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UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAÚ

LICENCIATURA EM HISTÓRIA

ELMA DE JESUS DA SILVA NASCIMENTO

“JOGA PEDRA NA GENI”: A SITUAÇÃO DAS MULHERES


MERETRIZES NA FORTALEZA DO SÉCULO XX

FORTALEZA
2018
ELMA DE JESUS DA SILVA NASCIMENTO

“JOGA PEDRA NA GENI”: A SITUAÇÃO DAS MULHERES


MERETRIZES NA FORTALEZA DO SÉCULO XX

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à


Universidade Vale do Acaraú como pré-requisito
parcial para obtenção do grau de licenciada em
História.

Orientador: Prof. Me. Felipe Silveira de Moraes


Pereira.

FORTALEZA
2018
RESUMO

As mulheres meretrizes sempre foram estigmatizadas por alugarem o corpo e com isso eram
submetidas a violência e repressão. De acordo com jornais, registros policiais e pesquisas, na primeira
metade do século XX, o Centro de Fortaleza foi palco de repressão e violência envolvendo as
meretrizes. Este trabalho tem como objetivo compreender as condições de vida em sociedade das
mulheres meretrizes na Fortaleza no início do século XX, destacando para isso a necessidade de
identificar os padrões de uso do corpo como trabalho e sobrevivência em condições sociais e morais
adversas, ao passo que se tem introduzido, neste período, um novo projeto de vida urbana na capital
cearense de forma a impor um padrão de costumes e posturas. Nele serão apresentados, através de
pesquisas a situação dessas mulheres que por muito tempo foram vitimizadas e que aprenderam a se
defender como forma de sobrevivência e exercer seu ofício em meio a uma sociedade que visava a
moral e os bons costumes.

PALAVRAS-CHAVES: VIOLÊNCIA. MERETRIZ. FORTALEZA. CENTRO.


MOURA BRASIL.
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO 5
2. MERETRIZES EM FORTALEZA/CE: QUEM SÃO? 7
3. AS CONDIÇÕES SOCIAIS, ECONÔMICAS E POLÍTICAS DAS 11
MULHERES MERETRIZES EM FORTALEZA/CE NO COMEÇO
DO SÉCULO XX: ENTRE PEDRAS E AMORES PERDIDOS
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS 15
REFERÊNCIAS 17
APÊNDICES 18
Apêndice A – Galeria de Fotos 18
Apêndice B – Registros do Jornal A Razão 21
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1. INTRODUÇÃO

Durante muito tempo a visão de gênero relacionado ao feminino era visto de duas
formas: i) a mulher mãe de família, senhora do lar, aquela que tem por responsabilidade os
cuidados com o marido, os filhos e harmonização do lar e; ii) a mulher perdida cuja função é
satisfazer os homens que as procuram, aquela que não tem credibilidade na sociedade pois
vive sem moral e sem decoro. Desde os tempos mais remotos, a mulher que perdesse a sua
honra, por quaisquer motivos, passava a ser vista com maus olhos e perdia toda sua
credibilidade tanto no âmbito familiar como na sociedade, sobrando para ela somente o
próprio corpo para seu sustento.
No século V, São Jerônimo afirmou que a mulher meretriz é aquela que se encontra
disponível para atender os desejos de muitos homens, sendo acrescentada a lei canônica que
prostituição é o ato sexual envolvendo vários homens e concubinato é aquele que envolve
sexo com uma única pessoa fora do casamento formal. A prostituição é considerada a
profissão mais antiga, pois se refere sobre a prostituta em diversas épocas históricas.
De acordo com jornais, registros policiais e pesquisas, na primeira metade do século
XX, o Centro de Fortaleza foi palco de repressão e violência envolvendo as meretrizes. As
definições dadas para mulheres que iam contra os códigos da moral e dos bons costumes
eram: meretrizes, prostitutas, mulheres da vida, mulheres de vida fácil, mulher de vida alegra,
mulheres da noite, rameiras, decaídas, dentre outras. De acordo com os registros policiais
entre as décadas de 1930 e 1940 a cidade de Fortaleza foi palco de muitas histórias violentas
envolvendo meretrizes. Desde os tempos mais antigos ouvia-se falar da imagem de mulher
honrada e da mulher perdida. No entanto o que se faz diferenciar uma da outra? Uma vez em
que podemos analisar casos em que uma “moça de família” dá um mau passo e acaba sendo
mandada para o convento ou tem que casar para reparar o erro e não desonrar a família.
Infelizmente a maior parte dessas mulheres denominadas de meretrizes é levada a
exercer esse ofício pela condição em que vivem, uma vez em que o pai, não tendo condições
para manter a filha desonrada em sua casa, a ela é imposta a fazer a vida da maneira que lhe
cabe. Não podemos deixar de observar que algumas dessas mulheres não vivem somente do
corpo, pois em certos inquéritos policias podemos constatar que muitas durante o dia exercem
ofícios de engomadeira e lavadeira. Um dos fatores que chama a atenção corresponde ao fato
de aquelas mulheres não eram casadas, mas que tem seus companheiros exclusivos e que são
denominadas de amasiadas ou no dito popular de “amancebadas”. Seriam estas também
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chamadas de meretrizes, uma vez que as mesmas não têm laço matrimonial com o seu
companheiro e onde muitas vezes o mesmo tem outra família? A meretriz é a mulher que é
vista como aquela que tem a vida fácil, que se deita com vários homens e que não é digna de
respeito algum, pois é corrompida pelo dinheiro e pela facilidade de uma vida sem moral. A
realidade dessas mulheres, todavia, era outra, pois viviam perambulando pelo Centro de
Fortaleza em busca de algum cliente e totalmente à mercê da polícia e de malfeitores. Além
daquelas que procuravam seus clientes nas praças e ruas de Fortaleza, podemos citar também
aquelas que trabalhavam nas conhecidas pensões ou cabarés onde eram comandadas por uma
madame que era a dona do estabelecimento. Exercer o ofício de meretriz no cabaré
resguardava, de certa forma, a meretriz, porém não estaria esta livre das agressões de clientes
ou de alguma colega trabalho.
Nos registros policiais de Fortaleza nos anos de 1930 até o final dos anos 1940
podemos observar diversas acusações contra meretrizes por desordens e agressões a clientes,
policiais ou até mesmo entre si. É interessante observar que os inquéritos policiais também
mostram agressões por parte das esposas enciumadas com as prostitutas. Esposas, noivas e até
mesmo namoradas sabiam que as meretrizes faziam o “serviço sujo” de alimentar os instintos
masculinos, serviço este que somente as mulheres mundanas podiam fazer para não macular a
honra e a moral das senhoras. Pode-se analisar o pensamento da época em uma passagem do
livro Tocaia Grande, do romancista baiano Jorge Amado, de maneira que

