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PALAVRAS DO PRESIDENTE

A razão de existir da Sampling Planejamento é semear uma cultura que incentive a


mudança de comportamento das pessoas com relação à Segurança, Meio
Ambiente e Saúde. Nesses anos de atuação, nossa empresa tem se ocupado em
orientar e transmitir o conhecimento acumulado na área de SMSQ, tendo como
objetivo principal a valorização da vida.

Estamos aqui para oferecer a você serviços com alto padrão de qualidade e
excelência técnica, garantindo sua satisfação e conforto desde a hora em que o
recebemos para o café da manhã, até o momento em que lhe entregamos o
certificado de conclusão do treinamento.

Nosso treinamento apresenta as melhores práticas que vão ajudá-lo a executar


suas tarefas com uma visão prevencionista para diminuir a possibilidade de
ocorrência de acidentes no ambiente de trabalho. Na ocorrência eventual de
acidentes e incidentes, os conhecimentos adquiridos na Sampling Planejamento o
farão minimizar os impactos na sua segurança, diminuindo ou eliminando a
possibilidade de danos pessoais, no patrimônio empresarial e no meio ambiente.
Desejamos, sinceramente, que esse investimento na sua segurança redunde em
mais qualidade de vida.

Queremos melhorar sempre, pois assim exige a dinâmica da qualidade e para isso
precisamos que você registre na avaliação de reação, ao final do curso, qual a sua
impressão sobre a nossa atuação.

Sucesso!

Rodolfo da Silva Pereira


Presidente

i Primeiros Socorros Básicos


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Primeiros Socorros Básicos

Revisão Técnica:
Alcides de Lima

Revisão Final:
Claudia Ferman

Ilustração da Capa:
Flavio Junior

Diagramação:
Gabriel Pereira

Primeiros Socorros Básicos ii


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SUMÁRIO

ESTRUTURA E FUNÇÕES DO CORPO HUMANO ............................................................... 1


Sistema Respiratório ............................................................................................... 1
Sistema Circulatório ................................................................................................. 2
Sistema Digestório ................................................................................................... 3
Sistema Nervoso ...................................................................................................... 5
Sistema Músculo-Esquelético .................................................................................. 7
Pele .......................................................................................................................... 8

INTRODUÇÃO AOS PRIMEIROS SOCORROS .................................................................... 10


Avaliação do Cenário ............................................................................................... 10
Avaliação da Vítima ..................................................................................................12

SITUAÇÕES DE EMERGÊNCIA ........................................................................................... 14


Parada Cardíaca / Parada Cárdio-Respiratória ....................................................... 14
Afogamento ............................................................................................................ 16
Hipotermia ............................................................................................................. 20
Convulsão .............................................................................................................. 20
Hemorragias .......................................................................................................... 22
Estado de Choque .................................................................................................. 24
Queimaduras ......................................................................................................... 25
Choque elétrico ...................................................................................................... 26
Fraturas .................................................................................................................. 27
Transporte de Acidentado ....................................................................................... 32

iii Primeiros Socorros Básicos


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1. ESTRUTURA E FUNÇÕES DO CORPO HUMANO

Este material tem a finalidade de familiarizar o Socorrista com as estruturas do corpo


humano (anatomia) e suas funções (fisiologia).
O entendimento de suas funções, assim como a localização e identificação dos
órgãos e estruturas do mesmo, facilitam a realização dos Primeiros Socorros e
tornam a comunicação entre o socorrista e a equipe médica mais esclarecedora.

1.1 Sistema Respiratório


O Sistema Respiratório é composto por:

- vias aéreas superiores


- vias aéreas inferiores
- pulmões

Nariz

Laringe Boca

Pleura Brônquios
Traquéia
Pulmão direito
Pulmão esquerdo

Lobo superior Lobo superior


direito esquerdo

Lobo médio

Lobo inferior Diafragma Lobo inferior


direito Bronquíolos Alvéolos esquerdo

Primeiros Socorros Básicos 1


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1.1.1 Mecânica Respiratória

Troca
gasosa

Inspiração O2
Inspiração Expiração
Alvéolo

Expiração
CO2
Capilar Sanguíneo

Mecanismo de Troca Gasosa


Funciona através de dois movimentos:
Inspiração: movimento respiratório que permite a entrada de ar nos pulmões.
Expiração: movimento respiratório que leva à saída o ar dos pulmões.
Os movimentos respiratórios são possíveis por causa da atuação do diafragma
(músculo que separa o tórax do abdomem) e de músculos situados entre as
costelas.
A Frequência respiratória normal no adultoé de - 12 a 20 resp/min

1.2 Sistema Circulatório


O Sistema Circulatório é composto pelo coração, vasos sangüíneos e sangue.

1.2.1 Coração
l Função: bombear o sangue através das artérias e receber o sangue proveniente das

veias.
l Localização: no centro do tórax, entre os dois pulmões, com a ponta voltada para o
lado esquerdo, sob o osso esterno.
2 Primeiros Socorros Básicos
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lEstrutura
- Septo: separa os dois lados do coração
- Átrio esquerdo (AE): recebe sangue arterial (rico em O2) dos pulmões.
- Ventrículo esquerdo (VE): onde nasce a artéria aorta que distribui o sangue por todo
o corpo.
- Átrio direito (AD): recebe sangue venoso (rico em CO2) vindo de todo o organismo.
- Ventrículo direito (VD): conduz o sangue venoso para os pulmões para que haja a
troca gasosa.
1.2.2 Vasos Sangüíneos
São divididos em duas categorias:
- Artérias: conduzem sangue arterial para todos os órgãos e tecidos do corpo.
- Veias: conduzem o sangue venoso de todos os órgãos e tecidos do corpo para o
coração. Depois o sangue é transportado para os pulmões.
- Capilares: divisões das artérias e veias. São vasos muito finos onde ocorrem as
trocas de nutrientes, oxigênio (O2) e gás carbônico (CO2) entre o sangue e as
células.

1.2.3 Sangue
Funções mais importantes:
- transportar oxigênio para todas as células do organismo.
- transportar gás carbônico originado nas células para o coração e pulmões para que
este gás seja eliminado.
- transportar nutrientes para as células (glicose, proteínas, sais minerais, vitaminas,
gorduras).
- transportar células de defesa (glóbulos brancos).
- transportar as substâncias inúteis do organismo, para que sejam eliminadas pelos
rins ou fígado.
- Atuar no processo de coagulação, fazendo com que o sangramento cesse através
do acúmulo das plaquetas.

1.3 Sistema Digestório


Para que a vida seja possíve, o organismo deve ser nutrido, a alimentação tem essa
função e ao nos alimentarmos tem início o processo de digestão.
Primeiros Socorros Básicos 3
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Digestão: Conjunto de atividades do sistema digestivo que têm como finalidade
transformar o alimento ingerido em partículas bem pequenas para que elas sejam
absorvidas. A absorção destas partículas ocorre no intestino, no momento em que
passam do interior do intestino para dentro dos vasos sangüíneos.

O Sistema Digestório é composto por:


- boca
- faringe
- esôfago
- estômago
- intestino delgado e
- intestino grosso

4 Primeiros Socorros Básicos


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1.4 Sistema Nervoso
O Sistema Nervoso é dividido em:

1.4.1 Sistema Nervoso Central

É formado pelo encéfalo e pela medula espinhal.


O encéfalo localiza-se dentro da caixa craniana e é constituído por três órgãos:
cérebro, cerebelo e bulbo.

l O cérebro é o orgão mais importante do sistema nervoso, pois é ele que controla os
movimentos, recebe e interpreta os estímulos sensitivos, coordena os atos da
inteligência, da memória, do raciocínio e da imaginação.
l O cerebelo coordena os movimentos do corpo para manter seu equilíbrio. Regula

também o tônus muscular, que é o estado de semi-contratação que os músculos se


encontram, para entrarem imediatamente em movimento, sempre que for
necessário.
l A função do bulbo é conduzir os impulsos nervosos do cérebro para a medula

espinhal e vice-versa. Também produz os estímulos nervosos que controlam a


circulação, a respiração, a digestão e excreção.
A região a os movimentos respiratórios e os cardíacos chama-se nó vital. Recebe
esse nome porque se uma pessoa recebe forte pancada nesse local poderá morrer
isntantaneamente, devido à paralização dos movimentos respiratórios e cardíacos.
A medula espinhal situa-se dentro da coluna vertebral. Tem duas funções:

lConduzir os impulsos nervosos do corpo para o cérebro. Essa função é realizada


pela substância branca.
lProduzir os impulsos nervosos. A medula é capaz de coordenar os atos involuntários
ou inconscientes, como retirar o dedo rapidamente de uma panela de água fervendo.

