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29/01/2019 Aula 05 - Sistema Monetário e Política Monetária - Documentos Google

Economia

Sistema Monetário e Política Monetária

SISTEMA MONETÁRIO

O Sistema Bancário (ou Monetário) é composto pelo Banco Central e pelos


Bancos Comerciais. São eles os responsáveis por criar moeda.
O Banco Central é a autoridade monetária executora da política monetária
e cambial de um país. No Brasil, até 1987, o Banco do Brasil e o Bacen dividiam as
funções de autoridade monetária, o que permitia, via “conta-movimento”, que as
políticas públicas fossem financiadas por emissão monetária de forma
descontrolada, colaborando para a inflação. A partir de março de 1987 a função de
autoridade monetária ficou centralizada no Bacen e o BB se tornou apenas um
banco comercial comum.

FUNÇÕES DO BANCO CENTRAL:


- Emissão papel-moeda: o Bacen possui o monopólio na emissão de
moeda, dentro dos limites estabelecidos pelo CMN;
- Banco do Governo: As disponibilidades do governo são mantidas no
Banco Central e movimentadas por ele;

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- Depositário das reservas internacionais: o Bacen é responsável pela


administração das reservas cambiais e detém o monopólio do câmbio.
- Banco dos Bancos: para manter a estabilidade do sistema financeiro, o
Bacen controla e fiscaliza os bancos comerciais, mantendo as suas reservas
compulsórias e sendo um emprestador de última instância, visando garantir liquidez
ao sistema em casos de necessidade imediata;

MOEDA FIDUCIÁRIA
É o chamado papel-moeda (cédulas e moedas metálicas). Tem seu curso
forçado por lei e não possui lastro em nenhum ativo como ouro ou reservas
internacionais. Seu valor advém da confiança dos agentes na sua validade e no
compromisso do Banco Central com seu valor. Só pode ser criada pelo Banco
Central.

MOEDA ESCRITURAL
São os depósitos à vista nos bancos comerciais. Quando se efetua um
depósito à vista, o cliente comercial do banco recebe um comprovante, um extrato,
um contrato que garante a existência de um saldo em conta corrente. Isso não quer
dizer que o banco mantenha guardada a exata soma de todos os depósitos à vista
nele realizados, mas cada cliente tem o direito de sacar seu saldo imediatamente
quando quiser. Pode ser criada pelos bancos comerciais.

FUNÇÕES DA MOEDA:
- Realização de trocas: para não ser necessário o escambo, que seriam as
trocas diretas, a moeda permite que as aquisições sejam feitas sem a necessidade
de se compatibilizar interesses;
- Unidade de conta: ter as mercadorias expressas todas na mesma unidade
de contagem permite a existência de valores de referência e o equilíbrio do
mercado;

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- Reserva de valor: a manutenção da posse da moeda permite que o


indivíduo guarde riqueza para um momento posterior, coisa que nem sempre seria
possível se as trocas fossem sempre realizadas com mercadorias.

Como os bancos comerciais criam moeda escritural?


Os bancos comerciais criam moeda escritural quando emprestam a seus
clientes.
Estes bancos comerciais recebem os depósitos à vista, que estão sempre
disponíveis aos clientes, porém, os bancos sabem que os clientes não irão retirar
todos os seus saldos ao mesmo tempo. Sendo assim, os bancos precisam manter
somente uma reserva para fazer frente aos saques desejados, e emprestam o
restante ao público.
Quem recebe o empréstimo também realiza depósito à vista dos valores, e
permite que o banco continue este processo de criação de moeda, aumentando a
quantidade de meios de pagamentos disponíveis na economia.

Exemplo: Depósito inicial de R$ 100,00 no único banco existente. Reserva


(r) de 20%.
t = 0; Total = 100 Empresta-se = 80 Reserva = 20
t = 1; Total = 180 Empresta-se = 64 Reserva = 16
t = 2; Total = 244 Empresta-se = 51,20 Reserva = 12,80
(...)
Ao final, o valor total disponível para consumo será a soma de uma PG
infinita onde a razão é q = 0,8. Dessa forma, o valor do Multiplicador Bancário (não
confundir com o multiplicador monetário que será visto adiante) pode ser dado por:

Para o caso,

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1 1
Mb = (1−0,8)
= 0,2
=5

Portanto, ao final, haverá um total de 5 x 100 = R$ 500,00 em meios de


pagamento devido à atuação deste banco. Nota-se que são R$ 100,00 da chamada
moeda fiduciária inicial e mais R$ 400,00 da chamada moeda escritural.

DEPÓSITOS COMPULSÓRIOS:
A fim de manter a saúde do sistema monetário e financeiro, evitando assim
que os bancos comerciais emprestem parcela muito grande dos depósitos à vista,
tornando o risco de falta de liquidez significativo, o Banco Central estabelece uma
taxa chamada de compulsório (ou depósitos compulsórios) que é uma
porcentagem dos valores de depósitos à vista que deve necessariamente ser
colocada em reservas a fim de possibilitar aos bancos comerciais cobrirem todos os
saques das contas de depósitos à vista sem que haja problema de liquidez, pois
isso poderia comprometer todo o sistema.

