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Capitulo I: Introdução
Falar sobre Orientação Profissional hoje é um tanto gratificante, pois os educadores que
acompanham o processo ensino e aprendizagem sabem o quanto se faz necessário que haja um
programa que aborde este tema com os alunos desde as séries iniciais, a fim de que cresçam
conhecendo os campos profissionais existentes, suas limitações bem como possibilidades para
compô-los de maneira eficaz e prazerosa para que sua escolha seja compatível com aquilo que
realmente almejam.

A Orientação Profissional implica uma série de circunstâncias as quais determinam sua


realização, pois a sociedade não é estável ela apresenta-se em constantes mudanças e, as
profissões, como não poderia deixar de ser, já não são mais as mesmas e nem se apresentam da
mesma forma que há vinte ou trinta anos atrás.

A escolha de uma profissão não é nada simples ou fácil, embora as opções sejam inúmeras, o
jovem, ao ter que fazê-la sente-se inseguro e despreparado, pois esta escolha ocorre justamente
num momento crucial de sua vida, momento este em que ele enfrenta muitos conflitos internos e
externos, devido à fase da adolescência em que se encontra. Seus confrontos familiares o
confundem ainda mais. E, na tentativa da auto afirmação, muitas vezes ele perde-se pelo
caminho.

É necessário desenvolver no jovem as noções de que estudamos para termos condições de


mudarmos o rumo da história e crer que um outro mundo é possível, é preciso ensiná-los a
sonhar, a ousar. Nossa responsabilidade para com nossos educandos é garantir-lhes um sentido à
vida.

O mesmo estudo irá obedecer a seguinte estrutura: Capítulo I – introdução, objectivo geral,
objectivos específicos e a metodologia usada para o efeito; no Capítulo II – irá apresentar os
conceitos e origem dos conflitos nas organizações, Capítulo III, Considerações finais e
referências bibliográficas que foram objecto de consulta.

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1.1. Objectivos

1.1.1. Objectivo Geral


 Analisar a influência da personalidade nas relações interpessoais nas organizações.

1.1.2. Objectivos Específicos


 Definir os conceitos de escolha profissional;
 Descrever as teorias de escolha profissional;
 Decifrar os factores determinantes no processo da escolha profissional;

1.2. Metodologia
Segundo a visão de André (2006), metodologia refere-se não só a um simples conjunto de
métodos, mas sim aos fundamentos e pressupostos que fundamentam um estudo particular. Onde
são mostrados os instrumentamentos e os métodos utilizados na recolha de dados.

O tipo de pesquisa adoptado neste estudo é de natureza descritiva. O estudo descritivo permite
identificar diferentes formas dos fenómenos, a sua coordenação e classificação, bem como
explicar as suas relações de causa e efeito (Oliveira, 2001), em outras palavras, permite ao
pesquisador ou à pesquisadora compreender as variáveis ou factores que influenciam
determinados fenómenos comportamentais. A escolha deste método justifica-se ao facto deste
estudo buscar descrever os factores que facilitam bem como os elementos que dificultam o
relacionamento interpessoal nas organizações.

No que diz respeito às técnicas de pesquisa, recorrer-se-me a revisão bibliográfica. Como fontes,
de acordo com o critério de origem de dados e informações, destacam-se: pesquisas
bibliográficas em livros e artigos científicos; consultas de websites e informações disponíveis na
Internet.

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Capitulo II: Enquadramento Teórico
Nesta secção pretende-se descrever os conceitos básicos que norteiam este tema dentre eles,
orientação profissional, factores determinantes no processo da escolha profissional.

Escolha Profissional

Definições

2.2.1. Conceitos

Ferreira Marques (1993) apud Taveira & Silva (2011: 144) define orientação profissional como
sendo uma actividade que consiste em analisar as capacidades do indivíduo, compará-las com as
exigidas pela profissão, e ajudá-lo a escolher a profissão que melhor se adequa.

