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‫ – למודי תנך מתקדמים‬Estudos Bíblicos Avançados

Conceitos Básicos sobre Profecia

Muito pode ser lido sobre isso. Neste texto, trago apenas,
o que há de mais “breve” e “popular” sobre o conceito,
acrescentando visões diversas sobre a questão.
Uma ideia básica, da Tradição Judaica Clássica, é que a
Divindade pode proporcionar um “fenômeno” que, em
nós, assemelha-se a comunicação (ou que, em nós,
manifesta-se como comunicação) a determinadas
pessoas.
Este fenômeno, é chamado popularmente de “profecia”,
tendo sido um fenômeno constante, durante quase todo
o período bíblico. O conhecimento do fenômeno, faz
parte de uma longa tradição, que, na narrativa da Torá,
iniciou-se com Adam HaRishon, e terminou com Malahí.

A Tradição Judaica Clássica, aborda o tema de múltiplos


modos, e não de uma forma sistematizada. Talvez,
porque este tema é de fácil “personificação”, pois as
pessoas, buscam constantemente “estarem certas” e
fazer os outros “errados” (ou terem a “verdade” e os
outros não, e etc).
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De acordo com uma tradição judaica popular, a profecia


que cessou com Malahí foi de um tipo específico (existem
10 tipos), para não mais ser restaurada, até o Mashiach
(Messias).

Vamos considerar, brevemente, algumas explicações


tradicionais de por que a “profecia” cessou e algumas
implicações da espiritualidade.

Visão Geral de Malahí

Ao contrário de Hagai e Zehariah, cujas profecias lidavam


com a ideia de “Mashiach” ou “era de Mashiach”, o
profeta Malahí viveu umas duas gerações depois - uma
geração na qual esse conceito sobre o Mashiach e sua
“era” estava bem menos, enfatizado.
É equivocada a noção, de que o povo de Israel, no
período do Segundo Templo, estava “desesperado” em
busca do “Messias”.
As pessoas estavam mais focadas em tentar trazer a
Divina Providência, para as favorecer (especialmente por
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causa dos eventos, historicamente recentes em


comparação, como Hanucá) do que, por questões
necessariamente, “Messiânicas”, ou de “espera do fim do
mundo” (que nunca foi um conceito Judaico).
Naquela época, o foco era lidar com o sofrimento político
e econômico (ou seja, com a realidade) do povo.
A situação ruim, contribuiu para agravar alguns
problemas, tais como:
- Sentimento de rejeição por parte da Divindade (1: 2–5),
- Corrupção evidente da aristocracia no Sacerdócio (1: 6–
2: 9) e consequente desconfiança das tais “lideranças”,
- Casamentos mistos desenfreados com idólatras (2: 10–
16) e,
- Paradoxalmente, abandono da Mitzvá do Ma’asser
(dízimo de produtos agrícolas) (3: 8–12), que deveria ser
trazido ao Templo; e assim, manter os Sacerdotes que
ainda eram fiéis aos valores da Torá.

Pessoas que outrora procuravam fazer o seu melhor, pela


perpetuação da Herança Judaica, também estavam
perdendo a esperança.

Por que cumprir a religião? Seus compatriotas que a


haviam abandonado, tiveram aparente “sucesso”,
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enquanto o povo que insista em manter a Tradição, sofria


(2:17; 3: 13-21)!
Tudo o que Malahí pôde responder foi que, por
enquanto, o simples fato da existência continuada de
Israel provava que a Divindade ainda os amava (1: 2-5).
Aquilo que eles interpretavam por “amor” não tinha
relação alguma com “ter”, mas com “ser”.
Somente em algum futuro - não especificado - a
Divindade mostraria, ou revelaria justiça completa (3: 13-
24). Nosso tempo de vida é curto, nossa visão da
realidade é limitada e mesmo assim, perdemos nosso
tempo, tentando entender “o amanhã” ao invés, de nos
focarmos, neste momento.