dos deboches de cama a que se entregara em priscas eras com o marido nem
queria se lembrar - deboches em sua opinião, pois jamais os conjugues foram
além de modesto papai-mamãe procriador. Cumprira o dever de esposa,
concebera a dera à luz um filho.(...) Umas poucas descaradas, bem certo, se
comportavam no leito conjugal como putas na cama de bordel, não se davam
ao respeito,maculavam a nobreza do matrimônio e a sublime condição de
mãe de família. Pouquíssimas e indignas. Para as baixas necessidades dos
homens sobravam as mulheres-damas, as públicas e as exclusivas (...)
(AMADO, 1984, p. 267).

Ao mesmo tempo em que a prostituta é vista com maus olhos, por outro lado, na
surdina, ela é aceita, causando uma contradição em sua presença. A sua figura está
relacionada à imoralidade e a desordem, porém ficava a cargo da prostituta a função de
satisfazer os instintos imorais que o sexo masculino tanto procurava. É a figura cuja sociedade
repudia, mas que na calada da noite os mesmos que lhe repreende durante o dia, buscam seus
serviços e aquelas que lhe ofendiam com palavras e atos de repreensão são as mesmas que lhe
atribuem o que a moral em nome dos bons costumes não lhe permitem fazer. A sua figura é
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vista como o mal necessário para sociedade. Tal pensamento é defendido por Santo
Agostinho, Tomás de Aquino e Tomás de Chobham de maneira que

(...) se as prostitutas forem expulsas da sociedade, tudo estará desorganizado


em função do desejo: Um glossarista de Agostinho do século XIII
acrescentou a seguinte observação expressiva: “ A prostituta na sociedade é
como o esgoto no palácio. Se retirar o esgoto, o palácio inteiro será
contaminado.” (...) Teólogos de destaque, como santo Tomás de Aquino e
Tomás de Chobham, repetiam a analogia, argumentando que a prostituição
evitava males maiores, tais como a sodomia e o assassinato (RICHARDS,
1993, p. 123).

Assim sendo, este trabalho tem como objetivo compreender as condições de vida em
sociedade as mulheres meretrizes na Fortaleza no início do século XX, destacando para isso a
necessidade de identificar os padrões de uso do corpo como trabalho e sobrevivência em
condições sociais e morais adversas, ao passo que se tem introduzido, neste período, um novo
projeto de vida urbana na capital cearense de forma a impor um padrão de costumes e
posturas. Para tanto, este texto procurará versar a respeito desta relação conflituosa entre as
regras que se buscavam estabelecer para uma sociedade que, conduzida sob a liderança
política e econômica masculina e agindo às margens e contraditoriamente, consumia a própria
negação destes padrões quando em busca dos seus desejos pessoais.

