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Resumo

El relato cinematográfico

Relato, narração, relação palavra-imagem, ponto de vista, temporalidade.

O cinema é uma forma de narrar estórias e histórias.

Narratologia e cine

O cinema é um suporte (técnico) para narrar histórias.
Este suporte tem suas características próprias.

4. Um percursos: Albert Laffay
Todo relato cinematográfico tem uma trama lógica, é uma espécie de discurso.
É ordenado por um “mostrador de imagens”, “um grande imaginador”.
O cine narra e, por sua vez, representa, contrariamente ao mundo, que simplesmente
é. (p.22)


1. Cinema e relato (p.25)

O relato é uma “ relação oral ou escrita de um acontecimento real ou imaginário”.

Há cinco critérios de reconhecimento de um relato:

1.1. Um relato tem um início e um final
....inclusive quando um filme se propõe explicitamente a narrar algumas horas
extraídas da vida de um homem, a organização de esta duração obedece a uma
ordem, que supõe ao menos um ponto de partida e um final, e que dificilmente abarca
a organização da nossa vida real. (p.26)

1.2 O relato é uma sequencia duplamente temporal
Todo relato coloca em joga duas temporalidades: por uma parte, a da coisa narrada;
por outra parte, a que deriva do ato narrado em si. Segundo Metz, convém, pois,
distinguir a “sucessão mais ou menos cronológica dos acontecimentos”e “a sequência
de significantes que o usuário demora certo tempo para recorrer: tempo de leitura,
para um relato literário, tempo de visão, para um relato cinematográfico”. (p.27)

No relato há narração (implica mostrar ação) e descrição. (p.27)

1.3 Toda narração é um discurso (p.28)

A narração é um discurso, uma série de enunciados, que remete necessariamente a
um sujeito da enunciação. Nem todo discurso narra, também falamos para
argumentar, demonstrar, ensinar, etc.

1.4 A percepção do relato “irrealiza” a coisa narrada
A partir do momento que estamos tratando com um relato, sei que não é a realidade.
Segundo Metz, o espectador não confunde o relato com a realidade, porque nao
estão, como eles, aqui e agora. (p.29/30)

1.5 Um relato é um conjunto de acontecimentos

O relato é um discurso fechado, no qual o acontecimento é a “unidade fundamental”.

A imagem cinematográfica corresponde mais a um enunciado do que a um palavra.

O relato é um discurso fechado que vem a irrealizar uma sequência temporal de
acontecimentos. (p.29).


O nascimento do relato cinematográfico

Até mais ou menos 1900, a maior parte dos filmes eram unipontuais, já que a duravam
de um a dois minutos e geralmente abrigavam solo um plano, somente uma unidade
espaço-tempo.

Os filmes como os dos irmãos Lumiere nao eram mais do que a “rodagem” de uma ação
relativamente simples e unitária apresentada mediante um só plano (p.32).


Narrar e mostrar

Narração: um discurso no qual localizamos a um narrador, que, por sua vez, nos
proporciona informações sobre os sucessivos estados dos personagens, numa
determinada ordem, com um vocabulário escolhido, e que nos transmite seu ponto de
vista.

Mostrar: elimina o narrador do processo de comunicação, e reúne num mesmo terreno
aos diversos componentes do relato. Este é o modo de representação que Platão
chamou de “mimético”.


O cinema sonoro: um relato duplo (p.36)

A imagem e a palavra, levam, pois, dois relatos que se mesclam profusamente.

Montagem polifônico (Eiseinstein): uma montagem na qual cada plano está ligado ao
seguinte não somente por uma simples indicação, um movimento, uma diferença de
tom, uma etapa de evolução do sujeito ou qualquer coisa de esta índole, mas pela sua
progressão simultânea, de uma série de múltiplas linhas, cada uma das quais conserva
uma ordem de construção independente, pese a ser inseparável da ordem geral da
composição da totalidade da sequência”. Se estendemos esta concepção ao complexo
audiovisual, podemos considerar que as cinco matérias de expressão (imagens, ruídos,
diálogos, textos escritos, música) tocam, como as diferentes partes de uma orquestra,
ora ao uníssono, ora em contraponto, ora como em fuga, etc. (p.38)

O cinema pode converter-se em um duplo relato, ao utilizar uma narrativa imagética
e outra sonora, na mesma sequência ou plano.


