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β-oxidação - Parte 1/3

Professora: Samya Neves

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

A β-oxidação ou oxidação dos ácidos graxos refere-se a longas cadeias de ácidos


graxos sendo degradadas de dois em dois átomos de carbono. E esses dois em dois
átomos de carbono vão sendo liberados em moléculas de acetil-coA, as quais serão
utilizadas no ciclo de Krebs. Na impossibilidade desse acetil-coA e o motivo por ele não
conseguir entrar no ciclo de Krebs, teremos um caminho alternativo, que é a formação do
corpos cetônicos. Então os corpos cetônicos só se formam quando esse acetil-coA,
proveniente da degradação dos lípidios, não consegue ser utilizado no ciclo de Krebs.
Portanto, no nosso organismo, só há a produção desses corpos, quando o acetil-coA não
é inserido no ciclo de Krebs.

A oxidação de ácidos graxos é um processo de quatro passos, através da qual os


ácidos graxos serão todos convertidos em acetil-coA. Ela é liberadora de energia, tendo
a ideia de que a degradação de lípidios tem um aporte maior de energia, se comparado
à degradação de proteínas. Os lipídios liberam 9 kcal, já as proteínas e carboidratos, 4
kcal. Então é mais do que o dobro que são liberadas na degradação. Mas que lípidios a
gente tem armazenado? Lípidios na forma de triglicerídeos, armazenados no tecido
adiposo. Um triglicerídeo é formado por glicerol e ácidos graxos. Então a gente vai ver
como acontece essa degradação dos triglicerídeos, em estimulo a quê, em resposta a
quais hormônios. Mas quando eu tenho a quebra do triglicerídeo, eu vou liberar o glicerol
e ácidos graxos, tendo cada um o seu destino. Nada será acumulado ou perdido pelo
caminho. Temos o glucagon e a adrenalina como hormônios estimulantes a degradação
do glicogênio no fígado.

Então os ácidos graxos saturados e com número par de átomos de carbono vão
ser degradados até acetil-coA. Por que estou falando ácidos graxos em número par?
Porque temos ácidos graxos de número ímpar. E, quando temos no organismo, pela
alimentação, ácidos graxos de numero ímpar de átomos de carbono, eles terão um
destino que nós veremos aqui também, que terá um componente que será utlizado no
ciclo de Krebs. O acetil-coA formado da β-oxidação apresenta um destino alternativo que
é a produção de corpos cetônicos no fígado. Ou seja, é o fígado que, na verdade, captará
o acetil-coA que não vai pro ciclo de Krebs e vai convertê-lo nos chamados corpos
cetônicos. Nosso organismo lança mão disso, pra não deixar nada acumulado, então o
acetil-coA rapidamente é convertido nos corpos cetônicos. Mas não é que ele usa esses

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corpos cetônicos. Ele libera para tecidos extrahepáticos, principalmente para o cérebro.
Nosso cérebro, em duas posições, pode usá-los como fonte de energia.

Aluno: Professora, tem algum componente dos triglicerídeos que pode dar origem
à glicose?
Samya: Gliceraldeído-3-fosfato vai ser utilizado na via glicolítica, não diretamente
na glicose. Ele vai participar da via.

O fígado, mais uma vez, armazena glicose, mas não a utiliza quando está
com nível baixo de glicose. O fígado produz os corpos cetônicos e também não os utiliza
como fonte de energia. Por isso tem que ter muito cuidado com o fígado. Como acontece
a obtenção e a digestão desses lipídeos? Mobilização e transporte dos ácidos graxos.
Quais são as fontes para obtenção do lipídeo para produzir energia? Gorduras presentes
na alimentação, gorduras armazenadas na célula, em forma de gotículas, e gorduras
sintetizadas em um órgãos para serem exportadas para outro. A quebra dos lipídios
ocorre em resposta a níveis baixos de glicose. Nosso organismo só lança mão de
degradar os lipídios em resposta a níveis baixos de glicose. Os hormônios glucagon e a
adrenalina estimulam a degradação de lipídios, portanto.

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Essa aula está toda pelo Lehninger, inclusive as figuras. Estudem por ele. O Devlin complica
um pouco.

