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5.

SERVIÇOS PÚBLICOS

Serviço público é uma comodidade ou utilidade material, prestada à sociedade de forma


continua (SUBSTRATO MATERIAL), sob o regime de Direito Público (TRATO FORMAL) e prestado
pelo Estado (de forma direta ou indireta).

Art. 175, CF/88

-Serviço “uti singuli”(é possível mensurar quem usa, custeado por taxas ou tarifas)
-Serviço “uti universo”(gerais,não mensurável, usufruído por todos, custeado por impostos)
CONCESSÃO: A Administração contrata uma empresa para prestar um serviço, e o usuário irá

remunerá-la. Ex: transporte público


NÃO CONFUNDA COM CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PURO E SIMPLES, no qual a
Administração irá remunerar a empresa.
Fontes alternativas de Receita.

- CONCESSÃO SIMPLES ou PRECEDIDA DE OBRA: a concorrência é modalidade obrigatória de


licitação.
Concedente – Poder Publico // Concessionária – Pessoa jurídica ou Consorcio de empresa
Não se celebram contratos de concessão com Pessoas fisicas!
Rescisão unilateral do Contrato pela Administração: inadimplemento(caducidade) ou motivo
interesse publico (encampação)
Intervenção: havendo indicios de irregularidade, a Administração pode por Decreto(ato do
Chefe do Executivo) determinar a intervenção da empresa concessionaria, afastando-se o
dirigente da empresa e substituindo-o por um agente público, chamado de interventor, no qual
ficara responsavel por gerir a empresa durante o periodo de intervenção.
Em no máximo 30 dias será instaurado o Processo Administrativo para apurar irregularidades,
devendo ser concluido em no maximo 180 dias.
Reversão de Bens: (não se confunde com ocupação temporária de bens) transferencia de
propriedade, mediante indenização.
Delegação à particulares(L11079/04): PARCERIAS PUBLICO PRIVADAS (PPP) – dividida em:
Concessão patrocinada e Concessão administrativa. Regras: devem ser celebradas por prazo
min.5 e max.35 anos; valor minimo R$20 milhoes; o Objeto deve ser Prestação de Serviço
Publico. Compartilhamento de riscos (responsabilidade solidária) e compartilham-se os ganhos
que decorram da redução do riscos. As controversias podem ser solucionadas por meio de
arbitragem: não se submete a ordem cronologica ao pagamento de precatórios.

PERMISSÃO: ato unilateral, discricionário e precário (Art. 40, L8987). Tem natureza
contratual(adesão).

Para

CONCESSÃO, a lei exige Autorização legislativa. A Permissão não necessita de uma lei especifica
autorizadora.

Enquanto a AUTORIZAÇÃO é feita no interesse do particular (ex: José e Ana querem casar na
praia); a PERMISSÃO é feita no interesse publico (Ex: José quer vender artesanato na praia).

CONSORCIOS PÚBLICOS: Lei n 11.107/2005 e regulamentados pelo Decreto 6.017/2007


-É uma gestão associada de pessoas de Direito Público (entes federativos: U, E, M, DF), que se
associam para executar atividades de interesse comum.

Ex: A União, Estados da Bahia e Ceará se associam para prestarem o serviço de Auxilio e Defesa
às Vitimas do Semi-Arido: Formam o ADEVISA ---> Consórcio, constituído como associação
pública, com personalidade jurídica de direito público e natureza autárquica, OU como pessoa
jurídica de direito privado sem fins econômicos. Nesse caso, o ADEVISA é uma nova pessoa
jurídica, que não se confunde com nenhum dos entes consorciados.

É possível criar uma Autarquia por lei na celebração de um consorcio?

--- NÃO, pois no momento que os entes se juntam, os Chefes do Executivo celebram o
chamado PROTOCOLO DE INTENÇÕES, que nada mais é do que a intenção para celebrar
CONSÓRCIO PUBLICO. Posteriormente, cada Chefe do Executivo encaminhará o Protocolo para
o Poder Legislativo como Projeto de Lei. E, só depois que o Protocolo for ratificado por lei,
formar-se-á o consorcio.

CONCLUSÃO: A ratificação legal do Protocolo de intenções é que formará o Consorcio!

A ratificação só é dispensada, se o Ente da Federação, antes de subscrever o protocolo


de intenções, disciplinar por lei a sua participação no consórcio.