Em concordância, Claraparéde (1922: 37) apud Tavares (2009: 34), apresentam uma definição
semelhante à Marques afirmando que orientação profissional tem como fim dirigir ou guiar o
indivíduo a uma profissão que lhe ofereça mais probabilidades de sucesso, correspondendo às
suas atitudes psíquicas e físicas. Este autor acrescenta ainda que é indispensável que além da
comparação feita entre as capacidades do individuo e as habilidades exigidas pela profissão,
considere-se o mercado regional de trabalho. Deste modo, a solução teria como base três factores
principais:

 Conhecimento do individuo que está a ser orientado;

 Conhecimento das aptidões requeridas para a execução das várias profissões;

 Conhecimento do mercado regional de trabalho.

Bohoslavsky (2007), apresenta a seguinte definição de orientação profissional,

“...é um dos campos de actividade dos cientistas sociais. Como tal, compreende uma série de
dimensões ou ramos, que vão desde o aconselhamento na elaboração de planos de estudos até a
selecção de bolsistas, quando o critério selectivo é a vocação.

Portanto constitui uma vasta gama de tarefas, que inclui o pedagógico e o psicólogo, em nível de
diagnóstico, de investigação, de prevenção e a solução da problemática vocacional.“

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A definição apresentada por Bohoslavsky, sugere que o processo de orientação profissional seja
dirigido não só por um psicólogo, mais também por um pedagógico, pois esta prática incluí uma
série de actividades que necessitam da intervenção destes dois profissionais.

Processo de Escolha profissional

A Orientação Profissional surgiu como prática num contexto sócio-econômico da Terceira


Revolução Industrial, caracterizada pela produção e pelo consumo em massa, com o objectivo de
garantir a eficiência industrial, pois as indústrias eram instituições que empregavam um grande
número de trabalhadores assalariados para a execução de tarefas específicas, segmentadas e
repetitivas. A Orientação Profissional, em sua origem, foi muito influenciada por um
comprometimento ideológico com a sociedade industrial. O objectivo desta actividade era buscar
a eficiência através do ajustamento da pessoa à função, sem considerar a auto percepção do
sujeito quanto aos seus interesses e perspectivas de satisfação e auto-realização.

Construir uma identidade, para Erikson (1972), implica em definir quem é a pessoa, quais são os
seus valores, e quais são as direcções que pretende seguir na sua vida. O autor entende que
identidade é uma concepção de si mesmo, composta de valores, crenças e metas com os quais o
individuo esta solidamente comprometido.

Para choen-Ferreira, Aznar-Farias e Silvares (2003), a formação de identidade “eu” recebe


influências de valores intrapessoais (capacidade inatas de individuo e características adquiridas
da personalidade), de factores interpessoais (identificação com outras pessoas) e factores
culturais (valores sociais a que uma pessoa esta exposta, tantos globais quanto comunitários).

De acordo com Almeida e Pinto (2008), o processo da criação da identidade do indivíduo se


torna mais complexo diante da multiplicidade de opções que a sociedade contemporânea oferece
e da sua constante transformação.

A escolha de profissão também faz parte deste processo de construção da identidade, sendo que o
desenvolvimento da escolha ocupacional não acontece de forma abrupta, sendo que desde
crianças fazemos brincadeiras e realizamos pequenas escolhas que norteiam esta questão, mas a
auto percepção vai mudança a medida que nos desenvolvemos e assimilamos outras
identificações, sendo que no período da adolescência, esta preocupação com a carreira emerge.

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Segundo Pinto (2003), a escolha acompanha o homem em toda sua vivência emocional e
qualquer escolha implica uma perda, ou melhor, descartar outras opções. Lidz (1983), acredita
que com a ausência de um padrão conhecido, sob forma de uma ou mais pessoa com quem se
identificar, pode desviar o jovem de um campo de interesse.

