Você está na página 1de 22

14/05/2010

Eletrônica de Potência
Fontes Chaveadas

Ricardo de Oliveira Brioschi


Engenharia Elétrica
Instituto Federal do Espírito Santo - IFES

Fontes de Alimentação

As fontes de alimentação devem oferecer todas ou as


maiorias das seguintes especificações:
 Isolação entre a fonte e a carga;
 Alta densidade de potência para redução de tamanho
e peso;
 Sentido do fluxo de potência controlado;
 Eficiência da conversão elevada;
 Formas de ondas de entrada e saída com uma baixa
TDH para que os filtros sejam pequenos;
 Fator de potência controlado se a tensão da fonte for
CA.

1
14/05/2010

Fontes de Alimentação

 Os conversores de um único estágio discutidos


anteriormente não oferecem a maioria dessas
especificações
 Em geral são requeridas as conversões de
multiestágios.

Fontes de Alimentação CC Chaveadas

 Embora os conversores CC-CC sem transformador


de isolamento sejam bastante simples de serem
projetados, em algumas aplicações torna-se
necessária a utilização de conversores CC-CC
isolados
 Por questões de segurança, muitas vezes
normas são impostas para isolar a carga e a rede
elétrica.
 Possibilita que uma fonte possua várias saídas
usando um interruptor.
 O uso de transformador amplia a faixa de
variação da tensão de saída.

2
14/05/2010

Fontes de Alimentação CC Chaveadas

 Contudo, o uso do transformador de isolamento


introduz alguns problemas:
 Aumento de volume e custo.
 Perdas no núcleo e nos enrolamentos.
 Sobretensão nos semicondutores devido as
indutâncias de dispersão.

Fontes de Alimentação CC Chaveadas


Configurações
 As configurações mais comuns para a operação
PWM no estágio inversor (ou conversor CC-CA):
 Flyback
 Forward
 Conversores em ponte isolados
 Meia-ponte (Half-bridge)
 Ponte completa (Full-bridge)
 Push-pull

3
14/05/2010

Operação de um Transformador

 Transformador é um dispositivo que contém um ou


mais enrolamentos acoplados magneticamente.

NS
VB = VA
NP

NP
iB = i A
NS

Fontes de Alimentação CC Chaveadas

Flyback

4
14/05/2010

Incorporação do isolamento galvânico


ao conversor buck-boost
Conversor buck-boost

Conversor buck-boost isolado

Incorporação do isolamento galvânico


ao conversor buck-boost
- O indutor e o transformador
Vin vO podem ser integrados em um
+ único dispositivo magnético.

Atenção: Este dispositivo


magnético se calcula como um
-
indutor, e não como um
Vin NP NS vO transformador.
+  Deve armazenar energia.
 Normalmente tem entreferro
+
NP NS vO
Vin Conversor Flyback
-

5
14/05/2010

Conversor Flyback

Conversor Flyback

 O conversor flyback é derivado do conversor buck-boost, pela


substituição do indutor de acumulação de energia pelo
“transformador de isolamento”.
 A corrente não flui pelo primário e pelo secundário ao mesmo
tempo, logo o elemento magnético não se comporta como um
transformador clássico.
 O “transformador” do conversor flyback, além de sua função
clássica de isolação e adaptação dos níveis de tensão primária e
secundária, apresenta a função de indutor de acúmulo de energia
através de sua indutância magnetizante.

Conversor Flyback

Conversor Flyback

 O conversor flyback pode operar tanto no modo de condução


contínua quanto no modo de condução descontínua, de acordo com
a corrente na indutância de magnetização
 No modo de condução contínua não ocorre a desmagnetização
completa do núcleo do indutor acoplado, podendo ocorrer a
saturação do núcleo
 No modo de condução descontínua o fluxo magnético é anulado em
cada período de comutação, evitando a saturação do núcleo

6
14/05/2010

Conversor Flyback
Modo de condução contínuo
1ª. Etapa  0 < t < kT

2ª. Etapa  kT < t < T

Quais são as máximas tensões


nos semicondutores?

