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Sumário

TÓPICO 4 – Direito Tributário

07

1

Sistema Constitucional Tributário Brasileiro

07

1.1

Competência Tributária Cumulativa

08

1.2

Competência tributária: Classificação das Competências e Características

08

1.2.1 Classificação

08

1.2.2 Características

09

2

Lei Complementar Tributária

10

2.1

Lei Complementar e Constituição Federal: Criação de Tributos, Aumento e Minoração

de Alíquotas, Regime Jurídico

11

3

Conceito de Tributo

12

3.1

Art. 3º do CTN

12

3.2

Os Tributos de Competência da União Federal

15

3.2.1 Impostos:

15

3.2.2 Empréstimo Compulsório: Art. 148, I e II

15

3.2.3 Taxas: competência comum: Art. 145, II

15

3.2.4 Contribuição de Melhoria: Art. 145, III

15

3.2.5 Contribuições Sociais: Art. 149

15

3.2.6 Contribuições Interventivas e Corporativas

17

3.3

Estados-Membros e Distrito Federal

19

3.3.1 Impostos

19

3.3.2 Taxas: competência comum: Art. 145, II

19

3.3.3 Contribuições Sociais dos servidores estaduais para o custeio de

previdência própria: art. 149, § 1º

19

3.3.4

Contribuição de melhoria: art. 145, III

19

3.4

Municípios

19

3.4.1 Impostos

19

3.4.2 Taxas: competência comum. Art. 145, II

19

3.4.3 Contribuição de melhoria: Art. 145, III

19

3.4.4 Contribuição social de seus servidores para o custeio de previdência própria de seus

20

servidores: art. 149, § 1º

03

3.4.5

Contribuição de Iluminação Pública: art. 149-A

20

 

3.4.6

A Lista de Tributos no Brasil

20

4

Natureza Jurídica dos Tributos

23

4.1

Art. 4º do CTN: hipótese de incidência e base de cálculo

23

4.2

Irrelevância: denominação e destino: Inc. I e II do art. 4º do

24

5

Classificação das Espécies Tributárias

24

5.1

Imposto: Art. 145, I da CF de 1988

24

5.2

Classificação dos Impostos:

25

5.3

Imposto de competência residual: Art. 154, I, da CF de 1988

25

5.4

Imposto extraordinário de guerra: Art. 154, II, da Cf de 1988, c.c. o Art. 76 do CTN

25

5.5

Classificação dos Impostos segundo CTN:

25

6

Taxas

26

6.1

Taxas em razão da prestação de serviço efetiva ou potencial de serviços públicos

prestados ao contribuinte ou postos à sua disposição

26

6.2 Taxas em razão do exercício regular do poder de polícia

27

6.3 Diferenças entre Taxa e Preço Público

27

Contribuições de Melhoria e Empréstimos Compulsórios: Art. 145, III, da CF de 1988, c.c. os Arts. 81 e 82 do CTN

7

28

8

Empréstimo Compulsório: art. 148, I e II, da CF de 1988

29

9

Espécies Tributárias: Contribuições do Art. 149 da CF

30

9.1

Contribuições Especiais: Art. 149, da CF de 1988

30

9.2

Contribuições Sociais: Art. 149, 1ª parte da

31

9.2.1 Contribuições Sociais Gerais

31

9.2.2 Contribuições Sociais de Seguridade Social: Art. 195 da

32

9.3

Contribuição e Intervenção no Domínio Econômico – CIDE

33

9.4

Contribuição no interesse de categorias profissionais ou econômicas – CICP

34

9.5

Contribuição de iluminação pública: Art. 149-A, da CF de 1988

35

10

Princípios Constitucionais Tributários

35

10.1

Princípio da legalidade: conceito. Art. 150, I, da CF de

35

10.1.1

Estrita Legalidade Tributária: Previsão do Art. 97 do CTN

36

10.2

Princípio da igualdade tributária: Art. 150, II, da CF de 1988

38

10.2.1 Princípio da capacidade contributiva: Art. 145, §1º da CF

38

10.2.2 Princípio da Progressividade Fiscal e Extrafiscal

39

04

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10.2.3 Princípio da seletividade fiscal: Art. 153, § 3º, I e Art. 155, § 2º, III da CF

40

10.3 Princípio da irretroatividade tributária: Art. 150, III, “a”, da CF de 1988

40

10.4 Princípio constitucional da anterioridade tributária: Art. 150, III, b, e c,

combinada com o §1º do Art. 150 e §6º, do Art.

41

10.5 Princípio Constitucional do Não-Confisco: art. 150, IV, da CF

43

10.6 Princípio Constitucional da Limitação ao Tráfego: Art. 150, V, da CF de 1988

44

10.7 Princípio Constitucional da Uniformidade Tributária: Art. 151, I, da CF de 1988

45

10.8 Princípio Constitucional do Art. 151, II, da CF de 1988

45

10.9 Princípio Constitucional do Art. 151, III, da CF de 1988

45

10.10 Princípio Constitucional do Art. 152, da CF de 1988

45

10.11 Princípio Constitucional do § 5º do Art. 150, da CF de 1988

46

10.12 Princípio Constitucional do § 6º do Art. 150, da CF de 1988

46

10.13 Princípio do §7º do Art. 150, da CF de 1988

46

11

Imunidades Tributárias

46

11.1

Classificação das Imunidades

47

11.2

Diferenças entre Imunidade e Isenção

48

11.3

A Imunidade e as Espécies Tributárias

48

11.4

Imunidade recíproca: Art. 150, Inciso VI, Alínea “a”, da CF de 1988

48

11.5

Imunidades dos templos de qualquer culto: Art. 150, VI, b, da CF de 1988

51

11.6

Imunidade do Art. 150, VI, Alínea “c”, da CF de 1988

52

11.7

Imunidades dos livros, jornais, periódicos e do papel destinado à sua impressão:

Art. 150, Inciso VI, Alínea “d”, da CF de 1988

54

11.8 Imunidade Musical: Art. 150, Inciso VI, Alínea “e”, da CF de 1988

55

11.9 Imunidade do inciso III, do §3º, do Art. 153

55

11.10 Imunidade do inciso II, do §4º, do Art. 153

55

11.11 Imunidade do Art. 155, §2º, Inciso X, Alíneas “a”, “b”, “c’ e “d”

56

11.12 Imunidade do inciso I, do §2º, do Art. 156

56

05

Tópico 4

Direito Tributário

1 Sistema Constitucional Tributário Brasileiro

O sistema constitucional tributário brasileiro estabelecido pela Constituição Federal de 1988,

entre os Arts. 145 a 162, significa o conjunto de normas jurídicas que delimita a competência tributária dos entes federativos, enquanto aptidão legislativa para a criação e cobrança dos tributos, bem como define os princípios constitucionais tributários, as imunidades tributárias e a repartição de receitas tributárias.

Nesse sentido, a CF de 1988, em matéria tributária, assim está composta:

Título VI – DA TRIBUTAÇÃO E DO ORÇAMENTO – CAPÍTULO I – DO SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL

SEÇÃO I – DOS PRINCÍPIOS GERAIS: Arts. 145 a 149-A

SEÇÃO II – DAS LIMITAÇÕES DO PODER DE TRIBUTAR: Arts. 150 a 152

SEÇÃO III - DOS IMPOSTOS DA UNIÃO: Arts. 153 a 154

SEÇÃO IV – DOS IMPOSTOS DOS ESTADOS E DISTRITO FEDERAL: Art. 155

SEÇÃO V – DOS IMPOSTOS DOS MUNICÍPIOS: Art. 156

SEÇÃO VI – DA REPARTIÇÃO DAS RECEITAS TRIBUTÁRIAS: Arts. 157 a 162

A CF de 1988 não cria tributos. É o ente político (União, Estados-membros, Distrito Federal e Municípios) que tem o poder de exercer a competência tributária ao editar as leis criadoras dos

tributos. A exceção a essa regra diz respeito à possibilidade da Lei Complementar criar empréstimos compulsórios (Art. 148, da CF); o imposto de competência residual (Art. 154, I), além das outras contribuições sociais (§ 4º, do Art. 195) e, por último, o imposto sobre grandes fortunas (Art. 153, VIII).

Com efeito, integram o sistema constitucional tributário brasileiro a Lei Complementar Tributária, consoante os Arts. 146 e 146-A, e as Leis Ordinárias instituidoras dos tributos pelos entes fede- rativos, enquanto normas infraconstitucionais.

O

Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/1966) é a norma infraconstitucional com status de

Lei

Complementar na atual CF de 1988 (Art. 146, III), em razão de veicular normas jurídicas para

dirimir conflitos de competência entre os entes federativos, a regulação das limitações constitu- cionais ao poder de tributar e as normas gerais em direito tributário.

Existe uma nítida diferença entre os conceitos de Competência Tributária e Capacidade Tributária Ativa.

07

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A Capacidade Tributária Ativa (também conhecida por Parafiscalidade) é nomenclatura corrente

utilizada na doutrina para identificar o órgão público (pessoa jurídica de direito público in- terno), que realiza a cobrança ou a fiscalização dos tributos, é entidade diversa do sujeito ativo determinado pela Constituição e pela Lei (União, Estados-membros, Distrito Federal e Municípios), que exerce a competência legislativa para a criação dos tributos.

A referida circunstância significa a transferência da capacidade tributária ativa, pelo qual o ente

federativo (União, Estados-Membros, Distrito Federal e Municípios), por meio de lei ordinária, atribui à terceira pessoa (pessoa jurídica de direito público interno) a função de arrecadação e fiscalização dos tributos, com a perspectiva da disponibilidade do produto arrecadado.

Essas pessoas só poderão sê-las as Pessoas Jurídicas de Direito Público (Ex: Autarquias/Fun- dações Públicas – Administração Pública Indireta) ou entidades jurídicas de direito privado

perseguidoras de finalidade públicas (Ex: Contribuição no Interesse de Categorias Profissionais:

art. 149, da CF, na cobrança pelos órgãos de classe das profissões regulamentadas em Lei da

respectiva contribuição no interesse de categorias profissionais (OAB, CREA, CRM); o art. 240 da CF - SESI, SENAI, SESC, SENAC). Outro exemplo de transferência da capacidade tributária ativa

é a Contribuição do INCRA (art. 240 da CF, c. c. a Lei nº 2.613/1955).

Atenção para o instituto do Cometimento, previsto no §3º do art. 7º do CTN. Significa a modalidade de transferência de capacidade tributária ativa do encargo ou função de arrecadar tributo atribuída à pessoa jurídica de direito privado. Como exemplo, teríamos

as retenções de impostos pela fonte pagadora, como no caso do IR retido pelo empregador do salário do trabalhador, ou mesmo da extinta CPMF, que era arrecadada pelos bancos em caráter de retenção e descontada do contribuinte diretamente em sua conta-corrente.

1.1 Competência Tributária Cumulativa

Descriminação das competências dos entes políticos, prevista no Art. 147, da CF de 1988, que significa a competência da União federal, para em Territórios Federais efetuar a cobrança de impostos estaduais e, se não dividido o Território em Municípios, os impostos municipais. Ao Dis- trito Federal, além dos impostos estaduais, previsto no Art. 155, cabem os impostos municipais.

1.2 Competência tributária: Classificação

das Competências e Características

1.2.1 Classificação

Na Competência Privativa: os Impostos dos entes federativos. O Empréstimo Compulsório e as Contribuições Especiais do Art. 149 da CF, na competência privativa da União; As Contribuições Sociais do Sistema Previdenciário dos Estados-Membros, Distrito Federal e Municípios; A COSIP dos Municípios e Distrito Federal.

Na Competência Comum dos entes federativos: as Taxas e a Contribuição de Melhoria.

A Competência Residual: No Art. 154, I e § 4 do art. 195, ambos da CF de 1988, que significa a

competência para instituição de impostos e contribuição sociais novos, de competência exclusiva da União Federal.

A Competência Extraordinária: prevista no Art. 154, II, para a instituição do imposto extraordi-

nário de guerra externa e sua iminência, pela União federal.

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1.2.2 Características

Privativa: Significa a capacidade legislativa plena dos entes federativos para a criação dos tributos e de sua cobrança. Impossibilidade de usurpação de competências tributárias pelos entes federativos. A CF de 1988 proíbe a interferência legislativa dos entes federativas no exercício da competência tributária uns dos outros.

OBS (1): Tratados Internacionais celebrados pela União. Possibilidade. Manifestação do Esta- do-Nação. Convivência pacífica das normas do Tratado ou Convenção, em matéria tributária, com as de normas jurídicas internas. Prevalência do Tratado com a adoção do Princípio da es- pecialidade. Art. 98 do CTN.

Esse artigo apresenta os tratados e convenções internacionais, como atos normativos primários, desde que ratificados por Decreto Legislativo. Tratado e Convenção Internacional no qual o Es- tado Brasileiro deve ser signatário, que reformam ou modificam a legislação tributária interna, somente produz efeitos jurídicos, com força de lei ordinária, por meio de Decreto Legislativo. A Emenda constitucional 45/2004 provocou alteração na CF no que tange ao artigo 5º, Inciso XXVIII, §3º, passando este a regular a eficácia do processo legislativo dessas normas jurídicas internacionais, desde que sejam ratificados por meio de Decreto Legislativo, vigorando então com força de Lei Ordinária.

ATENÇÃO: Decreto Legislativo. A sua função é introduzir no ordenamento jurídico brasileiro os convênios e tratados internacionais e no âmbito tributário interno é ratificar os convênios entre os entes políticos (Estados, Municípios). Caráter de Lei Ordinária. Ato Normativo Primário. Art. 62 da CF.

OBS (2): Isenções Heterônomas. Proibição constitucional. Art. 151, III da CF (Art. 151. É ve- dado à União: III - instituir isenções de tributos da competência dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios). Exceção: art. 156, § 3º, ou seja, por meio de Lei Complementar é possível excluir a competência dos Municípios serviços que sejam destinados para o exterior.

OBS (3): A previsão do supersimples estabelecido no parágrafo único do Art. 146, Alínea “d”, e seu parágrafo único, da CF, pelo qual a lei complementar prevê regime jurídico único de arrecadação dos impostos da União, dos Estados-membros, Distrito Federal e Municípios devi- dos pelas microempresas e empresas de pequeno porte, bem como tratamento diferenciado de microempresas e de pequeno porte, para o ICMS e Contribuições.

Indelegável: impossibilidade de transferência do poder de legislar dos entes federativos em matéria tributária, inclusive para delegar essas funções ao poder executivo.

Incaducável: o poder de legislar dos entes federativos sobre a competência tributária atribuída pela Constituição Federal não se perde pelo transcurso do tempo.

Irrenunciável: o poder de legislar dos entes federativos em razão da competência tributária atribuída pela CF de 88 não pode ser renunciada, como se fosse um bem jurídico livremente disponível.

Inalterável: a competência tributária é matéria reservada da Constituição, só podendo ser alterada por meio de Emenda à Constituição. Ou seja, todos os termos e limites jurídicos determinados na Carta Magna ao exercício da competência tributária não poderão ser alterados por normas infraconstitucionais.

Facultatividade: os entes federativos não são obrigados a legislar sobre a matéria tributária atribuída pela competência designada na Constituição de 88. Ou seja, nenhum Estado- membro ou Município está obrigado ao exercício da criação e cobrança dos tributos. Como exemplo disso, temos até hoje a previsão do imposto sobre grandes fortunas na

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Tópicos em Direito 1

Carta Magna, mas a União não exerceu a sua competência para criá-lo. Caso idêntico é a previsão da competência tributária aos Estados e Municípios para criarem o sistema próprio de arrecadação do tributo necessário ao custeio de previdência dos respectivos funcionários públicos, que na grande maioria não foram ainda instituídos.

OBS (1): O art. 11 da Lei de Responsabilidade Fiscal (LC nº 101/2001), que dispõe ser requi- sito essencial da responsabilidade na gestão fiscal dos entes políticos na efetiva arrecadação de todos os tributos, não altera a característica de facultatividade do exercício da competência tributária, eis que trata-se de imputação jurídica ao ente que deixar de exercer a plena cobrança de tributos, que recebe por competência da CF de 88.

OBS (2): Bitributação é a pretensão de mais de um ente político para tributar duas vezes o mesmo fato imponível (comportamento do ser humano). Essa possibilidade se verifica com a

criação do Imposto Extraordinário de Guerra pela União poder se valer da hipótese de incidência dos impostos de competência dos outros entes políticos. Outra possibilidade é a incidência de imposto federal de importação concomitantemente com os Estados-membros e Distrito Federal tributarem o ICMS nas importações de mercadorias e serviços.

OBS (3): Bis in Idem significa a mesma pessoa política tributar mais de uma vez o mesmo

fato imponível. Temos, como exemplo, o acréscimo patrimonial que serve de hipótese de inci- dência ao imposto de renda como também da contribuição social sobre o lucro líquido. Outro exemplo, o imposto federal de importações e o imposto sobre produtos industrializados devido na importação de produtos, como também a incidência de PIS/COFINS incidentes sobre o fatu- ramento.

2 Lei Complementar Tributária

Cabe à lei complementar as seguintes funções no sistema constitucional tributário brasileiro:

dirimir conflitos de competência; regular limitações constitucionais ao poder de tributar e estabe- lecer normas gerais em matéria tributária (art. 146 e Art. 146-A, da CF de 1988).

