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RESULTADOS 2010 DA AVALIAÇÃO EXTERNA DA INICIATIVA NOVAS OPORTUNIDADES REALIZADA PELO CENTRO DE ESTUDOS (CEPCEP) DA UNIVERSIDADE CATÓLICA PORTUGUESA

A Iniciativa Novas Oportunidades surgiu como resposta à necessidade de Portugal vencer o ciclo longo de atraso nacional face aos outros países desenvolvidos, investindo conjugadamente na melhoria contínua das condições de escolarização das crianças e jovens, por um lado, e na reversão da atávica desqualificação da população adulta (que se viu privada do direito a uma adequada educação-formação inicial na idade própria). Uma politica pública da envergadura desta Iniciativa, com o alcance político que lhe foi conferido, mobilizando avultados recursos, teria naturalmente de ser submetida ao escrutínio de uma avaliação externa e independente, de natureza marcadamente académica. A abordagem utilizada pela Universidade Católica Portuguesa na Avaliação Externa efectuada sobre o Eixo Adultos valorizou, por um lado, a recolha de dados confiáveis sobre a qualidade e os impactos da Iniciativa Novas Oportunidades (eixo de avaliação sistémica) e, por outro, a capacitação do sistema para a sua auto-regulação futura, através de instrumentos de monitorização permanente (eixo monitorização e auto-avaliação). No primeiro eixo, o de avaliação sistémica, podemos distinguir várias questões relacionadas com as políticas públicas concretizadas no programa, com os mecanismos de implementação e sustentabilidade (coerência, pertinência e relevância), com a análise do funcionamento do sistema de actores (organização e desempenho), com a avaliação dos resultados e impactos. No segundo eixo, foram desenvolvidas duas frentes: uma primeira de adequação do SIGO (Sistema de Informação e Gestão da Oferta Educativa e Formativa) às necessidades da avaliação, e uma segunda de implantação gradual de um modelo de auto-avaliação que permita sustentar a melhoria sistemática dos procedimentos. No Anexo 1 dá-se conta dos membros da equipa de investigação a quem foi cometida a responsabilidade pela avaliação externa da Iniciativa Novas Oportunidades – Eixo Adultos. A circunstância de todo o trabalho de avaliação ser cientificamente acompanhado e criticado por um painel de reputados peritos (Anexo 2), internacionais e nacionais, garante o rigor analíticometodológico e a qualidade interpretativa do conjunto do exercício de investigação. Por outro lado, a transformação do conhecimento em práticas de acção, quer na sequência de recomendações, quer pelo aprofundamento da análise em conferências e seminários (entre outros), traduzem uma filosofia geral de Investigação-Acção que pode, e tem, permitido a melhoria continuada da eficiência e eficácia desta política pública. Recorda-se que os primeiros resultados da Avaliação Externa levada a cabo em 2008-2009 foram apresentados publicamente e debatidos com especialistas em seminário realizado no dia 10 de Julho de 2009. Encontra-se disponível no site http://www.anq.gov.pt (Avaliação Externa da Iniciativa Novas Oportunidades) a totalidade dos documentos produzido no âmbito do primeiro ano da avaliação externa e o registo integral dos vídeos do seminário mencionado. Procede-se agora, de acordo com os princípios da transparência e da prestação de contas, e bem assim no quadro das Metodologias de Investigação constantes do Anexo 3, à divulgação resumida dos resultados do segundo ano de avaliação externa (2009-2010).

