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Módulo 1· Orientações preliminares – Dissertação


Iniciamos este curso de Texto e Redação por algumas O tamanho dos parágrafos depende do que se tem a di-
orientações básicas sobre a dissertação, modalidade de re- zer em cada um deles, mas é bom que a diferença de tama-
dação mais exigida nos vestibulares. nho entre um e outro não chegue a chamar a atenção.
As observações a seguir são muito oportunas, dada a Quanto à quantidade deles, depende também das ne-
importância delas no contexto da dissertação escolar, além cessidades para se dizer tudo o que se quer em relação ao
de serem fruto de inúmeras interrogações entre vestibulan- tema discutido, no entanto o comum tem sido entre quatro
dos, durante o ano letivo. a seis parágrafos.
O título: caso seja pedido nas instruções da prova, não Diálogo com o leitor: proibido. A interlocução é extre-
pode ser esquecido. Deve ser criado apenas antes de se pas- mamente ruinosa para a avaliação do texto, a não ser que
sar a redação a limpo, e não antes. Ele deve inspirar-se no as instruções permitam ou determinem esse uso.
conteúdo do texto, e não no tema. Se possível, que seja Recurso visual: proibido. Não se pode usar sinais mate-
curto, indireto (metafórico), sem forma verbal e centrali- máticos, por exemplo, nem maiúsculas alegorizantes, pala-
zado na folha. vras sublinhadas ou grifadas nem mesmo sinais de pontua-
Epígrafe: tem valor apenas decorativo, o que caracteri- ção não oficiais, como ?! ou !!!, além de outros.
za um risco desnecessário. Mas, caso você resolva fazer uso Gíria, estrangeirismo, sigla, abreviatura, numeral:
dela, “amontoe” as palavras no canto superior esquerdo da devem ser evitados, mas há circunstâncias em que o em-
folha, finalizando com a indicação do autor da frase. prego é possível.
Os espaços: o ideal é “pular” uma linha entre o título e Alusão histórica, analogia, citação, contra-argumen-
o início do texto. Se não houver título, deve-se começar a tação: mais à frente, neste curso, haverá orientações para
escrever já na 1ª linha. o emprego desses recursos, contudo se você já tem alguma
O tradicional espaço no início dos parágrafos deve ser experiência nesse sentindo, aplique-a em algumas das suas
respeitado, com as linhas sendo ocupadas inteiramente. A futuras redações e peça ao professor para fazer uma ava-
última linha do parágrafo poderá ou não ser totalmente liação.
preenchida, já que isso depende da finalização de cada pa- Linguagem: a linguagem ideal para a dissertação é a
rágrafo. chamada linguagem jornalística: objetiva, clara, didática,
Letra: preferentemente a cursiva, mas a chamada “de informativa. Procure, portanto, ler regularmente determi-
forma” é normalmente aceita pelas bancas dos vestibulares. nadas seções de jornais diários e de revistas semanais, con-
É indispensável, claro, que seja legível. forme a orientação de seu professor. Esse tipo de leitura é
Dimensões: o tamanho da redação deverá estar indica- indispensável.
do nas instruções e deve ser obedecido, mas a maioria dos
vestibulares mais importantes não determina; nesse caso,
convém que o texto tenha de 20 a 25 linhas, aproximada-
mente.

Exercícios Resolvidos

Escrever é um ato que exige empenho... A tarefa pode ir ficando paulatinamente mais fácil para
Muitas pessoas acreditam que aqueles que redigem com profissionais que escrevem muito, todos os dias, mas mes-
desenvoltura executam essa tarefa como quem respira, sem a mo esses testemunham que escrever é um trabalho exigente,
menor dificuldade, sem o menor esforço. Não é assim. Escrever cansativo e, muitas vezes, frustrante. Sempre queremos um
é uma das atividades mais complexas que o ser humano pode texto ainda melhor do que o que chegamos a produzir e pou-
realizar. Faz rigorosas exigências à memória e ao raciocínio. A cas vezes conseguimos manter na linguagem escrita todas as
agilidade mental é imprescindível para que todos os aspectos sutilezas da percepção original acerca de um fato ou um pen-
envolvidos na escrita sejam articulados, coordenados, harmo- samento. O que admiramos na literatura é justamente essa
nizados de forma que o texto seja bem-sucedido. especificidade, essa possibilidade de expandir pela palavra
Conhecimentos de natureza diversa são acessados para escrita emoções, pensamentos, sensações, significados, que
que o texto tome forma. É necessário que o redator utilize nós, leigos, não conseguimos traduzir com propriedade.
simultaneamente seus conhecimentos relativos ao assunto Lucília H. do Carmo Garcez. Técnica de redação – o que
de que quer tratar, ao gênero adequado, à situação em que é preciso saber para bem escrever. São Paulo:
Martins Fontes, 2001. Fragmento
o texto é produzido, aos possíveis leitores, à língua e suas
possibilidades estilísticas. Portanto, escrever não é fácil e,
principalmente, escrever é incompatível com a preguiça.
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1. O que significa a expressão “texto bem-sucedido”? (Li- 2. Consta que, quando o poeta romântico Gonçalves Dias
nha 8) recebia um elogio por causa da sua produção escrita, poesia
ou não, ele respondia que escrever compunha-se de 10% de
Resposta: Texto bem-sucedido significa que o conteú- inspiração e 90% de esforço, transpiração. Copie do texto
do escrito atingiu plenamente o objetivo pretendido, que de Lucília H. do Carmo um pequeno trecho equivalente à
é o de transmitir a mensagem. Isso só será possível se o premissa do poeta.
texto apresentar características como adequação ao tema
proposto, linguagem clara, coesão, coerência, resultando Resposta: “Escrever é uma das tarefas mais comple-
num todo lógico. xas que o ser humano pode realizar”; “Faz rigorosas exi-
gências à memória e ao raciocínio”; “A agilidade mental
é imprescindível...”; “Conhecimentos de natureza diversa
são acessados para que o texto tome forma”; “É necessário
que o redator utilize simultaneamente seus conhecimen-
tos relativos ao assunto de que quer tratar.”; “... escrever
é incompatível com a preguiça.”; “escrever é um trabalho
exigente.”