Cortex cerebral

Corpo caloso

Tálamo

Hipotálamo
Ponte
Cerebelo
Bulbo

Medula

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1.4.2 Sistema Nervoso Periférico

Formado por nervos que deixam a medula espinhal e se encaminham para diversas
partes do corpo humano e pelos nervos que fazem o caminho inverso. Os nervos são
responsáveis por transmitir os comandos feitos pelo cérebro e também por trazer de
volta à medula e cérebro informações sobre o corpo humano, como por exemplo, a
sensação de dor, frio ou calor que se sente na pele.

l Lesões de Medula Espinhal


Caso ocorra lesão da medula espinhal, o impulso nervoso (que transmite as
informações) é interrompido e não pode atingir os nervos do sistema periférico. Se a
lesão for na coluna cervical, por exemplo, pode haver morte, ou a vítima pode ficar
paralisada do pescoço para baixo (tetraplégica). Se a lesão for mais abaixo (na
coluna torácica ou lombar) a vítima perde os movimentos e a sensibilidade a partir do
ponto da lesão (paraplégica). O funcionamento de alguns órgãos também pode ficar
alterado com este tipo de lesão. Normalmente as lesões medulares são irreversíveis,
quanto mais alta a lesão, maior o grau de comprometimento dos sistemas.

Cérebro
Nervos
Craniais Cerebelo
Nervos
Cervicais
Medula
espinhal

Nervos torácicos
Nervo radial
Nervo
mediano Nervos lombares

Nervo
ulnar Nervos sacrais

Nervo ciático

Nervo Libial

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1.5 Sistema Músculo-Esquelético
1.5.1 Ossos

Responsáveis pela sustentação do corpo e atuam na locomoção. O esqueleto é


formado por 206 ossos. O eixo principal do corpo é a coluna vertebral formada por
vertebras que se estende da base do crânio até o quadril.
l Coluna cervical: É composta por 7 vertebras e se situa no pescoço.

l Coluna torácica: faz parte do tórax, é formada por 12 vértebras. Dá origem às

costelas..
l Coluna lombar: Tem 5 vértebras.

l Sacro: Está no quadril, é formado por 5 vértebras unidas (sem disco). No final do
sacro existe um osso chamado cóccix.
l Crânio é formado por 6 ossos que protegem o

cérebro.
l Membros:

-superiores: braço, antebraço, mão


-inferiores: coxa (osso fêmur - maior osso do corpo humano), perna e pé.

Frontal Parietal

Esfenóide
Nasal
Zigomático
Maxilar
Occipital
Temporal
Mandíbula

1.5.2 Músculos

Os músculos são formados por fibras musculares e se unem aos ossos através de
seus tendões. Têm como função participar de todos os movimentos do corpo
humano, proteção dos órgãos internos e modelagem.

1.5.3 Articulações

Espaços que unem os osso, entre os quais há uma cápsula ao redor que possui um
líquido no interior com a função de lubrificar a articulação.
Na articulação os ossos são envolvidos por cartilagem, que é um tecido cuja função é
reduzir o atrito e amortecer os choques.
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Músculos frontais Temporal
Crânio
Músculos faciais
Clavícula
Esterno Articulação
do ombro Trapézio
Deltóide
Escápula Grande peitoral
Caixa toráxica Bíceps braquial
Úmero Costela Grande Reto
Coluna Extensor comum do abdomen
Rádio
Vertebral dos dedos e do Grande Oblíquo
Ulna pulso do abdomen
Ílio
Articulação
Carpo do quadril
Grande Adutor
Metacarpo Sacro
Falanges Púbis Costureiro Reto femural
Fêmur Ísquio Vasto interno
Vasto externo
Patela Joelho
Gastrocnemio
Tíbia interno Tibial anterior
Solear
Fíbula
Tarso

Falanges Metatarso

1.6 Pele
Maior órgão do corpo humano, a pele é o revestimento do corpo que o isola do meio
exterior. É composta por 3 camadas:

Epiderme: Camada mais superficial a qual se renova constantemente (5 a 7 dias),


responsável pela proteção.

Derme: Camada intermediária onde se localizam os vasos sangüíneos, os nervos, as


glândulas sudoríparas (do suor) e as sebáceas, também responsável pela regulação
da temperatura corporal.

Hipoderme: Camada mais profunda, constituída basicamente de tecido gorduroso,


com espessura variável.

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Poro Pêlo

Papila da derme Epiderme

Receptor de frio Derme


Receptor de calor
Glândula sebácea
Músculo eretor
Vasos sanguíneos do pêlo
Glândula sudorípara

Tecido conjuntivo
Hipoderme

Nervo

Lóbulos de gordura

Funções da Pele

- Proteção Imunológica
- Regulação de Temperatura em torno de 36 a 37°C
- Percepção
- Secreção

Por ser uma estrutura vital a pele deve ser bem cuidada a fim de conservar sua
integridade, não somente por motivos estéticos, mas para a preservação da saúde, já
que ela desempenha finções importantíssimas para o corpo humano.

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2. INTRODUÇÃO AOS PRIMEIROS SOCORROS
Primeiros Socorros é a definição de todo procedimento correto de suporte básico da
vida até que a assistência especializada chegue só devem ser executados por
pessoa treinad. Os principais objetivos são:
l manter a vida

evitar que lesões já existentes se agravem.

Atenção: O socorrista não substitui o médico, não pode liberar pacientes ou


prescrever tratamentos.
Lembre-se

Nunca tente efetuar procedimentos para os quais não foi treinado.


Mantenha-se calmo.
Evite o pânico.

2.1 Avaliação do Cenário


Antes de abordar a vítima de um acidente, você deve seguir alguns procedimentos
importantes para aumentar a sua chance de sucesso no acordo:

“Respirar” para manter a calma


Observar o local para identificar possíveis riscos
Acionar apoio especializado (enfermagem de bordo, bombeiro, ajuda de
outros socorristas, SAMU,...)
Isolar a área para facilitar atuação dos socorristas
Providenciar proteção individual para evitar contaminação do socorrista

O socorrista deve avaliar a cena antes de se aproximar observando se no local


existem situações de risco.

Caso a cena não esteja segura, não se aproxime e isole a área até que o socorro
especializado chegue. Um dos socorristas deve cuidar da sinalização e isolamento
da área para prevenir novos acidentes.

Caso o local de socorro ofereça riscos que não possam ser neutralizados, deve-se
remover a vítima para local seguro.

Todas as precauções devem ser tomadas durante o exame e a manipulação da


vítima para evitar lesões corporais ao socorrista ou contaminação por agentes
biológicos (microorganismos) ou substâncias tóxicas presentes na superfície do
corpo, sangue e secreções do paciente.

É obrigatório proteger as mãos durante a manipulação do paciente com o uso de


luvas impermeáveis (quando existir presença de sangue ou secreções), devido aos
riscos de contaminação por exemplo, vírus da hepatite ou vírus da AIDS.
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Na ausência de luvas de látex, utilizar materiais impermeáveis, como: saco plástico,
camisinha.

No local em que haja uma ou mais vítimas deve haver um líder entre os socorristas,
que deve ser o indivíduo com maior grau de treinamento.

Use máscara quando suspeitar de infecção respiratória. Se houver suspeita de


presença de gás tóxico no ar, não se aproxime sem uso de equipamento específico.
Previna-se, principalmente, contra riscos de: atropelamento, desabamento, incêndio,
explosão, contaminação com produtos tóxicos (gás, produto líquido tóxico etc),
choque elétrico e agressão.
Em vítimas de trauma por queda, a informação sobre a altura da queda é muito
importante.
Procure, no local, evidências de uso de drogas, medicamentos e álcool.

