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MAGNOLI, Demétrio (org). História das guerras1. 3ª ed. São Paulo: Contexto, 2006.

Guerras Napoleônicas2

 “[...] as Guerras Napoleônicas foram uma ‘guerra de transição’, a última guerra do ‘velho
mundo’ e a primeira guerra do ‘novo mundo’”. p. 189
 Influência no pensamento político contemporâneo. p. 189
 Guerra e política. Clausewitz: a guerra “não apenas como ‘um ato político’, mas sim como
‘um verdadeiro instrumento da política’”. p. 190

A “DUPLA REVOLUÇÃO” E O NASCIMENTO DA CONTEMPORANEIDADE

 Transição para a contemporaneidade: séculos XIV a XIX. Transformações pré-capitalistas:


a) acumulação de capital (futuro empresariado capitalista); b) liberação de mão-de-obra (fim
de servidão feudal); c) progressos da técnica aplicada á produção (uso da ciência na
economia).
 Dupla revolução. Revolução Industrial (inglesa) e a Revolução Democrático-Burguesa
(francesa). A partir de 1780. Impulso às transformações pré-capitalistas. Começo do fim do
Antigo Regime. Ideia de soberania real (fundamento religioso; desígnios divinos) substituída
pela de soberania popular (fundamento racional; autonomia humana). Novo modo de
produção: lucro e trabalho. Nova dimensão, ampliada, das disputas entre França e
Inglaterra, com envolvimento de outros países, inclusive EUA. Prenúncio da “guerra total” e
das duas guerras mundiais. p. 190

A REVOLUÇÃO FRANCESA E A EUROPA

 Três revoluções para três classes. A Revolução Francesa foi o conjunto de três revoluções
de três classes sociais diferentes: 1) revolução aristocrática, por mais poder local; 2)
revolução burguesa, focada na propriedade privada; 3) revolução popular, urbana (miséria
e trabalho) e rural (posse e servidão). p. 192
 Três eras e seis períodos políticos da Revolução: era das constituições (1789-1792)
(Assembleia Nacional Constituinte): burguês-aristocrático; tipicamente liberal; foco nos
direitos civis, nas liberdades individuais, na reforma do Antigo Regime, na defesa da
propriedade privada; Constituição de 1791; era das antecipações (1792-1794) (Convenção):
burguês-popular; protagonismo dos jacobinos; busca pelos direitos políticos e sociais;
guerra civil; Terror; era das consolidações (1794-1815) (Diretório 1795-1799; Consulado
1799-1804; Império 1804-1815): derrota dos jacobinos e consolidação dos interesses
burgueses; protagonismo do Exército como mantenedor da paz interna; guerras externas de
expansão territorial; ascensão de Napoleão Bonaparte. pp. 192-194
 Relações Revolução x Europa. Três etapas: 1) até 1792 (guerra com a Áustria), movimentos
revolucionários espalham-se pela Europa; 2) de 1792 até 1799 (golpe de Napoleão no 18
Brumário (Novembro)), a França rompe com soberanos europeus; disputas entre o novo e
o Antigo Regime; 3) até 1815, protagonismo de Napoleão, pela guerra e administração das
conquistas; os ideais libertadores tornam-se ideais de conquista e expansão territorial;
tentativa de superar a obra de Carlos Magno; quebra do equilíbrio de poder estabelecido em
1648 (tratados de Münster e Osnabrück, no fim da Guerra dos Trinta Anos). pp. 194-195

AS “FRONTEIRAS NATURAIS” E OS ANTECEDENTES DO IMPÉRIO FRANCÊS

 A ditadura de Napoleão reafirma a supremacia do Executivo sobre o Legislativo, visando a


“consolidação social da burguesia”.

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2 Marco Mondaini
 Expansão territorial. Deve haver alguma inspiração de Napoleão no absolutismo
monárquico, que preconizava a expansão fronteira como forma de manter o inimigo afastado
do reino. Não pregando, a princípio, a expansão territorial, a Revolução, após a vitoriosa
batalha de 1792, defende a criação de “repúblicas irmãs”, que lutassem juntas pela
liberdade. Exitosas tentativas de anexação e ocupação são levadas a cabo, surgindo com
eminência a figura de Napoleão na campanha da Itália, entre 1796 e 1797.
 Interregno de paz. Visando pacificar o ambiente interno, há uma pausa na conquista
territorial, estabelecendo vitórias contra os inimigos externos (russos, austríacos e
napolitanos) e firmando acordos de paz (ingleses). Mas Napoleão manteve uma política
externa agressiva, anexando politicamente territórios das repúblicas irmãs e investindo nas
questões dos Estados fronteiriços e numa política colonial e comercial. Concentrando mais
poderes no Executivo, torna-se Consul Vitalício, em 1802, e, mais tarde, Imperador. Ambição
pessoal e questões de Estado levaram a França, agora Imperial, a uma nova escalada de
guerras. pp. 198-199

