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LÍNGUA PORTUGUESA

Normalmente, numa prova, o candidato é convidado a:


1. INTERPRETAÇÃO DE TEXTO:
INFORMAÇÕES LITERAIS E INFERÊNCIAS Identificar – é reconhecer os elementos fundamentais de uma
POSSÍVEIS; PONTO DE VISTA DO AUTOR; argumentação, de um processo, de uma época (neste caso, procu-
ram-se os verbos e os advérbios, os quais definem o tempo).

Comparar – é descobrir as relações de semelhança ou de di-


A literatura é a arte de recriar através da língua escrita. Sendo ferenças entre as situações do texto.
assim, temos vários tipos de gêneros textuais, formas de escrita;
mas a grande dificuldade encontrada pelas pessoas é a interpreta- Comentar - é relacionar o conteúdo apresentado com uma
ção de textos. Muitos dizem que não sabem interpretar, ou que é realidade, opinando a respeito.
muito difícil. Se você tem pouca leitura, consequentemente terá
pouca argumentação, pouca visão, pouco ponto de vista e um gran- Resumir – é concentrar as ideias centrais e/ou secundárias em
de medo de interpretar. A interpretação é o alargamento dos hori- um só parágrafo.
zontes. E esse alargamento acontece justamente quando há leitura.
Somos fragmentos de nossos escritos, de nossos pensamentos, de Parafrasear – é reescrever o texto com outras palavras.
nossas histórias, muitas vezes contadas por outros. Quantas vezes
você não leu algo e pensou: “Nossa, ele disse tudo que eu penso.” Exemplo
Com certeza, várias vezes. Temos aí a identificação de nossos pen-
samentos com os pensamentos dos autores, mas para que aconteça,
pelo menos não tenha preguiça de pensar, refletir, formar ideias e Título do Texto Paráfrases
escrever quando puder e quiser. A integração do mundo.
Tornar-se, portanto, alguém que escreve e que lê em nosso “O Homem Unido” A integração da humanidade.
país é uma tarefa árdua, mas acredite, valerá a pena para sua vida A união do homem.
futura. E, mesmo, que você diga que interpretar é difícil, você Homem + Homem = Mundo.
exercita isso a todo o momento. Exercita através de sua leitura de A macacada se uniu. (sátira)
mundo. Você sabe, por exemplo, quando alguém lhe manda um
olhar de desaprovação mesmo sem ter dito nada. Sabe, quando a Condições Básicas para Interpretar
menina ou o menino está a fim de você numa boate pela troca de
olhares. A todo e qualquer tempo, em nossas vidas, interpretamos, Faz-se necessário:
argumentamos, expomos nossos pontos de vista. Mas, basta o(a)
professor(a) dizer “Vamos agora interpretar esse texto” para que as - Conhecimento Histórico – literário (escolas e gêneros literá-
pessoas se calem. E ninguém sabe o que calado quer... pois ao se rios, estrutura do texto), leitura e prática;
calar você perde oportunidades valiosas de interagir e crescer no - Conhecimento gramatical, estilístico (qualidades do texto)
conhecimento. Perca o medo de expor suas ideias. Faça isso como e semântico; Na semântica (significado das palavras) incluem-se:
um exercício diário mesmo e verá que antes que pense, o medo homônimos e parônimos, denotação e conotação, sinonímia e an-
terá ido embora. tonímia, polissemia, figuras de linguagem, entre outros.
- Capacidade de observação e de síntese e
Texto – é um conjunto de ideias organizadas e relacionadas - Capacidade de raciocínio.
entre si, formando um todo significativo capaz de produzir intera-
ção comunicativa (capacidade de codificar e decodificar). Interpretar X Compreender

Contexto – um texto é constituído por diversas frases. Em


Interpretar Significa Compreender Significa
cada uma delas, há uma certa informação que a faz ligar-se com
a anterior e/ou com a posterior, criando condições para a estrutu- - Explicar, comentar, - intelecção, entendimento, atenção
ração do conteúdo a ser transmitido. A essa interligação dá-se o julgar, tirar conclusões, ao que realmente está escrito.
nome de contexto. Nota-se que o relacionamento entre as frases é deduzir. - tipos de enunciados:
tão grande, que, se uma frase for retirada de seu contexto original - tipos de enunciados: • o texto diz que...
e analisada separadamente, poderá ter um significado diferente da- • através do texto, infere- • é sugerido pelo autor que...
quele inicial. se que... • de acordo com o texto, é correta
• é possível deduzir que... ou errada a afirmação...
Intertexto - comumente, os textos apresentam referências di- • o autor permite concluir • o narrador afirma...
retas ou indiretas a outros autores através de citações. Esse tipo de que...
recurso denomina-se intertexto. • qual é a intenção do autor
ao afirmar que...
Interpretação de Texto - o primeiro objetivo de uma inter-
pretação de um texto é a identificação de sua ideia principal. A Erros de Interpretação
partir daí, localizam-se as ideias secundárias, ou fundamentações,
as argumentações, ou explicações, que levem ao esclarecimento É muito comum, mais do que se imagina, a ocorrência de er-
das questões apresentadas na prova. ros de interpretação. Os mais frequentes são:

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- Extrapolação (viagem). Ocorre quando se sai do contexto, Algumas dicas para interpretar um texto:
acrescentado ideias que não estão no texto, quer por conhecimento
prévio do tema quer pela imaginação. - O autor escreveu com uma intenção - tentar descobrir qual
- Redução. É o oposto da extrapolação. Dá-se atenção apenas é ela é a chave.
a um aspecto, esquecendo que um texto é um conjunto de ideias, - Leia todo o texto uma primeira vez de forma despreocupada
o que pode ser insuficiente para o total do entendimento do tema - assim você verá apenas os aspectos superficiais primeiro.
desenvolvido. - Na segunda leitura observe os detalhes, visualize em sua
- Contradição. Não raro, o texto apresenta ideias contrárias mente o cenário, os personagens - Quanto mais real for a leitura na
às do candidato, fazendo-o tirar conclusões equivocadas e, conse- sua mente, mais fácil será para interpretar o texto.
quentemente, errando a questão. - Duvide do(a) autor(a) - Leia as entrelinhas, perceba o que
o(a) autor(a) te diz sem escrever no texto.
Observação: Muitos pensam que há a ótica do escritor e a óti- - Não tenha medo de opinar - Já vi terem medo de dizer o que
ca do leitor. Pode ser que existam, mas numa prova de concurso achavam e a resposta estaria correta se tivessem dito.
qualquer, o que deve ser levado em consideração é o que o autor - Visualize vários caminhos, várias opções e interpretações -
diz e nada mais. Só não viaje muito na interpretação. Veja os caminhos apontados
pela escrita do(a) autor(a). Apegue-se aos caminhos que lhe são
Coesão - é o emprego de mecanismo de sintaxe que relacio- mostrados.
nam palavras, orações, frases e/ou parágrafos entre si. Em outras - Identifique as características físicas e psicológicas dos perso-
palavras, a coesão dá-se quando, através de um pronome relativo, nagens - Se um determinado personagem tem como característica
uma conjunção (nexos), ou um pronome oblíquo átono, há uma ser mentiroso, por exemplo, o que ele diz no texto poderá ser men-
relação correta entre o que se vai dizer e o que já foi dito. São tira não é mesmo? Analisar e identificar os personagens são pontos
muitos os erros de coesão no dia a dia e, entre eles, está o mau uso necessários para uma boa interpretação de texto.
do pronome relativo e do pronome oblíquo átono. Este depende - Observe a linguagem, o tempo e espaço - A sequência dos
da regência do verbo; aquele do seu antecedente. Não se pode es- acontecimentos, o feedback, conta muito na hora de interpretar.
quecer também de que os pronomes relativos têm, cada um, valor - Analise os acontecimentos de acordo com a época do texto
semântico, por isso a necessidade de adequação ao antecedente. - É importante que você saiba ou pesquise sobre a época narrada
Os pronomes relativos são muito importantes na interpretação de no texto, assim, certas contradições ou estranhamentos vistos por
texto, pois seu uso incorreto traz erros de coesão. Assim sendo, você podem ser apenas a cultura da época sendo demonstrada.
deve-se levar em consideração que existe um pronome relativo - Leia quantas vezes achar que deve - Não entendeu? Leia de
adequado a cada circunstância, a saber: novo. Nem todo dia estamos concentrados e a rapidez na leitura
vem com o hábito.
Que (neutro) - relaciona-se com qualquer antecedente. Mas
depende das condições da frase. Para ler e entender um texto é preciso atingir dois níveis de
Qual (neutro) idem ao anterior. leitura: Informativa e de reconhecimento;
Quem (pessoa).
Cujo (posse) - antes dele, aparece o possuidor e depois, o ob- Interpretativa
jeto possuído.
Como (modo). A primeira deve ser feita cuidadosamente por ser o primei-
Onde (lugar). ro contato com o texto, extraindo-se informações e se preparando
Quando (tempo). para a leitura interpretativa. Durante a interpretação grife palavras-
Quanto (montante). -chave, passagens importantes; tente ligar uma palavra à ideia-cen-
tral de cada parágrafo. A última fase de interpretação concentra-se
Exemplo: nas perguntas e opções de respostas. Marque palavras com não,
exceto, respectivamente, etc, pois fazem diferença na escolha ade-
Falou tudo quanto queria (correto). quada. Retorne ao texto mesmo que pareça ser perda de tempo.
Falou tudo que queria (errado - antes do que, deveria aparecer Leia a frase anterior e posterior para ter ideia do sentido global
o demonstrativo o). proposto pelo autor.

Vícios de Linguagem – há os vícios de linguagem clássicos Organização do Texto e Ideia Central


(barbarismo, solecismo, cacofonia...); no dia a dia, porém, exis-
tem expressões que são mal empregadas, e por força desse hábito Um texto para ser compreendido deve apresentar ideias se-
cometem-se erros graves como: letas e organizadas, através dos parágrafos que é composto pela
- “Ele correu risco de vida”, quando a verdade o risco era de ideia central, argumentação e/ou desenvolvimento e a conclusão
morte. do texto. Podemos desenvolver um parágrafo de várias formas:
- “Senhor professor, eu lhe vi ontem”. Neste caso, o pronome - Declaração inicial;
oblíquo átono correto é O. - Definição;
- “No bar: “Me vê um café”. Além do erro de posição do pro- - Divisão;
nome, há o mau uso. - Alusão histórica.

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Serve para dividir o texto em pontos menores, tendo em vista Os antigos moradores da terra foram, eventualmente, prestimosos
os diversos enfoques. Convencionalmente, o parágrafo é indica- colaboradores da indústria extrativa, na caça, na pesca, em deter-
do através da mudança de linha e um espaçamento da margem minados ofícios mecânicos e na criação do gado. Dificilmente se
esquerda. Uma das partes bem distintas do parágrafo é o tópico acomodavam, porém, ao trabalho acurado e metódico que exige
frasal, ou seja, a ideia central extraída de maneira clara e resumida. a exploração dos canaviais. Sua tendência espontânea era para as
Atentando-se para a ideia principal de cada parágrafo, assegura- atividades menos sedentárias e que pudessem exercer-se sem re-
mos um caminho que nos levará à compreensão do texto. gularidade forçada e sem vigilância e fiscalização de estranhos.
(Sérgio Buarque de Holanda, in Raízes)
Os Tipos de Texto
Infere-se do texto que os antigos moradores da terra eram:
a) os portugueses.
Basicamente existem três tipos de texto: b) os negros.
- Texto narrativo; c) os índios.
- Texto descritivo; d) tanto os índios quanto aos negros.
- Texto dissertativo. e) a miscigenação de portugueses e índios.

Cada um desses textos possui características próprias de cons- (Aquino, Renato.


trução, que veremos no tópico seguinte (Tipologia Textual). Interpretação de textos, 2ª edição.
Rio de Janeiro: Impetus, 2003.)
É comum encontrarmos queixas de que não sabem interpretar
textos. Muitos têm aversão a exercícios nessa categoria. Acham Resposta: Letra C. Apesar do autor não ter citado o nome dos
monótono, sem graça, e outras vezes dizem: cada um tem o seu índios, é possível concluir pelas características apresentadas no
próprio entendimento do texto ou cada um interpreta a sua manei- texto. Essa resposta exige conhecimento que extrapola o texto.
ra. No texto literário, essa ideia tem algum fundamento, tendo em
vista a linguagem conotativa, os símbolos criados, mas em texto - Tome cuidado com as vírgulas. Veja por exemplo a diferença
não-literário isso é um equívoco. Diante desse problema, seguem de sentido nas frases a seguir.
algumas dicas para você analisar, compreender e interpretar com a) Só, o Diego da M110 fez o trabalho de artes.
b) Só o Diego da M110 fez o trabalho de artes.
mais proficiência.
c) Os alunos dedicados passaram no vestibular.
d) Os alunos, dedicados, passaram no vestibular.
- Crie o hábito da leitura e o gosto por ela. Quando nós passa- e) Marcão, canta Garçom, de Reginaldo Rossi.
mos a gostar de algo, compreendemos melhor seu funcionamento. f) Marcão canta Garçom, de Reginaldo Rossi.
Nesse caso, as palavras tornam-se familiares a nós mesmos. Não
se deixe levar pela falsa impressão de que ler não faz diferença. Explicações:
Também não se intimide caso alguém diga que você lê porcaria. a) Diego fez sozinho o trabalho de artes.
Leia tudo que tenha vontade, pois com o tempo você se tornará b) Apenas o Diego fez o trabalho de artes.
mais seleto e perceberá que algumas leituras foram superficiais c) Havia, nesse caso, alunos dedicados e não-dedicados e, pas-
e, às vezes, até ridículas. Porém elas foram o ponto de partida e o saram no vestibular, somente, os que se dedicaram, restringindo o
estímulo para se chegar a uma leitura mais refinada. Existe tempo grupo de alunos.
para cada tempo de nossas vidas. d) Nesse outro caso, todos os alunos eram dedicados.
- Seja curioso, investigue as palavras que circulam em seu e) Marcão é chamado para cantar.
meio. f) Marcão pratica a ação de cantar.
- Aumente seu vocabulário e sua cultura. Além da leitura, um
bom exercício para ampliar o léxico é fazer palavras cruzadas. Leia o trecho e analise a afirmação que foi feita sobre ele.
- Faça exercícios de sinônimos e antônimos.
“Sempre fez parte do desafio do magistério administrar ado-
- Leia verdadeiramente.
lescente com hormônios em ebulição e com o desejo natural da
- Leia algumas vezes o texto, pois a primeira impressão pode
idade de desafiar as regras. A diferença é que, hoje, em muitos
ser falsa. É preciso paciência para ler outras vezes. Antes de res- casos, a relação comercial entre a escola e os pais se sobrepõe à
ponder as questões, retorne ao texto para sanar as dúvidas. autoridade do professor.”
- Atenção ao que se pede. Às vezes a interpretação está vol-
tada a uma linha do texto e por isso você deve voltar ao parágrafo Frase para análise.
para localizar o que se afirma. Outras vezes, a questão está voltada
à ideia geral do texto. Desafiar as regras é uma atitude própria do adolescente das
- Fique atento a leituras de texto de todas as áreas do conheci- escolas privadas. E esse é o grande desafio do professor moderno.
mento, porque algumas perguntas extrapolam ao que está escrito.
Veja um exemplo disso: 1 – Não é mencionado que a escola seja da rede privada.
2 – O desafio não é apenas do professor atual, mas sempre
Texto: fez parte do desafio do magistério. Outra questão é que o grande
desafio não é só administrar os desafios às regras, isso é parte do
Pode dizer-se que a presença do negro representou sempre desafio, há também os hormônios em ebulição que fazem parte do
fator obrigatório no desenvolvimento dos latifúndios coloniais. desafio do magistério.

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Atenção ao uso da paráfrase (reescritura do texto sem prejuízo realmente, creio que eles foram caluniados; convém encorajá-los,
do sentido original). Veja o exemplo: e lhes mostrar que esse instinto não os engana, e que não são
logrados por esse idealismo.
Frase original: Estava eu hoje cedo, parado em um sinal de Bem poderíamos lhes falar da navegação, cuja importância
trânsito, quando olho na esquina, próximo a uma porta, uma loiro- ninguém ignora, e que tem necessidade da astronomia. Mas isso
na a me olhar e eu olhava também. seria abordar a questão por seu lado menos importante.
(Concurso TRE/SC) A astronomia é útil porque nos eleva acima de nós mesmos;
é útil porque é grande; é útil porque é bela; é isso que se precisa
A frase parafraseada é: dizer. É ela que nos mostra o quanto o homem é pequeno no
corpo e o quanto é grande no espírito, já que essa imensidão
a) Parado em um sinal de trânsito hoje cedo, numa esquina, resplandecente, onde seu corpo não passa de um ponto obscuro,
próximo a uma porta, eu olhei para uma loira e ela também me sua inteligência pode abarcar inteira, e dela fruir a silenciosa
olhou. harmonia. Atingimos assim a consciência de nossa força, e isso é
b) Hoje cedo, eu estava parado em um sinal de trânsito, quan- uma coisa pela qual jamais pagaríamos caro demais, porque essa
do ao olhar para uma esquina, meus olhos deram com os olhos de consciência nos torna mais fortes.
uma loirona. Mas o que eu gostaria de mostrar, antes de tudo, é a que
c) Hoje cedo, estava eu parado em um sinal de trânsito quando ponto a astronomia facilitou a obra das outras ciências, mais
vi, numa esquina, próxima a uma porta, uma louraça a me olhar. diretamente úteis, porque foi ela que nos proporcionou um espírito
d) Estava eu hoje cedo parado em um sinal de trânsito, quando capaz de compreender a natureza.
olho na esquina, próximo a uma porta, vejo uma loiraça a me olhar [Adaptado de Henri Poincaré (1854-1912). O valor da
também. ciência. Tradução Maria Helena Franco Martins. Rio de
Janeiro: Contraponto, 1995, p.101]
Resposta: Letra C.
01. Para o autor, a astronomia tem um custo
A paráfrase pode ser construída de várias formas, veja algu- (A) muito menor do que outros campos do conhecimento
mas delas. humano, como a navegação, que aliás acaba por se beneficiar do
a) substituição de locuções por palavras; conhecimento astronômico.
b) uso de sinônimos; (B) elevado, de centenas de milhares a milhões de francos,
c) mudança de discurso direto por indireto e vice-versa; cabendo aos políticos o equilíbrio desses gastos de modo a permitir
d) converter a voz ativa para a passiva; que essa ciência continue a engrandecer o homem.
e) emprego de antonomásias ou perífrases (Rui Barbosa = A (C) muito alto quando comparado com o de outras ciências
águia de Haia; o povo lusitano = portugueses). mais úteis, o que deve, contudo, ser relativizado em função da
contribuição que recebem do conhecimento astronômico.
Observe a mudança de posição de palavras ou de expressões (D) alto, de fato, mas que acaba plenamente compensado pela
nas frases. importância dessa ciência em si mesma e para outros campos do
conhecimento humano.
Exemplos (E) bem menor do que aquele que os políticos divulgam,
a) Certos alunos no Brasil não convivem com a falta de pro- interessados que estão na transferência de recursos para outras
fessores. áreas que possam trazer dividendos eleitorais.
b) Alunos certos no Brasil não convivem com a falta de pro-
fessores. 02. É ela que nos mostra o quanto o homem é pequeno no
c) Os alunos determinados pediram ajuda aos professores. corpo e o quanto é grande no espírito, já que essa imensidão
d) Determinados alunos pediram ajuda aos professores. resplandecente, onde seu corpo não passa de um ponto obscuro,
sua inteligência pode abarcar inteira, e dela fruir a silenciosa
Explicações: harmonia.
a) Certos alunos = qualquer aluno. A frase acima pode ser corretamente entendida, no contexto,
b) Alunos certos = aluno correto. como o reconhecimento
c) Alunos determinados = alunos decididos. (A) da pequenez do homem diante da grandeza do universo,
d) Determinados alunos = qualquer aluno. que pode, no entanto, a partir da ciência astronômica, ser conhecido
em sua totalidade pela inteligência humana.
Exercícios (B) de que o homem é pequeno fisicamente, mas tem uma
alma que pode ser lúcida, generosa e tão grande como o universo
Atenção: Para responder às questões de números 01 a 03, mostrado pela astronomia.
considere o texto abaixo. (C) da grandeza da inteligência humana que, colocada em um
Os governos e os parlamentos devem achar que a astronomia ser tão pequeno, pode fazê-lo um dia capaz de transportar-se para
é uma das ciências que custam mais caro: o menor instrumento qualquer galáxia do universo.
custa centenas de milhares de francos; o menor observatório (D) da insignificância do homem quando visto a partir do
custa milhões; cada eclipse acarreta depois de si despesas conhecimento astronômico, revelando que sua inteligência, por
suplementares. E tudo isso para astros que ficam tão distantes, maior que seja, é incapaz de compreender a harmonia universal.
que são completamente estranhos às nossas lutas eleitorais, e (E) de que há no homem uma divisão radical entre corpo
provavelmente jamais desempenharão qualquer papel nelas. É e alma, que só poderá ser superada na medida da compreensão
impossível que nossos homens políticos não tenham conservado integrada da presença humana no universo.
um resto de idealismo, um vago instinto daquilo que é grande;

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03. ... a que ponto a astronomia facilitou a obra das outras Considerando-se o contexto, é INCORRETO afirmar que o
ciências ... elemento grifado pode ser substituído por:
O verbo que exige o mesmo tipo de complemento que o (A) Porém.
grifado acima está empregado em: (B) Contudo.
(A) ... astros que ficam tão distantes ... (C) Todavia.
(B) ... que a astronomia é uma das ciências ... (D) Entretanto.
(C) ... que nos proporcionou um espírito ... (E) Conquanto.
(D) ... cuja importância ninguém ignora ...
(E) ... onde seu corpo não passa de um ponto obscuro ... Leia o texto para responder às questões de números 06 a 09.

Atenção: Para responder às questões de números 04 e 05, Temos o poder da escolha


considere o texto abaixo.
A música alcançou uma onipresença avassaladora em nosso Os consumidores são assediados pelo marketing a todo
mundo: milhões de horas de sua história estão disponíveis em momento para comprarem além do que necessitam, mas somente
disco; rios de melodia digital correm na internet; aparelhos eles podem decidir o que vão ou não comprar. É como se abrissem
de mp3 com 40 mil canções podem ser colocados no bolso. No em nós uma “caixa de necessidades”, mas só nós temos o poder
entanto, a música não é mais algo que fazemos nós mesmos, ou da escolha.
até que observamos outras pessoas fazerem diante de nós. Ela Cada vez mais precisamos do consumo consciente. Será
se tornou um meio radicalmente virtual, uma arte sem rosto. que paramos para pensar de onde vem o produto que estamos
Quando caminhamos pela cidade num dia comum, nossos ouvidos consumindo e se os valores da empresa são os mesmos em que
registram música em quase todos os momentos − pedaços de hip- acreditamos? A competitividade entre as empresas exige que elas
hop vazando dos fones de ouvido de adolescentes no metrô, o evoluam para serem opções para o consumidor. Nos anos 60, saber
sinal do celular de um advogado tocando a “Ode à alegria”, de fabricar qualquer coisa era o suficiente para ter uma empresa. Nos
Beethoven −, mas quase nada disso será resultado imediato de anos 70, era preciso saber fazer com qualidade e altos índices de
produção. Já no ano 2000, a preocupação era fazer melhor ou
um trabalho físico de mãos ou vozes humanas, como se dava no
diferente da concorrência e as empresas passaram a atuar com
passado.
responsabilidade socioambiental.
Desde que Edison inventou o cilindro fonográfico, em 1877,
O consumidor tem de aprender a dizer não quando a sua
existe gente que avalia o que a gravação fez em favor e desfavor
relação com a empresa não for boa. Se não for boa, deve comprar
da arte da música. Inevitavelmente, a conversa descambou para
o produto em outro lugar. Os cidadãos não têm ideia do poder que
os extremos retóricos. No campo oposto ao dos que diziam que a
possuem.
tecnologia acabaria com a música estão os utópicos, que alegam
É importante, ainda, entender nossa relação com a empresa
que a tecnologia não aprisionou a música, mas libertou-a, levando ou produto que vamos eleger. Temos uma expectativa, um
a arte da elite às massas. Antes de Edison, diziam os utópicos, envolvimento e aceitação e a preferência dependerá das ações que
as sinfonias de Beethoven só podiam ser ouvidas em salas de aprovamos ou não nas empresas, pois podemos mudar de ideia.
concerto selecionadas. Agora, as gravações levam a mensagem Há muito a ser feito. Uma pesquisa mostrou que 55,4% das
de Beethoven aos confins do planeta, convocando a multidão pessoas acreditam no consumo consciente, mas essas mesmas
saudada na “Ode à alegria”: “Abracem-se, milhões!”. Glenn pessoas admitem que já compraram produto pirata. Temos de
Gould, depois de afastar-se das apresentações ao vivo em 1964, refletir sobre isso para mudar nossas atitudes.
previu que dentro de um século o concerto público desapareceria (Jornal da Tarde 24.04.2007. Adaptado)
no éter eletrônico, com grande efeito benéfico sobre a cultura
musical. 06. De acordo com a leitura do texto, pode-se afirmar que os
(Adaptado de Alex Ross. Escuta só. Tradução Pedro Maia consumidores
Soares. São Paulo, Cia. das Letras, 2010, p. 76-77) (A) raramente sofrem interferências do marketing.
(B) sabem dizer não quando uma empresa age incorretamente.
04. No texto, o autor (C) devem selecionar melhor empresas e produtos.
(A) apresenta duas posições radicalmente opostas em relação (D) ameaçam deixar de continuar consumindo ao descobrirem
aos efeitos da tecnologia sobre a fruição da música. irresponsabilidades.
(B) critica os que fazem música de maneira anônima, (E) resistem aos apelos do marketing, evitando as compras.
contrapondo-os aos grandes músicos do passado.
(C) comprova que a música se desvalorizou na medida em que 07. Conforme informações do texto, o consumo consciente
deixou de ser apresentada ao vivo, passando a ser uma arte menor. depende
(D) lamenta os efeitos nefastos da tecnologia sobre a música, (A) da reflexão sobre a origem dos produtos e da honestidade
que se transformou em mero toque de celular. das empresas.
(E) conclui com ironia que os adolescentes desfrutam música (B) de os preços serem acessíveis ao consumidor e o produto
de qualidade inferior à cultivada por pessoas já formadas. estar na moda.
(C) do marketing, que consegue convencer as pessoas.
05. No entanto, a música não é mais algo que fazemos nós (D) de um produto ser atraente ou não para o consumidor.
mesmos, ou até que observamos outras pessoas fazerem diante de (E) das vantagens que a empresa pode oferecer ao se pagar à
nós. vista.

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08. Na frase – Os consumidores são assediados pelo 13. O debate de diferentes aspectos pertinentes a determinados
marketing... –, a palavra destacada pode ser substituída, sem fatos regulados pela lei promovido pelos agentes que detêm as
alteração de sentido, por: ferramentas operacionais de geração do direito é importante para
(A) perseguidos. que o texto literário possa levar o leitor a questionar seu modo de
(B) ameaçados. pensar e até a mudar seu ponto de vista a respeito dos assuntos
(C) acompanhados. nele abordados.
(D) gerados.
(E) preparados. Julgue os itens a seguir, referentes aos sentidos e aos aspectos
estruturais do texto.
09. No trecho – Temos uma expectativa, um envolvimento e
aceitação... –, a palavra destacada apresenta sentido contrário de 14. O trecho “dar-lhe voz, chamar-lhe a atenção para algo”
(A) vontade. (R.21-22) poderia ser corretamente entendido da seguinte forma:
(B) apreciação. dar voz ao leitor, chamar a atenção do leitor para algo.
(C) avaliação.
15. A palavra “cena” (R.10) foi empregada no texto com o
(D) rejeição.
sentido de arte.
(E) indiferença.
Texto para os itens de 15 a 19
Texto para os itens de 10 a 15
O exercício da advocacia criminal constitui instrumento de
Ouvir a voz da rua, por meio da literatura, constitui um bom equilíbrio social. Não haveria paz e tranquilidade se os julgamentos
começo para a apreensão dos espaços de interação das pessoas fossem realizados sem leis antecipadamente organizadas e se
destinatárias do texto literário com o direito e com o seu fenômeno os réus — por mais graves que fossem os crimes cometidos —
de expressão mais notável, que é a lei. A leitura do texto literário pudessem ser condenados sumariamente sem defesa. Quando se
que narra a perplexidade das pessoas em relação à lei pode fala em defesa, trata-se da ampla defesa, que abrange o direito de
interferir positivamente na compreensão do problema da adesão recorrer, quando a decisão não for favorável. O recurso ampara-
aos centros de tutela que nela se estabelecem. se em dois fundamentos de natureza psicológica. De um lado, o
A dialética própria do conhecimento aplica-se especialmente sentimento inato, inerente ao gênero humano, de inconformidade
ao direito como grande cena da cultura humana e lugar de com a derrota. De outro, a certeza universal da falibilidade humana.
residência ou de visibilidade do conflito. O texto literário pode Daí o impulso 13 existencial legítimo de ver um julgamento
mudar o leitor, pode confrontar suas crenças e fazê-lo pensar. Ele desfavorável reexaminado, de preferência por quem lhe pareça
pode, também, fazer o apostolado das necessidades. Esse, porém, mais qualificado por melhores dotes de sabedoria e experiência,
não é um processo automático e não prescinde de uma mobilização e mesmo, ainda que por simples presunção, por melhores valores
por aqueles que detêm as ferramentas operacionais de geração do culturais e morais.
direito — legisladores, professores, teóricos e agentes máximos Se, na vida, recorrer ao amparo dos nossos semelhantes é
da informação pelo argumento, como os juízes, os advogados, uma necessidade, a lei não poderia deixar de acolher a utilização
os promotores etc. — para chamar a atenção do leitor acerca do de recursos para o seu trato diário, como uma forma de ver-se
conteúdo proposto no texto literário. prestigiada, ou seja, para que as partes envolvidas no processo
O texto literário pode mudar o leitor, dar-lhe voz, chamar-lhe se sintam amparadas, com a sensação de que a decisão foi, tanto
a atenção para algo não percebido espontaneamente, preencher-lhe quanto possível, devidamente apreciada, imparcial e justa.
Tales Castelo Branco. Todo réu deve ter defesa. Internet:
as lacunas com o alívio de ouvir o que queria que fosse dito. Esse
<http://super.abril.com.br> (com adaptações).
texto pode abrir uma vereda para a expansão do conhecimento por
meio das promessas e perguntas que faz.
Considerando as ideias e a tipologia do texto apresentado,
Mônica Sette Lopes. A imagem do direito e da justiça no julgue os itens subsequentes.
Machado de Assis cronista. Internet: <www.amatra3.com.br>
(com adaptações). 16. De acordo com o texto, o direito de ampla defesa contempla
o direito de interposição de recurso contra uma sentença judicial.
Com relação às ideias do texto, julgue os itens de 10 a 15.
17. O texto pode ser classificado como dissertativo, visto
10. Infere-se do texto que o texto literário é um dos agentes que nele se defende a ideia da importância da ampla defesa e se
capazes de garantir que o cidadão comum tome conhecimento de desenvolve argumentação a partir dela.
seus direitos estabelecidos em lei.
18. De acordo com o texto, a previsão em lei do direito de
11. Depreende-se da leitura do texto que, de modo geral, recorrer contra decisão judicial contribui tanto para a manutenção
os inconformados com o sistema judicial utilizam os escritos da reputação do sistema judicial quanto para a promoção do bem-
literários como meio de expressão. estar do réu.

12. No texto, caracteriza-se a dialética como “grande cena 19. O texto sugere que a ausência de paz e tranquilidade em
da cultura humana e lugar de residência ou de visibilidade do uma sociedade advém do fato de o exercício da advocacia criminal
conflito” (R.10-11). ser falho ou inexistente.

Didatismo e Conhecimento 6
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Texto para os itens de 20 a 25 20. Na passagem “... Até arrefeceu um pouco...”, a forma
verbal presente tem como antônimo:
O matemático americano Salman Khan, ou Sal, tornou-se o (A) esfriou
mais bem-sucedido professor de todos os tempos sem nenhuma
(B) abrandou
base teórica na área da pedagogia nem trânsito no mundo dos
especialistas em educação. Aos 36 anos, ele nunca chegou a (C) estimulou
demonstrar ambição de se converter em um grande pensador da (D) prejudicou
sala de aula, mas vem se firmando como alguém com um olhar (E) desanimou
muito pragmático e ácido sobre a escola. Sal não muda o tom
em seu recém-lançado The One World Schoolhouse: Education 21. No trecho “... o mais bem-sucedido professor de todos os
Reimagined, best-seller nos Estados Unidos, com chegada ao tempos...” é possível reconhecer o emprego adequado do:
Brasil prevista para janeiro com o título Um Mundo, uma Escola
(A) comparativo analítico
(...). Preservando o estilo coloquial e ao mesmo tempo assertivo
de suas aulas – já vistas 200 milhões de vezes na rede –, ele expõe (B) superlativo de totalidade
pela primeira vez de forma mais organizada suas descobertas (C) superlativo absoluto sintético
sobre o aprendizado. Incentivado pelos colegas do Vale do Silício, (D) comparativo de superioridade
onde fincou sua Khan Academy, Até arrefeceu um pouco o ritmo (E) superlativo relativo de superioridade
frenético com que produz conteúdo áreas do conhecimento – algo
que parecia impossível para quem o conhece bem – para concluir
22. Nos sintagmas abaixo, a mudança de posição dos termos
o texto sobre o qual se debruçou por dois anos. “Não tenho a
pretensão dos grandes teóricos, mas uma experiência concreta provoca alteração de sentido, EXCETO em:
que sinaliza para uma escola menos chata”, resume a VEJA o (A) “... velho modelo...”
entusiasmado Sal. (B) “... ritmo frenético...”
O mérito número 1 desse jovem matemático que coleciona (C) “... grande pensador...”
ainda graduações em ciências da computação e engenharia (D) “... jovem matemático...”
elétrica e uma passagem pelo mercado financeiro é mostrar que a (E) “... matemático americano...”
transformação da escola – ainda baseada no velho modelo prussiano
do século XVIII – não requer nada de muito mirabolante nem tão
dispendioso. Sal é, acima de tudo, um defensor do bom-senso. Ele 23. A passagem do texto em que se pode perceber o emprego
indaga: “Se todas as pesquisas da neurociência já provaram que de uma figura de linguagem é:
as pessoas perdem a concentração em longas palestras, por que a (A) “... O aprendizado de hoje é como um queijo suíço...”
aula-padrão é expositiva e leva uma hora?”. Suas lições virtuais (B) “.... Sal é, acima de tudo, um defensor do bom-senso...”
não passam de vinte minutos. Sal se declara ainda contra a falta (C) “... o tempo na escola passa a ser usado de forma muito
de ambição acadêmica, uma das raízes do fracasso escolar. “O
mais produtiva...”
aprendizado de hoje é como um queijo suíço, cheio de buracos, e
isso é estranhamente tolerado. Os alunos mudam de capítulo sem (D) “... Preservando o estilo coloquial e ao mesmo tempo
ter assimilado o anterior, dispara com o mesmo ímpeto com que assertivo de suas aulas...”
combate a monotonia da sala de aula. “Enquanto o mundo requer (E) “... O primeiro requer bons professores para lançar na rede
gente criativa e com alta capacidade inovadora, o modelo vigente conteúdo do mais alto nível...”
reforça reforça a passividade”, diz.
Uma de suas grandes contribuições é mostrar como a 24. A oração “... sem que se faça nada de verdadeiramente
tecnologia pode revirar velhas convicções sobre a escola, área
útil, muito menos revolucionário, com eles...” apresenta valor
em que ainda paira uma zona de sombra – inclusive no Brasil.
As iniciativas nesse campo costumam se limitar a prover acesso a semântico de:
computadores e tablets sem que se faça nada de verdadeiramente (A) condição
útil, muito menos revolucionário, com eles. Sal aponta dois (B) finalidade
caminhos. O primeiro requer bons professores para lançar na rede (C) proporção
conteúdo do mais alto nível para ser visto de qualquer lugar e no (D) concessão
ritmo de cada um. De tão simples parece banal, mas ele reforça
(E) consequência
que pode estar aí a chave para um novo tipo de escola: “A criança
assiste em casa à melhor aula possível, e o tempo na escola
passa a ser usado de forma muito mais produtiva, para dúvidas e 25. Considere o trecho a seguir: “...“A criança assiste em
projetos intelectualmente desafiantes”, explica. O outro caminho casa à melhor aula possível, e o tempo na escola passa a ser
descortinado por ele passa pela possibilidade que o computador usado de forma muito mais produtiva, para dúvidas e projetos
traz de monitorar o desempenho dos alunos em tempo real – algo intelectualmente desafiantes”, explica...”.
que, se bem aplicado, pode se converter em uma ferramenta Segundo o autor, “casa” e “escola” estabelecem relação de:
valiosa. O próprio Sal desenvolveu um programa que permite ao
(A) complementaridade
professor visualizar o desempenho do aluno no instante exato em
que ele resolve os desafios propostos no site da Khan Academy. (B) incompatibilidade
(...) (C) mecanicidade
(BUTTI, Nathália. “Abaixo a chatice na sala de aula”. Veja. (D) reduplicação
São Paulo: Editora Abril, 05 dez. 2012, p. 158-60.) (E) introjeção

Didatismo e Conhecimento 7
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Leia o texto e responda as questões de 26 a 30. 26. De acordo com o texto:
(A) Colegas da mesma escola oferecem drogas aos seus
ESCOLA DA DROGA amigos
(B) A droga chega na escola por intermédio de traficantes.
Liana Melo (C) Colégios religiosos são os que mais denunciam os
traficantes
Era pra ser um dia como outro qualquer. O carioca A.E. (D) O traficante oferece drogas nos colégios tradicionais
Acordou cedo e iniciou sua rotina matinal. Vestiu-se para ir à
escola, tomou café e despediu-se da avó, com quem morava 27. Era pra ser um dia como outro qualquer. Essa frase do
na Zona Sul do Rio de Janeiro. Ao sair, checou se o cigarro de texto, referindo-se ao carioca A.E., faz supor que esse dia não foi
maconha que costumava esconder na mochila estava lá. Antes de igual aos demais porque ele:
ir para a sala de aula de um dos colégios religiosos tradicionais da (A) Não encontrou seu cigarro na mochila
cidade, foi ao banheiro. Ali, deixou o baseado cair. Foi denunciado (B) Deixou cair seu cigarro na sala de aula
e expulso. O episódio ocorreu há três anos, quando A.E. Tinha 12 (C) Foi descoberto como um usuário de droga
anos. Hoje (...) é um dos 92 mil jovens que fazem uso regular de (D) Em vez de ir para a escola, foi para a zona sul do Rio.
drogas e um dos cerca de milhões de estudantes brasileiros que
admitem a existência de entorpecentes nas escolas. (...). 28. É correto afirmar que o tráfico das drogas acontece, na
“Ilusão pensar que é o traficante quem oferece drogas nas maioria das vezes:
escolas. São os próprios amigos do colégio que fazem esse papel”, (A) nas salas de aula
analisa a socióloga carioca Mary Castro. (B) nos arredores da escola
Foi exatamente isso que aconteceu com A.E. Um colega da (C) nos banheiros das escolas
escola de seu primo foi quem apertou o primeiro baseado para ele (D) no pátio do colégio
fumar. (...). Ao galgar a posição de usuário regular, A.E. Começou
a ficar sem dinheiro. Com a mesada curta, passou a roubar celulares 29. Costumo dizer que a droga se matriculou na escola. Com
na escola. Não é incomum que o uso de drogas gerem distúrbios essa frase, o médico quis dizer que:
de comportamento como o de A.E.: 92% dos alunos pesquisadores (A) Os alunos usuários de droga se matriculam nas escolas
afirmaram já ter cometido algum tipo de transgressão. para usá-las mais facilmente.
É no entorno dos colégios, mais do que dentro deles, que se (B) A droga convive com os alunos, na escola.
constata a presença do tráfico e do consumo de drogas. “Não é o (C) A escola é o lugar mais visitado pelos traficantes
aluno que vai atrás das drogas, é a droga que vai ao encontro dele”, (D) O aluno matricula-se na escola porque sabe que lá há
analisa o psiquiatra paulista José Antônio Ribeira da Silva. A drogas
UNESCO confirma essa tese ao apontar os bares como os lugares
onde, com maior frequência, são vendidas as drogas aos menores. 30. O texto informa que:
Dentro das escolas, o banheiro é o lugar preferido para usar (A) Todo jovem dependente de droga aos 11 anos é traficante.
entorpecentes no horário das aulas. A maconha é disparadamente a (B) Todo jovem que usa droga acaba se envolvendo com o
droga ilícita mais consumida pelos estudantes. “Costumo dizer que tráfico
a droga se matriculou na escola”- palavras do médico psicanalista (C) Alguns jovens que começam a usar drogas aos 11 anos não
José Outeiral. se tornam dependentes dela
Num passado recente, o jovem debutava no mundo das (D) Jovens de 14 anos tornam-se dependentes da droga mais
drogas aos 14 anos: hoje, aos 11 anos. Isso não significa que todos depressa.
esses jovens evoluam para a dependência, assim como nem todo
adolescente que usa droga está envolvido com tráfico. “Os mais Leia o texto para responder às questões de números 31 a 34.
vulneráveis são aqueles oriundos de famílias cujos limites não são
claros”, analisa o psicanalista Luiz Alberto Pinheiro de Freitas. Mais denso, menos trânsito
A ausência do “não” na vida desses jovens cria uma espécie de
ideal maníaco pela felicidade eterna e ininterrupta. (...) Segundo As grandes cidades brasileiras estão congestionadas e em
pesquisa, o consumo de drogas entre meninas é 30% inferior ao processo de deterioração agudizado pelo crescimento econômico
dos meninos estudantes. da última década. Existem deficiências evidentes em infraestrutura,
“As drogas, sobretudo a maconha, provocam prejuízo mas é importante também considerar o planejamento urbano.
cognitivo”- comenta o médico Jorge Jaber. Na faixa etária de 18 Muitas grandes cidades adotaram uma abordagem de
anos, por terem ainda o sistema nervoso imaturo, as drogas podem desconcentração, incentivando a criação de diversos centros
causar danos irreparáveis. Só que ao contrário do que se pensa, não urbanos, na visão de que isso levaria a uma maior facilidade de
é a maconha a porta de entrada para o mundo das drogas ilícitas, deslocamento.
mas o álcool e o cigarro. L.S. iniciou nas drogas pelo álcool. Hoje Mas o efeito tem sido o inverso. A criação de diversos centros
aos 18 anos, ele já repetiu de ano algumas vezes e cursa a 8ª série. e o aumento das distâncias multiplicam o número de viagens,
Já agrediu a mãe e costuma roubar: “Meus alvos preferidos são dificultando o investimento em transporte coletivo e aumentando a
as velhinhas indefesas.” Em muitas escolas impera mesmo é a lei necessidade do transporte individual.
do silêncio, que vem acompanhada do medo e da ameaça, o que Se olharmos Los Angeles como a região que levou a
demonstra as tênues fronteiras entre a droga e a violência. desconcentração ao extremo, ficam claras as consequências. Numa
região rica como a Califórnia, com enorme investimento viário,
Fonte: http://pt.shvoong.com/humanities/1718074-escola- temos engarrafamentos gigantescos que viraram característica da
da-droga/#ixzz2McJ3RQ3F último acesso em 04 /03/2012. cidade.

Didatismo e Conhecimento 8
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Os modelos urbanos bem-sucedidos são aqueles com elevado 35. Leia o cartum de Jean Galvão.
adensamento e predominância do transporte coletivo, como
mostram Manhattan e Tóquio.
O centro histórico de São Paulo é a região da cidade mais
bem servida de transporte coletivo, com infraestrutura de
telecomunicação, água, eletricidade etc. Como em outras grandes
cidades, essa deveria ser a região mais adensada da metrópole. Mas
não é o caso. Temos, hoje, um esvaziamento gradual do centro,
com deslocamento das atividades para diversas regiões da cidade.
A visão de adensamento com uso abundante de transporte
coletivo precisa ser recuperada. Desse modo, será possível reverter
esse processo de uso cada vez mais intenso do transporte individual,
fruto não só do novo acesso da população ao automóvel, mas
também da necessidade de maior número de viagens em função da
distância cada vez maior entre os destinos da população.
(https://www.facebook.com/jeangalvao.cartunista)
(Henrique Meirelles, Folha de S.Paulo, 13.01.2013.
Adaptado) Considerando a relação entre a fala do personagem e a
imagem visual, pode-se concluir que o que o leva a pular a onda é
31. A partir da leitura do primeiro parágrafo, pode-se concluir a necessidade de
que a degeneração das grandes cidades brasileiras tem sido (A) demonstrar respeito às religiões.
acelerada (B) realizar um ritual místico.
(A) pelo crescimento econômico da última década. (C) divertir-se com os amigos.
(B) pela ausência de manutenção das grandes rodovias. (D) preservar uma tradição familiar.
(C) pela falta de investimento por parte de empresas privadas. (E) esquivar-se da sujeira da água
(D) pela inexistência de transporte individual.
(E) pela concentração de moradores em zonas muito pobres. Leia o texto para responder às questões de números 36 a 38.
Pulseira ‘high-tech’ ajuda a encontrar criança na praia
32. Para o autor, a criação de diversos centros urbanos dificulta
o deslocamento, porque Pulseiras de silicone à prova d’água ligadas a um sistema
(A) limita as atividades dos indivíduos a uma única área da eletrônico são as novas estratégias disponíveis aos pais para ajudar
cidade. a localizar filhos perdidos na praia.
(B) obriga os cidadãos a usar o transporte coletivo. Só no período de 21 de dezembro de 2012 a 10 de janeiro
(C) acarreta uma redução do número de rodovias. de 2013, o litoral paulista somou 323 casos de crianças perdidas,
(D) diminui a necessidade de construção de vias públicas. segundo o Corpo de Bombeiros – o que representa um avanço de
(E) multiplica o número de viagens da população. 41% em relação à temporada de 2011/2012 e de 201% ante a de
2010/2011.
33. Uma alternativa apontada no texto para a melhoria do De fabricação chinesa, a nova pulseirinha chega primeiro às
trânsito nas grandes cidades, além do adensamento, está em areias do Guarujá. A ideia é da ONG Anjos do Verão. O grupo
(A) ampliar a malha viária no entorno das cidades. de voluntários instala um código numérico em baixo relevo na
pulseira – que pode ser usada por até dois anos – e cadastra no
(B) proibir a circulação de veículos nas regiões centrais.
sistema dados da criança, celular e e-mail dos pais e de outros
(C) investir no transporte coletivo.
familiares.
(D) estimular a aquisição de automóveis.
Se a criança se perder, quem encontrá-la verá na pulseira
(E) restringir o horário de circulação de veículos. instruções para que envie uma mensagem eletrônica ao grupo
ou acione o código na internet. Assim que o código é digitado,
34. Na opinião do autor, o centro histórico de São Paulo familiares cadastrados recebem automaticamente uma mensagem
deveria ser a região mais adensada da metrópole, uma vez que é dizendo que a criança foi encontrada.
a mais O sistema permite ainda cadastrar o nome e o telefone de quem
(A) populosa e concentra o maior número de empresas. a encontrou e informar um ponto de referência. Um geolocalizador
(B) rica em termos de infraestrutura e transporte público. também avisará os pais de onde o código foi acionado.
(C) frequentada por trabalhadores e paulistanos no geral. Segundo o coordenador da Anjos do Verão, Rui Silva, a ideia
(D) tradicional e considerada polo turístico da cidade. é instituir uma nova forma de identificação, sem correr o risco de
(E) carente quanto à oferta de serviços de saneamento. expor dados da criança e da família.
A ONG planeja levar o sistema para além da faixa de areia.
“Queremos criar um ponto de encontro eletrônico que sirva
não só para as praias, mas também para o pai que leva os filhos ao
shopping, ao aeroporto ou até à rua 25 de Março”, diz Silva.
(Natália Cancian, Folha de S.Paulo, 13.01.2013. Adaptado)
Glossário
high-tech: de alta-tecnologia

Didatismo e Conhecimento 9
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36. De acordo com o texto, a pulseira eletrônica é distribuída 39. No texto, a narradora
pela ONG Anjos do Verão com a finalidade de (A) conta o episódio de quando se perdeu dos familiares aos
(A) impedir crianças de se distanciarem dos pais. oito anos.
(B) facilitar a localização de crianças perdidas. (B) relata sua experiência de encontrar uma criança perdida
(C) alertar os pais sobre o risco de perder os filhos. na rua.
(D) auxiliar a encontrar vítimas de afogamento nas praias. (C) fala da experiência de ter voltado para casa com a ajuda de
(E) identificar possíveis sequestradores de crianças. um dispositivo eletrônico.
(D) expõe sua indignação contra pais que perdem seus filhos.
37. Segundo o coordenador da Anjos do Verão, a pulseira (E) lembra quando foi severamente repreendida pelos pais por
eletrônica ter se perdido.
(A) apresenta alta durabilidade, que ultrapassa dois anos de
uso contínuo. 40. Assinale a alternativa que completa corretamente a lacuna
(B) será distribuída gratuitamente aos frequentadores das do texto.
praias do Guarujá. O fato de a menina saber que havia o desenho de um índio na
(C) deve ser usada por menores de todas as faixas etárias. porta do prédio mostrou-se para que ela soubesse voltar para casa
(D) auxiliou o trabalho dos bombeiros durante os últimos sozinha.
verões. (A) indispensável
(E) oferece maior proteção aos dados da criança e da família. (B) inútil
(C) essencial
38. Considerando o conjunto das informações do último (D) conveniente
parágrafo, com a frase – A ONG planeja levar o sistema para além (E) vantajoso
da faixa de areia. –, a autora quer dizer que a ONG planeja
(A) expandir o sistema para outras áreas. 41. Releia o último parágrafo.
(B) demarcar as fronteiras de uso do sistema. Talvez nada disso teria acontecido se tivesse uma dessas
(C) levar o sistema para praias de todo o litoral paulista. pulseirinhas de identificação. Mas talvez também não tivesse
(D) tornar o sistema mais resistente à areia da praia. aprendido que é sempre bom saber como voltar pra casa.
(E) agilizar o acesso ao sistema nas praias. A autora conclui que a experiência de perder-se pode ser
(A) divertida.
Leia o texto para responder às questões de números 39 a 42. (B) traumática.
(C) letal.
Perdida, só me lembrava do ‘índio’ do prédio (D) instrutiva.
(E) destrutiva.
“A única coisa que ela sabe é que tem o desenho de um índio
na porta do prédio”, dizia o sorveteiro, um pouco confuso, sem 42. Observe a passagem do penúltimo parágrafo.
saber o que fazer com aquela criança perdida na avenida em frente Lá pelos anos 70, sem celular, iPhone, iPad ou outras tantas
à praia. Ele tentava convencer duas senhoras a assumir o problema, muletas, a estratégia foi cada integrante da família se dividir e fixar
que, no caso, era eu. um tempo para voltar à porta do prédio. Estavam todos lá, minha
Em silêncio, de cabeça baixa, eu morria de vergonha diante de mãe, primos, tia, o sorveteiro, as duas mulheres e eu – ainda muda.
tamanha proeza – conseguir me perder entre os poucos metros que O termo lá, nas expressões Lá pelos anos 70 e Estavam todos
separavam o edifício onde estava com minha família e a banca de lá, expressa ideia de
revistas. Tão senhora de mim aos oito anos de idade, nem percebi (A) dúvida e modo, respectivamente.
que segui em direção à praia, quando deveria voltar. E lá fui eu (B) tempo, em ambas as ocorrências.
com as duas novas tutoras e o sorveteiro, em busca do tal edifício. (C) modo, em ambas as ocorrências.
Para elas, o jeito era chamar a polícia. (D) lugar e dúvida, respectivamente.
Anda de um lado, pergunta do tal índio pro outro, até que ouço (E) tempo e lugar, respectivamente.
uma voz: “achamos”. Uma prima, quase em prantos, me abraçou e
disse: “estávamos desesperados”. A tirinha a seguir serve de base para as questões 43 e 44.
Lá pelos anos 70, sem celular, iPhone, iPad ou outras tantas Observe-a com atenção:
muletas, a estratégia foi cada integrante da família se dividir e fixar
um tempo para voltar à porta do prédio. Estavam todos lá, minha
mãe, primos, tia, o sorveteiro, as duas mulheres e eu – ainda muda.
Só choro, abraço e, para o meu espanto, nenhuma bronca. E a cara
de surpresa quando todos viram que só eu havia reparado no tal
índio pintado na porta do prédio.
Talvez nada disso teria acontecido se tivesse uma dessas
pulseirinhas de identificação. Mas talvez também não tivesse
aprendido que é sempre bom saber como voltar pra casa.
(Denise Chiarato, Folha de S.Paulo, 13.01.2013. Adaptado)

Didatismo e Conhecimento 10
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43. Comparando a fala do primeiro balão com a do último, é do que aqueles que aparecem explícitos na sua superfície. Leitura
CORRETO afirmar que: proficiente é aquela capaz de depreender tanto um tipo de signifi-
a) há uma relação intertextual entre elas, embora haja cado quanto o outro, o que, em outras palavras, significa ler nas
diferenças de estrutura sintática entre uma e outra. entrelinhas. Sem essa habilidade, o leitor passará por cima de sig-
b) sob o ponto de vista conceitual, a expressão “lei da selva” nificados importantes ou, o que é bem pior, concordará com ideias
tem uma extensão mais ampla que “lei da gravidade”, que tem e pontos de vista que rejeitaria se os percebesse.
sentido especializado. Os significados implícitos costumam ser classificados em
c) a forma verbal “Lamento” sugere a relação respeitosa que duas categorias: os pressupostos e os subentendidos.
as personagens estabelecem entre si na tirinha.
d) a conjunção “mas” poderia ser substituída, somente no Pressupostos: são ideias implícitas que estão implicadas logi-
primeiro quadrinho, por porém ou no entanto. camente no sentido de certas palavras ou expressões explicitadas
e) a expressão “lei da gravidade” não pode ser entendida, na superfície da frase. Exemplo:
devido ao contexto sarcástico, como um termo técnico da Física. 
“André tornouse um antitabagista convicto.”
44. A imagem no segundo quadrinho 
a) comprova que a lei da selva é válida em todas as situações. A informação explícita é que hoje André é um antitabagista
b) é incompatível com o que ocorreu no primeiro quadrinho. convicto. Do sentido do verbo tornarse, que significa “vir a ser”,
c) reforça o lamento do gato no começo da tirinha. decorre logicamente que antes André não era antitabagista convic-
d) permite ao rato fazer a observação que está no último balão. to. Essa informação está pressuposta. Ninguém se torna algo que
e) mostra a indignação do rato para com a postura do gato.  já era antes. Seria muito estranho dizer que a palmeira tornouse
um vegetal.
Gabarito: (1-D), (2-A), (3-D), (4-A), (5-E), (6-C), (7-A), (8-
A), (9-D), (10-E), (11-E), (12-E), (13-C), (14-C), (15-E), (16-C), “Eu ainda não conheço a Europa.”
(17-C), (18-C), (19-E), (20-C), (21-E), (22-B), (23-A), (24-D), A informação explícita é que o enunciador não tem conheci-
(25-A), (26-A), (27-C), (28-B), (29-B), (30-C), (31-A), (32-E), mento do continente europeu. O advérbio ainda deixa pressuposta
(33-C), (34-B), (35-E), (36-B), (37-E), (38-A), (39-A), (40-B), a possibilidade de ele um dia conhecêla.
(41-D), (42-E), (43-B), (44-D).. As informações explícitas podem ser questionadas pelo recep-
tor, que pode ou não concordar com elas. Os pressupostos, porém,
Informações explícitas e implícitas devem ser verdadeiros ou, pelo menos, admitidos como tais, por-
que esta é uma condição para garantir a continuidade do diálogo
Texto: e também para fornecer fundamento às afirmações explícitas. Isso
significa que, se o pressuposto é falso, a informação explícita não
“Neto ainda está longe de se igualar a qualquer um desses tem cabimento. Assim, por exemplo, se Maria não falta nunca a
craques (Rivelino, Ademir da Guia, Pedro Rocha e Pelé), mas ain- aula nenhuma, não tem o menor sentido dizer “Até Maria compa-
da tem um longo caminho a trilhar (...).” receu à aula de hoje”. Até estabelece o pressuposto da inclusão de
Veja São Paulo, 26/12/1990, p. 15. um elemento inesperado.
Na leitura, é muito importante detectar os pressupostos, pois
Esse texto diz explicitamente que: eles são um recurso argumentativo que visa a levar o receptor a
- Rivelino, Ademir da Guia, Pedro Rocha e Pelé são craques; aceitar a orientação argumentativa do emissor. Ao introduzir uma
- Neto não tem o mesmo nível desses craques; ideia sob a forma de pressuposto, o enunciador pretende transfor-
- Neto tem muito tempo de carreira pela frente. mar seu interlocutor em cúmplice, pois a ideia implícita não é pos-
ta em discussão, e todos os argumentos explícitos só contribuem
O texto deixa implícito que: para confirmála. O pressusposto aprisiona o receptor no sistema de
- Existe a possibilidade de Neto um dia aproximar-se dos cra- pensamento montado pelo enunciador.
ques citados; A demonstração disso pode ser feita com as “verdades incon-
- Esses craques são referência de alto nível em sua especiali- testáveis” que estão na base de muitos discursos políticos, como o
dade esportiva; que segue:
- Há uma oposição entre Neto e esses craques no que diz res-
peito ao tempo disponível para evoluir. “Quando o curso do rio São Francisco for mudado, será re-
solvido o problema da seca no Nordeste.”
Todos os textos transmitem explicitamente certas informa-
ções, enquanto deixam outras implícitas. Por exemplo, o texto O enunciador estabelece o pressuposto de que é certa a mu-
acima não explicita que existe a possibilidade de Neto se equi- dança do curso do São Francisco e, por consequência, a solução do
parar aos quatro futebolistas, mas a inclusão do advérbio ainda problema da seca no Nordeste. O diálogo não teria continuidade se
estabelece esse implícito. Não diz também com explicitude que um interlocutor não admitisse ou colocasse sob suspeita essa cer-
há oposição entre Neto e os outros jogadores, sob o ponto de vista teza. Em outros termos, haveria quebra da continuidade do diálogo
de contar com tempo para evoluir. A escolha do conector “mas” se alguém interviesse com uma pergunta deste tipo:
entre a segunda e a primeira oração só é possível levando em conta
esse dado implícito. Como se vê, há mais significados num texto “Mas quem disse que é certa a mudança do curso do rio?”