2.1.1 Triagem

Triagem em acidentes com múltiplas vítimas


Separe vítimas em categorias, por prioridade de benefício com relação à prestação
de primeiros socorros (não necessariamente relativo à gravidade). O objetivo é salvar
o maior número de vítimas possível.
O atendimento a múltiplas vítimas deve ser baseado na razão e não na emoção.
Um dos métodos mais utilizados é o START "Simple Triage and Rapid Treatment" que
identifica as vítimas por fitas coloridas ou etiquetas.
FITA VERMELHA
Prioridade I - Vítima com risco imediato de morte, mas apresenta lesões tratáveis.
FITAAMARELA
Prioridade II - Vítima sem risco imediato de morte, mas com lesões graves.
FITA VERDE
Prioridade III - Não há gravidade. Vítimas que conseguem andar.
FITA PRETA
Prioridade zero - Mortos ou vítimas com lesões sem possibilidade de tratamento.
Após avaliação do cenário contactar enfermagem de bordo ou Sistema Pré-
Hospitalar (Bombeiros), informando:
- tipo da emergência
- número de vítimas
- tipo de ferimentos
- local da emergência (citar pontos de referência)
- melhor acesso ao local

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2.2 Avaliação da Vítima
2.2.1. Avaliação Primária (ABCD)

Abrir vias aéreas: Manter a cabeça da vítima em posição neutra e abrir a boca
segurando-a pela mandíbula. Observar a presença de corpos
estranhos, vômito ou sangue na cavidade oral (o que deve ser
removido manualmente)
Boa ventilação: Verificar se a vítima está respirando normalmente (VER-OUVIR-
SENTIR), em caso de ausência de respiração, realizar duas
ventilações de resgate.
Circulação: Verificar o pulso da artéria carótida pela palpação. Observar o número de
batimentos cardíacos por minuto. Se o pulso não estiver presente deve-
se realizar as manobras específicas para parada cárdio-respiratória.
Desfibrilador: Caso disponível no local do evento, providenciar o quanto antes a
chegada deste equipamento.

2.2.2. Avaliação Secundária


l Descobra o paciente para observar a presença de lesões graves tais como
traumatismos penetrantes, e fraturas em áreas cobertas pelas roupas.
l

ATENÇÃO
Suspeite da lesão de coluna cervical em qualquer paciente vítima de trauma
desacordado ou com ferimentos do tórax, cabeça e/ou pescoço.

Avaliação da cabeça:
l Verifique a presença de sangramentos, lesões no rosto e crânio e avalie a cor da

pele da face. Principal atenção para crânio, olhos (pupilas), boca e ouvidos.
lObservar se há sangramento pelo nari, e hematoma ao redor dos olhos.

Avaliação do pescoço:
.
l Observe lesões perfurantes, edema e hemorragias externas. Palpar as artérias

carótidas (uma de cada vez).


l Observe a centralização e integridade da traquéia. Completando o exame, coloque

o colar cervical.

Avaliação do tórax:
l Procure por ferimentos, hematomas, perfurações, deformidades e movimentos

respiratórios anormais.
Observe as clavículas. Ao palpar o tórax verifique áreas com dor.

Avaliação do abdômen:
l Verifique a presença de ferimentos, perfurações e sangramentos. Apalpe
delicadamente o abdômen, checando a presença de dor.
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Avaliação das extremidades (membros superiores e inferiores):
l Observar a presença de ferimentos, deformidades, lesões com exposição óssea e

hemorragias. Palpar as superfícies ósseas procurando determinar a presença de


fraturas. Testar a sensibilidade dos membros ao toque comparando ambos os lados.
Executar movimentos suaves de flexão e extensão das articulações. Palpar pulsos
em tornozelos e pés e o pulso radial (em ambos os punhos).

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3. SITUAÇÕES DE EMERGÊNCIA

3.1 Parada Cardíaca - Parada Cárdio-Respiratória (PCR)


É o exemplo mais importante de uma emergência médica. As manobras devem ser
iniciadas dentro de um período máximo de 4 minutos a partir da ocorrência, pois é o
tempo médio que o cérebro resiste sem oxigenação, sem que haja
comprometimento.

3.1.1 Diagnóstico de PCR


Ausência de pulso carotídeo (da artéria carótida) no adulto é o dado chave para o
diagnóstico.

Outros sinais a serem observados são:

- Ausência de respiração: pode preceder a parada cardíaca ou ocorrer logo após


seu estabelecimento.
- Inconsciência: pode ocorrer antes ou suceder a parada cardíaca, mas é um sinal
inespecífico. A perda da consciência ocorre por causa da diminuição de oxigênio do
cérebro.
- Dilatação da pupila (midríase): é relativamente tardia ocorrendo até 45 segundos
após a Parada Cardíaca mas pode aparecer em outras situações sem que haja PCR
(uso de drogas ilícitas).
- Aspecto de morte: com cianose (pele azulada) e palidez. Também não é específico
de PCR.

3.1.2 Manobras de Parada Cárdio-Respiratória - Reanimação ou Ressuscitação


Cárdio-Respiratória

Trata-se de um conjunto de medidas que têm por objetivo oferecer oxigênio à vítima e
manter o sangue circulando pelos vasos sanguíneos.

Manobras:
- Desobstrução de vias aéreas
- Suporte respiratório: Respiração boca-a-boca
- Suporte circulatório: Compressão torácica
.
l Desobstrução de Vias Aéreas

Colocar a vítima de barriga para cima (decúbito dorsal)


A - Abertura da boca

b - Elevação da mandíbula: É a manobra mais indicada no caso de lesão cervical. O


socorrista posiciona-se por trás da vítima e com suas mãos segura os ângulos de sua
mandíbula (abaixo das orelhas), deslocando-a para frente. As mãos do socorrista
estabilizam a coluna cervical do paciente evitando movimentos laterais. Esta
manobra exige dois socorristas para que o outro faça a ventilação simultânea da
vítima (respiração boca-a-boca).
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Manobra de desobstrução de vias aéreas ou Manobra de Heimlich
Indicada quando a garganta ou outra parte das vias aéreas estiver obstruída por
algum objeto, como uma moeda ou até um pedaço de carne. Tem objetivo de
desobstruir as vias aéreas para permitir a passagem de ar, os sinais e sintomas são:
ausência de voz e tosse, face arroxeada e desespero.

- Posicionar-se por trás da vítima, passando os braços por baixo das axilas
posicionando as mãos na “boca do estômago” da vítima.

- O punho esquerdo do socorrista é segurado por sua mão direita.

- Puxe, subitamente, as mãos contra a “boca do estômago” da vítima, o que faz com
que a vítima solte o ar bruscamente facilitando o deslocamento do corpo estranho.

l Respiração Boca a Boca

Este método de ventilação divide-se em 4 tempos:


a - Limpeza da cavidade oral:
com a vítima deitada de costas retire objetos estranhos: prótese dentária, restos
alimentares, sangue ou vômito (usar luvas, pano ou toalha)
b - Extensão da cabeça:
desloque a cabeça da vítima um pouco para trás, a fim de mudar a posição da
língua e facilitar a passagem de ar.
c - Obstrução do nariz:
feche as narinas da vítima usando o polegar e o indicador, a fim de evitar que o ar
escape pelas narinas.
d - Soprar o ar:
Faça uma inspiração profunda e adapte sua boca à da vítima de forma que não
haja vazamentos. Expire (sopre) o ar na boca da vítima com vigor suficientemente
para elevar o tórax.

A decisão de execução deste procedimento é pessoal do socorrista, pois mesmo com


a colocação de materiais improvisados, o socorrista não fica totalmente isento de
contaminação por secreções.

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Compressão torácica

A vítima deve ser colocada em decúbito dorsal (de barriga para cima). A compressão
torácica é baseada na aplicação de uma pressão sobre o tórax da vítima contra uma
superfície resistente (plana e rígida) o que provocará uma compressão do coração,
fazendo o sangue circular por todo o corpo.