>>Percebe-se que, em todos os casos, o Legislativo deve participar para a criação do consórcio.

ATENÇÃO: União e Município não podem participar de um mesmo consorcio se o Estado em


cujo o município se localiza não estiver participando. Também não pode haver consórcio
público celebrado entre um estado e um município de outro estado.

Contrato de Rateio: determinara quanto cada ente vai contribuir (orçamento) para formação e
manutenção desse consorcio.
Principais privilégios que o consórcio publico possui para o
cumprimento de seus objetivos (Dec.6.017/2007, Art. 2º, §1º):
a) poderá promover desapropriações e de instituir servidões ( 2º, § 1º, II);

b) tem a possibilidade de serem contratadas pela Administração Direta ou


Indireta, com dispensa de licitação ( 2º, § 1º, III);

c) possui o dobro do limite para contratação direta por dispensa de licitação em


razão do valor (art. 24, I e II, da Lei n° 8.666/93).
6. BENS PÚBLICOS

Conceito: Art. 98, CC – são bens publicos os bens da Pessoa jurídica de direito públicos

ATENÇÃO: Os bens privados atrelados a prestação de públicos, ainda assim serão bens
privados, entretanto gozarão de todas as garantias inerentes aos bens públicos.

#CLASSIFICAÇÃO

- quanto à destinação:

a) bens de uso comum do povo: Bens afetados. Não depende de consentimento do Estado. Ex:
praia, praças

b) bens de uso especial:Bens afetados. O Estado conserva com finalidade publica especifica. Ex:
carro oficial

c) bens dominicais ou dominiais: Bens desafetados. Não tem destinação publica, sem
finalidade. Ex: terras devolutas

AFETAÇÃO: dar destinação publica à bens que não tinham. Não depende de
formalidades: simples uso, lei, ato administrativo

DESAFETAÇÃO: não pode se dar pelo simples desuso! Só pode ser feita por lei, ato
administrativo.

Se for um bem de USO ESPECIAL, poderá ser DESAFETADO por fatos da natureza. Ex:
incêndio, enchente

#GARANTIAS DOS BENS PUBLICOS: Impenhorabilidade (não admite constrição, penhora); Não
orenabilidade(não incidem direitos reais de garantia); Imprescritibilidade (não podem ser
usucapidos, não há posse); inalienabilidade relativa ou alienabilidade condicionada (é possível
alienar, desde que respeitadas as condições definidas em lei, mediante os requisitos:
DESAFETAÇÃO, DECLARAÇÃO DE INTERESSE PUBLICO, AVALIAÇÃO PREVIA, LICITAÇÃO +
AUTORIZAÇÃO LEGISLATIVA SE O BEM FOR IMÓVEL).

7. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA

Art. 37, §4, Cf/88 + L8429/92

Sanções civis, sem prejuízos de sanções penais

Proposta pelo MP(também pode atuar como fiscal) ou pela entidade publica lesada pelo ato

É indispensável o MP

Réu da Ação de Improbidade: pode ser o agente publico e/ou o particular que se beneficie ou
induza a pratica do ato.
Notificação do acusado para apresentar defesa previa (convencer o juiz a não receber a Petição
inicial) dentro de um prazo de 15 dias.

Com ou sem defesa prévia, se o juiz indeferir a Petição inicial, caberá apelação.

Se o juiz deferir a Petição inicial, caberá agravo de instrumento.

Veda qualquer espécie de acordo ou transação ou conciliação.

Quais são os atos de improbidade?

a) Enriquecimento ilícito do agente


b) Dano ao Erário: dolosos ou culposos
c) Atentar contra princípios

ATENÇÃO: ainda que não haja dano patrimonial ao erário, é possível a configuração do ato de
improbidade pela simples violação a um principio. Também independe da aprovação ou
rejeição das contas pelo Tribunal de Contas.