A profecia autorrealizável
Em função disposto acima, sabe-se que os bancos não possuem saldos em
caixa disponíveis para cobrir os saques integrais de todas os depósitos à vista neles
realizados. Porém, vimos que não é preciso manter 100% deste saldo em caixa,
uma vez que nem todos os clientes desejam resgatar seus saldos integralmente e
de uma única vez.
No entanto, mesmo um banco saudável e sólido pode falir facilmente. Basta
que algum boato ou notícia anuncie que o banco está falindo, mesmo que ele não
esteja de fato, que se iniciará uma corrida entre seus clientes para resgatar seus
saldos neste banco, antes que ele supostamente fique sem dinheiro para todo
mundo. Por conta disso, o banco que estava estável, e sem problemas, começará a
enfrentar problemas de liquidez, pois uma notícia falsa de falta de recursos em
caixa, desencadeou uma procura muito alta por saques neste banco, fazendo com
que ele passe a enfrentar a falta de liquidez anunciada. Isto é que chamamos de

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Profecia Autorrealizável. Apesar do medo que ela pode causar, vale aqui destacar
que o sistema de regulação do Bacen possui mecanismos para lidar com este tipo
de situação, inclusive fechando todo o mercado se for necessário, até que os
ânimos se acalmem e tudo volte ao normal.

MEIOS DE PAGAMENTOS
São todo o passivo monetário de todo o sistema bancário, totalizando todo
montante disponível para a realização de trocas. É composto pela moeda fiduciária
e pela moeda escritural.

Papel-Moeda em Circulação (PMC): é todo o papel-moeda emitido (PME)


pela autoridade monetária (Banco Central) subtraído do seu caixa. No Brasil, não
existe mais caixa da autoridade monetária, ou seja, dinheiro emitido mas que não foi
colocado em circulação, logo, PMC = PME. Este montante também pode ser
chamado de Base Monetária (B);
Obs: A Base Monetária é o chamado passivo monetário do Banco Central

Papel-Moeda em Poder do Público (PMPP): é todo o PMC [ou Base


Monetária (B)] menos os caixas dos bancos comerciais, ou seja,

PMPP = B – ET, onde:

ET: são os chamados Encaixes Totais (Incluem os valores nos caixas dos
bancos e suas reservas compulsórias e voluntárias no Banco Central).

Além disso, tem-se também que:

M = PMPP + DVBC

Ou seja, o estoque de meios disponíveis para realizar transações (M) é


composto pelo papel moeda em poder do público (PMPP) e os saldos de depósitos

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à vista que possuem liquidez imediata (DVBC). Pensem o seguinte, todos nós
podemos pagar qualquer coisa (abstraindo o cartão de crédito), com o dinheiro que
temos

Obs.1: Depósito à vista significa depósito em conta corrente.


Obs.2: Pensem nas compras a débito. Mesmo sem o dinheiro no bolso
(PMPP), é possível realizar comprar com transferência imediata de valores
presentes na sua conta corrente (DVBC).

MULTIPLICADOR MONETÁRIO
Como os meios de pagamentos (M) estão relacionados à base monetária
(B), é possível encontrar uma relação entre esses dois agregados monetários.
Sabe-se que:
B = PMPP + ET; e
M = PMPP + DVBC.
Podemos escrever M como duas parcelas:
M = c.M + dM, onde

Por fim, chamemos de r a relação entre aquilo que o banco mantém em


reservas e em caixa (ET) e o que é depositado em conta corrente nos bancos
(DVBC):
ET
r= DV BC

Queremos encontrar o multiplicador monetário m, tal que M = m.B

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O que a fórmula do multiplicador monetário nos diz?


- Quando se aumenta o valor de ‘d’, ou seja, quanto maior a parcela dos
meios de pagamentos estiver sob a forma de depósitos à vista, maior a quantidade
de meios de pagamento disponíveis. Isso ocorre porque com mais depósitos os
bancos podem criar mais moeda escritural.
- Quando se aumenta o valor de ‘r’, ou seja, quanto maior a parcela dos
depósitos à vista que ficar retida sob a forma de reservas (em caixa ou no Banco
central sob a forma de reservas compulsórias ou voluntárias), menos os bancos
possuem haveres disponíveis para emprestar e criar moeda escritural, gerando
menor volume de meios de pagamento.

