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Doutrinas e Teorias Politicas

Apontamentos de: Mafalda Diogo


E-mail: mspity@gmail.com
Data: Outubro 2006

Livro:

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Doutrinas e Teorias
Políticas
1. Fundamentos da Ciência Política

Pressupostos fundamentais da Ciência Política:


Objecto da Ciência Política:
Adriano Moreira propõe uma abordagem em dois sentidos:
¨ Analisar o ambiente da ciência política, necessidade de criar
uma disciplina autónoma;
¨ Efectuar uma análise comparativa de processos,
enumeração dos temas.

As Múltiplas Dependências e Fidelidades


A ciência política reconhece a sociabilidade intrínseca
¨ Relação de um homem com uma coisa ou outro homem
(satisfação de uma necessidade).
¨ A resposta à posição do homem na natureza implica a
consideração do Estado e de Deus como alternativas mais
comuns à admissão de algo superior ao homem.
¨ As fidelidades a que o homem está sujeito são muitas vezes
múltiplas, contraditórias e conflituais.

O Totalitarismo e Personalismo Laicos


Debate entre totalitarismo e personalismo laicos.
Relação entre Sociedade, Estado e Aparelho do Poder.

Weber:
¨ Sociedades párias (comunidades alienadas do poder,
dependentes)
¨ Estratos sociais párias (não participantes no poder político,
carentes e desprotegidos).

A relação entre a sociedade civil e o aparelho governativo


levanta o problema do conflito entre:
¨ Fidelidades verticais (concepção orgânica do Estado)
¨ Fidelidades horizontais (contra os aparelhos do Poder
estranhos ou ofensivos à comunidade e/ou a certos estratos
sociais).

Adriano Moreira

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As diversas solidariedades horizontais inscritas nacional ou
internacionalmente, favorecem o surgimento de aparelhos do
Poder erráticos, que enfrentam e lutam contra os aparelhos do
Poder instituídos mas que não almejam dominar o Estado.

Origem do Estado, Poder Político e Governo


Duas posições laicas extremas se perfilham:
¨ A afirmação da dispensabilidade do Estado, visto que ele
não corresponde a nenhuma necessidade humana fundamental
(posição típica do pensamento anarquista)
¨ A aprovação da condição insubstituível do Estado, visto que
ele decorre dos instintos humanos, e tem como adepto o
totalitarismo passou a considerar a necessidade do Estado e da
organização política como uma expressão de uma racional
organização de meios para obter certos fins.

Autonomia do Aparelho do Poder


Distinção entre autoridade e poder.
Autoridade – obediência e consentimento, decorrente do
reconhecimento da legitimidade de quem manda;
Poder – capacidade de quem governa obrigar ou forçar à
obediência pela coacção, independentemente do reconhecimento
da legitimidade dos titulares desse poder e da legitimidade do
exercício desse poder.

Os Temas da Cidadania
Dois termos, destinatário do Poder.
Camarada – decorre das solidariedades horizontais, de uma
diferente relação entre o homem e o Estado e da crise e
renovação radical do Estado
Cidadão – resultado histórico das solidariedades verticais que
estruturaram as formas clássicas do Estado e a sua
modernização.

A cidadania é ideologicamente enquadrada pela doutrina dos


Direitos do Homem.
Representa historicamente uma condição que significa uma
determinada posição, ou conjunto de posições, na relação entre
os diversos membros da comunidade e entre aqueles e a
própria comunidade.

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Daí as distinções entre naturais e estrangeiros e entre os
primeiros a distinção entre homens livres e escravos ou entre
escravo, súbdito e cidadão.

Kant
Foi quem melhor definiu o conceito operacional de cidadania,
enquadrando-o juridicamente e especificando-o de acordo com
três qualitativos:
Liberdade constitucional - direito de apenas obedecer às leis
consentidas;
Igualdade civil – direito de não reconhecer qualquer outro como
superior;
Independência política – direito de pertencer à comunidade
política sem dependência da vontade arbitrária de outro.

Stuart Mill
Identifica dois movimentos revolucionários que mobilizam em
direcções diferentes o conceito de cidadania:
· Modelo a Magna Carta - abrange uma parcela da
população e estabelece como objectivo o reconhecimento
de liberdades ou direitos.
· Declaração de Independência e a Constituição dos
Estados Unidos -ganhou forma jurídica no
constitucionalismo liberal e visou institucionalizar o
consentimento dos cidadãos para os mais importantes
actos governativos.
Aprova então um aparelho governativo detido pelos homens
livres
(democracia) onde todos participariam à excepção dos menores
e incapazes, e não já só apenas os ricos (oligarquia).

Contrariamente a estas orientações o marxismo propôs


revolucionar a vida privada e pública de modo mais estruturado
e sistemático, restringindo os direitos políticos e cívicos, e por
isso preferindo o conceito de camarada ao de cidadão.
As Matrizes Teóricas
Ciência e Política
Os problemas atrás enunciados e discutidos suscitaram
respostas organizadas em diferentes famílias de pensamento
que dão o objecto de estudo à história das ideias políticas que
recorre ao método comum de estudar autores individuais
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agrupando-os depois segundo afinidades teóricas sob a
designação de escolas ou correntes de pensamento.
Sempre que as ideias políticas ganham expressão e peso social,
ganham o sentido de ideologias (socialismo, anarquismo,
fascismo).
O que importa assinalar é a existência de matrizes teóricas que
orientam a investigação, não conduzindo necessariamente a
propostas ideológicas.

Auguste Comte, demarcou o princípio da cientificidade e as


fronteiras entre as diversas ciências esgotando a ciência no
conhecimento dos factos obtidos e comprovados empiricamente,
tese que ganhou o nome de positivismo e que foi mais tarde
secundada por Freud.
Criou uma nova ciência, a sociologia, a qual tinha por principal
objectivo descobrir leis e regularidades que regem o
funcionamento do mundo social.
A mais conhecida - lei dos três estados - Capacidade humana
de organizar o conhecimento científico do mundo e da vida:
1º. O espírito explica os fenómenos atribuindo-os à intervenção
de seres ou forças comparáveis ao próprio homem;
2º. Explica metafisicamente os fenómenos invocando entidades
abstractas como a natureza;
3º. Procura determinar cientificamente as leis que comandam
os factos.

Este determinismo global reduz a liberdade humana à


possibilidade de acelerar ou retardar o curso inevitável da
história e das sociedades humanas.

Hans Morgenthau contribuiu para este debate afirmando que


as ciências sociais podem, quando muito, apresentar uma série
de possibilidades hipotéticas, cada uma das quais podem
ocorrer sob certas circunstâncias.

Para certos autores (Espinosa, Hume, Freud) o determinismo


histórico que caracterizava as ciências sociais constituía um
aspecto de uma concepção global da causalidade que explica
todos os fenómenos, sejam eles humanos e sociais ou não.

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Karl Marx - materialismo dialéctico e histórico - as escolhas e
as decisões humanas acontecem não sem relação a um
conjunto de constrangimentos sociais, geográficos, económicos,
mentais, políticos, culturais, etc.
A liberdade como um conceito social, remetido aos costumes,
leis, tradições, padrões culturais, e claro está aos valores
próprios de determinada comunidade, povo, país.

O problema dos valores e a sua importância individual e social


conduziu ao estabelecimento de fronteiras entre as chamadas
ciências da natureza e as ciências da cultura.
O mundo perceptível pelos sentidos revela-se em parte
susceptível de ser racionalizado segundo leis de regularidade
causal, assente na experimentação e permitem antecipar os
efeitos a partir das causas. Mas outra parte do mundo que
apreendemos não é susceptível de ser racionalizada por essas
leis e obriga ao estudo individualizado, mais qualitativo do que
quantitativo.
O método das ciências da cultura é o da compreensão.

Weber reafirmou mais tarde o carácter histórico e relativo dos


valores, dependendo dos conflitos e confrontos de interesses e
aspirações entre indivíduos e grupos no seio de cada
comunidade e sociedade, em determinado momento histórico.
Relativamente a estes conflitos há que estabelecer a diferença
entre:
Moral de responsabilidade (os fins justificam os meios – a
salvação da comunidade obriga ao sacrifício de valores
subjectivos ou individuais)
Moral de convicção (não subordina nenhuns valores essenciais
à salvação da comunidade, mesmo que isso acarrete como
consequência a perdição da cidade.)

A natureza das matrizes teóricas de investigação diverge


também de acordo com as posições básicas já assinaladas:
¨ Por um lado o determinismo histórico
¨ Por outro a liberdade individual
Isso não impede que diferentes matrizes estudem os mesmos
problemas, usem instrumentos conceptuais e analíticos comuns.

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O que permite identificar o carácter de uma matriz teórica é a
posição em relação ao problema: que tipo de variáveis são
dominantes no processo histórico e social?

A Matriz Marxista
Reconhece o determinismo histórico no processo social, não dá
autonomia aos fenómenos políticos nem à disciplina que os
estuda, a ciência política.
Hegel
A História resulta da união entre necessidade e liberdade, de
acordo com um processo dialéctico em que o Espírito evolui
segundo a necessidade e a liberdade se reduz à consciente
vontade do homem, não significando a capacidade de alterar o
curso da História.
Tolstoi
Desconsidera o papel e a importância dos grandes homens na
alteração do processo histórico, subordinado a uma necessária
evolução dialéctica.
Marx
No prólogo da obra Manifesto do Partido Comunista e Para a
Crítica da Economia Política, apresenta uma síntese do
materialismo histórico.
O texto traduz em grande parte a interpretação económica da
História e a própria essência da doutrina marxista.
Bossuet, Comte e Hegel.
Todos eles consideram o género humano, e não o homem
individual, como objecto de análise; todos identificam uma
resultante que marca cada época histórica e que não pode
atribuir-se à decisão de ninguém, de nenhum indivíduo.

No caso de Marx essa resultante é explicada pela contradição


entre:
· As forças produtivas e as relações de produção,
· As relações jurídicas de propriedade e a distribuição dos
rendimentos entre os indivíduos e grupos da colectividade.

Implicações do pressuposto marxista: o movimento da História


apreende-se pelo exame das estruturas da sociedade, das forças
de produção, e das relações que se estabelecem entre os
homens; em qualquer sociedade se distinguem a

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infra-estrutura económica e a super estrutura normativa,
valorativa, ideológica.

Em momentos determinados, as forças de produção entram em


conflito com as relações de produção; quando surge o conflito,
os homens que estão ligados aos benefícios das relações de
produção entram em luta com aqueles que pretendem
transformar essas relações em função do desenvolvimento
alcançado pelas forças produtivas.

Princípio da luta de classes – capitalista e proletária – são


acontecimentos necessários sempre que o ponto de ruptura se
dá, quando a sociedade tem já os meios de resolver os
problemas que a evolução lhe coloca e não antes;
¨ A consciência dos homens não determina o processo social, é
o processo social que determina a consciência dos homens
¨ A resolução das contradições não se dá no espírito, dá-se na
realidade social;

Quatro modelos económicos: antigo, feudal, burguês e asiático.


Da análise dos referidos modelos económicos resultava que:
· Regime político é reflexo da luta de classes;
· As classes são definidas pelo sistema de produção;
· O sistema de produção depende essencialmente da
evolução das técnicas;
· O fenómeno político é uma consequência das relações de
produção.

Daqui se confirma o modo de produção antigo é caracterizado


pela escravatura; o feudal pela servidão; e o burguês pelo
salariado.

Modelo capitalista, contemporâneo de Marx, conduzido à


extinção por motivo da evolução técnica e industrial geradora
de contradições internas, levaria à supressão da propriedade
privada dos meios de produção e à sua substituição pelo modo
de produção socialista, com um Estado socialista, o fim da luta
de classes e, mais tarde a extinção do Estado.

