Você está na página 1de 119

UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE

Departamento de HIV&SIDA e Género


Rua Marquês Soveral 960 - C.P. 821 - BEIRA - MOÇAMBIQUE
Tel. 23.31.28.35 – fax 23.31.15.20 e-m: reitoria@ucm.ac.mz

Disciplina Curricular
Habilidades de Vida, Saúde Sexual e
Reproductiva, Género e HIV&SIDA

Manual do Estudante
Por: Prof. Doutora Hemma Tengler

Prof. Dr. Pe Elton Laissone

Beira, Julho 2015

1
Índice

Acronimos e abreviaturas__________________________________________________ 3
Lista de Exercícios_________________________________________________________ 4

Introdução ________________________________________________________________ 5
Objectivo do Módulo Básico __________________________________________________ 6
Estrutura do Manual ________________________________________________________ 6
Exercício Motivador da Disciplina ______________________________________________ 7
Unidade 1. Personalidade ____________________________________________________ 8
Unidade 2. Saúde Sexual e Reproductiva _______________________________________ 27
Unidade 3. Informação Básica Sobre o HIV/SIDA _________________________________ 58
Unidade 4. Vícios e Dependências _____________________________________________ 86
Unidade 5. Habilidades da Vida _____________________________________________ 107
Bibliografia ______________________________________________________________ 117

2
Acrónimos e Abreviaturas

ABC Abstinência, Fidelidade e Condom


ABCD Abstinence, Be FaithFul, Change and Danger
AME Aleitamento Materno Exclusivo
ARVs Antiretrovirais
ATV Aconselhamento e testagem voluntária
CD4 Célula de Defesa
CM Circuncisão masculina
CV Carga Viral
DIU Dispositivo Intra-uterino
DETERMINE Teste rápido de HIV para confirmar o teste UNIGOLD
DOT Terapia directamente observada
DTS Doença de Transmissão Sexual
ELISA Teste laboratorial de diagnóstico de HIV (enzyme-linked immunosorbent assay)
EPI Equipamentos de Protecção Individual
FGM Mutilação genital feminina
HIV / VIH Human Imunedeficiency Virus / Vírus de imuno deficiência humana
INSIDA Inquérito sobre SIDA – Estudo populacional de HIV de 2009
ITS Infecções de Transmissão Sexual
LGTBI Lésbica, Gay, Transgénero, Transsexual, Bissexual, Intersex.
NGO Organização Não Governamental
ONUSIDA Programa de HIV/SIDA das Nações Unidas (Joint United Nations Programme on HIV
& AIDS = UNAIDS)
PCR (Polymerase chain reaction) Teste laboratorial de diagnóstico de HIV
PEP Profilaxia pós-exposição
PF Planeamento familiar
PREP Profilaxia pré exposição
PTV Prevenção da Transmissão Vertical (Transmissão, da mãe para o filho)
PVHS Pessoa ou pessoas vivendo com o HIV & SIDA
QQR Quantidade, Qualidade e Rota
SIDA Síndroma de imuno deficiência adquirida
SIV Vírus da Imuno deficiência Símia
SK Sarcoma de Kaposi
SSR Saúde Sexual e Reproductiva
TARV Tratamento Antiretroviral
TB Tuberculose
TS Trabalhadores do sexo
VABE Valores, Atitudes, Crenças (Beliefs) e Expectativas
UN Nações Unidas
UNIGOLD Teste rápido de HIV mais comum (teste de anticorpos)
UATS Unidade de Aconselhamento e Testagem em Saúde

3
Lista de Exercícios
Exercício motivador
Exercício 1.1: Auto reflexão – As minhas forças, o meu temperamento
Exercício 1.2: Crises da minha vida (para Adultos/Curso noturno) OPCIONAL
Exercício 1.3: Avalia a tua Auto- estima
Exercício 1.4: Os meus principais valores, crenças, atitudes e comportamento (VABEs)?
Exercício 1.5: Preenche a árvore da cultura: Cultura e género
Exercício 2.1: O cérebro do homem e da mulher: Verdade ou exagero?
Exercício 2.2: Identidades sexuais – LGTBIs
Exercício 2.3: Testa a tua perceção da igualdade de género, na vida sexual e reproductiva
Exercício 2.4: O aparelho reproductor e suas funções
Exercício 2.5: Actividade – Risco de gravidez OPCIONAL
Exercício 2.6: Estudo do caso Ivandro
Exercício 2.7: O muro dos riscos de fazer sexo não protegido e não ser fiel, e a porta das
oportunidades
Exercício 2.8: ITSs – Testa o teu conhecimento
Exercício 2.9: Relação saudável entre os parceiros
Exercício 2.10: Estudo do Caso Volvétia
Exercício 3.1: Testa o teu conhecimento sobre o HIV OPCIONAL
Exercício 3.2: Classificação do Risco de transmissão de HIV
Exercício 3.3: Avalia o teu risco
Exercício 3.4: Mitos e medos de fazer o teste de HIV - Teatro
Exercício 3.5: Identifica pelo menos 5 métodos de prevenção
Exercício 3.6: Estudo do Caso - Estrela
Exercício 3.7: Dilemas – Qual a tua opinião?
Exercício 3.8: Um casal serodiscordante gostaria de ter um filho OPCIONAL/Adultos
Exercício 3.9: Testa a tua linguagem
Exercício 4.1: Usando a tabela, identifica os vícios e dependência, suas causas, e efeitos.
Exercício 4.2: Classificação de Drogas ilícitas e tipos de dependência
Exercício 4.3: O diário de consumo de álcool: Avalia e teu risco de te tornares alcoólatra
Exercício 4.4: Situações que podem levar à actividade sexual não desejada
Exercício 4.5: Estudo do caso do Marcolino e da Medina
Exercício 4.6: Teatro do Oprimido: O melhor Smartphone ESCOLHA da CENA 1 ou 2
Exercício 5.1. O caso do Luís – Elaboração do plano de vida
Exercício 5.2. Sonhos que não se realizam, por causa do comportamento.
Exercício 5.3. Exercício prático. Projecto de quatro semanas. OPCIONAL
Exercício 5.4. O Estudo de Caso da Mónica Para estudantes
Exercício 5.5. Exercício Prático. Faz aqui o teu plano de despesas do mês
Exercício 5.6.Cinco passos para comunicar sobre um conflito. Trabalho de pares.

4
Introdução
A Universidade Católica é uma Instituição do Ensino Superior, cujo objectivo é dar formação
humana, isto é, ter uma identidade própria e ser portadora de uma visão cristã do mundo e do
homem. A sua qualidade de ensino é centrada no aluno, e visa assegurar-lhe uma formação de nível
universitário, não apenas académica, mas procurando que ele adquira não só uma competência
científica e disciplinar a este nível, mas tenha também uma formação humana.
A formação humana implica a noção de que o homem é capaz de se tornar íntimo de si mesmo, da
sua personalidade, da sua corporeidade, do seu comportamento, dos seus impulsos, emoções,
valores, crenças e pensamentos, compreendendo a estrutura, a dinâmica e a interdependência de
tais aspectos, tanto na forma particularíssima com que se manifestam no âmbito pessoal, como
também nas variadas formas de expressão, nos outros seres humanos. Dentro desta perspectiva,
todos os aspectos das necessidades psicológicas, físicas e sociais das pessoas devem ser tidos em
conta e vistos como um todo baseado na visão holística, que aborda o cuidado da pessoa inteira -
corpo, mente e espírito.
Foi nesta perspectiva que foi introduzido o Módulo Básico, sobre Habilidades de Vida, Saúde Sexual
e Reproductiva, Género e HIV, agora chamado a Disciplina de “Habilidades de Vida, Género, Saúde
Sexual e Reproductiva e HIV”. Usando métodos participativos, a reflexão e o divertimento, esta
Disciplina pretende promover a capacidade dos estudantes de fazerem escolhas conscientes e
responsáveis, para uma vida saudável, e de fortalecerem os direitos e responsabilidades individuais
e sociais, como uma parte da dignidade humana. A Disciplina foi introduzida, no ano lectivo de 2012.
Em 2014, foi realizada uma avaliação de pares, envolvendo docentes e estudantes da Disciplina. Na
base dos resultados, foi feita a revisão dos manuais didácticos.
Como surge esta Disciplina? A política da UCM sobre HIV & SIDA prevê a integração do HIV no
currículo, e perspectiva a introdução de um Módulo sobre esta matéria. A UCM também tem uma
política sobre Assédio Sexual e, desde 2014, uma política sobre o género, que contempla a
integração do género no currículo. Durante os últimos anos, o trabalho de sensibilização sobre
HIV&SIDA mostrou que deve ser mais abrangente. Por isso, a Disciplina inclui a saúde sexual e
reproductiva, as relações de género, e as habilidades de vida.
O presente manual foi concebido pelos Coordenadores de HIV&SIDA, pelos Capelães da UCM e
representantes dos Núcleos de HIV&SIDA. Agradecemos a todos, pelo seu valioso contributo para
este manual, particularmente ao P.e Fidel Salazar (ex-Capelão Mor), ao P.e Elton Laissone (Capelão
da FAGRENM), ao P.e Manuel Ferreira, SJ, e aos Oficiais do Departmeanto de HIV, Sónia Banguira e
Leovigildo Pechem.

5
1.1 Objectivos da disciplina
Os objectivos desta Disciplina são:
 Conhecer-se a si próprio, como homem ou mulher, com as suas próprias características
e necessidades
 Reconhecer os direitos e deveres de cada um, homem e mulher.
 Aumentar as habilidades de fazer escolhas conscientes, responsáveis e saudáveis, para a
sua vida, particularmente nas áreas da saúde sexual e reproductiva.
 Reduzir a transmissão do HIV, de ITSs e a gravidez não planificada.
 Aumentar a consciência dos perigos de vícios e dependências, e desenvolver estratégias
de prevenir vícios e dependências.
 Criar habilidades de gestão de vida, gestão de tempo, recursos e conflitos.

1.2 Estrutura do Manual


O Manual é composto por 5 unidades:

 Unidade 1: Personalidade

 Unidade 2: Saúde Sexual e Reproductiva

 Unidade 3: Informação Básica sobre HIV/SIDA

 Unidade 4: Vícios e Dependências

 Unidade 5: Habilidades da Vida

Cada unidade começa pela introdução, seguida pelos objectivos, novos


comportamentos desejados e actividades, apresentados no modelo lógico.

Depois segue uma combinação de textos, marcados com o símbolo i.

Em algumas Unidades, constam caixas de texto, com a posição da Igreja Católica, sobre questões
morais importantes.

Parte importante é os exercícios compostos por uma variedade de actividades: reflexão,


questionários, estudos de algum caso, teatro, testes de conhecimentos.

Cada Unidade termina com um breve resumo chamado mensagens chave.

6
Exercício Motivador da Disciplina

Trabalho em 4 ou 5 grupos, compostos por 6 estudantes cada um.


1. Olhem para os cartazes e discutam sobre eles.
2. Qual o cartaz melhor? Qual o cartaz menos atraente? O grupo deve justificar a sua
escolha destes cartazes.
3. Se o tempo permitir, cada grupo deve desenvolver uma mensagem boa, acerca
1 2duma vida feliz e saudável. Os grupos partilham a mensagem que produziram.
1 2

3 4

7
Unidade 1.Personalidade
Introdução

Nesta primeira unidade, faremos uma reflexão sobre a personalidade, o que é ser pessoa, baseando-
nos no ambiente, a que ela está exposta. Debruçar-nos-emos sobre os diferentes estágios de
desenvolvimento psicossocial. Identificaremos valores, crenças e atitudes, que influenciam o
comportamento, e que encontramos na sociedade. Particularmente, vamos identificar as normas
sociais, que influenciam as relações de género. Os exercícios servem para a melhor reflexão e como
impulso para a mudança de comportamento, aumento de auto estima e desenvolvimento da
personalidade.

Modelo Lógico: Metas, Comportamentos desejados, Factores de risco e protecção e actividades da


Unidade

Actividades da Unidade Factores individuais de risco e Comportamentos Metas


4 de protecção 3 2 1

 Conhecer os Consciência das forças e Capitalizar as minhas Desenvolver a


temperamentos fraquezas próprias. forças e controlar os minha
 Autorreflexão sobre as meus temperamentos personalidade
minhas forças e o meu como
temperamento homem/mulher
 Teste de autoestima e Percepção da minha auto-estima. Agir com a viver em
reflexão autoconfiança sociedade
 Conhecer os estágios de Crises da minha vida
desenvolvimento
psicossocial de Erikson Percepção dos meus valores,
 Como os meus VABEs crenças, atitudes e expectativas Agir na base dos
influenciam o meu Percepção da pressão das normas meus valores
comportamento de género prevalecenntes na
 Preencher a árvore de nossa sociedade/cultura Respeitar a igualdade
cultura, com exemplos Intenção de respeitar o outro/o de género
de género outro género

Conteúdo da Unidade
 A personalidade
 Tipos de temperamento
 Estágios de desenvolvimento psicossocial
 As capacidades humanas por desenvolver
 Pilares da auto-estima
 Valores – Crenças – Atitudes – Comportamentos (VABEs)
 Ser homem/ser mulher e a personalidade: A equidade de género
 Cultura e género

8
1.1 A Personalidade

A personalidade é o que nós somos, o que gostamos de ser, fazer e ter, é aquilo
que queremos parecer aos outros. A personalidade desenvolve-se, durante a
vida, e é influenciada por factores físicos, psicológicos, psíquicos, culturais e morais.
Estes factores interligam-se, dependendo de como o indivíduo se adapta ao ambiente, em que a
pessoa vive, ao longo do tempo da vida.

São quatro os factores apontados pelos antropólogos como determinantes da formação da


personalidade de um indivíduo:
1. As características biológicas e genéticas dos sistemas neurofisiológico e endocrinológico;
2. As características do ambiente natural e social, em que o indivíduo vive;
3. A cultura, de que o indivíduo participa;
4. As experiências biológicas e psicossociais únicas, ou a história de vida do indivíduo.

1.2 Os temperamentos

Temperamento designa, em psicologia, um aspecto especial da personalidade: as particularidades


do indivíduo ligadas à sua forma do comportamento. Na essência, temperamento é um estilo
pessoal inerente, uma predisposição natural. O filósofo grego Hipócrates foi o primeiro a formular
uma teoria do temperamento, baseando-a na teoria dos quatro elementos. Segundo ele, há quatro
tipos de temperamento, conforme predominar, no corpo do indivíduo, um dos quatro fluidos
corporais (humores). A sua teoria influenciou todo o pensamento ocidental. Nova teoria foi
formulada por Wundt (1903), que definiu duas dimensões do temperamento: a “intensidade dos
movimentos internos (emoções)" e a "velocidade da variação dos movimentos internos (emoções)".
Acerca da primeira dimensão, Carl G. Jung introduziu a classificação de introvertido (pessoa voltada
para dentro ou fechada) e extrovertido (pessoa voltada para fora, aberta e mais simpática e
acessível).

Os quatro tipos de temperamento de Hipócrates:

A. Sanguíneo: Características

 Pessoa marcante, que não passa despercebida. O


seu espírito é jovial, apaixonado, alegre e sociável.
 É ágil e rápido, tem muita vitalidade, está sempre
animado, gosta do contacto com a natureza, tem
amigos em toda a parte. O seu ritmo é rápido,
entusiasta, os movimentos são amplos, dinâmicos e
expansivos.
 É um actor nato, exuberante. Tem um espírito positivo, prático. É alegre.
 É apreciado, pelo seu carácter optimista e caloroso. Sempre demonstra amabilidade, mesmo
quando não sente nada, podendo até cometer pequenas mentiras, aumentando ou
diminuindo as situações, para aparecer ou conseguir o que deseja.

9
B. Colérico: Características

 É uma pessoa calorosa, rápida, impulsiva. Zanga-se


facilmente;
 Esta pessoa é prática, tem muita força de vontade e é auto-
suficiente, e muito independente;
 Tende a ser determinada e com opiniões fortes, tanto para si
como para os outros, e tende a tentar impô-las.

C. Fleumático: Características
 É uma pessoa calma, tranquila, e raramente fica
zangada;
 As pessoas deste temperamento são bem equilibradas;
 O fleumático é frio e é preciso, na tomada de decisão;
 Ele prefere viver numa vida feliz, sem perturbações;
 Pode se dizer que é o melhor temperamento.

D. Melancólico: Características
 É uma pessoa com alto nível de sensibilidade;
 É o mais rico e o mais complexo de todos os temperamentos;
 O temperamento melancólico geralmente faz com que a
pessoa seja dedicada, talentosa e perfeicionista;
 Esta pessoa é de natureza muito sensível, emocional, e é
propensa à depressão;
 É a pessoa que mais aprecia as artes;
 É propensa à introspecção.

Conclusão:

Na realidade, é muito raro que uma pessoa tenha as características de um só tipo de temperamento.
As personalidades são complexas. O indivíduo nasce com determinado temperamento, mas os
factores ambientais podem modificar-lho: a educação; a alimentação; as doenças; o clima; os
acontecimentos e outros factores causam algumas transformações, nos traços temperamentais. A
vida ensina o homem a controlar ou a estimular o seu temperamento. Conhecendo-nos bem,
podemos dominar os aspectos negativos e estimular e desenvolver os aspectos positivos.

Exercício 1.1: A sopa EU – Personalidade e temperamento

Vamos cozinhar uma sopa com os ingredientes: reflecte, individualmente, sobre estes ingredientes,
e responde, o mais espontâneo e honesto possivel:
a. A base da sopa é o caldo: Qual o género, a orientação sexual, as características biológicas, o
temperamento?
b. Os primeiros ingredientes: Qual o meu estatuto socioeconómico, o meu local de residência,
a minha educação, a minha estrutura familiar?
10
c. Ingredientes adicionais: Quais os hobbies, a religião, a inclinação política, a carreira?
d. Ingredientes secretos: Quais as minhas experiências pessoais, as minhas identidades
escondidas, as minhas mudanças?

Na base da reflexão, adiciona os teus ingredientes na sopa EU:


Determina qual o teu tipo de temperamento e outros
ingredientes da sopa do EU.

Estás convidado a partilhar, no plenário, o resultado, numa


frase:
Sou ………………………………………….……………, o que me marcou foi
………………….…………, gosto ……………………, penso ………………………,
Mudei …..………………….

1.3 Estágios do Desenvolvimento psicossocial

O Desenvolvimento da Personalidade
A personalidade desenvolve-se, ao longo da vida. Não nascemos com ela pronta.
O seu processo de amadurecimento pode dividir-se em três etapas:

* 1ª Fase: dos 0 aos 14 anos - Etapa do EU – é caracterizada pela necessidade de receber, sendo
necessária uma correcta vivência da autoridade, dos limites, da orientação e coisas semelhantes.
* 2ª Fase: dos 15 aos 40 anos - Etapa do NÓS - ocorre aqui uma demanda do compartilhar, até
atingir o NÓS.
* 3ª Fase: dos 40 aos 70 anos - Etapa do DAR - ocorre aqui a demanda do dar, até atingir a
consumação da identidade.

O psicanalista americano Erik Erikson (1976) deu continuidade aos grandes psicólogos como Freud e
Piaget, na distribuição do desenvolvimento humano, por fases. Mas o seu modelo detém algumas
características particulares:
 Em vez do foco fundamental na sexualidade, como Freud, deu mais foco às relações sociais;
 Ampliando a proposta de Freud, verificou que os estágios psicossociais envolvem outras
partes do ciclo vital, além da infância. Erikson reconhece a importância do estágio infantil,
mas observa que o que construímos, na infância, em termos de personalidade, não é fixo, e
pode ser parcialmente modificado, por experiências posteriores;
 A cada estágio, o indivíduo cresce, a partir não só das exigências internas do seu ego, mas
também das exigências do meio, em que vive. Sendo, portanto, essencial a análise da cultura
e da sociedade, em que vive o sujeito em questão;
 Em cada estágio, o ego enfrenta e ultrapassa um conflito. Se este conflito for ultrapassado
de forma positiva, resulta em saúde mental; se for ultrapassado negativamente, leva a um
desajustamento;

11
 Da solução positiva da crise, surge um ego mais rico e mais forte; da solução negativa,
resulta-nos um ego mais fragilizado;
 A cada crise, a personalidade vai se reestruturando e reformulando, de acordo com as
experiências.
É bastante importante perceber que um conflito e uma crise podem ser uma coisa positiva, uma
oportunidade de se desenvolver, de ficar mais maduro, mais coeso, mais sábio!
A teoria de Erikson abrange oito estágios: Vamos estudá-los na figura 1.

Figura 1 : Os estágios de desenvolvimento psicossocial, segundo Erik Erikson

12
Fonte: http://psico2013-08.blogspot.com/

Exercício 1.2 – Crises da minha vida (para Jovens, Adultos / Cursos Nocturnos) OPCIONAL
Vê a 5.ª, a 6.ª ou a 7.ª fase de Erikson, conforme a tua idade própria. Identifica uma crise, por que
passaste, numa destas fases: O que aconteceu, e qual foi o resultado desta crise?

Se tiveres coragem, pedimos para partilhares a tua informação, na plenária. Se não, dá um exemplo
da crise do teu filho/da tua filha, e qual foi o resultado.

1.4 As principais capacidades humanas, por desenvolver

O ser humano não nasce perfeito, e deve desenvolver a sua personalidade,


durante toda a sua vida. Sublinhamos, aqui, cinco capacidades humanas, que
consideramos importante desenvolver.

a) Domínio sobre a afectividade


 Permite aproveitar a riqueza da afectividade, sem se lhe estar submisso .
 Actua orientado por propósitos bem pensados, claros e assumidos conscientemente: não
hesita em pedir ajuda e orientação, mas, ao mesmo tempo, determina-se de maneira
autónoma.
 Persevera, durante muito tempo, enquanto for necessária a acção, para atingir a finalidade
proposta.
 Supera a sua afectividade espontânea; sabe analisar os factos e as pessoas, de maneira mais
profunda; nos conflitos com outras pessoas, sabe aguentar e superar situações.
 Hierarquiza valores, colocando em primeiro lugar os que o projectam para fora de si, em
direcção ao "outro" e, em último lugar, os que se referem directamente a ele próprio.

13
b) Prevalência do amor

Um amor, que se dá aos outros, num processo dinâmico e habitual de integração interpessoal.

Na vida do ser humano, existem diversas etapas, que o vão


preparando para atingir a possibilidade de viver o amor
maduro. Todas elas deverão ser vividas em plenitude. Para
chegar ao amor maduro e enriquecedor, devemos percorrer um
longo caminho:

O caminho do amor:
 Na infância: amor receptivo
 Na adolescência: treino para o amor
 Na juventude: experiência do amor
 Na idade adulta: maturidade, a vida do amor

c) Capacidade de auto-reflexão, de auto-análise, de autocrítica e de crítica dos outros

É o dinamismo do aperfeiçoamento e crescimento pessoal.


 A finalidade da crítica é a análise atenta e objectiva do modo de agir das pessoas e do
acontecer, na sociedade. Isto supõe um processo de identificação de causas, de avaliação de
situações e comportamentos e da procura de novas soluções: tudo se dirige à formulação de
uma verdade.
 O primeiro sinal, início do processo de amadurecimento
pessoal, é o começo da auto-reflexão, da auto-análise e da
autocrítica. Esta atitude é gerada pela consciência da nossa
possibilidade de errar, e da sincera aceitação da crítica, que os
outros fazem de nós. Mas, para que a crítica seja objectiva e
constructiva, deverá respeitar duas condições imprescindíveis:
o O reconhecimento sincero dos aspectos positivos da pessoa
ou do facto em avaliação. Sempre existem aspectos
positivos. Não descobri-los é sinal de imaturidade.
o Não julgar as intenções (evitando o mecanismo da projecção das opiniões subjectivas).
Podemos afirmar que, para as pessoas maduras, tal tipo de crítica ou autocrítica é sempre um
estímulo para crescer

Se eu fico "ferido", quando me criticam, certamente será:


 ou porque eu psicologicamente ainda não sou maduro;
 ou porque a crítica não foi objectiva e constructiva.

Isso sempre acontece, quando interpretamos as intenções dos outros ou os outros interpretam as
nossas.

14
d) Sentido de responsabilidade

O "sentido de responsabilidade" é fruto da vivência. Trata-se de um processo


gradual e progressivo da educação auto consciente. Consequentemente, o
adulto responsável:
 É eficaz no seu agir, consegue normalmente alcançar as finalidades;
 É despachado, evitando a moleza e a acomodação;
 É constante, perseverante, não desanima ante os obstáculos, previstos ou imprevistos;
 Responsabiliza-se também pelos que vão colaborar com ele na tarefa decidida.

O homem que foge das responsabilidades, que não se arrisca conscientemente, quando é preciso,
que não assume, não se compromete, tem os traços da maturidade de uma criança.

e) Capacidade de Adaptação

O adulto maduro tem a capacidade de adaptar-se, criticamente, às diversas circunstâncias da vida. A


adaptação da pessoa madura e psicologicamente adulta constitui-se, num hábito espontâneo de
flexibilidade e sensibilização, face às exigências e expectativas das pessoas e situações, com que
convive.

 A adaptação prévia e fundamental é a aceitação cordial


e funcional da própria realidade individual. Não
podemos adaptar-nos ao meio ambiente, sem termos
aprendido a conviver, consciente e serenamente, com
nós mesmos.
 Uma adaptação madura exigirá que eu saiba administrar
os conflitos, e não apenas evitá-los ou eliminá-los.
 Para amadurecer, é preciso focalizar o triunfo. Se me sinto frustrado, quando não sou
elogiado, estou a cair no infantilismo, porque não confio em mim mesmo. Se não sei elogiar,
mas só criticar, estou a mostrar imaturidade (inveja, ciúme...).

Conclusão:
A maturidade humana, enfim, é: conquista pessoal favorecida pelo próprio esforço, pelo ambiente,
pela educação e pelo dinamismo da acção da graça de Deus no nosso ser. Santo Agotinho define,
com muita sabedoria e simplicidade, o caminho do crescimento humano: "Orar, como se tudo
dependesse de Deus, e agir como se tudo dependesse de nós.”

15
Exercício 1.3. Avalie a sua auto-estima

O teste a seguir foi elaborado pela psicóloga Ana Maria Rossi, presidente da International Stress
Management Association, no Brasil (Isma-BR), com base numa pesquisa internacional, sobre auto-
estima.

Faça o seu teste, e assinale a alternativa, que mais se aplica ao seu caso:
Pergunta Raramente Às vezes Sempre
1 Fico ofendido, ao receber críticas
2 Quando passo por períodos de stress, a minha
saúde fica debilitada e acabo doente
3 Faço coisas contra a minha vontade, para
agradar aos outros e ser aceite no grupo
4 Costumo exagerar os meus defeitos e
minimizar as minhas qualidades
5 Ao conhecer alguém bem-sucedido, fico a
pensar: "Porque não sou eu assim?"
6 Sinto que não posso contar com os meus
amigos, porque a nossa amizade é superficial
7 Sou perfeicionista e exijo muito mais de mim
mesmo que dos outros
8 Relacionar-me com outras pessoas é uma
tarefa árdua, que me exige um enorme esforço
9 Antes de apresentar algum trabalho ou
projecto, sinto que vou fracassar
10 Evito criar intimidade com outras pessoas
11 Sinto-me inseguro, ao encarar um novo
desafio
12 Culpo-me, quando as coisas não me saem
conforme o planeado
13 Quando o meu sucesso é reconhecido,
desconfio dos elogios
14 Acho que pedir ajuda, diante de um
problema, é sinal de fraqueza
15 Antes de um compromisso social, tomo
bebida alcoólica ou algum calmante, para me
sentir mais seguro

Fonte: Rossi, A.M. (2007). Avalie sua auto-estima. Veja, 2015, 4 de Julho. Disponível em
http://veja.abril.com.br/040707/teste_capa.shtml

Cada resposta “raras vezes” recebe 1 ponto; cada resposta “às vezes” recebe 2 pontos; e cada
resposta “sempre” recebe 3 pontos. Calcule o total dos seus pontos.

Analise os seus resultados: Você tem muita auto-estima ou baixa auto-estima?

16
1.5 Os Pilares da Auto-estima

Em psicologia, a auto-estima inclui a avaliação subjectiva, que uma pessoa faz


de si mesma, como intrinsecamente positiva ou negativa, em algum grau
(Sedikides & Gregg, 2003).

A auto-estima envolve umas tantas crenças autossignificantes (por exemplo, "Eu sou
competente/incompetente") e emoções autossignificantes associadas (por exemplo,
triunfo/desespero, orgulho/vergonha). Também encontra expressão no comportamento (por
exemplo, assertividade/temeridade, confiança/cautela).

Psicoterapia para a baixa auto-estima

F. Potreck-Rose e G. Jacob (2006) propõem uma abordagem psicoterapêutica, para a baixa auto-
estima, baseada no que elas chamam "os quatro pilares da auto-estima":

1. Auto-aceitação: uma postura positiva, com relação a si mesmo,


enquanto pessoa. Inclui elementos como: estar satisfeito e de acordo
consigo mesmo, ter respeito a si próprio, ser "um consigo mesmo", e sentir-
se em casa, no próprio corpo;

2. Autoconfiança: uma postura positiva. com relação às próprias


capacidades e desempenho. Inclui as convicções de saber e conseguir fazer
alguma coisa, e de fazê-la bem feita, de conseguir alcançar alguma coisa, de suportar as dificuldades
e de poder prescindir de algo;

3. Competência social: é a experiência de ser capaz de fazer contactos.


Inclui saber lidar com outras pessoas, sentir-se capaz de lidar com situações
difíceis, ter reacções flexíveis, conseguir sentir a ressonância social dos
próprios actos, saber regular a distância-proximidade com outras pessoas;

4. Rede social: é estar ligado a uma rede de relacionamentos positivos.


Inclui uma relação satisfatória, com o parceiro e com a família, ter amigos, poder contar com eles e
estar à disposição deles, ser importante para outras pessoas.

Conclusão

A auto-estima, como parte valorativa do conhecimento de si mesmo, ou seja, o juízo que eu faço
sobre mim mesmo, pode ser concebida como a atitude de uma pessoa sobre si mesma. E também
uma característica da personalidade, se bem que menos estável do que a auto imagem, por ser
sensível a variações do humor. A auto-estima é uma situação-específica característica; ou seja, ela
varia, de acordo com a situação: eu posso estar satisfeito comigo mesmo, quando passei num exame
na universidade, mas insatisfeito, quando estou no campo de futebol, porque não marquei um golo.

17
Resultados da auto-estima elevada:

Os sentimentos de ansiedade e insegurança diminuem


Harmonia entre o que se sente e o que se diz
A necessidade de aprovação diminui
Maior flexibilidade aos factos
Autoconfiança elevada
O amor-próprio aumenta
Satisfação pessoal
Maior à vontade, em oferecer e receber elogios, expressões de afecto.

1.6 Valores – Crenças – Atitudes – Comportamentos

Porque é que as pessoas se comportam da maneira como se comportam?

Segundo Glasser, o “comportamento” tem quatro componentes:

 A actividade – o que fazemos e dizemos.


 O pensamento
 Os sentimentos
 A fisiologia (as reacções do nosso corpo).

