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JOÃO PAULO MAGALHÃES Arritmia Sinusal Batimento atrial prematuro pode ser distinguido de um batimento

M7 - 118 Ritmo sinusal que varia em geral com os movimentos respiratórios sinusal normal pelo contorno da onda P (anormal) e pelo tempo do
(FC sobe na inspiração e desce na expiração), podendo também batimento (precoce).
CARDIOLOGIA não ser relacionada aos movimentos respiratórios. Com o batimento juncional prematuro, em geral, não há onda P
ECG – Arritmias Cardíacas normal visível (ondas P retrógradas podem ser visualizadas).
Parada Sinusal
Sabe-se que o marcapasso que despolariza com uma maior
CONCEITO freqüência é o que comanda o coração e, sob circunstâncias
Perturbações que alteram a freqüência e/ou o ritmo dos batimentos normais, o marcapasso mais rápido é o do nodo sinusal ou sinoatrial.
cardíacos. Parada Sinusal ocorre quando o nodo sinusal deixa de
comandar o coração.
RITMO NORMAL DO CORAÇÃO ESA
É o ritmo sinusal normal, que corresponde a uma freqüência Bloqueio de Saída
cardíaca regular de 60-100bpm. Quase um sinônimo de parada sinusal. Batimentos Supraventriculares SUSTENTADOS
Quando o ritmo é sinusal, a onda P é positiva em DI e DII.
Assistolia Taquicardia Supraventricular Paroxística (TSVP)
FATORES ARRITMOGÊNICOS Inatividade elétrica prolongada. Regular.
Hipóxia. 150-250 bpm.
Isquemia. Batimentos de Escape Em geral, as ondas P normais estão ocultas no complexo QRS.
Simpática (Estimulação). Como o coração apresenta outras células marcapasso espalhadas Ondas P retrógradas podem ser visualizadas.
Drogas. pelo miocárdio, com a parada sinusal, estes outros Arritmia comum em pacientes com coração estruturalmente
Eletrolíticos (Distúrbios). marcapassos podem entrar em ação, originando os normal.
Bradicardia. batimentos de escape. Início e término abruptos.
S (Estiramento). Marcapassos Não-Sinusais: Massagem carotídea lentifica ou interrompe.
Atriais: 60-75bpm.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DAS ARRITMIAS Juncionais: 45-60bpm. Taquicardia por Reentrada Nodal:
Palpitações. Ventriculares: 30-45bpm. 2/3 dos casos.
Tontura. O escape juncional é o mais comum. Nessa situação, em Para desenvolver essa arritmia, o nodo AV deve apresentar 2
Síncope. geral, a onda P não é visualizada. Ocasionalmente, pode ser vias de condução com propriedades eletrofisiológicas
Angina. visualizada uma onda P retrógrada, que pode ocorrer antes, durante diferentes (via α, de condução lenta e período refratário curto X via
Morte Súbita. ou após o complexo QRS. A onda P normal é normal em DII e β, de condução rápida e período refratário longo). Como a via β
invertida em AVR. A onda P retrógrada é normal em AVR e invertida apresenta período refratário longo, o estímulo desce pela via α,
TAQUIARRITMIAS E BRADIARRITMIAS em DII. despolarizando normalmente os ventrículos pelo sistema His-Purkinje
FC acima de 100bpm ou abaixo de 60bpm, respectivamente. (QRS estreito). Quando a via β se recupera do período refratário, o
O fluxo coronariano ocorre durante as diástoles, logo, as RITMOS ECTÓPICOS estímulo sobe por ela, despolariza os átrios de forma retrógrada e
taquiarritmias podem precipitar isquemia miocárdica. encontra novamente o início da via lenta (α), completando um
As manifestações clínicas das arritmias dependem muito da FC, Ritmos anormais e sustentados que surgem em qualquer local que circuito de reentrada. Essa é a forma típica (slow-fast).
da presença ou ausência de patologia cardíaca de base e dos não seja o nodo sinusal. Existe uma forma atípica (10% dos casos taquicardia por
reflexos cardiovasculares. Originados por automaticidade aumentada (distúrbio de reentrada nodal), em que o estímulo desce pela via rápida e sobe
Supraventriculares (átrios ou nodo AV) ou Ventriculares. formação) ou por reentrada (distúrbio de transmissão). pela lenta (fast-slow).
Diagnóstico: Típica
TIPOS BÁSICOS DE ARRITMIA 1) Ondas P normais estão presentes? Slow-Fast.
Arritmias Sinusais. Sim → Origem provável no átrio. Atípica
Ritmos Ectópicos. Não → Origem provável no nodo AV ou nos ventrículos. Fast-Slow.
Bloqueios de Condução. 2) Os complexos QRS são estreitos?
Síndromes de Pré-Excitação (a atividade elétrica segue vias de Sim → Origem provável no átrio ou no nodo AV.
condução acessórias). Não → Origem provável nos ventrículos.
3) Qual a relação entre as ondas P normais e os complexos
ARRITMIAS SINUSAIS QRS?
1:1 → Origem provável no átrio.
Taquicardia Sinusal e Bradicardia Sinusal ≠1:1 → Dissociação AV.
Aumento ou redução da FC são as únicas alterações no 4) O ritmo é regular ou irregular? Deve-se analisar o intervalo
ECG. RR.
Fisiológicas ou Patológicas.
TS Fisiológica: Exercícios físicos vigorosos. 01) ARRITMIAS SUPRAVENTRICULARES
TS Patológica: Doença pulmonar grave, hipovolemia,
hipertiroidismo. Batimentos Supraventriculares ÚNICOS
BS Fisiológica: Atletas em repouso.
BS Patológica: Início do IAM. Contrações Atriais e Juncionais Prematuras (CAP e CJP)
Taquicardia Sinusal Inapropriada: Reentrada no nodo SA; ou Extra-Sístoles Atriais e Juncionais (ESA e ESJ)
causa desconhecida. Fenômenos comuns que, em geral, não indicam patologia cardíaca
subjacente.
TSVP POR REENTRADA NODAL
Taquicardia por Reentrada em Via Acessória ou Taquicardia
Atrioventricular Recíproca (1/3): Alguns indivíduos nascem com Contrações Ventriculares Prematuras (CVP)
uma segunda via condutora entre átrios e ventrículos (a via normal é ou
o nodo AV), um feixe de fibras denominado Feixe de Kent ou Via Extra-Sístoles Ventriculares (ESV)
Acessória ou Via Anômala. Na maioria dos casos (80-90%), essa via Arritmias ventriculares mais comuns.
acessória é de condução rápida e tem período refratário mais longo Complexo QRS amplo e bizarro.
que o nodo AV, tendo uma condução retrógrada mais eficaz que a Em geral, nenhuma onda P é visualizada (às vezes, ondas P
anterógrada, ou seja, oe stímulo desce pelo nodo AV, despolariza os retrógradas podem aparecer).
ventrículos pelo sitema His-Purkinje (QRS estreito), sobe pela via Quando isoladas, são comuns em corações normais.
acessória,a tiva os átrios e retorna ao nodo AV. (forma Regras de malignidade (maior risco de desenvolver taquicardia
ortodrômica) Mais raramente, a via acessória possui uma condução ventricular, fibrilação ventricular ou morte):
anterógrada altamente eficaz, alémd e etr um período refratário CVP freqüentes.
mais curto que o do nodo AV, ocorrendo o inverso da forma passada, CVP consecutivas.
esta é a forma antidrômica. FLUTTER ATRIAL (4:1) CVP multiformes.
Ortodrômica CVP caindo sobre onda T prévia (fenômeno R-sobre-T).
Desce pelo nodo AV, ativa ventrículos pelo sistem His- Fibrilação Atrial CVP em contexto de IAM.
Purkinje (QRS estreito). Irregular (o mais irregular de todos). Bigeminismo: 1 batimento sinusal : 1 CVP.
Antidrômica Linha basal ondulante. Trigeminismo: 2 batimentos sinusais : 1 CVP.
Desce pela via acessória, ativa ventrículos pelo miocárdio Grosseira ou Fina.
(QRS alargado). Freqüência atrial de 350-500 bpm.
Nenhuma onda P verdadeira pode ser vista (há ondas de
fibrilação).
Arritmia sustentada mais comum.
Diminuição do débito cardíaco e maior risco para formação de
coágulos e trombos.
Massagem carotídea pode lentificar a freqüência ventricular, que é
irregularmente irregular.