Essa figura mostra como ocorre o transporte dos lipídios da ingestão diária com
passos até eles serem armazenados, no tecido adiposo, como forma de triglicerídeos.
Olhem como o metabolismo dos lipídeos não é tão rápido, diferentemente do
metabolismo da glicose. Em torno de minutos, ao cair na corrente sanguínea, a insulina
vai estimular a utilização da glicose. O primeiro passo acontece quando esse lipídeo vai
chegando aqui, aliás, onde vai emulsificar as gorduras que vieram da dieta, formando
micelas, gotículas menores de gordura. Os sais biliares convertem essa figura em
partículas bem menores, as micelas, para auxiliar as lipases intestinais. O papel da bile
é, portanto, emulsificar gordura. Esses triglicerídeos degradados são formados por ácidos
graxos e glicerol. Esse ácidos graxos, na parede intestinal, serão ligados pela proteína
apo-C2, presente nos quilomícrons, que transportam lipídeos da alimentação. E o LDL
transporta-os do fígado para os tecidos. Mas ele, também, só pode transportar,
facilmente, os lipídeos se ele estiver inserido nessa proteína. Assim como o HDL e o LDL
estão aderidos a uma proteína. Então o LDL, pra ele ser uma molécula tão heterogênea,
ele também precisa estar com aquela proteína. Por que eles chamam um ruim e o outro
bom? Por conta da quantidade de proteínas e de lipideos, mas é também em relação a
essas proteínas ligadas a ele. Os quilomícrons podem ser transportados na corrente
sanguínea e no sistema linfático. Quando eles chegam nos capilares, outras lipoproteínas
e outras lipases estão presentes, as quais vão quebrar as lipoproteínas, liberando,
novamente, os ácidos graxos e a molécula de glicerol. Então esse ácidos graxos serão
conduzidos ao tecido adiposo, onde eles serão reestereficados para serem estocados.
Na verdade, para que a molécula de colesterol não seja tão heterogênea, para não causar
tantas placas de ateroma, ele tem que ser conduzido pela corrente sanguínea na forma
de ÉSTER DE COLESTEROL, assim como a forma de armazenação. Resumindo, os
lipídeos são oxidados e estereficados para serem estocados num adipócito ou num
miócito.

Todo esse triglicerídeo é advindo da dieta, mas também pode ter origem hepática.
Os diabéticos, por causa da ausência da insulina, não terão quase nada de lipídios na
forma de triglicerídeos. Toda a gordura que eles têm é logo degradada. Não há
armazenação, já que a insulina estimula a síntese de lipídeos. Quando a glicose está
dentro da célula, ela tem três destinos: via glicolítica, síntese de glicogênio e síntese de
lipídios. Então os indivíduos diabéticos tipo I, a maioria, são magros, pois não tem quase
nada de estoque de triglicerídeos. No caso da diabetes II, isso só ocorre depois que o
diabetes for desenvolvido.

Os hormônios vão provocar a mobilização dos triglicerídeos que estão


armazenados. Eles podem ser oxidados para produção de energia.

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Eu tenho um tecido adiposo e um triglicerídeo armazenado. Então, em resposta a
níveis baixos de glicose, sempre que o organismo estiver com baixos níveis de glicose,
alguns hormônios vão estimular a degradação dos triglicerídeos. São o glucagon e a
epinefrina. Os triglicerídeos, para serem degradados, precisam de um estímulo, no caso
hormonal. Vamos entender essa figurinha aqui. Então quando esses hormônios são
liberados, parecido com o que acontece na degradação do glicogênio, eles se ligam aos
seus receptores, formando um complexo ativo hormônio-receptor. Esse complexo
estimula uma proteína G, a qual estimula a enzima, da membrana, adenilase-ciclase ou
adenilil-ciclase. Essa enzima quebra o ATP e forma o AMP cíclico. O AMP cíclico tem
como finalidade funcionar como mensageiro. Isso aqui, também, é uma cascata de
sinalização. Uma ativa o outro, para ativar o outro. Então o AMP cíclico foi formado às
custas daquela enzima, adenilato-ciclase, que converte o ATP em AMP cíclico. Esse AMP
cíclico vai ativar uma proteína quinase e ela vai ativar uma enzima chamada triacilglicerol
lipase, que atua sobre triglicerídeos, degradando-os em ácidos graxos e glicerol. Os

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ácidos graxos são lipossolúveis, não podendo ser transportados facilmente pela corrente
sanguínea. Digamos que esse músculo está precisando de energia e já acabou, pois
passou das 3h que você se alimentou, você já degradou glicogênio, sendo ativada a
degradação de lipídeos. É assim que ocorre em dietas, na redução de carboidratos, não
totalmente. Existe, também a proteína carnitina, muito usada antigamente. É produzida
pelo organismo e estimula a entrada dos ácidos graxos no interior da matriz mitocondrial,
para ocorrer a oxidação da gordura. Muito utilizada por frequentadores de carnitina, pois
sabiam que ela degradava lipídeos. Mas isso aqui só serve para quem é fisiculturista, que
fazem da atividade física o seu objetivo de vida. Mas ela também é necessária em
pessoas com erros genéticos que não produzem essa enzima, sendo o uso válido.