Para que haja uma consolidação da identidade adequada, é importante que o meio em que esta
inserido propicie ao jovem, valores e informações claras. Schoen-Ferreira, Aznar-Farias e
Silvares (2003), consideram que “desenvolver uma identidade madura supõe-se identificar com
uma ocupação determinada e com um núcleo de relações interpessoais relativamente estáveis.

Para uma escolha profissional satisfatória é imprescindível que haja uma aproximação do
adolescente ao significado do trabalho na vida das pessoas, trazendo isto para sua realidade,
retirando do abstracto onde muitas vezes é concebida.

O reflexo desta situação familiar será no ambiente escolar e, para alterar todo este caminhar, o
pedagogo que conduzirá o processo de escolha precisa estar bem resolvido em sua profissão e ter
uma concepção condizente em relação ao papel que exercerá neste momento, tomando
precauções para não, simplesmente, substituir a família na hora da escolha.

Bohoslavsky (1977:110) expõe o seguinte:

O histórico familiar permite prognosticar tanto os sistemas valorativos diante das carreiras e profissões
derivadas da classe social a que pertence, como os tipos de identificações familiares que, no que diz
respeito à escolha de carreiras.

E o adolescente, aquele que é o mais interessado em tudo isso, como fica? É muito importante
que seja levado em consideração suas angústias, facilidades, dificuldades, maturidade, desejos e
anseios relativos ao momento vivido nesta etapa de seu desenvolvimento.

Sobre a maturidade para a escolha é importante o que Bohoslavsky(1977: 111) ressalta:

Maturidade para escolher é um conceito difícil de definir. (...) a maturidade pode ser pesquisada a
partir do momento que atravessa (selecção, escolha, decisão); da situação (predilemática,
dilemática, problemática ou resolução); da escolha e das fantasias de resolução, especialmente de
vínculo transferência (mágico, paterno filial, auto confiado ou de aspiração), que determinam ou
descrevem sua atitude diante do processo de orientação vocacional

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Momento este que abrange todos os aspectos da formação humana, e, principalmente o lado
afectivo. E, a escolha também tem a ver com a pessoa com quem ele se relaciona neste momento
que tanto pode contribuir com sua auto afirmação como podar suas iniciativas pessoais e
profissionais. O jovem precisa ter acesso ao maior número de informações sobre o mundo
profissional com base na sociedade em que vive, bem como do mercado de trabalho, do
momento económico, histórico e cultural para que possa situar-se adequadamente.

As questões familiares também têm grande relevância neste processo de escolha profissional. A
formação dos pais, seus desejos em relação ao filho, suas possibilidades e limites
socioeconómicos, sua força de influência.

Factores determinantes no processo da escolha profissional

À medida que o ser humano cresce, surge nele a necessidade de seguir uma carreira profissional
como forma de garantir o seu sustento, todavia, nem sempre ele (ser humano) consegue alcançar
as profissões que almeja devido aos factores que interferem no processo das escolhas
profissionais. Conforme afirma Soares (2002)1, existem alguns factores determinantes no
processo da escolha profissional, que são: factores políticos, económicos, sociais, familiares e
psicológicos.

 Factores políticos - referem-se especialmente a política governamental e seu


posicionamento perante a educação.
 Factores económicos - referem-se ao mercado de trabalho, ao retorno financeiro, ao
desemprego, a instabilidade financeira.
 Factores sociais - referem-se a divisão da sociedade em classes sociais, as desigualdades
no acesso ao ensino.
 Factores familiares - compreendem às expectativas familiares diante da escolha
profissional dos filhos.
 Factores psicológicos - dizem respeito aos interesses, às motivações, às habilidades e às
competências pessoais.

