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10/03/2019 Candidatas laranjas: pesquisa inédita mostra quais partidos usaram mais mulheres para burlar cotas em 2018

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Candidatas laranjas: pesquisa inédita mostra quais partidos usaram mais


mulheres para burlar cotas em 2018
Nathalia Passarinho - @npassarinho
Da BBC News Brasil em Londres

8 março 2019

CECILIA TOMBESI/BBC

Você sabe qual o tamanho do "laranjal" que a eleição de 2018 produziu no Brasil? Uma pesquisa
inédita de professoras de universidades nos Estados Unidos e no Reino Unido, divulgada com
exclusividade pela BBC News Brasil, revela quantas candidatas laranjas cada partido lançou para
a Câmara dos Deputados.

Nas últimas semanas, denúncias envolvendo uso de candidaturas de fachada pelo PSL na eleição do
ano passado levaram à queda de Gustavo Bebianno, da Secretaria-Geral do Governo da Presidência, e
à abertura de investigações para apurar o envolvimento do atual ministro do Turismo, Marcelo Álvaro
Antônio, no esquema.

Agora, pesquisa das professoras Malu Gatto, da University College London, e Kristin Wyllie, da James
Madison University, revela a dimensão do uso de laranjas para burlar a lei de cotas femininas e a decisão
do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de exigir que os partidos destinem 30% dos recursos do fundo de
campanha para candidaturas femininas.

A palavra "laranja" costuma ser empregada para retratar alguém que assume uma função no papel, mas
não na prática. Na definição usada pelas duas pesquisadoras, um candidato laranja seria um candidato
de fachada - que entra nas eleições sem a verdadeira intenção de concorrer, mas para servir a outros
interesses.

As pesquisadoras dizem acreditar que as candidaturas laranjas, além de burlar a lei de cotas, servem
para que recursos do fundo de campanha sejam repassados a candidatos homens.

6 indicadores que mostram como as mulheres avançaram (ou não) na América Latina

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Segundo o levantamento de Gatto e Wyllie, 35% de todas as candidaturas de mulheres para a Câmara
dos Deputados na eleição de 2018 não chegaram a alcançar 320 votos. Ou seja, foram candidatas que,
ao que tudo indica, sequer fizeram campanha, o que sugere que foram usadas apenas para cumprir
formalmente a lei de cotas.

O estudo também mostra que, 20 anos após a introdução da lei de cotas, em 1998, pouco se avançou
na representatividade de mulheres na Câmara. De 1998 a 2018, o percentual de deputadas passou de
5,6% para 15%. "Ainda é um percentual muito baixo, o menor da América Latina, empatado com o
Paraguai", destacou Gatto, em entrevista à BBC News Brasil.

Em vez de "cumprir o espírito da lei", que é aumentar o número de mulheres no Legislativo, os partidos
passaram a usar cada vez mais laranjas para burlar a regra.

ARQUIVO PESSOAL

Das candidatas do PSL para a Câmara dos Deputados, 16% podem ter sido "laranjas" - na definição
usada pelas duas professoras. Partidos da oposição também apresentaram número significativo de
candidatas sem expressão. No caso do PT, o percentual foi de 11%.

E algumas legendas chegaram a ter mais de 30% de possíveis laranjas dentre as candidatas a deputada
federal (confira a tabela mais abaixo na reportagem).

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Entre os critérios adotados pelas pesquisadoras para uma candidatura ser classificada como laranja está
receber menos de 1% dos votos obtidos pelo candidato eleito menos votado no Estado.

No caso das eleições de 2018, o deputado federal eleito menos votado de todo o Brasil foi o Pastor
Manuel Marcos (PRB), do Acre, que recebeu 7.489 votos. Em São Paulo, o menos votado foi Guiga
Peixoto (PSL), com 31.718.

Portanto, no Acre, para ser considerada laranja, uma candidatura precisa ter obtido menos de 75 votos.
Em São Paulo, o critério é receber menos de 317 votos.

Mas o estudo não levou em conta apenas o número de votos para identificar o uso de "laranjas".

