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Universidade Católica de Moçambique

Faculdade de Agricultura
Cuamba

Departamento de Produção Vegetal

Texto de apoio de Agricultura geral

(Somente para uso interno)

Compilado pelo docente da disciplina:


Sultan Adamo Natha

Cuamba, Abril 2011

CAP I: Introdução

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CAP II: O Clima

CAP III: O Solo

CAP IV: O trabalho do solo

CAP. V: Sistemas de cultivo

CAP. VI: Adubos e adubações

CAP. VII: Princípios de protecção de plantas

CAP. VIII: Sementeira e plantação

CAP. IX: Noções de irrigação (métodos e sistemas)

CAP. X: Noções de pós-colheita

CAP. XI: Segurança alimentar e nutricional

CAP. XII: Noções de economia agrária

CAP I: Introdução

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Agricultura (definição)

Do latim
ager = agro = campo e
cultura = cultivo

Literalmente agricultura significa cultivo do campo.

Existem diferentes definições de agricultura. Algumas mais complexas que as outras. Ora
vejamos:

Agricultura é o conjunto de técnicas utilizadas para cultivar plantas com o objectivo de


obter alimentos, fibras, energia, matéria-prima para roupas, construções, medicamentos,
ferramentas, ou apenas para contemplação estética (Wikipedia).

A Agricultura é a arte de obter do solo, mantendo sempre a sua fertilidade, o máximo de


lucro (Diehl, 1989).

Agricultura é a arte de extrair do solo, pela cultura e de uma forma mais ou menos
permanente, o máximo de produção com o mínimo de despesas e de esforços (Chavalier).

Actualmente, a definição de agricultura é muito mais ampla (produção de plantas e


animais úteis ao homem). Nao se trata somente de cultivar a terra e de criar animais mas
também a preparação e comercialização de produtos animais e vegetais.

Actividade através da qual elementos da natureza são usados para produzir plantas e
animais com o propósito de satisfazer as necessidades humanas.

Como Agricultura deve-se entender todas as actividades conducentes à obtenção de altas


produções e rendimentos, quer com populações vegetais quer com animais, de forma a que o
solo e a sua fertilidade sejam mantidos ou melhorados, para a sua utilização pelas gerações
vindouras (Freire, 2004).

Agricultura (História)

Alguns indivíduos de povos caçadores-recolectores notaram que alguns grãos que eram
coletados da natureza para a sua alimentação poderiam ser enterrados, isto é, "semeados"
a fim de produzir novas plantas iguais às que os originaram.

Essa prática permitiu o aumento da oferta de alimento dessas pessoas. Isso porque elas
podiam produzir frutos, que eram facilmente colhidos quando madurassem, o que
permitia uma maior produtividade das plantas cultivadas em relação ao seu habitat
natural.

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Logo, as freqüentes e perigosas buscas à procura de alimentos eram evitadas. Com o
tempo, foram selecionados entre os grãos selvagens aqueles que possuíam as
características que mais interessavam aos primeiros agricultores, tais como tamanho,
produtividade, sabor etc.

Assim surgiu o cultivo das primeiras plantas domesticadas, entre as quais se inclui o
trigo, a cevada, sorgo e mexoeira.

E os primeiros animais criados pelo Homem foram o boi e cabrito selvagem.


Gradualmente, esses animais foram domesticados e guardados perto dos povoados.
Durante muito tempo culturas agrícolas e animais foram-se tornando dependentes do
homem e este processo é conhecido por domesticação.

Objectivos e importáncia

Produção de produtos agrícolas e animais baseadas nos principios de reprodução ou


multiplicação com vista a satisfação das necessidades humanas.

Importancia:
Sabe-se que a economia dos paises em desenvolvimento está baseada principalmente na
agricultura (novos dados indicam que em Moçambique a agricultura já não é o maior
contribuinte para o PIB mas não encontrei ainda fontes credíveis que afirmam isso), que
constitui o sector de produção primário na economia.

Fonte de emprego e/ou auto-emprego


Assistência às Industrias (matéria-prima)
Fonte de rendimento

Fonte de divisas (exportação)


Produção de alimentos

Tipos de agricultura/Sistemas Agrários

 Quanto ao propósito da produção:

Subsistência: Produção com vista ao abastecimento apenas das suas famílias, com
insignificante produção de excedente. Os métodos de produção são primarios e a maior
parte do trabalho é feito manualmente. Mesmo que criem animais, a sua alimentação
básica são cereais (milho, arroz, mandioca ou banana). Tendo em conta que o sistema de
produção predominante é maioritariamente de subsistência, cujas práticas culturais têm um
carácter de uso intensivo da mão-de-obra e com um nível de "inputs" muito baixo ou quase
nulo. Sabendo ainda que, as práticas culturais normalmente em uso, são baseadas no
conhecimento e experiência secular dos agricultores, é lógico que, na política de
desenvolvimento agrário tenha sido definida como primeira prioridade o pequeno agricultor,
o camponês, em suma, o chamado Sector Familiar.

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Rendimento: Quando os agricultores cultivam maior quantidade dum produto do que
aquele que eles precisam para alimentar sua família, podendo vendê-la e aproveitar o
dinheiro para melhorar a quinta e o seu nivel de vida. Por vezes o produto é cultivado só
para ser vendido como o caso de algodão , tabaco, amendoím, gergelim, etc.

Agro-indústria: Duma maneira geral, esta implica a produção em grande escala. Os


produtos crescem em grandes campos ou em plantações e o gado é criado em grandes
numeros. As empresas agrícolas comerciais necessitam de grandes somas de dinheiros,
conhecido como investimento de capital para comprar maquinarias ou para financiar
instalações. Os produtos agricolas por estes produzidos visam a sua conversão em algum
derivado ou sub-produto do mesmo com vista a exportação ou venda em grandes centros
urbanos.

Em algumas literaturas estes são também denominados sistemas agrários.

 Quanto ao aproveitamento de água

Agricultura de Sequeiro ou cultivo de sequeiro: É a agricultura praticada pela grande


maioria dos produtores (ou camponeses) no nosso país, a qual caracteriza-se pela
dependência da água das chuvas para o fornecimento às culturas cultivadas. Razão pela
qual em Moçambique a precipitação é sem duvida um dos mais importantes, senão o mais
importante, factores influenciando a agricultura. Nos climas equatoriais a precipitação já não
é um factor limitante sério.

Agricultura de Regadio: É o tipo de agricultura, no qual existe um ou vários sistemas de


rega às culturas devidamente instalado para fornecer água proveniente de certos cursos de
água (geralmente de carácter permanente) de modo a fazer face tanto na compatibilização
com as águas provenientes da chuvas (periodo chuvoso) assim como no fornecimento
único de água na epóca não chuvosa.

Outras classificações segundo os princípios de produção adoptados:

Agricultura orgânica ou agricultura biológica é o termo frequentemente usado para a


produção de alimentos e produtos vegetais que não faz uso de produtos químicos
sintéticos ou alimentos geneticamente modificados, e geralmente adere aos princípios de
agricultura sustentável.

Agricultura Integrada é uma palavra comum utilizada para explicar uma abordagem
holística mais adaptada ao ambiente e aos seres vivos em relação à monocultura, onde
não só a produção vegetal é abordada mas também a pecuária.

Agricultura de precisão é uma prática agrícola na qual utiliza-se tecnologia de


informação baseada no princípio da variabilidade do solo e clima. A partir de dados

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específicos de áreas geograficamente referenciadas, implanta-se o processo de automação
agrícola, doseando-se adubos e defensivos.

Agricultura de conservação onde a não mobilização do solo, a cobertura do solo, a


consociação e a rotação são os princípios que a orientam.

 E mais.

Política Agrária e os Programas Governamentais e de Parceiros

Cada país tem as suas leís e regulamentos, as quais fornecem um instrumento legal que
norteia às actividades do Homem. A legislação agrária moçambicana contempla um leque
de assuntos relevantes, aprovados pelos órgãos competentes, como a lei de terras, etc com
o objectivo de assegurar que as práticas agro-pecuárias sejam controladas e
desenvolvidas sustentavelmente.

Dentre os vários documentos de trabalho, realça-se:

Relatório de Desenvolvimento Humano,


Objectivos de Desenvolvimento do Milénio,
Plano de Acção para a Redução da Pobreza Absoluta (PARPA), e
Nova Parceria para o Desenvolvimento de África (NEPAD).

Politica Actual de Revolucao verde


Etc....

Outros ramos e ciências agrárias

Economia: É o estudo da forma como as sociedades utilizam recursos escassos para


produzir bens com valor e de como os distribuem entre os vários indivíduos.

Economia Agrária: É um ramo da economia que se dedica ao estudo da utilização dos


recursos agrários escassos com vista a produção de produtos agrários de forma eficiente,
seu devido encaminhamento pós-produção e sua rentabilização (maximização de lucros e
minimização de custos).

Factores de produção agrária


São bens ou serviços utilizados para produzir outros bens e serviços. Uma economia usa
a tecnologia existente para conjugar os factores de produção, afim de gerar as produções
(o produto agrícola final desejado).

Os factores de produção, também designados por inputs, podem ser classificados em 3


grandes categórias:

-Terra ou Recursos naturais: Representa o que os nossos processos produtivos recebem


da natureza. Este factor produtivo é constituído pela terra utilizada na agricultura, na
implantação de habitações, etc.

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-Trabalho: Consiste no tempo de trabalho humano despendido na produção, por ex. para
lavrar a terra, etc.

-Capital: É formado pelos bens duráveis duma economia, produzidos com vista a
produzirem outros bens. Os bens de capital incluem máquinas para lavrar, computadores,
etc.

Extensao rural
Conceito: É um processo que envolve uso consciente da comunicação e informação para
ajudar seus beneficiários de modo que formem ou tenham uma opinião plausivel e tomem
decisões correctas.

Producao vegetal

Pecuaria

Floresta e Fauna

Proteccao de plantas

Patologia vegetal

Solo

Etc.

Assunto para rever:


Estrutura duma planta
Raizes
Caule
Folhas
Flores

Fruto
Fotossintese
Respiracao
Transpiracao
Vasos condutores (floema, xilema)

CAPÍTULO II: O clima

Definição: é um conjunto flutuante de elemenntos físicos, quimicos, e biologicos,


caracterizando principalmente a atmosfera de um lugar e cuja acção complexa
influencia a existência dos seres que ali estão submetidos.
L. PONCELET

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Regime médio das condições meteorológicas e sua evolução numa determinada região.
(Almeida, 2004).

•Estado de tempo
Conjunto das condições meteorológicas que se verificam num dado instante em
determinado local.

A descrição quantitativa do clima faz-se por valores médios, complementados com


desvios e frequências dos valores individuais de grandezas físicas chamadas elementos do
clima.

Os elementos do clima : A sua determinação

1. Temperatura
Permite medir o calor que regula o ritmo de desenvolvimento das plantas.
A temperatura do ar mede-se a 2 m, em abrigo, por cima de um terreno relvado. A
temperatura assim tirada não é exactamente a da planta, porém, permite estabelecer
comparações, na medida em que os registos são feitos nas condições: mínima e máxima
registadas a horas constantes.
É importante também conhecer a temperatura do solo ou a uma altura determinada: a
nivel do solo, a 40cm ou 1m, num pomar, quando haja riscos de geadas de primavera,
especialmente. O termómetro serve para medir a temperatura.

2. A Luz

A luz é uma fonte de energia que permite a planta sintetizar o açucar (fotossintese).
Dois parámetros caracterizam este elemento: a intensidade luminosa e a duração da
iluminação. O Heliógrafo mede a intensidade. A duração de iluminação aprecia-se pela
duração do dia.

3.As precipitações e a humidade do ar

Quantidade de água no estado liquido ou sólido depositada no solo a partir da


atmosfera.
A água é um dos constituintes essenciais da planta verde e também permite que a planta
retire os sais minerais indispensaveis da solução do solo.
As precipitações englobam a chuva, a neve, o orvalho, o nevoeiro; ou seja, todas
precipitações de água sobre as suas diferentes formas. A quantidade da precipitação
recebida no solo exprime-se pela espessura, em melímetros, da camada de água que se
manteria numa superficie horizontal se não houvesse nenhuma perda por escoamento,

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evaporação ou penetração no solo. 1 mm de chuva corresponde a uma entrada de água de
1l/m². A medição é feita com o auxílio de um pluviómetro.

As precipitações são consideradas sob diversos aspectos:

 A quantidade total: que representa a altura total de chuva caída durante o ano.
Expressa-se em mm. Em Cuamba a precipitação anual varia de 900-1200 mm. Os
valores aumentam com a altitude, condicionados ainda por certos factores
fisiográficos locais do clima.
 A frequência: número anual de dias de chuva. Maior frequência é favorável em
solos com fraca capacidade de armazenamento (ex: os arenosos).
 A repartição no tempo: condiciona a alimentação da planta.
 A intensidade: quantidade de água caída durante a unidade de tempo. Expressa-se
em mm/hora). Uma intensidade de 1mm/h é a mais eficaz. Chuvas violentas
aumentam a compactação do solo, o escoamento superficial. Chuvas muito finas
se evaporam sem penetrar no solo.

A humidade relativa do ar é importante em especial na época das colheitas e para o


desenvolvimento de certas doenças. Mede-se com ajuda de dois aparelhos: o higrómetro
de cabelo e o psicrómetro (associação de dois termómetros, seco e molhado).

4. O Vento

Agente da evapo-transpiração, também da polinização. Favorece danos mecânicos tais


como a acama dos cereais, a desgrana dos cultivares e responsável pelo transporte das
sementes de infestantes.
Caracteriza-se pela sua força ou velocidade, que expressa-se em metros/segundo ou em
“Knots-kt”. O anemómetro mede a velocidade e o anemógrafo regista, e pela sua
direcção dada pelo catavento ou pela direcção das nuvens.

5. Evaporação :
Ganha uma importância muito especial com o desenvolvimento da irrigação por aspersão.
O evaporímetro de Piche é cada vez mais utilizado para a sua medição. Usa-se também o
evaporímetro de tanque.

Acção dos elementos do clima sobre os vegetais

Temperatura

 Temperaturas caracteristicas:

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Zero da vegetação: temperatura abaixo da qual se detém o crescimento da planta. A
germinação so é verificada acima do zero de vegetação. Esta caracteristica é muito
variavel segundo as plantas.

Temperatura mínima: Certas fases do desenvolvimento so podem desencadear-se acima


de uma temperatura mínima. Por exemplo, a temperatura mínima da floração do trigo é
de 10° e a do milho de 19°. No caso do trigo uma primavera fria pode provocar, nas
culturas precoces, acidentes na floração e na fecundação.
Temperatura óptima: a velocidade de crescimento dos vegetais depende da temperatura.
Esta velocidade passa por um máximo para uma determinada temperatura, variável
segundo as plantas.

Soma das temperaturas: para cumprir o ciclo do seu desenvolvimento a planta tem
necessidade de uma quantidade de calor.
A soma das temperaturas representa, por difinição a soma das temperaturas médias
diárias verificadas durante o ciclo cultural da planta. Apenas temperaturas acima do zero
da vegetação são contabilizadas.

 Temperaturas críticas

Abaixo do zero de vegetação, a planta deixa de crescer. Se a temperatura descer


claramente, a planta pode ser destruida, assim nasce a noção do temperatura crítica
mínima.

Temperatura Critica minima: em certos lugares, o frio provoca danos nas culturas
realizadas no inverno. A geada origina a formação de cristas de gelo entre as células;
Estas celulas desidratam-se deslocando-se a sua água de constituição para os espaços
intracelulares. Uma desidratação demasiadamente acentuada provoca a morte das celulas.

Temperatura crítica máxima: Em certas épocas do ano o calor tende a ser maior. Pelo
que uma decisão incorrecta da data de sementeira pode fazer com que parte do ciclo de
vida da planta ocorra neste periodo de calor intenso, submetendo assim a planta a elevada
taxa de evapotranspiração e dissecação das células, uma desidratação e
consequentemente emurchecimento e morte da planta.

Veja o exemplo ilucidativo (gráfco) do trigo no Manual geral de Agricultura, de Jean-


Louis Éliard, 2nd Ed. pág. 25 figura 4.

Termoperiodismo
Se a temperatura actua sobre o crescimento das plantas, actua igualmente sobre o seu
desenvolvimento. Algumas plantas, para completarem o seu ciclo de desenvolvimento
tem de estar sujeitas a acção da temperatura suficientemente baixas no início do periodo
vegetativo.
Exemplo do trigo: antes do afilhamento, as culturas do trigo de inverno devem ser
submetidas, a temperaturas próximas de 0°C durante várias semanas para poderem

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espigar normalmente, pois são essas necessidades de frio que determinarão a data-limite
de sementeira em função do clima da região.

Respostas à baixa temperatura:


•Vernalização: Necessidade de exposição a temperaturas baixas para promover a
floração.
•Estratificação: Exposição de sementes a baixa temperatura para acelerar a germinação
(quebra de dormência)
•Quebra de dormência em gomos de espécies perenes lenhosas.

Acção da luz sobre os vegetais

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Acção da intensidade luminosa

Certas plantas desenvolvem-se melhor a luz enquanto outras a sombra. A intensidade


luminosa actua diferentemente segundo o estado de desenvolvimento da planta; a planta
tem cada vez mais necessidade de luz a medida que envelhece.

As iluminações fracas são favoráveis ao desenvolvimento vegetativo, enquanto as


iluminações intensas favorecem a formação dos órgãos de reserva (raizes, tubérculos), e
dos frutos, melhorando nestes a qualidade.

Acção da duração de iluminação : fotoperiodismo

O ciclo de desenvolvimento das plantas é influenciado pela duração do dia. Segundo as


reacções das plantas distinguem-se:

As plantas de dias longos, cuja floração se antecipa se a duração do dia é mais longa ou
florescem quando expostas a um fotoperíodo acima de um valor crítico, que é chamado
de fotoperíodo crítico. Quando esta planta estiver exposta a um fotoperíodo menor que o
seu fotoperíodo crítico, ela cresce mas não floresce: alguns cereais, beterraba, espinafre,
entre outras.

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Fig. Plantas de dias longos

As plantas de dias curtos, cuja floração é acelerada quando a duração do dia é


encurtada ou ainda florescem quando submetidas a fotoperíodos abaixo do seu
fotoperíodo crítico. Quando expostas a fotoperíodos maiores que o seu fotoperíodo
crítico, estas plantas crescem mas não florescem: tabaco, soja, algodão, batata,
morangueiro, orquídea.

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Fig. Plantas de dias curtos

As plantas indiferentes (neutras), que florescem seja qual fôr a duração do dia: trigo
sarraceno, tomateiro, milho.

Alguns autores divergem quanto aos exemplos de culturas à reacção ao fotoperíodo.

A resposta do vegetal a floração está relacionada com a acção de um pigmento chamado


fitocromo, que é sensível à variação do comprimento do dia de iluminação
desencadeando uma resposta fisiológica do vegetal para a floração.

Embora se saiba que o factor de indução da floração seja o comprimento da noite, todas as
d efinições relativas ao fotoperiodismo são feitas em função do comprimento do dia, devido
a aspectos históricos.

A maioria das plantas tropicais são de dias curtos, como é o caso do feijão nhemba que é
geralmente de dias curtos, podendo ser também de dias neutros.

O período até a floração pode afectar o rendimento.

Nos trópicos (com cvs de dias curtos) podem-se considerar duas situações:

semear cedo, quando os dias alongam - alonga o ciclo, por atrasar a entrada em floração.
A floração ocorre quando se atinge o período crítico (resulta num maior período
vegetativo).

semear tarde, quando os dias encurtam - provoca floração precoce.

Tab. 2.3 - Comprimentos médios do dia à latitude de 20 S.

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Mês Jul Ago Setem Outu Nove Deze Jane Fever Ma Ab Ma Jun
ho sto bro bro mbro mbro iro eiro rço ril io ho

Dura
ção
do 11, 12, 11, 11, 10,
11,5 12,0 12,6 13,1 13,3 13,2 12,8
dia 1 3 7 2 9
(hora
s)

Tab. 2.4. Listagem de algumas plantas cultivadas e a sua resposta ao fotoperíodo.

Grupo Dias curtos Dias longos Dias neutros

Fruteiras café, morango* Morango* morango*

Herbáceas batata*, feijão (vars. couve-china, tomate, beringela,


anãs), batata-doce, amendoim, alface, cucurbitaceas,
arroz de inverno, espinafre, cevada*, algodão, feijão*
soja*, cana-sacarina soja*, cereais

Ornamentais crisantemos, gardenia begonia, hibiscus, violeta africana,


piretro petunia, zinia, cravos

* - algumas variedades

Acção da água sobre os vegetais

A água é um dos constituintes essenciais da planta. O teor desta numa planta no entanto
é muito variavel, 90% nos órgãos jovens, menos de 10% em certas sementes (oleaginosas
em especial). Contudo, a quantidade de água utilizada pela planta é menor do que a
absorvida, em média, a planta absorve 300g de água enquanto elabora 1g de matéria
seca.

A água é um dos principais factores de flutuação dos rendimentos. A alimentacão da


planta depende no entanto da pluviometria, mas tambem dos outros factores do clima, do
solo e da própria planta.

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Necessidades Globais da Planta

Refere-se as quantidades totais de água que a planta vai precisar para cumprir todo o
seu ciclo vegetativo. Para satisfazer estas necessidades, a cultura terá à sua disposição
água resultante das reservas do solo antes da sementeira e a pluviometria que ocorrer.
Caso o somatório desta quantidades sejam inferior as necessidades da planta, haverá
necessidade de rega.

De capital importância está também a frequência e a distribuição das chuvas.

Período Crítico

As culturas reagem mais ou menos a uma deficiência na alimentação em água segundo o


seu estágio vegetativo. Em especial, durante o periodo de fraco crescimento, os vegetais
parecem menos exigentes; em contrapartida existem fases vegetativas durante as quais
uma insuficiência de alimentação em água origina uma baixa de rendimento
espectacular e irreversivel. Durante estas fases críticas, as necessidades de água não
aumentaram, mas a sensibilidade da planta à seca é máxima.

Influência da Humidade do Ar

A humidade do ar condiciona a evaporação ao nivel do solo e das folhas


(Evapotranspiração) Se este grau for elevado favorece a proliferação de doenças (ex.: o
Míldio, etc), também afecta muito o momento da colheita por estabelecer um equilibrio
entre a humidade do ar e e humidade do grão ou forragem.

Acção dos ventos sobre os vegetais

O vento é um elemento importante no clima. O vento é um agente de evaporação e


transpiração como o grau higrometrico. Ventos quentes e secos aumentam as perdas de
água resultando em stress hídrico, redução no crescimento e abaixamento dos rendimentos.
Este efeito tem importância particular em culturas irrigadas.

Pode igualmente favorecer a acama dos cereais ou as desgranas de cultivares sensíveis.

O transporte do polém é frequentemente garantido pelo vento (polinização anemófila) é


um elemento indispensável para fecundação cruzada (milho). Em contrapartida, é
inconveniente para a produção de sementes. O vento garante igualmente o transporte
das sementes de infestantes, em especial as sementes decompostas. O vento é um factor
importante para a ocorrência de erosão eólica.

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Estas diferentes acções levam-nos a encarar a luta contra o vento, geralmente usando os
quebra-ventos com diferentes critérios de protecção (ex.: Muito denso, permeável, etc).

Funções do Clima Agricola

Os diferentes elementos do clima actuam simultaneamemte nos vegetais. A sua acção


combinada determina o clima agrícola.

O clima agricola

O clima de uma estação é determinado apartir da medição dos diferentes elementos do


clima cujo o princípio de determinação é o seguinte:

 Todos os dias, a horas fixas;

Todos os meses;

 Todos anos;

 Num longo periodo (10,15,25,40 anos)

As observações só sao válidas pela localização da estação meteorológica, mas serve de


base para definir o clima da região (mas ou menos vasta segundo a homogeneidade do
relevo e da vegetação).

As observações fenológicas permitem precisar o estado de antecipação das estações,


tendo em conta as características climáticas do ano.

As funções do clima

O clima exerce numerosas acções, em especial nos dominios seguintes: escolha de


culturas, flutuação dos rendimentos, execução dos trabalhos agrícolas.

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Clima e escolha da cultura

A planta têm exigências climáticas: calor, termoperiodismo, fotoperiodismo,


temperaturas críticas, mínimas e óptimas, necessidades em água e período crítico. Cada
espécie e cultivares apresentam exigências particulares.

Confrontando as exigências da planta e as possibilidades oferecidas pelo clima local é


possivel difinir áreas de cultura para as espécies e cultivares. Tem de se ter em conta a
altitude, a exposição, a proximidade do mar, de lagos, de cursos de água, de florestas,
que modificam as características climáticas locais. A área de cultura de uma espécie não
deve ser considerada como imutável: a criação de cultivares com exigências diferentes
permite semear uma espécie em novas zonas.

Clima e flutuação dos rendimentos

Para uma cultura, num meio dado sujeito a tecnicas apropriadas, os rendimentos variam
de ano para o outro em função das condições climáticas. Estas flutuações dependerão da
abundância das chuvas e da sua repartição, das temperaturas nos diferentes estágios do
ciclo vegetativo da planta, do ensoalhamento em periodo de maturação em especial.
Boas técnicas culturais permitem atenuar estas flutuações mas não as suprimem.

