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PÓS-GRADUAÇÃO EM DIREITO CONSTITUCIONAL

MÓDULO CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE E


AÇÕES CONSTITUCIONAIS

Professor: Ricardo Victalino de Oliveira

1. Material pré-aula

a. Tema

“Controle Difuso de Constitucionalidade”

b. Noções Gerais

O controle difuso, também conhecido como controle de via de


exceção ou defesa ou controle aberto, é aquele realizado por
qualquer juízo ou tribunal do Poder Judiciário em um caso concreto,
cuja declaração de inconstitucionalidade é realizada de forma
incidental, ou seja, a inconstitucionalidade suscitada é a causa de
pedir processual.

Principais pontos relacionados ao controle difuso:

- Origem histórica: caso Marbury versus Madison – 1803 – EUA.


- Controle difuso nos tribunais e a cláusula de reserva de plenário –
art. 97 da CF: estabelece que a declaração de inconstitucionalidade
em um tribunal (qualquer tribunal) só pode ser tomada em uma
decisão de plenário e por maioria absoluta dos integrantes. Trata-se
de condição de eficácia jurídica da própria declaração de
inconstitucionalidade.
- Efeitos da decisão para as partes: inter partes e ex tunc (atenção: o
STF já entendeu ser possível aplicar o efeito ex nunc – RE 197.917).
- Efeitos da decisão para terceiros: art. 52, X da CF.
- Teoria da transcendência dos motivos determinantes da sentença
do controle difuso.
- Controle difuso em sede de ação civil pública.

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- Controle de Constitucionalidade no Novo CPC.

c. Legislação e Súmulas

Constituição Federal – principais artigos: art. 52, X; art. 97.

Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (NCPC): art. 948 e seguintes.

Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, art. 97) a decisão de


órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente
a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público,
afasta sua incidência, no todo ou em parte” (Súmula Vinculante
10.)

d. Julgados/Informativos
(íntegra dos respectivos acórdãos em:
http://stf.jus.br/portal/inteiroTeor/pesquisarInteiroTeor.asp -
informar apenas o número do processo sem ponto ou dígito
verificador e serão listadas as classes relacionadas ao número)

“O STF, no exercício da competência geral de fiscalizar a


compatibilidade formal e material de qualquer ato normativo com a
Constituição, pode declarar a inconstitucionalidade,
incidentalmente, de normas tidas como fundamento da decisão ou
do ato que é impugnado na reclamação. Isso decorre da própria
competência atribuída ao STF para exercer o denominado controle
difuso da constitucionalidade das leis e dos atos normativos. A
oportunidade de reapreciação das decisões tomadas em sede de
controle abstrato de normas tende a surgir com mais naturalidade e
de forma mais recorrente no âmbito das reclamações. É no juízo
hermenêutico típico da reclamação – no ‘balançar de olhos’ entre
objeto e parâmetro da reclamação – que surgirá com maior nitidez a
oportunidade para evolução interpretativa no controle de
constitucionalidade. Com base na alegação de afronta a determinada
decisão do STF, o Tribunal poderá reapreciar e redefinir o conteúdo e
o alcance de sua própria decisão. E, inclusive, poderá ir além,

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superando total ou parcialmente a decisão-parâmetro da reclamação,
se entender que, em virtude de evolução hermenêutica, tal decisão
não se coaduna mais com a interpretação atual da Constituição.” (Rcl
4.374, rel. min.Gilmar Mendes, julgamento em 18-4-2013,
Plenário, DJE de 4-9-2013.)

“O STF possui o entendimento consolidado no sentido de que é


legítima a cobrança da contribuição ao PIS, na forma disciplinada pela
LC 7/1970, no período compreendido entre a declaração de
inconstitucionalidade dos DL 2.445/1988 e 2.449/1988 e a entrada
em vigor da MP 1.212/1995. Precedentes. A Resolução do Senado
Federal 49/1995, que conferiu efeitos erga omnes à decisão
proferida no RE 148.754/RJ, Rel. p/ o ac. Min. Francisco Rezek,
Tribunal Pleno, DJ de 4-3-1994, fez exsurgir a LC 7/1970, numa
espécie de efeito repristinatório, de forma que tal norma
voltasse a produzir seus efeitos. Precedente.” (AI 677.191-AgR,
Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 8-6-2010, Segunda
Turma, DJE de 25-6-2010.)

"Não conhecimento quanto ao art. 8º, dada a invalidade do


dispositivo, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal, em
processo de controle difuso (RE 146.733), e cujos efeitos foram
suspensos pelo Senado Federal, por meio da Resolução 11/1995.
Procedência da arguição de inconstitucionalidade do art. 9º, por
incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição e 56 do
ADCT/1988, que, não obstante já declarada pelo STF no julgamento
do RE 150.764, 16-12-1992, Min. Marco Aurélio (DJ de 2-4-1993),
teve o processo de suspensão do dispositivo arquivado, no
Senado Federal, que, assim, negou-se a emprestar
efeitos erga omnes à decisão proferida na via difusa do
controle de normas." (ADI 15, Rel. Min. Sepúlveda Pertence,
julgamento em 14-6-2007, Plenário, DJ de 31-8-2007.)

