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KAROLINA DUARTE MATEUS VARELA

O PRECONCEITO DA TATUAGEM NO
MERCADO DE TRABALHO

Novembro de 2009
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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE


CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS

O PRECONCEITO DA TATUAGEM NO
MERCADO DE TRABALHO

Karolina Duarte Mateus Varela


Orientadora: Professora Andréa Barbosa Osório

Monografia apresentada ao
Departamento de Ciências Sociais da
Universidade Federal do Rio Grande do
Norte, como Exigência para a conclusão
da Graduação em Ciências Sociais
(Bacharelado em Antropologia)

Novembro de 2009
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O PRECONCEITO DA TATUAGEM NO
MERCADO DE TRABALHO

KAROLINA DUARTE MATEUS VARELA

Monografia submetida ao corpo


docente do Curso de Ciências
Sociais como requisito para
obtenção do grau de bacharel em
Antropologia da Universidade
Federal do Rio Grande do Norte,
pela seguinte banca examinadora:

___________________________________________
Profª. Dra. Andréa Barbosa Osório – Orientadora

___________________________________________
Profª. Dra. Eliane Tânia Martins – Membro Interno

___________________________________________
Profª. Dra Lisabete Coradini – Membro Interno

___________________________________________
Profª. Dra Berenice Bento – Suplente

Natal

2009
4

AGRADECIMENTOS

À professora Andréa Barbosa Osório pelo grande empenho, paciência e

orientação prestada no decurso do trabalho.

A todos os informantes, pelos depoimentos concedidos à pesquisa.

Aos meus pais e ao meu marido que sempre me apoiaram e acreditaram

na minha capacidade de realizar este trabalho.


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SUMÁRIO

Introdução 06

Capítulo I 08

Capítulo II 17

Capítulo III 26

Considerações Finais 38

Referências Bibliográficas 41

Anexo 1 44
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INTRODUÇÃO

O presente trabalho está estruturado a partir do problema central

do preconceito da tatuagem no mercado de trabalho a partir do imaginário

dos tatuados e da sua experiência profissional.

Do ponto de vista antropológico, analisaremos a prática da

tatuagem com relação ao mercado de trabalho a partir da experiência de

vida dos informantes, sob a perspectiva do conceito de corpo na

sociedade ocidental moderna contemporânea.

Este trabalho se torna importante ao percebemos, diante de um

levantamento bibliográfico, que as diversas áreas do conhecimento que

dizem respeito às ciências sociais vêm desenvolvendo pesquisas sobre a

prática da tatuagem a partir de vários pontos de vista, gerando diversas

teorias e concepções a respeito da tatuagem, inclusive no campo da

antropologia.

Embora existam muitos trabalhos realizados nessa linha, poucos

são os que discutem, a partir do ponto de vista antropológico, sob a

perspectiva do mercado de trabalho. A produção teórica existente, sobre

o preconceito da tatuagem no mercado de trabalho, ainda é insuficiente e

esse trabalho vem a contribuir para a reflexão teórica.


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No primeiro capítulo, “Histórico da Tatuagem”, apresentamos

algumas considerações acerca do surgimento da tatuagem e de seu

desenvolvimento ao longo dos anos em diversos setores da sociedade.

O segundo capítulo, “Tatuagem e Corpo”, trata, em linhas gerais,

de como as ciências sociais compreendem a noção de corpo e de seu

controle dentro do contexto da sociedade moderna ocidental, fazendo

uma interpretação antropológica da tatuagem como marca de resistência.

O terceiro capítulo trata da metodologia do trabalho e da análise

dos dados quantitativos e qualitativos avaliados a partir de questões da

vida pessoal e profissional dos informantes.

Finalmente, apresentamos as considerações finais. Fazemos uma

síntese dos capítulos anteriores e discutimos os resultados da pesquisa

qualitativa.
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CAPÍTULO I – HISTÓRICO DA TATUAGEM

Para este trabalho, torna-se relevante apresentar alguns dados da

história da tatuagem no Ocidente, pois seu uso possui um percurso

histórico que auxilia na sua compreensão.

Embora os primórdios da tatuagem estejam localizados na pré-

história (Gilbert apud Osório, 2006), seu percurso ou “re-descoberta” no

Ocidente (Osório, 2006) data das expedições marítimas que se realizaram

no século XVIII, com as viagens do capitão Cook e, em especial, às ilhas

do Pacífico. Inicialmente como arte “exótica, onde foi observado que a

tatuagem era uma prática tradicional, bastante expandida e com

importantes funções sociais” (Grognard apud Fonseca, 2003), ela

posteriormente se torna prática ocidental. Vários capitães e marinheiros

começaram a se interessar por esta arte, fazendo-se tatuar,

transformando, dessa maneira, seus próprios corpos numa tela para ser

exibida aos olhos do Ocidente. Apesar de que já se tinha conhecimento

de diferentes marcas corporais existentes entre os povos “primitivos”, foi

somente quando os marinheiros e viajantes talharam suas peles que se

estabeleceu uma ponte através da qual o Ocidente se aproximou e iniciou

a trajetória da tatuagem.

Muitos tatuadores ocidentais dos séculos XIX e XX eram ex-

marinheiros e aprenderam a técnica enquanto estavam a bordo e,


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segundo Gilbert (apud Osório 2006), já na metade do século XVIII os

principais portos britânicos tinham pelo menos um tatuador profissional,

normalmente marinheiros aposentados. Pode-se dizer que o

ressurgimento da tatuagem na Europa, esquecida desde a Idade Média,

foi devido a este acontecimento.

O ressurgimento da tatuagem na Europa se deu também através

do circo, onde corpos tatuados eram expostos como atrações. Segundo

Gilbert (apud Osório 2006), o primeiro artista circense tatuado foi o inglês

John Rutherford, que começou a carreira em 1828.

As mulheres tiveram papel relevante no circo. Uma das

percussoras foi La Belle Irene que entrou para o circo em 1890. La Belle

Irene foi tatuada por famosos tatuadores da época, suas tatuagens

seguiam a tradição circense, e dizia-se ter sido tatuada no Texas, lugar

selvagem onde se acreditava que as marcas serviam para afastar os

índios (Gilbert apud Osório, 2006)

A partir de La Belle Irene, as mulheres entraram no negócio da

tatuagem circense, um mercado que se mostrou extremamente lucrativo

na época (Oettermann apud Osório, 2006), aonde famílias inteiras

chegaram a tatuar seus corpos. Algumas mulheres mantinham ligação

conjugal com os tatuadores e artistas circenses, no qual as esposas

serviam de propaganda do trabalho dos maridos, e de uma forma ou de

outra aprendiam o ofício de tatuadoras, ou seja, a ligação conjugal

facilitava a entrada das mulheres na profissão.


