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19/03/2019 Aurora polar – Wikipédia, a enciclopédia livre

Aurora polar
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
A  aurora  polar  é  um  fenômeno  óptico  composto  de  um
brilho  observado  nos  céus  noturnos  nas  regiões  polares,  em
decorrência do impacto de partículas de vento solar com a alta
atmosfera  da  Terra,  canalizadas  pelo  campo  magnético
terrestre. [1][2]  Em  latitudes  do  hemisfério  norte  é  conhecida
como aurora boreal (nome batizado por Galileu Galilei  em
1619, [3] em referência à deusa romana do amanhecer, Aurora,
e  Bóreas,  deus  grego,  representante  dos  ventos  nortes).  A
ocorrência  deste  fenômeno  depende  da  ativididade  das
Aurora austral em Wellington, Nova
fulgurações  solares.  Em  latitudes  do  hemisfério  sul  é
Zelândia
conhecida como aurora  austral,  nome  batizado  por  James
Cook, uma referência direta ao fato de estar ao Sul. [4]

O fenômeno não é exclusivo somente ao planeta Terra, sendo
também observável em outros planetas do sistema solar como
Júpiter,  Saturno,  Marte  e  Vênus. [5]  Da  mesma  maneira,  o
fenômeno  não  é  exclusivo  da  natureza,  sendo  também
reproduzível artificialmente através de explosões nucleares ou
em laboratório.

Aurora boreal no Alasca
Índice
Mecanismo
Aurora polar terrestre
Aurora artificial
Aurora em outros planetas
Histórico de pesquisas
O fenômeno na cultura popular
Sons da aurora
Aurora no folclore
Aurora na mídia
Aurora austral vista a partir da Estação
Galeria Polo Sul Amundsen­Scott na Antártica
Referências
Referências extras
Bibliografia
Ver também
Ligações externas
Galeria de imagens

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19/03/2019 Aurora polar – Wikipédia, a enciclopédia livre

Mecanismo
A  aurora  aparece  tipicamente  tanto  como  um  brilho  difuso  quanto  como  uma  cortina  estendida  em  sentido
horizontal.  Algumas  vezes  são  formados  arcos  que  podem  mudar  de  forma  constantemente.  Cada  cortina
consiste  de  vários  raios  paralelos  e  alinhados  na  direção  das  linhas  do  campo  magnético,  sugerindo  que  o
fenômeno  no  nosso  planeta  está  alinhado  com  o  campo  magnético  terrestre.  Da  mesma  forma  a  junção  de
diversos fatores pode levar à formação de linhas aurorais de tonalidades de cor específicas.

Aurora austral registrada às 22:50 (hora local) em Lakes Entrance, Victoria, Austrália

Aurora polar terrestre
A aurora polar terrestre é causada por elétrons de energia de 1 a 15
keV, além de prótons e partículas alfa, sendo que a luz é produzida
quando  eles  colidem  com  átomos  da  atmosfera  do  planeta,
predominantemente  oxigênio  e  nitrogênio,  tipicamente  em
altitudes entre 80 e 150 km. Cada colisão emite parte da energia da
partícula  para  o  átomo  que  é  atingido,  um  processo  de  ionização,
dissociação  e  excitação  de  partículas.  Quando  ocorre  ionização,
elétrons são ejetados, os quais carregam energia e criam um efeito
dominó  de  ionização  em  outros  átomos.  A  excitação  resulta  em Aurora boreal vista da Estação
emissão,  levando  o  átomo  a  estados  instáveis,  sendo  que  estes Espacial Internacional
emitem  luz  em  frequências  específicas  enquanto  se  estabilizam.
Enquanto  a  estabilização  do  oxigênio  leva  até  um  segundo  para
acontecer,  o  nitrogênio  estabiliza­se  e  emite  luz  instantaneamente.  Tal  processo,  que  é  essencial  para  a
formação  da  ionosfera  terrestre,  é  comparável  ao  de  uma  tela  de  televisão,  no  qual  elétrons  atingem  uma
superfície de fósforo, alterando o nível de energia das moléculas e resultando na emissão de luz.