O que é um relato de ficção?

A atitude documentalizante anima, pois, ao espectador a considerar o objeto
representado como um “haver estado aí”, recolhendo assim a expressão de Roland
Barthes a propósito da fotografia (Barthes, 1964: 47).

...a ficção é a primeira que nos anima a ir ao cinema, nos anima a considerar


Realidade fílmica e diegese

A realidade afílmica, ou seja, a realidade “que existe no mundo cotidiano, independente
de toda relação com a arte da filmagem” (Souriau, 1953, p.7) é mais ou menos
verificável, enquanto o mundo da ficção é um mundo parcialmente mental, que possui
suas próprias leis.

Diegese: tudo que pertence, dentro da inteligibilidade da história relatada, ao mundo
proposto ou suposto pela ficção (Souriau, 1953: 7)

História: a série cronológica dos acontecimentos relatados
Relato: a maneira de relatar a história

Colocar os acontecimentos em ordem, inclusive cronológica, vai acompanhado de todo
um trabalho sobre a temporalidade (cortar, saltar, juntar) que introduzi uma lógica
distinta a do simples transcurso do tempo referencial. (p.43)


Capítulo 2: Enunciação e narração

Enunciação: designa as relações que se tecem entre o enunciado e os diferentes
elementos constitutivos do quadro enunciativo, que são: 1) os protagonistas do discurso
(emissor e destinatário); 2) a situação de comunicação.

Em um sentido restringido, a enunciação emite às “marcas linguísticas da presença do
locutor no seio do enunciado”.




Segunda aproximação narratológica: das instâncias narrativas ao filme
O cinema se acentua porque utiliza cinco matérias de expressão: as imagens, os ruídos,
as palavras, os texto escritos e a música; e de que se trata de um duplo relato.

.....el relato cinematográfico também é particularmente proclive a juntar uma grande
variedade de discursos, de planos de enunciação, e finalmente uma grande variedade
de pontos de vista, que podem, eventualmente, entrelaçar-se.

Quem narra o filme?
O processo fílmico implica vários níveis, o primeiro deles é resultado do trabalho
conjunto da “posta em cena” e do enquadre, e se limitaria ao que chamamos de
“mostracão”.

O segundo nível equivale à narração.....de esta atividade de encadeamento que é a
montagem emanaria este processo ao que terminaram, em um segundo tempo, por
dedicar-se os cineastas para relatar suas histórias.

Para Odin, o consumidor do relato cinematográfico de ficcao, denominado de “actante
leitor” é chamado a efetuar, de maneira relativamente imperativa, uma face de
determinacoes ficcionalizantes, identificáveis com as sete operacoes:

1) figurativizacao (Reconhecimento de signos analógicos);
2) A diegetizacao (construcao de um mundo);
3) A narrativizacao (producao de um relato);
4) A mostracao (designacao como real do mundo mostrado);
5) A crenca (reconhecimento do estado ficcionalizante do enunciador);
6) A fictizacao (reconhecimento do estado ficcionalizante do enunciador).


Capítulo 3: A palabra e a imagen

La continuidad narrativa de la mostración en un solo plano, obtenida con relativa
facilidad se vio pronto amenazada por la llegada de multiciplicidad de planos. Cada
cambio de plano, cada “hiato de la cámara”, amenazaba efectivamente con romper el
hilo del relato, con provocar una rasgadura en su tejido y, al hacerlo, con ceder al
espectador una participación demasiado grande en la interpretación: la incompresión.
Y es que en cada articulación entre un plano y otro subyace en cierto modo una
“consigna de lectura” (Odin, 1983) que el espectador debe conseguir descodificar: tal
corte debe interpretarse como una elipsis, así como su comprensión por parte del
espectador, no estaban implícitos. Eran objeto de un aprendizaje.

Los intertítulos del cine mudo datam de 1903.
Nos inícios do cinema havia um “apresentador”, um explicador dos filmes, ao vivo.

Com os títulos, o filme adquiria um valor ideológico que a imagen sozinha não podía
vehicular. Efetivamente, é ilusório acreditar que as imagens, por mais que sejam
animadas, falam por si mesmas: mostram coisas, afirmam, mas não é fácil qe levem
gravadas a opinião de quem as produziu. Gracias ao rótulo, se pode influir na recepcao
do filme de um modo controlado e unívoco.