Note que para um mesmo ano e culturas que ocorrem praticamente no mesmo período, o
clima pode ser favorável para uma cultura e não para outra.

No referente a qualidade do produto, flutuações podem resultar da acção directa do


clima sobre a planta e da acção indirecta pelo desenvolvimento de pragas.

Clima e execução dos trabalhos

Existe inconveniência nitída em realizar, por exemplo a pulverização em dias de chuvas,


entre outros trabalhos culturais. A determinação da execução dos trabalhos consistem
em registar e conhecer o comportamento normal do clima local, para poder se decidir
sobre um determinado trabalho:

A data do inicio do trabalho possivel;

Entre estas datas, a percentagem de tempo efectivamente disponivel para este trabalho.

O clima de Moçambique

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Tarefa para o estudante: importante rever o clima de Moçambique (características do
clima e zonas de ocorrência) para melhor perceber as agroecologias.

Tropical húmido

Tropical seco

Modificado pela altitude

Semi-árido

Zonas ou Regiões Agro–ecológicas de Moçambique

Definição :

Zonas Agro–ecológicas são zonas que apresentam características comuns quanto a


manifestação dos elementos do clima ( vento, temperatura, luz, precipitação, e pressão
atmosférica ), solos ,culturas e métodos de cultivo. Outros autores também consideram
na definição o acesso aos mercados e a vulnerabilidade nutricional (relacionada com os
pilares da segurança alimentar).

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Em Moçambique existem dez zonas agro–ecológicas com características bem distintas:

As agroecologias mais populosas são a R7 e a R8: região do interior centro e norte e a


região do litoral norte. Essas duas agroecologias juntas, contêm cerca de 45% dos
agregados familiares rurais, das áreas cultivadas e das galinhas. A zona agroecológica
9, é em larga medida a menor agroecologia contendo menos de 20.000 agregados
familiares. A R6 (região seca semi-árida da Zambézia e Tete) é rica em animais,
especialmente bovinos e caprinos, comparativamente às outras agroecologias. Os
animais também têm importância proeminente nas três regiões agroecológicas do sul do
país. Com a excepção das galinhas, os animais são muito escassos nas agroecologias
mais populosas R5, R7 e R8. A escassez de animais nestas agroecologias impõe um
maior desafio para o desenvolvimento agrário, particularmente a escassez de animais de
tracção. A agroecologia 10 (região de alta altitude) apresenta uma alocação mais
balanceada entre culturas e animais e oferece as melhores perspectivas de integração
entre culturas e animais (Walker et al, 2006)

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Fonte: INSTITUTO DE INVESTIGAÇÃO AGRÁRIA DE MOÇAMBIQUE

Direcção de Formação, Documentação e Transferência de Tecnologias

Relatório de Pesquisa: Estabelecimento de Prioridades para a Investigação Agrária no


Sector Público em

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Moçambique Baseado nos Dados do Trabalho de Inquérito Agrícola (TIA)

Por T. Walker, R. Pitoro, A. Tomo, I. Sitoe, C. Salência, R. Mahanzule, C. Donovan e F.


Mazuze Relatório de Pesquisa No. 3P Agosto de 2006

Tabela: Regiões agroecológicas.

Agroecologias Precipitação Tipo de solo


(mm/ano)

Zona Nome

R1 Semi-árida Interior Sul 570 Arenosos

R2 Semi-árida do Litoral 500-600 Arenosos profundos


Sul

R3 Árida do Interior Sul 400-600 Franco-argilosos

R4 Média Altitude do 1000-1200 Argilosos


Centro
Vertissolos e
R5 Litoral Centro 1000-1400
fluvissolos duros

Seca Semi-árida da
R6 500-800 Arenosos-Argilosos
Zambézia e Tete

R7 Interior Norte e Centro 1000-1400 Arenosos-Argilosos

800-1200 Mais arenosos,


R8 Litoral Norte argilosos em pequena

escala

Interior Norte de Cabo


R9 1000-1200 Limosos e arenosos
Delgado

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R10 Alta Altitude >1200 Ferralssolos duros

Fonte: (Ministério da Agricultura e Pescas, 1996).

Literatura recomendada:

1. Éliard, J. L. (1979). Manual geral de agricultura, 2ªed.


2. Walker, T. Et al (2006). Estabelecimento de Prioridades para a Investigação Agrária
no Sector Público em Moçambique Baseado nos Dados do Trabalho de Inquérito
Agrícola (TIA), Relatório de Pesquisa No. 3P, Direcção de Formação, Documentação e
Transferência de Tecnologias-IIAM.

CAP III: O Solo

O solo é a formação natural da superficie com estrutura móvel e espessura variável,


resultante da transformação da rocha-mãe subjacente sob a influência de diversos
processos físicos,químicos e biológicos.

Sao várias as definições com base no ramo em que a pessoa se destaca, assim sendo, o
solo que interessa ao agricultor é a parte superficial, de cor escura ou vermelha, que fica
acima da crosta terrestre.

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Para o Pedólogo: o solo é a parte móvel da crosta terrestre acima da rocha-mãe de que
teve origem (Demolon).

Solo agrícola: parte da crosta terrestre susceptível de assegurar o desenvolvimento da


planta.

Subsolo: é a parte imediatamente abaixo do solo.

Funções do solo:

• Suporte ou ancoragem
• Fornecimento de água

• Fornecimento de nutrients

Origem e formação do solo

O solo é formado apartir da rocha-mãe, que é uma formação geológica antiga (rocha
primária:granito) ou recente (aluviões).

Rocha-mãe é a rocha da qual foi formado o solo. Embora existam vários tipos de rocha,
destacam-se três grupos básicos .

Grupos básicos da rocha-mãe

Rochas magmáticas→são as rochas duras vulcânicas formadas quando a lava fundida ou


a rocha fundida é magma. A rocha magmática é lenta a desagregar-se para formar solo
porque é material muito duro e resistente.

Rochas sedimentares→ao correr, a água transporta muitas vezes particulas de lama ou de


areia e estas particulas são depositadas nos lagos, nas planicies aluviais e no mar, este
deposito chama-se sedimento. Assim depois de um longo tempo é comprimido formando
rocha agregando-se em pequenas particulas e facilmente é desagregada.

Rochas metamórficas→ são rochas eruptivas que sofrem alterações na sua estrutura de
baixo da crosta da terra por causa de serem submetidos a temperatura e pressão intensas.
O rítmo que se desagrega depende da composição da própria rocha.

Meteorização

O solo é formado pela desintegração de rocha em particulas mais pequenas. Os factores


ambientais que afectam a formação do solo são: Biológicos, Químicos e Físicos.

Factores de formação do solo

24
O clima: actua principalmente pela pluviometria e pela temperatura. Os solos evoluem
mais depressa nas zonas húmidas e quentes. A sua evolução é detida em zonas muito frias
ou muito secas.

A rocha-mãe: pela sua dureza, pela sua permeabilidade e pela natureza química. Uma
rocha permeável será favorável à evolução mais rápida do que uma rocha impermeável.
As rochas calcáreas travam a evolução pelo que sobre rochas calcáreas os solos são
sempre superficiais. Pelo contrário, a acidez acelera a evolução.

A vegetação: As raízes penetram nas fissuras e contribuem para o seu alargamento. As


partes aéreas modificam o microclima: um solo nú evolui mais depressa do que um solo
coberto de vegetação. A planta produz matéria orgánica, que intervém na evolução.

O relevo: os declives favorecem a erosão; o relevo condiciona a presença mais ou menos


próxima do lençol freático que cria um meio redutor desfavorável à evolução.

O homem: ao destruir a floresta, pode acelerar a evolução. Boas técnicas culturais podem
estabilizar o solo, como a incorporação de matéria orgánica, calcário.

O tempo: a evolução de um solo exige muitas vezes milénios.

Fenómenos de formação do solo

Físicos: o calor intenso dos fogos florestais, relâmpagos, as geadas, o aquecimento e


arrefecimento da atmosfera, chuvas e outros processos que permitam a penetração da
água ou do ar na estrutura da rocha, contribuem para a meteorização, originando fissuras
na rocha.

Quimicos: todas as rochas são formadas por substâncias quimicas, que com o tempo
sofrem alterações que modificam a composição da rocha tendo como agente principal a
água. A alteração da sua composição quimica enfraquece a estrutura e as particulas se
separam. Ex. de como a água modifica a composição da rocha:
H2O + CO2→ H2CO3
H2CO3 + CaCO3 (insolúvel)→Ca(HCO3)2 (solúvel)

Biológicos: as plantas provocam a fractura das rochas quando as raizes penetram e se


dilatam. As bactérias, líquenes colonizam as rochas em alteração, que com a sua morte
deixam matéria orgânica que permite a instalação de outros organismos como musgos.
Com a respiração destes m.o. há um aumento de CO2.

Movimento de elementos/migrações: os elementos mais finos e mais solúveis são


arrastados pelas águas de infiltração: existem migrações de substáncias e formam-se
camadas sobrepostas de composição diferente.

25
O Perfil do solo: horizontes

Perfil do Solo - é a sobreposição de camadas observadas num corte vertical desde a


superfície até a rocha- mãe, camadas estas que diferem pela cor, textura e estrutura.

As camadas são os seus diferentes horizontes que segundo a sua natureza, são
simbolizados por uma letra.

A diferenciação de horizontes dá-se essencilmente como resultado de fenómenos de


alteração e migração.

Um solo evoluído aparece quando se observa um corte da superfície até á rocha mãe
como uma sobreposição de camadas que diferem pela cor, tamanho dos constituintes e
sua disposição.

Os horizontes:

O Manta morta

Zona de eluviação A Horizonte mineral escurecido por humus


(remoção)
Horizonte mineral mais claro que A
E
Lixiviacao de argila, Fe e Al
Maximo desenvolvimento da estrutura
B
Acumulacao de argila
Zona de iluviação
(deposição) C Rocha alterada

R Rocha consolidada

Coloracão

A cor e a propriedade do solo mais fácil de se observar.


Os solos apresentam uma variedade de cores que variam desde castanho e preto,
passando por vermelho e cores esbranquiçadas.
As cores sao consequências da diferença de riqueza em materiais orgânicos, textura, tipos
de argila e compostos presentes.

A materia orgânica, sobretudo o húmus, tende a conferir a cor escura ao solo. Por isso,
associamos a cor escura dum solo a elevada fertilidade.

26
Contudo alguns solos de textura fina e pobres em matéria orgânica tem também uma cor
escura devido a presença de compostos de ferro(Fe) ou magnésio(Mg) depositados sobre
os minerais argilosos.

Os óxidos e oxi-hidroxidos de ferro(Fe) conferem cores amareladas e avermelhadas,


caracteristicas de alguns solos das zonas tropicais e subtropicais.
As cores claras sao devido a presença de quartzo, caulinite, carbonatos, sulfatos ou
cloretos.
Os solos das regiões áridas apresentam normalmente cores claras devido ao baixo teor em
matéria orgânica, incipiente meteriorização e riqueza em sais.

A cor de um solo é importante para a sua classificacao, mas nao influencia nas suas
propriedades do solo com excepção da temperatura. Em igualdades de outros factores, os
solos escuros absorvem mais radiação solar do que os claros e por isso aquecem mais
depressa.

Composição do solo

O solo é constituido por 3 fases: sólida, líquida e gasosa.

Parte sólida (fase sólida)


-Matéria mineral (45%)
-Matéria orgânica (5%)

Espaço poroso (fase líquida e gasosa)


-Água (25%)
-Ar (25%)

Terra fina
É formada por todas as particulas que passam através de um crivo com malha redonda de
2mm. A restante fracção constitui os elementos grosseiros. (Por convecção da AICS)

A terra fina compreende cinco constituintes físicos: areias, limo, argila, calcário, matéria
orgânica.
Areia Argila Matéria orgânica
Areia Fina Limo Calcário
Grossa (colóide*) (humus-colóide*)
0,02-0,2 0,002-0,02
0,2-2 mm <0,002 mm CaCO3 Animal ou vegetal
mm mm
*A argila e o húmus são os colóides do solo. Encontram-se dispersos em suspensão na
água e passam para o estado floculado na presença de um sal de cálcio.

27
A areia tem o papel físico como elemento de divisão, favorece o arejamento do solo,
permeabilidade e seu aquecimento. O calcário é um elemento básico do solo, evita a
acidificação. Tamém actua sobre a estrutura e propriedades físicas que daí decorrem,
poder absorvente e alimentação da planta, actividade biológica.
A argila é plástica quando está húmida, absorve muita água, contrai-se ao secar (solos
que fendem-se quando secam). As argilas são elemento de coesão, retêm os alimentos da
planta. O humo é a parte mais importante da matéria orgânica, é fina e escura, o que
favorece o aquecimento do solo. Têm propriedades comparáveis a da argila na formação
da estrutura e no poder adsorvente. Têm caracteres mais acentuados do que a argila. Fixa
mais sais minerais, absorve muita água.

No solo, a argila e o húmus são floculados juntos e formam o complexo argilo-húmico ou


complexo de adsorção.

Propriedades físicas
Textura (proporção dos constituintes do solo)
Consistência
Estrutura (disposição dos constituintes do solo) e agregação. É a união de partículas de
diferentes tamanhos para formar agregados ou peds.
Porosidade e arejamento
Temperatura do solo
Espessura efectiva ou profundidade efectiva (limite de penetração do sistema radicular)

Classes de textura (triângulo de textura)

Relação da textura com a capacidade


de retenção de água
Textura Ponto de Capacidade de Capacidade
emurchecimento Campo (%) Utilizável
(%)

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Arenosa 1-3 5-7 4
Argilosa 13-25 24-45 12-20

Consistência
-Resistência que o solo oferece à deformação ou à ruptura

Importância
• Mobilizações do solo
• Compactação por máquinas ou gado
• Facilidade de penetração pelas raízes

Estrutura e agregação
Segundo a forma e o tamanho dos agregados e torrões a estrutura do solo pode ser:
-Sem estrutura (muito arenoso)
-Estrutura grumosa/granular (a melhor: garante melhor circulação de ar e água,
facilidade de enraizamento e de trabalho)
-Estrutura laminar ou prismática
-Estrutura colunar,
-Estrutura de blocos angulares e subangulares

Importancia da estrutura
-ventilacao, retenção de água, permeabilidade
-facilidade de trabalho do solo
-facilidade de aquecimento
-actividade biológica

Porosidade e arejamento
Define-se como o volume de espaços vazios do solo (% do volume total do solo).
Existem dois tipos de porosidade:
-Microporosidade (<9μm, poros de reserva - espaços capilares); geralmente ocupados
por água.
-Macroporosidade (>9μm, poros de transporte); geralmente ocupados de ar podendo
possuir água quando o solo estiver saturado de água.

Temperatura do solo
Afecta:
Velocidade de decomposição de resíduos orgânicos
Velocidade das reacções químicas
Actividade microrganismos
Germinação e crescimento radicular

Determinada por:
Localização do solo: exposição e declive
Temperatura do ar

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Cobertura vegetal
Teor de humidade
Cor do solo

Técnicas para modificar a


temperatura do solo
Cobertura do solo (mulching)
Plásticos negro, branco, transparente
Coberturas mortas
Armação do terreno e amontoa
Revestimento vegetal
Rega e drenagem

Propriedades químicas

Nutrientes assimiláveis (Macronutrientes principais: NPK; macronutrientes secundários:


Ca, Mg e S. Micronutrientes: Fe, Zn, Cu, Bo, Mn, Mo, Cl, C, H e outros. Os
macronutrientes são necessários em grandes quantidades para a nutrição da planta
enquanto os micronutrientes em pequenas quantidades.

Reacção (pH) (ver pag. 84-85)

O poder tampão do solo é a propriedade que ele possui de se opor às variações de pH. A
existência do complexo argilo-húmico está ligada a esta propriedade. Os solos arenosos
são menos tamponizados que os argilosos.

Troca catiónica (ver pág 78-86).

O poder adsorvente é a capacidade que o solo possui de reter certos elementos solúveis
que correriam o risco de ser arrastados pelas águas de percolação. O poder adsorvente
varia com textura do solo: a terra argilosa fixa mais catiões que a terra arenosa.

O poder adsorvente está ligado aos colóides do solo: argila e húmo que são
electronegativos e atraem à sua superfície os catiões: K+, Ca++, Mg+, NH4+, Na+, H+, etc.
Se um catião era livre na água do solo vem à superfície dos colóides, um outro tem de lhe
dar o lugar. Assim surgem os fenómenos de troca entre os catiões. O Ca é o catião que
mais cede o lugar.

Se a planta utiliza o K do solo, os catiões K saem do complexo de adsorção e são


substituídos por Ca, que existem no estado livre na solução do solo.

Regras para os fenómenos de trocas:

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-Nem todos os catiões são fixados tão energicamente: H, é o mais energicamente retido,
seguindo-se por ordem decrescente, Ca, Mg, NH4, K, Na, que é mal retido;
-Quanto mais um catião estiver presente em grande quantidade no solo, menos
energicamente retido é. Na maioria dos solos Ca constitui a maior parte dos catiões
fixados (além de H), com um pouco de Mg, de K, de NH4. A quantidade global de
catiões que pode ser fixada por um solo depende da textura. Quanto mais o solo é rico em
humo e argila, mais elevado é o poder adsorvente.

Para os aniões nào existe regra de fixação. Na sua maior parte não são retidos pelo solo.
Cl, SO4, NO3, azoto nítrico. Só o anião HPO4 é retido devido a formação de uma ponte
com iões cálcio.

As aplicações práticas do poder adsorvente relacionam-se com a aplicação de


fertilizantes. Os catiões podem ser fixados pelo solo enquanto os aniões não. Daí que
certos fertilizantes (potássicos e fosfatados) são aplicados em adubação de fundo e os
nitratos ou nítricos em adubação de cobertura no momento exacto em que as plantas
necessitam porque correriam o risco de se perder por percolação antes do seu
aproveitamento pela cultura.

Biologia do solo

Biomassa edafica:
Os organismos vivos do solo sao o 1% da matéria orgânica total.

Microflora
–Bactérias, actinomicetes
–Algas azuis (Cianofíceos)
–Virus
–Fungos e algas vermelhas

Fauna
–Microfauna: <0.2 mm. Amebas, flagelados, ciliados
–Mesofauna: 0.2-4 mm. Nematodos, gasteropodos,
anelidos, artrópodos
–Macrofauna: 4-80 mm. Minhocas

Condições de actividade dos microorganismos

Temperatura (proximidades de 25°C nas zonas temperadas)


Humidade (em excesso diminui o arejamento, valores óptimos entre 60% a 80% da
capacidade de campo)
Arejamento (principalmente para microorganismos aeróbios)
pH (próximo da neutralidade)
Nutrição (matéria orgânica, elementos minerais como Ca, P, N, S, etc, relação C/N
óptima entre 10-50).

31
Fixação do azoto gasoso

As plantas não podem utilizar o azoto gasoso directamente. contudo certas bactérias
fixam-no e transformam-no em azoto assimilável pela planta; sendo assim uma pequena
quantidade e assim absorvida indirectamente.
Existem dois tipos principais de bactérias fixadoras: as que estão livres no solo e as que
vivem em simbiose nas raízes das leguminosas.

Os fixadores livres
Existem principalmente uma espécie microbiana muito activa: as azotobactérias, que são
aeróbias. Desenvolvem-se nos solos bem destorroados, neutros ou ligeiramente básicos
(a actividade é muito reduzida em solos ácidos e cessa abaixo de ph=6), bem fornecidos
em matéria orgânica e em sais minerais (fósforo, em especial ). No entanto, se o solo é
rico em azoto mineral os fixadores diminuem fortemente a sua actividade: tendo o azoto
mineral à sua disposição, já não utilizam o azoto gasoso.

Os fixadores simbióticos
As leguminosas possuem nas suas raízes nodosidades. Estas nodosidades encerram
bactérias: o bacillus radiciola, ou rhizobium. A leguminosa e a bactéria vivem em
simbiose, simbioses é a associação com benefícios recíprocos: aqui a leguminosa fornece
a bactérias as matérias orgânicas de que esta tem necessidade; em troca, recebe dela azoto
assimilável.

A bateria fixa o azoto gasoso e transforma-o para o pôr a disposição da planta. A


totalidade da alimentação azotada da leguminosa pode assim ser garantida. Nas
leguminosas anuais (ervilha, feijão...) uma pequena estrumação azotada permite no
entanto, um melhor arranque da planta, quando as nodosidades são ainda pouco
numerosas.

As baterias das nodosidades existem praticamente em todos os solos; contudo, nos solos
que não tiveram leguminosas durante muito tempo (existem raças de Rhizobium
adaptadas as diversas leguminosas: a que coloniza a luzerna, não é mesma no trevo),
principalmente se são ácidos e mal drenados, as nodosidades podem ser inexistente ou
insuficientes em número.

Água no solo

Durante a chuva, uma parte da água que cai no solo infiltra-se, escorre ou evapora-se. A
água de infiltração é a que mais nos interessa e esta depende do declive do terreno, da
compactação do solo, do microrelevo da superfície, da humidade do solo, da cobertura
vegetal, do regime da chuva, da temperatura do ar e do vento. A água que atravessa o
solo sem ser retida é a água de percolação.

Agua é retida no solo sob as seguintes formas:

32
-água de embebição (impregna os colóides do solo, assim como uma esponja que
absorveu água).
-água laminar (encontrada na superficie dos agregados, assim como uma lámina de
água que adere a superfície de um vidro após o escorrimento).
-água capilar (encontra-se nos microporos).

Capacidade de campo
Coeficiente de emurchecimento (temporário e permanente)
Capacidade utilizável (CC-Ce)
Veja figura 23 e conceitos: pág. 66-70 no Manual geral de agricultura, de Jean-Louis
Éliard, 2nd Ed. (1979).

Perdas de água
Perdas Controlo
Escorrimento superficial/run off Sulcos, culturas em faixas, melhorar a estrutura
Evaporação Cobertura do solo
Transpiracão Controlo de infestantes
Percolação Correctivos orgânicos

Literatura recomendada:
Éliard, J. L. (1979). Manual geral de agricultura, 2ªed.
CAPÍTULO IV: O trabalho do solo

É toda a actividade que envolva qualquer forma de movimentação do solo, desde a


destronca até à armação final do terreno.

O conjunto das operações do trabalho do solo permite:

 O melhoramento das propriedades físicas do solo


 A preparação da “cama para a semente”
 A incorporação no solo de correctivos, dos adubos e de certos produtos
fitossanitários
 A destruição das infestantes

Em suma visa propiciar condições favoráveis à sementeira, germinação, desenvolvimento


e produção das plantas cultivadas.

O esquema convencional de preparação de um terreno:


 Uma lavoura
 Uma ou várias passagens de instrumentos de pseudo-lavouras (fresa, cultivador...)
 Formas superficiais (gradagem)

33
No entanto, as técnicas de trabalho no solo evoluem na sequência de objecções
levantadas contra os métodos clássicos:
 Os problemas de mão-de-obra
 Exigem um esforço de tracção maior, maior potência, calcamento do solo
 Certas funções do trabalho do solo podem ser cumpridas por outros meios:
herbicidas.
 Estas operações se não forem feitas nas melhores condições de humidade podem
ter efeitos desfavoráveis: torrões compactos, calos superficiais...

Existem agora numerosas técnicas simplificadas de preparação do terreno entre o


esquema clássico e a sementeira directa sem trabalho do solo. O trabalho do solo é antes
de mais função da natureza do solo.

Tipos de preparo do solo:


Preparo inicial do solo: (Área vai ser mobilizada pela primeira vez com máquinas
(desmatamento, enleiramento, destocamento)

O desmonte ou destronca é a primeira fase da conquista de um novo terreno para a


actividade agrícola ou pecuária. É a fase em que as árvores e arbustos são removidos do
terreno. Podem-se considerar dois métodos de desmonte, essencialmente em função de
quem a realiza e como a realiza:

Métodos nativos - Neste caso usam-se instrumentos manuais. Primeiro cortam-se os


arbustos e árvores a uma altura de 0,5 a 1 m. No caso de árvores de grande porte, por vezes
é praticada a queima da base do caule. Este método possibilita uma regeneração da
vegetação natural mais ou menos rápida. É comum deixarem-se algumas árvores
seleccionadas no terreno, especialmente quando o uso final é a pastagem (sombra para
animais).

Métodos comerciais - Quando se recorre ao uso de métodos de desmonte comerciais, o


objectivo é em geral a mecanização. Podem ser distinguidos vários métodos:

a) Desmonte manual - é feito em duas fases:

i) Corte.
ii) Queima.

b) Tracção - Este método é muito económico. Com um guincho colocado em duas árvores
próximas, a alturas diferentes, induz-se a tracção, que abate as árvores devido ao efeito de
alavanca (Fig.). Pode-se usar para árvores de até 20 cm de diâmetro. Para árvores de maior
diâmetro, devem ser usados dois guinchos.