STJ: Não se admite que a modalidade culposa seja presumida. Assim, os atos que não causam
danos ao erário só podem ser punidos à titulo de dolo.
8. DESAPROPRIAÇÃO

Intervenção do Estado na propriedade

Classificação:

A) RESTRITIVAS: o Estado limita/restringe o uso da propriedade, mas não tira o bem dos
particulares. Ex: tombamento, servidão, limitação administrativa
B) SUPRESSIVA: Desapropriação – forma originaria de aquisição de propriedade (o bem
chega nas mãos do Estado livre e desembaraçado) – art. 5, XXIV, CF/88
- Utilidade publica ou interesse social
- Indenização previa, justa e em dinheiro – DESAPROPRIAÇÃO COMUM

Ressaltadas as exceções:DESAPROPRIAÇÕES ESPECIAIS


 art. 182 – desapropriação especial urbana: feita com pagamentos em
títulos da divida publica, resgatáveis em até 10 anos
 art. 184 – desapropriação especial rural: feita com pagamento em títulos
da divida agrária, resgatáveis em até 20 anos
 art. 243 – confisco ou expropriação (sem indenização): bens imóveis para
exploração do trabalho escravo ou plantação de psicotrópicos ilícitos. Serão
destinados para fins de reforma agrária e para programas de habitação
popular. Também serão expropriados os bens MÓVEIS utilizados para o
tráfico de drogas. Serão destinados a um fundo especial.

É possível a desapropriação de bens públicos? SIIIM! Decreto-lei n. 3365. Depende de lei


especifica e respeitar a “hierarquia federativa” (os entes de maior abrangência aos de menor
abrangência).

PROCEDIMENTO EXPROPRIATÓRIO:
1 fase: Declaratório - O Estado declara a utilidade publica e o interesse social
-Quem pode declarar? Os entes da federação: U,E,M, DF
-Mediante Decreto expropriatório ou por lei
-A declaração não enseja a aquisição de propriedade pelo Poder Publico, mas o bem
fica sujeito à força expropriatória do Estado
-Força da Declaração: o Estado pode ingressar no bem (penetrar); Fixação do Estado do
bem (o Poder publico só vai pagar estado em que se encontra, não indenizará por melhorias
após a Declaração, exceto se forem necessárias ou úteis-autorizadas)
- A Declaração possui Caducidade: deve ser executada dentro de um prazo
determinado: utilid/nec.pública (5 anos) e interesse social (2 anos)

2 fase: Executória – Paga pelo bem e promover a desapropriação


Quem pode executar?
a) Os próprios entes: U/E/M/DF
b) Entidades da Adm. indireta
c) Consórcios públicos
d) Concessionárias de serviço público
Na fase executória é possível ACORDO em relação ao valor indenizatório – via administrativa.
Se NÃO HOUVER ACORDO – via judicial – Ação de desapropriação, proposta pelo ente
expropriante (Poder público). O particular é chamado para apresentar Contestação: pode
discutir vícios processuais e o valor indenizatório. Na Ação de desapropriação, o particular NÃO
pode discutir sobre a ilegalidade da desapropriação, terá que fazê-la por meio de uma ação
direta anulatória.
Nessa fase, mediante requerimento, o juiz pode conceder ao Estado a posse do bem por meio
de uma Liminar de imissão provisória na posse do bem. Requisitos: o Estado deve apresentar
declaração de urgência e depositar em juízo o valor incontroverso, em no máximo 120 dias.
Desse valor o particular pode fazer o levantamento ate 80%, e os outros 20% fica como
garantia do Juízo. Após TRANSITADO EM JULGADO – O Estado detém a posse
DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA – invasão ilícita do bem do particular pelo Estado, sem respeitar
nenhum procedimento expropriatório. Se o Estado der destinação publica sobre esse bem,
incidira a Supremacia do interesse público sobre o privado. Cabendo apenas Ação de
indenização por desapropriação indireta ou Ação de indenização por apossamento
administrativo, proposta pelo particular.
DESAPROPRIAÇÃO PARCIAL – surge o direito de extensão, todas as vezes que o Estado
desapropria o bem de um particular, deixando uma área remanescente, que isoladamente é
inaproveitável, o proprietário tem direito a exigir do poder publico que ele estenda a
desapropriação ao restante do bem e o Estado deve indenizá-lo por tudo integralmente. O
direito de Extensão pode ser requerido na Contestação de uma Ação expropriatória.