De  modo  geral,  o  efeito  luminoso  é  dominado  pela  emissão  de  átomos  de  oxigênio  em  altas  camadas
atmosféricas (em torno de 200 km de altitude), o que produz a tonalidade verde. Quando a tempestade é forte,
camadas  mais  baixas  da  atmosfera  são  atingidas  pelo  vento  solar  (em  torno  de  100  km  de  altitude),
produzindo a tonalidade vermelho  escura  pela  emissão  de  átomos  de  nitrogênio  (predominante)  e  oxigênio.
Átomos de oxigênio emitem tonalidades de cores bastante variadas, mas as predominantes são o vermelho e o
verde.

O  fenômeno  também  pode  ser  observado  com  uma  iluminação  ultravioleta,  violeta  ou  azul,  originada  de
átomos de nitrogênio, sendo que a primeira é um bom meio para observá­lo do espaço (mas não em terra firme,
pois a atmosfera absorve os raios UV). O satélite da NASA Polar já observou o efeito em raios X, sendo que a
imagem mostra precipitações de elétrons de alta energia.

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A interação entre moléculas de oxigênio e nitrogênio, ambas gerando tonalidades na faixa do verde, cria o efeito
da "linha verde auroral", como evidenciado pelas imagens da Estação Espacial Internacional. Da mesma forma
a interação entre tais átomos pode produzir o efeito da "linha vermelha auroral", ainda que mais raro e presente
em altitudes mais altas.

A  Terra  é  constantemente  atingida  por  ventos


solares, um fluxo rarefeito de plasma quente (gás
de elétrons livres e cátions) emitidos pelo Sol em
todas  as  direções,  um  resultado  de  milhões  de
graus  de  temperatura  da  camada  mais  externa
da  estrela,  a  coroa  solar.  Durante  tempestades
magnéticas os fluxos podem ser bem mais fortes,
assim  como  o  campo  magnético  interplanetário
entre  os  dois  corpos  celestes,  causando
distúrbios  pela  ionosfera  em  resposta  às
tempestades. Tais distúrbios afetam a qualidade
da  comunicação  por  rádio  ou  de  sistemas  de
navegação,  além  de  causar  danos  para
astronautas  em  tal  região,  células  solares  de Representação esquemática da magnetosfera da Terra

satélites artificiais, no movimento de bússolas e
na ação de radares. A resposta da ionosfera é complexa e de difícil modelagem, dificultando a predição para
tais eventos.

A magnetosfera terrestre é uma região do espaço dominada por seu campo magnético. Ela forma um obstáculo
no  caminho  do  vento  solar,  causando  sua  dispersão  em  sua  volta.  Sua  largura  é  de  aproximadamente
190 000 km, e do lado oposto ao sol uma longa cauda magnética é estendida para distâncias ainda maiores.

As auroras geralmente são confinadas em regiões de formato oval, próximas aos polos magnéticos. Quando a
atividade do efeito está calma, a região possui um tamanho médio de 3.000 km, podendo aumentar para 4000
ou 5000 km quando os ventos solares são mais intensos.

A fonte de energia da aurora é obtida pelos ventos solares fluindo pela Terra. Tanto a magnetosfera quanto os
ventos  solares  podem  conduzir  eletricidade.  É  conhecido  que  se  dois  condutores  elétricos  ligados  por  um
circuito  elétrico  são  imersos  em  um  campo  magnético  e  um  deles  move­se  relativamente  ao  outro,  uma
corrente  elétrica  será  gerada  no  circuito.  Geradores  elétricos  ou  dínamos  fazem  uso  de  tal  processo,  mas
condutores também podem ser constituídos de plasmas ou ainda outros fluidos. Seguindo a mesma ideia, o
vento solar e a magnetosfera são fluidos condutores de eletricidade com movimento relativo, e são capazes de
gerar corrente elétrica, que originam tal efeito luminoso.

Como  os  pólos  magnético  e  geográfico  do  nosso  planeta  não  estão  alinhados,  da  mesma  forma  as  regiões
aurorais não estão alinhadas com o pólo geográfico. Os melhores pontos (chamados pontos de auge) para a
observação de auroras encontram­se no Canadá para auroras boreais e na ilha da Tasmânia ou sul da Nova
Zelândia para auroras austrais.

