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Conteúdos Conceitos/Noções

2.1. Estratificação social e poder político nas


sociedades de Antigo Regime
- A sociedade de ordens assente no privilégio e -Antigo Regime*
garantida pelo absolutismo régio de direito -Monarquia
divino. Pluralidade de estratos sociais, de absoluta*
comportamentos e de valores. Os modelos -Ordem/estado*
estéticos de encenação do poder. -Estratificação
- Sociedade e poder em Portugal: social*
preponderância da nobreza fundiária e -Mobilidade social
mercantilizada. Criação do aparelho burocrático -Sociedade de
do Estado absoluto no século XVII. O corte
absolutismo joanino. -Parlamento*

3. Triunfo dos Estados e dinâmicas -Capitalismo


económicas nos séculos XVII e XVIII comercial*
3.1. Reforço das economias nacionais e -Protecionismo*
tentativas de controlo do comércio; o -Mercantilismo*
equilíbrio europeu e a disputa das áreas -Balança
coloniais. comercial* -
3.2. A hegemonia económica britânica: Exclusivo colonial
condições de sucesso e arranque industrial. -Companhia
3.3. Portugal – dificuldades e crescimento monopolista
económico -Comércio
- Da crise comercial de finais do século XVII à triangular
apropriação do ouro brasileiro pelo mercado -Tráfico negreiro
britânico. -Bandeirante
- A política económica e social pombalina. A -Manufatura
prosperidade comercial de finais do século Bolsa de Valores
XVIII. Mercado
nacionalRevolução
4.2. A filosofia das Luzes: apologia da razão, industrial*
do progresso e do valor do indivíduo; Iluminismo*
defesa do direito natural, do contrato social
e da separação dos poderes.

A estratificação social do Antigo Regime. Uma Sociedade de


Ordens.
No Antigo Regime (sécs. XVI a XVIII) as sociedades europeias
organizavam-se segundo uma estratificação que vinha já da Idade
Média, e que se baseava nadesigualdade do nascimento e
funções desempenhadas.
Era uma sociedade de “Ordens” ou “Estados”: Clero, Nobreza e 3.º
Estado (burguesia/povo). O mais numeroso e menos privilegiado
era, sem dúvida, o 3.º Estado, do qual faziam parte os
camponeses, mineiros, pescadores, artesãos, operários,
comerciantes e funcionários.
No topo estava o rei que garantia o privilégio dos dois primeiros
Estados ou Ordens Sociais, que eram o Clero e Nobreza.
O estado social de cada indivíduo dependia do seu nascimento
(Nobre ou 3.º Estado) ou da função que desempenhava (Clero).
Conforme a sua condição, assim beneficiava de
determinados privilégios ou estava obrigado a um conjunto de
deveres que decorriam dos códigos de atuação pública da sua
“Ordem”.
Neste tempo, a mobilidade social era raríssima, apenas as
economias mais progressistas da Inglaterra e dos Países Baixos
permitiam alguns processos de ascensão social, baseados na
riqueza, na cultura, estilo de vida e alianças familiares.

A pluralidade dos estratos sociais


A Sociedade de Ordens do Antigo Regime assentava no princípio
da desigualdade natural das pessoas. As ordens privilegiadas eram
o Clero e a Nobreza.
Na hierarquia social, o Clero ocupava o 1.º lugar, em prestígio,
privilégios, desigualdades e honras. Estava dependente diretamente
do Papa, tinha tribunais privativos (de acordo com o direito
canónico), estava isento de serviço militar, não pagava impostos e
tinha o direito a cobrar o dízimo eclesiástico. Devido ao seu grau de
cultura, ocupava altos cargos na Administração Pública, Corte e
Ensino.
A Nobreza ocupava o 2.º lugar. Havia a Nobreza Rural (que vivia
dos rendimentos da terra), a Nobreza Cortesã (exercia cargos na
corte, que acumulava com a condição de grande proprietária),
a Nobreza de Espada (ligada à vida militar), a Nobreza de
Sangue (nobreza de linhagem que se fechava em casta) e
a Nobreza de Toga (recém nobilitada pelo exercício de importantes
cargos públicos: diplomacia, justiça e administração).
Os nobres não pagavam impostos e tinham foro próprio.

