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OS LIVROS APÓCRIFOS DA BÍBLIA

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Os livros apócrifos da Bíblia são uma importante e complementar fonte de


informação e conhecimento, acrescentando preciosos esclarecimentos às
Sagradas Escrituras, principalmente naquilo que se refere à vida de Jesus Cristo
entre os oito e os trinta anos.

A INFÂNCIA DE CRISTO SEGUNDO TIAGO

INTRODUÇÃO
Apresentamos, numa versão modernizada, textos considerados apócrifos e que trazem
importantes informações a respeito da vida de Cristo, preenchendo lacunas até então
criadas pelos Evangelhos constantes da Bíblia.
Estes textos retratam os acontecimentos que precederam o nascimento de Cristo,
contando a história de Maria e da natividade, além da história da infância do Senhor
Jesus, no Evangelho de Tomé. Há também excertos do Livro da Infância do Salvador,
onde a vida de Jesus, dos cinco aos doze anos, é retratada.
Vale lembrar que numa outra obra desta coleção, o Evangelho de São Pedro, a
Infância de Cristo é apresentada na sua íntegra, mostrando fatos e passagens
importantes da vida do Senhor Jesus, nos seus primeiros anos.
Os textos chamados de apócrifos são aqueles não incluídos pela Igreja no Cânon das
Escrituras autênticas e divinamente inspiradas.
Como foi feita essa seleção, até hoje a Igreja não explicou adequadamente. Se
inspirados ou não, são relatos dos primeiros tempos do Cristianismo, importantes para
quem deseja conhecer a fundo essa religião.
A NATIVIDADE
Este livro, apesar de conhecido como o Evangelho de Tiago ou Proto-Evangelho de
Tiago, tem sua autoria desconhecida. Publicado em fins do século XVI, não se sabe
exatamente ainda qual a época em que foi escrito, mas os maiores estudiosos dos
Livros Apócrifos afirmam que é anterior aos Quatro Evangelhos Canônicos, servindo,
em muitos aspectos, como base para estes.
O Proto-Evangelho de Tiago conta a vida de Maria, seu nascimento de Ana e Joaquim,
considerados estéreis, de como foi sua educação no Templo até a sua puberdade,
como se deu a escolha de seu futuro esposo, José, velho, viúvo e pai de seis filhos:
Judas, Josetos, Tiago, Simão, Lígia e Lídia. Continua, narrando a concepção e a
virgindade, que se manteve após dar à luz o Salvador, numa caverna. Fala da estrela
misteriosa e radiante, que guiou os magos até a caverna e da nuvem de luz que pairou
sobre o local, na hora em que o Senhor Jesus nascia.
Narra, também, a participação da parteira que testemunhou a virgindade de Maria,
após o nascimento do Senhor E cita o testemunho de uma parteira que constatou a
virgindade de Maria após dar à luz.
PROTO-EVANGELHO DE TIAGO
I
Segundo narram as memórias das doze tribos de Israel, havia um homem muito rico,
de nome Joaquim, que fazia suas oferendas em quantidade dobrada, dizendo:
- O que sobra, ofereça-o para todo o povoado e o devido na expiação de meus
pecados será para o Senhor, a fim de ganhar-lhe as boas graças.
Chegou a grande festa do Senhor, na qual os filhos de Israel devem oferecer seus
donativos. Rubem se pôs à frente de Joaquim, dizendo-lhe:
- Não te é lícito oferecer tuas dádivas, enquanto não tiveres gerado um rebento em
Israel.
Joaquim mortificou-se tanto que se dirigiu aos arquivos de Israel, com intenção de
consultar o censo genealógico e verificar se, porventura, teria sido ele o único que não
havia tido prosperidade em seu povoado.
Examinando os pergaminhos, constatou que todos os justos haviam gerado
descendentes. Lembrou-se, por exemplo, de como o Senhor deu Isaac ao patriarca
Abraão, em seus derradeiros anos de vida.
Joaquim ficou muito atormentado, não procurou sua mulher e se retirou para o deserto.
Ali armou sua tenda e jejuou por quarenta dias e quarenta noites, dizendo:
- Não sairei daqui nem sequer para comer ou beber, até que não me visite o Senhor
meu Deus. Que minhas preces me sirvam de comida e de bebida.
II
Ana lamentava-se e gemia dolorosamente, dizendo:
- Chorarei minha viuvez e minha esterilidade.
Chegou, porém, a grande festa do Senhor e disse-lhe Judite, sua criada:
- Até quando vais humilhar tua alma? Já é chegada a festa maior e não te é lícito
entristecer-te. Toma este lenço de cabeça, que me foi dado pela dona da tecelagem, já
que não posso cingir-me com ele por ser eu de condição servil e levar ele ao selo real.
Disse Ana:
- Afasta-te de mim, pois que não fiz tal coisa e, além do mais, o Senhor já me humilhou
em demasia para que eu o use. A não ser que algum malfeitor o haja dado e tenhas
vindo para fazer-me também cúmplice do pecado.
Replicou Judite:
- Que motivo tenho eu para maldizer-te, se o Senhor já te amaldiçoou não te dando
fruto de Israel?
Ana, ainda que profundamente triste, despiu suas vestes de luto, cingiu-se com um
toucado, vestiu suas roupas de bodas e desceu, na hora nona, ao jardim para passear.
Ali viu um loureiro, assentou-se à sua sombra e orou ao Senhor, dizendo:
- Ó Deus de nossos pais! Ouve-me e bendize-me da maneira que bendisseste o ventre
de Sara, dando-lhe como filho Isaac!
III
Tendo elevado seus olhos aos céus, viu um ninho de passarinhos no loureiro e
novamente lamentou-se dizendo:
- Ai de mim! Por que nasci e em que hora fui concebida? Vim ao mundo para ser como
terra maldita entre os filhos de Israel. Estes me cumularam de injúrias e me
escorraçaram do templo de Deus. Ai de mim! A quem me assemelho eu? Não às aves
do céu, pois elas são fecundas em tua presença, Senhor. Ai de mim! A quem me
pareço eu? Não às bestas da terra, pois que até esses animais irracionais são
prolíficos ante teus olhos, Senhor. Ai de mim! A quem me posso comparar? Nem
sequer a estas águas, porque até elas são férteis diante de ti, Senhor. Ai de mim! A
quem me igualo eu? Nem sequer a esta terra, porque ela também é fecundada, dando
seus frutos na ocasião própria e te bendiz, Senhor.
IV
Eis que se lhe apresentou o anjo de Deus, dizendo-lhe:
- Ana, Ana, o Senhor escutou teus rogos! Conceberás e darás à luz e de tua prole se
falará em todo o mundo.
Ana respondeu:
- Viva o Senhor meu Deus, que, se chegar a ter algum fruto de bênção, seja menino ou
menina, levá-lo-ei como oferenda ao Senhor e estará a seu serviço todos os dias de
sua vida.
Então vieram a ela dois mensageiros com este recado:
- Joaquim, teu marido, está de volta com seus rebanhos, pois que um anjo de Deus
desceu até ele e lhe disse que o Senhor escutou seus rogos e que Ana, sua mulher, vai
conceber em seu ventre.
Tendo saído Joaquim, mandou que seus pastores lhe trouxessem dez ovelhas sem
mancha.
Disse ele:
- Estas serão para o Senhor.
Mandou, então separar doze novilhas de leite, dizendo:
- Estas serão para os sacerdotes e para o sinédrio.
Finalmente, mandou apartar cem cabritos para todo o povoado.
Ao chegar Joaquim com seus rebanhos, estava Ana à porta e, ao vê-lo chegar, pôs-se
a correr e atirou-se ao seu pescoço dizendo:
- Agora vejo que Deus me bendisse copiosamente, pois, sendo viúva, deixo de sê-lo e,
sendo estéril, vou conceber em meu ventre.
Então Joaquim repousou naquele dia em sua casa.
V
No dia seguinte, ao ir oferecer sua dádivas ao Senhor, dizia para consigo mesmo:
- Saberei se Deus me vai ser favorável se eu chegar a ver o éfode do sacerdote.
Ao oferecer o sacrifício, observou o éfode do sacerdote, quando este se acercava do
altar de Deus, e, não encontrando pecado algum em sua consciência, disse:
- Agora vejo que o Senhor houve por bem perdoar todos os meus pecados.
Desceu Joaquim justificado do templo e foi para casa. O tempo de Ana cumpriu-se e
no nono mês deu à luz.
Perguntou à parteira:
- A quem dei à luz?
A parteira respondeu:
- Uma menina.
Então Ana exclamou:
- Minha alma foi enaltecida - e reclinou a menina no berço.
Ao fim do tempo marcado pela lei, Ana purificou-se, deu o peito à menina e pôs-lhe o
nome de Maria.
VI
Dia a dia a menina ia robustecendo-se. Ao chegar aos seis meses, sua mãe deixou-a
só no chão, para ver se sustentava-se de pé. Ela, depois de andar sete passos, voltou
ao regaço de sua mãe. Esta levantou-se, dizendo:
- Salve o Senhor! Não andarás mais por este solo, até que te leve ao templo do
Senhor.
Fez-lhe um oratório em sua casa e não consentiu que nenhuma coisa vulgar ou impura
passasse por suas mãos. Chamou, além disso, umas donzelas hebréias, todas
virgens, para que a entretivessem.
Quando a menina completou um ano, Joaquim deu um grande banquete, para o qual
convidou os sacerdotes, os escribas, o sinédrio e todo o povo de Israel. Apresentou a
menina aos sacerdotes, que a abençoaram assim:
- Ó Deus de nossos pais, bendiz esta menina e dá-lhe um nome glorioso e eterno por
todas as gerações.
Ao que todo o povo respondeu:
- Assim seja, assim seja! Amém!
Apresentou-a também Joaquim aos príncipes e aos sacerdotes e estes a abençoaram
assim:
- Ó Deus Altíssimo, põe teus olhos nesta menina e outorga-lhe uma bênção perfeita,
dessas que excluem as ulteriores.
Sua mãe levou-a ao oratório de sua casa e deu-lhe o peito. Compôs, então, um hino ao
Senhor Deus, dizendo:
- Entoarei um cântico ao Senhor meu Deus, porque me visitaste, afastaste de mim o
opróbrio de meus inimigos e me deste um fruto santo, que é único e múltiplo a seus
olhos. Quem dará aos filhos de Rubem a notícia de que Ana está amamentando? Ouvi,
ouvi, ó Doze Tribos de Israel: Ana está amamentando!
Tendo deixado a menina para que repousasse na câmara onde havia o oratório, saiu e
pôs-se a servir os comensais. Estes, uma vez terminada a ceia, saíram regozijando-se
e louvando ao Deus de Israel.
VII
Entretanto, os meses iam-se passando para a menina. Ao fazer dois anos, disse
Joaquim a Ana:
- Levemo-la ao templo do Senhor para cumprir a promessa que fizemos, para que
Senhor não a reclame e nossa oferenda se torne inaceitável a seus olhos.
Ana respondeu:
- Esperamos, todavia, até que complete três anos, para que a menina não tenha
saudades de nós.
Joaquim respondeu:
- Esperaremos.
Ao chegar aos três anos, disse Joaquim:
- Chama as donzelas hebréias que não têm mancha e que tomem, duas a duas, uma
candeia acesa e a acompanhem, para que a menina não olhe para trás e seu coração
seja cativado por alguma coisa fora do templo de Deus.
Assim fizeram enquanto iam subindo ao templo de Deus. Lá recebeu-a o sacerdote, o
qual, depois de tê-la beijado, abençoou-a e exclamou:
- O Senhor engrandeceu teu nome diante de todas as gerações, pois que, no final dos
tempos, manifestará em ti sua redenção aos filhos de Israel.
Fê-la sentar-se no terceiro degrau do altar. O Senhor derramou graças sobre a menina,
que dançou cativando toda a casa de Israel.
VIII
Saíram, então, seus pais, cheios de admiração, louvando ao Senhor Deus porque a
menina não havia olhado para trás. Maria permaneceu no templo como uma pombinha,
recebendo alimento pelas mãos de um anjo.
Ao completar doze anos, os sacerdotes reuniram-se para deliberar, dizendo:
- Eis que Maria cumpriu doze anos no templo do Senhor. Que faremos para que ela
não chegue a manchar o santuário?
Disseram ao sumo sacerdote:
- Tu que tens o altar ao teu cargo, entra e ora por ela. O que o Senhor te disser, isso
será o que haveremos de fazer.
O sumo sacerdote, cingindo-se com o manto das doze sinetas, entrou no Santo dos
Santos e orou por ela. Eis que um anjo do Senhor apareceu, dizendo-lhe:
- Zacarias, Zacarias, sai e reúne a todos os viúvos do povoado. Que cada um venha
com um bastão e o daquele em que o Senhor fizer um sinal singular, deste será ela a
esposa.
Saíram os arautos por toda a região da Judéia e, ao soar a trombeta do Senhor, todos
acudiram.
IX
José, deixando de lado sua acha, uniu-se a eles. Uma vez que se juntaram todos,
tomaram cada qual seu bastão e puseram-se a caminho, à procura do sumo sacerdote.
Este tomou todos os bastões, entrou no templo e pôs-se a orar. Terminadas as suas
preces, tomou de novo os bastões e os entregou, mas em nenhum deles apareceu
sinal algum. Porém, ao pegar José o último, eis que uma pomba saiu dele e se pôs a
voar sobre sua cabeça. Então o sacerdote disse:
- A ti coube a sorte de receber sob tua custódia a Virgem do Senhor.
José replicou:
- Tenho filhos e sou velho, enquanto que ela é uma menina. Não gostaria de ser objeto
de zombaria por parte dos filhos de Israel.
Então tornou o sacerdote:
- Teme ao Senhor teu Deus e tem presente o que fez Ele com Datan, Abiron e Corê, de
como abriu-se a terra e foram sepultados por sua rebelião. Teme agora tu também,
José, para que não aconteça o mesmo a tua casa.
Ele, cheio de temor, recebeu-a sob proteção. Depois, disse-lhe:
- Tomei-te do templo. Deixo-te agora em minha casa e vou continuar minhas
construções. Logo voltarei. O Senhor te guardará.
X
Os sacerdotes, então, reuniram-se e concordaram em fazer um véu para o templo do
Senhor.
O sumo sacerdote disse:
- Chama algumas donzelas sem mancha, da tribo de Davi.
Os ministros se foram e, depois de terem procurado, encontraram sete virgens. Então
o sacerdote lembrou-se de Maria, a jovenzinha que, sendo de estirpe davídica, se
conservava imaculada aos olhos de Deus. Os emissários foram buscá-la.
Depois de as terem introduzido no templo, disse o sacerdote:
- Vejamos qual há de bordar o ouro, o amianto, o linho, a seda, o zircão, o escarlate e a
verdadeira púrpura.
O escarlate e a verdadeira púrpura couberam a Maria que, tomando-as, foi para casa.
Naquela época, Zacarias ficou mudo, sendo substituído por Samuel, até quando pôde
falar novamente. Maria tomou em suas mãos o escarlate e pôs-se a tecê-lo.
XI
Certo dia, pegou Maria um cântaro e foi enchê-lo de água. Eis que ouviu uma voz que
lhe dizia:
- Deus te salve, cheia de graça! O Senhor está contigo, bendita és entre as mulheres!
Ela olhou a sua volta, à direita, à esquerda, para ver de onde vinha aquela voz.
Tremendo, voltou para casa, deixou a ânfora, pegou a púrpura, sentou-se no divã e
pôs-se a tecê-la. Logo um anjo do Senhor apresentou-se diante dela, dizendo:
- Não temas, Maria, pois alcançaste graça ante o Senhor onipotente e vais conceber
por Sua palavra!
Ela, ao ouví-lo, ficou perplexa e disse consigo mesma:
- Deverei eu conceber por virtude de Deus vivo e haverei de dar à luz como as demais
mulheres?
Ao que lhe respondeu o anjo:
- Não será assim, Maria, pois que a virtude do Senhor te cobrirá com sua sombra.
Depois, o fruto santo que deverá nascer de ti será chamado de Filho do Altíssimo.
Chamar-lhe-ás Jesus, pois Ele salvará seu povo de suas iniqüidades. Então, disse
Maria:
- Eis aqui a escrava do Senhor em Sua presença. Que isto aconteça a mim conforme
Sua palavra.
XII
Concluído seu trabalho com a púrpura e o escarlate, levou-o ao sacerdote. Este a