Lenine - conceito operacional de classe - as classes sociais são,


grandes agrupamentos humanos que se diferenciam pela sua

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posição num sistema histórico determinado de produção social,
pelas suas relações com os meios de produção, pela sua função
na maneira de receber a sua parte da riqueza social, assim
como pela proporção dessa parte recebida.
Sustenta que o homem recebe da realidade social e do processo
histórico simultaneamente os conceitos da sua interpretação e
os quadros do pensamento.

O modelo capitalista simplificou a diversidade dos


antagonismos de classe, reduzindo-a a duas: a burguesia e o
proletariado.
O lucro constitui o motor do modelo capitalista e Marx
demonstra no terceiro volume de O Capital, a inevitável
falência desse modelo a partir da lei da baixa tendencial da
taxa de juro.

A matriz marxista suscitou diversas interpretações entre as


quais a que reconhece que a análise marxista tem elementos
valorativos e não factuais e aceitam, como Mehring, a
metodologia marxista mas recusam a sua doutrinação
revolucionária.

Crítica: a abordagem marxista omite a análise de um dos


modelos de produção considerados, o modelo asiático de
produção, caracterizado pela subordinação de todos ao Estado,
sem exploração e sem proprietários privados e onde faltariam
por consequência os pressupostos da luta de classes.

A Matriz Liberal
Decorre do apogeu do capitalismo moderno. Actualmente ainda
grande aceitação pela comunidade de cientistas e políticos,
sobretudo europeus e americanos.
A concepção marcadamente individualista da ciência política
americana conduziu os investigadores a investirem na
aquisição minuciosa do comportamento dos indivíduos no seu
meio, de acordo com contextos e circunstâncias específicas.
O liberalismo americano, de feição reformista, atende aos
factos, aceita a orientação kantiana da distinção entre os factos
e os valores;
- Ideologicamente filiam-se nos federalistas, como Madison,
que foram os pais da Constituição dos EUA;

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- Operacionalmente aceitam o pragmatismo de William James
como critério de verdade; metodológicamente são tributários de
Max Weber.

As matrizes metodológicas liberais assentam na doutrina


liberal, que teve duas fontes principais:
· Liberalismo inglês de Locke
· Liberalismo francês de Montesquieu.
Locke
Todo o conhecimento advém da experiência,
Recusa a existência de ideias inatas,
Sustenta que a conservação da sociedade e dos indivíduos é um
simples facto e que os indivíduos obedecem às leis e constroem
uma moralidade social imanente por interesse.
É no interesse e na comodidade dos homens que se funda a
propriedade, sendo o motor da vida social o indivíduo que
juntamente com outros homens livres, deu origem à sociedade
política com base no consentimento e com fé na representação.
Montesquieu
Tem maior importância científica e empreendeu a tarefa de
racionalizar os diversos usos, costumes, práticas, instituições e
governos existentes ao longo da história.

Obra “Sociologia Política.”


3 formas de governo:
República - o poder pertence ao povo ou a uma parte do povo e
regula-se pelo valor da virtude;
Monarquia - o poder pertence a um só que se orienta pelo valor
da honra segundo leis estabelecidas;
Despotismo - poder pertence a um que se orienta pelo seu
arbítrio, impondo o terror, o que corresponde à forma valorativa
dos regimes degenerados dos clássicos.
Estabeleceu a relação entre as formas de governo e os tipos de
sociedade a partir da dimensão do território.
· à República convém uma pequena extensão; igualdade
virtuosa dos cidadãos
· à Monarquia um território médio; desigualdade
hierárquica
· ao Império uma extensão vasta pois implica uma
autoridade que tende para o Despotismo; igualdade da
sujeição

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Em relação à resultante social o pensamento liberal não
adiantou justificações metafísicas ou científicas, adoptando um
optimismo sentimental e uma concepção de mercado que o
torna como racional e justo.

Weber
A Orientação religiosa tinha uma influência decisiva na
conduta dos indivíduos
Coincidência entre o espírito do capitalismo das sociedades do
seu tempo e o espírito protestante: ambos procuram o lucro não
para o consumir mas para o reinvestir, sendo que o preceito
religioso antecedeu a concepção económica.

O propósito foi o de compreender o sentido da acção e


comportamento dos homens e grupos em função de uma crença
e em função de valores.

Para Weber a compreensão da causalidade histórica de um


acontecimento concreto conduz à construção de modelos irreais
até suspender o processo real, não existindo outra verdade
objectiva para lá da probabilidade.

Em relação à causalidade sociológica,


Marx - existe uma relação causal necessária entre o sistema
económico e o sistema político
Weber - reconhece a probabilidade dessa correspondência, sem
anular uma margem de indeterminação que faz com que
sistemas económicos iguais não correspondam a regimes
políticos coincidentes.

A metodologia de Weber define-se por 4 tipos de acção:


(1) racional relativamente a um fim
(2) racional relativamente a um valor
(3) afectiva ou emocional
(4) tradicional

Weber - A partir da definição da sociologia como ciência da


acção social, formula os seguintes conceitos:
Acção social – comportamento humano de acção ou omissão, ao
qual o agente dá um sentido que o liga ao comportamento de
outras pessoas;
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Relação social – desde que haja mais que um agente
conduzindo-se reciprocamente com tal sentido;
Comunidades – grupos aos quais os elementos sentem
pertencer por uma aceitação de valores afectivos e tradicionais;
Sociedades – assentes apenas na partilha de interesses.

Estes grupos crescem em complexidade até chegarem à forma


em que se caracterizam por possuírem um território, duração
no tempo e a presença de uma instância que detém um
monopólio ou a supremacia do poder de constranger que é o
Estado.

Este poder supremo de dominar, corresponde a um de três


tipos:
Racional (quando a obediência se baseia no reconhecimento da
legitimidade do poder),
Carismático (quando a obediência se baseia no reconhecimento
do carisma ou dom do chefe)
Tradicional (é próprio das sociedades sem escrita e subsiste nas
monarquias hereditárias modernas).

Weber - As sociedades contemporâneas, dirigem-se para um


tipo de organização cada vez mais racional e burocrática, o que
o levou a valorizar a preservação dos Direitos do Homem, como
a possibilidade de viver humanamente num espaço social
dominado pela burocratização.

A Matriz Institucionalista
Afasta-se da marxista e aproxima-se da matriz liberal.
O seu primeiro pressuposto é o da liberdade das acções
humanas e encontra-se exposto na suma teológica de S. Tomás
de Aquino.
Responsabiliza a escala de valores liberais pelos vícios sociais
que decorreram da implementação do capitalismo.

Do ponto de vista metodológico a observação Institucionalista


diz que a realidade social mostra duas realidades:
· O Homem (representa o transitório)
· As Ideias (representam o duradouro, podem ser vistas
como organismos naturais que por vezes morrem)

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Ambas com um carácter de permanência; os homens dão-se
continuidade biológica pela reprodução e espiritualmente pelas
ideias, que são transmitidas e difundidas pelas tradições e
memória social.
As unidades reais intermediárias entre o homem e a sociedade
são as instituições (realidades identificáveis e localizáveis,
susceptíveis de ser enquadradas em regularidades prováveis –
universidades, nações que mantém a sua identidade e unidade
apesar de modificações funcionais e alterações orgânicas).

A instituição é uma ideia de obra ou de empresa que se realiza


e dura no meio social. É uma acção ou finalidade impregnada
de valores sociais.
Em relação à contradição moral de convicção vs moral de
responsabilidade, o institucionalismo não equivale os dois tipos
de moral e inclina-se para a primeira.
O institucionalismo quando transposto para a acção, um
fermento de reforma ou de revolução.

Características gerais das instituições:


Clima de Vida Interior (função do objectivo e valores – pressão
sobre os indivíduos que a constituem, marca-lhes disposições e
comportamento - intimidade);
Cria Modelos Normativos (codificam as atitudes recíprocas e
exprimem sentido inteiror de justiça – objectividade);
Hierarquiza a Vida Interior (cria um sistema de pilotagem,
origina autoridade e poder).
A base da instituição é a obediência pelo consentimento.

Renard afirma que as instituições encontram a sua força vital


na pessoa humana, e a pessoa humana reconhecesse no seio da
instituição.
A conotação matriz Institucionalista/Igreja Católica é
concretizada no denominado catolicismo social.

Objecto de Estudo da Ciência Política


Normas, Factos e Valores
O pensamento político, na sua origem, começou por ser
normativo.

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Todas as perspectivas e análises que estudam a realidade do
Estado, tendo em vista o fim ou meta que lhe definem, são
normativas ou deontológicas.
O Normativismo Jurídico toma o direito positivo como objecto
do conhecimento e caracteriza o que na Europa se chamou
Direito Político e depois Direito Constitucional e Ciência
Política.

Kelsen - o Estado é a Ordem Jurídica.


Problemas como partidos, grupos de pressão, governos, voto,
sufrágio, são vistos de acordo com conceitos normativos e não
como realidades sociais; portanto é da imagem e não da
realidade que o investigador trata.

O critério normativista alargou-se e tornou-se menos jurídico e


mais interdisciplinar, acrescentando novas inquietações ao
campo da CP, numa incorporação de aspectos do Normativismo
Ético e da Filosofia.

Normatismo instrumental ou aplicado - Trata-se de uma


actividade neutral e empírica. Coloca-se ao nível da acção do
poder, surgindo a figura do tecnocrata, uma espécie de
profissional das técnicas meios-fins, que permanece muitas
vezes de um regime político para o outro.

A progressiva autonomia da CP conquistou-se na contribuição


de diversos campos do saber. Esta utiliza a metodologia das
ciências históricas, no que se refere aos princípios básicos e
pressupostos da investigação, embora se tenha diferenciado
sobretudo no domínio das técnicas de investigação.
O esforço autonómico da CP, divide-se em dois planos:
O normativo e o científico, ou seja, entre valores e factos (os
que interessam à CP).

Hoje o debate epistemológico reconhece que ciência, filosofia e


religião, sendo formas distintas de interpretar e ver o mundo,
não se excluem entre si. A tendência em afastar ou excluir o
normativismo da CP deve-se a razões metodológicas e não
ideológicas.

Definição do Objecto da Ciência Política

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Os problemas que o normativismo trouxe à CP forçaram-na a
trilhar o caminho da autonomia, num percurso feito de
reivindicações e atropelos com outras CS, como a apropriação
pela CP do estudo dos valores enquanto estes revelam peso
social, pois isto interfere com o objecto da Sociologia e da
Antropologia.
Foi o estudo casuístico dos aspectos relevantes dos fenómenos
sociais e políticos que foi agregando trabalhos monográficos e
perfilhando um objecto autónomo, até à fundação em 1880, por
John Burguess, de uma escola autónoma de CP na
Universidade de Columbia de Nova Iorque.

Só depois da 1ª. Grande Guerra é que as mais importantes


universidades americanas criaram departamentos específicos
de CP autonomizando o fenómeno político da História, do
Direito e da Filosofia.
Interessa à CP questionar não o sistema das normas que subjaz
ao direito positivo, mas sim se há uma coincidência ou
diferença entre o modelo normativo de conduta proclamado
pela lei e o modelo de conduta adoptado pelo poder.
Essa diferença existe frequentemente e tem o nome de falta de
autenticidade do poder.
Outro importante fenómeno largamente estudado é a
divergência entre a proclamação de um determinado modelo
jurídico de conduta, por parte do poder, e a persistência deste
em não adequar ou incumprir o modelo adoptado
juridicamente.

Caso elucidativo são as frequentes violações e desvios aos


Direitos do Homem por parte de Governos e Estados que
proclamam esses mesmos direitos. Tem tudo isto a ver com a
simultaneidade de modelos, o formal e o real, que levantam a
questão da imagem que o estado visa manter, mesmo sem
corresponder à realidade.
O Poder é o objecto central da CP e pode ser analisado segundo
um critério tridimensional:
· a sede de poder,
· a forma ou imagem
· a ideologia.