Análise do conversor Flyback


Modo de cond. contínuo
VControle

ton toff

Vin t
kT (1 – k)T
t
iin(t) LP

t
“Soma dos produtos iD(t) Vo
t
LS
(volts/espiras)—segundos = 0”
V V  N  V .k
k .T in − (1 − k ).T o = 0 Vo =  S  in t
 N P  (1 − k )
vDS(t)
NP
NP NS Vin +
NS
Vo

Máximas tensões nos semicondutores:


t
N V
VS max = Vin + P Vo = in vL(t)
NS (1− k ) Vin

N N  V
VD max = S Vin + Vo =  S  in NP
Vo
t

 N P  (1 − k )
NS
NP

7
14/05/2010

Conversor Duplo Flyback

Modo de condução contínuo


S1 D2 D3
 N  V .k
Vo =  S  in
 N P  (1 − k )
Vin VO
S2
NP : NS
D1 k max = 0,5
Máximas tensões
VS 1max = VS 2 max = Vin
 Dois transistores
 Baixas tensões nos VD1max = VD 2 max = Vin
semicondutores N  V
VD 3 max =  S  in
 N P  (1 − k )

Exemplo:
Projete os elementos armazenadores de energia (capacitor e indutor)
para um conversor “flyback” operando em condução contínua para
uma carga de 100W. A tensão de entrada é de 180V, a de saída
deverá ser de 50V. A ondulação da corrente deverá ser de 10% da
corrente de entrada e a ondulação da tensão deverá ser de 5% da
tensão de saída. Além disto, a relação de transformação deverá ser
igual a 2 e a frequência é de 100kHz.

 N  V .k
Vo =  S  in
 N P  (1 − k )
Vin k
∆I =
fL
Iok
∆VC =
fC

8
14/05/2010

Exemplo:

 N  V .k 180.k
Vo =  S  in 50 = 2 k = 0,12
 N P  (1 − k ) (1 − k )

100
Pin = Vin I in ⇒ I in = = 555mA
180

Vin k 180.0,12
∆I = ⇒L= = 3,9mH
fL 100000.(0,1.0,555)

Iok Po .k 100.0,12
∆VC = ⇒C = = = 960nF
fC f .Vo .∆VC 100000.50.(0,05.50 )

Exemplo:
Determine os valores máximos de tensão aplicados sobre o transistor
e o diodo no exemplo anterior.
A tensão máxima sobre o
transistor pode ser calculada:
NP + 50
NS VS max = Vin + Vo' = 180 + = 205V
Vin vO 2
S1 -
A tensão máxima sobre o
diodo pode ser calculada:

VD max = Vin' + Vo = 2.180 + 50 = 410V

9
14/05/2010

Principais características do conversor


Flyback
As principais características do conversor Flyback são:
 É um conversor à acumulação de energia;
 A saída é isolada da entrada;
 Permite ajustar a razão cíclica de operação através
da relação de transformação;
 Possibilita usar várias saídas;
 Pode operar como elevador ou abaixador;
 A corrente de saída é descontínua;
 A corrente na entrada é descontínua.

Questão: O conversor Flyback pode operar sem carga??

Fontes de Alimentação CC Chaveadas

Forward

10
14/05/2010

Incorporação do isolamento
galvânico ao conversor buck

Lm

Não deve ser feito porque o transformador é


desmagnetizado instantaneamente
(energia desperdiçada, aquecimento)

Incorporação do isolamento
galvânico ao conversor buck

D2

Lm D1

Não pode ser feito porque o transformador


não pode ser desmagnetizado
(sobretensão infinita)

11
14/05/2010

Incorporação do isolamento
galvânico ao conversor buck

Lm

Dipolo de tensão
Esta é a solução constante

Conversor Foward

O conversor Forward

Desmagnetização
V1 NP NS baseada na tensão de
entrada
Nd V1 = V2 = Vin
V2

NP NS
Vin
Nd

12
14/05/2010

O conversor Forward
Modo de condução contínuo

1ª. Etapa 0 < t < kT

Circuito equivalente do
transformador NP:NS

Circuito equivalente

O conversor Forward
Modo de condução contínuo

Quais são as máximas


tensões nos
semicondutores?