O comportamento humano “total” é composto por todas estas componentes. Não são os eventos
que afectam o homem, mas sim a percepção que deles temos. Na verdade, nós escolhemos a nossa
resposta ao mundo. Um modelo de comportamento deve tomar em conta as heranças genéticas,
bem como as influências do mundo que nos rodeia, e as percepções que temos destas influências, e
os valores e pressupostos, que temos, de como o mundo devia ser, e as nossas emoções (Ellis &
Harper, 1997).

Há uma fórmula desenvolvida por Clawson (2001), que explica a base do comportamento: Os VABEs
(valores – crenças – atitudes – expectativas).

Dicas importantes: - Os VABEs variam, em intensidade.


- Os VABEs variam, de pessoa para pessoa

18
Figura 2 Ilustração dos VABEs

Fonte: Adaptado de Clawson, J. G., (2001). Why People Behave the Way They Do , Social Cience Resarch NetworkVol. , pp. 1-27,
Available at SSRN: http://ssrn.com/abstract=910358

As pessoas têm VABEs, sobre como as outras pessoas se devem comportar (vista externa), e têm
VABEs, sobre como elas próprias se devem comportar (vista interna).

A chave, para compreender por que as pessoas se comportam de uma determinada maneira, é a
comparação entre o que as pessoas vêem (= percepção) e o que as pessoas crêem que devia ser (=
os seus VABEs).

Um exemplo: Tu e a tua amiga combinaram encontrar-se à noite, para estudarem juntos. Ambos
vocês se esqueceram, e não compareceram no encontro. Tu achas que ela não quis partilhar os seus
conhecimentos contigo, e sentes-te decepcionado. Ficas com raiva, e, no próximo encontro, insulta-
la. Mas ela pensou que todos cometemos erros, pediu-te desculpa, e ficou calma. Os eventos foram
os mesmos, mas as crenças, os pressupostos, as atitudes e o comportamento não.

As fontes dos valores podem ser: a religião, a cultura, a família, os amigos/colegas, o local de
trabalho (ética de trabalho, responsabilidades no trabalho), a escola/universidade, os eventos
significantes da vida (casamento, morte, doença, acidente, desemprego), os eventos históricos
(guerra, desastres naturais).

Exercício 1.4 Quais os meus valores principais? Um exemplo dos meus VABEs

a. Na lista de valores, a seguir, assinala dez (10) valores, com que te identificas.
b. Depois, faz uma pontuação: 10 pontos para o valor mais importante, 1 ponto para o menos
importante.
19
c. Agora, dá um exemplo do teu VABE: Para o seu valor mais importante, completa a seguinte
frase: O meu valor principal é …………., porque creio na ………………., acho certo fazer/agir
…………….. e espero de outras pessoas que façam o mesmo. Por isso, faço /não faço …………….

Valor Relevante Pontos Valor Relevante Pontos


para mim para mim
Ser independente Proteger a minha saúde
Ser influente Ser financeiramente
seguro
Ser “chique de doer” Ser um bom pai/mãe
Ser um líder Ser um bom parceiro/a
Ser um empregado Ser feliz
Ser chefe Ser optimista
Ser reconhecido como Ser fiel (família,
perito/especialista parceiro, amigos, chefe)
Ser um bom profissional Ser honesto
Trabalhar em equipa Ser rico
Ajudar os outros Aprender sempre
Ser amado por outros Ser chefe de uma família
grande
Trabalhar para a justiça Aceitar o outro como
ele é
Defender os direitos dos Defender as minhas
outros convicções
Ser pacífico e tolerante Amar os outros
Estar em harmonia Conviver e partilhar com
comigo e com os outros amigos

 Exemplo: O meu valor principal é a honestidade, porque creio ser ela a base para uma boa
relação com o parceiro, a família e os amigos. Acho certo ser honesto, e espero de outras
pessoas que sejam honestas também. Por isso, digo a verdade, mesmo quando fiz alguma
coisa errada.

1.7 Ser homem/ser mulher e a personalidade: A equidade de género

Ser homem ou ser mulher significa muito mais do que possuir os atributos
biológicos e fisiológicos do “macho” e da “fêmea”.
É a sociedade que define as crenças e costumes aceitáveis e as normas sociais. As normas do género
aprendem-se socialmente. O Género refere-se aos papéis do homem e da mulher, predefinidos,
numa determinada sociedade, num certo período de tempo. As relações de género reflectem
concepções de género interiorizadas por homens (=masculinidade = o que significa ser varão numa
sociedade) e mulheres (feminilidade= o que significa ser mulher numa sociedade). A masculinidade
é o conjunto unitário da identidade, atitudes e comportamentos considerados masculinos. A
“feminilidade” é o conjunto da identidade, atitudes e comportamentos considerados femininos.
20
Se falarmos de sexo, pensaremos imediatamente num atributo biológico. Quando nasce uma
menina, sabemos que, quando ela crescer, será capaz de ter filhos/as e amamentá-los/as.
Entretanto, segundo a socióloga Teresa Citellli, o facto de a mulher ser, desde cedo, estimulada a
brincar com bonecas e ajudar nos serviços domésticos, por exemplo, não tem nada a ver com o sexo,
mas sim com os costumes, as ideias, as atitudes, as crenças e as regras criadas pela sociedade, em
que ela vive. A partir da diferença biológica é que cada grupo social constrói, em seu tempo, os
papéis, comportamentos, direitos e responsabilidades de mulheres e homens.

O que é considerado natural não se pode mudar, mas o que é social e cultural pode se alterar, para
corrigir desigualdades.

Papéis e responsabilidades baseados no género

Homens e mulheres desempenham papéis diferentes, na sociedade:


 Papel reproductivo: inclui cuidar da criança/ responsabilidade de criação e trabalho
doméstico (não remunerado).
 Papel productivo: trabalho efectuado, para sustentar a vida individual e colectiva; inclui
a produção para o mercado (trabalho remunerado) e a subsistência doméstica (trabalho
não assalariado).
 Papel da Gestão Comunitária: provisão e manutenção de recursos escassos de consumo
colectivo, tais como a água, os cuidados de saúde e educação; normalmente, é um
trabalho não remunerado.
 Papel político: atividades executadas, ao nível comunitário, até nacional, ao nível formal
político. Na maioria, são atividades remuneradas.

Pensem em exemplos de papéis de homens e mulheres. Pensem também em direitos e deveres de


homens e mulheres. É fácil de ver que existem desigualdades e disparidades. Vamos agora
familiarizar-nos com dois conceitos importantes: a igualdade e a equidade.

Igualdade: A igualdade é um direito humano, é a base de uma sociedade humana, e pré-condição


para o desenvolvimento sustentável. A igualdade de género refere-se à igualdade em direitos,
oportunidades e responsabilidades de homens e mulheres, rapazes e raparigas (Nações Unidas,
2008). A igualdade de género não significa que homens e mulheres se tornam iguais, mas que os
seus direitos, responsabilidades e oportunidades não dependem do facto de se ser homem ou
mulher, como se uma dessas categorias valesse mais, ou menos. Não. Mas depende apenas e
simplesmente do facto de serem seres humanos e filhos do mesmo Deus. Por isso, as suas
necessidades específicas terão que ser consideradas, reconhecendo a diversidade. A igualdade de
género é um assunto de homens e mulheres.

Equidade: é uma categoria ética, é resultado da justiça (Aristóteles). O contrário é a iniquidade, que
é a consequência da injustiça. A equidade de género significa a distribuição justa de oportunidades,
de benefícios, de recursos e de responsabilidades, entre homens e mulheres. E pode ser garantida
através da boa governação e inclusão.

21
Origens das iniquidades, entre homens e mulheres:

 Normas de género baseadas na cultura e sociedade: definem a posição da mulher/do homem,


as crenças e costumes aceitáveis, numa sociedade. A posição inferior da mulher limita-lhe o
desenvolvimento, a mobilidade, a liberdade e a independência.
 Sistema social e económico: atribui poderes e acesso a recursos, de maneira diferente, entre
homens e mulheres. Exemplos: O patriarcado é um sistema, em que o homem tem uma
posição económica e social privilegiada. Papéis de género: homens e mulheres têm papéis
distintos e diferentes pesos de trabalho, com acesso desigual à remuneração. Na mudança, da
economia de subsistência para a economia monetária, os homens obtêm postos de trabalho
remunerados, enquanto que as mulheres ficam com as atividades domésticas e
economicamente dependentes.
 Educação: Os rapazes/homens são privilegiados, no acesso, na retenção na escola, e na
progressão para os níveis mais altos do ensino.
 Nas instituições: As instituições podem criar e/ou reforçar constrangimentos relativos ao
género; por exemplo, inclusão/exclusão de mulheres, de posições de liderança;
 O sistema juridico formal e o sistema jurídico comunitário: pode reforçar costumes e hábitos,
atribuindo às mulheres uma posição inferior; dificulta a promoção da igualdade de homens e
mulheres; por exemplo a lei da herança;
 Acesso, controlo e benefícios dos recursos (terra, casa, meios financeiros), dos serviços, das
actividades e do conhecimento.
 Atitudes socioculturais e étnicas e obrigações de índole das classes sociais, que determinam as
funções dos homens e das mulheres, as responsabilidades e as funções de tomada de
decisões.

A África tem uma tradição longa de debate sobre o género e as relações de poder, e a sua ligação
com a cultura Africana. No passado, o foco do debate ficou mais em aspectos biológicos e não nos
aspectos de comportamentos relacionados com a socialização. Com a modernização, a definição dos
papéis do homem e da mulher tornou-se uma questão socioeconómica.

Conclusão

O conceito de género não deve ser utilizado como sinónimo de “mulher”. O conceito é usado para
distinguir e descrever as relações estabelecidas entre homens e mulheres. As relações de género
estabelecem-se dentro de um sistema hierárquico, que dá lugar a relações de poder. Em muitas
sociedades, a diferença de poder torna possível a hegemonia do homem.
Se partirmos da premissa de que o feminino e o masculino são determinados pela cultura e pela
sociedade, podemos mudar as diferenças, que se transformaram em iniquidades.

No plano de Deus, o homem e a mulher são dois seres complementares. Ninguém é maior e
ninguém é menor. É preciso distinguir as conceções culturais do momento, por um lado, e o desígnio
de Deus, por outro. O homem e a mulher, criados à Sua imagem e semelhança, são chamados,
juntos a construir um mundo melhor e mais humano em que todos, homens e mulheres, são iguais

22
diante de Deus. A questão de género deve ajudar a purificar as relações entre homem e a mulher
para que cada um de nós possa olhar para o outro de acordo com o plano que Deus tem para nós.

O que fazer para alcançar a igualdade? O empoderamento da mulher

O empoderamento da mulher significa implementar medidas desenhadas especificamente para a


mulher, para melhorar a situação da sua vida e reduzir a sua discriminação: na educação, na
economia, na esfera social e política, e nos cuidados de saúde.

Mas ainda não é tudo: É preciso mudar as relações de género para a igualdade, e, ao mesmo
tempo, empoderar a mulher.

1.8 A Cultura e o Género - O Conceito de Cultura

Apesar das muitas definições, existe um consenso sobre o facto de que a cultura se
refere àquela parte do ambiente produzida pelos homens e por eles aprendida e
utilizada. Segundo Taylor (1874), cultura é o conjunto de conhecimentos, crenças, artes, normas
morais e costumes e muitos outros hábitos e capacidades adquiridos pelos homens, em suas
relações, como membros da sociedade.

Para Hall (1994) a cultura surge, na base das condições históricas e das relações, como sistema de
valores e meios de distintos grupos sociais e classes. Segundo ele, a cultura é a habilidade
exclusivamente humana de se adaptar às circunstâncias e de passar esta habilidade e estes
conhecimentos para as gerações subsequentes. Implica que a cultura é dinâmica. A cultura muda
constantemente ou melhor pode ser constantemente mudada por nós.

As componentes principais da cultura são:


O sistema de crenças, normas espirituais e morais ou mitos, cuja interpretação guia as pessoas,
para se comportarem de maneira aceitável, numa determinada sociedade.
O sistema de valores.
A cultura está representada em coisas tangíveis, como, por exemplo a arquitetura, a roupa ou
os livros.

As partes visíveis e invisíveis da cultura

Olha para a ilustração da cultura, a seguir; da cultura como árvore: nós só vemos uma parte pequena
da cultura (subterrânea), mas a cultura cresce e muda.

23
Fig. 3 As partes visíveis e invisíveis da cultura

Exercício 1.5 Preenche a árvore da cultura: Cultura e género

”Cultural” significa o que um grupo particular de pessoas tem em comum.


Pensa na cultura, que te rodeia, e pensa no que se espera de homens e mulheres, que vivem nesta
cultura.
1. Primeiro, preenche as partes invisíveis, na árvore da cultura, dando um exemplo dos valores,
dos conceitos, das normas e de uma atitude que diga respeito a homens e mulheres. Se és um

24
homem, pensa no que a cultura diz/ensina sobre a mulher, e se és uma mulher, menciona o
que a cultura diz/ensina sobre o homem.
2. Segundo, dá exemplos da parte visível da cultura: exemplos, para comportamentos de
homem/mulher.
NB: Podes escrever na ilustração, ou fazer a tua própria ilustração no papel.
3. Vê estes dois exemplos de comportamento: Dá a tua resposta espontânea, acerca dos teus
valores culturais; depois imagina como a tua avó/ o teu avô responderia:

Comportamento Meu valor/Percepção Valor/Percepção do avô

O marido obriga a sua esposa a fazer sexo, mas ela


não está disposta para isso.
A esposa carrega lenha à cabeça e, bebe, nas
costas do marido. O marido vai à frente dela e não
carrega nada.
O marido entrega o seu carro à mulher, para ela
conduzir.

Em resumo

1. Nós partilhamos a cultura com outras pessoas do grupo, mas cada um de nós tem uma sua
cultura.
2. A cultura guia- nos, às vezes, sem nós sermos conscientes disso (Dahl,1998).
3. As culturas são diversas e inconsistentes, constantemente em movimento, ambíguas e
contraditórias.

Isto significa que:


a. Nós nascemos em algumas culturas, outras adquirimo-las voluntariamente.
b. Cada sociedade tem uma variedade de culturas: Diversidade cultural.
c. A cultura é dinâmica, e está constantemente em mudança.
d. Nós somos alvo de influências culturais, mas não somos escravos da nossa cultura.
e. Não é fácil afastar-se de influências culturais, mas podemos geri-las conscientemente.

25
Mensagens-chave da unidade 1

A personalidade é o que nós somos, o que gostamos de ser, fazer e ter, é aquilo que queremos
parecer aos outros.

O temperamento é um estilo pessoal inerente, uma predisposição. Distinguem-se quatro tipos


de temperamento: Sanguíneo, colérico, fleumático, melancólico. Normalmente, uma pessoa
reúne características de mais de um tipo de temperamento. É possível desenvolver a capacidade
de controlar o seu temperamento e cultivar aspectos positivos.

O indivíduo tem uma identidade (personalidade) única, age (comporta-se), no seu meio
ambiente sócio-cultural, e, apesar de o grupo, em que vive, estabelecer regras de conduta e
normas, o indivíduo é único e diferente de todos os outros.

O desenvolvimento da personalidade acontece, durante toda a vida. Conhecemos as 8 etapas do


desenvolvimento psicossocial de Erikson, como um modelo que enfatiza as influências da cultura
e da sociedade (exigências externas) e as exigências internas do crescimento do indivíduo. As
crises, que podem acontecer em cada etapa, são chances para amadurecer.

Os VABEs (Values – Atitdes – Beliefs – Expectations / Valores – crenças - atitudes – expectativas)


manifestam-se no comportamento das pessoas e explicam por que as pessoas se comportam de
maneiras diferentes.

O género (masculino e feminino) refere-se às relações e papéis atribuídos a homens e mulheres.


São resultado de uma dinâmica social, e não das características biológicas diferentes dos
homens e mulheres. Essas relações e esses papéis atribuídas a homens e mulheres devem ser
redefinidas em função da vocação de cada um perante Deus. Por isso, devem permitir a
realização efectiva de cada um. Ninguém é superior ou inferior em relação ao outro, mas os dois
juntos fazem a imagem e semelhança de Deus. Por isso, na relação entre os géneros, todos os
preconceitos culturais e históricos que criam relações de desigualdade e iniquidades devem ser
superadas.

A cultura é o desenho da vida e consta de valores, conceitos e atitudes aprendidas socialmente,


que se expressam no comportamento e em artefactos/produtos culturais. A cultura, com as suas
normas e padrões, alimenta a personalidade do indivíduo.

A cultura tem partes visíveis (comportamento = costumes, hábitos, ritos, artefactos) e partes
invisíveis (valores, conceitos, atitudes, padrões).

A cultura não é estática, mas dinâmica, e está em constante transformação.

26
Unidade 2. Saúde Sexual e Reproductiva
Introdução

Nesta segunda unidade, gostaríamos de continuar a reflexão, sobre as relações entre homens e
mulheres (género), com especial atenção à sexualidade. A sexualidade é um aspecto fundamental
do ser humano. Temos compreende-la como um desígnio e um projecto de Deus. Ao longo da vida, a
sexualidade vai se desenvolvendo. Há várias decisões a tomar, que contribuem para relações felizes,
e que garantem a saúde sexual e reproductiva. Para além dos exercícios de reflexão, esta unidade
também vai transmitir conhecimentos, sobre a saúde sexual e reproductiva.

Modelo Lógico: Metas, Comportamentos desejados, Factores de risco e protecção e actividades


Actividades da Unidade Factores individuais de risco Comportamentos Metas
4 e de protecção 2 1
3

 Cartaz: Cérebro do Percepção diferente da Abster-se do sexo Vida sexual


homem e da mulher sexualidade, entre homens e casual e desprotegido responsável e
 Teste de relação mulheres. prazerosa
saudável Normas e práticas sexuais Ser fiel ao parceiro
 Diagrama das partes e prejudiciais para a saúde
funções dos aparelhos Actividade sexual
reproductivos de homem Pressão social de ter múltiplos com um compromisso
e mulher parceiros
 Informação sobre Normas sociais de ter muitos Planificar em Redução da
métodos contraceptivos, filhos e começar cedo com a conjunto quando e gravidez não
vantagens e desvanta- actividade sexual quantos filhos ter planificada
gens, questões éticas
 Conhecer as ITSs Educação tradicional sexual Respeitar o “Sim” e o Redução da
 Conhecer os direitos “Não” transmissão de
sexuais e reproductivos Aceitação da violência ITSs
 Estudo do Caso Ivandro doméstica por parte dos Não discriminar
 Vantagens de perpetradores e vítimas pessoas com diferente
abstinência e fidelidade Intenção de abster-se do sexo orientação sexual Redução da
 Código de conduta: Intenção de ser fiel violência
quando é que a relação é Intenção de respeitar pessoas Respeitar a igualdade baseada no
abusiva? com outras orientações sexuais de género género

Conteúdo
 Sexo e Sexualidade – um aspecto fundamental do ser humano
 Orientações e identidades sexuais
 As ITSs
 A reprodução humana
 Métodos do planeamento familiar
 Relações saudáveis
 Direitos sexuais e reproductivos
 Violência sexual e violência baseada no género
27
Exercício 2.1 O cérebro do homem e o da mulher: Verdade ou exagero? O que acha?

2.1 Sexo e sexualidade: A mesma coisa?

SEXO: Sexo é relativo ao lado natural, hereditário, biológico. Diferencia o macho


da fêmea. O sexo é fixado pela natureza.

SEXUALIDADE refere-se ao lado afectivo, psicológico e sexual de uma pessoa do sexo feminino ou
masculino, ou transgénero ou transsexual. Possui uma abrangência muito maior, levando à
construcção dos papéis sexuais esperados para cada membro da sociedade (homem / mulher),
dentro de um dado grupo social.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, “A SEXUALIDADE forma a parte integral da
personalidade de cada um. É uma necessidade básica e um aspecto do ser humano, que não pode
ser separado de outros aspectos da vida. SEXUALIDADE é a energia que motiva a encontrar o amor,
o contacto e a intimidade, e se expressa, na forma de sentir, na forma de as pessoas se tocarem e
serem tocadas, na busca de prazer”(OMS, 2004). Inclui sensualidade, erotismo, desejo de contacto,
ternura e amor.

A sexualidade é fundamental, para o desenvolvimento do potencial humano de cada pessoa. A


integridade e dignidade, ao nível da sexualidade, requer o respeito e protecção dos direitos sexuais
de todas as pessoas, o direito de controlo sobre o próprio corpo, e a liberdade de decisão a ser
sexualmente activo, negociar o sexo, praticar o sexo seguro, e prevenir a gravidez não desejada.

O desenvolvimento da sexualidade acontece, durante toda a vida, no ser humano, conhecendo as


etapas fisiológicas: infância, adolescência, idade adulta e terceira idade. A sexualidade é produto de
características genéticas, interacções ambientais, influências sócio-culturais e religiosas. Por
exemplo, em algumas sociedades, promove-se a poligamia, enquanto em outras não.

28
Ensinamentos da Igreja Católica sobre a sexualidade e o amor humano

O documento da Congregação para a Educação Católica “Orientações educativas sobre o


amor humano”, publicado em 1 de Novembro de 1983, oferece-nos uma belíssima
definição da sexualidade humana: “É uma componente fundamental da personalidade,
um modo de ser, de se manifestar, de comunicar com os outros, de sentir, de expressar e
viver o amor”. Quer isso dizer que a sexualidade abrange a pessoa na sua totalidade,
condiciona-a no seu núcleo mais profundo, repercute-se em todas as manifestações da
sua vida. É estrutura interior à pessoa, realidade pessoal, e não “algo” separado da
pessoa, acidental ou extrínseco, não sexualidade-objeto modeladora de uma vivência
descomprometida e despersonalizadora. A pessoa não tem um sexo, ela é sexuada.

Precisamente porque integradora e configuradora do todo pessoal, a sexualidade humana


apresenta duas características específicas: é uma realidade multidimensional e dinâmica.

Enquanto realidade pluridimensional, podemos assinalar essencialmente três vertentes:


biológica, psicológica e social.

Na vertente biológica, importa sublinhar que a sexualidade humana é tão flexível que não
permite ser reduzida a mera pulsão anárquica ou reflexo rigidamente encarcerado nos
ritmos biológicos. Desta vertente, emergem duas dimensões: a procriativa e a unitiva. A
primeira não pode ser regulada automaticamente, mas sim responsavelmente; e a
segunda não pode ser encarada como algo secundário ou acidental, mas integrante. Aqui
é imprescindível descobrir o “significado nupcial” do corpo: este é sempre corpo-eu que
“exprime a vocação do homem à reciprocidade, isto é, ao amor e ao mútuo dom de si”
(Orient. Educ., 24). A vertente biológica está referenciada à vertente psicológica; isto é, o
“sexo” abre-se ao “eros”, a “pulsão” torna-se “vivência”, e a sexualidade adquire nova
profundidade clarificadora que aponta para um projeto de comunhão. Ela manifesta e
expressa o mistério da pessoa como realidade relacional, isto é, ser-com e ser-para e
torna-se o “lugar humano” da realização conjunta de si mesmo e do outro. Esta abertura
ao outro não se esgota na relação eu-tu: no mútuo dar-receber está implicada a abertura
ao “nós” que projeta a sexualidade para um horizonte social: aqui entram os filhos no
matrimónio, e a abertura a outros compromissos sociais.

A sexualidade é também uma realidade dinâmica que acompanha e plasma a maturação


da pessoa. Podemos, por isso, falar de uma sexualidade da criança, do adolescente, do
jovem, do adulto e do idoso, com características específicas. Importa, por conseguinte,
avaliar equilibradamente os comportamentos sexuais presentes em cada etapa, evitando
duas atitudes pedagogicamente reprováveis: fechar os olhos e deixar correr ou
sobrecarregar humana e moralmente a pessoa. (pp.57-58)

29
2.2 Os pilares da sexualidade
Figura 5 Os termos que expressam a nossa sexualidade

Fonte: Adaptado de Rolim, E. (2012). Os pilares da sexualide. Acessivel em


http://www.tocadoelfo.com.br/2012/04/os-pilares-da-sexualidade-humana.htlm.

2.3 Orientações e identidades sexuais

Na nossa sociedade, a orientação heterossexual é considerada como normal e


saudável. A orientação homosexual (lésbica e gay) é considerada como fora do
normal e das regras estabelecidas. Isto tem a ver com o facto de que, durante
muito tempo, se definiu a razão da sexualidade somente na biologia, e não se contemplaram
aspectos psicológicos da sexualidade. Nos anos 40 e 50, a homossexualidade foi considerada uma
doença, que pode ser curada. Somente com as pesquisas modernas foi possível ver que a
sexualidade se manifesta em várias formas, e que muitas pessoas heterosexuais têm experiências
com a homossexualidade. Foi também comprovado que a homosexualidade é uma forma de
identidade sexual, que existe em todas as sociedades.

O facto de não se cumprir com o padrão da sexualidade estabelecido pela sociedade causou e está a
causar discriminação, exclusão, assédio, violência perante as LGTBIs.

Em 2014, as relações homem com homem eram penalizadas com prisão e outras sanções, em 83 de
242 países, e as relações mulher com mulher, em 43 países. O número de países que criminalizam a
homosexualidade está a aumentar (Novas leis anti-HSH: Nigéria, Camarões, Uganda, India). Em 7
países, há pena de morte para relações homossexuais1.

1
http://www.corresponsalesclave.org/2014/01/increase-in-the-number-of-lgtbi-unfriendly-
countries.html

30
Exercício 2.2: Identidades sexuais – LGTBs
Combina o termo com a definição correta: Lésbica, Gay, Transgénero, Transsexual, Bissexual,
Intersex.
Pessoa que nasce com os genitália não distintamente masculinos ou femininos:_________
Mulher atraída sexualmente e emocionalmente por uma outra mulher:________________
Pessoa que muda o seu papel de género/a sua aparência, várias vezes, durante a sua vida: _
Pessoa atraída por pessoas do sexo oposto e por pessoas do mesmo sexo._____________
Pessoa que muda o seu sexo físico, através da cirurgia, da terapia hormonal, etc. _______
Homem atraído sexualmente e emocionalmente por um outro homem: ______________

A posição da Igreja e avaliação moral da homossexualidade

A homossexualidade é entendida como a atracão erótica predominante e persistente entre


pessoas do mesmo sexo, uma atracão que, por consequência, desagua em relações sexuais
entre pessoas do mesmo sexo. Nesse tipo de relações, os intervenientes não vivem a
complementaridade homem/mulher, mas experimentam uma certa repulsa pelo sexo
oposto. Pode-se dizer que há uma certa incapacidade de aceitar e apreciar as diferentes
orientações e identidades sexuais.
A avaliação moral deste tema leva-nos primeiramente a distinguir entre a tendência
homossexual (ou a homossexualidade como tal) e os atos homossexuais. A tendência
homossexual em si é um facto e não precisa de avaliação moral. Por sua vez, os atos
homossexuais é que precisam de avaliação moral, pois aqui entra a escolha e a preferência
do sujeito. Tratando-se de uma tendência que leva a uma vivência, é muito importante não
julgar, mas sim lançar um olhar misericordioso e compreensível de Deus para com as
pessoas em causa.
Apesar de reconhecermos que os atos homossexuais não possuem aquela finalidade
essencial do ato sexual (o “eu-tu” que leva ao “nós”, relação dos dois que leva à abertura a
uma nova vida que nasce dos dois), precisamos de lutar contra todo o tipo de discriminação
contra estas pessoas e promover práticas de vida e de inclusão saudáveis, pois Deus olha
para cada um de nós com olhos de Pai sem exclusão nem discriminação. Diz o Catecismo da
Igreja Católica, no seu n. 2358: “Um número não negligenciável de homens e de mulheres
apresenta tendências homossexuais profundamente enraizadas. Esta inclinação
objetivamente desordenada constitui, para a maioria, uma provação. Devem ser acolhidos
com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á para com eles todo sinal de discriminação
injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar a vontade de Deus em sua vida, e se forem
cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar por causa
de sua condição”. Porém eles, devido à sua condição, são desafiados pela Igreja a primarem
pela castidade. Diz o CIC, no seu n. 2359 que “as pessoas homossexuais são chamadas à
castidade. Pelas virtudes de autodomínio, educadores da liberdade interior, às vezes pelo
apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e
devem se aproximar, gradual e resolutamente, da perfeição cristã”.

31
Exercício 2.3: Testa a sua percepção, sobre a igualdade de género, na vida sexual e reproductiva

Teste a tua percepção, sobre a igualdade de género, no quadro abaixo. Responde a cada pergunta,
numa escala 1 (=De maneira nenhuma concordo) a 5 (=Concordo plenamente). Escreve o nível de
concordância, por cada variável, na coluna direita. Calcula os subtotais A e B dos pontos.

Nº Opções Pontos
Variáveis Não concordo=1, Concordo=5
1 2 3 4 5
1 O homem é que decide sobre a forma como o 1 2 3 4 5
casal há de fazer relações.
2 O homem precisa mais de sexo do que a 1 2 3 4 5
mulher.
3 Sexo não se conversa, faz-se! 1 2 3 4 5
4 A mulher, que anda com camisinha na bolsa, é 1 2 3 4 5
uma libertina.
5 Só a mulher é que deve tomar providências, 1 2 3 4 5
para não engravidar.
6 Quando se tem que tomar decisões, em casa, é 1 2 3 4 5
o homem quem deve ter a última palavra.
7 O homem sempre está disposto para fazer 1 2 3 4 5
relações.
8 A esposa sempre deve estar disposta para fazer 1 2 3 4 5
sexo com o marido.
9 Mesmo estando bem com a sua mulher, o 1 2 3 4 5
homem precisa de ter outra.
10 Não se mete colher numa briga de um casal. 1 2 3 4 5
11 A mulher deve aguentar a violência, para 1 2 3 4 5
manter a família.
12 Seria uma ousadia a minha mulher me pedir 1 2 3 4 5
para usar camisinha.
13 O homem pode bater na sua mulher, se ela não 1 2 3 4 5
quiser fazer relações com ele.
14 Sinto vergonha, quando vejo um homem a 1 2 3 4 5
expressar-se, de forma feminina.
15 Homem que é homem faz relações só com 1 2 3 4 5
mulher.
16 Se o homem trair a mulher, ela pode lhe bater . 1 2 3 4 5
17 Se a mulher trair o homem, ele pode lhe bater. 1 2 3 4 5
18 O homem sempre merece o respeito da mulher 1 2 3 4 5
e dos filhos.
Subtotal A

32
Não concordo=1, Concordo=5 Pontos
Variáveis 1 2 3 4 5
19 O casal deve decidir junto se quer ter filho. 1 2 3 4 5
20 Para mim, tanto o homem como a mulher 1 2 3 4 5
podem propor o uso de preservativos.
21 Se o homem engravida uma mulher, o filho é da 1 2 3 4 5
responsabilidade dos dois.
22 Numa relação sexual, é importante ele saber do 1 2 3 4 5
que a sua parceira gosta.
23 É muito importante que o pai esteja presente na 1 2 3 4 5
vida dos filhos, mesmo após o divórcio.
24 O homem e a mulher devem decidir juntos o 1 2 3 4 5
tipo de anticonceptivo que vão usar.
25 Se a mulher quiser, ela pode ter mais de um 1 2 3 4 5
parceiro sexual.
26 Ambos os parceiros têm o direito de dizer “não” 1 2 3 4 5
ao fazer sexo.
27 O homem pode cuidar tão bem de crianças 1 2 3 4 5
como a mulher.
28 A mulher tem o mesmo direito que o homem de 1 2 3 4 5
trabalhar fora de casa e estudar.
Subtotal B

Interpretação dos resultados: Calcula o teu subtotal A e o teu subtotal B.


a. Se o teu subtotal A for entre 18 e 36 pontos, a equidade de género tem alta importância para ti.
Estás num caminho certo! Mas, se o teu subtotal A for entre 37 e 67, estás indeciso sobre a tua
atitude acerca da equidade de género. Se o teu subtotal for mais de 68 pontos, ainda estás
longe de entender a equidade do género. Tens que reflectir sobre os teus modos de pensar!
b. Se o teu subtotal B for entre 40 e 50 pontos, a equidade do género tem uma alta importância
para ti. Estás num caminho certo! Mas se o teu subtotal B for entre 25 e 39, estás indeciso
sobre a tua atitude acerca da equidade do género. Se o teu subtotal for menos de 25 pontos,
então ainda estás longe de entender a equidade do género. Tens que reflectir sobre os teus
modos de pensar!