Didatismo e Conhecimento 11
LÍNGUA PORTUGUESA
A aceitação do pressuposto estabelecido pelo emissor permite O pressuposto é que “todos” os brasileiros não se importam
levar adiante o debate; sua negação compromete o diálogo, uma com a coletividade.
vez que destrói a base sobre a qual se constrói a argumentação,
e daí nenhum argumento tem mais importância ou razão de ser. Os brasileiros que não se importam com a coletividade só se
Com pressupostos distintos, o diálogo não é possível ou não tem preocupam com seu bemestar e, por isso, jogam lixo na rua, fe-
sentido. cham os cruzamentos, etc.
A mesma pergunta, feita para pessoas diferentes, pode ser Nesse caso, o pressuposto é outro: “alguns” brasileiros não se
embaraçosa ou não, dependendo do que está pressuposto em cada importam com a coletividade.
situação. Para alguém que não faz segredo sobre a mudança de
emprego, não causa o menor embaraço uma pergunta como esta: No primeiro caso, a oração é explicativa; no segundo, é res-
tritiva. As explicativas pressupõem que o que elas expressam se
“Como vai você no seu novo emprego?” refere à totalidade dos elementos de um conjunto; as restritivas,
que o que elas dizem concerne apenas a parte dos elementos de
O efeito da mesma pergunta seria catastrófico se ela se diri- um conjunto. O produtor do texto escreverá uma restritiva ou uma
gisse a uma pessoa que conseguiu um segundo emprego e quer explicativa segundo o pressuposto que quiser comunicar.
manter sigilo até decidir se abandona o anterior. O adjetivo novo
estabelece o pressuposto de que o interrogado tem um emprego Subentendidos: são insinuações contidas em uma frase ou um
diferente do anterior. grupo de frases. Suponhamos que uma pessoa estivesse em visita
à casa de outra num dia de frio glacial e que uma janela, por onde
Marcadores de Pressupostos entravam rajadas de vento, estivesse aberta. Se o visitante dissesse
“Que frio terrível”, poderia estar insinuando que a janela deveria
- Adjetivos ou palavras similares modificadoras do substantivo ser fechada.
Julinha foi minha primeira filha. Há uma diferença capital entre o pressuposto e o subenten-
“Primeira” pressupõe que tenho outras filhas e que as outras dido. O primeiro é uma informação estabelecida como indiscu-
nasceram depois de Julinha. tível tanto para o emissor quanto para o receptor, uma vez que
decorre necessariamente do sentido de algum elemento linguístico
Destruíram a outra igreja do povoado. colocado na frase. Ele pode ser negado, mas o emissor coloca o
“Outra” pressupõe a existência de pelo menos uma igreja implicitamente para que não o seja. Já o subentendido é de res-
além da usada como referência. ponsabilidade do receptor. O emissor pode esconder-se atrás do
sentido literal das palavras e negar que tenha dito o que o receptor
- Certos verbos depreendeu de suas palavras. Assim, no exemplo dado acima, se
o dono da casa disser que é muito pouco higiênico fechar todas
Renato continua doente. as janelas, o visitante pode dizer que também acha e que apenas
O verbo “continua” indica que Renato já estava doente no mo- constatou a intensidade do frio.
mento anterior ao presente. O subentendido serve, muitas vezes, para o emissor proteger-
se, para transmitir a informação que deseja dar a conhecer sem
Nossos dicionários já aportuguesaram a palavrea copydesk. se comprometer. Imaginemos, por exemplo, que um funcionário
O verbo “aportuguesar” estabelece o pressuposto de que copi- recémpromovido numa empresa ouvisse de um colega o seguinte:
desque não existia em português.
“Competência e mérito continuam não valendo nada como
- Certos advérbios critério de promoção nesta empresa...”

A produção automobilística brasileira está totalmente nas Esse comentário talvez suscitasse esta suspeita:
mãos das multinacionais.
O advérbio totalmente pressupõe que não há no Brasil indús- “Você está querendo dizer que eu não merecia a promoção?”
tria automobilística nacional.
Ora, o funcionário preterido, tendo recorrido a um subenten-
- Você conferiu o resultado da loteria? dido, poderia responder:
- Hoje não.
A negação precedida de um advérbio de tempo de âmbito “Absolutamente! Estou falando em termos gerais.”
limitado estabelece o pressuposto de que apenas nesse intervalo
(hoje) é que o interrogado não praticou o ato de conferir o resul-
tado da loteria.

- Orações adjetivas

Os brasileiros, que não se importam com a coletividade, só


se preocupam com seu bemestar e, por isso, jogam lixo na rua,
fecham os cruzamentos, etc.

Didatismo e Conhecimento 12
LÍNGUA PORTUGUESA
Só o contexto é que determina a significação dos homônimos.
SIGNIFICAÇÃO CONTEXTUAL DE A homonímia pode ser causa de ambiguidade, por isso é conside-
PALAVRAS E EXPRESSÕES; rada uma deficiência dos idiomas.
O que chama a atenção nos homônimos é o seu aspecto fônico
(som) e o gráfico (grafia). Daí serem divididos em:
Significação das Palavras Homógrafos Heterofônicos: iguais na escrita e diferentes no
timbre ou na intensidade das vogais.
Quanto à significação, as palavras são divididas nas seguin- - Rego (substantivo) e rego (verbo).
tes categorias: - Colher (verbo) e colher (substantivo).
- Jogo (substantivo) e jogo (verbo).
Sinônimos: são palavras de sentido igual ou aproximado. - Apoio (verbo) e apoio (substantivo).
Exemplo: - Para (verbo parar) e para (preposição).
- Alfabeto, abecedário. - Providência (substantivo) e providencia (verbo).
- Brado, grito, clamor. - Às (substantivo), às (contração) e as (artigo).
- Extinguir, apagar, abolir, suprimir. - Pelo (substantivo), pelo (verbo) e pelo (contração de per+o).
- Justo, certo, exato, reto, íntegro, imparcial.
Homófonos Heterográficos: iguais na pronúncia e diferentes
Na maioria das vezes não é indiferente usar um sinônimo pelo na escrita.
outro. Embora irmanados pelo sentido comum, os sinônimos dife- - Acender (atear, pôr fogo) e ascender (subir).
renciam-se, entretanto, uns dos outros, por matizes de significação - Concertar (harmonizar) e consertar (reparar, emendar).
e certas propriedades que o escritor não pode desconhecer. Com - Concerto (harmonia, sessão musical) e conserto (ato de con-
efeito, estes têm sentido mais amplo, aqueles, mais restrito (ani- sertar).
mal e quadrúpede); uns são próprios da fala corrente, desataviada, - Cegar (tornar cego) e segar (cortar, ceifar).
vulgar, outros, ao invés, pertencem à esfera da linguagem culta, - Apreçar (determinar o preço, avaliar) e apressar (acelerar).
literária, científica ou poética (orador e tribuno, oculista e oftalmo- - Cela (pequeno quarto), sela (arreio) e sela (verbo selar).
logista, cinzento e cinéreo). - Censo (recenseamento) e senso (juízo).
A contribuição Greco-latina é responsável pela existência, em - Cerrar (fechar) e serrar (cortar).
nossa língua, de numerosos pares de sinônimos. Exemplos: - Paço (palácio) e passo (andar).
- Adversário e antagonista. - Hera (trepadeira) e era (época), era (verbo).
- Translúcido e diáfano. - Caça (ato de caçar), cassa (tecido) e cassa (verbo cassar =
- Semicírculo e hemiciclo. anular).
- Contraveneno e antídoto. - Cessão (ato de ceder), seção (divisão, repartição) e sessão
- Moral e ética. (tempo de uma reunião ou espetáculo).
- Colóquio e diálogo.
- Transformação e metamorfose. Homófonos Homográficos: iguais na escrita e na pronúncia.
- Oposição e antítese. - Caminhada (substantivo), caminhada (verbo).
- Cedo (verbo), cedo (advérbio).
O fato linguístico de existirem sinônimos chama-se sinoní- - Somem (verbo somar), somem (verbo sumir).
mia, palavra que também designa o emprego de sinônimos. - Livre (adjetivo), livre (verbo livrar).
- Pomos (substantivo), pomos (verbo pôr).
Antônimos: são palavras de significação oposta. Exemplos: - Alude (avalancha), alude (verbo aludir).
- Ordem e anarquia.
- Soberba e humildade. Parônimos: são palavras parecidas na escrita e na pronúncia:
- Louvar e censurar. Coro e couro, cesta e sesta, eminente e iminente, tetânico e titâni-
- Mal e bem. co, atoar e atuar, degradar e degredar, cético e séptico, prescrever
e proscrever, descrição e discrição, infligir (aplicar) e infringir
A antonímia pode originar-se de um prefixo de sentido oposto (transgredir), osso e ouço, sede (vontade de beber) e cede (verbo
ou negativo. Exemplos: Bendizer/maldizer, simpático/antipático, ceder), comprimento e cumprimento, deferir (conceder, dar defe-
progredir/regredir, concórdia/discórdia, explícito/implícito, ativo/ rimento) e diferir (ser diferente, divergir, adiar), ratificar (confir-
inativo, esperar/desesperar, comunista/anticomunista, simétrico/ mar) e retificar (tornar reto, corrigir), vultoso (volumoso, muito
assimétrico, pré-nupcial/pós-nupcial. grande: soma vultosa) e vultuoso (congestionado: rosto vultuoso).

Polissemia: Uma palavra pode ter mais de uma significação.


Homônimos: são palavras que têm a mesma pronúncia, e às
A esse fato linguístico dá-se o nome de polissemia. Exemplos:
vezes a mesma grafia, mas significação diferente. Exemplos:
- Mangueira: tubo de borracha ou plástico para regar as plan-
- São (sadio), são (forma do verbo ser) e são (santo).
tas ou apagar incêndios; árvore frutífera; grande curral de gado.
- Aço (substantivo) e asso (verbo).
- Pena: pluma, peça de metal para escrever; punição; dó.
- Velar: cobrir com véu, ocultar, vigiar, cuidar, relativo ao véu
do palato.

Didatismo e Conhecimento 13
LÍNGUA PORTUGUESA
Podemos citar ainda, como exemplos de palavras polissêmi- 06. Assinale o item em que a palavra destacada está incorre-
cas, o verbo dar e os substantivos linha e ponto, que têm dezenas tamente aplicada:
de acepções. a) Trouxeram-me um ramalhete de flores fragrantes.
b) A justiça infligiu a pena merecida aos desordeiros.
Sentido Próprio e Sentido Figurado: as palavras podem ser c) Promoveram uma festa beneficiente para a creche.
empregadas no sentido próprio ou no sentido figurado. Exemplos: d) Devemos ser fiéis ao cumprimento do dever.
- Construí um muro de pedra. (sentido próprio).
e) A cessão de terras compete ao Estado.
- Ênio tem um coração de pedra. (sentido figurado).
- As águas pingavam da torneira, (sentido próprio).
- As horas iam pingando lentamente, (sentido figurado). 07. O ...... do prefeito foi ..... ontem.
a) mandado - caçado
Denotação e Conotação: Observe as palavras em destaque b) mandato - cassado
nos seguintes exemplos: c) mandato - caçado
- Comprei uma correntinha de ouro. d) mandado - casçado
- Fulano nadava em ouro. e) mandado - cassado

No primeiro exemplo, a palavra ouro denota ou designa sim- 08. Marque a alternativa cujas palavras preenchem correta-
plesmente o conhecido metal precioso, tem sentido próprio, real, mente as respectivas lacunas, na frase seguinte: “Necessitando ......
denotativo. o número do cartão do PIS, ...... a data de meu nascimento.”
No segundo exemplo, ouro sugere ou evoca riquezas, poder, a) ratificar, proscrevi
glória, luxo, ostentação; tem o sentido conotativo, possui várias
b) prescrever, discriminei
conotações (ideias associadas, sentimentos, evocações que irra-
diam da palavra). c) descriminar, retifiquei
d) proscrever, prescrevi
Exercícios e) retificar, ratifiquei

01. Estava ....... a ....... da guerra, pois os homens ....... nos 09. “A ......... científica do povo levou-o a .... de feiticeiros os
erros do passado. ..... em astronomia.”
a) eminente, deflagração, incidiram a) insipiência tachar expertos
b) iminente, deflagração, reincidiram b) insipiência taxar expertos
c) eminente, conflagração, reincidiram c) incipiência taxar espertos
d) preste, conflaglação, incidiram d) incipiência tachar espertos
e) prestes, flagração, recindiram e) insipiência taxar espertos
02. “Durante a ........ solene era ........ o desinteresse do mestre
10. Na oração: Em sua vida, nunca teve muito ......, apresen-
diante da ....... demonstrada pelo político”.
a) seção - fragrante - incipiência tava-se sempre ...... no ..... de tarefas ...... . As palavras adequadas
b) sessão - flagrante - insipiência para preenchimento das lacunas são:
c) sessão - fragrante - incipiência a) censo - lasso - cumprimento - eminentes
d) cessão - flagrante - incipiência b) senso - lasso - cumprimento - iminentes
e) seção - flagrante - insipiência c) senso - laço - comprimento - iminentes
d) senso - laço - cumprimento - eminentes
03. Na ..... plenária estudou-se a ..... de direitos territoriais a e) censo - lasso - comprimento - iminentes
..... .
a) sessão - cessão - estrangeiros Respostas: (01.B)(02.B)(03.A)(04.D)(05.B)(06.C)(07.B)
b) seção - cessão - estrangeiros (08.E)(09.A)(10.B)
c) secção - sessão - extrangeiros
d) sessão - seção - estrangeiros
e) seção - sessão - estrangeiros
RELAÇÕES ENTRE IDEIAS E
04. Há uma alternativa errada. Assinale-a: RECURSOS DE COESÃO;
a) A eminente autoridade acaba de concluir uma viagem política.
b) A catástrofe torna-se iminente.
c) Sua ascensão foi rápida.
d) Ascenderam o fogo rapidamente. Coesão
e) Reacendeu o fogo do entusiasmo.
Uma das propriedades que distinguem um texto de um amon-
05. Há uma alternativa errada. Assinale-a: toado de frases é a relação existente entre os elementos que os
a) cozer = cozinhar; coser = costurar constituem. A coesão textual é a ligação, a relação, a conexão entre
b) imigrar = sair do país; emigrar = entrar no país palavras, expressões ou frases do texto. Ela manifesta-se por ele-
c) comprimento = medida; cumprimento = saudação mentos gramaticais, que servem para estabelecer vínculos entre os
d) consertar = arrumar; concertar = harmonizar
componentes do texto. Observe:
e) chácara = sítio; xácara = verso

Didatismo e Conhecimento 14
LÍNGUA PORTUGUESA
“O iraquiano leu sua declaração num bloquinho comum de São anafóricos ou catafóricos os pronomes demonstrativos, os
anotações, que segurava na mão.” pronomes relativos, certos advérbios ou locuções adverbiais (nes-
se momento, então, lá), o verbo fazer, o artigo definido, os prono-
Nesse período, o pronome relativo “que” estabelece conexão mes pessoais de 3ª pessoa (ele, o, a, os, as, lhe, lhes), os pronomes
entre as duas orações. O iraquiano leu sua declaração num blo- indefinidos. Exemplos:
quinho comum de anotações e segurava na mão, retomando na
segunda um dos termos da primeira: bloquinho. O pronome relati- “Ele era muito diferente de seu mestre, a quem sucedera na
vo é um elemento coesivo, e a conexão entre as duas orações, um cátedra de Sociologia na Universidade de São Paulo.”
fenômeno de coesão. Leia o texto que segue:
O pronome relativo “quem” retoma o substantivo mestre.
Arroz-doce da infância
“As pessoas simplificam Machado de Assis; elas o veem como
Ingredientes um pensador cín iço e descrente do amor e da amizade.”
1 litro de leite desnatado
150g de arroz cru lavado O pronome pessoal “elas” recupera o substantivo pessoas; o
1 pitada de sal pronome pessoal “o” retoma o nome Machado de Assis.
4 colheres (sopa) de açúcar
1 colher (sobremesa) de canela em pó “Os dois homens caminhavam pela calçada, ambos trajando
roupa escura.”
Preparo
Em uma panela ferva o leite, acrescente o arroz, a pitada de O numeral “ambos” retoma a expressão os dois homens.
sal e mexa sem parar até cozinhar o arroz. Adicione o açúcar e
deixe no fogo por mais 2 ou 3 minutos. Despeje em um recipiente, “Fui ao cinema domingo e, chegando lá, fiquei desanimado
polvilhe a canela. Sirva. com a fila.”
Cozinha Clássica Baixo Colesterol, nº4.
São Paulo, InCor, agosto de 1999, p. 42. O advérbio “lá” recupera a expressão ao cinema.

Toda receita culinária tem duas partes: lista dos ingredientes “O governador vai pessoalmente inaugurar a creche dos fun-
e modo de preparar. As informações apresentadas na primeira são cionários do palácio, e o fará para demonstrar seu apreço aos
retomadas na segunda. Nesta, os nomes mencionados pela primei- servidores.”
ra vez na lista de ingredientes vêm precedidos de artigo definido,
o qual exerce, entre outras funções, a de indicar que o termo deter- A forma verbal “fará” retoma a perífrase verbal vai inaugu-
minado por ele se refere ao mesmo ser a que uma palavra idêntica rar e seu complemento.
já fizera menção.
No nosso texto, por exemplo, quando se diz que se adiciona o - Em princípio, o termo a que o anafórico se refere deve estar
açúcar, o artigo citado na primeira parte. Se dissesse apenas adi- presente no texto, senão a coesão fica comprometida, como neste
cione açúcar, deveria adicionar, pois se trataria de outro açúcar, exemplo:
diverso daquele citado no rol dos ingredientes.
Há dois tipos principais de mecanismos de coesão: retomada “André é meu grande amigo. Começou a namorá-la há vários
ou antecipação de palavras, expressões ou frases e encadeamento meses.”
de segmentos.
A rigor, não se pode dizer que o pronome “la” seja um anafó-
Retomada ou Antecipação por meio de uma palavra gramatical rico, pois não está retomando nenhuma das palavras citadas antes.
(pronome, verbos ou advérbios) Exatamente por isso, o sentido da frase fica totalmente prejudica-
do: não há possibilidade de se depreender o sentido desse prono-
“No mercado de trabalho brasileiro, ainda hoje não há total me.
igualdade entre homens e mulheres: estas ainda ganham menos do Pode ocorrer, no entanto, que o anafórico não se refira a ne-
que aqueles em cargos equivalentes.” nhuma palavra citada anteriormente no interior do texto, mas que
possa ser inferida por certos pressupostos típicos da cultura em que
Nesse período, o pronome demonstrativo “estas” retoma o se inscreve o texto. É o caso de um exemplo como este:
termo mulheres, enquanto “aqueles” recupera a palavra homens.
Os termos que servem para retomar outros são denominados “O casamento teria sido às 20 horas. O noivo já estava de-
anafóricos; os que servem para anunciar, para antecipar outros são sesperado, porque eram 21 horas e ela não havia comparecido.”
chamados catafóricos. No exemplo a seguir, desta antecipa aban-
donar a faculdade no último ano: Por dados do contexto cultural, sabe-se que o pronome “ela”
é um anafórico que só pode estar-se referindo à palavra noiva.
“Já viu uma loucura desta, abandonar a faculdade no último Num casamento, estando presente o noivo, o desespero só pode ser
ano?” pelo atraso da noiva (representada por “ela” no exemplo citado).

Didatismo e Conhecimento 15
LÍNGUA PORTUGUESA
- O artigo indefinido serve geralmente para introduzir infor- “Ele é um hércules (=um homem muito forte).
mações novas ao texto. Quando elas forem retomadas, deverão ser
precedidas do artigo definido, pois este é que tem a função de indi- Referência à força física que caracteriza o herói grego Hér-
car que o termo por ele determinado é idêntico, em termos de valor cules.
referencial, a um termo já mencionado.
“Um presidente da República tem uma agenda de trabalho
“O encarregado da limpeza encontrou uma carteira na sala extremamente carregada. Deve receber ministros, embaixadores,
de espetáculos. Curiosamente, a carteira tinha muito dinheiro visitantes estrangeiros, parlamentares; precisa a todo momento
dentro, mas nem um documento sequer.” tomar graves decisões que afetam a vida de muitas pessoas; ne-
cessita acompanhar tudo o que acontece no Brasil e no mundo.
- Quando, em dado contexto, o anafórico pode referir-se a dois Um presidente deve começar a trabalhar ao raiar do dia e termi-
termos distintos, há uma ruptura de coesão, porque ocorre uma nar sua jornada altas horas da noite.”
ambiguidade insolúvel. É preciso que o texto seja escrito de tal
forma que o leitor possa determinar exatamente qual é a palavra A repetição do termo presidente estabelece a coesão entre o
retomada pelo anafórico. último período e o que vem antes dele.

“Durante o ensaio, o ator principal brigou com o diretor por “Observava as estrelas, os planetas, os satélites. Os astros
causa da sua arrogância.” sempre o atraíram.

O anafórico “sua” pode estar-se referindo tanto à palavra ator Os dois períodos estão relacionados pelo hiperônimo astros,
quanto a diretor. que recupera os hipônimos estrelas, planetas, satélites.

“André brigou com o ex-namorado de uma amiga, que traba- “Eles (os alquimistas) acreditavam que o organismo do ho-
lha na mesma firma.” mem era regido por humores (fluidos orgânicos) que percorriam,
ou apenas existiam, em maior ou menor intensidade em nosso cor-
po. Eram quatro os humores: o sangue, a fleuma (secreção pulmo-
Não se sabe se o anafórico “que” está se referindo ao termo
nar), a bile amarela e a bile negra. E eram também estes quatro
amiga ou a ex-namorado. Permutando o anafórico “que” por “o
fluidos ligados aos quatro elementos fundamentais: ao Ar (seco), à
qual” ou “a qual”, essa ambiguidade seria desfeita.
Água (úmido), ao Fogo (quente) e à Terra (frio), respectivamente.”
Ziraldo. In: Revista Vozes, nº3, abril de 1970, p.18.
Retomada por palavra lexical
(substantivo, adjetivo ou verbo)
Nesse texto, a ligação entre o segundo e o primeiro períodos
se faz pela repetição da palavra humores; entre o terceiro e o se-
Uma palavra pode ser retomada, que por uma repetição, quer gundo se faz pela utilização do sinônimo fluidos.
por uma substituição por sinônimo, hiperônimo, hipônimo ou an- É preciso manejar com muito cuidado a repetição de palavras,
tonomásia. pois, se ela não for usada para criar um efeito de sentido de inten-
Sinônimo é o nome que se dá a uma palavra que possui o sificação, constituirá uma falha de estilo. No trecho transcrito a
mesmo sentido que outra, ou sentido bastante aproximado: injúria seguir, por exemplo, fica claro o uso da repetição da palavra vice
e afronta, alegre e contente. e outras parecidas (vicissitudes, vicejam, viciem), com a evidente
Hiperônimo é um termo que mantém com outro uma relação intenção de ridicularizar a condição secundária que um provável
do tipo contém/está contido; flamenguista atribui ao Vasco e ao seu Vice-presidente:
Hipônimo é uma palavra que mantém com outra uma relação
do tipo está contido/contém. O significado do termo rosa está con- “Recebi por esses dias um e-mail com uma série de piadas
tido no de flor e o de flor contém o de rosa, pois toda rosa é uma sobre o pouco simpático Eurico Miranda. Faltam-me provas, mas
flor, mas nem toda flor é uma rosa. Flor é, pois, hiperônimo de tudo leva a crer que o remetente seja um flamenguista.”
rosa, e esta palavra é hipônimo daquela. Segundo o texto, Eurico nasceu para ser vice: é vice-presiden-
Antonomásia é a substituição de um nome próprio por um te do clube, vice-campeão carioca e bi vice-campeão mundial. E
nome comum ou de um comum por um próprio. Ela ocorre, prin- isso sem falar do vice no Carioca de futsal, no Carioca de basquete,
cipalmente, quando uma pessoa célebre é designada por uma ca- no Brasileiro de basquete e na Taça Guanabara. São vicissitudes
racterística notória ou quando o nome próprio de uma personagem que vicejam. Espero que não viciem.
famosa é usada para designar outras pessoas que possuam a mes- José Roberto Torero. In: Folha de S. Paulo, 08/03/2000, p.
ma característica que a distingue: 4-7.

“O rei do futebol (=Pelé) som podia ser um brasileiro.” A elipse é o apagamento de um segmento de frase que pode
ser facilmente recuperado pelo contexto. Também constitui um
“O herói de dois mundos (=Garibaldi) foi lembrado numa expediente de coesão, pois é o apagamento de um termo que seria
recente minissérie de tevê.” repetido, e o preenchimento do vazio deixado pelo termo apagado
(=elíptico) exige, necessariamente, que se faça correlação com ou-
Referência ao fato notório de Giuseppe Garibaldi haver lutado tros termos presentes no contexto, ou referidos na situação em que
pela liberdade na Europa e na América. se desenrola a fala.

Didatismo e Conhecimento 16
LÍNGUA PORTUGUESA
Vejamos estes versos do poema “Círculo vicioso”, de Macha- - Gradação: há operadores que marcam uma gradação numa
do de Assis: série de argumentos orientados para uma mesma conclusão. Divi-
dem-se eles, em dois subtipos: os que indicam o argumento mais
(...) forte de uma série: até, mesmo, até mesmo, inclusive, e os que
Mas a lua, fitando o sol, com azedume: subentendem uma escala com argumentos mais fortes: ao menos,
pelo menos, no mínimo, no máximo, quando muito.
“Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela
Claridade imorta, que toda a luz resume!”
Obra completa. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1979, v.III, “Ele é um bom conferencista: tem uma voz bonita, é bem arti-
p. 151. culado, conhece bem o assunto de que fala e é até sedutor.”

Nesse caso, o verbo dizer, que seria enunciado antes daquilo Toda a série de qualidades está orientada no sentido de com-
que disse a lua, isto é, antes das aspas, fica subentendido, é omitido provar que ele é bom conferencista; dentro dessa série, ser sedutor
por ser facilmente presumível. é considerado o argumento mais forte.
Qualquer segmento da frase pode sofrer elipse. Veja que, no
exemplo abaixo, é o sujeito meu pai que vem elidido (ou apagado) “Ele é ambicioso e tem grande capacidade de trabalho. Che-
antes de sentiu e parou:
gará a ser pelo menos diretor da empresa.”
“Meu pai começou a andar novamente, sentiu a pontada no
peito e parou.” Pelo menos introduz um argumento orientado no mesmo
sentido de ser ambicioso e ter grande capacidade de trabalho; por
Pode ocorrer também elipse por antecipação. No exemplo que outro lado, subentende que há argumentos mais fortes para com-
segue, aquela promoção é complemento tanto de querer quanto de provar que ele tem as qualidades requeridas dos que vão longe
desejar, no entanto aparece apenas depois do segundo verbo: (por exemplo, ser presidente da empresa) e que se está usando o
menos forte; ao menos, pelo menos e no mínimo ligam argumentos
“Ficou muito deprimido com o fato de ter sido preferido. Afi- de valor positivo.
nal, queria muito, desejava ardentemente aquela promoção.”
“Ele não é bom aluno. No máximo vai terminar o segundo
Quando se faz essa elipse por antecipação com verbos que têm
regência diferente, a coesão é rompida. Por exemplo, não se deve grau.”
dizer “Conheço e gosto deste livro”, pois o verbo conhecer rege
complemento não introduzido por preposição, e a elipse retoma No máximo introduz um argumento orientado no mesmo sen-
o complemento inteiro, portanto teríamos uma preposição inde- tido de ter muita dificuldade de aprender; supõe que há uma escala
vida: “Conheço (deste livro) e gosto deste livro”. Em “Implico argumentativa (por exemplo, fazer uma faculdade) e que se está
e dispenso sem dó os estranhos palpiteiros”, diferentemente, no usando o argumento menos forte da escala no sentido de provar a
complemento em elipse faltaria a preposição “com” exigida pelo afirmação anterior; no máximo e quando muito estabelecem liga-
verbo implicar. ção entre argumentos de valor depreciativo.
Nesses casos, para assegurar a coesão, o recomendável é co-
locar o complemento junto ao primeiro verbo, respeitando sua
- Conjunção Argumentativa: há operadores que assinalam
regência, e retomá-lo após o segundo por um anafórico, acres-
centando a preposição devida (Conheço este livro e gosto dele) uma conjunção argumentativa, ou seja, ligam um conjunto de ar-
ou eliminando a indevida (Implico com estranhos palpiteiros e os gumentos orientados em favor de uma dada conclusão: e, também,
dispenso sem dó). ainda, nem, não só... mas também, tanto... como, além de, a par
de.
Coesão por Conexão
“Se alguém pode tomar essa decisão é você. Você é o diretor
Há na língua uma série de palavras ou locuções que são res- da escola, é muito respeitado pelos funcionários e também é muito
ponsáveis pela concatenação ou relação entre segmentos do texto. querido pelos alunos.”
Esses elementos denominam-se conectores ou operadores discur-
sivos. Por exemplo: visto que, até, ora, no entanto, contudo, ou
Arrolam-se três argumentos em favor da tese que é o interlo-
seja.
Note-se que eles fazem mais do que ligar partes do texto: es- cutor quem pode tomar uma dada decisão. O último deles é intro-
tabelecem entre elas relações semânticas de diversos tipos, como duzido por “e também”, que indica um argumento final na mesma
contrariedade, causa, consequência, condição, conclusão, etc. Es- direção argumentativa dos precedentes.
sas relações exercem função argumentativa no texto, por isso os Esses operadores introduzem novos argumentos; não signifi-
operadores discursivos não podem ser usados indiscriminadamente. cam, em hipótese nenhuma, a repetição do que já foi dito. Ou seja,
Na frase “O time apresentou um bom futebol, mas não al- só podem ser ligados com conectores de conjunção segmentos que
cançou a vitória”, por exemplo, o conector “mas” está adequa- representam uma progressão discursiva. É possível dizer “Dis-
damente usado, pois ele liga dois segmentos com orientação ar- farçou as lágrimas que o assaltaram e continuou seu discurso”,
gumentativa contrária. Se fosse utilizado, nesse caso, o conector porque o segundo segmento indica um desenvolvimento da expo-
“portanto”, o resultado seria um paradoxo semântico, pois esse
sição. Não teria cabimento usar operadores desse tipo para ligar
operador discursivo liga dois segmentos com a mesma orientação
argumentativa, sendo o segmento introduzido por ele a conclusão dois segmentos como “Disfarçou as lágrimas que o assaltaram e
do anterior. escondeu o choro que tomou conta dele”.

Didatismo e Conhecimento 17
LÍNGUA PORTUGUESA
- Disjunção Argumentativa: há também operadores que in- “__Qualquer atleta do time principal é tão bom quanto os das
dicam uma disjunção argumentativa, ou seja, fazem uma conexão divisões de base.”
entre segmentos que levam a conclusões opostas, que têm orienta-
ção argumentativa diferente: ou, ou então, quer... quer, seja... seja, Nesse caso, seu argumento seria contra a necessidade da pro-
caso contrário, ao contrário. moção, pois ele estaria declarando que os atletas do time principal
são tão bons quanto os das divisões de base.
“Não agredi esse imbecil. Ao contrário, ajudei a separar a
briga, para que ele não apanhasse.” - Explicação ou Justificativa: há operadores que introduzem
uma explicação ou uma justificativa em relação ao que foi dito
O argumento introduzido por ao contrário é diametralmente anteriormente: porque, já que, que, pois.
oposto àquele de que o falante teria agredido alguém.
“Já que os Estados Unidos invadiram o Iraque sem autori-
- Conclusão: existem operadores que marcam uma conclusão zação da ONU, devem arcar sozinhos com os custos da guerra.”
em relação ao que foi dito em dois ou mais enunciados anteriores
(geralmente, uma das afirmações de que decorre a conclusão fica Já que inicia um argumento que dá uma justificativa para a
implícita, por manifestar uma voz geral, uma verdade universal- tese de que os Estados Unidos devam arcar sozinhos com o custo
mente aceita): logo, portanto, por conseguinte, pois (o pois é con- da guerra contra o Iraque.
clusivo quando não encabeça a oração).
- Contrajunção: os operadores discursivos que assinalam
“Essa guerra é uma guerra de conquista, pois visa ao contro- uma relação de contrajunção, isto é, que ligam enunciados com
le dos fluxos mundiais de petróleo. Por conseguinte, não é moral- orientação argumentativa contrária, são as conjunções adversati-
mente defensável.” vas (mas, contudo, todavia, no entanto, entretanto, porém) e as
concessivas (embora, apesar de, apesar de que, conquanto, ainda
Por conseguinte introduz uma conclusão em relação à afirma- que, posto que, se bem que).
ção exposta no primeiro período. Qual é a diferença entre as adversativas e as concessivas, se
tanto umas como outras ligam enunciados com orientação argu-
- Comparação: outros importantes operadores discursivos são mentativa contrária?
os que estabelecem uma comparação de igualdade, superioridade Nas adversativas, prevalece a orientação do segmento intro-
ou inferioridade entre dois elementos, com vistas a uma conclusão duzido pela conjunção.
contrária ou favorável a certa ideia: tanto... quanto, tão... como,
mais... (do) que. “O atleta pode cair por causa do impacto, mas se levanta
mais decidido a vencer.”
“Os problemas de fuga de presos serão tanto mais graves
quanto maior for a corrupção entre os agentes penitenciários.” Nesse caso, a primeira oração conduz a uma conclusão negati-
va sobre um processo ocorrido com o atleta, enquanto a começada
O comparativo de igualdade tem no texto uma função argu- pela conjunção “mas” leva a uma conclusão positiva. Essa segun-
mentativa: mostrar que o problema da fuga de presos cresce à me- da orientação é a mais forte.
dida que aumenta a corrupção entre os agentes penitenciários; por Compare-se, por exemplo, “Ela é simpática, mas não é boni-
isso, os segmentos podem até ser permutáveis do ponto de vista ta” com “Ela não é bonita, mas é simpática”. No primeiro caso, o
sintático, mas não o são do ponto de vista argumentativo, pois não que se quer dizer é que a simpatia é suplantada pela falta de beleza;
há igualdade argumentativa proposta, “Tanto maior será a cor- no segundo, que a falta de beleza perde relevância diante da sim-
rupção entre os agentes penitenciários quanto mais grave for o patia. Quando se usam as conjunções adversativas, introduz-se um
problema da fuga de presos”. argumento com vistas a determinada conclusão, para, em seguida,
Muitas vezes a permutação dos segmentos leva a conclusões apresentar um argumento decisivo para uma conclusão contrária.
opostas: Imagine-se, por exemplo, o seguinte diálogo entre o dire- Com as conjunções concessivas, a orientação argumentativa
tor de um clube esportivo e o técnico de futebol: que predomina é a do segmento não introduzido pela conjunção.

“__Precisamos promover atletas das divisões de base para “Embora haja conexão entre saber escrever e saber gramáti-
reforçar nosso time. ca, trata-se de capacidades diferentes.”
__Qualquer atleta das divisões de base é tão bom quanto os
do time principal.” A oração iniciada por “embora” apresenta uma orientação ar-
gumentativa no sentido de que saber escrever e saber gramática
Nesse caso, o argumento do técnico é a favor da promoção, são duas coisas interligadas; a oração principal conduz à direção
pois ele declara que qualquer atleta das divisões de base tem, pelo argumentativa contrária.
menos, o mesmo nível dos do time principal, o que significa que Quando se utilizam conjunções concessivas, a estratégia ar-
estes não primam exatamente pela excelência em relação aos ou- gumentativa é a de introduzir no texto um argumento que, embo-
tros. ra tido como verdadeiro, será anulado por outro mais forte com
Suponhamos, agora, que o técnico tivesse invertido os seg- orientação contrária.
mentos na sua fala:

Didatismo e Conhecimento 18
LÍNGUA PORTUGUESA
A diferença entre as adversativas e as concessivas, portanto, é “Vou-me casar neste final de semana. Ou melhor, vou passar
de estratégia argumentativa. Compare os seguintes períodos: a viver junto com minha namorada.”

“Por mais que o exército tivesse planejado a operação (argu- O conector inicia um segmento que retifica o que foi dito an-
mento mais fraco), a realidade mostrou-se mais complexa (argu- tes.
mento mais forte).” Esses operadores servem também para marcar um esclareci-
“O exército planejou minuciosamente a operação (argumen- mento, um desenvolvimento, uma redefinição do conteúdo enun-
to mais fraco), mas a realidade mostrou-se mais complexa (argu- ciado anteriormente. Exemplo:
mento mais forte).”
“A última tentativa de proibir a propaganda de cigarros nas
- Argumento Decisivo: há operadores discursivos que intro- corridas de Fórmula 1 não vingou. De fato, os interesses dos fabri-
duzem um argumento decisivo para derrubar a argumentação con- cantes mais uma vez prevaleceram sobre os da saúde.”
trária, mas apresentando-o como se fosse um acréscimo, como se
O conector introduz um esclarecimento sobre o que foi dito
fosse apenas algo mais numa série argumentativa: além do mais,
antes.
além de tudo, além disso, ademais.
Servem ainda para assinalar uma atenuação ou um reforço do
conteúdo de verdade de um enunciado. Exemplo:
“Ele está num período muito bom da vida: começou a namo-
rar a mulher de seus sonhos, foi promovido na empresa, recebeu “Quando a atual oposição estava no comando do país, não
um prêmio que ambicionava havia muito tempo e, além disso, ga- fez o que exige hoje que o governo faça. Ao contrário, suas políti-
nhou uma bolada na loteria.” cas iam na direção contrária do que prega atualmente.
O operador discursivo introduz o que se considera a prova O conector introduz um argumento que reforça o que foi dito
mais forte de que “Ele está num período muito bom da vida”; no antes.
entanto, essa prova é apresentada como se fosse apenas mais uma.
- Explicação: há operadores que desencadeiam uma explica-
- Generalização ou Amplificação: existem operadores que ção, uma confirmação, uma ilustração do que foi afirmado antes:
assinalam uma generalização ou uma amplificação do que foi dito assim, desse modo, dessa maneira.
antes: de fato, realmente, como aliás, também, é verdade que.
“O exército inimigo não desejava a paz. Assim, enquanto se
“O problema da erradicação da pobreza passa pela geração processavam as negociações, atacou de surpresa.”
de empregos. De fato, só o crescimento econômico leva ao aumen-
to de renda da população.” O operador introduz uma confirmação do que foi afirmado
antes.
O conector introduz uma amplificação do que foi dito antes.
Coesão por Justaposição
“Ele é um técnico retranqueiro, como aliás o são todos os que
atualmente militam no nosso futebol. É a coesão que se estabelece com base na sequência dos enun-
O conector introduz uma generalização ao que foi afirmado: ciados, marcada ou não com sequenciadores. Examinemos os prin-
não “ele”, mas todos os técnicos do nosso futebol são retranquei- cipais sequenciadores.
ros.
- Sequenciadores Temporais: são os indicadores de anterio-
ridade, concomitância ou posterioridade: dois meses depois, uma
- Especificação ou Exemplificação: também há operadores
semana antes, um pouco mais tarde, etc. (são utilizados predomi-
que marcam uma especificação ou uma exemplificação do que foi nantemente nas narrações).
afirmado anteriormente: por exemplo, como.
“Uma semana antes de ser internado gravemente doente, ele
“A violência não é um fenômeno que está disseminado apenas esteve conosco. Estava alegre e cheio de planos para o futuro.”
entre as camadas mais pobres da população. Por exemplo, é cres-
cente o número de jovens da classe média que estão envolvidos em - Sequenciadores Espaciais: são os indicadores de posição
toda sorte de delitos, dos menos aos mais graves.” relativa no espaço: à esquerda, à direita, junto de, etc. (são usados
principalmente nas descrições).
Por exemplo assinala que o que vem a seguir especifica,
exemplifica a afirmação de que a violência não é um fenômeno “A um lado, duas estatuetas de bronze dourado, represen-
adstrito aos membros das “camadas mais pobres da população”. tando o amor e a castidade, sustentam uma cúpula oval de forma
ligeira, donde se desdobram até o pavimento bambolins de cassa
- Retificação ou Correção: há ainda os que indicam uma re- finíssima. (...) Do outro lado, há uma lareira, não de fogo, que o
tificação, uma correção do que foi afirmado antes: ou melhor, de dispensa nosso ameno clima fluminense, ainda na maior força do
fato, pelo contrário, ao contrário, isto é, quer dizer, ou seja, em inverno.”
outras palavras. Exemplo: José de Alencar. Senhora.
São Paulo, FTD, 1992, p. 77.

Didatismo e Conhecimento 19
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- Sequenciadores de Ordem: são os que assinalam a ordem Para que um conjunto de frases constitua um texto, não bas-
dos assuntos numa exposição: primeiramente, em segunda, a se- ta que elas estejam coesas: se não tiverem unidade de sentido,
guir, finalmente, etc. mesmo que aparentemente organizadas, elas não passarão de um
amontoado injustificado. Exemplo:
“Para mostrar os horrores da guerra, falarei, inicialmente,
das agruras por que passam as populações civis; em seguida, dis- “Vivo há muitos anos em São Paulo. A cidade tem excelentes
correrei sobre a vida dos soldados na frente de batalha; finalmen- restaurantes. Ela tem bairros muito pobres. Também o Rio de Ja-
te, exporei suas consequências para a economia mundial e, por- neiro tem favelas.”
tanto, para a vida cotidiana de todos os habitantes do planeta.”
Todas as frases são coesas. O hiperônimo cidade retoma o
- Sequenciadores para Introdução: são os que, na conver- substantivo São Paulo, estabelecendo uma relação entre o segun-
sação principalmente, servem para introduzir um tema ou mudar do e o primeiro períodos. O pronome “ela” recupera a palavra
de assunto: a propósito, por falar nisso, mas voltando ao assunto,
cidade, vinculando o terceiro ao segundo período. O operador tam-
fazendo um parêntese, etc.
bém realiza uma conjunção argumentativa, relacionando o quar-
to período ao terceiro. No entanto, esse conjunto não é um texto,
“Joaquim viveu sempre cercado do carinho de muitas pes-
soas. A propósito, era um homem que sabia agradar às mulheres.” pois não apresenta unidade de sentido, isto é, não tem coerência. A
coesão, portanto, é condição necessária, mas não suficiente, para
- Operadores discursivos não explicitados: se o texto for produzir um texto.
construído sem marcadores de sequenciação, o leitor deverá in-
ferir, a partir da ordem dos enunciados, os operadores discursivos
não explicitados na superfície textual. Nesses casos, os lugares dos FIGURAS DE ESTILO
diferentes conectores estarão indicados, na escrita, pelos sinais de (OU FIGURAS DE LINGUAGEM).
pontuação: ponto-final, vírgula, ponto-e-vírgula, dois-pontos.

“A reforma política é indispensável. Sem a existência da fide-


lidade partidária, cada parlamentar vota segundo seus interesses Figuras de Linguagem
e não de acordo com um programa partidário. Assim, não há ba-
ses governamentais sólidas.” Também chamadas Figuras de Estilo, são recursos especiais
de que se vale quem fala ou escreve, para comunicar à expressão
Esse texto contém três períodos. O segundo indica a causa mais força e colorido, intensidade e beleza.
de a reforma política ser indispensável. Portanto o ponto-final do Podemos classificá-las em três tipos:
primeiro período está no lugar de um porque.
- Figuras de Palavras (ou tropos);
A língua tem um grande número de conectores e sequencia- - Figuras de Construção (ou de sintaxe);
dores. Apresentamos os principais e explicamos sua função. É pre- - Figuras de Pensamento.
ciso ficar atento aos fenômenos de coesão. Mostramos que o uso
inadequado dos conectores e a utilização inapropriada dos anafó- Figuras de Palavras
ricos ou catafóricos geram rupturas na coesão, o que leva o texto a
não ter sentido ou, pelo menos, a não ter o sentido desejado. Outra
Compare estes exemplos:
falha comum no que tange a coesão é a falta de partes indispensá-
O tigre é uma fera. (fera = animal feroz: sentido próprio, li-
veis da oração ou do período. Analisemos este exemplo:
teral, usual)
“As empresas que anunciaram que apoiariam a campanha de Pedro era uma fera. (fera = pessoa muito brava: sentido figu-
combate à fome que foi lançada pelo governo federal.” rado, ocasional)

O período compõe-se de: No segundo exemplo, a palavra fera sofreu um desvio na sua
- As empresas fignificação própria e diz muito mais do que a expressão vulgar
- que anunciaram (oração subordinada adjetiva restritiva da “pessoa brava”. Semelhantes desvios de significação a que são
primeira oração) submetidas as palavras, quando se deseja atingir um efeito expres-
- que apoiariam a campanha de combate à fome (oração su- sivo, denominam-se figuras de palavras ou tropos (do grego tró-
bordinada substantiva objetiva direta da segunda oração) pos, giro, desvio).
- que foi lançada pelo governo federal (oração subordinada São as seguintes as figuras de palavras:
adjetiva restritiva da terceira oração).
Metáfora: consiste em atribuir a uma palavra características
Observe-se que falta o predicado da primeira oração. Quem de outra, em função de uma analogia estabelecida de forma bem
escreveu o período começou a encadear orações subordinadas e subjetiva.
“esqueceu-se” de terminar a principal. “Meu verso é sangue” (Manuel Bandeira)
Quebras de coesão desse tipo são mais comuns em períodos Observe que, ao associar verso a sangue, o poeta estabeleceu
longos. No entanto, mesmo quando se elaboram períodos curtos é uma analogia entre essas duas palavras, vendo nelas uma relação
preciso cuidar para que sejam sintaticamente completos e para que de semelhança. Todos os significados que a palavra sangue sugere
suas partes estejam bem conectadas entre si. ao leitor passam também para a palavra verso.

Didatismo e Conhecimento 20
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Os poetas são mestres na citação de metáforas surpreendentes, - o indivíduo pela classe ou espécie. Exemplo: Ele foi o judas
ricas em significados. Exemplo: do grupo. (o nome próprio Judas está sendo usado como substanti-
vo comum, designando a espécie dos homens traidores).
“Ó minha amada - o singular pelo plural. Exemplo: O homem é um animal ra-
Que olhos os teus cional. (o singular homem está sendo usado no lugar do plural ho-
São cais noturnos mens).
Cheios de adeus.” - o gênero ou a qualidade pela espécie. Exemplo: Os mortais
Vinícius de Moraes somos imperfeitos. (a palavra mortais está no lugar de “seres hu-
manos”).
A metáfora é uma espécie de comparação sem a presença de - a matéria pelo objeto. Exemplo: Ele não tem um níquel. (a
conectivos do tipo como, tal como, assim como etc. Quando esses matéria níquel é usada no lugar da coisa fabricada, que é “moeda”).
conectivos aparecem na frase, temos uma comparação e não uma
metáfora. Exemplo: Observação: Os últimos 5 casos recebem também o nome de
Sinédoque.
“A felicidade é como a gota de orvalho
numa pétala de flor. Perífrase: é a substituição de um nome por uma expressão
Brilha tranquila, depois de leve oscila que facilita a sua identificação. Exemplo: O país do futebol acredi-
e cai como uma lágrima de amor.” ta no seu povo. (país do futebol = Brasil)
Vinícius de Moraes Sinestesia: é a mistura de sensações percebidas por diferentes
órgãos do sentido.
Comparação: é a comparação entre dois elementos comuns; “O vento frio e cortante balança os trigais dourados e macios
semelhantes. Normalmente se emprega uma conjunção comparati- que se estendiam pelo campo.” (frio e cortante = tato / dourados e
va: como, tal qual, assim como. macios = visão + tato)

“Sejamos simples e calmos Catacrese: consiste em transferir a uma palavra o sentido


Como os regatos e as árvores” próprio de outra, utilizando-se formas já incorporadas aos usos da
(Fernando Pessoa) língua. Se a metáfora surpreende pela originalidade da associação
de ideias, o mesmo não ocorre com a catacrese, que já não chama
Metonímia: consiste no emprego de uma palavra por outra a atenção por ser tão repetidamente usada. Exemplo: Ele embarcou
com a qual ela se relaciona. Ocorre a metonímia quando empre- no trem das onze. (originariamente, a palavra embarcar pressupõe
gamos: barco e não trem).

- o autor ou criador pela obra. Exemplo: Gosto de ler Jorge Antonomásia: ocorre quando substituímos um nome próprio
Amado (observe que o nome do autor está sendo usado no lugar pela qualidade ou característica que o distingue. Exemplo: O Poeta
de suas obras). dos Escravos é baiano. (Poeta dos Escravos está no lugar do nome
- o efeito pela causa e vice-versa. Exemplos: Ganho a vida próprio Castro Alves, poeta baiano que se distinguiu por escrever
com o suor do meu rosto. (o suor é o efeito ou resultado e está poemas em defesa dos escravos).
sendo usado no lugar da causa, ou seja, o “trabalho”); Vivo do meu
trabalho. (o trabalho é causa e está no lugar do efeito ou resultado, Figuras de Construção
ou seja, o “lucro”).
- o continente pelo conteúdo. Exemplo: Ela comeu uma caixa Compare as duas maneiras de construir esta frase:
de doces. (a palavra caixa, que designa o continente ou aquilo que Os homens pararam, o medo no coração.
contém, está sendo usada no lugar da palavra doces, que designaria Os homens pararam, com o medo no coração.
o conteúdo). Nota-se que a primeira construção é mais concisa e elegante.
- o abstrato pelo concreto e vice-versa. Exemplos: A velhice Desvia-se da norma estritamente gramatical para atingir um fim
deve ser respeitada. (o abstrato velhice está no lugar do concreto, expressivo ou estilístico. Foi com esse intuito que assim a redigiu
ou seja, pessoas velhas).Ele tem um grande coração. (o concreto Jorge Amado.
coração está no lugar do abstrato, ou seja, bondade). A essas construções que se afastam das estruturas regulares
- o instrumento pela pessoa que o utiliza. Exemplo: Ele é bom ou comuns e que visam transmitir à frase mais concisão, expressi-
volante. (o termo volante está sendo usado no lugar do termo pi- vidade ou elegância dá-se o nome de figuras de construção ou de
loto ou motorista). sintaxe.
- o lugar pelo produto. Exemplo: Gosto muito de tomar um São as mais importantes figuras de construção:
Porto. (o produto vinho foi substituído pelo nome do lugar em que
é feito, ou seja, a cidade do Porto). Elipse: consiste na omissão de um termo da frase, o qual, no
- o símbolo ou sinal pela coisa significada. Exemplo: Os revo- entanto, pode ser facilmente identificado. Exemplo: No fim da fes-
lucionários queriam o trono. (a palavra trono, nesse caso, simboli- ta, sobre as mesas, copos e garrafas vazias. (ocorre a omissão do
za o império, o poder). verbo haver: No fim da festa havia, sobre as mesas, copos e gar-
- a parte pelo todo. Exemplo: Não há teto para os necessitados. rafas vazias).
(a parte teto está no lugar do todo, “a casa”).

Didatismo e Conhecimento 21
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Pleonasmo: consiste no emprego de palavras redundantes As onomatopéias, como nos três últimos exemplos, podem
para reforçar uma ideia. Exemplo: Ele vive uma vida feliz. resultar da Aliteração (repetição de fonemas nas palavras de uma
Observação: Devem ser evitados os pleonasmos viciosos, que frase ou de um verso).
não têm valor de reforço, sendo antes fruto do desconhecimento
do sentido das palavras, como por exemplo, as construções “subir Repetição: consiste em reiterar (repetir) palavras ou orações
para cima”, “protagonista principal”, “entrar para dentro”, etc. para enfatizar a afirmação ou sugerir insistência, progressão:
“O surdo pede que repitam, que repitam a última frase.” (Ce-
Polissíndeto: consiste na repetição enfática do conectivo, ge- cília Meireles)
ralmente o “e”. Exemplo: Felizes, eles riam, e cantavam, e pula- “Tudo, tudo parado: parado e morto.” (Mário Palmério)
vam de alegria, e dançavam pelas ruas... “Ia-se pelos perfumistas, escolhia, escolhia, saía toda perfu-
mada.” (José Geraldo Vieira)
Inversão ou Hipérbato: consiste em alterar a ordem normal “E o ronco das águas crescia, crescia, vinha pra dentro da ca-
dos termos ou orações com o fim de lhes dar destaque:
sona.” (Bernardo Élis)
“Passarinho, desisti de ter.” (Rubem Braga)
“O mar foi ficando escuro, escuro, até que a última lâmpada se
“Justo ela diz que é, mas eu não acho não.” (Carlos Drum-
apagou.” (Inácio de Loyola Brandão)
mond de Andrade)
“Por que brigavam no meu interior esses entes de sonho não
sei.” (Graciliano Ramos) Zeugma: consiste na omissão de um ou mais termos anterior-
“Tão leve estou que já nem sombra tenho.” (Mário Quintana) mente enunciados. Exemplo: A manhã estava ensolarada; a praia,
Observação: o termo que desejamos realçar é colocado, em cheia de gente. (há omissão do verbo estar na segunda oração (...a
geral, no início da frase. praia estava cheia de gente).