A Pluralidade das Formulações

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A CP seguiu a atitude proposta por Freud, para quem as
definições deviam seguir-se às descrições, classificações e
relacionamentos entre os fenómenos e não a de Hobbes,
segundo o qual toda a ciência devia começar com definições
claras.

A forma como se resolveu esta aparente contradição foi fazendo


o uso da noção de conceito operacional (carácter provisório das
definições, utilizadas na abordagem e discussão dos temas,
complexos e interdisciplinares, o que leva a CP a recorrer
muitas vezes ao método da enumeração dos temas).

Max Weber - “política significa a luta para compartilhar o


poder ou influenciar a sua distribuição, quer entre Estados quer
entre grupos dentro do Estado”

Ideia complementada com:


David Easton - “poder é uma forma autoritária de atribuir
valores sociais dentro da sociedade global”.
Estas duas concepções fazem parte de uma linha de inspiração
sociológica, que contraria os pressupostos normativistas, o
Poder é visto como um facto.

Enumeração Pragmática dos Temas


Método adoptado entre os investigadores, departamentos de
ensino e organizações internacionais.
Listagem da Unesco (1948):
Teoria Política
Instituições Políticas
Partidos, Grupos e Opinião Pública
Relações Internacionais

Listagem da American Political Association:


teoria e filosofia políticas;
partidos políticos;
opinião pública;
grupos de pressão;
poder legislativo e legislação;
direito constitucional e administrativo;
administração pública;

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economia política;
direito e relações internacionais;
instituições políticas comparadas.

2. Métodos da Ciência Política

Perspectivas Básicas
Tendências Individuais e de Grupo
A acção política tem sempre origem em homens
individualmente considerados. Por mais vasto que seja o grupo,
o objecto observável é invariavelmente o comportamento dos
indivíduos.

Jules Kornies sobre o papel predominante da personalidade


individual na vida política, recorrendo a conceitos psicológicos e
sociais e numa linha que remonta a Platão, Aristóteles e
Hobbes, propõe o tipo de homem de estado.
Lewis Froman estabelecendo como pressuposto básico da sua
análise, a predisposição de um indivíduo para aprovar ou
desaprovar, querer ou repudiar alguns objectos sociais ou
físicos, relaciona o comportamento dos dirigentes dos grupos
de interesse e a sua concepção do mundo e da vida, atitudes,
valores e crenças.
Seymor Lipset procura explicar o comportamento dos estratos
sociais menos favorecidos e a sua relação com os movimentos
sociais de esquerda, tendo por base a sua concepção do mundo e
da vida.

Independentemente dos seus méritos, estes estudos


mostram-nos como a principal insuficiência ou lacuna da
perspectiva das tendências individuais está no facto de
procurar estudar o comportamento individual por modelos
gerais de comportamento que julgam típicos.

Mostram também como a perspectiva em causa oscila entre


dois caminhos:
(1) Aceitar que só é possível averiguar tendências individuais e
com base nestas partir para a explicação da acção política;
(2) Aceitar que é possível identificar tendências típicas comuns
a grupos maiores ou menores de pessoas, e interpretar o
comportamento não só do indivíduo como também do grupo.

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Esta última orientação parece ser a mais útil e determinou a
evolução da perspectiva individualista no sentido da Teoria da
Compreensão.

Questão controversa da perspectiva de grupo:


Partindo do pressuposto de que a acção política é basicamente
um fenómeno de grupos e não de indivíduos isolados, importa
saber se o grupo se reduz a um somatório de indivíduos sem
características próprias ou se o grupo assume características
próprias que os indivíduos não possuem.

A posição mais aceitável é a que reconhece oque


comportamento do grupo é específico em relação aos seus
elementos. Só assim se compreende que órgãos colegiais como
os parlamentos e os governos de coligação, compostos por
representantes de grupos divergentes e competitivos, assumam
interesses próprios e um comportamento específico no que
respeita à sua participação no poder efectivo.

A perspectiva de grupo constitui talvez a mais genuína da CP,


no entanto está longe de justificar o extremismo daqueles que
como Arthur Bentley e David Truman, consideraram a acção
dos grupos como o fenómeno central da vida política, negando a
relevância da intervenção dos indivíduos.

No livro “The Process of Governement: a study of social


pressures” Bentley propõe desenvolver um estudo realista do
processo político a partir da seguinte constatação: os grupos são
os actores mais relevantes da dinâmica do poder, e qualquer
escolha ou decisão governativa depende, tanto a nível nacional
como local, das pressões que estes exercem sobre os membros
da classe política.

Perspectiva Racionalista
Racionalidade Formal
A perspectiva descrita anteriormente tem por fundamento a
não intencionalidade do comportamento político, a convicção de
que a acção política, desenvolvida pelo indivíduo ou pelo grupo,
não resulta de uma escolha consciente de objectivos,
limitando-se aqueles a agir como intervenientes condicionados.

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Esta atitude é contrariada pela secular tradição do pensamento
político, a qual, procura explicar o comportamento em termos
de objectivos racionalmente seleccionados pelos agentes.

Hobbes e Locke,
A transição do estado de natureza para a sociedade civil, é
ditada sobretudo pelo exercício da racionalidade de cada
indivíduo, os indivíduos celebram um pacto com todos, que
pressupõe abdicar de parte substancial dos direitos possuídos
no estado pré-social, mas que possibilita a manutenção dos bens
considerados mais valiosos e a conquista de serviços e valores
fundamentais para a preservação da vida.
Jeremy Bentham
O processo político é o resultado de um cálculo sobre os
melhores meios para alcançar a satisfação dos interesses
prioritários dos indivíduos. Isso implica criar condições em que
o predomínio das sensações de prazer sobre as sensações de dor
fosse maior e mais provável.

A perspectiva racionalista assume um carácter totalizante,


tem em consideração os objectivos conscientemente
seleccionados e a personalidade básica do indivíduo (ou dos
grupos) entre os motivos que entram na escolha do
comportamento político.

Assentando na distinção entre objectivos (in order to) e razões


(because of) ela coloca uma das questões mais importantes do
ambiente da CP, o problema da criatividade ou livre escolha de
objectivos.
Origem nos modelos de racionalidade da economia neo-clássica.

Conceito de racionalidade - diz sobretudo respeito à adequação


dos meios aos fins.

Posteriormente as insuficiências da noção de racionalidade


postas a claro:
Mancur Olson - coloca o problema da alocução sub-optimal dos
bens colectivos e do free riding.
The Logic of Collective Action, adoptando o modelo de
racionalidade de tipo económico, assente no binómio
custos-benefícios, tipos de mercado e bens produzidos, procurou

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demonstrar que tanto a participação em organizações que
promovem interesses colectivos como as formas de acção
colectivas em geral não resultam de uma conduta racional e
egoísta por parte dos indivíduos.

Os bens produzidos pela acção colectiva são bens conjuntos, isto


é, resultam da produção coordenada dos membros do grupo, e
predominantemente públicos, ou seja, estão ao dispor quer dos
membros do grupo quer daqueles que estão fora dele, a
racionalidade desaconselha claramente todo o envolvimento
participativo, convidando antes ao comportamento de
free-riding (comportamento daquele que espera que os outros
suportem os custos de uma acção colectiva, usufruindo ele, sem
contrapartidas, dos seus benefícios).

Raymond Boudon - chama a atenção para os efeitos perversos


da acção social.
Effets Pervers et Ordre Social, partindo de uma afirmação de
Karl Popper, chama a atenção para o problema dos efeitos
perversos, para o facto de toda a acção social poder provocar
efeitos que não esperamos e que, provavelmente, não
desejamos.

Racionalidade Limitada: a Formação da Decisão e a Teoria dos


Jogos
Posteriormente a abordagem racionalista reviu alguns dos seus
conceitos operacionais dando origem ao processo de formação de
decisões e teoria dos jogos.
As decisões traduzem um juízo final sobre a maneira de obter
certos resultados numa dada conjuntura concreta.
Acresce dizer que a decisão é tomada por homens e que todos
eles estão condicionados pela sua concepção do mundo e da
vida, dado que esta lhes impõe mapas cognitivos e quadros
normativos específicos.
A complexidade do ambiente da decisão, em que o actor político
é obrigado a interagir, conduziu os estudiosos a reflectir sobre
as condições de incerteza, sobre os erros que se podem cometer
na avaliação do binómio custos-benefícios, sobre a possibilidade
da acção ter efeitos inesperados e até perversos.

20
Uma das consequências desta reflexão foi ter conduzido ao
enriquecimento do princípio da racionalidade, entendido agora
em termos de razoabilidade ou racionalidade situada.
Referindo-se não apenas à relação meios-fins mas aos
meios-fins em certa conjuntura concreta, a racionalidade
situada ou razoabilidade pressupõe a procura de um equilíbrio
de objectivos e valores.
A constatação de que a decisão política tem um oponente que
também toma decisões, está na base do desenvolvimento da
chamada teoria dos jogos, aplicada hoje em numeroso domínios,
tais como o militar, o económico, o social, o político.

A teoria dos jogos (game theory) é o ramo da matemática que


permite estudar as situações concorrenciais caracterizadas pelo
facto de dois ou mais indivíduos (decisores) tomarem decisões
em situações de incerteza que envolvem conflito de interesses.
John von Neumann e Oskar Morgenstern, The Theory of
Games and Economic Behavior, - a teoria dos jogos é aplicada
ao estudo de certos aspectos da formação das decisões
individuais em contextos que implicam seja a possibilidade de
conflito seja a possibilidade de cooperação.
Numa situação de escolha (ou jogo) os participantes, procurarão
o resultado que lhes é mais favorável.
O resultado final (payoff) depende de todos os participantes no
jogo, cada jogador deve ter em conta as escolhas à disposição
dos seus oponentes, assim como as suas eventuais estratégias
de acção.
Uma das características especiais da teoria dos jogos é admitir
que pode não haver perdedores.
Aos jogos de soma nula (soma zero), em que os interesses dos
jogadores são diametralmente opostos, e aquilo que uns
ganham é exactamente o que os outros perdem, contrapõem-se
os jogos de soma variável (soma significativa) onde os jogadores
podem chegar a soluções mutuamente vantajosas, e onde o
aumento de utilidade para uns não implica a redução de
utilidade para os outros.

A Perspectiva Funcionalista
Noção Geral de Funcionalismo
Em oposição ao individualismo, a crítica funcionalista
considera que a explicação dos fenómenos políticos será

21
insuficiente sempre que se limite a considerar o comportamento
individual dos agentes, ignorando a função por eles
desempenhada.
O comportamento político é resultante de uma tensão entre as
exigências e expectativas que a sociedade global dirige ao
agente, e a capacidade de resposta ou acção que este demonstra
no papel de direcção que capturou.
Função: em alguns casos pode designar a detenção de um
emprego ou o exercício de uma profissão (sentido comum).
Noutros casos trata-se de mostrar a relação existente entre
duas grandezas, de tal modo que a alteração de uma implica a
modificação da outra, obrigando-a a uma adaptação (sentido
matemático). Noutros casos ainda, desempenhar uma função
equivale a trazer um contributo para o todo de que se é parte
integrante (sentido biológico).
É este terceiro sentido do conceito de função que está na
origem do funcionalismo nas Ciências Sociais, sendo a ideia
básica esta: à semelhança do organismo vivo, a sociedade forma
um todo, uma totalidade, cujos elementos constituintes,
interdependentes, assumem certas funções, que correspondem
às suas necessidade fundamentais.

Herbert Spencer - inicia a orientação propriamente


funcionalista dos estudos sobre a sociedade.
“Princípios de Sociologia” - estabelece um paralelismo entre a
evolução das sociedades e a evolução dos organismos vivos,
que se traduziria na passagem de uma homogeneidade
incoerente e indefinida a uma heterogeneidade coerente e
definida, num processo que deveria resultar numa crescente
diferenciação e especialização dos organismos e sociedades.