Aurora artificial

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As auroras também podem ser formadas através de explosões nucleares em altas camadas da atmosfera  (em
torno de 400 km). Tal fenômeno foi demonstrado pela aurora artificial criada pelo teste nuclear estadunidense
Starfish Prime em 9 de julho de 1962.  Nessa  ocasião  o  céu  da  região  do  Oceano Pacífico  foi  iluminado  pela
aurora  por  mais  de  sete  minutos.  Tal  efeito  foi  previsto  pelo  cientista  Nicholas  Christofilos,  que  havia
trabalhado  em  outros  projetos  sobre  explosões  nucleares.  De
acordo  com  o  veterano  estadunidense  Cecil  R.  Coale,  alguns
hotéis no Havaí ofereceram festas da bomba de arco­íris  em
seus  telhados  para  acompanhar  o  Starfish  Prime,
contradizendo  relatórios  oficiais  que  indicavam  que  a  aurora
artificial  era  inesperada.  O  fenômeno  também  foi  registrado
em filme nas Ilhas Samoa, em torno de 3 200 km distante da
ilha Johnston, local da explosão.

As simulações do efeito em laboratório começaram a ser feitas
Aurora formada pelo teste nuclear
no  final  de  século  XIX  pelo  cientista  norueguês  Kristian
estadunidense Starfish Prime
Birkeland,  que  provou,  utilizando  uma  câmara  de  vácuo  e
uma esfera, que os elétrons eram guiados em tal efeito para as
regiões polares da esfera. Recentemente, pesquisadores conseguiram criar um efeito auroral modesto visível da
terra ao emitir raios de rádio no céu noturno, tomando uma coloração verde. Da mesma forma que o fenômeno
natural, as partículas atingiam a ionosfera, excitando os elétrons no plasma. Com a colisão dos elétrons com a
atmosfera terrestre as luzes eram emitidas. Tal experimento também aumentou o conhecimento dos efeitos da
ionosfera nas comunicações por rádio. [6]

Aurora em outros planetas
Tanto  Júpiter  quanto  Saturno  também  possuem  campos
magnéticos  muito  mais  fortes  que  os  terráqueos  (Urano,
Neptuno  e  Mercúrio  também  são  magnéticos)  e  ambos
possuem grandes cintos de radiação. O efeito da aurora polar
vem  sendo  observado  em  ambos,  mais  claramente  com  o
telescópio Hubble.

Tais auroras parecem ser originadas do vento solar. Por outro
Aurora em Júpiter. O ponto luminoso no
lado,  as  luas  de  Júpiter,  em  especial  Io,  também  são  fontes
extremo esquerdo é o final do campo
magnético de Io, enquanto os pontos poderosas de auroras. Elas são formadas a partir de correntes
abaixo estão relacionados a Ganímedes e elétricas  pelo  campo  magnético,  geradas  pelo  mecanismo  de
Europa dínamo relativo ao movimento entre a rotação do planeta e a
translação  de  sua  lua.  Particularmente,  Io  possui  vulcões
ativos e ionosfera, e suas correntes geram emissão de rádio, que vêm sendo estudadas desde 1955.

Como as terrestres, as auroras de Saturno criam regiões ovais totais ou parciais em torno do pólo magnético. [7]
Por outro lado, as auroras daquele planeta costumam durar por dias, diferente das terrestres que duram por
alguns minutos somente. Evidências[8] mostram que a emissão de luz nas auroras de Saturno contam com a
participação da emissão de átomos de hidrogênio.

Uma aurora foi recentemente detetada em Marte pela sonda espacial Mars Express durante suas observações
do  planeta  em  2004,  com  resultados  publicados  no  ano  seguinte.  Marte  possui  um  campo  magnético  mais
fraco  que  o  terrestre,  e  até  então  pensava­se  que  a  falta  de  um  campo  magnético  forte  tornaria  tal  efeito
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impossível. [9]  Foi  percebido  que  o  sistema  de  auroras  de  Marte  é  bastante  parecido  com  o  da  Terra,  sendo
comparável  às  nossas  tempestades  de  baixa  e  média  intensidade.  Como  o  planeta  está  sempre  direcionado
para o nosso planeta com seu lado diurno, a observação de auroras é somente possível através de espaçonaves
investigando o lado noturno do planeta vermelho e nunca a partir da Terra.

Vênus,  que  não  possui  um  campo  magnético,  apresenta  também  o  fenômeno,  no  qual  as  partículas  da
atmosfera são diretamente ionizadas pelos ventos solares, fenômeno também presente na Terra.