Exercícios de Aplicação

Leia o texto e responda às questões a seguir. embriaguez que sentimos é causada por uma substância
parecida com a anfetamina, prima da dopamina, colega da
01 Estou me transformando num daqueles nostálgicos que 35 norepinefrina. O sorriso idiota é a feniletilamina. A oxito-
vivem lamentando que o mundo não é mais como era an- cina sensibiliza os nervos e simula contrações musculares,
tigamente, um daqueles sentimentais com ar de náufrago além de levar à produção do leite materno e induzir as
que recrimina os tempos modernos, a perda da inocência mães a acariciar os bebês com a ponta do nariz. É um pro-
05 e outras coisas vãs. Mas no caso do amor, ah, o amor sem- duto versátil que dá força ao orgasmo. Todo esse sistema
pre foi o mesmo, o querido amor de nossas vidas ermas e 40 pode ser acionado como um palito de fósforo riscado. E o
vadias, o amor cantado nos versos e nas prosas, o amor amor do futuro poderá ser criado em proveta, ou tomado
ponderado à luz do luar, o amor cortês, o amor romântico, o em vitaminas.
amor correspondido, o ignorado, o platônico, o amor-ódio, Ah, que delícia, logo poderemos amar sem dúvidas e
10 o maternal. Todos sempre foram o mesmo amor. Aquele na medida certa. Nossas paixões serão com hora marcada
sentimento inexplicável feito de mistério e fascinação. Era 45 e as declarações de amor emitidas pelos laboratórios.
um estado de espírito insondável, embora Baudelaire já Ana Miranda – jornal O Dia
suspeitasse que toute passion a sa raison d’être.
Porém fiquei sabendo, graças a um amigo, aquele das 1. No primeiro parágrafo, a autora conceitua a ideia de
15 sociedades das florestas, que o amor já tem, sim, uma que o amor:
explicação. Os cientistas descobriram. Cientistas norte- a) é um sentimento mutável, plenamente compreensível
-americanos, claro. Eles estão sempre descobrindo uma pelo ser humano.
nova explicação para os mistérios da natureza. Pasmem, b) é cientificamente explicável, por isso facilmente com-
amigos. O amor é um fenômeno químico. Feito de impres- preendido por todos.
20 sões cerebrais, secreções biológicas, cascata de neuroquí- c) a ciência tornou a prática do amor mais fácil por tê-lo
micos jogados na corrente sanguínea. Aquele furacão que explicado totalmente.
perpassa o nosso corpo quando encontramos alguém, d) apesar de ser o mesmo, continua a ser um sentimento
aquele frêmito no coração depois de um cruzar de olhares, inexplicável.
o fogo feroz, a febre implacável, o delírio paralelo, aquele e) é sentimento perfeitamente explicável, feito de misté-
25 ímpeto irracional de querer beijar os lábios da pessoa elei- rio e fascinação.
ta, os negros encantamentos, a infernal série de alvoroços,
as lágrimas, a obsessão pelas joias do corpo, aquela von- Resposta: D
tade de morrer se não tivermos o ente amado nos braços, A autora afirma que o amor sempre foi o mesmo e não
nada mais são do que uma reação de produtos químicos tem explicações científicas.
30 em nosso corpo combalido.
Quando as nossas mãos ficam geladas diante da pes-
soa amada, ou as nossas faces vermelhas, estamos dentro
de um padrão químico reconhecível. A euforia, a gula, a
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2. Pode-se concluir que a autora: 3. Aponte o item em que se definiu erradamente o signi-
a) encara com desprezo a explicação da ciência para os ficado do vocábulo:
fenômenos amorosos. a) ermas (1º parágrafo, 6ª linha) – difíceis, complexas,
b) vê com ironia e dúvida a explicação dada pela ciência inexplicáveis.
para os fenômenos amorosos. b) ponderado (1º parágrafo, 8ª linha) – sensato, racional,
c) recebe com otimismo e entusiasmo a interferência da equilibrado.
ciência nas questões amorosas. c) insondável (1º parágrafo, 12ª linha) – incompreensível,
d) mostra-se irritada com a interferência da ciência nas misterioso, inexplicável.
questões amorosas. d) perpassa (2º parágrafo, 22ª linha) – passar junto ou ao
e) não vê com alegria a possibilidade de poder viver o longo de, roçar.
amor planejadamente e até com hora marcada. e) combalido (3ª parágrafo, 30ª linha) – enfraquecido,
abatido.
Resposta: B
A interpretação de todo o texto possibilita essa respos-
ta. A leitura das linhas 15-20 e do último parágrafo confir- Resposta: A
ma essa visão irônica da autora. O significado do vocábulo “ermas” é: que está só ou de-
sacompanhado, solitário.

Exercícios Propostos

4. (Mackenzie-SP) Texto para as questões 5 e 6

É muito mais inteligente pagar R$ 12 por adolescente num


projeto de aprendizagem do que R$ 1.700 na Febem. Se não
for por ética, é preciso romper com o sistema de exclusão
social por inteligência.
Viviane Senna

5. (Mackenzie-SP) De acordo com o texto:


a) ética e inteligência são inconciliáveis quando se trata
de exclusão social.
b) diminuir gastos com a punição de adolescentes elimina
a exclusão social.
c) controlar os custos envolvidos é prioridade quando o
assunto é exclusão social.
d) bastaria a ética, mas aspectos financeiros podem aju-
dar a convencer da necessidade de agir contra a exclusão
social.
e) os projetos educacionais da Febem são caros quando
O texto permite afirmar que: comparados aos oferecidos por outras instituições educa-
tivas.
a) a maioria dos pais prefere ignorar o que os filhos veem
pela TV. 6. (Mackenzie-SP) Considere as afirmativas abaixo sobre
b) a mãe da menina é extremamente rígida em relação ao o trecho “é preciso romper com o sistema de exclusão social
cumprimento de horários. por inteligência”.
c) os desenhos animados são a parte mais violenta da pro- I. Fora do contexto, daria margem a duas interpreta-
gramação de TV no Brasil. ções, já que sua estruturação sintática é ambígua.
d) no Brasil, a cada hora, são exibidas sessenta mortes II. Deve, no texto em que se insere, ser interpretado
pela TV. como “É preciso romper, por inteligência, com o sistema de
e) a quantidade de mortes na TV pode funcionar como um exclusão social“.
parâmetro temporal. III. Corresponde a um registro coloquial da língua, por
antepor o predicado ao sujeito.
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Assinale: I. Hoje, dez anos depois daquele almoço, estou certo de


a) se apenas as afirmativas I e II estiverem corretas. que ela acertou.
b) se apenas as afirmativas II e III estiverem corretas. II. Hoje, dez anos depois daquele almoço, estou conven-
c) se apenas as afirmativas I e III estiverem corretas. cido de que ela estava certa.
d) se apenas a afirmativa I estiver correta. III. Hoje, dez anos depois daquele almoço, tenho certeza
e) se apenas a afirmativa III estiver correta. de que ela tinha razão.
IV. Hoje, dez anos depois daquele almoço, acredito que
ela poderia estar certa.
7. A leitura da palavra é sempre precedida da leitura do a) I e II.
mundo. b) II e III.
Paulo Freire c) I, II e III.
d) I, III e IV.
Relativamente a essa frase, responda às seguintes ques- e) II, III e IV.
tões:
a) Em que consiste a “leitura do mundo”? 10. (Unicamp) Uma das últimas edições do Jornal Visão de
b) Como a “leitura do mundo” ajuda-nos a escrever melhor? Barão Geraldo trazia em sua seção “Sorria” esta anedota:
No meio de uma visita de rotina, o presidente daquela
8. Interprete, com suas palavras, a seguinte afirmação: “O enorme empresa chega ao setor de produção e pergunta ao
texto é um tecido, uma estrutura construída de tal modo encarregado:
que as frases não têm significado autônomo: num texto, o — Quantos funcionários trabalham neste setor?
sentido de uma frase é dado pela correlação que ela mantém Depois de pensar por alguns segundos, o encarregado
com as demais. Sem isso, não há lógica, não há texto.” responde:
— Mais ou menos a metade!
9. (Vunesp-modificado) No período “Hoje, dez anos depois a) Explique o que quis perguntar o presidente da empresa.
daquele almoço, tenho certeza de que ela estava certa”, o b) Explique o que respondeu o encarregado.
cronista Antônio Prata (1977) poderia ter evitado o efeito c) Um dos sentidos de trabalhar é ‘estar empregado’. Su-
redundante devido ao emprego próximo de palavras cogna- pondo que o encarregado entendesse a fala do presidente
tas (certeza – certa). Leia atentamente as quatro possibi- da empresa nesse sentido e quisesse dar uma resposta cor-
lidades a seguir e identifique as frases em que tal efeito de reta, que resposta teria que dar?
redundância é evitado, sem que sejam traídos os sentidos
do período original.

