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PÓS-GRADUAÇÃO DE DIREITO CONSTITUCIONAL

MÓDULO DIREITOS E GARANTAIS FUNDAMENTAIS

Professora: Zelia Pierdoná

1. Material pré-aula

a. Tema

“Seguridade Social”

b. Noções Gerais

Seguridade Social
Conforme reza o artigo 194 da Constituição Federal, a seguridade
social compreende “um conjunto integrado de ações de iniciativa dos
Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos
relativos à saúde, à previdência e à assistência social”.

Ela deve ser organizada pelo Poder Público, nos termos da lei, com
base nos seguintes objetivos:

I - universalidade da cobertura e do atendimento;


II - uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às
populações urbanas e rurais;
III - seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e
serviços;
IV - irredutibilidade do valor dos benefícios;
V - equidade na forma de participação no custeio;
VI - diversidade da base de financiamento;
VII - caráter democrático e descentralizado da administração,
mediante gestão quadripartite, com participação dos trabalhadores,
dos empregadores, dos aposentados e do Governo nos órgãos
colegiados.

Sobre este assunto, destacam-se os principais pontos a serem


estudados:

 Financiamento da seguridade social (art. 195 da CF e seus


parágrafos);
 Competência legislativa (art. 22, XXIII e art. 24, XII da CF);

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 Saúde (arts. 196-200 da CF);
 Previdência social (arts. 201-202 da CF);
 Assistência social (arts. 203–204 da CF).

c. Legislação

Constituição Federal: principais artigos: 22, XXIII; 24, XII; 194 a


204.

Leis:
Lei 8.112 de 1990 - Dispõe sobre o regime jurídico dos servidores
públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas
federais;
Lei 8.212 de 1991 – Lei Orgânica da Seguridade Social;
Lei 8.213 de 1991 – Lei dos Planos de Benefícios da Previdência
Social;
Lei 8.742 de 1993 – Lei Orgânica da Assistência Social;
Lei 10.216 de 2001 – Dispõe sobre a proteção e os direitos das
pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo
assistencial em saúde mental.
Lei 13.135 de 2015 - Altera as Leis no 8.213, de 24 de julho de 1991,
no 10.876, de 2 de junho de 2004, no 8.112, de 11 de dezembro de
1990, e no 10.666, de 8 de maio de 2003, e dá outras providências.

Súmulas do STF:
“São constitucionais os arts. 7º da Lei 7.787/1989 e 1º da Lei
7.894/1989 e da Lei 8.147/1990, que majoraram a alíquota do
Finsocial, quando devida a contribuição por empresas dedicadas
exclusivamente à prestação de serviços.” (Súmula 658.)

“Norma legal que altera o prazo de recolhimento da obrigação


tributária não se sujeita ao princípio da anterioridade." (Súmula
669.)

"É legítima a incidência da contribuição previdenciária sobre o 13º


salário." (Súmula 688.)

“Norma legal que altera o prazo de recolhimento de obrigação


tributária não se sujeita ao princípio da anterioridade.” (Súmula
Vinculante 50.)

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d. Julgados/Informativos
(íntegra dos respectivos acórdãos em:
http://stf.jus.br/portal/inteiroTeor/pesquisarInteiroTeor.asp -
informar apenas o número do processo sem ponto ou dígito
verificador e serão listadas as classes relacionadas ao número)

Competência legislativa:

“A jurisprudência do STF é firme no sentido de que a lei


complementar para instituição de contribuição social é exigida para
aqueles tributos não descritos no altiplano constitucional, conforme
disposto no § 4º do art. 195 da Constituição da República. A
contribuição incidente sobre a folha de salários esteve expressamente
prevista no texto constitucional no art. 195, I, desde a redação
original. O art. 22, § 1º, da Lei 8.212/91 não prevê nova contribuição
ou fonte de custeio, mas mera diferenciação de alíquotas, sendo,
portanto, formalmente constitucional. Quanto à constitucionalidade
material, a redação do art. 22, § 1º, da Lei 8.212 antecipa a
densificação constitucional do princípio da igualdade que, no Direito
Tributário, é consubstanciado nos subprincípios da capacidade
contributiva, aplicável a todos os tributos, e da equidade no custeio
da seguridade social. Esses princípios destinam-se
preponderantemente ao legislador, pois nos termos do art. 5º, caput,
da CRFB, apenas a lei pode criar distinções entre os cidadãos. Assim,
a escolha legislativa em onerar as instituições financeiras e entidades
equiparáveis com a alíquota diferenciada, para fins de custeio da
seguridade social, revela-se compatível com a Constituição.
Fixação da tese jurídica ao Tema 204 da sistemática da repercussão
geral: "É constitucional a previsão legal de diferenciação de
alíquotas em relação às contribuições previdenciárias
incidentes sobre a folha de salários de instituições financeiras
ou de entidades a elas legalmente equiparáveis, após a edição
da EC 20/98". [RE 598.572, rel. min. Edson Fachin, j. 30-3-2016,
P, DJE de 9-8-2016, com repercussão geral.]
“O artigo 33 da Lei 8.212/1991 não viola a CF, porque as
incumbências de fiscalização e arrecadação imputadas à Receita
Federal não modificam a destinação específica da contribuição em
questão. O critério constitucional de afetação de receita orçamentária
não se pauta no órgão de arrecadação, mas, sim, no custeio de
políticas públicas direcionadas à Seguridade Social, conforme
dispõe o artigo 195 do Texto Constitucional. [ADI 763, rel. min.
Edson Fachin, j. 25-11-2015, P, DJE de 4-12-2015.]”

