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FUNDAÇÃO UNIRG

UNIVERSIDADE UNIRG DE GURUPI

GABRIELLA NUNES CERQUEIRA


KELLY RIBEIRO MUNDIM
MICKAELLE BARBOSA DOS SANTOS
VITOR GONÇALVES ARAÚJO

SISTEMAS ESTRUTURAIS: PONTES PÊNSEIS OU SUSPENSAS

GURUPI – TO
FEVEREIRO DE 2019
GABRIELLA NUNES CERQUEIRA
KELLY RIBEIRO MUNDIM
MICKAELLE BARBOSA DOS SANTOS
VITOR GONÇALVES ARAÚJO

SISTEMAS ESTRUTURAIS: PONTES PÊNSEIS OU SUSPENSAS

Trabalho apresentado para obtenção de nota parcial na


disciplina de Pontes e Viadutos, ministrada pelo
professor Antônio Parreira de Vasconcelos Neto, do
Curso de Engenharia Civil da Universidade de Gurupi
Unirg.

GURUPI – TO
FEVEREIRO DE 2019
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO

A seleção dos assuntos a desenvolver reduz-se quando se aborda um determinado tipo


de ponte. Existem, resumidamente, cinco principais tipos de pontes: as pontes em viga, as
pontes em arco, as pontes suspensas e as atirantadas e, finalmente, as pontes do tipo stress
ribbon. Todas elas possuem detalhes específicos que permitem a sua adaptação a meios e a
condições distintas.

Segundo Serafim (2014) as pontes suspensas são das estruturas mais antigas de que há
registro na história. A sua utilidade nasceu muito provavelmente da observação do meio natural
e da experimentação, levando assim a que o seu desenvolvimento nos dias de hoje seja de
grande importância. Embora muitas destas estruturas tenham sido erguidas de uma forma
trabalhosa e sem grande conhecimento científico, foi no século XVIII que se deu o maior
desenvolvimento destas.

A principal característica das pontes pênseis é sua sustentação por meio de pendurais
apoiados em cabos de aço ou barras articuladas, estendidos em curva, apoiados sobre torres e
ancoradas nas extremidades em rochas ou blocos maciços de concreto. Nessas pontes, é
necessária a utilização de vigas de rigidez para evitar oscilações verticais do tabuleiro, sendo
as preferidas para vãos maiores que 600 metros. No entanto, também são construídas com vãos
menores. (OLIVEIRA, 2012).

No presente trabalho, o tipo estrutural analisado é a ponte suspensa ou conhecida como


ponte pênsil. Nesta, os elementos exclusivos são os cabos suspensos. São estes que mais
contribuem para o suporte da estrutura, dado que possuem um comportamento particular,
altamente não linear. Mas esta possui como componentes estruturais as vigas treliçadas, cabos
principais, torres principais, pendurais e ancoragens.

O objetivo deste trabalho acadêmico é apresentar os sistemas estruturais e processo


construtivo utilizados nas pontes suspensas, exemplos destas pontes pelo mundo e as normas
utilizadas para a execução e projeto.
2 OBJETIVOS

2.1 OBJETIVO GERAL

3 NORMAS TÉCNICAS
Para projetar e executar pontes deve-se seguir algumas normas técnicas pertinentes,
sendo atendidas essas normas e recomendações de projeto, execução e manutenção, espera-se
que a vida útil de uma ponte seja superior a 50 anos.

Devem ser tomados cuidados especiais quanto aos elementos com vida útil inferior ao
da obra em si, tais como aparelhos de apoio, sistemas de captação e drenagem pluvial,
pavimentação e juntas de dilatação. Cuidados excepcionais podem estender a avida útil de uma
obra a mais de 100 anos.

3.1 Normas brasileiras pertinentes

• NBR 7187: Projeto de pontes de concreto armado e de concreto protendido;


• NBR 6118: Projeto de estruturas de concreto;
• NBR 9062: Projeto e execução de estruturas de concreto pré-moldado;
• NBR 7188: Carga móvel em ponte rodoviária e passarela de pedestre;
• NBR 7189: Cargas móveis para projeto estrutural de obras ferroviárias;
• NBR 6122: Projeto e execução de fundações;
• NBR 6123: Forças devidas ao vento em edificações;
• NBR 8681: Ações e segurança nas estruturas;
• NBR 7480: Barras e fios de aço destinados a armaduras para concreto armado;
• NBR 7482: Fios de aço para concreto protendido;
• NBR 7483: Cordoalhas de aço para concreto protendido.