O 3.º Estado / Diversidade de comportamentos e valores


Apesar das “Ordens” serem entre si (e dentro da própria
“Ordem”), muito heterogéneas, a verdade é que mantiveram uma
grande coesão social interna que assegurou a sua manutenção ao
longo dos séculos. Isto, porque as leis consagraram a sua
institucionalização e a mentalidade dominante as justificava e
defendia. O 3.º Estado, como é óbvio, era o mais sobrecarregado
de deveres e sem quaisquer privilégios.
No seu dia a dia, todos os estratos sociais se distinguiam pelos
“tratos” (a diferenciação social era aí bem patente), pela maneira
como se apresentavam em público (nobres só saíam à rua
acompanhados), e pelas normas de saudação e tratamento (cada
categoria tinha formas próprias) ou pela maneira como
conviviam uns com os outros, nos espaços públicos.
Na Sociedade do Antigo Regime o “estrato social” mais
inconformado era a “burguesia”, que se sentia acorrentada pelas
estruturas arcaicas dessa sociedade e isso foi o fator determinante
da evolução social que poria fim ao Antigo Regime.

O Absolutismo Real
Na Europa do Antigo Regime, o regime político dominante era, de
facto, a monarquia absoluta. Foi o resultado de uma longa evolução
da política centralizadora que começou ainda na Idade Média (séc.
XIII) e foi favorecida pelos seguintes fatores: ressurgimento do
urbanismo e da economia de mercado; pressão ascensional da
burguesia enriquecida; desenvolvimento cultural e renascimento
do direito romano (que valorizava o estado
centralizado); crescimento económico e alargamento
geográfico dos países/impérios europeus. Tudo isto contribuiu
decisivamente para a valorização da figura do rei junto das
sociedades daquela época. Os reis absolutos tornaram-se, assim,
nas primeiras e mais poderosas pessoas dos respetivos Estados,
exercendo o poder de
forma pessoal, absoluta, única e concentrando todos os
poderes nas suas mãos (legislativo, judicial e executivo).

Os limites dos poderes do rei absoluto


Apesar do rei absoluto concentrar todos os poderes nas suas mãos
e de se identificar com o próprio Estado, a verdade é que, mesmo
assim, havia algunslimites à sua atuação política. Entre esses
limites, pelo menos teóricos, destacam-se os seguintes: as leis da
“justiça natural” dos homens (desde quase sempre eram
reconhecidos o direito à propriedade, à vida, à justiça e à liberdade
da pessoa); As leis de Deus (o rei devia o seu trono à vontade e
determinação divina, por isso, devia jurar-lhe obediência e governar
segundo a vontade divina); e as leis consuetudinárias de cada
Reino (pelo respeito dos costumes e tradições próprias de cada
Reino). Claro que ninguém (senão a própria consciência do
soberano) controlava a ação do rei que para provar a sua
magnificência e omnipotência, não convocava as Cortes e conferia
aos Conselhos de Estado um carácter meramente consultivo.

A afirmação do absolutismo em Portugal


A imagem pública do poder absoluto impunha-se não apenas
como símbolo do poder político e do Estado, mas como a própria
fonte e reconhecimento do poder.
A Corte era o local mais importante de cada Reino, onde
funcionavam os principais órgãos e instituições do poder político e
administrativo. O grandioso Palácio de Versalhes do rei Luís XIV
funcionava como modelo a seguir por outras Cortes Europeias.
A Monarquia Portuguesa também conheceu o regime absolutista,
que se foi instaurando desde o séc. XV. A 1.ª fase do absolutismo
régio portuguêsremonta ao reinado do D. João I (quando este
nobilitou alguns burgueses e expulsou a velha nobreza para
Castela) e, sobretudo, ao de D. João II (que reprimiu com eficácia e
subordinou totalmente a nobreza à sua autoridade).
Prossegue no reinado de D. Manuel e de D. João V, assumindo no
reinado de D. José I o carácter de despotismo esclarecido com o
Marquês de Pombal.