O GRANDE EXÉRCITO

 New Model Army. O exército de novo tipo inglês foi um precursor de um exército democrático
que viria a se constituir o exército francês durante a Revolução. Era um exército de
voluntários, que se politizava, no qual o alto comando não mais pertencia, por direito, à elite
política e econômica, mas que privilegiava o mérito pessoal. p. 200
 Grande Armée. O Grande Exército francês tornou-se grande por inovar e promover uma
junção entre o novo e o anterior modelo de exército. Inovando, a partir de uma lei que tornava
obrigatório o serviço militar (1798), recrutou toda uma nação de “massas mobilizadas e
motivadas”. A essa inovação juntou (1793) o antigo exército, pouco numérico, profissional e
de técnica apurada, mesclando “capacidade técnica e disposição ideológica”. Três
elementos decisivos: técnica, entusiasmo e número. Outros dois elementos importantes:
jovialidade do exército (mobilidade, flexibilidade, coragem e combate) e estratégia de guerra
(sempre no ataque com rápidas velocidades de deslocamento). pp. 201-203
 Ao fim, “a França deixa progressivamente de ser a República da Liberdade para transformar-
se no Império da Opressão [...] a Guerra da Revolução Francesa torna-se a Guerra do
Estado francês”. p. 204

DE AUSTERLITZ AO BLOQUEIO CONTINENTAL

 A guerra com a França em 1803 significava para a Inglaterra uma questão geopolítica e
econômica, pois via-se ameaçada em seu domínio marítimo, que poderia influir em suas
pretensões coloniais e comerciais ultramarinas. Para a França, marca o início de um longo
período de guerras, até 1815. p. 204
 No final de 1804 Napoleão é coroado imperador da França. p. 204
 Império napoleônico. Rumo ao domínio europeu, Napoleão queria demonstrar força sobre a
“poderosa” Marinha britânica. Junto à Espanha, sofre uma humilhante derrota na Batalha
de Trafalgar, em 1805, acabando de vez com as pretensões marítimas de Napoleão. Sob
o ataque da Terceira Coalização3, Napoleão alcança sua “maior vitória” de todas, derrotando
105mil homens com apenas 75mil franceses na Batalha de Austerlitz4, na Áustria.
Consequência desta vitória foi a criação da Confederação Reno, um “cinturão territorial de
proteção” contra os russos. A Prússia finalmente entra em conflitos com os franceses, sob
a Quarta Coalização liderada pelos ingleses, tendo seus exércitos destruídos em outubro de
1806. Uma nova batalha em 1807, contra russos e prussianos, leva a um armistício (Paz de
Tilsit) entre o império francês e o russo. Contra a Inglaterra desenvolve-se uma “batalha
econômica”, empreendido pelo Bloqueio Continental: tentava-se isolar a Inglaterra de
qualquer comércio com as nações europeias. Não aderindo ao bloqueio, Portugal é invadida
por Napoleão em novembro de 1807, forçando a família real portuguesa a se refugiar na

3 A Inglaterra, dispondo de um exército inferior ao napoleônico, patrocinou coalizações, até 18 15.


4
Também conhecida como Batalha dos Três Imperados.
América portuguesa. Invadindo os domínios papais em 1808 e destruindo as tropas da
Quinta Coalizão em 1809, o “Império francês alcança sua maior extensão territorial” entre
1810 1811, sendo circunscrito por “uma miríade de Estados vassalos” e apoiado por uma
exitosa diplomacia com as demais potências europeias à exceção da Inglaterra, isolada do
continente. pp. 205-208