INSTRUMENTOS DE POLÍTICA MONETÁRIA:


Os instrumentos de política monetária são os dispositivos que o Bacen usa
aumentar ou reduzir a quantidade de moeda na economia. Quando se reduz ou
aumenta a quantidade de moeda na economia, pode-se interferir na demanda
agregada, bem como no índice geral de preços da economia, conforme teorias que
serão vistas em aulas futuras.
Os principais instrumentos de política monetária, são:

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- Taxa de recolhimento compulsório: parcela mínima exigida pela


autoridade monetária que deve ser recolhida ao Banco Central a fim de fazer frente
a dificuldades de liquidez do banco comercial. Quando a taxa de compulsório
aumenta, aumenta o valor de ‘r’ na fórmula do multiplicador monetário, gerando ‘m’
menor e, portanto, menor quantidade de meios de pagamentos M. O inverso
também é verdadeiro;
- Redesconto: é o valor da taxa de juros cobrada pelo Banco Central para
realizar empréstimos de liquidez a bancos comerciais. Dessa forma, quanto maior
for a taxa de redesconto, menos propenso estará o banco a emprestar uma grande
parcela dos depósitos à vista sob pena de sofrer com falta de liquidez e necessitar
recorrer ao redesconto. Portanto, ao aumentar a taxa cobrada no redesconto, o
Bacen diminui os meios de pagamentos pois menos moeda escritural será criada (O
efeito é de aumentar o valor de ‘r’);
- Operações de mercado aberto: como são operações mais complexas,
iremos tratar delas num tópico a elas dedicado, logo abaixo.

OPERAÇÕES DE MERCADO ABERTO (OPEN MARKET)


O Banco Central utiliza-se dos títulos públicos em sua posse e do seu poder
de emitir moeda para aumentar ou diminuir a base monetária. Como M = m.B, se
alterarmos B, alteramos também M.
1. Se o Bacen compra títulos no mercado ele injeta mais papel-moeda na
economia, aumenta a Base Monetária e, por conseguinte, os meios de pagamentos;

2. Se o Bacen vende títulos no mercado ele retira papel-moeda de


circulação, diminui a Base Monetária e, por conseguinte, os meios de pagamentos;

Resumo sobre Destruição ou Criação de Meios de Pagamentos:


As transações para criarem ou destruírem meios de pagamentos devem
necessariamente satisfazes a duas condições:
- Serem realizadas entre o setor bancário (Bacen e bancos comerciais e o
setor não-bancário (público);

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- Envolver a troca de um haver monetário por um haver não-monetário;


Exemplos:
Alteram os meios de pagamento: mais/menos depósitos em poupança,
compra de títulos públicos pelo Bacen ou pelos bancos, empréstimos ou
amortização de empréstimos, pagamento financiado por emissão de moeda pelo
Bacen;
Não alteram os meios de pagamentos: compras no mercado regular,
operações de bancos com o Bacen, operações interbancárias, negociação de títulos
entre o público.

OFERTA E DEMANDA DE MOEDA


Já vimos três funções da moeda, quais sejam, transações, reserva de valor
(precaução) e unidade de conta. Soma-se a elas mais uma, a de especulação, ou
seja, ganhar sobre a sua (des)valorização.

Para os economistas clássicos, a demanda por moeda (L) estaria ligada


somente à necessidade de se realizar transações.
Já para os Keynesianos, a demanda de moeda teria dois comportamentos:
- Seria crescente com a Renda (Y): com aumento da renda, aumentam as
transações, sendo necessária mais moeda para realizar estas trocas (Demanda
para transações);
- Seria decrescente com os juros (r): com o aumento dos juros, aumenta o
custo de oportunidade de se reter moeda em vez de receber os juros decorrentes da
sua aplicação (Demanda para especulação).

Obs: ressalte-se que o comportamento dos indivíduos é pela preferência


por liquidez, ou seja, as pessoas tendem a preferir a moeda, a menos que haja
remuneração satisfatória para seus haveres monetários.

Quanto à Oferta de Moeda (M), vimos que a autoridade monetária possui o


controle desse agregado. Por meio da política monetária (taxa de redesconto,

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compulsórios, emissão de moeda, etc.), o Banco Central pode controlar a Base


Monetária (B) e o estoque de Meios de Pagamento (M), de tal sorte que a Oferta de
Moeda (M) é tida como constante e é considerada uma variável exógena:

OFERTA E DEMANDA REAL POR MOEDA


Vimos que a oferta de moeda é determinada pelo Bacen e a demanda
depende dos juros e da renda. No entanto, é preciso considerar o nível de preços
quando pensarmos no equilíbrio.
Imagine que a renda e os juros permaneçam constantes. Caso haja um
aumento do nível de preços (P) a oferta de moeda (M), que é constante, não
conseguirá mais fazer frente à demanda (L), pois as mesmas transações
demandarão mais moeda para serem realizadas.
Com base nesse problema, surge o conceito de Oferta e Demanda por
encaixes reais, ou seja, oferta e demanda de poder de compra. Na prática,
continuam sendo usados os termos oferta e demanda por moeda, porém a notação
muda, e passamos a representar a oferta de moeda por M/P e a demanda por
moeda por L/P.