2.4 A sexualidade: O desenvolvimento psicológico e fisiológico


Na passagem da infância para a adolescência, o corpo feminino e masculino passa
por mudanças, tanto a nível morfológico, como a nível do desenvolvimento do
sistema reprodutor, até atingir a capacidadee de se reproduzir. Estas mudanças são
acompanhadas por transformações psicológicas, que se reflectem no comportamento e no modo de
pensar.
A puberdade e a adolescência: O início da actividade sexual, os namoros e a procura do parceiro
para a vida
Há uma transformação morfológica, psicológica e social. Caracteriza-se pela busca de uma
identidade e autonomia, pela atracção emocional e física, e pela aproximação a um/a amigo/a

33
íntimo/a. A transformação é acompanhada de comportamentos agressivos e de oposição aos valores
familiares e sociais. É um momento importante, para a integração dos jovens no mundo dos adultos.
As mudanças morfológicas correspondem aos caracteres sexuais primários (mamas, pénis, escroto)
e aos secundários, que nos rapazes se desenvolvem devido à actuação de hormonas produzidas nos
testículos -testosterona-, e nas raparigas se desenvolvem devido à actuação de hormonas
produzidas nos ovários - estrogénio e progesterona.
Os adolescentes fazem as suas primeiras experiências com a sexualidade: descobrem a sua
identidade sexual, os seus desejos e a atracção pelo outro. Nesta fase, precisam de uma boa
informação, de serviços, de aconselhamento e acompanhamento. Muitas vezes, a sociedade não
tem respondido, de maneira satisfatória, às necessidades dos adolescentes, sobre a sexualidade, a
reprodução, a prevenção das ITS e do HIV.
A consciencialização deve contemplar os direitos bem como as responsabilidades, a participação
activa do jovem nos processos relacionados com a vida particular e social.
Esta fase de desenvolvimento humano é uma fase de descoberta: da diferença entre amizade e
namoro, entre namoro sem compromisso e namoro que se desenvolve numa relação duradoura,
com finalidade de matrimónio.

O adulto – O “parceiro da vida” e o matrimónio

As características físicas do adulto não sofrem mudanças tão bruscas como as mudanças durante a
adolescência. Nesta fase, homens e mulheres têm a plena capacidade reproductiva. A maioria realiza
o seu desejo de se casar e ter uma família e filhos. O matrimónio é um compromisso, para que as
pessoas têm que se preparar bem. Viver como marido e mulher deve ser duradoro e diferente de ter
amante, namorada. Infelizmente, as mudanças sociais do nosso tempo, a mobilidade, as
expectativas divergentes entre os parceiros, a infidelidade e os conflitos de vária ordem são causas
de altos níveis de divórcio, nas nossas sociedades.

Mensagens orientadoras:
 Desfrutar de várias formas de viver a sua sensualidade e desejo de ternura, que não
envolvam o acto sexual
 Esperar pela vida e actos sexuais, até estar preparado, psicologicamente e fisiologicamente.
 Respeitar a decisão do/da parceiro/a: Não significa Não!
 Esperar pela relação sexual, até poder assumir um compromisso de longo prazo é um sinal
do amor.
 Ser preparado para assumir a responsabilidade de ser pai/mãe.
 Ser fiel ao seu parceiro: Não a parceiros múltiplos e não a relações fora do matrimónio.

A terceira idade – Relações maduras

As transformações biológicas, psicológicas e sociais também se fazem sentir, na transição para a


terceira idade. Nas mulheres, destaca-se a menopausa. A principal característica da menopausa é a
cessação das menstruações e do funcionamento dos ovários, e assim, a chegada ao termo da
capacidade reproductiva da mulher. Geralmente, ocorre entre os 45 e os 55 anos. A capacidade
reproductiva do homem continua para toda a vida.
34
A posição da Igreja Católica sobre o Matrimónio e a paternidade/maternidade responsável

2.4.1- O matrimónio

Se é verdade que “a família é a célula da sociedade” (cf. art. 1 da Lei da Família), então é preciso
apostar na construção de famílias fortes e sólidas para termos uma sociedade melhor e mais humana.
Falar de famílias fortes e sólidas é falar, primeiramente, da união matrimonial do homem e da mulher.
O Direito Canónico diz que o Matrimónio está destinado para o bem dos cônjuges e para a procriação
e educação dos filhos (Cân.1055, §1). Esta declaração, bem compreendida, é uma excelente fórmula
em defesa da vida e da dignidade humanas, e o Matrimónio é o espaço próprio e privilegiado da
vivência e experiência efetiva da sexualidade em todas as suas dimensões: biológica, psicológica e
social.

O Matrimónio é constituído por um ato livre, em que um homem e uma mulher se entregam e se
recebem para uma comunhão de vida a dois, para sempre. E, porque se trata de um projeto para toda
a vida, requer a unidade (um só homem para uma só mulher) e a indissolubilidade (o que Deus uniu o
homem não pode separar) (Câns.1056 e 1057, §2). Isto significa que não é lícito ‘fazer uma
experiência’ de casar: “Se uma ou ambas as partes, por um ato positivo da vontade, excluírem o
próprio Matrimónio ou um elemento essencial do Matrimónio ou alguma propriedade essencial,
contraem-no invalidamente” (Cân.1101 §2). São duas vidas que se comprometem para um projeto
com carácter definitivo. Esta comunhão íntima de vida, ordenada para o bem do casal e para a
educação dos filhos, para os batizados foi elevada por Cristo à dignidade de Sacramento (Cân.1055).

O matrimónio, sendo uma “comunidade de vida e de amor”, integra dois valores igualmente
relevantes que os esposos são chamados a realizar sempre, e cuja chave última de leitura é o amor
conjugal: a paternidade/maternidade responsável e a fidelidade conjugal. O Concílio Vaticano II
sublinha a importância de que “o amor recíproco dos esposos se manifeste ordenadamente, progrida
e se desenvolva” (GS, 50), pois “quando a intimidade conjugal se interrompe, a fidelidade pode correr
riscos e o bem dos filhos ser comprometido” (GS, 51). (p.60)

2.4.2- A paternidade/maternidade responsável

A questão de paternidade/maternidade responsável situa-se no horizonte mais amplo do significado


da sexualidade, do matrimónio e da fecundidade humana. A pergunta mais fundamental e primeira
que o casal deve fazer é: quantos filhos chamar à vida? A questão dos métodos vem em segundo lugar
e é também importante, pois é consequência do princípio da transmissão responsável da vida.
Portanto, na decisão de transmitir responsavelmente a vida, o casal deverá ter em conta um conjunto
de critérios fundamentais e pondera-los com equilíbrio e bom senso (cf. GS, 50): o bem global dos
próprios esposos; o bem dos filhos já nascidos; o bem dos filhos que prevêm virão a nascer; as
condições sócio-económico-espirituais em que os pais se encontram; e o bem da própria família e da
sociedade em geral.

Antes de entramos na avaliação moral do uso destes métodos, analisemos, primeiro, o


processo da reprodução humana.
35
2.5 A reprodução humana

A reprodução é o mecanismo que assegura a perpetuação da espécie.


Para o ser humano conseguir reproduzir-se, é necessário que o corpo
esteja preparado e capaz de produzir um filho.

Exercício 2.4: O aparelho reproductor e suas funções

Conheces os nomes das partes dos aparelhos reproductores feminino e masculino? Completa os
gráficos, com os respectivos termos.

Aparelho reproductor feminino: Vagina, Útero, Trompa de


Falópio, Ovário, Cérvix
1 _________________________
2 _________________________
3 _________________________
4 _________________________
5 _________________________

Aparelho reproductor masculino: Escroto, Próstata, Canal deferente, Uretra, Testiculo, Vesicula
seminal, Pénis
1 _________________________
2_________________________
3_________________________
4_________________________
5_________________________
6_________________________
7 _____________________
Agora, explica qual a função de cada um destes órgãos.

O sistema reprodutor feminino:


 Os ovários da menina já contêm todos os óvulos, que ela produzirá, em sua vida fértil. Na
puberdade, os hormónios sexuais criam o estímulo para o início da menstruação.
 As trompas de Falópio (ou tubos uterinas) ligam o útero aos ovários, e estão posicionadas de
tal forma, que o óvulo, quando expelido do ovário, no momento da ovulação, consegue
chegar a elas com facilidade.
 O útero está ligado ao ovário através da tuba uterina, e é onde acontece a fertilização do
óvulo.
 O útero abriga o desenvolvimento do feto.
 A dilatação do colo do útero (ou cérvix) faz com que o bebé passe para fora da vagina.
 A vagina é ligada ao útero através da cérvix. Os espermatozóides entram no útero através da
cérvix.

36
 A anatomia da vagina permite receber o pénis; recebe o sémen do homem, e serve de canal,
para a saída do bebé.

O sistema reprodutor masculino


 A produção de espermatozóides ocorre nos dois testículos. Os espermatozóides vão para o
epidídimo, onde ficam a amadurecer, por 2-3 semanas, até passarem para os canais
deferentes, para serem armazenados, antes da ejaculação.
 Os testículos estão alojados no escroto.
 As vesículas seminais, a próstata e a glândula bulbo-uretra são as glândulas que produzem o
líquido ejaculatório.
 O pénis é utilizado para a deposição, na vagina da mulher, do sémen, que contém os
espermatozóides.
 A uretra possui a função de conduzir e expelir o esperma, durante o processo de ejaculação.
 O canal deferente tem a função de armazenar os espermatozóides e de os transportar em
direcção à uretra. Além disso, ele é ainda responsável por reabsorver aqueles
espermatozóides que não foram expelidos.

2.5.1. Como é que uma mulher engravida?


Para entender como acontece a gravidez, é preciso entender o ciclo menstrual da mulher, que dura
aproximadamente 28 dias.
Para calcularmos o ciclo menstrual, contamos, desde
o primeiro dia em que há saída de sangue, até ao
último dia antes da menstruação seguinte.
Depois que o sangramento pára, um óvulo começa a
crescer no ovário. Entre o décimo primeiro e o
décimo quarto dia do ciclo, o óvulo sai do ovário e
começa a mover-se, através das trompas de Falópio,
em direcção ao útero. A mulher engravida, se este
óvulo for fecundado por um espermatozóide, neste
momento. Isto acontece, se ela fizer sexo, alguns dias
antes de o óvulo ser libertado, ou mesmo no dia em
que o óvulo é libertado.
Quando um óvulo é fecundado, passa a chamar-se
“ovo”. Instala-se na parede do útero, onde vai desenvolver-se, e chama-se embrião. Quando
completa um mês na barriga da mãe, mede cerca de um centímetro e meio, e tem cabeça, intestino,
cérebro. No fim do 2.º mês, passa a chamar-se feto, e tem 5 centímetros, mãos, pés, olhos e boca já
formados. Quando completa 3 meses, o feto já começa a mexer-se e a abrir e a fechar os olhos. O
bebé fica protegido, no útero, enquanto cresce, até ao dia, em que vai nascer.

37
2.5.2. O que é a menstruação? É doença?
Quando o óvulo não é fecundado, morre; e o forro do útero desfaz-se. O óvulo e estes forros saem,
em forma de sangue, da menstruação. A menstruação é a limpeza das paredes internas do útero,
quando não há fecundação.
A menstruação tem andado envolvida em muitos mitos. Tem-se dito que, quando está menstruada,
a mulher não pode ter relações sexuais, não pode tomar banho, não pode tomar medicamentos.
Tudo isso é falso. A menstruação é um fenómeno completamente normal, não tem que alterar o
ritmo de vida habitual.

2.5.3. Uma mulher pode ficar grávida, antes de ter o primeiro período menstrual?
Sim, uma mulher pode engravidar, antes do seu primeiro período, porque um óvulo pode ter
começado a amadurecer, nos ovários, e pode ser fecundado.
2.5.4. Uma mulher pode ficar grávida, depois de fazer sexo apenas uma vez?
Sim, pode ficar grávida, porque tudo depende do ciclo menstrual. Se existe um óvulo maduro, que
saiu do ovário, no mesmo dia, em que a mulher faz sexo com um homem, ela pode engravidar. Isto
pode acontecer, mesmo quando ela faz sexo, pela primeira vez na vida.
2.5.5. Qual a probabilidade de engravidar?
A probabilidade de ficar grávida, por mês, de sexo não protegido, é de 1 em 6.
Exercício 2.5 Actividade – Risco de gravidez OPCIONAL
 Os participantes escolham um número, de 1 a 6
 O Facilitador tira, dum saco, um número (teste de gravidez, no primeiro mês), e os
participantes com este número são grávidas, e ficam de pé.
 Reflexão: Como ia mudar a minha vida, se eu ficasse pai/mãe, sem ser preparado?

2.6 Métodos de planeamento familiar

O que é o Planeamento Familiar (PF)?


Um dos pontos é a importância de uma decisão de consenso dum casal,
sobre quando quer ter filhos. O Casal / Parceiro(a) deve ficar bem
informado, sobre os métodos de PF disponíveis, e fazer a escolha do método mais apropriado,
conforme a sua consciência.
O planeamento familiar ajuda a:
 Evitar uma gravidez indesejada.
 Diminuir as mortes maternas e infantis.
 Ter melhores condições de saúde e vida, para os pais e as crianças, porque :
- A mulher pode ter mais tempo, para descansar, e ter mais energia e tempo, para cuidar de
si, das crianças e de toda família.
- O bebé pode receber leite do peito materno, por mais tempo, e receber mais carinho dos
pais.
- O homem e a mulher podem organizar melhor a sua família, e assegurar-lhe melhores
condições económicas e de saúde.

38
Para os adolescentes, o planeamento familiar faz com que se evitem as seguintes consequências de
ter o seu bebé precoce e de forma não planificada:
 Complicações para a saúde da rapariga,
 Complicações para a saúde do bebé, como, por exemplo, o nascimento com baixo peso,
 Consequências negativas para a vida do rapaz ou rapariga, como por exemplo: deixar de estudar,
não ter condições financeiras, para uma família, conflitos nas famílias, etc.

Porque é que o homem deve participar no planeamento familiar?


Ter uma família e uma relação feliz é um desejo de ambos os parceiros. O planeamento familiar
contribui para uma vida feliz e saudável, e por isso não é só um assunto de mulheres, é um assunto
do casal.
Há métodos de PF só para homens. O homem pode ajudar a mulher a descansar, do uso dos
métodos do PF.
Os métodos naturais do planeamento familiar são:
 Abstinência: o método mais seguro de PF, e sem nenhum efeito colateral.
 Coito interrompido: permanece um risco de gravidez, porque alguns espermatozóides podiam
entrar na vagina, quando inicia a ejaculação e o pénis ainda não foi retirado.
 Uso do calendário: precisa de um registo confiável.
 Método de temperatura basal, para determinar os dias férteis da mulher, e abster-se das
relações sexuais, durante estes dias.Depende do ciclo da mulher. Permanece um risco de
engravidar.
Os métodos modernos do planeamento familiar são:
 Pílulas,
 Injectável (Depo-Provera),
 Preservativo (masculino e feminino)
 DIU (Dispositivo Intra-uterino)
 Implante
 Laqueação
 Vasectomia

Em geral os métodos modernos do planeamento familiar são mais eficazes, mas têm algumas
desvantagens, e implicam questões éticas.

A pílula
 É um conjunto de comprimidos, que a mulher toma, para evitar a
gravidez e espaçar os nascimentos.
 A pílula deve ser tomada, uma vez por dia, sempre à mesma hora.
 Em alguns casos, a pílula tem efeitos secundários: inchaços,
aumento de peso.

39
A injecção (Depo-Provera)

 Cada injecção destas protege a mulher, durante 3 meses. É um


método eficaz, quando aplicado de 3 em 3 meses.
 Os efeitos secundários podem ser:
o Muitas mulheres têm menstruação em pequenas gotas e de
forma irregular, ou têm uma hemorragia prolongada.
o Aumento de apetite e de peso.
o Após um ano de uso, a mulher demora a conceber pelo menos
cerca de 4 a 8 meses.

O Dispositivo Intra-Uterino (DIU)


 É um método, que consiste num pequeno objecto
de plástico colocado dentro do útero da mulher, por
um profissional da saúde.
 Benefício: para além de evitar a gravidez, a mulher
pode ficar, no mínimo, quatro anos, com o DIU no
útero.
 Atenção: O DIU pode sair do lugar, sem a mulher
perceber: Ela deve controlar sempre a presença dos
fios, após a menstruação.
 Efeitos secundários:
o Em algumas mulheres, particularmente nas que nunca tiveram filhos, podem ocorrer
menstruações abundantes e prolongadas, nos primeiros meses da colocação.
o Em algumas mulheres, pode haver infecções no útero, porque a mulher fica mais
sensível. Nestes casos, deve ir imediatamente à Unidade Sanitária.
O implante

 Consiste na introdução de 6 pequenas cápsulas de


um medicamento chamado “norplant”, por baixo
da pele do braço, para prevenir a gravidez.
 Benefícios: é muito eficaz e pode durar 5 ou mais
anos. É um método que pode ser usado por
mulheres de qualquer idade, com ou sem filhos.
 Se a mulher quiser engravidar, pode ir à Unidade
Sanitária, para lhe retirarem este medicamento e,
pouco tempo depois, pode ficar grávida.
 A mulher que amamenta pode usar este método, a partir do 6.º mês, depois do parto.
 No pós-parto, pode implantar trimestralmente, se não estiver a amamentar o recém-
nascido.
 Efeitos secundários: ligeiras dores de cabeça, alterações, durante o período da menstruação,
tais como a pouca saída do sangue, manchas no corpo, ou falta de menstruação.
Estes desconfortos podem desaparecer, passado algum tempo.

40
O preservativo masculino e feminino
Vantagens
 Protecção tripla: prevenção do HIV e das ITSs e evite a gravidez
 Eficacia: Se usados em 100% das vezes, os preservativos proporcionam uma
protecção de cerca de 80-85% contra o HIV e gonorreia e 50 a 66% contra a
sífilis (Segundo OMS, 2002 e NAM, 2011).
 Não tem efeitos colaterais
 Não há perigo de resistência (diferente dos medicamentos)
 E barato

Apesar da eficácia, existem limitações importantes para garantir o uso efectivo do preservativo, tais
como:
 Desaprovação social, crenças e normas sociais e culturais e religiosas;
 Necessidade da negociação do uso do preservativo (masculino) com o parceiro:
 Relutância pessoal em usar preservativos;
 Dificuldades para obter preservativos.

O diafragma e os espermaticidas

O Diafragma consiste no uso de uma tampinha macia


colocada pela mulher no fundo da sua vagina, para impedir a
entrada dos espermatozóides.
Os espermaticidas são produtos que matam os
espermatozóides. São colocados pela mulher no fundo da
vagina, antes da relação sexual. São mesos eficazes do que o
diafragma. Podem causar irritações e lesões vaginais.

A Laqueação
É um método de PF, que consiste numa pequena operação, para amarrar as trompas, a fim de evitar
a gravidez. Por ser permanente, a mulher fica com a certeza de que nunca mais vai engravidar. É um
método benéfico para quem tiver tido muitos partos. A laqueação em nada afecta a saúde da
mulher. Pode ser feita, logo após o parto.
Atenção: A laqueação é um método permanente, e só deve ser usado, depois de haver um consenso
do casal/parceiro.

A Vasectomia
É um método de PF, que consiste numa pequena operação realizada no homem, para evitar que ele
venha a engravidar a sua parceira. A operação é muito simples e é feita pelos profissionais de saúde,
com uma anestesia local. Este método não afecta a potência do homem.
Atenção: É um método de PF definitivo, porque, mesmo que tenha relações sexuais, o homem que
fez esta operação, já não vai engravidar nenhuma mulher.

41
Avaliação moral dos métodos de planeamento familiar

Segundo o ensino da Igreja, o Planeamento Familiar tem espaço na discussão da


paternidade/maternidade responsável. Portanto, só tem sentido e enquadramento no
matrimónio. De facto, um dos pontos que aprendemos do estudo de caso é a importância
de uma decisão de consenso dum casal sobre quando quer ter filhos e quantos filhos.
De acordo com o ensinamento da Igreja, o exercício da paternidade/maternidade
responsável não se compagina com a mentalidade anticoncetiva que se funda ultimamente
no egoísmo e no hedonismo. Mas também não se compagina com uma conceção
reducionista do matrimónio, de matriz procriativista, pois o amor conjugal, ligado
intimamente à procriação, não se limita a ela.

Os métodos de planeamento familiar devem ser analisados tendo em conta três


parâmetros fundamentais:
 Eficácia (inclue não somente a,
 Inocuidade (amabilidade, inofensividade) e
 Aceitabilidade (psicológica, social, cultural, etc.).
Referenciando os diversos métodos anticoncetivos a estes parâmetros, constata-se que
nenhum os realiza simultaneamente de modo ótima. Os métodos de ritmo (métodos
naturais) têm o inconveniente de baixa eficácia de evitar a gravidez e da certa dificuldade
de utilização, porque dependem duma boa compreensão e da colaboração do casal. Tem,
contudo, grande vantagem de prevenir o amor conjugal contra o “império do sexo” e
ajudar a integrar a sexualidade na vivência complexiva do casal. Os métodos hormonais
(pílulas) têm elevado índice de eficácia, mas não são sempre inócuos e podem ter alguns
efeitos colaterais. Os métodos mecânicos (diafragma, preservativo, etc.) apresentam um
alto índice de inocuidade e de eficácia mas, em muitos casos, carecem de aceitabilidade por
parte de quem os usa ou/e do parceiro sexual. O coito interrompido apresenta um elevado
índice de falhas. Os espermicidas, para além da sua baixa eficácia, implicam realizar a
relação dentro de certo tempo após terem sido colocados. Do que acabamos de referir
emerge uma conclusão clara: não se pode absolutizar nenhum método.

É somente ao casal a quem cabe a decisão sobre a escolha do método. Tal decisão deverá
ser fruto de um discernimento amadurecido. E, se se tratar de um casal católico, a sua
opção deve ser iluminada pelos ensinamentos do Magistério da Igreja. Tendo em conta
esses elementos, o casal agirá de acordo com a sua consciência, pois a consciência é
inviolável e o homem não deve ser forçado a agir de forma contrária à sua consciência. A
avaliação moral deve basear-se numa visão integral do matrimónio e do amor humano.

42
2.6.1 A gravidez não planificada

O contexto social e cultural, incluindo a religião, é um dos importantes factores que influenciam o
planeamento familiar.

Nas sociedades patrilineares, o “domínio do homem” dificulta a capacidade da mulher de influenciar


a decisão sobre a reprodução. As relações conjugais e familiares, o nível de educação, o acesso a
recursos financeiros e aos serviços de saúde são também factores determinantes, na capacidade da
mulher fazer as suas opções, acerca das suas necessidades de saúde reproductiva.

Em Moçambique, onde a sociedade tradicional e as crenças culturais reforçam a dependência e a


ausência de poder da mulher, onde as mulheres são pobres, poucas mulheres podem exercer os
seus direitos reproductivos e sexuais. As adolescentes são, nestas circunstâncias, as mais
vulneráveis, sendo mais susceptíveis à gravidez indesejada, tornando-se esposas e mães, numa
idade muito precoce. A falta de acesso aos métodos contraceptivos conduz à gravidez indesejada,
que termina, muitas vezes, num aborto inseguro, com todas as suas consequências sociais e para a
saúde das adolescentes.

A gravidez é mais frequente nas adolescentes: de acordo com o último censo populacional, 17% das
adolescentes, entre os 15 e os 19 anos, tiveram já um filho.

2.6.2 A interrupção (propositada) da gravidez

Apesar de existirem muitas opções de planificação familiar, e apesar da educação e informação


sobre a sexualidade, mulheres grávidas têm procurado resolver o seu problema, através do aborto.

O aborto inseguro, em Moçambique, é uma das principais causas da morte materna. Em 2010, a
mortalidade materna, no país, foi de 490 mortes por 100.000 nascimentos vivos2. Não é conhecida
exactamente a magnitude do aborto inseguro. No período de 1990 a 2000, 8 a 11% das mortes
maternas ocorridas foram devidas a complicações do aborto inseguro.

O aborto inseguro é um problema grave de saúde pública, não só devido à morte materna, mas
também devido às suas complicações imediatas e de longo prazo. As complicações imediatas mais
comuns são: lacerações do colo do útero, hemorragia, infecção grave (sepsis), perfuração uterina e
peritonite (acumulação de pus, na cavidade abdominal). As complicações a médio e longo prazo
incluem a dor pélvica crónica, a gravidez fora do útero, e a infertilidade. São também de destacar as
consequências sociais, tais como a destruição da família e a estigmatização da mulher.

A legislação de Moçambique estipula que o aborto é proibido, e penaliza a mulher e o abortador.


Respondendo à alta taxa de morbi-mortalidade, o Ministério da Saúde autorizou a interrupção da
gravidez, em certos casos, como, por exemplo, a falha de contraceptivos, ou causas socio-
económicas.

2
WHO. (2013). Global Health Statistics 2013, Geneva, p.72.
43
Estudos recentes mostraram que as mulheres que recorrem ao aborto inseguro são
significativamente mais jovens, sem uma relação estável, e estão em desvantagem em relação à
educação, ao conhecimento e uso de contraceptivos, à habitação e agregado familiar. Estão também
em maior risco de graves complicações3.

É importante salientar que muita dor e desespero podem ser evitados, com um bom
aconselhamento e uma planificação em conjunto. O aborto destrói uma vida que está a nascer. O
aborto não é um método de planeamento familiar.

Avaliação moral do aborto

Este discurso parte do princípio de que desde o momento da fecundação, estamos perante
uma vida humana. O óvulo fecundado é um ser humano pela sua origem, pela sua finalidade
e pelas suas potencialidades humanas, e todo o processo embrionário é, desde o primeiro
momento, um processo autónomo e contínuo, sem saltos qualitativos que permitam falar de
um “antes” e de um “depois”.

A Declaração de Genebra (1948), versão atualizada do Juramento de Hipócrates, diz: “No


momento de ser admitido como membro da profissão médica, prometo solenemente (…)
manter o máximo respeito pela vida humana, desde o seu início”.

Por sua vez, a Igreja Católica tem sido constante na condenação firme de todos os atentados
à vida humana (homicídio, genocídio, aborto, suicídio voluntário, etc. – GS, 51). E o Papa João
Paulo II diz que “o ser humano deve ser respeitado e tratado como uma pessoa desde a sua
conceção e, por isso, desde esse momento, devem-lhe ser reconhecidos os direitos da
pessoa, entre os quais e primeiro de todos, o direito inviolável de cada ser humano inocente à
vida” (EV, 60).

Na discussão em torno da problemática do aborto, há alguns equívocos que precisamos de


destronar:

a) O primeiro é perspetivar o aborto como um direito da mulher sobre o seu próprio corpo:
isto é falso, porque o embrião não é mero apêndice da mãe, mas antes uma realidade
humana autónoma e, como tal, indisponível. Portanto, nunca se pode evocar o “direito a
abortar”;
b) O segundo é argumentar com a prática do aborto clandestino e as más condições em que
é realizado para exigir a descriminalização ou a legitimação do aborto;
c) O terceiro é pensar-se que o poder constituído, nomeadamente na sua vertente
legislativa, tem competência para descriminalizar o que, por sua natureza, é crime:
nenhuma lei positiva pode transformar em não mau ou bom o que é mau em si mesmo.
(p.71-72).
3
Machungo, F. (2004). O aborto inseguro em Maputo. Outras Vozes, Vol. 7. WLSA Mozambique. Maputo.
Casos de salvar a vida salvável: aborto por indicações médicas. Casos em que a criança no
44
ventre da mãe mostra deficiências serias. Que fazer?
Exercício 2.6: Estudo do caso Ivandro

Olá, amigos! Chamo-me Ivandro, tenho 26 anos, sou filho único. Sou licenciado em Contabilidade e
Auditoria, pela Universidade Católica. Consegui, há pouco tempo, um bom emprego, na Cornelder, e
posso vos dizer que financeiramente estou estável.
Já tive muitas relações e várias parceiras. A mulher, que marcou a minha vida foi a Deuclésia, que
ficou minha amiga, durante cinco anos, e acabámos por nos separar, por minha culpa, porque ela
descobriu que eu estava a me envolver com uma outra.
Depois dela, tive várias namoradas, até encontrar a minha actual namorada. Chama-se Zinaida, é 5
anos mais velha do que eu, e divorciada. Amo-a, mas ela faz muita pressão sobre mim: quer se casar
comigo e ter filhos. Só que, sempre que vejo a Deuclésia, fico com vontade de a ver, morro de
ciúmes dela.
Os meus pais não aceitam a Zinaida, mas eu gosto dela, e por isso é que até hoje não nos separámos.
Agora descobri que ela está grávida. Sinto que não estou preparado para aceitar ser pai. Quero tirar
dinheiro para ela poder fazer um aborto, na clandestinidade. Encontro-me muito confuso. Eu quero
formar uma família e quero ter filhos, mas não desta maneira.
Para estudantes jovens:
Poe-te no lugar do Ivandro: Porque está ele nesta situação? O que deveele fazer?
Para adultos e pais: Ponha-se lugar do pai/da mãe do Ivandro: Porque é que o Ivandro está nesta
situação? O que é que você podia ter feito, como pai, para isso não acontecer? O que é que vai fazer
agora?

2.7 Saúde sexual e saúde reproductiva

A saúde sexual refere-se às áreas da medicina envolvidas com a reprodução


humana e comportamento sexual, as doenças sexualmente transmissíveis, os
métodos contraceptivos, anticoncepcionais, entre outros.

“Saúde Reprodutiva é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, em todas as


matérias concernentes ao sistema reprodutivo, suas funções e processos, e não simples ausência de
doenças ou enfermidades” (OMS).