Tenha certeza de que não há pulso arterial (vítima em parada cardíaca)


Técnica:
-Ponha as mãos uma sobre a outra, com os dedos entrelaçados, em cima do osso
esterno ( localizado no centro do tórax), 2 dedos acima do apêndice xifóide.
-Mantenha os cotovelos estendidos (sem “dobrá-los”). O socorrista deve ficar
debruçado sobre a vítima, usando o próprio peso (é menos cansativo).

A compressão torácica tem que ser feita em combinação com a respiração boca-a-
boca. O ideal é que o socorrista consiga alguém que o ajude para que as manobras
não sofram interrupções devido ao cansaço. Deve ser aplicadas 2 ventilações boca-
a-boca intercaladas com 30 compressões cardíacas.

3.2 Afogamento
É entrada de líquido nas vias aéreas (traquéia, brônquios ou pulmões), por
conseqüência de imersão ou submersão.

A função respiratória fica prejudicada pela entrada de líquido nas vias aéreas,
interferindo na troca de oxigênio (O2) e gás carbônico (CO2), de duas formas
principais:

Obstrução parcial ou completa das vias aéreas superiores por uma coluna de
líquido, nos casos de submersão súbita (crianças e casos de afogamento de
pessoas que tenham sofrido inicialmente um trauma) e principalmente;
Pela aspiração gradativa de líquido até os alvéolos (a vítima luta para não se
afogar).

16 Primeiros Socorros Básicos


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Estes dois mecanismos provocam a diminuição da passagem do oxigênio para a
circulação e será maior ou menor de acordo com a quantidade e a velocidade em
que o líquido foi aspirado. Se o quadro de afogamento não for interrompido, esta
redução de oxigênio levará à parada respiratória e conseqüentemente, em
segundos ou poucos minutos, provocará parada cardíaca. Há alguns anos
pensava-se que os diferentes tipos de água produziam quadros de afogamentos
diferentes. Hoje sabemos que os afogamentos de água doce, mar ou salobra não
necessitam de qualquer tratamento diferenciado entre si.

3.2.1 Classificação do afogamento

A classificação do afogamento permite estabelecer a gravidade de cada de cada


caso, indicando o tratamento a ser seguido. O primeiro passo é diferenciarmos
entre um caso de resgate e de afogamento.

Resgate: vítima resgatada da água (geralmente viva) que não apresenta tosse ou
espuma na boca e/ ou nariz. Pode ser liberada no local do acidente quando
consciente sem necessitar de atendimento especializado após avaliação do
socorrista. Podem apresentar frio, náuseas, vômito, distensão abdominal,
tremores, dor de cabeça, mal estar, cansaço, dores musculares, dor no tórax,
diarréia e outros sinais não específicos. Estes sintomas são decorrentes do
esforço físico sob stress, durante a tentativa de se salvar do afogamento.

Afogamento: pessoa resgatada da água, que apresenta evidências de aspiração


de líquido (tosse, espuma na boca ou no nariz) deve ter sua gravidade avaliada no
local do evento, receber tratamento adequado. É importante acionar se necessário
uma equipe especializada.

3.2.2 Socorro na água


Após reconhecer a necessidade de socorro, chame por ajuda ou peça a outro
para fazê-lo ou avise alguém antes de tentar qualquer tipo de socorro.
Jamais tente socorrer a vítima se estiver em dúvida da sua capacidade,
socorristas podem morrer junto com a vítima se estiverem despreparados.

Se a vítima for você:

Mantenha a calma, a maioria das pessoas morre por conta do desgaste


muscular desnecessário na luta contra a correnteza.
Mantenha-se apenas flutuando e acene por socorro. Só grite se realmente
alguém puder lhe ouvir, caso contrário você estará se cansando e acelerando o
afogamento. Acenar por socorro, geralmente é menos desgastante e produz maior
efeito.
No mar, uma boa forma de se salvar é nadar ou deixar se levar para o alto mar,
fora do alcance da arrebentação e a favor da correnteza, acenar por socorro e
aguardar. Ou se avistar um banco de areia, tentar alcança-lo.

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Se você for socorrer:
Tenha certeza de que para não se tornará uma vítima!
Decida o local por onde irá atingir ou ficar mais próximo da vítima.
T ente ajudar sem entrar na água.
.Se a vítima estiver a menos de 4 m ( piscina , lagos , rios ) , estenda um cabo ,
galho pedaço de pano para a vítima. Se estiver a uma curta distância, ofereça um
dos pés ao invés da mão.
Se a vítima estiver entre 4 e 10 m (rios, encostas, canais) , atire uma bóia
(garrafa de 2 fechada, tampa de isopor, bola), ou amarre-a a uma corda e atire a
vítima segurando na extremidade oposta. Deixe que a vítima se agarre ao objeto
e fique segura. Só então a puxe para a área seca.
Caso você esteja em uma embarcação em alto mar não tire a vítima de seu
alcance visual, grite “HOMEN AO MAR” e jogue uma bóia para a vítima.

Se você decidiu entrar na água para socorrer


Avise a alguém que você tentará salvar a vítima e que chame socorro
profissional.
Leve consigo sempre que possível algum material de flutuação (prancha , bóia ,
ou outros).
Retire roupas e sapatos que possam pesar na água e dificultar seu
deslocamento (esta conduta só é valida para águas rasas ) em caso de águas
profundas não retire as roupas para evitar a hipotermia.
Pare a 2m antes da vítima e lhe entregue o material de flutuação. Sempre
mantenha este material entre a vítima e você. Deixe que a vítima se acalme, antes
de chegar muito perto de forma que não possa lhe agarrar. Entretanto , caso isto
ocorra afunde com a vítima que ela lhe soltará.
Se você não estiver confiante em sua natação, peça a vítima que flutue e acene
pedindo ajuda.Não tente reboca-la até o local seguro , pois isto poderá gastar
suas últimas energias. Durante o socorro, mantenha-se calmo, e acima de tudo
não se exponha a riscos desnecessários.

Socorro do Afogado

18 Primeiros Socorros Básicos


BST
Transposte da vítima para um local seguro
O transporte e a transição da água para um local seguro : a técnica da Chave de
Raltec é a melhor pois reduz a incidência de vômitos e permite manter as vias
aéreas abertas durante todo o transporte. Em casos em que haja suspeita de
traumatismo raquimedular utilize, sempre que possível, a prancha de imobilização
e o colar cervical ou improvise (prancha de surf , tábua de madeira , etc)
No caso de salvamento na praia, ao chegar à areia coloque o afogado em
posição paralela a água, de forma que o socorrista fique de costas voltada para o
mar. A cabeça e o tronco da vítima devem estar alinhados. A água aspirada e
ingerida durante o afogamento não deve ser retirada, pois esta tentativa prejudica
e retarda o início da ventilação e oxigenação além de facilitar os vômitos.
Pessoas resgatadas em bote resgate, com sinais de hipotermia deverão ser
colocadas com a cabeça voltada para a popa e as pernas devem ser elevadas em
direção da proa para melhorar o fluxo de sangue para o cérebro. Em em caso de
inconsciência a cabeça deve ser colocada para a proa e as pernas para a popa,
porque durante o deslocamento,o bote de resgate normalmente fica com a proa
levantada.
Faça a avaliação da vítima (nível de consciência, A, B, C da vida e grau de
afogamento) , proceda os primeiros socorros de acordo com cada gravidade.
Em caso de parada cardio-respiratória a reanimação deve ser realizada da
mesma forma que em qualquer outra situação.
Resumo da classificação e tratamento
GRAU SINAIS e SINTOMAS PRIMEIROS PROCEDIMENTOS
Resgate Sem tosse,espuma na Avalie e libere do próprio local do afogamento.
boca/nariz,
sem dificuldade na
respiração
1 Tosse sem espuma na Repouso,aquecimento e medidas que visem o conforto
boca ou nariz , lúcido e tranqüilidade da vítima.Não há necessidade de
oxigênio ou hospitalização.
2 Pouca espuma na boca e Oxigênio nasal a 5 litros/min até a chegada do socorro
/ou nariz, lucidez ou especializado ou transporte ao hospital. Aquecimento
agitado corporal, repouso, e tranquilização. Observação
hospitalar por 6 a 24 hs.
3 Muita espuma na boca e Oxigênio por máscara facial a 15litros/min no local do
/ou nariz com acidente. Posição lateral de Segurança sob o lado
pulso radial palpável, esquerdo. Internação hospitalar para tratamento em
agitado e pouco CTI.
colaborativo
4 Muita espuma na boca Oxigênio por máscara facial a 15 litros/min no local do
e/ou nariz sem pulso evento. Observe a respiração com atenção pode haver
radial palpável, exaustão parada respiratória. Posição lateral de segurança sobre
e inconsciência o lado esquerdo. Atendimento especializado com
urgência para melhor ventilação. Internação em CTI
com urgência
5 Parada respiratória , com Ventilação boca-a-boca ou ambú. Não perca tempo
pulso carotídeo ou sinais tentando fazer O².A máscara facial de O² a 15 litros/min
de circulação presente pode ser utilizada caso caso haja outro socorrista
disponível, realize então o boca-a-boca/máscara com
15 litros/min.Não faça compressão cardíaca.Após
retornar a respiração espontânea trate como grau 4
6 Parada Cárdio-respiratória Reanimação cárdio – pulmonar. Não perca tempo
( PCR ) iniciando O². Inicie primeiro a RCP e só então se
houver disponibilidade de pessoas para ajudar utilize o
O². Após sucesso da RCP trate como grau 4.

