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UNIVERSIDADE METODISTA DE PIRACICABA - UNIMEP

PROGRAMA INSTITUCIONAL DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA


PIBIC/FAPIC

PATRIMÔNIO CULTURAL EM SANTA BÁRBARA D’OESTE:


ORIGENS, USOS E PROBLEMAS

Bolsista: André Frota Contreras Faraco


Orientador: Dr.ª Mirandulina Maria Moreira Azevedo
Período relatado: agosto/2016 a janeiro/2017
Programa: FAPIC
Protocolo CONSEPE: 13916

Relatório Científico Parcial apresentado à coordenação executiva do


Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica
Tecnológica como parte dos requisitos das atividades do bolsista.

Santa Bárbara d’Oeste


25 de janeiro de 2017
UNIVERSIDADE METODISTA DE PIRACICABA - UNIMEP

PATRIMÔNIO CULTURAL EM SANTA BÁRBARA D’OESTE:


ORIGENS, USOS E PROBLEMAS

Relatório Científico Parcial entregue à coordenação executiva do Programa institucional


de Bolsas de Iniciação Científica e Tecnológica - FAPIC, como parte dos requisitos das
atividades do bolsista.

______________________________
André Frota Contreras Faraco

______________________________
Mirandulina Maria Moreira Azevedo
SUMÁRIO

1. Resumo do Relatório Parcial................................................................................p.4


2. Introdução e Revisão Bibliográfica......................................................................p.5
3. Objetivos................................................................................................................p.8
4. Materiais e/ou Métodos.........................................................................................p.9
5. Resultados e Discussão Parcial...........................................................................p.12
6. Lista de Imagens..................................................................................................p.87
7. Referências Bibliográficas..................................................................................p.94
8. Atividades cumpridas e não cumpridas............................................................p.97
9. Avaliação do Bolsista pelo Orientador..............................................................p.99
10. Anexos................................................................................................................p.101
11. Cópia do Formulário de Inscrição...................................................................p.149
1. Resumo do Relatório Parcial

O projeto de pesquisa de iniciação científica “Patrimônio Cultural em Santa Bárbara


d’Oeste: origens, usos e problemas” tem como objetivo identificar o patrimônio
cultural na cidade de Santa Bárbara d’Oeste, conhecendo suas origens e usos, com uma
visão espacializada, ou seja, de acordo com o crescimento urbano e suas características.
Para isso, foi realizada a avaliação da formação urbana do município e o quadro das
arquiteturas produzidas por meio de fontes históricas, como livros, jornais, memórias e
fotografias de época. O resultado possibilitou a produção de mapas, que permitem uma
maior compreensão da espacialização da arquitetura no território e a própria formação
desse território, com características bastante peculiares: a presença de um núcleo urbano
central rodeado por núcleos autossuficientes – as usinas açucareiras e as suas colônias –
e por chácaras urbanas. No contexto dos núcleos autossuficientes, a arquitetura terá
papel fundamental para a convivência social. Das chácaras, percebe-se a incorporação
do conforto urbano moderno na arquitetura. Na formação urbana no núcleo central, é
conveniente salientar o importante papel do Estado na ocupação do território e que,
consequentemente, produzirão arquiteturas significativas em diferentes épocas. A
pesquisa ainda foi apoiada no referencial teórico da arquitetura do século XIX e do
século XX, no Brasil e no mundo, fundamentais para a contextualização da produção
arquitetônica.

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2. Introdução e Revisão Bibliográfica

Frampton (1997) traz uma discussão crítica sobre a arquitetura moderna desde suas
origens, ainda no século XIX, até a sua internacionalização.

Pevsner (1982) traça um panorama da arquitetura ocidental, incluindo os séculos XIX e


XX.

O Álbum Ilustrado de Santa Bárbara (1941) é fundamental para compreender os


aspectos sociais, econômicos e políticos no período em que a cidade passa por um
processo de modernização, entre as décadas de 1930 e 1940, trazendo dados que
permitem traçar um panorama da produção arquitetônica em Santa Bárbara d’Oeste
nesta época.

Crivellari (1974) traz os aspectos históricos da formação de Santa Bárbara d’Oeste, da


sua fundação até a década de 1970, como a formação urbana, a influência da imigração
estadunidense, a abertura da ferrovia e outros.

A Fundação Romi tem o seu acervo disponibilizado virtualmente. O seu acervo é


composto por documentos referentes à história de Santa Bárbara d’Oeste e das
Indústrias Romi, incluindo fotografias, jornais etc.

Martins (2007) traz um panorama histórico geral de Santa Bárbara d’Oeste, com
atualizações, uma vez que se prolonga até os anos 2000, complementando, assim, as
referências de Crivellari (1974).

Santos (1988) traz um panorama da produção açucareira no município, a constituição


dessas usinas como núcleos autossuficientes, a consolidação delas como mercado
consumidor da indústria (o que impulsionará a produção industrial no município) e a
incorporação delas por outros grandes grupos, e as consequências que este fato trará
para a conformação urbana do município.

Em Bruand (2012) é possível compreender a arquitetura brasileira nos séculos XIX e


XX, as suas influências, seu contexto histórico, político, social e artístico e sua
produção.

Cordido (2012) resgata a produção de equipamentos públicos pelo Departamento de


Obras Públicas do Estado São Paulo. Entre eles, os fóruns de justiça e os seus projetos

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modulares padrão implantados em diversas cidades do interior de São Paulo, inclusive
em Santa Bárbara d’Oeste.

Gordinho (2013) trata do importante legado de obras públicas escolares no estado de


São Paulo entre 1890 e 1920, dentre as quais uma se encontra em Santa Bárbara
d’Oeste, a Escola Estadual José Gabriel de Oliveira.

Kühl (1998) resgata a importância da ferrovia para o desenvolvimento econômico,


principalmente no estado de São Paulo, a implantação das estradas de ferro no estado
(inclusive em Santa Bárbara d’Oeste) e as tipologias arquitetônicas das estações
ferroviárias.

Lemos (1987) expõe as características gerais da arquitetura eclética em São Paulo.

Lemos (1989) traz a produção da arquitetura em São Paulo no período do ecletismo,


trazendo informações a respeito da forma de produção, incluindo materiais e
profissionais envolvidos.

Pinheiro (2011) determina a importância do movimento Neocolonial para a arquitetura


brasileira e a influência das suas propostas estéticas. Fundamental para a compreensão
da arquitetura produzida na primeira metade do século XX, inclusive em Santa Bárbara
d’Oeste.

Reis Filho (1997) destaca a importância e a singularidade das obras do arquiteto Victor
Dubugras no final do século XIX e início do século XX; dentre essas obras, está a
antiga Casa de Câmara e Cadeia de Santa Bárbara d’Oeste, atualmente, Museu da
Imigração.

Reis Filho (2004) traça as generalidades na formação do território urbano das cidades
brasileiras e as características da implantação da arquitetura no lote urbano desde o
período colonial até o século XX.

Beltrame (2015) resgata a história da indústria têxtil em Santa Bárbara d’Oeste e a


evolução histórica da indústria pioneira na cidade, a Cia. Fiação e Tecelagem Santa
Bárbara.

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Garcia (2013) elabora um minucioso estudo sobre as transformações pelas quais o
edifício da antiga Casa de Câmara e Cadeia de Santa Bárbara d’Oeste passou até os dias
atuais, como Museu da Imigração.

Linardi (2001) resgata a memória da espacialidade da Praça Central de Santa Bárbara


d’Oeste com uma análise aprofundada, confirmando a permanência da importância e do
significado do lugar para a cidade.

Menillo (2009) permite a compreensão do processo histórico pelo qual passou a antiga
Casa de Câmara e Cadeia de Santa Bárbara d’Oeste até os dias atuais.

A Carta de Veneza (IPHAN, 1964), publicada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e


Artístico Nacional é o documento que rege a questão da preservação, com diretrizes
básicas.

Dvořák (2008) aborda a questão das “modernizações” e da especulação imobiliária


como fatores que dificultam a preservação e diminuem a potencialidade das cidades.

Giovannoni (2013) destaca a importância do estudo integral da cidade para conhecer


aquilo que é digno de preservação, inclusive as obras arquitetônicas menores, uma vez
que, segundo ele, são elas que dão o aspecto típico das cidades.

Kühl (2011) destaca a importância da preservação daquilo que é testemunho do fazer


humano do ponto de vista ético.

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3. Objetivos

Os objetivos da pesquisa podem ser assim resumidos:

 Objetivo geral: contribuir para a preservação do patrimônio local;


 Objetivo específico 1: Pesquisa sobre a história local;
 Objetivo específico 2: Leitura de obras de referência da teoria e história da
arquitetura dos séculos XIX e XX;
 Objetivo específico 3: Identificação de obras significativas a que se possam
atribuir valores patrimoniais;
 Objetivo específico 4: Diagnósticos dos problemas referentes à preservação do
patrimônio local com vistas a, ulteriormente, estabelecer subsídios e diretrizes
para sua preservação.

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4. Materiais e/ou Métodos

O início da pesquisa se deu com a leitura das referências bibliográficas a respeito da


história local, compreendendo os principais fatos que marcaram a história da cidade e o
seu processo histórico. Dessa maneira, descobre-se o significado real das obras
arquitetônicas em seu conjunto de contextos (histórico, político, social e artístico) e no
contexto de conformação urbana do município, permitindo determinar quais são as
arquiteturas locais. Paralelo a isso, foi realizado um levantamento de documentação da
época, ou seja, de fotografias que permitiram o conhecimento dessas arquiteturas em
seu momento de construção e ao longo do tempo, suas origens, seus usos e suas
apropriações. Essas informações foram reunidas em apresentadas em um seminário com
o título “Arquitetura local”, sendo importante encaminhamento para as etapas seguintes
de desenvolvimento da pesquisa.

Com o aprofundamento da pesquisa, percebeu-se a necessidade de realizar uma leitura


espacializada da arquitetura no território da cidade, uma vez que, analisando a história
local e o modo de vida da população local em determinadas épocas, foram descobertas
características de urbanização e de expansão urbana bastante peculiares. Sendo assim,
baseado nos dados históricos e em fotografias, foi realizado um mapeamento, a partir da
década de 1930 e 1940, época que marca as características fundamentais para a
expansão urbana ao longo de todo o século XX, para a compreensão da formação do
território de todo o município, cujo resultado pode ser visto no Anexo I, nos Mapas 1 a
14. Essa espacialização do território é fundamental para a leitura da paisagem urbana
constituída e para o entendimento do significado da arquitetura em seu sítio. Uma boa
parte desse mapeamento é inédito, uma vez que não são encontrados em registros ou
acervos da cidade. Assim, vão contribuir não somente para esta pesquisa, mas para
preservar, por meio desta documentação, a memória da evolução urbana do município,
para a compreensão da paisagem urbana, dos processos que levaram a atual
conformação urbana e como enfrentar os problemas urbanos.

Em seguida, foi realizada uma pesquisa histórica e teórica da arquitetura nos séculos
XIX e XX, no contexto mundial e no contexto brasileiro. Foi fundamental para
assimilar o ideal da arquitetura nessas épocas, levando em consideração as mudanças
significativas pelas quais a sociedade passou – econômicas, sociais, políticas, artísticas.
Assim, é possível definir o modo de produção da arquitetura e, consequentemente,

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aquilo que ela representava nessas épocas. No contexto brasileiro, é importante o
entendimento a respeito da inserção da produção brasileira na produção mundial, veem-
se as influências incorporadas, as limitações locais e as peculiaridades incorporadas do
local, sendo possível afirmar a originalidade de diversas obras arquitetônicas.

Considerando-se todo o levantamento contextualizado conforme supracitado, deu-se a


identificação das obras locais de contexto significativo. São elas relevantes testemunhos
históricos de uma época, de conceitos na arquitetura e no urbanismo e das
transformações e expansões que a cidade sofreu. Fazem parte do conjunto de obras
identificadas edifícios religiosos, as obras institucionais – salientando a importância do
papel do Estado na ocupação do território e na produção de arquiteturas de qualidade –,
edifícios fabris, remanescentes dos processos de urbanização e os núcleos
autossuficientes e as chácaras urbanas. Identificadas, as obras foram fotografadas em
seu estado atual. O objetivo era fotografá-las na parte externa, mas em algumas foi
possível fotografar os interiores.

À medida que o êxito na coleta de dados e na reunião da documentação, inclusive nas


visitas para fotografar, foi possível detectar alguns problemas com o patrimônio, além
das suas particularidades e, portanto, foram realizadas leituras de referência em
patrimônio cultural. A inspeção visual e o registro fotográfico feito serão suporte para o
diagnóstico dos problemas do patrimônio a ser feito na próxima fase, pela nova
pesquisadora Paula Albuquerque (substituição feita em função do térmico de curso),
bem como o aprofundamento da parte teórica da disciplina da preservação, conforme o
Cronograma de atividades.

O resultado disso se encontra no item “5. Resultados e Discussão Parcial”, dividido em


doze subitens, conforme as especificidades de cada assunto tratado. O subitem 5.1 traz
um panorama geral sobre a História e Teoria da Arquitetura dos séculos XIX e XX, no
mundo e no Brasil. O subitem 5.2 A formação urbana e a presença do Estado revela o
papel do estado na formação do território urbano. A partir de então, até o subitem 5.11,
os subitens seguem numa classificação do patrimônio por recorte temporal e de função,
sendo: 5.3 A Igreja Matriz; 5.4 A Praça e o Centro; 5.5 Arquitetura Ferroviária; 5.6 A
imigração norte-americana; 5.7 As modernizações em Santa Bárbara d’Oeste; 5.8
Patrimônio industrial; 5.9 Caminho dos Flamboyants; 5.10 Características da
urbanização; 5.11 Patrimônio Moderno. O subitem 5.12 Compreendendo o patrimônio

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em Santa Bárbara d’Oeste, o último, traz os aspectos fundamentais para a compreensão
do patrimônio em Santa Bárbara d’Oeste - as suas especificidades e, principalmente, de
que maneira ele deve ser interpretado.

Foi realizado, após a finalização desse momento da pesquisa e da organização em texto


dos resultados, um pré-inventário arquitetônico do patrimônio local, com o que há de
mais relevante. Foi dividido em duas partes: I. Edifícios Significativos e II. Conjuntos
Edificados. Este inventário (ver em Anexo II) consta as principais informações a
respeito do edifício ou do conjunto. Optou-se por utilizar primeiro o nome ou uso
original do edifício e depois o uso ou nome atual. Logo em seguida, o endereço. Depois,
os fatos principais a respeito da história do edifício ou do conjunto, seguido da autoria
do projeto (quando conhecida). Especifica-se quando há algum tipo de proteção legal
(tombamento a nível local ou estadual). Há uma síntese de um parágrafo a respeito de
algumas especificidades do edifício ou conjunto, para situá-lo em relação a estilo ou
escola arquitetônica, importância, relevância etc. A última informação são referências
bibliográficas básicas a respeito do edifício ou conjunto, a fim de facilitar o acesso ao
conhecimento aprofundado.

Foi realizado ainda a produção do artigo Chácara Wolf: entre a modernidade e a


tradição (ver em Anexo IV), que desenvolve um panorama do dualismo presente na
arquitetura brasileira no século XX, a modernidade versus tradição, a partir da análise
crítica da Chácara Wolf, em Santa Bárbara d’Oeste. Além da análise, o artigo ressalta
que as revistas são ricas fontes de pesquisa e que a arquitetura não oficial, ou seja,
aquela que não tem unidade ideológica ou acadêmica necessita um estudo aprofundado,
compreendendo suas características e qualidades.

