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FILIAÇÃO SOCIOAFETIVA

A filiação socioafetiva não esta prevista por expressa em nosso ordenamento


jurídico, contudo, os filhos de criação eram ignorados juridicamente. Sendo assim, a
coabitação sexual pode resultar em gravidez, assim nascendo os filhos biológicos, enquanto
a filiação socioafetica nasce de uma decisão espontânea. É o que acentua João Baptista
Villela ( p400-406, 1979).

A filiação não é apenas o nascimento, a família não é apenas o sangue, mas


crescer, viver, envelhecer juntos.

Neste sentido, o que se poder verificar é que o sangue sem a afetividade não é
suficiente para que se possa configurar os laços familiares, a relação de paternidade, o que
envolve a família é o sentimento, os vínculos afetivos, o amor. O termo Paternidade
Socioafetiva foi criado por Luiz Edson Fachin, em seu livro, Estabelecimento da Filiação e
paternidade Presumida, esta publicada em 1992, pois vejamos. (pag205)

A filiação Socioafetiva é aquela decorrente do afeto, que não resulta


necessariamente do vínculo genético, acolhendo o ditado popular de que pai é
aquele que cria e não necessariamente quem procria, com raízes na posse do
estado de filho.

Verifica - se, no entanto que, a Filiação Socioafetiva é todo filiação não biológica,
mas sim, aquela acolhida pelo afeto, os filhos de coração. Podendo ser mediante adoção
regular, adoção à brasileira, na reprodução material genético e na filiação socioafetiva
propriamente dita.

Paulo Lôbo, em sua obra Socioafetividade no Direito de Família, apresenta quatro


elementos para configurar a socioafetividade, senão vejamos.

a- Pessoas que se comportam como pai e mãe e outra pessoa que se comporta
como filho; b- convivência familiar; c- estabilidade do relacionamento ; d-
afetividade.

Neste sentido, a Filiação Socioafetiva nada mais é do que o vinculos afetivo


construído pela espontaneidade, pelos sentimentos, pela intenção e vontade dos pais entre
os filhos de coração, formam o afeto, este nem sempre ocorre na filiação biológica.
Acrescenta Rolf Madaleno (2013, p.488)
O real valor jurídico está na verdade afetiva e jamais sustentada na ascendência
genética, porque essa, quando desligada do afeto e da convivência, apenas
representa um efeito da natureza, quase sempre fruto de um indesejado acaso,
obra de um indesejado descuido e de pronta rejeição. Não podem ser
considerados genitores pessoas que nunca quiseram exercer as funções de pai ou
de mãe, e sob todos os modos e ações de desvinculam dos efeitos sociais, morais,
pessoais e materiais da relação natural de filiação.

Na doutrina atual e na jurisprudência, a Filiação Socioafetiva é acolhida


amplamente, pois o que se busca é o reconhecimento do afeto como valor jurídico. O
Supremo Tribunal Federal no RE 898.060/SP reconheceu a possibilidade da Filiação
Socioafetica cumulada com a Biológica, assim autoriza a dupla parentalidade.