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PERIGOSAS NACIONAIS

FABI DIAS

PERIGOSAS ACHERON
PERIGOSAS NACIONAIS

Esta é uma obra de ficção. Nomes,


personagens e acontecimentos descritos são
produtos da imaginação da autora. Qualquer
semelhança com nomes, datas e acontecimentos é
mera coincidência.

São proibidos o armazenamento e/ou


reprodução de qualquer parte dessa obra, através de
quaisquer meios — tangível ou intangível — sem o
consentimento escrito da autora.

Copyright © Fabi Dias


Todos os direitos reservados

PERIGOSAS ACHERON
PERIGOSAS NACIONAIS

CINQUENTA TREPADAS DE
POBRE

Produção Editorial
Revisão: Eva e Fabi Dias
Diagramação: Julia Iule
Capa: Laís Maria
PERIGOSAS ACHERON
PERIGOSAS NACIONAIS

1ª Edição- Brasil
Todos os direitos reservados

PERIGOSAS ACHERON
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Dedicatória

Dedico esse livro às minhas filhas e


marido, que suportaram a minha
ausência em diversos momentos e
souberam compreender que era para um
crescimento pessoal.

PERIGOSAS ACHERON
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Sumário
1. Sexta-feira 13 Santa
2. Vilarejo
3. Pé na cova
4. Mendigo hipster
5. Chumbo trocado
6. Um amor de caminhoneira
7. BDSM na roça
8. Simplesmente Eva
9. O homem dos sonhos
10. Cambada de sem juízo
11. Vergonha alheia
12. Foco para não virar foca
Agradecimentos

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1. Sexta-feira 13 Santa
— Porque eu sou filha de pais separados, a
primogênita, aquela que foi criada para ser a
perfeitinha, a melhor — falei quase aos prantos.

— E a melhor não podia dar antes da hora,


obviamente! — Jake falou em tom de deboche.

— A verdade é que você assumiu a missão de


ser a perfeita, né? — Deb também não facilitava.

— Vocês são minhas melhores amigas e não


estão me ajudando em nada! Não foi pra isso que
marcamos essa reunião. — Eu estava com os nervos à
flor da pele.

As duas me olharam pedindo calma. Elas eram


minhas amigas, mas não cansavam de me questionar
porque eu ainda era virgem.

— Olha só Clara, nós dissemos que iríamos te


ajudar e é pra isso que estamos aqui — Jake falou
pausadamente —, mas você tem que abrir a mente um
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pouco, poxa!

Abrir a mente? Como assim? O que essas duas


estavam pensando em fazer comigo? Eu era virgem,
mas não era nenhuma puritana, já ouvi falar sobre
muitas coisas que se faziam em grupo.

— Mulher, olha só, vocês não vão fazer nada


comigo não né? Eu não quero negócio de coisa não,
viu! — Elas começaram a rir.

— Não mulher, eu só peguei uns filmes na


locadora. Mas é o seguinte, isso aqui são só as coisas
básicas, até pra você vê um pênis — Deb falou
enquanto colocava o DVD.

— Desgraça, vocês pegaram pornô! — Olhei


para os lados, com medo que alguém chegasse.

— Relaxa, Clara! Mainha foi jogar buraco com


as amigas e de lá elas vão direto pra missa — Jake me
deixou mais tranquila.

Deb apertou o botão e o filme começou. Olhei


para a tela abismada, em menos de dez minutos ele já
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estava nu e ela ajoelhada com um pênis imenso na


boca. Fiquei enojada olhando aquilo, principalmente
porque ela parava e encarava-o com um olhar de
poltergeist. Elas pausaram o filme e começaram a
falar.

— Olha só, ninguém vai comer ninguém com


essa conversinha, isso é só pornô. Amiga, o importante
mesmo é o ato. Você viu como ela fez o boquete? —
Jake só podia estar de brincadeira.

— Jake, eu sou virgem! — falei como se o


mundo inteiro já não soubesse — você acha mesmo
que eu vou fazer um boquete de primeira? Quero
saber é como o negócio enfia lá!

Elas começaram a rir, fizeram até piadinha com


meu vestido branco e depois de muitas risadas,
colocaram o filme para continuar. De repente eu vi o
pênis dele ficando maior.

— Gente, que desgrama é essa? É quase meio


metro de pica! — Olhei para elas assustada. — Isso aí
vai perfurar o meu útero! Olha, não quero fazer isso
mais não.
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— Amiga, eu acho que seu namorado tem um


pênis enorme, mesmo assim, não se preocupe que
deve ser apenas a metade desse. — Deb me olhou
desconfiada. — Você já sentiu o pênis dele, né?

Óbvio que às vezes ele ficava excitado na


minha frente e várias vezes eu percebi a sua calça
alterada, parecia ter um machucador de temperos lá
dentro. Se eu dissesse isso, aquelas duas iriam arrancar
o meu couro e me fazer confessar até o que não fiz.
Limitei-me a torcer a boca e nem respondi.

— Se prepara que você vai se assustar, amiga. O


bicho é feio, a nossa não, a nossa é bonitinha,
principalmente quando tá fechadinha. A nossa é uma
graça! — Jake falou entre risos.

Retornaram ao filme e pouco tempo depois ele


já estava enfiando aquela régua dentro dela, a mulher
gritava mais que meu irmão caçula na cadeira do
dentista. Não sabia se o som que ela emitia era de uma
ambulância ou de um carro de polícia, mas com
certeza ele havia perfurado algum órgão dela. Depois
de algum tempo minhas amigas perceberam que
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aquilo não estava sendo muito instrutivo e tiraram o


filme.

— Olha, esses gritos aí são exageros, tá? Não


precisa gritar assim não, isso é palhaçada, é só pra
dizer que tá com tesão — Deb falou tentando me
tranquilizar.

Olhei para as duas e era visível que a missão


delas havia falhado. Não foi assim que imaginei as
vésperas do meu casamento. Minhas amigas tinham
que me acalmar e não me deixar em pânico daquele
jeito.

— Clara, não fica com essa cara! Na hora H,


ninguém tem a vez igual à de ninguém. — Jake
realmente estava preocupada comigo. — A minha
primeira vez eu nem senti dor, a gente tava brincando
e de repente ele arrancou o meu cabaço. Escorregou
que nem quiabo, mas acho que foi porque eu estava
bem relaxada.

— A minha não foi tão legal — Deb falou um


pouco chateada. — Estávamos namorando há algum
tempo e ele insistiu tanto que acabei dando, doeu
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horrores e depois ele não fez nenhum carinho, nem


tirou o cabelo da testa. A sua vez será a sua vez e nada
do que a gente te disser terá alguma importância.

— Mas sabe uma coisa realmente importante


para fazer na primeira vez? — Olhei rindo já me
preparando para a gaiatice. — Macarrão! Dá uma
fome tremenda depois do sexo!

Todas rimos e fomos pra cozinha. O macarrão


com sardinha foi o ponto alto do nosso fim de tarde.

Assim que saí da casa da Jake, resolvi desviar o


caminho e passar na minha casa nova. Em alguns dias
esse seria o meu novo lar. Quando passei a chave na
porta, vi que ela já estava aberta, tomei um susto ao
me deparar com o Edu pintando a parede. Ele estava
sem camisa, todo salpicado de tinta e assim que me
viu, sorriu pra mim e largou o rolo em cima da lata. A
sala era muito pequena e com apenas dois passos
estávamos um nos braços do outro. Beijamo-nos
apaixonadamente e ele "cresceu" muito rápido.

— Tô doido pra chegar amanhã e você ser


minha por inteiro — falou enquanto roçava o quadril
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no meu.

— Eu também tô louca por isso amor, mas


confesso que esse "inteiro” está me assustando. — Se
soubesse o que acabei de assistir, ele me entenderia.

Ele se afastou e foi até a cozinha pegar água, eu


o segui e vi que nossa mesa havia ficado pronta.

— Ficou linda! — Passei a mão e vi que a tinta


já havia secado. — E tem um acabamento
maravilhoso.

— É de madeira maciça, vai aguentar qualquer


travessura nossa — ele falou enquanto me convidava a
sentar em seu colo.

Eu era virgem, mas não era inocente, sabia que


ele queria tentar mais uma vez. Apesar de toda a
paciência, ele sempre me seduziu e por várias vezes
quase cedi. Fui até ele e sentei com as penas abertas
em torno do seu quadril. Nossos sexos se tocaram e
pude sentir a sua ereção. Ele deu beijinhos molhados
por todo o meu pescoço e isso me deixou molhadinha.
Começamos a roçar e a vontade de dar logo a ele só
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aumentou. Ele estava tão duro que parecia querer


rasgar o short de tactel.

— Edu, amor, assim eu não vou aguentar


esperar até amanhã — sussurrei em seu ouvido.

— Ai Clara, vamos fazer isso então — Edu


falou já bulinando em meus seios.

Assim era covardia, ele sabia que ali será meu


ponto fraco. Eu estava usando um leve vestido de
malha e nenhum sutiã, ele não teve trabalho algum em
abaixar a parte de cima e meus seios pularam pra fora.

— Edu, só mais um dia! — falei enquanto


rebolava em seu sexo. — A gente esperou até agora,
então aguenta mais um pouco.

— Aham — falou enquanto sugava um de meus


seios. — Só tô ensaiando pra você ver como será bom.

E nosso esfrega, esfrega continuou até que ele


não aguentou e tirou o pênis de dentro do short. Eu dei
um pulo do seu colo e me assustei com a atitude dele,
nunca tínhamos chegado tão longe.
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— Amor, eu coloco só a cabecinha, vai? —


falou em tom de desespero — juro que paro quando
você pedir.

Eu não resisti àquela carinha linda e pidona. Eu


o amava, ele havia feito tudo como eu queria até
agora. Custava nada fazer a vontade dele um
pouquinho. Qual o homem que aguentaria anos sem
sexo só porque a noiva cismou em casar virgem? Ele
aguentou e sei que só fez isso por amor, já que antes
de mim ele era bem safado.

— Tá bom, só a cabecinha. Mas não vai passar


disso, okay?

Ele se limitou a balançar a cabeça em sinal


afirmativo. Enquanto eu voltava pro seu colo, pude
perceber o quanto seu pênis era grosso e bonito, não
tinha nada de feio como as meninas diziam. Além
disso e o mais importante, não era do tamanho de uma
régua, mas era bem generoso. Eu fui até o seu colo e
começamos a nos roçar novamente. Ele voltou a
acariciar os meus seios entumecidos e quando
comecei a gemer ele afastou a calcinha para o lado e
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passou os dedos de leve em mim.

— Está toda molhadinha!

Posicionou-se na entrada e depositou a


cabecinha de seu pênis na minha porta. Eu comecei a
ficar tensa só de imaginar o que estaria por vir. Ele
empurrou de leve e eu comecei a ficar tonta. Senti que
iria desmaiar.

— Para, para, para, para! — Pulei do seu colo.


— Tá doendo muito, eu não vou aguentar!

Comecei a chorar de vergonha. Todo mundo


conseguia, mas eu, tendo mais de 20 anos, seria a
última virgem da terra, só porque tinha medo da dor.
Edu guardou o pênis que já estava ficando meio mole,
fechou o short e foi até mim, abraçando-me.

— Calma, amor! Desculpa aí, eu não deveria ter


insistido! — Ele tinha paciência de Jó. — Amanhã a
gente se casa e no sábado, como você havia planejado,
a gente resolve isso.

— No sábado ainda? — o tio dele falou abrindo


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a porta — vai perder essa porra a prestação? Coitado


do Edu!

— Tio! Custava bater antes de entrar? — Edu


mostrou-se irritado.

— Sua vó tá chamando para cortar os quiabos


pro almoço de amanhã. Vocês vão se casar na Sexta-
feira Santa, mas mainha disse que não abre mão do
caruru de sete meninos.

— Nem me lembre que esse casamento vai


acontecer numa sexta-feira 13 e Santa! — eu falei
olhando para Edu.

— Amor, eu já te pedi desculpas por isso, na


hora só lembrei que 13 era seu número da sorte.

— Difícil alguém ter sorte numa sexta-feira 13!


— falei torcendo a boca.

— Mas é Santa! — Edu respondeu sem muita


convicção.

Nos beijamos, ele foi para casa e eu fui para a


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minha que ficava na mesma rua.

— Até amanhã, amor!

— Até, minha vida!

***

Chegou o tão sonhado dia! Tudo havia sido


planejado nos mínimos detalhes. Não tínhamos
dinheiro, então seria apenas a cerimônia e a lua de
mel que havíamos pago parcelado.

Todos os convidados sabiam que seria um


casamento sem festa, iam sair da igreja direto pro
caruru da avó do Edu e nós íamos dormir, cada um
em sua casa, eu que não perderia a virgindade
numa sexta-feira 13.

Depois que eu disse sim, depois que joguei o


buquê, fui até a casa da Deb, que fica ao lado da
Igreja, para trocar de roupa. Quando entro na sala
vejo que meus amigos e familiares haviam
preparado uma festa surpresa para nós! Não era
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uma festa qualquer, era uma festa de arromba.


Chorei de emoção e depois comecei a dançar com o
meu marido.

— Peço a atenção de todos por favor! — Era


o tio de Edu batendo uma taça e pedindo a fala. —
Quero fazer uma homenagem aos noivos!

Isso não iria prestar, ele estava visivelmente


alterado, já havia bebido antes mesmo de entrarmos
na Igreja. Se já falava sem filtro quando estava
sóbrio, imagine bêbado?

— Esse menino aqui é um homem de bem!


Como se não bastasse ser digno, decente e
responsável, ainda é um santo. — Edu tentou parar
o tio. — Me solta que eu ainda não acabei.

Eu já pressentia uma tragédia, mas parece


que nada poderia ser feito.

— E aí Edu, já amolou a ferramenta pra hoje


à noite? O negócio deve tá encruado, mas vai
devagar que a menina é virgem.

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Eu não sabia onde enfiar a minha cara,


mesmo todo mundo sabendo que eu era virgem, era
constrangedor ser motivo de piada. Edu encostou
no tio.

— Tio, por favor, a Clara tá com vergonha!


O senhor não quer parar com isso?

— Certo, mas vocês vão pra onde? — Fez


um sinal curvando a mão para frente, nós sabíamos
que aquilo significava fazer sexo.

— A gente vai viajar amanhã tio, vamos


pra...

— Mas e hoje? Vocês não vão fazer as


"coisas" hoje? — perguntou incrédulo.

— Não tio, é que a gente já vai amanhã e


hoje não dá porque a gen...

Novamente ele não deixou Edu falar, eu já


encostei nos dois, não deixaria ele cortar Edu de
novo.

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— É dinheiro? Tão sem dinheiro?

Olhamo-nos sem graça. Quem via aquela


festa não podia imaginar que estávamos duros,
pobres de marré deci, não tínhamos uma moeda pra
cagar. Então o tio do Edu tirou três cédulas de 100
e deu pra ele.

— Você vai pegar esse dinheiro e vai levar


essa mulher para um motel, agora!

Edu me olhou preocupado, ele sabia que eu


havia planejado tudo para o dia seguinte e não
gostava de sair do traçado. Eu puxei o dinheiro da
mão dele e disse:

— Vamos pra esse motel agora! — Já não


aguentava mais ser motivo de piadas. — Eu que
não quero mais ser virgem, chega!

Arrastei Edu pelo braço e nos levei até o


nosso Fiestinha todo velhinho e acabado. Ele abriu
a porta, todo sorridente, e eu entrei.

— Pra que motel nós vamos? — perguntou


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radiante — você escolhe, amor!

— Olha só, a gente pega um mais


arrumadinho, mas não muito caro, pra sobrar
dinheiro pra nossa viagem. — Rimos de nossa
pobreza.

Rodamos pela cidade enquanto eu pesquisava


preços pela internet. Tinha muita promoção, afinal,
Sexta-feira Santa não era um dia em alta para
motéis. Confesso que essa ideia também estava me
martirizando.

— Pronto! Esse aqui! — Mostrei o celular


para ele. — E ainda vai sobrar dinheiro pro café da
manhã e pra gasolina da viagem.

Ele nem se tocou sobre o que falei depois, só


focou em qual motel eu queria dar pra ele.
Homens! Assim que chegamos, ele me olhou
carinhosamente, foi até minhas costas e abriu botão
por botão. Eu pensei que fosse desmaiar assim que
o vestido caísse aos meus pés, mas assim que ele
escorregou por meu corpo, Edu começou a beijar
meu pescoço e desceu pelas costas até chegar em
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meu bumbum. Ele lentamente tirou a minha


calcinha, depois subiu e desabotoou o meu sutiã.
Enquanto ele enchia o meu corpo de beijos, eu só
pensava na semana santa. Eu estava cometendo o
pecado do pecado e isso me corroía por dentro, mas
as carícias estavam tão boas que eu relaxei e deixei
que ele me encaminhasse até a cama.

Edu tirou toda a roupa e ficou apenas de


cueca, acho que não queria me assustar de novo.
Ele passou a acariciar os meus seios e eu delirei
com aquilo, quando percebeu que eu estava muito
excitada, tirou a cueca, pegou uma camisinha e
vestiu o que me assustava.

— E aí, o que você achou? — ele perguntou


ao perceber que eu não tirava o olho.

— É grande, muito grande!

Não era um Kid Bengala, graças a Deus, mas


era muito grande pra minha bichinha intocada. Ele
se achou o máximo com o elogio.

— É, mas eu não tenho muita referência, né!


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— Lembrei do cara lá do pornô. — Mas é bem


grande pra caber dentro de mim.

— Calma amor, eu vou ter paciência, vou


começar colocando só a cabecinha. Tá bom? —
Olhei a cabeça e não vi nada de inha.

Edu veio até mim e aos pouquinhos foi me


deitando na cama. Eu comecei a tremer, todo o meu
relaxamento foi embora, ele percebeu e recomeçou
as carícias. Meus seios eram o meu ponto fraco,
lembro que minha mãe dizia: "botou a mão, entrou
o dedão". Então a regra lá em casa era: não deixa
pegar nos peitos! Eu comecei a ficar excitada
novamente e quando ele colocou a cabeça eu
comecei a gritar feito louca.

— Ah, assim não dá! — ele falou com o pau


já murchando — tô tendo a maior paciência com
você e parece que tô fazendo tudo errado.

— Eu sou uma fraude! Todo mundo


consegue menos eu! — Comecei a chorar e ele foi
até mim já mais calmo.

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— Desculpe-me amor, eu não deveria ter


gritado. — Abraçou-me e senti seu pau endurecer
de novo.

— Vamos tentar mais uma vez. — Deitei na


cama e ele veio pra cima. — Vou tentar ser menos
medrosa, eu juro.

Quando ele se posicionou novamente eu não


gritei, mas comecei a tremer e chorar, ele parou e
me olhou enfurecido.

— Chega, Clara! Amanhã a gente tenta de


novo. — Arrancou a camisinha e vestiu a cueca. —
Meu pau não aguenta mais ficar duro e depois
murchar. Sabe o quanto de sêmen já tem
acumulado aqui? Isso dói pra caralho!

Ele havia trazido nossas malas pro quarto. Eu


comecei a me vestir também, não voltei para casa
porque não queria dar explicações para ninguém.
Dormimos de conchinha e no dia seguinte, bem
cedo, partimos para a praia. No caminho eu liguei
para a minha mãe.

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— Mãe, eu não consegui! — Estava chorosa.

— Como assim não conseguiu? Uma noite


inteira e Edu não deu conta? — Caiu na
gargalhada!

Edu ficou roxo de vergonha ou de raiva, sei


lá.

— Mãe, tá no viva voz! Meu marido tá


escutando tudo.

— Ah, que nada, Edu é como um filho pra


mim — ela falou tentando amenizar as coisas —
você vai conseguir filho, vai com força e fé que vai
dar certo.

Edu ficou ainda mais roxo, pensei que ele


fosse ter um custipio ali mesmo.

— Olha filha, tente relaxar. Vá tomar um


banho de mar, vá passear, tome um vinhozinho,
mas não fique bêbada. — Senti que ela queria rir.
— Não tenho muita experiência com não conseguir
dar, comigo a cancela abriu logo.
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Gente! Pra que diabos eu fui pedir conselhos


para a minha mãe, ela conseguia fazer piadas
sacanas até tropeçando no pé da mesa. Eu me
despedi e desliguei antes que Edu passasse mal.
Mas assim que chegamos, eu segui todos os
conselhos da maluca.

Depois de um dia de sol, banho de mar e


comidinhas gostosas, fomos para o quarto com uma
garrafa de vinho. Eu bebi pouco, o suficiente para
relaxar, Edu que bebeu todo o resto. O coitado já
não tinha mais paciência.

Beijinhos para lá e para cá, muito romance,


pega daqui, pega dali e fomos parar na cama. Eu
estava soltinha, ria além do normal e Edu já estava
todo duro, não iria deixar ele na mão de novo. Ele
percebeu que eu estava bem relaxada e até fez um
oral leve em mim, aquilo me deixou muito
excitada, depois ele subiu até meus seios e
começou a chupá-los com força. Gemi alto e
quando percebi o negócio fez ploft! A cabeça
entrou. Edu me olhou pedindo permissão para
continuar e eu fiz que sim. Segurei nas grades da
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cabeceira da cama e ele empurrou todo o resto.


Senti tudo rasgando, foi uma dor da porra, mas o
negócio entrou. Começamos a rir e chorar ao
mesmo tempo.

— Foi? Passou tudo? — perguntei entre


lágrimas.

— Passou tudo amor, eu agora tô dentro de


você. — Ria enquanto continuava no vai e vem.

Depois que terminamos, Edu foi muito


carinhoso. Eu tive certeza que casei com o homem
certo e se não fosse por ele, a minha primeira vez
teria sido realmente um filme de terror.

***

Meses depois minhas amigas estavam na


minha casa, sempre nos encontrávamos para
tagarelar e elas ficaram sabendo de tudo o que
aconteceu na minha lua de mel, mas dessa vez elas
estavam ali para me ajudar em mais um
empreendimento conjugal.

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— E aí, tá gostando da vida de casada? —


Jake não tomava jeito. — É ou não é melhor que
chocolate?

Nós três caímos na risada. Sabíamos sobre o


que ela estava insinuando.

— E eu que achava que não existia nada


melhor do que comida! — falei entre risos.

— Dormir também é muito bom, mas não se


compara a sexo. — Deb era muito dorminhoca. —
Mesmo assim eu seria capaz de forunfar até
debaixo de ronco.

Novamente caímos no riso. Marcar aquela


tarde de filme e pipoca com as minhas amigas
estava sendo divertido, mas não podíamos perder o
foco.

— Ainda insiste naquela fantasia? — Deb


encucou com isso. — Vai ser de noiva mesmo?

Fiz que sim com a cabeça.

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— Que sem graça! — ela retrucou — não


podia ser de diaba?

— Ah, Deb, para! Você sabe porque estou


fazendo do isso!

Perder a virgindade não foi nada fácil,


principalmente por não ter sido romântico como
imaginei. Ainda não superei o dia do nosso
casamento. Estava me sentindo pressionada pelo tio
dele e por todas as minhas expectativas. O Edu era
muito carinhoso e nesses primeiros meses de
casados, descobri que ele também era muito
fogoso. Queria esquecer aquele detalhe horroroso
no motel e estava preparando uma surpresa para o
meu paciente marido.

— Já coloquei a sidra para gelar, preparei uns


petiscos para beliscarmos e assim que ele saiu para
o trabalho, seus primos chegaram para montar o
mastro de pole dance. — Estava feliz por fazer isso
por nós. — Eles são de confiança, né Jake?

— Claro! Trabalham direitinho e não são


doidos de falar com ninguém sobre isso. Tenho
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tantos segredos daqueles dois que posso pedir


favores até o fim da vida.

— Amiga, será que você realmente vai


conseguir? — Jake estava preocupada por causa
das primeiras quedas que tomei. — Você bateu a
cabeça bem feio na primeira tentativa, lembra?

— A minha preocupação é se esse mastro é


resistente. Comprei no brechó, pela internet. Foi de
Martinha, lembra dela?

— Aquela que teve um caso com um


mendigo hipster? — Deb perguntou incrédula —
amiga, você higienizou esse mastro? Aquela
Martinha era uma tarada, deve ter esfregado “as
coisas" dela nesse negócio aí.

— Claro, né! Passei água sanitária e álcool,


depois borrifei perfume, não iria me esfregar num
pau com cheiro de área de serviço.

— Ah, bom! Não confio naquela criatura no


cio. — Jake já estava sendo maldosa. — Agora
corre pro banho que te ajudamos a fechar aquele
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vestido, já está começando a escurecer.

Já havia me depilado e lavado os cabelos


mais cedo, agora tomei um banho rápido e me
perfumei até onde o sol não brilha. Queria que tudo
fosse perfeito. Assim que as meninas fecharam o
último botão do meu vestido, foram embora me
enchendo de conselhos libertinos.

— Se solta, amiga! Nada de travar na hora!


— Jake era uma figura.

— E faz aquilo que te ensinei, nenhum


homem resiste. — Deb e seus truques.

— O que você ensinou pra ela?

— Nada que você já não tenha feito umas mil


vezes!

Olharam-se rindo. Parei antes que a conversa


se prolongasse.

— Obrigada por tudo, meninas. Mas agora


vocês têm que ir, ainda não estou preparada para ter
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plateia.

— Eca! — falaram em uníssono.

Depois de me abraçarem pela milésima vez,


elas foram embora. Assim que saíram, eu ajeitei a
travessa de salgados, coloquei a sidra dentro de um
balde com gelo e as taças ao lado, até que o
presente do tio mala estava tendo serventia. Usei
uma mesa dobrável pequena para pôr tudo isso no
meu quarto. A cama estava encostada na janela
porque usei o espaço dela para instalar o mastro.
De frente pra ele tinha uma cadeira e em cima da
cômoda tinha uma caixinha de som. Agora era só
aguardar.

Não demorei a ouvir a chave girar na


fechadura.

— Amor, cheguei! Tô indo pro banho.

Era sempre assim, ele chegava e mal entrava


no quarto, corria pro único banheiro da casa. Tudo
correndo como o planejado. Cinco minutos depois
ele gritava novamente.
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— Amor esqueci a toalha, traz pra mim?

Como havia previsto, tudo correndo como o


planejado. Liguei o som e fingi que não ouvi. Ele
tentou chamar mais algumas vezes.

— Amor, vou molhar o chão, mas não me


mate, por favor!

Edu abriu a porta e tomou um susto quando


me viu vestida de noiva. Ele estava nu e pingando.
Dessa vez nem me importei com o chão molhado.
Indiquei a cadeira e com um sinal, ordenei que ele
sentasse.

A música sexy já rolava, então comecei a


dançar como havia assistido tantas vezes no
YouTube. Comecei roçando a bunda no mastro
enquanto o segurava com as duas mãos no alto da
cabeça. Percebi que Edu já estava excitado. Virei-
me de frente pro mastro e tentei descer, mas não
havia ensaiado com aquele vestido. Resolvi andar
até Edu, sentei de costas em seu colo e pedi que
desabotoasse o meu vestido. E enquanto fazia isso,
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eu rebolava em seu pênis que já havia armado


barraca. Edu respirava ofegante, mas não havia dito
uma única palavra.

Assim que ele começou a descer o vestido


pelos meus ombros, saí de seu colo e tirei-o bem
devagar, até mostrar-lhe o que estava por baixo.
Usava uma lingerie do catálogo DeMillus, uma que
ele havia comentado que era muito bonita e prática.
O sutiã meia taça tinha um bojo que descia apenas
com o desmanche do laço e a calcinha era apenas
um tule negro que mal cobria minha intimidade.
Voltei para o mastro e com as costas viradas para
Edu, comecei a rebolar enquanto descia
esfregando-me na haste de ferro e subia empinando
o bumbum.

— Assim você me mata, Clara!

Virei-me de frente e vi que Edu estava


recostado na cadeira com as pernas abertas e o
pênis nas mãos. Ele se masturbava enquanto me
olhava desejoso. Aquilo me excitava e eu resolvi
fazer um dos poucos movimentos que aprendi.
Prendi uma das pernas no mastro, arqueei o corpo
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para trás e girei me sentindo a mulher mais sexy do


mundo. Edu riu e me chamou com o dedo. Fui até
ele e devagarinho puxei os laços do sutiã, ele parou
de se masturbar e me puxou para o seu colo, com as
pernas abertas em torno de seu quadril. Meus seios
foram abocanhados enquanto sua ereção perfurava
a minha calcinha. Mais rápido do que pude
perceber, ele puxou a fina peça para o lado e se
enfiou dentro de mim. Subi e desci em seu pênis
com os pés apoiados na madeira das laterais da
cadeira.

— De quem é essa buceta molhadinha?

— É sua, meu amor, toda sua. — Ele gostava


de ouvir que eu era dele.

Edu se levantou me carregando presa a ele e


me deitou na cama. Ficou ajoelhado me penetrando
enquanto minhas costas ficavam apoiadas na cama
e meu quadril mais elevado, de frente para ele.

— Que visão mais linda! — Dava estocadas


cada vez mais rápido. — Agora vira de costas pra
mim, vira minha gostosa!
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Virei-me ajoelhada e segurei nas grades da


cabeceira. Ele passou a me penetrar enquanto
amassava e beliscava os meus seios com uma das
mãos e com a outra, massageava meu clitóris. Eu
estava prestes a gozar

— Ai, Clara, eu não tô aguentando mais, vou


go..ah,..ah...ah...zar!

— Ai, Edu! Que gos...ah...ah...to...to...ah...so!


— Gozei deliciosamente.

Ficamos uns cinco minutos trocando


beijinhos carinhosos até que a fome bateu e eu me
levantei para comer.

— Amor, eu peço desculpas, mas até agora


não consigo lembrar qual foi a data importante que
eu esqueci.

— Calma, Edu! Você não esqueceu de nada,


eu que queria esquecer aquela última sexta-feira 13,
lembra?

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— Ah, é verdade! Nem lembrava que hoje


era dia de azar — falou em tom de gozação.

— Não, hoje é dia de amar! — falei indo até


a cama com a garrafa de sidra nas mãos.

— Quem te viu, quem te vê. Nem parece


aquela mulher que não deixava passar nem a
cabecinha. "Aí meu Deus, eu sou uma fraude".
Lembra? — falou em tom jocoso.

— Não, quer me mostrar como foi? —


respondi descaradamente.

Nos beijamos apaixonadamente enquanto sua


ereção se manifestava mais uma vez.

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2. Vilarejo
Morava com minha vó, mãe e toda a família
materna, num vilarejo da zona rural. Amava aquele
lugar, o cheiro da natureza, o barulho dos pássaros,
os banhos de rio. Apesar das limitações, eu vivia
bem.

Quando eu era bebê, minha mãe vivia


competindo com minha tia para ver quem tinha a
filha mais saudável, ou seja, mais gordinha. Minha
prima Pati tinha quatro meses a mais que eu, claro
que seria maior, mas minha mãe não queria muito
saber disso. Tudo o que minha tia dava à Pati,
minha mãe também me dava, fosse o que fosse.
Certo dia, minha tia deu vitamina de banana com
chocolate à Pati, claro que eu não poderia ficar de
fora desse superalimento. Quase morri! Minha vó
conta que chegou da cidade e me encontrou em
meio a um círculo de mulheres orando, eu lá no
meio, quase desmaiada, coberta por um lençol
branco. Minha vó disse que atirou o lençol longe e
cuidou de mim até que eu melhorasse, mas minha
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mãe disse que quem curou foi a reza e que por isso
eu teria que pagar a promessa: Nunca me casar!

Pouco me importa quem me salvou, o


importante é que estou viva! Por que cargas d'água
eu que tenho que pagar a promessa se foi minha
mãe quem quase me matou e se também foi ela que
fez o pacto? O fato é que cresci da igreja para a
escola e vice-versa. Namorar? Nem em sonho! E eu
já vou fazer dezoito sem nunca ter tido um
namorado, apenas beijava as escondidas na escola.
Agora que as aulas estão no fim eu estava ferrada.

Hoje é domingo, dia de ir à Igreja, posso


estar no limbo, nem assim minha mãe me deixa
faltar. Chego com o meu vestido florido e o braço
entrelaçado ao dela, qual não é nossa surpresa ao
vermos que tem um padre substituto. Jesus! É o
homem mais lindo da face da terra. Como virou
padre? Que desperdício! Será que também tem uma
mãe louca que nem a minha? Sei que hoje a missa
será diferente! Ele explica que o Padre José está no
hospital e não tem dia certo para voltar. Que fique
por lá! Explica que por enquanto ele ficaria
encarregado de nossa Igreja.
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— Me desculpe, mas o senhor não é muito


jovem para ser padre? — Tinha que ser a minha
mãe, que vergonha!

— Entendo senhora, mas sou um escolhido


de Deus, ele não vê esse tipo de coisa. — Já ganhou
ponto com ela.

Ele fez um discurso lindo, fiquei tão


emocionada que pedi à minha mãe para ajudar a
limpar a Igreja. Ela ficou tão feliz, disse que já
estava sendo tocada pelo Senhor, mas que não
poderia, pois tinha uma visita para fazer nas
redondezas. Andou até a porta me levando com ela,
mas aí, como se não fosse a minha mãe, ela me
deixou ficar e disse que na volta passaria por lá e
iríamos juntas para casa.

Enquanto ajudava o coroinha e o padre


bonitão a arrumar a Igreja, eu fui fazendo um
pequeno interrogatório sobre o sacerdócio. Ele
contou que decidiu ser padre porque sua mãe pediu
em seu leito de morte. Então você não decidiu
nada, querido! Disse que essa foi a melhor decisão
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de sua vida. Falou-me o quanto era feliz e o quanto


estava ansioso por estar em uma nova Igreja.

— Eu também estou feliz por estar aqui —


falei empolgada demais, sem querer.

Ele não pareceu ver nada de mais em meu


comentário. Continuamos a conversar e ele me
falou coisas sobre ele, a paixão pelos cavalos, pelos
livros e por filmes.

— Temos um cavalo no nosso vilarejo, fica


bem perto daqui, quando quiser montar é só pedir à
vovó.

Ele agradeceu e disse que quando pudesse


nos visitaria. Assim que terminamos a limpeza,
minha mãe chegou. Ele agradeceu a ela por ter me
cedido aos propósitos da igreja e disse que eu era
uma ótima menina.

Minha mãe foi o caminho todo o elogiando.

— Tão jovem e já responsável.

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— É! — eu respondia. — Gostei dele!

— Eu também!

Alguns dias depois recebemos a visita do


nosso padre. Veio todo sem graça pedir o cavalo.
Minha vó cedeu com a maior facilidade e ainda
sugeriu que eu fosse com ele para mostrar o
vilarejo. Minha mãe não gostava de me ver
montando, mas como não estava em casa para
contestar a minha avó, a autoridade no momento,
então eu iria. Ele pareceu sem graça por dividir o
cavalo com uma dama, mas concordou.

Fomos cavalgar, eu e meu príncipe num


cavalo branco. Ele realmente era branco! Ele ficou
calado no início, mas depois acabou relaxando e
conversamos muito durante o nosso passeio. Eu me
agarrava à sua cintura como uma menina assustada,
ele respirava mais forte cada vez que o apertava.
Acho que não estava tão confiante quanto ao
sacerdócio.

Apresentei todo o vilarejo, até as casas mais


afastadas. Depois de meia hora nós paramos para
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colher frutas e beber água. Quando íamos subir no


cavalo eu pedi para guiar. Ele demorou para
responder, mas concordou. Entendo porque minha
mãe não gosta que eu cavalgue, o atrito com o
lombo do cavalo é muito excitante. Com um
homem atrás de mim então, minha nossa, que
tortura. Eu estava superexcitada e sentia,
literalmente, que ele também, mas sabia que ele
não tomaria a decisão sozinho.

Peguei uma de suas mãos que estava em


minha cintura e coloquei em meu seio. Ele arfou na
hora, mas não tirou de lá! Que sensação gostosa.
Como não senti resistência, coloquei a outra mão
também. Ele não dizia uma única palavra, mas
respirava muito forte. Seu hálito quente impregnava
minha nuca e orelhas. Por que minha mãe queria
me negar aquilo?

Parei no meio do nada, bem longe de


qualquer casa e me virei de frente pra ele, coloquei
minhas pernas sobre as suas, ele não se mexeu.
Abri os botões do meu vestido. Deixei meus seios,
pouco tocados e muito sensíveis, à mostra. Ele
continuou sem se mexer, pelo menos as partes que
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controlava. Eu levantei uma das pernas e comecei a


tirar minha calcinha, depois fiz o mesmo
movimento com a outra. Peguei a calcinha e
coloquei no bolso de sua batina. Encostei-me em
seu rosto e lentamente o beijei. Ele retribuiu.

Depois de longos minutos nos beijando, ele


resolveu colocar suas mãos na abertura do meu
vestido e agora sentia a minha pele. Parei de beijá-
lo, segurei a sua cabeça e a guiei até os meus seios.
Ele não se fez de rogado, sugou um, depois o outro.
Eu gemia delirantemente! Ele não mais fingia não
sentir nada, sua rola estava supervulnerável.
Enquanto ele sugava demoradamente os meus
seios, eu levantei sua batina e apalpei seu pênis,
nunca havia pegado em nenhum, era macio e duro
ao mesmo tempo. Será que aguentaria?

O cavalo se mexia inquieto, não suportava


mais ficar parado. Queria tanto aquilo que não
deixaria nada atrapalhar. Subi em seu quadril e me
enfiei com toda a força em seu centro. Doeu muito,
mas foi a dor mais prazerosa que já tive. Ele tirou
as mãos de minhas costas e segurou as rédeas do
cavalo, numa leve cavalgada, eu fui perdendo a
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virgindade. Íamos seguindo o movimento do


animal, agíamos como tal. Era puro instinto!

O cheiro da natureza que tanto amava, o


movimento do cavalo que era um dos prazeres dele,
estava tudo conspirando para que esse momento
fosse maravilhoso. Enquanto guiava o cavalo, ele
lambia minhas orelhas e beijava meu pescoço, era
tão carinhoso e tão gostoso. Comecei a sentir um
prazer a mais, ele vinha em ondas cada vez mais
fortes, parecia que eu iria desmaiar, que não iria me
controlar de tão gostoso que estava. Foi ficando
forte, muito forte, até que gritei muito alto
enquanto sentia que minhas entranhas apertavam o
pênis de meu padre. Ele também sentiu, parou o
cavalo e começou a gemer junto comigo. O nosso
som se misturava ao som da natureza. Foi surreal!

Depois de alguns minutos, descemos do


cavalo e nada falamos um para o outro. Andei até a
beira do rio, tirei o vestido e me banhei. Ele ficou
parado me olhando, depois prendeu o cavalo numa
árvore, tirou a batina e esticou-a na grama, tirou a
cueca e entrou no rio comigo. Lavamo-nos, nos
olhamos e nos beijamos. Todo o nosso fogo se
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reacendeu. Como era possível ter tanto desejo


ainda? Queria mais, acho que ele também. Ele me
encaminhou até a margem, me tirou da água e
enquanto ainda estava no rio, abriu minhas pernas e
me lambeu, me chupou "lá". Eu estava com
vergonha, mas gostando muito. Era diferente de ter
um pênis, mas tão bom quanto! Ele me chupava
com delicadeza, depois endurecia a língua e enfiava
ela em mim. As ondas de prazer começaram a
aparecer de novo. Ele saiu do rio, me carregou e me
deitou na batina. Perguntou-me se estava tudo bem
e se eu queria de novo.

Beijei-o em resposta. Ele se deitou sobre mim


e enquanto sugava os meus seios, me penetrou pela
segunda vez. Ardeu um pouco, mas não deixou de
ser gostoso. Era diferente nessa posição, ele
controlava a velocidade, eu pedi que fosse mais
rápido, assim ele o fez. Sugava meus seios, um de
cada vez, e ainda me penetrava bem acelerado.
Aquilo estava muito gostoso, muito mesmo. Ele
ficou assim por alguns minutos, até que nós
gritamos juntos, gritamos tão alto que os pássaros
saíram em revoada. Ele saiu de mim e deitou-se ao
meu lado, ficamos assim até que resolvi voltar pro
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rio e me banhar. Ele foi logo em seguida. Depois


nos secamos, nos vestimos e resolvemos voltar a pé
para casa, acho que não aguentaria montar.

No caminho conversamos sobre nossas


escolhas, ele me falou a verdade sobre ser padre e
eu lhe contei sobre a promessa de minha mãe.
Éramos vítimas das loucuras de nossas genitoras.
Agora éramos vítimas de nossos desejos. Falamos
sobre transar sem camisinha e ele me contou que
havia feito vasectomia, que eu não me preocupasse
quanto a isso . Agora só me restava rezar para não
pegar nenhuma doença! Resolvemos não encarar
minha mãe, pelo menos por enquanto, manteríamos
isso em segredo, e nosso namoro também. Agora
eu tinha um namorado, um que minha mãe deixava
ficar perto.

***

Antônio arrancou o meu vestido com força,


estava cada vez mais fogoso.

— Não dá mais para ficar com você às


escondidas. — Lá vinha ele de novo com essa
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conversa. — Quero assumir nossa relação para a


sua mãe e para todo o mundo.

Ele realmente não conhecia a fé de minha


mãe. Ela jamais quebraria essa promessa. Levantei-
me do órgão da Igreja e comecei a me vestir, ele
conseguiu quebrar o clima.

— Bia, por favor! — Começou a implorar. —


Você tem que concordar comigo, essa situação não
pode continuar como está.

Ele estava certo, eu sabia disso, mas quando


contasse em casa, seria um inferno dos infernos.
Minha mãe me mataria, todos me chamariam de
desvirtuadora de padres, ficaria com a pior fama do
vilarejo e minha mãe ainda cuspiria no meu túmulo.

Ameacei ir embora e ele me agarrou por trás.


Eu estava muito excitada, nos últimos seis meses
nós nos encontramos quase todos os domingos.
Quase sempre rolava sexo. Não queria ir embora
sem aplacar aquela chama, mas não queria levar
aquela conversa adiante. Quando Antônio começou
a beijar o lóbulo de minha orelha, eu amoleci
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completamente. Minha mãe me pegaria em meia


hora, assim que a missa acabava ela visitava as
amigas e permitia que eu ficasse ajudando o padre.
Era esse o momento que nós aproveitávamos.
Ninguém apareceria ali porque todos moravam em
vilarejos afastados e não poderiam perambular pelo
mato à noite. Se eu quisesse fazer alguma coisa,
teria que ser rápido.

Quando uma de suas mãos subiu pela minha


coxa, levantando o meu vestido, eu tive certeza que
não resistiria. Ele continuou enfiando a língua em
minha orelha enquanto seus dedos penetravam por
entre o elástico de minha calcinha.

— Ai Bia, tá toda molhadinha! — Minha


xoxota sempre me entregava.

Antônio continuou me acariciando enquanto


nos encaminhávamos de volta ao órgão. Ele me
deitou sobre o instrumento e levantou meu vestido
até o umbigo. Sentou-se no banco que ficava de
frente e começou a me beijar ainda por cima da
calcinha de algodão. Aos poucos foi tirando a
pequena peça que cobria a minha intimidade,
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colocou-a em seu bolso para logo depois chupar o


meu grelinho que piscava mais que vaga-lume no
escuro. Sentindo o meu crescente desejo, ele tirou
uma camisinha do bolso, rasgou-a no dente,
levantou a batina e vestiu seu pau que já estava
duro. Logo depois me escorregou pelo piano até
chegar ao seu colo. De pernas abertas eu abracei o
seu quadril e me encaixei em seu sexo.

Ele desabotoou o meu vestido e começou a


sugar meus seios intumescidos, ora puxava o bico
de um entre os dentes e depois o lambia com
carinho, ora sugava o outro. Minhas entranhas
começaram a apertar a rola de meu padre, eu
comecei a quicar mais rápido enquanto minhas
costas batiam no instrumento atrás de mim.
Antônio continuou sugando os meus seios enquanto
me comia com agilidade. Seu quadril levantava-se
com a fúria que empregava para me penetrar mais
profundo. Queria gritar, aquele homem fodia com
vontade e isso me levava à loucura, mas não
podíamos fazer barulho.

Meus olhos começaram a revirar, minhas


pernas tremiam mais que vara verde e minha
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xoxota parecia mastigar aquela pica gostosa. Já


conhecia aquela sensação, tinha ela em todas as
vezes que transávamos, sabia que agora eu iria
visitar o céu e logo depois voltaria à terra.
Aumentamos mais ainda a velocidade, ele nos
calou com um beijo e assim nós explodimos de
desejo. Ele me abraçou com carinho enquanto eu
acalmava a minha respiração. Levantei-me e vesti
minha calcinha enquanto ele tirava a camisinha e
colocava-a amarrada em seu bolso.

Fui até o genuflexório, ajoelhei-me e comecei


a orar. Apesar de saber que sexo não é pecado e
sim um presente divino, eu me sentia mal por fazê-
lo dentro da Igreja. Mas, infelizmente, eu não tinha
outra opção. Antônio estava certo, não poderíamos
nos esconder por muito tempo. Cada ação para
estarmos juntos era cercada de mentiras e
preocupações. Até comprar camisinhas não foi uma
tarefa fácil.

Em algumas de minhas idas à cidade,


enquanto minha mãe comprava os remédios da
pressão, eu aproveitava e comprava muitas caixas
de camisinha, Antônio havia me dado dinheiro pra
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isso, ele não poderia comprar. A moça do caixa


percebia o meu desespero em fazer aquilo
escondido e me ajudava sendo bem ágil e discreta
no atendimento, ainda embrulhava tudo em papel
pardo. Jogava todos os pacotes na mochila que
levava especialmente para isso. Estávamos nos
prevenindo de doenças, já que a louca da mãe dele
o havia obrigado a fazer vasectomia para, caso
caísse em tentação, não ter a reputação manchada.

Assim que pedi perdão e comecei a levantar,


senti Antônio se aproximando em minhas costas.
Percebi que ele estava excitado novamente. Ele
levantou o meu vestido e começou a roçar em
minha bunda me forçando a ajoelhar-me
novamente. Eu gostava muito de sexo e não
conseguia dizer um não aos meus desejos. Retribuí
as suas investidas, uma de suas mãos se enfiou em
minha calcinha, enquanto um dos dedos fazia
movimentos circulares em meu pequeno botão,
outros três me penetravam com afinco. Eu já estava
encharcada novamente. Com a outra mão ele
bolinava um dos seios girando os dedos em volta
do bico rijo. Comecei a usar os joelhos para me
impulsionar para frente e para trás, ele tirou os
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dedos de dentro de mim e eu me encaixei em sua


pica. Continuei fazendo esse movimento enquanto
ele me estocava e me masturbava ao mesmo tempo.
Levantava e quando voltava me jogava em sua pica
que entrava com força. Ficamos assim até que me
lembrei da camisinha e pedi que ele fosse colocar.

— Mas não tenho nenhuma no bolso agora


— falou ofegante.

— Vá buscar! Você deixou-a no piano.

Ele foi a contragosto, bem na hora em que


minha mãe entrou na Igreja. Eu senti meu rosto
pegar fogo. Ela surgiu pela lateral do altar e me viu
ajoelhada entre os bancos.

— Mas que coisa linda de ver, Vânia Beatriz!


— falou quase aos prantos. — Esse padre
realmente tá fazendo um bem danado a você.

Minha mãe não sabia ser irônica, ela falou


sério, achou realmente que eu estava orando. Ela
foi até Antônio e beijou a sua mão, aquela que ele
estava bolinando-me. Vi de longe o quanto ele
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estava com cara de culpado.

Levantei-me e a segui para casa, aquilo tinha


sido a gota d'água.

***

Havia se passado uma semana depois daquele


incidente. Estava na igreja, era dia de missa, minha
mãe estava toda animada com o meu "progresso
religioso". Eu não queria mais viver aquela
mentira, mas não tinha coragem de assumir o meu
relacionamento, que aos olhos de todos, seria
pecaminoso.