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5. Resultados e Discussão Parcial

5.1 História e Teoria da Arquitetura dos séculos XIX e XX

5.1.1 Contexto Mundial

O século XIX foi marcado pela atitude romântica e nostálgica, um antagonismo


ao rococó vigente no século XVIII. Esse sentimento será despertado primeiro
pelos ingleses, com a aquisição de obras de arte que retratam as ruínas romanas e
suas paisagens heroicas e idílicas, o que contribuiu ao gosto de artistas e
paisagistas. Esse gosto pelo pitoresco, de acordo com Pevsner (1982, p.337-
344), será refletido nos jardins ingleses com gramados amplos, grupos de
árvores espalhados e lagos sinuosos; o uso de pontes à moda das pontes
chinesas, e pequenas ruínas, como réplicas de templos, construídas para
contemplação.
A popularização das paisagens do italiano Giovanni Battista Piranesi, do século
XVIII, e o aprimoramento dos instrumentos de conhecimento histórico no século
XIX, despertarão o interesse pela Antiguidade Clássica, de modo que os
arquitetos terão conhecimento suficiente sobre as ordens clássicas e detalhes.
Esse sentimento logo despertará o interesse pela arquitetura gótica, que se torna
em pouco tempo o estilo típico das casas de campo inglesas, como ressalta
Pevsner (1982, p.342-343).
Os artistas franceses elegeram o ressurgimento do clássico e do gótico, por
representarem o que é genuíno, a salvação para a frivolidade do rococó. A
pesquisa estética na faculdade de arquitetura, de acordo com Pevsner (1982,
p.345-351), foi abandonada, sendo concentrada na pesquisa histórica, com
aprofundamento dos conhecimentos da arquitetura clássica e gótica, abrindo
caminhos para o conhecimento de outros estilos arquitetônicos que logo seriam
incorporados, inclusive orientais, como árabes, chineses e egípcios.
O humanismo liberal do século XIX e o declínio dos governos absolutistas
exigiram novos programas para os edifícios, como museus públicos, galerias de
arte, teatros e palácios de governo democráticos. Como destaca Pevsner (1982,
p.366-367), enquanto os arquitetos de sucesso preocupavam-se com as
decorações de fachadas e qual estilo era mais adequado para cada tipo de
construção – uma arquitetura de estilos – a crescente urbanização, gerada pela

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revolução industrial, exigia edifícios governamentais, bancos, estações
ferroviárias, hotéis, hospitais. Estas obras logo seriam apropriadas pelos
engenheiros, que iniciariam o uso dos materiais provenientes da indústria na
construção de pontes.
O ferro e o aço possibilitaram a verticalização das construções e vãos maiores. O
vidro combinado ao ferro e ao aço permitiu que os engenheiros construíssem
tetos e paredes cada vez mais transparentes. O concreto armado, introduzido no
final do século XIX, combinou a resistência à tração, do ferro, com a resistência
à compressão, da pedra (PEVSNER, 1982, p.371-373).
Na segunda metade do século XIX, o teórico francês de arquitetura, Eugène
Viollet-le-Duc, profundo conhecedor do que chamava de “construção regional”
– o gótico francês – começa a esboçar em suas aulas um ensino voltado ao
racionalismo estrutural, mostrando que os elementos constitutivos daquela
arquitetura eram dados como decorrentes do racionalismo estrutural
(FRAMPTON, 1997, p.69-70). Este método contribuiu para a libertação da
arquitetura das irrelevâncias ecléticas do historicismo. Mas levou um tempo até
que surgisse algo convincente, como explica Frampton (1997, p.73-74), que
ocorreu em 1892, quando Victor Horta conclui a construção do Hôtel Tassel em
Bruxelas, uma casa urbana de três andares, fachada estreita e formato
tradicional, mas que faz uso abundante do ferro como elemento estrutural e de
decoração, e há uma continuidade e fluidez entre os ambientes. Na França, em
1894, Anatole de Baudot, que fora aluno de Viollet-le-Duc, projeta a igreja de
St-Jean-de-Montmartre, em Paris, com uma estrutura de tijolo reforçado e
concreto armado, considerado o mais profundo ensaio do racionalismo estrutural
até então, de acordo com Frampton (1997, p.75).
É válido ainda ressaltar a produção de Adolf Loos, no início do século XX. Em
1908 publica o livro Ornamento e crime, o qual afirma que o ornamento
moderno não tem antepassados ou descendentes, além de implicar perda de
tempo em termos de trabalho e materiais e de uma submissão do artesão, fatos
incompatíveis com a nova realidade da sociedade burguesa e artesanal.
Frampton (p. 103-109) destaca que Loos postulou ainda o problema que Le
Corbusier acabaria por resolver com o desenvolvimento da planta livre: como
resolver o desenvolvimento espacial interno com a conveniência do volume
irregular.

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Será na Alemanha que, através da seleção tipológica e de um novo design, será
forjada a estética da máquina no século XX. No desenvolvimento industrial
alemão, os críticos sustentavam que o aperfeiçoamento do design, tanto nas artes
quanto na indústria, era fundamental para a prosperidade da indústria alemã
(FRAMTPON, 1997, 129-131). E a arquitetura terá papel fundamental, como o
projeto de Behrens para a Fábrica de Turbinas AEG, um neoclassicismo
reinterpretado, em tijolos, ferro e vidro, em Berlim, em 1909. Walter Gropius,
geração posterior de Behrens, seguiu os seus caminhos, na prática de
racionalização da arquitetura residencial e estudos sobre a pré-fabricação. Em
1911, em parceria com Adolf Meyer, projeta uma fábrica de sapatos, em Alfeld-
an-der-Leine, onde fazem uso de grandes painéis verticais de vidro, projetados a
partir da fachada de tijolo aparente, invertendo totalmente a linguagem clássica
ainda presente na obra de Behrenes, assumindo o racionalismo, como destaca
Frampton (1997, p.135-137). Assim, dá início a seus estudos sobre construção
industrial, e, em 1913, inicia seus trabalhos como designer industrial.
Walter Gropius terá papel fundamental no papel social da arquitetura e do design
no contexto industrial. Será um dos idealizadores da Bauhaus (1919-1932), em
Dessau, Alemanha, escola que tinha objetivo de romper as barreiras entre os
ofícios, a escultura, a pintura e arquitetura, (FRAMPTON, 1997, p.147-155).
Para a sede da escola, construída em 1926, Gropius concebeu um edifício como
corpo central com construções secundárias de alturas e volumes variáveis, numa
composição bastante lógica, de acordo com Pevsner (1982, p.396-397).
Le Corbusier tem papel central no desenvolvimento da arquitetura do século
XX. Em 1908, em Paris, Le Corbusier trabalha com Auguste Perret, figura
conhecida pela “domesticação” da estrutura de concreto armado. Assim,
convence-se que este seria o material do futuro, por sua natureza monolítica e
maleável, economia e durabilidade, como explica Frampton (1997, p.179-180).
Em 1915, junto ao engenheiro suíço Max du Bois desenvolveu duas ideias que
moldariam seu desenvolvimento ao longo da década de 1920, a Maison Dom-
Ino, que se tornaria a base estrutural da maioria de suas casas até 1935, como
destaca Frampton (1997, p.182-185), e as Villes Pilotis, uma cidade projetada
para ser construída sobre pilotis. Le Corbusier ansiava por desenvolver as
conotações urbanas de sua arquitetura, salienta Frampton (1997, p.185-186), e

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acreditava numa cidade feita para a velocidade, isto é, para o automóvel. Esse
conceito está presente no seu projeto do Plan Voisin para Paris, em 1925.
Resolver a dicotomia entre a estética do engenheiro e a arquitetura era
fundamental para Le Corbusier. Assim, como afirma Frampton (1997, p.188-
192), desenvolveu soluções arquitetônicas que serão referências para arquitetura
mundial por todo o século XX e até os dias de hoje, no século XXI: o
desenvolvimento da planta livre, ou seja, a separação das estruturas das
subdivisões espaciais, a fachada livre, longas janelas. Suas soluções de
construções sobre pilotis para liberar o térreo e jardins nas coberturas serão
amplamente utilizadas.
O modernismo se torna, assim, um Estilo Internacional, espalhando-se pelo
mundo na época da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), mas que, ao contrário
do estilo neoclássico dos séculos anteriores, não se tornou universal, uma vez
que sua forma era modulada de modo a responder a diferentes condições
climáticas e culturais, como destaca Frampton (1997, p.303-318). A
universalidade de abordagem, como elenca Frampton (1997, p.303), era definida
pela técnica leve, os materiais sintéticos modernos e as partes modulares
padronizadas, de modo a facilitar a fabricação e a construção.

5.1.2 Contexto Brasileiro

A chegada da família real portuguesa ao Brasil, em 1808, mudaria não só o


panorama político e social no Brasil, mas também o cultural. Até então, no
Brasil, as arquiteturas grandiosas eram, em maioria, igrejas, e os centros urbanos
eram bastante precários. Em 1816, a convite da corte de D. João VI, vem ao
Brasil a Missão Artística Francesa, que introduz o estilo neoclássico no Brasil. O
arquiteto da missão, Grandjean de Montigny funda a Escola de Belas-Artes do
Rio de Janeiro, nos moldes franceses, exercendo grande influência na arquitetura
brasileira, como destaca Bruand (2012, p.33-34). Assim, formou-se uma
corrente neoclássica que perdurou até 1860, quando outros estilos históricos
vieram para se associar.
Assim, as sedes de governo, assembleias legislativas e tribunais incorporaram o
vocabulário clássico; os outros edifícios, como outros edifícios públicos,
palácios e grandes casas da classe dominante adotaram os outros estilos

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históricos trazidos pelos franceses. Essa influência perdura ainda no século XX.
Bruand (2012, p.34-35) confirma que, naquela época, as grandes obras de
Haussmann em Paris tinham muito prestígio, fazendo com que Francisco Pereira
Passos, quando prefeito do Rio de Janeiro (1902 a 1906), destruísse parte do
centro antigo para abrir amplas avenidas, entre elas, a Avenida Central (hoje,
Rio Branco), onde houve uma grande transformação nas fachadas dos edifícios
(todas de inspiração francesa) e a construção de obras monumentais, como o
Teatro Municipal e a nova Escola Nacional de Belas Artes.
Em São Paulo, o classicismo e o ecletismo chegaram um pouco mais tarde. Vale
lembrar que no período colonial, São Paulo era uma região mais pobre e mais
isolada. Mesmo tão perto do Rio de Janeiro, praticamente não conheceu o
Neoclássico trazido pela Missão Francesa, e as construções eram
predominantemente, em taipa de pilão, sendo a primeira casa paulistana à moda
neoclássica datada de 1860, de acordo com Lemos (1987, p.71-72).
Esse quadro iria mudar com a riqueza gerada pelo café e com a instalação da
ferrovia que ligava Santos a São Paulo, em 1867. Assim, as novidades do mundo
chegavam a Santos e eram mandadas para São Paulo. A taipa foi substituída pelo
tijolo, e o ecletismo e a sua liberdade de misturar ornamentações tornou-se
sinônimo de progresso e linguagem do poder econômico, como destaca Lemos
(1987, p.72-73).
Lemos (1987, p.74-97) agrupa as tendências ecléticas em São Paulo em nove
grupos:

 O primeiro grupo é de construções neoclássicas ortodoxas, as


primeiras obras, na década de 1850 e 1860.
 O segundo grupo abrange construções neoclássicas, mas
comprometidas com a ornamentação renascentista e neorrenascentistas.
Esse grupo de construções tem início com a influência de alemães, a
partir da década de 1870. A esse grupo pertencem os exemplares
residenciais de famílias muito ricas, como o palacete de Dona Veridiana
da Silva Prado (1884), e os edifícios públicos do escritório do arquiteto
Francisco de Paula Ramos de Azevedo.
 O terceiro grupo abrange construções em que há a improvisação,
de caráter mais popular, predominando a tentativa de cópia das grandes
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obras de autor, pertencente ao segundo grupo. Fazem parte também as
reformas dos velhos edifícios de taipa, que ganham ornamentação
eclética.
 O quarto grupo abrange obras inspiradas no Art Nouveau
parisiense. O que se popularizou foi a ornamentação e a decoração do
estilo.
 O quinto grupo são as construções populares, com construções
convencionais de tijolos, que recebe a aplicação de decoração Art
Nouveau, como a utilização de portões em ferro com motivo floreal.
 O sexto grupo abrange as construções com características formais
inspiradas nos chalés alpinos.
 Ao sétimo grupo pertencem as construções que tentam recuperar
os estilos das sociedades alheias ao mundo clássico, iniciando-se com o
estilo neogótico, abrangendo também residências com estilos mouriscos,
neoegípcias, neoassírias. Popularizou-se a construção de igrejas em estilo
neogótico, como a nova Catedral de São Paulo.
 O oitavo grupo abrange as construções dentro do estilo que, na
época, anos da I Grande Guerra, chamava-se “Tradicionalista”, e hoje
denomina-se Neocolonial. O nono grupo abrange as reproduções
populares, simplificadas, desse estilo.

Paralela a esse contexto eclético, é preciosa a obra do arquiteto Victor Dubugras,


no final do século XIX e início do século XX. A obra de Dubugras não pode
receber a classificação simplista dentro do ecletismo. O arquiteto conhecia as
correntes arquitetônicas dos revivals, mas os utilizava com objetivos
racionalistas, em concordância com a corrente do racionalismo estrutural
europeu, de acordo com Reis Filho (1997, p.39). A sua carreira no Departamento
de Obras Públicas de São Paulo fez com que pudesse explorar seus
conhecimentos de projeto em edifícios públicos, como é o caso da Casa de
Câmara e Cadeia de Santa Bárbara d’Oeste, em 1896.
É válido também estabelecer a importância do estilo Neocolonial, por ser a
primeira iniciativa, em arquitetura, de valorização das raízes brasileiras e de uma
identidade nacional, que busca inspiração na arquitetura do período colonial, e

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também por se opor ao classicismo hegemônico, como destaca Pinheiro (2011,
p.16-17). O estilo nasceu com a conferência A Arte Tradicional no Brasil,
proferida pelo arquiteto Ricardo Severo, em 1914, na Escola Politécnica, em São
Paulo. De acordo com Pinheiro (2011, p.95-97), o estilo de popularizou a nível
nacional, sendo o estilo escolhido para a Exposição Internacional no Rio de
Janeiro em comemoração ao I Centenário da Independência, em 1922. Lúcio
Costa, no início de sua carreira, como lembra Pinheiro (2011, p.183-190),
participa do movimento, opondo-se a formalidade e a rigidez na arquitetura
residencial e ao ideal de perfeição doméstica então vigente: era o seu ensaio para
o estudo do movimento moderno europeu.
Em 1922, ocorre, em São Paulo, A Semana de Arte Moderna, onde os artistas e
intelectuais de vanguarda se reuniram no Teatro Municipal de São Paulo, como
Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Heitor Villa-Lobos etc. O estilo arquitetônico
vinculado ainda era o Neocolonial, como lembra Bruand (2012, p.61-63), mas o
evento possibilitou a aristocracia paulista conhecer a renovação da arte,
constituindo uma clientela favorável logo em breve.
Coube a um emigrante russo, o arquiteto Gregori Warchavchik, a tentativa de
superar os obstáculos a uma nova arquitetura: a hostilidade da opinião pública, a
necessidade de contornar a legislação municipal, o alto custo dos materiais
industrializados (cimento, ferro e vidro) e os métodos de construção ainda
artesanais, como lembra Bruand (2012, p.63).. É ele o autor da denominada
“primeira casa moderna em São Paulo” (1928). Burlando o serviço de censura
de fachadas da prefeitura de São Paulo, concebeu um projeto com volumes puros
e provocantes. Devido à dificuldade de encontrar os materiais industrializados,
empregou os materiais e técnicas tradicionais, mas de acordo com a nova
estética, fazendo com que a casa de tijolos tivesse aparência de concreto armado.
O resultado lembra as obras do austríaco Adolf Loos, em Viena. Para completar,
a residência contava ainda com um jardim tropical, em oposição aos jardins de
inspiração francesa e inglesa. Foi um primeiro passo para uma nova arquitetura,
como destaca Bruand (2012, p.65-68).
A década de 1930 foi decisiva para a arquitetura brasileira. A política implantada
pelo governo de Getúlio Vargas (1930-1945) e sua busca pela modernização do
país fomentariam o desejo de renovação da nova geração de arquitetos
brasileiros. Em 1930, há uma tentativa de renovação da Escola de Belas-Artes