2. MERETRIZES EM FORTALEZA/CE: QUEM SÃO?

Leitão (2000) destaca que a prostituição é considerada a profissão mais antiga do


mundo. Podemos ver citações de prostituição na própria Bíblia na passagem da história de
Sodoma e Gomorra, personagens que eram conhecidas pela prática do sexo desenfreado e por
praticarem sodomia (sexo anal). Encontramos também no Novo Testamento da Bíblia a
história de Maria Madalena, uma prostituta que foi perdoada e tornou-se seguidora de Jesus
Cristo.
Como as meretrizes não podiam conviver em meio às famílias, elas eram tangidas e
isoladas para recintos conhecidos como bordéis, cabarés, meretrícios, curral, onde por mais
que as autoridades quisessem repreender a prostituição, o meretrício nunca foi totalmente
banido. Sendo assim, “a polícia agia com freqüência no contraditório combate à prostituição,
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que não podia nem seria compensador extinguir (...)” (JUCÁ, 2007, p.202). Ainda segundo
este autor, a prioridade da Secretaria de Polícia era a transferência dos meretrícios para locais
distantes, porém foi sendo prolongada, pois autoridades policiais mantinham acordo com o
meretrício na maioria das vezes com as Madames, e transferir o meretrício ameaçava o lucro
que obtinham.
Fortaleza teve meretrizes desde os tempos de província, assim como boa parte das
zonas urbanas em momentos do início da vida urbana no Brasil. Mesmo depois do código de
condutas e das repressões, o meretrício nunca foi totalmente banido. A maioria das meretrizes
era composta por retirantes que vinham do interior cearense fugindo da seca ou eram expulsas
de casa pelo pai, depois de terem dado o “mau passo”. Essas moças – uma vez que assumiam
o papel de meretriz – eram evitadas e vistas com certa repugnância pelas outras moças e
principalmente pelas senhoras casadas. Segundo Leitão (2000) a partir de alguns documentos
do século XX, uma das maiores preocupações das autoridades era a retirada dessas mulheres
do Centro como forma de higienizar e cidade. Como o meretrício é uma faca de dois gumes,
entretanto, acabava retornando e confirmando assim a necessidade de sua presença na
sociedade. Daí o pensamento de Santo Agostinho, extraído de Richards (1993, p. 123), em
que “se as prostitutas forem expulsas da sociedade, tudo estará desorganizado em função dos
desejos (...)”.
Com a chegada da belle époque no final do século XIX, Fortaleza passa por uma
grande transformação em sua estrutura. Devido a sua expansão na economia e
conseqüentemente na urbana, a cidade passa por mudanças, cuja conseqüência foi

(...) alinhar a cidade aos códigos de civilização, tendo como referência os padrões
materiais e estéticos dos grandes centros urbanos europeus. Isso significava,
também, disciplinar os pobres, doentes, mendigos, loucos, vadios e prostitutas,
vistos como agentes nocivos ao processo civilizatório, produtivista e normatizador
pretendido para a capital (PONTE, 2007, p.163-164.).

Com esta expansão, uma nova planta da cidade de Fortaleza, elaborada pelo
engenheiro-arquiteto Adolfo Herbster, fora elaborada pondo-a sob a forma de xadrez,
traçando o alinhamento das ruas até os subúrbios. Nesse plano, destacam-se os Boulevares
Imperador, Duque de Caxias e Conceição, correspondendo atualmente às Avenidas do
Imperador, Duque de Caxias e Dom Manuel. Segundo o plano urbanístico elaborado por
Adolfo Herbster, de acordo com Pereira (2011), o centro se limitava por estas vias inspiradas
no modelo francês, de maneira que essa delimitação indicava o confronto de classes. Passando
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a demarcação dos boulevares localizava-se o ambiente onde deveriam permanecer os