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“O Plenário, ao apreciar legislação acriana em tudo semelhante ao
diploma objeto desta ação direta, assentou à unanimidade que a
disciplina nela disposta –autorização para a comercialização de
determinados produtos lícitos de consumo comum e rotineiro em
farmácias e drogarias – não guarda relação com a temática da
proteção e defesa da saúde (art. 24, XII, da CF), visto que somente
aborda, supletivamente, o comércio local. A Lei federal 5.991/1973
não veda expressamente a comercialização de artigos de
conveniência em drogarias e farmácias, e a exclusividade, por ela
fixada, para a venda de medicamentos nesses estabelecimentos não
autoriza interpretação que obste o comércio de qualquer outro tipo de
produto. Atuação legítima da iniciativa legislativa estadual no campo
suplementar. É completamente destituída de embasamento a suposta
correlação lógica, suscitada na inicial, entre a venda de produtos de
conveniência em farmácias e drogarias e o estímulo à
automedicação.” (ADI 4.949, rel. min. Ricardo Lewandowski,
julgamento em 11-9-2014, Plenário, DJE de 3-10-2014.)

“Essa Corte já fixou entendimento no sentido de que a União, ao


editar a Lei 9.717/1998, extrapolou os limites de sua competência
para estabelecer normas gerais sobre matéria previdenciária, ao
atribuir ao Ministério da Previdência e Assistência Social atividades
administrativas em órgãos da previdência social dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios e estabelecer sanções para a
hipótese de descumprimento das normas constantes dessa lei.” (RE
815.499-AgR, rel. min. Ricardo Lewandowski, julgamento em 9-
9-2014, Segunda Turma, DJE de 18-9-2014.)

“A par da controvérsia de fundo, de índole material, há a


problemática alusiva à competência para dispor sobre a revisão dos
proventos. Se, de um lado, é certo que a Constituição de 1988, ao
referir-se a lei, remete, de regra, à federal, de outro, não menos
correto, é que, a teor do disposto no art. 24, XII, dela constante,
surge a competência concorrente da União, dos Estados e do Distrito
Federal para legislar sobre previdência social, proteção e defesa da
saúde. Então, forçoso é concluir que a regência federal deve ficar
restrita, como previsto no § 1º do citado art. 24, ao estabelecimento
de normas gerais. Ora, não se pode concluir que, no âmbito destas
últimas, no âmbito das normas gerais, defina-se o modo de revisão
dos proventos. Sob esse ângulo, tenho como relevante a articulação
do Estado do Rio Grande do Sul no que aponta o vício formal quanto
à observância do art. 15 da Lei 10.887/2004 relativamente aos

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respectivos servidores. (...) Os citados arts. 1º e 2º versam o cálculo
dos proventos no âmbito não só da União como também dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios. (...) Cumpre ter presente, então,
que da mesma forma que normatização da revisão geral do pessoal
da ativa cabe ao próprio Estado, compete à unidade da Federação
legislar sobre a revisão do que percebido pelos inativos e
pensionistas, sob pena de o sistema ficar capenga, ou seja, ter-se a
regência da revisão do pessoal da ativa mediante lei estadual e dos
inativos e pensionistas via lei federal. Nada justifica esse duplo
enfoque, cumprindo a uniformização de tratamento.” (ADI 4.582-
MC, voto do rel. min. Marco Aurélio, julgamento em 28-9-2011,
Plenário, DJE de 9-2-2012.)

“Aposentadoria especial de servidor público distrital. Art. 40, § 4º,


III, da CR. (...) A competência concorrente para legislar sobre
previdência social não afasta a necessidade de tratamento uniforme
das exceções às regras de aposentadoria dos servidores públicos.
Necessidade de atuação normativa da União para a edição de norma
regulamentadora de caráter nacional.” (MI 1.832-AgR, rel.
min. Cármen Lúcia, julgamento em 24-3-2011, Plenário, DJE de 18-
5-2011.) No mesmo sentido: MI 1.898-AgR, min. Joaquim
Barbosa, julgamento em 16-5-2012, Plenário, DJE de 1º-6-2012

Disposições gerais:

"O artigo 33 da Lei 8.212/1991 não viola a CF, porque as


incumbências de fiscalização e arrecadação imputadas à Receita
Federal não modificam a destinação específica da contribuição em
questão. O critério constitucional de afetação de receita orçamentária
não se pauta no órgão de arrecadação, mas, sim, no custeio de
políticas públicas direcionadas à Seguridade Social, conforme dispõe
o artigo 195 do Texto Constitucional." (ADI 763, rel. min. Edson
Fachin, julgamento em 25-11-2015, Plenário, DJE de 4-12-2015.)

“No regime de trabalho temporário das empresas urbanas,


estabelecido por meio da Lei 6.019, de 1974, o vínculo do trabalhador
temporário é com a empresa de locação de mão de obra, que recebe
o preço ajustado com a contratante dos serviços. Sobre o valor
devem incidir a Cofins e a contribuição ao PIS (...) “ (RE 875.868-
AgR, rel. min. Marco Aurélio, julgamento em 18-8-2015, Primeira
Turma, DJE de 4-9-2015.)