18
no Rio de Janeiro, comandada por Lúcio Costa. Os tradicionalistas opuseram-se,
e Lúcio Costa se demite poucos meses depois, mas foi tempo suficiente para que
os estudantes se influenciaram pelo espírito de renovação do arquiteto, de acordo
com Bruand (2012, p.71-74). Nesse período, Costa se aprofunda no
conhecimento das teorias funcionalistas, tendo a arquitetura com finalidade
social, o emprego do concreto armado, principalmente pelo fator econômico, e a
busca por um estilo original, numa síntese do racionalismo internacional com a
tradição local, que buscará a inspiração na arquitetura colonial brasileira. Esse
aprofundamento fez com que Costa se tornasse o teórico da arquitetura moderna
brasileira, de acordo com Bruand (2012, p.74-75).
1936 constitui marco fundamental na história da arquitetura brasileira,
especialmente pela visita de Le Corbusier, convidado pelo Ministro da Educação
e Saúde, Gustavo Capanema, para assessorar a equipe liderada por Lúcio Costa
no projeto do edifício do ministério no Rio de Janeiro. Um concurso inicial teve
como vencedor um projeto tradicional acadêmico, descartado por Capanema por
não ser condizente com as aspirações do ministro, que convidou Lúcio Costa
para a idealização de um novo projeto. A equipe contava ainda com Affonso
Reidy, Jorge Moreira, Carlos Leão, Ernâni Vasconcellos e Oscar Nimeyer, que
se tornariam referências na arquitetura moderna brasileira. De acordo com
Bruand (2012, p.85-93), o edifício vertical foi concebido sobre pilotis, dispostos
de uma maneira elegante, que formaram uma verdadeira praça cívica coberta.
Conceberam um terraço-jardim, com projeto do arquiteto-paisagista Roberto
Burle Marx. Os arquitetos utilizaram-se do brise-soleil para a resolução de
problemas de insolação. As paredes tradicionais foram substituídas por simples
divisões, ou seja, fez-se uso da planta livre de Le Corbusier. A equipe ainda
contou no projeto com pintura de Cândido Portinari, como nos grandes murais
de azulejos, resgatando a tradição da arquitetura colonial, esculturas de Bruno
Giorgi, Antônio Celso e Jacques Lipchitz. O resultado foi um conjunto de
grande riqueza plástica, inaugurado em 1943.
Oscar Niemeyer se destacaria no seu projeto para o conjunto da Pampulha, a
convite do prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kibitchek de Oliveira, na
década de 1940. Neste projeto, Niemeyer exploraria toda a potencialidade
plástica do concreto armado, tendo como grande trunfo a Igreja de São Francisco
de Assis (1943), concebida como abóbodas parabólicas autoportantes de

19
concreto armado. O sucesso da parceria Juscelino Kubitchek e Niemeyer seria
repetido em 1956, quando esse se tornaria presidente da república e convidaria o
arquiteto para a elaboração dos projetos dos edifícios de uma nova capital
federal: Brasília (BRUAND, 2012, p.109-115).
Os projetos de Niemeyer se adaptaram perfeitamente ao plano urbanístico de
Brasília, fruto de um concurso, cujo projeto vencedor era de Lúcio Costa. Costa
concebeu uma cidade voltada para a alta velocidade, nos moldes dos estudos
urbanísticos de Le Corbusier, e os edifícios governamentais seriam dispostos em
um grande eixo monumental. Assim, de acordo com Bruand (2012, p.181-217),
Niemeyer, recém-chegado de uma viagem à Europa, onde compreendeu o
significado das criações do passado enquanto símbolo do estágio de uma
civilização e o valor permanente de sua beleza, oposto ao caráter transitório dos
fatores funcionais e utilitários, projetou palácios monumentais, como o Palácio
da Alvorada (1958), residência presidencial, o Palácio do Planalto (1960), sede
da presidência da república, e o Palácio do Itamaraty (1967), sede do Ministério
das Relações Exteriores. Destaca-se ainda o Palácio do Congresso, com seus
volumes puros e simples, e a significativa Catedral (1959), a expressão mais
completa das aspirações de Niemeyer.
Até este momento, já é notório que a arquitetura moderna brasileira deriva da
doutrina funcionalista definida pelos grandes mestres europeus das décadas de
1910-1930. Em sua essência, ela é racionalista e plástica ao mesmo tempo. Mas
a plasticidade foi explorada com outras abordagens, e não única e
exclusivamente sobre a perspectiva de Niemeyer. Por isso, é válida a obra da
arquiteta Lina Bo Bardi. A casa que construiu para si e para o seu marido no
bairro do Morumbi, em São Paulo, em 1951, chama atenção pela sua concepção,
como frisa Bruand (2012, p.267-268), que resulta de uma sutil mistura entre um
gosto artesanal e o emprego de uma técnica industrial avançada, utilizando-se,
para a estrutura, vulgares tubos de aço que suportam lajes finas de concreto: uma
realização de extrema leveza. O domínio da técnica e da plástica foi totalmente
explorado em seu projeto para o Novo Trianon (1957-1968), a nova sede do
Museu de Arte de São Paulo, na Avenida Paulista, liberando toda a vista para
um belvedere no nível da avenida, com um vão de 70 metros em concreto
armado.

20
Assim, Bruand (2012, p.373-376) constata que a arquitetura moderna brasileira
produziu palácios, ministérios, prefeituras, museus e teatros. Ou seja, a
arquitetura civil pública é de grande importância. Amplia-se, ainda, a
construções escolares, universitárias ou de outros tipos de ensino. Estações
rodoviárias, necessárias pelo aumento do tráfego de ônibus devido à ampla rede
rodoviária a partir da década de 1950, também obtiveram significativos
resultados arquitetônicos. O espírito desenvolvimentista também permitiu
conceber pavilhões de exposição. Os edifícios de escritórios podem afirmar a
originalidade da arquitetura brasileira, campo explorado pelos Irmãos Roberto,
Niemeyer , Rino Levi e outros nomes. A desigualdade social no país gerou uma
desproporcionalidade, uma vez que, no campo da habitação de caráter social,
foram poucas as tentativas válidas.
Bruand (2012, p.376-377) define como características gerais da arquitetura
moderna brasileira:

 O uso do concreto armado e arquitetura racionalista;


 A personalidade do arquiteto é dominante, com caráter artesanal,
uma vez que diversos acessórios produzidos em série são desenvolvidos
pelos próprios arquitetos;
 Arquitetura simbólica, pelo desejo de impor uma vida social em
comum e representar o orgulho da nação;
 Monumentalidade, uma vez que os edifícios públicos ocuparam
lugar de importância na história do movimento moderno;
 Plasticidade, explorando toda a flexibilidade escultural do
concreto armado;
 Simplicidade, pela clareza construtiva;
 Riqueza decorativa, com o uso de revestimentos de qualidade
(como mármores e granitos), plasticidade dos acessórios (como o brise-
soleil), colaboração com as demais artes (escultura, pintura, cerâmica).

5.2 A formação urbana e a presença do Estado

A formação urbana em Santa Bárbara d’Oeste se iniciou com a construção da capela em


louvor em Santa Bárbara, em 1818. O edifício passou a ser referência de uma trama

21
ortogonal de arruamentos, dando início a praça e ao centro. A partir de então, ao longo
do tempo, uma série de construções e intervenções no espaço urbano também passaram
a ser referências, como a linha férrea, em 1917, as indústrias, a partir da década de
1920, os outros edifícios religiosos etc. Mas o Estado terá papel fundamental nessa
formação urbana, ocupando o território e contribuindo não só com a prestação de
serviços públicos mas também na qualidade do espaço urbano e na produção
arquitetônica.

5.2.1 A Primeira República (1889-1930)

Com a implantação do Regime Republicano a partir de 1889 e a transformação


do estado de São Paulo devido ao enriquecimento gerado pela produção cafeeira
no último quartel do século XIX, o estado passa a executar um ambicioso
programa de obras públicas, como projetos para grupos escolares, edifícios para
cadeias e, sobre essas, fóruns ou câmaras municipais, que eram elaborados no
Departamento de Obras Públicas. De acordo com Reis Filho (1997, p. 40), os
edifícios tinham plantas padronizadas e obedeciam a uma tipologia pré-fixada.
Eram quase todos com embasamento de pedra e paredes de alvenaria de tijolos.
O tratamento plástico era resolvido com elementos decorativos, do repertório
clássico ou neogótico e neorromânico.

 Casa de Câmara e Cadeia

O primeiro projeto construído em Santa Bárbara foi o edifício de Câmara


e Cadeia, em 1896. De autoria do arquiteto Victor Dubugras, o edifício
foi concebido isolado no terreno, destacando-se da paisagem urbana da
época, e o projeto é resolvido, basicamente, em termos de volumetria.

O edifício construído em tijolos aparentes, com linhas austeras, é


bastante elegante, pelo jogo de volumes, chaminés salientes e arremates
apenas sugeridos nas extremidades das janelas. As entradas separadas, da
câmara e da cadeia, em arco pleno, davam um toque de refinamento. No
piso superior, onde funcionava a Câmara, Dubugras optou em deixar
aparente a estrutura do telhado, estrutura esta bastante refinada, o que
tornou o pé-direito maior, conferindo uma aparência solene, solução
utilizada em outros projetos do autor, conforme explica Reis Filho (1997,

22
p.41). As portas são tratadas com elegância, sem rebuscamento, e as
janelas de arcos abatidos sem preocupações com questões estilísticas. Ou
seja, os elementos decorativos são integrados às partes do edifício, como
partes da construção. Todos esses aspectos revelam a inovação desse
edifício, e que ele não pode ser classificado em uma das correntes dos
“revivals” arquitetônicos do ecletismo, como orienta Reis Filho (1997,
p.39), uma vez que o arquiteto faz o uso dos “revivals”, no caso o
neorromânico e neogótico, com objetivos racionalistas.

Imagem 1: Casa de Câmara e Cadeia de Santa Bárbara d’Oeste na época


de sua inauguração, em 1896.

Imagem 2: Cadeia pública de Santa Bárbara d’Oeste na época, década de


1940.

23
A Câmara funcionou no edifício até 1913, mudando-se para outro local.
A Cadeia continuou sendo no edifício. Na década de 1960, a estrutura e
os muros receberam reboco e pintura, e o edifício funcionava como
cadeia pública e delegacia de polícia. Em 1969, foi construído um anexo
(atual “Sala do Artista”) com o objetivo de aumentar o número de celas.
A cadeia permaneceu até o fim da década de 1970, quando foi construído
um novo edifício em outro local (GARCIA, 2013). O prédio já tinha no
entorno o centro urbanizado e a manutenção de presos no centro da
cidade já não era mais compatível. Com o uso como cadeia por mais de
70 anos, o prédio passou por diversas reformas, com várias
descaracterizações (MENILLO, 2009).

Na década de 1980, o edifício passou por várias reformas, como a


remoção de rebaixo no teto no grande salão, substituição das janelas da
fachada instaladas na década de 1960 por modelos que fossem
semelhantes às originais e, em 1988, instala-se no edifício o “Museu da
Imigração”, com o objetivo de preservar a memória da imigração em
Santa Bárbara, sendo inaugurado em 1988 e funcionando até os dias de
hoje (GARCIA, 2013).

Em 2002, há uma tentativa de tombamento para obter recursos para


reformas no museu, não havendo sucesso. Em 2005, é realizada uma
nova reforma no museu, concluída em 2006. Houve uma tentativa de
descascar o reboco colocado na década de 1960, não obtendo sucesso por
causa do mal estado dos tijolos (GARCIA, 2013).

24
Imagem 3: Museu da Imigração visto a partir da rua, 2016.

Imagem 4: Museu da Imigração visto a partir do acesso na lateral direita, 2016.

25
Imagem 5: Vista do forro do salão principal do edifício, 2016. Observar as estruturas do
forro.

 Grupo Escolar José Gabriel de Oliveira

A educação era do interesse do positivismo republicano da primeira


república. A construção de escolas públicas no estado de São Paulo entre
1890 e 1920 foi um feito memorável, contemplando diversas cidades.
Dentre elas, Santa Bárbara d’Oeste. O arquiteto responsável pelo projeto
do Grupo Escolar José Gabriel de Oliveira foi José van Humbeeck. De
acordo com Gordinho (2013, p. 22 e p. 168), Humbeeck era responsável
pelos projetos de construções térreas simples, adequadas para as cidades
do interior, que dispunham de terrenos maiores, tendo sido responsável
pelos grupos escolares de Pindamonhangaba, Caçapava, Itatiba, São
Simão, Bragança e Cajuru.

O projeto do edifício, localizado na Avenida de Cillos, foi concebido em


1905, e a construção se estendeu até 1913. Possui planta simétrica, com
acesso central através de escadaria. A fachada apresenta simplificações
neoclássicas, como as pilastras e os arcos plenos das aberturas. O pátio
interno é avarandado, sustentado por pilares metálicos, com acabamento
em lambrequim de madeira.

26
Imagem 6: G.E. José Gabriel de Oliveira, 1918.

Originalmente, o edifício era cercado por um muro, que a partir da


década de 1940, já não é mais existente, observando as fotografias. Sem
o muro, o edifício pode ser visto em toda a sua totalidade, revelando a
grandeza do seu projeto. Ele se volta para a cidade, integrando-se
totalmente à malha urbana, e a cidade ganha ainda uma praça.

Os detalhes construtivos do projeto garantiram a solidez do edifício.


Podem ser citados o embasamento do edifício, mais espesso que as
paredes, o que impede patologias na construção e as saliências nos
parapeitos das janelas, que não permitem o acúmulo de água da chuva,
contribuindo para que não haja umidade e nem apodrecimento dos
caixilhos.

Imagem 7: E.E. José Gabriel de Oliveira, 2016.

27
5.2.2 O Estado Novo (1937-1945)

Durante o Estado Novo foram implantados outros dois importantes edifícios


institucionais, o novo Paço Municipal (1940) e o G.E. Dr. Adhemar de Barros
(1941), já citados em outro momento. Um mapa de Santa Bárbara d’Oeste na
década de 1940 permite a compreensão de como os edifícios oficiais
determinam a espacialidade do território (ver, em Anexo I, Mapa 1).

5.2.3 A construção de uma centralidade cívica (década de 1970-2002)

A presença do Estado no território urbano foi constante. Intervenções reforçaram


as estruturas urbanas da cidade, pois estabeleceram ligações entre lugares pela
proximidade e demarcaram funções. Assim, a nova dinâmica territorial
caracterizada por eixos criou uma centralidade cívica correspondente, reunindo
os três poderes: o poder judiciário, por meio do Fórum da comarca, o poder
executivo, por meio do Paço Municipal, e o poder legislativo, por meio da
Câmara Municipal, ligada aos equipamentos anteriores por eixo (ver, em Anexo
I, Mapa 2). Esse processo iniciou-se na década de 1970, quando o edifício do
fórum foi inaugurado na Praça Dona Carolina. Em 1980, do outro lado da Praça
Dona Carolina, na Avenida Monte Castelo, foi inaugurado o Paço Municipal.
Em 2002, foi inaugurado o último edifício, a Câmara Municipal, no
entroncamento da Avenida Monte Castelo com a Rodovia Luiz Ometto.

5.3 A Igreja Matriz

A presença de uma igreja como marcação de território é praticamente regra na história


das cidades brasileiras. Em Santa Bárbara d’Oeste, não foi diferente. Foi a igreja que, na
condição do poder da Igreja Católica ser o mesmo poder do Estado durante o Brasil
Império, marcou a fundação de Santa Bárbara.

 Da primeira capela ao templo

Em 1817, Margarida da Graça Martins, herdeira do Engenho de São Jorge dos


Erasmos, em Santos, transferiu-se para a sesmaria adquirida, quando teve a

28
iniciativa de doar as terras para a Cúria Paulistana, com o objetivo de construção
de uma capela, em local correspondente ao da atual Igreja Matriz. No dia 04 de
dezembro de 1818, dia da padroeira (Santa Bárbara), inaugura-se a capela e tem-
se a fundação da comunidade de Santa Bárbara. Em 1839, a capela foi curada,
transformando-se em Igreja, passo que, no contexto supracitado, elevou a vila à
condição de freguesia, Santa Bárbara dos Toledos, em 1842 (MARTINS, 2007,
p-28-32). Não existem registros de desenhos ou fotográficos deste templo, mas,
conforme Crivellari (1974, p. 9), sabe-se que era uma construção em taipa.
Em 1878, foi demolido este templo. Logo em seguida, no mesmo local, ergueu-
se uma igreja modesta em tijolos, que demorou as últimas décadas do século
XIX para a construção (LINARDI, 2001, p.27). No início do século XX, as
reformas e acréscimos da nova Igreja foram sucessivas, com o objetivo de
transformá-la em um templo mais suntuoso. De acordo com Linardi (2001,
p.33), Em 1912 deu início a construção da torre, que teve a conclusão da sua
cúpula em 1918; os acabamentos da torre, ou seja, a aplicação da ornamentação
eclética classicizante se alastrou por toda a década de 1920.