Minha mãe havia saído novamente, fora


encontrar as amigas e me deixara com o Pe.
Antônio. Nós havíamos feito amor loucamente,
mesmo eu tendo saído de casa dizendo a mim
mesma que isso não aconteceria hoje. Dessa vez
fomos para o seu quarto, corria o risco de minha
mãe chegar e não me encontrar, mas seria pior se
ela me pegasse em situações vexatórias.

Estávamos nus, deitados em sua estreita cama


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de solteiro, em um quarto minúsculo e muito


escuro. Tudo era muito simples e austero, padres
não devem luxar e o meu levava isso muito a sério.
Ele passeava o dedo indicador por todo o meu
tórax, sabia que não se satisfazia com pouco e que
iria querer bis, sabia que eu também iria ceder, mas
no momento precisávamos conversar.

— Bia, eu te amo! Não quero mais viver um


amor tão lindo em meio a um monte de mentiras.

— Eu também não, mas não tenho como


encarar a minha mãe, sei que ela me odiaria. — Só
de imaginar isso, meu coração ficava apertadinho.

— Casa comigo! Vamos embora daqui e eu


posso dar aulas de filosofia e teologia. — Ele não
podia estar falando sério.

— Eu também te amo, mas não quero me


casar agora e não pelos motivos errados — tentei
falar sem magoá-lo. — Tenho sonhos e quero
muito realizá-los. Quero ser mais que a menina da
roça que casou com o padre.

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— Eu te entendo, podemos sim fazer as duas


coisas. — Ele era um amor. — Podemos nos casar
e ir para a cidade, posso trabalhar enquanto você
faz o curso de bioconstrução que tanto deseja.

Era por isso que amava aquele homem, ele


era muito mais que gostoso, era parceiro, amigo e
um bom fodedor. Beijei-lhe com vontade enquanto
acariciava o seu períneo, sei que isso o levava à
loucura. Desci dando beijinhos em seu peito até
chegar onde me interessava. Segurei o corpo de sua
pica enquanto escaralhava a chapeleta. Chupei com
gosto e depois lambi até os ovos, coloquei-os na
boca e fiz bocejos de um lado para o outro. Aí fiz o
que ele mais gostava, endureci a língua e pressionei
em seu períneo, subindo e descendo aquele
pequeno trecho sensível. Ele gemia e se contorcia
descontroladamente. Daí subia novamente
lambendo todo o seu pau até voltar para a chapeleta
e contorná-la com a língua antes de abocanhá-la.

— Bia, que boca aveludada! — Ele amava


minha chupada. — Por favor, não me torture mais,
senta sua buceta em minha pica, senão vou jorrar
em sua boca.
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Parei de chupá-lo, fui até o criado mudo e


peguei uma camisinha, vesti seu pau e sentei nele
com as mãos apoiadas nas grades da cabeceira da
cama. Enquanto subia e descia, o móvel rangia
reclamando de nossos movimentos. Ficar de
cócoras me permitia uma penetração profunda, mas
as pernas queimavam com o esforço do
movimento. Antônio levantou um pouco o corpo,
queria olhar minha xana engolindo a sua rola.
Enquanto ele sentava, eu trocava os braços de
posição e apoiava-os em suas coxas, logo às minhas
costas. Assim eu penetrava-o enquanto ele
visualizava os nossos sexos em ação.

— Que cena linda! — falou com voz gutural.


— Isso é um espetáculo da natureza.

Aquele homem não nasceu para ser padre,


nasceu para ser meu. Suas mãos percorriam minhas
coxas e bunda, eu estava gemendo muito e comecei
a sentir as ondas de prazer me visitando mais uma
vez naquele dia. Ele me puxou para si e abocanhou
os meus seios, enlacei meus braços em seu pescoço
e comecei a gemer alto, ele calou-me com um beijo
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e nós gozamos juntos. Aquela vez foi a melhor de


todas, sempre era melhor que a anterior. Tinha
medo que chegássemos a um limite e
começássemos a retroceder.

Levantei-me e me vesti, ele fez o mesmo.


Saímos do quarto e começamos a arrumar a pouca
bagunça provocada pelos fiéis. Algumas crianças
deixavam cair merenda, outras esqueciam
brinquedos. Era só uma arrumação básica. A cada
gesto ele me olhava com amor e desejo. Cada vez
que nos aproximávamos ele tocava em minha pele.
Fomos feitos um para o outro. Eu fui até a sacristia
colocar algumas coisas no armário.

— Vânia! Cadê você, menina? — Minha mãe


chegou antes do combinado.

— Oi, mãe, tô aqui.

Ela conversou um pouco com Antônio e


fomos embora, já começava a anoitecer. No
caminho eram só elogios para o novo padre e para
mim e minha nova postura diante da Igreja.
Antônio tinha razão, não podíamos prolongar
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aquela situação por mais tempo.

Na segunda fomos à cidade, minha mãe


confiava mais em mim, então me deixou passear
sozinha, enquanto ela ia ao médico. Perambulando
atrás de emprego, vi uma fila enorme e alguns
amigos da escola estavam nela. Era inscrição para
cursos técnicos bancados pela prefeitura. Peguei
um dos panfletos para ver se me interessava por
algum. Bati o olho em algo que me chamou a
atenção, não era bioconstrução, mas agricultura
sustentável também soava interessante. Entrei na
fila e torci para que minha mãe demorasse na
consulta. Fiz a inscrição e fui informada que o
curso começaria em duas semanas. Tinha que
arranjar um emprego até lá.

Encontrei minha mãe na porta da clínica,


cheguei minutos antes dela sair. Ufa! Depois de
muito rodar, consegui tudo o que queria e um
pouco mais. Estava pronta para sair de casa, ou
então teria que morrer solteira. Queria muito ir à
Igreja, queria contar as novidades ao Antônio, mas
teria que esperar até o fim de semana.

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Domingo chegou e com ele a certeza de que


veria o meu amor. Enquanto estou sentada na
primeira fileira, tomo um susto ao ver que o Padre
José é quem conduzirá a missa. Meu coração
acelerou, segurei as lágrimas quando o escutei dizer
que o Pe. Antônio voltaria para a sua Igreja de
origem. Muitos aplaudiram seu João, até a minha
mãe. Ela me olhou e percebeu o meu desespero.

— Qual o problema, Vânia? Não gosta de


Padre José?

Não consegui verbalizar o que sentia, as


lágrimas começaram a cair em meu rosto.

— O que está acontecendo, Vânia Beatriz? O


que você fez menina?

Ela me encarou apertando o meu braço.


Puxei-o com força. Ela se levantou e chamou a
atenção de todos. Não consegui parar de chorar,
mas algo saiu de minha garganta.

— Não sou mais menina! — falei mais alto


do que eu esperava.
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Minha mãe me olhou incrédula. De repente


escutamos um chamado na porta.

— Bia! Bia! — era a voz de Antônio. — Meu


amor, vim te buscar.

Minha mãe tentou me segurar, mas me


desvencilhei dela e corri até a entrada da Igreja.
Meu padre estava montado em nosso cavalo, ele
pediu minha mão e eu dei. Ele puxou-me e eu subi
de primeira. Abracei sua cintura e olhei minha mãe
com pena.

— Eu te amo, mãe! Mas não posso pagar a


sua promessa. Perdoe-me!

Antônio guiou o cavalo e nós galopamos


rumo ao nosso próximo destino. No caminho ele
me contou que alugou uma casinha para nós e que
começaria a lecionar assim que o segundo semestre
começasse. Eu contei-lhe que havia me inscrito no
curso técnico e que conseguira um emprego na
floricultura. Começaria uma nova vida na cidade,
ao lado do homem que amava e estudando como
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almejava, mas confesso que sentiria falta do


Vilarejo.

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3. Pé na cova
Acho que só essa semana, era a terceira vez
que visitava a UPA, não aguentava mais ser levada
ao hospital. Só quem depende do SUS sabe o
quanto é difícil estar doente e precisar ser atendido.
Sentia falta de ar constantemente, já estava ficando
preocupada. Da primeira vez disseram-me que era
crise alérgica, da segunda que foi a baixa umidade
do ar e da terceira em diante passei de alérgica a
asmática. Já estava cansada.

Encaminharam-me para um pneumologista,


aí que o trabalho começou de verdade. Mandaram-
me para uma especialidade que não tem no
hospital, aí tive que entrar na regulação e torcer
para que me atendessem logo. Levei meses para
conseguir uma consulta. No dia marcado
madruguei na fila que dava a volta no quarteirão,
com certeza sairia de lá na semana seguinte.

O médico que me atendeu foi muito


atencioso, parecia ser bem competente. Um dos
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problemas da saúde pública é a superlotação, mas


os especialistas são realmente muito bons. Difícil é
chegar a ser atendida por um deles. Eu fui uma
exceção. Ele pediu vários exames, consegui alguns
pela regulação, outros demorariam muito, tive que
desembolsar uma boa grana.

Os exames foram feitos em laboratórios


diferentes e seriam entregues em datas também
diferentes. Tem que ter muito tempo para conseguir
ser atendido pelo SUS, o que é muito contraditório
já que os que mais precisam não podem se dar ao
luxo de ficar faltando ao trabalho. Não sei se tinha
mais medo do resultado ou de ser despedida.

De posse de todos os exames, consegui


marcar um retorno. Não dormi a noite toda, só
pensava no que poderia ter. Minha vida não era
grande coisa, não havia realizado grandes sonhos.
Morava sozinha em um quitinete alugado, fazia
faculdade à noite e durante o dia trabalhava só para
bancar o aluguel, a alimentação e a faculdade. Não
plantei uma árvore, não escrevi um livro, não tive
filhos e nem vivi um grande amor.

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Atualmente estava caidinha pelo socorrista


do SAMU, ele já havia me levado algumas vezes
ao hospital mais próximo de minha casa. Ele era
lindo e forte, parecia o Dr. Hunt de Grey's
Anatomy. Não poderia estar tão doente, era jovem
demais e ainda não havia me declarado ao meu
deus nórdico. Dormi sonhando com o meu herói e
acordei poucas horas depois, parecia um zumbi
cheio de olheiras e olhos vidrados. Não queria ser
pessimista, mas estava indo ao médico como quem
vai para a câmara de gás.

Enquanto estava na sala de espera, vi todas


aquelas pessoas que também seriam atendidas,
pareciam muito doentes, uma delas andava com
uma mochila de oxigênio. Meu Deus! Poderia ser
eu ali, mas não me imaginava forte o suficiente
para aguentar passar por aquilo. A falta de ar
aumentou, pensei que fosse morrer, vi tudo
escurecer e quando abri os olhos estava na
enfermaria usando uma máscara de oxigênio, tinha
um escalpe em minha mão. Que medicação eu
havia tomado? Cortinas me separavam dos demais
pacientes, olhando pro leito ao lado, vi um grupo de
enfermeiros cochichando.
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— Coitada! Tão jovem e já condenada à


morte! — falou um deles.

— O médico disse que não vive por mais de


sete dias. — A enfermeira baixou a cabeça
consternada.

Jesus! Eu iria morrer em sete dias! Sabia que


tinha algo errado, mas não era para tanto. Morrer
sem nem ter aproveitado a vida direito? Não, não
era justo.

A enfermeira olhou e viu que eu tinha


acordado. Chegou até mim, verificou a temperatura
e perguntou se eu estava bem. Ah, tô ótima! E
você? Também vai morrer em sete dias?

— Não precisa responder, vou chamar o


médico, ele precisa falar com você.

Claro que precisa!

Assim que a enfermeira se afastou, eu


arranquei o soro, tirei a máscara de oxigênio e saí
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cambaleando dali. Não iria passar meus últimos


dias internada num hospital. Iria viver a minha vida
intensamente. Na rua lembrei que não havia pegado
minha bolsa, estava sem dinheiro para a condução.
Sentei na calçada e comecei a chorar. Um senhor
que estava saindo do hospital colocou as mãos em
meu ombro e ofereceu-me ajuda.

— O que uma moça tão bonita faz chorando


na calçada? — Ofereceu-me um lenço. — Tome,
enxugue seu rosto e vamos sair daqui.

Fiz o que ele pediu, levantei-me do chão e


entrei no carro daquele estranho. Eu iria morrer
mesmo, que diferença faria se ele fosse me matar?
Chorei por longos minutos até que ele parou em
frente à UPA onde sempre via o meu socorrista.

— Vou entrar, mas volto rapidinho, minha


filha passou mal e pediu que eu viesse pegá-la. —
Gentilmente pediu que eu esperasse no carro. — Te
deixo em sua casa no caminho.

Abri a porta do carro e saí sem pensar muito


no que faria.
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— Não senhor, aqui está ótimo para mim,


muito obrigada! — Abracei-o como se fosse uma fã
diante de seu ídolo. — O senhor foi um anjo!

Corri até o estacionamento das ambulâncias e


lá estava ele. Aproximei-me receosa, nunca
havíamos dirigido a palavra um ao outro, a não ser
quando eu estava na ambulância sendo levada para
o hospital. Ele sempre me acalmava com palavras
positivas e a voz tranquila, porém firme. Assim que
percebeu minha presença, perguntou o que estava
acontecendo.

— Vitória, o que faz aqui? — Parecia


preocupado. — Teve outra crise de falta de ar? Não
recebemos nenhum chamado.

Ele lembra o meu nome! Isso tinha que


significar alguma coisa. Fui até ele e perguntei.

— É casado, noivo ou tem namorada?

Ele olhou para os colegas visivelmente sem


graça, depois se voltou para mim.
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— Não, mas...

— É gay? — Nem deixei que terminasse a


última frase.

— Não. Por...

Joguei-me em seus braços e taquei-lhe um


beijo que na minha adolescência era apelidado de
"desentupidor de pia".

— Nossa, que boca quente! E essa linguinha


macia! — falei enquanto pausava o beijo para
respirar. — Você beija bem, cara!

— Obrigado!? — Parou incrédulo me


encarando. — Você tomou algum remédio? Está se
sentindo bem?

— Estou ótima! — Joguei-me novamente em


seus braços.

Dessa vez ele retribuiu enlaçando a minha


cintura. Logo depois percebi seus amigos se
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afastando e ficamos a sós.

— Olha, eu estava de saída, meu plantão


acabou há pouco. — Colocou as mãos na cintura e
respirou fundo. — Vou me trocar e a gente já
conversa, ok?

Entrou em uma ambulância que estava ao


nosso lado.

— Você se troca numa ambulância? — Achei


aquilo inusitado.

— É que esta quebrou há dois meses,


ninguém apareceu para guinchá-la ou consertá-la
— falou alto para que eu ouvisse.

Cheguei até a porta e vi que estava apenas de


cueca boxer e regata. Sem pensar, eu entrei na
ambulância e travei a porta.

— Ei, pera aí! — falou exaltado. — Aqui é o


meu local de trabalho.

Não dei ouvidos e comecei a me despir.


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Arranquei as sapatilhas com o auxílio dos próprios


pés, depois tirei o jeans e a camisa ficando apenas
de calcinha e sutiã. Ele me olhou e o volume dentro
de sua cueca se mexeu. Ele tirou a sua regata e
pulou em cima de mim. Beijamo-nos ferozmente
enquanto ele abria o meu sutiã. Caiu de boca em
meus seios, bolinou em meus mamilos me
deixando encharcada. De repente parou passando as
mãos na cabeça.

— Isso é loucura! — Pegou a regata do chão.


— Não podemos fazer isso, você pode se
arrepender depois.

— Me arrepender? Sério? — Não podia


contar a ele que era uma quase defunta. — No
momento só me arrependo do que não fiz até hoje.

Tirei minha calcinha, sentei na maca com as


pernas levemente abertas e os pés apoiados numa
escada hospitalar.

— Parece mesmo que não sei o que quero?


— falei enquanto o encarava.

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Ele soltou novamente a regata, ajoelhou-se


no primeiro degrau da pequena escada e começou a
fazer sexo oral em mim. Suas mãos grandes
apertavam minhas coxas enquanto sua língua macia
e quentinha passeava com delicadeza pelas minhas
virilhas e clitóris. Ficou nessa tortura por algum
tempo até que os movimentos delicados tornaram-
se audaciosos. Sua língua endureceu e passou a
penetrar-me, uma de suas mãos saiu de minha coxa
e passou a massagear meu clitóris, estava me
controlando para que ninguém do lado de fora me
escutasse, queria aproveitar o resto de vida, mas
queria morrer com dignidade. Quando achei que
conseguiria gemer baixinho, ele me enfiou dois
dedos enquanto chupava meu nervinho. Gemi tão
alto que alguém do lado de fora deu um tapa na
ambulância.

Aldo parou de me chupar e sentou-se no


banco em frente à maca, tirou uma camisinha da
carteira e vestiu o seu pênis. Desci da maca e me
apossei de seu sexo. Era lindo, levemente curvado
para cima e muito grosso. Dei alguns beijinhos em
sua glande, lambi todo o comprimento até o períneo
e depois voltei para a glande novamente. Apoiei
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meus pés no banco em que ele estava sentado e


segurei-me em algum tipo de barra de ferro logo
atrás de suas costas, assim consegui subir e descer
enquanto meus seios eram manipulados com suas
mãos e boca. Aquela posição favorecia uma
penetração perfeita, meu clitóris era
constantemente friccionado enquanto meus seios
eram sugados e acariciados. Eu estava prestes a
gozar e assim que Aldo percebeu minhas entranhas
pressionando o seu pênis, ele calou minha boca
com um beijo. Gozamos abafando os gemidos com
os lábios.

— Você é meio louquinha, mas muito


gostosa! — Beijou meu nariz. — Quer repetir essa
loucura semana que vem?

Aquilo foi tão bom, ele foi tão fofo, mas me


lembrei que na próxima semana não veria mais o
seu sorriso, não viveria mais nada daquilo.
Levantei-me de seu colo e comecei a me vestir
entre lágrimas.

— Eu avisei que você poderia se arrepender,


pedi para pararmos. — Começou a se vestir
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apressadamente.

— Eu não tô arrependida, juro. — Cruzei os


dedos em frente aos lábios.

Terminamos de nos vestir e abraçamo-nos.

— Podemos repetir ainda hoje? — Não podia


deixar nada para depois.

O telefone dele tocou, pediu-me um minuto e


atendeu.

— Oi, pai, já está saindo com ela? Atrasei-me


um pouco. — Me olhou de relance. — Te encontro
na entrada.

— Hoje sim, agora não. Minha irmã estagia


aqui, é enfermeira, passou mal durante a noite e
virou paciente — falou pesaroso. — Nosso pai veio
buscá-la e pediu que ficasse com ela, mas a noite eu
tô livre.

— Até a noite então. — Beijei-o ternamente.


— Onde nos encontramos?
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— Moro perto de você, passo em sua casa. —


Destravou a ambulância e saiu.

Fiquei lá devaneando até lembrar que estava


sem grana para voltar pra casa. Apesar da UPA ser
perto de onde eu morava, os médicos me proibiram
de andar muito, pelo menos até o resultado dos
exames. Saí correndo atrás de Aldo. Encontrei-o
entrando no carro.

— Pode me dar uma carona? — perguntei


esbaforida. — Esqueci minha bolsa em outro
hospital e tô sem grana para o transporte.

— Claro, entra aí!

Abri a porta do carona, falei com sua irmã e


quando me dirigi ao motorista, vi que era o senhor
que havia me trazido até ali mais cedo.

— Olá, moça bonita! Está melhor?

Dei um sorriso sem graça e tive a certeza que


o destino estava aprontando alguma comigo.
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***

Ainda bem que minha casa não ficava longe


da UPA, foi a carona mais estranha de minha vida.
O cara que me socorreu no pior momento da minha
vida era o pai do cara que sempre me levava ao
hospital nos momentos de crise e que acabara de
transar comigo em uma ambulância tão bichada
quanto eu. Agora esses dois me davam uma carona
pra casa. Dois heróis? Não sei, mas que alguma o
destino estava aprontando, lá isso estava!

Assim que cheguei lembrei que estava sem


bolsa, e, portanto, sem chave. Putz! Bati na
quitinete ao lado e ninguém atendeu. Lembrei que
ele deixava a chave sob o tapete, não pensei duas
vezes. Abri a porta, coloquei a chave de volta e saí
pelos fundos, dando na nossa área de serviço
compartilhada. Tentei forçar a minha porta e nada.
Tirei uma toalha da corda, enrolei minha mão
direita até o antebraço e dei um soco no vidro da
janela. Nos filmes sempre dava certo, comigo não
foi diferente. Depois de arrombar minha própria
casa, eu limpei os pedaços de vidro para não me
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cortar e pulei a janela. Comi tudo o que vi pela


frente, ia ter o resto da vida - ou seria da morte? -
para ser esquelética! Assim que não consegui
colocar mais nada no estômago, pulei na cama e
dormi a tarde inteira. Nem escovei os dentes, as
cáries devem ter feito a festa.

Acordei me sentindo bem melhor. Tomei um


banho exorcizante, coloquei um vestido
superconfortável, usei aquele perfume caro que
guardava para uma ocasião especial e nenhuma
calcinha. Queria causar!

Aldo chegou cedo à minha casa, assim que


abri a porta fui recebida com um beijo daqueles. O
cara era muito gostoso! Peguei uma bolsa pequena
com alguns trocados, algumas camisinhas e uma
cópia extra das chaves. Saí sem destino certo, sem
documentos ou celular. Senti-me a musa
inspiradora de Caetano Veloso, sem lenço nem
documentos. Queria ver as estrelas, sentir a
maresia, ver pessoas que sorriam sem o mínimo
motivo aparente.

Comemos um acarajé, caminhamos um


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pouco e sentamos nos primeiros degraus de uma


imensa escada que interligação duas ruas desertas.
Não tive medo de ficar ali, não tinha mais medo.
Aldo puxou minhas pernas para cima das suas e
beijou-me com carinho.

— O que deu em você hoje? — perguntou


enquanto tirava o cabelo que insistia em bater em
meu rosto.

— Deu vontade de viver a vida, só isso. —


Beijei-o de volta e subi três degraus tentando evitar
qualquer tipo de conversa.

Sentei e abri minhas pernas para ele, que


ficou parado me olhando. Para dar-lhe a certeza do
que eu queria, abri os botões da parte superior do
meu vestido e deixei um dos seios à mostra. Ele
engatinhou até mim e caiu de boca em minha
limpa, perfumada e linda bocetinha. Apoiei os
cotovelos no degrau atrás de mim e admirei as
estrelas enquanto era lambida, chupada e
mordiscada ao mesmo tempo. Ele endurecia a
língua e descia ela por toda a extremidade de cada
uma das virilhas, depois ia até o meio, chupava
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meu grelinho, o mordiscava de leve e então enfiava


a língua em minhas entranhas. Senti-me uma cadela
transando na rua, ainda bem que era deserta.
Quando ele parou para pegar uma camisinha, eu
virei-me, depois me ajoelhei e fiquei de quatro
rebolando pra ele. Com certeza minha alma boa
havia me abandonado, aquela ali não era eu.

Ele se ajoelhou dois degraus abaixo e


enquanto sua língua penetrava minhas entranhas,
seus dedos massageavam meu clitóris. Vi estrelas!
Queria mais que aquilo, queria ele dentro de mim.

— Me fode! — falei entre os dentes.

Aldo se levantou, tirou o pênis de dentro das


calças, colocou uma camisinha e começou e me
penetrar. Eu rebolava em seu pau e ele gemia muito
gostoso. Aos poucos fui levantando e ele me
acompanhou. Eu estava um degrau acima dele, mas
ele era bem mais alto que eu, aquilo não atrapalhou
quando eu comecei a subir a escada e ele subiu
colado em mim com as duas mãos beliscando os
meus mamilos. Cada subida era uma estocada, ele
não queria perder o contato com minha vagina.
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Subimos até o último degrau sem nos soltar um


minuto sequer.

Lá no topo eu me agachei e ele me penetrou


com mais força e velocidade enquanto acariciava os
meus seios que pulavam do vestido. Ouvia sua
pelve batendo em minha bunda, ouvia o barulho da
minha excitação que encharcava a minha
intimidade. Não aguentei e gemi bem alto. Tremi
todo o meu corpo, ele gozou em seguida e se
debruçou sobre mim. Ficamos parados alguns
segundos enquanto ele beijava minha orelha.
Depois ele levantou-se, tirou a camisinha e colocou
em algum canto. Virei de frente sem abaixar o
vestido nem colocar os botões, sentia-me viva e
livre. Ele veio até mim e beijou meus seios, depois
abotoou o meu vestido.

— O que está acontecendo, Vitória? —


Beijou os dedos de minha mão. — Acha mesmo
que tô achando tudo isso normal?

— O que não é normal? Ter desejo por você


ou transar numa escada? — perguntei cinicamente.

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Ele balançou a cabeça e levantou-se me


dando a mão.

— Vamos, te deixo em casa.

Descemos cada degrau com um sorriso


estampado no rosto. Fomos até o ponto do acarajé e
lá ele pegou a sua moto. Fui o caminho todo
agarradinha em sua cintura. Quando parou em
minha porta eu pedi que ele subisse e ficasse
comigo. Pedi ao vizinho de baixo que ele deixasse
a moto em sua garagem e subimos para a minha
quitinete. Iria dormir com o meu herói da
ambulância, o homem com quem havia tido as duas
transas mais inusitadas da minha vida. Acho que o
meu primeiro dia de morta viva não estava sendo
tão ruim assim. Esperava que os outros seis fossem
ainda melhores.

***

Aproveitei todas as folgas de Aldo, tivemos


dias incríveis. Em uma noite, depois de transarmos
em minha casa, ele me propôs namoro sério.
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— Se durarmos mais do que sete dias, então


podemos ser considerados namorados. — falei me
sentindo uma mentirosa.

Em seis dias eu transei numa ambulância,


transei numa escada, maratonei minhas séries
preferidas, enchi meu chefe de desaforo, fui
demitida (é claro!), transei para comemorar a
demissão, liguei para a minha família e disse a
todos o quanto os amava, jantei com minha melhor
amiga, pintei o cabelo de azul, transei para
comemorar o novo cabelo e cancelei minha
matrícula na faculdade. Resumindo, transei muito!

No dia fatídico eu fui até o hospital pegar


minha bolsa com os documentos, não queria ser
enterrada como indigente. O engraçado é que não
senti falta de ar alguma esses dias todos. Dizem que
é a melhora antes da morte. Já havia me
conformado, só não queria sentir dor. Iria
aproveitar e ficar pelo hospital mesmo, qualquer
coisa alguém me socorreria e, na pior das hipóteses,
iria morrer cheia de morfina.

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Assim que cheguei à sala do pneumologista


deparei-me com o pai de Aldo. Acho que aquele
senhor era o meu anjo da guarda. Expliquei minha
situação para a recepcionista e me dirigi ao meu
sogro temporário.

— O senhor por aqui? — perguntei curiosa.

— Oi, menina bonita! — Apesar da resposta


simpática, ele parecia nervoso.

— Está tudo bem com o senhor? — Suas


lágrimas começaram a cair.

— Tudo bem, menina! — respondeu não tão


convicto. — Na verdade, não está nada bem.

Ele contou-me que tinha uma filha fora do


casamento e que ela tinha problemas respiratórios
desde pequena. A mãe havia morrido há alguns
anos e ele cuidava dela com o auxílio de uma tia
materna. Ele sabia que havia errado em trair a sua
família, mas não queria que a menina pagasse por
isso. Na última consulta o médico confirmou o que
ele mais temia. A garota, uma jovem recém-saída
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da adolescência, não iria viver por muitos dias.


Numa dessas reviravoltas do destino, ele recebeu
uma ligação pedindo que comparecesse ao hospital
naquela manhã, pois algo estava errado com os
exames. Enquanto aguardava naquela sala, torcia
para que um milagre acontecesse. Assim que me
contou tudo, a sala foi aberta e eu fui chamada por
um médico.

— Bom dia, senhorita Vitória! — Estendeu a


mão todo simpático. — Sente-se, por favor!

Eu desabei na cadeira e comecei a chorar


feito criança, o médico ligou para a recepção e
pediu que chamasse uma enfermeira com urgência.
Falou algum código de medicação que na hora não
entendi. Achei que estivesse preparada para morrer,
mas olhar para o médico trouxe minha realidade à
tona.

— Vitória, não chore, isso só piora o seu


quadro! — Entregou-me um lenço.

— E o que de pi-or po-de a-con-te-cer? Eu


pos-so mor-rer com na-riz en-tu-pi-do? —
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perguntei entre soluços.

— Quem disse que você vai morrer? — falou


encarando-me. — Você nem esperou pela nossa
consulta semana passada!

— As en-fer-mei-ras! E-las, e-las fa-la-ram e


eu es-cu-tei quando a-cordei. — Parei e assuei o
nariz.

— Vitória, com certeza não foi de você que


estavam falando. — Parou balançando a cabeça. —
Elas nem deveriam comentar isso pelos corredores.

Parei para escutá-lo.

— Depois de olhar todos os seus exames, vi


que o seu problema nada mais é que ansiedade —
riu de meu desespero. — Você estava trabalhando
muito, morando longe da família, estudando à
noite. Sua carga de estresse foi muito grande e você
não aguentou.

— Mas eu não senti nada essa semana


inteirinha! Como isso pode acontecer se eu estava
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nervosa? — Já não chorava mais.

— Provavelmente você relaxou mais um


pouco ou ficou longe do que te estressava. —
Olhou-me desconfiado. — O que fez nesses
últimos dias?

Como assim o que eu fiz? Não poderia contar


que fiz loucuras. E agora? Como iria olhar para
Aldo? Ele deve achar que sou uma maníaca sexual
ou algo do tipo.

— Eu não trabalhei e nem fui à faculdade. —


Ele não precisava saber dos meus micos.

Ficou me olhando e rindo. Depois me


encaminhou para o psicólogo. Eu que não iria para
médico nenhum. Chega! Assim que saí, o pai de
Aldo foi chamado. Peguei minha bolsa e resolvi
esperá-lo na portaria. Ele apareceu um tempo
depois, estava com outra fisionomia.

— Vitória! Foi um engano, minha filha não


vai morrer! — Abraçou-me emocionado.

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No caminho para casa ele me contou que o


laboratório trocou os exames e todos iriam ter que
refazê-los. Ao menos eles teriam mais algumas
semanas de esperança. Cheguei em casa, coloquei o
celular para carregar e fui tomar banho.

Depois de uma boa soneca, permiti-me


pensar sobre a vida, sobre a minha vida e o que eu
havia feito com ela. Não tinha mais emprego nem
formação universitária, o que eu iria fazer agora?

Liguei o celular, salvei o número que Aldo


havia me dado e disquei para ele. Caiu na caixa.
Tentei novamente, mas não obtive sucesso. Deveria
estar trabalhando. Queria convidá-lo para jantar,
mostrar os meus dotes culinários. Na cidade onde
morava, era conhecida por ser uma quituteira "de
mão cheia". Vendia horrores e ganhava até mais do
que um salário mínimo. Essa lembrança deu um
estalo em meu cérebro. Peguei minha bolsa e saí
correndo de casa, ainda tinha o dinheiro que
pagaria a mensalidade da faculdade que acabei de
cancelar. Parei num grande mercado e fiz compras.
Depois fui numa bomboniere, comprei vasilhas e
potes descartáveis, guardanapos e afins. Uma nova
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janela se abria para mim, gostava muito mais dessa


possibilidade que da vida que eu tinha. Passei a
tarde trabalhando e a noite fui para a rua vender
meus lanches de porta em porta.

Cheguei exausta, mas satisfeita! Vendi tudo e


recebi muitos elogios. Estava me sentindo muito
feliz, estava faminta também, mas antes queria
outro banho. Enquanto cantava no chuveiro, e não
fazia isso há um bom tempo, eu relembrei a
trajetória de minha jovem vida. Como fui escolher
aquele curso que não me agradava? Como arranjei
aquele emprego enfadonho? As necessidades nos
empurram para as praticidades temporárias, depois
nos percebemos fazendo carreira no que não nos dá
prazer nenhum. Aquelas enfermeiras linguarudas
haviam me dado uma nova vida, e eu iria aproveitá-
la. Enrolei uma toalha nos cabelos, vesti minha
roupa de mendiga e fui preparar algo para comer.
Assim que entrei na mina sala/cozinha, deparei-me
com uma mesa posta para um jantar à luz de velas.

— Parabéns para nós! — Estendeu-me uma


flor. — Conseguimos superar os sete dias juntos,
agora estamos oficialmente namorando.
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Peguei a flor, levei aos lábios e depois caí em


seus braços enlaçando o seu pescoço em um beijo
longo e acalorado.

— Por que não me avisou? — Apontei as


minhas mãos para o meu corpo. — Não estou
vestida a caráter.

Ele desenrolou a toalha da minha cabeça, e


jogou-a no sofá, depois me fez levantar os braços e
começou a tirar o trapo que eu vestia. Quando
fiquei completamente nua, ele beijou-me de cima a
baixo até chegar ao meu centro.

— Agora está perfeita! — Olhou-me bem


safado. — Que tal começarmos pela sobremesa?

Aldo apoiou um dos meus pés na mesa de


centro e começou a me chupar com vontade, eu
segurava a sua cabeça pressionando e pedindo
mais. Depois de alguns minutos eu o empurrei até o
pufe gota e pedi que sentasse. Ajoelhei-me e
comecei a chupá-lo também. Ele era lindinho,
macio e muito firme. Senti que seu corpo tremia
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muito, então me levantei, coloquei uma camisinha


nele, abri minhas pernas em torno das suas e desci
me encaixando em seu pau.

O pufe permitiu uma engatada maravilhosa,


meus pés ficaram apoiados no chão e eu os usava
para impulsionar o meu corpo enquanto segurava
os seus ombros e cavalgava sobre sua pelve. Aldo
segurava-me pelas nádegas e sugava meus seios
com gula, achei que fossem​ explodir de tão
intumescidos, tamanha a fúria de sua sucção. Senti
meu orgasmo chegando, então comecei a cavalgar
com mais velocidade. Minhas entranhas apertavam
o seu pênis e minhas pernas fraquejaram enquanto
eu gemia de forma gutural. Gozei muito e logo
depois Aldo gozou também, fez tanto barulho
quanto eu. Ainda sentados e encaixados, ele
começou a dar beijos carinhosos em meu colo e
pescoço. Depois fez piadinha com a nossa transa.

— Não sabia que você gostava do sexo


normal — riu gostoso ao dizer isso.

— Eu gosto de sexo com você — falei séria.


— E aquele sexo maluco não irá se repetir.
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— Ah, que notícia boa! Já estava preocupado


imaginando onde seria a próxima loucura. —
Gargalhou após dizer isso.

Definitivamente a vida estava sorrindo pra


mim.

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4. Mendigo hipster

Todos naquele bairro conheciam a Martinha,


todos sabiam que ela era depravada, boca suja e
que não ligava para o que ninguém pensava. Todos
falavam de sua promiscuidade, mas ninguém tinha
interesse em conhecer a verdadeira Martinha.
Aquela que nas horas de folga ia distribuir sopa aos
que passavam fome e frio durante o inverno, ou
aquela que levava as nossas roupas para lavar em
sua casa e as devolvia limpas, macias e costuradas.
Eu conhecia essa Martinha e foi por essa que me
apaixonei.

Já estava na rua há algum tempo, já sofri todo


tipo de humilhação, as pessoas me tratam com
desdém e, por ser ainda jovem, me olham com
preconceito, me julgando um preguiçoso, pois
mesmo cheio de forças, preferia pedir que
trabalhar. Ninguém quer saber que já fui criança ou
um jovem sonhador que, assim como a maioria,
queria ter sucesso e não viver de favor.

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Martinha foi uma das poucas pessoas a me


olhar diferente, lembro da primeira vez que chegou
com sopa e um cobertor quente. Apesar de ter um
sorriso iluminado, eu percebi seus olhos cansados
assim como meu falecido pai os tinha. Observei
suas mãos calejadas e lembrei de minha mainha
trabalhando na casa de farinha. Chorei ao lembrar
dos dois, chorei ao ser tratado decentemente e,
diante do meu choro, Martinha me abraçou e eu
desabei ao me sentir gente novamente. Aquele
primeiro contato foi o marco do meu dia, pude
conversar com alguém e contar sobre minha vida.
Não é qualquer um que consegue ficar perto de nós
e aguentar o nosso cheiro.

Existe sim, os que desviam o olhar por


desprezo, pois se sentem superiores a quem está
passando dificuldade. Existem aqueles que não
olham para não se sentirem mal diante da
impotência de nada fazer. Às vezes esmola não é
tudo, um sorriso amigo e um bom ouvido são de
graça e nos ajudam a superar a nossa desgraça.

Martinha era diferente, assim que me deixou


mais calmo, foi oferecer carinho a outro indigente.
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O que não faltava em cidades grandes eram


mendigos e convalescentes, todos esperando um
pão e um tratamento decente. Martinha era meu
anjo e, por saber que ela era assim com todos e não
apenas comigo, me apaixonei perdidamente. Nunca
diria isso a ela, contentava-me em admirá-la de
longe, só desejava que fosse feliz e bem tratada
como merece.

Nem sempre eu a via, às vezes por causa do


seu trabalho, às vezes porque ela saía, mas me
contentava com a lembrança do sorriso que à noite
me fazia companhia. Depois de sua primeira visita,
minha vida não foi mais a mesma, até as noites
passaram a ter certa beleza. Envolto em seu
cobertor eu me sentia amado mesmo não sendo
como queria. Assim passaram-se os meses, eu
sofrendo de amor, mas feliz ao menos por ela
existir.

Apesar do que as pessoas pensam, nós não


ficamos parados no ponto esperando a sorte chegar,
tentamos todos os dias, seja um trabalho ou um
trocado, nós corremos atrás. Naquela noite, depois
de voltar pra casa, cansado e desanimado, eu não
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encontrei os meus cobertores. Nós respeitamos o


território um do outro, com certeza foi alguém de
outro bairro que os levou. Justo naquela noite fria e
que anunciava chuva. Não tinha jeito, não podia me
lamentar, restava apenas viver e esperar pelo dia
seguinte para tentar resolver. Peguei algumas
caixas de papelão, estiquei-as no chão e me cobri
com alguns jornais. Hoje eu não teria os macios
cobertores da minha amada.

Acordei com a chuva forte, tremia de frio e o


jornal estava ensopado. Chuva de açoite não
respeitava morador de rua. Limitei-me a encostar
na parede e abaixei a cabeça entre os joelhos, assim
a chuva não machucava o meu rosto, tremi de frio
por longos minutos até que senti uma proteção
sobre mim. Levantei o olhar e vi Martinha. Ela
estava linda, de salto, toda maquiada e com uma
roupa que não combinava com um tempo tão frio.

— Vamos Júlio, levanta daí senão vai pegar


um resfriado. — Ela falou me estendendo uma das
mãos enquanto segurava o guarda-chuva sobre nós.

Levantei-me sem graça, ela colocou uma das


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mãos sobre meus ombros e me guiou até uma


pequena casa que ficava em uma vila transversal a
uma das ruas principais daquele bairro. Alguma
coisa ali me lembrava a roça onde cresci. As casas
eram todas pequenas, mas tinham flores e
hortaliças plantadas nos passeios. A casa de
Martinha era vermelha com janelas brancas, tudo
bem simples, mas com muito capricho. Mesmo
debaixo de chuva, algumas pessoas colocavam as
caras nas janelas e logo depois se recolhiam.

Assim que ela abriu a porta, eu tremi


emocionado. Não lembrava de ter entrado numa
casa desde que fui parar nas ruas. Já limpei
algumas, mas só a varanda, a área de serviço e a
dos cachorros, nunca entrei numa casa de fato. As
pessoas tinham medo de serem estupradas,
assaltadas ou sei lá o quê. Num mundo sem leis e
cheio de bandidos, eu não as culpava, mas esse
criminoso também poderia ser o vendedor, a
faxineira ou até mesmo o entregador de gás, mas
eles não moravam na rua e nem comiam do lixo,
tinham credibilidade.

— Tudo bem, pode entrar, vamos! —


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Martinha tinha uma sensibilidade imensa.

Eu entrei, ela fechou a porta e me encaminhou para


o banheiro. Eu comecei a chorar, não era possível
que uma pessoa confiasse em mim daquele jeito.
Ela me abraçou por trás, ficou assim por longos
minutos, até que eu parei de soluçar. Depois
praticamente me empurrou para o banho. Tirou
minhas roupas, puxou a cortina e ligou o chuveiro
no quente.

— Júlio, pode ficar à vontade, tá? — Soltou


os meus cabelos. — Aqui tem xampu,
condicionador, sabonete. Pode usar tudo, a
quantidade que precisar, sem cerimônia.

Assim que ela saiu, tomei um banho muito


demorado, usei quase todo o seu xampu, meu
cabelo realmente precisava. Penteei os cabelos e
prendi com um elástico, estava sem dinheiro para
cortá-los, estava sem dinheiro até para comer!
Achei uma tesoura e aparei a barba, não iria usar a
sua lâmina, porque aí já era abuso. Enquanto me
aparava, senti um cheiro delicioso. Meu estômago
roncou. Vesti as roupas às pressas, não era mal-
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educado, mas só quem vive nas ruas sabe o valor de


uma comida, ainda mais quentinha.

Ela bateu na porta assim que acabei, nem


esperou eu responder e entrou. Ficou parada me
olhando como se nunca tivesse me visto, depois
falou rápido.

— Oxe, tire essas roupas molhadas senão vai


gripar! Aqui ó, trouxe roupa limpa pra você.

Saiu com a mesma rapidez com que entrou.


Peguei as peças e fiquei olhando, aquilo não era
roupa decente para ficar na frente de uma moça.
Uma camiseta e uma samba canção, só. Vesti meio
a contragosto, não estava à vontade, mas era enxuta
e cheirosa, bem melhor que a minha.

— Vamos Júlio, a sopa vai esfriar desse jeito!

Saí logo do banheiro antes que ela me


arrancasse de lá. Assim que cheguei na cozinha, o
aroma tomava conta de tudo. Sentei na cadeira que
ela me indicou e tomei a sopa na velocidade do
créu. Ela não pareceu ofendida, simplesmente
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encheu outro prato e eu tomei esse com mais


calma, saboreando cada tempero. Comi o pão,
tomei o suco. Um verdadeiro jantar de rei.

— Sua comida é muito gostosa! — Elogiei


com sinceridade.

— Sou merendeira de escola, cozinho para


um batalhão, tive que aprender na marra. — E abriu
o sorriso mais lindo do mundo. — Obrigada!

Quando acabamos, lavei os pratos contra a


vontade dela enquanto ela colocava minhas roupas
na máquina.

— Como vou pra casa desse jeito? —


Apontei para as peças que usava.

— Oxe, e quem disse que você vai sair


debaixo desse dilúvio? Vai dormir aqui hoje. —
Olhou-me mandona. — Amanhã a gente resolve as
coisas.

— Eu não quero abusar, Martinha, já está


sendo boa demais comigo.
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— O quê? Um prato de sopa não me faz uma


pessoa melhor que as outras não — respondeu sem
graça. — Já já ajeito sua cama no sofá.

Como se não bastasse tudo o que já havia


feito, ela me deu uma escova de dentes e um fio
dental. Quando saí do banheiro a minha cama já
estava pronta.

— Como já disse, fique à vontade — falou


entrando no banheiro. — Vou tomar um banho e
me preparar para dormir que já está muito tarde.

Martinha foi pro banho e eu pro sofá. Pouco


tempo depois ela saiu do banheiro deixando o
cheiro de sabonete no ar. Seus cabelos estavam
presos em um coque mal feito, alguns cachinhos
caindo na nuca e uma camisola verde que
desenhava suas belas e fartas curvas. Eu era
mendigo, mas era homem. Aquilo me deixou
eriçado. Ela foi até mim, debruçou-se e me deu um
abraço de boa noite. Eu levantei para corresponder,
mas me arrependi quando a vi se afastar diante de
minha evidente ereção.
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— Me desculpe Martinha, eu não sou um


tarado — falei já me encaminhando para a área de
serviço e puxando minhas roupas do varal. — Eu tô
indo, desculpas mais uma vez.

Martinha puxou as roupas da minha mão e


colocou-as de volta onde estavam.

— Olha, você é homem, eu sou mulher e nós


dois, pelo jeito, gostamos da fruta um do outro.

— Você não tá com raiva ou medo de mim?

— Hum-hum! Agora vai dormir, vai!

Ela trancou a área de serviço e foi para o


quarto. Fiquei deitado no sofá e, quando estava
prestes a pegar no sono, Martinha saiu do quarto
para a cozinha e voltou com um copo de água.

— Não tá sentindo calor, Júlio?

Eu balancei a cabeça em sinal negativo, na


verdade, eu estava sentindo frio. Tremia muito,
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mesmo debaixo da coberta. Ela colocou a mão em


minha testa para ver se eu estava com febre.

— Você está bem, sem febre nenhuma, deve


ser a chuva lá fora. — Embrenhou-se debaixo de
minhas cobertas. — Venha aqui que eu vou te
aquecer, venha.

Martinha me abraçou e um calor começou a


surgir entre minhas pernas, ela não se importou,
pelo contrário, começou a me acariciar. Eu não
queria ser desrespeitoso, principalmente com quem
tanto me ajudou, mas aquilo era demais para mim.
Eu a agarrei e coloque-a sentada em minha pelve.
Ela rebolou em meu pênis pedindo que eu a
penetrasse. Não fazia sexo há mais de dois anos e
aquela mulher merecia algo bem feito, mas eu
sentia que não demoraria a gozar.

Arranquei sua camisola e pude ver e sentir


aquele corpão maravilhoso. Coloquei um dos seios
em minha boca e percebi a firmeza de sua
excitação. Ela jogava a cabeça para trás,
mostrando-se bem à vontade e louca para que eu a
preenchesse. Beijei sua boca aveludada enquanto
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segurava a sua nuca, desci minhas mãos pelas suas


costas macias até chegar em sua bunda redonda e
firme, levantei-a e me encaixei em suas entranhas.
Ela gemeu excitada e começamos a nos unir
freneticamente. Nossos sexos se chocavam com
uma ânsia desenfreada. Deitei-a no sofá sem nos
desencaixarmos um minuto sequer. Penetrei-a cada
vez mais fundo enquanto olhava em seus olhos
brilhantes. Eu era um homem apaixonado e estava
dentro de uma mulher vibrante e linda sob todos os
ângulos. Não aguentei, fechei meus olhos e explodi
em um gozo maravilhoso. Só parei quando
Martinha me perguntou se estava tudo bem.

— Júlio! Júlio! Acorda! — Ela passou as


mãos em minhas costas. — Júlio! Acho que você
está com febre.

— Oi?? — Dei um pulo do sofá. — O que


houve?

— Você estava gemendo e se debatendo no


sofá. — Ela pareceu preocupada.

— Foi um sonho, um pesadelo, é isso —


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respondi nervoso.

— Não é não, você está queimando de febre,


isso é delírio.

— Já deve passar! Vou voltar a dormir,


obrigado — falei tentando me livrar logo dela, pois
percebi que minha cueca estava úmida.

— Nada disso, vai tomar um remédio e deitar


em minha cama. Só vou dormir quando tiver
certeza que está bem.

E agora?

— Tem certeza que está bem para ir sozinho


ao banheiro? — Respondi positivamente com as
mãos segurando entre as pernas. — Não tenha
vergonha de mim, já vi disso aí aos montes.

Aquele comentário de Martinha não ajudava.


Tinha que levantar daquele sofá sem que ela
percebesse minha acentuada alteração. Quando tive
a certeza que ela não sairia de perto, eu puxei o
cobertor até o pescoço e fui para o banheiro
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escondido nele.

— Tô com muito frio! — E me apressei


entrando e fechando logo a porta.