Anacoluto: consiste na quebra da estrutura sintática da ora- Assíndeto: ocorre quando certas orações ou palavras, que po-
ção. O tipo de anacoluto mais comum é aquele em que um termo deriam se ligar por um conectivo, vêm apenas justapostas. Exem-
parece que vai ser o sujeito da oração mas a construção se modifica plo: Vim, vi, venci.
e ele acaba sem função sintática. Essa figura é usada geralmente
para pôr em relevo a ideia que consideramos mais importante, des- Anáfora: consiste na repetição de uma palavra ou de um seg-
tacando-a do resto. Exemplo: “Eu, que era branca e linda, eis-me mento do texto com o objetivo de enfatizar uma ideia. É uma figu-
medonha e escura.” (Manuel Bandeira) (o pronome eu, enunciado ra de construção muito usada em poesia. Exemplo:
no início, não se liga sintaticamente à oração eis-me medonha e “Tende piedade, Senhor, de todas as mulheres
escura.) Que ninguém mais merece tanto amor e amizade
Que ninguém mais deseja tanto poesia e sinceridade
Silepse: ocorre quando a concordância de gênero, número ou Que ninguém mais precisa tanto de alegria e serenidade.”
pessoa é feita com ideias ou termos subentendidos na frase e não
claramente expressos. A silepse pode ser: Paranomásia: palavras com sons semelhantes, mas de signi-
ficados diferentes, vulgarmente chamada de trocadilho. Exemplo:
- de gênero. Exemplo: Vossa Majestade parece cansado. (o Era iminente o fim do eminente político.
adjetivo cansado concorda não com o pronome de tratamento Vos-
sa Majestade, de forma feminina, mas com a pessoa a quem esse Neologismo: criação de palavras novas. Exemplo: O projeto
pronome se refere – pessoa do sexo masculino).
foi considerado imexível.
- de número. Exemplo: O pessoal ficou apavorado e saíram
correndo. (o verbo sair concordou com a ideia de plural que a pa-
Figuras de Pensamento
lavra pessoal sugere).
- de pessoa. Exemplo: Os brasileiros gostamos de futebol. (o São processos estilísticos que se realizam na esfera do pensa-
sujeito os brasileiros levaria o verbo usualmente para a 3ª pessoa mento, no âmbito da frase. Nelas intervêm fortemente a emoção,
do plural, mas a concordância foi feita com a 1ª pessoa do plural, o sentimento, a paixão. Eis as principais figuras de pensamento:
indicando que a pessoa que fala está incluída em os brasileiros).
Antítese: consiste em realçar uma ideia pela aproximação de
Onomatopeia: consiste no aproveitamento de palavras cuja palavras de sentidos opostos. Exemplo: “Morre! Tu viverás nas
pronúncia imita o som ou a voz natural dos seres. É um recurso estradas que abriste!” (Olavo Bilac)
fonêmico ou melódico que a língua proporciona ao escritor.
“Pedrinho, sem mais palavras, deu rédea e, lept! lept! arran- Apóstrofe: consiste na interrupção do texto para se chamar a
cou estrada afora.” (Monteiro Lobato) atenção de alguém ou de coisas personificadas. Sintaticamente, a
“O som, mais longe, retumba, morre.” (Goncalves Dias) apóstrofe corresponde ao vocativo. Exemplo:
“O longo vestido longo da velhíssima senhora frufrulha no “Tende piedade, Senhor, de todas as mulheres
alto da escada.” (Carlos Drummond de Andrade) Que ninguém mais merece tanto amor e amizade” (Vinícius
“Tíbios flautins finíssimos gritavam.” (Olavo Bilac) de Moraes)
“Troe e retroe a trompa.” (Raimundo Correia)
“Vozes veladas, veludosas vozes, Eufemismo: ocorre quando, no lugar das palavras próprias,
volúpias dos violões, vozes veladas, são empregadas outras com a finalidade de atenuar ou evitar a ex-
vagam nos velhos vórtices velozes pressão direta de uma ideia desagradável ou grosseira. Exemplo:
dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.” (Cruz e Sousa) Depois de muito sofrimento, ele entregou a alma a Deus.

Didatismo e Conhecimento 22
LÍNGUA PORTUGUESA
Gradação: ocorre quando se organiza uma sequência de pala- 1. (   ) “Dizem que os cariocas somos pouco dados aos jardins
vras ou frases que exprimem a intensificação progressiva de uma públicos.”(Machado de Assis)
ideia. Exemplo: “Eu era pobre. Era subalterno. Era nada.” (Mon- 2. (   ) “Aquela mina de ouro, ele não ia deixar que outras
teiro Lobato) espertas botassem as mãos.” (José Lins do Rego)
3) (   ) “Este prefácio, apesar de interessante, inútil.” (Mário
Hipérbole: ocorre quando, para realçar uma ideia, exagera- Andrade)
mos na sua representação. Exemplo: Está muito calor. Os jogado- 4. (   ) “Era véspera de Natal, as horas passavam, ele devia de
res estão morrendo de sede no campo. querer estar ao lado de lá-Dijina, em sua casa deles dois, da outra
banda, na Lapa-Laje.” (Guimarães Rosa)
Ironia: é o emprego de palavras que, na frase, têm o sentido 5. (   ) “Em volta: leões deitados, pombas voando, ramalhetes
oposto ao que querem dizer. É usada geralmente com sentido sar- de flores com laços de fitas, o Zé-Povinho de chapéu erguido.”
cástico. Exemplo: Quem foi o inteligente que usou o computador e (Aníbal Machado)
apagou o que estava gravado? 6. (   ) “Sob os tetos abatidos e entre os esteios fumegantes,
deslizavam melhor, a salvo, ou tinham mais invioláveis esconderi-
Paradoxo: é o encontro de ideias que se opõem; ideias opos- jos, os sertanejos emboscados. “ (Euclides da Cunha)
tas. Exemplo: 7. (   ) V. Exa. está cansado?
“É tão difícil olhar o mundo 8. (   ) “Caça, ninguém não pegava... (Mário de Andrade)
e ver o que ainda existe 9. (   ) “Mas, me escute, a gente vamos chegar lá.”(Guimarães
pois sem você Rosa)
meu mundo é diferente 10. (   ) “Grande parte, porém, dos membros daquela assem-
minha alegria é triste.” (Roberto Carlos e Erasmo) bléia estavam longe destas idéias.”(Alexandre Herculano)
(a alegria e a tristeza se opõem, se a alegria é triste, ela tem 11. (   ) “E brinquei, e dancei e fui
uma qualidade que é antagônica).       Vestido de rei....”(Chico Buarque)
12. (   ) “Wilfredo foge. O horror vai com ele, inclemente.
Personificação ou Prosopopéia ou Animismo: consiste em
Foge, corre, e vacila, e tropeça e resvala, e levanta-se, e foge
atribuir características humanas a outros seres. Exemplo:
alucinadamente....”(Olavo Bilac)
“Ah! cidade maliciosa
13. (   ) “Agachou-se, atiçou o fogo, apanhou uma brasa com
de olhos de ressaca
a colher, acendeu o cachimbo, pôs-se a chupar o canudo do taquari
que das índias guardou a vontade de andar nua.” (Ferreira
cheio de sarro.” (Graciliano Ramos)
Gullar)
14. (   ) “Tão bom se ela estivesse viva me ver assim.”(Antônio
Olavo Pereira)
Reticência: consiste em suspender o pensamento, deixando-o
meio velado. Exemplo: 15. (   ) “Coisa curiosa é gente velha. Como comem!” (Aníbal
“De todas, porém, a que me cativou logo foi uma... uma... não Machado)
sei se digo.” (Machado de Assis) 16. (   ) “Sonhei que estava sonhando um sonho
“Quem sabe se o gigante Piaimã, comedor de gente...” (Mário sonhado.”(Martinho da Vila)
de Andrade) 17. (   ) “Rubião fez um gesto. Palha outro; mas quão diferen-
tes.”( Machado de Assis)
Retificação: como a palavra diz, consiste em retificar uma 18. (   ) “Estava certo de que nunca jamais ninguém saberia do
afirmação anterior. Exemplos: meu crime.” (Aurélio Buarque de Holanda)
É uma jóia, ou melhor, uma preciosidade, esse quadro. 19. (   ) “Fulgem as velhas almas namoradas....
O síndico, aliás uma síndica muito gentil não sabia como re-       - Almas tristes, severas, resignadas,
solver o caso.       De guerreiros, de santos, de poetas.” (Camilo Pessanha)
“O país andava numa situação política tão complicada quanto 20. (   ) “Muita gente anda no mundo sem saber pra quê: vivem
a de agora. Não, minto. Tanto não.” (Raquel de Queiroz) porque vêem os outros viverem.” (J. Simões Lopes Neto)
“Tirou, ou antes, foi-lhe tirado o lenço da mão.” (Machado 21. (   ) “Um mundo de vapores no ar flutua.”(Raimundo Correa)
de Assis) 22. (   ) “Tende piedade de mulher no instante do parto.
“Ronaldo tem as maiores notas da classe. Da classe? Do giná-     Onde ela é como a água explodindo em convulsão
sio!” (Geraldo França de Lima)       Onde ela é como a terra vomitando cólera
      Onde ela é como a lua parindo desilusão.”(Vinícius de
Exercícios Morais)

Nos exercícios de número 1 a 22, faça a associação de acor- Nos exercícios de números 23 a 40, faça a associação de
do com o seguinte código: acordo com o seguinte código:
a) elipse g) anacoluto a) metáfora f) sinédoque
b) zeugma h) silepse de gênero b) comparação g) sinestesia
c) pleonasmo i) silepse de número c) prosopopéia h) onomatopéia
d) polissíndeto j) silepse de pessoa d) antonomásia i) aliteração
e) assíndeto l) anáfora e) metonímia j) catacrese
f) hipérbato m) anástrofe

Didatismo e Conhecimento 23
LÍNGUA PORTUGUESA
23. (   ) “Asas tontas de luz, cortando o firmamento!” (Olavo 46. (   ) “Residem juntamente no teu peito um demônio que
Bilac) ruge e um deus que chora.” (Olavo Bilac)
24. (   ) “Redondos tomates de pele quase estalando.”(Clarice 47. (   ) “Quando a indesejada das gentes chegar.” (Manuel
Lispector) Bandeira)
25. (   ) “O administrador José Ferreira 48. (   ) “Voando e não remando, lhe fugiram. “  (Camões)
      Vestia a mais branca limpeza.” (João Cabral de Melo 49. (   ) “O dinheiro é uma força tremenda, onipotente, assom-
Neto) brosa.” ( Olavo Bilac)
26. (   ) “A cidade inteira viu assombrada, de queixo caído, 50. (   ) “Moça linda, bem tratada, três séculos de família, bur-
o pistoleiro sumir de ladrão, fugindo nos cascos de seu ra como uma porta: um amor.” (Mário de Andrade)
cavalo.”(José Cândido de Carvalho)
27. (   ) “A noite é como um olhar longo e claro de mulher. “ Respostas
(Vinícius de Morais) (1.J) (2.G) (3.A) (4.C) (5.E) (6.F) (7.H) (8.G) (9.J) (10.I)
28. (   ) A virgem dos lábios de mel é um das personagens mais (11.D) (12.D) (13.E) (14.A) (15.I) (16.C) (17.B) (18.C) (19.B)
famosas de nossa literatura. (20.I) (21.M) (22.L) (23.F) (24.J) (25.E) (26.F) (27.G) (28.D)
29. (   ) “O pé que tinha no mar a si recolhe.” (Camões) (29.J) (30.F) (31.C) (32.G) (33.I/C) (34.C) (35.A) (36.E) (37.F)
30. (   ) “Se os deuses se vingam, que faremos nós os mortais? (38.A) (39.F) (40.B) (41.E) (42.C) (43.E) (44.E/C) (45.F) (46.C)
“ ( V. Bergo) (47.B) (48.E) (49.F) (50.A)
31. (   ) “Solução onda trépida e lacrimosa; geme a brisa fo-
lhagem; o mesmo silêncio anela de opresso.” ( José de |Alencar)
32. (   ) “Avista-se o grito das araras.” (Guimarães Rosa) 2. CONHECIMENTOS LINGUÍSTICOS:
33. (   ) “Da noite a tarde e a taciturna trova ORTOGRAFIA: EMPREGO DAS LETRAS,
      Soluça...” DIVISÃO SILÁBICA.
34. (   ) “O Forte ergue seus braços para o céu de estrelas e de
paz.” ( Adonias Filho)
35. (   ) “Lá fora a noite é um pulmão ofegante.” (Fernando
Namora) Ortografia
36. (   ) “O meu abraço te informará de mim.”(Alcântara Ma-
chado) A palavra ortografia é formada pelos elementos gregos orto
37. (   ) “Iam-se as sombras lentas desfazendo “correto” e grafia “escrita” sendo a escrita correta das palavras da
      Sobre as flores da terra frio orvalho.”(Camões) língua portuguesa, obedecendo a uma combinação de critérios eti-
38. (   ) “Não há criação nem morte perante a poesia mológicos (ligados à origem das palavras) e fonológicos (ligados
      Diante dela, a vida é um sol estático aos fonemas representados).
      Não aquece, nem ilumina”. (Carlos Drummond de Somente a intimidade com a palavra escrita, é que acaba tra-
Andrade) zendo a memorização da grafia correta. Deve-se também criar o
39. (   ) “Um olhar dessa pálpebra sombra.” (Álvares de Aze- hábito de consultar constantemente um dicionário.
vedo) Desde o dia primeiro de Janeiro de 2009 está em vigor o Novo
40. (   ) “O arco-íris saltou como serpente multicolor nessa Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, por isso temos até
piscina de desenhos delicados.” (Cecília Meireles) 2016.
Esse material já se encontra segundo o Novo Acordo Orto-
Nos exercícios de números 41 a 50, faça a associação de gráfico.
acordo com o seguinte código:
a) ironia d) paradoxo Alfabeto
b) eufemismo e) hipérbole
c) antítese f) gradação O alfabeto passou a ser formado por 26 letras. As letras “k”,
“w” e “y” não eram consideradas integrantes do alfabeto (agora
41. (   ) “Na chuva de cores são). Essas letras são usadas em unidades de medida, nomes pró-
      Da tarde que explode prios, palavras estrangeiras e outras palavras em geral. Exemplos:
      A lagoa brilha (Carlos Drummond de Andrade) km, kg, watt, playground, William, Kafka, kafkiano.
42. (   ) “Nasce o sol, e não dura mais que um dia. Vogais: a, e, i, o, u.
      Depois de luz, se segue a noite escura, Consoantes: b,c,d,f,g,h,j,k,l,m,n,p,q,r,s,t,v,w,x,y,z.
      Em tristes sombras morre a formosura Alfabeto: a,b,c,d,e,f,g,h,i,j,k,l,m,n,o,p,q,r,s,t,u,v,w,x,y,z.
      Em contínuas tristezas, a alegria.” (Gregório de Matos)
43. (   ) “Se eu pudesse contar as lágrimas que chorei na vés- Emprego da letra H
pera e na manhã, somaria mais que todas as vertidas desde Adão e
Eva.” (Machado de Assis) Esta letra, em início ou fim de palavras, não tem valor fonéti-
44. (   ) “Todo sorriso é feito de mil prantos, toda vida se tece co; conservou-se apenas como símbolo, por força da etimologia e
de mil mortes.”( Carlos de Laet) da tradição escrita. Grafa-se, por exemplo, hoje, porque esta pala-
45. (   ) “Eu era pobre. Era subalterno. Era nada.” (Monteiro vra vem do latim hodie.
Lobato)

Didatismo e Conhecimento 24
LÍNGUA PORTUGUESA
Emprega-se o H: Grafam-se com a letra U: bulir, burburinho, camundongo,
- Inicial, quando etimológico: hábito, hélice, herói, hérnia, he- chuviscar, cumbuca, cúpula, curtume, cutucar, entupir, íngua, ja-
sitar, haurir, etc. buti, jabuticaba, lóbulo, Manuel, mutuca, rebuliço, tábua, tabuada,
- Medial, como integrante dos dígrafos ch, lh e nh: chave, bo- tonitruante, trégua, urtiga.
liche, telha, flecha companhia, etc.
- Final e inicial, em certas interjeições: ah!, ih!, hem?, hum!, Parônimos: Registramos alguns parônimos que se diferen-
etc. ciam pela oposição das vogais /e/ e /i/, /o/ e /u/. Fixemos a grafia e
- Algumas palavras iniciadas com a letra H: hálito, harmo- o significado dos seguintes:
nia, hangar, hábil, hemorragia, hemisfério, heliporto, hematoma,
hífen, hilaridade, hipocondria, hipótese, hipocrisia, homenagear, área = superfície
hera, húmus; ária = melodia, cantiga
- Sem h, porém, os derivados baianos, baianinha, baião, baia- arrear = pôr arreios, enfeitar
nada, etc. arriar = abaixar, pôr no chão, cair
comprido = longo
Não se usa H: cumprido = particípio de cumprir
- No início de alguns vocábulos em que o h, embora etimoló- comprimento = extensão
gico, foi eliminado por se tratar de palavras que entraram na língua cumprimento = saudação, ato de cumprir
por via popular, como é o caso de erva, inverno, e Espanha, res- costear = navegar ou passar junto à costa
pectivamente do latim, herba, hibernus e Hispania. Os derivados custear = pagar as custas, financiar
eruditos, entretanto, grafam-se com h: herbívoro, herbicida, hispâ- deferir = conceder, atender
nico, hibernal, hibernar, etc. diferir = ser diferente, divergir
delatar = denunciar
Emprego das letras E, I, O e U dilatar = distender, aumentar
descrição = ato de descrever
discrição = qualidade de quem é discreto
Na língua falada, a distinção entre as vogais átonas /e/ e /i/, /o/
emergir = vir à tona
e /u/ nem sempre é nítida. É principalmente desse fato que nascem
imergir = mergulhar
as dúvidas quando se escrevem palavras como quase, intitular, má-
emigrar = sair do país
goa, bulir, etc., em que ocorrem aquelas vogais.
imigrar = entrar num país estranho
emigrante = que ou quem emigra
Escrevem-se com a letra E: imigrante = que ou quem imigra
eminente = elevado, ilustre
- A sílaba final de formas dos verbos terminados em –uar: con- iminente = que ameaça acontecer
tinue, habitue, pontue, etc. recrear = divertir
- A sílaba final de formas dos verbos terminados em –oar: recriar = criar novamente
abençoe, magoe, perdoe, etc. soar = emitir som, ecoar, repercutir
- As palavras formadas com o prefixo ante– (antes, anterior): suar = expelir suor pelos poros, transpirar
antebraço, antecipar, antedatar, antediluviano, antevéspera, etc. sortir = abastecer
- Os seguintes vocábulos: Arrepiar, Cadeado, Candeeiro, surtir = produzir (efeito ou resultado)
Cemitério, Confete, Creolina, Cumeeira, Desperdício, Destilar, sortido = abastecido, bem provido, variado
Disenteria, Empecilho, Encarnar, Indígena, Irrequieto, Lacrimo- surtido = produzido, causado
gêneo, Mexerico, Mimeógrafo, Orquídea, Peru, Quase, Quepe, vadear = atravessar (rio) por onde dá pé, passar a vau
Senão, Sequer, Seriema, Seringa, Umedecer. vadiar = viver na vadiagem, vagabundear, levar vida de vadio

Emprega-se a letra I: Emprego das letras G e J

- Na sílaba final de formas dos verbos terminados em –air/– Para representar o fonema /j/ existem duas letras; g e j. Grafa-
oer /–uir: cai, corrói, diminuir, influi, possui, retribui, sai, etc. -se este ou aquele signo não de modo arbitrário, mas de acordo
- Em palavras formadas com o prefixo anti- (contra): antiaé- com a origem da palavra. Exemplos: gesso (do grego gypsos), jeito
reo, Anticristo, antitetânico, antiestético, etc. (do latim jactu) e jipe (do inglês jeep).
- Nos seguintes vocábulos: aborígine, açoriano, artifício, ar-
timanha, camoniano, Casimiro, chefiar, cimento, crânio, criar, Escrevem-se com G:
criador, criação, crioulo, digladiar, displicente, erisipela, escárnio,
feminino, Filipe, frontispício, Ifigênia, inclinar, incinerar, inigualá- - Os substantivos terminados em –agem, -igem, -ugem: gara-
vel, invólucro, lajiano, lampião, pátio, penicilina, pontiagudo, pri- gem, massagem, viagem, origem, vertigem, ferrugem, lanugem.
vilégio, requisito, Sicília (ilha), silvícola, siri, terebintina, Tibiriçá, Exceção: pajem
Virgílio. - As palavras terminadas em –ágio, -égio, -ígio, -ógio, -úgio:
contágio, estágio, egrégio, prodígio, relógio, refúgio.
Grafam-se com a letra O: abolir, banto, boate, bolacha, bole- - Palavras derivadas de outras que se grafam com g: massa-
tim, botequim, bússola, chover, cobiça, concorrência, costume, en- gista (de massagem), vertiginoso (de vertigem), ferruginoso (de
golir, goela, mágoa, mocambo, moela, moleque, mosquito, névoa, ferrugem), engessar (de gesso), faringite (de faringe), selvageria
nódoa, óbolo, ocorrência, rebotalho, Romênia, tribo. (de selvagem), etc.

Didatismo e Conhecimento 25
LÍNGUA PORTUGUESA
- Os seguintes vocábulos: algema, angico, apogeu, auge, es- cesta = utensílio de vime ou outro material
trangeiro, gengiva, gesto, gibi, gilete, ginete, gíria, giz, hegemonia, sexta = ordinal referente a seis
herege, megera, monge, rabugento, sugestão, tangerina, tigela. círio = grande vela de cera
sírio = natural da Síria
Escrevem-se com J: cismo = pensão
sismo = terremoto
- Palavras derivadas de outras terminadas em –já: laranja (la-
empoçar = formar poça
ranjeira), loja (lojista, lojeca), granja (granjeiro, granjense), gorja
empossar = dar posse a
(gorjeta, gorjeio), lisonja (lisonjear, lisonjeiro), sarja (sarjeta), ce-
reja (cerejeira). incipiente = principiante
- Todas as formas da conjugação dos verbos terminados em insipiente = ignorante
–jar ou –jear: arranjar (arranje), despejar (despejei), gorjear (gor- intercessão = ato de interceder
jeia), viajar (viajei, viajem) – (viagem é substantivo). interseção = ponto em que duas linhas se cruzam
- Vocábulos cognatos ou derivados de outros que têm j: laje ruço = pardacento
(lajedo), nojo (nojento), jeito (jeitoso, enjeitar, projeção, rejeitar, russo = natural da Rússia
sujeito, trajeto, trejeito).
- Palavras de origem ameríndia (principalmente tupi-guarani) Emprego de S com valor de Z
ou africana: canjerê, canjica, jenipapo, jequitibá, jerimum, jiboia,
jiló, jirau, pajé, etc. - Adjetivos com os sufixos –oso, -osa: gostoso, gostosa, gra-
- As seguintes palavras: alfanje, alforje, berinjela, cafajeste, cioso, graciosa, teimoso, teimosa, etc.
cerejeira, intrujice, jeca, jegue, Jeremias, Jericó, Jerônimo, jérsei, - Adjetivos pátrios com os sufixos –ês, -esa: português, portu-
jiu-jítsu, majestade, majestoso, manjedoura, manjericão, ojeriza,
guesa, inglês, inglesa, milanês, milanesa, etc.
pegajento, rijeza, sabujice, sujeira, traje, ultraje, varejista.
- Substantivos e adjetivos terminados em –ês, feminino –esa:
- Atenção: Moji palavra de origem indígena, deve ser escrita
com J. Por tradição algumas cidades de São Paulo adotam a grafia burguês, burguesa, burgueses, camponês, camponesa, campone-
com G, como as cidades de Mogi das Cruzes e Mogi-Mirim. ses, freguês, freguesa, fregueses, etc.
- Verbos derivados de palavras cujo radical termina em –s:
Representação do fonema /S/ analisar (de análise), apresar (de presa), atrasar (de atrás), extasiar
(de êxtase), extravasar (de vaso), alisar (de liso), etc.
O fonema /s/, conforme o caso, representa-se por: - Formas dos verbos pôr e querer e de seus derivados: pus,
pusemos, compôs, impuser, quis, quiseram, etc.
- C, Ç: acetinado, açafrão, almaço, anoitecer, censura, cimen- - Os seguintes nomes próprios de pessoas: Avis, Baltasar,
to, dança, dançar, contorção, exceção, endereço, Iguaçu, maçarico, Brás, Eliseu, Garcês, Heloísa, Inês, Isabel, Isaura, Luís, Luísa,
maçaroca, maço, maciço, miçanga, muçulmano, muçurana, paço- Queirós, Resende, Sousa, Teresa, Teresinha, Tomás, Valdês.
ca, pança, pinça, Suíça, suíço, vicissitude. - Os seguintes vocábulos e seus cognatos: aliás, anis, arnês,
- S: ânsia, ansiar, ansioso, ansiedade, cansar, cansado, descan- ás, ases, através, avisar, besouro, colisão, convés, cortês, corte-
sar, descanso, diversão, excursão, farsa, ganso, hortênsia, preten-
sia, defesa, despesa, empresa, esplêndido, espontâneo, evasiva,
são, pretensioso, propensão, remorso, sebo, tenso, utensílio.
fase, frase, freguesia, fusível, gás, Goiás, groselha, heresia, hesitar,
- SS: acesso, acessório, acessível, assar, asseio, assinar, car-
rossel, cassino, concessão, discussão, escassez, escasso, essencial, manganês, mês, mesada, obséquio, obus, paisagem, país, paraíso,
expressão, fracasso, impressão, massa, massagista, missão, necessá- pêsames, pesquisa, presa, presépio, presídio, querosene, raposa,
rio, obsessão, opressão, pêssego, procissão, profissão, profissional, represa, requisito, rês, reses, retrós, revés, surpresa, tesoura, tesou-
ressurreição, sessenta, sossegar, sossego, submissão, sucessivo. ro, três, usina, vasilha, vaselina, vigésimo, visita.
- SC, SÇ: acréscimo, adolescente, ascensão, consciência,
consciente, crescer, cresço, descer, desço, desça, disciplina, discí- Emprego da letra Z
pulo, discernir, fascinar, florescer, imprescindível, néscio, oscilar,
piscina, ressuscitar, seiscentos, suscetível, suscetibilidade, susci- - Os derivados em –zal, -zeiro, -zinho, -zinha, -zito, -zita: ca-
tar, víscera. fezal, cafezeiro, cafezinho, avezinha, cãozito, avezita, etc.
- X: aproximar, auxiliar, auxílio, máximo, próximo, proximi- - Os derivados de palavras cujo radical termina em –z: cruzei-
dade, trouxe, trouxer, trouxeram, etc. ro (de cruz), enraizar (de raiz), esvaziar (de vazio), etc.
- XC: exceção, excedente, exceder, excelência, excelente, excel- - Os verbos formados com o sufixo –izar e palavras cognatas:
so, excêntrico, excepcional, excesso, excessivo, exceto, excitar, etc.
fertilizar, fertilizante, civilizar, civilização, etc.
- Substantivos abstratos em –eza, derivados de adjetivos e de-
Homônimos
notando qualidade física ou moral: pobreza (de pobre), limpeza
acento = inflexão da voz, sinal gráfico (de limpo), frieza (de frio), etc.
assento = lugar para sentar-se - As seguintes palavras: azar, azeite, azáfama, azedo, amizade,
acético = referente ao ácido acético (vinagre) aprazível, baliza, buzinar, bazar, chafariz, cicatriz, ojeriza, prezar,
ascético = referente ao ascetismo, místico prezado, proeza, vazar, vizinho, xadrez.

Didatismo e Conhecimento 26
LÍNGUA PORTUGUESA
Sufixo –ÊS e –EZ - Grafam-se com x e não com s: expectativa, experiente, ex-
piar, expirar, expoente, êxtase, extasiado, extrair, fênix, texto, etc.
- O sufixo –ês (latim –ense) forma adjetivos (às vezes subs- - Escreve-se x e não ch: Em geral, depois de ditongo: caixa,
tantivos) derivados de substantivos concretos: montês (de monte), baixo, faixa, feixe, frouxo, ameixa, rouxinol, seixo, etc. Excetuam-
cortês (de corte), burguês (de burgo), montanhês (de montanha), -se caucho e os derivados cauchal, recauchutar e recauchutagem.
francês (de França), chinês (de China), etc. Geralmente, depois da sílaba inicial en-: enxada, enxame, enxa-
- O sufixo –ez forma substantivos abstratos femininos deri- mear, enxagar, enxaqueca, enxergar, enxerto, enxoval, enxugar,
vados de adjetivos: aridez (de árido), acidez (de ácido), rapidez enxurrada, enxuto, etc. Excepcionalmente, grafam-se com ch:
(de rápido), estupidez (de estúpido), mudez (de mudo) avidez (de encharcar (de charco), encher e seus derivados (enchente, preen-
ávido) palidez (de pálido) lucidez (de lúcido), etc. cher), enchova, enchumaçar (de chumaço), enfim, toda vez que se
trata do prefixo en- + palavra iniciada por ch. Em vocábulos de ori-
Sufixo –ESA e –EZA gem indígena ou africana: abacaxi, xavante, caxambu, caxinguelê,
orixá, maxixe, etc. Nas seguintes palavras: bexiga, bruxa, coaxar,
Usa-se –esa (com s): faxina, graxa, lagartixa, lixa, lixo, mexer, mexerico, puxar, rixa,
- Nos seguintes substantivos cognatos de verbos terminados oxalá, praxe, vexame, xarope, xaxim, xícara, xale, xingar, xampu.
em –ender: defesa (defender), presa (prender), despesa (despen-
der), represa (prender), empresa (empreender), surpresa (surpreen-
der), etc. Emprego do dígrafo CH
- Nos substantivos femininos designativos de títulos nobiliár-
quicos: baronesa, dogesa, duquesa, marquesa, princesa, consulesa, Escreve-se com ch, entre outros os seguintes vocábulos: bu-
prioresa, etc. cha, charque, charrua, chavena, chimarrão, chuchu, cochilo, facha-
- Nas formas femininas dos adjetivos terminados em –ês: bur- da, ficha, flecha, mecha, mochila, pechincha, tocha.
guesa (de burguês), francesa (de francês), camponesa (de campo-
nês), milanesa (de milanês), holandesa (de holandês), etc. Homônimos
- Nas seguintes palavras femininas: framboesa, indefesa, lesa,
mesa, sobremesa, obesa, Teresa, tesa, toesa, turquesa, etc. Bucho = estômago
Buxo = espécie de arbusto
Usa-se –eza (com z): Cocho = recipiente de madeira
- Nos substantivos femininos abstratos derivados de adjetivos Coxo = capenga, manco
e denotado qualidades, estado, condição: beleza (de belo), fran- Tacha = mancha, defeito; pequeno prego; prego de cabeça lar-
queza (de franco), pobreza (de pobre), leveza (de leve), etc. ga e chata, caldeira.
Taxa = imposto, preço de serviço público, conta, tarifa
Verbos terminados em –ISAR e -IZAR Chá = planta da família das teáceas; infusão de folhas do chá
ou de outras plantas
Escreve-se –isar (com s) quando o radical dos nomes corres- Xá = título do soberano da Pérsia (atual Irã)
pondentes termina em –s. Se o radical não terminar em –s, grafa- Cheque = ordem de pagamento
-se –izar (com z): avisar (aviso + ar), analisar (análise + ar), alisar Xeque = no jogo de xadrez, lance em que o rei é atacado por
(a + liso + ar), bisar (bis + ar), catalisar (catálise + ar), improvisar uma peça adversária
(improviso + ar), paralisar (paralisia + ar), pesquisar (pesquisa +
ar), pisar, repisar (piso + ar), frisar (friso + ar), grisar (gris + ar), Consoantes dobradas
anarquizar (anarquia + izar), civilizar (civil + izar), canalizar (ca-
nal + izar), amenizar (ameno + izar), colonizar (colono + izar), - Nas palavras portuguesas só se duplicam as consoantes C,
vulgarizar (vulgar + izar), motorizar (motor + izar), escravizar (es- R, S.
cravo + izar), cicatrizar (cicatriz + izar), deslizar (deslize + izar), - Escreve-se com CC ou CÇ quando as duas consoantes soam
matizar (matiz + izar). distintamente: convicção, occipital, cocção, fricção, friccionar,
facção, sucção, etc.
Emprego do X - Duplicam-se o R e o S em dois casos: Quando, intervocá-
licos, representam os fonemas /r/ forte e /s/ sibilante, respectiva-
- Esta letra representa os seguintes fonemas: mente: carro, ferro, pêssego, missão, etc. Quando a um elemento
de composição terminado em vogal seguir, sem interposição do
Ch – xarope, enxofre, vexame, etc. hífen, palavra começada com /r/ ou /s/: arroxeado, correlação,
CS – sexo, látex, léxico, tóxico, etc. pressupor, bissemanal, girassol, minissaia, etc.
Z – exame, exílio, êxodo, etc.
SS – auxílio, máximo, próximo, etc. CÊ - cedilha
S – sexto, texto, expectativa, extensão, etc.
É a letra C que se pôs cedilha. Indica que o Ç passa a ter som
- Não soa nos grupos internos –xce- e –xci-: exceção, exceder, de /S/: almaço, ameaça, cobiça, doença, eleição, exceção, força,
excelente, excelso, excêntrico, excessivo, excitar, inexcedível, etc. frustração, geringonça, justiça, lição, miçanga, preguiça, raça.

Didatismo e Conhecimento 27
LÍNGUA PORTUGUESA
Nos substantivos derivados dos verbos: ter e torcer e seus de- A anos: a indica tempo futuro: Daqui a um ano iremos à Eu-
rivados: ater, atenção; abster, abstenção; reter, retenção; torcer, ropa.
torção; contorcer, contorção; distorcer, distorção. Há anos: há indica tempo passado: não o vejo há meses.
O Ç só é usado antes de A,O,U.
“Procure o seu caminho
Emprego das iniciais maiúsculas Eu aprendi a andar sozinho
Isto foi há muito tempo atrás
- A primeira palavra de período ou citação. Diz um provérbio Mas ainda sei como se faz
árabe: “A agulha veste os outros e vive nua”. No início dos versos Minhas mãos estão cansadas
que não abrem período é facultativo o uso da letra maiúscula. Não tenho mais onde me agarrar.”
- Substantivos próprios (antropônimos, alcunhas, topônimos, (gravação: Nenhum de Nós)
nomes sagrados, mitológicos, astronômicos): José, Tiradentes,
Brasil, Amazônia, Campinas, Deus, Maria Santíssima, Tupã, Mi- Atenção: Há muito tempo já indica passado. Não há necessi-
nerva, Via-Láctea, Marte, Cruzeiro do Sul, etc. dade de usar atrás, isto é um pleonasmo.
- Nomes de épocas históricas, datas e fatos importantes, festas
religiosas: Idade Média, Renascença, Centenário da Independência Acerca de: equivale a (a respeito de): Falávamos acerca de
do Brasil, a Páscoa, o Natal, o Dia das Mães, etc. uma solução melhor.
- Nomes de altos cargos e dignidades: Papa, Presidente da Re- Há cerca de: equivale a (faz tempo). Há cerca de dias resol-
pública, etc. vemos este caso.
- Nomes de altos conceitos religiosos ou políticos: Igreja, Na- Ao encontro de: equivale (estar a favor de): Sua atitude vai ao
ção, Estado, Pátria, União, República, etc. encontro da verdade.
- Nomes de ruas, praças, edifícios, estabelecimentos, agremia- De encontro a: equivale a (oposição, choque): Minhas opi-
ções, órgãos públicos, etc: Rua do Ouvidor, Praça da Paz, Academia niões vão de encontro às suas.
Brasileira de Letras, Banco do Brasil, Teatro Municipal, Colégio
A fim de: locução prepositiva que indica (finalidade): Vou a
Santista, etc.
fim de visitá-la.
- Nomes de artes, ciências, títulos de produções artísticas, lite-
Afim: é um adjetivo e equivale a (igual, semelhante): Somos
rárias e científicas, títulos de jornais e revistas: Medicina, Arqui-
almas afins.
tetura, Os Lusíadas, O Guarani, Dicionário Geográfico Brasileiro,
Correio da Manhã, Manchete, etc.
Ao invés de: equivale (ao contrário de): Ao invés de falar co-
- Expressões de tratamento: Vossa Excelência, Sr. Presidente,
meçou a chorar (oposição).
Excelentíssimo Senhor Ministro, Senhor Diretor, etc.
Em vez de: equivale a (no lugar de): Em vez de acompanhar-
- Nomes dos pontos cardeais, quando designam regiões: Os po- -me, ficou só.´
vos do Oriente, o falar do Norte. Mas: Corri o país de norte a
sul. O Sol nasce a leste. Faça você a sua parte, ao invés de ficar me cobrando!
- Nomes comuns, quando personificados ou individuados: o Quantas vezes usamos “ao invés de” quando queremos dizer
Amor, o Ódio, a Morte, o Jabuti (nas fábulas), etc. “no lugar de”!
Contudo, esse emprego é equivocado, uma vez que “invés”
Emprego das iniciais minúsculas significa “contrário”, “inverso”. Não que seja absurdamente errado
escrever “ao invés de” em frases que expressam sentido de “em
- Nomes de meses, de festas pagãs ou populares, nomes gen- lugar de”, mas é preferível optar por “em vez de”.
tílicos, nomes próprios tornados comuns: maia, bacanais, carnaval, Observe: Em vez de conversar, preferiu gritar para a escola
ingleses, ave-maria, um havana, etc. inteira ouvir! (em lugar de) Ele pediu que fosse embora ao invés
- Os nomes a que se referem os itens 4 e 5 acima, quando em- de ficar e discutir o caso. (ao contrário de)
pregados em sentido geral: São Pedro foi o primeiro papa. Todos Use “ao invés de” quando quiser o significado de “ao contrá-
amam sua pátria. rio de”, “em oposição a”, “avesso”, “inverso”.
- Nomes comuns antepostos a nomes próprios geográficos: o Use “em vez de” quando quiser um sentido de “no lugar de”
rio Amazonas, a baía de Guanabara, o pico da Neblina, etc. ou “em lugar de”. No entanto, pode assumir o significado de “ao
- Palavras, depois de dois pontos, não se tratando de citação di- invés de”, sem problemas. Porém, o que ocorre é justamente o
reta: “Qual deles: o hortelão ou o advogado?”; “Chegam os magos contrário, coloca-se “ao invés de” onde não poderia.
do Oriente, com suas dádivas: ouro, incenso, mirra”.
- No interior dos títulos, as palavras átonas, como: o, a, com, de, A par: equivale a (bem informado, ciente): Estamos a par das
em, sem, grafam-se com inicial minúscula. boas notícias.
Ao par: indica relação (de igualdade ou equivalência entre va-
Algumas palavras ou expressões costumam apresentar dificul- lores financeiros – câmbio): O dólar e o euro estão ao par.
dades colocando em maus lençóis quem pretende falar ou redigir
português culto. Esta é uma oportunidade para você aperfeiçoar Aprender: tomar conhecimento de: O menino aprendeu a li-
seu desempenho. Preste atenção e tente incorporar tais palavras ção.
certas em situações apropriadas. Apreender: prender: O fiscal apreendeu a carteirinha do me-
nino.

Didatismo e Conhecimento 28
LÍNGUA PORTUGUESA
À toa: é uma locução adverbial de modo, equivale a (inutilmen- Descriminar: equivale a (inocentar, absolver de crime). O réu
te, sem razão): Andava à toa pela rua. foi descriminado; pra sorte dele.
À toa: é um adjetivo (refere-se a um substantivo), equiva- Discriminar: equivale a (diferençar, distinguir, separar). Era
le a (inútil, desprezível). Foi uma atitude à toa e precipitada. (até impossível discriminar os caracteres do documento. Cumpre dis-
01/01/2009 era grafada: à-toa) criminar os verdadeiros dos falsos valores. /Os negros ainda são
discriminados.
Baixar: os preços quando não há objeto direto; os preços fun-
cionam como sujeito: Baixaram os preços (sujeito) nos supermer- Descrição: ato de descrever: A descrição sobre o jogador foi
cados. Vamos comemorar, pessoal! perfeita.
Abaixar: os preços empregado com objeto direto: Os postos Discrição: qualidade ou caráter de ser discreto, reservado:
(sujeito) de combustível abaixaram os preços (objeto direto) da Você foi muito discreto.
gasolina.
Entrega em domicílio: equivale a lugar: Fiz a entrega em do-
Bebedor: é a pessoa que bebe: Tornei-me um grande bebedor micílio.
de vinho. Entrega a domicílio com verbos de movimento: Enviou as
Bebedouro: é o aparelho que fornece água. Este bebedouro compras a domicílio.
está funcionando bem.
As expressões “entrega em domicílio” e “entrega a domicílio”
Bem-Vindo: é um adjetivo composto: Você é sempre bem vin- são muito recorrentes em restaurantes, na propaganda televisa, no
do aqui, jovem. outdoor, no folder, no panfleto, no catálogo, na fala. Convivem
Benvindo: é nome próprio: Benvindo é meu colega de classe. juntas sem problemas maiores porque são entendidas da mesma
forma, com um mesmo sentido. No entanto, quando falamos de
Boêmia/Boemia: são formas variantes (usadas normalmente): gramática normativa, temos que ter cuidado, pois “a domicílio”
Vivia na boêmia/boemia. não é aceita. Por quê? A regra estabelece que esta última locução
adverbial deve ser usada nos casos de verbos que indicam movi-
mento, como: levar, enviar, trazer, ir, conduzir, dirigir-se.
Botijão/Bujão de gás: ambas formas corretas: Comprei um bo-
Portanto, “A loja entregou meu sofá a casa” não está correto.
tijão/bujão de gás.
Já a locução adverbial “em domicílio” é usada com os verbos sem
noção de movimento: entregar, dar, cortar, fazer.
Câmara: equivale ao local de trabalho onde se reúnem os ve-
A dúvida surge com o verbo “entregar”: não indicaria movi-
readores, deputados: Ficaram todos reunidos na Câmara Munici-
mento? De acordo com a gramática purista não, uma vez que quem
pal.
entrega, entrega algo em algum lugar.
Câmera: aparelho que fotografa, tira fotos: Comprei uma câ- Porém, há aqueles que afirmam que este verbo indica sim mo-
mera japonesa. vimento, pois quem entrega se desloca de um lugar para outro.
Contudo, obedecendo às normas gramaticais, devemos usar
Champanha/Champanhe (do francês): O champanha/ “entrega em domicílio”, nos atentando ao fato de que a finalidade
champanhe está bem gelado. é que vale: a entrega será feita no (em+o) domicílio de uma pessoa.
Cessão: equivale ao ato de doar, doação: Foi confirmada a ces- Espectador: é aquele que vê, assiste: Os espectadores se far-
são do terreno. taram da apresentação.
Sessão: equivale ao intervalo de tempo de uma reunião: A ses- Expectador: é aquele que está na expectativa, que espera algu-
são do filme durou duas horas. ma coisa: O expectador aguardava o momento da chamada.
Seção/Secção: repartição pública, departamento: Visitei hoje a
seção de esportes. Estada: permanência de pessoa (tempo em algum lugar): A es-
tada dela aqui foi gratificante.
Demais: é advérbio de intensidade, equivale a muito, aparece Estadia: prazo concedido para carga e descarga de navios ou
intensificando verbos, adjetivos ou o próprio advérbio. Vocês falam veículos: A estadia do carro foi prolongada por mais algumas se-
demais, caras! manas.
Demais: pode ser usado como substantivo, seguido de artigo,
equivale a os outros. Chamaram mais dez candidatos, os demais Fosforescente: adjetivo derivado de fósforo; que brilha no es-
devem aguardar. curo: Este material é fosforescente.
De mais: é locução prepositiva, opõe-se a de menos, refere-se Fluorescente: adjetivo derivado de flúor, elemento químico,
sempre a um substantivo ou a um pronome: Não vejo nada de mais refere-se a um determinado tipo de luminosidade: A luz branca do
em sua decisão. carro era fluorescente.

Dia a dia: é um substantivo, equivale a cotidiano, diário, que Haja - do verbo haver - É preciso que não haja descuido.
faz ou acontece todo dia. Meu dia a dia é cheio de surpresas. (até Aja - do verbo agir - Aja com cuidado, Carlinhos.
01/01/2009, era grafado dia-a-dia)
Dia a dia: é uma expressão adverbial, equivale a diariamente. Houve: pretérito perfeito do verbo haver, 3ª pessoa do sin-
O álcool aumenta dia a dia. Pode isso? gular

Didatismo e Conhecimento 29
LÍNGUA PORTUGUESA
Ouve: presente do indicativo do verbo ouvir, 3ª pessoa do sin- Por quê: final de frase, antes de um ponto final, de interroga-
gular ção, de exclamação, reticências; o monossílabo que passa a ser tô-
nico (forte), devendo, pois, ser acentuado: __O show foi cancelado
Levantar:é sinônimo de erguer: Ginês, meu estimado cunha- mas ninguém sabe por quê. (final de frase); __Por quê? (isolado)
do, levantou sozinho a tampa do poço.
Porque: conjunção subordinativa causal: equivale a: pela cau-
Levantar-se: pôr de pé: Luís e Diego levantaram-se cedo e,
sa, razão de que, pelo fato, motivo de que: Não fui ao encontro por-
dirigiram-se ao aeroporto.
que estava acamado; conjunção subordinativa explicativa: equivale
Mal: advérbio de modo, equivale a erradamente, é oposto de a: pois, já que, uma vez que, visto que: “Mas a minha tristeza é
bem: Dormi mal. (bem). Equivale a nocivo, prejudicial, enfermida- sossego porque é natural e justa.”; conjunção subordinativa final
de; pode vir antecedido de artigo, adjetivo ou pronome: A comida (verbo no subjuntivo, equivale a para que): “Mas não julguemos,
fez mal para mim. Seu mal é crer em tudo. Conjunção subordinati- porque não venhamos a ser julgados.”
va temporal, equivale a assim que, logo que: Mal chegou começou Porquê: funciona como substantivo; vem sempre acompanha-
a chorar desesperadamente. do de um artigo ou determinante: Não foi fácil encontrar o porquê
Mau: adjetivo, equivale a ruim, oposto de bom; plural=maus;
daquele corre-corre.
feminino=má. Você é um mau exemplo (bom). Substantivo: Os
Senão: equivale a (caso contrário, a não ser): Não fazia coisa
maus nunca vencem.
nenhuma senão criticar.
Mas: conjunção adversativa (ideia contrária), equivale a po- Se não: equivale a (se por acaso não), em orações adverbiais
rém, contudo, entretanto: Telefonei-lhe mas ela não atendeu. condicionais: Se não houver homens honestos, o país não sairá des-
Mais: pronome ou advérbio de intensidade, opõe-se a menos: ta situação crítica.
Há mais flores perfumadas no campo.
Tampouco: advérbio, equivale a (também não): Não compare-
Nem um: equivale a nem um sequer, nem um único; a pala- ceu, tampouco apresentou qualquer justificativa.
vra um expressa quantidade: Nem um filho de Deus apareceu para
Tão pouco: advérbio de intensidade: Encontramo-nos tão pou-
ajudá-la.
co esta semana.
Nenhum: pronome indefinido variável em gênero e número;
vem antes de um substantivo, é oposto de algum: Nenhum jornal
divulgou o resultado do concurso. Trás ou Atrás = indicam lugar, são advérbios
Traz - do verbo trazer
Obrigada: As mulheres devem dizer: muito obrigada, eu
mesma, eu própria. Vultoso: volumoso: Fizemos um trabalho vultoso aqui.
Obrigado: Os homens devem dizer: muito obrigado, eu Vultuoso: atacado de congestão no rosto: Sua face está vultuo-
mesmo, eu próprio. sa e deformada.
Onde: indica o (lugar em que se está); refere-se a verbos que
Exercícios
exprimem estado, permanência: Onde fica a farmácia mais próxi-
ma?
Aonde: indica (ideia de movimento); equivale (para onde) so- 01. Observe a ortografia correta das palavras: disenteria; pro-
mente com verbo de movimento desde que indique deslocamento, grama; mortadela; mendigo; beneficente; caderneta; problema.
ou seja, a+onde. Aonde vão com tanta pressa?
Empregue as palavras acima nas frases:
“Pode seguir a tua estrada a) O......teve.....porque comeu......estragada.
o teu brinquedo de estar b) O superpai protegeu demais seu filho e este lhe trouxe
fantasiando um segredo
um.........: sua.......escolar indicou péssimo aproveitamento.
o ponto aonde quer chegar...”
c) A festa......teve um bom.......e, por isso, um bom aprovei-
(gravação: Barão Vermelho)
tamento.
Por ora: equivale a (por este momento, por enquanto): Por ora
chega de trabalhar. 02. Passe as palavras para o diminutivo:
Por hora: locução equivale a (cada sessenta minutos): Você - asa; japonês; pai; homem; adeus; português; só; anel;
deve cobrar por hora. - beleza; rosa; país; avô; arroz; princesa; café;
- flor; Oscar; rei; bom; casa; lápis; pé.
Por que: escreve se separado; quando ocorre: preposição
por+que - advérbio interrogativo (Por que você mentiu?); prepo-
03. Passe para o plural diminutivo: trem; pé; animal; só; pa-
sição por+que – pronome relativo pelo/a qual, pelos/as quais (A
pel; jornal; mão; balão; automóvel; pai; cão; mercadoria; farol;
cidade por que passamos é simpática e acolhedora.) (=pela qual);
preposição por+que – conjunção subordinativa integrante; inicia rua; chapéu; flor.
oração subordinada substantiva (Não sei por que tomaram esta de-
cisão. (=por que motivo, razão)

Didatismo e Conhecimento 30
LÍNGUA PORTUGUESA
04. Preencha as lacunas com as seguintes palavras: seção, ses- 13. Preencha as lacunas com: mas = porém; mais = indica
são, cessão, comprimento, cumprimento, conserto, concerto quantidade; más = feminino de mau.
a) O pequeno jornaleiro foi à.........do jornal. a) A mãe e o filho discutiram,.......não chegaram a um acordo.
b) Na..........musical os pequenos cantores apresentaram-se b) Você quer.......razões para acreditar em seu pai?
muito bem. c) Pessoas.........deveriam fazer reflexões para acreditar...... na
c) O........do jornaleiro é amável. bondade do que no ódio.
d) O..... das roupas é feito pela mãe do garoto. d) Eu limpo,.........depois vou brincar.
e) O......do sapato custou muito caro. e) O frio não prejudica .........o Tico.
f) Eu......meu amigo com amabilidade. f) Infelizmente Tico morreu, ........comprarei outro cãozinho.
g) A.......de cinema foi um sucesso. g) Todas as atitudes ......devem ser perdoadas,.......jamais ser
h) O vestido tem um.........bom. repetidas, pois, quanto............se vive,.........se aprende.
i) Os pequenos violinistas participaram de um........ .
14. Preencha as lacunas com: trás, atrás e traz.
05. Dê a palavra derivada acrescentando os sufixos ESA ou
a) ........... de casa havia um pinheiro.
EZA: Portugal; certo; limpo; bonito; pobre; magro; belo; gentil;
b) A poluição.......consigo graves consequências.
duro; lindo; China; frio; duque; fraco; bravo; grande.
c) Amarre-o por......... da árvore.
06. Forme substantivos dos adjetivos: honrado; rápido; escas- d) Não vou....... de comentários bobos..
so; tímido; estúpido; pálido; ácido; surdo; lúcido; pequeno.
15. Preencha as lacunas com: HÁ - indica tempo passado; A -
07. Use o H quando for necessário: alucinar; élice, umilde, tempo futuro e espaço.
esitar, oje, humano, ora, onra, aver, ontem, êxito, ábil, arpa, irôni- a) A loja fica ....... pouco quilômetros daqui.
co, orrível, árido, óspede, abitar. b) .........instantes li sobre o Natal.
c) Eles não vão à loja porque ........ mais de dois dias a mer-
8. Complete as lacunas com as seguintes formas verbais: Hou- cadoria acabou.
ve e Ouve. d) .........três dias que todos se preparam para a festa do Natal.
a) O menino .....muitas recomendações de seu pai. e) Esse fato aconteceu ....... muito tempo.
b) ........muita confusão na cabeça do pequeno. f) Os alunos da escola dramatizarão a história do Natal daqui
c) A criança não.........a professora porque não a compreende. ......oito dias.
d) Na escola........festa do Dia do Índio. g) Ele estava......... três passos da casa de André.
h) ........ dois quarteirões existe uma bela árvore de Natal.
9. A letra X representa vários sons. Leia atentamente as pala-
vras oralmente: trouxemos, exercícios, táxi, executarei, exibir-se, 16. Atenção para as palavras: por cima; devagar; depressa; de
oxigênio, exercer, proximidade, tóxico, extensão, existir, experiên- repente; por isso. Agora, empregue-as nas frases:
cia, êxito, sexo, auxílio, exame. Separe as palavras em três seções, a) ......... uma bola atingiu o cenário e o derrubou.
conforme o som do X. b) Bem...........o povo começou a se retirar.
- Som de Z; c) O rei descobriu a verdade,..........ficou irritado.
- Som de KS; d) Faça sua tarefa............, para podermos ir ao dentista.
- Som de S. e) ......... de sua vestimenta real, o rei usava um manto.
10. Complete com X ou CH: en.....er; dei.....ar; ......eiro;
17. Forme novas palavras usando ISAR ou IZAR: análise;
fle......a; ei.....o; frou.....o; ma.....ucar; .....ocolate; en.....ada; en.....
pesquisa; anarquia; canal; civilização; colônia; humano; suave;
ergar; cai......a; .....iclete; fai......a; .....u......u; salsi......a; bai.......a;
revisão; real; nacional; final; oficial; monopólio; sintonia; central;
capri......o; me......erica; ria.......o; ......ingar; .......aleira; amei......a;
......eirosos; abaca.....i. paralisia; aviso.

11. Complete com MAL ou MAU: 18. Haja ou aja. Use haja ou aja para completar as orações:
a) Disseram que Carlota passou......ontem. a) ........ com atenção para que não ........ muitos erros.
b) Ele ficou de......humor após ter agido daquela forma. b) Talvez ......... greve; é preciso que........... cuidado e atenção.
c) O time se considera......preparado para tal jogo. c) Desejamos que ........ fraternidade nessa escola.
d) Carlota sofria de um..........curável. d) ...... com docilidade, meu filho!
e) O.......é se ter afeiçoado às coisas materiais.
f) Ele não é um........sujeito. 19. A palavra MENOS não deve ser modificada para o femini-
g) Mas o.......não durou muito tempo. no. Complete as frases com a palavra MENOS:
a) Conheço todos os Estados brasileiros,.....a Bahia.
12. Complete as frases com porque ou por que corretamente: b) Todos eram calmos,.........mamãe.
a) ....... você está chateada? c) Quero levar.........sanduíches do que na semana passada.
b) Cuidar do animal é mais importante........ele fica limpinho. d) Mamãe fazia doces e salgados........tortas grandes.
c) .......... você não limpou o tapete?
d) Concordo com papai.............ele tem razão.
e) ..........precisamos cuidar dos animais de estimação.  

