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LÍNGUA GREGA

ORIGEM E PERÍODOS

Oriunda do indo-europeu, a história da língua grega começa na península balcânica por volta
de 3000 a.c.. Os primeiros textos gregos datam cerca de 1400 a.c. e são registros de uma
escrita silabárica conhecida como Sistema Linear B – sinais talhados em vasos e tabuinhas. A
partir desses registros foi possível reconstruir a estrutura da antiga língua.

O desenvolvimento do idioma pode ser dividido em cinco períodos:

1 – Período Formativo/Antigo – época de ocupação do território da Grécia. Estendeu-se,


aproximadamente, de 1500 a 900 a.c. Nesse período ocorrem o desenvolvimento das
civilizações Micênia e Cretense e, no final, a invasão dos Dórios, provocando a dispersão dos
povos da região e a ruralização. Aqui é falado o grego primitivo e, nessa fase, originam-se os
três dialetos principais da língua: o dórico, o eólico e o jônio-ático.

2 – Período Clássico/Ático/Arcaico – conclusão do processo de ruralização das comunidades


gentílicas, são organizadas pequenas comunidades, “genos”, dando um caráter patriarcal. De
900 a.c. a 300 a.c., essa época torna-se conhecida graças aos grandes escritores, como
Homero – autor das Ilíadas e Odisséia e considerado por muitos como o maior poeta grego –,
Hesíodo, Heródoto e Platão, dentre outros. Aqui temos a transformação do alfabeto grego
para os caracteres como conhecemos hoje – o dialetático é o que mais se destaca, chegando a
ser a base principal para o grego koiné utilizado no Novo Testamento.

3 – Período Koiné/Helenístico – de 330 a.c. até por volta de 330 d.c., o dialeto koiné
(“comum”) torna-se o grego padrão da antiguidade e língua franca do mundo antigo através
das conquistas de Alexandre O Grande, formando assim o Império Macedônio. O grego ático,
com elementos jônicos, do magnanimo rei é misturado com algumas características
estrangeiras e mesmo após a queda do Império permanece como língua franca do Império
Romano até início do século III, quando é suplantada pelo Latim. É nesse período que o Antigo
Testamento em hebraico é traduzido para o grego, a famosa Septuaginta, e também utilizado
na redação do Novo Testamento.

4 – Período Bizantino/Medieval – abrange o perído de 330 até 1453 d.c.. Após a divisão do
Império Romano, a preservação da língua e cultura grega se dá principalmente em Bizâncio e
na Ásia Menor, muito mais do que na própria Grécia. A língua de uso comum é conhecida
como grego bizantino, uma continuação do koiné.

5 – Período Moderno – é o quinto e último, até o momento, estado da evolução da língua


grega. Surge com a queda do Império Bizantino em 1453 d.c., embora para alguns a sua origem
ocorre no século XI. Permanece numa situação de diglossia, isto é, a coexistência dos dialetos
falados com as formas arcaicas escritas até o século XIX, quando uma versão reconstruída do
grego antigo, a chamada Katharevousa (a língua grega “purificada”) é criada para retirar do
idioma os estrangeirismos europeus e turcos, tornando-o mais perfeito e, consequentemente,
mais próximo da Antiguidade. Em 1976, a demótica torna-se a língua oficial grega, substituindo
a katharevousa.
Alfabeto Grego

Diferentemente da falada, a escrita grega não mudou quase nada ao longo dos seus séculos de
evolução, devido aos esforços para manter a preservação da língua. Isso significa que muitas
palavras do passado e do presente são escritas, não raras vezes, de forma semelhante ou até
mesmo idêntica, mas com pronúncias completamente diferentes.

Assim, o alfabeto grego utilizado hoje é uma continuação do adotado no período clássico:
fenício com a introdução das vogais, compondo-se de 24 letras:

LETRA NOME TRANSLITERAÇÃO


MAI MIN GR CLAS PORT GR MOD PORT GR CLAS GR MOD
   alpha  alfa a a, =e
   beta  vita b v
   ]  g, =ng,
   gamma  gáma g =ng,
=nch,
=nx
   delta  delta d d
    e, corta-
   épsilon  épsilon e se antes
de i
   zeta  zíta z z
   eta  íta e i
   theta  thíta th th
   iota  ióta i i
   kappa  kápa k k
   lambda  lámda l l
   my  mi m m
   ny  ni n n
   xi  xi x x
    o, corta-
   omikron  ómikron o se antes
de i
    p,
   pi  pi p =mb

   rho  ro r(h) r
   sigma  sígma s s
   tau  taf t t, vt=nd
    y, depois
   ypsilon  ýpsilon y de vogais
v ou f
   phi  fi ph f
   chi  chi ch ch
   psi  psi ps os
   omega  oméga o o
As letras destacadas em vermelho mostram a diferença entre o clássico e o moderno. Os
acentos e símbolos utilizados para marcar o som fricativo glotal átono no grego foram
introduzidos no período helenístico. Mas em 1982, por força de um decreto do então
presidente grego, este som abolido e os acentos foram substituídos por um único caracter
para indicar a sílaba tônica. Obviamente em textos gregos antigos esses acentos e símbolos
são naturalmente utilizados.

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