A preponderância da nobreza fundiária e mercantilizada


Durante a Idade Moderna (ou Antigo Regime) os mais altos cargos
administrativos e militares continuavam nas mãos da Alta Nobreza
(tanto no Reino como no Império). Ao mesmo tempo, a Nobreza
portuguesa envolvia-se também na atividade mercantil – eram
os fidalgos-mercadores. Com uma mentalidade conservadora, a
nobreza gastava os seus rendimentos em bens sumptuários e bens
de raiz (propriedades fundiárias). Também o Clero foi beneficiado
com doações régias, vendo o seu património fundiário crescer.
ABurguesia Portuguesa, ao contrário, enferma de grande
debilidade, muito por causa do comércio externo ser monopólio do
Rei, a Nobreza ocupava os lugares que deveriam ser seus no
comércio colonial, e serem também da Nobreza os principais cargos
políticos, administrativos e militares. Só no período filipino e na
conjuntura da Restauração se registaram condições favoráveis ao
crescimento da burguesia.

O aparelho burocrático do Estado Português - séc. XVII


A complexificação da vida política do séc. XVII obrigou o Estado
absoluto português a criar diversos órgãos administrativos como
a Casa da Suplicação(Tribunal da Justiça da Corte); a Mesa do
Desembargo do Paço(com competências judiciais, deferia
licenças, petições, perdões e concedia “provisões”); a Mesa da
Consciência e das Ordens (Tribunal Régio que decidia as
questões com o Clero, Nobreza e 3.º Estado); o Tribunal do Santo
Ofício(julgava e condenava os suspeitos de judaísmo e hereges);
o Conselho da Fazenda (administrava a fazenda real).
No reinado de D. João IV, e em virtude das guerras da
Restauração, foi criado oConselho de Guerra (com competências
político-militares); o Conselho Ultramarino (decidia tudo o que se
referia ao Ultramar), a Junta dos Três Estados (administrava e
superintendia nos impostos, receitas e contrato do tabaco e açúcar
e despesas com a defesa do Reino); e foi reorganizado oConselho
de Estado (a partir de D. João IV foi constituído pelos Secretários
de Estado, presididos pelo Rei).

O Absolutismo Joanino

1. João V foi o monarca português que melhor ilustrou a imagem


de rei absoluto, sabendo superiorizar-se relativamente a
todos os grupos sociais. Grande admirador de Luís XIV, Rei
Sol, tentou imitar o rei francês, tentando controlar todo o poder
(diminuindo progressivamente a capacidade de decisão dos
diversos Conselhos).

O absolutismo de D. João V manifestou-se na ostentação da sua


riqueza, mas também nas reformas empreendidas na governação
do Reino. Uma das características do Absolutismo Joanino foi a
não convocação de Cortes. Reformou a estrutura governativa com a
criação de três Secretarias de Estado do Reino (que dirigia o
Governo): dos Negócios Estrangeiros e da Guerra; daMarinha e
do Ultramar.
Ele presidia ao governo das Três Secretarias de Estado. O seu
absolutismo traduziu-se, assim, no fortalecimento do poder real e na
expansão das áreas de influência do Estado.

