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1.

3 A agudização das diferenças

A confiança nos mecanismos autorreguladores do mercado: o livre-cambismo


Nem todos aceitaram a liberdade económica. Políticos, industriais e grandes proprietários, que
defendiam a liberdade política, desconfiavam da livre circulação de mercadorias. A política mais acertada seria
proteger a produção nacional.
Porém, esta corrente livre-cambista era muito forte na Grã-Bretanha, berço de alguns teóricos como
Adam Smith e David Ricardo.
David Ricardo defendia que a liberdade comercial iria assegurar o desenvolvimento e a riqueza nas
diversas regiões do mundo, dado que a concorrência seria um fator motivacional para a produção que fosse mais
compatível com as suas condições naturais (Doc.2, pag. 32). O mundo transformar-se-ia numa “imensa fábrica” e
cada país ocuparia o lugar de uma próspera oficina.
Robert Peel, 1º ministro inglês, baixou os direitos de entrada de alguns produtos fazendo com que as
taxas alfandegárias também baixassem – em 1840, os produtos taxados rondava os 1150, contra apenas 48, vinte
anos depois.
Entre 1850 e 1870, o livre-cambismo já dominava a europa e os Estados Unidos que também procedeu à
diminuição das taxas aduaneiras. O comércio internacional apresentou um forte crescimento.

As debilidades do livre-cambismo; as crises cíclicas


O quadro mais favorável à criação de riqueza e obtenção de grandes lucros era a liberdade de iniciativa,
todavia esperava-se que todas as nações crescessem de igual maneira, mas, isso não se verificou. Na verdade, o
livre-cambismo contribuiu para potenciar dificuldades ao processo de industrialização dos países menos
desenvolvidos, que se viam submersos em produtos das potências industriais com as quais não conseguiam
competir. Até os países mais desenvolvidos sofriam pequenos abalos económicos: as crises cíclicas. Estas crises
faziam retrair os negócios e provocavam inúmeras falências. Estas crises sucedem-se periodicamente de 6 a 10
anos e, contrariamente às crises do Antigo regime, as crises do capitalismo eram o resultado do excesso de
produção, resultantes da própria dinâmica capitalista.

Crises do Antigo Regime Crises do Capitalismo


Origens - Fracas colheitas - Superprodução
- Especulação financeira
Preços - Subida dos preços dos cereais - Descida dos preços indústrias e às vezes, agrícola
Periodicidade - Irregular (dependia das condições climáticas) - Cíclica (geralmente 10 anos)
Dimensão - Regional, nacional, continental - Mundial
Repercussões - Escassez, fomes, mortes - Descida acentuada da bolsa
- Desemprego urbano - Falências e desempego
- Concentração de empresas

Foi Juglar quem estudou estas crises e os seus mecanismos. Na altura de crescimento, quando a procura
se sobrepõe à oferta, os preços sobem. Isto leva a que as indústrias se ampliem recorrendo ao crédito e á
especulação bolsista especula-se na bolsa. Por falta de previsão financeira e excesso de investimentos a
tendência inverte-se.
Fases das crises cíclicas (Doc. 22, pag. 33):
o Superprodução (armazéns cheios com stocks)
- empresas suspendem fabrico
- redução de salários
- despedimentos
o Preços baixam para que os produtos sejam vendidos
- podem ser destruídos stocks para evitar que os preços desçam em demasia
o Pagamentos aos bancos, créditos e investimentos financeiros são suspensos

- crash bolsista
- falências
- desemprego cresce
Consumo diminui e produção cai mesmo

Estas crises podem-se iniciar num ou em vários países ao mesmo tempo e é com rapidez que se
espalham, uma vez que todos os países têm ligações financeiras e comerciais uns com os outros.
Em 1810 deu-se a primeira grande crise e, em 1929, deu-se a crise mais grave de todas. Entre este período
verificaram-se cerca de 15 períodos de depressão económica generalizada, contribuindo para a miséria social e
instabilidade política
No fim do século, o proteccionismo tinha voltado a ganhar força e, depois da grande depressão de 1929,
entendeu-se que era realmente necessário a intervenção do Estado na economia.

1830 1840
Fig. 1 - O Ciclo de Juglar

O mercado internacional e a divisão do trabalho

Durante o seculo XIX, o comércio mundial cresceu de forma muito rápida (doc.24, p. 35).
O contínuo aumento da produção e os progressos nos transportes e comunicações foram os grandes
motivos para tal crescimento. Por exemplo, a introdução do comboio fez diminuir o preço dos transportes em
cerca de 20 vezes
A Inglaterra dominava este fluxo de trocas devido ao seu avanço industrial e à sua enorme frota
mercantil. No início do século XX, a Alemanha, a França, os Estados Unidos e a Inglaterra eram os responsáveis
por metade das trocas que eram feitas.
A estrutura do comércio internacional mostra a divisão internacional de trabalho. A Alemanha, os EUA, a
Inglaterra e a França, fornecem os países menos desenvolvidos com os seus produtos industriais. Os “quatro
grandes” tornam-se nas “fábricas do mundo” , responsáveis por mais de 70% da produção mundial (Doc. 13.2,
pag.26).
Esta situação vai potencia o Imperialismo e o Colonialismo.