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1484 I SÉRIE — NO 43 «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 17 DE JULHO DE 2014

ASSEMBLEIA NACIONAL i) “Estudante do ensino superior”, o estrangeiro


matriculado num estabelecimento de ensino
–––––– superior para frequentar, a título de activida-
de principal, um programa de estudos condu-
Lei nº 66/VIII/2014 cente à obtenção de um grau académico ou de
de 17 de Julho um diploma do ensino superior reconhecido,
podendo abranger a realização de investiga-
Por mandato do Povo, a Assembleia Nacional decreta, ções para a obtenção de um grau académico.
nos termos da alínea b) do artigo 175º da Constituição,
o seguinte: j) “Postos Consulares”, Consulados Gerais, os
Consulados de Carreira e os respectivos
CAPÍTULO I Postos Móveis ou Itinerantes, bem como os
Disposições Gerais Consulados Honorários excepcionalmente
autorizados a emitir vistos pelo departamen-
Artigo 1.º to governamental responsável pela área das
Objecto relações exteriores;

A presente lei define o regime jurídico de entrada, k) “Transportadora”, qualquer pessoa singular ou
permanência, saída e a expulsão de estrangeiros do ter- colectiva que preste serviços de transporte
ritório cabo-verdiano, bem como a sua situação jurídica. aéreo ou marítimo de passageiros, a título
profissional.
Artigo 2.º
l) “Visto”, autorização do Estado que permite a um
Definições
estrangeiro entrar, transitar e permanecer
Para efeitos da presente lei considera-se: temporariamente no território nacional de
acordo com o estipulado na lei, titulada por
a) “Actividade altamente qualificada”, aquela cujo uma vinheta emitida de acordo com as regras
exercício requer uma qualificação técnica, e o modelo a definir por portaria do membro
profissional ou especializada adequada para do Governo responsável pela área da admi-
o respectivo exercício. nistração interna.
1 874000 001136

b) “Actividade profissional independente”, Artigo 3.º


actividade exercida pessoalmente, no âmbito Âmbito
de um contrato de prestação de serviços,
relativa ao exercício de uma profissão liberal 1. O disposto na presente lei é aplicável aos estrangeiros
ou sob a forma de sociedade. e apátridas.
2. Sem prejuízo da sua aplicação subsidiária e de
c) “Actividade profissional sazonal”, aquela que
referência expressa em contrário, a presente lei não é
tem carácter temporário, não ultrapassando
aplicável a:
a duração de seis meses.
a) Estrangeiros que residam em território nacional
d) “Actividade de investimento”, actividade na qualidade de refugiados ao abrigo das dis-
económica exercida pessoalmente ou através posições reguladoras do asilo;
de uma sociedade nos termos da lei.
b) Aos agentes diplomáticos e consulares acre-
e) “Apátrida”, aquele que não seja considerado por ditados em Cabo Verde e equiparados, os
qualquer Estado, segundo a sua legislação, membros das missões diplomáticas ou per-
como nacional; manentes especiais e dos postos consulares,
f) “Espaço equiparado a centro de instalação bem como os respectivos familiares que, em
temporária”, o espaço próprio criado na virtude das normas de direito internacional,
zona internacional de aeroporto, nos postos estão isentos de obrigações relativas à inscri-
da Polícia Nacional ou em estabelecimentos ção como estrangeiros e à obtenção de autori-
prisionais para instalação de estrangeiros zação de residência.
não admitidos em território nacional ou que Artigo 4.º
aguardam a execução da decisão de expulsão, Regimes especiais
ao qual é aplicado o regime jurídico da
manutenção de estrangeiros em centros de 1. O disposto na presente lei não prejudica os regimes
instalação temporária. especiais constantes de acordos bilaterais ou multilaterais
celebrados com um ou mais Estados estrangeiros.
g) “Estrangeiro”, aquele que tem nacionalidade de
outro Estado. 2. O disposto na presente lei não prejudica as obrigações
decorrentes dos instrumentos internacionais em matéria
h) “Estrangeiro residente”, o estrangeiro a de protecção de refugiados e em matéria de direitos hu-
quem tenha sido concedida autorização de manos e das convenções internacionais em matéria de
residência e se encontra, por isso, habilitado extradição de pessoas de que Cabo Verde seja Parte ou
com um título de residência em Cabo Verde. a que se vincule.

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CAPÍTULO II e) Outros documentos referidos em leis ou nas con-


venções internacionais de que Cabo Verde
Entrada e saída do território nacional seja parte;
Secção I
f) Outros documentos determinados pelas autori-
Passagem na fronteira dades cabo-verdianas competentes.

Artigo 5.º 3. Os documentos referidos no número anterior devem


ter a validade superior à duração da estada autorizada,
Controlo fronteiriço
salvo quando se trata da reentrada de um estrangeiro
1. A entrada e a saída do território cabo-verdiano efec- legalmente residente em Cabo Verde.
tuam-se pelos postos de fronteira qualificados para esse
4. Podem entrar no território nacional, mediante
efeito e durante as horas do respectivo funcionamento
simples exibição de bilhete de identidade ou documento
sob o controle da Direcção de Estrangeiros e Fronteiras,
equivalente, os cidadãos de países com os quais Cabo
(DEF).
Verde tenha acordo estabelecido nesse sentido.
2. Nos postos fronteiriços os estrangeiros deverão
5. O «laissez-passer» previsto na alínea b) do número 2
submeter-se às medidas e controlos legalmente exigidos e
só é válido para trânsito e, quando emitido em território
na forma e garantias estabelecidas nas leis vigentes e nas
nacional, apenas permite a saída do país.
convenções internacionais de que Cabo Verde seja parte.
6. Podem igualmente entrar em território nacional,
3. O controlo fronteiriço pode ser realizado a bordo de
ou sair dele, com passaporte caducado, os nacionais de
navios em navegação, mediante requerimento do coman-
Estados com os quais Cabo Verde tenha convenções in-
dante do navio ou do agente de navegação.
ternacionais nesse sentido.
4. Após realizado o controlo de saída de um navio ou
embarcação, a DEF emite o respectivo desembaraço de 7. Podem ainda sair do território cabo-verdiano os es-
saída, constituindo a sua falta um impedimento à saída trangeiros habilitados com salvo-conduto, com passaporte
do navio do porto. temporário ou título de viagem única.
1 874000 001136

Artigo 8.º
Secção II
Estrangeiros indocumentados ou com documentação defeituosa
Entrada e saída do território nacional
Em casos excepcionais e por razões ponderosas e devi-
Artigo 6.º damente comprovadas, a DEF pode autorizar a entrada,
o trânsito ou a permanência no território nacional aos
Condições gerais de entrada
estrangeiros sem documentação ou com documentação
Para entrada no território nacional os estrangeiros defeituosa, adoptando-se, em tais casos, as medidas
devem possuir documento de viagem, visto, meios eco- cautelares adequadas e suficientes.
nómicos considerados suficientes e não estarem sujeitos Artigo 9º
a proibições expressas de entrada.
Entrada em território nacional
Artigo 7.º
1. Para a entrada em território nacional, os estran-
Documentos válidos para entrada e saída
geiros devem ser titulares de visto válido e adequado à
1. Para entrada ou saída do território cabo-verdiano finalidade da deslocação concedido nos termos do artigo
os estrangeiros têm de ser portadores de um documento 26.º da presente lei.
de viagem reconhecido como válido.
2. O visto habilita o seu titular a apresentar-se num
2. São reconhecidos como válidos para a entrada no posto de fronteira e a solicitar a entrada no território
território nacional os seguintes documentos: nacional.

a) O passaporte ou documento equivalente; 3. Podem, no entanto, entrar em Cabo Verde sem visto:

b) O «laissez-passer», emitido pelos Estados ou por a) Os estrangeiros habilitados com título de resi-
organizações internacionais reconhecidas por dência válido;
Cabo Verde;
b) Os estrangeiros que beneficiem de isenção ou
c) O bilhete de identidade do funcionário ou agen- dispensa de visto previstos na lei ou em acor-
te da missão estrangeira ou de organização dos internacionais de supressão de vistos ou
internacional, emitido pelo departamento go- de livre circulação e estabelecimento em que
vernamental responsável pela área das rela- Cabo Verde é parte;
ções exteriores;
c) Os estrangeiros titulares dos documentos previstos
d) Os títulos de viagem para refugiados; nas alíneas c) e d) do número 2 do artigo 7.º;

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1486 I SÉRIE — NO 43 «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 17 DE JULHO DE 2014

d) Os cônsules honorários e agentes consulares de entrada de menores de 16 anos de idade quando desa-
Cabo Verde de nacionalidade estrangeira; companhados da pessoa que sobre eles exerce o poder
paternal ou não seja apresentada a autorização escrita,
e) Os naturais de Cabo Verde que tenham adqui- com reconhecimento da assinatura pelo notário ou pelos
rido a nacionalidade estrangeira, e bem as- serviços consulares de Cabo Verde, concedida para o
sim os respectivos cônjuges e descendentes, efeito por essa pessoa ou quando em território nacional
mediante a exibição de passaporte, certidão não exista quem se responsabilize pela sua estadia.
de nascimento, certidão de casamento ou ou-
tro documento onde conste a circunstância de 2. Salvo em casos excepcionais, devidamente justificados,
ter nascido, ser casado ou filho de pai ou mãe não é autorizada a entrada em território nacional de me-
nascido em Cabo Verde. nor estrangeiro quando o titular das responsabilidades
parentais ou a pessoa a quem esteja confiado não seja
4. Os estrangeiros titulares de títulos de viagem que admitido entrar em Cabo Verde.
entrem no país ao abrigo da alínea b) e e) do número
anterior, excepto os naturais de Cabo Verde, devem 3. Se ao menor estrangeiro não for admitida a entrada
obter, junto da DEF, visto temporário ou de residência em território cabo-verdiano deve igualmente ser recusada
ou autorização de residência se pretendem permanecer a entrada à pessoa a quem tenha sido confiado.
para além de noventa dias.
4. Aos menores desacompanhados que aguardam uma
Artigo 10.º
decisão sobre a sua admissão no território nacional ou
Meios de subsistência sobre o seu repatriamento deve ser concedido todo o
apoio material e a assistência necessária à satisfação das
1. Não é permitida a entrada em Cabo Verde de es- suas necessidades básicas de alimentação, de higiene, de
trangeiros que não disponham de meios de subsistência alojamento e assistência médica.
suficientes, quer para o período da estada quer para a
viagem para o país no qual a sua admissão esteja ga- 5. É recusada a saída do país a menores estrangeiros
rantida, ou que não estejam em condições de adquirir residentes que viajem desacompanhados de quem exerça
legalmente esses meios. o poder paternal e não se encontrem munidos de auto-
rização concedida pelo mesmo, legalmente certificada.
2. A fixação da natureza e quantitativo dos meios
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económicos suficientes para a entrada do estrangeiro no 6. Os menores desacompanhados só podem ser repa-
território nacional, os casos de dispensa, a forma de prova triados para o seu país de origem ou para país terceiro
da sua posse são estabelecidos por portaria do membro do que esteja disposto a acolhê-los se existirem garantias
Governo responsável pela área da administração interna. de que à chegada lhes sejam assegurados o acolhimento
e a assistência adequados.
3. Para os efeitos previstos no número 1, o estrangeiro
pode, em alternativa, apresentar termo de responsabili- Secção III
dade subscrito por cidadão nacional ou estrangeiro habi- Documentos de viagem emitidos pelas autoridades cabo-
litado a permanecer regularmente em território nacional, verdianas
nos termos estabelecidos por portaria do membro do
Governo responsável pela área da administração interna. Artigo 13.º

Documentos de viagem
4. A aceitação do termo de responsabilidade referido no
número anterior depende da prova da capacidade finan- 1. As autoridades cabo-verdianas podem emitir os
ceira do respectivo subscritor e inclui obrigatoriamente seguintes documentos de viagem a favor de estrangeiros:
o compromisso de assegurar:
a) Passaporte temporário;
a) As condições de estada em território nacional;
b) Título de viagem única.
b) A reposição dos custos de expulsão, em caso de
permanência ilegal nomeadamente através 2. Os documentos de viagem emitidos pelas autoridades
da prestação de garantia ou caução prévia. cabo-verdianas a favor de estrangeiros não fazem prova
Artigo 11.º da nacionalidade do titular.

Finalidade e condições da estadia 3. São competentes para emitir passaporte temporário


e título de viagem única:
Sempre que tal for julgado necessário para comprovar
o objectivo e as condições da estadia a autoridade de a) Em território nacional, a DEF;
fronteira pode exigir ao estrangeiro a apresentação de
prova adequada. b) No estrangeiro, os postos consulares, com a au-
torização conjunta prévia dos membros do
Artigo 12.º Governo responsáveis pelas áreas da admi-
Entrada e saída de menores nistração interna e das relações exteriores.

1. Sem prejuízo do disposto em lei especial de programas 4. É competente para emitir título de viagem única a
de turismo ou de intercâmbio juvenil, a DEF recusa a favor de estrangeiros, refugiados ou apátridas a DEF.