Tirei a samba canção e tentei limpá-la com a


ponta da toalha. Umideci levemente e esfreguei até
sair todo o esperma. Depois pressionei o papel
higiênico até deixá-la o mais seca possível. Lavei o
rosto e saí do banheiro como entrei, todo enrolado.
Martinha estava na porta como previ, colocou as
duas mãos nas costas dos meus ombros e me
empurrou para o quarto.

— Pode deitar aí, não é nenhuma cama king,


mas cabe nós dois. — Afofou um travesseiro me
indicando onde deveria deitar. — Vou colocar um
termômetro para verificar se tem febre mesmo.

Depois de cinco minutos o troço apitou e ela


se assustou ao perceber que eu não tinha febre
nenhuma.

— Mas oxe, que esquisito! — Sacudiu o


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termômetro e colocou novamente debaixo do meu


braço. — Esse bicho tá quebrado, só pode. Você
tava se debatendo e quente daquele jeito. Se não foi
febre, foi o quê então?

Eu dei de ombros e logo depois do novo apito


ela se convenceu de que eu estava bem. Enrolou-
me feito uma criança e bateu no edredom até que
sentiu um volume extra.

— Ô Júlio, o que é isso aqui? Tu tá excitado


é? — perguntou sem fazer rodeios. Não come
mulher há quanto tempo?

— Oxente, Martinha! Isso lá é pergunta que


se faça? Me respeite, oras.

— E desde quando falar de sexo é


desrespeito? Pois venha que vou resolver seu
problema agora! — Levantou-se da cama e puxou
meu cobertor.

— O que é isso? Tá me dando sexo como se


fosse caridade, é? — Eu tava precisando, mas
aquilo era uma ofensa.
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Martinha tirou a camisola e ficou nua em


pelo. Ela tinha curvas generosas, peitos fartos,
coxas grossas, bunda redonda e uma boca que era
uma perdição.

— Eu por um acaso tenho cara de esmola,


tenho é? — Colocou a mão na cintura parecendo
ofendida.

A essa altura eu nem tinha mais como


disfarçar, minha cueca levantou por conta própria e
Martinha aproveitou para encostar em mim.

— Sei que tu tá nervoso, mas se avexe não.


Tô aqui porque que quero e não por pena. —
Colocou minhas mãos em sua cintura. — Tô dando
permissão para pegar onde mais quiser e sentir
vontade.

Vontade era o que eu tinha de sobra. Sentir


aquela pele macia me enlouqueceu. Minhas mãos
desceram e alisaram levemente o seu bumbum,
desceram um pouco mais e contornaram as suas
coxas. Seu sexo exalava um cheiro docemente
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cítrico e estava a centímetros de minha boca,


timidamente beijei os seus pelos encaracolados e
rocei a língua em sua abertura. Ela arfou e jogou o
corpo para trás.

Não resistindo mais, peguei em sua bunda


com força e a joguei em meu colo. O choque de seu
corpo nu em minha ereção produziu uma sensação
há muito tempo esquecida. Martinha rebolava em
meu pau enquanto ele ainda estava coberto por
tecido. Minhas mãos subiam pelas suas costas
enquanto eu tomava seus seios duros em minha
boca. Depois de muito se esfregar em mim, ela
levantou-se e foi até um pufe gota e deitou sobre
ele com os braços acima da cabeça e as pernas
abertas. Era a visão do paraíso.

Levantei-me e tirei as poucas peças que me


vestiam. Martinha me olhava com volúpia.

— Cara, que corpo gostoso da porra! Tu é


homem pra ninguém botar defeito. — Aquele
comentário inflou meu ego e meu pênis levantou e
endureceu mais do que eu supunha ser o normal.
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Ajoelhei-me e peguei em seus pés enchendo-


os de beijos, subindo pelas pernas até chegar ao
meio de suas coxas. Ela estava aberta para mim
como uma flor a desabrochar. Beijei levemente o
seu botão antes de sugar todo o seu pólen.
Enquanto minha cabeça estava enterrada em seu
centro, meus dedos acariciavam os seus seios e
brincavam com seus mamilos enrijecidos. Ela
gemia gostosamente.

— Que boca gostosa, Júlio! Chupa mais, vai!


Isso! Assim! Ai, delícia! — Enquanto falava, ela
rebolava em minha boca pressionando seu sexo
contra meu rosto. — Morde meu grelinho, morde
vai! Assim, ai, ai, gostoso do caralho! Isso, não
para!

Senti seu corpo estremecer, mas ela colocou


suas mãos em minha cabeça, pediu que eu parasse e
trocasse de lugar com ela. Quando me sentei ela foi
até o criado mudo e pegou uma das camisinhas que
estavam na caixa. Foi até mim e vestiu o meu
pênis. Depois voltou até lá e trouxe um troço
borrachudo colorido.
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— O que é isso, Martinha?

— O complemento de meu prazer! — Virou


de costas e sentou-se em meu pênis.

Aquela buceta molhadinha me engoliu por


inteiro e ainda ficava mastigando o meu pau de
maneira que eu nunca vi na vida. Enquanto sua
bunda subia e descia chocando nossos corpos, eu
apertava seus seios com vontade. Seu pescoço era
cheiroso, não resisti a chupá-lo com gosto. De
repente senti algo roçando em meu pau. Era
Martinha colocando aquele objeto onde a meu ver
só caberia eu. Parei assustado.

— Não para! Vai gostar disso tanto quanto


eu! Sou uma mulher gulosa, Júlio, se não como o
suficiente, não fico satisfeita — ela sussurrava
enquanto enfiava aquilo ao lado do meu pau. —
Quer que eu fique com fome, quer? — E enfiou o
restante.

A sensação realmente não era ruim, tomei o


objeto de suas mãos e comecei eu mesmo a
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manusear, os dois a penetravam no mesmo ritmo,


em total sincronia. Martinha aproveitou a mão livre
e usou-a para estimular seu clitóris. Ela gemia
incessantemente! Nunca vi uma mulher falar tanto
durante o sexo.

— Fode gostoso, vai, mais forte! Isso, enterra


bem fundo, aham, assim. Ah, ah, ah, caralho, tá
bom. Coloca tudo, até as bolas. Vai Júlio, vai. Mais
rápido, mais rápido, aí. Ah, ah, ah, ah!

Martinha começou a tremer, suas pernas se


contraíram involuntariamente, senti meu pênis ser
pressionado várias vezes até que nós dois gozarmos
juntos.

Ficamos jogados no pufe por alguns minutos.


Depois ela se levantou e me deu as mãos me
chamando para o banheiro. Realmente precisava de
um banho. Também precisava entender como
estava nas ruas em um dia e no outro estava na
cama com a mulher mais gostosa e maravilhosa do
mundo.

— Vamos Júlio, hoje é sua noite de rei. O


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banquete ainda não acabou, isso foi só a entrada.

Como assim? Tinha mais?

***

Não estava acostumado a tanta gente em


volta de mim, pelo contrário, geralmente elas
fugiam. Aquele barulho, aqueles flashes, aquela
mulher passando pó no meu rosto. Tudo aquilo
estava me deixando enjoado e muito irritado, mas
Martinha disse que seria bom pra mim, para o meu
futuro e o da minha mãe. Era por elas e pelo nosso
projeto que me prestava àquilo.

Fechei os olhos e tentei relaxar, Martinha


sempre vinha em minha cabeça. Os dias que passei
com ela foram os melhores da minha vida. Aquela
primeira noite foi inesquecível.

Depois de uma transa maravilhosa naquele


puf rosa, Martinha me puxou para o banheiro e me
deu um banho, como se eu fosse uma criança.
Passou esponja com espuma em todo o meu corpo,
lavou os meus cabelos e como se achasse pouco,
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ela se ajoelhou com uma tesoura nas mãos e aparou


os meus pelos pubianos.

— Você é um homem bom, Júlio, merece o


melhor tratamento do mundo — falava com voz
protetora. — Não tenho como te compensar por
tudo o que passou, mas vou te ajudar a andar de
cabeça erguida, ah se vou!

Depois que ela me depilou e me enxaguou,


tomou o meu pau em sua boca e começou a chupá-
lo, ali mesmo no banheiro. Eu me apoiei nas
paredes escorregadias tamanha a minha excitação.
Martinha colocava tudo na boca, depois tirava,
lambia a cabeça, descia e chupava cada bola,
voltava lambendo todo o membro até o engolir
novamente. Estava difícil controlar a excitação,
peguei em seus cabelos volumosos, juntei em um
rabo de cavalo e comecei a fazer pressão em minha
pelve, ela percebeu que eu estava prestes a gozar e
intensificou os movimentos. Comecei a gemer
enquanto minha cabeça batia no azulejo frio, estava
no meu limite quando jorrei em sua boca. Ela
engoliu tudo, lambeu todo o membro e depois
chupou o dedo que passou no canto dos lábios. Era
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realmente uma mulher gulosa.

Cansado, eu escorreguei pela parede até cair


de bunda no chão. Ela desceu comigo e ficamos
parados, lado a lado. Eu sorria feito uma garoa com
um mega algodão doce em pleno parque de
diversões. Senti a sua mão se apossar do meu
membro, que apesar de exausto, demonstrou um
pouco de animação. Ela sorriu e levantou-se
ligando o chuveiro. Tomamos outro banho antes de
voltarmos para a cama, para mais uma rodada de
sexo. Ela não havia brincado quando disse que seria
um banquete.

Abri os olhos quando ouvi o pigarro da


maquiadora que havia parado o trabalho. Percebi o
silêncio constrangedor que reinava no local. Todos
olhavam para a minha cueca boxer, senti a
vergonha corroer minha alma. O fotógrafo jogou
um roupão no meu colo, não antes de rir com o
canto da boca. Eles trocaram algumas palavras que
graças a Deus eu não consegui traduzir, com
certeza me xingaram dos piores nomes possíveis.

Havia saído do Brasil há seis meses e tinha


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um vocabulário muito limitado. Só me virava para


comer, mas não podia reclamar. A minha mãe
estava bem e a Martinha estava à frente de um
lindo projeto social que assistia a moradores de rua.
No fim das contas, não podia reclamar do meu
trabalho. Assim que a maquiadora terminou, fui
encaminhado para um estúdio onde faria uma
campanha para uma famosa marca de roupa
masculina. Essa seria a última sessão de fotos antes
de voltar ao meu país.

***

Assim que desembarquei, meu empresário


me informou que teria uma entrevista num
programa de uma grande emissora nacional.

— E hoje o nosso programa é muito especial,


porque iremos conhecer um pouco da vida do
modelo brasileiro Júlio Rocha, o famoso mendigo
hipster.

Assim que ela terminou a fala, eu entrei


acenando como me ensinaram a fazer. A
apresentadora me abraçou como duvido que faria
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há alguns meses. Eu exalava perfumes caros, vestia


marcas dos tênis aos óculos. Eu era uma
propaganda ambulante, um chamariz de inveja e
frustração para aqueles que nunca teriam dinheiro
para comprar nem mesmo a cueca que eu usava.
Mas era um sacrifício que ajudaria outras pessoas.

— Então Júlio, como se sente com o apelido?

— Me sinto bem, pois é esse dinheiro que


permite que muitas pessoas tenham oportunidade
de mudar de vida.

— Conta pra gente como foi que essa carreira


de modelo começou.

— Não apenas a carreira, mas a minha vida


começou com a Martinha. Ela que dirige o projeto
Gente como a gente. Ela me ajudou de todas as
maneiras possíveis e trouxe sorte para a minha
vida. Me tirou das ruas, me arranjou um emprego
numa loja do shopping onde me descobriram como
modelo.

— Nossa! Palmas para Martinha, gente! — A


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apresentadora levantou uma salva de palmas, todas


muito bem merecidas. — E como você foi parar
nas ruas, Júlio?

— A minha história parece com a de muitas


pessoas, todos na rua estão fugindo ou procurando
algo. Eu sou da roça, meu pai morreu na enxada
quando eu ainda era pequeno, minha mãe não tinha
trabalho. Fui recrutado por fazendeiros locais para
realizar trabalhos braçais. Muitas crianças fazem
isso em troca de comida. Quando fiquei
adolescente e comecei a exigir meus direitos, fui
ameaçado até que fugi.

— Infelizmente o Brasil ainda é um país que


não cuida das suas crianças — falou a
apresentadora.

— O Brasil é um país que não cuida das


pessoas. São as pessoas que cuidam umas das
outras, são as ONGs, os trabalhos voluntários, as
doações dos desportistas e artistas que evitam que a
catástrofe seja ainda maior.

Novamente a plateia se levantou para outra


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salva de palmas. A apresentadora então aproveitou


a empolgação de todos e chamou a atração
surpresa. Quase caí para trás quando vi minha mãe
entrando de mãos dadas com Martinha. Na hora
esqueci todas as recomendações dela: "Não somos
namorados, somos amigos coloridos, nada de me
beijar em público." Dei um abraço apertado em
Mainha e cai de boca nos lábios carnudos da minha
amada amiga colorida, aquela de quem eu morria
de saudades e por quem seria eternamente grato.

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5. Chumbo trocado
Eu estava exausta, e não era apenas um
cansaço físico, era psicológico também. Aquelas
mulheres não queimaram sutiãs para que hoje eu
estivesse lavando as fardas do meu marido
enquanto ele descansava do trabalho assistindo
televisão.

Sabe Amélia? Eu era uma Amélia com


jornada dupla, uma Amélia do século XXI, eu
trabalhava fora, assim como o meu marido que está
vendo tv, e dentro de casa. Ele achava que as
meninas tinham que me ajudar no trabalho
doméstico. Teve filhas pra que? Claro! Homens
têm filhas com o propósito de criar Amélia para
que os homens das próximas gerações tenham
empregadas quando saírem da casa dos pais.
Minhas filhas não! Com certeza elas teriam uma
vida melhor que a minha, era pra isso que eu
trabalhava, era por isso que elas estudavam até não
poder mais. Estava cansada daquela vida e daquele
homem que eu não admirava mais.
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Casei-me jovem, nem tinha dezoito ainda.


Quando fiquei grávida meus pais só me deram duas
opções: ou casava e iria morar com o Zeca, ou iria
para a rua. Não tinha como me sustentar, estava
cursando o último ano do ensino médio e era
apaixonada por ele. Por que não? Casei!

Zeca era legal, trabalhador, porém machista!


Concluí o ensino médio na raça, por ele nem isso
eu faria. Faculdade? Só agora depois das filhas
crescidas. Prometi a mim mesma que com minhas
duas filhas seria bem diferente.

Eu trabalhava fazendo faxina, apesar de Zeca


ser contra. Ele dizia que o SEU salário era
suficiente para sustentar a nossa família. E era! Mas
queria que minhas filhas tivessem coisas que para
ele eram supérfluas. Em casa elas cuidavam apenas
das suas coisas e pequenos afazeres domésticos,
passavam​ a maior parte do tempo estudando. Com
o meu salário, as meninas tinham oportunidade de
fazer um curso de inglês, a mais velha o pré-
vestibular e ainda pagava minha faculdade EAD.

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Com o tempo o machismo de Zeca foi


aumentando, não era agressivo, mas começou a
exigir as camisas mais bem passadas, a comida do
dia, a casa sempre passada pano. Comecei a
perceber que isso foi depois da faculdade, não sei
se era insegurança ou pirraça mesmo, mas isso
estava acabando com o nosso casamento. Para
completar, Zeca começou a me negar sexo, só
fazíamos quando ele queria, quando ele procurava,
se eu tomasse a iniciativa, sempre vinha com um:
tô cansado hoje, trabalhei além da conta.
Definitivamente, tinha algo errado com nós dois.

Estávamos em casa no domingo, quando a


nossa vizinha do final da rua apareceu pedindo que
Zeca fosse ajudá-la a consertar a tubulação da
máquina de lavar. Não era a primeira vez que
Darlene aparecia para pedir alguma coisa ao Zeca,
não era ciumenta, mas já estava cismada com
aquilo. As coisas na casa dela só quebravam
quando o marido estava trabalhando? Ela não sabia
consertar sozinha? Acho que Dona Hermínia não
queria apenas fazer fofoca quando me pediu para
abrir os olhos. Pois bem, eu os abriria bem a partir
de agora.
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Zeca voltou uns trinta minutos depois, estava


todo suado, alegou que foi o esforço do trabalho e o
dia quente. Perguntei alguma coisa? Não! Mas
quem tem culpa se explica demais. Nosso
casamento não estava bem, ok, mas traição eu não
aceitaria de jeito nenhum! Aproveitei que colocara
os jeans na máquina e coloquei o short que ele
havia acabado de tirar. O que era isso no bolso?
Uma chave! De onde? Aposto que eu descobriria!
Aguarde-me, seu traste!

Não dormi direito e teria um dia péssimo se


não resolvesse logo isso, então não fui trabalhar.
Tomei banho e me vesti como se fosse para o
emprego, assim que todos saíram peguei a chave e
me encaminhei até o fim da rua.

Ainda era cedo, mas quem tinha de trabalhar


já havia saído e as fofoqueiras de plantão só sairiam
depois de colocar o feijão no fogo. Aproveitei o
sossego e enfiei a chave na porta, não foi surpresa
ela ter entrado e girado com a maior facilidade. A
porta abriu, mas não tinha porque entrar, o que eu
queria saber eu já sabia, mesmo assim eu entrei e
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silenciosamente fechei a porta atrás de mim.


Darlene era babá, saía cedinho de casa, o marido
trabalhava em dias alternados e ela havia dito que
ele não estava em casa, pelo menos não ontem.

Uma curiosidade tomou conta de mim e


comecei a olhar tudo, ela era super organizada e
muito limpa, a casa estava impecável. Fui até o
quarto, acendi as luzes, pois era muito escuro e abri
suas gavetas. Queria descobrir o que tinha de
especial nela para que meu marido me traísse.
Éramos muito parecidas fisicamente, tínhamos o
mesmo peso, altura e tonalidade de pele, os
vizinhos brincavam que éramos gêmeas e que
fomos separadas na maternidade. Por que me trair
com uma pessoa parecida comigo?

Mexi em todo o seu quarto, mas não


encontrei nada que a ligasse ao Zeca, olharia a
última gaveta e iria embora. Nossa! Quantas
fantasias eróticas ela tinha? Fechei a gaveta e saí,
fui até a cozinha, bebi água e vi lá no varal o que
procurava: uma cueca do Zeca pendurada. Era
muita safadeza mesmo. Sentei na cadeira e chorei,
lembrei de uma vida dedicada a um casamento que
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nos últimos anos se tornou péssimo. Acalmei-me e


disse a mim mesma que hoje tudo isso teria um fim.
Larguei o copo sujo de batom bem em cima da
mesa, ela que se virasse para descobrir de quem
era.

Voltei para o quarto para pegar a chave que


deixei na cama, olhei para a gaveta de fantasias e
não resisti. Escolhi a de enfermeira e vesti. Como
tínhamos o mesmo corpo, serviu fácil. Nunca havia
usado uma, ficou linda! Zeca dizia que eu tinha
bunda de passista de escola de samba, nos últimos
anos ele não dizia mais nada, a fantasia a realçou
deixando-a muito mais bonita. Coloquei a touca e a
máscara que deixava só os olhos a mostra. Olhei-
me em um imenso espelho e vi o quanto ainda era
bonita. Coloquei um pouco de seu perfume. Por
que ele me traiu? Não importa! Quando pensei em
tirar a fantasia, ouvi barulho na porta da frente.
Apaguei as luzes. Ai meu Deus! Será um assalto?
Escondi-me atrás da cortina.

A porta se abriu e fechou com facilidade,


ouvi um barulho de algo sendo jogado no sofá,
depois ouvi o som de tênis sendo jogados no chão.
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Os passos chegaram até o quarto, não conseguia ver


quem era por causa da cortina de tecido grosso e de
cor escura, mas ouvi um barulho de cinto sendo
arrancado da calça, depois a calça sendo atirada ao
chão e de um corpo sentando na cama. Quem tiraria
a roupa para assaltar uma casa? Meu coração estava
tão acelerado que fiquei receosa dele ser ouvido
pelo estranho. De repente o pior aconteceu, eu
espirrei. Silêncio total!

— Quem está aí? Darlene? — Era o marido


dela, reconheci aquela voz.

Ele levantou-se e foi até a cortina, fechei os


olhos, não conseguia imaginar como iria explicar
aquilo tudo. Estava escuro e ele não me
reconheceu.

— Amor! Que surpresa boa! Não sabia que


não iria trabalhar hoje. — Agarrou minha cintura e
cheirou meu pescoço com toda vontade. — Adoro
o seu perfume!

Aquilo não estava acontecendo! Como ele


não reconheceu que não era a esposa dele? Senti
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algo pressionando minha virilha e abri os olhos, ele


estava completamente nu, completamente armado e
duro. Pressionou-me contra a parede e começou a
falar coisas obscenas.

— Enfermeira, acho que tem uma farpa no


meu pau. Olha pra mim, por favor!

Fiquei sem ação e apalpei todo aquele


volume. Por que Darlene o trocaria pelo Zeca? Não
tinha comparação! Ele sentou-se na cama e pediu-
me para molhar antes de tirar a farpa, para não
doer. E agora? O que eu faço? Resolvi que era
melhor fingir ser Darlene do que explicar porque eu
estava ali. Ajoelhei-me e fiz um boquete nele, era
muito grande, mas ainda lembrava como fazia.
Chupei como se nunca tivesse chupado um homem
na vida. Queria que ele gozasse logo para eu poder
fugir dali.

— Enfermeira, que chupada gostosa da


porra! Agora é a minha vez.

Não, isso não podia estar acontecendo. Como


fugir disso agora? Ele me levantou pelos cotovelos
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e me atirou na cama, daí arrancou minha calcinha e


caiu de boca, lá. Há quanto tempo o Zeca não fazia
isso! Ele chupava, lambia, enfiava a língua, depois
chupava de novo, eu não queria, mas estava quase
gozando quando ele parou, tirou uma camisinha do
criado mudo e colocou no pênis dele. Não tinha
mais como voltar atrás, agora só me restava
continuar. Ele me penetrou com toda a força, era
muito rápido, muito gostoso, não demorou muito e
comecei a gemer de prazer, tentei me controlar para
não gritar, mas era bom ao extremo, de repente
comecei a me contorcer. Há quanto tempo não
sentia aquilo?

As ondas de prazer chegaram com a mesma


velocidade com que me penetrava, gozei muito
gostoso e ele não parava os movimentos de vai e
vem. De repente ele tirou o pênis de mim, me
puxou para a ponta da cama, me colocou de quatro,
ficou em pé no chão e começou a me comer de
novo. Não tinha como resistir àquilo, ele arrancou a
parte de cima de minha fantasia enquanto me
enfiava por trás, os bicos dos meus seios passavam
pelos travesseiros quando o meu corpo era
chacoalhado para frente e para trás, senti as ondas
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de prazer chegando de novo. Ele era ótimo no que


estava fazendo, não tinha como negar. Gozei de
novo e dessa vez não consegui conter o tom da voz.
Quando achei que estava tudo acabado, ele saiu de
mim, sentou na cama encostando-se à parede e me
colocou em cima dele, subi e desci naquele pau
como se fosse o último da terra, ele aproveitou a
posição e chupou meus seios com desespero, fui ao
céu e voltei, gozei pela terceira vez, ele gozou junto
comigo. Assim que acabamos ele foi para o
banheiro, aproveitei e vesti minhas roupas na maior
rapidez. Ele começou a conversar.

— Amor, cê tava mais gostosa hoje. O que


aconteceu?

Eu não respondi. Como poderia?

— E por que tá tão calada?

Terminei de me vestir e saí correndo daquela


casa. Olhei para os lados, mas ao que parecia,
ninguém me viu saindo de lá. Cheguei em casa e
quase não consegui abrir o portão, estava trêmula,
não sei se de nervoso ou de tanto gozar. Entrei em
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casa, tomei um banho e esperei o Zeca chegar. Com


certeza não o tinha traído já que decidi terminar
nosso casamento quando descobri sua traição,
mesmo assim saí do banho com cara de culpa. Não
importa mais, chumbo tocado não dói.

***

—Você não faz nada direito! Parece que faz


só por fazer.

— Você gosta de me humilhar — Zeca


respondeu chateado.

— Para com isso! Não posso falar de um


defeito seu, não posso dizer que cometeu falhas ou
que fez errado, que vem dando uma de coitado. —
Não tinha mais saco para essas conversas. —
Chega de bancar o coitadinho! Eu não sou a bruxa
da história.

— Ah, então sou eu o errado! — De novo,


não!

Havia pedido o divórcio desde que descobri a


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sua traição e o Zeca estava se negando a me


entregar. Ele não queria sair de casa, mas tínhamos
duas filhas e não abriria mão do direito delas.
Nossa vida estava um inferno, eu não abaixava
mais a cabeça para ele e isso estava deixando-o
ainda mais irritado.

— Tá, eu sei que errei, eu admito, sou


corajoso para assumir meus erros. — Parou me
olhando com as mãos na cintura. — Nós temos
uma família, duas filhas e não pode deixar que um
vacilo meu acabei com o nosso casamento.

— O que você quer? Uma medalha por


assumir que errou? — Também coloquei minhas
mãos na cintura. — O nosso casamento acabou há
muito tempo, Zeca! A traição foi apenas a pá de
cal. Você não me respeita, não me compreende, não
me valoriza e por isso tudo, eu não te admiro mais.
Acabou!

— Não! Só acaba quando eu disser que


acabou! — Ele segurou a cabeça com as duas
mãos. — Olha aqui Ziele, não quis falar alto com
você.
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Confesso que aquele comportamento já


estava me preocupando. Via na TV, lia na internet e
conhecia mulheres que sofreram violência
doméstica. Todas tiveram um começo parecido
com o que eu estava vivendo no momento. Eu não
queria ter o mesmo fim que elas.

Virei as costas e dei a discussão por


encerrada. Amanhã mesmo, assim que as meninas
estivessem na escola, eu procuraria um lugar pra
ficar, debaixo do mesmo teto que ele, eu não ficaria
mais.

Assim que acordei, dei com o Zeca de malas


prontas. Ele estava com cara de choro, mas parecia
menos irritado.

— Estou indo para a casa dos meus pais,


você tem razão, eu não soube te dar valor. —
Parecia realmente sincero. — Vi que me olhou com
medo ontem, não sou um monstro e não me
tornarei um.
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Eu não sabia o que dizer, sentei na cama,


puxei os lençóis até o peito e fiquei parada
olhando-o enquanto minhas lágrimas desciam. Para
muitas pessoas, terminar um casamento era a coisa
mais fácil, mas na prática não era bem assim.
Foram anos de convivência, construímos uma
relação e por mais que ele tenha errado, não lhe
desejava mal algum.

— Você não é um monstro, ainda bem,


porque não hesitaria em te colocar na cadeia se
fosse necessário. — Estava realmente falando a
verdade. — Suas filhas te amam e não merecem
esse sofrimento. Está fazendo a coisa certa, pelo
menos agora. Mande um abraço meu para seus
pais.

Ele levantou-se, foi até a porta e voltou até


mim, beijando minha testa. Depois partiu deixando
duas cartas sobre a cama, estavam endereçadas às
nossas filhas.

Depois de dois meses de separação, eu estava


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mais feliz, me sentindo "mais eu". Ouvia as


músicas que gostava sabendo que o Zeca não
implicaria, e sem querer, ganhei o respeito de
minhas filhas. Elas se abriram mais comigo e
disseram que não sabia como eu aguentava aquele
tipo de tratamento por parte do pai delas. Minhas
filhas me encheram de orgulho com esse
pensamento. Ao menos escolheriam melhor os seus
pares amorosos e não aceitariam nenhum tipo de
relacionamento abusivo, caso ele se manifestasse
em seus parceiros.

Separar-me foi a melhor coisa que fiz, mas


confesso que já estava subindo pelas paredes. A
minha última transa havia sido com o marido de
Darlene e toda vez que me via na cama, só
imaginava sendo com ele. Não sou uma vadia
destruidora de lares, mas não sei se por causa da
seca ou a da teoria do chumbo trocado, sentia-me
tentada a repetir tudo aquilo. E o pior, sem culpa
alguma.

Estava na porta varrendo o passeio quando,


aquele que perturba meus sonhos, passou sorrindo.

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— Bom dia, Ziele! Seu marido está?

— Bom dia, Marcos! Meu ex-marido não


mora mais aqui. Pode encontrá-lo na casa dos pais
dele.

Estava nervosa, suando, torcendo para ele


não ter percebido.

— Não sabia que tinham se divorciado, sinto


muito por isso.

— Não sinta, estou muito feliz comigo


mesma. — E não era nenhuma mentira.

— E como está Darlene? — perguntei só por


educação. — Mande lembranças minhas a ela.

— Darlene está bem, foi para o trabalho e só


retorna ao anoitecer. — Falou isso e logo depois
acenou se afastando.

Mal terminei de limpar o passeio, corri para


dentro e me joguei debaixo do chuveiro com roupa
e tudo. Estava com um calor fora do comum, um
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mal-estar esquisito, meu coração parecia que ia sair


pela boca. Saí do banho mais fresca, porém
continuava angustiada. Minha "gatona" não parava
de miar. Precisava apagar aquele fogo e sabia
como. Seria a última vez.

Peguei a chave escondida em meu baú de


lençóis e segui o caminho da casa de Darlene.
Olhei para todos os lados e entrei assim que percebi
o ambiente livre de bisbilhoteiros. Fui direto para o
quarto, mexi em sua gaveta mágica e vi que ela
havia organizado tudo em sacos individuais. Ela
levava o sexo muito a sério.

Peguei o primeiro saco e me deparei com


uma fantasia de She-Ra. Vesti às pressas pois não
sabia a hora que ele voltaria. Olhei-me no espelho e
não pude deixar de rir, apesar de estar muito
gostosa com aquela sainha branca e aquele tomara
que caia apertado. Meus seios pareciam que
saltariam do bojo, ficaram muito volumosos.
Revirei a gaveta e achei a coroa, a espada e a bota
dobrável, tudo dourado. Acho que juntaria dinheiro
e investiria naquilo também. Peguei o seu perfume,
era um detalhe crucial, e quando a porta da rua
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abriu, eu me assustei e ele caiu, partindo-se em


dois. Esfreguei minhas mãos no líquido que se
espalhava pelo chão e passei na nuca e em outras
partes importantes. Precisava ter o cheiro dela.
Apaguei a luz, fechei as cortinas e me posicionei
segurando o cabo da espada apoiando sua ponta no
chão.

Ele foi direto para o quarto, apesar da


escuridão, o seu olhar varreu o meu corpo de cima
a baixo.

— Sua cachorra sem vergonha! — falou


enquanto arrancava a própria roupa. — Sabe que
assim eu esqueço qualquer coisa, né?

Avançou tirando a espada de minhas mãos e


começou a me beijar. Eu já estava molhada antes
mesmo dele enfiar a mão por baixo daquele saiote.
A minúscula calcinha deu passagem aos seus dedos
habilidosos sem oferecer nenhuma resistência.
Enquanto me beijava, me torturava com três dedos
bem velozes. Não satisfeito, desceu os lábios até
meu busto e rapidamente abaixou o bojo que cobria
meus seios, enchendo-os de beijos, lambidas e
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chupões. Os seus dedos continuavam tão ativos


quanto sua boca. Pegou um dos meus mamilos e
prendeu-o nos dentes, esticando-o com leveza até
começar a ficar dolorido. Fez a mesma coisa com o
outro seio. Comecei a gemer ruidosamente e aí ele
parou.

— Tá pensando que vai gozar assim fácil? —


falou balançando negativamente a cabeça. — Na-
na-ni-na-não!

Sentou na borda da cama com as pernas


abertas e pediu que o chupasse. Ajoelhei-me e fiz o
que pediu, ele pressionou a minha cabeça com uma
das mãos e se apoiou na cama com a outra. Me fez
enterrar a sua pica até a garganta.

— Engole minha espada até o cabo, sua She-


Ra gulosa!

Ele gemia muito e começou a impulsionar o


quadril em direção à minha boca enquanto fazia o
mesmo com minha cabeça em direção à sua pelves.
Ele era muito tarado, mas já estava ficando
sufocada quando ele parou e disse que era a minha
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vez.

— Agora é minha espada que vai entrar em


você, mas antes vou dar uma molhadinha nessa
xana de Etérea.

Ele me ajudou a levantar e apoiou um de


meus pés na cama, pegou a espada que atirou longe
e me deu para que eu me apoiasse nela. Minha
vagina ficou superexposta naquela posição. Ele
então se ajoelhou, arrancou a minha calcinha e
começou a me penetrar com a língua enquanto
segurava minha bunda pressionando-a de encontro
a seu rosto. Eu estava no meu limite, ele percebeu e
parou.

— Ainda não mandei gozar! Como ousa


desobedecer a Hordak?

Como poderia não gozar daquele jeito?


Estava louca de tesão e mais encharcada que oásis
no deserto. Ele voltou a me chupar, mordiscou o
meu clitóris e depois o chupou antes de penetrar
sua língua novamente em minhas entranhas. Tremi
a ponto de desequilibrar e deixar a espada cair. Ele
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percebeu que não aguentaria mais, sentou-se no


chão e me puxou pra cima dele.

Começamos a transar ali mesmo, eu quicava


em sua pica enquanto ele chupava um dos seios e
esticava o outro com as pontas dos dedos. Minhas
entranhas começaram a contrair e eu gozei
alucinadamente. Ele nos levantou e com as pernas
ainda bambas, ele me empurrou contra a parede e
continuou fodendo-me em pé. Senti que outro gozo
se aproximava, minhas pernas não me sustentavam,
então ele me ergueu e eu abracei seu quadril com
uma chave de pernas. Gozei novamente enquanto
ele me estocava com movimentos rápidos. Assim
que terminei ele me jogou na cama e gozou no
chão, urrando feito um animal. Na hora da loucura,
esquecemos a camisinha.

Quando ele parou, me olhou gelidamente e


falou.

— Não pense que eu esqueci. — Parecia bem


zangado. — Agora vamos conversar sobre o seu
caso com o Zeca.

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O que? Como assim? Ele sabia do caso da


Darlene? Ele foi até o interruptor e acendeu a luz.
Eu devo ter desbotado. Não foi assim que imaginei
aquela manhã.

— Mas que porra é essa?! — Ele me olhou


como se encontrasse o próprio Satã em sua cama.

***

Fazia frio e eu já estava começando a ficar


com medo. O táxi estava demorando, o pânico
tomava conta de mim e minha consciência
começava a me condenar. Olhei para os lados
assustada quando percebi alguém se aproximando.
Logo depois o táxi apontou na esquina. Ainda bem,
aquele lugar não era seguro àquela hora. Assim que
ele parou, me debrucei sobre janela do carona.

— Oi! Por que demorou tanto, senhor? Assim


vou querer desconto na corrida. — Fui até a porta
traseira, abri e entrei logo.

— Vai pra onde, moça? — perguntou me


olhando pelo retrovisor. — A essa hora é bandeira
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dois, a corrida acaba saindo mais caro.

— Toca pra frente e depois vira na primeira à


esquerda. — falei enquanto retocava o batom.

Ele ficou me olhando pelo retrovisor durante


todo o trajeto. Estava me sentindo muito desejada e
isso me excitava ao extremo.

— Aqui está ótimo, pode parar. — Abri o


casaco e comecei a tirar dinheiro de dentro do sutiã.
— Quanto deu a corrida, senhor?

— Pra senhora eu faço um descontinho e fica


por vinte e cinco reais.

— Corrida cara, hein moço! Espere aqui que


vou lá dentro pegar o que falta.

Quando desci do carro meu vestido ficou


preso no cinto e deu para ver que eu estava sem
calcinha. Olhei em seus olhos e vi toda a sua
excitação. Soltei-me e entrei em casa, fui direto
para o quarto, liguei o som e logo depois fui até o
criado mudo. Ouvi quando a porta da rua bateu.
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Estremeci todo o meu corpo.

— Tem uma forma melhor de me pagar essa


corrida. — Ele estava na porta de meu quarto me
olhando fixamente.

— Moço, não sou o tipo de mulher que o


senhor procura — gaguejei enquanto andava para
trás.

Ele foi até mim e imprensou-me na parede.


Levantou o meu vestido e apalpou a minha bunda
sem cerimônia.

— Você é mulher, está sem calcinha, tem


uma bunda polpuda — falou soprando um hálito
quente em meu cangote. — É exatamente o tipo de
mulher que eu gosto.

Tentei empurrá-lo e nada. Estava realmente


em pânico.

— Moço, não ando sem calcinha — voltei a


gaguejar. — É que hoje fiz uma depilação e não
consegui vestir nada.
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Ele continuou alisando cada pedaço de minha


pele com suas mãos grandes e ásperas. Era difícil
resistir a tantas carícias. Quando dei por mim, meu
vestido já estava passando pela minha cabeça e
indo parar no chão. Ele umedeceu toda a minha
pele com beijos lânguidos e persistentes,
começando na nuca e descendo até o tornozelo.
Quando voltou a beijar minha boca, desci as mãos
até a sua calça, tirei o cinto e a abri sentindo toda a
sua excitação.

Abaixei-me e comecei a acariciá-lo com


beijinhos, contornei sua glande com a língua para
depois engolir todo o seu pênis. Ele agarrou os
meus cabelos e meteu em minha boca sem dó,
começou a estocar com força a ponto da minha
cabeça bater algumas vezes na parede. Logo depois
ele começou a andar para trás e pediu que eu não
parasse o que estava fazendo, cada passo de recuo
eu pulava de cócoras o acompanhando, até que ele
caiu em minha cama. Subi e vislumbrei seu corpo,
depois desci novamente e abocanhei suas bolas,
uma de cada vez, desci lambendo seu períneo e o
fiz urrar pedindo clemência. Subi em seu corpo
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deitando por cima de seu tronco e beijando-lhe a


boca com todo fervor.

— Moço, como o senhor é gostoso. — Lambi


sua cara — quem dera todas as corridas de táxi
terminassem como essa.

Ele se virou ficando por cima de mim,


deitou-se sobre minha barriga e começou a amassar
meus seios enquanto colocava seu pênis entre eles.
Com a ponta dos dedos, massageava os meus
mamilos com movimentos circulares.

— Moça, a senhora é a passageira mais


gostosa que já entrou em meu carro. Peito gostoso
da porra!

Seus movimentos aumentaram a ponto de a


cabeça de seu pênis bater em meu queixo. Quando
pensei que ele fosse gozar em meu tórax, senti seu
peso sair de meu corpo e suas mãos me virarem de
bruços. Ele começou a lamber minha nuca e descer
a língua rígida sobre a coluna até chegar no cóccix.
Contorci-me prevendo o que estaria por vir. Ele
puxou meu quadril para cima me deixando
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empinada, enterrou seu rosto em minha bunda e


começou a enfiar sua língua em meu ânus enquanto
seus dedos acariciavam o meu clitóris. Apertei o
travesseiro e mordi-o com desesperado prazer.

— Que buceta raspadinha, hein moça! Toda


carnuda e macia. Que delícia!

Eu não estava aguentando mais, pressentindo


a minha agonia ele abriu uma camisinha e deu a
primeira estocada. Enquanto minha vagina era
preenchida com sua pica, seu dedão penetrava o
meu ânus. Eu impulsionava meu quadril contra a
sua pelves e batia com força para ser
profundamente penetrada. Quando pensei não ser
possível ficar melhor, ele introduziu dois dedos em
minha vagina, mas manteve o pênis no mesmo
lugar.

— Tá gostando, moça? Já foi fodida assim


antes?

— Continua! Me fode toda, vai!

E ele não parou mais, seu pênis me preenchia


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acompanhado de seus dedos, me sentia a cachorra


mais bem comida do pedaço. As estocadas
aumentaram de intensidade, ouvia o barulho de
minha umidade e de nossos sexos se chocando,
sentia que iria gozar a qualquer momento.

Começamos a gemer ruidosamente até


explodir num orgasmo intenso. Ele arriou por cima
de mim e eu fiquei esmorecida, esparramada na
cama por alguns minutos até que ele se levantou e
me beijou com carinho. Antes de ir ao banheiro
levou seus dedos ao nariz e aspirou sedutoramente.
Resolvi segui-lo, entrei no compartimento
minúsculo e ele sorriu enquanto depositava uma
esponja cheia de espuma em minhas costas. Me
ensaboava enquanto me beijava.

— Ziele, você pensou sobre a minha proposta


de morarmos juntos? — novamente insistia
naquilo.

— Não tenho o que pensar, Marcos! Não


voltarei atrás em minha decisão.

Havia me separado há apenas seis meses e


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queria desfrutar da minha companhia. Queria


descobrir do que eu realmente gostava, queria sair
com as amigas. Não, o nosso relacionamento estava
ótimo, se melhorasse, estragaria.

— Quem sabe um dia, né? — ele não perdia


as esperanças.

— Quem sabe?

E continuamos o nosso banho.

***

Seis meses antes...

Marcos me olhou furioso e eu me encolhi na


minúscula fantasia de She-Ra. Como fui parar
naquela situação tão vexatória? Queria me enfiar
em um buraco, mas não restava nada a não ser
encará-lo.

— Marcos, isso tudo é um mal-entendido! —


falei trêmula. — Posso explicar tudo pra você.

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— Então desembucha!

Ele cruzou os braços e ficou me encarando.


Não consegui me concentrar com ele nu e com
aquela luz acesa.

— Pode se vestir, por favor? — pedi meio


sem graça.

— Você quase engoliu meu pau e agora tá


com vergonha de olhar pra ele? Sério? — falou
irônico.

Mesmo chateado, Marcos foi até a gaveta e


pegou uma cueca samba canção. Vestiu-se e
sentou-se na outra extremidade da cama. Parou me
encarando e eu entendi que ele não iria aceitar nada
menos que uma boa explicação. Falei sobre tudo,
desde quando descobri a traição até a primeira vez
que estive em sua casa.

— Era você? — Estava boquiaberto. — A


enfermeira era você, Ziele?

Consenti toda sem jeito, até porque não tinha


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como explicar a minha segunda visita.

— Você sabia que a Darlene não estava casa.


— Ele estava chegando perto. — O que veio fazer
aqui hoje? Por que está vestida assim?

— Para isso eu acho que não tenho


explicação! — respondi encolhendo os ombros.

— Acho que tem sim. — E engatinhou na


cama em minha direção.

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6. Um amor de caminhoneira
O que se via eram caminhões a perder de
vista, pessoas por todos os lados e cartazes com
dizeres de repúdio ao presidente, ao descaso do
governo com o trabalhador e às mordomias dos
deputados e senadores. O povo estava acordando e
percebendo que tinha poder e que sabia como usá-
lo. Era o sétimo dia de greve dos caminhoneiros e o
país já estava sentindo os reflexos da falta dos
serviços prestados por essa classe tão trabalhadora
quanto explorada.

Repórteres de várias emissoras entrevistavam


os protestantes. Um deles estava tentando falar com
uma caminhoneira que parecia ser a porta voz da
categoria, uma mulher com um longo dreadlock e
uma voz que conseguia a atenção de todos.

— Poderia dar uma declaração rapidinha pra


gente, Dona Flávia? É que o povo ainda não
entendeu o motivo da greve de vocês.

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— Bom dia amigos caminhoneiros! Bom dia,


amigos da rede Globo! Bom dia, Fala Brasil! Bom
dia SBT Repórter! Eu assisti uns três jornais hoje
cedo e vocês estavam dizendo que não sabiam o
que os caminhoneiros queriam, né? Então a gente
desenhou pra vocês entenderem. — Ela levantou
uma plaquinha de papelão com palavras e números
escritos com caneta hidrocor na cor preta. — A
gente desenhou ó, a gente quer a redução do preço
do diesel. — Passou o dedo abaixo da frase
enquanto lia em voz alta. — A gente também quer
isenção pelo eixo erguido, pra gente não pagar já
que a carreta tá vazia. Não tem porque pagar pelo
eixo que tá levantado, concorda? Desenhei ó, tá
desenhado pra vocês não falarem mais que não tão
entendendo.

O repórter e todos em volta da caminhoneira


a olharam com respeito. A entrevista continuou:

— E quanto aos transtornos que vocês estão


causando trancando a BR, o que a senhora tem a
falar sobre isso?

— Não, ninguém tá trancando a BR não! —


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falava gesticulando com o dedo indicador — Tem


duas faixas da BR livre ai pra vocês rodarem pra
onde quiserem. Ou o carro de vocês tem asas que
não dá pra passar em duas faixas?

— Mas o presidente falou que tem muitos


pacientes morrendo por falta de oxigênio, já que
eles não estão chegando a tempo nos hospitais. Não
sentem remorso por isso?

— Os governantes sentem remorso por


morrerem pessoas todos os dias por demora no
atendimento, falta de médicos e de medicamentos?
A gente só tá em greve há sete dias e há anos morre
pobre nos hospitais, não venha pra cá jogar a culpa
na gente não! — ela falava com raiva enquanto as
veias de seu pescoço pulsavam de indignação. — E
outra coisa pra vocês que não sabem, porque vocês
ficam com o cu sentado o dia todinho aí, na frente
das câmeras. Um caminhão que recebe dezesseis
mil de frete, paga treze mil só de óleo diesel. Treze
mil, amigo! Mil e cinquenta fica no pedágio, sobra
mil novecentos e cinquenta reais pro caminhão
rodar seis mil quilômetros. Cês tão entendendo a
reivindicação da gente o que é? Um pneu de um
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caminhão custa dois mil reais e só roda de oito a


nove meses, quando não fura ou rasga nessas
estradas esburacadas.

Os manifestantes gritavam e incentivavam o


discurso da caminhoneira. O repórter não satisfeito,
ainda fez mais uma pergunta:

— Você poderia dizer pra gente, qual a


importância do caminhoneiro para o país?

— Vocês não têm a mania de dizer que a


gente é tudo ladrão? Que estamos apenas criando
confusão? Pega seu carro pequeno, seu repórter e
vá lá na fazenda buscar o leite, vá buscar as frutas,
vá buscar a carne! Não é tudo tão fácil? — Voltou a
mostrar a plaquinha de papelão para a câmera. — É
isso aqui que a gente tá reivindicando, ó. Aí tá
faltando tudo e eu pergunto: Os caminhoneiros
servem para alguma coisa nesse país? Servem?

A caminhoneira deu as costas ao repórter e


todos, sem exceção, a aplaudiram levantando as
faixas e gritando Fora ... Um grupo de pessoas
chegou com doações de água e comida, resolveu
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encostar em Flávia assim que a entrevista a acabou.


Um deles não tirou os olhos dela durante todo o
discurso.

— Onde eu coloco a água, madame? —


Perguntou chegando por trás de Flávia.

Ela ficou encantada com a voz rouca, mas


visivelmente chateada com o adjetivo pejorativo.

— Madame é a senhora sua mã... — Flávia


perdeu a fala ao deparar -se com um homem de
olhos negros, barba cerrada, tatuagem nos braços,
ombros largos e um sorriso de tirar o fôlego — Ah,
para com essa história de madame! — Deu um
tapinha na lateral do ombro dele.

Flavia tentou disfarçar, mas transpirava


excitação por todos os poros. Ela segurou a caixa,
mas ele não a soltou, os dois ficaram se encarando
sem saber o que fazer.

— Cabeça, aqui seu violão, ó! — Uma


mulher baixinha, de olhos cor de mel e sorriso
adolescente apareceu saltitante interrompendo o
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devaneio dos dois.

— Ariane, o que faz aqui? Não disse pra


esperar lá no carro?!

— Oxe, você agora é meu pai é? — falou


elétrica olhando para todos os lados — Isso aqui tá
bombando de caminhoneiro gato! Acha mesmo que
eu ia ficar no carro?

Ariane ficou encarando os dois percebendo o


clima entre eles. Foi até irmão e de gozação,
limpou o canto de sua boca.

— Pronto, já limpei a baba que estava


escorrendo por aqui. — Gargalhou feito criança. —
Solta logo essa caixa e pega seu violão que quero
ver os boy magia daqui.

Flávia pegou a caixa e levou até uma mesa


montada pelos colegas. Voltou com as mãos nos
bolsos traseiros da calça justa que destacava suas
generosas curvas.