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Logo depois, no percurso do século XIX e começo do XX, a prática

da tatuagem seguiu uma intrépida fase de peregrinação pelos setores

marginais da sociedade, nos quais, presidiários, meretrizes e soldados

converteram-se nos novos protagonistas dessa prática. Como

conseqüência, os ambientes sociais por onde começava a transitar a

tatuagem eram as penitenciárias, os quartéis, os cárceres e a rua

(Fonseca, 2003).

Dentre os ambientes citados acima cabe destacar o cárcere, onde

a tatuagem cobrou uma significativa importância, a ponto de ser

conhecida popularmente como a “flor do presídio” (Grognard apud

Fonseca, 2003). Nesse cenário, aprendia-se a tatuar, praticava-se,

experimentava-se, realizava-se a primeira tatuagem. Era um público

cativo. Mais da metade de sua população tinha tatuagens (Le Breton apud

Fonseca, 2003).

Assim, ao converter-se em objeto de preferência dos setores

marginais, a tatuagem se situava socialmente nas margens da sociedade,

esse era seu novo contexto e referente sócio-cultural. Essa situação

gerou uma construção negativa em torno dessa prática, que transportou

ao imaginário social um sentido de referência e equivalência entre

tatuagem e marca de marginalidade, que começou a atuar num duplo

sentido, pois estar sobre uma posição socialmente desfavorável também

era em si mesmo um valor de estigma (Le Breton apud Fonseca, 2003).

Mesmo com o sentido de referência à marginalidade, a tatuagem

esteve presente na nobreza européia. As tatuagens da família real


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britânica deram início a um processo de imitação prestigiosa (Mauss,

1974). Segundo Osório (2006), no corpo da realeza, as tatuagens

ganharam novos significados, elas tornaram-se, sobretudo, lembranças

de países orientais. Segundo Borel (apud Osório, 2006) a nobreza foi a

disseminadora de uma prática que tinha raízes nos viajantes, que, assim

como os marinheiros, costumavam se tatuar com o intuito de levar uma

recordação do lugar visitado.

Segundo Gilbert (apud Osório, 2006), o exemplo da nobreza

britânica influenciou os comandantes da sua Marinha Real, bem como a

elite de um modo geral, onde a nobreza desempenhou um papel de

elaborar a tatuagem como um sinal de bom gosto, elegância e distinção.

Mesmo assim, a tatuagem só ganhou a classe média ocidental no final do

século XX.

A tatuagem na contemporaneidade adquiriu uma nova forma de ser

assumida e de ser praticada socialmente, sendo cada vez mais freqüente

ver corpos tatuados em distintos setores sociais, sem ou com poucas

restrições de gênero, idade ou status. A tatuagem deixou de ser uma

prática exclusiva da marginalidade e começou a se inserir em novos

contextos sociais, ganhando outros significados (Osório, 2006).

Algumas formas de apropriação social geraram novas dinâmicas e

imaginários em torno da tatuagem. Em especial as dos anos 1960 e 1970,

quando a tatuagem se converteu em “privilégio das culturas marginais”,

inicialmente, com grupos urbanos, tais como, roqueiros, motoqueiros,

hippies e, de maneira mais radical, os punks e os skinheads, que


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ostentavam publicamente sua vontade de romperem com as regras

sociais, usavam a tatuagem como um ornamento associado às suas

vestimentas que os identificavam e os situavam deliberadamente à

margem da própria sociedade (Le Breton apud Fonseca, 2006).

Definitivamente, esse era um uso e uma apropriação bem diferente

da que tinha anteriormente a tatuagem, pois passou de forma de

expressão popular através da qual os setores marginais comunicavam

seus sentimentos e paixões (Grognard apud Fonseca, 2003), para

converter-se numa marca ornamental de identificação grupal e de

transgressão social. A tatuagem ganhou, então, uma nova conotação

dentro do imaginário coletivo: a rebeldia juvenil e sua associação aos

excessos, em particular, ao uso de drogas.

Somente nos anos 1980 é que o caráter estigmatizador da

tatuagem começou a mudar, com o estabelecimento de modernas lojas

exclusivas (dotadas de equipamentos especializados, material

descartável), profissionalização dos tatuadores, melhoramento da técnica

e o mais importante: a nova forma de conceber o corpo como matéria-

prima de construção do sujeito e aberto às transformações. A tatuagem

torna-se uma das opções estéticas mais procuradas pelas novas

gerações (Le Breton apud Fonseca, 2006).

No Brasil, o processo de modernização da prática da tatuagem se

deu de forma muito lenta em razão da dificuldade de acesso às novas

técnicas e, principalmente, à máquina de tatuar elétrica. A máquina foi

inventada em 1891, pelo norte americano Samuel O‟Really, que


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revolucionou aspectos-chave do exercício deste ofício, tais como a

redução do tempo de trabalho. Assim, quando antes se precisava de

horas para poder realizar uma tatuagem, passaram a ser necessários

minutos (Pierrat apud Fonseca, 2003). Outra mudança diz respeito à

qualificação técnica na aplicação das tatuagens, que aperfeiçoava o

acabamento de seus traços, dos contornos, do brilho e do colorido, etc.

Porém, o que adquiriu uma maior dimensão social foi o fato do uso da

eletricidade ter criado a necessidade de um ponto de corrente elétrica,

portanto de fixar, de alguma maneira, o exercício dessa prática, de ter um

cenário que possibilitasse a aplicação da tatuagem, e com isso um

tatuador, que atuasse dentro deste cenário, com disposição de tempo e

com certa dedicação para esse ofício.

Os avanços nesse campo dependeram também dos tatuadores

estrangeiros que, chegando ao Brasil, se converteram em intermediários

da nova tecnologia da tatuagem. É o caso do Tattoo Lucky, imigrante

dinamarquês, marinheiro, de família de tatuadores, que veio para o Brasil

em 1959, aqui ficando até a sua morte em 1983 (Marques, 1997), e que

se converteu, com o passar dos anos, em “mito de origem” (Osório, 2006)

da tatuagem contemporânea no Brasil. Seu prestígio deveu-se ao domínio

que tinha da técnica moderna e, em particular, da máquina elétrica, em

um momento em que a tatuagem ainda era praticada à mão. Lucky

tornou-se, assim, uma referência importante para as novas gerações de

tatuadores.
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Assim, durante a década de 1970, o mundo brasileiro da tatuagem

viveu um período de experimentação, de passagem das “agulhas

caseiras” à fabricação de máquinas elétricas: “Entrou em ação o jeitinho

brasileiro. Gravadoras, vitrolas, aparelhos de barbear e aceleradores de

autorama foram sacrificados em nome da arte” (Marques, 1997:192 apud

Fonseca, 2006). Igualmente, os lugares onde se tatuava eram

improvisados em pequenos espaços dentro de galerias, academias de

ginástica, barbearias etc., e mais comumente nas próprias casas dos

tatuadores. Nessa época, a tatuagem mantinha status de ofício

doméstico, artesanal, praticados por amadores, em um ambiente no qual

predominavam as relações de amizade.