34
A – Guincho
B – Tracção
C – Direcção de queda
Figura. Método de tracção.

c) Remoção do anel e envenenamento - Um anel do córtex com 20-45cm de largura é


removido a cerca de 1m de altura, bloqueando a passagem de seiva. Como resultado a
árvore morre em 1-2 anos. Por vezes recorre-se ao uso de herbicidas, ou ainda ao método
combinado de remoção de anel e aplicação de herbicidas.

d) Limpeza mecânica - remoção do bosque existente através do uso de maquinaria pesada


(dozers). Podem ser distinguidas várias fases:

a) Limpeza da vegetação de crescimento rasteiro (com buldozers) e arbustos.

b) Tomba de árvores. O método mais comum é o uso de bulldozers. Contudo, o uso de


tractores pesados rebocando uma corrente de cerca de 15 metros, por vezes com
contra-pesos no meio, foi usado com sucesso. É ainda possível usar uma "treedozer"
(dozer de árvores) que, aplicando a lamina a cerca de 2-3 m de altura e uma cunha na
base da árvore e fazendo, simultaneamente, uma força de empuxe e outra de
levantar, acaba derrubando a árvore (Fig.).

A – Treedozer
B – Cunha
C – Lâmina
D – Direcção de queda

Fig. - Apresentação esquemática do abate duma árvore com uma "treedozer".

c) Remoção final de troncos, cepos e outras partes das plantas do terreno.

d) Empilhamento (utilização ou queima da madeira).

e) Corte, remoção e empilhamento das raízes (ripagem).

O desmonte passa normalmente por uma fase de queima de material vegetal. Esta
actividade, muito contestada, tem os seus prós e contras:

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- Causa a destruição de matéria orgânica, tanto da vegetação, como dos resíduos vegetais.
Este facto acaba por facilitar a erosão por desnudar o solo.
- Não provoca grandes perdas na matéria orgânica humificada da superfície do solo.
- Causa a perda de quantidades consideráveis de Carbono orgânico, Nitrogénio e Enxofre.
- Aumenta o teor de Fósforo e Potássio no solo, através da adição das cinzas.
- Ao se facilitar a erosão do solo, devido à queima, facilita-se também a "erosão" das
cinzas.
- Devido á existência de grandes quantidades de aniões na solução do solo, o seu
lexiviamento é facilitado.
- Aumenta o pH do solo (o solo torna-se mais básico), induzindo a nitrificação, o que
pode levar a uma perda de Nitrogénio mais acelerada.
- Permite um certo grau de desinfecção do solo, matando insectos, animais, fungos, etc..

Preparo periódico do solo:


 As lavouras
 As pseudolavouras
 As gradagens
 As rolagens

A lavoura

Consiste no corte e reviramento da leiva. Uma lavoura correcta deve ser caracterizada
por:
Profundidade constante
Faixas de terra regularmente reviradas
Uma parede vertical e um fundo horizontal

Finalidades:

Criar uma cama ou um leito adequado para o crescimento e desenvolvimento da cultura


atravéz de:
- modificações na estrutura do solo.
- modificações no teor de água do solo.
- incorporação de materiais estranhos e adubos.
- redução da população de infestantes.
- criação de condições para a mecanização.
- controlo de pragas.
- tornar alguns nutrientes mais assimiláveis pelas plantas.
- aumentar a permeabilidade do solo.
- facilitar o enraizamento.
- aumentar a temperatura do solo.

36
A preparação do solo realizada por pequenos agricultores, normalmente feita com
enxada, é geralmente pouco profunda, limitada apenas ao mais essencial em termos de
adequação do solo para cultivo e controlo de infestantes.

O uso de tracção animal permite uma lavoura mais profunda, mais uniforme e uma maior
área lavrada. Contudo, esta técnica é ainda pouco utilizada em Moçambique.

Para além das vantagens directas trazidas pela introdução da tracção animal para as
lavouras, alguns problemas podem acontecer se não se tiverem certos cuidados. Com o uso
da tracção animal, maiores áreas podem ser lavradas por cada camponês. Mas, caso não se
introduzam, em simultâneo, algumas alfaias para outras práticas culturais como a sacha,
problemas podem acontecer. Isto porque, com maiores áreas lavradas e semeadas, maior
será a necessidade de força de trabalho para a sacha e a colheita, especialmente durante os
períodos pico. Assim, como a disponibilidade de mão-de-obra duma família camponesa é
limitada, pode haver tendência para o atraso das várias práticas culturais, mormente a sacha.
Com o atraso do controlo de infestantes, maior será a competição imposta por estas,
provocando-se assim um abaixamento dos rendimentos. Este abaixamento pode mesmo
provocar uma redução da produção total.

Não só devido ao custo das lavouras, mas também devido aos seus efeitos, é comum
dizer-se que, os objectivos a serem atingidos com as lavouras se devem lograr com o
mínimo de trabalho possível. Pois, o excesso de trabalho pode causar a pulverização da
superfície que, por reduzir a infiltração, causa o aumento do run-off e, subsequentemente, da
erosão laminar.

Os efeitos benéficos das lavouras são temporários. A longo prazo, todos os métodos
permitem que a chuva destrua os agregados do solo, induzem à formação de crosta,
permitem a eluviação de partículas finas para maiores profundidades e levam a maior
run-off.

Nas regiões tropicais a realização de lavouras profundas é importante quando:


a) Existe hardpan.
b) Existem horizontes impermeáveis.
c) Os solos são muito pesados.
d) Existe necessidade de eliminar plantas perenes com raízes profundas.
e) Existe a necessidade de incorporar resíduos vegetais.

Época de lavoura

Depende de:
a) Cultura a fazer.
b) Objectivo da lavoura.
c) Vegetação natural (tipo e quantidade).
d) Solo (estrutura e textura).
e) Humidade (sazão ou tempero).

37
A preparação do solo no cedo é uma técnica muito vantajosa, pois permite semear logo no
início das chuvas, possibilitando rendimentos maiores, por se usar mais eficientemente a
precipitação.

Lavouras de estação seca, por vezes chamadas de lavouras de inverno, são muito úteis, pois
permitem a realização da sementeira em tempo. Estas são especialmente vantajosas quando
se usa a tracção animal. Pois, ao se fazer uma lavoura logo após a colheita, permite-se que
os animais concluam o trabalho no início da época das chuvas com menor esforço. É de
realçar que, depois do inverno (época seca), existe uma tendência para se terem animais
mais fracos devido a uma alimentação deficiente, sempre que não exista um stock de
alimentos. Estas lavouras de inverno remexem o solo enquanto ainda não está
completamente seco, reduzindo a potência necessária para a realização da lavoura no início
da época das chuvas.

As lavouras tendem a acelerar a destruição da estrutura do solo, acelerar a decomposição da


matéria orgânica, devido ao aumento da erosão e aumento da exposição do solo ao calor
solar, tendo como consequência, o aumento da mineralização da matéria orgânica e o
"leaching" de nutrientes.

Classificação:
 Segundo a sua profundidade:
-Ligeiras ou superficiais (8-12 ou 10-20 cm);
-Médias ou ordinárias (15-25 cm)
-Profundas (>25 cm, podendo ir até aos 35 cm)

As profundas tem o inconveniente de trazer à superfície uma parte do subsolo inerte (sem
actividade biológica, sem matéria orgânica), mas os solos profundos permitem melhor
enraizamento, melhor resistência à seca, e melhor utilização da reservas minerais do solo.

Um aumento eventual deve ser precedido de uma observação do perfil: textura do solo e
subsolo, presença de elementos grosseiros... Se o aprofundamento é possível, é
aconselhável efectuá-lo muito progressivamente de maneira a incorporar pouco a pouco a
terra inerte na camada arável. Não é preciso lavrar todos os anos à mesma profundidade.

 Segundo a forma superficial


-Plana ou raza (reviramento unilateral da leiva)
-Em camalhões (Mais usada para eliminar o excesso de água nos solos húmidos). Está
cada vez mais em desuso.

 Segundo o aspecto da faixa revolvida


-De arestas vivas (faixas de terras rectangulares e pouco deformada, quase sempre
levantada.

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-Lavoura angulosa (mais deformada que a primeira e presença de grandes torrões em
vírgula).
-Lavoura arredondada e deitada (torrões são arredondados, desmanchados).

A Subsolagem (a uma profundidade de 35-50 cm). É uma operação complementar da


lavoura. Recomendada em solos compactados com fraca aeração e infiltração.

As pseudolavouras (mobilização do solo sem reviramento)

Uma mobilização superficial (5-15 cm pode ser realizada por diversos tipos de
instrumentoss.
-Aparelhos de relhas ou de láminas: charrua rotativa
-Aparelhos de dentes: escarificador, extirpador, divisor, cultivador,
-Aparelhos de discos.

A pseudolavoura constitui uma fase intermediária entre a lavoura e os trabalhos de


mobilização superficial. Consiste em trazer à superfície os torrões deixados pela lavoura,
a fim de os desfazer e fazer descer em profundidade a terra fina para evitar toda a
discontinuidade. Tem o inconveniente de deixar o solo solto de mais.

As formas superficiais de preparação do terreno


Antes da sementeira, as formas superficiais permitem terminar a preparação da “cama de
sementeira”, quebram os últimos torrões e eliminam o excesso de macroporosidade
resultante da lavoura e das pseudolavouras.

 Gradagens

Podem ser utilizadas antes ou depois da aração, ou em substituição a mesma.

Desagregar torrões e nivelar superfícies

Incorporação de fertilizantes ou defensivos,

Enterrio de sementes miúdas e eliminação de plantas invasoras

 O Nivelamento, o terraceamento, a sulcagem ???????

Sistemas de Trabalho Mínimo (Minimum tillage, Reduced tillage e 0-tillage)

Sistemas de trabalho mínimo e trabalho reduzido são aqueles em que, ao invés de se fazer a
preparação do solo pelo sistema convencional de lavouras e gradagens, o remechimento do
solo é mantido a um mínimo, optando-se por fazer a sementeira num campo "sujo" e
fazendo o controlo de infestantes através de produtos químicos (herbicidas tanto pré-
emergentes e pós-emergentes) ex: Paraquat.

39
Em geral os STM reduzem o tempo o esforço necessário para a preparação do solo bem
como a potência e os custos, permitindo que a sementeira seja feita a tempo, que o controlo
de infestantes seja melhorado, que a área preparada (semeada) seja maior, acabando por
permitir que um maior número de culturas seja feito em cada estação ou ano.

Muito embora geralmente se usem herbicidas para o controlo de infestantes no "minimum


tillage", fazer o controlo manual (com enxada) das infestantes pode levar a efeitos
semelhantes àqueles obtidos com o uso de herbicidas.

Uma das vantagens dos sistemas de trabalho mínimo é o melhoramento do solo a longo
prazo. Com a adição contínua de matéria orgânica no solo, com o sistema radicular das
plantas a decompor-se "in-situ", não só a permeabilidade aumenta, por a água poder passar
pelos canalículos abertos pelas raízes, como a própria estrutura do solo vai melhorando.

Como se sabe, o processo de decomposição da matéria orgânica consome azoto do solo,


pelo que é frequente que os vários sistemas de trabalho mínimo necessitem de maiores
adições de azoto, para o suprimento das necessidades das culturas.

É um facto de que o sistema convencional usa maior quantidade de trabalho (mão-de-obra)


que o "minimum tillage".

A barreira formada pelas plantas queimadas pelo herbicida actua como protecção do solo,
reduzindo o run-off e a perda do solo por erosão.

Embora inicialmente tivesse tido pouco interesse para os grandes agricultores, incluindo nos
países desenvolvidos, hoje muitos são os agricultores convertidos ao "0-tillage". Entre os
factores que levaram a este fenómeno pode-se destacar:
a) Desenvolvimento de reguladores do crescimento das plantas, como sejam os herbicidas
de contacto.
b) Migrações para as cidades, que levaram a reduções na mão-de-obra disponível e na sua
substituição por equipamento e pesticidas.
c) Produção de equipamento adequado ao "0-tillage", que permite a sementeira em terreno
não cultivado, não preparado.
d) Atrasos na sementeira devido a chuvas pesadas, devido à impossibilidade de se
realizarem lavouras em terrenos encharcados, que levam geralmente à redução dos
rendimentos. Este talvez tenha sido um factor chave para a aceitação definitiva do "0-
tillage". Pois, é relativamente fácil que os agricultores aceitem a introdução de práticas
que adiantem a sementeira.

Entre as vantagens do "0-tillage" podem-se destacar:


a) permite o controlo da erosão.
b) redução na quantidade de combustível necessária, reduzindo não só a necessidade
total de combustível, como também atenuando os picos de necessidade. O "0-tillage"
usa 60-75% menos combustível na preparação do solo, que o sistema convencional.
c) permite uma maior flexibilidade na sementeira e na colheita. Pois, não é necessário
esperar que o solo seque, uma vez que o solo lavrado tem maior traficabilidade.

40
d) aumento do uso da terra, permitindo um aumento de 10-30% na intensidade de cultivo.
e) reduz as necessidades de trabalho.
f) permite o melhoramento na retenção da água no solo na ordem dos 19%.
g) reduz a evaporação, por existir uma maior cobertura do solo.
h) permite uma maior infiltração de água no solo.
i) reduz o run-off.
j) permite a manutenção do nível de matéria orgânica no solo, devido à sua adição
continua.
k) reduz a compactação do solo.
l) permite um aumento na eficiência no uso da rega.
m) as técnicas culturais utilizadas adaptam-se à maioria das culturas. Contudo, as culturas
de raízes e tubérculos têm menos possibilidades, devido á grande necessidade de
remoção de solo na altura da colheita e, por vezes, na sementeira.
n) reduz a necessidade de equipamento.

Entre as desvantagens há a salientar:


a) exige um mais alto nível de maneio ou pode ser mesmo necessária uma tecnologia nova.
b) a necessidade e o uso de adubos pode ser diferente do convencional, tanto na quantidade
como no tempo, podendo levar a uma necessidade de investigação, para a identificação
de novas recomendações.
exige novas técnicas para a sementeira. Aspectos tais como a profundidade,
estabelecimento do contacto entre a semente e o solo e a forma de cobertura da semente
devem ser aprendidos e identificados.
c) a temperatura do solo tende a ser mais baixa em 2-10C que o sistema convencional.
Este facto pode ser um problema nas regiões temperadas. Contudo, nas regiões tropicais,
isto pode ser uma vantagem.
d) o controlo de infestantes tende a ser mais difícil. A propensão para rápidas mudanças na
composição florística pode levar à necessidade de adopção de novas técnicas de
aplicação e selecção e identificação de novos herbicidas, assim como de rotação de
culturas.
e) devido à existência de resíduos orgânicos na superfície do solo, existe tendência para a
ocorrência duma maior incidência de insectos, roedores e doenças.
f) falta de estética de campos "sujos".

Os Amanhos

São os trabalhos superficiaias do solo com culturas no terreno. Permitem manter o solo
mobilizado à superfície, actuar sobre a economia da água no solo e destruir as infestantes.
Apresentam algumas contestações no âmbito da agricultura de conservação onde a
mobilização mínima do solo e a cobertura do solo são requisitos fundamentais.

 Sachas

Definição: operação que consiste na eliminação mecânica das infestantes.

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Finalidade: eliminação de infestantes reduzindo a perca de humidade por transpiração,
melhorar a ventilação, a permeabilidade do solo e o rompimento da crosta superficial.

Pode ser substituída pela monda química. A monda compreende duas fases: passagem de
uma enxada mecânica pelas interlinhas e a monda manual na linha. Alguns agricultores
combinam a monda mecânica na entre-linha e a monda química na linha. Assim, ao
mesmo tempo que se controlam as infestantes se destorroam os terrenos.

O número de sachas necessárias depende da rapidez de desenvolvimento das infestantes e


da velocidade com que a planta cultivada cobre o solo e exerce uma acção sufocante.

 Amontoa

Definição: operação que consiste em trazer para junto do caule de certos vegetais uma
massa maior ou menor da terra solta.

Finalidade: proteger a planta contra o frio durante o inverno; reforço de resistência à


acama; proteger os tubérculos da batata contra o míldio e o enverdecimento. Em solos
muito húmidos a amontoa permite um saneamento superficial.

Literatura recomendada:
Éliard, J. L. 1979. Manual geral de agricultura, 2ªed.

CAPÍTULO V: Sistemas de cultivo

Segundo Rulkens (2000) sistema de cultivo é o subsistema do sistema de produção que


trata das culturas. Sistema de produção é o ecossistema de produçãp gerido pelo produtor
ou ainda, a combinação dos factores de produção e das produções na empresa agrícola.

Um sistema de produção é constituído por:


• Sistema social produtivo;
• O ecossistema cultivado/explorado;
• A interacção entre os dois.

Classificação dos sistemas de cultivo:

 Monocultivo: o cultivo da mesma cultura de um ano para outro, na mesma área.


 Policultivo: o cultivo de duas ou mais culturas no mesmo campo, no mesmo ano.

Distinguem-se 3 formas de policultivo:


Culturas sucessivas ou consecutivas: as culturas produzem-se em épocas diferentes no
mesmo ano e não se encontram juntas no campo.

42
Sobressementeira: a 2ª cultura semeia-se pouco antes da colheita da 1ª. As duas culturas
coincidem na machamba durante uma parte breve do seu ciclo.
Consociação: a produção simultânea de duas ou mais culturas na mesma machamba. As
culturas podem ser semeadas e ou colhidas em datas iguais ou diferentes, mas encontram-
se juntas no campo durante uma parte substancial do seu ciclo.

A consociação mais frequente é a consociação entre culturas leguminosas e cereais ou


mandioca, também de grande importância são combinações entre cereais e outros cereais
(milho com sorgo e esta com mexoeira), mandioca e milho.

Vantagens da consociação:
-Garante maior segurança alimentar: vários produtos ao longo do ano; menor risco de
falha total e um rendimento mais estável ao longo dos anos.
-Maior rendimento total: melhor uso do terreno em termos de luz, água e nutrientes,
menos problemas com pragas e doenças mas nem sempre, menos problemas de erosão,
menor necessidade de sachas.

Desvantagens da consociação:
-incompatível com um alto grau de mecanização (sementeira, sacha, colheita);
-torna difícil a aplicação de agroquímicos (pesticidas e fertilizantes), menos económico
ou mesmo impossível;
-Interacção negativa em alguns casos entre as culturas consociadas (ex., quando uma
praga desenvolve-se melhor na consociação que em cultivo puro).

Arranjo espacial na consociação


-Irregular/em zigue-zague ou consociação mista;
-Consociação em linhas: neste caso é fácil a aplicação de agroquímicos e a mecanização é
mais fácil;
-Consociação em faixas: também é muito mais compatível com a aplicação de
agroquímicos e mecanização;
-Consociação em camalhões: são semeadas ao longo do camalhão várias culturas (milho,
feijão, batata reno).

Rotação de culturas

É uma sucessão ou mudança ordenada e periódica de culturas no mesmo terreno, com o


fim de:
-conservar a fertilidade
-Evitar o desenvolvimento de infestantes, pragas e doenças
-Manter a humidade do solo
-Repartir no tempo as necessidade de rega
-Dividir mais racionalmente o emprego de mão-de-obra durante o ano

A cada uma das parcelas do terreno de uma exploração designa-se folha.


Afolhamento é a divisão da superfície de uma exploração em folhas de acordo com o
plano de rotação ou a rotação de culturas a seguir.

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Tipos de rotação:
-Bienais
-Trienais
-Quadrienais
-Quinquenais
-Rotações com pousio

Regras gerais na rotação de culturas:

1. Evitar a mesma cultura na mesma parcela durante 2 (ou mais anos) consecutivos
(excepções: alguns cereais);
2. Evitar alternar culturas pertencentes a mesma família (Solanaceae, Cruciferae,
Cucurbitaceae, etc.)
3. Uma cultura que exige muito azoto, depois de uma cultura fixadora de azoto
(algumas leguminosas);
4. Recomenda-se incluir na rotação alguns anos de pousio e/ou pastos temporários.
5. Alternar culturas de raízes profundas com culturas de raízes superficiais.
6. Alternar culturas de forte competição com as infestantes, com culturas de fraca
competição com as infestantes.
7. Quando há risco de nemátodo-de-galha: incluir culturas não hospedeiras (cereais e
outras gramíneas, amendoim, cebola, alho, morango, piri-piri, Crotolaria juncea).

Literatura recomendada:
 Rulkens, A. J. H. 2000. Introdução a fitotecnia, Manual teórico.
 Vliet & Leeuwen, 1987. Consociação: Introdução e ocorrência em
Moçambique, INIA, Comunicações, Série Agronómia Nº 7.
 Beets, 1990. Raising and Sustaining Productivity of Smallholder Farming
Systems in the Tropics.

CAPÍTULO VI. ADUBOS E ADUBAÇÃO


MANUTENÇÃO E MELHORAMENTO DA FERTILIDADE DO SOLO PELA
ADUBAÇÃO E PELO MANEIO DO SOLO

Nos sistemas naturais, as quantidades dos elementos mineralizados mais as adições


naturais de nutrientes, enriquecimento do solo pela atmosfera, pelo transporte
subterrâneo, pela água freática, pelo escoamento superficial e pelas inundações dos
rios, são adequadas para manter a fertilidade do solo. Isto não se aplica para solos
agrícolas onde não há um equilíbrio entre o fornecimento e a perda de nutrientes

44
como nos sistemas naturais. Em solos agrícolas parte de nutrientes é removida em
forma de colheita cada ano; há adicionalmente mais perdas de nutrientes pelo
aumento da lixiviação e maior erosão da camada superficial que contém a maior
parte da matéria orgânica.

O solo sob um sistema agrícola intensivo vai ser esvaziado, os solos pobres mais
rapidamente que os solos ricos. Para um uso de terra contínuo com elevado índice de
produtividade é imperativo manter ou melhorar a fertilidade do solo. Pode-se atingir
isto através do método directo, adubação, ou métodos indirectos como práticas
culturais e maneio do solo.

A. Métodos directos: Adubação


Definição de adubo ou fertilizante (segundo a lei de 1970 na Holanda): “Uma
substância destinada para ser aplicada ao solo para manter ou aumentar o potencial
de produção do solo”. Basicamente distingue-se dois grandes grupos de adubos:

1. Adubos orgânicos; e
2. Adubos inorgânicos ou fertilizantes.
Neste grupo podem-se incluir os correctivos que tem como objectivo a correcção
duma propriedade não desejável no solo, por exemplo calcário (CaCO3), que é
utilizado para elevar o pH dum solo.

B. Métodos indirectos
(1) Medidas contra erosão: construir terraços, plantar barreiras vegetais contra o
vento, cultivar faixas de ervas para cobrir o solo, aplicação do “mulch”.

(2) Cultivar leguminosas: para cobrir o solo, aumentar a percentagem de matéria


orgânica (húmus!), para fixar o nitrogénio em simbiose com bactérias do género
Rhizobium, e para melhorar a retenção de água.
(3) Aplicação da rotação de culturas, cultivar culturas em consociação.

(4) Regar os solos com água contendo argila e Limo: rejuvenescimento do perfil
(também quimicamente). Por exemplo: Durante muitos séculos, os solos do delta do

45
Rio Nilo no Egipto eram cultivados intensivamente sem adubação porque o rio no seu
percurso transportava consigo material rico em nutrientes que eram depositados nos
solo. Desde a construção da barragem de Assoean as inundações não ocorrem e são
necessários outras medidas para manter o sistema de agricultura parmanente e
intensivo.

Existem 16 elementos essenciais para o crescimento da planta. O Nitrogénio (N),


Fósforo (P) e Potássio (K), são considerados como macro nutrientes primários porque
as plantas requerem eles em grandes quantidades para um crescimento máximo. Cálcio
(Ca), Magnésio (Mg) e Enxofre (S) são considerados macro nutrientes secundários
mas geralmente são presentes em suficientes quantidades no solo. Os outros 10
elementos, chamados micro nutrientes , são também importantes, mas requeridos em
pequenas quantidades. São eles o Boro (Bo), Ferro (Fe), Manganés (Mn), Zinco (Zn),
Cobre (Cu), Molibdeno (Mo), Cloro (Cl), Carbono (C), Hidrogénio (H) e Oxigénio (O)
principalmente. Outros elementos são o Cobalto (Co), Vanádio (Va)?, Sódio (Na) e
Silício (Si). Se as plantas não possuem estes elementos, elas exibem sintomas de
deficiência de nutrientes.

Lei do mínimo de Justus Von Liebig: “o crescimento de um organismo é limitado pelo


elemento essencial que está presente na concentração inferior ao requerido por este
organismo”. Quer dizer, o crescimento das plantas é determinado pelo elemento presente
no solo na mínima quantidade adequada.

Fig. Lei do mínimo (Liebig)

Definição de alguns termos

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GRAU DE FERTILIZANTE – É a garantia mínima de conteúdo de nutriente em termos
de percentagem total de nitrogénio (N), fósforo disponível (P ou P 2O5) e potássio solúvel
disponível (K ou K2O). Se o Sulfato de amónio tem um grau de 21% N, isto significa que
para cada 100 Kg de Sulfato de Amónio, existem 21 Kg de N disponível.

O grau ou análise de muitos materiais fertilizantes disponíveis comercialmente é expresso


por um sistema numérico que mostra a composição percentual de cada elemento na
ordem N- P2O5 - K2O. Estes números vêm inseridos na etiqueta de cada recipiente
fertilizante. O Fertilizante composto 14-14-14 contém 14% N, 14% P2O5 e 14% K2O.
Isto adiciona a 42% de nutrientes. Os restantes 58% representam materiais chamados
transportadores destes 3 elementos. Eles podem ou não contribuir para a nutrição da
planta.

RAZÃO DO FERTILIZANTE – refere-se a percentagem relativa de N, P2O5 K2O no


grau de fertilizante. Exemplo: 14-14-14 tem uma razão de 1: 1: 1: N-P2O5 -K2O,
respectivamente.