Candidatura pouco competitiva x laranja

MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL

Para verificar se as candidatas femininas eram apenas pouco competitivas ou se estavam sendo usadas
como laranjas, as duas pesquisadoras fizeram uma comparação entre a competitividade de candidatos
homens e mulheres em cada partido, ao longo dos últimos 24 anos.

Gatto e Wyllie descobriram que, enquanto a proporção de candidatos homens não competitivos
permanece estável, a de candidatas mulheres aumenta significativamente à medida que a lei de cotas
femininas é reforçada, por exemplo, com punições mais severas pelo TSE aos partidos que não
alcançam a cota de 30%.

Ou seja, os partidos passaram a indicar mais mulheres como candidatas, mas apenas para "constar" e
evitar que fossem punidos por não cumprirem o percentual mínimo.

"O que os números mostram é que não é uma questão de competitividade, porque, de 1998 a 2018, as
candidaturas laranjas de mulheres aumentam muito como resposta às mudanças na lei de cotas. E a
quantidade de candidaturas não competitivas de mulheres é muito desproporcional na comparação com
as dos homens", explicou Gatto, em entrevista à BBC News Brasil.

A professora da University College London afirma que, em grande parte dos casos, as "laranjas" são
mulheres filiadas aos partidos que concordam em ter o nome registrado na eleição e sabem que a
candidatura não é "real".

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Ou seja, estão cientes de que não haverá qualquer empenho da legenda ou recursos para que seja
eleita. Muitas aceitam com a promessa de serem candidatas efetivas na eleição seguinte.

"Há casos de mulheres que nem sabiam que eram candidatas, mas são mais raros. Geralmente elas
sabem que integram a lista, concordam em ter os dados utilizados para o partido cumprir com as cotas e
têm ciência de que não estão competindo", afirma Gatto, que é doutora em política pela Universidade de
Oxford e pós-doutora pela Universidade de Zurique, na Suíça.

ARQUIVO PESSOAL

Nem todas as candidaturas laranjas apontadas pela pesquisa foram, necessariamente, usadas para
desviar recursos do fundo partidário para candidatos homens, como teria ocorrido no suposto esquema
de candidaturas de mulheres do PSL em Minas Gerais.

Segundo reportagem do dia 4 de fevereiro da Folha de S.Paulo, quatro candidatas a deputada federal
pelo PSL-MG receberam R$ 279 mil de verba pública de campanha, sendo que pelo menos R$ 85 mil
foram destinados a empresas de assessores, parentes ou sócios de assessores do atual ministro do
Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, que era presidente do PSL em MG e foi o deputado federal mais
votado no Estado.

Conforme a reportagem, as quatro mulheres do PSL receberam, juntas, apenas 2 mil votos. Álvaro
Antônio nega irregularidades.

"Você pode ter candidaturas laranjas para burlar a lei de cotas e ter candidaturas laranjas que servem,
também, para receber recursos do fundo de campanha e repassá-los a candidatos homens", explica
Gatto.

Ela concentrou sua pesquisa no primeiro caso, mas defende que as candidaturas de mulheres que
receberam poucos votos e muitos recursos do fundo partidário sejam alvo de fiscalização pelo TSE.

"A discrepância é um indicativo de que algo não está certo."

O laranjal de cada partido


Independentemente de haver ou não desvios do fundo partidário, a pesquisa de Gatto e Wylie mostra
que a prática de usar candidaturas laranjas para burlar a lei de cotas é generalizada entre os partidos
brasileiros.

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Com exceção do partido Novo, que teve 2% de candidatas com menos de 317 votos na eleição de 2018,
todas as 30 legendas com representação no Congresso Nacional tiveram mais de 10% de possíveis
laranjas dentre suas candidatas mulheres para a Câmara.

"Acho que é importante enfatizar que isso não é uma prática de uma única legenda. Todas adotam essa
estratégia em maior ou menor grau", disse Malu Gatto, à BBC News Brasil.

No entanto, os dados mostram que o PSL é o partido que apresenta maior disparidade na
competitividade de homens e mulheres, o que, segundo as pesquisadoras, é um indicativo forte do uso
de candidaturas de fachada para burlar a lei de cotas.