Émile Durkheim - utilizou o método funcional em alguns dos


seus trabalhos mais conhecidos, onde concebeu a sociedade
como uma totalidade orgânica, que por um processo de
diferenciação e especialização adaptativa produz indivíduos
diferenciados.

Bronislaw Malinowski - aparecimento do funcionalismo nas


Ciências Sociais. Primeiro antropólogo a estudar in locu a vida
dos povos sem escrita.

22
Cada cultura forma uma totalidade coerente e organizada e
cada um dos seus elementos só pode ser compreendido por
referência a esse todo.
Os elementos desempenham funções que são indispensáveis à
sobrevivência e funcionamento do todo - Princípio de
organização harmoniosa das sociedades, em que tudo o que
existe é simultaneamente útil e necessário. A mesma
orientação embora mais moderada, foi assumida pelo
antropólogo inglês, seu discípulo, Radcliffe-Brown.

Reformulação da Teoria Funcionalista


Robert Merton - Censurando não a análise funcional
propriamente dita, mas as formas abusivas ou extremas dela,
procurou identificar claramente os postulados em que
assentava o funcionalismo clássico de Malinowski e
Radcliffe-Brown, afim de os poder pôr de parte:
(1) o postulado da unidade funcional da sociedade; O que há de
abusivo no primeiro postulado é a suposição de uma perfeita e
acabada harmonia das sociedades.
(2) o postulado do funcionalismo universal; O segundo
postulado diz que todos os elementos culturais ou sociais
estandardizados desempenham funções positivas.
Uma tal explicação deixa de fora uma série de consequências
não funcionais das formas culturais existentes, pelo que é
conveniente ter em conta, a par do conceito de função, os de
disfunção ou não função, ou seja, os contributos positivos,
negativos e neutros para uma ordem social.
(3) o postulado da necessidade. No terceiro, todos os tipos de
civilização cada elemento cultural ou social é indispensável ao
todo, dado que preenche uma função vital e tem uma tarefa a
desempenhar. Para isso propôs Merton o conceito de substituto
ou equivalente funcional: assim como um só elemento pode
desempenhar várias funções, também uma só função pode ser
desempenhada de várias formas e por diferentes elementos

Merton mostra que nem todas as sociedades possuem esse


elevado grau de integração social.

A crítica mertoniana está na origem de quatro novos conceitos:

23
· Disfunção (exprime o facto de um elemento cultural ou
social perturbar a adaptação do sistema a eventuais
mudanças);
· Equivalente funcional (o exército que assume funções de
governo);
· Funções manifestas (consequências objectivas que,
contribuindo para a adaptação do sistema, são
compreendidas e desejadas pelos seus participantes);
· Funções latentes (efeitos objectivamente observáveis que,
promovendo a adaptação e ajustamento do sistema, não
são compreendidos nem desejados).

O Modelo Estrutural-Funcionalista de Gabriel Almond e


Bingham Powell
Gabriel Almond, em colaboração com Bingham Powell,
propõe-se dotar a CP de um verdadeiro modelo de análise
estrutural funcionalista,. O principal objectivo era o de
construir uma rede de conceitos analítico-empíricos que
permitisse comparar sistemas políticos diversos.
Sugerem que se atenda primeiramente às funções de base
comuns a qualquer sistema político, e só depois às estruturas
que cumprem, e em que medida, essas funções políticas.
O modelo de análise é dominado por quatro conceitos-chave:
· sistema político
· estruturas;
· funções políticas;
· cultura política.
As estruturas correspondem a funções políticas, e estas últimas
podem ser classificadas segundo duas variáveis: grau de
diferenciação e especialização dos papéis políticos e autonomia
dos subsistemas.

A cultura política é o conjunto de atitudes e orientações dos


indivíduos para com o sistema político e comporta uma
dimensão cognitiva, afectiva e avaliativa.
Estas três dimensões supõem uma cultura política cujos traços
variam conforme os contextos nacionais. Assim surgem:
· cultura paroquial (os indivíduos são pouco sensíveis ao
sistema político global, orientando-se para um subsistema
político mais limitado – aledia, clã, etnia);

24
· cultura de sujeição (consciência do todo nacional, conduta
de passividade);
· cultura de participação (os indivíduos agem como
cidadãos conscientes tanto dos meios de actuação
disponíveis quanto da possibilidade de influenciar o curso
dos acontecimentos políticos).
Funções de base comuns a qualquer sistema político a que
correspondem diversas capacidades.
1º. Nível - Funções de Rendimento
2º. Nível - Funções de Conversão
3º. Nível - Funções de Manutenção e Adaptação

Críticas ao modelo de Almond e Powell: sendo que se basearam


no modelo de Merton, deixaram cair os conceitos de equivalente
funcional, disfunção, funções manifestas e latentes, o que faz
com que a sua análise seja considerada por vezes vaga e
contraditória. Ao sugerirem uma uniformidade funcional dos
sistemas políticos não escapam à acusação de etnocentrismo,
uma vez que se baseiam no modelo americano, e daí o seu
cunho preponderantemente conservador.

A Perspectiva Sistémica
Origem da Perspectiva: é uma tentativa de síntese das
perspectivas anteriores, tem a sua origem na chamada teoria
geral dos sistemas. Com a intenção teórica e empírica de
ultrapassar os estudos fragmentários e as divisões rígidas entre
as várias ciências, foi desenvolvida sobretudo na biologia e na
cibernética.
Nos anos subsequentes à 1ª. Guerra Mundial, o biólogo Ludwig
von Bertalanffy, retomando os trabalhos sobre a célula e as
suas trocas com o exterior recorre à noção de sistema para
formalizar essas relações.
Após a 2ª. Guerra Mundial, Norbert Wiener funda a
cibernética com base no princípio da caixa negra que reage às
solicitações, pressões ou exigências que lhe são dirigidas. É
também por esta altura que Bertalanffy, fazendo a síntese dos
trabalhos realizados no âmbito de várias disciplinas, tais como
a biologia, a cibernética, a termodinâmica, a genética, a teoria
da comunicação, a ciência das organizações, e outras, lança a
fórmula “Teoria Geral dos Sistemas”

25
A análise sistémica assenta na ideia fundamental de que os
vários sistemas (físicos, mecânicos, biológicos, sociais) possuem
propriedades idênticas, ou do ponto de vista estrutural, ou do
ponto de vista funcional, o que permite a emigração de
conceitos de uma ciência para outra, para além das fronteiras
tradicionais.

A Contribuição de Talcott Parsons


O ponto de partida da análise parsoniana é o conceito de acção
social (toda a conduta humana que é motivada e orientada
pelos significados que o agente descobre no mundo exterior –
ambiente – e aos quais reage).
O sistema geral da acção, desempenha quatro funções
elementares: Adaptação (função pela qual o sistema se adapta
ao seu ambiente e adapta o ambiente às suas necessidades);
Prossecução dos Objectivos (função pela qual o sistema define e
alcança os seus objectivos primários);
Integração (função pela qual o sistema assegura a coordenação
e coerência entre as sua partes componentes, evitando as
perturbações e a mudanças bruscas que o ameaçam);
Estabilidade Normativa (função pela qual o sistema cria,
mantém e renova quer a motivação dos indivíduos quer os
valores e padrões culturais que criam e mantém essa
motivação).
Aos imperativos funcionais correspondem quatro contextos.
Às funções de adaptação realização de objectivos, correspondem
o subsistema biológico e o subsistema psicológico ou da
personalidade; Às funções de integração-estabilidade normativa
equivalem os subsistemas social e cultural.
Quadro AGIL (adaptation, goal, integration, latence).

Críticas à teorização parsoniana - dizem que o modelo


sistémico só dificilmente poderá ser aplicado na investigação
empírica, dado que não permite apreender os problemas
concretos da análise política.

A Aplicação da Perspectiva Sistémica por David Easton


A perspectiva sistémica será aplicada por David Easton e por
Karl Deutsh.

26
Pós-guerra - dupla exigência de conferir unidade à ciência
política e de considerar a política como uma realidade
autónoma, distinta e separável dos outros aspectos da vida
social - origem da nova ciência política, de que David Easton se
considera porta-voz.
Propõe-se desenvolver uma nova concepção científica, a qual
combinando a teoria com o trabalho empírico, deveria promover
não só a compreensão da realidade, mas procurar ainda
modificá-la através de soluções credíveis para os problemas
práticos e prementes.
Construção de um modelo de pesquisa dos fenómenos políticos,
simples mas rigoroso, analítico mas também explicativo.
O autor procura elaborar um quadro conceptual unificado, que
lhe permita compreender a vida política nos seus componentes
fundamentais.
Adopta uma definição restritiva de política.
O sistema político é apresentado como um sistema aberto
rodeado de meios ambientes diversos:
O primeiro compreende todos os sistemas não políticos que
fazem parte da sociedade global – psicológico, biológico,
ecológico e social – O segundo abrange todos os sistemas
exteriores à própria sociedade global, com os quais o sistema
político está presumivelmente em relação, tais como os
sistemas políticos coexistentes, os sistemas internacionais –
Nato, Nações Unidas – supranacionais – UE – sistemas
ecológicos mundiais).

A verdadeira originalidade de Easton está em considerar o


sistema político como uma caixa negra - clara ruptura teórica
com a análise tradicional dos sistemas políticos. Easton resume
num diagrama os traços essenciais da estrutura analítica que
tenciona desenvolver. Trata-se do modelo simplificado de um
sistema político rodeado do seu meio ambiente.

A contribuição de Karl Deutsch: a comunicação


Em “The Nerves of Government” criou um modelo original de
sistema político inspirando-se na teoria da comunicação e na
cibernética, onde destaca as noções de comunicação e controlo.
A vida política é concebida como um conjunto de redes de
comunicação através das quais os inputs são recebidos e
elaborados e os outputs são gerados e lançados no ambiente.

27
O autor compara o sistema político ao sistema nervoso, um
sistema de ligação de centros nervosos irrigados pela
informação, dotado de sensores que interceptam a informação
que, depois de transferida para os centros nevrálgicos do
sistema é codificada, seleccionada e processada,
transformando-a em decisões.

Os canais de comunicação são os “nervos do Governo”.


Compara o sistema político a um sistema de pilotagem.
Analisando os processos de decisão Karl Deutsh faz uma outra
imagem, compara-os com caixas d’água ou reservatórios em
cascata.
O Poder aparece não já como o centro do sistema político, mas
como o meio de comunicação.
O Poder - equivale à capacidade de informar; um grupo
dirigente pode falhar na execução de uma decisão, seja porque
não possui informações suficientes sobre os seus destinatários,
seja porque é incapaz de prever correctamente as suas reacções.

A Perspectiva do Poder
Principais concepções de Poder

Hobbes - o poder é concebido como uma coisa ou essência que


se pode adquirir ou perder, possuir ou exercer, acumular ou
gastar. O poder não pode ser definido como uma coisa, ele
apenas existe no interior de uma relação entre dois ou mais
agentes, sendo necessário ter em linha de conta os termos
existenciais, reais e singulares destas relações.

Harold Lasswell declara que este não é uma coisa que se


desloca de um lugar para o outro, mas um processo que
desaparece quando cessam as circunstâncias do ambiente
interno e externo que o apoiam.

Weber o poder consiste na capacidade de fazer triunfar no seio


de uma relação social a sua própria vontade mesmo contra
resistências. É uma concepção relacional do poder.

28
Robert Dahl diz que só existe poder quando e na medida em
que o seu utente influencia o comportamento dos outros no
sentido das suas intenções.

