fuga, Um estranho mestre.
Sao Pat~lo, Perspectir·,z, 2004, p. 189)

9. ... se queria conservador, claro e clássico. (2º parágrafo)


Com a afirmativa acima, o autor
a) explica a razão por que nas obras de lngres há excesso de intensidade formal, tendendo
para o bizarro.
b) reitera a observação feita anteriormente de que lngres era adepto de valores eternos,
imutáveis, que, no entanto, não se refletiam em suas obras.
Capítulo 21 Prova 5-lnfraero 2011- Analista superior 215

c) ironiza preceitos difundidos por escolas de Belas Artes do passado, que tolhiam a
criatividade de artistas que cultivavam um relativo desconforto para o olhar.
d) indica as principais qualidades formais da obra de lngres, que, opondo-se aos
modernistas, criava em suas obras um universo de eternidades estáticas.
e) esclarece o fato de lngres ter sido apenas tardiamente consagrado e reconhecido como
grande mestre por artistas como Picassoe Matisse.

Comentário: Este é o caso da interpretação pontual, localizada (v.t. 13.3). Assim, ao


compreendermos a real intenção do fragmento apontado na questão, achamos a alternativa
correta e eliminamos as demais alternativas.
O segmento em destaque se encontra na conclusão do texto (v.t. 13.9), a qual normalmente
é expressa para confirmar, reiterar, ratificar a introdução. Veja a frase:
"Não há pintor tão enigmático quanto esse mestre, que se queria conservador. claro e clássico."
O verbo "queria" transmite uma noção de hipótese, desejo, o qual foi involuntariamente
pervertido. O adjetivo "enigmático" nos reforça a ideia de fuga daquilo que é normal, natural.
Assim, se o pintor queria ser conservador, claro e clássico é foi afirmado que ele era enigmático,
naturalmente sabemos que ele fugiu aos padrões de comportamento comum. Isso reitera a
introdução do texto, a qual afirma que "lngres é o mais contraditório dos pintores'. Defendia
valores eternos. imutáveis e. num certo sentido, retrógrados'. Mas, de maneira involuntária,
perverteu os princígios Clássicos ~~e pro;lamava' e foi essencial para artistas da modernidade;
como Picasso ou Matisse. ".
Assim, a alternativa (B) é a única resposta possível. Compare a numeração:
Texto: Não há pintor tão enigmático' quanto esse mestre, que se queria conservador, claro e
clássico'.
Alternativa (B): reitera a observação feita anteriormente de que lngres era adepto de valores
eternos, imutáveis~ que, no entanto. não se refletiam em suas obras'.

Gabarito: B

10.... os princípios clássicos que proclamava...


O verbo que se encontra flexionado nos mesmos tempo e modo que o da frase acima está
em:
a) Não há pintor tão enigmático.. .
b) ... foi essencial para artistas.. .
c) Defendia valores eternos...
d) ... pelo menos passar a mão sobre...
e) Quando houve, em 7971...
216 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho
Cap

Comentário: O verbo "proclamava" está no pretérito imperfeito do indicativo, pois possui a


Co
desinência modo-temporal de primeira conjugação "-va". O verbo no mesmo tempo e modo
do
é o da alternativa (C) "Defendia", pois possui a desinência modo-temporal de segunda
exi
conjugação "-ia" (v.t. 12.3.2.2). O verbo "há" está no presente do indicativo; "foi" e "houve"
estão no pretérito perfeito do indicativo; "passar" encontra-se no infinitivo.

Gabarito: C

11. lngres concedia tanta intensidade formal ao estampado de um vestido...


O verbo que exige o mesmo tipo de complemento que o da frase acima se encontra em:
a) Degas prestou-lhe uma homenagem única...
· b) lngres é o mais contraditório dos pintores.
c) ... jávelho e cego, foi, ainda assim.. .
d) ... perverteu os princípios clássicos.. .
e) Defendia valores eternos, imutáveis.. .
de
Comentário: Esta questão, típica dá FCC, cÕbrà -os complementos, vistos no tópico 1.1. su
O verbo "concedia" é transitivo drreto e indireto. O objeto direto é "tanta intensidade ao
formal' e o objeto indireto é "ao estampado de um vestido". o
O mesmo ocorre na alternativa (A), pois o verbo "prestou" exigiu o objeto direto "uma Í11
homenagem única" e o objeto indireto "lhe", él
Nas demais alternativas,. ocorre "é" (verbo de ligação), "foi" (contextualmente, é verbo te i
intransitivo: ir a Paris), "perverteÚ;, (verbo transitivo direto) e "Defendia" é transitivo direto. de
111
Gabarito: A
se
o
12. Diferentemente de outros pintores impressionistas de sua época, que, no entanto
respeitava imensamente, Degas dedicou-se ...... estudar os efeitos que a luz artificial,
em oposição ...... natural, impunha ...... cenas que retratava.
Preenchem corretamente as lacunas da frase acima, na orde.m dada: 13
a) a- a- às
b) a- à- às
c) à- a- as
d) à- à- as
e) a...: à- as
Capítulo 21 Prova 5 -lnfraero 2011- Analista superior 217

Comentário: Não pode haver crase antes de verbo, por isso há apenas preposição "a" antes
do verbo "estudar". Assim, eliminamos as alternativas (C) e (D). O substantivo "oposição"
exige a preposição "a", subentendemos o substantivo feminino singular "luz" antes do adjetivo
"natural~', por isso deve haver crase. Assim, eliminamos a alternativa (A).
O verbo "~punha" é transitivo direto e indireto. Seu sujeito é "a luz artificial", o objeto
direto é o "que') o qual retoma "efeitos", e o objeto indireto é "às cenas" .
... efeitos Q!!.f. a luz artificial{. ..) impunha às cenas...
OD + sujeito VTDI + OI

Assim, o verbo "impunha" exige preposição "a" e, pelas alternativas, vimos que o substantivo
"cenas" é precedido do artigo "as". Assim, a crase é obrigatória e a alternativa (B) é a correta.

Gabarito: B

Atenção:As questões de números 13 a 15 referem-se ao texto abaixo.


O tnodo de ser da personagem Ricardo li, da peça A tragédia do rei Ricardo li,
de William Shakespeare, parece elaborado para ilustrar a oscilação entre a pessoa e a
suafimção política. Em Ricardo a divisão interior é consubstanciai, isto é, algo inerente
ao seu modo de set; podendo represe11tar com maior clareza a dicotomia entre o eu e
o outro, pressuposta na estmtura do mando. Quando alguém assume papel político,
incorpora esse outro, que é quem precisa dos critérios de legitimação do mando..Mandar
é tê-lo em si; quando ele se anula o sujeito fica reduzido à condição com11m. Ao mesmo
tempo arrogm1te e humilhado, Ricardo alterna a prepotência com a s11bmissão e passa
da co1?]iança cega ao desalento, a ponto de abdicar antes que a abdicação lhe seja
imposta. O processo se resolve na cena da abdicação, porque a dualidade da face e do
seu niflexo é desfeita pela destruição do espelho. O homem absorveu o rei, como antes
o rei absorvera o homem.
(Adaptado de A111011io Candido. "A culpa dos reis: ma11do e tra11sgressão 110 Ricardo li".
Ética. São Pa11lo, Compa11hia das Letras, 1992, p. 98)

13. Depreende-se da análise de Antonio Candido da peça de Shakespeare que o eu e o


outro mencionados são, respectivamente, o
a) rei que é deposto de seu trono e o rei que é alçado ao poder.
b) sujeito que detém a autoridade e o mando, e o sujeito submisso que obedece àquele.
c) monarca autoritário e prepotente, e aquele que é fraco e submisso aos súditos.
d) homem equilibrado e seguro, e o sujeito deprimido e entregue às circunstâncias
adversas.
e) homem dotado de humanidade e o sujeito revestido da autoridade decorrente de sua
posição.
218 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria 1 Décio Terror Filho

Comentário: Podemos entender a expressão "eu e outro" a partir deste trecho do texto: "a
dicotomia entre o eu e o outro, pressuposta na estrutura do mando. Quando alguém assume
papel político, incorpora esse outro". Note que "o outro" é aquele investido de poder. Assim,
vamos às alternativas:
Na (A), "o outro" se refere a poder, então não eliminamos esta alternativa.
Nas alternativas (B), (C) e (D), a expressão "o outro" não se refere a poder. Assim,
eliminamos essas alternativas.
Na (E), a expressão "o outro" se refere a poder. Assim, teríamos como possível resposta a
alternativa (A) ou a (E). Para isso, vejamos o último período do texto:
O homem absorveu o rei, como antes o rei absorvera o homem.

eu outro

Antes, o poder, o mando (o outro) absorvera o homem. O texto mostra que o poder conduz
e modifica as pessoas. Mas, depois, o "processo se resolve na cena da abdicação, porque
a dualidade da face e do seu reflexo é desfeita pela destruição do espelho". O espelho
representaria a farsa, a ilusão; a dualidade da face e do seu reflexo seria o duelo entre o
ser humano e o poder que o envolve. Assim, após a quebra do espelho (a volta à realidade),
prevaleceu o homem (eu, o ser mais humano, com humanidade).
Por isso, a alternativa correta é a (E).

Gabarito: E

14.... como antes o rei absorvera o homem.


Passando-se a frase acima para a voz passiva, a forma verbal resultante será:
a) seria absorvido.
b) é absorvido.
c) absorveu-se.
d) fora absorvido.
e) havia de absorver.

Comentário: O verbo "absorvera" encontra-se flexionado no pretérito mais-que-perfeito do


indicativo (v.t 12.3.4). Assim, com a transposição para a voz passiva, o verbo "ser" também
deve ficar no mesmo tempo verbal (fora) (v.t 2.2). Por isso, a alternativa correta é (D):
Voz ativa: o rei absorvera o homem.
(sujeito~
Voz passiva: o homem fora absorvido pelo rei.
(sujeito paciente) (agente da passiva)

Gabarito: D
Capítulo 21 Prova 5- lnfraero 20.11 -Analista superior ·219

15. Considere as frases abaixo, construídas com palavras retiradas do texto (grafadas em
negrito). A frase cuja redaçã.o está inteiramente de acordo com a norma culta é:
a) Alguns acreditam que com o advento da chamada globalização o mundo foi reduzido
entre uma pequena aldeia.
b) É notável a submissão de certos animais acerca do dono.
c) Não se pode afirmar· que não haja legitimação sobre regras morais na sociedade
contemporânea.
d) Parece razoável propor que em todas as áreas do conhecimento há certa dicotomia à
teoria e prática.
e) Alguns críticos acreditam que a sensibilidade é inerente nos grandes artistas.

Comentário: Na alternativa (A), a locução verbal "foi reduzido" exige preposição "a" (o mundo
foi reduzido a uma pequena aldeia).
Na alternativa (B), o substantivo "submissão" possui o adjunto adnominal "de certos
animais" e exige o complemento nominal iniciado pela preposição "a" (submissão de certos
animais ao dono).
Na alternativa (C), o substantivo "legitimação" exige o complemento nominal iniciado por
prepósição "de" (legitimar as regras-)legitimação das regras).
Na alternativa (D), o substantivo "dicotomia" significa contraste, oposição de termos.
Assim, a regência correta é "dicotomia entre teoria e prática".
A alternativa (E) foi uma pegadinha, pois todos saôemos, mesmo que intuitivamente, que
o adjetivo "inerente" exige preposição "a": "inerente aos grandes artistas". Mas esse adjetivo
admite a preposição "em". Assim, também está correta a construção "a sensibilidade é inerente
nos grandes artistas".

Gabarito: E

Edital do concurso Infraero - 2011


Analista Superior

Ortografia Oficial. Acentuação gráfica. Flexão nominal e verbal. Pronomes:


emprego, formas de tratamento e colocação. Emprego de tempos e modos
verbais. Vozes do verbo. Concordância nominal e verbal. Regência nominal
e verbal. Ocorrência de crase. Pontuação. Redação. Intelecção de texto.

Quadro-resumo das questões com relação ao conteúdo do edital:


Questão 1: Intelecção de texto.
Questão 2: Pronomes: emprego e colocação.
Questão 3: Concordância verbal.
220 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho
r
I
!
Questão 4: Sentido das palavras ou expressões (dentro de Intelecção de
texto).
Questão 5: Intelecção de texto.
Questão 6: Redação.
Questão 7: Intelecção de texto.
Questão 8: Pontuação.
Questão 9: Intelecção de texto.
Questão 10: Flexão verbal.
Questão 11: Regência verbal.
Questão 12: Ocorrência de crase.
Questão 13: Intelecção de texto.
Questão 14: Vozes do verbo.
Questão 15: Redação.

Assim, podemos eleger uniá priohdade de estudo c~m ba;'is;.:10s temas mais
relevantes, ordenando de forma decrescente os temas que mais caem nas
provas, da seguinte forma:
1Q Intelecção de texto. (6 ocorrências)
2Q Redação. (2 ocorrências)
3Q Concordância verbal.__ (1 ocorrência)
Regênçia verbal. (1 ocorrência)
Pontuação. {1 'Ocorrência)
Flexão verbal. (1 ocorrência)
Pronomes: emprego e colocação. (1 ocorrência)
Ocorrência de crase. (1 ocorrência)
Vozes do verbo. (1 ocorrência)
1OQ Concordância nominal. (nenhuma ocorrência)
Emprego de tempos e modos verbais. (nenhuma ocorrência)
Pronomes: formas de tratatnento. (nenhuma ocorrência)
Flexão nominal. (nenhuma ocorrência)
Ortografia Oficial. (nenhuma ocorrência)
Acentuação gráfica. (nenhuma ocorrência)
Regência nominal. (nenhuma ocorrência)
221

Prova 6
Tribunal Regional do Trabalho 23ª Região - 2011
Analista Judiciário - Área Judiciária

Atenção: As questões de números 1 a 6 referem-se ao texto abaixo.


Política e sociedade na obra de
Sérgio Buarque de Holanda
Para Sérgio Bum·que de Holanda a pri11ripal tar~fa do historiador C011sistia
em estudar possibilidades de mudança social. Entretanto, conceitos herdados e
i11telectualismos abstratos impediam a sensibilidade para com o processo do devir.
Raramente o que se qfigurava como predominante na historiografia brasileira
apontava um caminho profícuo para o historiador preocupado em estudar mudanças.
Os caminhos i11stitucionalizados escondiam os figurantes mudos e sua fala. Tanto
as fontes quanto a própria historiografia falatJam a linguagem do poder, e sempre
imbuídas da ideologia dos interesses estabelecidos. Desvendar ideologias implica
pm'a o historiador um cuidadoso percurso intetpretativo voltado para indícios tênues
e nuanças sutis. Pormenores significativos apontavam caminhos imperceptíveis,
o ji-agmentário, o não-determinante, o secundário. Destes protJiriam as pistas que
indicariam o caminho da i11terpretação da mudança, do processo do vir a ser dos
figurantes mudos em processo de fo1jar estraté<~ias de sobrevivência.
Era engajado o seu modo de escrever história. Como historiador quis elaborar
formas de apreensão do mutável, do trm1sitório e de processos ainda incipientes 110
vir a ser da sociedade brasileira. Enfatizava o provisório, a diversidade, a fim de
documentar novos sujeitos eventualme11te participantes da história.
Para chegar a escrever uma história verdadeiramente engajada deveria o historiador
partir do estudo da urdidura dos pormetwres para chegar a uma visão de conjunto de
sociabilidades, experiências de vida, que por sua vez traduzissem necessidades sociais.
222 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria 1 Décio Terror Filho

Aderir à pluralidade se lhe afigurava como uma condição essencial para este sondar
das possibílídades de enrergência de novos fatores de mudança social. Tratava-se, na
historiografia, de aceitar o provisó~io como necessário. Caberia ao historiador o desafio
de discernir e de apreender, juntamente com valores ideológicos preexistentes, as
possibílídades de coexistência de valores e necessidades sociais diversas que convivianr
entre si no processo de formação da sociedade brasileira sem uma necessária coerência.
(Fragmento adaptado de Maria Odila Leite da Silva Dias, Sérgio
Buarque de Holanda e o Brasil. São l'tttdo, Persctt Abramo,
1998, pp./5-17)

1. Na visão de Sérgio Buarque de Holanda, o historiador deve valorizar


a) os personagens que tiveram papel preponderante na história nacional, deixando de
lado os figurantes a quem é dado muito espaço na historiografia brasileira tradicional.
b) o fragmento e o detalhe, contrapondo-se assim à historiografia brasileira tradicional,
que privilegia a totalidade e a síntese.
c) o inacabado e o imperfeito, convergindo para a historiografia brasileira tradicional,
que sempre recusou a estabilidade e a permanência.
d) os resultados em lugar do processo, objetivando tornar mais significativas as
descobertas da história tradicional feita no Brasil.
e) as ideologias e o papel fundamental que desempenham em todo o processo histórico,
muito mais importante que aquele exercido pelos indivíduos.

Comentário: Na alternativa (A), a informação é contrária ao texto. Este historiador não


deixava de lado os figurantes ("do vir a ser dos figurantes mudos em processo de forjar
estratégias de sobrevivência") e esses figurantes não tinham muito espaço na historiografia
tradicional ("Os caminhos institucíonalizados escondiam os figurantes mudos e sua fala.").
Na alternativa (C), é evidente no texto que a historiografia brasileira tradicional conservava
a estabilidade e a permanência, das quais a forma de historiar de Sérgio Buarque de Holanda
se diferenciou. Por isso, também esta alternativa está incorreta.
As alternativas (D) e (E), na realidade dizem o contrário do texto. Avalorização do resultado,
das ideologias é da tradição da historiografia; ele valorizava os pormenores, o processo, o
indivíduo, para que pudesse entender melhor o resultado, a ideologia. Releia este fragmento
que confirma esse contraste" Para chegar a escrever uma história verdadeiramente engajada
deveria o historiador partir do estudo da urdidura dos pormenores para chegar a uma visão de
conjunto de sociabilidades, experiências de vida, que por sua vez traduzissem necessidades
sociais".
Veja como, à exceção da alternativa (B), todas as outras são gritantemente diferentes da
evolução do texto. Aalternativa (B) não possui dados explícitos, categóricos para a confirmação
da resposta, mas analisando-a com calma, podemos notar o contraste entre o pensamento
deste historiador e a historiografia brasileira tradicional:
Capítulo 21 Prova 6- Tribunal Regional do Trabalho 23• Régião- 2011-
Analista Judiciário- Área Judiciária . 223

Sérgio Buarque de Holanda Historiografia brasileira tradicional


"a principal tarefa do historiador consistia em "Entretanto, conceitos herdados e
estudar possibilidades de mudança socia/"(10 intelectualismos abstratos impediam a
parágrafo) sensibilidade" (1º parágrafo)
um cuidadoso percurso interpretativo voltado "Os caminhos institucionalizados escondiam
para indícios tênues e nuanças sutis os figurantes mudos e sua fala."
Pormenores significativos apontavam falavam a linguagem do poder
caminhos imperceptíveis, o fragmentário, o
não-determinante, o secundário
processo do vir a ser dos figurantes mudos sempre imbuídas da ideologia dos interesses
em processo de forjar estratégias de estabelecidos
sobrevivência
formas de apreensão do mutável, do
transitório e de processos ainda incipientes
Enfatizava o provisório, a diversidade, a fim
de documentar novos sujeitos eventualmente
participantes da história
Agora, sim, podemos entender melhor por que a alternativa (B) é a correta, pois Sérgio
Buarque de Holanda valoriza o fragmento, o detalhe, o processo, o caminho, para chegar à
compreensão do resultado, da ideologia, da totalidade. Só éstes últimos eram valorizados,
segundo o texto, pela historiografia brasileira tradicional.

Gabarito: B

2. Ao contrapor conceitos herdados e inte/ectualismos abstratos, de um lado, e a


sensibilidade para com o processo do devir, de outro, a autora afirma a opção de
Sérgio Buarque de Holanda
a) pelo pensamento metódico e consagrado em detrimento da observação sempre
enganosa dos fatos.
b) pela arte, capaz de despertar os sentidos mais embotados, em detrimento da filosofia,
em que a razão invariavelmente predomina.
c) pelo trabalho braçal, palpável e concreto, em detrimento do trabalho intelectual,
desvinculado da vida e da realidade.
d) pelo passado, que se pode conhecer em detalhes e de modo seguro, em detrimento do
futuro, que não pode ser previsto senão especulativamente.
e) pela apreensão da realidade fugidia e instável em detrimento da teoria inflexível e da
especulação vazia.