abençoou dizendo:
- Maria, o Senhor enaltecer seu nome e serás bendita entre todas as gerações da
terra.
Cheia de alegria, Maria foi à casa de sua parente Isabel. Chamou-a da porta e, ao
ouví-la, Isabel largou o escarlate, correu para a porta, abriu-a e, vendo Maria, louvou-a
dizendo:
- Que fiz eu para que a mãe do meu Senhor venha a minha casa? Pois saiba que o
fruto que carrego em meu ventre se pôs a pular dentro de mim, como que para
bendizer-se.
Maria havia se esquecido dos mistérios que o anjo Gabriel lhe comunicara, elevou os
olhos aos céus e disse:
- Quem sou eu, Senhor, para que todas as gerações me bendigam?
Passou três meses em casa de Isabel. Dia a dia seu ventre aumentava e, cheia de
temor, pôs-se a caminho de casa e escondia-se dos filhos de Israel. Quando
sucederam essas coisas, ela contava dezesseis anos.
XIII
Ao chegar Maria ao sexto mês de gravidez, voltou José de suas construções e, ao
entrar em casa, deu-se conta de que ela estava grávida. Então, feriu seu próprio rosto,
jogou-se no chão sobre uma manta e chorou amargamente, dizendo:
- Como é que me vou apresentar agora diante do meu Senhor? E que oração direi eu
agora por esta donzela, pois que a recebi virgem do templo do Senhor e não a soube
guardar? Será que a história de Adão se repetiu comigo? Assim como no instante em
que ela estava glorificando a Deus veio a serpente e, ao encontrar Eva sozinha, a
enganou, o mesmo me aconteceu.
Levantando-se, José chamou Maria e disse-lhe:
- Predileta como eras de Deus, como foste capaz de fazer isso? Acaso te esqueceste
do Senhor teu Deus? Com pudeste vilipendiar tua alma, tu que te criaste no Santo dos
Santos e recebeste alimento das mãos de um anjo?
Ela chorou amargamente dizendo:
- Sou pura e não conheço varão algum.
Replicou José:
- De onde, pois, provém o que carregas no seio?
Ao que Maria respondeu:
- Pelo Senhor, meu Deus, eu juro que não sei como aconteceu.
XIV
José encheu-se de temor, retirou-se da presença de Maria e pôs-se a pensar sobre o
que faria com ela. Dizia consigo próprio:
- Se escondo seu erro, contrario a lei do Senhor. Se a denuncio ao povo de Israel,
temo que o que acontecer a ela se deva a uma intervenção dos anjos e venha a
entregar à morte uma inocente. Como deverei proceder, pois? Mandá-la embora às
escondidas.
Enquanto isso, caiu a noite. Eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos,
dizendo-lhe:
- Não temas por esta donzela, pois o que ela carrega em suas entranhas é fruto do
Espírito Santo. Dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, pois que ele há de
salvar seu povo dos pecados.
Ao despertar, José levantou-se, glorificou a Deus de Israel por haver-lhe concedido tal
graça e continuou guardando Maria.
XV
Por essa ocasião, veio à casa de José um escriba chamado Anás, que lhe disse:
- Por que não compareceste à nossa reunião?
Respondeu-lhe José:
- Estava cansado da caminhada e decidi repousar este primeiro dia.
Ao voltar-se, Anás deu-se conta da gravidez de Maria.
Então, correu ao sacerdote, dizendo-lhe:
- Esse José, por quem respondes, cometeu uma falta grave.
- Que queres dizer com isso? - perguntou o sacerdote. Ao que respondeu Anás:
- Pois violou aquela virgem que recebeu do templo de Deus, com fraude de seu
casamento e sem manifestá-lo ao povo de Israel.
Disse o sacerdote:
- Estás certo de que foi José que fez tal coisa?
Replicou Anás:
- Envia uma comissão e te certificarás de que a donzela está realmente grávida.
Saíram os emissário e encontraram-na tal qual havia dito Anás. Por isso levaram-na,
juntamente com José, ante o tribunal.
O sacerdote iniciou, dizendo:
- Maria, como fizeste tal coisa? Que te levou a vilipendiar tua alma e esquecer-te do
Senhor teu Deus? Tu que te criaste no Santo dos Santos, que recebias alimento das
mãos de um anjo, que escutaste os hinos e que dançavas na presença de Deus?
Como fizeste isso?
Ela se pôs a chorar amargamente, dizendo:
- Juro pelo Senhor meu Deus que estou pura em sua presença e que não conheci
varão.
Então o sacerdote dirigiu-se a José, perguntando-lhe:
- Por que fizeste isso?
Replicou José:
- Juro pelo Senhor meu Deus, que me encontro puro com relação a ela.
Acrescentou o sacerdote:
- Não jures em falso! Dize a verdade! Usaste fraudulentamente o matrimônio e não o
deste a conhecer ao povo de Israel. Não abaixaste tua cabeça sob a mão poderosa de
Deus, por quem sua descendência havia sido bendita.
José guardou silêncio.
XVI
- Devolve, pois - continuou o sacerdote, - a virgem que recebeste do templo do Senhor.
José ficou com os olhos marejados em lágrimas. Acrescentou ainda o sacerdote:
- Farei com que bebais da água da prova do Senhor e ela vos mostrará, diante de
vossos próprios olhos, vossos pecados.
Tomando da água, fez José bebê-la, enviando-o em seguida à montanha, de onde
voltou são e salvo. Fez o mesmo com Maria, enviando-a também à montanha, mas ela
voltou sã e salva.
Toda a cidade encheu-se de admiração ao ver que não havia pecado neles.
Disse o sacerdote:
- Posto que o Senhor não declarou vosso pecado, tampouco irei condenar-vos.
Então despediu-os. Tomando Maria, José voltou para casa cheio de alegria e louvado
ao Deus de Israel.
XVII
Veio uma ordem do imperador Augusto para que se fizesse o censo de todos os
habitantes de Belém da Judéia.
Disse José:
- A meus filhos posso recensear, mas que farei desta donzela? Como vou incluí-la no
censo? Como minha esposa? Envergonhou-me. Como minha filha? Mas já sabem
todos os filhos de Israel que não é! Este é o dia do Senhor, que se faça a sua vontade.
Selando sua asna, fez com que Maria se acomodasse sobre ela. Enquanto um de seus
filhos ia à frente, puxando o animal pelo cabresto, José os acompanhava. Quando
estavam a três milhas de distância de Belém, José virou-se para Maria e viu que ela
estava triste.
Disse consigo mesmo:
- Deve ser a gravidez que lhe causa incômodo.
Ao voltar-se novamente, encontrou-a sorrindo e indagou-lhe:
- Maria, que acontece, pois que algumas vezes te vejo sorridente e outras triste?
Ela lhe disse:
- É que se apresentam dois povos diante de meus olhos: um que chora e se aflige e
outro que se alegra e se regozija.
Ao chegar à metade do caminho, disse Maria a José:
- Desça-me, porque o fruto de minhas entranhas luta por vir à luz.
Ele a ajudou a apear da asna, dizendo-lhe:
- Aonde poderia eu levar-te para resguardar teu pudor, já que estamos em campo
aberto?
XVIII
Encontrando uma caverna, levou-a para dentro e, havendo deixado seus filhos com
ela, foi buscar uma parteira na região de Belém.
Eis que José encontrou-se andando, mas não podia avançar. Ao levantar seus olhos
para o espaço, pareceu lhe ver como se o ar estivesse estremecido de assombro.
Quando fixou vista no firmamento, encontrou-o estático e os pássaros do céu, imóveis.
Ao dirigir seu olhar à terra, viu um recipiente no solo e uns trabalhadores sentados em
atitude de comer, com suas mãos na vasilha. Os que pareciam comer, na realidade
não mastigavam, e os que estavam em atitude de pegar a comida, tampouco a tiravam
do prato. Finalmente, os que pareciam levar os manjares à boca, não o faziam, ao
contrário, tinham seus rostos voltados para cima.
Também havia umas ovelhas que estavam sendo tangidas, mas não davam um passo.
Estavam paradas. O pastor levantou sua destra para bater-lhes com um cajado, mas
parou sua mão no ar.
Ao dirigir seu olhar à corrente do rio, viu como uns cabritinhos punham nela seus
focinhos, mas não bebiam. Em uma palavra, todas as coisas estavam afastadas, por
uns instantes, de seu curso normal.
XIX
Então uma mulher que descia da montanha disse-lhe:
- Aonde vais?
Ao que ele respondeu:
- Ando procurando uma parteira hebréia.
Ela replicou:
- Mas és de Israel?
Ele respondeu:
- Sim.
- E quem é a que está dando à luz na caverna?
- É minha esposa.
- Então, não é tua mulher?
Ele respondeu:
- É Maria, a que se criou no templo do Senhor, e ainda que me tivesse sido dada por
mulher, não o é, pois que concebeu por virtude do Espírito Santo.
Insistiu a parteira:
- Isso é verdade?
José respondeu:
- Vem e verás.
Então a parteira se pôs a caminho junto com ele. Ao chegar à gruta, pararam, e eis que
esta estava sombreada por uma nuvem luminosa.
Exclamou a parteira:
- Minha alma foi engrandecida, porque meus olhos viram coisas incríveis, pois que
nasceu a salvação para Israel. De repente, a nuvem começou a sair da gruta e dentro
brilhou uma luz tão grande que seus olhos não podiam resistir. Esta, por um momento,
começou a diminuir tanto que deu para ver o menino que estava tomando o peito da
mãe, Maria. A parteira então deu um grito, dizendo:
- Grande é para mim o dia de hoje, já que pude ver com meus próprios olhos um novo
milagre.
Ao sair a parteira da gruta, veio ao seu encontro Salomé.
- Salomé, Salomé! - exclamou. - Tenho de te contar uma maravilha nunca vista. Uma
virgem deu à luz; coisa que, como sabes, não permite a natureza humana.
Salomé replicou:
- Pelo Senhor, meus Deus, não acreditarei em tal coisa, se não me for dado tocar com
os dedos e examinar sua natureza.
XX
Havendo entrado a parteira, disse a Maria:
- Prepara-te, porque há entre nós uma grande querela em relação a ti.
Salomé, pois, introduziu seu dedo em sua natureza, mas, de repente, deu um grito,
dizendo:
- Ai de mim! Minha maldade e minha incredulidade é que têm a culpa! Por descrer do
Deus vivo, desprende-se de meu corpo minha mão carbonizada.
Dobrou os joelhos diante do Senhor, dizendo:
- Ó Deus de nossos pais! Lembra-te de mim, porque sou descendente de Abraão,
Isaac e Jacó! Não faças de mim um exemplo para os filhos de Israel! Devolve-me
curada, porém, aos pobres, pois que tu sabes, Senhor, que em teu nome exercia
minhas curas, recebendo de ti meu salário!
Apareceu um anjo do céu, dizendo-lhe:
- Salomé, Salomé, Deus escutou-te. Aproxima tua mão do menino, toma-o e haverá
para ti alegria e prazer.
Acercou-se Salomé e o tomou, dizendo:
- Adorar-te-ei, porque nasceste para ser o grande Rei de Israel.
De repente, sentiu-se curada e saiu em paz da gruta. Nisso ouviu uma voz que dizia:
- Salomé, Salomé, não contes as maravilhas que viste até estar o menino em
Jerusalém.
XXI
José dispôs-se a partir para Judéia. Por essa ocasião, sobreveio um grande tumulto
em Belém, pois vieram um magos dizendo:
- Aonde está o recém-nascido Rei dos Judeus, pois vimos sua estrela no Oriente e
viemos para adorá-lo?
Herodes, ao ouvir isso, perturbou-se. Enviou seus emissários aos magos e convocou
os príncipes e os sacerdotes, fazendo-lhes esta pergunta:
- Que está escrito em relação ao Messias? Aonde ele vai nascer?
Eles responderam:
- Em Belém da Judéia, segundo rezam as escrituras. Com isso, despachou-os e
interrogou os magos com estas palavras:
- Qual é o sinal que vistes em relação ao nascimento desse rei?
Responderam-lhes os magos:
- Vimos um astro muito grande, que brilhava entre as demais estrelas e as eclipsava,
fazendo-as desaparecer. Nisso soubemos que a Israel havia nascido um rei e viemos
com a intenção de adorá-lo.
Replicou Herodes:
- Ide e buscai-o, para que também possa eu ir adorá-lo!
Naquele instante, a estrela que haviam visto no Oriente voltou novamente a guiá-los,
até que chegaram à caverna e pousou sobre a entrada dela. Vieram, então, os magos
a ter com o Menino e Sua mãe, Maria, e tiraram oferendas de seus cofres: ouro,
incenso e mirra.
Depois, avisados por um anjo para que não entrassem na Judéia, voltaram a suas
terras por outro caminho.
XXII
Ao dar-se conta Herodes de que havia sido enganado, encolerizou-se e enviou seus
sicários, dando-lhes a missão de assassinar todos os meninos de menos de dois anos.
Quando chegou até Maria a notícia da matança das crianças, encheu-se de temor e,
envolvendo seu filho em fraldas, colocou-o numa manjedoura.
Quando Isabel inteirou-se de que também buscavam a seu filho João, pegou-o e levou-
o a uma montanha. Pôs-se a ver onde haveria de escondê-lo, mas não havia um lugar
bom para isso. Entre soluços, exclamou em voz alta:
- Ó Montanha de Deus, recebe em teu seio a mãe com seu filho, pois que não posso
subir mais alto.
Nesse instante, abriu a montanha suas entranhas para recebê-los. Acompanhou-os
uma grande luz, pois estava com ele um anjo de Deus para guardá-los.
XXIII
Herodes prosseguia na busca de João e enviou seus emissários a Zacarias para que
lhe dissessem:
- Aonde escondeste teu filho?
Ele respondeu desta maneira:
- Eu me ocupo do serviço de Deus e me encontro sempre no templo. Não sei onde
está meu filho.
Os emissários informaram a Herodes tudo o que se passara e ele encolerizou-se
muito, dizendo consigo mesmo:
- Deve ser seu filho que vai reinar em Israel.
Enviou, então, um outro recado, dizendo-lhe:
- Diga-nos a verdade sobre onde está teu filho, porque do contrário bem sabes que teu
sangue está sob minhas mãos.
Zacarias respondeu:
- Serei mártir do Senhor, se te atreveres a derramar meu sangue, porque minha alma
será recolhida pelo Senhor, ao ser segada uma vida inocente no vestíbulo do
santuário. Ao romper da aurora, foi assassinado Zacarias, sem que os filhos de Israel
se dessem conta desse crime.
XXIV
Os sacerdotes se reuniram à hora da saudação, mas Zacarias não saiu a seu
encontro, como de costume, para abençoá-los. Puseram-se a esperá-lo para saudá-lo
na oração e para glorificar o Altíssimo.
Ante sua demora, começaram a ter medo. Tomando ânimo, um deles entrou, viu ao
lado do altar sangue coagulado e ouviu uma voz que dizia:
- Zacarias foi morto e não se limpará o seu sangue até que chegue o vingador.
Ao ouvir a voz, encheu-se de temor e saiu para informar os sacerdotes que, tomando
coragem, entraram e testemunharam o ocorrido. Então, os frisos do templo rangeram e
eles rasgaram suas vestes de alto a baixo.
Não encontraram o corpo, somente a poça de sangue coagulado. Cheios de temor,
saíram para informar a todo o povo que Zacarias havia sido assassinado. A notícia
correu em todas as tribos de Israel, que o choraram e guardaram luto por três dias e
três noites.
Concluído esse tempo, reuniram-se os sacerdotes para deliberar sobre quem iriam pôr
em seu lugar. Recaiu a sorte sobre Simeão, pois, pelo Espírito Santo, havia sido
assegurado de que não veria a morte até que lhe fosse dado contemplar o Messias
Encarnado.
XXV
Eu, Tiago, escrevi esta história. Ao levantar-se um grande tumulto em Jerusalém, por
ocasião da morte de Herodes, retirei-me ao deserto até que cessasse o motim,
glorificando ao Senhor meu Deus, que me concedeu a graça e a sabedoria
necessárias para compor esta narração.
Que a graça esteja com todos aqueles que temem a Nosso Senhor Jesus Cristo, para
quem deve ser a glória.