Primeiros Socorros Básicos 19


BST
3.3 Hipotermia
A perda de calor corporal é um dos maiores riscos para a sobrevivência de uma
pessoa no mar. A razão da perda de calor corporal depende da temperatura da
água e do ar, da velocidade do vento, das condições do mar, o tempo de
exposição, o desgaste da roupa de proteção, o tipo físico do sobrevivente e a
maneira como o sobrevivente se conduz.
Quando a temperatura do corpo estiver abaixo de 35º C a pessoa estará sofrendo
de hipotermia, neste ponto haverá grande desconforto, cansaço, fraca
coordenação motora, dormência, dificuldade para falar, desorientação e confusão
mental.
Temperaturas internas abaixo de 31º C levam à vítima a inconsciência, os
tremores são substituídos pela rigidez dos músculos e as pupilas tornam-se
dilatadas. As batidas do coração tornam-se irregulares e fracas e o pulso quase
imperceptível.
Embora a morte possa ocorrer em qualquer estágio da hipotermia, quando a
temperatura estiver abaixo de 30º C é muito difícil constatar se está viva ou morta.
A morte por hipotermia é então definida como a incapacidade de reaquecimento.

3.3.1 Tratamento da hipotermia


- Aqueça a vítima com cobertores tão logo sejam reconhecidos os sinais e
sintomas.
- Mantenha a vítima deitada com as pernas ligeiramente elevadas;Manuseie a
vítima com cuidado
- Providencie abrigo
- Alimente a vítima com bebidas quentes ( chocolate , leite ou café )
- Monitore sinais vitais;
- Nunca ofereça bebida alcoólica;
- Nunca aplique calor direto;
- Não esfregue ou massageie os membros;
- Em caso de parada respiratória inicie imediatamente a reanimação;
- Não faça compressão torácica (massagem cardíaca ) se o coração ainda
apresentar algum batimento.

3.4 Convulsão
É a atividade muscular anormal, associada a alterações de comportamento ou
inconsciência causada por atividade anormal do cérebro. A principal causa de
convulsões é a epilepsia.
Pode ser precedida, na metade dos casos, por um grupo de sintomas
denominados de aura, que duram alguns segundos e envolvem sensações como
alucinações visuais ou gustativas. Geralmente são de curta duração, cessando
espontaneamente. Divide-se em duas fases distintas:

- Fase tônica: dura até 20 segundos e se caracteriza por perda da consciência e


contração muscular contínua. No início desta fase a contração da musculatura
abdominal força o ar para fora dos pulmões, produzindo um grito.

- Fase clônica: tem duração de 30 a 60 segundos de duração. A vítima alterna


sucessiva e rapidamente contrações musculares e relaxamento. Pode haver parada
20 Primeiros Socorros Básicos
BST
respiratória e eliminação de urina ou evacuação. Caracteristicamente ocorre
salivação excessiva (sialorréia).
Estado pós comicial: estado de sonolência e desorientação, que ocorre após um
episódio convulsivo. Dura de poucos minutos até algumas horas.

As causas da convulsões podem estar ligados à:


Epilepsia
-Hipoglicemia (taxa baixa de açúcar no sangue), principalmente em diabéticos.
-Overdose (dose excessiva) de cocaína.
-Abstinência alcoólica.
-Lesões cerebrais: tumores, derrame, traumatismos da cabeça e meningite.

Seqüência de ações
para a colocação da
vítima em posição
lateral de segurança

3.4.1 Conduta
-Avalie a cena.
-Procure sinais de consumo de drogas ou envenamentos.
-Adote medidas de auto- proteção como o uso de luvas.
-Verifique o nível de consciência da vítima e se a mesma ainda apresenta
convulsões.
-Solicite auxílio médico.
-Tranquilize pacientes lúcidos que estão próximos à cena.
-Não tente introduzir objetos na boca do paciente durante a convulsão.
-Não contenha a vítima.
-Proteja a cabeça do paciente colocando um apoio.
-Afaste do paciente objetos perigosos.
-Movimente a vítima caso o fator de risco não possa ser neutralizado.
-Abra as vias aéreas com manobras manuais após a cessação das convulsões.
-Assista a respiração caso esta não retorne após a convulsão
-Não tente acordar a vítima
-Após a convulsão , mantenha a vítima em posição lateral de segurança.
Prepare-se para a ocorrência de novo episódio convulsivo se a vítima não recupera a
consciência em dez minutos.
Primeiros Socorros Básicos 21
BST
Obs: A ocorrência de vários episódios de crises convulsivas sem recuperar a
consciência constitui uma emergência médica.

NÃO FORÇE A ABERTURA DA BOCA


NÃO FORÇE OBJETOS OU CÂNULAS DE GUEDEL PELA BOCA DO
PACIENTE SE ELE ESTIVER COM CONTRATAÇÃO INTENSA DA MANDÍBULA

3.5 Hemorragias
Hemorragia é a perda de sangue do interior de um vaso sangüíneo (artéria, veia ou
capilar).

Considerado o tipo de vaso lesado a hemorragia pode ser:


-Venosa: perda de sangue de uma veia. Ocorre um sangramento, geralmente de
coloração vermelho-escura (rico em CO2) e contínuo, que escorre pelas
bordas da ferida.
-Arterial: perda de sangue de uma artéria. Sangramento de coloração é vermelho-
clara (rico em O2) e em jato (a pressão é maior nas artérias). É de mais difícil
controle mais difícil quando ocorre, principalmente em grandes artérias.

Quanto à localização a hemorragia classifica-se em:


Externa
Visível porque extravasa para fora do corpo. Geralmente pode ser controlada
utilizando técnicas básicas de primeiros socorros, (quando ocorre em ferimentos em
geral, hemorragias de fraturas expostas.)

Interna
O sangue extravasa para o interior do próprio corpo. Geralmente não é visível, a não
ser numa situção de sangramento no estômago, em que o doente vomita sangue. Os
traumas contusos são as principais causas de hemorragia interna (acidentes de
trânsito, quedas, chutes e explosões). As medidas pré-hospitalares básicas
geralmente não funcionam.

Importante: Toda hemorragia deve ser controlda imediatamente, pois um


sangramento abundante pode levar à morte. O ABC da vida deve ser
empregado até a chegada do socorro especializado.

