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A CIVILIZAÇÃO ROMANA

Patrícios e plebeus

Os Patrícios

Os cidadãos livres dividiam-se em patrícios e plebeus. Os


patrícios eram os descendentes das famílias dos antigos chefes
tribais. No início da República, eles constituíam a classe dirigente.
Já os plebeus não tinham linhagem aristocrática e não possuíam direitos políticos.

Os Patrícios, cidadãos de Roma, constituíam a aristocracia romana, a elite.


Desempenhavam altas funções públicas, no exército, na religião, na justiça ou na
administração. Eram grandes proprietários de terra e credores dos plebeus, os quais, por
isso, viviam sob a constante ameaça de se tornarem escravos. Os patrícios, descendentes
das famílias mais antigas da cidade, eram donos das maiores e melhores terras e os
únicos a possuir direitos políticos.

No século III a.C., após as guerras, surgiram novas camadas sociais:


cavaleiros ou homens novos (plebeus enriquecidos no comércio) e clientes
(dependentes dos patrícios). A partir daí, a organização social já não se
estabelecia em função do nascimento, mas sim da riqueza.

Pirâmide social romana

A Monarquia

Num período lendário, Roma foi governada por sete reis que tinham poder absoluto.
O Senado era formado por chefes de família que os aconselhavam.

Por volta de 575 a.C., os reis etruscos dominaram Roma e influenciaram


decisivamente o início da civilização romana. Estes elaboraram leis prudentes que
favoreciam o artesanato e o comércio, com os quais Roma adquiriu grande importância.
Aos poucos, porém, esses reis deram lugar a outros monarcas, violentos e tirânicos, que
desprezavam as opiniões do Senado.
A República e os seus magistrados

As famílias patrícias que formavam o Senado, temerosas de perder o seu poder


diante da tirania dos reis expulsaram-nos e proclamaram a República. Esta baseava-se em
três órgãos: o Senado, os magistrados e as Assembleias, simbolizados pela conhecida
sigla S.P.Q.R. (Senatus Populusque Romanus, ou seja, "Senado e povo romano").

O trabalho dos escravos

Em consequência das guerras de expansão, os escravos em Roma eram muito


numerosos. Não eram considerados seres humanos, mas sim propriedades e, portanto,
eram explorados e vendidos como mercadorias.

Escravos

O seu trabalho, no artesanato e na agricultura, era decisivo para a produção de bens


necessários para a sociedade. Podiam comprar a sua liberdade ou então serem libertados
pelo proprietário. A partir do século II a.C., sucederam-se diversas rebeliões de escravos,
como a comandada por Espártaco.

O exército romano

O Império Romano dependia de um exército forte e bem organizado, que realizava as


campanhas de expansão e defendia as fronteiras. Os legionários eram a base do exército
romano; a maioria deles era voluntária. Para entrar no exército era imprescindível ser
cidadão romano. O exército estruturava-se em legiões de seis mil soldados, cada uma
dividida em dez cortes.

A religião romana

A religião romana surgiu da combinação de diversos cultos com


várias influências. Crenças etruscas, gregas e orientais foram
incorporadas aos costumes tradicionais para adaptá-los às novas necessidades do povo.

O Estado romano propagava uma religião oficial que prestava culto aos grandes
deuses de origem grega, porém com nomes latinos, como por exemplo, Júpiter, pai dos
deuses; Marte, deus da guerra, ou Minerva, deusa da arte. Em honra desses deuses eram
realizadas festas, jogos e outras cerimónias. Os cidadãos, por sua vez, buscavam
protecção nos espíritos domésticos, chamados lares, a quem rendiam culto dentro de
casa. O Edito de Milão de Constantino estabeleceu a liberdade de culto aos cristãos,
encerrando as violentas perseguições. No século IV d.C., o cristianismo tornou-se a
religião oficial, por determinação do imperador Teodósio.

A arte romana

Inspirada no modelo grego, a arte romana incorporou as formas e as técnicas de


outras culturas do Mediterrâneo.

Roma destacou-se na arquitectura com grandes edifícios privados e públicos. Entre


os privados, incluem-se as casas e as residências colectivas. Os públicos dividem-se em
religiosos (templos), administrativos e comerciais (basílicas) e lúdicos (teatro, anfiteatro e
circo). O espírito prático de Roma reflecte-se no urbanismo e nas grandes obras de
engenharia, como estradas e aquedutos.