— Acho que a gente começou do jeito


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errado. — Estendeu a mão. — Prazer, Flávia!

— Sandro! — Apertaram as mãos. — Pode


me ajudar, temos mais coisas no carro.

— Claro! Muito obrigada, muitas pessoas


estão aparecendo com doações, esse apoio mostra
que nós devemos estar fazendo a coisa certa.

— Pois é, nem todos gostam de ficar com o


cu sentado em frente à televisão. — Sandro sorriu
ironicamente.

— Ah, você ouviu! — falou diante de um


sorriso que tirava qualquer um do eixo. — Tem
gente que só pede melhorias, mas não vai à luta,
sabe? Era dessas pessoas que eu falava. E daqueles
abutres que só sabem julgar, mas não estão nas
estradas com a gente, não sabe como é o nosso dia-
a-dia.

— Bem que eu gostaria de saber como é um


dia na estrada. — Sandro falou enquanto tirava um
Trident do bolso. — Quer?

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— Quero! — Ele desembalou um dos


chicletes e colocou na boca entreaberta de Flávia.

Os dois ficaram parados até que ele a puxou


pela nuca, inclinou o seu corpo e deu-lhe um beijo
de cinema. As suas línguas se misturavam ao
chiclete, os dois se perdiam em meio à multidão. O
foco era a greve, mas um fotógrafo intrometido
registrou aquele momento sem que os dois
percebessem. Eles não sabiam, mas aquela foto iria
repercutir no Brasil inteiro.

— Nossa, você costuma sair beijando as


caminhoneiras que encontra pela frente, é? —
Flávia perguntou em tom de brincadeira — Ou só
agarra as que falam palavrão?

Sandro estava visivelmente excitado olhando


para aquela mulher determinada em sua frente.

— No seu ou no meu? — Sandro apontou


para uma picape Pampa nada confortável.

— No meu, com certeza! — Flávia falou


puxando-o pela mão.
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Os dois andavam apressados em meio ao


grande fluxo de pessoas. Pararam em frente a um
dos caminhões que estavam enfileirados. Era
vermelho, brilhante e muito grande. Flávia abriu a
porta e os dois subiram na boleia.

Lá dentro Flávia puxou a cortina e ligou um


pequeno ventilador enquanto Sandro tentava tirar a
própria roupa, se despindo às pressas, o desejo era
urgente. A cabine era espaçosa e a cama pouco
menor que a de solteiro, parecia ser bem
confortável. Flávia tirou toda a roupa ficando
apenas de calcinha e sutiã.

Era muita carne para pouco pano, Sandro


sorriu ao observar suas belas curvas Flávia babava
as tatuagens que se espalhavam pelo corpo dele.
Eles se beijaram novamente enquanto tateavam o
corpo um do outro. Flávia o empurrou na cama e
tirou as últimas peças em um ritmo excitantemente
torturante, ficando nua de frente para ele.
Enquanto Sandro estava deitado ela foi até uma
gaveta e tirou de lá um preservativo que vestiu com
a boca. Flávia subiu na cama, sentou-se de costas
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para ele e apoiou as mãos nos tornozelos se


encaixando em seu pênis e dando a ele o vislumbre
de seu lindo bumbum. Num frenético movimento
de cima para baixo e para frente e para trás, Flávia
gemia e rebolava deixando Sandro em êxtase.

— Ai, Flávia! Que delícia de bunda! Que


buceta profunda, que rebolado gostoso, mulher! Ai,
assim eu vou gozar logo.

Sandro não aguentou ficar deitado apenas


olhando, curvou-se para frente até que seu peitoral
tocasse nas costas dela. Com uma mão massageava
um dos seios e com a outra manuseava o seu
clitóris.

— Ah, Sandro, ah, Sandro! — Flávia


intensificou os movimentos, subindo e descendo
com a mesma urgência com que seu orgasmo
chegava. — Ah, ah, ah! Caralho, que gostoso!

Flávia gozou intensamente, Sandro sentiu as


contrações pressionarem seu pênis em um ritmo
insano e animal. Ele gozou logo depois e assim que
concluiram o ato, se jogaram na cama, um por cima
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do outro. Ficaram assim por alguns minutos, ele


aproveitou a posição para dar leves beijinhos no
pescoço dela.

Depois de relaxarem, levantaram da cama e


se vestiram.

— Tá quente lá fora e vamos precisar de um


banho, mas minha humilde carreta ainda não tem
banheiro — Flávia se explicou sem graça. — Acho
que vai ter que me dar uma carona até um posto de
gasolina.

— Sem problemas, mas antes tenho que


procurar a louquinha da minha irmã. Com certeza a
Ariane está azucrinando algum caminhoneiro para
que ele a leve em um passeio.

Flávia se limitou a arquear as sobrancelhas,


não queria dizer para Sandro que a irmã era
grandinha demais para querer apenas um passeio.

Assim que os dois desceram, ouviram


gemidos saindo de uma carreta que estava próxima
a eles. Ela balançava tanto que não restava dúvida
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sobre o que acontecia lá dentro. Deram risada e


saíram em busca de Ariane, a irmã pentelha de
Sandro.

***

Ariane estava adorando a paralisação dos


caminhoneiros, apesar de muitos a acharem fútil e
volúvel, ela sabia que aquilo era um mal
necessário. Os brasileiros se deram por satisfeito
quando as chicotadas cessaram que nem
perceberam quando as feridas, que mal
cicatrizaram, foram abertas e encharcadas de sal.

Ariane não era uma menina boba, era uma


mulher que sabia o que queria, lutava para defender
seus ideais e corria atrás do que desejava. Era
chamada de Maria boleia, não por pegar
caminhoneiros, mas por ter fetiches por eles. Na
roda de amigas sempre dizia que se casaria com
um, agora que ela cresceu, o matrimônio não fazia
mais parte de seu sonho dourado, mas beijar um
caminhoneiro ainda estava no topo de sua lista do
que fazer antes dos trinta.

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Ela viu aquela paralisação como a chance de


realizar seu grande sonho, não deixaria que o irmão
mais velho a impedisse de fazer isso. Assim que
percebeu a troca de olhares entre Sandro e Flávia,
escapuliu das vistas do irmão, pois sabia que ele
não largaria a caminhoneira sem antes trocar o
telefone com ela. Era um bobo quando se
apaixonava e pelo olhar babão, sabia que estava
caidinho pela manifestante.

Ariane ouviu sons de violão, músicas e risos,


chegou mais perto e percebeu que dois rapazes
estavam cantando uma paródia que logo prendeu a
sua atenção e ela passou a cantar junto com eles.
Algumas pessoas aplaudiam e gritavam em apoio.

“Eu me toquei, encostei meu carro


Fui buscar de volta o meu cavalo
Os caminhoneiros estão tudo apoiado
Sem eles nada chega nos mercados

Escuta aí seu presidente


Mentiu que ia ajudar
E arrumar o Brasil da gente
Mas que mentira indecente
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Subiu a gasolina, escuta o que o Brasil sente

Vá pro inferno, seu impostor

Deixar o Brasil na mão, dum vacilão, desse


ladrão.
Não deixo não
Não deixo não
Melhor acreditar em Papai Noel
Meu Deus, do céu
Não deixo não
Não deixo não

Deixar o Brasil na mão, dum vacilão, desse


ladrão.
Não deixo não
Não deixo não
Melhor acreditar em Papai Noel
Meu Deus, do céu
Não deixo não
Não deixo não.”

— Fora capiroto dos infernos! — Ariane


gritava a plenos pulmões. — Fora protótipo do
capeta!
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— Fora! — todos gritavam junto com ela.

Muitas pessoas achavam que Ariane era


apenas uma pipa avoada, poucos a viram em ação
na faculdade. Ela liderava vários movimentos
sociais, usava o jornal para fazer denúncias dentro
do próprio campus, era uma verdadeira agitadora.
Tinha saudade de falar em público, quando via uma
oportunidade, não deixava passar em branco. Virou
um caixote de madeira que estava próximo e subiu
nele para discursar:

— Escolhemos a revolução à tirania. Esse foi


o mesmo instinto que levou mulheres a queimar
sutiãs e que as levou a conquistar o direito ao voto!
O mesmo instinto que levou escravos a realizar a
primeira revolução negra no Haiti e a revolta dos
Malês na Bahi...

— Que diacho de queimar sutiã é esse? —


alguém perguntou interrompendo a fala de Ariane.
— Você é caminhoneira, moça?

— Oh, perdão! Não queria roubar o momento


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de vocês, só me empolguei. — Ariane se desculpou


mais vermelha que tomate maduro.

— O que a baixinha quis dizer é que esse


movimento é um chamado à ação. É um momento
pra gente refletir sobre quem já lutou antes de nós e
que só conseguiu com persistência — Ele piscou
para Ariane — Somos homens e mulheres livres e
tivemos que lutar por essa liberdade. Esse
movimento é só mais uma etapa na luta por
direitos, muitos já lutaram bem antes de nós.

— Eu sei me defender, sabia? — resmungou


com as duas mãos na cintura, mais parecendo uma
miss. — E tem mais, baixinha é a merdinha que
esconde dentro das calças.

— Nossa, a Diana Nash aqui é braba e tem a


boca muito suja — Se aproximou dando a mão para
ajudá-la a descer, aproveitou a proximidade para
falar baixinho em seu ouvido. — E pro seu
governo, não é nem um pouco merdinha.

Ariane se arrepiou com aquela voz grave. Ela


não sabia de onde ele havia surgido, mas em uma
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rápida passada de olho, o coturno marrom, o jeans


justinho, a camiseta colada e aquela tatuagem no
pescoço não passaram despercebidos.

— Meu nome é Léo. Qual o nome da


esquentadinha?

— Ariane, mas bem que poderia ser Diana,


acho ela uma diva.

Eles ficaram se olhando. Ariane não era uma


tarada, mas gostava de homem, gostava de
tatuagem, gostava de sexo e aquele motorista
transpirava sex appeal. Ela não era mais criança,
tinha total convicção do que queria e de como
deveria usar o seu corpo. Suas entranhas se
contraíram só de se imaginar sendo penetrada por
aquele homem. Sua calcinha molhou
instantaneamente. Tinha uma “tchaca chorona”,
como dizia as suas amigas.

— E aí, o que te traz aqui? Não tem mãos de


caminhoneira. Veio ver o namorado?

— Não, mas vim atrás de um! — riu ao dizer


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isso. — Brincadeira!

— Que pena, já ia me candidatar ao cargo —


Falou levantando os braços e alongando-os acima
da cabeça, exibindo uma enorme tatuagem de um
caminhão em chamas saindo das axilas e tomando
conta de seu bíceps.

Ariane ficou boquiaberta, babando a tattoo e


não resistiu a tocá-la.

— Doeu? — perguntou passando os dedos de


leve no contorno do desenho.

— Um pouco, mas valeu a pena. Não valeu?


— perguntou sem tirar os olhos de uma Ariane
absorta.

Os dois trocaram olhares salientes, o clima de


sedução pairava no ar. Qualquer um com um olhar
mais atento perceberia a química que rolava entre
eles, mas todos estavam ocupados demais para se
preocupar com isso. Ariane quebrou o silêncio:

— Me mostra seu caminhão? É que preciso


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tirar fotos em um, para colocar em meu blog.

— Sério? Vai usar essa desculpa para entrar


em meu caminhão? — Léo ria descaradamente.

Ariane ficou desconcertada com o


comentário direto, mas realmente queria apenas
umas fotos, pelo menos naquele primeiro momento.

— Olha, você realmente é muito gato, não


vou mentir e dizer que não pensei em fazer
loucuras com você, mas vim com o meu irmão e ele
não vai demorar a me procurar — Quase que não
respirou ao falar. — Mas nada me impede de voltar
aqui mais tarde pra gente terminar essa conversa.

— Opa! Gostei disso, de verdade. — Correu


o dedo pelo antebraço dela. — Vou adorar ter todo
tipo de conversa com você.

Ariane se arrepiou por completo, aquele cara


manjava de sedução, era tudo o que ela queria. No
caminho até o carro de Léo, Ariane tirou algumas
fotos da manifestação e disfarçadamente, tirou
fotos dele. Não podia deixar de exibi-lo para as
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amigas. Assim que chegaram próximo ao caminhão


de Léo, ela avistou o irmão subindo na carreta de
Flávia. Danadinho! E ela se privando do
caminhoneiro gostoso.

Léo abriu o caminhão e eles subiram. Não era


muito grande e espaçoso como o de Flávia, na
verdade era bem modesto. Ariane tirou algumas
fotos e depois pediu para ele mostrar-lhe onde
dorme.

— Juro que é só para uma foto, não vou olhar


a sua bagunça.

Léo puxou uma cortina atrás dos bancos e lá


estava uma cama adaptada bem pequena,
prateleiras com produtos de higiene pessoal, vários
perfumes, uma caixa cheia de preservativos e uma
outra de primeiros socorros. O lugar realmente era
apertadinho.

— Você pode tirar umas fotos minhas? —


Ela lhe estendeu o celular.

Ariane sentou-se na cama e cruzou as pernas.


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Sorriu para Léo enquanto ele clicava na tela tirando


várias fotos. Ariane parecia um anjo com um
vestido florido rodado e um tênis All Star branco.

Enquanto ele tentava se concentrar nas fotos,


sua musculatura pulsava dentro de sua calça, mas
ele manteve-se respeitoso, sem avançar o sinal, até
que a alça do vestido dela fosse arriado, exibindo
parcialmente um dos seios.

Ariane estava provocando-o e conseguindo


chamar a sua atenção, mesmo assim ele se fez de
desentendido e continuou tirando fotos, até que ela
desceu a outra alça e agora dois lindos seios
saltavam para fora do vestido. O volume de sua
calça se mexeu pedindo desesperadamente para sair
do jeans apertado. Ariane percebeu o desespero
dele e levantou-se deixando que o vestido fosse ao
chão. Agora ela vestia apenas uma calcinha rosa de
algodão. Léo soltou o celular e foi até ela, acariciou
um dos seios entre os lábios enquanto ela jogava a
cabeça para trás, depois acariciou o outro enquanto
uma das mãos se enfiava em sua calcinha.

— Encharcada como uma tempestade. — Ele


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retirou os dedos melados e limpou-os com os seus


próprios lábios. — Fica de quatro que agora você
vai sentir como piloto bem.

Ariane sempre comandava durante o sexo,


mas nesse caso ela fazia questão de ser guiada.

Na cama ela apoiou os antebraços com ajuda


de travesseiros para conseguir ficar confortável. Ele
se aproximou dela, tirando a calcinha bem devagar,
depois enxugou o excesso de líquido com sucção
oral, o que a deixou ainda mais lubrificada.

Léo se afastou um pouco só para colocar um


preservativo, assim que se aproximou de Ariane
puxando as suas pernas, deixando-lhe apenas a
borda da cama como apoio. Em pé ele segurou os
tornozelos dela com firmeza e ergueu um pouco as
suas pernas para que seu bumbum ficasse alinhado
ao quadril dele. Ariane prendeu suas pernas nas
coxas dele e logo depois foi içada enquanto ele a
penetrava com força. Ele comandou o ritmo
atraindo o corpo dela para perto do seu. Léo
demonstrava grande destreza no quadril,
movimentando Ariane para frente e puxando-a para
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si, enquanto ela concentrava força nos braços


empinando o bumbum que batia freneticamente na
pelves de Léo.

— Ah, você fode muito gostoso meu


motorista, empurra mais, vá! — Ariane gritava
enquanto rebolava no pênis de Léo.

— Eita bumbum lindo do caralho, rebola pra


mim, vai gostosa!

Léo penetrava Ariane com força enquanto ela


tentava não cair de tanto tesão e cansaço, era um
verdadeiro carrinho de mão humano e estava
amando ter um motorista daquele lhe conduzindo.
Eles gritavam e os seus movimentos sacolejavam o
caminhão a ponto de chamar atenção de qualquer
um que passasse por perto.

— Ah, ah, vou gozar Léo, não para, não


agora… ah! — Ariane estava exausta e sem força
nos braços.

— Aguenta aí, que é minha vez gata. Ah, ah,


ah…
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Léo gozou e caiu por cima dela. Eles ficaram


de conchinha, metade do corpo sobre a cama e o
restante no chão. Enquanto buscavam fôlego para
se refazer da peripécia que acabaram de realizar,
ele cheirava o pescoço dela e o enchia de beijos
lânguidos. Ariane não se importava de ser Maria
boleia, não depois de uma transa daquelas, muito
menos com aquele caminhoneiro.

***

Depois de muito andar atrás de Ariane,


Sandro desistiu e resolveu levar Flávia até um local
onde ela pudesse tomar um banho. Ao voltar para o
caminhão dela afim de pegar a mochila com roupas
limpas, eles se depararam com um casal se
amassando na porta do caminhão que há pouco
balançava. Flávia subiu na boleia enquanto Sandro
encarava o casal, não demorou para que ele
reconhecesse Ariane.

Indo na direção dos dois, visivelmente


chateado, Sandro parecia não lembrar que a irmã já
era adulta e que ele havia feito a mesma coisa há
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minutos. O celular de Ariane soou várias vezes


fazendo com que ela largasse o pescoço do
caminhoneiro para verificar as mensagens.
Enquanto encarava a tela, Sandro encostou.

— Ariane, o que significa isso? — falou em


um tom mais alto que o normal. — Você mal
conhece o cara e já está saindo do caminhão dele.

— E o que significa isso aqui? — Ariane


apontou o celular na direção do rosto de Sandro. —
Essa mulher que você está agarrando é conhecida
antiga sua?

Sandro tomou o celular e ficou boquiaberto


olhando a foto. Abaixo dela tinha uma breve
legenda sensacionalista: NEM SÓ DE DIESEL
VIVEM OS CAMINHONEIROS.

— Como isso aconteceu? — Sandro mal


conseguia articular essas palavras. — Esse site é
horroroso, tenho certeza que quer apenas prejudicar
o movimento.

— Ah, maninho, sinto muito te informar, mas


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não está apenas nesse site. — Pegou o celular e


mostrou a mesma imagem em outra página.

Sandro ficou perplexo ao ver o título: Mulher


solitária não aguenta a estrada.

— Flávia vai ficar retada com isso! — disse


pesaroso.

— Com o que eu vou me retar? — Flávia se


aproximou colocando a mochila nas costas.

Os três a olharam. Léo foi o primeiro a falar:

— Parece que algum intrometido tirou uma


foto sua, ainda bem que não foi dentro do caminhão
— falou entre risos. — Fique tranquila Flavinha,
talvez não seja tão ruim assim.

Flávia pediu o celular e ficou abismada com


o título da reportagem.

— Por que as pessoas são tão mesquinhas?


— Balançou a cabeça revoltada. — Aposto que isso
é para desmoralizar o nosso movimento. Cambada
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de machistas!

— Achei que gostasse dessa raça. — Ariane


falou apontando para o irmão. — Esse daí parece
encabeçar o movimento.

— Como assim? — Flavia encarou Sandro.

— O beijoqueiro da foto tá me criticando por


eu ter entrado na boleia de um desconhecido. Ainda
bem que vocês se conhecem há um tempão, né
mesmo? — Ariane falou ironicamente.

— Sério isso, Sandro? — Ela estava


visivelmente chateada. — Ainda bem que foi
apenas um desespero de uma caminhoneira
solitária.

Flávia deu as costas e saiu. Pouco depois os


três foram atrás dela. Ariane digitava enquanto
ainda andava, usaria a única ferramenta que tinha
para resolver aquela situação. O celular teria que
dar conta. Assim que chegaram na entrada onde
todos se reuniam, perceberam que a notícia havia se
espalhado. As caminhoneiras a apoiavam com
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olhares e risos, os colegas agiam de forma


diferente.

— Qual é a de vocês? Nunca ficaram com


ninguém no caminhão, não? Eu ao menos não sou
comprometida, não estou desrespeitando ninguém
lá em casa. — Pausou para puxar o ar. — O que eu
fiz ou deixo de fazer não me desmerece enquanto
caminhoneira ou mulher.

As mulheres a aplaudiram enquanto os


homens calaram a boca. Muitos ali sabiam sobre o
que ela estava falando. Alguns traiam as esposas ou
as namoradas, outros possuíam mais de uma
família, mas isso não tinha nada a ver com o
movimento, todos eram caminhoneiros e apenas
por isso deveriam se unir. Enquanto Flávia
esbravejava, Ariane estava encostada em um
caminhão digitando. Assim que concluiu, clicou em
enviar e sorriu. Aquela com certeza seria a melhor
matéria do seu blog.

— E aí, podemos ir pra casa? Preciso de uma


banho urgente! — Ariane falou com o irmão, mas
ele não pareceu escutar, entretido olhando para
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Flávia que nesse momento conversava com Léo —


Fique tranquilo, já estou resolvendo isso.

— O que você está aprontando, Ariane? —


Virou-se para ela preocupado — Já não me
queimou o suficiente por hoje?

— Eu não queimei ninguém, foi você e seu


machismo idiota! — Passou um dos braços em
volta dos ombros do irmão. — Nunca se esqueça
que ela também é mulher, é filha de alguém, irmã
de alguém.

Sandro refletiu e nada disse. Ariane estava


certa, ele não poderia frear os hormônios da irmã,
até porque ela era maior de idade.

— Só quero seu bem, tá? — Deu um beijo


carinhoso na irmã. — Vou ver se a Flávia ainda
quer uma carona. Mais tarde a gente volta aqui, tá
bom?

Sandro saiu à procura da caminhoneira,


tiveram uma tarde deliciosa, ele queria muito que
isso se repetisse mais vezes, mas isso não seria
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possível se ele não pedisse desculpas.

Encontrou Flávia conversando com Léo, ele


falava sobre Ariane, mas de forma tão carinhosa
que Sandro ficou sem jeito por tê-los julgado já
pouco.

— A menina é doidinha, mas muito


inteligente! — Ria ao lembrar dela. — Cê acredita
que ela subiu num caixote para discursar pros
caras? É uma figura! Acho que gamei naquela
tampinha.

Flávia não parecia muito animada com a


conversa, estava realmente preocupada com o as
fotos, pelo menos era a esse motivo que Sandro
atribuía a sua cara amarrada.

— Oi! — Sandro se aproximou


sorrateiramente. — Queria te pedir desculpas, fui
um babaca.

Léo saiu de fininho deixando os dois a sós,


mas antes deu um tapinha amigável no ombro de
Sandro.
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— Tudo bem, também sou superprotetora


com meus irmãos, te entendo. — Seus pensamentos
pareciam passear por memórias antigas. — Meu pai
era caminhoneiro, morreu em um assalto na beira
da estrada.

Sandro a abraçou, era a sua maneira de se


desculpar e ao mesmo tempo acalentar a
caminhoneira. Ela aceitou o carinho e ao soltar-lhe
continuou falando.

— Ele era meu orgulho, também queria ser o


orgulho dele e essas fotos podem manchar a sua
memória. Entende? — Aquela situação estava
realmente entristecendo-a — Não falo pelo que fiz,
não me arrependo, mas sei que as pessoas vão se
aproveitar disso para desmerecer a greve.

— Foi só uma foto, e de um beijo, nada


demais. — Sandro não queria falar para não irritá-
la, mas havia achado a foto linda. — Olha, deixa eu
te levar para tomar banho, depois a gente vê isso.

— Tudo bem, tô precisando mesmo, tô


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cheirando a sexo. — Riu um riso que deixou


Sandro desnorteado por lembrar do que fizeram há
pouco — Vou tomar um banho, mas não me
incomodo de voltar a ter esse cheiro mais tarde.

Sandro levou Flávia até o posto mais


próximo. Óbvio que os funcionários e clientes já
tinham visto a foto dos dois, eram cochichos e risos
para todos os lados. O banho foi bem rápido. Assim
que voltaram para onde acontecia a parada de
caminhoneiros, ele pegou Ariane que estava
entrevistando alguém para o blog e levou-a para
casa.

Os dois tomaram banho e voltaram para o


trabalho. Tinham um mercadinho, os pais abriram
um negócio para a família com o dinheiro da
aposentadoria. Trabalhavam de domingo a
domingo, das seis às vinte horas. Todos os seis
filhos tomavam conta do negócio, Ariane era a
caçula e a única que conseguiu fazer uma
faculdade, mesmo assim ajudava a família porque
com a crise que o país enfrentava, diploma não
estava sendo garantia de muita coisa.

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Assim que o último cliente saiu, eles


fecharam o caixa e o mercado, ficaram
encarregados dessa função já que saíram mais cedo.
A família não brincava com as obrigações, eram
irmãos e deviam respeito um ao outro, nada de
montar nas costas de ninguém. Os dois subiram
para a casa que ficava sobre o mercadinho.
Tomaram banho e novamente saíram para ver se os
caminhoneiros precisavam de ajuda. Os irmãos já
haviam pegado no pé do Sandro depois que viram a
foto dele na internet, sabiam qual o motivo que o
levava a sair de casa àquela hora, só não entendiam
o que Ariane estaria indo fazer lá.

— A Ariane está fazendo uma matéria sobre


o movimento — Sandro piscou para a irmã. —
Essa guriazinha aqui tem um bom faro jornalístico.

Beijou a cabeça da irmã e logo depois saíram.


Levaram o violão, sacolas com pizzas, salgados,
cervejas e vinho. A noite seria longa e precisariam
se alimentar para repor as energias que com certeza
gastariam.

Assim que chegaram encontraram algumas


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pessoas reunidas. Uns cabisbaixos e levemente


abatidos, talvez pelo cansaço, por saudade da
família ou por uma alimentação regrada. Um
pequeno grupo fazia um show improvisado. Léo
dedilhava um violão, vestia uma regata branca e
uma calça de moletom cinza, calçava chinelos
havaianas. Flávia segurava um desodorante que
fingia ser um microfone e cantava a plenos
pulmões.

Enquanto Ariane arrumava a comida e as


cervejas numa mesa dobrável, Sandro pegava seu
violão e entrava na gandaia, tocando com os
caminhoneiros. Todos gostaram das guloseimas e
isso abriu até o sorriso dos mais tristes. Ariane
guardou a garrafa de vinho, pretendia usá-la mais
tarde, em um lugar mais reservado e em companhia
de apenas um dos caminhoneiros.

Depois de beberem, comerem e cantarem


muito mal, todos resolveram voltar para os
caminhões e dormir um pouco para enfrentar o dia
seguinte. Sandro pegou Flávia pela mão e a puxou
em direção ao caminhão, ao passar pela irmã ela
piscou e riu para ele.
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Ariane resolveu catar as latas de cerveja e


juntá-las em um saco plástico, enquanto se
abaixava para pegar uma que havia caído debaixo
da mesa, Léo chegou por trás e roçou em seu
quadril. Ela levantou-se virando de frente para ele e
foi recebida com um beijo quente e muito fogoso.
Só deu tempo de segurar no gargalo da garrafa
antes de ser praticamente arrastada até o caminhão.

Enquanto ainda estava na frente do veículo,


Léo enfiou uma das mãos na úmida calcinha de
Ariane. Ela mal conseguia subir o degrau e alcançar
a maçaneta da porta, mas assim que abriu, ele a
deitou no banco do carona e levantou o seu vestido
puxando a calcinha para o lado e caindo de boca
entre suas pernas. Depois de penetrá-la com a
língua e de chupar o seu clitóris, ele subiu mais um
pouco e a beijou. Ariane apoiou os dois pés na
lateral do quadril dele e forçou a retirada da calça
de moletom que deslizou pelas coxas, liberando
toda a excitação de Léo. A garrafa rolou para
algum lugar da boleia do caminhão.

***
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Blog da Ariane

"Um amor de caminhoneira"

O movimento dos caminhoneiros poderia ser


chamado de o movimento dos brasileiros, não
apenas pela rima, mas pela luta que dissemina.
Mas a imprensa vil e bruta, está denegrindo
um movimento de luta.

O beijo de uma caminhoneira


Está difamando sua carreira

Ao contrário do que aconteceu entre George


e Greta ao final da Segunda Guerra Mundial, esse
beijo foi muito mais bonito, pois foi totalmente
consensual

O amor faz parte da luta e enobrece a alma bruta,


transforma o que é doído em algo muito mais
bonito

Paremos com o machismo, deixemos o


oportunismo de lado, vamos celebrar o movimento
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e o amor por ele emanado.

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7. BDSM na roça

Sandy estudou, fez faculdade de letras


financiada por políticas educacionais, era uma das
poucas meninas de sua minúscula cidade a cursar o
ensino superior. Na faculdade teve acesso à
literatura erótica e conheceu o BDSM, chegou a
praticar com uns dois namorados, mas não
conseguia dissociar sexo de amor. Era uma
sadomasoquista romântica.

Quando concluiu o curso, o que mais queria


era ver a família e os amigos, acabou deixando a
cidade grande e retornou para casa aproveitando-se
da desculpa de que queria fazer um concurso
público para ter estabilidade no emprego. A família
queria o melhor para ela, assim como todos os pais,
sabiam que naquela cidade Sandy não teria muitas
chances, mas a filha era adulta e decidia a própria
vida.

Assim que chegou à cidade natal e matou a


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saudade dos pais e das irmãs, Sandy foi visitar seu


amigo de infância, seu primeiro beijo e o grande
amor de sua vida. O garoto, apesar de muito
inteligente, tinha aversão a instituições
educacionais. O sonho dele sempre foi ser
vaqueiro. Segundo a sua família, ele era feliz com a
vida que escolheu.

As mães deles eram melhores amigas, fãs


alucinadas do filme “Embalos de sábado à noite” e
deram aos seus primeiros filhos os nomes dos
protagonistas. Sandy e Tony cresceram grudados,
ela só tinha irmãs, ele também. Os dois se
completavam nas brincadeiras malvadas e que
sempre terminavam em alguns pontos, gesso ou
curativos.

Enquanto dirigia o antigo Chevrolet de seu


pai, Sandy ia recordando as peripécias que os dois
aprontaram na infância. Lembrou-se de quando ele
lhe ensinou a andar em uma bicicleta sem freio e
ela perdeu a unha do dedo mindinho tentando freá-
la. Lembrou dos três pontos que ele levou na
cabeça ao ser badogado por ela. Eram traquinas e
deixavam suas mães de cabelo em pé.
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Sandy entrou numa estrada de terra, era um


corredor largo o suficiente para passar um carro
grande ou até mesmo um caminhão. Dos dois lados
havia cercas de estacas ordenadamente enfileiradas
e presas a arames lisos que impediam a saída dos
animais sem machucá-los. Enquanto todos usavam
arame farpado para assustar o gado, Tony se
preocupava com o bem-estar dele. Não havia
mudado.

Por trás da cerca dava para ver a bela


paisagem. Árvores frondosas e verdinhas, alguns
animais soltos pastando na grama. Sandy tinha
esquecido como amava aquele lugar e a sensação
boa que ele despertava nela. O cheiro da terra
molhada pela chuva recém caída impregnou o seu
nariz e os seus sentidos trazendo-lhe recordações da
infância.

Um grande portão de madeira demarcava a


entrada do pequeno sítio. Sandy estacionou, abriu a
cancela, entrou e a fechou-a bem devagar, queria
fazer uma surpresa ao amigo. Uma cadela velhinha
correu em sua direção se enroscando em suas
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pernas.

— Mirra, ainda lembra de mim, garota? —


Se abaixou afagando o animal que chorava de
emoção. — Nossa, você agora é uma senhorinha de
pelos brancos.

— Chulinha,tch-tch-tch-tch-tch, vem aqui! —


Mirra largou as pernas de Sandy e foi correndo na
direção do chamado, mas Tony esqueceu-se da
cadela ao bater os olhos em sua amiga. — Você?

— O que foi? Viu fantasma por acaso? —


Sandy se aproximou enquanto Tony se abaixava
deixando a vasilha com comida próximo à Mirra.
— Nossa, você cresceu, hein? Malhando muito?

Os dois se abraçaram e lágrimas rolaram de


seus olhos. Eram amigos de uma vida, cúmplices
de traquinagens, partilhavam sonhos e os primeiros
beijos. Eram recordações demais para caber em um
simples abraço, ficaram assim por longos minutos.

— Menina, como senti sua falta! — Tony


falava enxugando os olhos. — Você tá linda,
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mesmo com essa franja e esse batom vermelho.

— Ah para, seu besta! — falou dando um


forte tapa na lateral do ombro dele. — E você agora
frequenta academia, é?

— Que academia que nada! Tá me


estranhando, é? — Tony torceu a boca pro lado. —
Acha mesmo que vou ficar gemendo na frente dos
outros caras enquanto levanto peso? Tá doido!

Os dois caíram na risada. Tony era


preconceituoso com relação a um monte de coisas,
achava que academia era frescura. Segundo ele,
quem quer ficar malhado tem que pegar no pesado,
trabalhando. Era um ogro, mas o único que Sandy
gostava.

— Vamos lá, você já conhece a casa, entre!


— Sandy entrou olhando as paredes, os móveis
rústicos, a vitrola antiga do avô dele. — Não mudei
quase nada, vim pra cá assim que terminei o
colegial.

— Fiquei sabendo do seu avô. — Passou as


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mãos nas costas do amigo. — Deve ter sido muito


difícil pra você.

Mais lágrimas ameaçavam cair dos olhos


dele, era o ogro mais sentimental do mundo. Tony
era fã do avô, herdou dele a habilidade de cuidar do
gado, o gosto pela vida campestre e aquele sítio.
Seu Zefele tinha ficado viúvo quando os dois
estavam no final do terceiro ano, foi uma luta
convencer Tony a não abandonar os estudos para ir
morar na roça.

Assim que concluiu o ensino médio, se


mudou para o sítio com a intenção de cuidar do avô
que já demonstrava estar com a saúde abalada.
Pouco tempo depois, seu Zefele faleceu deixando o
neto sozinho e com um sítio para cuidar. Aquelas
lembranças eram muito dolorosas para ele.

— Tô com fome, tem comida nessa casa não?


— Sandy brincou tentando animar o amigo. —
Quero comida de verdade, daquelas que nossa vó
fazia pra gente.

— Claro que tem comida, e eu mesmo que


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fiz. — Uniu todos os dedos e levou-os à boca


abrindo-os em seguida enquanto estalava os lábios.
— Uma vaca atolada de lamber os beiços, como
dizia minha falecida vozinha. Que Deus a tenha!

— Amém! — Os dois fizeram o sinal da cruz


e foram para a cozinha.

O lugar não era muito diferente do que Sandy


se lembrava, a antiga geladeira ainda estava lá, só
que ao lado dela havia um freezer vertical. O fogão
a lenha soltava fumaça pela chaminé enquanto o
fogão a gás estava desligado. O lugar era
aconchegante e a garoa que voltou a cair lá fora
deixava o ambiente ainda mais acolhedor.

Os dois encheram o prato, colocaram


bastante pimenta e sentaram-se à mesa antiga e de
madeira maciça. Comeram calados e depois foram
para a sala. Tony colocou uma música sertaneja na
vitrola e os dois correram para sentar numa
poltrona que sempre foi motivo de disputa entre
todas as crianças que frequentavam o sítio.

— Eu sou visita, você sai e eu fico — Sandy


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dizia puxando Tony pelo braço.

— Nada disso, eu cheguei primeiro e você já


é de casa há muito tempo.

Os dois ficaram nesse impasse até que Sandy


se jogou no colo de Tony e disse que de lá não
sairia.

— Pronto, nem eu nem você! — Sandy ria


encarando o rosto sério de Tony. — Ah, já ia me
esquecendo, que comida gostosa da porra! Já pode
casar, sabia?

— Ainda não apareceu a mulher certa pra


mim — falou olhando fixamente para a amiga. —
E você, já casou?

— Nada! Tenho muito que aproveitar da vida


e ainda não achei ninguém que quisesse
compartilhar o mesmo estilo de... — Sandy se
arrependeu de ter começado a falar, eles eram
amigos, mas isso era muito para ele entender —
deixa pra lá, nada demais.

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— Ora, ora, alguém aqui tem segredos que


não pode compartilhar com o melhor amigo —
Tony brincou curioso. — Vou torturar até você me
contar. — Começou a fazer cócegas na amiga que
não parava quieta em seu colo.

Sandy sentiu algo mexer entre as pernas de


Tony, não foi impressão, ela teve certeza que ele
estava excitado e confirmou isso quando ele parou
com as cócegas e começou a encará-la.

Os dois travaram uma luta de olhares até que


ele puxou-a pela nuca e beijou-a com vontade. Não
foi como o inocente primeiro beijo dos dois, esse
tinha vontade própria, era despudorado, atrevido e
muito quente. Sandy retribuiu o beijo, na verdade
ousou ainda mais porque foi logo tirando a camisa
dele. Um começou a despir o outro com uma
urgência desenfreada, era mais que isso, era uma
vontade acumulada. Aquele momento sempre foi
muito esperado pelos dois.

Na pressa foram parar no chão. Quando


estavam apenas com as roupas íntimas, eles
pausaram buscando fôlego, admirando-se
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mutuamente. Sandy levantou-se e começou a


despir-se bem devagar. Os seios fartos, motivo de
angústia na adolescência, agora eram o estopim
para o desejo de Tony. Quando Sandy desceu a
calcinha, ele teve certeza que aquele seria o seu
melhor final de tarde.

Sandy andou até a retangular mesa de centro


e se deitou nela com os pés apoiados no chão e as
pernas abertas, seu sexo totalmente exposto na
direção de Tony. Ela começou a se tocar e gemer
enquanto ele corria para o quarto e voltava com
uma camisinha. Ajoelhou-se e começou a lamber
sua virilha, uma de cada vez, depois foi até o seu
clitóris e o chupou de leve. Sandy gemia enquanto
acariciava os próprios seios.

— Morde ele! — Sandy pediu e Tony


mordiscou de leve .— Com força, morde com
força!

Tony pressionou os dentes com receio de


machucá-la e ela gemeu absurdamente alto. Tony
não aguentou a excitação e apressou-se em vestir o
preservativo. Colocou almofadas nos joelhos e
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penetrou Sandy enquanto ela ainda estava deitada


na forte mesa de centro. Apoiou suas mãos na
lateral da mesa, mas ela a tirou de lá e depositou as
duas mãos dele em seus seios.

— Se apoia neles, segura os mamilos e puxa


com força. — Tony não estava entendendo o que
Sandy queria, assim iria machucá-la — Vai, Tony!
Puxa logo!

Assim Tony o fez. Enquanto a penetrava,


esticava os bicos de seus seios trazendo-a para si.
Sandy gemia e demonstrava estar excitadíssima.
Tony nunca havia transado daquela maneira, estava
encantado com a forma como Sandy se entregava,
sem frescuras, sem reservas. Ele acelerou o
movimento, a mesa de madeira maciça começou a
mover-se com ele. Eles começaram a gritar juntos,
como dois animais no cio. O gozo foi
inevitavelmente barulhento e totalmente
inesquecível.

Depois que jogou a camisinha fora, Tony


voltou para a sala e encontrou Sandy nua dormindo
em seu imenso sofá. Ela era ainda mais linda do
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que na adolescência. Ele sentou-se na poltrona da


discórdia e ficou lá plantado, admirando-a como
sempre fez a vida toda, seja nas aulas de educação
física, na hora que assistiam filme ou quando
davam banho nos animais. Ele sempre a observou.

***

Sandy acordou quando o galo já cantava.


Olhou em volta reconhecendo o lugar. Lembrou-se
de tudo o que aconteceu e sentiu vergonha. Eles
nunca tinham ultrapassado essa barreira antes. O
máximo que fizeram fora da zona da amizade foi o
beijo no final do nono ano, o primeiro beijo dos
dois.

Sandy levantou-se e, percebendo sua nudez,


enrolou-se no cobertor que a cobria e que
provavelmente foi colocado por Tony. Saiu catando
suas roupas e se vestiu às pressas. Sua mãe lhe
mataria, apesar de ser adulta. No interior as coisas
funcionavam de um jeito diferente, era um outro
tempo histórico.

Assim como entrou, saiu, totalmente na


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surdina. Tony deveria estar tirando leite da vaca ou


coisa parecida. Sempre que iam para a roça, ele e o
avô madrugavam para dar conta de tudo. Era um
estilo de vida bem diferente do da cidade grande,
mas Sandy gostava.

Passou por Mirra, fez um carinho na cadela e


silenciosamente abriu e logo depois fechou a
cancela. Assim que entrou no carro, ligou para a
mãe e pediu desculpas por não ter voltado para casa
na no dia anterior.

— Não se preocupe, o Tony já tinha ligado


ontem mesmo. Disse que você comeu muito e
acabou dormindo no sofá — a mãe ria do outro
lado — falou também que mesmo que quisesse não
teria como voltar, a carroça de seu pai não pegou.

Tony inventara uma boa desculpa, nem ela


teria pensado nisso. Se despediu da mãe e ao dar
partida percebeu que o carro não ligava. Tentou
novamente e nada. Começou a xingar e dar socos
no volante, só parou quando ouviu as batidas que
Tony dava no vidro de sua janela. Sandy girou a
manivela até que o vidro baixasse o suficiente para
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que eles pudessem conversar.

— Oi, bom dia! — Tony sorria de orelha a


orelha — parece que estudar na cidade grande te
deseducou. Você comeu da minha comida, usou e
abusou de meu corpitcho, babou o meu sofá e
estava saindo sem nem um tchau?

— Desculpe-me, é que estava com pressa,


tenho coisas pra resolver — Sandy respondeu sem
graça.

— Qual é, Sandy? Te conheço de uma vida!


Não tenha vergonha do que a gente fez! — Ele
arqueou as sobrancelhas — Na hora você estava
bem soltinha.

Aquilo foi o suficiente para fazer Sandy corar


ao lembrar do que pediu a ele na hora do sexo. Ela
era realmente era desinibida e despudorada quando
estava transando, parecia até outra pessoa.

— Por que disse a minha mãe que o carro não


pegou? Parece que sua mentira virou realidade —
tentou mudar de assunto enfiando a chave na
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ignição.

— Enquanto você dormia, eu peguei as


chaves e tentei guardar o seu carro, foi aí que vi o
defeito. Já olhei tudo, só um mecânico para
resolver. — Deu dois tapinhas no capô — O
guincho vem pegar, mas só daqui a umas duas
horas. Até lá você terá que ficar aqui ou andar um
estirão até à cidade — apontou o dedo indicador
para o céu — e vai chover pacas.

Sandy desceu do carro rendendo-se ao Tony.


Seu estômago começou a roncar. Foi andando na
frente, não queria olhar para ele. Ela tinha certeza
que aquilo acabaria com a amizade de anos.

Assim que entraram em casa a forte chuva


caiu, a ventania fez com que as abas da janela de
madeira batessem uma na outra. Sandy correu para
ajudá-lo a fechar tudo. Com portas e janelas
fechados e os móveis escuros, o dia parecia noite
ali dentro. Acenderam o antigo abajur e logo depois
foram para a cozinha.

Tony colocou uma panela com água no fogo,


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coou o leite e depois colocou-o para ferver.


Colocou açúcar e pó de café na panela com água
fervente e logo depois passou essa mistura no
coador de pano. O cheiro exalou pela cozinha e
aqueceu o coração de Sandy.

— Quer ajuda? — Sandy levantou indo lavar


as mãos na pia — sou boa com ovos mexidos.

— Eu lembro! — ele olhou-a de relance —


não precisa, antes de ir tirar o leite eu já havia
preparado alguma coisa caso acordasse com fome.

Sandy abriu uma panela de cozimento a


vapor e achou batata doce, inhame e fruta pão. Na
panela ao lado havia aipim e numa caçarola funda
tinha uma mistura de carne de sertão, calabresa,
bacon e ovos. Ela enfiou a mão e pegou um pedaço
de carne.

— Não deixa essa mania de cutucar as


panelas, né? — Ele fechou a garrafa térmica aos
risos. — Gosto de mulher que come com vontade.

Sandy corou mais uma vez, era uma


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masoquista romântica e tímida. Foi até o armário,


pegou pratos, canecas, talheres e começou a colocar
a mesa. Ele colocou as panelas e o café. Eles
comeram calados, mais uma vez.

Assim que acabaram Sandy se ofereceu para


lavar os pratos enquanto Tony foi tomar banho.
Sandy pediu roupas dele emprestadas e resolveu
tomar um banho também. Quando voltou para a
sala com os cabelos enrolados na toalha, uma larga
camiseta de malha e um short de lycra, viu que a tv
estava com um filme pausado. Ela conhecia aquela
história, só não sabia que Tony também gostava
desse gênero cinematográfico.

— Esse filme é de minhas irmãs, todas as


vezes que vêm aqui elas assistem com as amigas,
acabei assistindo sem querer — Tony se justificou
— é disso aqui que você gosta, não é?

Sandy se limitou a assentir com a cabeça.


Estava corada de vergonha. Muitas pessoas
criticavam esse estilo de vida, então era algo que
ela mantinha o mais sigiloso possível. Tony apertou
o play e o filme Ninfomaníaca recomeçou, mas ele
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não olhava para tela e sim para Sandy.

— Você gosta que te machuquem? Gosta de


machucar também?

— Não nesse nível — apontou para a tv —


,mas algo um pouco mais leve, porém fora do
convencional, me excita muito.

Ela olhou para ele mantendo-se firme. A


vermelhidão deu lugar a lascívia. Ela se
encaminhou até ele beijando sua boca, mas
mantendo o olhar intenso no dele.

— Quer experimentar! — perguntou tirando


a blusa — adoraria que fosse com você, tenho
certeza que superaria todas as minha expectativas.

Tony a olhou e saiu da sala deixando Sandy


seminua. Depois do que pareceu uma eternidade ela
resolveu se vestir, quando se abaixou para pegar o
blusão ele retornou calçando botas de cowboy,
vestindo uma calça jeans com um caimento perfeito
e uma chapéu country. O peitoral nu exibia a boa
forma e a pele bronzeada do sol constante.
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— Largue a blusa aí e passe já na minha


frente! — Tony ordenou apontando o dedo
indicador para a porta — anda logo!

Sandy obedeceu, assim que abriu a porta uma


forte rajada de vento frio a assustou, ela tentou se
aquecer esfregando os braços com as próprias
mãos.

— Tire o short! — Tony ordenou mais uma


vez — isso, agora anda até o curral! Toca logo!

Sandy andou descalça na grama úmida, o frio


tomava conta de seu corpo nu. O medo de apossou
dela e com isso a excitação que ele lhe provocava.
Antes de alcançar a cancela, Tony a laçou como se
fosse uma de suas vacas, fazendo com que ela fosse
ao chão. Passado o susto, ela levantou-se e assim
que chegou no velho portão de madeira ele cobriu
seus olhos com um lenço que tirou do bolso.

Tony fez Sandy encostar as costas na cancela


do curral, ergueu e esticou um de seus braços e o
amarrou na madeira, depois fez o mesmo com o
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outro. Antes de amarrar as suas pernas ele parou


para beijar-lhe ardentemente.

— Tem certeza que é isso que você quer? —


perguntou em seu ouvido — posso parar e
voltamos para casa, não me importo com nada
disso, só quero você.

Sandy esticou a perna sinalizando que


concordava em ser totalmente imobilizada. Ele
enfiou a língua em sua orelha, depois desceu
beijando o pescoço e o colo, ao chegar em um dos
seios, encostou o lábio fazendo com que ela
empinasse o busto para a frente pedindo carícias.
Ele passou direto e desceu amarrando uma das
pernas. Depois de se certificar que ela estava bem
presa, ele esticou a sua outra perna e prendeu-a
também.

Sandy estava esticada, aberta e totalmente


vulnerável. O medo do imprevisível deixou-a ainda
mais excitada. Tony tirou um chicote que estava
preso em um prego e passou o cabo trançado entre
as pernas de Sandy. Ela tentou trancar as pernas
com o choque, mas não conseguiu por estar
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imobilizada. Ele encostou-se nela e passou a


esfregar o cabo em sua vulva enquanto esticava um
de seus mamilos no dente. Ela gemia e se debatia
demonstrando prazer.