flagelados e todos que fossem considerados nocivos para os bons costumes, incluindo as
meretrizes.
Do início do século XX a 1915, Fortaleza mais uma vez recebe milhares de retirantes
da grande seca conhecida mais tarde como a “Seca do 15”. Depois da grande seca de 1877, o
governo, temendo outra grande seca – que viria a acontecer em 1915 – constrói campos de
concentração nos arredores da cidade para que flagelados fugidos da seca não perambulassem
pelo Centro. Com isso, na década de 1920 surge o Arraial Moura Brasil, localizado depois da
Ladeira da Misericórdia e era ocupado pelos pobres retirantes que não voltavam para o
interior e pelas meretrizes.
Segundo Ponte (2007), em 1915 as famílias que moravam no Centro começam a se
transferir para os arredores como Jacarecanga, vindo a contar com inúmeros palacetes e
mansões em alguns anos posteriores, representando um novo cenário de localização das elites
locais. Nas décadas seguintes, esta referência estará direcionada à Praia de Iracema (antiga
Praia do Peixe) e Aldeota (antigo Bairro do Outeiro).
A “zona” era conhecida por ser um ambiente grosseiro e violento, sendo comum a
violência por parte das meretrizes e seus clientes. Em meados da década de 1940, o capitão
Cordeiro Neto declara que as meretrizes não podiam fazer a vida nas ruas, sob pena de prisão
(LEITÃO, 2000). Com isso, de acordo com Ponte (2007), a clientela masculina mais
pecuniosa consegue convencer para que as mulheres mais formosas pudessem exercer o ofício
nos altos dos antigos casarões do Centro, uma vez que as famílias começavam a se mudar
para os bairros mais afastados por conta, entre outros motivos, da especulação comercial no
Centro. Com o decreto firmado pelo chefe de polícia, muitas inquilinas montaram seus
cabarés na parte superior desses antigos sobrados e casarões.
Para as mulheres mais humildes, velhas e desdentadas sobrava somente o Curral das
Éguas, localizado no Arraial Moura Brasil, adiante da Ladeira da Misericórdia, onde nos dias
atuais está situada parte da Avenida Presidente Castelo Branco (Leste-Oeste). Era conhecido
por seus casebres, pela falta de saneamento e principalmente pela violência. Era uma espécie
de monturo do meretrício (LEITÃO, 2000).
No alto dos antigos casarões onde instalaram-se os bordeis, cabarés e pensões
reinavam as mulheres requintadas e de postura elegante. Tinha também os bordeis com
serviços menos requintados, porém todos eram freqüentados por uma clientela mais
selecionada. Dentre os principais cabarés podemos destacar: O Bar da Alegria (da Nena),
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Amélia Campos, Casa da Madame Nininha, dentre outros. As “pensões alegres” eram locais
alegres onde a madame cuidava da organização do recinto, dos clientes e de suas pupilas.
As mulheres deveriam, conforme as regras estabelecidas, estar sempre maquiadas e
bem vestidas, mostrar simpatia e ser sempre sorridente. Postura e bom comportamento eram
fundamentais (LEITÃO, 2000). Não deveriam consumir bebidas em excesso, mas estimular o
cliente a consumir o máximo. Ciúmes era outro detalhe que a madame não tolerava. As
meninas que tivessem algum namorado, só podiam atendê-lo depois que terminava o salão (já
de madrugada). Se algum cliente tivesse a sua preferida, esta deveria lhe dedicar total
exclusividade.
Mesmo com a cobertura do bordel e da madame – tendo um preço por isso1 – era
comum essas mulheres serem espancadas pelo namorado por conta de ciúmes, outras ainda
contava com certa vantagem a surra que havia levado por esta razão. Não muito raro também
no próprio bordel o cliente agredir a meretriz, mesmo essa não tendo nenhum laço afetivo e
também por pagamento.
As meretrizes tinham que ter licença para exercer a prostituição tanto nas pensões
como na rua, deveriam ser registradas na Secretaria de Polícia. Deviam fazer
obrigatoriamente o exame ginecológico mensal. Só se renovava a licença para exercer o ofício
com o resultado do exame. As donas das pensões deveriam enviar o relatório com os exames
mensalmente para a Secretaria de Polícia com todos os dados e até mesmo o número do
quarto da meretriz. Mesmo com todos esses cuidados, a propagação de doenças venéreas era
grande, considerando que na época não haviam mecanismos preventivos de transmissão
destes males. Mesmo com o Código de Ética da prostituição em Fortaleza, a partir dos anos
1930 começava a aparecer nos bordeis as práticas sexuais vistas como estranhezas, tais como
a felação2 e a sodomia3.
Dentre as senhoras matriarcas das casas de prostituição que mais se destacaram estão
Nena e Amélia Campos. Dona Nena era espanhola e dona do Bar da Alegria, localizado na
Rua Barão do Rio Branco e era muito conhecida por freqüentar a Igreja do Rosário com suas
pupilas nos dias de domingo. Vestia-se de preto para passar uma imagem pudica. Amélia
Campos era francesa e sua pensão se localizava na Rua Pedro Borges. Amélia oferecia os
melhores

1
A segunda-feira era o dia em que durante o almoço a proprietária cobrava a hospedagem de suas
meninas. Todos os dias o almoço era servido obrigatoriamente no mesmo horário, quando as meninas deveriam
estar na mesa para que a madame conversasse com todas ao mesmo tempo e passasse seu sermão, reclamações
ou elogios.
2
Felação é o ato de excitar o pênis com a boca.
3
Sodomia é o coito anal entre indivíduos do sexo masculino ou entre um homem e uma mulher.
11

serviços; muito requintada ensinava para suas meninas todos os bons modos e como se portar
na intimidade. Recebiam em sua pensão os homens da alta sociedade, ainda que incidentes
também lhe ocorriam4. A Pensão funcionou normalmente naquela noite.
Em determinado momento, por outro lado, Amélia pediu para parar a música e disse:

- Meninas, nós não temos amigos aqui. Estes senhores que conversam conosco, nos
abraçam e participam de nossa intimidade, são apenas lobos da noite. Amanhã
voltarão a vestir suas peles de cordeiro, longe, numa imensa distância social de nós.
Não se iludam: nós somos apenas coisas em suas mãos, brinquedos de seus prazer.
Por isto, a partir de hoje, como nossa casa oferece as melhores condições de luxo e
tratamento, estará dobrado o preço da relação e do quarto. Na madrugada de hoje eu
paguei caro a ilusão de ser outra coisa que não um pedaço de carne viva para os
instintos de nossos clientes. Continuem, entretanto, a sorrir e a fingir amabilidades
para eles, pois este é o nosso negócio (LEITÃO, 2000, 258).