Então os ácidos graxos são lipossolúveis e não podem ser transportados pela
corrente sanguínea. Logo, eles são englobados pela proteína albumina e transportados
pela corrente sanguínea, até o local onde serão utilizados.

A β-oxidação ocorre na matriz mitocondrial, o local onde ela ocorre. E o glicerol?


Ele será convertido, através de reações, em gliceraldeído-3-fosfato. Ele é um dos
intermediários da glicólise, o último produto da primeira fase. A partir dele, vai iniciar a
segunda fase da via glicolítica.

Em qualquer um de nós aqui, mesmo não tendo diabetes, só em um jejum, já


ocorre a produção de corpos cetônicos. Eles são percebidos pelo odor do hálito, um
cheiro de cetona exalado. Os livros dizem que é um cheiro adocicado, mas, na realidade,
é um cheiro azedo. Chega um paciente que desmaiou na calçada. Você não sabe nada
sobre o paciente, nenhum precedente. Se você chegar perto dele e notar o odor de cetona
no hálito, você tem dois caminhos pra seguir. Ou ele está passando muita fome ou é um
diabético não tratado.

A β-oxidação só vai ocorrer na matriz mitocondrial e até um ácido graxos chegar


na matriz mitocondrial, algumas reações tem que acontecer com ele. É o que veremos
agora. Antes dos ácidos graxos chegarem na matriz mitocondrial, eles tem que passar
por algumas reações. Os ácidos graxos passarão por três reações enzimáticas. O ácido
graxo, do jeito que ele está, não tem como chegar na matriz mitocondrial. Por que vocês
acham que não tem como? Porque não tem um canal para que ele atravesse e chegue
na matriz mitocondrial. Então algumas enzimas têm que ajudar, como a carnitina, sendo
um facilitador pro ácido graxo chegar no interior da matriz mitocondrial. Mas antes dessa
carnitina, uma enzima atua antes no ácido graxo, a acil-coA-sintetase. Essa enzima pega
o ácido graxo, e o converte em acil-coA-graxo. Ela não está no interior da matriz
mitocondrial, mas sim no espaço intermembranoso. Quando esse acil-coA-graxo é
formado, a enzima carnitina-acil-transferase-1 vai atuar sobre ele, que está fora da matriz
mitocondrial. E existe a carnitina-acil-transferase-2 que está no interior da matriz
mitocondrial. São enzimas que estão em compartimentos diferentes.

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Aqui está a mitocôndria e a região aumentada n vezes. Eu tenho o espaço
intermembranoso e aqui a matriz mitocondrial. Bem aqui é um canal, uma proteína, que
é um facilitador, um transportador. Formou o acil-coA-graxo às custa da acil-coA-
sintetase. A carnitina-acil-transferase-1 vai transferir grupamentos acil. Essa enzima vai
se ligar ao acil-coA-graxo e vai retirar grupamentos acil-coA e vai dar pro ácido graxo
carnitina. Quando esse ácido graxo está ligado à carnitina, ele pode atravessar para
dentro da matriz mitocondrial. Quando o ácido graxo está no interior da matriz, ele não
pode ficar ligado à carnitina, porque senão não ocorrerá a β-oxidação no mesmo. Então
a carnitina-acil-transferase-2 vai retirar a carnitina da ligação com o ácido graxo e vai dar,
novamente, o grupamento acil pro ácido graxo. Então eu tenho novamente o acil-coA-
graxo. E a carnitina sai pra pegar mais ácidos graxos e trazê-los para dentro da matriz
mitocondrial. Então continua esse processo até que todos os ácidos graxos estejam
dentro da matriz. Mais uma vez, esse processo é lento, demorado. Não é tão rápido
quanto a metabolização da glicose. Mas o rendimento em energia é muito maior, muito
acetil-coA formado e muito ATP formado, além de muitos intermediários para o ciclo de
Krebs. A gente já viu, em outro momento, que o ciclo de Krebs pode ser um fornecedor
de energia e formar novos compostos para a biossíntese, como glicose, intermediários,
succinil-coA (metabolismo do heme do ferro)… São várias vias para onde os
intermediários do ciclo podem ir. Então a carnitina-acil-transferase-2 deixou, novamente,
o ácido graxo na forma de acil-coA-graxo. O ácido graxo só pode ser degradado, se ele
estiver na forma de acil-coA-graxo. Se ele estiver somente na forma de ácido graxo, as
enzimas que vão degradar não vão atuar. E existe um conjunto mitocondrial de
coenzimas-A e tem um conjunto de coenzimas-A no citosol das células.