A saúde reproductiva implica que a pessoa


 Possa ter uma vida sexual segura (saudável!) e satisfatória,
 Tenha a liberdade de decidir se quer ter filhos ou não, e quantos filhos quer ter, e quando tê-los
 Nesta última condição, está implícito o direito de homens e mulheres de serem informados e de
terem acesso aos métodos eficientes, seguros, aceitáveis e financeiramente compatíveis de
planeamento familiar.

A finalidade da saúde sexual é a melhoria da qualidade de vida e das relações pessoais, e não o mero
aconselhamento e assistência relativos à reprodução e às doenças sexualmente transmissíveis.

45
Figura 6 Necessidades de Saúde Sexual e de Saúde Reproductiva

A Saúde Sexual e Reproductiva diz respeito ao bem-estar emocional, através de uma vivência sexual
prazeirosa, à relação respeitosa conjugal, e à autodeterminação, na vivência da sexualidade.

Exercício 2.7: O muro dos riscos e a porta das oportunidades


 Vamos construir o muro dos riscos e a porta das oportunidades. Cada um recebe uma cartolina
de cor azul e de cor verde, e um marcador.
 Escrevam, nas cartolinas de cor azul "Razões de fazer sexo desprotegido e ter múltiplos
parceiros" e "Razões do sexo seguro e da fidelidade". Uma ideia por cartolina!
 Vamos avaliar as vossas ideias: Quando há consenso sobre que uma razão é uma razão válida e
saudável, colocamos um "1", ao lado dele; quando há consenso de que a razão não é boa e
saudável, o facilitador coloca um "0" ao lado.
 Qual o resultado da avaliação? O que é que aprenderam?

2.8. As Infecções de Transmissão Sexual (ITSs)

 As infecções de transmissão sexual (ITSs) são causadas por micróbios, que


se propagam, através do contacto sexual.
 A maior parte das ITSs ( excepto o HIV e o herpes) podem ser curadas.
 O HIV é um tipo de ITS.
 O HIV e as infecções sexualmente transmitidas não só compartilham a mesma via de
transmissão, mas também ajudam na progressão da doença, de uma forma mútua.
 A probabilidade duma infecção por HIV aumenta dez vezes, com a presença concomitante de
uma ITS. Porque algumas destas infecções provocam feridas abertas à volta dos órgãos genitais,
por onde o vírus do HIV pode facilmente penetrar.
 Contrair uma ITS significa que teve uma relação sexual desprotegida, com uma pessoa com uma
ITS, provavelmente também infectada por HIV. Vê tu agora o grande risco para ti!

46
 As complicações de uma ITS não tratada são as seguintes:
 Aborto;
 Gravidez fora do útero;
 Câncro da cerviz;
 Esterilidade no homem e na mulher;
 Os bebés nascidos de uma mãe infectada podem nascer com conjuntivite ou cegueira;
 Doença mental.

 Como é que me posso proteger de uma ITS?


A tua saúde e a tua protecção dependem de ti. É importante que conheças o funcionamento dos
teus órgãos genitais, e reajas logo, no caso de alguma anomalia. As formas eficazes e seguras de
prevenção das ITS são:
 Evitar ter parceiros ocasionais;
 Ser fiel a um parceiro;
 Abster-se das relações sexuais ocasionais.
 Usar o preservativo, de modo consistente e correcto.

 O que farei eu, se pensar que contraí uma ITS?


 Vai ao hospital, o mais depressa possível, e faz também o teste de HIV;
 Se descobrires que contraiste uma ITS e que estiveste envolvido com mais do que um
parceiro sexual, deverás informar a todos, para que também eles possam fazer o
tratamento, o mais depressa possível.
 Se tiveres contraído uma ITS, deves abster-te da actividade sexual, até que tenhas
completado o tratamento da ITS.

Estuda a tabela das ITSs, na página a seguir.

47
Figura 7 - Tabela das ITSs
ITS Gonorreia Sífilis Tricho- Clamídia Granolom Candidíase Herpes Hepatite B Cancróide
maníasis a venérea
Como se Contacto Contacto Contacto Sexual Contacto Sexual Contacto Contacto Sexual Contacto Contacto Contacto Sexual
adquire? Sexual Sexual Sexual Em mulheres Sexual, Sexual ou
pode surgir sem contacto contacto com
contacto físico com a ferida fluidos do
corpo: sangue,
saliva, urina
Período de 1-10 dias Fase 1: 1-3 1 semana 1-3 semanas 3-12 dias, 2-20 dias 1-6 meses 4-10 dias,
incubação meses Período ao máximo: 1
Fase 2: 3-6 latente: 2-6 mês
meses semanas
Fase 3: anos
Sintomas Mulheres: dor Fase 1: ferida Mulheres: Mulheres: dor Inchaço dos Mulheres: Borbulhas Fase 1; úlceras
pélvica, que não dói corrimento pélvica, gânglios corrimento que doem e cansaço, perda dolorosas,
corrimento Fase 2: febre, amarelo ou corrimento, inguinais e branco, inchaço arrebentam de peso, dor inchaço dos
ardor ao dor de cabeça, verde, comichão ardor e dor ao ruptura da vulva, dor para feridas. nas gânglios
urinar, febre alergia nos órgãos urinar, para urinar, Feridas nos articulações inguinais
Homens; Fase 3: muito genitais sangramento Comichão nos órgãos gripe
ardor ao doente Homens: órgãos genitais sexuais e na Fase 2:
urinar Corrimento, dor Homens: boca Hepatite – pele
ao urinar, ou inchaço, amarela
sem sintomas inflamação, Fase 3:
comichão no recuperação
pénis gradual
Tratamento Antibióticos Antibióticos Flagyl Antibióticos Antibiótico, às Cremes vaginais Não tem Repouso e Antibióticos
vezes cirurgia cura dieta. Existe
vacina
Efeitos na Infecção Infecção Febre e infecção Infecção severa Febre, Desconforto Feridas Associado com Desconforto,
ausência de vaginal severa, dos órgãos, dos órgãos estreitezas extremo desaparece cancro do Ruptura de
tratamento Infertilidade transmissão para reproductivos anais, fístulas m e rea- fígado. Morte. gânglios inguin-
Doenças de o bebé parecem se Transmissão ais, formação e
pele, cegueira a pessoa vertical fistulação de
no bebé está doente abcessos
48
Exercício 2.8: ITSs - Testa o teu conhecimento. Em cada pergunta, são possíveis
múltiplas escolhas.
1. Quais dos seguintes são sinais e sintomas de ITSs, no homem e na mulher?
Dor ao urinar ou defecar, dor pélvica, inchaço, inflamação, úlceras, corrimento, dor durante
as relações sexuais, feridas, febre, comichão/irritação nos órgãos genitais, garganta
inflamada

a. Sinais e sintomas, no homem: ______________________________________


b. Sinais e sintomas, na mulher: _______________________________________
c. Sinais e sintomas, em ambos: _______________________________________

2. Quais podem ser consequências de uma ITS não tratada, no homem


a. Infertilidade
b. Desconforto extremo
c. Abcessos
d. Hipertensão

3. Quais podem ser consequências de uma ITS não tratada, na mulher


a. Cancro da cervix
b. Perda de peso
c. Transmissão para o bebé
d. Cegueira do bebé
e. Infertilidade

4. Quais das seguintes ITS têm cura:


a. Gonorreia
b. Candidíase
c. Herpes
d. Trichomaníasis
e. Cancróide

5. O que tem você que fazer, quando descobrir que tem uma ITS:
a. Ir à unidade sanitária e tratar a ITS
b. Não fazer nada
c. Informar a sua parceira/as suas parceiras para você e ela (s) irem tratar a
ITS.
d. Procurar conselho com um amigo.

49
2.9 Violência baseada no género

Introdução ao tema:

Olhe para este cartaz:


o Qual foi a intenção do homem e a sua atitude,
quando se encontrou com esta mulher?
o Porque é que a mulher disse “NÃO”?
o Porque e que ele mudou a sua atitude?
o O que significa violência baseada no género?

Uma Definição da violência baseada no género (VBG)

Segundo Bloom (2008:14), a violência baseada no género refere-se


à violência, que ocorre, como resultado do papel esperado e associado com cada género e
relacionado com as relações desiguais de poder, entre ambos os géneros.
Ambos, homens e mulheres, podem ser afectados pela VBG, mas, na maioria dos casos, a
VBG afecta mulheres e raparigas.

Figura 8: Formas de Violência Baseada no Género

50
2.9.1. Factos sobre a violência contra mulheres

Figura 9: Factos sobre a violência física e sexual entre parceiros

Fonte: OMS, 2012 e UNODC, 2013.

 1 em 4 mulheres é vítima de violência, durante a gravidez.


 Muitas pesquisas mostraram que um quarto das raparigas começou a sua actividade
sexual, por serem pressionadas pelo parceiro, e 20% , por causa de pressão social.
 700 milhões de mulheres foram dadas em casamento, com menos de 18 anos de
idade, e um terço delas com a idade de menos de 15 anos (UNICEF).
 133 milhões de mulheres e raparigas sofreram de mutilação genital feminina, em 29
países da África e do Médio Oriente.
 Violência doméstica: Estudos da OMS em Namíbia, Tanzânia e Etiópia mostram que
16-59% das mulheres tinham sofrido violência sexual por parceiro íntimo, e que as
mulheres estiveram em maior risco de violência sexual, mais por parte dos seus
parceiros do que de outras pessoas. Estes dados são semelhantes aos estudos feitos
na África do Sul, Moçambique, Quénia, Nigéria e Tanzânia; também eles mostram
uma alta prevalência e variedade de tipos e definições de violência sexual. Há pouca
literatura sobre a violência sexual contra meninos e homens4.

As Causas da ocorrência de vários tipos de violência contra a mulher, em Moçambique


são5:
 Aspectos culturais
 Ciúmes
 Antecedentes de violência, na família
 Dependência económica da mulher
 Seropositividade
 Desigualdades, nas relações de poder, entre mulheres e homens.

4
Kilonzo, N. et al. (2009). Sexual violence legislation in sub-Saharan Afria: the need for strengthened
medico-legal linkages. Reproductive Health Matters2009;17(34):10–19, p.11-13.
5
República de Moçambique. (2008). Plano Nacional de Acção para Prevenção e Combate à Violência
contra a Mulher 2008-2012. Maputo, p.9.

51
Fig. 10 : Os compromissos internacionais dos direitos da mulher e da igualdade de género

Fig. 11 Compromissos, ao nível da África, ratificados por Moçambique

Legislação importante dos direitos humanos e da igualdade de género, em Moçambique

A Lei da Família (Lei 10/2004) estabelece a igualdade do género perante a lei, casamento,
divórcio, a guarda das crianças, a divisão de bens no casamento. Inclui a igualdade do
género, na propriedade dos bens e na propriedade da terra.
Lei do tráfico de seres humanos (Lei 6/2008) penaliza, com penas de prisão maior, os actos
de traficar, com o fim de obter dinheiro, lucro ou qualquer outra vantagem, um cidadão
moçambicano a cidadão estrangeiro, para casamento, com fim de adquirir, comprar,
oferecer, vender ou trocar a pessoa, para envolvimento em pornografia, exploração sexual e
trabalho forçado, escravatura ou servidão involuntária.
A Lei da Violência Doméstica (Lei 29/2009), Lei sobre a Violência Doméstica praticada
contra a Mulher, afirma que a violência doméstica constitui um crime público.
O quadro legal de Moçambique é muito desenvolvido, mas a implementação e fiscalização
das leis deixam ainda a desejar.

52
2.10 Relações saudáveis

Exercício 2.9: Relação saudável entre os parceiros

Na sua opinião,
- Quais, dos seguintes, são indicadores de uma relação saudável:
- Quais deles são indicadores de uma relação não saudável:
- Quais deles não pertencem a nenhum destes dois grupos:

a. Normalmente, um dos parceiros é que decide, pelo casal.


b. Você fica na relação, por medo de ficar sozinho.
c. Você faria qualquer coisa pelo seu parceiro.
d. Um bate no outro, a fim de que obedeça.
e. Você nunca discorda do seu parceiro.
f. O seu parceiro ainda permanece próximo da sua ex-namorada.
g. O parceiro controla tudo.
h. Vocês não conversam sobre o sexo.
i. Fazer planeamento familiar é um assunto da mulher.
j. Você é capaz de fazer o que deseja.
k. Ambos falam dos problemas na relação, quando surgem.
l. Você diverte-se, quando está com o seu parceiro.
m. O seu parceiro/a sua parceira limita-lhe a sua liberdade pessoal.
n. Fazem juntos os planos, para o fim-de-semana, e para o futuro.
Indicadores, para a relação saudável:________________________
Indicadores, para a relação não saudável:__________________________
Indicadores que não pertencem a nenhum dos dois grupos:____________________
Discuta os resultados na sua turma.

2.10 Relações saudáveis

As relações saudáveis têm quatro pilares básicos: amor,


confiança, respeito e consentimento. As bases sustentam-se, por
um contracto implícito, e por regras tácitas e explícitas, que
ajudam a firmar esta união.

As pessoas esquecem-se de algo fundamental: as escolhas da nossa vida são feitas


diariamente. Os que têm um casamento feliz sabem que a conquista deve ser diária. Apesar
do desgaste, que ocorre, no quotidiano, conseguem manter entendimento e
companheirismo.
53
A união saudável tem uma chave, que é a da admiração. Admirar o seu par é pré-requisito
da conquista. Se não admira o seu par, deve repensar a sua escolha. Casais felizes são
aqueles cuja relação é um crescimento contínuo. Mesmo através das diferenças, conseguem
amadurecer.

Ambos são responsáveis pelo sucesso ou insucesso da relação. O diálogo, numa relação, é
essencial, bem como o respeito pelas opiniões, sentimentos e desejo da outra pessoa. Os
ataques pessoais contaminam o relacionamento e levam à destruição do respeito.

Comentários constructivos, carinho mútuo e alegria de estar juntos são sintomas de um


casal apaixonado. Quando isso ocorre, faz muito bem à saúde do corpo e da mente. Se não
está vivendo assim, saiba que vale a pena tentar!

2.11 Direitos sexuais e reproductivos


Referem-se ao direito de desfrutar de uma sexualidade saudável de
prazer. É essencial. Pressupõem a escolha livre, autónoma e
responsável, promovendo assim o respeito mútuo, nas relações.
A Declaração da IPPF (Federação Internacional de Planeamento
Familiar) de 2008 define:
 Direitos Sexuais são uma componente dos Direitos Humanos.
 São um conjunto de direitos relacionados com a sexualidade, e contribuem para a
liberdade, igualdade e dignidade das pessoas.
 A sexualidade e o prazer que dela deriva são aspectos centrais do ser humano, quer
a pessoa opte por reproduzir-se quer não.
 A garantia dos direitos sexuais para todos inclui um compromisso com a liberdade e
a protecção contra danos.
 Os direitos sexuais devem estar sujeitos apenas a limitações determinadas pela lei,
com a finalidade de garantir o devido reconhecimento e respeito dos direitos e
liberdades de terceiros e do bem-estar geral, em uma sociedade democrática.

As principais componentes dos direitos sexuais e reproductivos são:


- Igualdade e equidade entre homens e mulheres, a fim de permitir que os indivíduos
façam escolhas livres e esclarecidas, em todas as esferas da vida, sem estarem
sujeitos a qualquer discriminação fundada no sexo;
- Saúde reproductiva e sexual, como uma componente da saúde em geral, ao longo
do ciclo de vida;
- Tomada de decisão, quanto à reprodução, incluindo a escolha voluntária, quanto ao
casamento, à formação da família, à determinação do número de filhos e ao direito
de ter acesso à informação e aos meios necessários para exercer uma escolha
voluntária;
- Segurança sexual e reproductiva: não sujeição à violência sexual e à coerção sexual.

54
Exercício 2.10: Estudo do Caso Volvétia

A Volvétia é uma linda moça dos seus 18 anos, e acaba de terminar a 12.ª classe. Fez o
exame para admissão ao curso de direito na UEM, e não foi admitida. Não pode entrar numa
Universidade privada, porque os pais não podem pagar, sendo o pai reformado.
Ela de facto é linda, e por isso é que o Sr. Suglofe gosta muito dela, ao ponto de se oferecer
para lhe pagar os estudos e acomodação em Nampula, na Faculdade de Direito da UCM. Pois
ele tem posses, é Director Executivo da empresa Cimentos de Moçambique. E em troca quer
ter uma relação com ela.
A proposta do Sr. Suglofe é tentadora. Mas existe um facto muito importante, na história:
ela é namorada do filho do Sr. Suglofe, que se chama Leopoldo e está a fazer o 3.º ano do
Curso de Medicina, e o Sr. Suglofe sabe desta relação, e diz que não irá atrapalhar em nada,
e que tudo ficará como está.
Ela anda confusa, porque quer ambas as coisas: estudar e o Leopoldo. Mas poderá ela ter
ambas as coisas, se aceitar a proposta do Sr Suglofe?
Responde às perguntas:
Para estudantes jovens:
Se estivesses no lugar da Volvétia, que farias tu, se te encontrasses numa situação destas?
Para adultos:
Que direitos de cada pessoa está o Sr. Suglofe a violar?

55
CARTA DOS DIREITOS SEXUAIS

Tenho o direito de:


 Pedir a palavra e não ser interrompido pelo meu parceiro/pela minha parceira.
 Ser ouvido.
 Dizer o que penso, sem medo, e sem ser agredido ou humilhado.
 Ser eu mesmo, sem ser pressionado a mudar, para adaptar-me ao meu parceiro.
 Exigir que os meus valores e limites sejam respeitados.
 Dizer que penso que a informação do meu namorado/a é errada ou as acções dele/a
são injustas ou inapropriadas.
 Vestir-me como gosto.
 Pedir um namoro.
 Sugerir actividades num namoro.
 Ter os meus próprios sentimentos e ser capaz de exprimí-los sem receio.
 Iniciar uma relação lentamente, de modo a dizer “Eu preciso de te conhecer melhor
antes de me envolver contigo.”
 Dar ou recusar o consentimento do/a parceiro/a, antes de fazer relações sexuais, ou
alguma outra intimidade.
 Recusar fazer sexo, sem me sentir culpado.
 Dizer ao meu namorado/a quando quero afeição.
 Recusar uma afeição.
 Recusar dar dinheiro por emprestado.
 Recusar manter relações sexuais com alguém, só porque ele/a me levou a sair para um
encontro romântico dispendioso.
 Dizer ao/a meu/minha parceiro/a para não me tocar onde eu não quero ser tocado/a.
 Não ser controlado e limitado, pelo/a meu/minha parceiro/a, nas visitas aos amigos e
família
 Recusar manter relações sexuais desprotegidas, quando solicitei protecção, ou quando
não gostaria de ficar grávida.
 Terminar a relação, em caso de abuso e de violência.
 Sair duma relação, mesmo sob ameaça do parceiro de me prejudicar ou prejudicar a
minha família.

Se estes direitos forem violados, na tua relação, tu vives numa relação abusiva. Reflecte e/ou
procura um conselheiro, para falar da tua relação. Qualquer coisa que contes é confidencial.

56
Mensagens-chave

 A sexualidade é uma componente fundamental da vida humana. É preciso vivê-la,


com responsabilidade e com respeito pela sua própria pessoa e pelo parceiro.
 A sexualidade faz parte do projeto de Deus.
 Enquanto o sexo é fixado pela natureza, os papéis do género são atribuídos pela
sociedade, e mudam, de uma sociedade para outra, e ao longo do tempo.
 A identidade sexual é a percepção, que uma pessoa tem, da sua própria sexualidade.
Identidades e orientações sexuais: heterossexualidade, lésbicas, gays, bissexuais.
Essa perceção deve ser vivida no contexto de fé em que cada pessoa, no seu
crescimento interior, vai procurando descobrir o que Deus quer de si, o que a
pessoa é chamada a ser, qual é a sua vocação dentro do plano de Deus.
 A nossa sociedade considera a heterossexualidade como padrão; o que causou
estigma e discriminação para pessoas com orientação e identidade sexual fora da
heterossexualidade.
 Relações saudáveis baseiam-se no amor, no respeito mútuo, e na igualdade na
tomada de decisões.
 Os direitos sexuais fazem parte dos direitos humanos e garantem a escolha livre,
sem coerção ou violência, de viver a sua sexualidade, e se a pessoa se quer
reproduzir ou não.
 A saúde sexual e reproductiva é uma componente da saúde em geral. Inclui a
escolha livre, quanto ao casamento, à formação da família e à determinação do
número de filhos e ao direito de ter acesso à informação e aos meios necessários
para exercer uma escolha livre.
 Dependendo da idade, pode se optar pela abstinência, pela fidelidade e pelas
práticas de sexo seguro, para garantir a saúde sexual própria e do parceiro, evitando
assim ITSs e a infecção por HIV.
 O casal deve escolher, em conjunto e de acordo com a sua consciência, o método de
planeamento familiar adequado.
 O aborto não é um método de planeamento familiar moralmente aceitável. O
aborto inseguro é uma das causas principais da mortalidade materna, e deve ser
evitado.
 Os direitos reprodutivos são difíceis de abordar. Porque há uma carga emocional
grande, envolvendo diferentes conceitos de moralidade e princípios religiosos, e
ainda profundos preconceitos, em relação à mulher, enraizados na cultura.
 É fácil dizer que o empoderamento da mulher é uma condição para o exercício dos
direitos reproductivos. Na prática, este é um longo e lento processo, ao longo de
gerações, e inclui a mudança de atitudes, a educação, o progresso socioeconómico e
o desenvolvimento do poder financeiro e político das mulheres.

57
Unidade 3. Informação Básica Sobre o HIV/SIDA
Introdução

Nesta terceira Unidade, gostaríamos de apresentar informação básica, sobre o HIV/SIDA.


Sobre a transmissão do HIV, e a sua actuação no corpo, e o progresso da infecção no corpo,
e as características do tratamento. Queremos levar-vos a uma avaliação do vosso
comportamento e abordar as escolhas que tendes, para proteger-vos cada um a si mesmo, e
ao seu parceiro e aos seus filhos, do HIV, e combater o estigma e a discriminação.

Modelo Lógico: Metas, Comportamentos desejados, Factores de risco e de protecção e


Actividades da Unidade

Actividades da Unidade Factores individuais de risco e Comportamentos Metas


4 de protecção 3 2 1

 Conhecimento sobre a Percepção do risco de contrair o Praticar o sexo seguro Redução de


transmissão do HIV HIV novas infecções
 Avalie o seu risco de Normas sociais e práticas sexuais por HIV
contrair o HIV prejudiciais para a saúde
 Conhecer os métodos de Aumento de
prevenção do HIV Mitos sobre o HIV Ambos os parceiros pessoas que
 Teatro: Mitos e medos Aceitação vs medos de fazer o aderem ao teste de conhecem o seu
sobre o teste de HIV teste de HIV HIV estado de saúde
 Informação sobre a
progressão da infecção Aceitação do TARV e do PTV
no corpo Aderência ao
 Decisões em situações Percepção da importância da Aderência ao TARV TARV e PTV
de DILEMAS (género) aderência ao TARV
 Informação sobre o Redução do
PTV e TARV Percepções e atitudes sobre Acolher Pessoas estigma e
 Estudo do Caso Estrela Pessoas Vivendo com HIV & Vivendo com discriminação
 Teste a sua linguagem SIDA HIV&SIDA de PVHs

Conteúdo
 Situação da epidemia de HIV/SIDA, no mundo e em Moçambique
 Factos clínicos básicos, sobre HIV e SIDA
 Vias e condições de transmissão do HIV
 A progressão da infecção por HIV, no corpo
 O diagnóstico de HIV
 Aconselhamento e testagem em Saúde
 Prevenção do HIV
 Tratamento do HIV e SIDA
 Normas sociais e práticas prejudiciais para a saúde (Género)
 Estigma e discriminação de PVHSs

58
3.1. A epidemia global do HIV&SIDA

Desde a descoberta do SIDA, em 1981, mais de 60 milhões de pessoas


foram infectadas pelo HIV, e estima-se que cerca de 30 milhões de pessoas perderam a vida.
Segundo a ONUSIDA (2014), em 2013 o SIDA tirou cerca de 1.5 milhões de vidas, a nível
mundial. Estima-se que cerca de 2.1 milhões de novas pessoas foram infectadas pela
doença. A mortalidade e as novas infecções estão a diminuir no mundo, mas o número de
pessoas a viverem com HIV está a aumentar, devido ao tratamento e à mais longa esperança
de vida das pessoas a viverem com HIV. A nível mundial, o número de pessoas a viverem,
actualmente, com o vírus é de aproximadamente 35 milhões6.

As infecções do HIV estão agora concentradas nos países em desenvolvimento. Dois terços
de todas as pessoas a viver com o HIV residem na África Sub-Sahariana (cerca de 25 milhões
de pessoas, em 2013). As mulheres e, entre elas, as mulheres jovens dessa região carregam
o fardo desproporcional de infecções, devido principalmente ao seu estatuto, na sociedade,
e ao seu fraco poder de negociação de sexo seguro. Estima-se que em 2013, em África, 1.1
milhões de pessoas morreram, por causas relacionadas com o SIDA. Até ao fim de 2005, na
África Sub-Sahariana, estima-se que cerca de 12 milhões de crianças ficaram órfãs, devido ao
SIDA.

O SIDA foi primeiro identificado no mundo desenvolvido, em grupos marginalizados (entre


homossexuais, trabalhadoras do sexo, e entre pessoas que usam drogas intravenosas), e por
isso rapidamente se tornou uma doença estigmatizada. Muitos países e comunidades
responderam com medo e preconceitos, e o SIDA tornou-se a doença do “outro”.

3.2 O HIV &SIDA em Moçambique


O primeiro caso de HIV, em Moçambique, foi diagnosticado, em 1986, na província de Cabo
Delgado, na Cidade de Pemba. Ainda nesse ano, nasceu uma forma de controlo
epidemilógico e recolha das taxas epidemilógicas do HIV, com base nas consultas pré-natais.
Desde 1986, o número de casos tem vindo a crescer rapidamente. Até finais de 1992, tinha
sido registado um total cumulativo de 662 casos de SIDA, para cerca de 1.35 milhões em
2002, respectivamente. Em 2014, aproximadamente 1.5 milhões de pessoas viveram com
HIV; 200.000 dos quais crianças (GARPR, 2014). Anualmente, ocorrem 120.000 novas
infecções no país, principalmente em casais discordantes, trabalhadores de sexo e seus
clientes, e pessoas com múltiplos parceiros.
As estimativas de prevalência do HIV mostram que a epidemia está estável. Mesmo assim,
Moçambique pertence aos dez paises com a prevalência de HIV mais alta do mundo.
Em 2009, foi feito o primeiro estudo populacional (INSIDA). Os resultados mostraram uma
prevalência nacional de 11.5%, nos adultos dos 15 aos 49 anos. Em cada 7 moçambicanos, 1
é portador do HIV/SIDA. A prevalência é mais alta nas mulheres, principalmente nas
mulheres jovens, nas pessoas com melhor educação e melhor rendimento.

UNAIDS. (2014).Report on the Global AIDS Epidemic. Geneva.


6

59
Figura 12: Prevalência do HIV em Moçambique, em 2009, por Província

3.3 Origem do HIV


Os primeiros sinais de uma nova doença fatal, que, mais tarde, ficou conhecida como SIDA,
foram observados nos Estados Unidos da América, em 1981. O HIV foi isolado
cientificamente, no laboratório, em 1983.

Inicialmente, essa doença foi observada principalmente em homens homossexuais. Isto


levou ao equívoco de que o SIDA era uma doença apenas de homens gays. E seguiu-se uma
nova onda de preconceito e discriminação contra gays e lésbicas.

Mas o HIV não é transmitido apenas por sexo gay. O HIV pode ser transmitido por qualquer
tipo de comportamento sexual (homosexual ou heterossexual), se não forem tomadas as
precauções, tais como o uso de preservativos. Na África Sub Sahariana, a maioria das
infecções por HIV são devidas a relações heterossexuais. No entanto, os gays ainda são
muito afectados, por causa da discriminação enraizada contra gays, e a falta de recursos
disponíveis para os gays prevenirem a infecção pelo HIV.
Hoje, os cientistas ainda não sabem porque é que o HIV, de repente apareceu, na década de
1980. A teoria mais provável é que o HIV é um descendente do vírus de imunodeficiência
simiana (SIV), que é encontrado em macacos. O SIV partilha muitas características comuns
com o HIV. O HIV é um vírus de rápida mutação; poderia muito bem ter-se transformado, a
partir do SIV. Algumas estirpes do HIV têm sido detectadas em amostras de sangue, na

60
década de 1920, na África Central (Congo) e Ocidental, e podem ter-se espalhado com
trabalhadores migrantes no continente.
Entre os dois tipos de HIV, o HIV-1 (frequente na África Leste e África Austral) é mais
virulento do que o HIV-2 (frequente na África Ocidental). Há muitos subtipos e estirpes do
HIV-1, alguns deles muito virulentos.

Ainda não há cura para o SIDA, mas há tratamento antiretroviral e das infecções
oportunistas. Graças aos antiretrovirais, as pessoas infectadas podem viver muito tempo e
ter uma vida normal. Os ARVs podem reduzir drasticamente a carga viral do HIV, no sangue
duma pessoa, protegendo-a contra as infecções oportunistas e evitando a progressão da
infeçcão por HIV para o SIDA.

Exercício 3. 1. Testa o teu conhecimento sobre o HIV OPCIONAL


Marca falso ou verdadeiro nas seguintes frases, e explica as razões.
a. HIV/SIDA tem cura
b. Manter relações sexuais com uma virgem pode curar o HIV/SIDA
c. Ter HIV/SIDA significa que morrerá cedo
d. Uma pessoa com tuberculose tem HIV/SIDA
e. Pode-se ser infectado pelo HIV, mantendo relações sexuais pela primeira vez, ou com
alguém que já tenha mantido relações sexuais pela primeira vez.
f. Pode-se ser infectado pelo HIV, com uma pessoa que aparentemente esteja saudável
g. Pode-se ser infectado pelo HIV, com a picadela de um mosquito
h. Um casal seropositivo ou sero-discordante pode ter filhos saudáveis
i. O HIV pode ser transmitido através do simples tossir ou respirar.
j. As pessoas com HIV não precisam de usar preservativos, durante a relação sexual, se os
seus parceiros forem também HIV positivos.
l. Se uma pessoa HIV positiva estiver a seguir bem o tratamento antirretroviral, o risco de
transmitir o HIV ao parceiro é muito pequeno.

3.4 Factos Clínicos Básicos

O que é HIV?
H = humana
I = imunodeficiência
V = vírus
 HIV é o vírus que causa o SIDA.
 O sistema imunológico é o sistema de defesa do corpo, que o protege de doenças.
 O vírus ataca o sistema imunológico e enfraquece-o.
 A infecção pelo HIV torna o sistema imunológico deficiente contra as doenças.