Além das hostilidades tanto físicas como verbais, as meretrizes enfrentavam auto-
agressão que era o aborto, pois esse ato se torna uma agressão tanto física para a meretriz e
para o feto, quanto psicológica e moral, pois além de colocar a prostituta num dilema entre a
maternidade e os meios vividos por ela, ainda é contra as leis da sociedade acarretando
punição se por algum modo for descoberta. Mesmo com o cuidado para não engravidar, não
era incomum uma ou outra meretriz arriscar a fazer o aborto. Uma mulher meretriz grávida
não dava lucros para a madame e mesmo que exercesse o ofício fora do cabaré, no estado de
gravidez seus serviços eram menos solicitados.

3. AS CONDIÇÕES SOCIAIS, ECONÔMICAS E POLÍTICAS DAS MULHERES


MERETRIZES EM FORTALEZA/CE NO COMEÇO DO SÉCULO XX: ENTRE
PEDRAS E AMORES PERDIDOS

Segundo o memorialista Marciano Lopes (2012), as meretrizes eram tachadas como


meninas de vida fácil, mas elas não tinham uma vida tranqüila. A maioria chegava do interior
do Ceará, expulsas de casa pelo pai que não aceitava o mau caminho da filha. Algumas

4
Era comum, nas madrugadas de quarta-feira, Amélia, suas meninas e alguns clientes freqüentarem a
Lagoa da Onça. Em um desses banhos, ocorreu um fato grotesco com Amélia. Depois de ter tomado seu banho
Amélia se enxugou e no momento de colocar seu cachecol, se sujou toda de fezes, pois um dos clientes havia
defecado em seu cachecol. Ninguém falou quem era o malfeitor. Fina como era Amélia nada fez (LEITÃO,
2000).
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conseguiam emprego como doméstica nas casas de família e muitas vezes conseguiam casar
com homens empregados em trabalhos simples como jardineiro ou pedreiro. Outras, mais
bonitas e jovens, eram levadas a trabalhar para as madames nos bordeis do centro da cidade.
A madame, dona do bordel, financiava tudo aquilo que a recém-chegada precisasse
para começar a atender os clientes: roupas, maquiagens, perfumes eram vendido a preços
elevados e à crédito. A novata também teria que pagar a estadia e a comida para aquela figura
notável, com isso a meretriz ficava sempre à mercê da madame, pois sua dívida ficava muito
alta. Para a meretriz, dessa forma, se tornava difícil sair da vida na pensão, pois teria que
quitar todas as dívidas com a madame e caso não quitasse esta a ameaçava com os gigolôs e
com prisão.
As chamadas “pensões alegres” ficavam na parte superior dos antigos casarões e
funcionava nas principais ruas do centro da cidade. Alguns bordeis ficaram famosos apenas
ostentando o nome de suas proprietárias, como é o caso da Amélia Campos ou proprietário
como o Zé Tatá. A Rua Barão do Rio Branco, no Centro Antigo de Fortaleza, era a mais
conhecida por suas pensões,onde muitos pais levavam seus filhos ainda jovens para conhecer
tais práticas com as meretrizes.
Ainda conforme ressalta Guedes (2002) em sua dissertação, a meretriz era vista como
agente da desordem urbana, pois o cotidiano no meretrício era marcado por brigas, agressões,
embriaguês, ofensas à moral e confronto com policiais. As meretrizes eram presas por estarem
paradas em via pública antes das dez horas da noite, pois havia a exaltação da moral e dos
bons costumes e também como medida de combate à prostituição. Mesmo com a repressão
por parte de policiais, as “mulheres da vida” resistiam com a comercialização do sexo nas
proximidades das praças e nas ruas no Centro Antigo da capital cearense.
Nesta perspectiva, era necessário conter essa prática das prostitutas e, ao mesmo
tempo, tentava-se garantir o espaço de lazer para as famílias e o espaço para o exercício da
prostituição. Na década de 1930, Fortaleza contava com 100.000 habitantes (GUEDES, 2002)
e seus problemas urbanos levaram ao poder municipal a elaborar um plano de urbanização.
Nesse novo modelo de modernização, o meretrício passa por um controle em que as novas
praças e ruas deveriam ser espaços reservados às famílias e para o meretrício designava-se os
esconderijos da noite como meio de diminuir sua visibilidade – e assim combatê-lo de
maneira indireta, na intenção de reduzir sua clientela pelo mote locacional (id., ibid.). Com a
finalidade de conter a prática, era proibida a presença de meretrizes em praças e vias antes do
13

horário de dez da noite como meio de zelar pela moral e decoro das famílias. Uma nota do
jornal A Razão, de 1930, confirma a notícia:

o Segundo Delegado de Policia desta capital, para conhecimento dos srs.