Como função de dirimir conflitos de competência, a Lei Complementar é um instrumento norma- tivo infraconstitucional de delimitação e interpretação da competência tributária.

A Lei Complementar, enquanto norma que limita o poder de tributar, significa a função de es- clarecer e evidenciar o conteúdo constitucional de normas não autoaplicáveis em matéria de princípios constitucionais tributários e imunidades tributárias.

Em caráter de normas gerais em direito tributário, a Lei Complementar tem por função estabe- lecer a especificação dos elementos que compõem a norma tributária, em relação: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como em relação aos impostos discriminados nesta Cons- tituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lan- çamento, crédito, prescrição e decadência tributários; c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas; d) definição de tratamento diferenciado e favorecido para as microempresas e para as empresas de pequeno porte, inclusive regimes espe- ciais ou simplificados no caso do imposto previsto no art. 155, II, das contribuições previstas no art. 195, I e §§ 12 e 13, e da contribuição a que se refere o art. 239; d) também poderá instituir um regime único de arrecadação dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

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Por último, conforme o Art. 146-A, da CF de 1988, a Lei Complementar poderá estabelecer critérios especiais de tributação, com o objetivo de prevenir desequilíbrios da concorrência, sem prejuízo da competência de a União, por lei, estabelecer normas de igual objetivo.

O CTN é Lei Complementar de nítida função de norma geral em direito tributário, além de outras

leis complementares específicas de determinados impostos, tais como o ICMS (LC nº 87/1996) e ISS (LC nº 116/2003).

No caso de inexistência de Lei Complementar, na função de editar normas gerais em matéria de direito tributário, não inibe a competência legislativa plena dos Estados-Membros, Distrito Fede- ral e Municípios, de editarem suas leis ordinárias específicas para a criação e cobrança de seus tributos, na conformidade do §3º, do Art. 24, da CF de 1988.

Nesse contexto, com a edição da Lei Complementar, enquanto norma geral, os Estados-Mem- bros, Distrito Federal e Municípios poderão exercer a sua competência suplementar, para editar

as suas leis ordinárias específicas sobre tributos, respeitado o grau de hierarquia ao conteúdo previsto no texto da lei complementar, na esteira do §2º, do Art. 24, da CF de 1988.

2.1 Lei Complementar e Constituição Federal: Criação de Tributos, Aumento e Minoração de Alíquotas, Regime Jurídico

Criação de Tributos:

Imposto sobre Grandes Fortunas (Art. 153, VII)

Empréstimos Compulsórios (Art. 148)

Impostos Residuais (Art. 154, I)

Contribuições Sociais Residuais (Art. 195, §4º)

ISS (Lei Complementar nº 116/2003): fixa campo de incidência do ISS, a fixação de alíquotas máximas e mínimas e as isenções heterônomas nas exportações dos

serviços: (Art. 156, III) (Art. 156, §3º, I) (Art. 156, §3º, II)

ICMS (Lei Complementar nº 87/1996): impõe vários campos delimitados pela Constituição para regular o seu regime jurídico: (Art. 155, §2º, XII, “a” a “i” da CF)

ITCMD: critérios de competência para a sua instituição nos casos que especifica (Art. 155, §1º, III)

Contribuições Sociais: (Art. 195, §11º)

OBS (1): Medidas Provisórias, que versem sobre tributos, não poderão tratar de matéria subme- tida à Lei Complementar: Art. 62, §1º, III, da CF.

11

3 Conceito de Tributo

3.1 Art. 3º do CTN

Tópicos em Direito 1

O tributo como objeto da relação jurídica tributária. A importância desse estudo convém pela

perspectiva do intérprete em não confundir o dever de recolher dinheiro aos cofres públicos submetidos à legislação tributária, com outros comportamentos idênticos, mas que estão disci- plinados por outros ramos do direito. Por exemplo, o dever de recolher o valor relativo ao seguro obrigatório dos veículos automotores, que muitos cidadãos confundem como sendo um dever imposto pela legislação tributária, eis que cobrado conjuntamente com o IPVA, mas que com tributo não se confunde.

O tributo como objeto da relação jurídica tributária revela o comportamento humano que é vol-

tado ao recolhimento de dinheiro aos cofres públicos.

Tributo é uma prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela possa se exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade adminis- trativa plenamente vinculada.

A Prestação Pecuniária Compulsória, como relação obrigacional de fazer algo do contribuinte

(devedor) - pagamento em dinheiro - em relação ao Fisco (credor). Irrelevância da autonomia da vontade. Princípio Constitucional da Legalidade Tributária: art. 150, I da CF de 1988, o dever de pagar o tributo decorre de uma exigência da lei.

O

tributo deve ser pago em dinheiro. O direito tributário brasileiro desconhece o pagamento

do

tributo in natura, ou seja, pagamento de tributo por meio da entrega de mercadorias ou pro-

dutos, como também o pagamento do tributo in labore (pagamento de tributos pelo trabalho do contribuinte à entidade tributante).

OBS (1): A dação em pagamento de tributos, por meio de bem imóvel: Inc. XI, do art. 156 do CTN, conforme a Lei Complementar nº 104/2001. Caso de Extinção do Crédito Tributário. Exemplos: Decreto do Município de São Paulo nº 42.095 de 12.06.02, que regulamenta a Lei nº

13.259 de 28.12.01, pelo qual o devedor de tributos municipais, cujos créditos estejam inscritos

na

dívida ativa, poderão quitá-los com o oferecimento de bens imóveis em dação de pagamento

de

tributos.

OBS (2): A penhora de bens na Execução Fiscal. Não se trata de pagamento do tributo e sim de procedimento processual estabelecido pela lei, como meio de garantir a execução fiscal, com o objetivo de expropriar bens do devedor tributário, visando ao pagamento em dinheiro do tributo.

OBS (3): O tributo pode ser pago por meio de cheque, desde que devidamente compensado e pago pelo sacado, conforme o Art. 162, Inc. I, §2º.

O tributo não decorre de sanção por ato ilícito, ou seja, não decorre de qualquer punição

advinda pelo direito pelo cometimento de um ato ilícito, daí a conclusão lógica da afirmação de que o tributo não decorre de multa.

O tributo decorre da previsão em lei de um fato da realidade, que se e quando acontecido, faz

nascer a obrigação de um sujeito de direito de pagá-lo.

O Princípio jurídico do non olet (o dinheiro não tem cheiro). Nomenclatura surgida em Roma,

quando determinado Imperador instituiu um imposto pelo uso da latrina (banheiros públicos). Questionado pelo seu filho sobre a origem de um tributo proveniente de local tão sujo, o Impe-

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rador determinou que seu filho buscasse uma parte do dinheiro recolhido e o mandou cheirar afirmando: “Está vendo meu filho, non olet (não cheira)”.

Conteúdo jurídico consagrado no STF no HC nº 77.530/RS, com a seguinte ementa: Sonegação fiscal de lucro advindo de atividade criminosa: non olet. Drogas: tráfico de drogas, envolvendo sociedades comerciais organizadas, com lucros vultosos subtraídos à contabilização regular das empresas e subtraídos à declaração de rendimentos: caracterização, em tese, de crime de so- negação fiscal, a acarretar a competência da Justiça Federal e atrair, pela conexão, o tráfico de

entorpecentes: irrelevância da origem ilícita, mesmo quando criminal, da renda subtraída

à tributação. A exoneração tributária dos resultados econômicos de fato criminoso - antes

de ser corolário do princípio da moralidade - constitui violação do princípio de isonomia

fiscal, de manifesta inspiração ética.

Nesse sentido, pouco importa a origem ilícita da conduta do contribuinte. Uma vez realizada pelo sujeito passivo a hipótese de incidência do tributo estabelecida na Lei (a previsão hipotética da conduta tributável do contribuinte), este deverá cumprir com o pagamento do tributo, inde- pendentemente se sua conduta foi ilícita.

Atenção para as indenizações civis de caráter patrimonial e moral, que não sofrem incidência de imposto sobre a renda, eis que se tratam de sanção civil por cometimento de atos ilícitos civis.

CUIDADO: Indenização p/ Lucros Cessantes, relativas ao pagamento de quantias pagas perio- dicamente, que tem por finalidade substituir os rendimentos que a vítima deixou de perceber em razão de invalidez ou morte: art. 39 do RIR – IN nº 15/2001, art. 5º, XXIV. INCIDÊNCIA DE IR.

As indenizações por Acidente de Trabalho não sofrem, de idêntico modo, incidência de imposto sobre a renda, por se tratarem de sanção oriunda da legislação do direito do trabalho.

A indenização por Despedida (Multa FGTS) e Aviso Prévio relativo à Legislação Trabalhista não

sofrem incidência de imposto sobre a renda, pelo mesmo critério.

Plano de Demissão Voluntária - PDV: Súmula 215 do STJ: A indenização recebida pela ade- são a programa de incentivo à demissão voluntária não está sujeita à incidência de im- posto sobre a renda.

A Licença Prêmio (Após 05 (cinco) anos de efetivo exercício, o servidor terá direito à concessão

de 03 (três) meses de licença prêmio por assiduidade, com direito à remuneração do cargo efe-

tivo): Súmula 136 do STJ: O pagamento de licença-prêmio não gozada por necessidade de serviço não está sujeito ao imposto de renda.

Férias não Gozadas e Pagas (10 dias p/ necessidade de serviço: art. 143 da CLT): Súmula 125

do STJ: O pagamento de férias não gozadas por necessidade do serviço não está sujeito

à incidência do Imposto de Renda, como também a parcela de férias não gozadas, ainda que sem previsão por necessidade de serviço. Embargos de Divergência em RESP nº 515.148 (STJ).

As férias proporcionais; 1/3 de férias e as férias e licenças prêmios convertidas em pe- cúnia por força de extinção do contrato do trabalho: não incidência de imposto sobre a renda. Embargos de Divergência em RESP nº 515.148 (STJ).

CUIDADO: Hora Extra; adicional de 1/3 sobre férias; adicional noturno; 13º salário; gratificação de produtividade e/ou participação nos lucros. INCIDÊNCIA DE IR.

O Adicional de insalubridade aquelas que, por sua natureza, condições ou métodos de traba-

lho, exponham os empregados a agentes nocivos à saúde, acima dos limites de tolerância fixa- dos em razão da natureza e da intensidade do agente e do tempo de exposição aos seus efeitos.

(Art. 189 da CLT). Verba Salarial. INCIDÊNCIA DE IR.

13

Tópicos em Direito 1

O Adicional de Periculosidade, ou seja, as atividades ou operações nas quais a natureza ou os

seus métodos de trabalho configure um contato permanente com substâncias inflamáveis ou ex- plosivos, em condição de risco acentuado. Exemplo: frentista de posto de combustível, operador

em distribuidora de gás etc. Verba Salarial. INCIDÊNCIA DE IR.

O tributo deve ser instituído por meio de lei. Consagração do princípio constitucional da le-

galidade tributária contido na CF de 1988: Art. 150, I. A lei tributária é a norma geral e abstrata que vale para todos os cidadãos, que inova no ordenamento jurídico e é aprovada mediante processo legislativo específico previsto na Constituição de 1988.

Aparente Exceção ao Princípio da Legalidade: impostos que podem ser alterados por meio de ato do poder executivo (Decretos Regulamentadores), nos limites e condições previstas em lei (Art. 153, §1º.): II, IE, IPI, IOF. ICMS Combustível (art. 155, §4º., IV, “c”. CIDE Combustível (Art. 177, §4º., I, “b”, todos da CF).

As Medidas Provisórias, previstas no Art. 62 da CF de 1988, podem majorar e criar unicamente os impostos previstos no texto constitucional, desde que só produzam efeitos no exercício fi-

nanceiro seguinte se houverem sido convertidas em lei até o último dia daquele exercício financeiro em que foram editadas.

A exigência acima não será obedecida, por exceção prevista no §2º, do Art. 62, da CF de 1988, ou seja, medidas provisórias terão eficácia de imediato, no dia seguinte, quando se tratar de criação ou majoração do imposto de importação e exportação; imposto sobre produtos indus- trializados; imposto sobre operações financeiras e o imposto extraordinário de guerra.

As medidas provisórias não poderão disciplinar matérias reservadas e de competência da Lei Complementar sobre

Imposto Residual: Art. 154, I, da CF;

Empréstimo Compulsório: Art. 148, da CF;

Imposto sobre Grandes Fortunas: 153, VII, da CF;

Contribuição Social Previdenciária Nova: 195, §6º, da CF;

Normas Gerais em Direito Tributário: Art. 146 da CF;

ICMS: Art. 155, §2º, XII e alíneas da CF;

ITCMD: Art. 155, §1º, III, da CF;

ISS: Art. 156, III e §3º da CF;

Contribuição Social: Art. 195, §11º (remissão e anistia)

O tributo deve ser cobrado mediante atividade administrativa plenamente vinculada, ou

seja, com a previsão em lei do tributo, a cobrança do crédito tributário é obrigatória pelo ente público e será feito pelas modalidades de lançamento tributário existentes: de ofício; por decla- ração ou lançamento por homologação.

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3.2 Os Tributos de Competência da União Federal

3.2.1 Impostos:

Imposto de importação: Art.153, I

Imposto de exportação: Art.153, II

Imposto de renda: Art.153, III

Imposto de produtos industrializados: Art. 153, IV

IPI incidente na importação de produtos industrializados: Art. 153, IV, c.c. o Art. 46 do CTN

Imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguros, ou relativas a títulos ou valores mobiliários: Art. 153, V

Imposto sobre a propriedade territorial rural: Art. 153, VI

Imposto sobre grandes fortunas: Art. 153, VII

Imposto de competência residual: imposto novo: Art. 154, I

Imposto Extraordinário de Guerra: Art. 154, II

OBS (1): O Governo brasileiro declarou guerra ao Eixo, em 31/08/1942, após o afundamento de seis barcos da marinha mercante em águas territoriais brasileiras. Para fazer frente às des- pesas de guerra, o Governo Federal editou o Decreto-lei nº 4.789, de 05 de outubro de 1942, autorizando a emissão de Obrigações de Guerra. Os contribuintes do Imposto sobre a Renda a partir de janeiro de 1943 estariam submetidos ao recolhimento de uma importância igual ao imposto que estivessem sujeitos, no último exercício, para a subscrição compulsória de obriga- ções de guerra.

3.2.2 Empréstimo Compulsório: Art. 148, I e II

3.2.3 Taxas: competência comum: Art. 145, II

3.2.4 Contribuição de Melhoria: Art. 145, III

3.2.5 Contribuições Sociais: Art. 149

3.1.5.1. Contribuições Sociais Gerais

Salário-Educação: art. 212, §5º

Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS), criado pela Lei Complementar n.° 7, de 07/09/1970 e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP), criado pela Lei Complementar n.° 8, de 03/12/1970, destinados a financiar o programa do seguro-desemprego e o abono de que trata o § 3° do artigo 239 da CF, previstas no caput do artigo 239 da Constituição Federal.

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Tópicos em Direito 1

Classificam-se, ainda, como contribuições sociais gerais aquelas aludidas no artigo 240 da Constituição Federal, que estabelece ressalvas à cobrança, a par do disposto no artigo 195 da CF, das então existentes contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários, destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical. São as chamadas contribuições destinadas a entidades privadas (Sistema “S”). Trata-se de tributo exigido de pessoas privadas (empregadores) relativamente a fatos distintos de atividade estatal, destinados a entidades privadas (SENAI, SESI, SESC, SENAC, SESCOOP,

SENAR, SENAT etc.)

OBS (1): Não é considerado tributo pela Jurisprudência do STF e STJ: o FGTS: art. 7º, III da CF: RE 138.284-8/CE / RE 148.754-2/RJ.

CUIDADO: O Adicional do FGTS (Perdas Inflacionárias): Lei Complementar nº 110: MC da ADI nº 2.556-2/DF-2002: É considerada tributo, na modalidade de contribuição social ge- ral, visando incrementar as receitas ao FGTS em face da complementação da atualização monetária a que tinham direito os trabalhadores, por conta dos expurgos inflacionários das contas vinculadas do Fundo, referente aos planos econômicos Collor, Bresser e Verão.

3.1.5.2. Contribuições Sociais de Seguridade Social: Art. 195 da CF.

Devidas pelo empregador: Art. 195, I:

» Pró-labore, Autônomos, Administradores e Avulsos, Art. 195, I, a

» Folha de Salários, Art. 195, I, a

» PIS na importação de mercadorias e produtos: Art. 195, IV

» COFINS: Art. 195, I, b

» COFINS na importação de mercadorias e produtos: Art. 195, IV

» CSLL – Contribuição sobre o Lucro: Art. 195, I, c

» SAT: Art. 7º, Inciso XXVIII, Art. 201, I c.c. o §10º do Art. 201, todos da CF de 1988.

Estabelece ainda o §8° do artigo 195 da Constituição Federal a contribuição social para a se- guridade social, chamada de Contribuição ao Funrural, devida pelo produtor, parceiro, meeiro ou arrendatário rural, bem como o pescador artesanal e respectivos cônjuges, que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, sem empregados permanentes, cobrada mediante a aplicação de uma alíquota sobre o resultado da comercialização da respectiva produção.

Devidas pelo empregado: Art. 195, II. Descontada diretamente em folha, conforme o salário e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201.

Receitas oriundas de Concursos e Prognósticos: Art. 195, III.

3.1.5.3. Contribuições Sociais Novas (Sem Previsão na Carta Magna de

1988): §4º, do Art. 195 da CF de 1988.