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“A seguridade social prevista no art. 194 da CF/1988, compreende a
previdência, a saúde e a assistência social, destacando-se que as
duas últimas não estão vinculadas a qualquer tipo de contraprestação
por parte dos seus usuários, a teor dos arts. 196 e 203, ambos da
CF/1988. Característica esta que distingue a previdência social das
demais subespécies da seguridade social, consoante a jurisprudência
desta Suprema Corte no sentido de que seu caráter é contributivo e
de filiação obrigatória, com espeque no art. 201, todos da CF/1988.”
(RE 636.941, rel. min. Luiz Fux, julgamento em 13-2-2014, Plenário,
DJE de 4-4-2014, com repercussão geral.)

O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição


previdenciária, na forma do art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, na
redação da Lei 9.876/1999, não se origina nas remunerações pagas
ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida
entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus
serviços. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte
somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela
equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo,
típico ‘contribuinte’ da contribuição. Os pagamentos efetuados por
terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados
por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente
pagos ou creditados aos cooperados. O art. 22, IV, da Lei
8.212/1991, com a redação da Lei 9.876/1999, ao instituir
contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota
fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, I, a, da Constituição,
descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os
rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento
da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova
fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei
complementar, com base no art. 195, § 4º – com a remissão feita ao
art. 154, I, da Constituição.” (RE 595.838, rel. min. Dias Toffoli,
julgamento em 23-4-2014, Plenário, DJE de 8-10-2014, com
repercussão geral.)

“Ação direta de inconstitucionalidade. Impugnação de artigos e de


expressões contidas na Lei Complementar Federal 110, de 29-6-
2001. Pedido de liminar. A natureza jurídica das duas exações criadas
pela lei em causa, neste exame sumário, é a de que são elas
tributárias, caracterizando-se como contribuições sociais que se
enquadram na sub-espécie 'contribuições sociais gerais' que se
submetem à regência do art. 149 da Constituição, e não à do art. 195
da Carta Magna.” (ADI 2.556-MC, Rel. Min. Moreira Alves,

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julgamento em 9-10-2002, Plenário,DJ de 8-8-2003.) No mesmo
sentido: AI 744.316-AgR, Rel. Min Dias Toffoli, julgamento em 2-
12-2010, Primeira Turma, DJE de 22-3-2011;AI 748.253-AgR, Rel.
Min. Eros Grau, julgamento em 1º-12-2009, Segunda Turma, DJE de
18-12-2009.

"Em conclusão, o Plenário, por maioria, julgou parcialmente


procedente pedido formulado em ação direta ajuizada pela
Confederação Nacional da Indústria (CNI) contra o § 2º do art. 43 do
CTN, acrescentado pela LC 104/2001, que delega à lei ordinária a
fixação das condições e do momento em que se dará a
disponibilidade econômica de receitas ou de rendimentos oriundos do
exterior para fins de incidência do Imposto de Renda, e o art.
74, caput e parágrafo único, da MP 2.158-35/2001, que, com o
objetivo de determinar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL,
considera disponibilizados, para a controladora ou coligada no Brasil,
os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior, na data do
balanço no qual tiverem sido apurados – v. Informativos 296, 373,
442, 485, 636 e 700. Estabeleceu-se que, ao art. 74 da MP 2.158-
35/2001, seria dada interpretação conforme a Constituição, com
eficácia erga omnes e efeito vinculante, no sentido de que não se
aplicaria às empresas coligadas localizadas em países sem tributação
favorecida (não ‘paraísos fiscais’), e que se aplicaria às empresas
controladas localizadas em países de tributação favorecida ou
desprovidos de controles societários e fiscais adequados (‘paraísos
fiscais’, assim definidos em lei). Deliberou-se, ainda, pela
inaplicabilidade retroativa do parágrafo único do aludido dispositivo.
Arrematou-se que os lucros auferidos no exterior seriam tributados
nos termos da MP 2.158-35/2001 a partir de 1º-1-2002, quanto ao
IRPJ, e após 24-11-2001, no que concerne à CSLL. De outro lado, os
fatos havidos antes desses períodos submeter-se-iam à legislação
anterior. Observou-se empate no tocante à situação de empresas
coligadas em ‘paraísos fiscais’ e controladas fora de ‘paraísos fiscais’."
(ADI 2.588, rel. p/ o ac. min. Joaquim Barbosa, julgamento em
10-4-2013, Plenário, Informativo 701.) No mesmo sentido: RE
611.586, rel. min. Joaquim Barbosa, julgamento em 10-4-2013,
Plenário,Informativo 701, com repercussão geral; RE 541.090, rel.
p/ o ac. min. Teori Zavascki, julgamento em 10-4-2013,
Plenário, Informativo 701.Vide: AC 3.141, rel. min. Marco Aurélio,
julgamento em 10-4-2013, Plenário, Informativo 701.

“Ação cautelar. Recurso extraordinário. Sobrestado em decorrência


do reconhecimento da existência de repercussão geral de questão

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constitucional, sem formulação de juízo (positivo ou negativo) de
admissibilidade. Indeferimento, pelo Tribunal de origem, do pedido de
tutela de urgência. Dano iminente e grave, capaz de comprometer o
direito material vindicado pela empresa contribuinte. Exercício
excepcional, pelo STF, do poder geral de cautela. Contexto que
enseja a outorga excepcional de provimento cautelar. Pretendida
suspensão cautelar de eficácia do acórdão objeto do recurso
extraordinário interposto pela empresa contribuinte. Cofins. Alíquota.
Majoração para 3%. Lei 9.718/1998 (art. 8º). Cumulativa ocorrência,
no caso, dos requisitos concernentes à plausibilidade jurídica e
ao periculum in mora. Precedentes. Decisão referendada pela
Turma.” (AC 2.168-MC-REF, rel. min. Celso de Mello, julgamento
em 4-11-2008, Segunda Turma, DJE de 19-8-2013.)