Proposta de Redação

1. (UFRJ-2009) Pensar ou agir de modo distinto do da LOUCURA


maioria das pessoas pode ser visto como algo simplesmente A loucura é diagnosticada pelos sãos, que não se sub-
diferente, ou como inadequação, ou até mesmo como lou- metem a diagnóstico. Há um limite em que a razão deixa de
cura. ser razão, e a loucura ainda é razoável.
Considerando a afirmativa acima e os trechos abaixo,
elabore um texto dissertativo-argumentativo em que você LUCIDEZ
apresente suas reflexões a respeito do olhar sobre a norma- Somos lúcidos na medida em que perdemos a riqueza de
lidade/anormalidade. imaginação.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Prosa seleta. Rio
Dizem que sou louco de Janeiro: Nova Aguilar, 2003. p. 928
Por pensar assim
Se eu sou muito louco Orientações
Por eu ser feliz 1. Evite copiar passagens dos fragmentos apresentados.
Mais louco é quem me diz 2. Redija seu texto em prosa, de acordo com a norma culta
Que não é feliz, não é feliz escrita da língua.
BATISTA, Arnaldo e LEE, Rita. “Balada do louco”. www.ritalee.com.br 3. Redija um texto de 25 a 30 linhas.
4. Não se esqueça de atribuir um título a seu texto.
Normalidade é a habilidade para se adaptar ao mundo ex-
terior com satisfação e para dominar a tarefa de culturação.
MENINGER, K. In: Ballone GJ - Diagnóstico psiquiátrico - In: PsiqWeb,
Internet, disponível em: www.psiqweb.med.br, revisto em 2005
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Módulo 2· A coletânea
Nos últimos anos, na maioria dos vestibulares, inclu- “(...) o jovem valoriza o próprio corpo como suporte de
sive e principalmente nos mais concorridos, vem se inten- sua hiperatividade e como veículo de sedução. Uma quan-
sificando a prática de apresentar o tema, ou a proposta de tidade significativa deles desenvolve atividades esportivas
redação, com a ajuda de textos de apoio, identificados como com esses objetivos (...)”
coletânea. Esses textos devem ser lidos pelo candidato, que 1. “(...) como usa o corpo como veículo de sedução, é
fará uso ou não das ideias presentes neles, e cujo conteúdo, grande a quantidade de jovens que desenvolvem atividades
evidentemente, está relacionado ao tema proposto. esportivas e de musculação, com esse objetivo, (...)”
Essa utilização deve obedecer a algumas regras, no ge- 2. “(...) O jovem preocupa-se muito com o seu físico,
ral, baseadas no bom senso, conforme veremos adiante. pois, se ele for bonito, sarado, poderá seduzir mais garotas
Observe a seguir um fragmento de um texto de apoio apre- ou ao menos aquela de quem ele mais gosta, tanto que as
sentado em um vestibular (UFPE) recente e, depois, três academias de musculação estão sempre cheias deles, bem
trechos de redações de candidatos dessa prova. Note que a como os espaços de práticas esportivas. (...)”
inclusão ou o aproveitamento, por parte desses alunos, de 3. “(...) Como a aparência física é um dos valores
uma ideia presente no fragmento dado, teve diferentes ín- capitalistas, a juventude tenta extrair o máximo de van-
dices de adequação, que serão comentados pelo professor. tagem dela, inclusive no campo amoroso. Isso explica, em
parte, por que a presença de jovens, nos lugares em que se
busca a melhora física, é grande. (...)”

Exercícios Resolvidos

1. Apesar de a existência da coletânea ser do conhecimen- Resposta:


to de todo vestibulando, nem sempre ele sabe exatamente a) Depende das instruções da proposta, mas, em geral,
como se conduzir em relação à sua utilização na redação não.
que vai escrever. As perguntas abaixo, apresentadas como b) Sim, mas usar alguma de suas ideias, com toda a
exercício, são comumente ouvidas pelos professores de re- certeza, enriquecerá o texto.
dação. Tente respondê-las juntamente com o seu professor. c) Pode, mas se o uso for muito intenso, a(s) ideia(s)
a) A utilização de ideias do texto de apoio, por parte do de sua autoria ficará(ão) sem espaço no texto.
aluno, é obrigatória? d) Sim, mas desde que na forma de citação.
b) A coletânea pode ser ignorada, ou seja, não ter qualquer e) Sim, mas convém conferir se as instruções, proíbem
aproveitamento no texto que está sendo produzido? tal prática.
c) O texto de apoio pode ser largamente usado na redação,
ou tem limite?
d) É permitido copiar trecho do texto de apoio na reda-
ção?
e) Algum trecho da coletânea pode ser usado como cita-
ção?
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Exercícios de Aplicação

Texto para as questões de 1 a 3

As crônicas da vila de Itaguaí dizem que em tempos plorada. Simão Bacamarte compreendeu que a ciência
remotos vivera ali um certo médico, o Dr. Simão Baca- 50 lusitana, e particularmente a brasileira, podia cobrir-
marte, filho da nobreza da terra e o maior dos médicos -se de “louros imarcescíveis” – expressão usada por ele
do Brasil, de Portugal e das Espanhas. Estudara em mesmo, mas em um arroubo de intimidade doméstica;
5 Coimbra e Pádua. Aos trinta e quatro anos regressou ao exteriormente era modesto, segundo convém aos sabe-
Brasil, não podendo el-rei alcançar dele que ficasse em dores.
Coimbra, regendo a universidade, ou em Lisboa, expe- 55 — A saúde da alma, bradou ele, é a ocupação mais
dindo os negócios da monarquia. digna do médico.
— A ciência, disse ele a Sua Majestade, é o meu — Do verdadeiro médico, emendou Crispim Soares,
10 emprego único; Itaguaí é o meu universo. boticário da vila, e um dos seus amigos e comensais.
Dito isso, meteu-se em Itaguaí, e entregou-se de A vereança de Itaguaí, entre outros pecados de que
corpo e alma ao estudo da ciência, alternando as curas 60 é arguida pelos cronistas, tinha o de não fazer caso dos
com as leituras, e demonstrando os teoremas com ca- dementes. Assim é que cada louco furioso era trancado
taplasmas. Aos quarenta anos casou com D. Evarista em uma alcova, na própria casa e, não curado, mas des-
15 da Costa e Mascarenhas, senhora de vinte e cinco anos, curado, até que a morte o vinha defraudar do benefício
viúva de um juiz de fora, e não bonita nem simpática. da vida; os mansos andavam à solta pela rua. Simão
Um dos tios dele, caçador de pacas perante o Eterno, e 65 Bacamarte entendeu desde logo reformar tão ruim cos-
não menos franco, admirou-se de semelhante escolha e tume; pediu licença à Câmara para agasalhar e tratar
disse-lho. Simão Bacamarte explicou-lhe que D. Evaris- no edifício que ia construir todos os loucos de Itaguaí,
20 ta reunia condições fisiológicas e anatômicas de primei- e das demais vilas e cidades, mediante um estipêndio,
ra ordem, digeria com facilidade, dormia regularmente, que a Câmara lhe daria quando a família do enfermo o
tinha bom pulso, e excelente vista; estava assim apta 70 não pudesse fazer. A proposta excitou a curiosidade de
para dar-lhe filhos robustos, sãos e inteligentes. Se além toda a vila, e encontrou grande resistência, tão certo é
dessas prendas, únicas dignas da preocupação de um que dificilmente se desarraigam hábitos absurdos, ou
25 sábio, D. Evarista era mal composta de feições, longe de ainda maus.
lastimá-lo, agradecia-o a Deus, porquanto não corria o A ideia de meter os loucos na mesma casa, vivendo
risco de preterir os interesses da ciência na contempla- 75 em comum, pareceu em si mesma sintoma de demên-
ção exclusiva, miúda e vulgar da consorte. cia e não faltou quem insinuasse à própria mulher do
D. Evarista mentiu às esperanças do Dr. Bacamar- médico.
30 te, não lhe deu filhos robustos nem mofinos. A índole — Olhe, D. Evarista, disse-lhe o Padre Lopes, vigário
natural da ciência é a longanimidade; o nosso médi- do lugar, veja se seu marido dá um passeio ao Rio de
co esperou três anos, depois quatro, depois cinco. Ao 80 Janeiro. Isso de estudar sempre, sempre, não é bom,
cabo desse tempo fez um estudo profundo da matéria, vira o juízo.
releu todos os escritores árabes e outros, que trouxera D. Evarista ficou aterrada. Foi ter com o marido,
35 para Itaguaí, enviou consultas às universidades italia- disse-lhe “que estava com desejos”, um principalmen-
nas e alemãs, e acabou por aconselhar à mulher um te, o de ir ao Rio de Janeiro e comer tudo o que a ele
regímen alimentício especial. A ilustre dama, nutrida 85 lhe parecesse adequado ao certo fim. Mas aquele grande
exclusivamente com a bela carne de porco de Itaguaí, homem, com a rara sagacidade que o distinguia, pe-
não atendeu às admoestações do esposo; e à sua resis- netrou a intenção da esposa e redarguiu-lhe sorrindo
40 tência – explicável, mas inqualificável – devemos a total que não tivesse medo. Dali foi à Câmara, onde os ve-
extinção da dinastia dos Bacamartes. readores debatiam a proposta, e defendeu-a com tanta
Mas a ciência tem o inefável dom de curar todas 90 eloquência, que a maioria resolveu autorizá-lo ao que
as mágoas; o nosso médico mergulhou inteiramente no pedira, votando ao mesmo tempo um imposto destinado
estudo e na prática da medicina. Foi então que um dos a subsidiar o tratamento, alojamento e mantimento dos
45 recantos desta lhe chamou especialmente a atenção – o doidos pobres.
recanto psíquico, o exame de patologia cerebral. Não O alienista, Machado de Assis.
havia na colônia, e ainda no reino, uma só autoridade
em semelhante matéria, mal explorada, ou quase inex-
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1. Julgue a veracidade (V) ou falsidade (F) dos enunciados 2. Julgue a veracidade (V) ou falsidade (F) dos enunciados
abaixo. abaixo.
(( ) Nos períodos “As crônicas da vila de Itaguaí dizem (( ) Em “A proposta excitou a curiosidade de toda a vila, e
que em tempos remotos vivera ali um certo médico, o encontrou grande resistência, tão certo é que dificilmente
Dr. Simão Bacamarte...” (linhas 1-3) se desarraigam hábitos absurdos...” (linhas 70-72)
e e
“Assim é que cada louco furioso era trancado em uma alco- “...mas descurado, até que a morte o vinha defraudar...”
va, na própria casa, e, não curado, mas descurado...”(linhas (linhas 62-63), as partículas das palavras em destaque têm
61-63), os tempos verbais em destaque estão sendo usados significados semelhantes.
para indicar ações habituais no passado.
(( ) Em “... tinha bom pulso, e excelente vista; estava as-
(( ) Nas orações “... o nosso médico esperou três anos, de- sim apta para dar-lhe filhos”(linhas 22-23), o termo em
pois quatro, depois cinco.”(linhas 31-32) destaque pode ser substituído pela expressão por isso.
e
“... à sua resistência – explicável, mas inqualificável – (( ) “Foi então que um dos recantos desta lhe chamou
devemos a total extinção da dinastia dos Bacamartes.” especialmente a atenção, – o recanto psíquico...” (linhas
(linhas 39-41), a primeira pessoa do plural está sendo utili- 44-46), o termo em destaque pode ser substituído por
zada como interlocução entre narrador e leitor. naquele momento.