Comentário: Na alternativa (A), o pensamento de Sérgio Buarque de Holanda não deixava


de ser metódico, mas o texto traz uma visão nova da ideia de historiar, assim não é algo
consagrado.
224 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC -+breve teoria I Décio Terror Filho
r
I

Na alternativa (B), não há contraste entre arte e filosofia.


Na alternativa (C), novamente há um contraste enganoso. Não houve no texto oposição
entre "trabalho braçal" e "intelectual".
Na alternativa (D), também não houve contraste entre passado e futuro. Além disso, em
nenhuma parte do texto foi informado que se pode fazer uma leitura segura do passado em
relação ao futuro, que não pode ser previsto.
A alternativa (E) é a correta, pois o autor focava seu estudo (conforme o quadro colocado
na questão anterior) nos pormenores significativos, no fragmentário, no não-determinante,
no secundário. Assim, entendemos a relação com "apreensão da realidade fugidia e instável'.
Tudo isso em detrimento de uma teoria que pudesse fugir da realidade, por isso classificada
como inflexível e de especulação vazia, pois "Os caminhos institucionalizados escondiam os
figurantes mudos e sua fala~ "falavam a linguagem do poder': "da ideologia dos interesses
estabelecidos".

Gabarito: E

3. Destes proviriam as pistas qu~ indicariaiJ1 o caminho...


O verbo empreg"âdo no texfo que exige o mesmo tipo de complemento que o grifado acima
está também grifado em: ··
a) ... a principal tarefa do historiador consistia em estudar possibilidades de mudança
social. -
b) Os caminhos insfitucionalizados escondiam os figurantes mudos e sua fala.
c) Enfatizava o provisóriq~. â diversidade, a fim 'de documentar novos sujeitos...
d) ... sociabilidades, ..experiências de vida, que por sua vez traduzissem necessidades
sociais.
e) Era engajado o seu modo de escrever história.

Comentário: A questão cobra o conhecimento dos complementos verbais (v.t. 1.1).


O verbo "proviriam" é transitivo indireto, "Destes" é o objeto indireto e "as pistas" é o
sujeito. O mesmo tipo de complemento ocorre na alternativa (A), em que "consistia" também
é um verbo transitivo indireto, "a principal tarefa do historiador" é o sujeito e "em estudar
possibilidades de mudança social" é uma oração subordinada substant'iva objetiva indireta,
isto é, mesmo tiP.O de complemento (v.t. 5.3.1).
Nas alternativas (B), (C) e (D), os verbos "escondiam", "Enfatizava" e "traduzissem" são
transitivos diretos; e, na (E), o verbo "Era" é de ligação, seu predicativo é "engajado" e o sujeito
é "o seu modo".

Gabarito: A
Capítulo 21 Prova 6- Tribunal Regional do Trabalho 23• Região 2011-
Analista Judiciário- Área Judiciária 225

4. Tanto as fontes quanto a própria historiografia falavam a linguagem do poder ...


Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma verbal resultante será:
a) , eram faladas.
b)' foi falada.
c) se falaram.
d) era falada.
e) tinha-se falado.

Comentário: O verbo "falavam" está no pretérito imperfeito dJ-indicativo. Assim, com a


transposição para a voz passiva, o verbo "ser" também deve fiéar no mesmo tempo verbal
(era). Por isso, a alternativa correta é a (D):
Voz ativa:

Voz passiva:
(sujeito paciente) (agente da passiva)

Gabarito: D

S. O segmento retirado do texto cuja redação mantém-se correta com o acréscimo de


uma vírgula é:
a) Raramente o que se afigurava como predominante na historiografia brasileira, apontava
um caminho profícuo...
b) Caberia ao historiador, o desafio de discernir e de apreender...
c) Para chegar a escrever uma história verdadeiramente engajada, deveria o historiador.. .
d) Aderir à pluralidade se lhe afigurava, como uma condição essencial para este sondar.. .
e) Desvendar ideologias, implica para o historiador um cuidadoso percurso interpretativo.. .

Comentário: Na alternativa (A), não pode haver a vírgula antes de "apontava", pois o sujeito
desse verbo é o pronome demonstrativo "o''. Eles fazem parte da oração principal. Esse pronome
está sendo caracterizado pela oração subordinada adjetiva restritiva "que se afigurava como
predominante na historiografia brasileira", a qual não deve receber vírgula (v.t. 8.3.1).
Na alternativa (B), "o desafio" é o sujeito e não pode ficar separado por vírgula de seu
verbo transitivo indireto "Caberia", com seu respectivo objeto indireto "ao historiador".
A alternativa (C) é a correta, pois a oração subordinada adverbial de finalidade reduzida
de infinitivo "Para chegar a escrever uma história verdadeiramente engajada" encontra-se
antecipada de sua oração principal, fazendo com que a vírgula seja inserida (v.t. 8.1.6).
Na alternativa (D), não cabe a vírgula antes da expressão "como uma condição essencial",
pois esta expressão é um adjunto adverbial de modo, o qual se prende à estrutura anterior.
226 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- + breve teoria 1 Décio Terror Filho

Note que o verbo "afigurava" é transitivo direto e indireto. O pronome "se" é apassivador,
por isso seu sujeito paciente é a oração "Aderir à pluralidade". O pronome "lhe" é o objeto
indireto. Então entendemos que Aderir à pluralidade era afigurado a ele dessa forma. Perceba
que, neste contexto, a estrutura exige a presença do adjunto adverbial, sem o qual não haveria
sentido neste trecho. Jà que este adjunto adverbial é considerado preso, a vírgula não pode
separá-lo da estrutura principal.
Na alternativa (E), o verbo "implica" não pode ser separado por vírgula de seu sujeito
oracional "Desvendar ideologias" (v.t. 5.7.1).

Gabarito: C

6. Como historiador quis elaborar formas de apreensão do mutável, do transitório e de


processos ainda incipientes no vir a ser da sociedade brasileira.
A frase acima está corretamente reescrita, preservando-se em linhas gerais o sentido
original, em:
a) Às formas de apreensão do mutável, do transitório e de processos ainda incipientes no
vir a ser da sociedade brasileira voltou-se o historiador Sérgio Buarque, com o intento
de elaborá-las.
b) Sérgio Buarque, como historiador, dedicou-se à elaborar formas de apreensão do
mutável, do transitório e dos processos ainda incipientes no vir a ser da sociedade
brasileira.
c) As formas de apreensão do mutável, do transitório e de processos ainda incipientes no
vir a ser da sociedade brasileira o historiador Sérgio Buarque pretendeu dar elaboração.
d) Em seu trabalho como historiador, Sérgio Buarque tinha como meta chegar à certas
formas de apreensão do mutável, do transitório e de processos ainda incipientes no vir
a ser da sociedade brasileira.
e) O historiador Sérgio Buarque dedicou-se a elaboração de formas de apreensão do
mutável, do transitório e de processos ainda incipientes no vir a ser da sociedade
brasileira.

Comentário: Neste tipo de questão, primeiro passamos por todas as alternativas verificando
se há erros gramaticais. Isso é mais prático e mais rápido. Normalmente se "mata" a questão
só com o problema gramatical. Depois, se houver duas ou mais alternativas co~retas, passamos
a analisar o sentido entre elas, pois demanda um pouco mais de atenção. Assim vejamos:
A alternativa (A) está correta gramaticalmente. Vamos primeiro ao uso das vírgulas.
A vírgula após "mutável" é obrigatória por separar termos coordenados (enumerados). Já
a outra vírgula é facultativa, tendo em vista que o adjunto adverbial de finalidade "com o
intento" (seguido da oração subordinada substantiva completiva nominal "de elaborá-las")
encontra-se após a estrutura principal.
o..dpnu•u L 1 n uvo o- 1fiUUIIdl neg10na1 a a 1ra o ama L.:S' 1ieg1ao- LU 11 -
Analista Judiciário- Área Judiciária 227

Não pode haver vírgula separando a estrutura "Às formas de apreensão do mutável, do
transitório e de processos ainda incipientes no vir a ser da sociedade brasileira" e "voltou-se
o historiador Sérgio Buarque, com o intento de elaborá-las", tendo em vista que a primeira é o
objeto indireto do verbo" voltou".
Quanto ao uso da crase, está correto, pois o verbo "voltocl' é transitivo direto e indireto, seu
sujeito é "o historiador Sérgio Buarque", seu objeto direto é o pronome reflexivo "se" e o objeto
indireto é "Às formas de apreensão". Confirme:
Às formas de apreensão do mutável, do transitório e de processos ainda incipientes no vir a ser
da sociedade brasileira voltou-se o historiador Sérgio Buarque, com o intento de elaborá-/as.
Na alternativa (B), não pode haver crase antes de verbo, por isso há apenas preposição
antes do verbo "elaborar". Veja a correção:
Sérgio Buarque, como historiador, dedicou-se f1. elaborar formas de apreensão do mutável, do
transitório e dos processos ainda incipientes no vir a ser da sociedade brasileira.
Na alternativa (C), o autor transformou o verbo "elaborar" no substantivo "elaboração",
assim o objeto direto "formas de apreensão do mutávef' virou o complemento nominal "Às
formas de apreensão do mutávef'. Esse termo obrigatoriamente possui crase, pois "elaboração"
exigiu a preposição "a" e o substantivo "formas' admitiu o artigo "As'. Veja a correção:
Às formas de apreensão do mutável, do transitório e de prócessos ainda incipientes no vir a ser
da sociedade brasileira o historiador Sérgio Buarque pretendeu dar elaboração.
Na alternativa (D), o substantivo "formas' encontra-se no plural e não há artigo "as', pela
presença do pronome indefinido "certas'. Assim, nãp pod. ~ haver crase. Veja a correção:
Em seu trabalho como historiador, Sérgio Buarque tinha cqr.no meta chegar f1. certas formas de
apreensão do mutável, do transitório e de processos a~nda incipientes no vir a ser da sociedade
brasileira.
Na alternativa (E), o verbo "dedicocl' é transitivo direto e indireto, o pronome "se" é
reflexivo na função de objeto direto. O objeto indireto é "à elaboração", em que a preposição
"a" é obrigatória por exigência desse verbo, e o artigo "a" também é exig.ido pelo substantivo
"elaboração", por ser determinado pela expressão "de apreensJo do mutávef'. Assim, a crase
~obrigatória. Veja a corr~ção: ... _
O historiador Sérgio Buarque dedicou-se J. efaboração de formas de apreensão do mutável, do
transitório e de processos ainda incipientes no vir a ser da sociedade brasileira.

Gabarito: A

Atenção: As questões de números 7 a 1O referem-se ao texto. abaixo.


A navegação fazia~se, COIIHlmente, das oito horas da manhã às cinco da tarde,
quando as canoas embicavam pelos barrancos e eram presas a troncos de árvores, com
o auxílio de cordas ou cipós. Os de11sos nevoeiros, que se awnwlam sobre os rios
durante a tarde e pela manhã, às vezes até o meio-dia, impediam que se prolon<ç;asse
o horário das viagei/S.
228 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho
r Cé

Antes do pôr-do-sol, costumavam os home11s arranchar-se e c11idar da ceia, que


II Ar

constava principalmente de feijão com toucinho, além da indefectível farinha, e algum !


pescado ou caça apanhados pelo caminho. Quando a bordo, e por não poderem
acender fogo, os viajantes tinham de contentar-se, geralmente, com feijão Ji'io,feito c
de véspera. o
De qualquer modo, era esse alimento tido em grande conta nas expedições, passando SI

por extremammte substancial e saudável. Um dos motivos para tal preferência vinha, SI

sem dúvida, da grande abundância de feijão nos povoados, durante as ocasiões em rt

que costumavam sair as frotas destinadas ao Cuiabá e a Mato Grosso.


(Adaptado de Sérgio Buarque de Holanda. Monções.
3. ed. São Paulo, Brasiliense, 2000, pp.lOS-6)

9
7. O segmento cujo sentido está corretamente expresso em outras palavras é:
a) além da indefectível farinha= sem contar a eventual moagem.
b) feito de véspera= ritual mente preparado.
. c) tido em grande conta nas expedJções = muito caro para as viagens.
d) arranchar-se e cuidar da ceia= 'a bancar-se e servir o jantar.
e) impediam que se prolongasse= obstavam que se estendesse.
·Comentário: N~ alternativa (A), "indefectívef' tem o sentido contextual de presença certa. Tal
sentido é diferente......de"
·:
eventvaf'. Por isso, a alternativa está errada .
'

Na alternativa (B), aquilo que éJeito de vé_spera é preparado sem o devido planejamento,
rapidamente. Osentido de :'ritual_rtíente ·preparado" é o oposto.
Na alternativa (C), a expressão "ti.do em grande corita" significa em muita quantidade,
diferente daquilo que é caro (pouca quantidade).
Na alternativa (D), "arranchar-se e cuidar da ceia" significa comer algo e fazer provisão
para a próxima refeição (ceia), e não apenas servir o jantar.
A alternativa (E) é a correta, pois "impediam" é sinônimo de "obstavam" e "se prolongasse"
é sinônimo de "se estendesse".

Gabarito: E

8. Quando a bordo. e por não poderem acender fogo, os viajantes tinham de contentar-
-se, geralmente, com feijão frio, feito de véspera.
Identificam-se nos segmentos grifados na frase acima, respectivamente, noções de
a) modo e consequência.
b) causa e concessão.
c) temporalidade e causa.
Capítulo 21 Prova 6- Tribunal Regional do Trabalho 23• Região- 2011-
Analista Judiciário- Área Judiciária 229

d) modo e temporalidade.
e) consequência e oposição.

Comentário: A conjunção "Quando" é temporal. Entende-se nesta estrutura implicitamente


o verbo "estavam" (Quando estavam a bordo). Veja que a preposição "por" inicia a oração
subordinada adverbial causal reduzida de infinitivo, a qual pode ser desenvolvida da
seguinte forma "porque não podiam acender fogo". Isso confirma o valor de tempo e causa,
respectivamente (v.t. 4.9; 4.1).

Gabarito: C

9. Leia atentamente as afirmações a seguir.


I. O segmento grifado em as canoas[ ... ] eram presas a troriCõSde árvores, com o auxílio de
cordas ou cipós (primeiro parágrafo) pode ser substituído por auxiliadas consoante,
sem prejuízo para a correção e a clareza.
11. Em Os densos nevoeiros, que se acumulam sobre os rios (primeiro parágrafo), o
segmento grifado pode ser substituído, sem prejuízo para a correção e o sentido, por
acumulados.
111. A expressão De qualquer modo, no último parágrafo, é equivalente a Em todo caso.
Está correto o que se afirma em
a) I, apenas.
b) 11, apenas.
c) I e 111, apenas.
d) 11 e 111, apenas.
e) I, 11 e 111.

Comentário: A frase I está errada, porque a preposição acidental "consoante" traduz o valor
de conformidade e não de meio. Por isso, o ideal seria a substituição por "por meio de". Assim,
já eliminamos as alternativas (A), (C) e (E).
A frase 11 está correta. A questão cob·rou seu entendimento da transformação de uma
oração subordinada adjetiva explicativa que se encontra desenvolvida (com pronome relativo
"que" e verbo conjugado "acumulam") em oração reduzida de particípio de mesmo valor, pois
as vírgulas não foram retiradas (v.t. 6.3).
A frase 111 está correta, pois a expressão "de qualquer modo" e "em todo caso" transmitem
a mesma ideia generalizante. Basta substituirmos uma pela outra e lermos novamente toda a
frase, para percebermos que o sentido não muda.
Assim, a alternativa correta é a (D).

Gabarito: D
230 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria 1 Décio Terror Filho

10. O verbo corretamente empregado e flexionado está grifado em:


a) É de se imaginar que, se os viajantes setecentistas antevessem as dificuldades que
iriam deparar, muitos deles desistiriam da aventura antes mesmo de embarcar.
b) O que quer que os compelisse, cabe admirar a coragem desses homens que partiam
para o desconhecido sem saber o que os aguardava a cada volta do rio.
c) Caso não se surtisse com os mantimentos necessários para o longo percurso, o viajante
corria o risco de literalmente morrer de fome antes de chegar ao destino.
d) Se não maldiziam os santos, é bastante provável que muitos dos viajantes maldizessem
ao menos o destino diante das terríveis tribulações que deviam enfrentar.
e) Na história da humanidade, desbravadores foram não raro aqueles que sobreporam o
desejo de enriquecer à relativa segurança de uma vida sedentária.

Comentário: Na alternativa (A), o verbo "antever", derivado de "ver", está flexionado no


pretérito imperfeito do subjuntivo. Assim, se eles vissem, se eles "antevissem" (v.t. 12.11.3).
Aalternativa (B) está correta, porque o verbo" compelisse" está corretamente flexionado no
pretérito imperfeito do subjuntivo. Seu emprego também está correto, pois este tempo combina
com os verbos no pretérito imperfeito do indicativo "partiam" e "aguardava" (v.t. 12.13.6.2).
Na alternativa (C), o verbo corretamente grafado seria "sortisse", pois o contexto pede o
pretérito imperfeito do subjuntivo do verbo "sortir", o qual significa "abastecer", "prover". Não
podemos confundir com o verbo "surtir", que significa trazer como consequência, como resultado.
Na alternativa (D), o verbo "maldizer" é derivado do verbo "dizer". Ele está flexionado no
pretérito imperfeito do subjuntivo, o qual é derivado da segunda pessoa do pretérito perfeito do
indicativo (maldisseste). Com a retirada da desinência "ste" e a inserção das desinências modo-
-temporal "sse" e número-pessoal "m", temos a correta flexão: "maldissessem" (v.t. 12.11.24.b).
Na alternativa (E), o verbo "sobrepor" é derivado do verbo "pôr". Como a flexão deste
no pretérito perfeito do indicativo é "puseram", a flexão correta do verbo derivado é
"sobrepuseram' (v.t. 12.11.1).

Gabarito: B

Atenção: As questões de números 11 a 20 referem-se ao texto seguinte.


Do homicídio*
Cabe a vós, senhores, examinar em que caso é justo privar da vida o vosso
semelhante, vida que lhe foi dada por Deus.
Há quem diga que a guerra sempre tomou esses homicídios não só legítirízos
como também gloriosos. Todavia, como explicar que a guerra sempre tenha sido vista
com horror pelos brâmanes, tanto quanto o porco era execrado pelos árabes e pelos
egípcios? Os primitivos aos quais foi dado o nome ridíwlo de quakers** fugiram
da guerra e a detestaranz por mais de um séwlo, até o dia em ·que foram forçados por
Capítulo 21 Prova 6- Tribunal Regional do Trabalho 23• Região- 2011-
Analista Judiciário- Área Judiciária 231

seus irmãos cristãos de Londres a renunciar a essa prerrogativa, que os distinguia


de quase todo o restante do mundo. Portanto, apesar de tudo, é possível abster-se de
matar homens.
Mas há cidadãos que vos bradam: um malvado furou-me 11m olho; um bárbaro
matou mett irmão; q11eremos vingança; quero· um olho do agressor que me cegou;
quero todo o sanJ;ue do assassino que apunhalou meu irmão; queremos que seja
cumprida a antiga e universal lei de talião.
Não podereis acaso responder-lhes: "Quando aquele que vos cegou tiver um olho
a menos, vós tereis um olho a mais? Quando eu mandar supliciar aquele que matou
vosso irmão, esse irmão será ressuscitado? Esperai a(ç;uns dias; então vossa justa dor
terá perdido intensidade; não vos aborrecerá ver co1n o olho que vos resta a vultosa
soma de dinheiro que obrigarei o mutilador a vos dar; CO/Il ela vivereis vida a<ç;radável,
e além disso ele será vosso escravo durante alguns anos, desde que lhe seja permitido
conservar setts dois olhos para melhor vos servir dura(zte esse tempo. Quanto ao
assassino do seu irmão, será vosso escravo ellqttallto viver. Eu o tornarei útil para
sempre a vós, ao público e a si mesmo".
É assim que se faz na Rússia há quarenta anos. Os criminosos que ultrajaram a
pátria são forçados a servir à pátria para sempre; seu suplício é uma lição contímta, e
foi a partir de então que aquela uasta região do lll,llll~o.1~i~ou de ser bárbara.
(Voft,lirc - O preço da jus.tiça. São Paulo: ,Hartills Fontes,
200 I, pp. 15 I 16. Tr,ul. de lt•o11e Castilho Be11cdctti)

* Excerto de texto escrito em 1777, pelo filósofo iluminista francês Volta ire ( 1694-
1778).