Foi só a partir dos anos 1990 que começaram a ser estabelecidos

estúdios de tatuagens com toda a parafernália moderna: instrumental,

materiais descartáveis e catálogos, que tentavam imprimir uma nova

imagem do profissionalismo, de qualidade artística e de procedimentos

higiênicos em relação à prática, embora sem fácil aceitação social em

função do estigma que o trabalho carregava.

Pode – se dizer que os primeiros tatuadores, ou os primeiros a

praticar o ofício de tatuador foram os marinheiros e viajantes do século

XVIII. Os mesmos foram seduzidos pela prática corporal praticada pelos

povos aborígenes do Pacífico Sul e começaram a tatuar seus próprios

corpos. Mas o ofício só se tornou prática constante quando se

aposentaram.
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Segundo Osório (2006) circo se constitui num dos primeiros

ambientes de trabalho para os tatuadores e para os tatuados, onde os

tatuadores podiam mostrar sua arte, sobretudo, nos corpos das mulheres

e até de famílias inteiras. É naturalmente compreensível entender a razão

de o circo ser um ambiente propício para o fortalecimento do ofício de

tatuador e também para a divulgação da tatuagem, pois na época (início

do século XX) o circo era o local onde coisas “estranhas” e “diferentes”

viviam e aconteciam.

A trajetória da construção da carreira de tatuador é marcada por

momentos paradigmáticos, momentos que marcam passagens em suas

trajetórias: por exemplo, a passagem de tatuado a tatuador ou a de

aprendiz a profissional (Costa, 2004). A aprendizagem de um tatuador

está baseada no esforço contínuo e permanente, já que devem estar

sempre se aperfeiçoando, treinando, desenhando e participando de

convenções para conhecer as novidades que surgem sobre tatuagem.

Neste ofício duas características se mostram fundamentais e

complementares: a primeira seria a existência de uma espécie de “dom”,

uma característica particular daquele indivíduo que é saber desenhar ou

“ter um jeito” para o desenho; e o domínio de técnicas específicas da

tatuagem, técnicas estas que devem ser aperfeiçoadas constantemente

através do treino e da prática. O domínio das técnicas parece ser o que

define a qualidade da arte do tatuador. Ele deve estar sempre se

atualizando em sites, convenções e revistas especializadas, como

também trocando experiências com outros tatuadores.


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O domínio da técnica de desenhar distingue e classifica o “bom

tatuador” que corresponde à outra classificação: a de “artista”. Estas duas

classificações são vistas como sinônimos entre os tatuadores. E por fim

além do domínio do saber desenhar, também é preciso dominar técnicas

que são transmitidas apenas por outros tatuadores, onde essas técnicas

são passadas por meio de observações, e também instruções e

orientações de um tatuador mais experiente.


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CAPÍTULO II – TATUAGEM E CORPO

A antropologia, desde Marcel Mauss, demonstra a diversidade

moral e cultural da humanidade, revelando modos distintos de percepção,

utilização e relação com corpo. Marcas corporais e metamorfoses do

corpo são comuns em inúmeras sociedades humanas, tais como:

subtração ritual de fragmentos do corpo (clitóris, dentes, dedos, etc);

modificações na pele (escarificações, incisões, cicatrizes, etc); inscrições

sob a forma de tatuagens definitivas ou provisórias; maquilagem;

modificações na forma do corpo (alongamento do crânio, pescoço, etc);

ou seja, inúmeros tipos de transformação corporal que atuam como

formas de distinção do sujeito na coletividade, utilizando o corpo como

objeto de interação e adaptação ao meio social (Ferreira, 2008).

Cada sociedade possui hábitos que lhe são próprios. Esses

“hábitos” variam não simplesmente com os indivíduos e suas imitações,

mas, sobretudo, com as sociedades, as educações, as conveniências e

as modas, com os prestígios. Não se pode ter uma visão clara desses

fatos se não introduzir-mos, o que Mauss vai chamar de uma tríplice

consideração, ou ponto de vista do “homem total” (Mauss, 1974).

O contexto social e cultural modela o corpo em suas diversas

maneiras de falar, andar, pular, dançar, sentar, rir, ficar de pé, dormir,

tocar, ver, viver e morrer, ou seja, o indivíduo modela seu corpo no

diálogo com a sociedade. As convenções sociais revelam a relação do

indivíduo com o seu meio social por meio de ritos, etiquetas, códigos
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culturais e sociais, jogos de aparência, técnicas corporais, marcas de

distinção (como tatuagens e piercings), etc. Tudo está inscrito no corpo.

Como já mencionado no capítulo 1, a tatuagem possui uma longa

tradição de desprestígio e condenação da prática, e se faz evidente na

série de valores “negativos” com os quais ela é relacionada, como aquilo

que é sujo, podre, perigoso e contaminado. Levando em consideração o

histórico da tatuagem, pode-se pensar, numa categoria cultural do

“impuro”, onde simbolicamente se encontra a tatuagem (Fonseca, 2006).

Em seu livro “Pureza e Perigo”, Mary Douglas (1976) desenvolve uma

perspectiva direcionada à análise religiosa, mas sua tese sobre a

dicotomia pureza/impureza como ordenadora da realidade pode ser

aplicada na compreensão da “impureza” da tatuagem. De acordo com a

autora:

“a sujeira é, essencialmente, desordem. Não há sujeira


absoluta: ela existe nos olhos de quem a vê [...]. A sujeira ofende a ordem.
Eliminá-la não é um movimento negativo, mas um esforço positivo para organizar
o ambiente”. (Douglas 1976:12)

E mais:

“Certos valores morais são mantidos e certas regras


sociais são definidas por crenças em contágio perigoso [...]. As crenças em
poluição podem ser usadas num diálogo reivindicatório e contra-reivindicatório de
status [...]. As idéias de poluição se relacionam com a vida social. Acredito que
algumas poluições são usadas como analogias para expressar uma visão geral da
ordem social”. (Douglas 1976:14)

A associação feita entre tatuagem e sujeira pode ser vista como

uma forma de se reagir socialmente diante de uma situação considerada

perigosa, provocadora de desordem, geradora de um tipo de


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“anormalidade”. A normalidade do corpo é violada da sua forma “natural”

quando se é realizada uma modificação, uma marca, que pode ser

definitiva ou não.

Os cosméticos e tratamentos de beleza também contribuem para a

transformação do dado natural, o corpo, tornando – o mais conveniente,

socializado, agradável ao olhar, segundo critérios culturais particulares

(Rivière apud Leitão, 2004), desde os remédios corretores que prometiam

curar a feiúra do início do século XIX (Sant‟anna, 1995; Del Priore, 2000

apud Leitão, 2004) aos tratamentos naturais que vendem a beleza de ser

você mesmo.

Atualmente, a cirurgia plástica estética e o body building também

aparecem como forma de adaptação do corpo às normas e padrões

culturais, assim como, a tatuagem, tema principal deste trabalho.