3.5.1 Técnicas de controle de hemorragias externas

-Manipule o paciente com luvas ou vestir sacos plásticos para proteger as mãos.
- Eleve, se possível, o local do sangramento acima do nível do coração .Não elevar
os membros que tiverem fratura ou luxação.
- Coloque compressa sobre o ferimento, pressionando com firmeza durante alguns
minutos . Use uma compressa limpa e seca (gaze, pano, lenço limpo). Caso a
compressa fique encharcada de sangue, coloque outra compressa sem retirar a
primeira. Se não dispuser de compressa, pressione o vaso (artéria ou veia)
22 Primeiros Socorros Básicos
BST
lesionado com as mãos firmemente.
- Fixe a compressa sobre o ferimento com bandagem (tira de pano, gravata, cinto).
- Mantenha a vítima agasalhada.
Não limpe ou lave o ferimento, pois o coágulo formado poderá soltar-se, provocando
nova perda de sangue.

Se suspeitar de lesão interna, apenas umedeça os lábios da vítima com água, pois
ela não pode ingerir nada.

3.5.2 Conduta em outras hemorragias

Hemorragia nasal (epistaxe)


- Mantenha a vítima sentada com a cabeça levemente inclinada para trás.
- Aperte as narinas por 5 minutos
- Peça à vítima que respire pela boca.
- Leve a vítima ao médico, mesmo que a hemorragia pare.
- Caso a hemorragia não pare após 5 minutos introduza um chumaço de gaze
embebida em água gelada no interior na narina que esta sangrando até que
atendimento médico seja dado (deixe sempre uma ponta da gase para fora da
narina, para facilitar, a retirada).

Hemorragia dos pulmões (hemoptise)


- O sangue de cor vermelho-vivo é eliminado durante acesso de tosse.
- Colocar a vítima deitada em decúbito dorsal (barriga para cima) com a cabeça
voltada par aum dos lados, no mesmo nível do corpo.
- Não administre medicamentos, líquidos ou alimentos ao paciente. Mantenha a
vítima em jejum.
- Consega atendimento médico, pois é uma emergência.

Hemorragia do aparelho digestório - esôfago, estômago, intestino -


(hematêmese)
- O paciente tem náuseas e o sangue é eliminado com o vômito. O sangramento
pode ser vermelho vivo ou em “borra de café”. Às vezes o doente não vomita e o
sangue é eliminado pelas fezes, que saem pastosas e com a cor preta como o piche e
Primeiros Socorros Básicos 23
BST
com forte odor (melena).
- No caso de vômito mantenha o paciente deitado de lado com a cabeça no mesmo
nível do corpo.
- Não administre medicamentos líquidos ou alimentos, mantenha o doente em jejum.
- Consega atendimento médico, pois trata-se de uma emergência.

3.6 Estado de choque


Resulta da incapacidade do sistema cárdio-vascular de fornecer sangue em
quantidade suficiente para os órgãos. Pode ter como causa:

- Hemorragia abundante
- Desidratação grave
- Queimaduras graves (por perda líquida)
- Infecção severa
- Ferimentos extensos ou graves (trauma)
- Ataque cardíaco (infarto)

3.6.1 Sinais e Sintomas:

- Pele pálida, fria e úmida, com suor abundante


- Aumento dos batimentos cardíacos (pulso rápido e fraco)
- Respiração rápida
- Vítima ansiosa, inquieta e com sede, ou com perda da consciência
- A pele dos lábios, mãos e pés pode estar roxa (cianose)
- Pressão arterial baixa

3.6.2 Condutas:

-Diagnostique o estado de choque


- Posicione a vítima de acordo com a causa do choque. As vítimas em choque por
ataque cardíaco geralmente suportam mal o decúbito dorsal (posição deitada de
costas), que piora a falta de ar. A posição melhor tolerada é a semi-sentada.
- Vítimas com outras formas de choque devem ser transportados em decúbito dorsal
com os membros inferiores elevados, cerca de 25 cm (exceto com trauma na cabeça
e fratura de fêmur).
- Tranqüilizar as vítimas conscientes.
- Abrir a boca da vítima, observar se não há objetos ou secreções que causem
asfixia. Realizar respiração boca-a-boca, caso necessário (se a vítima não estiver
respirando).
- Controle imediatamente as hemorragias externas. (Ver capítulo sobre
hemorragias).
- Não ofereça líquidos, alimentos ou medicamentos.
- Aqueça a vítima com lençóis ou cobertores.
- Transporte para atendimento especializado rapidamente, pois é fundamental para
aumentar as chances de sobrevida da vítima.

24 Primeiros Socorros Básicos


BST
3.7 Queimaduras
A maior parte das queimaduras são de pequena gravidade e ocorrem em residências.
A pele é maior órgão do corpo humano e funciona como barreira contra a perda de
água e calor, tendo também papel importante na proteção contra infecções.
As queimaduras podem ser causadas pelo calor, frio, corrente elétrica, produtos
químicos ou pela radiação (exposição à luz solar ou fontes nucleares).
Dependendo da localização, extensão ou grau de profundidade, podem significar
perigo para a vida.

3.7.1 Classificação da queimadura:

Primeiro grau: acomete a camada mais superficial da pele. Tem as seguintes


características:
- lesão avermelhada.
- dolorosa e não sangra.
- não há bolhas.

Segundo grau: são mais profundas do que as de 1º grau. Podem sangrar


discretamente. Apresenta as seguintes características.
- há presença de bolhas e dor.
- a pele fica com uma coloração rosea ou esbranquiçada.
- grande possibilidade de infecção.

Terceiro grau: pode atingir músculos e órgãos. Apresenta a seguinte forma:


- aspecto de escara marrom e seca.
- não há dor.
- a ocorrência de infecção é alta.

3.7.2 Extensão da área queimada

Avaliação que revela a porcentagem da superfície do corpo queimada. Método mais


usado é a regra dos nove.

Definição de Grande Queimado

- 2º Grau > 25% de superfície do corpo queimada(SCQ) em adultos.


- 2º Grau > que 20% de SCQ em crianças.
- 3º Grau > 10% de SCQ em qualquer faixa etária
- Associação com traumatismos graves:
Pacientes que apresentam queimaduras elétricas, inalação de fumaça, lesões em
mãos, pés, face, olhos e períneo.
- Queimados com lesões moderadas mas de alto risco clínico (diabéticos,
cardíacos).

Primeiros Socorros Básicos 25


BST
Regra dos Nove:

- cabeça e pescoço: 9%
- região genital: 1%
4¹/2
- tronco: total: 36%
região anterior do tórax: 9%, região
posterior do tórax: 9%, abdomem: 9%,
região lombar: 9%
18
- Membro superior: 9% (cada) sendo: braço:
4¹/2 18 4¹/2 4¹/2
4.5% e antebraço: 4.5%
- Membro inferior: 18% (cada) sendo: coxa:
9% e perna 9%
9 9 9 9

3.7.3 Conduta nas Queimaduras


- Lave a área atingida com água corrente.
- Retire as roupas da vítima, com exceção da
roupa que estiver grudada na queimadura.
- Cubra a queimadura com um pano limpo e seco, ou papel alumínio.

ATENÇÃO:
Não fure as bolhas.
Não retire objetos e sujeiras grudadas na queimadura.
Não toque a área queimada com as mãos.
Não use pomadas sem orientação médica.
Nunca coloque pasta de dente, óleo, margarina, vinagre, pó de café e terra sobre a
queimadura.

3.8 Choque elétrico


As complicações geradas pela descarga elétrica no organismo dependem de 3
fatores:
- Quantidade e tipo de corrente
- Tempo de exposição
- Trajetória

3.8.1 Sinais e Sintomas

Os acidentes causados por eletricidade podem causar desde queimaduras até


parada cardíaca ou mesmo fraturas causadas pela queda no momento do choque.

As queimaduras por choque elétrico usualmente causam queimaduras profundas


podendo atingir todas as camadas da pele, e também podem causar lesões internas.
26 Primeiros Socorros Básicos
BST
3.8.2 Conduta

- Garanta sua segurança do socorrista desligando a corrente elétrica. Encaminhe


para atendimento especializado.

- Avaliar ABC da vida.