“Pis/Cofins-Importação. Lei 10.865/2004. Vedação de bis in idem.


Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (...).
Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor
do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade.
Isonomia. Ausência de afronta. Afastada a alegação de violação da
vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não
há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea
de contribuições idênticas com fundamento no inciso IV do art. 195,
com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. (...)
Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se
dizer que devessem as contribuições em questão ser
necessariamente não cumulativas. O fato de não se admitir o crédito
senão para as empresas sujeitas à apuração do Pis e da Cofins pelo
regime não cumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de
modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro
presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional,
de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II,
da CF.” (RE 559.937, rel. p/ o ac. min. Dias Toffoli, julgamento em
20-3-2013, Plenário, DJE de 17-10-2013, com repercussão geral.)

"Programa Universidade para Todos (PROUNI). Ações afirmativas do


Estado. Cumprimento do princípio constitucional da isonomia. (...) A
educação, notadamente a escolar ou formal, é direito social que a
todos deve alcançar. Por isso mesmo, dever do Estado e uma de suas
políticas públicas de primeiríssima prioridade. A Lei 11.096/2005 não
laborou no campo material reservado à lei complementar. Tratou,
tão-somente, de erigir um critério objetivo de contabilidade
compensatória da aplicação financeira em gratuidade por parte das
instituições educacionais. Critério que, se atendido, possibilita o gozo

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integral da isenção quanto aos impostos e contribuições mencionados
no art. 8º do texto impugnado." (ADI 3.330, rel. min. Ayres Britto,
julgamento em 3-5-2012, Plenário, DJE de 22-3-2013.)

Da saúde:

“É constitucional a regra que veda, no âmbito do Sistema Único de


Saúde - SUS, a internação em acomodações superiores, bem como o
atendimento diferenciado por médico do próprio SUS, ou por médico
conveniado, mediante o pagamento da diferença dos valores
correspondentes. Essa a conclusão do Plenário, que desproveu
recurso extraordinário em que discutida a possibilidade de internação
pelo SUS com a faculdade de melhoria do tipo de acomodação
recebida pelo usuário mediante o pagamento de diferença entre os
valores correspondentes. O Colegiado explicou que o SUS, conforme
instituído pela Lei 8.080/1990, prevê dois eixos de ação: estabelece a
prestação de serviços públicos de saúde e uma gama de atividades
denominadas de ações de saúde, conforme o art. 200 da CF. É regido
pelos princípios da: a) universalidade, como garantia de atenção à
saúde por parte do sistema a todo e qualquer cidadão, por meio de
serviços integrados por todos os entes da federação; b) equidade, a
assegurar que serviços de todos os níveis sejam prestados, de acordo
com a complexidade que o caso venha a exigir, de forma isonômica,
nas situações similares; e c) integralidade, reconhecendo-se cada
indivíduo como um todo indivisível e integrante de uma comunidade.
Embora os serviços de saúde devam obedecer a esses princípios,
estão limitados pelos elementos técnico-científicos, e pela capacidade
econômica do Estado. Nesse contexto, possibilitar assistência
diferenciada a pessoas numa mesma situação, dentro de um mesmo
sistema, vulnera a isonomia e a dignidade humana. Admitir que um
paciente internado pelo SUS tenha acesso a melhores condições de
internação ou a médico de sua confiança mediante pagamento
subverte a lógica do sistema e ignora suas premissas. Além disso, a
Constituição não veda o atendimento personalizado de saúde, e
admite o sistema privado. Os atendimentos realizados pela rede
pública, todavia, não devem se submeter à lógica do lucro, por não
ser essa a finalidade do sistema. Ainda que os supostos custos extras
corressem por conta do interessado, a questão econômica ocupa
papel secundário dentre os objetivos impostos ao ente estatal. A
implementação de um sistema de saúde equânime é missão do
Estado, que deve buscar a igualdade sempre que chamado a atuar. O
Tribunal assinalou que a diferença de classes dentro do sistema
também não leva a maior disponibilidade de vagas na enfermaria,