Segundo Falk (apud Fonseca, 2006), alterar o corpo é gerar um

desequilíbrio na ordem das coisas, na ordem regida pelo pensamento

religioso de origem judaico-cristã, que concebe a modificação corporal

como uma profanação não só do corpo, mas da imagem de Deus. Desse

modo, a tatuagem como ato antinatural é enquadrada na categoria do

impuro, associada a todos os valores negativos que nela estão contidos.

A concepção da “impureza da tatuagem” está relacionada ao estilo

de vida que historicamente faz parte dessa prática no mundo ocidental:

nos limbos sociais, na marginalidade, na malandragem, na rebeldia, no

fora do convencional.
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Esta associação encobre um elemento anterior, que é a resistência

de certos sujeitos ao controle sobre seus corpos. Foucault (2005)

apresenta a mudança no controle dos corpos dentro da ordem militar

européia. Em grupos específicos, a tatuagem é uma resposta pessoal, na

forma de uma resistência, a situações de controle sobre o corpo e sobre a

identidade, em grupos que ainda apresentam uma característica de

relativo isolamento social e fracos laços de solidariedade extra-grupo.

Segundo Foucault (2005), o controle dos indivíduos significa um

controle dos corpos. O indivíduo cujo corpo é controlado reivindica o

controle do seu próprio corpo, como uma forma de reivindicar sua própria

vida/identidade. A tatuagem, nessa concepção, é uma forma de

reivindicação do controle sobre si. Esse controle do corpo e de si pode ser

traduzido no conceito de posse de si (Benson apud Osório, 2006), que

envolve a noção moderna de que o corpo pertence ao indivíduo como

uma propriedade individual e não coletiva. A idéia de posse de si se

traduz, mais fielmente, na forma de uma conquista individual de

autonomia frente a instâncias sociais controladoras (Le Breton apud

Osório, 2006).

O corpo também está diretamente mergulhado num campo político;

as relações de poder têm alcance imediato sobre ele; elas o investem, o

marcam, o dirigem, o supliciam, sujeitam – no a trabalhos, obrigam – no a

cerimônias, exigem – lhe sinais. O investimento político do corpo está

ligado à sua utilização econômica. É como força de produção que o corpo

é investido por relações de poder e de dominação, sua constituição como


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força de trabalho só é possível se ele estiver preso num sistema de

sujeição, onde a necessidade é também um instrumento político

cuidadosamente organizado, calculado, e utilizado: “o corpo só se torna

útil se é ao mesmo tempo corpo produtivo e corpo submisso.” (Foucault

2005:26)

Foucault constata que “houve, durante a época clássica, uma

descoberta do corpo como objeto e alvo do poder” (Foucault, 2005:117).

Mecanismos, táticas e dispositivos utilizados pelo poder na época

clássica, com certas transformações, permanecem até os nossos dias,

integrando a enorme parafernália do poder que envolve a sociedade

contemporânea. Entre estes mecanismos se encontram as disciplinas,

isto é, “esses métodos que permitem o controle minucioso das operações

do corpo, que realizam a sujeição constante de suas forças e lhes impõe

uma relação de docilidade – utilidade” (Foucault, 2005:118).

Foucault observa que a partir do fim do século XVII, ao longo do

século XVIII e especialmente no início do século XIX, se desenvolveu e se

estruturou uma nova tecnologia de aproveitamento/utilização da força dos

corpos. Tal tecnologia se organiza basicamente em torno da disciplina,

isto é, “o processo técnico unitário pelo qual a força do corpo é com o

mínimo de ônus reduzida como força política, e maximizada como força

útil” (Foucault, 2005:182).

Ligada aos imperativos econômicos e políticos de uma nova

ordem que se impunha, as disciplinas passam a ser utilizadas

maciçamente. Fábricas, escolas, hospitais, prisões, etc., instituições

fundamentais ao funcionamento da sociedade industrial capitalista, se


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estruturaram e tem como lógica de funcionamento as técnicas e táticas

oriundas deste processo de disciplinarização. Por conseguinte, fica claro

nesta conjuntura se articula uma nova relação entre o poder e os corpos,

como ele explica:

“O momento histórico das disciplinas é o momento


em que nasce uma arte do corpo humano, que visa não unicamente ao
aumento de suas habilidades, nem tampouco aprofundar sua sujeição,
mas a formação de uma relação que no mesmo mecanismo o torna tanto
mais obediente quanto mais útil, e inversamente. Forma-se então uma
política das coerções que são um trabalho sobre o corpo, uma
manipulação calculada de seus elementos, de seus gestos, de seus
comportamentos. O corpo humano entra numa maquinaria de poder que o
esquadrinha, o desarticula e o recompõe. Uma “anatomia-política”: que é
também igualmente uma mecânica do poder, está nascendo (...). A
disciplina fabrica assim corpos submissos, exercitados, corpos „dóceis‟”
(Foucault, 2005:119).

A disciplina aumenta as forças do corpo, em termos econômicos de

utilidade, e diminui essas mesmas forças em termos políticos de

obediência, ou seja, “ela dissocia o poder do corpo; faz dele por um lado

uma “aptidão”, uma “capacidade” que ela procura aumentar; e inverte por

outro lado a energia, a potência que poderia resultar disso, e faz dela uma

relação de sujeição estrita” (Foucault, 2005:119)

Segundo Fonseca (2003) ser tatuado é, portanto, um caminho de

construção de subjetividades, de inscrever no corpo algo que o diferencia

e o identifica. Essa subjetividade tem variado nos distintos contextos

sociais. Hoje em dia, seu significado depende das formas de usar e exibir

as tatuagens, entrando em jogo aspectos como a quantidade de

tatuagens, tamanhos, locais escolhidos, a maneira de portá-las, de

mostrá-las ou de escondê-las.
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Em meio à diversidade existente de interesses e objetivos por parte

de quem é tatuado torna-se importante mencionar uma tendência

reconhecida pelos usuários, que é a dos “tatuados”. Os “tatuados” são

aqueles que embora tenham grandes áreas corporais tatuadas,

diferenciam-se por não levarem ao extremo as modificações corporais,

mantendo formas de “discrição” em seu entorno social (Fonseca, 2003).

A tendência do “fechamento corporal” cria outro tipo de

“anormalidade” estética, outra forma de assumir o corpo, sem que os

sujeitos pretendam com isso ser excluídos ou marcados como marginais.

É simplesmente a vontade de serem diferentes em um marco social

estabelecido, sem querer transgredir ou romper com a sociedade. Por

isso, ainda que se comprometam com tal opção corporal, eles continuam

mantendo o jogo de esconder-se ou de mostrar-se, segundo as

circunstâncias.

Desse modo, existe uma tensão latente entre ser “tatuado” e

continuar sendo um cidadão produtivo e não excluído, entre querer ser

diferente e não ser rejeitado pela sociedade. Uma tensão que subjaz aos

preconceitos e aos limites sociais que as pessoas confrontam por meio de

sua corporalidade e da busca da individualidade.