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3.2.6 Contribuições Interventivas e Corporativas

3.1.6.1. Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE: Art.

149

Como uma das primeiras modalidades de CIDE, tivemos a Contribuição ao IAA – Instituto do Açúcar e do Álcool, regulada pelos Decretos-leis 308/1967, 1.712/1979 e 1.952/1982, que estabeleceram a obrigação de seu recolhimento pelos produtores de açúcar e de álcool, para custeio da intervenção da União na economia canavieira nacional. O Supremo Tribunal Federal, pondo fim a controvérsias, decidiu, em julgamento Plenário, que tal contribuição era compatível com a CF de 1988 (RE 214.206-9-AL, relator o Ministro Nélson Jobim, j. em 15-10-1997). A extinção do IAA em 1990 fez sucumbir a cobrança do tributo.

Tivemos também a Contribuição ao IBC – Instituto Brasileiro do Café, disciplinada pelo Decreto- -lei n.° 2.295, de 21-11-1986, destinada ao financiamento, modernização, incentivo à produti- vidade da cafeicultura, da indústria do café e da exportação, bem como ao desenvolvimento de pesquisas, dos meios e vias de transporte, dos portos, da defesa do preço e do mercado, interno e externo, bem como, ainda, das condições de vida do trabalhador rural, também catalogada, sob a égide da Constituição anterior, como contribuição de intervenção no domínio econômico, não foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988, conforme decidiu o Pleno do Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 198.554-2-SP, Relator o Ministro Carlos Velloso, j. em 19/09/1997, em face de delegação para fixação do montante do tributo ao Presidente do Instituto.

O Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante, que tem como normas básicas

que estabelecem regras a respeito os Decretos-leis 2.404, de 23-12-87, e 2.414, de 12-02-88 e

a Lei 10.206, de 23-03-2001. Referida exação teve reconhecida a sua natureza de contribuição

interventiva pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento Plenário do RE 177.137-2-RS, relator

o Ministro Carlos Velloso, j. de 25/05/1995.

Adicional de Tarifa Portuária - ATP. Lei 7.700, de 1988, art. 1º, § 1º. Natureza jurídica do ATP: contribuição de intervenção no domínio econômico, segundo o entendimento da maioria,

a partir dos votos dos Ministros Ilmar Galvão e Nelson Jobim. Voto do Relator, vencido no fun-

(RE 209.365, Rel. Min. Carlos Velloso, julgamento

damento: natureza jurídica do ATP: taxa ( em 4-3-99, DJ de 7-12-00).

).

A denominada Contribuição ao Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações

FUST, que tem por finalidade proporcionar recursos destinados a cobrir parcela do custo de

cumprimento das obrigações de universalização de serviços de telecomunicações que não possa ser recuperada com a exploração eficiente do serviço, criada pela Lei n.° 9.998, de 17/08/2000, da qual são contribuintes todas as prestadoras de serviços de telecomunicações, sob regime público ou privado.

Engrossa, ainda, o rol de contribuições da espécie, a Contribuição ao Fundo para o Desenvol- vimento Tecnológico das Telecomunicações – FUNTTEL, com o objetivo de estimular o processo de inovação tecnológica, incentivar a capacitação de recursos humanos, fomentar a geração de empregos e promover o acesso de pequenas e médias empresas a recursos de capital, de modo a ampliar a competitividade da indústria brasileira de telecomunicações, criada pela Lei n.° 10.952, de 28-11-2000, cobrada sobre a receita bruta das prestadoras de serviços de tele- comunicações, nos regimes públicos e privados.

Na mesma linha, temos ainda a Contribuição para Financiamento ao Programa de Estímulo

à Interação Universidade/Empresa para Apoio à Inovação, criada pela Lei n.° 10.168, de

29-12-2000, destinada a estimular o desenvolvimento tecnológico brasileiro, mediante progra-

mas de pesquisa científica e tecnológica cooperativa entre universidades, centros de pesquisa e

o setor produtivo e cobrada das pessoas jurídicas detentoras de licença de uso ou adquirente de

conhecimentos tecnológicos, bem como das signatárias de contratos que impliquem transferên- cia de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no Exterior, relativos à exploração

17

Tópicos em Direito 1

de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica, incidindo sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a residentes ou domiciliados no Exterior a título de remuneração decorrente das mencionadas obrigações.

Mais recentemente, a Lei n° 10.336, de 19/12/2001, com lastro nas disposições da Emenda Constitucional 33/2001, instituiu a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico inci- dente sobre a Importação e a Comercialização de Petróleo e seus Derivados, Gás Natural e seus Derivados, e Álcool Etílico Combustível – CIDE, cobrada do produtor, do formulador, do

importador, pessoa física ou jurídica, dos combustíveis mencionados. Referida contribuição tem

a finalidade declarada de pagamento de subsídios a preços ou transporte de álcool combustível, de gás natural e seus derivados e de derivados de petróleo, de financiamento de projetos am- bientais relacionados com a indústria do petróleo e do gás, bem como de programas de infra- -estrutura de transportes.

Existe, ainda, a Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica

– CONDECINE, instituída pela Medida Provisória 2.228-1, de 06/09/2000 e Lei 10.454, de 13/05/2002, que tem como fato gerador a veiculação, a produção, o licenciamento e a dis- tribuição de obras cinematográficas e videofonográficas, com fins comerciais, devida pelo de- tentor dos direitos de exploração comercial da obra ou de seus direitos de licenciamento no país, destinada ao custeio da atividade interventiva de incentivo à indústria cinematográfica e videofonográfica.

Merece destaque a obrigação criada pela Lei 9.991, de 24/07/2000, alterada pela Lei 10.438, de 26/04/2002, que tem como sujeitos passivos as empresas concessionárias e permissionárias de serviços públicos de distribuição de energia elétrica, as concessionárias de geração e as em- presas autorizadas à produção independente de energia elétrica e as concessionárias de serviços públicos de transmissão de energia elétrica, que ficam obrigadas a aplicar anualmente deter- minadas percentagens de sua receita operacional líquida em pesquisa e desenvolvimento do

setor elétrico e programas de eficiência energética no uso final. Trata-se de contribuição

de intervenção no domínio econômico, determinando-se a prática de comportamento compul- sório, embasada nos artigos 170, VII e 218 da CF/88.

Contribuição ao Sebrae-CIDE. “SEBRAE: Contribuição de intervenção no domínio econômico. Lei 8.029, de 12/4/1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28/12/1990. Lei 10.668, de 14/5/2003.

CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § . As contribuições do art. 149, CF — contri- buições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas — posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer

A contribuição não é imposto. Por

isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível

A contribuição do SEBRAE — Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º,

e contribuintes: CF, art. 146, III, a [

redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 — é contribuição de intervenção no domínio eco- nômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE, no rol do art. 240, CF Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE.” (RE 396.266, Rel. Min. Carlos Velloso, julgamento em 26/11/03, DJ de 27/2/04).

dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. [

]

]

Temos o posicionamento do STJ no Recurso Especial nº 770.451/SC e 894.345/SP em que de- finiu o regime jurídico da Contribuição ao INCRA, instituída pela Lei nº 2.613/55, como sendo Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico

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Laureate- International Universities

3.1.6.2. Contribuição no Interesse de Categorias Profissionais – CICP: art.

149

Contribuições que os advogados pagam à Ordem dos Advogados do Brasil, as contribuições que os médicos pagam ao Conselho Regional de Medicina, as contribuições que os contabilistas pagam ao Conselho Regional de Contabilidade, além de outras com iguais características.

Contribuição Sindical e Patronal: art. 149 c.c. o art. 578 da CLT.

CUIDADO: Contribuição Confederativa: art. 8º da CF: não possui natureza de tributo.

3.3 Estados-Membros e Distrito Federal

3.3.1 Impostos

ITCMD: Art. 155, I

ICMS: Art. 155, II

ICMS na importação de mercadorias

IPVA: Art. 155, III

3.3.2 Taxas: competência comum: Art. 145, II

3.3.3 Contribuições Sociais dos servidores estaduais para o custeio de

previdência própria: art. 149, § 1º

3.3.4 Contribuição de melhoria: art. 145, III

3.4 Municípios

3.4.1 Impostos

IPTU: Art. 156, I

ITBI: Art. 156, II

ISS: Art. 156, III

3.4.2 Taxas: competência comum. Art. 145, II

3.4.3 Contribuição de melhoria: Art. 145, III

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Tópicos em Direito 1

3.4.4 Contribuição social de seus servidores para o custeio de previdência

própria de seus servidores: art. 149, § 1º

3.4.5 Contribuição de Iluminação Pública: art. 149-A

3.4.6 A Lista de Tributos no Brasil

Confira a lista de tributos (impostos, contribuições, taxas, contribuições de melhoria) existentes no Brasil:

1. Adicional de Frete para Renovação da Marinha Mercante – AFRMM - Lei 10.893/2004

2. Contribuição à Direção de Portos e Costas (DPC) - Lei 5.461/1968

3. Contribuição ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - FNDCT -

Lei 10.168/2000

4. Contribuição ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), também chamado “Salário Educação”

5. Contribuição ao Funrural

6. Contribuição ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) - Lei

2.613/1955

7. Contribuição ao Seguro Acidente de Trabalho (SAT)

8. Contribuição ao Serviço Brasileiro de Apoio à Pequena Empresa (Sebrae) - Lei 8.029/1990

9. Contribuição ao Serviço Nacional de Aprendizado Comercial (SENAC) - Lei 8.621/1946

10. Contribuição ao Serviço Nacional de Aprendizado dos Transportes (SENAT) - Lei 8.706/1993

11. Contribuição ao Serviço Nacional de Aprendizado Industrial (SENAI) - Lei 4.048/1942

12. Contribuição ao Serviço Nacional de Aprendizado Rural (SENAR) - Lei 8.315/1991

13. Contribuição ao Serviço Social da Indústria (SESI) - Lei 9.403/1946

14. Contribuição ao Serviço Social do Comércio (SESC) - Lei 9.853/1946

15. Contribuição ao Serviço Social do Cooperativismo (SESCOOP) - art. 9, I, da MP 1.715-

2/1998

16. Contribuição ao Serviço Social dos Transportes (SEST) - Lei 8.706/1993

17. Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico - CIDE Combustíveis - Lei 10.336/2001

18. Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico – CIDE Remessas Exterior - Lei

10.168/2000

19. Contribuição para Custeio do Serviço de Iluminação Pública - Emenda Constitucional

39/2002

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20. Contribuição

para

o

Desenvolvimento

da

Indústria

Cinematográfica

Nacional

CONDECINE - art. 32 da Medida Provisória 2228-1/2001 e Lei 10.454/2002

21. Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) - Lei 9.311/1996 (Extinção

2008)

22. Contribuição Sindical Laboral (não se confunde com a Contribuição Confederativa Laboral, vide comentários sobre a Contribuição Sindical Patronal)

23. Contribuição Sindical Patronal (não se confunde com a Contribuição Confederativa Patronal, já que a Contribuição Sindical Patronal é obrigatória, pelo artigo 578 da CLT, e a Confederativa foi instituída pelo art. 8º, inciso IV, da Constituição Federal e é obrigatória em função da assembleia do Sindicato que a instituir para seus associados, independentemente da contribuição prevista na CLT)

24. Contribuição Social Adicional para Reposição das Perdas Inflacionárias do FGTS - Lei

Complementar 110/2001

25. Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS)

26. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL)

27. Contribuições aos Órgãos de Fiscalização Profissional (OAB, CRC, CREA, CRECI, CORE etc.)

28. Contribuições de Melhoria: asfalto, calçamento, esgoto, rede de água, rede de esgoto etc.

29. Fundo Aeroviário (FAER) - Decreto Lei 1.305/1974

30. Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (FISTEL) - Lei 5.070/1966 com novas disposições da Lei 9.472/1997

31. Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS)

32. Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (FUST) - art. 6 da Lei

9998/2000

33. Fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização

(Fundaf) - art. 6 do Decreto-lei 1.437/1975 e art. 10 da IN SRF 180/2002.

34. Imposto s/Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS)

35. Imposto sobre a Exportação (IE)

36. Imposto sobre a Importação (II)

37. Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA)

38. Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU)

39. Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR)

40. Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza (IR - pessoa física e jurídica)

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Tópicos em Direito 1

41. Imposto sobre Operações de Crédito (IOF)

42. Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS)

43. Imposto sobre Transmissão Bens Intervivos (ITBI)

44. Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD)

45. INSS Autônomos e Empresários

46. INSS Empregados

47. INSS Patronal

48. IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados)

49. Programa de Integração Social (PIS) e Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP)

50. Taxa de Autorização do Trabalho Estrangeiro

51. Taxa de Avaliação in loco das Instituições de Educação e Cursos de Graduação - Lei

10.870/2004

52. Taxa de Classificação, Inspeção e Fiscalização de produtos animais e vegetais ou de consumo nas atividades agropecuárias - Decreto Lei 1.899/1981

53. Taxa de Coleta de Lixo

54. Taxa de Combate a Incêndios

55. Taxa de Conservação e Limpeza Pública

56. Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental – TCFA - Lei 10.165/2000

57. Taxa de Controle e Fiscalização de Produtos Químicos - Lei 10.357/2001, art. 16

58. Taxa de Emissão de Documentos (níveis municipais, estaduais e federais)

59. Taxa de Fiscalização CVM (Comissão de Valores Mobiliários) - Lei 7.940/1989

60. Taxa de Fiscalização de Vigilância Sanitária Lei 9.782/1999, art. 23

61. Taxa de Fiscalização dos Produtos Controlados pelo Exército Brasileiro - TFPC - Lei

10.834/2003

62. Taxa de Fiscalização e Controle da Previdência Complementar - TAFIC - art. 12 da MP

233/2004

63. Taxa de Licenciamento Anual de Veículo

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64. Taxa de Licenciamento para Funcionamento e Alvará Municipal

65. Taxa de Pesquisa Mineral DNPM - Portaria Ministerial 503/1999

66. Taxa de Serviços Administrativos - TSA - Zona Franca de Manaus - Lei 9960/2000

67. Taxa de Serviços Metrológicos - art. 11 da Lei 9933/1999

68. Taxas ao Conselho Nacional de Petróleo (CNP)

69. Taxa de Outorga e Fiscalização - Energia Elétrica - art. 11, inciso I, e artigos 12 e 13, da

Lei 9.427/1996

70. Taxa de Outorga - Rádios Comunitárias - art. 24 da Lei nº 9.612/98 e nos art. 7 e 42 do

Decreto 2.615/1998

71. Taxa de Outorga - Serviços de Transportes Terrestres e Aquaviários - art. 77, incisos II e III,

a art. 97, IV, da Lei 10.233/2001

72. Taxas de Saúde Suplementar - ANS - Lei 9.961/2000, art. 18

73. Taxa de Utilização do MERCANTE - Decreto 5.324/2004

74. Taxas do Registro do Comércio (Juntas Comerciais)

75. Taxa Processual Conselho Administrativo de Defesa Econômica - CADE - Lei 9.718/1998

4 Natureza Jurídica dos Tributos

4.1 Art. 4º do CTN: hipótese de incidência e base de cálculo

A natureza jurídica dos tributos contida no Art. 4º do CTN permite o reconhecimento das espé-

cies tributárias existentes na CF de 1988, por meio do binômio hipótese de incidência e base de cálculo, enquanto elementos da norma jurídica tributária.

A

hipótese de incidência tributária significa o comportamento hipotético do contribuinte descrito

na

lei tributária e sua base de cálculo corresponde à dimensão econômica desse comportamento

hipotético, que aplicada alíquota determina o montante do tributo a pagar.

O fato gerador (também chamado pela doutrina como fato imponível), indicado no Art. 4º do

CTN representa o fenômeno da realidade, que será tomado como relevante pela lei tributária, que se e quando acontecido, faz nascer o dever de cumprimento da lei tributária.

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Tópicos em Direito 1

4.2 Irrelevância: denominação e

destino: Inc. I e II do art. 4º do CTN.

São critérios irrelevantes para se determinar a espécie tributária, que o sujeito passivo submete-se ao pagamento, à denominação (nome), que a legislação tributária atribua ao tributo, bem como

o destino que é dado ao montante do tributo arrecadado.

OBS (1): O STF (RE nº 138.284) deixa evidente a orientação jurisprudencial para a com- preensão da natureza jurídica das Contribuições previstas no art. 149 da Constituição de 1988. Conforme o Acórdão, as Contribuições previstas no art. 149 são tributos, cuja espécie é definida pela destinação dos recursos de sua arrecadação. Portanto, deve o intérprete do CTN analisar com restrições o inciso II, do art. 4º do CTN, no tocante às con- tribuições do art. 149.

5 Classificação das Espécies Tributárias

5.1 Imposto: Art. 145, I da CF de 1988

Trata-se de tributo cuja obrigação ao contribuinte independe de uma contraprestação estatal; por isso, o imposto faz parte da categoria de tributos não-vinculados. Sua natureza jurídica será revelada por um fato-signo de riqueza, ou seja, nenhum tipo de imposto pode levar em conside- ração algum dado da realidade que não revele a riqueza do contribuinte.

Os impostos não admitem vinculação de receita a órgão, fundo ou despesa: Art. 167, IV, de CF de 1988, exceto: (1) a repartição do produto da arrecadação dos impostos a que se referem os artigos 158 e 159; (2) a destinação de recursos para ações e serviços públicos de saúde; (3) para manutenção e desenvolvimento do ensino e para realização de atividades da administração tribu- tária, como determinado, respectivamente, pelos artigos 198, §2º, 212 e 37, XXI; (4) e a presta- ção de garantias às operações de crédito por antecipação de receita, previstas no art. 165, §8º.