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Artigo 14.º 6. O título de viagem única tem a validade exclusiva
para a saída do refugiado do território nacional.
Concessão de passaporte temporário a estrangeiros
7. O modelo de título de viagem única individual ou
1. Mediante autorização do membro do Governo res-
familiar é definido pelo Governo.
ponsável pela área da administração interna e após au-
dição dos membros de Governo responsáveis pelas áreas Secção IV
da justiça e das relações exteriores, pode ser concedido
Recusa de entrada
passaporte temporário:
Artigo 16.º
a) Aos indivíduos residentes no território nacional
Recusa de entrada
que sejam apátridas ou nacionais de países
sem representação diplomática ou consular 1. É recusada a entrada em território nacional aos
em Cabo Verde e que demonstrem não poder estrangeiros que:
obter outro passaporte;
a) Não reúnam cumulativamente os requisitos le-
b) Aos refugiados abrangidos pelo disposto no pa- gais de entrada; ou
rágrafo 11.º do Anexo a Convenção relativa
ao Estatuto dos refugiados, adoptada em b) Constituam perigo ou grave ameaça para a or-
Genebra em 28 de Julho de 1951; dem pública, a segurança nacional ou a saúde
pública.
c) Aos indivíduos não residentes em território na-
cional, quando razões excepcionais aconse- 2. A recusa de entrada com fundamento em razões de
lham a concessão; saúde pública só se pode basear nas doenças definidas
nos instrumentos aplicáveis da Organização Mundial de
d) Aos nacionais de países com os quais Cabo Verde Saúde ou em outras doenças infecciosas ou parasitárias
tenha acordo nesse sentido. contagiosas, objecto de medidas de protecção em terri-
tório nacional.
2. O passaporte temporário é válido pelo período de
seis meses e pode ser utilizado em número ilimitado de 3. Pode ser exigido ao estrangeiro a sujeição a exame
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viagens, desde que se faça a menção desse direito no médico, a fim de que seja atestado que não sofre de ne-
documento. nhuma das doenças mencionadas no número anterior,
bem como às medidas médicas adequadas.
3. Os passaportes temporários concedidos nos termos
Artigo 17.º
deste diploma perdem a sua validade quando os refu-
giados adquiram qualquer das situações previstas nos Indicação para efeitos de não admissão
parágrafos (1) e (4) da Secção C do artigo I da Convenção
relativa ao Estatuto dos Refugiados, adoptada em Genebra São indicados para efeitos de não admissão em terri-
a 28 de Julho de 1951. tório cabo-verdiano os estrangeiros:

Artigo 15.º a) Que tenham sido objecto de expulsão do país e se


encontrem no período de interdição de entrada;
Título de viagem única para refugiados
b) Que tenham sido reenviados para outro país ao
1. O título de viagem única pode ser atribuído aos re- abrigo de um acordo de readmissão;
fugiados abrangidos pelo disposto no parágrafo 11.º do
Anexo à Convenção relativa ao Estatuto dos Refugiados, c) Em relação aos quais existam fortes indícios de
adoptada em Genebra, em 28 de Julho de 1951. terem praticado ou que tencionem praticar
factos puníveis graves;
2. O título de viagem única para refugiados pode ser
individual ou familiar. d) Que tenham sido punidos com pena de prisão,
cujo limite máximo é superior a dois anos.
3. O título de viagem única individual é exigível a Artigo 18.º
partir dos 14 anos de idade se os menores não viajarem
na companhia do pai ou da mãe ou de quem legalmente Apreensão de documentos de viagem
exercer o poder paternal.
Quando a recusa de entrada se fundar na apresentação
4. O título de viagem única familiar pode abranger: de documento de viagem falso, falsificado, alheio ou obti-
do fraudulentamente, o mesmo é apreendido e remetido
a) Os cônjuges e os filhos ou adoptados menores; para a entidade nacional ou estrangeira competente, em
conformidade com as disposições aplicáveis.
b) O pai ou a mãe ou quem exercer legalmente o po-
Artigo 19.º
der paternal e os filhos ou adoptados menores.
Competência para recusar a entrada
5. Os refugiados menores de 14 anos podem ser mencio-
nados, por averbamento, no título de viagem das pessoas A recusa da entrada em território nacional é da compe-
às quais tenham sido legalmente confiados. tência do Director da DEF, com faculdade de delegação.

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1488 I SÉRIE — NO 43 «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 17 DE JULHO DE 2014


Artigo 20.º 7. Após a saída do cidadão estrangeiro do referido
Decisão e notificação
alojamento, o facto deve ser comunicado, no prazo de
quarenta e oito horas, às autoridades policiais.
1. A decisão de recusa de entrada é proferida após Artigo 22.º
audição do estrangeiro e é comunicada à representação
Comunicação de grupos turísticos
diplomática ou consular do seu país de origem.
As agências de viagens que recebem grupos turísticos
2. A decisão de recusa de entrada é notificada ao in- ficam obrigadas a comunicar à DEF a identificação dos
teressado, com indicação dos seus fundamentos, dela componentes com a antecedência necessária, não inferior
devendo constar o direito de impugnação judicial e o a quarenta e oito horas.
respectivo prazo.
CAPÍTULO III
3. É igualmente notificada a transportadora para os Obrigações das transportadoras
efeitos do disposto no artigo 24.º.
Artigo 23.º
4. Sempre que não seja possível efectuar o reembarque Verificação de documentos e transmissão de informações
do estrangeiro dentro de quarenta e oito horas após a
1. As transportadoras que operam de ou para o terri-
decisão de recusa de entrada, o mesmo é mantido num
tório nacional, são obrigadas a verificar a validade e a
centro de instalação temporária ou em espaço equipa-
vigência dos documentos de viagem ou de identificação
rado, sendo aplicável o regime jurídico de instalação de
dos cidadãos estrangeiros.
estrangeiros em centros de instalação temporária.
2. As transportadoras que prestam serviço de trans-
5. A decisão de recusa de entrada é susceptível de porte aéreo de passageiros são obrigadas, nos termos
impugnação judicial, sem efeito suspensivo. da legislação geral, a transmitir à DEF até ao final do
Secção V registo de embarque, informações relativas à identificação
dos passageiros que transportarem, incluindo os que
Controlo da permanência de estrangeiros
tentaram embarcar ou embarcaram sem a necessária
Artigo 21.º documentação.
Boletim de alojamento 3. Os armadores ou os agentes de navegação que os
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representam, bem como os comandantes das embarcações


1.O boletim de alojamento é o documento que se des-
de pesca que naveguem em águas internacionais, devem
tina a permitir o controlo dos estrangeiros no território
também comunicar à DEF a lista dos tripulantes e pas-
nacional.
sageiros bem como a presença de clandestinos a bordo,
2. Sem prejuízo do disposto no artigo 22.º, por cada quarenta e oito horas antes da chegada e até duas horas
cidadão estrangeiro é preenchido um boletim de aloja- antes da saída da embarcação de um porto nacional.
mento, cujo modelo é aprovado por portaria do membro do Artigo 24.º
Governo responsável pela área da administração interna. Responsabilidade das transportadoras

3. Os proprietários ou responsáveis pela exploração de 1. A transportadora que proceda ao transporte para


hotéis, residenciais, pensões, casas de hóspedes e congé- território nacional, por via aérea ou marítima, de es-
neres, pousadas, ainda que sejam pertença ou a sua ex- trangeiro que não reúna as condições de entrada ou que
ploração esteja a cargo das autarquias locais ou de outras não verificar a validade do documento de viagem ou de
entidades públicas, bem como aqueles que alberguem, identificação fica obrigada a promover o seu retorno, no
mesmo por sublocação, ou cedam a qualquer título, casa mais curto espaço de tempo possível, para o ponto onde
para residência ou comércio, ficam obrigados a remeter às começou a utilizar o meio de transporte, ou, em caso de
autoridades policiais um exemplar do boletim individual impossibilidade, para o país onde foi emitido o respectivo
de alojamento, no prazo de quarenta e oito horas. documento de viagem ou para qualquer outro local onde
a sua admissão seja garantida.
4. Os estrangeiros não residentes que se instalem em
habitação própria ficam responsáveis pela remessa do 2. Enquanto não se efectuar o reembarque, o passageiro
boletim de alojamento, tanto em relação a si próprios fica a cargo da transportadora, sendo da sua responsabi-
como às pessoas estrangeiras que com eles coabitam. lidade o pagamento da taxa correspondente à estada do
passageiro no centro de instalação temporária ou espaço
5. Com vista a simplificar o envio dos boletins de aloja- equiparado.
mento, as pessoas referidas no número 3 devem proceder
3. As transportadoras são igualmente responsáveis por
ao seu registo junto da DEF como utilizadores do Sistema
todas as despesas de regresso dos passageiros e tripulantes
Automático de Recolha de Boletins de Alojamento, de
indocumentados que transportarem.
forma a poderem proceder à respectiva comunicação
electrónica em condições de segurança. Artigo 25.º
Excepção
6. Os boletins e respectivos duplicados, bem como os
suportes electrónicos que os substituem nos termos do Não se aplica o disposto no artigo anterior quando:
número anterior, são conservados pelo prazo de um ano a) Existirem motivos razoáveis para crer que os
contado a partir do dia seguinte ao da comunicação da documentos que o passageiro tinha em sua
saída. posse eram os legalmente exigidos;

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b) O passageiro estiver em posse de documentos de culdade de delegação, ouvidas as autoridades de polícia


viagem regulares à entrada a bordo; judiciária e os serviços competentes do departamento
governamental responsável pela área das relações ex-
c) A entrada no território nacional não tiver lugar
teriores.
devido a circunstâncias independentes da
vontade do transportador comercial; Artigo 28.º
Limites à concessão
d) A entrada no território nacional resultar de sal-
vamento. 1. Não é concedido visto ao estrangeiro que:
CAPÍTULO IV a) Seja menor nos termos da lei reguladora do seu
estatuto pessoal, salvo autorização de quem
Vistos
exerce o poder paternal ou de quem esteja
Secção I confiada a sua guarda;
Disposições gerais b) Tenha sido sujeito a expulsão e se encontre no
Artigo 26.º período subsequente de interdição de entrada
em território nacional;
Modalidades de visto
c) Desenvolva actividades que, se praticadas em
1. O visto pode revestir as seguintes modalidades: Cabo Verde, implicariam a expulsão;
a) De trânsito; d) Constitua uma ameaça grave para a ordem pú-
b) Oficial, diplomático ou de cortesia; blica ou saúde pública.

c) De turismo; 2. A obtenção de visto e entrada à revelia do disposto


no número anterior dá lugar à interdição de entrada no
d) Temporário; território nacional, sujeitando-se o visado à expulsão.
e) De residência. 3. A entidade que não conceder o visto, nos termos do
número 1, anota o nome, a idade, a nacionalidade e a
2. Os vistos devem ser concedidos pelo período de per- profissão indicada no passaporte, documento equivalente
manência em território nacional e o seu prazo de validade
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ou demais documentos de entrada e comunica o motivo da


não pode ultrapassar o do documento de viagem. recusa ao departamento governamental responsável pela
3. O pedido de visto ou da sua prorrogação é formulado área das relações exteriores, o qual expedirá circulares a
em impresso próprio de modelo aprovado por portaria todas as missões diplomáticas e consulares no exterior e
conjunta dos membros do Governo responsáveis pelas dá conhecimento à DEF.
áreas da administração interna e das relações exteriores. Subsecção I

4. O visto pode ser ordinário, quando habilita o estran- Visto de trânsito


geiro a uma única entrada, ou de múltiplas entradas, Artigo 29.º
quando habilita o estrangeiro a várias entradas no país.
Visto de trânsito
Artigo 27.º
1. O visto de trânsito é concedido ao estrangeiro que,
Competência para a concessão e prorrogação de vistos para chegar ao país de destino, tenha de desembarcar
1. Os vistos podem ser concedidos no estrangeiro, pelas em Cabo Verde.
embaixadas e postos consulares, e no território nacional, 2. Não é exigido o visto de trânsito ao estrangeiro que
pela DEF. passe pelo território cabo-verdiano em viagem contínua,
considerando-se como tal a que só se interrompe para as
2. Em território nacional, é competente para conceder
escalas técnicas do meio de transporte utilizado.
e prorrogar o visto oficial, diplomático ou de cortesia o
membro do Governo responsável pela área das relações 3. No caso referido no número anterior a autoridade
exteriores que pode delegar, sem prejuízo do disposto no competente determinará o local de permanência do es-
número seguinte. trangeiro.
3. Nos postos de fronteira aérea e marítima, os res- 4. A concessão de visto de fronteira no posto de fronteira
ponsáveis podem conceder visto oficial, diplomático ou está sujeita ao pagamento de uma sobretaxa.
de cortesia, mediante autorização expressa do departa-
5. O visto de trânsito é válido por quatro dias, prorro-
mento governamental responsável pela área das relações
gáveis e por uma só entrada.
exteriores.
Artigo 30.º
4. Em território nacional, a concessão ou prorrogação
Condições de concessão
de vistos de trânsito, de turismo ou de visto temporário
é da competência do Director da DEF, com faculdade de 1. Para a obtenção do visto de trânsito o estrangeiro
delegação. deve ter:
5. A concessão ou prorrogação do visto de residência a) Documento de viagem com validade superior à
é da exclusiva competência do Director da DEF, com fa- duração da estadia autorizada;