1º PERCEPÇÕES: A EMERGÊNCIA DE UMA MARCA A Iniciativa NOVAS OPORTUNIDADES é percebida, por públicos-alvo e seus agentes, já como uma MARCA PÚBLICA (de serviço) com VALORES CLAROS, a saber: • ACESSIBILIDADE (adaptada aos tempos/ritmos próprios, aberta a flexibilidade/mobilidade); • INCLUSÃO (valorização de cada indivíduo e da sua história de vida); • HORIZONTES (acesso a cenários no futuro, possibilidade de sonho e de mudança). 2º COMPROVADA QUALIDADE DE SERVIÇO E SATISFAÇÃO (INSCRITOS E EXINSCRITOS) A avaliação efectuada pelos adultos que estão ou já estiveram inscritos na Iniciativa é globalmente positiva, registando-se: • Elevada satisfação com a qualidade de serviço sobretudo das equipas, mas também das instalações; • Aumento da procura do 12º ano por parte dos mais recentes aderentes (com destaque para activos empregados e domésticas); • Avaliação muito boa do primeiro contacto com o Centro Novas Oportunidades; • A produção do Portefólio é sentida como um dos pontos fortes do processo de qualificação; • É considerada pelos próprios como MUITO IMPORTANTE a passagem pela INICIATIVA NOVAS OPORTUNIDADES. 3º PARA ALÉM DO AUMENTO DOS NÍVEIS DE EDUCAÇÃO DOS ADULTOS VERIFICA-SE UMA MELHORIA EFECTIVA DAS SUAS COMPETÊNCIAS-CHAVE • • • Os maiores GANHOS DE COMPETÊNCIA são em Literacia (leitura, escrita e comunicação oral) e em e-Competências (uso de computador e Internet); Há forte reforço da Auto-Estima e da Motivação para continuar a aprender - "Aprender a aprender"; Há melhoria generalizada das “soft-skills”: competências pessoais e sociais, cívicas e culturais.

4º A NOVA OFERTA DESBLOQUEOU A PROCURA POTENCIAL DAS QUALIFICAÇÕES • Há preferência pelo sistema de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências porque tem menos custos de oportunidade para os indivíduos (menores sacrifícios porque tem maior capacidade de adaptação ás condições pessoais de cada adulto); A procura dos Cursos Educação-Formação está a ser induzida pelos Centros de Emprego e regista já grande impacto junto de Desempregados, mas também junto dos menores de 40 anos; Os Cursos de Dupla Certificação (Escolar e Profissional) trazem ganhos mais explícitos do ponto de vista profissional, sobretudo para quem completou processos de RVCC/PRO.

5º IMPACTOS DA INICIATIVA SOBRE OS INSCRITOS • A Iniciativa continua a captar forte adesão dos adultos mas mantém-se a dificuldade de captar alguns segmentos mais “resilientes”: jovens menores de 30 anos, mulheres de idade superior a 50 anos e profissionais pouco qualificados; 32% das pessoas que passaram pela Iniciativa afirmaram que esse facto teve já algum impacto positivo na sua vida profissional; A família tem inegáveis impactos na procura da Iniciativa - a assimetria de qualificação entre cônjuges induz a procura por parte do menos qualificado, designadamente quando se trata do marido; por outro lado, quando um membro do casal inicia o percurso há elevada probabilidade de o outro também vir a aderir; Em relação a 2009 intensificou-se o acesso dos indivíduos certificados à Sociedade de Informação; para usos pessoais e profissionais a percentagem de utilizadores de Internet elevou-se de 67% para 83% e os "heavy users" passaram de 35% para 60%; Os "GANHOS DO EU" são muito expressivos: é declarado o aumento de Cultura Geral, o reforço da vontade de continuar a estudar e aumentam também quer o sentimento de segurança quer a extroversão; As pessoas declaram ainda que a INICIATIVA NOVAS OPORTUNIDADES permite concluir ciclos de estudo que ficaram em aberto ao longo da vida; 32% das pessoas disseram ter havido pelo menos um factor positivo na sua vida profissional motivada pela passagem pela INO; a grande maioria dos que mudaram fizeram-no para melhor: Maior número de pessoas com responsabilidades sobre terceiros Maior estabilidade de emprego Alargamento de competências Grande parte dos que estão (ou estiveram) inscritos na INICIATIVA NOVAS OPORTUNIDADES (acima de 85%) diz-se disponível para recomendar a experiência a outos adultos, tornando-se EMBAIXADOR da Iniciativa.

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6º A AUTO-AVALIAÇÃO DOS CENTROS NOVAS OPORTUNIDADES JÁ ESTÁ NO TERRENO - 265 CENTROS E MAIS DE 8500 PROFISSIONAIS FORAM ENVOLVIDOS Os profissionais declaram que a auto-avaliação contribui de modo relevante para a forma como trabalham e que tem impactos relevantes no funcionamento do Centro; os mesmos afirmam ainda que é útil que o modelo seja comum a todos os Centros e que deverá continuar a ser utilizado no futuro. O processo de reflexão crítica a partir de indicadores do SIGO permite o desenvolvimento de Planos de Melhoria e acções correctivas, centrando as equipas nas necessidades do que referem ser os "nossos clientes"; o facto de este trabalho ser feito em equipa e de modo sistemático, assente em informação objectiva, permite o progresso contínuo e aumenta a satisfação dos profissionais, segundo afirmação dos próprios.