Didatismo e Conhecimento 31
LÍNGUA PORTUGUESA
20. Use por que , por quê , porque e porquê: 05. portuguesa; certeza; limpeza; boniteza; pobreza; magreza;
a) ..........ninguém ri agora? beleza; gentileza; dureza; lindeza; Chinesa; frieza; duquesa; fra-
b) Eis........ ninguém ri. queza; braveza; grandeza.
c) Eis os princípios ............luto.
d) Ela não aprendeu, ...........? 06. honradez; rapidez; escassez; timidez; estupidez; palidez;
e) Aproximei-me .........todos queriam me ouvir. acidez; surdez; lucidez; pequenez.
f) Você está assustado, ..........?
g) Eis o motivo........errei. 07. alucinar, ontem, hélice, êxito, humilde, hábil, hesitar, har-
h) Creio que vou melhorar.......estudei muito. pa, hoje, irônico, humano, horrível, hora, árido, honra, hóspede,
i) O....... é difícil de ser estudado. haver, habitar.
j) ........ os índios estão revoltados?
k) O caminho ........viemos era tortuoso. 08. a) ouve b) Houve c) ouve d) houve

21. Uso do S e Z. Complete as palavras com S ou Z. A se- 09.


guir, copie as palavras na forma correta: pou....ando; pre....ença; Som de Z: exercícios, executarei, exibir-se, exercer, existir,
arte.....anato; escravi.....ar; nature.....a; va.....o; pre.....idente; fa..... êxito e exame.
er; Bra.....il; civili....ação; pre....ente; atra....ados; produ......irem; Som de KS: táxi, oxigênio, tóxico e sexo.
a....a; hori...onte; torrão....inho; fra....e; intru ....o; de....ejamos; Som de S: trouxemos, proximidade, extensão, experiência e
po....itiva; podero....o; de...envolvido; surpre ....a; va.....io; ca....o; auxílio.
coloni...ação.
10. encher, deixar, cheiro, flecha, eixo, frouxo, machucar, cho-
22. Complete com X ou S e copie as palavras com atenção: colate, enxada, enxergar, caixa, chiclete, faixa, chuchu, salsicha,
e....trangeiro; e....tensão; e....tranho; e....tender; e....tenso; e....pon- baixa, capricho, mexerica, riacho, xingar, chaleira, ameixa, chei-
tâneo; mi...to; te....te; e....gotar; e....terior; e....ceção; e...plêndido; rosos, abacaxi.
te....to; e....pulsar; e....clusivo.
11. a) mal b) mau c) mal d) mal e) mau f) mau g) mal
23. Tão Pouco / Tampouco
12. a) Por que b) porque c) Por que d) porque e) Porque
Complete as frases corretamente:
a) Eu tive ........oportunidades! 13. a) mas b) mais c) más mais d) mas e) mais f) mas g) más
b) Tenho.......... alunos, que cabem todos naquela salinha. mas mais mais
c) Ele não veio;.......virão seus amigos.
d) Eu tenho .........tempo para estudar. 14. a) Atrás b) traz c) trás d) atrás
e) Nunca tive gosto para dançar;......para tocar piano.
f) As pessoas que não amam,........são felizes. 15. a) a b) Há c) há d) Há e) há f) a g) a h) A
g) As pessoas têm.....atitudes de amizade.
h) O governo daquele país não resolve seus problemas,....... se 16. a) De repente b) devagar c) por isso d) depressa e) Por
preocupa em resolvê-los. cima

Respostas 17. analisar; pesquisar; anarquizar; canalizar; civilizar; coloni-


zar; humanizar; suavizar; revisar; realizar; nacionalizar; finalizar;
01. a) mendigo disenteria mortadela b) problema caderneta c) oficializar; monopolizar; sintonizar; centralizar; paralisar; avisar.
beneficente programa
18. a) Aja haja b) haja haja c) haja d) Aja
02.
- asinha; japonesinho; paizinho; homenzinho; adeusinho; por- 19. a) menos b) menos c) menos d) menos
tuguesinho; sozinho; anelzinho;
- belezinha; rosinha; paisinho; avozinho; arrozinho; princesi- 20. a) Por que b) porquê c) por que d) por quê e) porque f) por
nha; cafezinho; quê g) por que h) porque i) porquê j) Por que k) por que
- florzinha; Oscarzinho; reizinho; bonzinho; casinha; lapisi-
nho; pezinho. 21. Pousando; Presença; Artesanato; Escravizar; Natureza;
Vaso; Presidente; Fazer; Brasil; Civilização; Presente; Atrasados;
03. trenzinhos; pezinhos; animaizinhos; sozinhos; papeizi- Produzirem; Asa; Horizonte; Torrãozinho; Frase; Intruso; Deseja-
nhos; jornaizinhos; mãozinhas; balõezinhos; automoveizinhos; mos; Positiva; Poderoso; Desenvolvido; Surpresa; Vazio; Caso;
paizinhos; cãezinhos; mercadoriazinhas; faroizinhos; ruazinhas; Colonização.
chapeuzinhos; florezinhas.
22. estrangeiro; extensão; estranho; estender; extenso; Espon-
04. a) seção b) sessão c) cumprimento d) conserto e) conserto tâneo; Misto; Teste; Esgotar; Exterior; Exceção; Esplêndido; Tex-
f) cumprimento g) sessão h) comprimento i) concerto. to; Expulsar; Exclusivo.

Didatismo e Conhecimento 32
LÍNGUA PORTUGUESA
23. a) tão poucas b) tão poucos c) tampouco d) tão pouco e) Classificação da sílaba quanto a intensidade
tampouco f) tampouco g) tão poucas h) tampouco
-Tônica: é a sílaba pronunciada com maior intensidade.
Sílaba - Átona: é a sílaba pronunciada com menor intensidade.
- Subtônica: é a sílaba de intensidade intermediária. Ocorre,
A palavra amor está dividida em grupos de fonemas pronun- principalmente, nas palavras derivadas, correspondendo à tônica
ciados separadamente: a - mor. A cada um desses grupos pronun- da palavra primitiva. 
ciados numa só emissão de voz dá-se o nome de sílaba. Em nossa
língua, o núcleo da sílaba é sempre uma vogal: não existe sílaba Classificação das palavras quanto à posição da sílaba tônica
sem vogal e nunca há mais do que uma vogal em  cada sílaba.
Dessa forma, para sabermos o número de sílabas de uma palavra, De acordo com a posição da sílaba tônica, os vocábulos da
devemos perceber quantas vogais tem essa palavra. Atenção: as língua portuguesa que contêm  duas ou mais sílabas são classifi-
letras i e u (mais raramente com as letras e e o) podem representar cados em:
semivogais. - Oxítonos: são aqueles cuja sílaba tônica é a última. Exem-
plos: avó, urubu, parabéns
Classificação das palavras quanto ao número de sílabas - Paroxítonos: são aqueles cuja sílaba tônica é a penúltima.
Exemplos: dócil, suavemente, banana
- Monossílabas: possuem apenas uma sílaba. Exemplos: mãe, - Proparoxítonos: são aqueles cuja sílaba tônica é a antepenúl-
flor, lá, meu; tima. Exemplos: máximo, parábola, íntimo
- Dissílabas: possuem duas sílabas. Exemplos: ca-fé, i-ra, a-í,
trans-por; Saiba que:
- Trissílabas: possuem três sílabas. Exemplos: ci-ne-ma, pró- - São palavras oxítonas, entre outras: cateter, mister, Nobel,
-xi-mo, pers-pi-caz, O-da-ir; novel, ruim, sutil, transistor, ureter.
- Polissílabas: possuem quatro ou mais sílabas. Exemplos: a- - São palavras paroxítonas, entre outras: avaro, aziago, boê-
-ve-ni-da, li-te-ra-tu-ra, a-mi-ga-vel-men-te, o-tor-ri-no-la-rin-go- mia, caracteres, cartomancia, celtibero, circuito, decano, filantro-
-lo-gis-ta. po, fluido, fortuito, gratuito, Hungria, ibero, impudico, inaudito,
intuito, maquinaria, meteorito, misantropo, necropsia (alguns di-
Divisão Silábica cionários admitem também necrópsia), Normandia, pegada, poli-
cromo, pudico, quiromancia, rubrica, subido(a).
Na divisão silábica das palavras, cumpre observar as seguin- - São palavras proparoxítonas, entre outras: aerólito, bávaro,
tes normas: bímano, crisântemo, ímprobo, ínterim, lêvedo, ômega, pântano,
trânsfuga.
- Não se separam os ditongos e tritongos. Exemplos: foi-ce, - As seguintes palavras, entre outras, admitem dupla tonici-
a-ve-ri-guou; dade: acróbata/acrobata, hieróglifo/hieroglifo, Oceânia/Oceania,
- Não se separam os dígrafos ch, lh, nh, gu, qu. Exemplos: ortoépia/ortoepia, projétil/projetil, réptil/reptil, zângão/zangão.
cha-ve, ba-ra-lho, ba-nha, fre-guês, quei-xa;
- Não se separam os encontros consonantais que iniciam síla- Exercícios
ba. Exemplos: psi-có-lo-go, re-fres-co;
- Separam-se as vogais dos hiatos. Exemplos: ca-a-tin-ga, fi- 1-Assinale o item em que a divisão silábica é incorreta:
-el, sa-ú-de; a) gra-tui-to;
- Separam-se as letras dos dígrafos rr, ss, sc, sç xc. Exemplos: b) ad-vo-ga-do;
car-ro, pas-sa-re-la, des-cer, nas-ço, ex-ce-len-te; c) tran-si-tó-rio;
- Separam-se os encontros consonantais das sílabas internas, d) psi-co-lo-gi-a;
excetuando-se aqueles em que a segunda consoante é l ou r. Exem- e) in-ter-stí-cio.
plos: ap-to, bis-ne-to, con-vic-ção, a-brir, a-pli-car.
2-Assinale o item em que a separação silábica é incorreta:
Acento Tônico a) psi-có-ti-co;
b) per-mis-si-vi-da-de;
Na emissão de uma palavra de duas ou mais sílabas, percebe- c) as-sem-ble-ia;
-se que há uma sílaba de maior intensidade sonora do que as de- d) ob-ten-ção;
mais. e) fa-mí-lia.
calor - a sílaba lor é a de maior intensidade.
faceiro - a sílaba cei é a de maior intensidade. 3-Assinale o item em que todos os vocábulos têm as sílabas
sólido - a sílaba só é a de maior intensidade. corretamente separadas:
a) al-dei-a, caa-tin-ga , tran-si-ção;
Obs.: a presença da sílaba de maior intensidade nas palavras, b) pro-sse-gui-a, cus-tó-dia, trans-ver-sal;
em meio à sílabas de menor intensidade, é um dos elementos que c) a-bsur-do, pra-ia, in-cons-ci-ên-cia;
dão melodia à frase. d) o-ccip-tal, gra-tui-to, ab-di-car;
e) mis-té-rio, ap-ti-dão, sus-ce-tí-vel.

Didatismo e Conhecimento 33
LÍNGUA PORTUGUESA
4-Assinale o item em que todas as sílabas estão corretamente
separadas: ACENTUAÇÃO GRÁFICA
a) a-p-ti-dão;
b) so-li-tá-ri-o;
c) col-me-ia; Esse material já se encontra segundo o Novo Acordo Orto-
d) ar-mis-tí-cio; gráfico.
e) trans-a-tlân-ti-co.
Tonicidade
5- Assinale o item em que a divisão silábica está errada:
a) tran-sa-tlân-ti-co / de-sin-fe-tar;
b) subs-ta-be-le-cer / de-su-ma-no; Num vocábulo de duas ou mais sílabas, há, em geral, uma que
c) cis-an-di-no / sub-es-ti-mar; se destaca por ser proferida com mais intensidade que as outras: é a
d) ab-di-ca-ção / a-bla-ti-vo; sílaba tônica. Nela recai o acento tônico, também chamado acento
e) fri-is-si-mo / ma-ci-is-si-mo. de intensidade ou prosódico. Exemplos: café, janela, médico, es-
tômago, colecionador.
6- Existe erro de divisão silábica no item: O acento tônico é um fato fonético e não deve ser confundido
a) mei-a / pa-ra-noi-a / ba-lai-o; com o acento gráfico (agudo ou circunflexo) que às vezes o assi-
b) oc-ci-pi-tal / ex-ces-so / pneu-má-ti-co; nala. A sílaba tônica nem sempre é acentuada graficamente. Exem-
c) subs-tân-cia / pers-pec-ti-va / felds-pa-to; plo: cedo, flores, bote, pessoa, senhor, caju, tatus, siri, abacaxis.
d) su-bli-nhar / su-blin-gual / a-brup-to; As sílabas que não são tônicas chamam-se átonas (=fracas),
e) tran-sa-tlân-ti-co / trans-cen-der / tran-so-ce-â-ni-co. e podem ser pretônicas ou postônicas, conforme estejam antes ou
depois da sílaba tônica. Exemplo: montanha, facilmente, heroi-
7- A única alternativa correta quanto à divisão silábica é:
zinho.
a) ma-qui-na-ri-a / for-tui-to;
b) tun-gs-tê-nio / ri-tmo; ; De acordo com a posição da sílaba tônica, os vocábulos com
c) an-do-rin-ha / sub-o-fi-ci-al; mais de uma sílaba classificam-se em:
d) bo-ê-mi-a / ab-scis-sa;
e) coe-são / si-len-cio-so. Oxítonos: quando a sílaba tônica é a última: café, rapaz, es-
critor, maracujá.
8- Indique a alternativa em que as palavras “sussurro”, ”iguai- Paroxítonos: quando a sílaba tônica é a penúltima: mesa, lá-
zinhos” e “gnomo”, estão corretamente divididas em sílabas: pis, montanha, imensidade.
a) sus - su - rro, igu - ai - zi - nhos, g - no - mo; Proparoxítonos: quando a sílaba tônica é a antepenúltima: ár-
b) su - ssu - rro, i - guai - zi - nhos, gno - mo; vore, quilômetro, México.
c) sus - su - rro, i - guai - zi - nhos, gno - mo;
d) su - ssur - ro, i - gu - ai - zi - nhos, gn - omo; Monossílabos são palavras de uma só sílaba, conforme a in-
e) sus - sur - ro, i - guai - zi - nhos, gno - mo.
tensidade com que se proferem, podem ser tônicos ou átonos.
9- Na expressão “A icterícia nada tem a ver com hemodiáli-
se ou disenteria”, as palavras grifadas apresentam-se corretamente Monossílabos tônicos são os que têm autonomia fonética, sen-
divididas em sílabas na alternativa: do proferidos fortemente na frase em que aparecem: é, má, si, dó,
a) i-cte-rí-cia, he-mo-di-á-li-se, di-sen-te-ria; nó, eu, tu, nós, ré, pôr, etc.
b) ic-te-rí-ci-a, he-mo-diá-li-se, dis-en-te-ria; Monossílabos átonos são os que não têm autonomia fonética,
c) i-c-te-rí-cia, he-mo-di-á-li-se, di-sen-te-ria; sendo proferidos fracamente, como se fossem sílabas átonas do
d) ic-te-rí-cia, he-mo-di-á-li-se, di-sen-te-ri-a; vocábulo a que se apoiam. São palavras vazias de sentido como
e) ic-te-rí-cia, he-mo-di-á-li-se, di-sen-te-ria. artigos, pronomes oblíquos, elementos de ligação, preposições,
conjunções: o, a, os, as, um, uns, me, te, se, lhe, nos, de, em, e, que.
10- Assinale a única opção em que há, um vocábulo cuja se-
paração silábica não esta feita de acordo com a norma ortográfica Acentuação dos Vocábulos Proparoxítonos
vigente:
a) es-cor-re-gou / in-crí-veis; Todos os vocábulos proparoxítonos são acentuados na vogal
b) in-fân-cia / cres-ci-a;
tônica:
c) i-dei-a / lé-guas;
- Com acento agudo se a vogal tônica for i, u ou a, e, o aber-
d) des-o-be-de-ceu / cons-tru-í-da;
e) vo-ou / sor-ri-em. tos: xícara, úmido, queríamos, lágrima, término, déssemos, lógico,
binóculo, colocássemos, inúmeros, polígono, etc.
Respostas: 1-E / 2-C / 3-E / 4-D / 5-C / 6-D / 7-A / 8-E / 9-E - Com acento circunflexo se a vogal tônica for fechada ou na-
/ 10-D sal: lâmpada, pêssego, esplêndido, pêndulo, lêssemos, estômago,
sôfrego, fôssemos, quilômetro, sonâmbulo etc.

Didatismo e Conhecimento 34
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Acentuação dos Vocábulos Paroxítonos - Não se acentua o /i/ e o /u/ seguidos de nh: rainha, fuinha,
moinho, lagoinha, etc; e quando formam sílaba com letra que não
Acentuam-se com acento adequado os vocábulos paroxítonos seja s: cair (ca-ir), sairmos, saindo, juiz, ainda, diurno, Raul, ruim,
terminados em: cauim, amendoim, saiu, contribuiu, instruiu, etc.

- ditongo crescente, seguido, ou não, de s: sábio, róseo, planí- Segundo as novas regras da Língua Portuguesa não se acen-
cie, nódua, Márcio, régua, árdua, espontâneo, etc. tua mais o /i/ e /u/ tônicos formando hiato quando vierem depois
- i, is, us, um, uns: táxi, lápis, bônus, álbum, álbuns, jóquei, de ditongo: baiúca, boiúna, feiúra, feiúme, bocaiúva, etc. Ficaram:
vôlei, fáceis, etc. baiuca, boiuna, feiura, feiume, bocaiuva, etc.
- l, n, r, x, ons, ps: fácil, hífen, dólar, látex, elétrons, fórceps,
etc. Os hiatos “ôo” e “êe” não são mais acentuados: enjôo, vôo,
- ã, ãs, ão, ãos, guam, guem: ímã, ímãs, órgão, bênçãos, enxá- perdôo, abençôo, povôo, crêem, dêem, lêem, vêem, relêem. Fi-
guam, enxáguem, etc. caram: enjoo, voo, perdoo, abençoo, povoo, creem, deem, leem,
veem, releem.
Não se acentua um paroxítono só porque sua vogal tônica é
Acento Diferencial
aberta ou fechada. Descabido seria o acento gráfico, por exemplo,
em cedo, este, espelho, aparelho, cela, janela, socorro, pessoa, do- Emprega-se o acento diferencial como sinal distintivo de vo-
res, flores, solo, esforços. cábulos homógrafos, nos seguintes casos:
Acentuação dos Vocábulos Oxítonos - pôr (verbo) - para diferenciar de por (preposição).
- verbo poder (pôde, quando usado no passado)
Acentuam-se com acento adequado os vocábulos oxítonos - é facultativo o uso do acento circunflexo para diferenciar as
terminados em: palavras forma/fôrma. Em alguns casos, o uso do acento deixa a
- a, e, o, seguidos ou não de s: xará, serás, pajé, freguês, vovô, frase mais clara. Exemplo: Qual é a forma da fôrma do bolo?
avós, etc. Seguem esta regra os infinitivos seguidos de pronome:
cortá-los, vendê-los, compô-lo, etc. Segundo as novas regras da Língua Portuguesa não existe
- em, ens: ninguém, armazéns, ele contém, tu conténs, ele con- mais o acento diferencial em palavras homônimas (grafia igual,
vém, ele mantém, eles mantêm, ele intervém, eles intervêm, etc. som e sentido diferentes) como:

Acentuação dos Monossílabos - côa(s) (do verbo coar) - para diferenciar de coa, coas (com
+ a, com + as);
Acentuam-se os monossílabos tônicos: a, e, o, seguidos ou - pára (3ª pessoa do singular do presente do indicativo do ver-
não de s: há, pá, pé, mês, nó, pôs, etc. bo parar) - para diferenciar de para (preposição);
- péla (do verbo pelar) e em péla (jogo) - para diferenciar de
Acentuação dos Ditongos pela (combinação da antiga preposição per com os artigos ou pro-
nomes a, as);
Acentuam-se a vogal dos ditongos abertos éi, éu, ói, quando - pêlo (substantivo) e pélo (v. pelar) - para diferenciar de pelo
tônicos. (combinação da antiga preposição per com os artigos o, os);
- péra (substantivo - pedra) - para diferenciar de pera (forma
arcaica de para - preposição) e pêra (substantivo);
Segundo as novas regras os ditongos abertos “éi” e “ói” não
- pólo (substantivo) - para diferenciar de polo (combinação
são mais acentuados em palavras paroxítonas: assembléia, pla-
popular regional de por com os artigos o, os);
téia, idéia, colméia, boléia, Coréia, bóia, paranóia, jibóia, apóio,
- pôlo (substantivo - gavião ou falcão com menos de um ano) -
heróico, paranóico, etc. Ficando: Assembleia, plateia, ideia, col- para diferenciar de polo (combinação popular regional de por com
meia, boleia, Coreia, boia, paranoia, jiboia, apoio, heroico, para- os artigos o, os);
noico, etc.
Nos ditongos abertos de palavras oxítonas terminadas em Emprego do Til
éi, éu e ói e monossílabas o acento continua: herói, constrói, dói,
anéis, papéis, troféu, céu, chapéu. O til sobrepõe-se às letras “a” e “o” para indicar vogal nasal.
Pode figurar em sílaba:
Acentuação dos Hiatos - tônica: maçã, cãibra, perdão, barões, põe, etc;
- pretônica: romãzeira, balõezinhos, grã-fino, cristãmente, etc;
A razão do acento gráfico é indicar hiato, impedir a ditonga- - átona: órfãs, órgãos, bênçãos, etc.
ção. Compare: caí e cai, doído e doido, fluído e fluido.
- Acentuam-se em regra, o /i/ e o /u/ tônicos em hiato com vo- Trema (o trema não é acento gráfico)
gal ou ditongo anterior, formando sílabas sozinhos ou com s: saída
(sa-í-da), saúde (sa-ú-de), faísca, caíra, saíra, egoísta, heroína, caí, Desapareceu o trema sobre o /u/ em todas as palavras do por-
Xuí, Luís, uísque, balaústre, juízo, país, cafeína, baú, baús, Gra- tuguês: Linguiça, averiguei, delinquente, tranquilo, linguístico.
jaú, saímos, eletroímã, reúne, construía, proíbem, influí, destruí-lo, Exceto as de língua estrangeira: Günter, Gisele Bündchen, müle-
instruí-la, etc. riano.

Didatismo e Conhecimento 35
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Exercícios 08- Indique a única alternativa em que nenhuma palavra é
acentuada graficamente:
01- O acento gráfico de “três” justifica-se por ser o vocábulo: a) lapis, canoa, abacaxi, jovens,
a) Monossílabo átono terminado em ES. b) ruim, sozinho, aquele, traiu
b) Oxítono terminado em ES c) saudade, onix, grau, orquídea
c) Monossílabo tônico terminado em S d) flores, açucar, album, virus,
d) Oxítono terminado em S e) voo, legua, assim, tenis
e) Monossílabo tônico terminado em ES
09- Nas alternativas, a acentuação gráfica está correta em to-
02- Se o vocábulo concluiu não tem acento gráfico, tal não das as palavras, exceto:
acontece com uma das seguinte formas do verbo concluir: a) jesuíta, caráter
a) concluia b) viúvo, sótão
b) concluirmos c) baínha, raiz
c) concluem d) Ângela, espádua
d) concluindo e) gráfico, flúor
e) concluas
10- Até ........ momento, ........ se lembrava de que o antiquário
03- Nenhum vocábulo deve receber acento gráfico, exceto: tinha o ......... que procurávamos.
a) sururu a) Aquêle-ninguém-baú
b) peteca b) Aquêle-ninguém-bau
c) bainha c) Aquêle-ninguem-baú
d) mosaico d) Aquele-ninguém-baú
e) beriberi e) Aquéle-ninguém-bau

04- Todos os vocábulos devem ser acentuados graficamente, Respostas: (1-E) (2-A) (3-E) (4-A) (5-A) (6-B) (7-D) (8-B)
(9-C) (10-D)
exceto:
a) xadrez
b) faisca
c) reporter
ENCONTROS VOCÁLICOS E
d) Oasis
CONSONANTAIS, DÍGRAFOS;
e) proteina

05- Assinale a opção em que o par de vocábulos não obedece


à mesma regra de acentuação gráfica. Letra e Fonema
a) sofismático/ insondáveis
b) automóvel/fácil Letra é o sinal gráfico da escrita. Exemplos: pipoca (tem 6
c) tá/já letras); hoje (tem 4 letras).
d) água/raciocínio
e) alguém/comvém Fonema é o menor elemento sonoro capaz de estabelecer uma
distinção de significado entre palavras. Veja, nos exemplos, os fo-
06- Os dois vocábulos de cada item devem ser acentuado gra- nemas que marcam a distinção entre os pares de palavras:
ficamente, exceto:
a) herbivoro-ridiculo bar – mar tela – vela sela – sala
b) logaritmo-urubu
c) miudo-sacrificio Não confunda os fonemas com as letras. Fonema é um ele-
d) carnauba-germem mento acústico e a letra é um sinal gráfico que representa o fone-
e) Biblia-hieroglifo ma. Nem sempre o número de fonemas de uma palavra correspon-
de ao número de letras que usamos para escrevê-la. Na palavra
07- “Andavam devagar, olhando para trás...” (J.A. de Almei- chuva, por exemplo, temos quatro fonemas, isto é, quatro unidades
da-Américo A. Bagaceira). Assinale o item em que nem todas as sonoras [xuva] e cinco letras.
palavras são acentuadas pelo mesmo motivo da palavra grifada no Certos fonemas podem ser representados por diferentes letras.
texto. É o caso do fonema /s/, que pode ser representado por: s (pensar) –
a) Más – vês ss (passado) – x (trouxe) – ç (caçar) – sc (nascer) – xc (excelente)
b) Mês – pás – c (cinto) – sç (desço)
c) Vós – Brás
d) Pés – atrás Às vezes, a letra “x” pode representar mais de um fonema,
e) Dês – pés como na palavra táxi. Nesse caso, o “x” representa dois sons, pois
lemos “táksi”. Portanto, a palavra táxi tem quatro letras e cinco
fonemas.

Didatismo e Conhecimento 36
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Em certas palavras, algumas letras não representam nenhum - Consonantais: ch (chuva), sc (nascer), ss (osso), sç (desça),
fonema, como a letra h, por exemplo, em palavras como hora, lh (filho), xc (excelente), qu (quente), nh (vinho), rr (ferro), gu
hoje, etc., ou como as letras m e n quando são usadas apenas para (guerra)
indicar a nasalização de uma vogal, como em canto, tinta, etc. - Vocálicos: am, an (tampa, canto), em, en (tempo, vento), im,
in (limpo, cinto), om, on (comprar, tonto), um, un (tumba, mundo)
Classificação dos Fonemas
Atenção: nos dígrafos, as duas letras representam um só fone-
Os fonemas classificam-se em vogais, semivogais e consoantes. ma; nos encontros consonantais, cada letra representa um fonema.

Vogais: são fonemas resultantes das vibrações das cordas vo- Observe de acordo com os exemplos que o número de letras e
cais e em cuja produção a corrente de ar passa livremente na cavi- fonemas não precisam ter a mesma quantidade.
dade bucal. As vogais podem ser orais e nasais. - Chuva: tem 5 letras e 4 fonemas, já que o “ch” tem um único
Orais: quando a corrente de ar passa apenas pela cavidade som.
bucal. São elas: a, é, ê, i, ó, ô, u. Exemplos: já, pé, vê, ali, pó, dor, - Hipopótamo: tem 10 letras e 9 fonemas, já que o “h” não
uva. tem som.
Nasais: quando a corrente de ar passa pela cavidade bucal e - Galinha: tem 7 letras e 6 fonemas, já que o “nh” tem um
nasal. A nasalidade pode ser indicada pelo til (~) ou pelas letras n único som.
e m. Exemplos: mãe, venda, lindo, pomba, nunca. - Pássaro: tem 7 letras e 6 fonemas, já que o “ss” só tem um
único som.
Observação: As vogais ainda podem ser tônicas ou átonas, de- - Nascimento: 10 letras e 8 fonemas, já que não se pronuncia
pendendo da intensidade com que são pronunciadas. A vogal tôni- o “s” e o “en” tem um único som.
ca é pronunciada com maior intensidade: café, bola, vidro. A vogal - Exceção: 7 letras e 6 fonemas, já que não tem som o “x”.
átona é pronunciada com menor intensidade: café, bola, vidro. - Táxi: 4 letras e 5 fonemas, já que o “x” tem som de “ks”.
- Guitarra: 8 letras e 6 fonemas, já que o “gu” tem um único
Semivogais: são os fonemas /i/ e /u/ quando, juntos de uma som e o “rr” também tem um único som.
vogal, formam com ela uma mesma sílaba. Observe, por exemplo, - Queijo: 6 letras e 5 fonemas, já que o “qu” tem um único
a palavra papai. Ela é formada de duas sílabas: pa-pai. Na sílaba som.
pai, o fonema vocálico /i/ não é tão forte quanto o fonema vocálico
/a/; nesse caso, o /i/ é semivogal. Repare que através do exemplo a mudança de apenas uma le-
tra ou fonema gera novas palavras: C a v a l o / C a v a d o / C a l a
Consoantes: são os fonemas em que a corrente de ar, emitida d o / C o l a d o / S o l a d o.
para sua produção, teve de forçar passagem na boca, onde deter-
minado movimento articulatório lhe criou embaraço. Exemplos: Exercícios
gato, pena, lado.
01. A palavra que apresenta tantos fonemas quantas são as le-
Encontro Vocálicos tras que a compõem é:
a) importância
- Ditongos: é o encontro de uma vogal e uma semivogal (ou b) milhares
vice-versa) numa mesma sílaba. Exemplos: pai (vogal + semivo- c) sequer
gal = ditongo decrescente); ginásio (semivogal + vogal = ditongo d) técnica
crescente). e) adolescente
- Tritongos: é o encontro de uma semivogal com uma vogal e
outra semivogal numa mesma sílaba. Exemplo: Paraguai. 02. Em qual das palavras abaixo a letra x apresenta não um,
- Hiatos: é a sequência de duas vogais numa mesma palavra mas dois fonemas?
mas que pertencem a sílabas diferentes, pois nunca há mais de uma a) exemplo
vogal numa sílaba. Exemplos: saída (sa-í-da), juiz (ju-iz) b) complexo
c) próximos
Encontro Consonantais d) executivo
e) luxo
Ocorre quando há um grupo de consoantes sem vogal inter-
mediária. Exemplos: flor, grade, digno. 03. Qual palavra possui dois dígrafos?
a) fechar
Dígrafos b) sombra
c) ninharia
Grupo de duas letras que representa apenas um fonema. d) correndo
Exemplos: passo (ss = fonema /s/), nascimento (sc = fonema /s/), e) pêssego
queijo (qu = fonema /k/)

Os dígrafos podem ser consonantais e vocálicos.

Didatismo e Conhecimento 37
LÍNGUA PORTUGUESA
04. Indique a alternativa cuja sequência de vocábulos apre-
senta, na mesma ordem, o seguinte: ditongo, hiato, hiato, ditongo. CLASSES DE PALAVRAS: SUBSTANTIVOS,
a) jamais / Deus / luar / daí ADJETIVOS, ARTIGOS, NUMERAIS,
b) joias / fluir / jesuíta / fogaréu PRONOMES, VERBOS, ADVÉRBIOS,
c) ódio / saguão / leal / poeira PREPOSIÇÕES, CONJUNÇÕES,
d) quais / fugiu / caiu / história INTERJEIÇÕES: CONCEITUAÇÕES,
CLASSIFICAÇÕES, FLEXÕES, EMPREGO,
05. Os vocabulários passarinho e querida possuem: LOCUÇÕES.
a) 6 e 8 fonemas respectivamente;
b)10 e 7 fonemas respectivamente;
c) 9 e 6 fonemas respectivamente;
d) 8 e 6 fonemas respectivamente; Classe de Palavras
e) 7 e 6 fonemas respectivamente.
Artigo
06. Quantos fonemas existem na palavra paralelepípedo:
a) 7 Artigo é a palavra que acompanha o substantivo, indicando-
b) 12 -lhe o gênero e o número, determinando-o ou generalizando-o. Os
c) 11 artigos podem ser:
d) 14 - definidos: o, a, os, as; determinam os substantivos, trata de
e) 15 um ser já conhecido; denota familiaridade: “A grande reforma do
ensino superior é a reforma do ensino fundamental e do médio.”
07. Os vocábulos pequenino e drama apresentam, respectiva- (Veja – maio de 2005)
mente: - indefinidos: um, uma, uns, umas; estes; trata-se de um ser
a) 4 e 2 fonemas desconhecido, dá ao substantivo valor vago: “...foi chegando um
b) 9 e 5 fonemas caboclinho magro, com uma taquara na mão.” (A. Lima)
c) 8 e 5 fonemas
d) 7 e 7 fonemas
Usa-se o artigo definido:
e) 8 e 4 fonemas
- com a palavra ambos: falou-nos que ambos os culpados fo-
ram punidos.
08. O “I” não é semivogal em:
- com nomes próprios geográficos de estado, pais, oceano,
a) Papai
montanha, rio, lago: o Brasil, o rio Amazonas, a Argentina, o ocea-
b) Azuis
no Pacífico, a Suíça, o Pará, a Bahia. / Conheço o Canadá mas não
c) Médio
d) Rainha conheço Brasília.
e) Herói - com nome de cidade se vier qualificada: Fomos à histórica
Ouro Preto.
09. Assinale a alternativa que apresenta apenas hiatos: - depois de todos/todas + numeral + substantivo: Todos os
a) muito, faísca, balaústre. vinte atletas participarão do campeonato.
b) guerreiro, gratuito, intuito. - com toda a/todo o, a expressão que vale como totalidade,
c) fluido, fortuito, Piauí. inteira. Toda cidade será enfeitada para as comemorações de ani-
d) tua, lua, nua. versário. Sem o artigo, o pronome todo/toda vale como qualquer.
e) n.d.a. Toda cidade será enfeitada para as comemorações de aniversário.
(qualquer cidade)
10. Em qual dos itens abaixo todas as palavras apresentam - com o superlativo relativo: Mariane escolheu as mais lindas
ditongo crescente: flores da floricultura.
a) Lei, Foice, Roubo - com a palavra outro, com sentido determinado: Marcelo tem
b) Muito, Alemão, Viu dois amigos: Rui é alto e lindo, o outro é atlético e simpático.
c) Linguiça, História, Área - antes dos nomes das quatro estações do ano: Depois da pri-
d) Herói, Jeito, Quilo mavera vem o verão.
e) Equestre, Tênue, Ribeirão - com expressões de peso e medida: O álcool custa um real o
litro. (=cada litro)
Respostas:
Não se usa o artigo definido:
01-D (Em d, a palavra possui 7 fonemas e 7 letras. Nas demais - antes de pronomes de tratamento iniciados por possessivos:
alternativas, tem-se: a) 10 fonemas / 11 letras; b) 7 fonemas / 8 Vossa Excelência, Vossa Senhoria, Vossa Majestade, Vossa
letras; c) 5 fonemas / 6 letras; e) 9 fonemas / 11 letras). Alteza.
02-B (a palavra complexo, o x equivale ao fonema /ks/). Vossa Alteza estará presente ao debate?
03-D (Em d, há o dígrafo “rr” e o dígrafo nasal “en”). “Nosso Senhor tinha o olhar em pranto / Chorava Nossa Se-
04-B (Observe os encontros: oi, u - i, u - í e eu). nhora.”
05-D / 06-D / 07-C / 08-D / 09-D / 10-C - antes de nomes de meses:

Didatismo e Conhecimento 38
LÍNGUA PORTUGUESA
O campeonato aconteceu em maio de 2002. Mas: O campeo- 02. Determine o caso em que o artigo tem valor qualificativo:
nato aconteceu no inesquecível maio de 2002. a) Estes são os candidatos que lhe falei.
- alguns nomes de países, como Espanha, França, Inglaterra, b) Procure-o, ele é o médico! Ninguém o supera.
Itália podem ser construídos sem o artigo, principalmente quando c) Certeza e exatidão, estas qualidades não as tenho.
regidos de preposição. d) Os problemas que o afligem não me deixam descuidado.
“Viveu muito tempo em Espanha.” / “Pelas estradas líricas de e) Muito é a procura; pouca é a oferta.
França.” Mas: Sônia Salim, minha amiga, visitou a bela Veneza.
- antes de todos / todas + numeral: Eles são, todos quatro, 03. Em uma destas frases, o artigo definido está empregado
amigos de João Luís e Laurinha. Mas: Todos os três irmãos eu vi erradamente. Em qual?
nascer. (o substantivo está claro) a) A velha Roma está sendo modernizada.
- antes de palavras que designam matéria de estudo, empre- b) A “Paraíba” é uma bela fragata.
gadas com os verbos: aprender, estudar, cursar, ensinar: Estudo c) Não reconheço agora a Lisboa de meu tempo.
Inglês e Cristiane estuda Francês. d) O gato escaldado tem medo de água fria.
e) O Havre é um porto de muito movimento.
O uso do artigo é facultativo:
- antes do pronome possessivo: Sua / A sua incompetência é 04. Assinale a alternativa em que os topônimos não admitem
irritante. artigo:
- antes de nomes próprios de pessoas: Você já visitou Luciana a) Portugal, Copacabana.
/ a Luciana? b) Petrópolis, Espanha.
- “Daqui para a frente, tudo vai ser diferente.” (para a frente: c) Viena, Rio de Janeiro.
exige a preposição) d) Madri, Itália.
e) Alemanha, Curitiba.
Formas combinadas do artigo definido: Preposição + o = ao /
de + o,a = do, da / em + o, a = no, na / por + o, a = pelo, pela. Respostas: 01-B / 02-B / 03-D / 04-A /

Usa-se o artigo indefinido: Substantivo


- para indicar aproximação numérica: Nicole devia ter uns
oito anos / Não o vejo há uns meses. Substantivo é a palavra que dá nomes aos seres. Inclui os no-
- antes dos nomes de partes do corpo ou de objetos em pares: mes de pessoas, de lugares, coisas, entes de natureza espiritual ou
Usava umas calças largas e umas botas longas. mitológica: vegetação, sereia, cidade, anjo, árvore, passarinho,
- em linguagem coloquial, com valor intensivo: Rafaela é uma abraço, quadro, universidade, saudade, amor, respeito, criança.
meiguice só. Os substantivos exercem, na frase, as funções de: sujeito, pre-
- para comparar alguém com um personagem célebre: Luís dicativo do sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento
August é um Rui Barbosa. nominal, adjunto adverbial, agente da passiva, aposto e vocativo.
Os substantivos classificam-se em:
O artigo indefinido não é usado: - Comuns: nomeiam os seres da mesma espécie: menina, pia-
- em expressões de quantidade: pessoa, porção, parte, gente, no, estrela, rio, animal, árvore.
quantidade: Reservou para todos boa parte do lucro. - Próprios: referem-se a um ser em particular: Brasil, América
- com adjetivos como: escasso, excessivo, suficiente: Não há do Norte, Deus, Paulo, Lucélia.
suficiente espaço para todos. - Concretos: são aqueles que têm existência própria; são in-
- com substantivo que denota espécie: Cão que ladra não morde. dependentes; reais ou imaginários: mãe, mar, água, anjo, mulher,
alma, Deus, vento, DVD, fada, criança, saci.
Formas combinadas do artigo indefinido: Preposição de e em - Abstrato: são os que não têm existência própria; depende
+ um, uma = num, numa, dum, duma. sempre de um ser para existir: é necessário alguém ser ou estar
triste para a tristeza manifestar-se; é necessário alguém beijar ou
O artigo (o, a, um, uma) anteposto a qualquer palavra trans- abraçar para que ocorra um beijo ou um abraço; designam quali-
forma-a em substantivo. O ato literário é o conjunto do ler e do dades, sentimentos, ações, estados dos seres: dor, doença, amor,
escrever. fé, beijo, abraço, juventude, covardia, coragem, justiça. Os subs-
tantivos abstratos podem ser concretizados dependendo do seu
Exercícios significado: Levamos a caça para a cabana. (caça = ato de caçar,
substantivo abstrato; a caça, neste caso, refere-se ao animal, por-
01. Em que alternativa o termo grifado indica aproximação: tanto, concreto).
a) Ao visitar uma cidade desconhecida, vibrava. - Simples: como o nome diz, são aqueles formados por apenas
b) Tinha, na época, uns dezoito anos. um radical: chuva, tempo, sol, guarda, pão, raio, água, ló, terra,
c) Ao aproximar de uma garota bonita, seus olhos brilhavam. flor, mar, raio, cabeça.
d) Não havia um só homem corajoso naquela guerra. - Compostos: são os que são formados por mais de dois ra-
e) Uns diziam que ela sabia tudo, outros que não. dicais: guarda-chuva, girassol, água-de-colônia, pão de ló, para
raio, sem-terra, mula sem cabeça.

Didatismo e Conhecimento 39
LÍNGUA PORTUGUESA
- Primitivos: são os que não derivam de outras palavras; vie- - Acrescentando-se ao masculino a desinência “a” ou um sufi-
ram primeiro,deram origem a outras palavras: ferro, Pedro, mês, xo feminino: autor, autora / deus, deusa / cônsul, consulesa / can-
queijo, chave, chuva, pão, trovão, casa. tor, cantora / reitor, reitora.
- Derivados: são formados de outra palavra já existente; vie- - Utilizando-se uma palavra feminina com radical diferente:
ram depois: ferradura, pedreiro, mesada, requeijão, chaveiro, chu- pai, mãe / homem, mulher / boi, vaca / carneiro, ovelha / cavalo,
veiro, padeiro, trovoada, casarão, casebre. égua.
- Coletivos: os substantivos comuns que, mesmo no singular,
designam um conjunto de seres de uma mesma espécie: bando, Observe como são formados os femininos: parente, parenta
povo, frota, batalhão, biblioteca, constelação. / hóspede, hospeda / monge, monja / presidente, presidenta / gi-
Eis alguns substantivos coletivos: álbum – de fotografias; al- gante, giganta / oficial, oficiala / peru, perua / cidadão, cidadã /
cateia – de lobos; antologia – de textos escolhidos; arquipélago – aldeão, aldeã / ancião, anciã / guardião, guardiã / charlatão, char-
ilhas; assembleia – pessoas, professores; atlas – cartas geográficas; latã / escrivão, escrivã / papa, papisa / faisão, faisoa / hortelão,
banda – de músicos; bando – de aves, de crianças; baixela – uten- horteloa / ilhéu, ilhoa / mélro, mélroa / folião, foliona / imperador,
sílios de mesa; banca – de examinadores; biblioteca – de livros; imperatriz / profeta, profetisa / píton, pitonisa / abade, abadessa /
biênio – dois anos; bimestre – dois meses; boiada – de bois; cacho czar, czarina / perdigão, perdiz / cão, cadela / pigmeu, pigmeia /
– de uva; cáfila – camelos; caravana – viajantes; cambada – de ateu, ateia / hebreu, hebreia / réu, ré / cerzidor, cerzideira / frade,
vadios, malvados; cancioneiro – de canções; cardume – de peixes; freira / frei, sóror / rajá, rani / dom, dona / cavaleiro, dama / zan-
casario – de casas; código – de leis; colmeia – de abelhas; concílio gão, abelha /
– de bispos em assembleia; conclave – de cardeais; confraria – de
religiosos; constelação – de estrelas; cordilheira – de montanhas; Substantivos Uniformes
cortejo – acompanhantes em comitiva; discoteca – de discos; elen-
co – de atores; enxoval – de roupas; fato – de cabras; fornada – de Os substantivos uniformes apresentam uma única forma para
pães; galeria – de quadros; hemeroteca – de jornais, revistas; horda ambos os gêneros: dentista, vítima. Os substantivos uniformes
– de invasores; iconoteca – de imagens; irmandade – de religiosos; dividem-se em:
mapoteca – de mapas; milênio – de mil anos; miríade – de muitas - Epicenos: designam certos animais e têm um só gênero, quer
estrelas, insetos; nuvem – de gafanhotos; panapaná – de borboletas se refiram ao macho ou à fêmea. – jacaré macho ou fêmea / a cobra
em bando; penca – de frutas; pinacoteca – de quadros; piquete – de macho ou fêmea / a formiga macho ou fêmea.
grevistas; plêiade – de pessoas notáveis, sábios; prole – de filhos; - Comuns de dois gêneros: apenas uma forma e designam
quarentena – quarenta dias; quinquênio – cinco anos; renque – de indivíduos dos dois sexos. São masculinos ou femininos. A in-
árvores, pessoas, coisas; repertório – de peças teatrais, música; res- dicação do sexo é feita com uso do artigo masculino ou feminino:
ma – de quinhentas folhas de papel; século – de cem anos; sextilha o, a intérprete / o, a colega / o, a médium / o, a personagem / o, a
– de seis versos; súcia – de malandros, patifes; terceto – de três cliente / o, a fã / o, a motorista / o, a estudante / o, a artista / o, a re-
pessoas, três versos; tríduo – período de três dias; triênio – período pórter / o, a manequim / o, a gerente / o, a imigrante / o, a pianista
de três anos; tropilhas – de trabalhadores, alunos; vara – de porcos; / o, a rival / o a jornalista.
videoteca – de videocassetes; xiloteca – de amostras de tipos de - Sobrecomuns: designam pessoas e têm um só gênero para
madeiras. homem ou a mulher: a criança (menino, menina) / a testemunha
(homem, mulher) / a pessoa (homem, mulher) / o cônjuge (marido,
Reflexão do Substantivo mulher) / o guia (homem, mulher) / o ídolo (homem, mulher).

“Na feira livre do arrabaldezinho Substantivos que mudam de sentido, quando se troca o gê-
Um homem loquaz apregoa balõezinhos de cor nero: o lotação (veículo) - a lotação (efeito de lotar); o capital
__ O melhor divertimento para crianças! (dinheiro) - a capital (cidade); o cabeça (chefe, líder) - a cabeça
Em redor dele há um ajuntamento de menininhos pobres, (parte do corpo); o guia (acompanhante) - a guia (documentação);
Fitando com olhos muito redondos os grandes o moral (ânimo) - a moral (ética); o grama (peso) - a grama (relva);
Balõezinhos muito redondos.” o caixa (atendente) - a caixa (objeto); o rádio (aparelho) - a rá-
(Manoel Bandeira) dio (emissora); o crisma (óleo salgado) - a crisma (sacramento); o
coma (perda dos sentidos) - a coma (cabeleira); o cura (vigário) - a
Observe que o poema apresenta vários substantivos e apre- cura; (ato de curar); o lente (prof. Universitário) - a lente (vidro de
sentam variações ou flexões de gênero (masculino/feminino), de aumento); o língua (intérprete) - a língua (órgão, idioma); o voga
número (plural/singular) e de grau (aumentativo/diminutivo). (o remador) - a voga (moda).
Na língua portuguesa há dois gêneros: masculino e feminino.
A regra para a flexão do gênero é a troca de o por a, ou o acréscimo Alguns substantivos oferecem dúvida quanto ao gênero. São
da vogal a, no final da palavra: mestre, mestra. masculinos: o eclipse, o dó, o dengue (manha), o champanha, o
soprano, o clã, o alvará, o sanduíche, o clarinete, o Hosana, o es-
Formação do Feminino pécime, o guaraná, o diabete ou diabetes, o tapa, o lança-perfume,
o praça (soldado raso), o pernoite, o formicida, o herpes, o sósia, o
O feminino se realiza de três modos: telefonema, o saca-rolha, o plasma, o estigma.
- Flexionando-se o substantivo masculino: filho, filha / mestre,
mestra / leão, leoa;

Didatismo e Conhecimento 40
LÍNGUA PORTUGUESA
São geralmente masculinos os substantivos de origem grega A tendência é utilizar a forma em ÕES.
terminados em – ma: o dilema, o teorema, o emblema, o trema, o
eczema, o edema, o enfisema, o fonema, o anátema, o tracoma, o - Há substantivos que mudam o timbre da vogal tônica, no
hematoma, o glaucoma, o aneurisma, o telefonema, o estratagema. plural. Chama-se metafonia. Apresentam o “o” tônica fechado no
singular e aberto no plural: caroço (ô), coroços (ó) / imposto (ô),
São femininos: a dinamite, a derme, a hélice, a aluvião, a impostos (ó) / forno (ô), fornos (ó) / miolo (ô), miolos (ó) / poço
análise, a cal, a gênese, a entorse, a faringe, a cólera (doença), (ô), poços (ó) / olho (ô), olhos (ó) / povo (ô), povos (ó) / corvo (ô),
a cataplasma, a pane, a mascote, a libido (desejo sexual), a rês, corvos (ó). Também são abertos no plural (ó): fogos, ovos, ossos,
a sentinela, a sucuri, a usucapião, a omelete, a hortelã, a fama, a portos, porcos, postos, reforços. Tijolos, destroços.
Xerox, a aguardante. - Há substantivos que mudam de sentido quando usados no
plural: Fez bem a todos (alegria); Houve separação de bens. (patri-
Plural dos Substantivos mônio); Conferiu a féria do dia. (salário); As férias foram maravi-
lhosas. (descanso); Sua honra foi exaltada. (dignidade); Recebeu
Há várias maneiras de se formar o plural dos substantivos: honras na solenidade. (homenagens); Outros: bem = virtude, be-
Acrescentam-se: nefício / bens = valores / costa = litoral / costas = dorso / féria =
renda diária / férias = descanso / vencimento = fim / vencimento =
- S – aos substantivos terminados em vogal ou ditongo: povo, salário / letra = símbolo gráfico / letras = literatura.
povos / feira, feiras / série, séries. - Muitos substantivos conservam no plural o “o” fechado:
- S – aos substantivos terminados em N: líquen, líquens / ab- acordos, adornos, almoços, bodas, bojos, bolos, cocos, confortos,
dômen, abdomens / hífen, hífens. Também: líquenes, abdômenes, dorsos, encontros, esposos, estojos, forros, globos, gostos, moços,
hífenes. molhos, pilotos, piolhos, rolos, rostos, sopros, sogros, subornos.
- ES – aos substantivos terminados em R, S, Z: cartaz, carta- - Substantivos empregados somente no plural: Arredores,
zes / motor, motores / mês, meses. Alguns terminados em R mu- belas-artes, bodas (ô), condolências, cócegas, costas, exéquias, fé-
dam sua sílaba tônica, no plural: júnior, juniores / caráter, caracte- rias, olheiras, fezes, núpcias, óculos, parabéns, pêsames, viveres,
res / sênior, seniores.
idos, afazeres, algemas.
- IS – aos substantivos terminados em al, el, ol, ul: jornal,
- A forma singular das palavras ciúme e saudade são também
jornais / sol, sóis / túnel, túneis / mel, meles, méis. Exceções: mal,
usadas no plural, embora a forma singular seja preferencial, já que
males / cônsul, cônsules / real, réis (antiga moeda portuguesa).
a maioria dos substantivos abstratos não se pluralizam. Aceita-se
- ÃO – aos substantivos terminados em ão, acrescenta S: cida-
os ciúmes, nunca o ciúmes.
dão, cidadãos / irmão, irmãos / mão, mãos.
“Quando você me deixou,
Trocam-se:
meu bem,
- ão por ões: botão, botões / limão, limões / portão, portões / me disse pra eu ser feliz
mamão, mamões. e passar bem
- ão por ãe: pão, pães / charlatão, charlatães / alemão, alemães Quis morrer de ciúme,
/ cão, cães. quase enloqueci
- il por is (oxítonas): funil, funis / fuzil, fuzis / canil, canis / mas depois, como era
pernil, pernis, e por EIS (Paroxítonas): fóssil, fósseis / réptil, rép- de costume, obedeci” (gravado por Maria Bethânia)
teis / projétil, projéteis.
- m por ns: nuvem, nuvens / som, sons / vintém, vinténs / “Às vezes passo dias inteiros
atum, atuns. imaginando e pensando em você
- zito, zinho - 1º coloca-se o substantivo no plural: balão, ba- e eu fico com tanta saudade
lões; 2º elimina-se o S + zinhos. que até parece que eu posso morrer.
Balão – balões – balões + zinhos: balõezinhos; Pode creditar em mim.
Papel – papéis – papel + zinhos: papeizinhos; Você me olha, eu digo sim...” (Fernanda Abreu)
Cão – cães - cãe + zitos: Cãezitos.
- alguns substantivos terminados em X são invariáveis (valor Atenção: avô – avôs (o avô materno e o avô paterno; avôs,
fonético = cs): os tórax, os tórax / o ônix, os ônix / a fênix, as fênix fechado) avó - avós (o avô e a avó). Termos no singular com valor
/ uma Xerox, duas Xerox / um fax, dois fax. de plural: Muito negro ainda sofre com o preconceito social. / Tem
- Outros (fora de uso) têm o mesmo plural que suas variantes morrido muito pobre de fome.
em ice (ainda em vigor): apêndix ou apêndice, apêndices / cálix
o ucálice, cálices (x, som de s) / látex, látice ou láteces / códex Plural dos Substantivos Compostos
ou códice, códices / córtex ou córtice, córtices / índex ou índice,
índices (x, som de cs). Não é muito fácil a formação do plural dos substantivos com-
- substantivos terminados em ÃO com mais de uma forma postos.
no plural: aldeão, aldeões, aldeãos; verão, verões, verãos; anão,
anões, anãos; guardião, guardiões, guardiães; corrimão, corri- Somente o segundo (ou último) elemento vai para o plural:
mãos, corrimões; hortelão, hortelões, hortelãos; ancião, anciões, - Palavra unida sem hífen: pontapé = pontapés / girassol =
anciães, anciãos; ermitão, ermitões, ermitães, ermitãos. girassóis / autopeça = autopeças.

Didatismo e Conhecimento 41
LÍNGUA PORTUGUESA
- verbo + substantivo: saca-rolha = saca-rolhas / arranha-céu Numerais substantivos terminados em s ou z não variam no
= arranha-céus / bate-bola = bate-bolas / guarda-roupa = guarda- plural. Este semestre tirei alguns seis e apenas um dez.
-roupas / guarda-sol = guarda-sóis / vale-refeição = vale-refeições.
- elemento invariável + palavra variável: sempre-viva = sem- Plural dos nomes próprios personalizados: os Almeidas / os
pre-vivas / abaixo-assinado = abaixo-assinados / recém-nascido = Oliveiras / os Picassos / os Mozarts / os Kennedys / os Silvas.
recém-nascidos / ex-marido = ex-maridos / autoescola = autoes-
colas. Plural das siglas, acrescenta-se um s minúsculo: CDs /
- palavras repetidas: o reco-reco = os reco-recos / o tico-tico DVDs / ONGs / PMs / Ufirs.
= os tico-ticos / o corre-corre = os corre-corres.
- substantivo composto de três ou mais elementos não ligados
Grau do Substantivo
por preposição: o bem-me-quer = os bem-me-queres / o bem-te-vi
= os bem-te-vis / o sem-terra = os sem-terra / o fora-da-lei = os
fora-da-lei / o João-ninguém = os joões-ninguém / o ponto e vír- Os substantivos podem ser modificados a fim de exprimir
gula = os ponto e vírgula / o bumba-meu-boi = os bumba-meu-boi. intensidade, exagero ou diminuição. A essas modificações é que
- quando o primeiro elemento for: grão, grã (grande), bel: damos o nome de grau do substantivo. São dois os graus dos subs-
grão-duque = grão-duques / grã-cruz = grã-cruzes / bel-prazer = tantivos: aumentativo e diminutivo.
bel-prazeres. Os graus aumentativos e diminutivos são formados por dois
processos:
Somente o primeiro elemento vai para o plural: - Sintético: com o acréscimo de um sufixo aumentativo ou di-
- substantivo + preposição + substantivo: água de colônia = minutivo: peixe – peixão (aumentativo sintético); peixe-peixinho
águas-de-colônia / mula-sem-cabeça = mulas-sem-cabeça / pão- (diminutivo sintético); sufixo inho ou isinho.
-de-ló = pães-de-ló / sinal-da-cruz = sinais-da-cruz. - Analítico: formado com palavras de aumento: grande, enor-
- quando o segundo elemento limita o primeiro ou dá ideia de me, imensa, gigantesca: obra imensa / lucro enorme / carro grande
tipo, finalidade: samba-enredo = sambas-enredos / pombo-correio / prédio gigantesco; e formado com as palavras de diminuição: di-
= pombos-correio / salário-família = salários-família / banana- minuto, pequeno, minúscula, casa pequena, peça minúscula / saia
-maçã = bananas-maçã / vale-refeição = vales-refeição (vale = ter diminuta.
valor de, substantivo+especificador)
- Sem falar em aumentativo e diminutivo alguns substantivos
A tendência na língua portuguesa atual é pluralizar os dois
elementos: bananas-maçãs / couves-flores / peixes-bois / saias- exprimem também desprezo, crítica, indiferença em relação a cer-
-balões. tas pessoas e objetos: gentalha, mulherengo, narigão, gentinha,
coisinha, povinho, livreco.
Os dois elementos ficam invariáveis quando houver: - Já alguns diminutivos dão ideia de afetividade: filhinho, To-
- verbo + advérbio: o ganha-pouco = os ganha-pouco / o cola- ninho, mãezinha.
-tudo = os cola-tudo / o bota-fora = os bota-fora - Em consequência do dinamismo da língua, alguns substanti-
- os compostos de verbos de sentido oposto: o entra-e-sai = vos no grau diminutivo e aumentativo adquiriram um significado
os entra-e-sai / o leva-e-traz = os leva-e-traz / o vai-e-volta = os novo: portão, cartão, fogão, cartilha, folhinha (calendário).
vai-e-volta. - As palavras proparoxítonas e as palavras terminadas em
sílabas nasal, ditongo, hiato ou vogal tônica recebem o sufixo
Os dois elementos, vão para o plural: zinho(a): lâmpada (proparoxítona) = lampadazinha; irmão (sílaba
- substantivo + substantivo: decreto-lei = decretos-leis / nasal) = irmãozinho; herói (ditongo) = heroizinho; baú (hiato) =
abelha-mestra = abelhas-mestras / tia-avó = tias-avós / tenente- bauzinho; café (voga tônica) = cafezinho.
-coronel = tenentes-coronéis / redator-chefe = redatores-chefes. - As palavras terminadas em s ou z, ou em uma dessas con-
Coloque entre dois elementos a conjunção e, observe se é possível soantes seguidas de vogal recebem o sufixo inho: país = paisinho;
a pessoa ser o redator e chefe ao mesmo tempo / cirurgião e dentis- rapaz = rapazinho; rosa = rosinha; beleza = belezinha.
ta / tia e avó / decreto e lei / abelha e mestra.
- Há ainda aumentativos e diminutivos formados por prefixa-
- substantivo + adjetivo: amor-perfeito = amores-perfeitos /
ção: minissaia, maxissaia, supermercado, minicalculadora.
capitão-mor = capitães-mores / carro-forte = carros-fortes / obra-
-prima = obras-primas / cachorro-quente = cachorros-quentes.
- adjetivo + substantivo: boa-vida = boas-vidas / curta-metra- Substantivo caracterizador de adjetivo: os adjetivos referen-
gem = curtas-metragens / má-língua = más-línguas / tes a cores podem ser modificados por um substantivo: verde pisci-
- numeral ordinal + substantivo: segunda-feira = segundas- na, azul petróleo, amarelo ouro, roxo batata, verde garrafa.
-feiras / quinta-feira = quintas-feiras.
Exercícios
Composto com a palavra guarda só vai para o plural se for
pessoa: guarda-noturno = guardas-noturnos / guarda-florestal = 01. Numa das seguintes frases, há uma flexão de plural grafa-
guardas-florestais / guarda-civil = guardas-civis / guarda-marinha da erradamente:
= guardas-marinha. a) os escrivães serão beneficiados por esta lei.
Plural das palavras de outras classes gramaticais usadas b) o número mais importante é o dos anõezinhos.
como substantivo (substantivadas), são flexionadas como subs- c) faltam os hífens nesta relação de palavras.
tantivos: Gritavam vivas e morras; Fiz a prova dos noves; Pesei d) Fulano e Beltrano são dois grandes caráteres.
bem os prós e contras. e) os répteis são animais ovíparos.