Histórico de pesquisas
As auroras boreais vêm sendo estudadas cientificamente desde o século XVII. Em 1621, o astrônomo  francês
Pierre  Gassendi  descreveu  o  fenômeno  observado  no  sul  da  França.  No  mesmo  ano,  o  astrônomo  italiano
Galileu  Galilei  começou  a  investigar  o  fenômeno  como  parte  de  um  estudo  sobre  o  movimento  dos  astros
celestes. Como seu raio de estudo limitava­se à Europa, o fato de verificar o fenômeno no norte do continente
levou­o a batizá­lo aurora boreal. No século XVIII o navegador inglês James Cook presenciou no Oceano Índico
o mesmo fenômeno de Galileu, batizando­o aurora austral. A partir de então ficou claro que o efeito não era
exclusivo do hemisfério norte terrestre, criando­se a denominação aurora polar. Na mesma época, o astrônomo
britânico Edmond Halley suspeitou que o campo magnético terrestre estivesse relacionado com a formação de
auroras boreais. Em 1741, Olof Hiorter e Anders Celsius foram os primeiros a noticiar evidências do controle
magnético quando existiam observações de auroras.

Henry  Cavendish,  em  1768,  calculou  a  altitude  no  qual  o


fenômeno  ocorre,  mas  somente  em  1896  uma  aurora  foi
reproduzida  em  laboratório  por  Kristian  Birkeland.  O
cientista,  cujos  experimentos  em  câmara  de  vácuo  com  raios
de elétrons e esferas magnéticas mostravam que tais elétrons
era guiados para as regiões polares, propôs por volta de 1900
que os elétrons da aurora são originados de raios solares. Esse
modelo  possui  problema  devido  à  falta  de  evidências  no
espaço,  tornando­se  obsoleto  em  pesquisas  atuais.
Birkeland[10]  também  deduziu  em  1908  que  as  correntes  de
O experimento de Kristian Birkeland com
magnetismo fluíam na direção leste­oeste. câmaras de vácuo

Mais evidências na conexão com com o campo magnético são
os  registros  estatísticos  das  auroras  polares.  Elias  Loomis  (1860)  e  posteriormente  mais  detalhadamente
Hermann Fritz (1881)[11] estabeleceram que a aurora aparece principalmente em uma região em forma de anel
com raio de aproximadamente 2500 km em volta do pólo magnético terrestre. Loomis também foi responsável
por descobrir a relação da aurora com a atividade solar, ao observar que entre 20 e 40 horas mais tarde de uma
erupção solar, noticiava­se o aparecimento de auroras boreais no Canadá.

Os  trabalhos  de  Carl Stormer  no  campo  do  movimento  de  partículas  eletrificadas  em  um  campo  magnético
facilitaram  a  compreensão  do  mecanismo  de  formação  das  luzes  do  norte.  A  partir  da  década  de  1950
descobriu­se a emissão de matéria pelo Sol, a qual foi chamada vento solar, efeito que também explica o fato
das  caudas  de  cometas  estarem  sempre  opostas  ao  Sol.  Tal  teoria  foi  formulada  pelo  físico  estadunidense
Newman Parker em 1957, tendo sido comprovada no ano seguinte pelo satélite Explorer I. A partir de então, a
exploração  espacial  permitiu  não  somente  um  aumento  do  conhecimento  sobre  as  auroras  terrestres,  mas
também a observação do fenômeno em outros planetas como Júpiter e Saturno.

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James  Van  Allen  provou,  por  volta  de  1962,  ser  falsa  a  teoria  que  a  aurora  era  o  excesso  do  cinturão  de
radiação.  Ele  mostrou  que  a  alta  taxa  de  dissipação  da  energia  da  aurora  iria  rapidamente  secar  todo  o
cinturão de radiação. Logo após tornou­se claro que a maioria da energia era composta de cátions,  enquanto
que as partículas da aurora são quase sempre elétrons com relativa baixa energia.

Em 1972 foi descoberto que a aurora e suas correntes de magnetismo associadas também produzem uma forte
emissão de rádio em torno de 150 kHz, efeito observável do espaço somente.