Inspectores e Guardas Civices e em benefício da moralidade publica-
determina-lhes não consintam, absolutamente, que antes das 22 horas, as
meretrizes estacionem na Praça do Ferreira e suas adjacências, conduzindo
as mesmas a esta Delegacia todas as occasiões em que, antes de
mencionadas horas, forem encontradas aos locaes alludidos. Eu, Clodoveu
Phelippe Cavalcante, escrivão, escrevi. Cumpra-se. Faustino Nascimento.
2° Delegado de Policia da Capital (A RAZÃO, 1930).

Conforme a descrição de Guedes (2002), a prostituição era considerada ofensiva à


moral, violenta, desregrada e anti-higiênica e para conhecer o seu campo de atuação e
restringir suas práticas era preciso controlar a sua prática. No meretrício não era somente a
prostituta que rompia com as regras estabelecidas para o funcionamento do meretrício. A
violência levava não somente a meretriz para a prisão, como também o seu freguês. Sobre a
violência no meretrício5, as agressões não eram registradas somente durante a noite, mas
também durante o dia. A prostituta deveria ser discreta, porém era muito comum o
acionamento de policiais para conter a meretriz embriagada e levá-la para a delegacia6. Em
meio de muitos personagens do dia a dia da meretriz, elas trocavam agressões e eram vítimas
da violência de clientes, amantes, militares e policiais. Essas mulheres também se valiam da
violência para se defenderem e fazer negociações. Na maior parte dos casos abordados, a
meretriz se destaca como vítima da agressão masculina7. Em muitos casos foram registrados
óbitos8.

5
O Jornal A Razão, datado de 23 de janeiro de 1938, relata que mediante as reclamações de famílias
que se sentiam prejudicadas por conta das meretrizes, a polícia trabalhou em prol da localização desses
meretrícios e foram baixadas portarias onde as meretrizes tinham o prazo de 30 dias para desocuparem as
residências nas ruas Castro e Silva, General Sampaio, Misericórdia, Senador Pompeu e Barão do Rio Branco,
além da Praça Castro Carreira (Praça da Estação) (A RAZÃO, 1938).
6
Em 15 de Outubro de 1930, o jornal A Razão mostra a notícia que o Delegado de Polícia Faustino
Nascimento determina aos inspetores e guardas que, em nome da boa moral, fossem conduzidas para a delegacia
quaisquer meretrizes que estivessem exercendo o ofício na Praça do Ferreira e adjacências antes das dez horas da
noite, não podendo elas ficar expostas antes desse horário (A RAZÃO, 1930).
7
José Vieira da Motta, 39 anos, Brasileiro, natural de: Fortaleza-Ce, casado, comerciante, instrução:
tem, residente a Rua Barão do Rio Branco, apresentado: as 13 horas. Preso por ser acusado de haver praticado
ferimento leve (...) Com uma garrafa na meretriz Joaquina Rodrigues, à Dr. João Moreira nº 331 (Rol dos
Culpados de Delegacia de Polícia de Fortaleza, Março de 1936, p. 383).
8
Morta a faca – As 20 ½ na Rua Dr. João Moreira nº 125 o indivíduo Olegário Francisco de Oliveira,
pedreiro da estrada de ferro Assassinou com uma facada abaixo do peito esquerdo a meretriz, Adália Maria da
Conceição filha de Joana Maria da Conceição com 25 anos de idade, natural deste Estado e residente a Rua Dr.
João Moreira nº 125, sendo depois o cadáver recolhido ao necrotério público, são testemunhas Anitta Alves
14