Didatismo e Conhecimento 42
LÍNGUA PORTUGUESA
02. Assinale o par de vocábulos que fazem o plural da mesma 08. Aponte a sequência de substantivos que, sendo original-
forma que “balão” e “caneta-tinteiro”: mente diminutivos ou aumentativos, perderam essa acepção e se
a) vulcão, abaixo-assinado; constituem em formas normais, independentes do termo derivante:
b) irmão, salário-família; a) pratinho – papelinho – livreco – barraca;
c) questão, manga-rosa; b) tampinha – cigarrilha – estantezinha – elefantão;
d) bênção, papel-moeda; c) cartão – flautim – lingüeta – cavalete;
e) razão, guarda-chuva. d) chapelão – bocarra – cidrinho – portão;
e) palhacinho – narigão – beiçola – boquinha.
03. Assinale a alternativa em que está correta a formação do
plural: 09. Dados os substantivos “caroço”, “imposto”, “coco” e
a) cadáver – cadáveis; “ovo”, conclui-se que, indo para o plural a vogal tônica soará aber-
b) gavião – gaviães; ta em:
c) fuzil – fuzíveis; a) apenas na palavra nº 1;
d) mal – maus; b) apenas na palavra nº 2;
e) atlas – os atlas. c) apenas na palavra nº 3;
d) em todas as palavras;
04. Indique a alternativa em que todos os substantivos são e) N.D.A.
abstratos:
a) tempo – angústia – saudade – ausência – esperança– imagem; 10. Marque a alternativa que apresenta os femininos de “Mon-
b) angústia – sorriso – luz – ausência – esperança –inimizade; ge”, “Duque”, “Papa” e “Profeta”:
c) inimigo – luz – esperança – espaço – tempo; a) monja – duqueza – papisa – profetisa;
b) freira – duqueza – papiza – profetisa;
d) angústia – saudade – ausência – esperança – inimizade;
c) freira – duquesa – papisa – profetisa;
e) espaço – olhos – luz – lábios – ausência – esperança.
d) monja – duquesa – papiza – profetiza;
e) monja – duquesa – papisa – profetisa.
05. Assinale a alternativa em que todos os substantivos são
masculinos:
Respostas: 01-D / 02-C / 03-E / 04-D / 05-C / 06-E / 07-D /
a) enigma – idioma – cal;
08-C / 09-E / 10-E /
b) pianista – presidente – planta;
c) champanha – dó(pena) – telefonema; Adjetivo
d) estudante – cal – alface;
e) edema – diabete – alface. Não digas: “o mundo é belo.”
Quando foi que viste o mundo?
06. Sabendo-se que há substantivos que no masculino têm Não digas: “o amor é triste.”
um significado; e no feminino têm outro, diferente. Marque a al- Que é que tu conheces do amor?
ternativa em que há um substantivo que não corresponde ao seu Não digas: “a vida é rápida.”
significado: Com foi que mediste a vida?
a) O capital = dinheiro; (Cecília Meireles)
A capital = cidade principal;
Os adjetivos belo, triste e rápida expressa uma qualidade dos
b) O grama = unidade de medida; sujeitos: o mundo, o amor, a vida.
A grama = vegetação rasteira; Adjetivo é a palavra variável em gênero, número e grau que
modifica um substantivo, atribuindo-lhe uma qualidade, estado, ou
c) O rádio = aparelho transmissor; modo de ser: laranjeira florida; céu azul; mau tempo; cavalo baio;
A rádio = estação geradora; comida saudável; político honesto; professor competente; funcio-
nário consciente; pais responsáveis. Os adjetivos classificam-se em:
d) O cabeça = o chefe;
A cabeça = parte do corpo; - simples: apresentam um único radical, uma única palavra em
sua estrutura: alegre, medroso, simpático, covarde, jovem, exube-
e) A cura = o médico. rante, teimoso;
O cura = ato de curar. - compostos: apresentam mais de um radical, mais de duas
palavras em sua estrutura: estrelas azul-claras; sapatos marrom-
07. Marque a alternativa em que haja somente substantivos -escuros; garoto surdo-mudo;
sobrecomuns: - primitivos: são os que vieram primeiro; dão origem a outras
a) pianista – estudante – criança; palavras: atual, livre, triste, amarelo, brando, amável, confortável.
b) dentista – borboleta – comentarista; - derivados: são aqueles formados por derivação, vieram de-
c) crocodilo – sabiá – testemunha; pois dos primitivos: amarelado, ilegal, infeliz, desconfortável, en-
d) vítima – cadáver – testemunha; tristecido, atualizado.
e) criança – desportista – cônjuge. - pátrios: indicam procedência ou nacionalidade, referem-se a
cidades, estados, países.

Didatismo e Conhecimento 43
LÍNGUA PORTUGUESA
Locução Adjetiva: é a expressão que tem o mesmo valor de Os adjetivos compostos recebem a flexão feminina apenas
um adjetivo. A locução adjetiva é formada por preposição + um no segundo elemento: sociedade luso-brasileira / festa cívico-re-
substantivo. Vejamos algumas locuções adjetivas: angelical = de ligiosa / saia verde-escura. Vejamos alguns adjetivos biformes que
anjo; abdominal = de abdômen; apícola = de abelha; aquilino = de apresentam uma flexão especial: ateu – ateia / europeu – europeia
águia; argente = de prata; áureo = de ouro; auricular = da orelha; / glutão – glutona / hebreu – hebreia / Judeu – judia / mau – má /
bucal = da boca; bélico = de guerra; cervical = do pescoço; cutâ- plebeu – plebeia / são – sã / vão – vã.
neo = de pele; discente = de aluno; docente = de professor; estelar
= de estrela; etário = de idade; fabril = de fábrica; filatélico = de
selos; urbano = da cidade; gástrica = do estômago; hepático = do Atenção:
fígado; matutino = da manhã; vespertino = da tarde; inodoro = - às vezes, os adjetivos são empregados como substantivos u
sem cheiro; insípido = sem gosto; pluvial = da chuva; humano = como advérbios: Agia como um ingênuo. (adjetivo como substan-
do homem; umbilical = do umbigo; têxtil = de tecido. tivo: acompanha um artigo).
Algumas locuções adjetivas não possuem adjetivos corres- - A cerveja que desce redondo. (adjetivo como advérbio: re-
pondentes: lata de lixo, sacola de papel, parede de tijolo, folha de dondamente).
papel, e outros. - substantivos que funcionam como adjetivos, num processo
de derivação imprópria, isto é, palavra que tem o valor de outra
Cidade, Estado, País e Adjetivo Pátrio: Amapá: amapen- classe gramatical, que não seja a sua: Alguns brasileiros recebem
se; Amazonas: amazonense ou baré; Anápolis: anapolino; Angra um salário-família. (substantivo com valor de adjetivo).
dos Reis: angrense; Aracajú: aracajuano ou aracajuense; Bahia: - substituto do adjetivo: palavras / expressões de outra classe
baiano; Bélgica: belga; Belo Horizonte: belo-horizontino; Bra- gramatical podem caracterizar o substantivo, ficando a ele subor-
sil: brasileiro; Brasília: brasiliense; Buenos Aires: buenairense ou
dinadas na frase.
portenho; Cairo: cairota; Cabo Frio: cabo-friense; Campo Grande:
campo-grandese; Ceará: cearense; Curitiba: curitibano; Distrito Semântica e sintaticamente falando, valem por adjetivos.
Federal: candango ou brasiliense; Espírito Santo: espírito-santense Vale associar ao substantivo principal outro substantivo em
ou capixaba; Estados Unidos: estadunidense ou norte americano; forma de aposto.
Florianópolis: florianopolitano; Florença: florentino; Fortaleza: O rio Tietê atravessa o estado de São Paulo.
fortalezense; Goiânia: goianiense; Goiás: goiano; Japão: japonês
ou nipônico; João Pessoa: pessoense; Londres: londrino; Maceió: Plural do Adjetivo: o plural dos adjetivos simples flexionam
maceioense; Manaus: manauense ou manauara; Maranhão: mara- de acordo com o substantivo a que se referem: menino chorão =
nhense; Mato Grosso: mato-grossense; Mato Grosso do Sul: ma- meninos chorões / garota sensível = garotas sensíveis / vitamina
to-grossense-do-sul; Minas Gerais: mineiro; Natal: natalense ou eficaz = vitaminas eficazes / exemplo útil = exemplos úteis.
papa-jerimum; Nova Iorque: nova-iorquino; Niterói: niteroiense;
Novo Hamburgo: hamburguense; Palmas: palmense; Pará: paraen- - quando os dois elementos formadores são adjetivos, só o
se; Paraíba: paraibano; Paraná: paranaense; Pernambuco: pernam-
segundo vai para o plural: questões político-partidárias, olhos
bucano; Petrópolis: petropolitano; Piauí: piauiense; Porto Alegre:
porto-alegrense; Porto Velho: porto-velhense; Recife: recifense; castanho-claros, senadores democrata-cristãos com exceção de:
Rio Branco: rio-branquense; Rio de Janeiro: carioca/ fluminense surdo-mudo = surdos-mudos, variam os dois elementos.
(estado); Rio Grande do Norte: rio-grandense-do-norte ou po- - Composto formado de adjetivo + substantivo referindo-se
tiguar; Rio Grande do Sul: rio-grandense ou gaúcho; Rondônia: a cores, o adjetivo cor e o substantivo permanecem invariáveis,
rondoniano; Roraima: roraimense; Salvador: soteropolitano; Santa não vão para o plural: terno azul-petróleo = ternos azul-petróleo
Catarina: catarinense ou barriga-verde; São Paulo: paulista/pau- (adjetivo azul, substantivo petróleo); saia amarelo-canário = saias
listano (cidade); São Luís: são-luisense ou ludovicense; Sergipe: amarelo-canário (adjetivo, amarelo; substantivo canário).
sergipano; Teresina: teresinense; Tocantins: tocantinense; Três Co- - As locuções adjetivas formadas de cor + de + substantivo,
rações: tricordiano; Três Rios: trirriense; Vitória: vitoriano. ficam invariáveis: papel cor-de-rosa = papéis cor-de-rosa / olho
cor-de-mel = olhos cor-de-mel.
- pode-se utilizar os adjetivos pátrios compostos, como: - São invariáveis os adjetivos raios ultravioleta / alegrias sem-
afro-brasileiro; Anglo-americano, franco-italiano, sino-japonês -par, piadas sem-sal.
(China e Japão); Américo-francês; luso-brasileira; nipo-argentina
(Japão e Argentina); teuto-argentinos (alemão).
- “O professor fez uma simples observação”. O adjetivo, sim- Grau do Adjetivo
ples, colocado antes do substantivo observação, equivale à banal.
- “O professor fez uma observação simples”. O adjetivo sim- Grau comparativo de: igualdade, superioridade (Analítico e
ples colocado depois do substantivo observação, equivale à fácil. Sintético) e Inferioridade;
Grau superlativo: absoluto (analítico e sintético) ou relativo
Flexões do Adjetivo: O adjetivo, como palavra variável, sofre (superioridade e inferioridade).
flexões de: gênero, número e grau. O grau do adjetivo exprime a intensidade das qualidades dos
Gênero do Adjetivo: Quanto ao gênero os adjetivos classifi- seres. O adjetivo apresenta duas variações de grau: comparativo
cam-se em: e superlativo.
- uniformes: têm forma única para o masculino e o feminino. O grau comparativo é usado para comparar uma qualidade
Funcionário incompetente = funcionária incompetente; Homens entre dois ou mais seres, ou duas ou mais qualidades de um mesmo
desonestos = mulheres desonestas
ser. O comparativo pode ser:
- biformes: troca-se a vogal o pela vogal a ou com o acréscimo
da vogal a no final da palavra: ator famoso = atriz famosa / jogador - de igualdade: iguala duas coisas ou duas pessoas: Sou tão
brasileiro = jogador brasileira. alto quão / quanto / como você. (as duas pessoas têm a mesma
altura)

Didatismo e Conhecimento 44
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- de superioridade: iguala duas pessoas / coisas sendo que - adjetivos repetidos: fofinho, fofinho (=fofíssimo) / linda,
uma é mais do que a outra: Minha amiga Many é mais elevante do linda (=lindíssima).
que / que eu. (das duas, a Many é mais) - diminutivo ou aumentativo: cheinha / pequenininha / gran-
O grau comparativo de superioridade possui duas formas: dalhão / gostosão / bonitão.
Analítica: mais bom / mais mau / mais grande / mais pequeno: - linguagem informa, sufixo érrimo, em fez de íssimo: chi-
O salário é mais pequeno do que / que justo (salário pequeno e quérrimo, chiquentérrimo, elegantérrimo.
justo). Quando comparamos duas qualidades de um mesmo ser,
podemos usar as formas: mais grande, mais mau, mais bom,mais - Superlativo Relativo: ressalta a qualidade de um ser entre
pequeno. muitos, com a mesma qualidade. Pode ser:
Superlativo Relativo de Superioridade: Wilma é a mais pren-
Sintética: bom, melhor / mau, pior / grande, maior / pequeno,
dada de todas as suas amigas. (ela é a mais de todas)
menor: Esta sala é melhor do que / que aquela. Superlativo Relativo de Inferioridade: Paulo César é o menos
- de inferioridade: um elemento é menor do que outro: Somos tímido dos filhos.
menos passivos do que / que tolerantes.
Emprego Adverbial do Adjetivo
O grau superlativo: a característica do adjetivo se apresenta
intensificada: O superlativo pode ser absoluto ou relativo. O menino dorme tranquilo. / As meninas dormem tranquilas.
- Superlativo Absoluto: atribuída a um só ser; de forma abso- Em ambas as frases o adjetivo concorda em gênero e número com
luta. Pode ser: o sujeito.
Analítico: advérbio de intensidade muito, intensamente, bas- O menino dorme tranquilamente. / As meninas dormem tran-
tante, extremamente, excepcionalmente + adjetivo: Nicola é extre- quilamente. O adjetivo assume um valor adverbial, com o acrés-
mamente simpático. cimo do sufixo mente, sendo, portanto, invariável, não vai para o
Sintético: adjetivo + issimo, imo, ílimo, érrimo: Minha coma- plural.
dre Mariinha é agradabilíssima. Sorriu amarelo e saiu. / Ficou meio chateada e calou-se. O
adjetivo amarelo modificou um verbo, portanto, assume a função
- o sufixo -érrimo é restrito aos adjetivos latinos terminados de advérbio; o adjetivo meio + chateada (adjetivo) assume, tam-
em r; pauper (pobre) = paupérrimo; macer (magro) = macérrimo; bém, a função de advérbio.
- forma popular: radical do adjetivo português + íssimo: po-
Exercícios
bríssimo;
- adjetivos terminados em vel + bilíssimo: amável = amabi- 01. Assinale a alternativa em que o adjetivo que qualifica o
líssimo; substantivo seja explicativo:
- adjetivos terminados em eio formam o superlativo apenas a) dia chuvoso;
com i: feio = feíssimo / cheio = cheíssimo. b) água morna;
- os adjetivos terminados em io forma o superlativo em iís- c) moça bonita;
simo: sério = seriíssimo / necessário = necessariíssimo / frio = d) fogo quente;
friíssimo. e) lua cheia.

Algumas formas do superlativo absoluto sintético erudi- 02. Assinale a alternativa que contém o grupo de adjetivos
to (culto): ágil = agílimo; agradável = agradabilíssimo; agudo = gentílicos, relativos a “Japão”, “Três Corações” e “Moscou”:
acutíssimo; amargo = amaríssimo; amigo = amicíssimo; antigo =
antiquíssimo; áspero = aspérrimo; atroz = atrocíssimo; benévolo = a) Oriental, Tricardíaco, Moscovita;
benevolentíssimo; bom = boníssimo, ótimo; capaz = capacíssimo; b) Nipônico,Tricordiano, Soviético;
célebre = celebérrimo; cruel = crudelíssimo; difícil = deficílimo; c) Japonês, Trêscoraçoense, Moscovita;
doce = dulcíssimo; eficaz = eficacíssimo; fácil = facílimo; feliz = d) Nipônico, Tricordiano, Moscovita;
e) Oriental, Tricardíaco, Soviético.
felicíssimo; fiel = fidelíssimo; frágil = fragílimo; frio = frigidíssi-
mo, friíssimo; geral = generalíssimo; humilde = humílimo; incrí-
03. Ainda sobre os adjetivos gentílicos, diz-se que quem nasce
vel = incredibilíssimo; inimigo = inimicíssimo; jovem = juvenilís- em “Lima”, “Buenos Aires” e “Jerusalém” é:
simo; livre = libérrimo; magnífico = magnificentíssimo; magro = a) Limalho-Portenho-Jerusalense;
macérrimo, magérrimo; mau = péssimo; miserável = miserabilíssi- b) Limenho-Bonaerense-Hierosolimita;
mo; negro = nigérrimo, negríssimo; nobre = nobilíssimo; pessoal = c) Límio-Portenho-Jerusalita
personalíssimo; pobre = paupérrimo, pobríssimo; sábio = sapien- d) Limenho-Bonaerense-Jerusalita;
tíssimo; sagrado = sacratíssimo; simpático = simpaticíssimo; sim- e) Limeiro-Bonaerense-Judeu;
ples = simplícimo; tenro = teneríssimo; terrível = terribilíssimo;
veloz = velocíssimo. 04.No trecho “os jovens estão mais ágeis que seus pais”, te-
mos:
Usa-se também, no superlativo: a) um superlativo relativo de superioridade;
- prefixos: maxinflação / hipermercado / ultrassonografia / b) um comparativo de superioridade;
supersimpática. c) um superlativo absoluto;
- expressões: suja à beça / pra lá de sério / duro que nem d) um comparativo de igualdade.
sola / podre de rico / linda de morrer / magro de dar pena. e) um superlativo analítico de ágil.

Didatismo e Conhecimento 45
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05. Relacione a 1ª coluna à 2ª: Numeral
1 - água de chuva ( ) Fluvial
2 - olho de gato ( ) Angelical Os numerais exprimem quantidade, posição em uma série,
3 - água de rio ( ) Felino multiplicação e divisão. Daí a sua classificação, respectivamente,
4 - Cara-de-anjo ( ) Pluvial em: cardinais, ordinais, multiplicativos e fracionários.
- Cardinal: indica número, quantidade: um, dois, três, oito,
Assim temos: vinte, cem, mil;
a) 1 – 4 – 2 – 3; - Ordinal: indica ordem ou posição: primeiro, segundo, tercei-
b) 3 – 2 – 1 – 4; ro, sétimo, centésimo;
c) 3 – 1 – 2 – 4; - Fracionário: indica uma fração ou divisão: meio, terço,
d) 3 – 4 – 2 – 1; quarto, quinto, um doze avos;
e) 4 – 3 – 1 – 2. - Multiplicativo: indica a multiplicação de um número: duplo,
dobro, triplo, quíntuplo.
06. Nas orações “Esse livro é melhor que aquele” e “Este livro
é mais lindo que aquele”, Há os graus comparativos:
Os numerais que indicam conjunto de elementos de quan-
a) de superioridade, respectivamente sintético e analítico;
tidade exata são os coletivos: bimestre: período de dois meses;
b) de superioridade, ambos analíticos;
c) de superioridade, ambos sintéticos; centenário: período de cem anos; decálogo: conjunto de dez leis;
d) relativos; decúria: período de dez anos; dezena: conjunto de dez coisas; dís-
e) superlativos. tico: dois versos; dúzia: conjunto de doze coisas; grosa: conjunto
de doze dúzias; lustro: período de cinco anos; milênio: período de
07. Selecione a alternativa que completa corretamente as la- mil anos; milhar: conjunto de mil coisas; novena: período de nove
cunas da frase apresentada: “Os acidentados foram encaminhados dias; quarentena: período de quarenta dias; quinquênio: período de
a diferentes clínicas ____” . cinco anos; resma: quinhentas folhas de papel; semestre: período
a) médicas-cirúrgicas; de seis meses; septênio: período de sete meses; sexênio: período de
b) médica-cirúrgicas; seis anos; terno: conjunto de três coisas; trezena: período de treze
c) médico-cirúrgicas; dias; triênio: período de três anos; trinca: conjunto de três coisas.
d) médicos-cirúrgicas;
e) médica-cirúrgicos. Algarismos: Arábicos e Romanos, respectivamente: 1-I, 2-II,
3-III, 4-IV, 5-V, 6-VI, 7-VII, 8-VIII, 9-IX, 10-X, 11-XI, 12-XII,
08. Sabe-se que a posição do adjetivo, em relação ao substan- 13-XIII, 14-XIV, 15-XV, 16-XVI, 17-XVII, 18-XVIII, 19-XIX,
tivo, pode ou não mudar o sentido do enunciado. Assim, nas frases 20-XX, 30-XXX, 40-XL, 50-L, 60-LX, 70-LXX, 80-LXXX, 90-
“Ele é um homem pobre” e “Ele é um pobre homem”. XC, 100-C, 200-CC, 300-CCC, 400-CD, 500-D, 600-DC, 700-
a) 1ª fala de um sem recursos materiais; a 2ª fala de um ho- DCC, 800-DCCC, 900-CM, 1.000-M.
mem infeliz;
b) a 1ª fala de um homem infeliz; a 2ª fala de um homem sem Numerais Cardinais: um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete,
recursos materiais; oito, nove, dez, onze, doze, treze, catorze ou quatorze, quinze, de-
c) em ambos os casos, o homem é apenas infeliz, sem fazer zesseis, dezessete, dezoito, dezenove, vinte..., trinta..., quarenta...,
referência a questões materiais; cinquenta..., sessenta..., setenta..., oitenta..., noventa..., cem..., du-
d) em ambos os casos o homem é apenas desprovido de re- zentos..., trezentos..., quatrocentos..., quinhentos..., seiscentos...,
cursos;
setecentos..., oitocentos..., novecentos..., mil.
e) o homem é infeliz e desprovido de recursos materiais, em
ambas.

09.O item em que a locução adjetiva não corresponde ao ad- Numerais Ordinais: primeiro, segundo, terceiro, quarto,
jetivo dado é: quinto, sexto, sétimo, oitavo, nono, décimo, décimo primeiro,
a) hibernal - de inverno; décimo segundo, décimo terceiro, décimo quarto, décimo quinto,
b) filatélico - de folhas; décimo sexto, décimo sétimo, décimo oitavo, décimo nono, vigé-
c) discente - de alunos; simo..., trigésimo..., quadragésimo..., quinquagésimo..., sexagési-
d) docente - de professor; mo..., septuagésimo..., octogésimo..., nonagésimo..., centésimo...,
e) onírico - de sonho. ducentésimo..., trecentésimo..., quadringentésimo..., quingentési-
mo..., sexcentésimo..., septingentésimo..., octingentésimo..., non-
10. Assinale a alternativa em que todos os adjetivos têm uma gentésimo..., milésimo.
só forma para os dois gêneros:
a) andaluz, hindu, comum; Numerais Multiplicativos: dobro, triplo, quádruplo, quíntu-
b) europeu, cortês, feliz; plo, sêxtuplo, sétuplo, óctuplo, nônuplo, décuplo, undécuplo, duo-
c) fofo, incolor, cru; décuplo, cêntuplo.
d) superior, agrícola, namorador;
e) exemplar, fácil, simples. Numerais Fracionários: meia, metade, terço, quarto, quinto,
Respostas: 1- D / 2- D / 3- B / 4- B / 5- D / 6- A / 7- C / 8- A sexto, sétimo, oitavo, nono, décimo, onze avos, doze avos, treze
/ 9- B / 10-E avos, catorze avos, quinze avos, dezesseis avos, dezessete avos,

Didatismo e Conhecimento 46
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dezoito avos, dezenove avos, vinte avos..., trinta avos..., quarenta - na enumeração de leis, decretos, artigos, circulares, portarias
avos..., cinquenta avos..., sessenta avos..., setenta avos..., oitenta e outros textos oficiais, emprega-se o numeral ordinal até o nono:
avos..., noventa avos..., centésimo..., ducentésimo..., trecentési- O diretor leu pausadamente a portaria 8ª. (portaria oitava)
mo..., quadringentésimo..., quingentésimo..., sexcentésimo..., sep- - emprega-se o numeral cardinal, a partir de dez: O artigo 16
tingentésimo..., octingentésimo..., nongentésimo..., milésimo. não foi justificado. (artigo dezesseis)
- enumeração de casa, páginas, folhas, textos, apartamentos,
Flexão dos Numerais quartos, poltronas, emprega-se o numeral cardinal: Reservei a pol-
trona vinte e oito. / O texto quatro está na página sessenta e cinco.
Gênero - se o numeral vier antes do substantivo, emprega-se o ordi-
- os numerais cardinais um, dois e as centenas a partir de du- nal. Paulo César é adepto da 7ª Arte. (sétima)
zentos apresentam flexão de gênero: Um menino e uma menina - não se usa o numeral um antes de mil: Mil e duzentos reais
foram os vencedores. / Comprei duzentos gramas de presunto e é muito para mim.
duzentas rosquinhas. - o artigo e o numeral, antes dos substantivos milhão, milhar
- os numerais ordinais variam em gênero: Marcela foi a nona e bilhão, devem concordar no masculino:
colocada no vestibular. - Quando o sujeito da oração é milhões + substantivo feminino
- os numerais multiplicativos, quando usados com o valor de plural, o particípio ou adjetivo podem concordar, no masculino,
substantivos, são variáveis: A minha nota é o triplo da sua. (triplo com milhões, ou com o substantivo, no feminino. Dois milhões de
– valor de substantivo) notas falsas serão resgatados ou serão resgatadas (milhões resgata-
- quando usados com valor de adjetivo, apresentam flexão de dos / notas resgatadas)
gênero: Eu fiz duas apostas triplas na lotofácil. (triplas valor de - os numerais multiplicativos quíntuplo, sêxtuplo, sétuplo e
adjetivo) óctuplo valem como substantivos para designar pessoas nascidas
- os numerais fracionários concordam com os cardinais que do mesmo parto: Os sêxtuplos, nascidos em Lucélia, estão reagin-
indicam o número das partes: Dois terços dos alunos foram con- do bem.
templados. - emprega-se, na escrita das horas, o símbolo de cada unidade
- o fracionário meio concorda em gênero e número com o após o numeral que a indica, sem espaço ou ponto: 10h20min –
substantivo no qual se refere: O início do concurso será meio-dia e dez horas, vinte minutos.
meia. (hora) / Usou apenas meias palavras. - não se emprega a conjunção e entre os milhares e as cente-
nas: mil oitocentos e noventa e seis. Mas 1.200 – mil e duzentos (o
Número número termina numa centena com dois zeros)
- os numerais cardinais milhão, bilhão, trilhão, e outros, va-
riam em número: Venderam um milhão de ingressos para a festa Exercícios
do peão. / Somos 180 milhões de brasileiros.
- os numerais ordinais variam em número: As segundas colo- 01. Marque o emprego incorreto do numeral:
cadas disputarão o campeonato. a) século III (três)
- os numerais multiplicativos são invariáveis quando usados b) página 102 (cento e dois)
com valor de substantivo: Minha dívida é o dobro da sua. (valor de c) 80º (octogésimo)
substantivo – invariável) d) capítulo XI (onze)
- os numerais multiplicativos variam quando usados como ad- e) X tomo (décimo)
jetivos: Fizemos duas apostas triplas. (valor de adjetivo – variável)  
- os numerais fracionários variam em número, concordando Alternativa correta: A
com os cardinais que indicam números das partes. O numeral quando for usado para designar Papas, reis, sécu-
- Um quarto de litro equivale a 250 ml; três quartos equivalem los, capítulos etc, usam-se: Os ordinais de 1 a 10; Os cardinais de
a 750 ml. 11 em diante.
Logo, a letra A está incorreta por está grafado século três,
Grau quando o correto é século terceiro.
Na linguagem coloquial é comum a flexão de grau dos nume-
rais: Já lhe disse isso mil vezes. / Aquele quarentão é um “gato”! / 02. Indique o item em que os numerais estão corretamente
Morri com cincão para a “vaquinha”, lá da escola. empregados:
a) Ao Papa Paulo seis sucedeu João Paulo primeiro.
Emprego dos Numerais b) após o parágrafo nono, virá o parágrafo dez.
c) depois do capítulo sexto, li o capítulo décimo primeiro.
- para designar séculos, reis, papas, capítulos, cantos (na poe- d) antes do artigo décimo vem o artigo nono.
sia épica), empregam-se: os ordinais até décimo: João Paulo II e) o artigo vigésimo segundo foi revogado.
(segundo). Canto X (décimo) / Luís IX (nono); os cardinais para
os demais: Papa Bento XVI (dezesseis); Século XXI (vinte e um). Alternativa correta: B
- se o numeral vier antes do substantivo, usa-se o ordinal. O Está corretamente grafado parágrafo nono e parágrafo dez na
XX século foi de descobertas científicas. (vigésimo século) alternativa B, pois os numerais ordinais são de 1 a 9. De 10 em
- com referência ao primeiro dia do mês, usa-se o numeral diante usamos os cardinais.
ordinal: O pagamento do pessoal será sempre no dia primeiro.

Didatismo e Conhecimento 47
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Pronome -me sentir seu perfume. (Deixe que eu sinta seu perfume me sujei-
to do verbo deixar Mandei-o calar. (= Mandei que ele calasse), o=
É a palavra que acompanha ou substitui o nome, relacionan- sujeito do verbo mandar.
do-o a uma das três pessoas do discurso. As três pessoas do dis- os pronomes pessoais oblíquos nos, vos, e se recebem o nome
curso são: de pronomes recíprocos quando expressam uma ação mútua ou re-
1ª pessoa: eu (singular) nós (plural): aquela que fala ou emissor; cíproca: Nós nos encontramos emocionados. (pronome recíproco,
2ª pessoa: tu (singular) vós (plural): aquela com quem se fala nós mesmos). Nunca diga: Eu se apavorei. / Eu jà se arrumei; Eu
ou receptor; me apavorei. / Eu me arrumei. (certos)
3ª pessoa: ele, ela (singular) eles, elas (plural): aquela de - Os pronomes pessoais retos eu e tu serão substituídos por
quem se fala ou referente. mim e ti após preposição: O segredo ficará somente entre mim e ti.
- É obrigatório o emprego dos pronomes pessoais eu e tu,
Dependendo da função de substituir ou acompanhar o nome, quando funcionarem como Sujeito: Todos pediram para eu rela-
o pronome é, respectivamente: pronome substantivo ou pronome tar os fatos cuidadosamente. (pronome reto + verbo no infinitivo).
adjetivo. Lembre-se de que mim não fala, não escreve, não compra, não
Os pronomes são classificados em: pessoais, de tratamento, anda. Somente o Tarzã e o Capitão Caverna dizem: mim gosta /
possessivos, demonstrativos, indefinidos, interrogativos e relati- mim tem / mim faz. / mim quer.
vos. - As formas oblíquas o, a, os, as são sempre empregadas
como complemento de verbos transitivos diretos ao passo que as
Pronomes Pessoais: Os pronomes pessoais dividem-se em: formas lhe, lhes são empregadas como complementos de verbos
- retos exercem a função de sujeito da oração: eu, tu, ele, nós, transitivos indiretos; Dona Cecília, querida amiga, chamou-a.
vós, eles: (verbo transitivo direto, VTD); Minha saudosa comadre, Nircleia,
- oblíquos exercem a função de complemento do verbo (ob- obedeceu-lhe. (verbo transitivo indireto,VTI)
jeto direto / objeto indireto) ou as, lhes. - Ela não vai conosco. (ela - É comum, na linguagem coloquial, usar o brasileiríssimo a
pronome reto / vai verbo / conosco complemento nominal. São: gente, substituindo o pronome pessoal nós: A gente deve fazer ca-
tônicos com preposição: mim, comigo, ti, contigo,si, consigo, co- ridade com os mais necessitados.
nosco, convosco; átonos sem preposição: me, te, se, o, a, lhe, nos, - Os pronomes pessoais retos ele, eles, ela, elas, nós e vós
vos, os,pronome oblíquo) - Eu dou atenção a ela. (eu pronome reto serão pronomes pessoais oblíquos quando empregados como com-
/ dou verbo / atenção nome / ela pronome oblíquo) plementos de um verbo e vierem precedidos de preposição. O
conserto da televisão foi feito por ele. (ele= pronome oblíquo)
Saiba mais sobre os Pronomes Pessoais - Os pronomes pessoais ele, eles e ela, elas podem se contrair
com as preposições de e em: Não vejo graça nele./ Já frequentei
- Colocados antes do verbo, os pronomes oblíquos da 3ª pes- a casa dela.
soa, apresentam sempre a forma: o, a, os, as: Eu os vi saindo do - Se os pronomes pessoais retos ele, eles, ela, elas estiverem
teatro. funcionando como sujeito, e houver uma preposição antes deles,
- As palavras “só” e “todos” sempre acompanham os prono- não poderá haver uma contração: Está na hora de ela decidir seu
mes pessoais do caso reto: Eu vi só ele ontem. caminho. (ela sujeito de decidir; sempre com verbo no infinitivo)
- Colocados depois do verbo, os pronomes oblíquos da 3ª pes- - Chamam-se pronomes pessoais reflexivos os pronomes pes-
soa apresentam as formas: soais que se referem ao sujeito: Eu me feri com o canivete. (eu 1ª
o, a, os, as: se o verbo terminar em vogal ou ditongo oral: pessoa sujeito / me pronome pessoal reflexivo)
Encontrei-a sozinha. Vejo-os diariamente. - Os pronomes pessoais oblíquos se, si e consigo devem ser
o, a, os, as, precedidos de verbos terminados em: R/S/Z, as- empregados somente como pronomes pessoais reflexivos e funcio-
sumem as formas: lo, Ia, los, las, perdendo, consequentemente, as nam como complementos de um verbo na 3ª pessoa, cujo sujeito
terminações R, S, Z. Preciso pagar ao verdureiro. = pagá-lo; Fiz é também da 3ª pessoa: Nicole levantou-se com elegância e levou
os exercícios a lápis. = Fi-los a lápis. consigo (com ela própria) todos os olhares. (Nicole sujeito, 3ª pes-
lo, la, los, las: se vierem depois de: eis / nos / vos Eis a prova soa/ levantou verbo 3ª pessoa / se complemento 3ª pessoa / levou
do suborno. = Ei-la; O tempo nos dirá. = no-lo dirá. (eis, nos, vos verbo 3ª pessoa / consigo complemento 3ª pessoa)
perdem o S) - O pronome pessoal oblíquo não funciona como reflexivo se
no, na, nos, nas: se o verbo terminar em ditongo nasal: m, ão, não se referir ao sujeito: Ela me protegeu do acidente. (ela sujeito
õe: Deram-na como vencedora; Põe-nos sobre a mesa. 3ª pessoa me complemento 1ª pessoa)
lhe, lhes colocados depois do verbo na 1ª pessoa do plural, - Você é segunda ou terceira pessoa? Na estrutura da fala, você
terminado em S não modificado: Nós entregamoS-lhe a cópia do é a pessoa a quem se fala e, portanto, da 2ª pessoa. Por outro lado,
contrato. (o S permanece) você, como os demais pronomes de tratamento senhor, senhora,
nos: colocado depois do verbo na 1ª pessoa do plural, perde o senhorita, dona, pede o verbo na 3ª pessoa, e não na 2ª.
S: Sentamo-nos à mesa para um café rápido. - Os pronomes oblíquos me, te, lhe, nos, vos, lhes (formas de
me, te, lhe, nos, vos: quando colocado com verbos transitivos objeto indireto, 0I) juntam-se a o, a, os, as (formas de objeto dire-
diretos (TD), têm sentido possessivo, equivalendo a meu, teu, seu, to), assim: me+o: mo/+a: ma/+ os: mos/+as: mas: Recebi a carta
dele, nosso, vosso: Os anos roubaram-lhe a esperança. (sua, dele, e agradeci ao jovem, que me trouxe. nos +o: no-lo / + a: no-la / +
dela possessivo) os: no-los / +as: no-las: Venderíamos a casa, se no-la exigissem.
as formas conosco e convosco são substituídas por: com + te+ o: to/+ a: ta/+ os: tos/+ as: tas: Deite os meus melhores dias.
nós, com + vós. seguidos de: ambos, todos, próprios, mesmos, ou- Dei-tos. lhe+ o: lho/+ a: lha/+ os: lhos/+ as:lhas: Ofereci-lhe flo-
tros, numeral: Mariane garantiu que viajaria com nós três. res. Ofereci-lhes. vos+ o: vo-lo/+ a: vo-la/+ os: vo-los/+ as: vo-las:
o pronome oblíquo funciona como sujeito com os verbos: dei- Pedi-vos conselho. Pedi vo-lo.
xar, fazer, ouvir, mandar, sentir e ver+verbo no infinitivo. Deixe-

Didatismo e Conhecimento 48
LÍNGUA PORTUGUESA
No Brasil, quase não se usam essas combinações (mo, to, lho, - Deve-se observar as correlações entre os pronomes pessoais
no-lo, vo-lo), são usadas somente em escritores mais sofisticados. e possessivos. “Sendo hoje o dia do teu aniversário, apresso-me
em apresentar-te os meus sinceros parabéns; Peço a Deus pela tua
Pronomes de Tratamento: São usados no trato com as pes- felicidade; Abraça-te o teu amigo que te preza.”
soas. Dependendo da pessoa a quem nos dirigimos, do seu car- - Não se emprega o pronome possessivo (seu, sua) quando se
go, idade, título, o tratamento será familiar ou cerimonioso: Vossa trata de parte do corpo. Veja: “Um cavaleiro todo vestido de ne-
Alteza-V.A.-príncipes, duques; Vossa Eminência-V.Ema-cardeais; gro, com um falcão em seu ombro esquerdo e uma espada em sua,
Vossa Excelência-V.Ex.a-altas autoridades, presidente, oficiais; mão”. (usa-se: no ombro; na mão)
Vossa Magnificência-V.Mag.a-reitores de universidades; Vossa
Majestade-V.M.-reis, imperadores; Vossa Santidade-V.S.-Papa; Pronomes Demonstrativos: Indicam a posição dos seres de-
Vossa Senhoria-V.Sa-tratamento cerimonioso. signados em relação às pessoas do discurso, situando-os no espaço
ou no tempo. Apresentam-se em formas variáveis e invariáveis.
- São também pronomes de tratamento: o senhor, a senhora, a
- Em relação ao espaço:
senhorita, dona, você.
Este (s), esta (s), isto: indicam o ser ou objeto que está próxi-
- Doutor não é forma de tratamento, e sim título acadêmico.
mo da pessoa que fala.
Nas comunicações oficiais devem ser utilizados somente dois fe- Esse (s), essa (s), isso: indicam o ser ou objeto que está próxi-
chos: mo da pessoa,com quem se fala, que ouve (2ª pessoa)
- Respeitosamente: para autoridades superiores, inclusive para Aquele (s), aquela (s), aquilo: indicam o ser ou objeto que está
o presidente da República. longe de quem fala e da pessoa de quem se fala (3ª pessoa)
- Atenciosamente: para autoridades de mesma hierarquia ou
de hierarquia inferior. - Em relação ao tempo:
- A forma Vossa (Senhoria, Excelência) é empregada quando Este (s), esta (s), isto: indicam o tempo presente em relação ao
se fala com a própria pessoa: Vossa Senhoria não compareceu à momento em que se fala. Este mês termina o prazo das inscrições
reunião dos sem-terra? (falando com a pessoa) para o vestibular da FAL.
- A forma Sua (Senhoria, Excelência ) é empregada quando Esse (s), essa (s), isso: indicam o tempo passado há pouco ou
se fala sobre a pessoa: Sua Eminência, o cardeal, viajou para um o futuro em relação ao momento em se fala. Onde você esteve essa
Congresso. (falando a respeito do cardeal) semana toda?
- Os pronomes de tratamento com a forma Vossa (Senhoria, Aquele (s), aquela (s), aquilo: indicam um tempo distante em
Excelência, Eminência, Majestade), embora indiquem a 2ª pessoa relação ao momento em que se fala. Bons tempos aqueles em que
(com quem se fala), exigem que outros pronomes e o verbo sejam brincávamos descalços na rua...
usados na 3ª pessoa. Vossa Excelência sabe que seus ministros o
apoiarão. - dependendo do contexto, também são considerados prono-
mes demonstrativos o, a, os, as, mesmo, próprio, semelhante, tal,
Pronomes Possessivos: São os pronomes que indicam posse equivalendo a aquele, aquela, aquilo. O próprio homem destrói a
em relação às pessoas da fala. natureza; Depois de muito procurar, achei o que queria; O profes-
Singular: 1ª pessoa: meu, meus, minha, minhas; 2ª pessoa: sor fez a mesma observação; Estranhei semelhante coincidência;
teu, teus, tua, tuas; 3ª pessoa: seu, seus, sua, suas; Tal atitude é inexplicável.
Plural: 1ª pessoa: nosso/os nossa/as, 2ª pessoa: vosso/os vos- - para retomar elementos já enunciados, usamos aquele (e va-
riações) para o elemento que foi referido em 1º lugar e este (e
sa/as. 3ª pessoa: seu, seus, sua, suas.
variações) para o que foi referido em último lugar. Pais e mães vie-
ram à festa de encerramento; aqueles, sérios e orgulhosos, estas,
Emprego dos Pronomes Possessivos
elegantes e risonhas.
- dependendo do contexto os demonstrativos também servem
- O uso do pronome possessivo da 3ª pessoa pode provocar, como palavras de função intensificadora ou depreciativa. Júlia fez
às vezes, a ambiguidade da frase. João Luís disse que Laurinha o exercício com aquela calma! (=expressão intensificadora). Não
estava trabalhando em seu consultório. se preocupe; aquilo é uma tranqueira! (=expressão depreciativa)
- O pronome seu toma o sentido ambíguo, pois pode referir se - as formas nisso e nisto podem ser usadas com valor de então
tanto ao consultório de João Luís como ao de Laurinha. No caso, ou nesse momento. A festa estava desanimada; nisso, a orquestra
usa-se o pronome dele, dela para desfazer a ambiguidade. atacou um samba é todos caíram na dança.
- Os possessivos, às vezes, podem indicar aproximações nu- - os demonstrativos esse, essa, são usados para destacar um
méricas e não posse: Cláudia e Haroldo devem ter seus trinta anos. elemento anteriormente expresso. Ninguém ligou para o incidente,
- Na linguagem popular, o tratamento seu como em: Seu Ri- mas os pais, esses resolveram tirar tudo a limpo.
cardo, pode entrar!, não tem valor possessivo, pois é uma alteração
fonética da palavra senhor Pronomes Indefinidos: São aqueles que se referem à 3ª pes-
- Os pronomes possessivos podem ser substantivados: Dê soa do discurso de modo vago indefinido, impreciso: Alguém disse
lembranças a todos os seus. que Paulo César seria o vencedor. Alguns desses pronomes são
- Referindo-se a mais de um substantivo, o possessivo concor- variáveis em gênero e número; outros são invariáveis.
da com o mais próximo: Trouxe-me seus livros e anotações. Variáveis: algum, nenhum, todo, outro, muito, pouco, certo,
- Usam-se elegantemente certos pronomes oblíquos: me, te, vários, tanto, quanto, um, bastante, qualquer.
lhe, nos, vos, com o valor de possessivos. Vou seguir-lhe os passos. Invariáveis: alguém, ninguém, tudo, outrem, algo, quem,
(os seus passos) nada, cada, mais, menos, demais.

Didatismo e Conhecimento 49
LÍNGUA PORTUGUESA
Emprego dos Pronomes Indefinidos - O pronome relativo pode vir sem antecedente claro, explí-
cito; é classificado, portanto, como relativo indefinido, e não vem
Não sei de pessoa alguma capaz de convencê-lo. (alguma, precedido de preposição: Quem casa quer casa; Feliz o homem
equivale a nenhum) cujo objetivo é a honestidade; Estas são as pessoas de cujos no-
- Em frases de sentido negativo, nenhum (e variações) equi- mes nunca vou me esquecer.
vale ao pronome indefinido um: Fiquei sabendo que ele não é ne- - Só se usa o relativo cujo quando o consequente é diferente
nhum ignorante. do antecedente: O escritor cujo livro te falei é paulista.
- O indefinido cada deve sempre vir acompanhado de um - O pronome cujo não admite artigo nem antes nem depois
substantivo ou numeral, nunca sozinho: Ganharam cem dólares de si.
cada um. (inadequado: Ganharam cem dólares cada.) - O relativo onde é usado para indicar lugar e equivale a: em
- Colocados depois do substantivo, os pronomes algum/algu- que, no qual: Desconheço o lugar onde vende tudo mais barato. (=
ma ganham sentido negativo. Este ano, funcionário público algum lugar em que)
terá aumento digno.
- Quanto, quantos e quantas são relativos quando usados de-
- Colocados antes do substantivo, os pronomes algum/algu-
pois de tudo, todos, tanto: Naquele momento, a querida comadre
ma ganham sentido positivo. Devemos sempre ter alguma espe-
Naldete, falou tudo quanto sabia.
rança.
- Certo, certa, certos, certas, vários, várias, são indefinidos
quando colocados antes do substantivo e adjetivos, quando coloca- Pronomes Interrogativos: São os pronomes em frases inter-
dos depois do substantivo: Certo dia perdi o controle da situação. rogativas diretas ou indiretas. Os principais interrogativos são:
(antes do substantivo= indefinido); Eles voltarão no dia certo. (de- que, quem, qual, quanto:
pois do substantivo=adjetivo). Afinal, quem foram os prefeitos desta cidade? (interrogativa
- Todo, toda (somente no singular) sem artigo, equivale a direta, com o ponto de interrogação)
qualquer: Todo ser nasce chorando. (=qualquer ser; indetermina, - Gostaria de saber quem foram os prefeitos desta cidade. (in-
generaliza). terrogativa indireta, sem a interrogação)
- Outrem significa outra pessoa: Nunca se sabe o pensamento
de outrem. Exercícios
- Qualquer, plural quaisquer: Fazemos quaisquer negócios.
Reescreva os períodos abaixo, corrigindo-os quando for o
Locuções Pronominais Indefinidas: São locuções pronomi- caso:
nais indefinidas duas ou mais palavras que esquiva em ao pronome
indefinido: cada qual / cada um / quem quer que seja / seja quem 01. “Jamais haverá inimizade entre você e eu “, disse o rapaz
for / qualquer um / todo aquele que / um ou outro / tal qual (=certo) lamentando e chorando”.
/ tal e, ou qual / 02. “Venha e traga contigo todo o material que estiver aí!”
03. “Ela falou que era para mim comer, e depois, para mim
Pronomes Relativos: São aqueles que representam, numa 2ª sair dali.”
oração, alguma palavra que já apareceu na oração anterior. Essa 04. Polidamente, mandei eles entrar e, depois, deixei eles sentar”
palavra da oração anterior chama-se antecedente: Comprei um 05. “Durante toda a aula os alunos falaram sobre ti e sobre
carro que é movido a álcool e à gasolina. É Flex Power. Percebe- mim.”
-se que o pronome relativo que, substitui na 2ª oração, o carro, por 06. “Comunico-lhe que, quanto ao livro, deram-no ao professor.”
isso a palavra que é um pronome relativo. Dica: substituir que por
07. “Informamo- lhe que tudo estava bem conosco e com
o, a, os, as, qual / quais.
eles.”
Os pronomes relativos estão divididos em variáveis e inva-
08. “Espero que V. Exa. e vossa distinta consorte nos honrem
riáveis.
Variáveis: o qual, os quais, a qual, as quais, cujo, cujos, cuja, com vossa visita.
cujas, quanto, quantos; 09. “Vossa Majestade, Senhor Rei, sois generoso e bom para
Invariáveis: que, quem, quando, como, onde. com o vosso povo.”
10. “Ela irá com nós mesmo, disse o homem com voz grave
Emprego dos Pronomes Relativos e solene.
11. “Ele falou do lugar onde foi com entusiasmo e saudade ao
- O relativo que, por ser o mais usado, é chamado de relati- mesmo tempo”
vo universal. Ele pode ser empregado com referência à pessoa ou 12. “Você já sabe aonde ela foi com aquele canalha?
coisa, no plural ou no singular: Este é o CD novo que acabei de 13. “Espero que ele vá ao colégio e leve consigo o livro que
comprar; João Adolfo é o cara que pedi a Deus. me pertence.
- O relativo que pode ter por seu antecedente o pronome de- 14. “Se vier, traga comigo o livro que lhe pedi”
monstrativo o, a, os, as: Não entendi o que você quis dizer. (o que 15. “Mandaram-no à delegacia para explicar o caso da morte.”
= aquilo que). 16. Enviaremos lhe todo o estoque que estiver disponível.
- O relativo quem refere se a pessoa e vem sempre precedido 17. “Para lhe dizer tudo, eu preciso de muito mais dinheiro.”
de preposição: Marco Aurélio é o advogado a quem eu me referi. 18. “Ela me disse apenas isto: me deixe passar que eu quero
- O relativo cujo e suas flexões equivalem a de que, do qual, morrer.”
de quem e estabelecem relação de posse entre o antecedente e o 19. “Me diga toda a verdade porque, assim as coisas ficam
termo seguinte. (cujo, vem sempre entre dois substantivos) mais fáceis.”