Aurora polar produzida em laboratório

O fenômeno na cultura popular

Sons da aurora
Através da história as pessoas vêm escrevendo e falando sobre sons
associados às imagens da aurora. O explorador dinamarquês Knud
Rasmussen  mencionou  tal  efeito  em  1932  enquanto  descrevia
tradições  folclóricas  dos  esquimós  da  Gronelândia.  Os  mesmos
sons  no  mesmo  contexto  são  mencionados  pelo  antropólogo
canadense  Ernest  Hawkes  em  1916.  Públio  Cornélio  Tácito,  um
historiador da Roma antiga, escreveu em sua obra Germânia que os
habitantes  da  Germânia  aclamavam  escutá­los  da  mesma
maneira. [12]

Atualmente várias pessoas continuam reportando tais sons, ainda
que  suas  gravações  nunca  tenham  sido  publicadas,  e  que  existam Aurora boreal na Estônia
problemas  científicos  com  a  ideia  de  sons  originados  de  auroras
serem  ouvidos.  A  energia  das  auroras  e  outros  fatores  tornam
improváveis que sons atinjam o solo, e a coincidência dos sons com as mudanças visíveis da aurora entram em
conflito com o tempo de propagação necessário para que o som possa ser ouvido. Algumas pessoas especulam
que fenômenos eletrostáticos induzidos por auroras possam explicar os sons.

Aurora no folclore
Em Mitologia de Bulfinch (1855) por Thomas Bulfinch existe uma citação da mitologia nórdica:

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Aurora boreal

“ As Valquírias são virgens da guerra, montadas em cavalos e armadas com
elmos e lanças. /.../ Quando elas cavalgam adiante em sua mensagem, suas
armaduras derramam uma luz estranha que bruxuleia, que acende por cima


dos céus do norte, fazendo o que os homens chamam "aurora borealis", ou
"Luzes do Norte".[13]
Apesar  de  uma  descrição  marcante,  não  há  citações  na  literatura  escandinava  que  apóiem  tal  afirmação.
Embora a atividade auroral seja comum na região na qual situam­se a Escandinávia e a Islândia, é possível
que  o  pólo  norte  magnético  estivesse  consideravelmente  mais  longe  dessa  região  nos  séculos  anteriores  à
documentação da mitologia, assim explicando a falta de referências. [14]

A primeira citação na mitologia nórdica de norðurljós é encontrada na crônica Konungs Skuggsjá (1250). Seu
autor  havia  ouvido  falar  sobre  o  fenômeno  de  compatriotas  retornando  da  Groelândia,  e  fornece  três
explicações: que o oceano estava rodeado de fogos vastos, que os raios solares podiam atingir o "lado noturno"
do mundo ou que as geleiras podiam armazenar energia de forma a tornarem­se eventualmente fluorescentes.

Um  antigo  nome  escandinavo  para  as  Luzes  do  Norte  é


traduzido como relâmpago de arenque. Acreditava­se que as
luzes  fossem  reflexos  lançados  por  grandes  cardumes  de
arenques para o céu. Outra fonte escandinava refere­se a fogos
que  rodeiam  os  extremos  norte  e  sul  do  mundo.  Isso  coloca
em  evidência  que  os  nórdicos  chegaram  a  se  aventurar  até  a
Antártica,  ainda  que  somente  uma  citação  seja  insuficiente
para formar uma conclusão sólida.

Aurora boreal vista da Estação Espacial O  nome  finlandês  para  a  aurora  é  revontulet,  que  significa


Internacional fogos de raposa. De acordo com a lenda, as raposas feitas de
fogo viviam na Lapónia, e revontulet eram as faíscas que elas
arremessavam para a atmosfera com seus rabos.

Em  estoniano  é  chamado  virmalised,  espíritos  dos  altos  reinos.  Em  algumas  lendas  eles  possuem  caráter
negativo enquanto noutras positivo.

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Os  lapões  acreditava  que  deveria  se  ter  cuidado  e  silêncio  ao  observar  as  estrelas  do  norte  (chamadas
guovssahasat  em  sua  língua),  senão  elas  poderiam  descer  e  matar  o  observador.  Já  os  algonquinos
acreditavam que as luzes eram seus ancestrais dançando ao redor de um fogo cerimonial. No folclore inuit,  a
aurora boreal era composta por espíritos de mortos jogando futebol com uma caveira de morsa pelo céu. Eles
também utilizavam a aurora para chamar seus filhos para casa antes da escuridão, clamando que se a pessoa
fizesse sons em sua presença ela baixaria e a queimaria.

