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2005-h1-teor-25-escoamento sup livre-1-r0.

doc HIDRÁULICA GERAL – 2005/2006

ESCOAMENTOS COM SUPERFÍCIE LIVRE

UM ESCOAMENTO COM SUPERFÍCIE LIVRE ESTÁ SUJEITO À


PRESSÃO ATMOSFÉRICA, PELO MENOS EM UM PONTO DA
SUA SECÇÃO.

EX.: CURSO DE ÁGUA NATURAL, COLECTOR DE ESGOTO,


GALERIA DE ÁGUAS PLUVIAIS, ETC.

UM CANAL PODE SER:

ABERTO: CURSOS DE ÁGUA NATURAL;


FECHADO: GALERIAS, CANAIS, COLECTORES, DRENOS, ETC.

OS CANAIS PODEM AINDA SER CLASSIFICADOS EM CANAIS


UNIFORMES E NÃO UNIFORMES.

CANAL UNIFORME: LEITO PRISMÁTICO E CARACTERÍSTICAS


GEOMÉTRICAS CONSTANTES. PORTANTO, É RECTILÍNEO,
COM SECÇÃO TRANSVERSAL, DECLIVIDADE E RUGOSIDADE
DAS PAREDES CONSTANTES.

CANAL NÃO UNIFORME: QUANDO SE TEM A VARIAÇÃO DE UM


DESSES PARÂMETROS.

DE UM MODO GERAL, OS CANAIS ARTIFICIAIS OU SÃO


UNIFORMES OU PODEM SER DECOMPOSTOS EM TRECHOS DE
CANAIS UNIFORMES.

JÁ OS CANAIS NATURAIS SÃO “NÃO UNIFORMES”.

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ELEMENTOS GEOMÉTRICOS DE UMA SECÇÃO.

A/S – ÁREA DA SECÇÃO MOLHADA: É A ÁREA DA SECÇÃO


RECTA DO ESCOAMENTO, NORMAL À DIRECÇÃO DO FLUXO;

h – PROFUNDIDADE: É A DISTÂNCIA, MEDIDA NA VERTICAL,


DO PONTO MAIS BAIXO DA SECÇÃO DO CANAL ATÉ À
SUPERFÍCIE LIVRE;

P – PERÍMETRO MOLHADO: É O COMPRIMENTO DA LINHA DE


CONTACTO ENTRE A SECÇÃO MOLHADA E A SECÇÃO
TRANSVERSAL; A SUPERFÍCIE LIVRE DA ÁGUA NÃO FAZ
PARTE DO PERÍMETRO MOLHADO;

R – RAIO HIDRÁULICO: É RELAÇÃO ENTRE A ÁREA MOLHADA


E O PERÍMETRO MOLHADO (R = A/P);

DE – DIÂMETRO HIDRÁULICO EQUIVALENTE = 4xR: VALOR


QUE VIABILIZA A UTILIZAÇÃO, NOS CÁLCULO DE
ESCOAMENTOS COM SUPERFÍCIE LIVRE, DE LEIS DE
ESCOAMENTO EM QUE O PARÂMETRO GEOMÉTRICO É
APENAS O DIÂMETRO (DARCY, COLEBROOK-WHITE,
MONÓMIAS, ETC.);

i – DECLIVE LONGITUDINAL DO CANAL: É A TANGENTE DO


ÂNGULO QUE O FUNDO DO CANAL FORMA COM A
HORIZONTAL;

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VARIAÇÃO DA VELOCIDADE

AS VELOCIDADES MÉDIAS NÃO SÃO UNIFORMEMENTE


DISTRIBUÍDAS NOS DIVERSOS PONTOS DA SECÇÃO
TRANSVERSAL.

A DISTRIBUIÇÃO DA VELOCIDADE DEPENDE DE VÁRIAS


CONDIÇÕES, COMO POR EXEMPLO, A FORMA DA SECÇÃO
TRANSVERSAL.

AS VELOCIDADES AUMENTAM DAS MARGENS PARA O


CENTRO.

AS VELOCIDADES AUMENTAM DO FUNDO PARA A


SUPERFÍCIE.

EM GERAL, A VELOCIDADE MÁXIMA OCORRE NA VERTICAL


DE MAIOR PROFUNDIDADE, LOGO ABAIXO DA SUPERFÍCIE,
ENTRE 5% E OS 20% DE PROFUNDIDADE.