Também, por exceção à previsão da proibição de vinculação de receita dos impostos, temos o se-

guinte: (5) É facultado aos Estados e ao Distrito Federal vincular o programa de apoio à inclusão

e promoção social até cinco décimos por cento de sua receita tributária líquida, parágrafo único

do Art. 204; (6) É facultado aos Estados e ao Distrito Federal vincular a fundo estadual de fomen-

to à cultura até cinco décimos por cento de sua receita tributária líquida, para o financiamento de programas e projetos culturais, §6º, do Art. 216; (7) O IPI compõe o Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza, correspondente a um adicional de cinco pontos percentuais na sua alí- quota, incidente sobre produtos supérfluos e aplicável até a extinção do Fundo e (8) O Imposto sobre Grandes Fortunas integralmente será destinado ao Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza, ambos conforme o Art. 80, do ADCT, da CF de 1988.

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5.2 Classificação dos Impostos:

a) Pessoais: são aqueles cuja H. I. revela uma das condições pessoais no tocante a sua riqueza do contribuinte. Levam em conta as qualidades individuais do contribuinte que denotam a capacidade contributiva para a dosagem do aspecto quantitativo do tributo. Exemplo: IR;

b) Reais: são aqueles que não levam em consideração as condições pessoais do contribuinte, mas, sim, sinais de riqueza de características objetivas como, por exemplo, a propriedade de bens imóveis;

c) Diretos: são tributos incidentes na cadeia econômica e que são suportados pelo contribuinte sujeito passivo sem repasse no preço dos produtos ou mercadorias;

d) Indiretos: são aqueles que não suportados pelo contribuinte sujeito passivo, do ponto de vista econômico, eis que ocorre o repasse do tributo no preço das mercadorias ou produtos ao consumidor final.

5.3 Imposto de competência residual:

Art. 154, I, da CF de 1988

É o imposto novo sem previsão constitucional de competência Privativa da União, instituído por meio de Lei Complementar e de caráter não-cumulativo

5.4 Imposto extraordinário de guerra: Art.

154, II, da Cf de 1988, c.c. o Art. 76 do CTN

É o imposto de competência privativa da União, criado exclusivamente no caso da iminência

ou no caso de guerra externa, compreendidos ou não em sua competência tributária, os quais serão suprimidos, gradativamente, cessadas as causas de sua criação, no prazo de cinco anos, contados da celebração da paz.

É imposto instituído por meio de Lei Ordinária e de caráter vinculado para atender as despesas de Guerra e de eficácia imediata, ou seja, não há necessidade de obediência ao princípio da anterioridade, não precisando aguardar o exercício financeiro seguinte, nem tampouco respei- tando o prazo de noventa dias.

5.5 Classificação dos Impostos segundo CTN:

Impostos que gravam o comércio exterior: II e IE.

Impostos sobre o Patrimônio e a Renda: IRPF; IRPJ; ITR; IGF; IPVA e IPTU.

Impostos sobre a transmissão, circulação e produção: IPI; ITCMD; ICMS; ITBI e ISS.

Impostos Extraordinários.

Imposto de Competência Residual.

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Tópicos em Direito 1

6 Taxas

Previsto no Art. 145, II da CF, de 1988, c.c. o Arts. 77, 78, 79 e 80 do CTN.

6.1 Taxas em razão da prestação de serviço efetiva ou potencial de serviços públicos prestados ao contribuinte ou postos à sua disposição

Tributo vinculado a uma contraprestação estatal. A hipótese de incidência das taxas revela um comportamento do ente público (ação estatal) no sentido de prestar serviço público ou efetivo poder de polícia.

Tributo de competência comum, tanto a União Federal, como estados-Membros, Distrito Federal

e municípios podem criá-los. Contudo, deve ser mantida a coerência com a competência para

prestar o serviço ou fiscalizar. Proibição de Municípios instituir taxas de fiscalização sobre as

importações de mercadorias, por exemplo, que é atividade estatal própria da União Federal.

O conceito de serviços públicos é determinado pelo conteúdo da lei, ou seja, assim designado

na lei como de caráter público.

O serviço público que será remunerado por taxa é o de utilização compulsória, efetivo ou

potencial, como, por exemplo, o serviço de coleta de lixo e o serviço de coleta de esgoto, em

face do respeito às normas de saúde pública. O critério de potenciadalidade significa a mera disponibilidade do serviço público em prol do usuário.

Submetida ao mesmo regime de cobrança de taxas é a prestação de serviços públicos de utiliza- ção relativamente facultativa, onde o cidadão não está obrigado a utilizar tais serviços, mas, ao precisar exercer algum direito, vai necessitar se valer do serviço público, tais como o serviço

público de emissão de passaporte, o serviço público judicial (taxa judiciária).

OBS (1): SERVIÇOS PÚBLICOS DE UTILIZAÇÃO FACULTATIVA. NÃO INCIDÊNCIA DE TAXAS.

Serviços públicos específicos e divisíveis. Serviços públicos específicos são aqueles prestados

pelo ente estatal em caráter de exclusividade, fruto de sua atuação em sociedade visando

ao bem-estar coletivo. Serviço público que permita identificar o sujeito passivo ou o usuário.

Serviços públicos divisíveis são aqueles prestados em caráter individualizado e usufruído se-

paradamente em unidades autônomas pelos contribuintes.

Serviços públicos de caráter universal, prestados indistintamente a todos os cidadãos, sem possi- bilidade de mensuração individual, ou que possa ser usufruído separadamente em unidades au- tônomas. Exemplos: serviços de iluminação pública (Súmula 670 do STF); serviços de segurança pública; limpeza e conservação de logradouros; asfaltamento de ruas.

A base de cálculo das taxas, conforme o § 2º, do Art. 145, da CF de 1988, bem como o Pará-

grafo Único do art. 77 do CTN, será o custo na prestação dos serviços.

OBS (1): A cobrança da Taxa do Lixo é considerada constitucional, conforme entendimento

do STF. Súmula Vinculante 19 (STF).

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OBS (2): Súmula Vinculante 29: É constitucional a adoção, no cálculo do valor da taxa, de um ou mais elementos da base de cálculo própria de determinado imposto, desde que não haja identidade entre uma e outra. Exemplos da Jurisprudência: a) Taxa de Coleta de Lixo tomando por base de cálculo o tamanho dos imóveis (metragem); e b) a base de cálculo das Taxas relati-

vas às Custas Processuais e Emolumentos Judiciais concernentes aos serviços notariais e registrais

de baixa e registro, tendo como parâmetro o valor atribuído ao valor da causa ou condenação.

Limite: Súmula 667 do STF: viola a garantia constitucional de acesso à jurisdição à taxa judici- ária calculada sem limite sobre o valor da causa.

6.2 Taxas em razão do exercício

regular do poder de polícia

Trata-se de tributo vinculado a uma prestação estatal, relativa a prestação de efetivo poder de polícia, de competência comum aos entes federativos.

O poder de polícia como hipótese de incidência das taxas vem disciplinado no Art. 78 do CTN,

que significa qualquer disciplina ou limitações de direitos individuais veiculadas por Lei, permi- tindo ao Poder Público a cobrança do tributo. É o que acontece com as limitações urbanísticas

do direito de construir, com Taxa de Alvará (Funcionamento). Outro exemplo é a Taxa de Fiscalização e Anúncio. A Taxa de Fiscalização de Títulos Valores Mobiliários, instituída pela Lei nº 7.940/1989. A Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental (Lei nº 10.165/2000).

Não se pode cobrar taxa pelo exercício do poder de polícia potencial, ou seja, a fiscalização, o controle ou a disciplina de atividades privadas, ainda, em implementação ou por simples amos- tragem. A Súmula 157 do STJ: é ilegítima a cobrança de taxa, pelo Município, na renovação de licença para localização de estabelecimento comercial ou industrial. Trata-se de exigência

de efetivo poder de polícia de caráter cíclico, ou seja, deve existir a ação fiscalizadora concreta

como exigência da taxa renovável.

A Base de cálculo das taxas em razão da efetiva prestação do poder de polícia é o custo na

prestação desse poder de polícia.

6.3 Diferenças entre Taxa e Preço Público

O

conceito jurídico de preço público vincula-se à remuneração pela prestação de serviço público

de

caráter facultativo ou prestação de serviço público prestado em regime de concessão. Nesse

sentido, o preço público não é espécie tributária, constituindo-se em instituto de direito administrativo regido por esse regime jurídico. A jurisprudência confirma esse entendimento

por meio da edição da Súmula do STF 545.

O preço público decorre de uma atividade exercida pelo Estado como se fosse um particular,

sem estar investido de sua soberania.

A taxa decorre de prestação de serviço público e poder de polícia que não pode ser transferido

ao particular. O preço público decorre de remuneração por atividade que pode ser transferida

ao particular.

A taxa advém de obrigação prevista em lei. O preço público decorre de acordo de vontades.

A taxa visa cobrir o custo pela prestação do serviço ou do poder de polícia realizado. A cobrança

de preço público visa ao lucro.

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Tópicos em Direito 1

OBS (1): PEDÁGIO. Modalidade de remuneração pela prestação de serviços de conservação de

rodovias. Se o pedágio é cobrado pelo Poder Público e este é que diretamente presta o serviço de conservação das rodovias, estamos diante uma taxa. Posição da Jurisprudência

definida nesse caso pelo STF no RE nº 181.475-RS. Contudo, se o pedágio é cobrado sob o re- gime de concessão de serviço público, ou seja, se o particular prestar o serviço de conservação da rodovia, por meio de concessão do serviço público, estará se remunerando por meio de preço público, em razão do princípio inafastável de direito administrativo que trata o equilíbrio eco-

nômico-financeiro do contrato de concessão de serviços públicos, que não se coaduna com

o regime jurídico de direito tributário previsto na CF de 1988, como, por exemplo, o respeito ao princípio da anterioridade tributária para o aumento de tributos.

As tarifas são modalidades de preço público cobrado pelas concessionárias prestadoras de ser- viços públicos, tais como de fornecimento de energia elétrica particular; fornecimento de água; prestação de serviços de telefonia fixa e móvel.

7 Contribuições de Melhoria e

Empréstimos Compulsórios: Art. 145, III, da CF de 1988, c.c. os Arts. 81 e 82 do CTN

A contribuição de melhoria é tributo que tem por hipótese de incidência um elo intermediário,

que liga o obrigado ao Estado por conta de uma atuação indireta do poder público.

A obra pública é a atuação indireta do poder público, não sendo considerada como tal a reforma

ou manutenção de uma obra pública existente.

É um tributo vinculado indiretamente a uma atuação estatal. Eis que a hipótese de incidência do tributo é a valorização do imóvel beneficiado por obra pública, enquanto atuação indireta do poder público, caracterizando-se, então, como uma diferença com a espécie taxas.

A base de cálculo das taxas é a valorização do imóvel sofrida pela realização da obra pública,

cujo limite individual não poderá exceder a 3% do maior valor fiscal do imóvel, que corresponde ao valor venal do imóvel aferido para fins de cobrança do IPTU, do ITBI ou do ITR, conforme o art. 12 do Decreto-lei nº 195/1967.

A contribuição de melhoria tem como limite geral a impossibilidade de arrecadação do tributo

maior que o custo total da obra. A cobrança do tributo somente ocorrerá após o término da obra

e será, somente, efetuada uma única vez por obra executada.

A Definição da área abrangida pela obra pública; definição do fator de absorção da valorização

imobiliária e do processo administrativo de impugnação devem ser definidos por meio de lei.

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8 Empréstimo Compulsório: art. 148, I e

II, da CF de 1988

A competência para a instituição do empréstimo compulsório é exclusiva da União e é instituído

por meio de lei complementar.

Requisitos essenciais para a sua instituição: a) calamidade pública; b) guerra externa ou sua iminência; e c) investimento público de caráter urgente e relevante.

As calamidades públicas são eventos naturais (tempestades, desmoronamentos, incêndios) ou

sociais tão significativos que exigem despesas não previstas pela União.

A guerra externa ou sua iminência se caracteriza pela participação do Brasil em beligerância

militar externa (jamais interna), que acarrete despesas públicas extraordinárias não previstas pela União.

O investimento público de caráter urgente e relevante é aquele previsto nos termos do art. 12,

§ 4º, da lei nº 4.320/1964, tais como obras, construções de estradas, prédios públicos, açudes, melhorias etc., que não tenham previsão orçamentária da União para serem feitos e de realiza-

ção imprescindível ao desenvolvimento nacional, beneficiando toda a população brasileira.

Não recepção pela Constituição de 88 do inciso III, do art. 15 do CTN, com a finalidade de atri- buir função extrafiscal ao empréstimo compulsório. Portanto, não se admite pela Carta Magna de 88 que o empréstimo compulsório possa assumir a feição de conjuntura que exija absorção tem- porária de poder aquisitivo. Ex.: Plano Collor de 1990. Inconstitucionalidade decretada pelo STF.

A hipótese de incidência do empréstimo compulsório é híbrida. A Lei Complementar irá assumir a

feição de imposto, taxa, contribuição de melhoria ou contribuições do art. 149 da CF, de 1988.

O referido tributo consigna uma norma jurídica tributária e administrativa. Imprescindível a de-

volução do tributo e em dinheiro pela União Federal, consoante o parágrafo único do art. 15

do CTN.

Existe a vinculação constitucional da receita obtida pelo empréstimo compulsório aos requisitos essenciais para a sua criação.

Empréstimo compulsório e imposto extraordinário de guerra: correlação e bis in idem constitucio- nalmente permitido, em face da possibilidade de instituição de dois tributos para fazer ao custo

da

guerra externa ou sua iminência.

O

empréstimo compulsório decorrente de guerra externa ou sua iminência ou para cobrir des-

pesas decorrentes de calamidade pública não obedece ao princípio da anterioridade tributá- ria, ou seja, a lei complementar terá vigência e eficácia imediata. Contudo, com relação ao empréstimo compulsório decorrente de investimento público de caráter urgente e de relevante

interesse nacional, deverão ser obedecidos os dois critérios da anterioridade tributária: o anual

e o nonagesimal.

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Tópicos em Direito 1

9 Espécies Tributárias: Contribuições do

Art. 149 da CF

9.1 Contribuições Especiais:

Art. 149, da CF de 1988

Critério Finalístico contido na Constituição e na Lei Tributária. As contribuições especiais são tributos e são compostas pelas exações cuja tônica não está nem no objetivo de custear as fun- ções gerais e indivisíveis do Estado (como ocorre com os impostos) nem numa utilidade divisível produzida pelo Estado e fruível pelo indivíduo (como ocorre com os tributos conhecidos como taxa, pedágio e contribuição de melhoria, que reunimos no segundo grupo).

A característica peculiar do regime jurídico desse terceiro grupo de exações está na destinação

a determinada atividade, exercitável por entidade estatal ou paraestatal, ou por entidade não estatal reconhecida pelo Estado como necessária ou útil à realização de uma função de interesse público.

Nesse grupo, se incluem as exações previstas no art. 149 da Constituição, ou seja:

a) Contribuições sociais;

b) Contribuições de intervenção no domínio econômico;

c) Contribuições de interesse de categorias profissionais ou econômicas;

d) Contribuição referida no art. 149-A da Constituição (acrescida pela EC n. 39/2002), destinada ao custeio do serviço de iluminação pública (COSIP).

No tocante à espécie tributária, as contribuições especiais são tributos vinculados a uma ativida- de estatal, situadas, porém, em posição intermediária entre impostos e taxas.

Essa espécie tributária está mais próxima dos impostos; eis que a hipótese de incidência e base de cálculo revelam um fato signo de riqueza do contribuinte (completa desvinculação), do que das taxas (total vinculação); eis que não pressupõe uma atuação estatal específica e divisível relativa ao contribuinte.

Existiria, assim, uma referibilidade indireta de uma atuação estatal relacionada a um grupo de- terminado de contribuintes; a hipótese de incidência do tributo pode até se assemelhar bastante ao dos impostos, mas só estará completo o regime jurídico constitucional das contribuições diante de uma atuação estatal indireta relativa ao grupo no qual se situa o contribuinte, traço diferenciador das contribuições em face do destino dado ao montante do tributo arrecadado.

As contribuições do Art. 149, da CF de 1988 obedecem ao princípio da legalidade, deven- do ser instituídas por meio de lei ordinária.

OBS (1): Nova Contribuição Social (Art. 195, §4º, da CF de 1988), necessidade de Lei Com- plementar.

OBS (2): CIDE-COMBUSTÍVEIS. Redução e restabelecimento de alíquotas, por meio de Decreto, conforme autorização constitucional no Art. 177, §4º, I, “b”, da CF.

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As Contribuições do Art. 149 da CF de 1988 devem obediência ao regime jurídico geral da anterioridade, ou seja, criação e majoração das contribuições deve ser obedecida regra da an- terioridade anual e da anterioridade nonagesimal.

OBS (3): CIDE-COMBUSTÍVEIS. Aplica-se unicamente a regra da anterioridade nonagesimal, para redução e estabelecimento de alíquotas.

OBS (4): Em relação às contribuições sociais, deve ser obedecida unicamente a regra da ante- rioridade nonagesimal, conforme o §6º, do Art. 195, da CF.