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porque há um limite de admissão de pessoas para cada
estabelecimento, e todo paciente, mesmo em acomodações
superiores, é contabilizado dentro do mesmo sistema público.
Sublinhou precedentes do STF relacionados ao tema, em que
garantido, em casos excepcionais, o tratamento diferenciado, a
despeito da proibição de pagamento a título de complementação
aos hospitais, por internação de pacientes em quartos particulares.
Ocorre que os julgados dizem respeito a casos individuais, baseados
na situação clínica de pacientes específicos, e grande parte deles se
dera na fase de implementação do SUS. No presente caso,
entretanto, se objetiva implementar a diferença de classe de modo
amplo e irrestrito. Assim, embora se reconheça que o SUS ainda
carece de recursos e de aprimoramento para se consagrar como um
sistema que atenda às suas finalidades constitucionais e legais, deve
haver esforços no sentido da promoção da igualdade de acesso, e não
em sentido oposto, em clara ofensa à Constituição”. RE 581488/RS,
rel. Min. Dias Toffoli, 3.12.2015. (RE-581488). Informativo nº
810.
“Custeio, pelo Estado, de serviços hospitalares prestados por
instituições privadas em benefício de pacientes do SUS atendidos pelo
SAMU nos casos de urgência e de inexistência de leitos na rede
pública. Dever estatal de assistência à saúde e de proteção à vida
resultante de norma constitucional. Obrigação jurídico-constitucional
que se impõe aos Estados. Configuração, no caso, de típica hipótese
de omissão inconstitucional imputável ao Estado. Desrespeito à
Constituição provocado por inércia estatal (...). Comportamento que
transgride a autoridade da Lei Fundamental da República (...). O
papel do Poder Judiciário na implementação de políticas públicas
instituídas pela Constituição e não efetivadas pelo poder público. A
fórmula da reserva do possível na perspectiva da teoria dos custos
dos direitos: impossibilidade de sua invocação para legitimar o injusto
inadimplemento de deveres estatais de prestação
constitucionalmente impostos ao poder público. A teoria da ‘restrição
das restrições’ (ou da ‘limitação das limitações’). Caráter cogente e
vinculante das normas constitucionais, inclusive daquelas de
conteúdo programático, que veiculam diretrizes de políticas públicas,
especialmente na área da saúde (cf. arts. 6º, 196 e 197). A questão
das ‘escolhas trágicas’. A colmatação de omissões inconstitucionais
como necessidade institucional fundada em comportamento
afirmativo dos juízes e tribunais e de que resulta uma positiva criação
jurisprudencial do direito. Controle jurisdicional de legitimidade da
omissão do poder público: atividade de fiscalização judicial que se
justifica pela necessidade de observância de certos parâmetros

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constitucionais (proibição de retrocesso social, proteção ao mínimo
existencial, vedação da proteção insuficiente e proibição de excesso).
(...) Responsabilidade solidária das pessoas políticas que integram o
Estado federal brasileiro, no contexto do Sistema Único de Saúde
(SUS).” (ARE 727.864, rel. min. Celso de Mello, decisão
monocrática, julgamento em 9-9-2014, DJE de 17-9-2014.)
"Ampliação e melhoria no atendimento à população no Hospital
Municipal Souza Aguiar. Dever estatal de assistência à saúde
resultante de norma constitucional. Obrigação jurídico-constitucional
que se impõe aos Municípios (CF, art. 30, VII). Configuração, no
caso, de típica hipótese de omissão inconstitucional imputável ao
Município do Rio de Janeiro/RJ. Desrespeito à Constituição provocado
por inércia estatal (RTJ 183/818-819). Comportamento que
transgride a autoridade da Lei Fundamental da República (RTJ
185/794-796)." (AI 759.543-AgR, rel. min. Celso de Mello,
julgamento em 17-12-2013, Segunda Turma, DJE de 12-2-2014.)

"Consolidou-se a jurisprudência desta Corte no sentido de que,


embora o art. 196 da Constituição de 1988 traga norma de caráter
programático, o Município não pode furtar-se do dever de propiciar os
meios necessários ao gozo do direito à saúde por todos os cidadãos.
Se uma pessoa necessita, para garantir o seu direito à saúde, de
tratamento médico adequado, é dever solidário da União, do Estado e
do Município providenciá-lo." (AI 550.530-AgR, rel. min. Joaquim
Barbosa, julgamento em 26-6-2012, Segunda Turma, DJE de 16-8-
2012.)

“Para efeito de suspensão de antecipação de tutela, não constitui


decisão genérica a que determina fornecimento de medicamentos a
pacientes usuários do SUS, residentes nos Municípios da comarca ou
da seção judiciária, mediante prescrição expedida por médico
vinculado ao SUS." (STA 328-AgR, Rel. Min. Presidente Cezar
Peluso, julgamento em 24-6-2010, Plenário, DJE de 13-8-2010.)

"Para obtenção de medicamento pelo SUS, não basta ao paciente


comprovar ser portador de doença que o justifique, exigindo-se
prescrição formulada por médico do Sistema." (STA 334-AgR, Rel.
Min. Presidente Cezar Peluso, julgamento em 24-6-2010,
Plenário, DJE de 13-8-2010.)

Da previdência social:

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“Aposentadoria especial. Art. 201, § 1º, da Constituição da República.
Requisitos de caracterização. Tempo de serviço prestado sob
condições nocivas. Fornecimento de Equipamento de Proteção
Individual – EPI. (...) A interpretação do instituto da aposentadoria
especial mais consentânea com o texto constitucional é aquela que
conduz a uma proteção efetiva do trabalhador, considerando o
benefício da aposentadoria especial excepcional, destinado ao
segurado que efetivamente exerceu suas atividades laborativas em
‘condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física’.
Consectariamente, a primeira tese objetiva que se firma é: o direito à
aposentadoria especial pressupõe a efetiva exposição do trabalhador
a agente nocivo à sua saúde, de modo que, se o EPI for realmente
capaz de neutralizar a nocividade não haverá respaldo constitucional
à aposentadoria especial. A Administração poderá, no exercício da
fiscalização, aferir as informações prestadas pela empresa, sem
prejuízo do inafastável judicial review. Em caso de divergência ou
dúvida sobre a real eficácia do Equipamento de Proteção Individual, a
premissa a nortear a Administração e o Judiciário é pelo
reconhecimento do direito ao benefício da aposentadoria especial.
Isto porque o uso de EPI, no caso concreto, pode não se afigurar
suficiente para descaracterizar completamente a relação nociva a que
o empregado se submete. (...) Desse modo, a segunda tese fixada
neste Recurso Extraordinário é a seguinte: na hipótese de exposição
do trabalhador a ruído acima dos limites legais de tolerância, a
declaração do empregador, no âmbito do Perfil Profissiográfico
Previdenciário (PPP), no sentido da eficácia do Equipamento de
Proteção Individual - EPI, não descaracteriza o tempo de serviço
especial para aposentadoria.” (ARE 664.335, rel. min. Luiz Fux,
julgamento em 4-12-2014, Plenário, DJE de 12-2-2015, com
repercussão geral.)