Adriano Moreira diz que dentro do poder há que distinguir


entre
· Manipulação (todos os condicionamentos susceptíveis de
ser introduzidos no ambiente do destinatário do poder, de
modo a orientar o seu comportamento sem declarar a
intenção do agente);
· Dominação (anúncio da intenção e a credibilidade do uso
da força); e
· Força (consiste no uso dos recursos físicos ao dispor do
agente e traduz o estádio final e pleno do uso do poder).
O poder como essência e o poder como fenómeno de interacção
serviram para orientar a investigação empírica e alimentar o
debate teórico que contrapôs por quase três décadas, elitistas e
pluralistas. Elitistas tendem a considerar o poder como uma
substância ou como um jogo de soma zero, em que o aumento do
poder de uns corresponde à diminuição do poder dos outros.
Pluralistas insistem no carácter relacional do poder,
interpretando-o como um processo ou jogo de soma variável,
onde o poder de um sujeito pode aumentar ou diminuir sem que
aumente ou diminua o poder dos outros sujeitos.

3. A Forma do Poder

Abordagem Clássica
A mais antiga e persistente tentativa de classificar os regimes
políticos é a que atende exclusivamente à sua definição
normativa ou causa formal.
Encontra-se em regra expressa nas Constituições Políticas.
O poder político se guia por um normativismo resultante do
chamado poder normativo dos factos (Constituição Real), mas
insiste em proclamar a validade e a eficácia da constituição
escrita (Constituição Formal).

Adriano Moreira mostra como a falta de autenticidade põe em


causa o estudo meramente formal dos regimes políticos, sendo
necessário proceder à investigação da sede real do poder
político e ao exame dos padrões ideológicos que o orientam.

29
Propõe a classificação dos regimes em duas categorias:
Regimes monistas (não se consente a circulação da sede do
poder nem a alternância ideológica, o que estabiliza facilmente
a forma e encaminha o estado para autoritário ou totalitário)
Regimes pluralistas (aqueles em que a revolução legal está
prevista de tal modo que a forma torna viável a alternância no
poder e a alternância ideológica pelo consentimento expresso da
sociedade civil).
Há ainda constituições mistas que, como sustentam os liberais
de tipo americano, admitem a alternância ideológica.

As Classificações Clássicas foram predominantemente formais


e radicam em Aristóteles, que as divide em 3 formas correctas
ou puras de governo:
Monarquia (só um exerce o poder visando o bem comum);
(sempre que o homem só que governa o faz em benefício
próprio), degenera em Tirania
Aristocracia (o governo é exercido por alguns, atendendo ao
interesse geral); (quando os poucos que governam o fazem em
benefício dos homens do meio); degenera em Oligarquia
Democracia (o poder é exercido por todos os cidadãos para o
bem de toda a comunidade). (quando grande número governa
em benefício dos homens, sem meios) degenera em Demagogia

Em conclusão, nenhuma das formas degeneradas visa o


benefício de toda a comunidade, mas sim o interesse próprio dos
que governam.
Aristóteles considera que a estabilidade política só poderia ser
alcançada através de um governo misto, onde estivessem
presentes as formas puras de governo que, controlando-se umas
às outras, evitariam os excessos e a degenerescência a que
isoladas estavam sujeitas (anacyclosis). O melhor governo
seria, no entanto, sempre para cada povo, aquele que maior
correspondência tivesse com o seu carácter e as suas
necessidades próprias.
Também Políbio atribuiu a grandeza de Roma à forma de
governo misto, que esta instintivamente descobriu para si. A
existência da Constituição Romana tal como vigorava no séc. III
resultava de nela se terem combinado de forma harmoniosa e
equilibrada os princípios monárquico, democrático e
aristocrático.

30
Adriano Moreira anota que a forma mista parece facilitar a
circulação do poder e é de supor que tenha influenciado a teoria
da divisão dos poderes de Montesquieu que atende à variável
da natureza e governo e caracteriza os princípios que dominam
e dão um espírito particular aos regimes políticos. Alertou para
o facto de que as leis e as instituições de um povo não são
habitualmente boas para todos, em virtude do que chamou
“espírito do povo”, ou seja, uma instituição particular pode ser
indicada para um regime republicano constituindo factor de
prosperidade e sucesso, mas não servir a um despotismo ou
vice-versa.

O Critério do Desenvolvimento Político


O conceito de Desenvolvimento Político surgiu a partir do fim
dos anos 50 com a concessão da independência a quase todas
as ex-colónias da África e da Ásia, pondo termo a uma
concepção eurocêntrica do fenómeno político.
A emergência da abordagem desenvolvimentista nas déc. de 50
e 60 tem sido reconduzida a três principais ordens de razões:
Científicas, políticas e ideológicas.

Do ponto de vista científico, assinala-se a importância da


revolução comportamentalista levada a cabo pelos “jovens
turcos” da politologia norte-americana, David Easton, Gabriel
Almond, Bingham Powell, Carl Deutsch, Robert Dahl, que
proclamam a necessidade de renovar em termos de
cientificidade e de autonomia disciplinar a CP tradicional,
desenvolvendo novos conceitos, teorias, modelos e sobretudo
perspectivas de investigação alternativas.

Do ponto de vista político, a multiplicação em flecha do número


de estados independentes foi entendida como uma
oportunidade irrecusável de ampliar o universo ou laboratório
da política comparada e ainda de comprovar conceitos,
hipóteses, teorias e modelos, cuja validade científica estava até
então demonstrada apenas para os EUA e quando muito para
os países da Europa Ocidental. Com total abertura e manifesto
entusiasmo, a maior parte dos investigadores inseridos no
Comitee on Comparative Politics (1966) adere ao convite para
estudar modelos políticos externos e afastados da área

31
ocidental, num esforço de compreensão global do fenómeno
político, nunca antes ensaiado.
Roy Mecridis - “The Study of Comparative Governement”,
apela a uma radical renovação da política comparada que
acusa de:
¨ Paroquial (limita-se ao mundo ocidental);
¨ Descritiva (dado que é dominada sobretudo por monografias
e estudos de caso)
¨ Formalista e Legalista (pois dá especial importância ao
estudo das regras jurídicas subestimando por completo os seus
aspectos informais e processuais).

Do ponto de vista ideológico podem distinguir-se duas


motivações principais: Conceito de desenvolvimento (visão
neo-iluminista da ciência);
Temática de desenvolvimento (confronto entre liberalismo e
comunismo, capitalismo e socialismo, democracia e
autoritarismo, tendo por base um aparelho conceptual
aparentemente neutro mas que assume quase sempre como
modelo de referência as estruturas e instituições do mundo
anglo-saxónico).

As razões de natureza política que favoreceram a sua


emergência nos anos 50 e 60 foram os condicionamentos ditados
pelo clima de Guerra Fria que se instaurou no período
subsequente à 2ª. Guerra Mundial.
Perante a forte atracção do Socialismo como ideologia e do
Marxismo-leninismo como fórmula para conquistar e manter o
poder em muitos países do chamado 3º. Mundo.
Os EUA cedo se empenharam na criação de centros de estudos
e na elaboração de programas de ajuda económica, técnica e
financeira aos novos estados independentes, procurando por
esta forma oferecer-lhes um modelo ou ideologia de
desenvolvimento alternativo.

O Comitee propôs uma definição geral de Desenvolvimento


Político, baseada nos três elementos ou processos que
caracterizam a democracia ocidental:
(1) tendência para a igualdade;
(2) maior diferenciação das instituições e organizações
políticias;

32
(3) aumento da capacidade do sistema político para dirigir a
esfera pública.

Sidney Verba e Lucien Pye, o DP processa-se a três níveis:


(1) População no seu conjunto (passagem da condição de
súbdito a cidadão, da cultura de sujeição à cultura de
participação);
(2) Prestações do sistema político e do governo (capacidade do
sistema político para conduzir os negócios públicos, controlar
pacificamente os conflitos e os interesses);
(3) Modo de organização dos poderes e das instituições
(diferenciação estrutural, separação e controle de poderes,
integração entre centro e periferia, coordenação entre as
múltiplas instituições em que se articula o sistema
democrático).

Devido ao carácter demasiado abrangente de uma tal definição,


assistiu-se a uma proliferação de conceitos, modelos e teorias
individuais que vieram demonstrar a clara impossibilidade de
conceber o Desenvolvimento Político de um modo unívoco para
todos os tempos e todos os lugares.

O DP pode ser entendido como:


· condição para o desenvolvimento económico;
· política das sociedades industriais;
· modernização política;
· construção do estado nação;
· desenvolvimento administrativo e jurídico;
· mobilização e participação de massas;
· construção da democracia;
· estabilidade e mutação gradual;
· mobilização do poder e mutação social multidimensional.
·
Em 1987, Samuel Huntington afirma de modo peremptório que
o sector está de tal modo apinhado de investigações, modelos e
teorias que se torna necessária a criação de uma sub-disciplina
autónoma e especializada, destinada à classificação e
sistematização dos trabalhos publicados nos últimos 3
decénios.
Três grandes etapas:
(1) Início de 50 até meados de 60;

33
(2) 1965-1970;
(3) 1970-1980.

1ª. Etapa – início de 50 até meados de 60


As teorias desenvolvimentistas são dominadas por uma visão
linear e evolucionista do DP.
Jogo de soma zero - afirmação de estruturas modernas em
detrimento das de tipo tradicional.
Dentro desta concepção geral destacam-se:
Teoria da modernização de Edward Shils
Teoria funcionalista do desenvolvimento de Almond e Powell,

Shils - não entende o desenvolvimento político como um


corolário ou epifenómeno das transformações registadas nos
campos económico e social, delineando antes uma explicação
política dos processos de modernização.
Faz assentar a sua tipologia dos regimes políticos no peso de
cada uma das formas de articulação de estratégias
distinguindo:
(1) Democracia Política;
(2) DemocraciaTutelar;
(3) Oligarquia Modernizadora;
(4) Oligarquia Totalitária;
(5) Oligarquia Tradicional.

Shils - Abandona a noção de etapas ou estádios - evolução dos


diferentes tipos de regime depende das escolhas e das
capacidades das elites.

Almond e Powell - O pressuposto básico da tipologia é o de que


cada sistema apresenta traços singulares em relação aos
demais.

A sua classificação assenta em dois critérios fundamentais:


· a diferenciação estrutural
· a secularização cultural.

Tendo por base o primeiro os autores chamam a atenção para o


facto de nos sistemas políticos poderem surgir novas
estruturas, a que são atribuídas novas ou velhas funções

34
transformadas segundo uma lógica de crescente
especialização.
O segundo critério traduz o processo através do qual os
homens se tornam mais racionais, analíticos e empíricos na
sua acção política, implicando a substituição de atitudes e
orientações tradicionais por concepções mais dinâmicas da
política.

Almond e Powell dividem os sistemas políticos em três classes


distintas:
(1) Primitivos (funções políticas realizadas de modo
descontínuo e indiferenciado por grupos de parentesco ou
estruturas de governo fortemente personalizadas);
(2) Tradicionais (estruturas políticas e de governo dotadas de
uma certa diferenciação caracterizada pelo recurso a uma
burocracia mais ou menos especializada);
(3) Modernos (infra-estruturas políticas diferenciadas e
relativamente autónomas – partidos, grupos de pressão e
interesse e OCS). Dentro desta última categoria entre sistema
democrático e autoritário.

2ª. Etapa – meados de 60 até 1970


A concepção uniforme e tendencialmente unilateral do
desenvolvimento é progressivamente substituída por uma visão
mais articulada.
Ao optimismo dos pioneiros sucede o realismo dos estudiosos.
O conceito de democracia dá lugar à noção de ordem entendida
como a ausência de conflitualidade e realização de um elevado
grau de estabilidade política.
Assiste-se à individualização de uma nova área de estudo: a
modernização. David Apter - “The Politics of Modernization” --
privilegia o estudo da modernização - a importação no seio das
sociedades tradicionais de novos papéis saídos da sociedade
industrial, constitui um processo de difusão e consolidação das
estruturas, papéis, comportamentos, que tornam possível a
passagem da sociedade tradicional para a industrial, segundo
uma sucessão: (1) declínio do tradicionalismo;
(2) passagem para a industrialização;
(3) advento da modernização.