O princípio da capacidade contributiva se aplica às contribuições, na conformidade do Art. 195,

§9º, da CF de 1988, e poderão ter alíquotas ou bases de cálculo diferenciadas, em razão da ati- vidade econômica, da utilização intensiva de mão de obra, do porte da empresa ou da condição estrutural do mercado de trabalho.

O regime jurídico constitucional das contribuições obedece, também, ao princípio da vedação

ao confisco, com a proibição de desproporção entre a cobrança da contribuição e a atuação do

Estado, ou quando inexistir a atuação do Estado nas finalidades, que se propõe na Constituição

e na Lei.

As entidades beneficentes de assistência social sem fins lucrativos não serão atingidas pelas Contribuições Sociais, na previsão no Art. 195, §7º, da CF, bem como, as contribuições sociais e

CIDE não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação, conforme o Art. 149, §2º, Inciso

I, da CF de 1988, caracterizando-se como imunidades tributárias.

9.2 Contribuições Sociais: Art. 149, 1ª parte da CF.

A competência é exclusiva da União para a sua instituição.

OBS (1): Existe a possibilidade de instituição de uma Contribuição para os Estados-mem- bros, Distrito Federal e Municípios, para o custeio do sistema de previdência de seus ser- vidores públicos, conforme o §1º, do Art. 149, da CF.

9.2.1 Contribuições Sociais Gerais

As contribuições sociais gerais são tributos que se destinam a outras atividades do Estado, fora

do campo de atuação da Seguridade Social (saúde, previdência e assistência social) e incidem sobre uma única base econômica do contribuinte.

Salário-Educação: art. 212, §5º. Custeia o ensino fundamental público e pago por todas as empresas privadas.

OBS (2): Súmula 732 do STF: é constitucional a cobrança da contribuição do salário-educação, seja sob a Carta de 1969, seja sob a Constituição Federal de 1988 e no regime da Lei 9.424/96.

Classificam-se, ainda, como contribuições da espécie aquelas aludidas no artigo 240 da Consti- tuição Federal, que estabelece a cobrança dos empregadores, destinadas às entidades privadas

de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical.

São as chamadas contribuições destinadas a entidades privadas (Sistema “S”). Trata-se de tributo exigido de pessoas privadas (empregadores) relativamente a fatos distintos de atividade estatal,

destinados a entidades privadas (SENAI, SESI, SESC, SENAC, SENAR, SEST, SENAT etc).

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Tópicos em Direito 1

Empresas prestadoras de serviços e de consultoria, como, por exemplo, as Bancas Jurídicas, es- tão vinculadas ao SESC e SENAC, desde que comprovem não estarem vinculadas a outro serviço social prestado aos trabalhadores do segmento econômico, conforme a Súmula 499 do STJ: “As

empresas prestadoras de serviços estão sujeitas às contribuições ao Sesc e Senac, salvo se integradas noutro serviço social”.

Como modalidade de contribuições sociais gerais, temos a previsão da Lei Complementar nº 110/2001. São contribuições destinadas a complementar a atualização monetária a que tinham os trabalhadores em razão dos expurgos inflacionários das contas vinculadas do FGTS, referentes aos planos econômicos Collor, Bresser e Verão.

OBS: O FGTS não tem natureza tributária. Posicionamento jurisprudencial do STF RE 120.189.

9.2.2 Contribuições Sociais de Seguridade Social: Art. 195 da CF.

Do empregador: art. 195, I, da CF de 1988: são contribuições cobradas do empregador, destinadas ao Instituto Nacional de Seguridade Social, para pagamento dos benefícios previdenciários e sociais.

» Contribuição do Pró-labore, Autônomos, Administradores e Avulsos, Art. 195, I, “a”

» Contribuição sobre Folha de Salários, Art. 195, I, “a”

» Contribuição ao PIS, Art. 195, I, “b”

» Contribuição ao PIS na importação de mercadorias e produtos: art. 195, IV

» Contribuição ao COFINS: art. 195, I, “b”

» COFINS na importação de mercadorias e produtos: art. 195, IV

» CSLL – Contribuição sobre o Lucro: art. 195, I, “c”

» SAT: Art. 7º, Inciso XXVIII, art. 201, I c.c. o §10 do Art. 201, todos da CF

Estabelece ainda o §8° do Artigo 195 da Constituição Federal a contribuição social para a segu- ridade social devida pelo produtor, parceiro, meeiro ou arrendatário rural, bem como o pescador artesanal e respectivos cônjuges, que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, sem empregados permanentes, cobrada mediante a aplicação de uma alíquota sobre o resultado da comercialização da respectiva produção.

Do empregado: art. 195, II. Descontada diretamente em folha, conforme o salário e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201.

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9.3 Contribuição e Intervenção no Domínio Econômico – CIDE

Tributo eminentemente de caráter extrafiscal, onde a União exerce o seu papel de interferência na economia, regulando o mercado, influindo na oferta de bens e de sua demanda, conforme as normas de direito econômico e concorrencial previstas na CF de 88. A instituição de contribuição de intervenção é possível quando ocorra:

(i) efetiva intervenção do Estado no domínio econômico, nos limites das possibilidades constitucionalmente previstas para tanto;

(ii) em atividade originariamente reservada ao setor privado ou que tenha a este sido transferida por autorização, concessão ou permissão;

(iii) e que cause um gasto excepcional do Estado ou benefício especial a determinado grupo de indivíduos, componentes do setor objeto da intervenção efetuada.

Sem estabelecer as respectivas hipóteses de incidência possíveis e, bem assim, os aspectos a elas inerentes, o mencionado dispositivo deixa “em aberto” ao legislador infraconstitucional a possibi- lidade de estabelecer o aspecto material das CIDEs que vierem a ser criadas, estabelecendo restri- ção apenas quanto à observância do disposto nos artigos 146, III e 150, I e III, da Magna Carta.

Apenas o §2º do art. 149, da CF de 1988, introduzido pela Emenda Constitucional 33/2001, restringiu em certa medida a esfera de alcance para a instituição dessa exação pela União, eis que, antes de seu advento, detinha a União, nesse campo, verdadeira “carta em branco”, com possibilidades quase ilimitadas para a criação das CIDEs, à vista da textura aberta dos termos e expressões encontrados no referido artigo 149 da CF.

A base de cálculo da CIDE pode ser o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação, ou

ainda, no caso de importação, o valor aduaneiro.

A CIDE pode incidir sobre as importações de produtos e serviços, conforme o inciso II, do

§ 2º, do art. 149.

A Constituição de 1988 veda ao legislador federal para instituir a CIDE no tocante às competên-

cias privativas dos Estados-membros, Distrito Federal e Municípios, eis que não podem tributar as hipóteses de incidência específicas aos respectivos entes políticos.

CIDE Combustíveis: Lei nº 10.336/01. Incidente sobre a importação ou comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados e álcool combustível, cuja finalidade é:

a) subsidiar preços e transporte de álcool combustível, gás natural e seus derivados e derivados

de petróleo; b) financiar projetos ambientais relacionados com a indústria do petróleo e do gás;

e c) financiar programas de infraestrutura de transportes.

Contribuição do Sebrae: Considerada pela Jurisprudência do STF no Recurso Extraordinário nº. 396.266, como espécie de CIDE.

CIDE de Transferência de Tecnologia: Lei nº. 10.168 de 30.12.2000. Com a finalidade de

estimular o desenvolvimento tecnológico brasileiro, mediante programas de pesquisa científica e tecnológica cooperativa entre universidades, centros de pesquisa e o setor

produtivo. É incidente sobre os valores pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas remetidos

a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente de

licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como de contratos que envolvam transferência de tecnologia.

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Tópicos em Direito 1

O Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante, devido pelos usuários dos servi-

ços de transporte marítimo, que tem a finalidade de atender ao encargo de intervenção da União no apoio ao desenvolvimento da marinha mercante e da indústria de construção e reparação

naval brasileira, cuja hipótese de incidência é a operação de descarregamento da embar- cação em porto brasileiro.

Contribuição ao INCRA é atualmente considerada pelo STJ como CIDE, devida pelas empre-

sas privadas, sob percentual incidente sobre folha de salários, destinada à promoção da reforma agrária e de colonização. Súmula nº 516 do STJ: a contribuição de intervenção no domínio econômico para o INCRA, devida pelos empregadores rurais e urbanos, não foi extinta pelas Leis n.s 7.787/1989, 8.212/1991 e 8.213/1991, não podendo ser compensada com a Contribuição ao INSS.

9.4 Contribuição no interesse de categorias profissionais ou econômicas – CICP

São tributos de competência exclusiva da União Federal, regulados pela Lei nº 12.514/2011, que se destinam a custear as pessoas jurídicas de direito público ou privado que têm por escopo fiscalizar e regular o exercício de determinadas profissões previstas em Lei, bem como represen- tar, coletiva ou individualmente, categorias profissionais dos trabalhadores ou econômicas dos empregadores, defendendo seus interesses.

São exemplos dessas espécies as contribuições que os advogados pagam à Ordem dos Advo-

gados do Brasil, as contribuições que os médicos pagam ao Conselho Regional de Medicina,

as contribuições que os contabilistas pagam ao Conselho Regional de Contabilidade, além de outras com iguais características.

É elemento essencial, nessa espécie de contribuição, identificar a existência de um grupo profis-

sional, em relação ao qual a finalidade constitucional autorizadora da instituição da contribuição

se relaciona, notadamente o interesse público na regulação e disciplina das profissões estabe- lecidas em Lei.

Se não há um grupo profissional ao qual a finalidade se refira, faltará um elemento do modelo constitucional das contribuições.

O sujeito passivo deve participar efetivamente de uma categoria profissional, que se submete ao

controle, registro e fiscalização das entidades reguladoras, pessoas jurídicas de direito público (autarquias), na condição de arrecadadores do tributo.

A seu turno temos, como subespécie dessa contribuição, a Contribuição Sindical (Patronal e

CF d e1988, c.c. o art. 578 a

610 da CLT.

dos Trabalhadores), com fundamento no Art. 8º, Inciso IV da

Essa contribuição é recolhida anualmente, equivalente a um dia de trabalho para os emprega- dos, impondo aos empregadores o dever de retê-las dos seus empregados e repassar o montante

à Caixa Econômica Federal, independentemente de sua filiação ao Sindicato de sua categoria.

Por outro lado, a Contribuição Confederativa, prevista no Art. 8º, inciso IV, da CF, não é tributo, pois depende da vontade do trabalhador se filiar ao Sindicato de sua categoria, que a paga para

a manutenção do sistema confederativo de representação de sua categoria.

Súmula nº 666 do STF e Súmula Vinculante nº 40 do STF: A contribuição confederativa de que

trata o art. 8º, IV, da Constituição Federal, só é exigível dos filiados ao sindicato respectivo.

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9.5 Contribuição de iluminação pública: Art. 149-A, da CF de 1988

Trata-se de contribuição criada pela Constituição Federal visando arrecadar recursos para o cus- teio do sistema de iluminação pública, de competência exclusiva do Distrito Federal e Municípios.

Histórico Jurisprudencial. Súmula 670 do STF: O serviço de iluminação pública não pode ser remunerado mediante taxa.

Aplicação dos princípios constitucionais da legalidade, irretroatividade e anterioridade, este por seu turno, dentro do critério geral, obedecendo-se a anterioridade anual e nonagesimal.

Constitucionalidade chancelada pelo STF, com repercussão geral no RE 573.675.

10 Princípios Constitucionais Tributários

10.1 Princípio da legalidade: conceito. Art. 150, I, da CF de 1988.

Nenhum tributo no ordenamento jurídico brasileiro será criado, instituído, majorado, extinto e até mesmo reduzido, senão em virtude da autorização expressa contida na Lei. A referida Lei deve ser entendida como norma geral e abstrata, que vale para todos os cidadãos e fruto do processo legislativo de regime jurídico eminentemente constitucional.

Aparente Exceção ao Princípio da Legalidade: impostos que podem ser alterados por meio de ato do poder executivo, nos limites e condições previstas em lei (Art. 153, §1º.): II, IE, IPI, IOF. ICMS Combustível (art. 155, §4º., IV, “c”. CIDE Combustível (Art. 177, §4º., I, “b”, todos da CF).

Possibilidade de Convênios de ICMS celebrados entre os Estados da Federação definirem a forma como isenções, incentivos e benefícios fiscais serão concedidos ou revogados.

OBS (1): Os Convênios celebrados pelas entidades federativas são acordos de cooperação

entre duas ou mais pessoas de direito público visando ao aprimoramento da arrecadação e fisca- lização tributárias, na conformidade do Art. 199 do CTN, em tudo subordinados à lei tributária.

Por outro lado, temos os chamados Convênios de ICMS, na previsão do Art. 155, §2º, Inciso XII, “g”, da CF, que estabelece que a lei complementar irá regulamentar a forma como, mediante deliberação dos Estados e Distrito Federal, as isenções, os incentivos e os benefícios fiscais em matéria de ICMS serão concedidos e revogados.

Nesse caso, a Lei Complementar nº 24/75 estipula que o Poder Executivo deverá ratificar por De- creto o Convênio de ICMS, firmado pelos Estados, por meio de seus Secretários Estaduais, quando assim deliberam sobre aplicação uniforme da legislação de ICMS em todo o território nacional.

Nesse sentido, os Convênios de ICMS visam integrar a legislação tributária do ICMS em face dessas desonerações tributárias, por meio do Decreto do Executivo, valendo como norma interna no âmbito estadual.

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Tópicos em Direito 1

OBS (2): Atenção para os casos de isenção, extinção e redução dos tributos, que também obede- cem ao princípio da legalidade, conforme previsão do §6º, do Art. 150 da Constituição Federal.

As Medidas Provisórias, previstas no Art. 62 da CF de 1988, podem majorar e criar unicamente

os impostos previstos no texto constitucional, desde que só produzam efeitos no exercício fi-

nanceiro seguinte se houverem sido convertidas em lei até o último dia daquele exercício financeiro em que foram editadas.

A exigência acima não será obedecida, por exceção prevista no §2º, do Art. 62, da CF de 1988,

ou seja, medidas provisórias terão eficácia de imediato, no dia seguinte, quando se tratar de criação ou majoração do imposto de importação e exportação; imposto sobre produtos indus- trializados; imposto sobre operações financeiras e o imposto extraordinário de guerra.

As medidas provisórias não poderão disciplinar matérias reservadas e de competência da Lei Complementar sobre

Imposto Residual: Art. 154, I, da CF;

Empréstimo Compulsório: Art. 148, da CF;

Imposto sobre Grandes Fortunas: 153, VII, da CF;

Contribuição Social Previdenciária Nova: 195, §6º, da CF;

Normas Gerais em Direito Tributário: Art. 146 da CF;

ICMS: Art. 155, §2º, XII e alíneas da CF;

ITCMD: Art. 155, §1º, III, da CF;

ISS: Art. 156, III e §3º da CF;

Contribuição Social: Art. 195, §11º (remissão e anistia)

10.1.1 Estrita Legalidade Tributária: Previsão do Art. 97 do CTN

Somente a Lei pode estabelecer a instituição de tributo ou sua extinção. Quem cria, majora e extingue o tributo é a Lei.

A fixação da alíquota do tributo e sua base de cálculo são alguns dos elementos da regra matriz

de incidência, que devem estar contidos na lei.

A Lei deve estabelecer a infração tributária; a conduta típica que induz a ocorrência da infração

à legislação e a pena correlata: multa tributária.

Somente a Lei pode ditar as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de crédito tributário ou

de

dispensa ou redução de penalidades.

O

CTN chama a atenção para o fato de que todas as hipóteses de exclusão, suspensão e extin-

ção do crédito tributário devem estar na lei. Por exemplo: Isenção e anistia são causas de exclu- são de crédito. A suspensão se dá no Art. 151; Ex.: a moratória e o parcelamento. A extinção do

tributo previsto no Art. 156. Ex.: Decadência e Prescrição do Crédito.

Equipara-se à majoração do tributo quando o ajuste da base de cálculo do valor do tributo torná-lo mais oneroso e deverá ser feito por lei. Ex.: a lei municipal em vigor em São Paulo e publicada no governo de Marta Suplicy. A base de cálculo dos imóveis foi majorada de acordo

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com o plano diretor da cidade e tornou-o mais oneroso evidentemente, para ajustar o valor venal do m² do imóvel às condições do mercado.

A outra fonte de majoração da base de cálculo é a majoração acima dos limites da in-

flação medida no período. Toda vez que a Administração resolver majorar a base de cálculo acima dos limites da inflação medida, somente poderá ser feita por lei. Se a inflação medida no período de 2003 foi de 12%, o Poder Público só poderá majorar acima desse índice por meio de lei.

Não constitui majoração, o que deve ser veiculado por lei a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Ex.: a tabela do IPVA que é baixada por decreto em outubro pelos Estados da Federação. Súmula 160 do STJ: É defeso, ao Município, atualizar o IPTU, mediante decreto, em percentual superior ao índice oficial de correção monetária.

Prazo de Pagamento de Tributo. Não vinculação ao princípio da legalidade tributária. Entendi- mento do STF RE 140.669-PE/98.

As obrigações acessórias, na conformidade do Art. 113, §2º, do CTN, devem obediência à Lei

para serem instituídas.

