Você está na página 1de 609

Polícia Civil do Estado do Paraná

PC-PR
Investigador de Polícia e
Escrivão de Polícia
A apostila preparatória é elaborada antes da publicação do Edital Oficial
com base no Edital anterior, para que o aluno antecipe seus estudos.

MR032-2017
DADOS DA OBRA

Título da obra: Polícia Civil do Estado do Paraná

Cargo: Investigador de Polícia e Escrivão de Polícia.

Atualizada até 03/2017

(Baseado no Edital: Edital N° 001/2009)

• Língua Portuguesa • Economia e Demografia Paranaense • Noções de Informática


• Raciocínio Lógico • Noções do Estatuto da Polícia Civil • Noções de Direito Penal
• Noções de Direito Constitucional • Noções de Direito Administrativo
• Noções de Direito Processual Penal • Noções de Legislação Específica

Gestão de Conteúdos
Emanuela Amaral de Souza

Produção Editorial/Revisão
Elaine Cristina
Igor de Oliveira
Suelen Domenica Pereira

Capa
Rosa Thaina dos Santos

Editoração Eletrônica
Marlene Moreno

Gerente de Projetos
Bruno Fernandes
APRESENTAÇÃO

PARABÉNS! ESTE É O PASSAPORTE PARA SUA APROVAÇÃO.

A Nova Concursos tem um único propósito: mudar a vida das pessoas.


Vamos ajudar você a alcançar o tão desejado cargo público.
Nossos livros são elaborados por professores que atuam na área de Concursos Públicos. Assim a
matéria é organizada de forma que otimize o tempo do candidato. Afinal corremos contra o tempo,
por isso a preparação é muito importante.
Aproveitando, convidamos você para conhecer nossa linha de produtos “Cursos online”, conteúdos
preparatórios e por edital, ministrados pelos melhores professores do mercado.
Estar à frente é nosso objetivo, sempre.
Contamos com índice de aprovação de 87%*.
O que nos motiva é a busca da excelência. Aumentar este índice é nossa meta.
Acesse www.novaconcursos.com.br e conheça todos os nossos produtos.
Oferecemos uma solução completa com foco na sua aprovação, como: apostilas, livros, cursos on-
line, questões comentadas e treinamentos com simulados online.
Desejamos-lhe muito sucesso nesta nova etapa da sua vida!
Obrigado e bons estudos!

*Índice de aprovação baseado em ferramentas internas de medição.

CURSO ONLINE

PASSO 1
Acesse:
www.novaconcursos.com.br/passaporte

PASSO 2
Digite o código do produto no campo indicado no
site.
O código encontra-se no verso da capa da apostila.
*Utilize sempre os 8 primeiros dígitos.
Ex: FV054-17

PASSO 3
Pronto!
Você já pode acessar os conteúdos online.
SUMÁRIO

Língua Portuguesa

Compreensão e interpretação de textos, com elevado grau de complexidade, incluindo textos de divulgação científica. ...... 01
Reconhecimento da finalidade de textos de diferentes géneros. ........................................................................................................ 07
Localização de informações explícitas no texto. Inferência de sentido de palavras e/ou expressões. Inferência de infor-
mações implícitas no texto e das relações de causa e consequência entre as partes de um texto. Distinção de fato e
opinião sobre esse fato. Interpretação de linguagem não-verbal (tabelas, fotos, quadrinhos etc). ...................................... 29
Reconhecimento das relações lógico-discursivas presentes no texto, marcadas por conjunções, advérbios, preposições
argumentativas, locuções etc. Reconhecimento das relações entre partes de um texto, identificando repetições ou subs-
tituições que contribuem para sua continuidade. Identificação de efeitos de ironia ou humor em textos variados. ..... 32
Reconhecimento de efeitos de sentido decorrentes do uso de pontuação, da exploração de recursos ortográficos e/ou
morfossintáticos, de campos semânticos, e de outras notações. Identificação de diferentes estratégias que contribuem
para a continuidade do texto (anáforas, pronomes relativos, demonstrativos etc). ..................................................................... 52
Compreensão de estruturas temática e lexical complexas. Ambiguidade e paráfrase. Relação de sinonímia entre uma
expressão vocabular complexa e uma palavra.............................................................................................................................................. 96

Economia e Demografia Paranaense


Agricultura................................................................................................................................................................................................................... 01
Pecuária........................................................................................................................................................................................................................ 01
Indústria....................................................................................................................................................................................................................... 03
Exportação. Importação......................................................................................................................................................................................... 04
Turismo......................................................................................................................................................................................................................... 04
Indicadores Demográficos e Sociais................................................................................................................................................................. 07
Etnografia.................................................................................................................................................................................................................... 07
Concentração urbana e rural................................................................................................................................................................................ 07
Principais centros urbanos.................................................................................................................................................................................... 08

Noções de Informática
Arquitetura e Organização de Computadores: Componentes. Periféricos;....................................................................................... 01
Internet: World Wide Web: Conceitos. Browser (Internet Explorer 7.0).............................................................................................. 23
Correio Eletrônico: conceitos; Gerenciador de e-mail (Outlook Express 6.0);................................................................................... 40
Vírus;.............................................................................................................................................................................................................................. 49
BrOffice 3.1: BrOffice Documento Texto (Writer): Atalhos e barra de ferramentas; Modos de seleção de texto; Formata-
ção de texto; Formatação de Parágrafos; Alinhamento;........................................................................................................................... 51
BrOffice Planilha (Cale): Atalhos e barra de ferramentas; Formatação de Dados; Seleção de Células; Atributos de Carac-
tere................................................................................................................................................................................................................................. 74

Raciocínio Lógico
Compreensão de estruturas lógicas. Lógica de argumentação: analogias, inferências, deduções e conclusões. Diagramas
lógicos. Princípios de contagem e probabilidade........................................................................................................................................ 01

Noções do Estatuto da Polícia Civil


Estatuto da Polícia Civil (Lei Complementar nº 14/82 e alterações posteriores)............................................................................. 01

Noções de Direito Penal


Infração penal: elementos, espécies................................................................................................................................................................. 01
Sujeito ativo e sujeito passivo da infração penal......................................................................................................................................... 05
Tipicidade, ilicitude, culpabilidade, punibilidade......................................................................................................................................... 05
Erro de tipo e erro de proibição......................................................................................................................................................................... 07
Imputabilidade penal.............................................................................................................................................................................................. 08
SUMÁRIO

Concurso de pessoas.............................................................................................................................................................................................. 09
Crimes contra a pessoa.......................................................................................................................................................................................... 10
Crimes contra o patrimônio................................................................................................................................................................................. 18
Crimes contra a administração pública............................................................................................................................................................ 28

Noções de Direito Constitucional


Direitos e deveres fundamentais: direitos e deveres individuais e coletivos; direito à vida, à liberdade, à igualdade, à
segurança e à propriedade; direitos sociais; nacionalidade; cidadania e direitos políticos; partidos políticos; garantias
constitucionais individuais; garantias dos direitos coletivos, sociais e políticos............................................................................. 01
Poder Legislativo: fundamento, atribuições e garantias de independência...................................................................................... 37
Poder Executivo: forma e sistema de governo; chefia de Estado e chefia de governo; atribuições e responsabilidades do
presidente da República........................................................................................................................................................................................ 39
Defesa do Estado e das instituições democráticas: segurança pública; organização da segurança pública...................... 46
Ordem social: base e objetivos da ordem social; seguridade social; educação, cultura e desporto; ciência e tecnologia;
comunicação social; meio ambiente; família, criança, adolescente e idoso...................................................................................... 48
Declaração Universal dos Direitos Humanos (ONU-1948)....................................................................................................................... 57

Noções de Direito Administrativo


Estado, governo e administração pública: conceitos, elementos, poderes e organização; natureza, fins e princípios.......01
Organização administrativa da União: administração direta e indireta. ............................................................................................ 06
Agentes públicos: espécies e classificação; poderes, deveres e prerrogativas; cargo, emprego e função públicos; regime
jurídico único: provimento, vacância, remoção, redistribuição e substituição; direitos e vantagens; regime disciplinar;
responsabilidade civil, criminal e administrativa.......................................................................................................................................... 09
Poderes administrativos: poder hierárquico; poder disciplinar; poder regulamentar; poder de polícia; uso e abuso do
poder............................................................................................................................................................................................................................. 13
Serviços públicos: conceito, classificação, regulamentação e controle; forma, meios e requisitos; delegação: concessão,
permissão, autorização........................................................................................................................................................................................... 14
Controle e responsabilização da administração: controle administrativo; controle judicial; controle legislativo; respon-
sabilidade civil do Estado...................................................................................................................................................................................... 25

Noções de Direito Processual Penal


Inquérito policial; notitia criminis....................................................................................................................................................................... 01
Ação penal: espécies............................................................................................................................................................................................... 04
Jurisdição; competência......................................................................................................................................................................................... 09
Prova (artigos 158 a 184 do CPP)....................................................................................................................................................................... 11
Prisão em flagrante.................................................................................................................................................................................................. 18
Prisão preventiva....................................................................................................................................................................................................... 18
Prisão temporária (Lei n.° 7.960/1989)............................................................................................................................................................. 18

Noções de Legislação Específica


Legislação e suas alterações. Tráfico ilícito e uso indevido de drogas (Lei n.° 11.343/2006)..................................................... 01
Crimes hediondos (Lei n.° 8.072/1990)............................................................................................................................................................ 09
Crimes resultantes de preconceitos de raça ou de cor (Lei n.° 7.716/1989)..................................................................................... 11
Abuso de Autoridade (Lei n.° 4.898/1965)...................................................................................................................................................... 12
Crimes de tortura (Lei n.° 9.455/1997)............................................................................................................................................................. 14
Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n.° 8.069/1990)..................................................................................................................... 14
Estatuto do desarmamento (Lei n.° 10.826/2003)....................................................................................................................................... 51
Crimes previstos no Código de proteção e defesa do consumidor (Lei n.° 8.078/1990)............................................................. 57
Crimes contra o meio ambiente (Lei n.° 9.605/1998)................................................................................................................................. 69
Juizados especiais (Lei n.° 9.099/1995 e Lei 10.259/2001)....................................................................................................................... 77
Crimes previstos no Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9503/1997)..................................................................................................... 87
LÍNGUA PORTUGUESA

Compreensão e interpretação de textos, com elevado grau de complexidade, incluindo textos de divulgação científica. ..... 01
Reconhecimento da finalidade de textos de diferentes géneros. ....................................................................................................... 07
Localização de informações explícitas no texto. Inferência de sentido de palavras e/ou expressões. Inferência de infor-
mações implícitas no texto e das relações de causa e consequência entre as partes de um texto. Distinção de fato e
opinião sobre esse fato. Interpretação de linguagem não-verbal (tabelas, fotos, quadrinhos etc). ...................................... 29
Reconhecimento das relações lógico-discursivas presentes no texto, marcadas por conjunções, advérbios, preposições
argumentativas, locuções etc. Reconhecimento das relações entre partes de um texto, identificando repetições ou subs-
tituições que contribuem para sua continuidade. Identificação de efeitos de ironia ou humor em textos variados. .... 32
Reconhecimento de efeitos de sentido decorrentes do uso de pontuação, da exploração de recursos ortográficos e/ou
morfossintáticos, de campos semânticos, e de outras notações. Identificação de diferentes estratégias que contribuem
para a continuidade do texto (anáforas, pronomes relativos, demonstrativos etc). .................................................................... 52
Compreensão de estruturas temática e lexical complexas. Ambiguidade e paráfrase. Relação de sinonímia entre uma
expressão vocabular complexa e uma palavra............................................................................................................................................. 96
LÍNGUA PORTUGUESA

Observação – na semântica (significado das palavras)


COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO incluem--se: homônimos e parônimos, denotação e cono-
DE TEXTOS, COM ELEVADO GRAU DE tação, sinonímia e antonímia, polissemia, figuras de lingua-
COMPLEXIDADE, INCLUINDO TEXTOS DE gem, entre outros.
DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA. - Capacidade de observação e de síntese e
- Capacidade de raciocínio.
Interpretar X compreender

É muito comum, entre os candidatos a um cargo públi- Interpretar significa


co, a preocupação com a interpretação de textos. Por isso, - Explicar, comentar, julgar, tirar conclusões, deduzir.
vão aqui alguns detalhes que poderão ajudar no momento - Através do texto, infere-se que...
de responder às questões relacionadas a textos. - É possível deduzir que...
- O autor permite concluir que...
Texto – é um conjunto de ideias organizadas e relacio- - Qual é a intenção do autor ao afirmar que...
nadas entre si, formando um todo significativo capaz de
produzir interação comunicativa (capacidade de codificar Compreender significa
e decodificar ). - intelecção, entendimento, atenção ao que realmente
está escrito.
Contexto – um texto é constituído por diversas frases. - o texto diz que...
Em cada uma delas, há uma certa informação que a faz - é sugerido pelo autor que...
ligar-se com a anterior e/ou com a posterior, criando con- - de acordo com o texto, é correta ou errada a afirma-
dições para a estruturação do conteúdo a ser transmitido.
ção...
A essa interligação dá-se o nome de contexto. Nota-se que
- o narrador afirma...
o relacionamento entre as frases é tão grande que, se uma
frase for retirada de seu contexto original e analisada se-
Erros de interpretação
paradamente, poderá ter um significado diferente daquele
inicial.
É muito comum, mais do que se imagina, a ocorrência
Intertexto - comumente, os textos apresentam referên- de erros de interpretação. Os mais frequentes são:
cias diretas ou indiretas a outros autores através de cita- - Extrapolação (viagem): Ocorre quando se sai do con-
ções. Esse tipo de recurso denomina-se intertexto. texto, acrescentado ideias que não estão no texto, quer por
conhecimento prévio do tema quer pela imaginação.
Interpretação de texto - o primeiro objetivo de uma
interpretação de um texto é a identificação de sua ideia - Redução: É o oposto da extrapolação. Dá-se atenção
principal. A partir daí, localizam-se as ideias secundárias, apenas a um aspecto, esquecendo que um texto é um con-
ou fundamentações, as argumentações, ou explicações, junto de ideias, o que pode ser insuficiente para o total do
que levem ao esclarecimento das questões apresentadas entendimento do tema desenvolvido.
na prova.
- Contradição: Não raro, o texto apresenta ideias con-
Normalmente, numa prova, o candidato é convidado a: trárias às do candidato, fazendo-o tirar conclusões equivo-
cadas e, consequentemente, errando a questão.
- Identificar – é reconhecer os elementos fundamen-
tais de uma argumentação, de um processo, de uma épo- Observação - Muitos pensam que há a ótica do escritor
ca (neste caso, procuram-se os verbos e os advérbios, os e a ótica do leitor. Pode ser que existam, mas numa prova
quais definem o tempo). de concurso, o que deve ser levado em consideração é o
- Comparar – é descobrir as relações de semelhança ou que o autor diz e nada mais.
de diferenças entre as situações do texto.
- Comentar - é relacionar o conteúdo apresentado Coesão - é o emprego de mecanismo de sintaxe que
com uma realidade, opinando a respeito. relaciona palavras, orações, frases e/ou parágrafos entre si.
- Resumir – é concentrar as ideias centrais e/ou secun- Em outras palavras, a coesão dá-se quando, através de um
dárias em um só parágrafo. pronome relativo, uma conjunção (NEXOS), ou um prono-
- Parafrasear – é reescrever o texto com outras pala- me oblíquo átono, há uma relação correta entre o que se
vras. vai dizer e o que já foi dito.

Condições básicas para interpretar OBSERVAÇÃO – São muitos os erros de coesão no dia
-a-dia e, entre eles, está o mau uso do pronome relativo e
Fazem-se necessários: do pronome oblíquo átono. Este depende da regência do
- Conhecimento histórico–literário (escolas e gêneros verbo; aquele do seu antecedente. Não se pode esquecer
literários, estrutura do texto), leitura e prática; também de que os pronomes relativos têm, cada um, valor
- Conhecimento gramatical, estilístico (qualidades do semântico, por isso a necessidade de adequação ao ante-
texto) e semântico; cedente.

1
LÍNGUA PORTUGUESA

Os pronomes relativos são muito importantes na in- Texto para a questão 2:


terpretação de texto, pois seu uso incorreto traz erros de
coesão. Assim sendo, deve-se levar em consideração que DA DISCRIÇÃO
existe um pronome relativo adequado a cada circunstância, Mário Quintana
a saber: Não te abras com teu amigo
- que (neutro) - relaciona-se com qualquer antecedente, Que ele um outro amigo tem.
mas depende das condições da frase. E o amigo do teu amigo
- qual (neutro) idem ao anterior. Possui amigos também...
- quem (pessoa) (http://pensador.uol.com.br/poemas_de_amizade)
- cujo (posse) - antes dele aparece o possuidor e depois 2-) (PREFEITURA DE SERTÃOZINHO – AGENTE COMU-
o objeto possuído. NITÁRIO DE SAÚDE – VUNESP/2012) De acordo com o
- como (modo) poema, é correto afirmar que
- onde (lugar) (A) não se deve ter amigos, pois criar laços de amizade
quando (tempo) é algo ruim.
quanto (montante) (B) amigo que não guarda segredos não merece res-
peito.
Exemplo: (C) o melhor amigo é aquele que não possui outros
Falou tudo QUANTO queria (correto) amigos.
Falou tudo QUE queria (errado - antes do QUE, deveria (D) revelar segredos para o amigo pode ser arriscado.
aparecer o demonstrativo O ). (E) entre amigos, não devem existir segredos.
Dicas para melhorar a interpretação de textos 3-) (GOVERNO DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO – SE-
CRETARIA DE ESTADO DA JUSTIÇA – AGENTE PENITEN-
- Ler todo o texto, procurando ter uma visão geral do CIÁRIO – VUNESP/2013) Leia o poema para responder à
assunto; questão.
- Se encontrar palavras desconhecidas, não interrompa
a leitura;
Casamento
- Ler, ler bem, ler profundamente, ou seja, ler o texto
pelo menos duas vezes;
Há mulheres que dizem:
- Inferir;
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
- Voltar ao texto quantas vezes precisar;
mas que limpe os peixes.
- Não permitir que prevaleçam suas ideias sobre as do
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
autor;
- Fragmentar o texto (parágrafos, partes) para melhor ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
compreensão; É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
- Verificar, com atenção e cuidado, o enunciado de cada de vez em quando os cotovelos se esbarram,
questão; ele fala coisas como “este foi difícil”
- O autor defende ideias e você deve percebê-las. “prateou no ar dando rabanadas”
e faz o gesto com a mão.
Fonte: O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
http://www.tudosobreconcursos.com/materiais/portu- atravessa a cozinha como um rio profundo.
gues/como-interpretar-textos Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Questões Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.
1-) (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAU- (Adélia Prado, Poesia Reunida)
LO - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – VUNESP/2013)
O contexto em que se encontra a passagem – Se deixou de A ideia central do poema de Adélia Prado é mostrar que
bajular os príncipes e princesas do século 19, passou a servir (A) as mulheres que amam valorizam o cotidiano e não
reis e rainhas do 20 (2.º parágrafo) – leva a concluir, corre- gostam que os maridos frequentem pescarias, pois acham
tamente, que a menção a difícil limpar os peixes.
(A) príncipes e princesas constitui uma referência em (B) o eu lírico do poema pertence ao grupo de mulheres
sentido não literal. que não gostam de limpar os peixes, embora valorizem os
(B) reis e rainhas constitui uma referência em sentido esbarrões de cotovelos na cozinha.
não literal. (C) há mulheres casadas que não gostam de ficar sozi-
(C) príncipes, princesas, reis e rainhas constitui uma re- nhas com seus maridos na cozinha, enquanto limpam os
ferência em sentido não literal. peixes.
(D) príncipes, princesas, reis e rainhas constitui uma re- (D) as mulheres que amam valorizam os momentos
ferência em sentido literal. mais simples do cotidiano vividos com a pessoa amada.
(E) reis e rainhas constitui uma referência em sentido (E) o casamento exige levantar a qualquer hora da noite,
literal. para limpar, abrir e salgar o peixe.

2
LÍNGUA PORTUGUESA

4-) (SABESP/SP – ATENDENTE A CLIENTES 01 – Considerando os sentidos e as estruturas linguísticas


FCC/2014 - ADAPTADA) Atenção: Para responder à ques- do texto acima apresentado, julgue os próximos itens.
tão, considere o texto abaixo. A oração “que atingiu pelo menos 1.800 cidades em 18
estados do país” tem, nesse contexto, valor restritivo.
A marca da solidão (...) CERTO ( ) ERRADO
Deitado de bruços, sobre as pedras quentes do chão de
paralelepípedos, o menino espia. Tem os braços dobrados e a 7-) (COLÉGIO PEDRO II/RJ – ASSISTENTE EM ADMINIS-
testa pousada sobre eles, seu rosto formando uma tenda de TRAÇÃO – AOCP/2010) “A carga foi desviada e a viatura,
penumbra na tarde quente. com os vigilantes, abandonada em Pirituba, na zona norte
Observa as ranhuras entre uma pedra e outra. Há, den- de São Paulo.”
tro de cada uma delas, um diminuto caminho de terra, com Pela leitura do fragmento acima, é correto afirmar que,
pedrinhas e tufos minúsculos de musgos, formando peque- em sua estrutura sintática, houve supressão da expressão
nas plantas, ínfimos bonsais só visíveis aos olhos de quem é a) vigilantes.
capaz de parar de viver para, apenas, ver. Quando se tem a b) carga.
marca da solidão na alma, o mundo cabe numa fresta. c) viatura.
d) foi.
(SEIXAS, Heloísa. Contos mais que mínimos. Rio de Ja- e) desviada.
neiro: Tinta negra bazar, 2010. p. 47)
No texto, o substantivo usado para ressaltar o universo 8-) (CORREIOS – CARTEIRO – CESPE/2011)
reduzido no qual o menino detém sua atenção é Um carteiro chega ao portão do hospício e grita:
(A) fresta. — Carta para o 9.326!!!
(B) marca. Um louco pega o envelope, abre-o e vê que a carta está
(C) alma. em
(D) solidão. branco, e um outro pergunta:
(E) penumbra. — Quem te mandou essa carta?
— Minha irmã.
5-) (ANCINE – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CES-
— Mas por que não está escrito nada?
PE/2012)
— Ah, porque nós brigamos e não estamos nos falando!
O riso é tão universal como a seriedade; ele abarca a
Internet: <www.humortadela.com.br/piada> (com
totalidade do universo, toda a sociedade, a história, a con-
adaptações).
cepção de mundo. É uma verdade que se diz sobre o mundo,
O efeito surpresa e de humor que se extrai do texto
que se estende a todas as coisas e à qual nada escapa. É,
acima decorre
de alguma maneira, o aspecto festivo do mundo inteiro, em
A) da identificação numérica atribuída ao louco.
todos os seus níveis, uma espécie de segunda revelação do
mundo. B) da expressão utilizada pelo carteiro ao entregar a
carta no hospício.
Mikhail Bakhtin. A cultura popular na Idade Média e o C) do fato de outro louco querer saber quem enviou
Renascimento: o contexto de François Rabelais. São Paulo: a carta.
Hucitec, 1987, p. 73 (com adaptações). D) da explicação dada pelo louco para a carta em bran-
co.
Na linha 1, o elemento “ele” tem como referente tex- E) do fato de a irmã do louco ter brigado com ele.
tual “O riso”.
(...) CERTO ( ) ERRADO 9-) (CORREIOS – CARTEIRO – CESPE/2011)
Um homem se dirige à recepcionista de uma clínica:
6-) (ANEEL – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CESPE/2010) — Por favor, quero falar com o dr. Pedro.
Só agora, quase cinco meses depois do apagão que atin- — O senhor tem hora?
giu pelo menos 1.800 cidades em 18 estados do país, surge O sujeito olha para o relógio e diz:
uma explicação oficial satisfatória para o corte abrupto e — Sim. São duas e meia.
generalizado de energia no final de 2009. — Não, não... Eu quero saber se o senhor é paciente.
Segundo relatório da Agência Nacional de Energia Elé- — O que a senhora acha? Faz seis meses que ele não me
trica (ANEEL), a responsabilidade recai sobre a empresa es- paga o aluguel do consultório...
tatal Furnas, cujas linhas de transmissão cruzam os mais de Internet: <www.humortadela.com.br/piada> (com
900 km que separam Itaipu de São Paulo. adaptações).
Equipamentos obsoletos, falta de manutenção e de in-
vestimentos e também erros operacionais conspiraram para No texto acima, a recepcionista dirige-se duas vezes ao
produzir a mais séria falha do sistema de geração e distri- homem para saber se ele
buição de energia do país desde o traumático racionamento A) verificou o horário de chegada e está sob os cuida-
de 2001. dos do dr. Pedro.
Folha de S.Paulo, Editorial, 30/3/2010 (com adapta- B) pode indicar-lhe as horas e decidiu esperar o paga-
ções). mento do aluguel.

3
LÍNGUA PORTUGUESA

C) tem relógio e sabe esperar. (D) torna-se legítima se houver consenso em todos os
D) marcou consulta e está calmo. grupos quanto à escolha do líder e ao modo como ele irá
E) marcou consulta para aquele dia e está sob os cui- mobilizar esses grupos em torno de seus objetivos pes-
dados do dr. Pedro. soais.

(GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO – TÉCNICO DA 11-) (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO – TÉC-
FAZENDA ESTADUAL – FCC/2010 - ADAPTADA) Atenção: As NICO DA FAZENDA ESTADUAL – FCC/2010) O texto deixa
questões de números 10 a 13 referem-se ao texto abaixo. claro que
Liderança é uma palavra frequentemente associada a (A) a importância do líder baseia-se na valorização de
feitos e realizações de grandes personagens da história e da todo o grupo em torno da realização de um objetivo co-
vida social ou, então, a uma dimensão mágica, em que al- mum.
gumas poucas pessoas teriam habilidades inatas ou o dom (B) o líder é o elemento essencial dentro de uma orga-
de transformar-se em grandes líderes, capazes de influenciar nização, pois sem ele não se poderá atingir qualquer meta
outras e, assim, obter e manter o poder. ou objetivo.
Os estudos sobre o tema, no entanto, mostram que a (C) pode não haver condições de liderança em algumas
maioria das pessoas pode tornar-se líder, ou pelo menos equipes, caso não se estabeleçam atividades específicas
desenvolver consideravelmente as suas capacidades de lide- para cada um de seus membros.
rança. (D) a liderança é um dom que independe da participa-
Paulo Roberto Motta diz: “líderes são pessoas comuns ção dos componentes de uma equipe em um ambiente de
que aprendem habilidades comuns, mas que, no seu conjun- trabalho.
to, formam uma pessoa incomum”. De fato, são necessárias 12-) (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO – TÉCNI-
algumas habilidades, mas elas podem ser aprendidas tanto CO DA FAZENDA ESTADUAL – FCC/2010) O fenômeno da
através das experiências da vida, quanto da formação volta- liderança só ocorre na inter-relação ... (4º parágrafo)
da para essa finalidade. No contexto, inter-relação significa
O fenômeno da liderança só ocorre na inter-relação; en- (A) o respeito que os membros de uma equipe devem
volve duas ou mais pessoas e a existência de necessidades demonstrar ao acatar as decisões tomadas pelo líder, por
para serem atendidas ou objetivos para serem alcançados, resultarem em benefício de todo o grupo.
que requerem a interação cooperativa dos membros envol-
(B) a igualdade entre os valores dos integrantes de um
vidos. Não pressupõe proximidade física ou temporal: pode-
grupo devidamente orientado pelo líder e aqueles propos-
se ter a mente e/ou o comportamento influenciado por um
tos pela organização a que prestam serviço.
escritor ou por um líder religioso que nunca se viu ou que
(C) o trabalho que deverá sempre ser realizado em
viveu noutra época. [...]
equipe, de modo que os mais capacitados colaborem com
Se a legitimidade da liderança se baseia na aceitação
os de menor capacidade.
do poder de influência do líder, implica dizer que parte desse
(D) a criação de interesses mútuos entre membros de
poder encontra-se no próprio grupo. É nessa premissa que
se fundamenta a maioria das teorias contemporâneas sobre uma equipe e de respeito às metas que devem ser alcan-
liderança. çadas por todos.
Daí definirem liderança como a arte de usar o poder 13-) (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO – TÉCNI-
que existe nas pessoas ou a arte de liderar as pessoas para CO DA FAZENDA ESTADUAL – FCC/2010) Não pressupõe
fazerem o que se requer delas, da maneira mais efetiva e proximidade física ou temporal ... (4º parágrafo)
humana possível. [...] A afirmativa acima quer dizer, com outras palavras, que
(Augusta E.E.H. Barbosa do Amaral e Sandra Souza (A) a presença física de um líder natural é fundamen-
Pinto. Gestão de pessoas, in Desenvolvimento gerencial na tal para que seus ensinamentos possam ser divulgados e
Administração pública do Estado de São Paulo, org. Lais aceitos.
Macedo de Oliveira e Maria Cristina Pinto Galvão, Secre- (B) um líder verdadeiramente capaz é aquele que sem-
taria de Gestão pública, São Paulo: Fundap, 2. ed., 2009, p. pre se atualiza, adquirindo conhecimentos de fontes e de
290 e 292, com adaptações) autores diversos.
(C) o aprendizado da liderança pode ser produtivo,
10-) (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO – TÉCNI- mesmo se houver distância no tempo e no espaço entre
CO DA FAZENDA ESTADUAL – FCC/2010) De acordo com o aquele que influencia e aquele que é influenciado.
texto, liderança (D) as influências recebidas devem ser bem analisadas
(A) é a habilidade de chefiar outras pessoas que não e postas em prática em seu devido tempo e na ocasião
pode ser desenvolvida por aqueles que somente executam mais propícia.
tarefas em seu ambiente de trabalho.
(B) é típica de épocas passadas, como qualidades de 14-) (DETRAN/RN – VISTORIADOR/EMPLACADOR –
heróis da história da humanidade, que realizaram grandes FGV PROJETOS/2010)
feitos e se tornaram poderosos através deles.
(C) vem a ser a capacidade, que pode ser inata ou até Painel do leitor (Carta do leitor)
mesmo adquirida, de conseguir resultados desejáveis da- Resgate no Chile
queles que constituem a equipe de trabalho.

4
LÍNGUA PORTUGUESA

Assisti ao maior espetáculo da Terra numa operação de 16-) (DCTA – TÉCNICO 1 – SEGURANÇA DO TRABALHO
salvamento de vidas, após 69 dias de permanência no fundo – VUNESP/2013) De acordo com o texto, pode-se afirmar
de uma mina de cobre e ouro no Chile. que, assim como seus amigos, a autora viaja para
Um a um os mineiros soterrados foram içados com (A) visitar um lugar totalmente desconhecido.
sucesso, mostrando muita calma, saúde, sorrindo e cum- (B) escapar do lugar em que está.
primentando seus companheiros de trabalho. Não se pode (C) reencontrar familiares queridos.
esquecer a ajuda técnica e material que os Estados Unidos, (D) praticar esportes radicais.
Canadá e China ofereceram à equipe chilena de salvamen- (E) dedicar-se ao trabalho.
to, num gesto humanitário que só enobrece esses países. E,
também, dos dois médicos e dois “socorristas” que, demons- 17-) Ao descrever a Ilha do Nanja como um lugar onde,
trando coragem e desprendimento, desceram na mina para “à beira das lagoas verdes e azuis, o silêncio cresce como
ajudar no salvamento. um bosque” (último parágrafo), a autora sugere que viajará
(Douglas Jorge; São Paulo, SP; www.folha.com.br – pai- para um lugar
nel do leitor – 17/10/2010) (A) repulsivo e populoso.
(B) sombrio e desabitado.
Considerando o tipo textual apresentado, algumas ex- (C) comercial e movimentado.
pressões demonstram o posicionamento pessoal do leitor (D) bucólico e sossegado.
diante do fato por ele narrado. Tais marcas textuais podem (E) opressivo e agitado.
ser encontradas nos trechos a seguir, EXCETO: 18-) (POLÍCIA MILITAR/TO – SOLDADO – CONSUL-
A) “Assisti ao maior espetáculo da Terra...” PLAN/2013 - ADAPTADA) Texto para responder à questão.
B) “... após 69 dias de permanência no fundo de uma
mina de cobre e ouro no Chile.”
C) “Não se pode esquecer a ajuda técnica e material...”
D) “... gesto humanitário que só enobrece esses países.”
E) “... demonstrando coragem e desprendimento, des-
ceram na mina...”
(DCTA – TÉCNICO 1 – SEGURANÇA DO TRABALHO –
VUNESP/2013 - ADAPTADA) Leia o texto para responder às
questões de números 15 a 17.
Férias na Ilha do Nanja
Meus amigos estão fazendo as malas, arrumando as
malas nos seus carros, olhando o céu para verem que tempo
faz, pensando nas suas estradas – barreiras, pedras soltas, (Adail et al II. Antologia brasileira de humor. Volume 1.
fissuras* – sem falar em bandidos, milhões de bandidos entre Porto Alegre: L&PM, 1976. p. 95.)
as fissuras, as pedras soltas e as barreiras...
Meus amigos partem para as suas férias, cansados de A charge anterior é de Luiz Carlos Coutinho, cartunis-
tanto trabalho; de tanta luta com os motoristas da contra- ta mineiro mais conhecido como Caulos. É correto afirmar
mão; enfim, cansados, cansados de serem obrigados a viver que o tema apresentado é
numa grande cidade, isto que já está sendo a negação da (A) a oposição entre o modo de pensar e agir.
própria vida. (B) a rapidez da comunicação na Era da Informática.
E eu vou para a Ilha do Nanja. (C) a comunicação e sua importância na vida das pes-
Eu vou para a Ilha do Nanja para sair daqui. Passarei as soas.
férias lá, onde, à beira das lagoas verdes e azuis, o silêncio (D) a massificação do pensamento na sociedade mo-
cresce como um bosque. Nem preciso fechar os olhos: já es- derna.
tou vendo os pescadores com suas barcas de sardinha, e a
moça à janela a namorar um moço na outra janela de outra Resolução
ilha.
(Cecília Meireles, O que se diz e o que se entende. 1-)
Adaptado) Pela leitura do texto infere-se que os “reis e rainhas”
do século 20 são as personalidades da mídia, os “famosos”
*fissuras: fendas, rachaduras e “famosas”. Quanto a príncipes e princesas do século 19,
esses eram da corte, literalmente.
15-) (DCTA – TÉCNICO 1 – SEGURANÇA DO TRABA-
LHO – VUNESP/2013) No primeiro parágrafo, ao descre- RESPOSTA: “B”.
ver a maneira como se preparam para suas férias, a autora
mostra que seus amigos estão 2-)
(A) serenos. Pela leitura do poema identifica-se, apenas, a informa-
(B) descuidados. ção contida na alternativa: revelar segredos para o amigo
(C) apreensivos. pode ser arriscado.
(D) indiferentes.
(E) relaxados. RESPOSTA: “D”.

5
LÍNGUA PORTUGUESA

3-) 11-)
Pela leitura do texto percebe-se, claramente, que a autora O texto deixa claro que a importância do líder baseia-
narra um momento simples, mas que é prazeroso ao casal. se na valorização de todo o grupo em torno da realização
de um objetivo comum.
RESPOSTA: “D”.
4-) RESPOSTA: “A”.
Com palavras do próprio texto responderemos: o mun-
do cabe numa fresta. 12-)
Pela leitura do texto, dentre as alternativas apresenta-
RESPOSTA: “A”. das, a que está coerente com o sentido dado à palavra “in-
ter-relação” é: “a criação de interesses mútuos entre mem-
5-) bros de uma equipe e de respeito às metas que devem ser
Vamos ao texto: O riso é tão universal como a seriedade;
alcançadas por todos”.
ele abarca a totalidade do universo (...). Os termos relacio-
nam-se. O pronome “ele” retoma o sujeito “riso”.
RESPOSTA: “D”.
RESPOSTA: “CERTO”.
13-)
6-) Não pressupõe proximidade física ou temporal = o
Voltemos ao texto: “depois do apagão que atingiu pelo aprendizado da liderança pode ser produtivo, mesmo se
menos 1.800 cidades”. O “que” pode ser substituído por “o houver distância no tempo e no espaço entre aquele que
qual”, portanto, trata-se de um pronome relativo (oração su- influencia e aquele que é influenciado.
bordinada adjetiva). Quando há presença de vírgula, temos
uma adjetiva explicativa (generaliza a informação da oração RESPOSTA: “C”.
principal. A construção seria: “do apagão, que atingiu pelo
menos 1800 cidades em 18 estados do país”); quando não 14-)
há, temos uma adjetiva restritiva (restringe, delimita a infor- Em todas as alternativas há expressões que represen-
mação – como no caso do exercício). tam a opinião do autor: Assisti ao maior espetáculo da
Terra / Não se pode esquecer / gesto humanitário que só
RESPOSTA: “CERTO’. enobrece / demonstrando coragem e desprendimento.

7-) RESPOSTA: “B”.


“A carga foi desviada e a viatura, com os vigilantes, aban-
donada em Pirituba, na zona norte de São Paulo.” Trata-se 15-)
da figura de linguagem (de construção ou sintaxe) “zeugma”, “pensando nas suas estradas – barreiras, pedras soltas,
que consiste na omissão de um termo já citado anteriormen- fissuras – sem falar em bandidos, milhões de bandidos en-
te (diferente da elipse, que o termo não é citado, mas facil- tre as fissuras, as pedras soltas e as barreiras...” = pensar
mente identificado). No enunciado temos a narração de que nessas coisas, certamente, deixa-os apreensivos.
a carga foi desviada e de que a viatura foi abandonada.
RESPOSTA: “C”.
RESPOSTA: “D”. 16-)
8-)
Eu vou para a Ilha do Nanja para sair daqui = resposta
Geralmente o efeito de humor desses gêneros textuais
da própria autora!
aparece no desfecho da história, ao final, como nesse: “Ah,
porque nós brigamos e não estamos nos falando”.
RESPOSTA: “B”.
RESPOSTA: “D”.
17-)
9-) Pela descrição realizada, o lugar não tem nada de ruim.
“O senhor tem hora? (...) Não, não... Eu quero saber se o
senhor é paciente” = a recepcionista quer saber se ele mar- RESPOSTA: “D”.
cou horário e se é paciente do Dr. Pedro.
RESPOSTA: “E”. 18-)
Questão que envolve interpretação “visual”! Fácil. Basta
10-) observar o que as personagens “dizem” e o que “pensam”.
Utilizando trechos do próprio texto, podemos chegar à
conclusão: O fenômeno da liderança só ocorre na inter-re- RESPOSTA: “A”.
lação; envolve duas ou mais pessoas e a existência de ne-
cessidades para serem atendidas ou objetivos para serem
alcançados, que requerem a interação cooperativa dos
membros envolvidos = equipe
RESPOSTA: “C”.

6
LÍNGUA PORTUGUESA

tor sobre o assunto em evidência. Nesse tipo de texto a


RECONHECIMENTO DA FINALIDADE DE expressão das ideias, valores, crenças são claras, evidentes,
pois é um tipo de texto que propõe a reflexão, o debate
TEXTOS DE DIFERENTES GÉNEROS.
de ideias. A linguagem explorada é a denotativa, embora o
uso da conotação possa marcar um estilo pessoal. A obje-
tividade é um fator importante, pois dá ao texto um valor
Tipologia Textual universal, por isso geralmente o enunciador não aparece
porque o mais importante é o assunto em questão e não
Tipo textual é a forma como um texto se apresenta. As quem fala dele. A ausência do emissor é importante para
únicas tipologias existentes são: narração, descrição, dis- que a ideia defendida torne algo partilhado entre muitas
sertação ou exposição, informação e injunção. É impor- pessoas, sendo admitido o emprego da 1ª pessoa do plural
tante que não se confunda tipo textual com gênero textual. - nós, pois esse não descaracteriza o discurso dissertativo.
- expõe um tema, explica, avalia, classifica, analisa;
Texto Narrativo - tipo textual em que se conta fatos - é um tipo de texto argumentativo.
que ocorreram num determinado tempo e lugar, envol- - defesa de um argumento: apresentação de uma tese
vendo personagens e um narrador. Refere-se a objeto do que será defendida; desenvolvimento ou argumentação;
mundo real ou fictício. Possui uma relação de anterioridade fechamento;
e posterioridade. O tempo verbal predominante é o pas- - predomínio da linguagem objetiva;
sado. - prevalece a denotação.
- expõe um fato, relaciona mudanças de situação,
aponta antes, durante e depois dos acontecimentos (ge- Texto Argumentativo - esse texto tem a função de
ralmente); persuadir o leitor, convencendo-o de aceitar uma ideia im-
- é um tipo de texto sequencial; posta pelo texto. É o tipo textual mais presente em ma-
- relato de fatos; nifestos e cartas abertas, e quando também mostra fatos
- presença de narrador, personagens, enredo, cenário, para embasar a argumentação, se torna um texto disserta-
tempo; tivo-argumentativo.
- apresentação de um conflito; Texto Injuntivo/Instrucional - indica como realizar
- uso de verbos de ação; uma ação. Também é utilizado para predizer acontecimen-
- geralmente, é mesclada de descrições; tos e comportamentos. Utiliza linguagem objetiva e sim-
- o diálogo direto é frequente. ples. Os verbos são, na sua maioria, empregados no modo
imperativo, porém nota-se também o uso do infinitivo e
Texto Descritivo - um texto em que se faz um retrato o uso do futuro do presente do modo indicativo. Ex: Pre-
por escrito de um lugar, uma pessoa, um animal ou um visões do tempo, receitas culinárias, manuais, leis, bula de
objeto. A classe de palavras mais utilizada nessa produção remédio, convenções, regras e eventos.
é o adjetivo, pela sua função caracterizadora. Numa abor-
dagem mais abstrata, pode-se até descrever sensações ou Narração
sentimentos. Não há relação de anterioridade e posterio-
ridade. É fazer uma descrição minuciosa do objeto ou da A Narração é um tipo de texto que relata uma história
personagem a que o texto refere. Nessa espécie textual as real, fictícia ou mescla dados reais e imaginários. O texto
coisas acontecem ao mesmo tempo. narrativo apresenta personagens que atuam em um tempo
- expõe características dos seres ou das coisas, apre- e em um espaço, organizados por uma narração feita por
senta uma visão; um narrador. É uma série de fatos situados em um espa-
- é um tipo de texto figurativo; ço e no tempo, tendo mudança de um estado para outro,
- retrato de pessoas, ambientes, objetos; segundo relações de sequencialidade e causalidade, e não
- predomínio de atributos; simultâneos como na descrição. Expressa as relações entre
- uso de verbos de ligação; os indivíduos, os conflitos e as ligações afetivas entre es-
- frequente emprego de metáforas, comparações e ses indivíduos e o mundo, utilizando situações que contêm
outras figuras de linguagem; essa vivência.
- tem como resultado a imagem física ou psicológica. Todas as vezes que uma história é contada (é narrada),
o narrador acaba sempre contando onde, quando, como e
Texto Dissertativo - a dissertação é um texto que ana- com quem ocorreu o episódio. É por isso que numa narra-
lisa, interpreta, explica e avalia dados da realidade. Esse ção predomina a ação: o texto narrativo é um conjunto de
tipo textual requer reflexão, pois as opiniões sobre os fatos ações; assim sendo, a maioria dos verbos que compõem
e a postura crítica em relação ao que se discute têm grande esse tipo de texto são os verbos de ação. O conjunto de
importância. O texto dissertativo é temático, pois trata de ações que compõem o texto narrativo, ou seja, a história
análises e interpretações; o tempo explorado é o presente que é contada nesse tipo de texto recebe o nome de en-
no seu valor atemporal; é constituído por uma introdução redo.
onde o assunto a ser discutido é apresentado, seguido por
uma argumentação que caracteriza o ponto de vista do au-

7
LÍNGUA PORTUGUESA

As ações contidas no texto narrativo são praticadas Esses elementos estruturais combinam-se e articulam-
pelas personagens, que são justamente as pessoas en- se de tal forma, que não é possível compreendê-los iso-
volvidas no episódio que está sendo contado. As persona- ladamente, como simples exemplos de uma narração. Há
gens são identificadas (nomeadas) no texto narrativo pelos uma relação de implicação mútua entre eles, para garantir
substantivos próprios. coerência e verossimilhança à história narrada. Quanto aos
Quando o narrador conta um episódio, às vezes (mes- elementos da narrativa, esses não estão, obrigatoriamente
mo sem querer) ele acaba contando “onde” (em que lugar)  sempre presentes no discurso, exceto as personagens ou o
as ações do enredo foram realizadas pelas personagens. fato a ser narrado.
O lugar onde ocorre uma ação ou ações  é chamado de
espaço, representado no texto pelos advérbios de lugar. Exemplo:
Além de contar onde, o narrador também pode es-
clarecer “quando” ocorreram as ações da história. Esse Porquinho-da-índia
elemento da narrativa é o tempo, representado no texto
narrativo através dos tempos verbais, mas principalmente Quando eu tinha seis anos
pelos advérbios de tempo. É o tempo que ordena as ações Ganhei um porquinho-da-índía.
no texto narrativo: é ele que indica ao leitor “como” o fato Que dor de coração me dava
narrado aconteceu. Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
A história contada, por isso, passa por uma introdução Levava ele pra sala
(parte inicial da história, também chamada de prólogo), Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos
pelo desenvolvimento do enredo (é a história propria- Ele não gostava:
mente dita, o meio, o “miolo” da narrativa, também cha- Queria era estar debaixo do fogão.
mada de trama) e termina com a conclusão da história (é o Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas...
final ou epílogo). Aquele que conta a história é o narrador,  - O meu porquinho-da-índia foi a minha primeira na-
que pode ser pessoal (narra em 1ª pessoa: Eu...) ou impes- morada.
soal (narra em 3ª pessoa: Ele...).
Assim, o texto narrativo é sempre estruturado por ver- Manuel Bandeira. Estrela da vida inteira. 4ª ed.
bos de ação, por advérbios de tempo, por advérbios de Rio de Janeiro, José Olympio, 1973, pág. 110.
lugar e pelos substantivos que nomeiam as personagens,
que são os agentes do texto, ou seja, aquelas pessoas que Observe que, no texto acima, há um conjunto de trans-
fazem as ações expressas pelos verbos, formando uma formações de situação: ganhar um porquinho-da-índia é
rede: a própria história contada. passar da situação de não ter o animalzinho para a de tê
Tudo na narrativa depende do narrador, da voz que -lo; levá-lo para a sala ou para outros lugares é passar da
conta a história. situação de ele estar debaixo do fogão para a de estar em
Elementos Estruturais (I): outros lugares; ele não gostava: “queria era estar debaixo
do fogão” implica a volta à situação anterior; “não fazia caso
- Enredo: desenrolar dos acontecimentos. nenhum das minhas ternurinhas” dá a entender que o me-
- Personagens: são seres que se movimentam, se re- nino passava de uma situação de não ser terno com o ani-
lacionam e dão lugar à trama que se estabelece na ação. malzinho para uma situação de ser; no último verso tem-se
Revelam-se por meio de características físicas ou psicológi- a passagem da situação de não ter namorada para a de ter.
cas. Os personagens podem ser lineares (previsíveis), com- Verifica-se, pois, que nesse texto há um grande con-
plexos, tipos sociais (trabalhador, estudante, burguês etc.) junto de mudanças de situação. É isso que define o que se
ou tipos humanos (o medroso, o tímido, o avarento etc.), chama o componente narrativo do texto, ou seja, narrativa
heróis ou anti-heróis, protagonistas ou antagonistas. é uma mudança de estado pela ação de alguma persona-
- Narrador: é quem conta a história. gem, é uma transformação de situação. Mesmo que essa
- Espaço: local da ação. Pode ser físico ou psicológico. personagem não apareça no texto, ela está logicamente
- Tempo: época em que se passa a ação. Cronológico: implícita. Assim, por exemplo, se o menino ganhou um
o tempo convencional (horas, dias, meses); Psicológico: o porquinho-da-índia, é porque alguém lhe deu o animalzi-
tempo interior, subjetivo. nho. Assim, há basicamente, dois tipos de mudança: aquele
em que alguém recebe alguma coisa (o menino passou a
Elementos Estruturais (II): ter o porquinho-da índia) e aquele alguém perde alguma
coisa (o porquinho perdia, a cada vez que o menino o le-
Personagens - Quem? Protagonista/Antagonista vava para outro lugar, o espaço confortável de debaixo do
Acontecimento - O quê? Fato fogão). Assim, temos dois tipos de narrativas: de aquisição
Tempo - Quando? Época em que ocorreu o fato e de privação.
Espaço - Onde? Lugar onde ocorreu o fato
Modo - Como? De que forma ocorreu o fato
Causa - Por quê? Motivo pelo qual ocorreu o fato
Resultado - previsível ou imprevisível.
Final - Fechado ou Aberto.

8
LÍNGUA PORTUGUESA

Existem três tipos de foco narrativo: Esse gaúcho desabotinado levou a existência inteira a
cruzar os campos da fronteira; à luz do Sol, no desmaiado
- Narrador-personagem: é aquele que conta a his- da Lua, na escuridão das noites, na cerração das madru-
tória na qual é participante. Nesse caso ele é narrador e gadas...; ainda que chovesse reiúnos acolherados ou que
personagem ao mesmo tempo, a história é contada em 1ª ventasse como por alma de padre, nunca errou vau, nunca
pessoa. perdeu atalho, nunca desandou cruzada!...
- Narrador-observador: é aquele que conta a história (...)
como alguém que observa tudo que acontece e transmite Aqui há poucos – coitado! – pousei no arranchamento
ao leitor, a história é contada em 3ª pessoa. dele. Casado ou doutro jeito, afamilhado. Não no víamos
- Narrador-onisciente: é o que sabe tudo sobre o desde muito tempo. (...)
enredo e as personagens, revelando seus pensamentos e Fiquei verdeando, à espera, e fui dando um ajutório
sentimentos íntimos. Narra em 3ª pessoa e sua voz, muitas na matança dos leitões e no tiramento dos assados com
vezes, aparece misturada com pensamentos dos persona- couro.
gens (discurso indireto livre). (J. Simões Lopes Neto – Contrabandista)
Estrutura: - Em 3ª pessoa:
- Apresentação: é a parte do texto em que são apre- Onisciente: não há um eu que conta; é uma terceira
sentados alguns personagens e expostas algumas circuns- pessoa. Exemplo:
tâncias da história, como o momento e o lugar onde a ação
se desenvolverá. “Devia andar lá pelos cinco anos e meio quando a fan-
- Complicação: é a parte do texto em que se inicia pro- tasiaram de borboleta. Por isso não pôde defender-se. E
priamente a ação. Encadeados, os episódios se sucedem, saiu à rua com ar menos carnavalesco deste mundo, mor-
conduzindo ao clímax.
rendo de vergonha da malha de cetim, das asas e das an-
- Clímax: é o ponto da narrativa em que a ação atinge
tenas e, mais ainda, da cara à mostra, sem máscara piedosa
seu momento crítico, tornando o desfecho inevitável.
para disfarçar o sentimento impreciso de ridículo.”
- Desfecho: é a solução do conflito produzido pelas
(Ilka Laurito. Sal do Lírico)
ações dos personagens.
Narrador Objetivo: não se envolve, conta a história
Tipos de Personagens:
como sendo vista por uma câmara ou filmadora. Exemplo:
Os personagens têm muita importância na constru-
ção de um texto narrativo, são elementos vitais. Podem ser Festa
principais ou secundários, conforme o papel que desem-
penham no enredo, podem ser apresentados direta ou in- Atrás do balcão, o rapaz de cabeça pelada e avental
diretamente. olha o crioulão de roupa limpa e remendada, acompanha-
A apresentação direta acontece quando o personagem do de dois meninos de tênis branco, um mais velho e outro
aparece de forma clara no texto, retratando suas caracterís- mais novo, mas ambos com menos de dez anos.
ticas físicas e/ou psicológicas, já a apresentação indireta se Os três atravessam o salão, cuidadosamente, mas reso-
dá quando os personagens aparecem aos poucos e o leitor lutamente, e se dirigem para o cômodo dos fundos, onde
vai construindo a sua imagem com o desenrolar do enredo, há seis mesas desertas.
ou seja, a partir de suas ações, do que ela vai fazendo e do O rapaz de cabeça pelada vai ver o que eles querem. O
modo como vai fazendo. homem pergunta em quanto fica uma cerveja, dois guara-
- Em 1ª pessoa: nás e dois pãezinhos.
__ Duzentos e vinte.
Personagem Principal: há um “eu” participante que O preto concentra-se, aritmético, e confirma o pedido.
conta a história e é o protagonista. Exemplo: __Que tal o pão com molho? – sugere o rapaz.
__ Como?
“Parei na varanda, ia tonto, atordoado, as pernas bam- __ Passar o pão no molho da almôndega. Fica muito
bas, o coração parecendo querer sair-me pela boca fora. mais gostoso.
Não me atrevia a descer à chácara, e passar ao quintal vi- O homem olha para os meninos.
zinho. Comecei a andar de um lado para outro, estacando __ O preço é o mesmo – informa o rapaz.
para amparar-me, e andava outra vez e estacava.” __ Está certo.
(Machado de Assis. Dom Casmurro) Os três sentam-se numa das mesas, de forma canhes-
tra, como se o estivessem fazendo pela primeira vez na
Observador: é como se dissesse: É verdade, pode vida.
acreditar, eu estava lá e vi. Exemplo: O rapaz de cabeça pelada traz as bebidas e os copos e,
em seguida, num pratinho, os dois pães com meia almôn-
“Batia nos noventa anos o corpo magro, mas sempre dega cada um. O homem e (mais do que ele) os meninos
teso do Jango Jorge, um que foi capitão duma maloca de olham para dentro dos pães, enquanto o rapaz cúmplice
contrabandista que fez cancha nos banhados do Ibirocaí. se retira.

9
LÍNGUA PORTUGUESA

Os meninos aguardam que a mão adulta leve solene Andando. Paraná mandara-lhe não ficar observando as
o copo de cerveja até a boca, depois cada um prova o seu vitrines, os prédios, as coisas. Como fazia nos dias comuns.
guaraná e morde o primeiro bocado do pão. Ia firme e esforçando-se para não pensar em nada, nem
O homem toma a cerveja em pequenos goles, obser- olhar muito para nada.
vando criteriosamente o menino mais velho e o menino __ Olho vivo – como dizia Paraná.
mais novo absorvidos com o sanduíche e a bebida. Devagar, muita atenção nos autos, na travessia das
Eles não têm pressa. O grande homem e seus dois me- ruas. Ele ia pelas beiradas. Quando em quando, assomava
ninos. E permanecem para sempre, humanos e indestrutí- um guarda nas esquinas. O seu coraçãozinho se apertava.
veis, sentados naquela mesa. Na estação da Sorocabana perguntou as horas a uma
(Wander Piroli) mulher. Sempre ficam mulheres vagabundeando por ali, à
noite. Pelo jardim, pelos escuros da Alameda Cleveland. Ela
Tipos de Discurso: lhe deu, ele seguiu. Ignorava a exatidão de seus cálculos,
mas provavelmente faltava mais ou menos uma hora para
Discurso Direto: o narrador passa a palavra diretamen- chegar em casa. Os bondes passavam.
te para o personagem, sem a sua interferência. Exemplo: (João Antônio – Malagueta, Perus e Bacanaço)
Discurso Indireto-Livre: ocorre uma fusão entre a fala
Caso de Desquite do personagem e a fala do narrador. É um recurso relati-
__ Vexame de incomodar o doutor (a mão trêmula na vamente recente. Surgiu com romancistas inovadores do
boca). Veja, doutor, este velho caducando. Bisavô, um neto século XX. Exemplo:
casado. Agora com mania de mulher. Todo velho é sem-
vergonha. A Morte da Porta-Estandarte
__ Dobre a língua, mulher. O hominho é muito bom. Só
não me pise, fico uma jararaca. Que ninguém o incomode agora. Larguem os seus bra-
__ Se quer sair de casa, doutor, pague uma pensão. ços. Rosinha está dormindo. Não acordem Rosinha. Não é
__ Essa aí tem filho emancipado. Criei um por um, está preciso segurá-lo, que ele não está bêbado... O céu baixou,
bom? Ela não contribuiu com nada, doutor. Só deu de ma- se abriu... Esse temporal assim é bom, porque Rosinha não
mar no primeiro mês. sai. Tenham paciência... Largar Rosinha ali, ele não larga
__Você desempregado, quem é que fazia roça? não... Não! E esses tambores? Ui! Que venham... É guerra...
__ Isso naquele tempo. O hominho aqui se espalhava. ele vai se espalhar... Por que não está malhando em sua ca-
Fui jogado na estrada, doutor. Desde onze anos estou no beça?... (...) Ele vai tirar Rosinha da cama... Ele está dormindo,
mundo sem ninguém por mim. O céu lá em cima, noite e Rosinha... Fugir com ela, para o fundo do País... Abraçá-la no
dia o hominho aqui na carroça. Sempre o mais sacrificado, alto de uma colina...
está bom? (Aníbal Machado)
__ Se ficar doente, Severino, quem é que o atende?
__ O doutor já viu urubu comer defunto? Ninguém Sequência Narrativa:
morre só. Sempre tem um cristão que enterra o pobre.
__ Na sua idade, sem os cuidados de uma mulher... Uma narrativa não tem uma única mudança, mas várias:
__ Eu arranjo. uma coordena-se a outra, uma implica a outra, uma subor-
__ Só a troco de dinheiro elas querem você. Agora tem dina-se a outra.
dois cavalos. A carroça e os dois cavalos, o que há de me- A narrativa típica tem quatro mudanças de situação:
lhor. Vai me deixar sem nada? - uma em que uma personagem passa a ter um querer
__ Você tinha amula e a potranca. A mula vendeu e a ou um dever (um desejo ou uma necessidade de fazer algo);
potranca, deixou morrer. Tenho culpa? Só quero paz, um - uma em que ela adquire um saber ou um poder (uma
prato de comida e roupa lavada. competência para fazer algo);
__ Para onde foi a lavadeira? - uma em que a personagem executa aquilo que queria
__ Quem? ou devia fazer (é a mudança principal da narrativa);
__ A mulata. - uma em que se constata que uma transformação se
(...) deu e em que se podem atribuir prêmios ou castigos às
(Dalton Trevisan – A guerra Conjugal) personagens (geralmente os prêmios são para os bons, e os
castigos, para os maus).
Discurso Indireto: o narrador conta o que o persona-
gem diz, sem lhe passar diretamente a palavra. Exemplo: Toda narrativa tem essas quatro mudanças, pois elas se
pressupõem logicamente. Com efeito, quando se constata
Frio a realização de uma mudança é porque ela se verificou, e
O menino tinha só dez anos. ela efetua-se porque quem a realiza pode, sabe, quer ou
Quase meia hora andando. No começo pensou num deve fazê-la. Tomemos, por exemplo, o ato de comprar um
bonde. Mas lembrou-se do embrulhinho branco e bem fei- apartamento: quando se assina a escritura, realiza-se o ato
to que trazia, afastou a idéia como se estivesse fazendo de compra; para isso, é necessário poder (ter dinheiro) e
uma coisa errada. (Nos bondes, àquela hora da noite, po- querer ou dever comprar (respectivamente, querer deixar
deriam roubá-lo, sem que percebesse; e depois?... Que é de pagar aluguel ou ter necessidade de mudar, por ter sido
que diria a Paraná?) despejado, por exemplo).

10
LÍNGUA PORTUGUESA

Algumas mudanças são necessárias para que outras se Caracterização Formal:


deem. Assim, para apanhar uma fruta, é necessário apanhar
um bambu ou outro instrumento para derrubá-la. Para ter Em geral, a narrativa se desenvolve na prosa. O aspec-
um carro, é preciso antes conseguir o dinheiro. to narrativo apresenta, até certo ponto, alguma subjetivi-
dade, porquanto a criação e o colorido do contexto estão
Narrativa e Narração em função da individualidade e do estilo do narrador. De-
pendendo do enfoque do redator, a narração terá diver-
Existe alguma diferença entre as duas? Sim. A narra- sas abordagens. Assim é de grande importância saber se
tividade é um componente narrativo que pode existir em o relato é feito em primeira pessoa ou terceira pessoa. No
textos que não são narrações. A narrativa é a transforma- primeiro caso, há a participação do narrador; segundo, há
ção de situações. Por exemplo, quando se diz “Depois da uma inferência do último através da onipresença e onis-
abolição, incentivou-se a imigração de europeus”, temos ciência.
um texto dissertativo, que, no entanto, apresenta um com- Quanto à temporalidade, não há rigor na ordenação
ponente narrativo, pois contém uma mudança de situação: dos acontecimentos: esses podem oscilar no tempo, trans-
do não incentivo ao incentivo da imigração européia. gredindo o aspecto linear e constituindo o que se deno-
Se a narrativa está presente em quase todos os tipos mina “flashback”. O narrador que usa essa técnica (carac-
de texto, o que é narração? terística comum no cinema moderno) demonstra maior
A narração é um tipo de narrativa. Tem ela três carac- criatividade e originalidade, podendo observar as ações
terísticas: ziguezagueando no tempo e no espaço.
- é um conjunto de transformações de situação (o tex-
to de Manuel Bandeira – “Porquinho-da-índia”, como vi- Exemplo - Personagens
mos, preenche essa condição);
- é um texto figurativo, isto é, opera com personagens “Aboletado na varanda, lendo Graciliano Ramos, O Dr.
e fatos concretos (o texto “Porquinho-da-índia” preenche Amâncio não viu a mulher chegar.
também esse requisito); - Não quer que se carpa o quintal, moço?
- as mudanças relatadas estão organizadas de maneira Estava um caco: mal vestida, cheirando a fumaça, a face
tal que, entre elas, existe sempre uma relação de anterio- escalavrada. Mas os olhos... (sempre guardam alguma coisa
ridade e posterioridade (no texto “Porquinho-da-índia” o do passado, os olhos).”
fato de ganhar o animal é anterior ao de ele estar debaixo
do fogão, que por sua vez é anterior ao de o menino levá (Kiefer, Charles. A dentadura postiça. Porto Alegre:
-lo para a sala, que por seu turno é anterior ao de o porqui- Mercado Aberto, p. 5O)
nho-da-índia voltar ao fogão).
Exemplo - Espaço
Essa relação de anterioridade e posterioridade é sem- Considerarei longamente meu pequeno deserto, a re-
pre pertinente num texto narrativo, mesmo que a sequên- dondeza escura e uniforme dos seixos. Seria o leito seco
cia linear da temporalidade apareça alterada. Assim, por de algum rio. Não havia, em todo o caso, como negar-lhe
exemplo, no romance machadiano Memórias póstumas de a insipidez.”
Brás Cubas, quando o narrador começa contando sua mor- (Linda, Ieda. As amazonas segundo tio Hermann.
te para em seguida relatar sua vida, a sequência temporal Porto Alegre: Movimento, 1981, p. 51)
foi modificada. No entanto, o leitor reconstitui, ao longo
da leitura, as relações de anterioridade e de posterioridade. Exemplo - Tempo
Resumindo: na narração, as três características expli-
cadas acima (transformação de situações, figuratividade e “Sete da manhã. Honorato Madeira acorda e lembra-
relações de anterioridade e posterioridade entre os episó- se: a mulher lhe pediu que a chamasse cedo.”
dios relatados) devem estar presentes conjuntamente. Um (Veríssimo, Érico. Caminhos Cruzados. p.4)
texto que tenha só uma ou duas dessas características não
é uma narração. Tipologia da Narrativa Ficcional:
Esquema que pode facilitar a elaboração de seu texto
narrativo: - Romance
- Introdução: citar o fato, o tempo e o lugar, ou seja, o - Conto
que aconteceu, quando e onde. - Crônica
- Desenvolvimento: causa do fato e apresentação dos - Fábula
personagens. - Lenda
- Desenvolvimento: detalhes do fato. - Parábola
- Conclusão: consequências do fato. - Anedota
- Poema Épico

11
LÍNGUA PORTUGUESA

Tipologia da Narrativa Não-Ficcional: - que todas as frases expõem ocorrências simultâneas


(ao mesmo tempo que gastava duas horas para reter aqui-
- Memorialismo lo que os outros levavam trinta ou cinquenta minutos, Rai-
- Notícias mundo tinha grande medo ao pai);
- Relatos - por isso, não existe uma ocorrência que possa ser
- História da Civilização considerada cronologicamente anterior a outra do ponto
de vista do relato (no nível dos acontecimentos, entrar na
Apresentação da Narrativa: escola é cronologicamente anterior a retirar-se dela; no ní-
vel do relato, porém, a ordem dessas duas ocorrências é
- visual: texto escrito; legendas + desenhos (história em indiferente: o que o escritor quer é explicitar uma caracte-
quadrinhos) e desenhos. rística do menino, e não traçar a cronologia de suas ações);
- auditiva: narrativas radiofonizadas; fitas gravadas e - ainda que se fale de ações (como entrava, retirava-
discos. se), todas elas estão no pretérito imperfeito, que indica
- audiovisual: cinema; teatro e narrativas televisiona- concomitância em relação a um marco temporal instalado
das. no texto (no caso, o ano de 1840, em que o escritor fre-
quentava a escola da rua da Costa) e, portanto, não denota
Descrição nenhuma transformação de estado;
- se invertêssemos a sequência dos enunciados, não
É a representação com palavras de um objeto, lugar, correríamos o risco de alterar nenhuma relação cronológi-
situação ou coisa, onde procuramos mostrar os traços mais ca - poderíamos mesmo colocar o últímo período em pri-
particulares ou individuais do que se descreve. É qualquer meiro lugar e ler o texto do fim para o começo: O mestre
elemento que seja apreendido pelos sentidos e transfor- era mais severo com ele do que conosco. Entrava na escola
mado, com palavras, em imagens. Sempre que se expõe depois do pai e retirava-se antes...
com detalhes um objeto, uma pessoa ou uma paisagem a
alguém, está fazendo uso da descrição. Não é necessário Evidentemente, quando se diz que a ordem dos enun-
que seja perfeita, uma vez que o ponto de vista do obser- ciados pode ser invertida, está-se pensando apenas na
vador varia de acordo com seu grau de percepção. Dessa ordem cronológica, pois, como veremos adiante, a ordem
forma, o que será importante ser analisado para um, não em que os elementos são descritos produz determinados
será para outro. A vivência de quem descreve também in- efeitos de sentido.
fluencia na hora de transmitir a impressão alcançada sobre Quando alteramos a ordem dos enunciados, preci-
determinado objeto, pessoa, animal, cena, ambiente, emo- samos fazer certas modificações no texto, pois este con-
ção vivida ou sentimento. tém anafóricos (palavras que retomam o que foi dito an-
tes, como ele, os, aquele, etc. ou catafóricos (palavras que
Exemplos: anunciam o que vai ser dito, como este, etc.), que podem
perder sua função e assim não ser compreendidos. Se to-
(I) “De longe via a aleia onde a tarde era clara e redon- marmos uma descrição como As flores manifestavam
da. Mas a penumbra dos ramos cobria o atalho. todo o seu esplendor. O Sol fazia-as brilhar, ao inver-
Ao seu redor havia ruídos serenos, cheiro de árvores, termos a ordem das frases, precisamos fazer algumas al-
pequenas surpresas entre os cipós. Todo o jardim triturado terações, para que o texto possa ser compreendido: O Sol
pelos instantes já mais apressados da tarde. De onde vinha fazia as flores brilhar. Elas manifestavam todo o seu
o meio sonho pelo qual estava rodeada? Como por um zu- esplendor. Como, na versão original, o pronome oblíquo
nido de abelhas e aves. Tudo era estranho, suave demais, as é um anafórico que retoma flores, se alterarmos a or-
grande demais.” dem das frases ele perderá o sentido. Por isso, precisamos
(extraído de “Amor”, Laços de Família, Clarice Lis- mudar a palavra flores para a primeira frase e retomá-la
pector) com o anafórico elas na segunda.
Por todas essas características, diz-se que o fragmento
(II) Chamava-se Raimundo este pequeno, e era mole, do conto de Machado é descritivo. Descrição é o tipo de
aplicado, inteligência tarda. Raimundo gastava duas horas texto em que se expõem características de seres concretos
em reter aquilo que a outros levava apenas trinta ou cin- (pessoas, objetos, situações, etc.) consideradas fora da re-
quenta minutos; vencia com o tempo o que não podia fa- lação de anterioridade e de posterioridade.
zer logo com o cérebro. Reunia a isso grande medo ao pai.
Era uma criança fina, pálida, cara doente; raramente estava Características:
alegre. Entrava na escola depois do pai e retirava-se antes.
O mestre era mais severo com ele do que conosco. - Ao fazer a descrição enumeramos características,
(Machado de Assis. “Conto de escola”. Contos. 3ed. comparações e inúmeros elementos sensoriais;
São Paulo, Ática, 1974, págs. 31-32.) - As personagens podem ser caracterizadas física e psi-
cologicamente, ou pelas ações;
Esse texto traça o perfil de Raimundo, o filho do pro- - A descrição pode ser considerada um dos elementos
fessor da escola que o escritor frequentava. Deve-se notar: constitutivos da dissertação e da argumentação;

12
LÍNGUA PORTUGUESA

- É impossível separar narração de descrição; outra lhe faziam colar por trás da nuca - e aquele preto
- O que se espera não é tanto a riqueza de detalhes, lustroso dava, pelo contraste, mais brilho à calva; mas não
mas sim a capacidade de observação que deve revelar tingia o bigode; tinha-o grisalho, farto, caído aos cantos
aquele que a realiza. da boca. Era muito pálido; nunca tirava as lunetas escuras.
- Utilizam, preferencialmente, verbos de ligação. Exem- Tinha uma covinha no queixo, e as orelhas grandes muito
plo: “(...) Ângela tinha cerca de vinte anos; parecia mais ve- despegadas do crânio.”
lha pelo desenvolvimento das proporções. Grande, carnu- (Eça de Queiroz - O Primo Basílio)
da, sanguínea e fogosa, era um desses exemplares exces-
sivos do sexo que parecem conformados expressamente - Emprego de figuras (metáforas, metonímias, compa-
para esposas da multidão (...)” (Raul Pompéia – O Ateneu) rações, sinestesias). Exemplo:
- Como na descrição o que se reproduz é simultâneo,
não existe relação de anterioridade e posterioridade entre “Era o Sr. Lemos um velho de pequena estatura, não
seus enunciados. muito gordo, mas rolho e bojudo como um vaso chinês.
- Devem-se evitar os verbos e, se isso não for possível, Apesar de seu corpo rechonchudo, tinha certa vivacidade
que se usem então as formas nominais, o presente e o pre- buliçosa e saltitante que lhe dava petulância de rapaz e ca-
tério imperfeito do indicativo, dando-se sempre preferên- sava perfeitamente com os olhinhos de azougue.”
cia aos verbos que indiquem estado ou fenômeno. (José de Alencar - Senhora)
- Todavia deve predominar o emprego das compara- - Uso de advérbios de localização espacial. Exemplo:
ções, dos adjetivos e dos advérbios, que conferem colorido
ao texto. “Até os onze anos, eu morei numa casa, uma casa ve-
lha, e essa casa era assim: na frente, uma grade de ferro;
A característica fundamental de um texto descritivo é depois você entrava tinha um jardinzinho; no final tinha
essa inexistência de progressão temporal. Pode-se apre- uma escadinha que devia ter uns cinco degraus; aí você
sentar, numa descrição, até mesmo ação ou movimento, entrava na sala da frente; dali tinha um corredor comprido
desde que eles sejam sempre simultâneos, não indicando de onde saíam três portas; no final do corredor tinha a co-
progressão de uma situação anterior para outra posterior. zinha, depois tinha uma escadinha que ia dar no quintal e
Tanto é que uma das marcas linguísticas da descrição é o atrás ainda tinha um galpão, que era o lugar da bagunça...”
predomínio de verbos no presente ou no pretérito imper- (Entrevista gravada para o Projeto NURC/RJ)
feito do indicativo: o primeiro expressa concomitância em
relação ao momento da fala; o segundo, em relação a um Recursos:
marco temporal pretérito instalado no texto.
Para transformar uma descrição numa narração, basta- - Usar impressões cromáticas (cores) e sensações tér-
ria introduzir um enunciado que indicasse a passagem de micas. Ex: O dia transcorria amarelo, frio, ausente do calor
um estado anterior para um posterior. No caso do texto II alegre do sol.
inicial, para transformá-lo em narração, bastaria dizer: Re- - Usar o vigor e relevo de palavras fortes, próprias, exa-
unia a isso grande medo do pai. Mais tarde, Iibertou-se tas, concretas. Ex: As criaturas humanas transpareciam um
desse medo... céu sereno, uma pureza de cristal.
- As sensações de movimento e cor embelezam o po-
Características Linguísticas: der da natureza e a figura do homem. Ex: Era um verde
O enunciado narrativo, por ter a representação de um transparente que deslumbrava e enlouquecia qualquer um.
acontecimento, fazer-transformador, é marcado pela tem- - A frase curta e penetrante dá um sentido de rapidez
poralidade, na relação situação inicial e situação final, en- do texto. Ex: Vida simples. Roupa simples. Tudo simples. O
quanto que o enunciado descritivo, não tendo transforma- pessoal, muito crente.
ção, é atemporal.
Na dimensão linguística, destacam-se marcas sintá- A descrição pode ser apresentada sob duas formas:
tico-semânticas encontradas no texto que vão facilitar a
compreensão: Descrição Objetiva: quando o objeto, o ser, a cena, a
- Predominância de verbos de estado, situação ou in- passagem são apresentadas como realmente são, concre-
dicadores de propriedades, atitudes, qualidades, usados tamente. Exemplo:
principalmente no presente e no imperfeito do indicativo
(ser, estar, haver, situar-se, existir, ficar). “Sua altura é 1,85m. Seu peso, 70kg. Aparência atlética,
- Ênfase na adjetivação para melhor caracterizar o que ombros largos, pele bronzeada. Moreno, olhos negros, cabe-
é descrito; los negros e lisos”.