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1490 I SÉRIE — NO 43 «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 17 DE JULHO DE 2014

b) Visto para o país de destino ou fazer prova da Artigo 33.º


sua isenção, suspensão ou não exigência; Condições de concessão

c) Meios económicos suficientes para a entrada e 1. Para a obtenção de visto de turismo o estrangeiro
permanência durante o período de estadia no deve ter:
território nacional, nos termos de portaria a) Título de transporte que o habilite a entrar e a
adoptada pelo membro do Governo responsá- sair de Cabo Verde;
vel pela área da administração interna;
b) Meios de subsistência adequados e suficientes
d) Título de transporte para o país de destino. para o período previsto de permanência, nos
termos de portaria adoptada pelo membro do
2. Pode ainda, ser solicitado ao requerente de um visto Governo responsável pela área da adminis-
de trânsito a apresentação de um certificado de registo tração interna;
criminal ou documento equivalente, emitido pela auto-
c) Documento de viagem com validade superior à
ridade competente do seu país de nacionalidade ou de
duração da estadia autorizada.
residência habitual, com validade de, pelo menos, seis
meses, traduzida em língua portuguesa e legalizada pelos 2. Pode ser dispensada a apresentação dos documentos
serviços consulares de Cabo Verde. comprovativos das condições previstas no número ante-
rior em caso de visto colectivo concedido a um grupo de
Subsecção II turistas no quadro de uma viagem organizada, desde que
Visto oficial, diplomático ou de cortesia tenham um certificado colectivo de identidade e viagem.
3. A dispensa da apresentação do título de transporte
Artigo 31.º
e do documento de viagem não isenta o seu titular de os
Visto oficial, diplomático ou de cortesia apresentar nos postos de fronteira perante as autoridades
competentes.
1. Sem prejuízo dos regimes previstos em tratados ou Subsecção IV
convenções internacionais de que Cabo Verde seja parte,
Visto temporário
ao estrangeiro é concedido visto oficial, diplomático ou
de cortesia desde que a entrada seja justificada pela sua Artigo 34º.
1 874000 001136

qualidade, natureza da viagem, missão a Cabo Verde ou Visto temporário


contrato legalizado pelas autoridades cabo-verdianas. 1. O visto temporário destina-se a permitir a entrada
em Cabo Verde ao estrangeiro para:
2. O visto oficial, diplomático ou de cortesia deve ser
utilizado nos noventa dias subsequentes à sua concessão a) Viagem cultural;
e permite a permanência no país até trinta dias, podendo b) Missão de negócios;
ser válidos para várias entradas.
c) Exercício de uma actividade profissional, subor-
3. Os chefes das missões diplomáticas ou dos postos dinada ou independente, cuja duração não ul-
consulares podem autorizar a concessão de visto de trapasse um ano, em especial como artista ou
cortesia em qualquer documento de viagem válido, desportista, técnico, professor ou actividade
atendendo às circunstâncias do caso, designadamente à qualificada de outra categoria, sob regime de
personalidade ou estatuto do seu titular ou ao interesse contrato ao serviço do Estado de Cabo Verde
geral do país. ou de outras entidades públicas ou privadas;
Subsecção III d) Exercício de uma actividade sazonal;

Visto de turismo
e) Tratamento médico;
f) Visita familiar;
Artigo 32.º
g) Permanecer em território nacional por períodos
Visto de turismo superiores a três meses e inferiores a um ano,
por outras razões consideradas atendíveis pe-
1. O visto de turismo é concedido ao estrangeiro que las autoridades competentes.
venha a Cabo Verde em viagem de carácter recreativo
ou de visita, incluindo cruzeiros. 2. O visto temporário pode consistir num visto ordinário
ou num visto de múltiplas entradas e deve ser utilizado
2. Pode ser dispensada a exigência de visto aos nacio- no prazo de cento e oitenta dias após a sua concessão.
nais de países que não imponham idêntica exigência aos
3. O visto ordinário é válido para uma entrada no ter-
cabo-verdianos e constem de uma lista elaborada e actu-
ritório nacional e habilita o seu titular a nele permanecer
alizada pelo departamento governamental responsável
por um período de cento e oitenta dias ou o correspon-
pela área das relações exteriores.
dente à duração prevista da estadia.
3. O visto de turismo deve ser utilizado no prazo de 4. O visto de múltiplas entradas permite ao seu titular
cento e oitenta dias após a sua concessão e permite ao mais do que uma entrada e o total de permanência no
seu titular uma estada até noventa dias, prorrogáveis, país até noventa dias, durante um ano, a contar da data
no máximo, por igual período. da sua emissão.

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I SÉRIE — NO 43 «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 17 DE JULHO DE 2014 1491

5. Pode ser concedida uma prorrogação da permanência c) Frequência de um ciclo de estudos de duração
autorizada pelo visto temporário até um ano. superior a um ano, como estudante do ensino
superior;
6. O estrangeiro que deseje permanecer em território
nacional para além do limite autorizado pelo visto tempo- d) Para efeitos de reagrupamento familiar com es-
rário ou pela sua prorrogação, pode, em casos fundamen- trangeiro residente.
tados, requerer a conversão do visto temporário em visto
2. O visto de residência permite ao seu titular perma-
de residência, para solicitar autorização de residência.
necer em território nacional durante seis meses, prorro-
Artigo 35.º gável, até à decisão final sobre o pedido de autorização
Condições de concessão de residência.
1. Para obtenção do visto temporário o estrangeiro 3. Para efeitos do disposto na alínea d) do número 1
deve: consideram-se membros da família do estrangeiro residente:

a) Ter título de transporte que o habilite a entrar e a) Cônjuge;


a sair de Cabo Verde; b) Filhos menores, adoptados menores ou depen-
b) Dispor de meios de subsistência adequados e dentes.
suficientes para o período previsto de perma- Artigo 37.º
nência, nos termos de portaria adoptada pelo Condições de concessão
membro do Governo responsável pela área da
administração interna ou estar em condições Para obtenção do visto de residência o estrangeiro deve:
de legalmente os poder adquirir; a) Ter título de transporte que o habilite a entrar e
c) Ter documento de viagem com validade superior a sair de Cabo Verde;
à duração da estadia autorizada; b) Dispor de meios de subsistência adequados e
d) Apresentar atestado de saúde ou equivalente; suficientes para o período previsto de perma-
nência, nos termos de portaria adoptada pelo
e) Ter certificado internacional de vacinação; membro do Governo responsável pela área da
f) Apresentar documento que fundamente o objec- administração interna ou estar em condições
1 874000 001136

tivo da viagem ou missão ou cópia do contrato de legalmente os poder adquirir;


a executar visado pelas autoridades cabo-ver- c) Ter documento de viagem com validade superior
dianas; à duração da estadia autorizada;
g) Não ter sido condenado por crime que em Cabo d) Ter entrado legalmente em território nacional,
Verde seja punível com pena privativa da li- com visto temporário, outro tipo de visto, ou
berdade de duração superior a um ano; sem visto, nos casos de isenção;
h) Apresentar, se solicitado, certificado de registo e) Apresentar atestado de saúde ou equivalente;
criminal ou documento equivalente emitido
f) Ter certificado internacional de vacinação;
pela autoridade competente do seu país de
nacionalidade ou residência habitual, com g) Apresentar documento que fundamente o objec-
validade de pelo menos seis meses e tradução tivo da fixação de residência nos termos do
para língua portuguesa legalizada pelos ser- número 1 do artigo anterior;
viços consulares de Cabo Verde.
h) Dispor de alojamento adequado;
2. A concessão de visto temporário pode ser condicio-
i) Não ter sido condenado por crime que em Cabo
nada à prestação de uma garantia de repatriamento sob
Verde seja punível com pena privativa da li-
a forma de um depósito bancário de valor igual ao do
berdade de duração superior a um ano;
bilhete de regresso ao país da nacionalidade ou residência
habitual, acrescido de 10%. j) Apresentar, se solicitado, certificado de registo
Subsecção V
criminal ou documento equivalente emitido
pela autoridade competente do seu país de
Visto de residência nacionalidade ou residência habitual, com
Artigo 36.º validade de pelo menos seis meses e tradução
Visto de residência para língua portuguesa visada pelos serviços
consulares de Cabo Verde.
1. O visto de residência é concedido ao estrangeiro que
Secção II
pretende fixar residência habitual em Cabo Verde, com
uma das seguintes finalidades: Cancelamento de vistos
Artigo 38.º
a) Exercício de actividade profissional, subordina-
da ou independente, devidamente certificada Cancelamento de vistos
por contrato de trabalho ou de prestação de 1. Os vistos podem ser cancelados quando:
serviços;
a) O seu titular não satisfaça as condições da sua
b) Realização de uma actividade de investimento; concessão;

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1492 I SÉRIE — NO 43 «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 17 DE JULHO DE 2014

b) Tenham sido emitidos com base em prestação de 7. É competente para a emissão do título de residência
falsas declarações, utilização de meios frau- a DEF.
dulentos ou através da invocação de motivos
8. A taxa devida pela emissão do título de residência é
diferentes daqueles que motivaram a entrada
fixada por portaria do membro do Governo responsável
do seu titular no país;
pela administração interna.
c) O respectivo titular tenha sido objecto de expul-
9. Os atestados de residência emitidos pelas Câmaras
são do território nacional.
Municipais não comprovam a residência legal do es-
2. Os vistos de residência e temporários podem ainda trangeiro.
ser cancelados quando o respectivo titular, sem razões Artigo 41.º
atendíveis, se ausente do país pelo período de sessenta
dias, durante a validade do visto ou das suas prorrogações. Estrangeiros dispensados de autorização de residência

3. O visto de residência é ainda cancelado em caso de 1. Sem prejuízo de outros casos previstos em legislação
indeferimento do pedido de autorização de residência. especial, são dispensados de obtenção de autorização de
residência:
4. Após a entrada em território nacional, o cancelamento
de vistos é da competência da DEF e é comunicado ao a) Os naturais de Cabo Verde que, por força de lei
departamento governamental responsável pela área das estrangeira, demostrem ter renunciado, à
relações exteriores. nacionalidade cabo-verdiana para defesa dos
seus direitos no país da imigração;
5. Antes da entrada do titular no território nacional, o
cancelamento de vistos é da competência das embaixadas b) Os funcionários diplomáticos, de nacionalidade
e postos consulares de carreira e é comunicado à DEF. estrangeira, que prestem serviço nas mis-
sões diplomáticas ou postos consulares dos
CAPÍTULO V Estados acreditados em Cabo Verde ou nas
Residência representações ou missões de organizações
internacionais intergovernamentais com per-
Secção I
sonalidade jurídica internacionalmente reco-
Disposições gerais nhecida e os membros dependentes das suas
1 874000 001136

Artigo 39.º famílias;


Tipos de autorização de residência c) Os empregados domésticos ou equiparados de
nacionalidade estrangeira que prestem serviço
1. A autorização de residência compreende dois tipos:
nas missões diplomáticas ou postos consulares
a) Autorização de residência temporária; dos Estados acreditados em Cabo Verde ou
nas representações ou missões de organiza-
b) Autorização de residência permanente.
ções internacionais intergovernamentais com
2. A autorização de residência temporária é válida personalidade jurídica internacionalmente
pelo período de dois anos contados a partir da data da reconhecida e os membros dependentes das
emissão do respectivo título e é renovável por períodos suas famílias.
sucessivos de dois anos.
2. A prova das razões da renúncia e de lei estrangeira
Artigo 40.º a que se refere a alínea a) do número anterior é feita,
Título de residência respectivamente, por qualquer documento e pela apresen-
tação da lei do país de imigração que obriga à renúncia
1. Ao estrangeiro autorizado a residir em território da nacionalidade cabo-verdiana vigente ao tempo da
nacional é emitido um título de residência, de modelo renúncia.
previsto na lei.
3. As pessoas mencionadas nas alíneas b) e c) do nú-
2. O título de residência tem a validade da autorização mero 1 são habilitadas com documento de identificação
de residência temporária que titula. emitido pelo departamento governamental responsável
3. O título de residência que titula uma autorização pela área de relações exteriores, ouvida a DEF.
de residência permanente deve ser renovado de cinco Artigo 42.º
em cinco anos.
Pedido
4. O título de residência deve ser alterado sempre que
1. O pedido de concessão ou renovação da autorização
existir alteração dos elementos de identificação dele
de residência é formulado em requerimento de modelo a
constantes.
aprovar por portaria do membro do Governo responsá-
5. O título de residência substitui, para todos os efeitos vel pela área da administração interna pelo interessado
legais, o documento de identificação do seu titular. ou, no caso de incapaz, pelo seu representante legal ou
a quem for confiada a sua guarda, sem necessidade de
6. Em caso de perda ou extravio do título de residência
reconhecimento notarial.
é emitida, a pedido do interessado, uma segunda via,
devendo a perda ou extravio ser comunicado à DEF no 2. O pedido referido no número anterior pode ser ex-
prazo de quarenta e oito horas. tensivo ao menor de 14 anos a cargo do requerente.

