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PÓS-GRADUAÇÃO EM DIREITO CONSTITUCIONAL

MÓDULO DIREITOS E GARANTAIS FUNDAMENTAIS

Professor: Ingo Wolfgang Sarlet

1. Material pré-aula

a. Tema

Dignidade da pessoa humana.

b. Noções Gerais

Segundo o professor Ingo Sarlet, dignidade da pessoa humana é a


“qualidade intrínseca e distintiva de cada ser humano que o faz
merecedor do mesmo respeito e consideração por parte do Estado e
da comunidade, implicando, neste sentido, um complexo de direitos e
deveres fundamentais que assegurem a pessoa tanto contra todo e
qualquer ato de cunho degradante e desumano, como venham a lhe
garantir as condições existentes mínimas para uma vida saudável,
além de propiciar e promover sua participação ativa e corresponsável
nos destinos da própria existência e da vida em comunhão com os
demais seres humanos” (1).

Nesta toada, entende o ilustre professor Ingo Sarlet, que os “direitos


fundamentais, ao menos de forma geral, podem ser considerados
concretizações das exigências do princípio da dignidade da pessoa
humana” (2) , sendo que tais direitos são aqueles “reconhecidos e
positivados na esfera do direito constitucional positivo de
determinado Estado”(3).

No que tange ao direito à vida, os seguintes pontos merecem


destaques:
 Dupla acepção: negativa (não intervenção) e positiva
(existência digna);

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 Vida humana no sentido biológico;
 Células-tronco embrionárias;
 Interrupção de gravidez de feto anencefálico;
 Eutanásia.

(1) SARLET, Ingo Wolfgang. Dignidade da Pessoa Humana e Direitos Fundamentais na Constituição de 1988.
9ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2012.
(2 e 3) SARLET, Ingo Wolfgang. A eficácia dos direitos fundamentais. 11ª ed. Porto Alegre: Livraria do
Advogado, 2012.

c. Legislação

Constituição Federal: art.1º, III; art.5º caput (principais artigos).

Súmulas do STF:

“Não viola a Constituição o estabelecimento de remuneração inferior


ao salário mínimo para as praças prestadoras de serviço militar
inicial.” (Súmula Vinculante 6.)

“Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado


receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por
parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por
escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do
agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual
a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado.”
(Súmula Vinculante 11)

“É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso


amplo aos elementos de prova que, já documentados em
procedimento investigatório realizado por órgão com competência de
polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa.”
(Súmula Vinculante 14)

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"O limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima
em face do art. 7º, XXX, da Constituição, quando possa ser
justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido."
(Súmula 683.)

"É constitucional o § 2º do art. 6º da Lei 8.024/1990, resultante da


conversão da Medida Provisória 168/1990, que fixou o BTN fiscal
como índice de correção monetária aplicável aos depósitos
bloqueados pelo Plano Collor I." (Súmula 725.)

d. Julgados/Informativos
(íntegra dos respectivos acórdãos em:
http://stf.jus.br/portal/inteiroTeor/pesquisarInteiroTeor.asp - informar apenas o
número do processo sem ponto ou dígito verificador e serão listadas as classes
relacionadas ao número)

Reparação econômica de anistiado político e disponibilidade


orçamentária
Reconhecido o direito à anistia política, a falta de cumprimento de
requisição ou determinação de providências por parte da União, por
intermédio do órgão competente, no prazo previsto nos arts. 12, §
4º, e 18, “caput” e parágrafo único, da Lei 10.599/2002, caracteriza
ilegalidade e violação de direito líquido e certo. Havendo rubricas no
orçamento destinadas ao pagamento das indenizações devidas aos
anistiados políticos e não demonstrada a ausência de disponibilidade
de caixa, a União há de promover o pagamento do valor ao anistiado
no prazo de 60 dias. Na ausência ou na insuficiência de
disponibilidade orçamentária no exercício em curso, cumpre à União
promover sua previsão no projeto de lei orçamentária imediatamente
seguinte. Com base nessa orientação, o Plenário negou provimento a
recurso extraordinário em que debatido o pagamento imediato de
reparação econômica a anistiados políticos, tendo em conta a
ausência de previsão orçamentária e o regime de precatórios para
pagamento de valores pelos quais o Estado é condenado. De início, o

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Colegiado lembrou que a declaração de anistiado político é conferida
em favor daqueles que, no período de 18.9.1946 a 5.10.1988,
sofreram prejuízos em decorrência de motivação exclusivamente
política por meio de ato de exceção (ADCT, art. 8º, “caput”). E, para
liquidar as reparações econômicas desses anistiados, o orçamento
anual da União destina valores expressivos, em prestação única ou
em prestação mensal permanente e continuada. Pontuou que, de
acordo com o princípio da legalidade da despesa pública, a
Administração deve atuar de acordo com parâmetros e valores
determinados pela Lei Orçamentária Anual (LOA). O orçamento, por
sua vez, deve estar adequado à Lei de Diretrizes Orçamentárias
(LDO) e ao Plano Plurianual (PPA), em respeito aos princípios da
hierarquia e da integração normativa. Entretanto, a jurisprudência da
Corte consolidou a premissa de que a existência de dotação legal é
suficiente para que haja o cumprimento integral da portaria que
reconhece a condição de anistiado político. Demonstrada, portanto, a
existência de dotação orçamentária, decorrente de presumida e
legítima programação financeira pela União, não se visualiza afronta
ao princípio da legalidade da despesa pública ou às regras
constitucionais que impõem limitações às despesas de pessoal e
concessões de vantagens e benefícios pessoais. Assim, a recusa de
incluir em orçamento o crédito previsto em portaria concessiva de
anistia afronta o princípio da dignidade da pessoa humana.
Afinal, trata-se de cidadão cujos direitos preteridos por atos de
exceção política foram admitidos com anos de atraso pelo Estado,
não podendo esse se recusar a cumprir a reparação econômica
reconhecida como devida e justa por procedimento administrativo
instaurado com essa finalidade. A opção do legislador, ao garantir os
direitos a esses anistiados, foi de propiciar restabelecimento mínimo
dessa dignidade àqueles que a tiveram destroçada por regime
antidemocrático outrora instalado. Havendo o reconhecimento do
débito pelo órgão público em favor do anistiado político e a
destinação da verba em montante expressivo em lei, não há como
acolher a tese de inviabilidade do pagamento pela ausência de
previsão orçamentária. O Tribunal salientou, ainda, que admitir a
limitação da dotação orçamentária para a satisfação dos efeitos