** Quaker = associação religiosa inglesa do séc: X\'1. defensora do pacifismo.

11. No segundo parágrafo, em sua argumentaçã·o contra a pena de morte, Volta ire refuta
a tese segundo a qual
a) a pena de morte sempre existiu entre os povos, sancionada pelos legisladores mais
prestigiados.
b) as guerras demonstrÇJm que a execução do inimigo é uma prática não apenas legítima
como também universal.
c) os quakers constituém um exemplo de que, surgindo a oportunidade, os medrosos
tornam-se valentes .•
d) os homicídios só podem ser evitados quando os responsáveis por eles renunciam a suas
prerrogativas.
e) a execução de criminosos, justificável durante uma guerra, torna-se inaceitável em
tempos de paz.
232 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho r
I
l
Ca
An

Cc
Comentário: A refutação é uma forma de argumentação em que há a contra-argumentação,
!í gu
rebate alguma afirmação anterior. Veja o segundo parágrafo do texto:
Há quem diga que a guerra sempre tornou esses homicídios não só legítimos como também
I
\

l da
gloriosos. Todavia, como explicar que a guerra sempre tenha s,ido vista com horror pelos
brâmanes, tanto quanto o porco era execrado pelos árabes e pelos egípcios? Os primitivos aos \ pe
quais foi dado o nome ridículo de quakers** fugiram da guerra e a detestaram por mais de um
século, até o dia em que foram forçados por seus irmãos cristãos de Londres a renunciar a essa
Cc
prerrogativa, que os distinguia de quase todo o restante do mundo. Portanto, apesar de tudo, é
possível abster-se de matar homens.
Qd
Notamos no segundo parágrafo a conjunção "Todavia", que marca justamente essa
refutação ao que foi dito an~riormente. Assim, a tese é o primeiro período deste parágrafo.

A interpretação da qtl'estão é justamente deste período: "Há quem diga que a guerra sempre

tornou esses homicídios não só legítimos como também gloriosos."
Assim, percebemos que, ao compararmos esse período com as alternativas, a única que
possui relação com este parágrafo é a (B). As demais estão bem fora do contexto.
_Compare os dois:
Texto: "Há quem dig__~que a guerra sempre tornou. esses homicídios não só legítimos como
13
também gloriosos."
Alternativa (B): as guerras demonstram que a execução do inimigo é uma prática não
- apenas legítima como também univ~rsal.

Gabarito: B

-- ..... ~

12. Atente para as seguintes afirmações:

I. O caso dos quakers é lembrado para exemplificar a mesma convicção sustentada por
outra coletividade, a dos brâmanes.
11. A pena de talião é refutada por Volta ire porque ele, a par de considerá-la eficaz, julga -a
ilegítima e excessivamente cruel.
111. O caso da Rússia serve a Voltaire para demonstrar que uma pena exemplar, cumprida
em vida, é também índice de civilização. c
di
Em relação ao texto, está correto o que se afirma APENAS em
a) I.
Ie
b) 11. re
c) 111. rE
d) I e 111.
rr.
e_
e) 11 e 111.

rE
Capítulo 21 Prova 6- )ribunal Regional do Trabalho 23• Região- 2011-
Analista Judiciário- Are a Judiciária.
233

Comentário: A frase I está correta, pois, após a afirmação de que os brâmanes se opunham às
guerras, foi apontada a conduta dos "quakers' ("fugiram da guerra e a detestaram por mais
de um século"). A intenção de inserir este caso é justamente a de exemplificação e ratificação
da convicção dos brâmanes.
A frase 11 está errada, pois o quarto parágrafo argumenta justamente sobre a ineficácia da
pena de talião. Segundo esse parágrafo, o que foi perdido não voltará, mesmo com a vingança.
A frase 111 está correta, por ser literalmente o que se expressa no último parágrafo do texto.
Compare os dois:
Frase 111: O caso da Rússia serve a Voltaire para demonstrar que uma pena exemplar>,
cumprida em vida 2 , é também índice de civilização'.
Texto: "É assim que se faz na Rússia há quarenta anos. Os criminosos que ultrajaram a
pátria são forçados a servir à pátria oara sempre~· seu suplício é uma licão contínua', e foi a
partir de então que aquela vasta região do mundo deixou de ser bárbara'.
Assim, a alternativa correta é a (D).

Gabarito: D

13. Em relação ao quarto parágrafo, é correto afirmar que Voltaire se vale do seguinte
procedimento:
a) formula perguntas retóricas, supondo sempre que se deva responder a elas de modo
afirmativo.
b) imagina os argumentos a que seus leitores poderiam recorrer contra os defensores da
pena de talião.
c) enumera as razões pelas quais são imorais as vantagens advenientes da aplicação da
pena de talião.
d) simula mostrar complacência diante do criminoso, para com isso fustigar os defensores
da pena de morte.
e) tipifica os delitos para os quais se providenciarão a tortura pública e uma reparação
pecuniária.

Comentário: A alternativa (A) está errada, pois as respostas às perguntas do quarto parágrafo
devem ser negativas para serem coerentes com o texto.
A alternativa (B) é a correta, pois realmente o autor imagina os argumentos a que seus
leitores poderiam recorrer contra a aplicação da pena de talião, por isso há as perguntas
retóricas. Elas expressam justamente esse pensamento. Quem é contra as leis de talião poderia
realizar as mesmas perguntas do autor do texto: Quando aquele que vos cegou tiver um olho a
menos, vós tereis um olho a mais? Quando eu mandar supliciar aquele que matou vosso irmão,
esse irmão será ressuscitado?
Na alternativa (C), percebemos a imoralidade, mas não há enumeração de razões. Na
realidade, há perguntas retóricas seguidas de consequências.
234 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria 1 Décio Terror Filho

Na alternativa (D), não há a intenção de complacência (agradar, comprazer-se, ser


benevolente) com o criminoso, muito menos "fustigar" (provocar, estimular).
Na alternativa (E), o conteúdo está bem fora do contexto.

Gabarito: B

14. Considerando-se o contexto, mostra-se adequada compreensão do sentido de um


segmento em:
a) foram forçados a renunciar a essa prerrogativa (2º parágrafo) = os quakers foram
obrigados a desistir de qualquer intento bélico.
b) é possível abster-se de matar homens (2º parágrafo) = não é verdade que o instinto
assassino deixe de prevalecer, em alguns casos.
c) que seja cumprida a antiga e universal lei de talião (3º parágrafo) = cumpra-se: olho
por olho, dente por dente.
d) Não podereis acaso responder-lhes(4º parágrafo)= sereis impedidos de lhes responder
ao acaso.
e) seu suplício é uma lição contínua (5° parágrafo) = é um martírio que se infligem
perpetuamente.

Comentário: A alternativa (A) está errada. Aexp'ressão "essa prerrogativa" retoma a expressão
"fugiram da guerra e a detestaram por mais de um século". Assim, a expressão "forçados
a renunciar a essa prerrogativa" significa, no contexto, forçados à guerra, deixarem a paz:
sentido contrário ao da reescrita desta alternativa.
A alternativa (B) está errada. A expressão "é possível abster-se de matar homens" significa
que é possível haver paz. Assim, podemos entender que é possível que o instinto assassino
pode deixar de prevalecer.
A alternativa (C) é a correta, pois a expressão "olho por olho, dente por dente" é justamente
a expressão da pena de talião.
Na alternativa (D), a palavra "acaso" no texto está no sentido de dúvida (porventura,
talvez). Já na questão há o sentido de eventualmente, por acaso, ao acaso.
Na alternativa (E), "suplício" significa "execução de pena, castigo", por isso não cabe a
ideia de martírio, que significa grande sofrimento proveniente de um mártir.

Gabarito: C

15. É correto concluir da argumentação de Volta ire, tomando-se o conjunto do text~:


a) Além de ineficaz, a pena de morte impede uma reparação a quem de direito e
impossibilita a aplicação de uma pena socialmente exemplar.
b) A pena de morte e a pena de talião são bárbaras, ao contrariarem os desígnios divinos
e os impulsos da natureza humana.
Capítulo 21 Prova 6- Tribunal Regional do Trabalho 23' Região- 2011-
Analista Judiciário- Área Judiciária 235

c) É desprezível a ideia da compensação pecuniária por direitos ofendidos, sendo justo


promover a indenização apenas pelo caráter pedagógico da medida. ·
d) Não há lição possível a se tirar da pena de talião, por isso os legisladores devem
preocupar-se com a reparação financeira que redima o criminoso.
e) Os bárbaros adotam a pena de talião, que favorece os criminosos, ao invés de adotarem
penas exemplares, que punem a sociedade:

Comentário: Examinando-se o conjunto do texto, percebemos primeiro o título" Do homicídio",


o qual retrata o tema central do texto. Em seguida o autor faz uso da tese, a qual aponta a ide ia
central como uma indagação subliminar: "Cabe a vós, senhores, examinar em que caso é justo
privar da vida o vosso semelhante, vida que lhe foi dada por Deus."
Em seguida, começa o desenvolvimento do texto mostrando um tipo de homicídio, aquele
proveniente das guerras ("Há quem diga que a guerra sempre tornou esses homicídios não
só legítimos como também gloriosos"}. Mas há a refutação de que, se era legítimo e glorioso,
por que povos voltados ao divino foram contra este tipo de conduta? Finaliza este parágrafo
afirmando conclusivamente que é possível não matar homens.
No terceiro parágrafo se mostra o lado oposto, daqueles que se sentem irados e querem a
vingança imposta pela lei de talião.
No quarto parágrafo, há a resposta de que talvez não consigamos refutá-los. A resposta
ideal seria que o tempo cura o desespero, pois a vingança não surtirá efeito ao prejudicado,
mas apenas dará dor a quem infringiu a lei. O ideal é a punição exemplar, fazendo com que o
infrator realize ações que beneficiem aquele que foi lesado.
No último parágrafo há uma exemplificação diss9. Na Rússia quem lesa a pátria, serve a
ela para sempre, como lição, fazendo crescer a moralidade da civilização.
Assim, entendemos que a alternativa (A) é a correta, pois matar impede o benefício a quem
de direito (veja que o benefício, na linguagem de Volta ire, é a prestação de serviço ao lesado:
42 parágrafo). Além disso, perde-se a oportunidade da aplicação exemplar da pena, como foi
visto no mesmo parágrafo:" Eu o tornarei útil para sempre a vós, ao público e a si mesmo".
Na alternativa (B), há equívoco, pois, pelo conjunto do texto, a natureza humana é invadida
pela vingança (lei de talião). O texto mostra justamente que devemos controlar esse impulso
do ser humano.
Na alternativa (C), ~o quarto parágrafo, perceba que há referência à compensação
pecuniária pelo direito ofendido(" não vos aborrecerá ver com o olho que vos resta a vultosa
soma de dinheiro que obrigarei o mutilador a vos dar; com ela vive reis vida agradável"}.
Na alternativa (D), há ·equívoco, porque, além da reparação financeira ser uma das formas,
está presente no 42 parágrafo também o suplício como exemplo à sociedade.
Na alternativa (E), há equívoco, pois a pena de talião não favorece criminosos, mas os pune
com o mesmo delito. Além disso, as penas exemplares não punem a sociedade.

Gabarito: A
r Ca
An
236 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho
'
!

16. As normas de concordância verbal estão plenamente respeitadas na frase: I


I
I
"s
es
a) Havendo quem vos pretendam convencer de que a pena de morte é necessária,
I er
perguntem onde e quando ela já se provou indiscutivelmente eficaz. i m
b) Entre os cidadãos de todos os países nunca deixarão de naver, por força do nosso I
instinto de violência, os que propugnam pela pena de morte. l' d<
c) Destaca-se, entre as qualidades de Volta ire, suas tiradas irônicas e seu humor ferino, I
(~
armas de que se valia em suas pregações de homem liberal. I
I D
d) Embora remontem aos hábitos das sociedades mais violentas do passado, a pena de
I d
talião ainda goza de prestígio entre cidadãos que se dizem civilizados.
I
e) Opõe-se às ideias libertárias de Voltaire, um lúcido pensador iluminista, a violência
das penas irracionais que se aplicam em nome da justiça.
I e
fi

Comentário: A palavra em negrito foi corrigida e a sublinhada é a referência para a t


concordância.
9
Na alternativa (A), o verbo "pretenda" deve se flexionar na terceira pessoa do singular,
porque seu sujeito é o pronome indefinido "quem". Observe que o pronome "vos" é o objeto
direto da locuçã~Yerbal transitiva direta e indireta "pretenda convencer". Esse pronome,
portanto, aponta a quem a informação está sendo transmitida .. Isso faz com o verbo no
imperativo "perguntem" obrigatoriamente se flexione na segunda pessoa do plural: perguntai
(v.t. 12.5).
lembre-se dessâ cónjugação do imperativo afirmativo e de onde ele é gerado:

presente do indicativo imperativo afirmativo presente do subjuntivo


eu pergunto talvez eu pergunte
tu~j perounta tu talvez tu perguntes
ele pergunta · ~ voéê talvez ele pergunte
nós perguntamos perguntemos nós . . . - - - - - - talvez nós Jlerguntemos
vós perguntaii ------1~ [p~~~~n~€i:v~~1 talvez vós pergunteis
eles perguntam p~ vocês . . . - - - - - - talvez eles perguntem

Veja a correção:
Havendo quem vos pretenda convencer de qu.e a pena de morte é necessáría, perguntai onde
e quando ela já se provou indiscutivelmente eficaz.
Na alternativa (B), a locução verbal "deixarão de haver" deve ser flexionada no singular,
pois o verbo "haver" está no sentido de "existir", por isso é transitivo direto e seu objeto direto
é o pronome demonstrativo "os" (v.t. 7.3.2). t;sse verbo não tem sujeito e força o verbo auxiliar
para o singular: "deixará". O verbo "propugnam" está corretamente flexionado no plural,
porque seu sujeito é o pronome relativo "que", o qual retoma o pronome "os", que se encontra
no plural. Veja a correção:
Entre os cidadãos de todos os países nunca deixará de haver, por força do nosso instinto de
violência, os que propugnam pela pena de morte.
Capítulo 21 Prova 6- Tribunal Regional do Trabalho 23' Região- 2011-
Analista Judiciário- Área Judiciária 237

Na alternativa (C), o verbo "destaca" é transitivo direto e possui pronome apassivador


"se". Assim, o termo "suas tiradas irônicas e seu humor ferino" é o sujeito paciente, levando
esse verbo para o plural. Lembre-se do macete de sempre transformar a voz passiva sintética
em voz passiva analítica para a confirmação: As suas tiradas irônicas e seu humor ferino s.ff.Q
destacados.
Na oração adjetiva "de que se valia em suas pregações de homem liberal", a concordância
do verbo "valia" está correta, pois seu sujeito está elíptico e faz subentender "Voltaire"
(Volta ire se valia dessas armas). Veja a correção:
Destacam-se, entre as qualidades de Volta ire. suas tiradas irônicas e seu humor ferino, armas
de que se valia em suas pregações de homem liberal.
Na alternativa (D), o verbo "remontem" deve se flexionar no singular, pois seu sujeito está
elíptico e faz subentender a expressão "a pena de talião". O verbo "dizem" está corretamente
flexionado no plural, porque seu sujeito é o pronome relativo "que", o qual retoma o substantivo
"cidadãos'. Veja a correção:
Embora remonte aos hábitos das sociedades mais violentas do passado, a pena de talião ainda
goza de prestígio entre cidadãos que se dizem civilizados.
Aalternativa (E) é a correta, pois o~bo "Opõe-se" é transitivo direto e indireto. O pronome
"se" é apassivador e "às ideias libertárias de Voltaire" é o objeto indireto. Assim, o termo "a
violência das penas irracionais' é o sujeito paciente e força o verbo ao singular. Perceba que o
verbo "aplicam" também está corretamente flexionado. Ele está flexionado na terceira pessoa
do plural, por ser transitivo direto, o pronome ~'se" ser apassivador e o sujeito paciente ser o
pronome relativo "que", o qual retoma a expressão plural "penas irracionais". Confirme:
Ooõe-se às ideias libertá rias de Volta ire, um lúcido pensador iluminista, a violência das penas
irracionais~ se aplicam em nome da justiça.

Gabarito: E

17. Está adequado o emprego de ambos os elementos sublinhados na frase:


a) Os argumentos ~ devemos nos agarrar devem se pautar nos limites da
racionalidade e da justiça.
b) Os casos históricos em que Volta ire recorre em seu texto ajudam-no a demonstrar de
~a pena de morte é ineficaz.

c) A pena de talião é um recurso de cuja eficácia muitos defendem, ninguém se abale em


tentar demonstrá-la.
d) Os castigos~ se submetem os criminosos devem corresponder à gravidade de que.
se reveste o crime.
. el. As ideias liberais, de cuja propagação Voltaire se lançou, estimulam legisladores em
quem não falte o senso de justiça.
238 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC -+breve teoria 1Décio Terror Filho

Comentário: Para resolver este tipo de questão, que trabalha basicamente a regência com
pronome relativo (v.t. 11.1), devemos primeiro ir ao verbo, verificar a qual oração pertence,
descobrir quem é seu sujeito e possíveis complementos.
A alternativa (A) está errada, pois a locução verbal "devemos agarrar" é transitiva direta e
indireta, seu sujeito está oculto "nós", o pronome "nos" é reflexivo na função de objeto direto
e o pronome relativo "que" deve ficar antecipado da preposição "a", para formar o objeto
indireto "a que" (alguém deve se agarrar a algo).
O verbo "pautar-se" é transitivo direto e indireto, o pronome "se" é apassivador, o sujeito
paciente é "Os argumentos", o objeto indireto "nos limites da racionalidade e da justiça" está
corretamente iniciado pela preposição "em" ("nos"). Confirmamos isso com a transposição
para a voz passiva analítica (Os argumentos devem ser pautados nos limites ... )
Os argumentos a que devemos nos agarrar devem se pautar nos limites...
Sujeito paciente OI +verbo auxiliar+ OD + VTDI V Aux I Pronome
apasSivador
I. VTDI I objeto indireto
oração sub adjetiva restritiva
oração principal

A alternativa (B) está errada, pois o verbo" recom!' é transitivo indireto e exige preposição
"a" antes do pronome relativo "que", formando o objeto indireto" a que". Veja:
Os casos históricos a que Voltaire recorre em seu texto ajudam ...
Sujeito OI + sujeito + VTI adjunto adverbial de lugar VTDI
oração sub adjetiva restritiva
oração principal

Já o verbo "demonstrar" é transitivo direto e não admite a preposição "de" antes da


conjunção integrante "que", a qual inicia a oração subordinada substantiva objetiva direta
"gm;_ a pena de morte é ineficai' (v.t. 5.2.1). Veja:
demonstrar ~a pena de morte é ineficaz
VTD C lnt+ sujeito +V lig +predicativo
oração principal oração sub substantiva objetiva direta

A alternativa (C) está errada. O verbo "defendem" é transitivo direto, o sujeito é "muitos' e
o objeto direto é "cuja eficácia", por isso deve ser excluída a preposição "de" antes do pronome
relativo "cuja" (v.t. 11.12.3).
O verbo "abale", neste contexto, admite as construções adverbiais iniciadas por "em" ou
"ao", pois não é este verbo que exige essas preposições, mas o próprio sentido dessa oração
adverbial.
A pena de talião é um recurso cuja eficácia muitos defendem
Sujeito+ VL + predicativo OD sujeito + VTD
oração principal oração sub adjetiva restritiva

A alternativa (D) é a correta, porque o verbo "submetem" é transitivo direto e indireto,


o pronome "se" é apassivador, assim "os criminosos' é sujeito paciente e o termo "a que" é
objeto indireto (Os criminosos são submetidos a castigos).
Capítulo 21 Prova ti- 1rlbunal Keg1ona1 ao 1raoamo L.l' r~egmu- '" 1 1 -
Analista Judiciário- Área Judiciária ·· 239

Os castigos a que se submetem os criminosos devem corresponder. ..