Sumariamente, podemos concluir que: • Fundada em necessidade conhecida e estudada, a Política Pública adoptada gerou Adesão e tornou-se Marca Pública, hoje já percepcionada generalizadamente por público, profissionais e outros actores (designadamente empresas/entidades empregadoras). A Avaliação tem produzido informação e gerado instrumentos de suporte à reflexão

continuada e melhoria contínua de procedimentos. O conhecimento apura-se, encontra suporte na investigação, e isso constitui móbil de acção pública melhorada com base na evidência. A procura massiva, que era necessária para fazer Portugal convergir em qualificações com a Europa e reforçar a competitividade no médio-longo prazos, foi desbloqueada pela adequação da nova oferta (mais flexível nos métodos e proporcionando horários adequados). O "testemunho" positivo dos que estão ou já passaram pela INICIATIVA NOVAS OPORTUNIDADES continua a "contagiar" novas adesões agora já mais orientadas para o objectivo estratégico de elevação do patamar de qualificação generalizada dos portugueses para o nível do ensino secundário. A Iniciativa Novas Oportunidades representa um processo inovador de organização do sector público visando a procura de maior satisfação do cidadão/cliente e a oferta de um serviço público de proximidade. A generalidade dos certificados pela Iniciativa regista altos graus de satisfação com o processo e evidencia avanços inequívocos no plano das competências-chave detidas, destacando-se os progressos no à vontade perante os desafios da Sociedade da Informação; apesar da crescente adesão das empresas e de 30% dos participantes declararem ter já sentido efeitos positivos na carreira profissional, este é um domínio que merece uma atenção especial, por possuir ainda uma margem larga de progressão. O reforço da motivação para continuar a estudar e da auto-confiança nas capacidades pessoais para chegar mais longe na conquista de qualificações avançadas representa um benefício muito relevante para os que logram concluir o processo de certificação da Iniciativa Novas Oportunidades. No entanto, persistem alguns sectores da população – jovens menores de 30 anos, mulheres de idade superior a 50 anos e profissionais pouco qualificados – que se mostram mais “resilientes” a uma adesão espontânea à Iniciativa, constatação que parece indiciar a necessidade de uma inteligente segmentação da comunicação e a conveniência de uma maior diferenciação dos modelos de oferta no terreno.

A Iniciativa Novas Oportunidades nasceu para responder a um imperativo de justiça e de necessidade: o de mobilizar o elevado número de adultos portugueses detentores de baixas qualificações – em percentagem clara e preocupantemente superior ao dos nossos pares europeus – para um novo modelo de oferta educativa, inovadoramente desenhado para reconhecer as competências adquiridas por via não formal e informal e para oferecer os complementos de formação indispensáveis para uma certificação formal de qualificações básicas ou secundárias e profissionais. A adesão das populações visadas pela Iniciativa é, pela sua expressão quantitativa e temporal, um caso único e destacado no panorama das políticas públicas de educação-formação de adultos, seja em Portugal, seja mesmo no contexto europeu. A avaliação externa levada a cabo vem fornecendo informação e dados preciosos para a melhoria continuada da Iniciativa bem como métricas de aferição da sua qualidade e dos seus impactos. No plano estratégico, e num horizonte de médio prazo, a Iniciativa Novas Oportunidades encerra um potencial precioso e de inigualável riqueza conceptual para inspirar a estruturação de um sistema de Aprendizagem ao Longo da Vida susceptível de colocar Portugal na dianteira dos demais países Europeus e da OCDE, que normalmente lhe servem de benchmark.