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AS CURVAS DE IGUAL VELOCIDADE SÃO DENOMINADAS


ISOTÁQUIAS, PELA FORMA QUE TOMAM (FILÃO).

EXEMPLOS DE DISTRIBUIÇÃO DA VELOCIDADE EM


DIFERENTES SECÇÕES ARTIFICIAIS.

NOS CÁLCULOS DE DIMENSIONAMENTO DE CANAIS, É


SEMPRE UTILIZADA A VELOCIDADE MÉDIA DA SECÇÃO.

REGIMES DE ESCOAMENTO

A) VARIABILIDADE DO MOVIMENTO NO TEMPO

1 - PERMANENTE – A VELOCIDADE NUM PONTO É INVARIÁVEL


COM O TEMPO, PORTANTO, OS PARÂMETROS NUMA SECÇÃO
TRANSVERSAL SÃO CONSTANTES (A/S, P, R, h, Q, ETC.).

2 - NÃO PERMANENTE – A VELOCIDADE NUM PONTO É


FUNÇÃO DO TEMPO, PORTANTO EXISTE VARIAÇÃO, NUMA
SECÇÃO TRANSVERSAL, DE A/S, P, R, h, Q, ETC. COM O
TEMPO. EX.: ONDAS DE CHEIA NUM CURSO DE ÁGUA.

B) VARIABILIDADE NO ESPAÇO

1 – UNIFORME
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AS VELOCIDADES CONSERVAM UM VALOR CONSTANTE AO


LONGO DE UMA TRAJECTÓRIA.

AS TRAJECTÓRIAS DAS DIVERSAS PARTÍCULAS SÃO RECTAS


E PARALELAS ENTRE SI.

SÓ SE ESTABELECE O REGIME UNIFORME EM CANAIS MUITO


LONGOS E EM TRECHOS DISTANTES DE SUAS
EXTREMIDADES. SÃO CONDIÇÕES ESPECIAIS, DIFÍCIL DE SE
OBTER NA PRÁTICA.

2 – VARIADO (PERMANENTE)

AS VELOCIDADES NÃO CONSERVAM VALOR CONSTANTE AO


LONGO DE UMA TRAJECTÓRIA.

AS TRAJECTÓRIAS SÃO CURVAS E A DECLIVIDADE DA


SUPERFÍCIE LIVRE É VARIÁVEL AO LONGO DO CANAL.

O REGIME VARIADO (ATENÇÃO DIFERENTE DE VARIÁVEL)


OCORRE NECESSARIAMENTE EM CANAIS NATURAIS E É
MUITO FREQUENTE EM CANAIS ARTIFICIAIS.

2.1 – GRADUALMENTE VARIADO

OS RAIOS DE CURVATURA DAS TRAJECTÓRIAS SÃO MUITO


GRANDES EM RELAÇÃO ÀS DIMENSÕES DO CANAL;

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OS DIVERSOS PARÂMETROS HIDRÁULICOS VARIAM


LENTAMENTE DE UMA SECÇÃO PARA OUTRA. (CURVAS DE
REGOLFO OU DE REMANSO)

2.2 – RAPIDAMENTE VARIADO

AS TRAJECTÓRIAS APRESENTAM CURVATURA ACENTUADA E


OS PARÂMETROS VARIAM RAPIDAMENTE DE UMA SECÇÃO
PARA OUTRA. EX.: ESCOAMENTO NUM DESCARREGADOR E
RESSALTO HIDRÁULICO.

EM CANAIS UNIFORMES SUFICIENTEMENTE LONGOS, ACABA


SEMPRE POR ESTABELECER-SE UM REGIME UNIFORME:

(1) SUPERFÍCIE LIVRE PARALELA AO FUNDO DO CANAL

(2) LINHA DE ENERGIA PARALELA AO FUNDO DO CANAL

(3) PERDA DE CARGA UNITÁRIA (INCLINAÇÃO DA LINHA DE


ENERGIA - J) É IGUAL AO DECLIVE DO FUNDO DO CANAL( i ),
OU SEJA, AS PERDAS POR ATRITO SÃO COMPENSADAS PELO
DECLIVE DO FUNDO.