Imagem 8: Igreja Matriz de Santa Bárbara, 1910.

Na década de 1930, iniciou-se a reforma das fachadas laterais da igreja,


começando pela parte posterior do edifício em direção à frontal, visando à
unificação da identidade estilística eclética classicizante. As obras de
responsabilidade dos Irmãos Teixeira foram inauguradas no início da década de

29
1940, e o templo passou a ser definido como a “moderna igreja matriz”,
conforme encontrado no Álbum Ilustrado de Santa Bárbara (1941).

Imagem 9: Igreja Matriz de Santa Bárbara, década de 1940.

Imagem 10: Nave da Igreja Matriz de Santa Bárbara, década de 1940.

 Os acréscimos

Na década de 1960, iniciou-se a construção de um anexo lateral à Igreja, na


esquina da Rua Santa Bárbara com a Rua General Osório, para suprir a
necessidade de espaços para as atividades administrativas e pastorais da igreja.
30
O anexo copiou os moldes classicizantes da forma da igreja, mas bastante
simplificado. Este anexo foi inaugurado na década de 1970.
Logo, iniciou-se a construção de um anexo na outra lateral, na esquina da Rua
Dona Margarida com a Rua General Osório, com as mesmas finalidades e com
as mesmas características, inaugurado na década de 1980. Nessa mesma época,
construiu-se uma cobertura defronte à torre, na porta principal da igreja, para a
entrada dos veículos que conduzem as noivas à igreja no dia dos casamentos.
Essas obras descaracterizaram completamente a concepção espacial da igreja de
nave única, prejudicaram a perspectiva e deram ao edifício um aspecto menor,
em termos de escala, do que ele realmente é, perdendo-se também a aparência de
isolamento que o templo possuía em relação à praça, uma vez que se alinhou ao
alinhamento do passeio. A cobertura defronte à torre diminui ainda o aspecto
vertical da torre na perspectiva do usuário.
Os anexos também prejudicaram a permeabilidade visual da Praça Rio Branco, e
constituíram uma enorme barreira visual na Rua General Osório, os “fundos” da
igreja.

 As sucessivas reformas

Ao longo dos anos o edifício passou por diversas reformas. Troca das antigas
portas de madeira por portas de ferro e vidro, dos antigos oratórios, construção
de paredes, e outras. É bastante difícil precisar as datas e o que foi modificado,
por não existir muitos registros fotográficos ou documentais dos aspectos
interiores do edifício.
Nos anos 2000, iniciaram-se as obras que descaracterizariam por completo o
edifício concluído na década de 1940. Foi substituído todo o piso: o antigo
ladrilho hidráulico deu lugar ao granito polido. Os antigos vitrais foram
substituídos por novos. O altar foi bastante modificado, dando lugar a
patamares, púlpitos e bancos em mármore, substituindo os antigos, de madeira.
O para-vento de madeira foi substituído por um de vidro. As portas em ferro e
vidro foram substituídas por portas de madeira, inspiradas em antigas portas. O
interior da igreja recebeu revestimento tipo grafiato e pintura em látex. Nos anos
2010, o telhado com estrutura de madeira e telhas cerâmicas foi substituído por
tesouras metálicas e telhas metálicas. Aproveitou-se para retirar o forro de

31
estuque e as cornijas de acabamento, substituindo-se por um forro de gesso com
sancas.

Imagem 11: Igreja Matriz de Santa Bárbara, 2016.

5.4 A Praça e o Centro

A capela em louvor à Santa Bárbara, que se tornaria a Igreja Matriz, é a que vai marcar
o território. É a partir do quadrilátero traçado ao seu redor que será desenvolvida a
malha ortogonal de vias públicas que formarão o núcleo urbano inicial, constituindo
atualmente a região central.

São inexistentes registros de imagens ou fotografias das primeiras construções desse


núcleo urbano, mas é possível afirmar, pela herança dessa malha ortogonal, e pela
conformação dos primeiros registros de imagem, que os edifícios eram construídos
sobre o alinhamento das vias públicas e paredes laterais sobre os limites dos terrenos,
apresentando aspecto uniforme, características do aproveitamento das tradições
urbanísticas de Portugal, implantadas no período colonial, conforme afirmado por Reis
Filho (2004, p. 22-24).

32
Imagem 12: Aspecto da Rua Floriano Peixoto, 1906.

Defronte à igreja, constituir-se-á um largo, que, até o fim do século XIX, resume-se a
um pasto onde permaneciam diversos animais. As primeiras iniciativas de urbanização,
com arborização e implantação de um jardim público, datam de 1893. O espaço possuía
um cercamento em arame para que os animais não invadissem o espaço. No início do
século XX, instala-se um coreto, em ferro, com o intuito de embelezar o espaço e para
atender as demandas provenientes das atividades culturais e de lazer, como
apresentações musicais (LINARDI, 2001, p.28-30). Além disso, este largo será uma
extensão do templo religioso: é nele que ocorrerão as comemorações religiosas – as
festas, procissões e quermesses. Assim, pode-se afirmar que a praça conformava todas
as atividades da cidade: a residência, o comércio, a cultura e o lazer.

Imagem 13: Largo da Matriz, 1909.

33
O largo, cortado pela Rua Floriano Peixoto, passa a constituir duas praças: ao redor da
Igreja Matriz, denominada Praça Rio Branco, em 1912, uma homenagem ao Barão do
Rio Branco, e a outra, denominada, em 1937, Coronel Luiz Alvez, em homenagem ao
usineiro. Ao longo dos anos, os canteiros dos jardins foram sendo aprimorados, e o
cercamento, retirado.

Nos primeiros registros de fotográficos, do início do século XX, é possível notar a


predominância de edifícios térreos, implantados conforme explicado anteriormente.
Eram edifícios em taipa de pilão ou alvenaria de tijolos, com telhados de barro, portas e
janelas de madeira e quase nenhuma ornamentação.

O crescimento urbano nas primeiras décadas do século XX acarretarão mudanças


significativas nesse espaço, surgindo novos serviços urbanos, como iluminação e
pavimentação pública. Os melhoramentos na praça serão visíveis, e novas reformas
ocorrerão na década de 1920, com a implantação de jardins simétricos, com adornos,
inspirados nos jardins franceses, como elenca Linardi (2001, p.36).

Imagem 14: Praça, 1917.

O esquema de relações entre o edifício e o lote urbano permanecerá o mesmo. O


predomínio será de edifícios térreos, mas em alvenaria de tijolos, telhado de barro e
ornamentação eclética com adaptações simplificadoras nas pilastras, cornijas, molduras
de aberturas e platibandas. É bastante comum edifícios em que são compartilhadas as
funções de moradia e de trabalho.

34
As famílias mais abastadas construirão residências com um esquema de implantação um
pouco diferente, com as características explicadas por Reis Filho (2004, p.43-48): no
alinhamento da via pública, mas afastadas dos vizinhos, com entrada por um jardim
lateral. Logo, as casas menores também adotarão a mesma implantação, mas ao invés de
jardim lateral, será um estreito corredor. As casas serão construídas sobre porão, nem
sempre habitável, ganhando um pouco de altura e proporcionando mais privacidade. As
características das construções já foram citadas: estrutura em alvenaria de tijolos,
cobertura em telhas de barro e ornamentação eclética.

Durante a década de 1930, a praça e o seu entorno consolidam-se como espaço de


concentração de atividades. Nos anos 1930 e 1940, a praça passa por novas reformas
modernizadoras, com troca de calçamento, novos jardins e construção de caramanchões
(LINARDI, 2001, p.37-54). Nessa época é que ocorrem as modernizações na cidade,
com obras de infraestrutura e construção de novos edifícios. Surgem as primeiras
residências assobradadas, construídas isoladas nos terrenos e com jardins ao redor.

Imagem 15: Praça Rio Branco, década de 1930.

35
Imagem 16: Praça Coronel Luiz Alves e Praça Rio Branco, 1941.

Na década de 1940, a Rua Floriano Peixoto, na altura das praças, foi fechada,
transformando as duas praças em uma única. A partir da década de 1950, com o espírito
desenvolvimentista do país, a praça passará por novas modernizações, como a
instalação de uma fonte luminosa. No entorno imediato, passará a aumentar o número
de estabelecimentos comerciais e de serviço e, logo a partir da década de 1960, as
antigas construções ao redor da praça foram substituídas. Os estabelecimentos
comerciais foram ampliados. Uma parte dos antigos edifícios térreos foi substituída por
sobrados, onde o térreo destinava-se aos estabelecimentos comerciais e o pavimento
superior, à residência. Apesar disso, a implantação no lote continuava a mesma:
construção no alinhamento e nas divisas, e a harmonia de gabaritos foram mantidas.

Imagem 17: Aspecto das praças Coronel Luiz Alves e Rio Branco e da região central, 1949.

36
Na década de 1970, com o crescimento urbano e populacional, continua a renovação das
construções, e, com o crescimento urbano e populacional e, consequentemente do fluxo
de pedestres e veículos, inicia-se na cidade debates a respeito de soluções para o
melhoramento da mobilidade na praça e na região central. Essa discussão acaba
contribuindo para a grande intervenção realizada na praça na década de 1980, com uma
ampla reforma. Foram implantados os calçadões, baseadas nas experiências urbanas
semelhantes em voga nos Estados Unidos. Foram bloqueados os trechos da Rua Dona
Margarida e Rua Graça Martins entre a Rua Floriano Peixoto e a Rua Prudente de
Moraes (LINARDI, 2001, p. 71-81). O fechamento gerou polêmica, principalmente por
parte dos comerciantes. Esta polêmica se arrastará pelos anos. No centro da praça, foi
instalado um teatro de arena e sanitários. O paisagismo foi completamente remodelado,
com a implantação, inclusive, de espelhos d’água. E o fluxo de pessoas só aumentou,
em consequência do aumento da oferta do comércio e da prestação de serviços.

Imagem 18: Praças Coronel Luiz Alves e Rio Branco e região central, década de 1970.

Nessa época, iniciou-se uma tímida verticalização na área central, em pontos


específicos. Na praça, ocorre em um único caso, o Edifício Ponta de Sol, com dez
pavimentos. Mas apresenta a fachada voltada para a praça ativa, com estabelecimentos
comerciais no térreo e a verticalização ocorre um pouco recuada, amenizando o seu
efeito. Inicia-se, nesse período também, uma diminuição de residências na região
central.

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Imagem 19: Praças Coronel Luiz Alves e Rio Branco após a grande reforma, na década de 1980. Ao
centro, o teatro de arena. Ao fundo, o Edifício Málaga, na Rua Graça Martins, ainda em construção.

Nos anos 1990 e 2000, a praça mantém a sua importância como um grande ponto de
concentração de comércio, serviços, atividades culturais e de lazer (ampliadas após a
implantação do teatro de arena), transporte (com a implantação de ponto de ônibus), e as
tradicionais festas religiosas. As residências na região ficaram escassas, sendo
substituídas por salões comerciais.

Em 2015 foi realizada uma nova reforma na praça: troca do piso, da iluminação, aterro
dos espelhos d’água e o fim do calçadão. As ruas Dona Margarida e Santa Bárbara
foram reabertas no trecho entre a Rua Floriano Peixoto e a Rua Prudente de Moraes,
com a justificativa de que melhoraria a mobilidade urbana. Do ponto de vista do
pedestre, não houve melhora, uma vez que transitar pela praça ficou menos seguro e
requer atenção redobrada; para os veículos, os caminhos foram encurtados, mas é
possível notar que aumentaram os cruzamentos com conflitos na região central.
Portanto, o debate sobre o fechamento e a abertura das ruas ainda permanece.

Apesar das transformações decorrentes de reformas, novos usos, novos edifícios,


aumento de fluxo de pedestres e veículos, é possível afirmar que a espacialidade da
praça e da região central se manteve a mesma. A existência de alguns remanescentes de
edificações construídas na primeira metade do século XX não é o único fator que
justifica a afirmação. Além da continuidade da importância da praça como articuladora
de fluxos, justifica-se também o fato de que o modo de implantação no terreno das

38
novas construções e o gabarito baixo (com predominância de edifícios assobradados)
permaneceram, fazendo com que a percepção espacial do usuário continuasse a mesma.
Ou seja, a paisagem urbana foi preservada.

Imagem 20: Teatro de Arena, 2016.

E a preservação da paisagem urbana não é fruto de políticas urbanas. O Código de


Obras e Urbanismo do município de Santa Bárbara d’Oeste (Lei nº 2402, de 07 de
janeiro de 1999), prevê, no Capítulo V – Dimensão e uso dos lotes, Seção II – Ocupação
dos lotes, Artigo 321, que, na Zona Central, a ocupação do lote pode chegar a 100%
(com exceção para edificações residenciais). O Artigo 329 prevê o uso de 100% do
subsolo (desde que ele esteja, no máximo, a 1,2m do nível do passeio público), e o
Artigo 330 prevê que o índice máximo de utilização do terreno é de cinco vezes a sua
área. Ou seja, são parâmetros urbanísticos que fomentam a especulação imobiliária e,
portanto, cabe, em outro momento, um estudo aprofundado sobre as causas que
contribuíram para a preservação desta paisagem.

39
Imagem 21: Edifício provavelmente da década de Imagem 22: Edifício provavelmente da década de
1940, na esquina das ruas General Osório e Dona 1930, na esquina das ruas Floriano Peixoto e
Margarida. Dona Margarida (defronte à Praça Rio Branco).

Imagem 23: Edifício da década de 1930, na Rua Imagem 24: Edifício da década de 1930, na Rua
Dona Margarida (defronte à Praça Rio Branco). Floriano Peixoto.

5.5 Arquitetura Ferroviária

É indiscutível o importante papel que as ferrovias tiveram no rompimento do histórico


isolamento do planalto e no grande desenvolvimento do interior do estado de São Paulo,
no século XIX, pela riqueza gerada com o café. Como salienta Kühl (1998, p.101-102),
as ferrovias colocaram São Paulo nos principais eixos de economia do país, facilitando
o escoamento da produção agrícola, e sanaram o problema de conexão entre o planalto e
o litoral e os seus portos e, consequentemente, com outras regiões do país e do exterior;
sendo assim, as estradas de ferro também tiveram papel de destaque na ocupação do
território de São Paulo.

40
 Companhia Paulista de Estradas de Ferro

A Companhia Paulista de Estradas de Ferro, “Cia. Paulista”, foi constituída em


1868, tendo sua primeira linha inaugurada em 1872, ligando Jundiaí a Campinas.
Em 1873, a companhia assumiu a construção do prolongamento de Campinas à Rio
Claro, aberto em 1876, trecho que passaria por Santa Bárbara, tendo sido construída
uma estação e inaugurado em 1875 (KÜHL, 1998, p.131). Este trecho e esta estação
encontram-se em território pertencente ao município de Americana, emancipado em
1904.

 A estação ferroviária

Em 1917, a Cia. Paulista inaugura um novo ramal ferroviário ligando Santa Bárbara
a Nova Odessa, e, consequentemente, articulava-se Nova Odessa a Campinas, e a
estação ferroviária, nos limites do núcleo urbano de Santa Bárbara (CRIVELLARI,
1974, p.14). Este ramal foi essencial para o escoamento da produção crescente das
usinas açucareiras, trazendo desenvolvimento econômico ao município e,
posteriormente, o escoamento da produção industrial.

Imagem 25: Estação ferroviária, década de 1940.

A estação e o ramal foram utilizados até a década de 1970 para o transporte de


cargas e de passageiros, e até meados dos anos 1990 para o transporte de cargas.
Posteriormente, funcionou como estação rodoviária. Em 2003, passou a sediar a
Casa de Cultura. Em 2005, a RFFSA – Rede Ferroviária S.A., proprietária da área,
assinou um contrato de cessão de uso à Fundação Romi. Assim, iniciaram-se as
obras de revitalização, sendo inauguradas em 2007, com a transformação do espaço

41
em um espaço cultural denominado “Estação Cultural”, mantido pela Fundação
Romi.

Imagem 26: Estação Cultural, 2016.

Imagem 27: Estação Cultural, vista a partir da Avenida Tiradentes, 2016.

 O conjunto edificado

Na classificação elaborada por Kühl (1998, p.138-141), o edifício principal da


estação ferroviária de Santa Bárbara d’Oeste, de 1917, pode ser enquadrado no tipo
mais simples, composto por um edifício retangular de alvenaria, de proporções
modestas, disposto paralelamente aos trilhos, cuja parte metálica se limita à

42
estrutura de uma marquise. O edifício segue o estilo eclético, mas com linhas
simplificadas. Neste edifício funcionavam os guichês, a espera, a administração e
um pequeno espaço para armazenagem.