(( ) No período “pediu licença à Câmara para agasalhar e Resposta: V – V – V


tratar no edifício que ia construir todos os loucos de Ita- Todas as afirmativas são verdadeiras. Quando necessá-
guaí, e das demais vilas e cidades, mediante um estipêndio, rio, releia o texto para certificar-se de sua resposta.
que a Câmara lhe daria quando a família do enfermo o não
pudesse fazer...”(linhas 66-70), a oração introduzida por
quando estabelece com a oração anterior uma relação de
condicionalidade.

(( ) Em “A proposta excitou a curiosidade de toda a vila, e


encontrou grande resistência, tão certo é que dificilmente
se desarraigam hábitos absurdos, ou ainda maus.” (linhas
70-73), o termo em destaque pode ser substituído por até,
sem alterar as relações de sentido.

Resposta: V – V – V – V
Todas as afirmativas são verdadeiras. Quando necessá-
rio, releia o texto para certificar-se de sua resposta.
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3. Marque (V) para as declarações que estão de acordo com o Resposta: V – V – V – F


texto e (F) para as que não o interpretam adequadamente. Segundo o texto, o casamento com uma senhora mal
(( ) Simão Bacamarte dedicou-se à saúde da alma, quando composta não desviava a atenção de Bacamarte em relação
concluiu que não teria filhos. a seus estudos, pois não dedicaria seu tempo na contempla-
(( ) O casamento com D. Evarista, não bonita nem sim- ção da beleza de sua esposa.
pática, teve por objetivo dar continuidade à dinastia dos
Bacamartes.
(( ) A sugestão de internar todos os loucos da cidade foi
mal recebida, porque as pessoas não conseguiriam livrar-se
de maus hábitos.
(( ) O casamento com uma senhora mal composta de fei-
ções não é compatível com os interesses da ciência.

Exercícios Propostos

4. Analise os textos a seguir e, depois, desenvolva, para exclusivamente a momentos gloriosos, à sexualidade e a ser
cada um deles, um argumento de acordo com as instruções brasileiro, esquecendo-se dos problemas associados.
específicas. [...]
O senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) quer proibir a pro- Uma das pesquisas mais interessantes investigou por vá-
paganda de bebidas alcoólicas na televisão, rádios e salas de rios anos e comprovou o impacto que apreciar propagandas
cinema. A proposta está no projeto de lei (PLS 86/06). O texto de cerveja aos 18 anos tinha sobre o consumo de álcool e o
proíbe ainda a propaganda indireta nesses veículos, chamada comportamento agressivo relacionado ao uso de álcool aos 21
merchandising, e o patrocínio de eventos culturais e esporti- anos. Outro estudo dirigindo-se à faixa etária dos 10-17 anos
vos por parte das indústrias. encontrou que gostar da propaganda e assistir a propagandas
O senador explica que na propaganda divulgada em jor- com maior frequência associou-se com a expectativa de beber
nais e revistas, por exemplo, a bebida alcoólica não poderá ser mais no futuro. Além disso, muitos dos jovens entrevistados
associada à prática de esportes, à condução de veículos e ao sentiram que as propagandas de álcool os encorajavam a be-
êxito social ou sexual, de acordo com o projeto. ber, especialmente os meninos de 10-13 anos, que aceitavam
A matéria está na Comissão de Educação (CE), onde as propagandas como realísticas.
aguarda recebimento de emendas. Se aprovada, seguirá para *Ilana Pinsky é psicóloga, pós-doutorada na Robert Wood
a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) e depois para a Comis- Johnson Medical School (EUA) e coordenadora do ambulatório de
adolescentes da UNIAD (Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas) –
são de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).
Unifesp. Disponível em:
http://www.dci.com.br
http://www.propagandasembebida.org.br/artigos/integra.php?id=12

Estruture um argumento por exemplificação que corrobore


a intenção do senador Crivella, justificando-lhe o projeto 6. Leia o texto a seguir e desenvolva um argumento capaz
de lei. de dar a dimensão real do problema (analfabetismo no Bra-
sil) abordado pela autora em seu texto, de forma que o seu
5. Desenvolva um argumento por causa e consequência ou argumento justifique as preocupações da autora.
por narração a partir dos fragmentos dos textos a seguir. Obs.: se você fizer este trabalho fora do horário de aula de
[...] redação, não deixe de pedir a avaliação do professor na pró-
Os números de problemas associados ao álcool no Bra- xima aula, dada a importância deste tipo de exercício.
sil não deixam dúvida quanto ao potencial devastador deste, A criação de um modelo capaz de resgatar um débito his-
principalmente junto aos jovens. Em acidentes com motoris- tórico de aprendizado da leitura e da escrita envolve vários
tas alcoolizados, episódios de violência relacionados ao álco- setores da sociedade – o poder público, iniciativa privada,
ol, intoxicação alcoólica etc., os jovens têm uma participação universidades, voluntariado – e exige um esforço maior do
importante e início cada vez mais precoce. As propagandas que a soma da potencialidade de cada uma das partes envol-
e marketing das bebidas alcoólicas no Brasil são parte inte- vidas.
grante da criação de um clima normatizador, associando-as
Língua Portuguesa 653 47
47