Sujeito OI+ P. Ap + VTDI + sujeito paciente VTI
oração sub adjetiva restritiva
oração principal

O verbo "reveste" também é transitivo direto e indireto, o pronome "se" é apassivador, "o
crime" é o sujeito paciente e "de que" é o objeto indireto (o crime é revestido de gravidade).
... corresponder à gravidade de que se reveste o crime
VTI + OI OI + P Ap + VTDI + sujeito paciente
- - oração principal oração subordinada adjetiva restritiva

Na (E), o verbo "lançou" é transitivo direto e indireto, o pronome "se", neste contexto,
é reflexivo, pois o sujeito "Voltaire" é agente (Voltaire lançou "ele próprio" à propagação)
(v.t. 2.3).
As ideias liberais, a cuja propagação Volta ire se lançou, estimulam...
Sujeito OI + sujeito +OD+ VTDI
oração sub adjetiva explicativa
oração principal

A oração principal possui o verbo transitivo direto e indireto "estimulam". O objeto direto
deste verbo é "legisladores" e o objeto indireto é toda a oração posterjor "a que não falte
o senso de justiça", que é subordinada substantiva objetiva indireta (v.t. 5.3.1). Note que o
pronome "quem" teve de ser substituído pela conjunção integrante "que".
... estimulam legisladores a que não ràite o senw de justiça
VTDI OD CI + Ad Adv neg + V Intr + sujeito
- - oração principal oração subordinada substantiva objetiva indireta

Gabarito: D

18. Deve-se CORRIGIR, por deficiência estrutural, a redação deste livre comentário
sobre o texto:
a) O tratamento de vós, que hoje nos soa tão cerimonioso, ecoa uma época em que se
aliavam boa argumentação e boa retórica.
b) Volta ire não hesita em lembrar as vantagens reais da aplicação de penas que poupam
a vida do criminosopara que pague pelo que fez.
c) Como sempre há quem defenda os castigos capitais, razão pela qual Volta ire buscou
refutá-los, através de alternativas mais confiáveis.
d) Note-se a preocupação que tem esse iluminista francês em escalonar as penas de
modo a que nelas se preserve adequada relação com o crime cometido.
e) Na refutação aos que defendem a pena de talião, Voltaire argumenta que o mal já
causado não se sana com um ato idêntico ao do criminoso.
..

240 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho

Comentário: A alternativa (C) apresenta erro estrutural.


Primeiro, deve-se perceber o uso impróprio do complemento do verbo "refutar", pois o
contexto nos induz a entender que a intenção de Voltaire não era a de refutar os "castigos
r
l'
Capitule
Analist<

N<
subjur
o conl

capitais", mas a ação de quem defenda esses castigos.


Além disso, a falta de vírgula após "Como sempre" causa prejuízo à clareza, pois dá a
I'! subjut
Osq~
I clara
entender tal palavra como conjunção causal {=Já que), mas o contexto impõe a palavra "Como" ~I
iniciando um adjunto adverbial de conformidade. Assim, a vírgula transmite mais clareza. N
I
I
A estrutura oracional já faz subentender a ideia de causa, por isso a exclusão da expressão indic;
"razão pela qua/"transmite coesão e coerência. corre
Por fim, deve-se evitar o uso da expressão "através de" com valor adverbial de meio. Ning
O ideal é o uso da locução prepositiva "por meio de". Veja toda a correção estrutural: delit,
Como sempre, há quem defenda os castigos capitais, o que Volta ire buscou refutar, por meio
de alternativas mais confiáveis. "mat
Note que as demais alternativas possuem oração principal e subordinada adequadamente pretc
empr~gadas, além da estrutura sujeito, verqo e complemento com correção gramatical e Veja
coerência. Op.
a qL
Gabarito: C

per
19. Está adequada a correlação entre tempos e modos verbais na frase: ver I
clat
a) Os criminosos que tenham ultrajado a pátria seriam forçados a servi-la pelo tempo que
("fi
se julgava necessário.
b) Os que vierem a ultrajar a pátria geveriam ser submetidos a um castigo que trouxera
Sei
consigo uma dara lição. prc
c) Ninguém seria in.diferente a uma vultosa soma que venha a receber como indenização
ao delito que o prejudique.
d) O próprio criminoso, se mantivesse alguma dose de decência, possa tirar proveito da
lição a que seja submetido. 20
e) Sempre houve povos que, por forte convicção, evitaram a guerra, ainda quando fossem
provocados. ·

Comentário: Para entender melhor a questão, volte ao tópico 12.13.6. Observe as correlações.
Na alternativa (A), os..verbos "seriam" e "julgava" devem ser flexionados no futuro.
O primeiro verbo será flexionado no futuro-do presente do indicativo, conforme a correlação
n2 3, para que combine com o verbo "tenham", que se encontra no presente do subjuntivo. Já
o segundo verbo entra na correlação 1, pois há a combinação entre o futuro do presente do
indicativo "serão", com o futuro do subjuntivo "julgar". Veja a correção:
Os criminosos que tenham ultrajado a pátria serão forçados a servi-la pelo tempo que se
julgar necessário.
Capítulo 21 Prova 6- Tribunal Regional do Trabalho 23• Região- 2011 -
Analista Judiciário- Área Judiciária 241

Na (B), há novamente a combinação das correlações 1 e 3. O verbo "vierem" (futuro do


subjuntivo) leva o verbo "deveriam" para o futuro do presente do indicativo (deverão). Mas
o contexto impõe a correlação 3 entre os verbos "deverão" e o verbo "traga" (no presente do
subjuntivo). Veja a correção:
Os que vierem a ultrajar a pátria deverão ser submetidos a um castigo que traga consigo uma
clara lição.
Na (C), a correlação 2 foi imposta pela presença do verbo "seria" no futuro do pretérito do
indicativo, cabendo aos outros dois verbos o tempo pretérito imperfeito do subjuntivo. Veja a
correção:
Ninguém seria indiferente a uma vultosa soma que viesse a receber como indenização ao
delito que o prejudicasse.
Na (D), da mesma forma que a alternativa (C), há a correlação 2, imposta pelo verbo
"mantivesse" no pretérito imperfeito do subjuntivo. Isso força o segundo verbo ao futuro do
pretérito do indicativo (poderia) e o terceiro ao pretérito imperfeito do subjuntivo (fosse).
Veja:
O próprio criminoso, se mantive{se alguma dose de decência, poderia tirar proveito da lição
a que fosse submetido.
A alternativa (E) é a correta, pois os verbos" houvr!' e" evitaram" encontram-se no pretérito
perfeito do indicativo. Como a oração subordinada adverbial concess'1va (v.t. 4.4) obriga o seu
verbo a se flexionar no modo subjuntivo e a oração principal já possui verbos no passado, é
claro que o tempo imposto pela estrutura do período é o pretérito imperfeito do subjuntivo
('' fosserrf' ).
Sempre houve povos que, por forte convicção, evitaram a guerra, ainda quando fossem
provocados.

Gabarito: E

20. Muitos se dizem a favor da pena de morte, mas mesmo os que mais ardorosamente
defendem a pena de morte não são capazes de atribuir à pena de morte o efeito de
reparação do ato do criminoso que supostamente mereceria a pena de morte.
Evitam-se as viciosas repetições da frase acima substituindo-se os elementos sublinhados,
respectivamente, por:
a) a defendem - lhe atribuir- a mereceria.
b) a defendem -atribui-la - lhe mereceria.
c) defendem-na - atribui-la - merecer-lhe-ia.
d) lhe defendem - lhe atribuir - mereceriam-na.
e) defendem-lhe- atribuir-lhe- a mereceria.
242 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- + breve teoria 1Décio Terror Filho

Comentário: Para resolver esta questão, sempre trabalhamos por exclusão das alternativas.
Volte ao tópico 11.2.
O verbo "defendem" é transitivo direto e "a pena de morte" é o objeto direto; por isso cabe
apenas o pronome "a", com o ajuste do "n" se estiver após o verbo terminado em "m". Assim,
eliminamos as alternativas (D) e (E).
O verbo "atribuir" é transitivo direto e indireto, o objeto direto é "o efeito", e o objeto
indireto, que é o termo grifado, é "à pena de morte". Assim, cabe apenas "lhe". Por isso,
eliminamos as alternativas (B) e (C), restando a (A) como correta.
Para confirmar, basta ver que o verbo "mereceria" é transitivo direto e "a pena de morte" é
o objeto direto. Por isso, está correta a construção "a mereceria".

Gabarito: A

Edital do concurso TRT 23ª Região - 2011


Analista Judiciário - Área Judiciária

Ortografia oficial. Acentuação gráfica. Flexão nominal e verbaÍ. Pronomes:


emprego, formas de tratamento e colocação. Emprego de tempos e
modos verbais. Vozes do verbo. Concordância nominal e verbal. Regência
nominal e verbal. Ocorrência de crase. Pontuação. Redação (confronto e
reconhecimento de frases corretas e incorretas). Intelecção de texto.

Quadro-resumo das questões com relação ao conteúdo do edital:


Questão 1: Intelecção de texto.
Questão 2: Intelecção de texto.
Questão 3: Regência verbal.
Questão 4: Vozes do verbo.
Questão 5: Pontuação.
Questão 6: Redação (confronto e reconhecimento de frases corretas e
incorretas).
Questão 7: Sentido das palavras ou expressões (dentro de Intelecção de
texto).
Questão 8: Valor semântico de conectivos (dentro de Intelecção de
texto).
Questão 9: Intelecção de texto.
Questão 10: Flexão verbal.
Capítulo 21 Prova 6- Tribunal Regional do Trabalho 231 Região- 201 I-
Analista Judiciário- Área Judiciária 243

Questão 11: Intelecção de texto.


Questão 12: Intelecção de texto.
Questão 13: Intelecção de texto.
Questão 14: Sentido das palavras ou expressões (dentro de Intelecção de
texto).
Questão 15: Intelecção de texto.
Questão 16: Concordância verbal.
Questão 17: Regência nominal e verbal.
Questão 18: Redação (confronto e reconhecimento de frases corretas e
incorretas).
Questão 19: Emprego de tempos e modos verbais.
Questão 20: Regência verbal. Pronomes: emprego e colocação.

Assim, podemos eleger uma prioridade de estudo com base nos temas mais
relevantes, ordenando de forma decrescente os temas que mais caem nas
provas, da seguinte forma:
1º- Intelecção de texto. (1 O ocorrências)
2º- Regência verbal. (3 ocorrências)
3º- Redação (confronto e reconhecimento, de frases corretas e
incorretas). (2 ocorrências) :
Concordância verbal. (2 ocorrências)
5º- Vozes do verbo. (1 ocorrência)
Regência nominal. (1 ocorrência)
Pontuação. (1 ocorrência)
Flexão verbal. (1 ocorrência)
Emprego de tempos e modos verbais. (1 ocorrência)
Pronomes: emprego e colocação. (1 ocorrência)
11º- Pronomes: formas de tratamento. (nenhuma ocorrência)
Flexão nominal. (nenhuma ocorrência)
Ortografia ofiCial. (nenhuma ocorrência)
Acentuação gráfica. (nenhuma ocorrência)
Concordância nominal. (nenhuma ocorrência)
Ocorrência de crase. (nenhuma ocorrência)
244

I
I
1
l

1
245

Prova 1
Tribunal Regional Eleitoral - PR - 2012 -
Técnico Judiciário - Área Administrativa

Atenção: As questões de números 1 a 6 baseiam-se no texto seguinte.


O tempo não perdoa o que se faz sem ele, cosftlmava dizer Ulysses Guimarães,
citando }oaquim Nabuco. Desse modo ensinava a importância na política do
apropriado discemimento do momento oportuno. Não é fácil a identificação desse
momento, pois, mtre outras coisas, requer 'conjugar o tempo individual de um ator
poUtico com o tempo coletivo de tlm sistema político e de uma sociedade. Além
disso, o tempo flui e é instável no seu movimento, e 11ão só na política. É o caso do
tempo. na meteorologia, cada vez menos previsfuel por obra das mudanças climáticas
provocadas pela ação humana.
A vasta rfjlexão dos pensadores, dos poetas e cientistas sobre o estatuto do tempo
e seu e11tendimento aponta para uma complexidade que carrega 110 seu bojo o desafio
de múltiplos significados, cabendo lembrar que a fimção da orientação é inere11te à
busca do saber a respeito do tempo. Assim, uma coisa é conhecer o tempo do relógio,
que molda o mensurável de uma jomada de trabalho. Outra coisa é lidar com a não
mmsurável duração do tempo vivido, que perdura na consciência, e 11ão se confunde,
por sua uez, com o tempo do Direito, que é o tempo normatizado dos prazos, dos
recursos, da prescrição, da coisa julgada, da vigência das leis e do drama cotidiano da
lentidão da Justiça.
A busca do saber sobre o tempo tem, como mencionei, uma fimção de orientação. ·
Neste século XXI, é preciso parar para pensar a vertiginosa insta11taneidade dos
tempos e os problemas da sua sincronização, que a reuolução digitaluem intensificando.
Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria 1 Décio Terror Filho C;
246

A tradicional sabedoria dos provérbios porru,,;:ttcses d{{erencia o tempo do falcão e


o tempo da comja. O tempo do falcão é o da rc1pidcz c da violência. É este o tempo
que nos cerca. O tempo da conifa é o da sabedoria - a sabedoria que 1ws falta para
lidar com a estrutura de possibilidades do tempo no 1111111do em que estai/los inseridos.
(Celso L<!f"cr. Trecho, C<'m ad.zptaçiics, de artZ~o p11blícado em OJ
O Estado de S. Paulo, 20 de llc'l'cmbro de 2011.112, Espaço !lbcrto)
e
ai
1. A afirmativa, no 12 parágrafo, de que o tempo flui e é instável no seu movimento
d
a) baseia-se na vasta reflexão dos pensadores, dos poetas e cientistas sobre o estatuto do
tempo.
b) exalta a sabedoria contida nos provérbios, como, por exemplo, a diferenciação entre o
tempo do falcão e o tempo da coruja.
c) vem a ser comprovada, em seguida, pelo exemplo tomado ao tempo na meteorologia. 2
d) constitui oposição à ideia de que não é fácil a identificação do momento oportuno.
e) realça a percepção das consequências advindas das mudanças climáticas provocadas
pela ação humana.

Comentár'io: Esta questão aborda a interpretação localizada (v.t. 13.3). Assim, devemos
observar o contexto em que aparece o segmento em destaque. Não basta ler somente esta
expressão, mas os vocábulos que a cercam. 'são eles que vão nos ajudar a interpretar a
expressão e possivelmente estarão na alternativa correta:
"Além disso, o tempo flui e é instável no seu movimento. e não só na política. É o caso do tempo
na meteorologia, cada vez menos previsível por obra das mudanças climáticas provocadas pela
ação humana." c
Assim, podemos entender que o tempo sobre o qual fala o texto, diferentemente da b
cronologia, pode apresentar modificações em seu andamento, percepções diferentes,
dependendo do contexto em que se insere. a
Assim, a alternativa (C) é a correta, pois podemos perceber que realmente esta expressão é
comprovada, em seguida, pelo exemplo do tempo na meteorologia. Veja que a expressão "É o
caso do tempo na meteorologia" nitidamente nos indica que há aí um exemplo de comprovação
daquilo que foi dito anteriormente. Portanto, com dados explícitos do texto, esta é a alternativa
correta.
o
A alternativa (A) está errada, pois a expressão" o tempo flui e é instável no seu movimentd' F
não se baseia na "vasta reflexão dos pensadores, dos poetas e cientistas sobre o estatuto G
do tempo". A reflexão deles apenas confirma (não é a base) a expressão, pois no segundo il
parágrafo ela ressalta o desafio dos múltiplos significados, enfatizando a orientação,'à busca
do saber a respeito do tempo.
A alternativa (B) está errada, pois a utilização no texto da expressão "o tempo flui e é
instável no seu tempo" não tinha como intenção exaltar a sabedoria contida nos provérbios.
Capítulo 21 Prova 7- Tribunal Regionall:lertoral- PK- 2Ul2-
Técnico Judiciário- Área Administrativa 247
249
Note como essas expressões estão distantes no texto. É claro que a diferenciação entre o
tempo do falcão e o tempo da coruja ajuda a confirmar a expressão, mas não há ligação direta ~tivo,
entre elas.
A alternativa (D) está errada, pois a ideia de que não é fácil a identificação do momento inda
oportuno sustenta que o tempo flui e é instávei no seu movimento. Assim, não há oposição. ·á rio.
•as ta
A alternativa (E) está errada, pois nitidamente percebemos que a expressão "o tempo flui
ento
e é instável no seu tempo" não tem a intenção de realçar a percepção das conseguências
los".
advindas das mudanças climáticas. A referência às mudanças climáticas é apenas um exemplo
da instabilidade do tempo. ·
o de

Gabarito: C licio
1p0.

2. O tempo não perdoa o que se faz sem ele...


A afirmativa que inicia o texto encaminha para
a) a ideia de que os políticos não têm o apropriado discernimento do momento oportuno.
b) a constatação de que é difícil perceber a duração do tempo vivido, que perdura na ser
consciência.
c) uma contradição à tese corrente de que o tempo flui e é instável no seu movimento, e
não só na política.
d) crítica relativa aos problemas surgidos com o drama cotidiano da lentidão da justiça.
e) o reconhecimento de que é preciso paréJr para pensar a vertiginosa instantaneidade
dos tempos e os problemas da sua sincronização.

Comentário: A primeira frase é a tese, a ideia-núcleo, o tópico frasal do texto (v.t.13.6). Écom
base nela que o texto se desenvolve.
Essa tese indica o modo como Ulysses Guimarães "ensinava a importância na política do 'as"
apropriado discernimento do momento oportuno". (2• frase do texto)
Note que o texto aborda a dificuldade da identificação desse momento, pois requer que im,
se conjugue o tempo individual e o coletivo, além disso mostra a instabilidade e a fluidez do
tempo, não só na política; daí o exemplo das mudanças climáticas.
Assim, podemos entender que o tempo não perdoa aquilo que é feito sem organização, sem
o devido respeito ao momento oportuno, que deve satisfazer o tempo individual e o coletivo.
Por isso, é dito no terceiro parágrafo que "A busca do saber sobre o tempo tem uma função
de orientação.", e neste século XXI, tempo da revolução digital, em que muitas ações são
instantãneas, há problemas na conjugação entre o saudável e o não saudável para a sociedade,
pois muitas vezes não há sincronia deste tempo. Por isso, o autor enfatiza que devemosparar
par a pensa r: "Neste século XXI, é preciso parar para pensar a vertiginosa instantaneidade
dos tempos e os problemas da sua sincronização, que a revolução digital vem intensificando."
Assim, a alternativa correta é a (E). as
248 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho

A alternativa (A) está errada, pois a segunda frase do texto nos mostra que Ulysses
Guimarães ensinava na política a importância do apropriado discernimento do momento
r
1
oportuno, e isso não quer dizer que os políticos não têm esse discernimento.
A alternativa (B) está errada, pois a expressão "duração do tempo vivido, que perdura na
consciência" particulariza um dos tempos que serve de base para a afirmativa da tese; mas
note que a tese ressalta a importância da conjugação dos tempos, de maneira mais geral,
abarcando o individual e o coletivo.
I
I
A alternativa (C) está errada, pois não há contradição entre a afirmação de que "O
tempo I
não perdoa o que se faz sem ele." e "o tempo flui e é instável no seu movimento, e não só na I
política'~ A expressão "Além disso" nos sinaliza que a segunda frase confirma a primeira.

A alternativa (D) está errada, pois a estrutura "o tempo do Direito, que é o tempo i
normatizado dos prazos, dos recursos, da prescrição, da coisa julgada, da vigência das leis e
!
do drama cotidiano da lentidão da Justiça" particulariza apenas ao "tempo do Direito", mas a
tese é mais ampla, ressalta a importância da sincronia dos diversos tempos, e não tem como
intenção apenas criticar o "tempo do Direito".

Gabarito: E

3. Com a expressão o desafio de múltiplos significados (22 parágrafo), o autor


a) esclarece seu emprego ao se referir à necessáriá sabedoria para equacionar, no
momento ínais adequado, os problemas que surgem.
b) refere-se às diversas possibilidades de percepção da passagem do tempo e de seu
sentido.
c) caracteriza a oposição frequente que se faz entre o tempo de cada indivíduo e aquele
que diz respeito a toda a ·soCiedade.
d) duvida de uma possível concordância entre representantes de diferentes áreas do
conhecimento a respeito do tempo.
e) questiona os meios até agora utilizados para calcular o transcorrer do tempo, que é
sempre mutável.

Comentário: A expressão "o desafio de múltiplos significados" é desenvolvida nas frases


seguintes, em que aponta o "tempo do relógio", "a não mensuráyel duração do tempo vivido",
além do "tempo do Direito".
Assim, a alternativa corret~ é a (B), pois realmente se refere às diversas possibilidades de
percepção da passagem do tempo e de seu sentiélo ("múltiplos significados").
A alternativa (A) está errada, pois o que esclarece o emprego de tal expressão é a diferença
entre o tempo do relógio, a não mensurável duração do tempo vivido e o tempo do Direito, os
quais se encontram no mesmo parágrafo. Vale lembrar que esses múltiplos significados do
tempo podem apontar para a necessidade da sabedoria para equacionar os problemas que
surgem; mas não podemos dizer que seja isso que esclarece aquela expressão.
Capítulo 21 Prova 7- Tribunal Regional Eleitoral- PR- 2012-
Técnico Judiciário- Área Administrativa 249

A alternativa (C) está errada, pois não há oposição entre o tempo individual e o coletivo,
há, sim, necessidade de conjugá-los.
A alternativa (D) está errada, pois o autor não duvida de uma possível concordância
entre representantes de diferentes áreas do conhecimento a respeito do tempo. É o contrário.
A própria frase inicial do segundo parágrafo vai contra esta afirmação. Ela afirma que "A vasta
reflexão dos pensadores, dos poetas e cientistas sobre o estatuto do tempo e seu entendimento
aponta para uma complexidade que carrega no seu bojo o desafio de múltiplos significados".
Assim, os representantes de diferentes áreas apontam para um mesmo tópico: o desafio de
múltiplos significados.
A alternativa (E) está errada, pois a expressão em destaque não transmite nenhum indício
de questionamento sobre os meios até agora utilizados para calcular o transcorrer do tempo.