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I SÉRIE — NO 43 «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 17 DE JULHO DE 2014 1493

3. O representante legal ou a pessoa a quem for con- f) Documentos relativos ao estado sanitário do re-
fiada a guarda de menor residente, deve solicitar a con- querente, designadamente o atestado de saú-
cessão de uma autorização de residência individual para de ou equivalente e o certificado internacio-
a mesma, até quarenta e cinco dias depois de completar nal de vacinação;
14 anos de idade.
g) Outros documentos exigidos pela DEF.
4. Na pendência do pedido de concessão ou renovação Artigo 44.º
da autorização de residência, por causa não imputável ao
Decisão e notificação
requerente, não está o requerente impedido de exercer
uma actividade profissional nos termos da lei. 1. O pedido de concessão de autorização de residência
deve ser decidido no prazo de noventa dias.
5. O requerente de uma autorização de residência pode
solicitar simultaneamente o reagrupamento familiar. 2. O pedido de renovação de autorização de residência
deve ser decidido no prazo de quarenta e cinco dias.
6. O requerimento referido no número 1 pode ser subs-
3. Na falta de decisão no prazo previsto no número
tituído por ofício ou nota, em caso de pedidos oficiais de
anterior, por causa não imputável ao requerente, o pedido
autorização de residência.
entende-se como deferido, sendo a emissão do título de
7. O pedido de autorização de residência deve ser apre- residência imediata.
sentado na DEF ou em qualquer unidade ou serviço da 4. A decisão de indeferimento é notificada ao interessado,
Polícia Nacional sediados nos concelhos, até quinze dias com indicação dos fundamentos, bem como do direito de
antes de expirar o visto de residência, o visto temporário impugnação judicial e do respectivo prazo.
ou o período autorizado de estadia.
5. Na apreciação do pedido de autorização de residência
8. Os pedidos entregues nas unidades ou serviços da a DEF atende, nomeadamente, aos seguintes critérios:
Polícia Nacional são reencaminhados à DEF, no prazo de a) Cumprimento, por parte do interessado, das leis
cinco dias a contar da data de entrada do requerimento. cabo-verdianas;
9. Os pedidos referidos no número 1 são objecto de um b) Meios de subsistência adequados e suficientes do in-
registo com indicação do número de entrada, data, nome teressado, nos termos do número 4 do artigo 47.º;
1 874000 001136

do requerente, documentos anexos e indicação se se trata


de concessão ou renovação da autorização de residência. c) Saúde pública;

Artigo 43.º
d) Finalidades pretendidas com a estada no país;
e) Laços familiares existentes com residentes no
Instrução do pedido
país, nacionais ou estrangeiros;
O requerimento previsto no artigo anterior deve f) O conhecimento da língua nacional e/ou oficial;
conter o nome completo, idade, estado civil, profissão,
naturalidade, nacionalidade, domicílio do requerente e g) Inexistência de ameaça à segurança e ordem pú-
a finalidade da fixação da residência em Cabo Verde e blicas.
ser instruído com os seguintes documentos: 6. Para efeitos do disposto na alínea c) do número an-
terior, consideram-se doenças que fazem perigar a saúde
a) Duas fotografias actualizadas do tipo passe e a
pública as doenças que obriguem a quarentena definidas
cores do requerente;
nos instrumentos da Organização Mundial de Saúde e
b) Documento de viagem válido para a entrada e doenças infecciosas ou parasitárias contagiosas, objecto
saída do território nacional; de medidas de protecção especial definidas pelo depar-
tamento governamental responsável pela área da saúde.
c) Se solicitado, certificado do registo criminal ou
7. A não apresentação dos documentos previstos na
documento equivalente emitido no país de
alínea f) do artigo 43.º ou a recusa do requerente em
que o estrangeiro é nacional e no da sua re-
submeter-se aos exames médicos determinados pelos
sidência habitual, há pelo menos, seis meses,
serviços de saúde necessários à aferição de uma doença
devidamente traduzido e legalizado pelos ser-
na acepção do número anterior determina o arquivamen-
viços consulares de Cabo Verde;
to do pedido de concessão de autorização de residência.
d) Documento comprovativo da existência dos 8. Para efeitos do disposto na alínea g) do número 5,
meios económicos adequados e suficientes consideram-se que as seguintes situações consubstan-
para garantir a subsistência do requerente ciam um perigo para a segurança e ordem públicas:
no território nacional, nos termos do número
4 do artigo 47.º; a) A participação em actividades criminosas, no-
meadamente de importação, exportação, pro-
e) Documento comprovativo das condições de aloja- dução, venda, distribuição e tráfico ilícito de
mento em Cabo Verde, designadamente a cer- estupefacientes, substâncias psicotrópicas,
tidão matricial e certidão de registo predial, armas, munições, explosivos, substâncias ex-
comprovativas da propriedade da habitação plosivas e equiparadas, seja qual for a quali-
própria ou contrato de arrendamento válido; dade em que intervenha o requerente;

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1494 I SÉRIE — NO 43 «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 17 DE JULHO DE 2014

b) O cometimento de infracções fiscais e aduaneiras, 2. Pode ser recusada a concessão de autorização de re-
designadamente contrabando e descaminho; sidência por razões de ordem pública, segurança pública
ou saúde pública.
c) A prática ou indícios sérios da prática de qual-
quer outro crime grave contra a economia; 3. Pode ser exigida aos requerentes de autorização
d) Os demais casos de ameaça à segurança e ordem de residência a sujeição a exame médico, bem como às
públicas, reconhecidos por lei ou pelas autori- medidas médicas adequadas.
dades competentes. 4. Considera-se que o estrangeiro tem os meios de
Artigo 45.º subsistência previstos na alínea d) do número 1 se:
Colaboração com outras entidades a) Tiver em território nacional rendimentos de tra-
1. Para efeitos do disposto na alínea c) do número 5 balho subordinado ou independente no qua-
do artigo anterior, os serviços de saúde prestam o apoio dro de um contrato de trabalho ou de presta-
necessário à DEF para análise da documentação rele- ção de serviços, respectivamente; ou
vante e na realização de exames médicos e laboratoriais b) Tiver rendimentos de actividade económica au-
para comprovação de doença que coloque em perigo a torizada, registada ou licenciada ou em con-
saúde pública. dições de o ser;
2. Para efeitos do disposto no número 8 do artigo c) Comprovar que tem disponíveis em território
anterior a DEF solicita à polícia judiciária o certificado nacional rendimentos regulares, designada-
policial do requerente. mente provenientes de bolsas de estudo, de
3. A DEF pode, ainda e sempre que necessário, colher pensões ou reforma, de bens, móveis ou imó-
informações julgadas pertinentes junto de outras enti- veis, ou da propriedade intelectual; ou
dades públicas ou privadas. d) Estiver a cargo de um estrangeiro residente que
Artigo 46.º se encontre numa das situações descritas na
Deveres de comunicação dos estrangeiros legalmente alínea anterior;
residentes
e) Apresentar termo de responsabilidade ou qual-
Os residentes devem comunicar à DEF, no prazo de quer outro documento que lhe garanta a exis-
1 874000 001136

oito dias contados da data em que ocorra, a alteração do tência de meios económicos legais suficientes
seu estado civil, da sua nacionalidade, da sua profissão, para a sua subsistência em território nacional.
do domicílio ou a ausência do país por período superior
Artigo 48.º
a noventa dias.
Renovação de autorização de residência temporária
Secção II
Autorização de residência temporária 1. A renovação de autorização de residência temporária
deve ser solicitada pelos interessados até quarenta e cinco
Artigo 47.º
dias antes de expirar a sua validade.
Condições gerais de concessão de autorização de residência
temporária 2. Só é renovada a autorização de residência aos es-
1. Sem prejuízo das condições especiais aplicáveis, trangeiros que:
para a concessão da autorização de residência, deve o re- a) Disponham de meios de subsistência nos termos
querente satisfazer os seguintes requisitos cumulativos: do número 4 do artigo 47.º;
a) Posse de visto de residência, sem prejuízo do dis- b) Disponham de alojamento;
posto no artigo 55.º;
c) Tenham cumprido as suas obrigações fiscais e
b) Inexistência de qualquer facto que, se fosse co- perante a segurança social;
nhecido pelas autoridades competentes, de-
vesse obstar à concessão do visto; d) Não tenham sido condenados em pena ou penas
que, isolada ou cumulativamente, ultrapas-
c) Presença em território nacional; sem um ano de prisão.
d) Posse de meios de subsistência em território na- 3. A autorização de residência pode não ser renovada
cional; por razões de ordem pública ou de segurança pública,
e) Alojamento; bem como quando o requerente não cumpre os deveres
de notificação previstos no artigo 46.º.
f) Posse do número de identificação fiscal;
4. O recibo do pedido de renovação de autorização de
g) Inscrição na segurança social, sempre que apli-
residência produz os mesmos efeitos do título de residên-
cável;
cia durante um prazo de sessenta dias, renovável.
h) Ausência de condenação por crime que em Cabo
Verde seja punível com pena privativa de li- 5. Em caso de caducidade da autorização de residência,
berdade de duração superior a um ano; pode ser concedida a sua renovação nas condições legal-
mente estabelecidas mediante pagamento de uma sobre-
i) Não se encontrar no período de interdição de en- taxa a fixar por portaria do membro do Governo respon-
trada em território nacional, subsequente a sável pela área da administração interna, sem prejuízo
uma medida expulsão do país. da aplicação de coima e outras medidas previstas na lei.

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I SÉRIE — NO 43 «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 17 DE JULHO DE 2014 1495


Subsecção I o requerente, a qualidade técnica, profissio-
Autorização de residência para exercício de actividade nal ou especialidade do requerente, o local da
económica prestação do serviço, a duração do contrato e
Artigo 49.º a remuneração mensal e demais prestações
suplementares ilíquidas a pagar ao requerente;
Autorização de residência para exercício de actividade pro-
fissional subordinada b) Estejam em condições de ser habilitados a exercer
1. Para além das condições gerais estabelecidas no uma actividade profissional independente,
artigo 47.º, só é concedida autorização de residência quando aplicável;
para exercício de actividade profissional subordinada a c) Quando exigível, apresentem declaração da or-
estrangeiros que tenham contrato ou promessa de con- dem profissional respectiva de que preen-
trato de trabalho, válidos nos termos da lei, que indique chem os respectivos requisitos de inscrição.
a natureza do emprego a prestar, o vínculo laboral, a
categoria profissional, qualidade técnica, profissional 2. Excepcionalmente, por iniciativa do membro do Go-
ou especialidade do requerente, o local da prestação do verno responsável pela área da administração interna,
trabalho, a duração do emprego e o salário mensal e pode ser dispensada condição prevista na alínea a) do
demais prestações suplementares ilíquidas a pagar ao número 1 do artigo 47.º, desde que se verifique a entrada
requerente. e a permanência legais em território nacional.
2. Excepcionalmente, por iniciativa do membro do Go- 3. O titular de uma autorização de residência para
verno responsável pela área da administração interna, exercício de uma actividade profissional independente
pode ser dispensada a condição prevista na alínea a) do pode exercer uma actividade profissional subordinada,
número 1 do artigo 47.º, desde que o estrangeiro, além sendo aplicável, com as necessárias adaptações, o dis-
das demais condições gerais previstas nessa disposição, posto no artigo anterior, mediante substituição do título
preencha as seguintes condições: de residência.
a) Possua um contrato de trabalho ou uma relação Artigo 51.º
laboral devidamente comprovada;
Autorização de residência para actividade altamente
b) Tenha entrado legalmente em território nacio- qualificada
1 874000 001136

nal e aqui permaneça legalmente;


1. É concedida autorização de residência a estrangeiros
c) Tenha a sua situação regularizada perante a se- para efeitos de exercício de uma actividade docente ou
gurança social. de investigação num estabelecimento de ensino superior
3. A concessão de autorização de residência para efeitos ou altamente qualificada que, para além das condições
de exercício de actividade profissional subordinada pode, estabelecidas no artigo 47.º, preencham um dos seguintes
por decisão do Governo, ficar dependente da existência requisitos:
de oportunidades de trabalho que não possam ser pre- a) Sejam admitidos a colaborar numa instituição
enchidas por nacionais cabo-verdianos ou estrangeiros de ensino superior, nomeadamente através
residentes legais. de um contrato de trabalho, de um contrato
4. A concessão de autorização de residência nos termos de prestação de serviços ou de uma bolsa de
dos números anteriores é comunicada pela DEF aos investigação científica;
departamentos responsáveis pela administração fiscal e
b) Disponham de contrato de trabalho ou de con-
pela segurança social.
trato de prestação de serviços compatível com
5. O titular de uma autorização de residência para uma actividade altamente qualificada.
exercício de uma actividade profissional subordinada
pode exercer uma actividade profissional independente, 2. O requerente pode ser dispensado da condição a que
mediante substituição do título de residência, sendo se refere a alínea a) do número 1 do artigo 47.º sempre
aplicável, com as necessárias adaptações, o disposto no que tenha entrado e permanecido legalmente em terri-
artigo seguinte. tório nacional.
Artigo 50.º Artigo 52.º

Autorização de residência para exercício de actividade pro- Autorização de residência para actividade de investimento
fissional independente ou actividade económica relevante

1. Para além das condições gerais estabelecidas no 1. É concedida autorização de residência, para efeitos
artigo 47.º, só é concedida autorização de residência de exercício de uma actividade de investimento ou acti-
para exercício de actividade profissional independente vidade económica relevante, aos estrangeiros que:
a estrangeiros que preencham os seguintes requisitos:
a) Preencham as condições gerais estabelecidas no
a) Tenham constituído sociedade nos termos da artigo 47.º, com excepção da alínea a) do nú-
lei ou celebrado um contrato de prestação de mero 1;
serviços para o exercício de uma profissão li-
beral que indique, pelo menos, a natureza do b) Tenham visto válido ou se encontrem legalmen-
serviço a prestar, o vínculo a estabelecer com te em território nacional;