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retroativos da concessão de reparação econômica somente aos
anistiados que firmaram termo de adesão, nos termos da Lei
11.354/2006, levaria ao reconhecimento da sujeição compulsória do
anistiado político ao parcelamento previsto nessa norma.
Considerando-se que não houve violação do princípio da prévia
dotação orçamentária, não se admite o argumento de que o
pagamento dos valores retroativos levará a situação de insolvência. A
inexistência de recursos deve ser real e demonstrada de forma
esclarecedora. Não basta a mera alegação de que se poderá levar a
Administração à exaustão orçamentária. Quanto à aplicação do
regime de precatórios para pagamento de valores retroativos, o
Colegiado rememorou orientação jurisprudencial no sentido de se
determinar o pagamento de reparação econômica retroativa em razão
da existência de leis orçamentárias posteriores à edição da respectiva
portaria de anistia com previsão de recursos financeiros
especificamente para a liquidação de indenizações deferidas a
anistiados políticos, a afastar a aplicação do art. 100 da Constituição.
A indenização devida ao anistiado político integra grupo específico
que merece tratamento diferenciado por disposição constitucional
(ADCT, art. 8º). Porém, no caso de anistia, não se condena o Poder
Público ao pagamento de determinado valor em decorrência de
decisão judicial, como ocorre com precatórios. A punição ocorre em
virtude de determinação administrativa, de forma que o pagamento
deve ser imediato. O orçamento, embora seja lei em sentido formal,
é autorizativo. Não se constitui em reconhecimento da dívida estatal.
A obrigação está na portaria, e o Poder Público pode,
excepcionalmente, fundamentar a impossibilidade de cumprir a lei e a
decisão administrativa vinculante. Nessa hipótese, a União deve,
justificada e detalhadamente, motivar a decisão quando da
elaboração do orçamento anual, além de indicar por que não cumpre
a decisão administrativa vinculante. No caso concreto, como havia
rubricas no orçamento destinadas ao pagamento das indenizações
devidas e não foi demonstrada a ausência de disponibilidade de caixa,
a União há de promover o pagamento imediato do valor ao recorrido,
sem cogitar a observância ao regime dos precatórios. Ademais, não
se deve determinar a inclusão da dívida reconhecida no orçamento

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para o próximo ano, pois a mora já se operou e pagamentos foram
realizados a terceiros durante os anos em que o anistiado deixou de
ter seu crédito atendido. O ministro Edson Fachin ressalvou inexistir
incompatibilidade entre o pagamento de reparação decorrente de
anistia e o regime de precatórios. A forma de pagamento inicial é a
satisfação imediata, no prazo legal, havendo disponibilidade. Do
contrário, é dever da União incluir no exercício orçamentário
seguinte, não se fechando à hipótese, no caso de não pagamento, do
regime de precatórios. O ministro Luiz Fux corroborou ser cabível o
mandado de segurança como instrumento para pleitear essa espécie
de pagamento em face da Administração. Afinal, não há dúvida sobre
a existência do débito — a ensejar ação de cobrança —, mas ato
omissivo do Estado. O ministro Ricardo Lewandowski sublinhou que,
na hipótese de fraude na concessão de anistia, há de se observar o
procedimento do art. 17 da Lei 10.559/2002. Comprovada a falsidade
dos motivos que ensejaram a declaração da condição de anistiado
político, surge a obrigação de ressarcir os cofres públicos, sem
prejuízo de outras sanções. RE 553710/DF, rel. Min. Dias Toffoli,
julgamento em 17.11.2016. (RE-553710). Íntegra do Informativo
847

SUS e atendimento por diferença de classe. É constitucional a


regra que veda, no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS, a
internação em acomodações superiores, bem como o atendimento
diferenciado por médico do próprio SUS, ou por médico conveniado,
mediante o pagamento da diferença dos valores correspondentes.
Essa a conclusão do Plenário, que desproveu recurso extraordinário
em que discutida a possibilidade de internação pelo SUS com a
faculdade de melhoria do tipo de acomodação recebida pelo usuário
mediante o pagamento de diferença entre os valores
correspondentes. O Colegiado explicou que o SUS, conforme
instituído pela Lei 8.080/1990, prevê dois eixos de ação: estabelece a
prestação de serviços públicos de saúde e uma gama de atividades
denominadas de ações de saúde, conforme o art. 200 da CF. É regido
pelos princípios da: a) universalidade, como garantia de atenção à
saúde por parte do sistema a todo e qualquer cidadão, por meio de

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serviços integrados por todos os entes da federação; b) equidade, a
assegurar que serviços de todos os níveis sejam prestados, de acordo
com a complexidade que o caso venha a exigir, de forma isonômica,
nas situações similares; e c) integralidade, reconhecendo-se cada
indivíduo como um todo indivisível e integrante de uma comunidade.
Embora os serviços de saúde devam obedecer a esses princípios,
estão limitados pelos elementos técnico-científicos, e pela capacidade
econômica do Estado. Nesse contexto, possibilitar assistência
diferenciada a pessoas numa mesma situação, dentro de um mesmo
sistema, vulnera a isonomia e a dignidade humana. Admitir que um
paciente internado pelo SUS tenha acesso a melhores condições de
internação ou a médico de sua confiança mediante pagamento
subverte a lógica do sistema e ignora suas premissas. Além disso, a
Constituição não veda o atendimento personalizado de saúde, e
admite o sistema privado. Os atendimentos realizados pela rede
pública, todavia, não devem se submeter à lógica do lucro, por não
ser essa a finalidade do sistema. Ainda que os supostos custos extras
corressem por conta do interessado, a questão econômica ocupa
papel secundário dentre os objetivos impostos ao ente estatal. A
implementação de um sistema de saúde equânime é missão do
Estado, que deve buscar a igualdade sempre que chamado a atuar. O
Tribunal assinalou que a diferença de classes dentro do sistema
também não leva a maior disponibilidade de vagas na enfermaria,
porque há um limite de admissão de pessoas para cada
estabelecimento, e todo paciente, mesmo em acomodações
superiores, é contabilizado dentro do mesmo sistema público.
Sublinhou precedentes do STF relacionados ao tema, em que
garantido, em casos excepcionais, o tratamento diferenciado, a
despeito da proibição de pagamento a título de complementação aos
hospitais, por internação de pacientes em quartos particulares.
Ocorre que os julgados dizem respeito a casos individuais, baseados
na situação clínica de pacientes específicos, e grande parte deles se
dera na fase de implementação do SUS. No presente caso,
entretanto, se objetiva implementar a diferença de classe de modo
amplo e irrestrito. Assim, embora se reconheça que o SUS ainda
carece de recursos e de aprimoramento para se consagrar como um

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sistema que atenda às suas finalidades constitucionais e legais, deve
haver esforços no sentido da promoção da igualdade de acesso, e não
em sentido oposto, em clara ofensa à Constituição. RE 581488/RS,
rel. Min. Dias Toffoli, 3.12.2015. (RE-581488) (Informativo 810,
Plenário, Repercussão Geral)