O processo de modernização - três dimensões:

35
Normativa (valores que permeiam a sociedade);
Estrutural (limites dentro dos quais as escolhas dos indivíduos
se efectuam);
Atitudinal ou Comportamental (tipos de escolhas e motivos que
as determinam).

Desenvolve a teoria das alternativas do desenvolvimento


político em que a sociedade tradicional é vista como embrião da
sociedade moderna, delineando um esquema de classificação
bidimensional baseado na autoridade (hierárquica e piramidal)
e em tipos de valores dominantes ao nível da comunidade
(expressivos e instrumentais).

Apter - 4 tipos de sistema político:


Teocrático;
Mobilização (Rússia);
Reconciliação (América Latina)
Burocrático (Mundo Ocidental).
Só os três últimos são modernizadores.

Samuel Huntington - contesta a associação generalizada entre


os processos de modernização e desenvolvimento político
apresentando-o como a institucionalização de organizações e
procedimentos políticos.

Institucionalização: processo pelo qual as organizações e os


procedimentos adquirem validade e estabilidade.
O nível de institucionalização de um sistema político, medido
em 4 elementos:
1. Adaptabilidade;
2. Complexidade;
3. Autonomia;
4. Coerência.
Sociedade civil (politicamente desenvolvida), reconhece-se pela
presença de instituições fortes que organizam e disciplinam o
elevado nível de participação popular.
Sociedade pretoriana (politicamente corrupta), as instituições
políticas são débeis e as forças sociais fortes, ausência da
aceitação generalizada das regras do jogo.

36
Propõe ainda uma 2ª classificação, sistemas políticos
distinguidos segundo o grau de:
Distribuição (concentrada ou difuso)
Concentração (mais ou menos restrita/ampla) do poder.

3ª. Etapa – 1970-1980


Marca o abandono da pretensão de fornecer uma teoria geral do
DP, passando este de objecto universal e abstracto a objecto
singular e concreto.
Tilly, de Rokkan e Wallenstein surgem como emblemáticos
desta nova abordagem.

4. A Sede do Poder: Grupos de Interesse e de Pressão

A Teoria Política dos Grupos: breve retrospectiva


Adriano Moreira distingue:
Sede de Apoio (grupos, extractos sociais e classes que estão
numa relação de obediência consentida com o aparelho do
poder)
Sede de Exercício (o próprio aparelho do poder).

O conceito de Grupo de Pressão está ligado à teoria pluralista e


à teoria dos grupos.
Arthur Bentley - Só nos anos 20 e 30 alguns politólogos
redescobrem a utilidade da análise dos grupos de pressão,
procurando saber de que modo e em que medida estes
influenciam o processo da decisão política.

Peter Odegard, Pendleton Herring e Elmer Schattschneider -


privilegiaram a análise empírica sem ter em vista a construção
de uma teoria política geral dos grupos.

A visão pluralista que se difunde nos anos 50 perde essa forte


componente prescritiva e doutrinária, achando-se ligada a um
vasto conjunto de questões conjunturais, opções metodológicas e
circunstâncias contingentes.
Group Theory of Politics, desenvolveu-se em de 4 etapas
1ª - David Truman e Earl Latham, (inicio anos 50), reconhecem
que a multiplicidade dos interesses e dos grupos organizados
condiciona profundamente o governo da coisa pública. Porém,
estando os interesses numa posição de igualdade, o sistema

37
político no seu conjunto mantém um carácter essencialmente
democrático.
2ª - Elmer Schattschneider, de Mancour Olson e Grant
McConnell (inicio anos 70), vieram alterar profundamente o
tipo de abordagem até então prevalecente, colocam em causa a
imagem de um poder difuso e de uma harmoniosa interacção
entre os grupos, sublinhando a dimensão competitiva e
conflitual do sistema de pressões.
3ª - Robert Sulisbury e Theodor Lowi. Sulisbury (apartir anos
70), propõe um modelo de análise que procura explicar a
emergência, o crescimento e o declínio dos grupos de interesse a
partir das relações de troca entre aqueles que são os
promotores do grupo (empresários, organizadores) e aqueles
que a ele aderem posteriormente (consumidores, aderentes).

Definição, Classificação e Funções dos Grupos de Pressão


Jacqueline de Celis: grupo de pressão é sempre um grupo de
interesses mas um grupo de interesses não é necessariamente
um grupo de pressão.

Almond e Powell - a sua tipologia dos Grupos de Pressão,


distingue:
Grupos anómicos (expontâneos e efémeros – manifestações,
tumultos, revoltas);
Não associativos (informais, intermitentes e não voluntários,
que não têm continuidade de organização – religiosos, étnicos e
linguísticos);
Institucionais (tutelam com continuidade os interesses
consolidados promovendo-os através de canais oficiais -
partidos, burocracia, exércitos);
Associativos (base voluntária, especializados na representação,
promoção e defesa de interesses particulares – sindicatos,
agrupamentos cívicos).

Jean Blondel - situa os grupos de pressão ao longo de um


continuum cujos extremos correspondem a dois tipos de
organização diametralmente opostos:
Comunitária (laços afectivos e exclusivos – grupos de
parentesco, étnicos, religiosos, castas)

38
Associativo (laços instrumentais e inclusivos, típico de
processos de modernização, diversificação e fragmentação social
– sindicatos, ordens profissionais e grupos ambientalistas).

Promovem os interesses particulares procurando obter do poder


decisões que lhes sejam favoráveis. Fazem-no através da
pressão que se traduz na definição de Mathiot em toda a acção
realizada junto de qualquer autoridade para influir sobre as
suas decisões, através dos métodos apropriados, desde a
propaganda hábil até aos meios de intimidação.
A pressão constitui elemento determinante da definição de
grupo de pressão.

Grupos de Pressão e Partidos Políticos: aquele que aceitam a


acepção extensiva da Group Theory of Politics, tendem a não
estabelecer qualquer separação entre partidos e grupos.
Os partidos, tal como os grupos, são manifestações
particulares de um fenómeno mais geral.
Aqueles que afirmam ser possível distinguir ambos os
fenómenos atendendo à sua natureza específica:
¨ Partidos como organizações que lutam pela aquisição,
manutenção e exercício do poder,
¨ Grupo como organizações que procuram pressionar o poder
político, sublinhando ainda que se a política é para os
primeiros um fim, para os segundos ela não é senão um meio.

A realidade dificulta a clareza da distinção.


Almond e Powell - estabelecendo uma verdadeira divisão do
trabalho político, atribuem aos grupos de pressão uma função
de articulação dos interesses e aos partidos a função de
agregação dos interesses.

Domenico Fisichella - separa as funções desempenhadas


apenas pelos partidos (competição eleitoral, gestão directa do
poder político e de expressão democrática) de todas as que são
comuns aos partidos e grupos.

A resposta dos funcionalistas a esta questão é sugestiva, por


duas razões:
1) Permite evitar a arbitrariedade inerente a toda e qualquer
tentativa de definição;

39
2) Incita ao estudo da dimensão empírica do fenómeno,
mostrando que a linha de separação entre partidos e grupos
varia de sistema para sistema.

Canais, Recursos e Tipos de Intervenção dos Grupos de


Pressão
Adriano Moreira
Reconhece que o aspecto mais importante e específico dos GP é
o que se refere ao seu modo de actuação, ou seja, a questão dos
canais de intervenção ou de acesso ao poder político.
A escolha do canal depende de um conjunto de factores
externos e de factores internos
As relações entre os grupos de pressão e os órgãos do poder
podem ser abertas ou ocultas.
Relações entre os GP e os Partidos, graus de interdependência:

(1) Os grupos de pressão controlam e condicionam os partidos;


(2) Os grupos de pressão são, uma emanação dos partidos
apoiando a sua actividade tanto a nível ideológico como a nível
da mobilização de aderentes;
(3) Os grupos de pressão e os partidos são estruturas políticas
autónomas, uns tutelam os interesses particulares e sectoriais,
os outros defendem e promovem interesses gerais e colectivos.

Os grupos de pressão podem ainda ter em vista agir sobre a


opinião pública no sentido de motivá-la a assumir como suas,
reivindicações que pretendem desenvolver, obrigando assim os
órgãos decisores a ceder perante o apoio favorável dos cidadãos.

Esta acção junto da opinião pública pode revestir a forma de:


¨ Constrangimento (greves, manifestações de massa)
¨ Persuasão exercida pela propaganda (conferências de
imprensa, aluguer de páginas de jornais, spots de televisão)
¨ Quer pela informação (controle de órgãos de imprensa por
grupos económicos e financeiros).

Grupos de Pressão e Tecnocracia


Adriano Moreira - Destaca dentro da teoria dos grupos, o
problema da burocracia moderna ou tecnocracia.

40
A tecnocracia pode actuar como grupo de pressão mas também
pode ocupar o próprio aparelho no Estado (elite do poder ou da
classe dirigente).
A compreensão do fenómeno varia consoante nos situemos no
âmbito da matriz liberal ou da marxista.
Quanto à matriz marxista, considera que a burocracia e a
tecnocracia são fenómenos que nascem não em separado mas
em necessária inter dependência com o desenvolvimento
histórico do estado capitalista.

5. A Sede do Poder: Partidos Políticos

Breve retrospectiva do estudo dos partidos políticos


Os partidos políticos começaram a assumir a sua forma
moderna, devido à dinâmica dos mecanismos de representação
política e aos novos desafios sócio-económicos, a partir de
meados do séc. XIX, apresentando se até aí como meras
“facções”, mais ou menos estruturadas, com uma duração
efémera.
É assim que os partidos são inconcebíveis na teoria política de
Thomas Hobbes (defensor do estado absoluto), para quem a
ideia de um estado forte, capaz de superar a hostilidade e
insegurança, implicava que os homens renunciassem aos seus
interesses particulares, constituindo a divisão em partidos,
“Estados dentro do Estado”, um constante apelo à sedição e
guerra civil.

Para o pai da democracia moderna Jean-Jacques Rousseau, os


partidos são corpos estranhos ao estado, e a sua formação um
sintoma da ruína da comunidade. Bolingbroke, mentor dos
tories, Edmund Burke, líder do movimento reformador dos
whigs defendem a necessidade dos partidos numa comunidade
livre e, adoptando uma definição de partido baseada num
interesse comum, projecta toda a sua ira sobre a facção. James
Madison, um dos fundadores do partido republicano dos EUA,
depois de advertir contra os perigos da divisão do eleitorado em
facções e partidos, acaba por reconhecer a sua inevitabilidade,
considerado-os o preço a pagar pela liberdade real – “liberdade
é para o espírito faccioso o que o ar é para o fogo”.

História do estudo dos partidos políticos:

41
Bryce (The American Commonwealth) desenvolveu uma
análise realista do sistema político norte-americano, apontando
a profissionalização da actividade partidária e o spoils system,
como principais responsáveis pelo desvirtuar da fórmula
democrática.
Ostrogorski (Democracy and the Organization of Political
Parties) estudou a relação entre o desenvolvimento dos partidos
modernos e o funcionamento da democracia na Grã-Bretanha e
no EUA, para concluir que as regras do jogo democrático eram
falseadas em ambos os países pela presença de elementos
cesaristas e plutocráticos: se no caso inglês, a “máquina de
partido” concorria para o domínio quase absoluto dos líderes
políticos (“cesarismo popular”); já no caso americano ela tendia
a favorecer a emergência de governos oligárquicos ou mesmo
autocráticos. Este autor defende a substituição das
organizações partidárias permanentes, com pesados programas
omnibus, por simples agrupamentos ad-hoc.
Michels (Sociologia dos Partidos Políticos e da célebre Lei de
Ferro da Oligarquia), parte da experiência para si
paradigmática, de que nem sequer a social-democracia alemã
do seu tempo, que defendia a transformação da democracia
formal burguesa numa democracia social real, conseguira
escapar às tendências antidemocráticas imanentesa qualquer
organização. Sem democracia nos partidos, é posta em causa a
democracia nas sociedades.
Maurice Duverger dotando a ciência política de um estudo
global e sistemático sobre os partidos políticos, suscitou um
amplo e aceso debate, sobre a tipologia das organizações
partidárias.
Nos anos 60/70 a investigação assume a aparência do que
Thomas Kuhn, qualifica de estado científico “revolucionário”,
que destaca a importância dos processos de construção nacional
e de industrialização na génese dos partidos e sistemas
partidários na Europa.