OBS (1): CUIDADO: Decreto Legislativo. A sua função é introduzir no ordenamento jurídico brasileiro os convênios internacionais e no âmbito tributário é ratificar os convênios entre os entes

políticos (Estados, Municípios). Caráter de Lei Ordinária. Ato Normativo Primário. Art. 62 da CF.

OBS (2): CUIDADO: As Resoluções. Previsão do Art. 59, Inciso VII, da CF. É um mecanismo

legislativo, estabelecido pela Constituição Federal de 1988, para dispor sobre matéria tributária

de competência do Senado Federal em matéria de alíquotas de determinados impostos. É, então,

um ato normativo primário.

Em matéria de ICMS, temos a previsão do §2º, do Art. 155, da CF, que determina que resolu- ção do Senado Federal, de iniciativa do Presidente da República ou de um terço dos Senadores, aprovada pela maioria absoluta de seus membros, estabelecerá as alíquotas aplicáveis às

operações e prestações de caráter interestadual.

Ainda, em matéria de ICMS, vamos encontrar a previsão do Art. 155, §2º, Inciso V, “a”, da CF,

que dispõe de resolução para definir as alíquotas máximas e mínimas nas operações e pres- tações internas, como também, fixar as alíquotas máximas nas mesmas operações para resolver conflito específico que envolva interesse de Estados (Art. 155, §2º, Inciso V, b).

O ITCMD terá sua alíquota máxima fixada pelo senado Federal por meio de resolução. O ITCMD

tem a alíquota máxima fixada pela Resolução 9/92, que a fixa em 8% (Art. 155, Inciso IV, §1º).

Outro exemplo é em relação ao IPVA, o Senado poderá estabelecer por resolução alíquotas mínimas para o imposto.

OBS (3): Tratados e Convenções Internacionais. Art. 98, do CTN. Esse artigo apresenta os

tratados e convenções internacionais, como atos normativos primários, desde que ratificados por Decreto Legislativo.

Tratado ou Convenção Internacional no qual o Estado Brasileiro deve ser signatário, que refor- mam ou modificam a legislação tributária, somente produzem efeitos jurídicos, com força de lei ordinária, por meio de Decreto Legislativo.

Nesse sentido, as alterações ocasionadas na legislação interna tributária por meio dos tratados e convenções internacionais ficam circunscritas apenas à matéria tratada naquele tratado espe- cífico, valendo como norma especial.

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Tópicos em Direito 1

Eventual conflito entre a norma interna e o tratado internacional restará resolvido com a primazia da norma especial contida no tratado ou convenção internacional.

Não ocorrerá a revogação da legislação interna com a aplicação do tratado, mas de suspensão ou modificação da eficácia da norma tributária no plano nacional.

O STF entende que não existe prevalência hierárquico normativa entre o Tratado e a Lei interna;

o que ocorre é a consagração do princípio da especialidade, valendo o Tratado como norma especial, nos termos que especifica, no ordenamento jurídico adotado.

Inclusive, a Lei tributária superveniente ao Tratado, que seja com ele incompatível, prevalece em face do Tratado, deixando este de ser aplicado no ordenamento jurídico interno. Então, nesse

caso, no plano interno ocasionaria a denúncia do diploma internacional e estaria o Brasil sujeito

às sanções previstas no Tratado.

10.2 Princípio da igualdade tributária:

Art. 150, II, da CF de 1988

Conceito. Igualdade perante a Lei. Igualdade na Lei. Igualdade perante a Lei: objetivo do apli- cador da lei que deve impor o conteúdo da norma jurídica a todos aqueles que realizarem a

conduta descrita na hipótese legal. Igualdade na Lei: proibição ao legislador de impor critérios

de diferenciação entre os cidadãos baseados no arbítrio, estabelecendo diferenças jurídicas sem

fundamento jurídico razoável.

Princípio constitucional tributário autoaplicável destinado ao legislador infraconstitucional no momento do exercício de sua competência tributária. Tem por função limitar a atuação do legis- lador, proibindo a adoção de privilégios tributários a determinadas categorias de contribuintes, devendo aquele estabelecer critérios de diferenciação entre contribuintes a ponto de equipará-los de maneira justa e razoável, em face dos níveis de riqueza que se apresentam.

10.2.1 Princípio da capacidade contributiva: Art. 145, §1º da CF

Critérios de diferenciação entre contribuintes por meio de seu grau de riqueza, independente- mente de sua disponibilidade financeira. Princípio constitucional corolário do princípio da iso- nomia tributária, aplicável sempre aos impostos, dependendo de suas possibilidades técnicas de implementação.

Poderemos observar a sua aplicação às Contribuições Sociais: §9º, do Art. 195, da CF de 1988, por força de diferenciação de alíquotas em função de atividade econômica, utilização de mão de obra ou porte da empresa.

Em relação às taxas, o princípio da capacidade contributiva se expressa pelo princípio da retri- butividade, em face do serviço prestado e poder de polícia realizado.

O contexto jurídico de aplicação do princípio da capacidade contributiva determina a adoção de

técnicas de aferição da mensuração pessoal da riqueza do contribuinte em matéria de impostos.

A capacidade contributiva também se presta como instrumento de extrafiscalidade, enquanto

finalidade não arrecadatória, mas que visa inibir e reprovar condutas indesejáveis dos contribuin-

tes, tudo em prol do cumprimento dos demais princípios constitucionais que compõem o sistema.

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Com efeito, temos subprincípios de aplicação da capacidade contributiva, tais como a progressi- vidade e a seletividade contidas na CF de 1988, essencialmente como técnicas de exteriorização

e concretização do princípio constitucional da capacidade contributiva.

10.2.2 Princípio da Progressividade Fiscal e Extrafiscal

A progressividade fiscal corresponde à aplicação de alíquotas diferenciadas, na medida do au-

mento do grau de riqueza do contribuinte, revelado na base de cálculo do tributo.

Temos o Imposto de Renda como imposto progressivo previsto no Art. 153, §2º, I, que será informado pelos critérios de generalidade, universalidade e progressividade, correspondendo o alcance da lei tributária do imposto sobre a renda àqueles que tenham realizado a hipótese de incidência do tributo, abrangendo todas as rendas e proventos auferidos pelos contribuintes, com aplicação de alíquotas variadas em acordo com o aumento da base de cálculo.

OBS (1): Por reiterada posição jurisprudencial do STF, restou definido que o Poder Judiciário não pode autorizar a correção monetária da tabela progressiva do imposto sobre a renda pessoa física na ausência de lei para tanto (RE 388.312).

O imposto territorial rural apresenta-se como progressivo, na conformidade do Art. 153, §4º, I,

da CF de 1988, fixadas de forma a desestimular a manutenção de propriedades improdutivas.

O imposto sobre a propriedade territorial e predial urbana de competência municipal e distrital é

um imposto progressivo, levando em consideração alíquotas progressivas em razão da localiza-

ção, valor e uso do imóvel, na esteira do Art. 156, §1º, Incisos I e II, bem como o Art. 182, §4º, Inciso II, ambos da CF, de 1988. Essa última progressividade está relacionada com a progressivi- dade do IPTU no tempo, em caso de descumprimento de exigência pelo poder público municipal

de adequado aproveitamento de solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado. Apli-

cação da Súmula 668 do STF: “É inconstitucional a lei municipal que tenha estabelecido, antes

da Emenda Constitucional 29/2000, alíquotas progressivas para o IPTU, salvo para destinada a assegurar o cumprimento da função social da propriedade urbana.”

O imposto de transmissão causa morte e doação, previsto no Art. 155, Incisos I a IV, da CF de

1988, combinado com a Resolução do Senado Federal nº 9/92 é um imposto progressivo, in- clusive, conforme interpretação constitucional do STF em repercussão geral no AgR-RE 542.485, Precedente RE 562.045/RS.

O imposto sobre a propriedade de veículos automotores é um imposto progressivo, na conformi-

dade do Art. 155, §6º, Inciso II, da CF de 1988, aplicando-se alíquotas progressivas em razão

do tipo e utilização do veículo.

OBS (2): Salientamos que o ITBI, imposto sobre transmissão de bens imóveis inter vivos, de competência municipal, não terá aplicação da progressividade fiscal ou extrafiscal, conforme interpretação do STF, Súmula 656: “É inconstitucional a lei que estabelece alíquotas progressivas para o ITBI com base no valor venal do imóvel.”

OBS (3): Não se pode confundir a progressividade fiscal, como princípio constitucional corolá- rio da capacidade contributiva e isonomia fiscal, com a técnica de tributação conhecida como proporcionalidade.

A proporcionalidade significa a aplicação de uma alíquota única sobre uma base de cálculo vari-

ável. Ainda que se possa afirmar que seja a proporcionalidade um mecanismo “neutro” de justiça

fiscal, por meio do qual se induz que o pagamento do tributo pelo contribuinte seja proporcional

à expressão econômica de sua riqueza, aplicando-se uma alíquota única.

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Tópicos em Direito 1

Na verdade, a proporcionalidade é um aspecto da regressividade tributária, pois justa não se apresenta na medida que não nivela os desiguais na medida de suas desigualdades. Não é crível sugerir que o princípio constitucional da isonomia esteja sendo cumprido, quando se aplica uma única alíquota, àqueles que tenham rendas ou riquezas distintas.

10.2.3 Princípio da seletividade fiscal: Art. 153, § 3º, I e Art. 155, § 2º, III da CF

Princípio constitucional, enquanto técnica de tributação aplicável aos chamados impostos indire- tos, notoriamente ao ICMS e ao IPI, onde teremos a adoção de alíquotas seletivas em razão da essencialidade de produtos e mercadorias. Alíquotas maiores serão adotadas a produtos e mer- cadorias como nítida conotação supérflua para os consumidores, enquanto alíquotas menores serão aplicadas a produtos e mercadorias, que se revelam vitais à existência dos consumidores

ou para o exercício de atividades econômicas.

Com a ressalva de que a sua adoção pelo legislador ordinário dos Estados-Membros e Distrito Federal é facultativa, quando da instituição do ICMS e será obrigatória ao legislador federal, na instituição do IPI.

10.3 Princípio da irretroatividade tributária:

Art. 150, III, “a”, da CF de 1988

Princípio constitucional que atinge diretamente não propriamente a cobrança dos tributos, mas o plano de vigência da lei tributária.

Ou seja, a lei tributária deve atingir o fato imponível, o fato concreto da realidade, ocorrido após

a vigência da lei não podendo atingir os fatos geradores já ocorridos.

A lei tributária se projeta para o futuro atingindo as relações jurídicas e os fatos da realidade que

ainda estão por acontecer.

O princípio da irretroatividade tributária traz a consagração do princípio constitucional da se-

gurança jurídica, em que o cidadão contribuinte deve saber antecipadamente qual é a norma vigente e aplicável ao fato ou relações jurídicas realizadas por ele que implicarão o dever de recolhimento dos tributos.

A norma do Art. 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei tributária nos casos que especifica e em caráter excepcional, em relação às leis interpretativas; bem como, em face de lei posterior que deixe de considerar o ato ou fato como infração e, por último, quando a lei nova impor penalidade tributária mais benéfica.

As leis interpretativas são normas jurídicas que explicam o conteúdo e dão conceito aos institutos

jurídicos contidos em outras normas jurídicas. Jamais uma lei interpretativa pode inovar ou irra- diar efeitos jurídicos sobre os fatos ou relações jurídicas, que estavam sob a égide do comando

da lei interpretada, já ocorridos e acabados no passado.

Portanto, uma lei interpretativa retroage seus efeitos jurídicos para o passado, contudo, não pode provocar onerosidade tributária ou agravamento da situação do contribuinte com aplicação de penalidades aos fatos imponíveis regidos pela lei interpretada.

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A lei mais benigna retroage a favor do contribuinte, quando deixa de considerar condutas consi-

deradas como infrações tributárias e determina penalidades tributárias (multas) menos gravosas. Essa regra nunca será aplicada em relação ao não-pagamento do tributo, no caso de eximir o contribuinte do cumprimento da obrigação tributária com posterior entrada em vigor de lei que estabeleça uma isenção.

A lei mais benigna em relação à aplicação de penalidades e infrações tributárias somente será

aplicada no caso do ato não estar transitado em julgado, seja no âmbito de uma decisão admi- nistrativa ou judicial.

O princípio constitucional da irretroatividade tributária não se aplica nos casos em que sobrevêm lei nova disciplinando novos procedimentos de fiscalização e apuração do tributo na esteira do

§1º do art. 144 do CTN.

Ou seja, lei nova que estabeleça novos critérios de fiscalização e apuração do tributo pode retroagir no tempo. Como exemplo histórico, tivemos a previsão da Lei nº 10.174/2001, que alterou o art. 11, §2º da Lei nº 9.311/1996, no tocante ao cruzamento de informa- ções bancárias dos contribuintes, por meio das informações obtidas com o pagamento da CPMF, para eventual lançamento de imposto de renda devido e que fora sonegado, é um típico procedimento de fiscalização tributária que foi previsto em lei e que pode ser apli- cado a fatos ou atos pretéritos à sua publicação.

10.4 Princípio constitucional da anterioridade tributária: Art. 150, III, b, e c, combinada com o §1º do Art. 150 e §6º, do Art. 195.

Norma Jurídica Constitucional, que afeta o plano da eficácia da norma tributária, aplicável à Administração Fazendária, bem como ao Poder Legislativo.

Trata-se de norma constitucional de Garantia Individual do Contribuinte – Entendimento do STF ADI nº 939-7 (1993), enquanto direito fundamental do contribuinte, de quilate equiparável à Cláusula Pétrea (Impossibilidade de Supressão).

A Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003, acrescentou a Alínea “c”, ao Art. 150, Inciso III,

prevendo o critério nonagesimal para a cobrança do tributo, proibindo-se a sua exigência antes do prazo de 90 dias da aprovação da lei, observado o critério do exercício financeiro seguinte. Ou seja, é vedada a cobrança do tributo antes de 90 dias da aprovação da lei e no mesmo exercício financeiro em que foi editada.

Temos as seguintes exceções à Alínea “b”, do Inciso III, do Art. 150, da CF de 1988:

Imposto de Importação

Imposto de Exportação

IPI

IOF

Imposto Extraordinário de Guerra

Empréstimo Compulsório Calamidade Pública e Guerra Externa

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Tópicos em Direito 1

A seu turno, temos as seguintes exceções à Alínea “c”, do Inciso III, do Art. 150, da CF de 1988:

Imposto de Importação

Imposto de Exportação

IOF

Imposto Extraordinário de Guerra

Empréstimo Compulsório Calamidade e Guerra Externa

Base de Cálculo do IPVA e IPTU

As conclusões sobre o regime jurídico excepcional do princípio constitucional da anterioridade são os seguintes:

a) Tributos que são exigidos ou aumentados imediatamente, com a lei possuindo eficácia no dia seguinte a sua publicação: II, IE, IOF, IEG e Empréstimo Compulsório Calamidade e Guerra Externa.

b) O IPI não respeita a regra da anterioridade anual, mas somente poderá ser exigido após 90 dias da publicação da lei que o instituiu ou aumentou.

c) IR e alterações na base de cálculo do IPTU e IPVA somente podem ser aumentados respeitando unicamente a regra da anterioridade anual.

d) As Contribuições Sociais: §6º do Art. 195: obedece ao critério nonagesimal de eficácia posterior à edição da lei tributária.

e) Contribuições Sociais dos Estados e Municípios: §1º, do Art. 149: obediência ao art. 195, §6º, ou seja, aplica-se somente o critério nonagesimal.

f) CIDE e CICP: Regra Geral exercício financeiro seguinte + 90 dias: alíneas “b” e “c”, do Inciso III, do Art. 150, da CF de 1988.

g) Empréstimo Compulsório relativo a investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional (art. 148, III): exercício financeiro seguinte, obediência somente à alínea “b”, do art. 150, Inciso III, da CF de 1988.

h) Imposto de Competência Residual: art. 154, II, da Constituição Federal: exercício financeiro seguinte + 90 dias.

i) Taxas e Contribuição de Melhoria; exercício financeiro seguinte + 90 dias, obediência a regra geral.

CUIDADO: CIDE-COMBUSTÍVEL. EXCEÇÃO: Art. 149, §2º, Inciso II, da CF de 1988, combina- do com o Art. 177, §4º, Inciso I, “b”, não precisa aguardar o exercício financeiro seguinte, mas obedece unicamente a regra nonagesimal, podendo ser instituído ou aumentado após 90 dias da edição da lei.

CUIDADO: ICMS-COMBUSTÍVEL. EXCEÇÃO: Art. 155, §4º, Inciso IV, Alínea “c”, não precisa aguardar o exercício financeiro seguinte, mas obedece unicamente a regra nonagesimal, poden- do ser instituído ou aumentado após 90 dias da edição da lei.

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j) Prazo de Pagamento de Tributos: Súmula 669 do Supremo Tribunal Federal: Norma

legal que altera o prazo de recolhimento da obrigação tributária não se sujeita ao princípio da anterioridade.

k) Revogação de Isenção: não obedece a regra geral do princípio da anterioridade,

nesse sentido o contribuinte imediatamente estará submetido à eficácia da lei que impõe o tributo, inclusive relativamente ao ICMS e Tratados Internacionais Revogados, salvo

aquelas concedidas a prazo certo e sob condição, QUE CONTINUAM SOB A ÉGIDE DO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE TRIBUTÁRIA.