A redução do analfabetismo deve estar necessariamente enquanto os internautas batem papo. As abreviações assus-
atrelada a outras políticas sociais. Deve fazer parte do progra- tam os puristas do idioma. E até entre os viciados em internet
ma dos governos de países onde os índices são tão alarmantes há quem abomine esse linguajar. Um grupo do fóruns PCs,
como a fome ou a mortalidade infantil. A criação de fórum uma comunidade de discussão virtual, lançou a campanha Eu
próprio para tratar da questão do analfabetismo como um sei escrever, a fim de moralizar a língua portuguesa. A turma
problema social deve influir no surgimento de fórmulas que tem uma comunidade no Orkut destinada a combater o que
permitam a inclusão social de milhões de pessoas. ela chama de “analfabetismo virtual”(...).
SIQUEIRA, Regina Esteves de. IstoÉ. p. 58
8. O teor do enunciado contido no subtítulo do texto an-
terior está corretamente apontado em qual das alternativas
7. Leia a frase a seguir e produza um argumento por enu- abaixo?
meração coerente com ela: “A corrupção da maioria dos seto- a) Admite de modo irrestrito o uso de abreviações.
res de fiscalização ou a simples ausência desse serviço acarre- b) Combate veementemente o uso de abreviações.
tam enormes consequências e prejuízos ao país“. c) É neutro quanto ao uso de abreviações.
d) Admite o uso contextualizado de abreviações.
Texto para as questões 8 e 9 e) Nega a existência do uso de abreviações.

Leia atentamente o trecho de texto abaixo, retirado de 9. Considerando a estrutura, o modo de organização da
um publicação de circulação semanal. linguagem e o conteúdo expresso, o gênero do texto lido
está corretamente classificado na alternativa:
Código virtual a) Poético
b) Informativo
A linguagem dos chats não é tão absurda quanto c) Filosófico
parece, desde que seja usada na hora e no lugar certo d) Narrativo
e) Descritivo
Para a geração que cresceu em frente ao computador,
escrever por códigos é tão natural quanto falar. Abreviações
como vc (você) e pq (porque) são usadas dezenas de vezes

Proposta de Redação

1. (Unifesp) Leia os textos a seguir, auxiliares ao desen- Texto 2


volvimento de sua redação. No Brasil, a cada ano, mais de 100 mil crianças não com-
pletam o seu primeiro ano de vida. Entre 2 mil e 3,5 mil mães
Texto 1 morrem das consequências da falta de atendimento de qua-
Mortalidade infantil lidade durante a gravidez, o parto e o pós-parto. Os riscos
para a mãe e seu filho aumentam por insuficiência de mi-
cronutrientes como vitamina A e iodo, por alta incidência de
desmame precoce antes dos seis meses de vida, por falta de
informações adequadas sobre os cuidados necessários ou por
falta de acesso a serviços básicos de saneamento...
Os cuidados têm de começar antes mesmo de a criança
nascer. A mulher grávida precisa fazer pelo menos seis consul-
tas pré-natais e de orientações sobre como garantir o melhor
começo de vida a seu bebê.
Os pais, outros familiares e toda a comunidade devem par-
ticipar do desenvolvimento da criança desde a gestação. É
importante que o pai acompanhe a criança também durante
e após o parto, no momento da amamentação, em todas as
etapas de seus primeiros anos de vida.
O Unicef apoia a capacitação e a sensibilização de profis-
sionais de saúde, parteiras tradicionais, prefeitos e secretários
de saúde com o objetivo de aumentar e melhorar os serviços

de atendimento para o pré-natal, parto e pós-parto.
No País, nos últimos anos, houve um crescimento impor-
PV2N-11-21

tante dos índices de aleitamento materno, mas a média de


Adaptado de: <www.chargeonline.com.br>. aleitamento materno exclusivo é apenas de 38,8 dias. A re-
48
48

comendação é de que os bebês sejam amamentados exclusi- Texto 4


vamente no peito durante 180 dias. As crianças, quando não
mamam no peito da mãe, ficam mais vulneráveis a doenças
como diarreia e infecções respiratórias.
Nos seus primeiros anos de vida, a principal referência da
criança é a família com a qual ela vive. É da família que ela
vai receber apoio afetivo, alimentação, cuidados de saúde. É
com a família que ela vai aprender a falar, brincar, cantar, ZIRALDO. O Menino Maluquinho em quadrinhos. Adaptado
interagir com os outros. A criança precisa do pai e da mãe.
Homens e mulheres estimulam-na de maneira diferente. A
criança também precisa de serviços públicos que garantam O mundo contemporâneo sofre com uma série de pro-
sua saúde, educação, lazer e que protejam seus direitos. blemas cuja solução, necessariamente, caberá àqueles que
Cuidar de crianças pequenas não é fácil. (...) hoje são crianças. Por isso, pensar em um mundo melhor no
Disponível em: <www.unicef.org/brazil>. futuro significa pensar e adotar agora uma série de ações –
algumas até bastante urgentes.
Texto 3 A partir das informações apresentadas e do conheci-
Educação Infantil mento da realidade da infância brasileira, elabore um texto
A educação da criança de zero a seis anos é um direito dissertativo, em prosa, analisando e discutindo critica-
constitucional e, ao mesmo tempo, um compromisso assumi- mente:
do pelo Brasil no Marco de Ação de Dacar. Considerando a Os cuidados com a infância de hoje para um mundo
importância desta faixa de idade, a primeira meta do Educa- melhor no futuro
ção para Todos é expandir e aperfeiçoar o cuidado e a educa-
ção abrangentes na primeira infância, especialmente para as
crianças mais vulneráveis e desfavorecidas.
Assim, a Unesco tem dedicado esforços para efetivar o di-
reito a uma educação de qualidade para crianças, desde seus
primeiros anos de vida. Trata-se, no Brasil, de uma política de
abrangência crescente: segundo dados do IBGE, cerca de 9%
das crianças de zero a três anos frequentam creches, e 52%
das crianças de quatro a seis anos frequentam pré-escolas.
O Plano Nacional de Educação (PNE), em consonância com
os princípios do Educação para Todos, estabelece metas rele-
vantes de expansão e de melhoria da qualidade da educação
infantil. (...)
A contribuição da Unesco tem se dado por meio de várias
ações, como adoção de uma linha editorial na área da educa-
ção infantil, incluindo a tradução de notas sobre políticas de
vários países (...).
Disponível em: <www.unesco.org.br>.
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49