O que é o SIDA?
S= sindroma (colecção de várias doenças e sintomas)
I= imuno (sistema de defesa do corpo)
D= deficiência (fraqueza, falha ou sistema imunológico inadequado)
A= adquirida (apanhada de alguém)
61
 Se alguém está infectado com o HIV, diz-se que ele/a é HIV positivo/a.
 O SIDA é a fase final da infecção do HIV.
 Nesta fase, várias doenças atacam e enfraquecem o corpo.
 Essas doenças chamam-se infecções oportunistas.
 Uma infecção de HIV não é uma sentença de morte. Uma pessoa pode viver uma vida
productiva, com o HIV, durante muito tempo.

3.4.1 Vias e condições de transmissão

O HIV é encontrado nos fluidos do corpo de uma pessoa infectada. Os fluidos corporais, que
contêm quantidade suficiente do vírus, para facilitar a infecção, são:
 Sangue
 Sémen
 Fluidos/secreções vaginais
 Leite do peito.

Figura 13 – Visualização da concentração do virus de HIV, nos fluidos corporais

☺☺☺☺☺☺
☺☺☺☺☺☺
☺☺☺☺☺☺ ☺☺☺
☺☺ ☺☺☺ ☺☺
Sangue Sémen, Secreções Vaginais Leite materno

Os fluidos corporais, que não contêm quantidades suficientes do vírus, para serem
infecciosos, são:
 Saliva
 Suor
 Lágrimas
 Urina
Vias de transmissão
A transmissao do HIV dá-se mais frequentemente por via de
 Contacto, durante a penetração sexual desprotegida com um parceiro infectado/a.
O vírus pode entrar no corpo, através da superfície da vagina, vulva, pénis ou recto,
durante as relações sexuais. A transmissão durante as relações heterossexuais é
mais frequente, em África.
 Contacto com sangue infectado. Nestes casos, pessoas que usam drogas injectáveis
e partilham agulhas ou seringas contaminadas pelo sangue de alguém, que esteja
infectado pelo vírus. Transmissões de pacientes para agentes de saúde, ou vice-
versa, por via de picadelas acidentais, com agulhas ou outros instrumentos médicos,
são raras.
 Transmissão vertical, da mãe para o filho: As mulheres podem transmitir o HIV para
os seus bebés, durante a gravidez, durante o parto, e através da amamentação.
62
Figura 14 As condições necessárias, para que ocorra a infecção pelo HIV
Um fluído corporal com HIV de uma pessoa

Qualidade do Virus e Suficientes quantidades de vírus no fluído

Entrada na corrente sanguínea da outra pessoa (Rota)

A duração à exposição aumenta o risco para a ocorrência da infecção

Uma boa maneira de pensar, acerca disto, é pensar na fórmula QQR (Labouchère, 2007):

Q = Quantidade suficiente de vírus (ex. sangue, sémen, fluidos vaginais, ou leite materno).
A concentração do HIV é mais alta no sangue. Segue-se o sémen, e depois os fluidos
vaginais. Dos quatro fluidos corporais, o leito materno é o que tem a mais baixa
concentração de HIV.
Q = Qualidade. O HIV é muito frágil e precisa de um meio adequado para sobreviver. Não
sobrevive fora do corpo humano, isto é, no ar ou ao sol. Também não resiste a ácidos e
detergentes.
R = Rota ou porta de entrada, através da qual o vírus entra no corpo duma pessoa não
infectada.
A duração à exposição também é um factor relevante: deve ser longa e suficiente (o risco da
infecção aumenta, quanto mais tempo a pessoa fica exposta ao vírus).

Nota: Se uma destas condições não existir, não é possível a contaminação pelo HIV!

3.4.2 Sexo seguro


Sexo seguro significa não receber sémen ou fluidos vaginais de outra pessoa, no seu
organismo, bem como proteger o seu parceiro, durante o acto sexual. Geralmente, a prática
sexual pode ser vista num contexto contínuo, daqueles que contêm um elevado risco de
infecção para aqueles que correm pouco ou nenhum risco de infecção. A forma mais óbvia
de evitar a infecção pelo HIV é a abstinência, que significa não praticar sexo. Outra forma de
reduzir o risco é limitar o sexo a uma relação monógama com um parceiro não infectado.
Manter relações sexuais com vários parceiros é arriscado, mas o uso do preservativo vai
reduzir significativamente o risco. Escolher actos sexuais que sejam menos arriscados do
que outros também ajuda (veja abaixo).

Quando tu e o teu parceiro decidirem ter relações sexuais, certifica-te de que tomas
decisões informadas, acerca de como obter satisfação sexual, sem correr nenhum risco.
Vamos fazer o exercício 3.2. Para encontrares a resposta certa, pensa nas condições
necessárias para a transmissão de HIV – o QQR!

63
Exercício 3.2: Classificação do Risco de transmissão de HIV
Determina o nível de risco de transmissão do HIV, e explica a tua resposta, na base do QQR.

Prática sexual Alto Risco Médio Baixo Sem Risco


Risco Risco
Penetração vaginal, sem uso do preservativo
Sexo oral com um homem, sem usar preservativo
Sexo oral com uma mulher, usando um meio de
protecção
Partilhar agulhas, lâminas, ou um objecto cortante,
que possa perfurar a pele
Fantasias sexuais
Masturbação e Masturbação mútua
Sexo anal, sem uso do preservativo
Penetração vaginal, com preservativo correctamente
usado e com validade
Abstinência
Abraço e roçar de corpos
Monogamia
Beijo (francês) profundo, com língua
Massagens Eróticas

Põe-te no lugar das pessoas nas situações descritas no exercício 3.3


Exercício 3.3: Avalia o teu risco

64
3.4.3 Práticas sexuais e o risco de infecção por HIV
Risco elevado
 Penetração anal, sem preservativo (é três vezes mais arriscada do
que a penetração vaginal não protegido!)
 Penetração vaginal, sem preservativo
 Partilhar agulhas, lâminas ou qualquer outro objecto afiado, que possa perfurar a pele.
Algum risco
 Fazer sexo oral com um homem, sem preservativo
 Fazer sexo oral com uma mulher, que não esteja usando nenhuma barreira
 Penetração vaginal ou anal, com preservativo. O risco depende de como o preservativo é
usado, o seu tempo de vida e o tipo de lubrificante usado.
 Monogamia – depende do comportamento do seu parceiro.
Baixo risco
 Fazer sexo oral com um homem com preservativo
 Fazer sexo oral com uma mulher com barreira
Sem risco
 Abstinência
 Massagem erótica
 Abraçar e acariciar o corpo
 Beijo
 Masturbação e masturbação mútua
 Fantasia.
3.4.4 A progressão da infecção por HIV , no corpo

O HIV torna cada vez mais deficiente o sistema imunológico duma


pessoa infectada. E assim a pessoa tem mais risco de contrair doença. Para perceber a
progressão do vírus e o tratamento, temos que estar familiarizados com alguns termos:

Contagem das células CD4 (T4)


O HIV exerce largamente o seu efeito no sistema imunológico, destruindo as células CD4 (ex.
Células T, ou ajudantes das células T), que são as células, que ajudam o corpo a lutar contra
infecções. A contagem normal das CD4 varia de 600 a 2.000 células/mm3. Geralmente diz-se
que uma pessoa tem SIDA, quando a quantidade do CD4 cai para 200 ou abaixo disso. A
contagem do CD4 é um dos marcadores mais valiosos e importantes do estado da
imunidade de uma pessoa com HIV/SIDA.
Carga viral do HIV
A carga viral é a medição de quanto HIV existe no corpo. Quanto mais alta for a carga viral,
tanto mais rapidamente o sistema imunológico da pessoa será danificado, pela destruição
das células CD4. Uma subida da carga viral indica uma doença do HIV muito activa. Também
uma carga viral elevada pode conduzir a uma maior chance de mutação do HIV, que é
resistente à medicação.

65
O gráfico abaixo mostra o que acontece com as células CD4 e a carga viral, ao longo da
infecção com HIV.

Figura 15: As células CD4 e a carga viral, ao longo da infecção com HIV

semanas anos

Fonte: Adaptado e traduzido de Centre for the Studies of AIDS.(2008). HIV and AIDS in
South África. 2007/2008. Training and Information Resource. University of Pretoria. p.8.

1.a Fase: infecção primária – nas primeiras 12 semanas, depois da infecção, ocorre uma
propagação rápida do HIV, mas o sistema de defesa consegue controlar e diminuir a carga
viral (quantidade de vírus). O teste de HIV ainda pode ser negativo, mas o portador já pode
transmitir o vírus a outra pessoa.
2.a Fase: fase latente, sem sintomas clínicos, e cuja duração varia entre 2 e 10 anos. A carga
viral continua baixa e, depois, aumenta, lentamente. As células CD4 diminuem lentamente,
o teste do HIV é positivo.
3.a Fase: Na fase sintomática, aparecem as doenças oportunistas, as células CD4 diminuem
e a carga viral aumenta.
4.ª Fase: É já o SIDA. As células CD4 diminuem ainda mais, e a carga viral aumenta. Nesta
fase terminal, o teste de HIV pode, por vezes, ser negativo, devido à falta de resposta
imunológica (anticorpos).
66
3.4.5 Estágios clínicos da infecção por HIV

Algumas semanas após a infecção do HIV, a pessoa poderá ter sintomas


parecidos com os da gripe. Às vezes, isto é chamado doença de sero conversão. Depois disto,
passa-se uma média de 5 a 7 anos, sem um outro sinal de infecção – embora essa demora
possa variar, de alguns meses a 10 anos. Contudo, mesmo que o indivíduo não tenha
sintoma nenhum, o vírus ainda está a multiplicar-se no seu organismo, e pode passar para
outras pessoas. Sintomas ligeiros podem ocorrer, quando o sistema imunológico começa a
enfraquecer (muitos dos sintomas podem ser eficazmente tratados ou prevenidos). Mas
tornam-se mais graves, quando se atinge a fase do SIDA da infecção do HIV.

Figura 16: Sintomas frequentes, nas fases clínicas da infecção por HIV

Fase clínica Sintomas


Infecção primária  Febre,
 Cansaço,
 Erupções cutâneas,
 Garganta dolorida,
 Dores nos músculos ou nas articulações,
 Glândulas linfáticas inchadas
Fase assintomática  Inchaço crónico das glândulas linfáticas
 Herpes zoster
 Febres ocasionais
 Erupções cutâneas
 Infecções nas unhas, por fungos
 Ulcerações orais recorrentes
 Infecções recorrentes no trato respiratório superior
 Perca de peso.
Fase sintomática  Candidíase (Candida albicans) na boca (afta) e na vagina;
 Leucoplasia pilosa (placas brancas) na língua;
 Herpes zoster e herpes simplex;
 Acne;
 Febres e suores nocturnos persistentes;
 Erupções cutâneas;
 Inchaço generalizado dos gânglios linfáticos;
 Diarreia persistente;
 Perda de mais de 10% do peso do corpo;
 Reactivação de TB
SIDA  Condições da pele
 Infecções respiratórias
 Candidíase genital e oral
 Diarreia contínua
 Náuseas e vómitos

67
 Emagrecimento e perda dos tecidos
 Dores e formigueiro nas mãos e pés
 Dores de cabeça, convulsões
 Cansaço, fadiga e fraqueza
 Perda de memória e de concentração; confusão mental
 Qualquer número de infecções oportunistas, tais como:
o Mycobacterium TB
o Citomegalovirus (CMV)
o Pneumocystis carinii pneumonia (PCP)
o Toxoplasmosis
o Cryptococcal meningitis
o Sarcoma de Kaposi (SK)
o Lymphoma.

3.5. Aconselhamento e Testagem, em Saúde

Exercício 3.4: Mitos e medos de fazer o teste de HIV - Teatro

Peça aos estudantes 9 voluntários: Estes voluntários são os actores, e vão receber
instrucções do Docente. Devem sentar-se, em volta de uma mesa. O resto da turma vai ter o
papel de observadores.
- 3 voluntários têm o papel de conselheiros: são activistas e têm suficiente conhecimento
sobre o HIV. Gostariam de mostrar aos seus colegas a importância e as vantagens de fazer o
teste de HIV. Principalmente porque têm namorada, gostariam de ter uma família e um
futuro feliz.
- Os outros 6 voluntários são clientes dos conselheiros. Cada um destes 6 voluntários reage,
de uma maneira diferente, aos conselhos de fazer o teste (veja as instrucções que recebe do
Docente, e o inverso das cartolinas com o seu nome).
- A peça será interrompida, depois de 15 minutos.
- O público deve caracterizar, com uma frase, o comportamento de cada um dos 6
aconselhados (a sua forma de resistência).
- Analizar as ideias/reacções dos clientes: Reveja cada razão, cada medo ou motivo, e peça
ao grupo para comentar sobre o que eles mencionaram: se é realmente um motivo, para
não fazer o teste.

3.5. 1. Como é que o HIV é diagnosticado?

Tu podes ser testado, para verificar se estás ou não infectado com o HIV. Os
seguintes testes de sangue podem ser usados, para diagnosticar o HIV:
 Testes rápidos: um teste de anticorpo, que pode ser executado fora do laboratório, é
barato e muito confiável (97%). Os resultados estão disponíveis, dentro de minutos. Em
Moçambique, estão em uso dois tipos de teste rápido: o UNIGOLD e o DETERMINE.
 Teste ELISA (enzyme-linked immunosorbent assay): procura anticorpos contra HIV. O
68
sangue é retirado de uma pessoa e enviado para um laboratório, para testagem. Os
resultados estão disponíveis dentro de 1 a 3 dias.
 Outros testes laboratoriais: WesternBlot (para confirmar um teste ELISA positivo), P24
antigen test, PCR: detecta material genético viral.
 Teste de saliva: é novo, e ainda não está em uso em Moçambique. É um teste rápido e
fácil para HIV, usando saliva – ele testa para os anticorpos do HIV.

A pessoa pode fazer o teste voluntariamente, ou pode ser testada por iniciativa do
profissional de saúde: a pessoa deve dar o seu consentimento. O resultado do Teste é
confidencial.

O que significa um resultado negativo?


Um resultado negativo significa que (i) tu não tens o HIV ou (ii) poderás ter sido infectado
recentemente e o teu corpo ainda não produziu anticorpos suficientes para o HIV ser
detectado em um teste de sangue. Podes estar no período de janela de infecção, e por isso
o teste deve ser repetido após 3 meses. Um teste negativo não significa que tu és imune ao
HIV. O teste de HIV deve ser repetido periodicamente, porque tu poderias ter sido exposto
ao HIV, por exemplo no sexo desprotegido com um parceiro HIV Positivo.

O que significa um resultado positivo?


Um teste positivo significa que foram encontrados anticorpos no sangue e o HIV está no
corpo. O teste não pode dizer quando é que a pessoa se infectou. Se o resultado de um teste
rápido for resultado positivo, esse teste deve ser confirmado, com um teste confirmatório.
Se o teste confirmatório resultar negativo, usa-se um terceiro teste.

O que significa um resultado indeterminado?


Um resultado indeterminado pode significar: um falso positivo, devido a razões biológicas,
ou um verdadeiro positivo de infecção recente, que ainda não desenvolveu anticorpos
contra a infecção. Requer um novo teste.

3.5.2. O Período de janela

O período de janela é o período que decorre, entre o momento, em que se adquiriu a


infecção, e o momento em que são positivos os testes para o VIH, que pesquisam as
proteínas formadas pelo organismo humano, em resposta à infecção (os anticorpos). Este
período dura, em média, de 4 a 6 semanas. No entanto, algumas pessoas podem ter uma
resposta mais lenta à infecção, com formação mais lenta de anticorpos, o que significa que o
diagnóstico da infecção, através destes testes, será mais tardio e, portanto, o período de
janela será mais longo (3 meses).

69
Factos preocupantes
 54% das pessoas a viverem com HIV, no mundo, não conhecem o seu estado de saúde
(UNAIDS, 2014).
 Em Moçambique, 45% das mulheres e 23% dos homens, de 15 a 49 anos, fizeram o teste
de HIV e conhecem o seu estado serológico. As taxas são mais altas, nas zonas urbanas do
que nas zonas rurais (IDS, 2011).
 Muito menos homens do que mulheres fazem o teste de HIV (UNAIDS, 2012). Isto, porque
as mulheres têm mais fácil acesso à testagem, nas consultas pré-natais.

NÃO FAZER O TESTE DE HIV = AUTO-EXCLUSÃO DO TRATAMENTO E ACOMPANHAMENTO!

3.5.3. Vantagens de fazer o teste de HIV

 Quanto mais depressa uma pessoa descobrir que está infectada com HIV, mais poderá
fazer para controlar a doença.
 Ter acompanhamento médico e apoio social
 Viver mais longamente
 Controlar as infecções oportunistas
 Monitoramento do sistema imunológico e tratamento precoce, para melhorar a saúde.
 Sabendo que você está positivo, pode ajudar a mudar comportamentos, que iriam
colocar em risco a si mesmo e aos outros
 Tu vais saber se corres o risco de infectar, ou não, outras pessoas.
 Considerando a gravidez, as mulheres e os seus parceiros podem tirar proveito dos
tratamentos e potencialmente prevenir a transmissão do HIV para o bebé.
 Se fores negativo, poderás sentir-te menos ansioso, após o teste.

Quanto às Desvantagens, são: stress, ansiedade, culpa, medo de que os resultados dos
testes estejam em mãos erradas, e que daí possa resultar a discriminação.

As vantagens do teste de HIV ultrapassam as desvantagens. É preciso combater os receios e


medos.

Onde posso fazer o teste?


 Numa das UATS da tua escolha. Há cerca de 355 ATS, em Moçambique.
 Na UCM: Visita o Gabinete de Testagem e Aconselhamento da tua faculdade! O
conselheiro/a vai te dar muita informação, sobre ITSs, HIV, Saúde Reproductiva e pode
encaminhar-te para tratamento médico e apoio psicossocial, se for necessário.

70
3.6. Prevenção
Exercício 3.5: Identifica 5 métodos de prevenção.
Completa a tabela a seguir:
Método de Vantagens Desvantagens Crenças
prevenção prevalecentes

Qual a tua escolha?

3.6.1 Métodos de prevenção comportamental e biomédica

Felizmente, nestes últimos anos, foram surgindo novas opções, cuja


eficácia está provada, e outras, que ainda estão em estudo. Na Figura
15, os métodos em cor verde já têm comprovada a sua eficácia, quando
usados consistentemente. Os métodos em azul estão ainda a ser investigados. Os métodos
em vermelho mostraram-se parcialmente eficazes, e ainda estão em curso ensaios, para
obter mais informação.

Figura 17 Métodos e Novas Tecnologias de Prevenção (NPTs)

Fonte: Adaptado e Canadian Public Health Association. (2012). Introduction to HIV New
Prevention Technologies (NPTs), Ottawa, slide 19.
71
Explicações:
Tratamento como prevenção: Tratamento como prevenção (TcP) é um termo usado para
descrever métodos de prevenção da transmissão do VIH, que utilizam ARVs, em pessoas
HIV-positivas. Mais pessoas seropositivas, com início, ainda antes do tratamento
antirretroviral (consoante as directrizes da OMS, de 2013, com menos de 500 CD4), que
aderem ao tratamento, significa melhor saúde destas pessoas, redução da carga viral e
redução da transmissão de HIV para outras pessoas.
PrEP: Prevenção Pre-exposição = tratamento, com ARVs, de parceiros não infectados. É
relevante para homossexuais, casais discordantes, trabalhadores de sexo, adolescentes, mas
não é prática em Moçambique.
PEP: Profilaxia Pós-Exposição - PPE = PPE é um tratamento de curta duração, com
medicamentos antirretrovirais, a fim de evitar a contaminação pelo HIV, depois de uma
exposição acidental ao HIV.
Em Moçambique, os dois grupos seguintes têm direito à aplicação gratuita do PEP:
 Trabalhadores de saúde, que tenham sido picados por agulhas ou outros objectos
cortantes, dando-lhes a eles ARV, dentro de uma hora depois da picadela, e depois,
durante 28 dias depois disso.
 Sobreviventes de abuso e violação sexual – (qualquer contacto sexual desprotegido e
não desejado, independentemente da idade ou do sexo da vítima). Para ter efeito, deve
ser iniciada a profilaxia com ARV, o mais rapidamente possível, nunca depois de 72 horas
após o contacto, e deve continuar durante 28 dias.
PTV: Prevenção da Transmissão Vertical, de mãe para filho. Ver Capitulo 3.7.
Circuncisão masculina: A circuncisão consiste na remoção do prepúcio; este contém células,
que facilitam o transporte do HIV para a corrente sanguínea. A circuncisão reduz o risco de
infecção pelo HIV, a partir das suas parceiras seropositivas, e reduz o risco de contrair ITSs.
Microbicidas: são produtos, que podem ser usados por via vaginal ou anal, para proteger
sexualmente os parceiros livres do HIV e, possivelmente, de outras ITSs. Eles são formulados
possivelmente como géis, cremes, supositórios ou como compostos libertados por esponjas
ou anéis vaginais. As maiores promessas de microbicidas desenvolvidas até agora contêm
um ou mais ARVs, que impedem uma infecção pelo HIV, de se estabelecer. Nenhum
microbicida foi até agora aprovado para o uso geral da população. Os microbicidas seriam
um grande benefício: as mulheres poderiam usá-los, independentemente da aceitação do
parceiro, protegendo-se da infecção do HIV, mas mantendo a aptidão para conceber.
Vacinas: É difícil desenvolver uma vacina eficaz do HIV. Os ensaios de vacinas ainda não
resultaram numa vacina eficaz. O desenvolvimento duma vacina aprovada vai levar pelo
menos mais 10 anos.
Detecção Precoce e Tratamento das Infecções de Transmissão Sexual: As ITSs ulcerativas,
como a sífilis, herpes e cancróide, provocam nos órgãos genitais e ânus lesões, que podem
servir como portas de entrada para o HIV. As ITSs inflamatórias, como a gonorreia ou a
clamídia, não causam feridas, mas provocam inflamação da mucosa. O que torna as mucosas
mais frágeis e susceptíveis de se romper e sangrar, o que aumenta o número de células
receptivas do HIV, na área inflamada. Os casos de ITSs estão a aumentar em África. Em caso
de sintomas de uma ITSs, dirige-te ao posto de saúde.

72
O tratamento das Infecções de Transmissão Sexual (ITSs) é importante, porque reduz tanto o
risco de transmissão como o de aquisição do HIV:
- Redução da aquisição do HIV, por parte de pessoas seronegativas, devido ao menor
número de portas de entrada.
- Redução da transmissão do HIV, a partir de pessoas seropositivas, devido à redução
da infecciosidade das secreções genitais.
Tratar as ITSs, como medida de prevenção do HIV, não implica muito custo e é eficiente.
Medicamentos, como o Aciclovir, para tratar herpes, ou como antibióticos para tratar a
clamídia, são baratos, seguros e facilmente disponíveis.

O Preservativo masculino e feminino: São métodos de barreira, que prevêem o contacto


de fluidos corporais, durante a relação sexual. Para serem efectivos, os preservativos
masculinos ou femininos devem ser usados correcta e consistentemente, todas as vezes que
se mantiverem relações sexuais. Ambos os tipos de preservativos têm a mesma eficácia (85-
90%, se forem usados correcta e consistentemente). Protecção tripla: efectivo contra HIV,
contra ITSs, como sífilis, herpes genital, gonorreia e clamídia e contra gravidez indesejada.

Algumas vantagens do preservativo são:

 Não tem efeitos colaterais


 Não há resistência
 É barato
 Serve para sexo anal e vaginal
 Variedade de tamanhos, textura, cor, desenho,
perfumado ...
 O preservativo feminino pode ser colocado antes da
relação sexual. A mulher pode controlar o seu uso e não depender da vontade do
homem.

Precauções, com objectos cortantes e seringas:


A tatuagem e perfuração (piercing) devem ser feitas apenas com equipamento
esterilizado. O risco de transmissão do HIV, através da tatuagem e perfuração,
é reduzido, porque o vírus do HIV morre rapidamente, quando fica exposto ao
ar.
Outros instrumentos cortantes, tais como as lâminas de barbear, lâminas
usadas no tratamento tradicional, não devem ser partilhados com ninguém.
Utilizadores de drogas injectáveis: não devem
partilhar agulhas para injecção, e usar agulhas
esterilizadas.
Profissionais de saúde têm que usar equipamentos,
como luvas, vestuário especial de protecção, batas
de laboratório, óculos de protecção, para evitar
contacto com sangue humano e outros fluidos
corporais potencialmente infectantes.

73
A figura 18 compara a eficácia de diferentes métodos de prevenção: Qual a sua conclusão?

Figura 18 - Evidência de ensaios clínicos, sobre a eficácia de diferentes métodos


biomédicos, na prevenção da transmissão sexual do HIV

Fonte: Karim, S. (2011).

3.6.2 Desafios da Mudança de comportamento (ABC)


Mais de 50% da população Moçambicana está abaixo dos 20 anos de idade.
 Os jovens têm muita energia, são muito activos, mas têm pouca experiência.
 Idade – em combinação com o desenvolvimento biológico e emocional.
 Inclinação para experimentar o sexo.
 Geralmente, eles acreditam na invulnerabilidade (“isso não pode acontecer comigo”).
 Dependência financeira, em relação a outras pessoas.

Dados do Relatório da UNGASS de 2006 indicam uma iniciação precoce da actividade sexual.
Em 2003, 50% dos jovens Moçambicanos já tinham mantido relações sexuais até à idade de
16 anos, e há uma tendência para a actividade sexual começar mais cedo, em cada geração.
O relatório do IDS de 2011 indica que 44% das adolescentes e 67% dos adolescentes
practicam sexo, antes do casamento. E 46% destes jovens de ambos os sexos usaram o
preservativo na última relação sexual. O uso do preservativo é mais comum nas áreas
urbanas e aumenta com o nível da educação.
Alcançar uma mudança do comportamento sexual é uma tarefa complexa. A maior barreira,
para alcançar a prevenção do HIV, é o facto de o comportamento humano ser complexo e
influenciado por uma variedade de factores pessoais, sociais, culturais e estruturais. A isto
associa-se o medo, a recusa e a ignorância. Os esforços para a prevenção do HIV têm sido
acima de tudo prejudicados pelo silêncio trazido pela não-aceitação e estigmatização, que se
associam à doença.
Reflexão: Quem é mais afectado pelo HIV? Homem? Mulher? Adolescentes?

74
3.7. O Tratamento Anti-retroviral

O Tratamento Anti-retroviral ou TARV é uma combinação de


medicamentos (geralmente 3) anti-retrovirais (ARVs), cuja função é inibir
a réplica do vírus, no corpo da pessoa infectada. Estes medicamentos
chamam-se medicamentos anti-retrovirais ou ARVs.
 Os ARVs não destróem completamente o vírus, nem
curam a doença. Contudo, podem melhorar a qualidade
de vida da pessoa, que vive com o HIV, e prolongar-lha.
 Os ARVs reduzem a carga viral e limitam a progressão
da doença.
 O efeito do TARV é a recuperação imunitária: os CD4
sobem até à normalidade, e as infecções oportunistas não se manifestam. Por exemplo,
reduz-se o risco de tuberculose, em 80-90%.
A administração dos ARVs depende de critérios clínicos (sinais e sintomas) e da carga viral
(quantidade do HIV, no sangue), e está sob a decisão do pessoal da saúde.
Estes medicamentos têm que ser tomados, para o resto da vida. Podem ter efeitos
secundários.

Quem deve tomar os ARVs? Quando se deve iniciar o TARV?


1. Todas as pessoas infectadas pelo HIV, que tenham critérios, para o início do tratamento.
Inicia-se o TARV, quando a pessoa tem um número de células CD4 abaixo de 350/mml
de sangue. Segundo as novas directrizes da OMS, de 2013, o TARV deve iniciar com
menos de 500 CD4. No futuro, também Moçambique vai seguir esta directriz.
2. Todas as mulheres grávidas seropositivas iniciam o TARV, independentemente da
contagem de CD4, e continuam em TARV, toda a vida.
3. Vítimas duma violação sexual e pessoal de saúde, depois de um contacto acidental com
sangue infectado, devem fazer, durante um mês, profilaxe após-exposição (PPE) .

Tomando os ARVs, pode-se transmitir o HIV?


Sim, quando a carga viral for alta e quando o vírus ainda for detectável no corpo, o risco de
transmissão é maior. Quando o vírus é indetectável, o risco é pequeno. Por isso, é necessário
o uso do preservativo, para evitar a transmissão, através de relações sexuais, mesmo com o
próprio esposo/esposa, e mesmo sem partilhar objectos cortantes.

Como se tomam os ARVs?


Existe a primeira linha de tratamento: Toma-se, por dia, um comprimido (medicamento
combinado). A primeira linha pode ser alterada, quando houver uma contra-indicação para
o efeito. Por exemplo, na tuberculose, troca-se o regime para um outro medicamento. A
tomada destes medicamentos depende também do peso do indivíduo.
Para quem faz TARV é muito importante ter uma boa adesão ao tratamento. Isto significa
que deve tomar sempre, de acordo com as indicações certas (na mesma hora, etc), de modo
a evitar que o vírus se torne resistente ao medicamento. Caso isso aconteça, existe uma
segunda linha de TARV, mas, devido aos custos, isso nem sempre é uma realidade. Além
75
disso, a segunda linha tem mais efeitos colaterais e, assim, é mais desagradável para o
doente.

Efeitos Colaterais dos ARVs


Os mais frequentes podem ser: diarreia, vómitos, náuseas, manchas na pele. Mas pode
haver outros.
A maior parte das pessoas não têm efeitos colaterais !
Geralmente, eles diminuem, no primeiro mês depois do início da tomada. O corpo começa a
habituar-se ao medicamento. Se persistir ou se for insuportável, consulte o médico, que o
acompanha, para possível alteração da medicação.

Onde se faz TARV?


a) Em todos os hospitais do país, até ao nível dos distritos, e também em unidades
sanitárias das cidades e distritos, até ao nível do Posto Administrativo, e nos centros de
saúde que fazem consultas pré-natais.
b) Nesses lugares, também fazem o controlo e seguimento dos pacientes

Profilaxia com Cotrimoxazol e sua administração


O Cotrimoxazol é um antibiótico. Quando tomado todos os dias, o Cotrimoxazol já provou
que ajuda a prevenir a malária, a diarreia, as infecções cerebrais, respiratórias e sanguíneas,
bem como outras infecções oportunistas, que afectam os seropositivos.
 É facilmente encontrado, nos Centros de Saúde, em Moçambique. É geralmente
utilizado para o tratamento de outras infecções. Tem uso especial para os seropositivos.
 O Cotrimoxazol está disponível, é barato, seguro e fácil de se tomar.

Quem deve fazer a profilaxia com Cotrimoxazol?


 Pessoas com SIDA em TARV
 Mães grávidas seropositivas, gravidez com CD4 <350, a partir do 2.º trimestre de
gravidez
 Todas as crianças nascidas de mães HIV positivas, após 4 semanas, antes de a mãe deixar
de amamentar (se a criança for dada como HIV positiva, não deve parar com a profilaxia
com Cotrimoxazol).
 Crianças infectadas pelo HIV beneficiam do Cotrimoxazol, independentemente da
contagem das células CD4.
 Todos os adultos infectados, assintomáticos com contagem das células CD4 <350.