Exemplo: Não se dá qualquer tipo de opinião ou julgamento.


“Era alto, magro, vestido todo de preto, com o pescoço Exemplo:
entalado num colarinho direito. O rosto aguçado no quei-
xo ia-se alargando até à calva, vasta e polida, um pouco
amolgado no alto; tingia os cabelos que de uma orelha à

13
LÍNGUA PORTUGUESA

“A casa velha era enorme, toda em largura, com por- O objetivo de um texto descritivo é levar o leitor a vi-
ta central que se alcançava por três degraus de pedra e sualizar uma cena. É como traçar com palavras o retrato de
quatro janelas de guilhotina para cada lado. Era feita de um objeto, lugar, pessoa etc., apontando suas característi-
pau-a-pique barreado, dentro de uma estrutura de cantos cas exteriores, facilmente identificáveis (descrição objetiva),
e apoios de madeira-de-lei. Telhado de quatro águas. Pin- ou suas características psicológicas e até emocionais (des-
tada de roxo-claro. Devia ser mais velha que Juiz de Fora, crição subjetiva).
provavelmente sede de alguma fazenda que tivesse ficado, Uma descrição deve privilegiar o uso frequente de ad-
capricho da sorte, na linha de passagem da variante do Ca- jetivos, também denominado adjetivação. Para facilitar o
minho Novo que veio a ser a Rua Principal, depois a Rua aprendizado desta técnica, sugere-se que o concursando,
Direita – sobre a qual ela se punha um pouco de esguelha após escrever seu texto, sublinhe todos os substantivos,
e fugindo ligeiramente do alinhamento (...).” acrescentando antes ou depois deste um adjetivo ou uma
(Pedro Nava – Baú de Ossos) locução adjetiva.

Descrição Subjetiva: quando há maior participação Descrição de objetos constituídos de uma só parte:
da emoção, ou seja, quando o objeto, o ser, a cena, a pai-
sagem são transfigurados pela emoção de quem escreve, - Introdução: observações de caráter geral referentes à
podendo opinar ou expressar seus sentimentos. Exemplo: procedência ou localização do objeto descrito.
“Nas ocasiões de aparato é que se podia tomar pulso - Desenvolvimento: detalhes (lª parte) - formato (com-
ao homem. Não só as condecorações gritavam-lhe no peito paração com figuras geométricas e com objetos semelhan-
como uma couraça de grilos. Ateneu! Ateneu! Aristarco todo tes); dimensões (largura, comprimento, altura, diâmetro
era um anúncio; os gestos, calmos, soberanos, calmos, eram etc.)
de um rei...” - Desenvolvimento: detalhes (2ª parte) - material, peso,
(“O Ateneu”, Raul Pompéia) cor/brilho, textura.
“(...) Quando conheceu Joca Ramiro, então achou outra - Conclusão: observações de caráter geral referentes a
esperança maior: para ele, Joca Ramiro era único homem, sua utilidade ou qualquer outro comentário que envolva o
par-de-frança, capaz de tomar conta deste sertão nosso, objeto como um todo.
mandando por lei, de sobregoverno.”
Descrição de objetos constituídos por várias partes:
(Guimarães Rosa – Grande Sertão: Veredas)
- Introdução: observações de caráter geral referentes à
procedência ou localização do objeto descrito.
Os efeitos de sentido criados pela disposição dos ele-
- Desenvolvimento: enumeração e rápidos comentá-
mentos descritivos:
rios das partes que compõem o objeto, associados à expli-
cação de como as partes se agrupam para formar o todo.
Como se disse anteriormente, do ponto de vista da
- Desenvolvimento: detalhes do objeto visto como um
progressão temporal, a ordem dos enunciados na descri-
ção é indiferente, uma vez que eles indicam propriedades todo (externamente) - formato, dimensões, material, peso,
ou características que ocorrem simultaneamente. No en- textura, cor e brilho.
tanto, ela não é indiferente do ponto de vista dos efeitos - Conclusão: observações de caráter geral referentes a
de sentido: descrever de cima para baixo ou vice-versa, do sua utilidade ou qualquer outro comentário que envolva o
detalhe para o todo ou do todo para o detalhe cria efeitos objeto em sua totalidade.
de sentido distintos.
Observe os dois quartetos do soneto “Retrato Próprio”, Descrição de ambientes:
de Bocage: - Introdução: comentário de caráter geral.
- Desenvolvimento: detalhes referentes à estrutura glo-
Magro, de olhos azuis, carão moreno, bal do ambiente: paredes, janelas, portas, chão, teto, lumi-
bem servido de pés, meão de altura, nosidade e aroma (se houver).
triste de facha, o mesmo de figura, - Desenvolvimento: detalhes específicos em relação a
nariz alto no meio, e não pequeno. objetos lá existentes: móveis, eletrodomésticos, quadros,
esculturas ou quaisquer outros objetos.
Incapaz de assistir num só terreno, - Conclusão: observações sobre a atmosfera que paira
mais propenso ao furor do que à ternura; no ambiente.
bebendo em níveas mãos por taça escura
de zelos infernais letal veneno. Descrição de paisagens:
- Introdução: comentário sobre sua localização ou
Obras de Bocage. Porto, Lello & Irmão, 1968, pág. qualquer outra referência de caráter geral.
497. - Desenvolvimento: observação do plano de fundo (ex-
plicação do que se vê ao longe).
O poeta descreve-se das características físicas para as - Desenvolvimento: observação dos elementos mais
características morais. Se fizesse o inverso, o sentido não próximos do observador - explicação detalhada dos ele-
seria o mesmo, pois as características físicas perderiam mentos que compõem a paisagem, de acordo com deter-
qualquer relevo. minada ordem.

14
LÍNGUA PORTUGUESA

- Conclusão: comentários de caráter geral, concluin- Textos descritivos literários: Na descrição literária
do acerca da impressão que a paisagem causa em quem predomina o aspecto subjetivo, com ênfase no conjunto
a contempla. de associações conotativas que podem ser exploradas a
partir de descrições de pessoas; cenários, paisagens, espa-
Descrição de pessoas (I): ço; ambientes; situações e coisas. Vale lembrar que textos
- Introdução: primeira impressão ou abordagem de descritivos também podem ocorrer tanto em prosa como
qualquer aspecto de caráter geral. em verso.
- Desenvolvimento: características físicas (altura, peso,
cor da pele, idade, cabelos, olhos, nariz, boca, voz, roupas). Dissertação
- Desenvolvimento: características psicológicas (perso-
nalidade, temperamento, caráter, preferências, inclinações, A dissertação é uma exposição, discussão ou interpre-
postura, objetivos). tação de uma determinada ideia. É, sobretudo, analisar al-
- Conclusão: retomada de qualquer outro aspecto de gum tema. Pressupõe um exame crítico do assunto, lógica,
caráter geral. raciocínio, clareza, coerência, objetividade na exposição,
um planejamento de trabalho e uma habilidade de expres-
Descrição de pessoas (II): são. É em função da capacidade crítica que se questionam
- Introdução: primeira impressão ou abordagem de pontos da realidade social, histórica e psicológica do mun-
qualquer aspecto de caráter geral. do e dos semelhantes. Vemos também, que a dissertação
- Desenvolvimento: análise das características físicas, no seu significado diz respeito a um tipo de texto em que
associadas às características psicológicas (1ª parte). a exposição de uma ideia, através de argumentos, é feita
- Desenvolvimento: análise das características físicas, com a finalidade de desenvolver um conteúdo científico,
associadas às características psicológicas (2ª parte). doutrinário ou artístico. Exemplo:
- Conclusão: retomada de qualquer outro aspecto de
caráter geral. Há três métodos pelos quais pode um homem chegar
a ser primeiro-ministro. O primeiro é saber, com prudência,
A descrição, ao contrário da narrativa, não supõe ação. como servir-se de uma pessoa, de uma filha ou de uma
É uma estrutura pictórica, em que os aspectos sensoriais
irmã; o segundo, como trair ou solapar os predecessores; e
predominam. Porque toda técnica descritiva implica con-
o terceiro, como clamar, com zelo furioso, contra a corrup-
templação e apreensão de algo objetivo ou subjetivo, o
ção da corte. Mas um príncipe discreto prefere nomear os
redator, ao descrever, precisa possuir certo grau de sensi-
que se valem do último desses métodos, pois os tais faná-
bilidade. Assim como o pintor capta o mundo exterior ou
ticos sempre se revelam os mais obsequiosos e subservien-
interior em suas telas, o autor de uma descrição focaliza
tes à vontade e às paixões do amo. Tendo à sua disposição
cenas ou imagens, conforme o permita sua sensibilidade.
todos os cargos, conservam-se no poder esses ministros
Conforme o objetivo a alcançar, a descrição pode ser
não-literária ou literária. Na descrição não-literária, há subordinando a maioria do senado, ou grande conselho,
maior preocupação com a exatidão dos detalhes e a pre- e, afinal, por via de um expediente chamado anistia (cuja
cisão vocabular. Por ser objetiva, há predominância da de- natureza lhe expliquei), garantem-se contra futuras pres-
notação. tações de contas e retiram-se da vida pública carregados
com os despojos da nação.
Textos descritivos não-literários: A descrição técnica Jonathan Swift. Viagens de Gulliver.
é um tipo de descrição objetiva: ela recria o objeto usan- São Paulo, Abril Cultural, 1979, p. 234-235.
do uma linguagem científica, precisa. Esse tipo de texto é Esse texto explica os três métodos pelos quais um ho-
usado para descrever aparelhos, o seu funcionamento, as mem chega a ser primeiro-ministro, aconselha o príncipe
peças que os compõem, para descrever experiências, pro- discreto a escolhê-lo entre os que clamam contra a cor-
cessos, etc. Exemplo: rupção na corte e justifica esse conselho. Observe-se que:
- o texto é temático, pois analisa e interpreta a realida-
Folheto de propaganda de carro de com conceitos abstratos e genéricos (não se fala de um
homem particular e do que faz para chegar a ser primeiro-
Conforto interno - É impossível falar de conforto sem ministro, mas do homem em geral e de todos os métodos
incluir o espaço interno. Os seus interiores são amplos, para atingir o poder);
acomodando tranquilamente passageiros e bagagens. O - existe mudança de situação no texto (por exemplo, a
Passat e o Passat Variant possuem direção hidráulica e ar mudança de atitude dos que clamam contra a corrupção da
condicionado de elevada capacidade, proporcionando a corte no momento em que se tornam primeiros-ministros);
climatização perfeita do ambiente. - a progressão temporal dos enunciados não tem im-
Porta-malas - O compartimento de bagagens possui portância, pois o que importa é a relação de implicação
capacidade de 465 litros, que pode ser ampliada para até (clamar contra a corrupção da corte implica ser corrupto
1500 litros, com o encosto do banco traseiro rebaixado. depois da nomeação para primeiro-ministro).
Tanque - O tanque de combustível é confeccionado em
plástico reciclável e posicionado entre as rodas traseiras,
para evitar a deformação em caso de colisão.

15
LÍNGUA PORTUGUESA

Características: - Definição: desenvolve-se pela explicação dos termos


que compõem o texto.
- ao contrário do texto narrativo e do descritivo, ele é - Interrogação: questionamento. Ex: “Volta e meia se
temático; faz a pergunta de praxe: afinal de contas, todo esse entu-
- como o texto narrativo, ele mostra mudanças de si- siasmo pelo futebol não é uma prova de alienação?”
tuação; - Suspense: alguma informação que faça aumentar a
- ao contrário do texto narrativo, nele as relações de curiosidade do leitor.
anterioridade e de posterioridade dos enunciados não têm - Comparação: social e geográfica.
maior importância - o que importa são suas relações ló- - Enumeração: enumerar as informações. Ex: “Ação à
gicas: analogia, pertinência, causalidade, coexistência, cor- distância, velocidade, comunicação, linha de montagem,
respondência, implicação, etc. triunfo das massas, Holocausto: através das metáforas e
- a estética e a gramática são comuns a todos os tipos das realidades que marcaram esses 100 últimos anos, apa-
de redação. Já a estrutura, o conteúdo e a estilística pos- rece a verdadeira doença do século...”
suem características próprias a cada tipo de texto. - Narração: narrar um fato.
 
São partes da dissertação: Introdução / Desenvolvi- Desenvolvimento: é a argumentação da ideia inicial,
mento / Conclusão. de forma organizada e progressiva. É a parte maior e mais
importante do texto. Podem ser desenvolvidos de várias
Introdução: em que se apresenta o assunto; se apre- formas:
senta a ideia principal, sem, no entanto, antecipar seu de-
senvolvimento. Tipos: - Trajetória Histórica: cultura geral é o que se prova
com este tipo de abordagem.
- Divisão: quando há dois ou mais termos a serem dis- - Definição: não basta citar, mas é preciso desdobrar
cutidos. Ex: “Cada criatura humana traz duas almas consi- a idéia principal ao máximo, esclarecendo o conceito ou a
go: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de definição.
fora para dentro...” - Comparação: estabelecer analogias, confrontar si-
- Alusão Histórica: um fato passado que se relaciona tuações distintas.
- Bilateralidade: quando o tema proposto apresenta
a um fato presente. Ex: “A crise econômica que teve início
pontos favoráveis e desfavoráveis.
no começo dos anos 80, com os conhecidos altos índices
- Ilustração Narrativa ou Descritiva: narrar um fato
de inflação que a década colecionou, agravou vários dos
ou descrever uma cena.
históricos problemas sociais do país. Entre eles, a violência,
- Cifras e Dados Estatísticos: citar cifras e dados es-
principalmente a urbana, cuja escalada tem sido facilmente
tatísticos.
identificada pela população brasileira.”
- Hipótese: antecipa uma previsão, apontando para
- Proposição: o autor explicita seus objetivos.
prováveis resultados.
- Convite: proposta ao leitor para que participe de al- - Interrogação: Toda sucessão de interrogações deve
guma coisa apresentada no texto. Ex: Você quer estar “na apresentar questionamento e reflexão.
sua”? Quer se sentir seguro, ter o sucesso pretendido? Não - Refutação: questiona-se praticamente tudo: concei-
entre pelo cano! Faça parte desse time de vencedores des- tos, valores, juízos.
de a escolha desse momento! - Causa e Consequência: estruturar o texto através
- Contestação: contestar uma idéia ou uma situação. dos porquês de uma determinada situação.
Ex: “É importante que o cidadão saiba que portar arma de - Oposição: abordar um assunto de forma dialética.
fogo não é a solução no combate à insegurança.” - Exemplificação: dar exemplos.
- Características: caracterização de espaços ou aspec-
tos. Conclusão: é uma avaliação final do assunto, um fe-
- Estatísticas: apresentação de dados estatísticos. Ex: chamento integrado de tudo que se argumentou. Para ela
“Em 1982, eram 15,8 milhões os domicílios brasileiros com convergem todas as ideias anteriormente desenvolvidas.
televisores. Hoje, são 34 milhões (o sexto maior parque
de aparelhos receptores instalados do mundo). Ao todo, - Conclusão Fechada: recupera a ideia da tese.
existem no país 257 emissoras (aquelas capazes de gerar - Conclusão Aberta: levanta uma hipótese, projeta um
programas) e 2.624 repetidoras (que apenas retransmitem pensamento ou faz uma proposta, incentivando a reflexão
sinais recebidos). (...)” de quem lê.
- Declaração Inicial: emitir um conceito sobre um fato. Exemplo:
- Citação: opinião de alguém de destaque sobre o as-
sunto do texto. Ex: “A principal característica do déspota Direito de Trabalho
encontra-se no fato de ser ele o autor único e exclusivo das
normas e das regras que definem a vida familiar, isto é, o Com a queda do feudalismo no século XV, nasce um
espaço privado. Seu poder, escreve Aristóteles, é arbitrário, novo modelo econômico: o capitalismo, que até o século
pois decorre exclusivamente de sua vontade, de seu prazer XX agia por meio da inclusão de trabalhadores e hoje pas-
e de suas necessidades.” sou a agir por meio da exclusão. (A)

16
LÍNGUA PORTUGUESA

A tendência do mundo contemporâneo é tornar todo o Ainda temos:


trabalho automático, devido à evolução tecnológica e a ne-
cessidade de qualificação cada vez maior, o que provoca o Tema: compreende o assunto proposto para discus-
desemprego. Outro fator que também leva ao desemprego são, o assunto que vai ser abordado.
de um sem número de trabalhadores é a contenção de des- Título: palavra ou expressão que sintetiza o conteúdo
pesas, de gastos. (B) discutido.
Segundo a Constituição, “preocupada” com essa crise so- Argumentação: é um conjunto de procedimentos lin-
cial que provém dessa automatização e qualificação, obriga guísticos com os quais a pessoa que escreve sustenta suas
que seja feita uma lei, em que será dada absoluta garantia aos opiniões, de forma a torná-las aceitáveis pelo leitor. É for-
trabalhadores, de que, mesmo que as empresas sejam auto- necer argumentos, ou seja, razões a favor ou contra uma
matizadas, não perderão eles seu mercado de trabalho. (C) determinada tese.
Não é uma utopia?! Estes assuntos serão vistos com mais afinco posterior-
Um exemplo vivo são os bóias-frias que trabalham na co-
mente.
lheita da cana de açúcar que devido ao avanço tecnológico
e a lei do governador Geraldo Alkmin, defendendo o meio
Alguns pontos essenciais desse tipo de texto são:
ambiente, proibindo a queima da cana de açúcar para a co-
lheita e substituindo-os então pelas máquinas, desemprega
milhares deles. (D) - toda dissertação é uma demonstração, daí a necessi-
Em troca os sindicatos dos trabalhadores rurais dão cur- dade de pleno domínio do assunto e habilidade de argu-
sos de cabeleleiro, marcenaria, eletricista, para não perderem mentação;
o mercado de trabalho, aumentando, com isso, a classe de - em consequência disso, impõem-se à fidelidade ao
trabalhos informais. tema;
Como ficam então aqueles trabalhadores que passaram - a coerência é tida como regra de ouro da dissertação;
à vida estudando, se especializando, para se diferenciarem e - impõem-se sempre o raciocínio lógico;
ainda estão desempregados?, como vimos no último concur- - a linguagem deve ser objetiva, denotativa; qualquer
so da prefeitura do Rio de Janeiro para “gari”, havia até advo- ambiguidade pode ser um ponto vulnerável na demonstra-
gado na fila de inscrição. (E) ção do que se quer expor. Deve ser clara, precisa, natural,
Já que a Constituição dita seu valor ao social que todos original, nobre, correta gramaticalmente. O discurso deve
têm o direito de trabalho, cabe aos governantes desse país, ser impessoal (evitar-se o uso da primeira pessoa).
que almeja um futuro brilhante, deter, com urgência esse
processo de desníveis gritantes e criar soluções eficazes para O parágrafo é a unidade mínima do texto e deve apre-
combater a crise generalizada (F), pois a uma nação doente, sentar: uma frase contendo a ideia principal (frase nuclear)
miserável e desigual, não compete a tão sonhada moderni- e uma ou mais frases que explicitem tal ideia.
dade. (G) Exemplo: “A televisão mostra uma realidade idealizada
(ideia central) porque oculta os problemas sociais realmen-
1º Parágrafo – Introdução te graves. (ideia secundária)”.
Vejamos:
A. Tema: Desemprego no Brasil. Ideia central: A poluição atmosférica deve ser comba-
Contextualização: decorrência de um processo histórico tida urgentemente.
problemático.
Desenvolvimento: A poluição atmosférica deve ser
2º ao 6º Parágrafo – Desenvolvimento
combatida urgentemente, pois a alta concentração de ele-
mentos tóxicos põe em risco a vida de milhares de pessoas,
B. Argumento 1: Exploram-se dados da realidade que
remetem a uma análise do tema em questão. sobretudo daquelas que sofrem de problemas respirató-
C. Argumento 2: Considerações a respeito de outro rios:
dado da realidade.
D. Argumento 3: Coloca-se sob suspeita a sinceridade de - A propaganda intensiva de cigarros e bebidas tem
quem propõe soluções. levado muita gente ao vício.
E. Argumento 4: Uso do raciocínio lógico de oposição. - A televisão é um dos mais eficazes meios de comuni-
cação criados pelo homem.
7º Parágrafo: Conclusão - A violência tem aumentado assustadoramente nas ci-
F. Uma possível solução é apresentada. dades e hoje parece claro que esse problema não pode ser
G. O texto conclui que desigualdade não se casa com mo- resolvido apenas pela polícia.
dernidade. - O diálogo entre pais e filhos parece estar em crise
É bom lembrarmos que é praticamente impossível opinar atualmente.
sobre o que não se conhece. A leitura de bons textos é um - O problema dos sem-terra preocupa cada vez mais a
dos recursos que permite uma segurança maior no momento sociedade brasileira.
de dissertar sobre algum assunto. Debater e pesquisar são O parágrafo pode processar-se de diferentes maneiras:
atitudes que favorecem o senso crítico, essencial no desen-
volvimento de um texto dissertativo.

17
LÍNGUA PORTUGUESA

Enumeração: Caracteriza-se pela exposição de uma - O espírito competitivo foi excessivamente exercido
série de coisas, uma a uma. Presta-se bem à indicação de entre nós, de modo que hoje somos obrigados a viver
características, funções, processos, situações, sempre ofe- numa sociedade fria e inamistosa.
recendo o complemente necessário à afirmação estabele-
cida na frase nuclear. Pode-se enumerar, seguindo-se os Tempo e Espaço: Muitos parágrafos dissertativos mar-
critérios de importância, preferência, classificação ou alea- cam temporal e espacialmente a evolução de ideias, pro-
toriamente. cessos.
Exemplo: Exemplos:

1- O adolescente moderno está se tornando obeso por Tempo - A comunicação de massas é resultado de uma
várias causas: alimentação inadequada, falta de exercícios lenta evolução. Primeiro, o homem aprendeu a grunhir. De-
sistemáticos e demasiada permanência diante de compu- pois deu um significado a cada grunhido. Muito depois,
tadores e aparelhos de Televisão. inventou a escrita e só muitos séculos mais tarde é que
passou à comunicação de massa.
2- Devido à expansão das igrejas evangélicas, é gran- Espaço - O solo é influenciado pelo clima. Nos climas
de o número de emissoras que dedicam parte da sua pro- úmidos, os solos são profundos. Existe nessas regiões uma
gramação à veiculação de programas religiosos de crenças forte decomposição de rochas, isto é, uma forte transfor-
variadas. mação da rocha em terra pela umidade e calor. Nas regiões
temperadas e ainda nas mais frias, a camada do solo é pou-
3- co profunda. (Melhem Adas)
- A Santa Missa em seu lar.
- Terço Bizantino. Explicitação: Num parágrafo dissertativo pode-se
- Despertar da Fé. conceituar, exemplificar e aclarar as ideias para torná-las
- Palavra de Vida. mais compreensíveis.
- Igreja da Graça no Lar. Exemplo: “Artéria é um vaso que leva sangue prove-
niente do coração para irrigar os tecidos. Exceto no cordão
4-
umbilical e na ligação entre os pulmões e o coração, todas
- Inúmeras são as dificuldades com que se defronta o
as artérias contém sangue vermelho-vivo, recém oxigena-
governo brasileiro diante de tantos desmatamentos, dese-
do. Na artéria pulmonar, porém, corre sangue venoso, mais
quilíbrios sociológicos e poluição.
escuro e desoxigenado, que o coração remete para os pul-
- Existem várias razões que levam um homem a enve-
mões para receber oxigênio e liberar gás carbônico”.
redar pelos caminhos do crime.
- A gravidez na adolescência é um problema seríssimo,
Antes de se iniciar a elaboração de uma dissertação,
porque pode trazer muitas consequências indesejáveis.
- O lazer é uma necessidade do cidadão para a sua so- deve delimitar-se o tema que será desenvolvido e que po-
brevivência no mundo atual e vários são os tipos de lazer. derá ser enfocado sob diversos aspectos. Se, por exemplo,
- O Novo Código Nacional de trânsito divide as faltas o tema é a questão indígena, ela poderá ser desenvolvida a
em várias categorias. partir das seguintes ideias:

Comparação: A frase nuclear pode-se desenvolver - A violência contra os povos indígenas é uma constan-
através da comparação, que confronta ideias, fatos, fenô- te na história do Brasil.
menos e apresenta-lhes a semelhança ou dessemelhança. - O surgimento de várias entidades de defesa das po-
Exemplo: pulações indígenas.
- A visão idealizada que o europeu ainda tem do índio
“A juventude é uma infatigável aspiração de felicida- brasileiro.
de; a velhice, pelo contrário, é dominada por um vago e - A invasão da Amazônia e a perda da cultura indígena.
persistente sentimento de dor, porque já estamos nos con-
vencendo de que a felicidade é uma ilusão, que só o sofri- Depois de delimitar o tema que você vai desenvolver,
mento é real”. deve fazer a estruturação do texto.
(Arthur Schopenhauer)
A estrutura do texto dissertativo constitui-se de:
Causa e Consequência: A frase nuclear, muitas vezes,
encontra no seu desenvolvimento um segmento causal Introdução: deve conter a ideia principal a ser desen-
(fato motivador) e, em outras situações, um segmento in- volvida (geralmente um ou dois parágrafos). É a abertura
dicando consequências (fatos decorrentes). do texto, por isso é fundamental. Deve ser clara e chamar
Exemplos: a atenção para dois itens básicos: os objetivos do texto e o
plano do desenvolvimento. Contém a proposição do tema,
- O homem, dia a dia, perde a dimensão de humanida- seus limites, ângulo de análise e a hipótese ou a tese a ser
de que abriga em si, porque os seus olhos teimam apenas defendida.
em ver as coisas imediatistas e lucrativas que o rodeiam.

18
LÍNGUA PORTUGUESA

Desenvolvimento: exposição de elementos que vão Conclusão.


fundamentar a ideia principal que pode vir especificada
através da argumentação, de pormenores, da ilustração, da Observe o texto a seguir, que contém os elementos
causa e da consequência, das definições, dos dados esta- referidos do plano-padrão da argumentação formal.
tísticos, da ordenação cronológica, da interrogação e da
citação. No desenvolvimento são usados tantos parágrafos Gramática e desempenho Linguístico
quantos forem necessários para a completa exposição da
ideia. E esses parágrafos podem ser estruturados das cinco Pretende-se demonstrar no presente artigo que o es-
maneiras expostas acima. tudo intencional da gramática não traz benefícios signifi-
Conclusão: é a retomada da ideia principal, que ago- cativos para o desempenho linguístico dos utentes de uma
ra deve aparecer de forma muito mais convincente, uma língua.
vez que já foi fundamentada durante o desenvolvimento Por “estudo intencional da gramática” entende-se o
da dissertação (um parágrafo). Deve, pois, conter de forma estudo de definições, classificações e nomenclatura; a rea-
sintética, o objetivo proposto na instrução, a confirmação lização de análises (fonológica, morfológica, sintática); a
da hipótese ou da tese, acrescida da argumentação básica memorização de regras (de concordância, regência e colo-
empregada no desenvolvimento. cação) - para citar algumas áreas. O “desempenho linguís-
tico”, por outro lado, é expressão técnica definida como
Texto Argumentativo sendo o processo de atualização da competência na pro-
dução e interpretação de enunciados; dito de maneira mais
Texto Argumentativo é o texto em que defendemos simples, é o que se fala, é o que se escreve em condições
uma ideia, opinião ou ponto de vista, uma tese, procuran- reais de comunicação.
do (por todos os meios) fazer com que nosso ouvinte/leitor A polêmica pró-gramática x contra gramática é bem
aceite-a, creia nela. Num texto argumentativo, distinguem- antiga; na verdade, surgiu com os gregos, quando surgi-
se três componentes: a tese, os argumentos e as estraté- ram as primeiras gramáticas. Definida como “arte”, “arte
gias argumentativas. de escrever”, percebe-se que subjaz à definição a ideia da
sua importância para a prática da língua. São da mesma
Tese, ou proposição, é a ideia que defendemos, neces- época também as primeiras críticas, como se pode ler em
sariamente polêmica, pois a argumentação implica diver- Apolônio de Rodes, poeta Alexandrino do séc. II a.C.: “Raça
gência de opinião. de gramáticos, roedores que ratais na musa de outrem, es-
Argumento tem uma origem curiosa: vem do latim Ar- túpidas lagartas que sujais as grandes obras, ó flagelo dos
gumentum, que tem o tema ARGU, cujo sentido primeiro poetas que mergulhais o espírito das crianças na escuridão,
é “fazer brilhar”, “iluminar”, a mesma raiz de “argênteo”, ide para o diabo, percevejos que devorais os versos belos”.
“argúcia”, “arguto”. Os argumentos de um texto são facil- Na atualidade, é grande o número de educadores,
mente localizados: identificada a tese, faz-se a pergunta filólogos e linguistas de reconhecido saber que negam a
por quê? Exemplo: o autor é contra a pena de morte (tese). relação entre o estudo intencional da gramática e a me-
Por que... (argumentos). lhora do desempenho linguístico do usuário. Entre esses
Estratégias argumentativas são todos os recursos especialistas, deve-se mencionar o nome do Prof. Celso
(verbais e não-verbais) utilizados para envolver o leitor/ou- Pedro Luft com sus obra “Língua e liberdade: por uma nova
vinte, para impressioná-lo, para convencê-lo melhor, para concepção de língua materna e seu ensino” (L&PM, 1995).
persuadi-lo mais facilmente, para gerar credibilidade, etc. Com efeito, o velho pesquisar apaixonado pelos problemas
da língua, teórico de espírito lúcido e de larga formação
A Estrutura de um Texto Argumentativo linguística, reúne numa mesma obra convincente funda-
mentação para seu combate veemente contra o ensino
A argumentação Formal da gramática em sala de aula. Por oportuno, uma citação
apenas:
A nomenclatura é de Othon Garcia, em sua obra “Co- “Quem sabe, lendo este livro muitos professores talvez
municação em Prosa Moderna”. O autor, na mencionada abandonem a superstição da teoria gramatical, desistindo
obra, apresenta o seguinte plano-padrão para o que cha- de querer ensinar a língua por definições, classificações,
ma de argumentação formal: análises inconsistentes e precárias hauridas em gramáticas.
Proposição (tese): afirmativa suficientemente definida Já seria um grande benefício”.
e limitada; não deve conter em si mesma nenhum argu- Deixando-se de lado a perspectiva teórica do Mestre,
mento. acima referida suponha-se que se deva recuperar linguisti-
Análise da proposição ou tese: definição do sentido camente um jovem estudante universitário cujo texto apre-
da proposição ou de alguns de seus termos, a fim de evitar sente preocupantes problemas de concordância, regência,
mal-entendidos. colocação, ortografia, pontuação, adequação vocabular,
Formulação de argumentos: fatos, exemplos, dados coesão, coerência, informatividade, entre outros. E, esti-
estatísticos, testemunhos, etc. mando-lhe melhoras, lhe fosse dada uma gramática que
ele passaria a estudar: que é fonética? Que é fonologia?
Que é fonemas? Morfema? Qual é coletivo de borboleta?

19
LÍNGUA PORTUGUESA

O feminino de cupim? Como se chama quem nasce na Segundo Estágio: segundo parágrafo, em que se de-
Província de Entre-Douro-e-Minho? Que é oração subor- finem as expressões “estudo intencional da gramática” e
dinada adverbial concessiva reduzida de gerúndio? E de- “desempenho lingüístico”, citadas na tese.
corasse regras de ortografia, fizesse lista de homônimos, Terceiro Estágio: terceiro, quarto, quinto, sexto, sétimo
parônimos, de verbos irregulares... e estudasse o plural de e oitavo parágrafos, em que se apresentam os argumentos.
compostos, todas regras de concordância, regências... os - Terceiro parágrafo: parágrafo introdutório à argu-
casos de próclise, mesóclise e ênclise. E que, ao cabo de mentação.
todo esse processo, se voltasse a examinar o desempenho - Quarto parágrafo: argumento de autoridade.
do jovem estudante na produção de um texto. A melhora - Quinto parágrafo: argumento com base em ilustração
seria, indubitavelmente, pouco significativa; uma pequena hipotética.
melhora, talvez, na gramática da frase, mas o problema de - Sexto parágrafo: argumento com base em dados es-
coesão, de coerência, de informatividade - quem sabe os tatísticos.
mais graves - haveriam de continuar. Quanto mais não seja - Sétimo e oitavo parágrafo: argumento com base em
porque a gramática tradicional não dá conta dos mecanis- fatos.
mos que presidem à construção do texto. Quarto Estágio: último parágrafo, em que se apresen-
Poder-se-á objetar que a ilustração de há pouco é ape- ta a conclusão.
nas hipotética e que, por isso, um argumento de pouco
valor. Contra argumentar-se-ia dizendo que situação como A Argumentação Informal
essa ocorre de fato na prática. Na verdade, todo o ensino
de 1° e 2° graus é gramaticalista, descritivista, definitório, A nomenclatura também é de Othon Garcia, na obra já
classificatório, nomenclaturista, prescritivista, teórico. O re- referida. A argumentação informal apresenta os seguintes
sultado? Aí estão as estatísticas dos vestibulares. Valendo estágios:
40 pontos a prova de redação, os escores foram estes no - Citação da tese adversária.
vestibular 1996/1, na PUC-RS: nota zero: 10% dos candida- - Argumentos da tese adversária.
tos, nota 01: 30%; nota 02: 40%; nota 03: 15%; nota 04: 5%. - Introdução da tese a ser defendida.
Ou seja, apenas 20% dos candidatos escreveram um texto - Argumentos da tese a ser defendida.
que pode ser considerado bom. - Conclusão.
Finalmente pode-se invocar mais um argumento, lem-
brando que são os gramáticos, os linguistas - como es-
Observe o texto exemplar de Luís Alberto Thompson
pecialistas das línguas - as pessoas que conhecem mais a
Flores Lenz, Promotor de Justiça.
fundo a estrutura e o funcionamento dos códigos linguís-
Considerações sobre justiça e equidade
ticos. Que se esperaria, de fato, se houvesse significativa
influência do conhecimento teórico da língua sobre o de-
Hoje, floresce cada vez mais, no mundo jurídico a aca-
sempenho? A resposta é óbvia: os gramáticos e os linguis-
dêmico nacional, a ideia de que o julgador, ao apreciar os
tas seriam sempre os melhores escritores. Como na prática
isso realmente não acontece, fica provada uma vez mais a caos concretos que são apresentados perante os tribunais,
tese que se vem defendendo. deve nortear o seu proceder mais por critérios de justiça e
Vale também o raciocínio inverso: se a relação fosse equidade e menos por razões de estrita legalidade, no in-
significativa, deveriam os melhores escritores conhecer - tuito de alcançar, sempre, o escopo da real pacificação dos
teoricamente - a língua em profundidade. Isso, no entan- conflitos submetidos à sua apreciação.
to, não se confirma na realidade: Monteiro Lobato, quan- Semelhante entendimento tem sido sistematicamente
do estudante, foi reprovado em língua portuguesa (muito reiterado, na atualidade, ao ponto de inúmeros magistra-
provavelmente por desconhecer teoria gramatical); Macha- dos simplesmente desprezarem ou desconsiderarem de-
do de Assis, ao folhar uma gramática declarou que nada terminados preceitos de lei, fulminando ditos dilemas le-
havia entendido; dificilmente um Luis Fernando Veríssimo gais sob a pecha de injustiça ou inadequação à realidade
saberia o que é um morfema; nem é de se crer que todos nacional.
os nossos bons escritores seriam aprovados num teste de Abstraída qualquer pretensão de crítica ou censura
Português à maneira tradicional (e, no entanto eles são os pessoal aos insignes juízes que se filiam a esta corrente,
senhores da língua!). alguns dos quais reconhecidos como dos mais brilhantes
Portanto, não há como salvar o ensino da língua, como do país, não nos furtamos, todavia, de tecer breves consi-
recuperar linguisticamente os alunos, como promover um derações sobre os perigos da generalização desse enten-
melhor desempenho linguístico mediante o ensino-estudo dimento.
da teoria gramatical. O caminho é seguramente outro. Primeiro, porque o mesmo, além de violar os preceitos
dos arts. 126 e 127 do CPC, atenta de forma direta e frontal
Gilberto Scarton contra os princípios da legalidade e da separação de pode-
res, esteio no qual se assenta toda e qualquer ideia de de-
Eis o esquema do texto em seus quatro estágios: mocracia ou limitação de atribuições dos órgãos do Estado.
Isso é o que salientou, e com a costumeira maestria, o
Primeiro Estágio: primeiro parágrafo, em que se insuperável José Alberto dos Reis, o maior processualista
enuncia claramente a tese a ser defendida. português, ao afirmar que: “O magistrado não pode so-

20
LÍNGUA PORTUGUESA

brepor os seus próprios juízos de valor aos que estão en- Terceiro Estágio: terceiro parágrafo, em que se intro-
carnados na lei. Não o pode fazer quando o caso se acha duz a tese a ser defendida.
previsto legalmente, não o pode fazer mesmo quando o Quarto Estágio: do quarto ao décimo quinto, em que
caso é omisso”. se apresentam os argumentos.
Aceitar tal aberração seria o mesmo que ferir de morte Quinto Estágio: os últimos dois parágrafos, em que
qualquer espécie de legalidade ou garantia de soberania se conclui o texto mediante afirmação que salienta o que
popular proveniente dos parlamentos, até porque, na lúci- ficou dito ao longo da argumentação.
da visão desse mesmo processualista, o juiz estaria, nessa
situação, se arvorando, de forma absolutamente espúria, Texto Injuntivo/Instrucional
na condição de legislador.
A esta altura, adotando tal entendimento, estaria insti- No texto injuntivo-instrucional, o leitor recebe orien-
tucionalizada a insegurança social, sendo que não haveria tações precisas no sentido de efetuar uma transformação.
mais qualquer garantia, na medida em que tudo estaria ao É marcado pela presença de tempos e modos verbais que
sabor dos humores e amores do juiz de plantão. apresentam um valor diretivo. Este tipo de texto distingue-
De nada adiantariam as eleições, eis que os represen- se de uma sequencia narrativa pela ausência de um sujeito
tantes indicados pelo povo não poderiam se valer de sua responsável pelas ações a praticar e pelo caráter diretivo
maior atribuição, ou seja, a prerrogativa de editar as leis. dos tempos e modos verbais usado e uma sequência des-
Desapareceriam também os juízes de conveniência e critiva pela transformação desejada.
oportunidade política típicos dessas casas legislativas, na Nota: Uma frase injuntiva é uma frase que exprime
medida em que sempre poderiam ser afastados por uma uma ordem, dada ao locutor, para executar (ou não exe-
esfera revisora excepcional. cutar) tal ou tal ação. As formas verbais específicas destas
A própria independência do parlamento sucumbiria in- frases estão no modo injuntivo e o imperativo é uma das
tegralmente frente à possibilidade de inobservância e des- formas do injuntivo.
consideração de suas deliberações.
Ou seja, nada restaria, de cunho democrático, em nos- Textos Injuntivo-Instrucionais: Instruções de monta-
sa civilização. gem, receitas, horóscopos, provérbios, slogans... são textos
Já o Poder Judiciário, a quem legitimamente compete que incitam à ação, impõem regras; textos que fornecem
fiscalizar a constitucionalidade e legalidade dos atos dos
instruções. São orientados para um comportamento futuro
demais poderes do Estado, praticamente aniquilaria as
do destinatário.
atribuições destes, ditando a eles, a todo momento, como
proceder.
Texto Injuntivo - A necessidade de explicar e orien-
Nada mais é preciso dizer para demonstrar o desacerto
tar por escrito o modo de realizar determinados procedi-
dessa concepção.
mentos, manipular instrumentos, desenvolver atividades
Entretanto, a defesa desse entendimento demonstra,
lúdicas e desempenhar algumas funções profissionais, por
sem sombra de dúvidas, o desconhecimento do próprio
conceito de justiça, incorrendo inclusive numa contradictio exemplo, deu origem aos chamados textos injuntivos, nos
in adjecto. quais prevalece a função apelativa da linguagem, criando-
Isto porque, e como magistralmente o salientou o in- se uma relação direta com o receptor. É comum aos textos
superável Calamandrei, “a justiça que o juiz administra é, dessa natureza o uso dos verbos no imperativo (Abra o ca-
no sistema da legalidade, a justiça em sentido jurídico, isto derno de questões) ou no infinitivo (É preciso abrir o cader-
é, no sentido mais apertado, mas menos incerto, da confor- no de questões, verificar o número de alternativas...). Não
midade com o direito constituído, independentemente da apresenta caráter coercitivo, haja vista que apenas induz
correspondente com a justiça social”. o interlocutor a proceder desta ou daquela forma. Assim,
Para encerrar, basta salientar que a eleição dos meios torna-se possível substituir um determinado procedimento
concretos de efetivação da Justiça social compete, funda- em função de outro, como é o caso do que ocorre com
mentalmente, ao Legislativo e ao Executivo, eis que seus os ingredientes de uma receita culinária, por exemplo. São
membros são indicados diretamente pelo povo. exemplos dessa modalidade:
Ao Judiciário cabe administrar a justiça da legalidade, - A mensagem revelada pela maioria dos livros de au-
adequando o proceder daqueles aos ditames da Constitui- toajuda;
ção e da Legislação. - O discurso manifestado mediante um manual de ins-
Luís Alberto Thompson Flores Lenz truções;
- As instruções materializadas por meio de uma receita
Eis o esquema do texto em seus cinco estágios; culinária.

Primeiro Estágio: primeiro parágrafo, em que se cita Texto Instrucional - o texto instrucional é um tipo de
a tese adversária. texto injuntivo, didático, que tem por objetivo justamen-
Segundo Estágio: segundo parágrafo, em que se cita te apresentar orientações ao receptor para que ele realize
um argumento da tese adversária “... fulminando ditos dile- determinada atividade. Como as palavras do texto serão
mas legais sob a pecha de injustiça ou inadequação à rea- transformadas em ações visando a um objetivo, ou seja,
lidade nacional”. algo deverá ser concretizado, é de suma importância que

21
LÍNGUA PORTUGUESA

nele haja clareza e objetividade. Dependendo do que se Contexto – um texto é constituído por diversas
trata, é imprescindível haver explicações ou enumerações frases. Em cada uma delas, há uma certa informação
em que estejam elencados os materiais a serem utilizados, que a faz ligar-se com a anterior e/ou com a posterior,
bem como os itens de determinados objetos que serão ma- criando condições para a estruturação do conteúdo a ser
nipulados. Por conta dessas características, é necessário um transmitido. A essa interligação dá-se o nome de contexto.
título objetivo. Quanto à pontuação, frequentemente empre- Nota-se que o relacionamento entre as frases é tão grande,
gam-se dois pontos, vírgulas e pontos e vírgulas. É possível que, se uma frase for retirada de seu contexto original e
separar as orientações por itens ou de modo coeso, por meio analisada separadamente, poderá ter um significado
de períodos. Alguns textos instrucionais possuem subtítulos diferente daquele inicial.
separando em tópicos as instruções, basta reparar nas bulas
de remédios, manuais de instruções e receitas. Pelo fato de Intertexto - comumente, os textos apresentam
o espaço destinado aos textos instrucionais geralmente não referências diretas ou indiretas a outros autores através de
ser muito extenso, recomenda-se o uso de períodos. Leia os citações. Esse tipo de recurso denomina-se intertexto.
exemplos.
Interpretação de Texto - o primeiro objetivo de uma
Texto organizado em itens:
interpretação de um texto é a identificação de sua ideia
Para economizar nas compras principal. A partir daí, localizam-se as ideias secundárias,
ou fundamentações, as argumentações, ou explicações,
Quem deseja economizar ao comprar deve: que levem ao esclarecimento das questões apresentadas
- estabelecer um valor máximo para gastar; na prova.
- escolher previamente aquilo que deseja comprar antes
de ir à loja ou entrar em sites de compra; Textos Ficcionais e Não Ficcionais
- pesquisar os preços em diferentes lojas e sites, se pos-
sível; Os textos não ficcionais baseiam-se na realidade, e os
- não se deixar levar completamente pelas sugestões dos ficcionais inventam um mundo, onde os acontecimentos
vendedores nem pelos apelos das propagandas; ocorrem coerentemente com o que se passa no enredo da
- optar pela forma de pagamento mais cômoda, sem se história.
esquecer de que o uso do cartão de crédito exige certa cau-
tela e planejamento. Ficcionais: Conto; Crônica; Romance; Poemas; História
Do mais, é só ir às compras e aproveitar! em Quadrinhos.

Texto organizado em períodos: Não Ficcionais:

Para economizar nas compras - Jornalísticos: notícia, editorial, artigos, cartas e textos
de divulgação científica.
Para economizar ao comprar, primeiramente estabeleça
um valor máximo para gastar e então escolha previamente - Instrucionais: didáticos, resumos, receitas, catálogos,
aquilo que deseja comprar antes de ir à loja ou entrar em sites índices, listas, verbetes em geral, bulas e notas explicativas
de compra. Se possível, pesquise os preços em diferentes lojas de embalagens.
e sites; não se deixe levar completamente pelas sugestões dos
vendedores nem pelos apelos das propagandas e opte pela
- Epistolares: bilhetes, cartas familiares e cartas
forma de pagamento mais cômoda: não se esqueça de que o
formais.
uso do cartão de crédito exige certa cautela e planejamento.
Do mais, aproveite as compras!
- Administrativos: requerimentos, ofícios e etc.
Observe que, embora ambos os textos tratem do mesmo FICCIONAIS
assunto, o segundo é uma adaptação do primeiro: tanto o
modo verbal quanto a pontuação sofreram alterações; além CONTO
disso, algumas palavras foram omitidas e outras acrescenta-
das. Isso ocorreu para que o aspecto instrucional, conferido É um gênero textual que apresenta um único conflito,
pelos itens do primeiro exemplo, não se perdesse no segundo tomado já próximo do seu desfecho. Encerra uma história com
texto, o qual, sem essas adaptações, passaria a impressão de poucas personagens, e também tempo e espaço reduzido.
ser um mero texto expositivo. A linguagem pode ser formal ou informal. É uma obra de
ficção que cria um universo de seres e acontecimentos, de
Gêneros Textuais fantasia ou imaginação. Como todos os textos de ficção,
o conto apresenta um narrador, personagens, ponto de
Texto – é um conjunto de ideias organizadas e vista e enredo. Classicamente, diz-se que o conto se define
relacionadas entre si, formando um todo significativo pela sua pequena extensão. Mais curto que a novela ou o
capaz de produzir interação comunicativa (capacidade de romance, o conto tem uma estrutura fechada, desenvolve
codificar e decodificar). uma história e tem apenas um clímax. Exemplo:

22
LÍNGUA PORTUGUESA

Lépida sobre os motivos que levam alguns heróis a se superarem.


Vitor já havia vencido o cume mais alto do mundo. Quis
Tudo lento, parado, paralisado. provar mais, fazendo a escalada sem a ajuda do oxigênio
- Maldição! - dizia um homem que tinha sido o melhor suplementar. O que leva um ser humano bem sucedido a
corredor daquele lugar. vencer desafios assim?
- Que tristeza a minha - lamentava uma pequena Ora, dirão os entendidos, é assim que caminha a
bailarina, olhando para as suas sapatilhas cor-de-rosa. humanidade. Se cada um repetisse meu exemplo, ficando
Assim estava Lépida, uma cidade muito alegre que solidamente instalado no chão, sem tentar a aventura, ainda
no passado fora reconhecida pela leveza e agilidade de estaríamos nas cavernas, lascando o fogo com pedras,
seus habitantes. Todos muito fortes, andavam, corriam e comendo animais crus e puxando nossas mulheres pelos
nadavam pelos seus limpos canais. cabelos, como os trogloditas - se é que os trogloditas faziam
Até que chegou um terrível pirata à procura da riqueza isso. Somos o que somos hoje devido a heróis que trocam
do lugar. Para dominar Lépida, roubou de um mago um a vida pelo risco. Bem verdade que escalar montanhas, em
si, não traz nada de prático ao resto da humanidade que
elixir paralisante e despejou no principal rio. Após beberem
prefere ficar na cômoda planície da segurança.
a água, os habitantes ficaram muito lentos, tão lentos que
Mas o que há de louvável (e lamentável) na aventura
não conseguiram impedir a maldade do terrível pirata. Seu
de Vítor Negrete é a aspiração de ir mais longe, de superar
povo nunca mais foi o mesmo. Lépida foi roubada em seu marcas, de ir mais alto, desafiando os riscos. Não sei até que
maior tesouro e permaneceu estagnada por muitos anos. ponto ele foi temerário ao recusar o oxigênio suplementar.
Um dia nasceu um menino, que foi chamado de Zim. O Mas seu exemplo - e seu sacrifício - é uma lição de luta,
único entre tantos que ficou livre da maldição que passara mesmo sendo uma luta perdida.
de geração em geração. Diferente de todos, era muito ágil (Autor: Carlos Heitor Cony.
e, ao crescer, saiu em busca de uma solução. Encontrou Publicado na Folha Online)
pelo caminho bruxas de olhar feroz, gigantes de três, cinco
e sete cabeças, noites escuras, dias de chuva, sol intenso. ROMANCE
Zim tudo enfrentou.
E numa noite morna, ao deitar-se em sua cama de O termo romance pode referir-se a dois gêneros
folhas, viu ao seu lado um velho de olhos amarelos e literários. O primeiro deles é uma composição poética
brilhantes. Era o mago que havia sido roubado pelo pirata popular, histórica ou lírica, transmitida pela tradição
muitos anos antes. Zim ficou apreensivo. Mas o velho oral, sendo geralmente de autor anônimo; corresponde
mago (que tudo sabia) deu-lhe um frasco. Nele havia um aproximadamente à balada medieval. E como forma
antídoto e Zim compreendeu o que deveria fazer. Despejou literária moderna, o termo designa uma composição em
o líquido no rio de sua cidade. prosa. Todo Romance se organiza a partir de uma trama, ou
Lépida despertou diferente naquela manhã. Um copo seja, em torno dos acontecimentos que são organizados
de água aqui, um banho ali e eram novamente braços que em uma sequência temporal. A linguagem utilizada em
se mexiam, pernas que corriam, saltos e sorrisos. E a dança um Romance é muito variável, vai depender de quem
das sapatilhas cor-de-rosa. escreve, de uma boa diferenciação entre linguagem escrita
(Carla Caruso) e linguagem oral e principalmente do tipo de Romance.
Quanto ao tipo de abordagem o Romance pode ser:
CRÔNICA Urbano, Regionalista, Indianista e Histórico. E quanto à
época ou Escola Literária, o Romance pode ser: Romântico,
Realista, Naturalista e Modernista.
Em jornais e revistas, há textos normalmente assinados
por um escritor de ficção ou por uma pessoa especializada
POEMA
em determinada área (economia, gastronomia, negócios,
entre outras) que escreve com periodicidade para uma Um poema é uma obra literária geralmente
seção (por exemplo, todos os domingos para o Caderno apresentada em versos e estrofes (ainda que possa
de Economia). Esses textos, conhecidos como crônicas, são existir prosa poética, assim designada pelo uso de temas
curtos e em geral predominantemente narrativos, podendo específicos e de figuras de estilo próprias da poesia).
apresentar alguns trechos dissertativos. Exemplo: Efetivamente, existe uma diferença entre poesia e poema.
A luta e a lição Segundo vários autores, o poema é um objeto literário
com existência material concreta, a poesia tem um carácter
Um brasileiro de 38 anos, Vítor Negrete, morreu no imaterial e transcendente. Fortemente relacionado com a
Tibete após escalar pela segunda vez o ponto culminante música, beleza e arte, o poema tem as suas raízes históricas
do planeta, o monte Everest. Da primeira, usou o reforço nas letras de acompanhamento de peças musicais. Até
de um cilindro de oxigênio para suportar a altura. Na a Idade Média, os poemas eram cantados. Só depois o
segunda (e última), dispensou o cilindro, devido ao seu texto foi separado do acompanhamento musical. Tal como
estado geral, que era considerado ótimo. As façanhas na música, o ritmo tem uma grande importância. Um
dele me emocionaram, a bem sucedida e a malograda. poema também faz parte de um sarau (reuniões em casas
Aqui do meu canto, temendo e tremendo toda a vez que particulares para expressar artes, canções, poemas, poesias
viajo no bondinho do Pão de Açúcar, fico meditando etc). Obra em verso em que há poesia. Exemplo:

23
LÍNGUA PORTUGUESA

Soneto do amigo

Enfim, depois de tanto erro passado


Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado


Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.
Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.
O objetivo do Calvin era vender ao seu pai um desenho
O amigo: um ser que a vida não explica de sua autoria pela exorbitante quantia de 500 dólares.
Que só se vai ao ver outro nascer Ele optou por valorizar o desenho, mostrando todas as
E o espelho de minha alma multiplica... habilidades conquistadas para conseguir produzi-lo. O
pai, no último quadrinho, reconhece o empenho do filho,
Vinicius de Moraes utilizando-se de um conector de concessão (“Ainda assim”),
valorizando a importância de tudo aquilo. Contudo, afirma
que não pagaria o valor pedido (como se dissesse: “sim,
HISTÓRIA EM QUADRINHOS filho, foi um esforço absurdo, mas não vou pagar por isso!”).
A graça está no fato de Calvin elaborar um discurso
As primeiras manifestações das Histórias em “maduro” em relação ao seu desenvolvimento cognitivo e
Quadrinhos surgiram no começo do século XX, na busca de motor nos dois primeiros quadrinhos e, somente depois,
novos meios de comunicação e expressão gráfica e visual. ficar claro para nós, leitores, que toda a força argumentativa
Entre os primeiros autores das histórias em quadrinhos foi em prol da cobrança pelo desenho que ele mesmo
estão o suíço Rudolph Töpffer, o alemão Wilhelm Bush, o fez. Em outras palavras, o personagem empenha-se na
francês Georges, e o brasileiro Ângelo Agostini. A origem construção de um raciocínio em prol de uma finalidade
dos balões presentes nas histórias em quadrinhos pode absurda – o que nos faz sorrir no último quadrinho, já que
ser atribuída a personagens, observadas em ilustrações é somente nele que conseguimos “completar” o sentido.
europeias desde o século XIV. Claro, se você conhece os quadrinhos do Calvin, sabe que
As histórias em quadrinhos começaram no Brasil no ele tem apenas 6 anos, o que torna tudo ainda mais hilário,
século XIX, adotando um estilo satírico conhecido como mas a falta deste conhecimento não prejudica em nada a
cartuns, charges ou caricaturas e que depois se estabeleceria interpretação textual.
com as populares tiras. A publicação de revistas próprias
de histórias em quadrinhos no Brasil começou no início do NÃO FICCIONAIS - JORNALÍSTICOS
século XX também. Atualmente, o estilo cômicos dos super-
heróis americanos é o predominante, mas vem perdendo NOTÍCIA
espaço para uma expansão muito rápida dos quadrinhos
japoneses (conhecidos como Mangá). O principal objetivo da notícia é levar informação atual
A leitura interpretativa de Histórias em Quadrinhos, a um público específico. A notícia conta o que ocorreu,
assim como de charges, requer uma construção de sentidos quando, onde, como e por quê. Para verificar se ela está
que, para que ocorra, é necessário mobilizar alguns bem elaborada, o emissor deve responder às perguntas:
processos de significação, como a percepção da atualidade, O quê? (fato ou fatos); Quando? (tempo); Onde? (local);
a representação do mundo, a observação dos detalhes Como? (de que forma) e Por quê? (causas). A notícia
visuais e/ou linguísticos, a transformação de linguagem apresenta três partes:
conotativa (sentido mais usual) em denotativa (sentido
amplificado pelo contexto, pelos aspetos socioculturais - Manchete (ou título principal) – resume, com
etc). Em suma, usa-se o conhecimento da realidade e objetividade, o assunto da notícia. Essa frase curta e de
de processos linguísticos para “inverter” ou “subverter” impacto, em geral, aparece em letras grandes e destacadas.
produzindo, assim, sentidos alternativos a partir de - Lide (ou lead) – complementa o título principal,
situações extremas. Exemplo: fornecendo as principais informações da notícia. Como a
manchete, sua função é despertar a atenção do leitor para
Observe a tirinha em quadrinhos do Calvin: o texto.
- Corpo – contém o desenvolvimento mais amplo e
detalhado dos fatos.

24
LÍNGUA PORTUGUESA

A notícia usa uma linguagem formal, que segue O teste aponta que o aprendizado de Matemática,
a norma culta da língua. A ordem direta, a voz ativa, os Leitura e Ciências durante o ciclo fundamental é sofrível, e
verbos de ação e as frases curtas permitem fluir as ideias. perdemos para países como Colômbia, Tailândia e México.
É preferível a linguagem acessível e simples. Evite gírias, Já passa da hora de as autoridades melhorarem a gestão
termos coloquiais e frases intercaladas. de nossa Educação Pública e seguir o exemplo da pequena
Os fatos, em geral, são apresentados de forma Paulista.
impessoal e escritos em 3ª pessoa, com o predomínio da Fonte: http://www.oestadoce.com.br/noticia/
função referencial, já que esse texto visa à informação. editorial-cidade-paraibana-e-exemplo-ao-pais
A falta de tempo do leitor exige a seleção das ARTIGOS
informações mais relevantes, vocabulário preciso e termos
específicos que o ajudem a compreender melhor os fatos. É comum encontrar circulando no rádio, na TV, nas
Em jornais ou revistas impressos ou on-line, e em programas revistas, nos jornais, temas polêmicos que exigem uma
de rádio ou televisão, a informação transmitida pela notícia posição por parte dos ouvintes, espectadores e leitores, por
precisa ser verídica, atual e despertar o interesse do leitor. isso, o autor geralmente apresenta seu ponto de vista sobre o
tema em questão através do artigo (texto jornalístico).
EDITORIAL Nos gêneros argumentativos, o autor geralmente tem
a intenção de convencer seus interlocutores e, para isso,
Os editoriais são textos de um jornal em que o conteúdo precisa apresentar bons argumentos, que consistem em
expressa a opinião da empresa, da direção ou da equipe verdades e opiniões. O artigo de opinião é fundamentado
de redação, sem a obrigação de ter alguma imparcialidade em impressões pessoais do autor do texto e, por isso, são
ou objetividade. Geralmente, grandes jornais reservam fáceis de contestar.
um espaço predeterminado para os editoriais em duas ou O artigo deve começar com uma breve introdução,
mais colunas logo nas primeiras páginas internas. Os boxes que descreva sucintamente o tema e refira os pontos mais
(quadros) dos editoriais são normalmente demarcados com importantes. Um leitor deve conseguir formar uma ideia
uma borda ou tipografia diferente para marcar claramente clara sobre o assunto e o conteúdo do artigo ao ler apenas
que aquele texto é opinativo, e não informativo. Exemplo: a introdução. Por favor tenha em mente que embora esteja
familiarizado com o tema sobre o qual está a escrever,
Cidade paraibana é exemplo ao País
outros leitores da podem não o estar. Assim, é importante
clarificar cedo o contexto do artigo. Por exemplo, em vez
Em tempos em que estudantes escrevem receita de
de escrever:
macarrão instantâneo e transcrevem hino de clube de
Guano é um personagem que faz o papel de mascote
futebol na redação do Exame Nacional do Ensino Médio e
do grupo Lily Mu. Seria mais informativo escrever:
ainda obtém nota máxima no teste, uma boa notícia vem
Guano é um personagem da série de desenho animado
de uma pequena cidade no interior da Paraíba chamada
Paulista, de cerca de 12 mil habitantes. Alunos da Escola Kappa Mikey que faz o papel de mascote do grupo Lily Mu.
Municipal Cândido de Assis Queiroga obtiveram destaque Caracterize o assunto, especialmente se existirem
nas últimas edições da Olimpíada Brasileira de Matemática opiniões diferentes sobre o tema. Seja objetivo. Evite o uso
das Escolas Públicas. de eufemismos e de calão ou gíria, e explique o jargão.
O segredo é absolutamente simples, e quem explica No final do artigo deve listar as referências utilizadas, e ao
é a professora Jonilda Alves Ferreira: a chave é ensinar longo do artigo deve citar a fonte das afirmações feitas,
Matemática através de atividades do cotidiano, como fazer especialmente se estas forem controversas ou suscitarem
compras na feira ou medir ingredientes para uma receita. dúvidas.
Com essas ações práticas, na edição de 2012 da Olimpíada,
a escola conquistou nada menos do que cinco medalhas CARTAS
de ouro, duas de prata, três de bronze e 12 menções
honrosas. Orgulhosa, a professora conta que se sentia Na maioria dos jornais e revistas, há uma seção
triste com a repulsa dos estudantes aos números, e teve a destinada a cartas do leitor. Ela oferece um espaço para
ideia de pô-los para vivenciar a Matemática em suas vidas, o leitor elogiar ou criticar uma matéria publicada, ou fazer
aproximando-os da disciplina. sugestões. Os comentários podem referir-se às ideias
O que parecia ser um grande desafio tornou-se de um texto, com as quais o leitor concorda ou não; à
realidade e, hoje, a cidade inteira orgulha-se de seus filhos maneira como o assunto foi abordado; ou à qualidade
campeões olímpicos. Os estudantes paraibanos devem do texto em si. É possível também fazer alusão a outras
ser exemplo para todo o País, que anda precisando, sim, cartas de leitores, para concordar ou não com o ponto de
de modelos a se inspirar. O Programa Internacional de vista expresso nelas. A linguagem da carta costuma variar
Avaliação de Estudantes (PISA, na sigla em inglês) – o mais conforme o perfil dos leitores da publicação. Pode ser mais
sério teste internacional para avaliar o desempenho escolar descontraída, se o público é jovem, ou ter um aspecto mais
e coordenado pela Organização para a Cooperação e formal. Esse tipo de carta apresenta formato parecido com
Desenvolvimento Econômico – continua sendo implacável o das cartas pessoais: data, vocativo (a quem ela é dirigida),
com o Brasil. No exame publicado de 2012, o País aparece corpo do texto, despedida e assinatura.
na incômoda penúltima posição entre 40 países avaliados.

25
LÍNGUA PORTUGUESA

TEXTOS DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA RESUMOS

Sua finalidade discursiva pauta-se pela divulgação de Resumo é uma exposição abreviada de um
conhecimentos acerca do saber científico, assemelhando- acontecimento. Fazer um resumo significa apresentar o
se, portanto, com os demais gêneros circundantes no meio conteúdo de forma sintética, destacando as informações
educacional como um todo, entre eles, textos didáticos essenciais do conteúdo de um livro, artigo, argumento
e verbetes de enciclopédias. Mediante tal pressuposto, de filme, peça teatral, etc. A elaboração de um resumo
já temos a ideia do caráter condizente à linguagem, uma exige análise e interpretação do conteúdo para que sejam
vez que esta se perfaz de características marcantes - a transmitidas as ideias mais importantes.
objetividade, isentando-se de traços pessoais por parte do Escrever um texto em poucas linhas ajuda o aluno a
emissor, como também por obedecer ao padrão formal desenvolver a sua capacidade de síntese, objetividade e
da língua. Outro aspecto passível de destaque é o fato de clareza: três fatores que serão muito importantes ao longo
que no texto científico, às vezes, temos a oportunidade de da vida escolar. Além de ser um ótimo instrumento de
nos deparar com determinadas terminologias e conceitos estudo da matéria para fazer um teste. Resumo é sinônimo
próprios da área científica a que eles se referem. de “recapitulação”, quando, ao final de cada capítulo de
Veiculados por diversos meios de comunicação, seja em um livro é apresentado um breve texto com as ideias chave
jornais, revistas, livros ou meio eletrônico, compartilham-se do assunto introduzido. Outros sinônimos de resumo são:
com uma gama de interlocutores. Razão esta que incide sinopse, sumário, síntese, epítome e compêndio.
na forma como se estruturam, não seguindo um padrão
rígido, uma vez que este se interliga a vários fatores, RECEITAS
tais como: assunto, público-alvo, emissor, momento
histórico, dentre outros. Mas, geralmente, no primeiro e A receita tem como objetivo informar a fórmula
segundo parágrafos, o autor expõe a ideia principal, sendo de um produto seja ele industrial ou caseiro, contando
representada por uma ideia ou conceito. Nos parágrafos detalhadamente sobre seu preparo. É uma sequência
que seguem, ocorre o desenvolvimento propriamente dito
de passos para a preparação de alimentos. As receitas
da ideia, lembrando que tais argumentos são subsidiados
geralmente vêm com seus verbos no modo imperativo, para
em fontes verdadeiramente passíveis de comprovação
dar ordens de como preparar seu prato seja ele qual for.
- comparações, dados estatísticos, relações de causa e
Elas são encontradas em diversas fontes como: livros, sites,
efeito, dentre outras.
programas (TV/Rádio), revistas ou até mesmo em jornais e
panfletos. A receita também ajuda a fazer vários tipos de
NÃO FICCIONAIS – INSTRUCIONAIS
pratos típicos e saudáveis e até sobremesas deliciosas.
DIDÁTICOS
CATÁLOGOS
Na leitura de um texto didático, é preciso apanhar
suas ideias fundamentais. Um texto didático é um texto Catálogo é uma relação ordenada de coisas ou pessoas
conceitual, ou seja, não figurativo. Nele os termos significam com descrições curtas a respeito de cada uma. Espécie
exatamente aquilo que denotam, sendo descabida a de livro, guia ou sumário que contém informações sobre
atribuição de segundos sentidos ou valores conotativos lugares, pessoas, produtos e outros. Têm o objetivo de dar
aos termos. Num texto didático devem se analisar ainda opções para uma melhor escolha.
com todo o cuidado os elementos de coesão. Deve-se
observar a expectativa de sentido que eles criam, para que ÍNDICES
possa entender bem o texto.
O entendimento do texto didático de uma determinada Enumeração detalhada dos assuntos, nomes de
disciplina requer o conhecimento do significado exato dos pessoas, nomes geográficos, acontecimentos, etc., com a
termos com que ela opera. Conhecer esses termos significa indicação de sua localização no texto.
conhecer um conjunto de princípios e de conceitos sobre
os quais repousa uma determinada ciência, certa teoria, LISTAS
um campo do saber. O uso da terminologia científica dá
maior rigor à exposição, pois evita as conotações e as Enumeração de elementos selecionados do texto, tais
imprecisões dos termos da linguagem cotidiana. Por outro como datas, ilustrações, exemplo, tabelas etc., na ordem de
lado, a definição dos termos depende do nível de público sua ocorrência.
a que se destina.
Um manual de introdução à física, destinado a VERBETES EM GERAL
alunos de primeiro grau, expõe um conceito de cada
vez e, por conseguinte, vai definindo paulatinamente O verbete é um tipo de texto predominantemente
os termos específicos dessa ciência. Num livro de física descritivo. A elaboração reflete o conflito seminal que
para universitários não cabe a definição de termos que define a elegância científica: a negociação constante entre
os alunos já deveriam saber, pois senão quem escreve síntese e exaustividade. Os padrões do gênero valorizam
precisaria escrever sobre tudo o que a ciência em que ele é tanto a brevidade e a abordagem direta dos temas quanto
especialista já estudou. o detalhamento e a completude da informação.

26
LÍNGUA PORTUGUESA

É um texto escrito, de caráter informativo, destinado NÃO FICCIONAIS – EPISTOLARES


a explicar um conceito segundo padrões descritivos
sistemáticos, determinados pela obra de referência da BILHETES
qual faz parte: mais comumente, um dicionário ou uma
enciclopédia. O verbete é essencialmente destinado a O bilhete é uma mensagem curta, trocada entre as
consulta, o que lhe impõe uma construção discursiva pessoas, para pedir, agradecer, oferecer, informar, desculpar
sucinta e de acesso imediato, embora isso não incorra ou perguntar. O bilhete é composto normalmente de: data,
necessariamente em curta extensão. Geralmente, os nome do destinatário antecedido de um cumprimento,
verbetes abordam conceitos bem estabelecidos em algum mensagem, despedida e nome do remetente. Exemplo:
paradigma acadêmico-científico, ao invés de entrar em
polêmicas referentes a categorias teóricas discutíveis. Belinha,
Por sua pretensão universalista e pela posição Passei na sua casa para contar o que aconteceu comigo
respeitável que ocupa no sistema de valores da cultura ontem à noite.
racionalista, espera-se que todo verbete siga as normas Telefone para mim hoje à tarde, que eu vou contar
padrão de uso da língua escrita, em um nível elevado
tudinho para você!
de formalidade. Por sua natureza sistemática e por ser
Um beijinho da amiga Juliana. 14/03/2013
destinado à consulta, espera-se que a linguagem do verbete
seja também o mais objetiva possível. As consequências
gramaticais desse princípio são: no nível lexical, precisão na CARTAS FAMILIARES E CARTAS FORMAIS
escolha dos termos e ausência de palavras que expressem
subjetividade (opiniões, impressões e sensações); no A carta é um dos instrumentos mais úteis em situações
nível sintático, simplificação das construções; e no nível diversas. É um dos  mais antigos  meios de comunicação.
estilístico, denotação (ausência de ornamentos e figuras de Em uma carta formal é preciso ter cuidado na coerência
linguagem). do tratamento, por exemplo, se começamos a carta no
É comum a presença de terminologia especializada tratamento em terceira pessoa devemos ir até o fim em
na construção do verbete, embora sua frequência varie terceira pessoa, seguindo também os pronomes e formas
conforme o público consumidor da obra de referência em verbais na terceira pessoa. Há vários tipos de cartas,  o
que se insere o texto. Elementos de linguagens não verbais formato da carta depende do seu conteúdo:
(especialmente pictóricos) são tradicionalmente agregados - Carta Pessoal é a carta que escrevemos para amigos,
ao verbete com função de esclarecimento. parentes, namorado(a), o remetente é a própria pessoa que
assina a carta, estas cartas não têm um modelo pronto, são
BULAS escritas de uma maneira particular.
- Carta Comercial se torna o meio mais efetivo e
Bula pode referir-se a: seguro de comunicação dentro de uma organização. A
linguagem deve ser clara, simples, correta e objetiva. 
Bula Pontifícia - documento expedido pela Santa Sé.
Refere-se não ao conteúdo e à solenidade de um documento A carta ao ser escrita deve ser primeiramente bem
pontifício, como tal, mas à apresentação, à forma externa analisada em termos de língua portuguesa, ou seja, deve-
do documento, a saber, lacrado com pequena bola (em se observar a concordância, a pontuação e a maneira de
latim, “bulla”) de cera ou metal, em geral, chumbo. Assim, escrever com início, meio e então o fim, contendo também
existem Litterae Apostolicae (carta apostólica) em forma ou um cabeçalho e se for uma carta formal, deve conter
não de bula e também Constituição Apostólica em forma pronomes de tratamento (Senhor, Senhora, V. Ex.ª etc.) e
de bula. Por exemplo, a carta apostólica “Munificentissimus
por fim a finalização da carta que deve conter somente um
Deus”, bem como as Constituições Apostólicas de criação
cumprimento formal ou não (grato, beijos, abraços, adeus
de dioceses. A bula mais antiga que se conhece é do Papa
etc.). Depois de todos esses itens terem sido colocados na
Agapito I (535), conservada apenas em desenho. O mais
antigo original conservado é do Papa Adeodato I (615-618). carta, a mesma deverá ser colocada em um envelope para
ser enviado ao destinatário. Na parte de trás e superior do
Bula (medicamento) - folha com informações envelope deve-se conter alguns dados muito importantes
sobre medicamentos. Nome que se dá ao conjunto de tais como: nome do destinatário, endereço (rua, bairro e
informações sobre um medicamento que obrigatoriamente cidade) e por fim o CEP. Já o remetente (quem vai enviar a
os laboratórios farmacêuticos devem acrescentar à carta), também deve inserir na carta os mesmos dados que
embalagem de seus produtos vendidos no varejo. As o do destinatário, que devem ser escritos na parte da frente
informações podem ser direcionadas aos usuários dos do envelope. E por fim deve ser colocado no envelope
medicamentos, aos profissionais de saúde ou a ambos. um selo que serve para que a carta seja levada à pessoa
mencionada.
NOTAS EXPLICATIVAS DE EMBALAGENS

As notas explicativas servem para que o fabricante do


produto esclareça ou explique aspectos da composição,
nutrição, advertências a respeito do produto.

