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Universidade Federal de Juiz de Fora

Campus Governador Valadares


Departamento de Economia

Prof.: Geraldo Moreira Bittencourt


Bibliografia

 VASCONCELLOS, M. A. S. Economia - Micro e Macro. 5ª


ed. São Paulo: Atlas, 2011. (Capítulo 6)
Visão econômica X Visão contábil-financeira

 Existem muitas diferenças entre a ótica utilizada pelos economistas e a


utilizada nas empresas por contadores e administradores.

 A visão econômica é mais global, busca analisar mais o mercado


(ambiente externo à empresa).

 A visão contábil-financeira concentra-se mais no detalhamento dos


gastos e receitas da empresa.

 As principais diferenças residem nos seguintes conceitos:

 Custos de oportunidade e custo contábeis


 Externalidades

 Custos e despesas
Visão econômica X Visão contábil-financeira

 Custos contábeis: são aqueles normalmente lançados na contabilidade


privada, ou seja, custos explícitos, que sempre envolvem um dispêndio
monetário.

 Custos de oportunidade: são custos implícitos, relativos à melhor


alternativa sacrificada. Não envolve dispêndio monetário, são estimados a partir
do que poderia ser ganho, caso fossem investidos em outra atividade.

 Para o economista, as curvas de custos devem considerar não só o custo


contábil, mas também os custos de oportunidade.
Custos de Produção: avaliação privada e avaliação social

 Custos privados: desembolso financeiro específico da empresa. Por


exemplo, custos contábeis do aumento da produção de um determinado
produto (minério de ferro).

 Custos sociais: custos (ou benefícios) para toda a sociedade, derivados


da produção da empresa. Por exemplo, a poluição advinda do aumento
indevido de rejeitos lançados nos rios (externalidade negativa).

 Para a avaliação privada, só importam os custos privados (contábeis) e as


externalidades não são levadas em consideração.

 Para a avaliação social, todos os impactos da atividade produtiva na


sociedade são importantes. Ou seja, deve-se levar em consideração o custo
das externalidades (positivas ou negativas).
Custos X Despesas
 Na teoria microeconômica neoclássica não existe uma distinção rigorosa
entre custos e despesas.

 Porém, na ótica contábil essa distinção é muito importante.

 Despesas: gastos associados ao exercício administrativo, alocados para o


resultado geral do período (como despesas financeiras, comerciais e administrativas).

 Custos: gastos associados ao processo de fabricação de produtos.

 Custos diretos: salário da mão de obra, gastos com matérias-primas,


etc. São os custos variáveis, que variam conforme a quantidade produzida
varia.

 Custos indiretos: Iluminação da fábrica, depreciação, aluguel da área,


etc. São os custos fixos, que não variam com a variação da quantidade
produzida.
Custos de produção

 Existe uma distinção entre custos de curto prazo e custos de longo prazo.

 Lembrem-se que no curto prazo temos pelo menos 1 fator de produção


fixo, enquanto no longo prazo todos os fatores são variáveis.

 Normalmente, consideramos como fator fixo a planta da empresa e os


equipamentos de capital.

 Os fatores fixos geram custos fixos e os fatores variáveis geram custos


variáveis.
Custos de Produção: Custos a Curto Prazo

 Custo Fixo Total (CFT ou apenas CF): mantém-se fixo, quando a


produção varia.
 Ex.: Aluguéis, depreciação, etc.

 Custo Variável Total (CVT ou apenas CV): varia com a produção, ou


seja, depende da quantidade produzida (q).

 Ex.: gastos c/ folha de pagamento, gastos com matéria-prima, etc.

CVT  f  q 
 Custo Total (CT): soma do custo variável total com o custo fixo total.

CT  CVT  CFT
Custos de Produção: Custos a Curto Prazo

Custos Totais ($) CT  CVT  CFT

CVT

CFT

q (quantidade produzida)

 Lei dos Custos Crescentes:


 Os custos crescem primeiramente à taxas decrescentes, até certo ponto. Contudo, após este ponto,
começa a ocorrer saturação da capacidade instalada e os custos crescem a taxas crescentes.

