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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE

INSTITUTO DE LETRAS E ARTES


DISCIPLINA: MORFOSSINTAXE I

A NOÇÃO DE MORFEMA

Morfema é a unidade mórfica mínima de que se compõe o vocábulo. No âmbito da


Morfologia é indivisível em unidades menores. É obrigatoriamente portadora de alguma
significação ou função gramatical.
Em princípio, todo morfema se compõe de um ou vários fonemas, e destes difere,
fundamentalmente, pelo fato de apresentar significado. Os fonemas, isoladamente, nada
significam. Mas, de modo oposto, em geral só existe o morfema quando a unidade mínima
apresenta um significado. Podemos dizer então que, enquanto os fonemas são distintivos, os
morfemas são significativos.
Eis algumas definições de morfema:
a) Os morfemas são as menores unidades significativas que podem constituir
palavras ou partes de palavras (Nida, 1962).
b) Morfema é a menor parte indivisível da palavra que, por sua vez, tem relação
direta ou indireta com a significação (Dokulil, AP. Vachek, 1970).
São exemplos de morfemas os radicais, os afixos (prefixos, sufixos), as vogais
temáticas, as vogais e as consoantes de ligação.
Podemos dizer então que as palavras mar, sol, colibri, jacaré constituem cada uma
um morfema, porque são unidades significativas indivisíveis. Nem sempre, no entanto,
morfema e vocábulo se equivalem. Em jacarés e colibris aparece outro morfema, o /s/. Em
solar também aparece o morfema /ar/.
Assim, o morfema pode coincidir, mas não se confunde com o vocábulo, nem
com a sílaba, nem com o fonema.
A concretização de um morfema se denomina morfe, ou seja, uma sequência
fonêmica mínima a que se pode atribuir um significado.
No entanto, na prática, um morfema pode apresentar variações formais. Assim,
de observarmos as palavras vida e vital, parece evidente que em ambas existe um mesmo
morfema, que se realiza como [vid] e [vit]. Quando há mais de uma concretização de um
morfema, temos então os alomorfes.
Alomorfia é, pois, a variação de um morfema sem mudança no seu significado.
Em "infeliz" e "imutável", por exemplo, tanto "in" quanto "i" indicam negação. Para se
estabelecer a forma básica, utilizam-se dois critérios: o estatístico (qual das variantes é a
mais freqüente) e o da regularidade (caso os alomorfes apresentem a mesma freqüência).
Voltando ao exemplo acima, como "i" só ocorre diante de determinadas consoantes (l-, m- e
r-), "in" será considerada a forma básica.