EQUILÍBRIO NO MERCADO MONETÁRIO:


Como em todo mercado, o equilíbrio ocorre quando a oferta se iguala à
demanda. De forma análoga ao que ocorre no mercado de bens, onde o preço
define a maior ou menor oferta e demanda, aqui os juros fazem o papel de
mecanismo regulador que propiciará o equilíbrio. Em verdade, os juros são o “preço”
da moeda.
Dada a oferta de moeda (M/P) constante, tem-se que com:
- Juros altos: a demanda por moeda (L/P) é baixa e haverá um excesso de
oferta (M/P), pois esta é constante, fazendo com que os juros caiam a fim de obter
novo equilíbrio incentivando a demanda;
- Juros baixos: a demanda por moeda (L/P) é alta e haverá um excesso de
demanda, pois esta é constante, fazendo com que os juros subam a fim de obter
novo equilíbrio freando a demanda;

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CURVA LM
Representa as diversas combinações de juros (r) e renda (Y) que mantêm o
mercado de moeda equilibrado, ou seja, demanda (L/P) = oferta (M/P).

A Curva LM é plotada num gráfico com os juros (r) na ordenada e a


renda (Y) na abscissa.

Esta curva é positivamente inclinada neste plano. A explicação para este


comportamento é que se a renda sobe, a demanda por moeda aumenta, dada a
oferta constante, é preciso que os juros (representados no gráfico abaixo por ‘i’, que
são os juros nominais) subam a fim de retornar o mercado ao equilíbrio.

Equação da curva LM.


Por vezes, é preciso encontrar a equação da curva LM. Para tanto, basta
igualar a equação da curva L/P = função de r e Y [ L/P = f(r,Y)] com o valor da oferta
monetária constante M/P.
Exemplo:
M/P = 200;

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L/P = 0,3Y – 0,15r


Como no equilíbrio M/P = L/P, tem-se:

0,3Y – 0,2r = 200 (Isolando r)


-0,2 r = 200 – 0,3Y (x -1)
0,2r = 0,3Y – 200 (dividindo por 0,2)
r = 1,5Y – 1000 (Equação da curva LM)

DESLOCAMENTOS DA CURVA LM (POLÍTICA MONETÁRIA)


A curva LM pode se deslocar para a direita e para baixo ou para a esquerda
e para cima. Para tanto, basta que a autoridade monetária altere a quantidade de
moeda ofertada (M/P). Dessa forma, os pares juros(r) x renda(Y) que equilibrarão
oferta e demanda serão outros, dando origem a uma nova curva LM.
Antes de prosseguirmos, vamos relembrar quais os instrumentos
disponíveis ao Bacen para realizar a sua política monetária:
- Taxa de redesconto;
- Compulsórios;
- Operação no mercado aberto (Altera a base monetária).

Deslocamento da Curva LM para a direita (Política monetária


expansionista, pois incentiva o consumo e o investimento)
Ocorre quando o Bacen aumenta a oferta de moeda (M/P) fazendo com que
para um mesmo nível de renda (Y) o nível de juros seja menor, ou para a mesma
taxa de juros, a renda seja maior.
Pode ser realizada via:
-Diminuição da taxa de redesconto (Aumento do multiplicador monetário);
-Diminuição dos depósitos compulsórios (Aumento do multiplicador
monetário);
-Operação de mercado aberto: compra de títulos públicos no mercado
(Aumento da base monetária – B).

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Deslocamento da Curva LM para a esquerda (Política monetária


restritiva, pois desincentiva o consumo e o investimento)
Ocorre quando o Bacen diminui a oferta de moeda (M/P) fazendo com que
para um mesmo nível de renda (Y) o nível de juros seja maior , ou para a mesma
taxa de juros, a renda seja menor.
Pode ser realizada via:
-Aumento da taxa de redesconto (Diminuição do multiplicador monetário);
-Aumento dos depósitos compulsórios (Diminuição do multiplicador
monetário);
-Operação de mercado aberto: venda de títulos públicos no mercado
(diminuição da base monetária – B).

TEORIA QUANTITATIVA DA MOEDA (TQM)


A Teoria Quantitativa da Moeda (TQM) é a explicação da demanda
agregada e do nível de preços da economia pelos economistas clássicos.
Essencialmente, a Teoria Quantitativa da Moeda é a hipótese sobre a causa
principal das variações no valor da moeda. Estabelece que o estoque de moeda,
“M”, é o principal determinante do nível geral de preços, “P”. Os economistas
clássicos/neoclássicos chegaram a esta conclusão, a partir da hipótese de que o
produto real a preços constantes de qualquer economia depende exclusivamente de
variáveis reais (fatores de produção e função de produção agregada) e que a
velocidade de circulação da moeda varia de forma lenta e previsível a longo prazo
(dependendo de fatores como o grau de desenvolvimento do setor bancário,
frequência de pagamentos e recebimentos, rapidez de transporte e comunicações),
podendo ser considerada uma constante no curto prazo.
O ponto de partida para se obter a Equação Quantitativa é observar a
identidade existente entre o total de pagamentos em moeda e o total de bens e
serviços transacionados. Note-se que, em cada ato de compra e venda de um bem
ou serviço qualquer, os pagamentos em moeda e o valor monetário dos bens e
serviços trocados são iguais. Logo, o total de moeda paga nas transações é igual ao
valor monetário total dos bens e serviços comprados. Então, temos que:

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MV = PY

Onde:
M = estoque monetário/ oferta monetária;
V = velocidade de circulação da moeda (que é considerada constante no
curto e médio prazo, pelos clássicos);
P = nível geral de preços;
Y = quantidade total de transações físicas de bens e serviços;
PY = total das transferências de bens e serviços entre os agentes
econômicos;
MV = total das transferências de moeda entre os agentes para pagamento
dos bens comprados.

A equação de Demanda Agregada dos Clássicos é encontrada a partir da


TQM, isolando o Produto (Y):

MV
Y = P

Esta é uma relação inversamente proporcional (curva descendente) entre o


Produto e o nível de preços da economia (P), em conformidade com o que se
espera de uma curva de demanda.

Segundo os clássicos, a demanda por moeda seria totalmente independente


(insensível às taxas de juros), e a moeda teria função essencialmente de realizar as
trocas. Tendo isso em mente, e considerando que os clássicos defendem que o
nível do produto (Y) é constante no curto prazo, pois os fatores de produção são
constantes, logo não seria possível alterar o volume de produção, logo, todo e
qualquer aumento na oferta monetária (M) seria acompanhado de um aumento
proporcional no nível de preços a fim de manter a identidade da TQM verdadeira.
Vejam abaixo:

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M (↑)V (cte)
Y (cte) = P (↑)

REGULAMENTAÇÃO E FISCALIZAÇÃO DO SISTEMA FINANCEIRO


NACIONAL (SFN)

O SFN é conjunto de agentes que se dedicam ao trabalho de propiciar


condições para a manutenção de um fluxo de recursos entre poupadores e
investidores.
Órgãos Normativos do SFN:
– Conselho Monetário Nacional (CMN)
– Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP)
– Conselho Nacional da Previdência Complementar (CNPC)

CMN
O Conselho Monetário Nacional (CMN) é o órgão superior do Sistema
Financeiro Nacional e tem a responsabilidade de formular a política da moeda e do
crédito, objetivando a estabilidade da moeda e o desenvolvimento econômico e
social do País.
Criado pela Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964, o CMN foi
efetivamente instituído em 31 de março de 1965, uma vez que o art. 65 da Lei nº
4.595 estabeleceu que a Lei entraria em vigor 90 dias após sua publicação.
O CMN sofreu algumas alterações em sua composição ao longo dos anos.
Sua composição atual é:
- Ministro da Fazenda, como Presidente do Conselho;
- Ministro do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão;
- Presidente do Banco Central do Brasil.
Os seus membros reúnem-se uma vez por mês para deliberarem sobre
assuntos relacionados com as competências do CMN. Em casos extraordinários
pode acontecer mais de uma reunião por mês. As matérias aprovadas são
regulamentadas por meio de Resoluções, normativo de caráter público, sempre
divulgado no Diário Oficial da União e na página de normativos do Banco Central do
Brasil.

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CNSP
Órgão responsável por fixar diretrizes e normas da política de seguros
privados;
É composto por 6 membros :
– Ministro da Fazenda (Presidente),
– Representante do Ministério da Justiça,
– Representante do Ministério da Previdência Social,
– Superintendente da Superintendência de Seguros Privados,
– Representante do Banco Central do Brasil
– Representante da Comissão de Valores Mobiliários.

Funções (dentre outras):


– regular a constituição, organização, funcionamento e fiscalização dos
que exercem atividades subordinadas ao SNSP;
– aplicação das penalidades previstas;
– fixar as características gerais dos contratos de seguro, previdência
privada aberta, capitalização e resseguro;
– estabelecer as diretrizes gerais das operações de resseguro;
– prescrever os critérios de constituição das Sociedades Seguradoras,
de Capitalização, Entidades de Previdência Privada Aberta e
Resseguradores.

CNPC
O CNPC é o órgão com a função de regular o regime de previdência
complementar operado pelas entidades fechadas de previdência complementar,
nova denominação do então Conselho de Gestão da Previdência Complementar.
O CNPC é presidido pelo ministro da Previdência Social e composto por
representantes da Superintendência Nacional de Previdência Complementar
(Previc), da Secretaria de Políticas de Previdência Complementar (SPPC), da Casa
Civil da Presidência da República, dos Ministérios da Fazenda e do Planejamento,

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Orçamento e Gestão, das entidades fechadas de previdência complementar, dos


patrocinadores e instituidores de planos de benefícios das entidades fechadas de
previdência complementar e dos participantes e assistidos de planos de benefícios
das referidas entidades.
O Decreto nº 7.123, de 03 de março de 2010, dispõe sobre a organização e
o funcionamento do Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC) e dá
outras providências.