“O direito à previdência social constitui direito fundamental e, uma


vez implementados os pressupostos de sua aquisição, não deve ser
afetado pelo decurso do tempo. Como consequência, inexiste prazo
decadencial para a concessão inicial do benefício previdenciário. É
legítima, todavia, a instituição de prazo decadencial de dez anos para
a revisão de benefício já concedido, com fundamento no princípio da
segurança jurídica, no interesse em evitar a eternização dos litígios e
na busca de equilíbrio financeiro e atuarial para o sistema
previdenciário. O prazo decadencial de dez anos, instituído pela MP
1.523, de 28-6-1997, tem como termo inicial o dia 1º-8-1997, por
força de disposição nela expressamente prevista. Tal regra incide,

12
inclusive, sobre benefícios concedidos anteriormente, sem que isso
importe em retroatividade vedada pela Constituição. Inexiste direito
adquirido a regime jurídico não sujeito a decadência.” (RE 626.489,
rel. min. Roberto Barroso, julgamento em 16-10-2013, Plenário,
DJE de 23-9-2014, com repercussão geral.)

“O presente recurso extraordinário traz à consideração (...) se, sob a


vigência de uma mesma lei, teria o segurado direito a escolher, com
fundamento no direito adquirido, o benefício mais vantajoso
consideradas as diversas datas em que o direito poderia ter sido
exercido. Em outras palavras, o recurso versa sobre a existência ou
não de direito adquirido ao cálculo da renda mensal inicial com base
em data anterior a do desligamento do emprego ou da entrada do
requerimento por ser mais vantajoso ao beneficiário. Não estamos,
pois, frente a uma questão de direito intertemporal, mas diante da
preservação do direito adquirido frente a novas circunstâncias de
fato. Cabe, aqui, com fundamento no próprio Enunciado 359,
distinguir a aquisição do direito do seu exercício. Cumpridos os
requisitos mínimos (tempo de serviço e carência ou tempo de
contribuição e idade, conforme o regime jurídico vigente à época), o
segurado adquire o direito ao benefício. (...) O segurado pode exercer
o seu direito assim que preenchidos os requisitos para tanto (assim
que adquirido) ou fazê-lo mais adiante, normalmente por optar em
prosseguir na ativa, inclusive com vista a obter aposentadoria
integral ou, atualmente, para melhorar o fator previdenciário
aplicável. (...) Tenho que, uma vez incorporado o direito à
aposentação ao patrimônio do segurado, sua permanência na ativa
não pode prejudicá-lo. Efetivamente, ao não exercer seu direito assim
que cumpridos os requisitos mínimos para tanto, o segurado deixa de
perceber o benefício mensal desde já e ainda prossegue contribuindo
para o sistema. Não faz sentido que, ao requerer o mesmo benefício
posteriormente (aposentadoria), o valor da sua renda mensal inicial
seja inferior àquela que já poderia ter obtido. Admitir que
circunstâncias posteriores possam implicar renda mensal inferior
àquela garantida no momento do cumprimento dos requisitos
mínimos é permitir que o direito adquirido não possa ser exercido tal
como adquirido. Afinal, o benefício – previdenciário constitui-se na
fruição de proventos mensais que amparam o segurado em situação
de inatividade. O direito ao benefício é o direito a determinada renda
mensal, calculada conforme os critérios jurídicos e pressupostos
fáticos do momento em que cumpridos os requisitos para a sua
percepção. (...) O direito adquirido ao melhor benefício implica a
possibilidade de o segurado ver o seu benefício deferido ou revisado

13
de modo que corresponda à maior renda possível no cotejo entre a
renda mensal inicial obtida e as rendas mensais que estaria
percebendo, naquele momento, se houvesse requerido em algum
momento anterior o benefício, desde quando possível a aposentadoria
proporcional.” (RE 630.501, rel. p/ o ac. min. Marco Aurélio, voto
da min. Ellen Gracie, julgamento em 21-2-2013, Plenário,DJE de
26-8-2013, com repercussão geral.)

“O caráter contributivo do regime geral da previdência social


(caput do art. 201 da CF) a princípio impede a contagem de tempo
ficto de contribuição. O § 5º do art. 29 da Lei 8.213/1991 (Lei de
Benefícios da Previdência Social (LBPS)) é exceção razoável à regra
proibitiva de tempo de contribuição ficto com apoio no inciso II do
art. 55 da mesma lei. E é aplicável somente às situações em que a
aposentadoria por invalidez seja precedida do recebimento de auxílio-
doença durante período de afastamento intercalado com atividade
laborativa, em que há recolhimento da contribuição previdenciária.
Entendimento, esse, que não foi modificado pela Lei 9.876/1999. O §
7º do art. 36 do Decreto 3.048/1999 não ultrapassou os limites da
competência regulamentar porque apenas explicitou a adequada
interpretação do inciso II e do § 5º do art. 29 em combinação com o
inciso II do art. 55 e com os arts. 44 e 61, todos da Lei 8.213/1991.
A extensão de efeitos financeiros de lei nova a benefício
previdenciário anterior à respectiva vigência ofende tanto o inciso
XXXVI do art. 5º quanto o § 5º do art. 195 da CF.” (RE 583.834,
Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 21-9-2011, Plenário, DJE de
14-2-2012, com repercussão geral.)