Módulos 3/4· Funções da linguagem


1. Elementos da comunicação 4. Função emotiva (expressiva)
Todas as vezes que ocorre algum tipo de comunicação, A função emotiva centra-se na pessoalidade do reme-
isso basicamente se dá entre aquele que emite a mensagem, tente, logo na 1a pessoa, o que constitui um texto subjeti-
o emissor, e o que a recebe, o destinatário ou receptor. vo, impregnado pela visão que o autor (emissor) tem sobre
Todavia, para que essa mensagem chegue ao seu destino o assunto.
e cumpra devidamente sua função, outros elementos são
indispensáveis. Leia o que diz sobre isso o linguista Roman Veja o exemplo:
Jakobson: Entre as coisas que me intrigam, a tatuagem sempre teve
A linguagem deve ser estudada em toda a variedade de papel de destaque. Não tanto pelos próprios desenhos ou di-
suas funções. Para se ter uma ideia geral dessas funções, zeres, mas muito mais pelo desejo ou coragem de se assumir
é mister uma perspectiva sumária dos fatores constitutivos uma marca tão duradoura.
de todo o processo linguístico, de todo ato de comunicação Pessoas se tatuam para expressar o amor, o ódio, a cren-
verbal. O remetente envia uma mensagem ao destinatário. ça, a descrença, o puro exibicionismo, e até mesmo para com-
Para ser eficaz, a mensagem requer um contexto a que se re- pensar a timidez dos gestos ou das palavras. Tatuagens não
fere, apreensível pelo destinatário, e que seja verbal ou susce- são explicadas por si sós; sempre há uma razão ou indução
tível de verbalização, um código total ou parcialmente comum anterior.
ao remetente e ao destinatário (ou, em outras palavras, ao Por mais prazer ou arrependimento que algumas venham
codificador e ao decodificador da mensagem); e, finalmente, a trazer, uma coisa é certa: a pessoa realizou uma vontade,
um contato, um canal físico e uma conexão psicológica entre quer em uma minúscula e discreta pétala de flor, ou em um
o remetente e o destinatário, que os capacite a ambos a en- enorme e questionável monstro das trevas.
trarem e permanecerem em comunicação. Todos esses fatores Guilherme Davoli. Admirando
inalienavelmente envolvidos na comunicação verbal podem a tempestade e brincando com o vento.
ser esquematizados como segue:
contexto 5. Função conativa (apelativa)
remetente mensagem destinatário
Todo texto fundamentado na intenção de convencer al-
contato guém a tomar alguma atitude, a realizar alguma ação, ou
código mudança de comportamento caracteriza-se como um texto
JAKOBSON, Roman. Linguística e comunicação. apelativo. Fica evidente que esse tipo de texto centra-se no
destinatário, com ênfase, já que ele, o receptor, é o objeto
do sucesso da mensagem.
2. Funções da linguagem
É notório que todos os recursos de comunicação que Os exemplos a seguir permitem identificar essa função:
compõem um código de uma dada comunidade estão, natu- Não perca a chance de ir ao cinema pagando menos.
ralmente, à disposição de todos os seus cidadãos, entretan- Compre aqui e concorra a este lindo carro.
to cada um fará uso desse código conforme determinadas
circunstâncias de cultura, emoção, situação, interesses,
como Roman Jakobson deixou entrever acima. 6. Função fática
Esse uso, em princípio individualizado, circunstancial, O caráter dominante desta função é o fato de que ela
caracteriza as funções da linguagem. está voltada para o próprio canal, como se testasse a efici-
ência deste quanto à comunicação que se está tentando.
3. Função referencial (cognitiva)
Esta função é a mais usada numa comunidade humana Veja o exemplo:
moderna e tem como meta estabelecer uma comunicação Alô, quem fala? Hein? Fala mais alto que eu não “tô” ou-
objetiva, denotativa, clara e indubitável. vindo! Mas você “tá” me ouvindo bem? Quê? Nossa que m...,
Confirme esse conceito pela leitura do texto abaixo: que ligação ruim! E aí, melhorou? “Puts”, não dá pra escutar
Algumas flores só liberam perfume à noite. Trata-se de nada. E agora, meu?
um mecanismo de preservação da espécie. É o caso da dama-
-da-noite e do jasmim-manga, flores que são polinizadas por
mariposas, morcegos e besouros, animais que só entram em
ação depois que o sol se põe. E é o perfume liberado com o ca-
lor, por meio da respiração da planta, que atrai esses agentes
polinizadores, explica o engenheiro agrônomo Ricardo Alfredo
PV2N-11-21

Kluge, professor de fisiologia da USP.


Folha de S. Paulo, Caderno Equilíbrio.
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7. Função metalinguística (metalinguagem) 8. Função poética


A metalinguagem caracteriza-se por enfatizar o código, Ainda que a função poética, como as demais, inten-
ou seja, a mensagem faz referência a ela própria, ao seu cione a comunicação, seu foco principal é a elaboração da
próprio discurso. mensagem. Disso decorre o uso de vocabulário, no geral
A função metalinguística pode estar presente na mú- extremamente selecionado, a disposição física das palavras
sica, no cinema, na poesia etc. Assim, podemos citar como feita estrategicamente, além de preocupações técnicas, so-
exemplo o poema “Desencanto”, de Manuel Bandeira ou o noras e com imagens marcantes.
“Samba de uma nota só“, de Newton Mendonça, cantado por Observe esses recursos no exemplo:
João Gilberto. Um fragmento da letra é “Eis aqui um sam-
binha/ feito numa nota só/ outras notas vão entrar/ mas a Profissão de fé
base é uma só“, trecho entoado em uma nota só. Torce, aprimora, alteia, lima
A frase; e, enfim,
No verso de ouro engasta a rima,
Como um rubim.
Quero que a estrofe cristalina,
Dobrada ao jeito
Do ourives, saia da oficina
Sem um defeito:
Olavo Bilac

Exercícios Resolvidos

1. Complete o quadro a seguir. b) […] não há povo que não tenha suas formas de rituali-
zar a paixão, o amor. Alguns índios brasileiros demonstram
Elemento da comunicação Função da linguagem os sentimentos dando provas de força à escolhida. Outros se
enfeitam com tintas e penas. As mulheres exibem suas pren-
Contexto (referente) ______________________
das. Em algumas regiões da China, rapazes perseguem suas
Remetente (emissor) ______________________ amadas a cavalo, numa brincadeira que costuma acabar em
______________________ Poética casamento. Na Índia, quartos são atulhados de flores para a
primeira noite dos casais. Mesmo sociedades urbanas – como
______________________ Conativa
a nossa – elegem gestos e objetos para proclamar a paixão.
Contato (canal) ______________________
______________________ Metalinguística
c) É possível que surja algum tipo de tensão entre você,
Resposta: escorpiana, e a pessoa amada, principalmente se ela for de
Contexto (referente) Referencial Touro. Trata-se de uma tensão necessária e oportuna para
Remetente (emissor) Emotiva que ambos consigam juntos aprimorar o relacionamento.
Mensagem Poética Dialogue, expresse suas dúvidas e evitará problemas futu-
Destinatário Conativa ros. A escorpiana deverá também dedicar mais tempo ao
Contato (canal) Fática trabalho e menos à família. Se você pretende investir em
Código Metalinguística imóveis, o momento não é bom, espere até o próximo ciclo
lunar.

2. Identifique a função de linguagem predominante em Resposta:


cada um dos textos abaixo, citando pelo menos um elemen- a) Função emotiva ou expressiva, pela pessoalidade,
to presente no texto que justifique a identificação feita. emocionalidade do autor, em 1ª pessoa.
a) Paixão […] é arma de dois gumes. E corta. E sangra. Se b) Função referencial, cognitiva, pela preocupação de
não sangrou, se não teve insônia, se não desesperou, pai- informar, descrever.
xão não era. Talvez fosse desejo, que o desejo é diferente. No c) Função conativa, apelativa, pela intenção de con-
desejo a gente quer o outro para possuir apenas, passagei- vencer o interlocutor a alguma atitude.
ramente. Na paixão, não. Na paixão, a gente quer se fundir
com o outro para sempre. E se o outro disser assim: “Vai ali
buscar aquela estrela para mim”, a gente vai. Se disser: “Não
estou gostando do seu nariz”, a gente opera. A paixão é boa?
Ninguém sabe. Ela acontece.
Affonso Romano de Sant’Anna
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Exercícios de Aplicação

1. Estabeleça, sucintamente, a diferença entre as funções 4. Faça uma leitura cuidadosa do texto a seguir e responda
referencial e emotiva. à questão.
E se todo mundo ficasse cego?
Resposta: A linguagem referencial é precisa nos seus Para José Saramago seria o caos. Em seu livro Ensaio so-
significados, é denotativa, enquanto a emotiva, ao contrá- bre a cegueira, o mundo praticamente acaba quando a huma-
rio, é inspirada na individualidade daquele que fala ou es- nidade vai perdendo a visão. Mas para a ciência as coisas po-
creve, de acordo com a emocionalidade do momento. deriam tomar um caminho diferente. “Há várias tecnologias
que ajudariam: bengalas ultrassônicas que podem indicar se
há objetos pela frente ou até robôs que atuariam como cães-
-guia“, diz o especialista em robótica Darwin Caldwell (...).
Além disso, precisaríamos de coisas como carros que andam
sozinhos e máquinas capazes de substituir médicos em cirur-
gias. Mas como esses carros-robôs e outros aparelhos seriam
construídos sem ninguém para ver que peça apertar? Fábricas
2. Justifique a afirmação seguinte: “A função de lingua- totalmente automatizadas também não estão longe de ser re-
gem mais adequada num texto dissertativo, de concurso de alidade. “Robôs seriam capazes de se autoconstruir“, diz Ken
vestibular, é a função referencial“. Young, presidente da Associação Britânica de Automação e
Robótica. Ou seja: se a cegueira generalizada se espalhasse
Resposta: Dissertar é defender ideias, posições, e isso devagar, daria para a gente remodelar o mundo – mudando
precisa ser feito de forma clara, indubitável. tudo para que nada mude. Com algumas adaptações, claro.
CINQUEPALMI, João Vito. E se todo mundo ficasse cego?
Superinteressante. São Paulo, n. 264, p. 48, abr. 2009.