RECOMENDAÇÃO DE FERTILIZANTE – é a dose recomendada de aplicação do


fertilizante. É geralmente expressa em Kg de N, Kg P 2O5 e Kg K2O por Hectare. É
escrito como 90-40-30 ou 90+40+30. Isto indica que para o solo em questão, você
necessita aplicar 90 Kg de N, 40 Kg P2O5 e 30 Kg K2O por Hectare.

FORMULA DE FERTILIZANTE – refere-se a quantidade e grau de material fertilizante


que compõe o fertilizante misto, tal como sulfato de amónio, superfosfato, entre outros.

FORMAS E FUNÇÕES DOS ELEMENTOS NUTRIENTES USADOS NA


PLANTA
1. Carbono e Oxigénio são elementos essenciais que entram na planta
como CO2 e O2 do ar, e fixados pela fotosíntese para as funções fisiológicas
normais.
2. Hidrogénio é derivado da água e é um elemento principal no bloco de
construção fotosintetico, embora não seja considerado como um nutriente.
3. Nitrogénio é absorvido pela planta como nitrato (NO32-) ou amónio
(NH4+) pela maioria das plantas, excepto as leguminosa, que podem fixar o N 2
atmosférico. Dentro da planta é reduzido a amido (NH 2) e combinado com
compostos de carbono para formar aminoácidos, que são os blocos

47
construtores das proteínas e outros contendo nitrogénio, como por exemplo o
protoplasma celular, núcleo, cromossomas e enzimas. O Nitrogénio é também
constituinte da clorofila, sendo essencial para a fotosintese.
4. Fosfóro é normalmente absorvido como Ortofosfato Primário (H2PO4-) ou
Ortofosfato secundário (H2PO42-). O fósforo é importante na formação de
compostos energéticos (ADP e ATP), necessários no processo de respiração e
fotosintese.
5. Potássio é absorvido como ião de potássio (K+), sendo requerido em
muitos processos metabólicos da planta da planta.
6. Cálcio é absorvido como Ca2+. Combina-se com a pectina para formação
das paredes celulares, mantendo a rigidez das mesmas.
7. Magnésio é absorvido como Mg2+. É um elemento metálico essencial na
molécula de clorofila e é requerido para a fotosintese, sendo também
importante para o processo normal do sistema enzimático na planta.
8. Enxofre é absorvido como SO42- . É um constituinte dos aminoácidos
encontrados nas proteínas. É também um constituinte dos compostos
responsáveis pelo cheiro e aroma da cebola, alho, repolho, entre outros.
9. Boro é absorvido como BO33 -. É necessário na utilização e transformação
de hidratos de carbono.
10. Ferro é utilizado na forma ferrosa Fe2 + ou na forma ferríca Fe3 +. O ferro
é necessário na activação dos sistemas enzimáticos.
11. Manganês é absorvido como ião de manganês, Mn2 +. É requerido nas
plantas para activação dos sistemas enzimáticos.
12. Cobre e Zinco são absorvidos como Cu2 + e Zn2 +, sendo necessários para
a activação dos sistemas enzimáticos. O cobre é necessário para processos
como respiração e síntese da clorofila. O zinco é necessário para corrigir a
clorose.
13. Molibdeno é absorvido como MoO42 -. É necessário na transformação do
nitrogénio.
14. Cloro é absorvido como Cl – e actua como um acelerador enzimático.

USO DOS ELEMENTOS NUTRIENTES NO SOLO

REMOÇÃO POR CULTURAS: Os nutrientes são tomados pelas plantas e


permanentemente removidos do solo. Altos rendimentos indicam que mais nutrientes são

48
extraídos do solo. Pode-se observar também que culturas diferentes removem nutrientes
em proporções variadas.

PERDAS POR ESCORRIMENTO SUPERFICIAL E EROSÃO: A água escorrida


superficialmente transporta consigo materiais do solo e elementos nutrientes dissolvidos.
O solo superficial, que é geralmente mais fértil do que o solo dos horizontes é mais
afectado pelas perdas a partir de escorrimento superficial de água e erosão. O declive do
terreno, cobertura vegetal e as práticas de maneio são considerações importantes na
minimização das perdas por erosão.

FIXAÇÃO: A fixação de iões de fósforo, potássio e amónio, refere-se a conversão ou


transformação de formas disponíveis (formas que podem ser tomadas pela planta) em
formas indisponíveis que não podem ser absorvidas pela planta. A fixação do fósforo é
resultado da sua reacção com elementos constituintes do solo, levando a formação de
compostos insolúveis.
PERDAS POR PERCOLAÇÃO
A percolação é o movimento para baixo dentro do solo de água livre, resultando em
perdas de sais solúveis da zona do solo. A magnitude das perdas de nutrientes por
percolação depende do tipo de solo, clima e da quantidade de nutrientes presentes no solo
na forma prontamente solúvel. Percolação pode ser consideravelmente alta em solos
arenosos do que em solos argilosos, especialmente onde a precipitação é alta, devido a
rápida percolação da água e menor capacidade do solo em absorver nutrientes.

PERDAS ATRAVÉS DA VOLATILIZAÇÃO


A taxa de volatilização difere com o fertilizante:
Ureia > Sulfato de amónio > Nitrato de amónio
A Ureia é facilmente solúvel em água: Ureia + H2O = 2 NH3 + CO2

PERDAS ATRAVÉS DA DESNITRIFICAÇÃO


Na desnitrificação, o nitrato (NO3) é mudado para N2, e volatiliza dos solos submergidos
ou pobremente drenados.
 Sob condições anaeróbicas, o nitrato é frequentemente reduzido a N2 e
N2O.
 NO3 NO2 . NO
N2O N2

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 Nitrogénio é normalmente disponível a planta na forma NO 3 -, NH4+ ou
Ureia.

MATERIAIS FERTILIZANTES
Os fertilizantes são compostos orgânicos e inorgânicos, que são adicionados ao solo para
fornecer as plantas com elementos nutrientes que o solo não é capaz e fornecer.
Materiais orgânicos são compostos que contêm átomo de carbono, como o elemento
principal da estrutura. Materiais inorgânicos consistem de combinações químicas (de
sais ou minerais) de 2 ou mais elementos.

FERTILIZANTES ORGÂNICOS
Fertilizantes orgânicos podem ser:
 Materiais orgânicos naturais derivados das plantas ou animais como
estrume, resíduos vegetais entre outros;
 Materiais orgânicos sintéticos, os quais são compostos orgânicos como a
Ureia.
Materiais orgânicos naturais
Fertilizantes orgânicos. Orgânico, quando aplicado para fertilizante, simplesmente
significa que os nutrientes contidos no produto são derivados somente dos resíduos ou
subprodutos de um organismo vivo. Ureia é um fertilizante orgânico sintético, e é uma
substância orgânica produzida a partir de material inorgânico. O bagaço de sementes de
algodão, fusão, e todos os estrumes são exemplos de fertilizantes orgânicos. Quando
embalados como fertilizantes, estes produtos terão a razão de fertilizantes expressa na
etiqueta. Alguns materiais orgânicos, particularmente o estrumes e desperdícios
compostos, são vendidos como condicionadores do solo, embora possuam nutrientes mas
em pequena quantidade. Muitos têm alto conteúdo de um dos três elementos essenciais e
conteúdo baixo de outros dois, embora se possa encontrar alguns fortificados com
nitrogénio, fósforo e potássio. Muitos são baixos em todos os três. Em geral, fertilizantes
orgânicos libertam os nutrientes num período longo de tempo. A desvantagem principal é
que eles não libertam quantidade suficiente do elemento principal atempadamente para
dar a planta o que ela necessita para o seu melhor crescimento. Isto é devido ao facto dos
fertilizantes orgânicos dependerem dos organismos do solo para decompo-los para
libertar os nutrientes, muitos dos quais são efectivos só quando está húmido e a
temperatura do solo suficientemente alta para os organismos se tornarem activos.

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Estrume é um fertilizante completo, mas só pode fornecer baixas quantidade de
nutrientes. O estrume varia no conteúdo de nutrientes de acordo com a fonte animal, e do
tipo de alimentação a que foi sujeito, mas uma taxa de fertilizante de 1:1:1 é o mais
frequente. O estrume é melhor usado como condicionador do solo em vez de fonte de
nutrientes. Os estrumes facilmente disponíveis são os de cavalo, gado bovino, suínos e
pato. O conteúdo de nutrientes varia muito, e a concentração mais alta é encontrada
quando este está fresco. Quando este é envelhecido, composto e lixiviado, o conteúdo de
nutriente é reduzido. Contudo, a redução dos sais reduz o risco de queima ás plantas. O
estrume fresco não pode ser usado onde irá entrar em contacto com as frágeis raízes da
planta. As doses de aplicação de estrume variam de 20 t/ha a 40 t/ha em geral.

Estrume Animal é uma mistura de excreções e camadas de solo que se acumulam nos
estábulos.

Chorume: é uma mistura de estrume e urina dos animais.

Resíduo de culturas a lavoura ou queima dos colmos e resíduos de culturas de grão é


uma prática comum dos produtores de hortícolas. Estes resíduos de culturas contêm
maior parte de potássio, metade do fósforo e 2/5 do nitrogénio que as plantas absorvem.
Cerca de 40 Kg de N podem ser derivadas de 1 Ha de amendoim o que a torna um bom
resíduo de cultura.

Estrume verde o valor fertilizante de culturas de fertilização verde não tem sido muito
observado. Isto porque a cultura deverá ser incorporada no solo nos estágios iniciais para
que seja efectivamente utilizada como fertilizante verde. Adicionalmente, o custo de
sementes é tão alto que a torna a prática não atractiva.

Bagaço de algodão é um subproduto da manufactura do algodão. Como fertilizante é


ligeiramente ácido em reacção. As formulas variam ligeiramente, mas no geral contêm
7% de N, 3% P, 2%K. Este fertilizante é facilmente disponibilizado as plantas em solos
quentes, e têm um risco menor de queima das plantas.

Bolo de sangue é sangue em pó secado colectado dos processadores de carne


(matadouro). É rico em nitrogénio, tão rico que pode ser danoso se usado em excesso. O
produtor deve ter o cuidado de usar não mais do que a quantidade recomendada na

51
etiqueta. Em adição ao fornecimento de nitrogénio o Bolo de sangue fornece certa
quantidade de micronutrientes essenciais, incluindo o Ferro.

Emulsão de Peixe é um fertilizante completo, que é uma mistura parcialmente


decomposta de peixe finamente pulverizado. Mesmo usado em pequenas quantidades,
produz um odor intenso que se dissipa em 1 a 2 dias. A emulsão de peixe possui alto
conteúdo de nitrogénio e é uma fonte de diversos micronutrientes.

Guános morcílagos: em grutas habitadas por uma grande população de morcegos e


outras aves há acumulação de dejectos que podem ser usados como adubos.

Resíduos de Esgoto: é um produto reciclado das fabricas municipais de tratamento de


esgotos. Duas formas são disponíveis: activados e compostos.
 Resíduos activados têm altas concentrações de nutrientes (aproximadamente 6-3-
0) que os Resíduos compostos e é vulgarmente vendido na forma granular e seca para
propósito múltiplo. De longa duração e não queima.

 Resíduos compostos são usados em princípio como correctivo do solo e tem um


conteúdo de nutriente muito baixo (aproximadamente 1-2-0)

Comparado com formulações de fertilizantes sintéticos, os fertilizantes orgânicos contêm


concentrações relativamente mais baixas de nutrientes, mas eles desempenham outras
funções importantes, que as formulações sintéticas. Algumas destas funções são o
aumento do conteúdo orgânico do solo, melhorar a estrutura física do solo, aumentar a
actividade dos fungos e bactérias.
COMPOSIÇÃO DOS FERTILIZANTES ORGÂNICOS NATURAIS

Em geral os fertilizantes orgânicos naturais possuem as seguintes características:


 Conteúdo baixo de elementos – o conteúdo de elementos nutrientes
fertilizantes varia com os materiais. Baixo conteúdo de elementos significa que
maiores custos por unidade de nutriente aplicado
 Disponibilidade lenta dos nutrientes – os nutrientes dos materiais
orgânicos requerem acção microbial para transformar os complexos orgânicos que
não podem ser absorvidos pela planta em pequenos complexos que possam ser
assimilados pela planta.

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 Fornecimento reduzido – o fornecimento de fertilizantes orgânicos
naturais é normalmente limitado e portanto são geralmente insuficientes para
prover a quantidade de nutrientes necessários para a planta.
 Promove boas condições físicas do solo – a matéria orgânica torna o solo
friável e solto, resultando em melhor aeração e drenagem, facilitando o
crescimento das raízes. Em solos arenosos, a matéria orgânica pode ajudar a
segurar as partículas arenosas de solo e aumentar a capacidade de retenção de
água.

As condições físicas da matéria orgânica, por si só, torna esta ideal para mistura com
fertilizantes inorgânicos antes da aplicação.

FERTILIZANTES ORGÂNICOS SINTÉTICOS


Dos fertilizantes orgânicos sintéticos, somente Ureia, CO(NH 2)2 (46% N) é o mais usado
na produção agrícola. A Ureia por si é quase neutral, mas induz a acidez do solo devido
ao ião de amónio produzido pela sua hidrólise. A nitrificação deixa os iões de hidrogénio
resultando no aumento da acidez do solo.

A ureia dissolve-se rapidamente depois da aplicação no solo. Devido ao alto conteúdo de


nitrogénio e a rápida hidrolise para amónia, ureia pode causar danos a planta se aplicado
a altas concentrações próximo as mudas/transplantes.

Para estimar o efeito dos adubos orgânicos sobre a produção das culturas-
especialmente para estabelecer o efeito do nitrogénio – conduzem-se ensaios de
campo.
Geralmente usa-se o coeficiente de eficiência dum adubo orgânico para comparar o
seu efeito com os adubos inorgânicos ou fertilizantes.
O coeficiente de eficiência é numericamente igual a quantidade dum elemento
nutritivo no adubo inorgânica, o qual inicia um aumento da produção igual a 100 kg
deste elemento no adubo orgânico. Veja a Figura 29.

53
Figura 29. Comparação dos efeitos de nitrogénio no adubo orgânico e no fertilizante
sobre a produção (adaptada de Janssen, 1978)

Neste caso o coeficiente de eficiência para o nitrogénio é equivalente a 40, o que quer
dizer que para obter o efeito de 100 kg N no adubo orgânico precisa-se de 40 kg de N
na forma de fertilizante. Então precisa-se de mais kgs de N na forma orgânica do que
na forma inorgânica para obter o mesmo aumento de produção, neste caso 100/40
vezes a quantidade do adubo orgânico.
A matéria orgânica também contém P, S, K e Mg. Para P, K e Mg o coeficiente de
eficiência parece ser cerca de 100. Nestes casos o adubo orgânico tem a mesma
eficiência que o fertilizante.

Para o fósforo isto é tanto notável visto que muitas vezes este elemento está
envolvido nos processos de imobilização pelos microorganismos e fixação pelos
minerais. No entanto deve-se considerar que o fósforo inorgânico dos fertilizantes
pode ser imobilizado ou fixado mais facilmente e, talvez, em maiores quantidades do
que o P-orgânico.

A tabela a seguir mostra alguns dados analíticos para vários tipos de adubos
orgânicos (Holanda). O conteúdo da matéria orgânica e dos nutrientes nos vários
adubos estão exprimidos em percentagem do produto húmido. O estrume de galinha
tem o mais elevado conteúdo de nutrientes.

Tabela. Dados analíticos da composição de vários tipos de adubos


orgânicos (em % do material húmido)

54
Estrume bov de porco de “compost
ino galinha o”

m. s. 21. 23.0 32.2 35.0


5
M. O. 16.0 23.0 10.0
14.
N 0.75 1.10 0.50
0
K 0.39 0.70 0.13
0.5
P 4 0.37 0.58 0.29
Ca 0.64 1.68 0.71
0.1
Mg 5 0.15 ? ?

C/N 0.3 10.7 10.5 10.0


1

0.2
9
0.1
0

13.
0

Coefic.
efic.N 40 40 60 10

m. s. - matéria seca

M. O. - matéria orgânica

Coefic.efic.N - coeficiente de eficiência para nitrogénio

O que significam estes teores na prática?


Imagine que se quer aplicar 100 kg de N por ha na forma de estrume de galinha.
Quantos kg deste adubo são necessários?

1 kg de adubo húmido com 1.10% de N contém 11 g de nitrogénio; para 1 kg de N


precisa-se de  1000/11 = 90.9 kg de adubo húmido.

O coeficiente de eficiência = 60% (Tab. 11);

55
Para 1 kg de N:  90.9*100/60 = 152.5 kg de adubo húmido.

Para 100 kg de N:  15150 kg = 15 ton. de adubo

É necessário uma grande quantidade de adubo orgânico e por isso os custos de


transporte podem ser muito elevados para o agricultor, e não é fácil adquirir tal
quantidade. Por outro lado, as quantidades de fósforo e cálcio são
proporcionalmente muito elevadas em comparação com o nitrogénio neste adubo, o
que pode ser uma desvantagem. Um método alternativo e mais económico para o uso
deste adubo é a aplicação de pequenas quantidades do adubo na altura da sementeira,
em adubação localizada.

Uma outra possibilidade é a aplicação duma mistura do adubo orgânico e do


fertilizante para obter quantidades adequadas dos nutrientes e em proporções
desejáveis. Essa mistura tem a vantagem de fornecer quantidades apropriadas de
nutrientes e matéria orgânica que melhorará as propriedades físicas, químicas e
biológicas do solo.

As plantas não têm a capacidade/oportunidade de absorver toda a quantidade de


nutrientes aplicados em forma de adubo. Há perdas temporárias ou permanentes pela
lavagem, fixação e imobilização. Por esta razão introduz-se o termo “Recovery” que
exprime o rendimento do elemento no adubo:

“Recovery” = quantidade do elemento nutritivo do adubo absorvido pela cultura


COMO PERCENTAGEM da quantidade do elemento nutritivo aplicado na forma de
adubo.
O “recovery” de P, K e Mg no adubo orgânico, que têm coeficiente de eficiência de
100%, é pelo menos igual a do fertilizante. Para o nitrogénio a recuperação de N-
orgânico é mais baixa do que N-inorgânico: Quando a planta absorve 50% do
nitrogénio do fertilizante, o rendimento do nitrogénio aplicado na forma de adubo
orgânico (bovino) vai ser de 0.50*0.40 (coef. de eficiência para o N em estrume
bovino) = 0.20 = 20%.

SUMÁRIO DO USO DE ADUBOS ORGÂNICOS E SUAS PROPRIEDADES


A. Fornecimento de nutrientes

56
Principalmente de N e P (e S). Também de K, Mg, etc. e micronutrientes.

B. Efeitos adicionais
Efeitos favoráveis:
1. Aumento da CTC (capacidade de troca catiónica) pelo húmus estável,
consequentemente teremos: melhor retenção de nutrientes (catiões) e menor risco de
lixiviação.
2. Melhoramento da estrutura do solo que é relacionada com a melhor aeração,
melhor retenção de água no solo, melhor permeabilidade, maior estabilidade (reduz o
risco de erosão); em geral condições mais favoráveis para a absorção de nutrientes
pelas plantas.
3. Melhoramento das condições de vida dos microorganismos e, no geral, da
ecologia dos organismos no solo, incluindo a possibilidade de combater doenças do
solo.
4. Protecção do solo contra erosão, irradiação dessecação pela aplicação de
“mulch”.
5. Outros efeitos específicos como um fornecimento gradual dos nutrientes,
fornecimentos de hormonas (?).

Efeitos desfavoráveis:
1. Devido a boa permeabilidade interna a condutividade hidráulica do solo aumenta,
aumentando assim o risco de lixiviação.
2. O adubo orgânico e o “mulch” podem introduzir novas doenças no solo e nas
plantas.
3. Imobilização temporária de N e/ou P (a elevadas taxas de C/N e/ou C/P!).
4. Baixos conteúdos de (macro)nutrientes; os nutrientes ocorrem em proporções
“fixadas” para um certo tipo ou quantidade do adubo.

Outras desvantagens: difícil de transportar, difícil aplicação em grandes áreas, o estrume


mal decomposto origina o aparecimento de infestantes.

FERTILIZANTES INORGÂNICOS
Fertilizantes inorgânicos incluem:
 Materiais inorgânicos naturais, tais como nitrato de soda, rocha fosfatada e
a maioria dos materiais de potássio.

57
 Materiais inorgânicos sintéticos, os quais são derivados de reacções
químicas de certas matérias primas tais como o petróleo. Eles são originados de
minerais, gás atmosférico, água e outros materiais. Exemplo destes fertilizantes é
o Sulfato de amónia, superfosfato entre outros.

Os fertilizantes inorgânicos, incluindo os sintéticos, têm as seguintes características:


 Relativamente alto conteúdo de elemento quando comparado com os
fertilizantes orgânicos naturais.
 Estes materiais fertilizantes são prontamente disponíveis e a aplicação
no solo é portanto seguida pela rápida reacção nos solos e um imediato efeito na
planta.
 Os materiais fertilizantes geralmente mostram condições físicas
indesejáveis. Isto previne o seu armazenamento prolongado e a sua mistura com
outros materiais inorgânicos.
 O fornecimento é quase ilimitado, especialmente próximo de áreas de
manufactura dos fertilizantes.

Baseado no número de elementos fertilizantes presentes, os fertilizantes inorgânicos


podem ser classificados em:
 Fertilizante simples – o material que contêm somente um elemento
fertilizante;
 Fertilizante binário (incompleto) – aquele que contém 2 elementos
fertilizantes (N e P, N e K ou P e K);
 Fertilizante ternário (completo) – o que fornece todos os 3 principais
elementos, N, P, K.

Os binários e ternários constituem os adubos compostos.

Formas em que os fertilizantes ocorrem:

 Na forma sólida: grãos de 2-3 mm diâmetro (N-P-K), lamelas, e pó (< 0.25 mm).

 Na forma líquida: sais, hidróxidos e gesso que podem ser dissolvidos na água e
podem ser distribuídos pela rega; aspersão (p.e. MnSO4, FeSO4).

58
 Na forma gasosa/líquida: NH3 (gás amoníaco); é um método eficiente mas caro
por causa do uso de equipamento especial; é só aplicável em solos cultivados (ainda
não para pastos).

3. Tipos de fertilizantes mais importantes

 Fertilizantes simples: estes contém só um elemento nutritivo importante, p. e.:


N: NH4NO3, (NH4)2SO4
P: Ca(H2PO4)2 (superfosfato triplo)

K: KCl, K2SO4

 Fertilizantes binário com 2 elementos nutritivos importantes (componentes de


valor), p.e: KNO3, NH4H2PO4.

 Fertilizantes compostos e misturas de fertilizantes.


Compostos: mistura química de vários componentes de valor, p.e. fertilizantes
NPK.
Mistura: mistura física de vários fertilizantes simples. Não é possível compor todas as
misturas de fertilizantes por causa de suas propriedades químicas individuais.

Não se pode misturar:

1. Compostos que formam compostos insolúveis, p.e. de Ca2+ e PO43-, HPO42-


(  Ca3(PO4)2).
2. NH4+-fertilizantes com compostos de reacção devido ao perigo de
volatilização (NH3  ).
3. Compostos higroscópios: esta propriedade aumentará em caso de
mistura.
4. NH4NO3 com fertilizantes contendo ácidos devido a decomposição.
5. NH4NO3 com fertilizantes de cloreto (Cl-); devido a decomposição.

Existem vários diagramas que mostram como misturar fertilizantes. Esses diagramas
indicam se certos compostos podem ser misturados ou armazenados até a aplicação;

59
p.e. em “fertilizantes” por J. Quelhas dos Santos, 1983, pag.189 ou edição de 1991,
pag.256 (veja diagrama na pag. 85).

Diagrama de mistura dos principais adubos elementares

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13
1 + + + + + + +
2 +    +   + + +  +
3    +  
4     +  
5 +         
6 +    +  + 
7  +   +  + + +
8 +  +     
9 + +    +  + 
10 + +    +  + 
11 + + 
12  + + + +
13 + +   

1. Nitrato de sódio e nitrato de Chile


2. Nitrato de Cálcio
3. Sulfato de amónio
4. Nitrato de amónio e suas diluições
5. Sulfonitrato de amónio
6. Cianamida cálcica
7. Ureia
8. Superfosfatos
9. Fosfato de Thomas
10. Sulfato de potássio
11. Cloreto de potássio
12. Adubos orgânicos

Podem misturar-se e armazenar-se

60
+ Podem misturar-se mas devem aplicar-se imediatamente

 Não devem misturar-se

O valor de um adubo é determinado pela sua dosagem, quer dizer, o seu teor em
elementos fertilizantes. (para o azoto exprime-se em azoto puro, para o fósforo em
P2O5 e K20 para o potássio). Nitrato de amónio 33,5% de N, KCl 60% doseia 60 Kg
de K2O por 100 Kg de adubo.
Vantagens dos fertilizantes compostos: são mais económicos e dão menos trabalho
no campo, porque se aplicam vários nutrientes simultaneamente.