Lo menos que se puede decir es que el rótulo resume intensamente la secuencia de
supuestas acciones. La frase permite acelerar la temporalidad representada por la
mostración y darle un sentido nuevo, sentido que el espectador difícilmente habría
podido reconstruir gracias sólo a la imagen. (p.76)

No início do cinema, a construcao de sentido, todos os códigos ainda era um mistério
para os espectador. Assim, os títulos davam o nivel adequado de interpretacao.

A palavra aporta as seguintes informacoes:


Efeitos lingüísticos
1) Guía o espectador entre os distintos significados possíveis de uma acao
representada visualmente. Isto é a ancoragem;
2) Dá um sentido ideológico; dá consignas ao espectador para que este interprete
o que está vendo de uma forma ou outra;
3) Nomeia o que a imagen nao pode mostrar: os lugares, o tempo, os personajes;
4) Agrega à narracao a possibilidade de um discurso direto mediante a transmissao
de réplicas de um personagem.

Efeitos narrativos
1) ajuda a construir a história. As informacoes verbais contribuem a construir o
mundo diegético, situando as imagens que vemos no tempo e no espaco,
construindo os caracteres dos personagens, nomeando-os, nos oferecem o
quadro de interpretacao dentro do qual a história se desenvolve ante nossos
olhos e se faz verossimil.
2) Resumen acoes que nao vemos
3) Modificam a orem temporal
4) Interrompem a progressao do relato visual


Já pelos anos 1920 se advogava a necessidade de reducir o uso de intertítulos.


A voz e a imagen
A gravacao vai permitir recuperar a simultaneidade da palavra e da imagen e
operar um controle perfeito sobre o texto das replicas ou comentarios. Assim, o
duplo relato adquirirá seu atentico sentido, dado que será possível contar duas
coisas por vez de uma forma absolutamente concomitante.

Escuta acusmática: escutamos uma voz sem ver de onde procede
Relacao homodiegética: certeza de que o personagem é o narrador
Narrador heterodiegético: nenhuma das vozes dos personagens é a do narrador

Voz in: la voz que se pronuncia en el propio campo
Voz off: voz da personagem fora do enquadre que, sem duvida, está no espaco
ao lado.
Voz over: certos enunciados orais veiculam qualquer porcao do relato ,
pronunciados por um locutor invisivel, situado no espaco e no tempo que nao
sejam os que se apresentam simultáneamente às imagens que vemos na tela.

A mudanca de vozes

1. Voz over do narrador e voz in de distintos personagens

2. Narracao em voz over e diálogos intercalados

3. Narracao em voz over e mutilacao do dialogo

4. Duas vozes para um corpo

5. Uma voz para dois corpos



4. O espaco do relato cinematográfico

Em um relato fílmico, o espaço está quase constantemente presente, está quase
constantemente representado. Consequentemente, as informações narrativas relativas
às coordenadas espaciais, seja qual for o enquadre privilegiado, aparecem por todas as
partes.

Espaco profílmico: tudo que se encontra em frente à câmera, que é o campo, delimitado
pelo enquadre da câmera, o espaço de filmagem.

O espaço não representado X espaço representado
Campo: tudo aquilo que o olho vê na tela
Fora de campo: um espaço que suscita uma série de questões por sua ausência

O fora de campo
Se o campo é a dimensão e a medida espacial do enquadre, o fora de campo é a sua
medida temporal, e não só de forma figurada: os efeitos do fora de campo se
desenvolvem no tempo. O fora de campo como lugar do potencial, do virtual, ainda que
também da desaparição e do desvanecimento: lugar do futuro e do passado, muito
antes de ser o do presente.

Campo: medida espacial do enquadre
Fora de campo: medida temporal

Boa parte do potencial narrativo do cinema está no jogo entre o campo e o fora de
campo.

O “campo” vazio coloca toda a atenção no fora de campo. Mesmo sem ser visto, passa
a ser o cenário principal da ação.
Os diferentes tipos de relações espaciais
A linguagem do cinema é uma linguagem da ordem espacial e temporal.

1. A identidade espacial
Ocorre quando o corte do plano anterior é seguido por um detalhe deste mesmo
plano no plano posterior.


Sao vários os elementos que podem dar continuidade (raccord) ao filme: o olhar, o
movimento, a direção, etc.







Filme: https://www.youtube.com/watch?v=pBltN1lTD2U