CUIDADO. A redução de benefício fiscal implica aumento de tributo, devendo se submeter à re- gra da anterioridade anual e nonagesimal de acordo com o regime jurídico da espécie tributária.

CUIDADO. O Supremo Tribunal Federal na ADI nº 4.016/PR, na esteira do Voto do Ministro Gil- mar Ferreira Mendes, entende que, no caso de mera alteração dos índices de correção monetária do tributo, que reduzem ou extinguem descontos no pagamento do tributo ou até mesmo no caso de revogação de isenções, não se tem a obediência ao princípio da anterioridade.

CUIDADO. Lei Complementar ISS. Isenção Heterônoma. Serviços para o exterior considerados como não incidentes de ISS. Sua revogação não obedece as alíneas “b” e “c”, do Inciso III, do Art. 150 da CF.

CUIDADO. Aplicação do Princípio da Anterioridade e as Medidas Provisórias. Com relação a ma- joração e criação de impostos, a medida provisória só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte, desde que tenha sido convertida em lei até o último dia daquele em que foi editada.

A exceção a essa regra aplica-se aos II, IE, IPI, IOF e IEG, cuja medida provisória terá eficácia

imediata, sendo cobrados de imediato, independente da conversão em lei.

Com relação às taxas e contribuições de melhoria, em tese, podem ser instituídas e majoradas por medida provisória e devem obediência ao princípio anual e nonagesimal da anterioridade tributária, independentemente da conversão da MP.

Esse mesmo raciocínio se aplica aos empréstimos compulsórios, a CICP e as CIDEs.

Contudo, com relação às contribuições sociais previdenciárias, deve ser observada anterioridade nonagesimal prevista no §6º, do art. 195, da CF, contados a partir da data da publicação da medida provisória, independentemente de sua conversão em lei.

10.5 Princípio Constitucional do Não-Confisco:

art. 150, IV, da CF

É proibido à União, aos Estados-Membros, Distrito Federal e Municípios, utilizar tributo com efeito de confisco.

Princípio constitucional de extremamente vago e de pouca delimitação objetiva, por critérios ju- rídicos, para aferição do que seria atividade confiscatória do Estado no momento da instituição

e cobrança do tributo.

Com efeito, busca-se por esse princípio constitucional tolher a iniciativa, por meio da atividade tributária, de atingir o mínimo indispensável à sobrevivência digna da pessoa humana, quando se tratar de tributos incidentes na pessoa física do contribuinte, como também, inibir a prática

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Tópicos em Direito 1

de instituição de obrigações tributárias, que afetam por completo o livre exercício de atividades econômicas, com elevada carga tributária incidente.

O efeito confiscatório do tributo atrela-se em ofensa à capacidade contributiva, enquanto tribu-

tação excessiva, aniquilando a riqueza do contribuinte e atingindo por completo o seu direito de propriedade, como critério subjetivo e adotando-se como critério objetivo uma alíquota elevada

de

tributo, sempre tomando por base a carga tributária total incidente sobre o patrimônio.

O

princípio do não confisco, em tese, não se aplica aos chamados impostos de caráter extrafis-

cal, como por exemplo, o imposto de importação, de exportação, IPI e IOF, que poderão conter alíquotas extremamente gravosas como vistas à regulação do mercado.

Em razão do critério de extrafiscalidade aplicado ao IPTU e ITR, quando vinculados ao cumpri- mento da função social da propriedade e progressivo no tempo, não será considerado confisca- tório o manejo das alíquotas elevadas para atingir tal objetivo.

Com relação às taxas, o efeito confiscatório na seara tributária apresenta-se no descompasso existente entre a cobrança elevada e o custo efetivo da prestação estatal aferido em sua base de cálculo.

No mesmo sentido, em relação às contribuições de melhoria, quando existe uma falta de cor- respondência entre a valorização imobiliária experimentada pelo contribuinte, em razão da obra pública realizada, com o montante do tributo cobrado.

No tocante às contribuições, existe confisco na falta de proporção entre o valor cobrado pelo Estado e a finalidade pretendida com a arrecadação do tributo, com a noção do benefício que deverá ser atingido ou mesmo quando inexiste a finalidade pretendida contida na lei.

Notoriamente, vamos encontrar o efeito confiscatório com a aplicação de pesadas e excessivas multas tributárias, que extrapolam o limite do razoável, de cunho a evidenciar receita adicional além da tributária, com características evidentes de atingir a totalidade do patrimônio do contri- buinte. A jurisprudência do STF já consolidou entendimento, considerando confiscatória a pena- lidade tributária aplicada acima do patamar de 300% sobre o valor do bem ou da operação, em razão da falta de emissão de nota fiscal (ADI n. 1.075/DF).

10.6 Princípio Constitucional da Limitação ao Tráfego: Art. 150, V, da CF de 1988

É proibido à União, Estados-Membros, Distrito Federal e Municípios, estabelecer limitações ao

tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público.

É a chamada proibição de tributação incidente pelo mero traspasse das fronteiras dos Estados, Distrito Federal e Municípios.

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10.7 Princípio Constitucional da Uniformidade Tributária: Art. 151, I, da CF de 1988

É vedado à União instituir tributo que não seja uniforme em todo o território nacional ou que

implique distinção ou preferência em relação a Estado, ao Distrito Federal ou a Município, em detrimento de outro, admitida a concessão de incentivos fiscais destinados a promover o equilí- brio do desenvolvimento sócio econômico entre as diferentes regiões do país.

10.8 Princípio Constitucional do Art. 151, II, da CF de 1988

É proibida à União Federal tributar a renda das obrigações da dívida pública dos Estados, do

Distrito Federal e dos Municípios, bem como a remuneração e os proventos dos respectivos agentes públicos, em níveis superiores aos que fixar para suas obrigações e para seus agentes.

10.9 Princípio Constitucional do Art. 151, III, da CF de 1988

É vedado à União instituir isenções de tributos da competência dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.

O instituto da isenção tributária só pode ser utilizado pelo ente competente, que recebe a aptidão

legislativa plena para instituir ou majorar os tributos, proibindo-se a interferência da União Fede- ral na competência dos Estados, Distrito Federal e Municípios para isentar os respectivos tributos.

Esse princípio constitucional possui duas ressalvas.

A primeira relativa ao ISS, previsto no Art. 156, §3º, II, da CF de 1988, onde se permite que a

Lei Complementar em matéria de ISS possa outorgar isenções de serviços destinados ao exterior.

A segunda, vincula-se à possibilidade de Tratados e Convenções Internacionais sobre matéria

tributária concederem isenções de tributos estaduais e municipais, conforme entendimento do STF (ADI 1.600/UF).

10.10 Princípio Constitucional do Art. 152, da CF de 1988

É vedado aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer diferença tributária entre bens e serviços, de qualquer natureza, em razão de sua procedência ou destino.

45

Tópicos em Direito 1

10.11 Princípio Constitucional do § 5º do Art.

150, da CF de 1988

A lei determinará medidas para que os consumidores sejam esclarecidos acerca dos impostos

que incidam sobre mercadorias e serviços.

10.12 Princípio Constitucional do § 6º do Art.

150, da CF de 1988

É a previsão constitucional que impõe a estrita legalidade para qualquer subsídio ou isenção,

redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições.

Ou seja, para as matérias acima elencadas, a União, os Estados-Membros, Distrito Federal e Municípios deverão editar as leis específicas para concedê-las, regulando detalhadamente para cada tributo ou contribuição, sem prejuízo da edição de Convênios de ICMS (Art. 155, §2º, XII, Alínea “g”, regulados pelos Estados-Membros e Distrito Federal, conforme a Lei Complementar nº 24/1975).

10.13

Princípio do §7º do Art. 150, da CF de

1988

A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo

pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegu- rada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido.

É a previsão constitucional da Substituição Tributária para frente, ou seja, a Carta Magna auto- riza a cobrança de imposto ou contribuição do responsável tributário, antecipadamente à reali- zação do comportamento tributável do sujeito passivo.

11 Imunidades Tributárias

Norma constitucional demarcatória da competência tributária. É a impossibilidade da tributação de pessoas, bens, situações jurídicas resultantes da vontade da Constituição Federal.

Constitui-se a Imunidade como Direito Público Subjetivo do sujeito de direito beneficiado pela norma constitucional exonerativa.

A imunidade tributária significa a incompetência dos entes políticos no intuito de estabelecer a

obrigação tributária dos sujeitos de direito ou relações jurídicas imunes.

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A imunidade tributária é uma forma qualificada na Carta Magna de não-incidência por supres-

são do Poder de Tributar dos entes federativos.

A imunidade tributária impede a incidência da lei ordinária sobre tributação em face dos sujeitos

de direito imunes.

As imunidades tributárias atingem somente a obrigação tributária principal, o dever de pagar o tributo, ficando ao largo as obrigações acessórias, que significam os deveres instrumentais tribu- tários de fazer ou não fazer em face do cumprimento da obrigação tributária principal.

Ou seja, determinado contribuinte pode estar imune no tocante à obrigação de pagar o imposto sobre a renda, porém, deverá entregar a declaração de imposto de renda anual, visando ao

controle da fazenda pública, por meio da fiscalização tributária, do correto cumprimento da lei

e da Constituição.

11.1 Classificação das Imunidades

Quanto aos valores constitucionais consagrados e protegidos pela Carta Magna: Genéricas e Específicas. Imunidades genéricas são aquelas previstas no Inciso VI, do art. 150 da CF e atingem todas as pessoas políticas que compõem a federação brasileira em face dos valores constitucionais básicos, tais como a liberdade religiosa, o direito à informação. As imunidades específicas são aquelas restritas a um único tributo e servem a valores mais limitados e conve- niências especiais, tais como aquela prevista ao IPI nas operações com produtos industrializados destinados ao exterior.

Imunidades Objetivas e Subjetivas. Imunidades objetivas são aquelas concedidas em função

de determinados fatos, bens ou situações jurídicas. É claro que as relações jurídicas envolvem

sempre sujeitos de direitos, mas as imunidades objetivas não são outorgadas na Constituição em função do interesse e em prol da pessoa humana. Atingem diretamente o bem jurídico. É

o caso da imunidade dos livros, jornais e periódicos e os papéis destinados à sua impressão. As imunidades subjetivas são aquelas previstas em razão da condição de determinadas pessoas e de sua natureza jurídica, tal como a imunidade veiculada nos §§ 2º e 4º do art. 150 da CF.

Imunidades ontológicas e políticas. As imunidades ontológicas são aquelas decorrentes de princípios constitucionais tributários e que não podem ser suprimidas do texto da Constituição

pelo legislador constituinte derivado. Os exemplos dessa imunidade são a imunidade re- cíproca, decorrência lógica do princípio federativo e da autonomia dos entes políticos, como também da sua inerente falta de capacidade contributiva, assim como, também, as entidades de educação e de assistência social sem fins lucrativos.

As imunidades políticas, a seu turno, derivam de um valor constitucionalmente consagrado e decorrem da expressa manifestação do legislador constituinte de desonerar pessoas ou relações jurídicas do dever de cumprir com a obrigação tributária, podendo, inclusive, serem suprimidas do texto da Carta Magna, conforme o interesse do Constituinte Derivado, por Emendas à Cons-

tituição. Os exemplos são as imunidades de partidos políticos, das entidades sindicais dos trabalhadores, a imunidade dos livros, jornais, periódicos e do papel destinado à sua impressão.

47

Tópicos em Direito 1

11.2 Diferenças entre Imunidade e Isenção

A imunidade decorre do texto da Constituição. As isenções são decorrentes de previsão legal.

Na imunidade, não há o que se falar de existência de relação jurídica tributária, vez que a norma que imuniza impede o nascimento da obrigação tributária e o exercício da competência tributá- ria. As isenções retiram um dos elementos da regra-matriz de incidência tributária, definindo os contornos da obrigação tributária no plano legal.

As imunidades são interpretadas de maneira ampla e as isenções são interpretadas literalmente, conforme o inciso I, do art. 111 do CTN.

11.3 A Imunidade e as Espécies Tributárias

As imunidades tributárias são essencialmente aplicáveis aos impostos contidos no texto constitu- cional.

Mas a imunidade tributária atinge, também, as taxas, conforme o art. 5º., incisos XXXIV; LXXIII; LXXIV; LXXVI; e LXXVII, da CF. Art. 208 I, da CF. Art. 226, §1º. Art. 230, §2º.:

As imunidades de contribuição social e de intervenção no domínio econômico não incidirão so- bre as receitas decorrentes de exportação: Art. 149, §2º., Inciso I, da CF.

OBS (1): Não existem na Constituição imunidades específicas para as contribuições de melhoria

e empréstimos compulsórios.

OBS (2): Temos, ainda, Imunidades Específicas de determinados impostos, tais como:

Imunidade do ICMS na operação que destine combustível a outro Estado da Federação (art. 155, §2º, X, “b”, da CF);

Não incidência de ITBI sobre a transmissão de bens ou direitos incorporados ao patrimônio de pessoa jurídica (art. 156, §2, I, da CF);

A imunidade da transmissão de bens imóveis decorrentes de extinção de pessoa jurídica,

a não ser que o adquirente tenha como atividade preponderante a compra e venda e a

locação de imóveis ou o arrendamento mercantil em relação ao ITBI (art. 156, §2º, I, da CF);

A

não incidência de ITR sobre pequenas glebas rurais, assim definidas em lei, quando as

explore o proprietário que não possua outro imóvel (art. 153, §4º, II, da CF).

11.4 Imunidade recíproca: Art. 150, Inciso VI,

Alínea “a”, da CF de 1988

Os entes federativos não podem cobrar impostos uns dos outros. Respeito aos Princípios Fede- rativos e da Autonomia das Pessoas Políticas. Ausência de capacidade contributiva das pessoas políticas de direito público, eis que os recursos obtidos são exclusivamente destinados à presta- ção de serviços públicos que lhes incubem por expressa dicção da lei.

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As taxas, contribuições de melhoria e contribuições sociais não sofrem óbices de incidên- cia em face da imunidade recíproca.

A imunidade recíproca alcança o IGF; o ITR; o ITCMD; o IPVA; o IPTU; o ITBI; o IR; o ISS.

A imunidade das entidades políticas que compõem a federação brasileira alcança também o

Imposto de Importação, o Imposto de Exportação, o ICMS na Importação, o IPI na Importação

e o IOF.

Extensão de aplicação da Imunidade Recíproca: §2º do art. 150, da CF de 1988, ou seja,

os entes federativos não podem cobrar impostos das autarquias e das fundações instituídas e

mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados

a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes.

Autarquias são pessoas jurídicas de direito público, criadas por lei, com capacidade de autoad- ministração, para o desempenho de serviço público descentralizado, mediante controle adminis- trativo exercido nos limites da lei.

Às autarquias temos a aplicação da antiga Súmula nº 73, do STF: “A Imunidade das autarquias, implicitamente contida no Art. 31, V, ‘a’, da Constituição Federal, abrange tributos estaduais e municipais.”

As fundações públicas são pessoas jurídicas de direito público, integrantes da Administração Pública Indireta criada pelo Estado para a prestação de certos serviços públicos típicos, consis- tente num patrimônio público personalizado e regido por normas de direito público, afetado à consecução de um determinado fim público.

Nessa seara, temos a inclusão das autarquias de regime especial: agência executiva, agência reguladora e associação pública.

Agência executiva é uma autarquia ou fundação pública que celebra contrato de gestão com o respectivo ministério supervisor, com a finalidade de cumprir certos objetivos e metas no desem- penho de atividades estatais (Lei no. 9.649, de 27 de maio de 1998).

Agência reguladora é entidade de direito administrativo com alto grau de especialização técnica, integrante da Administração Pública, com a finalidade de regular um setor específico da ativi- dade econômica. Exemplos: Agência Nacional das Águas; Anatel; ANP; Agência Nacional de Aviação Civil; Agência Nacional de Energia Elétrica; ANTT; Agência Nacional de Saúde; Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Associação Pública é o consórcio público, como uma associação pública, com personalidade de direito público, conforme a previsão da legislação civil (Código Civil).

A parte final do parágrafo segundo do Art. 150, da CF de 1988, deixa evidente que o pa-

trimônio, renda e serviços imunes das autarquias e fundações mantidas pelo poder públi- co devem estar vinculados a sua finalidade essencial ou às delas decorrentes.

Nesse sentido, não se presta o patrimônio de uma autarquia, por exemplo, que não estando vinculado às finalidades essenciais da mesma, possa estar alcançado pela imunidade. Caso concreto da jurisprudência nós temos com o não alcance da imunidade aos terrenos baldios das autarquias (STF RE 98.382).

A imunidade recíproca não se aplica nos casos das entidades mencionadas efetuarem a

aquisição de bens sujeitos ao ICMS e ao IPI. As entidades imunes irão se sujeitar ao ICMS e ao IPI incidentes nas compras de mercadorias e produtos, eis que atuam na condição de consu- midoras finais arcando com os tributos incidentes nos preços dos respectivos bens.

49

Tópicos em Direito 1

Vigora na interpretação do STF sobre o assunto a interpretação de cunho formal, que não privi- legia o fenômeno da interpretação econômica, ficando sem valia a figura do contribuinte de fato na relação jurídico-tributária do ICMS e do IPI.

Observar a aplicação da Súmula nº 591 do STF: “A imunidade ou isenção tributária do compra - dor não se estende ao produtor, contribuinte do IPI”.