Desvantagens: fica-se dependente de proporções fixas entre diferentes nutrientes; e


geralmente este tipo de fertilizante é caro.
Os fertilizantes compostos contêm os 3 principais elementos N, P, K em percentagens
indicadas respectivamente pelos 3 números designando o grau de fertilizante. Assim, um
fertilizante de grau 5-10-16 contêm 5% de peso de N, 10% de P2O5, e 16% K2O. Os
fertilizantes completos são disponíveis na forma granular e são solúveis em água.
Diferentes graus são manufacturados para satisfazer diferentes requerimentos em termos
de taxas de N, P, e K. Os mais comuns são 12-12-12, 12-24-12, 14-14-14, 10-25-25 e 5-
10-16.

GRAU DE FERTILIZANTE
O grau de fertilizante fornecido na embalagem refere-se a quantidade de um elemento
presente na formulação baseada na percentagem do peso. Todos os fertilizantes estão
etiquetados com 3 números, dando a percentagem por peso de Nitrogénio(N), ácido
fosfórico (P2O5), e óxido de potássio (K2O) respectivamente. Para efeitos práticos é dito
que estes números representam nitrogénio, fósforo e potássio. Por exemplo se temos um
saco de 100Kg etiquetado 10-10-10, temos 10 Kg de N, 10 Kg P2O5, 10 Kg K2O, o que
corresponde a 30 Kg de elementos fertilizantes. A outra parte são os enchedores
(recheio), que são importantes para que possamos espalhar o fertilizante e evitar a queima
das plantas com muito fertilizante.

61
Nas etiquetas das embalagens aparecem iniciais como W.I.N e W.S.N, que significa
respectivamente, Nitrogénio Insolúvel em Água e Nitrogénio Solúvel em Água.
O melhor fertilizante a usar depende de muitos factores, tais como, nutriente necessário,
estrutura do solo, química do solo e método de aplicação.

MODO E ÉPOCAS DE APLICAÇÃO DE FERTILIZANTES

Modo de aplicação
A. Fertilizantes sólidos, em forma de grãos, lamelas ou pó:
 Adubação à lanço: distribuição uniforme do fertilizante sobre o campo.
Aplica-se para pastagens e cereais (Fig. 1).
 Adubação localizada: o fertilizante é colocado manualmente ou mecanicamente
nos sulcos (um lado ou ambos os lados), veja a figura 2.

Fig. 1. Adubação a lanço


Figura 30 a.

Adubação à lanço

Fig. 2 a. Adubação localizada

Fig. 2 b. Adubação localizada em profundidade.

62
A vantagem da adubação localizada do fertilizante é que é mais económica: precisa-
se de menos kg de fertilizante por hectare ou pode-se aplicar mais fertilizante por
planta/semente o que é uma vantagem no caso da adubação com fósforo em solos que
fixam este elemento. Outras vantagens da adubação localizada a profundidade são:

1. Estimular o crescimento em profundidade das raízes das planta novas, beneficiando


o desenvolvimento do sistema radicular.

2. Redução do risco de volatilização de nitrogénio (do fertilizante) na forma NH 3 em


solos alcalinos; especialmente útil em zonas áridas ou durante períodos secos.

 adubação das árvores:


Para árvores, a adubação localizada é também aplicada. O modo de colocação
depende muito do tipo e da extensão do sistema radicular ou espécie da árvore, do
ambiente radicular e do tipo de solo.

Para árvores novas: coloca-se o fertilizante no buraco de plantação ou em camadas no

buraco (Fig. 3 a,b).

Fig. 3. Adubação para árvores novas

Para árvores velhas, os fertilizantes são aplicados em círculos a volta da árvore; a


distância do tronco ao local de aplicação depende do tipo do sistema radicular (Fig 4).

63
O tipo de solo é também importante. Veja a figura 33b: há uma camada densa e dura-
crosta (argilosa, sódica) perto da superfície do solo que impede que maior parte das
raízes penetre a uma maior profundidade. Neste caso é necessário saber quais são as
partes activas das raízes antes de aplicar os fertilizantes. Quanto às quantidades a
aplicar, pode-se notar que a camada superficial enraizada será saturada rapidamente
com água durante os períodos de chuva. Por esta razão é melhor neste caso aplicar os
fertilizantes de forma escalonada, antes e/ou durante a estação húmida.

A resposta das árvores aos fertilizantes é lenta e às vezes pode levar um ano,
especialmente se se tratar de árvores velhas.

Fig. 4. Adubação de árvores velhas

B. Adubação líquida (fertiirrigação).


 O adubo é aplicado com água de rega; este método é geralmente aplicado para
correctivos, p . e. gesso (CaSO4.2H2O).

 Aspergir as plantas com água e adubo (aplicação foliar); é o método apropriado


para remediar deficiências nutritivas agudas e é aconselhado para os microelementos.
Os elementos entram directamente nas folhas evitando assim o longo caminho pela
solução do solo, raízes e caules. Este método é também útil no caso em que os
nutrientes necessários podem ser fixados pela matriz do solo ou precipitados na
solução do solo, p.e. os microelementos a pH elevado (excepto o Mo).

64
 Microirrigação (microaspersão e gota-a-gota); é aplicada em regiões (semi)áridas
onde a água é escassa. Este sistema permite dosear as quantidades exactas da água e
dos fertilizantes; o sistema é também aplicado nas estufas na Europa.

 Injecção de gás NH3 ; método aplicado em culturas de cereais e árvores. É preciso


equipamento especial de alta pressão (Figura 33a).

Os sistemas de rega por aspersão e Microirrigação têm elevada eficiência de


aplicação, mas exigem elevado investimento inicial.

Épocas de aplicação
O momento de aplicação está relacionado a vários factores:

1. Clima
2. Tipo de fertilizantes
3. Tipo de solo
4. Tipo de sistema agrícola, a cultura

Os fertilizantes podem ser aplicados antes ou exactamente no momento da sementeira


ou plantação (adubação de fundo), e podem ser aplicados também algum tempo
depois da sementeira com a cultura já estabelecida (adubação de cobertura).

Desvantagens/problemas da adubação escalonada


Esta prática exige mais trabalho e não é possível praticá-la em todas as culturas.
Depois do crescimento inicial o acesso ao terreno torna-se difícil, isto é, é difícil
aplicar os fertilizantes sem causar danos à cultura.

Há também problemas físicos como a camada de água que cobre o solo na cultura de
arroz. Para resolver estes problemas as empresas utilizam aviões na adubação.

Quantidades de fertilizantes
Que quantidade de fertilizante deve ser aplicada?

A norma principal é:

Aplicação > Extracção para manter a fertilidade do solo porque:

65
 Uma parte dos nutrientes é retirada do solo em forma de produtos alimentares
(colheita)
 Há perdas de nutrientes devido a lixiviação, erosão e volatilização.

Os nutrientes que são retidos no solo, como o caso do fósforo em solos ácidos, não
representa perdas. A maior parte destes nutrientes poderá estar desligada depois de
um certo tempo, ficando assim gradualmente disponível para as plantas durante as
estações de crescimento seguintes. Fala-se neste caso, de efeito residual.

As aplicações de fertilizantes, geralmente são baseadas no conhecimento prático


obtido dos ensaios de campo, conduzidos durante um período longo de tempo (10 a
20 anos). As aplicações variam muito dependendo do tipo de cultura (diferente
extracção!) e do tipo do solo.

Com base nos resultados dos ensaios de campo podem-se estabelecer normas de
adubação para várias culturas, para diferentes tipos de solo sob diferentes condições
climáticas.

Conclusão: com ajuda de fertilizantes a nutrição das culturas pode ser regulada de um
modo mais exacto, mais barato e mais eficientes.

Fica assim claro que seria óptimo aplicar uma combinação de fertilizantes e adubos
orgânicos.

Cálculo da quantidade de fertilizante


(Exercícios)

Literatura recomendada:
 Éliard, J. L. 1979. Manual geral de agricultura, 2ª ed.
 Apontamentos das aulas teóricas de fertilidade de solo.
 Outras fontes.
Capítulo VII. Princípios de protecção das culturas

Noção de erva daninha (ou infestante)

As plantas daninhas são aquelas que o homem não cultiva, mas que contudo lhe invadem
as sementeiras, campos lavrados, hortas, etc. Portanto, uma infestante é, para o agricultor,

66
uma planta que se desenvolve nas suas culturas contra a sua vontade. Crescem como as
plantas cultivadas e influenciam negativamente as colheitas e a sua qualidade.

Danos causados pelas plantas daninhas

As ervas daninhas podem causar às plantas cultivadas danos quantitativos e


qualitativos.
1) Danos quantitativos

Calcula-se que se cessa-se a luta contra as ervas daninhas em todo o mundo, a actual
produção diminuì de 1/3. Um terço da produção mundial pode alimentar mil milhões de
pessoas.
Actualmente calcula-se que as dificuldades na luta contra as ervas daninhas causam
perdas de produção, que são mais altas nos países menos desenvolvidos. Deste modo a
produção agrícola mundial perde todos os anos cerca de 350 milhões de toneladas de
produtos vegetais por causa das ervas daninhas.
A causa principal dos danos quantitativos é a competição, que se desenvolve entre as
plantas cultivadas e as ervas daninhas.

2) Danos qualitativos

São os seguintes os principais danos qualitativos causados pelas ervas daninhas:


a) Pioramento dos produtos destinados à alimentação humana
A presença das ervas daninhas nos campos cultivados causa uma diminuição do peso
unitário das cariopses dos cereais, dos túberos de batata reno, dos frutos, etc. Deste modo
a qualidade da produção sofre um pioramento. Por exemplo, no caso das cariopses de
cereais, uma excessiva diminuição de tamanho conduz à uma perda maior de cariopses
através dos furos da debulhadora.
A farinha de trigo tem um sabor amargo se contem semente moida dalgumas ervas
daninhas.
Também a palha sofre uma diminuição de preço se è misturada com ervas daninhas.
Nas culturas onde se colhe toda a planta (por exemplo a salada) a presença de ervas
daninhas cria problemas, porque a máquina para a colheita colhe a planta cultivada junta
com as ervas daninhas. A separação depois pode ser impossível.
Nas culturas à colheita mecanizada, se as dimensões dos produtos são semelhantes
àqueles de partes de ervas daninhas, a separação fica depois muito custosa.
Em geral nas culturas herbáceas para a produção de óleo (por exemplo girassol, rícino,
etc.) a presença de ervas daninhas causa uma diminuição da produção por hectare de óleo
por uma menor produção de semente e por um menor conteúdo de óleo.
Prados e pastos infestados de ervas daninhas do género Allium (Liliaceae) fornecem
alimentos (leite, carne, queijo) com sabor desagradável de alho.

b) Pioramento dos produtos destinados à alimentação zootécnica


A presença no milho de ervas nocivas à saúde do gado ou desagradáveis (por exemplo
Chenopodium, Datura, etc.) impede a utilização do milho como ensilado.

67
Já diz-se que a presença de Allium nos prados e pastos transmite um sabor e cheiro
desagradável à produção.
As eliminações da selecção das sementes (sementes demais pequenas, sementes de outras
plantas, etc.) não podem ser destinadas à alimentação do gado se contêm semente de
Lolium, Datura, ou outras plantas.
As folhas, hastes e semente de Trichodesma incanum (Bge.) contêm alcalóides que
originam a intoxicação dos organismos, atingindo o sistema nervoso central do Homem e
dos animais domésticos.
As sementes de certas espécies de heliotrópios contêm alcalóides que afectam o fígado.
As ervas daninhas portadores de fibras duras e espinhos, quando presentes nas forragens,
podem lesionar as mucosas, a boca e o esófago dos animais domésticos.
As ervas daninhas portadores de espinhos reduzem o valor da lã dos ovinos, porque
dificilmente os espinhos se separam da lã.

c) Poluição da semente
A produção de sementes de ervas daninhas que têm tamanho e peso semelhantes àquelo
das sementes dalgumas plantas cultivadas torna difícil a separação mecânica.
Geralmente as leis sobre o comércio das sementes proíbem a presença de sementes
infestantes juntas com as sementes das plantas cultivadas. Por exemplo, não somente as
sementes de trigo têm que ser isentas de sementes de Aveia selvática, mas as sementes de
trigo certificadas não podem conter mais de 2% de outras sementes.
Nas sementes de arroz as sementes de Echinochloa têm que ser poucas : não mais duma
semente de Echinochloa por 500 g de sementes de arroz.

d) Difusão de doenças das plantas cultivadas


As ervas daninhas favorecem a difusão de doenças das plantas cultivadas pelo
microclima que causam ao interno da cultura favorável ao desenvolvimento de fungos
patógenos (míldio (Phytophtora), ferrugem (Puccinia) e pela hospitalidade dada a fungos
patógenos, insectos, etc.
Talvez todavia as ervas daninhas são hospedeiras de fitófagos, que são hospedeiros
secundários de parasitas de fitófagos de plantas cultivadas. Quando a planta cultivada não
está no campo por rotação, os parasitas dos fitófagos sobrevivem sobre hospedeiros
secundários, que garantem a vida dos parasitas quando não há hospedeiros primários.
Portanto as ervas daninhas podem hospedar estes hospedeiros secundários e garantem um
equilíbrio biológico.

e) Competição entre as ervas daninhas e as plantas cultivadas


A competição entre as ervas daninhas e as plantas cultivadas desenvolve-se sobretudo por
4 factores: água, luz, elementos nutritivos e dióxido de carbono.

Água
A competição para a água depende da profundidade das raízes da cultura e das ervas
daninhas, porque plantas com raízes a diferentes profundidades podem utilizar diferentes
quantidades de água.
Geralmente depois da germinação as culturas têm raízes mais desenvolvidas do que
aqueles das infestantes. Depois todavia as raízes das ervas daninhas superam as raízes da

68
cultura: por exemplo a Aveia brava pode ter um aparelho radical longo 400 m, de modo
que a Aveia brava chega a maior profundidade do que a cultura e pode resistir melhor a
condições de stress.
Também a rapidez de desenvolvimento no solo das raízes é um importante factor na
competição para a água.
Nos anos com baixa pluviosidade, se as ervas daninhas germinam precocemente e
desenvolvem muitas folhas e raízes, podem esgotar as reservas hídricas do solo, de modo
que as culturas, que crescem mais lentamente, encontram dificuldades e sofrem por stress
hídrico.
Nos anos em que a pluviosidade è alta, a competição para a água è menor.
Naturalmente a competição para a água influencia a assimilação, porque alguns
elementos nutritivos, sobretudo azoto em forma de ião nítrico, são absorvidos pelas raízes
se há água no solo. Menos água há e menos azoto nítrico pode ser absorvido.

Luz
A competição para a luz è muito importante, porque a luz è um elemento indispensável
para o crescimento das plantas.
A presença de ervas daninhas pode causar sombra e impedir o crescimento das plantas
cultivadas.
A competição para a luz pode ter efeito também sobre a altura das plantas cultivadas. Em
caso de sombra, na planta cultivada de facto os ramos e os colmos crescem muito
rapidamente à procura da luz. Se os ramos e os colmos são longos e subtis, eles são
menos resistentes ao acama e produzem menos.
A utilização de variedades de cereais com palha curta è favorável às ervas daninhas,
porque a luz penetra no interno mais facilmente e permite o crescimento luxuriante das
ervas daninhas. Ao contrário uma cultura densa e alta procura sombra e impedì o
crescimento das ervas daninhas heliófilas (que são as plantas que gostam da luz).
Naturalmente as ervas daninhas sciáfilas (que são as plantas que gostam da sombra)
podem ser favorecidas. Neste sentido as plantas com folhas largas são menos sensíveis à
sombra do que os monocotiledóneos.
Na competição para a luz o porte é muito importante: plantas com porte erecto se elevam
sobre as culturas e podem gozar de muita luz. Eles crescem e criam dificuldades às
culturas.
Ao contrário ervas daninhas com porte rastejante ou que formam rosetas podem sufocar
as culturas nas primeiras fases de desenvolvimento.
Um rápido nascimento das ervas daninhas favorece a sua instalação dando às infestantes
uma vantagem sobre as culturas.
Também o tamanho das sementes è importante: as sementes grandes de facto produzem
plantas mais vigorosas.

Elementos nutritivos
A presença no solo de elementos nutritivos em quantidade limitada causa o problema da
competição entre as culturas e as ervas daninhas. Esta competição todavia se sobrepõe à
competição para a água e a luz.
As ervas daninhas têm a capacidade de formar rapidamente um amplo sistema radical.
Portanto são particularmente eficazes na absorção dos elementos nutritivos. Muitos

69
estudos demonstraram que as ervas daninhas absorvem mais velozmente e em quantidade
superior do que as plantas cultivadas.
A estrumação por um lado aumenta a produção das culturas, por outro lado aumenta a
capacidade de competição das ervas daninhas. Quando os níveis de infestação são altos,
são as ervas daninhas, mais do que as culturas que gozam os benefícios da estrumação e
sobretudo do azoto. Por isso o incremento das estrumações tem que ser acompanhado por
uma luta contra as ervas daninhas muito diligente.

Dióxido de carbono
A competição para o dióxido de carbono è muito importante sobretudo nas plantas que
têm uma intensa actividade fotossintética e sobretudo nas estufas.

Alelopatía

A alelopatía ou emissão de toxinas consiste nos efeitos nocivos que uma planta produz
sobre uma outra planta, pela produção de compostos químicos que se espalham no
ambiente circunstante. Estes compostos químicos podem ser produzidos pelas infestantes
e causam uma diminuição de produção. As infestantes podem produzir as toxinas pelas
folhas ou raízes, ou por resíduos vegetais em decomposição.
Não está claro se a diminuição de produção da cultura è causada por uma acção directa
das toxinas sobre a cultura ou por uma acção indirecta, facilitando o ataque das culturas
pelos patógenos.

Fecundidade das infestantes

Uma das mais importantes particularidades biológicas das infestantes é a sua elevada
fecundidade. De facto a maioria delas produz todos os anos um enorme número de
sementes, como nos seguintes exemplos:

Digitaria (Graminaceae) até 5 mil sementes


Cuscuta (Convolvulaceae) 10-20 mil sementes
Orobanca (Orobancaceae) até 140 mil sementes
Sorghum (Graminaceae) 250-500 mil sementes

Ao contrário a maioria das culturas agrícolas, nas melhores condições de cultivo, é capaz
de produzir no máximo algumas centenas de sementes.

Vitalidade das sementes das infestantes

As sementes das infestantes possuem uma extraordinária vitalidade, porque podem


conservar o seu poder germinativo por muito tempo e em diferentes condições. A
vitalidade das infestantes pode manter-se vários anos e mesmo decénios, como nos
seguintes exemplos:

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Cuscuta (Convolvulaceae) 5 anos e mais
Orobanca (Orobancaceae) 6-8 anos
Beldkoega (Portulacaceae) até 30 anos
Amaranthus (Amaranthaceae) mais de 40 anos

Dormência das sementes das infestantes

As sementes das infestantes têm períodos de repouso (ou dormência) diferentes.


Algumas delas começam a germinação imediatamente após a caída no solo, outras no ano
seguinte ou mesmo depois, ainda que se encontrem em condições favoráveis. Tudo isto
explica porque certos rebentos brotam tão tarde.
A dormência è o mecanismo mais importante de sobrevivência das infestantes, que
permite de nascer gradualmente. Se todas as sementes brotassem contemporaneamente,
uma só intervenção de luta seria bastante para destruir todas as infestantes.
A dormência distingue-se em primária e secundária.

A dormência primaria (ou inata) è uma característica das espécies; ela varia segundo as
espécies.

A dormência secundária depende da falta dalguns elementos indispensáveis à


germinação. Por exemplo a falta de luz causada pelo enterramento; também a falta de
oxigénio, ou o frio, ou as altas temperaturas podem impedir a germinação.

A interrupção da dormência è muito importante na luta contra as infestantes. Ela pode ser
conseguida pelas lavragens da terra, que modificam o enterramento das sementes e as
condições de oxigénio, luz, frio e calor.
As lavragens da terra podem causar também o corte dos rizomas de ervas daninhas
causando a interrupção da dormência dos botões laterais. Nos rizomas de facto a
dormência dos botões laterais é causada pela dormência do botão apical. O corte dos
rizomas (com conseguinte corte do botão apical) causado pelos meios mecânicos è um
método para interromper a dormência nas plantas perenes.

Factores que influenciam a germinação das sementes

São os seguintes os principais factores que influenciam a germinação das sementes:

a) Temperatura
Há infestantes que germinam às baixas temperaturas e outras que germinam a altas
temperaturas.
A maioria das sementes germina melhor a temperaturas variáveis, não constantes.

b) Humidade

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Há infestantes capazes de germinar a baixa humidade, que são favorecidas pelos períodos
secos: por exemplo Chenopodium (Chenopodiaceae).
Há também infestantes capazes de germinar a alta humidade, por exemplo num solo
saturado de água (por exemplo Echinochloa).
A vitalidade das sementes permanece mesmo se ficam imergidas na água por muito
tempo. Isto explica a grande quantidade de sementes que são transportadas pela água de
irrigação. Algumas espécies podem manter o seu poder germinativo para alguns anos na
água.

c) Oxigénio
Mesmo se algumas plantas aquáticas podem germinar na ausência de oxigénio, a maioria
das sementes de infestantes precisam de oxigénio, mesmo se em quantidades menores
daqueles presentes na atmosfera.

d) Luz
As infestantes adaptam-se a baixas intensidades de luz, como aquela que está debaixo das
culturas. Para as infestantes isto é uma garantia de sobrevivência.

e) Ar no solo
O ar na terra está ligado à estrutura do solo, conteúdo de água, estação, profundidade,
microflora e microfauna.
A germinação das sementes está influenciada mais da percentagem de dióxido de
carbono, que do oxigénio.

f) Fertilização
O nitrato de potássio estimula a germinação, provavelmente porque o potássio favorece a
absorção.

g) Excretos radicais
Os excretos radicais dalgumas plantas podem impedir a germinação das sementes que
vêm em contacto.

Métodos de luta contra as infestantes

Na luta contra as infestantes há métodos indirectos e directos.

Métodos indirectos
Os método indirectos são aqueles que permitem de prevenir as infestações das ervas
daninhas impedindo o nascimento ou limitando o desenvolvimento das infestantes.
Os principais métodos indirectos são os seguintes:

1) impedir a multiplicação das infestantes, a produção das sementes e a propagação da


parte vegetativa das infestantes mediante a eliminação das culturas e a tempestiva
limpadela dos drenos, dos fossos e das áreas incultas cerca das áreas cultivadas.

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2) favorecer o escoamento das águas de irrigação e da chuva, porque onde se há excesso
de água, se há também grandes infestações de infestantes.

3) usar sementes seleccionadas (porque entre as sementes não seleccionadas podemos


encontrar também sementes de infestantes).

4) usar adubos orgânicos que não contêm sementes em vida.

5) limpar bem as máquinas para a colheita e a laboração da terra antes que vão dum
campo infestado para um outro menos infestado.

6) eliminar os defeitos do solo (excesso ou deficiência de PH, de elementos nutritivos, de


oxigénio, etc.), que favorecem o desenvolvimento duma flora infestante particularmente
difícil de eliminar.

7) actuar todas aquelas técnicas culturais que evitam a multiplicação e o desenvolvimento


das infestantes (rotações, laborações, estrumações, escolha varietal, etc.). A rotação
correcta determina uma brusca modificação da composição das infestantes e diminue a
presença das ervas daninhas entre as plantas cultivadas. São muito eficazes as rotações
em que, após as culturas sensíveis às infestantes (leguminosas e outras plantas) se seguem
culturas que contribuem para a diminuição da infestação (culturas sachadas e outras). È
também eficaz a rotação consecutiva de várias culturas numa base ecológico-biológica,
que causa modificações na composição das infestantes.

8) prevenir a introdução de infestantes do estrangeiro e a sua propagação pelo território


do País, criando um eficaz controlo sanitario externo e interno (serviço de quarantena).

Métodos directos
Os métodos de luta directos podem ser mecânicos, físicos, biológicos e químicos.

Luta mecânica

A luta mecânica consiste na sacha a mão ou eliminação manual das infestantes e na


sacha mecânica ou eliminação mecânica das infestantes.
A sacha a mão todavia, mesmo se eficaz, è uma operação custosa e trabalhosa, que exige
de 25% a 30% de todos os gastos ligados ao cultivo das plantas agrícolas.

Luta física

A luta física consiste no uso de métodos físicos na luta contra as infestantes. São os
seguintes os métodos físicos mais importantes:

1) Cobertura do terreno

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A cobertura do terreno com resíduos orgânicos da machamba (palha, colmos do milho,
etc.) ou com material plástico è um importante método de luta contra as infestantes. Em
lugar do material plástico hoje podem ser utilizados também toldos de celulose.
A cobertura do terreno pode ser realizada também, sobretudo nas culturas arbóreas,
cortando e deixando sobre o terreno as mesmas infestantes, que formam uma camada que
impede às infestantes de crescer.
Os filmes de material plástico podem ser de polietilene (PE), cloreto de polivinile (PVC)
e etilvinilacetato (EVA).
Os filmes de PE têm uma espessura de 0.03-0.20 mm; aqueles de PVC de 0.015-0.05
mm; aqueles de EVA têm uma espessura intermédia.
Os filmes de material plástico podem ser de cor preta, branca ou neutra (quer dizer
transparente). Para a luta contra as infestantes todavia precisa o filme de cor preta de
polietilene (PE), que permite o nascimento, mas não o crescimento, das infestantes, por
falta de luz. Somente algumas espécies de Cyperus (Cyperaceae) conseguem de furar o
filme, porque têm brácteas aguçadas e cortantes.
Naturalmente a cobertura do terreno pode ser feita somente no caso de culturas semeadas
a filas.
Os filmes de polietilene (PE) pretos podem ser utilizados também nas sementeiras. Eles
de facto favorecem o nascimento das infestantes, porque debaixo dos filmes há um maior
calor; nos países tropicais todavia se determina um excessivo aquecimento, que faz
morrer as infestantes. Depois se pode semear a cultura.
Também os filmes transparentes (de cor neutra) podem matar as infestantes, mas somente
porque o excessivo calor mata as plantas. O calor que se desenvolve é maior do que no
caso dos filmes pretos.
Existem também filmes de cor vermelha – morena, que impedem a fotossíntese como os
filmes pretos, mas deixam passar os raios infravermelhos, que causam um grande calor.
Estes filmes por consequência emparelham as vantagens dos filmes transparentes.