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1496 I SÉRIE — NO 43 «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 17 DE JULHO DE 2014

c) Solicitem visto de residência no prazo de sessen- que com ele tenham vivido noutro país, que dele depen-
ta dias a contar da data da primeira entrada dam ou que com ele coabitem, independentemente de
em território nacional; os laços familiares serem anteriores ou posteriores à
entrada do residente em território nacional.
d) Realizem uma actividade de investimento tal
como definida na alínea d) do artigo 2.º e 2. Nas circunstâncias referidas no número anterior
apresentem declaração das actividades com- é igualmente reconhecido o direito ao reagrupamento
petentes que comprove que a mesma está au- familiar com os membros da família que tenham entrado
torizada, registada ou licenciada ou em con- legalmente em território nacional e que dependam ou
dições de o ser. coabitem com o titular de uma autorização de residência
válida.
2. O disposto no número anterior é aplicável ao es-
trangeiro que estiver autorizado a exercer no país, por 3. Para efeitos do disposto no presente artigo, conside-
si ou através de sociedades comerciais, uma actividade ram-se membros da família do residente:
económica ou outra de reconhecido interesse nacional
a) O cônjuge;
ou apresentar documento das autoridades competentes
atestando que preenche os requisitos legais para que a b) Os filhos menores, ou a cargo do casal ou de um
actividade seja autorizada, registada ou licenciada. dos cônjuges;
Subsecção II
c) Os menores adoptados.
Autorização de residência para estudo
4. O reagrupamento familiar com filho menor ou inca-
Artigo 53.º paz de um dos cônjuges depende da autorização do outro
Autorização de residência para estudantes progenitor ou de decisão de autoridade competente de
do ensino superior acordo com a qual o filho lhe tenha sido confiado.
1. É concedida uma autorização de residência ao estu- 5. Para o exercício do direito ao reagrupamento fami-
dante do ensino superior que: liar deve o requerente dispor de alojamento e meios de
a) Preencha as condições gerais estabelecidas no subsistência para a família.
artigo 47.º; Artigo 55.º
1 874000 001136

b) Tenha sido admitido num estabelecimento de Pedido


ensino superior reconhecido e apresentem 1. O pedido de autorização de residência para reagru-
prova da matrícula e do pagamento das pro- pamento familiar deve ser acompanhado de:
pinas exigidas pelo estabelecimento;
a) Documentos que atestem a existência de laços
c) Disponha de meios de subsistência definidos por
familiares relevantes;
portaria do membro do Governo responsável
pela área da administração interna; b) Documentos que atestem o cumprimento das
condições de exercício do direito ao reagrupa-
d) Disponha de seguro de saúde.
mento familiar;
2. A autorização de residência é válida por um período
c) Documentos de viagem dos familiares.
de um ano e é renovável, por iguais períodos, se o seu
titular continuar a preencher as condições estabelecidas 2. A DEF pode, se necessário, proceder a entrevistas
no número anterior. com o requerente do reagrupamento e os seus familiares e
conduzir outras investigações que considere necessárias.
3. Se a duração do programa de estudos for inferior
a um ano, a autorização de residência tem a duração 3. O pedido de autorização de residência para reagru-
necessária para cobrir o período de estudos. pamento familiar pode ser indeferido nos seguintes casos:
4. No termo da conclusão dos estudos, pode ser concedida a) Quando não estejam reunidas as condições de
uma autorização de residência para efeitos de exercício exercício do direito ao reagrupamento familiar;
de actividade profissional subordinada, independente ou
altamente qualificada com dispensa da condição previsto b) Quando o membro da família esteja interdito de
na alínea a) do número 1 do artigo 47.º, sempre que o entrar em território nacional;
estrangeiro preencha as condições estabelecidas nos c) Quando a presença do membro da família em
artigos 49.º, 50.º e 51.º, mediante substituição do título território nacional constitua uma ameaça à
de residência. ordem pública, à segurança pública ou à saú-
Subsecção III de pública.
Autorização de residência para reagrupamento familiar 4. Quando à decisão de deferimento de pedido de rea-
Artigo 54.º grupamento familiar obstem razões de ordem pública ou
segurança pública, devem ser tomadas em consideração
Direito ao reagrupamento familiar
a gravidade ou o tipo de ofensa à ordem pública ou à
1. O estrangeiro com autorização de residência válida segurança pública cometida pelo familiar, ou os perigos
tem direito ao reagrupamento familiar com os membros que possam advir da permanência dessa pessoa em ter-
da família que se encontrem fora do território nacional, ritório nacional.

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I SÉRIE — NO 43 «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 17 DE JULHO DE 2014 1497

5. Antes de ser proferida decisão de indeferimento de penais ligadas ao tráfico de pessoas, ao tráfico ilícito de
pedido de reagrupamento familiar, são tidos em consi- imigrantes ou ao auxílio à imigração ilegal, mesmo que
deração a natureza e a solidez dos laços familiares da tenha entrado ilegalmente no país ou não preencha as
pessoa, o seu tempo de residência em Cabo Verde e a condições de concessão de autorização de residência.
existência de laços familiares, culturais e sociais com o
país de origem. 2. A autorização de residência a que se refere o número
anterior é concedida após o termo do prazo de reflexão
6. A decisão de indeferimento é notificada ao reque- entre trinta e sessenta dias para permitir à vítima recu-
rente com indicação dos seus fundamentos, dela devendo perar e escapar à influência dos autores das infracções
constar o direito de impugnação judicial e o respectivo em causa, desde que:
prazo.
a) Seja necessário prorrogar a permanência do in-
7. A decisão de indeferimento do pedido de autorização
teressado em território nacional, tendo em
de residência para reagrupamento familiar é susceptível
conta o interesse que a sua presença repre-
de impugnação judicial, com efeito suspensivo.
senta para as investigações e procedimentos
Artigo 56.º judiciais;
Autorização de residência dos membros da família
b) O interessado mostre vontade clara em colaborar
1. Tendo sido deferido o pedido de reagrupamento fami- com as autoridades na investigação e repres-
liar, ao membro da família que seja titular de um visto de são do tráfico de pessoas, do tráfico ilícito de
residência ou temporário ou que se encontre legalmente imigrantes ou do auxílio à imigração ilegal;
em território nacional é concedida uma autorização de
residência de duração idêntica à do residente. c) O interessado tenha rompido as relações que tinha
com os presumíveis autores das infracções refe-
2. Ao membro da família do titular de uma autorização
ridas no número anterior.
de residência permanente é emitida uma autorização de
residência renovável, válida por dois anos, renovável por 3. A autorização de residência pode ser concedida
iguais períodos nos termos gerais. antes do termo do prazo de reflexão, se se entender que
Artigo 57.º o interessado preenche de forma inequívoca o critério
previsto na alínea b) do número anterior.
1 874000 001136

Cancelamento da autorização de residência do membro


da família
4. Pode igualmente ser concedida autorização de resi-
1. Sem prejuízo do disposto no artigo 63.º, a autorização dência ao estrangeiro identificado como vítima de tráfico
de residência emitida ao abrigo do direito ao reagrupa- de pessoas, com dispensa das condições estabelecidas nas
mento familiar é cancelada quando se conclua a que o alíneas a) e b) do número 2.
casamento ou a adopção teve por fim único permitir à
pessoa interessada entrar ou residir no país. 5. A autorização de residência concedida nos termos
dos números anteriores é válida por um período de um
2. Podem ser efectuados inquéritos e controlos especí-
ano e renovável por iguais períodos, se as condições enu-
ficos quando existam indícios fundados de fraude ou de
meradas no número 2 continuarem a estar preenchidas
casamento ou adopção de conveniência, tal como definidos
ou se se mantiver a necessidade de protecção da pessoa
no número anterior.
identificada como vítima de tráfico de pessoas.
3. Antes de ser proferida decisão de cancelamento da
autorização de residência ao abrigo do reagrupamento 6. Ao estrangeiro titular de uma autorização de resi-
familiar, são tidos em consideração a natureza e a solidez dência concedida ao abrigo do presente artigo, que não
dos laços familiares da pessoa, o seu tempo de residência disponha de recursos suficientes, é assegurada a sua
em Cabo Verde e a existência de laços familiares, cultu- subsistência e o acesso a tratamento médico urgente e
rais e sociais com o país de origem. adequado.

4. A decisão de cancelamento é notificada ao interes- Artigo 59.º


sado com indicação dos seus fundamentos, dela devendo
Cancelamento da autorização de residência
constar o direito de impugnação judicial e o respectivo
prazo. Sem prejuízo do disposto no artigo 63.º, a autorização
5. A decisão de cancelamento da autorização do membro de residência concedida ao abrigo da presente subSecção
da família é susceptível de impugnação judicial, com pode ser cancelada a todo o tempo se:
efeito suspensivo.
a) O titular tiver reatado activa e voluntariamente,
Subsecção IV por sua própria iniciativa, contactos com os
Autorização de residência a vítimas de tráfico de pessoas presumíveis autores de tráfico de pessoas ou
ou de acção de auxílio à imigração ilegal de auxílio à imigração ilegal; ou
Artigo 58.º
b) Resultar apurado pela autoridade responsável
Autorização de residência
pela cooperação referida no número anterior
1. Pode ser concedida autorização de residência ao é fraudulenta ou que a denúncia da vítima é
estrangeiro que seja ou tenha sido vítima de infracções infundada ou constitui simulação de crime.

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1498 I SÉRIE — NO 43 «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 17 DE JULHO DE 2014


Subsecção V b) Por razões humanitárias;
Autorização de residência em situações especiais c) Por razões de interesse público decorrentes do
Artigo 60.º exercício de uma actividade relevante no do-
mínio científico, cultural, desportivo, econó-
Autorização de residência com dispensa de visto ou condição
equivalente mico ou social;

Não carecem de cumprir o disposto na alínea a) do d) Quando o estrangeiro é natural de Cabo Verde.
número 1 do artigo 47.º para obtenção de autorização de Secção III
residência temporária os estrangeiros: Autorização de residência permanente

a) Menores, filhos de estrangeiros titulares de au- Artigo 62.º


torização de residência, nascidos em territó- Concessão de autorização de residência permanente
rio cabo-verdiano, devendo o pedido de auto- 1. Beneficiam de uma autorização de residência per-
rização de residência ser formulado no prazo manente estrangeiros que, cumulativamente:
de seis meses após o nascimento;
a) Sejam titulares de autorização de residência
b) Filhos de titulares de autorização de residência temporária há pelo menos cinco anos, ou, no
que tenham atingido a maioridade e tenham caso de estrangeiros naturais de Cabo Verde,
permanecido habitualmente em território na- há três anos, ou que se tenham aposentado
cional desde os dez anos de idade; nos termos da lei;
c) Maiores, nascidos em território nacional, que b) Disponham de meios de subsistência, nos termos
daqui não se tenham ausentado ou que aqui do número 4 do artigo 47.º;
tenham permanecido desde idade inferior a
c) Não tenham sido condenados em pena ou penas
dez anos;
que, isolada ou cumulativamente, ultrapas-
d) Que sofram de uma doença que requeira assis- sem um ano de prisão;
tência médica prolongada que obste ao retor-
d) Não constituam uma ameaça à saúde pública;
no ao país, a fim de evitar risco para a saúde
do próprio; e) Não constituam uma ameaça à segurança e or-
1 874000 001136

dem públicas;
e) Que não se tenham ausentado do território na-
cional e cujo direito de residência tenha ca- f) Disponham de alojamento;
ducado; g) Comprovem ter conhecimento da língua nacional e
f) Que tenham filhos menores residentes em Cabo oficial de Cabo Verde.
Verde ou com nacionalidade cabo-verdiana 2. O período de residência anterior à entrada em vigor
sobre os quais exerçam efectivamente as res- da presente lei releva para efeitos do disposto no número
ponsabilidades parentais e a quem assegu- anterior.
rem o sustento e a educação;
3. À apreciação do pedido de autorização de residência
g) Que sejam, ou tenham sido, vítimas de explo- permanente é aplicável, com as necessárias adaptações,
ração salarial ou de horário, em condições o disposto no número 5 do artigo 44.º.
de trabalho particularmente abusivas, desde 4. O surgimento de uma doença prevista no número
que tenham denunciado a situação às entidades 6 do artigo 44.º após a concessão de autorização de resi-
competentes e com elas colaborem; dência temporária em território nacional não pode, por
h) Que tenham beneficiado de autorização de resi- si só, justificar a recusa de concessão de autorização de
dência concedida ao abrigo do artigo 58.º; residência permanente ao requerente que cumpra os
demais requisitos da lei.
i) Que à data em vigor do presente diploma perma-
neciam em situação irregular em Cabo Verde 5. A autorização de residência permanente não tem
tendo entrado comprovadamente em territó- prazo de validade e é titulada por um título de residência
rio nacional há três anos. nos termos do artigo 40.º.
Secção IV
Artigo 61.º
Cancelamento da autorização de residência
Regime excepcional
Artigo 63.º
Quando se verificarem situações extraordinárias a que Cancelamento da autorização de residência
não sejam aplicáveis as disposições previstas no artigo
anterior, mediante proposta do Director da DEF ou por 1. A autorização de residência é cancelada sempre que:
iniciativa do membro do Governo responsável pela área a) O seu titular tenha sido objecto de uma decisão
da administração interna pode, a título excepcional, ser de expulsão do território nacional; ou
concedida ou renovada autorização de residência tem-
b) A autorização de residência tenha sido concedida
porária a estrangeiros que não preencham os requisitos
com base em declarações falsas ou enganosas,
exigidos na presente lei, nas seguintes situações:
documentos falsos ou falsificados, ou através
a) Por razões de interesse nacional; da utilização de meios fraudulentos; ou