Didatismo e Conhecimento 50
LÍNGUA PORTUGUESA
20. “Tenho informado-o sobre todos os pormenores da via- 34. Em “Todo sistema coordenado é...........”. “Mas o propó-
gem.” sito de toda teoria física é.......”. As palavras destacadas são.... e
21. “Mandei-te todo o material de que precisas.” significam, respectivamente:
22. “Dir-lhe-ei toda a verdade sobre o caso do roubo do banco.” a) pronomes substantivos indefinidos qualquer e qualquer
23. Espero que lhe não digam nada a meu respeito. b) pronomes adjetivos indefinidos qualquer e inteiro
24. “Haviam-lhe informado que ela só chegaria depois das c) pronomes adjetivos demonstrativos inteiro e cada um
três horas.” d) pronomes adjetivos indefinidos inteiro e qualquer
25. “Nesse ano, muitos alunos passarão no vestibular.” e) pronomes adjetivos indefinidos qualquer e qualquer.
26. “Corria o ano de 1964. Neste ano houve uma revolução
no Brasil.” Respostas:
27. “Estes alunos que estão aqui podem sair, aqueles irão de- 01 .... entre você e mim.
pois.” 02 ...Traga consigo...
28. “Os livros cujas páginas estiverem rasgadas serão devol- 03 ....para eu comer... para eu sair
vidos.’ 04 ... mandei-os entrar ... deixei-os sair
29. “Apalpei-lhe as pernas que se deixavam entrever pela saia 05 ...sobre ele...
rasgada.” 06 ...
07 ...bem com nós
30. “Agora, pegue a tua caneta e comece a substituir, abaixo 08 ...sua distinta ... com sua visita
os complementos grifados pelo pronome oblíquo correspondente: 09 ...é generoso e ...seu povo...
a) Mandamos o filho ao colégio. 10 ...
b) Enviamos à menina um telegrama 11 ... aonde
c) Informaram os meninos sobre a menina. 12 ...
d) Fez o exercício corretamente. 13 ...
e) Diremos aos professores toda a verdade. 14 ... traga consigo.
f) Ela nunca obedece aos superiores. 15 ...
g) Ontem, ela viu você com outra. 16 ... enviar-lhe-emos
h) Chamei a amiga para a festa. 17 ...
18 ...deixe-me passar
31. Indique quando, na segunda frase, ocorre a substituição 19. Diga-me ...
errada das palavras destacadas na primeira, por um pronome: 20. Tenho- o...
a) O gerente chamou os empregados. 21. Mandar- te- ei
O gerente chamou-os 22 ...
b) Quero muito a meu irmão. 23 ...
Quero-lhe muito. 24 ...
c) Perdoei sua falta por duas vezes. 25 ... neste ano
Perdoei-lhe por duas vezes 26 ...
d) Tentei convencer o diretor de que a solução não seria justa 27 ...
Tentei convencê-lo de que a solução não seria justa. 28 ...
e) A proposta não agradou aos jovens 29 ...
A proposta não lhe agradou. 30.
a) Mandamos-o...
32. Numa das frases, está usado indevidamente um pronome b) Enviamos-lhe...
de tratamento. Assinale-a: c) Informaram-nos
a) Os Reitores das Universidades recebem o título de Vossa d) Fê-lo
Magnificência. e) Dir-lhes-emos
b) Senhor Deputado, peço a Vossa Excelência que conclua a f) Ela nunca lhes obedece
sua oração. g) ...ela o viu...
c) Sua Eminência, o Papa Paulo VI, assistiu à solenidade. h) Chamei-a ...
d) Procurei a chefe da repartição, mas Sua Senhoria se recu- 31-A / 32-C /
sou a ouvir minhas explicações.
33-A
33. Em “O que estranhei é que as substâncias eram transferi-
das........! Partícula expletiva ou de realce: pode ser retirada da frase,
a) artigo - expletivo sem prejuízo algum para o sentido. Nesse caso, a palavra que não
b) pronome pessoal - pronome relativo exerce função sintática; como o próprio nome indica, é usada ape-
c) pronome demonstrativo - integrante nas para dar realce. Como partícula expletiva, aparece também na
d) pronome demonstrativo - expletivo expressão é que.
e) artigo - pronome relativo

Didatismo e Conhecimento 51
LÍNGUA PORTUGUESA
Exemplo: Vogal Temática: é o elemento mórfico que designa a qual con-
jugação pertence o verbo. Há três vogais temáticas: 1ª conjugação:
- Quase que não consigo chegar a tempo. a; 2ª conjugação: e; 3ª conjugação: i.
- Elas é que conseguiram chegar. Tema: é o elemento constituído pelo radical mais a vogal te-
mática: contar: -cont (radical) + a (vogal temática) = tema. Se
Como Pronome, a palavra que pode ser: não houver a vogal temática, o tema será apenas o radical: contei
= cont ei.
- Pronome Relativo: retoma um termo da oração antecedente,
Desinências: são elementos que se juntam ao radical, ou ao
projetando-o na oração consequente. Equivale a o qual e flexões.
tema, para indicar as flexões de modo e tempo, desinências modo
Exemplo: Não encontramos as pessoas que saíram.
temporais e número pessoa, desinências número pessoais.
- Pronome Indefinido: nesse caso, pode funcionar como pro- Contávamos
nome substantivo ou pronome adjetivo. Cont = radical
a = vogal temática
- Pronome Substantivo: equivale a que coisa. Quando for va = desinência modo temporal
pronome substantivo, a palavra que exercerá as funções próprias mos = desinência número pessoal
do substantivo (sujeito, objeto direto, objeto indireto, etc.). Exem-
plo: Que aconteceu com você? Flexões Verbais: Flexão de número e de pessoa: o verbo varia
para indicar o número e a pessoa.
- Pronome Adjetivo: determina um substantivo. Nesse caso, - eu estudo – 1ª pessoa do singular;
exerce a função sintática de adjunto adnominal. Exemplo: Que - nós estudamos – 1ª pessoa do plural;
vida é essa? - tu estudas – 2ª pessoa do singular;
- vós estudais – 2ª pessoa do singular;
34-D - ele estuda – 3ª pessoa do singular;
- eles estudam – 3ª pessoa do plural.
Verbo
- Algumas regiões do Brasil, usam o pronome tu de forma di-
ferente da fala culta, exigida pela gramática oficial, ou seja, tu foi,
Verbo é a palavra que indica ação, movimento, fenômenos da tu pega, tu tem, em vez de: tu fostes, tu pegas, tu tens. O pronome
natureza, estado, mudança de estado. Flexiona-se em número (sin- vós aparece somente em textos literários ou bíblicos. Os prono-
gular e plural), pessoa (primeira, segunda e terceira), modo (indi- mes: você, vocês, que levam o verbo na 3ª pessoa, é o mais usado
cativo, subjuntivo e imperativo, formas nominais: gerúndio, infi- no Brasil.
nitivo e particípio), tempo (presente, passado e futuro) e apresenta - Flexão de tempo e de modo – os tempos situam o fato ou a
voz (ativa, passiva, reflexiva). De acordo com a vogal temática, os ação verbal dentro de determinado momento; pode estar em plena
verbos estão agrupados em três conjugações: ocorrência, pode já ter ocorrido ou não. Essas três possibilidades
básicas, mas não únicas, são: presente, pretérito, futuro.
1ª conjugação – ar: cantar, dançar, pular.
2ª conjugação – er: beber, correr, entreter. O modo indica as diversas atitudes do falante com relação ao
3ª conjugação – ir: partir, rir, abrir. fato que enuncia. São três os modos:
- Modo Indicativo: a atitude do falante é de certeza, precisão:
O verbo pôr e seus derivados (repor, depor, dispor, compor, o fato é ou foi uma realidade; Apresenta presente, pretérito perfei-
impor) pertencem a 2ª conjugação devido à sua origem latina poer. to, imperfeito e mais que perfeito, futuro do presente e futuro do
pretérito.
Elementos Estruturais do Verbo: As formas verbais apresen- - Modo Subjuntivo: a atitude do falante é de incerteza, de dú-
vida, exprime uma possibilidade; O subjuntivo expressa uma in-
tam três elementos em sua estrutura: Radical, Vogal Temática e
certeza, dúvida, possibilidade, hipótese. Apresenta presente, preté-
Tema.
rito imperfeito e futuro. Ex: Tenha paciência, Lourdes; Se tivesse
dinheiro compraria um carro zero; Quando o vir, dê lembranças
Radical: elemento mórfico (morfema) que concentra o signi- minhas.
ficado essencial do verbo. Observe as formas verbais da 1ª conju- - Modo Imperativo: a atitude do falante é de ordem, um dese-
gação: contar, esperar, brincar. Flexionando esses verbos, nota-se jo, uma vontade, uma solicitação. Indica uma ordem, um pedido,
que há uma parte que não muda, e que nela está o significado real uma súplica. Apresenta imperativo afirmativo e imperativo nega-
do verbo. tivo
cont é o radical do verbo contar;
esper é o radical do verbo esperar; Emprego dos Tempos do Indicativo
brinc é o radical do verbo brincar.
- Presente do Indicativo: Para enunciar um fato momentâneo.
Se tiramos as terminações ar, er, ir do infinitivo dos verbos, Ex: Estou feliz hoje. Para expressar um fato que ocorre com fre-
teremos o radical desses verbos. Também podemos antepor prefi- quência. Ex: Eu almoço todos os dias na casa de minha mãe. Na
xos ao radical: des nutr ir / re conduz ir. indicação de ações ou estados permanentes, verdades universais.
Ex: A água é incolor, inodora, insípida.

Didatismo e Conhecimento 52
LÍNGUA PORTUGUESA
- Pretérito Imperfeito: Para expressar um fato passado, não Presente: é empregado para indicar um fato incerto ou duvi-
concluído. Ex: Nós comíamos pastel na feira; Eu cantava muito doso, muitas vezes ligados ao desejo, à suposição: Duvido de que
bem. apurem os fatos; Que surjam novos e honestos políticos.
- Pretérito Perfeito: É usado na indicação de um fato passado Pretérito Imperfeito: é empregado para indicar uma condi-
concluído. Ex: Cantei, dancei, pulei, chorei, dormi... ção ou hipótese: Se recebesse o prêmio, voltaria à universidade.
- Pretérito Mais-Que-Perfeito: Expressa um fato passado Futuro: é empregado para indicar um fato hipotético, pode
anterior a outro acontecimento passado. Ex: Nós cantáramos no ou não acontecer. Quando/Se você fizer o trabalho, será generosa-
congresso de música. mente gratificado.
- Futuro do Presente: Na indicação de um fato realizado num
instante posterior ao que se fala. Ex: Cantarei domingo no coro da 1ª Conjugação –AR
igreja matriz.
- Futuro do Pretérito: Para expressar um acontecimento pos- Presente: que eu dance, que tu dances, que ele dance, que nós
terior a um outro acontecimento passado. Ex: Compraria um car- dancemos, que vós danceis, que eles dancem.
ro se tivesse dinheiro Pretérito Imperfeito: se eu dançasse, se tu dançasses, se ele
dançasse, se nós dançássemos, se vós dançásseis, se eles danças-
1ª conjugação: -AR sem.
Futuro: quando eu dançar, quando tu dançares, quando ele
Presente: danço, danças, dança, dançamos, dançais, dançam. dançar, quando nós dançarmos, quando vós dançardes, quando
Pretérito Perfeito: dancei, dançaste, dançou, dançamos, dan- eles dançarem.
çastes, dançaram.
Pretérito Imperfeito: dançava, dançavas, dançava, dançáva- 2ª Conjugação -ER
mos, dançáveis, dançavam.
Pretérito Mais-Que-perfeito: dançara, dançaras, dançara, Presente: que eu coma, que tu comas, que ele coma, que nós
dançáramos, dançáreis, dançaram. comamos, que vós comais, que eles comam.
Futuro do Presente: dançarei, dançarás, dançará, dançare- Pretérito Imperfeito: se eu comesse, se tu comesses, se ele
mos, dançareis, dançarão. comesse, se nós comêssemos, se vós comêsseis, se eles comessem.
Futuro do Pretérito: dançaria, dançarias, dançaria, dançaría- Futuro: quando eu comer, quando tu comeres, quando ele co-
mos, dançaríeis, dançariam. mer, quando nós comermos, quando vós comerdes, quando eles
comerem.
2ª Conjugação: -ER
3ª conjugação – IR
Presente: como, comes, come, comemos, comeis, comem.
Pretérito Perfeito: comi, comeste, comeu, comemos, comes- Presente: que eu parta, que tu partas, que ele parta, que nós
tes, comeram. partamos, que vós partais, que eles partam.
Pretérito Imperfeito: comia, comias, comia, comíamos, co- Pretérito Imperfeito: se eu partisse, se tu partisses, se ele
míeis, comiam. partisse, se nós partíssemos, se vós partísseis, se eles partissem.
Pretérito Mais-Que-Perfeito: comera, comeras, comera, co- Futuro: quando eu partir, quando tu partires, quando ele par-
mêramos, comêreis, comeram. tir, quando nós partirmos, quando vós partirdes, quando eles par-
Futuro do Presente: comerei, comerás, comerá, comeremos, tirem.
comereis, comerão.
Futuro do Pretérito: comeria, comerias, comeria, comería- Emprego do Imperativo
mos, comeríeis, comeriam.
Imperativo Afirmativo:
3ª Conjugação: -IR - Não apresenta a primeira pessoa do singular.
- É formado pelo presente do indicativo e pelo presente do
Presente: parto, partes, parte, partimos, partis, partem. subjuntivo.
Pretérito Perfeito: parti, partiste, partiu, partimos, partistes, - O Tu e o Vós saem do presente do indicativo sem o “s”.
partiram. - O restante é cópia fiel do presente do subjuntivo.
Pretérito Imperfeito: partia, partias, partia, partíamos, par-
tíeis, partiam. Presente do Indicativo: eu amo, tu amas, ele ama, nós ama-
Pretérito Mais-Que-Perfeito: partira, partiras, partira, partí- mos, vós amais, eles amam.
ramos, partíreis, partiram. Presente do subjuntivo: que eu ame, que tu ames, que ele
Futuro do Presente: partirei, partirás, partirá, partiremos, ame, que nós amemos, que vós ameis, que eles amem.
partireis, partirão. Imperativo afirmativo: (X), ama tu, ame você, amemos nós,
Futuro do Pretérito: partiria, partirias, partiria, partiríamos, amai vós, amem vocês.
partiríeis, partiriam.
Imperativo Negativo:
Emprego dos Tempos do Subjuntivo - É formado através do presente do subjuntivo sem a primeira
pessoa do singular.

Didatismo e Conhecimento 53
LÍNGUA PORTUGUESA
- Não retira os “s” do tu e do vós. Quando o infinitivo preposicionado, ou não, preceder ou es-
Presente do Subjuntivo: que eu ame, que tu ames, que ele tiver distante do verbo da oração principal (verbo regente), pode
ame, que nós amemos, que vós ameis, que eles amem. ser flexionado para melhor clareza do período e também para se
Imperativo negativo: (X), não ames tu, não ame você, não enfatizar o sujeito (agente) da ação verbal. Por exemplo:
amemos nós, não ameis vós, não amem vocês. - Na esperança de sermos atendidos, muito lhe agradecemos.
- Foram dois amigos à casa de outro, a fim de jogarem fute-
Além dos três modos citados, os verbos apresentam ainda as for- bol.
mas nominais: infinitivo – impessoal e pessoal, gerúndio e particípio. - Para estudarmos, estaremos sempre dispostos.
- Antes de nascerem, já estão condenadas à fome muitas
Infinitivo Impessoal: Exprime a significação do verbo de crianças.
modo vago e indefinido, podendo ter valor e função de substan-
tivo. Por exemplo: Viver é lutar. (= vida é luta); É indispensável Com os verbos causativos “deixar”, “mandar” e “fazer” e seus
combater a corrupção. (= combate à)
sinônimos que não formam locução verbal com o infinitivo que os
O infinitivo impessoal pode apresentar-se no presente (forma
segue; Por exemplo: Deixei-os sair cedo hoje.
simples) ou no passado (forma composta). Por exemplo: É preciso
Com os verbos sensitivos “ver”, “ouvir”, “sentir” e sinôni-
ler este livro; Era preciso ter lido este livro.
Quando se diz que um verbo está no infinitivo impessoal, isso mos, deve-se também deixar o infinitivo sem flexão. Por exemplo:
significa que ele apresenta sentido genérico ou indefinido, não Vi-os entrar atrasados; Ouvi-as dizer que não iriam à festa.
relacionado a nenhuma pessoa, e sua forma é invariável. Assim,
considera-se apenas o processo verbal. Por exemplo: Amar é so- É inadequado o emprego da preposição “para” antes dos ob-
frer; O infinitivo pessoal, por sua vez, apresenta desinências de jetos diretos de verbos como “pedir”, “dizer”, “falar” e sinônimos;
número e pessoa. - Pediu para Carlos entrar (errado),
Observe que, embora não haja desinências para a 1ª e 3ª pes- - Pediu para que Carlos entrasse (errado).
soas do singular (cujas formas são iguais às do infinitivo impes- - Pediu que Carlos entrasse (correto).
soal), elas não deixam de referir-se às respectivas pessoas do dis-
curso (o que será esclarecido apenas pelo contexto da frase). Por Quando a preposição “para” estiver regendo um verbo, como
exemplo: Para ler melhor, eu uso estes óculos. (1ª pessoa); Para na oração “Este trabalho é para eu fazer”, pede-se o emprego do
ler melhor, ela usa estes óculos. (3ª pessoa) pronome pessoal “eu”, que se revela, neste caso, como sujeito. Ou-
As regras que orientam o emprego da forma variável ou inva- tros exemplos:
riável do infinitivo não são todas perfeitamente definidas. Por ser - Aquele exercício era para eu corrigir.
o infinitivo impessoal mais genérico e vago, e o infinitivo pessoal - Esta salada é para eu comer?
mais preciso e determinado, recomenda-se usar este último sempre - Ela me deu um relógio para eu consertar.
que for necessário dar à frase maior clareza ou ênfase.
Em orações como “Esta carta é para mim!”, a preposição está
O Infinitivo Impessoal é usado: ligada somente ao pronome, que deve se apresentar oblíquo tônico.
- Quando apresenta uma ideia vaga, genérica, sem se referir Infinitivo Pessoal: É o infinitivo relacionado às três pessoas
a um sujeito determinado; Por exemplo: Querer é poder; Fumar do discurso. Na 1ª e 3ª pessoas do singular, não apresenta desi-
prejudica a saúde; É proibido colar cartazes neste muro. nências, assumindo a mesma forma do impessoal; nas demais,
- Quando tiver o valor de Imperativo; Por exemplo: Soldados, flexiona-se da seguinte maneira:
marchar! (= Marchai!)
- Quando é regido de preposição e funciona como comple-
2ª pessoa do singular: Radical + ES. Ex.: teres (tu)
mento de um substantivo, adjetivo ou verbo da oração anterior;
1ª pessoa do plural: Radical + mos. Ex.: termos (nós)
Por exemplo: Eles não têm o direito de gritar assim; As meninas
foram impedidas de participar do jogo; Eu os convenci a aceitar. 2ª pessoa do plural: Radical + dês. Ex.: terdes (vós)
No entanto, na voz passiva dos verbos “contentar”, “tomar” 3ª pessoa do plural: Radical + em. Ex.: terem (eles)
e “ouvir”, por exemplo, o Infinitivo (verbo auxiliar) deve ser fle-
xionado. Por exemplo: Eram pessoas difíceis de serem contenta- Por exemplo: Foste elogiado por teres alcançado uma boa co-
das; Aqueles remédios são ruins de serem tomados; Os CDs que locação.
você me emprestou são agradáveis de serem ouvidos.
Quando se diz que um verbo está no infinitivo pessoal, isso
Nas locuções verbais; Por exemplo: significa que ele atribui um agente ao processo verbal, flexionan-
- Queremos acordar bem cedo amanhã. do-se.
- Eles não podiam reclamar do colégio.
- Vamos pensar no seu caso. O infinitivo deve ser flexionado nos seguintes casos:

Quando o sujeito do infinitivo é o mesmo do verbo da oração - Quando o sujeito da oração estiver claramente expresso; Por
anterior; Por exemplo: exemplo: Se tu não perceberes isto...; Convém vocês irem primei-
- Eles foram condenados a pagar pesadas multas. ro; O bom é sempre lembrarmos desta regra (sujeito desinencial,
- Devemos sorrir ao invés de chorar. sujeito implícito = nós).
- Tenho ainda alguns livros por (para) publicar.

Didatismo e Conhecimento 54
LÍNGUA PORTUGUESA
- Quando tiver sujeito diferente daquele da oração principal; Infinitivo Pessoal: dançar eu, dançares tu; dançar ele, dançar-
Por exemplo: O professor deu um prazo de cinco dias para os alu- mos nós, dançardes vós, dançarem eles.
nos estudarem bastante para a prova; Perdôo-te por me traíres; O Gerúndio: dançando.
hotel preparou tudo para os turistas ficarem à vontade; O guarda Particípio: dançado.
fez sinal para os motoristas pararem.
- Quando se quiser indeterminar o sujeito (utilizado na tercei- 2ª Conjugação –ER
ra pessoa do plural); Por exemplo: Faço isso para não me acharem
inútil; Temos de agir assim para nos promoverem; Ela não sai Infinitivo Impessoal: comer.
sozinha à noite a fim de não falarem mal da sua conduta. Infinitivo pessoal: comer eu, comeres tu, comer ele, comer-
mos nós, comerdes vós, comerem eles.
- Quando apresentar reciprocidade ou reflexibilidade de ação; Gerúndio: comendo.
Por exemplo: Vi os alunos abraçarem-se alegremente; Fizemos os Particípio: comido.
adversários cumprimentarem-se com gentileza; Mandei as meni-
nas olharem-se no espelho. 3ª Conjugação –IR

Como se pode observar, a escolha do Infinitivo Flexionado é Infinitivo Impessoal: partir.


feita sempre que se quer enfatizar o agente (sujeito) da ação ex- Infinitivo pessoal: partir eu, partires tu, partir ele, partirmos
pressa pelo verbo. nós, partirdes vós, partirem eles.
Gerúndio: partindo.
- Se o infinitivo de um verbo for escrito com “j”, esse “j” apa- Particípio: partido.
recerá em todas as outras formas. Por exemplo:
Enferrujar: enferrujou, enferrujaria, enferrujem, enferrujarão, Verbos Auxiliares: Ser, Estar, Ter, Haver
enferrujassem, etc. (Lembre, contudo, que o substantivo ferrugem
é grafado com “g”.). Ser
Viajar: viajou, viajaria, viajem (3ª pessoa do plural do presen-
te do subjuntivo, não confundir com o substantivo viagem) viaja- Modo Indicativo
rão, viajasses, etc. Presente: eu sou, tu és, ele é, nós somos, vós sois, eles são.
- Quando o verbo tem o infinitivo com “g”, como em “dirigir” Pretérito Imperfeito: eu era, tu eras, ele era, nós éramos, vós
e “agir” este “g” deverá ser trocado por um “j” apenas na primeira éreis, eles eram.
pessoa do presente do indicativo. Por exemplo: eu dirijo/ eu ajo Pretérito Perfeito Simples: eu fui, tu foste, ele foi, nós fo-
- O verbo “parecer” pode relacionar-se de duas maneiras dis- mos, vós fostes, eles foram.
tintas com o infinitivo. Quando “parecer” é verbo auxiliar de um Pretérito Perfeito Composto: tenho sido.
outro verbo: Elas parecem mentir. Elas parece mentirem. Neste Mais-que-perfeito simples: eu fora, tu foras, ele fora, nós fô-
exemplo ocorre, na verdade, um período composto. “Parece” é o ramos, vós fôreis, eles foram.
verbo de uma oração principal cujo sujeito é a oração subordina- Pretérito Mais-que-Perfeito Composto: tinha sido.
da substantiva subjetiva reduzida de infinitivo “elas mentirem”. Futuro do Pretérito simples: eu seria, tu serias, ele seria, nós
Como desdobramento dessa reduzida, podemos ter a oração “Pa- seríamos, vós seríeis, eles seriam.
rece que elas mentem.” Futuro do Pretérito Composto: teria sido.
Futuro do Presente: eu serei, tu serás, ele será, nós seremos,
Gerúndio: O gerúndio pode funcionar como adjetivo ou ad- vós sereis, eles serão.
vérbio. Por exemplo: Saindo de casa, encontrei alguns amigos. Futuro do Presente Composto: Terei sido.
(função de advérbio); Nas ruas, havia crianças vendendo doces.
(função adjetivo) Modo Subjuntivo
Na forma simples, o gerúndio expressa uma ação em curso; na Presente: que eu seja, que tu sejas, que ele seja, que nós seja-
forma composta, uma ação concluída. Por exemplo: Trabalhan- mos, que vós sejais, que eles sejam.
do, aprenderás o valor do dinheiro; Tendo trabalhado, aprendeu o Pretérito Imperfeito: se eu fosse, se tu fosses, se ele fosse, se
valor do dinheiro. nós fôssemos, se vós fôsseis, se eles fossem.
Pretérito Mais-que-Perfeito Composto: tivesse sido.
Particípio: Quando não é empregado na formação dos tempos Futuro Simples: quando eu for, quando tu fores, quando ele
compostos, o particípio indica geralmente o resultado de uma ação for, quando nós formos, quando vós fordes, quando eles forem.
terminada, flexionando-se em gênero, número e grau. Por exem- Futuro Composto: tiver sido.
plo: Terminados os exames, os candidatos saíram. Quando o par-
ticípio exprime somente estado, sem nenhuma relação temporal, Modo Imperativo
assume verdadeiramente a função de adjetivo (adjetivo verbal). Imperativo Afirmativo: sê tu, seja ele, sejamos nós, sede
Por exemplo: Ela foi a aluna escolhida para representar a escola. vós, sejam eles.
Imperativo Negativo: não sejas tu, não seja ele, não sejamos
1ª Conjugação –AR nós, não sejais vós, não sejam eles.
Infinitivo Pessoal: por ser eu, por seres tu, por ser ele, por
Infinitivo Impessoal: dançar. sermos nós, por serdes vós, por serem eles.

Didatismo e Conhecimento 55
LÍNGUA PORTUGUESA
Formas Nominais Pretérito Perfeito Composto: tenho tido.
Infinitivo: ser Pretérito Mais-que-Perfeito Simples: eu tivera, tu tiveras,
Gerúndio: sendo ele tivera, nós tivéramos, vós tivéreis, eles tiveram.
Particípio: sido Pretérito Mais-que-Perfeito Composto: tinha tido.
Futuro do Presente Simples: eu terei, tu terás, ele terá, nós
Estar teremos, vós tereis, eles terão.

Modo Indicativo Futuro do Presente: terei tido.


Presente: eu estou, tu estás, ele está, nós estamos, vós estais, Futuro do Pretérito Simples: eu teria, tu terias, ele teria, nós
eles estão. teríamos, vós teríeis, eles teriam.
Pretérito Imperfeito: eu estava, tu estavas, ele estava, nós Futuro do Pretérito composto: teria tido.
estávamos, vós estáveis, eles estavam.
Pretérito Perfeito Simples: eu estive, tu estiveste, ele esteve, Modo Subjuntivo
nós estivemos, vós estivestes, eles estiveram. Presente: que eu tenha, que tu tenhas, que ele tenha, que nós
Pretérito Perfeito Composto: tenho estado. tenhamos, que vós tenhais, que eles tenham.
Pretérito Mais-que-Perfeito Simples: eu estivera, tu estive- Pretérito Imperfeito: se eu tivesse, se tu tivesses, se ele ti-
ras, ele estivera, nós estivéramos, vós estivéreis, eles estiveram. vesse, se nós tivéssemos, se vós tivésseis, se eles tivessem.
Pretérito Mais-que-perfeito Composto: tinha estado Pretérito Mais-que-Perfeito Composto: tivesse tido.
Futuro do Presente Simples: eu estarei, tu estarás, ele estará, Futuro: quando eu tiver, quando tu tiveres, quando ele tiver,
nós estaremos, vós estareis, eles estarão. quando nós tivermos, quando vós tiverdes, quando eles tiverem.
Futuro do Presente Composto: terei estado. Futuro Composto: tiver tido.
Futuro do Pretérito Simples: eu estaria, tu estarias, ele esta-
ria, nós estaríamos, vós estaríeis, eles estariam. Modo Imperativo
Futuro do Pretérito Composto: teria estado. Imperativo Afirmativo: tem tu, tenha ele, tenhamos nós, ten-
de vós, tenham eles.
Modo Subjuntivo Imperativo Negativo: não tenhas tu, não tenha ele, não te-
Presente: que eu esteja, que tu estejas, que ele esteja, que nós nhamos nós, não tenhais vós, não tenham eles.
estejamos, que vós estejais, que eles estejam. Infinitivo Pessoal: por ter eu, por teres tu, por ter ele, por
Pretérito Imperfeito: se eu estivesse, se tu estivesses, se ele termos nós, por terdes vós, por terem eles.
estivesse, se nós estivéssemos, se vós estivésseis, se eles estives-
sem. Formas Nominais
Pretérito Mais-que-Perfeito Composto: tivesse estado Infinitivo: ter
Futuro Simples: quando eu estiver, quando tu estiveres, Gerúndio: tendo
quando ele estiver, quando nós estivermos, quando vós estiverdes, Particípio: tido
quando eles estiverem.
Futuro Composto: Tiver estado. Haver

Modo Imperativo Modo Indicativo


Imperativo Afirmativo: está tu, esteja ele, estejamos nós, es- Presente: eu hei, tu hás, ele há, nós havemos, vós haveis, eles hão.
tai vós, estejam eles. Pretérito Imperfeito: eu havia, tu havias, ele havia, nós ha-
Imperativo Negativo: não estejas tu, não esteja ele, não este- víamos, vós havíeis, eles haviam.
jamos nós, não estejais vós, não estejam eles. Pretérito Perfeito Simples: eu houve, tu houveste, ele houve,
Infinitivo Pessoal: por estar eu, por estares tu, por estar ele, nós houvemos, vós houvestes, eles houveram.
por estarmos nós, por estardes vós, por estarem eles. Pretérito Perfeito Composto: tenho havido.
Pretérito Mais-que-Perfeito Simples: eu houvera, tu houve-
Formas Nominais ras, ele houvera, nós houvéramos, vós houvéreis, eles houveram.
Infinitivo: estar Pretérito Mais-que-Prefeito Composto: tinha havido.
Gerúndio: estando Futuro do Presente Simples: eu haverei, tu haverás, ele ha-
Particípio: estado verá, nós haveremos, vós havereis, eles haverão.
Futuro do Presente Composto: terei havido.
Ter Futuro do Pretérito Simples: eu haveria, tu haverias, ele ha-
veria, nós haveríamos, vós haveríeis, eles haveriam.
Modo Indicativo Futuro do Pretérito Composto: teria havido.
Presente: eu tenho, tu tens, ele tem, nós temos, vós tendes, Modo Subjuntivo
eles têm. Presente: que eu haja, que tu hajas, que ele haja, que nós ha-
Pretérito Imperfeito: eu tinha, tu tinhas, ele tinha, nós tínha- jamos, que vós hajais, que eles hajam.
mos, vós tínheis, eles tinham. Pretérito Imperfeito: se eu houvesse, se tu houvesses, se ele
Pretérito Perfeito Simples: eu tive, tu tiveste, ele teve, nós houvesse, se nós houvéssemos, se vós houvésseis, se eles houvessem.
tivemos, vós tivestes, eles tiveram. Pretérito Mais-que-Perfeito Composto: tivesse havido.

Didatismo e Conhecimento 56
LÍNGUA PORTUGUESA
Futuro Simples: quando eu houver, quando tu houveres, Pretérito Imperfeito: se eu fosse, se tu fosses, se ele fosse, se
quando ele houver, quando nós houvermos, quando vós houver- nós fôssemos, se vós fôsseis, se eles fossem.
des, quando eles houverem. Futuro: quando eu for, quando tu fores, quando ele for, quan-
Futuro Composto: tiver havido. do nós formos, quando vós fordes, quando eles forem.

Modo Imperativo Modo Imperativo


Imperativo Afirmativo: haja ele, hajamos nós, havei vós, Imperativo Afirmativo: vai tu, vá ele, vamos nós, ide vós,
hajam eles. vão eles.
Imperativo Negativo: não hajas tu, não haja ele, não hajamos Imperativo Negativo: não vás tu, não vá ele, não vamos nós,
nós, não hajais vós, não hajam eles. não vades vós, não vão eles.
Infinitivo Pessoal: por haver eu, por haveres tu, por haver ele, Infinitivo Pessoal: ir eu, ires tu, ir ele, irmos nós, irdes vós,
por havermos nós, por haverdes vós, por haverem eles. irem eles.

Formas Nominais Formas Nominais:


Infinitivo: haver Infinitivo: ir
Gerúndio: havendo Gerúndio: indo
Particípio: havido Particípio: ido

Verbos Regulares: Não sofrem modificação no radical duran- Verbos Defectivos: São aqueles que possuem um defeito. Não
te toda conjugação (em todos os modos) e as desinências seguem têm todos os modos, tempos ou pessoas.
as do verbo paradigma (verbo modelo)
Verbo Pronominal: É aquele que é conjugado com o prono-
Amar: (radical: am) Amo, Amei, Amava, Amara, Amarei, me oblíquo. Ex: Eu me despedi de mamãe e parti sem olhar para
Amaria, Ame, Amasse, Amar. o passado.
Comer: (radical: com) Como, Comi, Comia, Comera, Come-
rei, Comeria, Coma, Comesse, Comer. Verbos Abundantes: “São os verbos que têm duas ou mais
Partir: (radical: part) Parto, Parti, Partia, Partira, Partirei, Par- formas equivalentes, geralmente de particípio.” (Sacconi)
tiria, Parta, Partisse, Partir.
Infinitivo: Aceitar, Anexar, Acender, Desenvolver, Emergir,
Verbos Irregulares: São os verbos que sofrem modificações Expelir.
no radical ou em suas desinências. Particípio Regular: Aceitado, Anexado, Acendido, Desenvol-
vido, Emergido, Expelido.
Dar: dou, dava, dei, dera, darei, daria, dê, desse, der
Particípio Irregular: Aceito, Anexo, Aceso, Desenvolto,
Caber: caibo, cabia, coube, coubera, caberei, caberia, caiba,
Emerso, Expulso.
coubesse, couber.
Agredir: agrido, agredia, agredi, agredira, agredirei, agrediria,
Tempos Compostos: São formados por locuções verbais que
agrida, agredisse, agredir.
têm como auxiliares os verbos ter e haver e como principal, qual-
quer verbo no particípio. São eles:
Anômalos: São aqueles que têm uma anomalia no radical.
Ser, Ir
- Pretérito Perfeito Composto do Indicativo: É a formação de
Ir locução verbal com o auxiliar ter ou haver no Presente do Indi-
cativo e o principal no particípio, indicando fato que tem ocorrido
Modo Indicativo com frequência ultimamente. Por exemplo: Eu tenho estudado de-
Presente: eu vou, tu vais, ele vai, nós vamos, vós ides, eles mais ultimamente.
vão. - Pretérito Perfeito Composto do Subjuntivo: É a formação
Pretérito Imperfeito: eu ia, tu ias, ele ia, nós íamos, vós íeis, de locução verbal com o auxiliar ter ou haver no Presente do
eles iam. Subjuntivo e o principal no particípio, indicando desejo de que
Pretérito Perfeito: eu fui, tu foste, ele foi, nós fomos, vós algo já tenha ocorrido. Por exemplo: Espero que você tenha estu-
fostes, eles foram. dado o suficiente, para conseguir a aprovação.
Pretérito Mais-que-Perfeito: eu fora, tu foras, ele fora, nós - Pretérito Mais-que-Perfeito Composto do Indicativo: É a
fôramos, vós fôreis, eles foram. formação de locução verbal com o auxiliar ter ou haver no Preté-
Futuro do Presente: eu irei, tu irás, ele irá, nós iremos, vós rito Imperfeito do Indicativo e o principal no particípio, tendo o
ireis, eles irão. mesmo valor que o Pretérito Mais-que-Perfeito do Indicativo sim-
Futuro do Pretérito: eu iria, tu irias, ele iria, nós iríamos, vós ples. Por exemplo: Eu já tinha estudado no Maxi, quando conheci
iríeis, eles iriam. Magali.
- Pretérito Mais-que-perfeito Composto do Subjuntivo: É a
Modo Subjuntivo formação de locução verbal com o auxiliar ter ou haver no Preté-
Presente: que eu vá, que tu vás, que ele vá, que nós vamos, rito Imperfeito do Subjuntivo e o principal no particípio, tendo
que vós vades, que eles vão. o mesmo valor que o Pretérito Imperfeito do Subjuntivo simples.

Didatismo e Conhecimento 57
LÍNGUA PORTUGUESA
Por exemplo: Eu teria estudado no Maxi, se não me tivesse mu- 03. Assinale a frase em que há erro de conjugação verbal:
dado de cidade. Perceba que todas as frases remetem a ação obri- a) Os esportes entretêm a quem os pratica.
gatoriamente para o passado. A frase Se eu estudasse, aprenderia b) Ele antevira o desastre.
é completamente diferente de Se eu tivesse estudado, teria apren- c) Só ficarei tranquilo, quando vir o resultado.
dido. d) Eles se desavinham frequentemente.
- Futuro do Presente Composto do Indicativo: É a formação e) Ainda hoje requero o atestado de bons antecedentes.
de locução verbal com o auxiliar ter ou haver no Futuro do Pre-
sente simples do Indicativo e o principal no particípio, tendo o 04. Dê, na ordem em que aparecem nesta questão, as seguintes
mesmo valor que o Futuro do Presente simples do Indicativo. Por formas verbais:
exemplo: Amanhã, quando o dia amanhecer, eu já terei partido. advertir - no imperativo afirmativo, segunda pessoa do plural
- Futuro do Pretérito Composto do Indicativo: É a formação compor - no futuro do subjuntivo, segunda pessoa do plural
de locução verbal com o auxiliar ter ou haver no Futuro do Pre- rever - no perfeito do indicativo, segunda pessoa do plural
térito simples do Indicativo e o principal no particípio, tendo o prover - no perfeito do indicativo, segunda pessoa do singular
mesmo valor que o Futuro do Pretérito simples do Indicativo. Por
exemplo: Eu teria estudado no Maxi, se não me tivesse mudado a) adverti, componhais, revês, provistes
de cidade. b) adverti, compordes, revestes, provistes
- Futuro Composto do Subjuntivo: É a formação de locução c) adverte, compondes, reveis, proviste
verbal com o auxiliar ter ou haver no Futuro do Subjuntivo sim- d) adverti, compuserdes, revistes, proveste
ples e o principal no particípio, tendo o mesmo valor que o Futuro e) n.d.a
do Subjuntivo simples. Por exemplo: Quando você tiver terminado
sua série de exercícios, eu caminharei 6 Km. Veja os exemplos: 05. “Eu não sou o homem que tu procuras, mas desejava ver-
Quando você chegar à minha casa, telefonarei a Manuel. -te, ou, quando menos, possuir o teu retrato.” Se o pronome tu
Quando você chegar à minha casa, já terei telefonado a Manuel. fosse substituído por Vossa Excelência, em lugar das palavras
destacadas no texto acima transcrito teríamos, respectivamente, as
seguintes formas:
Perceba que o significado é totalmente diferente em ambas as
a) procurais, ver-vos, vosso
frases apresentadas. No primeiro caso, esperarei “você” praticar
b) procura, vê-la, seu
a sua ação para, depois, praticar a minha; no segundo, primeiro
c) procura, vê-lo, vosso
praticarei a minha. Por isso o uso do advérbio “já”. Assim, observe
d) procurais, vê-la, vosso
que o mesmo ocorre nas frases a seguir:
e) procurais, ver-vos, seu
Quando você tiver terminado o trabalho, telefonarei a Manuel.
Quando você tiver terminado o trabalho, já terei telefonado a
06. Assinale a única alternativa que contém erro na passagem
Manuel. da forma verbal, do imperativo afirmativo para o imperativo ne-
gativo:
- Infinitivo Pessoal Composto: É a formação de locução ver- a) parti vós - não partais vós
bal com o auxiliar ter ou haver no Infinitivo Pessoal simples e b) amai vós - não ameis vós
o principal no particípio, indicando ação passada em relação ao c) sede vós - não sejais vós
momento da fala. Por exemplo: Para você ter comprado esse carro, d) ide vós - não vais vós
necessitou de muito dinheiro e) perdei vós - não percais vós
Exercícios 07. Vi, mas não ............; o policial viu, e também não ............,
dois agentes secretos viram, e não ............ Se todos nós ............ ,
01. Assinale o período em que aparece forma verbal incorreta- talvez .......... tantas mortes.
mente empregada em relação à norma culta da língua: a) intervir - interviu - tivéssemos intervido - teríamos evitado
a) Se o compadre trouxesse a rabeca, a gente do ofício ficaria b) me precavi - se precaveio - se precaveram - nos precavísse-
exultante. mos - não teria havido
b) Quando verem o Leonardo, ficarão surpresos com os trajes c) me contive - se conteve - contiveram - houvéssemos conti-
que usava. do - tivéssemos impedido
c) Leonardo propusera que se dançasse o minuete da corte. d) me precavi - se precaveu - precaviram - precavêssemo-nos
d) Se o Leonardo quiser, a festa terá ares aristocráticos. não houvesse
e) O Leonardo não interveio na decisão da escolha do padri- e) intervim - interveio - intervieram - tivéssemos intervindo -
nho do filho. houvéssemos evitado

02. ....... em ti; mas nem sempre ....... dos outros. 08. Assinale a alternativa em que uma forma verbal foi empre-
a) Creias – duvidas gada incorretamente:
b) Crê – duvidas a) O superior interveio na discussão, evitando a briga.
c) Creias – duvida b) Se a testemunha depor favoravelmente, o réu será absolvido.
d) Creia – duvide c) Quando eu reouver o dinheiro, pagarei a dívida.
e) Crê - duvides d) Quando você vir Campinas, ficará extasiado.
e) Ele trará o filho, se vier a São Paulo.

Didatismo e Conhecimento 58
LÍNGUA PORTUGUESA
09. Assinale a alternativa incorreta quanto à forma verbal: De repente o dia se fez noite.
a) Ele reouve os objetos apreendidos pelo fiscal. Por um triz eu não me denunciei.
b) Se advierem dificuldades, confia em Deus. Sem dúvida você é o melhor.
c) Se você o vir, diga-lhe que o advogado reteve os documentos.
d) Eu não intervi na contenda porque não pude. Graus dos Advérbios: o advérbio não vai para o plural, são
e) Por não se cumprirem as cláusulas propostas, as partes de- palavras invariáveis, mas alguns admitem a flexão de grau: com-
savieram-se e requereram rescisão do contrato. parativo e superlativo.
10. Indique a incorreta: Comparativo de:
a) Estão isentados das sanções legais os citados no artigo 6º. Igualdade - tão + advérbio + quanto, como: Sou tão feliz
b) Estão suspensas as decisões relativas ao parágrafo 3º do quanto / como você.
artigo 2º. Superioridade - Analítico: mais do que: Raquel é mais ele-
c) Fica revogado o ato que havia extinguido a obrigatoriedade
gante do que eu.
de apresentação dos documentos mencionados.
- Sintético: melhor, pior que: Amanhã será melhor do que
d) Os pareceres que forem incursos na Resolução anterior são
hoje.
de responsabilidade do Governo Federal.
e) Todas estão incorretas. Inferioridade - menos do que: Falei menos do que devia.

Respostas: 01-B / 02-E / 03-E / 04-D / 05-B / 06-D / 07-E / Superlativo Absoluto:
08-B / 09-D / 10-A / Analítico - mais, muito, pouco,menos: O candidato defendeu-
-se muito mal.
Advérbio Sintético - íssimo, érrimo: Localizei-o rapidíssimo.

Advérbio é a palavra invariável que modifica um verbo (Che- Palavras e Locuções Denotativas: São palavras semelhantes
gou cedo), um outro advérbio (Falou muito bem), um adjetivo (Es- a advérbios e que não possuem classificação especial. Não se en-
tava muito bonita). De acordo com a circunstância que exprime, o quadram em nenhuma das dez classes de palavras. São chamadas
advérbio pode ser de: de denotativas e exprimem:

Tempo: ainda, agora, antigamente, antes, amiúde (=sempre), Afetividade: felizmente, infelizmente, ainda bem: Ainda bem
amanhã, breve, brevemente, cedo, diariamente, depois, depressa, que você veio.
hoje, imediatamente, já, lentamente, logo, novamente, outrora. Designação, Indicação: eis: Eis aqui o herói da turma.
Lugar: aqui, acolá, atrás, acima, adiante, ali, abaixo, além, Exclusão: exclusive, menos, exceto, fora, salvo, senão, se-
algures (=em algum lugar), aquém, alhures (= em outro lugar), quer: Não me disse sequer uma palavra de amor.
aquém,dentro, defronte, fora, longe, perto. Inclusão: inclusive, também, mesmo, ainda, até, além disso,
Modo: assim, bem, depressa, aliás (= de outro modo ), deva- de mais a mais: Também há flores no céu.
gar, mal, melhor pior, e a maior parte dos advérbios que termina Limitação: só, apenas, somente, unicamente: Só Deus é per-
em mente: calmamente, suavemente, rapidamente, tristemente. feito.
Afirmação: certamente, decerto, deveras, efetivamente, real- Realce: cá, lá, é que, sobretudo, mesmo: Sei lá o que ele quis
mente, sim, seguramente. dizer!
Negação: absolutamente, de modo algum, de jeito nenhum,
Retificação: aliás, ou melhor, isto é, ou antes: Irei à Bahia na
nem, não, tampouco (=também não).
próxima semana, ou melhor, no próximo mês.
Intensidade: apenas, assaz bastante bastante, bem,
Explicação: por exemplo, a saber: Você, por exemplo, tem
demais,mais, meio, menos, muito, quase, quanto, tão, tanto, pouco.
Dúvida: acaso, eventualmente, por ventura, quiçá, possivel- bom caráter.
mente, talvez.
Emprego do Advérbio
Advérbios Interrogativos: São empregados em orações in-
terrogativas diretas ou indiretas. Podem exprimir: lugar, tempo, - Na linguagem coloquial, familiar, é comum o emprego do
modo, ou causa. sufixo diminutivo dando aos advérbios o valor de superlativo sin-
Onde fica o Clube das Acácias ? (direta) tético: agorinha, cedinho, pertinho, devagarinho, depressinha, ra-
Preciso saber onde fica o Clube das Acássias.(indireta) pidinho (bem rápido): Rapidinho chegou a casa; Moro pertinho da
Quando minha amiga Delma chegará de Campinas? (direta) universidade.
Gostaria de saber quando minha amiga Delma chegará de - Frequentemente empregamos adjetivos com valor de advér-
Campinas. (indireta) bio: A cerveja que desce redondo. (redondamente)
- Bastante antes de adjetivo, é advérbio, portanto, não vai
Locuçoes Adverbiais: São duas ou mais palavras que têm o para o plural; equivale a muito / a: Aquelas jovens são bastante
valor de advérbio: às cegas, às claras, às toa, às pressas, às escon- simpáticas e gentis.
didas, à noite, à tarde, às vezes, ao acaso, de repente, de chofre, - Bastante, antes de substantivo, é adjetivo, portanto vai para
de cor, de improviso, de propósito, de viva voz, de medo, com o plural, equivale a muitos / as: Contei bastantes estrelas no céu.
certeza, por perto, por um triz, de vez em quando, sem dúvida, de - Não confunda mal (advérbio, oposto de bem) com mau (ad-
forma alguma, em vão, por certo, à esquerda, à direta, a pé, a esmo, jetivo, oposto de bom): Mal cheguei a casa, encontrei a de mau
por ali, a distância. humor.

Didatismo e Conhecimento 59
LÍNGUA PORTUGUESA
- Antes de verbo no particípio, diz-se mais bem, mais mal: 07. Marque o exemplo em que ambas as palavras em negrito
Ficamos mais bem informados depois do noticiário noturmo. estão na mesma classe gramatical:
- Em frase negativa o advérbio já equivale a mais: Já não se a) O seu talvez deixou preocupado o professor.
fazem professores como antigamente. (=não se fazem mais) b) Respondeu-nos simplesmente com um não.
- Na locução adverbial a olhos vistos (=claramente), o particí- c) Boas notícias duram pouco.
pio permanece no masculino plural: Minha irmã Zuleide emagre- d) Nossa irmã é mais nova que a sua.
cia a olhos vistos. e) n.d.a
- Dois ou mais advérbios terminados em mente, apenas no
último permanece mente: Educada e pacientemente, falei a todos. 08. Morfologicamente, a expressão sublinhada na frase abaixo
- A repetição de um mesmo advérbio assume o valor superla- é classificada como locução: “Estava à toa na vida...”
tivo: Levantei cedo, cedo. a) adjetiva
b) adverbial
Exercícios c) prepositiva
d) conjuntiva
01. Assinale a frase em que meio funciona como advérbio: e) substantiva 
a) Só quero meio quilo.
b) Achei-o meio triste. 09. Em todas as opções há dois advérbios, exceto em:
c) Descobri o meio de acertar. a) Ele permaneceu muito calado.
d) Parou no meio da rua. b) Amanhã, não iremos ao cinema.
e) Comprou um metro e meio.  c) O menino, ontem, cantou desafinadamente.
d) Tranquilamente, realizou-se, hoje, o jogo.
02. Só não há advérbio em: e) Ela falou calma e sabiamente.
a) Não o quero.
b) Ali está o material. 10. Leia o texto que segue:
c) Tudo está correto.
d) Talvez ele fale. “Não há muito tempo atrás
e) Já cheguei.  Eu sonhava um dia ter
Esse ordenado enorme
03. Qual das frases abaixo possui advérbio de modo? Que mal me dá pra viver.”
a) Realmente ela errou. (Millôr Fernandes)
b) Antigamente era mais pacato o mundo.
c) Lá está teu primo. “Um dia” e “mal” exprimem, respectivamente, circunstâncias
d) Ela fala bem. de:
e) Estava bem cansado.  a) tempo / intensidade.
b) tempo / modo.
04. Classifique a locução adverbial que aparece em “Machu- c) lugar / intensidade.
cou-se com a lâmina”. d) tempo / causa.
a) modo e) lugar / modo.
b) instrumento
c) causa Respostas: 01-B / 02-C / 03-D / 04-B / 05-C / 06-E / 07-E /
d) concessão 08-B / 09-A / 10-B
e) fim
Preposição
05. Indique a alternativa gramaticalmente incorreta:
a) A casa onde moro é excelente. É a palavra invariável que liga um termo dependente a um ter-
b) Disseram-me por que chegaram tarde. mo principal, estabelecendo uma relação entre ambos. As prepo-
c) Aonde está o livro? sições podem ser: essenciais ou acidentais. As preposições essen-
d) É bom o colégio donde saímos. ciais atuam exclusivamente como preposições. São: a, ante, após,
e) O sítio aonde vais é pequeno.  até, com, contra, de, desde, em, entre, para, perante, por, sem, sob,
sobre, trás. Exemplos: Não dê atenção a fofocas; Perante todos
06. Ele ficou em casa. A palavra em é: disse, sim.
a) conjunção As preposições acidentais são palavras de outras classes que
b) pronome indefinido atuam eventualmente como preposições. São: como (=na qualida-
c) artigo definido de de), conforme (=de acordo com), consoante, exceto, mediante,
d) advérbio de lugar salvo, visto, segundo, senão, tirante: Agia conforme sua vontade.
e) preposição (= de acordo com)

Didatismo e Conhecimento 60
LÍNGUA PORTUGUESA
- O artigo definido a que vem sempre acompanhado de um Até (aproximação): Correu até mim. tempo: Certamente te-
substantivo, é flexionado: a casa, as casas, a árvore, as árvores, a remos o resultado do exame até a semana que vem. Atenção: Se
estrela, as estrelas. A preposição a nunca vai para o plural e não es- a preposição até equivaler a inclusive, será palavra de inclusão e
tabelece concordância com o substantivo. Exemplo: Fiz todo o per- não preposição. Os sonhadores amam até quem os despreza. (in-
curso a pé. (não há concordância com o substantivo masculino pé) clusive)
- As preposições essenciais são sempre seguidas dos prono-
Com (companhia): Rir de alguém é falta de caridade; deve-se
mes pessoais oblíquos: Despediu-se de mim rapidamente. Não vá
rir com alguém. causa: A cidade foi destruída com o temporal. ins-
sem mim.
trumento: Feriu-se com as próprias armas. modo: Marfinha, minha
Locuções Prepositivas: É o conjunto de duas ou mais pala- comadre, veste-se sempre com elegância.
vras que têm o valor de uma preposição. A última palavra é sempre Contra (oposição, hostilidade): Revoltou-se contra a decisão
uma preposição. Veja quais são: abaixo de, acerca de, acima de, do tribunal. direção a um limite: Bateu contra o muro e caiu.
ao lado de, a respeito de, de acordo com, dentro de, embaixo de, De (origem): Descendi de pais trabalhadores e honestos. lu-
em cima de, em frente a, em redor de, graças a, junto a, junto de, gar: Os corruptos vieram da capital. causa: O bebê chorava de
perto de, por causa de, por cima de, por trás de, a fim de, além de, fome. posse: Dizem que o dinheiro do povo sumiu. assunto: Falá-
antes de, a par de, a partir de, apesar de, através de, defronte de, em vamos do casamento da Mariele. matéria: Era uma casa de sapé.
favor de, em lugar de, em vez de, (=no lugar de), ao invés de (=ao A preposição de não deve contrair-se com o artigo, que precede o
contrário de), para com, até a.
sujeito de um verbo. É tempo de os alunos estudarem. (e não: dos
alunos estudarem)
- Não confunda locução prepositiva com locução adverbial.
Na locução adverbial, nunca há uma preposição no final, e sim Desde (afastamento de um ponto no espaço): Essa neblina
no começo: Vimos de perto o fenômeno do “tsunami”. (locução vem desde São Paulo. tempo: Desde o ano passado quero mudar
adverbial); O acidente ocorreu perto de meu atelier. (locução pre- de casa.
positiva) Em (lugar): Moramos em Lucélia há alguns anos. matéria: As
- Uma preposição ou locução prepositiva pode vir com outra queridas amigas Nilceia e Nadélgia moram em Curitiba. especia-
preposição: Abola passou por entre as pernas do goleiro. Mas é lidade: Minha amiga Cidinha formou-se em Letras. tempo: Tudo
inadequado dizer: Proibido para menores de até 18 anos; Financia- aconteceu em doze horas.
mento em até 24 meses. Entre (posição entre dois limites): Convém colocar o vidro
entre dois suportes.
Combinações e Contrações
Para direção: Não lhe interessava mais ir para a Europa.
tempo: Pretendo vê-lo lá para o final da semana. finalidade: Lute
Combinação: ocorre combinação quando não há perda de fo-
nemas: a+o,os= ao, aos / a+onde = aonde. sempre para viver com dignidade. A preposição para indica de
Contração: ocorre contração quando a preposição perde fone- permanência definitiva. Vou para o litoral. (ideia de morar)
mas: de+a, o, as, os, esta, este, isto =da, do, das, dos, desta, deste, Perante (posição anterior): Permaneceu calado perante todos.
disto. Por (percurso, espaço, lugar): Caminhava por ruas desconhe-
- em+ um, uma, uns, umas,isto, isso, aquilo, aquele, aquela, cidas. causa: Por ser muito caro, não compramos um DVD novo.
aqueles, aquelas = num, numa, nuns, numas, nisto, nisso, naquilo, espaço: Por cima dela havia um raio de luz.
naquele, naquela, naqueles. Sem (ausência): Eu vou sem lenço sem documento.
- de+ entre, aquele, aquela, aquilo = dentre, daquele, daquela, Sob (debaixo de / situação): Prefiro cavalgar sob o luar. Viveu,
daquilo. sob pressão dos pais.
- para+ a = pra.
Sobre (em cima de, com contato): Colocou ás taças de cristal
A contração da preposição a com os artigos ou pronomes de-
sobre a toalha rendada. assunto: Conversávamos sobre política
monstrativos a, as, aquele, aquela, aquilo recebe o nome de crase
e é assinalada na escrita pelo acento grave ficando assim: à, às, financeira.
àquele, àquela, àquilo. Trás (situação posterior; é preposição fora de uso. É substi-
tuída por atrás de, depois de): Por trás desta carinha vê-se muita
Valores das Preposições falsidade.

A (movimento=direção): Foram a Lucélia comemorar os Curiosidade: O símbolo @ (arroba) significa AT em Inglês,


Anos Dourados. modo: Partiu às pressas. tempo: Iremos nos ver que em Português significa em. Portanto, o nome está at, em algum
ao entardecer. A preposição a indica deslocamento rápido: Vamos provedor.
à praia. (ideia de passear) Exercícios
Ante (diante de): Parou ante mim sem dizer nada, tanta era a
emoção. tempo (substituída por antes de): Preciso chegar ao en-
01. Use o sinal de crase, se necessário:
contro antes das quatro horas.
Após (depois de): Após alguns momentos desabou num choro a) Não vai a festas nem a reuniões.
arrependido. b) Chegamos a Universidade as oito horas.

Didatismo e Conhecimento 61
LÍNGUA PORTUGUESA
02. No final da Guerra Civil americana, o ex-coronel ianque 08. “Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bol-
(...) sai à caça do soldado desertor que realizou assalto a trem com sa.”, os vocábulos em destaque são, respectivamente:
confederados. O uso da preposição com permite diferentes inter- a) pronome pessoal oblíquo, preposição, artigo
pretações da frase acima. b) artigo, preposição, pronome pessoal oblíquo
c) artigo, pronome demonstrativo, pronome pessoal oblíquo
a) Reescreva-a de duas maneiras diversas, de modo que haja d) artigo, preposição, pronome demonstrativo
um sentido diferente em cada uma. e) preposição, pronome demonstrativo, pronome pessoal oblí-
b) Indique, para cada uma das reações, a noção expressa da quo.
preposição com.
09. Assinale a alternativa em que ocorre combinação de uma
03. No trecho: “(O Rio) não se industrializou, deixou explodir preposição com um pronome demonstrativo:
a questão social, fermentada por mais de dois milhões de favela- a) Estou na mesma situação.
dos, e inchou, à exaustão, uma máquina administrativa que não b) Neste momento, encerramos nossas transmissões.
funciona...”, a preposição a (que está contraída com o artigo a) c) Daqui não saio.
traduz uma relação de: d) Ando só pela vida.
a) fim e) Acordei num lugar estranho.
b) causa
c) concessão 10. Classifique a palavra como nas construções seguintes,
d) limite numerando, convenientemente, os parênteses. A seguir, assinale a
e) modo alternativa correta:
1) Preposição
04. Assinale a alternativa em que a norma culta não aceita a 2) Conjunção Subordinativa Causal
contração da preposição de: 3) Conjunção Subordinativa Conformativa
a) Aos prantos, despedi-me dela. 4) Conjunção Coordenativa Aditiva
5) Advérbio Interrogativo de Modo
b) Está na hora da criança dormir.
c) Falava das colegas em público.
(     ) Perguntamos como chegaste aqui.
d) Retirei os livros das prateleiras para limpá-los.
(     ) Percorrera as salas como eu mandara.
e) O local da chacina estava interditado.
(     ) Tinha-o como amigo.
(     ) Como estivesse muito frio, fiquei em casa.
05. Assinale a alternativa em que a preposição destacada es-
(     ) Tanto ele como o irmão são meus amigos.
tabeleça o mesmo tipo de relação que na frase matriz: Criaram-se
a pão e água. a) 2 - 4 - 5 - 3 – 1
a) Desejo todo o bem a você. b) 4 -5 - 3 - 1 – 2
b) A julgar por esses dados, tudo está perdido. c) 5 - 3 - 1 - 2 – 4
c) Feriram-me a pauladas. d) 3 - 1 - 2 - 4 – 5
d) Andou a colher alguns frutos do mar. e) 1 - 2 - 4 - 5 - 3
e) Ao entardecer, estarei aí.
Resolução:
06. Assinale a opção em que a preposição com traduz uma 01 - a) --------- b) Chegamos a Universidade às oito horas.
relação de instrumento: 02
a) “Teria sorte nos outros lugares, com gente estranha.” a) 1. No final da Guerra Civil americana, o ex-coronel ian-
b) “Com o meu avô cada vez mais perto de mim, o Santa Rosa que (...) sai à caça do soldado desertor que realizou assalto a trem
seria um inferno.” que levava confederados. 2. No final da Guerra Civil americana,
c) “Não fumava, e nenhum livro com força de me prender.” o ex-coronel ianque (...) sai à caça do soldado desertor, que, com
d) “Trancava-me no quarto fugindo do aperreio, matando-as confederados, realizou assalto a trem.
com jornais.” b) Na frase 1, com indica a relação continente-conteúdo,
e) “Andavam por cima do papel estendido com outras já pre- (trem-soldados), como em copo com água. Na frase 2, com  indica
gadas no breu.” “em companhia de”. Em 1, com introduz um adjunto adnominal
(de trem); em 2, introduz um adjunto adverbial de companhia.
07. “O policial recebeu o ladrão a bala. Foi necessário apenas
um disparo; o assaltante recebeu a bala na cabeça e morreu na 03-E / 04-B / 05-C / 06-D / 07-A / 08-B / 09-B / 10-C /
hora.” No texto, os vocábulos em destaque são respectivamente:
a) preposição e artigo Interjeição
b) preposição e preposição
c) artigo e artigo É a palavra invariável que exprime emoções, sensações, es-
d) artigo e preposição tados de espírito ou apelos: As interjeições são como que frases
e) artigo e pronome indefinido resumidas: Ué ! =Eu não esperava essa! São proferidas com en-
tonação especial, que se representa, na escrita, com o ponto de
exclamação(!)