ANEXO 1 – COMPOSIÇÃO DA EQUIPA DE INVESTIGAÇÃO RESPONSÁVEL PELA AVALIAÇÃO EXTERNA DA INICIATIVA NOVAS OPORTUNIDADES – EIXO ADULTOS
Coordenador: Roberto Carneiro Equipa de estudos de Política Pública: Maria Amélia Mendonça Maria Ana Carneiro Equipa de focus-group e entrevistas em profundidade: Carlos Liz Mariana Machado Ercília Burnay Jorge Portugal Equipa de estudos quantitativos: Pedro Magalhães (durante o 1º ano de avaliação) Henrique Lopes Jorge Cerol Equipa de estudos de caso e de inquérito online de avaliação de competências: Ana Cláudia Valente Lourenço Xavier de Carvalho André Xavier de Carvalho Equipa de estudos de media (durante o 1º ano de avaliação): Rita Figueiras Carla Ganito Luís Neves Fernanda Castilho Equipa de adaptação do SIGO: Jorge Cerol Carlos Rondão Equipa de auto-avaliação: Rodrigo Queiroz e Melo Hugo Caldeira Sofia Reis Isabel Salvado Francisco Jacinto Melissa Marmelo

ANEXO 2 – COMPOSIÇÃO DO PAINEL DE PERITOS E DE EXAMINADORES

NOME Walter F. Kugemann Marja van den Dungen Joseph Cullen Claudio Dondi Alejandro Tiana

PAÍS Alemanha Holanda Reino Unido Itália Espanha

INSTITUIÇÃO Institute for Innovation in Learning (FIM NewLearning) National Centre for Innovation of Education (CINOP) and University of Groningen The Tavistock Institute of Human Relations Scienter Universidad Nacional de Educación a Distancia (UNED) e Organización de Estados Iberoamericanos para la Educación, la Ciencia y la Cultura (OEI) Ilha Universidade Católica Portuguesa

POSIÇÃO Director Senior Manager Professor Principal Associate Presidente Investigador e Professor

Nuno Vitorino Joaquim Azevedo

Portugal Portugal

Perito e Consultor Presidente-Centro Regional do Porto

Examinadores dos papers cientificos (além dos peritos estrangeiros acima listados): Adama Ouane - Director do Instituto para a Aprendizagem ao Longo da Vida da UNESCO, sediado em Hamburgo. Nikitas Kastis - Presidente da rede MENON de investigação e inovação europeia e director do Lambrakis Foundation, na Grécia.

ANEXO 3 – METODOLOGIAS DE INVESTIGAÇÃO 2009-2010

Metodologia Quantitativa

Metodologia Qualitativa Focus grupos e entrevistas em profundidade Entrevistas e Estudos de Caso 13 de de de i) Alargamento e diversidade dos Estudos de Caso: 25 em 2009 (total 2008/09: 40 estudos de caso). • • Adultos, integrados na INO com o objectivo de obterem a sua certificação secundária e considerando diferentes níveis de relação com a iniciativa: em lista de espera, em processo de certificação (RVCC e cursos EFA), já certificados 4 FG Jovens adultos (20-30 anos) que reunindo condições de acesso à Iniciativa para obterem a sua certificação secundária, não o fizeram (potenciais aderentes) 1 FG + 6 EIA Agentes de Educação Formação no âmbito da INO, nomeadamente Directores e Coordenadores de Centros Novas Oportunidades 1 FG Empregadores, no segmento PME (Sócios Gerentes, Directores e Responsáveis de RH) 7 EIA Cerca de 100 entrevistas a adultos certificados, suas famílias e empregadores, coordenação e equipas técnico-pedagógicas de Centros Novas Oportunidades e entidades promotoras de formação. Cobertura das regiões, tipologia de centro, níveis e vias de qualificação.

1) Estudo de painel divide-se em estudo de motivaçõe e estudo de impactes: a) Motivações:passam a ser observados directamente em cada ano 1500 indivíduos (750 inscritos e 750 não inscritos), com a estrutura de amostragem que a base SIGO tiver à data da colheita na medida em que será feita por amostragem aleatória. b) Impactes: foram entrevistados 1309 sujeitos extraídos aleatoriamente sobre a base de dados SIGO 2) Estudo de qualidade de serviço e satisfação: 1519 entrevistas válidas, constituído por inscritos e ex-inscritos das Novas Oportunidades que estejam reportados no SIGO.

Foram realizados 6 focus-groups e entrevistas aprofundadas (num total 50 entrevistados), durante os meses Setembro e Outubro. Foram alvo estudo os seguintes segmentos:

ii) Inquérito avaliação de competências (autoavaliação e indicadores de uso) Revisão dos guiões de inquérito e continuidade da sua aplicação via online: 119 inquiridos em 2009 (total 2008/09: 150 inquéritos respondidos).