Por seu turno Santos (2005), ao analisar os factores na escolha profissional, apontou a família
como sendo um dos principais influenciadores que pode tanto ajudar como dificultar o jovem no
momento de decisão profissional. Este ponto de vista assemelha-se ao de Soares (2004) citado
por Almeida e Pinho (2008), pois para este autor, os pais constroem projectos para o futuro do
1
Soares, D. (2002). A Escolha Profissional: do jovem ao adulto (2ª ed). São Paulo.

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filho e desejam que ele corresponda à imagem sobre o projectado, propondo muitas vezes
objectivos que na realidade eram sonhos seus, que não puderam realizar na juventude.

O pensamento dos autores supracitados é secundado por Pinto e Soares (2004) citados por
Almeida e Pinho (2008), ao afirmarem que de alguma maneira, os pais introduzem em seus
desejos os projectos de seus filhos.

Não obstante, o outro factor que influencia o jovem na escolha profissional é a escola. Visto que,
na fase escolar, a pessoa concretiza seus pensamentos e suas observações, adquire prática nas
suas acções, o que a faz avançar e determina muitos pontos do seu perfil, tanto biológico quanto
psicológico (Soares, 2002).

Por seu turno Nunes (2011) afirma que para muitos jovens o momento de escolher ou decidir
qual carreira seguir, é muito difícil e complicado. Surgem as dúvidas e inseguranças a respeito do
futuro profissional, e os pais acabam envolvendo-se para ajudar, mas muitas vezes não sabem
como orientá-los na escolha, pois há tantas opções de carreiras que fica difícil saber qual é o
melhor caminho, ou o mais certo em que seu filho pode ter mais sucesso.

Ainda na mesma linha de Nunes, os pais devem preparar seus filhos e permitir que eles decidam
e escolher o que querem desde cedo, testando suas capacidades. Desenvolvendo as actividades
na infância que ficam mais fáceis de escolher as profissões do futuro.

Os pais devem auxiliar os seus filhos para não levantarem falsas esperanças com relação às
influências dos amigos, por profissões de interesse financeiro, mas por algo que realiza a
motivação no trabalho.

Por sua vez Lidz (1983), fala dos factores sob ponto de vista do bem-estar que o indivíduo
procura, afirmando que em um sentido geral, existem duas maneiras de se pensar na escolha da
carreira: procurar uma ocupação que proporcione satisfação e prazer com a qual possam fazer
uma vida interessante, ou considerar uma ocupação principalmente como meio de ganhar a vida
e segurança para a consecução de poder. Nesta última maneira de se pensar em uma profissão, as
preocupações dos jovens podem estar ligadas ao mercado de emprego.

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Variáveis externas na escolha profissional

3.1 Família

A família desempenha importante papel na vida do adolescente e sua influência na hora da


escolha profissional, se não controlada, pode ser o determinante de uma frustração futura.

O histórico familiar permite prognosticar os sistemas valorativos perante carreiras e profissões


derivadas das classes social a que faz parte como também os tipos de identificações familiares
que influem na escolha profissional. De acordo com Souza (1995: 46) a família seria o elo de
ligação entre a vida actual e a vida futura:

A família desempenha papel-chave na introdução ou transmissão de valores da cultura para a criança. É


através de sua participação nos eventos diários da vida familiar que se espera que a criança aprenda a
valorizar a propriedade, a lei e a ordem, a respeitar os direitos e sentimentos alheios. Espera-se que a escola
continue com a educação, , pois esta realiza melhor função quando pode ampliar e aprofundar a educação já
iniciada na família. E, mais tarde, através da sua produção individual, sua escolha e atuação profissional, já
adulto dará sua devolutiva à vida, com sua actuação e participação na comunidade ampla.

Em muitos casos há famílias e círculo de amigos onde não se tem referências que possam
desencadear, no jovem, o desejo de imitá-los de maneira positiva ou negativa. Até mesmo a
ausência de alguns valores humanos na educação de um jovem interferem na chance que ele tem
em tornar-se um homem e um profissional integrado na sociedade em que vive.