Segundo Goffman (1975), um atributo que estigmatiza alguém

pode confirmar a normalidade de outrem, portanto ele não é, em si

mesmo, nem honroso nem desonroso. Para o mesmo autor, um indivíduo

que é estigmatizado é aquele que poderia facilmente ter sido recebido na

relação social cotidiana, mas não o é por possuir um traço que pode se
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impor à atenção e afastar aqueles que ele encontra, destruindo a

possibilidade de atenção para outros atributos seus.

Esse conceito permite quebrar a idéia naturalizada do estigma

como algo inato, próprio ou imanente a quem o possui. O estigmatizado

se constitui no seio do mundo social. Dentro desta reflexão, o interessante

é que o estigma na tatuagem é algo voluntário, porque a pessoa não

nasce com ela, nem é induzido socialmente a fazê-la, é uma decisão

própria que se realiza como uma opção de vida e, em tal sentido, cobra

uma dimensão que singulariza essa prática.

A característica central da situação de vida do indivíduo

estigmatizado é uma questão do que é chamado com freqüência de

“aceitação”. Os indivíduos que têm relações com o estigmatizado não

conseguem lhe dar o respeito e a consideração que os aspectos não

contaminados de sua identidade social os haviam levado a prever e que

ele havia previsto receber (Goffman, 1975).

Quando a diferença não está imediatamente aparente e não se tem

dela um conhecimento prévio, a questão que se coloca não é a da

manipulação da tensão gerada durante os contatos sociais e sim da

manipulação de informação sobre o seu “defeito”. Exibí-lo ou ocultá-lo,

contá-lo ou não contá-lo, revelá-lo ou escondê-lo, mentir ou não mentir e,

em cada caso para quem, como, quando e onde são decisões cabíveis ao

indivíduo que possui o estigma ou é estigmatizado.

Quando um estigma de um indivíduo é muito visível, o simples fato

de que ele entre em contato com outros levará o seu estigma ao


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conhecimento. Mas se outras pessoas conhecem ou não o estigma de um

indivíduo depende de outro fator além de sua visibilidade corrente, ou

seja, de que elas conheçam ou não previamente o indivíduo

estigmatizado. Esse conhecimento prévio pode estar baseado em boatos

sobre o mesmo ou num contato anterior com ele durante o qual o estigma

se mostrou visível.

Um estigma imediatamente perceptível pode interferir com o que

Goffman (1975) chama de fluxo da interação. Por exemplo, um indivíduo

que possui uma tatuagem em um local visível, onde esse estigma pode

interferir sua entrada no mercado de trabalho dependendo da área

escolhida.

A visibilidade de um estigma deve ser dissociada de certas

contingências do que pode ser chamado de seu “foco de percepção”

(Goffman 1975). Segundo Goffman, as pessoas ditas normais

desenvolvem concepções fundamentadas objetivamente ou não,

referentes à esfera de atividade vital, que desqualificam primeiro o

portador de um determinado estigma.

Esses estigmas levam, em primeiro lugar, à discriminação em

questões como a designação para empregos, e afetam a interação social

imediata somente, por exemplo, porque o indivíduo estigmatizado pode

ter tentado manter o seu atributo diferencial em segredo e sente – se

inseguro sobre a sua capacidade de fazê – lo, ou porque as outras

pessoas presentes conhecem a sua condição e tentam penosamente não

fazer alusão a ela.


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CAPÍTULO III – METODOLOGIA E DADOS EMPÍRICOS

O objetivo deste trabalho é diagnosticar se existe ou não

preconceito da tatuagem no mercado de trabalho através da análise do

imaginário dos tatuados, como também, da experiência de vida e

profissional dos mesmos.

Para se chegar ao objetivo do trabalho foi desenvolvido um

questionário, dividido em duas partes: a primeira, um questionário de

caráter fechado com elementos definidores, tais como, idade; sexo

(masculino e feminino); escolaridade (ensino fundamental, ensino médio,

superior incompleto, superior completo); cidade e bairro onde mora; com

quem divide a moradia; tempo de moradia no atual endereço; estado civil

(solteiro, casado, viúvo, desquitado, outros); renda mensal; se possui ou

não filhos; profissão; empresa que trabalha e função, respectivamente.

A segunda parte corresponde a um questionário de caráter aberto

com perguntas dirigidas ao tema pesquisado. Optamos por destacar

perguntas relacionadas à profissão, à quantidade e tipo de tatuagens,

relatos de experiências desagradáveis e relacionamento no ambiente de

trabalho (ver no Anexo 1 o roteiro do questionário).

Os questionários foram aplicados via email para uma amostra

aleatória composta por clientes do estúdio Tattoo Brasil, localizado no


27

Praia Shopping no bairro de Ponta Negra (Zona Sul da cidade de Natal) e

círculo de amigos próximos.

A amostra foi definida da seguinte forma: pessoas tatuadas que

possuam uma profissão e que estejam ou não inseridas no mercado de

trabalho. Procuramos atingir as mais diversas categorias profissionais,

tais como professores, publicitários, militares, pessoas da área da saúde e

hotelaria, com o objetivo de criar segmentos para com isso ter uma visão

holística do problema pesquisado.

Com base nos resultados dos primeiros questionários, formulamos

a seguinte hipótese geral: as pessoas que lidam com o público

diretamente e que possuem tatuagens em áreas visíveis do corpo são as

mais suscetíveis a sofrer algum tipo de preconceito. A partir desta, deriva

– se outra hipótese específica: a carreira profissional (atual ou futura) é

levada em consideração na decisão de qual local do corpo a ser tatuado.

Agora se faz importante explicitar algumas dificuldades em realizar

o presente trabalho. O estúdio Tattoo Brasil é um dos melhores da cidade

de Natal, achei que seria bem recebida, mas ao tentar contato com o

estúdio foi sentido certa resistência por parte da gerência. A maior

dificuldade, contudo, foi referente à disponibilidade e ao interesse dos

informantes em responder o questionário. Por esse motivo que o envio

por email se mostrou mais viável, conseguindo um retorno mais efetivo.

Foram enviados 30 questionários e 18 foram respondidos. Uma

análise dessas respostas indicou que 50% (9) dos que responderam se
28

encontram na faixa etária dos 20 a 25 anos, 34% (6) na faixa etária dos

26 a 30 anos e 16% (3) compreendendo a faixa etária dos 31 a 40 anos.

Os questionários apresentam 72% (13) de mulheres e 28% (5) do

sexo masculino, com as seguintes escolaridades: 45% (8) possuem nível

superior completo e 55% (10) possuem nível superior incompleto ou em

conclusão.

Na categoria moradia, 72% (13) moram na capital, sendo 50% (9)

na zona sul, em bairros próximos à localização do estúdio Tattoo Brasil e

22% (4) na zona norte. Os outros 28% (5) moram na cidade de

Parnamirim, sendo 89% (16) morando com a família composta por pais e

irmãos (as), e parentes próximos, avós, tios e primos. E apenas 11% (2)

informaram que moram com namorados e/ou cônjuges.