Apesar de poderem coexistir várias funções de lingua-


gem em um mesmo texto, normalmente uma delas é predo-
minante. Sabendo disso, assinale a alternativa correta.
3. Em Dom Casmurro de Machado de Assis, o narrador dis- a) Apesar de citar um texto literário, em que a função
cute o ato e o modo de narrar: poética normalmente aparece, o texto apresentado tem a
Também não achei melhor título para a minha narração – predominância da função referencial, já que o autor faz
se não tiver outro daqui até ao fim do livro, vai este mesmo. O referência a soluções científicas para problemas.
meu poeta do trem ficará sabendo que não lhe guardo rancor. b) O texto é metalinguístico, pois faz uma grande reflexão
E com pequeno esforço, sendo o título seu, poderá cuidar que sobre como a linguagem se estrutura.
a obra é sua. Há livros que apenas terão isso dos seus autores; c) Como o autor está envolvido com a questão hipotéti-
alguns nem tanto. (...) Agora que expliquei o título, passo a ca de uma cegueira generalizada, podemos afirmar que no
escrever o livro. Antes disso, porém, digamos os motivos que texto predomina a função emotiva, em que seus sentimen-
me põem a pena na mão. tos são destacados.
Podemos observar que predomina, no excerto anterior, d) Como o título do texto é uma pergunta, há nele o pre-
uma função de linguagem conhecida como: domínio da função apelativa, já que o leitor é convencido a
a) conativa. tomar certar atitudes.
b) metalinguística. e) Percebemos no texto a preocupação em destacar o canal
c) poética. de comunicação entre o autor e o leitor, portanto a função
d) expressiva. que predomina nesse texto é a fática.

Resposta: B Resposta: A
As funções da linguagem são recursos textuais usados Ao analisar a função predominante do texto, percebe-
de acordo com a intenção do autor, produtor da mensagem. se que o referente é colocado em destaque, já que o autor
Em Dom Casmurro, o narrador usa a metalinguagem para do texto procura pensar sobre soluções científicas para a
criar cumplicidade com o leitor, que, ao invés de apenas ler cegueira generalizada. Dessa forma, a função que predomi-
passivamente, participa do próprio ato de narrar, sendo um na é a referencial.
confidente do escritor.
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Este inferno de amar c) referencial da linguagem, privilegiando-se a expressão


de forma racional.
Este inferno de amar – como eu amo! d) emotiva da linguagem, marcada pela não contenção dos
Quem mo pôs aqui na alma... quem foi? sentimentos, dando vazão ao subjetivismo.
Esta chama que alenta e consome, e) fática da linguagem, utilizada para expressar as ideias
que é a vida – e que a vida destrói – de forma evasiva, como sugestões.
Como é que se veio atear,
Quando – ai quando se há-de ela apagar? Resposta: D
A função emotiva é centrada no emissor. Sendo autor
5. Nos versos de Garret, predomina a função: romântico, percebem-se em Garret o egocentrismo e a ênfa-
a) metalinguística da linguagem, com extrema valorização se nas emoções, extravasando seu mundo interior.
da subjetividade no jogo entre o espiritual e o profano.
b) apelativa da linguagem, num jogo de sentido pelo qual
o poeta transmite uma forma idealizada de amor.

Exercícios Propostos

Leia o texto para responder à questão 6. 7. (Ibmec-RJ) Em um sermão, a preocupação maior é a de


persuadir o ouvinte por meio da retórica (arte da palavra,
de bem argumentar). Pode-se dizer, portanto, que a função
da linguagem mais preponderante nesse tipo de texto é a:
a) emotiva.
b) conativa.
c) poética.
d) referencial.
e) metalinguística.

Texto para a questão 8.

A questão é começar
Coçar e comer é só começar. Conversar e escrever também.
Na fala, antes de iniciar, mesmo numa livre conversação, é
necessário quebrar o gelo. Em nossa civilização apressada, o
“bom dia”, o “boa tarde, como vai?” já não funcionam para
Décio Pignatari
engatar conversa. Qualquer assunto servindo, fala-se do tem-
po ou de futebol. No escrever também poderia ser assim, e de-
veria haver para a escrita algo como conversa vadia, com que
6. (Mackenzie) Quanto à linguagem utilizada, o texto evi- se divaga até encontrar assunto para um discurso encadeado.
dencia: Mas, à diferença da conversa falada, nos ensinaram a escrever
a) o uso de sinônimos (coca-cola/cola) e antônimos (cola/ e na lamentável forma mecânica que supunha texto prévio,
caco) cujo sentido produz efeito cômico. mensagem já elaborada. Escrevia-se o que antes se pensara.
b) a inversão de sílabas (babe/beba) como recurso expres- Agora entendo o contrário: escrever para pensar, uma outra
sivo diretamente relacionado ao emprego de palavras que forma de conversar.
designam ações opostas. Assim fomos “alfabetizados”, em obediência a certos ritu-
c) o uso de slogan publicitário (beba coca cola) na sua fun- ais. Fomos induzidos a, desde o início, escrever bonito e certo.
ção original, ou seja, função apelativa da linguagem. Era preciso ter um começo, um desenvolvimento e um fim
d) a repetição de palavras (beba/beba; coca/coca) para predeterminados. Isso estragava, porque bitolava o começo
criar tom grandiloquente e dissimular o efeito conotativo e todo o resto. Tentaremos agora (quem? eu e você, leitor)
das palavras do texto. conversando entender como necessitamos nos reeducar para
e) o uso de anagrama – isto é, jogo verbal baseado na fazer do escrever um ato inaugural; não apenas transcrição
transposição de letras (coca cola/cloaca) –, a fim de valori- do que tínhamos em mente, do que já foi pensado ou dito,
zar o produto a que se refere. mas inauguração do próprio pensar. “Pare aí”, me diz você.
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“O escrevente escreve antes, o leitor lê depois.” “Não!”, lhe 9. (UFBA) Esforço-me para não fazer ficção a partir dos
respondo, “Não consigo escrever sem pensar em você por per- acontecimentos que narro neste diário.[...]
to, espiando o que escrevo. Não me deixe falando sozinho”. Não gosto de imaginar como as pessoas se encontram,
Pois é; escrever é isso aí: iniciar uma conversa com in- como as coisas acontecem, gerando enfado ou surpresa; não
terlocutores invisíveis, imprevisíveis, virtuais apenas, sequer gosto de imaginar que frases são ditas, que gestos são fei-
imaginados de carne e ossos, mas sempre ativamente pre- tos.
sentes. Depois é espichar conversas e novos interlocutores Pego, na minha lembrança, uma cena antiga, construída
surgem, entram na roda, puxam assuntos. Termina-se sabe pelo meu cotidiano, e trabalho-a segundo a minha intenção
Deus onde. no romance. Como um bom cozinheiro, recheio a personagem
MARQUES, M.O. Escrever é preciso. Ijuí: Ed. Unijuí, 1997, p. 13. com a minha pessoa, antes de assá-la no forno da imaginação
poética. Transformo-a em personagem que pode apetecer os
mais requintados gostos. Como bom copeiro, ponho a mesa,
8. Observe a seguinte afirmação feita pelo autor: “Em nos- pratos e talheres para a situação banal do dia a dia, enri-
sa civilização apressada, o ‘bom dia’, o ‘boa tarde’ já não quecendo-a de detalhes acessórios e significativos. Gosto que
funcionam para engatar conversa. Qualquer assunto ser- tudo signifique. Até uma vírgula.
vindo, fala-se do tempo ou de futebol.” Ela faz referência à SANTIAGO, Silviano. Em liberdade: uma ficção de Silviano
função da linguagem cuja meta é “quebrar o gelo”. Indique Santiago.4. ed. Rio de Janeiro: Rocco, 1994. p. 98-99.
a alternativa que explicita essa função.
a) Função emotiva Leia o fragmento transcrito e explique a forma como a fun-
b) Função referencial ção metalinguística nele se manifesta.
c) Função fática
d) Função conativa
e) Função poética

Atente para a seguinte propaganda.