Didatismo e Conhecimento 62
LÍNGUA PORTUGUESA
Locução Interjetiva: É o conjunto de duas ou mais palavras 05. “Enquanto punha o motor em movimento.” O verbo des-
com valor de uma interjeição: Muito bem! Que pena! Quem me tacado encontra-se no:
dera! Puxa, que legal! a) Presente do subjuntivo.
b) Pretérito mais-que-perfeito do subjuntivo.
Classificação das Interjeições e Locuções Interjetivas c) Presente do indicativo.
d) Pretérito mais-que-perfeito do indicativo.
As interjeições e as locuções interjetivas são classificadas,’de e) Pretérito imperfeito do indicativo.
acordo com o sentido que elas expressam em determinado contex-
to. Assim, uma mesma palavra ou expressão pode exprimir emo- 06. Aponte a opção em que muito é pronome indefinido:
ções variadas. a) O soldado amarelo falava muito bem.
Admiração ou Espanto: Oh!, Caramba!, Oba!, Nossa!, Meu b) Havia muito bichinho ruim.
Deus!, Céus! c) Fabiano era muito desconfiado.
Advertência: Cuidado!, Atenção!, Alerta!, Calma!, Alto!,
d) Fabiano vacilava muito para tomar decisão.
Olha lá!
e) Muito eficiente era o soldado amarelo.
Alegria: Viva!, Oba!, Que bom!, Oh!, Ah!;
Ânimo: Avante!, Ânimo!, Vamos!, Força!, Eia!, Toca!
Aplauso: Bravo!, Parabéns!, Muito bem! 07. A flexão do número incorreta é:
Chamamento: Olá!, Alô!, Psiu!, Psit! a) tabelião - tabeliães.
Aversão: Droga!, Raios!, Xi!, Essa não!, lh! b) melão - melões.
Medo: Cruzes!, Credo!, Ui!, Jesus!, Uh! Uai! c) ermitão - ermitões.
Pedido de Silêncio: Quieto!, Bico fechado!, Silêncio!, Che- d) chão - chãos.
ga!, Basta! e) catalão - catalões.
Saudação: Oi!, Olá!, Adeus!, Tchau!
Concordância: Claro!, Certo!, Sim!, Sem dúvida! 08. Dos verbos abaixo apenas um é regular, identifique-o:
Desejo: Oxalá!, Tomara!, Pudera!, Queira Deus! Quem me dera! a) pôr.
b) adequar.
Observe na relação acima, que as interjeições muitas vezes c) copiar.
são formadas por palavras de outras classes gramaticais: Cuidado! d) reaver.
Não beba ao dirigir! (cuidado é substantivo). e) brigar.

Exercício Geral 09. A alternativa que não apresenta erro de flexão verbal no
presente do indicativo é:
01. A alternativa que apresenta classes de palavras cujos sen- a) reavejo (reaver).
tidos podem ser modificados pelo advérbio são: b) precavo (precaver).
a) adjetivo - advérbio - verbo. c) coloro (colorir).
b) verbo - interjeição - conjunção. d) frijo (frigir).
c) conjunção - numeral - adjetivo. e) fedo (feder).
d) adjetivo - verbo - interjeição.
e) interjeição - advérbio - verbo. 10. A classe de palavras que é empregada para exprimir esta-
dos emotivos:
02. Das palavras abaixo, faz plural como “assombrações”
a) adjetivo.
a) perdão.
b) interjeição.
b) bênção.
c) alemão. c) preposição.
d) cristão. d) conjunção.
e) capitão. e) advérbio.

03. Na oração “Ninguém está perdido se der amor...”, a pala- Respostas: 1-A / 2-A / 3-D / 4-A / 5-E / 6-B / 7-E / 8-E / 9-D
vra grifada pode ser classificada como: / 10-B /
a) advérbio de modo.
b) conjunção adversativa. Conjunção
c) advérbio de condição.
d) conjunção condicional. É a palavra que liga orações basicamente, estabelecendo entre
e) preposição essencial. elas alguma relação (subordinação ou coordenação). As conjun-
ções classificam-se em:
04. Marque a frase em que o termo destacado expressa cir- Coordenativas, aquelas que ligam duas orações independentes
cunstância de causa: (coordenadas), ou dois termos que exercem a mesma função sintá-
a) Quase morri de vergonha. tica dentro da oração. Apresentam cinco tipos:
b) Agi com calma. - aditivas (adição): e, nem, mas também, como também, bem
c) Os mudos falam com as mãos. como, mas ainda;
d) Apesar do fracasso, ele insistiu. - adversativas (adversidade, oposição): mas, porém, todavia,
e) Aquela rua é demasiado estreita. contudo, antes (= pelo contrário), não obstante, apesar disso;

Didatismo e Conhecimento 63
LÍNGUA PORTUGUESA
- alternativas (alternância, exclusão, escolha): ou, ou ... ou, A menina banhou-se na cachoeira.
ora ... ora, quer ... quer; A menina – sujeito
- conclusivas (conclusão): logo, portanto, pois (depois do ver- banhou-se na cachoeira – predicado
bo), por conseguinte, por isso;
- explicativas (justificação): - pois (antes do verbo), porque, Choveu durante a noite. (a oração toda predicado)
que, porquanto.
O sujeito é o termo da frase que concorda com o verbo em
Subordinativas - ligam duas orações dependentes, subordi- número e pessoa. É normalmente o “ser de quem se declara algo”,
nando uma à outra. Apresentam dez tipos: “o tema do que se vai comunicar”.
- causais: porque, visto que, já que, uma vez que, como, desde que; O predicado é a parte da oração que contém “a informação
- comparativas: como, (tal) qual, assim como, (tanto) quanto, nova para o ouvinte”. Normalmente, ele se refere ao sujeito, cons-
(mais ou menos +) que; tituindo a declaração do que se atribui ao sujeito.
- condicionais: se, caso, contanto que, desde que, salvo se,
sem que (= se não), a menos que; Observe: O amor é eterno. O tema, o ser de quem se declara
- consecutivas (conseqüência, resultado, efeito): que (prece- algo, o sujeito, é “O amor”. A declaração referente a “o amor”, ou
dido de tal, tanto, tão etc. - indicadores de intensidade), de modo seja, o predicado, é “é eterno”.
que, de maneira que, de sorte que, de maneira que, sem que;
- conformativas (conformidade, adequação): conforme, se- Já na frase: Os rapazes jogam futebol. O sujeito é “Os rapa-
gundo, consoante, como; zes”, que identificamos por ser o termo que concorda em número
- concessiva: embora, conquanto, posto que, por muito que, e pessoa com o verbo “jogam”. O predicado é “jogam futebol”.
se bem que, ainda que, mesmo que;
- temporais: quando, enquanto, logo que, desde que, assim Núcleo de um termo é a palavra principal (geralmente um
que, mal (= logo que), até que; substantivo, pronome ou verbo), que encerra a essência de sua sig-
- finais - a fim de que, para que, que; nificação. Nos exemplos seguintes, as palavras amigo e revestiu
- proporcionais: à medida que, à proporção que, ao passo
são o núcleo do sujeito e do predicado, respectivamente:
que, quanto mais (+ tanto menos);
“O amigo retardatário do presidente prepara-se para desem-
- integrantes - que, se.
barcar.” (Aníbal Machado)
A avezinha revestiu o interior do ninho com macias plumas.
As conjunções integrantes introduzem as orações subordi-
Os termos da oração da língua portuguesa são classificados
nadas substantivas, enquanto as demais iniciam orações subordi-
em três grandes níveis:
nadas adverbiais. Muitas vezes a função de interligar orações é
desempenhada por locuções conjuntivas, advérbios ou pronomes. - Termos Essenciais da Oração: Sujeito e Predicado.
- Termos Integrantes da Oração: Complemento Nominal e
Complementos Verbais (Objeto Direto, Objeto indireto e Agente
SINTAXE: ESTRUTURA DA ORAÇÃO, da Passiva).
ESTRUTURA DO PERÍODO - Termos Acessórios da Oração: Adjunto Adnominal, Adjun-
to Adverbial, Aposto e Vocativo.

- Termos Essenciais da Oração: São dois os termos essen-


Oração: é todo enunciado linguístico dotado de sentido, po- ciais (ou fundamentais) da oração: sujeito e predicado. Exemplos:
rém há, necessariamente, a presença do verbo. A oração encerra
uma frase (ou segmento de frase), várias frases ou um período, Sujeito Predicado
completando um pensamento e concluindo o enunciado através de
Pobreza não é vileza.
ponto final, interrogação, exclamação e, em alguns casos, através
de reticências. Os sertanistas capturavam os índios.
Em toda oração há um verbo ou locução verbal (às vezes elíp- Um vento áspero sacudia as árvores.
ticos). Não têm estrutura sintática, portanto não são orações, não
podem ser analisadas sintaticamente frases como: Sujeito: é equivocado dizer que o sujeito é aquele que pratica
Socorro! uma ação ou é aquele (ou aquilo) do qual se diz alguma coisa. Ao
Com licença! fazer tal afirmação estamos considerando o aspecto semântico do
Que rapaz impertinente! sujeito (agente de uma ação) ou o seu aspecto estilístico (o tópico
Muito riso, pouco siso. da sentença). Já que o sujeito é depreendido de uma análise sin-
“A bênção, mãe Nácia!” (Raquel de Queirós)
tática, vamos restringir a definição apenas ao seu papel sintático
na sentença: aquele que estabelece concordância com o núcleo do
Na oração as palavras estão relacionadas entre si, como partes
predicado. Quando se trata de predicado verbal, o núcleo é sempre
de um conjunto harmônico: elas formam os termos ou as unidades
um verbo; sendo um predicado nominal, o núcleo é sempre um
sintáticas da oração. Cada termo da oração desempenha uma fun-
nome. Então têm por características básicas:
ção sintática. Geralmente apresentam dois grupos de palavras: um
- estabelecer concordância com o núcleo do predicado;
grupo sobre o qual se declara alguma coisa (o sujeito), e um grupo
que apresenta uma declaração (o predicado), e, excepcionalmente, - apresentar-se como elemento determinante em relação ao
só o predicado. Exemplo: predicado;

Didatismo e Conhecimento 64
LÍNGUA PORTUGUESA
- constituir-se de um substantivo, ou pronome substantivo ou, optar por esse ou aquele doce: oração substantiva subjetiva
ainda, qualquer palavra substantivada.
O sujeito é constituído por um substantivo ou pronome, ou
Exemplos: por uma palavra ou expressão substantivada. Exemplos:

A padaria está fechada hoje. O sino era grande.


está fechada hoje: predicado nominal Ela tem uma educação fina.
fechada: nome adjetivo = núcleo do predicado Vossa Excelência agiu como imparcialidade.
a padaria: sujeito Isto não me agrada.
padaria: núcleo do sujeito - nome feminino singular
O núcleo (isto é, a palavra base) do sujeito é, pois, um subs-
Nós mentimos sobre nossa idade para você. tantivo ou pronome. Em torno do núcleo podem aparecer palavras
mentimos sobre nossa idade para você: predicado verbal secundárias (artigos, adjetivos, locuções adjetivas, etc.) Exemplo:
mentimos: verbo = núcleo do predicado “Todos os ligeiros rumores da mata tinham uma voz para a
nós: sujeito selvagem filha do sertão.” (José de Alencar)

No interior de uma sentença, o sujeito é o termo determinante, O sujeito pode ser:


ao passo que o predicado é o termo determinado. Essa posição de
determinante do sujeito em relação ao predicado adquire sentido Simples: quando tem um só núcleo: As rosas têm espinhos;
com o fato de ser possível, na língua portuguesa, uma sentença “Um bando de galinhas-d’angola atravessa a rua em fila indiana.”
sem sujeito, mas nunca uma sentença sem predicado. Composto: quando tem mais de um núcleo: “O burro e o ca-
valo nadavam ao lado da canoa.”
Exemplos: Expresso: quando está explícito, enunciado: Eu viajarei amanhã.
Oculto (ou elíptico): quando está implícito, isto é, quando não
As formigas invadiram minha casa. está expresso, mas se deduz do contexto: Viajarei amanhã. (sujei-
as formigas: sujeito = termo determinante to: eu, que se deduz da desinência do verbo); “Um soldado saltou
invadiram minha casa: predicado = termo determinado para a calçada e aproximou-se.” (o sujeito, soldado, está expresso
na primeira oração e elíptico na segunda: e (ele) aproximou-se.);
Há formigas na minha casa. Crianças, guardem os brinquedos. (sujeito: vocês)
há formigas na minha casa: predicado = termo determinado Agente: se faz a ação expressa pelo verbo da voz ativa: O Nilo
sujeito: inexistente fertiliza o Egito.
Paciente: quando sofre ou recebe os efeitos da ação expres-
O sujeito sempre se manifesta em termos de sintagma nomi- sa pelo verbo passivo: O criminoso é atormentado pelo remorso;
nal, isto é, seu núcleo é sempre um nome. Quando esse nome se Muitos sertanistas foram mortos pelos índios; Construíram-se
refere a objetos das primeira e segunda pessoas, o sujeito é repre- açudes. (= Açudes foram construídos.)
sentado por um pronome pessoal do caso reto (eu, tu, ele, etc.). Se Agente e Paciente: quando o sujeito faz a ação expressa por
o sujeito se refere a um objeto da terceira pessoa, sua representa- um verbo reflexivo e ele mesmo sofre ou recebe os efeitos dessa
ção pode ser feita através de um substantivo, de um pronome subs- ação: O operário feriu-se durante o trabalho; Regina trancou-se
tantivo ou de qualquer conjunto de palavras, cujo núcleo funcione, no quarto.
na sentença, como um substantivo. Indeterminado: quando não se indica o agente da ação verbal:
Exemplos: Atropelaram uma senhora na esquina. (Quem atropelou a senhora?
Não se diz, não se sabe quem a atropelou.); Come-se bem naquele
Eu acompanho você até o guichê. restaurante.
eu: sujeito = pronome pessoal de primeira pessoa Observações:
Vocês disseram alguma coisa? - Não confundir sujeito indeterminado com sujeito oculto.
vocês: sujeito = pronome pessoal de segunda pessoa - Sujeito formado por pronome indefinido não é indetermina-
Marcos tem um fã-clube no seu bairro. do, mas expresso: Alguém me ensinará o caminho. Ninguém lhe
Marcos: sujeito = substantivo próprio telefonou.
Ninguém entra na sala agora. - Assinala-se a indeterminação do sujeito usando-se o verbo
ninguém: sujeito = pronome substantivo na 3ª pessoa do plural, sem referência a qualquer agente já ex-
O andar deve ser uma atividade diária. presso nas orações anteriores: Na rua olhavam-no com admiração;
o andar: sujeito = núcleo: verbo substantivado nessa oração “Bateram palmas no portãozinho da frente.”; “De qualquer modo,
foi uma judiação matarem a moça.”
Além dessas formas, o sujeito também pode se constituir de - Assinala-se a indeterminação do sujeito com um verbo ativo
uma oração inteira. Nesse caso, a oração recebe o nome de oração na 3ª pessoa do singular, acompanhado do pronome se. O prono-
substantiva subjetiva: me se, neste caso, é índice de indeterminação do sujeito. Pode ser
omitido junto de infinitivos.
É difícil optar por esse ou aquele doce... Aqui vive-se bem.
É difícil: oração principal Devagar se vai ao longe.

Didatismo e Conhecimento 65
LÍNGUA PORTUGUESA
Quando se é jovem, a memória é mais vivaz. locução verbal). No primeiro caso, temos um predicado nominal
Trata-se de fenômenos que nem a ciência sabe explicar. (seu núcleo significativo é um nome, substantivo, adjetivo, pro-
nome, ligado ao sujeito por um verbo de ligação) e no segundo
- Assinala-se a indeterminação do sujeito deixando-se o verbo um predicado verbal (seu núcleo é um verbo, seguido, ou não,
no infinitivo impessoal: Era penoso carregar aqueles fardos enor- de complemento(s) ou termos acessórios). Quando, num mes-
mes; É triste assistir a estas cenas repulsivas. mo segmento o nome e o verbo são de igual importância, ambos
constituem o núcleo do predicado e resultam no tipo de predicado
Normalmente, o sujeito antecede o predicado; todavia, a pos- verbo-nominal (tem dois núcleos significativos: um verbo e um
posição do sujeito ao verbo é fato corriqueiro em nossa língua. nome). Exemplos:
Exemplos:
É fácil este problema! Minha empregada é desastrada.
Vão-se os anéis, fiquem os dedos. predicado: é desastrada
“Breve desapareceram os dois guerreiros entre as árvores.” núcleo do predicado: desastrada = atributo do sujeito
(José de Alencar) tipo de predicado: nominal
“Foi ouvida por Deus a súplica do condenado.” (Ramalho
Ortigão) O núcleo do predicado nominal chama-se predicativo do
“Mas terás tu paciência por duas horas?” (Camilo Castelo sujeito, porque atribui ao sujeito uma qualidade ou característica.
Branco) Os verbos de ligação (ser, estar, parecer, etc.) funcionam como
um elo entre o sujeito e o predicado.
Sem Sujeito: constituem a enunciação pura e absoluta de um
fato, através do predicado; o conteúdo verbal não é atribuído a ne- A empreiteira demoliu nosso antigo prédio.
nhum ser. São construídas com os verbos impessoais, na 3ª pessoa predicado: demoliu nosso antigo prédio
do singular: Havia ratos no porão; Choveu durante o jogo. núcleo do predicado: demoliu = nova informação sobre o
Observação: São verbos impessoais: Haver (nos sentidos de sujeito
existir, acontecer, realizar-se, decorrer), Fazer, passar, ser e estar, tipo de predicado: verbal
com referência ao tempo e Chover, ventar, nevar, gear, relampejar,
amanhecer, anoitecer e outros que exprimem fenômenos meteo- Os manifestantes desciam a rua desesperados.
rológicos. predicado: desciam a rua desesperados
Predicado: assim como o sujeito, o predicado é um segmento núcleos do predicado: desciam = nova informação sobre o
extraído da estrutura interna das orações ou das frases, sendo, por sujeito; desesperados = atributo do sujeito
isso, fruto de uma análise sintática. Nesse sentido, o predicado é tipo de predicado: verbo-nominal
sintaticamente o segmento linguístico que estabelece concordân-
cia com outro termo essencial da oração, o sujeito, sendo este o Nos predicados verbais e verbo-nominais o verbo é respon-
termo determinante (ou subordinado) e o predicado o termo deter- sável também por definir os tipos de elementos que aparecerão no
minado (ou principal). Não se trata, portanto, de definir o predica- segmento. Em alguns casos o verbo sozinho basta para compor o
do como “aquilo que se diz do sujeito” como fazem certas gramá- predicado (verbo intransitivo). Em outros casos é necessário um
ticas da língua portuguesa, mas sim estabelecer a importância do complemento que, juntamente com o verbo, constituem a nova in-
fenômeno da concordância entre esses dois termos essenciais da formação sobre o sujeito. De qualquer forma, esses complementos
oração. Então têm por características básicas: apresentar-se como do verbo não interferem na tipologia do predicado.
elemento determinado em relação ao sujeito; apontar um atributo Entretanto, é muito comum a elipse (ou omissão) do verbo,
ou acrescentar nova informação ao sujeito. Exemplos: quando este puder ser facilmente subentendido, em geral por estar
expresso ou implícito na oração anterior. Exemplos:
Carolina conhece os índios da Amazônia.
sujeito: Carolina = termo determinante “A fraqueza de Pilatos é enorme, a ferocidade dos algozes
predicado: conhece os índios da Amazônia = termo determinado inexcedível.” (Machado de Assis) (Está subentendido o verbo é
depois de algozes)
Todos nós fazemos parte da quadrilha de São João. “Mas o sal está no Norte, o peixe, no Sul” (Paulo Moreira da
sujeito: todos nós = termo determinante Silva) (Subentende-se o verbo está depois de peixe)
predicado: fazemos parte da quadrilha de São João = termo “A cidade parecia mais alegre; o povo, mais contente.” (Povi-
determinado na Cavalcante) (isto é: o povo parecia mais contente)

Nesses exemplos podemos observar que a concordância é Chama-se predicação verbal o modo pelo qual o verbo forma
estabelecida entre algumas poucas palavras dos dois termos es- o predicado.
senciais. No primeiro exemplo, entre “Carolina” e “conhece”; no Há verbos que, por natureza, tem sentido completo, podendo,
segundo exemplo, entre “nós” e “fazemos”. Isso se dá porque a por si mesmos, constituir o predicado: são os verbos de predicação
concordância é centrada nas palavras que são núcleos, isto é, que completa denominados intransitivos. Exemplo:
são responsáveis pela principal informação naquele segmento. No
predicado o núcleo pode ser de dois tipos: um nome, quase sempre As flores murcharam.
um atributo que se refere ao sujeito da oração, ou um verbo (ou Os animais correm.

Didatismo e Conhecimento 66
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As folhas caem. Dentre os verbos transitivos diretos merecem destaque os que
“Os inimigos de Moreiras rejubilaram.” (Graciliano Ramos) formam o predicado verbo nominal e se constrói com o comple-
mento acompanhado de predicativo. Exemplos:
Outros verbos há, pelo contrário, que para integrarem o pre- Consideramos o caso extraordinário.
dicado necessitam de outros termos: são os verbos de predicação Inês trazia as mãos sempre limpas.
incompleta, denominados transitivos. Exemplos: O povo chamava-os de anarquistas.
Julgo Marcelo incapaz disso.
João puxou a rede.
“Não invejo os ricos, nem aspiro à riqueza.” (Oto Lara Re- Observações: Os verbos transitivos diretos, em geral, podem
sende) ser usados também na voz passiva; Outra características desses
“Não simpatizava com as pessoas investidas no poder.” (Ca- verbos é a de poderem receber como objeto direto, os pronomes
milo Castelo Branco) o, a, os, as: convido-o, encontro-os, incomodo-a, conheço-as; Os
verbos transitivos diretos podem ser construídos acidentalmen-
Observe que, sem os seus complementos, os verbos puxou, in- te, com preposição, a qual lhes acrescenta novo matiz semânti-
vejo, aspiro, etc., não transmitiriam informações completas: puxou co: arrancar da espada; puxar da faca; pegar de uma ferramenta;
o quê? Não invejo a quem? Não aspiro a que? tomar do lápis; cumprir com o dever; Alguns verbos transitivos
Os verbos de predicação completa denominam-se intransiti- diretos: abençoar, achar, colher, avisar, abraçar, comprar, castigar,
vos e os de predicação incompleta, transitivos. Os verbos transiti- contrariar, convidar, desculpar, dizer, estimar, elogiar, entristecer,
vos subdividem-se em: transitivos diretos, transitivos indiretos encontrar, ferir, imitar, levar, perseguir, prejudicar, receber, saldar,
e transitivos diretos e indiretos (bitransitivos). socorrer, ter, unir, ver, etc.
Além dos verbos transitivos e intransitivos, quem encerram Transitivos Indiretos: são os que reclamam um complemento
uma noção definida, um conteúdo significativo, existem os de li- regido de preposição, chamado objeto indireto. Exemplos:
gação, verbos que entram na formação do predicado nominal, re- “Ninguém perdoa ao quarentão que se apaixona por uma ado-
lacionando o predicativo com o sujeito. lescente.” (Ciro dos Anjos)
Quanto à predicação classificam-se, pois os verbos em: “Populares assistiam à cena aparentemente apáticos e neu-
tros.” (Érico Veríssimo)
Intransitivos: são os que não precisam de complemento, pois “Lúcio não atinava com essa mudança instantânea.” (José
têm sentido completo. Américo)
“Três contos bastavam, insistiu ele.” (Machado de Assis) “Do que eu mais gostava era do tempo do retiro espiritual.”
“Os guerreiros Tabajaras dormem.” (José de Alencar) (José Geraldo Vieira)
“A pobreza e a preguiça andam sempre em companhia.”
(Marquês de Maricá) Observações: Entre os verbos transitivos indiretos importa
distinguir os que se constroem com os pronomes objetivos lhe,
Observações: Os verbos intransitivos podem vir acompanha- lhes. Em geral são verbos que exigem a preposição a: agradar-lhe,
dos de um adjunto adverbial e mesmo de um predicativo (quali- agradeço-lhe, apraz lhe, bate-lhe, desagrada-lhe, desobedecem-
dade, características): Fui cedo; Passeamos pela cidade; Cheguei -lhe, etc. Entre os verbos transitivos indiretos importa distinguir os
atrasado; Entrei em casa aborrecido. As orações formadas com que não admitem para objeto indireto as formas oblíquas lhe, lhes,
verbos intransitivos não podem “transitar” (= passar) para a voz construindo-se com os pronomes retos precedidos de preposição:
passiva. Verbos intransitivos passam, ocasionalmente, a transitivos aludir a ele, anuir a ele, assistir a ela, atentar nele, depender dele,
quando construídos com o objeto direto ou indireto. investir contra ele, não ligar para ele, etc.
- “Inutilmente a minha alma o chora!” (Cabral do Nascimento) Em princípio, verbos transitivos indiretos não comportam a
- “Depois me deitei e dormi um sono pesado.” (Luís Jardim) forma passiva. Excetuam-se pagar, perdoar, obedecer, e pouco
- “Morrerás morte vil da mão de um forte.” (Gonçalves Dias) mais, usados também como transitivos diretos: João paga (perdoa,
- “Inútil tentativa de viajar o passado, penetrar no mundo que obedece) o médico. O médico é pago (perdoado, obedecido) por
já morreu...” (Ciro dos Anjos) João. Há verbos transitivos indiretos, como atirar, investir, conten-
tar-se, etc., que admitem mais de uma preposição, sem mudança
Alguns verbos essencialmente intransitivos: anoitecer, cres- de sentido. Outros mudam de sentido com a troca da preposição,
cer, brilhar, ir, agir, sair, nascer, latir, rir, tremer, brincar, chegar, como nestes exemplos: Trate de sua vida. (tratar=cuidar). É desa-
vir, mentir, suar, adoecer, etc. gradável tratar com gente grosseira. (tratar=lidar). Verbos como
aspirar, assistir, dispor, servir, etc., variam de significação confor-
Transitivos Diretos: são os que pedem um objeto direto, isto me sejam usados como transitivos diretos ou indiretos.
é, um complemento sem preposição. Pertencem a esse grupo: jul-
gar, chamar, nomear, eleger, proclamar, designar, considerar, de- Transitivos Diretos e Indiretos: são os que se usam com dois
clarar, adotar, ter, fazer, etc. Exemplos: objetos: um direto, outro indireto, concomitantemente. Exemplos:
Comprei um terreno e construí a casa. No inverso, Dona Cléia dava roupas aos pobres.
“Trabalho honesto produz riqueza honrada.” (Marquês de A empresa fornece comida aos trabalhadores.
Maricá) Oferecemos flores à noiva.
“Então, solenemente Maria acendia a lâmpada de sábado.” Ceda o lugar aos mais velhos.
(Guedes de Amorim)

Didatismo e Conhecimento 67
LÍNGUA PORTUGUESA
De Ligação: Os que ligam ao sujeito uma palavra ou expres- Predicativo do Objeto: é o termo que se refere ao objeto de
são chamada predicativo. Esses verbos, entram na formação do um verbo transitivo. Exemplos:
predicado nominal. Exemplos: O juiz declarou o réu inocente.
A Terra é móvel. O povo elegeu-o deputado.
A água está fria. As paixões tornam os homens cegos.
O moço anda (=está) triste. Nós julgamos o fato milagroso.
Mário encontra-se doente.
A Lua parecia um disco. Observações: O predicativo objetivo, como vemos dos exem-
plos acima, às vezes vem regido de preposição. Esta, em certos
Observações: Os verbos de ligação não servem apenas de ane- casos, é facultativa; O predicativo objetivo geralmente se refere
xo, mas exprimem ainda os diversos aspectos sob os quais se con- ao objeto direto. Excepcionalmente, pode referir-se ao objeto in-
sidera a qualidade atribuída ao sujeito. O verbo ser, por exemplo, direto do verbo chamar. Chamavam-lhe poeta; Podemos antepor
traduz aspecto permanente e o verbo estar, aspecto transitório: Ele o predicativo a seu objeto: O advogado considerava indiscutíveis
é doente. (aspecto permanente); Ele está doente. (aspecto transitó- os direitos da herdeira.; Julgo inoportuna essa viagem.; “E até
rio). Muito desses verbos passam à categoria dos intransitivos em embriagado o vi muitas vezes.”; “Tinha estendida a seus pés uma
frases como: Era =existia) uma vez uma princesa.; Eu não estava planta rústica da cidade.”; “Sentia ainda muito abertos os ferimen-
em casa.; Fiquei à sombra.; Anda com dificuldades.; Parece que tos que aquele choque com o mundo me causara.”
vai chover.
Termos Integrantes da Oração
Os verbos, relativamente à predicação, não têm classificação Chamam-se termos integrantes da oração os que completam
fixa, imutável. Conforme a regência e o sentido que apresentam a significação transitiva dos verbos e nomes. Integram (inteiram,
na frase, podem pertencer ora a um grupo, ora a outro. Exemplo: completam) o sentido da oração, sendo por isso indispensável à
O homem anda. (intransitivo) compreensão do enunciado. São os seguintes:
O homem anda triste. (de ligação) - Complemento Verbais (Objeto Direto e Objeto Indireto);
- Complemento Nominal;
O cego não vê. (intransitivo) - Agente da Passiva.
O cego não vê o obstáculo. (transitivo direto) Objeto Direto: é o complemento dos verbos de predicação
incompleta, não regido, normalmente, de preposição. Exemplos:
Deram 12 horas. (intransitivo) As plantas purificaram o ar.
A terra dá bons frutos. (transitivo direto) “Nunca mais ele arpoara um peixe-boi.” (Ferreira Castro)
Procurei o livro, mas não o encontrei.
Não dei com a chave do enigma. (transitivo indireto) Ninguém me visitou.
Os pais dão conselhos aos filhos. (transitivo direto e indireto)
O objeto direto tem as seguintes características:
Predicativo: Há o predicativo do sujeito e o predicativo do - Completa a significação dos verbos transitivos diretos;
objeto. - Normalmente, não vem regido de preposição;
- Traduz o ser sobre o qual recai a ação expressa por um verbo
Predicativo do Sujeito: é o termo que exprime um atributo, ativo: Caim matou Abel.
um estado ou modo de ser do sujeito, ao qual se prende por um - Torna-se sujeito da oração na voz passiva: Abel foi morto
verbo de ligação, no predicado nominal. Exemplos: por Caim.
A bandeira é o símbolo da Pátria.
A mesa era de mármore. O objeto direto pode ser constituído:
O mar estava agitado. - Por um substantivo ou expressão substantivada: O lavrador
A ilha parecia um monstro. cultiva a terra.; Unimos o útil ao agradável.
- Pelos pronomes oblíquos o, a, os, as, me, te, se, nos, vos:
Além desse tipo de predicativo, outro existe que entra na Espero-o na estação.; Estimo-os muito.; Sílvia olhou-se ao espe-
constituição do predicado verbo-nominal. Exemplos: lho.; Não me convidas?; Ela nos chama.; Avisamo-lo a tempo.;
O trem chegou atrasado. (=O trem chegou e estava atrasado.) Procuram-na em toda parte.; Meu Deus, eu vos amo.; “Marchei
O menino abriu a porta ansioso. resolutamente para a maluca e intimei-a a ficar quieta.”; “Vós ha-
Todos partiram alegres. veis de crescer, perder-vos-ei de vista.”
Marta entrou séria. - Por qualquer pronome substantivo: Não vi ninguém na loja.;
A árvore que plantei floresceu. (que: objeto direto de plantei);
Observações: O predicativo subjetivo às vezes está preposi- Onde foi que você achou isso? Quando vira as folhas do livro,
cionado; Pode o predicativo preceder o sujeito e até mesmo ao ela o faz com cuidado.; “Que teria o homem percebido nos meus
verbo: São horríveis essas coisas!; Que linda estava Amélia!; escritos?”
Completamente feliz ninguém é.; Raros são os verdadeiros líde-
res.; Quem são esses homens?; Lentos e tristes, os retirantes iam Frequentemente transitivam-se verbos intransitivos, dando-se
passando.; Novo ainda, eu não entendia certas coisas.; Onde está lhes por objeto direto uma palavra cognata ou da mesma esfera
a criança que fui? semântica:

Didatismo e Conhecimento 68
LÍNGUA PORTUGUESA
“Viveu José Joaquim Alves vida tranquila e patriarcal.” (Vi- Objeto Direto Pleonástico: Quando queremos dar destaque
valdo Coaraci) ou ênfase à idéia contida no objeto direto, colocamo-lo no início
“Pela primeira vez chorou o choro da tristeza.” (Aníbal Ma- da frase e depois o repetimos ou reforçamos por meio do pronome
chado) oblíquo. A esse objeto repetido sob forma pronominal chama-se
“Nenhum de nós pelejou a batalha de Salamina.” (Machado pleonástico, enfático ou redundante. Exemplos:
de Assis) O dinheiro, Jaime o trazia escondido nas mangas da camisa.
Em tais construções é de rigor que o objeto venha acompanha- O bem, muitos o louvam, mas poucos o seguem.
do de um adjunto. “Seus cavalos, ela os montava em pêlo.” (Jorge Amado)
Objeto Direto Preposicionado: Há casos em que o objeto
direto, isto é, o complemento de verbos transitivos diretos, vem Objeto Indireto: É o complemento verbal regido de preposi-
precedido de preposição, geralmente a preposição a. Isto ocorre ção necessária e sem valor circunstancial. Representa, ordinaria-
principalmente: mente, o ser a que se destina ou se refere a ação verbal: “Nunca
- Quando o objeto direto é um pronome pessoal tônico: Deste desobedeci a meu pai”. O objeto indireto completa a significação
modo, prejudicas a ti e a ela.; “Mas dona Carolina amava mais a dos verbos:
ele do que aos outros filhos.”; “Pareceu-me que Roberto hostiliza- - Transitivos Indiretos: Assisti ao jogo; Assistimos à missa e
va antes a mim do que à ideia.”; “Ricardina lastimava o seu amigo à festa; Aludiu ao fato; Aspiro a uma vida calma.
como a si própria.”; “Amava-a tanto como a nós”.
- Quando o objeto é o pronome relativo quem: “Pedro Seve- - Transitivos Diretos e Indiretos (na voz ativa ou passiva):
riano tinha um filho a quem idolatrava.”; “Abraçou a todos; deu Dou graças a Deus; Ceda o lugar aos mais velhos; Dedicou sua
um beijo em Adelaide, a quem felicitou pelo desenvolvimento vida aos doentes e aos pobres; Disse-lhe a verdade. (Disse a ver-
das suas graças.”; “Agora sabia que podia manobrar com ele, com dade ao moço.)
aquele homem a quem na realidade também temia, como todos
ali”. O objeto indireto pode ainda acompanhar verbos de outras ca-
- Quando precisamos assegurar a clareza da frase, evitando tegorias, os quais, no caso, são considerados acidentalmente tran-
que o objeto direto seja tomado como sujeito, impedindo constru- sitivos indiretos: A bom entendedor meia palavra basta; Sobram-
ções ambíguas: Convence, enfim, ao pai o filho amado.; “Vence
-lhe qualidades e recursos. (lhe=a ele); Isto não lhe convém; A
o mal ao remédio.”; “Tratava-me sem cerimônia, como a um ir-
mão.”; A qual delas iria homenagear o cavaleiro? proposta pareceu-lhe aceitável.
- Em expressões de reciprocidade, para garantir a clareza e a
eufonia da frase: “Os tigres despedaçam-se uns aos outros.”; “As Observações: Há verbos que podem construir-se com dois ob-
companheiras convidavam-se umas às outras.”; “Era o abraço de jetos indiretos, regidos de preposições diferentes: Rogue a Deus
duas criaturas que só tinham uma à outra”. por nós.; Ela queixou-se de mim a seu pai.; Pedirei para ti a
- Com nomes próprios ou comuns, referentes a pessoas, prin- meu senhor um rico presente; Não confundir o objeto direto com
cipalmente na expressão dos sentimentos ou por amor da eufonia o complemento nominal nem com o adjunto adverbial; Em frases
da frase: Judas traiu a Cristo.; Amemos a Deus sobre todas as como “Para mim tudo eram alegrias”, “Para ele nada é impossí-
coisas. “Provavelmente, enganavam é a Pedro.”; “O estrangeiro vel”, os pronomes em destaque podem ser considerados adjuntos
foi quem ofendeu a Tupã”. adverbiais.
- Em construções enfáticas, nas quais antecipamos o objeto
direto para dar-lhe realce: A você é que não enganam!; A médico, O objeto indireto é sempre regido de preposição, expressa ou
confessor e letrado nunca enganes.; “A este confrade conheço implícita. A preposição está implícita nos pronomes objetivos in-
desde os seus mais tenros anos”. diretos (átonos) me, te, se, lhe, nos, vos, lhes. Exemplos: Obedece-
- Sendo objeto direto o numeral ambos(as): “O aguaceiro caiu, -me. (=Obedece a mim.); Isto te pertence. (=Isto pertence a ti.);
molhou a ambos.”; “Se eu previsse que os matava a ambos...”. Rogo-lhe que fique. (=Rogo a você...); Peço-vos isto. (=Peço isto
- Com certos pronomes indefinidos, sobretudo referentes a
a vós.). Nos demais casos a preposição é expressa, como carac-
pessoas: Se todos são teus irmãos, por que amas a uns e odeias a
outros?; Aumente a sua felicidade, tornando felizes também aos terística do objeto indireto: Recorro a Deus.; Dê isto a (ou para)
outros.; A quantos a vida ilude!. ele.; Contenta-se com pouco.; Ele só pensa em si.; Esperei por ti.;
- Em certas construções enfáticas, como puxar (ou arrancar) Falou contra nós.; Conto com você.; Não preciso disto.; O filme
da espada, pegar da pena, cumprir com o dever, atirar com os li- a que assisti agradou ao público.; Assisti ao desenrolar da luta.;
vros sobre a mesa, etc.: “Arrancam das espadas de aço fino...”; A coisa de que mais gosto é pescar.; A pessoa a quem me refiro
“Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da você a conhece.; Os obstáculos contra os quais luto são muitos.;
linha, enfiou a linha na agulha e entrou a coser.”; “Imagina-se a As pessoas com quem conto são poucas.
consternação de Itaguaí, quando soube do caso.”
Como atestam os exemplos acima, o objeto indireto é repre-
Observações: Nos quatro primeiros casos estudados a prepo- sentado pelos substantivos (ou expressões substantivas) ou pelos
sição é de rigor, nos cinco outros, facultativa; A substituição do pronomes. As preposições que o ligam ao verbo são: a, com, con-
objeto direto preposicionado pelo pronome oblíquo átono, quando tra, de, em, para e por.
possível, se faz com as formas o(s), a(s) e não lhe, lhes: amar a
Deus (amá-lo); convencer ao amigo (convencê-lo); O objeto dire- Objeto Indireto Pleonástico: à semelhança do objeto direto, o
to preposicionado, é obvio, só ocorre com verbo transitivo direto; objeto indireto pode vir repetido ou reforçado, por ênfase. Exem-
Podem resumir-se em três as razões ou finalidades do emprego do
plos: “A mim o que me deu foi pena.”; “Que me importa a mim o
objeto direto preposicionado: a clareza da frase; a harmonia da
destino de uma mulher tísica...? “E, aos brigões, incapazes de se
frase; a ênfase ou a força da expressão.
moverem, basta-lhes xingarem-se a distância.”

Didatismo e Conhecimento 69
LÍNGUA PORTUGUESA
Complemento Nominal: é o termo complementar reclamado O adjunto adnominal pode ser expresso: Pelos adjetivos: água
pela significação transitiva, incompleta, de certos substantivos, ad- fresca, terras férteis, animal feroz; Pelos artigos: o mundo, as
jetivos e advérbios. Vem sempre regido de preposição. Exemplos: ruas, um rapaz; Pelos pronomes adjetivos: nosso tio, este lugar,
A defesa da pátria; Assistência às aulas; “O ódio ao mal é amor pouco sal, muitas rãs, país cuja história conheço, que rua?; Pelos
do bem, e a ira contra o mal, entusiasmo divino.”; “Ah, não fosse numerais: dois pés, quinto ano, capítulo sexto; Pelas locuções ou
ele surdo à minha voz!” expressões adjetivas que exprimem qualidade, posse, origem, fim
ou outra especificação:
Observações: O complemento nominal representa o recebe- - presente de rei (=régio): qualidade
dor, o paciente, o alvo da declaração expressa por um nome: amor - livro do mestre, as mãos dele: posse, pertença
a Deus, a condenação da violência, o medo de assaltos, a remessa - água da fonte, filho de fazendeiros: origem
de cartas, útil ao homem, compositor de músicas, etc. É regido - fio de aço, casa de madeira: matéria
pelas mesmas preposições usadas no objeto indireto. Difere des- - casa de ensino, aulas de inglês: fim, especialidade
te apenas porque, em vez de complementar verbos, complementa - homem sem escrúpulos (=inescrupuloso): qualidade
nomes (substantivos, adjetivos) e alguns advérbios em –mente. A - criança com febre (=febril): característica
nomes que requerem complemento nominal correspondem, ge- - aviso do diretor: agente
ralmente, verbos de mesmo radical: amor ao próximo, amar o
próximo; perdão das injúrias, perdoar as injúrias; obediente aos Observações: Não confundir o adjunto adnominal formado
pais, obedecer aos pais; regresso à pátria, regressar à pátria; etc. por locução adjetiva com complemento nominal. Este represen-
ta o alvo da ação expressa por um nome transitivo: a eleição do
Agente da Passiva: é o complemento de um verbo na voz pas- presidente, aviso de perigo, declaração de guerra, empréstimo
siva. Representa o ser que pratica a ação expressa pelo verbo passi- de dinheiro, plantio de árvores, colheita de trigo, destruidor de
vo. Vem regido comumente pela preposição por, e menos frequen- matas, descoberta de petróleo, amor ao próximo, etc. O adjunto
temente pela preposição de: Alfredo é estimado pelos colegas; A adnominal formado por locução adjetiva representa o agente da
cidade estava cercada pelo exército romano; “Era conhecida de ação, ou a origem, pertença, qualidade de alguém ou de alguma
todo mundo a fama de suas riquezas.”
coisa: o discurso do presidente, aviso de amigo, declaração do
ministro, empréstimo do banco, a casa do fazendeiro, folhas de
O agente da passiva pode ser expresso pelos substantivos ou
árvores, farinha de trigo, beleza das matas, cheiro de petróleo,
pelos pronomes:
amor de mãe.
As flores são umedecidas pelo orvalho.
A carta foi cuidadosamente corrigida por mim.
Adjunto adverbial: É o termo que exprime uma circunstância
Muitos já estavam dominados por ele.
(de tempo, lugar, modo, etc.) ou, em outras palavras, que modifica
O agente da passiva corresponde ao sujeito da oração na voz o sentido de um verbo, adjetivo ou advérbio. Exemplo: “Meninas
ativa: numa tarde brincavam de roda na praça”. O adjunto adverbial
A rainha era chamada pela multidão. (voz passiva) é expresso: Pelos advérbios: Cheguei cedo.; Ande devagar.; Ma-
A multidão aclamava a rainha. (voz ativa) ria é mais alta.; Não durma ao volante.; Moramos aqui.; Ele fala
Ele será acompanhado por ti. (voz passiva) bem, fala corretamente.; Volte bem depressa.; Talvez esteja en-
Tu o acompanharás. (voz ativa) ganado.; Pelas locuções ou expressões adverbiais: Às vezes viaja-
va de trem.; Compreendo sem esforço.; Saí com meu pai.; Júlio
Observações: Frase de forma passiva analítica sem comple- reside em Niterói.; Errei por distração.; Escureceu de repente.
mento agente expresso, ao passar para a ativa, terá sujeito inde-
terminado e o verbo na 3ª pessoa do plural: Ele foi expulso da Observações: Pode ocorrer a elipse da preposição antes de
cidade. (Expulsaram-no da cidade.); As florestas são devastadas. adjuntos adverbiais de tempo e modo: Aquela noite, não dormi.
(Devastam as florestas.); Na passiva pronominal não se declara o (=Naquela noite...); Domingo que vem não sairei. (=No domin-
agente: Nas ruas assobiavam-se as canções dele pelos pedestres. go...); Ouvidos atentos, aproximei-me da porta. (=De ouvidos
(errado); Nas ruas eram assobiadas as canções dele pelos pedes- atentos...); Os adjuntos adverbiais classificam-se de acordo com as
tres. (certo); Assobiavam-se as canções dele nas ruas. (certo) circunstâncias que exprimem: adjunto adverbial de lugar, modo,
tempo, intensidade, causa, companhia, meio, assunto, negação,
Termos Acessórios da Oração etc; É importante saber distinguir adjunto adverbial de adjunto ad-
nominal, de objeto indireto e de complemento nominal: sair do
Termos acessórios são os que desempenham na oração uma mar (ad.adv.); água do mar (adj.adn.); gosta do mar (obj.indir.);
função secundária, qual seja a de caracterizar um ser, determinar ter medo do mar (compl.nom.).
os substantivos, exprimir alguma circunstância. São três os ter-
mos acessórios da oração: adjunto adnominal, adjunto adverbial Aposto: É uma palavra ou expressão que explica ou esclarece,
e aposto. desenvolve ou resume outro termo da oração. Exemplos:
D. Pedro II, imperador do Brasil, foi um monarca sábio.
Adjunto adnominal: É o termo que caracteriza ou determina “Nicanor, ascensorista, expôs-me seu caso de consciência.”
os substantivos. Exemplo: Meu irmão veste roupas vistosas. (Meu (Carlos Drummond de Andrade)
determina o substantivo irmão: é um adjunto adnominal – vistosas “No Brasil, região do ouro e dos escravos, encontramos a
caracteriza o substantivo roupas: é também adjunto adnominal). felicidade.” (Camilo Castelo Branco)

Didatismo e Conhecimento 70
LÍNGUA PORTUGUESA
“No fundo do mato virgem nasceu Macunaíma, herói de nos- “Elesbão? Ó Elesbão! Venha ajudar-nos, por favor!” (Maria
sa gente.” (Mário de Andrade) de Lourdes Teixeira)
“A ordem, meus amigos, é a base do governo.” (Machado de
O núcleo do aposto é um substantivo ou um pronome subs- Assis)
tantivo: “Correi, correi, ó lágrimas saudosas!” (fagundes Varela)
Foram os dois, ele e ela. “Ei-lo, o teu defensor, ó Liberdade!” (Mendes Leal)
Só não tenho um retrato: o de minha irmã.
O dia amanheceu chuvoso, o que me obrigou a ficar em casa.
Observação: Profere-se o vocativo com entoação exclamativa.
O aposto não pode ser formado por adjetivos. Nas frases se- Na escrita é separado por vírgula(s). No exemplo inicial, os pontos
guintes, por exemplo, não há aposto, mas predicativo do sujeito: interrogativo e exclamativo indicam um chamado alto e prolonga-
Audaciosos, os dois surfistas atiraram-se às ondas. do. O vocativo se refere sempre à 2ª pessoa do discurso, que pode
As borboletas, leves e graciosas, esvoaçavam num balé de ser uma pessoa, um animal, uma coisa real ou entidade abstrata
cores. personificada. Podemos antepor-lhe uma interjeição de apelo (ó,
olá, eh!):
Os apostos, em geral, destacam-se por pausas, indicadas, na “Tem compaixão de nós , ó Cristo!” (Alexandre Herculano)
escrita, por vírgulas, dois pontos ou travessões. Não havendo pau- “Ó Dr. Nogueira, mande-me cá o Padilha, amanhã!” (Graci-
sa, não haverá vírgula, como nestes exemplos: liano Ramos)
Minha irmã Beatriz; o escritor João Ribeiro; o romance Tóia; “Esconde-te, ó sol de maio, ó alegria do mundo!” (Camilo
o rio Amazonas; a Rua Osvaldo Cruz; o Colégio Tiradentes, etc. Castelo Branco)
“Onde estariam os descendentes de Amaro vaqueiro?” (Gra- O vocativo é um tempo à parte. Não pertence à estrutura da
ciliano Ramos)
oração, por isso não se anexa ao sujeito nem ao predicado.
O aposto pode preceder o termo a que se refere, o qual, às
vezes, está elíptico. Exemplos: Exercícios
Rapaz impulsivo, Mário não se conteve.
Mensageira da idéia, a palavra é a mais bela expressão da 01. Considere a frase “Ele andava triste porque não encon-
alma humana. trava a companheira” – os verbos grifados são respectivamente:
“Irmão do mar, do espaço, amei as solidões sobre os roche- a) transitivo direto – de ligação;
dos ásperos.” (Cabral do Nascimento)(refere-se ao sujeito oculto b) de ligação – intransitivo;
eu). c) de ligação – transitivo indireto;
d) transitivo direto – transitivo indireto;
O aposto, às vezes, refere-se a toda uma oração. Exemplos: e) de ligação – transitivo direto.
Nuvens escuras borravam os espaços silenciosos, sinal de
tempestade iminente. 02. Indique a única alternativa que não apresenta agente da
O espaço é incomensurável, fato que me deixa atônito. passiva:
Simão era muito espirituoso, o que me levava a preferir sua
a) A casa foi construída por nós.
companhia.
b) O presidente será eleito pelo povo.
Um aposto pode referir-se a outro aposto: c) Ela será coroada por ti.
“Serafim Gonçalves casou-se com Lígia Tavares, filha do ve- d) O avô era querido por todos.
lho coronel Tavares, senhor de engenho.” (Ledo Ivo) e) Ele foi eleito por acaso.

O aposto pode vir precedido das expressões explicativas isto 03. Em: “A terra era povoada de selvagens”, o termo grifado
é, a saber, ou da preposição acidental como: é:
Dois países sul-americanos, isto é, a Bolívia e o Paraguai, a) objeto direto;
não são banhados pelo mar. b) objeto indireto;
Este escritor, como romancista, nunca foi superado. c) agente da passiva;
d) complemento nominal;
O aposto que se refere a objeto indireto, complemento nomi- e) adjunto adverbial.
nal ou adjunto adverbial vem precedido de preposição:
O rei perdoou aos dois: ao fidalgo e ao criado.
04. Em: “Dulce considerou calada, por um momento, aquele
“Acho que adoeci disso, de beleza, da intensidade das coi-
horrível delírio”, os termos grifados são respectivamente:
sas.” (Raquel Jardim)
De cobras, morcegos, bichos, de tudo ela tinha medo. a) objeto direto – objeto direto;
b) predicativo do sujeito – adjunto adnominal;
Vocativo: (do latim vocare = chamar) é o termo (nome, título, c) adjunto adverbial – objeto direto;
apelido) usado para chamar ou interpelar a pessoa, o animal ou a d) adjunto adverbial – adjunto adnominal;
coisa personificada a que nos dirigimos: e) objeto indireto – objeto direto.

Didatismo e Conhecimento 71
LÍNGUA PORTUGUESA
05. Assinale a alternativa correta: “para todos os males, há Existe uma maneira prática de saber quantas orações há num
dois remédios: o tempo e o silêncio”, os termos grifados são res- período: é contar os verbos ou locuções verbais. Num período ha-
pectivamente: verá tantas orações quantos forem os verbos ou as locuções verbais
a) sujeito – objeto direto; nele existentes. Exemplos:
b) sujeito – aposto; Pegou fogo no prédio. (um verbo, uma oração)
c) objeto direto – aposto; Quero que você aprenda. (dois verbos, duas orações)
d) objeto direto – objeto direto; Está pegando fogo no prédio. (uma locução verbal, uma oração)
e) objeto direto – complemento nominal. Deves estudar para poderes vencer na vida. (duas locuções
verbais, duas orações)
06. “Usando do direito que lhe confere a Constituição”, as Há três tipos de período composto: por coordenação, por su-
palavras grifadas exercem a função respectivamente de: bordinação e por coordenação e subordinação ao mesmo tempo
a) objeto direto – objeto direto; (também chamada de misto).
b) sujeito – objeto direto;
c) objeto direto – sujeito; Período Composto por Coordenação. Orações Coordenadas
d) sujeito – sujeito;
e) objeto direto – objeto indireto. Considere, por exemplo, este período composto:

07. “Recebeu o prêmio o jogador que fez o gol”. Nessa frase Passeamos pela praia, / brincamos, / recordamos os tempos
o sujeito de “fez”? de infância.
a) o prêmio; 1ª oração: Passeamos pela praia
b) o jogador; 2ª oração: brincamos
c) que; 3ª oração: recordamos os tempos de infância
d) o gol;
e) recebeu. As três orações que compõem esse período têm sentido pró-
prio e não mantêm entre si nenhuma dependência sintática: elas
08. Assinale a alternativa correspondente ao período onde há são independentes. Há entre elas, é claro, uma relação de sentido,
predicativo do sujeito: mas, como já dissemos, uma não depende da outra sintaticamente.
a) como o povo anda tristonho! As orações independentes de um período são chamadas de
b) agradou ao chefe o novo funcionário; orações coordenadas (OC), e o período formado só de orações
c) ele nos garantiu que viria; coordenadas é chamado de período composto por coordenação.
d) no Rio não faltam diversões; As orações coordenadas são classificadas em assindéticas e
e) o aluno ficou sabendo hoje cedo de sua aprovação. sindéticas.