Obras emergenciais em presídios: reserva do possível e


separação de poderes – 1. É lícito ao Poder Judiciário impor à
Administração Pública obrigação de fazer, consistente na promoção
de medidas ou na execução de obras emergenciais em
estabelecimentos prisionais para dar efetividade ao postulado da
dignidade da pessoa humana e assegurar aos detentos o respeito à
sua integridade física e moral, nos termos do que preceitua o art. 5º,
XLIX, da CF, não sendo oponível à decisão o argumento da reserva
do possível nem o princípio da separação dos poderes. Essa a
conclusão do Plenário, que proveu recurso extraordinário em que
discutida a possibilidade de o Poder Judiciário determinar ao Poder
Executivo estadual obrigação de fazer consistente na execução de
obras em estabelecimentos prisionais, a fim de garantir a observância
dos direitos fundamentais dos presos. O Colegiado assentou tratar-
se, na espécie, de estabelecimento prisional cujas condições
estruturais seriam efetivamente atentatórias à integridade física e
moral dos detentos. Pontuou que a pena deveria ter caráter de
ressocialização, e que impor ao condenado condições sub-humanas
atentaria contra esse objetivo. Entretanto, o panorama nacional
indicaria que o sistema carcerário como um todo estaria em quadro
de total falência, tendo em vista a grande precariedade das
instalações, bem assim episódios recorrentes de sevícias, torturas,
execuções sumárias, revoltas, superlotação, condições precárias de
higiene, entre outros problemas crônicos. Esse evidente caos
institucional comprometeria a efetividade do sistema como
instrumento de reabilitação social. Além disso, a questão afetaria
também estabelecimentos destinados à internação de menores. O
quadro revelaria desrespeito total ao postulado da dignidade da
pessoa humana, em que haveria um processo de “coisificação” de
presos, a indicar retrocesso relativamente à lógica jurídica atual. A

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sujeição de presos a penas a ultrapassar mera privação de liberdade
prevista na lei e na sentença seria um ato ilegal do Estado, e retiraria
da sanção qualquer potencial de ressocialização. A temática
envolveria a violação de normas constitucionais, infraconstitucionais e
internacionais. Dessa forma, caberia ao Judiciário intervir para que o
conteúdo do sistema constitucional fosse assegurado a qualquer
jurisdicionado, de acordo com o postulado da inafastabilidade da
jurisdição. Os juízes seriam assegurados do poder geral de cautela
mediante o qual lhes seria permitido conceder medidas atípicas,
sempre que se mostrassem necessárias para assegurar a efetividade
do direito buscado. No caso, os direitos fundamentais em discussão
não seriam normas meramente programáticas, sequer se trataria de
hipótese em que o Judiciário estaria ingressando indevidamente em
campo reservado à Administração. Não haveria falar em indevida
implementação de políticas públicas na seara carcerária, à luz da
separação dos poderes. Ressalvou que não seria dado ao Judiciário
intervir, de ofício, em todas as situações em que direitos
fundamentais fossem ameaçados. Outrossim, não caberia ao
magistrado agir sem que fosse provocado, transmudando-se em
administrador público. O juiz só poderia intervir nas situações em que
se evidenciasse um “não fazer” comissivo ou omissivo por parte das
autoridades estatais que colocasse em risco, de maneira grave e
iminente, os direitos dos jurisdicionados.
RE 592581/RS, rel. Min. Ricardo Lewandowski, 13.8.2015.
(RE-592581)

A Turma enfatizou que não se estaria a negar vigência ao Estatuto


do Idoso, responsável por concretizar os direitos fundamentais da
proteção do idoso na ordem jurídica brasileira, amparado nos
princípios da cidadania e da dignidade da pessoa humana. Ocorre
que, nesse certame em particular, a lei estadual, por ser norma
especial a regular o concurso público de remoção para outorga de
delegação notarial e de registro, deveria prevalecer sobre o Estatuto
do Idoso no ponto em que tratasse de critérios de desempate. Não
obstante, dentre os critérios previstos na lei estadual, o primeiro
deles, a favorecer o candidato mais antigo na titularidade no serviço

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notarial ou de registro, não poderia ser utilizado para desempatar o
certame, uma vez que fora considerado inconstitucional no
julgamento da ADI 3.522/RS (DJe de 12.5.2006). Frisou que, no
caso, teriam concorrido dois servidores/delegatários, já aprovados
em concurso público, que realizaram concurso de remoção para
titularizar outra serventia e, ao obterem a mesma pontuação, fora
privilegiado, com base em escolha legislativa específica, aquele que
possuiria o 25 maior tempo de serviço. Desse modo, apenas se
poderia adotar o critério de desempate que privilegiasse o mais idoso,
como requeria o impetrante, se os candidatos tivessem também
empatado quanto ao tempo de serviço público. MS 33046/PR, rel.
Min. Luiz Fux, 10.3.2015. (MS-33046) (Informativo 777, 1ª
Turma).

Usucapião de imóvel urbano e norma municipal de


parcelamento do solo – 5. O Tribunal ressaltou, ademais, que o
imóvel estaria perfeitamente localizado dentro da área urbana do
município. Além disso, o poder público cobraria sobre a propriedade
os tributos competentes. Ademais, não se poderia descurar da
circunstância de que a presente modalidade de aquisição da
propriedade imobiliária fora incluída pela Constituição como forma de
permitir o acesso dos mais humildes a melhores condições de
moradia, bem como para fazer valer o respeito à dignidade da pessoa
humana, elevado a um dos fundamentos da República (CF, art. 1º,
III), fato que, inegavelmente, conduziria ao pleno desenvolvimento
das funções sociais da cidade, além de garantir o bem-estar de seus
habitantes (CF, art. 182, “caput”). Assim, a eventual irregularidade
do loteamento em que localizado o imóvel objeto da usucapião ou a
desconformidade de sua metragem com normas e posturas
municipais que disciplinariam os módulos urbanos em sua respectiva
área territorial não poderiam obstar a implementação de direito
constitucionalmente assegurado a quem preenchesse os requisitos
exigidos pela Constituição, especialmente por se tratar de modo
originário de aquisição da propriedade. Afastou, outrossim, a
necessidade de se declarar a inconstitucionalidade da norma
municipal. Vencidos os Ministros Roberto Barroso, Marco Aurélio e

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Celso de Mello. Os Ministros Roberto Barroso e Celso de Mello
proviam o recurso em parte e determinavam o retorno dos autos à
origem para que fossem verificados os demais requisitos do art. 183
da CF, tendo em vista que a sentença teria se limitado a aferir a área
do imóvel. O Ministro Marco Aurélio também provia parcialmente o
recurso, para reformar o acórdão recorrido, de modo a reconhecer a
usucapião e vedar a criação de unidade imobiliária autônoma, inferior
ao módulo territorial mínimo previsto na legislação local. Por fim, o
Tribunal deliberou, por decisão majoritária, reconhecer a existência
de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Vencido, no
ponto, o Ministro Marco Aurélio, que rejeitava a existência de
repercussão geral e não subscrevia a tese firmada. RE 422349/RS,
rel. Min. Dias Toffoli, 29.4.2015. (RE-422349) (Informativo 783,
Plenário, Repercussão Geral).
Norma penal militar e discriminação sexual. As expressões
“pederastia ou outro” — mencionada na rubrica enunciativa referente
ao art. 235 do CPM — e “homossexual ou não” — contida no aludido
dispositivo — não foram recepcionadas pela Constituição (“Pederastia
ou outro ato de libidinagem - Art. 235. Praticar, ou permitir o militar
que com ele se pratique ato libidinoso, homossexual ou não, em lugar
sujeito a administração milita r: Pena - detenção, de seis meses a um
ano”). Essa a conclusão do Plenário que, por maioria, julgou
parcialmente procedente pedido formulado em arguição de
descumprimento de preceito fundamental proposta contra a referida
norma penal. De início, o Tribunal conheceu do pedido. No ponto,
considerou que os preceitos tidos como violados possuiriam caráter
inequivocamente fundamental (CF, artigos 1º, III e V; 3º, I e IV; e
5º, “caput”, I, III, X e XLI). Além disso, o diploma penal militar seria
anterior à Constituição, de modo que não caberia ação direta de
inconstitucionalidade para questionar norma nele contida. Assim, não
haveria outro meio apto a sanar a suposta lesão aos preceitos
fundamentais. No mérito, o Colegiado apontou que haveria um
paralelo entre as condutas do art. 233 do CP (ato obsceno) e 235 do
CPM. Na norma penal comum, o bem jurídico protegido seria o poder
público. Na norma penal militar, por outro lado, o bem seria a
administração militar, tendo em conta a disciplina e a hierarquia,