Exercício 3.6: Estudo do Caso – Estrela


Estrela, 27 anos de idade...
Estudou psicologia, era activista na luta contra o HIV, e teve várias formações nesta área...
Graduou-se, com uma boa nota, começou a trabalhar, gosta do seu trabalho e sente-se
realizada. Tem uma família grande, 3 irmãos e uma irmã. Também tem muitos amigos.
Namora com um de 35 anos, que tem uma filha com outra mulher. Um dia, Estrela fica
doente e tendo feito análises, fica a saber que o teste de HIV é positivo. Os médicos
conseguem tratar-lhe a doença, e ela melhora muito.
76
Tempo depois, fica grávida e, aos 9 meses, nasce a filha, o que a deixa muito feliz. Com o
andar do tempo, começa a emagrecer e a enfraquecer; o nível de CD4 está muito baixo e
nessa altura, ela começa o TARV... Tempo depois, melhora, aumenta de peso e sente-se
bem. Só que, mais tarde, decide já não tomar mais os medicamentos...
Durante o ano, tem vários episódios de febre, diarreia e tosse, e procura tomar algum
medicamento em casa...
Ao fim, acaba por ficar internada, por duas vezes... Começa a beber, e isola-se dos seus
amigos. Antes de a filha completar dois anos, a Estrela perde a vida.
Discuta:
1. Esta história é real?
2. O que é que aconteceu, ao longo do tempo? Porque é que aconteceu? Quem é que
estava envolvido?
3. O que é que poderiam ter feito a Estrela e os outros (Quem?), para evitar o
sofrimento e a morte?
4. Se fosse eu, o que é que teria feito?
5. Se eu fosse o pai/mãe/um familiar próximo da Estrela, o que é que teria feito?
6. Como e com quem podia procurar ajuda?

3.8. Prevenção da Transmissão de Mãe Para Filho (Prevenção da


Transmissão Vertical - PTV)

Há três fases, em que o HIV pode ser transmitido, de uma mulher HIV+
para o seu bebé: durante a gravidez, durante o parto, e através da
amamentação. Sem tratamento, 3 ou 4 em 10 casos irão, provavelmente, ficar infectados
com o HIV, e os outros 6 ou 7 serão HIV negativos. Com conhecimento, tratamento e
cuidados adequados, envolvendo tanto a mãe como o pai, o risco pode ser reduzido para 1
ou menos, em cada 10 casos.
Tem havido grandes progressos, na prevenção da transmissão vertical.

O que deve fazer uma mulher, durante a gravidez, pela sua saúde e pela saúde do seu
bebé?
1. Frequentar as quatro consultas pré-natais, na sua Unidade Sanitária;
2. Escolher um estilo de vida saudável: Evitar álcool, tabaco e outras drogas;
3. Consumir alimentos ricos em vitaminas: frutas, vegetais;
4. Fazer exercício físico;
5. Fazer um teste de HIV;
6. Tomar os medicamentos receitados na consulta;
7. Usar a rede mosquiteira.

Como pode uma mulher grávida HIV positiva reduzir o risco de infecção para o seu bebé?
Iniciar o TARV, assim que lhe for diagnosticado HIV+, independentemente do CD4 e
do seu estado clínico (Opção B+).
Tem que continuar a tomar ARVs, para toda a vida.
Linha de tratamento: normalmente 1 comprimido/dia
Cuidar de si.
77
Continuar a usar preservativos para se proteger de re-infecção, por HIV, e de outras
infecções.
Escolher um estilo de vida saudável.
Alimentação do bebé: Sem dúvida, a amamentação é a melhor opção de
alimentação do bebé.
Mas no leite materno duma mulher vivendo com o HIV há uma certa quantidade de
virus. O que fazer?
o A mulher seropositiva em TARV e com uma carga viral baixa pode amamentar
o seu bebé.
o Mas a mulher seropositiva não em TARV e com carga viral alta, tem que
escolher uma destas opções, e segui-la sem falta:
 Amamentação exclusiva, nos primeiros 6 meses, e continuar com xarope
de Nevirapina, até parar de amamentar. Após 6 meses, desmamar.
 Usar leite artificial (se tiver condições higiénicas e financeiras para tal).

Significado do Aleitamento Materno Exclusivo (AME).

Aleitamento materno exclusivo significa alimentar o bebé SOMENTE com leite materno, e
nunca lhe dar mais nada a beber ou a comer. Nem mesmo água, chá, papas, etc. Excepto
gotas ou xaropes de vitaminas, suplementos de vitaminas ou medicamentos.
O AME é, geralmente, recomendado, até que o bebé complete 6 meses
O aleitamento materno requer que se alimente o bebé, pelo menos, 8 a 10 vezes
por dia.
O leite materno é o alimento perfeito e protege os bebés, de doenças, como diarreia
e pneumonia.
O leite materno fornece toda a água e todo o alimento de que o bebé necessita,
para ter uma boa saúde, crescimento e desenvolvimento. Não é preciso nenhum
outro líquido ou comida, durante os primeiros 6 meses.

Vantagens do TARV (Opção B) para a mulher grávida seropositiva

 Melhoria da saúde da mãe seropositiva;


 Redução da mortalidade materna, de abortos/nados mortos e partos prematuros;
 Grande redução da transmissão vertical;
 Prevenção da transmissão vertical, durante a amamentação;
 Prevenção de doenças do bebé relacionadas com a alimentação infantil;
 Protecção contra a transmissão vertical, em futuras gravidezes;
 Redução da transmissão sexual do HIV ao parceiro.

78
Exercício 3.7: Dilemas – Qual a sua opinião?
O docente vai ler, agora, algumas afirmações, e tu decides se concordas ou não concordas,
ou se não sabes qual é certo ou errado. Escolhe o cartão que exprima melhor a tua opinião.

Concordo Não sei Não Concordo

1. Supõe que a esposa e o marido fazem o teste de HIV. Ambos devem revelar o resultado
um ao outro.
2. Supõe que um homem fez teste de HIV e é negativo, mas a sua parceira é HIV positiva
(Ou vice-versa). Neste caso, o divórcio é a alternativa.
3. Se marido e mulher souberem que estão a viver com o HIV, não deviam tentar ter mais
filhos.
4. Os maridos deviam acompanhar as suas esposas grávidas às sessões de aconselhamento
sobre o teste de HIV, prevenção da transmissão de pais para filhos, e opções para
alimentação infantil.

3.9 Métodos para um casal discordante conceber, os quais minimizam o


risco da transmissão de HIV para o parceiro não infectado

 Ambos os parceiros deviam fazer testes para ITSs (Infecções Sexualmente


Transmissíveis), e se um deles ou ambos tiverem uma ITS, têm de acabar o tratamento e
ter a certeza de que estão curados, antes de terem relações sexuais, sem protecção (se
um dos parceiros tiver uma ITS, isso aumenta o risco de transmitir o HIV).
 Só podem ter relações sexuais sem protecção, quando a mulher estiver no período
fértil, isto é, no meio no seu ciclo menstrual, quando está a ovular. (Há indicadores
naturais de quando a mulher está no seu período fértil; por exemplo, quando há um
corrimento transparente e viscoso. Também há testes nas farmácias, para detectar a LH
(hormona luteinizante) que promove a ovulação - quando isso acontece, é a melhor
altura para ter relações sexuais, durante esse dia e no dia seguinte. Fora desse período,
não tenha relações, ou use um preservativo.
 Evite o sexo áspero ou seco, e não use nada que possa causar secura ou abrasões,
durante o sexo, evitando assim a entrada do HIV.
 O homem assegure-se de que a mulher está estimulada e pronta para ter sexo, de
modo a que o fluido vaginal possa lubrificar a penetração do pénis.
 Quando estiver grávida, abstenha-se ou use sempre um preservativo, correctamente.
 O parceiro seropositivo deve começar o tratamento anti-retroviral – o uso de ARVs
pode reduzir a carga viral, no parceiro infectado, e, assim, reduzir o risco da
transmissão, durante o sexo sem protecção.
 O parceiro HIV positivo pode fazer um teste de carga viral (se houver disponibilidade – é
caro) e tentar engravidar só se a carga viral for muito baixa ou não detectável.
 Se o homem for HIV negativo e a mulher for HIV positiva, ele pode reduzir o risco da
transmissão, através da circuncisão (e esperar que a ferida esteja completamente
curada, antes de ter sexo). Para um homem que tenha feito a circuncisão, o risco de ser

79
infectado pelo HIV, cada vez que tenha sexo vaginal sem protecção, é cerca de 60%
menos do que para um homem que ainda tenha o prepúcio (pele retráctil, que cobre a
extremidade do pénis).
 Se o homem for HIV negativo e a mulher for HIV positiva, eles podem eliminar o risco
de transmissão, da seguinte forma: ele masturba-se e ejacula para um recipiente; o seu
sémen é então injectado na vagina da mulher, com uma seringa. Este método não corre
nenhum risco de transmissão. Mas deve procurar a assistência médica, para saber
como proceder, de forma segura e higiénica.

Exercício 3.8 - Discuta – Um casal serodiscordante (onde um dos parceiros é seropositivo e


o outro não) gostaria de ter um filho. OPCIONAL/Curso nocturno
Teatro Fórum, com participação e conselhos do público.

Os dois actores devem ter em conta as seguintes questões:


 Quais os factores que devem considerar?
 O que devem fazer?

3.10. Estigma e Discriminação

O estigma pode ser descrito como um atributo ou qualidade, que


‘desacredita’, significativamente, uma pessoa, perante as outras. Significa
que as pessoas vão reparar para alguém, com uma atitude negativa, por causa de uma certa
qualidade ou característica. Por exemplo, porque uma pessoa é conhecida ou suspeita de ser
HIV positiva.

Para algumas pessoas, as PVHs (Pessoas vivendo com HIV) são tratadas, de forma diferente,
das outras pessoas, por causa dos atributos negativos, que se lhes dão. Isto chama-se
discriminação. Um tratamento desigual e injustificado. É importante realçar que nem todas
as atitudes de estigmatização resultam em discriminação. Mas os efeitos da atitude negativa
ainda podem ser prejudiciais e podem magoar as PVHs.

Existem dois tipos principais de estigma:


 Estigma externo
 Estigma interno ou Auto-estigma.
Estigma externo (ou estatuto) refere-se às experiências de tratamento injusto e
diferenciado das PVHS, em relação a outras pessoas. Esta discriminação pode incluir
opressão, rejeição, punição, assédio, culpa ou exclusão. Também, às vezes, pode levar à
violência contra as PVHS. Os casos de estigma externo são:
 distanciamento: as pessoas evitam as PVHs, ou recusam partilhar com elas os mesmos
utensílios.
 rejeição: A sociedade, grupos de pessoas, membros da família, ou amigos, podem
recusar quaisquer relacionamentos com as PVHs.
 julgamento moral: as pessoas culpam as PVHS, pelo seu estado de portadoras de HIV,
ou consideram-nas imorais.
80
 estigma por associação: as pessoas que se associam com as PVHs são estigmatizadas,
por causa da sua relação.
 falta de vontade de investir nas PVHs: as PVHS podem ser marginalizadas, nos
programas e serviços de saúde.
 discriminação: oportunidades são negadas às PVHs. Por exemplo, a recusa de acesso ao
emprego, a recusa de cuidados de saúde apropriados ou de acesso aos programas de
ajuda médica, a recusa ao seguro ou empréstimos.
 abuso: abuso verbal ou físico contra as PVHs.
 vitimação: Por exemplo, das crianças e órfãos infectados ou afectados pelo HIV.
 abuso dos direitos humanos: Por exemplo, a quebra de sigilo, revelando a outra pessoa
o estado de alguém, sem o seu consentimento; ou ser testado, sem manifestar tal
consentimento.

Estigma interno (estigma sentido ou imaginado, ou auto-estigma) é a maneira como uma


pessoa sente, por si mesma. Por exemplo, vergonha, medo de rejeição, auto culpabilização,
sentimento de inutilidade. Resultado de auto-exclusão dos serviços ou oportunidades, da
exclusão social, medo de quebrar o silêncio, etc.

3.10.1 Como é que o estigma se desenvolve?

Aqui está um exemplo, sobre como o processo pode ocorrer:


As pessoas notam que o seu vizinho parou de ir ao serviço e tosse muito (uma diferença) 
desenvolve-se um rumor de que ele é HIV positivo  Ele é rotulado como “o homem com
Sida” Eles dizem que a causa da sua doença é o seu comportamento mau e promíscuo
(estigma externo) Ele precisa de apoio, e deseja abrir-se, em relação à sua condição. Mas
teme a reacção deles (estigma interno) E torna-se mais distanciado  Os vizinhos
evitam-no – Culpam-no, e generalizam – uma atitude de “nós” e “eles” – “nós não somos
como eles, nós não somos pecadores, mas eles o são”.

3.10.2 Qual o impacto do estigma?

O estigma tem um grande impacto, sobre indivíduos, e comunidades, e a sociedade:


 Resulta na exclusão das pessoas consideradas portadoras do HIV positivo.
 Isola, divide e fragmenta as comunidades.
 Viola os direitos humanos, como o da igualdade e o da saúde.
 Resulta na interiorização da culpa e vergonha, que, por sua vez, torna difícil a batalha
contra o estigma.
 Compromete a saúde comunitária, ao diminuir o acesso à prevenção do HIV, ao
aconselhamento e testagem voluntária, ao tratamento e apoio às PVHs.

81
3.10.3 Quem é mais vulnerável ao estigma e discriminação relacionada com HIV & SIDA?

O estigma do HIV severo, particularmente enfrentado pelas populações-chave de maior


risco, tais como homens que praticam sexo com homens (HSH), trabalhadoras de sexo, etc. e
pelas mulheres jovens e pobres é, em parte, devido a estes vários estigmas pré-existentes.
Estigmas múltiplos são enfrentados pelas trabalhadoras de sexo, que são estigmatizadas,
pela sua actividade, como mulheres e como HIV positivas. De facto, a maioria da linguagem
forte sobre o HIV ou SIDA é usada em referência às trabalhadoras do sexo.

Existe uma relação entre a idade e o sexo, de tal sorte que as mulheres mais jovens são mais
estigmatizadas e culpadas pelo HIV do que as adultas, por se crer que as mulheres jovens
levam uma vida promíscua, irresponsável, materialista, de que resulta o HIV.

Outro exemplo de estigma múltiplo é o do HIV associado com o de não ter filhos. Mulheres
jovens casadas, com HIV, muitas vezes enfrentam este duplo estigma. Por um lado, não é
aceitável que uma mulher jovem casada não tenha crianças (em cada caso são tidas como
estéreis e por isso estigmatizadas) ou pare de ter filhos, antes de atingir o número de
crianças esperado pela sociedade. Por outro lado, a comunidade não apoia a ideia de
mulheres com HIV terem filhos. Assim, estas mulheres jovens enfrentam estigma múltiplo e
simultâneo.

3.10.4 HIV e o Género

Risco de infecção – As normas sociais e padrões de comportamento


Fisologicamente as mulheres são mais propensas à infecção do que os homens.
Por um lado, existe uma grande convicção, acerca do risco do HIV dos homens e mulheres,
baseado nos seus próprios comportamentos sexuais ‘errados’ e ‘imorais’. Estas percepções
são influenciadas pelas normas existentes, sobre a sexualidade de mulheres e homens.
Quando os homens são considerados sexualmente mais activos, tanto homens como
mulheres atribuem este risco à «natureza do homem propensa para o sexo». Algumas
mulheres pensam que os homens são ‘mulherengos naturais’. Acredita-se que as mulheres
controlam melhor os seus apetites sexuais, e daí que corram menos risco de contrair o HIV.
Quando as mulheres são consideradas como tendo mais risco, é porque se pensa que elas
são incapazes de se proteger contra o sexo indesejado ou a violação sexual. Os papéis sociais
dos homens e mulheres também contribuem para a percepção do risco. Acredita-se que as
mulheres casadas têm um elevado risco, devido à infidelidade dos seus maridos.

Culpa
As razões para culpar os homens e mulheres de serem os que trazem a infecção do HIV no
relacionamento, em casa ou na comunidade, estão intrinsecamente ligadas às normas
sociais inerentes ao papel específico do género, responsabilidades e sexualidade. Mulheres e
homens, que transgridam estas normas, enfrentam a culpa. Quando os homens são
culpados – pelas mulheres – assume-se que o comportamento é natural, consubstanciando-

82
se as percepções sociais de que os homens têm mais tendência para possuir múltiplas
parceiras sexuais.

Aqueles que culpam os homens acreditam que as mulheres são "vítimas inocentes".
Enquanto, muitas vezes, os homens são culpados de infectarem mulheres casadas, também
é verdade que alguns culpam as mulheres solteiras de trazerem o HIV para a comunidade. O
tipo de culpa e o grau de estigma ligado à mulher, como sendo ela a primeira a infectar-se,
depende da percepção, sobre a fonte da infecção. As mulheres vistas como fazendo sexo
socialmente ‘impróprio’, por causa de necessidades económicas, ou para alimentar os filhos,
geralmente, não são culpadas pelo HIV.

A pior culpa e estigma são reservados às mulheres consideradas responsáveis pelo HIV,
através do seu comportamento sexual ‘impróprio’ ou ‘imoral’. Por exemplo, as mulheres que
se vestem de forma considerada indecente, e, em particular, as mulheres jovens urbanas são
altamente criticadas.

No relacionamento baseado no género, o poder também exerce um papel mais directo na


culpa que as mulheres enfrentam. Estudos feitos sugerem que a estrutura do poder baseado
no género quer dizer que as mulheres são facilmente mais culpadas e que as suas
transgressões são encaradas com mais contundência do que as dos homens.

3.10.5 Porque é que precisamos de combater o estigma do HIV & SIDA?

As PVHs (ambos, homens e mulheres), as suas famílias, e os que são associados à epidemia
(por exemplo, os homossexuais, as trabalhadoras de sexo) ainda enfrentam estigmatização e
discriminação.
O estigma e a discriminação, que resultam do HIV, causam muitos problemas às PVHS.
O estigma interno pode levar as PVHS à depressão e isolamento.

Barreiras, para sexo seguro, e mudança de comportamento: O medo da reacção do


parceiro é a razão de muitos não falarem sobre o sexo seguro, e riscos, e negociar o uso do
preservativo. A percepção de que só certas pessoas é que contraem o HIV (homossexuais,
pessoas imorais, negros) pode fazer com que estes neguem o seu próprio risco e, assim,
encarem a prevenção como algo para os outros.

Barreiras, para apoio: Pessoas a viverem com HIV e SIDA podem necessitar de assistência e
cuidados – físicos, emocionais e espirituais. Muitas vezes, têm medo de revelar o seu estado,
e não podem receber assistência de outras pessoas.

Barreiras, para cuidados de saúde: as PVHS podem não procurar os cuidados de saúde e
tratamento, devido ao medo de estigma e discriminação. Isto manifesta-se de muitas
formas. Por exemplo:
 A demora, na procura de tratamento médico, que pode resultar na deterioração da
saúde.

83
 A não procura de tratamento para a TB.

Barreiras para a testagem – as pessoas temem o estigma e discriminação, em caso de o


resultado ser positivo.
 As mulheres, que vivem com o HIV, podem não seguir a PTV. O mesmo acontece para a
prevenção de transmissão através do leite materno.
 As atitudes do pessoal da saúde constituem outra barreira, para os cuidados de saúde.

Exercício 3.9: Testa a tua linguagem


Neste Exercício, vem um conjunto de termos referentes ao HIV. Encontra os pares correctos
de termos a evitar e de termos de uso recomendado (ONUSIDA, 2011)

Depois do Exercício, responde às seguintes questões:


• Como nos sentimos, ao usarmos estes termos?
• Porque é que usamos esta linguagem, se sabemos que ela magoa os outros?
• O que é que isto nos mostra, acerca da relação entre a linguagem e o estigma?
 Como é que estes rótulos podem ter influenciado negativamente, na prevenção do HIV?

A linguagem, que usamos, no dia-a-dia, e que se refere ao HIV, ao SIDA e às pessoas


afectadas por eles, pode ser estigmatizante. Um passo, para minimizar o estigma, é termos
cuidado com o uso de termos correctos.

84
Mensagens-chave

O HIV é o vírus que causa o SIDA. O virus ataca o sistema imunológico e enfraquece-o.
A infecção pelo HIV torna o sistema imunológico deficiente, e a pessoa infectada fica doente.
SIDA é a fase final duma infecção por HIV.

O HIV transmite-se das seguintes formas: pelo Sangue, pelo Sémen, por Fluidos/secreções
vaginais, por transmissão vertical da mãe infectada para o bebé, durante a gravidez, o parto
e a amamentação.

Métodos de Prevenção
 Abstinência
 Fidelidade
 Uso correcto e consistente do preservativo
 Circuncisão Masculina
 Tratamento de ITSs
 PTV
 Tratamento como Prevenção

Diagnóstico do HIV
O diagnóstico do HIV é, atualmente, feito, testando para os anticorpos de HIV, em testes
rápidos, ou através de testes laboratoriais do sangue. Os testes rápidos são mais fáceis e
mais baratos de testar anticorpos, para HIV, do que testar, para o próprio vírus.

O que é Tratamento Anti-retroviral ou TARV?


É uma combinação de medicamentos (geralmente 3) anti-retrovirais (ARVs), que reduzem o
HIV, no corpo da pessoa infectada. Estes medicamentos chamam-se medicamentos anti-
retrovirais ou ARVs. Eles inibem a progressão da infecção por HIV, das infecções
oportunistas, melhoram a saúde e prolongam a vida. Devem ser tomados por pessoas a
viverem com HIV com menos de 500 CD4, durante toda a vida. Os ARVs tornam as pessoas
menos expostas à infecção.
O novo tratamento para mulheres grávidas seropositivas, para evitar a transmissão do vírus
dela para o seu bebé, é iniciar o TARV, na gravidez, e continuar no TARV, durante a
amamentação e por toda a vida.

Estigma do HIV/SIDA
O estigma pode ser descrito como um rótulo negativo atribuído por terceiros a uma pessoa a
viver com HIV. A discriminação é consequência do estigma e manifesta-se num tratamento
injusto, sem bases na evidência. Há PVHs que se auto-estigamatizam. Ambas as formas do
estigma têm consequências psíquicas e sociais graves, nas pessoas com HIV, e dificultam a
prevenção, os cuidados e o tratamento de HIV = a resposta ao HIV.

85
Unidade 4. Vícios e Dependências
Introdução

Nesta Unidade, gostaríamos de fazer uma reflexão, sobre os vícios e dependências, que são
comuns na nossa sociedade, e que afectam a juventude. Queremos ajudar a entender
melhor os perigos dos vícios, um dos quais é a infecção por HIV. A Unidade pretende ajudar-
vos a descobrir alternativas seguras e saudáveis.
No início desta unidade, sobre vícios e dependência, gostaríamos de pedir a cada estudante
para preencher, durante duas semanas, o diário do consumo de álcool. No Exercício 4.3.

Modelo Lógico: Metas, Comportamentos desejados, Factores de risco e protecção e


Actividades da Unidade

Actividades da Unidade Factores individuais de risco e Comportamentos Metas


4 de protecção 3 2 1

 Conhecimento sobre Normas sociais, e acesso a drogas Vida sem uso de Redução de
classes e efeitos de e álcool, na sociedade drogas ilícitas consumo de
drogas ilícitas drogas e álcool
 Analise: causas e efeitos Percepção do risco de se tornar Consumo de álcool
das drogas dependente do álcool controlado
 Avalie o seu risco de se
tornar alcoólatra Percepção do efeito desinibidor Evitar sexo Redução de
 Actividade: Evite do álcool desprotegido sob infecções por
situações que levem ao influência do álcool HIV
sexo desprotegido – Intenção de evitar situações de
álcool e VIH comportamento de risco
 Os perigos da internet e Aceitação da pornografia Redução do consumo Redução de
da pornografia Fraca protecção da intimidade, na da pornografia dependência e
 Os meus direitos à internet Consumo controlado de consumo em
intimidade: Estudo do da internet excesso
Caso Marcolino
 Teatro do Oprimido: O Modas e consumismo aceites na Consumo de bom
melhor Smartphone sociedade senso

Conteúdo
 Conceito e tipos de vícios e dependências
 Causas e consequências de vícios e dependências
 Classificação de Drogas ilícitas e tipos de dependência
 Tabaco e Álcool
 Ligação entre consumo de álcool e HIV
 A pornografia e a internet
 Modas e consumismo versus consumo de bom senso
 Estratégias para ultrapassar vícios e dependências

86
Exercício 4.1 Usando a tabela abaixo. identifique vícios e dependência, suas causas, e
efeitos.
N⁰ Vícios/dependências Causas Efeitos

4.1 Conceito e tipos de Vícios

Um Vício (do latim "vitium", que significa "falha ou defeito" ) é um


hábito repetitivo, que degenera ou causa algum prejuízo ao viciado e aos
que com ele convivem. Na forma não prejudicial, é uma aceitação completa ou afinidade
completa por uma coisa. Por exemplo, ser viciado em chocolate. Na forma perigosa, o vício
caracteriza-se pelo descontrolo total de uma pessoa, em relação a alguma coisa. A pessoa
fica dependente desta coisa, chegando a níveis extremos, em alguns casos. Nem tudo o que
vicia é uma droga, mas todo o vício é uma droga.

Vamos ver um exemplo: o chocolate.


Este delicioso alimento, como sabemos, tem cafeína, mas possui pouca energia.
Mas, em compensação, sabemos que o chocolate é sempre servido misturado com açúcar. E
o açúcar já sabemos que liberta, primeiramente, as suas moléculas, com maior quantidade
de energia.
No caso dos homens, eles procurarão os doces de chocolate, só por necessidade de energia,
quando possuírem pouca. Ao consumirem a energia do açúcar, passarão a sentir o amor
pelo chocolate, que terá um tom produzido por moléculas com pouca energia, que combina
com o de seus corpos.
No caso das mulheres, o vício acontecerá de modo contrário. Procuram o doce do chocolate,
por amor ao açúcar. Depois de os seus corpos devorarem as moléculas com muita energia
do açúcar, sentirão a falta da energia do chocolate, que lhes é necessária, por possuir
energia em excesso.
O vício do homem pelo chocolate será apenas, pela sintonia musical, entre as moléculas do
chocolate e as suas. Já a mulher, após o consumo da energia do açúcar, que entra em
sintonia com o seu corpo, sentirá, nas suas entranhas, o sabor do chocolate, que lhe dará
prazer.
O vício, portanto, será sempre causado por uma mistura de amor, necessidade e prazer.
O café, por exemplo, servido com menos açúcar do que o chocolate, é mais consumido pelos
homens.

87
Cada indivíduo tem o seu próprio vício, se se trata de um vício por comida e bebidas, por
compras, por jogos de azar, por tabaco ou mesmo pelas drogas proibidas.

Motivos para ter vícios:


 O vício ajuda a conseguir a sua auto-estima, e na construcção da auto-confiança;
 Relaxar os nervos;
 Libertar-se e reduzir o estresse;
 Libertar-se de emoções ocultas;
 Ultrapassar a depressão, a tristeza ou a raiva;
 Entretenimento;
 Fugir da realidade e esquecer problemas.

4.1.1. Tipos de Vícios

Os vícios classificam-se em positivos e negativos. Um vício é positivo, quando é benéfico


para a pessoa que o tem. Um exemplo comum de vício positivo é o exercício, um estilo de
vida saudável, ou praticar actos humanitários. Enquanto o vício negativo é prejudicial,
porque destrói o corpo e a própria pessoa. De vez em quando, beber, fazer compras, comer
muito, etc., não é ruim; só se torna prejudicial, quando se torna um hábito ou já se está a
praticar todos os dias. O problema é que, quando as pessoas são impedidas do seu vício,
aumenta-se-lhes o nível de ansiedade e tornam-se violentas. O vício também é mau, quando
leva ao desperdício de dinheiro, e se prejudica a família e o próprio viciado. Ou quando é
prejudicial para a saúde (abuso do álcool, do tabaco, comida em excesso, etc.)

4.1.2 As causas do vício

O nosso sistema nervoso possui células especiais chamadas transportadoras, que levam
substâncias, como os hormónios e os neurotransmissores, para locais específicos, no
cérebro. Esses elementos têm o poder de nos excitar ou relaxar, e constituem as respostas
naturais que damos aos estímulos do meio ambiente.

Numa situação de perigo, por exemplo, as células transportadoras carregam noradrenalina


(a popular adrenalina) para o cérebro. Isso causa irritação e estado de alerta. Nesse
momento, todas as células do corpo "despertam", e o organismo fica preparado para lutar
ou fugir, conforme a necessidade da situação.

O vício, portanto, será sempre causado por uma mistura de amor, necessidade e prazer.

4.1.3 Consequências /efeitos do vício

 Queimadura, azia, má digestão,


 Criar dívidas para ostentar o vício
 Criar inimigos
 Dificuldades em pensar em outras coisas para além do vício
 Sentir-se ansiosos e agressivos
88
 O interesse pela vossa vida social diminuiu
 Sentimento de culpa, às vezes
 Deixar de assumir ou cumprir alguns compromissos pessoais e familiares

Conclusão: Todos nós só precisamos de nos controlar, para não nos tornarmos viciados em
alguma coisa. Tudo o de que precisamos é disciplina e ter sempre em mente que há, no
mundo, um monte de vícios para o bem, que não irão prejudicar o nosso corpo e nos darão
um futuro melhor.

4.2 Conceito de dependência


Dependência é um conjunto de fenómenos comportamentais, cognitivos e fisiológicos, que
se desenvolvem, com o repetido consumo de uma substância psicoativa. Anda tipicamente
associada ao desejo poderoso de tomar a droga, à dificuldade de controlar o consumo, à
utilização persistente, apesar das suas consequências nefastas, e à prioridade dada ao uso
da droga, em detrimento de outras actividades e obrigações. O termo foi recomendado em
1964, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), para substituir outros termos, com maior
conotação moral, como "vício".

Uma pessoa é considerada dependente, se o seu nível de consumo incorrer em pelo menos
três dos sinais mencionados em cima, ao longo dos últimos doze meses, que antecedem o
diagnóstico.

4.2.1 Tipos de dependência

Dependência Física
Quando a droga é utilizada em quantidades e freqüências elevadas, o organismo defende-se,
estabelecendo um novo equilíbrio, em seu funcionamento, e adaptando-se à droga. De tal
forma que, na falta dela, funciona mal. A dependência física é o resultado da adaptação do
organismo a uma droga. O que torna impossível a suspensão brusca da droga. Pois a
suspensão da droga provoca múltiplas alterações somáticas, por exemplo,. o "delirium
tremens" (= o corpo não suporta a abstinência, entrando em estado de pânico).

Dependência Psicológica
O indivíduo em estado de dependência psicológica sente um impulso constante de fazer uso
das drogas, a fim de evitar o mal-estar. É uma condição, em que a droga produz um
sentimento de satisfação e um impulso psicológico, exigindo o uso periódico ou contínuo da
droga, para produzir prazer ou evitar desconforto.