Além do edifício principal, faz parte do conjunto um edifício retangular com


marquises laterais com estrutura de madeira, destinado a armazenagem, construído
na década de 1930, ao lado do edifício principal.

Imagem 28: Perspectiva interna do antigo edifício de armazenagem, onde funciona, atualmente, um
espaço multiuso.

Faz parte também uma pequena vila destinada à residência dos funcionários da
estação.

Imagem 29: Antiga vila ferroviária, 2016.

43
 O leito da ferrovia

O leito da estrada de ferro ainda é um elemento presente em meio à malha urbana de


Santa Bárbara d’Oeste. É um importante testemunho histórico de um meio de
transporte essencial para o desenvolvimento econômico, e também dos processos de
transformação urbana pelos quais a cidade passou (ver, em Anexo I, Mapa 3 e Mapa
4).

Imagem 30: Remanescentes do leito da ferrovia próximos à estação, 2016.

Imagem 31: Remanescentes do leito da ferrovia, paralelo à Avenida da Saudade, 2016.

44
 Estação ferroviária do Caiubi

Em 1920, o ramal, que partia de Nova Odessa, é concluído até o seu destino final,
Piracicaba. Em 1922, é inaugurada a estação do Caiubi, núcleo rural de Santa
Bárbara d’Oeste, situado geograficamente entre a estação ferroviária de Santa
Bárbara e o município de Piracicaba (MARTINS, 2007, p.56).

Imagem 32: Estação ferroviária do Caiubi, década de 1920.

O transporte de passageiros foi encerrado na década de 1970 e o transporte de cargas


em meados dos anos 1990. A estação foi demolida logo em seguida, restando apenas
a plataforma.

Imagem 33: Plataforma da antiga estação ferroviária do Caiubi, 2016.

45
 Estação ferroviária da Usina de Cillos

Imagem 34: Estação ferroviária da Usina de


Cillos, 1924.

Imagem 35: Antiga estação ferroviária da Usina de


Cillos, 2010.

Em 1924 foi inaugurada a estação ferroviária da Usina de Cillos, localizada


geograficamente entre Nova Odessa e a estação ferroviária de Santa Bárbara. Era
um importante meio de escoamento da produção da usina (CRIVELLARI, 1974,
p.14). Foi utilizada até a década de 1970, quando a usina encerrou suas atividades.
Atualmente, está abandonada.

5.6 A imigração norte-americana

Santa Bárbara d’Oeste viveu um capítulo bastante particular da história do Brasil: a


imigração norte-americana. Após a rendição dos “Estados Confederados” aos estados
do norte dos Estados Unidos na Guerra Civil Americana (1861-1865), o governo
brasileiro, interessado na imigração, estimulou a vinda dos sulistas para o Brasil. Em
1866, como descreve Crivellari (1974, p.21), Willian Hutchinson Norris de instala em
Santa Bárbara, em território que hoje pertence à Americana e, logo obteve sucesso
financeiro com a produção de algodão e com a utilização de arados. Com o seu sucesso,
articula a vinda de outras famílias, incluindo o Coronel Asa Thompson Oliver, que, em
seguida, constituirão colônia.

O Coronel Oliver adquire uma fazenda em Santa Bárbara e chega em 1867. Logo na
chegada, falece sua esposa. Seguindo um costume sulista, ele realiza o sepultamento em
suas terras, onde, logo depois, sepulta suas duas filhas. Convém lembrar ainda que,

46
durante o Brasil Império não havia separação entre estado e igreja, e os cemitérios
pertenciam à Igreja Católica. Pouco após os sepultamentos dos Oliver, falece Henry
Bankston, e o sepultamento do menino no cemitério de Santa Bárbara foi negado, uma
vez que era um “não-católico”. A família pede ao Cel. Oliver, que permite o
sepultamento junto à esposa e às filhas. Assim, sucederam-se outros sepultamentos de
membros da comunidade confederada, estabelecendo-se o cemitério (CRIVELLARI,
1974, p.23).

Em 1878, a comunidade erigiu uma capela de madeira que atendia as três denominações
protestantes: Presbiteriana, Batista e Metodista. Como esclarece Crivellari (1974, p.23),
o solo instável exigiu a reconstrução da igreja, desta vez em tijolos, em 1903, e da
versão atual, datada de 1962 .

Imagem 36: Capela do Cemitério, 1903.

Imagem 37: Capela do Cemitério, atualmente.

O cemitério é mantido pela Fraternidade e Descendência Americana, fundada em 1954,


que conta com as doações dos sócios contribuintes (ver localização do cemitério em
Anexo I, Mapa 5).

 A cultura do algodão e os arados

A cultura do algodão, trazida por Willian H. Norris pode ser considerada o


embrião das indústrias têxteis do município de Americana e de Santa Bárbara
d’Oeste. E a utilização dos arados na produção agrícola pode ser considerada o

47
embrião das indústrias de implementos agrícolas em Santa Bárbara, como a
Fábrica de Arados Sans e a Máquinas Agrícolas Romi.

 A cultura protestante

A crença evangélica foi trazida junto aos imigrantes. Sendo assim, em 1870 é
fundada a Igreja Presbiteriana e, em 1871, construída a primeira Igreja Batista
no Brasil, ambas em territórios das fazendas dos imigrantes (CRIVELLARI,
1974, p.22). Até hoje a cultura protestante é bastante significativa em Santa
Bárbara d’Oeste, com templos bastante destacáveis na paisagem urbana.

 Igreja Presbiteriana Central

A Igreja Presbiteriana Central foi inaugurada em 1952, em uma pequena capela.


Com o passar dos anos, a capela foi se transformando em um templo, com
notórias inspirações no edifício da Igreja Matriz de Santa Bárbara, com
simplificações em decorrência, inclusive da escala do edifício e do terreno.

Imagem 38: Igreja Presbiteriana Central, 1952.

Imagem 39: Igreja Presbiteriana Central, 2016.

 Igreja Batista Memorial

A Igreja Batista Memorial, no Centro de Santa Bárbara d’Oeste, foi inaugurada


em 1955, em um pequeno edifício. Na década de 1960, iniciou-se a construção
de um novo templo, ao lado do antigo, que foi demolido posteriormente para a

48
conclusão das obras, que se deu no início da década de 1970. A igreja é um
grande edifício, com um amplo templo e um anexo de quatro pavimentos para
outras atividades religiosas.

Imagem 40: Igreja Batista Memorial, década de Imagem 41: Construção do novo templo da Igreja
1950. Batista Memorial, ao lado do antigo, década de
1960.

Imagem 42: Igreja Batista Memorial, 2016.

5.7 As modernizações em Santa Bárbara d’Oeste

A partir de 1869, com a emancipação política, Santa Bárbara inicia o seu processo de
urbanização. Em 1875, ocorre o primeiro grande passo para o progresso do município: a
inauguração de trecho da Estrada de Ferro da Cia. Paulista até Santa Bárbara em local
que atualmente corresponde ao município de Americana (CRIVELLARI, 1974, p.14).

49
Com a facilidade de escoamento da produção canavieira, a demanda aumentou, e a
expansão da produção fez com que os canaviais tomassem conta da paisagem e os
pequenos engenhos de açúcar e destilarias necessitaram de modernizações,
transformando-se em grandes usinas, como a Usina de Cillo (1903), a Usina Furlan
(1910), a Usina Santa Bárbara (1913) e a Usina Azanha Galvão (1935).

O fortalecimento da atividade canavieira e a crescente exportação fez com que o campo


se tornasse o grande mercado consumidor da indústria (SANTOS, 1988, p.44). Sendo
assim, em 1922, se instalaria a primeira indústria têxtil de Santa Bárbara, a Cia. Fiação e
Tecelagem Santa Bárbara S.A., em 1922, por iniciativa do Coronel Luiz Alves de
Almeida, proprietário da Usina Santa Bárbara, com a finalidade de produzir sacarias
para a embalagem do açúcar para exportação. E, conforme Crivellari (1974, p.17). Em
1934, inicia-se a fundição do Sr. Américo Emílio Romi e, a partir de 1938, inicia-se a
produção de máquinas agrícolas.

O cenário político e econômico nacional das décadas de 1930 e 1940 vai impulsionar o
processo de transformação e modernização urbana em Santa Bárbara d’Oeste. Em 1930,
Getúlio Vargas chega à presidência da república e, com amplo apoio popular, cria, em
1937, o Estado Novo, que durará até 1945. Neste período, houve a centralização
política. O período foi marcado por políticas e campanhas modernizadoras e de cunho
nacionalista. Sendo assim, foram criadas as indústrias de base e houve o fortalecimento
da indústria nacional. Vale salientar que foi nesta época que a então Máquinas Agrícolas
Romi deslancha como uma indústria de ponta, como afirma Crivellari (1974, p.17),
produzindo tornos mecânicos a partir de 1940 e a fabricação do primeiro trator nacional
em 1948. Outras indústrias irão se instalar durante o período em Santa Bárbara, sendo, a
maioria, de máquinas e implementos agrícolas e têxteis (ver em Anexo I, Mapa 6).

A modernização do campo e da indústria proporcionou uma mudança na produção


arquitetônica. A utilização de materiais industrializados na construção tornou-se mais
acessível, uma vez que havia instalada no município uma fábrica de ladrilhos e de
granito artificial. Outra mudança é a profissionalização dos profissionais da construção
civil, com a presença de uma empresa de construção, a “Irmãos Teixeira”, responsável
pelas obras de reforma e de construção da torre da Igreja Matriz e de um Grupo Escolar.

50
É possível encontrar os anúncios dessas empresas em publicação veiculada na cidade
em 1941, intitulada Álbum Ilustrado de Santa Bárbara.

Imagem 43: Propaganda da firma “Irmãos Imagem 44: Propaganda da fábrica de ladrilhos e
Teixeira”, encontrada no Álbum Ilustrado de Santa granito artificial “Eugenio Paroli”, encontrada no
Bárbara, 1941. Álbum Ilustrado de Santa Bárbara, 1941.

Em 1941, a cidade de Santa Bárbara d’Oeste contava com 16 ruas e 3 praças (Praça
Barão do Rio Branco, Praça Coronel Luiz Alves e Praça 9 de Julho). O número de
prédios urbanos excedia 720. A população era de 15000 habitantes, sendo 3 mil na zona
urbana e 12 mil na zona rural (ÁLBUM ILUSTRADO DE SANTA BÁRBARA, 1941).

Em 1936, assume a prefeitura o prefeito Plácido Ribeiro Ferreira, que governará até
1945, portanto, no contexto do Estado Novo, o qual será responsável por obras que
trouxeram grandes avanços para a infraestrutura urbana e os equipamentos públicos (ver
em Anexo I, Mapa 1).

51
Como obras de infraestrutura urbana, têm-se a ponte do funil, inaugurada em 1937,
construída em concreto armado sobre o Rio Piracicaba na estrada que faz ligação às
cidades de Iracemápolis e Limeira, pondo fim à travessia por balsas, e a construção da
primeira caixa d’água da cidade, inaugurada em 1941, que armazenava a água tratada
proveniente do bombeamento de água do Rio Piracicaba (ÁLBUM ILUSTRADO DE
SANTA BÁRBARA, 1941). A caixa d´água continua sendo utilizada para esta
finalidade.

Imagem 45: Ponte do funil, 1937. Imagem 46: Antiga ponte do funil,
desativada com a construção de uma nova
ponte em paralelo, em 2006.

Imagem 47: Caixa d’água, 1941.

Imagem 48: Caixa d’água, 2016.

52
Uma grande intervenção paisagística de cunho modernizante foi realizada em 1941 nas
praças Rio Branco e Coronel Luiz Alves. O antigo largo deu lugar a um jardim com
caminhos de mosaicos de pedras portuguesas, jardins geométricos e caramanchões.

Imagem 49: Praça Coronel Luiz Alves (à direita, Rua Dona Margarida; abaixo, Rua Floriano Peixoto; à
esquerda, Rua Santa Bárbara), década de 1940.

Imagem 50: Praça Coronel Luiz Alves e Praça Rio Branco, 1941.

Imagem 51: Praça Rio Branco vista a partir da Rua D. Margarida, 2017.

53
Imagem 52: Praça Coronel Luiz Alves / Rua Santa Bárbara, 2017.

Com o fortalecimento do poder executivo na política do período, havia a necessidade de


um espaço adequado para sede do referido poder e, em 1940, é inaugurado o Paço
Municipal, localizado na Praça 9 de Julho, um edifício com características
classicizantes. Desde 1976, o edifício abriga a “Biblioteca Municipal Maria Aparecida
de Almeida Nogueira”. Outro equipamento público inaugurado no período é o Grupo
Escolar Dr. Adhemar de Barros, na Rua João Lino, em 1941, que continua sendo
utilizado como escola, mas com a denominação alterada, sendo “Escola Estadual
Professor Inocêncio Maia”. O edifício, projetado pelos Irmãos Teixeira, segue o estilo
Neocolonial – ou seja, como esclarece Pinheiro (2011, p.267-271), obedece às diretrizes
para construção de edifícios escolares estabelecidas pelo projeto educacional da época.

Imagem 53: Paço Municipal, 1940.

54
Imagem 54: Biblioteca Municipal Maria Aparecida de Almeida Nogueira, 2016.

Imagem 55: Detalhe do acesso ao edifício da Imagem 56: Saguão do edifício da Biblioteca
Biblioteca Municipal Maria Aparecida de Municipal Maria Aparecida de Almeida
Almeida Nogueira, 2016. Nogueira, 2016.

55
Imagem 57: Grupo Escolar Dr. Adhemar de Barros, 1941.

Imagem 58: Escola Estadual Prof. Inocêncio Maia, 2016.

Obras vultosas também foram construídas na época, no embalo das grandes obras
institucionais. Em 1939, a família Maluf inaugura o Cine Theatro Santa Rosa, na Rua
XV de Novembro. O grandioso edifício é um exemplar Art Déco, estilo bastante
difundido nas décadas de 1930 e 1940, associado à modernidade. Após o fechamento do
cinema, na década de 1990, passou a sediar a Igreja Universal, que mudou de endereço

56
recentemente e, portanto, o edifício se encontra vazio. Outra grande obra de importância
para a sociedade barbarense de então foi a inauguração das obras de reforma e de
construção da torre da Igreja Matriz, de autoria dos Irmãos Teixeira. A torre da igreja
modificou definitivamente a paisagem urbana da cidade (ÁLBUM ILUSTRADO DE
SANTA BÁRBARA, 1941).

Imagem 59: Cine Theatro Santa Rosa, 1940.

Imagem 60: Antigo Cine Theatro Santa Rosa, 2016.

57
5.8 Patrimônio industrial

Os pequenos engenhos que se transformaram em grandes usinas e a quantidade de


pessoas vinculadas a ela era o prenúncio da vocação industrial de Santa Bárbara
d’Oeste. Mas o que tornaria Santa Bárbara d’Oeste um pólo industrial seria o
empreendedorismo do Coronel Luiz Alves de Almeida, com a Cia. Fiação e Tecelagem
Santa Bárbara, e o pioneirismo do Comendador Américo Emílio Romi, com as
Indústrias Romi (ver em Anexo I, Mapa 6).

 Cia. Fiação e Tecelagem Santa Bárbara

Em 1922, a Câmara Municipal de Santa Bárbara promulga a lei 130, com o intuito
de fomentar e impulsionas a indústria na cidade, auxiliando a empresa que se
constituir para o estabelecimento de fábrica de tecidos. A lei ainda indica a doação
de um terreno, onde antes era uma praça, para a construção da fábrica. Além disso, a
empresa receberia isenção de impostos por 20 anos. No mesmo ano, a lei foi
assinada pelo prefeito José Gabriel de Oliveira. Desta maneira, como explicado por
Beltrame (2015, p.8), tem-se início a Cia. Fiação e Tecelagem Santa Bárbara, no
quarteirão formado pelas ruas Joaquim de Oliveira, XV de Novembro, José
Bonifácio e Dona Margarida.

Imagem 61: Cia. Fiação e Tecelagem Santa Bárbara, 1949.