A EXISTÊNCIA DE SINGULARIDADES, PROVOCA:

(1) UMA PERDA DE CARGA LOCALIZADA,

(2) UMA ALTERAÇÃO DA SUPERFÍCIE LIVRE,

(3) O REGIME DEIXA DE SER UNIFORME, PASSA A VARIADO


(PERMANENTE), GRADUALMENTE OU RAPIDAMENTE
VARIADO.

ENERGIA (POR UNIDADE DE PESO)

H = z + p/γ + αv2/2g

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H = (cota do fundo + h) + 0 + αv2/2g

DEFINE-SE ENERGIA ESPECÍFICA EM RELAÇÃO FUNDO


(E POR UNIDADE DE PESO), COMO

H = h + αv2/2g

DE IGUAL FORMA, O TEOREMA DE BERNOULLI

δ/δs (z + p/γ + αv2/2g) = - J

δ/δs ((cota do fundo + h) + 0 + αv2/2g) = - J


δ/δs (cota do fundo) + δ/δs (h + αv2/2g) = - J
δ/δs (h + αv2/2g) = - δ/δs (cota do fundo) - J

δ/δs (h + αv2/2g) = i – J

já que, δ/δs (cota do fundo) = - i

ASSIM, RESUMINDO:

v2
A ENERGIA ESPECÍFICA É, H = h + (m)
2g
dH
A VARIAÇÃO DA ENERGIA ESPECÍFICA É, =i−J
ds

QUANDO O MOVIMENTO É UNIFORME ( i = J), OU SEJA,


dH
=i−J
ds

O TRABALHO REALIZADO PELAS FORÇAS DA GRAVIDADE


IGUALA O DAS FORÇAS RESISTENTES.

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A ENERGIA ESPECÍFICA MANTÉM-SE CONSTANTE AO LONGO


DO PERCURSO,

H = Constante, h = constante, v = constante.

CONSIDERANDO, AGORA:

UM CAUDAL (Q) CONSTANTE, A ESCOAR NUMA SECÇÃO


DETERMINADA,

v2 Q2
A EQUAÇÃO H = h + , OU H = h + , ENERGIA EM
2g 2gS( h ) 2
FUNÇÃO DA ALTURA DE ÁGUA h, APRESENTA UM MÍNIMO,
QUE CORRESPONDE À ENERGIA ESPECÍFICA MÍNIMA COM
QUE O CAUDAL (Q) SE PODE ESCOAR NA SECÇÃO
CONSIDERADA.

O REGIME NESTAS CONDIÇÕES DIZ-SE – CRÍTICO

RECEBENDO TODAS AS GRANDEZAS RELACIONADAS, IGUAL


ATRIBUTO:

hC – ALTURA CRÍTICA; PC – PERÍMETRO CRÍTICO;


RC – RAIO HIDRÁULICO CRÍTICO; SC – SECÇÃO MOLHADA
CRÍTICA;
vC – VELOCIDADE DE ESCOAMENTO CRÍTICA;
HC – ENERGIA ESPECÍFICA CRÍTICA
iC – DECLIVE CRÍTICO

A ENERGIA ESPECÍFICA MÍNIMA (CRÍTICA) PODE SER


DETERMINADA, DERIVANDA E IGUALANDO A ZERO A SUA
∂H
EQUAÇÃO DE DEFINIÇÃO , = 0 , OBTENDO-SE A SEGUINTE
∂h
EQUAÇÃO GERAL
Q S
=S ,
g b

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SENDO b OU L – A LARGURA SUPERFICIAL.

CALCULAR A ALTURA CRÍTICA... É DETERMINAR O VALOR DE


S
h TAL QUE O CORRESPONDENTE VALOR DE S , SEJA
b
Q
IGUAL AO VALOR CONSTANTE .
g

A ALTURA CRÍTICA DEPENDE DO CAUDAL E DA GEOMETRIA


DA SECÇÃO, MAS É INDEPENDENTE DO DECLIVE DO CANAL

CONSIDERANDO A LEI DE ESCOAMENTO

Q = K S SR 2 / 3 J 1 / 2

O REGIME UNIFORME, CORRESPONDENTE A J = i, DEFINE-SE


PELA EQUAÇÃO
Q
= K S SR 2 / 3
i
CALCULAR A ALTURA UNIFORME... É DETERMINAR O VALOR
DE h TAL QUE O CORRESPONDENTE VALOR DE K S SR 2 / 3 ,
Q
SEJA IGUAL AO VALOR CONSTANTE .
i

A ALTURA UNIFORME DEPENDE POIS, DO CAUDAL E DA


GEOMETRIA DA SECÇÃO E DO DECLIVE DO CANAL.

