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Educação, Ciência e Inovação

Santa Maria, RS, 11 a 13 de novembro de 2009

ENRAIZAMENTO DE DIFERENTES TIPOS DE ESTACAS DE STREPTOSOLEN


JAMESONII ¹

Schwab, N. T.²; Neuhaus, M.³; Bellé, R. A.³; Backes, F. A. A. L.³


¹ Trabalho de Pesquisa_UFSM
² Curso de Pós-graduação em Engenharia Agrícola da Universidade federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil.
³ Curso de Agronomia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil
E-mail: natalia_schwab@hotmail.com

RESUMO
O experimento foi desenvolvido no Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Santa
Maria no período de maio a junho de 2009 e teve como objetivo avaliar o enraizamento de estacas herbáceas,
semi-lenhosas e lenhosas de Streptosolen jamesonii. Os diferentes tipos de estacas foram coletadas de um
matrizeiro localizado junto ao Departamento, sendo então classificadas e padronizadas à 10 cm. Posteriormente
foram tratadas com ácido indolbutírico (AIB) 1000 ppm, veiculado em pó. As diferentes estacas foram colocadas
para enraizar em estufim contendo casca de arroz carbonizada, onde permaneceram por 5 semanas até sua
avaliação. Foram avaliados: número de raízes, comprimento médio de raízes e o número de brotos. Os
resultados obtidos neste trabalho mostraram que há diferenças no enraizamento de estacas herbáceas,
semi-lenhosas e lenhosas de Streptosolen jamesonnii.
Palavras-chave: Streptosolen jamesonii, Marianinha, estaquia, ácido indolbutírico.

1. INTRODUÇÃO
A Streptosolen jamesonii, popularmente conhecido como Marianinha, é um arbusto
ornamental, pertencente à Família Solanaceae, que possui floração abundante capaz de perdurar por
várias semanas (SHUEL, 1961). É uma planta originária da Colômbia e Equador e possui belíssimas
inflorescências formadas durante o outono-inverno. Sua propagação pode ser realizada facilmente por
intermédio de estacas, que devem ser preparadas após o período de florescimento da espécie
(LORENZI & SOUZA, 2008).
Chalfun & Hoffmann (1997, apud TREVISAN et al., 2008) afirmam que diversos fatores, tanto
endógenos quanto exógenos, são capazes de influenciar o enraizamento de diferentes espécies
vegetais e, por se tratarem de tantos fenômenos, este processo se torna de compreensão um tanto
complexa.
Um dos fatores que deve ser observado durante a retirada das estacas da planta matriz, é a
origem do ramo e em que posição do ramo a estaca se encontra, pois este fator é de grande
relevância no desenvolvimento das mudas por promover enormes variações (FRASSETTO, 2007).
Quando retidas de diferentes posições (basais, medianas e apicais), as estacas apresentam
variações quanto ao enraizamento, pois nestas posições, aspectos como lignificação, metabolismo e
teor de carboidratos variam (HARTMANN et al., 1997). As estacas herbáceas estão localizadas nas

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partes apicais dos ramos, são mais tenras e possuem maior quantidade de material meristemático.
Em contrapartida as estacas lenhosas ficam localizadas na parte basal do ramo, apresentam maior
lignificação e reserva de carboidratos, o que as torna mais rígidas. A denominadas semi-lenhosas,
são estacas encontradas na porção mediana dos ramos e apresentam características intermediárias
as demais.
O tamanho da estaca também deve ser observado, já que se demasiadamente longas,
podem aumentar a susceptibilidade à desidratação devido à maior demanda de água para suprir a
quantidade de tecido vivo (FRASSETTO, 2007).
A aplicação de reguladores vegetais, como o ácido indolbutírico (AIB), tem sido empregada
por produtores de mudas por proporcionar maior precocidade e homogeneidade no enraizamento de
estacas (CUQUEL & MINAMI, 1994). Vários pesquisadores têm estudado as doses e a forma de
veiculação deste hormônio, sendo que as recomendações variam de espécie para espécie e de
acordo com a origem do material vegetal empregado (KOFRANEK, 1992; TOFANELLI et al., 2002;
FUKASAWA et al., 2004).
O objetivo do trabalho foi determinar qual o tipo de estaca deve ser preferencialmente utilizado
na propagação vegetativa de Streptosolen jamesonii, de modo a obter um melhor desenvolvimento de
raízes em um curto espaço de tempo, tornando a propagação por estaquia desta espécie
comercialmente viável.