 No fundo, esta é a lei dos rendimentos decrescentes pelo lado dos custos.

 Onde, pelo fato dos custos serem um reflexo da produção, a produtividade crescente está associada
com custos crescendo a taxas decrescentes e a produtividade decrescente está associada com
custos crescendo a taxas crescentes.
Custos de Produção: Custos a Curto Prazo

 Custo Fixo Médio (CFMe): CFMe 


CFT
q

CVT
 Custo Variável Médio ( CVMe): CVMe 
q

CT
 Custo Total Médio (CTMe ou apenas CMe ): CTMe 
(ou custo unitário) q

ou

CTMe = CFMe + CVMe


Custos de Produção: Custos a Curto Prazo
O formato de “U” das curvas CTMe e
CVMe “a curto prazo” também se deve
Custos Médios ($) à lei dos rendimentos decrescentes,
ou lei dos custos crescentes.
CTMe
CVMe Como o CFMe tende a zero, quando
“q” aumenta, segue-se que o CVMe
tende a igualar ao CTMe, pois
CTMe = CFMe + CVMe.

O CFMe tende a zero pois se dilui


CFMe conforme aumenta a quantidade
produzida. Ou seja, CFMe=CFT/q,
q logo, como “q” tende ao infinito, o
CFMe tende a zero.

Em certo ponto, satura-se a


Custos médios declinantes: Vantajoso contratar mais utilização da terra (que é fixo) e a
Pouca mão de obra (mdo) mdo e aumentar a produção, admissão de mais mão de obra
para grande área de terra. pois o custo médio cai. não trará aumentos proporcionais
de produção. Logo, os custos
médios ou unitários começam a
elevar-se.
Custos de Produção: Custos a Curto Prazo

 Custo Marginal (CMg): os custos marginais referem-se às variações de custo,


quando se altera a produção. É a elevação de custo oriunda da produção de uma
unidade extra do produto. Ou seja, é o custo se produzir uma unidade adicional.

CT dCT
CMg  ou CMg 
q dq

Custos Mg ($) CMg

 Observação:
Os custos marginais não
são influenciados pelos
custos fixos (invariáveis a
curto prazo).

q
Custos de Produção: Custos a Curto Prazo
Relação entre CMg e os CTMe e CVMe

Custos Médios e
Marginais ($)
CTMe
CMg CVMe

 Quando o CMg supera o CTMe ou o CVMe, significa que o CTMe ou o CVMe estará
crescendo. Ao mesmo tempo, se o CMg for inferior ao CTMe ou ao CVMe, estes estarão
caindo (decrescendo).

 Conclusão: quando o CMg for igual ao CTMe ou ao CVMe, o CMg estará cortando o CTMe
ou o CVMe no ponto de mínimo das respectivas curvas.
Custos de Produção: Custos a Curto Prazo
Relação entre CMg e os CTMe e CVMe

Exercício

1) Supondo que uma firma produz 10 unidades do produto por mês, com
um custo total de R$ 5.000,00. Responda:

a) Qual é o valor do custo total médio?

b) Se o custo adicional (marginal) da 11ª unidade for 400, o que acontecerá com
o custo total médio?

c) Se o custo adicional (marginal) da 11ª unidade for 600, o que acontecerá com
o custo total médio?
Custos de Produção: Custos a Curto Prazo
Relação entre CMg e os CTMe e CVMe

Exercício
2) Calcule o CMe e o CMg da firma a seguir:
Custos de Produção: Custos a Longo Prazo

 No longo prazo não existem custos fixos, todos os custos são variáveis,
sendo assim, um agente econômico:

1) Opera no curto prazo e;


2) Planeja no longo prazo.

 O longo prazo é o horizonte de planejamento e não o que está sendo


efetivamente realizado.
Custos de Produção: Custos a Longo Prazo
 A curva “cheia”, em negrito, é a curva de Custo Médio de Longo Prazo (CMeLP), também
conhecida como curva envoltória ou curva de planejamento de longo prazo.