FUNÇÃO h = h(Q), PARA ENERGIA CONSTANTE


v2
RETOMEMOS A EQUAÇÃO H = h +
2g
CONHECIDA A SECÇÃO, O CAUDAL QUE SE PODE ESCOAR
COM ENERGIA ESPECÍFICA CONSTANTE E IGUAL A H,
RELACIONA-SE COM A ALTURA LÍQUIDA PELA EXPRESSÃO:

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Q2 2 2
H =h+ ; Q = (H − h )2 gS ;
2gS 2

Q = S 2g (H − h)

PARA h = 0 e S = 0, IMPLICA Q = 0;
PARA h = H e v = 0, IMPLICA Q = 0.
PARA UMA DETERMINA ENERGIA, H, À UM CAUDAL MÁXIMO,
QMÁX, QUE SE PODE ESCOAR NA SECÇÃO CONSIDERADA.

PARA UM CAUDAL Qi INFERIOR EXISTEM DUAS


ESCOAMENTOS POSSÍVEIS COM A MESMA ENERGIA, DUAS
ALTURAS DE ÁGUA.

O PONTO DE QMÁX, DIZ-SE CRÍTICO: COINCIDINDO COM O


ANTERIOR REGIME CRÍTICO, OU SEJA,

SE A ENERGIA MÍNIMA COM QUE SE PODE ESCOAR O CAUDAL


QM É HC, O CAUDAL MÁXIMO QUE SE PODE ESCOAR COM A
ENERGIA HC É O PRÓPRIO QM.

NÚMERO DE REYNOLDS

OS ESCOAMENTOS COM SUPERFÍCIE LIVRE CONTINUAM A


SER CARACTERIZADOS PELO NÚMERO DE REYNOLDS
(PARÂMETRO ADIMENSIONAL),
Re = vR / ν ,

QUE TRADUZ O EFEITO DAS FORÇAS DE VISCOSIDADE.

O MOVIMENTO VISCOSO OU LAMINAR EM ESCOAMENTO COM


SUPERFÍCIE LIVRE VERIFICA-SE PARA Re INFERIORES A 500.

PARA Re SUPERIORES A 500 O REGIME É TURBULENTO.

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APARECE, AGORA, UM SEGUNDO PARÂMETRO ADIMENSI-


ONAL, O NÚMERO DE FROUDE,QUE TRADUZ A INFLUÊNCIA
DAS FORÇAS DA GRAVIDADE,
DE EXPRESSÃO
u2 u
Fr = ou Fr =
gh gh

É DE REFERIR, QUE A VELOCIDADE DE PROPAGAÇÃO DAS


PEQUENAS PERTURBAÇÕES É DEFINIDA PELA EXPRESSÃO
gh .

ASSIM,

NUM CANAL, SE A VELOCIDADE DE ESCOAMENTO FOR


SUPERIOR A ESTE VALOR, OU SEJA, Fr > 1, AS PEQUENAS
PERTURBAÇÕES NÃO SE PROPAGAM PARA MONTANTE, O
REGIME DIZ-SE RÁPIDO.

NUM CANAL SE A VELOCIDADE DE ESCOAMENTO FOR


INFERIOR ÀQUELE VALOR, OU SEJA, Fr < 1, AS PEQUENAS
PERTURBAÇÕES PROPAGAM-SE PARA MONTANTE, O REGIME
DIZ-SE LENTO.

CONTROLO DO ESCOAMENTO

RELATIVAMENTE À VELOCIDADE DE PROPAGAÇÃO DAS PEQUENAS


PERTURBAÇÕES NA DIRECÇÃO LONGITUDINAL DE CANAIS:

1- NUM ESCOAMENTO EM REGIME CRÍTICO, AS PEQUENAS


PERTURBAÇÕES PROPAGAM-SE EM RELAÇÃO AO LÍQUIDO COM
VELOCIDADE IGUAL À DO ESCOAMENTO, FORMAM, PORTANTO,
ONDAS ESTACIONÁRIAS PARA MONTANTE E COM VELOCIDADE DUPLA
DE PROPAGAÇÃO PARA JUSANTE;