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I SÉRIE — NO 43 «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 17 DE JULHO DE 2014 1499

c) Em relação ao seu titular existam razões sérias geiro titular de autorização de residência tem direito,
para crer que cometeu actos criminosos gra- sem necessidade de autorização especial e nas mesmas
ves ou existam indícios reais de que tenciona condições garantidas aos nacionais cabo-verdianos, de-
cometer actos dessa natureza; ou signadamente:
d) Por razões de ordem ou segurança pública. a) À educação e ensino bem como à criação e direc-
ção de estabelecimentos de ensino, de acordo
2. Sem prejuízo da aplicação de disposições especiais, a com o estabelecido na legislação vigente;
autorização de residência pode igualmente ser cancelada
quando o interessado, sem razões atendíveis, se ausente b) Ao exercício de uma actividade económica ou
do país: profissional, subordinada ou independente,
sem prejuízo do disposto no artigo seguinte;
a) Sendo titular de uma autorização de residência
temporária, seis meses consecutivos no perío- c) Ao acesso à saúde.
do total de validade da autorização; 2. É garantida a aplicação das disposições que assegu-
rem a igualdade de tratamento dos estrangeiros, nome-
b) Sendo titular de uma autorização de residência
adamente em matéria de segurança social, de benefícios
permanente de vinte e quatro meses, num pe-
fiscais, de reconhecimento de diplomas, certificados e
ríodo de quatro anos.
outros títulos profissionais ou de acesso a bens e serviços
3. A ausência para além dos limites previstos no nú- à disposição do público, bem como a aplicação de dispo-
mero anterior deve ser justificada mediante pedido apre- sições que lhes concedam direitos especiais.
sentado na DEF antes da saída do residente do território Artigo 66.º
nacional ou, em casos excepcionais, após a sua saída.
Direitos políticos, direitos e deveres reservados aos nacio-
nais e exercício de actividade política ou de funções públicas
4. Não é cancelada a autorização de residência aos
cidadãos que estejam ausentes por períodos superiores 1. O estrangeiro que resida ou se encontre no território
aos previstos no número 2, quando comprovem que du- nacional não goza dos direitos políticos e dos direitos
rante a sua ausência do território nacional estiveram e deveres reservados constitucional e legalmente aos
no país de origem e que no mesmo desenvolveram uma cidadãos nacionais.
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actividade profissional ou empresarial ou de natureza


cultural ou social. 2. Ao estrangeiro legalmente residente no território
nacional é, no entanto, atribuída capacidade eleitoral
5. O cancelamento da autorização de residência deve activa e passiva para eleições dos titulares dos órgãos das
ser notificado ao interessado e comunicado, com indicação autarquias locais, nos termos da respectiva legislação.
dos fundamentos da decisão e implica a apreensão do
correspondente título de residência. 3. Os estrangeiros legalmente autorizados a residir
em Cabo Verde, salvo acordo ou convenção internacional
6. É competente para o cancelamento o membro do em contrário, não podem exercer funções públicas ou
Governo responsável pela área da administração interna, que impliquem o exercício de poder de autoridade, com
com a faculdade de delegação no Director da DEF. excepção das que tenham carácter predominantemente
técnico ou actividades de carácter docente ou de inves-
7. A decisão de cancelamento é susceptível de impug- tigação científica.
nação judicial, com efeito não suspensivo. Artigo 67.º

CAPÍTULO VI Liberdade de circulação e residência

Direitos, garantias e deveres dos estrangeiros 1. Os estrangeiros legalmente residentes em Cabo


Verde gozam do direito de livre circulação e de escolha
Artigo 64.º do domicílio, salvo as limitações previstas nas leis e de-
Princípio geral
terminadas pelas entidades ou autoridades competentes
por razões de segurança e ordem públicas.
Os estrangeiros, que legalmente residam ou se en- 2. As limitações por razões de segurança e ordem pú-
contrem em Cabo Verde, gozam dos mesmos direitos e blicas têm carácter individual e só podem consistir nas
garantias e estão sujeitos aos mesmos deveres que o cida- seguintes medidas:
dão cabo-verdiano, com excepção dos direitos e garantias
políticos e dos demais direitos e deveres expressamente a) Apresentação periódica perante as autoridades
reservados por lei ao cidadão cabo-verdiano. competentes;
Artigo 65.º b) Afastamento dos postos fronteiriços e de núcleos
populacionais determinados especificamente;
Direitos do titular de autorização de residência
c) Residência obrigatória em determinado lugar;
1. Sem prejuízo de aplicação de disposições especiais
e de outros direitos previstos na lei ou em convenção d) As demais que sejam susceptíveis de serem im-
internacional de que Cabo Verde seja parte, o estran- postas aos cidadãos cabo-verdianos.

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Artigo 68.º CAPÍTULO VII
Liberdade de reunião e de manifestação
Afastamento do território nacional
Os estrangeiros legalmente residentes em Cabo Verde Secção I
podem exercer os direitos de reunião e de manifestação
Disposições gerais
de acordo com o disposto nas leis que os regulam.
Artigo 72.º
Artigo 69.º
Direito de afiliação sindical e de greve e de inscrição nas Tipos de afastamento coercivo
ordens profissionais
1. O afastamento coercivo de estrangeiros do território
1. Aos trabalhadores estrangeiros legalmente residen- nacional pode ser decidido por autoridade administrativa
tes em Cabo Verde é reconhecido o direito de livre afi- ou judicial.
liação nas organizações sindicais e o direito à greve, que 2. A expulsão administrativa é o afastamento coercivo
exercerão nas mesmas condições que os trabalhadores de estrangeiro que não esteja legalmente autorizado a
nacionais e de acordo com as leis reguladoras da matéria. residir em Cabo Verde ou se encontre em situação de irre-
2. Aos estrangeiros legalmente residentes no país é re- gularidade, determinado por autoridade administrativa.
conhecido o direito de inscrição nas ordens profissionais,
3. A expulsão judicial é o afastamento coercivo de
sem prejuízo das limitações estabelecidas na lei ou nos
estrangeiro, determinado por autoridade judicial como
estatutos de cada ordem profissional.
pena acessória de uma condenação criminal ou, tratando-se
Artigo 70.º de estrangeiro com permanência legal, como medida
Deveres autónoma.
O estrangeiro que deseje entrar ou permanecer em Artigo 73.º
território nacional obriga-se a: Competência
a) Respeitar a Constituição e as demais leis da 1. É competente para a determinação da expulsão
República; administrativa o Director da DEF com faculdade de
b) Declarar a sua identidade e residência, quando delegação.
para tanto solicitado;
2. É competente para o processo de expulsão judicial,
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c) Informar as autoridades cabo-verdianas dos ele- o tribunal competente ou, na falta, o da comarca da resi-
mentos do seu estatuto pessoal, quando tal dência ou do lugar em que o estrangeiro for encontrado.
lhe for exigido; Artigo 74.º
d) Declarar e fazer prova do modo de subsistência Proibição de expulsão colectiva de estrangeiros
para si e seu agregado familiar;
1. É proibida a expulsão colectiva de estrangeiros.
e) Cumprir as demais prescrições legais e directri-
zes administrativas e policiais emanadas das 2. Para efeitos do presente diploma, entende-se por
autoridades competentes. expulsão colectiva a que visa globalmente grupos nacio-
nais, raciais, étnicos ou religiosos.
Artigo 71.º
Artigo 75.º
Garantias
Limites à expulsão
1. O estrangeiro goza em Cabo Verde de todas as ga-
rantias constitucionais e legais reconhecidas ao nacional, 1. Em nenhum caso a expulsão será efectuada para
nomeadamente: país onde o estrangeiro possa ser perseguido por razões
a) Acesso aos órgãos jurisdicionais contra os actos políticas, religiosas, raciais, de convicção filosófica ou lhe
que violem os seus direitos reconhecidos pela possa ser aplicada pena de morte ou de prisão ou outras
Constituição e pela lei; medidas privativas de liberdade perpétuas ou de duração
indeterminada ou possa sofrer tortura, tratamento de-
b) Não ser preso sem culpa formada e sofrer qual- sumano ou degradante.
quer sanção, a não ser nos casos e pelas for-
mas previstas na lei; 2. Verificada qualquer das situações referidas no nú-
mero anterior, o estrangeiro será encaminhado para um
c) Exercício e gozo, de forma pacífica, dos seus di- outro país que o aceite receber.
reitos patrimoniais e não sofrimento de quais-
Artigo 76.º
quer medidas arbitrárias ou discriminatórias
contra os mesmos; Interdição de entrada

d) Não ser expulso ou extraditado, senão nos casos 1. Ao cidadão estrangeiro sujeito a decisão de expulsão
e termos previstos na lei. administrativa nos termos da alínea a) e b) do número 1
do artigo seguinte é vedada a entrada em território na-
2. Em caso de expulsão, extradição, ausência presu-
cional por prazo de cinco anos, sem prejuízo do disposto
mida ou definitiva ou morte do estrangeiro é-lhe asse-
no número 4 do artigo 79.º.
gurado ou aos seus familiares ou herdeiros, os interesses
pessoais, patrimoniais, económicos ou sociais que lhe 2. Nos outros casos de expulsão é interdita a entrada
sejam reconhecidos por lei e que não sejam instrumento, em território nacional, por prazo não inferior a cinco anos,
produto, resultado ou efeito de infracções penais. determinado pela autoridade que decidiu a expulsão.

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3. As medidas de interdição de entrada que não de- Artigo 80.º


pendam de prazos definidos nos termos da lei são perio- Impugnação judicial
dicamente reapreciadas, com vista à sua manutenção
ou eliminação. 1. Da decisão de expulsão administrativa cabe recurso
contencioso nos termos da lei geral para tribunal com-
Secção II
petente.
Expulsão administrativa
2. O recurso judicial não tem efeito suspensivo.
Artigo 77.º
Secção III
Expulsão administrativa
Expulsão judicial
1. Sem prejuízo da aplicação do regime de readmissão,
a expulsão administrativa só pode ser determinado com Artigo 81.º
os seguintes fundamentos:
Pena acessória de expulsão
a) Entrada e permanência ilegais em território na-
cional; 1. Sem prejuízo do disposto na legislação penal, pode
ser aplicada a pena acessória de expulsão:
b) A permanência no país para além do tempo de
estadia permitido pelo visto ou sua prorrogação a) Ao estrangeiro não residente no País, condenado
ou do prazo da autorização de residência ou por crime doloso em pena superior a seis me-
da recusa de renovação da autorização de re- ses de prisão, ainda que convertida em multa;
sidência ou do prazo estabelecido em tratado b) Ao estrangeiro residente no país há menos de
ou acordo internacional de que Cabo Verde cinco anos condenado por crime doloso em
seja parte; pena superior a um ano de prisão.
2. A decisão de expulsão é proferida no prazo máximo 2. A pena acessória de expulsão só pode ser aplicada ao
de quarenta e oito horas após a recepção do processo. estrangeiro com autorização de residência permanente
Artigo 78.º quando a sua conduta constitua uma ameaça suficiente-
Detenção e entrega
mente grave para a ordem pública ou segurança nacio-
nal, devendo, porém, ter-se em conta, na sua aplicação,
1. O estrangeiro que se encontrar em qualquer das si- a prevenção especial, a gravidade dos factos praticados
tuações referidas no número 1 do artigo anterior é detido, pelo arguido, a sua personalidade e o grau de inserção
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se ainda não estiver, por qualquer autoridade e entregue na vida económico-social do país.
à DEF, devendo ser presente ao juiz, no prazo de quarenta
e oito horas a contar da detenção, para determinação Artigo 82.º
da sua colocação em centro de instalação temporária ou Medida autónoma de expulsão judicial
espaço equiparado ou, se for o caso, para aplicação de
medida de coacção prevista na legislação penal. 1. Sem prejuízo das disposições constantes de con-
venções internacionais de que Cabo Verde seja Parte
2. As autoridades, as empresas de navegação marítima, ou a que se vincule, é expulso do território nacional, o
aérea, portuárias e aeroportuárias comunicam às autori- estrangeiro residente ou que permaneça legalmente em
dades dos serviços de polícia de fronteiras a verificação de território nacional:
qualquer das situações previstas no número 1 do artigo
anterior em relação a um estrangeiro. a) Que atente contra a segurança nacional, a or-
dem e segurança públicas e os bons costumes;
Artigo 79.º
Abandono voluntário do território nacional e condução
b) Cuja presença ou actividades no país constitu-
à fronteira
am ameaça aos interesses ou à dignidade do
Estado de Cabo Verde ou dos seus nacionais;
1. O estrangeiro que entre ilegalmente em território
nacional e declare que pretende abandonar o território c) Que não respeitem as leis aplicáveis aos estran-
nacional fica à custódia da DEF para efeitos de condução geiros;
ao posto de fronteira e afastamento no mais curto espaço d) Que tenha praticado actos que, se fossem conhe-
de tempo possível. cidos pelas autoridades cabo-verdianas, te-
2. Em alternativa à detenção e à decisão de expulsão, riam obstado à sua entrada no País.
o estrangeiro que tenha permanecido além do período 2. O disposto no número anterior não prejudica a
autorizado de estadia ou a quem tenha sido cancelada a responsabilidade criminal em que o estrangeiro haja
autorização de residência pode ser notificado pela DEF incorrido.
para abandonar voluntariamente o território nacional no
prazo que lhe for fixado, entre dez e vinte dias. 3. Com excepção dos casos referidos nas alíneas a) e
b) do número 1, não podem ser expulsos do território
3. O prazo referido no número anterior pode ser pror- nacional os cidadãos estrangeiros que:
rogado tendo em conta, designadamente, a duração da
permanência, a existência de filhos que frequentem a a) Tenham nascido em território cabo-verdiano e
escola e a existência de outros membros da família e de aqui residam legalmente;
laços sociais, disso sendo notificado o estrangeiro. b) Tenham a seu cargo filhos menores de naciona-
4. Em derrogação ao disposto no artigo 76.º, o estrangeiro lidade cabo-verdiana ou estrangeira, a resi-
que tenha abandonado o território nacional nos termos dir em Cabo Verde, sobre os quais exerçam
do presente artigo fica interdito de entrar em território de facto as responsabilidades parentais e a
nacional pelo prazo de dois anos. quem assegurem o alimento.