“Não ofende o ato jurídico perfeito a aplicação imediata do art. 14 da


EC 20/1998 e do art. 5º da EC 41/2003 aos benefícios previdenciários
limitados a teto do regime geral de previdência estabelecido antes da
vigência dessas normas, de modo que passem a observar o novo teto
constitucional.” (RE 564.354, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento
em 8-9-2010, Plenário, DJE de 15-2-2011, com repercussão
geral.) No mesmo sentido: AI 532.251-AgR-ED, Rel. Min. Ellen
Gracie, julgamento em 1º-3-2011, Segunda Turma, DJE de 22-3-
2011; RE 441.201-AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski,
julgamento em 22-2-2011, Primeira Turma, DJE de 15-3-2011; RE
557.724-AgR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em 2-12-2010,
Primeira Turma, DJE de 9-2-2011.

Da assistência social:

14
“A Lei de Organização da Assistência Social (LOAS), ao regulamentar
o art. 203, V, da CR, estabeleceu critérios para que o benefício
mensal de um salário mínimo fosse concedido aos portadores de
deficiência e aos idosos que comprovassem não possuir meios de
prover a própria manutenção ou de tê-la provida por sua família. (...)
Dispõe o art. 20, § 3º, da Lei 8.742/1993 que ‘considera-se incapaz
de prover a manutenção da pessoa portadora de deficiência ou idosa
a família cuja renda mensal per capita seja inferior a 1/4 (um quarto)
do salário mínimo’. O requisito financeiro estabelecido pela lei teve
sua constitucionalidade contestada, ao fundamento de que permitiria
que situações de patente miserabilidade social fossem consideradas
fora do alcance do benefício assistencial previsto constitucionalmente.
Ao apreciar a ADI 1.232-1/DF, o STF declarou a constitucionalidade
do art. 20, § 3º, da LOAS. (...) A decisão do STF, entretanto, não pôs
termo à controvérsia quanto à aplicação em concreto do critério da
renda familiar per capita estabelecido pela Loas. Como a lei
permaneceu inalterada, elaboraram-se maneiras de contornar o
critério objetivo e único estipulado pela Loas e avaliar o real estado
de miserabilidade social das famílias com entes idosos ou deficientes.
Paralelamente, foram editadas leis que estabeleceram critérios mais
elásticos para concessão de outros benefícios assistenciais, tais
como: a Lei 10.836/2004, que criou o Bolsa Família; a Lei
10.689/2003, que instituiu o Programa Nacional de Acesso à
Alimentação; a Lei 10.219/2001, que criou o Bolsa Escola; a Lei
9.533/1997, que autoriza o Poder Executivo a conceder apoio
financeiro a Municípios que instituírem programas de garantia de
renda mínima associados a ações socioeducativas. O STF, em
decisões monocráticas, passou a rever anteriores posicionamentos
acerca da intransponibilidade do critérios objetivos. Verificou-se a
ocorrência do processo de inconstitucionalização decorrente de
notórias mudanças fáticas (políticas, econômicas e sociais) e jurídicas
(sucessivas modificações legislativas dos patamares econômicos
utilizados como critérios de concessão de outros benefícios
assistenciais por parte do Estado brasileiro). Declaração de
inconstitucionalidade parcial, sem pronúncia de nulidade, do art. 20,
§ 3º, da Lei 8.742/1993.” (Rcl 4.374, rel. min.Gilmar Mendes,
julgamento em 18-4-2013, Plenário, DJE de 4-9-2013.) Em sentido
contrário: ADI 1.232, rel. min. Ilmar Galvão, julgamento em 27-
8-1998, Plenário, DJ de 1º-6-2001. Vide: RE 567.985, rel. p/ o ac.
min. Gilmar Mendes, julgamento em 18-4-2013, Plenário, DJE de 3-
10-2013, com repercussão geral.

15
“Estatuto do Idoso dispõe, no art. 34, parágrafo único, que o
benefício assistencial já concedido a qualquer membro da família não
será computado para fins do cálculo da renda familiar per capita a
que se refere a Loas. Não exclusão dos benefícios assistenciais
recebidos por deficientes e de previdenciários, no valor de até um
salário mínimo, percebido por idosos. Inexistência de justificativa
plausível para discriminação dos portadores de deficiência em relação
aos idosos, bem como dos idosos beneficiários da assistência social
em relação aos idosos titulares de benefícios previdenciários no valor
de até um salário mínimo.” (RE 580.963, rel. min. Gilmar Mendes,
julgamento em 18-4-2013, Plenário, DJE de 14-11-2013.)