2) Uso do fogo
O fogo pode ser utilizado para queimar as infestantes, naturalmente no período depois
duma cultura, ou nas áreas incultas, ou nas interfilas duma cultura.
Geralmente o fogo è produzido com fósforos. Nas machambas mais modernas pode ser
produzido por gás de petróleo liquefeito (GPL). Este método prevê geralmente a
utilização de aparelhos particulares. Eles são constituídos por uma haste lança-chamas
ligada a um tanque que contem o GPL. Esta haste é utilizada manualmente.
Existem também aparelhos trainados pelo tractor, que têm um tanque e uma série de
queimadores.
A queimadura dos colmos dos cereais e da palha depois da ceifa desvitaliza as sementes
das infestantes caídas no solo durante a cultivação. Esta prática por consequência reduz a
quantidade das infestantes da cultura seguinte.
O fogo todavia pode também estimular a germinação das sementes dalgumas infestantes,
porque diminue a dureza e a continuidade dos tegumentos externos, que podem ser causa
da dormência.
Em todos os casos o uso do fogo è uma prática agronómica que se desaconselha por a
perda de substância orgânica que provoca. Geralmente se aconselha somente no caso que
a cultura seja muito infestada.

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3) Uso de energia electromagnética
A energia electromagnética a frequência muito alta produz micro-ondas que destruem as
sementes e a vegetação nos primeiros centímetros do solo (até 7-8 cm).
A máquina que produz estas micro-ondas è constituída por um leito, que sustenta os
geradores eléctricos. A energia eléctrica è transformada em alta tensão, que causa altas
temperaturas nas células vegetais, causando a morte.

4) Uso da água
A submersão dos campos infestados por ervas daninhas, que sofrem a humidade, reduz a
infestação, porque as sementes e as plantas podem morrer.

5) Ceifa
A ceifa das infestantes antes da produção das sementes è muito importante, porque
elimina as infestantes anuais. Não se eliminam todavia as infestantes perenes e a
competição inicial.

Luta biológica

A luta biológica contra as infestantes se faz utilizando insectos ou criptógamas que


destruem ou danificam as infestantes.
A luta biológica pode ser directa ou indirecta.

A luta biológica indirecta consiste nas práticas que danificam as infestantes de modo
que elas ficam sensíveis ao ataque de patógenos. Por exemplo o adubo azotado facilita,
nas Opuntia, o ataque de patógenos.

A luta biológica directa consiste na utilização de insectos ou criptógamas que atacam as


infestantes.
Numerosos são os casos de luta biológica com inimigos de infestantes. Por exemplo na
Austrália foi introduzida da Argentina uma borboleta, Cactoblastus cactorum, para lutar
contra as Opuntia, cujas folhas são comidas pelas lagartas daquela espécie de
Lepidoptera. A introdução na Austrália teve bom êxito.

Os limitantess da luta biológica são os seguintes:


1) se pode resolver o problema dum limitado número de infestantes, mas não de todas as
infestantes (porque uma espécie de insectos ou de criptógamas danifica somente uma
espécie de infestante ou poucas espécies).

2) a eliminação das infestantes não pode ser total, porque os inimigos naturais deixam
sempre em vida um certo número de plantas às quais está ligada a sua sobrevivência.

3) é preciso que o inimigo natural não danifique a cultura.


4) a eliminação das infestantes è gradual e se alcança tardiamente, quando o dano à
cultura já foi causado.

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A vantagem da luta biológica è que não deixa resíduos químicos.

Luta química

A luta química contra as infestantes se faz graças a produtos químicos chamados


herbicidas, que causam a morte ou danos às infestantes.

Modos de acção dos herbicidas

A acção dum herbicida contra as plantas se manifesta através três momentos diferentes:

1) Penetração na planta;
2) Transporte do herbicida do ponto de penetração para a sede da função fisiológica ou
bioquímica, que está bloqueada ou parada pelo herbicida;
3) Modo de acção, quer dizer o efeito do herbicida contra os processos bioquímicos ou
fisiológicos.

1) Penetração na planta

A penetração na planta è diferente segundo que o herbicida penetre na planta por via
folhar ou radical.

a) Absorção por via folhar

A penetração por via folhar acontece no caso de aplicações pós-emergência nas culturas
infestadas por plantas daninhas.
A penetração nas folhas pode acontecer através dos estomas ou através da cutícula.
Todavia, dado que os estomas são sobretudo na superfície inferior das folhas e dado que
têm que ser abertos para permitir a entrada do herbicida, a penetração através dos
estomas acontece menos frequentemente. Por isso na maioria dos casos a penetração è
por via cuticular.
A cutícula è uma camada impermeável, que cobre as células epidérmicas das folhas. Ela è
constituída por substâncias lipídicas, cujas moléculas apresentam grupos –COOH e –OH,
que, quando se dissociam, conferme à cutícula uma fraca carga eléctrica negativa.
Portanto as plantas superficialmente têm uma carga negativa.
O atravessamento da cutícula pelas moléculas herbicidas pode acontecer por via aquosa
ou por via lipídica.

Por via aquosa


A camada cerosa da cutícula è atravessada por poros e è constituída por pectinas.
Quando a planta fica numa atmosfera saturada de humidade, os poros são enchidos de
água e as pectinas são muito hidratadas.

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Se o herbicida è solúvel na água, quando caie sobre a planta, penetra através da cutícula
através este sistema continuo de água.
Se vice versa a planta fica num estádio de stress hídrico, os poros são enchidos de ar e a
via aquosa è impraticável.
Por isso è sempre melhor molhar bem as plantas durante as aplicações de herbicidas e
fazer as aplicações nas horas menos quentes.

Por via lipídica


Se o herbicida è solúvel nas substâncias lipídicas, penetra através da cutícula por via
lipídica, através das substâncias lipídicas que constituem a cutícula.
As moléculas herbicidas são sempre quer hidrosoluveis, quer liposoluveis, mesmo se em
proporções diferentes segundo os herbicidas, e podem seguir maiormente uma ou outra
via.

b) Absorção por via radical

A absorção por via radical acontece no caso de aplicações antes da sementeira, ou pré-
emergência, ou pré-transplantação.
As moléculas herbicidas solúveis na água são absorvidas pelos pelos radicais e
transferidas no xilema.
Ao contrário, no caso da absorção por via folhar, o herbicida depois do atravessamento da
cutícula, fica no xilema ou no floema.
As chuvas que acontecem logo depois da aplicação favorecem a absorção por via radical
e não favorecem a absorção por via folhar (porque o produto é lavado e caie para o solo).
2) Transporte do herbicida no vegetal
Na planta o herbicida pode seguir diferentes vias:
a) ser transportado pelos vasos do xilema;
b) ser transportado pelos vasos do floema;
c) ser imobilizado por vários mecanismos ainda não bem conhecidos.

3) Acção fisiológica e bioquímica dos herbicidas

As acções fisiológicas e bioquímicas dos herbicidas são numerosas. São os seguintes os


tipos de acção:

1) Herbicidas agentes sobre a fotossíntese


2) Herbicidas agentes sobre a respiração e sobre as membranas celulares

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3) Herbicidas agentes sobre o crescimento, a acção hormonal

4) Herbicidas agentes sobre o crescimento, a acção não hormonal

Selectividade dos herbicidas


A selectividade dum herbicida è a propriedade dum herbicida de ser mais tóxico para
algumas plantas do que para outras, de maneira que, quando è aplicado sobre diferentes
espécies de plantas, algumas são mortas ou danificadas, outras não.
Não há uma selectividade absoluta, porque esta propriedade depende dos seguintes
factores:

a) doses de aplicação;
b) tipo de formulado;
c) modalidade de aplicação;
d) condições ambientais;
e) estado das plantas;
f) estádio de desenvolvimento das infestantes e da cultura.

Portanto è muito importante ler e respeitar as modalidades de aplicação; de outro modo se


arrisca de danificar também a cultura.
Há 4 diferentes tipos de selectividade:
a) selectividade de distribuição ou de posição;
b) selectividade de retenção;
c) selectividade de translocação;
d) selectividade fisiológica.

Geralmente um herbicida não manifesta um só tipo de selectividade, mas um tipo


prevalecente, que è coadjuvado e completado por outros tipos.

Épocas de aplicação dos herbicidas

A luta química contra as infestantes pode ser feita nas seguintes épocas:

a) Aplicação muito antecipada pré-sementeira;


b) Aplicação pré-sementeira ou pré-transpantação;
c) Aplicação pré-emergência;
d) Aplicação pós-emergência ou pós-transplantação.

a) Aplicação muito antecipada pré-sementeira

Nos países tropicais esta aplicação é feita nos seguintes casos:

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1) Aplicação de herbicidas à selectividade limitada, cuja acção tóxica diminue no período
de tempo que precede a sementeira. Esta aplicação serve para diminuir a infestação.

2) Aplicação de herbicidas nos solos não lavrados (prática do « zero-tillage ») ou pouco


lavrados (prática do « minimum tillage »). Sobretudo nos solos leves muitas vezes se
semeia sobre o solo intacto ou após a leve remoção da camada superficial. Nos dois casos
è preciso limitar o desenvolvimento das infestantes, aplicando um herbicida que mata as
infestantes que obstaculam a sementeira.

b) Aplicação pré-sementeira ou pré-transplantação

A aplicação pré-sementeira ou pré-transpantação se faz pouco antes da sementeira ou da


transplantação da cultura.
Nesta época se podem utilizar os herbicidas que precisam da incorporação no solo,
porque a luz os degrada (por exemplo os Tiocarbamatos), ou porque têm que ser
activados pela microflora do solo (por exemplo o Diphenamid), ou porque precisam dum
grão de humidade superior à aquela da superfície do solo (por exemplo o Chloridazon).
O solo tem que ser miudamente esmiudado. De facto se o solo tem torrões, se interrumpe
o véu do herbicida e a aplicação è menos eficaz.

c) Aplicação pré-emergência

A aplicação pré-emergência pode ser feita logo depois da sementeira ou também alguns
dias depois.
Para alguns herbicidas è importante distinguir uma pré-emergência antes que a semente
comece a germinar (residual) duma pré-emergência com a semente que já germinou (de
contacto), mas a planta ainda não conseguiu sair do solo.
A semente tem que ser muito bem coberta com o solo, porque alguns herbicidas (por
exemplo as Nitroanilinas) podem desvitalizar as sementes.

d) Aplicação pós-emergência ou pós-transplantação

Esta aplicação se faz quando no campo há uma cultura.


Se as infestantes são já nascidas é melhor usar herbicidas de contacto ou de translocação
por via folhar; se não são nascidas é melhor usar herbicidas a absorção radical.
 De contacto
 De acção sistémica

Classificação química dos herbicidas


Os herbicidas podem-se classificar nos seguintes grupos:

a) Azotorgánicos
b) Fosforgánicos
c) Stannorgánicos
d) Outros compostos orgânicos

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e) Compostos inorgânicos

CONCEITO DE DOENÇA

Entende-se por doença duma planta uma “alteração dos processos fisiológicos da
planta que diminue a quantidade e a qualidade da produção”.

DOENÇA CAUSADA POR FACTORES BIÓTICOS

A doença causada por factores bióticos è sempre o produto da inteiração entre a


planta, o patógeno e o ambiente. Isto significa que uma doença manifesta-se numa planta
não somente quando na planta è presente o patógeno, mas também quando o ambiente è
favorável ao desenvolvimento da doença. Por ambiente entende-se a temperatura, a
humidade, a luz, etc., que têm que ser óptimas para o patógeno e a planta. Isto significa
que o patógeno pode ser presente na planta, mas a doença não se manifesta se as
condições ambientais não são favoráveis para o patógeno e a planta.
As doenças se manifestam com sintomas, quer dizer com manifestações
características que constituem um quadro sintomatológico particular chamado síndrome.
Isto significa que cada doença produz uma especial síndrome, à que refere-se o nome
da doença. Por exemplo as principais doenças das plantas são chamadas com os nomes
seguintes: mosaico; ferrugem; murchidão; amarelecimento; cancro; queima; podridão;
enrolamento da folha; mancha castanha; mancha preta; roseta; etc. Os nomes precedentes
referem-se aos sintomas presentes nas plantas doentes.
Os técnicos com major experiência podem reconhecer uma doença olhando
simplesmente os sintomas presentes na planta. Todavia este método não è geralmente
suficiente para saber com certeza que tipo de doença afecta a planta. De facto, somente os
preparados microscópicos dos patógenos podem conferir certeza.
As principais doenças das plantas cultivadas são aquelas causadas por fungos.

CICLO DUMA DOENÇA

Uma doença se manifesta numa planta quando verificam-se as seguintes condições,


que representam o ciclo biológico da doença:

1) Existência de esporos ou conidios emitidos pelos fungos


2) Transporte de esporos ou conidios para as plantas
3) Contaminação
4) Germinação
5) Penetração
6) Colonização
7) Incubação
8) Produção de esporos ou conidios

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FACTORES QUE INFLUENCIAM AS DOENÇAS

Os principais factores que influenciam as doenças são os seguintes:

1) Humidade
A humidade é muito importante; sem humidade não há a germinação dos fungos.

2) Temperatura

A baixa temperatura favorece alguns fungos (por exemplo o míldio), enquanto a alta
temperatura favorece outros fungos (por exemplo a ferrugem).

3) Luz

Com pouca luz a planta produz tecidos ricos de água e delicados; isto favorece os
oídios, as tracheomicoses e as podridões do pé da planta. Pelo contrario, luz elevada
favorece as ferrugens, porque diminue o período de incubação.

4) Solo

Os principais factores do solo que podem ter influência sobre as doenças são o Ph e a
estrutura físico-química.
O Ph do solo pode influenciar as doenças. Um Ph acido favorece a tracheofusariose do
tomateiro (causada por Fusarium oxysporum lycopersici), enquanto um Ph alcalino
favorece a ernia das Crucíferas (causada por Plasmodiophora brassicae).
O solo compacto favorece os Fusarium.

PRAGAS
Em um sentido amplo, todos os insetos e patógenos (fungos, bactérias, vírus, nematóides)
que causam danos às plantas; no sentido mais restrito, refere-se somente aos insetos e
artrópodes.

Entende-se por praga, a qualquer organismo que causa prejuízo económico às plantas
cultivadas. Maioritariamente aos artrópodes (esqueleto externo e patas acopladas).
-Insectos (6 patas fase de adulto, corpo segmentado)
-Ácaros (8 patas fase de adulto/6 patas fase juvenil)
-Nemátodos
Animais de maior porte (Aves, Ratos, Macacos, Burros, Hipopótamos, Elefantes.

São os seguintes os principais métodos de luta contra os insectos:

1) Luta biológica

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2) Luta agronómica
3) Luta física
4) Luta mecânica
5) Luta química

1) LUTA BIOLÓGICA

A luta biológica consiste no uso dos organismos vivos (luta biológica clássica) e dos
seus produtos naturais (luta biológica moderna ou artificial) para proteger as plantas
contra os insectos.
A luta biológica portanto pode ser de dois tipos:

a) clássica;
b) moderna (ou artificial).

a) Luta biológica clássica

Este tipo de luta consiste no uso dos inimigos naturais dos insectos (predadores e
parasitas) ou no uso de plantas resistentes ao ataque dos insectos. Predadores e
parasitas são chamados também entomófagos, porque comem insectos.
Predadores são os animais que caçam os insectos para se alimentarem. Os insectos
são as suas presas. Por exemplo a Louva-a deus é um predador.
Parasitas são os animais que vivem sobre um insecto (ectoparasitas) ou dentro dum
insecto (endoparasitas) para se alimentarem. O insecto atacado pelo parasita chama-se
hospedeiro. Por exemplo a Pulga do homem vive sobre a pele do homem e portanto é um
ectoparasita; ao contrário, o Plasmódio, que causa a Malária, vive dentro do sangue do
homem e portanto é um endoparasita.
Os parasitas podem matar o hospedeiro no fim da sua vida (parasitoides) ou podem
deixar com vida o hospedeiro (parasitas verdadeiros). Por exemplo a Pulga do homem e
o Piolho do homem são verdadeiros parasitas, porque sugam o sangue e não matam o
hospedeiro. Pelo contrário, o micróbio que provoca a cólera é um parasitoide, porque
pode matar o hospedeiro. Na luta biológica são utilizados sómente os parasitoides, porque
matam os insectos hospedeiros (que são sempre insectos fitófagos, quer dizer insectos
que comem as plantas).

Os principais entomófagos utilizados na luta biológica classica são os seguintes:

a) Insectos
b) Bactéria
c) Virus
d) Nemátodos
e) Fungos

Plantas resistentes São as plantas que resistem ao ataque dos insectos sem. que sofram
prejuizos. Elas podem ser utilizadas na luta biológica.

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A resistencia das plantas aos insectos fitófagos pode ser dos seguintes três tipos :

1) Resistência verdadeira é o efeito dum processo de selecção natural.


2) Antibiosis é a resistência que ocorre quando uma planta produz substâncias químicas
que matam os insectos fitófagos.;
3) Tolerância é a resistência que ocorre quando uma planta pode cicatrizar as feridas
causadas pelos insectos ou pode reconstruir órgãos danificados.

b) Luta biológica moderna (ou artificial)

A luta biológica moderna (ou artificial) consiste no uso de produtos naturais,


sobretudo hormonas, para lutar contra os fitófagos.
As principais hormonas utilizadas na luta biológica são as seguintes:

a) Hormonas das metamorfoses


b) Ferhormonas sexuais

2) LUTA AGRONÓMICA

A luta agronómica consiste no uso das práticas agrícolas normais para proteger as
plantas contra os insectos fitófagos.
São as seguintes as principais práticas agrícolas utilizadas:

1) Lavoura
Com a lavoura os insectos que vivem no solo são trazidos à superfície do solo (e
mortos pelo sol e chuva, ou porque comidos pelas aves) ou são enterrados mais
profundamente (e morrem por asfixia).

2) Sementeira

A antecipação ou o atraso da sementeira pode fazer com que se evite o ataque duma
espécie de insecto fitófago. De facto, conhecendo a biologia duma espécie, se este insecto
causa prejuizo sobretudo quando a planta é muito pequena, poderia ser suficiente
antecipar ou retardar a sementeira. De facto se, quando a planta é pequena, o insecto está
num estádio não activo (ovo, pupa, por exemplo), não pode causar prejuizos.

3) Adubação

Um excesso de adubação azotada facilita o ataque de insectos com peças bucais de


tipo perfurador-sugador (por exemplo os afideos). Eles de facto são atraidos pelas plantas
que têm tecidos muito aquosos e moles (caracteristicas das plantas que crescem num solo
demasiado rico de azoto). Ao contrário um excesso de adubação potássica tem um efeito
desfavorável sobre os mesmos insectos com peças bucais de tipo perfurador-sugador.

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4) Rotação

A rotação das culturas feita com plantas não susceptiveis aos mesmos insectos impede
que no campo a população dos insectos fitófagos que causam prejuizos aumente muito.

5) Escolha de variedades (ou Escolha da cultivar)

Uma variedade (ou cultivar) de planta precoce ou tardia pode evitar os ataques
dalgumas espécies de insectos fitófagos.

6) Consociação

A consociação pode ser feita com plantas che têm um cheiro que mascara o cheiro da
planta hospedeira duma praga; portanto a praga não consegue encontrar a sua própria
planta hospedeira. Em outros casos as plantas consociadas são repelentes; portanto a
praga fica longe. Se conhecem também casos de consociação com plantas que atraem as
pragas, que portanto evitam de danificar as plantas cultivadas.

3) LUTA FÍSICA

A luta física consiste no uso de meios físicos para lutar contra os insectos.
São os seguintes os meios físicos mais utilizados:

a) Calor: O calor é utilizado sobretudo para matar insectos que causam prejuizos aos
produtos alimentícios e à madeira.
b) Radiações: São utilizadas as radiações gama ou X.
c) Luz: A luz é usada sobretudo para atrair insectos. Os principais métodos baseiam-se
no uso de armadilhas luminosas e armadilhas coradas.
d) Atmosfera sem oxigênio: Para conservar produtos alimentares, cereais e fruta pode-se
criar no armazem uma atmosfera com 98% de dióxido de carbono, que, à temperatura de
25°C, mata todos os insectos em 24 horas. Para conservar os cereais pode-se criar no
armazem também uma atmosfera de azoto, que mata insectos e ratos muito rapidamente.

4) LUTA MECÂNICA

A luta mecânica consiste no uso de métodos mecânicos para proteger as plantas contra
os insectos fitófagos. Estes métodos permitem a colheita directa (com as mãos) ou
indirecta dos insectos fitófagos.

A colheita directa consiste na colheita com as mãos dos insectos ou dos órgãos das
plantas infestados. Por exemplo contra os Gafanhotos os camponêses podem fazer uma
colheita directa com as mãos. Depois da colheita os Gafanhotos podem ser queimados, ou
cozidos, ou ainda lançados dentro de covas cheias de insecticida.

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A colheita indirecta consiste no uso de utensílios ou aparelhos mecânicos. São usadas
por exemplo escôvas (para escovar cochonilhas nos troncos das árvores) e garrafas. As
garrafas, cheias dum líquido atractivo, podem ser usadas no campo para atrair insectos
fitófagos.

5) LUTA QUÍMICA

A luta química consiste no uso de produtos químicos contra os insectos fitófagos.


A maioria dos produtos químicos utilizados contra os insectos são insecticidas, mas
alguns são insectífugos.
Os insecticidas matam os insectos, enquanto os insectífugos fazem fugir os insectos,
mas não matam. Exemplos de insectífugos são as bolas de naftalina, usadas nas casas
para proteger a roupa contra os insectos domésticos.
Os pesticidas são os produtos químicos que matam os organismos que causam
prejuizos; portanto os pesticidas compreendem os insecticidas, fungicidas (combatem os
fungos), herbicidas (combatem as ervas daninhas), nematocidas (combatem os
Nemátodos), acaricidas (combatem os Ácaros), limacidas (combatem os caracois),
rodenticidas (combatem os roedores), avicidas (combatem as aves), etc.

Formulado comercial

Dum pesticida deve-se conhecer o tipo de formulado comercial. Geralmente de facto


um pesticida é vendido em formas comerciais onde o pesticida está misturado com outras
substâncias. A mistura do pesticida con estas outras substâncias é o formulado comercial.
Ele é vendido com um nome comercial (chamado marca). Dentro do formulado
comercial o pesticida representa o princípio activo (chamado também nome comum),
quer dizer a substância que mata os organismos nocivos.
As substâncias ajuntadas ao princípio activo pesticida são de dois tipos: substâncias
inertes e substâncias coadjuvantes.

Tipos de formulado comercial

O formulado comercial pode ser aplicado seco, líquido, aerosol, ou em aplicações


especiais. O tipo de formulação é sempre indicado no rótulo, geralmente com uma
abreviação (por exemplo EC significa Emulsão Concentrada).

Literatura recomendada:
 Olmi, M. 2006. Manual de pragas das plantas cultivadas em Moçambique.
 Olmi, M. 2006. Pragas e doenças na agricultura, Apontamentos de técnicas de
controlo de pragas e doenças e infestantes.
 Capítulo VIII : Sementeira e plantação

 Sementeira directa: cereais, leguminosas, oleaginosas.

85
 Sementeira indirecta em alfóbres: quando usa sementes pequenas (tabaco, arroz,
alface) cujas plantas são depois transplantadas.
 Sementeira indirecta em alfóbres e depois em viveiros para futura enxertia e
plantação: Fruteiras
 Plantação directa: quando se faz o uso de material vegetaivo; cana-sacarina,
bananeira, ananás, mandioca,, batata-doce.
 Plantação em viveiros para posterior transplante: café, cacau, sisal, seringueira.

Para a realização de uma sementeira bem feita deve-se ter em conta:


a) Tipo de instrumentos a utilizar
b) Método de sementeira
c) Data de sementeira
d) Taxa de sementeira
e) Profundidade de sementeira
f) A qualidade da semente usar

Alfóbres e Viveiros

Alfóbre: talhão ou canteiro onde se semeiam as plantas destinadas a transplantação ou


repicagem.
Têm a vantagem de:
-permitir um controlo (rega, adubação, sombra, controlo fitossanitário, controlo de
infestantes) e selecção rigorosos durante o período de aviveiramento. Contudo não se tira
a vantagem máxima deste sistema. Por vezes semeiam-se várias sementes por covacho,
para que se possa fazer uma selecção mais tarde. Isto leva a uma maior competição entre
plantas, para além de maior tempo de influência dos factores ambientais (pobre
preparação do solo, infestantes, sequia);
-gasta-se menos semente;
-garante uma melhor distribuição das plantas no campo definitivo;
-no campo definitvo o crescimento inicial é mais rápido, portanto, o controlo de
infestantes é mais fácil.