No  folclore  letão,  especialmente  se  a  cor  vermelha  era


observada,  acreditava­se  que  se  tratasse  de  almas  de
guerreiros  mortos,  um  agouro  de  desastre,  como  guerra  ou
fome.  No  folclore  chinês  acredita­se  que  as  auroras  trazem
nascimentos em um período próximo.

É  creditada  como  uma  referência  às  auroras  uma  citação


bíblica do livro de Ezequiel:

“ Olhei, e eis que um vento
tempestuoso vinha do norte, uma
grande nuvem, com um fogo que
emitia de contínuo labaredas, e um
resplendor ao redor dela; e do meio
Imagem de uma aurora austral capturada

do fogo saía uma coisa como o brilho
em 2005 pelo satélite da NASA IMAGE,
de âmbar.[15]
sobreposta digitalmente com A Bolinha
Azul

Aurora na mídia
As auroras já foram bastante referenciadas no cinema, como no filme animado Happy Feet, que se passa na
Antártica e apresenta uma aurora austral. Já uma aurora boreal causou uma anomalia temporária no filme de
2000 Frequency, com Dennis Quaid. Como resultado, um filho conseguiu comunicar­se com seu pai por rádio
amador trinta anos no passado e alterou a curso da história. No primeiro livro da trilogia His Dark Materials, a
Aurora Boreal permite ver um outro mundo através dela.

Na música e na poesia o fenômeno também desperta atenção. O poeta estadunidense Wallace Stevens nomeou
"The  Auroras  of  Autumn"  (que  significa  "As  Auroras  de  Outono"  em  inglês)  um  de  seus  longos  poemas  e  a
coleção de poemas de 1950 no qual ele apareceu. As luzes do norte são mencionadas na canção "Amber Waves"
da cantora e compositora estado­unidense Tori Amos; também são o tema da canção de 1978 de mesmo nome
da banda de folk rock Renaissance. O músico Neil Young refere­se à aurora boreal em sua canção "Pocahontas",
retirada  do  álbum  Rust  Never  Sleeps.  As  bandas  finlandesas  The  Rasmus  e  Kiuas  também  mencionam  o
fenômeno nas canções "Still Standing" e "Warrior Soul", retirada do álbum de 2003 Dead Letters. A banda Foo
Fighters tem uma música chamada "Aurora" no seu disco There Is Nothing Left To Lose. O álbum Vespertine,
da  cantora  islandesa  Björk,  traz  uma  faixa  intitulada  "Aurora",  na  qual  Björk  personifica  este  fenômeno
natural como uma deidade feminina.

No jogo eletrônico The X­Files: The Game as "luzes" são utilizadas pelo Governo Federal dos Estados Unidos
da América para esconder a existência de vida extraterrestre e OVNIs. Nos quadrinhos, uma membra do time
de super heróis Alpha Flight da Marvel Comics é chamada Aurora como referências às luzes do norte.

Em desenho infantil da Disney, os Mini Einsteins, a aurora boreal é enfatizada em dois episódios: "A fuga dos
instrumentos fada" e "A aurora boreal".

https://pt.wikipedia.org/wiki/Aurora_polar 8/10
19/03/2019 Aurora polar – Wikipédia, a enciclopédia livre

No anime Saint Seiya (Os Cavaleiros do Zodíaco, no Brasil), duas técnicas fazem referência a aurora boreal: o
"Aurora Thunder Attack" (Trovão Aurora Ataque) e a "Aurora Execution" (Execução Aurora).

Galeria
     

Uma corona auroral Auroral  boreal  vista  da Três  momentos  de  uma Aurora  boreal  capturada
Estação  Espacial aurora  em  Saturno na Suécia
Internacional capturados  pelo
telescópio Hubble