FIBRILAÇÃO ATRIAL
BIGEMINISMO E TRIGEMINISMO VENTRICULARES
Taquicardia Atrial Multifocal (TAM)
Irregular.
100-200 bpm; quando abaixo de 100 bpm, marcapasso atrial Taquicardia Ventricular (TV)
migratório. Uma seqüência de 3 ou mais CVP consecutivas é chamada de
Disparo randômico de diferentes focos atriais. TV.
TSVP POR REENTRADA EM VIA ANÔMALA Apresenta ondas P facilmente identificáveis (para o diagnóstico, 120-200bpm.
necessita-se de, pelo menos, 3 morfologias diferentes de Monomórfica ou Polimórfica.
Flutter Atrial ondas P). Não Sustentada (dura menos de 30s e não cursa com
Regular, em “dente-de-serra”. Muito comum em pacientes com doença pulmonar severa. instabilidade hemodinâmica) ou Sustentada (emergência clínica).
Freqüência atrial de 250-350 bpm. Massagem carotídea sem efeito.
Reentrada no AD.
Bloqueio AV (2:1 é o mais comum).
Menos comum que a TSVP.
Massagem carotídea aumenta o bloqueio.

TVMNS

TAM

Taquicardia Atrial Paroxística (TAP)


Regular.
100-200 bpm.
Por aumento do automatismo (período de aquecimento e de
resfriamento) ou por reentrada (menos comum).
Massagem carotídea sem efeito.

FLUTTER ATRIAL (2:1) TVM E TVP


02) ARRITMIAS VENTRICULARES Fibrilação Ventricular (FV)
Evento pré-terminal.
Grosseira ou Fina.
Não há complexos QRS verdadeiros.
O coração não gera débito cardíaco, por isso, ressuscitação
cardiopulmonar e desfibrilação devem ser feitas imediatamente.

FIBRILAÇÃO VENTRICULAR GROSSEIRA (A) E FINA (B)

Ritmo Idioventricular Acelerado (RIVA)


Ritmo benigno que às vezes é visto durante o IAM.
Hiperautomatismo (isquemia-dependente) das fibras de Purkinje.
50-100 bpm.
Complexos QRS alargados e aberrantes.
Raramente é continuado.

RIVA

Torsades de Pointes
Forma singular de TV geralmente vista em pacientes com
intervalo QT prolongados (em geral, devido a uma onda T
alongada).
Os complexos QRS parecem girar ao redor da linha basal,
mudando seus eixos e amplitudes.
Congênito ou Adquirido (drogas, alterações eletrolíticas).

TORSADES DE POINTES