De acordo com uma tradição judaica popular, Malahí foi o


último profeta. (Talmud, Tossefta Sotáh 3: 3; Tratado de
Iomá 9b; Tratado de Sanhedrin 11a)
Vale lembrar que só o fato de seu livro estar posicionado
por último nos “Doze Profetas” não constitui de prova
que ele foi o último profeta, uma vez que os livros (da
Bíblia Hebraica toda) não estão organizados em ordem
cronológica.
No entanto, sábios apontam certas provas textuais, além
da tradição mencionada, de que ele provavelmente foi o
último dos Doze.
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Radak (Rabino David Kimhi, 1160-1235) e Abravanel


(Rabino Itzhak Abravanel, 1437-1508) observam que,
diferentemente de Hagai e Zehariah; Malahí não
menciona a construção do Templo, que já estava em
funcionamento.
Malahí também condena casamentos mistos ( 2.10-16),
uma preocupação comum de Ezrá e Nehemiah (cujos
períodos foram de 458 a 432 antes da Era Comum; ver
Ezrá 9 - 10; Nehemiah 13: 23–28).
O abandono generalizado do Mandamento do Ma’asser
(dízimo de produtos agrícolas) (3: 8-12) também
provavelmente remete ao tempo de Nehemiah
(Nehemiah 10: 35-40; 12:44; 13: 5, 10-12).
Mesmo que Malahí fosse o último dos profetas bíblicos,
não houve nenhuma declaração no final de seu livro ou
em qualquer outro lugar na Bíblia Hebraica, declarando
categoricamente, que a profecia havia cessado.
Por exemplo, Nehemiah lutou contra “falsos profetas”
(Nehemiah 6: 5-7, 11-13), mas, embora isso poderia
favorecer o argumento de que não havia profecia, alguém
poderia dizer também que, ele não negou a existência da
profecia, pelo menos em princípio.
No entanto, a Tradição de que Malahí foi o último profeta
abriu a possibilidade interpretativa de que Malahí estava
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consciente do fim iminente do fenômeno de profecia. Ele


diz no começo do livro:

Um pronunciamento (‫)משא‬: A palavra do HaShem a Israel


através de Malahí (1: 1).

A maioria dos comentaristas entende a palavra de


abertura do livro - ‫< משא‬massá>, como outro termo
genérico para “profecia”.
No entanto, Abravanel observa que o termo também
pode significar “fardo”.
Daí, um Midrash similarmente entender que ‫משא‬
<massá> teria este sentido:
... [Profecia] é (um conceito) expresso por dez designações
... E qual é a forma mais severa? ... Os rabinos disseram:
Fardo (‫)משא‬, como está dito: como um fardo pesado
(Tehilim 138: 5) - (Bereshit Rabá 44: 6).
Dentro desta interpretação, é possível que Malahí tenha
visto sua missão com mais peso, por estar consciente de
ser o último dos profetas.
Da mesma forma, vários intérpretes entendem os versos
finais do livro, como uma expressão consciente de que a
profecia estava prestes a terminar:
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‫זכרו תורת משה עבדי אשר צויתי אותו בחרב על־כל־ישראל‬


‫חקים ומשפטים‬
Lembrem-se da Torá de Moshe, Meu Servo, o qual
Ordenei em Horev (Sinai – ou seja, publicamente), para
todo o povo de Israel: Estatutos e Juízos.
‫הנה אנכי שלח לכם את אליה הנביא לפני בוא יום יהוה הגדול‬
‫והנורא‬