Gabarito: B
)

4. Considere:
As decisões referentes ...... medidas que dizem respeito ...... toda a sociedade devem ser
tomadas com sabedoria, cada uma ...... seu tempo.
As lacunas da frase acima estarão corretamente preenchidas, respectivamente, por:
a) às- a- à
b) as- a- à
c) as- à- à
d) às- a..:. a
e) às- à- a

Comentário: O adjetivo "referentes' exige a preposição "a". Como o substantivo "medidas'


admitiu o artigo "as', ocorre a crase. Assim, eliminamos as alternativas (B) e (C).
O pronome indefinido "toda" não admite ser antecipado pelo artigo "a" (v.t. 9.2). Assim,
não pode haver crase e eliminamos a alternativa (E).
A expressão "seu tempo" é masculina (v.t. 9.d). Assim, não pode haver crase.
Por isso, a alternativa correta é a (D).

Gabarito: D

5. A vasta reflexão dos pensadores, dos poetas e cientistas sobre o estatuto do tempo e
seu entendimento aponta para uma complexidade...
Nas frases seguintes, considere o emprego do verbo grifado acima:
I. O assessor encarregado pelo Ministro de analisar o processo apontou-lhe as
dificuldades em conseguir um acordo satisfatório entre as partes.
250 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria 1Décio Terror Filho

11. O desempenho de um dos membros do Conselho Administrativo levou os demais a


apontarem-no, de forma unânime, para dirigir a empresa.
111. O Presidente, diante da insatisfação gerada por medidas impopulares, apontou à frente
dos manifestantes, tentando acalmar os ânimos.
Está correta a regência do verbo apontar em
a) li e 111, apenas.
b) 11, apenas.
c) I e 111, apenas.
d) I, 11 e 111.
e) I e 11, apenas.

Comentário: Note que a questão pede a regência verbal, isto é, o emprego da preposição ou
não, dependendo da transitividade do verbo. Note que, dependendo do contexto, a regência
verbal pode mudar.
A frase I está correta, pois o verbo "apontou" está sendo empregado no sentido de
"mostrar'', "identificar'' (mostrar alguma coisa a alguém). Assim, é transitivo direto e indireto,
o termo "as dificuldades' é o objeto direto e o pronome "lhe" é o objeto indireto.
A frase 11 está correta, pois o verbo "apontarem" está sendo empregado no sentido de
"indicar'' (indicar alguém). Assim, é transitivo direto e é seguido do pronome "o". Como o verbo
termina em "m", esse pronome recebe "n" (apontarem-no) (v.t. 11.2.1.3).
Note que o pronome "o" também poderia ficar antecipado deste verbo. Como a questão
não pediu colocação pronominal, apenas regência, não precisamos nos preocupar com a
posição do pronome.
A frase 111 também está correta, pois "apontou" está sendo empregado no sentido figurado
de "aparecer''. Assim, é intransitivo. Perceba que o presidente não indicou a frente das
manifestações, ele apareceu à frente delas. Assim, o verbo é intransitivo e o termo "à frente
dos manifestantes' é o adjunto adverbial de lugar (Apontou onde? Apareceu onde?).
Esse adjunto adverbial de lugar está antecipado da locução prepositiva "à frente de", por
isso há crase.
Note que esta estrutura também poderia ter sido iniciada pelas locuções prepositivas "na
frente de", "em frente a", "diante de". Veja:
O Presidente(...) apontou à frente dos manifestantes
O Presidente(. .. ) apontou na frente dos manifestantes
O Presidente(...) apontou em frente aos manifestantes
O Presidente(...) apontou diante dos manifestantes

Gabarito: D
Capítulo 21 Prova 7- Tribunal Regional Eleitoral- PR- 2012-
Técnico Judiciário- Área Administrativa 251

6. ... para lidar com a estrutura de possibilidades do tempo no mundo em que estamos
inseridos.
A lacuna que deverá ser preenchida pela expressão grifada acima está em:
a) A época ... ,.. vivemos, assolad.a ~.~.la revolução tecnológica, embaralha a sincronização
dos fatos.
b) A conclusão ...... podemos chegar, diante da instabilidade política em algumas regiões,
é a de que falta sabedoria aos governantes.
c) A sabedoria ...... necessitamos para solucionar problemas cotidianos deverá ser
buscada sempre.
d) As medidas a serem tomadas ...... se chegue à solução dos conflitos serão anunciadas
no momento oportuno.
e) As expectativas da sociedade nem sempre se realizam diante das dificuldades mais
amplas ...... se defrontam os governantes.

Comentário: Este tipo de questão explora o tópico 11.1. Note que na estrutura oracio·nal, o
substantivo "mundo" está sendo caracterizado pela oração subordinada adjetiva restritiva
"em que estamos inseridos'~ Nesta oração, o suj_eito.éoculto e. subentende "nós', o verbo
"estamos' é de ligação e o adjetivo "inseridos" é o predkativo do sujeito. Assim, o termo "em
que" é o adjunto adverbial de lugar (Estamos inseridos onde?.No m'undo).
. . . :.'\ll ~ . ~

O trabalho, agora, é achar a oração subordinada adjetiva e sublinhar o verbo. Como a


questão cobra apenas a regência em relação ao pronome relativo, fica mais fácil achar o seu
sujeito, pois devemos identificá-lo pela concordância do verbo em relação a ele.
Depois, devemos perceber os complementos verbais ou adjuntos adverbiais e qual deles é
iniciado pela preposição "em".
Aalternativa (A) é a correta, pois a oração subordinada adjetiva a ser grifada é" ... vivemos'.
O sujeito é oculto, subentendendo "nós". O verbo "vivemos" é intransitivo e o seu adjunto
adverbial deve ;;e iniciar pela preposição "em": "vivemos na época". Veja:
A época em que vivemos. assolada pela revolução tecnológica, embaralha a sincronização dos
fatos.
A expressão pronominal "em que" pode ser substituída por "na qual', sem prejuízo
semântico:
A época na qual vivemos. assolada pela revolução tecnológica, embaralha a sincronização
dos fatos.
A alternativa (B) está errada, pois a oração subordinada adjetiva é" ...... podemos chegar'.
O sujeito é oculto (nós), a locução verbal "podemos chegar' é transitiva indireta (podemos
chegar a quê?), pois o substantivo "conclusão" não é um lugar. Assim, cabe o objeto indireto
"a que".
252 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho
r
A conclusão a que podemos chegar, diante da instabilidade política em algumas regiões, é a
de que falta sabedoria aos governantes. I
I
A expressão pronominal "a que" pode ser substituída por "à qual", sem prejuízo semântico:
A conclusão à qual podemos chegar, diante da instabilidade política em algumas regiões, é a
de que falta sabedoria aos governantes.
A alternativa (C) está errada, pois a oração subordinada adjetiva é " ... necessitamos".
O sujeito é oculto (nós) e o verbo é transitivo indireto e exige a preposição "de": necessitamos
de qui!? Assim, cabe o objeto indireto "de que".
A sabedoria de que necessitamos para solucionar problemas cotidianos deverá ser buscada
sempre.
A expressão pronominal "de que" pode ser substituída por "da qual', sem prejuízo
semântico:
A sabedoria da qual necessitamos para solucionar problemas co.tidianos deverá ser buscada
sempre.
A alternativa (D) está errada, pois a oração " ... se chegue à solução dos conflitos" não
caracteriza um substantivo anterior, como vimos nas demais alternativas. Ela é adverbial e tem
o valor de finalidade (v.t. 4.8). Por isso, cabe a locução conjuntiva "para que":
As medidas a sere in tomadas para que se chegue à solucão dos conflitos serão anunciadas no
momento oportuno.
A alternativa (E) está errada, pois a oração" ... se defrontam os governantes' é subordinada
adjetiva. O sujeito é "os governantes', o verbo "defrontai' é transitivo direto e indireto, o
pronome "se" é recíproco na função de objeto direto (v.t. 2.3.1) e "com que" é o objeto indireto:
os governantes defrontam-se com as dificuldades ...
As expectativas da sociedade nem sempre se realizam diante das dificuldades mais amplas
com que se defrontam os governantes.
A expressão pronominal "com que" pode ser substituída por "com as quais', sem prejuízo
semântico:
As expectativas da sociedade nem sempre se realizam diante das dificuldades mais amplas
com as quais se defrontam os governantes.
Observação: O pronome recíproco, como referenciado anteriormente, é aquele que transmite
uma ação aplicada a uma segunda pessoa, a qual responde essa ação à primeira. Ocorre muito
com os verbos "abraçai' e "cumprimentai', pois são ações que necessitam de resposta: uma
pessoa cumprimenta outra e esta 9evolve à primeira a ação de cumprimentar:
Os alunos cumprimentaram-se.
O mesmo ocorre com o verbo "abraçar":
Os amigos abraçaram-se.
Gabarito: A
Capítulo 21 Prova 7- Tribunal Regional Eleitoral- PR- 2012-
Técnico Judiciário- Área Administrativa 253

Atencão: As questões de números 7 a 13 baseiam-se no texto seguinte.


Um conjunto recente de pesquisas 11a área da neurociência sugere uma reflexão
acerca .dos efeitos der;astadores do computador sobre a tradição da escrita em papel.
Por meio da observação do cérebro de criat1ças e adultos, verificou-se de forma bastante
clara que a escrita de próprio punho provoca, na região dedicada ao processamento
das informações armazenadas na memória, uma atividade significativamwte mais
intensa do qr~e a da digitação, o que tem conexão direta com a elaboração e a
expressão de ideias. Está provado também que o ato de escrever desencadeia ligações
entre os neurônios naquela parte do cérebro que faz o reconhecimento visual das
palavras, co11tribuindo assim para~uidez da leitllra. Com a digitação, essa área
fica inativa.
i'\7a Antiguidade, os egípcios tinham nas letras um objeto sagrado, inve11tado
pelos deuses. Sinônimo de status, a caligrafia irretocável foi por séwlos na China 11111
pré-requisito para i11gressar na prest~giada carreira pública. No Brasil, a caligrq_fia
constava entre as habilidades avaliadas 110s exames de admissão do antigo ginásio
até a década de 70, e era e11sitwda com esmero na sala de aula.
O hábito da escrita vem caindo em desuso à medida que o computador se dissemina.
Até aqui a palavra foi etemizada em papel (ou pedra, pergami11ho, papiro), que se
encarregou de registrar a história da humanidade. O computador traz nova dimensão
à aquisição de conhecimentos e à i11teração entre as gerações que chegam aos bancos
escolares. Para elas, escrever à mão corre o risco de se tornar ape11as mais um registro
do passado guardado em arquivo digital.
(Lr1fs Guilherme Barrucho. Veja, 27 de julho de 2011. p. 94, com adaptações)

7. O autor
a) expõe uma situação atual, com exemplos e dados de pesquisas, referente ao uso do
computador e às consequências para o funcionamento do cérebro.
b) relata, com exemplos, como a escrita se tornou o instrumento fundamental, durante
séculos, para o desenvolvimento humano.
c) recria, com base na história, fatos marcantes que demonstram a superioridade da
escrita manual sobre a digitação feita no computador.
d) defende a substituição da escrita manual, em vista da ampla disseminação do
computador e da facilidade decorrente da digitação de textos.
e) critica a atual tendência a abandonar a escrita manual, ainda que reconheça a maior
legibilidade dos textos digitados.
KesoJUçoes ae l'rovas ae l'ortugues- Banca FCC -+breve teoria 1Décio Terror Filho

Comentário: Esta questão trabalha, antes da interpretação do texto, a sua estrutura.


Veja que a questão não pergunta a ideia principal do texto, pois assim seria até mais fácil.
Simplesmente nos pede como o texto foi desenvolvido.
Assim, preste atenção nos verbos das alternativas: "expõe", "relata", "recria", "defende",
"critica".
Note a primeira frase, a qual é entendida como a tese, a ideia-núcleo do texto: "Um
conjunto recente de pesquisas na área da neurociência sugere uma reflexão acerca dos efeitos
devastadores do computador sobre a tradição da escrita em papel."
Assim, com base em pesquisas recentes sobre a neurociência, podemos pensar a respeito
dos efeitos negativos do computador em contraposição à escrita manual.
A alternativa (A) é a correta. Para isso, vamos transcrever esta alternativa e em seguida os
trechos do texto que a confirmam:
"O autor expõe uma situação atual', com exemplos e dados de pesquisas 2, referente ao uso do
computador e às consequências para o funcionamento do cérebro 3."
1: "efeitos devastadores do computador"
2: "Por meio da observação do cérebro de crianças e adultos, verificou-se de forma bastante
clara que a escrita de próprio punho provoca, na região dedicada ao processamento das
informações armazenadas na memória, uma atividade significativamente mais intensa do
que a da digitação"
"Está provado também que o ato de escreve( desencadeia ügações entre os neurônios
naquela parte do cérebro que faz o reconhecimento visual das palavras, contribuindo
assim para a fluidez da leitura."
3: "Com a digitação, essa área (região dedicada ao processamento das informações
armazenadas na memória) fica inativa."
A alternativa (B) está errada. Ela nos direciona ao segundo parágrafo, mas este se restringe
ao valor da escrita manual através dos tempos, para no terceiro contrastar com o problema da
digitação, pela disseminação do uso do computador.
Assim, o autor não relata, com exemplos, o modo como a escrita se tornou o instrumento
fundamental. O segundo parágrafo é uma estratégia argumentativa que usa a importância da
escrita manual através dos tempos para contrastar com o problema da digitação no século atual.
I
I
Aalternativa (C) está errada, pois o autor não tem a intenção de demonstrar a superioridade I
da escrita manual sobre a digitação feita no computador. Ele apenas nos relata a diferença I
entre os processos, resgatando a história como ponto de valorização da escrita manual no
passado. O verbo "recriar" transmite a noção de narrar fatos históricos. Realmente há fatos
históricos apontados no segundo parágrafo, os quais foram usados para contrastar com o risco
da digitação, de acordo com o subsídio de pesquisas que apontam problemas de concentração
pela falta da escrita manual. I
Mas o problema é a palavra "superioridade". Ela não cabe no contexto, pois essa
superioridade é relativa. Nos tempos atuais, há muitos beneficios da digitação, que em
determinadas situações são impensáveis com a escrita manual. Veja o que se diz no parágrafo
de conclusão:" O computador traz nova dimensão à aquisição de conhecimentos e à interação
I
entre as gerações':
t;apítulo 21 Prova 7- Tribunal Regional Eleitoral- PR- 2012-
Técnico Judiciário- Área Administrativa 255

Assim, não se pode afirmar que há "superioridade" da escrita manual sobre a digitação de
textos.
A alternativa (D) está errada, pois o texto não defende a substituição de um processo
por outro. Ele apenas nos relata a diferença entre os prôcessos, resgatando a história como
ponto de valorização da escrita manual no passado.
A alternativa (E) está errada, pois o texto não ·tem a intenção de criticar a atual tendência
de abandono da escrita manual. Ele nos aponta o risco disso, mas não deixa de registrar a
importância atual do computador. Também não há referência ao reconhecimento da maior
legibilidade dos textos digitados.

Gabarito: A

8. . .. Q que tem conexão direta com a elaboração e a expressão de ideias. (1° parágrafo)
No contexto, o pronome grifado acima substitui, especificamente:
a) a observação do cérebro de crianças e adultos.
b) a escrita de próprio punho provoca(. .. ) uma atividade significativamente mais intensa
do que a da digitação.
c) um conjunto recente de pesquisas na área da neurocíêncía.
d) uma reflexão acerca dos efeitos devastadores do computador.
e) a tradição da escrita em papel.

Comentário: Esta questão trabalha a coesão referencial, isto é, retomada de palavras,


expressões ou orações (expressan·do uma ação). Esse recurso tem como meio o pronome
demonstrativo "o".
Note que o pronome demonstrativo "o" normalmente tem valor de "aquele" (retoma
pessoa), "aquilo" (retoma coisa ou ação) ou "isso" (retoma ação).

I
I
Neste contexto, este pronome tem valor de "isso", então retoma uma ação. Veja o primeiro
parágrafo:
"Um conjunto recente de pesquisas na área da neurocíência sugere uma reflexão acerca
I dos efeitos devastadores do computador sobre a tradição da escrita em papel. Por meio da
I observação do cérebro de àianças e adultos, verificou-se de forma bastante clara que a escrita
de próprio ounho provoca, na região dedicada ao processamento das informações armazenadas
na memória, uma atividade significativamente mais intensa do que a da digitação, Q que tem
conexão direta com a elaboração e a expressão de ideias."
I Assim, podemos entender que o fato de a escrita provocar uma atividade mais intensa do
que a digitação tem conexão direta com a elaboração e a expressão de ideias.

I Assim, a alternativa correta é a (B).

Gabarito: B
256 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho
r
I
C<
Ti

9. O teor do 22 parágrafo constitui


a) demonstração, com informações históricas, da importância social atribuída à caligrafia.
b) histórico das condições determinantes da opção pela escrita manual em antigas
I
II
I
C<
di
e
l
civilizações. í
c) justificativa, com base em argumentos, da perda do valor tradicional da escrita manual. l
d) proposta, a partir da importância da caligrafia, de sua manutenção, apesar da
concorrência do computador. a
e) verificação prática da superioridade atual da digitação sobrea escrita manual.

Comentário: Esta questão trabalha a estrutura textual. Assim se quer que interpretemos o
objetivo do segundo parágrafo no texto. Por isso, preste atenção nos substantivos que iniciam
as alternativas: "demonstração", "histórico", "justificativa", "proposta" e "verificação".
A alternativa (A) é a correta, pois "demonstração" é uma forma de desenvolvimento do
tema por meio da exemplificação. Assim, as informações históricas (de que para os egípcios
as letras eram um objeto sagrado; na China, caligrafia era sinônimo de "status"; e, no Brasil, a
caligrafia constava entre as habilidades avaliadas nos exames de admissão do antigo ginásio
até a década de 70, e era ensinada com: esmero na sala de aula) expressas neste parágrafo
confirmam a importância social_atri~uída à ~aligrafia.
A alternativa (B) está errada, primeiro porque não houve um histórico das condições
determinantes da opçã9. pela escrita manual; há apenas um relato histórico sobre a importância
da escrita manu~L Além disso, não se r~feriu apenas às antigas civilizações.
A alternativa· (C) está errada, pois o segundo p_arágrafo realça a importância social da
escrita manual, e não a perda de seu valor.
As alternativas (D) e (E) estão erradas, porque este parágrafo não faz referência a
computador.

Gabarito: A

10. Identifica-se no texto correlação imediata entre


a) o ensino da escrita manual nas escolas e o aumento da digitação no computador.
b) opção pela escrita em papel e registros da história da humanidade.
c) abandono da escrita manual e disseminação do uso do computador.
d) preferência atual pelo uso do computador e pesquisas científicas.
e) as pesquisas na área da neurociência e a importância da caligrafia.

Comentário: A correlação imediata é entendida como processo que se caracteriza pela


implicação mútua de dois termos. e no qual há dependência dos elementos. Assim, a questão
nos motiva a achar no texto dois elementos que possuem relação direta, dependente uma da
outra.
Capítulo 21 Prova 7- _Tribunal Regional Eleitoral- PR- 2012-
Técnico Judiciário- Are a Administrativa
257

Essa relação está expressa na primeira frase do parágrafo de conclusão, Note a locução
conjuntiva proporcional "à medida que", a qual evidencia a ligação direta entre a diminuição
do "hábito da escrita" e o aumento do uso do "computador": "O hábito da escrita vem caindo
em desu,so à medida que o computador se dissemina."
Ago'ra, compare com a alternativa (C), que é a correta:
abandono da escrita manual e disseminacão do uso do comoutador.
Perceba que as demais alternativas não possuem ligação direta e dependência entre uma
ação e outra.