Exclusão da aplicação da Imunidade Recíproca, prevista no §3º do art. 150, da CF de 1988,

ou seja, os entes federativos podem cobrar impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a em- preendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário; não exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamen-

te ao bem imóvel.

Empresas públicas e sociedades de economia mista, a estas últimas se aplicando a antiga Súmu-

la 76 do Supremo Tribunal Federal, que consigna: As sociedades de economia mista não estão

protegidas pela imunidade fiscal do Art. 37, V, a, Constituição Federal.

Tomar cuidado com determinadas empresas públicas ou sociedades de economia mista que exer- cem funções típicas de estado ou prestam serviços públicos de caráter obrigatório e exclusivos do Estado, daquelas que puramente são instrumentos do Estado e de sua participação na economia, com caráter de monopólio estatal e com participação majoritária de capital estatal.

As empresas públicas que desenvolvem funções típicas de Estado e prestam serviços públicos de

caráter obrigatório estão imunes e temos como exemplo na jurisprudência do STF, RE 407.099,

a Empresa de Correios e Telégrafos (ECT), que desempenha atividade estatal, enquanto serviço

próprio da União, em regime de exclusividade, inclusive, quando também os correios realizam serviços não tipicamente postais, em regime de concorrência.

A imunidade da empresa de correios e telégrafos atinge o IPTU de seus prédios próprios, bem

como o ISS sobre os serviços prestados; em relação ao IPVA dos veículos que sejam utilizados

para a realização do serviço; o ICMS sobre o serviço de transporte.

Nas mesmas condições, temos a aplicação da imunidade à INFRAERO, conforme entendimento do STF, no RE-AgR 363.412.

Temos também os exemplos da Jurisprudência do STF nesse sentido:

CAERD. Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia. Sociedade de Economia Mista prestadora de serviços públicos de saneamento básico, abastecimento de água e esgotos sanitários. Ação Cautelar nº 1.550-2;

CODESP. Companhia das Docas do Estado de São Paulo. Sociedade de Economia Mista, que tem por missão executar serviços de administração de porto marítimo sob a reserva de monopólio estatal. RE 265.749;

Hospital Nossa Senhora da Conceição S. A. Sociedade de Economia Mista prestadora de serviços de saúde, com capital majoritariamente estatal. RE 580.264;

Casa da Moeda do Brasil. Empresa pública estatal, que exerce a prestação de serviços de emissão da moeda, enquanto atividade de monopólio estatal. RE 610.517.

As concessionárias do serviço público, que prestam serviços públicos remunerados por preços ou

tarifas submetem-se à tributação.

O promitente comprador de bem imóvel público não estará alcançado pela imunidade recíproca.

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Imunidade tributária dos cartórios e tabelionatos: agentes privados delegatários de serviços pú- blicos, visando ao lucro e são remunerados pelo Estado no exercício das suas funções em plena relação de mercado pelos serviços que prestam. Não estão abrangidos pela Imunidade. Posição majoritária do STF (ADIn nº 3.089).

Imunidade Tributária Recíproca é aplicada às embaixadas ou consulados. Ação Cível Originária

nº 1.473 do STF.

11.5 Imunidades

dos

templos

de

qualquer

culto: Art. 150, VI, b, da CF de 1988

O Estado brasileiro é laico e nesse sentido protege o exercício de manifestação de credos religio-

sos como ínsita característica do liberalismo político e preservação do Estado de Direito.

A imunidade tributária dos templos de qualquer culto é de Impostos, o que não afeta a

obrigatoriedade de pagamento de outros tributos, tais como as taxas, contribuições de

melhoria, contribuições sociais e empréstimos compulsórios.

O culto significa o prestígio à realização de valores transcendentais do ser humano de caráter

pacífico e realçando os bons costumes, restando vedada a imunidade de cultos de inspiração e instigação a violência física de qualquer natureza, inclusive, psíquica ou moral.

Está inserido aí o culto da fé cristã apostólica romana; o culto das igrejas pentecostais; o budis- mo; o xintoísmo; o espiritismo; a umbanda; o candomblé; a maçonaria.

Os limites de aplicação da imunidade dos templos estão previstos no §4º do art. 150, da CF, de 1988, compreendendo somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas.

Nesse sentido, não deve existir a incidência dos seguintes impostos aos templos de qualquer culto:

IPTU: sobre o prédio onde é realizado o culto; sobre a residência de propriedade do culto onde os membros do culto residem; sobre o local que se destina ao aprendizado da liturgia;

IPVA: sobre os veículos do culto utilizados no trabalho eclesiástico;

ITBI: incidente na aquisição pelo culto de imóveis destinados ao templo;

IR: incidente sobre a receita auferida dos dízimos e doações dos fiéis ou sobre as aplicações financeiras do templo;

IOF: incidente sobre as operações financeiras dos templos, que estejam ligadas às suas atividades essenciais;

ISS: incidente sobre todos os serviços religiosos.

O intérprete da imunidade deve tomar cuidado com a possibilidade de desoneração tributária

no momento em que os cultos exercem atividades ou são proprietários de bens, que não estejam

diretamente vinculados às suas finalidades essenciais, mas que indiretamente permitem

a obtenção de recursos para a manutenção de suas atividades.

51

Tópicos em Direito 1

Vigora nesse caso a interpretação ampliativa que leva em consideração o exercício de atividades correlatas das entidades “culto”, que permite a reversão de recursos para a manutenção de suas atividades.

Desse modo, dois critérios são relevantes. O primeiro implica a absorção de todos os recursos das atividades correlatas na manutenção das atividades do culto. O segundo critério implica a inexistência do exercício à livre concorrência.

Portanto, estão imunes ao IPTU os imóveis, ainda, que alugados a terceiros, dos templos de qualquer culto, desde que os recursos dos alugueres estejam absorvidos nas atividades essências

dos mesmos. Súmula 724 do STF.

Estão imunes do mesmo modo o exercício de atividades mercantis relacionados com o próprio culto, como por exemplo, a loja de venda de santinhos, imagens ou de todos os materiais neces- sários à realização do culto, estando nesse caso aplicada a imunidade do ICMS e IPI.

Como também a renda e o imóvel imunes ao IR e ao IPTU do estacionamento alugado a empresa terceirizada, explora a atividade econômica de estacionamento de veículos.

No tocante à imunidade de ICMS e IPI na condição de consumidor final, ocorre a incidência dos referidos impostos, eis que não importa a repercussão econômica dos mesmos e por conta do culto não ser submetido a incidência do ICMS e do IPI na condição de contribuinte do imposto.

Por último, temos a incidência dos impostos sobre o patrimônio, quando se tratar de imunidade relativa aos cemitérios que são de propriedade dos particulares e explorados pelos mesmos, exer- cendo atividade econômica regida pelo direito privado. Essa é a tese que vem prevalecendo no STF (RE 544.815), ainda pendente de julgamento final, com Voto Vista do Ministro Celso de Mello.

11.6 Imunidade do Art. 150, VI, Alínea “c”, da CF de 1988

Os entes federativos são proibidos de instituir impostos incidentes sobre patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalha- dores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei.

Os limites à aplicação da referida imunidade de impostos encontram-se na previsão do §3º, do art. 150, da CF, ou seja, os impostos não incidem somente se o patrimônio, a renda e os serviços estiverem relacionados com as finalidades essenciais nela mencionadas.

Nesse contexto, temos a imunidade de IPTU de imóvel pertencente à instituição de assistência social, que é utilizado para estacionamento de veículos e explorado economicamente, visando à manutenção de suas atividades essenciais.

Verificar a previsão da Súmula nº 724 do STF e o Enunciado da Súmula Vinculante nº 52, ambas do STF: Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. 150, VI, c, da Constituição, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades essenciais de tais entidades.

Temos a imunidade de IR sobre a renda da locação da área explorada pelo estacionamento de veículos pertencente a entidade imune.

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Temos a imunidade de IPTU sobre os imóveis locados a particular pela entidade imune, bem como em razão dos imóveis utilizados como escritório e residência de membros da entidade imune.

Devemos citar a circunstância de aplicação da imunidade quando as entidades imunes realizam

a venda de mercadorias e produtos, que não se submeterão ao IPI e ao ICMS.

Contudo, na condição de consumidores finais, deve ocorrer a incidência de ICMS e IPI, não atingindo da imunidade das entidades da alínea “c”, do inciso VI, do Art. 150, os contribuintes do IPI e do ICMS.

Do mesmo modo que a imunidade aplicável aos templos de qualquer culto, verificamos a presen- ça dos dois requisitos acerca da aplicação da imunidade dessas entidades: a) a prova de que os recursos foram utilizados nas atividades essenciais das respectivas entidades; e b) a inexistência que as atividades exercidas por tais entidades não são um prejuízo à livre concorrência.

Ocorrerá a normal exigibilidade de outros tributos, tais como as taxas, contribuições de melhoria, contribuições sociais e previdenciárias.

Contudo, deve-se tomar cuidado com as entidades beneficentes de assistência social, que tem a imunidade relativa ao §7º do art. 195, da Constituição Federal.

No tocante à imunidade dos partidos políticos, os mesmos devem ser registrados no Tribunal Superior Eleitoral, estando fora da regra imunizante os partidos políticos não registrados, es- trangeiros ou clandestinos, bem como aqueles que apregoam ideologias que não se esquadrem dentro do regime democrático e que não estejam inspirados no respeito aos direitos humanos encampados pela Constituição Federal de 1988.

As fundações mantidas pelos partidos políticos também estão atingidas pela imunidade, em re- lação ao seu patrimônio, renda e serviços.

Com relação à imunidade das entidades sindicais dos trabalhadores, estão desoneradas so- mente os sindicatos dos empregados, sejam eles de cunho estadual ou nacional, bem como as Federações e Confederações de trabalhadores, bem como as centrais sindicais, excluindo-se os

sindicatos patronais.

A imunidade das instituições de ensino e de educação envolve somente as entidades que de- senvolvem a proteção do ensino, em nome do Estado, desenvolvendo atividades de proteção à educação formal ou curricular, como escolas, universidades, faculdades, como também, as ins- tituições culturais que ainda não desenvolvam atividades de ensino, promovem a cultura, como as bibliotecas, centros de pesquisa, museus, teatros.

As instituições beneficentes de assistência social são aquelas que auxiliam o Estado no atendi- mento de direitos sociais tais como a saúde, a segurança, a maternidade, o trabalho, a moradia,

a assistência aos desamparados, sem fins lucrativos, como por exemplo, as ONGs, as organiza- ções sociais, as organizações da sociedade civil de interesse público (OSCIPs) etc.

São entidades privadas, submetidas ao direito privado, contudo, desenvolvendo atividades de interesse público, sem finalidade de lucro, realizando políticas assistencialistas em nome do Esta- do, pelo qual estão imunes aos impostos e contribuições sociais (art. 195, §7º, da CF).

Com relação às entidades fechadas de previdência privada ou fundos de pensão, que são aquelas cujos beneficiários geralmente são funcionários empregados de uma empresa ou grupo de empresas, não possuindo fins lucrativos e visam à complementação da aposen- tadoria do regime geral, por interpretação constitucional do STF (RE 115.970), as consi- dera imunes, desde que haja ausência de contraprestação aos beneficiários, conforme a Súmula 730.

53

Tópicos em Direito 1

Ou seja, as entidades de previdência fechada para serem imunes, tais quais as entidades bene- ficentes de assistência social, não podem ser custeadas pelos seus beneficiários, assumindo ple- namente o patrocinador ou financiador o pagamento das contribuições no lugar do empregado.

No mesmo rol das entidades imunes, vamos encontrar as entidades promotoras da integração ao mercado de trabalho, que cumprem uma das funções de assistência social, tais como as en- tidades do sistema S (SESI, SENAI, SENAC, SEBRAE) estão imunes em relação ao seu patrimônio, renda e serviços vinculados às suas atividades essenciais.

A Constituição de 1988 impõe limites à fruição das imunidades inerentes às entidades previstas

na

alínea “c” do, inciso VI, do Art. 150. São os limites do Art. 14 do CTN, bem como a previsão

de

que as entidades previstas devem se submeter à ideia de desenvolver suas atividades sem fins

lucrativos.

A condição sem fins lucrativos não indica que as referidas entidades são proibidas de obterem

lucro, mas que tais lucros sejam abusivamente distribuídos aos dirigentes ou administradores a ponto de caracterizar uma distribuição disfarçada de lucros.

Os dirigentes e administradores devem e podem ser remunerados; o que se veda é a apropria- ção do lucro dessas entidades de maneira abusiva e fora dos padrões de mercado, tudo isso em razão dos fins institucionais a que se submetem essas entidades.

O não cumprimento dos requisitos necessários contidos na Lei Complementar do CTN, em seu

Art. 14, determina a aplicação do Art. 32, da Lei nº 9.430/1996, pela suspensão da imunidade

tributária até que se faça o integral cumprimento da Lei Complementar.

11.7 Imunidades dos livros, jornais, periódicos e do papel destinado à sua impressão: Art. 150, Inciso VI, Alínea “d”, da CF de 1988

A referida imunidade é objetiva e alcança o livro, o jornal, os periódicos e o papel destinado à

sua impressão. Ou seja, a regra imunizante atinge os impostos que incidem sobre a circulação e

a produção desses bens e não alcança os impostos incidentes sobre o patrimônio, a renda e os serviços das empresas privadas que realizam a produção e a circulação desses bens.

A empresa jornalística não pagará o ICMS, o IPI, o II e IE sobre o livro, jornal e periódico ou o

papel destinado à sua impressão, mas deverá sofrer o ônus da tributação inerente ao IPVA dos

carros que por ventura realizam a distribuição do jornal, bem como o IPTU incidente sobre a sede

da

empresa jornalística ou editora.

O

livro será de base física e impresso, incluindo-se aí as apostilas e os manuais técnicos, despre-

zando-se os livros que não tenham finalidade de transmissão do pensamento, tais como o livro

de ponto, livro de bordo, livros fiscais, livro de atas.

Por outro lado, incluem-se na imunidade as partituras, o livro erótico, restando a jurisprudência

do STF por decidir sobre a possibilidade de extensão da imunidade aos livros eletrônicos, vincu-

lados em mídia digital, como por exemplo em CD ROM, que pode ser verificada a repercussão

geral no RE 416.579, desde 2012.

Com relação aos jornais, estão inclusos na imunidade de ISS em relação às propagandas feitas

e impressas nos jornais, como já decidido pelo STF (RE 87.049), não ocorrendo, a seu turno, a

54

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extensão da imunidade aos encartes de propaganda distribuídos conjuntamente com o jornal (RE

213.049).

Os periódicos envolvem todos os veículos de informação, até mesmo as revistas femininas, in- cluindo, as masculinas, inclusive, de conteúdo pornográfico.

Os calendários comerciais ficam excluídos da extensão da imunidade, pois não veiculam e nem transmitem pensamento ou informações de conteúdo cultural ou político.

Conforme entendimento do STF (RE 221.239), o álbum de figurinhas e os informativos semanais

e sequenciais formadores do livro de figurinhas estão abrangidos pela imunidade.

No mesmo sentido, temos a inclusão das listas telefônicas, porque cumprem importante papel de utilidade social (RE 101.441).

Extensão: maquinários e tintas. Súmula 657 do STF: A imunidade prevista no art. 150, VI, d, da CF abrange os filmes e papéis fotográficos necessários à publicação de jornais e periódicos.

11.8 Imunidade Musical: Art. 150, Inciso VI, Alínea “e”, da CF de 1988

Não incide impostos sobre fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil conten- do obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros, bem como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham, salvo na etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser.

A imunidade atinge a obra intelectual artística de som e imagem produzida no Brasil, seja veicu-

lada em CDs ou DVDs, e, nesse sentido, a imunidade é objetiva imunizando-se a incidência de ICMS sobre a circulação mercantil em face dessas mídias.

Não se aplica a Imunidade do IPI, contudo, na replicação industrial das mídias ópticas de leitura

a laser.

11.9 Imunidade do inciso III, do §3º, do Art.

153

Não incide o IPI sobre produtos industrializados destinados ao exterior.

11.10 Imunidade do inciso II, do §4º, do Art.

153

Não incidirá o ITR, impostos territorial rural, sobre pequenas glebas rurais, definidas em lei, quando as explore o proprietário que não possua outro imóvel.

55

Tópicos em Direito 1

11.11 Imunidade do Art. 155, §2º, Inciso X, Alíneas “a”, “b”, “c’ e “d”

O ICMS não incidirá:

a) Sobre operações que destinem mercadorias para o exterior, nem sobre serviços prestados a destinatários no exterior, assegurada a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores.

b) Sobre operações que destinem a outros estados do petróleo, inclusive lubrificantes, combustíveis líquidos e gasosos dele derivados, e energia elétrica.

c) Sobre o ouro, nas hipóteses definidas no art. 153, §5º.

d) Nas prestações de serviço de comunicação nas modalidades de radiodifusão sonora e de sons e imagens de recepção livre e gratuita.

11.12 Imunidade do inciso I, do §2º, do Art.

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Não incide o imposto sobre transmissão de bens imóveis entre vivos sobre a transmissão de bens

ou direitos incorporados ao patrimônio de pessoa jurídica em realização de capital, nem sobre a

transmissão de bens ou direitos decorrente de fusão, incorporação, cisão ou extinção de pessoa jurídica, salvo se, nesses casos, a atividade preponderante do adquirente for a compra e venda desses bens ou direitos, locação de bens imóveis ou arrendamento mercantil.

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