No PSL, há 24 vezes mais candidaturas de mulheres que aparentam ser laranjas - que receberam
menos de 317 votos -que homens laranjas. Enquanto no caso das mulheres a prática de lançar
candidaturas laranjas é adotada para burlar a lei de cotas, as candidaturas laranjas de homens servem a
outros propósitos.

As pesquisadoras suspeitam, por exemplo, que alguns "homens laranjas" sejam servidores públicos que
se candidatam para conseguir licença do trabalho, para fazer campanha em benefício de "candidatos
reais" do partido. "Mas ainda não temos evidências disso. Será objeto de pesquisa nossa no futuro", diz
Gatto.

Candidatas laranjas por partido político, na eleição de


2018 para a Câmara dos Deputados*
Partido Candidatas % de possíveis Quantidade de mulher laranja para
mulheres candidatas laranjas cada homem laranja do partido

PSL 132 15,9% 24,1

PT 118 11% 2,48

PP 38 10,5% 5,54

MDB 109 14,6% 1,6

PSD 60 20% 13,7

PR 49 28,5% 4,25

PSB 72 12,5% 2,77

PRB 79 22,7% 2,78

PSDB 83 15,6% 4,85

DEM 49 22,4% 2,7

PDT 83 16,8% 2,67

SD 42 16,6% 1,72

PODE 59 35,5% 4,63

PTB 43 34,8% 3,79

PSOL 166 27,1% 1,18

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PC do 45 31,1% 3,8
B

PSC 56 37,5% 5,58

PROS 75 40% 1,99

PPS 38 15,7% 2,34

NOVO 77 2% 2,6

Das 132 mulheres lançadas como candidatas à Câmara dos Deputados pelo PSL, 21 receberam menos
de 317 votos. Isso representa quase 16% do total.

Já entre os candidatos homens do PSL apenas 0,66% receberam menos de 317 votos. Ou seja,
praticamente só há possíveis laranjas entre candidatas mulheres do partido.

"É comparando com os votos recebidos pelos homens que verificamos se as candidaturas de mulheres
estão sendo lançadas apenas para burlar a lei de cotas ou se são candidaturas apenas pouco
competitivas", explica Malu Gatto.

O segundo partido com maior disparidade na competitividade de candidaturas femininas e masculinas é


o PSD. Apenas 1,45% das candidaturas masculinas receberam menos de 317 votos. Entre as
candidaturas femininas do PSD à Câmara, as possíveis laranjas são 20%, conforme a pesquisa.

Questionado pela BBC News Brasil, o partido disse que as "candidaturas foram definidas com
autonomia, em convenções realizadas pelas respectivas instâncias partidárias, de acordo com a
Legislação Eleitoral vigente".

Quem está no topo do ranking em percentual de prováveis candidatas laranjas é o PRTB, partido do
vice-presidente Hamilton Mourão, que é da coligação do PSL.

A sigla lançou 102 mulheres como candidatas para a Câmara, das quais 67 (65%) não chegaram a
receber 317 votos. A diferença em relação a PSD e PSL é que homens do PRTB também se mostraram
pouco competitivos.

Dentre os candidatos homens do partido, 27% receberam menos de 317 votos.

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MAURO PIMENTEL/AFP

Partidos da oposição também parecem ter lançado laranjas para burlar a lei de cotas na eleição de 2018,
segundo a pesquisa.

Das candidatas mulheres do PT à Câmara, 11% receberam menos de 1% dos votos obtidos pelo
candidato menos votado. Entre os homens do partido, esse percentual é bem menor- de 4%.

No PC do B, o percentual de possíveis laranjas entre as candidatas à Câmara foi de 31%, conforme a


pesquisa de Gatto e Wyllie. E a proporção de prováveis laranjas entre mulheres e homens é de quase
quatro para 1.

"A gente poderia imaginar que partidos de esquerda talvez optassem por nomear menos laranjas, mas é
uma prática que se aplica tanto a partidos de esquerda quanto de direita", afirma Gatto.