2. METODOLOGIA
O experimento foi realizado no Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Santa
Maria, Santa Maria – RS, no período entre 21/05/2009 e 25/06/2009. O experimento foi conduzido em
delineamento inteiramente casualizado, com 14 repetições. Os tratamentos foram constituídos de três
tipos diferentes de estacas: herbácea, semi-lenhosa e lenhosa.
As estacas foram coletadas de um matrizeiro localizado no Departamento de Fitotecnia da
UFSM em 21 de maio de 2009, classificadas e padronizadas em 10 cm de comprimento. Estas foram
então tratadas com Ácido Indolbutírico (AIB) 1000 ppm veiculado em talco. Posteriormente as
mesmas foram colocadas em estufim contendo como substrato casca de arroz carbonizada (CAC),
recebendo irrigação sempre que necessário. No dia 25/06/2009, período correspondente a cinco
semanas desde o estaqueamento, as mesmas foram retiradas cuidadosamente e efetuadas as
avaliações do número de brotos da parte aérea, número de raízes e comprimento médio de raízes.
A análise estatística dos dados obtidos foi realizada através do software STATISTICA 6.0,
seguindo o modelo de análise para o delineamento inteiramente casualizado, constando inicialmente
da análise de variância e teste F. Quando o efeito mostrou-se significativo, foi aplicado aos resultados
o teste de Tukey em nível de 5% de probabilidade de erro.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

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Na tabela 1 é possível notar que as estacas lenhosas e semi-lenhosas apresentaram número


de raízes inferior ao ocorrido com as estacas hebáceas. Isso se deve ao fato de que as estacas
herbáceas apresentam alta atividade meristemática e síntese de auxina (LIMA et al., 2006), o que
promove de maneira mais eficiente seu enraizamento, embora algumas vezes, por serem mais
tenras, são vulneráveis ao estresse hídrico. As estacas semi-lenhosas e, principalmente as lenhosas,
possuem maiores reservas de carboidratos, o que resulta em maior espessura esclerenquimática,
constituindo barreira física ao enraizamento das mesmas (FACHINELLO et al., 1995).
Quanto ao comprimento médio das raízes (Tabela 1), as estacas herbáceas e semi-lenhosas
não diferiram estatisticamente, apresentando resultados superiores aos obtidos pelas estacas lenhosa
de 61% e 105% respectivamente. O pior resultado obtido para esse parâmetro, o das estacas
lenhosas, ocorreu provavelmente devido à dificuldade de extrusão radicular.
Observando o número de brotos desenvolvidos na parte aérea das estacas (Tabela 1), é
possível notar que existem diferenças entre as estacas herbáceas e lenhosas, apresentando essas,
os melhores resultados. Já as estacas semi-lenhosas não diferiram das demais para este critério.
Sugere-se que novas investigações sejam feitas de modo a testar a qualidade e
desenvolvimento à campo das mudas provenientes dos diferentes tipos de estacas, já que os
parâmetros aqui avaliados não são suficientes para afirmar que a superioridade da muda está
relacionada com a posição de onde a estaca é originada.

Tabela 1 – Valores médios de número de brotos, número de raízes e comprimento médio de raízes de Streptosolen jamesonii
em função de diferentes tipos de estacas. Santa Maria, 2009

Tratamentos Número de raízes Comprimento médio de raízes Número de brotos


Herácea 68,28 a 2,16 a 1,00 b
Semi-lenhosa 48,92 b 1,70 a 1,57 ab
Lenhosa 33,64 b 1,05 b 2,14 a
*Médias da mesma coluna seguidas de uma mesma letra não diferem entre si ao nível de 5% de probabilidade pelo teste de
Tukey.

4. CONCLUSÕES
Todos os tipos de estaca selecionados neste experimento podem ser utilizados na
propagação vegetativa de Streptosollen jamesonii, sendo que esta escolha pode influenciar na
qualidade final da muda.

5. REFERÊNCIAS
CUQUEL, F. L.; MINAMI, K. Enraizamento de estacas de crisântemo [Dendranthema morifolium
(RAMAT.) TZVELEV] tratadas com Ácido Indolbutírico veiculado em talco. Scientia Agrícola,
Piracicaba, SP, 1994. p. 28-35.
FACHINELLO, J. C. et al. Propagação de plantas frutíferas de clima temperado. Pelotas: UFPEL,
1995. 179p.

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FRASSETTO, E. G. Enraizamento adventício de estacas de Sebastiania schottiana Müll. Arg. 2007.


113f. Tese (Doutorado em Engenharia Florestal) – Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria,
RS. 2007.
FUKASAWA, S. T.; CAMPOS, D. V. A.; WADA, J. F.; LASCHI, D. Efeito da aplicação de IBA no
enraizamento de Begônia. Congresso Brasileiro de Olericultura, 2004 Campo Grande, MG.
Horticultura Brasileira, 2004, v.22, p. 1-5.
HARTMANN, H. T.; KESTER, D. E.; DAVIES JR., F. T.; GENEVE, R; L. Plant Propagation: Principles
and Practices. 6.ed. New Jersey: Prentice Hall, 1997. 770p.
KOFRANEK, A. M. Cut Chrysanthemums. In: LARSON, A. R. (Eds.). Introduction to Floriculture.
Second Edition. San Diego, California: Academic Press, 1992. p. 5-40. 636p.
LORENZI, H.; SOUZA, H. M. Plantas ornamentais do Brasil: arbustivas, herbáceas e trepadeiras. 3.
Ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2008. 1088p.
SHUEL, R. W. Influence of reproductive organs on secretion of sugars in flowers of Streptosolen
jamesonii, Miers.Plant Physiology, p. 265-271, 1961.
TOFANELLI, M. B. D.; ONO, E. O.; RODRIGUES, J. D. Enraizamento de estacas lenhosas de
pessegueiro tratadas com ácido indol-butírico em diferentes concentrações e métodos de aplicação.
Revista Brasileira de Agrociência, Pelotas, RS, 2002. p. 159-160.

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