No estado de dependência psíquica, o desejo de tomar outra dose, transforma-se em


necessidade, que, se não for satisfeita, leva o indivíduo a um profundo estado de angústia
(depressão). É muito difícil vencer a dependência psíquica. Por isso, há pessoas que voltam a
consumir uma droga, mesmo depois de a terem deixado há muito tempo. O álcool, a
nicotina, a heroína e alguns medicamentos criam ambas as dependências: a física e a
psicológica.

89
4.2.2 Causas da Dependência

 Forte desejo ou compulsão de consumir drogas;


 Consciência subjectiva de dificuldades na capacidade de controlar a ingestão de
drogas;
 Uso de substâncias psicoativas, para atenuar sintomas de abstinência, com plena
consciência da efetividade de tal estratégia;
 Estado fisiológico de abstinência;
 Evidência de tolerância, necessitando de doses crescentes da substância requerida,
para alcançar os efeitos originalmente produzidos;
 Estreitamento do consumo, quando o indivíduo passa, por exemplo, a consumir
droga, em locais não propícios, a qualquer hora, sem nenhum motivo especial, etc.;
 Negligência progressiva de prazeres e outros interesses, em favor do uso de drogas;
 Persistência no uso de drogas, mesmo com evidência de manifestações nocivas;
 Evidência de que o retorno ao uso da substância, após um período de abstinência,
leva a uma reinstalação rápida do quadro anterior.

4.2.3 Consequências/Efeitos

 Síndrome de abstinência
 Desejos persistentes ou esforços mal sucedidos, para controlar o uso
 Uso frequente de quantidades maiores, ou por períodos mais prolongados do que o
pretendido
 Muito tempo é consumido a conseguir usar ou recuperar-se do uso
 Abandono ou redução das actividades sociais, ocupacionais ou recreativas, devido
ao uso.

Como identificar uma dependência

 Um comportamento, que a pessoa tenha, na maior parte do seu tempo, e pense


excessivamente sobre isso, quando não está a fazer tal actividade.
 Um comportamento, que provoca sofrimento, em outras áreas da vida, e que não
está relacionado com o comportamento em questão (quando as drogas atrapalham
o trabalho, os relacionamentos, a família, etc.).
 Um comportamento, que serve para compensar alguma falta, em outra área da vida
(uma pessoa viciada no cigarro, por exemplo, pode estar a fumar, para ajudar a
compensar alguma ansiedade).

90
4.3 Classificação de Drogas ilícitas e suas consequências

Conceito: Droga – o que é?

A Organização Mundial de Saúde define droga como toda a substância química, natural ou
sintética, que, introduzida no organismo, lhe modifica as funções. No sentido comum,
considera-se droga uma substância nociva ao indivíduo. Em termos jurídicos, consideram-se
drogas as substâncias ou produtos capazes de causar dependência.

Quanto à forma de produção, as drogas classificam-se como:

a. Drogas naturais, as que são obtidas, através de determinadas plantas, de animais, ou de


alguns minerais. Exemplos: a cafeína (do café), a nicotina (presente no tabaco), o ópio
(na papoula) e o THC tetrahidrocanabiol (da planta cannabis sativa).
b. Drogas semi-sintéticas, as que são produzidas, a partir de drogas naturais, com
alterações químicas produzidas artificialmente, em laboratório. Como o crack, a cocaína,
os cristais de haxixe, etc.
c. Drogas sintéticas, as que são substâncias ou misturas de substâncias exclusivamente
psicoativas produzidas através de meios químicos, no laboratório, e cujos principais
componentes activos não se encontram na natureza. A maioria das drogas sintéticas
apresenta efeitos alucinogénicos. Exemplo: LSD, anfetamina.

Há drogas não proibidas (drogas licitas), e drogas proibidas por lei (drogas ilícitas).

DROGAS LÍCITAS: a sua compra e venda estão autorizadas por legislação específica
• Drogas medicamentosas (tranquilizantes, analgésicos, etc.);
• Drogas sem finalidade terapêutica (álcool e tabaco);
• Drogas industriais (cola, esmalte, fluidos, solventes, etc.)

DROGAS ILÍCITAS: por lei, podem ser proibidas


 O cultivo de plantas, de que se extraem substâncias psicotrópicas.
 O transporte, armazenamento, e tráfico destas substâncias.
 O consumo, o apoio ou a instigação de alguém ao uso de substâncias entorpecentes.
Exemplos: Cocaína, heroína, maconha, LSD, crack, anfetaminas, etc.

As drogas psicotrópicas agem no sistema nervoso central, produzindo alterações de


comportamento, de humor e de cognição, e levam à dependência. Um exemplo: a aspirina
actua no cérebro, para impedir a dor, mas não modifica o comportamento. Por isso, não é
uma droga psicotrópica, é uma droga medicamentosa, não ilícita.

91
Classificação das drogas psicotrópicas

As drogas psicotrópicas estão classificadas em três categorias: os estimulantes, os


depressores e os perturbadores das actividades mentais.

 Os Depressores da actividade do sistema nervoso central diminuem a actividade


cerebral e podem dificultar o processamento das mensagens, que são enviadas ao
cérebro. Fazem com que a pessoa fique mais “desligada”, desinteressada das coisas,
Exemplos:
- O álcool,
- Os soníferos ou hipnóticos (drogas que provocam o sono): barbitúricos;
- Os ansiolíticos (acalmam; inibem a ansiedade). As principais drogas pertencentes a esta
classe são os benzodiazepínicos. Por exemplo: diazepam, lorázepam, etc;
- Os opiáceos ou narcóticos (aliviam a dor e dão sonolência). Por exemplo: a morfina, a
codeína, a heroína: droga extremamente viciante, incapacita rapidamente o sistema
imunológico, finalmente deixando uma pessoa adoentada, magra, etc;
- Os inalantes ou sorventes (colas, tintas, removedores, diluentes, etc.).

Figura 19 Efeitos de curto prazo da heroína Figura 20 Efeitos do crack no organismo

 Os estimulantes da actividade do sistema nervoso central aumentam a actividade do


cérebro, fazendo com que a pessoa fique mais “ligada”, sem sono. Exemplos:
- Os anorexigénios: diminuem a fome. As principais drogas pertencentes a esta classe são
as anfetaminas. Os efeitos das anfetaminas incluem a insónia, a perda do apetite, a
euforia e a aceleração da fala..
- A cocaína: cria euforia, e apenas doses mais elevadas podem produzir um efeito
semelhante. O uso da cocaína pode levar à falha respiratória, ao derrame do cérebro ou
ao ataque cardíaco.

92
- O crack é a conversão da cocaína, através da sua mistura com
bicarbonato de sódio e água. É a forma de cocaína mais viciante, e
também a mais viciante de todas as drogas. As pedras de crack
oferecem aos fumantes uma curta, mas intensa euforia;
- A cafeína;
- A nicotina;
- A teobromina (presente em chocolates).

 As pertubadoras, que modificam qualitativamente a actividade do cérebro. Ou seja,


perturbam, distorcem o seu funcionamento, fazendo com que a pessoa passe a
perceber as coisas deformadas, parecidas com as imagens dos sonhos.
a) de origem vegetal:
- a mescalina (do cacto mexicano)
- o THC (da canábis sativa): apresenta uma mistura de efeitos – estimuladores,
acalmantes e alucinogénicos. Entre os efeitos imediatos do consumo da cannabis
estão o relaxamento e a leve euforia; enquanto que alguns efeitos colaterais
indesejáveis imediatos incluem uma diminuição passageira na memória de curto
prazo, a boca seca, as habilidades motoras levemente debilitadas, e a vermelhidão
dos olhos. Os efeitos físicos e neurológicos de curto prazo mais comuns incluem o
aumento da frequência cardíaca e do apetite. Alem dos danos respiratórios, quando
fumado, poucos efeitos nocivos sobre a saúde foram documentados, para o uso
crónico da cannabis.

Figura 21 Efeitos corporais do uso da canábis sativa (soruma)

- a psilocibina (de certos cogumelos)


- o lírio ou trombeteira ou zabumba ou saia branca (duma planta, no Brasil e outros
países da América Latina). Com as folhas da planta produz-se um chá.
b) de origem sintética:
- a LSD-25: é tomada em forma de comprimidos. Os efeitos físicos são: pupilas
dilatadas, suores, perda de apetite, insónias, boca seca e tremores. Os efeitos
93
mentais: desilusões, alucinações visuais, distorção do sentido de tempo e da
identidade, ataques de pânico, depressão, etc.
- O "Ecstasy": produz euforia. ` É consumida em comprimidos, ou injectada.

A acção de cada psicotrópico depende do tipo da droga (estimulante, depressora ou


perturbadora), da via de administração (injecção, fumar, etc.), da quantidade da droga, do
tempo e da frequência do uso, da qualidade da droga, da absorção e da eliminação da droga
pelo organismo, da associação com outras drogas, do contexto social, bem como das
condições psicológicas e físicas do indivíduo.

Uso de drogas

É comum distinguir o abuso, do uso de drogas, no seu consumo normal. Esta classificação
refere-se à quantidade e periodicidade, em que ela é usada. Outra classificação refere-se ao
uso das drogas em desvio do seu uso habitual, como, por exemplo, o uso da cola, etc.
Os usuários podem ser classificados como: experimentador, usuário ocasional, habitual e
dependente.

Motivos associados ao uso

Os motivos, que, normalmente, levam alguém a provar ou a usar drogas, incluem:


 A Impressão de que elas podem resolver todos os problemas pessoais, sociais,
financeiros, ou aliviar as ansiedades;
 A Influência de amigos, dos traficantes, assim como da sociedade, e da publicidade
dos fabricantes;
 A sensação imediata de prazer, que produzem;
 A facilidade de acesso e obtenção;
 Fuga;
 Depressão;
 Estimular; inspirar, inebriar, fortalecer;
 Acalmar;
 Tentar parecer fixe;
 Emagrecer ou engordar;
 Aliviar dores, tensões, angústias, depressões, solidões;
 Aguentar situações difíceis, privações e carências;
 Encontrar novas sensações, novas satisfações;
 Força do hábito;
 Muitas vezes, a revolta dos filhos contra os pais.
 O sentimento de poder e de sentir-se acima dos outros

Consequências das drogas psicotrópicas


1- Consequências físicas
• Lapso de memória, pouca atenção, dificuldade de concentração;
• Fraca coordenação motora, fala incoerente;
• Perda de sono e de peso;
94
• Indiferença com higiene e aparência;
• Falta de interesse por actividade física;
• Falta de apetite, ou voracidade;
• Infecção por HIV
• Morte
2- Consequências sócio-económico-culturais
• Sobrecarga para hospitais e familiares;
• Inversão dos valores éticos e morais;
• Actuação como desintegrador da ordem social do país;
• Queda no rendimento escolar, com atraso sócio-cultural do indivíduo;
• Aumento de delitos (furtos, roubos, assassínios, etc.);
• Gerador de indisciplina social, desordem e exploração;
• Facilitador do enriquecimento ilícito generalizado;
• Possibilidade do desenvolvimento paralelo de outras atividades ilícitas e ilegais.
3- Consequências mentais:
• Síndrome amotivacional;
• Desonestidade crónica (mentiras, furtos e fraudes);
• Atitude evasiva e mudança de relacionamento;
• Perda da auto-estima e da autodisciplina;
• Diminuição do interesse por actividades de lazer e profissionais;
• Introspecção (observação dos próprios pensamentos ou sentimentos);
• Instabilidade, inquietação e insónia; ou, ao contrário, depressão e sonolência;
• Esquizofrenia, paranóia;
• Tendência para o suicídio.
4- Consequências legais: pagamento de multas, prisão.

Resumo
É muito difícil generalizar os motivos, que levam uma pessoa a usar drogas. Cada um de nós
tem as suas razões práticas, e algumas delas não são claras nem sequer para nós mesmos.
Na maioria dos casos, não há apenas um, mas diversos factores, que nos levam a usar
drogas. Por exemplo, a curiosidade, o desejo de esquecer problemas, a tentativa de superar
a timidez ou a insegurança, a insatisfação com a própria aparência física.
É importante que a família, amigos e pares ofereçam apoio, sem culpar ou julgar, para
ajudar o indivíduo a reflectir sobre os danos do uso da droga, e a identificar alternativas
saudáveis e a procurar ajuda profissional e competente.

95
Exercício 4.2 : Classificação das Drogas ilícitas e tipos de dependência
Olhe para os termos, neste quadro. Há confusão, ou existe uma relação entre os termos?
Organize os termos, em pares correctos:

4.4. Tabaco e Álcool – Drogas aceites e não ilícitas, nas nossas sociedades
4.4.1. Tabagismo

O tabagismo é uma toxicomania caracterizada pela dependência


psicológica e física do consumo do tabaco. A substância, que se consome
com o tabaco, é a nicotina.

A nicotina, quando consumida com o tabaco, tem um efeito estimulante. E, após algumas
tragadas profundas, tem efeito tranquilizante, bloqueando o estresse. O seu uso causa
dependência psíquica e física, provocando, na abstinência, sensações desconfortáveis.

Em doses excessivas, como qualquer


outra substância, é extremamente tóxica:
provoca náuseas, dor de cabeça, vómitos,
convulsão, paralisia e cancro dos
pulmões.

A nicotina, presente no tabaco, também


está associada à redução da ingestão
alimentar e do peso. Por isso, muitos
fumantes resistem em largar o vício.

Figura 22 Efeitos corporais da nicotina

96
4.4.2. Álcool

Exercício 4.3: O diário de consumo do álcool: Avalie o seu risco de se tornar alcoólatra
Preencha o diário de consumo de álcool, durante 1 a 2 semanas.
Semana de ……….de ……………. a ………de………….
Dia Hora Tipo de álcool Quantidade Local/ Estímulo: Situação,
Em mml Pessoa presente Emoções, Pensamentos
Seg

Ter

Quar

Quin

Sex

Sab

Dom

TOTAL
Por tipo de alcool

No fim de cada semana, faça a Análise do Diário de consumo de álcool


 Quanto bebo por semana?
 O que bebo? (enumerar as bebidas)
 Com quem bebo?
 Porque bebo?
Avaliação do risco individual para a dependência do álcool.
Responda honestamente a estas perguntas “chave”, que ajudam a detectar os sinais de
alarme:
- Acha difícil parar, uma vez que começa a beber?
- Precisa de ingerir uma grande quantidade de álcool, para sentir efeito?
- Sente que lhe falta algo, se não tiver uma bebida, por uns dias?
- Sente que “precisa de uma bebida”, só para se sentir bem?
- Encontra sempre desculpas, para justificar o álcool que bebe?
97
4.4.3 A diferença entre “beber em demasia” e ser um “alcoólatra”

 Quem bebe em demasia, apesar de ficar bêbado


frequentemente, NÃO tem que o fazer, por necessidade, ao
passo que o alcoolismo é uma doença, que cria dependência, e por isso os alcoólicos
têm que beber, para se sentirem “normais”. Isto, porque o processo químico do
cérebro mudou tanto, que já não consegue produzir químicos de “bem-estar”.
 No entanto, é difícil ver a diferença. Os peritos dizem que quem bebe em demasia
“está a caminho” do alcoolismo. Por outras palavras, corre um grande risco de se
tornar um alcoólatra.

O alcoolismo é uma doença muito complexa, que envolve diversos factores. Pessoas que
vivem na POBREZA podem ter a tendência para beber em demasia, para esquecer os
problemas. A pobreza pode levar ao trabalho, mas também pode levar uma pessoa a “beber
para esquecer”. Certas pessoas podem recorrer ao crime, para arranjar dinheiro, para
bebida ou drogas. O abuso do álcool e de outras drogas causa problemas, como a pobreza, a
prostituição, o crime, a violência, a violação sexual, etc.

4.4.4 A ligação entre estes problemas e o HIV

o Quando perdemos a nossa inibição, podemos ter relações sexuais sem


protecção – o que não faríamos, se estivéssemos sóbrios. A prática do
sexo sem preservativo, a violação sexual e outros tipos de violência
envolvem sangue, sémen, etc., o que aumenta o risco de contrair o HIV.

o A um nível mais profundo, quando as pessoas se sentem desamparadas, sem valor,


abusadas, zangadas, tristes etc., em geral, já não se importam com as consequências
das suas acções. São atraídas para comportamentos descontrolados, o que contribui
para a expansão do HIV.

o Quem bebe muito tem mais perigo de ficar doente mais depressa, se ficar infectado
com o HIV, porque o álcool é um veneno, que enfraquece o sistema imunológico. (O
comboio anda mais depressa, no fim da linha). Às vezes, as pessoas, quando descobrem
que estão infectadas com o HIV, bebem para esquecer, reduzindo a capacidade do
corpo de lutar contra a infecção.

A figura 23 ilustra bem como o álcool contribui para a infecção por HIV.

98
Figura 23 - Acordando, depois de uma noite de álcool

Fonte: Adaptado de: “Ten Minutes Talks”. Quintessential Materials Development & Pearl
Dynamics, Port Elisabeth, South Africa. Responsabilidade e Copy Right: GTZ ACCA

Exercício 4.4: Situações, que podem levar à actividade sexual não desejada Para jovens
Responde:

 Quais são as situações comuns, que podem levar a relações não desejadas ou
desprotegidas?
 Quais são as situações mais comuns, que conheces / já aconteceram contigo?
 O que é que se pode fazer, para evitar estas situações?
 O que é que pode fazer uma pessoa, para sair de uma situação, em que se pode
tornar sexualmente íntima?

4.5. A pornografia e a internet

Exercício 4.5 Estudo do caso do Marcolino e da Medina


O Marcolino, estudante do segundo ano do curso da Informática, é obcecado pela internet.
Faz parte de um grupo de jovens, que estão a postar este tipo de vídeos, no facebook. Ficou
apaixonado pela Medina, uma estudante muito bonita do primeiro ano do curso. A Medina
ainda está a adaptar-se ao curso e à universidade. É tímida, cresceu numa família religiosa. O
Marcolino gostaria de ter uma relação com ela. Tentou, várias vezes, aproximar-se dela,
sempre em vão. Quando a Medina procura alguém, que a ajude, num trabalho complicado
de informática, o Marcolino vê a sua chance, e oferece-lhe o seu apoio, contanto que ela vá
a casa dele. O trabalho vai bem, o Marcolino elogia a Medina, faz avanços, e finalmente,
consegue seduzi-la. A Medina não se apercebe de que ele consegue filmar a relação sexual,
com o seu celular. No dia seguinte, a Medina vive um grande choque: a sua amiga mais
próxima mostra-lhe o vídeo, no facebook.

99
1. Analisa. Qual o acto que o Marcolino cometeu? Porque fez isto?
2. Quais as consequências psicológicas, sociais, para a Medina?
3. Quais os direitos, que foram violados, e o que é que a Medina pode fazer, nesta
situação?

4.5.1. Conceito de Pornografia


Pornografia é a representação, por quaisquer meios, de cenas ou objectos obscenos
destinados a serem apresentados a um público; é também expor práticas sexuais diversas,
com o intuito de despertar no observador.desejo e fantasia sexual. Mobilizam-se figuras do
imaginário, através de fotografias, imagens, desenhos, contos, filmes eróticos, etc.

4.5.2.Motivos para a busca da Pornografia

A busca da satisfação individual, a todo o custo.


A tentação: "provoca-te ver o que é proibido. Sugere-te que tenhas necessidade de
provar o que é que te excita, e explorar a intimidade".
A pornografia faz apelo à fantasia. A fantasia possui o seu sector agradável, ao ponto
de ser reconhecida como mecanismo de defesa.
A solidão, a lascividade, a desordem e desajuste mental, e a falta de capacidade para
pôr-se em relação com outros indivíduos da sociedade.
Casais que experimentam aborrecimento, na sua relação íntima, são tentados a
recorrer a este abominável mal, para despertar a sua paixão".

O facto da pornografia insere uma estimulação sexual, sem satisfação pessoal. A busca da
satisfação erótica toma, progressivamente, uma maneira mais exigente e abusiva. O material
velho já não estimula tanto como o novo. Resultam, então, viagens cada vez mais explícitas,
e o aumento da necessidade não tem fim. A indústria do cinema produz filmes com uma
violência e excitação sexual excessiva.

4.5.3 Efeitos da Pornografia

 A pornografia causa profundos efeitos negativos, no conceito das pessoas, sobre


sexo e comportamento sexual.
 Coloca os usuários sob risco crescente de desenvolver tendências de desvios de
comportamento sexual.
 O uso constante da pornografia pode prejudicar a capacidade de usufruir e
participar da intimidade conjugal normal.
 Pode levar os usuários aos actos sexuais desnaturais.
 Desenvolve-se uma dependência. Raramente retrocede, é difícil de tratar e de curar.
 Alguns pesquisadores dizem que a exposição à pornografia pode afectar o
desenvolvimento normal do cérebro de uma criança.

100
Figura 24: Reflexão: Em que áreas da sua vida, interfere o uso do computador?

4.6 Dependência da internet e do computador

A modernidade trouxe-nos muitos avanços e facilidades. Uma delas, que


praticamente define a nossa era, é o computador. Mas, como toda a
ferramenta, o computador pode ser usado constructivamente, ou
destructivamente.

O Comportamento com o Computador

É importante percebermos que o computador, como uma ferramenta, não é o problema; o


problema vem do uso abusivo dele. Como ferramenta, ele nos oferece diversas facilidades,
que podem, eventualmente, tornar-se foco da dependência.

Talvez o seu principal uso seja para o trabalho. Técnicos de informática, programadores ou
web-designers e praticamente todas as profissões, de alguma forma o utilizam. O
computador e a internet são amplamente usados, para o estudo, para digitar trabalhos, e
como fonte de pesquisa.

Além do uso para facilitar os estudos e o trabalho, usam-se o computador e a internet


também para jogos. A internet é também bastante usada, para manter comunicação com
outras pessoas. Pode ser através de emails, de mensageiros instantâneos, de chats ou redes
sociais, como o Facebook ou YouTube. Quem já fez amizades virtuais, ou festas virtuais?

O Vicio Virtual

O vício virtual, vulgo nerdismo, é o vício mais vicioso da actualidade. O vício virtual divide-se
em 4 ramos: Game-vício, Nerd-vício, Inter-vício e Chat-vício. Se te meteres nalgum desses,
certamente, com 100% de certeza, também desenvolves os outros.

Game-vício: Vício caracterizado pelo uso constante de computadores, para jogar mini-
games, vídeo-games, fliperamas, entre outros. O que, ao começo, é apenas um lazer, depois
de algum tempo, torna-se um vício mortal. Os lugares, onde mais se traficam essas drogas

101
virtuais, são bancas de esquina (com fliperamas), Centros Comerciais, e qualquer outro
lugar, que tiver drogas gamísticas.

Inter-vício: Vício na internet. É considerado um problema psiquiátrico sério, entre jovens do


mundo inteiro. O indivíduo viciado na internet geralmente acaba por perder o interesse até
de tomar banho, pensando se o provedor não vai cair, ou porque ouviu, lá da casa de banho,
aquele barulhinho do colega a entrar no Windows Messenger. O indivíduo sai logo dali a
correr, para ver se chega a tempo de responder à mensagem do Windows Messenger. O
sujeito(a) perde também todo o interesse pelos estudos, pelos familiares e amigos. Este vício
afecta toda a estrutura intelectual, emocional, e moral. O viciado deixa de fazer muitas
coisas importantes da vida real, pensando que a internet passa a fazer parte da vida, por
completo. O pobre diabo viciado já não dorme, nem almoça nem janta. Acontece, depois,
que o viciado em Second Life tem um mundo virtual 3D, na internet, onde simula alguns
aspectos da vida real e social do ser humano. O usuário pode criar a sua personagem
influenciada pelas personagens da net. O nome "second life" significa em inglês "segunda
vida": o infeliz passa a ficar com uma vida paralela, além da vida "principal", "real".

Chat-vício: Também conhecido como vício do quer tc comigo, é um vicio muito actual.
Muitas vezes, o chat-vício anda lado a lado com o nerd-vício. Quando a pessoa se torna
viciada em chat, adquire um vocabulário diferente. Este vício é curado aos poucos, quando o
usuário percebe a droga, em que está metido. Não há cura imediata, para isto.

Linguístico: Vícios de linguagem não são relativos a drogas, mas é uma droga ler um texto
cheio de vícios de linguagem. Os vícios de linguagem referem-se à condução das frases, e, às
vezes, dificultam o entendimento. Este vício é mais brando, e não causa crises de abstinência
nas pessoas que tentam largar este vício.

Perigos do uso excessivo do computador e da internet

Pode ser só coincidência, mas tanto quem consome drogas como quem usa computador é
conhecido como “usuário”. Qualquer uso excessivo de qualquer coisa pode ser prejudicial,
se não soubermos equilibrar com outras áreas da vida. Podemos usar o computador, como
ferramenta de trabalho ou de estudo, ou ainda como meio de diversão, ou como forma de
comunicarmos com os nossos amigos, e para contactos pessoais ou profissionais. O
problema não está nesses usos, que podemos ter, do computador, mas sim quando eles se
tornam a única coisa que fazemos na nossa vida. O outro problema é a protecção da
privacidade. No facebook, twitter etc., trocam-se informações pessoais, com gente, que eu
nunca vi na vida, e em sites, a que toda a gente pode ter acesso. As relações, que se criam,
são relações reduzidas a algumas áreas ou aspectos da vida, e não abrangem o ser humano,
na sua totalidade.

4.7. O consumo, com bom senso

A pirâmide de Maslow pode nos ajudar a compreender as razões do

102
consumo. Maslow é o criador da teoria das necessidades básicas. Onde ele afirma que o
homem tem pelo menos cinco tipos de necessidade. E Maslow hierarquizou as necessidades,
conforme a sua importância, como se pode ver, na pirâmide das necessidades.

Figura 25 A pirâmide de Maslow das necessidades humanas

Como podem ver, as necessidades mais importantes, as fisiológicas (ligadas à sobrevivência),


encontram-se na base. Seguindo esta hierarquia, aparecem, sucessivamente: necessidade de
protecção, de afecto, de estatuto e estima, até chegarmos, no topo da pirâmide, à
necessidade de auto-realização.
Vamos, agora, ver um exemplo ligado ao consumo: Em qual destes níveis fica a roupa?
O vestuário faz parte de todos os cinco níveis: porque tem a função da protecção do corpo,
da nossa saúde e da nossa intimidade, faz parte dos primeiros três níveis. Mas a moda tem a
função de nos diferenciar dos demais e de impor a nossa individualidade; tem, pois, um
papel nos últimos dois níveis de necessidade.
Satisfazer as necessidades tem a ver com a nossa motivação. As necessidades nascem da
discordância entre o meu desejo e o meu estado actual.
As necessidades podem ser classificadas em necessidades utilitaristas e necessidades
hedónicas ou experimentadas. As utilitaristas são as que tomam em consideração o aspecto
funcional, objectivo; ao passo que as hedónicas tomam em consideração valores como o
prazer, a estética e os sonhos.
O ser humano tem necessidade de diversidade, e a moda ajuda esta diversidade. A moda
muda com muita frequência. O vestuário foi uma das primeiras produções da sociedade
industrial a relativizar a necessidade: tanto o vestuário como a moda são necessidades.
A sociedade de consumo tende a alienar o objecto, do sentido original de necessidade.
Consumimos objectos, que não são primários. Na sociedade de consumo, a oferta excede
geralmente a procura, os produtos são normalizados, e os padrões de consumo estão
massificados.

103
Nós somos parte de uma sociedade, onde o consumo é desvairado e excessivo. Temos, hoje
em dia, outros conceitos de necessidade, como prazer, lazer, conforto, auto-estima e
realização.
A moda é dominada pelo culto das novidades. Logo, para que exista algo novo, é preciso que
as coisas estejam em constante mutação. Como vimos, o próprio consumo tornou-se uma
necessidade. É difícil distinguir o que é desejo, do que é necessidade.

Existe uma tendência para o consumismo (um tipo de consumo impulsivo, descontrolado,
irresponsável e muitas vezes irracional).

Perigos da sociedade de consumo

 Os consumidores acabam por


perder as características de
indivíduos humanos, para passarem
a ser considerados uma massa de
consumidores, em que se pode
influir, através de técnicas de
marketing, inclusive chegando à
criação de "falsas necessidades" entre eles.
 Do ponto de vista ambiental, a sociedade de consumo é insustentável, porque
implica um constante aumento da extracção de recursos naturais, e do despejo de
resíduos.
 Em economia internacional, diz-se que o modelo consumista faz com que as
economias dos países em desenvolvimento deixem de satisfazer as suas próprias
necessidades fundamentais, como, por exemplo, a alimentação e a saúde da
população. Pois o mercado faz com que a maior parte desses recursos seja
destinada a satisfazer a quem pagar mais.
 Se a maioria da população mundial alcançasse um nível de consumo semelhante ao
dos países industrializados, os recursos de primeira ordem esgotar-se-iam, em
pouco tempo, o que envolve sérios
problemas económicos, éticos e políticos.
 A sociedade de consumo converte as pessoas
em simples consumidores, que encontram o
prazer no mero consumo por si só, e não pela
vontade de possuir o produto.
 O consumo em excesso é um perigo para a
saúde. O excesso de consumo manifesta-se
em uma doença: quando as pessoas não
resistem à propaganda e consomem para se
satisfazer, o consumo age como uma droga.

Consumo de bom senso – Algumas dicas

 Pare e pense, antes de consumir.


 Analise as publicidades: promessas verdadeiras, agendas escondidas, etc.
 Pense nos seus reais valores e necessidades.
 Tome a decisão de consumo, na base das suas necessidades, dos seus recursos e das
consequências.

104
 As consequências duma compra podem ser: o impacto económico e social, na sua
família, nos amigos (inveja, conflitos), no meio ambiente, no impacto sobre a sua
mente e o seu espirito (dependência).

Exercício 4.6: Teatro do Oprimido: O melhor Smartphone ESCOLHA CENA 1 ou 2

Cena 1 (2 estudantes jovens): Os dois actores são estudantes jovens, e são namorados. A
moça é de uma família rica, e mostra ao namorado o seu novo smartphone, último grito. A
moça ridiculariza o namorado, porque tem um telefone pequeno. O namorado é um bolseiro,
gostaria de ter um bom smartphone para impressionar as raparigas, está sempre em
contacto com a namorada e os demais, etc. O que vai fazer? Encene a conversa entre os dois.
Cena 2 (Uma mulher jovem e um homem velho): O velho oferece à estudante um
smartphone, como prenda, em troca de sexo. Como reage a moça? Encene a conversa.

Analise ambas as cenas:


 Quem era o opressor, e quem era o oprimido?
 Caracterize a opressão: de pessoa? De situação? De preconceito? Qual?
 Qual foi o resultado, em ambos os casos do teatro: libertar-se, ou ceder à opressão?
 Quais foram as estratégias usadas, em ambos os casos?