A cidade de Roma no século I a.C.

No século I a.C., Roma passou por uma transformação espectacular, tornando-se


uma cidade repleta de confortos, com casas comerciais, jardins e edifícios monumentais.
Construíram-se numerosas residências e locais de diversão – como o Coliseu – e foram
feitas grandes melhorias no sistema de esgotos e nos aquedutos da cidade.

Legenda: 1 - Teatro; 2 - Forum; 3 - Anfiteatro; 4 - Templo; 5 - Aqueduto; 6 - Ponte


Reconstituição de uma cidade romana
Império Romano (27 a.C. - 476 d. C.)

Roma teve distintas formas de governo ao longo da sua história. Após a República
(época de expansão militar e económica), o regime imperial impôs-se durante cinco
séculos.

Que poderes concentrava o


imperador? Que diferenças havia
entre as formas de governo da
República e do Império?

O Império sucedeu à República


de Roma. Augusto reorganizou o
território, acabando com a corrupção
e extorsão que haviam caracterizado a
administração do período anterior.
Esse período representa o auge da
idade de ouro da literatura latina, em
que se destacam as obras poéticas de
Virgílio, Horácio e Ovídio e a obra em
prosa de Tito Lívio.

Para melhor dominar e


organizar o seu vasto império, os
Romanos implantaram nos territórios
conquistados os seus costumes, modos de vida e cultura.
Como se deu a integração dos povos vencidos no Império? Que papel teve o latim e
o direito romano nesse processo?
Os imperadores seguintes da dinastia Júlio-Cláudia foram: Tibério, Calígula, Cláudio
I e Nero. Durante os últimos anos, cometeram-se muitos excessos de poder.
Vespasiano, junto com seus filhos Tito e Domiciano, constituíram a dinastia dos
Flávios. Ressuscitaram a simplicidade do início do Império e tentaram restaurar a
autoridade do Senado e promover o bem-estar do povo.

Marco Cocceius Nerva (96-98) foi o primeiro dos denominados cinco bons
imperadores, junto com Trajano, Adriano, Antonino Pio e Marco Aurélio. Com Trajano, o
Império alcançou sua máxima extensão territorial e seus sucessores estabilizaram as
fronteiras. A dinastia dos Antoninos terminou com o sanguinário Lúcio Aurélio Cómodo.
Trajano foi imperador de Roma no ano 98 e expandiu o Império pela Europa Central e
Mesopotâmia graças às suas vitórias militares. Empreendeu importantes projectos de
engenharia civil (construiu estradas, canais e portos). Também instituiu reformas sociais
para reconstruir as cidades e reduzir a pobreza.
Constituíram a dinastia dos Severo: Lúcio Sétimo Severo, hábil governante;
Caracala, famoso por sua brutalidade; Heliogábalo, imperador corrupto; e Alexandre
Severo, que se destacou por sua justiça e sabedoria.
Dos 12 imperadores que governaram nos anos seguintes, quase todos morreram
violentamente. Os imperadores Ilírios conseguiram que se desenrolasse um breve período
de paz e prosperidade. Esta dinastia incluiu Cláudio II, o Gótico, e Aureliano.
Diocleciano levou a cabo um bom número de reformas sociais, económicas e
políticas. Após seu mandato, houve uma guerra civil que só terminou com a ascensão de
Constantino I, o Grande, que se converteu ao cristianismo e estabeleceu a capital em
Bizâncio. Teodósio I reunificou o Império pela última vez. Após sua morte, Arcádio
converteu-se em imperador do Oriente e Honório, em imperador do Ocidente.
Os povos invasores empreenderam gradualmente a conquista do Ocidente. Rómulo
Augústulo, último imperador do Ocidente, foi deposto no ano de 476. O Império do Oriente,
também denominado Império Bizantino perduraria até 1453.

A crise do Império Romano

A partir do século III, o Império Romano entrou em declínio. Com o fim das guerras
de conquista, esgotou-se a principal fonte fornecedora de escravos. Teve início a crise da
escravatura que abalou seriamente a economia, fez surgir o colonato e provocou o êxodo
urbano. Além disso, houve disputas pelo poder e as legiões diminuíram. Enfraquecido, o
Império Romano foi dividido em dois e a parte ocidental não resistiu às invasões dos
bárbaros germânicos no século V