9. LICITAÇÃO
É um procedimento administrativo prévio às contratações do Poder Público.
Finalidades da Licitação: melhor proposta/mais vantajosa, garantia de isonomia, garantia do
desenvolvimento nacional sustentável. (art. 3 L8666)
A licitação é Publica e a Publicidade não deve ser afastada no procedimento licitatório. No
entanto, o Principio do sigilo das Propostas (que não se contradiz com o Princ. Da Publicidade)
assegura que as propostas dos licitantes sejam sigilosas até a data de abertura delas em
conjunto.
Principio da vinculação ao instrumento convocatório: em regra, é o edital. Exceção: Convite. O
edital vincula os licitantes e a administração.
Principio do julgamento objetivo: os critérios de julgamento da licitação já estão definidos em
edital. Tipos de licitação: menor preço, melhor técnica, técnica e preço, maior lance.
Modalidades gerais de licitação: concorrência (qualquer pessoa), tomada de preço (somente
cadastrados), convite (cadastrado + convidado interessado), concurso (aquisição de trabalho
tecnico, artistico e cientifico), leilão (alienar bens) e pregão (aquisição de bens e seviços
comuns).
O edital de licitação pode prever a utilização de RECEITAS ALTERNATIVAS, provenientes da
exploração de placas publicitárias, com vistas a favorecer a MODICIDADE DAS TARIFAS.
PROCEDIMENTO LICITATÓRIO DA CONCORRENCIA:
1 fase: Interna – atos preparatórios para o inicio do certame. Se forma uma comissão,
apresenta-se uma justificativa para a necessidade de contratação (exposição de motivos),
elaboração de minuta do edital e do contrato, faz-se uma declaração de adequação
orçamentária, etc. A fase interna encerra com um parecer que autoriza a publicação do edital
no Diário oficial e em jornal de grande circulação.
2 fase: Externa – publicação e habilitação: Qualquer cidadão pode impugnar o edital, desde
que o faça até o 5° dia útil da data anterior a data marcada para abertura dos envelopes. Se for
um licitante, a impugnação poderá ser feita até o 2° dia útil da data anterior a data marcada
para abertura dos envelopes.
Se ninguém impugnar, a própria Administração poderá impugnar o edital “ex officio” –
autotutela – poder dever de rever seus próprios atos.
Feita a alteração, em regra deve-se publicar novamente: Errata (publicação da parte alterada).
Em principio, também deve ser reaberto o prazo: intervalo mínimo; salvo se a alteração não
modificar o conteúdo das propostas.
A Administração só pode exigir requisitos de habilitação se estes forem indispensáveis à
execução do contrato e tiverem previsão legal.
Art. 27, L8666: define os requisitos da habilitação – habilitação jurídica, técnica, econômico-
financeira, não explorar trabalho infantil, regularidade fiscal e trabalhista. A ausência de
qualquer deles pode inabilitar a empresa.
ATENÇÃO: ME e EPP – LC 123/06 – podem participar da licitação mesmo que não tenham
regularidade fiscal e trabalhista. Terão o prazo de 5 dias(+5)para regularização.
RECURSO À DECISÃO QUE HABILITOU/INABILITOU: 5 dias úteis, com efeito SUSPENSIVO.
3 fase: Classificação e julgamento – serão abertos os envelopes de propostas dos habilitados.
Cabe recurso com prazo de 5 dias úteis, com efeito SUSPENSIVO
4 fase: Homologação ou Anulação do procedimento de licitação(vicio originário) ou Revogação
(desinteresse publico)
5 fase: Adjudicação: declarar o vencedor da licitação. A administração não está obrigada a
contratar, mas se for contratar estará vinculada à contratar com o adjudicatário (vencedor). Se
o vencedor for convocado para celebrar o contrato, estará obrigado a contratar, se a
Administração Pública convocá-lo para celebrar o contrato dentro de um prazo de 60 dias
contados da abertura da proposta.

PREGÃO: sempre do tipo menor preço! Principio da oralidade: na fase de classificação ocorrerá
os LANCES VERBAIS. Não há recurso entre as fases; o prazo pra recurso é imediato: abre-se
prazo de 3 dias para a apresentação das razões.
HIPOTESES DE DISPENSA E INEXIGIBILIDADE DE LICITAÇÃO:
INEXIGIBILIDADE – Decorre da inviabilidade de competição - Art. 25 – rol exemplificativo
DISPENSA – é plenamente viável competir, mas a lei dispensa - art. 17 e art. 24 - rol taxativo
Art. 26 – Justificativa da contratação direta