“A Lei de Organização da Assistência Social (LOAS), ao regulamentar


o art. 203, V, da CR, estabeleceu os critérios para que o benefício
mensal de um salário mínimo seja concedido aos portadores de
deficiência e aos idosos que comprovem não possuir meios de prover
a própria manutenção ou de tê-la provida por sua família. (...) Ao
apreciar a ADI 1.232-1/DF, o STF declarou a constitucionalidade do
art. 20, § 3º, da Loas. (...) A decisão do STF, entretanto, não pôs
termo à controvérsia quanto à aplicação em concreto do critério da
renda familiar per capitaestabelecido pela Loas. Como a lei
permaneceu inalterada, elaboraram-se maneiras de se contornar o
critério objetivo e único estipulado pela Loas e de se avaliar o real
estado de miserabilidade social das famílias com entes idosos ou
deficientes. Paralelamente, foram editadas leis que estabeleceram
critérios mais elásticos para a concessão de outros benefícios
assistenciais, tais como: a Lei 10.836/2004, que criou o Bolsa
Família; a Lei 10.689/2003, que instituiu o Programa Nacional de
Acesso à Alimentação; a Lei 10.219/2001, que criou o Bolsa Escola; a
Lei 9.533/1997, que autoriza o Poder Executivo a conceder apoio
financeiro a Municípios que instituírem programas de garantia de
renda mínima associados a ações socioeducativas. O STF, em
decisões monocráticas, passou a rever anteriores posicionamentos
acerca da intransponibilidade do critérios objetivos. Verificou-se a
ocorrência do processo de inconstitucionalização decorrente de
notórias mudanças fáticas (políticas, econômicas e sociais) e jurídicas
(sucessivas modificações legislativas dos patamares econômicos
utilizados como critérios de concessão de outros benefícios
assistenciais por parte do Estado brasileiro). Declaração de
inconstitucionalidade parcial, sem pronúncia de nulidade, do art. 20,
§ 3º, da Lei 8.742/1993.” (RE 567.985, rel. p/ o ac. min. Gilmar
Mendes, julgamento em 18-4-2013, Plenário, DJE de 3-10-2013,

16
com repercussão geral.) Em sentido contrário: ADI 1.232, rel. p/
o ac. min. Nelson Jobim, julgamento em 27-8-1998, Plenário, DJde
1-6-2001. Vide: Rcl 4.374, rel. min. Gilmar Mendes, julgamento
em 18-4-2013, Plenário, DJE de 4-9-2013.

“Benefício de prestação continuada. Art. 203, V, da CF/1988. Critério


objetivo para concessão de benefício. Art. 20, § 3º, da
Lei 8.742/1993 c/c art. 34, parágrafo único, da Lei 10.741/2003.
Violação ao entendimento adotado no julgamento da ADI 1.232/DF.
Inexistência. Recurso extraordinário não provido. Não contraria o
entendimento adotado pela Corte no julgamento da ADI 1.232/DF, a
dedução da renda proveniente de benefício assistencial recebido por
outro membro da entidade familiar (art. 34, parágrafo único, do
Estatuto do Idoso), para fins de aferição do critério objetivo previsto
no art. 20, § 3º, da Lei 8.742/1993 (renda familiar mensal per
capita inferior a 1/4 do salário mínimo.)” (RE 558.221, Rel.
Min. Cezar Peluso, julgamento 15-4-2008, Segunda Turma, DJE de
16-5-2008.) No mesmo sentido: AI 688.242-AgR, Rel.
Min. Joaquim Barbosa, julgamento em 20-4-2010, Segunda
Turma, DJE de 4-6-2010.

e. Leitura sugerida

- OLIVEIRA, Júlio Marcelo de. O que deve ser melhorado na proposta


de reforma da previdência. Disponível em:
http://www.conjur.com.br/2016-dez-20/contas-vista-melhorado-
proposta-reforma-previdencia

- PIERDONÁ, Zélia Luiza. A constitucionalidade do prazo decenal para


a constituição do crédito relativo às contribuições previdenciárias.
Juris plenum: trabalhista e previdenciária, Caxias do Sul, v. 5, n. 22,
p. 91-103, fev. 2009.

- SANTOS, Marisa Ferreira dos. A previdência social do servidor


público - aposentadorias voluntárias e pensões. In: Revista
Acadêmica da Escola de Magistrados da Justiça Federal da 3. Região -
EMAG - v. 1 n. 1 jun./ ago. 2009, p 149-166. Disponível em
http://www.trf3.jus.br/trf3r/fileadmin/docs/emag/Publicacoes/rev_ac
ademica_numero01.pdf

17
f. Leitura complementar

- BALERA, Wagner; MUSSI, Cristiane Miziara. Direito Previdenciário.


10ª ed. São Paulo: Método. Rio de Janeiro: Forense, 2014.
(“Seguridade Social”).

- BOSIO, Rosa Elena. Lineamientos Básicos de Seguridad Social.


Argentina: Editora Advocatus.

- FORTES, Simone Barbisan; PAULSEN, Leandro. Direito da


Seguridade Social, Prestações e Custeio da Previdência, Assistência e
Saúde. Porto Alegre: Livraria do Advogado.

- MARTINS, Sérgio Pinto. Direito da Seguridade Social. 35ª ed. São


Paulo: Atlas, 2015.

- MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. São Paulo: Atlas.


(“Seguridade Social”).

- PASTOR, José M. Almansa. Derecho de La Seguridad Social.


Espanha: Editorial Tecnos.

- SANTOS, Marisa Ferreira dos. O princípio da seletividade das


prestações de seguridade social. São Paulo: Ltr, 2004.

- _______________________. Assistência Social – Breves


comentários e o benefício da prestação continuada. In: Repertório de
Jurisprudência IOB, nº 7, 1ª quinzena abr/2006, p. 222-216.

- SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 38ª


ed. São Paulo: Malheiros, 2015. (“Da Seguridade Social”).

- SPITZCOVSKY, Celso; MOTA, Leda Pereira da. Direito


Constitucional. 11ª ed. São Paulo: Método, 2013 (“Da Seguridade
Social”).

18