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MERECEM CONFIANÇA OS LIVROS APÓCRIFOS?


A Constituição Dogmática sobre Revelação Divina, o Concílio Vaticano II,
declarou que "Ela (a igreja) sempre considerou as Escrituras junto com a
tradição sagrada como a regra suprema de fé, e sempre as considerará assim".
Nós, cristãos evangélicos, rejeitamos a tradição como regra de fé. Quando a
Igreja Católica Romana se refere ao cânon do Velho Testamento inclui uma série
de livros chamados "apócrifos", os quais não aparecem nas versões evangélica
e hebraica da Bíblia. O resultado disto foi que, na opinião popular dos católicos,
existem duas Bíblias: uma católica e outra protestante. Mas semelhante
asseveração não é certa. Só existe uma Bíblia, uma Palavra (escrita) de Deus.
Apócrifos, o que significa?
No grego clássico, a palavra apocrypha significava "oculto" ou "difícil de
entender". Posteriormente, tomou o sentido de "esotérico" ou algo que só os
iniciados podem entender; não os de fora. Na época de Irineu e de Jerônimo
(séculos III e IV), o termo apocrypha veio a ser aplicado aos livros não-
canônicos do Antigo Testamento, mesmo aos que foram classificados
previamente como "pseudepígrafos".
Como os apócrifos foram aprovados
A Igreja Romana aprovou os apócrifos em 8 de Abril de 1546 para combater a
reforma protestante. Nessa época, os protestantes se opunham violentamente
às doutrinas romanistas do purgatório, oração pelos mortos, salvação pelas
obras etc. A primeira edição da Bíblia católico-romana com os apócrifos deu-se
em 1592, com autorização do papa Clemente VIII.
Os reformadores protestantes publicaram a Bíblia com os apócrifos, colocando-
os entre o Antigo e o Novo Testamentos, não como livros inspirados, mas bons
para a leitura e de valor literário histórico. Isto continuou até 1629. A famosa
versão inglesa King James (Versão do Rei Tiago) de 1611 ainda os trouxe. Mas,
após 1629, as igrejas reformadas excluíram totalmente os apócrifos das suas
edições da Bíblia, e "induziram a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, sob
pressão do puritanismo escocês, a declarar que não editaria Bíblias que
tivessem os apócrifos, e de não colaborar com outras sociedades que
incluíssem esses livros em suas edições". Melhor assim. Tinham em vista evitar
confusão entre o povo simples, que nem sempre sabe discernir entre um livro
canônico e um apócrifo.
Há várias razões porque rejeitamos os apócrifos. Eis algumas delas:
Não temos nenhum registro de alguma controvérsia entre Jesus e os judeus
sobre a extensão do cânon. Jesus e os autores do Novo Testamento citam, mais
de 295 vezes, várias partes das Escrituras do Antigo Testamento como palavras
autorizadas por Deus, mas nem uma vez sequer mencionam alguma declaração
extraída dos livros apócrifos ou qualquer outro escrito como se tivesse
Autoridade Divina.
Historicidade
A conquista da Palestina por Alexandre, o Grande, ocasionou uma nova
dispersão dos judeus por todo o império greco-macedônico. Morrendo
Alexandre, seu domínio dividiu-se em quatro ramos, ficando o Egito sob a
dinastia dos Ptolomeus. O segundo deles, Ptolomeu Filadelfo, preocupou-se em
enriquecer a famosa biblioteca que seu pai havia fundado. Muitos livros foram
traduzidos para o grego. Segundo um relato de Josefo, o sumo sacerdote de
Jerusalém, Eleazar, enviou, a pedido de Ptolomeu Filadelfo, uma embaixada de
72 tradutores a Alexandria, com um valioso manuscrito do Velho Testamento, do
qual traduziram o Pentateuco. A tradução continuou depois, não se completando
senão no ano 150 antes de Cristo.
Essa tradução, que se conhece com o nome de Septuaginta ou Versão dos
Setenta, foi aceita pelo Sinédrio judaico de Alexandria; mas, não havendo tanto
zelo ali como na Palestina e devido às tendências helenistas contemporâneas,
os tradutores alexandrinos fizeram adições e alterações e, finalmente, sete dos
livros apócrifos foram acrescentados ao texto grego como apêndice do Velho
Testamento. Mas os judeus da Palestina nunca os aceitaram no cânon de seus
livros sagrados.
Depois de referir-se aos cinco livros de Moisés, aos treze livros dos profetas e
aos demais escritos (os quais "incluem hinos a Deus e conselhos pelos quais os
homens podem pautar suas vidas"), ele continua afirmando: "Desde Artaxerxes
(sucessor de Xerxes) até nossos dias, tudo tem sido registrado, mas não tem
sido considerado digno de tanto crédito quanto aquilo que precedeu a esta
época, visto que a sucessão dos profetas cessou. Mas a fé que depositamos em
nossos próprios escritos é percebida através de nossa conduta; pois, apesar de
ter-se passado tanto tempo, ninguém jamais ousou acrescentar coisa alguma a
eles, nem tirar deles coisa alguma, nem alterar neles qualquer coisa que seja".
Testemunho dos pais da Igreja
ORÍGENES: No terceiro século A.D., Orígenes (que morreu em 254) deixou um
catálogo de vinte e dois Livros do Antigo Testamento, preservado na História
Eclesiástica de Eusébio, VI: 25. Inclui a mesma lista do cânone de vinte e dois
Livros de Josefo (e do Texto Massorético), inclusive Ester, mas nenhum dos
apócrifos é declarado canônico, e se diz explicitamente que os livros de
Macabeus estão "fora desses [Livros canônicos]".
TERTULIANO: Tertuliano (160-250 D.C.) era aproximadamente contemporâneo
de Orígenes. Declara que os Livros canônicos são vinte e quatro.
HILÁRIO: Hilário de Poitiers (305-366) os menciona como sendo vinte e dois.
ATANÁSIO: De modo semelhante, em 367 d.C., o grande líder da igreja,
Atanásio, bispo de Alexandria, escreveu sua Carta Pascal e alistou todos os
Livros do nosso atual cânon do Novo Testamento e do Antigo Testamento,
exceto Ester.
JERÔNIMO: Jerônimo (340-420. A.D.) fez a seguinte citação: "Este prólogo,
como vanguarda, com capacete das Escrituras, pode ser aplicado a todos os
livros que traduzimos do hebraico para o latim, de tal maneira que possamos
saber que tudo quanto é separado destes deve ser colocado entre os apócrifos.
Portanto, a sabedoria comumente chamada de Salomão, o livro de Jesus, filho
de Siraque, e Judite e Tobias e o Pastor (supõe-se que seja o Pastor de
Hermas), não fazem parte do cânon. Descobri o Primeiro livro de Macabeus em
hebraico; o Segundo foi escrito em grego, conforme testifica sua própria
linguagem".
MELITO: A mais antiga lista cristã dos Livros do Antigo Testamento que existe
hoje é a de Melito, bispo de Sardes, que escreveu em cerca de 170 D.C.
"Quando cheguei ao Oriente e encontrei-me no lugar em que essas coisas foram
proclamadas e feitas, e conheci com precisão os Livros do Antigo Testamento,
avaliei os fatos e os enviei a ti. São estes os seus nomes: cinco Livros de
Moisés, Gênesis, Êxodo, Números, Levítico, Deuteronômio, Josué, filho de Num,
Juizes, Rute, quatro Livros dos Reinos, os dois Livros de Crônicas, os Salmos
de Davi, os Provérbios de Salomão e sua Sabedoria, Eclesiastes, o Cântico dos
Cânticos, Jó, os profetas Isaías, Jeremias, os doze num único livro, Daniel,
Ezequiel, Esdras".
É digno de nota que Melito não menciona aqui nenhum livro dos apócrifos, mas
inclui todos os nossos atuais livros do Antigo Testamento, exceto Ester. Mas as
autoridades católicas passam por cima de todos esses testemunhos para
manter, em sua teimosia, os apócrifos!
As heresias dos apócrifos
TOBIAS - (200 a.C.) - É uma história novelística sobre a bondade de Tobiel (pai
de Tobias) e alguns milagres preparados pelo anjo Rafael.
Apresenta:
• justificação pelas obras - 4.7-l 1; 12.8.
• mediação dos Santos - 12.12
• superstições - 6.5, 7-9,19
• um anjo engana Tobias e o ensina a mentir - 5.l6 a 19
JUDITE - (150 a.C.) É a história de uma heroína viúva e formosa que salva sua
cidade enganando um general inimigo e decapitando-o. Grande heresia é a
própria história onde os fins justificam os meios.
BARUQUE - (100 a.D.) - Apresenta-se como sendo escrito por Baruque, o
cronista do profeta Jeremias, numa exortação aos judeus quando da destruição
de Jerusalém. Mas é de data muito posterior, quando da segunda destruição de
Jerusalém, no pós-Cristo.
Traz, entre outras coisas, a intercessão pelos mortos - 3.4.
ECLESIÁSTICO - (180 a.C.) – É muito semelhante ao livro de Provérbios, não
fosse as tantas heresias:
• justificação pelas obras - 3.33, 34.
• trato cruel aos escravos - 33.26 e 30; 42.l e 5.
• incentiva o ódio aos samaritanos - 50.27 e 28
SABEDORIA DE SALOMÃO - (40 a.D.) - Livro escrito com finalidade exclusiva
de lutar contra a incredulidade e idolatria do epicurismo (filosofia grega na era
Cristã).
Apresenta:
• o corpo como prisão da alma - 9.15
• doutrina estranha sobre a origem e o destino da alma - 8.19 e 20
• salvação pela sabedoria - 9.19
I MACABEUS - (100 a.C.) - Descreve a história de três irmãos da família
"Macabeus", que no chamado período interbíblico (400 a.C. 3 A.D.) lutam contra
inimigos dos judeus visando a preservação do seu povo e terra.
II MACABEUS - (100 a.C.) - Não é a continuação de 1 Macabeus, mas um
relato paralelo, cheio de lendas e prodígios de Judas Macabeu.
Apresenta:
• a oração pelos mortos - 12.44 - 46
• culto e missa pelos mortos -12.43
• o próprio autor não se julga inspirado - 15.38-40; 2.25-27.
• intercessão pelos santos - 7.28 e 15.14
ADIÇÕES A DANIEL:
Capítulo 13 - A história de Suzana - segundo esta lenda Daniel salva Suzana
num julgamento fictício baseado em falsos testemunhos.
Capítulo 14 - Bel e o Dragão - Contém histórias sobre a necessidade da
idolatria.
Capítulo 3.24-90 - o cântico dos três jovens na fornalha.
Lendas, erros e outras heresias:
1. Histórias fictícias, lendárias e absurdas
Tobias 6.1-4 - "Partiu, pois, Tobias, e o cão o seguiu, e parou na primeira
pousada junto ao rio Tigre. E saiu a lavar os pés, e eis que saiu da água um
peixe monstruoso para o devorar. À sua vista, Tobias, espavorido, clamou em
alta voz, dizendo: Senhor, ele lançou-se a mim. E o anjo disse-lhe: Pega-lhe
pelas guelras, e puxa-o para ti. Tendo assim feito, puxou-o para terra, e o
começou a palpitar a seus pés".
2. Erros históricos e geográficos
Esses livros contêm erros históricos, geográficos e cronológicos, além de
doutrinas obviamente heréticas; eles até aconselham atos imorais (Judite
9.10,13). Os erros dos apócrifos são freqüentemente apontados em obras de
autoridade reconhecida. Por exemplo: o erudito Bíblico DL René Paehe
comenta: "Exceto no caso de determinada informação histórica interessante
(especialmente em I Macabeus) e alguns belos pensamentos morais (por
exemplo, Sabedoria de Salomão). Tobias contém certos erros históricos e
geográficos, tais como a suposição de que Senaqueribe era filho de Salmaneser
(1.15) em vez de Sargão II, e que Nínive foi tomada por Nabucodonosor e por
Assuero (14.15) em vez de Nabopolassar e por Ciáxares... Judite não pode ser
histórico porque contém erros evidentes... [Em II Macabeus]. Há também
numerosas desordens e discrepâncias em assuntos cronológicos, históricos e
numéricos, os quais refletem ignorância ou confusão..".
3.Ensinam artes mágicas ou de feitiçaria como método de exorcismo
Tobias 6.5-9 - "Então disse o anjo: Tira as entranhas a esse peixe, e guarda,
porque estas coisas te serão úteis. Feito isto, assou Tobias parte de sua carne, e
levaram-na consigo para o caminho; salgaram o resto, para que lhes bastassem
até que chegassem a Ragés, cidade dos Medos. Então Tobias perguntou ao
anjo e disse-lhe: Irmão Azarias, suplico-lhe que me digas de que remédio servirá
estas partes do peixe, que tu me mandaste guardar: E o anjo, respondendo,
disse-lhe: Se tu puseres um pedacinho do seu coração sobre brasas acesas, o
seu fumo afugenta toda a casta de demônios, tanto do homem como da mulher,
de sorte que não tomam mais a chegar a eles. E o fel é bom para untar os olhos
que têm algumas névoas, e sararão".
Este ensino de que o coração de um peixe tem poder para expulsar toda
espécie de demônios contradiz tudo o que a Bíblia diz sobre superstição.
4. Ensinam que esmolas e boas obras limpam os pecados e salvam a alma
a)Tobias l2.8,9 - "É boa a oração acompanhada do jejum, dar esmola vale mais
do que juntar tesouros de ouro; porque a esmola livra da morte (eterna), e é a
que apaga os pecados, e faz encontrar a misericórdia e a vida eterna".
b) Eclesiástico 3.33 - "A água apaga o fogo ardente, e a esmola resiste aos
pecados".
A salvação por obras destrói todo o valor da obra vicária de Cristo em favor do
pecador.
5. Ensinam o perdão dos pecados através das orações
Eclesiástico 3.4 - "O que ama a Deus implorará o perdão dos seus pecados, e
se absterá de tornar a cair neles, e será ouvido na sua oração de todos os dias".
O perdão dos pecados não está baseado na oração que se faz pedindo o
perdão, não é fé na oração, e sim fé naquele que perdoa o pecado.
6. Ensinam a oração pelos mortos
II Macabeus 12.43-46 - "e tendo feito uma coleta, mandou 12 mil dracmas de
prata a Jerusalém, para serem oferecidas em sacrifícios pelos pecados dos
mortos, sentindo bem e religiosamente a ressurreição (porque, se ele não
esperasse que os que tinham sido mortos, haviam um dia de ressuscitar, teria
por uma coisa supérflua e vã orar pelos defuntos); e porque ele considerava que
aos que tinham falecido na piedade estava reservada uma grandíssima
misericórdia. E, pois, um santo e salutar pensamento orar pelos mortos, para
que sejam livres dos seus pecados". É nesse texto de um livro não canônico que
a Igreja Católica Romana baseia sua doutrina do purgatório.
7. Ensinam a existência de um lugar chamado purgatório
Sabedoria 3.1-4 - "As almas dos justos estão na mão de Deus, e não os tocará o
tormento da morte. Pareceu aos olhos dos insensatos que morriam; e a sua
saída deste mundo foi considerada como uma aflição, e a sua separação de nós
como um extermínio; mas eles estão em paz (no céu). E, se eles sofreram
tormentos diante dos homens, a sua esperança está cheia de imortalidade".
A Igreja Católica baseia a doutrina do purgatório na última parte desse texto.
Afirmam os católicos que o tormento em que o justo está é o purgatório que o
purifica para entrar na imortalidade. Isto é uma deturpação do próprio texto do
livro apócrifo.
8. Tobias 5.15-19
"E o anjo disse-lhe: Eu o conduzirei e to reconduzirei. Tobias respondeu: Peço-te
que me digas de que família e de que tribo és tu? O anjo Rafael disse-lhe:
Procuras saber a família do mercenário, ou o mesmo mercenário que vá com teu
filho? Mas para que te não ponhas em cuidados, eu sou Azarias, filho do grande
Ananias. E Tobias respondeu-lhe: Tu és de uma ilustre família. Mas peço-te que
te não ofendas por eu desejar conhecer a tua geração".
Um anjo de Deus não poderia mentir sobre a sua identidade sem violar a própria
lei santa de Deus. Todos os anjos de Deus foram verdadeiros quando lhes
perguntado a sua identidade. Veja Lucas 1.19.
Decisão polêmica e eivada de preconceito
Resumindo todos esses argumentos, essa postura afirma que o amplo emprego
dos livros apócrifos por parte dos cristãos desde os tempos mais primitivos é
evidência de sua aceitação pelo povo de Deus. Essa longa tradição culminou no
reconhecimento oficial desses livros, no Concílio de Trento, como se tivessem
sido inspirados por Deus. Mesmo não-católicos, até o presente momento,
conferem aos livros apócrifos uma categoria de paracanônicos, o que se deduz
do lugar que lhes dão em suas Bíblias e em suas igrejas.
O cânon do Antigo Testamento até a época de Neemias compreendia 22 (ou 24)
Livros em hebraico, que, nas Bíblias dos cristãos, seriam 39, como já se
verificara por volta do século IV a.C. Foram os livros chamados apócrifos,
escritos depois dessa época, que obtiveram grande circulação entre os cristãos,
por causa da influência da tradução grega de Alexandria. Visto que alguns dos
primeiros pais da igreja, de modo especial no Ocidente, mencionaram esses
livros em seus escritos, a igreja (em grande parte por influência de Agostinho)
deu-lhes uso mais amplo e eclesiástico. No entanto, até a época da Reforma
esses livros não eram considerados canônicos. A canonização que receberam
no Concílio de Trento não recebeu o apoio da história. A decisão desse Concílio
foi polêmica e eivada de preconceito.
Que os livros apócrifos. seja qual for o valor devocional ou eclesiástico que
tiverem, não são canônicos, o que se comprova pelos seguintes fatos:
1. A comunidade judaica jamais os aceitou como canônicos.
2. Não foram aceitos por Jesus, nem pelos autores do Novo Testamento.
3. A maior parte dos primeiros grandes pais da igreja rejeitou sua canonicidade.
4. Nenhum concílio da igreja os considerou canônicos senão no final do século
IV.
5. Jerônimo, o grande especialista Bíblico e tradutor da Vulgata, rejeitou
fortemente os livros apócrifos.
6. Muitos estudiosos católicos romanos, ainda ao longo da Reforma, rejeitaram
os livros apócrifos.
7. Nenhuma igreja ortodoxa grega, anglicana ou protestante, até a presente
data, reconheceu os apócrifos como inspirados e canônicos, no sentido integral
dessas palavras.
Em virtude desses fatos importantíssimos, torna-se absolutamente necessário
que os cristãos de hoje jamais usem os livros apócrifos como se fossem Palavra
de Deus, nem os citem em apoio autorizado a qualquer doutrina cristã. Com
efeito, quando examinados segundo os critérios elevados de canonicidade
estabelecidos, verificamos que aos livros apócrifos faltam:
1. Os apócrifos não reivindicam ser proféticos.
2. Não detêm a autoridade de Deus. O prólogo do livro apócrifo Eclesiástico (180
a.C.) diz: "Muitos e excelentes ensinamentos nos foram transmitidos pela Lei,
pelos profetas, e por outros escritores que vieram depois deles, o que torna
Israel digno de louvor por sua doutrina e sua sabedoria, visto não somente os
autores destes discursos tiveram de ser instruídos, também os próprios
estrangeiros se podem tornar (por meio deles) muito hábeis, tanto para falar
como para escrever. Por isso, Jesus, meu avô, depois de se ter aplicado com
grande cuidado à leitura da Lei, dos profetas e dos outros livros que nossos pais
nos legaram, quis também escrever alguma coisa acerca da doutrina e
sabedoria... Eu vos exorto, pois, a ver com benevolência, e a empreender esta
leitura com uma atenção particular e a perdoar-nos, se algumas vezes parecer
que, ao reproduzir este retrato da soberania, somos incapazes de dar o sentido
(claro) das expressões". Este prólogo é um auto-reconhecimento da falibilidade
humana. (grifo acrescentado)
Diante de tudo isso, perguntamos: "Merecem confiança os livros Apócrifos?"
A resposta obvia é: NÃO!
Natureza e número dos apócrifos do Antigo Testamento
Há quinze livros chamados apócrifos (quatorze, se a Epístola de Jeremias se unir a
Baruque, como ocorre nas versões católicas de Douai). Com exceção de II Esdras,
esses livros preenchem a lacuna existente entre Malaquias e Mateus e compreendem
especificamente dois ou três séculos antes de Cristo.