10. (Facasper-SP) Você observou que se trata de um homenagem ao velejador Robert Scheidt. As frases “O melhor velejador do
mundo. Estamos no mesmo barco” indicam, por seu caráter figurativo, o predomínio da função da linguagem centrada:
a) no emissor, representado pelos patrocinadores, na forma verbal “Estamos”.
b) no receptor, apelando para o reconhecimento dos torcedores.
c) na carga informativa, que prioriza a vitória que deu o título ao velejador.
d) no efeito estético da relação “melhor velejador”/ “Estamos no mesmo barco”.
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e) na referência ao próprio texto, enfatizando o código visual.


54
54

11. Numa conversa ao telefone, em que duas pessoas falam e) o elemento mais importante é a mensagem, revelando
sobre os problemas nacionais, podem ser identificados os recursos imaginativos criados pelo emissor.
seis elementos da comunicação: Leia o texto a seguir para responder à questão 13.
a) falante, ouvinte, instrumental, linguagem, fios, apare-
lho. Tanta formiga chegô
b) remetente, destinatário, canal, eletricidade, mensa- que a terra ali ficou cheia.
gem, contexto. Formiga de toda cô,
c) emissor, receptor, veículo, ondas magnéticas, canal, preta, amarela e vermeia,
referente. no boi zebu se espaiando,
d) emissor, receptor, canal, código, mensagem, contexto. cutucando e pinicando.
e) falante, ouvinte, linguagem, mensagem, gestualidade, Aqui e ali tinha um móio.
interlocutores. E ele com grande fadiga
porque já tinha formiga
12. até por dentro dos óio

DICAS PARA SER MAIS CRIATIVO Com o lombo todo ardendo


daquele grande aperreio,
1. Nunca se contente com a 5. Não acredite em bordões o zebu saiu correndo
primeira ideia que lhe como “isso nunca vai fungando e berrando feio.
ocorrer. Busque outras para, funcionar” ou “em time que
entre muitas, escolher a está ganhando não se mexe”.
E as formiguinha inocente
melhor. O novo sempre assusta. Toda mostraram pra toda gente
ideia tem de quebrar esta lição de morá:
resistências. contra a falta de respeito
cada um tem seu direito
2. Não se acomode. Sempre 6. Tenha iniciativa. Muitas
Até nas lei naturá.
existe uma maneira de fazer boas ideias acabam no fundo
melhor, mais rápido ou com da gaveta porque seus
menor custo aquilo que você autores não tomam a decisão As formiga a defendê
já faz. Se você não pensar de mostrá-las aos outros. sua casa, o formigueiro,
nisso, alguém irá pensar. botando o boi pra corrê
da sombra do juazeiro,
3. Seja curioso. Evite 7. Ouça os outros.
mostraram nessa lição
reproduzir tarefas Principalmente se eles
mecanicamente. Busque as pensam diferente de você. As quanto pode a união.
causas, os porquês, as ideias se desenvolvem com a Neste meu poema novo
implicações. Muitas ideias divergência. o boi zebu qué dizê
surgem daí. que é os mandão do pudê,
e estas formiga é o povo.
4. Ideias não saem do nada. 8. Faça de vez em quando
Associe, adapte, substitua, coisas que contrariem seus
Patativa do Assaré. Feira de versos.
modifique, reduza. As hábitos. Por exemplo: se você
São Paulo: Ática, 2005. p.110
combinações são infinitas. gosta de filmes de ação,
assista a um drama. Se é fã
de MPB, tente o jazz. Sair da 13. (UFS-SE) Julgue como verdadeiras ou falsas as afirma-
rotina é estimulante para o ções a seguir:
cérebro. 0. A função da linguagem é conativa, porque os ver-
sos reproduzem uma lição de moral, como exemplo para os
Veja. leitores.
1. No último verso, e estas formiga é o povo, identifi-
ca-se uma figura de linguagem, a metáfora.
A função da linguagem prodominante no texto é a apelati- 2. Encontra-se no poema acima uma descrição por-
va ou conativa porque: menorizada tanto das formigas quanto do boi zebu.
a) a mensagem centraliza-se predominantemente no emis- 3. Em relação à ortografia, o texto é marcado por
sor, revelando sua opinião. desvios no uso da norma culta, que impedem que seja ele
b) o elemento mais importante é o referente, quando o considerado como forma de expressão literária.
emissor procura oferecer informações sobre o assunto.
c) a mensagem centraliza-se no canal, objetivando prolon-
gar ou não o contato com o receptor.
d) o elemento mais importante da mensagem é o destina-
tário, a segunda pessoa do discurso.
Língua Portuguesa 653 55
55

14. (UFAL-AL) Está incorreta a classificação da função da 15. Identifique a função da linguagem predominante no
linguagem na frase: texto abaixo. Justifique sua resposta.
a) Comunicação é a transferência de informação por meio Sei que nada sei, mas sei que quando amar o farei com to-
de mensagem. = Função metalinguística das as forças da alma, para que o meu amor ultrapasse todas
b) Psiu! Atenção! Olhe aqui! Aonde vai? = Função fática as barreiras do universo e possa se tornar eterno. Sou assim
c) Não percas tempo em mentir. Não te aborreças. = Fun- mesmo, um louco que ama as coisas como elas são. Esta é a
ção apelativa minha vida: amar.
d) Nem todos os alunos são capazes de valorizar devida-
mente a escola onde estudam. = Função referencial
e) Os moradores da periferia dirigiam-se ao prefeito solici-
tando verbas para a canalização do rio. = Função emotiva

Propostas de Redação

1. Redija um texto dissertativo com base na temática dos 2. Escolha apenas uma das proposições abaixo e escreva
três excertos abaixo. seu texto.
Fica claro, então, que, acima de tudo, é a leitura que en- Proposição 1
che o leitor de informações, de subsídios, de vocabulário, dá- Redija um texto dissertativo para responder à pergunta:
-lhe visão de mundo, dá-lhe um arcabouço de ideias. O leitor, A família não é mais aquela?
por sua vez, selecionará, organizará, refutará e formará suas
ideias para depois escrever. (...) Proposição 2
BUSSARELLO, Jorge Marcos. A máscara e a escrita. Redija um texto narrativo começando por:
Blumenau: Edifurb, 2004. p. 50-51. Adaptado Era uma vez . . .

Rosálio chega contente, procura a caixa dos livros que, no Proposição 3


colo, é sua mesa, pede que lhe dê o lápis, o caderno e paci- Observe o quadro Cena de família (1891), do pintor pau-
ência, que hoje, a manhã todinha, ficou sozinho num canto lista Almeida Júnior (1850-1899).
da obra, numa tarefa, sem ter com quem conversar, sozinho
para matutar à vontade sobre o segredo das letras e a arte de
ler e escrever.
REZENDE, Maria Valéria. O voo da guará vermelha. Rio
de Janeiro: Objetiva, 2005. p. 78-79. Adaptado

PROCURO A PALAVRA PALAVRA


Procuro desenhos
Dentro da palavra.
Sonoros desenhos, tácteis,
Cheiros, desencantos e sombras.
Esquecidos traços. Laços.
Escritos, encantos reescritos.
[...]
Palavras são seda, aço.
Cinza onde faço poemas, me faço.
[...]
BELL, Lindolf. O código das águas. 3. ed. São Redija uma carta dirigida a um dos personagens da fa-
Paulo: Global, 1994. p. 17-18. Adaptado mília do quadro acima.
PV2N-11-21

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