27
LÍNGUA PORTUGUESA

NÃO FICCIONAIS – ADMINISTRATIVOS Conclusão: em que é reafirmada ou simplesmente


reapresentada a posição recomendada sobre o assunto.
REQUERIMENTOS
Os parágrafos do texto devem ser numerados, exceto
É o instrumento por meio do qual o interessado requer nos casos em que estes estejam organizados em itens ou
a uma autoridade administrativa um direito do qual se títulos e subtítulos.
julga detentor. Estrutura:
- Vocativo, cargo ou função (e nome do destinatário), LOCALIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES
ou seja, da autoridade competente. EXPLÍCITAS NO TEXTO. INFERÊNCIA DE
- Texto incluindo: Preâmbulo, contendo nome do SENTIDO DE PALAVRAS E/OU EXPRESSÕES.
requerente (grafado em letras maiúsculas) e respectiva
qualificação: nacionalidade, estado civil, profissão, INFERÊNCIA DE INFORMAÇÕES IMPLÍCITAS
documento de identidade, idade (se maior de 60 anos, para NO TEXTO E DAS RELAÇÕES DE CAUSA E
fins de preferência na tramitação do processo, segundo a CONSEQUÊNCIA ENTRE AS PARTES DE UM
Lei 10.741/03), e domicílio (caso o requerente seja servidor TEXTO. DISTINÇÃO DE FATO E OPINIÃO
da Câmara dos Deputados, precedendo à qualificação SOBRE ESSE FATO. INTERPRETAÇÃO DE
civil deve ser colocado o número do registro funcional e LINGUAGEM NÃO-VERBAL (TABELAS, FOTOS,
a lotação); Exposição do pedido, de preferência indicando QUADRINHOS ETC).
os fundamentos legais do requerimento e os elementos
probatórios de natureza fática.
- Fecho: “Nestes termos, Pede deferimento”.
- Local e data. Informações explícitas e implícitas
- Assinatura e, se for o caso de servidor, função ou
cargo. Texto:

OFÍCIOS “Neto ainda está longe de se igualar a qualquer um des-


ses craques (Rivelino, Ademir da Guia, Pedro Rocha e Pelé),
O Ofício deve conter as seguintes partes: mas ainda tem um longo caminho a trilhar (...).”
Veja São Paulo, 26/12/1990, p. 15.
- Tipo e número do expediente, seguido da sigla do
órgão que o expede. Exemplos: Esse texto diz explicitamente que:
Of. 123/2002-MME - Rivelino, Ademir da Guia, Pedro Rocha e Pelé são cra-
Aviso 123/2002-SG ques;
Mem. 123/2002-MF - Neto não tem o mesmo nível desses craques;
- Neto tem muito tempo de carreira pela frente.
- Local e data. Devem vir por extenso com alinhamento
à direita. Exemplo: O texto deixa implícito que:
- Existe a possibilidade de Neto um dia aproximar-se
Brasília, 20 de maio de 2013 dos craques citados;
- Assunto. Resumo do teor do documento. Exemplos: - Esses craques são referência de alto nível em sua es-
Assunto: Produtividade do órgão em 2012. pecialidade esportiva;
Assunto: Necessidade de aquisição de novos - Há uma oposição entre Neto e esses craques no que
computadores. diz respeito ao tempo disponível para evoluir.

- Destinatário. O nome e o cargo da pessoa a quem é Todos os textos transmitem explicitamente certas infor-
dirigida a comunicação. No caso do ofício, deve ser incluído mações, enquanto deixam outras implícitas. Por exemplo,
também o endereço. o texto acima não explicita que existe a possibilidade de
Neto se equiparar aos quatro futebolistas, mas a inclusão
- Texto. Nos casos em que não for de mero do advérbio ainda estabelece esse implícito. Não diz tam-
encaminhamento de documentos, o expediente deve bém com explicitude que há oposição entre Neto e os ou-
conter a seguinte estrutura: tros jogadores, sob o ponto de vista de contar com tempo
para evoluir. A escolha do conector “mas” entre a segunda
Introdução: que se confunde com o parágrafo de e a primeira oração só é possível levando em conta esse
abertura, na qual é apresentado o assunto que motiva a dado implícito. Como se vê, há mais significados num texto
comunicação. Evite o uso das formas: “Tenho a honra de”, do que aqueles que aparecem explícitos na sua superfície.
“Tenho o prazer de”, “Cumpreme informar que”, empregue Leitura proficiente é aquela capaz de depreender tanto um
a forma direta; tipo de significado quanto o outro, o que, em outras pa-
Desenvolvimento: no qual o assunto é detalhado; se lavras, significa ler nas entrelinhas. Sem essa habilidade, o
o texto contiver mais de uma ideia sobre o assunto, elas leitor passará por cima de significados importantes ou, o
devem ser tratadas em parágrafos distintos, o que confere que é bem pior, concordará com ideias e pontos de vista
maior clareza à exposição; que rejeitaria se os percebesse.

28
LÍNGUA PORTUGUESA

Os significados implícitos costumam ser classificados A aceitação do pressuposto estabelecido pelo emissor
em duas categorias: os pressupostos e os subentendidos. permite levar adiante o debate; sua negação compromete
o diálogo, uma vez que destrói a base sobre a qual se cons-
Pressupostos: são ideias implícitas que estão implica- trói a argumentação, e daí nenhum argumento tem mais
das logicamente no sentido de certas palavras ou expres- importância ou razão de ser. Com pressupostos distintos, o
sões explicitadas na superfície da frase. Exemplo: diálogo não é possível ou não tem sentido.
A mesma pergunta, feita para pessoas diferentes, pode
“André tornouse um antitabagista convicto.” ser embaraçosa ou não, dependendo do que está pressu-
posto em cada situação. Para alguém que não faz segredo
A informação explícita é que hoje André é um antitaba- sobre a mudança de emprego, não causa o menor emba-
gista convicto. Do sentido do verbo tornarse, que significa raço uma pergunta como esta:
“vir a ser”, decorre logicamente que antes André não era “Como vai você no seu novo emprego?”
antitabagista convicto. Essa informação está pressuposta.
Ninguém se torna algo que já era antes. Seria muito estra- O efeito da mesma pergunta seria catastrófico se ela se
nho dizer que a palmeira tornouse um vegetal. dirigisse a uma pessoa que conseguiu um segundo empre-
go e quer manter sigilo até decidir se abandona o anterior.
“Eu ainda não conheço a Europa.” O adjetivo novo estabelece o pressuposto de que o inter-
A informação explícita é que o enunciador não tem rogado tem um emprego diferente do anterior.
conhecimento do continente europeu. O advérbio ainda
deixa pressuposta a possibilidade de ele um dia conhecêla. Marcadores de Pressupostos
As informações explícitas podem ser questionadas
pelo receptor, que pode ou não concordar com elas. Os - Adjetivos ou palavras similares modificadoras do
pressupostos, porém, devem ser verdadeiros ou, pelo me- substantivo
nos, admitidos como tais, porque esta é uma condição para Julinha foi minha primeira filha.
garantir a continuidade do diálogo e também para forne- “Primeira” pressupõe que tenho outras filhas e que as
cer fundamento às afirmações explícitas. Isso significa que, outras nasceram depois de Julinha.
se o pressuposto é falso, a informação explícita não tem
Destruíram a outra igreja do povoado.
cabimento. Assim, por exemplo, se Maria não falta nunca a
“Outra” pressupõe a existência de pelo menos uma
aula nenhuma, não tem o menor sentido dizer “Até Maria
igreja além da usada como referência.
compareceu à aula de hoje”. Até estabelece o pressuposto
da inclusão de um elemento inesperado.
- Certos verbos
Na leitura, é muito importante detectar os pressupos-
tos, pois eles são um recurso argumentativo que visa a
Renato continua doente.
levar o receptor a aceitar a orientação argumentativa do
O verbo “continua” indica que Renato já estava doente
emissor. Ao introduzir uma ideia sob a forma de pressu- no momento anterior ao presente.
posto, o enunciador pretende transformar seu interlocutor
em cúmplice, pois a ideia implícita não é posta em discus- Nossos dicionários já aportuguesaram a palavrea co-
são, e todos os argumentos explícitos só contribuem para pydesk.
confirmála. O pressusposto aprisiona o receptor no sistema O verbo “aportuguesar” estabelece o pressuposto de
de pensamento montado pelo enunciador. que copidesque não existia em português.
A demonstração disso pode ser feita com as “verdades
incontestáveis” que estão na base de muitos discursos po- - Certos advérbios
líticos, como o que segue:
A produção automobilística brasileira está totalmente
“Quando o curso do rio São Francisco for mudado, será nas mãos das multinacionais.
resolvido o problema da seca no Nordeste.” O advérbio totalmente pressupõe que não há no Brasil
indústria automobilística nacional.
O enunciador estabelece o pressuposto de que é certa - Você conferiu o resultado da loteria?
a mudança do curso do São Francisco e, por consequên- - Hoje não.
cia, a solução do problema da seca no Nordeste. O diálogo A negação precedida de um advérbio de tempo de
não teria continuidade se um interlocutor não admitisse âmbito limitado estabelece o pressuposto de que apenas
ou colocasse sob suspeita essa certeza. Em outros termos, nesse intervalo (hoje) é que o interrogado não praticou o
haveria quebra da continuidade do diálogo se alguém in- ato de conferir o resultado da loteria.
terviesse com uma pergunta deste tipo:
- Orações adjetivas
“Mas quem disse que é certa a mudança do curso do
rio?” Os brasileiros, que não se importam com a coletividade,
só se preocupam com seu bemestar e, por isso, jogam lixo na
rua, fecham os cruzamentos, etc.

29
LÍNGUA PORTUGUESA

O pressuposto é que “todos” os brasileiros não se im- guém vai investigá-lo. Se essa pessoa for absolutamente
portam com a coletividade. honesta, faz um relatório claro relatando os fatos com ab-
soluta fidelidade e após esse relato objetivo, apresenta sua
Os brasileiros que não se importam com a coletividade opinião sobre os acontecimentos. É usualmente desejável
só se preocupam com seu bemestar e, por isso, jogam lixo na que ela dê sua opinião porque, se foi escalada para investi-
rua, fecham os cruzamentos, etc. gar o crime é porque tem qualificação para isso; além disso,
Nesse caso, o pressuposto é outro: “alguns” brasileiros o próprio fato de ela ter investigado já lhe dá autoridade
não se importam com a coletividade. para opinar.
No primeiro caso, a oração é explicativa; no segundo, É importante considerar:
é restritiva. As explicativas pressupõem que o que elas ex-
pressam se refere à totalidade dos elementos de um con- - Vivemos num mundo em que tomamos decisões a
junto; as restritivas, que o que elas dizem concerne apenas partir de informações;
a parte dos elementos de um conjunto. O produtor do tex- - Estas nos chegam por meio de relatos de fatos e ex-
to escreverá uma restritiva ou uma explicativa segundo o pressões de opiniões;
- Fatos usualmente podem ser submetidos à prova: por
pressuposto que quiser comunicar.
números, documentos, registros;
- Opiniões, por outro lado, refletem juízos, valores, in-
Subentendidos: são insinuações contidas em uma fra-
terpretações;
se ou um grupo de frases. Suponhamos que uma pessoa - Muitas pessoas confundem fatos e opiniões, e quan-
estivesse em visita à casa de outra num dia de frio glacial do isso ocorre temos de ter cuidado com as informações
e que uma janela, por onde entravam rajadas de vento, que vêm delas;
estivesse aberta. Se o visitante dissesse “Que frio terrível”, - Igualmente temos de estar atentos às nossas próprias
poderia estar insinuando que a janela deveria ser fechada. opiniões, pois elas podem ser tomadas como fatos por ou-
Há uma diferença capital entre o pressuposto e o su- tros;
bentendido. O primeiro é uma informação estabelecida - Nossas decisões devem ser baseadas em fatos, mas
como indiscutível tanto para o emissor quanto para o re- podem levar em conta as opiniões de gente qualificada so-
ceptor, uma vez que decorre necessariamente do sentido bre tais fatos.
de algum elemento linguístico colocado na frase. Ele pode
ser negado, mas o emissor coloca o implicitamente para Exemplo:
que não o seja. Já o subentendido é de responsabilidade
do receptor. O emissor pode esconder-se atrás do sentido Trecho do livro “Sufismo no Ocidente”
literal das palavras e negar que tenha dito o que o receptor
depreendeu de suas palavras. Assim, no exemplo dado aci- Um mestre que conhecia o caminho para a sabedoria
ma, se o dono da casa disser que é muito pouco higiênico foi visitado por um grupo de buscadores. Encontraram-no
fechar todas as janelas, o visitante pode dizer que também num pátio, cercado de discípulos, em meio ao que parecia
acha e que apenas constatou a intensidade do frio. ser uma festa.
O subentendido serve, muitas vezes, para o emissor Alguns buscadores disseram:
protegerse, para transmitir a informação que deseja dar a – Que ofensivo, esta não é a forma de se comportar,
conhecer sem se comprometer. Imaginemos, por exemplo, qualquer que seja o pretexto.
que um funcionário recémpromovido numa empresa ou- Outros disseram:
visse de um colega o seguinte: – Isto nos parece excelente, gostamos desta sessão de
ensinamento e desejamos participar dela.
E outros disseram:
“Competência e mérito continuam não valendo nada
– Estamos meio perplexos e queremos saber mais sobre
como critério de promoção nesta empresa...”
este enigma.
Os demais buscadores comentaram entre si:
Esse comentário talvez suscitasse esta suspeita: – Pode haver alguma sabedoria nisto, mas não sabemos
se devemos perguntar ou não.
“Você está querendo dizer que eu não merecia a pro- O mestre afastou todos.
moção?” Todas estas pessoas, em conversas ou por escrito, difun-
diram suas opiniões sobre o ocorrido. Mesmo aqueles que
Ora, o funcionário preterido, tendo recorrido a um su- não falaram por experiência direta foram afetados por ele, e
bentendido, poderia responder: suas palavras e obras refletiram sua opinião a respeito.
Algum tempo depois, determinados membros do grupo
“Absolutamente! Estou falando em termos gerais.” de buscadores passaram novamente por ali e foram ver o
Fato e Opinião mestre. Parados à sua porta, observaram que, no pátio, ele
e seus discípulos estavam agora sentados com decoro, em
Qual é a diferença entre um fato e uma opinião? O fato profunda contemplação.
é aquilo que aconteceu, enquanto que a opinião é o que – Assim está melhor — disseram alguns dos visitantes.
alguém pensa que ocorreu, uma interpretação dos fatos. — É evidente que alguma coisa aprenderam com os nossos
Digamos: houve um roubo na portaria da empresa e al- protestos.

30
LÍNGUA PORTUGUESA

– Isto é excelente — falaram outros — porque, na última


vez, sem sombra de dúvida ele só nos estava colocando à
prova.
– Isto é demasiado sombrio — outros disseram. — Po-
díamos ter encontrado caras sérias em qualquer lugar.
E houve outras opiniões, faladas e pensadas. O sábio,
quando terminou o tempo de reflexão, dispensou todos estes
visitantes. Essas figuras fazem uso apenas de imagens para co-
Muito tempo depois, um pequeno número deles voltou municar o que representam.
para pedir sua interpretação do que haviam experimenta-
do. Apresentaram-se diante da porta e olharam para dentro A Língua é um instrumento de comunicação, sendo
do pátio. O mestre estava sentado, sozinho, nem em diver- composta por regras gramaticais que possibilitam que de-
timento, nem em meditação. Em parte alguma se via qual- terminado grupo de falantes consiga produzir enunciados
quer dos seus anteriores discípulos. que lhes permitam comunicar-se e compreender-se. Por
exemplo: falantes da língua portuguesa.
– Agora podem escutar a história completa — disse-lhes. A língua possui um caráter social: pertence a todo um
— Pude despedir meus discípulos, já que a tarefa foi reali- conjunto de pessoas, as quais podem agir sobre ela. Cada
zada. Quando vieram pela primeira vez, a aula tinha estado membro da comunidade pode optar por esta ou aquela
demasiadamente séria. Eu estava aplicando o corretivo. Na forma de expressão. Por outro lado, não é possível criar
segunda vez em que vieram, haviam estado demasiado ale- uma língua particular e exigir que outros falantes a com-
gres. Eu estava aplicando o corretivo. Quando um homem preendam. Dessa forma, cada indivíduo pode usar de ma-
está trabalhando, nem sempre se explica diante de visitantes neira particular a língua comunitária, originando a fala. A
eventuais, por muito interessado que eles acreditem estar. fala está sempre condicionada pelas regras socialmente
Quando uma ação está em andamento, o que conta é a cor- estabelecidas da língua, mas é suficientemente ampla para
reta realização dessa ação. Nestas circunstâncias, a avalia- permitir um exercício criativo da comunicação. Um indiví-
ção externa torna-se um assunto secundário. duo pode pronunciar um enunciado da seguinte maneira:
A família de Regina era paupérrima.
Linguagem Verbal e Não Verbal
Outro, no entanto, pode optar por:
Linguagem é a capacidade que possuímos de expres-
sar nossos pensamentos, ideias, opiniões e sentimentos. A família de Regina era muito pobre.
Está relacionada a fenômenos comunicativos; onde há co- As diferenças e semelhanças constatadas devem-se
municação, há linguagem. Podemos usar inúmeros tipos às diversas manifestações da fala de cada um. Note, além
de linguagens para estabelecermos atos de comunicação, disso, que essas manifestações devem obedecer às regras
tais como: sinais, símbolos, sons, gestos e regras com sinais gerais da língua portuguesa, para não correrem o risco de
convencionais (linguagem escrita e linguagem mímica, por produzir enunciados incompreensíveis como:
exemplo). Num sentido mais genérico, a linguagem pode
ser classificada como qualquer sistema de sinais que se va- Família a paupérrima de era Regina.
lem os indivíduos para comunicar-se.
A linguagem pode ser: Não devemos confundir língua com escrita, pois são
dois meios de comunicação distintos. A escrita represen-
- Verbal: aquela que faz uso das palavras para comu- ta um estágio posterior de uma língua. A língua falada
nicar algo. é mais espontânea, abrange a comunicação linguística em
toda sua totalidade. Além disso, é acompanhada pelo tom
de voz, algumas vezes por mímicas, incluindo-se fisiono-
mias. A língua escrita não é apenas a representação da lín-
gua falada, mas sim um sistema mais disciplinado e rígido,
uma vez que não conta com o jogo fisionômico, as mímicas
e o tom de voz do falante. No Brasil, por exemplo, todos
falam a língua portuguesa, mas existem usos diferentes da
As figuras acima nos comunicam sua mensagem atra- língua devido a diversos fatores. Dentre eles, destacam-se:
vés da linguagem verbal (usa palavras para transmitir a in-
formação). - Fatores Regionais: é possível notar a diferença do
português falado por um habitante da região nordeste e
- Não Verbal: aquela que utiliza outros métodos de outro da região sudeste do Brasil. Dentro de uma mesma
comunicação, que não são as palavras. Dentre elas estão a região, também há variações no uso da língua. No estado
linguagem de sinais, as placas e sinais de trânsito, a lingua- do Rio Grande do Sul, por exemplo, há diferenças entre a
gem corporal, uma figura, a expressão facial, um gesto, etc. língua utilizada por um cidadão que vive na capital e aque-
la utilizada por um cidadão do interior do estado.

31
LÍNGUA PORTUGUESA

- Fatores Culturais: o grau de escolarização e a for- uma real imagem sonora, armazenada em nosso cérebro
mação cultural de um indivíduo também são fatores que que é o significante do signo “cachorro”. Quando escuta-
colaboram para os diferentes usos da língua. Uma pessoa mos essa palavra, logo pensamos em um animal irracional
escolarizada utiliza a língua de uma maneira diferente da de quatro patas, com pelos, olhos, orelhas, etc. Esse concei-
pessoa que não teve acesso à escola. to que nos vem à mente é o significado do signo “cachorro”
- Fatores Contextuais: nosso modo de falar varia de e também se encontra armazenado em nossa memória.
acordo com a situação em que nos encontramos: quando Ao empregar os signos que formam a nossa língua,
conversamos com nossos amigos, não usamos os termos devemos obedecer às regras gramaticais convencionadas
que usaríamos se estivéssemos discursando em uma sole- pela própria língua. Desse modo, por exemplo, é possível
nidade de formatura. colocar o artigo indefinido “um” diante do signo “cachor-
- Fatores Profissionais: o exercício de algumas ativi- ro”, formando a sequência “um cachorro”, o mesmo não
dades requer o domínio de certas formas de língua chama- seria possível se quiséssemos colocar o artigo “uma” diante
das línguas técnicas. Abundantes em termos específicos, do signo “cachorro”. A sequência “uma cachorro” contraria
essas formas têm uso praticamente restrito ao intercâmbio uma regra de concordância da língua portuguesa, o que
técnico de engenheiros, químicos, profissionais da área de faz com que essa sentença seja rejeitada. Os signos que
direito e da informática, biólogos, médicos, linguistas e ou- constituem a língua obedecem a padrões determinados
tros especialistas. de organização. O conhecimento de uma língua engloba
- Fatores Naturais: o uso da língua pelos falantes tanto a identificação de seus signos, como também o uso
sofre influência de fatores naturais, como idade e sexo. adequado de suas regras combinatórias.
Uma criança não utiliza a língua da mesma maneira que
um adulto, daí falar-se em linguagem infantil e linguagem Signo: elemento representativo que possui duas par-
adulta. tes indissolúveis: significado e significante. Significado (é o
conceito, a ideia transmitida pelo signo, a parte abstrata
Fala do signo) + Significante (é a imagem sonora, a forma, a
parte concreta do signo, suas letras e seus fonemas).
É a utilização oral da língua pelo indivíduo. É um ato
Língua: conjunto de sinais baseado em palavras que
individual, pois cada indivíduo, para a manifestação da fala,
obedecem às regras gramaticais.
pode escolher os elementos da língua que lhe convém,
conforme seu gosto e sua necessidade, de acordo com a
Fala: uso individual da língua, aberto à criatividade
situação, o contexto, sua personalidade, o ambiente socio-
e ao desenvolvimento da liberdade de expressão e com-
cultural em que vive, etc. Desse modo, dentro da unidade
preensão.
da língua, há uma grande diversificação nos mais variados
níveis da fala. Cada indivíduo, além de  conhecer o que fala,
conhece também o que os outros falam; é por isso que
somos capazes de dialogar com pessoas dos mais variados RECONHECIMENTO DAS RELAÇÕES LÓGICO-
graus de cultura, embora nem sempre a linguagem delas DISCURSIVAS PRESENTES NO TEXTO,
seja exatamente como a nossa.  MARCADAS POR CONJUNÇÕES, ADVÉRBIOS,
Devido ao caráter individual da fala, é possível observar PREPOSIÇÕES ARGUMENTATIVAS,
alguns níveis: LOCUÇÕES ETC. RECONHECIMENTO
DAS RELAÇÕES ENTRE PARTES DE UM
- Nível Coloquial-Popular: é a fala que a maioria das TEXTO, IDENTIFICANDO REPETIÇÕES OU
pessoas utiliza no seu dia a dia, principalmente em situa- SUBSTITUIÇÕES QUE CONTRIBUEM PARA
ções informais. Esse nível da fala é mais espontâneo, ao
SUA CONTINUIDADE. IDENTIFICAÇÃO DE
utilizá-lo, não nos preocupamos em saber se falamos de
EFEITOS DE IRONIA OU HUMOR EM TEXTOS
acordo ou não com as regras formais estabelecidas pela
língua. VARIADOS.

- Nível Formal-Culto: é o nível da fala normalmente


utilizado pelas pessoas em situações formais. Caracteriza- Coesão
se por um cuidado maior com o vocabulário e pela obe-
diência às regras gramaticais estabelecidas pela língua. Uma das propriedades que distinguem um texto de um
amontoado de frases é a relação existente entre os ele-
Signo mentos que os constituem. A coesão textual é a ligação,
a relação, a conexão entre palavras, expressões ou frases
É um elemento representativo que apresenta dois as- do texto. Ela manifesta-se por elementos gramaticais, que
pectos: o significado e o significante. Ao escutar a palavra servem para estabelecer vínculos entre os componentes do
“cachorro”, reconhecemos a sequência de sons que formam texto. Observe:
essa palavra. Esses sons se identificam com a lembrança “O iraquiano leu sua declaração num bloquinho comum
deles que está em nossa memória. Essa lembrança constitui de anotações, que segurava na mão.”

32
LÍNGUA PORTUGUESA

Nesse período, o pronome relativo “que” estabelece São anafóricos ou catafóricos os pronomes demons-
conexão entre as duas orações. O iraquiano leu sua decla- trativos, os pronomes relativos, certos advérbios ou locu-
ração num bloquinho comum de anotações e segurava na ções adverbiais (nesse momento, então, lá), o verbo fazer,
mão, retomando na segunda um dos termos da primeira: o artigo definido, os pronomes pessoais de 3ª pessoa (ele,
bloquinho. O pronome relativo é um elemento coesivo, e a o, a, os, as, lhe, lhes), os pronomes indefinidos. Exemplos:
conexão entre as duas orações, um fenômeno de coesão.
Leia o texto que segue: “Ele era muito diferente de seu mestre, a quem sucedera
na cátedra de Sociologia na Universidade de São Paulo.”
Arroz-doce da infância
O pronome relativo “quem” retoma o substantivo mes-
Ingredientes tre.
1 litro de leite desnatado
150g de arroz cru lavado “As pessoas simplificam Machado de Assis; elas o veem
1 pitada de sal como um pensador cín iço e descrente do amor e da ami-
4 colheres (sopa) de açúcar zade.”
1 colher (sobremesa) de canela em pó
O pronome pessoal “elas” recupera o substantivo pes-
Preparo soas; o pronome pessoal “o” retoma o nome Machado de
Em uma panela ferva o leite, acrescente o arroz, a pitada Assis.
de sal e mexa sem parar até cozinhar o arroz. Adicione o “Os dois homens caminhavam pela calçada, ambos tra-
açúcar e deixe no fogo por mais 2 ou 3 minutos. Despeje em jando roupa escura.”
um recipiente, polvilhe a canela. Sirva.
Cozinha Clássica Baixo Colesterol, nº4. O numeral “ambos” retoma a expressão os dois homens.
São Paulo, InCor, agosto de 1999, p. 42.
“Fui ao cinema domingo e, chegando lá, fiquei desani-
Toda receita culinária tem duas partes: lista dos ingre-
mado com a fila.”
dientes e modo de preparar. As informações apresentadas
na primeira são retomadas na segunda. Nesta, os nomes
O advérbio “lá” recupera a expressão ao cinema.
mencionados pela primeira vez na lista de ingredientes
vêm precedidos de artigo definido, o qual exerce, entre
“O governador vai pessoalmente inaugurar a creche dos
outras funções, a de indicar que o termo determinado por
funcionários do palácio, e o fará para demonstrar seu apreço
ele se refere ao mesmo ser a que uma palavra idêntica já
fizera menção. aos servidores.”
No nosso texto, por exemplo, quando se diz que se
adiciona o açúcar, o artigo citado na primeira parte. Se A forma verbal “fará” retoma a perífrase verbal vai
dissesse apenas adicione açúcar, deveria adicionar, pois se inaugurar e seu complemento.
trataria de outro açúcar, diverso daquele citado no rol dos
ingredientes. - Em princípio, o termo a que o anafórico se refere deve
Há dois tipos principais de mecanismos de coesão: re- estar presente no texto, senão a coesão fica comprometida,
tomada ou antecipação de palavras, expressões ou frases e como neste exemplo:
encadeamento de segmentos.
“André é meu grande amigo. Começou a namorá-la há
Retomada ou Antecipação por meio de uma palavra vários meses.”
gramatical
(pronome, verbos ou advérbios) A rigor, não se pode dizer que o pronome “la” seja um
anafórico, pois não está retomando nenhuma das palavras
“No mercado de trabalho brasileiro, ainda hoje não há citadas antes. Exatamente por isso, o sentido da frase fica
total igualdade entre homens e mulheres: estas ainda ga- totalmente prejudicado: não há possibilidade de se de-
nham menos do que aqueles em cargos equivalentes.” preender o sentido desse pronome.
Pode ocorrer, no entanto, que o anafórico não se refi-
Nesse período, o pronome demonstrativo “estas” reto- ra a nenhuma palavra citada anteriormente no interior do
ma o termo mulheres, enquanto “aqueles” recupera a pa- texto, mas que possa ser inferida por certos pressupostos
lavra homens. típicos da cultura em que se inscreve o texto. É o caso de
Os termos que servem para retomar outros são deno- um exemplo como este:
minados anafóricos; os que servem para anunciar, para an-
tecipar outros são chamados catafóricos. No exemplo a se- “O casamento teria sido às 20 horas. O noivo já estava
guir, desta antecipa abandonar a faculdade no último ano: desesperado, porque eram 21 horas e ela não havia compa-
recido.”
“Já viu uma loucura desta, abandonar a faculdade no
último ano?”

33
LÍNGUA PORTUGUESA

Por dados do contexto cultural, sabe-se que o prono- “O rei do futebol (=Pelé) som podia ser um brasileiro.”
me “ela” é um anafórico que só pode estar-se referindo à
palavra noiva. Num casamento, estando presente o noivo, “O herói de dois mundos (=Garibaldi) foi lembrado
o desespero só pode ser pelo atraso da noiva (representa- numa recente minissérie de tevê.”
da por “ela” no exemplo citado).
- O artigo indefinido serve geralmente para introduzir Referência ao fato notório de Giuseppe Garibaldi haver
informações novas ao texto. Quando elas forem retoma- lutado pela liberdade na Europa e na América.
das, deverão ser precedidas do artigo definido, pois este “Ele é um hércules (=um homem muito forte).
é que tem a função de indicar que o termo por ele deter-
minado é idêntico, em termos de valor referencial, a um Referência à força física que caracteriza o herói grego
termo já mencionado. Hércules.

“O encarregado da limpeza encontrou uma carteira na “Um presidente da República tem uma agenda de tra-
sala de espetáculos. Curiosamente, a carteira tinha muito balho extremamente carregada. Deve receber ministros, em-
dinheiro dentro, mas nem um documento sequer.” baixadores, visitantes estrangeiros, parlamentares; precisa a
todo momento tomar graves decisões que afetam a vida de
- Quando, em dado contexto, o anafórico pode refe- muitas pessoas; necessita acompanhar tudo o que acontece
rir-se a dois termos distintos, há uma ruptura de coesão, no Brasil e no mundo. Um presidente deve começar a traba-
porque ocorre uma ambiguidade insolúvel. É preciso que o lhar ao raiar do dia e terminar sua jornada altas horas da
texto seja escrito de tal forma que o leitor possa determinar noite.”
exatamente qual é a palavra retomada pelo anafórico.
A repetição do termo presidente estabelece a coesão
“Durante o ensaio, o ator principal brigou com o diretor entre o último período e o que vem antes dele.
por causa da sua arrogância.”
O anafórico “sua” pode estar-se referindo tanto à pala- “Observava as estrelas, os planetas, os satélites. Os as-
vra ator quanto a diretor. tros sempre o atraíram.

“André brigou com o ex-namorado de uma amiga, que Os dois períodos estão relacionados pelo hiperônimo
trabalha na mesma firma.” astros, que recupera os hipônimos estrelas, planetas, saté-
lites.
Não se sabe se o anafórico “que” está se referindo ao “Eles (os alquimistas) acreditavam que o organismo do
termo amiga ou a ex-namorado. Permutando o anafórico homem era regido por humores (fluidos orgânicos) que per-
“que” por “o qual” ou “a qual”, essa ambiguidade seria des- corriam, ou apenas existiam, em maior ou menor intensi-
feita. dade em nosso corpo. Eram quatro os humores: o sangue, a
fleuma (secreção pulmonar), a bile amarela e a bile negra.
Retomada por palavra lexical E eram também estes quatro fluidos ligados aos quatro ele-
(substantivo, adjetivo ou verbo) mentos fundamentais: ao Ar (seco), à Água (úmido), ao Fogo
(quente) e à Terra (frio), respectivamente.”
Uma palavra pode ser retomada, que por uma repeti- Ziraldo. In: Revista Vozes, nº3, abril de 1970, p.18.
ção, quer por uma substituição por sinônimo, hiperônimo,
hipônimo ou antonomásia. Nesse texto, a ligação entre o segundo e o primeiro
Sinônimo é o nome que se dá a uma palavra que pos- períodos se faz pela repetição da palavra humores; entre
sui o mesmo sentido que outra, ou sentido bastante apro- o terceiro e o segundo se faz pela utilização do sinônimo
ximado: injúria e afronta, alegre e contente. fluidos.
Hiperônimo é um termo que mantém com outro uma É preciso manejar com muito cuidado a repetição de
relação do tipo contém/está contido; palavras, pois, se ela não for usada para criar um efeito de
Hipônimo é uma palavra que mantém com outra uma sentido de intensificação, constituirá uma falha de estilo.
relação do tipo está contido/contém. O significado do ter- No trecho transcrito a seguir, por exemplo, fica claro o uso
mo rosa está contido no de flor e o de flor contém o de da repetição da palavra vice e outras parecidas (vicissitudes,
rosa, pois toda rosa é uma flor, mas nem toda flor é uma vicejam, viciem), com a evidente intenção de ridicularizar a
rosa. Flor é, pois, hiperônimo de rosa, e esta palavra é hi- condição secundária que um provável flamenguista atribui
pônimo daquela. ao Vasco e ao seu Vice-presidente:
Antonomásia é a substituição de um nome próprio
por um nome comum ou de um comum por um próprio. “Recebi por esses dias um e-mail com uma série de pia-
Ela ocorre, principalmente, quando uma pessoa célebre das sobre o pouco simpático Eurico Miranda. Faltam-me
é designada por uma característica notória ou quando o provas, mas tudo leva a crer que o remetente seja um fla-
nome próprio de uma personagem famosa é usada para menguista.”
designar outras pessoas que possuam a mesma caracterís-
tica que a distingue:

34
LÍNGUA PORTUGUESA

Segundo o texto, Eurico nasceu para ser vice: é vice Coesão por Conexão
-presidente do clube, vice-campeão carioca e bi vice-cam-
peão mundial. E isso sem falar do vice no Carioca de futsal, Há na língua uma série de palavras ou locuções que
no Carioca de basquete, no Brasileiro de basquete e na são responsáveis pela concatenação ou relação entre seg-
Taça Guanabara. São vicissitudes que vicejam. Espero que mentos do texto. Esses elementos denominam-se conecto-
não viciem. res ou operadores discursivos. Por exemplo: visto que, até,
José Roberto Torero. In: Folha de S. Paulo, ora, no entanto, contudo, ou seja.
08/03/2000, p. 4-7. Note-se que eles fazem mais do que ligar partes do
texto: estabelecem entre elas relações semânticas de di-
A elipse é o apagamento de um segmento de frase versos tipos, como contrariedade, causa, consequência,
que pode ser facilmente recuperado pelo contexto. Tam- condição, conclusão, etc. Essas relações exercem função
bém constitui um expediente de coesão, pois é o apaga- argumentativa no texto, por isso os operadores discursivos
mento de um termo que seria repetido, e o preenchimento não podem ser usados indiscriminadamente.
do vazio deixado pelo termo apagado (=elíptico) exige, ne- Na frase “O time apresentou um bom futebol, mas não
cessariamente, que se faça correlação com outros termos
alcançou a vitória”, por exemplo, o conector “mas” está
presentes no contexto, ou referidos na situação em que se
adequadamente usado, pois ele liga dois segmentos com
desenrola a fala.
orientação argumentativa contrária.
Vejamos estes versos do poema “Círculo vicioso”, de
Machado de Assis: Se fosse utilizado, nesse caso, o conector “portanto”, o
resultado seria um paradoxo semântico, pois esse opera-
(...) dor discursivo liga dois segmentos com a mesma orienta-
Mas a lua, fitando o sol, com azedume: ção argumentativa, sendo o segmento introduzido por ele
a conclusão do anterior.
“Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela
Claridade imorta, que toda a luz resume!” - Gradação: há operadores que marcam uma grada-
Obra completa. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1979, ção numa série de argumentos orientados para uma mes-
v.III, p. 151. ma conclusão. Dividem-se eles, em dois subtipos: os que
indicam o argumento mais forte de uma série: até, mesmo,
Nesse caso, o verbo dizer, que seria enunciado antes até mesmo, inclusive, e os que subentendem uma escala
daquilo que disse a lua, isto é, antes das aspas, fica suben- com argumentos mais fortes: ao menos, pelo menos, no mí-
tendido, é omitido por ser facilmente presumível. nimo, no máximo, quando muito.
Qualquer segmento da frase pode sofrer elipse. Veja
que, no exemplo abaixo, é o sujeito meu pai que vem elidi- “Ele é um bom conferencista: tem uma voz bonita, é bem
do (ou apagado) antes de sentiu e parou: articulado, conhece bem o assunto de que fala e é até se-
dutor.”
“Meu pai começou a andar novamente, sentiu a pontada
no peito e parou.” Toda a série de qualidades está orientada no sentido
Pode ocorrer também elipse por antecipação. No de comprovar que ele é bom conferencista; dentro dessa
exemplo que segue, aquela promoção é complemento tan- série, ser sedutor é considerado o argumento mais forte.
to de querer quanto de desejar, no entanto aparece apenas
depois do segundo verbo: “Ele é ambicioso e tem grande capacidade de trabalho.
“Ficou muito deprimido com o fato de ter sido preferido. Chegará a ser pelo menos diretor da empresa.”
Afinal, queria muito, desejava ardentemente aquela promo-
Pelo menos introduz um argumento orientado no mes-
ção.”
mo sentido de ser ambicioso e ter grande capacidade de
trabalho; por outro lado, subentende que há argumentos
Quando se faz essa elipse por antecipação com verbos
que têm regência diferente, a coesão é rompida. Por exem- mais fortes para comprovar que ele tem as qualidades re-
plo, não se deve dizer “Conheço e gosto deste livro”, pois queridas dos que vão longe (por exemplo, ser presidente
o verbo conhecer rege complemento não introduzido por da empresa) e que se está usando o menos forte; ao me-
preposição, e a elipse retoma o complemento inteiro, por- nos, pelo menos e no mínimo ligam argumentos de valor
tanto teríamos uma preposição indevida: “Conheço (deste positivo.
livro) e gosto deste livro”. Em “Implico e dispenso sem dó
os estranhos palpiteiros”, diferentemente, no complemento “Ele não é bom aluno. No máximo vai terminar o se-
em elipse faltaria a preposição “com” exigida pelo verbo gundo grau.”
implicar. No máximo introduz um argumento orientado no mes-
Nesses casos, para assegurar a coesão, o recomendá- mo sentido de ter muita dificuldade de aprender; supõe
vel é colocar o complemento junto ao primeiro verbo, res- que há uma escala argumentativa (por exemplo, fazer uma
peitando sua regência, e retomá-lo após o segundo por um faculdade) e que se está usando o argumento menos for-
anafórico, acrescentando a preposição devida (Conheço te da escala no sentido de provar a afirmação anterior; no
este livro e gosto dele) ou eliminando a indevida (Implico máximo e quando muito estabelecem ligação entre argu-
com estranhos palpiteiros e os dispenso sem dó). mentos de valor depreciativo.

35
LÍNGUA PORTUGUESA

- Conjunção Argumentativa: há operadores que as- O comparativo de igualdade tem no texto uma função
sinalam uma conjunção argumentativa, ou seja, ligam um argumentativa: mostrar que o problema da fuga de presos
conjunto de argumentos orientados em favor de uma dada cresce à medida que aumenta a corrupção entre os agen-
conclusão: e, também, ainda, nem, não só... mas também, tes penitenciários; por isso, os segmentos podem até ser
tanto... como, além de, a par de. permutáveis do ponto de vista sintático, mas não o são do
ponto de vista argumentativo, pois não há igualdade argu-
“Se alguém pode tomar essa decisão é você. Você é o mentativa proposta, “Tanto maior será a corrupção entre os
diretor da escola, é muito respeitado pelos funcionários e agentes penitenciários quanto mais grave for o problema da
também é muito querido pelos alunos.” fuga de presos”.
Muitas vezes a permutação dos segmentos leva a con-
Arrolam-se três argumentos em favor da tese que é o clusões opostas: Imagine-se, por exemplo, o seguinte diá-
interlocutor quem pode tomar uma dada decisão. O último logo entre o diretor de um clube esportivo e o técnico de
deles é introduzido por “e também”, que indica um argu-
futebol:
mento final na mesma direção argumentativa dos prece-
dentes.
“__Precisamos promover atletas das divisões de base
Esses operadores introduzem novos argumentos; não
significam, em hipótese nenhuma, a repetição do que já para reforçar nosso time.
foi dito. Ou seja, só podem ser ligados com conectores __Qualquer atleta das divisões de base é tão bom quan-
de conjunção segmentos que representam uma progres- to os do time principal.”
são discursiva. É possível dizer “Disfarçou as lágrimas que Nesse caso, o argumento do técnico é a favor da pro-
o assaltaram e continuou seu discurso”, porque o segundo moção, pois ele declara que qualquer atleta das divisões de
segmento indica um desenvolvimento da exposição. Não base tem, pelo menos, o mesmo nível dos do time princi-
teria cabimento usar operadores desse tipo para ligar dois pal, o que significa que estes não primam exatamente pela
segmentos como “Disfarçou as lágrimas que o assaltaram excelência em relação aos outros.
e escondeu o choro que tomou conta dele”. Suponhamos, agora, que o técnico tivesse invertido os
segmentos na sua fala:
- Disjunção Argumentativa: há também operadores
que indicam uma disjunção argumentativa, ou seja, fazem “__Qualquer atleta do time principal é tão bom quanto
uma conexão entre segmentos que levam a conclusões os das divisões de base.”
opostas, que têm orientação argumentativa diferente: ou,
ou então, quer... quer, seja... seja, caso contrário, ao contrário. Nesse caso, seu argumento seria contra a necessidade
da promoção, pois ele estaria declarando que os atletas do
“Não agredi esse imbecil. Ao contrário, ajudei a separar time principal são tão bons quanto os das divisões de base.
a briga, para que ele não apanhasse.”
- Explicação ou Justificativa: há operadores que in-
O argumento introduzido por ao contrário é diame- troduzem uma explicação ou uma justificativa em relação
tralmente oposto àquele de que o falante teria agredido ao que foi dito anteriormente: porque, já que, que, pois.
alguém.
“Já que os Estados Unidos invadiram o Iraque sem au-
- Conclusão: existem operadores que marcam uma torização da ONU, devem arcar sozinhos com os custos da
conclusão em relação ao que foi dito em dois ou mais
guerra.”
enunciados anteriores (geralmente, uma das afirmações
de que decorre a conclusão fica implícita, por manifestar
Já que inicia um argumento que dá uma justificativa
uma voz geral, uma verdade universalmente aceita): logo,
portanto, por conseguinte, pois (o pois é conclusivo quando para a tese de que os Estados Unidos devam arcar sozinhos
não encabeça a oração). com o custo da guerra contra o Iraque.
“Essa guerra é uma guerra de conquista, pois visa ao - Contrajunção: os operadores discursivos que as-
controle dos fluxos mundiais de petróleo. Por conseguinte, sinalam uma relação de contrajunção, isto é, que ligam
não é moralmente defensável.” enunciados com orientação argumentativa contrária, são
as conjunções adversativas (mas, contudo, todavia, no en-
Por conseguinte introduz uma conclusão em relação à tanto, entretanto, porém) e as concessivas (embora, apesar
afirmação exposta no primeiro período. de, apesar de que, conquanto, ainda que, posto que, se bem
que).
- Comparação: outros importantes operadores discur- Qual é a diferença entre as adversativas e as conces-
sivos são os que estabelecem uma comparação de igual- sivas, se tanto umas como outras ligam enunciados com
dade, superioridade ou inferioridade entre dois elementos, orientação argumentativa contrária?
com vistas a uma conclusão contrária ou favorável a certa Nas adversativas, prevalece a orientação do segmento
ideia: tanto... quanto, tão... como, mais... (do) que. introduzido pela conjunção.
“Os problemas de fuga de presos serão tanto mais gra-
ves quanto maior for a corrupção entre os agentes peniten- “O atleta pode cair por causa do impacto, mas se levan-
ciários.” ta mais decidido a vencer.”

36
LÍNGUA PORTUGUESA

Nesse caso, a primeira oração conduz a uma conclu- O conector introduz uma amplificação do que foi dito
são negativa sobre um processo ocorrido com o atleta, antes.
enquanto a começada pela conjunção “mas” leva a uma
conclusão positiva. Essa segunda orientação é a mais forte. “Ele é um técnico retranqueiro, como aliás o são todos os
Compare-se, por exemplo, “Ela é simpática, mas não é que atualmente militam no nosso futebol.
bonita” com “Ela não é bonita, mas é simpática”. No primei- O conector introduz uma generalização ao que foi afir-
ro caso, o que se quer dizer é que a simpatia é suplanta- mado: não “ele”, mas todos os técnicos do nosso futebol
da pela falta de beleza; no segundo, que a falta de beleza são retranqueiros.
perde relevância diante da simpatia. Quando se usam as
conjunções adversativas, introduz-se um argumento com - Especificação ou Exemplificação: também há ope-
vistas a determinada conclusão, para, em seguida, apresen- radores que marcam uma especificação ou uma exempli-
tar um argumento decisivo para uma conclusão contrária. ficação do que foi afirmado anteriormente: por exemplo,
Com as conjunções concessivas, a orientação argu-
como.
mentativa que predomina é a do segmento não introduzi-
do pela conjunção.
“A violência não é um fenômeno que está dissemina-
“Embora haja conexão entre saber escrever e saber gra- do apenas entre as camadas mais pobres da população. Por
mática, trata-se de capacidades diferentes.” exemplo, é crescente o número de jovens da classe média
A oração iniciada por “embora” apresenta uma orien- que estão envolvidos em toda sorte de delitos, dos menos
tação argumentativa no sentido de que saber escrever e aos mais graves.”
saber gramática são duas coisas interligadas; a oração prin- Por exemplo assinala que o que vem a seguir especifica,
cipal conduz à direção argumentativa contrária. exemplifica a afirmação de que a violência não é um fenô-
Quando se utilizam conjunções concessivas, a estraté- meno adstrito aos membros das “camadas mais pobres da
gia argumentativa é a de introduzir no texto um argumen- população”.
to que, embora tido como verdadeiro, será anulado por
outro mais forte com orientação contrária. - Retificação ou Correção: há ainda os que indicam
A diferença entre as adversativas e as concessivas, por- uma retificação, uma correção do que foi afirmado antes:
tanto, é de estratégia argumentativa. Compare os seguin- ou melhor, de fato, pelo contrário, ao contrário, isto é, quer
tes períodos: dizer, ou seja, em outras palavras. Exemplo:

“Por mais que o exército tivesse planejado a operação “Vou-me casar neste final de semana. Ou melhor, vou
(argumento mais fraco), a realidade mostrou-se mais com- passar a viver junto com minha namorada.”
plexa (argumento mais forte).”
“O exército planejou minuciosamente a operação (argu- O conector inicia um segmento que retifica o que foi
mento mais fraco), mas a realidade mostrou-se mais com- dito antes.
plexa (argumento mais forte).” Esses operadores servem também para marcar um es-
clarecimento, um desenvolvimento, uma redefinição do
- Argumento Decisivo: há operadores discursivos que conteúdo enunciado anteriormente. Exemplo:
introduzem um argumento decisivo para derrubar a argu-
mentação contrária, mas apresentando-o como se fosse “A última tentativa de proibir a propaganda de cigarros
um acréscimo, como se fosse apenas algo mais numa sé-
nas corridas de Fórmula 1 não vingou. De fato, os interesses
rie argumentativa: além do mais, além de tudo, além disso,
dos fabricantes mais uma vez prevaleceram sobre os da
ademais.
saúde.”
“Ele está num período muito bom da vida: começou a
namorar a mulher de seus sonhos, foi promovido na empre- O conector introduz um esclarecimento sobre o que
sa, recebeu um prêmio que ambicionava havia muito tempo foi dito antes.
e, além disso, ganhou uma bolada na loteria.” Servem ainda para assinalar uma atenuação ou um re-
O operador discursivo introduz o que se considera a forço do conteúdo de verdade de um enunciado. Exemplo:
prova mais forte de que “Ele está num período muito bom
da vida”; no entanto, essa prova é apresentada como se “Quando a atual oposição estava no comando do país,
fosse apenas mais uma. não fez o que exige hoje que o governo faça. Ao contrário,
suas políticas iam na direção contrária do que prega atual-
- Generalização ou Amplificação: existem operado- mente.
res que assinalam uma generalização ou uma amplificação O conector introduz um argumento que reforça o que
do que foi dito antes: de fato, realmente, como aliás, tam- foi dito antes.
bém, é verdade que. - Explicação: há operadores que desencadeiam uma
explicação, uma confirmação, uma ilustração do que foi
“O problema da erradicação da pobreza passa pela ge- afirmado antes: assim, desse modo, dessa maneira.
ração de empregos. De fato, só o crescimento econômico “O exército inimigo não desejava a paz. Assim, enquanto
leva ao aumento de renda da população.” se processavam as negociações, atacou de surpresa.”

37
LÍNGUA PORTUGUESA

O operador introduz uma confirmação do que foi afir- Esse texto contém três períodos. O segundo indica a
mado antes. causa de a reforma política ser indispensável. Portanto o
ponto-final do primeiro período está no lugar de um por-
Coesão por Justaposição que.
A língua tem um grande número de conectores e se-
É a coesão que se estabelece com base na sequência quenciadores. Apresentamos os principais e explicamos
dos enunciados, marcada ou não com sequenciadores. sua função. É preciso ficar atento aos fenômenos de coe-
Examinemos os principais sequenciadores. são. Mostramos que o uso inadequado dos conectores e a
utilização inapropriada dos anafóricos ou catafóricos ge-
- Sequenciadores Temporais: são os indicadores de ram rupturas na coesão, o que leva o texto a não ter sen-
anterioridade, concomitância ou posterioridade: dois meses tido ou, pelo menos, a não ter o sentido desejado. Outra
depois, uma semana antes, um pouco mais tarde, etc. (são falha comum no que tange a coesão é a falta de partes
utilizados predominantemente nas narrações). indispensáveis da oração ou do período. Analisemos este
“Uma semana antes de ser internado gravemente exemplo:
doente, ele esteve conosco. Estava alegre e cheio de planos
para o futuro.” “As empresas que anunciaram que apoiariam a campa-
- Sequenciadores Espaciais: são os indicadores de po- nha de combate à fome que foi lançada pelo governo fede-
sição relativa no espaço: à esquerda, à direita, junto de, etc. ral.”
(são usados principalmente nas descrições). O período compõe-se de:
- As empresas
“A um lado, duas estatuetas de bronze dourado, repre- - que anunciaram (oração subordinada adjetiva restriti-
sentando o amor e a castidade, sustentam uma cúpula oval va da primeira oração)
de forma ligeira, donde se desdobram até o pavimento bam- - que apoiariam a campanha de combate à fome (ora-
bolins de cassa finíssima. (...) Do outro lado, há uma lareira, ção subordinada substantiva objetiva direta da segunda
não de fogo, que o dispensa nosso ameno clima fluminense, oração)
ainda na maior força do inverno.”
- que foi lançada pelo governo federal (oração subordi-
José de Alencar. Senhora.
nada adjetiva restritiva da terceira oração).
São Paulo, FTD, 1992, p. 77.
Observe-se que falta o predicado da primeira oração.
- Sequenciadores de Ordem: são os que assinalam a
Quem escreveu o período começou a encadear orações su-
ordem dos assuntos numa exposição: primeiramente, em
bordinadas e “esqueceu-se” de terminar a principal.
segunda, a seguir, finalmente, etc.
Quebras de coesão desse tipo são mais comuns em
“Para mostrar os horrores da guerra, falarei, inicial- períodos longos. No entanto, mesmo quando se elaboram
mente, das agruras por que passam as populações civis; em períodos curtos é preciso cuidar para que sejam sintatica-
seguida, discorrerei sobre a vida dos soldados na frente de mente completos e para que suas partes estejam bem co-
batalha; finalmente, exporei suas consequências para a eco- nectadas entre si.
nomia mundial e, portanto, para a vida cotidiana de todos Para que um conjunto de frases constitua um texto,
os habitantes do planeta.” não basta que elas estejam coesas: se não tiverem unidade
de sentido, mesmo que aparentemente organizadas, elas
- Sequenciadores para Introdução: são os que, na não passarão de um amontoado injustificado. Exemplo:
conversação principalmente, servem para introduzir um
tema ou mudar de assunto: a propósito, por falar nisso, mas “Vivo há muitos anos em São Paulo. A cidade tem exce-
voltando ao assunto, fazendo um parêntese, etc. lentes restaurantes. Ela tem bairros muito pobres. Também o
Rio de Janeiro tem favelas.”
“Joaquim viveu sempre cercado do carinho de muitas
pessoas. A propósito, era um homem que sabia agradar às Todas as frases são coesas. O hiperônimo cidade reto-
mulheres.” ma o substantivo São Paulo, estabelecendo uma relação
entre o segundo e o primeiro períodos. O pronome “ela”
- Operadores discursivos não explicitados: se o texto recupera a palavra cidade, vinculando o terceiro ao segun-
for construído sem marcadores de sequenciação, o leitor do período. O operador também realiza uma conjunção
deverá inferir, a partir da ordem dos enunciados, os ope- argumentativa, relacionando o quarto período ao terceiro.
radores discursivos não explicitados na superfície textual. No entanto, esse conjunto não é um texto, pois não apre-
Nesses casos, os lugares dos diferentes conectores estarão senta unidade de sentido, isto é, não tem coerência. A coe-
indicados, na escrita, pelos sinais de pontuação: ponto-fi- são, portanto, é condição necessária, mas não suficiente,
nal, vírgula, ponto-e-vírgula, dois-pontos. para produzir um texto.
“A reforma política é indispensável. Sem a existência da
fidelidade partidária, cada parlamentar vota segundo seus
interesses e não de acordo com um programa partidário. As-
sim, não há bases governamentais sólidas.”

38
LÍNGUA PORTUGUESA

Coerência Que é a unidade de sentido resultante da relação que


se estabelece entre as partes do texto. Uma ideia ajuda a
Infância compreender a outra, produzindo um sentido global, à luz
do qual cada uma das partes ganha sentido. No poema aci-
O camisolão ma, os subtítulos “Infância”, “Adolescência”, “Maturidade”
O jarro e “Velhice” garantem essa unidade. Colocar a participação
O passarinho formal do nascimento da filha, por exemplo, sob o título
O oceano “Maturidade” dá a conotação da responsabilidade habi-
A vista na casa que a gente sentava no sofá tualmente associada ao indivíduo adulto e cria um sentido
unitário.
Adolescência Esse texto, como outros do mesmo tipo, comprova que
um conjunto de enunciados pode formar um todo coeren-
Aquele amor te mesmo sem a presença de elementos coesivos, isto é,
Nem me fale mesmo sem a presença explícita de marcadores de relação
entre as diferentes unidades linguísticas. Em outros termos,
Maturidade a coesão funciona apenas como um mecanismo auxiliar na
produção da unidade de sentido, pois esta depende, na
O Sr. e a Sra. Amadeu verdade, das relações subjacentes ao texto, da não-con-
Participam a V. Exa. tradição entre as partes, da continuidade semântica, em
O feliz nascimento síntese, da coerência.
De sua filha A coerência é um fator de interpretabilidade do texto,
Gilberta pois possibilita que todas as suas partes sejam englobadas
Velhice num único significado que explique cada uma delas. Quan-
do esse sentido não pode ser alcançado por faltar relação
O netinho jogou os óculos de sentido entre as partes, lemos um texto incoerente,
Na latrina como este:
Oswaldo de Andrade. Poesias reunidas. A todo ser humano foi dado o direito de opção entre a
4ª Ed. Rio de Janeiro mediocridade de uma vida que se acomoda e a grandeza de
Civilização Brasileira, 1974, p. 160-161. uma vida voltada para o aprimoramento intelectual.
Talvez o que mais chame a atenção nesse poema, ao A adolescência é uma fase tão difícil que todos enfren-
menos à primeira vista, seja a ausência de elementos de tam. De repente vejo que não sou mais uma “criancinha”
coesão, quer retomando o que foi dito antes, quer enca- dependente do “papai”. Chegou a hora de me decidir! Tenho
deando segmentos textuais. No entanto, percebemos nele que escolher uma profissão para me realizar e ser indepen-
um sentido unitário, sobretudo se soubermos que o seu dente financeiramente.
título é “As quatro gares”, ou seja, as quatro estações. No país em que vivemos, que predomina o capitalismo,
Com essa informação, podemos imaginar que se trata o mais rico sempre é quem vence!
de flashes de cada uma das quatro grandes fases da vida: a Apud: J. A. Durigan, M. B. M. Abaurre e Y. F. Vieira
infância, a adolescência, a maturidade e a velhice. A primei- (orgs).
ra é caracterizada pelas descobertas (o oceano), por ações A magia da mudança. Campinas, Unicamp, 1987,
(o jarro, que certamente a criança quebrara; o passarinho p. 53.
que ela caçara) e por experiências marcantes (a visita que Nesses parágrafos, vemos três temas (direito de opção;
se percebia na sala apropriada e o camisolão que se usava adolescência e escolha profissional; relações sociais sob o
para dormir); a segunda é caracterizada por amores perdi- capitalismo) que mantêm relações muito tênues entre si.
dos, de que não se quer mais falar; a terceira, pela forma- Esse fato, prejudicando a continuidade semântica entre as
lidade e pela responsabilidade indicadas pela participação partes, impede a apreensão do todo e, portanto, configura
formal do nascimento da filha; a última, pela condescen- um texto incoerente.
dência para com a traquinagem do neto (a quem cabe a Há no texto, vários tipos de relação entre as partes que
vez de assumir a ação). A primeira parte é uma sucessão de o compõem, e, por isso, costuma-se falar em vários níveis
palavras; a segunda, uma frase em que falta um nexo sintá- de coerência.
tico; a terceira, a participação do nascimento de uma filha;
e a quarta, uma oração completa, porém aparentemente Coerência Narrativa
desgarrada das demais.
Como se explica que sejamos capazes de entender A coerência narrativa consiste no respeito às implica-
esse poema em seus múltiplos sentidos, apesar da falta de ções lógicas entre as partes do relato. Por exemplo, para
marcadores de coesão entre as partes? que um sujeito realize uma ação, é preciso que ele tenha
A explicação está no fato de que ele tem uma qualida- competência para tanto, ou seja, que saiba e possa efetuá
de indispensável para a existência de um texto: a coerência. -la. Constitui, então, incoerência narrativa o seguinte exem-
plo: o narrador conta que foi a uma festa onde todos fu-
mavam e, por isso, a espessa fumaça impedia que se visse

39
LÍNGUA PORTUGUESA

qualquer coisa; de repente, sem mencionar nenhuma mu- patíveis umas com as outras. Seria estranho (para dizer o
dança dessa situação, ele diz que se encostou a uma colu- mínimo) que alguém, ao descrever um jantar oferecido no
na e passou a observar as pessoas, que eram ruivas, loiras, palácio do Itamarati a um governador estrangeiro, depois
morenas. Se o narrador diz que não podia enxergar nada, de falar de baixela de prata, porcelana finíssima, flores, can-
é incoerente dizer que via as pessoas com tanta nitidez. delabros, toalhas de renda, incluísse no percurso figurativo
Em outros termos, se nega a competência para a realização guardanapos de papel.
de um desempenho qualquer, esse desempenho não pode
ocorrer. Isso por respeito às leis da coerência narrativa. Ob- Coerência Temporal
serve outro exemplo:
Por coerência temporal entende-se aquela que concer-
“Pior fez o quarto-zagueiro Edinho Baiano, do Paraná ne à sucessão dos eventos e à compatibilidade dos enun-
Clube, entrevistado por um repórter da Rádio Cidade. O Pa- ciados do ponto de vista de sua localização no tempo. Não
raná tinha tomado um balaio de gols do Guarani de Campi- se poderia, por exemplo, dizer: “O assassino foi executado
nas, alguns dias antes. O repórter queria saber o que tinha na câmara de gás e, depois, condenado à morte”.
acontecido. Edinho não teve dúvida sobre os motivos:
__ Como a gente já esperava, fomos surpreendidos pelo Coerência Espacial
ataque do Guarani.”
Ernâni Buchman. In: Folha de Londrina. A coerência espacial diz respeito à compatibilidade dos
enunciados do ponto de vista da localização no espaço.
A surpresa implica o inesperado. Não se pode ser sur- Seria incoerente, por exemplo, o seguinte texto: “O filme ‘A
preendido com o que já se esperava que acontecesse. Marvada Carne’ mostra a mudança sofrida por um homem
que vivia lá no interior e encanta-se com a agitação e a di-
Coerência Argumentativa versidade da vida na capital, pois aqui já não suportava mais
a mesmice e o tédio”. Dizendo lá no interior, o enunciador
A coerência argumentativa diz respeito às relações de dá a entender que seu pronunciamento está sendo feito de
implicação ou de adequação entre premissas e conclusões algum lugar distante do interior; portanto ele não poderia
ou entre afirmações e consequências. Não é possível al- usar o advérbio “aqui” para localizar “a mesmice” e “o té-
guém dizer que é a favor da pena de morte porque é con- dio” que caracterizavam a vida interiorana da personagem.
tra tirar a vida de alguém. Da mesma forma, é incoerente
Em síntese, não é coerente usar “lá” e “aqui” para indicar o
defender o respeito à lei e à Constituição Brasileira e ser
mesmo lugar.
favorável à execução de assaltantes no interior de prisões.
Coerência do Nível de Linguagem Utilizado
Muitas vezes, as conclusões não são adequadas às
premissas. Não há coerência, por exemplo, num raciocínio
A coerência do nível de linguagem utilizado é aquela
como este:
que concerne à compatibilidade do léxico e das estrutu-
ras morfossintáticas com a variante escolhida numa dada
Há muitos servidores públicos no Brasil que são verda-
deiros marajás. situação de comunicação. Ocorre incoerência relacionada
O candidato a governador é funcionário público. ao nível de linguagem quando, por exemplo, o enunciador
Portanto o candidato é um marajá. utiliza um termo chulo ou pertencente à linguagem infor-
mal num texto caracterizado pela norma culta formal. Tan-
Segundo uma lei da lógica formal, não se pode con- to sabemos que isso não é permitido que, quando o faze-
cluir nada com certeza baseado em duas premissas parti- mos, acrescentamos uma ressalva: com perdão da palavra,
culares. Dizer que muitos servidores públicos são marajás se me permitem dizer. Observe um exemplo de incoerência
não permite concluir que qualquer um seja. nesse nível:
A falta de relação entre o que se diz e o que foi dito
anteriormente também constitui incoerência. É o que se vê “Tendo recebido a notificação para pagamento da cha-
neste diálogo: mada taxa do lixo, ouso dirigir-me a V. Exª, senhora prefeita,
“__ Vereador, o senhor é a favor ou contra o pagamento para expor-lhe minha inconformidade diante dessa medida,
de pedágio para circular no centro da cidade? porque o IPTU foi aumentado, no governo anterior, de 0,6%
__ É preciso melhorar a vida dos habitantes das grandes para 1% do valor venal do imóvel exatamente para cobrir
cidades. A degradação urbana atinge a todos nós e, por con- as despesas da municipalidade com os gastos de coleta e
seguinte, é necessário reabilitar as áreas que contam com destinação dos resíduos sólidos produzidos pelos moradores
abundante oferta de serviços públicos.” de nossa cidade. Francamente, achei uma sacanagem esta
armação da Prefeitura: jogar mais um gasto nas costas da
Coerência Figurativa gente.”

A coerência figurativa refere-se à compatibilidade das Como se vê, o léxico usado no último período do texto
figuras que manifestam determinado tema. Para que o lei- destoa completamente do utilizado no período anterior.
tor possa perceber o tema que está sendo veiculado por
uma série de figuras encadeadas, estas precisam ser com-

40
LÍNGUA PORTUGUESA

Ninguém há de negar a incoerência de um texto como À primeira vista, parece não haver nenhuma coerência
este: Saltou para a rua, abriu a janela do 5º andar e dei- na enumeração desses elementos. Quando ficamos saben-
xou um bilhete no parapeito explicando a razão de seu sui- do, no entanto, que eles fazem parte de um texto intitulado
cídio, em que há evidente violação da lei sucessivamente “100 motivos para gostar de São Paulo”, o que aparente-
dos eventos. Entretanto talvez nem todo mundo concorde mente era caótico torna-se coerente:
que seja incoerente incluir guardanapos de papel no jantar
do Itamarati descrito no item sobre coerência figurativa, 100 motivos para gostar de São Paulo
alguém poderia objetivar que é preconceito considerá-los
inadequados. Então, justifica-se perguntar: o que, afinal, 1. Um chopps
determina se um texto é ou não coerente? 2. E dois pastel
A natureza da coerência está relacionada a dois concei- (...)
tos básicos de verdade: adequação à realidade e conformi- 5. O polpettone do Jardim de Napoli
dade lógica entre os enunciados. (...)
Vimos que temos diferentes níveis de coerência: nar- 30. Cruzar a Ipiranga com a av. São João
rativa, argumentativa, figurativa, etc. Em cada nível, temos (...)
duas espécies diversas de coerência: 43. O “Parmera”
- extratextual: aquela que diz respeito à adequação (...)
entre o texto e uma “realidade” exterior a ele. 45. O “Curíntia”
- intratextual: aquela que diz respeito à compatibili- (..)
dade, à adequação, à não-contradição entre os enunciados 59. Todo mundo estar usando cinto de segurança
do texto. (...)
A exterioridade a que o conteúdo do texto deve ajus- O texto apresenta os traços culturais da cidade, e to-
tar-se pode ser: dos convergem para um único significado: a celebração da
- o conhecimento do mundo: o conjunto de dados capital do estado de São Paulo no seu aniversário. Os dois
referentes ao mundo físico, à cultura de um povo, ao con- primeiros itens de nosso exemplo referem-se a marcas lin-
teúdo das ciências, etc. que constitui o repertório com que
guísticas do falar paulistano; o terceiro, a um prato que tor-
se produzem e se entendem textos. O período “O homem
nou conhecido o restaurante chamado Jardim de Napoli; o
olhou através das paredes e viu onde os bandidos escon-
quarto, a um verso da música “Sampa”, de Caetano Veloso;
diam a vítima que havia sido sequestrada” é incoerente,
o sexto e o sétimo, à maneira como os dois times mais
pois nosso conhecimento do mundo diz que homens não
populares da cidade são denominados na variante linguís-
vêem através das paredes. Temos, então, uma incoerência
tica popular; o último à obediência a uma lei que na época
figurativa extratextual.
ainda não vigorava no resto do país.
- os mecanismos semânticos e gramaticais da lín-
gua: o conjunto dos conhecimentos sobre o código lin- - A situação de comunicação:
guístico necessário à codificação de mensagens decodifi-
cáveis por outros usuários da mesma língua. O texto se- __A telefônica.
guinte, por exemplo, está absolutamente sem sentido por __Era hoje?
inobservância de mecanismos desse tipo:
“Conscientizar alunos pré-sólidos ao ingresso de uma Esse diálogo não seria compreendido fora da situação
carreira universitária informações críticas a respeito da de interlocução, porque deixa implícitos certos enunciados
realidade profissional a ser optada. Deve ser ciado novos que, dentro dela, são perfeitamente compreendidos:
métodos criativos nos ensinos de primeiro e segundo grau:
estimulando o aluno a formação crítica de suas ideias as __ O empregado da companhia telefônica que vinha
quais, serão a praticidade cotidiana. Aptidões pessoais serão consertar o telefone está aí.
associadas a testes vocacionais sérios de maneira discursiva __ Era hoje que ele viria?
a analisar conceituações fundamentais.”
- O conhecimento de mundo:
Apud: J. A. Durigan et alii. Op. cit., p. 58.
31 de março / 1º de abril
Fatores de Coerência Dúvida Revolucionária

- O contexto: para uma dada unidade linguística, fun- Ontem foi hoje?
ciona como contexto a unidade linguística maior que ela: Ou hoje é que foi ontem?
a sílaba é contexto para o fonema; a palavra, para a sílaba;
a oração, para a palavra; o período, para a oração; o texto, Aparentemente, falta coerência temporal a esse poema:
para o período, e assim por diante. o que significa “ontem foi hoje” ou “hoje é que foi ontem?”.
“Um chopps, dois pastel, o polpettone do Jardim de Na- No entanto, as duas datas colocadas no início do poema
poli, cruzar a Ipiranga com a avenida São João, o “Parmera”, e o título remetem a um episódio da História do Brasil, o
o “Curíntia”, todo mundo estar usando cinto de segurança.” golpe militar de 1964, chamado Revolução de 1964. Esse

41
LÍNGUA PORTUGUESA

fato deve fazer parte de nosso conhecimento de mundo, subjetivas; que sua posição é antimetafísica; que não deve-
assim como o detalhe de que ele ocorreu no dia 1º de abril, mos interpretar a realidade pela inteligência, pois essa in-
mas sua comemoração foi mudada para 31 de março, para terpretação conduz a simples conceitos vazios, em síntese,
evitar relações entre o evento e o “dia da mentira”. é preciso ter lido textos de Caeiro. Por outro lado, é preciso
saber que o ortônimo (Fernando Pessoa ele mesmo) expri-
- As regras do gênero: me suas emoções, falando da solidão interior, do tédio, etc.