Significado das palavras cânon e canônico


CÂNON - (de origem semítica, na língua hebraica "qãneh" em Ez 40.3; e no grego:
"kanón", em Gl 6.16) tem sido traduzido em nossas versões em português como
"regra", "norma". Literalmente, significa vara ou instrumento de medir.
CANÔNICO - Que está de acordo com o cânon. Em relação aos 66 livros da Bíblia
hebraica e evangélica.

Significado da palavra Pseudoepígrafado


Literalmente significa "escritos falsos" - Os apócrifos não são necessariamente escritos
falsos, mas, sim, não-canonicos, embora também contenham ensinos errados ou
hereges.

Diferença entre as Bíblias Hebraicas, Protestantes e Católicas


1. Bíblia hebraica 2. Bíblia protestante 3. Bíblia católica
(a Bíblia dos Judeus)
a) Contem somente os 39 a) Aceita os 39 livros do a) Contém os 39 livros do V.T.
livros do V.T. V.T. e também os 27 do e os 27 do N.T.
b) Rejeita os 27 do N.T. N.T. b) Inclui, na versão
como inspirado, assim b) Rejeita os livros Vulgata, os livros apócrifos
como rejeitou Cristo. apócrifos incluídos na ou não canônicos que são:
c) Não aceita os livros Vulgata, como não Tobias, Judite, Sabedoria,
apócrifos incluídos na canônicos. Eclesiástico, Baruque, I e
Vulgata (versão Católica II de Macabeus, seis
Romana). capítulos e dez versículos
acrescentados no livro de
Ester e dois capítulos de
Daniel.

A seguir, a lista dos que se encontravam na Septuaginta:

1. 3 Esdras 8. Baruque
2. 4 Esdras 9. A Carta de Jeremias
3. Oração de Azarias 10. Os acréscimos de Daniel
4. Tobias 11. A Oração de Manasses
5. Adições a Ester 12. I Macabeus
6. A Sabedoria de Salomão 13. II Macabeus
7. Eclesiástico (Também 14. Judite
chamado de Sabedoria de
Jesus, filho de Siraque).
Autor: Paulo Cristiano, do CACP (Centro Apologético Cristão de Pesquisa
www.cacp.org.br/)
Fonte: Revista Defesa da Fé – ano 6, n.º 41 / dezembro/2001 – pags. 54 a 59
Instituto Cristão de Pesquisa (ICP) www.icp.com.br

estudos.htm estudos.htm
Razões porque os APÓCRIFOS
Foram rejeitados como inspirados no Cânon da Escritura Sagrada
0. TESE: Demonstrar que somente os 66 livros que temos atualmente na Bíblia
(protestante ou evangélica) são a PALAVRA DE DEUS,
a) São os únicos livros inspirados por Deus, ou seja, que cada escritor destes 66
livros, não escreveram suas idéias e pensamentos, porém o Espírito Santo os
moveu a escrever somente os pensamentos, idéias e palavras de Deus, (II Tm
3.16-17; II Pe 1.19-21)

b) O Espírito Santo superintendeu o ato de escrever de cada escritor de maneira


tão exata e precisa, que a inspiração Divina se estendeu não somente as
palavras, mas até as letras empregadas nos originais do Velho e do Novo
Testamentos. (Mt 5.18; 3.15-16)
Demonstrar que os livros apócrifos, incluídos impropriamente nas versões católicas romanas não são canônicos, ou
seja não estão de acordo com os critérios e normas que trouxeram reconhecimento como inspirados aos outros 66
livros. Estes livros são:

LIVRO APÓCRIFO 8 Baruque


1 3 Esdras 9 A Carta de Jeremias
2 4 Esdras 10 Os acréscimos de Daniel
3 Oração de Manassés 11 A Oração de Manassés
4 Tobias 12 1 Macabeus
5 O Restante de Ester 13 2 Macabeus
6 A Sabedoria de Salomão
7 Eclesiástico (Também chamado de
Sabedoria de Jesus, filho de Siraque)

1. INTRODUÇÃO:
Significado da palavra APÓCRIFO:
Etimologia = "oculto", "não canônico",
1.1. Significado da palavra CÂNON e CANÔNICO
a) CÂNON - (de origem semítica, na língua hebraica "qãneh" em Ez 40.3; e no grego
grega: "kanón" em Gl 6.16"), tem sido traduzido em nossas versões em português
como, "regra", "norma".
- Significado literal: vara ou instrumento de medir.
- Significado figurado: Regra ou critérios que comprovam a autenticidade e inspiração
dos livros bíblicos; Lista dos Escritos Sagrados; Sinônimo das ESCRITURAS - como a
regra de fé e ação investida de autoridade divina.
- Outros significados: Credo formulado (a doutrina da Igreja em Geral); Regras
eclesiásticas (lista ou série de procedimentos)
b) CANÔNICO - Que está de acordo com o cânon. Em relação aos 66 livros da Bíblia
chamada hebraica e da Bíblica "evangélica", é o mesmo que dizer, inspirado por Deus.
1.2. Significado da palavra PSEUDOEPÍGRAFO - Literalmente significa "escritos
falsos" - Os apócrifos não são necessariamente escritos falsos, mas, sim não
canônicos, embora, também contenham ensinos errados ou hereges.

2 - DIFERENÇAS ENTRE AS BÍBLIAS HEBRAICAS, PROTESTANTES E


CATÓLICAS
2.A) Diferenças Básicas
1. Bíblia Hebraica – [a Bíblia dos judeus]
a) Contém somente os 39 livros do V.T.
b) Rejeita os 27 do N.T. como inspirado, assim como rejeitou Cristo.
c) Não aceita os livros apócrifos incluídos na Vulgata [versão Católica Romana)
2. Bíblia Protestante -
a) Aceita os 39 livros do V.T. e também os 27 do N.T.
b) Rejeita os livros apócrifos incluídos na Vulgata, como não canônicos
3. Bíblia Católica -
a) Contém os 39 livros do V.T. e os 27 do N.T.
b) Inclui na versão Vulgata, os livros apócrifos ou não canônicos.
2.B) Como os apócrifos acabaram sendo incluídos na versão Católica Romana?
1. Os judeus rejeitaram de modo uniforme os livros apócrifos, por isto não se
encontram na Bíblia Hebraica;
2. Os apócrifos foram escritos depois do livro de Malaquias, ou seja, depois do Velho
Testamento estar concluído.
3. O período é de 300 a.C. e 100 depois de Cristo. Este é o período da Helenização,
onde os gregos tentarão impor a cultura pagã grega no mundo todo.
4. Nesta época a Bíblia hebraica foi traduzida em Alexandria, para o grego, e nesta
versão chamada LXX ou septuaginta, foram incluídas alguns livros apócrifos.
5. No segundo século depois de Cristo, as primeiras Bíblias em latim, foram traduzidas
não da Bíblia Hebraica, mas da Septuaginta, a versão grega, que tinha incluído os
apócrifos no Velho Testamento.
6. A Vulgata, a versão oficial da igreja católica, feita por Jerônimo, distinguia entre:
- libris canonice = Livros canônicos e
- libris ecclesiastici = Livros apócrifos
7. No Concílio de Cartago (397), onde a igreja Romana já estava bem solidificada, foi
resolvido aceitar os livros apócrifos como próprios para leitura religiosa, embora, não
fossem canônicos.
8. Foi somente em 1548, como mais um dogma herético, que a Roma reconheceu os
livros apócrifos como de igual valor aos livros 66 livros canônicos. Com exceção de 3 e
4 Esdras e da Oração de Manassés.
9. Os reformadores rejeitaram completamente os apócrifos como canônicos.

3 - RAZÕES POR QUE OS LIVROS APÓCRIFOS FORAM REJEITADOS


3.1a) Não estão de acordo com os critérios usados para aceitação dos livros
canônicos.
1) O Pentateuco [os primeiros cinco livros da Bíblia] serve de critério na aceitação de
todos os outros livros da Bíblia. Se os livros apócrifos não concordam com o
Pentateuco eles não são inspirados. (Is 8.20; Mt.5.18-19)
2) Se João, o evangelista tivesse escrito algo que contradisse o que Moisés escreveu,
o evangelho de João deveria ser rejeitado como não inspirado, por Deus não se
contradiz;
3) Os livros apócrifos contradizem Moisés e os outros profetas, várias vezes;
4) Nem Cristo nem os apóstolos citaram os apócrifos;
5) São Jerônimo os rejeitou porque não foram escrito em hebraico (com exceção de
Eclesiástico, Tobias, e 1 Macabeus )
6) Foi a igreja católica no concílio de Trento Em 1548 d.C. que colocou os 12 livros
apócrifos como inspirados.
7) O verdadeiro teste de canonicidade é o testemunho que Deus, O Espírito Santo dá a
autoridade de Sua própria Palavra.
- Na sua boa providência Deus fez que seu povo reconhece a Sua Palavra e
recebesse a Sua Palavra.
- Assim como revelou sua Palavra as autores Bíblicos, também, agiu
soberanamente para que os livros canônicos fosse como de autoria Divina.
3.2a) Os Apócrifos Não São Inspirados. - Razões.
1. Seus ensinos baseados em histórias fictícios, lendárias e absurdas
- Tobias 6.1-4 - "Partiu, pois, Tobias, e o cão o seguiu, e parou na primeira
pousada junto ao rio Tigre. E saiu a lavar os pés, e eis que saiu da água um
peixe monstruoso para o devorar. À sua vista, Tobias, espavorido, clamou em
alta voz, dizendo: Senhor, ele lançou-se a mim. E o anjo disse disse-lhe: Pega-
lhe pelas guerras, e puxa-o para ti. Tendo assim feito, puxou-o para terra, e o
começou a palpitar a seus pés
2. Ensina erros doutrinários - tais como:
a) Orações pelos mortos
b) Falsas curas
c) Queimar o coração de um peixe para expulsar o demônio [fetiçaria]
d) Salvação por esmolas e obras;
e) Alteração dos destino das almas após a morte.
f) A falsa doutrina do purgatório
3. Por estas razões a igreja católica aceita os livros apócrifos, porque eles dão
uma falsa base para seus ensinos heréticos.

4. - ENSINOS HERÉTICOS PELOS QUAIS OS LIVROS APÓCRIFOS FORAM


REJEITADOS
4.1o) Ensinam Artes Mágicas ou de Feitiçaria como método de exorcismo
a) Tobias 6.5-9 - "Então disse o anjo: Tira as entranhas a esse peixe, e guarda, porque
estas coisas te serão úteis. Feito isto, assou Tobias parte de sua carne, e levaram-na
consigo para o caminho; salgaram o resto, para que lhes bastassem até chegassem a
Ragés, cidade dos Medos. Então Tobias perguntou ao anjo e disse-lhe: Irmão Azarias,
suplico-lhe que me digas de que remédio servirão estas partes do peixe, que tu me
mandaste guardar: E o anjo, respondendo, disse-lhe: Se tu puseres um pedacinho do
seu coração sobre brasas acesas , o seu fumo afugenta toda a casta de demônios,
tanto do homem como da mulher, de sorte que não tornam mais a chegar a eles. E o
fel fel é bom para untar os olhos que têm algumas névoas, e sararão"
b) Este ensino que o coração de um peixe tem o poder para expulsar toda espécie de
demônios contradiz tudo o que a Bíblia diz sobre como enfrentar o demônio.
c) Deus jamais iria mandar um anjo seu, ensinar a um servo seu, como usar os
métodos da macumba e da bruxaria para expulsar demônios.
d) Satanás não pode ser expelido pelos métodos enganosos da feitiçaria e bruxaria, e
de fato ele não tem interesse nenhum em expelir demônios (Mt 12.26).
e) Um dos sinais apostólicos era a expulsão de demônios, e a única coisas que tiveram
de usar foi o nome de Jesus (Mc 16.17; At 16.18)
4.2o) Ensinam que Esmolas e Boas Obras - Limpam os Pecados e Salvam a Alma
a) Tobias 12.8, 9 - "É boa a oração acompanhada do jejum, dar esmola vale mais do
que juntar tesouros de ouro; porque a esmola livra da morte (eterna), e é a que apaga
os pecados, e faz encontrar a misericórdia e a vida eterna".
Eclesiástico 3.33 - "A água apaga o fogo ardente, e a esmola resiste aos pecados"
b) Este é o primeiro ensino de Satanás, o mais terrível, e se encontrar basicamente em
todas a seitas heréticas.
c) A Salvação por obras, destrói todo o valor da obra vicária de Cristo em favor do
pecador. Se caridade e boas obras limpam nossos pecados, nós não precisamos do
sangue de Cristo. Porém, a Bíblia não deixa dúvidas quanto o valor exclusivo do
sangue como um único meio de remissão e perdão de pecados:
- Hb 9:11, 12, 22 - "Mas Cristo... por seu próprio sangue, entrou uma vez por
todas no santo lugar, havendo obtido um eterna redenção ...sem derramamento
de sangue não há remissão."
- I Pe 1:18, 19 - "sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou
ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição
recebestes dos vossos pais, mas com precioso sangue, como de um cordeiro
sem defeito e sem mancha, o sangue de Cristo,"
d) Contradiz Bíblia toda. Ela declara que somente pela graça de Deus e o sangue de
Cristo o homem pode alcançar justificação e completa redenção:
- Romanos 3.20, 24, 24 e 29 - "Ninguém será justificado diante dele pelas obras
da lei.. sendo justificados gratuitamente por sua graça, mediante a redenção que
há em Cristo Jesus. A quem Deus propôs no seu sangue.... Concluímos, pois,
que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei".
4.3o) Ensinam o Perdão dos pecados através das orações-
a) Eclesiástico 3.4 - "O que ama a Deus implorará o perdão dos seus pecados, e se
absterá de tornar a cair neles, e será ouvido na sua oração de todos os dias".
b) O perdão dos pecados não está baseado na oração que se faz pedindo o perdão,
não é fé na oração, e sim fé naquele que perdoa o pecado, a oração por si só, é uma
boa obra que a ninguém pode salvar. Somente a oração de confissão e arrependimento
baseadas na fé no sacrifício vicário de Cristo traz o perdão (Pv. 28.13; I Jo 1.9; I Jo
2.1,2)
4.4o) Ensinam a Oração Pelos Mortos
a) 2 Macabeus 12:43-46 - "e tendo feto uma coleta, mandou 12 mil dracmas de prata a
Jerusalém, para serem oferecidas em sacrifícios pelos pecados dos mortos, sentindo
bem e religiosamente a ressurreição, (porque, se ele não esperasse que os que tinham
sido mortos, haviam um dia de ressuscitar, teria por uma coisa supérflua e vã orar
pelos defuntos); e porque ele considerava que aos que tinham falecido na piedade
estava reservada uma grandíssima misericórdia. É, pois, um santo e salutar
pensamento orar pelos mortos, para que sejam livres dos seus pecados".
b) É neste texto falso, de um livro não canônico, que contradiz toda a Bíblia, que a
Igreja Católica Romana baseia sua falta e herege doutrina do purgatório.
c) Este é novamente um ensino Satânico para desviar o homem da redenção exclusiva
pelo sangue de Cristo, e não por orações que livram as almas do fogo de um lugar
inventado pela mente doentia e apostata dos teólogos católicos romanos.
d) Após a morte o destino de todos os homens é selado, uns para perdição eterna e
outros para a Salvação eterna - não existe meio de mudar o destinos de alguém após a
sua morte. Veja Mt. 7:13,13; Lc 16.26
4.5o) Ensinam a Existência de um Lugar Chamado PURGATÓRIO
a) Este é o ensino Satânico inventado pela Igreja Católica Romana, de que o homem,
mesmo morrendo perdido, pode ter uma Segunda chance de Salvação.
b) Sabedoria 3.1-4 - "As almas dos justos estão na mão de Deus, e não os tocará o
tormento da morte. Pareceu aos olhos dos insensatos que morriam; e a sua saída
deste mundo foi considerada como uma aflição, e a sua separação de nós como um
extermínio; mas eles estão em paz (no céu). E, se eles sofreram tormentos diante dos
homens, a sua esperança está cheia de imortalidade".
c) A Igreja Católica baseia a doutrina do purgatório na ultima parte deste texto, onde
diz: " E, se eles sofreram tormentos diante dos homens, a sua esperança está cheia de
imortalidade".
- Eles ensinam que o tormento em que o justo está, é o purgatório que o purifica
para entrar na imortalidade.
- Isto é uma deturpação do próprio texto do livro apócrifo. De modo, que a igreja
Católica é capaz de qualquer desonestidade textual, para manter suas heresias.
- Até porque, ganha muito dinheiro com as indulgências e missas rezadas pelos
mortos.
d) Leia atentamente as seguinte textos das Escrituras, que mostram a impossibilidade
do purgatório : I Jo 1.7; Hb 9.22; Lc 23.40-43; I6: 19-31; I Co 15:55-58; I Ts 4:12-17; Ap
14:13; Ec 12:7; Fp 1:23; Sl 49:7-8; II Tm 2:11-13; At 10:43)
4.6o) Nos Livros Apócrifos Os Anjos Mentem
a) Tobias 5.15-19 - "E o anjo disse-lhe: Eu o conduzirei e to reconduzirei. Tobias
respondeu: Peço-te que me digas de que família e de tribo és tu? O anjo Rafael disse-
lhe: Procuras saber a família do mercenário, ou o mesmo mercenário que vá com teu
filho? Mas para que te não ponhas em cuidados,, eu sou Azarias, filho do grande
Ananias. E Tobias respondeu-lhe: Tu és de uma ilustre família. Mas peço-te que te não
ofendas por eu desejar conhecer a tua geração.
b) Um anjo de Deus não poderia mentir sobre a sua identidade, sem violar a própria lei
santa de Deus. Todos os anjos de Deus, foram verdadeiros quando lhes foi perguntado
a sua identidade. Veja Lc 1.19
4.7o) Mulher que Jejuava Todos os Dias de Sua Vida
a) Judite 8:5,6 - "e no andar superior de sua casa tinha feito para si um quarto retirado,
no qual se conservava recolhida com as suas criadas, e, trazendo um cilício sobre os
seus rins, jejuava todos os dias de sua vida, exceto nos sábados, e nas neomênias, d
nas festas da casa de Israel"
b) Este texto legendário tem sido usado por romana relacionado com a canonização
dos "santos" de idolatria. Em nenhuma parte da Bíblia jejuar todos os dias da vida é
sinal de santidade. Cristo jejuou 40 dias e 40 noites e depois não jejuou mais.
c) O livro de Judite é claramente um produção humana, uma lenda inspirada pelo
Diabo, para escravizar os homens aos ensinos da igreja Católica Romana.
4.8o) Ensinam Atitudes Anticristãs, como: VINGANÇA, CRUELDADE E EGOÍSMO
a) VINGANÇA - Judite 9:2
b) CRUELDADE e EGOÍSMO - Eclesiástico 12:6
c) Contraria o que a Bíblia diz sobre:
- Vingança (Rm 12.19, 17)
- Crueldade e Egoísmo ( Pv. 25:21,22; Rm 12:20; Jo 6:5; Mt 6:44-48)
4.9o) A igreja Católica tenta defender a IMACULADA CONCEIÇÃO baseando em
uma deturpação dos apócrifos (Sabedoria 8:9,20) - Contradizendo: Lc. 1.30-35; Sl
51:5; Rm 3:23)