DA CAMPANHA RUSSA A WATERLOO

 Capitulação de Bailén. Em 21 de julho de 1808 os dominados espanhóis derrotam os


franceses. Novo tipo de exército: nacionalista, não mercenário, guiados pela noção de
liberdade e igualdade. Fim do mito de invencibilidade. Marco expressivo de derrota das
tropas francesas. pp. 208-210
 Fracasso do Bloqueio Continental. A Inglaterra retoma ou inicia o comércio no norte da
Europa e na América (EUA e América Latina). p. 210
 Campanha russa. Achando-se imbatível, Napoleão, em 24 de junho de 1812, inicia a marcha
à Rússia. Tática da terra arrasada: os russos queimaram as terras e Moscou, não cedendo
nada a Napoleão. Fugindo, Napoleão encontra um inverno precoce que, aliado à tática do
marechal russo Kutuzov de se utilizar a falta de recursos do exército francês contra eles
mesmos, dizima mais de 80% das tropas napoleônicas. p. 210
 Sexta Coalizão. Após a derrota na Rússia, há uma aceleração no processo de declínio do
Império francês. Depois de evitar um golpe de Estado, Napoleão, em 1813, enfrenta a Sexta
Coalizão, formada por Inglaterra, Prússia, Rússia e Áustria, com 320 mil soldados contra
160 mil franceses, que são derrotados na Batalha das Nações em outubro; a derrota final
ocorre com a Capitulação de Paris, em março de 1814, e o exílio de Napoleão, agora sem
apoio popular, na ilha de Elba. p. 211
 O retorno de Napoleão. De forma epopeica, Napoleão retorna à França com o apoio do
marechal Murat. Angariando alguma simpatia da população e o “forte reconhecimento” do
exército, retoma o poder em março/abril de 1815, destituindo Luís XVIII, rei Bourbon exilado
na Inglaterra e que assumira o posto com a abdicação de Napoleão em 6 de abril de 1814.
p. 211
 Sétima Coalizão. Tropas prussianas e inglesas, lideradas pelo general Wellington, derrotam,
uma última vez, Napoleão e suas tropas em Waterloo, na Bélgica, em junho de 1815. Era o
fim da era napoleônica. Exilado na ilha de Santa Helena, Napoleão em 1821, aos 52 anos.
Uma vida permeada pela guerra, Napoleão revolucionou a Europa, levando os ideais da
Revolução Francesa, bem como o domínio despótico do Império Francês. “Em suam,
Napoleão Bonaparte tinha plena consciência de que sua ditadura era oriunda da guerra e
sobre ela se fundamentava. Por isso, a paz só retornaria ao continente europeu com sua
derrota definitiva”. pp. 211-212

AS HERANÇAS DA GUERRA

 Longevidade das ideias revolucionárias. Difusão do Código Civil revolucionário. p. 213


 Liberalismo e nacionalismo. São as duas ideologias contra as quais se debaterão a
Restauração e a reação conservadora no período pós-Bonaparte. O liberalismo será o
modelo econômico e político a predominar. As revoltas nacionalistas retomarão o ideal
igualitários da Revolução. p. 213-214
 Congresso de Viena e a Restauração. “Assim, os 15 anos de domínio do Congresso de
Viena, entre 1815 e 1830, representaram uma solução de compromisso entre os ‘ultras’
adeptos de uma restauração integral e os ‘liberais’ que não aceitavam a ideia do fim da
experiência revolucionária. A mediar esse compromisso nem sempre estável, encontra-se a
fórmula mágica da monarquia constitucional – espaço dos múltiplos conflitos que ocorrerão
até as explosões revolucionárias nacionalistas e liberais de 1830 e 1848”. p. 213
 Domínio inglês. A Inglaterra surge como potência dominante no século XIX e como aquela
que espalhará o ideal liberal. Capitalismo dinâmico. Monarquia constitucional. Rainha dos
mares. pp. 213-214
 Revolução. Agora uma noção permanente. A dominação é uma possibilidade que pode ser
desfeita pela revolução. Ondas revolucionárias: a. mediterrânea (1820-1824); b. a por toda
Europa após a queda dos Bourbons (1829-1834); c. “Primavera dos Povos” (1848). p. 215
 Instituições. Quatro instituições surgiram no século XIX: 1. Estado liberal; 2. Mercado auto-
regulável; 3. Padrão-ouro; 4. Sistema de equilíbrio de poder (paz dos cem anos: 1815-1914)
 O capital financeiro foi o grande garantidor da paz entre as potências: a paz, e também a
guerra, para garantir os lucros. p. 215
 Napoleão. Mito e lenda revolucionária ou “traidor-mor dos ideais de Liberdade, Igualdade e
Fraternidade”? p. 216