Entidade Supervisoras do SFN


Financeira
– Banco Central do Brasil;
– Comissão de Valores Mobiliários;
Seguros
– Superintendência de Seguros Privados;
– Instituto de Resseguros do Brasil;
Previdência Complementar
– Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc).

Banco Central do Brasil


– Criado em 1964, após a extinção as SUMOC – Superintendência da
Moeda e do Crédito;
– É o principal poder executivo das políticas traçadas pelo Conselho
Monetário Nacional e órgão fiscalizador do Sistema Financeiro
Nacional;
– É um banco fiscalizador e disciplinador do mercado financeiro;
– Após março de 1986, passou a ser a única autoridade monetária no
Brasil;

Tem como principais funções :


– formulação, execução e acompanhamento da política monetária;
– manter as reservas internacionais em nível adequado;

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– formulação, execução e acompanhamento da política cambial;


– organização, disciplinamento e fiscalização do Sistema Financeiro
Nacional;
– emissão de papel-moeda e moeda-metálica e execução dos serviços
de meio-circulante.

Diretoria do Bacen é composta de 1 Presidente e 8 Diretores (escolhidos


pelo Presidente da República);
O Presidente deverá nomear, após aprovação do Senado Federal, o
Presidente e Diretores do BACEN (art 84, XIV);
Compete privativamente ao Senado Federal aprovar, previamente, por voto
secreto, após arguição pública, a escolha de Presidente e Diretores do Banco
Central. (CF, artigo 52, III, d).

Bacen na Constituição Federal


Artigo 164 – Constituição Federal:
“Art. 164. A competência da União para emitir moeda será exercida
exclusivamente pelo Banco Central
§1º - É vedado ao Banco Central conceder, direta ou indiretamente,
empréstimos ao Tesouro Nacional e a qualquer órgão ou entidade que não
seja instituição financeira.
§2º - O Banco Central poderá comprar e vender títulos de emissão do
Tesouro Nacional, com o objetivo de regular a oferta de moeda ou a taxa de
juros.”

CVM
É uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Fazenda, cujas
atribuições são a normatização, regulamentação, desenvolvimento, controle e
fiscalização do mercado de valores mobiliários do país. É administrada por um
presidente e 4 diretores, todos nomeados pelo Presidente da República.

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A CVM não exerce julgamento de valor em relação a qualquer informação


divulgada pelas companhias, apenas zela pela confiabilidade e regularidade das
mesmas.
Nesse sentido, a lei atribui à CVM competência apurar, julgar e punir
irregularidades eventualmente cometidas no mercado.
A CVM tem dentre suas funções (entre outras):
– assegurar o funcionamento eficiente e regular dos mercados de bolsa
e de balcão;
– proteger os titulares de valores mobiliários;
– evitar ou coibir modalidades de fraude ou manipulação no mercado;
– estimular o funcionamento das bolsas de valores e das instituições
operadoras do mercado acionário;
– assegurar a lisura nas operações de compra e venda de valores
mobiliários;
– dar proteção aos investidores de mercado.

SUSEP
A SUSEP é uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Fazenda,
pertencente ao Sistema Nacional de Seguros Privados (SNSP), responsável pelo
controle e fiscalização do mercado de seguro, previdência privada aberta e
capitalização.
Atribuições: fiscalizar a constituição, organização, funcionamento e
operação das Sociedades Seguradoras, de Capitalização, Entidades de Previdência
Privada Aberta e Resseguradores, na qualidade de executora da política traçada
pelo CNSP.

IRB (Instituto de Resseguros Brasil)


Sociedade de economia mista com controle acionário da União,
jurisdicionada ao Ministério da Fazenda, com o objetivo de regular o cosseguro, o
resseguro e a retrocessão, além de promover o desenvolvimento das operações de
seguros no País.

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Cosseguro: É a operação que consiste na repartição de um mesmo risco, de


um mesmo segurado, entre duas ou mais seguradoras;
Resseguro: Operação pela qual o segurador, com o fito de diminuir sua
responsabilidade na aceitação de um risco considerado excessivo ou perigoso, cede
a outro segurador uma parte da responsabilidade e do prêmio recebido. O resseguro
é um tipo de pulverização em que o segurador transfere a outrem, total ou
parcialmente, o risco assumido, sendo, em resumo, um seguro do seguro;
Retrocessão: Operação feita pelo ressegurador e que consiste na cessão de
parte das responsabilidades por ele aceitas a outro, ou outros resseguradores. Em
outro enfoque: é o resseguro de um resseguro. Tanto nas operações de resseguro
quanto nas de retrocessão, o ressegurador e o retrocessionário obrigam-se apenas
com as entidades que lhes fizeram cessões ou retrocessões, nunca com os
segurados.
Obs.: No Brasil as seguradoras autorizadas a operar no País são
retrocessionárias, obrigatórias, do IRB.