5. CONCLUSÃO: - Temos todas as razões para rejeitar os livros apócrifos.


5.1. Eles são um poderoso instrumento de Satanás para semear heresias destrutivas.
5.2. A igreja Católica Romana os abraçou, porque não podia apoiar suas heresias nos
livros canônicos, então, como é falsa até a raiz, apelou para livros que são fontes de
falsidades e heresias.
5.3. Satanás tem usado de todos os meios e artimanhas para confundir a doutrina
Bíblica, mas os eleitos terão a luz do Espírito Santo e não se deixaram enganar.
5.4. A Bíblia completa, se compõe de 66 livros, que são a Única, Verdadeira e
Comprovada Palavra de Deus.

* Este estudo foi resultado de pesquisas em várias fontes tais como: ”Léxicos e
dicionários de grego, Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã, Novo Dicionário
da Bíblia, Dic. Int. de Teol. Do N.T., folhetos, etc..

Pr. José Laérton – IBR Emanuel – (085) 292-6204

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InspiracApologetCriacionis
A LENDA DE ABGARO
Fonte: "Enciclopédia Católica"
Autor: H. Leclercq
Tradução: Renata Itimura

O historiador Eusébio registra uma tradição (H.E. LXII) - em que ele acredita
firmemente - concernente a uma correspondência trocada entre Nosso Senhor e a
autoridade local de Edessa. Três são os documentos associados a esta
correspondência:
• A carta de Abgaro para Nosso Senhor;
• A resposta de Nosso Senhor; e
• Um retrato de Nosso Senhor, pintado em vida.
Esta lenda teve grande popularidade tanto no Ocidente como no Oriente durante a
Idade Média: a carta de Nosso Senhor foi copiada em pergaminho, mámore e metal, e
usada como um talismã ou amuleto.
Na época de Eusébio pensava-se que as cartas originais escritas em siríaco
estivessem guardadas nos arquivos de Edessa. Nos dias de hoje, possuímos não
apenas o texto siríaco mas também uma versão armênia, bem como duas versões
gregas independentes - menores que a siríaca - e várias inscrições em pedra, todas
elas discutidas em dois artigos no "Dicitionnaire d'archeólogie chrétienne et de liturgies"
col. 88 sq. e 1807 sq. Os únicos dois trabalhos a serem consultados com referência a
estes tópicos literários são a "História Eclesiástica" de Eusébio e os "Atos de Tadeu"
que professam pertencer à Era Apostólica.
O fato, conforme esses dois trabalhos, ocorreu assim: Abgaro, rei de Edessa, aflito com
uma doença incurável, escutou a fama do poder e dos milagres de Jesus e escreveu
para Ele, suplicando para que viesse curá-lo. Jesus recusa a vir, mas promete mandar
um mensageiro investido com Seu poder, chamado Tadeu, um dos setenta e dois
discípulos.
As cartas de Nosso Senhor e do rei de Edessa variam na versão dada em Eusébio e a
dada nos "Atos de Tadeu". A que segue é retirada dos "Atos de Tadeu", que é menos
acessível do que a da História de Eusébio:
Abgaro Ukkama a Jesus, o Bom Médico que apareceu na terra de Jerusalem,
saudações:
Escutei falar de Ti e de Tuas curas: que Tu não fazes uso de remédios nem raízes;
que, por Tua palavra, abriste [os olhos] de um cego, fizeste o aleijado andar,
limpaste o leproso, fizeste o surdo ouvir; que por Tua palavra tu [também]
expulsaste espíritos daqueles que eram atormentados por demônios imundos; que,
outra vez, Tu ressussitaste o morto [trazendo-o] para a vida.
E, conhecendo as maravilhas que Tu fazes, concluí que [das duas uma]: ou Tu
desceste do céu, ou mais: Tu és o Filho de Deus e por isso fizeste todas essas
coisas. Por esse motivo escrevo para Ti, e rezo para que venhas até mim, que Te
adoro, e cure toda a doença que carrego, de acordo com a fé que tenho em Ti.
Também soube que os judeus murmuram contra Ti e Te perseguem; que buscam
crucificar-Te e destruir-Te. Eu não possuo mais que uma pequena cidade, mas é
bela e grande o suficiente para que nós dois vivamos em paz.
Quando Jesus recebeu esta carta, na casa de um alto sacerdote dos judeus, ele disse
para Hannan, o secretário:
"Vá e dize para teu senhor que te enviou para mim: 'Feliz és tu que acreditaste em
Mim não tendo Me visto, porque está escrito sobre Mim que aqueles que me verão
não acreditarão em Mim, e aqueles que não me verão acreditarão em Mim'. Quanto
ao que escreveste, que eu deveria ir até ti, devo cumprir todas as coisas para as
quais fui enviado aqui; quando eu ascender outra vez para o Meu Pai que me
enviou, e quando eu tiver ido ter com Ele, Eu te enviarei um dos meus discípulos,
que curará todos os teus sofrimentos, e eu te darei saúde outra vez, e converterei
todos os que estão contigo para a vida eterna. E tua cidade será abençoada para
sempre, e os teus inimigos nunca a dominarão".
Segundo Eusébio não foi Hannan que escreveu a resposta, mas o próprio Nosso
Senhor. Um crescimento legendário curioso originou-se desta ocorrência imaginária. A
natureza da doença de Abgaro tem sido discutida gravemente, para crédito da
imaginação de vários escritores, uns sustentando que era gota, outros lepra; os
primeiros dizendo que isto tinha durado sete anos, os últimos descobrindo que o
doente tinha contraído a doença durante uma estadia na Pérsia. Outros cronistas, por
sua vez, sustentam que a carta foi escrita em pergaminho, embora alguns favoreçam o
papiro. A passagem crucial na carta de Nosso Senhor, entretanto, é a que promete à
cidade de Edessa vitória sobre todos os inimigos. Isto deu à pequena cidade uma
popularidade que desapareceu no dia que ela caiu nas mãos dos conquistadores. Foi
um rude choque para aqueles que acreditavam na lenda; eles preferiram atribuir a
queda da cidade à cólera de Deus contra os habitantes do que admitir a falha da
salvaguarda, que não era menos confiante naquele tempo do que no passado.
O fato relacionado correspondente há muito deixou de ter qualquer valor histórico. O
texto foi tirado de duas partes do evangelho, o que em si mesmo é o suficiente para
provar a não autenticidade da carta. Além disso, as citações são feitas não dos próprios
evangelistas, mas da famosa concordância de Taciano, compilada no século II e
conhecida como "Diatessaron", deste modo fixando a data da lenda como
aproximadamente da metade do século III. Em adição, entretanto, para a importância
que é alcançada no ciclo apócrifo, a correspondência do rei Abgaro também ganha
lugar na liturgia . O decreto "De libris non recipiendis", do psêudo-Gelásio, coloca a
carta entre os apócrifos, o que pode, possivelmente, ser uma alusão dela ter sido
inserida entre as lições de liturgia oficialmente sancionadas. As liturgias sírias
comemoram a correspondência de Abgaro durante a Quaresma. A liturgia celta parece
ter acrescentado importância à lenda; o "Liber Hymnorum", um manuscrito preservado
na Universidade Trinity, em Dublin (E. 4,2), apresenta duas compilações nas linhas da
carta para Abgaro. Nem, de qualquer maneira, é impossível que esta carta, seguida de
muitas orações, possa ter formado um ofício litúrgico menor em certas igrejas.
O relatório dado por Adda contém um detalhe que pode ser brevemente referido aqui.
Hannan, que escreveu o ditado por Nosso Senhor, era um arquivista em Edessa e
pintor do rei Abgaro. Ele tinha sido encarregado de pintar um retrato de Nosso Senhor -
tarefa que ele cumpriu diligentemente - trazendo de volta com ele, para Edessa, uma
pintura que veio a ser objeto de veneração geral, mas que, depois de certo tempo,
disse-se que foi pintada pelo próprio Nosso Senhor. Como a carta, o retrato estava
destinado a ser o núcleo de um crescimento legendário: a "Face Santa de Edessa" era
principalmente famosa no mundo Bizantino. Entretanto, uma mera alusão deste fato
aqui deve ser suficiente, já que a lenda do retrato de Edessa faz parte de um tema
extremamente difícil e obscuro da iconografia de Cristo e de pinturas de origens
miraculosas conhecidas como "acheiropoietoe" (=feita sem as mãos).
Como os Manuscritos do Mar Morto têm ajudado no estudo do texto do Antigo
Testamento?
Antes da descoberta dos manuscritos do Mar Morto, a mais antiga cópia hebraica de
todo o Antigo Testamento era o assim chamado texto Ben Asher, encontrado no Códice
B19A da Biblioteca Pública de Leningrado e datado de 1008 dC, que foi usado por P.
Kahle na terceira edição da Bíblia Hebraica de Kittel, de 1937, e muitas vezes
reimpresso. Já que os documentos bíblicos de Qumran oferecem uma forma do Antigo
Testamento hebraico pelo menos mil anos mais antiga que aquele códice, seu
testemunho do texto do Antigo Testamento é precioso. Aqui temos de incluir também os
textos bíblicos recuperados no Wadi Murabba'at, Nahal Hever e Massada. Todos
juntos, esses documentos datam de meados do século III aC ao início do século II dC,
e revelam como os textos do Antigo Testamento eram copiados na Palestina daquela
época. Quanto aos textos bíblicos copiados especificamente em Qumran, sua datação
estaria aproximadamente entre 150 aC e 68 dC, datas que são confirmadas pela
cerâmica e outros artefatos encontrados nas grutas relacionadas com o Khirbet
Qumran. O terminus ad quem para os textos de Massada seria 74 dC; para Nahal
Hever e Murabba'at, 132-35 dC (a revolta de Bar Kokhba).
Por um lado, esses textos bíblicos muitas vezes simplesmente confirmaram as leituras
do Texto Massorético medieval, o texto hebraico comumente usado para as modernas
edições críticas do Antigo Testamento. Há, é claro, muitas diferenças de soletração. A
scriptio plena, "escrita plena" (ou seja, com um uso abundante de consoantes como
letras vogais), supera a scriptio defectiva, "escrita defectiva", especialmente nos
manuscritos de Qumran, mas isso realmente é irrelevante. Por outro lado, os textos
bíblicos de Qumran apresentaram formas de alguns livros do Antigo Testamento que
diferem do Texto Massorético. Em tais casos, podem concordar com as diferenças
encontradas no Pentateuco samaritano ou no Antigo Testamento grego, a Septuaginta.
Isso é especialmente importante no último caso, já que os textos de Qumran revelam
agora que a Septuaginta não era uma tradução descuidada do hebraico, nem uma
alteração deliberada deste, como alguns pensavam antigamente, mas, na verdade,
uma tradução cuidadosa de uma forma ou recensão hebraica diferente de alguns livros.
Isso é particularmente importante para o livro de Jeremias, que em sua forma na
Septuaginta é quase um oitavo mais curto que no Texto Massorético; e uma forma
curta hebraica relacionada à Septuaginta é atestada agora em 4QJer b. Uma forma do
texto hebraico de 1-2 Samuel relacionada à Septuaginta também foi encontrada em
4QSama e 4QSamb.
A maioria dos textos bíblicos de Qumran foi copiada nas escritas dos habituais
caracteres quadrados, às vezes chamados "escrita assíria" ou "escrita aramaica", mas
as Grutas 1, 2, 4, 6 e 11 revelaram textos do Antigo Testamento copiados na escrita
paleo-hebraica, uma escrita que imitava a antiga escrita fenícia. A maioria estava
copiada em pele, mas foram encontrados papiros com textos bíblicos nas Grutas 1, 4, 6
e 9 (se 9Q1 de fato for um fragmento de texto bíblico). Em um caso (4QNumb) alguns
versículos foram escritos com tinta vermelha (20,22-23; 22,21,23,13; 23,27, 31, 25,
28,48; 32,25; 33,1); o significado disso ainda não foi determinado.
Os críticos textuais debatem entre si sobre como melhor caracterizar as diferentes
tradições textuais representadas pelos documentos bíblicos de Qumran. Os
especialistas norte-americanos W. F. Albright e F. M. Cross distinguiram textos locais: o
tipo de texto protomassorético derivado de Babilônia, o tipo Septuaginta derivado do
Egito, e o tipo proto-samaritano derivado da Palestina, mas o especialista israelense S.
Talmon rejeita as designações geográficas e relaciona os tipos a contextos religioso-
sociológicos diferentes. Outros ainda, Como o israelense E. Tov, preferem não falar de
tipos de texto ou recensões, mas apenas de textos independentes não aparentados.
De qualquer modo, os mais importantes textos do Antigo Testamento de Qumran são
as cópias de Isaías da Gruta 1, e as da Gruta 4 dos seguintes livros: Êxodo, Samuel,
Jeremias e Daniel. Esses textos da Gruta 4 são os livros que manifestam as variantes
textuais mais notáveis e importantes.
PERGUNTAS E RESPOSTAS
Existe mesmo o Apocalipse de São Pedro?