“Não há reserva de Plenário (art. 97 da Constituição) à


aplicação de jurisprudência firmada pelo Pleno ou por ambas
as Turmas desta Corte. Ademais, não é necessária identidade
absoluta para aplicação dos precedentes dos quais resultem a

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declaração de inconstitucionalidade ou de constitucionalidade.
Requer-se, sim, que as matérias examinadas sejam equivalentes.
Assim, cabe à parte que se entende prejudicada discutir a simetria
entre as questões fáticas e jurídicas que lhe são peculiares e a
orientação firmada por esta Corte. De forma semelhante, não se
aplica a reserva de Plenário à constante rejeição, por ambas as
Turmas desta Corte, de pedido para aplicação de efeitos meramente
prospectivos à decisão.” (AI 607.616-AgR, Rel. Min. Joaquim
Barbosa, julgamento em 31-8-2010, Segunda Turma, DJE de 1º-10-
2010.) No mesmo sentido: RE 578.582-AgR, rel. min. Dias
Toffoli, julgamento em 27-11-2012, Primeira Turma, DJE de 19-12-
2012; RE 636.647-AgR, rel. min. Rosa Weber, julgamento em 30-
10-2012, Primeira Turma, DJE de 7-12-2012. Vide: RE 361.829-ED,
Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 2-3-2010, Segunda
Turma, DJE de 19-3-2010.

“A cláusula constitucional de reserva de plenário, insculpida no art.


97 da CF, fundada na presunção de constitucionalidade das leis, não
impede que os órgãos fracionários ou os membros julgadores
dos tribunais, quando atuem monocraticamente, rejeitem a
arguição de invalidade dos atos normativos, conforme
consagrada lição da doutrina (MOREIRA, José Carlos Barbosa.
Comentários ao Código de Processo Civil, Vol. V – Arts. 476 a 565,
Rio de Janeiro: Ed. Forense, 2009, p. 40).” (RE 636.359-AgR-
segundo, Rel. Min. Luiz Fux, julgamento em 3-11-2011,
Plenário, DJE de 25-11-2011.)

e. Leitura sugerida

- BARROSO, Luis Roberto. O controle de constitucionalidade no direito


brasileiro. 7ª ed. São Paulo: Saraiva, 2016.

- FERREIRA, Francisco Gilney Bezerra de Carvalho. Análise dos efeitos


nas decisões em sede de controle de constitucionalidade. Disponível
em: http://jus.com.br/artigos/26071/analise-dos-efeitos-nas-
decisoes-em-sede-de-controle-de-constitucionalidade/2.

4
- MARINS, Mariela Moni. Processo Constitucional Objetivo e o Novo
Código de Processo Civil. Disponível em:
https://jus.com.br/artigos/49823/processo-constitucional-objetivo-e-
o-novo-codigo-de-processo-civil

- NUNES JÚNIOR, Flávio Martins Alves. Curso de Direito


Constitucional. “CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE” (p. 534).
Revista dos Tribunais: 2017.

- SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Inovações do Novo CPC. Disponível


em:
http://www.stj.jus.br/internet_docs/ministros/Discursos/0001182/ino
vacoes_do_novo_codigo_de_processo_civil.pdf.

f. Leitura complementar

- BARROSO, Luis Roberto. O controle de constitucionalidade no direito


brasileiro. ed. São Paulo: Saraiva.

- HÄBERLE. Peter. Hermenêutica Constitucional. Porto Alegre: Sérgio


Antonio Fabris, 1997.

- MORAES, Alexandre. Direito Constitucional. 32ª Ed. São Paulo:


Atlas, 2016 (“Controle de Constitucionalidade”).

- SCAFF, Fernando Faccury. Novas Dimensões do Controle de


Constitucionalidade no Brasil: Prevalência do Concentrado e Ocaso do
Difuso. In: Revista Dialética do Direito Processual n.50, São Paulo,
2007, pp. 20-41.

- SILVA, José Afonso da. Direito Constitucional. ed., São Paulo:


Malheiros.

- STRECK, Lenio Luiz; Nunes, Dierle; Cunha, Leonardo (coord),


Comentários ao Código de Processo Civil, São Paulo, Saraiva, 2015.

5
- TAVARES, André Ramos. Curso de Direito Constitucional. 14ª ed.
São Paulo: Saraiva, 2016.

__________________; Controle difuso de constitucionalidade nas


ações coletivas. Revista Brasileira de Direito Constitucional. São
Paulo. n.1. p.107-26. jan./jul. 2003.

- ZAVASCKI, Teori Albino. Eficácia das Sentenças na Jurisdição


Constitucional. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2001.