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princípios estes com embasamento constitucional (CF, artigos 42 e
142). Haveria diferenças não discriminatórias entre a vida civil e a
vida da caserna, marcada por valores que não seriam usualmente
exigidos, de modo cogente e imperativo, aos civis. Por essa razão, a
tutela penal do bem jurídico protegido pelo art. 235 do CPM deveria
se manter. Acresceu, entretanto, que o aludido dispositivo, embora
pudesse ser aplicado a heterossexuais e a homossexuais, homens e
mulheres, teria o viés de promover discriminação em desfavor dos
homossexuais, o que seria inconstitucional, haja vista a violação dos
princípios da dignidade humana e da igualdade, bem assim a vedação
à discriminação odiosa. Desse modo, a lei não poderia se utilizar de
expressões pejorativas e discriminatórias, considerado o
reconhecimento do direito à liberdade de orientação sexual como
liberdade essencial do indivíduo. Vencidos os Ministros Rosa Weber e
Celso de Mello, que acolhiam integralmente o pedido para declarar
não recepcionado pela Constituição o art. 235 do CPM em sua
integralidade. ADPF 291/DF, rel. Min. Roberto Barroso, 28.10.2015.
(ADPF-291) (Informativo 805, Plenário).

Crime de redução a condição análoga à de escravo e


competência – 7. A Corte ponderou que, diante da opção
constitucional pela tutela da dignidade intrínseca do homem, seria
inadmissível pensar que o sistema de organização do trabalho
pudesse ser concebido unicamente à luz de órgãos e instituições,
excluído dessa relação o próprio ser humano. O art. 109, VI, da CF
estabelece competir à justiça federal processar e julgar os crimes
contra a organização do trabalho, sem explicitar quais delitos
estariam nessa categoria. Assim, embora houvesse um capítulo
destinado a esses crimes no Código Penal, inexistiria correspondência
taxativa entre os delitos capitulados naquele diploma e os crimes
indicados na Constituição, e caberia ao intérprete verificar em quais
casos se estaria diante de delitos contra a organização do trabalho.
Além disso, o bem jurídico protegido no tipo penal do art. 149 do CP
seria a liberdade individual, compreendida sob o enfoque ético-social
e da dignidade, no sentido de evitar que a pessoa humana fosse
transformada em “res”. A conduta criminosa contra a organização do

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trabalho atingiria interesse de ordem geral, que seria a manutenção
dos princípios básicos sobre os quais estruturado o trabalho em todo
o País. Concluiu que o tipo previsto no art. 149 do CP se
caracterizaria como crime contra a organização do trabalho, e atrairia
a competência da justiça federal. Afastou tese no sentido de que a
extensão normativa do crime teria como resultado o processamento e
a condenação de pessoas inocentes pelo simples fato de se valerem
de trabalho prestado em condições ambientais adversas. Sob esse
aspecto, um tipo aberto ou fechado deveria ser interpretado pela
justiça considerada competente nos termos da Constituição. Dessa
maneira, a má redação ou a contrariedade diante da disciplina penal
de determinado tema não desautorizaria a escolha do constituinte. O
Ministro Luiz Fux pontuou que a competência seria da justiça federal
quando houvesse lesão à organização do trabalho, na hipótese de
multiplicidade de vítimas, de modo que o delito alcançasse uma
coletividade de trabalhadores. Na espécie, o delito vitimara 53
trabalhadores, número expressivo suficiente para caracterizar a
ofensa à organização do trabalho. O Ministro Gilmar Mendes
sublinhou que a competência da justiça federal seria inequívoca
quando ocorresse lesão à organização do trabalho, como por
exemplo, nas hipóteses de violação aos direitos humanos, como no
caso de negativa a um grupo de empregados de sair do local. No
mais, seria matéria da competência da justiça estadual. O Ministro
Ricardo Lewandowski (Presidente) ressaltou que, em princípio, a
competência poderia ser concorrente. Vencido o Ministro Cezar
Peluso, que negava provimento ao recurso. RE 459510/MT, rel. orig.
Min. Cezar Peluso, red. p/ o acórdão Min. Dias Toffoli,
26.11.2015.(RE-459510) (Informativo 809, Plenário)

“O Plenário, por maioria, julgou improcedente pedido formulado em


ação direta de inconstitucionalidade ajuizada contra o § 1º do art. 28
da Lei 12.663/2012 – Lei Geral da Copa (...). A Corte esclareceu que
o principal fundamento da ação seria a impossibilidade de a legislação
impor restrições à liberdade de expressão, além das já
constitucionalmente previstas. Ressaltou que o constituinte não
concebera a liberdade de expressão como direito absoluto,

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insuscetível de restrição, fosse pelo Judiciário, fosse pelo Legislativo.
Mencionou que haveria hipóteses em que a liberdade de expressão
acabaria por colidir com outros direitos e valores também
constitucionalmente protegidos. Explicou que essas tensões dialéticas
precisariam ser sopesadas a partir da aplicação do princípio da
proporcionalidade. Afirmou que a incidência desse princípio se daria
quando verificada restrição a determinado direito fundamental ou
quando configurado conflito entre distintos princípios constitucionais,
o que exigiria a ponderação do peso relativo de cada um dos direitos
por meio da aplicação das máximas que integrariam o mencionado
princípio da proporcionalidade. Realçou que se deveria perquirir se,
em face do conflito entre dois bens constitucionais contrapostos, o
ato impugnado afigurar-se-ia adequado, ou seja, apto para produzir o
resultado desejado. Além disso, verificar-se-ia se esse ato seria
necessário e insubstituível por outro meio menos gravoso e
igualmente eficaz, e proporcional em sentido estrito, de modo que se
estabelecesse uma relação ponderada entre o grau de restrição de
um princípio e o grau de realização do princípio contraposto. O
Plenário sublinhou que as restrições impostas pelo art. 28 da Lei
Geral da Copa trariam limitações específicas aos torcedores que
comparecessem aos estádios em evento de grande porte
internacional e contariam com regras específicas para ajudar a
prevenir confrontos em potencial. Consignou que o legislador, a partir
de juízo de ponderação, teria objetivado limitar manifestações que
tenderiam a gerar maiores conflitos e a atentar não apenas contra o
evento em si, mas, principalmente, contra a segurança dos demais
participantes. Recordou que várias dessas restrições já haveriam,
inclusive, sido inseridas no Estatuto do Torcedor (Lei 10.671/2003)
pela Lei 12.299/2010, que dispõe sobre medidas de prevenção e
repressão aos fenômenos de violência por ocasião das competições
esportivas. Asseverou que, ao contrário do que defendido na inicial, o
dispositivo impugnado não constituiria limitação à liberdade de
expressão. Salientou, contudo, que seria vedada qualquer espécie de
censura injustificada e desproporcional à liberdade de expressão.”
(ADI 5.136, rel. min. Gilmar Mendes, julgamento em 1º-7-2014,
Plenário, Informativo 752.)