3.2 Normas e Códigos internacionais

Nos casos de inexistência de normas brasileiras relacionadas ao assunto, ou quando


estas forem omissas, geralmente, mediante autorização do órgão competente, é permitida a
utilização de normas estrangeiras. Entre as principais normas e códigos internacionais, para
obras de concreto armado ou protendido, podem ser citadas:

• CEB/FIP – Comité Euro-international du Béton/Fédération Internationale de la


Precontrainte. CEB-FIP Model Code 1990;
• ACI – American Concrete Institute. Building Code Requirements for Structural
Concrete and Commentary (ACI 318RM-99);
• ACI – American Concrete Institute. Analysis and Design of Reinforced Concrete Bridge
Structures (ACI 343R-95);
• DIN – Deutsches Institut für Normung. Concrete and Reinforced Concrete; Design and
Construction (DIN 1045);
• DIN – Deutsches Institut für Normung. Concrete Bridges; Dimensioning and
Construction (DIN 1075);
• AASHTO – American Association of State Highway and Transportation Officials.
Standard Specification for the Design of Highway Bridges.

Inspeções periódicas

Para se realizar um projeto para a construção de pontes deve-se seguir as normas, mas
após a finalização tanto do projeto como a sua execução é necessário inspeções periódicas da
obra.

De acordo com Oliveira (2012) nas pontes pênseis, algumas com idade de 100 anos
aproximadamente, são necessárias inspeções periódicas para verificação de anomalias. As mais
comuns são causadas por corrosão dos elementos metálicos que podem comprometer a
segurança estrutural.

Para evitar problemas desse tipo, é recomendável a realização de inspeções periódicas


visando a conservação da obra, observando-se tanto as anomalias causadas por corrosão como
aquelas ocasionadas por impactos de veículos e trânsito com carga excessiva.

4 PONTE SUSPENSA OU PÊNSIL


As pontes suspensas, atualmente, possuem estruturas de suporte que permitem o
vencimento dos maiores vãos, sendo os cabos de aço suspensos seus elementos principais. As
primeiras pontes suspensas surgiram nos anos 100 D.C., as atuais têm origem nas primeiras
pontes Incas entre os séculos XV à XVI, construídas em corda e de uso exclusivamente pedonal.
(BOTELHO, 2008)

Os elementos fundamentais das pontes suspensas são os pilares, o tabuleiro e os cabos.


O modelo da suspensão de cabos, aplicado aos tabuleiros suspensos modernos, foi desenvolvido
no século XIX. Atualmente os cabos são constituídos por inúmeros cordões formados por
arames de aço compactamente agregados, que conferem uma enorme resistência à tração.

Os pilares apoiam os cabos a partir do respectivo topo e estes suportam o tabuleiro até
atingirem o próximo pilar ou um suporte ancorado no solo. Entre dois pilares, o cabo descreve
uma trajetória correspondente a aproximadamente uma catenária.

A partir dele, numerosos pendurais fazem a ligação vertical com os vários segmentos
do tabuleiro, estabelecendo-se assim uma transmissão de esforços deste para o cabo e
posteriormente para os pilares, ou para as ancoragens no solo. Deste modo o tabuleiro fica
suspenso em todo o seu comprimento e submetido a esforços mais reduzidos absorvidos pelo
cabo, o que permite torná-lo mais delgado.

Contudo, é pertinente uma análise exaustiva aos efeitos do vento, que poderão tornar
o tabuleiro flexível muito instável. Rigidez é algo que os tabuleiros muito delgados necessitam
através de sistemas auxiliares.

Segundo Brito (2013) o emprego de cabos e tirantes, ou pendurais, de aço de alta


resistência à tração conduz a uma estrutura econômica, principalmente quando o peso próprio
se torna importante, como nas pontes de grandes vãos.

4.1 Componentes estruturais de pontes suspensas

As pontes suspensas são geralmente constituídas por diversos tipos de componentes


estruturais. Os seguintes elementos são igualmente importantes para a estabilidade e
funcionalidade das pontes:
• Vigas treliçadas: Elementos longitudinais contraventados transversalmente que servem
como suporte e distribuem as cargas provenientes de veículos. Servem como elementos
integrantes do sistema lateral, assegurando a estabilidade aerodinâmica da estrutura;
• Cabos principais: Um grupo de fios paralelos que suportam as vigas treliçadas,
transferindo as suas cargas para as torres principais, servindo também como elementos
estabilizadores da estrutura;
• Torres principais: Elementos intermediários entre a Superestrutura e a fundação.
Suportam os cabos e transferem os seus carregamentos para a fundação;
• Pendurais: Elementos intermediários entre a viga treliçada e o cabo. Fazem a passagem
entre a carga que é absorvida pelas vigas e a carga que é absorvida pelo cabo;
• Ancoragens: Blocos de betão, que ancoram os cabos principais. Servindo por isso como
apoios finais de uma ponte; Estes elementos podem ser observados na Figura 2.8, onde
é possível perceber a sua distribuição e localização.