Existem vários tipos de alfóbres mas o tipo tradicional é o mais utilizado e apresenta as
seguintes características:
- Largura de 1-1,20m, sendo o seu comprimento variável;
- Comprimento variável de 1m a 30m ou mais;
- Altura dos canteiros varia de 15-35 cm.

A largura é definida pelo comprimento médio do braço humano de forma a que, dois
homens, trabalhando em lados opostos, possam fazer as várias práticas culturais como a
sementeira, a monda, o arranque, etc., de forma a cobrir todo o canteiro.

Depois das plântulas produzidas em alfóbre ficarem prontas, estas podem ser
directamente transplantadas para o campo definitivo, no caso da maioria das hortícolas

86
ou, como é o caso das fruteiras e espécies florestais, transplantas ou repicadas para o
viveiro.

Definição de viveiro: Área conveniente determinada para a produção de mudas, ou


ainda, lugar para as plantas transplantadas ou plantas derivadas da propagação vegetativa.
Muda - material de propagação vegetal de qualquer género, espécies ou cultivares de
planta proveniente da reprodução sexuada ou assexuada, que tenha finalidade especifica
de plantio (de sementes, rebentos, estaquia, mergulhia, alporquia, enxertia e cultura
de tecidos).

Geralmente os tipos de viveiros mais frequentes são os a céu aberto, o tipo rústico ( com
cobertura e lateral protegida- folhas de palmeiras) até aos modernos reguladores de
temperatura e humidade usando estufas.

Os tipos básicos de viveiros são:


Tradicional ou estacionário – em que as plantas são criadas no próprio terreno, até a
altura do transplante final. Por regra as plantas são arranjadas em faixas de 4-5 linhas,
separadas por distâncias variáveis dependendo da espécie. Estes canteiros são depois
separados por caminhos de largura variável (2-3 m) dependendo da forma como os vários
tratamentos são feitos. Em caso de mecanização das operações os caminhos devem ser
maiores.

A grande desvantagem deste método de aviveiramento é o facto de forçar as plântulas a


passar por uma segunda crise de transplante, que é agudizada pelo facto de o transplante
ser geralmente feito com as raízes nuas.

Móvel ou em vasos/sacos plásticos – em que as plantas são colocadas em sacos de


plástico. A estrutura geral dos viveiros móveis é semelhante à dos fixos, permitindo
contudo um maior número de linhas devido à maior arrumação dos vasos cheios.
Neste caso, o transplante é feito com toda a terra contida no saco, sendo este rompido ou
removido, sem destruir o torrão de terra, colocado em covas previamente preparadas.

Para a agricultura, o substrato é o conjunto feito pelo solo de plantio e a adubação feita
nele, ou seja, o meio em que as plantas crescem.

Quando se trata de plantas em vasos, é importante para além das propriedades químicas e
físicas do substrato, considerar também o tamanho dos vasos, pois eles influem na
aeração e na retenção de água, que são factores fundamentais para o substrato em que a
planta cresce.

Os substratos possuem as seguintes funções: (1) Ancorar a planta, (2) Propiciar a


porosidade ideal do solo, que permite o ingresso de oxigénio e saída de gás carbónico e
etileno (3) Reservar água e (4) Fornecer os nutrientes necessários para o desenvolvimento
do vegetal.

87
Para formação de mudas, várias misturas de substrato são sugeridas, como solo e esterco
de curral na proporção de 3:1; ou solo, areia e esterco de curral curtido na proporção de
3:1:1 ou ainda na proporção de 2:1:1. Porém, outras misturas de substratos são utilizadas
para outras culturas, como húmus, Plantimax®, casca de arroz carbonizada, esterco de
galinha, palha de café e carvão vegetal, tem grande potencial e podem ser utilizados na
propagação vegetativa de fruteiras (esterco de curral + carvão vegetal + solo e areia na
proporção de 2:1:1:1.

Importância
Facilita um melhor acompanhamento das plântulas prestes a propagar desde os cuidados
fitossanitários, regas, Invernos frios e prolongados e Verões quentes, pode-se utilizar
módulos largos com cortinas plásticas móveis, para conservação do calor nos períodos
frios, e sistemas de abertura de janelas nas porções superiores do telado e/ou de
ventilação forçada para eliminação de ar quente, nos períodos de temperaturas elevadas.

Possibilita a manutenção das boas características da planta, tais como: produção,


qualidade do fruto, precocidade e sanidade.

Promove uma reeducação das plantas antes de propagar ou sofrer um melhoramento


genético.

Métodos de sementeira e plantação

Método mecânico: pouco usado na agricultura tradicional, podendo a semente ser


distribuída a lanço, em sulcos ou em linhas.

Método manual: normalmente usado pelo camponês de subsistência. Podem-se


identificar duas formas de distribuição básicas: a lanço (sementes pequenas) e sementeira
localizada (sementes de tamanho como milho, algodão, amendoim.

Quando são semeadas muitas sementes por covacho recomenda-se fazer o desbaste
porque se não, o rendimento será significativamente reduzido pela competição.

Tradicionalmente, é comum fazer-se a sementeira em zig-zag, ou seja, distribuindo as


plantas de forma mais ou menos uniforme pelo campo, mas sem qualquer arranjo espacial
geométrico definido.

Na maioria dos casos, a sementeira localizada em linhas ou sulcos) é mais vantajosa que
a sementeira a lanço porque:

-Garante maior economia de semente, há maior uniformidade na distribuição da semente,


há uniformidade na profundidade de sementeira, há menor competição entre as plantas
(devido a menor densidade), o ataque de pragas e doenças é geralmente menor e permite
maior facilidade na realização das práticas culturais.

88
Quanto à forma da superfície do solo a sementeira pode ser:

a) Lister
b) Plana
c) Em camalhões
d) Em camas ou canteiros

Quanto à distância entre linhas:

a) A jorro ou em linhas contínuas


b) Em linhas a espaços
c) Em rectângulo
d) Hexagonal ou quincocial

Quanto ao nº de linhas:

a) Standard

¥ ¥ ¥ ¥ ¥ Compasso: Dl x Dp (em cm ou m)

¥ ¥ ¥ ¥ ¥

¥ ¥ ¥ ¥ ¥

b) Linhas duplas

¥ ¥ ¥ ¥ ¥ ¥ Compasso: (Df+Dlf)xDp (cm ou m)

¥ ¥ ¥ ¥ ¥ ¥

¥ ¥ ¥ ¥ ¥ ¥

c) Em faixas ou linhas múltipla

¥ ¥ ¥ ¥ ¥ ¥ ¥ ¥ ¥ ¥ ¥ ¥

¥ ¥ ¥ ¥ ¥ ¥ ¥ ¥ ¥ ¥ ¥ ¥

¥ ¥ ¥ ¥ ¥ ¥ ¥ ¥ ¥ ¥ ¥ ¥

Legenda:

89
¥ - Localização das sementes/plantas; Df - distância entre faixas; Dlf - distância entre
linhas numa faixa; Dp – distância entre plantas

Ex: (2+1)x1 m, indica que a distância entre faixas é de 2m, a distância entre linhas dentro
da faixa é de 1 m e a distância entre plantas na mesma linha é de 1 m.

Densidade de sementeira/plantação

Compasso óptimo: é aquele que permite o crescimento de folhagem suficiente para


utilizar maximamente a radiação, sem que ocorra excesso de auto-sombreamento,
enquanto que as raízes têm espaço suficiente para absorção de água e nutrientes, ou seja,
aquele que permite obter o melhor rendimento em quantidade e em qualidade.

Variedades erectas devem ser semeadas em maiores densidades. Ex: em Moçambique


para o amendoim recomenda-se a utilização dos seguintes compassos:

45x10 cm para variedades erectas

60x10 cm para as variedades prostradas

Plantas perenes semeadas a altas densidades reduzem de rendimento com a idade devido
ao auto-sombreamento, ex. citrinos, bananeiras, e também por falta de espaço para o
crescimento do sistema radicular.

Por vezes semeia-se apertado para se fazer um futuro desbaste mas deve-se pensar nos
custos. Por vezes esse desbaste é atrasado e efeitos negativos ocorrem.

Solos mais férteis podem suportar mais ou menos plantas que solos menos férteis,
dependendo do tipo de cultura, do seu crescimento e da tecnologia usada.

A densidade de plantação depende de aspectos como pragas, doenças, infestantes, clima,


solo, local, espécie/cultura e variedade/cultivar.

Em árvores e em grandes plantações é preferível plantar em linhas com distâncias que


permitam a circulação de tractores para a realização de diferentes práticas culturais
(sacha, protecção fitossanitária) mecanizadas.

Com o aumento da deficiência de água, deve-se reduzir a densidade, para garantir o


suprimento das plantas. Em solos férteis podem-se usar densidades mais altas.

Com o aumento da densidade reduz-se a quantidade de luz disponível por planta,


causando um maior sombreamento. Com vista a garantir máxima intercepção deve-se:

-minimizar a competição intra e inter-específica, melhorar o padrão de distribuição e


orientação das folhas e aumentar a densidade até atingir o LAI (índice de área foliar)
óptimo.

90
Com o aumento da densidade de plantas pode-se assinalar ainda: uma redução da
extensão do sistema radicular e aumento da sobreposição das raízes de várias plantas;
aumento da altura da planta, aumento da susceptibilidade à acama; aumento da taxa de
mortalidade devido ao aumento da competição; atrasa a maturação; o índice de incidência
de doenças aumenta. A roseta do amendoim e outras doenças transmitidas por afídeos
tende a reduzir a velocidade de espalhamento com o aumento da densidade.

Profundidade da sementeira

A profundidade de sementeira depende essencialmente do tamanho da semente e do tipo


de solo, muito embora a disponibilidade de água no solo também tenha a sua influência.
Em solos leves, arenosos ou em solos quentes deve-se fazer uma sementeira mais
profunda, pois, a resistência pelo solo à emergência é menor. Deve-se ter em mente que
solos mais leves têm a tendência a secarem à superfície do solo com maior rapidez.
Assim, com uma sementeira mais profunda, garante-se que a semente fique mais tempo
em contacto com solo húmido.

Culturas com sementes grandes, fazem-se as sementeiras a maior profundidade. Estas


sementes por terem maior quantidade de carbohidratos armazenados, conseguem vencer
camadas de solo mais grossas, apenas com as reservas acumuladas na semente.

Data de sementeira

Deve-se semear logo que as chuvas começam mas, os camponeses atrasam a sementeira
por algumas razões ex: a preparação do solo é difícil em terreno seco e, só depois do
início das chuvas é iniciada; algumas culturas têm prioridades atrasando a sementeira das
outras; carência de mão-de-obra; falta de semente, etc.

Na agricultura de sequeiro o atraso na sementeira reduz a quantidade de água disponível


o que leva a reduções de rendimento. O ataque de pragas também é mais sério com
sementeiras atrasadas.

Importância do uso de sementes de qualidade

Antes da sementeira deve-se saber qual a qualidade da semente que se vai usar.

Características externas:

forma, tamanho (pode ser dado pelo peso de 100 sementes), côr.

Características internas:

Pureza genética – é um indicador do grau de uniformidade genética do material em uso.


Pode ser dado pela razão entre o peso das sementes fora do normal e o peso do lote;

91
Pureza física (%) – é o indicador do conteúdo de pureza contida no lote de sementes.
Sementes partidas são consideradas impurezas. São impurezas: matérias inertes como
terra, pedras, detritos de palha, sementes de outras plantas cultivadas.

Pesodaspurezas
PF(%)= x100
Pesototaldaamostra

Não devem ser aceites como semente, material com menos de 85-90% de pureza física.

Teor de humidade (%) – é fundamental para se decidir sobre se armazenar e sobre o


período de armazenamento.

Poder germinativo (PG) ou viabilidade (%) – indica-nos a quantidade de semente viável


no lote. É a capacidade da semente dar origem a uma plântula normal sob condições
artificiais muito favoráveis.

NrdeSementesGer min adas


PG(%) = x100
NrTotaldeSementesdaAmostra

Não devem ser aceites como semente, material com menos de 85-90% de poder
germinativo.

Energia germinativa ou vitalidade – é um indicador da velocidade de germinação de


sementes. É medida pela percentagem de sementes germinadas em metade ou no
primeiro terço da duração total do ensaio da germinação (4 a 7 dias para a maior parte das
espécies) Geralmente constrói-se gráficos cumulativos do número de sementes
germinadas ao longo do tempo.

Valor agrícola (%) – indica o valor global da semente, integrando o poder germinativo e a
pureza física da semente. Dá-nos a indicação da quantidade de sementes viáveis em
relação a uma amostra do lote de sementes

PG (%)xPF (%)
VA(%) =
100

Sementes com um valor agrícola (VA) menor que 80-85% ou uma percentagem de
germinação – PG(%) menor que 85-90% deve ser rejeitada.

Qualidade da semente

Sementes partidas têm:

- maior mortalidade; menor germinação; maior susceptibilidade à infecções; produzem


plantas mais pequenas.

Maturação da semente:

92
- o poder germinativo PG (%) diminui com o aumento da imaturidade; sementes imaturas
são mais susceptíveis a infecção por fungos; sementes maduras produzem plântulas mais
vigorosas; o amendoim é mais propenso a infecção por Aspergillus flavus durante o
armazenamento, quando colhido antes do tempo.

Uma boa semente deve ter certas qualidades: ser capaz de germinar, dando plantas
viáveis; pertencer à espécie e à cultivar desejadas; estar isenta de impurezas; apresentar
um bom estado sanitário; estar bem calibrada.

Determinação da quantidade de sementes

Para se determinar a quantidade de sementes a utilizar na sementeira deve-se ter em conta


que: nem todas as sementes germinam (PG); as intempéries e as pragas destroem sempre
uma certa percentagem de plantas (±10%); as técnicas de preparação da cama influem na
emergência; num solo com teor elevado de elementos grosseiros, certos grãos podem
ficar perdidos.

A quantidade de sementes dependerá do tamanho das sementes utilizadas, do compasso,


da taxa de sementeira, do método de sementeira. Tem sido comum os produtores
semearem muitas sementes por covacho quando o PG da semente for baixo mas os
resultados não tem sido positivos.

Exemplo 1:

a) Numa área de 4430m2, compasso de 70x30 cm, taxa de sementeira de 2


sementes/covacho, peso de 100 sementes=25 gramas, PG de 90%, e sabendo que
serão necessários 15% de semente para a retancha. Determine a quantidade de
semente (Kg) necessária para a machamba.

Nº sementes = 4430m²/0,21m²= 21095*2 sementes = 42190 sementes


Se: 100 sementes ---- 25 g
Então: 42190 sementes -– X
X = 10547,5 g = 10,55 kg

Se o PG é 90% teremos: 10,55kg + (10,55kg*0,10)= 11,605 Kg

Os 15% para retancha: 11,605kg + (11,605kg*0,15)= 13,35 Kg

Exemplo da determinação da quantidade de semente de algodão para 1Ha (valores


imaginários):

Peso de 100 sementes: 10g; Compasso: (80 x 30) cm; PG: 90%; Taxa de sementeira: 2
sementes/covacho;

Algumas classificações das sementes

93
Quanto a longevidade e armazenamento:

Sementes recalcitrantes - são aquelas que não apresentam germinação após secagem,
portanto, morrem ao serem desidratadas a valores inferiores a 37%.

Sementes ortodoxas – que não apresentam redução de germinação após a secagem e


armazenamento.

Sementes intermediárias ou sub-ortodoxas – apresentam redução parcial da percentagem


de germinação após a secagem, seguida ou não pela perda total de germinação após o
armazenamento (5-18ºC) mas quando desidratadas a 7% perdem significativamente a
viabilidade.

Outras classificações:

Semente botânica: Parte do fruto que contém o embrião no estado de vida latente e que
provém do desenvolvimento do óvulo (vegetal) após a fecundação. (usado na propagação
generativa)

Semente agrícola ou agrotécnica: qualquer material vegetal (raíz, caule, folha, ramo,
rebento, etc.) capaz de originar uma planta por via vegetativa.

S. Dicotiledónea, s. monocotiledónea, s. descente, s. indescente.

Categorias de sementes

Genética: produzida sob responsabilidade do melhorista e mantida dentro de suas


características de pureza varietal. Dá origem à semente básica

Básica: produzida sob responsabilidade do melhorista ou de entidade autorizada


originando, em muitas condições, a semente certificada. Podemos encontrar também a
pré-básica.

Registrada: oriunda da multiplicação da semente básica ou da própria semente registrada,


mantendo suas características genéticas e varietais

Certificada: proveniente da classe básica, registrada ou da própria certificada, manipulada


de forma que mantenha sua identidade genética e pureza varietal.

Dormência das sementes

O termo dormência de sementes aplica-se à condição das sementes viáveis que não
germinam apesar de lhes serem fornecidas as condições ambientais adequadas para
germinarem (ex. água e temperatura conveniente). É, portanto, um recurso utilizado pelas
plantas para germinarem na época apropriada ao seu desenvolvimento, e que visa a
perpetuação da espécie.

94
Consideram-se três Tipos fundamentais de dormência:

Dormência inata: descreve a dormência que se encontra presente imediatamente após a


paragem do crescimento do embrião, quando a semente se encontra na planta mãe. Esta
dormência já existe, portanto, quando colhemos as sementes. Este tipo de dormência
impede a semente de ter uma germinação vivípara, bem como, durante algum tempo após
o amadurecimento e a colheita das sementes. Existe sempre alguma variação na duração
do período de dormência das sementes de uma planta (polimorfismo).

Dormência induzida: descreve a dormência que resulta de se fornecerem condições para a


semente germinar (ex. água) mas por ser desfavorável qualquer factor ambiental a
semente não germina, e persiste dormente, mesmo que se remova o factor inibitório da
germinação.

Dormência forçada: descreve a dormência que resulta das condições em que as sementes
viáveis não germinam por alguma limitação ambiental mas que germinam após a
remoção do factor inibitório da germinação.

Outros autores falam de dormência primária e secundária.

Algumas causas de dormência das sementes:

Tegumento impermeável: as sementes com estas características, são chamados de


sementes com casca dura, por não conseguirem absorver água e/ou oxigénio.

Embrião fisiologicamente imaturo ou rudimentar: no processo de maturação da semente o


embrião não está totalmente formado, sendo necessário fornecer condições favoráveis
para o seu desenvolvimento. A solução é esperar.

Substâncias inibidoras: são substâncias existentes nas sementes que podem impedir a sua
germinação.

Combinação de causas: necessariamente as sementes não apresentam somente um tipo de


dormência, podendo haver na mesma espécie mais de uma causa de dormência.

Alguns processos para quebra de dormência das sementes:

Escarificação química: é um método químico, feito geralmente com ácidos (sulfúrico,


clorídrico etc.), que possibilita as sementes a executar trocas de água e/ou gases com o
meio envolvente.

Escarificação mecânica: é a abrasão das sementes sobre uma superfície áspera (lixa, piso
áspero etc.). É utilizado para facilitar a absorção de água pela semente.

95
Estratificação: consiste num tratamento húmido à baixa temperatura, auxiliando as
sementes na maturação do embrião, nas trocas gasosas e na embebição pela água.

Choque de temperatura: é feito com alternância de temperaturas variando em,


aproximadamente, 20ºC, durante períodos de 8 a 12 horas.

Água quente: é utilizado em sementes que apresentam impermeabilidade do tegumento e


consiste na imersão das sementes em água à temperatura de 76 a 100ºC, com um tempo
de tratamento específico para cada espécie.

CAPÍTULO IX.: Principais Métodos e Sistemas de Irrigação

96
Método de irrigação é a forma pela qual a água pode ser aplicada às culturas.
Basicamente, são quatro os métodos de irrigação: superfície, aspersão, localizada e
subirrigação. Para cada método, há dois ou mais sistemas de irrigação, que podem ser
empregados. A razão pela qual há muitos tipos de sistemas de irrigação é a grande
variação de solo, clima, culturas, disponibilidade de energia e condições socioeconômicas
para as quais o sistema de irrigação deve ser adaptado.

Irrigação por Superfície

No método de irrigação por superfície (Fig. 1), a distribuição da água se dá por gravidade
através da superfície do solo. As principais vantagens do método de superfície são: (1) -
menor custo fixo e operacional; (2) - requer equipamentos simples; (3) - não sofre efeito
de vento; (4) - menor consumo de energia quando comparado com aspersão; (5) - não
interfere nos tratos culturais; (6) - permite a utilização de água com sólidos em
suspensão. As principais limitações são: (1) - dependência de condições topográficas; (2)
- requer sistematização do terreno; (3) - o dimensionamento envolve ensaios de campo
(4) - o manejo das irrigações é mais complexo; (5) - requer freqüentes reavaliações de
campo para assegurar bom desempenho; (6) - se mal planejado e mal manejado, pode
apresentar baixa eficiência de distribuição de água; (7) - desperta pequeno interesse
comercial, em função de utilizar poucos equipamentos.

Fig. 1. Irrigação por superfície na cultura do milho.

Para a cultura do milho, o sistema de irrigação por superfície mais apropriado é o de


sulcos, os quais são localizados entre as fileiras de plantas, podendo ser um sulco para
cada fileira ou um sulco para duas fileiras (Fig. 2). Nos terrenos com declividade de até
0,1%, os sulcos podem ser em nível ou com pequena declividade. Para declividades de
até 15%, os sulcos podem ser construídos em contorno ou em declive, o que permite
lances de sulcos com comprimento maior.

97
Fig. 2. Áreas preparadas com sulcos e após plantio e irrigação, ambas sistematizadas com
laser.

Irrigação por Aspersão

No método da aspersão, jatos de água lançados ao ar caem sobre a cultura na forma de


chuva (Fig. 3). As principais vantagens dos sistemas de irrigação por aspersão são: (1) -
facilidade de adaptação às diversas condições de solo e topografia; (2) - apresenta
potencialmente maior eficiência de distribuição de água, quando comparado com o
método de superfície; (3) - pode ser totalmente automatizado; (4) - pode ser transportado
para outras áreas; (5) - as tubulações podem ser desmontadas e removidas da área, o que
facilita o tráfego de máquinas. As principais limitações são: (1) - os custos de instalação e
operação são mais elevados que os do método por superfície; (2) - pode sofrer influência
das condições climáticas, como vento e umidade relativa; (3) - a irrigação com água
salina, ou sujeita a precipitação de sedimentos, pode reduzir a vida útil do equipamento e
causar danos a algumas culturas; (4) - pode favorecer o aparecimento de doenças em
algumas culturas e interferir com tratamentos fitossanitários; (5) - pode favorecer a
disseminação de doenças cujo veículo é a água.

Os sistemas mais usados de irrigação por aspersão são apresentados e discutidos a seguir.

Fig. 3. Irrigação por aspersão convencional em área experimental de milho.

98
(A) Aspersão Convencional

Podem ser fixos, semifixos ou portáteis. Nos sistemas fixos, tanto as linhas principais
quanto as laterais permanecem na mesma posição durante a irrigação de toda a área. Em
alguns sistemas fixos, as tubulações são permanentemente enterradas.

Nos sistemas semifixos, as linhas principais são fixas (geralmente enterradas) e as linhas
laterais são movidas, de posição em posição, ao longo das linhas principais. Nos sistemas
portáteis, tanto as linhas principais quanto as laterais são móveis (Fig. 4).

Fig. 4. Sistema de aspersão portátil com laterais móveis.

Os sistemas semifixos e portáteis requerem mão-de-obra para mudança das linhas


laterais. São recomendados para áreas pequenas, geralmente com disponibilidade de mão-
de-obra familiar.

(B) Autopropelido

Um único canhão ou minicanhão é montado num carrinho, que se desloca


longitudinalmente ao longo da área a ser irrigada. A conexão do carrinho aos hidrantes da
linha principal é feita por mangueira flexível. A propulsão do carrinho é proporcionada
pela própria pressão da água (Fi.5).

99
Fig. 5. Sistema de irrigação autopropelido.

É o sistema que mais consome energia e é bastante afetado por vento, podendo apresentar
grande desuniformidade na distribuição da água. Produz gotas de água grandes que, em
alguns casos, pode causar problemas de encrostamento da superfície do solo. Existe
também o risco de as gotas grandes promoverem a queda de flores e pólen de algumas
culturas. Presta-se para irrigação de áreas retangulares de até 70 ha , com culturas e
situações que podem tolerar menor uniformidade da irrigação.

(C) Pivô Central

Consiste de uma única lateral, que gira em torno do centro de um círculo (pivô).
Segmentos da linha lateral metálica são suportados por torres em formato de "A" e
conectados entre si por juntas flexíveis. Um pequeno motor elétrico, colocado em cada
torre, permite o acionamento independente dessas (Fig. 14.6).

Pivôs podem ser empregados para irrigar áreas de até 117 ha . O ideal, todavia, é que a
área não ultrapasse 50 a 70 ha.

100
Fig.6. Sistema pivô central.

(D) Deslocamento Linear

A lateral tem estrutura e mecanismo de deslocamento similar à do pivô central, mas


desloca-se continuamente, em posição transversal e na direção longitudinal da área.
Todas as torres deslocam-se com a mesma velocidade. O suprimento de água é feito
através de canal ou linha principal, dispostos no centro ou na extremidade da área ( Fig. 7
). A água é succionada diretamente do canal ou mangueiras são empregadas para conectar
hidrantes da linha principal à linha lateral. A bomba desloca-se junto com toda a lateral, o
que requer conexões elétricas mais complicadas ou a utilização de motores de combustão
interna. É recomendado para áreas retangulares planas e sem obstrução.