- Em caso de parada cardíaca inicie as manobras de reanimação cardio-respiratória e


depois trate das hemorragias, fraturas e queimaduras.

3.9 Fratura
Interrupção na continuidade do osso.

Primeiros Socorros Básicos 27


BST
As fraturas tem duas classificações:

FECHADA

ABERTA

Primeiros Socorros Básicos


BST
- Fratura fechada: a pele sobre a lesão permanece íntegra.
- Fratura aberta (exposta): ocorre solução de continuidade da pele sobre a lesão com
a parte óssea, que pode ser produzida por fragmentos ósseos ou por um objeto
penetrante.

3.9.1 Sinais e Sintomas:


- Dor
- Pode haver deformidade do local atingido
- Prejuízo ou perda da função do membro acometido
- Crepitação percebida palpando-se o osso, atrito de um fragmento ósseo contra o
outro (som que se assemelha ao ruído audível ao se esfregar cabelos entre os
dedos)
- A coloração da extremidade também deve ser observada, assim como a presença
de sangramentos externos. A palidez indica circulação deficiente.

Sempre compare uma extremidade com a outra durante o exame da vítima.

Complicações das fraturas


- Lesão de vasos sanguíneos
- Lesão de nervo
- Infecção
Em fraturas abertas a contaminação é uma complicação freqüente. O socorrista não
deve tentar efetuar a limpeza da superfície de ossos expostos.

28 Primeiros Socorros Básicos


BST
3.9.2 Conduta

- Proteja lesões abertas


- Nunca permita que o paciente com lesões em membros inferiores se movimente
- Aplique gelo sobre o local de uma lesão músculo-esquelética - diminui a dor
- Imobilize a vítima para aliviar-lhe a dor, controlar a hemorragia e diminuir a lesão
no local da fratura
- Oclua os ferimentos abertos com curativo, reduzindo a incidência de complicações

A ordem de prioridade no tratamento de fraturas é:


1ª) coluna vertebral.
2ª) bacia.
3ª) extremidades inferiores.
4ª) extremidades superiores.

3.9.3 Lesões na coluna vertebral

Lesões de coluna vertebral mal conduzidas podem ocasionar a morte ou


incapacidade permanente.
Aproximadamente l0% das lesões medulares são causadas por manipulação
incorreta das vítimas de trauma pelos socorristas.

Cuidados imediatos
-Mantenha a vítima imóvel e agasalhada.
-Cuide para não agravar a lesão em caso de necessidade de aplicar respiração
boca-a-boca.
-Improvise com papelão, ou enrolando uma toalha, camisa, ou cinto sem apertar,
(não sufocar a vítima), se a lesão for na região cervical (pescoço) e não houver um
colar disponível.

Deve-se suspeitar de lesão de coluna cervical em todas as vítimas de trauma.

Para transportar um acidentado com lesões na coluna vertebral.


-Utilize uma superfície plana e firme.
-Evite balanços e freadas bruscas.
-Imobilize a região fraturada e levante a vítima uniformemente.

3.9.4 Outrostipos de lesões

Luxações
São lesões em que a extremidade de um dos ossos que compõem uma articulação é
deslocada de seu lugar. O dano aos tecidos pode ser muito grave, afetando vasos
sanguíneos, nervos e a cápsula articular.

Primeiros Socorros Básicos 29


BST
Entorses
Lesões de ligamentos. Podem ser de grau mínimo ou grave causando ruptura
completa do ligamento. As formas graves produzem perda da estabilidade da
articulação, às vezes acompanhada por luxação.
Distensões
Lesões de músculos ou seus tendões. Geralmente são causadas por hiperextensão
ou por contrações violentas. O grau de lesão é variável, podendo ser mínimo ou grave
com ruptura do tendão.
3.9.5 Imobilizações
Princípios Básicos:
-Descubra a lesão cortando a roupa.
-Remova anéis e braceletes que podem comprometer a circulação.
-Cubra lesões abertas com gaze, lenço ou pano limpo.
-Mantenha a vítima deitada.
-Coloque as extremidades da vítima em posição anatômica e alinhada. Se houver
resistência, imobilize-a na posição encontrada.
-Acolchoe imobilizadores rígidos para evitar ferimentos.
-Não reduza fraturas ou luxações.
-Verifique antes e depois da imobilização: pulsos localizados depois da fratura,
sensibilidade e movimentação (pergunte se o paciente sente o toque e se
consegue movimentar os dedos). Caso os pulsos desapareçam depois da
imobilização, retire o imobilizador, realinhe e reimobilize.
-A imobilização deve incluir uma junta acima e uma abaixo do ponto de fratura.
Assim o comprimento da tala utilizada deve ultrapassar estas duas juntas.
-Fixe as talas com bandagens.
-Eleve a extremidade após o procedimento, se possível.
3.9.6 Equipamentos de Imobilização:

Bandagens
São a única opção pré-hospitalar para imobilização de fraturas de clavícula, de
cabeça do úmero e da escápula. São utilizadas bandagens triangulares e em gravata
que oferecem a possibilidade de confecção de tipóias e de auto-imobilização.

Imobilizadores Rígidos (Talas)


São adaptados ao corpo para manter a estabilidade. Podem ser de madeira, papelão,
alumínio. Também podem ser usadas revistas, cobertores etc. A fixação do
imobilizador é feita através de bandagens. Podem ser usadas tiras de pano,
ataduras, gravata, cinto ou qualquer outro material disponível. Não apertar muito para
não prejudicar a circulação sangüínea. Para acolchoar as talas, use panos, algodão,
esponjas ou ataduras. São úteis especialmente em lesões de mãos, pés, punhos,
tornozelos, antebraços e pernas.

30 Primeiros Socorros Básicos


BST
Travesseiros
Podem ser utilizados em associação com bandagens para imobilizar fraturas de
tornozelo e pés ou como auxílio na imobilização de extremidades superiores e
inferiores.

Outro recurso, no caso de fratura na perna, é amarrar a perna fraturada à outra, tendo
sempre o cuidado de colocar algum material acolchoado entre as duas pernas, antes
de imobilizar.

3.9.7 Estojo de Primeiros Socorros

Um kit básico dever conter:

- Ataduras de crepom
- Compressas cirúrgicas
- Gaze
- Tesoura com ponta romba
- Esparadrapo
- Luvas de látex
- Talas impermeabilizadas
- Colar cervical
- Cânula de guedel
- Lanterna
- Pocket mask
- Ambu
- Prancha para remoção com imobilizadores laterais de cabeça e cinto de segurança.

3.9.8 Materiais que podem ser improvisados na ausência dos industrializados:

O bom socorrista destaca-se pela sua capacidade de improvisação. Deve-se


aproveitar os recursos disponíveis no ambiente em que se encontra até que materiais
mais adequados possam ser disponibilizados.

Para proteção das mãos e respiração boca-a-boca: saco plástico. Na respiração


boca-a-boca, não esquecer de fazer um furo no plástico.

Para contenção de hemorragias: pedaços de pano da roupa da vítima ou do próprio


socorrista.

Para imobilização de fraturas: pedaços de madeira ou papelão envolvidos com


tiras de pano ou cinto de couro.

Para imobilização de coluna cervical: pedaço de papelão, toalha, aba de boné, etc.

Para transporte: tábua de madeira (verificar se resistem ao peso da vítima), portas,


banco traseiro de carro, etc.
Primeiros Socorros Básicos 31
BST
3.10 Transporte de Acidentado
São técnicas utilizadas para remover a vítima para um local seguro. A presença de
riscos no local (incêndio, desmoronamento etc), o número de pessoas disponíveis
para o transporte, a gravidade da vítima e o local onde a vítima se encontra
influenciam na escolha do tipo de transporte.
O transporte de vítimas de traumatismos ou doenças é atividade especializada, que
deve ser conhecida e praticada por todos os socorristas. O transporte de vítimas é um
determinante da boa prestação de primeiros socorros.