Na década de 80, autores como Hans Daalder, Peter Mair e


Klaus Von Beyme ensaiam algumas tentativas de síntese de
alcance mais totalizante, onde se procura analisar o fenómeno
partidário em todas as suas facetas, designadamente posição
ideológica, estrutura organizativa e actividade exterior.

42
Nesta altura, surge o importante estudo do italiano Angelo
Panebianco, (Modelos de Partido), depois de reconhecer os
méritos da investigação sociológica e politológica sobre os
partidos, o autor chama a atenção para o que julga ser uma
grave lacuna nesta área, nomeadamente o abandono do estudo
dos partidos políticos enquanto organizações.

A definição e a génese dos partidos políticos


Reflectindo o comportamento individual do homem político,
também o partido tem como principal ambição ocupar o poder,
ou porque julga ter uma solução para o interesse público (forma
autentica), ou porque julga satisfazer interesses sectoriais ou
privados (forma degenerada).

Joseph Lapalombara e Myron Weinerr – existência de um


partido político pressupõe 4condições:
(1) organização durável
(2) org. local bem estabelecida;
(3) vontade de tomar e exercer o poder;
(4) apoio popular.

O Prof. Adriano Moreira sublinha, a importância do ambiente


parlamentar das sociedades liberais sobre a organização, as
funções assumidas e o comportamento geral dos primeiros
partidos modernos.
¨ O primeiro estádio deste processo é marcado pela criação
dos grupos parlamentares, simultaneamente unitária pela
referência à totalidade da comunidade política e pluralista pela
contraposição de opiniões.
¨ A formação de comités de apoio aos eleitos e a sua posterior
conversão em comités eleitorais, assinalam o segundo estádio
do processo que conduz à criação dos partidos modernos.
¨ Este processo de formação dos partidos políticos
completa-se com a fusão dos GP e dos comités eleitorais, a qual
reveste 2 facetas:
(1) fusão vertical
(2) fusão horizontal
O sistema parlamentar e o sufrágio universal determinaram a
criação das primeiras formações partidárias, mas os fenómenos
não coincidiram na maioria dos países.

43
¨ Os grupos liberais, (governo parlamentar), estavam, de uma
maneira geral, contra a extensão do direito do sufrágio
(Grã-Bretanha, Bélgica, Dinamarca, Itália e Noruega).
¨ Enquanto que os sistemas relativamente autoritários, sem
governo parlamentar, introduziram (Bismark na Alemanha) ou
mantiveram (Napoleão III na França) por razões demagógicas o
sufrágio universal.
¨ Há ainda que considerar os “Partidos de criação externa”,
nascidos fora do ambiente parlamentar e alheios ao projecto
liberal.

O carácter inovador desta categoria de Duverger não se resume


à sua génese, alargando-se também a outros aspectos: em
comparação com os partidos nascidos em ambiente
parlamentar, os partidos criados por acção externa apresentam
uma estrutura orgânica mais centralizada e uma maior
coerência e disciplina interna.

Seymour Lipset e Steine Rokkan - Compreensão da dimensão


genealógica dos partidos

Rokkan identifica 3 momentos cruciais:


revolução nacional (e religiosa);
revolução industrial
revolução internacional
Do processo de construção nacional emergiram duas clivagens
Centro-periferia (esteve na origem de conflitos aos estados, e
que opôs, a tentativa de hegemonização das elites políticas
centrais à resistência das populações periféricas);
Estado-Igreja (traduz os conflitos resultantes dos esforços de
autonomização do poder secular da tutela religiosa, através da
restrição dos privilégios tradicionais detidos pelas igrejas e do
controlo eclesiástico da vida social).

Destas duas clivagens resultaram:


Os partidos laico-liberais (do lado dos construtores da nação)
Os partidos confessionais e/ou regionais (do lado dos grupos
periféricos e das confissões religiosas).
A segunda fase crucial na história europeia é a revolução
industrial de que emergem duas outras clivagens:

44
(1) opõe os interesses urbanos, comerciais e industriais, aos
rurais e campesinos, dando lugar a um conflito entre os
sectores primário e secundário;
(2) contrapõe os trabalhadores industriais aos proprietários e
patrões e marca o início dos conflitos de classes. Na primeira
clivagem surgem os partidos agrários, na segunda surgem os
socialistas.

O ultimo momento crítico à revolução internacional (Rev.


Russa-1917) que, determina a fractura entre o socialismo e o
comunismo.
Tais fracturas, e os autores principais que se formaram em seu
redor, agregaram-se e combinaram-se amiúde entre si, dando
lugar a alianças distintas, o que explica a pluralidade dos
sistemas partidários europeus.

A tipologia e as funções dos partidos políticos


Método Tipológico, iniciado com Max Weber.
Das distinções de tipo ideal sugeridas por este autor “A Política
como Vocação”, a de maior influência foi a que opõe:
¨ “Partidos de notáveis” caracterizavam-se por um pessoal
político constituído essencialmente por caciques ou influentes
locais que, graças à sua situação económica, se dedicavam à
acção partidária como ocupação secundária (vivem para e não
da política)
¨ “Partidos de massas” filhos da democracia e do direito de
sufrágio, caracterizavam-se por uma organização forte e
hierarquizada, constituída por um pessoal político e
profissional e tem como principal objectivo não já a constituição
de um capital de notoriedade mas, antes o recrutamento maciço
de membros.

Maurice Duverger lança a sub-distinção dos partidos de


massas em socialistas, comunistas e fascistas.
Tal como Weber também Duverger associa o desenvolvimento
deste novo modelo de partido à extensão dos direitos
democráticos, já que é a introdução do sufrágio universal a
determinar a substituição do sistema de comité pelo de secção,
e a do “partido de quadros” pelo “partido de massas”.

45
Este “contágio de estruturas” é ditado não apenas por razões de
eficácia política mas, também pela necessidade dos
conservadores de legitimar as suas estruturas, ainda que isso
significasse terem de se submeter ao processo de
“democratização” do qual queriam defender o Estado.
Adriano Moreira - a classificação binária de Duverger seria
posta em causa pela posterior evolução dos “partidos de
massas” e reorganização dos “partidos de quadros”, que, nos aos
70 favoreceram a emergência e consolidação de um novo tipo de
partido político: o “partido de eleitores”, “partido de reunião”
ou “partido eleitoral de massas”.

Esta metamorfose das formações partidárias operada nos


países a caminho de pós-industrializados, é reconhecida por
autores como OttoKirchheimer que, anuncia o fim da “idade de
ouro” dos partidos de massas e o início de uma nova fase
tendente à generalização catch all people’s party.

Esta transição é mais problemática porque se encontra


associada a transformações ideológicas e organizativas que
parecem implicar, o declínio, do sistema dos partidos enquanto
forma dominante de participação de massas. São elas as
seguintes:
(1) desideologização do partido
(2) reforço do poder organizativo dos líderes
(3) desvalorização do peso político dos inscritos e militantes de
base
(4) adopção de uma estratégia interclassista
(5) maior abertura do partido à influência dos grupos de
interesse
(6) enfraquecimento das relações entre partido/eleitorado

Kirchheimer mostra-se apreensivo quanto ao triunfo do novo


modelo de partido. Constata não só a crescente vulnerabilidade
da organização do partido, como antevê sérios riscos para a
democracia.
Reitera que a implementação generalizada dos “partidos de
eleitores”, coeva à passagem da democracia conflitual à actual
democracia consensual, arrastou consigo a crise ou declínio dos
partidos.

46
Angelo Panebianco fala do enfraquecimento dos partidos.
Os processos de mudança social que se registaram ao atenuar
as divisões socio-económicas e culturais tradicionais, obrigaram
os partidos a redefinir o seu “território de caça” em face de um
eleitorado cada vez mais heterogéneo, instruído e informado,
mas também extraordinariamente individualista e atomizado,
pouco sensível às solidariedades colectivas e/ou redes
organizativas.
A televisão, transformou de modo significativo os mecanismos
de acesso à informação política, permitindo aos líderes
partidários um contacto directo e regular com os cidadãos,
onde o apelo carismático dos primeiros é factor determinante
para a mobilização dos segundos.
As novas técnicas de marketing e publicidade conduziram a
uma redefinição do mapa de poder dos diversos partidos.
As mudanças operadas no financiamento dos partidos, que em
regra passaram a depender mais das subvenções estatais e
menos da quotização dos seus membros e de outras formas,
fomentaram a sua crescente aproximação a Estado.

Peter Mair fala-nos da emergência de um novo modelo de


partido, o “partido Cartel”, que volta a colocar a questão da
crise ou declínio dos partidos. Porque a sua afirmação, se faz
acompanhar da incorporação dos partidos no Estado e do
consequente enfraquecimento dos laços tradicionais com a
sociedade civil.

Actuando mais como agentes do Estado e menos como


intermediários entre a sociedade civil e o poder, os partidos
Cartel parecem configurar uma situação contraditória.
Se é certo que são instituições mais fortes e privilegiadas, não é
menos verdade que são também entidades mais remotas e
menos legitimadas o que explica o sentimento anti-partidário
que caracteriza hoje a política de massas.

Para Peter Mair, este aparente desequilíbrio entre privilégio


público e descrédito popular que justifica a actual crítica dos
partidos políticos, encontram um paralelo histórico na situação
descrita por Alexis de Tocqueville em “O Antigo Regime e a
Revolução Francesa”.

47
Na politogia norte americana os partidos são tratados cada vez
mais como “navios vazios” (empty vassels).
A chamada crise das ideologias ou apaziguamento ideológico
(para Leibnitz “a paz dos cemitérios”), levou a ser irrelevante
ou mesmo inútil continuar a dividir o universo político
segundo o critério das ideologias opostas, isto é de acordo com o
continumm esquerda/direita.
Ideia que ganhou, aliás, um n.º crescente de adeptos após os
acontecimentos de 1989 que extinguiram os regimes
comunistas do leste.
A transformação contínua da sociedade ao gerar uma “nova e
inesperada tabela de conflitos”, levou ao aparecimento de
actores políticos que não se inserem, ou não se julgam inseridos
no esquema tradicional da oposição entre dta e esq.,
confirmando o seu anacronismo (ex. partidos de contestação).

Um outro tipo de abordagem dos partidos políticos é a análise


funcional. Adriano Moreira refere que as funções dos partidos
variam de acordo com o tipo de ambiente em que nasceram,
aparecem como variáveis dependentes do quadro socio-político
a cujas exigências tiveram de dar resposta.

Os partidos nascidos do ambiente parlamentar, assumiram


funções relativamente circunscritas.
Os partidos nascidos fora do ambiente parlamentar, tiveram
de se confrontar com exigências muito mais complexas.
Tendera para se moldar nas formas do poder colonial expulso,
assumindo a imagem do próprio Estado monopolista que se
propunham substituir.

A função mais importante atribuída tradicionalmente aos


partidos é a estruturação do voto.
A segunda função é a selecção dos candidatos. Os candidatos
podem ser ou coopetados pelos órgãos dirigentes ou eleitos
pelas bases do partido.
A terceira função é o enquadramento dos eleitos. Os eleitos
reúnem se agora em GP, devendo estes apresentar-se
disciplinados nas suas intervenções e votação.