Atenção! Enviarei o Profeta Eliáhu, antes da vinda do


“Dia do HaShem” – que é grandioso e surpreendente.
‫והשיב לב־אבות על־בנים ולב בנים על־אבותם פן־אבוא והכיתי‬
‫את־הארץ חרם‬
‫[הנה אנכי שלח לכם את אליה הנביא לפני בוא יום יהוה הגדול‬
]‫והנורא‬
Ele reconciliará pais com filhos, e o coração dos filhos
com o de seus pais; de modo tal que, quando Eu lhes
sobrevier; que isso não resulte em destruição por toda a
Terra. Atenção! Eu enviarei o profeta Eliáhu, antes da
vinda do grande e surpreendente, dia do HaShem.
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Comentaristas, como Ibn Ezra (Rabino Avraham Ibn Ezra,


1089-1167) (em 1: 1), Abravanel (em 1: 1) e Malbim
(Rabino Meir Leibush ben Iehiel Michael Wisser, 1809-
1879, comentando 3: 22) explicam que Malahí estava
ciente de que a profecia iria parar com ele.
Então, a concepção era a de que, aquela “comunicação”
estaria “em tese” disponível em grau menor, porque
muito do que foi dito ficou registrado, podendo ser
revisado.
É o Malbim que liga a exortação a observar a Torá à
predição da vinda de Eliáhu.
O conceito geral da teoria é que com o fim da profecia, a
Torá mesma, sustentaria o povo de Israel até a “era
messiânica”, quando só então, a profecia seria retomada.

Então, por que a profecia parou?

Agora, com este pano de fundo, podemos voltar para as


três principais tendências do pensamento judaico
tradicional sobre o motivo da profecia cessar:
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a) A violação dos Mandamentos, b) a destruição do


Templo e/ou c) uma transição na própria ideia de
espiritualidade.

‫ חטא‬- <Het> a violação de Mandamento

Algumas fontes sugerem que a perda da profecia foi uma


punição pelo ‫ חטא‬- <Het> a violação de Mandamentos.
Mais de 200 anos antes de Malahí, o profeta Amós já
havia falado, sobre a ameaça de cessação da profecia,
nestes termos (8: 11- 12):
‫הנה ימים באים נאם אדני יהוה והשלחתי רעב בארץ לא־רעב‬
‫ללחם ולא־צמא למים כי אם־לשמע את דברי יהוה‬
O tempo está vindo – diz o nosso Senhor HaShem –
quando Eu enviarei fome sobre a Terra (de Israel): Não
uma fome por (falta de) pão, nem sede por (falta de)
água: Mas, (uma fome) de se ouvir as palavras do
HaShem (por meio de um profeta).
‫ונעו מים עד־ים ומצפון ועד־מזרח ישוטטו לבקש את־דבר־יהוה‬
‫ולא ימצאו‬
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E os homens peregrinação, de mar a mar, do Norte ao


Oeste, em busca da Palavra do Hashem. Mas eles não a
encontrarão!

O Sefer Avot D'Rabi Natan (B: 47) comenta sobre isso,


dizendo que a profecia cessou como consequência de
pessoas desprezarem aquilo que era dito pelos profetas.
O Radak (comentando Hagai 2: 5) sugere uma ideia mais
geral, dizendo que foi a falta de fidelidade à Torá (ou seja,
a seus princípios) que resultou na perda da profecia.
Um Midrash (Pessikta Rabati 35) afirma que muitos
judeus não retornaram a Israel, depois que Koresh (Ciro)
lhes deu permissão e, portanto, a profecia cessou, pois, o
povo estava dividido.
Este comentário é inspirado no Talmud, tratado de Iomá
9b, que declara que a culpa da própria, falta de redenção
no período do Segundo Templo; repousava sobre o fato
de que muitos judeus não retornaram para (a mal
administrada) Terra de Israel.
O Maharsha (Rabino Shmuel Eidels, 1555-1631), declara
similarmente que a profecia cessou devido a recusa dos
exilados em retornar.
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A questão da Destruição do Templo

Os capítulos 8-10 de Ieheskel descrevem a conhecida


visão em que a Divindade mostra ao profeta, a idolatria
desenfreada em Jerusalém, pelos próprios Kohanim
(sacerdotes).
A “Presença da Divindade” (Sua Manifestação Pública)
abandonaria, portanto, o Templo; indo para o exílio, junto
com o povo de Israel, conforme a visão da Merkavá
(carroça).
O Radak (em Ieheskel 9: 3) explica que a ausência da
“Presença da Divindade”, em última análise, contribuiu
para o total desaparecimento do fenômeno da profecia.