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No tocante à violência doméstica, há de considerar-se a necessidade
da intervenção estatal. (...) No caso presente, não bastasse a
situação de notória desigualdade considerada a mulher, aspecto
suficiente a legitimar o necessário tratamento normativo desigual,
tem-se como base para assim se proceder a dignidade da pessoa
humana – art. 1º, III –, o direito fundamental de igualdade – art. 5º,
I – e a previsão pedagógica segundo a qual a lei punirá qualquer
discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais –
art. 5º, XLI. A legislação ordinária protetiva está em fina sintonia com
a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Violência
contra a Mulher, no que revela a exigência de os Estados adotarem
medidas especiais destinadas a acelerar o processo de construção de
um ambiente onde haja real igualdade entre os gêneros. Há também
de se ressaltar a harmonia dos preceitos com a Convenção
Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a
Mulher – a Convenção de Belém do Pará –, no que mostra ser a
violência contra a mulher uma ofensa aos direitos humanos e a
consequência de relações de poder historicamente desiguais entre os
sexos. (...) Procede às inteiras o pedido formulado pelo procurador-
geral da República, buscando-se o empréstimo de concretude maior à
CF. Deve-se dar interpretação conforme à Carta da República aos
arts. 12, I, 16 e 41 da Lei 11.340/2006 – Lei Maria da Penha – no
sentido de não se aplicar a Lei 9.099/1995 aos crimes glosados pela
lei ora discutida, assentando-se que, em se tratando de lesões
corporais, mesmo que consideradas de natureza leve, praticadas
contra a mulher em âmbito doméstico, atua-se mediante ação penal
pública incondicionada. (...) Representa a Lei Maria da Penha elevada
expressão da busca das mulheres brasileiras por igual consideração e
respeito. Protege a dignidade da mulher, nos múltiplos aspectos, não
somente como um atributo inato, mas como fruto da construção
realmente livre da própria personalidade. Contribui com passos largos
no contínuo caminhar destinado a assegurar condições mínimas para
o amplo desenvolvimento da identidade do gênero feminino.” (ADI
4.424, voto do rel. min. Marco Aurélio, julgamento em 9-2-2012,
Plenário, DJE de 1º-8-2014.)

15
O Plenário do STF, no julgamento da ADI 3.510, declarou a
constitucionalidade do art. 5º da Lei 11.105/2005 (Lei de
Biossegurança), por entender que as pesquisas com células-tronco
embrionárias não violam o direito à vida ou o princípio da dignidade
da pessoa humana.

"A pesquisa científica com células-tronco embrionárias, autorizada


pela Lei 11.105/2005, objetiva o enfrentamento e cura de patologias
e traumatismos que severamente limitam, atormentam, infelicitam,
desesperam e não raras vezes degradam a vida de expressivo
contingente populacional (ilustrativamente, atrofias espinhais
progressivas, distrofias musculares, a esclerose múltipla e a lateral
amiotrófica, as neuropatias e as doenças do neurônio motor). A
escolha feita pela Lei de Biossegurança não significou um desprezo ou
desapreço pelo embrião in vitro, porém uma mais firme disposição
para encurtar caminhos que possam levar à superação do infortúnio
alheio. Isto no âmbito de um ordenamento constitucional que desde o
seu preâmbulo qualifica ‘a liberdade, a segurança, o bem-estar, o
desenvolvimento, a igualdade e a justiça’ como valores supremos de
uma sociedade mais que tudo ‘fraterna’. O que já significa incorporar
o advento do constitucionalismo fraternal às relações humanas, a
traduzir verdadeira comunhão de vida ou vida social em clima de
transbordante solidariedade em benefício da saúde e contra eventuais
tramas do acaso e até dos golpes da própria natureza. Contexto de
solidária, compassiva ou fraternal legalidade que, longe de traduzir
desprezo ou desrespeito aos congelados embriões in vitro, significa
apreço e reverência a criaturas humanas que sofrem e se
desesperam. Inexistência de ofensas ao direito à vida e da dignidade
da pessoa humana, pois a pesquisa com células-tronco embrionárias
(inviáveis biologicamente ou para os fins a que se destinam) significa
a celebração solidária da vida e alento aos que se acham à margem
do exercício concreto e inalienável dos direitos à felicidade e do viver
com dignidade (Min. Celso de Mello). (...) A Lei de Biossegurança
caracteriza-se como regração legal a salvo da mácula do
açodamento, da insuficiência protetiva ou do vício da arbitrariedade

16
em matéria tão religiosa, filosófica e eticamente sensível como a da
biotecnologia na área da medicina e da genética humana. Trata-se de
um conjunto normativo que parte do pressuposto da intrínseca
dignidade de toda forma de vida humana, ou que tenha
potencialidade para tanto. A Lei de Biossegurança não conceitua as
categorias mentais ou entidades biomédicas a que se refere, mas
nem por isso impede a facilitada exegese dos seus textos, pois é de
se presumir que recepcionou tais categorias e as que lhe são
correlatas com o significado que elas portam no âmbito das ciências
médicas e biológicas." (ADI 3.510, Rel. Min. Ayres Britto,
julgamento em 29-5-2008, Plenário, DJE de 28-5-2010.)

"In casu, houve condenação pelo crime de estelionato (CPM, art.


251), ensejando recurso de apelação da defesa cuja preliminar de
prescrição da pretensão punitiva restou acolhida, por isso não
procedem as razões da impetração no que visam à análise dos
argumentos que objetivavam a absolvição no recurso defensivo, não
cabendo, consequentemente, falar em violação do princípio da
dignidade da pessoa humana (CF, art. 1º, III), sobretudo porque,
reitere-se, o reconhecimento dessa causa extintiva da punibilidade
não acarreta quaisquer efeitos negativos na esfera jurídica do
paciente, consoante o seguinte trecho do voto proferido pelo min.
Francisco Rezek no HC 63.765, verbis: ‘Há de existir em nosso meio
social uma suposição intuitiva, evidentemente equívoca do ponto de
vista técnico-jurídico, de que em hipóteses como esta a prescrição –
mesmo a prescrição da pretensão punitiva do Estado – deixa
sequelas e por isso justifica, na pessoa que foi um dia acusada, o
interesse em ver levada adiante a análise do processo, na busca de
absolvição sob este exato título. Sucede que não é isso o que ocorre
em nosso sistema jurídico. A pretensão punitiva do Estado, quando
extinta pela prescrição, leva a um quadro idêntico àquele da anistia.
Isso é mais que a absolvição. Corta-se pela raiz a acusação. O Estado
perde sua pretensão punitiva, não tem como levá-la adiante, esvazia-
a de toda consistência. Em tais circunstâncias, o primeiro tribunal a
poder fazê-lo está obrigado a declarar que ocorreu a prescrição da

17
pretensão punitiva, que o debate resultou extinto e que não há mais
acusação alguma sobre a qual se deva esperar que o Judiciário
pronuncie juízo de mérito. (…) Quando se declara extinta a
punibilidade pelo perecimento da pretensão punitiva do Estado, esse
desfecho não difere, em significado e consequências, daquele que se
alcançaria mediante o término do processo com sentença
absolutória." (HC 115.098, rel. Min. Luiz Fux, julgamento em 7-5-
2013, Primeira Turma, DJE de 3-6-2013.)