Previc
A Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) é uma
autarquia de natureza especial, dotada de autonomia administrativa e financeira e
patrimônio próprio, vinculada ao Ministério da Fazenda, com sede e foro no Distrito
Federal, tendo atuação em todo o território nacional como entidade de fiscalização e
supervisão das atividades das entidades fechadas de previdência complementar e
de execução das políticas para o regime de previdência complementar operado
pelas referidas entidades.
As principais competências da Previc, segundo o Decreto nº 8.992, de 20 de
fevereiro de 2017, são:
– proceder à fiscalização das atividades das entidades fechadas de
previdência complementar e das suas operações;
– apurar e julgar as infrações e aplicar as penalidades cabíveis;
– expedir instruções e estabelecer procedimentos para a aplicação das
normas relativas à sua área de competência;

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– autorizar: a constituição e o funcionamento das entidades fechadas de


previdência complementar e a aplicação dos respectivos estatutos e
dos regulamentos de planos de benefícios; as operações de fusão,
cisão, incorporação ou qualquer outra forma de reorganização
societária, relativas às entidades fechadas de previdência
complementar; a celebração de convênios e termos de adesão por
patrocinadores e instituidores e as retiradas de patrocinadores e
instituidores; e as transferências de patrocínio, grupos de participantes
e assistidos, planos de benefícios e reservas entre entidades fechadas
de previdência complementar;
– harmonizar as atividades das entidades fechadas de previdência
complementar com as normas e as políticas estabelecidas para o
segmento;
– decretar intervenção e liquidação extrajudicial das entidades fechadas
de previdência complementar e nomear interventor ou liquidante, nos
termos da lei;

Conselho de recursos do SFN (CRSFN)


CRSFN é um órgão colegiado, de segundo grau, integrante da estrutura do
Ministério da Fazenda.
Atribuições: julgar em 2ª e última instância administrativa os recursos
interpostos das decisões relativas às penalidades impostas por BACEN, CVM e
Secretaria de Comércio Exterior;
É constituído por oito membros, sendo 4 do governo (Min. Faz; BACEN;
CVM; MIDIC) e 4 representantes das entidades de classe dos mercados afins

POLÍTICAS MONETÁRIAS NÃO CONVENCIONAIS


Este tópico ainda é pouco explorado pela literatura, e possui mais exemplos
práticos do que teoria desenvolvida e consolidada em livros-textos. Porém, vamos
nos valores do ensinamentos e palavras do professor Nouriel Roubini da Stern

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School of Business, da Universidade de Nova Iorque, para entedermos melhor este


fenômeno.
Com a maior parte dos países desenvolvidos a registarem recuperações
anémicas desde a crise financeira de 2008, os seus bancos centrais viram-se
forçados a transitar de uma política monetária convencional – como a redução das
taxas de juro através da compra de títulos públicos no mercado aberto – para um
leque de políticas não-ortodoxas. Apesar de se ter atingido o limite nominal de zero
para as taxas de juro – mesmo que anteriormente essa tenha sido apenas uma
possibilidade teórica – e de se ter aplicado a política de taxas de juro zero (ZIRP, na
sigla em inglês: zero-interest-rate policy), o crescimento manteve-se anêmico. Isso
levou os bancos centrais a implementarem medidas que nem sequer existiam na
sua caixa de ferramentas de política monetária há uma década. E agora estão
prestes a fazê-lo novamente.
A lista de medidas não convencionais é extensa. Houve a flexibilização
quantitativa, ou expansão monetária quantitativa [‘quantitative easing’ – QE, na sigla
em inglês], traduzida na compra de obrigações do Tesouro de longo prazo, com os
juros de curto prazo já no nível de zero. A QE fez-se acompanhar pela facilitação do
crédito [‘creadit easing’ – CE], que assumiu a forma de compras de ativos privados
ou semiprivados por parte do banco central – como hipotecas e outros títulos
endossados a ativos, obrigações garantidas, obrigações de empresas, fundos
fiduciários imobiliários e até ações através de fundos cotados [exchange-traded
funds – ETF, que replica o desempenho de um índice]. O objetivo era reduzir os
"spreads" (diferenciais) do crédito privado (a diferença entre as rentabilidades dos
ativos privados e as das obrigações soberanas com uma maturidade similar) e
impulsionar, direta e indiretamente, o preço de outros ativos de risco, como ações e
imóveis.
Depois surgiu a ‘forward guidance’ [FG, orientação futura, numa tradução
ao pé da letra] que consiste na comunicação de indicações explícitas sobre a
orientação futura da política monetária], que neste caso consistiu no compromisso
de manter a política de taxas de juro oficiais no zero durante mais tempo do que era
justificado pelos fundamentais económicos – reduzindo assim, ainda mais, as taxas