Um irmão católico ficou surpreso ao saber, pelo fragmento de Muratori (v. Área de
Patrística), da existência de um "Apocalipse" atribuído a São Pedro e me pediu
informações a respeito (em azul). A minha resposta segue em preto...

Caro Irmão Nabeto,


Antes de mais nada, parabenizo pelo site Agnus Dei, pela diversificação dos temas e
pela qualidade. [...]
Lendo um dos assuntos abordados dentro do texto "Cânon de Muratori" me deparei
com a afirmação do autor do texto, escrito por volta de 150 dC, o qual reproduzo
abaixo a afirmação completa:
"Quantos aos apocalipses, recebemos dois: o de João e o de Pedro; mas, quanto a
este último, alguns dos nossos não querem que seja lido".
Caro Irmão, sinceramente é a primeira vez que escuto sobre um apocalipse "escrito"
por Pedro. Você poderia me fornecer maiores informações sobre isso??
Agradeço sua atenção. Saudações em Cristo Jesus Nosso Senhor !! (Maristone)
• Caro Maristone,
Pax Domini!
Agradeço pela visita ao site do Agnus Dei e por suas cordiais palavras. Quanto
ao Apocalipse de Pedro, trata-se de um livro apócrifo redigido entre 125 e 150
dC (i.é, séc. II) e falsamente atribuído ao príncipe dos apóstolos, São Pedro. De
fato, alguns cristãos consideravam-no inspirado, como, por exemplo, o escritor e
doutor grego Clemente de Alexandria e o autor do já citado fragmento de
Muratori (ainda que faça a ressalva).
Além disso, algumas igrejas da Palestina liam partes de seu texto na liturgia da
Sexta-Feira Santa (até meados do séc. V) mas, com a definição oficial do cânon
bíblico no final do séc. IV, e consequente classificação do Apocalipse de Pedro
como "apócrifo", o mesmo deixou de ser lido e empregado, sendo destruído ou
caindo no esquecimento até que, por fim, acabou por desaparecer.
E assim foi durante muito tempo; só se tinha conhecimento de sua existência
através de alguns fragmentos (como um que foi encontrado num túmulo do Alto
Egito) ou por ter sido citado nas obras de Clemente de Alexandria. Porém, em
1910, foi descoberto o texto completo em uma tradução etíope, que foi
pesquisado por mons. Sylvain Grebaut e publicado na íntegra vários anos
depois.
Possui uma parte que pode ser considerada, de certa forma, paralela a Mt 24:
"Muitos virão em meu nome e dirão: 'Eu sou o Cristo'. Não confieis neles e nem
vos aproximeis. Na realidade, a época da vinda do Filho do Senhor não é
conhecida. Mas, como o raio que surge do oriente até o poente, assim chegarei
nas nuvens do céu, com um exército numeroso para minha glória e minha cruz
virá na frente. Virei em minha glória resplandecendo sete vezes mais que o sol.
Virei em minha glória com todos os meus santos e os meus anjos, e meu Pai me
colocará, então, uma coroa sobre a cabeça para que eu julgue os vivos e os
mortos e pague a cada um de acordo com seus atos. [...] Não sabes que a
árvore do figo é a casa de Israel? [...] Certo eu te digo que, quando os seus
ramos tiverem esverdeado no último dia, virão falsos messias. E eles dirão nas
suas promessas: 'Eu sou o Cristo que vim ao mundo'. E, quando tiverem visto a
malícia de suas obras, irão atrás deles e renegarão o primeiro Cristo, aquele
que foi crucificado e ao qual nossos pais deram glória. Esse mentiroso não é o
Cristo. E quantos se lhe opuserem, ele os matará a todos com a espada. Haverá
então muitos mártires".
Mas talvez a passagem mais interessante seja sobre como deverá acabar o
mundo... Provavelmente teria feito muito "sucesso" no último dia 11 de agosto de
1999, dia previsto por alguns falsos profetas como final dos tempos... :) Trata-se
da passagem - que muitos talvez já tenham escutado e até acreditam que será
verdade (mas não será!) - que afirma que o mundo irá ser destruído pelo fogo:
"Serão escancaradas as cataratas de fogo. Sobrevirá escuridão e trevas que
revestirão e cobrirão com véu o mundo todo. As águas serão mudadas e
transformadas em carvões de fogo. Tudo o que está nelas queimará. Também o
mar se tornará fogo. Sob o céu haverá um fogo cruel que não se apagará
jamais. E escorrerá para o julgamento da ira. Também as estrelas serão
fundidas pelas chamas e ficarão como se não tivessem sido criadas. [...] Os
espíritos dos cadáveres se assemelharão ao fogo e se tornarão fogo por ordem
do Senhor. Então todas as criaturas serão liquefeitas. Em todo lugar a ira do
fogo pavoroso alcançará os filhos do homem. E, empurrando-os, as chamas que
não se apagarão os obrigarão a ir para o julgamento da ira, em um rio de fogo
que não se apagará e que correrá queimando. [...] E me vereis chegar sobre
uma nuvem luminosa e eterna. [...] E suas ações se apresentarão perante cada
um deles. E cada um será retribuído segundo seus atos."
Assustador?? Talvez, afinal faz parte do gênero literário classificado como
"Apocalipse" (v. livro de Daniel, Apocalipse de João)... Mas o Apocalipse de
"Pedro" não tem valor nenhum para nós, cristãos, por dois motivos:
• Primeiro, porque é um livro *apócrifo*, escrito por alguém que não
sabemos quem é, mas que, para dar "autoridade" à sua obra, resolveu
atribuir a "autoria" a São Pedro (mesmo este estando morto há pelo
menos 60 anos naquela época!). Além disso, a análise do conteúdo da
obra demonstra várias discordâncias com o resto do Novo Testamento...
uma delas é o fato de que tal Apocalipse se diz ser "revelação secreta de
Jesus a Pedro"; contudo, o próprio Jesus deixou bem claro que o Reino
está aberto a todos os homens de boa vontade, sendo esta a Boa Nova a
ser pregada para todas as nações; percebemos, assim, que não há
espaço para "revelação secreta"... Devemos, ainda, observar que
qualquer "revelação secreta" só serve para beneficiar a pessoa que a
recebeu e não as demais!
• Segundo, porque o cristão não deve temer o final do mundo e pouco lhe
interessa saber como e quando isto se dará. Ora, tendo recebido a
salvação por Cristo e perseverado como cristãos, reconhecemos que
devemos estar sempre preparados para o segundo advento de Cristo,
uma vez que não sabemos nem o dia e nem a hora em que Ele virá para
nos julgar... O próprio Jesus, aliás, já alertara: "Orai e vigiai...". Portanto,
estando sempre "rigorosamente em dia" com as nossas obrigações como
cristãos, ficamos apenas fazendo eco ao penúltimo versículo da Bíblia -
que, por sinal, pertence ao Apocalipse de São João (este sim divinamente
inspirado e de revelação pública e geral): "Vem, Senhor Jesus!" (Ap
22,20).
Fontes cristãs não-canônicas
1) EVANGELHOS APÓCRIFOS
O termo "apócrifos" geralmente é usado para indicar os apócrifos veterotestamentários,
mas há também apócrifos do Novo Testamento, isto é, livros que em determinadas
épocas e regiões, em determinadas comunidades cristãs, foram mais ou menos aceitos
como Sagrada Escritura, mas não foram colocados no cânon pela Igreja universal.
Geralmente trata-se de escritos demonstravelmente tardios (século III e depois),
evidentemente imitações e/ou pretensos suplementos dos escritos canônicos do Novo
Testamento. A essa categoria pertencem os evangelhos apócrifos, alguns dos quais
continuaram conhecidos em toda a tradição cristã, e até o dia de hoje podem ser
adquiridos em traduções modernas.
O evangelho mais importante dessa categoria é o Proto-evangelho de Tiago. Admite-se
geralmente que foi escrito no século II. Descreve o nascimento e a infância de Jesus,
mas começa com vários detalhes da juventude da Virgem Maria. É tipicamente uma
tentativa de satisfazer à curiosidade popular em torno de coisas não mencionadas nos
evangelhos canônicos. A teologia desse "evangelho" é a de um docetismo popular:
Jesus tem um Corpo não sujeito às leis do espaço e do tempo. O escrito não tem valor
como fonte histórica sobre Jesus.
Os apócrifos do Novo Testamento têm valor para nosso conhecimento da piedade
popular no século II e depois. Alguns deles tiveram no passado uma influência pelo
menos tão grande quanto a dos evangelhos canônicos. O evangelho do Pseudo-
Mateus, por exemplo, foi muito conhecido na Idade Média. É uma compilação (do início
da Idade Média) de textos mais antigos, entre os quais o Proto-evangelho de Tiago.
Teoricamente, devia ser possível encontrar nesse tipo de escritos tardios um caminho
para chegar às fontes mais antigas. Mas há tantas incertezas que na prática tal
programa se mostra inexeqüível. Uma segunda categoria é formada por alguns
evangelhos sobre cuja existência informa a literatura cristã antiga, mas dos quais nada
ou quase nada foi conservado. Dispomos apenas de alguns textos citados por Santos
Padres ou teólogos da Igreja antiga. Devem ser mencionados: o Evangelho dos
Egípcios, o Evangelho dos Hebreus e o Evangelho dos Ebionitas. Sem dúvida trata-se
de textos bastante antigos. Clemente de Alexandria (falecido por volta de 215) cita o
Evangelho dos Egípcios e o Evangelho dos Hebreus. Orígenes (falecido em 254)
conheceu possivelmente o Evangelho dos Ebionitas.
Qual foi o conteúdo desses textos e como devemos avaliá-los? Quem estiver
esperando novidades sensacionais ficará decepcionado. Grande parte deles baseia-se
evidentemente nos evangelhos canônicos. Acrescentam-se pormenores; o texto é
tornado mais impressionante: indício indubitável de adaptação. Às vezes o teor de uma
palavra de Jesus é ligeiramente modificado. Uma característica geral que pode ser
constatada é a tendência encratista. Precisa-se de muita imaginação para encontrar
nessas palavras uma tradição autêntica sobre Jesus.
Uma terceira categoria de evangelhos apócrifos consta de textos em papiros e
pergaminhos descobertos neste último século. Fazendo abstração, por ora, da
biblioteca copta de Nag Hammadi (cf. infra), trata-se de um pequeno grupo de escritos
dos quais possuímos também apenas alguns fragmentos. Os mais conhecidos são os
textos evangélicos do Papiro 2 de Egerton e o Evangelho de Pedro. Ambos os textos
foram escritos provavelmente no século II. Egerton 2 conta quatro cenas, três das
quais, as primeiras, têm paralelos nos evangelhos canônicos; a quarta está tão
danificada que é difícil formar sobre ela uma opinião sensata. Quanto a esses papiros,
a maioria dos especialistas julga tratar-se de uma compilação; alguns, porém,
defendem ardentemente a tese de que são independentes dos evangelhos canônicos.
Estou inclinado a concordar com a maioria, acrescentando que esses fragmentos,
ainda que fossem independentes, contribuem pouco ou nada para nosso conhecimento
a respeito do Jesus histórico. O Evangelho de Pedro (o fragmento que se conservou)
descreve o processo contra Jesus, sua execução e sua ressurreição. Característica é a
tendência antijudaica ainda mais forte que nos evangelhos canônicos. Teologicamente,
ele está mais próximo de João; em contraste com João, porém, a cristologia é a do
docetismo: aquele que sofre e morre é apenas uma aparição do verdadeiro Jesus, que
é divino e por isso não pode sofrer e morrer. As opiniões sobre esse texto são as
mesmas que sobre o papiro de Egerton. Para mim, é um rewritten gospel, uma
adaptação baseada nos evangelhos canônicos.
Finalmente. temos a grande biblioteca copta, encontrida, pouco depois da Segunda
Guerra Mundial, perto de Nag Hammadi, no Egito superior. Além de um texto completo
do Evangelho de Tomé, esta coleção contém dois outros evangelhos apócrifos: o
Evangelho de Filipe e o Evangelho da Verdade. Esse último não é um evangelho no
sentido costumeiro da palavra; é antes uma meditação, uma espécie de sermão sobre
a redenção pelo conhecimento (gnosis) de Deus. É atribuído ao gnóstico Valentino, que
viveu em meados do século II; por conseguinte, não ajuda em nada a pesquisa sobre o
Jesus histórico. O Evangelho de Filipe foi escrito antes de 350; é evidentemente uma
compilação de materiais mais antigos. Como sempre, coloca-se ai a questão se seria
possível destacar do texto atual as fontes utilizadas. Também no caso do Evangelho de
Filipe isso parece muito problemático. O texto causou certo sensacionalisnio porque
sugere uma relação amorosa entre Jesus e Maria Madalena. Coisa semelhante consta
no Evangelho de Maria Madalena, não encontrado em Nag Hammadi, mas proveniente
de um ambiente semelhante. Alegando esses apócrifos, pessoas não-especializadas
no assunto proferiram a suspeita de que a Igreja teria escamoteado valiosos
documentos antigos. Sem dúvida, a Igreja estabeleceu seu cânon com base em
determinadas suposições dogmáticas, freqüentemente em consciente polêmica contra
grupos que invocavam a autoridade de escritos cuja autenticidade reivindicavam. Eu
seu julgamento, o historiador terá de ponderar também esse fato. Não é impossível que
em semelhantes grupos tradições originais tenham sido transmitidas, embora seja
praticamente certo que elas então passaram por adaptações mais ou menos
profundas. Porém, ao ler esses escritos, é difícil não chegar à conclusão de que a
Igreja, com relação a eles, traçou os limites de seu cânon com razoável objetividade e
com certeira avaliação da qualidade.
Divergem muito entre si as opiniões acerca do valor desses escritos como fontes para
a biografia de Jesus. O certo é que nenhum desses evangelhos apócrifos vem
diretamente de testemunhas oculares; mas isso vale também para os evangelhos
canônicos. Sobre fragmentos pequeninos não se pode dizer muita coisa. Textos de
maior envergadura sempre têm uma motivação teológica, não biográfica ou histórica no
sentido moderno. Mas também isso vale igualmente para os evangelhos canônicos. O
fato de muitos desses escritos apresentarem traços ligeiramente "gnósticos" é para
alguns motivo de desconfiança de seu valor como testemunhas, ao passo que outros
lhes dão tanto mais crédito, já que para eles o próprio Jesus foi um mestre
gnosticizante.
Onde, então, estão as diferenças? Principalmente nas datações. Os evangelhos
canônicos foram escritos antes do fim do século I. Os textos evangélicos apócrifos,
porém, na forma em que os possuimos agora, são todos posteriores. Se é que contém
material historicamente confiável, teremos de investigar sua origem. Em si, isso não
tem nada de extraordinário. Esse tipo de literatura costuma utilizar fontes: raramente
uma narrativa sobre Jesus ou uma palavra atribuida teria nascido inteiramente da
piedosa fantasia de um autor. Mas o que a fantasia piedosa fez com as fontes não
pode ser mais apurado. Aí inevitavelmente a subjetividade do pesquisador vai
desempenhar importante papel.
2. PALAVRAS ATRIBUÍDAS A JESUS POR COPIADORES DE MANUSCRITOS
São os chamados agrapha, declarações de Jesus ou sobre ele que se encontram em
um ou em alguns manuscritos, mas faltam naqueles mais confiáveis, e por isso não
constam das edições críticas dos textos dos evangelhos. Podem ser encontradas,
naturalmente, no aparato crítico. Esses textos provam que circulavam diversas
tradições sobre Jesus que não foram integradas aos quatro evangelhos. Se são
historicamente confiáveis, é outra questão.
O exemplo mais conhecido é provavelmente o texto que se encontra no códex Bezae
depois de Lc 6,5: "Naquele dia, (Jesus), vendo alguém trabalhar no sábado, disse-lhe:
'Homem, bem-aventurado és tu se sabes o que estás fazendo; mas, se não o sabes,
és amaldiçoado e um transgressor da Lei'". Também do "final não-autêntico" de Marcos
existem algumas variantes nos manuscritos.
3. AUTORES CRISTÃOS ANTIGOS
Também aí encontramos agrapha a provar que, além das canônicas, circulavam ainda
outras tradições sobre Jesus. Sabemo-lo igualmente por uma observação de Papias,
transmitida por Eusébio: "Quando me encontrava com alguém que fora discípulo dos
anciãos, perguntava sempre pelas declarações ("palavras") dos anciãos: o que dizia
André ou Pedro ou Filipe ou Tomé ou Tiago ou João ou Mateus ou um dos demais
discípulos do Senhor... Pois partia do princípio de que as coisas escritas nos livros não
são tão úteis quanto aquilo que eu podia ouvir de uma voz viva que continuava
presente".
Papias é uma das testemunhas mais antigas de palavras canônicas de Jesus, mas até
no século IV encontramos semelhantes agrapha. Como em outros casos, reconhecer
autenticidade é em grande parte questão de gosto. Conforme já observamos, não
devemos esquecer nunca que personagens famosos como Jesus muitas vezes são
citados como autores de sentenças na realidade formuladas por outros, menos
conhecidos.
PERGUNTAS E RESPOSTAS
Por que os apócrifos não podem ser considerados inspirados por Deus? Jesus
realmente existiu?
Um irmão católico manifesta certa preocupação com relação aos apócrifos e à
existência histórica de Jesus. Suas palavras seguem em azul; a minha resposta está
em preto.