A Santa Casa de Misericórdia era o local de atendimento das meretrizes, onde elas
realizavam os exames de corpo de delito para comprovar agressões de seus clientes.
Localizada nas proximidades do Passeio Público (Praça dos Mártires) e por ser um hospital
público que atendia a população pobre, era comum as meretrizes que eram agredidas e
clientes feridos serem levados a Santa Casa de Misericórdia.
Era conveniente a localização do meretrício no centro da cidade, já que facilitava a
aproximação de seus clientes de modo que era nesse espaço, durante o dia, onde funcionava o
comércio. Além das meretrizes que ficavam nas proximidades das praças, também era a
localização dos bordeis, que ficavam na parte superior de antigos casarões.
O caso da morte da meretriz, publicada no jornal A Razão (1930), era destaque onde
mencionava a meretriz como uma pobre mulher que perdeu a vida em atitude injusta e
descontrolada de seu amante, cego pelo ciúme. Nota-se que de certa forma tenta-se vitimar
ambas as partes. Ademais, conforme ainda este veículo midiático, em 06 de maio de 1937 é
retratado a revolta dos cidadãos mediante a quantidade de meretrizes na cidade, sendo
afirmado que – segundo os registros das que eram inscritas no departamento policial, somava-
se mais de duas mil meretrizes. É nítido o descontentamento com a presença das meretrizes
no centro da cidade e da localização das pensões, pois segundo as famílias que moravam
próximo principalmente nas ruas Major Facundo e Barão do Rio Branco, onde a algazarra
depois das dez horas da noite se tornava um incômodo para o sono das famílias. Na
publicação é ressaltada também que cidades civilizadas tinham seus meretrícios em lugares
afastados, lamentando a situação das meretrizes em meio às famílias. Como afirma Blanchard
Girão a este respeito, “os cabarés situavam-se no centro, nos antigos casarões herdados dos
tempos mais antigos, anos mais antigos, dos quais as pensões chamadas de ‘pensões alegres’
ocupavam a parte superior” (GIRÃO, 2006, p 38).
Nos processos examinados por Guedes (2002), observa-se que muitos fatores
contribuem para provocar a violência entre cliente, amante e meretriz. A expressão ofensa a
moral era muito comum nos inquéritos. No meretrício, tendo em vista que a negociação era o
dinheiro em troca do prazer e da preferência, uma vez que esse cliente fosse recusado pela
meretriz o mesmo se tornava agressivo.
Levando em consideração a agressão masculina com a mulher meretriz, Guedes
(2002) faz um paralelo dessa agressão por parte dos homens não somente com as meretrizes,
mas também com as esposas. Tendo em vista que o homem é o provedor dos filhos, a mulher

Bardalho e Luís Gonzaga ambas residentes na mesma rua. (Registros de Livros de Ocorrências policiais.
Delegacia de Polícia de Fortaleza. Outubro de 1930, p. 04).
15

lhe deve obediência e satisfação de seus desejos, uma vez que ela rompesse esse padrão,
aquele se apresentava violento e agressivo. Assim era com as meretrizes, quando não
atendiam às suas vontades. A prostituta passa a romper a sua função quando faz essa recusa e
isso é visto como uma afronta, uma vez que esse é o seu ofício.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A vida da meretriz é cercada de contradição e repressão. Por um lado se tem uma


sociedade que segue uma moral baseada nas tradições e bons costumes. Por outro lado essa
mesma sociedade afaga às escondidas o que se esconde em nome dos bons costumes. Durante
muito tempo as meretrizes eram consideradas o esgoto da sociedade, porém é preciso ter esse
esgoto para não contaminar o restante, segundo Richards (1990), ser uma meretriz era sinal de
vergonha e a mesma não poderia ter contato com as famílias e pessoas de boa conduta. Muitas
dessas mulheres eram levadas a cometer a venda do corpo por necessidades, como aconteceu
com muitas moças flagelas. Outras perdiam a virgindade e eram expulsas pelo pai, mesmo
sendo estupro. As meretrizes tinham que sobreviver e para isso usava não somente o corpo
não bastava, pois sabiam que a velhice chegaria e era preciso ser perspicaz. As autoridades
tinham que reprimir, como forma de resposta para a sociedade de que não tolerariam as
condutas inadequadas, mas os mesmos precisavam dessas mulheres para seus desejos e
lucros. Com isso o meretrício passa a ser inserido de forma mais sutil e discreto em forma de
pensões e bordeis. Pois as mulheres não fariam mais, suas abordagens na rua, em meio as
famílias de bem, mas sim em casarões alugados, distantes das casas de família, mas dentro do
perímetro em que seus clientes pudessem usufruir de seus serviços. Podemos notar que até na
zona mais pobre era preciso ter um meretrício e para isso existia o Arraial Moura Brasil,
mostrando assim que os ofícios da prostituta prevalece entre os dois lados, tanto na parte mais
aristocrata quanto na plebe.
Muitas vezes era na figura da madame que a meretriz encontrava uma certa forma de
apoio e segurança, um apoio pois não tinham recursos para se manter e de certa forma a
madame lhe dava o crédito para esses ter recursos e exercer o ofício e segurança porque não
estava mais na rua a mercê de policiais e ladrões ou até mesmo de outras meretrizes que
disputavam clientes e locais. O fator violência era muito comum e preciso, pois muitas vezes
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era uma forma de defesa da meretriz tanto numa cobrança como em desentendimento com
outra companheira de ofício.
A meretriz enfrentava muitas dificuldades e algumas situações violentas em seu
cotidiano, mas isso não significa que a mesma tenha que assumir o papel de vítima. Uma vez
que a violência vinha de ambos os lados e como foi mostrado a madame e a meretriz
autônoma sabiam cobrar e se defender até pela força se preciso. Amélia Campos, em seu
modo, quando se sentiu desrespeitada, não usou a violência física, mas se mostrou a altura de
cobrar caro o desaforo que passou mostrando que os homens era o seu negócio (Leitão, 2000).
Esse ato de Amélia mostra que a mesma não tolerava humilhações e quando a fala que está
dobrado o preço dos serviços de suas meninas, ela mostra que de certa forma eles precisam de
meretrizes e que querendo ou não, mais cedo ou mais tarde procurariam e pagariam o valor
cobrado.
A mulher não nasce meretriz ela se torna uma e isso não quer dizer que seja totalmente
vítima, pois estaríamos generalizando. Quando violentada e por conseqüência de recursos
somente lhe restou a venda do corpo, podemos ver que essa mulher foi vítima da violência
humana e das condições precárias e sem recursos, porém durante sua vida a meretriz para
sobreviver também acaba por assumir o papel da repressora e para isso aprende a se defender,
cobrar e bater. Mesmo com a rejeição da sociedade o meretrício se fez presente de tal modo
que as próprias autoridades estavam incluídas nesse laço, mostrando uma condição que vai
além dos códigos da moral, o dinheiro e o desejo.
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REFERÊNCIAS