Tony se afastou um pouco, girou o chicote no


ar e bateu de leve em suas coxas. Apesar do
cuidado, a correia marcou a sua pele.

— Continua, não para! Só não pode tirar


sangue, lembra? — Sandy incentivava pressentindo
o receio dele.

Tony deu outra lapada em Sandy, marcando


novamente a sua pele. Ela urrou pedindo mais. Ele
voltou a esfregar o cabo trançado em sua vulva
enquanto acariciava o outro seio. Não aguentando
tanto tesão, ele abriu a calça colocando seu
intumescido membro para fora, tirou do bolso uma
camisinha que rasgou no dente, vestiu a proteção e
antes de penetrá-la, tirou a sua venda dando-lhe a
chance de admirar o que a possuiria.

Tony segurava a cancela com as duas mãos


enquanto penetrava Sandy com destreza e muita
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vontade. Os dois gemiam, a cancela balançava


dando a impressão que desabaria a qualquer
momento. Sandy começou a se contorcer
anunciando o orgasmo iminente e logo depois,
gemeu ruidosamente. Tony saiu de dentro dela,
desamarrando apressadamente suas pernas e pés.
Ele a virou de frente para a cancela, curvou o seu
corpo, colocou as mãos dela para segurar a madeira
e empinou a sua bunda penetrando-a por trás. Ele
juntou o cabelo dela puxando-o como se fosse crina
de cavalo enquanto dava tapas em suas nádegas.

— Ah, ah, ah, vai garanhão! Isso, ah ah, ah...


— Sandy gozou mais uma vez e Tony gozou em
seguida.

Ele aproveitou a posição e deu beijos em suas


costas, depois subiu a calça e a abotoou. Ela virou-
se de frente exibindo o sorriso de satisfação. Ela se
aproximou dele para dar-lhe um beijo, mas a chuva
voltou a cair fazendo com que eles corressem para
casa.

***

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Sandy e Tony passaram uma semana de


intensa luxúria. Ela lhe conduziu a um mundo até
então desconhecido e ele acatou com doçura e
maestria. Sandy sempre desejou, mas nunca
imaginou ser possível praticar sexo intenso com
tanto carinho. Ela estava adorando a combinação de
dor com amor.

Tony também estava gostando de tudo, seria


capaz de muito mais para ficar com Sandy, mas
tinha receio de não ter criatividade suficiente para
realizar todas as fantasias da amiga. Até o momento
eles não haviam tocado na palavra namoro, então o
relacionamento deles tinha cumplicidade, amor,
muito prazer, mas nenhum nome.

Sandy passou os primeiros dias na cidade


alternando entre a família e as visitas ao amigo,
depois voltou para a casa dos pais e resolveu ceder
à cobrança das irmãs que exigiam uma semana de
meninas assistindo filmes, comendo pizza e falando
sobre meninos. As irmãs de Tony também se
juntaram a elas.

A sessão nostalgia combinou a abertura da


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caixa de fotos antigas, filmes assistidos na


adolescência e principalmente conversas sobre
sexo. Os encontros com as meninas fizeram bem à
Sandy, mas ela estava morrendo de saudade de
Tony, principalmente depois de assistir Cidade dos
Anjos.

Assim que amanheceu, Sandy levantou-se pé


ante pé para não pisar em nenhuma cabeça e foi
para o banheiro com as roupas na mão. Tomou um
banho gelado, colocou um simples vestido, jaqueta
jeans e botas de galocha para encarar a lama do
sítio, já que chovia há duas semanas. Saiu de
fininho com cuidado para não bater a porta, pegou
o carro do pai que estava estacionado na calçada e
seguiu em direção à roça.

No caminho percebeu que o sol, assim como


o seu sorriso, brilhava lindo e majestoso,
anunciando um dia sem chuva. Estacionou em
frente à cancela e entrou com facilidade. Afagou a
cabeça da receptiva Mirra e correu para a casa,
procurando em todos os cômodos, mas nada de
encontrar Tony. Ao sair do interior da casa, ainda
na varanda, escutou uma melodia entoada por
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assobios. Seguiu nessa direção e encontrou uma


horta colorida e muito bem cuidada. No chão havia
uma rede de palha e uma bacia de cipó trançado,
cheia de frutas e legumes.

Sandy se ajoelhou na esteira e enquanto


tentava pegar uma goiaba, percebeu uma
aproximação e uma sombra acima de seu corpo.
Fez menção de virar-se já sabendo quem era,
conhecia aquele andar de uma vida inteira.

— Não! Fique aí paradinha! — Tony


ordenou e Sandy prontamente obedeceu — Quer
brincar de salada de frutas?

Sandy conhecia aquela brincadeira, sempre


faziam quando iam para o sítio. Ele vendava os
seus olhos e ela tinha que acertar cada fruta só com
o toque das mãos. No fim, todas as frutas que
fossem adivinhadas corretamente viravam uma
salada feita por eles próprios. Sandy balançou a
cabeça concordando.

— Mas não será nas mãos que colocarei os


frutos — Tony falou no ouvido de Sandy enquanto
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a vendava com um pano de prato — Tem certeza


que ainda quer brincar?

Sandy tinha certeza absoluta, suas entranhas


se contraíram só de pensar e desejar sentir cada
textura daqueles legumes em sua pele. Tony tirou o
casaco de Sandy e gentilmente deitou-a na esteira,
dobrou a jaqueta e usou-a como apoio para a sua
cabeça, dando-lhe mais conforto. Levantou os seus
braços acima do corpo e logo depois fez o mesmo
com o seu vestido, usando-o como amarra para as
suas mãos.

Sandy ficou deitada sentindo o calor do sol


esquentar a sua pele coberta apenas por uma
calcinha. Tony foi até o balde cheio de água que
acabara de trazer da fonte e mergulhou um pepino
dentro dele, lavou-o com cuidado, enxugou-o em
um pano de prato limpo e depois começou a
deslizar o legume pelo corpo de Sandy.

— Consegue adivinhar o que é? — perguntou


passando o pepino por seus lábios — você gosta
dele bem verdinho e crocante.

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Deslizou o pepino pelo pescoço de Sandy e


quando chegou aos seios, começou a passar pelos
mamilos enrijecidos fazendo-a se contorcer de
prazer. Depois ele rolou o pepino por sua barriga
até chegar ao cós da calcinha.

— Já sabe o que é? — Tony perguntou com


uma voz rouca de excitação — Vamos para a
última tentativa, se acertar, leva o prêmio.

Sandy sabia onde aquilo iria dar e ela queria


muito, queria logo. Tony rodeou o pepino por todo
o contorno da calcinha de Sandy antes de puxá-la
com força até rasgar. Com a intimidade dela
totalmente exposta ele começou a brincar. Primeiro
passou o pepino por toda a extensão de sua vagina,
fazendo um movimento de vai e vem entre suas
pernas, esfregando-o em cada pedacinho de nervo,
levando-a a loucura.

— Pronta para o primeiro e único palpite? —


Ele sempre levou aquele jogo muito à sério, se
errasse não teria outra chance. — Descreva as
características do legume e depois diga o seu nome.
Se acertar, ele é todo seu.
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— Ele é roliço, comprido, duro e muito


grosso — Sandy respondia ofegante prendendo o
pepino entre as pernas — é um pepino médio,
provavelmente está bem verdinho e eu quero o meu
prêmio, agora!

Tony colocou o pepino na vertical e o


encaixou bem na entrada de Sandy, empurrando-o
de uma vez.

— Ahhhhhh... Ahhhhhh... — Sandy gemia


enquanto Tony movimentava o pepino dentro dela
— Haaaaaa!

— Pronto, já recebeu o prêmio. — Tony


falou tirando um pepino todo lambuzado de dentro
de Sandy —Agora vamos ver se acerta o segundo,
aí você pode usar e abusar do seu prêmio final.

Tony foi até a bacia e escolheu uma berinjela


japonesa, ela se diferenciava das tradicionais por
ser mais fina e bem alongada. Levou-a ao balde,
lavou e secou assim como fez com o pepino, depois
começou todo o processo de contato com a pele de
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Sandy. Primeiro passou a berinjela por seus lábios e


a empurrou em sua boca, fazendo-a chupá-la até
próximo ao talo. Sandy tossiu quando o fruto tocou
em sua garganta, fazendo com que Tony
rapidamente o tirasse dela.

— Machucou? Quer parar? — O tom de voz


dele demonstrava muito carinho e preocupação.

— Não para, por favor! Não machucou nada,


sério! — Sandy tentou acalmar o parceiro, não
queria que ele parasse a brincadeira tão prazerosa.

Tony voltou a brincar com a berinjela,


delineou o seu pescoço e depois contornou os seios,
um de cada vez. Parou em um deles fazendo
círculos com a parte ovalada da berinjela enquanto
lambia e mordiscava o outro. Sandy se contorcia e
pedia que o fruto descesse mais, assim Tony o fez.
Ao chegar no umbigo, ele enfiou o talo causando
uma leve pressão dolorida que fez Sandy soltar um
forte suspiro.

Tony então desceu o fruto até o centro de


suas coxas e ficou pressionando o clitóris com a
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berinjela. Sandy se debatia implorando por mais,


era uma mulher gulosa, pidona e muito
despudorada, Tony gostava desse lado dela. Tony
fez a berinjela descer até o encaixe e fez pressão
deixando-a parada lá. Deitou-se ao lado dela e
sussurrou em seu ouvido.

— Já descobriu qual é o fruto? — Contornou


o lóbulo de sua orelha com a língua enquanto
pressionava a berinjela em sua vagina — Aposto
que gostaria de acertar.

— É comprida, ovalada, lisa e bem roxa,


como eu gosto. — Sandy pressionava o fruto entre
as pernas, trancando as coxas para que Tony não o
tirasse de lá. — É uma deliciosa berinjela.

— Deixa eu ver se é roxa mesmo — Tony


desceu a boca até seu clitóris e enquanto chupava-
o, empurrou a berinjela até o talo.

Sandy batia as mãos na esteira querendo se


soltar, mas a amarração do vestido foi muito bem
feita. Tony não parou de chupá-la e nem de
penetrá-la com a berinjela até que ela chegasse ao
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orgasmo e gemesse ruidosa e ardentemente.

— Ahhhhhh... Ahhhhhh... — Sandy parecia


entrar em convulsão — Haaaaa... Rrrrrr!

Quando Sandy parou de gemer, parecia estar


cansada. Ele desatou as duas mãos dela e desceu o
seu vestido, depois tirou a venda de seus olhos e
então contemplou o seu rosto com um belo sorriso.
Ele levantou-se e deu as mãos para que ela também
se levantasse. Sandy ajeitou o vestido e ficou em pé
contemplando Tony enquanto ele catava os
legumes e os colocava no balde. Seus braços fortes,
seu tronco firme, suas panturrilhas à mostra na
calça dobrada e seus pés descalços a fez lembrar de
um famoso quadro de Portinari.

Sandy ficou parada admirando Tony. Era um


homem íntegro, um amante espetacular e um amigo
para toda a vida. Ela se deu conta de que o amava,
sempre o amou e um medo irracional a possuiu.
Não queria perdê-lo, não queria ter só aquilo.
Queria dormir todos os dias com ele, queria acordar
cedo para fazer o café enquanto ele tirava o leite da
vaca, queria colher legumes com ele e depois
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dançar na cozinha enquanto os dois preparavam o


almoço.

Sandy sentiu que agindo como uma


ninfomaníaca só o teria para o prazer, e essa
constatação a fez querer ir embora. Quando se
abaixou para tentar pegar os pedaços de sua
calcinha do chão, Tony a jogou no ombro e
encaminhou-se para a casa, dando tapas em sua
bunda.

— Vamos lá pra dentro que agora vou te dar


o seu prêmio. —Ria debochado ao falar isso —
Infelizmente eu não tenho o hábito de levar
camisinha nos bolsos quando saio pra colher
legumes, senão iria te premiar aqui mesmo.

Sandy sabia que deveria acabar com aquilo


antes que os dois se magoassem e a amizade
acabasse, mas queria aquele prêmio mais que tudo.

Tony entrou e levou Sandy direto para o


quarto, jogou-a na enorme cama de madeira e mal
tirou as roupas, colocou a camisinha e a penetrou
com uma emergência surreal. Os dois iam se
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encaixando na cama, procurando uma posição


confortável até que pararam com ele sentado, as
costas apoiadas na cabeceira, e ela sentada em seu
colo. Sandy segurou as grades de madeira enquanto
subia e descia no membro de Tony, ele se deliciava
com seus seios enquanto impulsionava o quadril
dela para cima, fazendo barulho ao chocar os
corpos dos dois. O orgasmo foi tão rápido quanto a
vontade que eles tinham de pertencer um ao outro.
Entre gemidos e muitos beijos estalados, Tony a
surpreendeu mais uma vez.

— Por que não arruma suas malas e se muda


para cá? — falou enquanto ainda estava dentro dela
e acariciava as suas costas nuas. — Adoraria
cozinhar para você todos os dias.

Sandy segurou uma lágrima que insistia em


querer cair, mas antes que dissesse alguma coisa,
um beijo apaixonado a calou. Ela sentiu seu
coração acelerar e algo pulsando em suas
entranhas. Ainda tinha muito jogo pela frente.

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8. Simplesmente Eva

Eva, como gostava de ser chamada, era uma


bibliotecária experiente, com um currículo vasto e
uma inteligência fora do comum. Apesar de ter
mestrado e um bom emprego na capital, largou
tudo e partiu para uma cidadezinha do interior.

Na cidade grande ela tinha um bom salário,


trabalhou a vida toda feito uma condenada para dar
aos filhos uma vida melhor do que a que ela tivera.
Agora que eles estavam formados, com as vidas
encaminhadas e quando ela achou que fosse
descansar um pouco, recebeu uma das piores
rasteiras do seu marido.

Eva casou-se por amor e apostou no cara


errado, paciência! No início ele mostrava-se tão
esforçado quanto ela, mas com a urgência de
sustentar o primeiro filho que estava a caminho,
largou os estudos para se dedicar ao emprego. Até
aí ela entendia, mas com o tempo foi relaxando
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muito e nem trabalhar ele queria mais, vivia às


custas dela e não demorou a arranjar uma amante.
Quando Eva descobriu, pensou logo em divórcio,
mas aí ele ficou doente e os filhos a convenceram a
não  abandonar o pai. Até que em um belo dia um
bebê foi deixado em sua porta e o caldo foi
entornado de vez.

Doente, aposentado pelo INSS e com um


filho pequeno para criar sozinho, quase foi tratado
como um mártir na audiência de divórcio. Mesmo
comprovando a traição e o abandono financeiro do
marido, o salafrário ainda conseguiu ficar com
metade do valor da casa. Eva não pensou duas
vezes antes de abandonar tudo. Fez o concurso e,
assim que  passou, partiu para uma cidade
desconhecida, pequena e nada desenvolvida.
Gostava de desafios e aquele era dos grandes.

Com os gastos do processo contra o marido,


na última tentativa de reaver a casa, ela ficara sem
grana. Usou o pouco dinheiro que lhe restou para
alugar um imóvel, comprar um UNO de segunda
mão e uma bicicleta. Gostava de pedalar na
adolescência e agora voltaria a usufruir de
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pequenos prazeres que a vida havia lhe negado.

Não iria mais chorar ou se lamentar. Havia


conseguido construir uma vida segura e estável só
com a força de seu trabalho, iria conseguir tudo de
volta. Os filhos estavam crescidos e trabalhando,
não queria fazer mais nenhum curso de qualificação
como fez a vida inteira, agora só pensaria nela e
nos seus livros intocados e sedentos por serem
lidos.

Mudou-se para uma rua pouco movimentada


e afastada do centro. A casa era pequena, mas tinha
espaço suficiente para ela e seus livros. Amava ler
mais que tudo, se formou em biblioteconomia
achando que faria da profissão uma extensão do seu
hobby e viu que não era bem assim.

Já era sexta-feira e só depois de cinco dias


conseguira deixar a casa em ordem. Enquanto
arrumava os últimos detalhes e ouvia os
passarinhos cantando no quintal, foi invadida por
uma paz como há muito não sentia. Assim que
colocou o último livro na estante, deu uma volta
panorâmica na sala e aprovou o que viu.
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Apesar da casa ser pequena, a sala era ampla


e tinha poucos móveis.  Na parede de tijolos
vermelhos que separava a sala do único quarto, ela
colocou duas estantes e prateleiras, todas cheias de
livros. Na parede perpendicular a essa, ela colocou
uma sofá confortável, que permitiria uma leitura
com o apoio da luz solar vinda da enorme janela.
Na parede à frente Eva colocou alguns quadros e
um aparador com porta-retratos. No meio da sala
ela colocou um tapete redondo e almofadas
coloridas. Nada de televisão naquele ambiente, que
seria o seu refúgio e acabara de se tornar o cômodo
preferido da casa.

Foi até a cozinha e decidiu preparar algo para


comer. Ainda não havia feito compras de verdade,
enchera a geladeira de frios, iogurtes e pães. Ela
ficou sabendo que todos as sextas e sábados havia
uma feira na cidade, iria lá comprar legumes e
frutas amanhã. Teria que aprender a cozinhar para
uma única pessoa agora. Teria que aprender a fazer
muitas coisas sozinha, mas não estava triste como
imaginou que fosse acontecer. Estava bem até
demais.
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Depois do almoço Eva tirou um cochilo, e


assim que acordou resolveu conhecer a cidade. Ao
abrir a porta do carro, olhou para a bicicleta e
voltou para dentro de casa. Precisaria trocar o
vestido, afinal, pedalar com as pernas de fora não
cabia mais à sua idade.

Colocou uma bermuda acima dos joelhos,


tênis branco, óculos escuros e saiu a perambular
pelas ruas. Eva não tinha noção do quanto era
bonita. Sempre enclausurada no trabalho ou nos
cursos, deixou a vida passar sem grandes luxos e
vaidades. O marido não a elogiava mais, no
trabalho era sempre séria e os colegas a
respeitavam muito. Ninguém a parava no trânsito
pois sempre estava dentro do carro com os vidros
levantados. Ela se escondeu do mundo e agora
estava se mostrando e nem se dava conta do quanto
chamava a atenção.

Ao passar pela praça central viu uma


manifestação bem em frente à Biblioteca onde
começaria a trabalhar em poucos dias. Faixas
pediam apoio à cultura e respeito aos moradores
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locais. Um dos manifestantes estava exaltado ao


falar. Eva se encantou com a sua voz e pelas
palavras bem articuladas que saiam de sua boca.
Quando parou de falar e deu a vez à colega, ele
percebeu que Eva o encarava e a fitou por alguns
segundos. Ao  perceber que havia sido pega no
flagra, subiu na bicicleta e deu continuidade ao seu
passeio exploratório.

Depois de conhecer toda a extensão urbana


da cidade, Eva retornou para casa. Estava suada e
muito cansada. Na capital ela não tinha tempo para
nenhuma atividade física, estava enferrujada.
Correu para o banho e assim que terminou, colocou
um leve vestido esvoaçante. Foi até a mesa da
cozinha e abriu uma caixa que continha algumas
garrafas de vinho que ganhara dos colegas de
trabalho. Fora um presente de despedida, segundo
eles, era para ela se anestesiar da calmaria da
cidade pequena. Abriu uma das garrafas e tomou
duas taças, logo depois se jogou no sofá para ler um
livro. Estava se sentindo rica, há muito tempo não
se dava esse prazer. Eva leu até cair no sono.

Acordou e viu pela janela o quanto já havia


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escurecido. A cortina branca e de tecido fino


flutuava pela sala a cada rajada de vento, mesmo
assim Eva estava suada. Ouviu uma voz conhecida
passando pela sua janela, levantou de um salto e
ficou bisbilhotando. Não acreditou quando o viu,
estava resmungando sozinho porque o pneu de sua
bike havia furado.

Eva correu até a cozinha e bebeu um enorme


copo de água, mas o calor continuava insuportável.
Olhou a garrafa de vinho e resolveu  tomar mais um
gole. Encheu o copo que já estava na mão e bebeu
todo o conteúdo de uma vez. Prendeu os cabelos
com uma presilha e passou um pouco de água
gelada no pescoço. Não sabia que o clima da cidade
era tão quente assim. Ouviu palmas em sua porta e
foi até a portinhola olhar quem era. Ele realmente
estava em sua porta?

— Olá, tem alguém em casa? — Ele esperou


por um tempo, depois voltou a chamar — Oi?

Quando viu que não seria atendido, virou as


costas para sair dali. Ao ver que ele iria embora,
Eva correu para abrir a porta sem pensar muito no
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que diria.

— Oi! Em que posso ajudar? — falou


timidamente. — Se for pedir informações eu não
poderia dar nenhuma, sou nova na cidade.

Todas as vezes que ficava nervosa, Eva


desembestava a falar. Se ele não respondesse logo,
ela iria construir um monólogo digno de Nelson
Rodrigues.

— Boa noite! É sobre a placa. — Apontou


para cima. — Estou procurando casa para alugar.

Eva havia esquecido de tirar o pedaço de


papelão da parede. Que distraída! Levantou os
braços e o arrancou. Não se deu conta que estava
com vestido. Não percebeu quando suas coxas
ficaram à mostra ao esticar o corpo, nem quando
foi admirada pelas belas curvas que possuía.

— Então, eu acabei de alugar a casa. Me


mudei essa semana — explicou.

— Seja bem–vinda à nossa cidadezinha.


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— Ah, obrigada! — tentou puxar assunto. —


Sua bicicleta, o que houve?

— Acho que o pneu furou — falou tirando o


capacete. — A cidade é muito tranquila para o
ciclista, então todas as noites nós saímos em
comboio para pedalar.

— Olha que legal, qualquer dia desses


apareço para pedalar também. — Se arrependeu na
hora do que disse. — Onde andam meus bons
modos, me convidando assim? Perdão pelo
inconveniente.

— Nada, que é isso? Será sempre bem-vinda


quando quiser aparecer. Tem bicicleta? — Olhou
para ela intrigado. — Espera aí, não era você na
praça hoje mais cedo?

Eva novamente ficou rubra, se ele lembra


dela, lembra também que estava sendo observado.

— Eu realmente saí hoje mais cedo, possa ser


que tenha me visto por aí. — Eva precisava se sair
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dessa. — Quer uma água?

— Estava com uma sede danada, mas não


queria ser mal educado em pedir logo de cara —
falou sorrindo com uma fileira de dentes bonitos.

— Pode entrar, venha! — Eva rezou que ele


não fosse um psicopata.

Os dois entraram e foram direto para a


cozinha. A garrafa de vinho estava sobre a mesa.

— Posso? — Ele apontou para a garrafa. —


Agora eu que pareço mal educado.

Ela pegou a taça na caixa e o serviu. Acabou


bebendo junto com ele. Se empolgaram e acabou
abrindo o coração e contando sobre os seus
problemas com o ex-marido. Falou da paixão por
livros e mostrou–lhe a sua coleção. Ele ficou
fascinado folheando cada um. Voltaram para a
cozinha e serviram-se de mais vinho. Ela já estava
ficando tonta e acabou derramando vinho nele
quando lhe entregou a taça.

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Correu até a pia e pegou uma esponja úmida


para limpar a blusa dele. Enquanto esfregava a
esponja no tecido, sentiu a sua musculatura firme.
Sem pensar em nada, elevou os braços dele e tirou
a camisa. Ficou encantada com o que viu. Ele
deveria ter a mesma idade do filho dela, talvez um
pouco mais velho, mas isso não impediu que Eva
continuasse o flerte. Passou os dedos em seu peito,
deslizando até o umbigo. Ele não resistiu e a puxou
pela nuca selando a boca dos dois num beijo
intenso.

Eva não sabia que poderia ter tanto tesão por


alguém novamente. Ela estava em chamas, queria
ele dentro dela o mais rápido possível. Ele também
estava afoito, pressionou-a contra a parede e enfiou
as mãos por baixo do vestido, apalpando a sua
bunda macia. Eva tinha um quadril de dar inveja a
qualquer mocinha, as irmãs a chamavam de
popozuda e, mesmo com os caprichos da gravidade,
a traseira continuou bonita. Eva parecia vinho
envelhecido, mesmo sem a firmeza comum à
juventude, com o tempo ficou ainda mais vistosa.

Os dois foram se beijando até a sala e


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acabaram deitados no tapete. O vestido de Eva se


perdeu no caminho, a roupa dele também. Ela
estava apenas de calcinha e sutiã, ele de cueca
boxer. Admiravam-se mutuamente. Ela se encantou
com a pele bronzeada dele, ele se fartou em seu
quadril avantajado. Lambiam-se, chupavam-se,
deliciavam-se.

Ele tirou o sutiã dela e sugou um seio de cada


vez. Eva foi à loucura. Quando ele enfiou os dedos
em sua calcinha, puxando-a para o lado e afogando-
os em sua entrada, Eva perdeu de vez o juízo. Ele
tirou os dedos de sua intimidade e os engoliu,
sorvendo a sua lubrificação.

— Gostosa como um bom vinho! — Desceu


até o meio de suas pernas, tirando-lhe a calcinha.
— E como cheira bem!

Eva sentiu quando os lábios dele a encheram


de beijos lânguidos antes de sugar o seu nervinho.
Ela batia as mãos no tapete e fechava os olhos se
deliciando com aquele momento. Não demorou
para ele tirar a cueca e preenchê-la por inteiro.

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Os dois ficaram no tapete, ele por cima dela,


as mãos dos dois entrelaçadas acima da cabeça, as
pernas dela contornando o quadril dele. Eva estava
amando ter aquele homem bonito e corpulento
possuindo o seu corpo, fazendo-a reviver prazeres
adormecidos. Ela sentiu as primeiras contrações em
suas entranhas. Seu corpo estava vivo, sua
excitação latente. O prazer a invadiu por completo.

— Ai! — gemeu ao cair no chão. — Mas que


porra!

Eva se deu conta que tivera um orgasmo


enquanto dormia e  começou a se maldizer por isso.
Levantou-se do chão, foi até o sofá e colocou as
mãos entre as pernas. Ainda pulsava de tesão. Ela
caiu na gargalhada, não por se sentir a piada da
noite e sim por perceber que ainda tinha desejo e
que o seu adormecimento não havia sido frigidez
como o seu ex-marido alegava. Era ele que não
despertava mais nada nela.

Foi até a cozinha, tomou todo o restante do


vinho e depois resolveu assistir a um filme antes de
dormir. Ela estava curtindo a si própria, fazendo
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apenas o que gostava, se dando ao luxo de até


mesmo não fazer nada, se assim desejasse. Era uma
espécie de férias de tudo. Sem casa grande para
cuidar, sem marido para aporrinhar, sem filhos
adultos que ainda se sentiam crianças. Eva estava
se sentindo livre e foi com essa sensação de
liberdade que pegou no sono.

No dia seguinte Eva acordou e colocou uma


música enquanto se dirigia ao banheiro. Ao som de
Don’t worry be happy, que ela colocou para repetir,
dançou enquanto tomava banho. Ela estava feliz,
então escolheu uma roupa floral bem leve e foi à
feira. Só usava preto ou cores escuras. Resolveu
que até disso ela iria se libertar. Iria colocar cor em
sua vida. Resolveu tirar do guarda-roupa as roupas
pouco usadas, aquelas que guardava para as férias
de janeiro, que só usava nas cidades litorâneas. As
roupas de férias. Afinal, ela estava de férias da
antiga Eva, não?

Como em toda cidade pequena, Eva se sentiu


um ET. Era observada em cada passo que dava,
cada legume que apalpava ou fruta que cheirava.
Estava sendo estudada pelos moradores locais. Pela
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olhada que deram em suas pernas, ela estava


excomungando a ordem do decoro, mas não ligou.
Sempre lhe disseram que tinha pernas bonitas e que
deveria exibi-las mais vezes.

Eva comprou quase tudo o que queria, mas


quando chegou na barraca das laranjas para
finalizar a sua feira, deparou-se com o homem de
seus sonhos, um certo orador que vira no dia
anterior. Ele usava sandálias havaianas, o que
deixava à mostra os pés bonitos. Trajava blusa de
malha mostarda e uma bermuda jeans escuro. Eva
não aguentou quando o viu descascar e chupar uma
laranja ali mesmo. Que boca! A laranja foi toda
sugada, o prazer dele enquanto fazia isso a
fez recordar do sonho que teve.

— Eva, Eva, não se deixe cair em tentação,


mulher! — falou para si mesmo, mas alguém
escutou.

— Açafrão é aqui mesmo, senhora! — falou


a vendedora atrás dela.

Uma mulher de certa idade, sentada em um


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banco de madeira e tendo à frente um enorme


balaio cheio de condimentos, alho e cheiro verde,
tirou-a de seu devaneio. Eva aproveitou e comprou
um condimento de cada. A senhora
foi muito simpática e ainda lhe deu algumas dicas.

— Açafrão é bom pra atiçar as coisas em


casa. — Riu maldosamente para Eva. — E com
essa canela que a senhora tá levando, mais esse
gengibre...hum, vai deixar o marido armado na
hora!

Eva ficou vermelha, pagou e foi embora sem


nem esperar o troco. O que tinha de errado com
ela? Será que era saudades de casa? Ela iria
começar a trabalhar na segunda-feira, iria ocupar a
mente com coisas úteis e esses colapsos libertinos
iriam passar. Saiu da feira, atravessou a rua e uma
fileira de mercados apareceu em sua frente. Só
tinha que escolher em qual comprar e depois iria
para casa. Cansou de mostrar a cara.

Depois que arrumou as compras e preparou o


almoço, Eva tomou banho e se entregou à leitura.
Dormia, acordava, lia, assistia filmes, dormia
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novamente e assim o seu fim de semana acabou.


No domingo ela ligou para os filhos e fez questão
de frisar que estava bem e muito feliz. Não, ela não
estava sentindo saudades de casa e nem estava se
sentindo só! Não, definitivamente ela não estava
arrependida e nem iria voltar para cuidar do pobre
pai deles! Desligou e leu mais um pouco antes de
dormir.
***

Eva se arrumou com capricho para ir


trabalhar. Era o primeiro dia e queria causar uma
boa impressão nos colegas. Sua atribuição no cargo
era gerenciar o funcionamento da única biblioteca
pública da cidade e todo o pessoal que trabalhava
com ela. Eva era proativa, organizada e já havia
elaborado projetos para implementar na biblioteca.
Havia pesquisado na internet, mas não encontrou
nenhuma foto sobre o local em que trabalharia,
tudo seria realmente uma surpresa.

Assim que atravessou o portão de aço da


entrada da biblioteca, ficou estarrecida com o que
viu: uma fachada decadente e mal cuidada, uma
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janela com o vidro quebrado e um tapume de


madeira substituindo o vidro da janela lateral.
Sinais evidentes de descaso com o órgão público e,
consequentemente, com a população.

— Bom dia, o que a senhora deseja? — Uma


senhora muito simpática, porém apática, perguntou.
— Já possui cadastro?

—  Como assim possuo cadastro? — Eva


perguntou enquanto olhava para as paredes
mofadas. — Não avisaram à senhora que eu
começaria hoje?

— Não avisaram nada não! — respondeu


sem nem piscar. — Aqui a gente é sempre o último
a saber de tudo.

Eva explicou que foi recém aprovada no


concurso e que agora seria a nova bibliotecária do
lugar.

— Nova não, a primeira. Aqui nunca teve


uma bibliotecária. — esclareceu de imediato. —
Toda vez que troca de prefeito eles escolhem
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alguém da confiança deles para ficar trabalhando


aqui, mas quem pega no pesado mesmo é a gente.

— E quem seria “a gente”? — perguntou


querendo saber qual a função que a senhora
desempenhava.

— Algum professor afastado de sala ou de


alguma área da escola. — Apontou para os fundos.
— Por exemplo, a Tânia, lá da cozinha, ela tá
afastada como merendeira porque tá com bursite no
ombro, não pode fazer esforço, aí fica aqui fazendo
o cafezinho e limpando o chão. Não sei que diabo
de descanso é esse.

— E a senhora, vem de algum lugar ou é


lotada para estar aqui mesmo?

— Eu  sou professora do infantil, mas tô fora


de sala, então venho três dias na semana, porque
nos outros eu faço hemodiálise — falou com a voz
embargada. — Tenho que vir, senão a
aposentadoria fica “curta". Sabe como é, né?

— Não sei não, mas imagino. — Andou em


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volta do espaço mal cuidado. — Esses livros no


chão, são para quê?

— É que a estante lá do canto tá torta. Eles


iam cair no chão mesmo, poderia até machucar
alguma criança ou uma de nós, então a chefe
mandou a gente colocar no chão para não ter uma
tragédia e sobrar pro prefeito.

— Se uma tragédia acontecesse, iria sobrar


para quem se machucasse. Como que a sua chefe
está preocupada com o prefeito e não com vocês?
— Eva se irritou com essa subserviência dada às
autoridades políticas . — E a propósito, cadê a sua
chefe?

— Ela não chega cedo, tem os filhos


pequenos para cuidar, quando vem é só depois das
dez — explicou inconformada. — Mas ela é prima
do prefeito, então pode, né?

— Em uma empresa séria, ela não poderia,


mas já vi que somos regidos por uma oligarquia
disfarçada. — Eva respondeu irritada. — Onde é a
sala da chefe? Segundo o RH, essa será a minha
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sala a partir de hoje.

— A  senhora será a nossa chefe agora? — a


senhora perguntou com os olhos arregalados. — A
dona Ana vai se retar quando chegar e encontrar a
senhora na sala dela.

— Tô pouco me importando com o que a


Ana vai pensar. — Sorriu para a professora — E a
senhora pare de me chamar de senhora que sou a
mais nova aqui. Prazer, Eva.

— Prazer, dona Eva! — apertaram as mãos.


— Eu sou Jaciara, tô aqui pro que a senhora
precisar.

— Não, Jaciara, você está aqui para nos


ajudarmos mutuamente. — Sorriu de volta — E
pare com esse dona! Agora somos colegas de
trabalho. É Eva, somente Eva.

Eva entrou na sala, encostou a porta e fez


uma ligação. Estava esbravejando no telefone.
Algumas palavras puderam ser ouvidas por Jaciara
e até por Tânia, mesmo ela estando na cozinha.
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Elas riram da coragem da recém concursada e


concordavam com ela, aquilo não era uma
biblioteca e sim um amontoado de papel velho.

Ana não apareceu na biblioteca durante todo


o dia e nem no decorrer da semana. Depois de ir
atrás de informações, o RH informou a Eva que
Ana fora transferida de função. Eva ouviu
burburinhos das novas colegas de trabalho e
segundo elas, Ana agora trabalhava como assessora
de um vereador que era primo da esposa do
prefeito. Eva não se conformava com o fato das
pessoas acharem isso normal, mas já foi alertada
por Jaciara que se continuasse questionando as
coisas, seria exonerada por falta de adaptação ao
estágio probatório. Ela teria que segurar a língua e
agir com sabedoria.

Duas semanas após começar a trabalhar, Eva


recebeu uma ligação pedindo que um material de
pesquisa fosse organizado para uma turma de
alunos que visitariam a biblioteca no dia seguinte.
A voz por trás da linha era marcante, eloquente e
muito sensual. Pareceu-lhe familiar. Eva se
arrepiou por completo e foi pessoalmente atrás do
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material.

A biblioteca tinha um acervo limitado e


muito antiquado. Quase todos os livros estavam
com as antigas normas ortográficas. Ela gostava de
desafios, mas aquele lugar precisava de um
milagre. Claro que não encontrou o material que
necessitava, mas lembrou que o tinha em casa, em
uma das caixas que ainda não haviam sido abertas.
Na manhã seguinte, os adolescentes foram
recebidos com tudo o que precisavam. Eva se
emocionou por permitir isso a eles, mas perdeu o
chão quando reconheceu o professor deles que
entrou logo em seguida.

— Oi, sou André, o cara que te ligou pedindo


o que achava ser impossível. — Riu com a mão
direita esticada na direção dela. — Parece que
subestimei essa biblioteca.

— André? Sério? É o nome do meu filho. —


Ficou sem graça com a coincidência.

— Mas ainda bem que não sou ele, não é


mesmo? — Continuou com a mão estendida. —
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Pode apertar, eu não mordo.

— Ah, me desculpe! Prazer, Eva. — Riu e


apertou a mão do professor. — Você teve sorte, se
eu não tivesse o material em casa, com certeza seria
uma tarefa impossível.

André instruiu os alunos e depois voltou a


conversar com Eva.

— Soube que passou no último concurso e


que veio de fora. — Eva constatou que no interior
não existia privacidade. — Está gostando da
cidade?

— Mais do que supus que gostaria — foi


sincera — pena que a biblioteca está um caos.

— Até me propus a fazer um mutirão e


reformar o lugar, uma espécie de amigo dos livros,
mas a responsável pela biblioteca foi categórica em
afirmar que o prefeito não permitiria.

—  E o que ela alegou? — Eva ficou curiosa


com a resposta.
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— Disse que não poderia fechar a biblioteca


porque os alunos do município não poderiam ficar
sem acesso à cultura.

— Concordo com ela, não devemos negar


cultura à população, mas também não podemos
oferecer porcaria só porque é público — Eva
explicou o seu ponto de vista. — Que tipo de
reformas você pensou em fazer?

— Sei que não podemos mexer na estrutura


do prédio, mas uma pintura com tinta de qualidade,
um reforço nas estantes, uma melhorada no jardim
ali na frente. — Olhou encantado para a
bibliotecária. — Você por acaso está pensando em
me ajudar nisso aí?

— Claro que estou! Olha pra mim, acha


mesmo que vou trabalhar nesse muquifo? —
Apontou para as estantes. — A biblioteca também
está precisando de uma atualização do acervo e
higienização das obras que não forem descartadas.

Os dois conversaram e combinaram como


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fariam as coisas. Eva queria conhecer André, saber


se era casado, mas tinha receio por ele ser bem
mais novo que ela. Jamais se envolveria com um
homem comprometido, isso feria os seus
princípios. Voltou para casa e tentou ler, mas não
conseguia tirar André da cabeça. O perfume de sua
loção pós-barba, as suas mãos firmes e grandes,
assim como a sua voz e o fervor com que lutava
para oferecer melhorias aos cidadãos. Era um
homem de visão, inteligente e nada acomodado.
Eva gostou de sua determinação, mas o tempo todo
lembrava também que ele era mais jovem e ainda
tinha o nome de seu filho, isso só poderia ser um
sinal.

No dia seguinte ele apareceu na biblioteca, as


colegas de trabalho riram maliciosamente. Os dois
traçaram planos e fizeram listas de material. André
era professor, mas aprendeu ainda na adolescência
a se virar. Sem dinheiro, acabou aprendendo os
truques básicos dos pedreiros e pintores para
reformar a casa da mãe.

Eva pediu ao departamento de cultura que


permitisse a sua permanência no local de trabalho
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até mais tarde para pôr o ambiente em ordem.


Enviou fotos de como o local estava e eles
autorizaram que fizesse alguns ajustes, mas não
poderiam custear nada. O secretário não sabia que
envolveria pinturas e reformas das estantes, achou
que fosse apenas uma organização mais
sistemática.

As tintas foram doadas por alguns


comerciantes e no final da tarde chegaram à
biblioteca. O dono de uma vidraçaria ficou sabendo
da reforma e doou o vidro que faltava na janela
.Como o prédio era cercada por órgãos públicos
que não funcionavam à noite, ninguém se
incomodou com os barulhos da furadeira e do
martelo.

André havia ligado para seus colegas de uma


faculdade onde já havia dado aulas de literatura e
pediu doações de livros. Eva havia feito o mesmo
pedido aos seus colegas e as doações aos poucos
foram chegando nas casas dos dois.

Ao fim de duas semanas, a biblioteca ficou


do jeito que eles queriam, pelo menos dentro do
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orçamento que dispunham. André mandou fazer


uma faixa, ele sabia que o prefeito tentaria levar o
crédito quando os boatos sobre as melhorias
chegassem aos ouvidos de todos. Na faixa ele
colocou que a reforma havia sido com recursos
próprios e doações de vários setores da sociedade.
Especificou o valor de cada material, desde a tinta
até o prego. Era um valor irrisório, menor que o
salário de apenas um vereador, mas que eles
alegavam ser uma despesa onerosa aos cofres
públicos.

As paredes descascadas e cheias de


infiltrações foram cobertas por uma boa massa
corrida e uma pintura vibrante. As estantes foram
consertadas e envernizadas. Colocaram prateleiras
para acomodar mais livros e alguns artesanatos
locais. As mesas onde os frequentadores usavam
para pesquisas foram decupadas, cobrindo assim as
deformidades do tempo. O lugar estava longe de ser
o que a população merecia, mas ficou infinitamente
melhor do que antes.

Na sexta à tarde a biblioteca fechava mais


cedo, Eva e André aproveitaram para ajustar os
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últimos detalhes e limpar a sujeira. Ele varreu todo


o lugar enquanto ela passava pano, depois partiram
para arrumar os livros. Nas estantes expositoras
foram colocadas as novas aquisições. O restante
dos livros foram organizados por assunto. Os
deteriorados foram separados e enviados para a
secretaria de cultura, a quem caberia a
responsabilidade de providenciar a restauração.

Eva descobriu que ele não  era casado. André


ficou sabendo  de seu divórcio traumático. Estavam
felizes trabalhando em equipe, sentiam-se
realizados com o trabalho. Quando Eva estava no
alto da escada colocando os livros nas prateleiras,
se desequilibrou e caiu, mas por sorte André a
pegou no colo antes que ela atingisse o chão. O
contato com a pele dele a deixou em frenesi.
Aquele homem mexia com ela de uma forma que o
seu marido nunca conseguiu.

— Obrigada, mas pode me colocar no chão


— Eva pediu sem jeito.

— É tão leve e gostosa de carregar que nem


dá vontade de me livrar de você. — Encarou os
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olhos dela. — Está bem? Não machucou nada?

— Estou bem sim, eu não quebro com


facilidade. — Tentou não ser grosseira. — Ou está
achando que estou com osteoporose?

André caiu na risada, entendeu onde ela


queria chegar. Ele a colocou no chão e verificou se
ela não havia se machucado. Segurou em sua mão e
a fez girar sobre o próprio corpo para mostrar-lhe
que estava bem. Em uma das voltas ele a puxou
para si, encaixando-se em suas costas e beijando-
lhe o pescoço.

— Não sou menino, Eva! — Fungou e


sussurrou em sua nuca. — Estou encantado com
seu bom humor, estou fascinado pela sua
personalidade e louco de tesão por você inteira.

Eva virou-se de frente e fixou o olhar no dele


antes de enfiar os dedos em seus cabelos e puxá-lo
para um beijo ardente, urgente, porém seguro de si.
Eram adultos e estavam solteiros, nada os impedia
de ficarem juntos, além do medo de Eva de se
envolver com um rapaz mais novo. Ela interrompeu
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o que estava fazendo e começou a pegar mais


livros.

— O que há? Calma! — Ele tirou os livros da


mão dela e os posicionou na mesa. — Não estou te
pedindo em casamento e nem sou nenhum
moleque. Só estou dizendo o que penso e
demonstrando o que sinto.

Eva baixou a guarda quando ele passou o


dedo em seu braço.

— Vai dizer que não percebeu o que rola


entre a gente? — Ergueu o queixo dela . — Você
tem todo o direito de não querer ficar comigo, mas
eu sei que mexo contigo.

Ele beijou-lhe os lábios sedutora e


suavemente, depois voltou a arrumar o que faltava.
Voltaram a conversar sobre amenidades. Eva era
muito espontânea, possuía uma comicidade irônica
e inteligente, e isso deixara André intrigado e
excitado.

Terminaram tudo e fecharam a biblioteca.


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André estava sem carro e Eva ficou de levá-lo em


casa. Assim que entraram no automóvel, olharam-
se e selaram mais um beijo. Eva não conseguia
mais esconder o que sentia, saiu de seu banco e
montou no colo dele.  

Eva rebolava o corpo na pelve de André, esse


estava mais duro que pedra. Os dois começaram a
se despir esquecendo-se que estavam na rua.
Alguém apareceu na porta.

— Dá pra tirar esse motel ambulante do meio


da rua? — Uma senhora resmungou batendo a
bíblia no vidro. — Tomem vergonha e vão fazer
isso em casa.

Eva puxou a blusa que já estava desabotoada


na tentativa de cobrir os seios fartos e voltou para o
assento do motorista. Enquanto dirigia, André a
acariciava o meio de suas coxas por cima do
tecido.

— Está pulsando e pedindo por mim. — Eva


respirou fundo quando ele lhe deu um tapa entre as
suas pernas. — Não se preocupe que vai ser bem
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tratada.

Assim que estacionou e abriu a porta de casa,


Eva foi tirando os sapatos e roupas e se direcionou
ao banheiro. André bateu a porta de casa e foi atrás
dela. As roupas fazendo uma trilha pelo caminho.
Eva ligou o chuveiro no quente e os dois  se
pegaram ali mesmo. Enquanto a água molhava o
corpo dos dois, André se ajoelhou e abocanhou o
centro de Eva que se segurou nas paredes para não
cair de tesão.

Ele tinha uma língua habilidosa, ligeira e


cheia de energia. Eva tomou um susto quando ele a
virou de costas e começou a se esfregar em sua
bunda.

— Que pele macia da porra. — André desceu


beijando suas costas, abriu as nádegas de Eva com
as duas mãos e esfregou o pênis na nervura do seu
ânus. — Você é mulher com M maiúsculo, é
gostosa demais.

Eva virou-se de frente e ele abocanhou os


seios, um de cada vez. Era um homem guloso e que
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ia direto ao ponto. Ensaboaram-se e assim que


terminaram o banho, correram para a cama
enrolados na mesma toalha.

Eva deitou de costas e André ajoelhou-se no


chão, puxando-a pelas pernas, deixando o quadril
dela na direção do seu rosto e voltou a chupar o seu
sexo. Eva apoiou os pés nas costas dele e
impulsionou o quadril para cima, facilitando ainda
mais a penetração da sua língua. Entre gemidos e
tremedeiras, ela teve o primeiro orgasmo da noite.

André correu até a sala e procurou a carteira


em um dos bolsos traseiros da calça. Tirou uma
camisinha de lá e voltou correndo para o quarto.
Eva pode reparar em seu corpo enquanto ele
colocava a camisinha. Tronco largo, pele bronzeada
assim como em seu sonho, barriga sequinha, pernas
grossas e torneadas e um pênis lindo e ereto
pedindo para ser engolido por suas entranhas.

Eva abriu as pernas e pediu que ele a


invadisse por inteiro. André foi até a cama, sentou-
se com as costas apoiadas na cabeceira e pediu que
ela sentasse nele.
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— Quero ver você rebolar no meu cacete que


nem fez lá no carro. — Esticou os braços para
recebê-la. — Senta aqui nesse caralho e engole ele
com essa buceta gostosa!

Eva se encaixou em André e de cócoras


começou a quicar em seu quadril.  Ele apoiou as
mãos nas costas dela e a trouxe pra sim, chupando
o seu pescoço enquanto ela apertava e soltava seu
pênis em uma movimento de contração e
relaxamento. O barulho da excitação dos dois
corpos se chocando provocou ondas em André e
seu corpo demonstrou não conseguir segurar o
gozo. Eva começou a quicar mais depressa, os dois
gemiam despudoradamente e chegaram juntos ao
orgasmo.

Eva jogou o corpo ao lado do de André e


ficou assim até recuperar o fôlego. Depois que
jogou a camisinha fora, ele voltou para a cama e a
beijou com ternura, tirando o cabelo suado de seu
rosto e cantando Caetano Veloso: “Debaixo dos
caracóis de seus cabelos, uma história pra contar,
de um mundo tão distante.”
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Eva sorriu e retribuiu o carinho, depois


levantou-se ainda nua e foi até a cozinha. Voltou
para o quarto com duas taças e uma garrafa de
vinho.