Olá, meu caro irmão em Cristo! Tudo bom com você? Eu me chamo Fernando [...] e
resido [...] no interior do Estado de São Paulo.
Sou católico e comecei a me interessar por Deus após eu ler o Sermão da Montanha
(isto ocorreu no ano de 1998) e aprender que sem Ele eu não posso viver
corretamente.
• Excelente! Tenho a certeza de que, se persistir, você irá adorá-Lo (literalmente
falando) cada vez mais!
Durante a minha busca por Cristo, deparei-me com comentários ateus a respeito dEle,
por exemplo: "Jesus é um mito inventado", "Os Evangelhos são cópias de lendas
pagãs (deuses que morrem e ressuscitam)"... Ora, eu pensei comigo: se Jesus não
tivesse ressuscitado, de nada adiantaria Pedro e Paulo morrerem por testemunhar o
Senhor.
(1) A História atesta a morte de Jesus na cruz ou os historiadores dizem que Cristo é
uma figura mitológica?
• Se Jesus Cristo fosse uma figura meramente mitológica, por que os
historiadores ainda "perderiam" tempo procurando provas ou escrevendo livros
sobre Ele? Só em 1996, existiam mais de 80 mil livros sobre Jesus no mercado
editorial e mais de 1000 cursos sobre "Religião e Ciência" no mundo. É como
aquele velho paradoxo: o ateu gasta tanto tempo para provar a inexistência de
Deus que jamais é possível dizer que ele é completamente ateu. O problema
todo é que certos pesquisadores contestam tudo, principalmente os Evangelhos,
que são a fonte principal para se conhecer a vida de Jesus. Entretanto, o ponto
citado por você é o mais importante: por que milhares e milhares de pessoas
estariam dispostas a morrerem martirizadas no séc. I se Jesus fosse uma
simples invenção? Os mártires não se deram apenas em terras estrangeiras
(onde poderia ser criada uma figura lendária chamada "Jesus") mas também na
Palestina (onde Jesus era conhecido por seus contemporâneos). É interessante
ainda observar que os pesquisadores que declaram que as fontes primitivas não
cristãs foram adulteradas não têm nenhuma prova concreta, mas apenas
teorias... É noção básica de Direito que "aquele que acusa tem que provar" e
não simplesmente sugerir.
(2) O que eu devo fazer para que Jesus seja o meu Senhor e Salvador (eu fui batizado
quando bebê...)?
• É facil de se falar, mas apenas poucos conseguem: ame-O e CUMPRA os Seus
ensinamentos (Jo 14-15). Em outras palavras: não basta apenas ter fé, são
necessárias boas obras para demonstrar o seu amor por Ele (Tg 2,14); mas não
bastam as boas obras, é necessária a fé em Cristo (Ef 2,9).
Ou, ainda em outras palavras: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo
como a si mesmo (Mt 22,38-29)...
Quanto ao seu batismo quando bebê, tem plena validade, de forma que você
não precisa ser rebatizado! Só haveria preocupação caso tivesse sido ministrado
de forma inválida. Para saber o que torna válido um batismo, leia o artigo "O
Batismo segundo São Tomás de Aquino", na área de Artigos Diversos.
(3) Por quê os livros apócrifos não foram considerados como inspirados por Deus?
• Porque foram redigidos por hereges que se afastaram daquelas comunidades
que mantinham a sucessão apostólica; tais hereges não pensaram duas vezes
ao alterar as palavras e ensinamentos do Senhor (que as verdadeiras
comunidades cristãs receberam por Tradição) para que expressassem conforme
às suas heresias (ex.: Jesus era simples ser humano adotivo de Deus; o Deus
do Antigo Testamento não era o mesmo Deus do Novo Testamento; etc.).
Desde já, agradeço por sua atenção. Aguardo respostas. (Fernando).
• Que a bênção do Senhor Deus todo-poderoso venha sobre você e toda a sua
família!
APOLOGÉTICA
Qual a importância dos apócrifos?

Escritos entre o período intertestamentário e os primeiros séculos do


Cristianismo, os apócrifos sempre confundiram as primeiras
comunidades cristãs por causa de algumas doutrinas estranhas e
também por receberem autoria de personagens bíblicos famosos.
Quando a Igreja resolve definir o cânon das Sagradas Escrituras, a
partir do séc. IV, pouco a pouco os apócrifos vão caindo no
esquecimento até desaparecerem. Contudo, nas últimas décadas têm
sido descobertos diversos desses escritos que, mesmo não
pertencendo à Bíblia, nos mostram as divergências da época e
esclarecem detalhes não apresentados pelos livros canônicos.
INTRODUÇÃO
"Ele disse: 'Aquele que encontrar o significado destas palavras não provará a morte'".
Estas palavras, escritas em tom desafiador, foram retiradas do Evangelho segundo
Tomé o Dídimo, escrito gnóstico do séc. II, cujos manuscritos (datados do séc. IV)
foram descobertos em 1945 em Khenoboskian (Egito), contendo 114 frases (lógios)
atribuídas a Jesus.
Da mesma forma que o Evangelho de Tomé o Dídimo, a arqueologia tem descoberto
nas últimas décadas diversos outros "Evangelhos" (atribuídos a Pedro, Filipe,
Bartolomeu, Nicodemos, etc...) e outros escritos que poderiam ser classificados como
do Novo Testamento (Atos de Pedro, Apocalipse de Paulo, etc...) ou do Antigo
Testamento (Ascensão de Isaías, Segredos de Enoch, etc...). Mesmo tratando sobre
intervenções e milagres divinos, feitos de personagens bíblicos e outras coisas do
gênero, todos são considerados apócrifos, isto é, não são reconhecidos pela Igreja
como escritos inspirados. Mas por que a Igreja, os críticos e pesquisadores não os
aceitam. Por acaso a Bíblia estaria completa?
CANÔNICO X APÓCRIFO
A palavra apócrifo deriva do grego apocryphos. A princípio, significava algo oculto,
secreto ou escondido, mas com o passar do tempo, passou a ter sentido de heresia ou
de autênticidade duvidosa.
Ao contrário, a palavra canônico origina-se do grego kanon, significando regra ou
medida. É a palavra que indica a lista dos livros inspirados por Deus, que compõem a
Bíblia e são aceitos sem contestações pela Igreja.
A maioria dos livros apócrifos foram escritos por volta de 200 a.C. até 350 d.C, nos
mais diversos locais: Palestina, Síria, Arábia, Egito... Em contraste com os livros
canônicos, os apócrifos não eram lidos nas igrejas (e sinagogas), pois a grande maioria
apresentava ensinamentos heréticos e doutrinas falsas; tinham a finalidade de
defender idéias de certos grupos isolados como os gnósticos, os docetas e os
judaizantes. Principalmente por não receberem crédito da Igreja oficial, os apócrifos
foram desaparecendo juntamente com as seitas que os usavam e defendiam.
Uma observação importante: os livros canônicos estão classificados em
protocanônicos, que são aqueles livros cuja autênticidade a Igreja jamais questionou, e
deuterocanônicos, que são aqueles que foram aceitos pela Igreja após alguns debates
que se prolongaram até o séc. IV (leia o meu artigo "Livros Deuterocanônicos" para um
maior aprofundamento). É interessante saber que os protestantes chamam os livros
deuterocanônicos de apócrifos e os livros apócrifos de pseudoepígrafos, que quer dizer
falsa autoria. Saber isso é de suma importância para os católicos porque, como os
livros deuterocanônicos contradizem algumas de suas doutrinas, foram retirados de
suas Bíblias como se fossem falsos.
AS RECENTES DESCOBERTAS
As duas maiores descobertas de escritos apócrifos se deram em 1945, na região de
Nag Hammadi (Alto Egito) e em Qumran (Palestina), nas grutas do Mar Morto, onde
existia nas imediações uma comunidade de israelitas separados, conhecidos como
essênios, que formavam um grupo à parte do judaísmo.
Vez ou outra escutamos alguma notícia relatando o descobrimento de algum outro
escrito, mas nenhum, até o momento, foi tão significante quanto os achados de Nag
Hammadi e Qumran.
A BÍBLIA ESTARIA INCOMPLETA?
É a primeira pergunta que se faz quando se faz nova descoberta de escritos antigos.
Seria um erro afirmar que a Bíblia está completa porque ela própria não fala isso em
parte alguma. Muito pelo contrário, ela afirma que outros livros, inclusive cartas, foram
escritos e temos duas passagens bem claras em Lucas e em Paulo:
"Muitos já tentaram compor a história do que aconteceu entre nós, assim como nos
transmitiram os que foram testemunhas oculares e ministros da Palavra desde o
princípio." (Lc 1,1)
"Uma vez lida esta carta entre vós, fazei com que seja lida também na Igreja de
Laodicéia. E vós, lede a [carta] de Laodicéia" (Cl 4,16)
Portanto, vemos que a Bíblia não está completa e, como ela mesma não define quais
os livros que são inspirados e que a formam, fica muito difícil determinar quando e
como a Bíblia estará realmente completa.
A princípio, para provar que um livro apócrifo não é inspirado, é necessário primeiro ser
totalmente traduzido e devidamente interpretado pelos pesquisadores e exegetas e,
depois disso, demonstrar que ele contradiz alguma outra parte da Bíblia e a doutrina e
tradição da Igreja.
APÓCRIFOS NA BÍBLIA?
O cânon da Bíblia é formado por 73 livros. Foi a Igreja Católica, sob a inspiração do
Divino Espírito Santo, que determinou o cânon dos livros inspirados por Deus e, assim,
podemos ter certeza que todos os livros da Bíblia são verdadeiramente inspirados.
Mesmo assim, a Bíblia faz referências a passagens que se encontram somente em
livros apócrifos. Dois bons exemplos podem ser vistos na epístola de São Judas:
"O arcanjo Miguel, quando discutia com o diabo na disputa pelo corpo de Moisés, não
se atreveu a proferir um juízo de blasfêmia, mas disse-lhe: 'Que o Senhor te
repreenda'" (Jd 1,9)
"É deles que Henoc, o sétimo patriarca desde Adão, profetizou dizendo: 'Eis que vem o
Senhor com suas santas miríades, para exercer um juízo contra todos os ímpios por
causa das impiedades que praticaram e por todas as palavras duras que os ímpios
pecadores falaram contra Ele" (Jd 1,14-15)
As duas citações feitas por Judas não são encontradas na Bíblia, mas apenas em
escritos apócrifos. A primeira passagem foi retirada do Livro da Assunção de Moisés
que possui material herético, mas na carta de Judas possui o sentido canônico de que
os homens não devem julgar, mas deixar o julgamento para Deus, como demonstrou o
arcanjo Miguel ao dialogar com o diabo. A segunda passagem foi retirada do Livro de
Henoc e ensina, conforme os livros canônicos, que Cristo voltará como juiz supremo
para julgar todos os homens. Portanto, como a carta de São Judas não contradiz os
outros livros da Bíblia e concorda plenamente com a ortodoxia da Igreja, logo é
também um livro canônico, mesmo citando trechos de livros apócrifos na intenção de
ensinar a verdadeira doutrina.
CLASSIFICAÇÃO DOS APÓCRIFOS
Assim como os livros canônicos estão classificados pelo gênero literário, também os
apócrifos podem ser classificados segundo seu gênero. Já dissemos que os apócrifos
foram escritos entre 200 a.C. e 350 d.C. e que eles podem ser distinguidos como
pertencentes ao Antigo ou ao Novo Testamento.
Assim, os livros do Antigo Testamento podem ser classificados em:
1. Históricos: são os que pretendem contar certos fatos históricos sobre o povo
eleito, a grande maioria expressando a esperança da vinda do Messias
prometido.
2. Proféticos: são aqueles que falam dos acontecimentos que devem acontecer
num futuro eminente ou no fim dos tempos (apocalípticos).
3. Exortativos: são os que falam sobre a sabedoria e dão bons conselhos.
Já os livros do Novo Testamento podem ser assim classificados:
1. Evangelhos: são os escritos que falam unicamente sobre a vida, as obras e os
ensinamentos de Jesus Cristo.
2. Atos: são os que se dedicam a falar sobre os fatos, as obras e os ensinamentos
de um ou mais apóstolos na missão de pregar o Evangelho.
3. Epístolas: são escritos atribuídos ao próprio punho dos apóstolos.
4. Proféticos: são apocalipses que narram os últimos acontecimentos, o juízo final
e o triunfo de Cristo.
VALOR DOS APÓCRIFOS
Se, por um lado, os apócrifos não possuem a verdadeira doutrina de Cristo e de sua
Igreja, por outro lado têm grande valor histórico pois demonstram as correntes
ideológicas (religiosas e morais) do período em que foram escritos.
Os apócrifos do Novo Testamento apresentam diversos aspectos da era pós-Cristo.
Algumas idéias são conformes com o reto ensinamento da Igreja como, por exemplo, a
virgindade e a assunção de Maria, a descida de Cristo aos Infernos e a divindade de
Jesus. Outros esclarecem pequenos detalhes que não foram abordados pelos
Evangelhos canônicos, como o nome e número dos reis magos, os nomes dos pais de
Maria, o nome do soldado que traspassou a lança em Jesus, a morte de São José na
presença de Jesus, a apresentação de Maria no Templo de Jerusalém e a sua morte
assistida pelos apóstolos, alguns outros milagres de Jesus, etc...
ALGUNS APÓCRIFOS
• Do Antigo Testamento:
Livro dos Jubileus, Livro de Adão e Eva, Salmos de Salomão, Terceiro Livro dos
Macabeus, Quarto Livro dos Macabeus, Apocalipse de Baruc, Ascensão de
Isaías, Assunção de Moisés, etc...
• Do Novo Testamento:
Evangelho de Pedro, Evangelho de Tomé o Dídimo, Evangelho de Filipe,
Evangelho dos Hebreus, Atos de Tomé, Atos de Paulo e Tecla, Carta dos
Apóstolos, Apocalipse de Paulo, Proto-Evangelho de Tiago, etc...
APOLOGÉTICA
Quais são os livros apócrifos?

Como vá vimos no artigo "Qual a importância dos apócrifos?", existem alguns livros
escritos antes ou pouco depois de Cristo que tinham como intenção figurar como
Escritura Sagrada. Mas, pelo Magistério da Igreja e assistência do Espírito Santo,
esses livros espúrios foram definitivamente afastados, restando apenas o cânon bíblico
que guardamos até hoje. Por esse motivo, muitos desapareceram, outros sobreviveram
em uma ou outra comunidade antiga, ou, ainda, em traduções, fragmentos ou citações.
A seguir, apresentamos uma lista exaustiva de livros apócrifos do Antigo e do Novo
Testamento que, embora longa, provavelmente não esgota todos os livros escritos ou
existentes, porém, bem demonstra a quantidade de livros escritos com a intenção de
"completar" a Bíblia.
Incluímos também, ao final, os manuscritos encontrados em Qumran, nas grutas do
Mar Morto, que foram escritos ou preservados por uma comunidade que vivia nesse
deserto separada dos grupos religiosos da Palestina do tempo de Jesus (Saduceus,
Fariseus, Samaritanos, etc.). Esse grupo, denominado Essênio, como podemos ver,
considerava o Antigo Testamento como Escritura Sagrada (inclusive os
deuterocanônicos), mas tinha como característica própria seguir ainda outros "livros
sagrados".
Portanto, temos como apócrifos as seguintes obras: (ATENÇÃO: os livros abaixo
NÃO são Escrituras Sagradas e, portanto, NÃO são inspirados por Deus. Eles
estão sendo listados aqui apenas com o objetivo de referência)
ANTIGO TESTAMENTO
4. Apocalipse de Adão
5. Apocalipse de Baruc
6. Apocalipse de Moisés
7. Apocalipse de Sidrac
8. As Três Estelas de Seth
9. Ascensão de Isaías
10. Assunção de Moisés
11. Caverna dos Tesouros
12. Epístola de Aristéas
13. Livro dos Jubileus
14. Martírio de Isaías
15. Oráculos Sibilinos
16. Prece de Manassés
17. Primeiro Livro de Adão e Eva
18. Primeiro Livro de Enoque
19. Primeiro Livro de Esdras
20. Quarto Livro dos Macabeus
21. Revelação de Esdras
22. Salmo 151
23. Salmos de Salomão (ou Odes de Salomão)
24. Segundo Livro de Adão e Eva
25. Segundo Livro de Enoque (ou Livro dos Segredos de Enoque)
26. Segundo Livro de Esdras (ou Quarto Livro de Esdras)
27. Segundo Tratado do Grande Seth
28. Terceiro Livro dos Macabeus
29. Testamento de Abraão
30. Testamento dos Doze Patriarcas
31. Vida de Adão e Eva
NOVO TESTAMENTO
5. A Hipostase dos Arcontes
6. (Ágrafos Extra-Evangelhos)
7. (Ágrafos de Origens Diversas)
8. Apocalipse da Virgem
9. Apocalipse de João o Teólogo
10. Apocalipse de Paulo
11. Apocalipse de Pedro
12. Apocalipse de Tomé