“A ‘escravidão moderna’ é mais sutil do que a do século XIX e o


cerceamento a liberdade pode decorrer de diversos constrangimentos
econômicos e não necessariamente físicos. Priva-se alguém de sua
liberdade e de sua dignidade tratando-o como coisa, e não como
pessoa humana, o que pode ser feito não só mediante coação, mas
também pela violação intensa e persistente de seus direitos básicos,
inclusive do direito ao trabalho digno. A violação do direito ao
trabalho digno impacta a capacidade da vítima de realizar escolhas
segundo a sua livre determinação. Isso também significa ‘reduzir
alguém a condição análoga à de escravo’.” (Inq 3.412, rel. p/ o ac.
min. Rosa Weber, julgamento em 29-3-2012, Plenário, DJE de 12-
11-2012.)

“Remarcação de teste de aptidão física em concurso público em


razão de problema temporário de saúde. Vedação expressa em edital.
Constitucionalidade. Violação ao princípio da isonomia. Não
ocorrência. Postulado do qual não decorre, de plano, a possibilidade
de realização de segunda chamada em etapa de concurso público em
virtude de situações pessoais do candidato. Cláusula editalícia que
confere eficácia ao princípio da isonomia à luz dos postulados da
impessoalidade e da supremacia do interesse público. Inexistência de
direito constitucional à remarcação de provas em razão de
circunstâncias pessoais dos candidatos. Segurança jurídica. Validade
das provas de segunda chamada realizadas até a data da conclusão
do julgamento.” (RE 630.733, rel. min. Gilmar Mendes, julgamento

18
em 15-5-2013, Plenário, DJE de 20-11-2013, com repercussão geral.)

“É inconstitucional a atribuição supervalorizada de pontos, na prova


de títulos em concurso público para o cargo de notário, pelo exercício
anterior de atividade cartorária em detrimento de outras atividades
jurídicas. Todavia, o princípio constitucional da isonomia é atendido
pela atribuição proporcional de pontos aos candidatos exercentes de
atividade notarial e de outras atividades jurídicas, revelando-se
inconstitucional a decisão que determina a extirpação total de pontos
referentes aos títulos obtidos pelo exercício daquela atividade.” (AI
830.011-AgR, rel. min.Luiz Fux, julgamento em 26-6-2012,
Primeira Turma, DJE de 14-8-2012.)

"Na inicial, pede-se a declaração de inconstitucionalidade, com


eficácia para todos e efeito vinculante, da interpretação dos arts.
124, 126 e 128, I e II, do CP (DL 2.848/1940) que impeça a
antecipação terapêutica do parto na hipótese de gravidez de feto
anencéfalo, previamente diagnosticada por profissional habilitado.
Pretende-se o reconhecimento do direito da gestante de submeter-se
ao citado procedimento sem estar compelida a apresentar
autorização judicial ou qualquer outra forma de permissão do Estado.
Destaco a alusão feita pela própria arguente ao fato de não se
postular a proclamação de inconstitucionalidade abstrata dos tipos
penais, o que os retiraria do sistema jurídico. Busca-se tão somente
que os referidos enunciados sejam interpretados conforme a
Constituição. Dessa maneira, mostra-se inteiramente despropositado
veicular que o Supremo examinará, neste caso, a descriminalização
do aborto, especialmente porque, consoante se observará, existe
distinção entre aborto e antecipação terapêutica do parto. Apesar de
alguns autores utilizarem expressões ‘aborto eugênico ou eugenésico’
ou ‘antecipação eugênica da gestação’, afasto-as, considerado o
indiscutível viés ideológico e político impregnado na palavra eugenia.
Inescapável é o confronto entre, de um lado, os interesses legítimos
da mulher em ver respeitada sua dignidade e, de outro, os interesses
de parte da sociedade que deseja proteger todos os que a integram –

19
sejam os que nasceram, sejam os que estejam para nascer –
independentemente da condição física ou viabilidade de
sobrevivência. O tema envolve a dignidade humana, o usufruto da
vida, a liberdade, a autodeterminação, a saúde e o reconhecimento
pleno de direitos individuais, especificamente, os direitos sexuais e
reprodutivos de milhares de mulheres. No caso, não há colisão real
entre direitos fundamentais, apenas conflito aparente. (...) Conforme
a Resolução 1.480, de 8-8-1997, do Conselho Federal de Medicina
(CFM), os exames complementares a serem observados para a
constatação de morte encefálica deverão demonstrar, de modo
inequívoco, a ausência de atividade elétrica cerebral ou metabólica
cerebral ou, ainda, a inexistência de perfusão sanguínea cerebral.
Não foi por outra razão que o CFM, mediante a Resolução
1.752/2004, consignou serem os anencéfalos natimortos cerebrais. O
anencéfalo jamais se tornará uma pessoa. Em síntese, não se cuida
de vida em potencial, mas de morte segura. O fato de respirar e ter
batimento cardíaco não altera essa conclusão, até porque, como
acentuado pelo dr. Thomaz Rafael Gollop[42], a respiração e o
batimento cardíaco não excluem o diagnóstico de morte cerebral[43].
(...) No célebre caso de Marcela – suposta portadora de anencefalia
que teria sobrevivido por um ano, oito meses e doze dias –, o
diagnóstico estava equivocado, consoante informaram renomados
especialistas. Não se tratava de anencefalia no sentido
corriqueiramente utilizado pela literatura médica, mas de
meroencefalia. Vale dizer: o feto possuía partes do cérebro – cerebelo
e pedaço do lóbulo temporal – que viabilizavam, embora
precariamente, a vida extrauterina. Daí não se poder qualificá-lo, em
sentido técnico, como feto anencéfalo, o qual jamais será dotado de
tais estruturas. (...) Cumpre rechaçar a assertiva de que a
interrupção da gestação do feto anencéfalo consubstancia aborto
eugênico, aqui entendido no sentido negativo em referência a
práticas nazistas. O anencéfalo é um natimorto. Não há vida em
potencial. Logo não se pode cogitar de aborto eugênico, o qual
pressupõe a vida extrauterina de seres que discrepem de padrões
imoralmente eleitos. Nesta arguição de descumprimento de preceito
fundamental, não se trata de feto ou criança com lábio leporino,