Gabarito: C

11. ... do antigo ginásio até a década de 70, e era ensinada com esmero na sala de aula.
(final do 2º parágrafo)
A forma verbal que mantém o sentido e a correção da que está grifada acima é:
a) tinham-se ensinado.
b) teria sido ensinado.
c) ensinavam.
d) se ensinava.
e) foi se ensinando.

Comentário: Esta questão pediu mesmo sentido; mas, na realidade, cobra a transformação de
voz passiva anaiítica para sintética (v.t. 2.2.4). A locução verbal da voz passiva analítica "era
ensinada" pode ser transposta para a voz passiva sintética. Basta que se retire o verbo "era",
mantenha este tempo verbal (pretérito imperfeito do indicativo) no verbo principal (ensinava)
e insira o pronome apassivador "se". Veja a estrutura:
(a caligrafia) ... era ensinada 2-ª ensinava (a caligrafia)
sujeito paciente+ locução verbal P.Ap. + VTD + sujeito paciente
voz passiva analítica voz passiva sintética

Gabarito: D

12. Até aqui a palavra foi eternizada em papel (ou pedra, pergaminho, papiro), que se
encarregou de registrar a história da humanidade,
No segmento isolado pelos parênteses identifica-se
a) restrição feita à constatação de que o papel foi o elemento mais notável na história de
algumas civilizações.
b) rol das conquistas obtidas por alguns povos, principalmente em épocas mais antigas,
que testemunharam seu grau de cultura.
258 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria 1 Décio Terror Filho

c) sene de alternativas que indicam meios utilizados para registrar a história da


humanidade em diferentes épocas.
d) enumeração de registros legados por diversas civilizações como testemunhos de seu
desenvolvimento.
e) gradação marcada pela sequência de elementos, de acordo com sua importância na
história da humanidade.

Comentário: A expressão entre parênteses é um comentário do autor (v.t. 8.2.1) que insere os
outros meios (além do papel) de registros de conhecimento humano através dos tempos.
Assim, a alternativa correta é a (C), pois realmente esses vocábulos entre parênteses
são uma "série de alternativas que indicam meios utilizados para registrar a história da
humanidade em diferentes épocas."
A alternativa (A) está errada, pois não se registrou nesta expressão "restrição" a que o
"papel" seja o mais importante.
A alternativa (B) está errada, pois a expressão entre parênteses não quis referenciar
as conquistas propriamente ditas da humanidade, mas os meios de registrar as diversas
conquistas da humanidade.
A alternativa (D) está errada, pois houve uma enumeração dos meios utilizados para
registrar as conquistas da humanidade, e não os registros propriamente ditos.
A alternativa (E) está errada, pois não houve uma sequência gradual de elementos, de
acordo com sua importância. O texto não evidenciou níveis de importância dentre esses
elementos. Podemos notar que cada um foi importante em seu tempo.

Gabarito: C

13. Na Antiguidade, os egípcios tinham nas letras um objeto sagrado, inventado pelos
deuses.
O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo em que se encontra o grifado acima está
em:
a) ... a caligrafia constava entre as habilidades avaliadas nos exames de admissão do
antigo ginásio até a década de 70 ...
b) ... entre as gerações que chegam aos bancos escolares.
c) Por meio da observação do cérebro de crianças e adultos, verificou-se de forma
bastante clara ...
d) ... que o ato de escrever desencadeia ligações entre os neurônios ...
e) Com a digitação, essa área fica inativa.

Comentário: O verbo" tinham" está flexionado no pretérito imperfeito do indicativo. Ele possui
a desinência modo-temporal "-ia", porém este verbo é irregular. Assim, recebe a nasalização
por meio do "nh" ("-inha": tinha) (v.t. 12.11.2).
t;ap11u1o 21 Prova 7- Tribunal Regional Eleitoral- PR- 2012- •
Técnico Judiciário- Área Administrativa 259

O mesmo tempo ocorre com a alternativa (A), pois o verbo "constava" apresenta a
desinência modo-temporal de primeira conjugação"- va" (v.t. 12.3.2).
Nas alternativas (B), (D) e (E), os verbos" chegam"," desencadeia" e" fica" estão flexionados
no presente do indicativo.
Na alternativa (C), o verbo "verificou" está flexionado no pretérito perfeito do indicativo.

Gabarito: A

Atencão: As questões de números 14 a 19 baseiam-se no texto seguinte.


No início, o uso em lar;_ç;a escala do petróleo teve tlfll impacto ambiental positivo.
Quando o querosene se mostrou mais eficiente e barato para a iluminação, a matança
de baleias, que forneciam o óleo dos lampiões e lamparinas, caiu drasticamente.
Desde wtão, descobriram-se mil e uma utilidades para o petróleo. Um site dos EUA
chegou a listar quase dois mil produtos de uso cotidiano que não poderiam ser feitos
ou teriam custos proibitivos sem o petróleo. Entre eles a aspirina, o capacete de
motociclista e o paraquedas.
Portanto, a era do petróleo está ainda muito longe de ser completamente substituída
por aquilo que se convencionou chamar de Era do Verde. Em vez de acabar, a cada
dia se descobrem novos usos para as fibras sintéticas oriundas do petróleo, novos usos
para seus mríltiplos eleme11tos químicos, que têm as moléculas qt!ebradas pelo calor
para dar origem a outro elemmto, a orltro Jl.I'Of_fuüJ. A' 1naio;:ia desses usos é nobre, já
que eles aumentam o nosso conforto, ·o iwssu bem-estar,· a nossa saúde.
O grande problema da indústria petroquímica é ter como insumo básico um bem
finito, o petróleo, fato que a toma insustentável 110 tempo. Além disso, é altamente
poluente.
(.\1allucl Lume. Carta Capital, 27 de abril de 2011. p.52-55, COIII adaptações)

14. O autor
a) analisa, com base em exemplos e observações, a importância do petróleo no mundo
moderno, conquanto se trate de um produto não renovável e bastante poluidor.
b) assinala a tendência atual de substituição do petróleo por produtos ecológicos, por
serem estes não poluentes e, ainda, respeitarem o meio ambiente.
c) discute a necessidade de substituição do petróleo por fontes alternativas, voltadas
para a preservação do amb'rente e, ao mesmo tempo, para a saúde humana.
d) defende um maior controle no uso do petróleo, embora ele tenha propiciado um grande
avanço tecnológico com a obtenção de produtos diversos, utilizados na rotina diária.
e) indica os diversos beneficios trazidos à saúde humana pelo petróleo, especialmente
devido às pesquisas destinadas à produção de medicamentos novos e mais eficazes.
260 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho
r c
1

Comentário: A alternativa (A) é a correta, pois o autor analisa a importância que o petróleo
ainda desperta nos dias de hoje ("descobriram-se mil e uma utilidades para o petróleo").
Para isso, usa alguns exemplos como "a aspirina, o capacete de motociclista e o paraquedas"
I
e observações, como "a era do petróleo está ainda muito longe de ser completamente
substituída por aquilo que se convencionou chamar de Era do Verde':
Além disso, há uma ressalva do autor, por meio do último parágrafo do texto: "O grande
problema da indústria petroquímica é ter como insumo básico um bem finito, o petróleo, fato
que a torna insustentável no tempo. Além disso, é altamente poluente."
Aalternativa (B) está errada, pois o autor não assinala a tendência atual de substituicão do
petróleo por produtos ecológicos. Ele confirma o contrário na frase "Portanto, a era do petróleo
está ainda muito longe de ser completamente substituída por aquilo que se convencionou
chamar de Era do Verde':
A alternativa (C) está errada, pois o texto não discute a necessidade de substituição do
petróleo por fontes alternativas, ele apenas esclarece que o petróleo ainda tem uma utilidade
muito grande em nossa sociedade e registra que será difícil a substituicão por uma fonte
alternativa.
A alternativa (D) está errada, pois .o autor não defende um maior controle no uso do
petróleo, ele simplesmente registra a sua importância.
A alternativa (E) está errada, pois extrapola o conteúdo do texto. O autor não nos indica
"especialmente" as pesquisas destinadas á produção de medicamentos, apenas nos mostra
que a "aspirina" (dentre os produtos voltados à saude humana) é um dos medicamentos
derivados do petróleo.
,, ..... _..•......

Gabarito: A

15. O segmento grifado está sendo substituído pelo pronome de modo INCORRETO em:
a) que têm as moléculas= que têm-las
b) já que eles aumentam o nosso conforto= já que eles o aumentam
c) teve um imoacto ambiental positivo= teve-o
d) que forneciam o óleo dos lampiões e lamparinas= que o forneciam
e) teriam custos proibitivos= tê-los-iam

Comentário: A alternativa (A) é a errada. O verbo "têm" é transitivo direto e o objeto direto
"as moléculas" realmente pode ser substituído pelo pronome "as' (v.t. 11.2.1); porém o pronome
relativo "que" é palavra atrativa. Assim, deve haver próclise: que as têm (v.t. 10.2.1).
Na alternativa (B), o verbo "aumentam" é transitivo direto e o termo "o nosso conforto" é
o objeto direto. Assim, pode ser substituído pelo pronome "o" e este fica posicionado antes do
verbo tendo em vista o pronome "eles' permitir a atração.
A alternativa (C) está correta, pois o verbo" teve" é transitivo direto e o termo "um impacto
ambiental positivo" é o objeto direto e pode ser substituído pelo pronome "o": teve-o.
Capítulo 21 Prova 7-Jribunal Regional Eleitoral- PR 2012-
T~cnico Judiciário- Are a Administrativa 261

A alternativa (D) está correta, pois o verbo "forneciani' é transitivo direto e o termo "o
óleo dos lampiões e lamparinas" é o objeto direto, o qual pode ser substituído pelo pronome
"o", pois o núcleo é "óleo". Este pronome está posicionado antes do verbo porque está sendo
atraído pelo vocábulo "que" (v.t. 10.2.1).
A ai'ternativa (E) está correta, pois o verbo "teriam" é transitivo direto e o objeto direto
"custos proibitivos" pode ser substituído pelo pronome "os". Como este verbo está flexionado
no futuro do pretérito do indicativo, ocorre a mesóclise (teriam+os --7 ter+os+iam --7 tê-los-
·iam) (v.t. 10.3).

Gabarito: A

16. A maioria desses usos é nobre, já que eles aumentam o nosso conforto, o nosso bem-
-estar, a nossa saúde.
Considere as afirmativas seguintes sobre o emprego das vírgulas no segmento acima.
I. A vírgula colocada após é nobre pode ser retirada, sem prejuízo da correção.
11. A vírgula que separa as expressões o nosso bem-estar, a nossa saúde pode ser
corretamente substituída por um e.
111. A vírgula após a expressão o nosso conforto pode ser substituída por dois-pontos, sem
prejuízo da correção e do sentido original.
Está correto o que se afirma APENAS em
a) 111.
tlr 11.
c) I e 111.
d) I e li.
e) I.

Comentário: O gabarito oficial definitivo deu como errada a frase I, o que foi muito contestado
à época da prova, porém a banca não voltou atrás.
Ela entendeu a oração "já que eles aumentam o nosso conforto, o nosso bem-estar, a nossa
saúde" como coordenada sindética explicativa (v.t. 8.7.8).
Isso é comprovado porque esta banca vez por outra cobra a possibilidade de substituição
da conjunção coordenativa explicativa e a vírgula por dois-pontos sem conjunção. Veja:
A maioria desses usos é nobre: eles aumentam o nosso conforto, o nosso bem-estar, a nossa saúde.
Também percebemos com travessão. Veja:
A maioria desses usos é nobre - eles aumentam o nosso conforto, o nosso bem-estar, a nossa
saúde.
Assim, fica fácil aceitar que a vírgula é obrigatória.
Nota do professor: Cuidado, pois esta visão é da banca FCC. As bancas CESPE e ESAF, por
exemplo, não raciocinam desta forma.
262 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria 1 Décio Terror Filho

A frase 11 está correta, pois são três os elementos em enumeração ("o nosso conforto, o
nosso bem-estar, a nossa saúde"). Assim, entre o penúltimo e o último, cabe a conjunção "e"
no lugar da vírgula.
Com esta nova construção, a conjunção "e" deixa mais claro o último termo, tendo em vista
uma melhor entonação final (v.t 8.7.2).
A frase 111 está errada, pois, na estrutura "já que eles aumentam o nosso conforto, o nosso
bem-estar, a nossa saúde.", há uma enumeração de três elementos. Assim, eles são o objeto
direto composto do verbo" aumentam".
Com a inserção de dois-pontos, entre o primeiro termo e o segundo, haveria uma mudança
brusca de sentido, pois os dois termos finais ("o nosso bem-estar, a nossa saúde") passariam
a ser o aposto explicativo do primeiro ("o nosso conforto"). Compare: .
A maioria desses usos é nobre, já que eles aumentam o nosso conforto. o nosso bem-estar, a
nossa saúde.
A maioria desses usos é nobre, já que eles aumentam o nosso conforto: Q_[!Osso bem-estar, a
nossa saúde.

Gabarito: B

17. A maioria desses usos é nobre, já que eles aumentam o nosso conforto, o nosso
bem-estar, a nossa saúde. O grande problema da indústria petroquímica é ter como
insumo básico um bem finito, o petróleo, fato que a torna insustentável no tempo.
A 2• frase apresenta, com relação à P, noção de
a) proporcionalidade.
b) temporalidade.
c) consequência.
d) finalidade.
e) ressalva.

Comentário: Veja que primeiro se falou de "conforto", "bem-estai', "saúde" (elementos


positivos). Em seguida, é inserida uma frase com expressões negativas, como "grande
problema", "insustentável'. Assim, há uma ideia contrastante entre a segunda frase e a
primeira. Tanto assim, que podemos unir esses dois períodos com a conjunção" mas". Veja:
A maioria desses usos é nobre, já que eles aumentam o nosso conforto, o nosso bem-estar, a
nossa saúde; mas o grande problema da indústria petroquímica é ter como insumo básico um
bem finito, o petróleo, fato que a torna insustentável no tempo.
Assim, a alternativa correta é a (E), pois "ressalva" é o mesmo que "contraste".

Gabarito: E
Capítulo 21 Prova 7- Tribunal Regional Eleitoral- PR- 2012-
Técnico Judiciário- Área Administrativa 263

18 . ... que forneciam o óleo dos lampiões e lamparinas, caiu drasticamente. (1º parágrafo)
O emprego das formas verbais grifadas acima indica, respectivamente,
a) fato anterior a outro também passado e ação repetida.
b) fato terminado e declaração enfática de um fato.
c) ação contínua no passado e fato consumádo.
d) hipótese que pode ser comprovada e declaração prolongada no tempo.
e) ideia aproximada e fato que acontece habitualmente.

Comentário: Veja que o pretérito imperfeito do indicativo ("forneciam") é empregado


quando se quer evidenciar uma ação prolongada no passado, uma regularidade no passado
(v.t. 12.3.2.1); já o verbo, no pretérito perfeito do indicativo, transmite que a ação já acabou,
consumou-se (v.t. 12.3.3.1).
Assim, a alternativa (C) é a correta.
A alternativa (A) está errada, pois "fato anterior a outro também passado" sinalizaria o
tempo pretérito mais-que-perfeito do indicativo. A expressão "ação repetida" tem relação com
regularidade da ação, o que caberia ao pretérito imperfeito do indicativo.
- .
A alternativa (B) está errada; pois "fato terminado" é sinalizado pelo tempo pretérito
perfeito do indicativo. A expressão "declaração enfática de um fato" ocorre com um fato futuro,
mas com verbo no presente. Veja:
Neste ano, passarei no concurso. (futuro do presente do indic~: ;çãó sem ênfase) :-~

Neste a no, passo no concurso. (presente do indiqtivo no Juga; do futuro, denotando ênfase na aç-ª.Q, motivação a algo)
A alternativa (D) está errada, pois "hipótese" 'é marcada pelo futuro do pretérito do
indicativo ou com verbos no modo subjuntivo. Uma "declaração prolongada no tempo" p0de
ser expressa pelo tempo pretérito perfeito composto do indicativo (Tenho estudado bastante)
ou pela locução "vir+ gerúndio" ("Venho estudando bastante"). Os dois processos verbais
mostram um prolongamento da ação desde o passado até o momento atual (v.t. 12.6.1).
A alternativa (E) está errada, pois não há um tempo verbal que transmita uma "ídeía
aproximada". Já o verbo no presente do indicativo transmite uma regularidade, um "fato que
acontece habitualmente".

Gabarito: C

19. A concordância verbal e nominal está inteiramente correta em:


a) Tem sido feito, em todo o planeta, esforços no sentido de preservar os recursos naturais,
muitos dos quais já vem se esgotando.
b) A água, um dos recursos naturais essenciais à vida no planeta, já se mostram escassos
em regiões bastante populosas.
c) A garantia de sobrevivência de nossa espécie deverá basear-se na conscientização
sobre a necessária preservação dos recursos naturais.
264 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC -+breve teoria J Décio Terror Filho

d) O mundo moderno, apesar das pesquisas que se desenvolve atualmente, ainda


dependem dos derivados de petróleo.
e) É sabido de todos as situações que resulta em desastre para o meio ambiente do uso
excessivo de pesticidas agrícolas.

Comentário: Para realizarmos a questão de concordância, basta grifar o verbo e localizar seu
sujeito. Lembre-se de que o sujeito não pode ser antecipado de preposição.
A alternativa (A) está errada, pois a locução verbal" Tem sido feito" deve ser flexionada no
plural, pois seu sujeito é "esforços".
A locução verbal "vem esgotando" é transitiva direta, o pronome "se" é apassivador e o
sujeito paciente é "muitos dos quais", cujo núcleo "muitos" está no plural e leva esta locução
ao pJural.
Para termos certeza de que há pronome apassivador, basta transformarmos a voz passiva
sintética em analítica:
... muitos dos quais já vêm se esgotando. (voz passiva sintética)
... muitos dos quais já vêm sendo esgotados. (voz passiva analítica)
Veja a correção:
Têm sido feitos, em todo o planeta, esforcas no sentido de preservar os recursos naturais,
muitos dos quais já vêm se esgotando.
A alternativa (B) está errada, pois o sujeito "A água" deve levar o verbo "mostram" ao
singular (mostra). Esse verbo é transitivo direto, o pronome "se" é reflexivo (v.t. 2.3) na função
de objeto direto (mostrar a si mesma), o qual é caracterizado pelo predicativo do objeto direto
"escassos". Por isso, esse predicativo deve se flexionar no feminino singular (escassa), pois se
refere ao pronome refJexlyo. "se" e. este retoma "A água".
A palavra "bastante' não se flexfóna por ser um advérbio que intensifica o adjetivo "populosas'.
Veja a correção:
A água. um dos recursos naturais essenciais à vida no planeta, já se mostra escassa em
regiões bastante populosas.
A alternativa (C) é a correta, pois o núcleo do sujeito ("garantia") leva o verbo" deverá basear-
-se' ao singular. Além disso, o adjetivo "necessárii' concorda corretamente com "preservação".
A garantia de sobrevivência de nossa espécie deverá basear-se na conscientização sobre a
necessária preservação dos recursos naturais.
A alternativa (D) está errada, pois o verbo "desenvolve' é transitivo direto. O pronome "se' é
apassivador e seu sujeito paciente é o pronome relativo "que', o qual retoma o substantivo plural
"pesquisas'. Assim, esse verbo deve se flexionar no plural (pesquisas se desenvolvem -7 pesquisas
são desenvolvidas). Além disso, o verbo "dependem' deves~ flexionar no singular, pois seu sujeito
é o termo singular "O mundo modernd'. Veja a correção:

. ~y---....._
O mundo moderno apesar das pesquisas !JJ1lJ se desenvolvem atualmente, ainda depende dos
derivados de petróleo.
Capítulo 21 Prova 7- Tribunal Regional Eleitoral- PR- 2012-
.Técnico Judiciário- Área Administrativa 265

A alternativa (E) está errada, pois a locução verbal da voz passiva "É sabido" deve se
flexionar no plural e no feminino, pois o sujeito paciente é "as situações'. Note que o agente
da passiva "de todos' é precedido da preposição "de" (v.t. 1.4).
as situações são sabidas de todos
sujeito paciente locução verbal + agente da passiva
VOZ paSSIVa

Além disso, o verbo "resulta" tem como sujeito o pronome relativo "que", o qual retoma o
substantivo plural "situações'. Assim, esse verbo deve se flexionar também no plural (situações
que resultam). Veja a correção:

~)r-....
São sabidas de todos as situações~ resultam em desastre para o meio ambiente do uso
excessivo de pesticidas agrícolas.