Política cultural de D. João V


A prosperidade económica do reinado de D. João V, possibilitou-lhe
o empreendimento do desenvolvimento das Letras, das Ciências e
das Artes. Fundou a Academia Real da História
Portuguesa (1720) e promoveu o estudo da Música (Escola do
Seminário Patriarcal – 1713). Foi também no seu tempo que surgiu
o primeiro periódico (“Gazeta de Lisboa”). Apoiou o
desenvolvimento científico (Matemática, Física, Astronomia e
Medicinal) e retirou o monopólio do ensino aos Jesuítas.
O barroco joanino é também uma faceta do mecenato praticado
por este monarca relativamente às artes. Chamou à Corte os
melhores artistas plásticos do mundo, ou pagou o aperfeiçoamento
no estrangeiro dos melhores artistas portugueses e, durante o seu
reinado, empreenderam-se grandes obras, como oPalácio-
Convento de Mafra (símbolo do seu reinado) ou o Aqueduto das
Águas Livres de Lisboa. Muitas igrejas remodelaram os seus
altares, recobertos a talha dourada.
A defesa do “Mare Liberum” e o império holandês
Desde finais do séc. XVI, graças à perda de autoridade política e
religiosa por parte do Papa, muito por efeito da Reforma, os
holandeses defenderam (Grotius escreveu, em 1608, “A Liberdade
dos Mares” onde rejeitava a exclusividade das nações ibéricas) e
puseram em prática a doutrina do “mare liberum”, segundo a
qual o “mar” era “livre”, ou seja, todos os estados tinham direito à
liberdade de circulação nos oceanos (ao contrário do que antes
acontecia: o Tratado de Tordesilhas, em 1494, dava grandes
privilégios a portugueses e espanhóis que tinham o exclusivo da
navegação oceânica). No século XVII, os holandeses conseguiram
um enorme império colonial, com feitorias e entrepostos comerciais
na África, no Oriente e nas Américas. O comércio colonial
assentava nascompanhias mercantis monopolistas, autênticas
empresas capitalistas que pela sua estrutura e organização
conseguiram facilmente concorrer com os impérios ibéricos
(Português e Espanhol) controlados pelos respetivos monarcas.

Parlamentarismo inglês
Na Inglaterra nunca houve tradições de monarquia absoluta. Os reis
que tentaram praticar uma política absolutista acabaram
veementemente criticados e alguns perderam mesmo a coroa.
Desde a Magna Carta (1215), os reis ingleses reconheciam ao
Parlamento competências legislativas e fiscais. Carlos I, um dos reis
que tentou enveredar pelo absolutismo, viu-se obrigado a jurar a
“Petição dos Direitos” (1628). Contudo, não cumpriu devidamente
o que havia jurado e a Inglaterra viveu uma guerra civil (entre
“cavaleiros” e “cabeças redondas”) que acabou com a vitória de
Cromwell (parlamentarista) e a execução do rei (1649).
Apesar de se dizer republicano, Cromwell governou em ditadura
(1649-1658), ficando célebre o seu “Ato de Navegação” que
representou para a Inglaterra o princípio do seu domínio
hegemónico sobre o comércio marítimo mundial. Foi, a seguir,
restaurada a Monarquia (Carlos II e Jaime II), mas as convicções
religiosas e políticas contrárias às da maioria da população inglesa,
ditaram o afastamento de Jaime II, substituído por Guilherme III, em
1688, data a partir da qual triunfa o Parlamentarismo em
Inglaterra, com o novo rei a jurar e a assinar a “Declaração dos
Direitos” (1689).

O mercantilismo
Nos séculos XVII e XVIII os Estados europeus tiveram uma grande
tendência para proteger as respetivas economias nacionais,
procurando uma balança comercial favorável à custa de um
grande estímulo à produção urbana, consolidada com medidas
protecionistas. Entre os primeiros estados a praticar
o mercantilismo (doutrina económica que defende que a riqueza
dum estado está na abundância de metais preciosos [ouro/prata],
resultantes do “superavit” do comércio externo) está a Holanda que
promoveu o protecionismo à produção interna (agrícola e
manufatureira) para obter uma balança comercial favorável.
Os países que tinham um império colonial, onde era possível a
exploração de metais preciosos, como Portugal e Espanha, também
viram aumentar as suas reservas em metal precioso, mas isso não
significa uma verdadeira política mercantilista, porque esta aposta
sempre numa política de grandes investimentos na produção
nacional e numa legislação protecionista.