“O homem olhou através das paredes e viu onde os ban- Incoerência Proposital
didos escondiam a vítima que havia sido sequestrada.”
Existem textos em que há uma quebra proposital da
Essa frase é incoerente no discurso cotidiano, mas é coerência, com vistas a produzir determinado efeito de
completamente coerente no mundo criado pelas histórias sentido, assim como existem outros que fazem da não-
de super-heróis, em que o Super-Homem, por exemplo, coerência o próprio princípio constitutivo da produção de
tem força praticamente ilimitada; pode voar no espaço a sentido. Poderia alguém perguntar, então, se realmente
uma velocidade igual à da luz; quando ultrapassa essa ve- existe texto incoerente. Sem dúvida existe: é aquele em que
locidade, vence a barreira do tempo e pode transferir-se a incoerência é produzida involuntariamente, por inabili-
para outras épocas; seus olhos de raios X permitem-lhe ver dade, descuido ou ignorância do enunciador, e não usada
através de qualquer corpo, a distâncias infinitas, etc. funcionalmente para construir certo sentido.
Nosso conhecimento de mundo não é restrito ao que Quando se trata de incoerência proposital, o enuncia-
efetivamente existe, ao que se pode ver, tocar, etc.: ele in- dor dissemina pistas no texto, para que o leitor perceba
clui também os mundos criados pela linguagem nos dife- que ela faz parte de um programa intencionalmente dire-
rentes gêneros de texto, ficção científica, contos maravi- cionado para veicular determinado tema. Se, por exemplo,
lhosos, mitos, discurso religioso, etc., regidos por outras ló- num texto que mostra uma festa muito luxuosa, aparecem
gicas. Assim, o que é incoerente num determinado gênero figuras como pessoas comendo de boca aberta, falando em
não o é, necessariamente, em outro. voz muito alta e em linguagem chula, ostentando sua últi-
mas aquisições, o enunciador certamente não está queren-
- O sentido não literal: do manifestar o tema do luxo, do requinte, mas o da vul-
garidade dos novos-ricos. Para ficar no exemplo da festa:
“As verdes ideias incolores dormem, mas poderão ex- em filmes como “Quero ser grande” (Big, dirigido por Penny
plodir a qualquer momento.” Marshall em 1988, com Tom Hanks) e “Um convidado bem
trapalhão” (The party, Blake Edwards, 1968, com Peter Sel-
Tomando em seu sentido literal, esse texto é absurdo, lers), há cenas em que os respectivos protagonistas exibem
pois, nessa acepção, o termo ideias não pode ser qualifica- comportamento incompatível com a ocasião, mas não há
do por adjetivos de cor; não se podem atribuir ao mesmo incoerência nisso, pois todo o enredo converge para que o
ser, ao mesmo tempo, as qualidades verde e incolor; o ver- espectador se solidarize com eles, por sua ingenuidade e
bo dormir deve ter como sujeito um substantivo animado. falta de traquejo social. Mas, se aparece num texto uma fi-
No entanto, se entendermos ideias verdes em sentido gura incoerente uma única vez, o leitor não pode ter certe-
não literal, como concepções ambientalistas, o período za de que se trata de uma quebra de coerência proposital,
pode ser lido da seguinte maneira: “As idéias ambientalis- com vistas a criar determinado efeito de sentido, vai pensar
tas sem atrativo estão latentes, mas poderão manifestar-se a que se trata de contradição devida a inabilidade, descuido
qualquer momento.” ou ignorância do enunciador.
Dissemos também que há outros textos que fazem da
- O intertexto: inversão da realidade seu princípio constitutivo; da incoe-
rência, um fator de coerência. São exemplos as obras de
Falso diálogo entre Pessoa e Caeiro Lewis Carrol “Alice no país das maravilhas” e “Através do es-
pelho”, que pretendem apresentar paradoxos de sentido,
__ a chuva me deixa triste... subverter o princípio da realidade, mostrar as aporias da
__ a mim me deixa molhado. lógica, confrontar a lógica do senso comum com outras.
José Paulo Paes. Op. Cit., p 79.
Reproduzimos um poema de Manuel Bandeira que
Muitos textos retomam outros, constroem-se com contém mais de um exemplo do que foi abordado:
base em outros e, por isso, só ganham coerência nessa re-
lação com o texto sobre o qual foram construídos, ou seja, Teresa
na relação de intertextualidade. É o caso desse poema. Para
compreendê-lo, é preciso saber que Alberto Caeiro é um A primeira vez que vi Teresa
dos heterônimos do poeta Fernando Pessoa; que heterô- Achei que ela tinha pernas estúpidas
nimo não é pseudônimo, mas uma individualidade lírica Achei também que a cara parecia uma perna
distinta da do autor (o ortônimo); que para Caeiro o real é
a exterioridade e não devemos acrescentar-lhe impressões Quando vi Teresa de novo

42
LÍNGUA PORTUGUESA

Achei que seus olhos eram muito mais velhos Mais prazer encontro eu lá;
[que o resto do corpo Minha terra tem palmeiras,
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando Onde canta o Sabiá.
[que o resto do corpo nascesse)
Da terceira vez não vi mais nada Não permita Deus que eu morra,
Os céus se misturaram com a terra Sem que eu volte para lá;
E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face Sem que desfrute os primores
[das águas. Que não encontro por cá;
Poesias completas e prosa. Rio de Janeiro, Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Aguilar, 1986, p. 214. Onde canta o Sabiá.”

Para percebermos a coerência desse texto, é preciso, (Gonçalves Dias)


no mínimo, que nosso conhecimento de mundo inclua o
poema: Canção do Exílio

O Adeus de Teresa Minha terra tem macieiras da Califórnia


onde cantam gaturamos de Veneza.
A primeira vez que fitei Teresa, Os poetas da minha terra
Como as plantas que arrasta a correnteza, são pretos que vivem em torres de ametista,
A valsa nos levou nos giros seus... os sargentos do exército são monistas, cubistas,
os filósofos são polacos vendendo a prestações.
Castro Alves gente não pode dormir
com os oradores e os pernilongos.
Para identificarmos a relação de intertextualidade en- Os sururus em família têm por testemunha a
tre eles; que tenhamos noção da crítica do Modernismo                                                        [Gioconda
às escolas literárias precedentes, no caso, ao Romantismo, Eu morro sufocado
em que nenhuma musa seria tratada com tanta cerimônia em terra estrangeira.
e muito menos teria “cara”; que façamos uma leitura não Nossas flores são mais bonitas
literal; que percebamos sua lógica interna, criada pela dis- nossas frutas mais gostosas
seminação proposital de elementos que pareceriam absur- mas custam cem mil réis a dúzia.
dos em outro contexto.
Ai quem me dera chupar uma carambola de 
                                        [verdade
Intertextualidade e ouvir um sabiá com certidão de idade! 

A Intertextualidade pode ser definida como um diálo- (Murilo Mendes)


go entre dois textos. Observe os dois textos abaixo e note
como Murilo Mendes (século XX) faz referência ao texto de Nota-se que há correspondência entre os dois textos.
Gonçalves Dias (século XIX): A paródia piadista de Murilo Mendes é um exemplo de in-
tertextualidade, uma vez que seu texto foi criado tomando
Canção do Exílio   como ponto de partida o texto de Gonçalves Dias.
Na literatura, e até mesmo nas artes, a intertextualida-
Minha terra tem palmeiras, de é persistente. Sabemos que todo texto, seja ele literário
Onde canta o Sabiá; ou não, é oriundo de outro, seja direta ou indiretamente.
As aves, que aqui gorjeiam, Qualquer texto que se refere a assuntos abordados em ou-
Não gorjeiam como lá. tros textos é exemplo de intertextualização.
Nosso céu tem mais estrelas, A intertextualidade está presente também em outras
Nossas várzeas têm mais flores, áreas, como na pintura, veja as várias versões da famosa
Nossos bosques têm mais vida, pintura de Leonardo da Vinci, Mona Lisa:
Nossa vida mais amores. Mona Lisa, Leonardo da Vinci. Óleo sobre tela, 1503.
Mona Lisa, Marcel Duchamp, 1919.
Em cismar, sozinho, à noite, Mona Lisa, Fernando Botero, 1978.
Mais prazer encontro eu lá; Mona Lisa, propaganda publicitária.
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,


Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —

43
LÍNGUA PORTUGUESA

- Pastiche: uma recorrência a um gênero.


- Tradução: está no campo da intertextualidade porque
implica a recriação de um texto.
- Referência e alusão.

Para ampliar esse conhecimento, vale trazer um exem-


plo de intertextualidade na literatura. Às vezes, a superpo-
sição de um texto sobre outro pode provocar uma certa
atualização ou modernização do primeiro texto. Nota-se
Pode-se definir então a intertextualidade como sendo isso no livro “Mensagem”, de Fernando Pessoa, que retoma,
a criação de um texto a partir de um outro texto ja existen- por exemplo, com seu poema “O Monstrengo” o episódio
te. Dependendo da situação, a intertextualidade tem fun- do Gigante Adamastor de “Os Lusíadas” de Camões. Ocorre
ções diferentes que dependem muito dos textos/contextos como que um diálogo entre os dois textos. Em alguns ca-
em que ela é inserida. sos, aproxima-se da paródia (canto paralelo), como o poe-
Evidentemente, o fenômeno da intertextualidade está ma “Madrigal Melancólico” de Manuel Bandeira, do livro
ligado ao “conhecimento do mundo”, que deve ser com- “Ritmo Dissoluto”, que seguramente serviu de inspiração e
partilhado, ou seja, comum ao produtor e ao receptor de assim se refletiu no seguinte poema:
textos. O diálogo pode ocorrer em diversas áreas do co- Assim como Bandeira
nhecimento, não se restringindo única e exclusivamente a
textos literários. O que amo em ti
Na pintura tem-se, por exemplo, o quadro do pintor não são esses olhos doces
barroco italiano Caravaggio e a fotografia da americana delicados
Cindy Sherman, na qual quem posa é ela mesma. O qua- nem esse riso de anjo adolescente.
dro de Caravaggio foi pintado no final do século XVI, já o
trabalho fotográfico de Cindy Sherman foi produzido qua- O que amo em ti
se quatrocentos anos mais tarde. Na foto, Sherman cria o não é só essa pele acetinada
mesmo ambiente e a mesma atmosfera sensual da pintura, sempre pronta para a carícia renovada
reunindo um conjunto de elementos: a coroa de flores na nem esse seio róseo e atrevido
cabeça, o contraste entre claro e escuro, a sensualidade do a desenhar-se sob o tecido.
ombro nu etc. A foto de Sherman é uma recriação do qua-
dro de Caravaggio e, portanto, é um tipo de intertextuali- O que amo em ti
dade na pintura. não é essa pressa louca
Na publicidade, por exemplo, a que vimos sobre anún- de viver cada vão momento
cios do Bom Bril, o ator se veste e se posiciona como se nem a falta de memória para a dor.
fosse a Mona Lisa de Leonardo da Vinci e cujo slogan era
“Mon Bijou deixa sua roupa uma perfeita obra-prima”. Esse O que amo em ti
enunciado sugere ao leitor que o produto anunciado deixa não é apenas essa voz leve
a roupa bem macia e mais perfumada, ou seja, uma ver- que me envolve e me consome
dadeira obra-prima (se referindo ao quadro de Da Vinci). nem o que deseja todo homem
Nesse caso pode-se dizer que a intertextualidade assume flor definida e definitiva
a função de não só persuadir o leitor como também de di- a abrir-se como boca ou ferida
fundir a cultura, uma vez que se trata de uma relação com nem mesmo essa juventude assim perdida.
a arte (pintura, escultura, literatura etc).
Intertextualidade é a relação entre dois textos caracte- O que amo em ti
rizada por um citar o outro. enigmática e solidária:
É a Vida!
Tipos de Intertextualidade (Geraldo Chacon, Meu Caderno de Poesia,
Flâmula, 2004, p. 37)
Pode-se destacar sete tipos de intertextualidade:
- Epígrafe: constitui uma escrita introdutória. Madrigal Melancólico
- Citação: é uma transcrição do texto alheio, marcada
por aspas. O que eu adoro em ti
- Paráfrase: é a reprodução do texto do outro com a não é a tua beleza.
palavra do autor. Ela não se confunde com o plágio, pois o A beleza, é em nós que ela existe.
autor deixa claro sua intenção e a fonte. A beleza é um conceito.
- Paródia: é uma forma de apropriação que, em lugar E a beleza é triste.
de endossar o modelo retomado, rompe com ele, sutil ou Não é triste em si,
abertamente. Ela perverte o texto anterior, visando a ironia mas pelo que há nela de fragilidade e de incerteza.
ou a crítica.

44
LÍNGUA PORTUGUESA

(...) Texto Original


Minha terra tem palmeiras
O que eu adoro em tua natureza, Onde canta o sabiá,
não é o profundo instinto maternal As aves que aqui gorjeiam
em teu flanco aberto como uma ferida. Não gorjeiam como lá.
nem a tua pureza. Nem a tua impureza.
O que eu adoro em ti – lastima-me e consola-me! (Gonçalves Dias, “Canção do exílio”)
O que eu adoro em ti, é a vida.
(Manuel Bandeira, Estrela da Vida Inteira, Paráfrase
José Olympio, 1980, p. 83) Meus olhos brasileiros se fecham saudosos
Minha boca procura a ‘Canção do Exílio’.
A relação intertextual é estabelecida, por exemplo, no Como era mesmo a ‘Canção do Exílio’?
texto de Oswald de Andrade, escrito no século XX, “Meus Eu tão esquecido de minha terra…
oito anos”, quando este cita o poema , do século XIX, de Ai terra que tem palmeiras
Casimiro de Abreu, de mesmo nome. Onde canta o sabiá!
Meus oito anos (Carlos Drummond de Andrade, “Europa, França e
Bahia”)
Oh! Que saudade que tenho Este texto de Gonçalves Dias, “Canção do Exílio”, é mui-
Da aurora da minha vida, to utilizado como exemplo de paráfrase e de paródia, aqui
Da minha infância querida o poeta Carlos Drummond de Andrade retoma o texto pri-
Que os anos não trazem mais mitivo conservando suas ideias, não há mudança do senti-
Que amor, que sonhos, que flores do principal do texto que é a saudade da terra natal.
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras A paródia é uma forma de contestar ou ridicularizar
Debaixo dos laranjais! outros textos, há uma ruptura com as ideologias impostas
(Casimiro de Abreu) e por isso é objeto de interesse para os estudiosos da lín-
gua e das artes. Ocorre, aqui, um choque de interpretação,
“Meus oito anos” a voz do texto original é retomada para transformar seu
sentido, leva o leitor a uma reflexão crítica de suas ver-
dades incontestadas anteriormente, com esse processo
Oh! Que saudade que tenho
há uma indagação sobre os dogmas estabelecidos e uma
Da aurora da minha vida,
busca pela verdade real, concebida através do raciocínio e
Da minha infância querida
da crítica. Os programas humorísticos fazem uso contínuo
Que os anos não trazem mais
dessa arte, frequentemente os discursos de políticos são
Naquele quintal de terra
abordados de maneira cômica e contestadora, provocando
Da rua São Antonio
risos e também reflexão a respeito da demagogia praticada
Debaixo da bananeira pela classe dominante. Com o mesmo texto utilizado ante-
Sem nenhum laranjais! riormente, teremos, agora, uma paródia.
A intertextualidade acontece quando há uma referên- Texto Original
cia explícita ou implícita de um texto em outro. Também Minha terra tem palmeiras
pode ocorrer com outras formas além do texto, música, Onde canta o sabiá,
pintura, filme, novela etc. Toda vez que uma obra fizer alu- As aves que aqui gorjeiam
são à outra ocorre a intertextualidade. Não gorjeiam como lá.
Apresenta-se explicitamente quando o autor informa o
objeto de sua citação. Num texto científico, por exemplo, (Gonçalves Dias, “Canção do exílio”)
o autor do texto citado é indicado, já na forma implícita, a
indicação é oculta. Por isso é importante para o leitor o co- Paródia
nhecimento de mundo, um saber prévio, para reconhecer e Minha terra tem palmares
identificar quando há um diálogo entre os textos. A inter- onde gorjeia o mar
textualidade pode ocorrer afirmando as mesmas ideias da os passarinhos daqui
obra citada ou contestando-as. Vejamos duas das formas: não cantam como os de lá.
a Paráfrase e a Paródia. (Oswald de Andrade, “Canto de regresso à pátria”)

Na paráfrase as palavras são mudadas, porém a ideia O nome Palmares, escrito com letra minúscula, subs-
do texto é confirmada pelo novo texto, a alusão ocorre titui a palavra palmeiras, há um contexto histórico, social
para atualizar, reafirmar os sentidos ou alguns sentidos do e racial neste texto, Palmares é o quilombo liderado por
texto citado. É dizer com outras palavras o que já foi dito. Zumbi, foi dizimado em 1695, há uma inversão do sentido
Temos um exemplo citado por Affonso Romano Sant’Anna do texto primitivo que foi substituído pela crítica à escravi-
em seu livro “Paródia, paráfrase & Cia” : dão existente no Brasil.

45
LÍNGUA PORTUGUESA

Na literatura relativa à Linguística Textual, é frequente pós-modernos. Para ilustrar, pode-se mencionar, entre ou-
apontar-se como um dos fatores de textualidade a refe- tros escritores brasileiros, Ana Cristina Cesar, poetisa cario-
rência - explícita ou implícita - a outros textos, tomados ca, que usa e “abusa” da intertextualidade em seus textos, a
estes num sentido bem amplo (orais, escritos, visuais - ar- tal ponto que, sem a identificação das referências, o poema
tes plásticas, cinema - , música, propaganda etc.) A esse se torna, constantemente, ininteligível e chega a ser conside-
“diálogo”entre textos dá-se o nome de intertextualidade. rado por algumas pessoas como um “amontoado aleatório
Evidentemente, a intertextualidade está ligada ao “co- de enunciados”, sem coerência e, portanto, desprovido de
nhecimento de mundo”, que deve ser compartilhado, ou sentido.
seja, comum ao produtor e ao receptor de textos. Os teóricos costumam identificar tipos de intertextuali-
A intertextualidade pressupõe um universo cultural dade, entre os quais se destacam:
muito amplo e complexo, pois implica a identificação / o - a que se liga ao conteúdo (por exemplo, matérias jor-
reconhecimento de remissões a obras ou a textos / trechos nalísticas que se reportam a notícias veiculadas anteriormen-
mais, ou menos conhecidos, além de exigir do interlocutor te na imprensa falada e/ou escrita: textos literários ou não
a capacidade de interpretar a função daquela citação ou -literários que se referem a temas ou assuntos contidos em
alusão em questão. outros textos etc.). Podem ser explícitas (citações entre aspas,
Entre os variadíssimos tipos de referências, há provér- com ou sem indicação da fonte) ou implícitas (paráfrases, pa-
bios, ditos populares, frases bíblicas ou obras / trechos de ródias etc.);
obras constantemente citados, literalmente ou modifica- - a que se associa ao caráter formal, que pode ou não es-
dos, cujo reconhecimento é facilmente perceptível pelos tar ligado à tipologia textual como, por exemplo, textos que
interlocutores em geral. Por exemplo, uma revista brasileira “imitam” a linguagem bíblica, jurídica, linguagem de relatório
adotou o slogan: “Dize-me o que lês e dir-te-ei quem és”. etc. ou que procuram imitar o estilo de um autor, em que co-
Voltada fundamentalmente para um público de uma de- menta o seriado da TV Globo, baseado no livro de Guimarães
terminada classe sociocultural, o produtor do menciona- Rosa, procurando manter a linguagem e o estilo do escritor);
do anúncio espera que os leitores reconheçam a frase da - a que remete a tipos textuais (ou “fatores tipológicos”),
Bíblia (“Dize-me com quem andas e dir-te-ei quem és”). Ao ligados a modelos cognitivos globais, às estruturas e superes-
adaptar a sentença, a intenção da propaganda é, eviden- truturas ou a aspectos formais de caráter linguístico próprios
de cada tipo de discurso e/ou a cada tipo de texto: tipologias
temente, angariar a confiança do leitor (e, consequente-
ligadas a estilos de época. Por superestrutura entendem-se,
mente, a credibilidade das informações contidas naquele
entre outras, estruturas argumentativas (Tese anterior), pre-
periódico), pois a Bíblia costuma ser tomada como um livro
missas - argumentos (contra-argumentos - síntese), conclu-
de pensamentos e ensinamentos considerados como “ver-
são (nova tese), estruturas narrativas (situação - complicação
dades” universalmente assentadas e aceitas por diversas
- ação ou avaliação – resolução), moral ou estado final etc.;
comunidades. Outro tipo comum de intertextualidade é
Um outro aspecto que é mencionado muito superficial-
a introdução em textos de provérbios ou ditos populares,
mente é o da intertextualidade linguística. Ela está ligada ao
que também inspiram confiança, pois costumam conter que o linguista romeno, Eugenio Coseriu, chama de formas
mensagens reconhecidas como verdadeiras. São aprovei- do “discurso repetido”:
tados não só em propaganda mas ainda em variados textos - “textemas” ou “unidades de textos”: provérbios, ditados
orais ou escritos, literários e não-literários. Por exemplo, ao populares; citações de vários tipos, consagradas pela tradi-
iniciar o poema “Tecendo a manhã”, João Cabral de Melo ção cultural de uma comunidade etc.;
Neto defende uma ideia: “Um galo sozinho não tece uma - “sintagmas estereotipados”: equivalentes a expressões
manhã”. Não é necessário muito esforço para reconhecer idiomáticas;
que por detrás dessas palavras está o ditado “Uma andori- - “perífrases léxicas”: unidades multivocabulares, empre-
nha só não faz verão”. O verso inicial funciona, pois, como gadas frequentemente mas ainda não lexicalizadas (ex. “gra-
uma espécie de “tese”, que o texto irá tentar comprovar vemente doente”, “dia útil”, “fazer misérias” etc.).
através de argumentação poética.
A intertextualidade tem funções diferentes, dependendo
Há, no entanto, certos tipos de citações (literais ou dos textos/contextos em que as referências (linguísticas ou
construídas) e de alusões muito sutis que só são compar- culturais) estão inseridas. Chamo a isso “graus das funções
tilhadas por um pequeno número de pessoas. É o caso de da intertextualidade”.
referências utilizadas em textos científicos ou jornalísticos Didaticamente pode-se dizer que a referência cultural e/
(Seções de Economia, de Informática, por exemplo) e em ou linguística pode servir apenas de pretexto, é o caso de
obras literárias, prosa ou poesia, que às vezes remetem “epígrafes” longinquamente vinculadas a um trabalho e/ou a
a uma forma e/ou a um conteúdo bastante específico(s), um texto. Sem dizer com isso que todas as epígrafes funcio-
percebido(s) apenas por um leitor/interlocutor muito bem nem apenas como pretextos. Em geral, o produtor do texto
informado e/ou altamente letrado. Na literatura, podem- elege algo pertinente e condizente com a temática de que
se citar, entre muitos outros, autores estrangeiros, como trata. Existam algumas, todavia, que estão ali apenas para
James Joyce, T.S. Eliot, Umberto Eco. mostrar “conhecimento” de frases famosas e/ou para servir
A remissão a textos e para-textos do circuito cultural de “decoração” no texto. Neste caso, o “intertexto” não tem
(mídia, propaganda, outdoors, nomes de marcas de produ- um papel específico nem na construção nem na camada
tos etc.) é especialmente recorrente em autores chamados semântica do texto.

46
LÍNGUA PORTUGUESA

Outras vezes, o autor parte de uma frase ou de um Um texto remete a outro para defender as ideias nele
verso que ocorreu a ele repentinamente (texto “A última contidas ou para contestar tais ideias. Assim, para se definir
crônica”, em que o autor confessa estar sem assunto e tem diante de determinado assunto, o autor do texto leva em
de escrever). Afirma então: consideração as ideias de outros “autores” e com eles dia-
loga no seu texto.
“Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo Ainda ressaltando a importância da intertextualidade,
meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembran- remetemos às considerações de Vigner: “Afirma-se aqui a
ça: assim eu quereria meu último poema.” importância do fenômeno da intertextualidade como fator
essencial à legibilidade do texto literário, e, a nosso ver, de
Descreve então uma cena passada em um botequim, todos os outros textos. O texto não é mais considerado só
em que um casal comemora modestamente o aniversário nas suas relações com um referente extra-textual, mas pri-
da filha, com um pedaço de bolo, uma coca cola e três meiro na relação estabelecida com outros textos”.
velinhas brancas. O pai parecia satisfeito com o sucesso da Como exemplo, temos um texto “Questão da Objetivi-
celebração, até que fica perturbado por ter sido observado, dade” e uma crônica de Zuenir Ventura, “Em vez das células,
mas acaba por sustentar a satisfação e se abre num sorriso.
as cédulas” para concretizar um pouco mais o conceito de
O autor termina a crônica, parafraseando o verso de Ma-
intertextualidade.
nuel Bandeira: “Assim eu quereria a minha última crônica:
que fosse pura como esse sorriso”. O verso de Bandeira não
pode ser considerado, nessa crônica, um mero pretexto. Questão da Objetividade
A intertextualidade desempenha o papel de conferir uma
certa “literariedade” à crônica, além de explicar o título e As Ciências Humanas invadem hoje todo o nosso espaço
servir de “fecho de ouro” para um texto que se inicia sem mental. Até parece que nossa cultura assinou um contrato
um conteúdo previamente escolhido. Não é, contudo, im- com tais disciplinas, estipulando que lhes compete resolver
prescindível à compreensão do texto. tecnicamente boa parte dos conflitos gerados pela acelera-
O que parece importante é que não se encare a in- ção das atuais mudanças sociais. É em nome do conheci-
tertextualidade apenas como a “identificação” da fonte e, mento objetivo que elas se julgam no direito de explicar os
sim, que se procure estudá-la como um enriquecimento da fenômenos humanos e de propor soluções de ordem ética,
leitura e da produção de textos e, sobretudo, que se tente política, ideológica ou simplesmente humanitária, sem se
mostrar a função da sua presença na construção e no(s) darem conta de que, fazendo isso, podem facilmente con-
sentido(s) dos textos. verter-se em “comodidades teóricas” para seus autores e em
Como afirmam Koch & Travaglia, “todas as questões “comodidades práticas” para sua clientela. Também é em
ligadas à intertextualidade influenciam tanto o processo de nome do rigor científico que tentam construir todo o seu
produção como o de compreensão de textos”. campo teórico do fenômeno humano, mas através da ideia
Considerada por alguns autores como uma das condi- que gostariam de ter dele, visto terem renunciado aos seus
ções para a existência de um texto, a intertextualidade se apelos e às suas significações. O equívoco olhar de Narciso,
destaca por relacionar um texto concreto com a memória fascinado por sua própria beleza, estaria substituído por um
textual coletiva, a memória de um grupo ou de um indiví- olhar frio, objetivo, escrupuloso, calculista e calculador: e as
duo específico. disciplinas humanas seriam científicas!
Trata-se da possibilidade de os textos serem criados (Introdução às Ciências Humanas. Hilton Japiassu.
a partir de outros textos. As obras de caráter científico re- São Paulo, Letras e Letras, 1994, pp.89/90)
metem explicitamente a autores reconhecidos, garantindo,
assim, a veracidade das afirmações. Nossas conversas são Comentário: Neste texto, temos um bom exemplo do
entrelaçadas de alusões a inúmeras considerações arma-
que se define como intertextualidade. As relações entre
zenadas em nossas mentes. O jornal está repleto de refe-
textos, a citação de um texto por outro, enfim, o diálogo
rências já supostamente conhecidas pelo leitor. A leitura
entre textos. Muitas vezes, para entender um texto na sua
de um romance, de um conto, novela, enfim, de qualquer
obra literária, nos aponta para outras obras, muitas vezes totalidade, é preciso conhecer o(s) texto(s) que nele fora(m)
de forma implícita. citado(s).
A nossa compreensão de textos (considerados aqui da No trecho, por exemplo, em que se discute o papel das
forma mais abrangente) muito dependerá da nossa expe- Ciências Humanas nos tempos atuais e o espaço que estão
riência de vida, das nossas vivências, das nossas leituras. ocupando, é trazido à tona o mito de Narciso. É preciso,
Determinadas obras só se revelam através do conhecimen- então, dispor do conhecimento de que Narciso, jovem do-
to de outras. Ao visitar um museu, por exemplo, o nosso tado de grande beleza, apaixonou-se por sua própria ima-
conhecimento prévio muito nos auxilia ao nos depararmos gem quando a viu refletida na água de uma fonte onde foi
com certas obras. matar a sede. Suas tentativas de alcançar a bela imagem
A noção de intertextualidade, da presença contínua de acabaram em desespero e morte.
outros textos em determinado texto, nos leva a refletir a O último parágrafo, em que o mito de Narciso é citado,
respeito da individualidade e da coletividade em termos demonstra que, dado o modo como as Ciências Humanas
de criação. Já vimos anteriormente que a citação de outros são vistas hoje, até o olhar de Narciso, antes “fascinado
textos se faz de forma implícita ou explícita. Mas, com que por sua própria beleza”, seria substituído por um “olhar
objetivo? frio, objetivo, escrupuloso, calculista e calculador”, ou seja,

47
LÍNGUA PORTUGUESA

o olhar de Narciso perderia o seu tom de encantamento O texto se constrói, à medida que retoma fatos já co-
para se transformar em algo material, sem sentimentos. A nhecidos. Nesse sentido, quanto mais amplo for o repertó-
comparação se estende às Ciências Humanas, que, de hu- rio do leitor, o seu acervo de conhecimentos, maior será a
manas, nada mais teriam, transformando-se em disciplinas sua competência para perceber como os textos “dialogam
científicas. uns com os outros” por meio de referências, alusões e ci-
tações.
Em vez das células, as cédulas Para perceber as intenções do autor desta crônica, ou
seja, a sua intencionalidade, é preciso que o leitor tenha
Nesses tempos de clonagem, recomenda-se assistir ao conhecimento de fatos atuais, como as referências ao do-
documentário Arquitetura da destruição, de Peter Cohen. A cumentário recém lançado no circuito cinematográfico, à
fantástica história de Dolly, a ovelha, parece saída do filme, ovelha clonada Dolly, aos “laranjas” e “fantasmas”, termos
que conta a aventura demente do nazismo, com seus so- que dizem respeito aos envolvidos em transações econô-
nhos de beleza e suas fantasias genéticas, seus experimen- micas duvidosas. É preciso que conheça também o que foi
tos de eugenia e purificação da raça. o nazismo, a figura de Hitler e sua obsessão pela raça pura,
Os cientistas são engraçados: bons para inventar e pés- e ainda tenha conhecimento da existência do filósofo Niet-
simos para prever. Primeiro, descobrem; depois se assus- zsche e do compositor Wagner.
tam com o risco da descoberta e aí então passam a gritar O vocabulário utilizado aponta para campos semân-
“cuidado, perigo”. Fizeram isso com quase todos os inven- ticos relacionados à clonagem, à raça pura, aos binômios
tos, inclusive com a fissão nuclear, espantando-se quando arte/beleza, arte/destruição, corrupção.
“o átomo para a paz” tornou-se uma mortífera arma de - Clonagem: experimentos, avanços genéticos, ovelhas,
guerra. E estão fazendo o mesmo agora. cientistas, inventos, células, clones replicantes, manipula-
(...) Desde muito tempo se discute o quanto a ciên- ção genética, descoberta.
cia, ao procurar o bem, pode provocar involuntariamente - Raça Pura: aventura, demente do nazismo, fantasias
o mal. O que a Arquitetura da destruição mostra é como genéticas, experimentos de eugenia, utopia perversa, ma-
a arte e a estética são capazes de fazer o mesmo, isto é, nipulação genética, imperfeições físicas, eugenia.
como a beleza pode servir à morte, à crueldade e à des- - Arte/Beleza - Arte/Destruição: estética, sonhos de
truição. beleza, crueldade, tirano artista ditador de gênio, nietzs-
Hitler julgava-se “o maior ator da Europa” e acredita- chiano, wagneriano, grandiosa ópera, diretor, protagonista,
va ser alguma coisa como um “tirano-artista” nietzschiano espetáculos de massa e tochas acesas.
ou um “ditador de gênio” wagneriano. Para ele, “a vida era - Corrupção: laranjas, clonagem financeira, cédulas,
arte,” e o mundo, uma grandiosa ópera da qual era diretor fantasmas.
e protagonista.
O documentário mostra como os rituais coletivos, os Esses campos semânticos se entrecruzam, porque en-
grandes espetáculos de massa, as tochas acesas (...) tudo globam referências múltiplas dentro do texto.
isso constituía um culto estético - ainda que redundante
(...) E o pior - todo esse aparato era posto a serviço da per-
versa utopia de Hitler: a manipulação genética, a possibi- Efeitos de ironia de texto
lidade de purificação racial e de eliminação das imperfei-
ções, principalmente as físicas. Não importava que os mais A ironia é um instrumento de literatura ou de retórica
ilustres exemplares nazistas, eles próprios, desmoralizas- que consiste em dizer o contrário daquilo que se pensa,
sem o que pregavam em termos de eugenia. deixando entender uma distância intencional entre aquilo
O que importava é que as pessoas queriam acreditar que dizemos e aquilo que realmente pensamos. Na Litera-
na insensatez apesar dos insensatos, como ainda há quem tura, a ironia é a arte de gozar com alguém ou de alguma
continue acreditando. No Brasil, felizmente, Dolly provoca coisa, com vista a obter uma reação do leitor, ouvinte ou
mais piada do que ameaça. Já se atribui isso ao fato de que interlocutor.
a nossa arquitetura da destruição é a corrupção. Somos Ela pode ser utilizada, entre outras formas, com o obje-
craques mesmo é em clonagem financeira. O que seriam tivo de denunciar, de criticar ou de censurar algo. Para tal,
nossos laranjas e fantasmas senão clones e replicantes vir- o locutor descreve a realidade com termos aparentemente
tuais? Aqui, em vez de células, estamos interessados é em valorizantes, mas com a finalidade de desvalorizar. A ironia
manipular cédulas. convida o leitor ou o ouvinte, a ser ativo durante a leitura,
(Zuenir Ventura, JB, 1997) para refletir sobre o tema e escolher uma determinada po-
sição.
Comentário: Tendo como ponto de partida a alusão ao A maior parte das teorias de retórica distingue três ti-
documentário Arquitetura da destruição, o texto mantém pos de ironia: oral, dramática e de situação.
sua unidade de sentido na relação que estabelece com ou-
tros textos, com dados da História. - A ironia oral é a disparidade entre a expressão e a
Nesta crônica, duas propriedades do texto são facil- intenção: quando um locutor diz uma coisa mas pretende
mente perceptíveis: a intertextualidade e a inserção histó- expressar outra, ou então quando um significado literal é
rica. contrário para atingir o efeito desejado.

48
LÍNGUA PORTUGUESA

- A ironia dramática (ou sátira) é a disparidade entre “Olá, Carlos. Como você está em forma!”
a expressão e a compreensão/cognição: quando uma pa-
lavra ou uma ação põe uma questão em jogo e a plateia “Meus parabéns pelo seu belo serviço!”
entende o significado da situação, mas a personagem não.
- A ironia de situação é a disparidade existente entre a As duas frases só podem ser compreendidas ironica-
intenção e o resultado: quando o resultado de uma ação é mente se a entonação da voz se der nas palavras “forma” e
contrário ao desejo ou efeito esperado. Da mesma manei- “belo”. Entretanto, isso não seria necessário se inseríssemos
ra, a ironia infinita é a disparidade entre o desejo humano essas afirmações nos seguintes contextos:
e as duras realidades do mundo externo.
Frase 1 – Carlos está pesando atualmente 140 kilos.
Exemplo: Frase 2 – O funcionário elogiado é um segurança que
__Você está intolerante hoje. dormiu em serviço e, por isso, não viu o meliante que rou-
__Não diga, meu amor! bou todo o dinheiro da empresa.
É também um estilo de linguagem caracterizado por Não seria necessário inserir o contexto na frase 1, se a
subverter o símbolo que, a princípio, representa. A ironia
reformularmos da seguinte maneira:
utiliza-se como uma forma de linguagem pré-estabelecida
para, a partir e de dentro dela, contestá-la.
“Olá, Carlos! Como você está em forma… de baleia!”
Foi utilizada por Sócrates, na Grécia Antiga, como fer-
ramenta para fazer os seus interlocutures entrarem em
contradição, no seu método socrático. Portanto, definimos como ironia a figura de linguagem
Leia este trecho escrito por Murilo Mendes: que afirma o contrário do que se quer dizer.
São avaliadas diversas situações onde a ironia se apre-
“Uma moça nossa vizinha dedilhava admiravelmente senta nas suas mais variadas formas, buscando apontar as
mal ao piano alguns estudos de Litz”. melhores direções para o uso da mesma e quando se deve
evitar a utilização dela. Os resultados obtidos nessa avalia-
Observe que a expressão “admiravelmente” é exata- ção não são de caráter totalmente conclusivo, sua função
mente o oposto do adjetivo posterior “mal”, deixando bas- real é apresentar um panorama sobre a adequação do uso
tante clara a presença da ironia ou antífrase, figura de lin- desta figura semântica. É necessário também ressaltar que
guagem que expressa um sentido contrário ao significado como base para essa análise foi utilizado apenas material
habitual. teórico, ou seja, sem nenhuma experiência prática. Por fim
busca-se mostrar que a ironia é uma “arma” que se utili-
Segundo Pires, existem três tipos de ironia: zada de uma maneira inteligente possui um grande valor.
- asteísmo: quando louva; Jornalismo, Literatura, Política e até mesmo em cenas
- sarcasmo: quando zomba; cotidianas como conversas entre amigos ou no trabalho a
- antífrase: quando engrandece ideias funestas, erra- ironia se faz presente muitas vezes.
das, fora de propósito e quando se faz uso carinhoso de Definir essa figura semântica nos leva a percorrer di-
termos ofensivos. versos caminhos, pois se trata de algo com múltiplas faces
Veja exemplos na literatura: e consequentemente com várias teorias e linhas de pensa-
mentos.
“Moça linda bem tratada, três séculos de família, burra Além da velha definição de ironia que é dizer uma coi-
como uma porta: um amor! (Mário de Andrade) sa e dar a entender o contrário pode-se também a definir
de outras maneiras como, por exemplo, a busca por dizer
“A excelente dona Inácia era mestra na arte de judiar
algo que venha a instigar uma série de interpretações sub-
crianças”. (Monteiro Lobato)
versivas sobre o que foi dito.
Exemplo em textos falados:
Ter domínio do bom senso e alguma noção sobre ética
“Quem foi o inteligente que usou o computador e apa- é importante para ser irônico sem ser ofensivo, para ser
gou tudo o que estava gravado?” “escrachado” e mesmo assim ser inteligente, para usar essa
ferramenta como algo enriquecedor no contexto determi-
“Essa cômoda está tão limpinha que dá para escrever nado.
com o dedo.” O fato de ser irônico gera muitas controvérsias, certo
descontentamento, normalmente ligado a dificuldade de
“João é tão experto que travou o carro com a chave den- entendimento dessa figura linguística, o que nos remete a
tro.” outras questões como raciocínio lógico, senso de humor e
mente aberta.
O contexto é de fundamental importância para a com- A ironia realmente está quase que totalmente inter-
preensão da ironia, pois, inserindo a situação onde a fala ligada com o humor, dentre as várias formas do mesmo,
foi produzida e a entonação do falante, determinamos até pode se dizer que é preciso um certo refinamento de
em que sentido as palavras estão empregadas. Veja estes humor para entender grande parte das questões onde se
exemplos: emprega elementos irônicos.

49
LÍNGUA PORTUGUESA

Outra questão importante a ser ressaltada é o fato do A maior parte das teorias de retórica distingue três ti-
domínio de contexto/situação para que possa haver uma pos de ironia: oral, dramática e de situação.
melhor compreensão da ideia que está se tentando pas-
sar ao se expressar ironicamente, havendo isso ocorre uma - A ironia oral é a disparidade entre a expressão e a
facilitação maior que vai possibilitar uma melhor interação intenção: quando um locutor diz uma coisa mas pretende
entre todas as partes. expressar outra, ou então quando um significado literal é
A ironia é definida por muitos teóricos como a figu- contrário para atingir o efeito desejado.
ra de linguagem mais interessante que existe, tanto pelo - A ironia dramática (ou sátira) é a disparidade entre
seu caráter ousado e desafiador, mas também pela grande a expressão e a compreensão/cognição: quando uma pa-
possibilidade de enriquecimento da fala e escrita. Seu uso lavra ou uma ação põe uma questão em jogo e a plateia
feito de forma adequada possui uma tendência muito forte entende o significado da situação, mas a personagem não.
de ser o diferencial do trabalho ou situação, sempre tendo - A ironia de situação é a disparidade existente entre a
em vista todas essas questões contextuais e as consequên- intenção e o resultado: quando o resultado de uma ação é
cias de empregar corretamente esse elemento linguístico. contrário ao desejo ou efeito esperado. Da mesma manei-
Por se tratar de um elemento linguístico com uma enorme ra, a ironia infinita é a disparidade entre o desejo humano
possibilidade de uso nas mais variadas formas, compreen- e as duras realidades do mundo externo.
der um pouco das questões do surgimento da ironia e das
relações desta com as situações onde é empregada, se tor- Exemplo:
na fundamental, não só para uma melhor compreensão, __Você está intolerante hoje.
mas também para uma melhor utilização,que assim terá __Não diga, meu amor!
uma maior tendência de ser melhor absorvida pela outra(s)
parte(s) do diálogo. É também um estilo de linguagem caracterizado por
A ironia pode ser considerada o elemento de lingua- subverter o símbolo que, a princípio, representa. A ironia
gem mais provocador que existe. Seu uso na maioria das utiliza-se como uma forma de linguagem pré-estabelecida
vezes visa mesmo fazer uso dessas provocações geradas para, a partir e de dentro dela, contestá-la.
por essa figura linguística. Por isso mesmo é necessário Foi utilizada por Sócrates, na Grécia Antiga, como fer-
muito cuidado ao ser irônico, pois a compreensão por par- ramenta para fazer os seus interlocutures entrarem em
contradição, no seu método socrático.
te de todos depende primeiramente da forma com que
Leia este trecho escrito por Murilo Mendes:
a ironia é passada. A observação bem feita do contexto/
situação onde está ocorrendo a atividade é mais do que
“Uma moça nossa vizinha dedilhava admiravelmente
importante, é fundamental, caso contrário o tiro pode sair
mal ao piano alguns estudos de Litz”.
pela culatra, a arma poderosa pode ter efeito contrário e
colocar por água abaixo uma série de questões relevantes.
Observe que a expressão “admiravelmente” é exata-
Então, ter um domínio mesmo que mínimo desses fatos,
mente o oposto do adjetivo posterior “mal”, deixando bas-
pode ser suficiente para uma utilização “correta” e sem tante clara a presença da ironia ou antífrase, figura de lin-
maiores perigos. Bom senso também é algo totalmente re- guagem que expressa um sentido contrário ao significado
levante dentro dessas questões. habitual.
Provocante, ousada, pra muitos até irritante. Esses são
alguns dos muitos adjetivos que são dados a ironia, sendo Segundo Pires, existem três tipos de ironia:
que essa é realmente algo muito complicado de se obter - asteísmo: quando louva;
uma definição final, não só pela sua amplitude mas tam- - sarcasmo: quando zomba;
bém pela sua versatilidade. - antífrase: quando engrandece ideias funestas, erra-
das, fora de propósito e quando se faz uso carinhoso de
Efeitos de ironia de texto termos ofensivos.
Veja exemplos na literatura:
A ironia é um instrumento de literatura ou de retórica
que consiste em dizer o contrário daquilo que se pensa, “Moça linda bem tratada, três séculos de família, burra
deixando entender uma distância intencional entre aquilo como uma porta: um amor! (Mário de Andrade)
que dizemos e aquilo que realmente pensamos. Na Litera-
tura, a ironia é a arte de gozar com alguém ou de alguma “A excelente dona Inácia era mestra na arte de judiar
coisa, com vista a obter uma reação do leitor, ouvinte ou crianças”. (Monteiro Lobato)
interlocutor.
Ela pode ser utilizada, entre outras formas, com o obje- Exemplo em textos falados:
tivo de denunciar, de criticar ou de censurar algo. Para tal,
o locutor descreve a realidade com termos aparentemente “Quem foi o inteligente que usou o computador e apa-
valorizantes, mas com a finalidade de desvalorizar. A ironia gou tudo o que estava gravado?”
convida o leitor ou o ouvinte, a ser ativo durante a leitura,
para refletir sobre o tema e escolher uma determinada po- “Essa cômoda está tão limpinha que dá para escrever
sição. com o dedo.”

50
LÍNGUA PORTUGUESA

“João é tão experto que travou o carro com a chave den- A ironia realmente está quase que totalmente inter-
tro.” ligada com o humor, dentre as várias formas do mesmo,
O contexto é de fundamental importância para a com- até pode se dizer que é preciso um certo refinamento de
preensão da ironia, pois, inserindo a situação onde a fala humor para entender grande parte das questões onde se
foi produzida e a entonação do falante, determinamos emprega elementos irônicos.
em que sentido as palavras estão empregadas. Veja estes Outra questão importante a ser ressaltada é o fato do
exemplos: domínio de contexto/situação para que possa haver uma
melhor compreensão da ideia que está se tentando pas-
“Olá, Carlos. Como você está em forma!” sar ao se expressar ironicamente, havendo isso ocorre uma
facilitação maior que vai possibilitar uma melhor interação
“Meus parabéns pelo seu belo serviço!” entre todas as partes.
A ironia é definida por muitos teóricos como a figu-
As duas frases só podem ser compreendidas ironica- ra de linguagem mais interessante que existe, tanto pelo
mente se a entonação da voz se der nas palavras “forma” e
seu caráter ousado e desafiador, mas também pela grande
“belo”. Entretanto, isso não seria necessário se inseríssemos
possibilidade de enriquecimento da fala e escrita. Seu uso
essas afirmações nos seguintes contextos:
feito de forma adequada possui uma tendência muito forte
Frase 1 – Carlos está pesando atualmente 140 kilos.
Frase 2 – O funcionário elogiado é um segurança que de ser o diferencial do trabalho ou situação, sempre tendo
dormiu em serviço e, por isso, não viu o meliante que rou- em vista todas essas questões contextuais e as consequên-
bou todo o dinheiro da empresa. cias de empregar corretamente esse elemento linguístico.
Por se tratar de um elemento linguístico com uma enorme
Não seria necessário inserir o contexto na frase 1, se a possibilidade de uso nas mais variadas formas, compreen-
reformularmos da seguinte maneira: der um pouco das questões do surgimento da ironia e das
relações desta com as situações onde é empregada, se tor-
“Olá, Carlos! Como você está em forma… de baleia!” na fundamental, não só para uma melhor compreensão,
mas também para uma melhor utilização,que assim terá
Portanto, definimos como ironia a figura de linguagem uma maior tendência de ser melhor absorvida pela outra(s)
que afirma o contrário do que se quer dizer. parte(s) do diálogo.
São avaliadas diversas situações onde a ironia se apre- A ironia pode ser considerada o elemento de lingua-
senta nas suas mais variadas formas, buscando apontar as gem mais provocador que existe. Seu uso na maioria das
melhores direções para o uso da mesma e quando se deve vezes visa mesmo fazer uso dessas provocações geradas
evitar a utilização dela. Os resultados obtidos nessa avalia- por essa figura linguística. Por isso mesmo é necessário
ção não são de caráter totalmente conclusivo, sua função muito cuidado ao ser irônico, pois a compreensão por par-
real é apresentar um panorama sobre a adequação do uso te de todos depende primeiramente da forma com que
desta figura semântica. É necessário também ressaltar que a ironia é passada. A observação bem feita do contexto/
como base para essa análise foi utilizado apenas material situação onde está ocorrendo a atividade é mais do que
teórico, ou seja, sem nenhuma experiência prática. Por fim importante, é fundamental, caso contrário o tiro pode sair
busca-se mostrar que a ironia é uma “arma” que se utili- pela culatra, a arma poderosa pode ter efeito contrário e
zada de uma maneira inteligente possui um grande valor. colocar por água abaixo uma série de questões relevantes.
Jornalismo, Literatura, Política e até mesmo em cenas Então, ter um domínio mesmo que mínimo desses fatos,
cotidianas como conversas entre amigos ou no trabalho a pode ser suficiente para uma utilização “correta” e sem
ironia se faz presente muitas vezes.
maiores perigos. Bom senso também é algo totalmente re-
Definir essa figura semântica nos leva a percorrer di-
levante dentro dessas questões.
versos caminhos, pois se trata de algo com múltiplas faces
Provocante, ousada, pra muitos até irritante. Esses são
e consequentemente com várias teorias e linhas de pensa-
mentos. alguns dos muitos adjetivos que são dados a ironia, sendo
Além da velha definição de ironia que é dizer uma coi- que essa é realmente algo muito complicado de se obter
sa e dar a entender o contrário pode-se também a definir uma definição final, não só pela sua amplitude mas tam-
de outras maneiras como, por exemplo, a busca por dizer bém pela sua versatilidade.
algo que venha a instigar uma série de interpretações sub-
versivas sobre o que foi dito.
Ter domínio do bom senso e alguma noção sobre ética
é importante para ser irônico sem ser ofensivo, para ser
“escrachado” e mesmo assim ser inteligente, para usar essa
ferramenta como algo enriquecedor no contexto determi-
nado.
O fato de ser irônico gera muitas controvérsias, certo
descontentamento, normalmente ligado a dificuldade de
entendimento dessa figura linguística, o que nos remete a
outras questões como raciocínio lógico, senso de humor e
mente aberta.

51
LÍNGUA PORTUGUESA

3- Antes de uma explicação ou esclarecimento


- Lá estava a deplorável família: triste, cabisbaixa, viven-
RECONHECIMENTO DE EFEITOS DE SENTIDO do a rotina de sempre.
DECORRENTES DO USO DE PONTUAÇÃO,
DA EXPLORAÇÃO DE RECURSOS 4- Em frases de estilo direto
ORTOGRÁFICOS E/OU MORFOSSINTÁTICOS, Maria perguntou:
DE CAMPOS SEMÂNTICOS, E DE OUTRAS - Por que você não toma uma decisão?
NOTAÇÕES. IDENTIFICAÇÃO DE DIFERENTES
ESTRATÉGIAS QUE CONTRIBUEM PARA A Ponto de Exclamação
CONTINUIDADE DO TEXTO 1- Usa-se para indicar entonação de surpresa, cólera,
(ANÁFORAS, PRONOMES RELATIVOS, susto, súplica, etc.
- Sim! Claro que eu quero me casar com você!
DEMONSTRATIVOS ETC).
2- Depois de interjeições ou vocativos
- Ai! Que susto!
- João! Há quanto tempo!
Ponto de Interrogação
PONTUAÇÃO Usa-se nas interrogações diretas e indiretas livres.
“- Então? Que é isso? Desertaram ambos?” (Artur Aze-
Os sinais de pontuação são marcações gráficas que vedo)
servem para compor a coesão e a coerência textual, além
de ressaltar especificidades semânticas e pragmáticas. Ve- Reticências
jamos as principais funções dos sinais de pontuação co- 1- Indica que palavras foram suprimidas.
nhecidos pelo uso da língua portuguesa. - Comprei lápis, canetas, cadernos...

Ponto 2- Indica interrupção violenta da frase.


1- Indica o término do discurso ou de parte dele. “- Não... quero dizer... é verdad... Ah!”
- Façamos o que for preciso para tirá-la da situação em
que se encontra. 3- Indica interrupções de hesitação ou dúvida
- Gostaria de comprar pão, queijo, manteiga e leite. - Este mal... pega doutor?
- Acordei. Olhei em volta. Não reconheci onde estava.
4- Indica que o sentido vai além do que foi dito
2- Usa-se nas abreviações - V. Exª. - Sr. - Deixa, depois, o coração falar...

Ponto e Vírgula ( ; ) Vírgula


1- Separa várias partes do discurso, que têm a mesma
importância. Não se usa vírgula
- “Os pobres dão pelo pão o trabalho; os ricos dão pelo *separando termos que, do ponto de vista sintático, li-
pão a fazenda; os de espíritos generosos dão pelo pão a vida; gam-se diretamente entre si:
os de nenhum espírito dão pelo pão a alma...” (VIEIRA) - entre sujeito e predicado.
2- Separa partes de frases que já estão separadas por Todos os alunos da sala foram advertidos.
vírgulas. Sujeito predicado
- Alguns quiseram verão, praia e calor; outros, monta- - entre o verbo e seus objetos.
nhas, frio e cobertor. O trabalho custou sacrifício aos realizadores.
V.T.D.I. O.D. O.I.
3- Separa itens de uma enumeração, exposição de mo-
tivos, decreto de lei, etc. Usa-se a vírgula:
- Ir ao supermercado; - Para marcar intercalação:
- Pegar as crianças na escola; a) do adjunto adverbial: O café, em razão da sua abun-
- Caminhada na praia; dância, vem caindo de preço.
- Reunião com amigos. b) da conjunção: Os cerrados são secos e áridos. Estão
produzindo, todavia, altas quantidades de alimentos.
Dois pontos c) das expressões explicativas ou corretivas: As indús-
1- Antes de uma citação trias não querem abrir mão de suas vantagens, isto é, não
- Vejamos como Afrânio Coutinho trata este assunto: querem abrir mão dos lucros altos.

2- Antes de um aposto - Para marcar inversão:


- Três coisas não me agradam: chuva pela manhã, frio à a) do adjunto adverbial (colocado no início da oração):
tarde e calor à noite. Depois das sete horas, todo o comércio está de portas fe-
chadas.

52
LÍNGUA PORTUGUESA

b) dos objetos pleonásticos antepostos ao verbo: Aos 03.(BNDES – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – BNDES/2012)
pesquisadores, não lhes destinaram verba alguma. Em que período a vírgula pode ser retirada, mantendo-se o
c) do nome de lugar anteposto às datas: Recife, 15 de sentido e a obediência à norma-padrão?
maio de 1982. (A) Quando o técnico chegou, a equipe começou o trei-
no.
- Para separar entre si elementos coordenados (dispos- (B) Antônio, quer saber as últimas novidades dos es-
tos em enumeração): portes?
Era um garoto de 15 anos, alto, magro. (C) As Olimpíadas de 2016 ocorrerão no Rio, que se pre-
A ventania levou árvores, e telhados, e pontes, e animais. para para o evento.
(D) Atualmente, várias áreas contribuem para o aprimo-
- Para marcar elipse (omissão) do verbo: ramento do desportista.
Nós queremos comer pizza; e vocês, churrasco. (E) Eis alguns esportes que a Ciência do Esporte ajuda:
- Para isolar: judô, natação e canoagem.
- o aposto: São Paulo, considerada a metrópole brasilei-
ra, possui um trânsito caótico.
04. (BANPARÁ/PA – TÉCNICO BANCÁRIO – ESPP/2012)
- o vocativo: Ora, Thiago, não diga bobagem.
Assinale a alternativa em que a pontuação está correta.
Fontes: http://www.infoescola.com/portugues/pontua- a) Meu grande amigo Pedro, esteve aqui ontem!
cao/ b) Foi solicitado, pelo diretor o comprovante da tran-
http://www.brasilescola.com/gramatica/uso-da-virgula. sação.
htm c) Maria, você trouxe os documentos?
d) O garoto de óculos leu, em voz alta o poema.
Questões sobre Pontuação e) Na noite de ontem o vigia percebeu, uma movimen-
tação estranha.
01. (Agente Policial – Vunesp – 2013). Assinale a alterna-
tiva em que a pontuação está corretamente empregada, de 05. (Papiloscopista Policial – Vunesp – 2013 – adap.). As-
acordo com a norma-padrão da língua portuguesa. sinale a alternativa em que a frase mantém-se correta após
(A) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, o acréscimo das vírgulas.
embora, experimentasse, a sensação de violar uma intimi- (A) Se a criança se perder, quem encontrá-la, verá na
dade, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando en- pulseira instruções para que envie, uma mensagem eletrô-
contrar algo que pudesse ajudar a revelar quem era a sua nica ao grupo ou acione o código na internet.
dona. (B) Um geolocalizador também, avisará, os pais de onde
(B) Diante, da testemunha o homem abriu a bolsa e, o código foi acionado.
embora experimentasse a sensação, de violar uma intimi- (C) Assim que o código é digitado, familiares cadastra-
dade, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando en- dos, recebem automaticamente, uma mensagem dizendo
contrar algo que pudesse ajudar a revelar quem era a sua que a criança foi encontrada.
dona. (D) De fabricação chinesa, a nova pulseirinha, chega pri-
(C) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, meiro às, areias do Guarujá.
embora experimentasse a sensação de violar uma intimida- (E) O sistema permite, ainda, cadastrar o nome e o te-
de, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando encontrar lefone de quem a encontrou e informar um ponto de re-
algo que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona. ferência
(D) Diante da testemunha, o homem, abriu a bolsa e,
embora experimentasse a sensação de violar uma intimi-
06. (DNIT – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – ESAF/2013)
dade, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando, en-
Para que o fragmento abaixo seja coerente e gramatical-
contrar algo que pudesse ajudar a revelar quem era a sua
dona. mente correto, é necessário inserir sinais de pontuação.
(E) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, em- Assinale a posição em que não deve ser usado o sinal de
bora, experimentasse a sensação de violar uma intimidade, ponto, e sim a vírgula, para que sejam respeitadas as re-
procurou a esmo entre as coisinhas, tentando, encontrar gras gramaticais. Desconsidere os ajustes nas letras iniciais
algo que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona. minúsculas.
O projeto Escola de Bicicleta está distribuindo bicicletas
02. (CNJ – TÉCNICO JUDICIÁRIO – CESPE/2013 - ADAP- de bambu para 4600 alunos da rede pública de São Pau-
TADA) Jogadores de futebol de diversos times entraram em lo(A) o programa desenvolve ainda oficinas e cursos para as
campo em prol do programa “Pai Presente”, nos jogos do crianças utilizarem a bicicleta de forma segura e correta(B)
Campeonato Nacional em apoio à campanha que visa 4 re- os alunos ajudam a traçar ciclorrotas e participam de ati-
duzir o número de pessoas que não possuem o nome do pai vidades sobre cidadania e reciclagem(C) as escolas partici-
em sua certidão de nascimento. (...) pantes se tornam também centros de descarte de garrafas
A oração subordinada “que não possuem o nome do pai PET(D) destinadas depois para reciclagem(E) o programa
em sua certidão de nascimento” não é antecedida por vírgu- possibilitará o retorno das bicicletas pela saúde das crian-
la porque tem natureza restritiva. ças e transformação das comunidades em lugares melhores
( ) Certo ( ) Errado para se viver.

53
LÍNGUA PORTUGUESA

(Adaptado de Vida Simples, abril de 2012, edição 117) RESOLUÇÃO


a) A
b) B 1- Assinalei com um (X) as pontuações inadequadas
c) C (A) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e,
d) D embora, (X) experimentasse , (X) a sensação de violar uma
e) E intimidade, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando
encontrar algo que pudesse ajudar a revelar quem era a
07. (DETRAN - OFICIAL ESTADUAL DE TRÂNSITO – VU- sua dona.
NESP/2013) Assinale a alternativa correta quanto ao uso da (B) Diante , (X) da testemunha o homem abriu a bolsa
pontuação. e, embora experimentasse a sensação , (X) de violar uma
(A) Segundo alguns psicólogos, é possível, em certas intimidade, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando
circunstâncias, ceder à frustração para que a raiva seja ali- encontrar algo que pudesse ajudar a revelar quem era a
viada. sua dona.
(B) Dirigir pode aumentar, nosso nível de estresse, por- (D) Diante da testemunha, o homem , (X) abriu a bolsa
que você está junto; com os outros motoristas cujos com- e, embora experimentasse a sensação de violar uma inti-
portamentos, são desconhecidos. midade, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando , (X)
(C) Os motoristas, devem saber, que os carros podem encontrar algo que pudesse ajudar a revelar quem era a
ser uma extensão de nossa personalidade. sua dona.
(D) A ira de trânsito pode ocasionar, acidentes e; au- (E) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e,
mentar os níveis de estresse em alguns motoristas. embora , (X) experimentasse a sensação de violar uma in-
(E) Os congestionamentos e o número de motoristas na timidade, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando ,
rua, são as principais causas da ira de trânsito. (X) encontrar algo que pudesse ajudar a revelar quem era
a sua dona.
08. (ACADEMIA DE POLÍCIA DO ESTADO DE MINAS
GERAIS – TÉCNICO ASSISTENTE DA POLÍCIA CIVIL - FU- 2-) A oração restringe o grupo que participará da cam-
MARC/2013) “Paciência, minha filha, este é apenas um ciclo panha (apenas os que não têm o nome do pai na certidão
econômico e a nossa geração foi escolhida para este vexame,
de nascimento). Se colocarmos uma vírgula, a oração tor-
você aí desse tamanho pedindo esmola e eu aqui sem nada
nar-se-á “explicativa”, generalizando a informação, o que
para te dizer, agora afasta que abriu o sinal.”
dará a entender que TODAS as pessoa não têm o nome do
No período acima, as vírgulas foram empregadas em
pai na certidão.
“Paciência, minha filha, este é [...]”, para separar
RESPOSTA: “CERTO”.
(A) aposto.
(B) vocativo.
3-)
(C) adjunto adverbial.
(A) Quando o técnico chegou, a equipe começou o trei-
(D) expressão explicativa.
09. (INFRAERO – CADASTRO RESERVA OPERACIONAL no. = mantê-la (termo deslocado)
PROFISSIONAL DE TRÁFEGO AÉREO – FCC/2011) O perío- (B) Antônio, quer saber as últimas novidades dos espor-
do corretamente pontuado é: tes? = mantê-la (vocativo)
(A) Os filmes que, mostram a luta pela sobrevivência (C) As Olimpíadas de 2016 ocorrerão no Rio, que se pre-
em condições hostis nem sempre conseguem agradar, aos para para o evento.
espectadores. = mantê-la (explicação)
(B) Várias experiências de prisioneiros, semelhantes en- (D) Atualmente, várias áreas contribuem para o aprimo-
tre si, podem ser reunidas e fazer parte de uma mesma ramento do desportista.
história ficcional. = pode retirá-la (advérbio de tempo)
(C) A história de heroísmo e de determinação que nem (E) Eis alguns esportes que a Ciência do Esporte ajuda:
sempre, é convincente, se passa em um cenário marcado, judô, natação e canoagem.
pelo frio. = mantê-la (enumeração)
(D) Caminhar por um extenso território gelado, é correr 4-) Assinalei com (X) a pontuação inadequada ou fal-
riscos iminentes que comprometem, a sobrevivência. tante:
(E) Para os fugitivos que se propunham, a alcançar a a) Meu grande amigo Pedro, (X) esteve aqui ontem!
liberdade, nada poderia parecer, realmente intransponível. b) Foi solicitado, (X) pelo diretor o comprovante da
transação.
GABARITO c) Maria, você trouxe os documentos?
01. C 02. C 03. D 04. C 05. E d) O garoto de óculos leu, em voz alta (X) o poema.
06. D 07. A 08. B 09.B e) Na noite de ontem (X) o vigia percebeu, (X) uma mo-
vimentação estranha.

5-) Assinalei com (X) onde estão as pontuações inade-


quadas

54
LÍNGUA PORTUGUESA

(A) Se a criança se perder, quem encontrá-la , (X) verá ORTOGRAFIA


na pulseira instruções para que envie , (X) uma mensagem
eletrônica ao grupo ou acione o código na internet. A ortografia é a parte da língua responsável pela grafia
(B) Um geolocalizador também , (X) avisará , (X) os pais correta das palavras. Essa grafia baseia-se no padrão culto
de onde o código foi acionado. da língua.
(C) Assim que o código é digitado, familiares cadastra- As palavras podem apresentar igualdade total ou par-
dos , (X) recebem ( , ) automaticamente, uma mensagem cial no que se refere a sua grafia e pronúncia, mesmo ten-
dizendo que a criança foi encontrada. do significados diferentes. Essas palavras são chamadas
(D) De fabricação chinesa, a nova pulseirinha , (X) chega de homônimas (canto, do grego, significa ângulo / canto,
primeiro às , (X) areias do Guarujá. do latim, significa música vocal). As palavras homônimas
6-) dividem-se em homógrafas, quando têm a mesma grafia
O projeto Escola de Bicicleta está distribuindo bicicletas (gosto, substantivo e gosto, 1ª pessoa do singular do verbo
de bambu para 4600 alunos da rede pública de São Pau- gostar) e homófonas, quando têm o mesmo som (paço, pa-
lo(A). O programa desenvolve ainda oficinas e cursos para lácio ou passo, movimento durante o andar).
as crianças utilizarem a bicicleta de forma segura e corre- Quanto à grafia correta em língua portuguesa, devem-
ta(B). Os alunos ajudam a traçar ciclorrotas e participam de se observar as seguintes regras:
atividades sobre cidadania e reciclagem(C). As escolas parti- O fonema s:
cipantes se tornam também centros de descarte de garrafas
PET(D), destinadas depois para reciclagem(E). O programa Escreve-se com S e não com C/Ç as palavras substan-
possibilitará o retorno das bicicletas pela saúde das crian- tivadas derivadas de verbos com radicais em nd, rg, rt, pel,
ças e transformação das comunidades em lugares melhores corr e sent: pretender - pretensão / expandir - expansão /
para se viver. ascender - ascensão / inverter - inversão / aspergir aspersão
A vírgula deve ser colocada após a palavra “PET”, posi- / submergir - submersão / divertir - diversão / impelir - im-
ção (D), pois antecipa um termo explicativo. pulsivo / compelir - compulsório / repelir - repulsa / recorrer
- recurso / discorrer - discurso / sentir - sensível / consentir
7-) Fiz as indicações (X) das pontuações inadequadas: - consensual
(A) Segundo alguns psicólogos, é possível, em certas
circunstâncias, ceder à frustração para que a raiva seja ali- Escreve-se com SS e não com C e Ç os nomes deri-
viada. vados dos verbos cujos radicais terminem em gred, ced,
(B) Dirigir pode aumentar, (X) nosso nível de estresse, prim ou com verbos terminados por tir ou meter: agredir
porque você está junto; (X) com os outros motoristas cujos - agressivo / imprimir - impressão / admitir - admissão /
comportamentos, (X) são desconhecidos. ceder - cessão / exceder - excesso / percutir - percussão /
(C) Os motoristas, (X) devem saber, (X) que os carros regredir - regressão / oprimir - opressão / comprometer -
podem ser uma extensão de nossa personalidade. compromisso / submeter - submissão
(D) A ira de trânsito pode ocasionar, (X) acidentes e; (X) *quando o prefixo termina com vogal que se junta com
aumentar os níveis de estresse em alguns motoristas. a palavra iniciada por “s”. Exemplos: a + simétrico - assimé-
(E) Os congestionamentos e o número de motoristas na trico / re + surgir - ressurgir
rua, (X) são as principais causas da ira de trânsito. *no pretérito imperfeito simples do subjuntivo. Exem-
plos: ficasse, falasse
8-) Paciência, minha filha, este é... = é o termo usado
para se dirigir ao interlocutor, ou seja, é um vocativo. Escreve-se com C ou Ç e não com S e SS os vocábulos
de origem árabe: cetim, açucena, açúcar
9-) Fiz as marcações (X) onde as pontuações estão ina- *os vocábulos de origem tupi, africana ou exótica: cipó,
dequadas ou faltantes: Juçara, caçula, cachaça, cacique
(A) Os filmes que,(X) mostram a luta pela sobrevivência *os sufixos aça, aço, ação, çar, ecer, iça, nça, uça, uçu,
em condições hostis nem sempre conseguem agradar, (X) uço: barcaça, ricaço, aguçar, empalidecer, carniça, caniço,
aos espectadores. esperança, carapuça, dentuço
(B) Várias experiências de prisioneiros, semelhantes en- *nomes derivados do verbo ter: abster - abstenção / de-
tre si, podem ser reunidas e fazer parte de uma mesma ter - detenção / ater - atenção / reter - retenção
história ficcional. *após ditongos: foice, coice, traição
(C) A história de heroísmo e de determinação (X) que *palavras derivadas de outras terminadas em te, to(r):
nem sempre, (X) é convincente, se passa em um cenário marte - marciano / infrator - infração / absorto - absorção
marcado, (X) pelo frio.
(D) Caminhar por um extenso território gelado, (X) é O fonema z:
correr riscos iminentes (X) que comprometem, (X) a sobre-
vivência. Escreve-se com S e não com Z:
(E) Para os fugitivos que se propunham, (X) a alcançar *os sufixos: ês, esa, esia, e isa, quando o radical é subs-
a liberdade, nada poderia parecer, (X) realmente intrans- tantivo, ou em gentílicos e títulos nobiliárquicos: freguês,
ponível. freguesa, freguesia, poetisa, baronesa, princesa, etc.

55
LÍNGUA PORTUGUESA

*os sufixos gregos: ase, ese, ise e ose: catequese, meta- As letras e e i:
morfose. *os ditongos nasais são escritos com “e”: mãe, põem.
*as formas verbais pôr e querer: pôs, pus, quisera, quis, Com “i”, só o ditongo interno cãibra.
quiseste. *os verbos que apresentam infinitivo em -oar, -uar são
*nomes derivados de verbos com radicais terminados escritos com “e”: caçoe, tumultue. Escrevemos com “i”, os
em “d”: aludir - alusão / decidir - decisão / empreender - verbos com infinitivo em -air, -oer e -uir: trai, dói, possui.
empresa / difundir - difusão - atenção para as palavras que mudam de sentido
*os diminutivos cujos radicais terminam com “s”: Luís - quando substituímos a grafia “e” pela grafia “i”: área (su-
Luisinho / Rosa - Rosinha / lápis - lapisinho
perfície), ária (melodia) / delatar (denunciar), dilatar (expan-
*após ditongos: coisa, pausa, pouso
*em verbos derivados de nomes cujo radical termina dir) / emergir (vir à tona), imergir (mergulhar) / peão (de
com “s”: anális(e) + ar - analisar / pesquis(a) + ar - pesquisar estância, que anda a pé), pião (brinquedo).