(E) LEPA

São sistemas tipo pivô central ou deslocamento linear equipados com um mecanismo de
aplicação de água mais eficiente. No LEPA ("low energy precision application"), as
laterais são dotadas de muitos tubos de descida, onde são conectados bocais que operam
com pressão muito baixa. A água é aplicada diretamente na superfície do solo, o que
reduz as perdas por evaporação e evita o molhamento das plantas (Fig. 8) .

Irrigação Localizada

No método da irrigação localizada a água é, em geral, aplicada em apenas uma fração do


sistema radicular das plantas, empregando-se emissores pontuais (gotejadores), lineares
(tubo poroso ou "tripa") ou superficiais (microaspersores). A proporção da área

101
Fig. 7. Sistema de irrigação por deslocamento linear

Fig. 8. Sistema de irrigação do tipo LEPA.

molhada varia de 20 a 80% da área total, o que pode resultar em economia de água. O
teor de umidade do solo pode ser mantido alto, através de irrigações freqüentes e em
pequenas quantidades, beneficiando culturas que respondem a essa condição, como é o
caso da produção de milho verde.

(A) Gotejamento

No sistema de gotejamento, a água é aplicada de forma pontual na superfície do solo


(Fig. 9). Os gotejadores podem ser instalados sobre a linha, na linha, numa extensão da
linha, ou ser manufaturados junto com o tubo da linha lateral, formando o que
popularmente denomina-se "tripa". A vazão dos gotejadores é inferior a 12 l/h.

A grande vantagem do sistema de gotejamento, quando comparado com o de aspersão, é


que a água, aplicada na superfície do solo, não molha a folhagem ou o colmo das plantas.

102
Comparado com o sistema subsuperficial, as vantagens são a facilidade de instalação,
inspeção, limpeza e reposição, além da possibilidade de medição da vazão de emissores e
avaliação da área molhada. As maiores desvantagens são os entupimentos, que requerem
excelente filtragem da água e a interferência nas práticas culturais quando as laterais não
são enterradas.

Fig. 9. Sistema de irrigação por gotejamento em área experimental de milho.

B) Subsuperficial

Atualmente, as linhas laterais de gotejadores ou tubos porosos estão sendo enterrados, de


forma a permitir a aplicação subsuperficial da água (Fig. 10). A vantagem desse sistema é
a remoção das linhas laterais da superfície do solo, o que facilita o tráfego e os tratos
culturais, além de uma vida útil maior. A área molhada na superfície não existe ou é
muito pequena, reduzindo ainda mais a evaporação direta da água do solo. As limitações
desse sistema são as dificuldades de detecção de possíveis entupimentos ou reduções nas
vazões dos emissores.

Fig. 10. Sistema de irrigação localizada subsuperficial instalado com detalhe do


equipamento de instalação à direita.

103
Subirrigação

Com a subirrigação, o lençol freático é mantido a uma certa profundidade, capaz de


permitir um fluxo de água adequado à zona radicular da cultura. Geralmente, está
associado a um sistema de drenagem subsuperficial. Havendo condições satisfatórias,
pode-se constituir no método de menor custo. No Brasil, esse sistema de irrigação tem
sido empregado com relativo sucesso no projeto do Formoso, estado de Tocantins.

Selecção do Método de Irrigação

O primeiro passo no processo de seleção do sistema de irrigação mais adequado para uma
certa situação consiste em selecionar antes o método de irrigação. Vários fatores podem
afetar a seleção do método de irrigação. Os principais são sumarizados na Tabela 1.

Factores que afectam a selecção do método de irrigação

Método Fatores
Sensibilidade da
Taxa de
Declividade Cultura ao Efeito do Vento
Infiltração
Molhamento
Área deve ser
Não
plana ou nivelada
recomendado
artificialmente a
para solos com
um limite de 1%.
taxa de Adaptável à
Maiores Não é problema
infiltração cultura do milho,
Superfície declividades para o sistema
acima de 60 especialmente o
podem ser de sulcos.
mm/h ou com sistema de sulcos.
empregadas
taxa de
tomando-se
infiltração
cuidados no
muito baixa
dimensionamento.
Pode propiciar o Pode afetar a
Adaptável às
Adaptável a desenvolvimento uniformidade de
Aspersão mais diversas
diversas condições de doenças distribuição e a
condições
foliares eficiência
Todo tipo. Pode
Menor efeito de
ser usado em
doenças que a
Adaptável às mais casos extremos, Nenhum efeito
aspersão. Permite
Localizada diversas como solos no caso de
umedecimento de
condições. muito arenosos gotejamento
apenas parte da
ou muito
área.
pesados.
O solo deve ter Adaptável à
Área deve ser
Subirrigação uma camada cultura do milho Não tem efeito.
plana ou nivelada.
impermeável desde que o solo

104
abaixo da zona não fique
das raízes, ou encharcado o
lençol freático tempo todo. Pode
alto que possa prejudicar a
ser controlado. germinação.

Topografia, Solos, Cultura, Clima, Disponibilidade e Qualidade de Água para


Irrigação, Aspectos Econômicos, Sociais e Ambientais, Fatores Humanos.

Considerações Finais

A seleção do sistema de irrigação mais adequado é o resultado do ajuste entre as


condições existentes e os diversos sistemas de irrigação disponíveis, levando-se em
consideração outros interesses envolvidos. Sistemas de irrigação adequadamente
selecionados possibilitam a redução dos riscos do empreendimento, além de uma
potencial melhoria da produtividade e da qualidade ambiental.

Fonte: Embrapa.com.br

105
CAPÍTULO X: Noção de pós-colheita

Propriedade dos prudutos armazenados

A forma mais comum de armazenagem de alimentos (cereais e legumes) é o do grão


vivo. Este contém uma alta concentração de substâncias nutritivas e é fácil de armazenar
graça ao seu fraco teor em água.

Respiração do produto armazenado

Um grão é um organismo vivente que respira. Durante a respiração, o amido e oxigénio


produzem gás carbónico, mas também água e calor.
Um aumento de temperatura de armazenagem leva a um aumento da taxa de respiração.
A degradação de substâncias nutritivas como consequência da respiração leva a perdas no
peso e na qualidade dos produtos armazenados.

Teor em água do produto armazenado

O grão contém água. O teor em água do produto armazenado é variável. Um teor em água
superior a um limite seguro que depende do tipo do grão, favorece a infestação com
fungos e insectos, o que reduz a duração da conservação do produto.

Factores climáticos na armazenagem

Temperatura
Humidade relativa do ar
Humidade relativa e o teor em humidade do produto armazenado

A temperatura do ar, a humidade relativa e o teor em água do produto armazenado estão


extremamente ligados por uma relação de interdependência.

Teor em humidade máxima do produto no caso de armazenagem a longo prazo

106
Produto Teor de humidade Produto Teor em
máxima humidade máxima
Milho 13% Feijão 15%
Trigo 13% Amendoim 7%
Milho-miúdo 13% Cacau 7%
Sorgo 13% Copra 7%
Arroz cru 14% Palmita 5%
Arroz 13% Café 13%

Teor em humidade de equilíbrio varia em função da composição química dos diferentes


tipos de produtos armazenados. Um grão com alto teor em lípidos (gorduras, óleos) vai
ter por exemplo, um teor de humidade de equilíbrio bem inferior, que estão compostos
principalmente de amido.

Perdas depois da colheita: causas, consequências e medidas preventivas

Podem ocorrer perdas depois da colheita nos estágios seguintes:

 Durante a colheita
 Durante o transporte
 Durante a secagem
 Durante a malhada
 Durante a transformação
 Durante a armazenagem

Perdas quantitativas

As perdas quantitativas dos produtos armazenados devam em parte ao derramamento de


grãos dos sacos, danificados, a roubos ou pragas. Perdas de peso podem também resultar
das modificações do teor em humidade no grão durante o período de armazenagem.
Geralmente, é difícil determinar o alcance total das perdas devido a razões seguintes;

 Não existe nenhum método para calcular perdas que seja que seja ao mesmo
tempo simples, rápido, seguro e universalmente aplicável.
 Muitas vezes, sobretudo nas pequenas herdades, não se conhece a quantidade
exacta da colheita. Por isso, é possível registar as perdas ulteriormente mas não é
possível quantificar as mesmas.
 No caso de infestação com insectos, a perda de peso não corresponde de modo
nenhum à diferença de peso constatada antes e depois da infestação. ao pesar o
produto, pesam-se também os insectos que ocasionam as pragas e os excrementos
dos roedores não podendo ser separadas todas as impurezas – o que leva a perdas
efectivas mais elevadas do que as calculadas.

107
Perdas qualitativas

As perdas qualitativas podem aparecer de diferentes maneiras:

 Modificação da cor ( p. ex. quando o arroz amarelece )

 Modificação do cheiro

 Modificação do sabor

 Perda do valor nutritivo (degradação de proteínas e vitaminas)

 Perdas qualitativas ao cozinhar, moer ou cozer no forno

 Contaminação do produto armazenado com micotoxinas ou com agentes


patogénicos

 Perda da faculdade germinante das sementes

Muitas vezes ocorrem várias modificações qualitativas ao mesmo tempo, geralmente


também em conexão com uma perda de peso, ou seja com uma perda quantitativa. As
perdas qualitativas são bem mais difíceis na determinação que as perdas quantitativas,
sendo que são mais difíceis no reconhecimento ( p.ex. perda do valor nutritivo). Além
disso, faltam em muitos países as normas de qualidade correspondente e os consumidores
reagem de maneira às alterações na qualidade.

Armazenagem ao nível de pequenas herdades

Métodos de armazenagens
Podem se distinguir três formas fundamentais de armazenagens ao nível de pequenas
herdades: Sistema de armazenagem Abertos, semiabertos e fechados

Sistemas de armazenagem aberto


Em regiões de condições climáticas quentes e húmidas utilizam-se quase só sistema de
armazenagem abertos porque o produto ainda está húmido ao ser armazenado. Um
método muito difundido consiste em dispor a colheita em camadas, espigas ou panículas
colocando estes sobre plataformas acentadas sobre pilares de madeiras. Um tecto de
palha serve de protecção contra chuva.
Às vezes encontra se a colheita suspensa em armações ou debaixo dos tectos das casas.
Neste último caso o fogo da cozinha serve para secar colheita e repelir os insectos.
Os sistemas abertos são geralmente construções muitos simples, nos quais a higiene é
difícil de ser mantida.

108
Vantagens
- O arejamento natural possibilita a continuação do processo de secagem durante a
armazenagem.
- O desenvolvimento de fungos é reduzido graças ao arejamento contínuo.

Desvantagens
- Insectos, roedores e pássaros têm acesso livre ao produto armazenado

Sistemas de armazenagem semi-abertos


As estruturas de sistema de armazenagem semi-aberta, são difundidas particularmente
nas regiões semi-áridas. Elas incluem contentores feitos de ramos entrelaçados ou palha.
Ao igual que armações de madeiras com esteiras de palha sobre as quais são colocadas os
produtos. A colheita é armazenada geralmente no estado não malhado, ou seja com
espigas ou panículas. Evita se contacto com o solo por meio de fundamentos de pedras
para que a humidade não penetre no lugar de armazenagem. Um tecto de palha serve de
protecção contra chuva.
Sistemas de armazenagem semi-aberta oferecem uma melhor protecção contra a
intempérie que as abertas, mas o arejamento é reduzido e não proporcionam protecção
nenhuma contra a entrada de pragas.

Sistemas de armazenagem fechadas


Nas regiões áridas utiliza-se em geral para a armazenagem de sorgo, milho-miúdo,
leguminosas, arroz cru e amendoim, contentores para uma armazenagem fechada feito de
barro, muitas vezes misturado com palha rachado. A mistura utilizada para a construção
destes contentores é chamada banco. A colheita é armazenada geralmente depois de ter
sido malhada. Praticamente não se conhecem problemas com a humidade ou com a
condensação devido ao baixo teor em humidade de produto armazenado e à excelente
insolação oferecida pelo barro utilizado na construção. Encontram se estes contentores de
bancos em todos os tamanhos e formas. Geralmente eles são fechados com uma tampa e
protegidos da intempérie com um tecto de palha.
Grandes pedras são utilizadas como fundamento e para evitar a entrada da humidade
pelo solo.
São utilizadas também cala baças, potes de argila, contentores de madeira e antigos
recipientes de óleo obtendo-se bons resultados ao nível da armazenagem em pequenas
herdades especialmente no caso de sementes e leguminosas de grãos.

Vantagens das estruturas de armazenagens fechadas


- Protecção geralmente eficiente contra a penetração de pragas
- Microclima fresco e seco particularmente nas construções de argila ( banco )
- Os contentores fechados proporcionam condições impermeáveis ao ar. O oxigénio
é consumido pela respiração das pragas e dos grãos , o que leva a uma
autodestruição das pragas. O oxigénio remanesce é suficiente para manter a
faculdade de germinação das sementes .

109
Desvantagens
- As construções de argila não são muito resistentes a chuva, o que leva a trabalhos
de reparação. Fissuras são um esconderijo ideal para os insectos.
- Existe o perigo da condensação particularmente em contentores de metal

Produtos frescos pós - colheita

Produtos climatéricos = são aqueles que logo após o início de maturação, apresentam
rápido aumento de intensidade respiratória, ou seja as reacções relacionadas com o
amadurecimento e envelhecimento ocorrem rapidamente e com grande demanda de
energia, responsável pela alta taxa respiratória.

Alguns frutos climatéricos podem ser : banana, manga, tomate, papaia, etc.
Afim de retardar a maturação e o envelhecimento, aumentar o período de conservação,
frutas, hortaliças climatéricas costumam ser colhidas ainda verdes a partir do momento
em que atinge o ponto de maturação. em seguida são armazenados em condições
controladas.

Produtos não climatéricos = São aqueles que necessitam longo período para completar
o processo de amadurecimento.
Ex. de alguns produtos não climatéricos: Citrinos, uva, beringela pimento, alface, pepino
etc.

Ponto de colheita = É o momento em que a colheita pode ser feita sem a ocorrência de
danos e com maior tempo de conservação dos produtos. Este ponto ideal é alcançado
quando os produtos estão formados e prontos para amadurecer neste momento todos os
factores Físicos e químicos necessários ao processo de amadurecimento estão presentes
no fruto.

Literatura recomendada:
GWINNER; J. HARNISCH; R. MUCK; Manual sobre prevenção das perdas de grãos

depois da colheita. 1997, 2º edição.

110
CAPÍTULO XI.: SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL

Segurança alimentar - Refere-se a acesso físico e económico aos alimentos de todas as


pessoas, em todos os momentos à alimentação suficiente com vista a garantir uma vida
activa e saudável.

Insegurança alimentar é a condição em que as pessoas estão imcapacitadas de adquirir


alimentos suficientes em qualquer momento.
Existem dois tipos de insegurança alimentar:

Insegurança crónica: refere-se a falta persistente de acesso aos alimentos. Esta é


causada por indicadores históricos como: pobreza, baixa fertilidade do solo, falta
de acesso água potável, doenças crónicas, etc.
Insegurança transitória: refere-se a falta temporária de acesso aos alimentos, e é
causada pelas cheias, a seca, os ciclones, ataque de pragas como o gafanhoto
vermelho, etc.

Grupos de nutrientes

Nutrientes são substâncias químicas que existem nos alimentos e que tem funções
energéticas, protectoras e reguladoras.

Os principais nutrientes são:


 Proteinas
 Carbohidratos/Glicidos
 Lípidos/ Gorduras
 Vitaminas
 Sais Minerais
 Água

Avaliação do estado nutricioal de uma população

Desnutrição
Existem dois tipos de destrução:

Crónica – é aquela em que geralmente sofre-se quando a criança e reflecte-se no


comportamento físico numa altura em que o crescimnto não pode ser melhora.

Actual – é aquela em que geralmente sofre-se quando há carência alimentar ou


nutricional num determinado periodo e pode-se melhorar através de administração de
alimentos em quantidade e qualidade.

111
Razões da desnutrição

Falta de dinheiro para aquisição de alimentos no periodo de escassez e subida de


preço de alimentos em certas zonas.
Falta de educação alimentar nutricional para as familias de modo a alterar,
preparar e distribuir o tempo de consumo de alimentos durante o dia.
Algumas mulheres realizam trabalhos muitos pesados e gastam energia e não tem
tempo para preparar mais de uma refeição por dia.

Indicadores nutricionais

Para avaliação o estado nutricional temos que reconhecer o estado fisico do corpo, com
isso deve-se ter uma amostra de um pequeno grupo de pessoas. Nesse caso utliza-se a
medição do corpo ou antropometria.

Indicadores da desnutrição crónica:

Peso por idade - este indicador é usado quando uma criança teve um crescimento
dificiente. Padrões de referência: 90% a 100% estado normal, <90% significa criaça
muito baixa para sua idade, logo é um sinal de que a criança sofreu desnutrição crónica.

Peso altura para adulto – este indice é medido através da massa corporal em Kg/h2.
Padrões de classificação(IMC)
Menos de 18,5% desnutrição crónica.
De 18,5 % a 24,9% normal
De 25 a 29,9% obesidade grau 1 moderado
De 30 39,9% obesidade grau 2 severo
Mais de 40% obesidade grau 3 grave

Exemplo: Um individuo de 65Kg de peso e 1,76m de altura, pode se saber qual é o seu
estado nutricional.

Índice= Peso em Kg <=> Índice=65Kg <=> Índice=20,98


Altura2 1,762
Quer dizer que esta pessoa tem um estado nutrional normal de acordo com os padrões de
classificação.

Indicadores de desnutrição actual:

Peso por altura – quando o peso é baixo em relação a altura e a criaça está magrinha, de
acordo com os padões de referência, significa que a criança está desnutrida neste
momento.

P=(A – 150) – (A – 150)


4 ou 2

112
P – Peso 4 – para individuos do sexo
masculino
A – Altura 2 – para individuos do sexo
femenino

Exemplo:Uma criança masculina tiver 1,10m de altura, podemos saber o peso ideal para
esta altura

P=(110-100)- (110-150) <=> P=10- (-40) <=> P=10+10= 20Kg


4 4
Se para esta altura, opeso ideal é de 30K e no terreno depois de pesar uma criança da
mesma altura, esta tiver pesado 18Kg podemos saber o seu o seu estado nutricional.

20kg------100%
18kg------X

X= 18kg x 100% = 90
20kg

Significa que esta criança está num estado de nutrição de magreza de acordo com os
padrões de de classificação;
Menos de 90% magreza
De 90%-110% normal
Mais de 110% obesidade

Peso por idade de acordo com os padrões de referência quando o peso for:
Menos de 60% desnutrição grave (criança com marasmo)
De 60%-70% desnutrição moderada.
De 70%-80% desnutrição leve.
De 90%-110% normal
Mais de 110% obesidade

Baixo peso ao nascer quando a criança nasce com peso inferior a 2,5kg, isso acontece
mais quando as mães não tiveram alimentação em quantidade e qualidade nos ultimos 3
meses da gravidez.

Perímetro braquial é o indicador que se usa para avaliar o estado nutricional duma
população, a base é a perda de tecido muscular e adiposo que ocorre na desnutrição.

Crescimento deficiente Caracteriza-se pela ausencia do aumento de peso e pode ser


determinado por várias razões tais como: alimentação inadequada em quantidades e
qualidades, doenças e de desmame brusco.

113
Noções de segurança alimentar

Definição:
É a satisfação das necessidades alimentares, incluindo o uso social da comida, durante
todo o ano para toda a população.

Segundo (Conferencia Internacinal de Nutrição em Roma em 1992) é o acesso de todas


as pessoas a uma alimentação adequada para que tenham uma vida activa e saudável.

Objectivos da segurança alimentar:


Alimentar-se bem para combater a fome, saude, trabahar bem.
Identificar as necessidades nutricionais.
Identificar os grupos vulneráveis(crianças e mulheres)

Pilares da segurança alimentar e seus indicadores

Produção e Disponibilidade: refere-se a quantidade de alimentos que pode provir da


produção própria, importações, reservas, ajuda alimentar, e remessas;

Indicadores

Previsão de produção de cereais cultivados, precipitação, pragas;


Previsão de colheitas dos alimentos e perdas
Quantidades de gado, avaliação da dispnibilidade e doenças;
Pesca e perda durante o processamento e transporte;
Mudança populacional devido a migração e deslocação interna.

Acesso: refere-se a capaciadade das pessoas de adquirir alimentos através da compra,


troca, etc.;

Indicadores

Poder de compra do salário mínimo;


Percentagem da populção desempregada ou sub-empregada;
Previsão actual das colheitas das culturas de rendimento cultivadas por
pequenos camponeses;
Preços dos alimentos de base;
Preço das culturas de rendimento practicadas pelos camponeses.

Utilização: refere-se ao processo (escolha, processamento, confecionamento e


distribuição do alimento pelos membros da família) consumo dos alimentos numa dieta
adequada;

114
Indicadores

Mortalidade infantil
Rendimentos não agrícolas
Pobreza
Educação da mulher
Escolaridades
Prevalência do SIDA

Adequação: refere a qualidade nutricional suficiente do alimento para satisfazer as


necessiades dietéticas dos individuos. Deve ser de origem nacional e ser social,
económica e ambientalmente sustentável.

Estabilidade: refere-se à dimensão permanente da segurança alimentar e nutricional, que


satisfaça as necessidades de sobrevivências de todos individuos em todas as alturas. A
noção de Estabilidade é analizada nas dimensões de disponibilidade, acesso e utilizção.

Indicadores
O ambiente Sócio económico do pais.
A produção e disponibilidade e o acesso aos alimentos.
As condições de saúde, água e saneamento.
O consumo alimentar e a utilização do alimento pelo organismo

Soberania alimentar

Literatura recomendada:

CAPÍTULO XII: Noção de custos de produção, Margem bruta, Receita, Preço e


Lucro

Uma empresa é uma instituição económica que coordena a transformação de insumos em


bens e/ou serviços. As empresas podem ter vários e diferentes objectivos. Porém, todas
elas estão empenhadas em produzir bens e/ou serviços para satisfazer as necessidades
humanas. O processo de transformação/combinação de insumos (factores de produção)
em produtos é chamado produção. A produção é, portanto, uma actividade que cria uma
utilidade presente ou futura e que envolve custos de produção dessa utilidade.

Custos fixos (CF): não variam com a quantidade produzida. A empresa suporta
independentemente do nível de produção, ou seja são custos que existem mesmo quando
a empresa não produz nada. Ex: edifícios, escritórios, máquinas, salário dos trabalhadores
permanentes, etc.

115
Custos variáveis (CV): variam consoante a quantidade de bens ou serviços que a empresa
produz. Ex: energia, matérias-primas, fertilizantes, sementes, ração, etc.

Custo total (CT): a soma dos custos fixos com os custos variáveis. CT = CV+CF

O custo total médio ou custo médio (CMe) é obtido dividindo o CT pela correspondente
produção CMe = CT/Q

O custo fixo médio (CFMe) é obtido dividindo o CF pela correspondente produção


CFMe= CF/Q

O custo variável médio (CVM) (custo variável médio) = CV/Q

O Custo marginal (CMa) é o custo de produzir mais uma unidade ou seja, o custo de
produzir uma unidade adicional. CMa (n) = CT (n) – CT (n-1).

A margem bruta (MB) que é a diferença entre a receita total e os custo variável, ajuda a
comparar a eficiência de produção de diferentes linhas de produção: MB= RT-CV

A receita total (RT) obtém-se multiplicando o preço pela quantidade da produção:


R = Q x Preço

Pode-se determinar o preço com o seguinte critério:


 Critério do Break even point (ponto de equilíbrio) onde: CT = RT;
 logo: CT = Q x Preço
 Preço = CT/Q (este será o preço que não trará nem lucro e nem prejuízo). Basta
adicionar uma margem sobre este, normalmente de 30% para que se obtenha o
preço final.

Ex: CT=7000$ e Q=100; Preço (sem lucro nem prejuizo) = 7000/100=70$; Preço
(com lucro) = 70+(70x0,3)=91$

O lucro será a diferença entre a receita total (RT) e o custo total (CT).

Factores de produção agrária: Terra (recursos naturais), capital (bens de investimento,


infra-estruturas, maquinaria, etc) e mão-de-obra.

Leis e princípios de produção:

a) Princípio dos rendimentos decrescentes


Expressa a relação económica da utilização de unidades adicionais de um factor de
produção mantendo os outros constantes. Chega-se a um ponto em que o rendimento
adicional derivado do aumento dos custos variáveis cairá.

116
b) Procura do Produto: a urgência na qual o produto é requerido/desejado em relação
aos outros produtos e a boa vontade conjuntamente com a capacidade financeira de
suportar o desejo definem o preço do produto, fala-se da relação preço do produto e a
quantidade procurada. No ambiente de concorrência perfeita, recebendo o preço do
mercado as empresas definirão a quantidade do produto a ser produzida.

c) Oferta dos Factores de Produção: aqui refere-se a relação do preço do factor e a


quantidade oferecida do mesmo. O preço do factor produtivo influenciará a quantidade
procurada do mesmo, que por sua vez influência a produção.

117

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