2- NUM ESCOAMENTO EM REGIME RÁPIDO, AS PEQUENAS


PERTURBAÇÕES SÓ SE PROPAGAM PARA JUSANTE, JÁ QUE A

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VELOCIDADE DE PROPAGAÇÃO PARA MONTANTE É INFERIOR À DO


ESCOAMENTO;

UM ESCOAMENTO EM REGIME RÁPIDO NÃO PODE, POR CONSEGUINTE,


SER INFLUENCIADO POR JUSANTE, LOGO É CONTROLADO POR
MONTANTE;

3- NUM ESCOAMENTO EM REGIME LENTO, AS PEQUENAS


PERTURBAÇÕES PROPAGAM-SE PARA MONTANTE, JÁ QUE A
VELOCIDADE DE PROPAGAÇÃO PARA MONTANTE É SUPERIOR À DO
ESCOAMENTO, E PARA JUSANTE;

UM ESCOAMENTO EM REGIME LENTO É CONTROLADO POR


CONDIÇÕES QUE SE ESTABELECEM A JUSANTE.

ESTUDO DAS LINHAS SUPERFICIAIS OU DAS CURVAS DE REGOLFO EM


CANAIS COM CAUDAL CONSTANTE.

O ESTUDO EXIGE, EM PRIMEIRO LUGAR:

1. O CÁLCULO DA ALTURA UNIFORME, hu PARA J = i;

2. O CÁLCULO DA ALTURA CRÍTICA, hc , E DO DECLIVE CRÍTICO, ic;

3. A CLASSIFICAÇÃO DOS DECLIVES DO CANAL E DOS REGIMES.

CLASSIFICAÇÃO DO DECLIVE DO CANAL, SE POSITIVO:

SE hu = hc .............................DECLIVE CRÍTICO
SE hu > hc ...........................DECLIVE FRACO
SE hu < hc ...........................DECLIVE FORTE

OU
SE i = ic ...............................DECLIVE CRÍTICO
SE i < ic ...............................DECLIVE FRACO
SE i > ic ...............................DECLIVE FORTE

v2 dH
A PARTIR DA EQUAÇÃO H = h + E DA EQUAÇÃO =i−J
2g ds

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Q2
∂ (h + )
dH ∂H dh 2gS 2 dh
E TENDO EM ATENÇÃO QUE: = . , i−J = . ,
ds ∂h ds ∂h ds

dh i− j
=
ds 1 − Fr2

A PARTIR DESTA EXPRESSÃO É POSSÍVEL DEDUZIR A VARIAÇÃO


(POSITIVA OU NEGATIVA, DA ALTURA DE ÁGUA, h, NO PERCURSO, EM
FUNÇÃO DOS VALORES DE OS TIPOS DE CURVAS DE REGOLFO, NA
CONSIDERAÇÃO DAS RELAÇÕES:

ENTRE i < > J, CONSOANTE h < > hU


ENTRE Fr < > 1, CONSOANTE h < > hU

1.EXEMPLO

CONSIDERE-SE UM CANAL DE DECLIVE FRACO.


PARA h > hU Æ SERÁ J < i E Fr < 1
RESULTA, POIS, QUE NUMERADOR É POSITIVO E O DENOMINADOR
dh
POSITIVO, LOGO > 0.
ds

O QUE PERMITE CONCLUIR QUE A ALTURA DE ÁGUA CRESCE PARA


JUSANTE, LOGO CURVA M1.

2. EXEMPLO

CONSIDERE-SE UM CANAL DE DECLIVE FORTE.

PARA h > hU E h < hC Æ SERÁ J < i E Fr > 1

RESULTA, POIS, QUE NUMERADOR É POSITIVO E O DENOMINADOR


NEGATIVO,
dh
LOGO < 0.
ds
O QUE PERMITE CONCLUIR QUE A ALTURA DE ÁGUA DECRESCE PARA
JUSANTE, LOGO CURVA S2.

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RESSALTO HIDRÁULICO

É UM FENÓMENO DE ESCOAMENTO “RAPIDAMENTE VARIADO"

POR MEIO DO QUAL O REGIME RÁPIDO A MONTANTE PASSA PARA


REGIME LENTO A JUSANTE.