4.8. Estratégias, para ultrapassar os vícios e dependências

Drogas, álcool, internet, pornografia, consumismo:


Pensar nos meus reais valores, nas minhas reais necessidades e prioridades
Ter um projecto claro, para a minha vida
Ter um bom relacionamento familiar
Ter um ideal religioso, que me leve a boas atitudes
Ter uma relação saudável e segura
Ter um trabalho profissional interessante e encorajador
Ocupar-me com actividades artística e de laser
Relacionar-me com boas pessoas
Buscar conhecimentos e informações, através do estudo
Praticar desporto
Estar em contacto com a natureza
Viajar e fazer novas amizades

105
Mensagens Chave
 Vícios são hábitos repetidos, que são difíceis de deixar. O termo tem uma conotação
moral. Os vícios positivos são uma afinidade completa com uma coisa, e têm um
benefício para quem os tiver.
 Os vícios negativos são caracterizados por um descontrolo completo, e são prejudiciais,
porque destróem o corpo, os relacionamentos, e levam ao desperdício financeiro.
 Nem tudo o que vicia é uma droga, mas todo o vício é uma droga.
 A dependência é o resultado do consumo repetitivo de substâncias psicoactivas
(drogas). Manifesta-se em fenómenos comportamentais, cognitivos e fisiológicos.
 Drogas são substâncias químicas, naturais, ou sintéticas, que, introduzidas no
organismo, lhe modificam as funções.
 Não se devem usar drogas ilícitas, porque são ilegais.
 A droga fere os princípios éticos e morais. Esses valores entram em crise, exactamente
na juventude.
 A dependência física é o resultado da adaptação do organismo a uma droga. O que torna
impossível a suspensão brusca do uso da droga.
 A dependência psicológica é uma condição, na qual o consumo duma droga se torna
uma necessidade, porque produz um sentimento de satisfação indispensável.
 Os motivos mais frequentes, para o uso de drogas, são: a impressão de que elas podem
resolver os problemas pessoais, sociais, financeiros, ou aliviar as ansiedades; a fuga de
problemas; a Influência dos amigos, dos traficantes, da sociedade e da publicidade dos
fabricantes; a sensação imediata de prazer; a depressão; estimular; inebriar, fortalecer.
 As três classes de drogas psicotrópicas são: depressores (álcool, morfina, heroína),
estimuladores (cafeína, nicotina, cocaína) e perturbadores (LSD, ecstacy, crack).
 Os efeitos físicos das drogas são: lapso de memória, fraca coordenação física, perda de
peso, falta de apetite, voracidade, infecção por HIV, morte.
 As consequências socioeconómicas do abuso de drogas são: sobrecarga para hospitais e
familiares, queda de rendimento escolar, aumento de delitos, desintegração dos valores
sociais.
 As consequências mentais do abuso de drogas são: desonestidade, perda de autoestima
e de autodisciplina, instabilidade, depressão, paranóia, tendência para o suicido.
 O consumo do álcool causa inibição e reduz o uso dos meios de protecção contra o HIV.
 A pornografia apresenta objectos obscenos, em público, para despertar o desejo sexual.
Causa profundos efeitos negativos, no conceito das pessoas, sobre sexo e
comportamento sexual.
 O uso excessivo do computador é um vício, que causa desequilíbrio, na vida pessoal, nos
relacionamentos, e problemas, quanto à protecção da privacidade.
 O consumo devia se orientar para as necessidades, para os nossos valores éticos, para o
poder económico. O consumo excessivo e descontrolado torna-se numa droga.
 Há estratégias, para ultrapassar as tentações dos vícios e do consumo de drogas: bom
relacionamento familiar, amigos certos, uma relação saudável e segura, um trabalho
profissional interessante, ocupação dos tempos livres, que dão prazer e saúde. Por
exemplo, fazer desporto, dar-se à música, à arte, etc.

106
Unidade 5 : Habilidades da Vida

Introdução

Com esta Unidade, pretendemos introduzir o estudante na abordagem do ABCD.


Gostaríamos de criar e fortalecer habilidades, que possam contribuir para cada um realizar o
seu projecto de vida e gozar de uma vida em plenitude, de uma vida feliz e saudável.

Modelo Lógico: Metas, Comportamentos desejados, Factores de risco e protecção e


Actividades da Unidade

Actividades da Unidade Factores individuais de risco Comportamentos Metas


4 e de protecção 3 2 1

 Estudo do Caso Luís Pressão social e pressão de pares Escolher Realização do


 Desenho do seu que influenciam o projecto de comportamentos seu projecto de
projecto de vida vida favoráveis ao seu vida
 Conhecimento do projecto de vida
ABCD Percepção de perigos para por
 Actividade: em prática o projecto de vida Ser fiel aos seus
Comportamentos que valores, amigos,
põem em perigo a Intenção de realizar o projecto família
realização dos seus de vida
sonhos
 Gestão do tempo: Gerir bem os seus Realização do
Plano de mês e semana Intenção de fazer gestão de recursos e tempo seu projecto de
 Estudo do caso Mónica recursos e de tempo curto e médio
 Exercício: Gestão do prazo
dinheiro
 Exercício: Comunicar com Redução de
Comunicação no caso Fraca capacidade de eficácia, em situações conflitos
de conflito comunicação, em situações de de conflito
conflito

Conteúdo
 O projecto de vida
 Comportamentos, que põem em causa a realização do projecto de vida
 A abordagem e significado do ABCD
 Gestão do tempo
 Gestão dos recursos
 Comunicação, em situações de conflito

107
Exercício 5.1.- O caso do Luís – Elaboração do projecto de vida

Quando o Luís tinha cerca de 15 anos, sonhou ser, um dia, Actor de TV. Cada vez que via a
TV, via-se ele mesmo nela. Uma outra coisa, que o Luís queria, era ter três filhos com a sua
esposa, e viverem numa casa grande.
O tempo foi passando devagar, sem muitos sobressaltos. O Luís era um rapaz como tantos
outros, nem era o primeiro da classe, nem era o último. Teve de enfrentar, aos poucos,
algumas dificuldades, para lograr os seus sonhos. Os seus pais adoeceram-lhe, e, num
espaço de pouco tempo, morreram-lhe os dois. Os irmãos mais pequenos foram viver com
os tios, e ele ficou a tomar conta da casa e do que os pais tinham deixado, que era pouco,
por causa da doença.
Não lhe foi fácil superar a morte dos pais e a separação dos seus dois irmãos. Começou a
entrar numa depressão, e a vida começou a não ter sentido para ele.
Os seus sonhos pareciam desaparecer. Na escola, as notas e o comportamento começaram a
piorar.
Um dia, o seu professor contou a história de uma Águia, que se tinha tornado Galinha. Era
assim: Um homem encontrou, no mato, um ovo de águia, e levou-o para a capoeira, e
juntou-o aos de uma galinha, que estava a chocar. Quando o tempo chegou, nasceu um
pintainho muito diferente dos da galinha. Era grande, com bico grande, asas grandes, forte,
com garras, etc... E aquela águia recém-nascida começou a comer como os pintainhos, a piar
como os pintainhos, e a viver como se fosse uma galinha, sem saber que afinal era uma
águia. Foi crescendo na capoeira, até que, um dia, o dono lhe disse: - «Não, tu não és uma
galinha! Tu és uma águia. Estás feita para as alturas, para voar lá no alto do céu, nas
montanhas». E levantou a águia no ar. E o sol, pouco a pouco, foi lhe entrando pelos olhos, e
encheu-lhe todo o seu ser de águia. E a águia descobriu que era Águia, e foi voando, até se
perder no firmamento, a caminho do Sol.
O Luís descobriu que estava a viver como a galinha, e tomou consciência de que não era
uma galinha, mas uma Águia. E decidiu deixar de ser galinha, para ser Águia. Começou a
organizar a sua vida, aos poucos: o seu tempo, o seu dinheiro, que era pouco. E hoje, o Luís
trabalha numa estação de rádio, tem uma namorada que gosta dele, e ainda quer ser actor
da TV. Participou em pequenos anúncios.
a) O que é que aconteceu na vida do Luís?
b) O Luís conseguiu realizar os seus sonhos, o seu projecto de vida?
c) Quais são os teus sonhos?
d) Que estás tu a fazer e a dar, para que os teus sonhos se tornem realidade?
e) Elabora o projecto da tua vida, a longo prazo.
- Como gostarias tu de ver-te a ti mesmo e a tua vida, daqui a dez anos?
- Como, onde, e com quem, estarás a viver?
- Quais actividades (profissão) estarás a fazer, e que tipo de pessoa serás?
- Deves estar consciente de que existem dificuldades e obstáculos, que podem pôr o
teu projecto em risco. Menciona pelo menos cinco.
- Quais são os recursos que te podem ajudar para que o teu projecto de vida possa
ser realizado? Menciona pelo menos cinco.
Para poderes visualizar este teu projecto de vida, podes escrever uma página.

108
5.1. A abordagem e o significado do ABCD – As habilidades de vida

Todas as pessoas buscam, de uma maneira ou de outra, ser felizes, estar


bem consigo mesmas. Mas nem sempre os meios que se usam, para
chegar a este fim, são os acertados. Ou, ainda mais, achamos que isso há-de chegar, por si
mesmo.
Nem sempre isso acontece. É preciso pensar que são necessárias certas habilidades, para
podermos atingir esse objectivo da felicidade.
O que nos propomos, neste módulo, são algumas ferramentas, que podem ajudar e facilitar,
na prevenção do HIV. O método já é muito conhecido: é o método ABC:
A = Abstinência do sexo,
B = Be faithful, seja fiel
C = Condom, o preservativo.
Mas nós, numa visão holística da vida, propomos o ABCD, que significa muito mais.
A= abstinência, de tudo quanto possa destruir o projecto de vida. Isto é, temos de abster-
nos da mentira, da corrupção, do estigma, do sexo desprotegido, do álcool, das drogas, da
violência, da poluição do meio ambiente...
B = be faithful significa fidelidade: em primeiro lugar, fidelidade a ti mesmo e ao teu projecto
da vida, ao teu corpo, à tua família, à tua igreja, ao teu parceiro, a Deus,
C= change, mudança. É tempo de escolher, de fazer escolhas responsáveis, de
transformação.
D= danger perigo. Para chegar a ter uma vida em plenitude, devem evitar-se os perigos,
como, por exemplo, o das drogas, o do HIV...
Portanto, desenvolver o método do ABCD implica, da tua parte, a elaboração e realização de
um projecto de vida, assim como aprender a gerir recursos e conflitos. Estes elementos são
importantes, para realizar o Projecto de vida.

5.2. Comportamentos, que põem em perigo a realização do nosso projecto de vida.

No próximo exercício, vamos discutir sobre os perigos para o teu projecto de vida.

Exercício 5.2 Sonhos, que não se realizam, por causa do comportamento


1. Pega no teu projecto de vida.
2. Os estudantes completem, individualmente, uma planilha, em que cada um classifica a
importância de muitos factores, em suas vidas. Por exemplo: passar tempo com os
amigos, ser pai/ser mãe, passar tempo com esposa e filhos, viver de acordo com os seus
valores religiosos, terminar o ensino superior, conseguir um emprego, viajar, ser
saudável.
3. Ao lado desta lista, façam uma outra, com os comportamentos e hábitos, que têm:
pensem, por exemplo, no consumo de álcool, no comportamento nos tempos livres, no
comportamento e práticas sexuais, no comportamento na estrada e nos sítios públicos,
e no meio ambiente, no comportamento como cidadão, etc.
4. Avalie cada um quais destes comportamentos não vão de acordo com os seus valores,
com os seus sonhos e com o seu projecto de vida.
5. Qual a conclusão que tira?

109
5.3. Gestão de tempo

O tempo é um recurso fundamental. Sempre nos parece que tempo


temos nós em abundância. Mas, ao fim do dia, muitas vezes
verificamos o contrário: o dia passou, sem eu me aperceber, e não tive tempo para…
Saberes organizar o teu tempo ajudar-te-á a realizar do teu projecto. Ao fim do dia, ficarás
contente, quando tiveres usado bem o teu tempo e conseguido avançar, nas tuas metas
estabelecidas.
Ser fiel a mim mesmo é respeitar o meu tempo e o tempo dos outros, o meu espaço e o
espaço dos outros. Facilmente podemos desviar o nosso projecto. A disciplina, a
determinação podem nos ajudar a não gastar, ou a não gastar mal, o tempo, que não voltará
mais.

Para poder chegar ao fim do caminho, é preciso ter um projecto muito concreto, para
períodos mais curtos de tempo: um projecto para um ano, para um semestre, para um mês
e para uma semana.
Os projectos de curto e médio prazo ajudam-nos a orientar-nos, no nosso dia-a-dia.

Exercício 5.3. Gestão do tempo. Projecto do mês. OPCIONAL


Elabora agora o teu projecto de 4 semanas, para as seguintes áreas:
a) Estudo. (Biblioteca, aulas, TPC, estudo pessoal, trabalho de equipa)
b) Pessoal: (Descanso, refeições, TV, passeios...)
c) Social. (Festas, amigos, Igreja, desporto...)
d) Quais são os recursos ao teu alcance, para implementares este projecto?

110
Exercício 5.4. O Estudo do Caso da Mónica

Às 5 horas da tarde, Mónica olha para cima da sua mesa, e verifica que ainda não acabou de
ler nem metade do material de estudo, para o exame de amanhã. Começou, ante-ontem,
com a revisão da matéria. Mas, ontem de manhã, o pai mandou-a ao Conselho Municipal, a
deixar um documento. Depois, foi às compras. O tempo do almoço utilizou-o, para
responder a mais de 20 mensagens de e-mail, dos seus amigos. À tarde, recebeu, de
surpresa, a visita do namorado. E, à noite, foi com ele a uma festa, e acabou por ir dormir
tarde. Acordou, e começou a ler. Mas, sempre o telefone a tocar, os colegas a pedir-lhe uma
explicação. À tarde, decidiu ir para a biblioteca, a ver se tinha calma para estudar. Dado o
ritmo com que ia, havia de ficar a estudar até à meia-noite. Quando olhou para a matéria
que ainda lhe faltava ler, suspirou, com desânimo. Como iria passar este exame?
O que é que ela tinha feito, nestes dois dias? E porque é que estava atrasada, na
preparação do exame?
a) Recolhe as tuas ideias, e aponta-as, numa folha
b) O que é que a Mónica poderia fazer?

5.4 Gestão de bens e de dinheiro

Os recursos materiais são necessários, para a implementação de


qualquer projecto. E um deles é o dinheiro.
Gerir bem o dinheiro requer esforço, tempo e humildade, seja para as
finanças pessoais, seja para a gestão empresarial.
Existem algumas práticas, que podemos compartilhar, para te ajudar a
gerir melhor o teu dia-a-dia, e todos os aspectos financeiros relacionados.
Uma boa gestão, uma boa administração dos recursos económicos,
materiais e pessoais vai fazer a diferença, na implementação do teu
projecto de vida. Abster-te de gastar dinheiro superficialmente, ter
cuidado do teu tempo, fazer escolhas certas, vão ser, podem ser um
grande desafio para ti.
a) Vives ainda com os teus pais, ou já estás fora da casa deles? Como
te sentes a viver com eles? Como te sentes a viver já fora da casa deles?
b) Quais são os bens que tens? E como usas o que tens à tua disposição?
c) Achas que és um bom gestor/uma boa gestora dos bens que tens? Como descobres
isso?

Exercício 5.5. Gestão de dinheiro. Faz aqui o teu plano de despesas do mês:
a) Quais são os bens e dinheiro, que tens à tua disposição, por mês?

b) Quanto gastar/ O que comprar, durante o mês?

Casa (renda)? ___________

Chapa? ___________

111
Verniz e batom novo? ___________

Mexas ou tissagem? ___________

Fazer cópias da faculdade? ___________

Rancho e outras despesas de casa? ___________

Bebidas? ___________

Tchilling? ___________

Celular e crédito? ___________

Novas calças? ___________

Devolução de empréstimo? ___________

Outras ___________

TOTAL _____________

Faz a soma destas despesas planificadas. Compara-as com o dinheiro que tens disponível.
c) Se o dinheiro disponível é menos do que planificaste, o que vais fazer?
d) Achas que és um bom gestor/uma boa gestora dos bens que tens? Como descobres
isso?

Alguns conselhos, sobre a gestão do dinheiro

 Não compres, ou melhor, evita comprar, antes de:


 Planificar diária/mensalmente e anualmente as tuas despesas e
receitas (ganhos e custo).
 Saber quanto dinheiro tens disponível.
 Definir prioridades. Inicia pelo necessário!
 Reduz todas as despesas diárias, não essenciais, gastos extras.
 Poupa, em todas as oportunidades.
 Faz compras, ao menor custo.
 Presta sempre atenção aos descontos. Fica atento aos artigos que desejas comprar,
para estares preparado para avançar, quando o preço já estiver ao teu gosto (saldos,
promoções, etc)
 Anota, num caderno, todas as despesas e receitas, por mais pequenas que te
possam parecer hoje. Por exemplo, 3 refrescos de 12 meticais, cada semana,
equivalem a quantas cópias? Guarda também todos os recibos em papel, numa
pasta.
 Analisa regularmente a tua situação financeira, fazendo relatórios, que te mostrem
quanto recebes e quanto gastas, por mês e no final de cada ano. Desta forma,

112
ficarás com um resumo de quanto necessitas, para cobrires as tuas despesas e
poupares.
 Não te endivides desnecessariamente. Tenta pagar tudo, através da poupança, da
prestação de serviços, e não através da dívida. Se não podes comprar um artigo
hoje, poupa, durante alguns meses, para o poderes comprar depois.
 Não é fácil manter-se organizado. Mas vais ter resultados, a longo prazo, se
mantiveres a persistência, em controlar as tuas finanças regularmente.
 Gere, gere bem o teu dinheiro, POUPA, POUPA, POUPA SEMPRE!

5.5. Gestão de Conflitos

Os conflitos são uma realidade da nossa vida. Aparecem, quando


pessoas singulares ou grupos têm objectivos, ideias e interesses
aparentemente contradictórios.
Nem sempre os conflitos são negativos. Podem ser uma oportunidade
de crescimento, e não de obstáculo, na realização do projecto de vida. Os conflitos podem
ser uma chance para:
 mudanças sociais, inovações, e redefinição da sociedade
 informação e comunicação, em relações interpessoais
 mostrar limites e posições claras
 a criação de novas ideias

Tipos de conflitos
a. Conflitos intra-pessoais: são conflitos dentro da própria pessoa.
b. Conflitos inter-pessoais: são conflitos entre uma e outra ou mais pessoas
c. Conflitos intra-grupais: são conflitos dentro de um determinado grupo –
podem ser religiosos, étnicos, sociais, políticos.
d. Conflitos inter-grupais: são conflitos entre grupos grandes e organizados.
Pode dar um exemplo para cada um destes tipos de conflito?

Também podemos classificar os conflitos, de uma outra maneira: conflitos de interesse,


conflitos sobre valores, conflitos sobre recursos, conflitos “não reais”, ou apenas
imaginários.

O Círculo do Conflito apresentado na Figura 26 é um modelo, que clarifica as causas dos


conflitos. Cada causa tem implicações específicas, para a resuloção do conflito.

113
Figura 26 : Círculo do Conflito

O problema, com os conflitos, reside na sua gestão. Portanto, na maneira de o abordar. Um


conflito bem gerido pode nos ajudar a crescer, um conflito mal gerido pode nos destruir.

Estilos pessoais de gestão de conflitos


 Estilo competitivo: a pessoa luta pelos seus interesses, a todo o custo, e quer vencer.
Não olha para as necessidades da outra pessoa: Eu ganho, você perde.
 Estilo de evitar o conflito: a pessoa tem medo dos resultados do conflito, e evita-o: Eu
perco, você perde.
 Estilo de acomodação: a pessoa acredita que as necessidades dos outros são mais
importantes do que as suas. Tenta evitar disputas, aceita uma resolução vaga: Eu perco,
você ganha.
 Estilo cooperativo: ambos tentam encontrar uma solução de meio-termo. Implica que
ambos têm que ceder algo: Ambos ganham algo, ambos perdem algo.
 Estilo colaborativo: a pessoa aceita que as necessidades dos outros têm igual
importância que as suas: Eu ganho, você ganha.

Como podemos ver, no círculo do conflito, a comunicação desempenha um papel


importante, na sua gestão. O Exercício 5.6 vai mostrar-nos instrumentos de comunicação,
que permitem evitar mal entendidos e concorrem para que ambos ganhem.

Exercício 5.6: Cinco passos, para comunicar sobre um conflito. Trabalho de pares.

Aqui está uma situação imaginária. Vamos praticar, todos juntos:


A Joana é colega do Pedro, na turma do curso de direito. É uma boa estudante, e sempre
ajuda a todos. Mas é uma gorducha, e não se veste muito bem. Acha que o Pedro tem vindo
114
a ridicularizá-la, com alguns outros colegas da turma, e está muito chateada. E vai mesmo
enfrentar o Pedro.

O Docente vai escrever cinco frases, no quadro. Em plenário, por favor, procure completar
as frases.
1. Fale sobre o comportamento, que perturba a Joana. Escreva "Quando você, Pedro,
_____." e peça aos estudantes para completarem esta frase, com o comportamento do
Pedro, que chateou a Joana.
2. Pense na reacção da Joana, e complete a frase: “Quando você ……, Eu imagino que
…….”
3. Leiam as duas primeiras frases. Em seguida, completem a terceira frase: “E isso faz-me
sentir ………………”. A frase deve exprimir uma emoção da Joana.
4. Completem a quarta frase: “E isso faz-se querer ………………”
5. Leiam as quatro frases completas, no quadro. Depois completem esta quinta frase “Mas
eu ainda ……….” Podem surgir ideias do que a Joana não gostaria mais de fazer: ajudar,
falar com o Pedro; ou propõem uma solução positiva.
6. Leiam a comunicação plena.
7. Em pares, apliquem estas cinco frases a uma nova situação: a Elisângela recusa dar os
seus apontamentos ao colega Chiquito. O Chiquito fica muito chateado e enfrenta a
Elisângela.

115
Mensagens Chave

 Todas as pessoas buscam, de uma maneira ou de outra, ser felizes, e estar bem consigo
mesmas. São necessárias certas habilidades, para poder conseguir este fim da felicidade.
 Algumas ferramentas, que podem ajudar e facilitar, na prevenção do HIV. O método
muito conhecido é o ABC. A= Abstinência de sexo, B = Be faithful, seja fiel, C = Condom,
preservativo.
 Mas, para a vida feliz, e para escolhas certas e responsáveis, é necessária uma visão mais
holística da vida. O ABCD poder ser um modelo, para nos orientar. Neste modelo, o
significado das letras é muito mais amplo do que no ABC, da prevenção do HIV.
A= abstinência de tudo o que destrua o projecto de vida. Isto é, temos de abster-nos da
mentira, da corrupção, do estigma, do sexo desprotegido, do álcool, das drogas, da
violência, da poluição do meio ambiente...
B = be faithful significa fidelidade, em primeiro lugar a ti mesmo e ao teu projecto de vida,
ao teu corpo, à tua família, à tua igreja, ao teu parceiro, a Deus,
C= change = mudança, tempo de escolher, de fazer escolhas responsáveis.
D= danger = perigo. Para se ter uma vida em plenitude, devem evitar-se perigos, como, por
exemplo, drogas, HIV...
 Para uma vida feliz, seria bom ter um projecto de vida, que reflicta os nossos anseios e
valores. Um projecto de vida ajuda a abster-se de comportamentos prejudiciais, nos
âmbitos social, psicológico, ambiental e da saúde.
 Aprendemos algumas habilidades de técnicas de gestão de recursos materiais, de tempo
e de comunicação, em situações de conflitos, que nos ajudam a pôr em prática o plano
de vida.
 O tempo é um recurso fundamental, que não existe em abundância. A gestão do tempo
requer uma planificação realística, a priorização, o uso eficaz do tempo, e evitar
desperdícios, soluções para imprevistos, colaboração com outros, delegação de tarefas, e
negociação com o superior, para melhor distribuição do trabalho e prazos realísticos.
 Os recursos materiais são necessários, para a implementação de qualquer projecto. Um
deles é o dinheiro. Gerir bem o dinheiro requer esforço, tempo, transparência,
honestidade e humildade, seja para as finanças pessoais, seja para a gestão empresarial.
 Existem algumas práticas, para conseguir gerir melhor o seu dia-a-dia, e todos os
aspectos financeiros relacionados. O ABCD também tem a ver com a gestão do dinheiro e
dos bens. Uma boa gestão dos recursos económicos, materiais e pessoais vai fazer a
diferença, na implementação do projecto de vida.
 Os conflitos podem ser intra-pessoais, interpessoais, intra-grupais e inter-grupais. Podem
resultar de conflitos de relacionamento, de interesse; podem ser conflitos de valores, de
estruturas, de dados. Os conflitos podem ser uma oportunidade de crescimento, de
mudança pessoal e social, de inovação.
 Entre os vários estilos para enfrentar o conflito (competitivo, evitar o conflicto,
acomodador, cooperativo, colaborador) o melhor é o estilo colaborador: a pessoa trata
as necessidades dos outros com a mesma importância, com que trata as suas. O
resultado deste estilo é: Eu ganho, você ganha.

116
Bibliografia

Canadian Public Health Association. (2012). Introduction to HIV New Prevention Technologies
(NPTs). Ottawa.

Centre for the Studies of AIDS.(2008). HIV and AIDS in South Africa. 2007/2008.Training and
Information Resource. University of Pretoria.

Clawson, J.G. (2001). Why People Behave the Way They Do.Social Science Research Network,
Vol. , pp. 1-27 . Available at SSRN: http://ssrn.com/abstract=910358

CREA, Girls Power Initiative, IPPF, International Women’s Health Coalition, Mexfam &
Population Council (2011). It’s all one curriculum. Volume 2, Activities for a unified approach
to sexuality, gender, HIV and Human Rights Education. Revised Edition: Population Council.
New York.

Erikson, E. H. (1976). Identidade, Juventude e Crise. Zahar editores: Rio de Janeiro.


Erikson, E. H. (1987).Infância e Sociedade. 2ª Edição: Zahar editores. Rio de Janeiro.
Erikson, E. H. & Erikson, J. (1998).O ciclo de vida completo.Artes Médicas: Porto Alegre.
Global Campus 21 (2015). Conflict Management. Unit 1: Introduction into conflicts: Nature,
functions and dyamics.. Curso de auto-estudo online. Disponivel em http://www.gc21-
eacademy.org

INE, MISAU, Measure DHS. (2013).Moçambique. Inquérito Demográfico e de Saúde (IDS).


MISAU: Maputo.

International HIV&AIDS Alliance. (2010). Integration of HIV and Sexual and reproductive
Health rights. Good Practice Guide. Hove.

IPPF (2009). Direitos Sexuais: uma declaração da IPPF. Versão Portuguesa. Londres.
IPPF & UNFPA. (2006). The Global Coalition on Women and AIDS, Young Positives. Boletim
Prevenção de HIV entre Raparigas e Mulheres Jovens. Maputo.

Jung, C.G. (1901). O Desenvolvimento da Personalidade. Edição integral Título do original:


"Über die entwicklung der persönlichkeit". Tradução: Frei Valdemar do Amaral. ISBN 85-332-
0813-8.

Kirby, D. et al. (2011). Reducing Adolescent Sexual Risk. A Theoretical Guide for Developing
and Adapting Curriculum-based Programmes. ETR Associates. Scotts Valley, California.

Kirby, D., et al. (2012). Promoting Partner Reduction. FHI 360. Durham.
Kirby, D. (2013). Reduzir o Comportamento Sexual de Risco No Seio dos Jovens. Um kit de
ferramentas de formação para formuladores de currículos. ETR Associates. Scotts Valley,
California.

Labouchere, P. (2007). Pontes de Esperança: Manual do Utilizador.Ecosida: Maputo.

117
Machungo F. (2004). O aborto inseguro em Maputo. uOtras vozes, Vol. 7. WLSA
Mozambique: Maputo.

MISAU, Instituto Nacional de Saúde, CNCS. (2010). INSIDA 2009: Inquérito Nacional de
Prevalência, Riscos Comportamentais e Informações sobre o HIV e SIDA em Moçambique,
Relatório final, Maputo.

MISAU. (2013). Plano de Aceleração da Resposta ao HIV e SIDA, 2013-15. Maputo.


Ogana, M.L. (2004). Gender and HIV/AIDS: Mobilizing African Leadership for Prevention.AUC,
Women, Gender and Development Directorate: Addis Abeba.

O´Manique, C. (2009). Globalisation and gendered vulnerabilities to HIV/AIDS in Sub-Saharan


Africa. In: Klot, J.F. & Nguyen, V-K. (Ed.) The Fourth Wave, Violence, Gender, Culture & HIV in
the 21st Century. UNESCO: Paris, pp.37-52.

Pinto, J.R.C., SJ. (2006). Bioética para todos. Secretariado Nacional do Apostolado da Oração:
Braga.

República de Moçambique. (2008). Plano Nacional de Acção para Prevenção e Combate à


Violência contra a Mulher 2008-2012. Maputo.

República de Moçambique, CNCS. (2014). GARPR Global AIDS Response Progress Reporting
2014 Mozambique. Maputo.

Rolim, E. (2012). Os pilares da sexualidade. Acessível em


http://www.tocadoelfo.com.br/2012/04/os-pilares-da-sexualidade-humana.htlm.

Rossi, A.M. (2007). Avalie sua auto-estima. Veja, 2015, 4 de Julho. Disponível em
http://veja.abril.com.br/040707/teste_capa.shtml
Shefer, T., Boonzaier, F., Kiguwa, P. (2006). The Gender of Psychology. UCT Press: Cape
Town.

Southern African Catholic Bishops´ Conference National Youth Desk & Association of Catholic
Tertiary Students-IMCS South Africa. (2000). ABCD Lifestyle Campaign. Catholic Youth
Responding to the Call of Christ.

The Acquire Project/Engender Health & Promundo (ed.). (2008). Engaging Boys and Men in
Gender Transformation. The Group Education Manual. Engender Health/Promundo. New
York/Rio de Janeiro.

UNAIDS. (2014). Report on the Global AIDS Epidemic. Geneva.

UNAIDS. (2011). Directrizes da Terminologia da ONUSIDA/UNAIDS. Geneva.

UNDP, UNESCO, UNFPA, UNICEF & UNWOMEN: (2011). Looking Towards 2015:
Breakthrough Strategies for Women, Girls, Gender Equality and HIV in Eastern and Southern
Africa. New York.

118
UNESCO, UNAIDS. (2009). International Technical Guidance on Sexuality Education. An
Evidence informed approach for schools, teachers and health educators. Vol 1. The rationale
for sexuality education. Vol 2. Topics and Learning Objectives. UNESCO: Paris.

UNFPA. (2006). The Human Rights of Women. Disponivel em


http://www.unfpa.org/resources/human-rights-women#sthash.X0RmuE6o.dpuf

UNFPA, (2010). How Universal is Access to Reproductive Health? New York.


UNFPA. (2013). Motherhood in Childhood. Facing the challenge of adolescent pregnancy.
State of the World Population 2013. New York.

WHO. (2006). Working Definitions: Sexuality, Sexual Health. Available at:


http://www.who.int/reproductivehealth/topics/sexual_health/sh_definitions/en/

WHO. (2013). Global Health Statistics 2013. WHP:Geneva.

WHO. (2015). Family Planning/Contraception. Factsheet No 351.


http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs351/en/

Wundt, W. (1993). Grundzüge der physiologischen Psychologie (5a Ed.,Bd. 3). Leipzig: Barth.

119

Você também pode gostar