Escreve-se com Z e não com S: Fonte: http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portu-


*os sufixos “ez” e “eza” das palavras derivadas de adje- gues/ortografia
tivo: macio - maciez / rico - riqueza
*os sufixos “izar” (desde que o radical da palavra de ori- Questões sobre Ortografia
gem não termine com s): final - finalizar / concreto - con-
cretizar 01. (TRE/AP - TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC/2011) Entre
*como consoante de ligação se o radical não terminar as frases que seguem, a única correta é:
com s: pé + inho - pezinho / café + al - cafezal ≠ lápis + a) Ele se esqueceu de que?
inho - lapisinho b) Era tão ruím aquele texto, que não deu para distribui
O fonema j:
-lo entre os presentes.
c) Embora devessemos, não fomos excessivos nas crí-
Escreve-se com G e não com J:
*as palavras de origem grega ou árabe: tigela, girafa, ticas.
gesso. d) O juíz nunca negou-se a atender às reivindicações
*estrangeirismo, cuja letra G é originária: sargento, gim. dos funcionários.
*as terminações: agem, igem, ugem, ege, oge (com e) Não sei por que ele mereceria minha consideração.
poucas exceções): imagem, vertigem, penugem, bege, foge.
02. (Escrevente TJ SP – Vunesp/2013). Assinale a alter-
Observação: Exceção: pajem nativa cujas palavras se apresentam flexionadas de acordo
*as terminações: ágio, égio, ígio, ógio, ugio: sortilégio, com a norma- -padrão.
litígio, relógio, refúgio. (A) Os tabeliãos devem preparar o documento.
*os verbos terminados em ger e gir: eleger, mugir. (B) Esses cidadões tinham autorização para portar fuzis.
*depois da letra “r” com poucas exceções: emergir, sur- (C) Para autenticar as certidãos, procure o cartório local.
gir.
(D) Ao descer e subir escadas, segure-se nos corrimãos.
*depois da letra “a”, desde que não seja radical termina-
(E) Cuidado com os degrais, que são perigosos!
do com j: ágil, agente.
Escreve-se com J e não com G:
*as palavras de origem latinas: jeito, majestade, hoje. 03. (Agente de Vigilância e Recepção – VUNESP – 2013).
*as palavras de origem árabe, africana ou exótica: jiboia, Suponha-se que o cartaz a seguir seja utilizado para infor-
manjerona. mar os usuários sobre o festival Sounderground.
*as palavras terminada com aje: aje, ultraje. Prezado Usuário
________ de oferecer lazer e cultura aos passageiros do
O fonema ch: metrô, ________ desta segunda-feira (25/02), ________ 17h30,
começa o Sounderground, festival internacional que presti-
Escreve-se com X e não com CH: gia os músicos que tocam em estações do metrô.
*as palavras de origem tupi, africana ou exótica: aba- Confira o dia e a estação em que os artistas se apresen-
caxi, muxoxo, xucro. tarão e divirta-se!
*as palavras de origem inglesa (sh) e espanhola (J): Para que o texto atenda à norma-padrão, devem-se
xampu, lagartixa.
preencher as lacunas, correta e respectivamente, com as
*depois de ditongo: frouxo, feixe.
*depois de “en”: enxurrada, enxoval. expressões
A) A fim ...a partir ... as B) A fim ...à partir ... às
Observação: Exceção: quando a palavra de origem não C) A fim ...a partir ... às D) Afim ...a partir ... às
derive de outra iniciada com ch - Cheio - (enchente) E) Afim ...à partir ... as

Escreve-se com CH e não com X: 04. (TRF - 1ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO -


*as palavras de origem estrangeira: chave, chumbo, FCC/2011) As palavras estão corretamente grafadas na se-
chassi, mochila, espadachim, chope, sanduíche, salsicha. guinte frase:

56
LÍNGUA PORTUGUESA

(A) Que eles viajem sempre é muito bom, mas não é D) É difícil entender o por quê de tanto sofrimento,
boa a ansiedade com que enfrentam o excesso de passa- principalmente daqueles que procuram viver com dignida-
geiros nos aeroportos. de e simplicidade.
(B) Comete muitos deslises, talvez por sua espontanei- E) As dificuldades por que passamos certamente nos
dade, mas nada que ponha em cheque sua reputação de fazem mais fortes e preparados para os infortúnios da vida.
pessoa cortês.
(C) Ele era rabugento e tinha ojeriza ao hábito do só- 09.Assinale a alternativa cuja frase esteja incorreta:
cio de descançar após o almoço sob a frondoza árvore do A) Porque essa cara? B) Não vou porque não
pátio. quero.
(D) Não sei se isso influe, mas a persistência dessa má- C) Mas por quê? D) Você saiu por quê?
goa pode estar sendo o grande impecilho na superação
dessa sua crise. 10-) (GOVERNO DO ESTADO DE ALAGOAS – TÉCNICO
(E) O diretor exitou ao aprovar a retenção dessa alta FORENSE - CESPE/2013 - adaptada) Uma variante igual-
quantia, mas não quiz ser taxado de conivente na conces- mente correta do termo “autópsia” é autopsia.
são de privilégios ilegítimos. ( ) Certo
( ) Errado
05.Em qual das alternativas a frase está corretamente
escrita? GABARITO
A) O mindingo não depositou na cardeneta de poupan-
sa. 01.E 02. D 03. C 04. A 05. B
B) O mendigo não depositou na caderneta de poupan- 06. E 07. C 08. E 09. A 10. C
ça.
C) O mindigo não depozitou na cardeneta de poupans- RESOLUÇÃO
sa.
D) O mendingo não depozitou na carderneta de pou- 1-)
pansa. (A) Ele se esqueceu de que? = quê?
(B) Era tão ruím (ruim) aquele texto, que não deu para
06.(IAMSPE/SP – ATENDENTE – [PAJEM] - CCI) – VU- distribui-lo (distribuí-lo) entre os presentes.
NESP/2011) Assinale a alternativa em que o trecho – Mas (C) Embora devêssemos (devêssemos) , não fomos ex-
ela cresceu ... – está corretamente reescrito no plural, com o
cessivos nas críticas.
verbo no tempo futuro.
(D) O juíz (juiz) nunca (se) negou a atender às reivindi-
(A) Mas elas cresceram...
cações dos funcionários.
(B) Mas elas cresciam...
(E) Não sei por que ele mereceria minha consideração.
(C) Mas elas cresçam...
(D) Mas elas crescem...
2-)
(E) Mas elas crescerão...
07. (IAMSPE/SP – ATENDENTE – [PAJEM – CCI] – VU- (A) Os tabeliãos devem preparar o documento. = ta-
NESP/2011 - ADAPTADA) Assinale a alternativa em que o beliães
trecho – O teste decisivo e derradeiro para ele, cidadão an- (B) Esses cidadões tinham autorização para portar fuzis.
sioso e sofredor...– está escrito corretamente no plural. = cidadãos
(A) Os testes decisivo e derradeiros para eles, cidadãos (C) Para autenticar as certidãos, procure o cartório local.
ansioso e sofredores... = certidões
(B) Os testes decisivos e derradeiros para eles, cidadães (E) Cuidado com os degrais, que são perigosos = de-
ansioso e sofredores... graus
(C) Os testes decisivos e derradeiros para eles, cidadãos 3-) Prezado Usuário
ansiosos e sofredores... A fim de oferecer lazer e cultura aos passageiros do me-
(D) Os testes decisivo e derradeiros para eles, cidadões trô, a partir desta segunda-feira (25/02), às 17h30, começa
ansioso e sofredores... o Sounderground, festival internacional que prestigia os mú-
(E) Os testes decisivos e derradeiros para eles, cidadães sicos que tocam em estações do metrô.
ansiosos e sofredores... Confira o dia e a estação em que os artistas se apresen-
tarão e divirta-se!
08. (MPE/RJ – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – FUJB/2011) A fim = indica finalidade; a partir: sempre separado; an-
Assinale a alternativa em que a frase NÃO contraria a nor- tes de horas: há crase
ma culta:
A) Entre eu e a vida sempre houve muitos infortúnios, 4-) Fiz a correção entre parênteses:
por isso posso me queixar com razão. (A) Que eles viajem sempre é muito bom, mas não é
B) Sempre houveram várias formas eficazes para ultra- boa a ansiedade com que enfrentam o excesso de passa-
passarmos os infortúnios da vida. geiros nos aeroportos.
C) Devemos controlar nossas emoções todas as vezes (B) Comete muitos deslises (deslizes), talvez por sua
que vermos a pobreza e a miséria fazerem parte de nossa espontaneidade, mas nada que ponha em cheque (xeque)
vida. sua reputação de pessoa cortês.

57
LÍNGUA PORTUGUESA

(C) Ele era rabugento e tinha ojeriza ao hábito do sócio 1. Em palavras compostas por justaposição que formam
de descançar (descansar) após o almoço sob a frondoza uma unidade semântica, ou seja, nos termos que se unem
(frondosa) árvore do pátio. para formar um novo significado: tio-avô, porto-alegrense,
(D) Não sei se isso influe (influi), mas a persistência des- luso-brasileiro, tenente-coronel, segunda-feira, conta-gotas,
sa mágoa pode estar sendo o grande impecilho (empeci- guarda-chuva, arco- -íris, primeiro-ministro, azul-escuro.
lho) na superação dessa sua crise.
(E) O diretor exitou (hesitou) ao aprovar a retenção des- 2. Em palavras compostas por espécies botânicas e zoo-
sa alta quantia, mas não quiz (quis) ser taxado de conivente lógicas: couve-flor, bem-te-vi, bem-me-quer, abóbora-meni-
na concessão de privilégios ilegítimos. na, erva-doce, feijão-verde.

3. Nos compostos com elementos além, aquém, recém


5-)
e sem: além-mar, recém-nascido, sem-número, recém-casa-
A) O mindingo não depositou na cardeneta de poupan-
do, aquém- -fiar, etc.
sa. = mendigo/caderneta/poupança
C) O mindigo não depozitou na cardeneta de poupans- 4. No geral, as locuções não possuem hífen, mas algu-
sa. = mendigo/caderneta/poupança mas exceções continuam por já estarem consagradas pelo
D) O mendingo não depozitou na carderneta de pou- uso: cor- -de-rosa, arco-da-velha, mais-que-perfeito, pé-
pansa. =mendigo/depositou/caderneta/poupança de-meia, água-de- -colônia, queima-roupa, deus-dará.
6-) Futuro do verbo “crescer”: crescerão. Teremos: mas 5. Nos encadeamentos de vocábulos, como: ponte Rio-
elas crescerão... Niterói, percurso Lisboa-Coimbra-Porto e nas combinações
históricas ou ocasionais: Áustria-Hungria, Angola-Brasil, Al-
7-) Como os itens apresentam o mesmo texto, a alter- sácia-Lorena, etc.
nativa correta já indica onde estão as inadequações nos
demais itens. 6. Nas formações com os prefixos hiper-, inter- e super-
quando associados com outro termo que é iniciado por r:
8-) Fiz as correções entre parênteses: hiper-resistente, inter-racial, super-racional, etc.
A) Entre eu (mim) e a vida sempre houve muitos infor-
túnios, por isso posso me queixar com razão. 7. Nas formações com os prefixos ex-, vice-: ex-diretor,
B) Sempre houveram (houve) várias formas eficazes ex- -presidente, vice-governador, vice-prefeito.
para ultrapassarmos os infortúnios da vida.
C) Devemos controlar nossas emoções todas as vezes 8. Nas formações com os prefixos pós-, pré- e pró-: pré-
que vermos (virmos) a pobreza e a miséria fazerem parte natal, pré-escolar, pró-europeu, pós-graduação, etc.
de nossa vida.
D) É difícil entender o por quê (o porquê) de tanto so- 9. Na ênclise e mesóclise: amá-lo, deixá-lo, dá-se, abra-
frimento, principalmente daqueles que procuram viver com ça-o, lança-o e amá-lo-ei, falar-lhe-ei, etc.
dignidade e simplicidade.
10. Nas formações em que o prefixo tem como segun-
E) As dificuldades por que (= pelas quais; correto) pas-
do termo uma palavra iniciada por “h”: sub-hepático, ele-
samos certamente nos fazem mais fortes e preparados
tro-higrómetro, geo-história, neo-helênico, extra-humano,
para os infortúnios da vida.
semi-hospitalar, super- -homem.
9-) Por que essa cara? = é uma pergunta e o pronome 11. Nas formações em que o prefixo ou pseudo prefixo
está longe do ponto de interrogação. termina na mesma vogal do segundo elemento: micro-on-
das, eletro-ótica, semi-interno, auto-observação, etc.
10-) autopsia s.f., autópsia s.f.; cf. autopsia Obs: O hífen é suprimido quando para formar outros
(fonte: http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/ termos: reaver, inábil, desumano, lobisomem, reabilitar.
sys/start.htm?sid=23)
RESPOSTA: “CERTO”. - Lembre-se: ao separar palavras na translineação (mu-
HÍFEN dança de linha), caso a última palavra a ser escrita seja for-
mada por hífen, repita-o na próxima linha. Exemplo: escre-
O hífen é um sinal diacrítico (que distingue) usado para verei anti-inflamatório e, ao final, coube apenas “anti-”. Na
ligar os elementos de palavras compostas (couve-flor, ex linha debaixo escreverei: “-inflamatório” (hífen em ambas
-presidente) e para unir pronomes átonos a verbos (ofere- as linhas).
ceram-me; vê-lo-ei). Não se emprega o hífen:
Serve igualmente para fazer a translineação de palavras,
isto é, no fim de uma linha, separar uma palavra em duas 1. Nas formações em que o prefixo ou falso prefixo ter-
partes (ca-/sa; compa-/nheiro). mina em vogal e o segundo termo inicia-se em “r” ou “s”.
Uso do hífen que continua depois da Reforma Orto- Nesse caso, passa-se a duplicar estas consoantes: antirre-
gráfica: ligioso, contrarregra, infrassom, microssistema, minissaia,
microrradiografia, etc.

58
LÍNGUA PORTUGUESA

2. Nas constituições em que o prefixo ou pseudoprefixo 05.Fez um esforço __ para vencer o campeonato __. Qual
termina em vogal e o segundo termo inicia-se com vogal alternativa completa corretamente as lacunas?
diferente: antiaéreo, extraescolar, coeducação, autoestrada, A) sobreumano/interregional
autoaprendizagem, hidroelétrico, plurianual, autoescola, in- B) sobrehumano-interregional
fraestrutura, etc. C) sobre-humano / inter-regional
D) sobrehumano/ inter-regional
3. Nas formações, em geral, que contêm os prefixos E) sobre-humano /interegional
“dês” e “in” e o segundo elemento perdeu o h inicial: desu-
mano, inábil, desabilitar, etc. 06. Suponha que você tenha que agregar o prefixo sub-
às palavras que aparecem nas alternativas a seguir. Assina-
4. Nas formações com o prefixo “co”, mesmo quando le aquela que tem de ser escrita com hífen:
o segundo elemento começar com “o”: cooperação, coo- A) (sub) chefe
brigação, coordenar, coocupante, coautor, coedição, coexistir, B) (sub) entender
etc. C) (sub) solo
D) (sub) reptício
5. Em certas palavras que, com o uso, adquiriram noção E) (sub) liminar
de composição: pontapé, girassol, paraquedas, paraquedis-
ta, etc. 07.Assinale a alternativa em que todas as palavras estão
grafadas corretamente:
6. Em alguns compostos com o advérbio “bem”: benfei- A) autocrítica, contramestre, extra-oficial
to, benquerer, benquerido, etc. B) infra-assinado, infra-vermelho, infra-som
C) semi-círculo, semi-humano, semi-internato
Questões sobre Hífen D) supervida, superelegante, supermoda
E) sobre-saia, mini-saia, superssaia
01.Assinale a alternativa em que o hífen, conforme o
08.Assinale o item em que o uso do hífen está incorreto.
novo Acordo, está sendo usado corretamente:
A) infraestrutura / super-homem / autoeducação
A) Ele fez sua auto-crítica ontem.
B) bem-vindo / antessala /contra-regra
B) Ela é muito mal-educada.
C) contramestre / infravermelho / autoescola
C) Ele tomou um belo ponta-pé.
D) neoescolástico / ultrassom / pseudo-herói
D) Fui ao super-mercado, mas não entrei.
E) extraoficial / infra-hepático /semirreta
E) Os raios infra-vermelhos ajudam em lesões.
09.Uma das alternativas abaixo apresenta incorreção
02.Assinale a alternativa errada quanto ao emprego do
quanto ao emprego do hífen.
hífen: A) O pseudo-hermafrodita não tinha infraestrutura para
A) Pelo interfone ele comunicou bem-humorado que relacionamento extraconjugal.
faria uma superalimentação. B) Era extraoficial a notícia da vinda de um extraterreno.
B) Nas circunvizinhanças há uma casa malassombrada. C) Ele estudou línguas neolatinas nas colônias ultrama-
C) Depois de comer a sobrecoxa, tomou um antiácido. rinas.
D) Nossos antepassados realizaram vários anteprojetos. D) O anti-semita tomou um anti-biótico e vacina antir-
E) O autodidata fez uma autoanálise. rábica.
E) Era um suboficial de uma superpotência.
03.Assinale a alternativa incorreta quanto ao emprego
do hífen, respeitando-se o novo Acordo. 10.Assinale a alternativa em que ocorre erro quanto ao
A) O semi-analfabeto desenhou um semicírculo. emprego do hífen.
B) O meia-direita fez um gol de sem-pulo na semifinal A) Foi iniciada a campanha pró-leite.
do campeonato. B) O ex-aluno fez a sua autodefesa.
C) Era um sem-vergonha, pois andava seminu. C) O contrarregra comeu um contra-filé.
D) O recém-chegado veio de além-mar. D) Sua vida é um verdadeiro contrassenso.
E) O vice-reitor está em estado pós-operatório. E) O meia-direita deu início ao contra-ataque.

04.Segundo o novo Acordo, entre as palavras pão duro GABARITO


(avarento), copo de leite (planta) e pé de moleque (doce) o
hífen é obrigatório: 01. B 02. B 03. A 04. E 05. C
A) em nenhuma delas. 06. D 07. D 08. B 09. D 10. C
B) na segunda palavra.
C) na terceira palavra.
D) em todas as palavras.
E) na primeira e na segunda palavra.

59
LÍNGUA PORTUGUESA

RESOLUÇÃO Morfossintaxe do Adjetivo:

1-) O adjetivo exerce sempre funções sintáticas (função


A) autocrítica dentro de uma oração) relativas aos substantivos, atuando
C) pontapé como adjunto adnominal ou como predicativo (do sujeito
D) supermercado ou do objeto).
E) infravermelhos
2-)B) Nas circunvizinhanças há uma casa mal-assom- Adjetivo Pátrio (ou gentílico)
brada.
Indica a nacionalidade ou o lugar de origem do ser. Ob-
3-) A) O semianalfabeto desenhou um semicírculo. serve alguns deles:
4-) Estados e cidades brasileiros:
a) pão-duro / b) copo-de-leite (planta) / c) pé de mo- Alagoas alagoano
leque (doce) Amapá amapaense
a) Usa-se o hífen nas palavras compostas que não apre- Aracaju aracajuano ou aracajuense
sentam elementos de ligação. Amazonas amazonense ou baré
b) Usa-se o hífen nos compostos que designam espé- Belo Horizonte belo-horizontino
cies animais e botânicas (nomes de plantas, flores, frutos, Brasília brasiliense
raízes, sementes), tenham ou não elementos de ligação. Cabo Frio cabo-friense
c) Não se usa o hífen em compostos que apresentam Campinas campineiro ou campinense
elementos de ligação.
Adjetivo Pátrio Composto
5-) Fez um esforço sobre-humano para vencer o cam-
peonato inter-regional. Na formação do adjetivo pátrio composto, o primeiro
- Usa-se o hífen diante de palavra iniciada por h.
elemento aparece na forma reduzida e, normalmente, eru-
- Usa-se o hífen se o prefixo terminar com a mesma
dita. Observe alguns exemplos:
letra com que se inicia a outra palavra
África afro- / Cultura afro-americana
6-) Com os prefixos sub e sob, usa-se o hífen também
Alemanha germano- ou teuto-/Competições teuto
diante de palavra iniciada por r. : subchefe, subentender,
-inglesas
subsolo, sub- -reptício (sem o hífen até a leitura da pala-
América américo- / Companhia américo-africana
vra será alterada; /subre/, ao invés de /sub re/), subliminar
Bélgica belgo- / Acampamentos belgo-franceses
7-) China sino- / Acordos sino-japoneses
A) autocrítica, contramestre, extraoficial Espanha hispano- / Mercado hispano-português
B) infra-assinado, infravermelho, infrassom Europa euro- / Negociações euro-americanas
C) semicírculo, semi-humano, semi-internato França franco- ou galo- / Reuniões franco-italia-
D) supervida, superelegante, supermoda = corretas nas
E) sobressaia, minissaia, supersaia Grécia greco- / Filmes greco-romanos
8-) B) bem-vindo / antessala / contrarregra Inglaterra anglo- / Letras anglo-portuguesas
Itália ítalo- / Sociedade ítalo-portuguesa
9-) D) O antissemita tomou um antibiótico e vacina an- Japão nipo- / Associações nipo-brasileiras
tirrábica. Portugal luso- / Acordos luso-brasileiros
Flexão dos adjetivos
10-) C) O contrarregra comeu um contrafilé.
O adjetivo varia em gênero, número e grau.
CLASSES DE PALAVRAS
Gênero dos Adjetivos
Adjetivo
Os adjetivos concordam com o substantivo a que se
Adjetivo é a palavra que expressa uma qualidade ou referem (masculino e feminino). De forma semelhante aos
característica do ser e se relaciona com o substantivo. substantivos, classificam-se em:
Ao analisarmos a palavra bondoso, por exemplo, per- Biformes - têm duas formas, sendo uma para o mas-
cebemos que, além de expressar uma qualidade, ela pode culino e outra para o feminino. Por exemplo: ativo e ativa,
ser colocada ao lado de um substantivo: homem bondoso, mau e má, judeu e judia.
moça bondosa, pessoa bondosa. Se o adjetivo é composto e biforme, ele flexiona no fe-
Já com a palavra bondade, embora expresse uma qua- minino somente o último elemento. Por exemplo: o moço
lidade, não acontece o mesmo; não faz sentido dizer: ho- norte-americano, a moça norte-americana.
mem bondade, moça bondade, pessoa bondade. Bondade, Exceção: surdo-mudo e surda-muda.
portanto, não é adjetivo, mas substantivo.

60
LÍNGUA PORTUGUESA

Uniformes - têm uma só forma tanto para o masculino Comparativo


como para o feminino. Por exemplo: homem feliz e mulher
feliz. Nesse grau, comparam-se a mesma característica atri-
Se o adjetivo é composto e uniforme, fica invariável no buída a dois ou mais seres ou duas ou mais característi-
feminino. Por exemplo: conflito político-social e desavença cas atribuídas ao mesmo ser. O comparativo pode ser de
político-social. igualdade, de superioridade ou de inferioridade. Observe
os exemplos abaixo:
Número dos Adjetivos Sou tão alto como você. = Comparativo de Igualdade
No comparativo de igualdade, o segundo termo da
Plural dos adjetivos simples comparação é introduzido pelas palavras como, quanto ou
quão.
Os adjetivos simples flexionam-se no plural de acordo
com as regras estabelecidas para a flexão numérica dos Sou mais alto (do) que você. = Comparativo de Supe-
substantivos simples. Por exemplo: mau e maus, feliz e feli- rioridade Analítico
zes, ruim e ruins boa e boas No comparativo de superioridade analítico, entre os
dois substantivos comparados, um tem qualidade supe-
Caso o adjetivo seja uma palavra que também exerça rior. A forma é analítica porque pedimos auxílio a “mais...do
função de substantivo, ficará invariável, ou seja, se a palavra que” ou “mais...que”.
que estiver qualificando um elemento for, originalmente,
um substantivo, ela manterá sua forma primitiva. Exemplo: O Sol é maior (do) que a Terra. = Comparativo de Supe-
a palavra cinza é originalmente um substantivo; porém, se rioridade Sintético
estiver qualificando um elemento, funcionará como adje-
tivo. Ficará, então, invariável. Logo: camisas cinza, ternos Alguns adjetivos possuem, para o comparativo de su-
cinza. perioridade, formas sintéticas, herdadas do latim. São eles:
Veja outros exemplos: bom /melhor, pequeno/menor, mau/pior, alto/superior,
Motos vinho (mas: motos verdes) grande/maior, baixo/inferior.
Paredes musgo (mas: paredes brancas). Observe que:
Comícios monstro (mas: comícios grandiosos).
a) As formas menor e pior são comparativos de supe-
rioridade, pois equivalem a mais pequeno e mais mau, res-
Adjetivo Composto
pectivamente.
b) Bom, mau, grande e pequeno têm formas sintéticas
É aquele formado por dois ou mais elementos. Nor-
(melhor, pior, maior e menor), porém, em comparações fei-
malmente, esses elementos são ligados por hífen. Apenas
tas entre duas qualidades de um mesmo elemento, deve-
o último elemento concorda com o substantivo a que se
se usar as formas analíticas mais bom, mais mau,mais gran-
refere; os demais ficam na forma masculina, singular. Caso
um dos elementos que formam o adjetivo composto seja de e mais pequeno. Por exemplo:
um substantivo adjetivado, todo o adjetivo composto fica- Pedro é maior do que Paulo - Comparação de dois ele-
rá invariável. Por exemplo: a palavra rosa é originalmente mentos.
um substantivo, porém, se estiver qualificando um elemen- Pedro é mais grande que pequeno - comparação de
to, funcionará como adjetivo. Caso se ligue a outra pala- duas qualidades de um mesmo elemento.
vra por hífen, formará um adjetivo composto; como é um
substantivo adjetivado, o adjetivo composto inteiro ficará Sou menos alto (do) que você. = Comparativo de In-
invariável. Por exemplo: ferioridade
Camisas rosa-claro. Sou menos passivo (do) que tolerante.
Ternos rosa-claro. Superlativo
Olhos verde-claros.
Calças azul-escuras e camisas verde-mar. O superlativo expressa qualidades num grau muito ele-
Telhados marrom-café e paredes verde-claras. vado ou em grau máximo. O grau superlativo pode ser ab-
soluto ou relativo e apresenta as seguintes modalidades:
Obs.: - Azul-marinho, azul-celeste, ultravioleta e qual-
quer adjetivo composto iniciado por cor-de-... são sempre Superlativo Absoluto: ocorre quando a qualidade de
invariáveis. um ser é intensificada, sem relação com outros seres. Apre-
- Os adjetivos compostos surdo-mudo e pele-vermelha senta-se nas formas:
têm os dois elementos flexionados.
Analítica: a intensificação se faz com o auxílio de pala-
Grau do Adjetivo vras que dão ideia de intensidade (advérbios). Por exemplo:
O secretário é muito inteligente.
Os adjetivos flexionam-se em grau para indicar a inten- Sintética: a intensificação se faz por meio do acréscimo
sidade da qualidade do ser. São dois os graus do adjetivo: de sufixos. Por exemplo: O secretário é inteligentíssimo.
o comparativo e o superlativo.

61
LÍNGUA PORTUGUESA

Observe alguns superlativos sintéticos: não deixará de ocupar tal função. Temos aí o que chama-
benéfico beneficentíssimo mos de locução adverbial, representada por algumas ex-
bom boníssimo ou ótimo pressões, tais como: às vezes, sem dúvida, frente a frente, de
comum comuníssimo modo algum, entre outras.
cruel crudelíssimo Dependendo das circunstâncias expressas pelos advér-
difícil dificílimo bios, eles se classificam em distintas categorias, uma vez
doce dulcíssimo expressas por:
fácil facílimo
fiel fidelíssimo de modo: Bem, mal, assim, depressa, devagar, às pres-
sas, às claras, às cegas, à toa, à vontade, às escondidas, aos
Superlativo Relativo: ocorre quando a qualidade de poucos, desse jeito, desse modo, dessa maneira, em geral,
um ser é intensificada em relação a um conjunto de seres. frente a frente, lado a lado, a pé, de cor, em vão, e a maior
Essa relação pode ser: parte dos que terminam em -”mente”: calmamente, triste-
mente, propositadamente, pacientemente, amorosamente,
De Superioridade: Clara é a mais bela da sala. docemente, escandalosamente, bondosamente, generosa-
mente
De Inferioridade: Clara é a menos bela da sala.
de intensidade: Muito, demais, pouco, tão, menos, em
Note bem: excesso, bastante, pouco, mais, menos, demasiado, quanto,
1) O superlativo absoluto analítico é expresso por meio quão, tanto, que(equivale a quão), tudo, nada, todo, quase,
dos advérbios muito, extremamente, excepcionalmente, de todo, de muito, por completo.
etc., antepostos ao adjetivo.
2) O superlativo absoluto sintético apresenta-se sob de tempo: Hoje, logo, primeiro, ontem, tarde outrora,
duas formas : uma erudita, de origem latina, outra popular, amanhã, cedo, dantes, depois, ainda, antigamente, antes,
de origem vernácula. A forma erudita é constituída pelo doravante, nunca, então, ora, jamais, agora, sempre, já, en-
radical do adjetivo latino + um dos sufixos -íssimo, -imo fim, afinal, breve, constantemente, entrementes, imediata-
mente, primeiramente, provisoriamente, sucessivamente, às
ou érrimo. Por exemplo: fidelíssimo, facílimo, paupérrimo. A
vezes, à tarde, à noite, de manhã, de repente, de vez em
forma popular é constituída do radical do adjetivo portu-
quando, de quando em quando, a qualquer momento, de
guês + o sufixo -íssimo: pobríssimo, agilíssimo.
tempos em tempos, em breve, hoje em dia
3) Em vez dos superlativos normais seriíssimo, precariís-
simo, necessariíssimo, preferem-se, na linguagem atual, as
de lugar: Aqui, antes, dentro, ali, adiante, fora, acolá,
formas seríssimo, precaríssimo, necessaríssimo, sem o desa-
atrás, além, lá, detrás, aquém, cá, acima, onde, perto, aí,
gradável hiato i-í.
abaixo, aonde, longe, debaixo, algures, defronte, nenhures,
adentro, afora, alhures, nenhures, aquém, embaixo, exter-
Advérbio namente, a distância, à distancia de, de longe, de perto, em
cima, à direita, à esquerda, ao lado, em volta
O advérbio, assim como muitas outras palavras exis-
tentes na Língua Portuguesa, advém de outras línguas. de negação : Não, nem, nunca, jamais, de modo algum,
Assim sendo, tal qual o adjetivo, o prefixo “ad-” indica a de forma nenhuma, tampouco, de jeito nenhum
ideia de proximidade, contiguidade. Essa proximidade faz
referência ao processo verbal, no sentido de caracterizá-lo, de dúvida: Acaso, porventura, possivelmente, provavel-
ou seja, indicando as circunstâncias em que esse processo mente, quiçá, talvez, casualmente, por certo, quem sabe
se desenvolve. de afirmação: Sim, certamente, realmente, decerto, efe-
O advérbio relaciona-se aos verbos da língua, no senti- tivamente, certo, decididamente, realmente, deveras, indubi-
do de caracterizar os processos expressos por ele. Contu- tavelmente (=sem dúvida).
do, ele não é modificador exclusivo desta classe (verbos),
pois também modifica o adjetivo e até outro advérbio. Se- de exclusão: Apenas, exclusivamente, salvo, senão, so-
guem alguns exemplos: mente, simplesmente, só, unicamente
Para quem se diz distantemente alheio a esse assunto,
você está até bem informado. de inclusão: Ainda, até, mesmo, inclusivamente, tam-
Temos o advérbio “distantemente” que modifica o ad- bém
jetivo alheio, representando uma qualidade, característica.
de ordem: Depois, primeiramente, ultimamente
O artista canta muito mal.
Nesse caso, o advérbio de intensidade “muito” modifica de designação: Eis
outro advérbio de modo – “mal”. Em ambos os exemplos
pudemos verificar que se tratava de somente uma palavra de interrogação: onde? (lugar), como? (modo), quan-
funcionando como advérbio. No entanto, ele pode estar do? (tempo), por quê? (causa), quanto? (preço e intensidade),
demarcado por mais de uma palavra, que mesmo assim para quê? (finalidade)

62
LÍNGUA PORTUGUESA

Locução adverbial Constatemos as circunstância


os em que os artigos se manifestam:
É reunião de duas ou mais palavras com valor de advér-
bio. Exemplo: - Considera-se obrigatório o uso do artigo depois do
Carlos saiu às pressas. (indicando modo) numeral “ambos”: Ambos os garotos decidiram participar
Maria saiu à tarde. (indicando tempo) das olimpíadas.

Há locuções adverbiais que possuem advérbios corres- - Nomes próprios indicativos de lugar admitem o uso
pondentes. Exemplo: Carlos saiu às pressas. = Carlos saiu do artigo, outros não: São Paulo, O Rio de Janeiro, Veneza,
apressadamente. A Bahia...

Apenas os advérbios de intensidade, de lugar e de - Quando indicado no singular, o artigo definido pode
modo são flexionados, sendo que os demais são todos in- indicar toda uma espécie: O trabalho dignifica o homem.
variáveis. A única flexão propriamente dita que existe na
categoria dos advérbios é a de grau: - No caso de nomes próprios personativos, denotando
a ideia de familiaridade ou afetividade, é facultativo o uso
Superlativo: aumenta a intensidade. Exemplos: longe do artigo: O Pedro é o xodó da família.
- longíssimo, pouco - pouquíssimo, inconstitucionalmente -
inconstitucionalissimamente, etc.; - No caso de os nomes próprios personativos estarem
Diminutivo: diminui a intensidade. Exemplos: perto - no plural, são determinados pelo uso do artigo: Os Maias,
pertinho, pouco - pouquinho, devagar - devagarinho. os Incas, Os Astecas...

Artigo - Usa-se o artigo depois do pronome indefinido todo(a)


para conferir uma ideia de totalidade. Sem o uso dele (o
Artigo é a palavra que, vindo antes de um substantivo, artigo), o pronome assume a noção de qualquer.
indica se ele está sendo empregado de maneira definida ou Toda a classe parabenizou o professor. (a sala toda)
indefinida. Além disso, o artigo indica, ao mesmo tempo, o Toda classe possui alunos interessados e desinteressados.
gênero e o número dos substantivos. (qualquer classe)

Classificação dos Artigos - Antes de pronomes possessivos, o uso do artigo é fa-


cultativo:
Artigos Definidos: determinam os substantivos de ma- Adoro o meu vestido longo. Adoro meu vestido longo.
neira precisa: o, a, os, as. Por exemplo: Eu matei o animal.
- A utilização do artigo indefinido pode indicar uma
Artigos Indefinidos: determinam os substantivos de ideia de aproximação numérica: O máximo que ele deve ter
maneira vaga: um, uma, uns, umas. Por exemplo: Eu matei é uns vinte anos.
um animal.
- O artigo também é usado para substantivar palavras
Combinação dos Artigos oriundas de outras classes gramaticais: Não sei o porquê de
tudo isso.
É muito presente a combinação dos artigos definidos
e indefinidos com preposições. Veja a forma assumida por - Nunca deve ser usado artigo depois do pronome re-
essas combinações: lativo cujo (e flexões).
Este é o homem cujo amigo desapareceu.
Preposições Artigos Este é o autor cuja obra conheço.
o, os
a ao, aos - Não se deve usar artigo antes das palavras casa ( no
de do, dos sentido de lar, moradia) e terra ( no sentido de chão firme),
em no, nos a menos que venham especificadas.
por (per) pelo, pelos Eles estavam em casa.
a, as um, uns uma, umas Eles estavam na casa dos amigos.
à, às - - Os marinheiros permaneceram em terra.
da, das dum, duns duma, dumas Os marinheiros permanecem na terra dos anões.
na, nas num, nuns numa, numas
pela, pelas - - - Não se emprega artigo antes dos pronomes de trata-
mento, com exceção de senhor(a), senhorita e dona: Vossa
- As formas à e às indicam a fusão da preposição a com excelência resolverá os problemas de Sua Senhoria.
o artigo definido a. Essa fusão de vogais idênticas é conhe-
cida por crase.

63
LÍNGUA PORTUGUESA

- Não se une com preposição o artigo que faz parte do - ALTERNATIVAS: Expressam ideia de alternância.
nome de revistas, jornais, obras literárias: Li a notícia em O Ou você sai do telefone ou eu vendo o aparelho.
Estado de S. Paulo. Principais conjunções alternativas: Ou...ou, ora...ora,
quer...quer, já...já.
Morfossintaxe
- CONCLUSIVAS: Servem para dar conclusões às ora-
Para definir o que é artigo é preciso mencionar suas ções. Ex. Estudei muito, por isso mereço passar.
relações com o substantivo. Assim, nas orações da língua Principais conjunções conclusivas: logo, por isso, pois
portuguesa, o artigo exerce a função de adjunto adnominal (depois do verbo), portanto, por conseguinte, assim.
do substantivo a que se refere. Tal função independe da
função exercida pelo substantivo: - EXPLICATIVAS: Explicam, dão um motivo ou razão. Ex.
A existência é uma poesia. É melhor colocar o casaco porque está fazendo muito frio lá
Uma existência é a poesia. fora.
Principais conjunções explicativas: que, porque, pois (an-
Conjunção tes do verbo), porquanto.
Conjunção é a palavra invariável que liga duas orações Conjunções subordinativas
ou dois termos semelhantes de uma mesma oração. Por
exemplo: - CAUSAIS
A menina segurou a boneca e mostrou quando viu as Principais conjunções causais: porque, visto que, já que,
amiguinhas. uma vez que, como (= porque).
Ele não fez o trabalho porque não tem livro.
Deste exemplo podem ser retiradas três informações:
1-) segurou a boneca 2-) a menina mostrou 3-) viu as - COMPARATIVAS
amiguinhas Principais conjunções comparativas: que, do que, tão...
como, mais...do que, menos...do que.
Cada informação está estruturada em torno de um ver-
Ela fala mais que um papagaio.
bo: segurou, mostrou, viu. Assim, há nessa frase três ora-
ções:
- CONCESSIVAS
Principais conjunções concessivas: embora, ainda que,
1ª oração: A menina segurou a boneca 2ª oração: e
mesmo que, apesar de, se bem que.
mostrou 3ª oração: quando viu as amiguinhas.
Indicam uma concessão, admitem uma contradição, um
A segunda oração liga-se à primeira por meio do “e”, e fato inesperado. Traz em si uma ideia de “apesar de”.
a terceira oração liga-se à segunda por meio do “quando”. Embora estivesse cansada, fui ao shopping. (= apesar de
As palavras “e” e “quando” ligam, portanto, orações. estar cansada)
Apesar de ter chovido fui ao cinema.
Observe: Gosto de natação e de futebol.
Nessa frase as expressões de natação, de futebol são - CONFORMATIVAS
partes ou termos de uma mesma oração. Logo, a palavra Principais conjunções conformativas: como, segundo,
“e” está ligando termos de uma mesma oração. conforme, consoante
Morfossintaxe da Conjunção Cada um colhe conforme semeia.
Expressam uma ideia de acordo, concordância, confor-
As conjunções, a exemplo das preposições, não exer- midade.
cem propriamente uma função sintática: são conectivos.
Classificação - CONSECUTIVAS
- Conjunções Coordenativas Expressam uma ideia de consequência.
- Conjunções Subordinativas Principais conjunções consecutivas: que (após “tal”,
“tanto”, “tão”, “tamanho”).
Conjunções coordenativas Falou tanto que ficou rouco.

Dividem-se em: - FINAIS


- ADITIVAS: expressam a ideia de adição, soma. Ex. Gos- Expressam ideia de finalidade, objetivo.
to de cantar e de dançar. Todos trabalham para que possam sobreviver.
Principais conjunções aditivas: e, nem, não só...mas tam- Principais conjunções finais: para que, a fim de que, por-
bém, não só...como também. que (=para que),

- ADVERSATIVAS: Expressam ideias contrárias, de opo- - PROPORCIONAIS


sição, de compensação. Ex. Estudei, mas não entendi nada. Principais conjunções proporcionais: à medida que,
Principais conjunções adversativas: mas, porém, contu- quanto mais, ao passo que, à proporção que.
do, todavia, no entanto, entretanto. À medida que as horas passavam, mais sono ele tinha.

64
LÍNGUA PORTUGUESA

- TEMPORAIS Ai! Ai! Ai! Machuquei meu pé... ai: interjeição = senten-
Principais conjunções temporais: quando, enquanto, ça (sugestão): “Isso está doendo!” ou “Estou com dor!”
logo que.
Quando eu sair, vou passar na locadora. A interjeição é um recurso da linguagem afetiva, em
que não há uma ideia organizada de maneira lógica, como
Diferença entre orações causais e explicativas são as sentenças da língua, mas sim a manifestação de um
suspiro, um estado da alma decorrente de uma situação
Quando estudamos Orações Subordinadas Adverbiais particular, um momento ou um contexto específico. Exem-
(OSA) e Coordenadas Sindéticas (CS), geralmente nos de- plos:
paramos com a dúvida de como distinguir uma oração Ah, como eu queria voltar a ser criança!
causal de uma explicativa. Veja os exemplos: ah: expressão de um estado emotivo = interjeição
1º) Na frase “Não atravesse a rua, porque você pode ser Hum! Esse pudim estava maravilhoso!
atropelado”: hum: expressão de um pensamento súbito = interjeição
a) Temos uma CS Explicativa, que indica uma justificati-
va ou uma explicação do fato expresso na oração anterior. O significado das interjeições está vinculado à maneira
b) As orações são coordenadas e, por isso, independen- como elas são proferidas. Desse modo, o tom da fala é que
tes uma da outra. Neste caso, há uma pausa entre as ora- dita o sentido que a expressão vai adquirir em cada contex-
ções que vêm marcadas por vírgula. to de enunciação. Exemplos:
Não atravesse a rua. Você pode ser atropelado. Psiu! = contexto: alguém pronunciando essa expres-
Outra dica é, quando a oração que antecede a OC (Ora- são na rua; significado da interjeição (sugestão): “Estou te
ção Coordenada) vier com verbo no modo imperativo, ela chamando! Ei, espere!”
será explicativa. Psiu! = contexto: alguém pronunciando essa expressão
Façam silêncio, que estou falando. (façam= verbo im- em um hospital; significado da interjeição (sugestão): “Por
perativo) favor, faça silêncio!”
Puxa! Ganhei o maior prêmio do sorteio!
2º) Na frase “Precisavam enterrar os mortos em outra puxa: interjeição; tom da fala: euforia
cidade porque não havia cemitério no local.” Puxa! Hoje não foi meu dia de sorte!
a) Temos uma OSA Causal, já que a oração subordinada puxa: interjeição; tom da fala: decepção
(parte destacada) mostra a causa da ação expressa pelo
verbo da oração principal. Outra forma de reconhecê-la é As interjeições cumprem, normalmente, duas funções:
colocá-la no início do período, introduzida pela conjunção 1) Sintetizar uma frase exclamativa, exprimindo alegria,
como - o que não ocorre com a CS Explicativa. tristeza, dor, etc.
Como não havia cemitério no local, precisavam enterrar Você faz o que no Brasil?
os mortos em outra cidade. Eu? Eu negocio com madeiras.
b) As orações são subordinadas e, por isso, totalmente Ah, deve ser muito interessante.
dependentes uma da outra.
Interjeição 2) Sintetizar uma frase apelativa
Cuidado! Saia da minha frente.
Interjeição é a palavra invariável que exprime emoções,
sensações, estados de espírito, ou que procura agir sobre As interjeições podem ser formadas por:
o interlocutor, levando-o a adotar certo comportamento - simples sons vocálicos: Oh!, Ah!, Ó, Ô.
sem que, para isso, seja necessário fazer uso de estruturas - palavras: Oba!, Olá!, Claro!
linguísticas mais elaboradas. Observe o exemplo: - grupos de palavras (locuções interjetivas): Meu Deus!,
Droga! Preste atenção quando eu estou falando! Ora bolas!

No exemplo acima, o interlocutor está muito bravo. A ideia expressa pela interjeição depende muitas ve-
Toda sua raiva se traduz numa palavra: Droga! Ele poderia zes da entonação com que é pronunciada; por isso, pode
ter dito: - Estou com muita raiva de você! Mas usou sim- ocorrer que uma interjeição tenha mais de um sentido. Por
plesmente uma palavra. Ele empregou a interjeição Droga! exemplo:
As sentenças da língua costumam se organizar de for- Oh! Que surpresa desagradável! (ideia de contra-
ma lógica: há uma sintaxe que estrutura seus elementos e riedade)
os distribui em posições adequadas a cada um deles. As in- Oh! Que bom te encontrar. (ideia de alegria)
terjeições, por outro lado, são uma espécie de “palavra-fra-
se”, ou seja, há uma ideia expressa por uma palavra (ou um Classificação das Interjeições
conjunto de palavras - locução interjetiva) que poderia ser
colocada em termos de uma sentença. Veja os exemplos: Comumente, as interjeições expressam sentido de:
Bravo! Bis! - Advertência: Cuidado!, Devagar!, Calma!, Sentido!,
bravo e bis: interjeição = sentença (sugestão): “Foi mui- Atenção!, Olha!, Alerta!
to bom! Repitam!” - Afugentamento: Fora!, Passa!, Rua!, Xô!

65
LÍNGUA PORTUGUESA

- Alegria ou Satisfação: Oh!, Ah!,Eh!, Oba!, Viva! - Há, também, as interjeições onomatopaicas ou imitati-
- Alívio: Arre!, Uf!, Ufa! Ah! vas, que exprimem ruídos e vozes. Ex.: Pum! Miau! Bumba!
- Animação ou Estímulo: Vamos!, Força!, Coragem!, Eia!, Zás! Plaft! Pof! Catapimba! Tique-taque! Quá-quá-quá!, etc.
Ânimo!, Adiante!, Firme!, Toca!
- Aplauso ou Aprovação: Bravo!, Bis!, Apoiado!, Viva!, - Não se deve confundir a interjeição de apelo “ó” com
Boa! a sua homônima “oh!”, que exprime admiração, alegria,
- Concordância: Claro!, Sim!, Pois não!, Tá!, Hã-hã! tristeza, etc. Faz-se uma pausa depois do” oh!” exclamativo
- Repulsa ou Desaprovação: Credo!, Irra!, Ih!, Livra!, e não a fazemos depois do “ó” vocativo.
Safa!, Fora!, Abaixo!, Francamente!, Xi!, Chega!, Basta!, Ora! “Ó natureza! ó mãe piedosa e pura!” (Olavo Bilac)
- Desejo ou Intenção: Oh!, Pudera!, Tomara!, Oxalá! Oh! a jornada negra!” (Olavo Bilac)
- Desculpa: Perdão!
- Dor ou Tristeza: Ai!, Ui!, Ai de mim!, Que pena!, Ah!, - Na linguagem afetiva, certas interjeições, originadas
Oh!, Eh! de palavras de outras classes, podem aparecer flexionadas
- Dúvida ou Incredulidade: Qual!, Qual o quê!, Hum!, no diminutivo ou no superlativo: Calminha! Adeusinho!
Epa!, Ora! Obrigadinho!
- Espanto ou Admiração: Oh!, Ah!, Uai!, Puxa!, Céus!,
Quê!, Caramba!, Opa!, Virgem!, Vixe!, Nossa!, Hem?!, Hein?, Interjeições, leitura e produção de textos
Cruz!, Putz!
- Impaciência ou Contrariedade: Hum!, Hem!, Irra!, Usadas com muita frequência na língua falada informal,
Raios!, Diabo!, Puxa!, Pô!, Ora! quando empregadas na língua escrita, as interjeições cos-
- Pedido de Auxílio: Socorro!, Aqui!, Piedade! tumam conferir-lhe certo tom inconfundível de coloquiali-
- Saudação, Chamamento ou Invocação: Salve!, Viva!, dade. Além disso, elas podem muitas vezes indicar traços
Adeus!, Olá!, Alô!, Ei!, Tchau!, Ô, Ó, Psiu!, Socorro!, Valha- pessoais do falante - como a escassez de vocabulário, o
me, Deus! temperamento agressivo ou dócil, até mesmo a origem
- Silêncio: Psiu!, Bico!, Silêncio! geográfica. É nos textos narrativos - particularmente nos
- Terror ou Medo: Credo!, Cruzes!, Uh!, Ui!, Oh! diálogos - que comumente se faz uso das interjeições com
o objetivo de caracterizar personagens e, também, graças à
Saiba que: As interjeições são palavras invariáveis, isto sua natureza sintética, agilizar as falas. Natureza sintética e
é, não sofrem variação em gênero, número e grau como conteúdo mais emocional do que racional fazem das inter-
os nomes, nem de número, pessoa, tempo, modo, aspecto jeições presença constante nos textos publicitários.
e voz como os verbos. No entanto, em uso específico, al-
gumas interjeições sofrem variação em grau. Deve-se ter Fonte: http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/
claro, neste caso, que não se trata de um processo natural morf89.php
dessa classe de palavra, mas tão só uma variação que a
linguagem afetiva permite. Exemplos: oizinho, bravíssimo, Numeral
até loguinho.
Locução Interjetiva Numeral é a palavra que indica os seres em termos nu-
méricos, isto é, que atribui quantidade aos seres ou os situa
Ocorre quando duas ou mais palavras formam uma ex- em determinada sequência.
pressão com sentido de interjeição. Por exemplo : Ora bo-
las! Quem me dera! Virgem Maria! Meu Deus! Ó Os quatro últimos ingressos foram vendidos há pouco.
de casa! Ai de mim! Valha-me Deus! Graças a Deus! [quatro: numeral = atributo numérico de “ingresso”]
Alto lá! Muito bem! Eu quero café duplo, e você?
...[duplo: numeral = atributo numérico de “café”]
Observações: A primeira pessoa da fila pode entrar, por favor!
- As interjeições são como frases resumidas, sintéticas. ...[primeira: numeral = situa o ser “pessoa” na sequência
Por exemplo: Ué! = Eu não esperava por essa!, Perdão! = de “fila”]
Peço-lhe que me desculpe.
Note bem: os numerais traduzem, em palavras, o que
- Além do contexto, o que caracteriza a interjeição é o os números indicam em relação aos seres. Assim, quando
seu tom exclamativo; por isso, palavras de outras classes a expressão é colocada em números (1, 1°, 1/3, etc.) não se
gramaticais podem aparecer como interjeições. trata de numerais, mas sim de algarismos.
Viva! Basta! (Verbos) Além dos numerais mais conhecidos, já que refletem a
Fora! Francamente! (Advérbios) ideia expressa pelos números, existem mais algumas pala-
vras consideradas numerais porque denotam quantidade,
- A interjeição pode ser considerada uma “palavra-fra- proporção ou ordenação. São alguns exemplos: década,
se” porque sozinha pode constituir uma mensagem. Ex.: dúzia, par, ambos(as), novena.
Socorro!, Ajudem-me!, Silêncio!, Fique quieto!

66
LÍNGUA PORTUGUESA

Classificação dos Numerais

Cardinais: indicam contagem, medida. É o número básico: um, dois, cem mil, etc.
Ordinais: indicam a ordem ou lugar do ser numa série dada: primeiro, segundo, centésimo, etc.
Fracionários: indicam parte de um inteiro, ou seja, a divisão dos seres: meio, terço, dois quintos, etc.
Multiplicativos: expressam ideia de multiplicação dos seres, indicando quantas vezes a quantidade foi aumentada:
dobro, triplo, quíntuplo, etc.

Leitura dos Numerais

Separando os números em centenas, de trás para frente, obtêm-se conjuntos numéricos, em forma de centenas e, no
início, também de dezenas ou unidades. Entre esses conjuntos usa-se vírgula; as unidades ligam-se pela conjunção “e”.
1.203.726 = um milhão, duzentos e três mil, setecentos e vinte e seis.
45.520 = quarenta e cinco mil, quinhentos e vinte.

Flexão dos numerais

Os numerais cardinais que variam em gênero são um/uma, dois/duas e os que indicam centenas de duzentos/duzentas
em diante: trezentos/trezentas; quatrocentos/quatrocentas, etc. Cardinais como milhão, bilhão, trilhão, variam em número:
milhões, bilhões, trilhões. Os demais cardinais são invariáveis.
Os numerais ordinais variam em gênero e número:
primeiro segundo milésimo
primeira segunda milésima
primeiros segundos milésimos
primeiras segundas milésimas
Os numerais multiplicativos são invariáveis quando atuam em funções substantivas: Fizeram o dobro do esforço e con-
seguiram o triplo de produção.
Quando atuam em funções adjetivas, esses numerais flexionam-se em gênero e número: Teve de tomar doses triplas do
medicamento.
Os numerais fracionários flexionam-se em gênero e número. Observe: um terço/dois terços, uma terça parte/duas terças
partes
Os numerais coletivos flexionam-se em número: uma dúzia, um milheiro, duas dúzias, dois milheiros.
É comum na linguagem coloquial a indicação de grau nos numerais, traduzindo afetividade ou especialização de senti-
do. É o que ocorre em frases como:
“Me empresta duzentinho...”
É artigo de primeiríssima qualidade!
O time está arriscado por ter caído na segundona. (= segunda divisão de futebol)

Emprego dos Numerais

*Para designar papas, reis, imperadores, séculos e partes em que se divide uma obra, utilizam-se os ordinais até décimo
e a partir daí os cardinais, desde que o numeral venha depois do substantivo:
Ordinais Cardinais
João Paulo II (segundo) Tomo XV (quinze)
D. Pedro II (segundo) Luís XVI (dezesseis)
Ato II (segundo) Capítulo XX (vinte)
Século VIII (oitavo) Século XX (vinte)
Canto IX (nono) João XXIII ( vinte e três)

*Para designar leis, decretos e portarias, utiliza-se o ordinal até nono e o cardinal de dez em diante:
Artigo 1.° (primeiro) Artigo 10 (dez)
Artigo 9.° (nono) Artigo 21 (vinte e um)

*Ambos/ambas são considerados numerais. Significam “um e outro”, “os dois” (ou “uma e outra”, “as duas”) e são lar-
gamente empregados para retomar pares de seres aos quais já se fez referência.
Pedro e João parecem ter finalmente percebido a importância da solidariedade. Ambos agora participam das atividades
comunitárias de seu bairro.

Obs.: a forma “ambos os dois” é considerada enfática. Atualmente, seu uso indica afetação, artificialismo.

67
LÍNGUA PORTUGUESA

Cardinais Ordinais Multiplicativos Fracionários


um primeiro - -
dois segundo dobro, duplo meio
três terceiro triplo, tríplice terço
quatro quarto quádruplo quarto
cinco quinto quíntuplo quinto
seis sexto sêxtuplo sexto
sete sétimo sétuplo sétimo
oito oitavo óctuplo oitavo
nove nono nônuplo nono
dez décimo décuplo décimo
onze décimo primeiro - onze avos
doze décimo segundo - doze avos
treze décimo terceiro - treze avos
catorze décimo quarto - catorze avos
quinze décimo quinto - quinze avos
dezesseis décimo sexto - dezesseis avos
dezessete décimo sétimo - dezessete avos
dezoito décimo oitavo - dezoito avos
dezenove décimo nono - dezenove avos
vinte vigésimo - vinte avos
trinta trigésimo - trinta avos
quarenta quadragésimo - quarenta avos
cinqüenta quinquagésimo - cinquenta avos
sessenta sexagésimo - sessenta avos
setenta septuagésimo - setenta avos
oitenta octogésimo - oitenta avos
noventa nonagésimo - noventa avos
cem centésimo cêntuplo centésimo
duzentos ducentésimo - ducentésimo
trezentos trecentésimo - trecentésimo
quatrocentos quadringentésimo - quadringentésimo
quinhentos quingentésimo - quingentésimo
seiscentos sexcentésimo - sexcentésimo
setecentos septingentésimo - septingentésimo
oitocentos octingentésimo - octingentésimo
novecentos nongentésimo ou noningentésimo - nongentésimo
mil milésimo - milésimo
milhão milionésimo - milionésimo
bilhão bilionésimo - bilionésimo

Preposição

Preposição é uma palavra invariável que serve para ligar termos ou orações. Quando esta ligação acontece, normal-
mente há uma subordinação do segundo termo em relação ao primeiro. As preposições são muito importantes na estrutura
da língua, pois estabelecem a coesão textual e possuem valores semânticos indispensáveis para a compreensão do texto.

Tipos de Preposição

1. Preposições essenciais: palavras que atuam exclusivamente como preposições: a, ante, perante, após, até, com, contra,
de, desde, em, entre, para, por, sem, sob, sobre, trás, atrás de, dentro de, para com.
2. Preposições acidentais: palavras de outras classes gramaticais que podem atuar como preposições: como, durante,
exceto, fora, mediante, salvo, segundo, senão, visto.
3. Locuções prepositivas: duas ou mais palavras valendo como uma preposição, sendo que a última palavra é uma delas:
abaixo de, acerca de, acima de, ao lado de, a respeito de, de acordo com, em cima de, embaixo de, em frente a, ao redor de,
graças a, junto a, com, perto de, por causa de, por cima de, por trás de.

A preposição, como já foi dito, é invariável. No entanto pode unir-se a outras palavras e assim estabelecer concordância
em gênero ou em número. Ex: por + o = pelo por + a = pela.

68
LÍNGUA PORTUGUESA

Vale ressaltar que essa concordância não é característi- A dona da casa não quis nos atender.
ca da preposição, mas das palavras às quais ela se une. Como posso fazer a Joana concordar comigo?
Esse processo de junção de uma preposição com outra
palavra pode se dar a partir de dois processos: - Quando é preposição, além de ser invariável, liga dois
1. Combinação: A preposição não sofre alteração. termos e estabelece relação de subordinação entre eles.
preposição a + artigos definidos o, os Cheguei a sua casa ontem pela manhã.
a + o = ao Não queria, mas vou ter que ir à outra cidade para pro-
preposição a + advérbio onde curar um tratamento adequado.
a + onde = aonde
2. Contração: Quando a preposição sofre alteração. - Se for pronome pessoal oblíquo estará ocupando o
lugar e/ou a função de um substantivo.
Preposição + Artigos Temos Maria como parte da família. / Nós a temos como
De + o(s) = do(s) parte da família
De + a(s) = da(s)
Creio que conhecemos nossa mãe melhor que ninguém. /
De + um = dum
Creio que a conhecemos melhor que ninguém.
De + uns = duns
De + uma = duma
De + umas = dumas 2. Algumas relações semânticas estabelecidas por meio
Em + o(s) = no(s) das preposições:
Em + a(s) = na(s) Destino = Irei para casa.
Em + um = num Modo = Chegou em casa aos gritos.
Em + uma = numa Lugar = Vou ficar em casa;
Em + uns = nuns Assunto = Escrevi um artigo sobre adolescência.
Em + umas = numas Tempo = A prova vai começar em dois minutos.
A + à(s) = à(s) Causa = Ela faleceu de derrame cerebral.
Por + o = pelo(s) Fim ou finalidade = Vou ao médico para começar o tra-
Por + a = pela(s) tamento.
Preposição + Pronomes Instrumento = Escreveu a lápis.
De + ele(s) = dele(s) Posse = Não posso doar as roupas da mamãe.
De + ela(s) = dela(s) Autoria = Esse livro de Machado de Assis é muito bom.
De + este(s) = deste(s) Companhia = Estarei com ele amanhã.
De + esta(s) = desta(s) Matéria = Farei um cartão de papel reciclado.
De + esse(s) = desse(s) Meio = Nós vamos fazer um passeio de barco.
De + essa(s) = dessa(s) Origem = Nós somos do Nordeste, e você?
De + aquele(s) = daquele(s) Conteúdo = Quebrei dois frascos de perfume.
De + aquela(s) = daquela(s) Oposição = Esse movimento é contra o que eu penso.
De + isto = disto Preço = Essa roupa sai por R$ 50 à vista.
De + isso = disso Fonte:
De + aquilo = daquilo http://www.infoescola.com/portugues/preposicao/
De + aqui = daqui
De + aí = daí Pronome
De + ali = dali
De + outro = doutro(s)
Pronome é a palavra que se usa em lugar do nome, ou
De + outra = doutra(s)
a ele se refere, ou que acompanha o nome, qualificando-o
Em + este(s) = neste(s)
Em + esta(s) = nesta(s) de alguma forma.
Em + esse(s) = nesse(s)
Em + aquele(s) = naquele(s) A moça era mesmo bonita. Ela morava nos meus sonhos!
Em + aquela(s) = naquela(s) [substituição do nome]
Em + isto = nisto
Em + isso = nisso A moça que morava nos meus sonhos era mesmo bonita!
Em + aquilo = naquilo [referência ao nome]
A + aquele(s) = àquele(s)
A + aquela(s) = àquela(s) Essa moça morava nos meus sonhos!
A + aquilo = àquilo [qualificação do nome]
Dicas sobre preposição Grande parte dos pronomes não possuem significados
fixos, isto é, essas palavras só adquirem significação dentro
1. O “a” pode funcionar como preposição, pronome pes- de um contexto, o qual nos permite recuperar a referên-
soal oblíquo e artigo. Como distingui-los? Caso o “a” seja cia exata daquilo que está sendo colocado por meio dos
um artigo, virá precedendo um substantivo. Ele servirá para pronomes no ato da comunicação. Com exceção dos pro-
determiná-lo como um substantivo singular e feminino. nomes interrogativos e indefinidos, os demais pronomes

69
LÍNGUA PORTUGUESA

têm por função principal apontar para as pessoas do dis- - 1ª pessoa do singular: eu
curso ou a elas se relacionar, indicando-lhes sua situação - 2ª pessoa do singular: tu
no tempo ou no espaço. Em virtude dessa característica, - 3ª pessoa do singular: ele, ela
os pronomes apresentam uma forma específica para cada - 1ª pessoa do plural: nós
pessoa do discurso. - 2ª pessoa do plural: vós
- 3ª pessoa do plural: eles, elas
Minha carteira estava vazia quando eu fui assaltada.
[minha/eu: pronomes de 1ª pessoa = aquele que fala]
Atenção: esses pronomes não costumam ser usados
Tua carteira estava vazia quando tu foste assaltada? como complementos verbais na língua-padrão. Frases
[tua/tu: pronomes de 2ª pessoa = aquele a quem se como “Vi ele na rua”, “Encontrei ela na praça”, “Trouxeram
fala] eu até aqui”, comuns na língua oral cotidiana, devem ser
evitadas na língua formal escrita ou falada. Na língua for-
A carteira dela estava vazia quando ela foi assaltada. mal, devem ser usados os pronomes oblíquos correspon-
[dela/ela: pronomes de 3ª pessoa = aquele de quem dentes: “Vi-o na rua”, “Encontrei-a na praça”, “Trouxeram-
se fala] me até aqui”.

Em termos morfológicos, os pronomes são palavras Obs.: frequentemente observamos a omissão do pro-
variáveis em gênero (masculino ou feminino) e em núme- nome reto em Língua Portuguesa. Isso se dá porque as
ro (singular ou plural). Assim, espera-se que a referência próprias formas verbais marcam, através de suas desinên-
através do pronome seja coerente em termos de gênero cias, as pessoas do verbo indicadas pelo pronome reto: Fi-
e número (fenômeno da concordância) com o seu objeto, zemos boa viagem. (Nós)
mesmo quando este se apresenta ausente no enunciado.
Pronome Oblíquo
Fala-se de Roberta. Ele quer participar do desfile da nos-
Pronome pessoal do caso oblíquo é aquele que, na sen-
sa escola neste ano.
tença, exerce a função de complemento verbal (objeto di-
[nossa: pronome que qualifica “escola” = concordância
reto ou indireto) ou complemento nominal.
adequada]
Ofertaram-nos flores. (objeto indireto)
[neste: pronome que determina “ano” = concordância
adequada]
Obs.: em verdade, o pronome oblíquo é uma forma
[ele: pronome que faz referência à “Roberta” = concor-
variante do pronome pessoal do caso reto. Essa variação
dância inadequada]
indica a função diversa que eles desempenham na oração:
pronome reto marca o sujeito da oração; pronome oblíquo
Existem seis tipos de pronomes: pessoais, possessivos, marca o complemento da oração.
demonstrativos, indefinidos, relativos e interrogativos. Os pronomes oblíquos sofrem variação de acordo com
a acentuação tônica que possuem, podendo ser átonos ou
Pronomes Pessoais tônicos.
São aqueles que substituem os substantivos, indicando Pronome Oblíquo Átono
diretamente as pessoas do discurso. Quem fala ou escreve
assume os pronomes “eu” ou “nós”, usa os pronomes “tu”, São chamados átonos os pronomes oblíquos que não
“vós”, “você” ou “vocês” para designar a quem se dirige e são precedidos de preposição. Possuem acentuação tônica
“ele”, “ela”, “eles” ou “elas” para fazer referência à pessoa fraca: Ele me deu um presente.
ou às pessoas de quem fala. O quadro dos pronomes oblíquos átonos é assim con-
Os pronomes pessoais variam de acordo com as fun- figurado:
ções que exercem nas orações, podendo ser do caso reto - 1ª pessoa do singular (eu): me
ou do caso oblíquo. - 2ª pessoa do singular (tu): te
- 3ª pessoa do singular (ele, ela): o, a, lhe
Pronome Reto - 1ª pessoa do plural (nós): nos
- 2ª pessoa do plural (vós): vos
Pronome pessoal do caso reto é aquele que, na sen- - 3ª pessoa do plural (eles, elas): os, as, lhes
tença, exerce a função de sujeito ou predicativo do sujeito.
Nós lhe ofertamos flores. Observações:
Os pronomes retos apresentam flexão de número, gê- O “lhe” é o único pronome oblíquo átono que já se
nero (apenas na 3ª pessoa) e pessoa, sendo essa última a apresenta na forma contraída, ou seja, houve a união en-
principal flexão, uma vez que marca a pessoa do discurso. tre o pronome “o” ou “a” e preposição “a” ou “para”. Por
Dessa forma, o quadro dos pronomes retos é assim confi- acompanhar diretamente uma preposição, o pronome
gurado: “lhe” exerce sempre a função de objeto indireto na oração.

70
LÍNGUA PORTUGUESA

Os pronomes me, te, nos e vos podem tanto ser objetos Atenção: Há construções em que a preposição, apesar
diretos como objetos indiretos. de surgir anteposta a um pronome, serve para introduzir
Os pronomes o, a, os e as atuam exclusivamente como uma oração cujo verbo está no infinitivo. Nesses casos, o
objetos diretos. verbo pode ter sujeito expresso; se esse sujeito for um pro-
Os pronomes me, te, lhe, nos, vos e lhes podem combi- nome, deverá ser do caso reto.
nar-se com os pronomes o, os, a, as, dando origem a for- Trouxeram vários vestidos para eu experimentar.
mas como mo, mos , ma, mas; to, tos, ta, tas; lho, lhos, lha, Não vá sem eu mandar.
lhas; no-lo, no-los, no-la, no-las, vo-lo, vo-los, vo-la, vo-las.
Observe o uso dessas formas nos exemplos que seguem: - A combinação da preposição “com” e alguns prono-
- Trouxeste o pacote? mes originou as formas especiais comigo, contigo, consigo,
- Sim, entreguei-to ainda há pouco. conosco e convosco. Tais pronomes oblíquos tônicos fre-
- Não contaram a novidade a vocês? quentemente exercem a função de adjunto adverbial de
- Não, no-la contaram. companhia.
No português do Brasil, essas combinações não são Ele carregava o documento consigo.
usadas; até mesmo na língua literária atual, seu emprego
- As formas “conosco” e “convosco” são substituídas
é muito raro.
por “com nós” e “com vós” quando os pronomes pessoais
são reforçados por palavras como outros, mesmos, próprios,
Atenção: Os pronomes o, os, a, as assumem formas
especiais depois de certas terminações verbais. Quando o todos, ambos ou algum numeral.
verbo termina em -z, -s ou -r, o pronome assume a forma Você terá de viajar com nós todos.
lo, los, la ou las, ao mesmo tempo que a terminação verbal Estávamos com vós outros quando chegaram as más no-
é suprimida. Por exemplo: tícias.
fiz + o = fi-lo Ele disse que iria com nós três.
fazeis + o = fazei-lo Pronome Reflexivo
dizer + a = dizê-la
Quando o verbo termina em som nasal, o pronome as- São pronomes pessoais oblíquos que, embora funcio-
sume as formas no, nos, na, nas. Por exemplo: nem como objetos direto ou indireto, referem-se ao sujeito
viram + o: viram-no da oração. Indicam que o sujeito pratica e recebe a ação
repõe + os = repõe-nos expressa pelo verbo.
retém + a: retém-na O quadro dos pronomes reflexivos é assim configurado:
tem + as = tem-nas - 1ª pessoa do singular (eu): me, mim.
Eu não me vanglorio disso.
Pronome Oblíquo Tônico Olhei para mim no espelho e não gostei do que vi.

Os pronomes oblíquos tônicos são sempre precedidos - 2ª pessoa do singular (tu): te, ti.
por preposições, em geral as preposições a, para, de e com. Assim tu te prejudicas.
Por esse motivo, os pronomes tônicos exercem a função Conhece a ti mesmo.
de objeto indireto da oração. Possuem acentuação tônica
forte. - 3ª pessoa do singular (ele, ela): se, si, consigo.
O quadro dos pronomes oblíquos tônicos é assim con- Guilherme já se preparou.
figurado: Ela deu a si um presente.
- 1ª pessoa do singular (eu): mim, comigo Antônio conversou consigo mesmo.
- 2ª pessoa do singular (tu): ti, contigo
- 3ª pessoa do singular (ele, ela): ele, ela
- 1ª pessoa do plural (nós): nos.
- 1ª pessoa do plural (nós): nós, conosco
Lavamo-nos no rio.
- 2ª pessoa do plural (vós): vós, convosco
- 3ª pessoa do plural (eles, elas): eles, elas
- 2ª pessoa do plural (vós): vos.
Observe que as únicas formas próprias do pronome tô- Vós vos beneficiastes com a esta conquista.
nico são a primeira pessoa (mim) e segunda pessoa (ti). As - 3ª pessoa do plural (eles, elas): se, si, consigo.
demais repetem a forma do pronome pessoal do caso reto. Eles se conheceram.
Elas deram a si um dia de folga.
- As preposições essenciais introduzem sempre prono-
mes pessoais do caso oblíquo e nunca pronome do caso A Segunda Pessoa Indireta
reto. Nos contextos interlocutivos que exigem o uso da
língua formal, os pronomes costumam ser usados desta A chamada segunda pessoa indireta manifesta-se
forma: quando utilizamos pronomes que, apesar de indicarem
Não há mais nada entre mim e ti. nosso interlocutor (portanto, a segunda pessoa), utilizam
Não se comprovou qualquer ligação entre ti e ela. o verbo na terceira pessoa. É o caso dos chamados prono-
Não há nenhuma acusação contra mim. mes de tratamento, que podem ser observados no quadro
Não vá sem mim. seguinte:

71
LÍNGUA PORTUGUESA

Pronomes de Tratamento

Vossa Alteza V. A. príncipes, duques


Vossa Eminência V. Ema.(s) cardeais
Vossa Reverendíssima V. Revma.(s) sacerdotes e bispos
Vossa Excelência V. Ex.ª (s) altas autoridades e oficiais-generais
Vossa Magnificência V. Mag.ª (s) reitores de universidades
Vossa Majestade V. M. reis e rainhas
Vossa Majestade Imperial V. M. I. Imperadores
Vossa Santidade V. S. Papa
Vossa Senhoria V. S.ª (s) tratamento cerimonioso
Vossa Onipotência V. O. Deus

Também são pronomes de tratamento o senhor, a senhora e você, vocês. “O senhor” e “a senhora” são empregados no
tratamento cerimonioso; “você” e “vocês”, no tratamento familiar. Você e vocês são largamente empregados no português
do Brasil; em algumas regiões, a forma tu é de uso frequente; em outras, pouco empregada. Já a forma vós tem uso restrito
à linguagem litúrgica, ultraformal ou literária.

Observações:
a) Vossa Excelência X Sua Excelência : os pronomes de tratamento que possuem “Vossa (s)” são empregados em relação
à pessoa com quem falamos: Espero que V. Ex.ª, Senhor Ministro, compareça a este encontro.

*Emprega-se “Sua (s)” quando se fala a respeito da pessoa.
Todos os membros da C.P.I. afirmaram que Sua Excelência, o Senhor Presidente da República, agiu com propriedade.

- Os pronomes de tratamento representam uma forma indireta de nos dirigirmos aos nossos interlocutores. Ao tratar-
mos um deputado por Vossa Excelência, por exemplo, estamos nos endereçando à excelência que esse deputado suposta-
mente tem para poder ocupar o cargo que ocupa.

- 3ª pessoa: embora os pronomes de tratamento dirijam-se à 2ª pessoa, toda a concordância deve ser feita com a 3ª
pessoa. Assim, os verbos, os pronomes possessivos e os pronomes oblíquos empregados em relação a eles devem ficar na
3ª pessoa.
Basta que V. Ex.ª cumpra a terça parte das suas promessas, para que seus eleitores lhe fiquem reconhecidos.

- Uniformidade de Tratamento: quando escrevemos ou nos dirigimos a alguém, não é permitido mudar, ao longo do
texto, a pessoa do tratamento escolhida inicialmente. Assim, por exemplo, se começamos a chamar alguém de “você”, não
poderemos usar “te” ou “teu”. O uso correto exigirá, ainda, verbo na terceira pessoa.
Quando você vier, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos teus cabelos. (errado)
Quando você vier, eu a abraçarei e enrolar-me-ei nos seus cabelos. (correto)
Quando tu vieres, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos teus cabelos. (correto)

Pronomes Possessivos

São palavras que, ao indicarem a pessoa gramatical (possuidor), acrescentam a ela a ideia de posse de algo (coisa pos-
suída).
Este caderno é meu. (meu = possuidor: 1ª pessoa do singular)

NÚMERO PESSOA PRONOME


singular primeira meu(s), minha(s)
singular segunda teu(s), tua(s)
singular terceira seu(s), sua(s)
plural primeira nosso(s), nossa(s)
plural segunda vosso(s), vossa(s)
plural terceira seu(s), sua(s)
Note que: A forma do possessivo depende da pessoa gramatical a que se refere; o gênero e o número concordam com
o objeto possuído: Ele trouxe seu apoio e sua contribuição naquele momento difícil.

Observações:
1 - A forma “seu” não é um possessivo quando resultar da alteração fonética da palavra senhor: Muito obrigado, seu José.