O item tempo de moradia se mostrou da seguinte forma: 60% (11)

encontram – se morando no mesmo endereço entre 1 e 10 anos, e os

outros 40% (7) disseram morar no mesmo endereço há mais de 15 anos.

A categoria estado civil se mostrou a seguinte, 89% (16) de

solteiros sem filhos e de apenas 11% (2) de casados, sendo os casados

com uma média de dois filhos.

As profissões de destaque foram: estudante 33% (6), publicitário

(a) 22% (4), professor (a) 11% (2), estagiário (a) 11% (2), secretária

executiva 11% (2), respectivamente. Outras profissões apareceram em

menor destaque, como: atriz, radialista, auxiliar de secretaria, bióloga,


29

turismóloga, comerciante, gerente hoteleiro, engenheiro químico, designer

e jornalista.

Com relação às empresas onde trabalham, as mesmas se

dividiram da seguinte forma: as de maior destaque são instituições

estatais, como por exemplo, a UFRN (Universidade Federal do Rio

Grande do Norte), a SEDEC (Secretaria de Desenvolvimento Econômico),

SEEC (Secretaria de Estado da Educação e da Cultura), SEBRAE

(Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), SEMURB

(Secretaria Municipal de Urbanismo) e CONTROL (Controladoria Geral do

Estado). A outra parte são instituições privadas que se dividiram em

escolas de ensino médio e de idiomas, Rádio 98 FM, Microlins, Pandora

Comunicações, Rede Record de Televisão, Hotel SERHS, posto de

combustível, e poucos casos como autônomos e que não trabalham.

A renda mensal se mostrou bem variável. Desde valores de

pessoas 11% (2) que recebem menos de um salário mínimo (uma média

de R$ 290, 00 reais por mês), de 1 a 5 salários 22%% (4), de 6 a 10

salários 33% (6), de 11 a 15 salários 6% (1) e de 16 a 20 salários mínimos

6% (1) e 22% (4) não informaram se possuem renda mensal.

O tempo de trabalho na empresa atual mostrou o seguinte 89%

(16) dos que trabalham, 22% (4) estavam trabalhando na mesma

empresa há menos de 1 ano, 56% (10) de 1 a 5 anos e 11% (2) há mais

de 6 a 10 anos.
30

Quanto à pergunta da escolha da profissão, 78% (14) disseram que

escolheram a atual profissão porque se identificam com a área, 10% (2)

disse que foram por oportunidade, 6% (1) por necessidade e 6% (1)

porque já trabalhavam na área. O tipo de público que lidam diariamente

são estudantes, público misto, empresários, crianças e adolescentes,

funcionários públicos, acadêmico, nulo (pouco contato), classe média alta,

pessoas da área jurídica (advogados, procuradores, etc), adultos, e

executivos, respectivamente.

A carreira profissional pesou na decisão de fazer uma tatuagem

para apenas 11% (2) dos que responderam, os outros 89% (16) disseram

que não pensam ou não pensaram na carreira profissional ao tomar a

decisão de fazer uma tatuagem:

“Acredito que o que deve ser levado em consideração, sobretudo, é a


competência e ética da profissão. E desde que fiz a tatuagem, tenho consciência
que há leis que nos protegem contra preconceitos no local de trabalho” (Opinião
feminina, 21 anos, tatuagem no braço).

A quantidade de tatuagens se mostrou da seguinte forma: 89% (16)

possuem de 1 a 5 tatuagens, 6% (1) possui de 6 a 10 tatuagens, e 6% (1)

possui de 11 a 20 tatuagens, onde 66% (12) possuem tatuagem num

espaço de tempo de 1 a 5 anos, 22% (4) de 6 a 10 anos, 6% (1) de 11 a

15 anos e 6% (1) tinha feito tatuagem a menos de 15 dias.

Com relação à idade que fizeram a primeira tatuagem, 50% (9) se

tatuaram na faixa etária entre 15 a 20 anos, 33% (6) entre 21 a 25 anos,

11% (2) entre 26 a 30 anos e 6% (1) entre 31 e 40 anos.


31

Os jovens que completam 18 anos, muitas vezes se dão de

presente uma tatuagem. Os 18 anos é a idade limite para se tatuar,

alguns estúdios não tatuam jovens menores de 18, nem mesmo com

autorização assinada por um responsável, que é o caso do estúdio Tattoo

Brasil, o que em outros estúdios de menor porte pode ser prática habitual

tatuar menores de 16 anos, e jovens entre os 16 e 17 com autorização

assinada por um responsável.

Os locais preferidos do corpo para se tatuar que tiveram mais

destaque foram: costas (6), pernas (4), braços (3), pescoço (2) e, em

menor destaque, tornozelo (1), costela (1) e virilha (1).

Com relação aos locais de maior preferência para se tatuar, em

39% (7) dos que responderam houve a preocupação de se tatuar em

locais não facilmente visíveis, em função das exigências do mercado de

trabalho. O ingresso no mercado de trabalho foi o alvo de alerta sobre o

local escolhido.

“Escolhi as costas para fazer a tatuagem, porque é um


local que não é de fácil visualização.” (Mulher, 21 anos)

“Minha tatuagem é uma planta que dá a volta na batata


da perna. Escolhi esse local porque apesar de ser grande, calça comprida
esconde.” (Mulher, 24 anos)

“Escolhi as costas, porque é um lugar que a tatuagem


pode ser facilmente escondida ou exposta, dependendo da ocasião.” (Mulher, 21
anos)

Os tipos de tatuagens são os mais diversos possíveis. Os tipos de

desenhos de maior destaque foram: animais (borboleta, gato, pássaros,


32

peixes), flores, tribal, frases religiosas, corações, pimenta, fada, estilo

egípcio, celta, new school e old school.

Os motivos para fazerem tatuagens foram: por admiração pela arte

39% (7), por simples vontade de possuir uma tatuagem 33% (6), e por

estética 16% (3), onde 72% (13) pretendem fazer outras tatuagens pelos

motivos apresentados acima e 28% (5) disseram que não pretendem

fazer novas tatuagens por motivos financeiros, incerteza e dor.

Com relação à empregabilidade, 50% (9) já estavam trabalhando

quando fizeram sua primeira tatuagem, 28% (5) não trabalhavam, e 22%

(4) não responderam a questão. A família foi contra a decisão de fazer a

tatuagem em 44% (8) dos que responderam 28% (5) foi a favor e em 28%

(5) à família foi indiferente.