20
ausência de membros, pés tortos, sexo dúbio, Síndrome de Down,
extrofia de bexiga, cardiopatias congênitas, comunicação
interauricular ou inversões viscerais, enfim, não se trata de feto
portador de deficiência grave que permita sobrevida extrauterina.
Cuida-se tão somente de anencefalia. (...) De fato, a anencefalia
mostra-se incompatível com a vida extrauterina, ao passo que a
deficiência não. (...) Anencefalia e vida são termos antitéticos.
Conforme demonstrado, o feto anencéfalo não tem potencialidade de
vida. Trata-se, na expressão adotada pelo CFM e por abalizados
especialistas, de um natimorto cerebral. Por ser absolutamente
inviável, o anencéfalo não tem a expectativa nem é ou será titular do
direito à vida, motivo pelo qual aludi, no início do voto, a um conflito
apenas aparente entre direitos fundamentais. Em rigor, no outro lado
da balança, em contraposição aos direitos da mulher, não se encontra
o direito à vida ou à dignidade humana de quem está por vir,
justamente porque não há ninguém por vir, não há viabilidade de
vida. Aborto é crime contra a vida. Tutela-se a vida em potencial. No
caso do anencéfalo, repito, não existe vida possível. (...) É de
conhecimento corrente que, nas décadas de trinta e quarenta, a
medicina não possuía os recursos técnicos necessários para identificar
previamente a anomalia fetal incompatível com a vida
extrauterina[70]. A literalidade do CP de 1940 certamente está em
harmonia com o nível de diagnósticos médicos existentes à época, o
que explica a ausência de dispositivo que preveja expressamente a
atipicidade da interrupção da gravidez de feto anencefálico. Não nos
custa lembrar: estamos a tratar do mesmíssimo legislador que, para
proteger a honra e a saúde mental ou psíquica da mulher – da
mulher, repito, não obstante a visão machista então reinante –,
estabeleceu como impunível o aborto provocado em gestação oriunda
de estupro, quando o feto é plenamente viável. (...) mesmo à falta de
previsão expressa no CP de 1940, parece-me lógico que o feto sem
potencialidade de vida não pode ser tutelado pelo tipo penal que
protege a vida. (...) este Supremo Tribunal proclamou que a
Constituição ‘quando se reporta a ‘direitos da pessoa humana’ e até
dos ‘direitos e garantias individuais’ como cláusula pétrea está
falando de direitos e garantias do indivíduo-pessoa, que se faz

21
destinatário dos direitos fundamentais ‘à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e à propriedade’. É certo, senhor presidente,
que, no caso do anencéfalo, não há, nem nunca haverá, indivíduo-
pessoa. No segundo trecho, este Tribunal assentou que ‘a
potencialidade de algo para se tornar pessoa humana já é meritória o
bastante para acobertá-la, infraconstitucionalmente, contra tentativas
levianas ou frívolas de obstar sua natural continuidade fisiológica’.
Ora, inexistindo potencialidade para tornar-se pessoa humana, não
surge justificativa para a tutela jurídico-penal, com maior razão
quando eventual tutela esbarra em direitos fundamentais da mulher,
como se verá adiante. Enfim, cumpre tomar de empréstimo o
conceito jurídico de morte cerebral previsto na Lei 9.434/1997[72],
para concluir ser de todo impróprio falar em direito à vida
intrauterina ou extrauterina do anencéfalo, o qual é um natimorto
cerebral. (...) Constata-se a existência de dados merecedores de
confiança que apontam riscos físicos maiores à gestante portadora de
feto anencéfalo do que os verificados na gravidez comum. Sob o
aspecto psíquico, parece incontroverso – impor a continuidade da
gravidez de feto anencéfalo pode conduzir a quadro devastador,
como o experimentado por Gabriela Oliveira Cordeiro, que figurou
como paciente no emblemático HC 84.025/RJ, rel. min. Joaquim
Barbosa. (...) Relatos como esse evidenciam que a manutenção
compulsória da gravidez de feto anencéfalo importa em graves danos
à saúde psíquica da família toda e, sobretudo, da mulher. Enquanto,
numa gestação normal, são nove meses de acompanhamento,
minuto a minuto, de avanços, com a predominância do amor, em que
a alteração estética é suplantada pela alegre expectativa do
nascimento da criança; na gestação do feto anencéfalo, no mais das
vezes, reinam sentimentos mórbidos, de dor, de angústia, de
impotência, de tristeza, de luto, de desespero, dada a certeza do
óbito. (...) Ao Estado não é dado intrometer-se. Ao Estado compete
apenas se desincumbir do dever de informar e prestar apoio médico e
psicológico a paciente, antes e depois da decisão, seja ela qual for, o
que se mostra viável, conforme esclareceu a então ministra da
Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéa Freire[103].
(...) Não se trata de impor a antecipação do parto do feto anencéfalo.

22
De modo algum. O que a arguente pretende é que ‘se assegure a
cada mulher o direito de viver as suas escolhas, os seus valores, as
suas crenças’[105]. Está em jogo o direito da mulher de
autodeterminar-se, de escolher, de agir de acordo com a própria
vontade num caso de absoluta inviabilidade de vida extrauterina.
Estão em jogo, em última análise, a privacidade, a autonomia e a
dignidade humana dessas mulheres. Hão de ser respeitadas tanto as
que optem por prosseguir com a gravidez – por sentirem-se mais
felizes assim ou por qualquer outro motivo que não nos cumpre
perquirir – quanto as que prefiram interromper a gravidez, para pôr
fim ou, ao menos, minimizar um estado de sofrimento. (...) Não se
coaduna com o princípio da proporcionalidade proteger apenas um
dos seres da relação, privilegiar aquele que, no caso da anencefalia,
não tem sequer expectativa de vida extrauterina, aniquilando, em
contrapartida, os direitos da mulher, impingindo-lhe sacrifício
desarrazoado. A imposição estatal da manutenção de gravidez cujo
resultado final será irremediavelmente a morte do feto vai de
encontro aos princípios basilares do sistema constitucional, mais
precisamente à dignidade da pessoa humana, à liberdade, à
autodeterminação, à saúde, ao direito de privacidade, ao
reconhecimento pleno dos direitos sexuais e reprodutivos de milhares
de mulheres. O ato de obrigar a mulher a manter a gestação,
colocando-a em uma espécie de cárcere privado em seu próprio
corpo, desprovida do mínimo essencial de autodeterminação e
liberdade, assemelha-se à tortura[109] ou a um sacrifício que não
pode ser pedido a qualquer pessoa ou dela exigido. (...) Se alguns
setores da sociedade reputam moralmente reprovável a antecipação
terapêutica da gravidez de fetos anencéfalos, relembro-lhes de que
essa crença não pode conduzir à incriminação de eventual conduta
das mulheres que optarem em não levar a gravidez a termo. O
Estado brasileiro é laico e ações de cunho meramente imorais não
merecem a glosa do direito penal. A incolumidade física do feto
anencéfalo, que, se sobreviver ao parto, o será por poucas horas ou
dias, não pode ser preservada a qualquer custo, em detrimento dos
direitos básicos da mulher. No caso, ainda que se conceba o direito à
vida do feto anencéfalo – o que, na minha óptica, é inadmissível,