72
LÍNGUA PORTUGUESA

2 - Os pronomes possessivos nem sempre indicam pos- - Os pronomes demonstrativos podem ser variáveis ou
se. Podem ter outros empregos, como: invariáveis, observe:
a) indicar afetividade: Não faça isso, minha filha. Variáveis: este(s), esta(s), esse(s), essa(s), aquele(s), aque-
la(s).
b) indicar cálculo aproximado: Ele já deve ter seus 40 Invariáveis: isto, isso, aquilo.
anos.
- Também aparecem como pronomes demonstrativos:
c) atribuir valor indefinido ao substantivo: Marisa tem lá - o(s), a(s): quando estiverem antecedendo o “que” e
seus defeitos, mas eu gosto muito dela. puderem ser substituídos por aquele(s), aquela(s), aquilo.
Não ouvi o que disseste. (Não ouvi aquilo que disseste.)
3- Em frases onde se usam pronomes de tratamento, Essa rua não é a que te indiquei. (Esta rua não é aquela
o pronome possessivo fica na 3ª pessoa: Vossa Excelência que te indiquei.)
trouxe sua mensagem?
- mesmo(s), mesma(s): Estas são as mesmas pessoas que
4- Referindo-se a mais de um substantivo, o possessi- o procuraram ontem.
vo concorda com o mais próximo: Trouxe-me seus livros e
anotações. - próprio(s), própria(s): Os próprios alunos resolveram
o problema.
5- Em algumas construções, os pronomes pessoais oblí-
quos átonos assumem valor de possessivo: Vou seguir-lhe - semelhante(s): Não compre semelhante livro.
os passos. (= Vou seguir seus passos.)
- tal, tais: Tal era a solução para o problema.
Pronomes Demonstrativos
Note que:
Os pronomes demonstrativos são utilizados para expli-
citar a posição de uma certa palavra em relação a outras - Não raro os demonstrativos aparecem na frase, em
ou ao contexto. Essa relação pode ocorrer em termos de construções redundantes, com finalidade expressiva, para
espaço, no tempo ou discurso. salientar algum termo anterior. Por exemplo: Manuela, essa
é que dera em cheio casando com o José Afonso. Desfrutar
No espaço: das belezas brasileiras, isso é que é sorte!
Compro este carro (aqui). O pronome este indica que o
carro está perto da pessoa que fala. - O pronome demonstrativo neutro ou pode represen-
Compro esse carro (aí). O pronome esse indica que o tar um termo ou o conteúdo de uma oração inteira, caso
carro está perto da pessoa com quem falo, ou afastado da em que aparece, geralmente, como objeto direto, predi-
pessoa que fala. cativo ou aposto: O casamento seria um desastre. Todos o
Compro aquele carro (lá). O pronome aquele diz que pressentiam.
o carro está afastado da pessoa que fala e daquela com
quem falo. - Para evitar a repetição de um verbo anteriormente ex-
presso, é comum empregar-se, em tais casos, o verbo fazer,
Atenção: em situações de fala direta (tanto ao vivo chamado, então, verbo vicário (= que substitui, que faz as
quanto por meio de correspondência, que é uma moda- vezes de): Ninguém teve coragem de falar antes que ela o
lidade escrita de fala), são particularmente importantes o fizesse.
este e o esse - o primeiro localiza os seres em relação ao
emissor; o segundo, em relação ao destinatário. Trocá-los - Em frases como a seguinte, este se refere à pessoa
pode causar ambiguidade. mencionada em último lugar; aquele, à mencionada em
Dirijo-me a essa universidade com o objetivo de solicitar primeiro lugar: O referido deputado e o Dr. Alcides eram
informações sobre o concurso vestibular. (trata-se da univer- amigos íntimos; aquele casado, solteiro este. [ou então: este
sidade destinatária). solteiro, aquele casado]
Reafirmamos a disposição desta universidade em partici-
par no próximo Encontro de Jovens. (trata-se da universida- - O pronome demonstrativo tal pode ter conotação irô-
de que envia a mensagem). nica: A menina foi a tal que ameaçou o professor?

No tempo: - Pode ocorrer a contração das preposições a, de, em


Este ano está sendo bom para nós. O pronome este se com pronome demonstrativo: àquele, àquela, deste, desta,
refere ao ano presente. disso, nisso, no, etc: Não acreditei no que estava vendo. (no
Esse ano que passou foi razoável. O pronome esse se = naquilo)
refere a um passado próximo.
Aquele ano foi terrível para todos. O pronome aquele
está se referindo a um passado distante.

73
LÍNGUA PORTUGUESA

Pronomes Indefinidos Indefinidos Sistemáticos

São palavras que se referem à terceira pessoa do dis- Ao observar atentamente os pronomes indefinidos, per-
curso, dando-lhe sentido vago (impreciso) ou expressando cebemos que existem alguns grupos que criam oposição
quantidade indeterminada. de sentido. É o caso de: algum/alguém/algo, que têm sen-
Alguém entrou no jardim e destruiu as mudas recém tido afirmativo, e nenhum/ninguém/nada, que têm sentido
-plantadas. negativo; todo/tudo, que indicam uma totalidade afirmati-
va, e nenhum/nada, que indicam uma totalidade negativa;
Não é difícil perceber que “alguém” indica uma pessoa alguém/ninguém, que se referem à pessoa, e algo/nada,
de quem se fala (uma terceira pessoa, portanto) de forma que se referem à coisa; certo, que particulariza, e qualquer,
imprecisa, vaga. É uma palavra capaz de indicar um ser hu- que generaliza.
mano que seguramente existe, mas cuja identidade é des- Essas oposições de sentido são muito importantes na
conhecida ou não se quer revelar. Classificam-se em: construção de frases e textos coerentes, pois delas muitas
vezes dependem a solidez e a consistência dos argumen-
- Pronomes Indefinidos Substantivos: assumem o lu- tos expostos. Observe nas frases seguintes a força que os
gar do ser ou da quantidade aproximada de seres na frase. pronomes indefinidos destacados imprimem às afirmações
São eles: algo, alguém, fulano, sicrano, beltrano, nada, nin- de que fazem parte:
guém, outrem, quem, tudo. Nada do que tem sido feito produziu qualquer resultado
Algo o incomoda? prático.
Quem avisa amigo é. Certas pessoas conseguem perceber sutilezas: não são
pessoas quaisquer.
- Pronomes Indefinidos Adjetivos: qualificam um ser
expresso na frase, conferindo-lhe a noção de quantidade Pronomes Relativos
aproximada. São eles: cada, certo(s), certa(s).
Cada povo tem seus costumes. São aqueles que representam nomes já mencionados
Certas pessoas exercem várias profissões. anteriormente e com os quais se relacionam. Introduzem
as orações subordinadas adjetivas.
Note que: Ora são pronomes indefinidos substantivos, O racismo é um sistema que afirma a superioridade de
ora pronomes indefinidos adjetivos: um grupo racial sobre outros.
algum, alguns, alguma(s), bastante(s) (= muito, muitos), (afirma a superioridade de um grupo racial sobre outros
demais, mais, menos, muito(s), muita(s), nenhum, nenhuns, = oração subordinada adjetiva).
nenhuma(s), outro(s), outra(s), pouco(s), pouca(s), qualquer, O pronome relativo “que” refere-se à palavra “sistema”
quaisquer, qual, que, quanto(s), quanta(s), tal, tais, tanto(s),
e introduz uma oração subordinada. Diz-se que a palavra
tanta(s), todo(s), toda(s), um, uns, uma(s), vários, várias.
“sistema” é antecedente do pronome relativo que.
Menos palavras e mais ações.
O antecedente do pronome relativo pode ser o prono-
Alguns se contentam pouco.
me demonstrativo o, a, os, as.
Os pronomes indefinidos podem ser divididos em va-
Não sei o que você está querendo dizer.
riáveis e invariáveis. Observe:
Às vezes, o antecedente do pronome relativo não vem
expresso.
Variáveis = algum, nenhum, todo, muito, pouco, vário,
Quem casa, quer casa.
tanto, outro, quanto, alguma, nenhuma, toda, muita, pouca,
vária, tanta, outra, quanta, qualquer, quaisquer, alguns, ne-
nhuns, todos, muitos, poucos, vários, tantos, outros, quantos, Observe:
algumas, nenhumas, todas, muitas, poucas, várias, tantas, Pronomes relativos variáveis = o qual, cujo, quanto, os
outras, quantas. quais, cujos, quantos, a qual, cuja, quanta, as quais, cujas,
Invariáveis = alguém, ninguém, outrem, tudo, nada, quantas.
algo, cada. Pronomes relativos invariáveis = quem, que, onde.
Note que:
- O pronome “que” é o relativo de mais largo emprego,
São locuções pronominais indefinidas: sendo por isso chamado relativo universal. Pode ser subs-
tituído por o qual, a qual, os quais, as quais, quando seu
cada qual, cada um, qualquer um, quantos quer (que), antecedente for um substantivo.
quem quer (que), seja quem for, seja qual for, todo aquele O trabalho que eu fiz refere-se à corrupção. (= o qual)
(que), tal qual (= certo), tal e qual, tal ou qual, um ou outro, A cantora que acabou de se apresentar é péssima. (= a
uma ou outra, etc. qual)
Cada um escolheu o vinho desejado. Os trabalhos que eu fiz referem-se à corrupção. (= os
quais)
As cantoras que se apresentaram eram péssimas. (= as
quais)

74
LÍNGUA PORTUGUESA

- O qual, os quais, a qual e as quais são exclusivamente Pronomes Interrogativos


pronomes relativos: por isso, são utilizados didaticamente
para verificar se palavras como “que”, “quem”, “onde” (que São usados na formulação de perguntas, sejam elas di-
podem ter várias classificações) são pronomes relativos. retas ou indiretas. Assim como os pronomes indefinidos,
Todos eles são usados com referência à pessoa ou coisa referem- -se à 3ª pessoa do discurso de modo
por motivo de clareza ou depois de determinadas preposi- impreciso. São pronomes interrogativos: que, quem, qual
ções: Regressando de São Paulo, visitei o sítio de minha tia, (e variações), quanto (e variações).
o qual me deixou encantado. (O uso de “que”, neste caso, Quem fez o almoço?/ Diga-me quem fez o almoço.
geraria ambiguidade.) Qual das bonecas preferes? / Não sei qual das bonecas
preferes.
Essas são as conclusões sobre as quais pairam muitas dú- Quantos passageiros desembarcaram? / Pergunte quan-
vidas? (Não se poderia usar “que” depois de sobre.) tos passageiros desembarcaram.

- O relativo “que” às vezes equivale a o que, coisa que, e Sobre os pronomes:


se refere a uma oração: Não chegou a ser padre, mas deixou
de ser poeta, que era a sua vocação natural. O pronome pessoal é do caso reto quando tem função
de sujeito na frase. O pronome pessoal é do caso oblíquo
- O pronome “cujo” não concorda com o seu antece- quando desempenha função de complemento. Vamos en-
dente, mas com o consequente. Equivale a do qual, da qual, tender, primeiramente, como o pronome pessoal surge na
dos quais, das quais. frase e que função exerce. Observe as orações:
Este é o caderno cujas folhas estão rasgadas. 1. Eu não sei essa matéria, mas ele irá me ajudar.
(antecedente) (consequente) 2. Maria foi embora para casa, pois não sabia se devia
lhe ajudar.

- “Quanto” é pronome relativo quando tem por antece- Na primeira oração os pronomes pessoais “eu” e “ele”
dente um pronome indefinido: tanto (ou variações) e tudo: exercem função de sujeito, logo, são pertencentes ao caso
Emprestei tantos quantos foram necessários. reto. Já na segunda oração, observamos o pronome “lhe”
(antecedente) exercendo função de complemento, e, consequentemente,
Ele fez tudo quanto havia falado. é do caso oblíquo.
(antecedente) Os pronomes pessoais indicam as pessoas do discurso,
o pronome oblíquo “lhe”, da segunda oração, aponta para
- O pronome “quem” se refere a pessoas e vem sempre a segunda pessoa do singular (tu/você): Maria não sabia se
precedido de preposição. devia ajudar.... Ajudar quem? Você (lhe).
É um professor a quem muito devemos.
(preposição) Importante: Em observação à segunda oração, o em-
prego do pronome oblíquo “lhe” é justificado antes do ver-
- “Onde”, como pronome relativo, sempre possui an- bo intransitivo “ajudar” porque o pronome oblíquo pode
tecedente e só pode ser utilizado na indicação de lugar: A estar antes, depois ou entre locução verbal, caso o verbo
casa onde morava foi assaltada. principal (no caso “ajudar”) esteja no infinitivo ou gerúndio.
Eu desejo lhe perguntar algo.
- Na indicação de tempo, deve-se empregar quando ou Eu estou perguntando-lhe algo.
em que.
Sinto saudades da época em que (quando) morávamos Os pronomes pessoais oblíquos podem ser átonos ou
no exterior. tônicos: os primeiros não são precedidos de preposição,
- Podem ser utilizadas como pronomes relativos as pa- diferentemente dos segundos que são sempre precedidos
lavras: de preposição.
- como (= pelo qual): Não me parece correto o modo - Pronome oblíquo átono: Joana me perguntou o que eu
como você agiu semana passada. estava fazendo.
- quando (= em que): Bons eram os tempos quando po- - Pronome oblíquo tônico: Joana perguntou para mim o
díamos jogar videogame. que eu estava fazendo.
Colocação Pronominal

- Os pronomes relativos permitem reunir duas orações A colocação pronominal é a posição que os pronomes
numa só frase. pessoais oblíquos átonos ocupam na frase em relação ao
O futebol é um esporte. verbo a que se referem. São pronomes oblíquos átonos:
O povo gosta muito deste esporte. me, te, se, o, os, a, as, lhe, lhes, nos e vos.
O futebol é um esporte de que o povo gosta muito. O pronome oblíquo átono pode assumir três posições
na oração em relação ao verbo:
- Numa série de orações adjetivas coordenadas, pode 1. próclise: pronome antes do verbo
ocorrer a elipse do relativo “que”: A sala estava cheia de 2. ênclise: pronome depois do verbo
gente que conversava, (que) ria, (que) fumava. 3. mesóclise: pronome no meio do verbo

75
LÍNGUA PORTUGUESA

Próclise Mesóclise

A próclise é aplicada antes do verbo quando temos: A mesóclise acontece quando o verbo está flexionado
- Palavras com sentido negativo: no futuro do presente ou no futuro do pretérito:
Nada me faz querer sair dessa cama. A prova realizar-se-á neste domingo pela manhã. (= ela
Não se trata de nenhuma novidade. se realizará)
Far-lhe-ei uma proposta irrecusável. (= eu farei uma
- Advérbios: proposta a você)
Nesta casa se fala alemão.
Naquele dia me falaram que a professora não veio. Questões sobre Pronome

- Pronomes relativos: 01. (Escrevente TJ SP – Vunesp/2012).


A aluna que me mostrou a tarefa não veio hoje. Restam dúvidas sobre o crescimento verde. Primeiro, não
Não vou deixar de estudar os conteúdos que me falaram. está claro até onde pode realmente chegar uma política ba-
seada em melhorar a eficiência sem preços adequados para
- Pronomes indefinidos: o carbono, a água e (na maioria dos países pobres) a terra.
Quem me disse isso? É verdade que mesmo que a ameaça dos preços do carbono
Todos se comoveram durante o discurso de despedida. e da água faça em si diferença, as companhias não podem
suportar ter de pagar, de repente, digamos, 40 dólares por
- Pronomes demonstrativos: tonelada de carbono, sem qualquer preparação. Portanto,
Isso me deixa muito feliz! elas começam a usar preços-sombra. Ainda assim, ninguém
Aquilo me incentivou a mudar de atitude! encontrou até agora uma maneira de quantificar adequada-
mente os insumos básicos. E sem eles a maioria das políticas
- Preposição seguida de gerúndio: de crescimento verde sempre será a segunda opção.
Em se tratando de qualidade, o Brasil Escola é o site mais (Carta Capital, 27.06.2012. Adaptado)
indicado à pesquisa escolar.
Os pronomes “elas” e “eles”, em destaque no texto, re-
ferem- -se, respectivamente, a
- Conjunção subordinativa:
(A) dúvidas e preços.
Vamos estabelecer critérios, conforme lhe avisaram.
(B) dúvidas e insumos básicos.
(C) companhias e insumos básicos.
Ênclise
(D) companhias e preços do carbono e da água.
(E) políticas de crescimento e preços adequados.
A ênclise é empregada depois do verbo. A norma culta
não aceita orações iniciadas com pronomes oblíquos áto- 02. (Agente de Apoio Administrativo – FCC – 2013-
nos. A ênclise vai acontecer quando: adap.). Fazendo-se as alterações necessárias, o trecho gri-
- O verbo estiver no imperativo afirmativo: fado está corretamente substituído por um pronome em:
Amem-se uns aos outros. A) ...sei tratar tipos como o senhor. − sei tratá-lo
Sigam-me e não terão derrotas. B) ...erguendo os braços desalentado... − erguendo-
- O verbo iniciar a oração: lhes desalentado
Diga-lhe que está tudo bem. C) ...que tem de conhecer as leis do país? − que tem de
Chamaram-me para ser sócio. conhecê-lo?
D) ...não parecia ser um importante industrial... − não
- O verbo estiver no infinitivo impessoal regido da pre- parecia ser-lhe
posição “a”: E) incomodaram o general... − incomodaram-no
Naquele instante os dois passaram a odiar-se.
Passaram a cumprimentar-se mutuamente. 03.(Agente de Defensoria Pública – FCC – 2013-adap.).
A substituição do elemento grifado pelo pronome cor-
- O verbo estiver no gerúndio: respondente, com os necessários ajustes, foi realizada de
Não quis saber o que aconteceu, fazendo-se de despreo- modo INCORRETO em:
cupada. A) mostrando o rio= mostrando-o.
Despediu-se, beijando-me a face. B) como escolher sítio= como escolhê-lo.
C) transpor [...] as matas espessas= transpor-lhes.
- Houver vírgula ou pausa antes do verbo: D) Às estreitas veredas[...] nada acrescentariam = nada
Se passar no concurso em outra cidade, mudo-me no lhes acrescentariam.
mesmo instante. E) viu uma dessas marcas= viu uma delas.
Se não tiver outro jeito, alisto-me nas forças armadas.
04. (Papiloscopista Policial – Vunesp – 2013). Assinale a
alternativa em que o pronome destacado está posicionado
de acordo com a norma-padrão da língua.

76
LÍNGUA PORTUGUESA

(A) Ela não lembrava-se do caminho de volta. ... e fez de tudo para convencer os tripulantes...
(B) A menina tinha distanciado-se muito da família. Fazendo-se as alterações necessárias, os segmentos
(C) A garota disse que perdeu-se dos pais. grifados acima foram corretamente substituídos por um
(D) O pai alegrou-se ao encontrar a filha. pronome, na ordem dada, em:
(E) Ninguém comprometeu-se a ajudar a criança. (A) devoravam-nos − impedi-la − convencê-los
(B) devoravam-lhe − impedi-las − convencer-lhes
05. (Escrevente TJ SP – Vunesp 2011). Assinale a alterna- (C) devoravam-no − impedi-las − convencer-lhes
tiva cujo emprego do pronome está em conformidade com (D) devoravam-nos − impedir-lhe − convencê-los
a norma padrão da língua. (E) devoravam-lhes − impedi-la − convencê-los
(A) Não autorizam-nos a ler os comentários sigilosos.
(B) Nos falaram que a diplomacia americana está aba- 10. (Agente de Vigilância e Recepção – VUNESP – 2013-
lada. adap.). No trecho, – Em ambos os casos, as câmeras dos
(C) Ninguém o informou sobre o caso WikiLeaks. estabelecimentos felizmente comprovam os acontecimen-
(D) Conformado, se rendeu às punições. tos, e testemunhas vão ajudar a polícia na investigação.
(E) Todos querem que combata-se a corrupção. – de acordo com a norma-padrão, os pronomes que subs-
tituem, corretamente, os termos em destaque são:
06. (Papiloscopista Policial = Vunesp - 2013). Assinale A) os comprovam … ajudá-la.
a alternativa correta quanto à colocação pronominal, de B) os comprovam …ajudar-la.
acordo com a norma-padrão da língua portuguesa. C) os comprovam … ajudar-lhe.
(A) Para que se evite perder objetos, recomenda-se que D) lhes comprovam … ajudar-lhe.
eles sejam sempre trazidos junto ao corpo. E) lhes comprovam … ajudá-la.
(B) O passageiro ao lado jamais imaginou-se na situa-
ção de ter de procurar a dona de uma bolsa perdida. GABARITO
(C) Nos sentimos impotentes quando não conseguimos
restituir um objeto à pessoa que o perdeu. 01. C 02. E 03. C 04. D 05. C
(D) O homem se indignou quando propuseram-lhe que 06. A 07. C 08. E 09. A 10. A
abrisse a bolsa que encontrara.
(E) Em tratando-se de objetos encontrados, há uma ten- RESOLUÇÃO
dência natural das pessoas em devolvê-los a seus donos.
1-) Restam dúvidas sobre o crescimento verde. Primei-
07. (Agente de Apoio Operacional – VUNESP – 2013). ro, não está claro até onde pode realmente chegar uma
Há pessoas que, mesmo sem condições, compram produ- política baseada em melhorar a eficiência sem preços ade-
tos______ não necessitam e______ tendo de pagar tudo______ quados para o carbono, a água e (na maioria dos países
prazo. pobres) a terra. É verdade que mesmo que a ameaça dos
Assinale a alternativa que preenche as lacunas, correta preços do carbono e da água faça em si diferença, as com-
e respectivamente, considerando a norma culta da língua. panhias não podem suportar ter de pagar, de repente, di-
A) a que … acaba … à gamos, 40 dólares por tonelada de carbono, sem qualquer
B) com que … acabam … à preparação. Portanto, elas começam a usar preços-som-
C) de que … acabam … a bra. Ainda assim, ninguém encontrou até agora uma ma-
D) em que … acaba … a neira de quantificar adequadamente os insumos básicos.
E) dos quais … acaba … à E sem eles a maioria das políticas de crescimento verde
sempre será a segunda opção.
08. (Agente de Apoio Socioeducativo – VUNESP – 2013- 2-)
adap.). Assinale a alternativa que substitui, correta e res- A) ...sei tratar tipos como o senhor. − sei tratá-los
pectivamente, as lacunas do trecho. B) ...erguendo os braços desalentado... − erguendo-os
______alguns anos, num programa de televisão, uma jo- desalentado
vem fazia referência______ violência______ o brasileiro estava C) ...que tem de conhecer as leis do país? − que tem de
sujeito de forma cômica. conhecê-las ?
A) Fazem... a ... de que D) ...não parecia ser um importante industrial... − não
B) Faz ...a ... que parecia sê-lo
C) Fazem ...à ... com que
D) Faz ...à ... que 3-) transpor [...] as matas espessas= transpô-las
E) Faz ...à ... a que
4-)
09. (TRF 3ª região- Técnico Judiciário - /2014) (A) Ela não se lembrava do caminho de volta.
As sereias então devoravam impiedosamente os tripu- (B) A menina tinha se distanciado muito da família.
lantes. (C) A garota disse que se perdeu dos pais.
... ele conseguiu impedir a tripulação de perder a cabe- (E) Ninguém se comprometeu a ajudar a criança
ça...

77
LÍNGUA PORTUGUESA

5-) ainda funcionar como núcleo do complemento nominal ou


(A) Não nos autorizam a ler os comentários sigilosos. do aposto, como núcleo do predicativo do sujeito, do ob-
(B) Falaram-nos que a diplomacia americana está aba- jeto ou como núcleo do vocativo. Também encontramos
lada. substantivos como núcleos de adjuntos adnominais e de
(D) Conformado, rendeu-se às punições. adjuntos adverbiais - quando essas funções são desempe-
(E) Todos querem que se combata a corrupção. nhadas por grupos de palavras.

6-) Classificação dos Substantivos


(B) O passageiro ao lado jamais se imaginou na situação
de ter de procurar a dona de uma bolsa perdida. 1- Substantivos Comuns e Próprios
(C) Sentimo-nos impotentes quando não conseguimos
restituir um objeto à pessoa que o perdeu. Observe a definição: s.f. 1: Povoação maior que vila, com
(D) O homem indignou-se quando lhe propuseram que muitas casas e edifícios, dispostos em ruas e avenidas (no
abrisse a bolsa que encontrara. Brasil, toda a sede de município é cidade). 2. O centro de
(E) Em se tratando de objetos encontrados, há uma ten- uma cidade (em oposição aos bairros).
dência natural das pessoas em devolvê-los a seus donos.
Qualquer “povoação maior que vila, com muitas casas
7-) Há pessoas que, mesmo sem condições, compram e edifícios, dispostos em ruas e avenidas” será chamada
produtos de que não necessitam e acabam tendo cidade. Isso significa que a palavra cidade é um substantivo
de pagar tudo a prazo. comum.
Substantivo Comum é aquele que designa os seres de
8-) Faz alguns anos, num programa de televisão, uma uma mesma espécie de forma genérica: cidade, menino,
jovem fazia referência à violência a que o brasileiro homem, mulher, país, cachorro.
estava sujeito de forma cômica. Estamos voando para Barcelona.
Faz, no sentido de tempo passado = sempre no singular
O substantivo Barcelona designa apenas um ser da es-
9-) pécie cidade. Esse substantivo é próprio. Substantivo Pró-
prio: é aquele que designa os seres de uma mesma espécie
devoravam - verbo terminado em “m” = pronome oblí-
de forma particular: Londres, Paulinho, Pedro, Tietê, Brasil.
quo no/na (fizeram-na, colocaram-no)
impedir - verbo transitivo direto = pede objeto direto;
2 - Substantivos Concretos e Abstratos
“lhe” é para objeto indireto

convencer - verbo transitivo direto = pede objeto dire-
LÂMPADA MALA
to; “lhe” é para objeto indireto
(A) devoravam-nos − impedi-la − convencê-los
Os substantivos lâmpada e mala designam seres com
existência própria, que são independentes de outros seres.
10-) – Em ambos os casos, as câmeras dos estabeleci- São substantivos concretos.
mentos felizmente comprovam os acontecimentos, e teste-
munhas vão ajudar a polícia na investigação. Substantivo Concreto: é aquele que designa o ser que
felizmente os comprovam ... ajudá-la existe, independentemente de outros seres.
(advérbio) Obs.: os substantivos concretos designam seres do
mundo real e do mundo imaginário.
Substantivo Seres do mundo real: homem, mulher, cadeira, cobra,
Brasília, etc.
Tudo o que existe é ser e cada ser tem um nome. Subs- Seres do mundo imaginário: saci, mãe-d’água, fantas-
tantivo é a classe gramatical de palavras variáveis, as quais ma, etc.
denominam os seres. Além de objetos, pessoas e fenôme-
nos, os substantivos também nomeiam: Observe agora:
-lugares: Alemanha, Porto Alegre... Beleza exposta
-sentimentos: raiva, amor... Jovens atrizes veteranas destacam-se pelo visual.
-estados: alegria, tristeza...
-qualidades: honestidade, sinceridade... O substantivo beleza designa uma qualidade.
-ações: corrida, pescaria...
Substantivo Abstrato: é aquele que designa seres que
Morfossintaxe do substantivo dependem de outros para se manifestar ou existir.
Pense bem: a beleza não existe por si só, não pode ser
Nas orações de língua portuguesa, o substantivo em ge- observada. Só podemos observar a beleza numa pessoa
ral exerce funções diretamente relacionadas com o verbo: ou coisa que seja bela. A beleza depende de outro ser para
atua como núcleo do sujeito, dos complementos verbais se manifestar. Portanto, a palavra beleza é um substantivo
(objeto direto ou indireto) e do agente da passiva. Pode abstrato.

78
LÍNGUA PORTUGUESA

Os substantivos abstratos designam estados, qualida- molho chaves, verduras


des, ações e sentimentos dos seres, dos quais podem ser multidão pessoas em geral
abstraídos, e sem os quais não podem existir: vida (estado), ninhada pintos
rapidez (qualidade), viagem (ação), saudade (sentimento). nuvem insetos (gafanhotos, mosquitos, etc.)
penca bananas, chaves
3 - Substantivos Coletivos pinacoteca pinturas, quadros
quadrilha ladrões, bandidos
Ele vinha pela estrada e foi picado por uma abelha, outra ramalhete flores
abelha, mais outra abelha. rebanho ovelhas
Ele vinha pela estrada e foi picado por várias abelhas. récua bestas de carga, cavalgadura
Ele vinha pela estrada e foi picado por um enxame. repertório peças teatrais, obras musicais
Note que, no primeiro caso, para indicar plural, foi ne- réstia alhos ou cebolas
cessário repetir o substantivo: uma abelha, outra abelha, romanceiro poesias narrativas
mais outra abelha... revoada pássaros
No segundo caso, utilizaram-se duas palavras no plural. sínodo párocos
No terceiro caso, empregou-se um substantivo no sin- talha lenha
gular (enxame) para designar um conjunto de seres da tropa muares, soldados
mesma espécie (abelhas). turma estudantes, trabalhadores
O substantivo enxame é um substantivo coletivo. vara porcos
Substantivo Coletivo: é o substantivo comum que, mes-
mo estando no singular, designa um conjunto de seres da Formação dos Substantivos
mesma espécie.
Substantivos Simples e Compostos
Substantivo coletivo Conjunto de:
assembleia pessoas reunidas Chuva - subst. Fem. 1 - água caindo em gotas sobre a
alcateia lobos terra.
acervo livros O substantivo chuva é formado por um único elemento
antologia trechos literários selecionados ou radical. É um substantivo simples.
arquipélago ilhas
banda músicos Substantivo Simples: é aquele formado por um único
bando desordeiros ou malfeitores elemento.
banca examinadores Outros substantivos simples: tempo, sol, sofá, etc. Veja
batalhão soldados agora: O substantivo guarda-chuva é formado por dois
cardume peixes elementos (guarda + chuva). Esse substantivo é composto.
caravana viajantes peregrinos Substantivo Composto: é aquele formado por dois ou
cacho frutas mais elementos. Outros exemplos: beija-flor, passatempo.
cáfila camelos
cancioneiro canções, poesias líricas Substantivos Primitivos e Derivados
colmeia abelhas
chusma gente, pessoas Meu limão meu limoeiro,
concílio bispos meu pé de jacarandá...
congresso parlamentares, cientistas.
elenco atores de uma peça ou filme O substantivo limão é primitivo, pois não se originou de
esquadra navios de guerra nenhum outro dentro de língua portuguesa.
enxoval roupas Substantivo Primitivo: é aquele que não deriva de
falange soldados, anjos nenhuma outra palavra da própria língua portuguesa. O
fauna animais de uma região substantivo limoeiro é derivado, pois se originou a partir
feixe lenha, capim da palavra limão.
flora vegetais de uma região Substantivo Derivado: é aquele que se origina de ou-
frota navios mercantes, ônibus tra palavra.
girândola fogos de artifício Flexão dos substantivos
horda bandidos, invasores
junta médicos, bois, credores, examinadores O substantivo é uma classe variável. A palavra é variá-
júri jurados vel quando sofre flexão (variação). A palavra menino, por
legião soldados, anjos, demônios exemplo, pode sofrer variações para indicar:
leva presos, recrutas Plural: meninos Feminino: menina
malta malfeitores ou desordeiros Aumentativo: meninão Diminutivo: menininho
manada búfalos, bois, elefantes,
matilha cães de raça

79
LÍNGUA PORTUGUESA

Flexão de Gênero - Substantivos terminados em -or:


- acrescenta-se -a ao masculino = doutor – doutora
Gênero é a propriedade que as palavras têm de indicar - troca-se -or por -triz: = imperador - imperatriz
sexo real ou fictício dos seres. Na língua portuguesa, há
dois gêneros: masculino e feminino. Pertencem ao gênero - Substantivos com feminino em -esa, -essa, -isa: cônsul
masculino os substantivos que podem vir precedidos dos - consulesa / abade - abadessa / poeta - poetisa / duque -
artigos o, os, um, uns. Veja estes títulos de filmes: duquesa / conde - condessa / profeta - profetisa
O velho e o mar - Substantivos que formam o feminino trocando o -e
Um Natal inesquecível final por -a: elefante - elefanta
Os reis da praia
- Substantivos que têm radicais diferentes no masculino
Pertencem ao gênero feminino os substantivos que po- e no feminino: bode – cabra / boi - vaca
dem vir precedidos dos artigos a, as, uma, umas:
A história sem fim - Substantivos que formam o feminino de maneira es-
Uma cidade sem passado pecial, isto é, não seguem nenhuma das regras anteriores:
As tartarugas ninjas czar – czarina réu - ré
Substantivos Biformes e Substantivos Uniformes
Formação do Feminino dos Substantivos Uniformes
Substantivos Biformes (= duas formas): ao indicar no-
mes de seres vivos, geralmente o gênero da palavra está Epicenos:
relacionado ao sexo do ser, havendo, portanto, duas for- Novo jacaré escapa de policiais no rio Pinheiros.
mas, uma para o masculino e outra para o feminino. Obser-
ve: gato – gata, homem – mulher, poeta – poetisa, prefeito Não é possível saber o sexo do jacaré em questão. Isso
- prefeita ocorre porque o substantivo jacaré tem apenas uma forma
para indicar o masculino e o feminino.
Substantivos Uniformes: são aqueles que apresentam Alguns nomes de animais apresentam uma só forma
uma única forma, que serve tanto para o masculino quanto
para designar os dois sexos. Esses substantivos são cha-
para o feminino. Classificam-se em:
mados de epicenos. No caso dos epicenos, quando houver
- Epicenos: têm um só gênero e nomeiam bichos: a
a necessidade de especificar o sexo, utilizam-se palavras
cobra macho e a cobra fêmea, o jacaré macho e o jacaré
macho e fêmea.
fêmea.
A cobra macho picou o marinheiro.
- Sobrecomuns: têm um só gênero e nomeiam pes-
A cobra fêmea escondeu-se na bananeira.
soas: a criança, a testemunha, a vítima, o cônjuge, o gênio,
o ídolo, o indivíduo.
- Comuns de Dois Gêneros: indicam o sexo das pes- Sobrecomuns:
soas por meio do artigo: o colega e a colega, o doente e a Entregue as crianças à natureza.
doente, o artista e a artista.
A palavra crianças refere-se tanto a seres do sexo mas-
Saiba que: Substantivos de origem grega terminados culino, quanto a seres do sexo feminino. Nesse caso, nem
em ema ou oma, são masculinos: o fonema, o poema, o o artigo nem um possível adjetivo permitem identificar o
sistema, o sintoma, o teorema. sexo dos seres a que se refere a palavra. Veja:
- Existem certos substantivos que, variando de gênero, A criança chorona chamava-se João.
variam em seu significado: o rádio (aparelho receptor) e a A criança chorona chamava-se Maria.
rádio (estação emissora) o capital (dinheiro) e a capital (ci-
dade) Outros substantivos sobrecomuns:
a criatura = João é uma boa criatura. Maria é uma boa
Formação do Feminino dos Substantivos Biformes criatura.
o cônjuge = O cônjuge de João faleceu. O cônjuge de
- Regra geral: troca-se a terminação -o por –a: aluno - Marcela faleceu
aluna. Comuns de Dois Gêneros:
- Substantivos terminados em -ês: acrescenta-se -a ao Motorista tem acidente idêntico 23 anos depois.
masculino: freguês - freguesa
- Substantivos terminados em -ão: fazem o feminino de Quem sofreu o acidente: um homem ou uma mulher?
três formas: É impossível saber apenas pelo título da notícia, uma
- troca-se -ão por -oa. = patrão – patroa vez que a palavra motorista é um substantivo uniforme.
- troca-se -ão por -ã. = campeão - campeã A distinção de gênero pode ser feita através da análise
-troca-se -ão por ona. = solteirão - solteirona do artigo ou adjetivo, quando acompanharem o substanti-
vo: o colega - a colega; o imigrante - a imigrante; um jovem
Exceções: barão – baronesa ladrão- ladra sultão - - uma jovem; artista famoso - artista famosa; repórter fran-
sultana cês - repórter francesa

80
LÍNGUA PORTUGUESA

- A palavra personagem é usada indistintamente nos mento, pena grande das asas das aves), o grama (unidade de
dois gêneros. peso), a grama (relva), o caixa (funcionário da caixa), a caixa
(recipiente, setor de pagamentos), o lente (professor), a lente
a) Entre os escritores modernos nota-se acentuada pre- (vidro de aumento), o moral (ânimo), a moral (honestidade,
ferência pelo masculino: O menino descobriu nas nuvens os bons costumes, ética), o nascente (lado onde nasce o Sol), a
personagens dos contos de carochinha. nascente (a fonte), o maria-fumaça (trem como locomotiva
b) Com referência a mulher, deve-se preferir o feminino: a vapor), maria-fumaça (locomotiva movida a vapor), o pala
O problema está nas mulheres de mais idade, que não acei- (poncho), a pala (parte anterior do boné ou quepe, antepa-
tam a personagem. ro), o rádio (aparelho receptor), a rádio (estação emissora), o
voga (remador), a voga (moda, popularidade).
- Diz-se: o (ou a) manequim Marcela, o (ou a) modelo
fotográfico Ana Belmonte. Flexão de Número do Substantivo
Observe o gênero dos substantivos seguintes:
Em português, há dois números gramaticais: o singular,
Masculinos: o tapa, o eclipse, o lança-perfume, o dó que indica um ser ou um grupo de seres, e o plural, que
(pena), o sanduíche, o clarinete, o champanha, o sósia, o indica mais de um ser ou grupo de seres. A característica
maracajá, o clã, o hosana, o herpes, o pijama, o suéter, o do plural é o “s” final.
soprano, o proclama, o pernoite, o púbis.
Plural dos Substantivos Simples
Femininos: a dinamite, a derme, a hélice, a omoplata, a
cataplasma, a pane, a mascote, a gênese, a entorse, a libido, - Os substantivos terminados em vogal, ditongo oral e
a cal, a faringe, a cólera (doença), a ubá (canoa). “n” fazem o plural pelo acréscimo de “s”: pai – pais; ímã –
ímãs; hífen - hifens (sem acento, no plural). Exceção: cânon
- São geralmente masculinos os substantivos de ori- - cânones.
gem grega terminados em -ma: o grama (peso), o quilo-
grama, o plasma, o apostema, o diagrama, o epigrama, o - Os substantivos terminados em “m” fazem o plural em
telefonema, o estratagema, o dilema, o teorema, o trema, o “ns”: homem - homens.
eczema, o edema, o magma, o estigma, o axioma, o traco-
ma, o hematoma. - Os substantivos terminados em “r” e “z” fazem o plural
pelo acréscimo de “es”: revólver – revólveres; raiz - raízes.
Exceções: a cataplasma, a celeuma, a fleuma, etc.

Gênero dos Nomes de Cidades: Atenção: O plural de caráter é caracteres.

Com raras exceções, nomes de cidades são femininos. - Os substantivos terminados em al, el, ol, ul flexionam-
A histórica Ouro Preto. se no plural, trocando o “l” por “is”: quintal - quintais; cara-
A dinâmica São Paulo. col – caracóis; hotel - hotéis. Exceções: mal e males, cônsul
A acolhedora Porto Alegre. e cônsules.
Uma Londres imensa e triste.
Exceções: o Rio de Janeiro, o Cairo, o Porto, o Havre. - Os substantivos terminados em “il” fazem o plural de
duas maneiras:
Gênero e Significação:
- Quando oxítonos, em “is”: canil - canis
Muitos substantivos têm uma significação no masculino
e outra no feminino. Observe: o baliza (soldado que, que à - Quando paroxítonos, em “eis”: míssil - mísseis.
frente da tropa, indica os movimentos que se deve realizar
em conjunto; o que vai à frente de um bloco carnavalesco, Obs.: a palavra réptil pode formar seu plural de duas
manejando um bastão), a baliza (marco, estaca; sinal que maneiras: répteis ou reptis (pouco usada).
marca um limite ou proibição de trânsito), o cabeça (chefe),
a cabeça (parte do corpo), o cisma (separação religiosa, dissi- - Os substantivos terminados em “s” fazem o plural de
dência), a cisma (ato de cismar, desconfiança), o cinza (a cor duas maneiras:
cinzenta), a cinza (resíduos de combustão), o capital (dinhei-
ro), a capital (cidade), o coma (perda dos sentidos), a coma - Quando monossilábicos ou oxítonos, mediante o
(cabeleira), o coral (pólipo, a cor vermelha, canto em coro), acréscimo de “es”: ás – ases / retrós - retroses
a coral (cobra venenosa), o crisma (óleo sagrado, usado na
administração da crisma e de outros sacramentos), a crisma - Quando paroxítonos ou proparoxítonos, ficam inva-
(sacramento da confirmação), o cura (pároco), a cura (ato de riáveis: o lápis - os lápis / o ônibus - os ônibus.
curar), o estepe (pneu sobressalente), a estepe (vasta planície
de vegetação), o guia (pessoa que guia outras), a guia (docu-

81
LÍNGUA PORTUGUESA

- Os substantivos terminados em “ao” fazem o plural de Plural das Palavras Substantivadas


três maneiras.
- substituindo o -ão por -ões: ação - ações As palavras substantivadas, isto é, palavras de outras
- substituindo o -ão por -ães: cão - cães classes gramaticais usadas como substantivo, apresentam,
- substituindo o -ão por -ãos: grão - grãos no plural, as flexões próprias dos substantivos.
Pese bem os prós e os contras.
- Os substantivos terminados em “x” ficam invariáveis: O aluno errou na prova dos noves.
o látex - os látex. Ouça com a mesma serenidade os sins e os nãos.
Obs.: numerais substantivados terminados em “s” ou
Plural dos Substantivos Compostos “z” não variam no plural: Nas provas mensais consegui mui-
tos seis e alguns dez.
-A formação do plural dos substantivos compostos de-
pende da forma como são grafados, do tipo de palavras Plural dos Diminutivos
que formam o composto e da relação que estabelecem en-
tre si. Aqueles que são grafados sem hífen comportam-se Flexiona-se o substantivo no plural, retira-se o “s” final
como os substantivos simples: aguardente/aguardentes, e acrescenta-se o sufixo diminutivo.
girassol/girassóis, pontapé/pontapés, malmequer/ pãe(s) + zinhos = pãezinhos
malmequeres. animai(s) + zinhos = animaizinhos
O plural dos substantivos compostos cujos elementos botõe(s) + zinhos = botõezinhos
são ligados por hífen costuma provocar muitas dúvidas e chapéu(s) + zinhos = chapeuzinhos
discussões. Algumas orientações são dadas a seguir: farói(s) + zinhos = faroizinhos
tren(s) + zinhos = trenzinhos
- Flexionam-se os dois elementos, quando formados colhere(s) + zinhas = colherezinhas
de: flore(s) + zinhas = florezinhas
substantivo + substantivo = couve-flor e couves-flores mão(s) + zinhas = mãozinhas
substantivo + adjetivo = amor-perfeito e amores-per- papéi(s) + zinhos = papeizinhos
nuven(s) + zinhas = nuvenzinhas
feitos
funi(s) + zinhos = funizinhos
adjetivo + substantivo = gentil-homem e gentis-homens
túnei(s) + zinhos = tuneizinhos
numeral + substantivo = quinta-feira e quintas-feiras
pai(s) + zinhos = paizinhos
pé(s) + zinhos = pezinhos
- Flexiona-se somente o segundo elemento, quando
pé(s) + zitos = pezitos
formados de:
verbo + substantivo = guarda-roupa e guarda-roupas
Plural dos Nomes Próprios Personativos
palavra invariável + palavra variável = alto-falante e
alto- -falantes Devem-se pluralizar os nomes próprios de pessoas
palavras repetidas ou imitativas = reco-reco e reco-recos sempre que a terminação preste-se à flexão.
- Flexiona-se somente o primeiro elemento, quando Os Napoleões também são derrotados.
formados de: As Raquéis e Esteres.
substantivo + preposição clara + substantivo = água-
de-colônia e águas-de-colônia Plural dos Substantivos Estrangeiros
substantivo + preposição oculta + substantivo = cava-
lo-vapor e cavalos-vapor Substantivos ainda não aportuguesados devem ser es-
substantivo + substantivo que funciona como determi- critos como na língua original, acrescentando-se “s” (exce-
nante do primeiro, ou seja, especifica a função ou o tipo to quando terminam em “s” ou “z”): os shows, os shorts, os
do termo anterior: palavra-chave - palavras-chave, bomba jazz.
-relógio - bombas-relógio, notícia-bomba - notícias-bomba,
homem-rã - homens-rã, peixe-espada - peixes-espada. Substantivos já aportuguesados flexionam-se de acor-
do com as regras de nossa língua: os clubes, os chopes, os
- Permanecem invariáveis, quando formados de: jipes, os esportes, as toaletes, os bibelôs, os garçons,
verbo + advérbio = o bota-fora e os bota-fora os réquiens.
verbo + substantivo no plural = o saca-rolhas e os sa- Observe o exemplo:
ca-rolhas Este jogador faz gols toda vez que joga.
O plural correto seria gois (ô), mas não se usa.
- Casos Especiais
o louva-a-deus e os louva-a-deus Plural com Mudança de Timbre
o bem-te-vi e os bem-te-vis
o bem-me-quer e os bem-me-queres Certos substantivos formam o plural com mudança de
o joão-ninguém e os joões-ninguém. timbre da vogal tônica (o fechado / o aberto). É um fato
fonético chamado metafonia (plural metafônico).

82
LÍNGUA PORTUGUESA

Singular Plural O que caracteriza o verbo são as suas flexões, e não


corpo (ô) corpos (ó) os seus possíveis significados. Observe que palavras como
esforço esforços corrida, chuva e nascimento têm conteúdo muito próximo
fogo fogos ao de alguns verbos mencionados acima; não apresentam,
forno fornos porém, todas as possibilidades de flexão que esses verbos
fosso fossos possuem.
imposto impostos Estrutura das Formas Verbais
olho olhos
osso (ô) ossos (ó) Do ponto de vista estrutural, uma forma verbal pode
ovo ovos apresentar os seguintes elementos:
poço poços - Radical: é a parte invariável, que expressa o significa-
porto portos do essencial do verbo. Por exemplo: fal-ei; fal-ava; fal-am.
posto postos (radical fal-)
tijolo tijolos - Tema: é o radical seguido da vogal temática que in-
dica a conjugação a que pertence o verbo. Por exemplo:
Têm a vogal tônica fechada (ô): adornos, almoços, bol- fala-r
sos, esposos, estojos, globos, gostos, polvos, rolos, soros, etc.
São três as conjugações: 1ª - Vogal Temática - A - (falar),
Obs.: distinga-se molho (ô) = caldo (molho de carne),
2ª - Vogal Temática - E - (vender), 3ª - Vogal Temática - I -
de molho (ó) = feixe (molho de lenha).
(partir).
Particularidades sobre o Número dos Substantivos - Desinência modo-temporal: é o elemento que de-
signa o tempo e o modo do verbo. Por exemplo:
- Há substantivos que só se usam no singular: o sul, o falávamos ( indica o pretérito imperfeito do indicativo.)
norte, o leste, o oeste, a fé, etc. falasse ( indica o pretérito imperfeito do subjuntivo.)
- Outros só no plural: as núpcias, os víveres, os pêsames, - Desinência número-pessoal: é o elemento que de-
as espadas/os paus (naipes de baralho), as fezes. signa a pessoa do discurso ( 1ª, 2ª ou 3ª) e o número (sin-
- Outros, enfim, têm, no plural, sentido diferente do gular ou plural):
singular: bem (virtude) e bens (riquezas), honra (probidade, falamos (indica a 1ª pessoa do plural.)
bom nome) e honras (homenagem, títulos). falavam (indica a 3ª pessoa do plural.)
- Usamos às vezes, os substantivos no singular, mas
com sentido de plural: Observação: o verbo pôr, assim como seus derivados
Aqui morreu muito negro. (compor, repor, depor, etc.), pertencem à 2ª conjugação,
Celebraram o sacrifício divino muitas vezes em capelas pois a forma arcaica do verbo pôr era poer. A vogal “e”,
improvisadas. apesar de haver desaparecido do infinitivo, revela-se em
Flexão de Grau do Substantivo algumas formas do verbo: põe, pões, põem, etc.
Formas Rizotônicas e Arrizotônicas
Grau é a propriedade que as palavras têm de exprimir
as variações de tamanho dos seres. Classifica-se em: Ao combinarmos os conhecimentos sobre a estrutura
- Grau Normal - Indica um ser de tamanho considera- dos verbos com o conceito de acentuação tônica, perce-
do normal. Por exemplo: casa bemos com facilidade que nas formas rizotônicas o acento
tônico cai no radical do verbo: opino, aprendam, nutro, por
- Grau Aumentativo - Indica o aumento do tamanho exemplo. Nas formas arrizotônicas, o acento tônico não cai
do ser. Classifica-se em: no radical, mas sim na terminação verbal: opinei, aprende-
Analítico = o substantivo é acompanhado de um adje- rão, nutriríamos.
tivo que indica grandeza. Por exemplo: casa grande.
Classificação dos Verbos
Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo indi-
cador de aumento. Por exemplo: casarão.
Classificam-se em:
- Grau Diminutivo - Indica a diminuição do tamanho - Regulares: são aqueles que possuem as desinências
do ser. Pode ser: normais de sua conjugação e cuja flexão não provoca al-
Analítico = substantivo acompanhado de um adjetivo terações no radical: canto cantei cantarei cantava
que indica pequenez. Por exemplo: casa pequena. cantasse.
Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo indi- - Irregulares: são aqueles cuja flexão provoca altera-
cador de diminuição. Por exemplo: casinha. ções no radical ou nas desinências: faço fiz farei fi-
zesse.
Verbo - Defectivos: são aqueles que não apresentam conju-
gação completa. Classificam-se em impessoais, unipessoais
Verbo é a classe de palavras que se flexiona em pessoa, e pessoais:
número, tempo, modo e voz. Pode indicar, entre outros * Impessoais: são os verbos que não têm sujeito. Nor-
processos: ação (correr); estado (ficar); fenômeno (chover); malmente, são usados na terceira pessoa do singular. Os
ocorrência (nascer); desejo (querer). principais verbos impessoais são:

83
LÍNGUA PORTUGUESA

** haver, quando sinônimo de existir, acontecer, realizar-se ou fazer (em orações temporais).
Havia poucos ingressos à venda. (Havia = Existiam)
Houve duas guerras mundiais. (Houve = Aconteceram)
Haverá reuniões aqui. (Haverá = Realizar-se-ão)
Deixei de fumar há muitos anos. (há = faz)

** fazer, ser e estar (quando indicam tempo)


Faz invernos rigorosos no Sul do Brasil.
Era primavera quando a conheci.
Estava frio naquele dia.

** Todos os verbos que indicam fenômenos da natureza são impessoais: chover, ventar, nevar, gear, trovejar, amanhecer,
escurecer, etc. Quando, porém, se constrói, “Amanheci mal- -humorado”, usa-se o verbo “amanhecer” em sentido figu-
rado. Qualquer verbo impessoal, empregado em sentido figurado, deixa de ser impessoal para ser pessoal.

Amanheci mal-humorado. (Sujeito desinencial: eu)


Choveram candidatos ao cargo. (Sujeito: candidatos)
Fiz quinze anos ontem. (Sujeito desinencial: eu)

** São impessoais, ainda:

1. o verbo passar (seguido de preposição), indicando tempo: Já passa das seis.


2. os verbos bastar e chegar, seguidos da preposição de, indicando suficiência: Basta de tolices. Chega de blasfêmias.
3. os verbos estar e ficar em orações tais como Está bem, Está muito bem assim, Não fica bem, Fica mal, sem referência a
sujeito expresso anteriormente. Podemos, ainda, nesse caso, classificar o sujeito como hipotético, tornando-se, tais verbos,
então, pessoais.
4. o verbo deu + para da língua popular, equivalente de “ser possível”. Por exemplo:
Não deu para chegar mais cedo.
Dá para me arrumar uns trocados?

* Unipessoais: são aqueles que, tendo sujeito, conjugam-se apenas nas terceiras pessoas, do singular e do plural.
A fruta amadureceu.
As frutas amadureceram.

Obs.: os verbos unipessoais podem ser usados como verbos pessoais na linguagem figurada: Teu irmão amadureceu
bastante.

Entre os unipessoais estão os verbos que significam vozes de animais; eis alguns: bramar: tigre, bramir: crocodilo, caca-
rejar: galinha, coaxar: sapo, cricrilar: grilo

Os principais verbos unipessoais são:


1. cumprir, importar, convir, doer, aprazer, parecer, ser (preciso, necessário, etc.):
Cumpre trabalharmos bastante. (Sujeito: trabalharmos bastante.)
Parece que vai chover. (Sujeito: que vai chover.)
É preciso que chova. (Sujeito: que chova.)

2. fazer e ir, em orações que dão ideia de tempo, seguidos da conjunção que.
Faz dez anos que deixei de fumar. (Sujeito: que deixei de fumar.)
Vai para (ou Vai em ou Vai por) dez anos que não vejo Cláudia. (Sujeito: que não vejo Cláudia)
Obs.: todos os sujeitos apontados são oracionais.

* Pessoais: não apresentam algumas flexões por motivos morfológicos ou eufônicos. Por exemplo:
- verbo falir. Este verbo teria como formas do presente do indicativo falo, fales, fale, idênticas às do verbo falar - o que
provavelmente causaria problemas de interpretação em certos contextos.
- verbo computar. Este verbo teria como formas do presente do indicativo computo, computas, computa - formas de
sonoridade considerada ofensiva por alguns ouvidos gramaticais. Essas razões muitas vezes não impedem o uso efetivo de
formas verbais repudiadas por alguns gramáticos: exemplo disso é o próprio verbo computar, que, com o desenvolvimento
e a popularização da informática, tem sido conjugado em todos os tempos, modos e pessoas.

84
LÍNGUA PORTUGUESA

- Abundantes: são aqueles que possuem mais de uma forma com o mesmo valor. Geralmente, esse fenômeno costuma
ocorrer no particípio, em que, além das formas regulares terminadas em -ado ou -ido, surgem as chamadas formas curtas
(particípio irregular). Observe:
INFINITIVO PARTICÍPIO REGULAR PARTICÍPIO IRREGULAR
Anexar Anexado Anexo
Dispersar Dispersado Disperso
Eleger Elegido Eleito
Envolver Envolvido Envolto
Imprimir Imprimido Impresso
Matar Matado Morto
Morrer Morrido Morto
Pegar Pegado Pego
Soltar Soltado Solto

- Anômalos: são aqueles que incluem mais de um radical em sua conjugação. Por exemplo: Ir, Pôr, Ser, Saber (vou, vais,
ides, fui, foste, pus, pôs, punha, sou, és, fui, foste, seja).

- Auxiliares: São aqueles que entram na formação dos tempos compostos e das locuções verbais. O verbo principal,
quando acompanhado de verbo auxiliar, é expresso numa das formas nominais: infinitivo, gerúndio ou particípio.

Vou espantar as moscas.


(verbo auxiliar) (verbo principal no infinitivo)

Está chegando a hora do debate.


(verbo auxiliar) (verbo principal no gerúndio)

Os noivos foram cumprimentados por todos os presentes.


(verbo auxiliar) (verbo principal no particípio)

Obs.: os verbos auxiliares mais usados são: ser, estar, ter e haver.

Conjugação dos Verbos Auxiliares

SER - Modo Indicativo

Presente Pret.Perfeito Pretérito Imp. Pret.Mais-Que-Perf. Fut.do Pres. Fut. Do Pretérito


sou fui era fora serei seria
és foste eras foras serás serias
é foi era fora será seria
somos fomos éramos fôramos seremos seríamos
sois fostes éreis fôreis sereis seríeis
são foram eram foram serão seriam

SER - Modo Subjuntivo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro


que eu seja se eu fosse quando eu for
que tu sejas se tu fosses quando tu fores
que ele seja se ele fosse quando ele for
que nós sejamos se nós fôssemos quando nós formos
que vós sejais se vós fôsseis quando vós fordes
que eles sejam se eles fossem quando eles forem

SER - Modo Imperativo

Afirmativo Negativo
sê tu não sejas tu
seja você não seja você
sejamos nós não sejamos nós
sede vós não sejais vós
sejam vocês não sejam vocês

85
LÍNGUA PORTUGUESA

SER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


ser ser eu sendo sido
seres tu
ser ele
sermos nós
serdes vós
serem eles

ESTAR - Modo Indicativo



Presente Pret. perf. Pret. Imperf. Pret.Mais-Que-Perf. Fut.doPres. Fut.do Preté.
estou estive estava estivera estarei estaria
estás estiveste estavas estiveras estarás estarias
está esteve estava estivera estará estaria
estamos estivemos estávamos estivéramos estaremos estaríamos
estais estivestes estáveis estivéreis estareis estaríeis
estão estiveram estavam estiveram estarão estariam

ESTAR - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


esteja estivesse estiver
estejas estivesses estiveres está estejas
esteja estivesse estiver esteja esteja
estejamos estivéssemos estivermos estejamos estejamos
estejais estivésseis estiverdes estai estejais
estejam estivessem estiverem estejam estejam

ESTAR - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


estar estar estando estado
estares
estar
estarmos
estardes
estarem

HAVER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imper. Pret.Mais-Que-Perf. Fut. Do Pres. Fut. Do Preté.
hei houve havia houvera haverei haveria
hás houveste havias houveras haverás haverias
há houve havia houvera haverá haveria
havemos houvemos havíamos houvéramos haveremos haveríamos
haveis houvestes havíeis houvéreis havereis haveríeis
hão houveram haviam houveram haverão haveriam

HAVER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


haja houvesse houver
hajas houvesses houveres há hajas
haja houvesse houver haja haja
hajamos houvéssemos houvermos hajamos hajamos
hajais houvésseis houverdes havei hajais
hajam houvessem houverem hajam hajam

86
LÍNGUA PORTUGUESA

HAVER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


haver haver havendo havido
haveres
haver
havermos
haverdes
haverem

TER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imper. Preté.Mais-Que-Perf. Fut. Do Pres. Fut. Do Preté.
Tenho tive tinha tivera terei teria
tens tiveste tinhas tiveras terás terias
tem teve tinha tivera terá teria
temos tivemos tínhamos tivéramos teremos teríamos
tendes tivestes tínheis tivéreis tereis teríeis
têm tiveram tinham tiveram terão teriam

TER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


Tenha tivesse tiver
tenhas tivesses tiveres tem tenhas
tenha tivesse tiver tenha tenha
tenhamos tivéssemos tivermos tenhamos tenhamos
tenhais tivésseis tiverdes tende tenhais
tenham tivessem tiverem tenham tenham

- Pronominais: São aqueles verbos que se conjugam com os pronomes oblíquos átonos me, te, se, nos, vos, se, na mes-
ma pessoa do sujeito, expressando reflexibilidade (pronominais acidentais) ou apenas reforçando a ideia já implícita no
próprio sentido do verbo (reflexivos essenciais). Veja:

- 1. Essenciais: são aqueles que sempre se conjugam com os pronomes oblíquos me, te, se, nos, vos, se. São poucos: abs-
ter-se, ater- -se, apiedar-se, atrever-se, dignar-se, arrepender-se, etc. Nos verbos pronominais essenciais a reflexibilidade
já está implícita no radical do verbo. Por exemplo: Arrependi-me de ter estado lá.
A ideia é de que a pessoa representada pelo sujeito (eu) tem um sentimento (arrependimento) que recai sobre ela mes-
ma, pois não recebe ação transitiva nenhuma vinda do verbo; o pronome oblíquo átono é apenas uma partícula integrante
do verbo, já que, pelo uso, sempre é conjugada com o verbo. Diz-se que o pronome apenas serve de reforço da ideia re-
flexiva expressa pelo radical do próprio verbo.
Veja uma conjugação pronominal essencial (verbo e respectivos pronomes):
Eu me arrependo
Tu te arrependes
Ele se arrepende
Nós nos arrependemos
Vós vos arrependeis
Eles se arrependem

- 2. Acidentais: são aqueles verbos transitivos diretos em que a ação exercida pelo sujeito recai sobre o objeto repre-
sentado por pronome oblíquo da mesma pessoa do sujeito; assim, o sujeito faz uma ação que recai sobre ele mesmo. Em
geral, os verbos transitivos diretos ou transitivos diretos e indiretos podem ser conjugados com os pronomes mencionados,
formando o que se chama voz reflexiva. Por exemplo: Maria se penteava.
A reflexibilidade é acidental, pois a ação reflexiva pode ser exercida também sobre outra pessoa. Por exemplo:
Maria penteou-me.

87
LÍNGUA PORTUGUESA

Observações: Na forma simples, o gerúndio expressa uma ação em


- Por fazerem parte integrante do verbo, os pronomes curso; na forma composta, uma ação concluída. Por exem-
oblíquos átonos dos verbos pronominais não possuem plo:
função sintática. Trabalhando, aprenderás o valor do dinheiro.
- Há verbos que também são acompanhados de pro- Tendo trabalhado, aprendeu o valor do dinheiro.
nomes oblíquos átonos, mas que não são essencialmente
pronominais, são os verbos reflexivos. Nos verbos refle- - Particípio: quando não é empregado na formação
xivos, os pronomes, apesar de se encontrarem na pessoa dos tempos compostos, o particípio indica geralmente o
idêntica à do sujeito, exercem funções sintáticas. Por exem- resultado de uma ação terminada, flexionando-se em gê-
plo: nero, número e grau. Por exemplo:
Eu me feri. = Eu(sujeito) - 1ª pessoa do singular me Terminados os exames, os candidatos saíram.
(objeto direto) - 1ª pessoa do singular
Quando o particípio exprime somente estado, sem ne-
Modos Verbais nhuma relação temporal, assume verdadeiramente a fun-
ção de adjetivo (adjetivo verbal). Por exemplo: Ela foi a alu-
Dá-se o nome de modo às várias formas assumidas na escolhida para representar a escola.
pelo verbo na expressão de um fato. Em Português, exis-
tem três modos: Tempos Verbais
Indicativo - indica uma certeza, uma realidade: Eu sem-
pre estudo. Tomando-se como referência o momento em que se
Subjuntivo - indica uma dúvida, uma possibilidade: Tal- fala, a ação expressa pelo verbo pode ocorrer em diversos
vez eu estude amanhã. tempos. Veja:
Imperativo - indica uma ordem, um pedido: Estuda
agora, menino. 1. Tempos do Indicativo

Formas Nominais - Presente - Expressa um fato atual: Eu estudo neste co-


légio.
Além desses três modos, o verbo apresenta ainda for- - Pretérito Imperfeito - Expressa um fato ocorrido
mas que podem exercer funções de nomes (substantivo, num momento anterior ao atual, mas que não foi comple-
adjetivo, advérbio), sendo por isso denominadas formas tamente terminado: Ele estudava as lições quando foi inter-
nominais. Observe: rompido.
- Infinitivo Impessoal: exprime a significação do verbo - Pretérito Perfeito - Expressa um fato ocorrido num
de modo vago e indefinido, podendo ter valor e função de momento anterior ao atual e que foi totalmente terminado:
substantivo. Por exemplo: Ele estudou as lições ontem à noite.
Viver é lutar. (= vida é luta) - Pretérito-Mais-Que-Perfeito - Expressa um fato
É indispensável combater a corrupção. (= combate à) ocorrido antes de outro fato já terminado: Ele já tinha es-
tudado as lições quando os amigos chegaram. (forma com-
O infinitivo impessoal pode apresentar-se no presen- posta) Ele já estudara as lições quando os amigos chegaram.
te (forma simples) ou no passado (forma composta). Por (forma simples).
exemplo: - Futuro do Presente - Enuncia um fato que deve
É preciso ler este livro. ocorrer num tempo vindouro com relação ao momento
Era preciso ter lido este livro. atual: Ele estudará as lições amanhã.
- Futuro do Pretérito - Enuncia um fato que pode
- Infinitivo Pessoal: é o infinitivo relacionado às três ocorrer posteriormente a um determinado fato passado:
pessoas do discurso. Na 1ª e 3ª pessoas do singular, não Se eu tivesse dinheiro, viajaria nas férias.
apresenta desinências, assumindo a mesma forma do im-
pessoal; nas demais, flexiona-se da seguinte maneira: 2. Tempos do Subjuntivo
2ª pessoa do singular: Radical + ES Ex.: teres(tu)
1ª pessoa do plural: Radical + MOS Ex.: termos (nós) - Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer no mo-
2ª pessoa do plural: Radical + DES Ex.: terdes (vós) mento atual: É conveniente que estudes para o exame.
3ª pessoa do plural: Radical + EM Ex.: terem (eles) - Pretérito Imperfeito - Expressa um fato passado,
Por exemplo: Foste elogiado por teres alcançado uma mas posterior a outro já ocorrido: Eu esperava que ele ven-
boa colocação. cesse o jogo.
Obs.: o pretérito imperfeito é também usado nas cons-
- Gerúndio: o gerúndio pode funcionar como adjetivo truções em que se expressa a ideia de condição ou desejo.
ou advérbio. Por exemplo: Por exemplo: Se ele viesse ao clube, participaria do cam-
Saindo de casa, encontrei alguns amigos. (função de ad- peonato.
vérbio) - Futuro do Presente - Enuncia um fato que pode
Nas ruas, havia crianças vendendo doces. (função de ad- ocorrer num momento futuro em relação ao atual: Quando
jetivo) ele vier à loja, levará as encomendas.

88
LÍNGUA PORTUGUESA

Obs.: o futuro do presente é também usado em frases que indicam possibilidade ou desejo. Por exemplo: Se ele vier à
loja, levará as encomendas.
Presente do Indicativo

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Desinência pessoal


CANTAR VENDER PARTIR
cantO vendO partO O
cantaS vendeS parteS S
canta vende parte -
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaIS vendeIS partIS IS
cantaM vendeM parteM M

Pretérito Perfeito do Indicativo

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Desinência pessoal


CANTAR VENDER PARTIR
canteI vendI partI I
cantaSTE vendeSTE partISTE STE
cantoU vendeU partiU U
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaSTES vendeSTES partISTES STES
cantaRAM vendeRAM partiRAM RAM

Pretérito mais-que-perfeito

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal


1ª/2ª e 3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantaRAS vendeRAS partiRAS RA S
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantáRAMOS vendêRAMOS partíRAMOS RA MOS
cantáREIS vendêREIS partíREIS RE IS
cantaRAM vendeRAM partiRAM RA M

Pretérito Imperfeito do Indicativo

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantAVA vendIA partIA
cantAVAS vendIAS partAS
CantAVA vendIA partIA
cantÁVAMOS vendÍAMOS partÍAMOS
cantÁVEIS vendÍEIS partÍEIS
cantAVAM vendIAM partIAM

Futuro do Presente do Indicativo

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação

CANTAR VENDER PARTIR


cantar ei vender ei partir ei
cantar ás vender ás partir ás
cantar á vender á partir á
cantar emos vender emos partir emos
cantar eis vender eis partir eis
cantar ão vender ão partir ão

89
LÍNGUA PORTUGUESA

Futuro do Pretérito do Indicativo

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação

CANTAR VENDER PARTIR


cantarIA venderIA partirIA
cantarIAS venderIAS partirIAS
cantarIA venderIA partirIA
cantarÍAMOS venderÍAMOS partirÍAMOS
cantarÍEIS venderÍEIS partirÍEIS
cantarIAM venderIAM partirIAM

Presente do Subjuntivo

Para se formar o presente do subjuntivo, substitui-se a desinência -o da primeira pessoa do singular do presente do
indicativo pela desinência -E (nos verbos de 1ª conjugação) ou pela desinência -A (nos verbos de 2ª e 3ª conjugação).

1ª conjug. 2ª conjug. 3ª conju. Des. temporal Des.temporal Desinên. pessoal


1ª conj. 2ª/3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantE vendA partA E A Ø
cantES vendAS partAS E A S
cantE vendA partA E A Ø
cantEMOS vendAMOS partAMOS E A MOS
cantEIS vendAIS partAIS E A IS
cantEM vendAM partAM E A M

Pretérito Imperfeito do Subjuntivo

Para formar o imperfeito do subjuntivo, elimina-se a desinência -STE da 2ª pessoa do singular do pretérito perfeito, ob-
tendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -SSE mais a desinência de número
e pessoa correspondente.

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal


1ª /2ª e 3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantaSSES vendeSSES partiSSES SSE S
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantáSSEMOS vendêSSEMOS partíSSEMOS SSE MOS
cantáSSEIS vendêSSEIS partíSSEIS SSE IS
cantaSSEM vendeSSEM partiSSEM SSE M

Futuro do Subjuntivo

Para formar o futuro do subjuntivo elimina-se a desinência -STE da 2ª pessoa do singular do pretérito perfeito, obtendo-
se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -R mais a desinência de número e pessoa
correspondente.

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal


1ª /2ª e 3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaR vendeR partiR Ø
cantaRES vendeRES partiRES R ES
cantaR vendeR partiR R Ø
cantaRMOS vendeRMOS partiRMOS R MOS
cantaRDES vendeRDES partiRDES R DES
cantaREM vendeREM PartiREM R EM

90
LÍNGUA PORTUGUESA

Modo Imperativo

Imperativo Afirmativo
Para se formar o imperativo afirmativo, toma-se do presente do indicativo a 2ª pessoa do singular (tu) e a segunda
pessoa do plural (vós) eliminando-se o “S” final. As demais pessoas vêm, sem alteração, do presente do subjuntivo. Veja:

Presente do Indicativo Imperativo Afirmativo Presente do Subjuntivo


Eu canto --- Que eu cante
Tu cantas CantA tu Que tu cantes
Ele canta Cante você Que ele cante
Nós cantamos Cantemos nós Que nós cantemos
Vós cantais CantAI vós Que vós canteis
Eles cantam Cantem vocês Que eles cantem

Imperativo Negativo

Para se formar o imperativo negativo, basta antecipar a negação às formas do presente do subjuntivo.

Presente do Subjuntivo Imperativo Negativo


Que eu cante ---
Que tu cantes Não cantes tu
Que ele cante Não cante você
Que nós cantemos Não cantemos nós
Que vós canteis Não canteis vós
Que eles cantem Não cantem eles

Observações:
- No modo imperativo não faz sentido usar na 3ª pessoa (singular e plural) as formas ele/eles, pois uma ordem, pedido
ou conselho só se aplicam diretamente à pessoa com quem se fala. Por essa razão, utiliza-se você/vocês.
- O verbo SER, no imperativo, faz excepcionalmente: sê (tu), sede (vós).

Infinitivo Pessoal

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantar vender partir
cantarES venderES partirES
cantar vender partir
cantarMOS venderMOS partirMOS
cantarDES venderDES partirDES
cantarEM venderEM partirEM

Questões sobre Verbo

01. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO - ASSISTENTE SOCIAL JUDICIÁRIO - VUNESP/2012) Assinale a
alternativa em que todos os verbos estão conjugados segundo a norma-padrão.
(A) Absteu-se do álcool durante anos; agora, voltou ao vício.
(B) Perderam seus documentos durante a viagem, mas já os reaveram.
(C) Avisem-me, se vocês verem que estão ocorrendo conflitos.
(D) Só haverá acordo se nós propormos uma boa indenização.
(E) Antes do jantar, a criançada se entretinha com jogos eletrônicos.

02. (TRT/AL - ANALISTA JUDICIÁRIO - FCC/2014)


... e então percorriam as pouco povoadas estepes da Ásia Central até o mar Cáspio e além.
O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o grifado acima está em:
(A) ... e de lá por navios que contornam a Índia...
(B) ... era a capital da China.
(C) A Rota da Seda nunca foi uma rota única...
(D) ... dispararam na última década.
(E) ... que acompanham as fronteiras ocidentais chinesas...