Gabarito: C

20. A extensão do rio Paraná lhe rendeu o posto de o nono rio mais longo do mundo.
A extensão do rio também foi responsável pelo nome, de origem tupi. Paraná significa
água grande.
O rio Paraná tem sofrido profundos impactos na área ambiental, como a própria navegação,
a pesca predatória e a construção de grandes barragens.
As informações acima se reproduzem em um só período, com respeito ao sentido original,
à clareza, à correção e à lógica, em:
a) O rio Paraná que significa água grande, de origem tupi, tem sofrido profundos impactos
na área ambiental, como a própria navegação, a pesca predatória, e a construção de
grandes barragens que lhe rendeu o posto de o nono rio mais extenso do mundo.
b) A extensão do rio Paraná, onde lhe rendeu o posto de o nono rio mais longo do mundo,
também responsável pelo nome, de origem tupi, em que Paraná significa água grande,
ele tem sofrido profundos impactos na área ambiental, como a própria navegação, a
pesca predatória e a construção de grandes barragens.
c) O rio Paraná, cuja a extensão rendeu o posto de o nono mais extenso do mundo, também
foi responsável pelo nome que, sendo de origem tupi, Paraná significa água grande, e
tem sofrido profundos impactos na ãrea ambiental, como a própria navegação, a pesca
predatória e a construção de grandes barragens.
d) A extensão do rio Paraná também foi responsável pelo nome que tem, de origem tupi,
já que Paraná significa água grande, e o nono rio mais extenso do mundo, mas o rio tem
sofrido profundos impactos na área ambiental, visto que a própria navegação, a pesca·
predatória e a construção de grandes barragens.
e) O rio Paraná, cuja extensão lhe rendeu o posto de o nono rio mais longo do mundo
e é também responsável pelo nome, de origem tupi, que significa água grande, tem
sofrido profundos impactos na área ambiental, em razão da própria navegação, da
pesca predatória e da construção de grandes barragens.
266 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho

Comentário: Esta é a típica questão da FCC que aborda "redação, confronto de frases'. Os
conteúdos de cada frase serão enfatizados em negrito (frase 1), grifado (frase 2), negrito e
grifado (frase 3). A frase 4 não terá destaque. Agora, acompanhe as informações:
7. A extensão do rio Paraná lhe rendeu o posto de o nono rio mais longo do mundo.
2. A extensão do rio também foi responsável pelo nome. de origem tupi.
3. Paraná significa água grande.
4. O rio Paraná tem sofrido profundos impactos na área ambiental, como a própria navegação,
a pesca predatória e a construção de grandes barragens.
A alternativa (A) está errada, pois não foi" a construção das grandes barragens' que rendeu
ao rio Paraná o posto de o nono rio mais extenso do mundo. Veja que o pronome relativo "que",
circulado abaixo, está retomando a expressão "a construção de grandes barragens'; e não "rio
Paraná". Assim, não se manteve o mesmo sentido.
O rio Paraná que significa água grande 1, de origem tupi>, tem sofrido profundos impactos
na área ambiental, como a própria navegação, a pesca predatória, e a construção de grandes
barragenst Slhe rendeu o posto de o nono rio mais extenso do mundo 1•
A alternativa (B) está errada, pois o pronome "onde" está funcionando como sujeito, o que
é incorreto gramaticalmente (v.t.11.7). O ideal é a substituição pelo pronome "que" ou "a qual'.
Além disso, perceba que o pronome "ele" está incorreto, pois o sujeito do verbo "tem sofrido"

A extensão do rio Paraná, e


já está expresso ("A extensão do Rio Paraná").
lhe rendeu o posto de o nono rio mais longo do mundo,
também responsável pelo nome. de origem tupi, em que Paraná significa água grande,@tem
sofrido profundos impactos na área ambiental, como a própria navegação, a pesca predatória e a
construção de grandes barragens.
A alternativa (C) está errada, pois o pronome "cuja" não admite ser seguido de artigo
(v.t. 11.12.5). Assim, devemos retirá-lo. Além desse erro, há vários outros, como:
a) o emprego equivocado do verbo "sendo", o qual inicia uma oração subordinada adverbial
que não cabe neste contexto;
b) emprego de vírgula antes do "e" (v.t. 8.7.7);
c) a oração "Paraná significa água grande" encontra-se numa posição que traz prejuízo à
clareza e à coesão no texto. Note como ela está desconexa.
O rio Paraná,@ extensão rendeu o posto de o nono mais extenso do mundo, também
foi responsável pelo nome quelii!!.!J; de origem tupi,<T!iiiiJá significa água gr"'iiiff.iD@tem
sofrido profundos impactos na área ambiental, como a própria navegação, a pesca predatória
e a construção de grandes barragens.
A alternativa (D) está errada, pois a palavra denotativa "também" só pode ser empregada
em adição de um termo a outro anterior, mas note que este vocábulo está na primeira oração,
o que é incorreto.
Além dessas trocas de segmentos e rupturas da estrutura sintática, que prejudicam a
coesão e a coerência, a expressão" o nono rio mais extenso do mundo" está em adição à oração
Capítulo 21 Prova 7- Tribunal Regional Eleitoral- PR- 2012-
Técnico Judiciário- Área Administrativa 267

"Paraná significa água grande", o que traz prejuízo ao sentido original, pois "o nono rio mais
extenso do mundo" tem relação é com a extensão desse rio, e não com o significado do nome.
A extensão do rio Paraná também foi res onsável elo nome que tem, de origem tupi, já que
Paraná significa água grande, e o nono rio mais extenso do mundo, mas o rio tem sofrido
1
i
profundos impactos na área ambiental, visto que a própria navegação, a pesca predatória e a
construção de grandes barragens.
II A alternativa (E) é a correta. Note que, nesta frase, não há repetição da palavra "Paraná".
Perceba que as orações subordinadas adjetivas explicativas "cuja extensão lhe rendeu o
posto de o nono rio mais longo do mundo" e é também responsável pelo nome. de origem
tllQ!' estão coordenadas entre si. Além disso, note que a oração "que significa água grande"
I caracteriza o substantivo "nome". Assim, esta é a frase correta.
O rio Paraná, cuja extensão lhe rendeu o posto de o nono rio mais longo do mundo 1 e g
também responsável pelo nome. de origem tupi', que significa água grande 3, tem sofrido
I profundos impactos na área ambiental, em razão da própria navegação, da pesca predatória e
da construção de grandes barragen::S.

I Gabarito: E

!
iI Edital do concurso TRE PR 2012
Técnico Judiciário - Área Administrativa
. .#c.

Ortografia oficial. Acentuação gráfica. Flexão· norú'ííí.al~i:"".Verln\1. Pronomes:


emprego, formas de tratamento e colocação. Emprego de tempos e
modos verbais. Vozes do verbo. Concordância nominal e verbal. Regência
nominal e verbal. Ocorrência de crase. Pontuação. Redação (confronto e
reconhecimento de frases corretas e incorretas). Intelecção de texto.

Quadro-resumo das questões com relação ao conteúdo do edital:


Questão 1: Intelecção de texto.
Questão 2: Intelecção de texto.
Questão 3: Intelecção de texto.
Questão 4: Ocorrência de crase.
Questão 5: Regência verbal.
Questão 6: Regência verbal.
Questão 7: Intelecção de texto.
Questão 8: Pronomes: emprego.
Questão 9: Intelecção de texto.
Questão 10: Intelecção de texto.
268 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho

Questão 11: Vozes do verbo.


Questão 12: Pontuação. Intelecção de texto.
Questão 13: Flexão verbal.
Questão 14: Intelecção de texto.
Questão 15: Pronomes: emprego e colocação.
Questão 16: Pontuação.
Questão 17: Valor semântico de conjunção (dentro de Intelecção de I
texto).
l
Questão 18: Emprego de tempos e modos verbais.
Questão 19: Concordância nominal e verbal.
Questão 20: Redação (confronto e reconhecimento de frases corretas e
incorretas).

j_
Assim, podemos eleger uma prioridade de estudo com base nos temas mais
relevantes, ordenando de forma decrescente os temas que mais caem nas 1
provas, da seguin"té'fôrnú:- -
12 Intelecção de texto. (9 ocorrências)
2
2 Regência verbal. (2 ocorrências)
Pontuação. (2 ocorrências) __
Pronomes: emprego e coloca_ção. (2 ocorrências)
Emprego de tempos e modos verbais. (1 ocorrência)
2
6 Flexão verbal. (1 ocorrência)
Concordância nominal e verbal. (1 ocorrência)
Redação (confronto e reconhecimento de frases corretas e
incorretas). (1 ocorrência)
Ocorrência de crase. (1 ocorrência)
Vozes do verbo. (1 ocorrência)
1Ü2 Flexão nominal. (nenhuma ocorrência)
Ortografia oficial. (nenh ~ma. ocorrência) I
I
Acentuação gráfica. (nenhuma ocorrênc"ia)
Regência notninal. (nenhuma ocorrência) \
Pronomes: formas de tratamento. (nenhuma ocorrência)
I
I
269

Prova 8
Tribunal Regional Eleitoral - PR - 2012 -
Analista Judiciário - Área Administrativa

Atencão: As questões de números 1 a 4 referem-se ao texto abaixo.


1 A discussão sobre "centro" e "periferia" no pensamento brasileiro
vincula-se a elaborações que se dão 1n1111 âmbito mais amplo, latino
-americano. O primeiro lows importante onde se procura inte1pretar a relação
entre esses dois polos é a ComiS:São Econômica para a América Latina
5 (CEPAL), criada pouco depois da Segunda Guerra Mundial, em 1947.
É possível encontrar antecedentes a esse tipo de análise na teoria
do imperialismo. No entanto, a elaboração anterior à CEPAL preocupava-se
principalmente com os países capitalistas avançados, interessando-se pelos
países "atrasados" na medida em que deswvolvimentos ocorridos neles
10 . repercutissem para além deles.
Também certos latino-americanos, como o brasileiro Caio Prado ]r.,
o trindadwse Eric Williams e o mge11tino Sé1gio Bagu, haviam chamado
a atenção para a vinculação, desde a colô11ia, da sua região com o
capitalismo mundial. Não chegaram, contudo, a desenvolver tal percepção de
15 maneira mais sistemática.
Já no segtmdo pós-guerra, ganha impulso uma linha de riflexão que
sub!ittha a d[forença entre centro e periferia, ao mesmo tempo que
e11}àtiza a ligação e11tre os dois polos. Na verdade, a maior parte das·
teorias sociais, econômicas e políticas, apesar de terem sido elaboradas
20 de forma ligada às condições particulares dos países desenvolvidos do
Atlântico Norte, as tomava como tmdo validade universal. Assim, o
marxismo, a teoria da modcmização e a economia neoclássica tendiam a
270 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria J Décio Terror Filho

considerar que os 1/lCS//los caminhos seguidos pelas sociedades em qHe


foram formulados terialll que ser trilhados pelo resto do mundo,
"atrasado".
(RICUPERO, Bernardo. "O lugar do centro e da periferia".
In: Agenda brasileira: ternas de urna sociedade em mudança.
André Botelho e Lilia Moritz Schwarcz (orgs.).
São Paulo: Companhia das Letras, 2011. p. 94)

1. No texto, o autor
a) está interessado em caracterizar o pensamento brasileiro no que se refere ao exame
das relações entre "centro" e "periferia", o que não o dispensou de citar linhas
interpretativas do tema que se aproximam desse pensamento e as restrições que faz a
elas.
b) histeria cronologicamente o caminho percorrido pelo pensamento latino-americano
desde o início das discussões sobre "centro" e "periferia" até o momento em que se fixa
na determinação das diferenças entre os dois conceitos.
c) propõe a reformulação de dois conceitos importantes no pensamento brasileiro -o
"centro" e a "periferia"-, tecendo reflexão que admite recuperar as apresentadas nas
últimas décadas por teorias sociais, econômicas e políticas.
d) reconhece o pioneirismo da teoria do imperialismo no que se refere à análise do
diálogo entre "centro" e "periferia", identificando nela a desejável equanimidade no
valor atribuído a cada um dos polos.
e) correlaciona a temàtica do "centro" à da "periferia", e, construindo relação homóloga,
obriga-se a estabelecer também correlação entre o pensamento brasileiro e o latino-
-americano.

Comentário: Aalternativa (A) é a correta, pois real mente se consegue perceber que o autor está
interessado em caracterizar o pensamento brasileiro no que se refere ao exame das relações
entre "çentro" e "periferia". Isso é comprovado na primeira frase do texto ("A discussão sobre
"centro" e "periferia" no pensamento brasileiro vincula-se a elaborações que se dão num
âmbito mais amplo, !atino-americano.").
Além disso, o autor citou linhas de interpretação do tema que se aproximavam desse
pensamento. Isso é comprovado no segundo e terceiro parágrafos, em que o autor cita a" teoria
do imperialismo" e algumas personalidades.
Por fim, podemos perceber que as restrições que o autor faz a essas interpretações estão
nesses dois parágrafos a partir das conjunções coordenativas adversativas "No entantd'
(linha 7) e "contudd' (linha 14). Note que elas iniciam orações que contrastam com as
respectivas informações anteriores.
A alternativa (8) está errada, pois o texto não tem a particularização e especificação de
dados cronológicos (histórico) e também não tem a intenção de fixar a diferença entre estes
dois conceitos: "centro" e "periferia".
t,apnuau L 1 r1 uva o- ,, 1uu"o' IH.•'tf'VliU' ........ ~..... .... . .. __ . _
Analista Judiciário- Área Administrativa L/I

A alternativa (C) está errada, pois o autor não propõe reformulacão dos conceitos de
"centro" e "periferia".
A alternativa (D) está errada, pois se sabe que a teoria do imperialismo é antecedente à
CEPAL, mas daí a afirmar que aquela teoria é pioneira (a primeira) é bem diferente. Além disso,
não se identifica na teoria do imperialismo a equanimidade (igualdade) a cada um dos pelos,
pois um (o "centro") é visto como principal em relação ao outro ("periferia").
A alternativa (E) está errada, pois a construção homóloga nos leva ao entendimento de que
haveria equanimidade entre os pelos, algo já visto na alternativa anterior como errado.

Gabarito: A

2. A única afirmação INCORRETA sobre a forma transcrita do texto é:


a) (linha 2) vincula-se I o tempo e o modo verbais indicam que a ideia é tomada como
verdadeira.
b) (linha 7) preocupava-se /a forma verbal designa que o fato é concebido como contínuo.
c) (linha 8) interessando-se I esse gerúndio, colocado depois do verbo principal
-preocupava-se-, indica uma ação simultânea ou posterior, e pode ser legitimamente
considerado equivalente a "e interessava-se".
d) (linha 10) repercutissem I essa forma subjuntiva enuncia a ação do verbo como eventual.
e) (linha 24) teriam I constitui forma polida de presente, atenuando a ide ia de obrigação
ou dever.

~ncontra-se no presente do.


Comentário: A alternativa (A) está correta, pois o verbo ":vincula"
indicativo. Esse tempo e modo são empregados para determinar realidade (v.t. 12.3.1.3 e 12.2.1).
A alternativa (B) está correta, pois o tempo pretérito imperfeito do modo indicativo
normalmente é usado para transmitir que a ação é regular, contínua no passado. É justamente
o que ocorre na oração "No entanto, a elaboração anterior à CEPA L preocupava-se
principalmente com os países capitalistas avançados... " Essa elaboração anterior à CEPAL ·
não se preocupou em apenas um determinado momento do passado. Durante o tempo em que
estava em vigor, ela mantinha a preocupação com os países capitalistas avançados.
A alternativa (C) está correta, pois o verbo no gerúndio "interessando" pode ser empregado
como ação simultânea à do verbo anterior ou ação posterior como um resultado da ação
anterior. Veja os dois sentidos:
Ações simultâneas (com conjunção aditiva "e")
No entanto, a elaboração anterior à CEPAL preocupava-se principalmente com os países
capitalistas avançados e (ao mesmo tempo) interessava-se pelos países "atrasados" na medida
em que desenvolvimentos ocorridos neles repercutissem para além deles.
Cap
272 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho
Am

Ações subsequentes (com conjunção conclusiva "assim")


Co
No entanto, a elaboração anterior à CEPAL preocuoava-se principalmente com os países art
capitalistas avançados, assim interessava-se pelos países "atrasados" na medida em que
desenvolvimentos ocorridos neles repercutissem para além deles.
Como a conjunção "e" pode ter valor de simples adição (v.t. 3.5) ou até conclusão (v.t. 3.8), a
expressão "e interessava-se" pode preservar tanto a simultaneidade de ações (adição) quanto a
subsequência de ações (conclusão). él
su
A alternativa (D) está correta, pois o tempo pretérito imperfeito do subjuntivo é normalmente
empregado para transmitir possibilidade. eventualidade. incerteza· (v.t. 12.4.2.2). Note que a pa
elaboração anterior à CEPAL interessava-se pelos países atrasados porque estes poderiam, de
alguma forma, beneficiar os países ricos. Isso não é certo de ocorrer, por isso o autor utilizou o si r
verbo no subjuntivo. pc
A alternativa (E) é a errada. O tempo futuro do pretérito do indicativo pode ser usado como Ci
uma forma polida de presente, atenuando a ideia de obrigação ou dever, em situações como
"Você poderia me acompanhar até o segundo andar e então o direcionaria até o gabinete do de
diretor." (v.t.12.3.6.) PE
Mas, no contexto em que aparece na linha 24, o emprego é diferente. Overbo" teriam' é um auxiliar o
er
moda! e faz parte da locução verbal "teriam que (de) ser trilhados', com sentido de necessidade,
obrigação no passado (v.t 12.13.4); e não de atenuação, como ·afirma a alternativa. O futuro do
pretérito do indicativo em "teriam" nos indica uma suposição dessa necessidade (12.3.6.2).. d;

Gabarito: E

p
3. É possível enco~tra; antecedentes a esse tipo de análise na teoria do imperialismo. No
entanto, a elaboração anterior à CEPAL preocupava-se principalmente com os países
capitalistas avançados, interessando-se pelos países ''atrasados" na medida em que
desenvolvimentos ocorridos neles repercutissem para além deles.
Considerado o trecho acima transcrito, é correto afirmar: 4
a) O sinal gráfico indicativo da crase está adequadamente empregado em à CEPAL, mas
se, em vez de Comissão, tivesse sido empregada uma palavra masculina, o padrão culto
escrito abonaria unicamente o emprego de a.
b) A possibilidade referida na frase inicial é descartada, como o comprova o fato de, na
segunda frase, nada mais se abordar do assunto mencionado.
c) Observado que ocorrem aspas em países ''atrasados" e que não são usadas em países
capitalistas avançados, conclui-se que o autor as emprega para relevar seu julgamento
quanto aos países que se defrontam com os países capitalistas avançados.
d) O emprego de principalmente sinaliza que a elaboração anterior à CEPAL tinha sua
atenção dirigida a países com distintos graus de desenvolvimento.
e) A clareza do texto exige o entendimento de que os segmentos os países capitalistas
avançados e (pel)os países "atrasados" são retomados, na última linha, respectivamente,
por deles e neles.
Capítulo 21 Prova 8- Tribunal Regional Eleitoral- PR- 2012-
Analista Judiciário- Área Administrativa 273

Comentário: A alternativa (A) está errada, pois, se no lugar de "Comissão", que é iniciada pelo
artigo "a", houvesse um substantivo masculino, deveria haver a inserção do artigo "o" .
... anterior à Comissão.. .
... anterior ao Grupo.. .
Neste caso, o artigo é obrigatório, porque esse primeiro substantivo da sigla (Comissão)
é caracterizado pelas demais palavras "Econômica para a América Latina". Assim, com um
substantivo masculino, não caberia a eliminação do artigo "o", pois, dessa forma, tal substantivo
passaria a ter valor indefinido, generalizante. Isso não cabe neste contexto.
A alternativa (B) está errada, pois a possibilidade referida na frase inicial não é
simplesmente descartada, o assunto mencionado continua sendo desenvolvido na frase
posterior. Isso é comprovado com o uso dos sinônimos da expressão "a elaboração anterior à
CEPAL" que retoma a expressão "teoria do imperialismo", realizando a continuação do tema.
A alternativa (C) está errada. No contexto, as aspas chamam-nos a atenção quanto à forma
depreciativa como eram vistos os países não desenvolvidos. Isso não quer dizer que o autor
pensa assim, como sugere a alternativa, por meio da expressão "seu julgamento". Além disso,
o verbo "defrontam", nesta alternativa, transmite uma ideia de confrontação, a qual não se
encontra no contexto.
A alternativa (D) é a correta. O advérbio "principalmente" enfatiza a maior preocupação
da elaboração anterior à CEPA Lcom os países capitalistas avançados. Assim, a atenção é dada
aos principais, depois aos demais. Por isso, podemos entender que houve atenção de acordo
com graus distintos de desenvolvimento.
A alternativa (E) está errada, pois os pronomes "neles" e "deles" se referem apenas aos
países "atrasados".