2ª. Etapa kT < t < T

Circuito equivalente

13
14/05/2010

O conversor Forward:
Etapas de operação (cond. contínua) controle

1ª. Etapa ton toff

t
kT (1-k)T

iMP(t)
Vin
t
LMP

iS(t)
( )V
NS
NP in − Vo
t
t

L
2ª. Etapa

iin(t) NS t
i S + i MP
NP

N
Vin + P Vin
VDS Nd
3ª. Etapa
Vin
t
id(t)

kT t1
tm t
(1 -k)T

O conversor Forward:
Equacionamento (cond. contínua)

O valor médio da tensão na indutância L é nulo:


 NS  N 
 Vin − Vo k .T − Vo (1 − k )T = 0 Vo =  S kVin
 NP   NP 
Ao final da 1ª. etapa (t = ton) iL = Imax:

NS NS
Vin − Vo ∆I = I max − I min Vin (1 − k )k
NP NP
I max = I min + ton ∆I L =
L Lf

14
14/05/2010

O conversor Forward:
Equacionamento (cond. contínua)
Para verificar se o conversor está em
condução contínua deve-se saber o valor
mínimo da corrente no indutor:

I min = I Lmed −
∆I ∆I
I min = I o −
( )Vin(1 − k )k
NS
NP
I min = Io −
2 2 2 Lf

Assim, pode-se determinar o valor mínimo de indutor que garante


a condução contínua, fazendo-se a corrente mínima igual a zero
(condução crítica):

L ≥ Lcrit =
( )V
NS
NP in (1− k )k
2 f Io

O conversor Forward:
Equacionamento (cond. contínua)
Cálculo do capacitor de saída: NS
Vin − Vo
VL NP
kT
L

∆Q = ∆VC C
t
-Vo

∆Q 1  T ∆I L 1  IL
∆I L
∆VC = =   2
C C  2 2 2 t
T
VC 2

∆ I LT ∆VC

C =
8 ∆V C t

NS
Vin − Vo
NP
Sendo: ∆I L = kT
L

15
14/05/2010

O conversor Forward
Modo de condução contínuo
Existe um máximo ciclo de trabalho que garante a
desmagnetização do transformador (tensão média nula),
o qual depende da relação de espiras existente.

O conversor Forward
Modo de condução contínuo
Para que a desmagnetização do núcleo seja
assegurada é necessário que, quando a razão
cíclica for máxima, ∆tm = toff. Então, analisando
o valor médio da tensão sobre a indutância de
magnetização:

Vin k maxT −
NP
Vin(1 − k max )T = 0 N d 1 − k max
Nd =
NP k max
Assim:
 N  Vin
VDS max = Vin 1 + P  VDS max =
 Nd  1 − k max

Nd = NP
Para k max = 0,5
VDS = 2Vin

16
14/05/2010

Outras formas de desmagnetizar


o transformador:
Conversor forward com desmagnetização por diodo zener:

 Esta forma prescinde a do enrolamento de desmagnetização


 A introdução de um diodo zener no secundário faz com que
circule uma corrente no momento do desligamento de T
 Esta solução provoca uma perda de energia sobre o zener,
além de limitar o ciclo de trabalho em função da tensão

Outras formas de desmagnetizar


o transformador:
VC Φ Φmax
Vin t
Snubber RCD vi/ni
+
Vin/NP
t
-
VC/NP

Lm
Vin Ld
 Baixo rendimento
 Integração de componente parasitas
☺ Útil para retificador síncrono autoexc.

17
14/05/2010

Outras formas de desmagnetizar o


transformador: Desmagnetização ressonante

+ (Resonant reset)
vT
Vin - vT
+ t
-

Lm
Vin Ld
 Pequena variação de Vin
 Integração de componentes parasitas
☺ Útil para retificador síncrono autoexc.