Embora os profetas Hagai, Zehariah e Malahí tenham


profetizado “após” a destruição do Primeiro Templo,
várias fontes consideram a destruição como um golpe
fatal para o fenômeno da profecia.
Então, segundo a Tradição Judaica Clássica, em cinco
coisas o primeiro Templo era distinto do segundo:
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Na questão da presença da Arca, na questão da


Cobertura da Arca (requerida no Ritual de Iom Kipur),na
questão dos Kerubins (que eram os manoplas para abrir a
Arca, e sobre os quais, o Kohen Gadol fazia os rituais de
Iom Kipur), A Manifestação Pública por meio do Fogo (no
local das Ofertas, aonde o público observava), e a questão
da (percepção da) Shehiná (pela nuvem/névoa que
preenchia o Templo, no Iom Kipur além de outros
fenômenos públicos) e consequentemente, O “Ruach
HaKodesh” – A Influência Sagrada, do HaShem, sobre o
Kohen Gadol, usando o peitoral, chamado “Urim ve-
Tumim”. (Talmud, Tratado de Ioma 21b).

Tal como Biniamim é a última tribo, Irmiahu é o último


profeta.
Mas Hagai, Zehariah e Malahí não profetizaram depois
dele?
O rabino Elazar disse: eles tinham (uma) profecia
limitada. O Rabino Shmuel ben Nahman disse: A profecia
(de Irmiahu) já havia sido dada a Hagai, Zehariah e
Malahí.
(Pessikta D'Rav Kahana 13).
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Então, os últimos profetas foram – neste sentido –


“diminuídos” ou, poderíamos dizer, meros repetidores da
mensagem de Irmiahu.

O Malbim (comentando Zehariah 1: 5–6) apresenta uma


forma mais “positiva” dessa abordagem:
O sentido foi dizer: Eu não enviarei novos profetas, já que
não há mais necessidade de profetas, uma vez que vocês
viram (e experimentaram) todas as profecias sobre vossa
punição (por violar rituais, como Shemitá – ano sabático),
serem cumpridas contra você (deixando a realidade deste
fenômeno, fora de questão) ... não há mais necessidade de
profecia. Você deve entender a ação da Divindade na
história.

De acordo com Malbim, não havia mais necessidade de


profecia, uma vez que a mensagem já havia sido dada por
profetas anteriores de que “há uma Divindade” e pode
haver uma “comunicação” com a mesma, por meio da
Neshamá no ser humano.

A transição da própria ideia de


espiritualidade
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O Midrash, Seder Olam Rabá, no capítulo 30, declara que


que a profecia cessou no tempo de Alexandre, o Grande.
Com base na cronologia rabínica (isto é, na análise dos
versos da Bíblia Hebraica e idade dos personagens
relacionados e períodos mencionados), o Império Grego
começou, imediatamente após o fim do período bíblico,
então esse período, estaria em sincronia com a época de
Malahí.
Seguindo esta suposição cronológica, o Rabino Tzadok
HaKohen de Lublin (1823-1900) observou que teria
ocorrido ali, uma transição metafísica, para uma “nova”
era, pelo fato de que, o “manifesto da razão” ter
ocorrido, ao mesmo tempo, em Israel e na Grécia. Ele diz:

A proliferação da idolatria e da feitiçaria no mundo


gentio se igualava (em popularidade) à revelação divina e
à profecia em Israel. Quando a profecia cessou e a era da
Lei Oral (Jurisprudência) começou, apareceu também a
Filosofia Grega, que é a sabedoria mortal.
(Resissei Láila, 81b, versão de Bezalel Naor).
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Esta ideia, meio que combina, podemos dizer assim, com


uma afirmação talmúdica de que, no início do período do
Segundo Templo, a tentação pela idolatria (a ânsia, o
interesse que as pessoas tinham por isso) deixou de ser a
força que havia sido, durante o período do Primeiro
Templo (Talmud, tratado de Ioma 69b).
O Rabino Iehudá HeHassid (Rabino Iehudá ben Shmuel de
Regensburg, 1150-1217) argumentou que, uma vez que o
desejo por idolatria desapareceu, não existia mais a
necessidade de profecias para contrabalançar a “magia”
(Sefer Hassidim, edição Wistenetzky, página 544; Ele
estava repetindo e corroborando com a ideia do Rabino
Eliáhu de Vilna (O Gaon de Vilna) no comentário sobre
Seder Olam Rabá 30 – E o Rabino Tzadok no Sefer Divrei
Soferim, 21b).

No sentido destas visões de mundo, uma certa ideia de


“intensidade espiritual”, foi perdida. Uma vez visto que a
ânsia por idolatria diminuiu sozinha, a revelação profética
(teria muito poder) se tornaria destrutiva, se não fosse
controlada. Para preservar o livre arbítrio (pois iriam
“prestar culto” aos profetas, ou “ser controladas por tais
forças de algum modo”...), a profecia teve que cessar
também (Conclusão do rabino Eliahu Dessler, na obra
Mihtav me-Eliahu III, páginas 277 e 278).
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Implicações religiosas

De acordo com a abordagem do ‫ חטא‬- <Het> da violação


de Mandamentos, que falamos antes; a privação deste
fenômeno de profecia, poderia ser entendido como um
tipo de castigo (severo), que diminuiu a ideia de conexão
entre a Divindade e a humanidade. Se considerarmos
assim, este tem sido o castigo, nos últimos 2.500 anos
desde Malahí.
Dentro da abordagem da destruição do Templo, o
desaparecimento da profecia era um corolário necessário
daquele evento cataclísmico.
Embora a perda da profecia tenha sido vista por várias
fontes, como uma catástrofe na espiritualidade de Israel,
ainda há alguns benefícios derivados de sua suspensão,
particularmente, dentro da abordagem de que houve
uma mudança - divinamente ordenada - da profecia ou
revelação, para a razão humana.
Em 1985, o professor Iáacov Elman (Yeshiva University)
publicou dois artigos, analisando a posição do Rabino
Tzadok HaKohen de Lublin, em referência à ideia de
transição, da era da profecia para a era da Lei Oral.
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De acordo com Rabino Tzadok, segundo esta análise, o


fim da profecia facilitou o florescimento do
desenvolvimento da Jurisprudência, um passo difícil,
enquanto as pessoas pudessem recorrer aos profetas
para orientação. (Embora profetas não fossem
autorizados em opinar em casos legislativos)
Os sábios precisavam interpretar textos e tradições para
chegar a decisões, permitindo-lhes desenvolver axiomas
que pudessem manter a Torá eterna, relevante à medida
que a sociedade mudasse.
Embora o declínio da ideia de revelação tenha
distanciado as pessoas de uma concepção clara sobre a
Divindade, ela simultaneamente possibilitou a
participação humana, agora mais madura, na aliança
mútua entre a Divindade e a humanidade.
Este conceito é captado no Talmud, numa específica
Suguiá (trecho talmúdico) que diz:

(Comentando um trecho da Torá, sobre a revelação


pública do Sinai, aonde o trecho diz literalmente) ...E eles
ficaram debaixo do monte: O Rabino Avdimi ben Hama
ben Hássa, disse: Isto nos ensina que o Santo! -
Abençoado seja Ele! - Virou a montanha sobre eles como
um barril [invertido], e disse a eles: 'Se você aceitar a
Torá, está bem! E se não, aqui será seu túmulo!
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O Rabino Áha ben Iáacov observou: Não! Isso


proporciona um forte protesto contra a Torá!
Disse (o rabino) Ráva: No entanto, mesmo assim, eles a
aceitaram novamente, nos dias de Ahashverosh (Assuero),
pois está escrito, [os judeus] confirmaram, e tomaram
novamente sobre eles [etc.]: [ou seja] eles confirmaram o
que haviam aceitado muito antes ...
(Talmud, tratado de Shabat 88a).