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de juro de curto prazo. A título de exemplo, um compromisso de manter uma política


de juros zero durante, digamos, três anos, implica que as taxas de juro dos títulos
com maturidade até três anos também devem cair para zero, uma vez que as taxas
de juro de médio prazo se baseiam nas expectativas em relação aos juros de curto
prazo ao longo dos três anos seguintes. E, para coroar tudo isto, houve uma
intervenção não esterilizada no mercado cambial com o objetivo de impulsionar as
exportações, através de uma moeda mais débil.
Estas políticas, efetivamente, reduziram as taxas de juro de médio e longo
prazo dos títulos do Tesouro e das obrigações hipotecárias. Também estreitaram os
"spreads" do crédito sobre os ativos privados, impulsionaram o mercado acionista,
depreciaram a moeda e reduziriam as taxas de juro reais ao aumentarem as
expectativas para a inflação. Por isso, foram parcialmente eficazes.
Ainda assim, na maioria das economias avançadas, o crescimento (e a
inflação) mantiveram-se em níveis obstinadamente baixos. Não houve falta de
razões para isso. Atendendo à desalavancagem das elevadas dívidas privada e
pública, as políticas monetárias não convencionais conseguiram evitar recessões
severas e a deflação direta; mas não conseguiram trazer um crescimento robusto
nem uma inflação de 2%.
Lamentavelmente, a economia política da maioria das reformas estruturais –
devido ao seu custo inicial e aos seus benefícios tardios – implica que elas
progridam muito lentamente, apesar de necessárias. Ao mesmo tempo, a política
orçamentária tem sido condicionada em alguns países pelos elevados déficits e
níveis de endividamento (o que põe em perigo o acesso aos mercados) e em outros
países (Zona Euro, Reino Unido e EUA, por exemplo) por uma reação política contra
um maior estímulo orçamentário, conduzindo a medidas de austeridade que minam
o crescimento no curto prazo. Assim, gostemos ou não, os bancos centrais
tornaram-se – e assim continuam a ser – os únicos a poderem atuar quando se trata
de dar apoio a demanda agregada, aumentar o desempenho e prevenir a deflação.
Consequentemente, as políticas monetárias não convencionais – que já
vigoram há quase uma década – acabaram por se tornar convencionais.

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Algumas novas medias já foram implementadas. A título de exemplo, as


taxas de juro oficiais negativas [negative interest policy rates – NIRP] são agora a
norma na Suíça, Suécia, Dinamarca, Zona Euro e Japão, onde as reservas em
excesso que os bancos mantêm nos bancos centrais – em resultado da QE – são
tributadas com uma taxa negativa. Os tomadores de decisão passaram de uma
estratégia que visava aumentar a quantidade de moeda (QE, CE e intervenção no
mercado cambial) para uma que visa diminuir o seu preço (primeiro as ZIRP, depois
a FG e agora as NIRP). As taxas de juros nominais estão agora negativas não
apenas para os empréstimos de curto prazo mas também para as obrigações do
Tesouro com maturidade a 10 anos. Com efeito, cerca de seis bilhões de dólares de
obrigações soberanas em todo o mundo têm um rendimento nominal negativo.
A próxima etapa de uma política monetária ainda mais ortodoxa perante o
que é já neste momento tido como não convencional – se os riscos de recessão, de
deflação e de crise financeira aumentarem fortemente – poderá comportar três
componentes.
Em primeiro lugar, os bancos centrais poderão taxar a liquidez para impedir
que os bancos tentem evitar as taxas de juro negativas sobre as suas reservas
excedentes. Estando os bancos impedidos de converter essas reservas em dinheiro
(a taxa zero), os bancos centrais poderão ir ainda mais longe no domínio das taxas
de juro negativas.
Em segundo lugar, a QE (flexibilização quantitativa) poderá evoluir e
transformar-se num "helicóptero de dinheiro" [estratégia baseada na ideia de
Friedman de que o ‘lançamento de dinheiro de um helicóptero’ - emitir grandes
quantias de dinheiro e distribui-lo pela população - pode sempre estimular a
economia e combater a deflação], ou seja, no financiamento monetário direto dos
grandes défices orçamentários por parte dos bancos centrais.
Com efeito, os debates mais recentes dos observadores do mercado
incidiram sobre os benefícios da permanente monetização dos déficits e da dívida
pública. Por outro lado, apesar de a QE ter beneficiado os detentores de ativos
financeiros ao impulsionar os preços das ações, obrigações e imóveis, também
alimentou a crescente desigualdade. Um dinheiro que cai do céu (através de

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reduções de impostos ou transferências financiadas por dinheiro recém-impresso)


colocaria dinheiro diretamente nas mãos dos agregados familiares, impulsionando o
consumo.
Em terceiro lugar, a flexibilização do crédito por parte dos bancos centrais,
ou as compras de ativos privados, poderiam expandir-se significativamente.
Pense-se na compra direta de ações, de obrigações de empresas com risco elevado
e de crédito malparado.
Tudo isso são tentativas de estimular mais a economia, aumentando o
consumo, e consequentemente o emprego, principalmente depois da crise de 2008
e a falta de confiança que ela deixou como pesada herança.

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