O motivo de a família ser contra a decisão de ser fazer a tatuagem

mais relacionado foi por questão de princípios morais. Outros motivos

foram relacionados, como, respeito à individualidade e maioridade

atingida justificando a indiferença da família na decisão pessoal. E muitos

disseram que possuem parentes próximos e amigos que possuem

tatuagem. Por exemplo:

“Inicialmente minha mãe foi muito resistente a idéia,


ainda tinha muitos preconceitos, achava que a tatuagem ainda era “coisa de
marginal”, mas depois quando a tatuagem já estava pronta ela achou bonita.”
(Mulher, 28 anos)

“Ninguém em minha casa apoiaria eu fazer uma


tatuagem. São todos extremamente falsos moralistas.” (Mulher, 37 anos)

“Minha família manteve – se neutra, mas como qualquer


novidade criou certa resistência. Foi uma decisão exclusivamente pessoal, já era
adulto suficiente para decidir o que achava certo ou errado.” (Homem, 31 anos, fez
sua primeira tatuagem aos 27 anos).
33

As respostas acima comprovam a preocupação da família com

implicações morais que a tatuagem pode trazer. Essas implicações,

geralmente, não são mencionadas diretamente. Os argumentos estão

vinculados a um medo de desaprovação por parte da sociedade e a

possíveis estigmas, caracterizando uma situação de “aceitação” do

indivíduo (GOFFMAN, 1975).

Com relação a ter passado por uma experiência desagradável após

ter feito a tatuagem, 72% (13) responderam que nunca passaram por

nenhuma experiência de desaprovação relacionada à tatuagem e 28% (5)

responderam afirmativamente.

“Acho desagradável o excesso de olhares. Não sou


nenhum bicho de outro planeta, e tem dias que você não quer ser notado. Para
uma mulher muita tatuada isso é impossível, principalmente em uma cidade como
Natal.” (Mulher, 24 anos)

“Foi numa loja de departamento. Eu estava olhando


umas roupas quando ouço nas minhas costas: “Nossa, Deus me livre, olha pra
isso”, vindo de duas senhoras.” (Mulher, 28 anos)

Segundo Osório (2006), é parte do imaginário dos tatuados a idéia

de que o mundo do trabalho é hostil à tatuagem. Neste sentido, sentem

que são potenciais alvos de represálias e restrições. Para não se

tornarem vítimas do que costumam designar como “preconceito contra o

tatuado”, ou contra a tatuagem, a solução é optar por áreas do corpo que

são pensadas por eles como menos expostas ao olhar, mas nem sempre

a tatuagem está totalmente escondida. Observa – se, então, o


34

aparecimento de uma espécie de jogo entre a tatuagem percebida pelo

tatuado como um potencial problema em sua vida, o desejo de ser

tatuado ou fazer novas tatuagens, e a solução para esse conflito, que é

manter os desenhos escondidos na esfera profissional.

Isso nos leva a questionar o quanto que a tatuagem influi positiva

ou negativamente no mundo profissional, e o quanto o preconceito sofrido

pelos tatuados é parte do imaginário da sociedade, pois o medo quanto

ao mercado de trabalho ainda está associado ao senso – comum, que

relaciona a tatuagem à marginalidade.

É uma imposição do mercado de trabalho que as tatuagens sejam

escondidas. Por isso, os lugares preferidos para se tatuar são aqueles em

que as tatuagens podem ser encobertas no mundo do trabalho pelo

vestuário, e que fora dele podem ser reveladas. O mercado de trabalho é

uma instituição que exerce um controle sobre os indivíduos, ou seja, é um

local onde a expressão do Eu é possível apenas de forma limitada, onde

o indivíduo tem que esconder sinais que não “agradam” aos olhos do

chefe e do público com o qual trabalha. A tatuagem, neste caso, é vista

como uma forma de estigma (GOFFMAN, 1975) que deve ser encoberta,

pois pode alterar a percepção sobre os sujeitos que possuem a marca.

Segundo opiniões de certos segmentos profissionais (Osório, 2006)

as áreas como o setor de saúde e o comércio são contra tatuagens

visíveis para os funcionários, em grande parte pela reação do público, já

em áreas como a publicidade, os adornos não são mal vistos. É o caso de

dois (10%) informantes que são designers e trabalham na área da


35

publicidade, onde a vontade de se tatuar foi mais forte devido à carreira.

Por exemplo:

“A carreira pesou mais para fazer a tatuagem do que para não


fazer. O meio “criativo” é muito ligado em aparências, queira ou não, se você tem
um visual bacana, legal, descolado, você acaba ficando mais conhecido e mostra
que você é “cool”, moderninho.” (Mulher, 24 anos, Publicitária)

“Decidi fazer a tatuagem por estética e como trabalho num lado


criativo a tatuagem não é encarada com desdém.” (Homem, 31 anos, Publicitário e
Designer)

As perguntas voltadas para o campo profissional revelaram que em

84% (15) os colegas de trabalho têm conhecimento da tatuagem e, 16%

(3) que os colegas desconhecem a existência da tatuagem, onde os

mesmos 84% (15) afirmam que não houve mudança no comportamento

profissional dos colegas e do chefe, e 6% (1) disseram que houve uma

mudança comportamental e 10% (2) não quiseram opinar a respeito.

Quanto a comentários no trabalho, 72% (13) informaram não ter

presenciado nenhum comentário por parte dos colegas e do chefe a

respeito de possuir tatuagem, e afirmaram que se estivessem

concorrendo a uma vaga na empresa atual seriam contratados, e 28% (5)

afirmaram já ter presenciado comentários a respeito da tatuagem e que

provavelmente não seriam contratados pela atual empresa se o chefe

soubesse da tatuagem.

“Sem dúvidas. As empresas que trabalho me contratou


por minha competência e estilo de trabalho.” (Homem, 31 anos)

“Ser contratada ou não iria depender da opinião do


contratante/gerente em relação à tatuagem. Se isso chegasse a ser um critério de
exclusão só mostra que a empresa não avalia o currículo e sim a aparência do
candidato a vaga.” (Mulher, 21 anos)
36

Os comentários que surgiram (6) foram referentes à curiosidade

por parte dos colegas de trabalho e da coragem em marcar o corpo de

forma definitiva, levando ou não em consideração o futuro na carreira

profissional.

Quanto à opinião pessoal a respeito do preconceito sofrido por

quem possui tatuagem, os motivos apontados foram os seguintes: 33%

(6) falta de informação, 33% (6) questão de tempo, 22% (4) acham

ridículo e 11% (2) questão de religião. Por exemplo:

“Creio que este tipo de preconceito vem diminuindo


bastante. Não é mais visto como marginalização e sim como arte. A religião,
principalmente os evangélicos, pesa ainda para muitos. Sendo os mais velhos os
mais preconceituosos. Todavia, daqui a dez anos, creio que muitos terão
tatuagens, não cabendo mais a ninguém a pré – julgar alguém por um desenho ou
uma frase no corpo.” (Homem, 30 anos)

“Acredito que mudanças estéticas como a tatuagem não


influencia no papel que aquele sujeito vai ter na sociedade. E o fato da maioria das
pessoas lançarem olhares esquerdos para os indivíduos que são tatuados provém
de uma falta de informação e respeito pelo assunto em questão.” (Mulher, 21
anos)

“Acho questão de tempo. Um dia vai ter tanta gente


tatuada no mundo, inclusive em Natal, que isso vai ter que mudar. É apenas tinta,
não é nenhuma injeção de caráter ou personalidade. Ninguém piora nem melhora
fazendo tatuagem.” (Mulher, 24 anos)

A visão negativa da tatuagem gera uma estigmatização que não

combina com trabalho e competência. Os empregadores usam do

argumento de estar lidando com a reação do público, cujo perfil é de difícil

definição, para estigmatizarem o empregado. Restando aos tatuados

imputar a restrição de mudar seus corpos aos empregadores, criando

estratégias para manter a autonomia sobre seus próprios corpos,


37

modificando – os de acordo com seus desejos sem ter que se preocupar

com o mercado de trabalho.