O mercantilismo Francês
As medidas mercantilistas em França foram adotadas, sobretudo
por Colbert, no reinado de Luís XIV, e consistiram: na criação de
manufaturas régias;modernização das técnicas e processos de
fabrico; concessão de benefícios fiscais e jurídicos às indústrias;
fiscalização da qualidade da produção;regulamentação do
trabalho fabril e adoção de pautas aduaneiras protecionistas.
Criou também Companhias Comerciais Monopolistas e alargou
as áreas coloniais, reforçando os investimentos
no desenvolvimento da frota mercante e da marinha de guerra.
Mas esta política não resultou porque Colbert esqueceu a
agricultura, os gastos com a guerra e com a Corte eram
elevadíssimos, teve a oposição da Nobreza e notou-se um excesso
de dirigismo político. Ainda assim este modelo de mercantilismo foi
o mais adotado pelos países europeus.

O mercantilismo inglês
O “mercantilismo inglês” assenta nos “Atos de Navegação” que
são responsáveis pelo domínio inglês do comércio marítimo mundial
a partir da 2.ª metade do séc. XVII. Na prática, esta legislação
inglesa, altamenteprotecionista, pretendia retirar aos holandeses o
seu domínio nas áreas do comércio britânico, impedindo que as
mercadorias estrangeiras chegassem ao mercado inglês noutros
barcos que não fossem os ingleses ou os do país de onde eram
esses produtos. Até os tripulantes dos navios ingleses deveriam ser
maioritariamente britânicos. Entre as principais medidas
mercantilistasadotadas pelos Estados europeus, salientam-se as
seguintes: redução das taxas fiscais para as exportações; proibição
das importações de artigos de luxo; aumento das taxas sobre os
produtos importados; incentivo à produção manufatureira; criação
de Companhias Comerciais monopolistas; exclusivo colonial.

A disputa das áreas coloniais. Os conflitos dos séculos XVII e


XVIII
O mercantilismo espanhol preocupou-se sobretudo com a
conservação dos metais preciosos no país. Para isso,
promulgou pautas aduaneiras protecionistas e proibiu a saída de
metal amoedável. As práticas mercantilistas provocaram disputas
económicas que estiveram na origem de conflitos bélicosentre a
Inglaterra e a Holanda, na sequência dos “Atos de Navegação” que
prejudicou muito os interesses holandeses. Entre a Inglaterra e a
Holanda houve três situações de guerra (1652-54, 1664-66 e 1672-
74), que terminaram com o triunfo inglês.
Na conjuntura do mercantilismo, a França e a Inglaterra entraram
em concorrência pelo domínio de um maior espaço económico,
sobretudo na América do Norte, o que levou a conflitos armados. O
1.º destes conflitos foi aGuerra da Sucessão de Espanha (1702-
13) que terminou com o Tratado de Utreque, que acabou por
aumentar o imperialismo britânico. Já em meados do séc. XVIII
a Guerra dos Sete anos (1756-1763) voltou a conceder vantagens
à Inglaterra que foi consolidando a sua condição de “Rainha dos
Mares”.

Hegemonia britânica / A Revolução Agrícola e o arranque da


Revolução Industrial
A hegemonia britânica vai ser uma realidade a que o mundo
rapidamente se habitua. O surto demográfico do séc. XVIII;
a urbanização e o mercado nacional (em 1840, mais de metade
da população inglesa era urbana); e odinamismo do mercado
externo (de que o comércio triangular é um dos maiores êxitos do
comércio colonial) são alguns dos fatores que explicam o arranque
da Revolução Industrial Inglesa.
No séc. XVIII, os países mais desenvolvidos da Europa (Holanda e
Inglaterra) iniciaram importantes inovações no setor agrícola, das
quais se destacaram os seguintes: substituíram o sistema rotativo
trienal pelo quadrienal (acabando com o pousio); aumentaram as
áreas de cultivo (apropriando-se de baldios e recorrendo a
arroteamentos e drenagens); praticaram o emparcelamento e
vedação de terrenos; selecionaram sementes; recorreram à
mecanização(máquina de semear) e intensificaram a criação de
gado.
A Revolução Agrícola, por sua vez, estimulou o arranque da
industrialização, libertando mão-de-obra dos campos, fornecendo-
lhe matéria-prima (lã, linho e algodão), permitindo a acumulação de
capitais e consumindo instrumentos de ferro (produzidos pela
indústria metalúrgica).