4.1.1 Vigas Treliçadas

As vigas treliçadas são elementos longitudinais ou contraventados transversalmente


que distribuem as cargas entre os cabos e as torres. Eram os tipos de tabuleiro mais aplicados
em pontes suspensas, pois revelaram-se soluções cujas rigidez de flexão e torção se adequavam
mais a suspensão por cabos. (SERAFIM, 2014)

Esta seção é constituída por quatro barras unidas por diagonais que formam um caixão.
O fato deste tipo de solução estrutural ser mais vantajoso quando se trata de uma ponte suspensa
deve-se à contribuição no aero dinamismo dos elementos, levando a que ventos fortes possam
atravessar toda a seção da estrutura. Se não fossem adotadas estas soluções, a estrutura poderia
sofrer oscilações por causa do vento, levando-a a deformar-se e atingindo modos de vibração
que podem causar danos estruturais graves ou mesmo o colapso.

Figura 1: Tipos Básicos de Tabuleiros

Fonte: (SERAFIM, 2014)


4.1.2 Cabos Principais

Os cabos de metal constituídos por cobre ou bronze. Hoje em dia, um cabo é


considerado qualquer membro flexível, ou seja, qualquer elemento que apenas funcione à
tração. A maioria dos cabos utilizados em pontes suspensas até ao século XIX consistiam em
perfis metálicos ligados por cavilhas.

A partir do século XIX estes foram substituídos por fios galvanizados e fabricados a
frio. Estes são os que hoje em dia são os mais utilizados no mundo, sendo que os fios são
geralmente agrupados paralelamente de forma a formarem cabos. Estes fios possuem uma
variante, introduzida em 1990, designada de “New PWS Cable”. A grande diferença entre o
PWS e o New PWS Cable é que no último método os fios são dispostos para que, quando o
cabo é sujeito a tensões axiais este fique compactado, levando a uma menor deformação do
cabo.

Tabela 1: Tipos mais usuais de seções transversais de cabos

NOME FORMA DA SEÇÃO ESTRUTURA

Parallel Wire Strand Os fios estão juntos de forma


hexagonal e de forma paralela

Strand Rope Seis grupos formados por grupos de


fios circundam um grupo central

Spiral Rope Fios estão aplicados em várias


camadas

Locked Coil Rope Fios deformados são utilizados para


as camadas exteriores da corda
espiral
Fonte: (Adaptado por Serafim, 2014)
4.1.3 Torres

Geralmente, a configuração das torres assume a forma de portais. Para que elas sejam
econômicas, a sua dimensão em altura tem que ser reduzida, sendo definida pela mínima largura
que mantenha a estabilidade da estrutura. Por sua vez, a altura é influenciada pela deformação
que o cabo irá sofrer devido ao seu peso próprio, ou seja, a configuração que o cabo irá assumir
quando sujeito a toda a carga permanente. Na direção longitudinal as torres podem ser
classificadas como rígidas, flexíveis ou locking Towers.

Figura 2: Torres direção longitudinal.

Fonte: (SERAFIM, 2014)

As torres flexíveis são geralmente associadas a pontes com vãos muito longos. Já as
torres rígidas são as mais comuns em pontes com vários tramos e as locking Towers em pontes
com pequenos vãos. Na direção transversal as torres são geralmente classificadas como portais
ou torres treliçadas diagonalmente, podendo também existir uma combinação entre os dois tipos
de torre.

Figura 3: Torres direção transversal.

Fonte: (SERAFIM, 2014)


4.2 EXEMPLOS DE PONTES SUSPENSAS OU PÊNSIL

4.2.1 Ponte de Brooklyn

Na era moderna, a tecnologia impulsionadora das pontes suspensas foi a utilizada na


ponte de Brooklyn sobre o Rio East, em Nova Iorque. Construída em aço, em 1869, com 486m
de vão principal e 1.834m de comprimento, foi considerada até 1903 a ponte com maior vão
suspenso. Foi posteriormente suplantada, neste detalhe, pela ponte de Williamsburg, com
488m. (BOTELHO, 2008).