— Um brinde ao nosso trabalho na


biblioteca. — Ela elevou a taça na direção dele.

— Um brinde à bibliotecária mais gostosa da


cidade. — Encostou a taça na dela.

Os dois riram e entre risos beberam toda a


garrafa de vinho antes de começarem uma segunda
rodada de sexo. Eveline ou Eva, como preferia ser
chamada, tinha muito o que comemorar na nova
cidade interiorana.

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9. O homem dos sonhos

Vânia estava exausta! Trabalhara o dia


inteiro, depois ainda fora à luderia em um bairro
próximo ao seu, só para fazer pesquisas antes de
retornar para casa. Um certo rapaz, que ela
conhecera nesse espaço, não saía de sua cabeça.
Assim que entrou em casa, escorou-se na porta
respirando fundo, ainda sonhando com aqueles
toques. Depois tirou sapatos e brincos, como
sempre fazia antes de seguir o corredor que dava
em sua minúscula sala.
Estava doida para escrever um pouco. Não
ganhava nada com isso, mas o prazer pessoal
compensava qualquer coisa. A sua história estava
só no início. Inventar um personagem nerd,
apaixonado por jogos, requer um trabalho de
pesquisa que ela não tinha tempo para fazer, mas a
vontade superava qualquer obstáculo.
Assim que chegou, percebeu que a cadelinha
não a recebeu feliz como de costume. Aquilo não
era um bom sinal, então Vânia resolveu ficar
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atenta. Tomou um banho, preparou algo para o


jantar e depois de alimentar e afagar o animalzinho,
colocou-o próximo ao computador e partiu para a
sua história.
Vânia escreveu por horas a fio, estava com
sono, cansada, com os cabelos desgrenhados, os
olhos embaçados, porém muito feliz. Desligou o
computador, fechou as janelas e se dirigiu ao
banheiro. No caminho percebeu que Lola estava
dormindo no chão. Ficou tão entretida digitando
que nem se deu conta quando a cadelinha saiu de
perto dela. Lola não gostava de deitar no chão
àquela hora, tinha realmente alguma coisa errada.
Vânia se abaixou para tirar a cadela do piso
frio e, quando a colocou na caminha acolchoada e
colorida, o animal vomitou o mundo inteiro.
— Lolinha, amor, o que você comeu? —
Choramingou enquanto limpava a cara da cadela.
— Fala pra mamãe o que você comeu, fala!
Lola soltou outra porção de vômito e logo
depois desmaiou. Vânia correu para a geladeira e
pegou o cartão da nova clínica que haviam lhe
indicado assim que se mudou. Discou os números e
esperou o que para ela pareceu uma eternidade. Era

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tarde, mas a Pet Vet funcionava 24h por dia. Uma


mulher com uma voz mais sensual que a da Sheron
Stones atendeu:
— Clínica Pet Vet, em que podemos ajudar?
— Oi, vocês têm veterinário na clínica no
momento? — perguntou com voz chorosa.
— Fique calma, senhora! Temos o Dr.
Ricardo, ele acabou de chegar para o plantão da
noite —falou pausadamente. — Posso avisá-lo que
a senhora está a caminho?
— Sim, avisa sim! — falou enquanto
colocava a bolsa no ombro e a cadela no colo. —
Ele é bom, né? Ele vai salvar a minha Lola, não
vai?
— Se ele é bom? É o melhor que nós temos!
— Vânia achou que a atendente estava falando
sobre outro aspecto do veterinário e pigarreou. —
Pode vir, senhora, ele a aguarda.
— Já tô indo! — Vânia já estava descendo as
escadas enquanto falava ao telefone. — Preciso
desligar!
Passou pela guarita do condomínio mais
rápido que o cometa Halley, nem deu boa noite ao
porteiro e mal respondeu o que ele lhe perguntou.
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— Dona Vânia, a senhora vai sair assim? —


Ela nem olhou para a cara de incredulidade do seu
João.
— Lola tá doente, seu João! — falou
correndo em direção ao ponto de táxi que ficava na
esquina da rua. — Na volta eu explico.
— Povo doido, deve ser essa tal de
modernidade. — Balançou a cabeça. — É cada
moda que me aparece!
Seu João sentou na cadeira e esticou as
pernas, voltou ao seu rádio de pilha e riu dos
comentários dos candidatos à presidência. Todas as
rádios reprisavam aqueles debates e todas as vezes
seu João ria tanto quanto se fosse uma piada bem
contada.
Depois de brigar com o taxista por causa de
cachorro dentro do carro cheiroso e limpinho,
Vânia rumou para a clínica e logo chegou. Ainda
bem que a corrida foi barata, ela já estava com
medo da conta alta. Deveria existir hospital público
para cachorros, mas se o de gente já trata as pessoas
pior que bicho asqueroso, o de animais seria
praticamente uma clínica de abate.
Assim que chegou, Vânia foi recepcionada
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pela atendente da voz sexy. Valquíria era o seu


nome. Ela encaminhou Vânia e a cadela até a sala
do Dr. Ricardo, ele riu assim que a viu, mas
compreendia o desespero de certas pessoas na hora
de salvar o animal de estimação. Essa deveria ser
apaixonada pelo bichinho. Ela nem percebeu a
fisionomia de deboche que ele lhe dirigiu.
Vânia explicou todos os sintomas do animal e
depois ficou em pé observando cada passo do Dr.
Ele era carinhoso com a cadela, parecia ser muito
competente também. Ela observou que ele tinha
mãos bonitas, os antebraços eram torneados e
quando olhou o seu rosto arregalou os olhos, pois o
reconheceu da luderia. O veterinário de Lola era o
rapaz que havia jogado Twister com ela. Como
havia bebido um pouco para relaxar, estava
desinibida e acabou flertando descaradamente com
ele, até roçou a bunda em sua pelve.
Vânia começou a se afastar de cabeça baixa,
tentou disfarçar a ansiedade e esconder o rosto, mas
quando passou em frente a um armário com porta
de alumínio, tapou a boca ao ver seu reflexo na
porta mais limpa que o seu espelho.
Ela vestia a cueca samba canção de seu ex–
namorado pervertido, na parte da frente tinha um
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desenho realista de um enorme pênis ereto. A


camiseta também não ficava a dever no quesito
“me enterre de uma vez”, era uma regata com a
frase ME COMA em letras garrafais.
Complementando o look, um cabelo
volumoso preso com uma tiara das coelhinhas da
Playboy e nos pés, meias de dedo com sandálias
havaianas. Ela estava uma aberração da natureza,
mas ao menos ele não havia lhe reconhecido. Tinha
que dar um jeito de se livrar dele, mas precisa que
cuidasse de seu cachorro.
— Vou esperar lá na recepção — falou
ajeitando os óculos de leitura — quando acabar o
senhor me chama.
— Senhor? Achei que a gente tivesse um
pouco mais de intimidade depois de hoje à noite. —
Sorriu ao reconhecer a voz dela — Se você não
tivesse aberto a boca, não teria te reconhecido com
esses trajes.
Vânia corou de vez. Com certeza as suas
bochechas redondas estavam em brasa. Deveria ter
saído sem dizer nada. Puxou o casaco tentando
cobrir a cueca, mas ele era curto demais.
— Não fique com vergonha, as pessoas se
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desesperam na hora que vêm o bichinho passando


mal — riu antes de fazer a pergunta da pá de cal—
A camiseta está conversando com a cueca?
Vânia saiu da sala e bateu a porta sem nada
dizer. Não encontrou Valquíria na recepção e
imaginou que ela estivesse em uma ligação secreta
no banheiro, talvez com um tarado do tele sexo. Só
não fugia daquele lugar porque tinha muito amor
pelo seu animal. Lola era sua companheira, aquela
que sempre a esperava chegar do trabalho, aquela
que sempre lhe ajudava a segurar a barra nos fins
dos namoros.
Nenhum homem era como o dos livros que
lia ou dos que escrevia. Todos acabavam querendo
ser filhos no final. Vânia queria um homem
feminista, que cozinhasse para ela e que a comesse
como deveria. O que custava dar três numa noite?
Aquele veterinário tinha sex appeal. Ele seria um
homem como o dos livros? Bem que poderia.
Vânia sentou numa poltrona macia e fechou
os olhos, cedendo ao cansaço. Sua mente acabou
divagando para a deliciosa noite que tivera no bar.
Assim que entrou no ambiente pediu uma
cerveja, estava fazendo calor e depois de um

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exaustivo dia de trabalho, achou que merecia uma


bebida. Quando o líquido gelado desceu pela sua
garganta, sentiu um misto de liberdade e
recompensa. Deveria beber todos os dias, mas a
grana andava curta e só poderia se dar ao luxo essa
semana, pois havia recebido as horas extras
atrasadas.
Acabou bebendo rápido demais e pediu mais
uma antes de reconhecer o ambiente. Muitas mesas
de madeira, uma estante empilhada de jogos, e num
espaço mais aberto, viu o tapete do jogo Twister
esticado no chão. Não sabia que as luderias
possuíam esse tipo de jogo. A sua sobrinha tinha
um, brincaram juntas algumas vezes, apesar das
articulações enferrujadas pela falta de exercício, até
que ela mandava bem.
Vânia entornou toda a cerveja, apoiou a
garrafa numa mesa próxima, foi até a roleta e a
girou. Mão esquerda no verde. Ela olhou para os
lados e constatou que ninguém percebeu a sua
presença, tirou os tênis e apoiou a mão no círculo
da cor sorteada. Ficou tonta assim que abaixou a
cabeça. Não era acostumada a beber e estava com o
estômago vazio. Soltou um arroto e, quando olhou
para o lado, viu um homem bonito a observando.
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— Essa brincadeira não tem graça se jogar


sozinha — falou segurando a roleta nas mãos. —
Posso te fazer companhia?
Vânia levantou-se achando que estava vendo
coisas, aquele homem era bonito demais para estar
flertando com ela, deveria ser um viciado em jogos
como muitos ali.
— Tá, mas não vale tocar em mim — riu da
própria incoerência. — Okay, pode tocar, mas não
com segundas intenções.
— Tudo bem! — Tirou os sapatos e
arregaçou as mangas do casaco de malha.— E
você, não vale arrotar em minha cara.
Vânia ficou vermelha, ele ouviu o seu arroto
digno de Fiona. Agora era tarde e não tinha como
disfarçar. Ele fez sinal para algum funcionário que
foi até ele. Se cumprimentaram como velhos
conhecidos.
— Pô cara, sei que dia de hoje não tem
auxiliar para os jogos, mas gira a roleta aí pra
gente. Pode ser?
O rapaz sorriu simpático e assim o fez. No
início estava tudo tranquilo, cada qual em uma
extremidade do tapete, ninguém se tocava, mas
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foram se aproximando conforme a roleta girava. De


frente um para o outro, em uma das jogadas ele
passou o braço direito por cima do tronco dela.
Vânia se arrepiou toda com o contato. Estava sem
namorado há meses, sem nenhum tipo de contato
físico com ninguém. Não duvidava nada que seu
hímen tivesse se regenerado e voltado a tapar o seu
sexo.
Quando o rapaz gritou mão direita no
vermelho, Vânia teve que se esticar e ficou
praticamente debaixo dele. De onde estava
conseguia ver todo o seu quadril e membros
inferiores, ela começou a imaginar que ele pudesse
estar olhando o seu cofrinho naquela calça de
cintura baixa.
— Mão direita no vermelho! — o rapaz
gritou para ele.
Vânia se deu conta de que naquela posição, o
quadril dele praticamente tocaria em seu rosto.
Estava começando a ficar nervosa, mas não
conseguia parar de brincar. Uma felicidade
repentina tomava conta de seu corpo. Quando foi a
vez dela trocar de mão, eles se tocaram mais uma
vez, até que na vez dele, os quadris se chocaram,
ele por cima dela. Foi inevitável a tensão entre os
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dois.
— Gente, segura aí que já volto, tão me
chamando. — O rapaz que estava na roleta largou-a
na mesa e saiu praticamente correndo.
Eles ficaram parados sem sair do lugar. Os
joelhos não podiam tocar no chão senão perderiam
o jogo.
— Minhas pernas estão doendo nessa posição
— Vânia falou tentando se esticar. — Será que não
tem um jogo desse que é mais flexível? Será
mesmo que eu perco se colocar os joelhos no chão?
— Claro! Jogo é jogo e as regras devem ser
seguidas — ele falou exaltado.
— Nossa, você deve ser daqueles bem
fominha pro lado de jogo, né? — Vânia se irritou
com ele. — Todo jogo tem o mole e o duro. Vamos
dizer que esse é o mole.
— Eu não jogo nada se for pra ser pela
metade! — falou sério. — Não tem essa de moleza
comigo, é duro sempre!
Vânia engoliu a fala e sentiu o suor
escorrendo pelo pescoço. Quando esticou a perna
um pouco mais, tocou o quadril no sexo dele e
sentiu a firmeza entre as suas calças. Ela levantou
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um pouco mais e deu uma rebolada discreta, só


para ter certeza que não havia sido impressão sua.
A firmeza não só havia ficado mais consistente
como havia mexido. Ela tinha certeza que aquilo
não daria no que prestasse, ou talvez prestasse
muito, mas já estava cansada de homens malas.
— Eu acho melhor a gente parar, já está tarde
e eu tô cansada. — Fez menção de que abandonaria
o jogo.
— Não faz isso! — ele falou tão próximo ao
seu ouvido que ela sentiu o hálito quente .— O jogo
está tão bom, a gente tá perto de acabar. Não para
não, por favor!
Aquela súplica era irresistível, um chamado
ao pecado, uma prova dos nove para quem estava
com o saldo negativo no quesito sexo. Ela não
conseguia disfarçar o quanto estava excitada e não
se esquivou quando ele também encostou o quadril
no bumbum dela. Ele começou a encostar e
esquivar propositadamente. Ela correspondeu e o
movimento ficou sincronizado. Eles continuaram
nesse bate e volta até que ouviram um pigarro.
— Vocês ainda querem que eu gire a roleta?
— O rapaz perguntou visivelmente sem jeito.

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Vânia caiu no chão ao tentar se desvencilhar


do quadril do seu oponente.
— É, moça, acho que a senhora perdeu! —
falou enquanto a ajudava a se levantar.
— Não tem problemas, já estava cansada
mesmo — falou enquanto calçava o tênis e saiu
sem nem ao menos olhar para o rosto dos dois.
— Acho melhor você não sair agora. — O
rapaz riu apontando para Ricardo. — Tenta acalmar
o que está em suas calças, esse é um ambiente
familiar — riu enquanto jogava a roleta no colo
dele.

Vania abriu os olhos assim que sentiu uma


mão em seu ombro. Era o veterinário tentando fazê-
la voltar ao mundo normal.
— Um doce pelos seus pensamentos! — riu o
riso mais lindo e Vânia riu com ele. — Pela sua
cara feliz ao me ver, acho que estou em meio a
esses pensamentos.
— Claro que sim! — ao perceber o disse, se
refez. — Estava pensando em minha cadelinha e o
quanto ela deveria estar sendo bem tratada em suas
mãos.
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Vânia se ajeitou na poltrona para parecer


profissional.
— Ela está bem sim! — falou balançando as
mãos à frete do peito. — Elas fazem milagres.
— Posso levar ela pra casa agora? — Vânia
falou levantando– se da poltrona.
— Infelizmente, não! Vamos mantê-la em
observação até amanhã pela manhã, só por
precaução.
— Mas você disse que ela estava bem. —
Mexeu nervosamente com as mãos. — E vai sair
muito caro mantê-la aqui até amanhã.
— Não se preocupe com isso, tô deixando só
por desencargo, não cobrarei por isso. — Olhou a
roupa de Vania. — Posso te levar em casa, se
quiser.
— Não precisa, obrigada! — pegou o celular
na bolsa. — Chamo o táxi perto lá de casa e é
rapidinho.
— Olha, eu não sei se é muito legal você
ficar desfilando por aí com essa roupa sugestiva. —
Apontou para a samba canção dela. — Não custa
nada eu te levar, juro!
— E se algum animal passar mal e precisar
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dos seus serviços? — Apontou para a recepção. —


Vai deixar que a voz delícia ali atenda os seus
bichinhos?
— Voz delícia? Cê tá afim da Valquíria ou
está com ciúme dela? — Sorriu descaradamente
para Vânia. — Vai me dizer que está julgando a
Val por ela ser bonita e ter aquela voz? Mais
sororidade, por favor!
Vânia arregalou os olhos diante daquele
comentário. Nunca viu um homem pedir que uma
mulher tivesse mais sororidade. Nunca viu um
homem falar essa palavra. Será que ele realmente
sabia o seu significado? Não é possível! Era
perfeição demais para Vânia. Ricardo voltou a falar
e Vânia continuou muda.
— Olha, confio muito nela sim, ela está
terminando a faculdade e estagia aqui, só ficou na
recepção hoje porque estamos revezando esse
serviço até conseguir outra pessoa. — Mais um
sorriso bobo. — Apesar dela ter voz sexy, foi por
você que meu corpo pediu e continua pedindo
mesmo com esse short horroroso.
Vânia não conseguia articular nenhuma
palavra. O cara era gato, gostava de animais, era

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divertido e ainda compreendia as mulheres. Teve


vontade de pular no colo dele, de encher ele de
beijos, mas se conteve quando viu alguém gritando
na porta.
— Ajuda aqui, Dr.! — o pobre homem
gritava a plenos pulmões. — Foi veneno, Dr. ele tá
espumando pela boca.
— Me dá ele aqui, rápido. — Ricardo pegou
o cãozinho e saiu correndo para o interior da clínica
— Vânia, acalma ele, por favor!
Vânia ficou babando o herói dos cachorros,
mas diante dos soluços do homem que lamentava a
crueldade cometida contra o seu amigo de
estimação, resolveu fazer o que Ricardo havia lhe
pedido. Orientou o senhor a sentar e correu à
procura de água. Valquíria apareceu vinda de
alguma sala.
— Onde encontro água? — Vânia estava
visivelmente angustiada.
— Sua cadela não melhorou? — Valquíria
perguntou enquanto pegava o copo e o enchia de
água estendendo-o à Vânia. — Tente se acalmar,
sei o que é perder um bichinho desses.
— Não é pra mim — Vânia apontou para o
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senhor sentando. — É pro moço ali. O cão dele foi


envenenado.
Valquíria correu até o senhor, estendendo-lhe
o copo d’água. Com as mãos trêmulas ele sorveu o
conteúdo do copo em grandes goles. Valquíria lhe
abraçou e ficou assim até ele chorar toda a sua dor.
Pouco tempo depois Ricardo apareceu e
tranquilizou o homem. O cão foi salvo.
— Que Deus lhe pague, Dr. — O homem
pressionava os olhos com os dois dedos tentando
reter as lágrimas. — É a segunda vez que me ajuda
e de novo eu não tenho como te pagar.
— Fique em paz! — Ricardo dá dois tapinhas
nas costas do senhor — É assim que eu me redimo
de meus pecados.
— Oxe! O senhor é um homem bom, não
deve ter pecado, não! — foi o primeiro riso que o
homem deu depois que soube do livramento de seu
bichinho.
— Todo homem tem pecados nas costas, seu
João — falou encarando Vânia com um olhar
profundo e sedutor —, mas eu peco com gosto!
Vânia engoliu em seco. Suas entranhas se
contraíram de uma forma boa. Seu corpo pedia
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aquele homem e ela não seria mesquinha em lhe


negar isso. Retribuiu o olhar e o manteve até ver o
homem se despedindo de todos.
— Então amanhã cedo eu posso mesmo vir
buscar meu filhinho? Posso, dr.? — O homem
sorria feito criança.
— Pode sim, seu João. — Apertou a mão do
homem — Até amanhã!
—Até! — saiu acenando para todos.
Valquíria estava mexendo no celular e nem
percebeu a troca de olhares entre Ricardo e Vânia.
Ele deu a mão e a puxou para uma saleta onde
havia poucos móveis, dentre eles uma pequena
mesa de escritório onde Vânia se apoiou assim que
Ricardo trancou a porta.
Ele se aproximou dela e passou as mãos em
seus braços, friccionando-os num movimento de
sobe e desce. Seu rosto encostou no de Vânia,
aspirando o perfume dela.
— Eita que eu vim trabalhar com o seu
perfume em minha memória — desceu e subiu
cheirando o seu pescoço — Tem cheiro de mulher
forte, determinada.
Vânia respirava com mais intensidade e
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perdeu o fôlego quando a boca de Ricardo


encontrou a sua num beijo cálido, singelo e muito
mais carinhoso que ardente.
— Eu estava louco pra sentir o seu gosto —
falou entre um beijo e outro. — Superou todas as
minhas expectativas.
Vânia enfiou os dedos nos cabelos de
Ricardo e retribuiu os beijos que foram se
intensificando cada vez mais. As mãos de Ricardo
tatearam as costas de Vânia e desceram até a sua
cintura, que ele apertou e impulsionou para cima,
colocando-a sentada na mesa.
— Posso continuar sentindo o seu gosto? —
Ricardo perguntou com as mãos no short de Vânia
que se limitou a balançar a cabeça em sinal
afirmativo.
Ricardo desceu o cós do short enquanto
Vânia elevava o quadril para que ele o tirasse por
completo. Ricardo jogou o short em um sofá e
puxou uma cadeira para sentar-se de frente para
Vânia. Ela abriu as pernas, apoiando cada um dos
pés sobre os braços da cadeira de escritório.
— Gosto assim — passou o rosto nos pelos
de Vânia — macia, cheirosa.
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Ricardo ficou admirando a vagina de Vânia


como se fosse uma obra de arte. Vânia apoiou as
mãos na mesa e arqueou o tronco para trás. Ricardo
passou a língua contornando todo o entorno de sua
vulva. Depois endureceu a língua e a enfiou em sua
entrada.
— Ahhhhhh! —Vânia gemeu se contorcendo
— Que delícia de língua!
Ricardo massageou o clitóris de Vânia
enquanto a penetrava com a língua enrijecida.
Depois trocou e passou a chupar o clitóris enquanto
a penetrava com dois dedos. Vânia estava sem sexo
há meses, gozaria até com um sopro, quando
Ricardo colocou o terceiro dedo, ela sentiu as
contrações em seu útero e começou a convulsionar.
— Não para, não para! — Vânia sussurrava
entre gemidos. — Ah...Ahhhhhh...Ahhhhhh!
Ricardo sentiu seus dedos sendo pressionados
e ficando ensopados pela lubrificação de Vânia.
Quando a contração dela empurrava seus dedos
para fora, ele os empurrava para dentro, prolongado
a prazer dos dois, porque ele sentia-se
recompensado com o prazer da parceira.
Vânia se jogou na mesa enquanto recuperava
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o fôlego, já Ricardo foi até o sofá e tirou toda a


roupa e começou a se masturbar olhando para a
bela mulher deitada em sua mesa.
Quando Vânia virou o rosto procurando por
ele, deliciou-se com o que viu. Ricardo estava
completamente pelado com um lindo e ereto pênis
entre uma das mãos. Ele piscou para ela e a chamou
com a mão livre.
Vânia foi até ele, ajoelhou-se no chão e
tomou o pênis para si. Enquanto massageava o seu
comprimento, delineava a glande com a boca e a
língua, sugando de leve a cabecinha.
— Ah, mulher! Assim você me mata. —
Ricardo apoiou a cabeça no encosto do sofá
enquanto gemia sem nenhum pudor. — Chupada
gostosa da porra!
Vânia agora engolia todo o pau de Ricardo
enquanto acariciava as bolas firmes e sem pelos.
Ele era lisinho, pelos bem aparados apenas no colo,
o que deixava o pênis ainda mais bonito. Quando
Vânia parou de chupá–lo para pressionar a língua
em seu períneo, Ricardo foi no céu e voltou.
— Que boca tu tem, mulher! — Apontou
para a mesa — Pega camisinha naquela caixa de
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madeira ali, por favor. Se não fizer isso logo, vou


me derramar em sua boca de seda.
Vânia foi até a mesa, pegou uma camisinha e
lentamente rasgou a embalagem nos dentes. Depois
colocou a camisinha na boca e vestiu Ricardo.
— Agora senta aqui que quero te invadir com
tudo. — Riu descaradamente. — Vou pôr até o
talo, querida. Vem logo.
Vânia colocou as pernas abertas em volta das
pernas de Ricardo e foi descendo bem devagar,
sentindo cada centímetro penetrando suas
entranhas, preenchendo todos os espaços.
Ricardo elevou os braços de Vânia e tirou a
sua camiseta, expondo seios fartos, redondos e
enrijecidos. Ele levou um deles a boca enquanto
circulava um dos dedos no outro mamilo. Ricardo
sugava com gula, sorvia cada partícula do seio de
Vânia e mexia com todas as suas terminações
nervosas.
Vania começou a quicar mais rápido em
Ricardo, o sofá rangia com o movimento dos dois.
Ricardo passou a sugar o outro seio e desceu as
mãos para o quadril de Vânia. Ele apalpava a sua
bunda enquanto a impulsionava para cima, não
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resistiu à sua abundância e acabou chegando perto


de seu centro e acariciando o seu ânus.
Vânia demonstrou ter gostado pois o olhou
com lasciva e gemeu mais intensamente. Ele se
sentiu encorajado e enterrou o dedo médio em seu
orifício. Vânia acelerou ainda mais os movimentos,
incentivando Ricardo a colocar o dedo médio da
outra mão também.
Os dois gemiam muito, suavam horrores e se
entregavam sem reservas. Ricardo voltou a
abocanhar um dos seus de Vânia. Ela estava com
todas as áreas erógenas sendo estimuladas, não
demorou a sentir novas contratações. Ricardo
sentiu quando seus dedos novamente foram
pressionados, assim como o seu pênis também.
Sentir que aquela mulher gozaria de novo lhe
enchia de tesão.
– Ah...Ahhhhhh...arrrhh!
Ele soltou o seio de Vânia e a beijou tentando
calar os dois. Quando terminaram, estavam suados
e cansados. Ela se jogou no ombro dele e ele lhe
acariciou as costas por longos minutos. Ficaram
assim até que o telefone tocou.
Vestiram-se às pressas.
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— Me espera aqui que já volto! — falou


dando-lhe um beijo — assim que atender esse
paciente eu te levo em casa.
Vânia riu abobalhada. Ela era despudorada
no sexo e se entregava sem neuras, ele gostava
disso. Ele era preocupado com o prazer feminino e
ela adorava isso. O cara era perfeito demais pra ser
verdade, mas se fosse ilusão, seria a mais gostosa
de sua vida. Apoiou as almofadas no braço do sofá
e fechou os olhos para cochilar um pouco.
A noite de Ricardo foi agitada, parece que os
animais resolveram farrear na madruga de sexta-
feira e quando ele terminou de atender três
emergências, já era manhã de sábado. Entrou na
sala e encontrou Vânia dormindo, até pensou que
ela pudesse ter ido embora.
Ficou admirando aquele ser que dormia de
boca levemente aberta enquanto uma baba escorria
por seu queixo. Ele a achava linda, extrovertida e
muito mulher na cama. Era perfeita demais pra ser
verdade, mas estava disposto a se deixar iludir por
ela. Tocou em seu ombro e ela levantou num pulo.
— Que foi? Onde? — Balançou os braços no
ar. — Quem é?

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— Sou eu, sua dorminhoca babona! — riu


puxando-a pelas mãos. — Já coloquei Lola no
carro, vamos que te levo antes que a rua fique
movimentada e te vejam com esse look
maravilhoso.
Ela passou as costas da mão na boca e se
levantou seguindo ele. No caminho foi ajeitando os
cabelos em um cocó. Assim que chegou em casa
ela limpou toda a sujeira deixada pela cadela e
depois correu para a cozinha.
Vania ofereceu um café, mas ele não
aguentou esperar ficar pronto, apagou em seu sofá.
Quando ela retornou à sala, encontrou-o dormindo
e o achou o homem mais lindo do mundo. Esse
poderia ser um homem digno de qualquer livro. O
homem de seus sonhos.
Tomou um café com tudo o que tinha direito,
depois foi para o banho. Assim que saiu, correu
para o computador, ainda bem que era seu dia de
folga, porque acabara de achar inspiração para
escrever o seu homem perfeito. Seu mocinho seria
inspirado em Ricardo e seria tão lindo e gentil
quanto ele.
Vânia estava na maior empolgação quando se

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assustou com o barulho produzido por Ricardo.


Definitivamente aquele ronco não faria parte das
características de seu Edu.

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10. Cambada de sem juízo

Gabi esperava por aquele dia desde que


tomou consciência de que era gente. Fazer dezoito
anos era libertador, pelo menos em seus
pensamentos juvenis. Era a única das amigas que
ainda não havia alcançado a maioridade. A mãe,
apesar de muito preocupada e superprotetora,
acabou deixando que ela comemorasse a nova
idade na boate onde a tia trabalhava.
Helena era mais que uma simples tia para
Gabi, era uma segunda mãe, aquela que segurou a
onda quando a irmã ficou grávida e fora
abandonada pelo então namorado. Tanto apoiou e
ajudou, que acabou batizando a sobrinha e sendo
também a sua madrinha.
A “dinda” trabalhava numa boate em
ascensão e havia conseguido a entrada da sobrinha

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e a liberação de um certo limite no consumo de


bebidas para ela e seus convidados. Helena
comprou mais três ingressos e dera à sobrinha de
presente para que ela levasse alguns amigos para a
tão sonhada noite.
Euforia definia Gabi, as suas duas melhores
amigas e o seu namorado. Era a primeira vez que os
dois viajariam juntos. Gabi estava sentada na
mochila tentando fechar o zíper quando ouviu o
telefone tocar e a foto de Jéssica aparecer na tela.
— E aí, tudo pronto? — Jéssica foi logo
perguntando — Dona Diva não mudou de ideia
não, né?
— Minha mãe mudar de ideia? — Gabi falou
entre risos — Tá pra nascer o dia que ela vai dizer
uma coisa e voltar atrás, cê não conhece a figura.
Ela estudou a proposta por duas semanas, pensou
em todos os prós e contras. Esse sim foi muito
planejado, não foi dado num rompante. Acho que
minha mãe nem sabe o que significa “no calor das
emoções”.
— Pena que ela só deu a resposta hoje, mal
cheguei do trabalho e já tô correndo para arrumar
tudo — Jéssica estava agitada catando algumas
roupas no armário e jogando na enorme bolsa —
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Neto vai sair da seca, hein? O bichinho já deve tá


com as bolas roxas.
— Para com isso, Jessy! Estamos viajando
para nos divertir, ninguém tá pensando nisso — na
verdade ela estava louca para transar com o
namorado, nem lembrava a última vez que haviam
feito sexo — se minha mãe ouve isso, não me deixa
viajar mais. Você sabe que ela acha que ainda sou
virgem, né?
— Dona Diva e seus traumas! — Gabi odiava
as piadinhas com a mãe, se limitou a revirar os
olhos enquanto ouvia a amiga — tchau, daqui a
pouco nos encontramos na rodoviária. Ah, tô
levando as camisinhas.
Desligaram os telefones e Gabi sorriu triste.
Estava com o namorado há três anos, mas a mãe lhe
alertava todos os dias sobre o quanto era importante
não se entregar, que todo amor sempre acabava
quando surgiam as responsabilidades e que era nas
costas da mulher que as consequências sempre
caiam.
Dona Diva engravidou cedo e o namorado
apaixonado não pensou duas vezes antes de
abandoná-la. A tão sonhada faculdade foi deixada
de lado porque tinha agora uma vida para se
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preocupar, uma boca para alimentar e nenhum


apoio familiar, exceto o de Helena, a irmã mais
velha e que já trabalhava.
A avó de Gabi disse que olharia a menina,
mas só se a filha fosse caçar trabalho. Para o pai de
Diva, faculdade era coisa de rico, pobre tinha era
que ralar para não passar fome. Assim Diva não
teve escolhas senão abandonar a faculdade de
enfermagem e correu atrás de emprego. Quando a
menina cresceu e passou a ficar só, ela conseguiu
estudar à noite e fez um curso técnico, era uma vida
corrida, cheia de sacrifícios e que ela não desejava
para a filha.
Gabi entendia a mãe e a respeitava mais que
tudo. Quando perdeu a virgindade, chorou horrores
se sentindo culpada, mas com o tempo os prazeres
carnais foram amenizando o sofrimento. Honrava a
mãe e como morria de medo de aparecer grávida,
seguia todos os cuidados com preservativos e
métodos anticoncepcionais. Não iria decepcioná-la,
ela seguiria uma carreira e daria muito orgulho
valorizando todo o esforço que a mãe tivera para
criá-la.
Assim que fechou a mochila e colocou-a no
canto do quarto, ao lado da bolsa, o telefone tocou
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novamente.
— Fala, piriguete! — Raissa sempre com as
piadas grosseiras — já raspou a xereca? Cê sabe
que hoje o bicho pega, né? Vai lubrificar o canal!
— Às vezes eu me pergunto porque você fala
tanta porcaria, deve ter tido algum problema
cerebral por ter nascido depois da hora, só pode! —
Gabi ria junto com a amiga — você e Jéssica só
falam em sexo. Tem outro assunto melhor não?
— Claro que tenho! Já limpou o matagal?
Tem que dar passagem para o trem de Neto, o
bichinho vê de quando em quando, deve ter um
trabalhão para forçar a passagem, se a entrada tiver
coberta dificulta ainda mais a visão do paraíso. —
Raissa parou de falar, pois caiu numa risada
escandalosa, assim que se recompôs voltou a
atenção para Gabi — já falou com a Jessy? Ela
disse que tá levando as camisinhas pra você porque
acha que as suas tão vencidas.
Novamente uma gargalhada foi ouvida. Gabi
tinha certeza que todos os vizinhos ouviam as
depravações e gargalhadas de Raissa. Dona Diva
não gostava das brincadeiras da amiga da filha, mas
a conhecia desde o maternal e sabia que ela era
uma boa menina. Tresloucada, mas com um
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coração imenso.
— Saí do estágio mais cedo e já arrumei tudo
— Raissa era a mais inteligente da turma e não teve
trabalho em conseguir estágio numa empresa de
grande porte — vamos pegar o último ônibus, né?
— Isso! A minha mãe chega daqui a pouco e
quer se despedir antes da viagem. — Gabi não saía
de casa sem antes ter a benção da mãe — vou
tomar um banho rápido porque Neto já deve tá
chegando. Beijos, fui!

Gabi desligou o telefone e antes de ir para o


banheiro olhou o envelope que a mãe deixara em
seu quarto. No verso estava escrito Abra assim que
chegar na casa de sua tia. Outro presente? Apesar
da curiosidade, colocou o objeto na bolsa e depois
foi para o banho.
Não demorou a Dona Diva chegar em casa,
pouco tempo depois Neto apareceu com sua
inseparável bicicleta.
— Gabi, posso deixar a magrela aqui? —
falou apontando para o beco ao lado da casa dela
— é que me atrasei e de bike era mais rápido pra
chegar, e meu irmão ia escalifar a bichinha
enquanto eu estivesse fora.
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Enquanto Neto guardava a bicicleta, dona


Diva chamou Gabi ao quarto para uma última
conversa.
— Lembra de tudo o que falei, não lembra?
— claro que Gabi lembrava e claro que a mãe diria
tudo novamente — não deixa pegar nos peitos.
Tocou, já era! É que nem trem desgovernado, só
para depois que o estrago já tá feito.
— Eu lembro disso mãe. Posso ir agora?
— Filha, eu não sou má, só não quero que
passe por tudo o que passei. Então se cuida, tá?
As duas se abraçaram e logo depois Gabi
atravessou a porta da rua. De longe a mãe ainda
gritou:
— Não esqueça de colocar o cinto de
segurança! — Acenou quando a filha virou para
ela. — Te amo!
Gabi fez o coração com as mãos e depois
seguiu para a rodoviária que ficava perto de casa.
Morar no interior tinha as suas vantagens. Antes de
chegar já havia avistado Raissa e Jessy, as duas
moravam em ruas próximas.
Depois das piadinhas sacanas com Neto todos
entraram no ônibus. Aquele era o último horário e
normalmente ia vazio. Nas poltronas da frente
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havia quatro idosos que já estavam dormindo. Logo


atrás deles havia duas mulheres com fardas de uma
empresa local. Próximo ao fundo havia uma garota
com cabelos loiros e longos, ela estava distraída
com seus fones de ouvido.
Gabi e Neto sentaram nas poltronas do meio,
Jéssica e Raissa foram para as últimas poltronas.
Não demorou muito para o ônibus seguir viagem.
Como era noite, as luzes estavam apagadas e o
vento frio entrava pela fresta da janela. Logo depois
de colocar o cinto e fazer o sinal da cruz, Gabi
abraçou o namorado e os dois começaram a matar a
saudade.
Neto era um típico adolescente do final do
ensino médio. Pernas compridas, algumas marcas
de espinha no rosto e o favorito do time de
basquete. Já havia participado de alguns torneios
entre escolas estaduais e tinha tudo para ser um
jogador promissor. Gabi se encantou quando o viu
jogar pela primeira vez, de lá para cá não se
desgrudaram mais.

Os beijos foram ficando mais molhados e as


carícias evoluíram para uma mão por dentro do
vestido de Gabi. Quando Neto conseguiu afastar o
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bojo do sutiã e alcançar o mamilo de Gabi, ela


prontamente arfou receptiva. O botão havia sido
acionado.
— Esse piercing ficou delicioso nos seus
peitos. Sua mãe já sabe? — Gabi olhou desconfiada
para o namorado — você ainda não contou, né?
Poxa, Gabi!
— Eu vou contar, eu juro! — passou a mão
entre as pernas do namorado tentando mudar o foco
da conversa.
— Isso já faz um mês, Gabi! — Neto estava
preocupado porque ele que havia dado o tal
piercing de presente. — Ela vai arrancar meu
fígado quando souber.
Aproveitando o ônibus quase vazio, a
escuridão da noite e o silêncio dos que dormiam,
Gabi desabotoou a parte superior do vestido. Neto
logo esqueceu o “assunto proibido”.
— Ai! — Gabi alisou a cabeça e viu o que
lhe atingirá por trás — olha só isso, aposto que é
coisa da Jessy — falou balançando uma embalagem
de camisinha.
Os dois voltaram para os amassos. Neto saiu
do banco e foi até o chão. Suas longas pernas
ficaram espremidas entre as poltronas. Agachado
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ele abriu as coxas da namorada e tirou a sua


calcinha. Gabi se contorcia enquanto Neto a
acariciava com a língua. Quando fechava os olhos
para curtir o momento, lembrava que estava num
ônibus e abria-os novamente. Aquilo era perigoso,
porém muito excitante.
— Quero te comer agora, gatinha! — Neto
falou já rouco.
— Mas a gente tá num ônibus! — Gabi
sussurrou olhando para os lados — já pensou se
alguém pega a gente? Quero nem pensar!
— Vai ser rapidinho, vai! Ninguém vai
perceber nada, tá todo mundo dormindo.
— Tá bom, vem logo! — Neto voltou a
sentar na poltrona já abrindo o zíper.
Gabi levantou um pouco o corpo para que
Neto sentasse na poltrona da janela. Entregou a
camisinha a ele e nem reparou quando ele a
colocou, senão teria visto que era rosa fluorescente.
Gabi sentou no colo do namorado enquanto se
equilibrava abraçando o encosto da poltrona da
frente.
Gabi subia e descia do colo de Neto enquanto
ele agarrava a sua cintura. Ela estava excitadíssima,
principalmente porque os seios roçavam no tecido
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áspero do banco no qual apoiava o tronco. Ele


desceu uma das mãos e começou a acariciar o seu
clitóris, levando Gabi à loucura. Ela começou a
quicar mais rápido e só parou quando uma fisgada
lhe tirou do eixo.

— Aí, porra! — Gabi pulou do colo de Neto


e começou a chorar — tá doendo, tá doendo muito!
— Socorro! Socorro! — Neto levantou e
começou a gritar desesperadamente ao ver o seio da
namorada sem o mamilo e jorrando sangue. —
Alguém ajuda, por favor!
O ônibus freou bruscamente e Neto foi ao
chão. O motorista ficou estupefato quando entrou
no corredor e viu uma garota segurando um seio
sangrando e um rapaz caído ao chão com um pênis
rosa brilhante para fora da calça.
— Que diabos tá acontecendo aqui? —
olhou furioso para os dois e depois chamou o
cobrador — Isaac, me ajuda aqui, traz a caixa de
primeiros socorros.
O cobrador, todo despenteado, saiu dos
fundos do ônibus. Sua braguilha ainda estava aberta
e a camisa desabotoada do peito até o pescoço. Ele
ajeitou os cabelos enquanto se dirigiu ao motorista.
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— Já vou pegar, senhor! — correu para a


cabine do ônibus.
Logo atrás dele vinha Jéssica toda
amarrotada. A porta do banheiro se abriu e de lá
saíram duas meninas com os batons borrados. Uma
delas era a amiga de Gabi.

***

Assim que entrou no ônibus, Jéssica viu o


cobrador e o reconheceu da última micareta que
houve na cidade. Eles haviam se pegado atrás da
barraca de batidinhas. Era um pouco mais velho
que ela, não que isso importasse para os dois.

Foram para o fundo e se sentaram, Raissa


como sempre pediu para ficar no corredor. Assim
que perceberam os amassos dos amigos, Jéssica
levantou e jogou uma camisinha para os dois. Era
muito nova para ser titia e sabia que Gabi não via
sexo há um bom tempo, podia perder a cabeça na
hora do desespero.

Raissa não tirou os olhos da menina que


estava com os fones de ouvido, toda hora as duas se
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encaravam. Jéssica queria saber qual o segredo da


amiga para atrair pessoas com tanta facilidade.
Desde que contara aos pais que era lésbica, Raissa
vivia como toda e qualquer jovem adulta. Ficava
com quem queria e não escondia isso de ninguém.

— Jessy, eu já volto, tá? — levantou indo em


direção ao banco da garota de fones — não
demoro.

— Sei! — Jéssica viu quando a menina abriu


um sorriso ao ver Raissa se aproximando.
O cobrador saiu do banheiro que ficava de
frente para a poltrona onde Jéssica estava sentada.
Enquanto parou para enxugar as mãos nas calças,
ele olhou para a garota e a reconheceu.
— Oi! Você não é a menina que conheci na
micareta no início desse ano? — riu sem graça —
Lembro bem desse olhar!
Mentiroso! Jéssica pensou.
— Tem certeza que é disso que você lembra?
— sorriu maldosa — pois eu lembro de estar
bêbada e de ter dado em cima de você das dez
vezes que fui em sua barraca comprar coquetel de
frutas.
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— Lembro disso também, claro! — a


fisionomia safada daquela micareta, reapareceu em
seu rosto.— Mas o seu olhar foi o que realmente
me chamou a atenção. Deixa só eu te mostrar uma
coisa.
O cobrador saiu e voltou logo depois.
— Posso me sentar? — Jéssica indicou o
assento vago de Raissa — olha isso aqui,
reconhece?
Jéssica pegou uma pasta cheia de desenhos
das mãos do cobrador e ficou maravilhada com a
qualidade de seu trabalho. Ele desenhava mãos,
pés, bocas, olhares e rostos. Enquanto passava as
páginas ela reconheceu o seu olhar em meio
àquelas obras.
— Como é possível? Como lembra disso? Eu
me joguei em você, a gente se agarrou a noite toda
e é do meu olhar que você lembra!? — ficou
visivelmente emocionada — que lindo, isso!
Obrigada.
— Eu que agradeço ter esse olhar lindo em
minha pasta — calou sem ter mais assunto para
conversar — prazer, eu sou Isaac, a gente não se
apresentou naquele dia.
— Prazer, Jessy! — odiava o nome Jéssica.
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— Quer dizer que você é bem versátil! Um dia é


vendedor de bebidas alcoólicas, no outro é
cobrador e ainda é artista nas horas vagas.
Desenhar é um hobby?
— Não, é uma paixão! Mas sabe como é, né?
Família grande, grana pouca, tenho que me virar
enquanto os sonhos não se realizam — baixou a
cabeça mexendo com as mãos — eu nunca esqueci
aquele beijo.
Jéssica olhou firme para o belo rapaz a sua
frente. Era magro, porém definido. Tinha mãos
bonitas, poderia ser até um pianista. O sorriso era
lindo, iluminado e a voz era digna de um cantor.
Ela também não havia esquecido aqueles beijos,
mas nunca imaginou encontrá-lo novamente.
Amores de micaretas ficam apenas nos locais das
festas.
— Eu também não esqueci aquela noite —
falou ofegante — podemos marcar de sair dia
desses, em nossa folga. O que acha?
— Claro! Podemos marcar sim — trocaram
os números de telefone.
— Mas nada impede da gente matar a
saudade daquele beijo agora — Jéssica sugeriu na
lata.
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— Eu estou trabalhando, não posso perder


esse emprego — olhou nervoso para a cabine do
ônibus — acho que podemos esperar até o próximo
fim de semana.
Jéssica parou olhando para a frente e para os
lados. Viu que Raissa beijava a garota de longos
cabelos loiros. Olhou mais à frente e viu Gabi no
colo de Neto, com certeza estavam tirando o atraso.
Por que ela não podia se divertir também? Era só
um beijo. Olhou para o belo rapaz e deu um selinho
em seus lábios carnudos. Ele colocou a mão em sua
nuca, alguns dos longos dedos enterraram em seus
cabelos e o selinho evoluiu para um beijo
cinematográfico. Jéssica perdeu o fôlego.
— Eita que em vez de matar a saudade, me
deu foi vontade de mais — Puxou Isaac pela
camisa e deu–lhe outro beijo — Ufa, acho que
agora eu consigo esperar até semana que vem.
— Mas eu não! — Isaac falou antes de voltar
a beijar Jéssica.
Os dois estavam no maior amasso que nem
viram quando Raissa entrou acompanhada no
minúsculo banheiro.
O beijo de recordação evoluiu para um
reencontro acalorado. Quando Isaac levantou-se
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dizendo que iria para a frente do ônibus ficar com o


motorista, Jéssica enfiou a mão em sua calça e
disse que não poderia deixá–lo partir sem antes
resolver o problema dos dois. Isaac não resistiu e
cedeu às investidas da passageira e deitou-se
desajeitadamente por cima de Jéssica.
Isaac abriu o zíper do casaco de Jéssica e não
teve dificuldade nenhuma em baixar a camiseta de
alça que ela usava por baixo e abocanhar um dos
seios. Jéssica gemeu baixinho e desceu as mãos
para desabotoar o próprio short. Baixou–o até às
coxas e abriu o zíper da calça de Isaac. Ela enfiou a
mão na bolsa que estava no chão e tirou uma
camisinha de lá. Rasgou a embalagem nos dentes e
vestiu o parceiro. Abriu um pouco as pernas, o
short não facilitava muito os movimentos e ele se
enfiou dentro dela.
Jéssica sentiu-se sendo preenchida e voltou a
gemer quando ele começou a se movimentar. Sua
cabeça batia na lateral do ônibus toda vez que ele a
penetrava com mais força. Os pés dos dois estavam
para fora das poltronas, se alguém se aproximasse,
veria o que estavam fazendo.
Isaac sugava um dos seios de Jéssica
enquanto mexia em seu clitóris com uma das mãos,
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isso aliado as estocadas que aumentaram de


velocidade a fizeram gozar muito rápido. Isaac
parou de sugar os seus seios e calou os gemidos dos
dois com um beijo. Eles estavam se recompondo
quando o ônibus freou repentinamente. Fosse
segundos antes, a situação seria tão constrangedora
quanto a da amiga Gabi.