Em outros casos não há o conhecimento prático das diversas possibilidades universitárias. Há


alguns pais que não conseguem estabelecer um tempo para dialogar com os filhos a respeito
desse tema ou até mesmo por não se sentirem preparados para tal função, então delegam isto
totalmente à escola. Por sua vez, a escola, que se encontra com inúmeras preocupações, próprias
do ensino e do controle administrativo, não consegue atender satisfatoriamente aos anseios dos
adolescentes.

Tal situação acaba por tornar-se assim um jogo de empurra-empurra onde entra, e diversas vezes
negativamente, as influências na escolha profissional destes jovens que só se darão conta deste
caos após algum tempo, quando em alguns casos, já estiverem com seus caminhos traçados por
onde não desejavam.

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3.2 Escola

A escola ao abordar a Orientação Profissional deve fazê-lo através de um processo que


possibilite ao aluno atingir níveis de maturação e de auto conhecimento e circunstâncias que
permitam sua escolha profissional apesar das influências externas a que ele está exposto.

O que o pedagogo, dentro da instituição de ensino deve ter consciência é que cada vez mais é
necessário que se realize uma escolha profissional mais satisfatória possível. Esta escolha há
muito que angustia os jovens pois tal decisão afecta sua vida ou pelo menos parte dela e também
a de seus familiares.

No ambiente escolar deve ser propiciado ao adolescente a possibilidade de se deparar com alguns
aspectos da vida profissional a qual poderá ou não ser sua contemplada.

Levenfus(1997) nos coloca que no processo da escolha profissional, a sensibilização para o


momento em que o jovem se encontra dentro do contexto social, deve ser levado em
consideração. Salientando assim a necessidade de situar a escolha sob alguns aspectos como o
nível de informação que este adolescente possui em relação ao mundo que o cerca; suas reais
condições de escolha; as possibilidades e dificuldades emocionais e materiais que ocorrerão
quando da tomada de decisão; as influências exercidas por sua família e seus pares; a relação que
há entre seu autoconhecimento e a escolha profissional.

Enfim, são inúmeros os aspectos a serem considerados e a instituição de ensino a qual este jovem
encontra-se inserido pode e deve contribuir para seu crescimento pessoal e profissional.

Para conseguir realizar sua escolha o adolescente busca liberdade, o que caracteriza este
momento evolutivo em que vive, de liberar-se, sentir-se responsável por si, pelos seus actos, o
apoio que pode ser directo ou indirecto e a permissão, ou seja, uma situação socialmente
determinada.

Muitos são os que sobrepõe sobre o futuro que será escolhido, ocasionando mais conflitos ao
jovem que tem dificuldade em relacionar essa tal felicidade com os compromissos vindouros.

Levenfus (1997) nos coloca que no processo da escolha profissional, a sensibilização para o
momento em que o jovem se encontra dentro do contexto social, deve ser levado em
consideração. Salientando assim a necessidade de situar a escolha sob alguns aspectos como o

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nível de informação que este adolescente possui em relação ao mundo que o cerca; suas reais
condições de escolha; as possibilidades e dificuldades emocionais e materiais que ocorrerão
quando da tomada de decisão; as influências exercidas por sua família e seus pares; a relação que
há entre seu autoconhecimento e a escolha profissional.

Lucchiari(2002, p.94) diz:

[...]quando se fala em orientação profissional, o projecto para o futuro dos filhos é parte
integrante da família e deve ser considerado[...] o ambiente do jovem pressiona-o a saber o que
ele deseja fazer mais tarde, a elaborar um projecto e, ao mesmo tempo, apresenta obstáculos tais
que o impedem de realizar um bom projecto[...] o projecto profissional do jovem se constrói no
seio de uma família. Pode apresentar-se a dificuldade de autonomia em relação às influências
familiares, e as consequentes implicações de concordâncias e contradições em relação às
expectativas dos membros da família[...] entre o compromisso de realizar o projecto familiar e a
oposição a ele, a internalização pelo jovem dos projectos dos pais é fruto de uma luta, seja ela
aberta ou latente, mais ou menos viva, de acordo com o caso, mas sempre presente.