No PSDB, as candidaturas inexpressivas de mulheres alcançaram, 15,3% em 2018, sendo que a de


homens não passa de 3,2%. Em email à BBC News Brasil, o partido disse que todas as candidatas
receberam financiamento e que considerou o potencial eleitoral para definir a quantia que cada uma
obteria.

"O PSDB-Mulher não financiou candidatas laranjas, financiou todas as candidatas do partido que
concorreram às eleições de 2018, ampliando esse apoio financeiro de acordo com o preenchimento de
critérios, como o potencial eleitoral e/ou a defesa de bandeiras políticas das mulheres."

No caso do PSOL, o percentual de candidaturas masculinas não competitivas - 22% - se aproxima do de


mulheres (27%).

Gatto afirma que não é possível afirmar de forma categórica que houve má-fé ou intenção deliberada de
burlar a lei de cotas em todos os casos de candidaturas femininas que receberam menos de 317 votos.

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MARCELO CAMARGO-AGÊNCIA BRASIL

"Mas a pesquisa capta, no geral, uma clara estratégia dos partidos de lançar candidaturas de laranjas
para reduzir a eficácia da lei de cotas para mulheres", diz.

A BBC News Brasil encaminhou email para todos os partidos mencionados na reportagem. PSDB,
Solidariedade, PSD e PSB responderam - veja a íntegra das notas no final da reportagem.

A evolução das laranjas


Segundo Gatto e Wyllie, o que reforça a intenção dos partidos de burlar as cotas são os saltos nos
números de candidatas laranjas a cada ano em que há mudanças na lei de cotas ou na interpretação
dela.

As cotas foram aplicadas pela primeira vez em 1998. Na época, a redação da lei previa que os partidos
deveriam "reservar" 30% das candidaturas às eleições proporcionais a mulheres.

Já naquele ano houve um aumento de 13% para 18% no número de laranjas mulheres, na comparação
com a eleição de 1994. Em 2009, a redação da lei mudou para dar mais efetividade às cotas. Em vez da
exigência de "reservar" 30% das vagas, os partidos passaram a ter que "preencher" esse percentual com
mulheres.

No primeiro ano de aplicação da nova regra, em 2010, o percentual de laranjas entre as candidatas
mulheres à Câmara dos Deputados subiu para quase 40%, conforme Gatto e Wyllie.

Em 2014, quando o TSE passou a punir mais severamente os partidos que não cumpriam a cota, o
percentual de laranjas sobe ainda mais - alcança quase 50% das candidaturas de mulheres.

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ADRIANO MACHADO/REUTERS

"A proporção vem aumentando em resposta ao fortalecimento da lei de cotas a mulheres no Legislativo.
Houve um aumento muito desproporcional de laranjas mulheres em relação às candidaturas masculinas
pouco competitivas", afirmou Malu Gatto à BBC News Brasil.

"Isso indica que a nomeação de laranjas é uma resposta dos partidos que, em vez de cumprir, tentam
burlar a lei."

Em 2016, o TSE passou a exigir que 30% dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de
Campanha sejam destinados a candidaturas de mulheres.

O objetivo era justamente reduzir o número de "laranjas", dando competitividade às mulheres que
disputavam vagas. Mas, a cada dia, surgem novas reportagens que evidenciam que candidatas laranjas
foram usadas para receber e desviar recursos da cota do fundo eleitoral, em benefício do partido ou de
candidatos homens.

Outra estratégia adotada pelos partidos como resposta à decisão do TSE foi destinar a maior parte dos
30% do fundo para candidatos homens a governador ou senado que tinham vice ou suplente mulher.

"O que a gente vê em 2018 é uma nova dinâmica de os partidos usarem as mudanças na interpretação
da lei de cotas para proteger as candidaturas de homens ou de mulheres que já fazem parte do sistema
e que buscam a reeleição", explica Gatto.

Solução é reforçar ou acabar com as cotas?