***

Assim que Raissa percebeu que era


correspondida pela garota de longos cabelos loiros,
deixou Jéssica sozinha e foi para outra poltrona.
Não poderia ser recebida com sorriso mais bonito.
— Oi, posso me sentar? — a garota assentiu
com a cabeça — sou Raissa.
— Eu sei, trabalhamos juntas na mesma
empresa — sorriu por estar à frente das
informações — sou Amanda!
As duas trocaram beijinhos no rosto que mais
se aproximaram dos lábios que da bochecha.
Amanda era linda, tinha um sorriso doce e uma voz
de anjo. Raissa ria alto, era espontânea e muito
direta.
— Quer dizer que já me conhecia do estágio?
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— Raissa ficou tímida perto de Amanda — você


está lá há muito tempo?
— Chegamos na mesma época, lembro bem
desse dia — Amanda encarou Raissa — você riu de
uma piada bem sem graça que o nosso gerente
havia feito, mas o seu sorriso era tão espontâneo
que não tive como não notar.
— O que você chama de espontâneo, minha
mãe chama de estrondoso! — as duas riram do
comentário — então você se encantou pela minha
risada de hiena, foi?
— Não apenas por isso — Amanda falou
timidamente — mas também pela sua inteligência e
capacidade de resolver as coisas.
— Nossa, você é quase uma sociopata do
estágio — gargalhou da própria piada — Desculpa,
não quis te ofender, foi só uma brincadeira.
— Não me ofendeu, já conheço esse seu
humor peculiar — riu delicadamente — você é o
tipo que perde o amigo, mas não perde a piada.
— Sou mesmo! Tá ouvindo o quê? —
Amanda lhe passou um dos fones — Ah, que legal,
também gosto.
As duas compartilharam fones, ideias e
olhares. Uma leve rajada de vento jogou o cabelo
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no rosto de Amanda. Raissa se aproximou para


tirar, seus dedos tocaram de leve no rosto da garota.
Sua mão deslizou até a nuca de Amanda
aproximando o rosto das duas e facilitando o tão
desejado beijo.
As duas ficaram se beijando por longos
minutos. A excitação tomando conta do ambiente.
Ainda bem que o ônibus estava na maior escuridão.

— Você tem um beijo tão gostoso e uma pele


tão macia. — Raissa falou bem baixinho, voltando
a beijar Amanda.
As duas sentiram os corações batendo mais
acelerado com as carícias mútuas. As bochechas de
Amanda estavam vermelhas e Raissa ofegava como
uma maratonista na linha de chegada. Raissa
desceu a mão pelas costas de Amanda e alcançou a
sua perna de pele lisa e muito aveludada. Apertou a
sua coxa com vontade de ir além.
— Queria saber que gosto você tem —
Amanda falou arfando no ouvido de Raissa,
enfiando a mão por baixo de sua blusa — posso?
As duas pararam se olhando e entenderam a
concessão que uma estava dando à outra.
Levantaram e foram até o banheiro, no banco à
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frente deste um casal se amassava descaradamente.


Raissa riu ao ver que era Jéssica.
O banheiro era apertadinho, mas as duas se
comprimiam tanto que esse detalhe não se tornou
um obstáculo. As duas arrancaram as blusas, Raissa
levantou o sutiã de Amanda e abocanhou os seus
seios um a um. Enquanto isso Amanda enfiava a
mão pelo cós do short da parceira, sentindo toda a
sua umidade. Levou os dedos à boca e sugou–os de
vez.
— Você é docinha e muito perfumada —
abaixou-se descendo o short de Raissa — vou te
chupar agora.
Raissa estava com as costas prensadas na
parede do banheiro, tentou se equilibrar segurando
a maçaneta enquanto uma das pernas ficava elevada
em cima do vaso. Ajoelhada, Amanda sugou o seu
clitóris enquanto lhe penetrava com os dedos.
— Ah, que boca aveludada, gostosa! —
Amanda era mais experiente do que sua carinha
demonstrava e estava levando Raissa à loucura —
Ah, assim vai!
Raissa começou a sentir os tremores do
clímax chegando. Amanda lhe sugava o clitóris e
apertava as suas nádegas com uma mão enquanto
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usava a outra para penetrar Raissa.


Amanda sentiu quando as inervações de
Raissa pressionaram os seus dedos. O prazer dela
estava se aproximando e isso a excitava ao
extremo. Penetrou com mais velocidade enquanto
mordiscava de leve o nervinho da amante. Raissa
tremeu e suas pernas perderam o equilíbrio.
Amanda sabia que havia feito ela gozar.
Raissa tomou o rosto de Amanda entre as
mãos e a puxou para cima, beijando–a agradecida.
Raissa deu beijos pelo pescoço de Amanda e
quando estava se abaixando para retribuir o prazer
recebido, o ônibus freou fazendo com que as duas
se batessem na parede. Vestiram-se rapidamente e
ao sair do banheiro, se depararam com uma cena
digna de filme de terror. Como que aquele peito
sangrava daquele jeito? Raissa pensou.

***

O motorista estava enfurecido olhando a cena


ao seu redor. Um rapaz com um pênis para a fora
das calças, uma menina com os seios expostos e um
deles sangrando, duas garotas saindo do banheiro e
o seu cobrador aos amassos com outra garota. Até
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os idosos acordaram com aquele barulho todo.


— O que foi isso, minha filha? — uma
senhorinha perguntou se aproximando de Gabi —
Esse foi o tal do sexo masoquista, foi?
— Meu Deus, como esse povo faz sexo cada
vez mais cedo — a outra senhora parecia indignada
com a cena — meu filho, o negócio já não é bonito,
ainda usa uma borracha rosa? Que horror!
— Parem vocês todos, agora! — o motorista
gritou nervoso — senhoras, podem se sentar, por
favor? Deixa que eu resolvo isso aqui. E peço
perdão pelo tumulto. Não é sempre assim.
— Meu piercing ficou preso na poltrona. —
Gabi apontava entre soluços — Meu mamilo
também arrancou e dói pra caramba, moço!
As amigas a socorreram. Subiram a alça do
vestido cobrindo o seio saudável enquanto
limpavam o ferimento com o material trazido por
Isaac.
— Pô amiga, isso aqui tá feio, viu? — Jéssica
limpava com todo o cuidado — Não sou técnica de
enfermagem que nem a sua mãe, mas acho que até
que ficou bom.
Gabi voltou a chorar ao lembrar da mãe. Ela
iria matar a filha ao saber disso. Neto que já estava
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vestido e com o pênis dentro das calças, também


tentou consolar a amada. Ele tirou o piercing do
estofado e o mostrou ao motorista.
— Será que ainda tem jeito? Dá para
implantar no lugar? — Neto segurava o mamilo
com nojo — será, moço?
— Idiota! Cambada de sem juízo vocês
todos! — virou-se para Isaac — e você é o pior
deles! Não sabe que todos podiam se machucar sem
o cinto? Tinha que dar o exemplo!
— Desculpa aí, tio, não foi de caso pensado!
— Isaac estava morto de vergonha — vou por
todos em seus lugares e a gente segue viagem, tá
bom?
Na falta de curativo, Gabi havia colocado um
band aid do incrível Hulk para cobrir o orifício que
ficou no seio. Ligou para a tia que ajeitou tudo para
levá-la ao hospital assim que chegasse. Gabi estava
torcendo para que aquele episódio não estragasse a
sua festa de 18 anos. Depois que todos se sentaram,
o ônibus seguiu viagem.
Gabi abriu a bolsa pensando em ligar para a
mãe e achou o envelope lá dentro. Resolveu abrir
antes da hora e qual não foi sua surpresa ao
encontrar camisinhas e um pequeno bilhete: Sei de
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tudo, só quero que se proteja! Te amo!


Gabi chorou mais um pouco e discou o
número de casa. Não podia continuar mentindo
para a pessoa que mais amava no mundo.

— Alô, mãe!

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11. Vergonha alheia

Bia andava na famosa seca. Estava subindo


pelas paredes há meses, não via a dita cuja nem de
borracha, sua mãe de cinquenta e oito anos havia
encontrado a "bichona" dentro da fronha da filha,
foi um escarcéu.
— Não mãe, não precisa forrar a cama, deixa
que eu faço isso — Bia falava enquanto tirava um
fino colchonete do chão e enrolava colocando-o no
canto do guarda-roupa. — Anda logo pro banho
porque a gente tem que chegar cedo no hospital,
senão só sai de lá à noite.
— Tá parecendo a minha mãe, você! Por que
que acha que eu saí do meu sossego pra vir ficar no
meio do tiroteio, hein? Essa cidade tá pior que
Sodoma e Gomorra. Cre'in Deus pai! — fez o sinal
da cruz três vezes. — Não, vá você primeiro! —
disse dando porradas no colchão para alisá-lo — eu
só vou jogar uma água no corpo e você ainda vai
melecar a cara toda com aquelas tinturas.
Bia riu do comentário da mãe, a amava mais
que tudo. Ela já estava na cidade há três dias,
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sempre vinha a cada seis meses para fazer os


exames de rotina. O metro quadrado no Rio era
muito caro, a quitinete de Bia era minúscula. Todas
as vezes que a mãe aparecia, ela cedia a cama e
dormia no chão. Poderiam dormir juntas já que a
cama era de casal, mas Dona Josefa odiava dormir
com alguém, dizia que isso a sufocava.
Bia balançou a cabeça e obedeceu, podia ter
quase trinta anos, mas ai dela se levantasse a voz
para a mãe. Era a caçula de seis irmãos, cada um
foi para um canto do Brasil, ela se apaixonou e
acabou seguindo para o Rio, depois que o amor
acabou, restou apenas o apego pela cidade e isso foi
o suficiente para prendê-la.
— Tá bom, mãe! Tô indo! — saiu do quarto.
Assim que Bia ligou o chuveiro, ouviu um
grito e voltou correndo. A mãe segurava, com cara
de nojo, um enorme vibrador preto.
— Bia, Bia! Eu sou velha mas não sou burra!
— falou balançando o vibrador — isso aqui não é
rolo de fumo não, menina. Que diabo é isso aqui?
— Mãe, dá isso aqui, por favor! — Bia já
estava com lágrimas nos olhos. — A senhora não ia
entender se eu explicasse.
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— Tá me chamando de burra , é? — segurou


a filha e começou a bater com o vibrador suas
costas. — Vê se aprende a se res-pei-tar!
Nem em seu maior delírio sexual, Bia se
imaginou tomando uma surra de pica de borracha.
As duas passaram o resto da semana chateadas uma
com a outra, mas na hora da despedida a mãe a fez
jurar pela sua vida que ela não faria mais uso
daquele objeto de satã. Bia honrou com a promessa
feita à mãe, até porque ela lembrava todas as vezes
que ligava. Bia estava sem nada, desde aquele dia e
isso já fazia três meses.

O Rio era violento, claro, mas não tinha


beleza igual. Bia amava as praias, o calor, usar o
seu fio dental e exibir a "raba" que Deus lhe deu.
Era praticamente uma carioca da gema. Era seu dia
de folga, depois que madrugou para limpar a casa e
lavar as roupas, botou o biquíni, desceu as
escadarias e correu para o ponto do ônibus. Hoje
ele estaria lotado, mas ela não deixaria de sair por
isso.
Reparou que de frente para o ponto tinha um
comércio com placa de inauguração, era mais um

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restaurante de comida caseira e frango assado,


como muitos que havia pelo bairro. Um homem
loiro, alto, bonito e muito sensual levantou a porta
de enrolar deixando seus músculos definidos à
mostra. Bia amava um braço torneado, ficou parada
babando a ponto de quase perder o ônibus.
Assim que Bia voltou da praia já era noite e o
novo restaurante estava com as portas abertas, luzes
acesas e umas poucas mesas forradas com toalha
xadrez vermelho e branco, ela riu do letreiro com o
nome Frango dançante. Resolveu bisbilhotar um
pouco mais, até que viu o loirinho que abrira o
estabelecimento mais cedo. Correu para casa, tinha
que ficar bonita para logo mais.
Bia tomou um banho de limpar a alma, já
estava devidamente depilada para a praia, só teve
que hidratar a pele e os cabelos para que as molas
ficassem ainda mais soltas e macias. Ligou para
umas amigas e todas combinaram de se encontrar
no novo restaurante.
Na hora marcada, tal qual uma britânica, Bia
chegou ao Frango dançante, estava linda em um
justíssimo vestido preto e um salto assassino.
Sentou numa mesa esperando as amigas, sabia que
elas demorariam horrores para chegar.
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— Buona notte! — O loiro que deixou Bia


boquiaberta encostou com um cardápio nas mãos e
um sorriso que a fez emudecer. — Parla italiano?
Bia só balançava a cabeça sem conseguir se
comunicar. O homem era realmente muito bonito,
um colírio para os olhos como diria a sua mãe. A
sua libido aflorada começou a se abrir em pétalas.
Ela deu um sorriso rasga bochecha e começou a
falar.
— Boa noite! Não falo italiano, mas adoraria
conhecer a sua língua — Mexeu-se na cadeira para
cruzar as pernas. — Tenho uma quedinha por sua
espécie, sabe como é?
— Acho que sei sim! — Os olhos de Bia
arregalaram ao perceber que ele falava e
compreendia muito bem a sua língua — Além da
água para acalmar o seu rosto em brasa, deseja
mais alguma coisa, madame?
Bia se limitou a ficar olhando os frangos
girando enquanto assava, aquilo foi constrangedor
até para ela, com certeza era culpa da abstinência
sexual.
— Só uma cerveja, por favor! — mal olhou
para o rosto do garçom ao fazer o seu pedido.
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Assim que ele se foi, Bia ligou novamente


para cada uma das amigas e nenhuma delas
atendeu, com certeza estavam rebocando a cara
antes de sair de casa, todas as vezes era a mesma
coisa e levava horas até que elas aparecessem.
O garçom voltou com um copo contendo
água e uma garrafa de cerveja. Ele a serviu e saiu
deixando um papel com um bilhete. Bia achou que
fosse engano, mesmo assim abriu e leu: oi, sou
Marcello, também aprecio muito a sua beleza, bella
donna.
Bia ficou eufórica ao ler o minúsculo pedaço
de papel. Estava na seca e diante de um belo
homem, uma combinação perfeita para iniciar um
processo de combustão.
Amassou o bilhete e colocou-o na bolsa,
tomou a cerveja em grandes goles e depois foi
procurar o banheiro.
Alguém indicou uma pequena porta nos
fundos, Bia se dirigiu para lá e quando a abriu viu
mais três portas, uma indicava o banheiro feminino,
a outra o masculino e na terceira porta nada
constava. A curiosidade falou mais alto e assim que
colocou a mão na maçaneta, a porta foi empurrada

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e uma moça com o rosto vermelho e molhado de


suor passou por ela
Bia entrou em uma quarto escuro e percebeu
que na metade dele havia uma elevação de madeira
no chão. As luzes piscavam indicando uma cadeira
no centro e de frente para esse palco improvisado
havia um enorme sofá. Ela percebeu logo que era
um quarto para show privado e apesar da
curiosidade girou os calcanhares para a saída, mas
uma voz conhecida a fez parar.
— Bella donna, você por aqui? — falou o
garçom trajando apenas uma cueca boxer de couro
sintético, gravata borboleta e munhequeiras.
A cueca apertada não escondia a grossura e
rigidez do pênis do rapaz. Bia olhava como se fosse
um oásis no deserto.
— Olhar não tira pedaço, mas não é de graça,
sabia? — ele falou rindo e mostrando as covinhas.
— Oh, perdão! — Bia abriu a bolsa para
pagar — tenho apenas cinquenta reais e ainda não
paguei a cerveja. Quanto é?
— Como é a sua primeira vez, hoje será por
conta da casa. Espero que não me julgue mal, não
sou um prostituto, apenas um gogoboy, okay? —
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falou guiando-a para o sofá — emprego tá difícil e


eu me viro como posso para pagar as contas
Bia balançou a cabeça por mais tempo do que
o necessário, estava nervosa e com a calcinha
grudando. Marcello foi até o aparelho de som. A
voz de Alice Russell ecoou pelo quarto enquanto
ele dançava lenta e sensualmente, até que seguindo
o ritmo da música, começou a requebrar o quadril
na velocidade do créu. Bia já estava com a calcinha
ensopada, mas quando aquele homem deitou no
chão simulando penetrar alguém, ela foi ao delírio,
abriu as pernas, puxou a calcinha para o lado e
começou a se tocar.
Marcello aos poucos parou de dançar e
ajoelhado ficou estático olhando a cena. A próxima
música entrou e os dois nem se deram conta. Ele
rastejou até o meio das pernas de Bia e segurando
suas coxas começou a chupá-la. Ela arrancou os
sapatos e colocou os dois pés nos ombros dele
enquanto se recostava no sofá. Na agonia Bia bateu
a mão em um interruptor na parede e uma luz
vermelha começou a piscar sem que nenhum dos
dois percebesse.
— Dança para mim? — Bia pediu e ele
voltou a dançar.
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Marcello aproveitou a música que já tocava e


ao som de Countré black it's Raining Men, dançou
enquanto Bia ia aos poucos se despindo.
As marcas do minúsculo biquíni atiçaram a
ereção de Marcello, sua cueca parecia querer rasgar
diante de tanto tesão. Ele se aproximou de Bia e ela
prontamente desceu o tecido que aprisionava o tão
sonhado desejo de qualquer mulher na seca.
Bia segurou o pênis de Marcello com uma
das mãos e colocou-o na boca dando pequenas
lambidas na glande, com a outra mão ela acariciava
os seus firmes e depilados testículos. Ele dançava
em sua boca e isso a levava à loucura.
Marcello parou de dançar, saiu da boca de
Bia, colocou a camisinha que ela acabara de lhe
estender e quando ele estava prestes a penetrá-la a
porta foi aberta com muita força e pressa.
— Parem vocês dois! Agora! — falou o
gerente do lugar.
Atrás dele estavam as três amigas de Bia,
uma delas correu para ajudá-la a se vestir. Marcello
levantou a cueca diante dos olhares femininos e
olhou de cara feia para o gerente.
— Seu Antônio, eu estava trabalhando! — o
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senhor o olhou enviesado — não pode entrar aqui


quando tiver cliente.
Bia acabara de se vestir e tentava se esconder
com a bolsa na frente do rosto.
— Primeiro, isso aqui não é prostíbulo,
senhor Marcello — virou-se para Bia — e você
mocinha, não adianta se esconder porque todo
mundo lá fora já viu a sua cara.
O gerente saiu batendo a porta enquanto Bia
gaguejava tentando falar. As amigas a abraçaram.
— Amiga, a gente tava vendo você na
televisão lá do restaurante, ainda bem que tava
bronzeada e toda depiladinha.
— Você tava me filmando, Marcello? — Bia
se soltou do abraço da amiga e furiosa partiu com a
bolsa para cima do gogoboy.
— Calma, Bia! Não foi culpa minha — falou
apontando para a parede atrás do sofá — você deve
ter ligado a filmadora sem querer.
Bia se jogou no sofá e com o rosto entre as
mãos começou a se lamentar.
***
Bia havia passado pela vergonha de ter
plateia enquanto chupava e era chupada pelo
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gogoboy italiano, saíra do restaurante pelos fundos


como se fosse uma mulher casada ou tendo um
caso proibido. Ela havia chorado a semana inteira e
nem suas melhores amigas conseguiram fazê-la sair
de casa.
Aproveitou que tinha férias vencidas, alegou
que a mãe estava doente, que precisaria ir até o
interior cuidar dela e com isso conseguiu duas
semanas de folga.
— Bia, amora, fica assim não — Cris havia
ligado várias vezes até que Bia a atendesse —
soube pelas meninas que tu tava linda, com o
decote bem feitinho, o bronzeado em dia. Tá
reclamando de barriga cheia.
— Nesse caso seria de boca cheia, Cris! —
Bia assoou o nariz — pior de tudo é que nem fomos
até o fim, vou ficar mal falada à toa.
— Misericórdia, mulher! Soube que a
chupada foi das boas e que a bicha do abençoado
era bem bonitinha. As meninas que falaram — Cris
sabia de todos os detalhes como se tivesse assistido
a tudo — veja o lado bom, ao menos matou o seu
fetiche por italiano
— Não quero mais conta com nenhum dessa
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espécie, nem pra amizade. — Bia gesticulava do


outro lado da linha — aliás, só se salva o seu
marido, é o único italiano que eu gosto. Como ele
está?
— Então, tá aqui te mandando um beijo e
chamando pra você vir jantar com a gente ainda
hoje. — Cris esperou por uma resposta e nada —
Bora, mulher, sai de casa, bota a cara na rua. Nunca
foi de ligar pro que os outros pensam, não vai ser
agora, né?
— Tá, vou vê aqui. Tô com os olhos
inchados de chorar por causa da armação daquele
traste — Bia falou se olhando no espelho e
esticando a pele do rosto com uma das mãos — seu
marido vai achar que fui espancada.
— Olha só, deixa disso que você é linda! Até
mais tarde, Bia! — Cris desligou antes que Bia
mudasse de ideia.
Bia e Cris estudaram juntas do sexto ano até
o ensino médio, eram as pegadoras do colégio e
quando queriam o mesmo menino, faziam até
aposta para ver quem ficaria com a prenda. As duas
nutriam um fascínio pela Itália e diziam que ainda
se casariam com um italiano.

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No meio do terceiro ano o pai de Cris ficou


desempregado e a família se mudou para outra
cidade. Não demorou a conseguir um emprego
numa empreiteira italiana e com a família
atravessou o oceano. Lá Cris fez faculdade e casou
com um italiano, realizando assim um sonho
juvenil.
Findado o terceiro ano Bia se apaixonou pelo
primo da sua cunhada e quando ele disse que iria
embora atrás de emprego, ela não pensou duas
vezes. Mesmo contra a vontade da mãe, Bia entrou
num ônibus rumo ao Rio de Janeiro. Três anos
depois, a imaturidade e as dificuldades enfrentadas,
puseram fim ao relacionamento dos dois.
Bia acabou se reerguendo, trabalhou durante
o dia e fez faculdade a noite. Era uma vida difícil,
mas ela não queria ir embora do Rio, muito menos
voltar a morar com a família e assinar atestado de
fracassada. Driblou as adversidades e conseguiu,
aos trancos e barrancos, terminar o curso. Não
ganhava muito, mas conseguia se sustentar sozinha.
Bia saiu para ir até a farmácia, precisava de
um corretivo para esconder as olheiras, mas na hora
que estava descendo as escadas sentiu os olhares
dos curiosos. Um rapaz que estava com um picolé
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começou a enfiá-lo todo na boca e depois tirou-o


dando pequenas lambidas. Bia entendeu a
insinuação, mas continuou seguindo em frente,
como sempre fez.
Depois de dormir a tarde inteira, acordou sem
vontade nenhuma de sair, mas assim que pegou o
celular viu as várias mensagens de Cris. Ela
levantou-se e depois de uma rápida chuveirada
começou a se vestir sem se preocupar com o look,
afinal iria apenas jantar com uma amiga. Ajeitou as
madeixas rebeldes em um desajeitado coque,
colocou uma camisa de manga para esconder o
sovaco que não via depilação há uma semana,
passou corretivo nas olheiras, um batom nude e
logo depois saiu.
Assim que chegou na casa de Cris, Bia mal
apertou a sirene e a amiga abriu a porta às pressas
saindo com Pitoco nos braços, o marido saiu logo
atrás com as chaves do carro. Cris falou qualquer
coisa que não se ouvia em meio aos soluços, mas
Bia entendeu a palavra primo e entalado. Eles se
foram.
Bia entrou no apartamento pequeno, mas
super bem arrumado. Foi até a cozinha pegar água
e percebeu que no chão havia pedaços de vidro e
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um frango assado com partes faltando.


— Ah, Pitoco, o que você fez? Acho que já
sei onde foi parar o restante desse frango. — Bia
falou para si mesma enquanto limpava o chão e
jogava o frango no lixo — vai por mim garoto,
frango assado é traumatizante.
Depois que limpou todo o chão Bia viu a
mesa posta. Uma lasanha capaz de alimentar uma
grande família e uma salada colorida estavam bem
no centro da mesa, na ponta havia uma assadeira
com uma farofa super amarela e o espaço vazio do
frango que havia sido surrupiado. Havia quatro
pratos posicionados no descanso e ao lado desses
os talheres.

— Por que eles colocaram quatro pratos se o


jantar era apenas para nós três? — Bia falou
enquanto ajeitava a travessa da farofa. — Será que
achou que eu traria alguém? Coitada de mim, tô
mais sozinha que a solitária faminta em minha
barriga.
Bia sentou na mesa, cortou a lasanha e se
serviu, já conhecia os amigos o suficiente para
saber que iriam demorar e quando chegassem não
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teriam ânimo para comer, eles tinham o cachorro


como um filho. Quando estava na metade do prato
a sirene soou, Bia correu para abrir achando que
eles não tinham levado chave.
Bia ficou parada na porta com a boca
escancarada diante de um loiro alto, muito bonito,
com braços torneados e um sorriso estonteante.
Como ela não o convidou para entrar, ele abriu
mais um pouco a porta e passou raspando por ela.
— É um prazer revê-la, belíssima! — olhou
Bia de cima a baixo — sou primo do Enzo, fui
convidado para jantar com eles e com uma amiga
super gata da Cris. Eles não mentiram sobre nada.
Marcello riu sedutoramente e depois andou
até a cozinha, colocando a garrafa de vinho na
geladeira. Parecia conhecer bem o ambiente, o que
deixou Bia atordoada já que Cris nunca havia
tocado no nome dele.
— A Cris não me disse nada, era só um
jantarzinho íntimo, só vim por isso — Bia falou
enquanto fechava a porta e ligava para a amiga
querendo explicações. — Ela me paga!
Cris não atendeu, mesmo depois de
sucessivas ligações. Da sala, Bia esticava o pescoço
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olhando para a cozinha enquanto andava de um


lado para o outro tentando ser atendida. Viu quando
Marcello colocou uma enorme fatia de lasanha no
prato e a saboreou como se fosse uma iguaria. Ela
desistiu de ligar, parou em frente ao espelho e viu o
quanto estava malvestida, sem maquiagem e com o
cabelo nada atrativo. Balançou o rosto em negativa
e depois voltou para a cozinha.
— Olha, sobre aquele dia, não foi culpa
minha, só quero que saiba — Marcello se explicava
enquanto Bia se sentava — aquela tv é conectada
ao quarto de dança porque às vezes fazemos shows
para um público grande. Sabe como é, né?
— Não, não sei! — Bia respondeu mal
humorada — e como é que você reveza quem vai
chupar primeiro ou quem vai te chupar? É uma
suruba? Achei que não fosse prostituto.
— Eu não chupo todo mundo, se é o que tá
insinuando — Marcello parecia indignado —
também ninguém chegou em minha sala puxando a
calcinha pro lado e mostrando a figa para mim. E
você, também costuma enfiar na boca o pisello de
qualquer um que dance pra ti?
— Você me respeite seu filho d'uma égua! —

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Bia bateu os punhos na mesa — eu estava fora de


mim naquele dia, estou nunca seca da miséria e
você apareceu todo gostoso, se rebolando pra mim.
Eu não aguentei, tá? Não sou de ferro.
— Então estás a me dizer que assim como eu
você merece respeito e assim como eu, também
perdeu o controle, mas só eu sou o errado da
história? Che cazzo! — Marcello levantou-se e foi
até a geladeira pegar o vinho. — Olha, foi um
acidente, você mesma que apertou o interruptor que
liga a filmadora e a conecta na tv. Quer vinho?
Marcello foi até o armário e pegou duas taças
colocando-as na mesa, próximo aos pratos dos dois.
Depois abriu as gavetas procurando um abridor,
assim que o achou, apoiou a garrafa na pia e tirou a
rolha que a vedava. Marcello encostou por trás de
Bia e encheu a sua taça enquanto respirava fundo
em seu pescoço nu.
— Deixe de gracinha! — Bia ralhou
percebendo a artimanha do rapaz — hoje eu tô sob
controle.
— Hum, então resolveu o problema que te
afligia? — sorriu maledicente enquanto ia até o seu
acento encher a própria taça — peccato que não foi

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comigo.
— Não resolvi problema nenhum, mas não tô
no clima — Bia falou bebendo toda a taça em
goladas sucessivas — aquela vergonha até hoje não
sai de minha cabeça.
— E eu até hoje não tirei o seu gosto de
minha boca — Marcello encarou Bia enquanto
falava isso — meu cazzo até hoje anseia por ti.
Bia engoliu em seco e levantou-se tirando o
prato e a taça da mesa enquanto desviava o olhar de
Marcello. Ele também se levantou tirou os seus
pratos e logo depois guardou a assadeira de lasanha
no forno. Quando Bia foi até a mesa pegar a farofa
Marcello agarrou a sua cintura por trás e beijou
suavemente o seu pescoço. Bia virou-se de frente
deixando a farofa ir ao chão e agarrando em seu
pescoço, deu-lhe um beijo urgente e desenfreado.
Os dois começaram a se despir com
desenvoltura e nenhum pudor. A jaqueta dele, a
blusa dela, as calças dos dois, tudo foi parar no
chão em segundos. Quando Marcello viu Bia
apenas de sutiã e calcinha, devorou-a com um olhar
de pura luxúria. Ela também o admirou, seus braços
bem torneados, sua barriga sequinha e com leves

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gominhos, coxas grossas e com pouco pelos e um


volume entre as pernas que a levara a loucura.
Marcello tirou o sutiã de Bia e começou a
acariciar os seios fartos e redondos. Lambia e
sugava um enquanto acariciava o outro dando
voltas no mamilo com a ponta do polegar. Bia se
apoiou na mesa com receio de cair diante de tanto
tesão.
Marcello aos poucos foi deitando-a na mesa
deixando apenas suas pernas para fora. Ele puxou
uma cadeira e sentou-se, tirou a calcinha dela e
puxando o quadril na direção de seu rosto, começou
a sugar-lhe o clitóris, Bia bateu os braços na mesa e
a travessa de salada foi ao chão, nem o barulho fez
Marcello parar o que estava fazendo. A sua língua
habilidosa dava voltas em toda a extensão da vulva
de Bia e depois enfiava-se em suas entranhas
levando-a a gemer e arfar ruidosamente. Marcello
chupou-a até sentir que suas pernas começaram a
tremer, ela estava muito excitada e ele amava ver as
mulheres gozando em sua boca.
— Goza pra mim, vai bonazza! — falou
enquanto tirava a sua boca e enfiava dois dedos em
Bia — Cosí! Isso, vem! — voltou a sugar-lhe o
clitóris enquanto a penetrava com os dedos.
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— Que gos...toso... Ahhhhhh...Ahhhhhh... —


Bia gemia se debatendo na mesa.
Assim que Bia gozou, Marcello foi até o
chão, pegou a jaqueta e tirou uma camisinha do
bolso. Coloco-a às pressas e sentando na cadeira
puxou Bia para si, encaixando-a em seu pênis. Bia
cavalgava no quadril dele enquanto tinha os seios
sugados. Ele segurava no bumbum dela com as
duas mãos e sentia a maciez de sua pele enquanto a
impulsionava para cima. Bia segurou no encosto da
cadeira e fez pressão para baixo. Os corpos
lubrificados faziam barulho quando se chocavam.
— Fica de pé e mostra esse culo lindo pra
mim. Mostra, vai, bella! — Bia levantou-se e ficou
de frente para a mesa apoiando as mãos na base
plana. Marcello ficou sentado admirando o seu
bumbum.
— Che bel culo! — Deu beijinhos em suas
nádegas — Assim eu me acabo.
Marcello levantou-se da cadeira e voltou a
penetrá-la com vontade, com fúria. Bia debruçou o
tronco na mesa, seus seios encostando na toalha
colorida e de textura granulosa, o que a deixou
ainda mais excitada. O aroma do vinho, o barulho

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dos corpos se chocando, os gemidos e suspiros de


Marcello em seu pescoço a levaram a um novo
orgasmo.
— Não para, Cello! Mete
mais...Ahhhhhh....Ahhhhhh — Bia rebolou em seus
pênis levando-o a gozar também.
— Minchia que culo gostoso! Hummmm...
— Marcello falava e gemia muito alto —
Ahhhhhhhrrrrrr!
Os dois explodiram num gozo e nem
repararam que Cris e Enzo haviam chegado em
casa e estavam pasmos, parados na porta assistindo
a tudo. Quando se deram conta, soltaram-se e
ficaram em pé, nus na frente dos amigos.
— Já me disseram que minha comida
despertava muitas sensações, mas nunca que era
afrodisíaca! — Enzo falou rindo enquanto fechava
a porta. — Você é mesmo um stronzo, hein
Marcello?
— Porra, amiga! — Cris apontou abaixo do
umbigo de Bia — Justo hoje você deixou a xereca
sem um trato?
Os dois puxaram a toalha da mesa e se
cobriram, parece que novamente foram alvo de
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plateia.
Bia não sabia se ficava chateada com o
comentário da amiga ou com a vergonha por ter
transado em sua casa, em sua mesa. Marcello
parece ter levado na esportiva e Enzo ria tanto que
deixou o primo mais à vontade.
— Gente, desculpa aí, vai! Foi sem querer, a
gente não planejou isso, quando viu já tava rolando,
entende? — Bia se explicava enquanto tentava
catar as suas roupas sem deixar a toalha da mesa
cair no chão — Enzo, para de rir, por favor! Já não
sei onde enfiar a cara, você ainda faz gracinha!
— Para Enzo! — Cris bateu na barriga do
marido com o peito da mão — vamos lá pro meu
quarto que te ajudo, vem amiga.
Cris colocou Pitoco no sofá e ele continuou
dormindo, provavelmente estava dopado. Enzo
jogou um pano de prato para Marcello, assim ele
cobriu as partes íntimas e liberou a toalha de mesa
que Bia amarrou nos peitos e correu para o quarto
do casal.
Na cozinha ficaram apenas os dois primos,
que se acabavam na risada.
— Mas que porra é essa, cara! — Enzo falava
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enquanto Marcello se vestia — comeu a Bia na


minha mesa, pô! Aí é sacanagem.
— Pô cara, não foi porque eu quis não. Quer
dizer, eu quis, mas não foi planejado. — terminou
de se vestir, ajeitou a jaqueta e olhou para Enzo
suplicante — Perdoa aí, vai! Essa mulher é muito
gostosa!
— Que a Cris não me escute, mas eu também
acho — riram e bateram no ombro um do outro —
e aquela mulher lá do restaurante, deu em quê?
— Rapaz, a mulher é essa — apontou na
direção do quarto — não é muita coincidência?
— A Bia? A mulher que você ficou
encantado é a amiga da Cris? Essa que você acabou
de, você sabe! — Enzo ficou pensativo — espere
aí, é você o gogoboy da Bia?
— Que história é essa primo — Marcello
começou a gaguejar — tá vendo que não vou me
prestar a isso?
Marcello foi até a geladeira, pegou água e
bebeu em grandes goladas. Se o pai descobrisse no
que estava trabalhando, mandaria ele voltar pra
casa na hora. As famílias dos dois eram bem
tradicionais. Quando Enzo se encantou por Cris e
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resolveu sair da Itália, foi uma confusão. Se eles já


não fossem casados, com certeza a família teria
dado um jeito de impedir a viagem.
Marcello foi logo depois do primo, não
aguentava mais trabalhar na pequena vinícola da
família e usou a desculpa da crise e a saudade do
primo para sair da aba dos pais. Dissera a eles que
conseguira um emprego num ótimo restaurante na
cidade maravilhosa.
— Marcello, você tá mentindo pro tio? —
Enzo já estava desconfiado do primo que sempre
inventava uma desculpa para ele não ir ao
restaurante onde trabalhava — você disse a ele e a
toda a nossa família que era sommelier em um
requintado restaurante aqui no Rio.
— É quase isso primo, quase isso — encheu
outro copo de água e guardou a garrafa na
geladeira.
— E foi lá que conheceu a Bia? — Enzo
sabia que Bia não tinha grana para ir num lugar
desses, vivia correndo com a Cris entre os brechós
de famosos quando queria comprar uma roupa mais
arrumada.
— É, foi — passou o braço na testa
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enxugando o suor. — Acho que já tá na minha


hora, vou indo. Deixa um beijo pra Bia e diz que
ligo pra ela.
Marcello queria ficar, queria convidar Bia
para sair, mas o interrogatório de Enzo estava
deixando ele nervoso. Não gostava de mentir para o
primo, mas apesar do pouco salário e de morar num
apartamento minúsculo, ele gostava do Brasil, do
calor, das praias e principalmente das mulheres. Era
fascinado por elas.
— Espera aí cara, vai sair assim sem falar
com a moça? — Enzo repreendeu o primo — não
foi assim que nosso vô nos ensinou a tratar uma
dama.
A contragosto Marcello foi guiado até a sala
e sentou-se no sofá. Enzo foi até o quarto chamar as
duas, mas parou escutando a conversa.
— Mas que coincidência, Bia! — Cris ainda
não estava acreditando naquela história — tem
certeza que ele é gogoboy? Não é isso que ele conta
pra gente não.
Enzo deu dois toques na porta, pigarreou e
depois chamou:
— Bia, o Marcello tá querendo se despedir de
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você. — Esperou uma resposta, mas só ouviu risos


— estamos na sala esperando vocês duas.
Enzo voltou até a sala e ficou olhando o
primo. Não julgava o seu trabalho, mas sabia que o
menino tinha capacidade para muito mais. Ele
havia estudado, aos trancos e barrancos concluiu a
faculdade. Não tinha como ajudá-lo
financeiramente, ele e Cris trabalhavam para viver
e custear o básico, mesmo assim se preocupava
com a situação do primo.
Assim que as mulheres retornaram à sala,
todos se despediram. Bia não quis dormir na casa
da Cris, preferiu voltar para o seu cantinho, como
ela mesma dizia. No ponto de ônibus Marcello e
Bia trocaram os telefones, assim que o ônibus dela
chegou ele a puxou para um beijo e ela
prontamente o convidou para dormir em sua casa.
Bia e Marcello já entraram em casa tirando a
roupa, o desejo consumindo os dois a ponto de
impedi-los de alcançar o quarto. Marcello agarrou
Bia por trás e enquanto dava beijos molhados em
seu pescoço, enfiava a mão por baixo de sua blusa,
acariciando os seios intumescidos. Bia estava se
vingando da seca de meses e tirava todo o atraso
com glória.
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— Você é muito bonazza! — Marcello


roçava a pélvis na bunda de Bia— Ah, belíssima,
que culo carnudo, que cheiro gostoso.
Bia sabia que era bonita e que despertava o
desejo dos homens, usava todo o seu charme para
manter o fogo do italianinho.
— Adoro quando fala culo, vou no céu e
volto assim. — Bia se afastou tirando o restante da
roupa e completamente nua andou até o sofá. De
joelhos ela abriu as pernas, apoiou o tronco no
encosto do estofado e de costas para ele, começou a
rebolar.
Marcello correu até ela, ajoelhou-se no chão
e começou a chupar a sua vulva enquanto ela
rebolava em sua cara. Marcello não resistiu e sem
perguntar nada enfiou dois dedos no bumbum de
Bia, ela contraiu na hora e continuou rebolando
mostrando o quanto estava gostando.
Marcello penetrou Bia com a língua enquanto
estimulava seu ânus com a mão, sentiu quando as
contrações começaram a apertar seus dedos. Bia
gozou e gemeu alto, atiçando ainda mais o tesão de
Marcello.
— Assim eu não aguento — ele arrancou as
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calças e em tempo recorde colocou a camisinha


antes de penetrar Bia por trás.
Marcello estocava Bia com força enquanto
ela rebolava apoiando as mãos no encosto do sofá.
A posição favorecia que ela empinasse a bunda
para recebê-lo. Quando ele encostava, ela ia em sua
direção, os quadris se chocavam e se repeliam num
ritmo cadenciado e muito sincronizado. Nessa
coreografia os corpos suados se complementavam e
se satisfaziam.
— Ahhhhhh...arrrrr — Bia começou a gozar
novamente — vai Marcello, vai Ahhhhhhhrrrrrr.
— Vem belíssima, vem pra mim — Marcello
aumentou a velocidade das estocadas —
Uuuuuuum...vem...Ahhhhhhhrrrrrr!
Os dois gozaram ruidosamente depois
ficaram parados um sobre o outro, ganhando
fôlego, se refazendo do exercício.
— Mas que diabos é isso aqui? — acendendo
a luz e de posse de uma vassoura, a conhecida
senhora assustou Marcello que soltou-se de Bia e
ficou em pé com os braços para o alto — Ah, Bia,
que susto!
— Mãe! — Bia se encolhia no sofá tentando
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puxar o forro para se cobrir — o que você tá


fazendo aqui ?
Marcello percebeu que não era um assalto e
correu para vestir uma cueca.
— Prazer, sou Marcello — estendeu a mão
na direção da senhora.
— Hum, que mão grande, hein Bia? — riu
enquanto piscava um olho — filho, não sou mal
educada, mas não sei onde botou essa mão então
prefiro não apertar nada.
— Mãe!! Vai dormir, vai! — Bia já estava
acostumada com o jeito dela — daqui a pouco vou
lá no quarto falar com a senhora.
— Esse eu aprovo minha filha, é um pão e o
melhor, não é de borracha — virou-se e voltou para
o quarto, mas antes de bater a porta falou com a
filha — mão bem grande.
Os dois correram para se vestir. Entre beijos
e abraços se despediram, o sonho de dormir juntos
foi adiado.
— Você não tinha me dito que gostava de
plateia — Marcello riu tirando um cacho da testa de
Bia — será que o próximo encontro será só entre
nós dois?
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— Teremos um outro encontro? — Bia


perguntou sorrindo de orelha a orelha. — Achei
que minha mãe tinha te espantado.
— Claro que quero te vê novamente! Teremos um
encontro de verdade, belíssima! — Soltou um beijo
e saiu deixando para trás uma Bia muito satisfeita.

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12. Foco para não virar foca

Vegetariana, vegana, Dukan, low carb, do


tipo sanguíneo, da sopa, da lua, do diabo a quatro.
Já havia tentado todas as dietas, mas não conseguia
levar nenhuma adiante, gostava de comer, mas não
gostava dos resultados da comida em meu corpo.
Minha mãe dizia que eu nunca iria casar, minhas
irmãs chamavam-me de Marcelina e meu irmão
caçula de Peppa Pig. Para completar, minha mãe
cozinhava que era uma beleza!

Já havia faltado ao casamento da minha


melhor amiga porque não achei nenhuma roupa que
gostasse. Não quis participar da minha festa de
formatura para não tirar foto ao lado das modelos
da minha sala. Recusei duas ofertas de emprego
porque a farda era branca. Estava cansada de ser
ponto de referência, motivos de piada e de vestir o
que me caia bem e não o estilo que gostava. E qual
o meu estilo mesmo? Ah, no momento era o Plus
size! Não!
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Queria ter grana para entrar num spa e sair de


lá direto para uma clínica de estética, mas era pobre
de marré deci. O que acontecia com um alcoólatra
perto do álcool ou um dependente químico perto do
crack? Pois é! Eu tinha que fugir da comida, ela era
minha droga.

A noite foi particularmente difícil pra mim,


jantar em família, pizza. Amo! Comi feito uma
condenada, depois fui para o quarto e dormi, queria
que aquele dia acabasse e com ele chegasse a
solução para os meus problemas. E não é que o dia
chegou com respostas?
Acordei e, antes de sair do quarto, arrumei
minha mochila. Protetor solar, calcinhas, vários
pares de meias, shorts de malha, regatas crossfit e
tops fitness. Peguei a nunca usada barraca de
camping, um saco de dormir, um cantil, um
isqueiro, uma toalha, sabão de coco biodegradável
(serviria para tomar banho e lavar roupas). Fui até a
cozinha e peguei meio quilo de sal marinho, alguns
limões, vinagre, talheres e um prato. Estava pronta
para me jogar no meu spa de pobre.
Todos dormiam, exceto a minha mãe, que já
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havia preparado o banquete da manhã. Ela olhava


atenciosamente para cada coisa que eu fazia
indagando com o olhar. Coloquei tudo o que peguei
na mochila, deixei-a em cima da cama e fui tomar
um banho bem demorado, com certeza não tomaria
um desses tão cedo. Vesti-me com uma roupa
parecida com as que levaria na "viagem", coloquei
uma bota de caminhada, um boné e óculos escuros.
Estava pronta para ir atrás de meus objetivos.

Beijei minha mãe, expliquei que iria acampar


em outra cidade e que voltaria em um mês. Ela
resmungou, implorou para eu não ir, disse que seria
devorada por mosquitos. E se pegasse dengue ou
Zika? Foi um chororô, mas ela me soltou assim que
a mototáxi buzinou na minha porta.

Não levei celular, não queria contato com


ninguém. Não queria que me convencessem a
voltar. Não queria cair em tentação e ligar pedindo
socorro. Estava acampando na melhor época do
ano, exatamente quando ninguém costumava fazer
isso. Iria tentar a dieta paleolítica, mas levaria ao pé
da letra. Só comeria o que coletasse ou caçasse, ou
então morreria de fome.
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O cara da moto olhou torto quando me viu


com a mochila de camping nas costas. Odiava
aquele olhar. Subi jogando todo o meu peso de
propósito! Chegamos rápido na rodoviária, a
viagem até o local do acampamento também foi
bem curta. Uma amiga havia me avisado sobre esse
camping bonito, tranquilo, com águas não poluídas
(ainda), trechos de Mata Atlântica e muitas árvores
frutíferas. Era tudo o que eu precisava.

Cheguei cedo, ainda eram oito horas quando


dei meu primeiro passo mato adentro. Segui a trilha
que as pessoas da cidade haviam me indicado.
Depois de uns cinquenta minutos de caminhada, lá
estava a clareira que me falaram. Do lado esquerdo
passava o rio de águas cristalinas, do lado direito
tinha montanhas e árvores, muitas delas; no meio
uma área enorme, banheiro, pia com bancada e
alguns bancos de madeira. De fome não morreria.

O meu estômago já estava roncando, lembrei


que não havia tomado café. Montei a barraca com
uma certa facilidade, apesar de nunca ter
acampado, armei-a umas quinhentas vezes para
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meu irmão brincar no quintal. Arrumei a mochila


de roupa em um canto e os talheres e comida (sal,
limão e vinagre) no outro. Saí para conhecer o
local, achei apenas amoras silvestres e caju.
Estavam deliciosos. Catei todas as que consegui,
seria meu almoço e jantar caso não achasse mais
nada durante o dia.

Voltei logo pra barraca, apesar de falarem


que ninguém nunca roubou nada ali. O dia foi
razoavelmente tranquilo e a fome foi suportável.
Na hora do almoço arranquei algumas folhas de
amora, lavei com a água do rio e temperei com
limão e sal. Delícia! Durante sete dias eu só comi
frutas, folhas de árvores frutíferas e água do rio.
Nadei muito, caminhei bastante e já estava sentindo
a perda de peso e muita tontura. Comecei a
perceber que aquilo não daria certo.

Como me esqueci de levar o fogareiro, fiquei


à base de frutas e folhas. Saudade de uma carne!
No começo da tarde, em uma das minhas
caminhadas atrás de almoço, senti o cheiro de
churrasco, segui-o até encontrar uma barraca sem
ninguém por perto e uma armação de pedras e
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grelhas que simulavam uma churrasqueira. O


aroma era divino, a aparência não ficava atrás. Não
podia roubar comida dos outros, eu não sou esse
tipo de pessoa, mas a carne estava ali e eu a olhava
hipnotizada.

— Pode se servir! — Levantei os olhos e vi


um belíssimo homem à minha frente. — É coelho,
cacei hoje.

És tu, Tarzan? Jesus, que tanquinho era


aquele! Não gosto de lavar roupas, mas naquela
máquina eu levaria a de toda a minha família.

— Você está com fome? Está fraca? Não


consegue se mexer? — Que voz de locutor de
rodeio!

— Oi, sou Jane, quero dizer, Jeane.


Desculpe-me ter invadido seu espaço e babado sua
carne. — Ai, droga! — Não, eu não babei, não
literalmente.

— Fique tranquila, entendi o que quis dizer.


Pode se sentar e ficar à vontade, não comeria isso
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tudo sozinho mesmo. — Estendeu-me a mão. —


Sou João.