E é nesta situação que a escola tem a obrigatoriedade de auxiliar este jovem, a fim de que
adquira os conhecimentos necessários para que mesmo sob qualquer tipo de pressão, e sem
entrar em conflitos com quem quer que seja, consiga fazer prevalecer o que realmente ele deseja,
o que segundo ele, o tornará um profissional sério, competente e satisfeito.

Para esta escolha responsável o trabalho é árduo, pois muitos escolhem permitir que determinem
seu futuro por ser este o caminho mais curto.

Isso se dá pela imaturidade do momento e a escola na figura do pedagogo e de professores


precisa trazer à tona o “eu” interior de cada um conduzindo-os a reflexão desde as mínimas
coisas até chegar ao projecto de vida que cada um precisa estabelecer para si, só assim ele sentir-
se-á capaz de realizar escolhas responsáveis, especificamente profissionais..

Seguindo este raciocínio Lucchiari(2002, pág 98-99) complementa:

Trabalho é qualquer actividade desenvolvida pelo homem ao produzir algo útil para a
comunidade. O trabalho existe em razão do homem e para o homem. Sempre estará relacionado
com algum benefício social, alcançado directa ou indirectamente[...]O trabalho é parte integrante

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da vida de qualquer pessoa. Vivemos em uma sociedade em que nossa participação dá-se,
fundamentalmente, mediante o trabalho realizado.

É importante que o jovem entenda que está constantemente influenciado no processo de escolha
profissional. Segundo Andrade (1997 apud Almeida e Pinto, 2008:180), o reconhecimento destas
influências pode vir a colaborar com a elaboração de um plano de carreira, pois o indivíduo pode
usá-las de forma positiva e construtiva, de forma a adequá-las aos seus próprios desejos e
valores.

Importância das tecnologias de informação no processo de orientação profissional

Segundo Watts ((2002) apud Esbrogeo & Silva (2012: 140)), a evolução da utilização das
tecnologias de informação e comunicação no que concerne a escolha profissional pode ser
dividida em três fases.

A primeira fase decorreu nos meados da década de 1960 e início da década de 1970, nesta
época foram desenvolvidos os primeiros sistemas de orientação profissional demonstrando o
potencial das TIC's. Entretanto, o custo e a interacção com o utilizador eram restritos. Os
sistemas limitavam-se na correcção de testes e de provas psicométricas que realizam análises
estatísticas longas e sofisticadas.

A segunda fase decorreu na década de 1980 até meados de 1990, por meio da utilização do
computador tornou-se mais viável economicamente e desdobrou-se o desenvolvimento de
software em versões de utilização facilitadas e com mais recursos. Consequentemente houve um
crescimento no número de sistemas de informação para uso nesse domínio nos países
desenvolvidos.

E por fim, a terceira fase ocorreu no final dos anos de 1990, com o advento da Internet. As
pessoas passaram a aceder a rede não apenas por meio do seu computador pessoal, mas também
da televisão e dos aparelhos celulares. Para este autor, no decorrer dessas fases, foram sendo
adicionadas vantagens como o crescimento na facilidade de acessos á orientação e informação
profissional através das TIC's acessíveis a várias pessoas de qualquer lugar do mundo.

As aplicações informáticas de orientação profissional dividem-se em vários tipos, mas destacam-


se três. O primeiro deles são os sistemas ou instrumentos de avaliação, no qual o próprio sistema

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administra um ou mais testes e inventários de interesse, de habilidades, e de características de
personalidade, que em seguida são interpretados e dá como resultado um prognóstico das
possíveis profissões. O segundo sistema é o que fornece informações sobre a profissão, locais de
trabalho, mercado, universidades disponíveis. Estes são especializados em base de dados e
pesquisas. O último tipo é chamado de sistemas analógicos. Estes auxiliam o utilizador a
desenvolver planos de acção, preparar currículo, preparar e seleccionar entrevistas, seleccionar
oportunidades ou a investir no próprio negócio, contendo uma grande variedade de informações
profissionais.