A mudança provocada pela maquinofatura


A introdução da máquina a vapor no setor têxtil algodoeiro trouxe
consigo o desenvolvimento da metalurgia, que fornecia as
máquinas e outros equipamentos à indústria. Importante foi também
a enorme exploração de hulha, abundante no subsolo inglês, para
conseguir produzir o vapor que se tornou a principal força
motriz da 1.ª revolução industrial.
Com a nova máquina a vapor de James Watt, 1.ª fonte de energia
artificial da História, a manufatura cedeu o lugar à maquinofatura,
aplicando-se a teares, martelos mecânicos, locomotivas e a toda a
espécie de maquinismos.
Mas estas mudanças não se limitaram ao setor económico, tiveram
também as suas repercussões em termos sociais e políticos.
Grande número de camponeses migrou para
as cidades que cresceram de forma desordenada
edesumanizada, surgindo os bairros pobres onde existiam toda a
espécie de carências. Por outro lado, a burguesia industrial
reforçava a sua importância política.
Os transportes modernizavam-se, encurtando distâncias, e
fazendo circular mercadorias, pessoas, notícias e hábitos novos,
contribuindo para amudança de mentalidades.

Crise comercial portuguesa do fim do século XVII e medidas


mercantilistas
Entre 1670 e 1692, Portugal conheceu uma das suas maiores crises
comerciais de sempre: os tradicionais produtos das nossas
exportações, designadamente o açúcar e o tabaco brasileiros,
tiveram grandes dificuldades de escoamento e o seu preço
baixou muito. Foi o resultado das políticas mercantilistas adotadas
por vários países europeus.
Para ultrapassar as consequentes dificuldades financeiras de
pagamento das nossas importações, o 3.º Conde de Ericeira, como
Vedor da Fazenda de D. Pedro II, resolveu restringir as
importações ao mesmo tempo que recorreu àfundação das
manufaturas (têxteis, fundição de ferro e vidro) e às leis
pragmáticas (que proíbiam as importações de bens de luxo,
chapéus, vidros e azulejos), criou companhias monopolistas e
fez-se uma política dedesvalorização monetária.
Nos finais do séc. XVII, uma orientação política diferente, motivada
pelo abrandamento daquela crise (os nossos produtos voltaram a
ter procura nos mercados internacionais) e pelo aparecimento de
minas de ouro no Brasil (1693-95), pararam o desenvolvimento
manufatureiro e incrementaram o desenvolvimento da viticultura.

O Tratado de Methuen/ Política económica e social pombalina


O Tratado de Methuen, assinado entre Portugal e a Inglaterra (em
1703), garantia privilégios fiscais aos têxteis ingleses que
entrassem no mercado português (pagando apenas 2/3 de direitos
alfandegários) em troca de igual privilégio para os vinhos
portugueses que entrassem no mercado inglês.
Mas, tal Tratado, mostrar-se-ia mais favorável aos interesses
ingleses do que aos interesses portugueses (nós poderíamos, sem
grandes dificuldades, produzir aqui os têxteis que importávamos,
mas eles, mesmo que quisessem, não podiam produzir na
Inglaterra vinhos iguais aos nossos, porque o clima é bem diferente
do nosso).
O Marquês de Pombal, para se esquivar ao domínio económico
inglês, adotoupolíticas mercantilistas e protecionistas na
agricultura, no comércio e na indústria. Em termos sociais, o
Marquês de Pombal obrigou os nobres a instruírem-se mais (criou o
Real Colégio dos Nobres, 1761), atribuiu à burguesia uma maior
participação na vida económica e perseguiu os adversários do
Absolutismo Régio.