Gabarito: D

4. O texto legitima o seguinte comentário:


a) (linhas 11 a 15) se a caracterização de Caio Prado Jr., Eric Williams e Sérgio Bagu fosse
eliminada, a argumentação não perderia intensidade, pois eles são citados meramente
como exemplos.
b) (linha 13) no segmento da sua região, o pronome remete às regiões indicadas tanto
pelos adjetivos pátrios específicos, quanto pelo adjetivo pátrio que reporta ao processo
de colonização.
c) (linha 14) a expressão tal percepção evidencia que se nega a Caio Prado Jr., Eric
Wil!iams e Sérgio Bagu a categoria de pensadores, dado que não se reconhece alguma
organização intelectual na intuicão que tiveram.
d) (linhas 16 a 18) o segmento ganha impulso uma linha de reflexão que sublinha a
diferença entre centro e periferia, ao mesmo tempo que enfatiza a ligação entre os dois
polos exprime a evolução simultânea de duas ações opostas, uma de desvalorização,
outra de valorização.
274 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria 1 Décio Terror Filho

e) (linha 18) A expressão Na verdade introduz esclarecimento acerca das teorias citadas,
indicando com precisão que elas se preocupam com a universalidade, e não exatamente
com a questão do centro e da periferia.

Comentário: Aalternativa (A) está errada. Note a sutileza desta afirmação: "se a caracterização
de Caio Prado Jr., Eric Wi!liams e Sérgio Bagu fosse eliminada, a argumentação não perderia
intensidade". Não se fez referência à incoerência ou erro de argumentação, mas simplesmente
à perda de intensidade. Assim, a exclusão das características "certos latino-americanos",
"brasileiro", "trindadense" e "argentino" naturalmente faria a argumentação perder força,
principalmente porque são percepções de personalidades de países não desenvolvidos~ em
contraposição à teoria do imperialismo, que se preocupava sobremaneira com os países
capitalistas avançados.
Além disso, os nomes das personalidades não foram citados como meros exemplos. Eles
são importantes na argumentação.
A alternativa (B) é a correta. Para perceber com mais facilidade, vamos à sintaxe. Observe
que a informação principal é "Também certos latino-americanos(.. .) haviam chamado a
atenção para a vinculação, desde a colônica, da sua região com o capitalismo mundial."
Assim, é mais fácil perceber que o pronome "sua" refere-se a "latino-americanos"
(vinculação da região latino-americana com o capitalismo mundial).
Note que a expressão "certos latino-americanos" é exemplificada com a enumeração
"como o brasileiro Caio Prado ir., o tríndadense Eríc Wílliams e o argentino Sérgio Bagu". Assim,
o pronome "sua" também faz referência a esses termos enumerados. Por isso, está correta a
afirmativa de que "o pronome ("sua") remete às regiões indicadas tanto pelos adjetivos pátrios
específicos ("brasileiro", "trindadense" e "argentino"), quanto pelo adjetivo pátrio que reporta
ao processo de colonização ("!atino-americanos')".
A alternativa (C) está errada, pois a expressão "não se reconhece alguma organização
intelectual' possui a palavra categórica "alguma" (v.t.13.4), a qual nega por completo qualquer
organização intelectual na intuição que tiveram. Para reforçar que isso é errado, na linha 15 do
texto, o advérbio "mais" é um vestígio de que tal percepção ocorreu de maneira sistemática,
porém não foi tão aprofundada. Isso reforça que houve, sim, organização intelectual.
A alternativa (D) está errada, pois a ação de sublinhar a diferença entre centro e periferia
e a de enfatizar a ligação entre os dois polos certamente não se constituem em oposição
(desva Iorização/va loriza çã o).
A alternativa (E) está errada, pois a expressão "Na verdade" inicia segmento que deixa
claro que as teorias sociais, econômicas e políticas foram elaboradas com o propósito de se
ligarem às condições particulares dos países desenvolvidos do Atlântico Norte e acabaram
sendo tomadas com validade universal. Isso vai contra a afirmação do segundo trecho da
alternativa: "indicando com precisão que elas se preocupam com a universalidade; e não
exatamente com a questão do centro e da periferia".

Gabarito: B
Capítulo 21 Prova 8- Tribunal Regional Eleitoral- PR- 2012-
Analista Judiciário- Área Administrativa 275

Atenção: As questões de números 5 a 11 referem-se ao texto abaixo~

1 Há 40 anos, a mais célebre crítica de cinema dos Estados Unidos,


Paulíne Kael (1919-200 1), publicava seu art(ç;o mais famoso. Era urrz
detalhado estudo sobre "Cidadão Kane" (1941), espertamente intitulado
"Raising Kane" (trocadilho com a expressão "to raise Cain", que significa
5 algo como "gerar reações itiflamadas").
No texto - que integra a coletânea "Criando Kane e Outros Ensaios",
publicada no Brasil em 2000 -, Paulíne difendia que o roteirista Herman].
i'vfankiewicz era a força criativa por trás do filme, mais importante até que o
diretor, Orson Welles (1915-85). Ela queria fazer justiça a J\1atikiewicz, que
1O caíra em esquecimento, enquanto vVelles entrara para a história com a reputação
de gênio malditoJrequentemente reivindicando para si as principais qualidades
de "Kane" e a coautoria do roteiro - embora Paulíne jurasse que vVelles não
escrevera nem sequer unza linha do script.
Independentemente do quanto de justiça e veracidade "Raising
15 Kane" trazia (o artigo foi bastante contestado tza época), surgem agora
evidências de que a própri~ Pauline atuou de modo tão pouco ético como
ela awsava vVelles de ter a,ç;ido. A crítica teria baseado o seu artigo nos
estudos realizados por outra pessoa - Howard Suber, pesquisador da UCLA
(Universidade da Cat16rnia, em Los An,r;eles]~·-que colaborou com Pauline,
20 · mas que, por fim, não foi sequer mencionado no texto final.
(Bruno Ghctti. "Méritos de Pau/ine: J retrato de uma crítica". Folha de S. Pai•lo,
ilt1stríssima, cinema, domingo, 11 de dez. de 2011. p. 6)

5. No excerto, o autor, crítico de cinema,


a) resguarda-se de julgar o mérito do artigo de Pauline Kae!sob're."Cidadão Kane", não
sem, entretanto, atribuir à crítica a malícia de p~ovoc~r com ê'le afervorados movimentos
de opinião.
b) dá ciência do comportamento de Pauline Kae/, há décadas, quando escreveu sobre
Orson Welfes, e legitima tanto a defesa que ela fazia do roteirista Herman J. Mankiewicz,
quanto a reputação de gênio maldito de que o diretor gozava.
c) faz referência a dados biográficos e a específico artigo de Pau fine Kae!, também crítica
de cinema, com o objetivo de produzir um tributo à trajetória da americana.
d) esquadrinha a composição de coletânea sobre específica criação de Orson We!les, em
que se inclui célebre artigo de crítica de cinema americana.
e) faz reparo, em função de direito suposto, a atitude de Pauline Kael, considerando-a
comportamento antiético e apenável.
r
276 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho

Comentário: Primeiramente, vamos comentar todas as alternativas erradas, para, em seguida,


percebermos a correta.
A alternativa (B) está errada, pois o texto afirma que Pauline Kael defendia que o roteirista I
Herman J. Mankiewicz era a força criativa por trás do filme. O, texto não menciona que i
Pauline teria escrito sobre Orson Welles. Além disso, a segunda afirmação da alternativa está
equivocada, pois Pauline legitima a defesa do roteirista, mas acusa Orson Welles de ter agido
l
de maneira pouco ética.
A alternativa (C) está errada, pois o objetivo do texto não foi produzir um tributo
(homenagem) à trajetória da americana. Perceba que a expressão "surgem agora evidências
de que a própria Pauline atuou de modo tão pouco ético como ela acusava Wel!es de ter agido"
deprecia a crítica Pauline, mesmo não sendo e2se.o objetivo principal do texto.
A alternativa (D) está errada, pois o verbo "esquadrinha" significa esmiuçar, detalhar; mas
claramente percebemos que este texto de Bruno Ghetti não detalhou as composições de Orson
Welles. A banca quis induzir o candidato ao erro, pois "detalhado" foi o estudo de Pauline sobre
"Cidadão Kane", conforme linhas 2 e 3 do texto.
A alternativa (E) está errada, pois faz subentender que o autor condena explicitamente a
atitude de Pauline e este supostamente corrige tal erro, mas vimos que o autor apenas.relata,
·no final do texto, a conduta pouco ética da crítica.
Assim, a alternativa correta é a (A), pois já vimos que o autor não condena, não julga
atitudes, pois o texto é expositivo, ele faz sa)Jer por meio de seu texto. Por isso, está correto
· afirmar que o autor do texto "re~guarda-se de julgar o mérito do artigo de Pauline Kael sobre
'Cidadão Kane"'_(não ju]ga).
Mas percebemos que o autor, noparágrafo final, não deixa de relatar o comportamento
pouco ético de Pauline.e que ?e.l.l. t~xto fora contestado: "o artigo foi bçstante contestado
na época'~ Isso confirma ·a ·segunda parte da alternativa (A): "não sem, entretanto, atribuir à
crítica a malícia de provocar co.m ele afervorados movimentos de opinião".

Gabarito: A

6. Ela queria fazer justiça a Mankiewicz, que caíra em esquecimento, enquanto


Welles entrara para a história com a reputação de gênio maldito, frequentemente
reivindicando para si as principais qualidades de "Kane" e a coautoria do roteiro-
embora Pauline jurasse que Wel/es não escrevera nem sequer uma linha do script.
Outra redação para o tr~cho destacado, que preserva o sentido e a correção originais, é:
a) apesar da crítica Pauline jurar que Welles não escrevia pelo menos uma linha do script.
b) apesar de Pauline negar a Welles o mérito de escrever mais do que uma linha do script.
c) na o obstante Pauline jurava que Welles não tinha escrito nem sequer uma linha do script.
d) a despeito de Pauline jurar que Welles não tinha escrito nem ao menos uma linha do script.
e) mesmo tendo sabido que Pauline jurou: "Welles não escreve ainda que seja uma linha
do script".
Capítulo 21 Prova 8- Tribunal Regional Eleitoral- PR- 2012-
Analista Judiciário- Área Administrativa
277

Comentário: A oração subordinada adverbial concessiva "embora Pauline jurasse que We//es
não escrevera nem sequer uma linha do script" mostra que, apesar de Welles ter entrado para
a história, Pauline ratifica que ele não escrevera nem uma linha do script.
Na álternativa (A), além da mudança de sentido provocada pelo verbo "escrevia" (pretérito
imperfeito do indicativo), não pode haver sujeito com núcleo preposicionado. Assim, a
contração "apesar da", que inicia a oração reduzida de infinitivo "apesar da crítica Pauline
jurai', deve ser desfeita: "apesar de a crítica Pauline jurai'.
A alternativa (B) está errada, pois a nova redação transmite uma mudança de sentido:
"apesar de Pauline negar a Wel!es o mérito de escrever mais do que uma linha do scripf'.
Assim, admite pelo menos uma linha do script.
A alternativa (C) está errada, pois o verbo "jurava" encontra-se no pretérito imperfeito do
indicativo, mas ele deveria estar conjugado no pretérito imperfeito do subjuntivo "jurasse".
A alternativa (D) é a correta, pois a locução prepositiva "a despeito de" mantém o sentido
adverbial concessivo e inicia uma oração reduzida de infinitivo "a despeito de Pauline jurar
que Welles não tinha escrito nem ao menos uma linha do script." Assim, mantêm-se o sentido
e a correção gramatical.
A alternativa (E) está errada, pois a estrutura mudou por completo, com a citação entre
aspas, pois passou a haver a .afirmação de que Welles não teria por hábito escrever nada, nem
mesmo script, sentido bem diferente do texto.

Gabarito: D

7. Há 40 anos, a mais célebre crítica de cinema dos Estados Unidos, Pau fine Kae/ (1919-
2001), publicava seu artigo mais famoso.
Considerado o acima transcrito, é correto afirmar:
a) A forma verbal publicava foi empregada para denotar uma ação passada habitual ou
repetida.
b) Se em vez de Há 40 anos fosse outra a formulação, esta estaria correta: "Devem fazer
uns 40 anos".
c) Na frase, há duas informações prestadas de modo subentendido.
d) Se Há 40 anos fosse deslocado para o fim da frase, não haveria alteração de sentido,
pois o contexto não contém contraponto que justificasse ter sido dado relevo ao
segmento por meio de sua colocação no início do enunciado.
e) Considerados (I) a mais célebre crítica de cinema dos Estados Unidos e (li) seu artigo
mais famoso, a ausência, em 11, do determinante destacado em I sinaliza que, numa dada
escala, I ocupa lugar significativamente mais elevado do que o lugar ocupado por 11.

Comentário: A alternativa (A) está errada. Vale lembrar que o pretérito imperfeito do indicativo
normalmente denota ação habitual no passado {v.t. 12.3.2.1). Porém, neste contexto, tal tempo
verbal está sendo usado com outra intenção, pois a expressão de tempo" Há 40 anos" marca
278 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria I Décio Terror Filho

um momento do passado. Assim, a ação de publicar foi executada naquele momento, não
continuou no tempo passado e ela não se repetiu. Tanto assim, que este tempo verbal (pretérito
imperfeito do indicativo) poderia ser substituído pelo pretérito perfeito do indicativo:
Há 40 anos, a mais célebre crítica de cinema dos Estados Unidos, Pauline Kael (1919-2001),
publicou seu artigo mais famoso.
O motivo do uso do tempo pretérito imperfeito do indicativo ("publicava") é estilístico,
transmitindo a sensação de que essa ação vem sendo lembrada ao longo do tempo.
A alternativa (B) está errada, pois o verbo "Fazer" está sendo empregado com sentido de
tempo decorrido. Ele é impessoal, isto é, não temsujeito e não pode se flexionar no plural. Da
mesma forma, quando há locução verbal com este verbo sendo o principal, o auxiliar deve se
flexionar no singular: "Deve fazer uns 40 anos'' (v.t. 7.3.3).
A alternativa (C) é a correta. Esta alternativa trabalha os vestígios que nos apontam
informações não explícitas (subentendidas) (v.t. 13.2). O vestígio é o advérbio de intensidade
"mais'' nas duas ocorrências.
Na expressão" mais célebre crítica de cinema dos Estados Unidos', está explícito que ela
se sobressaiu a outros como crítica, e isso nos faz subentender que há nos Estados Unidos
outros célebres críticos de cinema.
Na expressão "seu artigo mais famoso" está explícito que foi publicado o artigo de maior
relevância de sua autoria, e o advérbio "mais" nos faz subentender que Pauline possuía outros
famosos artigos de sua autoria sobre cinema.
Vale lembrar que os números entre parênteses não apenas sugerem, mas explicitam o ano
de nascimento e o de morte da autora. Assim, são dados explícitos.
A alternativa (D) está errada. Observe que não foi afirmado se haveria ou não uma vírgula
antes da estrutura adverbial temporal "há 40 anos". Isso faria muita diferença e veremos a seguir.
A expressão "Há 40 anos" está ligada ao verbo "publicava" (publicava há 40 anos). Com
a mudança de posição para o final do período (sem vírgula), ha~teria mudança de sentido, pois
esta expressão poderia ter vínculo com o adjetivo "famoso", o qual é intensificado pelo advérbio
"mais". Assim, poderíamos ter o entendimento de que não se sabe quando foi publicado, mas
o artigo é o mais famoso há 40 anos. Compare:
Há 40 anos, a mais célebre crítica de cinema dos Estados Unidos, Pauline Kael (1919-2001),
publicava seu artigo mais famoso. {publicado há 40 anos)
A mais célebre crítica de cinema dos Estados Unidos, Pauline Kael (1919-2001), publicava seu
artigo mais famoso, há 40 anos. {publicado há 40 anos)
A mais célebre crítica de cinema dos Estados Unidos, Pauline Kael (1919-2007), publicava seu
artigo mais famoso há 40 anos. {mais famoso há 40 anos)
Como a banca não comentou sobre o uso da vírgula, podemos interpretar com sentido
diferente. Por isso, há erro na afirmativa.
A alternativa (E) está errada. A afirmação está truncada e nos faz ter muito cuidado ao
analisá-la. Foi afirmado que a ausência do determinante (artigo "a") em "seu artigo mais
famoso" sinaliza que o trecho I (a mais célebre crítica de cinema dos Estados Unidos) é mais
importante que o trecho 11 (seu artigo mais famoso).
~;ap1tu1o "1.11-'rova 8- Tribunal Regional Eleitoral- PR- 2012-
Analista Judiciário- Área Administrativa 279

Primeiramente, observe que o trecho I é o sujeito e o trecho !I é o objeto direto. O artigo


"a" e o advérbio "mais" dão destaque à crítica entre outros críticos. Já o segundo trecho não
possui o artigo "o", não porque ele seja menos importante, mas simplesmente porque nele há
o pronome possessivo "seu", o qual admite ser antecipado facultativamente pelo artigo "o", e··
não "a". Assim, a inserção ou não do artigo "o" não faria mudança de sentido.

Gabarito: C

8. Considerado o segundo parágrafo, é correto afirmar:


a) (linha 7) O padrão culto escrito legitima tanto a forma defendia que, como a forma
"defendia de que".
b) (linha 8) O emprego de até denota que, considerada uma gradação, se tem a expectativa
de que a força criativa de maior grandeza seja a do diretor do filme.
c) (linha 9) Substituindo Ela queria fazer por" Ela tensionava fazer", o sentido e a correção
originais estariam preservados.
d) (linha 10) A expressão entrara para a história estaria corretamente substituída por "passou
a figurar no conjunto de conhecimentos relativos ao passado do cinema e sua evolução".
e) (linha 11) A ideia negativa presente na caracterização de gênio (gênio maldito) está
também marcada n.a palavra reputação.

Comentário: A alternativa (A) está err.ada, pois o verb.o'"defendia",no contexto em que se


encontra, só pode ser transitivo direto. Assim, não a.dmite il preposiçã~-"de".
Aalternativa (B) é a correta. Vamos reler a parte mais importante da primeira frase do parágrafo:
"No texto(. .. ) Pauline defendia que o roteirista Herman 1. Mankiewicz era a força criativa por
trás do filme, mais importante até que o diretor, Orson Wel!es"
A palavra denotativa de inclusão "até" (=inclusive) (v.t. 1.7.5) é um vestígio que nos faz
subentender que seria natural um diretor ser o mais importante do filme, mas, na opinião da
crítica Pauline, foi o roteirista Herman J. Mankiewicz.
Sem a palavra denotativa "até", não haveria ênfase de que seria normal o diretor ser o mais
importante. Compare:
"No texto(.. .) Pauline defendia que o roteirista Herman 1 Mankiewicz era a força criativa por
trás do filme, mais importante até que o diretor, Orson Wel!es" (subentende-se e enfatiza·se que seria
normal o diretor ser o mais importante, mas não é)

"No texto (.. .) Pauline defendia que o roteirista Herman 1 Mankiewicz era a força criativa por
trás do filme, mais importante que o diretor, Orson Wel!es" (não há ênfase, apenas e informado que o
roteirista é o mais importante)

A alternativa (C) está errada, pois a grafia correta deve ser "tencionava".
A alternativa (D) está errada. Note que, contextualmente, "entrar para a história" (do
cinema) é o mesmo que passar "a figurar no conjunto de conhecimentos relativos ao passado
do cinema e sua evolução". Mas o problema é a simultaneidade expressa pelos verbos "caíra"
280 Resoluções de Provas de Português- Banca FCC- +breve teoria \ Décio Terror Filho c
A
e "entrara", os quais estão sendo empregados no pretérito mais-que-perfeito do indicativo
{passado do passado) {v.t. 12.3.4.1), tendo em vista se distinguirem do tempo pretérito
imperfeito do indicativo "queria" {v.t. 12.11.16), o qual é um passado mais próximo do presente.
Além disso, a conjunção temporal "enquanto" confirma essa simultaneidade.
r
I
c
o
a
Ao utilizarmos o verbo "passou'' no pretérito perfeito do indicativo, automaticamente,
I' u
q
exclui-se a simultaneidade, que é exigida pela conjunção "enquanto" {as duas ações ao
I
'r l
mesmo tempo). Assim, passaríamos a um desnível temporal {primeiro Mankiewicz caíra i'
em esquecimento, depois Welles passou a figurar. .. ). Isso não é admitido pela conjunção
"enquanto". Veja a forma original. l v