58
Beltrame (2015, p.8) ainda explica que a produção da fábrica foi preferencialmente
de sacaria para as usinas de açúcar do município e região. Visando a isso, em 1929,
a indústria é arrematada pelo Coronel Luiz Alves de Almeida, proprietário da Usina
Santa Bárbara, sendo que em 1931, o Sr. Alberto Cervone adquire 50% das ações.
Em 1936, assume o controle acionário o Sr. Lino Morganti. Em 1977, assume o Dr.
Renato Junqueira de Andrade. Em 1982, a empresa foi adquirida pelo Grupo
Vicunha, quando, em razão também do fechamento das usinas açucareiras do
município e região, passa a fabricar fios de algodão, poliéster, plissel e viscose,
empregando 450 funcionários. Em 1984, é incorporada à Campo Belo, tendo
denominação alterada para Campo Belo S.A. Em 2000, a empresa e desativada
totalmente e equipamentos e produção transferidos para Fortaleza, Ceará.

Pela sua formação peculiar e pelo testemunho histórico que é dos processos de
transformação da indústria, da cidade e fazer parte de gerações que trabalharam
direta ou indiretamente, a Cia. Fiação e Tecelagem Santa Bárbara é peça
fundamental na compreensão do desenvolvimento do município de Santa Bárbara
d’Oeste. A longevidade das suas atividades é uma prova disso.

Imagem 62: Antigo edifício de escritórios da Cia. Fiação e Tecelagem Santa Bárbara, 2016.

Os remanescentes da fábrica são: o edifício de escritórios (das décadas de


1920/1930), as paredes do alinhamento da Rua Dona Margarida, da década de 1930,
as paredes com sheds do alinhamento da Rua XV de Novembro, da década de 1940
e as paredes do alinhamento da Rua José Bonifácio, mais recentes. O decreto nº

59
4058 de 03 de dezembro de 2009 dispõe sobre o tombamento da fachada do imóvel
(frontal, laterais e fundos) e o edifício de escritórios. Uma alternativa a esse
tombamento é a permissão para a demolição da murada externa desde que seja
mantida área livre de 25 metros lineares de cada um dos lados da construção do
edifício de escritórios. Mas retomando o estudo do Restauro Urbano de Giovannoni
e sua defesa do valor do monumento em seu ambiente de visuais, de espaços, de
massas e de cor no qual foi erguido, conforme define Giovannoni (2013, p.66-67),
impor uma área livre onde nunca foi livre é incompatível com o ambiente do
edifício, uma vez que ele sempre esteve submetido a massas construídas no seu
redor imediato e, o seu isolamento faria com que perdesse o seu ambiente.

 Indústrias Romi

Imagem 63: Instalações da fábrica “Máquinas Agrícolas Romi”, década de 1940.

Em 1929, o Sr. Américo Emílio Romi inaugura a Garage Santa Bárbara, uma
oficina de reparos automotivos. Em 1934, inaugura a primeira fundição. Com a
fabricação de implementos agrícolas, passa a denominar-se Máquinas Agrícolas
Romi Ltda. Em 1941, fabrica o primeiro torno nacional, o que leva a empresa a um
rápido ritmo de ascensão. Em 1944, inaugura suas novas instalações, em um amplo
edifício com vários pavilhões, estrategicamente ao lado da estação ferroviária, na
hoje Avenida Pérola Byington (CRIVELLARI, 1974, P.17). A partir disso, a

60
empresa passa a exportar o seus tornos para o mundo todo, e trilhando sua trajetória
de pioneirismo. Em 1948, fabrica o primeiro trator nacional. Em 1954 passa a
denominar-se Máquinas Agrícolas Romi S.A. Em 1956, fabrica o Romi-Isetta, o
primeiro carro brasileiro. Em 1957, o casal Américo Emílio Romi e Olimpia Gelli
Romi cria a Fundação Romi, com o objetivo de fomentar a saúde, educação, cultura
e lazer. Desponta na fabricação de tornos, e em 1962 muda sua denominação para
Indústrias Romi S.A.

Em 1972 se torna uma Sociedade Anônima de capital aberto, com ações negociadas
na Bolsa de Valores de São Paulo. A grande empresa multinacional já não é mais
compatível com a única instalação da Avenida Pérola Byington, e, na década de
1970, constrói outras duas instalações às margens da Rodovia Luiz de Queiroz, em
Santa Bárbara d’Oeste e, desde então, a empresa possui representação em vários
países do mundo e outras instalações em diferentes locais, sendo referência, até os
dias de hoje, na fabricação de máquinas-ferramenta (diversos tipos de tornos),
máquinas para processamento de plástico e pelas de ferro fundido.

Imagem 64: Indústrias Romi, 2016.

Hoje em dia, nas antigas instalações da Av. Pérola Byington, funciona apenas
atividades pequenas, como o corte de peças, em razão da localização, no centro da
cidade, que inviabiliza atividades industriais pesadas. Os pavilhões industriais foram

61
bastante modificados com o tempo, em razão da funcionalidade exigida pela
atividade industrial. Mas o edifício administrativo, no alinhamento da Avenida
Pérola Byington, ainda mantém as suas características arquitetônicas originais da
década de 1940, com influências da arquitetura modernista: grandes volumes
assimétricos, janelas horizontais em ferro e vidro e grandes planos de brises móveis.

As Indústrias Romi têm um apreço significativo com os barbarenses. Gerações e


gerações de famílias, às vezes famílias inteiras, trabalharam na empresa. Foi o
emprego dos sonhos não só para os barbarenses, mas para muitos que vinham tentar
a vida em Santa Bárbara d’Oeste, justamente pelo desenvolvimento industrial
gerado pela empresa. O edifício representa a história de vida de muitos barbarenses.
Representa a história das Indústrias Romi, e, consequentemente, representa também
o espírito nacionalista e de desenvolvimento industrial e econômico do Estado Novo
(1937-1945) e do processo de industrialização iniciado pelo governo Juscelino
Kubitschek (1956-1961), responsáveis pela inserção do Brasil no mercado mundial.
Assim, o edifício representa a história da indústria Brasileira.

5.9 Caminho dos Flamboyants

O Caminho dos Flamboyants era, originalmente, o acesso à Usina Santa Bárbara.


Iniciava-se no então final da Avenida Monte Castelo e acabava defronte aos galpões da
usina. Este caminho ladeado pelos Flamboyants e, portanto, com apreço paisagístico,
reforça a conexão da usina com o território urbano. Apesar disso, não existem registros
históricos que expliquem o porquê da adoção de Flamboyants e nem a ideia de
concepção. Permaneceu intacto até a década de 1970, quando ele foi dividido com a
implantação do loteamento “Jardim Primavera”.

No final da década de 1970, iniciou-se a construção do novo Paço Municipal, na


Avenida Monte Castelo. O projeto respeitou o remanescente do caminho, que se situa
nos fundos do edifício, transformando o espaço em um estacionamento. O edifício
inaugurado em 1980 ainda recebeu uma denominação que homenageava o caminho:
Palácio dos Flamboyants. Com as mudanças de gestores na prefeitura, o nome foi
abolido.

O outro remanescente, mais próximo da usina, continuou a existir. Em 2007, foi


ameaçado pela implantação de um loteamento, o “Residencial Dona Margarida”, que

62
previa a sua derrubada para a construção. A municipalidade interviu e tombou o esse
trecho do caminho como patrimônio por meio do decreto municipal nº 3.781 de 11 de
dezembro de 2007, garantindo a sua preservação (ver, em Anexo I, os Mapas 8 a 10). O
caminho recebeu pavimentação de piso intertravado de concreto, calçamanto em
mosaico de pedras portuguesas nas laterais e iluminação. Atualmente, o trecho principal
é impedido para o tráfego de veículos.

Imagem 65: Caminho dos Flamboyants, 2016.

5.10 Características da urbanização

Em 1941, a população de Santa Bárbara era de 15000 habitantes, sendo 3 mil na zona
urbana e 12 mil na zona rural (ÁLBUM ILUSTRADO DE SANTA BÁRBARA, 1941).
Mas é importante uma análise crítica sobre a vida na zona rural barbarense até a década
de 1960.

5.10.1 As usinas

Apesar do contexto rural dos canaviais, as usinas açucareiras – Usina de Cillos,


Usina Furlan, Usina Azanha Galvão e Usina Santa Bárbara – eram verdadeiros
núcleos urbanos fora da zona urbana, uma vez que contavam com toda
infraestrutura, equipamentos e vida social ativa oferecidos aos trabalhadores, que
moravam em casas construídas em colônias nas usinas, formando quase uma

63
comunidade auto-suficiente (ver em Anexo I o Mapa 5 e o Mapa 7). As duas
maiores – a Usina Santa Bárbara e a Usina de Cillos – são as que contam com
mais e melhores equipamentos, e que deixaram documentos e testemunhos
comprobatórios. Santos (1988, p.91) explica que essa relação do trabalhador
com residência fixada na usina e da usina que oferece toda a estrutura ao
trabalhador perdurará até a década de 1960, quando há um processo crescente de
mecanização do campo e os trabalhadores são expulsos e o trabalho na colheita
passa a ser sazonal.

 Usina de Cillos

Imagem 66: Usina de Cillos, 1934.

Foi inaugurada em 1903 como Engenho de Cillos. Em 1924, foi


inaugurada a estação ferroviária dentro da usina, devido ao crescimento
da produção. Em 1928, foi inaugurado o engenho definitivo em tijolos, e
a usina passa a se denominar Usina de Cillos (CRIVELLARI, 1974,
p.15-16). Conforme elenca Santos (1988, p.94), a Usina de Cillos
contava com um núcleo com 290 casas, com luz elétrica, rede de água,
onde viviam mais de 2 mil pessoas. Campo de futebol clube social,
serviço de assistência médico-odontológica, cinema com 300 poltronas,
farmácia, posto de gasolina, cerâmica, grupo escolar e cursos de
alfabetização.

64
Imagem 67: Grupo Escolar de Cillos, década de 1940.

Imagem 68: Capela Nossa Senhora do Carmo na Usina de Cillos, década de 1950.

Imagem 69: Usina de Cillos, década de 1950.

65
A usina passa por um processo de decadência nos anos 1960 indo à
falência na década de 1970, quando, como pagamento de dívida aos
credores, a usina entregou as suas terras (SANTOS, 1988, p.60).

Imagem 70: Capela Nossa Senhora do Carmo, anos 2010.

Imagem 71: Usina de Cillos, anos 2000.

66
 Usina Santa Bárbara

A Usina Santa Bárbara foi construída na Fazenda São Pedro como


sucessora do engenho do Major João Frederico Rehder, que iniciou suas
atividades em 1877. De acordo com Crivellari (1974, p.15-16), em 1883,
foi instalado o primeiro engenho e, em 1902, a destilaria de álcool. Em
1913 foi criada a Cia. de Estrada de Ferro Agrícola de Santa Bárbara, que
construiu uma conexão ferroviária entre a usina e a estrada de ferro da
Cia. Paulista para o escoamento da produção. Em 1914, foi construído o
novo galpão da usina, em estrutura metálica com fechamento em tijolos.
A estrutura foi importada da França.

Imagem 72: Fazenda São Pedro, 1900.

Imagem 73: Construção do novo galpão, anos 1910.

67
Imagem 74: Novo galpão, anos 1910.

Em 1922, o Coronel Luiz Alves de Almeida assume a usina que passou


por um grande processo de modernização (CRIVELLARI, 1974, p.15-
16). Em 1932, constrói o Grupo Escolar Coronel Luiz Alves e sua
residência. Ainda na década de 1930, constrói a capela São Luiz, a casa
do engenheiro, os escritórios, as casas dos funcionários dos escritórios e
as primeiras colônias. Na década de 1940, a usina constrói novas colônias
e novos equipamentos.

Imagem 75: Residência do Coronel Luiz Alves de Almeida, década de 1940.

68
Santos (1988, p.93-94) afirma que, na usina, havia cinco colônias, com
mais de cem casas, com quintal, onde se podia plantar uma horta, criar
galinha, porco e até ter um animal. Igreja, cooperativa para gêneros
alimentícios e vestimentas, calçados e ferramentas, sorveteria, escola,
farmácia, dentista, médico, pensão para os solteiros que vinham de fora e
até time de futebol. Uma cidade em miniatura (ver em Anexo I o Mapa 9
e o Mapa 10).

Imagem 76: Residência da colônia “Dona Carolina”, na década de 1940.

Imagem 77: Grupo Escolar Coronel Luiz Alves, década de 1940.

69
A usina foi vendida para o Grupo Ometto, na década de 1970, e
funcionou até o início da década de 1990. As colônias e uma parte dos
equipamentos foram demolidas (SANTOS, 1988, p.63).

Imagem 78: Antigo galpão da Usina Santa Bárbara, 2016.

Imagem 79: Antiga residência do Coronel Luiz Alves, 2016.

70
Imagem 80: Residência da colônia “Dona Carolina”, 2016.

Imagem 81: Antigo Grupo Escolar Cel. Luiz Alves, 2016.

Imagem 82: Antigo edifício de escritórios da Usina, 2016.

71
5.10.2 Núcleos rurais

No início do século XX, imigrantes italianos adquirem pequenas propriedades


rurais, instalando-se e produzindo o necessário para autossuficiência. Até que,
como afirma Martins (2007, p.99), com produção excedente, passam a
comercializá-la, instalando armazéns de secos e molhados que abasteciam os
moradores e pequenos produtores rurais do entorno.

 Santo Antônio do Sapezeiro

Tem seu início com a instalação de armazém de secos e molhados, em


1900, como afirma Martins (2007, p.99). Em 1905, é inaugurada uma
capela em louvor a Santo Antônio, em sapé. Em 1935, é inaugurada uma
nova capela em tijolos, substituindo a de sapé (ver em Anexo I o Mapa 5
e o Mapa 7).

Imagem 83: Igreja de


Santo Antônio do
Sapezeiro, década de
1920.

Imagem 84: Igreja de


Santo Antônio do
Sapezeiro e salão da
igreja, 2016.

72
 Caiubi

Conforme Martins (2007, p.100), inicia-se com a instalação de armazém


de secos e molhados de Fioravante Angolini, no início do século XX (ver
em Anexo I o Mapa 5 e o Mapa 7). Em 1922, é inaugurada a estação
ferroviária, na ferrovia da Cia. Paulista. A estação ferroviária permitiu a
vinda de prestadores de serviços e profissionais como médicos e
dentistas, que atendiam, principalmente, os moradores das usinas Santa
Bárbara e Furlan. Com a expulsão dos trabalhadores das usinas a partir
da década de 1960, o núcleo perdeu a sua relevância.

Imagem 85:
Aspecto do Caiubi,
2016.

Imagem 86:
Núcleo de
Educação
Ambiental do
Caiubi Fioravante
Luiz Angolini,
onde funcionou a
escola do Caiubi,
2016.

73
5.10.3 As chácaras urbanas

Ao redor do núcleo urbano formado pelo centro, existiam chácaras que, apesar
de exercerem atividades rurais, como o arrendamento de parte de suas terras para
a produção de cana, possuíam sedes construídas como casas urbanas, e seus
moradores participavam plenamente da vida social urbana. Um aspecto que
contribui para o encurtamento da distância das chácaras e do núcleo urbano é o
automóvel (ver em Anexo I o Mapa 7).

Um exemplo é a Chácara Wolf, construída em 1949 pelo Sr. Antonio Wolf. A


sede da chácara é uma casa isolada no terreno e representa o modo de morar da
média burguesia da primeira metade do século XX. A escolha da adoção
estilística do neocolonial simplificado, estilo definido por Lemos (1989, p.160-
200) como a simplificação e adaptação do estilo Neocolonial, com o uso de
largos beirais e telhados movimentados, é um reflexo do gosto dessa classe e do
seu estilo de vida que, apesar do apego à tradição, incorporou o conforto da vida
moderna, inclusive o automóvel.

Imagem 87: Chácara


Wolf, 1953.

Imagem 88: Chácara


Wolf, 1953.