A filosofia das Luzes e a crítica aos valores tradicionais


No início do séc. XVIII, os intelectuais achavam que tinham
descoberto o caminho para um futuro melhor para a humanidade.
A Filosofia das Luzes representa, efetivamente, a evolução do
pensamento renascentista, promovendo o espírito crítico baseado
na razão, e acreditando no conhecimento, na técnica e no
progresso, como meios primordiais para atingir a felicidade
humana.
A religião, a política e a Sociedade do século XVIII foram objeto de
críticas contundentes, que estão na base da condenação dos
valores tradicionais e na defesa dos direitos naturais (igualdade
natural), valorizando a crença na natureza, o individualismo,
a liberdade, a crença no trabalho, ilustração e progresso. Estes
novos valores, explicitados na “Enciclopédia”, estão na origem das
Revoluções Liberais que ocorreram nos finais do séc. XVIII e
princípios do séc. XIX.

A valorização do indivíduo
Defendendo os princípios do humanismo, racionalismo,
empirismo, crença na natureza, razão e progresso, os
iluministas defendiam também a educação como forma de divulgar
o saber e, sobretudo, de valorizar o indivíduo, desenvolvendo nele
as capacidades naturais e racionais, e colaborar, assim, para formar
cidadãos cultos, capazes de construir um futuro de progresso.
Empenharam-se em demonstrar, perante os governos, a
importância da educação para o pleno desenvolvimento das
faculdades naturais dos indivíduos; defenderam a educação escolar
para todos (rapazes e raparigas); explicaram a utilidade e riqueza
para as nações que resultaria do facto de terem todos os
seuscidadãos instruídos, preconizarem uma reforma de ensino,
recorrendo a novos métodos pedagógicos e à introdução de novos
currículos escolares, adequados à necessidade da época. Os novos
modelos pedagógicos punham de parte os castigos físicos e
incentivavam uma aprendizagem baseada no gosto de aprender em
liberdade e com responsabilidade.

A defesa do direito natural / O contrato social / Separação dos


poderes
Valorizando a razão e a filosofia natural os iluministas, com base
no direito natural, defendem uma sociedade nova assente no
reconhecimento dos direitos naturais do homem: igualdade e
liberdade, negando o absolutismo e a teoria da origem divina do
poder real, contrapondo os princípios da soberania nacional(que
pertence ao povo) e do contrato social (acordo, tácito ou explícito,
entre o povo e os seus governantes).
Os iluministas, relativamente ao poder político, defenderam a
sua tripartição:poder legislativo (o que faz as leis, normalmente,
pertencente a assembleias eletivas); poder judicial (o que julga o
não cumprimento da lei, pertencente aos tribunais); e poder
executivo (o que aplica as leis e vigia o seu cumprimento).
Em termos sociais, achavam que todos deviam ser iguais perante
a lei, mas aceitam as desigualdades resultantes dos talentos e
capacidades individuais.

Humanitarismo e tolerância / A difusão do pensamento das


Luzes
Os Filósofos das Luzes preocuparam-se, no que respeita ao
direito, com os atropelos à dignidade humana, que eram
cometidos nas instituições judiciais, onde era prática corrente o
recurso à tortura na fase de interrogatório dos arguidos, a penas
dolorosas, extremamente violentas, e a trabalhos forçados. Em
1764, Cesare Beccaria, censurando veementemente estas práticas,
põe mesmo em causa a pena de morte. Estas críticas estão na
base de um maior humanitarismo nas práticas da Justiça que
levarão, nos séculos seguintes à abolição da escravatura e da pena
de morte, de que Portugal foi pioneiro. Atolerância religiosa foi
também defendida e estimulada pelos filósofos das Luzes, o que
levará, nos séculos seguintes, à separação entre a Igreja e o
Estado.
A crítica a tudo o que estava mal fez com que o iluminismo
conquistasse muitas pessoas, algumas delas com grandes
responsabilidades políticas como as figuras régias de Frederico II,
da Prússia e Catarina II, da Rússia. Para além da Enciclopédia
francesa que as divulgou entre os intelectuais, as propostas
iluministas tornaram-se tema de debate nos salões
aristocráticos, nos cafésmais populares, nos clubes privados,
nas Academias, nas lojas maçónicas e na imprensa periódica.