Cumprimentei-o e depois sentei-me


totalmente sem graça, tirei um pedaço da caça com
a mão, comi e ainda lambi os dedos.

— Estou acampando aqui perto e esqueci o


fogareiro. Não como carne há uma semana.

— Acampando sozinha? Não tem medo? —


Preocupado, psicopata ou machista?
— Por que, você tem? — perguntei
levemente brincalhona.

— Desculpe-me, não queria parecer


intrometido — falou ofendido. — só fiquei
realmente preocupado.

— Desculpe-me também, não queria ser


grosseira — desculpei-me. — Que mancada!

Comemos toda a carne, depois fui até a pia e


lavei as mãos e a boca. Conversamos mais um
pouco e então me despedi. Ele ofereceu-se para
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levar-me até a minha barraca, não vi nada demais.


Já estava escurecendo e era um pouco distante.

— Não imaginei encontrar ninguém


acampando nessa época do ano. Tirando férias? —
perguntou cheio de dedos.

— Não, vim limpar o corpo. — Não deixa de


ser verdade. — E curar a alma. E você?

— Mais ou menos a mesma coisa. Vim tentar


curar um vício e confesso que encontrar você aqui
pode pôr meus planos em perigo — olhou-me nos
olhos enquanto me dizia isso, eu que me senti em
perigo.

— Então é melhor nos despedirmos por aqui,


não quero estragar o retiro de ninguém, assim como
não quero que estrague o meu.

Apertamos as mãos e ele foi embora. Dei só


mais uns passos e cheguei à minha barraca.
Confesso que fiquei assustada, será que era um
serial killer? Nem em meu pior pesadelo me
imaginei sendo assassinada no meio do nada.
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Estava precisando de um banho, mas o


cansaço me venceu. Fui ao banheiro, lavei o rosto,
escovei os dentes e me preparei para dormir.
Reparei que próximo onde João estava também
havia um banheiro. Que bom ainda existir projetos
conscientes no Brasil. Fui para a barraca e troquei
de roupa, coloquei um leve pijama, certifiquei-me
de "trancar" tudo e dormi logo.

Na manhã seguinte, acordei bem cedo


pensando em tomar um banho mais demorado para
compensar o fato de ter dormido sem nenhum, mas
assim que saí da barraca encontrei uma
churrasqueira de pedras improvisada, já com a
lenha acesa. Ao lado tinha uma vasilha com ovos
de não sei o quê. Um psicopata não alimentaria a
vítima, né? Achei até fofo, pena que também não
trouxe panela, campista de primeira viagem que
sou.

Dirigi-me ao banheiro, tomei um banho


energizante, vesti-me para uma bela caminhada e,
quando abri a porta, dei de cara com ele e meus
ovos fritos.
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— Bom dia! — Sorriso lindo da porra! —


Acho que não nos despedimos da forma correta
ontem à noite, me expressei mal, perdão.

— Tudo bem, hoje é você quem quer colocar


meus planos por água abaixo — falei apontando
para os ovos fritos. — Não poderiam ser cozidos?

— Achei que estivesse ajudando, já que


estava sem ter onde cozinhar, não deveria ter me
precipitado. — Parou e ficou pensativo, depois
falou. — Dieta de vento? Sabe que é perigoso, né?

Fiquei de cara feia. Quem ele pensa que é


para vir até aqui se meter na minha vida? Só porque
me alimentou ontem e hoje, acha que é meu pai?
Não perguntei qual era o seu problema, agora já
chega descobrindo o meu.

— O que te trouxe até aqui? — Não gostou


da pergunta. — Você já descobriu o meu motivo,
então acho justo saber o seu.

— Sou um viciado! — Parou para pensar no


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que diria. — Então achei melhor ficar longe do que


não consigo ter controle.

— Temos problemas parecidos, que


coincidência nos encontrarmos aqui.

— Não temos problemas parecidos, nem de


longe. — Olhou-me de cima a baixo. — Você não
precisa fazer loucuras para perder peso, nem
mesmo se fosse obesa.

Ele disse que não sou obesa. Isso é um


grande elogio.

— Coma os ovos e vamos caminhar, vai


precisar de energia. Já conhece a cachoeira daqui?

— Nem sabia que tinha. — Encaminhei-me


para os ovos. — Ovo é paleo, né?

— O quê? Do que está falando? — Fez cara


de quem entendeu a piada depois da hora. — Ah,
tá! Claro, totalmente paleo.

— Deixa pra lá. — Os ovos estavam


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deliciosos. — Trabalha com o quê?

— Vai me contratar? Brincadeira! Sou


instrutor de boxe. — Tá explicado o tanquinho.

Acabei de comer os ovos, comi umas amoras


que havia coletado no dia anterior e calcei as botas
enquanto ele apagava o fogo. Saímos andando
rumo à cachoeira. Estava me sentindo bem mais
leve, mas ainda estava gorda, porém aquele lugar
me deixava mais tranquila, menos ansiosa, comia
só para matar a fome e não como se o mundo fosse
acabar no dia seguinte. Ele não falou quase nada o
caminho todo, ainda bem, senão me faltaria ar para
subir a ladeira. Amava andar por aquela paisagem,
era linda e quando cheguei à cachoeira, fiquei
deslumbrada! Tirei as botas e entrei na água com
roupa e tudo, João tirou as botas e a camisa, mas foi
respeitoso e manteve o short. Ficamos uma meia
hora em silêncio, só recebendo massagem das
águas.

— Olha, sem querer te ofender, mas posso te


ajudar com a perda de peso. — Ficou com cara de
medo esperando minha resposta e ainda completou.
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— Não acho certo você passar fome, só precisa de


exercícios.

— Você não me ofende, sério. É um fofo!


Quero sim sua ajuda, sou muito preguiçosa para
qualquer tipo de atividade física. — Olhei
pensativa. — E se eu também puder te ajudar com
o seu problema, tô aqui pra isso.

— Infelizmente não pode! — Foi um pouco


ríspido ao dizer isso.

Caminhamos até o seu acampamento, ele


havia improvisado um saco de boxe em uma árvore
bem resistente. Colocou-me para fazer meia hora
de alongamento e depois castigou o meu corpo no
saco, "só o básico" foram suas palavras diante de
minha evidente falta de fôlego. Cada vez que se
encostava em mim para corrigir algo ou alinhar a
minha postura, eu enlouquecia, estava muito afim
dele, mas sabia que um sarado daqueles estava
longe do meu alcance. Uma hora depois parecia
que eu tinha levado uma surra, tudo doía! Ele
esquentou o almoço e convidou-me para comer
com ele, acho que para garantir que não passaria
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fome.

— É paleo, eu juro. — Caímos na risada. —


Deve se alimentar bem, se não vai desmaiar aqui e
nem vai aproveitar o lugar.

— Você tem uma risada deliciosa! — falei


sem pensar, se arrependimento matasse...

— Acho que está na hora de ir, tem que


descansar. — Virou as costas e foi logo limpando
os pratos.

Melhor assim que nem repito. Fui sozinha


para a minha barraca. Nem deu tempo para pensar
sobre a patada dele, estava tão moída que me joguei
dentro da barraca e quando acordei já era noite.
Insônia à vista! Droga, naquele lugar, o que farei
agora? Senti um cheiro lá fora, pareceria gostoso.
Meu estômago roncou, se bem que isso não é
novidade.

Saí da barraca e me deparei com uma panela


no "fogão" ainda aceso, tinha uma concha dentro
dela. Abri e o cheiro delicioso invadiu as minhas
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narinas. Corri para a barraca, peguei o prato, os


talheres e me servi. Enquanto esperava esfriar,
observei um papel preso numa árvore. "É
totalmente paleo". Caí na risada. Ele era um amor,
com certeza aquelas patadas eram crise de
abstinência. Talvez ele tivesse razão, o meu
problema não deveria ser parecido com o dele.

Tomei apenas um prato de sopa, guardei o


restante para o almoço do dia seguinte. Estava
quente demais, resolvi tomar um banho de rio. Tirei
toda a roupa e me permiti a liberdade de ficar nua.
Não havia nenhum espelho para me lembrar do
quanto não sou nada sexy, nem meus irmãos para
fazerem piadas comigo.

Levei uma lanterna, amarrei num galho baixo


e fui tomar meu banho. O rio era raso e não muito
largo, não tinha nenhum perigo, nadei de uma
margem à outra, várias vezes, precisava gastar
energia para não virar a madrugada acordada. Parei
as braçadas, lavei os cabelos e o corpo com o meu
sabonete biodegradável de coco, enxaguei-me com
a certeza de que não estava contaminando o rio,
depois fiquei deitada boiando, aquilo era muito
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relaxante. De repente, ouvi galhos estalando,


assustei-me. Droga, não trouxe toalha.

— Jeane? Cadê você? — Era João!

O que ele queria, a panela de volta? Não deu


tempo de correr dali, ele já havia me encontrado.

— Desculpe-me, não queria invadir sua


privacidade, fui guiado pela luz.

— Tudo bem! Está calor, vim me banhar um


pouco. Não quer se banhar também? — Não sei de
onde tirei coragem para aquele convite.

— Realmente está calor, mas acho melhor,


não. — Olhou-me com uma cara indecifrável.

Eu devo ser uma anta mesmo, aquele cara


lindo deve ter mulheres se revezando em sua cama.
Onde que olharia para uma pessoa como eu?
Encolhi-me toda, abracei minhas pernas, queria
esconder minha vergonha, mas não consegui.

— Não tem nada a ver com você, o problema


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está em mim, sério, não quero te magoar. —


Aquele olhar de pena! De novo!

Levantei furiosa, nem lembrei que estava


completamente nua, gesticulei com os braços sem
nem me importar com os seios balançando ou as
gordurinhas da barriga tremelicando.

— Você é como todos que conheço, se acha o


melhor só porque é gostoso, sarado, malhado, tem
os dentes perfeitos e ainda é gentil. — Eu tô
brigando ou enaltecendo o cara?

De repente, ele entrou no rio, puxou-me para


seus braços e calou-me com um beijo maravilhoso.
Fiquei molinha, molinha. Depois de uma infinidade
de beijos, ele falou:

— Você é linda e muito gostosa! Se valorize!


— Pegou a minha mão e levou até a sua calça,
abaixo do umbigo. — Olha o que você faz comigo.
Tá sentindo? Isso é tesão por você!

Que tesão! Era duro demais, apetitoso


demais.
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— E não é só o tesão! Sinto vontade de estar


perto, de conversar com você, gosto até do seu
cheiro de coco. Adoro coco! É paleo, sabia?

Beijamo-nos novamente. Depois ele deu-me


a mão, tirou-me do rio, levou-me até a margem,
logo abaixo da lanterna e ficou lá me olhando sob a
claridade intensa da luz. Ele tirou as suas roupas,
estendeu-as no chão e carinhosamente deitou-me
sobre elas. Fiquei lá, deitada, olhando aquele corpo
nu e escultural em pé à minha frente.

Então ele se deitou ao meu lado e aos


pouquinhos foi beijando todo o meu corpo, cada
partícula de pele. Começou pelas orelhas, desceu
pelo pescoço, ombros, seios, barriga e quando
chegou lá, eu travei, de novo. Tranquei as pernas.
Ele abriu-as lentamente, colocou aquela cabeça
linda entre elas e olhou-me suplicante, eu cedi e ele
mergulhou de cara, literalmente, no meu sexo.
Nenhum cara havia me chupado antes. NUNCA!
Nem mesmo havia tentado. Era prazeroso demais,
comecei a chorar. Qual era o meu problema? Um
cara lindo me chupando e eu chorando! Que
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brochante! Ele levantou o rosto, enfiou dois dedos e


começou a falar.

— Você é doce e muito suculenta. — Ele


descreveu minha vagina ou uma fruta? — Vou
fazer gozar em minha boca!

Aquele comentário levou minhas lágrimas


embora. Estava excitadíssima! Ele continuou com
os dedos e voltou a boca pro meu clitóris, enquanto
manuseava seus dedos lá, chupava e passava a
língua em meu pequeno botão de nervos. Comecei
a acariciar meus seios, estimulando ainda mais o
prazer, ele colocou mais um dedo e o que era bom
ficou melhor ainda, os movimentos se
intensificaram, a língua dele ficou mais ágil e eu
gemia cada vez mais alto.

Senti minhas pernas fraquejarem, senti que


não tinha mais poder sobre o meu corpo, comecei a
ter tremores em ondas e um prazer que nunca havia
sentido tomou conta de mim. Senti minha vagina
contrair os dedos dele várias vezes enquanto eu
gritava e minha cabeça rodava. Aquilo era o
orgasmo? Então eu nunca havia tido um? Minha
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respiração foi diminuindo, as contratações


cessaram, ele levantou o rosto e chupou os três
dedos de uma vez só.

— Deliciosa!

Fiquei sem graça, mas confesso que amei o


elogio. Ele deu-me as mãos, levantou-me do chão e
me beijou ardentemente, senti o meu gosto. Ele
pegou uma camisinha no bolso da calça, abriu a
embalagem me olhando nos olhos e colocou-a com
o olhar ainda fixo no meu. Depois foi até o rio,
sentou-se na parte bem rasa, com as costas apoiadas
na margem e me chamou só com as mãos. Eu fui!

— Senta essa buceta gostosa em minha pica,


senta minha linda! Quero te ver gozando nela
agora.

O que? Aquele gostoso me chamou de


gostosa e ainda ia me fazer gozar de novo? Acho
que aquele lugar deveria se chamar Éden! Tô no
paraíso, só pode.

Abri minhas pernas em volta do corpo dele e


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desci que nem na música do Tchan, na boquinha da


garrafa. Preenchi a minha vagina com toda aquela
pica, montei que nem se monta num cavalo, com
vontade de cavalgar e sem querer cair dele. Ele era
delicioso! Beijava-me, chupava meus seios, lambia
minhas orelhas e ainda me fodia com vontade. Os
pouco namorados que tive, gozavam assim que
entravam em mim. Ele era diferente.

Já estava me sentindo assada do tempo que


aquela pica roçou nas paredes de minha vagina.
Senti que aquela fraqueza nas pernas estava
voltando, ele percebeu e começou a mordiscar os
bicos de meus seios e enfiou um dedo em minha
bunda. Apesar da vergonha, senti um prazer
indescritível. Eu gemi mais alto, sentia a minha
vagina contraindo aquela pica gostosa, senti a
cabeça rodando novamente, o meu cu também se
contraiu. Eu tremia de cima abaixo e contraia cada
orifício de meu corpo, pareceria que tinha entrado
em curto e nada estava funcionando como deveria,
ou então estava funcionando até bem demais.

— Jeane, ah Jel, gos...tosaaa!

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Quando tudo acabou, fiquei com a cabeça


jogada em seu ombro por uns longos minutos.
Depois levantamos, lavamo-nos, vesti sua camisa
emprestada, melhor sair assim que nua.

Voltamos para perto da barraca, sentamos no


tronco em frente ao fogo e ficamos lá abraçados
sem dizer nada, apenas sentindo a magia daquele
momento.

Depois de longos minutos calados, resolvi


quebrar o silêncio.

— Obrigada pela sopa! Estava uma delícia!


Tem certeza que não é um chef culinário? — Só
queria puxar assunto.

Rimos. Parecíamos velhos amigos. Falei


abertamente sobre o meu problema com a balança e
o quanto isso afetava os meus relacionamentos, o
quanto eu travava na hora H, pois me sentia gorda,
feia e insegura. Ele também falou o quanto o seu
vício trouxe-lhe inúmeros problemas em todos os
seus relacionamentos e por isso não namorava há
mais de dois anos.
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— Difícil de acreditar que um gato como


você fique tanto tempo sem namorar! — Saiu de
novo. — Você devia se drogar muito mesmo.

— Jeane, meu vício não era em drogas!

— Não? E era viciado em que então? —


perguntei assustada.

Ele parou e ficou me olhando por um longo


tempo, depois respirou fundo e respondeu:

— Era viciado em sexo! — Gelei, não


consegui disfarçar. — Quando você chegou aqui,
eu tinha concluído o tratamento, estava com medo
que sua presença estragasse todo o meu progresso.

— O que você teria feito comigo se não


tivesse curado? — perguntei em choque.

— Não sou um estuprador, Jeane, apenas


pensava em sexo 24 horas por dia, em qualquer
lugar que estivesse. — Pausou olhando-me nos
olhos antes de voltar a falar. — Isso me prejudicou
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em todo tipo de relacionamento. Conseguir


conviver com você nesse lugar está sendo uma
ótima prova dos nove.

— Você não tem mais vontade de fazer sexo


comigo? — Aquilo não me deixou feliz, que
egoísmo meu.

— Não foi isso o que eu disse. Tenho muita


vontade de te beijar, te fazer carinho, de transar
contigo, como fiz agora há pouco, mas se eu não
tivesse feito o tratamento, só iria querer foder com
você e mais nada.

Nossa! Deve ser bem triste isso.

— Existe alguma chance dessa transa ter sido


uma recaída?

— Claro que não, mas tenho que me policiar


muito pra saber se estou realmente sob controle —
falou enquanto me encarava. — A conversa está
boa, mas tenho que ir agora. Treino amanhã cedo?

— Cla... claro! — Dei um beijo em cada


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bochecha e um terceiro na boca. O que eu estava


fazendo? Aquele cara se abriu pra mim e eu
querendo estragar todo o seu progresso? Ele sorriu
e saiu.

Arrumei toda a bagunça, tirei a lanterna da


árvore, catei as roupas que deixei às margens do
rio, lavei os pratos sujos, apaguei o fogo e fui tentar
dormir. O cansaço pós sexo me fez sentir sono de
novo.
***
Acordei com um barulho de chuva, amava
esse som, e na barraca ele era muito intenso,
preenchia cada pedacinho da lona. Fiquei parada
curtindo esse momento, não sairia da barraca nesse
temporal mesmo, então que aproveitasse sem
reclamar.

Não demorou muito e o barulho cessou, saí


pronta para buscar meu alimento. Meu chinelo
estava todo molhado, calcei-o assim mesmo. Não
demorei a encontrar jaca. Amo! Agradeci à
natureza por ter jaqueiras pequenas, arranquei com
certa facilidade e comi ali mesmo, debaixo da
árvore que havia me presenteado com tamanha
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doçura. O pé era baixinho e a jaca era minúscula,


não foi nenhum sacrifício devorá-la por inteiro.

Voltei para "casa" toda visguenta, escovei os


dentes, tomei um banho e o grude não saiu. E
agora? Vesti-me com as mãos pegando nas roupas,
quase que meus dedos ficaram no tênis. Não pude
prender os cabelos, sei que vários fios viriam em
minhas mãos. Estava indo ao encontro do João,
esperava que ele pudesse me socorrer.

Enquanto me dirigia ao seu acampamento,


pensava na noite fantástica que tivemos. Será que
deveria chegar como se nada tivesse acontecido?
Não sabia como agir, não sabia o que ele pensaria
de mim. Estava bem perto quando ouvi barulhos de
soco, ao me aproximar vi que era João praticando
boxe. Tão lindo todo suado e sem camisa. Ô visão
do paraíso! Fiquei parada observando até que ele
percebeu e caminhamos de encontro um ao outro.

— Bom dia! Dormiu bem? — Que sorriso de


dentes perfeitos. — Já tomou café?

— Dormi bem sim, obrigada! — respondi


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feito uma manteiga derretida. — Estou bem


alimentada e pronta para me exercitar. — Tô pronta
para outra coisa também.

Ele veio até mim, puxou-me pela cintura e


tascou-me um beijo arrasa quarteirão.

— Hum, jaca! Bem nutritiva. — Sorriu


novamente. — Mas temos que prender esse cabelo.

— Ah, é que estou com as mãos de visgo e


não tinha nada lá para limpar, pensei que poderia
me ajudar nisso também.

Ele foi até a barraca e voltou com um frasco


de óleo de coco extravirgem. Que homem é esse?
Passou um pouco em minhas mãos, pediu que eu
esfregasse uma na outra e aproveitou para prender
os meus cabelos, que provavelmente iria ter cheiro
de coco também.

Fomos até a área onde estava o saco, ele me


pediu para alongar por uns dez minutos e depois
começamos o exercício. O chão estava um pouco
escorregadio por causa da lama formada pelo atrito
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do tênis no solo úmido, pior que estava tudo


armado para chover muito mais. Já estava ficando
cansada e os braços não tinham mais forças quando
ele se encostou em minhas costas para alinhar-me
direito ao saco, aquela proximidade me deixou
excitadíssima. Ele corrigiu os meus erros e
enquanto falava como deveria fazer para melhorar
meu desempenho, me inebriei com aquele hálito
quente e aquela voz tão próxima ao meu ouvido a
ponto de perder o equilíbrio e cair de bruços,
levando-o junto comigo, bem por cima de mim.

Ele rolou para o lado e me virou de costas


para ver se eu tinha me machucado. Eu ria tanto da
situação que ele não teve como não rir junto
comigo. Estávamos no chão, todos os dois sujos de
lama, rindo feito duas crianças pintonas. De repente
viramo-nos de frente e daquele olhar saiu faísca.
Não sei quem tomou a iniciativa, mas nos beijamos
enquanto rolávamos na lama. Ficamos assim por
longos e maravilhosos minutos até que ele começou
a tirar a pouca roupa que vestia. Ficou
completamente nu, lindo, sarado e ereto. Fiquei
excitada e ao mesmo tempo envergonhada, não
queria ficar nua na frente daquele deus grego, não
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naquela claridade do dia, apesar do tempo todo


fechado, ainda era manhã. Ele pareceu perceber que
alguma coisa estava errada.

— É por causa do meu problema? Está com


medo? — perguntou todo pesaroso.

— Não, é por causa do meu problema —


respondi toda envergonhada.

Chegou bem mais perto e começou a tirar


minha roupa.

— Você não tem problema nenhum aqui. —


Pegou em minha cintura. — Nem aqui, ou aqui ou
em qualquer parte do seu lindo corpo — falou isso
enquanto tirava toda a minha roupa, até o tênis.

Fiquei nua em pelo, tentei cobrir os seios,


mas ele não deixou, tirou as minhas mãos deles e
começou a lambê-los vagarosamente, depois
colocou um por vez em sua boca e começou a
chupá-los. Eu parecia uma marionete, deixei que
ele fizesse tudo, queria muito aquilo, só que não
com toda aquela claridade.
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Ele subia a língua meu pescoço, enfiava-a em


minhas orelhas, depois ia para a minha boca e
voltava para os seios, fiquei enlouquecida com todo
aquele trato. Depois de longos minutos nos meus
seios, que ele não parava de chamar de lindos, ele
desceu pela minha barriga e continuou descendo até
chegar ao meio das minhas coxas. Passou a língua
várias vezes em minha virilha e atravessou para o
outro lado sem deixar a língua pausar um segundo
sequer, fez a mesma coisa com a outra até voltar
para o meio e lá ele resolveu me torturar.

Chupou e mordeu meu clitóris por um longo


tempo, depois lambeu toda a extensão de minha
vagina até que eu começasse a gemer e pedir mais.
Ele parou, deu-me a mão para que eu levantasse do
chão, levou-me até uma árvore, pediu que eu
erguesse meus braços e segurasse nos galhos
baixos. Obedeci prontamente. Pegou um pedaço de
tronco que servia de banco e colocou um dos meus
pés em cima dele, fiquei com a perna erguida e
totalmente exposta. Ele se ajoelhou no chão e
começou a me chupar novamente. Eu estava me
sentindo trêmula que nem na noite anterior, meu
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quadril se projetava para frente pedindo mais, não


parecia ser eu ali, esqueci toda a vergonha, só não
queria que ele parasse, queria sentir aquele prazer
de novo e ele não demorou a chegar.

Eu gemia muito e ele não parava de manejar


a língua lá embaixo. Enfiava, chupava, lambia e
voltava a enfiar novamente. Eu comecei a gritar.
Meus braços fraquejavam, minhas pernas tremiam
a ponto de balançar o banco e tive que me
equilibrar bastante para não cair em cima do João.
Quando acabou, eu soltei meu corpo sobre ele que
me abraçou com carinho e sussurrou em meu
ouvido.

— Pronta para o segundo round? — disse


isso e logo depois foi até barraca.

O que será que ele vai aprontar agora? Voltou


logo depois e sentou no banco que eu havia
colocado o pé há pouco.

— Você é especial e merece ser bem comida


— falou isso enquanto colocava a camisinha. —
Minha pica está com saudade dessa buceta gostosa.
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Dá ela aqui, dá! — E apontou com os dois dedos


indicadores para o seu lindo pênis.

Eu não me fiz de rogada, sentei sem fazer


cerimônia, encaixei-me em toda ela e comecei a
quicar feito uma boa puta. Ele me dava palmadas
na bunda enquanto eu subia e descia com toda a
vontade. O cansaço foi embora, eu só pensava em
gozar de novo, estava tão encantada por ele que
tinha medo de tomar seu vício pra mim. Ele mordia
o bico dos meus mamilos e os puxava levemente,
depois passava a língua em volta para aliviar a dor,
eu comecei a sentir aquela já conhecida sensação
de prazer extremo. Era incrível como meu corpo se
conectava com o dele e com todas aquelas
sensações. Minhas pernas começaram a tremer
novamente, a minha musculatura interna contraía
aquele pênis maravilhoso. Eu fechei os olhos
enquanto sentia todas aquelas sensações.

— Linda, gostosa, Mara... ah...ah...vi...ah...


lhosa! — Ele estava gozando junto comigo —
Delí... ah...ah...ah...cia! — Começou a chover
muito forte, o nosso gemido foi abafado pelo
barulho da chuva.
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Ficamos na chuva lavando nossa lama e


nossa alma. Ainda estávamos encaixados, não
conseguíamos tirar os olhos um do outro. Ouvimos
um trovão e resolvemos levantar, na verdade eu me
assustei e dei um pulo. Ele me puxou para o
banheiro e me deu um banho, lavou todas as
minhas partes com carinho. Quando acabou, eu
peguei o sabonete em suas mãos e resolvi fazer o
mesmo. Enquanto me abaixava para lavar suas
pernas, dei de cara com o seu pênis limpinho e não
resisti, caí de boca ali mesmo. Ele não esperava por
isso, mas se apoiou na parede e deixou que eu
fizesse o serviço. Não demorou a ficar duro de
novo. Como era possível? Chupei-o por um bom
tempo, até que decidi fazer uma loucura.

— Me leva pra sua barraca e come meu cu?


— Arrependi-me na hora, mas não podia voltar
atrás.

— Você tem certeza? — perguntou, olhando-


me excitado.

— Toda certeza do mundo! — Tinha mais


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coragem que certeza. — Quero muito isso. —


Queria mesmo.

Ele me levantou do chão, desligou o


chuveiro, deu-me a mão e saímos correndo na
chuva em direção à sua barraca, paramos no
caminho só para pegar o frasco de óleo de coco. Lá
dentro ele nos enxugou, pegou meu rosto em suas
mãos e me beijou terno e excitado.

— Se prepara pro melhor anal de sua vida!

Tô preparada! Já havia feito anal antes, uma


única vez, foi uma experiência horrorosa. Como
João foi o único cara que me fez gozar, pensei que
ele também pudesse tirar esse trauma de mim. Era
tudo ou nada. Se não fosse bom com ele, não seria
com mais ninguém.

Deitei e ele fez uma massagem em mim,


lambuzou todo o meu corpo com óleo de coco,
depois fez um oral diferente, ele chupou meu
clitóris e lambeu minha abertura até o ânus e por lá
ficou. Virou-me de lado, lambia meu ânus e só
parava para enfiar os seus dedos lambuzados de
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óleo. Eu já estava delirando só com isso, mas


confesso que imaginava a dor que seria ter aquela
pica descomunal dentro do meu cu quase virgem.
Ele colocou um, depois dois, até que por fim
colocou três dedos em mim, eu gemia e queria
mais.

— Coloca sua pica aqui, coloca, vai! — Com


certeza não era eu.

— Calma, estou preparando você para ter


uma experiência inesquecível — falou enquanto
metia e tirava os dedos de mim.

Ele parou, colocou a camisinha e se deitou de


conchinha junto a mim. Pegou uma de minhas
coxas e colocou sobre a perna dele, posicionou seu
pênis na entrada do meu ânus, deu uma leve
empurrada e depois foi massagear o meu clitóris.
Eu delirei com aquilo, por mim já não precisava
entrar mais nada, só a cabecinha já estava dando
prazer suficiente, mas ele empurrou mais um
pouco. Doeu, mas era gostoso porque eu estava
toda molhada e sendo estimulada constantemente.
Ele massageou ainda mais o meu clitóris, não
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parava de fazer movimentos circulares enquanto


empurrava o seu pênis cu adentro, as lágrimas
desciam, mas eu não conseguia pedir para ele parar.

— Tá bom assim, Jeane? — perguntou


enquanto lambia uma de minhas orelhas. — Quer
que eu pare?

— Para não, por favor! — falei entre


lágrimas. — Tá gostoso pra caralho!

Bota gostoso nisso! Ele continuou


massageando o meu clitóris e empurrando sua pica
em meu ânus, depois colocou três dedos de vez em
minha vagina, movimentou-os várias vezes em alta
velocidade e aproveitou meus gemidos para
empurrar todo o seu pau dentro de mim. Gritei, mas
de prazer. Aí ele começou a me bombear com
vontade, não parava de manipular a vagina com os
dedos hábeis enquanto meu ânus era
completamente preenchido com aquele pau
gostoso.

Eu gemia absurdamente, estava toda


molhada, sentia cada estocada com um prazer
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inexplicável, gritava sem vergonha, gemia sem


pudores. Acho que meus gemidos o incentivaram a
acelerar as estocadas, eu estava a ponto de explodir
de tanto prazer. Senti as contratações de minha
vagina em seus dedos, senti meu ânus contraindo o
seu pênis, enquanto sua língua penetrava minha
orelha. Eu estava com todos os meus orifícios
latejando de prazer. Urrei e gozei como deve fazer
uma mulher preenchida e muito "bem comida".
Enquanto eu gritava, senti que seu clímax também
estava chegando. Ele começou a gritar e gozou logo
depois de mim. Ficamos ali parados, sem nada a
dizer até que ele me soltou e eu me virei de frente
pra ele.

— Obrigada! — Era a única coisa que eu


conseguia dizer.

— Não há de quê! — Ele riu


descaradamente.

— Quanto tempo mais ainda ficará no


acampamento? — perguntou-me esperançoso.

— Mais uns vinte dias, eu acho. — Uma hora


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teria que voltar para casa.

— Então teremos muitas oportunidades de


agradecer um ao outro.

Rimos e continuamos ali deitados ouvindo a


chuva lá fora.

***

Enquanto João dormia, eu arrumava as


minhas coisas, havíamos juntado as barracas há
duas semanas. Vivi um conto de fadas nesse
acampamento e ele estava chegando ao fim. No dia
seguinte, bem cedinho, eu voltaria pra casa e,
apesar da saudade de minha família, aquilo estava
partindo o meu coração. Perdi peso, que era meu
objetivo principal, fiz o melhor sexo de minha vida,
várias e várias vezes, e de quebra, ainda me
apaixonei.

O João não era apenas bom de cama, era um


ouvinte excelente, um amigo sem igual. Eu o
admirava demais, apesar de conhecê-lo muito
pouco. Choveu durante toda a semana, mas parecia
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que hoje seria de sol, queria tomar banho de rio, de


cachoeira, caminhar um pouco, queria me despedir
daquele lugar que para mim havia sido mágico.
Como não queria acordá-lo, assim que arrumei
minha mochila, saí para passear.

Andei por meia hora, já não perdia o fôlego


como no começo, ouvia meu corpo, aprendi a
admirá-lo e respeitá-lo e devo isso ao João. Parei
próximo à nossa barraca, fiz um alongamento e
depois tirei a minha roupa, fiquei apenas de top e
calcinha. Não havia trazido roupa de banho, mas
isso não me impediria de nadar. Como já havia
dito, não era temporada de camping, desde que
cheguei ninguém apareceu naquele lugar, exceto o
João.

Eu estava suada da caminhada, mesmo assim


senti a água fria. Depois de algumas braçadas a
tremedeira passou, cansei do exercício e resolvi
boiar para relaxar. Enquanto estava flutuando de
olhos fechados, pensei em todos os momentos que
perdi por não aceitar o meu corpo, iria tentar
recuperá-los de alguma maneira. A experiência do
acampamento não havia apenas me trazido um
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corpo novo. Claro que era bem visível a perda de


peso e meus músculos já sentiam os efeitos do boxe
constante, das caminhas diárias e das braçadas no
rio. Eu também mudei, aquele acampamento havia
me transformado numa nova mulher. Uma mulher
que eu gostava de ser.

Tomei um susto e saí dos meus devaneios,


João havia entrado no rio e agora me carregava nos
braços.

— Bom dia coisa linda! — Deu-me um beijo


apaixonado — Senti sua falta em nosso lar.

Assim eu me derretia toda, ele estava


tornando a minha volta pra casa muito mais difícil.
Eu enlacei seu pescoço com meus braços e dei-lhe
um beijo. Amava aquela boca, aqueles braços,
aqueles olhos, eu amava aquele homem e não havia
dito isso a ele. Nem sei se deveria dizer e não sabia
se ele me amava. Mesmo assim não me arrependia
de nenhum dos dias que passamos juntos, foram os
melhores de minha vida inteira.

Depois de um logo e delicioso beijo, ele me


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soltou e ficou me encarando. Conhecia aquele


olhar, era de fome, mas não de comida comum, era
fome de mim, do meu corpo, do nosso sexo
gostoso. Mantive o olhar enquanto tirava o meu top
e o atirava às margens do rio. Ele respirou mais
pesado quando percebeu que iria alimentar o seu
desejo e mergulhou por inteiro, tirando a minha
calcinha e soltando-a lá no rio mesmo. Ainda
mergulhado, colocou os meus pés sobre seus
ombros, só que não foi nas costas. Levantou e me
trouxe junto enquanto segurava as minhas mãos.

Pensei que fosse cair, mas ele apoiou uma de


suas mãos em minha coxa, me forçando a ficar de
cócoras, com o meu sexo de frente para seu rosto,
na direção de sua boca. Ele segurou a minha bunda
e empurrou meu quadril em direção e ao seu rosto,
tive que apoiar minhas mãos em sua cabeça ou
então cairia. Nessa posição digna de contorcionista,
ele lambeu minhas virilhas com uma língua bem
dura e depois a enfiou de vez em minhas entranhas.
Enquanto sua língua me penetrava furiosamente,
seu nariz massageava meu clitóris.

Manter o equilíbrio naquela posição e com


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uma língua se mexendo dentro de mim não era


nada fácil, mas era excitante ao extremo. Eu estava
prestes a ter um orgasmo e sei que seria tão
maravilhoso quanto todos os outros, comecei a
gemer e ele já conhecia cada gemido meu, pois
cada um indicava um nível de prazer e esse queria
dizer não para de jeito nenhum.

Estiquei os seus cabelos enquanto gozava


ruidosamente, senti minhas enervações expulsando
sua língua guando na verdade elas queriam que ele
penetrasse mais. Ele sabia disso, porque não parou
até eu ficar mole, até minhas pernas perderem o
equilíbrio e cair de vez em seus ombros enquanto
eu deitava meu tronco no rio com os braços
esticados na água e meu sexo aberto de frente pra
ele. João me lavou com carinho e enquanto fazia
isso, dava beijinhos em "minha Joana", foi assim
que ele passou a chamá-la. A minha vagina era a
Joana dele. Não é lindo? Ficamos assim
devaneando até nosso estômago roncar.

— Apesar de ter a buceta mais gostava do


mundo, eu preciso comer — disse isso enquanto
chupava os dedos que acabara de enfiar em mim.
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— Você também deve estar com fome, vamos!

Saí do rio e achei uma toalha à minha espera,


ainda bem, porque estava totalmente nua. João se
vestiu com as roupas que havia deixado na margem
do rio, eu catei as que sobraram, já que minha
calcinha havia sido levada pela correnteza. Fomos
para a barraca, nos vestimos, tomamos um café que
ele já havia preparado e saímos rumo a uma gruta
que ele queria me mostrar. Fomos por um caminho
que até o momento era desconhecido pra mim. A
paisagem era linda, o cheiro das árvores se
conectava com a beleza indescritível daquele lugar.

Depois de quase uma hora, chegamos a gruta


que ele queria me mostrar. Era uma formação
calcária com várias galerias e de beleza incomum.
Fiquei de boca aberta olhando aquilo. A natureza
era um presente divino que deveria ser cuidado
com o maior respeito do mundo. Passeamos por
todas as galerias e paramos em uma que tinha uma
linda lagoa verde piscina. Apoiamos nossas bolsas
numa elevação de pedras, tiramos nossas roupas e
mergulhamos em águas tão quentinhas quanto as
das banheiras dos nenês.
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Nadamos por longos minutos e depois


ficamos boiando até que nossos corpos se tocaram
e nos demos as mãos. Eu comecei a chorar
silenciosamente. Aquele lugar lindo, aquele homem
compreensivo e aquela magia toda tinham prazo de
validade. Eu estava mais forte, mas não sabia como
seria fora dali. Larguei sua mão, saí da água e fui
sentar numa pedra. João foi até mim, sentou-se às
minhas costas e me abraçou.

— Jeane, vai dar tudo certo! Você está mais


do que preparada para encarar o mundo lá fora —
falou isso tão docemente.

— Como você sabia o que me afligia? —


Ninguém me compreenderia assim no mundo real.

— Eu sei, porque também tenho medo. — Ás


vezes esquecia que ele também tinha problemas. —
Vamos superar tudo isso, você é mais forte do que
supõe. — Beijou minha nuca e voltou para a água.

Minha mente gritava: não João, não é só isso!


Como vou viver sem você? Mas não poderia dizer
isso a ele, não conversamos sobre isso, não
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firmamos compromisso nenhum, estávamos ali


apenas para curar as nossas feridas.

Levantei e resolvi perambular pelo espaço,


era muito lindo. De repente, ouvimos vozes.
Olhamo-nos assustados, afinal estávamos
completamente nus. Não deu tempo para pensar, fiz
sinal para ele sair da água, peguei nossas bolsas e
saímos correndo galeria adentro. Só paramos
quando não ouvimos mais nenhuma voz. Rimos
como crianças se escondendo das mães.

Demos as mãos e atravessamos um estreito


arco de pedras, era um corredor longo que ia se
afunilando, em um determinado momento ele
estreitou tanto que mal dava para nós dois
passarmos lado a lado. João passou à minha frente
e eu o segui, apesar da pouca iluminação, não
deixei de perceber aquela bunda linda rebolando e
nem aquele dorso malhado. Fiquei excitada!

Joguei as nossas coisas no chão, abracei-o


por trás e dei beijos quentes em seu pescoço. Ele
ofegou na hora, virou-se pra mim e já estava ereto.
Foi até a mochila, pegou uma camisinha, colocou e
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me empurrou na parede, estava tão excitada que


não precisava de preliminares nenhuma. Ele se
colocou entre minhas pernas, enfiou três dedos de
vez em mim e depois os chupou. Daí elevou uma
das minhas coxas e se enfiou em mim, com pressa,
com fome, com força. Enquanto me fodia ele me
beijava com voracidade, quase mordendo meus
lábios e arrancando minha língua. Eu estava muito
molhada. Também tinha fome dele, sempre tinha!

Queria que ele enterrasse mais fundo, mexia


os quadris pedindo por isso, porém o espaço era
apertadíssimo. Coloquei minhas pernas na parede à
minha frente enquanto ele apoiava suas mãos na
parede às minhas costas e penetrava-me com uma
velocidade surpreendente, pude senti-lo todo dentro
de mim. O barulho de nossos sexos se chocando era
inebriante. Além de sentir, eu ouvia o quanto estava
encharcada de prazer. Comecei a tremer dos pés à
cabeça, as ondas do orgasmo já haviam me
atingido, urrei feito uma louca diante de cada
estocada, ele também começou a gemer alto
enquanto chamava o meu nome. Amava quando ele
gozava me chamando, sentia-me empoderada.
Quando terminamos, estávamos suados ao extremo,
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mas resolvemos nos vestir e voltar à entrada da


caverna.

Não havia mais ninguém por ali, o


acampamento voltou a ser nosso, pelo menos até o
dia seguinte, quando não seria mais meu. Quando
mais nada ali seria meu. Esse pensamento me
entristecia, mas tentei afastá-lo para não estragar
aquele momento. Caminhamos de volta para casa,
quer dizer, para as barracas. Já estava começando a
escurecer quando chegamos, tomei banho enquanto
ele preparava nosso jantar. Estava acostumada com
a nossa rotina, com os nossos jantares, com os
nossos banhos juntos, com nossas conversas e o
nosso sexo maravilhoso. Tudo tem um começo e
um fim. Fazer o que, né?

Saí do banho e ele entrou logo depois. Vesti-


me e terminei de arrumar as minhas coisas, ele já
havia desmontado a minha barraca e enrolado toda
bonitinha, estava tudo pronto, só precisaria partir.
Jantamos em silêncio, lavamos os pratos,
guardamos tudo e fomos dormir de conchinha.
Estava cansada, apaguei rápido.

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No dia seguinte ele me levou até a entrada do


acampamento e ficou comigo esperando o
transporte que me levaria até a rodoviária.

— Obrigado por tudo! — ele me disse


olhando nos olhos. — Você foi a melhor coisa que
poderia ter acontecido nesse acampamento.

Eu fui? Então é isso? Segurei as lágrimas.


Quando o ônibus chegou, ele me beijou
apaixonadamente e logo depois me soltou e me
deixou ir. E eu fui. Chorei durante todo o percurso
até a rodoviária, ainda bem que era curto. Dormi
toda a viagem de volta pra casa. Assim que a moto
me deixou no portão de casa, vi o quanto tinha
saudade de minha família. Estavam todos lá,
minhas irmãs ficaram boquiabertas quando me
viram mais magra e meu irmãozinho sapeca se
limitou a dizer:

— Poxa, agora não posso mais te chamar de


Peppa Pig!

Abracei todos, com certeza iria suportar a


falta do João. Jantamos em família e o melhor, não
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foi pizza. No dia seguinte eu recebi uma ligação


sobre uma proposta de emprego. Fui para a
entrevista e me avisaram que eu começaria em dois
dias. Oba, já voltei com sorte! Na volta pra casa
passei numa academia de boxe e me matriculei, não
podia deixar a peteca cair.

***

Havia marcado encontro com amigas, saído à


noite, trocado o meu guarda-roupa, pedido
desculpas à minha melhor amiga por faltar ao seu
casamento. Aquele acampamento mudou a minha
vida e, dois meses depois de ter voltado, ainda
sentia os efeitos daquele retiro.

Era sexta-feira, dia de happy hour, neste dia


eu ia pra academia no último horário. Cheguei
atrasada e me troquei às pressas. Meu instrutor não
estava, daí avisaram que ele havia trocado o turno e
outra pessoa ficaria em seu lugar. As meninas
estavam eufóricas com tamanha gostosura do
professor novato. Ele estava lá, socando o saco,
conhecia aqueles braços mesmo de costas. Encostei
bem devagar atrás dele e fiquei tomando coragem
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para abraça-lo.

— Ainda usando sabão biodegradável? —


Virou-se dando aquele belo sorriso. — Adoro
cheiro de coco!

Todas me olharam ao perceber que eu o


conhecia. Todas queriam ser apresentadas ao novo
instrutor.

— Bem, gente, esse aqui é o João. —


Apontei para ele. — Nosso novo professor de boxe.

Todas apertaram as mãos dele se mostrando


assanhadas. Uma delas perguntou:

— E o novo professor tem namorada?

— Tenho? — ele perguntou olhando pra


mim. — Não sei ainda, tô esperando a resposta de
uma menina especial.

Eu pulei em seu pescoço e nos beijamos ali


mesmo, na frente de todos. Como sentia falta
daquela boca, daqueles braços e daquele homem.
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Assim que terminamos a aula, ele me levou


até em casa. Não resisti e perguntei:

— Por que me deixou partir? Por que esperou


esse tempo todo? — Essas perguntas estavam
entaladas em minha garganta.

— Porque nós dois precisávamos ficar longe


um do outro e nos testarmos. — Pausou e depois
voltou a falar. — Porque queria que soubesse o
quanto era forte mesmo sem mim e porque queria
me testar sem sexo.

— E como foi o teste? — perguntei rindo.

— Estou morrendo de saudades de "minha


Joana", mas aguentei esperar esse tempo todo,
torcendo que ela não fosse de mais ninguém.

— E de quem mais ela seria?

Ele me olhou nos olhos, segurando as minhas


mãos.

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— Aluguei uma quitinete aqui perto. Quer ir


lá conhecer?

— Ô se quero! — falei entre risos.

— Eu te amo! — disse-me isso assim, na


lata. — Senti a sua falta!

Joguei-me em seus braços. Beijamo-nos


longamente, vários e vários beijos.

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Agradecimentos

Agradeço a Deus por ter me dado o a


habilidade de criar e por me dar forças para
continuar.

Agradeço a meu marido e filhas por existirem


em minha vida, por me proporcionarem momentos
de risos e de aprendizado. Um agradecimento
especial à minha primogênita que acreditou em
mim mesmo antes de começar a escrever, que criou
a minha conta na primeira plataforma onde escrevi
e que me ajudou na diagramação desse livro.

Agradeço aos meus pais e irmãs que me


ensinaram que a vida não é fácil, mas pode ser bem
divertida. Agradeço ao meu pai em especial, o
senhor sempre me incentivou quando dizia que eu
era o seu orgulho. Tive muito orgulho de ser sua
filha também. Descanse em paz.

Agradeço aos meus colegas de trabalho que


foram os primeiros a alimentar essa minha loucura.
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Mírian, Thaty, Vitória, Alisson, Rafaela, Fernanda


e Selmara, obrigada por incentivar os meus anseios
literários.

Agradeço ao grupo AE- Ajudando escritores-


por todo o incentivo e pelos amigos que levarei
para a vida. Sandy Azevedo, Egle Cristina, Taíse
Louise, Mary Jessy, Valdirene, Rosie Siena, Ariane
Fonseca, Laís dos Passos, Marcelly Alburqueque,
Karina Tavares, Felipe dos Santos, Amanda
Monteiro. Obrigada por fazer parte de minha
caminhada.

Agradeço às minhas amigas escritoras por


todo o carinho, todos os conselhos e dicas.
Agradeço por não me deixarem desistir, por
acreditarem em mim. Taiane Maciel, amiga com
quem eu falo em todas as horas e sobre todas as
coisas, você mora em meu coração; Vânia Araújo,
a primeira escritora a espalhar os meus contos
quando eu ainda nem a conhecia, uma diva que eu
admiro imensamente.

Agradeço à Ariane Fonseca, Crys Carvalho,


Flávia Rayana e Val Chruscielki pela generosidade,
PERIGOSAS ACHERON
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pelas dicas maravilhosas e por todo o apoio.


Agradeço a Maria Dias pelo enorme carinho.
Agradeço a Bia Cout e esse prazer em ajudar no
que for possível. Obrigada a todas vocês!

Agradeço a Thais Costa, minha primeira


leitora. Agradeço a você leitor, que é tão
importante para mim quanto todas essas pessoas
listadas acima. Agradeço por rir comigo e por
refletir através de minhas palavras, agradeço pelo
incentivo, pelos comentários e por compartilhar a
minha história. É uma honra tê-lo aqui.

Agora um agradecimento especial para uma


leitora mais que especial e que ganhou até um dos
contos. Don’t Worry Be Happy Now, você é uma
das melhores pessoas que eu conheço. É generosa,
engraçada, positiva e tem um coração enorme.
Muito obrigada por ter entrado em minha vida e por
fazer parte dessa história. Muito obrigada por toda
a colaboração, por todo o incentivo e por ser quem
você é. É gratificante te ter como leitora e como
amiga.

Por fim, obrigada a todos vocês!


PERIGOSAS ACHERON
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