74
Imagem 89: Chácara Wolf, onde funciona, atualmente, a Secretaria Municipal de Meio
Ambiente. 2016.

Com o monopólio de terra por parte dos grupos usineiros a partir da década de
1960, o arrendamento de terras deixa de ser um negócio lucrativo. Mas, de
acordo com Santos (1988, p.91), em compensação, com o desenvolvimento
econômico gerado pela industrialização e, consequentemente, crescimento
populacional, a expulsão dos trabalhadores do campo devido à mecanização,
somada às grandes levas migratórias de outras regiões do estado e do Paraná
com o objetivo de as mulheres trabalharem nas indústrias têxteis e os homens
fazerem o trabalho volante nos períodos de safra das usinas que mantiveram as
suas atividades na época (Usina Santa Bárbara e Usina Furlan), os proprietários
das chácaras passam a realizar parcelamentos de solo, formando diversos
loteamentos (ver em Anexo I o Mapa 11, o Mapa 12 e o Mapa 13).

Mas mesmo com os parcelamentos de solo sucessivos, ainda existem


remanescentes das chácaras que se destacam no tecido urbano. Apesar de não
corresponderem mais à totalidade dos tamanhos originais, ainda são
significativas áreas verdes localizadas em pontos estratégicos e que merecem
legislação urbana específica (ver em Anexo I o Mapa 13). São elas: antiga
chácara da família MacKnight (atual Colégio Ideal); Vila Romi; chácara da

75
família Greggo; antiga propriedade da família Greggo (atual Colégio Anglo);
Chácara Wolf (atual Secretaria Municipal de Meio Ambiente); antiga chácara do
Sr. Charles Keese Dodson; chácara da família Giovanetti.

5.11 Patrimônio Moderno

O patrimônio moderno em Santa Bárbara d’Oeste abrange três edifícios: o edifício da


Escola Estadual Comendador Américo Emílio Romi, o edifício do Centro de
Documentação Histórica da Fundação Romi e o edifício do Fórum.

 Escola Estadual Comendador Américo Emílio Romi

O edifício vem, mais uma vez, comprovar a forte presença do estado e a


importância na construção do território. O edifício foi construído para ser sede
do Ginásio Estadual (denominação do ensino fundamental do segundo ciclo na
época) e Escola Normal para a formação de ensino médio e de professores do
magistério, pelo governo do estado de São Paulo, em terreno na Avenida Monte
Castelo, doado por Roberto Alves de Almeida, herdeiro do Coronel Luiz Alves
de Almeida. Foi inaugurado em 1956, recebendo a denominação de “Colégio
Estadual e Escola Normal Comendador Emílio Romi”, em 1958 (FUNDAÇÃO
ROMI).

Imagem 90: Colégio Estadual e Escola Normal Comendador Emílio Romi pouco antes da
inauguração, década de 1950.

76
Imagem 91: Escola Estadual Comendador Emílio Romi, 2016.

A escola funciona até os dias atuais, com a denominação de “Escola Estadual


Comendador Américo Emílio Romi”, oferecendo ensino fundamental do
segundo ciclo e ensino médio. A escolar formou gerações de barbarenses.
O edifício é concebido como dois grandes volumes: um grande volume
retangular no sentido horizontal, com dois pavimentos, e um segundo volume
posto no sentido transversal, deslocado para a esquerda, no pavimento superior,
que se projeta sobre o primeiro volume, criando uma cobertura para a entrada do
edifício. O resultado se assemelha à obra de Gregori Warchavchik, inclusive na
questão dos materiais: submetem-se os materiais tradicionais, como as paredes
de alvenaria autoportantes e o telhado de barro tradicional a uma estética
moderna. Portanto, esse modernismo é restrito à questão plástica.

77
 Centro de Documentação Histórica da Fundação Romi

Imagem 92: Centro de Aprendizagem Industrial, 1960.

O crescimento exponencial das Indústrias Romi na década de 1950 fez com que
a Fundação Romi, em parceria com o Serviço Nacional da Indústria (SENAI),
inaugurasse um Centro de Aprendizagem Industrial, em 1958, para a formação
de mão-de-obra técnica. Inicialmente, as aulas eram dadas dentro das
dependências das Indústrias Romi. Mas no mesmo ano, a Fundação Romi
encomendou um projeto para instalações do Centro de Aprendizagem Industrial
ao arquiteto Lúcio Grinover, em terreno localizado na esquina da Avenida
Monte Castelo com a Avenida João Ometto. O edifício foi inaugurado em 1960
(FUNDAÇÃO ROMI).

78
Imagem 93: Centro de Documentação Histórica da Fundação Romi, 2016.

O edifício possui influências nítidas da arquitetura racionalista e funcionalista de


Walter Gropius, bastante compreensível, uma vez que, um programa como o de
um Centro de Aprendizagem Industrial, precisa ser funcional e comportar
equipamentos industriais pesados, como grandes tornos, e Gropius obteve êxito
na sua arquitetura industrial na Alemanha e no design industrial.

Imagem 94: Detalhe do sistema de


escoamento das águas pluviais, 2016.

79
Assim como na Bauhaus, em Dessau, projeto de Gropius, Grinover concebeu o
projeto do Centro com um grande corpo central, dotado de volumes puros, quase
cubos, como anexos. A estética do Centro é quase uma reinterpretação das
soluções adotadas por Gropius em seu projeto para a fábrica Fagus, em Alfed-
na-der-Leine, na Alemanha, com as aberturas verticais de vidro de ordem
compositiva. Mas Grinover adotará em seu projeto, no corpo central, onde
funcionariam as aulas práticas, e, portanto, seria o espaço maior, fachadas lisas,
com revestimento em tijolo, com pequenos recuos espaçados, onde adotaria
pequenos painéis horizontais de vidro colocados um sobre o outro, o que, para
efeitos visuais, cria uma sensação de verticalidade. Os anexos foram concebidos
com fachadas lisas e brancas, com grandes aberturas em vidro. Um é conectado
diretamente ao corpo principal, o outro é conectado por uma pequena marquise.
A leve estrutura metálica da cobertura apoiada somente na estrutura em concreto
armado nas extremidades permitiu o grande vão do corpo central, necessário
para a instalação do maquinário pesado industrial, ou seja, um grande galpão, e
o uso de sheds permite a entrada de luz natural, garantindo eficiência. A
exaltação do aspecto funcionalista do edifício se dá até pela utilização do
sistema de drenagem das águas pluviais aparente, como elemento incorporado à
fachada.

Imagem 95: Detalhe do shed, 2016.

80
Desse modo, é possível afirmar que toda a eficiência do projeto se deve,
principalmente ao domínio da técnica de Grinover, que garantiu a execução
esmerada do projeto e às soluções arquitetônicas adequadas ao programa. Na
época do projeto, Grinover era recém-formado (graduou-se em 1957 na
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo – FAU-
USP), mas, já em 1958, começa a ministrar a disciplina de Desenho Industrial na
FAU-USP, dedicando seus estudos sobre o tema durante toda a sua carreira.
Talvez seja esse o motivo da escolha de Grinover para realizar o projeto por
parte da Fundação Romi.
Este edifício também foi o pioneiro na questão de implantação, rompendo com o
esquema de implantação tradicional desde os tempos do Brasil colonial. Assim,
de acordo com Reis Filho (2004, p.87-96), estabeleceu-se uma nova escala nas
relações entre a arquitetura e o lote urbano, com o edifício implantado de
maneira livre no terreno: princípio modernista, amplamente utilizado no projeto
de Brasília.
O Centro de Aprendizagem Industrial passou por remodelação em 1994,
desvinculando-se da Fundação Romi, com esta passando a ceder o edifício à
escola, e passou a ter a denominação de Escola SENAI - Centro Técnico e
Pedagógico de Apoio à Formação de Formadores. Manteve-se no mesmo
edifício até 2008, quando inaugurou edifício próprio.

Imagem 96: Parte interna do edifício principal, onde atualmente funciona o espaço expositivo do
Centro de Documentação Histórica da Fundação Romi, 2016.

81
A partir de então, com algumas obras de adaptação, o edifício passou a sediar o
Centro de Documentação Histórica da Fundação Romi (CEDOC). O CEDOC
atua na guarda, conservação e disponibilização do acervo da Fundação Romi e
das Indústrias Romi, resgatando a história de Santa Bárbara d’Oeste. Assim, o
corpo principal do edifício passou por subdivisões, com espaço para um
pequeno auditório, salas de conservação e de arquivo da documentação e equipe
técnica e o espaço expositivo, ocupando a maior área. Essas subdivisões
prejudicaram a percepção espacial, sendo difícil a compreensão de que se trata
de um galpão. Os forros rebaixados de gesso em diversas ocultaram os sheds e,
consequentemente, a estrutura metálica, diminuindo a potencialidade estética
ocorrida pelo uso correto da técnica e de eficiência luminosa.
Portanto, o edifício, além de ser um legítimo patrimônio moderno erudito
apresenta importância para o ensino, tendo sido espaço de formação de ofícios
por várias gerações.

 Fórum

No início da década de 1960, o governador do de São Paulo, Carvalho Pinto


(1959-1963), lançou o “Plano de Ação”, com o objetivo de implantação de
diversas obras públicas, construindo mais de quatrocentas obras, proporcionando
grandes oportunidades de trabalho para a nova geração de arquitetos paulistas,
ampliando o repertório da arquitetura moderna, como ressalta Cordido (2012,
p.65-70). Entre os programas desses edifícios, estava o fórum. Fábio Penteado,
Vilanova Artigas, Afonso Reidy foram alguns dos responsáveis pelos projetos
de fóruns em diversas cidades de São Paulo.
Mas a diversidade dessas obras ocasionou problemas operacionais na
manutenção, ampliação e adequação a novas necessidades. Sendo assim, em
1970, o Departamento de Obras Públicas do Estado de São Paulo implantou o
princípio de padronização de fóruns, estabelecendo critérios para o seu programa
(administrativos, técnicos e econômicos). Segundo o departamento, esses
critérios não implicavam em um rebaixamento da qualidade arquitetônica,
visando à funcionalidade, como destaca Cordido (2012, p.108). Assim, foi
criado o modelo padrão “F” (devido à forma da planta do edifício), projeto dos

82
arquitetos do Departamento de Obras Públicas, Marcolino Vaccari e Maria
Lúcia Novaes de Brito, implantado mais de 70 vezes no interior de São Paulo,
proporcionando uma identificação do equipamento, como explica Cordido
(2012, p.118-119). Seu projeto racional, simples, singular e com elementos
modernistas atendia a necessidade de construir muitos fóruns ao mesmo tempo.
O fórum de Santa Bárbara d’Oeste, inaugurado em 1974, é um dos fóruns
implantados por essa política de padronização. Segundo Cordido (2012, p.131),
o terreno era doado pela prefeitura e a construção do edifício era de
responsabilidade do Estado.

Imagem 97: Fórum de Santa Bárbara d’Oeste, 1974.

O edifício se configura como um grande bloco horizontal bipartido e contraposto


pelo torreão vertical que abriga a escada de acesso para o segundo pavimento. O
bloco principal possui duas fachadas opostas que são protegidos por “brises”.
Como o objetivo tinha o objetivo ser construído de forma rápida e simples,
sempre aproveitando a mão de obra local, o sistema construtivo adotado foi a
alvenaria tradicional não industrializada, como salienta Cordido (2012, p.129).
Somando a isso, a modulação das dimensões facilitava ainda mais a execução.
A solução dos “brises”, executados em argila expandida, segundo Cordido
(2012, p.162), material leve e de fácil manejo para execução, além de contribuir
para o efeito da insolação e, portanto para o conforto térmico, confere harmonia
à fachada, mantendo a unidade e possibilitando que as aberturas sejam colocadas
em posições convenientes conforme o ambiente interno. A solução de elevar o
edifício, solução adotada em decorrência da adaptação do projeto a qualquer
terreno, proporciona leveza ao bloco edificado.

83
O edifício do fórum, em Santa Bárbara d’Oeste, portanto, é um representante de
uma política de implantação de equipamentos públicos em todo o estado. É um
exemplar de como a arquitetura moderna influenciou a concepção das obras
públicas da época, e evidencia que a modulação e a padronização com
qualidade, visando à funcionalidade e à estética são possíveis. E, mais uma vez,
confirma-se a importância do Estado na espacialidade territorial na cidade (ver
em Anexo I o Mapa 2).

Imagem 98: Fórum de Santa Bárbara d’Oeste visto a partir da Praça Dona
Carolina, 2017.

Imagem 99: Fórum de Santa Bárbara d’Oeste visto a partir da Praça Dona
Carolina, 2017.

84
5.12 Compreendendo o patrimônio em Santa Bárbara d’Oeste

Para Kühl (2011, p.5), monumentos históricos não devem ser entendidos apenas como
obras grandiosas, mas como toda e qualquer obra que com o tempo adquiriu conotação
cultural. Defende o monumento como elemento de rememoração, determinando que
“[...] tudo aquilo que é testemunho do fazer humano pode ser digno de preservação
[...]”.

Kühl (2011, p.2) também estabelece que, hoje, a preservação ocorre por três razões: de
cunho cultural, científicas e éticas. De cunho cultural pelos aspectos formais,
documentais, simbólicos e memoriais. De cunho científico pelo fato de os bens culturais
serem portadores de conhecimento. E de cunho ético por “não se ter o direito de apagar
os traços de gerações passadas e privar as gerações presentes e futuras da possibilidade
de conhecimento de que esses bens são portadores”.

No caso de Santa Bárbara d’Oeste a questão patrimonial exige cautela. Primeiro, porque
apesar da fundação da cidade no início do século XIX, somente no século XX é que ela
ganha relevância no cenário regional e, posteriormente, nacional. Portanto, não se pode
esperar encontrar obras de arquitetura grandiosas, como em outras cidades do interior de
São Paulo, por exemplo, as cidades de Campinas e Piracicaba. Mas vale lembrar que,
como já afirmado por Dvořák (2008, p.83-84), muitas vezes, a arte civil antiga modesta,
pode ser funcional e produto do bom artesanato local.

Em segundo lugar, muitos exemplares que poderiam ser considerados como


patrimônios, mesmo que com modesta arquitetura, não existem mais, devido às
transformações urbanas decorrentes do crescimento populacional, da especulação
imobiliária e das constantes intervenções de cunho “modernizante”. Essas
“modernizações”, de acordo com Dvořák (2008, p.84), roubam a beleza das cidades e
podem transformá-la em uma cidade monótona. Além disso, são pretextos para os
lucros dos especuladores imobiliários, em prejuízo da comunidade. Por esses motivos,
poucos são os remanescentes históricos na cidade, mas mesmo assim, merecem e devem
ser preservados. Para Giovannoni (2013, p.66-67), o aspecto típico das cidades ou
povoados e o seu essencial valor de Arte e de história com frequência residem,
sobretudo, na manifestação coletiva, na vida arquitetônica expressa nas obras menores
e, por isso, é importante preservá-las.

85
Os edifícios religiosos, pelo marco no traçado urbano do município, o referencial
histórico e a influência cultural na formação do cidadão. As obras institucionais e
escolares, pelo significado adquirido, pelo testemunho histórico e pelas qualidades
arquitetônicas, estéticas e funcionais. Os edifícios fabris, pela importância histórica para
o desenvolvimento do município. O Caminho dos Flamboyants, o leito da ferrovia, as
áreas verdes por serem testemunhos históricos dos processos de urbanização. As
usinas, os núcleos rurais e as chácaras remanescentes, tanto seus edifícios como as suas
áreas, por serem testemunhas de características específicas da formação urbana e
representaram a vida de uma sociedade em uma determinada época (ver em Anexo I o
Mapas 1 a 13). Esses últimos, amparados conforme definição da Carta de Veneza
(IPHAN, 1964, p.1-2):

“A noção de monumento histórico compreende a criação arquitetônica isolada, bem como sítio
urbano ou rural que dá testemunho de uma civilização particular, de uma evolução significativa
ou de um acontecimento histórico. Entende-se não só às grandes criações, mas também às obras
modestas, que tenham adquirido, com o tempo, uma significação cultural.” (CARTA DE
VENEZA, IPHAN, 1964)

A Carta de Veneza (IPHAN, 1964, p.2) ainda determina, em seu artigo 3º, que “a
conservação e a restauração dos monumentos visam a salvaguardar tanto a obra de arte
quanto o testemunho histórico”.

Nessas circunstâncias geradas pelo contexto de Santa Bárbara d’Oeste, ainda é válida a
obra do arquiteto italiano Gustavo Giovannoni (1873-1947). Giovannoni (2013, p.156)
orienta o estudo integral da cidade, estudar as ruas, as casas, a arte e as vicissitudes
históricas, para conhecer os edifícios de caráter histórico e artístico que devem ser
conservados, as obras e os grupos para os quais deve ser respeitado o ambiente. Por isso
a elaboração de mapas históricos e contemporâneos é essencial para o estudo da cidade
e as descobertas (ver em Anexo I os Mapas 1 a 13).