 Esta curva mostra o menor custo unitário (Cme) para produzir, a cada tamanho possivel da
planta (fábrica) de determinada empresa.

Custos ($)

CMeLP
*Conclusão: a escala
ótima da firma, do
ponto de vista de
seus custos, é o
ponto onde o CMeLP
é mínimo.
q
qótimo
Economias de escala Deseconomias de escala

Escala de produção ótima da firma ou combinação de custo mínimo

 O formato de “U” da curva de CMeLP é determinado pelas economias ou deseconomias de escala,


quando ocorre variações no tamanho da empresa.

 A primeira fase tem rendimentos crescentes (ou economias de escala); no ponto mínimo
rendimentos constantes; após rendimentos decrescentes (ou deseconomias de escala).
Custos de Produção: Custos a Longo Prazo

 Economias de escopo: redução dos custos totais quando aumenta a


variedade de bens ou serviços produzidos pela empresa.

 Exemplo: pode ser mais barato (eficiente) que certa firma fabrique TV’s e aparelhos
de DVD na mesma fábrica, aproveitando o know-how existente, do que produzi-los
em duas fábricas separadas.

 Atenção: Enquanto as economias de escala estão relacionadas à redução dos custos


médios à medida que certa firma aumenta sua quantidade produzida. As economias
de escopo estão vinculadas à redução dos custos totais quando determinada
empresa aumenta a variedade de bens ou serviços produzidos por ela.

 Observação: o conceito de economias de escala aplica-se à firma que produz um


único produto, enquanto o conceito de economias de escopo supõe que a firma
produz mais de um produto (produção múltipla).
Linha de isocusto
Isocusto: conjunto de todas
as combinações possíveis de
fatores de produção (K, N) que K
Isocusto
mantém constante o custo ou
orçamento total da empresa.

Dados os preços dos fatores,


se a empresa aumenta a
contratação de um fator,
deverá reduzir a aquisição de
outro fator, se deseja manter
constante o orçamento gasto
 Inclinação negativa.

N
CT = Pk.K + PN.N
Isoquanta de produção

 Isoquanta: significa de igual


quantidade.
K
 A Isoquanta pode ser definida 6
como sendo uma linha na qual
todos os pontos representam
infinitas combinações dos insumos, 4
que resultam na mesma quantidade q3  3.000
produzida. q2  2.000
2
q1  1.000
 Uma firma pode apresentar várias
isoquantas de produção, formando N
50 80 150
o mapa de produção.

 Observação: dentro do mapa de produção, a escolha da isoquanta ótima dependerá dos


custos de produção e da demanda pelo produto da firma.
Minimização de custos e Maximização da produção

 O objetivo da firma é maximizar o lucro, e isso pode ser feito das


seguintes formas:

 Maximizando a produção, dado um nível de custos – que corresponde ao


ponto onde uma isocusto dada tangencia a isoquanta mais alta possível.
- Minimizando o custo, dado um nível de produção – que corresponde ao
ponto onde uma isoquanta dada tangencia a isocusto mais baixa
possível possível.
Caminho de expansão da firma
 Relaciona os pontos de maximização do lucro que a empresa terá ao combinar
aumentos simultâneos no seu orçamento (custo total) e na sua produção, mantendo
os preços dos fatores de produção constantes.

 Ou seja, é a linha da trajetória (caminho) dos possíveis pontos de equilíbrio da firma,


quando a produção e o orçamento (custo total) expandem.

 Qualquer ponto fora dessa trajetória é ineficiente do ponto de vista econômico.


Exercício
3) Seja a função de custo total da firma CT=100+50Q onde Q é a
quantidade produzida. Calcule:

a) O custo fixo (CF).


b) O custo variável (CV).
c) O custo fixo médio (CFMe).
d) O custo variável médio (CVMe).
e) O custo médio (custo total médio, CMe).
f) O custo marginal (CMg).
Exercício

4)