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1502 I SÉRIE — NO 43 «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 17 DE JULHO DE 2014

4. Aos refugiados aplica-se o regime mais benéfico re- Artigo 86.º


sultante de lei ou convenção internacional a que o Estado Execução da decisão de expulsão
de Cabo Verde esteja obrigado.
1. Compete à DEF dar execução às decisões de expulsão.
Secção IV
Processo de expulsão e execução das decisões de expulsão 2. O prazo para a execução da decisão de expulsão não
pode exceder quarenta e cinco dias para os estrangeiros
Artigo 83.º
residentes e oito dias para os restantes, salvo o disposto
Processo de expulsão no número seguinte.
1. Sempre que tenha conhecimento de qualquer facto 3. Em caso de condenação em processo penal em pena
que possa constituir fundamento de expulsão, a DEF de prisão ou outras medidas privativas de liberdade a
organiza um processo, no prazo de oito dias, onde são decisão de expulsão é executada logo que cumpridos os
recolhidos, de forma sumária, os elementos de provas pressupostos para a concessão da liberdade condicional,
que habilitem à decisão administrativa ou aplicação de nos termos da lei, sem prejuízo das convenções de que
medida autónoma de expulsão, bem como à determinação Cabo Verde seja parte.
dos bens necessários a custear as despesas com a execu-
ção da expulsão. 4. Para efeitos do disposto no número anterior, as au-
toridades responsáveis pelos estabelecimentos prisionais
2. Ao estrangeiro contra o qual é instaurado o processo ou pelo cumprimento das medidas privativas de liberdade
referido no número anterior é assegurada a sua audição. comunicam à DEF a data do termo do cumprimento da
3. Do processo consta um relatório sucinto com a descrição pena de prisão ou medida privativa da liberdade, com
dos factos que fundamentam a expulsão e a descrição antecedência de sessenta dias.
dos bens da titularidade do expulsando para efeitos de 5. Durante o processo de expulsão são tidas em conside-
cobertura das despesas com a execução da expulsão. ração as necessidades especiais das pessoas vulneráveis,
4. O processo é remetido, conforme os casos, ao Director em especial dos menores, pessoas com deficiência, idosos,
da DEF ou ao tribunal competente, no prazo máximo de grávidas e pessoas que tenham sido vítimas de tortura,
quarenta e oito horas após a sua conclusão. violação ou outras formas graves de violência psicológica,
física ou sexual.
5. O processo de expulsão tem carácter urgente.
1 874000 001136

Artigo 87.º
6. A decisão é proferida no prazo de setenta e duas Obrigações do expulsando
horas após a recepção do processo.
1. Ao estrangeiro residente contra quem é proferida
7. É enviada cópia da decisão de expulsão à Comissão
uma decisão de expulsão é concedido um prazo de saída
Nacional dos Direitos Humanos e Cidadania, que tem
voluntária do território nacional, entre dez e vinte dias.
a incumbência de monitorizar e assegurar o respeito
pelos direitos fundamentais do expulsando, em especial 2. O estrangeiro residente que não abandone o ter-
o disposto no número 5 do artigo 86.º. ritório nacional no prazo que lhe tiver sido fixado nos
Artigo 84.º termos do número anterior é detido e conduzido ao posto
de fronteira para afastamento do território nacional.
Conteúdo da decisão
3. No âmbito dos processos de expulsão e enquanto não
A decisão de expulsão contém obrigatoriamente:
expirar o prazo previsto no número 1 do presente artigo
a) Os fundamentos de facto e de direito; e no número 2 do artigo anterior, o estrangeiro, se não
estiver instalado em centro de instalação temporária
b) O prazo para a sua execução;
ou em espaço equiparado ou preso em estabelecimento
c) As obrigações legais do expulsando, se não for prisional em caso de pena acessória de expulsão, ficará
detido, enquanto não esgotar o prazo de exe- sujeito às seguintes obrigações, sem prejuízo do disposto
cução; no número 4:
d) A interdição de entrada em território nacional, a) Declarar a sua residência;
com a indicação do respectivo prazo;
b) Não se ausentar da ilha da sua residência, sem
e) A indicação do país para onde não deve ser enca- autorização das autoridades dos serviços de
minhado o estrangeiro; polícia de fronteiras;
f) A ordem de venda dos bens da titularidade do c) Apresentar-se periodicamente perante as auto-
expulsando para custear as despesas de ex- ridades dos serviços de polícia de fronteiras,
pulsão ou a declaração da sua perda a favor de harmonia com o que lhe for determinado;
do Estado.
d) Pagar uma caução, se lhe for determinado.
Artigo 85.º
Notificação
4. Em situações devidamente fundamentadas, no-
meadamente quando se verifiquem razões concretas e
A decisão de expulsão é notificada ou comunicada por objectivas geradoras de convicção de intenção de fuga,
escrito ao estrangeiro, sendo-lhe explicada em língua que sempre que o estrangeiro utilize documentos falsos ou
presumivelmente consiga entender. falsificados, ou tenha sido detectado em situações que

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I SÉRIE — NO 43 «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 17 DE JULHO DE 2014 1503

indiciam a prática de um crime, ou existam razões sérias 2. Considera-se ilegal a permanência de estrangeiros em
para crer que cometeu actos criminosos graves ou indícios território nacional quando esta não tenha sido autorizada de
fortes de que tenciona cometer actos dessa natureza, o harmonia com o disposto na presente lei ou na lei reguladora
cidadão fica entregue à custódia da DEF, com vista à do direito de asilo, bem como quando se tenha verificado a
execução da decisão de expulsão. entrada ilegal nos termos do número anterior.
Artigo 88.º 3. Considera-se ainda ilegal o trânsito de estrangeiros
Comunicação da decisão em território nacional quando estes não tenham garan-
tido a sua admissão no país de destino.
1. A decisão de expulsão e a sua execução são comuni-
Artigo 91.º
cadas, pela via diplomática, às autoridades competentes
do país de destino do estrangeiro. Responsabilidade criminal e civil das pessoas colectivas
e equiparadas
2. Para efeitos do disposto no número anterior os tri-
bunais remetem ao membro do Governo responsável pela 1. As pessoas colectivas e entidades equiparadas são
área da justiça cópia autenticada da decisão de expul- responsáveis, nos termos gerais, pelos crimes previstos
são ou da sentença condenatória, que a reencaminhará na presente lei.
para o membro do Governo responsável pelas relações 2. As entidades referidas no número 1 respondem soli-
exteriores. dariamente, nos termos da lei civil, pelo pagamento das
multas, coimas, indemnizações e outras prestações em
3. A DEF comunica ao membro do Governo responsável
que forem condenados os agentes das infracções previstas
pela área das relações exteriores as decisões de expulsão
na presente lei.
administrativa e a execução da expulsão.
Artigo 89.º 3. À responsabilidade criminal pela prática dos crimes
previstos nos artigos 92.º, 93.º e 97.º, acresce a respon-
Despesas
sabilidade civil pelo pagamento de todas as despesas
1. O expulsando é responsável pelo pagamento das inerentes à estadia e ao afastamento dos estrangeiros
despesas de expulsão. envolvidos, incluindo quaisquer despesas com custos de
envio para o país de origem de verbas decorrentes de
2. Para efeitos do disposto no número anterior, a enti-
créditos laborais em dívida.
dade que proferiu a decisão de expulsão ordena a venda
1 874000 001136

de bens necessários do expulsando, declara a sua perda 4. Podem ainda ser aplicadas às pessoas colectivas e
a favor do Estado ou acciona a caução prevista na alínea entidades equiparadas as seguintes penas acessórias:
d) do número 3 do artigo 87.º, a garantia de repatriamen- a) Proibição de celebrar certos contratos ou contratos
to prevista no número 2 do artigo 35.º ou o disposto no com determinadas entidades;
número 3 do artigo 91.º, consoante os casos.
b) Privação do direito a subsídios, subvenções ou
3. As empresas públicas ou privadas que mantenham incentivos;
estrangeiros em situação irregular ao seu serviço ou
alojados ficam obrigadas a satisfazer as despesas com c) Encerramento definitivo da empresa ou estabe-
a sua expulsão, quando o expulsando não possui meios lecimento por um período até cinco anos;
para o efeito. d) Interdição de exercer, directa ou indirectamente,
4. O disposto no número anterior é aplicável ao subs- outras actividades comerciais ou de criar uma
critor de um termo de responsabilidade nos termos do outra empresa, durante um período máximo
número 4 do artigo 10.º. de cinco anos;

5. Se as despesas de expulsão não puderem ser sa- e) Perda a favor do Estado de produtos e instru-
tisfeitas nos termos dos números anteriores, dar-se-á mentos da infracção.
conhecimento do facto à autoridade diplomática do país Artigo 92.º
para onde será enviado, para efeitos de assunção das Auxílio à imigração ilegal
respectivas despesas.
1. Quem, por qualquer forma, induzir, promover, favo-
6. Na impossibilidade de satisfação dos encargos com recer ou facilitar a entrada, a permanência ou o trânsito
a expulsão, por via diplomática, as mesmas serão supor- ilegais de estrangeiro em território nacional, será punido
tadas pelo Estado, por dotações escritas no orçamento com pena de prisão de um a três anos.
do departamento governamental responsável pela área
das finanças. 2. Quem favorecer ou facilitar, por qualquer forma, a
entrada, a permanência ou o trânsito ilegais de cidadão
CAPÍTULO VIII estrangeiro em território nacional, com intenção lucra-
Disposições penais tiva, é punido com pena de prisão de um a quatro anos.

Artigo 90.º 3. Se os factos forem praticados mediante transporte


ou manutenção do cidadão estrangeiro em condições de-
Entrada, permanência e trânsito ilegais
sumanas ou degradantes ou pondo em perigo imediato
1. Considera-se ilegal a entrada de estrangeiros em a sua vida ou causando-lhe ofensa grave à integridade
território nacional em violação do disposto nos artigos física ou a morte, o agente é punido com pena de prisão
5.º, 7.º, 9.º e 16.º. de dois a oito anos.

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1504 I SÉRIE — NO 43 «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 17 DE JULHO DE 2014

4. A tentativa é punível. 2. Na mesma pena prevista no número anterior incorre


quem, nas mesmas circunstâncias, simular relação laboral
5. As penas aplicáveis às entidades referidas no número
ou de prestação de serviços com o intuito de facilitar de-
1 do artigo 91.º são as de multa, cujos limites mínimos e
terminar ou favorecer a emigração de mão-de-obra ilegal
máximo são elevados ao dobro.
para outro país.
Artigo 93.º
3. Quem, de forma reiterada, praticar os actos previstos
Associação de auxílio à imigração ilegal no número anterior, é punido com pena de prisão de dois
1. Quem promover, fundar ou participar em grupo, a cinco anos.
organização ou associação cuja actividade seja dirigida à 4. A tentativa é punível.
prática dos crimes previstos no artigo anterior é punido Artigo 97.º
com pena de prisão de 1 a 6 anos.
Emprego de trabalhador estrangeiro em situação irregular
2. Quem chefiar os grupos, organizações ou associações
1. Quem, de forma habitual, utilizar o trabalho de
mencionados no número 1, será punido com pena de dois
estrangeiros que não sejam titulares de autorização de
a oito anos de prisão.
residência ou visto que habilite a que permaneçam le-
3. A tentativa é punível. galmente em Cabo Verde, é punido com pena de prisão
até dois anos.
4. As penas aplicáveis às entidades referidas no número
1 do artigo 91.º são as de multa, cujos limites mínimos e 2. Se a conduta referida no número anterior for acom-
máximo são elevados ao dobro. panhada de condições de trabalho particularmente
abusivas ou degradantes, o agente é punido com pena
Artigo 94.º
de prisão de um a cinco anos, se pena mais grave não
Documentos fraudulentos couber por força de outra disposição legal.
1. Quem produzir, falsificar, alterar ou contrafazer, 3. O empregador ou utilizador do trabalho ou serviços
ou por qualquer meio, facultar ou usar documento de de estrangeiro em situação ilegal, com o conhecimento
viagem ou de identificação fraudulentos ou contrafeitos de este ser vítima de infracções penais ligadas ao tráfico
na obtenção de visto ou de autorização de residência nos de pessoas, é punido com pena de prisão de dois a seis
termos desta lei ou para facilitar a prática dos crimes anos, se pena mais grave não couber por força de outra
1 874000 001136

previstos nos artigos anteriores é punido com pena de disposição legal.


prisão de um a quatro anos.
4. As penas aplicáveis às entidades referidas no número
2. Na mesma pena prevista no número anterior incorre 1 do artigo 86.º são as de multa, cujos limites mínimo e
quem produzir, falsificar, alterar ou contrafazer, ou por máximo são elevados ao dobro, podendo ainda ser decla-
qualquer meio, facultar ou usar título de residência ou rada a interdição do exercício da actividade pelo período
visto falsificado ou contrafeito. de três meses a cinco anos.
Artigo 98.º
3. A tentativa é punível.
Atenuação livre da pena
Artigo 95.º

Casamento de conveniência
1. O tribunal pode, nos termos gerais, atenuar livre-
mente a pena a aplicar ao agente dos crimes previstos
1. Quem contrair casamento com o único objectivo de nos artigos 92.º, 93.º e 94.º, que denunciar os autores ou
proporcionar a obtenção ou de obter um visto ou uma au- colaborar de forma substancial, na descoberta de grupo
torização de residência ou defraudar a legislação vigente criminoso organizado.
em matéria de aquisição da nacionalidade é punido com
2. O agente será, prévia e expressamente informado, se
pena de prisão de um a quatro anos.
deseja colaborar, nos termos e para os efeitos do previsto
2. Quem, de forma reiterada ou organizada, fomentar no número anterior.
ou criar condições para a prática dos actos previstos no Artigo 99.º
número anterior, é punido com pena de prisão de dois a
Competência para investigação
cinco anos.
Sem prejuízo das competências atribuídas a outras
3. A tentativa é punível. entidades, cabe à DEF investigar os crimes previstos no
Artigo 96.º presente capítulo e outros que com ele estejam conexos.
Angariação de mão-de-obra ilegal Artigo 100.º
Remessa de sentenças
1. Quem, com intenção de obter, directa ou indirec-
tamente, um benefício financeiro ou um outro benefício Os tribunais enviam à DEF, com a maior brevidade:
material, para si ou para terceiro, aliciar ou angariar com
a) Certidões de decisões condenatórias proferidas em
o objectivo de introduzir, no mercado de trabalho, estran-
processo-crime contra cidadãos estrangeiros;
geiro que não seja titular de autorização de residência ou
visto que habilite ao exercício de uma actividade profis- b) Certidões de decisões proferidas em processos
sional ou com este simular relação laboral é punido com instaurados pela prática dos crimes previstos
pena de prisão de um a quatro anos. na presente lei;