91
LÍNGUA PORTUGUESA

03. (TRF - 2ª REGIÃO - ANALISTA JUDICIÁRIO - 07. (SABESP – TECNÓLOGO – FCC/2014) É importante
FCC/2012) O emprego, a grafia e a flexão dos verbos estão que a inserção da perspectiva da sustentabilidade na cultura
corretos em: empresarial, por meio das ações e projetos de Educação Am-
(A) A revalorização e a nova proeminência de Paraty biental, esteja alinhada a esses conceitos.
não prescindiram e não requiseram mais do que o esqueci- O verbo empregado nos mesmos tempo e modo que o
mento e a passagem do tempo. verbo grifado na frase acima está em:
(B) Quando se imaginou que Paraty havia sido para (A) ... a Empresa desenvolve todas as suas ações, polí-
sempre renegada a um segundo plano, eis que ela imerge ticas...
do esquecimento, em 1974. (B) ... as definições de Educação Ambiental são abran-
(C) A cada novo ciclo econômico retificava-se a impor- gentes...
tância estratégica de Paraty, até que, a partir de 1855, so- (C) ... também se associa o Desenvolvimento Sustentá-
breviram longos anos de esquecimento. vel...
(D) A Casa Azul envidará todos os esforços, refreando (D) ... e incorporou [...] também aspectos de desenvol-
as ações predatórias, para que a cidade não sucumba aos vimento humano.
atropelos do turismo selvagem. (E)... e reforce a identidade das comunidades.
(E) Paraty imbuiu da sorte e do destino os meios para
que obtesse, agora em definitivo, o prestígio de um polo 08. (DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO DE JA-
turístico de inegável valor histórico. NEIRO – TÉCNICO SUPERIOR ESPECIALIZADO EM BIBLIO-
TECONOMIA – FGV PROJETOS /2014) Na frase “se você
04. (TRF - 3ª REGIÃO - ANALISTA JUDICIÁRIO - quiser ir mais longe”, a forma verbal empregada tem sua
FCC/2014) Tinham seus prediletos ... forma corretamente conjugada. A frase abaixo em que a
O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o forma verbal está ERRADA é
grifado acima está em: (A) se você se opuser a esse desejo.
(A) Dumas consentiu. (B) se você requerer este documento.
(B) ... levaram com eles a instituição do “lector”. (C) se você ver esse quadro.
(C) ... enquanto uma fileira de trabalhadores enrolam (D) se você provier da China.
charutos... (E) se você se entretiver com o jogo.
(D) Despontava a nova capital mundial do Havana.
(E) ... que cedesse o nome de seu herói... 09. (PREFEITURA DE SÃO CARLOS/SP – ENGENHEIRO –
ÁREA CIVIL – VUNESP/2011) Considere as frases:
05.(Analista – Arquitetura – FCC – 2013-adap.). Está ade- I. Há diversos projetos de lei em tramitação na Câmara.
quada a correlação entre tempos e modos verbais na frase: II. Caso a bondade seja aprovada, haverá custo adicional
A) Os que levariam a vida pensando apenas nos valores de 5,4 bilhões de reais por ano.
absolutos talvez façam melhor se pensassem no encanto Assinale a alternativa que, respectivamente, substitui o
dos pequenos bons momentos. verbo haver pelo verbo existir, conservando o tempo e o
B) Há até quem queira saber quem fosse o maior ban- modo.
dido entre os que recebessem destaque nos popularescos (A) Existe – existe
programas da TV. (B) Existem – existirão
C) Não admira que os leitores de Manuel Bandeira gos- (C) Existirão – existirá
tam tanto de sua poesia, sobretudo porque ela não tenha (D) Existem – existirá
aspirações a ser metafísica. (E) Existiriam – existiria
D) Se os adeptos da fama a qualquer custo levarem em
conta nossa condição de mortais, não precisariam preocu- 10. (MPE/PE – ANALISTA MINISTERIAL – FCC/2012)
par-se com os degraus da notoriedade. ... pois assim se via transportado de volta “à glória que foi
E) Quanto mais aproveitássemos o que houvesse de a Grécia e à grandeza que foi Roma”.
grande nos momentos felizes, menos precisaríamos nos O verbo empregado nos mesmos tempo e modo que o
preocupar com conquistas superlativas. grifado acima está em:
a) Poe certamente acreditava nisso...
06. (TRF - 5ª REGIÃO – ANALISTA JUDICIÁRIO – b) Se Grécia e Roma foram, para Poe, uma espécie de
FCC/2012) ...Ou pretendia. casa...
O verbo empregado nos mesmos tempo e modo que o c) ... ainda seja por nós obscuramente sentido como
grifado acima está em: verdadeiro, embora não de modo consciente.
a) ... ao que der ... d) ... como um legado que provê o fundamento de nos-
b) ... virava a palavra pelo avesso ... sas sensibilidades.
c) Não teria graça ... e) Seria ela efetivamente, para o poeta, uma encarnação
d) ... um conto que sai de um palíndromo ... da princesa homérica?
e) ... como decidiu o seu destino de escritor.

92
LÍNGUA PORTUGUESA

GABARITO 6-) Pretendia = pretérito imperfeito do Indicativo


a) ... ao que der ... = futuro do Subjuntivo
01.E 02. B 03. D 04. D 05. E b) ... virava = pretérito imperfeito do Indicativo
06.B 07. E 08. C 09. D 10.B c) Não teria = futuro do pretérito do Indicativo
RESOLUÇÃO d) ... um conto que sai = presente do Indicativo
e) ... como decidiu = pretérito perfeito do Indicativo
1-) Correção à frente:
(A) Absteu-se = absteve-se 7-) O verbo “esteja” está no presente do Subjuntivo.
(B) mas já os reaveram = reouveram (A) ... a Empresa desenvolve = presente do Indicativo
(C) se vocês verem = virem (B) ... as definições de Educação Ambiental são = pre-
(D) Só haverá acordo se nós propormos = propusermos sente do Indicativo
(E) Antes do jantar, a criançada se entretinha com jogos (C) ... também se associa o Desenvolvimento Sustentá-
eletrônicos. vel... = presente do Indicativo
(D) ... e incorporou [...] = pretérito perfeito do Indicativo
2-) Percorriam = Pretérito Imperfeito do Indicativo (E)... e reforce a identidade das comunidades. = presen-
A = contornam – presente do Indicativo te do Subjuntivo.
B = era = pretérito imperfeito do Indicativo
C = foi = pretérito perfeito do Indicativo
8-)
D = dispararam = pretérito mais-que-perfeito do Indi-
(A) se você se opuser a esse desejo.
cativo
E = acompanham = presente do Indicativo (B) se você requerer este documento.
(C) se você ver esse quadro.= se você vir
3-) Acrescentei as formas verbais adequadas nas ora- (D) se você provier da China.
ções analisadas: (E) se você se entretiver com o jogo.
(A) A revalorização e a nova proeminência de Paraty
não prescindiram e não requiseram (requereram) mais do 9-) Há = presente do Indicativo / haverá = futuro do
que o esquecimento e a passagem do tempo. presente do indicativo.
(B) Quando se imaginou que Paraty havia sido para Ao substituirmos pelo verbo “existir”, lembremo-nos de
sempre renegada a um segundo plano, eis que ela imerge que esse sofrerá flexão de número (irá para o plural, caso
(emerge) do esquecimento, em 1974. seja necessário):
(C) A cada novo ciclo econômico retificava-se a impor- I. Existem diversos projetos de lei em tramitação na Câ-
tância estratégica de Paraty, até que, a partir de 1855, so- mara.
breviram (sobrevieram) longos anos de esquecimento. II. Caso a bondade seja aprovada, existirá custo adicio-
(D) A Casa Azul envidará todos os esforços, refreando nal de 5,4 bilhões de reais por ano.
as ações predatórias, para que a cidade não sucumba aos Existem / existirá.
atropelos do turismo selvagem.
(E) Paraty imbuiu da sorte e do destino os meios para 10-) Foi = pretérito perfeito do Indicativo
que obtesse, (obtivesse) agora em definitivo, o prestígio de a) Poe certamente acreditava = pretérito imperfeito do
um polo turístico de inegável valor histórico. Indicativo
b) Se Grécia e Roma foram = pretérito perfeito do In-
4-)Tinham = pretérito imperfeito do Indicativo. Vamos dicativo
às alternativas: c) ... ainda seja = presente do Subjuntivo
Consentiu = pretérito perfeito / levaram = pretérito d) ... como um legado que provê = presente do Indi-
perfeito (e mais-que-perfeito) do Indicativo
cativo
Despontava = pretérito imperfeito do Indicativo
e) Seria = futuro do pretérito do Indicativo
Cedesse = pretérito do Subjuntivo

5-) Vozes do Verbo


A) Os que levam a vida pensando apenas nos valores
absolutos talvez fariam melhor se pensassem no encanto Dá-se o nome de voz à forma assumida pelo verbo para
dos pequenos bons momentos. indicar se o sujeito gramatical é agente ou paciente da
B) Há até quem queira saber quem é o maior bandido ação. São três as vozes verbais:
entre os que recebem destaque nos popularescos progra-
mas da TV. - Ativa: quando o sujeito é agente, isto é, pratica a ação
C) Não admira que os leitores de Manuel Bandeira gos- expressa pelo verbo. Por exemplo:
tem tanto de sua poesia, sobretudo porque ela não tem Ele fez o trabalho.
aspirações a ser metafísica. sujeito agente ação objeto (pacien-
D) Se os adeptos da fama a qualquer custo levassem em te)
conta nossa condição de mortais, não precisariam preocu-
par-se com os degraus da notoriedade.

93
LÍNGUA PORTUGUESA

- Passiva: quando o sujeito é paciente, recebendo a Abriram-se as inscrições para o concurso.


ação expressa pelo verbo. Por exemplo: Destruiu-se o velho prédio da escola.
O trabalho foi feito por ele. Obs.: o agente não costuma vir expresso na voz passiva
sujeito paciente ação agente da pas- sintética.
siva Curiosidade: A palavra passivo possui a mesma raiz la-
- Reflexiva: quando o sujeito é ao mesmo tempo agen- tina de paixão (latim passio, passionis) e ambas se relacio-
te e paciente, isto é, pratica e recebe a ação. Por exemplo: nam com o significado sofrimento, padecimento. Daí vem
O menino feriu-se. o significado de voz passiva como sendo a voz que expres-
sa a ação sofrida pelo sujeito. Na voz passiva temos dois
Obs.: não confundir o emprego reflexivo do verbo com elementos que nem sempre aparecem: SUJEITO PACIENTE
a noção de reciprocidade: Os lutadores feriram-se. (um ao e AGENTE DA PASSIVA.
outro)
Conversão da Voz Ativa na Voz Passiva
Formação da Voz Passiva
Pode-se mudar a voz ativa na passiva sem alterar subs-
A voz passiva pode ser formada por dois processos: tancialmente o sentido da frase.
analítico e sintético. Gutenberg inventou a imprensa (Voz Ativa)
Sujeito da Ativa objeto Direto
1- Voz Passiva Analítica
A imprensa foi inventada por Gutenberg (Voz Pas-
Constrói-se da seguinte maneira: Verbo SER + particípio
siva)
do verbo principal. Por exemplo:
A escola será pintada. Sujeito da Passiva Agente da Passiva
O trabalho é feito por ele.
Observe que o objeto direto será o sujeito da passiva, o
Obs.: o agente da passiva geralmente é acompanhado sujeito da ativa passará a agente da passiva e o verbo ativo
da preposição por, mas pode ocorrer a construção com a assumirá a forma passiva, conservando o mesmo tempo.
preposição de. Por exemplo: A casa ficou cercada de solda- Observe mais exemplos:
dos.
- Pode acontecer ainda que o agente da passiva não - Os mestres têm constantemente aconselhado os alunos.
esteja explícito na frase: A exposição será aberta amanhã. Os alunos têm sido constantemente aconselhados pelos
mestres.
- A variação temporal é indicada pelo verbo auxiliar
(SER), pois o particípio é invariável. Observe a transforma- - Eu o acompanharei.
ção das frases seguintes: Ele será acompanhado por mim.
a) Ele fez o trabalho. (pretérito perfeito do indicativo)
O trabalho foi feito por ele. (pretérito perfeito do indi- Obs.: quando o sujeito da voz ativa for indeterminado,
cativo) não haverá complemento agente na passiva. Por exemplo:
Prejudicaram-me. / Fui prejudicado.
b) Ele faz o trabalho. (presente do indicativo)
O trabalho é feito por ele. (presente do indicativo) Saiba que:
- Aos verbos que não são ativos nem passivos ou refle-
c) Ele fará o trabalho. (futuro do presente) xivos, são chamados neutros.
O trabalho será feito por ele. (futuro do presente) O vinho é bom.
Aqui chove muito.
- Nas frases com locuções verbais, o verbo SER assume
o mesmo tempo e modo do verbo principal da voz ativa.
- Há formas passivas com sentido ativo:
Observe a transformação da frase seguinte:
É chegada a hora. (= Chegou a hora.)
O vento ia levando as folhas. (gerúndio)
Eu ainda não era nascido. (= Eu ainda não tinha nascido.)
As folhas iam sendo levadas pelo vento. (gerúndio)
És um homem lido e viajado. (= que leu e viajou)
Obs.: é menos frequente a construção da voz passiva
analítica com outros verbos que podem eventualmente - Inversamente, usamos formas ativas com sentido pas-
funcionar como auxiliares. Por exemplo: A moça ficou mar- sivo:
cada pela doença. Há coisas difíceis de entender. (= serem entendidas)
Mandou-o lançar na prisão. (= ser lançado)
2- Voz Passiva Sintética
- Os verbos chamar-se, batizar-se, operar-se (no sentido
A voz passiva sintética ou pronominal constrói-se com cirúrgico) e vacinar-se são considerados passivos, logo o
o verbo na 3ª pessoa, seguido do pronome apassivador SE. sujeito é paciente.
Por exemplo: Chamo-me Luís.

94
LÍNGUA PORTUGUESA

Batizei-me na Igreja do Carmo. 06.(SEE/SP – PROFESSOR EDUCAÇÃO BÁSICA II E PRO-


Operou-se de hérnia. FESSOR II – LÍNGUA PORTUGUESA - FCC/2011) ...permite
Vacinaram-se contra a gripe. que os criadores tomem atitudes quando a proliferação de
algas tóxicas ameaça os peixes.
Fonte: http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/ A transposição para a voz passiva da oração grifada aci-
morf54.php ma teria, de acordo com a norma culta, como forma verbal
Questões sobre Vozes dos Verbos resultante:
(A) ameaçavam.
01. (TRE/AL – ANALISTA JUDICIÁRIO – FCC/2010) A fra- (B) foram ameaçadas.
se que admite transposição para a voz passiva é: (C) ameaçarem.
(A) O cúmulo da ilusão é também o cúmulo do sagrado. (D) estiver sendo ameaçada.
(B) O conceito de espetáculo unifica e explica uma (E) forem ameaçados.
grande diversidade de fenômenos.
(C) O espetáculo é ao mesmo tempo parte da socieda- 07. (INFRAERO – ENGENHEIRO SANITARISTA –
de, a própria sociedade e seu instrumento de unificação. FCC/2011) Transpondo-se para a voz passiva a frase Um
(D) As imagens fluem desligadas de cada aspecto da figurante pode obscurecer a atuação de um protagonista, a
vida (...). forma verbal obtida será:
(E) Por ser algo separado, ele é o foco do olhar iludido (A) pode ser obscurecido.
e da falsa consciência. (B) obscurecerá.
(C) pode ter obscurecido.
02. (TRE/RS – ANALISTA JUDICIÁRIO – FCC/2010) ... a (D) pode ser obscurecida.
Coreia do Norte interrompeu comunicações com o vizinho ... (E) será obscurecida.
Transpondo a frase acima para a voz passiva, a forma
verbal corretamente obtida é: 08.(GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – PRO-
a) tinha interrompido. CON – ADVOGADO – CEPERJ/2012) “todos que são impac-
b) foram interrompidas.
tados pelas mídias de massa”
c) fora interrompido.
O fragmento transcrito acima apresenta uma constru-
d) haviam sido interrompidas.
ção na voz passiva do verbo. Outro exemplo de voz passiva
e) haveriam de ser interrompidas.
encontra-se em:
A) “As crianças brasileiras influenciam 80% das decisões
03. (FCC-TRE-Analista Judiciário – 2011) Transpondo-se
de compra de uma família”
para a voz passiva a frase Hoje a autoria institucional en-
frenta séria concorrência dos autores anônimos, obter-se-á B) “A publicidade na TV é a principal ferramenta do
a seguinte forma verbal: mercado para a persuasão do público infantil”
(A) são enfrentados. C) “evidenciaram outros fatores que influenciam as
(B) tem enfrentado. crianças brasileiras nas práticas de consumo.”
(C) tem sido enfrentada. D) “Elas são assediadas pelo mercado”
(D) têm sido enfrentados. E) “valores distorcidos são de fato um problema de or-
(E) é enfrentada. dem ética”

04. (TRF - 5ª REGIÃO – ANALISTA JUDICIÁRIO – 09. (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO – CASA CI-
FCC/2012) Para o Brasil, o fundamental é que, ao exercer a VIL – EXECUTIVO PÚBLICO – FCC/2010) Transpondo a frase
responsabilidade de proteger pela via militar, a comunida- o diretor estava promovendo seu filme para a voz passiva,
de internacional [...] observe outro preceito ... obtém-se corretamente o seguinte segmento:
Transpondo-se o segmento grifado acima para a voz (A) tinha recebido promoção.
passiva, a forma verbal resultante será: (B) estaria sendo promovido.
a) é observado. (C) fizera a promoção.
b) seja observado. (D) estava sendo promovido.
c) ser observado. (E) havia sido promovido.
d) é observada.
e) for observado. 10. -) (MPE/PE – ANALISTA MINISTERIAL – FCC/2012)
Da sede do poder no Brasil holandês, Marcgrave acompa-
05. (Analista de Procuradoria – FCC – 2013-adap) Trans- nhou e anotou, sempre sozinho, alguns fenômenos celestes,
pondo- -se para a voz passiva a frase O poeta teria sobretudo eclipses lunares e solares.
aberto um diálogo entre as duas partes, a forma verbal re- Ao transpor-se a frase acima para a voz passiva, as for-
sultante será: mas verbais resultantes serão:
A) fora aberto. a) eram anotados e acompanhados.
B) abriria. b) fora anotado e acompanhado.
C) teria sido aberto. c) foram anotados e acompanhados.
D) teriam sido abertas. d) anota-se e acompanha-se.
E) foi aberto. e) foi anotado e acompanhado.

95
LÍNGUA PORTUGUESA

GABARITO 9-) o diretor estava promovendo seu filme = dois ver-


bos na voz ativa, três na passiva: seu filme estava sendo
01. B 02.B 03. E 04.B 05. C produzido.
06. E 07. D 08. D 09.D 10.C
10-)Marcgrave acompanhou e anotou alguns fenô-
RESOLUÇÃO menos celestes = voz ativa com um verbo (sem auxiliar!),
então na passiva teremos dois: alguns fenômenos foram
1-) acompanhados e anotados por Marcgrave.
(A) O cúmulo da ilusão é também o cúmulo do sagrado.
(B) O conceito de espetáculo unifica e explica uma
grande diversidade de fenômenos. COMPREENSÃO DE ESTRUTURAS TEMÁTICA
- Uma grande diversidade de fenômenos é unificada e E LEXICAL COMPLEXAS. AMBIGUIDADE E
explicada pelo conceito... PARÁFRASE. RELAÇÃO DE SINONÍMIA ENTRE
(C) O espetáculo é ao mesmo tempo parte da socieda- UMA EXPRESSÃO VOCABULAR COMPLEXA E
de, a própria sociedade e seu instrumento de unificação.
UMA PALAVRA.
(D) As imagens fluem desligadas de cada aspecto da
vida (...).
(E) Por ser algo separado, ele é o foco do olhar iludido
e da falsa consciência. Ambiguidade

2-) ... a Coreia do Norte interrompeu comunicações Ela surge quando algo que está sendo dito admite
com o vizinho = voz ativa com um verbo, então a passiva mais de um sentido, comprometendo a compreensão do
terá dois: comunicações com o vizinho foram interrompi- conteúdo. Isso pode suscitar dúvidas no leitor e levá-lo a
das pela Coreia... conclusões equivocadas na interpretação do texto. A am-
biguidade é um dos problemas que podem ser evitados.
3-) Hoje a autoria institucional enfrenta séria concor- A inadequação ou a má colocação de elementos como
rência dos autores anônimos = Séria concorrência é en- pronomes, adjuntos adverbiais, expressões e até mesmo
frentada pela autoria... enunciados inteiros podem acarretar em duplo sentido,
comprometendo a clareza do texto. Observe os exemplos
4-) a comunidade internacional [...] observe outro pre- que seguem:
ceito = se na voz ativa temos um verbo, na passiva tere- “O professor falou com o aluno parado na sala”
mos dois: outro preceito seja observado. Neste caso, a ambiguidade decorre da má construção
sintática deste enunciado. Quem estava parado na sala? O
5-) O poeta teria aberto um diálogo entre as duas par- aluno ou o professor? A solução é, mais uma vez, colocar
tes = Um diálogo teria sido aberto... “parado na sala” logo ao lado do termo a que se refere:
“Parado na sala, o professor falou com o aluno”; ou “O pro-
6-) Quando a proliferação ameaça os peixes = voz ativa fessor falou com o aluno, que estava parado na sala”.
Quando os peixes forem ameaçados pela proliferação...
= voz passiva “A polícia cercou o ladrão do banco na Rua Santos.”

7-) Um figurante pode obscurecer a atuação de um O banco ficava na Rua Santos, ou a polícia cercou o
protagonista. ladrão nessa rua? A ambiguidade resulta da má colocação
Se na voz ativa temos um verbo, na passiva teremos do adjunto adverbial. Para evitar isso, coloque “na Rua San-
dois; se na ativa temos dois, na passiva teremos três. Então: tos” mais perto do núcleo de sentido a que se refere: “Na
A atuação de um protagonista pode ser obscurecida por rua Santos, a polícia cercou o ladrão”; ou “A polícia cercou o
um figurante. ladrão do banco que localiza-se na rua Santos”.

8-) “Pessoas que consomem bebidas alcoólicas com fre-


A) “As crianças brasileiras influenciam 80% das deci- quência apresentam sintomas de irritabilidade e depressão.”
sões de compra de uma família” = voz ativa
B) “A publicidade na TV é a principal ferramenta do Mais uma vez a duplicidade de sentido é provocada
mercado para a persuasão do público infantil” = ativa (ver- pela má colocação do adjunto adverbial. Assim, pode-se
bo de ligação); não dá para passar para a passiva entender que “As pessoas que, com frequência, consomem
C) “evidenciaram outros fatores que influenciam as bebidas alcoólicas apresentam sintomas de irritabilidade e
crianças brasileiras nas práticas de consumo.” = ativa depressão” ou que “As pessoas que consomem bebidas al-
D) “Elas são assediadas pelo mercado” = voz passiva coólicas apresentam, com frequência, sintomas de irritabili-
E) “valores distorcidos são de fato um problema de or- dade e depressão”.
dem ética” = ativa (verbo de ligação); não dá para passar
para a passiva

96
LÍNGUA PORTUGUESA

Em certos casos, a ambiguidade pode se transformar “Um rei que é fraco torna fraco até mesmo um povo
num importante recurso estilístico na construção do sen- vigoroso.”
tido do texto. O apelo a esse recurso pode ser fundamen-
tal para provocar o efeito polissêmico do texto. Os textos Nem é preciso dizer que não existem paráfrases per-
literários, de maneira geral (como romances, poemas ou feitas.
crônicas), são textos com predomínio da linguagem cono- Paralelismo
tativa (figurada). Nesse caso, o caráter metafórico pode de- Notadamente, a construção textual é concebida como
rivar do emprego deliberado da ambiguidade. um procedimento dotado de grande complexidade, haja
Podemos verificar a presença da ambiguidade como vista que o fato de as ideias emergirem com uma certa fa-
recurso literário analisando a letra da canção “Jack Soul cilidade não significa transpô-las para o papel sem a devi-
Brasileiro”, do compositor Lenine. da ordenação. Tal complexidade nos remete à noção das
Já que sou brasileiro competências inerentes ao emissor diante da elaboração
E que o som do pandeiro é certeiro e tem direção do discurso, dada a necessidade de este se perfazer pela
Já que subi nesse ringue clareza e precisão.
E o país do suingue é o país da contradição Infere-se, portanto, que as competências estão rela-
Eu canto pro rei da levada cionadas aos conhecimentos que o usuário tem dos fatos
Na lei da embolada, na língua da percussão linguísticos, aplicando-os de acordo com o objetivo pre-
A dança, a muganga, o dengo tendido pela enunciação. De modo mais claro, ressaltamos
A ginga do mamulengo a importância da estrutura discursiva se pautar pela pon-
O charme dessa nação (...) tuação, concordância, coerência, coesão e demais requisi-
tos necessários à objetividade retratada pela mensagem.
Podemos observar que o primeiro verso (“Já que sou Atendo-nos de forma específica aos inúmeros aspectos
brasileiro”) permite até três interpretações diferentes. A que norteiam os já citados fatos linguísticos, ressaltamos
primeira delas corresponde ao sentido literal do texto, em determinados recursos cuja função se atribui por conferi-
que o poeta afirma-se como brasileiro de fato. A segunda rem estilo à construção textual, o paralelismo sintático e
interpretação permite pensar em uma referência ao cantor semântico. Caracterizam-se pelas relações de semelhança
e compositor Jackson do Pandeiro - o “Zé Jack” -, um dos existente entre palavras e expressões que se efetivam tanto
maiores ritmistas de todos os tempos, considerado um íco- de ordem morfológica (quando pertencem à mesma classe
ne da história da música popular brasileira, de quem Lenine gramatical), sintática (quando há semelhança entre frases
se diz seguidor. A terceira leitura para esse verso seria a ou orações) e semântica (quando há correspondência de
referência à “soul music” norte-americana, que teve grande sentido entre os termos).
influência na música brasileira a partir da década de 1960. Casos recorrentes se manifestam no momento da es-
crita indicando que houve a quebra destes recursos, tor-
Na publicidade, é possível observar o “uso e o abuso” nando-se imperceptíveis aos olhos de quem a produz,
da linguagem plurissignificante, por meio dos trocadilhos interferindo de forma negativa na textualidade como um
e jogos de palavras. Esse procedimento visa chamar a todo. Como podemos conferir por meio dos seguintes ca-
atenção do interlocutor para a mensagem. Para entender sos:
melhor, vamos analisar a seguir um anúncio publicitário,
veiculado por várias revistas importantes. Durante as quartas-de-final, o time do Brasil vai enfren-
tar a Holanda. Constatamos a falta de paralelismo semân-
Sempre presente - Ferracini Calçados tico, ao analisarmos que o time brasileiro não enfrentará o
país, e sim a seleção que o representa. Reestruturando a
O slogan “Sempre presente” pode apresentar, de iní- oração, obteríamos: Durante as quartas-de-final, o time do
cio, duas leituras possíveis: o calçado Ferracini é sempre Brasil vai enfrentar a seleção da Holanda.
uma boa opção para presentear alguém; ou, ainda, o cal-
çado Ferracini está sempre presente em qualquer ocasião, Se eles comparecessem à reunião, ficaremos muito
já que, supõe-se, pode ser usado no dia a dia ou em uma agradecidos. Eis que estamos diante de um corriqueiro
ocasião especial. procedimento linguístico, embora considerado incorreto,
sobretudo, pela incoerência conferida pelos tempos ver-
Paráfrase bais (comparecessem/ficaremos). O contrário acontece se
disséssemos: Se eles comparecessem à reunião, ficaríamos
A paráfrase consiste na tradução do sentido de uma muito agradecidos.
expressão ou de um enunciado com palavras diferentes.
Exemplo: Ambos relacionados à mesma ideia, denotando uma
incerteza quanto à ação. Ampliando a noção sobre a corre-
“Um fraco rei faz fraca a forte gente.” ta utilização destes recursos, analisemos alguns casos em
que eles se aplicam:
Esse famoso verso de Camões pode ser assim parafra-
seado:

97
LÍNGUA PORTUGUESA

- não só... mas (como) também: A violência não só - Adversário e antagonista.


aumentou nos grandes centros urbanos, mas também no in- - Translúcido e diáfano.
terior. Percebemos que tal construção confere-nos a ideia - Semicírculo e hemiciclo.
de adição em comparar ambas as situações em que a vio- - Contraveneno e antídoto.
lência se manifesta. - Moral e ética.
- Colóquio e diálogo.
- Quanto mais... (tanto) mais: Atualmente, quanto - Transformação e metamorfose.
mais se aperfeiçoa o profissionalismo, mais chances tem de - Oposição e antítese.
se progredir. Ao nos atermos à noção de progressão, pode-
mos identificar a construção paralelística. O fato linguístico de existirem sinônimos chama-se si-
nonímia, palavra que também designa o emprego de si-
- Seja... Seja; Quer... Quer; Ora... Ora: A cordialidade nônimos.
é uma virtude aplicável em quaisquer circunstâncias, seja no
ambiente familiar, seja no trabalho. Confere-se a aplicabili- Antônimos: são palavras de significação oposta. Exem-
dade do recurso mediante a ideia de alternância. plos:
- Tanto... Quanto: As exigências burocráticas são as - Ordem e anarquia.
mesmas, tanto para os veteranos, quanto para os calouros. - Soberba e humildade.
Mediante a ideia de adição, acrescida àquela de equivalên- - Louvar e censurar.
cia, constata-se a estrutura paralelística. - Mal e bem.

- Não... E não/nem: Não poderemos contar com o au- A antonímia pode originar-se de um prefixo de senti-
xílio de ninguém, nem dos alunos, nem dos funcionários da do oposto ou negativo. Exemplos: Bendizer/maldizer, sim-
secretaria. Recurso este empregado quando se quer atri- pático/antipático, progredir/regredir, concórdia/discórdia,
buir uma sequência negativa. explícito/implícito, ativo/inativo, esperar/desesperar, co-
- Por um lado... Por outro: Se por um lado, a desistên- munista/anticomunista, simétrico/assimétrico, pré-nupcial/
cia da viagem implicou na economia, por outro, desagradou pós-nupcial.
aos filhos que estavam no período de férias. O paralelismo
efetivou-se em virtude da referência a aspectos negativos e Homônimos: são palavras que têm a mesma pronún-
positivos relacionados a um determinado fato. cia, e às vezes a mesma grafia, mas significação diferente.
Exemplos:
- Tempos verbais: Se a maioria colaborasse, haveria - São (sadio), são (forma do verbo ser) e são (santo).
mais organização. Como dito anteriormente, houve a - Aço (substantivo) e asso (verbo).
concordância de sentido proferida pelos verbos e seus Só o contexto é que determina a significação dos ho-
respectivos tempos. mônimos. A homonímia pode ser causa de ambiguidade,
por isso é considerada uma deficiência dos idiomas.
Significação das Palavras O que chama a atenção nos homônimos é o seu aspec-
to fônico (som) e o gráfico (grafia). Daí serem divididos em:
Quanto à significação, as palavras são divididas nas se-
guintes categorias: Homógrafos Heterofônicos: iguais na escrita e dife-
rentes no timbre ou na intensidade das vogais.
Sinônimos: são palavras de sentido igual ou aproxima- - Rego (substantivo) e rego (verbo).
do. Exemplo: - Colher (verbo) e colher (substantivo).
- Alfabeto, abecedário. - Jogo (substantivo) e jogo (verbo).
- Brado, grito, clamor. - Apoio (verbo) e apoio (substantivo).
- Extinguir, apagar, abolir, suprimir. - Para (verbo parar) e para (preposição).
- Justo, certo, exato, reto, íntegro, imparcial. - Providência (substantivo) e providencia (verbo).
- Às (substantivo), às (contração) e as (artigo).
Na maioria das vezes não é indiferente usar um sinô- - Pelo (substantivo), pelo (verbo) e pelo (contração de
nimo pelo outro. Embora irmanados pelo sentido comum, per+o).
os sinônimos diferenciam-se, entretanto, uns dos outros,
por matizes de significação e certas propriedades que o Homófonos Heterográficos: iguais na pronúncia e di-
escritor não pode desconhecer. Com efeito, estes têm sen- ferentes na escrita.
tido mais amplo, aqueles, mais restrito (animal e quadrúpe- - Acender (atear, pôr fogo) e ascender (subir).
de); uns são próprios da fala corrente, desataviada, vulgar, - Concertar (harmonizar) e consertar (reparar, emen-
outros, ao invés, pertencem à esfera da linguagem culta, dar).
literária, científica ou poética (orador e tribuno, oculista e - Concerto (harmonia, sessão musical) e conserto (ato
oftalmologista, cinzento e cinéreo). de consertar).
A contribuição Greco-latina é responsável pela existên- - Cegar (tornar cego) e segar (cortar, ceifar).
cia, em nossa língua, de numerosos pares de sinônimos. - Apreçar (determinar o preço, avaliar) e apressar (ace-
Exemplos: lerar).

98
LÍNGUA PORTUGUESA

- Cela (pequeno quarto), sela (arreio) e sela (verbo se- No segundo exemplo, ouro sugere ou evoca riquezas,
lar). poder, glória, luxo, ostentação; tem o sentido conotativo, pos-
- Censo (recenseamento) e senso (juízo). sui várias conotações (ideias associadas, sentimentos, evoca-
- Cerrar (fechar) e serrar (cortar). ções que irradiam da palavra).
- Paço (palácio) e passo (andar).
- Hera (trepadeira) e era (época), era (verbo). Exercícios
- Caça (ato de caçar), cassa (tecido) e cassa (verbo cas-
sar = anular). 01. Estava ....... a ....... da guerra, pois os homens ....... nos
- Cessão (ato de ceder), seção (divisão, repartição) e erros do passado.
sessão (tempo de uma reunião ou espetáculo). a) eminente, deflagração, incidiram
b) iminente, deflagração, reincidiram
Homófonos Homográficos: iguais na escrita e na pro- c) eminente, conflagração, reincidiram
núncia. d) preste, conflaglação, incidiram
- Caminhada (substantivo), caminhada (verbo). e) prestes, flagração, recindiram
- Cedo (verbo), cedo (advérbio).
- Somem (verbo somar), somem (verbo sumir). 02. “Durante a ........ solene era ........ o desinteresse do mes-
- Livre (adjetivo), livre (verbo livrar). tre diante da ....... demonstrada pelo político”.
- Pomos (substantivo), pomos (verbo pôr). a) seção - fragrante - incipiência
- Alude (avalancha), alude (verbo aludir). b) sessão - flagrante - insipiência
c) sessão - fragrante - incipiência
Parônimos: são palavras parecidas na escrita e na pro- d) cessão - flagrante - incipiência
núncia: Coro e couro, cesta e sesta, eminente e iminente, e) seção - flagrante - insipiência
tetânico e titânico, atoar e atuar, degradar e degredar, cé-
tico e séptico, prescrever e proscrever, descrição e discri- 03. Na ..... plenária estudou-se a ..... de direitos territoriais a ..... .
ção, infligir (aplicar) e infringir (transgredir), osso e ouço, a) sessão - cessão - estrangeiros
sede (vontade de beber) e cede (verbo ceder), comprimento b) seção - cessão - estrangeiros
c) secção - sessão - extrangeiros
e cumprimento, deferir (conceder, dar deferimento) e diferir
d) sessão - seção - estrangeiros
(ser diferente, divergir, adiar), ratificar (confirmar) e retifi-
e) seção - sessão - estrangeiros
car (tornar reto, corrigir), vultoso (volumoso, muito grande:
soma vultosa) e vultuoso (congestionado: rosto vultuoso).
04. Há uma alternativa errada. Assinale-a:
a) A eminente autoridade acaba de concluir uma viagem política.
Polissemia: Uma palavra pode ter mais de uma signi- b) A catástrofe torna-se iminente.
ficação. A esse fato linguístico dá-se o nome de polissemia. c) Sua ascensão foi rápida.
Exemplos: d) Ascenderam o fogo rapidamente.
- Mangueira: tubo de borracha ou plástico para regar e) Reacendeu o fogo do entusiasmo.
as plantas ou apagar incêndios; árvore frutífera; grande 05. Há uma alternativa errada. Assinale-a:
curral de gado. a) cozer = cozinhar; coser = costurar
- Pena: pluma, peça de metal para escrever; punição; b) imigrar = sair do país; emigrar = entrar no país
dó. c) comprimento = medida; cumprimento = saudação
- Velar: cobrir com véu, ocultar, vigiar, cuidar, relativo d) consertar = arrumar; concertar = harmonizar
ao véu do palato. e) chácara = sítio; xácara = verso
Podemos citar ainda, como exemplos de palavras po-
lissêmicas, o verbo dar e os substantivos linha e ponto, que 06. Assinale o item em que a palavra destacada está in-
têm dezenas de acepções. corretamente aplicada:
a) Trouxeram-me um ramalhete de flores fragrantes.
Sentido Próprio e Sentido Figurado: as palavras po- b) A justiça infligiu a pena merecida aos desordeiros.
dem ser empregadas no sentido próprio ou no sentido fi- c) Promoveram uma festa beneficiente para a creche.
gurado. Exemplos: d) Devemos ser fiéis ao cumprimento do dever.
- Construí um muro de pedra. (sentido próprio). e) A cessão de terras compete ao Estado.
- Ênio tem um coração de pedra. (sentido figurado).
- As águas pingavam da torneira, (sentido próprio). 07. O ...... do prefeito foi ..... ontem.
- As horas iam pingando lentamente, (sentido figura- a) mandado - caçado
do). b) mandato - cassado
c) mandato - caçado
Denotação e Conotação: Observe as palavras em des- d) mandado - casçado
taque nos seguintes exemplos: e) mandado - cassado
- Comprei uma correntinha de ouro.
- Fulano nadava em ouro. Respostas: (01.B)(02.B)(03.A)(04.D)(05.B)(06.C)(07.B)
No primeiro exemplo, a palavra ouro denota ou desig-
na simplesmente o conhecido metal precioso, tem sentido
próprio, real, denotativo.

99
LÍNGUA PORTUGUESA

FIGURAS DE LINGUAGEM. É a designação de um ser através de alguma de suas


características ou atributos, ou de um fato que o celebrizou.
Segundo Mauro Ferreira, a importância em reconhecer A Veneza Brasileira também é palco de grandes espetáculos.
figuras de linguagem está no fato de que tal conhecimento, (Veneza Brasileira = Recife)
além de auxiliar a compreender melhor os textos literários, A Cidade Maravilhosa está tomada pela violência. (Cidade
deixa-nos mais sensíveis à beleza da linguagem e ao Maravilhosa = Rio de Janeiro)
significado simbólico das palavras e dos textos.
Definição: Figuras de linguagem são certos recursos não- Antítese
-convencionais que o falante ou escritor cria para dar maior Consiste no uso de palavras de sentidos opostos.
expressividade à sua mensagem. Nada com Deus é tudo.
Tudo sem Deus é nada.
Metáfora
É o emprego de uma palavra com o significado de outra Eufemismo
em vista de uma relação de semelhanças entre ambas. É uma Consiste em suavizar palavras ou expressões que são
comparação subentendida. desagradáveis.
Minha boca é um túmulo. Ele foi repousar no céu, junto ao Pai. (repousar no céu =
Essa rua é um verdadeiro deserto. morrer)
Os homens públicos envergonham o povo. (homens
Comparação públicos = políticos)
Consiste em atribuir características de um ser a outro, em
virtude de uma determinada semelhança. Hipérbole
O meu coração está igual a um céu cinzento. É um exagero intencional com a finalidade de tornar mais
O carro dele é rápido como um avião. expressiva a ideia.
Ela chorou rios de lágrimas.
Prosopopeia Muitas pessoas morriam de medo da perna cabeluda.
É uma figura de linguagem que atribui características
humanas a seres inanimados. Também podemos chamá-la de Ironia
PERSONIFICAÇÃO. Consiste na inversão dos sentidos, ou seja, afirmamos o
O céu está mostrando sua face mais bela. contrário do que pensamos.
O cão mostrou grande sisudez. Que alunos inteligentes, não sabem nem somar.
Sinestesia Se você gritar mais alto, eu agradeço.
Consiste na fusão de impressões sensoriais diferentes
(mistura dos cinco sentidos). Onomatopeia
Raquel tem um olhar frio, desesperador. Consiste na reprodução ou imitação do som ou voz
Aquela criança tem um olhar tão doce. natural dos seres.
Catacrese Com o au-au dos cachorros, os gatos desapareceram.
É o emprego de uma palavra no sentido figurado por falta Miau-miau. – Eram os gatos miando no telhado a noite toda.
de um termo próprio.
O menino quebrou o braço da cadeira. Aliteração
A manga da camisa rasgou. Consiste na repetição de um determinado som
consonantal no início ou interior das palavras.
Metonímia O rato roeu a roupa do rei de Roma.
É a substituição de uma palavra por outra, quando existe Elipse
uma relação lógica, uma proximidade de sentidos que permite Consiste na omissão de um termo que fica subentendido
essa troca. Ocorre metonímia quando empregamos: no contexto, identificado facilmente.
- O autor pela obra. Após a queda, nenhuma fratura.
Li Jô Soares dezenas de vezes. (a obra de Jô Soares) Zeugma
Consiste na omissão de um termo já empregado anteriormente.
- o continente pelo conteúdo. Ele come carne, eu verduras.
O ginásio aplaudiu a seleção. (ginásio está substituindo os
torcedores) Pleonasmo
Consiste na intensificação de um termo através da sua
- a parte pelo todo. repetição, reforçando seu significado.
Vários brasileiros vivem sem teto, ao relento. (teto substitui Nós cantamos um canto glorioso.
casa) Polissíndeto
É a repetição da conjunção entre as orações de um período
- o efeito pela causa. ou entre os termos da oração.
Suou muito para conseguir a casa própria. (suor substitui Chegamos de viagem e tomamos banho e saímos para dançar.
o trabalho) Assíndeto
Ocorre quando há a ausência da conjunção entre duas orações.
Perífrase Chegamos de viagem, tomamos banho, depois saímos para dançar.

100
LÍNGUA PORTUGUESA

Anacoluto “Menino do Rio / Calor que provoca arrepio...”


Consiste numa mudança repentina da construção sintática “Amor é fogo que arde sem se ver; / É ferida que dói e
da frase. não se sente; / É um contentamento descontente; / É dor que
Ele, nada podia assustá-lo. desatina sem doer;” (Camões)
- Nota: o anacoluto ocorre com frequência na linguagem
falada, quando o falante interrompe a frase, abandonando o 4) Eufemismo
que havia dito para reconstruí-la novamente. Consiste em empregar uma expressão mais suave,
mais nobre ou menos agressiva, para atenuar uma verdade
Anáfora tida como penosa, desagradável ou chocante. Exemplos:
Consiste na repetição de uma palavra ou expressão “E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir Deus
para reforçar o sentido, contribuindo para uma maior lhe pague”. (Chico Buarque).
expressividade. paz derradeira = morte
Cada alma é uma escada para Deus,
Cada alma é um corredor-Universo para Deus,
5) Gradação
Cada alma é um rio correndo por margens de Externo
Na gradação temos uma sequência de palavras que
Para Deus e em Deus com um sussurro noturno. (Fernando Pessoa)
intensificam a mesma ideia. Exemplo:
Silepse
“Aqui... além... mais longe por onde eu movo o passo.”
Ocorre quando a concordância é realizada com a ideia
(Castro Alves).
e não sua forma gramatical. Existem três tipos de silepse:
gênero, número e pessoa.
6) Hipérbole
- De gênero: Vossa excelência está preocupado com as
É a expressão intencionalmente exagerada com o
notícias. (a palavra vossa excelência é feminina quanto à
intuito de realçar uma ideia, proporcionando uma imagem
forma, mas nesse exemplo a concordância se deu com a
emocionante e de impacto. Exemplos:
pessoa a que se refere o pronome de tratamento e não com
“Faz umas dez horas que essa menina penteia esse cabelo”.
o sujeito).
Ele morreu de tanto rir.
- De número: A boiada ficou furiosa com o peão e
derrubaram a cerca. (nesse caso a concordância se deu com
7) Ironia
a ideia de plural da palavra boiada).
Ocorre ironia quando, pelo contexto, pela entonação,
- De pessoa: As mulheres decidimos não votar em
pela contradição de termos, pretende-se questionar certo
determinado partido até prestarem conta ao povo. (nesse
tipo de pensamento. A intenção é depreciativa ou sarcástica.
tipo de silepse, o falante se inclui mentalmente entre os
Exemplos:
participantes de um sujeito em 3ª pessoa). Parece um anjinho aquele menino, briga com todos que
Fonte:http://juliobattisti.com.br/tutoriais/josebferraz/ estão por perto.
figuraslinguagem001.asp “Moça linda, bem tratada, / três séculos de família, / burra
São conhecidas pelo nome de figuras de pensamento como uma porta: / um amor.” (Mário de Andrade).
os recursos estilísticos utilizados para incrementar o
significado das palavras no seu aspecto semântico. 8) Prosopopeia ou Personificação
São oito as figuras de pensamento: Consiste na atribuição de ações, qualidades ou
1) Antítese características humanas a seres não humanos. Exemplos:
É a aproximação de palavras ou expressões de sentidos Chora, viola.
opostos. O contraste que se estabelece serve para dar uma A morte mostrou sua face mais sinistra.
ênfase aos conceitos envolvidos, o que não ocorreria com O morro dos ventos uivantes.
a exposição isolada dos mesmos. Exemplos:
Viverei para sempre ou morrerei tentando. Figuras de construção ou sintaxe integram as chamadas
Do riso se fez o pranto. figuras de linguagem, representando um subgrupo destas.
Hoje fez sol, ontem, porém, choveu muito. Dessa forma, tendo em vista o padrão não convencional que
prevalece nas figuras de linguagem (ou seja, a subjetividade,
2) Apóstrofe a sensibilidade por parte do emissor, deixando às claras
É assim denominado o chamamento do receptor seus aspectos estilísticos), devemos compreender sua
da mensagem, seja ele de natureza imaginária ou não. É denominação. Em outras palavras, por que “figuras de
utilizada para dar ênfase à expressão e realiza-se por meio construção ou sintaxe”?
do vocativo. Exemplos: Podemos afirmar que assim se denominam em virtude
Deus! Ó Deus! Onde estás que não respondes? de apresentarem algum tipo de modificação na estrutura da
Pai Nosso, que estais no céu; oração, tendo em vista os reais e já ressaltados objetivos da
enunciação (do discurso) – sendo o principal conferir ênfase
Ó meu querido Santo António;
a ela.
3) Paradoxo
Assim sendo, comecemos entendendo que, em termos
É uma proposição aparentemente absurda, resultante
convencionais, a estrutura sintática da nossa língua se perfaz
da união de ideias que se contradizem referindo-se ao de uma sequência, demarcada pelos seguintes elementos:
mesmo termo. Os paradoxos viciosos são denominados
Oxímoros (ou oximoron). Exemplos:

101
LÍNGUA PORTUGUESA

SUJEITO + PREDICADO + COMPLEMENTO Polissíndeto


Figura cuja principal característica se define pela repetição
(Nós) CHEGAMOS ATRASADOS À REUNIÃO. enfática do conectivo, geralmente representado pela
conjunção coordenada “e”. Observemos um verso extraído de
Temos, assim, um sujeito oculto – nós; um predicado verbal uma criação de Olavo Bilac, intitulada “A um poeta”: “Trabalha
– chegamos atrasados; e um complemento, representado por e teima, e lima, e sofre, e sua!”
um adjunto adverbial de lugar – à reunião. Assíndeto
Quando há uma ruptura dessa sequência lógica, Diferentemente do que ocorre no polissíndeto,
materializada pela inversão de termos, repetição ou até manifestado pela repetição da conjunção, no assíndeto ocorre
mesmo omissão destes, é justamente aí que as figuras em a omissão deste. Vejamos: Vim, vi, venci (Júlio César)
questão se manifestam. Desse modo, elas se encontram Depreendemos que se trata de orações assindéticas,
muito presentes na linguagem literária, na publicitária e justamente pela omissão do conectivo “e”.
na linguagem cotidiana de forma geral. Vejamos cada uma Anacoluto
delas de modo particular: Trata-se de uma figura que se caracteriza pela
Elipse interrupção da sequência lógica do pensamento, ou seja,
Tal figura se caracteriza pela omissão de um termo na em termos sintáticos, afirma-se que há uma mudança na
oração não expresso anteriormente, contudo, facilmente construção do período, deixando algum termo desligado
identificado pelo contexto. Vejamos um exemplo: do restante dos elementos. Vejamos:
Rondó dos cavalinhos Essas crianças de hoje, elas estão muito evoluídas.
[...] Notamos que o termo em destaque, que era para
representar o sujeito da oração, encontra-se desligado dos
Os cavalinhos correndo, demais termos, não cumprindo, portanto, nenhuma função
E nós, cavalões, comendo... sintática.
O Brasil politicando,
Nossa! A poesia morrendo... Inversão (ou Hipérbato)
O sol tão claro lá fora, Trata-se da inversão da ordem direta dos termos da
O sol tão claro, Esmeralda,
oração. Constatemos: Eufórico chegou o menino.
E em minhalma — anoitecendo!
Deduzimos que o predicativo do sujeito (pois se trata
Manuel Bandeira
de um predicado verbo-nominal) encontra-se no início da
Notamos que em todos os versos há a omissão do verbo oração, quando este deveria estar expresso no final, ou
estar, sendo este facilmente identificado pelo contexto. seja: O menino chegou eufórico.

Zeugma Pleonasmo
Ao contrário da elipse, na zeugma ocorre a omissão de um Figura que consiste na repetição enfática de uma ideia
termo já expresso no discurso. Constatemos: Maria gosta de antes expressa, tanto do ponto de vista sintático quanto
Matemática, eu de Português. semântico, no intuito de reforçar a mensagem. Exemplo:
Observamos que houve a omissão do verbo gostar. Vivemos uma vida tranquila.
O termo em destaque reforça uma ideia antes
Anáfora ressaltada, uma vez que viver já diz respeito à vida. Temos
Essa figura de linguagem se caracteriza pela repetição uma repetição de ordem semântica.
intencional de um termo no início de um período, frase ou A ele nada lhe devo.
verso. Observemos um caso representativo:
Percebemos que o pronome oblíquo (lhe) faz referência
A Estrela à terceira pessoa do singular, já expressa. Trata-se, portanto,
Vi uma estrela tão alta, de uma repetição de ordem sintática demarcada pelo que
Vi uma estrela tão fria! chamamos de objeto direto pleonástico.
Vi uma estrela luzindo
Na minha vida vazia. Observação importante: O pleonasmo utilizado sem
a intenção de conferir ênfase ao discurso, torna-se o que
Era uma estrela tão alta! denominamos de vício de linguagem – ocorrência que deve
Era uma estrela tão fria! ser evitada. Como, por exemplo: subir para cima, descer
Era uma estrela sozinha para baixo, entrar para dentro, entre outras circunstâncias
Luzindo no fim do dia. linguísticas.
[...]
Manuel Bandeira
Notamos a utilização de termos que se repetem
sucessivamente em cada verso da criação de Manuel Bandeira.

102
ECONOMIA E DEMOGRAFIA PARANAENSE

Agricultura................................................................................................................................................................................................................... 01
Pecuária........................................................................................................................................................................................................................ 01
Indústria....................................................................................................................................................................................................................... 03
Exportação. Importação......................................................................................................................................................................................... 04
Turismo......................................................................................................................................................................................................................... 04
Indicadores Demográficos e Sociais................................................................................................................................................................. 07
Etnografia.................................................................................................................................................................................................................... 07
Concentração urbana e rural................................................................................................................................................................................ 07
Principais centros urbanos.................................................................................................................................................................................... 08
ECONOMIA E DEMOGRAFIA PARANAENSE

AGRICULTURA. PECUÁRIA.

A agricultura paranaense é diversificada, graças as di- O Valor Bruto da Produção Paranaense (VBP) da pe-
ferentes características climáticas e físicas. Os índices de cuária em 2015, considerando dados do Ministério da Agri-
produtividade do estado estão entre os mais altos do país, cultura, Pecuária e do Abastecimento (MAPA), totalizou R$
devido aos desenvolvimentos de sistemas de produção 23,95 bilhões, representando 38% no VBP total do estado.
avançados. Os principais produtos da agricultura para- O crescimento do VBP estadual total foi de 4,1% enquanto
naense são: soja, milho, feijão, café, algodão e trigo, além o VBP da pecuária teve crescimento de 3,8%.
de uma produção significativa de produtos como a cana- Entre as maiores participações no VBP paranaense em
de-açúcar, mandioca, batatas e arroz. Recentemente estão 2015, a pecuária destaca-se, respectivamente, com Frango
sendo desenvolvidos programas de implantação de poma- (23,9%), bovinos (4,9%), leite (4,3%) e suínos (3,54%), que
res em diversas regiões do estado, com destaque as produ- juntos representam 36,62% do VBP total. No último ano,
ções de laranja e maçã. O Paraná foi o maior exportador nacional de frango, con-
O Paraná tem um grande rebanho bovino, entre os tribuindo para que o Brasil conquistasse o segundo lugar
maiores do país, além de ser significativa também a criação na produção mundial. Na suinocultura, houve aumento do
de suinos e de aves. número de abates apesar da queda nos preços. O Valor
A produção industrial paranaense é diversificada. As Bruto da Produção do leite teve redução no estado, princi-
principais indústrias instaladas no estado são: automobilís- palmente pela redução no volume captado pela indústria e
ticas, agroindústrias, papel e celulose, alimentícia, madei- a queda nos preços pagos ao produtor.
reira, química, fertilizantes, têxtil, cimento, eletroeletrônica, Com a desvalorização do real frente ao dólar, os pro-
entre outras. dutos brasileiros ganharam competitividade no mercado
Por vários séculos, o setor extrativista concentrou-se na externo favorecendo as exportações. Contudo, a valori-
extração de madeira, sobretudo da araucária, árvore que, zação da moeda norte americana e a alta nos preços dos
alias, é símbolo do estado e que agora é protegida por lei. insumos utilizados na produção, o ano de 2016 desafia os
Por outro lado, por meio de incentivos fiscais, aumentaram produtores a aumentarem a eficiência das propriedades.
significativamente as áreas de reflorestamento no estado. FRANGO – Paraná o maior exportador nacional.
Atualmente, a mineração é a principal atividade extrativista O VBP da avicultura em 2015 totalizou R$ 15,05 bilhões
do estado. As seguintes matérias primas são encontradas representando 23,9% do VBP do estado, a maior partici-
no estado: xisto betuminoso, calcário, argila, carvão, fluo- pação no VBP dos últimos nove anos. Os R$ 15,05 bilhões
rita,  chumbo, brita de  basalto, talco, pedras ornamentais, representaram 30,24% do VBP da avicultura no país.
granitos e mármores. Em relação a 2014, o VBP da avicultura de 2015 teve
O potencial turístico do Paraná é grande, embora ainda aumento de 8,0% no Paraná e de 4,2% no Brasil. Segundo
não seja bem aproveitado. Os principais pontos turísticos o IBGE, no comparativo do terceiro trimestre de 2015 com
são os seguintes: o mesmo período de 2014, o aumento no número de ca-
- Cataratas do Iguaçu – na cidade de Foz do Iguaçu beças de frango abatidas foi de 10,5% no Paraná e 6,9%
- Usina de Itaipu – maior usina hidrelétrica do mundo no Brasil.
- Canyon Guartelá – sexto maior do mundo Em 2015, segundo a Associação Brasileira de Proteína
- Estrada de ferro da Serra do Mar – Mata Atlântica. Animal (ABPA), a produção brasileira de carne de frango to-
talizou 13,146 milhões de toneladas superando em 3,58% a
Além destes pontos turísticos, a capital do estado, produção de 2014. O Brasil assumiu a segunda posição na
Curitiba, é famosa por ser uma cidade com transporte in- produção mundial superando a China. As exportações fo-
tegrado e por realizar a coleta de lixo reciclável a mais de ram ampliadas, mantendo a posição do país entre os maio-
dez anos. Na capital, a visita ao Jardim Botânico, a Boca res exportadores, representando 36% do mercado mundial
Maldita, aos parques da cidade e ao bairro italiano de San- dessa carne. O dólar valorizado fez com que os exportado-
ta Felicidade são indispensáveis. res brasileiros recebessem mais pelo produto.
O terceiro trimestre de 2015 alcançou o novo recorde
Fonte: http://www.infoescola.com/parana/economia- da série histórica do número de cabeças de frangos abati-
do-parana/ das no país desde 1997, e novo recorde no volume in na-
tura das exportações de carne de frango. Neste período, o
Paraná foi o estado brasileiro que liderou as exportações de
frangos para o mercado externo, superando em 72.843,04
toneladas o terceiro trimestre de 2014, conforme o IBGE.
No mercado interno os preços do frango superaram ligei-
ramente os valores praticados em 2014. O indicador Ce-
pea/Esalq  do preço do frango resfriado com ICMS posto

1
ECONOMIA E DEMOGRAFIA PARANAENSE

no frigorífico (R$/kg)  foi de R$3,62/kg, indicando aumento Os produtores rurais, além de arcarem com receita
de 9,12% no comparativo entre os terceiros trimestres de menor devido às quedas de 6,7% na produção de leite e
2015/2014. O aumento dos preços das carnes bovina e suí- de 6,08% no preço médio recebido em 2015, continuarão
na, aliado a redução do poder aquisitivo do consumidor, enfrentando em 2016, ao que tudo indica a alta do dólar
contribui para o frango tomar o lugar de outras carnes. que eleva os custos de produção, já que parte dos insumos
Em 2016 o Brasil deve manter sua posição no mercado é importada, além do impacto dos altos preços do milho e
mundial com crescimento mais modesto. Também precisa da soja, principais ingredientes das rações concentradas.
se prevenir dos riscos sanitários que assolam outros países, SUÍNOS – Aumento no número de abates.
como os surtos de Influenza Aviária (IA), e continuar inves- O VBP da suinocultura em 2015 totalizou R$ 2,23 bi-
tindo em tecnologia para manter a eficiência da produção, lhões representando 3,54% do VBP total paranaense. A
que está sobre a pressão da elevação dos custos. Principal- participação se manteve próxima à participação média dos
mente pela alta dos preços do milho e da soja, principais últimos nove anos de 3,68%. A suinocultura paranaense
componentes da alimentação. representou 15,5% do VBP total da suinocultura no país.
LEITE – Redução no Valor bruto da Produção. Segundo o IBGE, no ano de 2015 houve aumento das ex-
Em 2015, o VBP da atividade leiteira totalizou R$ 2,72 portações de carne suína in natura e do número de cabe-
bilhões, o que representa 4,32% do VBP total do Paraná, ças abatidas no Paraná. Apesar da ligeira queda registrada
ocupando a 6ª posição na participação do estado. A parti- nos preços do suíno vivo quando comparado com o ano
cipação de 4,32% se manteve próxima à participação mé- passado.
dia dos últimos nove anos de 4,18%. O município para- Para o indicador do suíno vivo Cepea/Esalq, o preço
naense de Castro é o maior polo produtor de leite do Brasil, médio recebido pelo produtor (R$/kg) sem ICMS e animal
segundo o IBGE. posto granja no Paraná em 2015 foi de R$ 3,33/kg, varian-
O VBP do leite no estado reduziu 13,38% em relação a do de R$ 2,87/kg a R$ 3,80/kg. O preço médio recebido
2014, o que é explicado pela redução de 6,7% na captação pelo produtor entre os estados do sul (PR, SC e RS) teve
e de 6,08% no preço médio pago ao produtor. queda de 6,24% no comparativo entre os terceiros trimes-
Segundo o IBGE, a aquisição de leite cru pelos estabe- tres de 2015 e 2014.
lecimentos que atuam sobre algum tipo de inspeção – seja No balanço de 2015 divulgado pela CNA, um dos prin-
ela federal, estadual ou municipal – no terceiro trimestre cipais indicadores de rentabilidade da suinocultura, a rela-
de 2015, foi 6,7% menor no Paraná comparada a quanti- ção de troca média de quilos de milho que o suinocultor
dade captada no terceiro trimestre de 2014. A queda na conseguiria comprar com a venda de 1 quilo de suíno vivo
aquisição de leite ocorreu em todas as regiões do país, no foi 10% inferior a 2014. O mesmo comportamento ocorreu
terceiro trimestre de 2015 o volume captado de leite foi para a soja, com redução de 22% no poder aquisitivo do
3,9% menor comparando ao mesmo período de 2014. Nos suinocultor.
estados do Sul, o excesso de chuvas prejudicou a produção Para 2016, o Departamento de Agricultura dos Esta-
e dificultou a captação do produto, segundo o Cepea. dos Unidos (USDA) estima o incremento de apenas 1,7%
No Paraná, segundo a série de preços nominais do lei- na produção brasileira de carne suína em relação ao ano
te pagos ao produtor (R$/l) do Cepea, o preço médio em de 2015. Para o IBGE, a oferta de animais para abate pode
2015 foi de R$ 0,9897/l, redução de 6,08% comparado a superar 40 milhões de cabeças.
2014. No Brasil, o preço médio pago ao produtor em 2015
teve redução de 3,55% em comparação ao mesmo período A demanda do mercado interno, que absorve 85% da
do ano de 2014. produção, os comportamentos das exportações, que tem
Em 2015, houve uma redução de 6,43% nas importa- oscilado nos últimos anos e o preço das carnes concorren-
ções (US$) e de 7,49% nas exportações (US$) de lácteos tes ao consumidor vão influenciar o preço que o suíno será
no Brasil comparando com 2014. O início do segundo se- comercializado em 2016.
mestre, apresentou um superávit na balança comercial de
lácteos, algo que não ocorria desde abril de 2014. No en- Os especialistas de mercado sinalizam a manutenção
tanto, no acumulado do ano de 2015 o saldo foi deficitário da cotação do dólar em patamares elevados, o que favo-
em 23,87%, no ano anterior esse déficit foi de 22,92%. “O rece as exportações, aumentando a competitividade do
aumento na produção mundial de leite associado às me- produto brasileiro. Contudo, a elevação dos preços da soja
nores cotações das commodities lácteas favorecem as im- e do milho, influenciados pelas exportações, podem contri-
portações e dificultam as exportações”, segundo o balanço buir no aumento do custo de produção.
de 2015 da CNA. Para 2016, a situação econômica do país
afetará diretamente a demanda no setor lácteo. O menor Fonte: http://www.agronovas.com.br/pecuaria-no-pa-
poder de compra da população implica na redução do con- rana/
sumo de produtos de maior valor agregado, como é o caso
dos derivados lácteos. Com a cotação do dólar em alta, a
indústria nacional ganha competividade frente às importa-
ções, e as exportações são favorecidas pela desvalorização
do real.