Referências
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setembro de 2010
2.  «norrsken». Vad varje svensk bör veta (em sueco). Estocolmo: Albert Bonniers Förlag e Publisher
Produktion AB. 2004. p. 540. 654 páginas. ISBN 91­0­010680­1 |coautores= requer |autor= (ajuda)
3.  Greenland's icy fury (1994). Wallace R. Hansen. 32. [S.l.]: Texas A&M University Press. ISBN 978­0­
89096­579­5
4.  Beau Riffenburgh (2007). Encyclopedia of the Antarctic. 2. [S.l.]: CRC Press. ISBN 978­0­415­97024­2
5.  Jill Kalz (2004). Northern Lights. Natural wonders of the world. [S.l.]: The Creative Company. ISBN 978­1­
58341­326­5
6.  Robert Roy Britt (2 de fevereiro de 2005). «First Artificial Neon Sky Show Created» (http://www.livescienc
e.com/technology/050202_light_show.html) (em inglês). Live Science. Consultado em 10 de maio de 2008
7.  «The Dancing Auroras of Saturn» (http://apod.nasa.gov/apod/ap100927.html) (em inglês). Consultado em
27 de setembro de 2010
8.  Dolores Beasle; et al. (16 de fevereiro de 2005). «Saturn's Auroras Defy Scientists' Expectations» (http://hu
bblesite.org/newscenter/newsdesk/archive/releases/2005/06/text/) (em inglês). Hubble Site. Consultado em
10 de maio de 2008
9.  Fraser Cain (18 de fevereiro de 2006). «Mars Express Finds Auroras on Mars» (http://www.universetoday.c
om/am/publish/mars_express_aurorae.html?1722006) (em inglês). Universe Today. Consultado em 10 de
maio de 2008
10.  (em inglês) Birkeland, Kristian (1908). "The Norwegian Aurora Polaris Expedition 1902­3."
11.  (em alemão) Fritz, Hermann (1881). "Das Polarlicht."
12.  (em português) Germania, obra de Cornélio Tácito, citando auroras pelos habitantes de Germânia (http://ww
w.ricardocosta.com/textos/germania.htm)
13.  (em inglês) Texto de Thomas Bulfinch sobre as Valquírias (http://www.mythome.org/bxxxviii.html)
14.  Christie L. Ward (sob pseudônimo "Viking Answer Lady"). «The Aurora Borealis and the Vikings» (http://ww
w.vikinganswerlady.com/njordrljos.htm) (em inglês). Sítio pessoal. Consultado em 10 de maio de 2008
15.  «Ezequiel 1» (http://www.bibliaonline.com.br/acf/ez/1). Bíblia Online. Consultado em 10 de maio de 2008

Referências extras

https://pt.wikipedia.org/wiki/Aurora_polar 9/10
19/03/2019 Aurora polar – Wikipédia, a enciclopédia livre

David P. Stern (11 de agosto de 2002). «Secrets of the Polar Aurora» (http://www.phy6.org/Education/auror
a.htm) (em inglês). Sítio pessoal. Consultado em 10 de maio de 2008
David P. Stern (20 de novembro de 2003). «The Exploration of the Earth's Magnetosphere» (http://www.phy
6.org/Education/Intro.html) (em inglês). Sítio pessoal. Consultado em 10 de maio de 2008

Visão geral da magnetosfera, incluindo auroras

Eather, Robert H. (1980). Majestic Lights. The Aurora in Science, History, and The Arts (em inglês).
Washington, DC: American Geophysical Union. ISBN 0­87590­215­4
Savage, Candace Sherk (1994–2001). Aurora. The Mysterious Northern Lights (em inglês). San Francisco:
Sierra Club Books / Firefly Books. ISBN 0­87156­419­X

Bibliografia
Ricardo Prado. «AURORA ­ O céu aparentemente em chamas» (http://www.geocities.com/CapeCanavera
l/7754/aurora.htm). Sítio pessoal. Consultado em 10 de maio de 2008

Ver também
Campo magnético terrestre
Magnetosfera
Tempestade magnética
Vento solar

Ligações externas
Página sobre aurora boreal (http://www.northern­lights.no) (em inglês)
A física da aurora (http://meted.ucar.edu/hao/aurora/) (em inglês)
Vídeo de alta definição mostrando aurora vista da Estação Espacial Internacional (http://spaceweather.co
m/swpod2011/22sep11/media.mp4?PHPSESSID=vslvibvcqipmqdvqb59v5q5er0)

Galeria de imagens
Galeria de imagens de auroras austrais (http://www.astromia.com/fotostierra/auroraustral.htm) (em
castelhano)
Imagens de auroras boreais na Groelândia (http://www.nickrussill­photography.co.uk/Greenland/Aurora/inde
x0.html) (em inglês)
Imagens de aurora boreal no Alasca e Canadá (http://www.hickerphoto.com/northern­lights­pictures­cat.ht
m) (em inglês)

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