Além destes três, existem outras aplicações informáticas mais ambiciosas que visam alcançar
quatro objectivos:

 Promover o auto-conhecimento;

 Conhecer o mundo do trabalho;

 Adquirir competências para a tomada de decisão e

 Transferir as competências para o mundo escolar e do trabalho. De certa forma, estas


aplicações aproximam-se mais a orientação profissional tradicional.

2.3.1. Impacto do uso da internet no processo de orientação profissional

Geralmente, quando os jovens ou adolescentes começam a preocupar-se com a sua futura


profissão, procuram informações relacionadas com profissões e cursos em diferentes websites,
cujas fontes podem ser do governo, associações profissionais, publicações educacionais e de
universidades e outras instituições de ensino.

Segundo Moran, (2004: 347), as tecnologias são só apoio, meios. Mas elas nos permite realizar
actividade de aprendizagem de formas diferentes as de antes. Nesta perspectiva, o processo de
escolha do jovem se torna ainda mais complexo devido as múltiplas opções que a sociedade
oferece e da sua constante transformação, transformação esta que está intimamente ligada a
globalização acelerada bem como o uso da internet.

De acordo com Esbrogeo (2012: 143) as vantagens por meio do acesso a estas informações são
várias, pois há muitos sites com múltiplos recursos, é possível procurar informações nas mais

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variadas ocupações, o recurso é prioritariamente visual, há flexibilidade, informações rápidas e
relativamente actualizadas.

Com a globalização e avanços tecnológicos, a internet passou a exercer papel importantíssimo na


influência na escolha profissional. O uso da internet pode auxiliar o jovem de várias maneiras a
escolher uma carreira. Uma facilidade advinha da internet é a busca da informação
constantemente actualizada sobre os recursos superiores e especialização, mercado do trabalho,
profissões em ascensão, e pode permitir o jovem uma maior aproximação da profissão escolhida
através de vídeos, depoimentos, gravações e entre outros.

Apesar destas vantagens, o autor explica que a principal desvantagem da busca da informação
pela internet é que muitas vezes, o adolescente não tem a orientação de um profissional para
ajudar a decifrar as informações. Outra preocupação é: Qual informação profissional é confiável?
Pois nem sempre fica clara a fonte da informação disponibilizada. A variedade, a validade e a
qualidade das informações podem dificultar uma intervenção eficaz (Robinson et al.,2000, apud
(Esbrogeo & Silva, 2012: 43)).

Algumas instituições de orientação Profissional em Moçambique

No entanto, existem instituições públicas e privadas que se focalizam nestas actividades. O maior
inconveniente destas instituições é o facto de elas cobrarem pelos serviços de orientação
profissional, o que corresponde para muitos estudantes uma barreira para se beneficiar desta
prática. Em Moçambique, especificamente na província de Maputo, foram identificadas três
instituições que prestam serviços de orientação profissional, a CEAP (Centro de Exames e
Atendimento Psicológico), a CPAEP (Centro Psicológico de Atendimento e Exames
Psicotécnicos), a SDOConsultoria.

2.2.6.1. CEAP

O Centro de Estudos e Apoio Psicológico (CEAP) pertence a Faculdade de Educação da


Universidade Eduardo Mondlane e serve para prestar apoio psicológico à comunidade estudantil
e ao público em geral e ainda coordenar a realização da parte prática do curso de Psicologia
oferecido pela Universidade Eduardo Mondlane. De acordo com Guambe (2015), os serviços
oferecidos pelo CEAP são: Psicologia clínica e psicoterapia de apoio; Aconselhamento

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psicológico; Necessidades educativas especiais e dificuldades de aprendizagem; Orientação
escolar, vocacional/profissional; Consultas de terapia familiar.