2
ECONOMIA E DEMOGRAFIA PARANAENSE

O ambiente favorável inseriu o Paraná no mapa de


INDÚSTRIA. grandes integradoras  de computadores (informática, te-
lecomunicações, eletrônica industrial e comercial) . As in-
dústrias que se instalaram no Estado formaram um ecossis-
tema produtivo, começando pelos fabricantes do produto
final, sendo completado por fabricantes de insumos. Isto
O setor industrial do Paraná responde por quase 30% pode ser exemplificado pela produção de gabinetes para
do PIB do Estado. computador, onde o Paraná é hoje líder; pela composição
Nos dois últimos séculos o mundo passou por altera- de placas-mãe, que é o segundo insumo mais importan-
ções profundas. No que se refere à industrialização, esse te depois do processador para a composição do produto
processo veio em etapas. Inicialmente, a preocupação da final.  Só a indústria de computadores oferece hoje 6 mil
indústria era de se expandir horizontalmente, com o au- empregos diretos no Paraná e produz por ano mais de 4,5
mento cada vez maior de empresas. Hoje, esse processo milhões de computadores. Também  a Electrolux, depois de 
ocorre de forma vertical, com a busca incessante do aper- comprar  a paranaense Refripar, selecionou o Paraná como
feiçoamento e do incremento tecnológico.
sua base de produção para a América Latina.
E foi assim que aconteceu com a indústria do Paraná. 
Do lado interno, o governo do Paraná criou um pro-
Ao longo dos dois últimos séculos passou por grandes mu-
grama de incentivos fiscais, com a dilação no pagamento
danças, mas também sofreu com as várias crises econômi-
cas, hiperinflação, globalização, além dos diversos planos do ICMS, que vigorou no período de 1994 a 1998, e que
econômicos adotados pelos governos entre os anos de recebeu o nome de Paraná Mais Empregos. Este progra-
1980 e 1990. A alternativa foi uma progressiva moderniza- ma foi retomado em 2011 com a denominação de Paraná
ção e diversificação do seu parque industrial. Competitivo e conseguiu atrair para o Estado, nos últimos
De um estado essencialmente agrícola e exportador três anos e meio,  investimentos industriais de  R$ 35 bi-
de energia barata, a mudança de perfil possibilitou que o lhões, segundo informações do secretário da Fazenda, Luis
Paraná se destacasse no cenário nacional. Nos últimos 11 Eduardo Sebastiani.
anos (2002-2013), enquanto a produção industrial brasilei- Apesar da diversificação, a indústria de alimentos é
ra cresceu 26,63% o desempenho da indústria paranaen- ainda a maior em número de receitas, seguida pelas mon-
se foi excepcional. Puxada pelo setor automotivo e pela tadoras de veículos automotores e do refino de petróleo,
agroindústria, a produção estadual cresceu 59,47%  e ocu- segundo dados do Departamento Econômico da Fiep.
pou a primeira posição no ranking calculado pelo Instituto As transformações permitiram que o  Paraná ocupe
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), seguida do Es- hoje  o primeiro lugar do ranking nacional na produção
pírito Santo (35,12%) e Minas Gerais (31,77%), segundo e de energia,  madeira MDF e HDFG,  farinha de trigo, amido
terceiro colocados. de mandioca, frangos, seda e grãos. É o segundo maior
A mudança do perfil industrial do Estado começou em na produção brasileira de equipamentos de comunicações,
1962 com a criação da Companhia de Desenvolvimento do computadores, papel e tratores. E é terceiro maior produ-
Paraná (Codepar), mais tarde transformada no Badep.  A tor nacional de automóveis, caminhões, eletrodomésticos
fonte primária dos recursos de fomento era uma parcela e móveis.
do Imposto de Vendas e Consignações (IVC) que os contri- A indústria de transformação paranaense emprega
buintes paranaenses destinavam ao Fundo de Desenvolvi- 710.369 trabalhadores. Este número representa um cresci-
mento Econômico, gerido pelo Badep. Fortes investimen- mento de 74% em relação há 11 anos,  segundo os últimos
tos em infraestrutura colocaram o Paraná como alternativa dados da RAIS  (Relação Anual de Informações Sociais).
importante de localização de empreendimentos industriais.  O maior número de empregados está na indústria de ali-
A implantação da Cidade Industrial de Curitiba (CIC) na dé-
mentos com 155 mil, ou 21% do total. Em segundo lugar
cada de 70  foi outro marco importante da industrialização
estão as montadoras de veículos, reboques e carrocerias
paranaense.
com 44 mil ou 6% do total. O terceiro maior empregador
Entretanto, a mudança mais profunda na economia do
Paraná aconteceu no final da década de 90,  com a chegada na indústria de transformação é o de móveis com 42 mil
das montadoras de veículos Renault e Volkswagen, que se trabalhadores.
somaram a Volvo, presente no Paraná desde a década de Várias fases marcam a industrialização  paranaense.
70 e a New Holland. A Chrysler veio junto com a Renault Tudo começou com a erva-mate, no início do século XIX,
e Volkswagen, mas teve uma passagem muito rápida. Em mais precisamente em 1820. Inicialmente, os ervateiros se
2001, a unidade localizada em Campo Largo, que recebeu situavam em Morretes e Antonina e utilizam nos engenhos,
investimento de US$ 315 milhões, foi desativada como par- a tração hidráulica.  A produção era exportada para o Uru-
te do processo de reestruturação internacional da empresa. guai, Argentina e Chile.  De acordo com informações do
Junto com as montadoras vieram as fornecedoras de Departamento Econômico da Federação das Indústrias do
autopeças e perto de 300 indústrias de vários segmentos, Estado do Paraná (Fiep), a indústria do Paraná quando foi
isso apenas nos oito anos do governo Jaime Lerner. O Pla- instalada já se comportava de forma diferente das empre-
no Real mostrava resultados positivos, a inflação estava sas caseiras do resto do País, pois usava somente mão de
controlada e para ajudar, houve a retomada de investi- obra livre, ao contrário de outros estados que utilizam tra-
mentos diretos externos em busca de oportunidades em balho escravo. Em 1856, o vapor substitui a tração hidráu-
economias emergentes. lica e os engenhos começam a se mudar para Curitiba. Foi

3
ECONOMIA E DEMOGRAFIA PARANAENSE

neste período que aconteceu a emancipação do Paraná e a


Guerra do Paraguai. Os paraguaios eram os nossos  únicos EXPORTAÇÃO. IMPORTAÇÃO.
concorrentes na produção de erva-mate. Com a guerra, to-
dos os engenhos daquele país foram destruídos e o mer-
cado paranaense passou a dominar o mercado mundial de
mate. No final do século XIX começam a chegar os imigran- As exportações do Paraná estão cada vez mais concen-
tes italianos e alemães. Com eles, começa a diversificação tradas, tanto em produtos como destinos. Os dez princi-
na área industrial. Os italianos dão início às indústrias de pais importadores de mercadorias do estado – liderados
barricas de madeiras onde o mate passa a ser embalado por países como China, Argentina, Holanda e Estados Uni-
para exportação. Também ligada ao mate, surge a indústria dos – foram responsáveis, no ano passado, por 59% das
metalúrgica, mais particularmente, a fábrica Müller, depois vendas de empresas paranaenses. Em 2012, esse índice era
denominada Irmãos Müller, que produz as novas máquinas de 54,4%.
para a moagem da erva. No total, os dez maiores importadores registraram um
Outro setor que se desenvolvia era a indústria gráfica. aumento de 11% nas encomendas, bem acima da média
A primeira empresa do setor foi a Impressora Paranaense, das exportações do estado, que cresceram 3%. O Paraná
que fabricava os rótulos para as barricas. fechou o ano com exportações de US$ 18,2 bilhões contra
O ciclo do mate permitiu a diversificação do setor in- US$ 17,7 bilhões em 2012.
dustrial e o aparecimento da classe média urbana. O mer- As exportações para a Holanda, considerada a porta de
cado passa a ser suprido pelas indústrias caseiras locais entrada para a Europa, foram as que mais cresceram, com
com pequenas fábricas de sapatos, roupas, vidro e piano, avanço de 28% no ano passado, e refletiram a recuperação
no caso a Essenfelder. da economia europeia. A melhora do cenário nos Estados
Na década de 20 começou o declínio da indústria erva- Unidos provocou um crescimento de 12%. A China cresceu
teira, tendo como causa principal as medidas protecionis- 17% e a Argentina, 12%.
tas adotadas pela Argentina, que passou a plantar e refinar Os dez principais itens exportados – entre eles produ-
a sua própria erva-mate. Em consequência, o Paraná per- tos do complexo soja, automóveis, autopeças, açúcar, ma-
deu um mercado que absorvia a maior parte da produção. deira e papel – representaram no ano passado perto de
Com o declínio da erva-mate, o esforço da produção se 80% dos embarques.
redireciona para a indústria madeireira que antes de aten- O Paraná depende cada vez mais das exportações de
der o mercado interno,  passa a abastecer os países da Ba- produtos primários. Em 2006, eles representavam um ter-
cia do Prata e Chile. O curioso é que até a década de 40, as ço dos embarques. Agora, são mais de 50%, o que explica
indústrias paranaenses estavam vinculadas ao mercado da também a ascensão da China como principal importador
América do Sul (Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile) mais do estado. A soja é tão importante para as exportações pa-
do que ao mercado brasileiro. ranaenses que, sem ela, as vendas externas teriam caído
O boom cafeeiro da indústria paranaense começou na 0,9% em 2013.
década de 40 e com isso a indústria perdeu o peso relativo Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/economia/
que até então detinha. quase-60-das-exportacoes-do-parana-vao-para-apenas-
O começo da década de 60 marca o processo de con- 10-paises-9ehlchizwycpzt27r7flpgz7y
centração da indústria brasileira. As grandes indústrias
paulistas provocaram a falência e fechamento de muitas
indústrias caseiras, que não tinham condições de competir. TURISMO.
São Paulo então passa a ser o estado produtor e o Paraná
o fornecedor de matéria-prima agrícola.
Nos anos 70, o Paraná experimenta outro boom eco-
nômico, aproveitando a situação nacional com a elevação São tantas as possibilidades, que ele foi dividido em 14
dos investimentos. Ocorre uma significativa modernização regiões para melhor disponibilizar sua enorme variedade
da agropecuária, com a expansão das cultas de soja e trigo. de atrações turísticas: belezas naturais inigualáveis, gran-
No setor industrial, novos segmentos  como mecânica, ma- des reservas da Mata Atlântica preservada, rios, cachoeiras,
terial elétrico e de comunicações, material de transporte, todas as riquezas cultivadas em seu solo, um riquíssimo
refino de petróleo e fumo passam a explorar o mercado acervo histórico e cultural, além das inúmeras e diferentes
paranaense. Também, nesse período, ocorre a diversifica- alternativas de lazer e gastronomia para você e sua família.
ção dos gêneros tradicionais como madeira e produtos As 14 Regiões Turísticas oferecem ao visitante uma esti-
alimentares. mulante jornada, seja qual for seu perfil. São elas: Campos
A década de 80 foi marcada pela desaceleração da Gerais, Cataratas do Iguaçu e Caminhos ao Lago de Itaipu,
economia, com a elevação dos níveis de ociosidade em di- Corredores das Águas, Ecoaventuras Histórias e Sabores,
versos setores. Depois do Plano Real em 1994, a indústria Entre Morros e Rios, Lagos e Colinas, Litoral do Paraná, Nor-
do Paraná avança e entra fortalecida no Século 21. te do Paraná, Norte Pioneiro, Riquezas do Oeste, Rotas do
Pinhão, Terra dos Pinheirais, Vale do Ivaí e Vales do Iguaçu. 
Fonte: http://miriangasparin.com.br/2014/09/indus- E é essa diversidade cultural e geográfica que faz do Para-
tria-do-parana-muda-perfil-e-ganha-competitividade/ ná um Estado muito visitado e o coloca em posição alta-

4
ECONOMIA E DEMOGRAFIA PARANAENSE

mente requisitada por brasileiros e estrangeiros. Aqui, cada rios Paraná, Paranapanema, Ivaí e Piquiri são quatro pre-
região apresenta encantos especiais com surpresas que sentes da natureza para o Noroeste. É uma região de clima
conduzem todos os seus visitantes a viagens inesquecíveis. tropical úmido, verões quentes e que se destaca por suas
Deixe-se seduzir por estas terras. Seja qual for o seu estilo, alternativas de lazer, pousadas rurais, atividades náuticas e
você vai se surpreender! pesqueiras, eventos e negócios que ocorrem principalmen-
te em Maringá, onde se ergue a imponente Catedral Me-
CAMPOS GERAIS tropolitana, além das inúmeras possibilidades de aventura
A característica principal da Região é o contraste e ecoturismo na conhecida Costa Rica.
entre os campos, onde surgem as imponentes araucá- ECOAVENTURAS HISTÓRIAS E SABORES
rias e as escarpas serranas. Esta paisagem proporcio- Entre os principais atrativos turísticos da região desta-
na cenários naturais de magia e beleza, com destaque cam-se as edificações religiosas, as peregrinações da Rota
para os arenitos de Vila Velha, as imensas furnas e o Câ- da Fé e a gastronomia com pratos típicos e festividades
nion do Guartelá. Nestes santuários, ou em seu entor- como a Festa do Carneiro no Buraco e a Comcam Fest. Com
no, os passeios podem ser de pura contemplação da pousadas rurais e um dos mais expressivos equipamentos
paisagem, ou ainda de aventura com a prática de rapel, hoteleiros do Estado com fontes termais, a região é opção
rafting, trekking e banhos de cachoeira, entre outros.  para descanso e lazer na área rural. Conta com duas unida-
No século XVIII era passagem de inúmeros rebanhos de des de conservação – a Estação Ecológica do Cerrado, que
gado e tropeiros que percorriam o Caminho do Viamão, preserva remanescentes deste ecossistema e desenvolve
desde o Rio Grande do Sul até as feiras de São Paulo. Este atividades em educação ambiental, e o Parque Estadual de
caminho passa pelos Campos Gerais e o antigo fluxo des- Vila Rica do Espírito Santo, que além de ser refúgio de flora
ses viajantes exerceu fundamental importância na forma- e fauna, possui rico patrimônio arqueológico com ruínas de
ção cultural e econômica do Paraná, que acolheu aqui vá- uma das 16 comunidades jesuíticas espanholas fundadas
rias levas de imigrantes europeus, fatos estes traduzidos nos séculos XVI e XVII.
em um passado repleto de histórias e que pode ser revi-
vido percorrendo o Circuito da Colonização dos Imigran- ENTRE MORROS E RIOS
tes Europeus e a Rota dos Tropeiros. O Santuário de Nossa A região é marcada pelos costumes tradicionalistas dos
Senhora das Brotas homenageia a padroeira dessa Rota.  tropeiros, preservando a tradição campeira recorrente em
CATARATAS DO IGUAÇU E CAMINHOS AO LAGO DE pousadas rurais, cavalgadas e eventos. Também resguar-
ITAIPU da sua colonização europeia. A região possui inúmeras hi-
A região turística Cataratas do Iguaçu e Caminhos ao drelétricas no Rio Iguaçu que formam imensos lagos, favo-
Lago de Itaipu traz no seu nome e no seu território dois im- recendo a prática de esportes náuticos e a pesca.
ponentes atrativos dentre inúmeros que podem ser visita-
dos e aproveitados nessa encantadora parte da América. A LAGOS E COLINAS
exuberância do Parque Nacional do Iguaçu, onde a beleza A região é margeada pelo rio Iguaçu e conta com inú-
e magnitude das Cataratas se perpetua, atraindo milhares meras hidrelétricas e seus lagos que favorecem a prática
de turistas brasileiros e estrangeiros e a Usina Hidrelétrica de esportes náuticos e a pesca esportiva além de recantos
de Itaipu. Cenários de grandes espetáculos. A cidade, na de lazer nas represas de Foz do Areia, Salto Osório e Salto
tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina é marca- Santiago. A transformação ocorrida o território está bem
da com muitas atrações, naturais, culturais e de compras, representada no Museu Regional do Iguaçu, que possui um
além de excelente infraestrutura de serviços. dos mais expressivos acervos regionais do Paraná. A região
O Lago de Itaipu, que vai de Foz do Iguaçu a Guaíra, também concentra reservas indígenas e oferece belas pai-
passando pelos municípios que o margeiam, compõe a re- sagens como a do Horto Florestal, na Vila de Faxinal do
gião que tem a água como uma característica da região, Céu, e rica agricultura familiar. Outro destaque é a Festa
seja ela das cataratas, dos rios ou do lago. Os caminhos que Nacional do Charque com seu ponto alto na gastronomia,
levam a atrações de lazer, pesca, balneários de água doce, além de atividades artísticas e feira agropecuária.
a cultura remanescente de alemães e italianos, o turismo
em áreas naturais como no Parque de Ilha Grande e o tu- LITORAL DO PARANÁ
rismo cultural. Tudo pode ser vivenciado em passeios que Chega-se à região de trem, pela centenária ferrovia
despertam todos os sentidos: ver as apresentações cultu- Paranaguá - Curitiba que atravessa a Serra do Mar, ou de
rais, aproveitar os cheiros da gastronomia, ouvir as músicas carro, ao longo da sinuosa e florida Estrada da Graciosa
e sons da natureza, degustar pratos típicos e produtos re- ou pela moderna rodovia de pista dupla BR-277. Berço da
gionais, sentir a emoção de estar num lugar único! colonização do Estado, no litoral se encontram cidades
históricas - como Paranaguá e seu centro histórico, Mata
CORREDORES DAS ÁGUAS Atlântica e muitas praias localizadas em badalados balneá-
A riqueza desta região provém principalmente das rios, ou em ilhas como a do Mel e a do Superagüi. Suas
atividades da agroindústria e das grandes confecções e baías são propícias para a prática do turismo náutico e a
shoppings de atacado. As inúmeras cooperativas formadas Serra do Mar esconde magníficos cenários para ecoturismo
para o cultivo e processamento de grãos e do bicho-da- e turismo de aventura.
seda deixam suas marcas na paisagem local. Os caudalosos

5
ECONOMIA E DEMOGRAFIA PARANAENSE

É dessa região um dos pratos típicos do Paraná, o Em seu entorno podem ser descobertos muitos outros
saboroso Barreado, que costuma ser apreciado acompa- encantos na conhecida “Rotas do Pinhão”, um misto de
nhado de banana in natura, principalmente em Morretes, aventura, história, ruralidade e natureza, que oferece, além
grande produtor de cachaça. Famosa é a bala de banana da paisagem, restaurantes, vinícolas, spas, parques, lojas
de Antonina. A diversidade da culinária à base de frutos do e áreas rurais para lazer e hospedagem em diversificados
mar também está presente, vai da tainha ao caranguejo, roteiros. Além dos roteiros, também merece destaque a le-
do siri à ostra, sempre acompanhado da especial farinha gendária cidade da Lapa, palco da Revolução Federalista.,
de mandioca. cujo Centro Histórico, possui 14 quarteirões, com 235 imó-
veis tombados pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacio-
NORTE DO PARANÁ nal, integrando a Rota dos Tropeiros.
De grande beleza cênica, a região foi colonizada entre
as décadas de 1920 a 1950, devido a expansão da cafeicul- TERRA DOS PINHEIRAIS
tura. Possui fortes marcas da cultura japonesa e de outros Localizada no centro-sul do Paraná, é uma região privi-
povos (árabes, alemãs, italianos e portugueses) impulsio- legiada com densas florestas de araucária, clima tempera-
nadores das atividades agropecuárias na Rota do Agrone- do, rios caudalosos e cultura rica e diversificada. Seu relevo
gócio. O visitante encontrará empreendimentos com tec- propiciou a formação das famosas Cachoeiras em Pruden-
nologia de ponta em contraste com propriedades rurais tópolis e União da Vitória. 
onde a agropecuária tem presença marcante. Já na Rota Podem ser apreciadas as belezas naturais e ainda é
do Café, muitas das propriedades cafeeiras estão abertas possível conhecer as culturas ucraniana, polonesa, italiana
ao lazer, com alternativas de hospedagem e alimentação. A e alemã que marcam a história e o cotidiano de seu povo,
região se destaca pela pujante Londrina, pelo turismo rural com destaque para a saborosa gastronomia, o artesanato
e de negócios e eventos. refinado, a dança, a música, a rica arquitetura, além do vi-
nho de amora, novidade nacional. Os templos religiosos
NORTE PIONEIRO destas etnias justificam, por si só, uma viagem à região,
Esta região foi uma das entradas para colonização do assim como os diversificados eventos culturais e agroin-
Paraná abrigando até hoje indicativos culturais da expansão dustriais e as fontes de água sulfurosa.
econômica nos primórdios dos séculos XIX. Entre os princi-
pais atrativos destacam-se a Represa de Chavantes e o Rio VALE DO IVAÍ
das Cinzas, com potencial para o turismo náutico, de pesca A região concentra importantes santuários religiosos
e esportivo, alem de passeios de barco, campeonatos de do Estado, como o dedicado a Santo Expedito em Apuca-
pesca e canoagem. A oferta hoteleira inclui um resort com rana e outro à Santa Rita de Cássia em Lunardelli, ambos
piscinas de água mineral e pousadas. O patrimônio cultu- interligados pelo circuito Rota da Fé. Os recursos naturais
ral está representado por edificações religiosas integrantes e o setor agrícola favorecem as atividades vinculadas ao
da Rota do Rosário. As características produtivas e naturais turismo rural, ecoturismo e turismo de aventura.
da região também favorecem o desenvolvimento de ativi-
dades no turismo rural e lazer, incluindo antigas fazendas VALES DO IGUAÇU
produtoras de café que integram a Rota do Café. Região marcada por agroindústrias, pelas reservas de
Araucária, pelo clima frio e pelas represas do Rio Iguaçu,
RIQUEZAS DO OESTE que formam lagos propícios para o lazer e esportes náu-
A região se destaca pelo desenvolvimento do agro- ticos. É privilegiada também pela presença de reservas in-
negócio, com expressão maior no eixo Cascavel - Toledo, dígenas, por fontes de água hidrotermal - com destaque
onde eventos como o Show Rural e o Porco no Rolete, para as águas do Verê - e pelo cultivo da uva, responsável
fazem da tecnologia e da gastronomia grandes atrações pela presença de vinícolas e realização de festas gastronô-
turísticas. Eventos automobilísticos - arrancadões, provas micas.
de rally e fórmula truck, entre outras competições, são re- Além das hidrelétricas, a presença do Rio Iguaçu é tam-
ferências no circuito nacional e internacional, assim como bém marcante pelo início do Parque Nacional do Iguaçu,
os eventos culturais. O cultivo de flores também vem se no município de Capanema, onde um roteiro rural está es-
sobressaindo, principalmente em Corbélia e Maripá, onde truturado.
as orquídeas são atrações. Destacam-se ainda na sua paisagem bucólica, os Cam-
pos de Palmas com usinas eólicas e o Marco Divisório entre
ROTAS DO PINHÃO Paraná, Santa Catarina e Argentina, em Barracão, além do
Na capital, Curitiba, é possível fazer uma viagem pelo Museu do Iguaçu em Reserva do Iguaçu.
mundo. Com mais de três séculos de existência e nascida
Vila de Nossa Senhora dos Pinhais, a cidade abriga espaços Fonte: http://www.turismo.pr.gov.br/modules/conteu-
culturais, históricos, memoriais e endereços gastronômicos do/conteudo.php?conteudo=946
que remetem às várias etnias que a formaram, sendo ainda
um modelo de planejamento urbano, transporte público e
preservação ambiental.

6
ECONOMIA E DEMOGRAFIA PARANAENSE

Os dados, quase que contraditórios, mostram as difi-


INDICADORES DEMOGRÁFICOS E SOCIAIS. culdades distintas que os setores estruturais e econômicos
enfrentam para se desenvolver, principalmente em um cur-
to período de tempo.
Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cida-
Não foi dessa vez que o Paraná conseguiu ascender à dania/parana-nao-atinge-patamar-de-idh-muito-alto-mas
“primeira divisão” do Índice de Desenvolvimento Humano -avanca-em-educacao-3l517bkgsw3qckpu4392sl499
(IDH). Novo levantamento divulgado nesta terça-feira (22),
que analisa a evolução da taxa entre 2011 e 2014, mostra ETNOGRAFIA.
que o estado superou o Rio de Janeiro, assumiu a 4.ª colo-
cação no ranking entre todas as unidades federativas, mas
ainda assim não conseguiu alcançar o patamar mais eleva-
do, que é o “IDH muito alto” – título mantido apenas por A etnografia é um método de estudo utilizado pelos
Santa Catarina, São Paulo e Distrito Federal. antropólogos com o intuito de descrever os costumes e as
No intervalo analisado, o IDH paranaense avançou tradições de um grupo humano. Este estudo ajuda a co-
3,81%, passando de 0,761 em 2011 para 0,790 em 2014, nhecer a identidade de uma comunidade humana que se
uma impulsão maior que a média nacional, que cresceu, desenvolve num âmbito sociocultural concreto.
A etnografia implica a observação participante do an-
no mesmo período, 3,11% (de 0,738 para 0,761). A lógica é
tropólogo durante um período de tempo em que esteja em
que quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento
contato direto com o grupo a estudar. O trabalho pode ser
humano interpretado pelo indicador, constituído em cima complementado com entrevistas para recolher mais infor-
das vertentes educação, longevidade e renda. mações e descobrir dados que sejam inacessíveis a simples
Especialistas apontam crise econômica, falta de investi- vista para uma pessoa que não pertencer à cultura visada.
mento em políticas sociais e uma tímida administração re- É hábito o investigador assumir um papel ativo nas ati-
gionalista como os maiores entraves a uma colocação mais vidades diárias da comunidade para se envolver com a com-
avançada do Paraná no IDH. Segundo eles, embora não se preensão da cultura. Estas atividades, por outro lado, permi-
possa ignorar as melhorias conquistadas nos últimos anos tem-lhe pedir esclarecimentos acerca das ações e dos com-
– tanto educação, como longevidade e renda evoluíram no portamentos a cada um dos integrantes do grupo estudado.
estado –, o “terremoto” que engoliu a estabilidade econô- Dá-se o nome de descrição densa ao relatório que apre-
mica e política do país – ainda que atinja apenas o final do senta o antropólogo para descrever em pormenor os cos-
intervalo levado em conta pela pesquisa – pode ser obser- tumes, as práticas, as crenças e os mitos de uma cultura. O
vado como um dos reflexos nos indicadores estruturados investigador, de uma forma geral, recorre tanto ao método
pelo estudo. qualitativo como ao quantitativo para desenvolver o seu
“O contexto do início da crise não ajudou o Paraná, trabalho.
que mesmo sendo um dos ponteiros neste ranking, aca- É fundamental que o antropólogo não tenha uma vi-
bou sendo dos mais prejudicados”, pontua Daniel Nojima, são/perspectiva etnocêntrica na hora de avaliar os compor-
diretor do Centro de Pesquisa do Instituto Paranaense de tamentos da comunidade; caso contrário, o seu trabalho
Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). Nojima perde credibilidade.
explica que o impacto sofrido por setores da indústria no Um dos estudos mais populares da etnografia intitu-
qual o estado sempre manteve destaque, como o ramo au- la-se “Os argonautas do Pacífico Ocidental”, escrito por
tomobilístico e de bens de capital, por exemplo, atingiu em Bronislaw Malinowski (1884-1942), o qual foi publicado em
cheio os nossos indicadores. 1922. Trata-se de uma obra consagrada aos rituais e às prá-
ticas sociais dos habitantes das Ilhas Trobriand.
Educação puxa IDH do Paraná Fonte: http://conceito.de/etnografia
Enquanto o IDH longevidade e renda cresceram entre
2011 e 2014, respectivamente, 1,9% e 2,8%, o IDH de edu-
cação evoluiu 7,31% no Paraná no mesmo período. O au- CONCENTRAÇÃO URBANA E RURAL.
mento foi suficiente para tirar o estado, nessa vertente, de
um índice médio e passá-lo para um índice alto.
Entre nove regiões metropolitanas avaliadas no estudo O êxodo rural corresponde ao processo de migração
Radar IDHM, divulgado nesta terça-feira (22), a de Curitiba em massa da população do campo para as cidades, fenô-
(RMC) foi a que mais avançou entre 2011 e 2014 em termos meno que costuma ocorrer em um período de tempo con-
de desenvolvimento humano. A região saltou de 0,782, em siderado curto, como o prazo de algumas décadas. Trata-se
2011 para 0,817, em 2014. A oscilação positiva (4,5%) foi, de um elemento diretamente associado a várias dinâmicas
assim como no Paraná, alavancada pelo IDH de Educação, socioespaciais, tais como a  urbanização, a  industrializa-
que subiu 9,6% no período. Por outro lado, a vertente do ção, a concentração fundiária e a mecanização do campo.
IDH que avalia a renda na mostrou um avanço quase que Um dos maiores exemplos de como essa questão
imperceptível na região, de apenas 2,6%. costuma gerar efeitos no processo de produção do espa-
ço pode ser visualizado quando analisamos a conjuntura
do êxodo rural no Brasil. Sua ocorrência foi a grande res-

7
ECONOMIA E DEMOGRAFIA PARANAENSE

ponsável pela aceleração do processo de urbanização em – Formação de vazios demográficos no campo: em re-
curso no país, que aconteceu mais por valores repulsivos giões como o Sudeste, o Sul e, principalmente, o Centro
do que atrativos, isto é, mais pela saída de pessoas do cam- -Oeste, formaram-se verdadeiros vazios demográficos no
po do que pelo grau de atratividade social e financeira das campo, com densidades demográficas praticamente nulas
cidades brasileiras. em várias áreas.
O êxodo rural no Brasil ocorreu, de forma mais inten- Já entre as causas do êxodo rural no Brasil, é possível
sa, em apenas duas décadas: entre 1960 e 1980, mantendo citar:
patamares relativamente elevados nas décadas seguintes e – Concentração da produção do campo, na medida em
perdendo força total na entrada dos anos 2000. Segundo que a menor disponibilidade de terras proporciona maior
estudos publicados pela Embrapa (Empresa Brasileira de mobilidade da população rural de média e baixa renda;
Pesquisa Agropecuária), o êxodo rural, nas duas primeiras – Mecanização do campo, com a substituição dos tra-
décadas citadas, contribuiu com quase 20% de toda a ur- balhadores rurais por maquinários, gerando menos empre-
banização do país, passando para 3,5% entre os anos 2000 gos no setor primário e forçando a saída da população do
e 2010.¹ campo para as cidades;
– Fatores atrativos oferecidos pelas cidades, como mais
De acordo com o Censo Demográfico de 2010 divul- empregos nos setores secundário e terciário, o que foi pos-
gado pelo IBGE, o êxodo rural é, realmente, desacelerado sível graças ao rápido – porém tardio – processo de indus-
nos tempos atuais. Em comparação com o Censo anterior trialização vivido pelo país na segunda metade do século
(2000), quando a taxa de migração campo-cidade por ano XX.
era de 1,31%, a última amostra registrou uma queda para Fonte: http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geogra-
0,65%. Esses números consideraram as porcentagens em fia/Exodo-rural-no-brasil.htm
relação a toda a população brasileira.
Se considerarmos os valores do êxodo rural a partir
do número de migrantes em relação ao tamanho total da
população residente no campo no Brasil, temos que, en- PRINCIPAIS CENTROS URBANOS.
tre 2000 e 2010, a taxa de êxodo rural foi de 17,6%, um
número bem menor do que o da década anterior: 25,1%.
Na década de 1980, essa taxa era de 26,42% e, na déca-
da de 1970, era de 30,02%. Portanto, nota-se claramente a Rede urbana
tendência de desaceleração, ao passo que as regiões Cen- As maiores cidades do estado, além de sua capital,
tro-Oeste e Norte, até mesmo, apresentam um pequeno Curitiba, são Londrina, Maringá, Ponta Grossa, Cascavel,
crescimento no número de habitantes do campo. Foz do Iguaçu, Guarapuava, Colombo, Paranaguá, Umua-
Os principais fatores responsáveis pela queda do êxo-
rama, Apucarana e Campo Mourão.
do rural no Brasil são: a quantidade já escassa de traba-
O território paranaense se encontra situado dentro da
lhadores rurais no país, exceto o Nordeste, que ainda pos-
área de influência da cidade de São Paulo. A metrópole
sui uma relativa reserva de migrantes; e os investimentos,
paulista comanda a vida econômica do estado por inter-
mesmo que tímidos, para os pequenos produtores e agri-
médio dos centros urbanos de Ourinhos, em São Paulo,
cultores familiares. Existem, dessa forma, vários programas
e Jacarezinho, Maringá, Londrina e Curitiba, no Paraná.
sociais do governo para garantir que as pessoas encontrem
Ourinhos e Jacarezinho dominam, em conjunto, a porção
melhores condições de vida no campo, embora esses in-
vestimentos não sejam considerados tão expressivos. oriental do norte do Paraná; Londrina o centro da região, e
Entre os efeitos do êxodo rural no Brasil, podemos Maringá, a parte ocidental.
destacar: Curitiba serve a todo o resto do estado do Paraná e
– Aceleração da urbanização, que ocorreu concentra- ainda a quase todo o estado de Santa Catarina, excluindo-
da, sobretudo, nas grandes metrópoles do país, sobretudo se no leste a região de Tubarão e, no oeste, a de Chapecó.
as da região sudeste ao longo do século XX. Essa concen- A ação da capital, em sua área de influência paranaense, se
tração ocorreu, principalmente, porque o êxodo rural foi faz sentir diretamente ou por meio dos centros interme-
acompanhado de uma migração interna no país, em dire- diários de Ponta Grossa e Pato Branco. A área de influên-
ção aos polos de maiores atratividades econômicas e com cia direta compreende todo o leste e o sudeste do estado.
mais acentuada industrialização; Pato Branco serve à porção sudoeste, e Ponta Grossa, todo
– Expansão desmedida das periferias urbanas, com a o centro e o oeste.
formação de habitações irregulares e o crescimento das fa-
velas em várias metrópoles do país; Fonte: http://www.coladaweb.com/geografia-do-bra-
– Aumento do desemprego e do emprego informal: sil/estados-brasileiros/parana
o êxodo rural, acompanhado do crescimento das cidades,
propiciou o aumento do setor terciário e também do cam-
po de atuação informal, gerando uma maior precarização
das condições de vida dos trabalhadores. Além disso, com
um maior exército de trabalhadores de reserva nas cidades,
houve uma maior elevação do desemprego;

8
ECONOMIA E DEMOGRAFIA PARANAENSE

EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES A Poesia


SOBRE: LÍNGUA PORTUGUESA De cada dia
(Andrade, Oswald. Pau-Brasil. Obras completas de Os-
01-) (TRF/4ª REGIÃO – TÉCNICO JUDICIÁRIO – wald de Andrade. São Paulo, Globo, Secretaria de Estado
FCC/2010) Observam-se corretamente as regras de da Cultura, 1990, p. 63)
concordância verbal e nominal em: Texto II
a) O desenraizamento, não só entre intelectuais O texto abaixo reproduz algumas afirmativas do
como entre os mais diversos tipos de pessoas, das mais Manifesto Pau-Brasil, que Oswald de Andrade, um dos
sofisticadas às mais humildes, são cada vez mais co- mentores do movimento modernista brasileiro de 1922,
muns nos dias de hoje. lançou no Correio da Manhã em 18 de março de 1924.
b) A importância de intelectuais como Edward Said A poesia existe nos fatos. Os casebres de açafrão e
e Tony Judt, que não se furtaram ao debate sobre ques- de ocre nos verdes da Favela, sob o sol cabralino, são
tões polêmicas de seu tempo, não estão apenas nos li- fatos estéticos. O carnaval do Rio é o acontecimento
vros que escreveram. religioso da raça. Pau-Brasil. Wagner submerge ante os
c) Nada indica que o conflito no Oriente Médio en- cordões de Botafogo. Bárbaro e nosso. A formação ét-
tre árabes e judeus, responsável por tantas mortes e nica rica.
tanto sofrimento, estejam próximos de serem resolvi- A poesia Pau-Brasil. Ágil e cândida. Como uma
dos ou pelo menos de terem alguma trégua. criança.
d) Intelectuais que têm compromisso apenas com a A língua sem arcaísmos, sem erudição. Natural e
verdade, ainda que conscientes de que esta é até certo neológica. A contribuição milionária de todos os erros.
ponto relativa, costumam encontrar muito mais detra- Como falamos. Como somos.
tores que admiradores. Nenhuma fórmula para a contemporânea expres-
e) No final do século XX já não se via muitos inte- são do mundo. Ver com olhos livres.
lectuais e escritores como Edward Said, que não apenas Temos a base dupla e presente − a floresta e a es-
era notícia pelos livros que publicavam como pelas po- cola. A raça crédula e dualista e a geometria, a álge-
sições que corajosamente assumiam. bra e a química logo depois da mamadeira e do chá de
erva-doce. Um misto de “dorme nenê que o bicho vem
Fiz as correções entre parênteses: pegá” e de equações.
a) O desenraizamento, não só entre intelectuais como Obuses de elevadores, cubos de arranha-céus e a
entre os mais diversos tipos de pessoas, das mais sofis- sábia preguiça solar. A reza. O Carnaval. A energia ínti-
ticadas às mais humildes, são (é) cada vez mais comuns ma. O sabiá. A hospitalidade um pouco sensual, amo-
(comum) nos dias de hoje. rosa.
b) A importância de intelectuais como Edward Said e (http://www.lumiarte.com/luardeoutono/oswald/ma-
Tony Judt, que não se furtaram ao debate sobre questões nifpaubr.html acesso em 11/02/2012)
polêmicas de seu tempo, não estão (está) apenas nos livros
que escreveram. 02-) (TRF/2ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO -
c) Nada indica que o conflito no Oriente Médio en- FCC/2012) Wagner submerge ante os cordões de Bota-
tre árabes e judeus, responsável por tantas mortes e tanto fogo.
sofrimento, estejam (esteja) próximos (próximo) de serem A afirmativa que exprime corretamente, com ou-
(ser) resolvidos (resolvido) ou pelo menos de terem (ter) tras palavras, o sentido original da frase acima é:
alguma trégua. (A) Os cordões de Botafogo superam Wagner.
d) Intelectuais que têm compromisso apenas com a (B) Wagner supera o que se faz nos cordões de Bo-
verdade, ainda que conscientes de que esta é até certo tafogo.
ponto relativa, costumam encontrar muito mais detratores (C) Botafogo, com seus cordões, retoma a superio-
que admiradores. ridade de Wagner.
e) No final do século XX já não se via (viam) muitos (D) Diante dos cordões de Botafogo, Wagner será
intelectuais e escritores como Edward Said, que não apenas a superação.
era (eram) notícia pelos livros que publicavam como pelas (E) Para os cordões de Botafogo, Wagner é superior.
posições que corajosamente assumiam.
Pela leitura do texto e analisando a afirmativa do enun-
RESPOSTA: “D”. ciado, entende-se que os cordões de Botafogo superam
Wagner.
(TRF/2ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO - FCC/2012
- ADAPTADO) Atenção: As questões de números 02 e RESPOSTA: “A”.
03 baseiam-se nos Textos I e II, a seguir.
Texto I 03-) (TRF/2ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO -
No Pão de Açúcar FCC/2012) ... o tema das mudanças climáticas pressiona
De cada dia os esforços mundiais para reduzir a queima de combus-
Dai-nos Senhor tíveis.

9
ECONOMIA E DEMOGRAFIA PARANAENSE

A mesma relação entre o verbo grifado e o comple- (A) Os manifestantes de todas as idades desfilaram
mento se reproduz em: pelas ruas da cidade.
(A) ... a Idade da Pedra não acabou por falta de pe- (B) Não junte este líquido verde com aquele abra-
dras... sivo.
(B) ... o estilo de vida e o modo da produção (...) são (C) A casa pertence aos Nemer desde 1982.
os principais responsáveis... (D) Patrocinou o evento do último sábado.
(C) ... que ameaçam a nossa própria existência. (E) Encontraram com um comerciante essas anota-
(D) ... e a da China triplicou. ções.
(E) Mas o homem moderno estaria preparado...
Regência do verbo “gostar”: transitivo indireto.
O verbo grifado é transitivo direto (pressiona quem? A – desfilaram – intransitivo
o quê?): B – junte – transitivo direto
A – acabou – intransitivo C – pertence – transitivo indireto
B – são – verbo de ligação D – patrocinou – transitivo direto
C – ameaçam quem? – transitivo direto E – transitivo direto preposicionado
D – triplicou = no contexto: intransitivo
RESPOSTA: “C”.
E – estaria – verbo de ligação
06-) (TRF/1ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO -
RESPOSTA: “C”.
FCC/2011) As palavras estão corretamente grafadas na
seguinte frase:
04-) (TRF/2ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO - (A) Que eles viajem sempre é muito bom, mas não é
FCC/2012) O verbo que, dadas as alterações entre pa- boa a ansiedade com que enfrentam o excesso de pas-
rênteses propostas para o segmento grifado, deverá ser sageiros nos aeroportos.
colocado no plural, está em: (B) Comete muitos deslises, talvez por sua esponta-
(A) Não há dúvida de que o estilo de vida... (dúvi- neidade, mas nada que ponha em cheque sua reputa-
das) ção de pessoa cortês.
(B) O que não se sabe... (ninguém nas regiões do (C) Ele era rabugento e tinha ojeriza ao hábito do
planeta) sócio de descançar após o almoço sob a frondoza ár-
(C) O consumo mundial não dá sinal de trégua... (O vore do pátio.
consumo mundial de barris de petróleo) (D) Não sei se isso influe, mas a persistência dessa
(D) Um aumento elevado no preço do óleo reflete- mágoa pode estar sendo o grande impecilho na supe-
-se no custo da matéria-prima... (Constantes aumentos) ração dessa sua crise.
(E) o tema das mudanças climáticas pressiona os (E) O diretor exitou ao aprovar a retenção dessa alta
esforços mundiais... (a preocupação em torno das mu- quantia, mas não quiz ser taxado de conivente na con-
danças climáticas) cessão de privilégios ilegítimos.

(A) Não há dúvida de que o estilo de vida... (dúvidas) = Fiz a correção entre parênteses:
“há” permaneceria no singular (A) Que eles viajem sempre é muito bom, mas não é
(B) O que não se sabe ... (ninguém nas regiões do pla- boa a ansiedade com que enfrentam o excesso de passa-
neta) = “sabe” permaneceria no singular geiros nos aeroportos.
(C) O consumo mundial não dá sinal de trégua (B) Comete muitos deslises (deslizes), talvez por sua
... (O consumo mundial de barris de petróleo) = “dá” espontaneidade, mas nada que ponha em cheque (xeque)
sua reputação de pessoa cortês.
permaneceria no singular
(C) Ele era rabugento e tinha ojeriza ao hábito do sócio
(D) Um aumento elevado no preço do óleo reflete-se
de descançar (descansar) após o almoço sob a frondoza
no custo da matéria-prima... Constantes aumentos) = “re-
(frondosa) árvore do pátio.
flete” passaria para “refletem-se”
(D) Não sei se isso influe (influi), mas a persistência
(E) o tema das mudanças climáticas pressiona os es- dessa mágoa pode estar sendo o grande impecilho (empe-
forços mundiais... (a preocupação em torno das mudanças cilho) na superação dessa sua crise.
climáticas) = “pressiona” permaneceria no singular (E) O diretor exitou (hesitou) ao aprovar a retenção
dessa alta quantia, mas não quiz (quis) ser taxado de coni-
RESPOSTA: “D”. vente na concessão de privilégios ilegítimos.

05-) (TRF/1ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO - RESPOSTA: “A”.


FCC/2011) “Gosto de Ouro Preto”, explicou Elizabeth
ao poeta Robert Lowell... 07-) (TRF/4ª REGIÃO – TÉCNICO JUDICIÁRIO –
No segmento acima, o verbo “gostar” está empre- FCC/2010) A substituição do elemento grifado pelo
gado exatamente com a mesma regência com que está pronome correspondente, com os necessários ajustes
empregado o verbo da seguinte frase: no segmento, está INCORRETA em:

10
ECONOMIA E DEMOGRAFIA PARANAENSE

a) continua a provocar irritação = continua a pro- A) O Brasil apresenta bastante = bastantes.


vocá-la. B) A situação ficou meia = meio
b) a constituir um deslocamento = a lhe constituir. C) É necessário segurança para se viver bem.
c) batalhar [...] contra a leucemia = batalhar contra D) Esses cidadãos estão quite = quites
ela. E) Os soldados permaneceram alertas = alerta
d) que treinavam a elite = que a treinavam.
e) gerou uma subdisciplina acadêmica = gerou-a. RESPOSTA: “C”.

a) continua a provocar irritação = continua a provocá- 10-) (TJ/SP – AGENTE DE FISCALIZAÇÃO JUDICIÁ-
-la. RIA – VUNESP/2010) Assinale a alternativa em que a
b) a constituir um deslocamento = a lhe constituir. = frase – É ela que faz o interlocutor se emocionar... – está
constituí-lo corretamente reescrita, tendo um pronome assumindo
c) batalhar [...] contra a leucemia = batalhar contra ela. as mesmas relações de sentido expressas pela expres-
d) que treinavam a elite = que a treinavam. são destacada, de acordo com a norma--padrão.
e) gerou uma subdisciplina acadêmica = gerou-a. (A) É ela que emociona-o.
(B) É ela que o emociona.
RESPOSTA: “B”. (C) É ela que emociona-lhe.
(D) É ela que emociona ele.
08-) (CETESB/SP – ESCRITURÁRIO - VUNESP/2013) (E) É ela que ele emociona.
Assinale a alternativa em que a concordância das for-
mas verbais destacadas está de acordo com a norma- Como temos a presença do “que” (independente de
-padrão da língua. sua função), devemos usar a próclise: É ela que o emociona.
(A) Fazem dez anos que deixei de trabalhar em hi-
gienização subterrânea. RESPOSTA: “B”.
(B) Ainda existe muitas pessoas que discriminam os
trabalhadores da área de limpeza. 11-) (PREFEITURA MUNICIPAL DE JAPERI/RJ -
ORIENTADOR PEDAGÓGICO - FUNDAÇÃO BENJAMIN
(C) No trabalho em meio a tanta sujeira, havia altos
CONSTANT/2013) Assinale o item em que a vírgula foi
riscos de se contrair alguma doença.
usada para isolar o aposto.
(D) Eu passava a manhã no subterrâneo: quando era
(A) Ele já morou em Natal, em Fortaleza, em São
sete da manhã, eu já estava fazendo meu serviço.
Paulo.
(E) As companhias de limpeza, apenas recentemen-
(B) Os dois rapazes, Rodrigo e Paulo, eram primos.
te, começou a adotar medidas mais rigorosas para a
(C) Com muito cuidado, a advogada analisou o do-
proteção de seus funcionários.
cumento.
(D) A igreja era pequena e pobre. Os altares, hu-
Fiz as correções: mildes.
(A) Fazem dez anos = faz (sentido de tempo = singular) (E) Você ainda não sabe, mocinha vaidosa, que a
(B) Ainda existe muitas pessoas = existem vida é difícil.
(C) No trabalho em meio a tanta sujeira, havia altos
riscos (A) Ele já morou em Natal, em Fortaleza, em São Paulo.
(D) Eu passava a manhã no subterrâneo: quando era = enumeração
sete da manhã = eram (B) Os dois rapazes, Rodrigo e Paulo, eram primos. =
(E) As companhias de limpeza, apenas recentemente, explicação de um termo anterior (aposto)
começou = começaram (C) Com muito cuidado, a advogada analisou o docu-
mento. = advérbio
RESPOSTA: “C”. (D) A igreja era pequena e pobre. Os altares, humildes.
= zeugma
09-) (POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO ACRE – (E) Você ainda não sabe, mocinha vaidosa, que a vida é
ALUNO SOLDADO COMBATENTE – FUNCAB/2012) difícil. = vocativo
Apenas uma das opções abaixo está correta quanto à
concordância nominal. Aponte-a. RESPOSTA: “B”.
A) O Brasil apresenta bastante problemas sociais. 12-) (BANCO DO BRASIL – MÉDICO DO TRABALHO
B) A situação ficou meia complicada depois das mu- – FCC/2012) Atente para as seguintes frases:
danças. I. Quem nos ensina a olhar são os pintores e fotó-
C) É necessário segurança para se viver bem. grafos, que andam em volta dos objetos à procura de
D) Esses cidadãos estão quite com suas obrigações. novos ângulos.
E) Os soldados permaneceram alertas durante a II. Felizes as pessoas que, todos os dias, sabem en-
manifestação. contrar companhia em tudo o que as cerca.
III. Em silêncio, nos oferecerão sua muda compa-
Fiz as correções: nhia.

11
ECONOMIA E DEMOGRAFIA PARANAENSE

A supressão da(s) vírgula(s) acarretará mudança de 15-) (SEE/SP – PROFESSOR EDUCAÇÃO BÁSICA II
sentido para o que está APENAS em E PROFESSOR II – LÍNGUA PORTUGUESA - FCC/2011)
(A) I. ...permite que os criadores tomem atitudes quando a
(B) II. proliferação de algas tóxicas ameaça os peixes.
(C) II e III. A transposição para a voz passiva da oração grifada
(D) I e II. acima teria, de acordo com a norma culta, como forma
(E) III. verbal resultante:
(A) ameaçavam.
I. Quem nos ensina a olhar são os pintores e fotógra- (B) foram ameaçadas.
fos que andam em volta dos objetos à procura de novos (C) ameaçarem.
ângulos. = agora teremos uma restrição (adjetiva restritiva) (D) estiver sendo ameaçada.
II. Felizes as pessoas que todos os dias sabem encon- (E) forem ameaçados.
trar companhia em tudo o que as cerca. = facultativo o uso
da vírgula (advérbio) Quando a proliferação ameaça os peixes = voz ativa
III. Em silêncio, nos oferecerão sua muda companhia. = Quando os peixes forem ameaçados pela prolifera-
facultativo o uso da vírgula (advérbio) ção... = voz passiva

RESPOSTA: “A”. RESPOSTA: “E”.


13-) (POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO ACRE – 16-) (COPERGÁS - TÉCNICO OPERACIONAL MECÂ-
ALUNO SOLDADO COMBATENTE – FUNCAB/2012) NICO - FCC/2011 - ADAPTADA)
Apenas uma das frases abaixo foge à norma culta no ... para desovar e criar seus filhotes até que sejam
que se refere à colocação pronominal. Aponte-a. capazes de seguir para o oceano.
A) Enviar-lhe-ei por Sedex os documentos solicita- O verbo que se encontra conjugado nos mesmos
dos. tempo e modo que o grifado na frase acima está em:
B) Quem se candidataria à prefeito nesse momen- (A) ... espaços que misturam água do mar e de rios
to?
em meio a árvores de raízes expostas.
C) O jogo que realiza-se hoje contará com a presen-
(B) ... que ela prejudique ainda mais a vida dos pei-
ça de políticos eminentes.
xes e das pessoas.
D) Viu-se obrigado a tomar uma atitude que não
(C) ... Mario Barletta, que, com seu grupo, percorre
desejava.
os estuários da América do Sul.
E) Realizar-se-á uma nova eleição.
(D) ... que várias espécies de peixes precisam de re-
dutos distintos no mangue ...
A) Enviar-lhe-ei por Sedex os documentos solicitados.
= correta (E) ... uma equipe da Universidade Federal de Per-
B) Quem se candidataria à prefeito nesse momento? nambuco verificou que várias espécies de peixes ...
= correta
C) O jogo que realiza-se = o jogo que se realiza “Sejam” está no presente do Subjuntivo.
D) Viu-se obrigado a tomar uma atitude que não de- (A) ... espaços que misturam = presente do Indicativo
sejava. = correta (B) ... que ela prejudique = presente do Subjuntivo
E) Realizar-se-á uma nova eleição. = correta (C) ... Mario Barletta, que, com seu grupo, percorre =
presente do Indicativo
RESPOSTA: “C”. (D) ... que várias espécies de peixes precisam = presen-
te do Indicativo
14-) (BANCO DO BRASIL – MÉDICO DO TRABALHO (E) ... uma equipe da Universidade Federal de Pernam-
– FCC/2012) Ficava difícil se apoiar em algum chavão. buco verificou = pretérito perfeito do Indicativo
O período acima passa de composto a simples caso
se substitua o elemento sublinhado por RESPOSTA: “B”.
(A) para algum chavão apoiá-lo.
(B) que algum chavão o apoiasse. 17-) (SABESP – TECNÓLOGO – FCC/2014) A substi-
(C) apoiá-lo em algum chavão. tuição do elemento grifado pelo pronome correspon-
(D) algum chavão vir a apoiá-lo. dente foi realizada de modo INCORRETO em:
(E) o apoio em algum chavão. (A) que permitiu à civilização = que lhe permitiu
(B) envolveu diferentes fatores = envolveu-os
Para que tenhamos um período simples é necessária a (C) para fazer a dragagem = para fazê-la
presença de um único verbo. Fazendo a alteração e man- (D) que desviava a água = que lhe desviava
tendo o sentido da frase inicial, a alternativa “o apoio em (E) supriam a necessidade = supriam-na
algum chavão” é a que está escrita de maneira correta.
(A) que permitiu à civilização = que lhe permitiu = cor-
RESPOSTA: “E”. reta

12
ECONOMIA E DEMOGRAFIA PARANAENSE

(B) envolveu diferentes fatores = envolveu-os = correta (D) ... e incorporou [...] = pretérito perfeito do Indicativo
(C) para fazer a dragagem = para fazê-la = correta (E)... e reforce a identidade das comunidades. = pre-
(D) que desviava a água = que lhe desviava = que a sente do Subjuntivo.
desviava
(E) supriam a necessidade = supriam-na = correta RESPOSTA: “E”.

RESPOSTA: “D”. 20-) (TRF/4ª REGIÃO – TÉCNICO JUDICIÁRIO –


FCC/2010) Se a tendência se mantiver, teremos cada
18-) (SABESP – TECNÓLOGO – FCC/2014) Conside- vez mais...
rada a substituição do segmento grifado pelo que está Ao substituir o segmento grifado acima por “Caso
entre parênteses ao final da transcrição, o verbo que a tendência”, a continuação que mantém a correção e o
deverá permanecer no singular está em: sentido da frase original é:
(A) ... disse o pesquisador à Folha de S. Paulo. (os a) se mantenha, teremos cada vez mais...
pesquisadores) b) fosse mantida, teríamos cada vez mais...
(B) Segundo ele, a mudança climática contribuiu c) se manter, teremos cada vez mais...
para a ruína dessa sociedade... (as mudanças do clima) d) for mantida, teremos cada vez mais...
(C) No sistema havia também uma estação... (várias e) seja mantida, teríamos cada vez mais...
estações)
(D) ... a civilização maia da América Central tinha Ao empregarmos o termo “caso a”, conjugaremos o
um método sustentável de gerenciamento da água. (os verbo utilizando o modo hipotético (Subjuntivo). A trans-
povos que habitavam a América Central) formação será: Caso a tendência se mantenha, teremos
(E) Um estudo publicado recentemente mostra que cada vez mais...
a civilização maia... (Estudos como o que acabou de ser
publicado). RESPOSTA: “A”.

(A) ... disse (disseram) (os pesquisadores) 21-) (TRF/4ª REGIÃO – TÉCNICO JUDICIÁRIO –
(B) Segundo ele, a mudança climática contribuiu (con- FCC/2010) Não se trata de negar ...... crianças o aces-
tribuíram) (as mudanças do clima) so aos meios eletrônicos, tarefa indesejável e mesmo
(C) No sistema havia (várias estações) = permanecerá impossível de ser realizada, mas de impor limites ......
no singular utilização desses equipamentos tão sedutores, para que
(D) ... a civilização maia da América Central tinha (ti- elas também possam se dedicar ...... outras atividades
nham) (os povos que habitavam a América Central) fundamentais para o seu desenvolvimento.
(E) Um estudo publicado recentemente mostra (mos- Preenchem corretamente as lacunas da frase acima,
tram) (Estudos como o que acabou de ser publicado). na ordem dada:
a) às - a - à
RESPOSTA: “C”. b) as - a - à
c) às - à - a
19-) (SABESP – TECNÓLOGO – FCC/2014) É importante d) as - à - a
que a inserção da perspectiva da sustentabilidade na cultu- e) às - à – à
ra empresarial, por meio das ações e projetos de Educa-
ção Ambiental, esteja alinhada a esses conceitos. Não se trata de negar às (regência verbal de “negar”
O verbo empregado nos mesmos tempo e modo pede objeto direto – o acesso – e indireto – às crianças)
que o verbo grifado na frase acima está em: crianças o acesso aos meios eletrônicos, tarefa indesejável
(A) ... a Empresa desenvolve todas as suas ações, e mesmo impossível de ser realizada, mas de impor limites
políticas... à (regência verbal de “impor” pede objeto direto – limites
(B) ... as definições de Educação Ambiental são – e indireto – à utilização) utilização desses equipamentos
abrangentes... tão sedutores, para que elas também possam se dedicar
(C) ... também se associa o Desenvolvimento Sus- a (regência verbal de “dedicar” pede preposição, mas há
tentável... presença de pronome indefinido) outras atividades funda-
(D) ... e incorporou [...] também aspectos de desen- mentais para o seu desenvolvimento.
volvimento humano.
(E)... e reforce a identidade das comunidades. RESPOSTA: “C”.

O verbo “esteja” está no presente do Subjuntivo. 22-) (SABESP – TÉCNICO DE SEGURANÇA DO TRA-
(A) ... a Empresa desenvolve = presente do Indicativo BALHO - FCC/2014) Reconstroem o pátio da escola -
(B) ... as definições de Educação Ambiental são = pre- entender essa estranha melancolia - restabelecer o elo
sente do Indicativo Fazendo-se as alterações necessárias, os segmentos
(C) ... também se associa o Desenvolvimento Sustentá- grifados acima foram corretamente substituídos por
vel... = presente do Indicativo um pronome, na ordem dada, em:

13
ECONOMIA E DEMOGRAFIA PARANAENSE

(A) Reconstroem-no - entendê-la - restabelecê-lo c) ... ainda que saiba = presente do Subjuntivo
(B) Reconstroem-lhe - a entender - restabelecer-lhe d) ... que se esmeram = presente do Indicativo
(C) O reconstroem - entender-lhe - restabelecê-lo e) ... e permitem = presente do Indicativo
(D) Reconstroem-no - lhe entender - restabelecer-
-no RESPOSTA: “C”.
(E) O reconstroem - entendê-la - restabelecer-lhe
25-) (POLÍCIA CIVIL/SP – PERITO CRIMINAL – VU-
O verbo “reconstruir” é transitivo direto. O objeto dire- NESP/2013) Assinale a alternativa correta quanto à
to será “no”, sobrando-nos as alternativas A e D. “ E n - concordância verbal e à colocação pronominal, de acor-
tender” também requer objeto direto (em D, o “lhe” exer- do com a norma-padrão.
ce a função de indireto). Então, temos: reconstroem-no / (A) Em sua dissertação, Jason Lindo e Charles Stoe-
entendê-la / restabelecê-lo. cker expõem que se manifestam até hoje, na vida civil
dos soldados dos EUA, a violência vivida e praticada
RESPOSTA: “A”. por estes no Vietnã.
(B) Se manifesta até hoje, na vida civil dos soldados
23-) (TRF/4ª REGIÃO – TÉCNICO JUDICIÁRIO – dos EUA, a violência vivida e praticada por eles no Viet-
FCC/2010) ... o aparelho de tevê era um móvel exclusivo nã, segundo expõem Jason Lindo e Charles Stoecker em
da sala de estar ... sua dissertação.
A frase cujo verbo está flexionado nos mesmos (C) Em sua dissertação, Jason Lindo e Charles Stoe-
tempo e modo que o grifado na frase acima é: cker expõe que manifesta-se até hoje, na vida civil dos
a) ... adultos que passaram a maior parte de sua in- soldados dos EUA, a violência vivida e praticada por es-
fância e adolescência ... tes no Vietnã.
b) ... com que aumentasse a exposição aos meios (D) Se manifestam até hoje, na vida civil dos solda-
eletrônicos. dos dos EUA, a violência vivida e praticada por eles no
c) ... que não roubavam muito tempo dos estudos e Vietnã, segundo expõe Jason Lindo e Charles Stoecker
das brincadeiras com amigos. em sua dissertação.
d) ... a tevê ganhou tempo de programação, varie- (E) Manifesta-se até hoje, na vida civil dos soldados
dade de canais e cores... dos EUA, a violência vivida e praticada por eles no Viet-
e) O leitor com 50 anos talvez resgate na memória nã, segundo Jason Lindo e Charles Stoecker expõem em
uma época... sua dissertação.
Era = pretérito imperfeito do Indicativo
a) ... adultos que passaram = pretérito imperfeito (e (A) Em sua dissertação, Jason Lindo e Charles Stoecker
mais-que-perfeito) do Indicativo expõem que se manifestam (manifesta) até hoje, na vida
b) ... com que aumentasse = pretérito do Subjuntivo civil dos soldados dos EUA, a violência vivida e praticada
c) ... que não roubavam pretérito imperfeito do Indi- por estes no Vietnã.
cativo (B) Se manifesta (manifesta-se) até hoje, na vida civil
d) ... a tevê ganhou = pretérito perfeito do Indicativo dos soldados dos EUA, a violência vivida e praticada por
e) O leitor com 50 anos talvez resgate = presente do eles no Vietnã, segundo expõem Jason Lindo e Charles
Subjuntivo Stoecker em sua dissertação.
(C) Em sua dissertação, Jason Lindo e Charles Stoecker
RESPOSTA: “C”. expõe (expõem) que (se) manifesta-se (X) até hoje, na vida
civil dos soldados dos EUA, a violência vivida e praticada
24-) (TRF/4ª REGIÃO – ENFERMAGEM – FCC/2010) por estes no Vietnã.
Não é raro que a escola esteja completamente desvincu- (D) Se manifestam (manifesta-se) até hoje, na vida civil
lada das atividades culturais .... dos soldados dos EUA, a violência vivida e praticada por
O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo em eles no Vietnã, segundo expõe Jason Lindo e Charles Stoe-
que se encontra o grifado acima está na frase: cker em sua dissertação.
a) Mas raramente há referência ao analfabetismo (E) Manifesta-se até hoje, na vida civil dos soldados
funcional daquela larga parcela da população... dos EUA, a violência vivida e praticada por eles no Vietnã,
b) ...porque está aquém do manejo minimamente segundo Jason Lindo e Charles Stoecker expõem em sua
competente da informação cultural ... dissertação.
c) ...ainda que saiba ler e escrever ...
d) ... que se esmeram em falar o “computacionês” RESPOSTA: “E”.
incompreensível.
e) ... e permitem a qualquer semialfabetizado ...

Esteja = presente do Subjuntivo


a) Mas raramente há = presente do Indicativo
b) ... porque está = presente do Indicativo

14
NOÇÕES DE INFORMÁTICA

Arquitetura e Organização de Computadores: Componentes. Periféricos;....................................................................................... 01


Internet: World Wide Web: Conceitos. Browser (Internet Explorer 7.0).............................................................................................. 23
Correio Eletrônico: conceitos; Gerenciador de e-mail (Outlook Express 6.0);.................................................................................. 40
Vírus;.............................................................................................................................................................................................................................. 49
BrOffice 3.1: BrOffice Documento Texto (Writer): Atalhos e barra de ferramentas; Modos de seleção de texto; Formata-
ção de texto; Formatação de Parágrafos; Alinhamento;........................................................................................................................... 51
BrOffice Planilha (Cale): Atalhos e barra de ferramentas; Formatação de Dados; Seleção de Células; Atributos de Carac-
tere................................................................................................................................................................................................................................. 74
NOÇÕES DE INFORMÁTICA

“CARO CANDIDATO, POR SE TRATAR DE UMA MAINFRAMES


APOSTILA PREPARATÓRIA, COLOCAMOS AS VER-
SÕES MAIS ATUAIS DOS PROGRAMAS”

ARQUITETURA E ORGANIZAÇÃO DE
COMPUTADORES: COMPONENTES.
PERIFÉRICOS;

HISTÓRICO

Os primeiros computadores construídos pelo homem


foram idealizados como máquinas para processar números
(o que conhecemos hoje como calculadoras), porém, tudo
era feito fisicamente.
Existia ainda um problema, porque as máquinas pro-
cessavam os números, faziam operações aritméticas, mas
depois não sabiam o que fazer com o resultado, ou seja, Os computadores podem ser classificados pelo porte.
eram simplesmente máquinas de calcular, não recebiam Basicamente, existem os de grande porte ― mainframes
instruções diferentes e nem possuíam uma memória. Até ― e os de pequeno porte ― microcomputadores ― sen-
então, os computadores eram utilizados para pouquíssi- do estes últimos divididos em duas categorias: desktops ou
mas funções, como calcular impostos e outras operações. torres e portáteis (notebooks, laptops, handhelds e smar-
Os computadores de uso mais abrangente apareceram tphones).
logo depois da Segunda Guerra Mundial. Os EUA desen- Conceitualmente, todos eles realizam funções internas
volveram ― secretamente, durante o período ― o primei- idênticas, mas em escalas diferentes.
ro grande computador que calculava trajetórias balísticas. Os mainframes se destacam por ter alto poder de pro-
A partir daí, o computador começou a evoluir num ritmo cessamento, muita capacidade de memória e por controlar
cada vez mais acelerado, até chegar aos dias de hoje. atividades com grande volume de dados. Seu custo é bas-
tante elevado. São encontrados, geralmente, em bancos,
Código Binário, Bit e Byte grandes empresas e centros de pesquisa.

O sistema binário (ou código binário) é uma repre-


sentação numérica na qual qualquer unidade pode ser
demonstrada usando-se apenas dois dígitos: 0 e 1. Esta é CLASSIFICAÇÃO DOS COMPUTADORES
a única linguagem que os computadores entendem. Cada
um dos dígitos utilizados no sistema binário é chamado de A classificação de um computador pode ser feita de
Binary Digit (Bit), em português, dígito binário e representa diversas maneiras. Podem ser avaliados:
a menor unidade de informação do computador. • Capacidade de processamento;
Os computadores geralmente operam com grupos de • Velocidade de processamento;
bits. Um grupo de oito bits é denominado Byte. Este pode • Capacidade de armazenamento das informações;
ser usado na representação de caracteres, como uma letra • Sofisticação do software disponível e compatibi-
(A-Z), um número (0-9) ou outro símbolo qualquer (#, %, lidade;
*,?, @), entre outros. • Tamanho da memória e tipo de CPU (Central Pro-
Assim como podemos medir distâncias, quilos, tama- cessing Uni), Unidade Central de Processamento.
nhos etc., também podemos medir o tamanho das infor-
mações e a velocidade de processamento dos computa- TIPOS DE MICROCOMPUTADORES
dores. A medida padrão utilizada é o byte e seus múltiplos,
conforme demonstramos na tabela abaixo: Os microcomputadores atendem a uma infinidade de
aplicações. São divididos em duas plataformas: PC (compu-
tadores pessoais) e Macintosh (Apple).
Os dois padrões têm diversos modelos, configurações
e opcionais. Além disso, podemos dividir os microcompu-
tadores em desktops, que são os computadores de mesa,
com uma torre, teclado, mouse e monitor e portáteis, que
podem ser levados a qualquer lugar.

1
NOÇÕES DE INFORMÁTICA

DESKTOPS Para tentarmos definir o que seja processamento de


dados temos de ver o que existe em comum em todas es-
São os computadores mais comuns. Geralmente dis- tas atividades. Ao analisarmos, podemos perceber que em
põem de teclado, mouse, monitor e gabinete separados todas elas são dadas certas informações iniciais, as quais
fisicamente e não são movidos de lugar frequentemente, chamamos de dados.
uma vez que têm todos os componentes ligados por cabos. E que estes dados foram sujeitos a certas transforma-
São compostos por: ções, com as quais foram obtidas as informações.
• Monitor (vídeo) O processamento de dados sempre envolve três fases
• Teclado essenciais: Entrada de Dados, Processamento e Saída da
• Mouse Informação.
• Gabinete: Placa-mãe, CPU (processador), memó- Para que um sistema de processamento de dados fun-
rias, drives, disco rígido (HD), modem, portas USB etc. cione ao contento, faz-se necessário que três elementos
funcionem em perfeita harmonia, são eles:
PORTÁTEIS
Hardware
Os computadores portáteis possuem todas as partes
integradas num só conjunto. Mouse, teclado, monitor e
Hardware é toda a parte física que compõe o sistema
gabinete em uma única peça. Os computadores portáteis
começaram a aparecer no início dos anos 80, nos Estados de processamento de dados: equipamentos e suprimentos
Unidos e hoje podem ser encontrados nos mais diferen- tais como: CPU, disquetes, formulários, impressoras.
tes formatos e tamanhos, destinados a diferentes tipos de
operações. Software

LAPTOPS É toda a parte lógica do sistema de processamento de


dados. Desde os dados que armazenamos no hardware,
Também chamados de notebooks, são computadores até os programas que os processam.
portáteis, leves e produzidos para serem transportados fa-
cilmente. Os laptops possuem tela, geralmente de Liquid Peopleware
Crystal Display (LCD), teclado, mouse (touchpad), disco rí-
gido, drive de CD/DVD e portas de conexão. Seu nome vem Esta é a parte humana do sistema: usuários (aqueles
da junção das palavras em inglês lap (colo) e top (em cima), que usam a informática como um meio para a sua ativi-
significando “computador que cabe no colo de qualquer dade fim), programadores e analistas de sistemas (aqueles
pessoa”. que usam a informática como uma atividade fim).
Embora não pareça, a parte mais complexa de um sis-
NETBOOKS tema de processamento de dados é, sem dúvida o People-
ware, pois por mais moderna que sejam os equipamentos,
São computadores portáteis muito parecidos com o por mais fartos que sejam os suprimentos, e por mais inte-
notebook, porém, em tamanho reduzido, mais leves, mais ligente que se apresente o software, de nada adiantará se
baratos e não possuem drives de CD/ DVD. as pessoas (peopleware) não estiverem devidamente trei-
PDA nadas a fazer e usar a informática.
O alto e acelerado crescimento tecnológico vem apri-
É a abreviação do inglês Personal Digital Assistant e morando o hardware, seguido de perto pelo software.
também são conhecidos como palmtops. São computado-
Equipamentos que cabem na palma da mão, softwares que
res pequenos e, geralmente, não possuem teclado. Para a
transformam fantasia em realidade virtual não são mais
entrada de dados, sua tela é sensível ao toque. É um assis-
novidades. Entretanto ainda temos em nossas empresas
tente pessoal com boa quantidade de memória e diversos
programas para uso específico. pessoas que sequer tocaram algum dia em um teclado de
computador.
SMARTPHONES Mesmo nas mais arrojadas organizações, o relaciona-
mento entre as pessoas dificulta o trâmite e consequente
São telefones celulares de última geração. Possuem processamento da informação, sucateando e subutilizando
alta capacidade de processamento, grande potencial de equipamentos e softwares. Isto pode ser vislumbrado, so-
armazenamento, acesso à Internet, reproduzem músicas, bretudo nas instituições públicas.
vídeos e têm outras funcionalidades.

Sistema de Processamento de Dados

Quando falamos em “Processamento de Dados” trata-


mos de uma grande variedade de atividades que ocorre
tanto nas organizações industriais e comerciais, quanto na
vida diária de cada um de nós.

2
NOÇÕES DE INFORMÁTICA

POR DENTRO DO GABINETE Devido à complexidade das motherboards, da sofisti-


cação dos sistemas operacionais e do crescente aumento
do clock, o chipset é o conjunto de CIs (circuitos integra-
dos) mais importante do microcomputador. Fazendo uma
analogia com uma orquestra, enquanto o processador é o
maestro, o chipset seria o resto!

• BIOS

O BIOS (Basic Input Output System), ou sistema básico


de entrada e saída, é a primeira camada de software do
micro, um pequeno programa que tem a função de “iniciar”
o microcomputador. Durante o processo de inicialização, o
BIOS é o responsável pelo reconhecimento dos componen-
Identificaremos as partes internas do computador, lo- tes de hardware instalados, dar o boot, e prover informa-
calizadas no gabinete ou torre: ções básicas para o funcionamento do sistema.
• Motherboard (placa-mãe) O BIOS é a camada (vide diagrama 1.1) que viabiliza a
• Processador utilização de Sistemas Operacionais diferentes (Linux, Unix,
• Memórias Hurd, BSD, Windows, etc.) no microcomputador. É no BIOS
• Fonte de Energia que estão descritos os elementos necessários para ope-
• Cabos racionalizar o Hardware, possibilitando aos diversos S.O.
• Drivers acesso aos recursos independe de suas características es-
• Portas de Entrada/Saída pecíficas.
MOTHERBOARD (PLACA-MÃE)

É uma das partes mais importantes do computador. A


motherboard é uma placa de circuitos integrados que ser-
ve de suporte para todas as partes do computador.
Praticamente, tudo fica conectado à placa-mãe de al-
guma maneira, seja por cabos ou por meio de barramentos. O BIOS é gravado em um chip de memória do tipo
A placa mãe é desenvolvida para atender às caracte- EPROM (Erased Programmable Read Only Memory). É um
rísticas especificas de famílias de processadores, incluindo tipo de memória “não volátil”, isto é, desligando o com-
até a possibilidade de uso de processadores ainda não putador não há a perda das informações (programas) nela
lançados, mas que apresentem as mesmas características contida. O BIOS é contem 2 programas: POST (Power On
previstas na placa. Self Test) e SETUP para teste do sistema e configuração dos
A placa mãe é determinante quanto aos componentes parâmetros de inicialização, respectivamente, e de funções
que podem ser utilizados no micro e sobre as possibilida- básicas para manipulação do hardware utilizadas pelo Sis-
des de upgrade, influenciando diretamente na performan- tema Operacional.
ce do micro. Quando inicializamos o sistema, um programa chama-
do POST conta a memória disponível, identifica dispositi-
Diversos componentes integram a placa-mãe, como: vos plug-and-play e realiza uma checagem geral dos com-
• Chipset ponentes instalados, verificando se existe algo de errado
Denomina-se chipset os circuitos de apoio ao micro- com algum componente. Após o término desses testes, é
computador que gerenciam praticamente todo o funciona- emitido um relatório com várias informações sobre o hard-
mento da placa-mãe (controle de memória cache, DRAM, ware instalado no micro. Este relatório é uma maneira fácil
controle do buffer de dados, interface com a CPU, etc.). e rápida de verificar a configuração de um computador.
O chipset é composto internamente de vários outros Para paralisar a imagem tempo suficiente para conseguir
pequenos chips, um para cada função que ele executa. Há ler as informações, basta pressionar a tecla “pause/break”
um chip controlador das interfaces IDE, outro controlador do teclado.
das memórias, etc. Existem diversos modelos de chipsets,
cada um com recursos bem diferentes.

3
NOÇÕES DE INFORMÁTICA

Caso seja constatado algum problema durante o POST, PROCESSADOR


serão emitidos sinais sonoros indicando o tipo de erro en-
contrado. Por isso, é fundamental a existência de um alto-
falante conectado à placa mãe.
Atualmente algumas motherboards já utilizam chips de
memória com tecnologia flash. Memórias que podem ser
atualizadas por software e também não perdem seus da-
dos quando o computador é desligado, sem necessidade
de alimentação permanente.
As BIOS mais conhecidas são: AMI, Award e Phoenix.
50% dos micros utilizam BIOS AMI.

• Memória CMOS

CMOS (Complementary Metal-Oxide Semicondutor)


é uma memória formada por circuitos integrados de bai- O microprocessador, também conhecido como pro-
xíssimo consumo de energia, onde ficam armazenadas as cessador, consiste num circuito integrado construído para
informações do sistema (setup), acessados no momento realizar cálculos e operações. Ele é a parte principal do
do BOOT. Estes dados são atribuídos na montagem do mi- computador, mas está longe de ser uma máquina completa
crocomputador refletindo sua configuração (tipo de win- por si só: para interagir com o usuário é necessário memó-
chester, números e tipo de drives, data e hora, configura- ria, dispositivos de entrada e saída, conversores de sinais,
ções gerais, velocidade de memória, etc.) permanecendo entre outros.
armazenados na CMOS enquanto houver alimentação da É o processador quem determina a velocidade de pro-
bateria interna. Algumas alterações no hardware (troca e/ cessamento dos dados na máquina. Os primeiros modelos
ou inclusão de novos componentes) podem implicar na al- comerciais começaram a surgir no início dos anos 80.
teração de alguns desses parâmetros. • Clock Speed ou Clock Rate
Muitos desses itens estão diretamente relacionados É a velocidade pela qual um microprocessador execu-
com o processador e seu chipset e portanto é recomen- ta instruções. Quanto mais rápido o clock, mais instruções
dável usar os valores default sugerido pelo fabricante da uma CPU pode executar por segundo.
BIOS. Mudanças nesses parâmetros pode ocasionar o tra- Usualmente, a taxa de clock é uma característica fixa do
vamento da máquina, intermitência na operação, mau fun- processador. Porém, alguns computadores têm uma “cha-
cionamento dos drives e até perda de dados do HD. ve” que permite 2 ou mais diferentes velocidades de clock.
Isto é útil porque programas desenvolvidos para trabalhar
• Slots para módulos de memória em uma máquina com alta velocidade de clock podem não
Na época dos micros XT e 286, os chips de memória trabalhar corretamente em uma máquina com velocidade
eram encaixados (ou até soldados) diretamente na placa de clock mais lenta, e vice versa. Além disso, alguns com-
mãe, um a um. O agrupamento dos chips de memória em ponentes de expansão podem não ser capazes de trabalhar
módulos (pentes), inicialmente de 30 vias, e depois com 72 a alta velocidade de clock.
e 168 vias, permitiu maior versatilidade na composição dos Assim como a velocidade de clock, a arquitetura inter-
bancos de memória de acordo com as necessidades das na de um microprocessador tem influência na sua perfor-
aplicações e dos recursos financeiros disponíveis. mance. Dessa forma, 2 CPUs com a mesma velocidade de
Durante o período de transição para uma nova tecno- clock não necessariamente trabalham igualmente. Enquan-
logia é comum encontrar placas mãe com slots para mais to um processador Intel 80286 requer 20 ciclos para multi-
de um modelo. Atualmente as placas estão sendo pro- plicar 2 números, um Intel 80486 (ou superior) pode fazer
duzidas apenas com módulos de 168 vias, mas algumas o mesmo cálculo em um simples ciclo. Por essa razão, estes
comportam memórias de mais de um tipo (não simulta- novos processadores poderiam ser 20 vezes mais rápido
neamente): SDRAM, Rambus ou DDR-SDRAM. que os antigos mesmo se a velocidade de clock fosse a
mesma. Além disso, alguns microprocessadores são supe-
• Clock rescalar, o que significa que eles podem executar mais de
Relógio interno baseado num cristal de Quartzo que uma instrução por ciclo.
gera um pulso elétrico. A função do clock é sincronizar to- Como as CPUs, os barramentos de expansão também
dos os circuitos da placa mãe e também os circuitos inter- têm a sua velocidade de clock. Seria ideal que as velocida-
nos do processador para que o sistema trabalhe harmoni- des de clock da CPU e dos barramentos fossem a mesma
camente. para que um componente não deixe o outro mais lento. Na
Estes pulsos elétricos em intervalos regulares são me- prática, a velocidade de clock dos barramentos é mais lenta
didos pela sua frequência cuja unidade é dada em hertz que a velocidade da CPU.
(Hz). 1 MHz é igual a 1 milhão de ciclos por segundo. Nor- • Overclock
malmente os processadores são referenciados pelo clock Overclock é o aumento da frequência do processador
ou frequência de operação: Pentium IV 2.8 MHz. para que ele trabalhe mais rapidamente.

4
NOÇÕES DE INFORMÁTICA

A frequência de operação dos computadores domésti- NEC, Cyrix e AMD; sendo que atualmente apenas essa últi-
cos é determinada por dois fatores: ma marca mantém-se fazendo frente aos lançamentos da
• A velocidade de operação da placa-mãe, conhecida INTEL no mercado. Por exemplo, um modelo muito popular
também como velocidade de barramento, que nos compu- de 386 foi o de 40 MHz, que nunca foi feito pela INTEL, cujo
tadores Pentium pode ser de 50, 60 e 66 MHz. 386 mais veloz era de 33 MHz, esse processador foi obra
• Um multiplicador de clock, criado a partir dos 486 da AMD. Desde o lançamento da linha Pentium, a AMD foi
que permite ao processador trabalhar internamente a uma obrigada a criar também novas denominações para seus
velocidade maior que a da placa-mãe. Vale lembrar que processadores, sendo lançados modelos como K5, K6-2,
os outros periféricos do computador (memória RAM, cache K7, Duron (fazendo concorrência direta à ideia do Celeron)
L2, placa de vídeo, etc.) continuam trabalhando na veloci- e os mais atuais como: Athlon, Turion, Opteron e Phenom.
dade de barramento. MEMÓRIAS
Como exemplo, um computador Pentium 166 trabalha
com velocidade de barramento de 66 MHz e multiplica-
dor de 2,5x. Fazendo o cálculo, 66 x 2,5 = 166, ou seja, o
processador trabalha a 166 MHz, mas se comunica com os
demais componentes do micro a 66 MHz.
Tendo um processador Pentium 166 (como o do exem-
plo acima), pode-se fazê-lo trabalhar a 200 MHz, simples-
mente aumentando o multiplicador de clock de 2,5x para
3x. Caso a placa-mãe permita, pode-se usar um barramen-
to de 75 ou até mesmo 83 MHz (algumas placas mais mo-
dernas suportam essa velocidade de barramento). Neste
caso, mantendo o multiplicador de clock de 2,5x, o Pentium
166 poderia trabalhar a 187 MHz (2,5 x 75) ou a 208 MHz
(2,5 x 83). As frequências de barramento e do multiplicador
podem ser alteradas simplesmente at