38

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente trabalho pretendeu diagnosticar se existe ou não

preconceito da tatuagem no mercado de trabalho através da análise do

imaginário dos tatuados, como também, da experiência de vida e

profissional dos mesmos, percebendo uma série de valores por parte dos

tatuados, acerca da tatuagem.

A prática da tatuagem se revestiu de uma nova fachada, criada e

disposta para tentar limpar simbolicamente a sua imagem estigmatizada,

valendo – se de três estratégias: o profissionalismo, a arte e a higiene.

Aspectos que ajudam a construir um novo imaginário em torno dessa

prática, relacionado com o valor do corpo e da estética, que convertem a

tatuagem num prezado adorno corporal (Fonseca, 2003).

De acordo com os aspectos anteriores, é possível interpretar o ato

de tatuar – se como o resultado de três instâncias de motivação: o novo

imaginário da tatuagem que fundamenta uma nova lógica desta prática, o

mundo afetivo da tatuagem que reforça e estimula esse ato e os

indivíduos que dentro de um campo de possibilidades sociais escolhem e

assumem essa opção como uma via de individualidade, que em conjunto,

cria uma nova normalidade estética e vivencial no seio da sociedade

ocidental contemporânea (Fonseca, 2003).


39

A prática da tatuagem configura tipos de subjetividades. Existem

várias formas de apropriação: a de “detalhe”, que não tem muito

comprometimento; os “radicais”, que levam ao extremo à ostentação a

modificação corporal, e os “tatuados” que mesmo fechando seus corpos

com tatuagens, levam uma vida social “normal” (Fonseca, 2003).

O corpo que seja todo tatuado é visto no mercado de trabalho

como agressivo e grotesco. A pesquisa revelou que poucas pessoas

levaram em consideração a carreira profissional ao se tatuarem, mas as

que não levaram tiveram a preocupação de se tatuar em locais do corpo

que pudessem fazer uso do revelar e esconder quando necessário.

O indivíduo que possui o corpo todo tatuado chama a atenção para

si por não se enquadrar nos padrões corporais da sociedade, visão que

não é compartilhada pelos tatuados. Devido à autonomia e controle sob o

corpo, os tatuados se vêem como “normais”, pois, segundo eles, é apenas

tinta na pele, e isso não os faz diferentes de ninguém.

No que diz respeito ao mercado de trabalho, essa autonomia e

controle sob o corpo fica um pouco abalada. Os tatuados sentem que o

mercado de trabalho ainda é hostil à prática da tatuagem e se defendem

do “preconceito contra os tatuados”, se tatuando em áreas que eles

consideram como menos visíveis. A estratégia de esconder as tatuagens,

escolhendo zonas do corpo que possam ser cobertas pelo vestuário, é

uma forma de sobrevivência.


40

O mercado de trabalho não admite tatuagens visíveis em

funcionários, baseando – se na reação do público. Esse argumento é

utilizado para áreas profissionais ditas tradicionais (comércio e saúde), já

para áreas mais inovadoras, as tatuagens visíveis não geram tantas

preocupações.

Ao se tomar conhecimento da tatuagem pelos colegas de trabalho

e pelo chefe, se a mesma não for num local visível do corpo, a tatuagem,

segundo a pesquisa, não oferece perigo à carreira profissional do tatuado.

Os comentários que surgem devido à descoberta são referentes à

curiosidade, e muitos tratam a descoberta com desdém.

O preconceito contra a tatuagem ainda tem muitos obstáculos a

superar, mas essa situação está mudando aos poucos. As pessoas mais

velhas e mais conservadoras ainda encaram a mudança corporal como

algo que não é normal, no que se refere á estética vigente da sociedade

contemporânea.

A tatuagem, desde a sua popularização vem sendo vista como arte

e não mais como “coisa de marginal”. A opinião pessoal a respeito da

tatuagem varia de acordo com a experiência de vida acumulada e até de

religião. Independente disso, a sociedade e, sobretudo o mercado de

trabalho deveriam levar em consideração o caráter e profissionalismo do

indivíduo, e não sua aparência física. Fato esse que é freqüente em

entrevistas de emprego, onde por ignorância e preconceito por parte dos

empregadores, candidatos são excluídos sem ser levado em conta seu

currículo e experiência profissional na área.


41

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fragmentos para uma história do corpo no Brasil. In: _______. Políticas do

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44

ANEXO 1

QUESTIONÁRIO

PERFIL

Idade:

Sexo:

Escolaridade:

Cidade/Bairro:

Com que mora?

Há quanto tempo mora neste endereço?

Estado civil:

Renda mensal:

Possui filhos? Quantos?

Profissão:

Empresa que trabalha:

Cargo ou função:

___________________________________________________________

1.Há quanto tempo trabalha na empresa?

2.Por que escolheu a atual profissão?

3.Qual o tipo de público que lida diariamente? A carreira profissional


pesou na decisão de fazer a tatuagem?

4.Quantas tatuagens você possui e há quanto tempo? Com qual idade fez
a primeira tatuagem?

5.Em quais locais do corpo? E o tipo de tatuagens? Por quê?

6.Pretende fazer outras tatuagens? Por quê?

7.O que o (a) levou a fazer uma tatuagem? Você já trabalhava quando fez
a primeira tatuagem?
45

8.A família deu apoio a sua decisão ou foi contra? Por quê?

9.Você tem parente(s) ou amigo(s) que possuem tatuagens? Quem são?

10.Você já passou por alguma experiência desagradável depois que fez a


tatuagem? Caso tenha passado, qual foi?

11.Seus colegas de trabalho e seu chefe sabem que você tem tatuagem?
Se sabem, o que acham?

12.Se os seus colegas de trabalho ou seu chefe soubessem que você tem
tatuagem o comportamento no ambiente de trabalho mudaria em relação
a você?

13.Você já presenciou ou soube de algum comentário no seu trabalho


sobre você ter tatuagem? Se sim como foi? E como repercutiu no seu
trabalho?

14.Se você estivesse concorrendo a uma vaga na empresa onde trabalha


atualmente você acha que seria contratado se o contratante soubesse
que você tem tatuagem?

15.Expressando sua opinião, da forma mais isenta possível, diga o que


você acha dos preconceitos sofridos por quem possui tatuagem.

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