Conforme pode-se notar, um dos serviços fornecidos por este centro é a orientação escolar,
vocacional/profissional. Para aceder este serviço deve-se marcar uma consulta no valor de
100MZN para estudantes internos da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), e 500MZN para
estudantes externos. Geralmente, depois da primeira consulta são marcadas outras sessões no
sentido de obter resultados mais consistentes. Daí, são requeridos mais e mais recursos
financeiros.

2.2.6.2. CPAEP

O CPAEP (Centro Psicológico de Atendimento e Exames Psicotécnicos) é uma instituição


pública que se dedica em actividades que promovem a saúde mental. Uma dessas actividades é a
orientação profissional. Para realizar esta actividade são tomados em consideração sessões com o
estudante, de forma a conhecê-lo para posteriormente decidir a sua inclinação profissional.
Geralmente durante essas sessões, o psicólogo faz algumas questões ao estudante. E com base
nas respostas, pode-se obter um resultado correspondente a inclinação profissional do estudante.
Mas este resultado não é completamente satisfatório, é requerido ainda o uso de testes
psicotécnicos.

Os testes de avaliação psicológica utilizados no CPAEP, são adquiridos na CEGOC. CEGOC é


uma instituição portuguesa que dedica-se à prestação de serviços nas áreas de formação,
consultoria, recrutamento e selecção e publicação de testes psicológicos.

Para que um estudante tenha acesso aos serviços de orientação profissional na CPAEP deve
pagar inicialmente um valor de 1000MZN. Para a aquisição de testes na CEGOC, são pagos altos
valores monetários. Daí que, ao longo do processo de orientação profissional, se o psicólogo
recomendar o uso de testes o estudante deve pagar pelos testes. O processo completo pode variar
de 1500 a 3000MZN.

2.2.6.3. SDOConsultoria

SDOConsultoria é uma empresa Moçambicana, cujo foco é oferecer soluções integradas e


inovadoras no mercado de Consultoria que contribuam para o desenvolvimento do negócio dos

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seus clientes, valorizando as pessoas e criando futuro para as organizações. De entre diversas
actividades realizadas pela SDOConsultoria, encontra-se a orientação profissional. Esta, é
aplicada não só a estudantes que queiram iniciar a sua carreira mas também a indivíduos que
desejam trocar de profissão.

Para adquirir este serviço o indivíduo tem de pagar um valor de 1000MZN para a consulta
inicial, e posteriormente se for necessário, deve pagar um outro valor para o teste.

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Referências Bibliográficas

Erikson, E. H. Identidade, Juventude e Crise. Rio de Janeiro. Zahar. 1972.

Nunes, V. K. (2011). Como os pais podem ajudar na escolha da profissão dos seus filhos. São
Paulo.

Soares, D. (2002). A Escolha Profissional: do jovem ao adulto (2ª ed). São Paulo.

Almeida, M, E. & Pinho, L. (2008). Adolescência, família e escolhas: implicações na orientação


profissional. Rio de Janeiro.

Moran, J. M. A contribuição das tecnologias para uma educação inovadora. Contrapontos,


Itajai, v4, n2, p. 347 – 356, Maio/Agosto, 2004.

Bohoslavsky, R., 2007. Orientação vocacional estratégia clínica. 12nd ed. São Paulo: s.n.

Tavares, V. L. d. C., 2009. Orientação Profissional e Vocacional: um estudo sobre o


funcionamento das estruturas de orientação nas escolas. s.l.:Editorial de la Universidad
de Granada.

Taveira, M. d. C. & Silva, J. T. d., 2011. Psicologia Vocacional - Perspectivas para intervenção.
2nd ed. Coimbra: Imprensa Universidade de Coimbra.

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