A ponte de Brooklyn possui uma característica particular: o sistema de suspensão do


tabuleiro é do tipo combinado, ou seja, é suspensa por cabos e atirantada simultaneamente. Este
sistema introduz rigidez no sistema e foi escolhido devido ao colapso da ponte suspensa sobre
o rio Ohio, em Whelling, provocado pelo vento e pelo défice da referida rigidez. Além disso
possui quatro planos de cabos que suportam 2 tabuleiros adjacentes.

Esta ponte, construída pelo engenheiro Jonh A. Roebling, revelou-se bastante sólida
pois os tirantes conferiam-lhe uma significativa rigidez. De acordo com Botelho (2008) “A
capacidade de suporte apenas dos tirantes, é de 15000 toneladas, suficiente para suportar a parte
superior do tabuleiro. Caso os tirantes sejam removidos a ponte poderá fletir, mas não cairá.”

Figura 4: Imagem da Ponte do Brooklyn

Fonte: https://lovingnewyork.com.br/ponte-do-brooklyn / (2017).


4.2.2 Ponte Tacoma Narrows

Segundo estudos obtidos por Cavalcanti (2015) no dia 7 de novembro de 1940, ocorreu
o colapso a Ponte Tacoma Narrows, a ressonância mecânica, despertada pelo vento que soprava
a uma velocidade próxima dos 68 km/h. A ponte oscilou em modo de torção durante cerca de
uma hora. A capacidade dúctil da ponte evitou que houvesse vítimas mortais, mas às 11h do
mesmo dia a ponte colapsou e caiu sobre o rio.

A partir deste dia, estudos dinâmicos e aerodinâmicos passaram a ser imprescindíveis


na construção das pontes suspensas. Com base nos referidos estudos foram analisados os efeitos
que até então não tinham sido suficientemente investigados e que provocaram este desastre.
Posteriormente, foi construída uma segunda ponte Tacoma Narrows em 1950, com alterações
que corrigiram fundamentalmente a rigidez do tabuleiro (a espessura aumentou de 2.4m para
10m), tornando remota a possibilidade de instabilidade dinâmica.

Figura 5: Colapso da Ponte Tacoma Narrows

Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/aprendendo-com-os-erros-2qi1yqyf1dyx0jxc2nhqxhvm6/
(2010).
Figura 6: Ponte Tacoma Narrows atualmente

Fonte: https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/fisica/ponte-tacoma-narrows.htm

4.2.3 Pontes que marcaram a história da engenharia

Além destes casos notáveis outros apareceram mais recentemente, que evidenciam a
significativa capacidade de suporte do tipo estrutural de suspensão por cabos. É possível referir
alguns nomes, a título de exemplo, de algumas pontes que marcaram a história da engenharia
civil: a ponte Golden Gate (vão central de 1280m, construída em 1937 nos Estados Unidos), a
ponte Verrazano-Narrows (vão central de 1298m, construída em 1964 nos Estados Unidos), a
ponte Tsing Ma Bridge (vão maior de 1377m, construída em 1997 na China), a ponte 25 de
Abril (vão central de 1013m, construída em 1966 em Portugal) e finalmente a ponte com maior
vão do mundo atualmente, a ponte Akashi-Kaikyo (vão central de 1991m, construída em 1998
no Japão).
CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRITO, E. L. Dimensionamento dos elementos da superestrutura de uma ponte em arco


triarticulado de madeira sob a ótica do projeto de revisão da NBR 7190 de 2011. 2013.
301f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Edificações e Ambiental) – Faculdade de
Arquitetura e Tecnologia Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Edificações e
Ambiental. Cuiabá. 2013.

BOTELHO, J.D.R. Utilização de cabos em pontes: Estudos paramétricos. 2008. 174f.


Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil – Especialização em Estruturas) – Faculdade de
Engenharia da Universidade do Porto. Porto. Portugal. 2008.

CAVALCANTI, B. Ponte Tacoma Narrows, 1940: um estudo dos efeitos não-lineares. 2015.
Disponível em: <http://www.astropt.org/2015/04/06/ponte-tacoma-narrows-1940-um-estudo-
dos-efeitos-nao-lineares/>. Acesso em: 21 de fevereiro de 2019.

FERREIRA, T. Aprendendo com os erros. Disponível em:


<https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/aprendendo-com-os-erros-
2qi1yqyf1dyx0jxc2nhqxhvm6/>. Acesso em: 20 de fevereiro de 2019.

OLIVEIRA, I. L. Soluções inovadoras: pênseis e estaiadas. Notícias da Construção, v.9, n.112,


jun., 2012.

SERAFIM, J.P.M. Métodos simplificados para o pré-dimensionamento de Pontes


Suspensas. 2014. 168f. Dissertação (Mestrado em engenharia Civil – Perfil Estruturas) –
Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. Lisboa. 2014.

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