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AGÊNCIA BRASIL

Em resposta às revelações de uso de laranjas na eleição de 2018, parlamentares do PSL e do PSD -


justamente os dois partidos com maior quantidade de possíveis laranjas entre mulheres, na comparação
com homens - apresentaram projetos de lei que visam acabar com as cotas e com o fundo de
campanha.

O senador Angelo Coronel (PSD-BA), autor da proposta de eliminar a cota de 30% para candidaturas
femininas, argumenta que essa é a única solução para acabar com as "laranjas". Para ele, só uma
mudança "cultural" levaria a uma participação feminina e masculina equilibrada no Congresso.

"A diminuta participação feminina é resultado de questões históricas muito mais complexas que a
simples disposição financeira. Nesse sentido, uma medida forçada se mostra vazia de efeitos, como se
tem percebido", afirma ele, na justificativa do projeto.

Mas, para a professora Malu Gatto, a solução não está em acabar com as cotas, mas sim em garantir
fiscalização eficaz e punição severa aos partidos que não cumprirem a lei devidamente.

Segundo ela, a decisão do TSE de destinar 30% do fundo de campanha para as candidaturas de
mulheres foi um passo importante para garantir a competitividade das candidatas.

"Esse foi o primeiro ano do uso do fundo de campanha e do fim das doações de empresas. Agora,
caberá ao TSE ajustar a decisão e aprimorar os mecanismos de controle da forma como esse dinheiro é
repartido", defende, citando que o TSE precisa deixar claro que 30% das verbas para eleições
proporcionais (Câmara e Assembleias) devem ir para candidatas.

O objetivo é impedir que os partidos usem o dinheiro desse percentual para campanhas de homens ao
Senado e ao governo, sob a justificativa de terem suplente ou vice mulher.

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FABIO RODRIGUES POZZEBOM/AGÊNCIA BRASIL

Gatto também destaca que todos os países da América Latina, com exceção da Guatemala, adotam
cotas femininas para o Congresso Nacional. E, em algumas nações do continente, as mulheres já
ocupam mais de 40% das cadeiras do Câmara.

No México, mulheres ocupam 48% das vagas na Câmara. Na Bolívia, 53% dos deputados são mulheres.
Na Costa Rica e na Nicarágua, elas são 46% e 44% do Legislativo, respectivamente.

"Ou seja, países da região mostram que o problema é institucional e não cultural ", afirma Gatto.

"As cotas, quando bem aplicadas, acabam por fazer com que os partidos saiam dos seus nichos
tradicionais de recrutamento e busquem talentos políticos entre outros grupos."

Veja aqui a resposta na íntegra dos partidos:


PSDB

O PSDB-Mulher não financiou "candidatas laranja", financiou todas as candidatas do partido que
concorreram às eleições de 2018, ampliando esse apoio financeiro de acordo com o preenchimento de
critérios, como o potencial eleitoral e/ou a defesa de bandeiras políticas das mulheres.

O resultado das eleições do ano passado mostra o sucesso da estratégia traçada pelo PSDB-Mulher. A
bancada feminina na Câmara dos Deputados cresceu 60% em relação a eleita em 2014 e 33% nos
estados, além de termos eleito a senadora Mara Gabrilli por São Paulo, enquanto a bancada masculina
encolheu.

Para chegarmos a esse resultado, o PSDB-Mulher investiu no ano passado na capacitação de 450
tucanas em pelo menos cinco cursos promovidos em parceria com a fundação alemã Konrad Adenauer
e o Instituto Teotônio Vilela.

O PSDB-Mulher considera que a dimensão e a natureza das eleições gerais no Brasil, onde não existe o
voto distrital, dificulta a ampliação da presença feminina na política.

Por isso, defendemos a implantação do voto distrital no âmbito de uma reforma política, o que deverá
alterar esse quadro, uma vez que as mulheres são conhecidas pela sua liderança nos distritos, muito
mais do que no âmbito estadual.

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PSB

A cota de 30% de candidaturas femininas e a obrigatoriedade do mesmo porcentual do Fundo Especial


de Financiamento de Campanha são importantes avanços para diminuir a histórica desigualdade de
gênero na política e nos espaços de poder. Mas as mudanças não acontecem de um dia para outro.