Outras formas de desmagn. o transf.:


Conversor Forward com dois transistores

S1 D2 D4
VO
Φ Φmax
Vin S2 D3 t
NP : NS vi/Ni
D1 Vin/NP
+
kmax = 0.5 t
-
VO = k—Vin—NS/NP (em modo continuo) Vin/NP
VS1 max = VS2 max =Vin  Dois transistores
VD1 max = VD2 max = Vin ☺ Tensão máxima no
VD3 max = VD4 max = Vin—NS/NP transistor igual a Vin

18
14/05/2010

Fonte com múltiplas saídas: Uma saída


controlando o chaveamento do transistor e
as outras com regulador linear

Pos-reguladores
lineares

☺ Eficiente
 Regula-se apenas uma saída (usualmente a  Caro
de maior corrente)  Complexo
 As outras são usados reguladores lineares

Fontes com múltiplas saídas baseados em


um único conversor (regulação cruzada)

 Regula-se apenas uma


saída (usualmente a de
maior corrente)
 As outras ficam
parcialmente reguladas

Importante: a impedância
parasita associada a cada saída
deve ser a menor possível

19
14/05/2010

Os conversores “flyback” e “forward”


com regulação cruzada

Funciona bem se o
transformador estiver bem feito

Pior:
1. Presença do indutor de filtro.
2. Os modos de condução de cada
saída podem ser diferentes.

Melhorando a regulação cruzada em o


conversor “forward”

Os dois
N4 enrolamentos
NS2 operam no mesmo
modo de condução

Condição de projeto:
N3
N S1 N 3
NS1 =
NS 2 N4

20
14/05/2010

VL

L
Vo
C

Exemplo: Vin
NP
Nd
NS

Deseja-se projetar um conversor forward em condução contínua para


alimentar uma carga de 250W. A tensão de entrada é de 180V e a de saída
deverá ser de 100V. Escolheu-se a frequência de 80kHz para o chaveamento
e uma relação de transformação igual a 1,5. Determine:
a) A razão cíclica;
b) A relação de transformação entre o primário e o enrolamento de
desmagnetização, de tal forma que o transformador se desmagnetize
exatamente ao final de cada período;
c) A indutância necessária para reduzir a ondulação de corrente a 5% da
corrente média de saída;
d) Os valores máximos de tensão sobre o transistor e cada um dos diodos;
e) A capacitância de filtro para que a ondulação na saída não seja superior
a 5% da tensão média de saída.
NS
N  Vin (1 − k )k N d 1 − k max ∆ I LT
Vo =  S kVin ∆I L =
NP = C =
 NP  Lf NP k max 8 ∆V C

Exemplo:
N  100
a) Vo =  S kVin k= = 0,37
 NP  1,5.180
b) Para este cálculo, note que o circuito de desmagnetização e o de
primário do circuito formam um conversor “flyback”. Então, é possível
utilizar a equação do “flyback” com Vo = Vin e Nd = NS que adapta para
esta situação. Assim:
 N  V .k N d (1 − k ) N d (1 − 0,37 )
Vo =  S  in = = = 1,7
 N P  (1 − k ) NP k NP 0,37

c) Na magnetização  ∆I = =
(
VL .ton Vin' − Vo kT )
L L
250
 N  V k (1 − k ) Io = = 2,5 A 180.0,37.(1 − 0,37)
L =  S  in 100 L = 1,5 = 6,3mH
f∆I 80000.(0,05.2,5)
 NP 

21
14/05/2010

Exemplo:
d)  Para o transistor, temos:
180
VS max = Vin + Vin' = 180 + = 285,9V
1,7
 Para o diodo principal, temos:
180
VDp max = Vin' = 1,5 = 158,8V
1,7
 Para o diodo de
desmagnetização, temos:

VDd max = Vin + Vin' = 180 + 1,7.180 = 486V

 Para o diodo de roda livre, temos:

VDrl max = Vin' = 1,5.180 = 270V

Principais características do conversor


Forward
As principais características do conversor Forward são:
 É um conversor de transferência direta de energia;
 A saída é isolada da entrada;
 Permite ajustar a razão cíclica de operação através
da relação de transformação;
 Possibilita usar várias saídas;
 Pode operar como abaixador, devido apenas à razão
cíclica;
 A corrente de saída é de boa qualidade;
 A corrente na entrada é descontínua.

Questão: O conversor Forward pode operar sem carga??

22