É válido também o estudo do Restauro Urbano de Giovannoni. O arquiteto defende que


um monumento tem valor em seu ambiente de visuais, de espaços, de massas e de cor
no qual foi erguido (GIOVANNONI, 2013, p.66-67). Por isso, é necessário um estudo
de caso a caso quando se trata da preservação.

86
6. Lista de Imagens

Imagem 1 – Acervo da Fundação Romi. Disponível em: <


http://cdoc.fundacaoromi.org.br/ >.

Imagem 2 – Acervo da Fundação Romi. Disponível em: <


http://cdoc.fundacaoromi.org.br/ >.

Imagem 3 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

Imagem 4 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

Imagem 5 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

Imagem 6 – Acervo da Fundação Romi. Disponível em: <


http://cdoc.fundacaoromi.org.br/ >.

Imagem 7 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

Imagem 8 – Galeria de fotos da Câmara Municipal de Santa Bárbara d’Oeste.


Disponível em: <
http://www.camarasantabarbara.sp.gov.br/Municipio/GaleriaMunicipio.aspx >.

Imagem 9 – Acervo da Fundação Romi. Disponível em: <


http://cdoc.fundacaoromi.org.br/ >.

Imagem 10 – Acervo da Fundação Romi. Disponível em: <


http://cdoc.fundacaoromi.org.br/ >.

Imagem 11 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

Imagem 12 – Acervo da Fundação Romi. Disponível em: <


http://cdoc.fundacaoromi.org.br/ >.

Imagem 13 – LINARDI, M.C.N. Memória Urbana: análise espacial da praça central


de Santa Bárbara d’Oeste/SP. Piracicaba: Editora Unimep, 2001.

Imagem 14 – Galeria de fotos da Câmara Municipal de Santa Bárbara d’Oeste.


Disponível em: <
http://www.camarasantabarbara.sp.gov.br/Municipio/GaleriaMunicipio.aspx >.

87
Imagem 15 – LINARDI, M.C.N. Memória Urbana: análise espacial da praça central
de Santa Bárbara d’Oeste/SP. Piracicaba: Editora Unimep, 2001.

Imagem 16 – Galeria de fotos da Câmara Municipal de Santa Bárbara d’Oeste.


Disponível em: <
http://www.camarasantabarbara.sp.gov.br/Municipio/GaleriaMunicipio.aspx >.

Imagem 17 – Galeria de fotos da Câmara Municipal de Santa Bárbara d’Oeste.


Disponível em: <
http://www.camarasantabarbara.sp.gov.br/Municipio/GaleriaMunicipio.aspx >.

Imagem 18 – LINARDI, M.C.N. Memória Urbana: análise espacial da praça central


de Santa Bárbara d’Oeste/SP. Piracicaba: Editora Unimep, 2001.

Imagem 19 – LINARDI, M.C.N. Memória Urbana: análise espacial da praça central


de Santa Bárbara d’Oeste/SP. Piracicaba: Editora Unimep, 2001.

Imagem 20 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

Imagem 21 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

Imagem 22 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

Imagem 23 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

Imagem 24 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

Imagem 25 – Galeria de fotos da Câmara Municipal de Santa Bárbara d’Oeste.


Disponível em: <
http://www.camarasantabarbara.sp.gov.br/Municipio/GaleriaMunicipio.aspx >.

Imagem 26 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

Imagem 27 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

Imagem 28 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

Imagem 29 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

Imagem 30 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

Imagem 31 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

88
Imagem 32 – Acervo da Fundação Romi. Disponível em: <
http://cdoc.fundacaoromi.org.br/ >.

Imagem 33 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

Imagem 34 – Acervo da Fundação Romi. Disponível em: <


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Histórica. São Paulo: Focus, 1974.

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Imagem 38 – CRIVELLARI, J.M. (coordenação). Santa Bárbara d’Oeste – Edição


Histórica. São Paulo: Focus, 1974.

Imagem 39 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

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Imagem 41 – Acervo da Igreja Batista Memorial. Disponível em: <


http://www.batistamemorial.org.br/#!fotos-histricas/ccl2 >. Acesso em 25 agosto 2016.
15h05’.

Imagem 42 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

Imagem 43 – ÁLBUM ILUSTRADO DE SANTA BÁRBARA. Santa Bárbara d’Oeste:


Tipografia Rocha, 1941.

Imagem 44 – ÁLBUM ILUSTRADO DE SANTA BÁRBARA. Santa Bárbara d’Oeste:


Tipografia Rocha, 1941.

89
Imagem 45 – Galeria de fotos da Câmara Municipal de Santa Bárbara d’Oeste.
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de Santa Bárbara d’Oeste/SP. Piracicaba: Editora Unimep, 2001.

Imagem 50 – Galeria de fotos da Câmara Municipal de Santa Bárbara d’Oeste.


Disponível em: <
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Imagem 51 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2017.

Imagem 52 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2017.

Imagem 53 – Galeria de fotos da Câmara Municipal de Santa Bárbara d’Oeste.


Disponível em: <
http://www.camarasantabarbara.sp.gov.br/Municipio/GaleriaMunicipio.aspx >.

Imagem 54 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

Imagem 55 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

Imagem 56 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

Imagem 57 – Acervo da Fundação Romi. Disponível em: <


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Imagem 58 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

Imagem 59 – Acervo da Fundação Romi. Disponível em: <


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90
Imagem 60 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

Imagem 61 – BELTRAME, C.M. Reabilitação urbana de área central degradada.


2015. Trabalho final de graduação. Faculdade de Engenharia, Arquitetura e Urbanismo,
Universidade Metodista de Piracicaba, Santa Bárbara d’Oeste, 2015.

Imagem 62 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

Imagem 63 – Acervo da Fundação Romi. Disponível em: <


http://cdoc.fundacaoromi.org.br/ >.

Imagem 64 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

Imagem 65 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

Imagem 66 – CRIVELLARI, J.M. (coordenação). Santa Bárbara d’Oeste – Edição


Histórica. São Paulo: Focus, 1974.

Imagem 67 – Acervo da Fundação Romi. Disponível em: <


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17 janeiro 2017. 10h55’.

Imagem 72 – Acervo da Fundação Romi. Disponível em: <


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Imagem 73 – Acervo da Fundação Romi. Disponível em: <


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Imagem 74 – Acervo da Fundação Romi. Disponível em: <
http://cdoc.fundacaoromi.org.br/ >.

Imagem 75 – Acervo da Fundação Romi. Disponível em: <


http://cdoc.fundacaoromi.org.br/ >.

Imagem 76 – Acervo da Fundação Romi. Disponível em: <


http://cdoc.fundacaoromi.org.br/ >.

Imagem 77 – Acervo da Fundação Romi. Disponível em: <


http://cdoc.fundacaoromi.org.br/ >.

Imagem 78 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

Imagem 79 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

Imagem 80 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

Imagem 81 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

Imagem 82 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

Imagem 83 – Acervo da Fundação Romi. Disponível em: <


http://cdoc.fundacaoromi.org.br/ >.

Imagem 84 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

Imagem 85 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

Imagem 86 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

Imagem 87 – REVISTA ACRÓPOLE. Residência do Snr. Antonio Wolff. Revista


Acrópole. a.15, n.169, 1952. Disponível em: <
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Imagem 88 – REVISTA ACRÓPOLE. Residência do Snr. Antonio Wolff. Revista


Acrópole. a.15, n.169, 1952. Disponível em: <
http://www.acropole.fau.usp.br/edicao/169 >. Acesso em 23 novembro 2014. 17h55’.

Imagem 89 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

92
Imagem 90 – Acervo da Fundação Romi. Disponível em: <
http://cdoc.fundacaoromi.org.br/ >.

Imagem 91 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

Imagem 92 – Acervo da Fundação Romi. Disponível em: <


http://cdoc.fundacaoromi.org.br/ >.

Imagem 93 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

Imagem 94 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

Imagem 95 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

Imagem 96 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2016.

Imagem 97 – Acervo da Fundação Romi. Disponível em: <


http://cdoc.fundacaoromi.org.br/ >.

Imagem 98 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2017.

Imagem 99 – Foto de André Frota Contreras Faraco, 2017.

93
7. Referências Bibliográficas

ÁLBUM ILUSTRADO DE SANTA BÁRBARA. Santa Bárbara d’Oeste: Tipografia


Rocha, 1941.

BELTRAME, C.M. Reabilitação urbana de área central degradada. 2015. Trabalho


final de graduação. Faculdade de Engenharia, Arquitetura e Urbanismo, Universidade
Metodista de Piracicaba, Santa Bárbara d’Oeste, 2015. p.8.

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CORDIDO, M.T.R.L.B. Arquitetura Moderna: a rede de fóruns modulares do estado


de São Paulo (1969-1975). 2012. Tese – Instituto de Arquitetura e Urbanismo de São
Carlos. São Carlos, 2012. p.65-70; p.108; p.118-119; p.129; p.131; p.162.
CRIVELLARI, J.M. (coordenação). Santa Bárbara d’Oeste – Edição Histórica. São
Paulo: Focus, 1974. p.9; p.14-17; p.21-23.

DVOŘÁK, M. Catecismo da preservação de monumentos. Tradução Valéria Alves


Esteves Lima. Cotia: Ateliê Editorial, 2008. p.83-84.

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d’Oeste como museu: análise crítica. Mostra Acadêmica da Unimep/Novembro de
2013.

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KÜHL, B.M. Arquitetura do ferro e arquitetura ferroviária em São Paulo: reflexões


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MENILLO, T.L. A casa de câmara e cadeia de Santa Bárbara d'Oeste. 7ª Mostra


Acadêmica da Unimep/Novembro de 2009.

LEMOS, C. Alvenaria Burguesa: breve história da arquitetura residencial de tijolos em


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______Ecletismo em São Paulo. In: FABRIS, A. Ecletismo na arquitetura brasileira.


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d’Oeste. Campinas: Komedi, 2007. p.28-32; p.56; p.99-100.

PEVSNER, N. Panorama da arquitetura ocidental. Tradução José Coelho Teixeira


Netto e Silvana Garcia. São Paulo: Martins Fontes, 1982. p. 337-344; p.345-35; p.366-
367; p.371-373; p.396-397.

PINHEIRO, M.L.B. Neocolonial, Modernismo e Preservação do Patrimônio no Debate


Cultural dos Anos 1920 no Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo;
Fapesp, 2011. p.16-17; p.95-97; p.183-190; p.267-271.

REIS FILHO, N.G. Quadro da arquitetura no Brasil. São Paulo: Perspectiva, 2004.
p.22-24; p.43-48.

95
______ Racionalismo e proto-modernismo na obra de Victor Dubugras. São Paulo:
FBSP, 1997. p.39-40; p.87-96.

SANTOS, C.A.F.M. Do monopólio da propriedade da terra ao monopólio do capital:


um estudo sobre a evolução do monopólio açucareiro no município de Santa Bárbara
d’Oeste. 1988. Dissertação (Mestrado em História). Programa de Pós-Graduação em
História, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 1988. p.44; p.60;
p.63; p.91; p.93-94.

96
8. Atividades cumpridas e não cumpridas

Conforme previsto, no primeiro mês da pesquisa, foi realizada a leitura das referências
bibliográficas a respeito da história local, com condições de realizar também no
primeiro mês o seminário Arquitetura Local. Optou-se por realizar o levantamento da
documentação da época em paralelo às atividades supracitadas, com o objetivo de
contextualizar as obras arquitetônicas em seus contextos.

À medida que a pesquisa se aprofundou, houve a necessidade de realizar uma leitura


especializada da arquitetura no território da cidade, com a produção de mapeamentos
inéditos, logo no segundo mês. Esses mapeamentos não estavam previstos, mas
constituem parte fundamental desta pesquisa e de preservação da memória da evolução
urbana do município de Santa Bárbara d’Oeste. Esses mapeamentos, somados às
atividades anteriores e à pesquisa sobre a história e a teoria da arquitetura nos séculos
XIX e XX, no contexto mundial e no contexto brasileiro, realizadas no terceiro mês,
colaboraram na identificação das obras de contexto significativo, sendo realizado o
levantamento fotográfico dessas obras no terceiro e quarto meses da pesquisa.

No quarto mês da pesquisa foi realizada outra atividade não prevista, a apresentação da
palestra “Patrimônio Cultural em Santa Bárbara d’Oeste”, aos alunos da disciplina
Técnicas Retrospectivas I, do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de
Engenharia, Arquitetura e Urbanismo da Universidade Metodista de Piracicaba, no dia
01 de novembro de 2016 (ver em Anexo III a declaração da apresentação da palestra). A
palestra apresentou aos alunos fontes de pesquisa para a história da cidade e um
panorama da arquitetura local, além de expor encaminhamentos desta pesquisa.

No quinto mês, foi elaborada uma ficha de identificação das obras, de modo a facilitar o
conhecimento a respeito delas, contendo a identificação do uso original e do uso atual, o
endereço, as principais datas referentes à história da obra, a autoria do projeto (quando
conhecida), uma breve descrição da obra e as referências bibliográficas básicas para o
conhecimento aprofundado da obra. Para ilustrar, conta uma fotografia antiga, de
preferência próxima à época da construção, e uma fotografia atual. O resultado,
originou um pré-inventário (ver em Anexo II).

O êxito na coleta de dados e na reunião da documentação levantada permitiu que, para


que fosse mantida a fluidez da pesquisa, as atividades fossem realizadas

97
antecipadamente e, consequentemente, houvesse um adiantamento de cronograma.
Assim, algumas leituras de referência em patrimônio cultural, previstas no sétimo mês,
já foram realizadas, assim como a identificação de problemas do patrimônio local, e
esses assuntos já são abordados neste relatório parcial.

A última atividade realizada foi a produção do artigo Chácara Wolf: entre a


modernidade e a tradição (ver em Anexo IV), que desenvolve um panorama do
dualismo presente na arquitetura brasileira no século XX, a modernidade versus
tradição, a partir da análise crítica da Chácara Wolf, em Santa Bárbara d’Oeste. A
redação de um artigo estava prevista somente para o 11º mês de pesquisa, mas devido
ao nível em que a pesquisa se encontra, já foi possível a redação de um artigo no 5º mês.

98
9. Avaliação do Bolsista pelo Orientador

99
AVALIAÇÃO DO BOLSISTA PELA ORIENTADORA

O aluno André Frota Contreras Faraco desenvolveu as atividades da pesquisa:


“Patrimônio cultural em Santa Bárbara d’Oeste: origens, usos, problemas” de forma
exemplar. Demonstrou conhecimento aprofundado sobre a cidade de Santa Bárbara
d’Oeste e extraordinária afinidade com a área de conhecimentos da pesquisa.
Os resultados do trabalho devem contribuir para embasamento dos valores histórico,
urbanístico, paisagístico, arquitetônico do patrimônio cultural de Santa Bárbara d’Oeste
e se apresentam como trabalho preliminar para um futuro Inventário. Ressaltamos, em
especial, a documentação inédita produzida:
1. Mapeamento de edificações, lugares e conjuntos de edificações em que se
demonstra a compreensão do patrimônio arquitetônico a partir da história da
cidade.
2. Identificação do patrimônio da área central e dos demais núcleos urbanos.
3. Mapeamento do patrimônio industrial com a identificação de edificações com
diferentes usos: escolar, religioso, habitacional, de trabalho e de lazer.
O pesquisador concluiu ainda um artigo em que trata de uma edificação identificada
como de significativo interesse para a compreensão da evolução urbana local. O referido
trabalho intitulado CHÁCARA WOLF: ENTRE A MODERNIDADE E A TRADIÇÃO é resultado
de um diálogo fecundo entre orientadora e orientando e do aprofundamento
proporcionado pelo projeto arquitetônico e paisagístico realizado pelo aluno na referida
chácara como Trabalho Final de Graduação, também sob nossa orientação.

Dra. Mirandulina Maria Moreira Azevedo


10. Anexos

 Anexo I: Mapas;
 Anexo II: Pré-Inventário Arquitetônico do Patrimônio Local;
 Anexo III: Declaração da apresentação da palestra “Patrimônio Cultural em
Santa Bárbara d’Oeste”;
 Anexo IV: Artigo “Chácara Wolf: entre a modernidade e a tradição”.

101
Anexo I -

Mapas

102