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I SÉRIE — NO 43 «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 17 DE JULHO DE 2014 1505

c) Certidões de decisões proferidas em processos de Artigo 107.º


expulsão; Incumprimento da obrigação de comunicação de dados
d) Certidões de decisões proferidas em processos de
As transportadoras que não tenham transmitido a
extradição de cidadãos estrangeiros.
informação a que estão obrigadas, de acordo com os nú-
CAPÍTULO IX meros 2 e 3 do artigo 23.º ou que a tenham transmitido
de forma incorrecta, incompleta, falsa ou fora do prazo,
Contra-ordenações
são punidas, por cada viagem, com coima de 100.000$00
Artigo 101.º (cem mil escudos) a 300.000$00 (trezentos mil escudos)
Contra-ordenação ou de 250.000$00 (duzentos e cinquenta mil escudos) a
500.000$00 (quinhentos mil escudos), consoante se trata
Salvo disposição especial em contrário, as infracções ao de pessoa singular ou pessoa colectiva.
presente diploma constituem contra-ordenação.
Artigo 108.º
Artigo 102.º
Permanência irregular Falta de pedido de título de residência

1. A permanência de estrangeiros no país além do 1. A infracção ao disposto no número 3 do artigo 42.º e


período autorizado constitui contra-ordenação punível número 1 do artigo 48º constitui contra-ordenação punível
com coima de 10.000$00 (dez mil escudos) a 50.000$00 com coima de 10 000$00 (dez mil escudos) a 50.000$00
(cinquenta mil escudos). (cinquenta mil escudos).
2. A mesma coima é aplicada quando a infracção pre- 2. O estrangeiro que deixar caducar a autorização de
vista no número anterior for detectada à saída do país. residência é punido com a coima de 5 000$00 (cinco mil
3. Sem prejuízo da coima referida nos números ante- escudos) a 10 000$00 (dez mil escudos).
riores, o agente é obrigado ao pagamento da taxa que 3. No caso previsto no número anterior, os valores
deveria ter sido liquidada, caso se encontrasse devida- mínimos e máximos da coima são agravados a 100% por
mente autorizado, sem prejuízo da medida de expulsão cada período de três meses, sucessivamente até o limite
ao caso aplicável. máximo de 100.000$00 (cem mil escudos).
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Artigo 103.º
Artigo 109.º
Falta de boletim de alojamento
Inobservância de determinados deveres
A infracção ao disposto no artigo 23.º, por cada boletim
de alojamento não apresentado no prazo legal constitui A infracção dos deveres de comunicação previstos no
contra-ordenação punível com coima de 2 000$00 (dois artigo 46.º constitui contra-ordenação punível com uma
mil escudos) a 10 000$00 (dez mil escudos). coima de 2 000$00 (dois mil escudos) a 10 000$00 (dez
Artigo 104.º
mil escudos).

Grupos turísticos não comunicados Artigo 110.º

A infracção ao disposto no artigo 22.º constitui contra- Repatriamento a cargo de empresa ou sociedade
ordenação punível com coima de 10 000$00 (dez mil es-
A infracção ao disposto no número 3 do artigo 89.º
cudos) a 50 000$00 (cinquenta mil escudos), sem prejuízo
constitui contra-ordenação, sancionável com coima de 20
de outras sanções estabelecidas na lei.
000$00 (vinte mil escudos) a 50 000$00 (cinquenta mil
Artigo 105.º escudos) por pessoa.
Transporte de pessoa com entrada não autorizada no País
Artigo 111.º
O transporte, para o território nacional, de cidadão Emprego de estrangeiro em situação irregular
estrangeiro que não possua documento de viagem ou
visto, válidos, por transportadora ou por qualquer pessoa Quem utilizar a actividade de estrangeiro não habili-
no exercício de uma actividade profissional, constitui tado com autorização de residência ou visto que autorize
contra-ordenação punível, por cada cidadão estrangeiro o exercício de uma actividade profissional subordinada,
transportado, com coima de 100.000$00 (cem mil escudos) fica sujeito à aplicação, por cada estrangeiro, de uma das
a 300.000$00 (trezentos mil escudos) ou de 250.000$00 seguintes coimas:
(duzentos e cinquenta mil escudos) a 500.000$00 (qui-
nhentos mil escudos), consoante se trata de pessoa sin- a) De 100.000$00 (cem mil escudos) a 500.000$00
gular ou pessoa colectiva. (quinhentos mil escudos), se empregar 1 a 4
estrangeiros;
Artigo 106.º
Violação da medida de interdição de entrada b) De 300.000$00 (trezentos mil escudos) a
1.500.000$00 (um milhão e quinhentos mil
O estrangeiro que entrar em território nacional du- escudos), se empregar 5 a 10 estrangeiros;
rante o período por que essa entrada lhe foi interditada
é punido com coima de 100.000$00 (cem mil escudos) c) De 500.000$00 (quinhentos mil escudos) a
a 500.000$00 (quinhentos mil escudos) e será expulso 4.500.000$00 (quatro milhões e quinhentos mil
administrativamente. escudos), se empregar mais de 11 estrangeiros.

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1506 I SÉRIE — NO 43 «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 17 DE JULHO DE 2014


Artigo 112.º b) Os vistos de turismo concedidos a turistas que
Negligência e pagamento voluntário visitam Cabo Verde no âmbito de uma viagem
organizada a bordo de um navio cruzeiro;
1. Nas contra-ordenações previstas nos artigos ante-
riores a negligência é sancionável. c) As autorizações de residência concedidas a na-
cionais de países com os quais Cabo Verde
2. Em caso de negligência, os montantes mínimos e tenha acordo nesse sentido.
máximos da coima são reduzidos para metade dos quan-
2. Aos naturais de Cabo Verde as taxas são reduzidas
titativos fixados para cada coima.
para metade.
3. Em caso de pagamento voluntário, os montantes CAPÍTULO XI
mínimos e máximos da coima são reduzidos para metade
dos quantitativos fixados para cada coima. Disposições finais e transitórias
Artigo 113.º Artigo 118.º

Competência e processo Competência da Direcção de Estrangeiros e Fronteiras

Compete à DEF velar pelo cumprimento e execução


A aplicação das coimas previstas neste diploma e a
das disposições contidas nesta lei.
instrução dos processos é da competência da DEF.
Artigo 119.º
Artigo 114.º
Dever de colaboração
Destino das coimas
1. Todos os departamentos e organismos do Estado têm
O produto das coimas aplicadas nos termos da presente o dever de se certificarem de que as entidades com as
lei revertem: quais celebram contratos não recebem trabalho prestado
por estrangeiros em situação irregular.
a) Em 70 % para o Estado;
2. Os departamentos e organismos referidos no número
b) Em 30 % para a DEF. anterior podem rescindir, com justa causa, os contratos
celebrados se, em data posterior à sua outorga, as entida-
1 874000 001136

Artigo 115.º
des com quem contrataram receberem trabalho prestado
Aplicação subsidiaria por estrangeiros em situação irregular.
Em tudo o que não estiver regulado no presente 3. Quando emita título que regularize, nos termos da
capítulo é aplicável o regime jurídico geral das contra- presente lei, a situação de estrangeiro que se encontre
ordenações. em território nacional, a DEF comunica aos serviços
competentes em matéria fiscal e da segurança social
CAPÍTULO X os dados necessários à respectiva inscrição, se esta não
Taxas tiver já ocorrido.
Artigo 120.º
Artigo 116.º
Regulamentação
Regime aplicável
1. A presente lei é regulamentada no prazo de noventa
1. As taxas e sobretaxas a cobrar pela concessão de dias.
vistos pelos postos consulares são as que constam da ta-
bela de emolumentos consulares, quando emitidos pelas 2. Até à aprovação da regulamentação referida no
embaixadas e postos consulares. número anterior, mantém-se em vigor o Decreto-Re-
gulamentar n.º 12/99, de 9 de Agosto, com as devidas
2. As taxas e sobretaxas a cobrar pela emissão de vistos adaptações e em tudo o que for compatível com o regime
em território nacional, a emissão de título de residência, constante da presente lei
a concessão de autorização de residência e a sua validação
Artigo 121.º
e demais procedimentos administrativos previstos na
presente lei da competência da DEF são fixados por Disposições transitórias
portaria do membro do Governo responsável pela área
1. Os estrangeiros que se encontram no país em si-
da administração interna.
tuação irregular têm o prazo de noventa dias dias, a
3. O produto das taxas e sobretaxas a cobrar nos termos contar da data de entrada em vigor da presente lei, para
do número anterior constitui receita da DEF. regularizarem a sua permanência ao abrigo do disposto
na presente lei.
Artigo 117.º
2. Os titulares de certidão de residência emitida ao
Isenção ou redução de taxas
abrigo de legislação anterior à presente lei devem pro-
1. Estão isentos de taxa: ceder à substituição do título de que são portadores pelo
título previsto no artigo 40.º, em termos e no prazo a fixar
a) Os vistos oficiais, diplomáticos e de cortesia; em sede de legislação regulamentar.

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I SÉRIE — NO 43 «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 17 DE JULHO DE 2014 1507


Artigo 122.º c) Obrigar a concessionária a subconcessionar,
Norma revogatória sempre que possível e mediante autorização
do concedente, as operações e serviços
1. São revogados o Decreto-Legislativo n.º 6/97, de 5 aeroportuários aos agentes económicos;
de Maio, com as alterações introduzidas pelo Decreto-
Legislativo n.º 3/2005, de 1 de Agosto e pela Lei n.º 6/ d) Estabelecer que os serviços de apoio à navegação
VIII/2011, de 29 de Agosto. aérea não podem ser sub-concessionados
a operadores privados, mantendo-se sob a
2. Até revogação expressa, mantém-se em vigor as responsabilidade da ASA, entidade pública e
portarias aprovadas ao abrigo do diploma referido no concessionária;
número anterior, naquilo em que forem compatíveis com
o regime constante da presente lei. e) Definir o quadro de actuação da ASA, enquanto
concessionária, designadamente os seus
Artigo 123.º
deveres, as suas responsabilidades e os riscos;
Entrada em vigor
f) Estabelecer como prazo máximo da Concessão
A presente lei entra em vigor cento e vinte dias após 50 (cinquenta) anos, sem prejuízo da sua
a data da sua publicação. prorrogação por mais um período, que não
pode ultrapassar 20 (vinte) anos;
Aprovada em 29 de Maio de 2014.
O Presidente da Assembleia Nacional, Basílio Mosso g) Definir um modelo moderno e eficaz de gestão
Ramos e de exploração aeroportuária, bem como
um conjunto de regras que regulem, entre
Promulgada em 2 de Julho de 2014. outros aspectos, o regime dos activos afectos
Publique-se. à concessão e a interacção da concessionária
com o Estado e com a Autoridade Reguladora;
O Presidente da República, JORGE CARLOS DE AL-
MEIDA FONSECA h) Estabelecer um novo paradigma de desempenho
da concessionária por referência a requisitos
Assinada em 3 de Julho de 2014. técnicos mínimos, de disponibilidade, de
O Presidente da Assembleia Nacional, Basílio Mosso capacidade e de segurança dos aeroportos e
1 874000 001136

Ramos de qualidade de serviço;

–––––– i) Transmitir os riscos da concessão para a


concessionária, nomeadamente o risco
Lei nº 67/VIII/2014 comercial, incluindo risco de tráfego
de 17 de Julho limitado no decurso do período de regulação
e respectivas receitas, risco referente
Por mandato do Povo, a Assembleia Nacional decreta, à exploração do serviço concessionado,
nos termos da alínea c) do artigo 175º da Constituição, incluindo, também todos os serviços a prestar;
o seguinte:
Artigo 1.º
j) Transferir para a concessionária a
responsabilidade pela concepção, pelo projecto,
Objecto
financiamento, pela construção e exploração
É concedida ao Governo, autorização legislativa para de novos aeroportos e aeródromos, para
estabelecer o quadro jurídico geral da concessão de além da responsabilidade pelo cumprimento
serviço público aeroportuário de apoio à aviação civil das obrigações de segurança – “safety” e
nos aeroportos e aeródromos do País, da exploração e “security” -, as obrigações ambientais e os
desenvolvimento das infra-estruturas e dos serviços de prejuízos causados a terceiros no exercício
apoio à navegação aérea, em todas as suas vertentes, bem das actividades da concessão e os causados
como da subconcessão do serviço público aeroportuário pelos terceiros por si contratados;
e do licenciamento do uso privativo dos bens de domínio
k) Estabelecer regras gerais do licenciamento do
público aeroportuário e do exercício de actividades e
uso privativo dos bens de domínio público
serviços associados nesses aeroportos e aeródromos, bem
aeroportuário e do exercício de actividades e
como das taxas conexas a estas operações.
serviços nos aeroportos e aeródromos públicos
Artigo 2.º nacionais, bem como das taxas conexas a
Sentido e extensão estas operações;
No âmbito da autorização legislativa concedida pelo l) Harmonizar o sistema de taxas aeroportuárias
artigo 1.º, o Governo está autorizado a: e não aeroportuárias, tendo em conta o
novo paradigma da regulação económica
a) Definir os bens de domínio público aeroportuário;
do sector, que visa a gestão eficiente dos
b) Estabelecer que a ASA- Empresa Nacional serviços de navegação aérea e aeroportuários
de Aeroportos e Segurança Aérea, S. A. é a e a remuneração adequada do capital, que
concessionária das operações e dos serviços permita a realização de investimentos em
referidos no artigo 1.º; novas e nas actuais infra-estruturas;

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