Nas eleições de 2018, o PSB cumpriu a norma estabelecida e apoiou muitas candidaturas femininas,
algumas já com sólida força eleitoral, mas outras que concorreram pela primeira vez, consideradas
lideranças em construção.

Os resultados eleitorais da nova regra de financiamento deverão vir com o tempo, pois não é fácil
superar os obstáculos à participação feminina em ambientes ainda predominantemente masculinos e
desiguais em termos de financiamento e formação política. Apesar disso, as mulheres têm buscado
ocupar novos espaços e influenciado cada dia mais o processo político no país.

Em 2014, antes da resolução do TSE, o PSB chegou a apresentar 109 candidaturas de mulheres à
Câmara Federal, num esforço para ampliar o espaço das socialistas. No partido, há 20 anos criamos a
Secretaria Nacional de Mulheres, e hoje temos núcleos em todos os Estados, elegemos centenas de
mulheres vereadoras, uma centena de prefeitas e vices em 19 unidades da federação.

Neste momento, há iniciativas de parlamentares homens para eliminar as cotas e o recém implantado
financiamento de campanha para mulheres, usando como justificativa casos de "candidaturas laranjas".
Alguém se pergunta sobre eventuais candidatos laranjas?

As mulheres vivem um processo de inserção no espaço político, mas para que haja equilíbrio com os
homens, é preciso garantir apoio partidário, formação e financiamento.

Essas condições devem existir, realmente, não apenas no discurso.

Dora Pires

Secretária Nacional de Mulheres

Solidariedade

O Solidariedade defende políticas públicas para mulheres, reconhece a importância de sua inserção na
política e sempre agiu na forma como determina a legislação.

Nas últimas eleições, o Solidariedade elegeu 1 deputada federal (Dra. Vanda Milani) e 5 estaduais.
Recentemente, se filiou ao partido a deputada federal Dra. Marina Santos. Esse crescimento de
mulheres na bancada do partido se deve ao apoio fornecido a elas pela legenda.

PSD

As candidaturas foram definidas com autonomia, em convenções realizadas pelas respectivas instâncias
partidárias, de acordo com a Legislação Eleitoral vigente.

PSOL

A participação das mulheres na política é essencial para a consolidação dos valores democráticos no
Brasil. O compromisso do PSOL em assegurar mais espaços para as mulheres se expressa no fato de
sermos o único partido a atingir a paridade de gênero em sua bancada eleita para o Congresso, formada
por 5 deputadas e 5 deputados federais. Para as Assembleias Legislativas do país, a inclusão feminina
atingida pelo PSOL foi ainda maior, com 10 deputadas e 8 deputados estaduais eleitos.

Nesse sentido, causa espanto que uma pesquisa científica se utilize de suposições para afirmar que
qualquer candidatura que não tenha atingido um certo nível de votos deva ser considerada uma

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"candidatura laranja". Essa é uma afirmação irresponsável que desconhece a realidade das disputas
eleitorais no Brasil, com colégios eleitorais que variam dos poucos milhares aos milhões, bem como faz
confusão entre candidaturas menos competitivas e a prática ilegal do uso de "candidaturas laranjas".

Quanto à questão de gênero, cumpre ressaltar que a própria pesquisa coloca o PSOL como o único
partido do país que praticamente teve uma proporcionalidade entre candidaturas menos competitivas
masculinas e femininas, numa razão de apenas 1,18 candidata mulher pouco votada para cada
candidato homem pouco votado. O número destoa dos demais partidos, como o PSL de Jair Bolsonaro,
por exemplo, onde chega a haver 24 candidaturas femininas de pouca expressividade para cada
candidatura masculina com poucos votos.

O PSOL reafirma seu compromisso com a luta pela participação das mulheres na política, reconhecendo
que ainda há muito o que se avançar nessa questão no Brasil. Por isso mesmo, nossa bancada já
apresentou projeto, no início do ano, para garantir a reserva de 50% de cadeiras em todas as Casas
Legislativas do país para candidaturas femininas.

Juliano Medeiros

Presidente nacional do PSOL

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