O transporte realizado com a técnica incorreta, não só é arriscado para o paciente,


mas também para o próprio socorrista que pode desenvolver uma lesão muscular ou
de coluna. Antes de iniciar qualquer atividade de remoção e transporte de vítimas, o
socorrista tem por obrigação:
- Verificar se a vítima está respirando e se mantém batimentos cardíacos;
- Verificar se há sangramento, o qual deve ser controlado;
- Imobilizar as fraturas, se houver tempo.

3.10.1 Transporte de Vítimas sem Suspeita de Lesão na Coluna Vertebral

Transporte por um Socorrista

Transporte de apoio
Utilizado em vítimas que estejam conscientes (acordadas) e que
possam andar.
- Passe o braço da vítima sobre seus ombros, por trás do pescoço.
- Segure firmemente o braço da vítima com uma das mãos.
- Passe seu outro braço por trás da vítima, segurando-a pela cintura

Transporte de colo

- Passe um braço por baixo dos joelhos da vítima e o outro por trás
dela, segurando por baixo da axila.
- Um dos braços da vítima deve passar por trás do pescoço do
socorrista.
- Incline seu tronco um pouco para trás para o transporte.

Transportes nas costas

Utilizado para vítimas que não podem andar (com fraturas ou luxações
em pernas que, se possível, devem ser imobilizadas antes do
transporte).

- A vítima apóia cada braço sobre cada ombro do socorrista, por trás,
de forma que as axilas quem sobre os ombros.

32 Primeiros Socorros Básicos


BST
O socorrista segura firmemente os braços da vítima, carregando arqueada como se
ela fosse um grande saco em suas costas.

Transporte tipo bombeiro


Coloque a vítima deitada de barriga para baixo, com os braços esticados para frente.
Posicione-se de frente para a cabeça da vítima e apoie um dos joelhos no chão.
Passe suas mãos por baixo das axilas da vítima.
- Fique de pé levantando a vítima, que é segurada
pelas suas mãos que estão apoiadas nas costas
dela.
- Mantenha uma das mãos por trás da vítima,
sustentando-a pela cintura e segure o punho da
vítima com a outra mão, colocando o braço dela
em torno do seu pescoço.
- Abaixe-se de forma que o tronco da vítima caia
sobre seu ombro. A mão que segurava a cintura da
vítima passa entre as coxas dela, na altura da
dobra do joelho.
- Segure o punho da vítima com a mão que passou
por trás do joelho, dessa forma você fica com uma
das mãos livre.

Transporte de arrasto em lençol


Segure as pontas de uma das extremidades do lençol, cobertor ou lona, onde se
encontra apoiada a cabeça da vítima. Suspenda um pouco
o lençol e arraste a vítima.

Transporte por dois Socorristas


Transporte de cadeirinha
- Os dois socorristas se ajoelham, um de cada lado da
vítima.
- Os braços da vítima são apoiados sobre os ombros dos
socorristas.
- Cada socorrista passa um dos braços por trás da vítima e o
outro por baixo das coxas.
- Cada socorrista segura com as mãos os punhos do outro.
- Os socorristas erguem-se lentamente com a vítima sentada
na cadeira improvisada.

Transporte com cadeira


- Um dos socorristas segura a parte da frente da cadeira (pode ser pelos pés da
cadeira) e cada perna da vítima se posiciona de cada lado do socorrista.

Primeiros Socorros Básicos 33


BST
- O outro socorrista que está atrás apoia o tronco da vítima,
passando seus braços por baixo das axilas.
- O socorrista que está na frente segura a vítima por baixo dos
joelhos.
- O paciente deve ser elevado com movimento sincronizado dos
dois socorristas.

Transporte por três ou mais socorristas


Transporte no colo
- Três socorristas se colocam enfileirados ao lado da vítima,
que deve estar deitada com o abdômen para cima.
- Eles se agacham, apoiando um dos joelhos no chão e
passam as mãos por baixo da vítima.
- A vítima é levantada até a altura do joelho que não está
apoiado no chão. Em seguida, erguem-se todos ao
mesmo tempo, trazendo a vítima de lado, ao encontro do
tronco dos socorristas e conduzem-na para o lado desejado.

Transporte de lençol pelas pontas


Feito com 4 socorristas.
- A vítima é deitada de barriga para cima sobre um lençol,
cobertor ou lona.
- Cada socorrista segura uma das pontas do lençol, formando
uma espécie de rede onde a vítima é tranportada.

Transporte de vítima com suspeita de lesão na coluna


vertebral
Feito em superfície rígida.
O decúbito dorsal (deitado de costas) é a melhor posição, pois permite a estabilização
da coluna e início das medidas de suporte de vida. A vítima deve permanecer
estabilizada manualmente até estar fixada no imobilizador. O colar cervical,
isoladamente, não é um bom imobilizador, pois não impede totalmente os
movimentos da coluna.

Transporte na prancha longa


A prancha longa é uma prancha mais larga na
parte superior (cabeça) que na inferior (pés).
Geralmente é construída em madeira, mas
também pode ser feita de plastico. Necessita-
se de três cintos ou faixas de segurança para
fixação de tronco e membro e de um
imobilizador especial para cabeça, visando
evitar a movimentação lateral desta durante o
transporte.
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O princípio básico consiste em um dos socorristas estabilizar manualmente a cabeça
e pescoço da vítima, enquanto outros dois socorristas (se possível, 3) movimentam a
vítima em bloco, de maneira sincronizada. Deve-se sempre respeitar a estabilização
da coluna, movimentando a vítima em bloco.
As técnicas mais utilizadas são as manobras de rolamento.

Rolamento de 90º
Indicação: utilizado para vítimas em decúbito dorsal (deitada de costas).
Técnica
- Um dos socorristas estabiliza a cabeça do paciente por trás (líder).
- Outro socorrista (auxiliar) aplica o colar cervical.
- Um dos socorristas posiciona a prancha paralelamente à vítima, do lado oposto ao
do rolamento.
- Dois auxiliares se ajoelham, lado a lado ao nível dos ombros e joelhos da vítima.
- Rola-se a vítima em bloco ao comando do líder, até a posição de decúbito lateral,
para o lado onde estão os socorristas auxiliares.
- A prancha é deslizada até encostar no corpo da vítima.
- Após o comando do socorrista líder, a vítima é devolvida, em bloco ao decúbito
dorsal sobre a prancha.
- Ajustar a vítima sobre a prancha com tração a cavaleiro no sentido da cabeça.
- Manter, todo o tempo, a estabilização manual da cabeça e pescoço.
- Fixar o tronco e extremidades com os cintos.
- Aplicar e fixar a cabeça da vítima ao imobilizador lateral.

Rolamento de 180º
Indicação: utilizado para vítimas encontradas em decúbito ventral (deitado de barriga
para baixo)
Técnica:
- O socorrista líder fica atrás da cabeça da vítima e inicia a estabilização manual.
- Posicionar a prancha paralelamente ao corpo da vítima, do lado para o qual o
rolamento será feito.
- Os dois auxiliares se colocam ajoelhados sobre a prancha, ao nível de seus ombros
e quadris.
- Após o comando do líder, rolar a vítima 90º, em bloco, para o lado da prancha,
deixando em decúbito lateral.
- Os auxiliares saem da prancha, se ajoelhando no solo.
- O líder comanda o novo rolamento da vítima sobre a prancha.
- Colocar o colar cervical.
- Aplicar os imobilizadores da cabeça

Improvisação de prancha longa


- Pode ser feita com uma porta ou uma tábua longa e resistente. Seguir as mesmas
técnicas para posicionamento da vítima.

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BIBLIOGRAFIA

AMERICAN COLLEGE OF SURGEONS. Advanced trauma life support.1997.


Chicago.
BASIC Trauma Life Support Guide.
INTERNATIONAL Medical Guide for Ships,
MANUAL para Técnicos de Emergências Médicas GSBE-RJ
PROTOCOLOS Médicos de Atendimento Pré-Hospítalar,
SANTOS, Raimundo Rodrigues et al, Manual de Socorro de Emergência. Editora
Atheneu, 2000.
CANETTI, Marcelo Domingues. Protocolos Médicos Avançados de Atendimento
Pré-Hospitalar do GSE/CBMERJ 2003. São Paulo: Editora Atheneu.

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