13. Atos de André

14. Atos de André e Mateus


15. Atos de Barnabé

16. Atos de Filipe


17. Atos de João
18. Atos de João o Teólogo
19. Atos de Paulo
20. Atos de Paulo e Tecla
21. Atos de Pedro
22. Atos de Pedro e André

23. Atos de Pedro e Paulo


24. Atos de Pedro e os Doze Apóstolos
25. Atos de Tadeu
26. Atos de Tomé

27. Atos e Martírio de André

28. Atos e Martírio de Mateus


29. Consumação de Tomé

30. Correspondência entre Paulo e Sêneca


31. Declaração de José de Arimatéia
32. Descida de Cristo ao Inferno
33. Desistência de Pôncio Pilatos
34. Discurso de Domingo
35. Ditos de Jesus ao rei Abgaro
36. Ensinamentos de Silvano
37. Ensinamentos do Apóstolo [T]adeu
38. Ensinamentos dos Apóstolos
39. Epístola aos Laodicenses
40. Epístola de Herodes a Pôncio Pilatos
41. Epístola de Jesus ao rei Abgaro (2 versões)
42. Epístola de Pedro a Filipe
43. Epístola de Pôncio Pilatos a Herodes
44. Epístola de Pôncio Pilatos ao Imperador
45. Epístola de Tibério a Pôncio Pilatos
46. Epístola do rei Abgaro a Jesus
47. Epístola dos Apóstolos
48. Eugnostos, o Bem-Aventurado
49. Evangelho Apócrifo de João
50. Evangelho Apócrifo de Tiago
51. Evangelho Árabe de Infância
52. Evangelho Armênio de Infância (fragmentos)
53. Evangelho da Verdade
54. Evangelho de Bartolomeu
55. Evangelho de Filipe
56. Evangelho de Marcião
57. Evangelho de Maria Madalena (ou Evangelho de Maria de Betânia)
58. Evangelho de Matias (ou Tradições de Matias)
59. Evangelho de Nicodemos (ou Atos de Pilatos)
60. Evangelho de Pedro
61. Evangelho de Tome o Dídimo
62. Evangelho do Pseudo-Mateus
63. Evangelho do Pseudo-Tomé

64. Evangelho dos Ebionitas (ou Evangelho dos Doze Apóstolos)


65. Evangelho dos Egípcios
66. Evangelho dos Hebreus
67. Evangelho Secreto de Marcos
68. Exegese sobre a Alma
69. Exposições Valentinianas
70. (Fragmentos Evangélicos Conservados em Papiros)
71. (Fragmentos Evangélicos de Textos Coptas)
72. História de José o Carpinteiro
73. Infância do Salvador
74. Julgamento de Pôncio Pilatos
75. Livro de João o Teólogo sobre a Assunção da Virgem Maria
76. Livro de Tomé o Contendor
77. Martírio de André

78. Martírio de Bartolomeu


79. Martírio de Mateus
80. Morte de Pôncio Pilatos
81. Natividade de Maria
82. O Pensamento de Norea
83. O Testemunho da Verdade
84. O Trovão, Mente Perfeita
85. Passagem da Bem-Aventurada Virgem Maria
86. "Pistris Sophia" (fragmentos)
87. Prece de Ação de Graças
88. Prece do Apóstolo Paulo
89. Primeiro Apocalipse de Tiago
90. Proto-Evangelho de Tiago
91. Retrato de Jesus
92. Retrato do Salvador
93. Revelação de Estevão
94. Revelação de Paulo
95. Revelação de Pedro
96. Sabedoria de Jesus Cristo
97. Segundo Apocalipse de Tiago
98. Sentença de Pôncio Pilatos contra Jesus
99. Sobre a Origem do Mundo
100.Testemunho sobre o Oitavo e o Nono
101.Tratado sobre a Ressurreição
102.Vingança do Salvador
103.Visão de Paulo
ESCRITOS DE QUMRAN
1. A Nova Jerusalém (5Q15)
2. A Sedutora (4Q184)
3. Antologia Messiânica (4Q175)
4. Bênção de Jacó (4QPBl)
5. Bênçãos (1QSb)
6. Cânticos do Sábio (4Q510-4Q511)
7. Cânticos para o Holocausto do Sábado (4Q400-4Q407/11Q5-11Q6)
8. Comentários sobre a Lei (4Q159/4Q513-4Q514)
9. Comentários sobre Habacuc (1QpHab)
10. Comentários sobre Isaías (4Q161-4Q164)
11. Comentários sobre Miquéias (1Q14)
12. Comentários sobre Naum (4Q169)
13. Comentários sobre Oséias (4Q166-4Q167)
14. Comentários sobre Salmos (4Q171/4Q173)
15. Consolações (4Q176)
16. Eras da Criação (4Q180)
17. Escritos do Pseudo-Daniel (4QpsDan/4Q246)
18. Exortação para Busca da Sabedoria (4Q185)
19. Gênese Apócrifo (1QapGen)
20. Hinos de Ação de Graças (1QH)
21. Horóscopos (4Q186/4QMessAr)
22. Lamentações (4Q179/4Q501)
23. Maldições de Satanás e seus Partidários (4Q286-4Q287/4Q280-4Q282)
24. Melquisedec, o Príncipe Celeste (11QMelq)
25. O Triunfo da Retidão (1Q27)
26. Oração Litúrgica (1Q34/1Q34bis)
27. Orações Diárias (4Q503)
28. Orações para as Festividades (4Q507-4Q509)
29. Os Iníqüos e os Santos (4Q181)
30. Os Últimos Dias (4Q174)
31. Palavras das Luzes Celestes (4Q504)
32. Palavras de Moisés (1Q22)
33. Pergaminho de Cobre (3Q15)
34. Pergaminho do Templo (11QT)
35. Prece de Nabonidus (4QprNab)
36. Preceito da Guerra (1QM/4QM)
37. Preceito de Damasco (CD)
38. Preceito do Messianismo (1QSa)
39. Regra da Comunidade (1QS)
40. Rito de Purificação (4Q512)
41. Salmos Apócrifos (11QPsa)
42. Samuel Apócrifo (4Q160)
43. Testamento de Amran (4QAm)
OUTROS ESCRITOS
1. História do Sábio Ahicar
2. Livro do Pseudo-Filon
Relembramos que esses livros não possuem qualquer valor doutrinário,
podendo, no máximo, esclarecer alguns aspectos históricos da época em que
foram escritos ou refletir as idéias defendidas pelos grupos heréticos que os
usavam.
31 LIVROS PERDIDOS CITADOS PELA BÍBLIA
Autor: Charles the Hammer
Fonte: Traditional Catholic Apologetics
Tradução: Carlos Martins Nabeto

NO ANTIGO TESTAMENTO:
32. Livro das Guerras de Javé: "Por isso se diz no Livro das Guerras de Javé:
'Assim como fez no Mar Vermelho, assim fará nas torrentes do Arnon. Os
rochedos das torrentes se inclinaram, para descansar em Ar, e repousarem
sobre os confins dos moabitas" (Num. 21,14-15) .
33. Livro do Justo: "Foi então que Josué falou ao Senhor, no dia em que o Senhor
entregou os amorreus aos filhos de Israel. Disse Josué na presença de Israel:
'Sol, detém-te em Gabaão, e tu, lua, no vale de Ajalão!' E o sol e a lua pararam
até que o povo se vingou de seus inimigos. Não está isto escrito no Livro do
Justo? Parou pois o sol no meio do céu, e não se apressou a pôr-se durante o
espaço de um dia" (Jos. 10,12-13).
"E (Davi) ordenou que ensinassem aos filhos de Judá o (cântico chamado do)
arco, conforme está escrito no Livro do Justo. E disse: 'Considera, ó Israel, os
que morreram sobre os teus altos, cobertos de feridas'" (2Sam. 1,18).
34. Provérbios e Cânticos de Salomão: "Proferiu ele (Salomão) três mil
provérbios, e foram os seus cânticos mil e cinco. Discorreu acerca das plantas,
desde o cedro que está no Líbano até o hissopo que brota da parede. Também
falou dos animais e das aves, e dos répteis, e dos peixes" (1Rs. 4,32-33).
35. Livro dos Atos de Salomão: "Quanto aos demais atos de Salomão, e a tudo
quanto fez, e à sua sabedoria, porventura não está escrito no Livro dos Atos de
Salomão?" (1Rs. 11,41).
36. Livro das Crônicas dos Reis de Israel: "Quanto ao restante dos atos de
Jeroboão, como guerreou e como reinou, está escrito no Livro das Crônicas dos
Reis de Israel" (1Rs. 14,19).
37. Livro das Crônicas dos Reis de Judá: "Quanto ao restante dos atos de
Roboão, e a tudo quanto fez, porventura não está escrito no Livro das Crônicas
dos Reis de Judá?" (1Rs. 14,29).
38. Livro do Profeta Natã: "Os atos do rei Davi, tanto os primeiros quanto os
últimos, estão escritos no livro de Samuel, o vidente, no Livro de Natã, o profeta,
e no Livro de Gade, o vidente" (1Cr. 29,29).
"Quanto ao resto dos atos de Salomão, dos primeiros aos últimos, porventura
não estão escritos no livro da história de Natã, o profeta, e nos livros de Aías, o
silonita, e nas visões de Ado, o vidente, acerca de Jeroboão, filho de Nebate?"
(2Cr. 9,29).
39. Livro de Samuel, o Vidente: "Os atos do rei Davi, tanto os primeiros quanto os
últimos, estão escritos no livro de Samuel, o vidente, no Livro de Natã, o profeta,
e no Livro de Gade, o vidente" (1Cr. 29,29).
40. Livro de Aías, o Silonita: "Quanto ao resto dos atos de Salomão, dos primeiros
aos últimos, porventura não estão escritos no livro da história de Natã, o profeta,
e nos livros de Aías, o silonita, e nas visões de Ado, o vidente, acerca de
Jeroboão, filho de Nebate?" (2Cr. 9,29).
41. Livro de Ado, o Vidente: "Quanto ao resto dos atos de Salomão, dos primeiros
aos últimos, porventura não estão escritos no livro da história de Natã, o profeta,
e nos livros de Aías, o silonita, e nas visões de Ado, o vidente, acerca de
Jeroboão, filho de Nebate?" (2Cr. 9,29).
"Quanto ao resto dos atos de Roboão, dos primeiros aos últimos, está escrito
nos livros de Semaias, o profeta, e de Ado, o vidente, e diligentemente
registrado: 'houve guerra entre Roboão e Jeroboão durante todos os seus dias'"
(2Cr. 12,15).
"Quanto ao resto dos atos de Abias, seu caráter e obras, está diligentemente
escrito no Livro de Ado, o profeta" (2Cr. 13,22).
42. Livros de Semaias, o profeta: "Quanto ao resto dos atos de Roboão, dos
primeiros aos últimos, está escrito nos livros de Semaias, o profeta, e de Ado, o
vidente, e diligentemente registrado: 'houve guerra entre Roboão e Jeroboão
durante todos os seus dias'" (2Cr. 12,15).
43. Livro dos Reis de Judá e Israel: "Mas os feitos de Asa, dos primeiros aos
últimos, estão escritos no Livro dos Reis de Judá e Israel" (2Cr. 16,11).
44. Livro dos Reis de Israel e Judá: "Quanto ao resto dos atos de Joatão, e todas
as suas guerras e obras, estão escritos no Livro dos Reis de Israel e Judá" (2Cr.
27,7).
45. Livro dos Reis: "O relato dos seus filhos, as muitas sentenças proferidas contra
ele e o registro da restauração da casa de Deus, estão escritos diligentemente
no Livro dos Reis. E Amasias, seu filho, reinou em seu lugar" (2Cr. 24,27).
46. Anais dos Reis de Israel: "Mas o resto dos atos de Manassés, sua oração ao
seu Deus e as palavras dos videntes que falaram-lhe em nome do Senhor Deus
de Israel, estão contidas nos Anais dos Reis de Israel" (2Cr. 33,18).
47. Comentários de Jeú, filho de Hanani: "Mas o resto dos atos de Josafá, dos
primeiros aos últimos, estão escritos nos comentários de Jeú, filho de Hanani,
que observou nos Livros dos Reis de Israel" (2Cr. 20,34).
48. A História de Osias, por Isaías, filho de Amós, o profeta: Mas o resto dos
atos de Ozias, dos primeiros aos últimos, foi escrito por Isaías, filho de Amós, o
profeta" (2Cr. 26,22).
49. Palavras de Hozai: "A oração que ele (Manassés) fez, como foi ouvido, todos
os seus pecados e o desprezo (de Deus), os lugares também em que mandou
edificar altos, em que mandou plantar bosques, e colocar estátuas, antes de
fazer penitência, encontra-se tudo escrito no Livro de Hozai" (2Cr. 33,19).
50. Livros dos Medos e dos Persas: "Ora, o rei Assuero tinha imposto tributo a
toda terra e todas ilhas do mar. Nos Livros dos Medos e dos Persas se acha
escrito qual foi o seu podere o seu domínio, a dignidade e a grandeza a que ele
exaltou Mardoqueu" (Est. 10,1-2).
51. Anais do Pontificado de João: "O resto dos atos de João, das suas guerras,
das empresas que valorosamente se portou, da reedificação dos muros que
construiu e de todas as suas ações, tudo está escrito no Livro dos Anais do seu
pontificado, começando desde o tempo em que foi constituído sumo-pontífice
em lugar de seu pai" (1Mac. 16,23-24).
52. Descrições de Jeremias, o profeta: "Nos documentos referentes ao profeta
Jeremias, lê-se que ele ordenou aos que eram levados para o cativeiro que
tomassem o fogo, como já foi referido, e que lhe faz recomendações (...) Lia-se
também nos mesmos escritos, que este profeta, por uma ordem particular
recebida de Deus, mandou que se levassem com ele o tabernáculo e a arca,
quando escalou o monte a que Moisés tinha subido para ver a herança de Deus.
Tendo ali chegado, Jeremias achou uma caverna; pôs nela o tabernáculo, a arca
e o altar dos perfumes, e tapou a entrada. Alguns dos que o seguiam voltaram
de novo para marcar o caminho com sinais, mas não puderam encontrá-lo"
(2Mac. 2,1.4-6).
53. Memórias e Comentários de Neemias: "Estas mesmas coisas se achavam
nos comentários e memórias de Neemias, onde se lia que ele formou uma
biblioteca, recolhendo os livros referentes aos reis e profetas, os de Davi e as
cartas dos reis respeitantes às oferendas" (2Mac. 2,13).
54. Os Cinco Livros de Jasão de Cirene: "A história de Judas Macabeu e seus
irmãos, a purificação do grande templo e a dedicação do altar, as guerras contra
Antíoco Epífanes e seu filho Êupator, as manifestações do céu a favor dos que
pelejaram pelo judaísmo com valentia e zelo, os quais, sendo poucos, se
tornaram senhores de todo o país e puseram em fuga um grande número de
bárbaros, recobraram o templo famoso em todo o mundo, livraram a cidade da
escravidão, restabeleceram as leis que iam ser abolidas, graças ao Senhor que
lhes foi propício com evidentes provas da sua bondade, tudo isto, que Jasão de
Cirene escreveu em cinco livros, procuramos nós resumir num só volume".
NO NOVO TESTAMENTO:
104. A Epístola Prévia de Paulo aos Coríntios: "Por carta vos escrevi que não
tivésseis comunicação com os fornicadores; não certamente com os
fornicadores deste mundo, ou com os avarentos, ou ladrões, ou com os
idólatras; doutra sorte deveríeis sair deste mundo. (1Cor. 5,9-10).
105. Epístola de Paulo aos Laodicenses: "Saudai os irmãos que estão em
Laodicéia, e Ninfas e a igreja que se reúne em sua casa. Lida que for esta carta
entre vós, fazei que seja lida também na Igreja dos Laodicenses; e vós, lede a
dos laodicenses" (Col. 4,15-16).
106. A Profecia de Enoque: "Também Enoque, o sétimo patriarca depois de Adão,
profetizou destes, dizendo: 'Eis que vem o Senhor, entre milhares dos seus
santos, a fazer juízo contra todos, e a argüir todos os ímpios de todas as obras
da sua impiedade, que impiamente fizeram, e de todas as palavras injuriosas,
que os pecadores ímpios têm proferido contra Deus'" (Jd. 1,14-15).
107. [A Disputa pelo Corpo de Moisés: "Quando o arcanjo Miguel, disputando com
o demônio, altercava sobre o corpo de Moisés, não se atreveu a proferir contra
ele a sentença da maldição, mas disse somente: 'Reprima-te o Senhor'" (Jd.
1,9)].

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