A disciplina de voto pode ser rígida ou flexível, o certo é que é


hoje geral.

48
Os partidos constituem os principais elementos de mediação
entre o Estado e a sociedade e desta função derivam outras:
(1) mobilizar a opinião pública;
(2) integração e legitimação do sistema político;
(3) articulação e agregação dos interesses;
(4) formar, dirigir e controlar acção do governo;
(5) organização e composição do parlamento

6. O Exame da Estrutura do Poder

Bem Comum e Teoria dos Conflitos


Adriano Moreira diz que este problema é tributário de duas
atitudes:
(1) Entende o Estado como uma inteira comunidade, onde todas
as pessoas estão unidas pelo interesse ou bem comum, sendo o
conflito entendido como uma enfermidade ou acidente e nunca
como a tónica do fenómeno político;
(2) Tende a encarar o Estado como forma mediadora de
conflitos de interesse que caracterizam qualquer relação entre
indivíduos ou grupos e, como tal, constituem o fulcro essencial
da Política.
A noção de Bem Comum e a convicção de que sem este critério a
vida social e política seria ininteligível, corresponde à tradição
mais antiga da CP. Tem o seu início com Aristóteles.
No seu tratado clássico diz-nos que a comunidade perfeita ou
pólis, tem por finalidade garantir a “vida boa”, sendo a
obediência ao poder constituído um dever do “bom cidadão”.
Cabendo a S. Tomás de Aquino a definição dos elementos
essenciais da doutrina do Bem Comum, esta unidade
substancial é correspondente à minimização dos conflitos e é
quebrada por Maquiavel para ser progressivamente
abandonada pelo pensamento político posterior.

Tomando como referência a síntese proposta por Klaus von


Beyme, Adriano Moreira faz notar que todas as correntes
ideológicas acabaram por adoptar o ponto de vista do conflito
de interesses, relegando para segundo plano o critério
tradicional do Bem Comum.

Liberais - o Estado é a soma de interesses individuais e de


grupos concorrentes entre si.

49
Marxistas – oposição de classes em que o Estado é o
representante exclusivo da classe dominante, acabará
absorvido numa sociedade civil que se auto regula sem
necessidade de poder político.
Conservadores – conflito entre a elite e as massas.

Para Adriano Moreira assume-se aqui claramente a concepção


schmittiana da política, entendida como o confronto existencial
entre Amigo e Inimigo, o que deve ser salientado é que a CP
está enformada pela ideia de conflitualidade.
Três conceitos operacionais em que se articula a teoria da
estrutura do poder:
· Classes,
· Grupos,
· Elites.

A Teoria das Elites: formulações clássicas


Quem governa? A resposta a esta pergunta remete-nos para a
consideração da origem, natureza e papel das minorias ou
grupos dirigentes, que agem nos diversos contextos históricos
ou ambientais a que se tem chamado
Elites.
Maquiavel - oposição entre uma maioria que detém o poder e a
massa daqueles que são governados. Considerado por muitos o
fundador da Escola Elitista, fixou aquele que é o postulado
básico da teoria das elites: em todas as sociedades a
desigualdade política é a regra e o poder um privilégio de
poucos.

Vilfredo Pareto, Gaetano Mosca e Robert Michels, - últimos


decénios do séc. XIX,contra a ideologia democrática e a teoria
marxista, recuperam a distinção clássica entre elites e massas e
colocam no centro da sua argumentação o tema do domínio de
uma minoria dirigente sobre a maioria da população.

A Perspectiva Psicológica de Vilfredo Pareto (Tratado da


Sociologia Geral)
A concepção e definição do fenómeno político giram em torno de
3 ideias centrais:
¨ a da elite política;
¨ a da oposição entre as acções lógicas e não lógicas

50
¨ a da política como manipulação dos sentimentos
semi-conscientes.

Para Pareto, a elite assenta numa dupla convicção,


designadamente a da sociabilidade natural do homem e a da
heterogeneidade social.
Elite - classe daqueles que têm índices mais elevados no ramo
em que exercem a sua actividade.
Distingue dentro da elite:
Elite Governante, os mais capazes nas funções que a sociedade
descrimina, composta por todos aqueles que exercem directa ou
indirectamente um papel de relevo no governo da sociedade;
Elite Não Governante; que compreende todos os que não têm
encargos governativos.

Dois estratos populacionais


O Superior a que corresponde a Elite
O Inferior composto pelos elementos não qualificados

teoria da acção social – explicação da inevitabilidade do


domínio da elite governante e o devir histórico. Constitui o fio
condutor do seu sistema teórico.
Traços fundamentais: as acções humanas podem ser de dois
tipos:
¨ lógicas em que existe uma adequação dos meios aos fins,
correspondendo a um comportamento racional
¨ não lógicas que são aquelas em que os actores não se regem
nem por princípios racionais nem por cálculos de optimização
mas antes por sentimentos e instintos.
Os homens procuram dar às suas acções não lógicas um
fundamento pretensamente lógico - derivações. Estas
derivações sofrem uma constante variação no tempo e no
espaço.
Comportamentos observáveis – resíduos, confundem-se com os
sentimentos e instintos, são constantes e imutáveis.

Responsáveis pela imutabilidade da natureza humana, os


resíduos convertem-se no elemento central da explicação do
equilíbrio social.
Tipologia de seis classes de resíduos, a que parecem
corresponder dois princípios:

51
(1) O contraste entre individualismo e colectivismo;
(2) As tendências progressistas e conservadoras.

Maquiavel - dois tipos de elites:


a da Raposa (predomínio do instinto das combinações – são
hábeis, pouco escrupulosos e manipuladores, governando
segundo a astúcia)
a dos Leões (supremacia do instinto da persistência dos
agregados constituída por políticos dominados por sentimentos
de lealdade, solidariedade e zelo, governando segundo a força).

A Perspectiva Organizacional de Gaetano Mosca e Robert


Michels
Gaetano Mosca
A divisão entre:
¨ Classe de governantes
¨ Classe de governados

O poder político só pode ser exercido por uma minoria


organizada, a que Mosca chama Classe Política ou Dirigente.
No que toca à composição da Classe Política estes possuem
algumas qualidades particulares, as quais conferindo-lhes uma
certa superioridade material, intelectual e até moral, permite a
sua elevação à classe política. Estas qualidades estão longe de
ser imutáveis, correspondendo em cada momento histórico às
forças sociais predominantes em cada sociedade.
Gaetano Mosca identifica três tipos de classe política:
(1) Aristocracia Sacerdotal;
(2) Aristocracia Militar;
(3) Aristocracia do Dinheiro.
A classe política não é uma realidade homogénea. Nos lugares
mais elevados encontra-se o Núcleo Duro, constituído pelos
Bosses dos partidos políticos. Os lugares de menor destaque são
ocupados por figuras secundárias que garantem a estabilidade
e o funcionamento normal da máquina do estado.

Garantem ainda a comunicação entre uma minoria que toma as


decisões políticas (Vértice Minúsculo) e o resto da sociedade
(Base Gigantesca).

52
Para Mosca a classe política é uma realidade dinâmica, tendo
no seu interior uma tensão constante entre os elementos de
perpetuação e permanência (herança) e os factores de mudança
(que resultam da penetração na classe de elementos novos
oriundos das massas).
Formação classe política;
(1) Princípio Liberal (quando o poder é conferido aos
governantes pelos governados – sentido ascendente);
(2) Princípio Autocrático (quando o poder é instituído do vértice
da hierarquia política pelos próprios dirigentes – sentido
descendente).

Robert Michels
É o terceiro representante do elitismo clássico, dado que a sua
obra “Sociologia dos Partidos Políticos” é claramente tributária
da teoria das elites de Pareto e da doutrina da classe política de
Mosca.
Investigação dos Partidos Socialistas Europeus e em particular
o Partido Social Democrata Alemão.
Sustenta a inevitabilidade do domínio da minoria dirigente.
Michels diz que toda a representação partidária traduz um
poder oligárquico fundado sobre uma base democrática.

Características das Massas:


(1) substancial indiferença pela coisa pública;
(2) inaptidão para tomar decisões;
(3) necessidade de veneração dos líderes e culto ilimitado dos
heróis;
(4) natureza emocional sugestionável e irresponsável;
(5) conservadorismo.

Perfil Psicológico e Conduta Própria dos Líderes:


(1) instinto para a transmissão hereditária do poder político;
(2) tendência para desenvolver uma espécie de direito
consuetudinário à delegação;
(3) inclinação para identificar a sua vontade pessoal com a
vontade do partido – o partido sou eu.

Perspectiva Económica de James Burnham


Síntese entre duas teorias e tradições de pensamento:
¨ Marxista

53
¨ Elitista
Burnham inscreve-se na tradição neo-maquiavélica.
Descreve uma Revolução Gestionária que se traduz num
sistema capitalista tradicional e, com ele, a burguesia que foi
a elite política do séc. 19 que posteriormente se extinguiu
dando origem a uma nova elite política (dos Gestores).
Sublinha que a propriedade dos meios de produção não
determina apenas a riqueza mas também o poder político e o
prestígio social.

Elitismo, Pluralismo e Elitismo-Pluralista


Quem governa? A esta pergunta surgem duas alternativas:
A resposta elitista aponta para uma elite com carácter unitário
e monolítico; o modelo de poder é monocêntrico e a imagem da
sociedade é fixa e piramidal (modelo elitista).
A resposta pluralista fala numa pluralidade de grupos de
interesse e de pressão que se confrontam e harmonizam num
processo de negociação e compromisso constantes (modelo
pluralista); afirma ainda a existência de uma multiplicidade de
elites heterogéneas que se recortam no vértice dos vários
grupos sociais (modelo elitista-pluralista).

Nas suas duas acepções o pluralismo diferencia-se do elitismo


quanto:
(1) à concepção do poder;
(2) ao modelo de distribuição do poder

Charles Wright Mills em “Power Elite” descreve a estrutura do


poder americano, numa perspectiva institucionalista.
Para ele o poder é um fenómeno institucional; a composição da
elite depende da detenção pelos seus membros de funções
estratégicas na estrutura social; dentro desta estrutura as
principais instituições são a económica, militar e política.
Nos vértices destas três hierarquias institucionais
encontramos a elite do poder e é da sua elevada coesão que
resulta o processo de decisão.

Para Mills as massas comportam-se como um agregado de


indivíduos passivos, subordinados, manipulados e incapazes de
agir responsável e conscientemente, ainda que o queiram.

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O triângulo do poder controla a vida quotidiana do
homem-massa, denunciando o mito americano de uma
sociedade aberta, lembrando uma oligarquia.

David Riesman, fala numa multidão solitária, composta por


indivíduos incapazes de julgar e controlar o próprio destino.
A Era do Consumo trouxe um novo tipo humano, frágil,
influenciável, disperso e dependente, presa fácil e apetecível
para os grupos com sede de poder.
O poder apresenta uma natureza amorfa e indefinida e está
fragmentado e disperso por pequenas organizações, que apesar
de incapazes de impor a sua vontade per si, se consideram
grupos de veto.

Robert Alan Dahl (elitista-pluralista) procurou refutar as


conclusões radicais de Mills dizendo o seu modelo elitista carece
de adequada comprovação empírica.
Diz que se só pode falar de elite dominante se esta coincidir
com um grupo bem definido (Mills definiu três); não se pode
falar em domínio da elite quando o que se verifica é a apatia
das massas, que não confrontam a elite com uma oposição real
e actuante.
À oligarquia de Mills, Dahl contrapõe o termo poliarquia uma
vez que o “tal triângulo de poderes” se limita a estabelecer
coligações efémeras entre os seus vértices, ditadas pela defesa
dos seus interesses individuais e daí a importância da
negociação e do compromisso.
Robert Dahl acaba por dizer que as elites coexistem, cada uma
na sua esfera própria de actuação.

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