Ao invés de explicar a pergunta do Rav Áha, o Rabino


Ráva entendeu que a revelação de fato subtraía um
aspecto importante de qualquer obrigação que se queira
estabelecer: o livre arbítrio. Ele propôs Purim então,
como o antídoto, uma vez que isso representa a época
aproximada, em que a revelação via profecia, cessou.

Então, embora a profecia fosse um tipo de “estado ideal”,


sua ausência foi o que permitiu o florescimento da razão
humana; já que não temos mais acesso a nada
“absoluto”. Devemos ter iniciativa racional em nosso
relacionamento com a concepção de Divindade, ou então
o relacionamento sofrerá.
O Rabino Tzadok teria então, aplicado esse papel do
“esforço intelectual humano” ao reino do estudo da Torá.
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E até o rabino Joseph Soloveitchik (1903-1993) entendia a


oração, como se fosse o substituto da profecia,
precisamente, no sentido de ser o imperativo de nossa
responsabilidade, de manter abertas as linhas de
comunicação entre a Divindade e a humanidade. Ele
disse:

Em suma, a oração e a profecia são duas designações


sinônimas da relação entre Deus e o homem da
aliança. De fato, a comunidade da oração nasceu no
mesmo instante em que a comunidade profética expirou e,
quando havia entrado no mundo espiritual dos judeus de
antigamente, não chegou a substituir a comunidade
profética, mas a perpetuou ... Se Deus parou de procurar
pelo homem, então, que o homem procure por Deus...
(Da obra: The Lonely Man of Faith - [Nova York:
Doubleday, 1992], páginas 57 - 58).

Neste sentido, a ideia foi que, a institucionalização da


oração, meio que “resgatou” a “relação” com a
Divindade, criando uma nova estrutura para esse diálogo,
ainda que seja, só uma “sombra” do que era testemunhar
o Fenômeno Público, ou mesmo, experimentá-lo
diretamente.
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Embora a profecia tenha desaparecido há 2.500 anos, a


tal “sede” espiritual subjacente, que o profeta havia
mencionado, continua a se manifestar na sociedade
contemporânea.
Muitas pessoas anseiam pelo conhecimento (ou,
procuram de maneira equivocada por ideias absolutas)
sobre a Divindade.
Consequentemente, existe uma atração íntima, interna,
no ser humano; para compreender mais, sobre estas
experiências e, quem sabe, vivenciar um pouco disso, ele
mesmo.
Esse apelo, pode facilmente ser transformando, na busca
pelo sobrenatural, tornando a pessoa, uma presa fácil,
para enganadores, charlatães, supostos milagreiros,
cabalistas de todo tipo e de toda forma e cultura.
Então, procurando trazer a conhecimento, as ideias mais
gerais e populares sobre o tema, é preciso enfatizar que,
“Rebes”, ou “Cabalistas” ou “Místicos” populares (a) não
são profetas e, portanto, não possuem o conhecimento
divino exclusivo, algum tipo de “linha direta” e, (b) em
uma era carente de profecia, temos uma
responsabilidade muito maior de aprender a Torá e
principalmente, aprender a pensar com competência; de
modo a transformar esta vontade de conhecer e
desenvolver a espiritualidade, em conhecimento de fato,
sabedoria de fato; algo que sirva para a vida real, e não
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para engrossar fantasias e ideias sem respaldo na


realidade.

A. Bentzion