A RAZÃO. A localização do Meretrício. Janeiro de 1938.


A RAZÃO. Homens e fatos. Maio de 1937.
A RAZÃO. Polícia do estado do Ceará, Segunda Delegacia da Capital. Outubro de 1930.
AMADO, Jorge. Tocaia Grande: a face obscura. Rio de Janeiro: Record, 1984.
CEARÁ. Arquivo Público do Ceará, Documentos Revista do Arquivo Público do Ceará, v 1,
n.4, semestral, Fortaleza: Arquivo Público do Ceará, 2005.249 p. Cidade e Violência.
LEITÃO, J. Sábado, Estação de Viver: Histórias da Boemia Cearense. Fortaleza: Premius,
2000
LOPES, M. Royal Briar: a Fortaleza dos anos 40. 2. ed. Fortaleza: Armazém da Cultura,
2012.
PEREIRA, F. S. de M. Fortaleza/CE, Capital do Semiárido Brasileiro: dos retirantes da seca
aos moradores de rua (re)produzindo o centro metropolitano. Revista Formação, n. 18, v. 2,
p. 29-49, jul./dez., 2011.
RICHARDS, J. Sexo, desvio e danação: as minorias na Idade Média. Tradução de Marco
Antonio Esteves da Rocha e Renato Aguiar. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1993.
SOUZA, S. de; NEVES, F. de C. (orgs). Gênero, Coleção Fortaleza: História e Cotidiano –
Intelectuais. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2002.
SOUZA, S. de; GONÇALVES, A. (orgs). Uma nova história do Ceará. 4.ed.- Fortaleza:
Edições Demócrito Rocha, 2007.
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APÊNDICES

Apêndice A – Galeria de Fotos

Figura 01: Campo de Concentração do Pirambu

Durante as secas de
1915 e 1932 muitos
flagelados eram
encaminhados para
os campos de
concentração em
Fortaleza.
Com isso muitas
moças passavam a
ser se alugar para
sobreviver.

Fonte: ALVES, 2017 (http://valdecyalves.blogspot.com/2017/09/campos-de-concentracao-no-


ceara-e-os.html).

Figura 02: Rua Barão do Rio Branco (antiga Rua Formosa)

Rua Barão do Rio


Branco, anteriormente
batizada por Rua
Formosa.
Era conhecida, pois no
começo da primeira
metade do século XX
passou a abrigar os
primeiros cabarés na
parte superior de seus
sobrados e casarões.

Fonte: Fortaleza Nobre, 2018 (http://www.fortalezanobre.com.br/2011/08/rua-formosa-atual-


barao-do-rio-branco.html)
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Figura 03: Palacete Guarany

Palacete Guarany,
localizado na Rua Barão
do Rio Branco e que na
década de 1950 abrigou
a Boate Guarani.

Fonte: Fortaleza Antiga, 208 (http://fortalezaantiga.blogspot.com/2010/01/um-novo-


momento.html).

Figura 04: Arraial Moura Brasil, localização do Curral das Éguas

Fonte: Fortaleza em Fotos, 2018 (http://www.fortalezaemfotos.com.br/2017/08/relembrando-


o-curral-das-eguas.html).
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Figura 05: Pensão da Amélia Campos, localizada na Rua Pedro Borges

Fonte: Fortaleza em Fotos, 2018 (http://www.fortalezaemfotos.com.br/2012/05/uma-madame-


de-classe.html)
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Apêndice B – Registros do Jornal A Razão

Figura 08: Jornal A Razão de 1930

Fonte: http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=764450&pasta=ano%20193&pesq=
meretrizes ( Hemeroteca Digital)

Figura 09: Jornal A Razão de 1937


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Fonte:
http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=764450&pasta=ano%20193&pesq=meretrizes
(Hemeroteca digital)
Figura 10: Jornal A Razão de 1938
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Fonte:
http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=764450&pasta=ano%20193&pesq=meretrizes
(Hemeroteca digital).