TENDO LUGAR “SIGNIFICATIVAS PERDAS DE CARGA LOCALIZADAS”,


QUE À PARTIDA SE DESCONHECEM, NÃO SENDO POSSÍVEL
CARACTERIZÁ-LO ATRAVÉS DO TEOREMA DE BERNOULLI.

MAS APLICANDO O “TEOREMA DE EULER” AO TROÇO DE


ESCOAMENTO REFERENTE AO RESSALTO HIDRÁULICO, E
CONSIDERANDO AS FORÇAS TANGENCIAIS RESISTENTE AO
ESCOAMENTO COMPENSADAS PELA PESO NA DIRECÇÃO DO
ESCOAMENTO, TEREMOS

ρ.Q.u1 + γ .y 1.S1 = ρ.Q.u 2 + γ .y 2.S 2

γ h1 γ h2
.u12.bh1 + γ . .bh1 = .u 22.bh2 + γ . .bh2
g 2 g 2

RESULTA DIRECTAMENTE

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h1 h12 2u12 h1 h2 h22 2u 22 h2


h2 = − + + , ou h1 = − + +
2 4 g 2 4 g

h1 h12 2u12 h1 h2 h22 2u 22 h2


h2 = − + + , ou h1 = − + +
2 4 g 2 4 g

AS ALTURAS DE ÁGUAS h1 E h2, COM A MESMA QUANTIDADE DE


MOVIMENTO TOTAL, DIZEM-SE ALTURAS CONJUGADAS DO RESSALTO.

A PERDA DE CARGA NO RESSALTO, É DADA POR:


u12 u 22
ΛH = h1 + − h2 +
2g 2g

O COMPRIMENTO DO RESSALTO É MUITO DIFÍCIL DE DETERMINAR.

PARA CANAIS TRAPEZOIDAIS, O COMPRIMENTO DO RESSALTO (C), DE


FORMA MUITO APROXIMADA, PODE SER ESTIMADO PELA EXPRESSÃO
SEGUINTE:

C ⎛ L2 − L1 ⎞
= 5⎜⎜ 1 + 4 ⎟⎟ , SENDO L1 E L2 AS LARGURAS SUPERFICIAIS.
h2 ⎝ L1 ⎠

ATRAVÉS ESTE ÁBACO É POSSÍVEL DETERMINAR (ESTIMAR) O


COMPRIMENTO ( L ) DO RESSALTO HIDRÁULICO, EM CANAIS
RECTANGULARES, EM FUNÇÃO DO Fr1 E DA ALTURA h2.

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LOCALIZAÇÃO DO RESSALTO HIDRÁULICO

TRAÇAR A LINHA DAS ALTURAS CONJUGADAS DAS ALTURAS DE


ESCOAMENTO NUM DOS REGIMES (RÁPIDO OU LENTO), E

DETERMINAR A PONTO DE ENCONTRO COM A LINHA DAS ALTURAS DE


ESCOAMENTO NO OUTRO REGIME (LENTO OU RÁPIDO).

EXEMPLO:
CONSIDERE UMA MUDANÇA DE DECLIVE FORTE PARA FRACO, ONDE
TERÁ LUGAR, SEGURAMENTE UM RESSALTO HIDRÁULICO.
ESTE PODE SER (1) AINDA NO CANAL DE DECLIVE FORTE OU (2) JÁ NO
CANAL DE DECLIVE FRACO.

NO (1) A ALTURA CONJUGADA h1 É A ALTURA UNIFORME (Declive


Forte)

NO (2) A ALTURA CONJUGADA h2 É A ALTURA UNIFORME (Declive


fraco)

NO (1) A ALTURA DE ESCOAMENTO NO INÍCIO DO 2º TROÇO É A


ALTURA UNIFORME

NO (2) A ALTURA DE ESCOAMENTO NO FINAL DO 1º TROÇO É A


ALTURA UNIFORME

SE A ALTURA CONJUGADA DA ALTURA UNIFORME DO 1º TROÇO FOR


SUPERIOR À ALTURA UNIFORME DO 2º TROÇO, O RESSALTO
HIDRÁULICO OCORRE, JÁ, NO 2º TROÇO.

SE A ALTURA CONJUGADA DA ALTURA UNIFORME DO 1º TROÇO FOR


INFERIOR À ALTURA UNIFORME DO 2º TROÇO, O RESSALTO
HIDRÁULICO OCORRE, AINDA, NO 1º TROÇO.

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