23
consoante enfatizado –, tal direito cederia, em juízo de ponderação,
em prol dos direitos à dignidade da pessoa humana, à liberdade no
campo sexual, à autonomia, à privacidade, à integridade física,
psicológica e moral e à saúde, previstos, respectivamente, nos arts.
1º III; 5º, cabeça e II III e X; e 6º, cabeça, da CR. Os tempos atuais,
realço, requerem empatia, aceitação, humanidade e solidariedade
para com essas mulheres. Pelo que ouvimos ou lemos nos
depoimentos prestados na audiência pública, somente aquela que
vive tamanha situação de angústia é capaz de mensurar o sofrimento
a que se submete. Atuar com sapiência e justiça, calcados na
Constituição da República e desprovidos de qualquer dogma ou
paradigma moral e religioso, obriga-nos a garantir, sim, o direito da
mulher de manifestar-se livremente, sem o temor de tornar-se ré em
eventual ação por crime de aborto. Ante o exposto, julgo procedente
o pedido formulado na inicial, para declarar a inconstitucionalidade da
interpretação segundo a qual a interrupção da gravidez de feto
anencéfalo é conduta tipificada nos arts. 124, 126, e 128, I e II, do
CP brasileiro." (ADPF 54, voto do rel. min. Marco Aurélio,
julgamento em 12-4-2012, Plenário, DJE de 30-4-2013.

e. Leitura sugerida

- SARLET, Ingo Wolfgang. As aproximações e tensões existentes


entre os Direitos Humanos e Fundamentais. Consultor Jurídico (São
Paulo. Online), v. 01, p. 01-01, 2015. Disponível em:
http://www.conjur.com.br/2015-jan-23/direitos-fundamentais-
aproximacoes-tensoes-existentes-entre-direitos-humanos-
fundamentais

____________________. A Eficácia dos Direitos Fundamentais - Uma


Teoria dos Direitos Fundamentais na Perspectiva Constitucional. 12.
ed. Porto Alegre/RS: Livraria do Advogado, 2015. v. 01.

24
____________________. Dimensões da Dignidade. Estudos de
Filosofia do Direito e Direito Constitucional.2ª ed. Porto Alegre:
Livraria do Advogado, 2013.

____________________. O Direito à Vida, in: SARLET, Ingo


Wolfgang; MARINONI, Luiz Guilherme; MITIDIERO, Daniel. Curso de
Direito Constitucional, 2ª ed., São Paulo: RT, 2013.

____________________.A eficácia do direito fundamental à


segurança jurídica: dignidade da pessoa humana, direitos
fundamentais e proibição de retrocesso social no direito constitucional
brasileiro. In: Revista Eletrônica sobre a Reforma do Estado (RERE),
salvador, Instituto de Direito Público, nº 21, mar/abr/maio 2010.
Disponível em http://www.direitodoestado.com/revista/rere-21-
marco-2010-ingo-sarlet.pdf

____________________. Os Direitos Sociais como Direitos


Fundamentais: contributo para um balanço aos vinte anos da
Constituição Federal de 1988. Disponível em:
http://www.udf.edu.br/wp-content/uploads/2016/01/Texto-
Bibliogr%C3%A1fico-I-Ingo-Wolfgang-SARLET.pdf

____________________. Evitando a era dos extremos interpretativa


no caso da violação do domicílio. Disponível em:
http://www.conjur.com.br/2016-fev-05/direitos-fundamentais-
evitando-extremos-interpretativa-violacao-domicilio

f. Leitura complementar

- FIGUEIREDO, Marcelo. O respeito à dignidade pessoa humana e a


eutanásia – Breves notas. In: MIRANDA, Jorge; SILVA, Marco Antonio
M. da. (Coord). Tratado Luso-Brasileiro da Dignidade Humana. 2ª ed.
São Paulo: Quartier Latin, 2009. p. 433-438.

- LEITE, George Salomão. Direito fundamental a uma morte digna.


In: SARLET, Ingo Wolfgang; LEITE, George Salomão (Coord). In:

25
Direitos fundamentais e estado constitucional: estudos em
homenagem a J.J. Gomes Canotilho. São Paulo: Revista dos
Tribunais, 2009.

- MARTINS, Ives Gandra da S. A dignidade da pessoa humana desde


a concepção. In: MIRANDA, Jorge; SILVA, Marco Antonio M. da.
(Coord). Tratado Luso-Brasileiro da Dignidade Humana. 2ª ed. São
Paulo: Quartier Latin, 2009. p. 143-150.

- MENDES, Gilmar Ferreira. A proteção da dignidade da pessoa


humana no contexto do processo judicial. In: MIRANDA, Jorge;
SILVA, Marco Antonio M. da. (Coord). Tratado Luso-Brasileiro da
Dignidade Humana. 2ª ed. São Paulo: Quartier Latin, 2009. p. 127-
141.

- PIOVESAN, Flávia; VIEIRA, Renato Stanziola. A força normativa dos


princípios constitucionais fundamentais: a dignidade da pessoa
humana. In: PIOVESAN, Flávia. Temas de direitos humanos. São
Paulo: Saraiva, 2009. p. 339-367.

- SARLET, Ingo Wolfgang. Pena de morte na Indonésia e FGTS no


Brasil a distinção necessária. Consultor Jurídico (São Paulo. Online),
v. 01, p. 01-01, 2015.

___________________. Liberdade de Expressão e Publicidade na


Jurisprudência do Tribunal Constitucional Federal da Alemanha. In:
Adalberto Pasqualotto. (Org.). PUBLICIDADE DE TABACO: Frente e
Verso da Liberdade de Expressão Comercial. 01ed.Atlas: Rio de
Janeiro/RJ, 2015, v. 01, p. 38-45.

___________________. ; MOLINARO, C. A. . Breves notas acerca


das relações entre a sociedade em rede, a internet e o assim
chamado estado de vigilância. In: George Salomão Leite e Ronaldo
Lemos. (Org.). MARCO CIVIL DA INTERNET. 01ed.São Paulo/SP:
Editora Atlas, 2014, v. 01, p. 29-48.

26
___________________.; PETTERLE, Selma Rodrigues . Liberdade de
Pesquisa como Direito Humano e Fundamental e seus limites: A
pesquisa com seres humanos e os parâmetros protetivos
estabelecidos pelo direito internacional e sua recepção no Brasil /
FREEDOM OF RESEARCH AS A HUMAN AND FUNDAMENTAL RIGHT
AND I. Revista Espaço Jurídico, v. 15, p. 13-38, 2014.

___________________.; FIGUEREDO, Mariana Filchtiner . O direito


fundamental à proteção e promoção da saúde na ordem jurídico-
constitucional: uma visão geral sobre o sistema (público e privado).
Revista Gestão e Controle, v. 01, p. 73-138, 2013.

___________________. Dignidade da Pessoa Humana e Direitos


Fundamentais na Constituição de 1988. 9ª ed. Porto Alegre: Livraria
do Advogado, 2012.

___________________. A eficácia dos direitos fundamentais. 11ª ed.


Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2012.

___________________. Notas sobre a dignidade da pessoa humana


na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. In: SARLET, Ingo
Wolfgang; SARMENTO, Daniel (Coord). Direitos fundamentais no
Supremo Tribunal Federal: Balanço e crítica. Rio de Janeiro: Lumen
Juris, 2011.

___________________. As dimensões da dignidade da pessoa


humana: uma compreensão jurídico-constitucional aberta e
compatível com os desafios da biotecnologia In: SARLET, Ingo
Wolfgang; LEITE, George Salomão (Organizadores). Direitos
fundamentais e biotecnologia. São Paulo: Método, 2009.

27