09. Em: “Cravei-lhe os dentes na carne, com toda a força que - As orações coordenadas são assindéticas (OCA) quando
eu tinha”, a palavra “que” tem função morfossintática de: não vêm introduzidas por conjunção. Exemplo:
a) pronome relativo – sujeito; Os torcedores gritaram, / sofreram, / vibraram.
b) conjunção subordinada – conectivo; OCA OCA OCA
c) conjunção subordinada – complemento verbal;
d) pronome relativo – objeto direto; “Inclinei-me, apanhei o embrulho e segui.” (Machado de As-
e) conjunção subordinada – objeto direto. sis)
“A noite avança, há uma paz profunda na casa deserta.” (An-
10. Assinale a alternativa em que a expressão grifada tem a tônio Olavo Pereira)
função de complemento nominal: “O ferro mata apenas; o ouro infama, avilta, desonra.” (Coe-
a) a curiosidade do homem incentiva-o a pesquisa; lho Neto)
b) a cidade de Londres merece ser conhecida por todos;
c) o respeito ao próximo é dever de todos; - As orações coordenadas são sindéticas (OCS) quando vêm
d) o coitado do velho mendigava pela cidade; introduzidas por conjunção coordenativa. Exemplo:
e) o receio de errar dificultava o aprendizado das línguas. O homem saiu do carro / e entrou na casa.
OCA OCS
Respostas: 01-E / 02-E / 03-C / 04-C / 05-C / 06-E / 07-C /
08-A / 09-D / 10-C / As orações coordenadas sindéticas são classificadas de acor-
do com o sentido expresso pelas conjunções coordenativas que as
Período: Toda frase com uma ou mais orações constitui um introduzem. Pode ser:
período, que se encerra com ponto de exclamação, ponto de inter-
rogação ou com reticências. - Orações coordenadas sindéticas aditivas: e, nem, não só...
O período é simples quando só traz uma oração, chamada ab- mas também, não só... mas ainda.
soluta; o período é composto quando traz mais de uma oração. Saí da escola / e fui à lanchonete.
Exemplo: Pegou fogo no prédio. (Período simples, oração absolu- OCA OCS Aditiva
ta.); Quero que você aprenda. (Período composto.)

Didatismo e Conhecimento 72
LÍNGUA PORTUGUESA
Observe que a 2ª oração vem introduzida por uma conjunção Observe que a 2ª oração é introduzida por uma conjunção que
que expressa idéia de acréscimo ou adição com referência à oração expressa idéia de explicação, de justificativa em relação à oração
anterior, ou seja, por uma conjunção coordenativa aditiva. anterior, ou seja, por uma conjunção coordenativa explicativa.

A doença vem a cavalo e volta a pé. Leve-lhe uma lembrança, que ela aniversaria amanhã.
As pessoas não se mexiam nem falavam. “A mim ninguém engana, que não nasci ontem.” (Érico Ve-
“Não só findaram as queixas contra o alienista, mas até ne- ríssimo)
nhum ressentimento ficou dos atos que ele praticara.” (Machado “Qualquer que seja a tua infância, conquista-a, que te aben-
çôo.” (Fernando Sabino)
de Assis)
O cavalo estava cansado, pois arfava muito.
- Orações coordenadas sindéticas adversativas: mas, porém,
todavia, contudo, entretanto, no entanto. Exercícios
Estudei bastante / mas não passei no teste.
OCA OCS Adversativa 01. Relacione as orações coordenadas por meio de conjun-
ções:
Observe que a 2ª oração vem introduzida por uma conjunção a) Ouviu-se o som da bateria. Os primeiros foliões surgiram.
que expressa idéia de oposição à oração anterior, ou seja, por uma b) Não durma sem cobertor. A noite está fria.
conjunção coordenativa adversativa. c) Quero desculpar-me. Não consigo encontrá-los.

A espada vence, mas não convence. Respostas:


“É dura a vida, mas aceitam-na.” (Cecília Meireles) Ouviu-se o som da bateria e os primeiros foliões surgiram.
Tens razão, contudo não te exaltes. Não durma sem cobertor, pois a noite está fria.
Havia muito serviço, entretanto ninguém trabalhava. Quero desculpar-me, mais consigo encontrá-los.

- Orações coordenadas sindéticas conclusivas: portanto, por 02. Em: “... ouviam-se amplos bocejos, fortes como o maru-
isso, pois, logo. lhar das ondas...” a partícula como expressa uma ideia de:
Ele me ajudou muito, / portanto merece minha gratidão. a) causa
b) explicação
OCA OCS Conclusiva
c) conclusão
d) proporção
Observe que a 2ª oração vem introduzida por uma conjunção e) comparação
que expressa idéia de conclusão de um fato enunciado na oração
anterior, ou seja, por uma conjunção coordenativa conclusiva. Resposta: E
A conjunção como exercer a função comparativa. Os amplos
Vives mentindo; logo, não mereces fé. bocejos ouvidos são comparados à força do marulhar das ondas.
Ele é teu pai: respeita-lhe, pois, a vontade.
Raimundo é homem são, portanto deve trabalhar. 03. “Entrando na faculdade, procurarei emprego”, oração
sublinhada pode indicar uma ideia de:
- Orações coordenadas sindéticas alternativas: ou,ou... ou, a) concessão
ora... ora, seja... seja, quer... quer. b) oposição
Seja mais educado / ou retire-se da reunião! c) condição
OCA OCS Alternativa d) lugar
e) consequência
Observe que a 2ª oração vem introduzida por uma conjunção
que estabelece uma relação de alternância ou escolha com refe- Resposta: C
A condição necessária para procurar emprego é entrar na fa-
rência à oração anterior, ou seja, por uma conjunção coordenativa
culdade.
alternativa.
04. Assinale a sequência de conjunções que estabelecem, en-
Venha agora ou perderá a vez. tre as orações de cada item, uma correta relação de sentido.
“Jacinta não vinha à sala, ou retirava-se logo.” (Machado de
Assis) 1. Correu demais, ... caiu.
“Em aviação, tudo precisa ser bem feito ou custará preço 2. Dormiu mal, ... os sonhos não o deixaram em paz.
muito caro.” (Renato Inácio da Silva) 3. A matéria perece, ... a alma é imortal.
“A louca ora o acariciava, ora o rasgava freneticamente.” 4. Leu o livro, ... é capaz de descrever as personagens com
(Luís Jardim) detalhes.
5. Guarde seus pertences, ... podem servir mais tarde.
- Orações coordenadas sindéticas explicativas: que, porque, a) porque, todavia, portanto, logo, entretanto
pois, porquanto. b) por isso, porque, mas, portanto, que
Vamos andar depressa / que estamos atrasados. c) logo, porém, pois, porque, mas
OCA OCS Explicativa d) porém, pois, logo, todavia, porque
e) entretanto, que, porque, pois, portanto

Didatismo e Conhecimento 73
LÍNGUA PORTUGUESA
Resposta: B Dentre os períodos transcritos do texto acima, um é composto
Por isso – conjunção conclusiva. por coordenação e contém uma oração coordenada sindética ad-
Porque – conjunção explicativa. versativa. Assinalar a alternativa correspondente a este período:
Mas – conjunção adversativa. a) A frustração cresce e a desesperança não cede.
Portanto – conjunção conclusiva. b) O que dizer sem resvalar para o pessimismo, a crítica pun-
Que – conjunção explicativa. gente ou a autoabsorvição.
c) É também ocioso pensar que nós, da tal elite, temos riqueza
05. Reúna as três orações em um período composto por coor-
denação, usando conjunções adequadas. suficiente para distribuir.
Os dias já eram quentes. d) Sejamos francos.
A água do mar ainda estava fria. e) Em termos mundiais somos irrelevantes como potência
As praias permaneciam desertas. econômica, mas ao mesmo tempo extremamente representativos
como população.
Resposta: Os dias já eram quentes, mas a água do mar ainda Resposta E
estava fria, por isso as praias permaneciam desertas.
Período Composto por Subordinação
06. No período “Penso, logo existo”, oração em destaque é:
a) coordenada sindética conclusiva Observe os termos destacados em cada uma destas orações:
b) coordenada sindética aditiva Vi uma cena triste. (adjunto adnominal)
c) coordenada sindética alternativa Todos querem sua participação. (objeto direto)
d) coordenada sindética adversativa
Não pude sair por causa da chuva. (adjunto adverbial de causa)
e) n.d.a

Resposta: A Veja, agora, como podemos transformar esses termos em ora-


ções com a mesma função sintática:
07. Por definição, oração coordenada que seja desprovida de Vi uma cena / que me entristeceu. (oração subordinada com
conectivo é denominada assindética. Observando os períodos se- função de adjunto adnominal)
guintes: Todos querem / que você participe. (oração subordinada com
I- Não caía um galho, não balançava uma folha. função de objeto direto)
II- O filho chegou, a filha saiu, mas a mãe nem notou. Não pude sair / porque estava chovendo. (oração subordina-
III- O fiscal deu o sinal, os candidatos entregaram a prova. da com função de adjunto adverbial de causa)
Acabara o exame.
Em todos esses períodos, a segunda oração exerce uma certa
Nota-se que existe coordenação assindética em: função sintática em relação à primeira, sendo, portanto, subordi-
a) I apenas
nada a ela. Quando um período é constituído de pelo menos um
b) II apenas
c) III apenas conjunto de duas orações em que uma delas (a subordinada) de-
d) I e III pende sintaticamente da outra (principal), ele é classificado como
e) nenhum deles período composto por subordinação. As orações subordinadas são
classificadas de acordo com a função que exercem: adverbiais,
Resposta: D substantivas e adjetivas.

08. “Vivemos mais uma grave crise, repetitiva dentro do ci- Orações Subordinadas Adverbiais
clo de graves crises que ocupa a energia desta nação. A frustra-
ção cresce e a desesperança não cede. Empresários empurrados As orações subordinadas adverbiais (OSA) são aquelas que
à condição de liderança oficial se reúnem, em eventos como este, exercem a função de adjunto adverbial da oração principal (OP).
para lamentar o estado de coisas. O que dizer sem resvalar para o São classificadas de acordo com a conjunção subordinativa que as
pessimismo, a crítica pungente ou a autoabsorvição?
introduz:
É da história do mundo que as elites nunca introduziram mu-
danças que favorecessem a sociedade como um todo. Estaríamos
nos enganando se achássemos que estas lideranças empresariais - Causais: Expressam a causa do fato enunciado na oração
aqui reunidas teriam motivação para fazer a distribuição de po- principal. Conjunções: porque, que, como (= porque), pois que,
deres e rendas que uma nação equilibrada precisa ter. Aliás, é in- visto que.
genuidade imaginar que a vontade de distribuir renda passe pelo Não fui à escola / porque fiquei doente.
empobrecimento da elite. É também ocioso pensar que nós, de tal OP OSA Causal
elite, temos riqueza suficiente para distribuir. Faço sempre, para
meu desânimo, a soma do faturamento das nossas mil maiores e O tambor soa porque é oco.
melhores empresas, e chego a um número menor do que o fatura- Como não me atendessem, repreendi-os severamente.
mento de apenas duas empresas japonesas. Digamos, a Mitsubishi Como ele estava armado, ninguém ousou reagir.
e mais um pouquinho. Sejamos francos. Em termos mundiais so- “Faltou à reunião, visto que esteve doente.” (Arlindo de Sousa)
mos irrelevantes como potência econômica, mas o mesmo tempo - Condicionais: Expressam hipóteses ou condição para a
extremamente representativos como população.”
ocorrência do que foi enunciado na principal. Conjunções: se, con-
(“Discurso de Semler aos empresários”, Folha de São Paulo)
tanto que, a menos que, a não ser que, desde que.

Didatismo e Conhecimento 74
LÍNGUA PORTUGUESA
Irei à sua casa / se não chover. “Instara muito comigo não deixasse de freqüentar as recep-
OP OSA Condicional ções da mulher.” (Machado de Assis) (não deixasse = para que não
deixasse)
Deus só nos perdoará se perdoarmos aos nossos ofensores.
Se o conhecesses, não o condenarias. - Consecutivas: Expressam a consequência do que foi enun-
“Que diria o pai se soubesse disso?” (Carlos Drummond de ciado na oração principal. Conjunções: porque, que, como (= por-
Andrade) que), pois que, visto que.
A cápsula do satélite será recuperada, caso a experiência te- A chuva foi tão forte / que inundou a cidade.
nha êxito. OP OSA Consecutiva

- Concessivas: Expressam ideia ou fato contrário ao da oração Fazia tanto frio que meus dedos estavam endurecidos.
principal, sem, no entanto, impedir sua realização. Conjunções: “A fumaça era tanta que eu mal podia abrir os olhos.” (José
embora, ainda que, apesar de, se bem que, por mais que, mesmo J. Veiga)
que. De tal sorte a cidade crescera que não a reconhecia mais.
Ela saiu à noite / embora estivesse doente. As notícias de casa eram boas, de maneira que pude prolon-
OP OSA Concessiva gar minha viagem.

Admirava-o muito, embora (ou conquanto ou posto que ou - Comparativas: Expressam ideia de comparação com re-
se bem que) não o conhecesse pessoalmente. ferência à oração principal. Conjunções: como, assim como, tal
Embora não possuísse informações seguras, ainda assim como, (tão)... como, tanto como, tal qual, que (combinado com
arriscou uma opinião. menos ou mais).
Cumpriremos nosso dever, ainda que (ou mesmo quando ou Ela é bonita / como a mãe.
ainda quando ou mesmo que) todos nos critiquem. OP OSA Comparativa
Por mais que gritasse, não me ouviram.
A preguiça gasta a vida como a ferrugem consome o ferro.”
- Conformativas: Expressam a conformidade de um fato com (Marquês de Maricá)
outro. Conjunções: conforme, como (=conforme), segundo. Ela o atraía irresistivelmente, como o imã atrai o ferro.
O trabalho foi feito / conforme havíamos planejado. Os retirantes deixaram a cidade tão pobres como vieram.
OP OSA Conformativa Como a flor se abre ao Sol, assim minha alma se abriu à luz
daquele olhar.
O homem age conforme pensa.
Relatei os fatos como (ou conforme) os ouvi. Obs.: As orações comparativas nem sempre apresentam clara-
Como diz o povo, tristezas não pagam dívidas. mente o verbo, como no exemplo acima, em que está subentendido
O jornal, como sabemos, é um grande veículo de informação. o verbo ser (como a mãe é).

- Temporais: Acrescentam uma circunstância de tempo ao que - Proporcionais: Expressam uma ideia que se relaciona pro-
foi expresso na oração principal. Conjunções: quando, assim que, porcionalmente ao que foi enunciado na principal. Conjunções: à
logo que, enquanto, sempre que, depois que, mal (=assim que). medida que, à proporção que, ao passo que, quanto mais, quanto
Ele saiu da sala / assim que eu cheguei. menos.
OP OSA Temporal Quanto mais reclamava / menos atenção recebia.
OSA Proporcional OP
Formiga, quando quer se perder, cria asas.
“Lá pelas sete da noite, quando escurecia, as casas se esva- À medida que se vive, mais se aprende.
ziam.” (Carlos Povina Cavalcânti) À proporção que avançávamos, as casas iam rareando.
“Quando os tiranos caem, os povos se levantam.” (Marquês O valor do salário, ao passo que os preços sobem, vai dimi-
de Maricá) nuindo.
Enquanto foi rico, todos o procuravam.
Orações Subordinadas Substantivas
- Finais: Expressam a finalidade ou o objetivo do que foi
enunciado na oração principal. Conjunções: para que, a fim de As orações subordinadas substantivas (OSS) são aquelas
que, porque (=para que), que. que, num período, exercem funções sintáticas próprias de subs-
Abri a porta do salão / para que todos pudessem entrar. tantivos, geralmente são introduzidas pelas conjunções integrantes
OP OSA Final que e se. Elas podem ser:

“O futuro se nos oculta para que nós o imaginemos.” (Mar- - Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta: É aquela
quês de Maricá) que exerce a função de objeto direto do verbo da oração principal.
Aproximei-me dele a fim de que me ouvisse melhor. Observe: O grupo quer a sua ajuda. (objeto direto)
“Fiz-lhe sinal que se calasse.” (Machado de Assis) (que = para O grupo quer / que você ajude.
que) OP OSS Objetiva Direta

Didatismo e Conhecimento 75
LÍNGUA PORTUGUESA
O mestre exigia que todos estivessem presentes. (= O mestre Seu receio era que chovesse. (Seu receio era a chuva.)
exigia a presença de todos.) Minha esperança era que ele desistisse.
Mariana esperou que o marido voltasse. Meu maior desejo agora é que me deixem em paz.
Ninguém pode dizer: Desta água não beberei. Não sou quem você pensa.
O fiscal verificou se tudo estava em ordem.
- Oração Subordinada Substantiva Apositiva: É aquela que
- Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta: É exerce a função de aposto de um termo da oração principal. Obser-
aquela que exerce a função de objeto indireto do verbo da oração ve: Ele tinha um sonho: a união de todos em benefício do país.
principal. Observe: Necessito de sua ajuda. (objeto indireto) (aposto)
Necessito / de que você me ajude. Ele tinha um sonho / que todos se unissem em benefício do
OP OSS Objetiva Indireta país.
Não me oponho a que você viaje. (= Não me oponho à sua OP OSS Apositiva
viagem.)
Aconselha-o a que trabalhe mais. Só desejo uma coisa: que vivam felizes. (Só desejo uma coi-
Daremos o prêmio a quem o merecer. sa: a sua felicidade)
Lembre-se de que a vida é breve. Só lhe peço isto: honre o nosso nome.
“Talvez o que eu houvesse sentido fosse o presságio disto: de
- Oração Subordinada Substantiva Subjetiva: É aquela que que virias a morrer...” (Osmã Lins)
exerce a função de sujeito do verbo da oração principal. Observe: “Mas diga-me uma cousa, essa proposta traz algum motivo
É importante sua colaboração. (sujeito) oculto?” (Machado de Assis)
É importante / que você colabore.
OP OSS Subjetiva As orações apositivas vêm geralmente antecedidas de dois-
-pontos. Podem vir, também, entre vírgulas, intercaladas à oração
A oração subjetiva geralmente vem: principal. Exemplo: Seu desejo, que o filho recuperasse a saúde,
- depois de um verbo de ligação + predicativo, em construções tornou-se realidade.
do tipo é bom, é útil, é certo, é conveniente, etc. Ex.: É certo que
ele voltará amanhã. Observação: Além das conjunções integrantes que e se, as ora-
- depois de expressões na voz passiva, como sabe-se, conta- ções substantivas podem ser introduzidas por outros conectivos,
-se, diz-se, etc. Ex.: Sabe-se que ele saiu da cidade. tais como quando, como, quanto, etc. Exemplos:
- depois de verbos como convir, cumprir, constar, urgir, ocor- Não sei quando ele chegou.
rer, quando empregados na 3ª pessoa do singular e seguidos das Diga-me como resolver esse problema.
conjunções que ou se. Ex.: Convém que todos participem da re-
união. Orações Subordinadas Adjetivas

É necessário que você colabore. (= Sua colaboração é neces- As orações subordinadas Adjetivas (OSA) exercem a fun-
sária.) ção de adjunto adnominal de algum termo da oração principal.
Parece que a situação melhorou. Observe como podemos transformar um adjunto adnominal em
Aconteceu que não o encontrei em casa. oração subordinada adjetiva:
Importa que saibas isso bem. Desejamos uma paz duradoura. (adjunto adnominal)
Desejamos uma paz / que dure. (oração subordinada adjetiva)
- Oração Subordinada Substantiva Completiva Nominal: É
aquela que exerce a função de complemento nominal de um termo As orações subordinadas adjetivas são sempre introduzidas
da oração principal. Observe: Estou convencido de sua inocência. por um pronome relativo (que , qual, cujo, quem, etc.) e podem
(complemento nominal) ser classificadas em:
Estou convencido / de que ele é inocente.
OP OSS Completiva Nominal - Subordinadas Adjetivas Restritivas: São restritivas quando
restringem ou especificam o sentido da palavra a que se referem.
Sou favorável a que o prendam. (= Sou favorável à prisão Exemplo:
dele.) O público aplaudiu o cantor / que ganhou o 1º lugar.
Estava ansioso por que voltasses. OP OSA Restritiva
Sê grato a quem te ensina.
“Fabiano tinha a certeza de que não se acabaria tão cedo.” Nesse exemplo, a oração que ganhou o 1º lugar especifica o
(Graciliano Ramos) sentido do substantivo cantor, indicando que o público não aplau-
diu qualquer cantor mas sim aquele que ganhou o 1º lugar.
- Oração Subordinada Substantiva Predicativa: É aquela
que exerce a função de predicativo do sujeito da oração principal, Pedra que rola não cria limo.
vindo sempre depois do verbo ser. Observe: O importante é sua Os animais que se alimentam de carne chamam-se carní-
felicidade. (predicativo) voros.
O importante é / que você seja feliz. Rubem Braga é um dos cronistas que mais belas páginas es-
OP OSS Predicativa creveram.

Didatismo e Conhecimento 76
LÍNGUA PORTUGUESA
“Há saudades que a gente nunca esquece.” (Olegário Ma- Observações:
riano)
- Há orações reduzidas que permitem mais de um tipo de de-
- Subordinadas Adjetivas Explicativas: São explicativas senvolvimento. Há casos também de orações reduzidas fixas, isto
quando apenas acrescentam uma qualidade à palavra a que se refe- é, orações reduzidas que não são passíveis de desenvolvimento.
rem, esclarecendo um pouco mais seu sentido, mas sem restringi- Exemplo: Tenho vontade de visitar essa cidade.
-lo ou especificá-lo. Exemplo: - O infinitivo, o gerúndio e o particípio não constituem orações
O escritor Jorge Amado, / que mora na Bahia, / lançou um reduzidas quando fazem parte de uma locução verbal. Exemplos:
novo livro. Preciso terminar este exercício.
OP OSA Explicativa OP Ele está jantando na sala.
Essa casa foi construída por meu pai.
Deus, que é nosso pai, nos salvará. - Uma oração coordenada também pode vir sob a forma redu-
Valério, que nasceu rico, acabou na miséria. zida. Exemplo:
Ele tem amor às plantas, que cultiva com carinho. O homem fechou a porta, saindo depressa de casa.
Alguém, que passe por ali à noite, poderá ser assaltado. O homem fechou a porta e saiu depressa de casa. (oração
coordenada sindética aditiva)
Orações Reduzidas Saindo depressa de casa: oração coordenada reduzida de ge-
rúndio.
Observe que as orações subordinadas eram sempre introdu-
zidas por uma conjunção ou pronome relativo e apresentavam o Qual é a diferença entre as orações coordenadas explicativas e
verbo numa forma do indicativo ou do subjuntivo. Além desse tipo as orações subordinadas causais, já que ambas podem ser iniciadas
de orações subordinadas há outras que se apresentam com o ver- por que e porque? Às vezes não é fácil estabelecer a diferença
bo numa das formas nominais (infinitivo, gerúndio e particípio). entre explicativas e causais, mas como o próprio nome indica, as
Exemplos: causais sempre trazem a causa de algo que se revela na oração
principal, que traz o efeito.
- Ao entrar nas escola, encontrei o professor de inglês. (in- Note-se também que há pausa (vírgula, na escrita) entre a ora-
finitivo) ção explicativa e a precedente e que esta é, muitas vezes, imperati-
- Precisando de ajuda, telefone-me. (gerúndio) va, o que não acontece com a oração adverbial causal. Essa noção
- Acabado o treino, os jogadores foram para o vestiário. (par- de causa e efeito não existe no período composto por coordenação.
ticípio) Exemplo: Rosa chorou porque levou uma surra. Está claro que a
oração iniciada pela conjunção é causal, visto que a surra foi sem
As orações subordinadas que apresentam o verbo numa das dúvida a causa do choro, que é efeito. Rosa chorou, porque seus
formas nominais são chamadas de reduzidas. olhos estão vermelhos.
Para classificar a oração que está sob a forma reduzida, de- O período agora é composto por coordenação, pois a oração
vemos procurar desenvolvê-la do seguinte modo: colocamos a iniciada pela conjunção traz a explicação daquilo que se revelou
conjunção ou o pronome relativo adequado ao sentido e passamos na coordena anterior. Não existe aí relação de causa e efeito: o
o verbo para uma forma do indicativo ou subjuntivo, conforme fato de os olhos de Elisa estarem vermelhos não é causa de ela ter
o caso. A oração reduzida terá a mesma classificação da oração chorado.
desenvolvida.
Ela fala / como falaria / se entendesse do assunto.
Ao entrar na escola, encontrei o professor de inglês. OP OSA Comparativa SA Condicional
Quando entrei na escola, / encontrei o professor de inglês.
OSA Temporal Exercícios
Ao entrar na escola: oração subordinada adverbial temporal,
reduzida de infinitivo. 01. Na frase: “Maria do Carmo tinha a certeza de que estava
para ser mãe”, a oração destacada é:
Precisando de ajuda, telefone-me. a) subordinada substantiva objetiva indireta
Se precisar de ajuda, / telefone-me. b) subordinada substantiva completiva nominal
OSA Condicional c) subordinada substantiva predicativa
Precisando de ajuda: oração subordinada adverbial condicio- d) coordenada sindética conclusiva
nal, reduzida de gerúndio. e) coordenada sindética explicativa

Acabado o treino, os jogadores foram para o vestiário. 02. A segunda oração do período? “Não sei no que pensas” ,
Assim que acabou o treino, / os jogadores foram para o ves- é classificada como:
tiário. a) substantiva objetiva direta
OSA Temporal b) substantiva completiva nominal
Acabado o treino: oração subordinada adverbial temporal, re- c) adjetiva restritiva
duzida de particípio. d) coordenada explicativa
e) substantiva objetiva indireta

Didatismo e Conhecimento 77
LÍNGUA PORTUGUESA
03. “Na ‘Partida Monção’, não há uma atitude inventada. Há 09. Em todos os períodos há orações subordinadas substanti-
reconstituição de uma cena como ela devia ter sido na realida- vas, exceto em:
de.” A oração sublinhada é: a) O fato era que a escravatura do Santa Fé não andava nas
a) adverbial conformativa festas do Pilar, não vivia no coco como a do Santa Rosa.
b) adjetiva b) Não lhe tocara no assunto, mas teve vontade de tomar o
c) adverbial consecutiva trem e ir valer-se do presidente.
d) adverbial proporcional c) Um dia aquele Lula faria o mesmo com a sua filha, faria o
e) adverbial causal mesmo com o engenho que ele fundara com o suor de seu rosto.
d) O oficial perguntou de onde vinha, e se não sabia notícias
04. No seguinte grupo de orações destacadas: de Antônio Silvino.
1. É bom que você venha. e) Era difícil para o ladrão procurar os engenhos da várzea, ou
2. Chegados que fomos, entramos na escola. meter-se para os lados de Goiana
3. Não esqueças que é falível.
10. Em - “Há enganos que nos deleitam”, a oração grifada é:
Temos orações subordinadas, respectivamente: a) substantiva subjetiva
a) objetiva direta, adverbial temporal, subjetiva b) substantiva objetiva direta
b) subjetiva, objetiva direta, objetiva direta c) substantiva completiva nominal
c) objetiva direta, subjetiva, adverbial temporal d) substantiva apositiva
d) subjetiva, adverbial temporal, objetiva direta e) adjetiva restritiva
e) predicativa, objetiva direta, objetiva indireta
Respostas: (01-B) (02-E) (03-A) (04-D) (05-E) (06-B) (07-C)
05. A palavra “se” é conjunção integrante (por introduzir ora- (08-E) (09-C) (10-E)
ção subordinada substantiva objetiva direta) em qual das orações
seguintes?
a) Ele se mordia de ciúmes pelo patrão. CONCORDÂNCIA (VERBAL E NOMINAL)
b) A Federação arroga-se o direito de cancelar o jogo.
c) O aluno fez-se passar por doutor.
d) Precisa-se de operários.
e) Não sei se o vinho está bom. Concordância Nominal e Verbal

06. “Lembro-me de que ele só usava camisas brancas.” A A concordância consiste no mecanismo que leva as palavras
oração sublinhada é: a adequarem-se umas às outras harmonicamente na construção
a) subordinada substantiva completiva nominal frasal. É o princípio sintático segundo o qual as palavras depen-
b) subordinada substantiva objetiva indireta dentes se harmonizam, nas suas flexões, com as palavras de que
c) subordinada substantiva predicativa dependem.
d) subordinada substantiva subjetiva “Concordar” significa “estar de acordo com”. Assim, na con-
e) subordinada substantiva objetiva direta cordância, tanto nominal quanto verbal, os elementos que com-
põem a frase devem estar em consonância uns com os outros.
07. Na passagem: “O receio é substituído pelo pavor, pelo Essa concordância poderá ser feita de duas formas: grama-
respeito, pela emoção que emudece e paralisa.” Os termos sub- tical ou lógica (segue os padrões gramaticais vigentes); atrativa
linhados são: ou ideológica (dá ênfase a apenas um dos vários elementos, com
a) complementos nominais; orações subordinadas adverbiais valor estilístico).
concessivas, coordenadas entre si
b) adjuntos adnominais; orações subordinadas adverbiais Concordância Nominal: adequação entre o substantivo e os
comparativas elementos que a ele se referem (artigo, pronome, adjetivo).
c) agentes da passiva; orações subordinadas adjetivas, coor- Concordância Verbal: variação do verbo, conformando-se ao
denadas entre si número e à pessoa do sujeito.
d) objetos diretos; orações subordinadas adjetivas, coordena-
das entre si Concordância Nominal
e) objetos indiretos; orações subordinadas adverbiais compa-
rativas Concordância do adjetivo adjunto adnominal: a concordân-
cia do adjetivo, com a função de adjunto adnominal, efetua-se de
08. Neste período “não bate para cortar” , a oração “para cor- acordo com as seguintes regras gerais:
tar” em relação a “não bate” , é: O adjetivo concorda em gênero e número com o substantivo
a) a causa a que se refere. Exemplo: O alto ipê cobre-se de flores amarelas.
b) o modo O adjetivo que se refere a mais de um substantivo de gênero
c) a consequência ou número diferentes, quando posposto, poderá concordar no mas-
d) a explicação culino plural (concordância mais aconselhada), ou com o substan-
e) a finalidade tivo mais próximo.

Didatismo e Conhecimento 78
LÍNGUA PORTUGUESA
Exemplo: - Quando o sujeito é composto e constituído por substantivos
- No masculino plural: do mesmo gênero, o predicativo deve concordar no plural e no
“Tinha as espáduas e o colo feitos de encomenda para os ves- gênero deles:
tidos decotados.” (Machado de Assis) O mar e o céu estavam serenos.
“Os arreios e as bagagens espalhados no chão, em roda.” A ciência e a virtude são necessárias.
(Herman Lima) “Torvos e ferozes eram o gesto e os meneios destes homens
“Ainda assim, apareci com o rosto e as mãos muito marca- sem disciplina,” (Alexandre Herculano)
dos.” (Carlos Povina Cavalcânti)
“...grande número de camareiros e camareiras nativos.” (Éri- - Sendo o sujeito composto e constituído por substantivos de
co Veríssimo) gêneros diversos, o predicativo concordará no masculino plural:
O vale e a montanha são frescos.
- Com o substantivo mais próximo: “O céu e as árvores ficariam assombrados.” (Machado de
A Marinha e o Exército brasileiro estavam alerta. Assis)
Músicos e bailarinas ciganas animavam a festa. Longos eram os dias e as noites para o prisioneiro.
“...toda ela (a casa) cheirando ainda a cal, a tinta e a barro “O César e a irmã são louros.” (Antônio Olinto)
fresco.” (Humberto de Campos)
“Meu primo estava saudoso dos tempos da infância e falava - Se o sujeito for representado por um pronome de tratamen-
dos irmãos e irmãs falecidas.” (Luís Henrique Tavares) to, a concordância se efetua com o sexo da pessoa a quem nos
- Anteposto aos substantivos, o adjetivo concorda, em geral, referimos:
com o mais próximo: Vossa Senhoria ficará satisfeito, eu lhe garanto.
“Escolhestes mau lugar e hora...” (Alexandre Herculano) “Vossa Excelência está enganado, Doutor Juiz.” (Ariano
“...acerca do possível ladrão ou ladrões.” (Antônio Calado) Suassuna)
Velhas revistas e livros enchiam as prateleiras. Vossas Excelências, senhores Ministros, são merecedores de
nossa confiança.
Velhos livros e revistas enchiam as prateleiras.
Vossa Alteza foi bondoso. (com referência a um príncipe)
O predicativo aparece às vezes na forma do masculino singu-
Seguem esta regra os pronomes adjetivos: A sua idade, sexo e
lar nas estereotipadas locuções é bom, é necessário, é preciso, etc.,
profissão.; Seus planos e tentativas.; Aqueles vícios e ambições.;
embora o sujeito seja substantivo feminino ou plural:
Por que tanto ódio e perversidade?; “Seu Príncipe e filhos”. Mui-
Bebida alcoólica não é bom para o fígado.
tas vezes é facultativa a escolha desta ou daquela concordância,
“Água de melissa é muito bom.” (Machado de Assis)
mas em todos os casos deve subordinar-se às exigências da eufo-
“É preciso cautela com semelhantes doutrinas.” (Camilo Cas-
nia, da clareza e do bom gosto. telo Branco)
“Hormônios, às refeições, não é mau.” (Aníbal Machado)
- Quando dois ou mais adjetivos se referem ao mesmo subs-
tantivo determinado pelo artigo, ocorrem dois tipos de constru- Observe-se que em tais casos o sujeito não vem determinado
ção, um e outro legítimos. Exemplos: pelo artigo e a concordância se faz não com a forma gramatical da
Estudo as línguas inglesa e francesa. palavra, mas com o fato que se tem em mente:
Estudo a língua inglesa e a francesa. Tomar hormônios às refeições não é mau.
Os dedos indicador e médio estavam feridos. É necessário ter muita fé.
O dedo indicador e o médio estavam feridos.
Havendo determinação do sujeito, ou sendo preciso realçar o
- Os adjetivos regidos da preposição de, que se referem a predicativo, efetua-se a concordância normalmente:
pronomes neutros indefinidos (nada, muito, algo, tanto, que, É necessária a tua presença aqui. (= indispensável)
etc.), normalmente ficam no masculino singular: “Se eram necessárias obras, que se fizessem e largamente.”
Sua vida nada tem de misterioso. (Eça de Queirós)
Seus olhos têm algo de sedutor. “Seriam precisos outros três homens.” (Aníbal Machado)
Todavia, por atração, podem esses adjetivos concordar com o “São precisos também os nomes dos admiradores.” (Carlos
substantivo (ou pronome) sujeito: de Laet)
“Elas nada tinham de ingênuas.” (José Gualda Dantas)
Concordância do predicativo com o objeto: A concordância
Concordância do adjetivo predicativo com o sujeito: a con- do adjetivo predicativo com o objeto direto ou indireto subordina-
cordância do adjetivo predicativo com o sujeito realiza-se con- -se às seguintes regras gerais:
soante as seguintes normas:
- O adjetivo concorda em gênero e número com o objeto
- O predicativo concorda em gênero e número com o sujeito quando este é simples:
simples: Vi ancorados na baía os navios petrolíferos.
A ciência sem consciência é desastrosa. “Olhou para suas terras e viu-as incultas e maninhas.” (Car-
Os campos estavam floridos, as colheitas seriam fartas. los de Laet)
É proibida a caça nesta reserva. O tribunal qualificou de ilegais as nomeações do ex-prefeito.
A noite torna visíveis os astros no céu límpido.

Didatismo e Conhecimento 79
LÍNGUA PORTUGUESA
- Quando o objeto é composto e constituído por elementos Os substantivos sendo sinônimos, o pronome concorda com
do mesmo gênero, o adjetivo se flexiona no plural e no gênero o mais próximo: “Ó mortais, que cegueira e desatino é o nosso!”
dos elementos: (Manuel Bernardes)
A justiça declarou criminosos o empresário e seus auxiliares.
Deixe bem fechadas a porta e as janelas. - Os pronomes um... outro, quando se referem a substantivos
de gênero diferentes, concordam no masculino:
- Sendo o objeto composto e formado de elementos de gênero Marido e mulher viviam em boa harmonia e ajudavam-se um
diversos, o adjetivo predicativo concordará no masculino plural: ao outro.
Tomei emprestados a régua e o compasso. “Repousavam bem perto um do outro a matéria e o espíri-
to.” (Alexandre Herculano)
Achei muito simpáticos o príncipe e sua filha.
Nito e Sônia casaram cedo: um por amor, o outro, por interesse.
“Vi setas e carcás espedaçados”. (Gonçalves Dias)
Encontrei jogados no chão o álbum e as cartas. A locução um e outro, referida a indivíduos de sexos diferen-
tes, permanece também no masculino: “A mulher do colchoeiro
- Se anteposto ao objeto, poderá o predicativo, neste caso, escovou-lhe o chapéu; e, quando ele [Rubião] saiu, um e outro
concordar com o núcleo mais próximo: agradeceram-lhe muito o benefício da salvação do filho.” (Macha-
É preciso que se mantenham limpas as ruas e os jardins. do de Assis)
Segue as mesmas regras o predicativo expresso pelos subs-
tantivos variáveis em gênero e número: Temiam que as tomassem O substantivo que se segue às locuções um e outro e nem ou-
por malfeitoras; Considero autores do crime o comerciante e sua tro fica no singular. Exemplos: Um e outro livro me agradaram;
empregada. Nem um nem outro livro me agradaram.

Concordância do particípio passivo: Na voz passiva, o par- Outros casos de concordância nominal: Registramos aqui
ticípio concorda em gênero e número com o sujeito, como os ad- alguns casos especiais de concordância nominal:
jetivos:
Foi escolhida a rainha da festa. - Anexo, incluso, leso. Como adjetivos, concordam com o
Foi feita a entrega dos convites. substantivo em gênero e número:
Anexa à presente, vai a relação das mercadorias.
Os jogadores tinham sido convocados.
Vão anexos os pareceres das comissões técnicas.
O governo avisa que não serão permitidas invasões de pro-
Remeto-lhe, anexas, duas cópias do contrato.
priedades. Remeto-lhe, inclusa, uma fotocópia do recibo.
Os crimes de lesa-majestade eram punidos com a morte.
Quando o núcleo do sujeito é, como no último exemplo, um Ajudar esses espiões seria crime de lesa-pátria.
coletivo numérico, pode-se, em geral, efetuar a concordância com
o substantivo que o acompanha: Centenas de rapazes foram vis- Observação: Evite a locução espúria em anexo.
tos pedalando nas ruas; Dezenas de soldados foram feridos em
combate. - A olhos vistos. Locução adverbial invariável. Significa visi-
Referindo-se a dois ou mais substantivos de gênero diferen- velmente.
tes, o particípio concordará no masculino plural: Atingidos por “Lúcia emagrecia a olhos vistos”. (Coelho Neto)
mísseis, a corveta e o navio foram a pique; “Mas achei natural que “Zito envelhecia a olhos vistos.” (Autren Dourado)
o clube e suas ilusões fossem leiloados.” (Carlos Drummond de
Andrade) - Só. Como adjetivo, só [sozinho, único] concorda em número
com o substantivo. Como palavra denotativa de limitação, equiva-
Concordância do pronome com o nome: lente de apenas, somente, é invariável.
Eles estavam sós, na sala iluminada.
Esses dois livros, por si sós, bastariam para torná-los célebre.
- O pronome, quando se flexiona, concorda em gênero e nú-
Elas só passeiam de carro.
mero com o substantivo a que se refere:
Só eles estavam na sala.
“Martim quebrou um ramo de murta, a folha da tristeza, e
deitou-o no jazido de sua esposa”. (José de Alencar) Forma a locução a sós [=sem mais companhia, sozinho]: Es-
“O velho abriu as pálpebras e cerrou-as logo.” (José de Alen- távamos a sós. Jesus despediu a multidão e subiu ao monte para
car) orar a sós.

- O pronome que se refere a dois ou mais substantivos de gê- - Possível. Usado em expressões superlativas, este adjetivo
neros diferentes, flexiona-se no masculino plural: ora aparece invariável, ora flexionado:
“Salas e coração habita-os a saudade”” (Alberto de Oliveira) “A volta, esperava-nos sempre o almoço com os pratos mais
“A generosidade, o esforço e o amor, ensinaste-os tu em toda requintados possível.” (Maria Helena Cardoso)
a sua sublimidade.” (Alexandre Herculano) “Estas frutas são as mais saborosas possível.” (Carlos Góis)
Conheci naquela escola ótimos rapazes e moças, com os quais “A mania de Alice era colecionar os enfeites de louça mais
fiz boas amizades. grotescos possíveis.” (ledo Ivo)
“Referi-me à catedral de Notre-Dame e ao Vesúvio familiar- “... e o resultado obtido foi uma apresentação com movimen-
mente, como se os tivesse visto.” (Graciliano Ramos) tos os mais espontâneos possíveis.” (Ronaldo Miranda)

Didatismo e Conhecimento 80
LÍNGUA PORTUGUESA
Como se vê dos exemplos citados, há nítida tendência, no - Bastante. Varia quando adjetivo, sinônimo de suficiente:
português de hoje, para se usar, neste caso, o adjetivo possível no Não havia provas bastantes para condenar o réu.
plural. O singular é de rigor quando a expressão superlativa inicia Duas malas não eram bastantes para as roupas da atriz.
com a partícula o (o mais, o menos, o maior, o menor, etc.)
Os prédios devem ficar o mais afastados possível. Fica invariável quando advérbio, caso em que modifica um
Ele trazia sempre as unhas o mais bem aparadas possível. adjetivo:
O médico atendeu o maior número de pacientes possível. As cordas eram bastante fortes para sustentar o peso.
Os emissários voltaram bastante otimistas.
- Adjetivos adverbiados. Certos adjetivos, como sério, claro, “Levi está inquieto com a economia do Brasil. Vê que se apro-
caro, barato, alto, raro, etc., quando usados com a função de advér- ximam dias bastante escuros.” (Austregésilo de Ataíde)
bios terminados em – mente, ficam invariáveis:
Vamos falar sério. [sério = seriamente] - Menos. É palavra invariável:
Penso que falei bem claro, disse a secretária. Gaste menos água.
Esses produtos passam a custar mais caro. [ou mais barato] À noite, há menos pessoas na praça.
Estas aves voam alto. [ou baixo]
Exercícios
Junto e direto ora funcionam como adjetivos, ora como ad-
vérbios: 01. Assinale a frase que encerra um erro de concordância no-
“Jorge e Dante saltaram juntos do carro.” (José Louzeiro) minal:
“Era como se tivessem estado juntos na véspera.” (Autram a) Estavam abandonadas a casa, o templo e a vila.
Dourado). b) Ela chegou com o rosto e as mãos feridas.
“Elas moram junto há algum tempo.” (José Gualda Dantas) c) Decorrido um ano e alguns meses, lá voltamos.
“Foram direto ao galpão do engenheiro-chefe.” (Josué Gui- d) Decorridos um ano e alguns meses, lá voltamos.
marães) e) Ela comprou dois vestidos cinza.

- Todo. No sentido de inteiramente, completamente, costuma- 02. Enumere a segunda coluna pela primeira (adjetivo pos-
-se flexionar, embora seja advérbio: posto):
Esses índios andam todos nus. (1) velhos
Geou durante a noite e a planície ficou toda (ou todo) branca. (2) velhas
As meninas iam todas de branco. ( ) camisa e calça.
A casinha ficava sob duas mangueiras, que a cobriam toda. ( ) chapéu e calça.
( ) calça e chapéu.
Mas admite-se também a forma invariável: ( ) chapéu e paletó.
Fiquei com os cabelos todo sujos de terá. ( ) chapéu e camisa.
Suas mãos estavam todo ensangüentadas.
a) 1-2-1-1-2
- Alerta. Pela sua origem, alerta (=atentamente, de prontidão, b) 2-2-1-1-2
em estado de vigilância) é advérbio e, portanto, invariável: c) 2-1-1-1-1
Estamos alerta. d) 1-2-2-2-2
Os soldados ficaram alerta. e) 2-1-1-1-2
“Todos os sentidos alerta funcionam.” (Carlos Drummond de
Andrade) 03. Complete os espaços com um dos nomes colocados nos
“Os brasileiros não podem deixar de estar sempre alerta.” parênteses.
(Martins de Aguiar) a) Será que é ____ essa confusão toda? (necessário/ necessária)
b) Quero que todos fiquem ____. (alerta/ alertas)
Contudo, esta palavra é, atualmente, sentida antes como adje- c) Houve ____ razões para eu não voltar lá. (bastante/ bas-
tivo, sendo, por isso, flexionada no plural: tantes)
Nossos chefes estão alertas. (=vigilantes) d) Encontrei ____ a sala e os quartos. (vazia/vazios)
Papa diz aos cristãos que se mantenham alertas. e) A dona do imóvel ficou ____ desiludida com o inquilino.
“Uma sentinela de guarda, olhos abertos e sentidos alertas, es- (meio/ meia)
perando pelo desconhecido...” (Assis Brasil, Os Crocodilos, p. 25)
04. “Na reunião do Colegiado, não faltou, no momento em
- Meio. Usada como advérbio, no sentido de um pouco, esta que as discussões se tornaram mais violentas, argumentos e opi-
palavra é invariável. Exemplos: niões veementes e contraditórias.” No trecho acima, há uma infra-
A porta estava meio aberta. ção as normas de concordância.
As meninas ficaram meio nervosas. a) Reescreva-o com devida correção.
Os sapatos eram meio velhos, mas serviam. b) Justifique a correção feita.

Didatismo e Conhecimento 81
LÍNGUA PORTUGUESA
05. Reescrever as frases abaixo, corrigindo-as quando neces- 06. a) “Ele informou aos colegas que havia perdido (ou: ele
sário. informou os colegas de que havia perdido os documentos de cuja
a) “Recebei, Vossa Excelência, os processos de nossa estima, originalidade duvidamos.”
pois não podem haver cidadãos conscientes sem educação.” b) “Depois de assistir algumas aulas, eu preferia ficar no
b) “Os projetos que me enviaram estão em ordem; devolvê- pátio a continuar dentro da classe.”
-los-ei ainda hoje, conforme lhes prometi.” 07-E / 08-E / 09-D / 10-C

06. Como no exercício anterior. Concordância Verbal


a) “Ele informou aos colegas de que havia perdido os docu-
mentos cuja originalidade duvidamos.” O verbo concorda com o sujeito, em harmonia com as seguin-
b) “Depois de assistir algumas aulas, eu preferia mais ficar no tes regras gerais:
pátio do que continuar dentro da classe.”
- O sujeito é simples: O sujeito sendo simples, com ele con-
07. A frase em que a concordância nominal está correta é: cordará o verbo em número e pessoa. Exemplos:
a) A vasta plantação e a casa grande caiados há pouco tempo
era o melhor sinal de prosperidade da família. Verbo depois do sujeito:
b) Eles, com ar entristecidos, dirigiram-se ao salão onde se “As saúvas eram uma praga.” (Carlos Povina Cavalcânti)
encontravam as vítimas do acidente. “Tu não és inimiga dele, não? (Camilo Castelo Branco)
c) Não lhe pareciam útil aquelas plantas esquisitas que ele cul- “Vós fostes chamados à liberdade, irmãos.” (São Paulo)
tivava na sua pacata e linda chácara do interior.
d) Quando foi encontrado, ele apresentava feridos a perna e o Verbo antes do sujeito:
braço direitos, mas estava totalmente lúcido. Acontecem tantas desgraças neste planeta!
e) Esses livro e caderno não são meus, mas poderão ser impor- Não faltarão pessoas que nos queiram ajudar.
tante para a pesquisa que estou fazendo. A quem pertencem essas terras?

08. Assinale a alternativa em que, pluralizando-se a frase, as - O sujeito é composto e da 3ª pessoa


palavras destacadas permanecem invariáveis:
a) Este é o meio mais exato para você resolver o problema: O sujeito, sendo composto e anteposto ao verbo, leva geral-
estude só. mente este para o plural. Exemplos:
b) Meia palavra, meio tom - índice de sua sensatez. “A esposa e o amigo seguem sua marcha.” (José de Alencar)
c) Estava só naquela ocasião; acreditei, pois em sua meia pro- “Poti e seus guerreiros o acompanharam.” (José de Alencar)
messa. “Vida, graça, novidade, escorriam-lhe da alma como de uma
d) Passei muito inverno só. fonte perene.” (Machado de Assis)
e) Só estudei o elementar, o que me deixa meio apreensivo.
É licito (mas não obrigatório) deixar o verbo no singular:
09. Aponte o erro de concordância nominal. - Quando o núcleo dos sujeitos são sinônimos:
a) Andei por longes terras. “A decência e honestidade ainda reinava.” (Mário Barreto)
b) Ela chegou toda machucada. “A coragem e afoiteza com que lhe respondi, perturbou-o...”
c) Carla anda meio aborrecida. (Camilo Castelo Branco)
d) Elas não progredirão por si mesmo. “Que barulho, que revolução será capaz de perturbar esta se-
e) Ela própria nos procurou. renidade?” (Graciliano Ramos)
- Quando os núcleos do sujeito formam sequência gradativa:
10. Assinale o erro de concordância nominal. Uma ânsia, uma aflição, uma angústia repentina começou a
a) – Muito obrigada, disse ela. me apertar à alma.
b) Só as mulheres foram interrogadas.
c) Eles estavam só. Sendo o sujeito composto e posposto ao verbo, este poderá
d) Já era meio-dia e meia. concordar no plural ou com o substantivo mais próximo:
e) Sós, ficaram tristes. “Não fossem o rádio de pilha e as revistas, que seria de Eli-
sa?” (Jorge Amado)
Respostas: “Enquanto ele não vinha, apareceram um jornal e uma vela.”
01-A / 02-C (Ricardo Ramos)
03. a) necessária b) alerta c) bastantes d) vazia e) meio “Ali estavam o rio e as suas lavadeiras.” (Carlos Povina Ca-
04. a) “Na reunião do colegiado, não faltaram, no momento valcânti)
em que as discussões se tornaram mais violentas, argumentos e ... casa abençoada onde paravam Deus e o primeiro dos seus
opiniões veementes e contraditórias.” ministros.” (Carlos de Laet)
b) Concorda com o sujeito “argumentos e opiniões”. Aconselhamos, nesse caso, usar o verbo no plural.
05. a) “Receba, Vossa Excelência, os protestos de nossa esti-
ma, pois não pode haver cidadãos conscientes sem a educação.” - O sujeito é composto e de pessoas diferentes
b)  A frase está correta.

Didatismo e Conhecimento 82
LÍNGUA PORTUGUESA
Se o sujeito composto for de pessoas diversas, o verbo se fle- “Ele com mais dois acercaram-se da porta.” (Camilo Castelo
xiona no plural e na pessoa que tiver prevalência. (A 1ª pessoa Branco)
prevalece sobre a 2ª e a 3ª; a 2ª prevale sobre a 3ª):
“Foi o que fizemos Capitu e eu.” (Machado de Assis) (ela e Pode se usar o verbo no singular quando se deseja dar relevân-
eu = nós) cia ao primeiro elemento do sujeito e também quando o verbo vier
“Tu e ele partireis juntos.” (Mário Barreto) (tu e ele = vós) antes deste. Exemplos:
Você e meu irmão não me compreendem. (você e ele = vocês) O bispo, com dois sacerdotes, iniciou solenemente a missa.
O presidente, com sua comitiva, chegou a Paris às 5h da tarde.
Muitas vezes os escritores quebram a rigidez dessa regra: “Já num sublime e público teatro se assenta o rei inglês com
toda a corte.” (Luís de Camarões)
- Ora fazendo concordar o verbo com o sujeito mais próximo,
quando este se pospõe ao verbo: - Núcleos do sujeito unidos por nem: Quando o sujeito é for-
“O que resta da felicidade passada és tu e eles.” (Camilo Cas- mado por núcleos no singular unidos pela conjunção nem, usa-se,
telo Branco) comumente, o verbo no plural. Exemplos:
“Faze uma arca de madeira; entra nela tu, tua mulher e teus Nem a riqueza nem o poder o livraram de seus inimigos.
filhos.” (Machado de Assis) Nem eu nem ele o convidamos.
- Ora preferindo a 3ª pessoa na concorrência tu + ele (tu + “Nem o mundo, nem Deus teriam força para me constranger
ele = vocês em vez de tu + ele = vós): a tanto.” (Alexandre Herculano)
“...Deus e tu são testemunhas...” (Almeida Garrett) “Nem a Bíblia nem a respeitabilidade lhe permitem praguejar
“Juro que tu e tua mulher me pagam.” (Coelho Neto) alto.” (Eça de Queirós)
É preferível a concordância no singular:
As normas que a seguir traçamos têm, muitas vezes, valor re-
lativo, porquanto a escolha desta ou daquela concordância depen- - Quando o verbo precede o sujeito:
de, freqüentemente, do contexto, da situação e do clima emocional “Não lhe valeu a imensidade azul, nem a alegria das flores,
que envolvem o falante ou o escrevente. nem a pompa das folhas verdes...” (Machado de Assis)
Não o convidei eu nem minha esposa.
- Núcleos do sujeito unidos por ou “Na fazenda, atualmente, não se recusa trabalho, nem dinhei-
ro, nem nada a ninguém.” (Guimarães Rosa)
Há duas situações a considerar:
- Quando há exclusão, isto é, quando o fato só pode ser atri-
- Se a conjunção ou indicar exclusão ou retificação, o verbo buído a um dos elementos do sujeito:
concordará com o núcleo do sujeito mais próximo: Nem Berlim nem Moscou sediará a próxima Olimpíada. (Só
Paulo ou Antônio será o presidente. uma cidade pode sediar a Olimpíada.)
O ladrão ou os ladrões não deixaram nenhum vestígio. Nem Paulo nem João será eleito governador do Acre. (Só um
Ainda não foi encontrado o autor ou os autores do crime. candidato pode ser eleito governador.)
- O verbo irá para o plural se a idéia por ele expressa se refe-
rir ou puder ser atribuída a todos os núcleos do sujeito: - Núcleos do sujeito correlacionados: O verbo vai para o
“Era tão pequena a cidade, que um grito ou gargalhada forte plural quando os elementos do sujeito composto estão ligados por
a atravessavam de ponta a ponta.” (Aníbal Machado) (Tanto um uma das expressões correlativas não só... mas também, não só
grito como uma gargalhada atravessavam a cidade.) como também, tanto...como, etc. Exemplos:
“Naquela crise, só Deus ou Nossa Senhora podiam acudir- Não só a nação mas também o príncipe estariam pobres.”
-lhe.” (Camilo Castelo Branco) (Alexandre Herculano)
“Tanto a Igreja como o Estado eram até certo ponto inocen-
Há, no entanto, em bons autores, ocorrência de verbo no sin- tes.” (Alexandre Herculano)
gular: “Tanto Noêmia como Reinaldo só mantinham relações de
“A glória ou a vergonha da estirpe provinha de atos indivi- amizade com um grupo muito reduzido de pessoas.” (José Condé)
duais.” (Vivaldo Coaraci) “Tanto a lavoura como a indústria da criação de gado não o
“Há dessas reminiscências que não descansam antes que a demovem do seu objetivo.” (Cassiano Ricardo)
pena ou a língua as publique.” (Machado de Assis)
“Um príncipe ou uma princesa não casa sem um vultoso - Sujeitos resumidos por tudo, nada, ninguém: Quando o su-
dote.” (Viriato Correia) jeito composto vem resumido por um dos pronomes, tudo, nada,
ninguém, etc. o verbo concorda, no singular, com o pronome re-
- Núcleos do sujeito unidos pela preposição com: Usa-se sumidor. Exemplos:
mais frequentemente o verbo no plural quando se atribui a mesma Jogos, espetáculos, viagens, diversões, nada pôde satisfazê-lo.
importância, no processo verbal, aos elementos do sujeito unidos “O entusiasmo, alguns goles de vinho, o gênio imperioso, es-
pela preposição com. Exemplos: touvado, tudo isso me levou a fazer uma coisa única.” (Machado
Manuel com seu compadre construíram o barracão. de Assis)
“Eu com outros romeiros vínhamos de Vigo...” (Camilo Cas- Jogadores, árbitro, assistentes, ninguém saiu do campo.
telo Branco)

Didatismo e Conhecimento 83
LÍNGUA PORTUGUESA
- Núcleos do sujeito designando a mesma pessoa ou coisa: O “A maior parte dos doidos ali metidos estão em seu perfeito
verbo concorda no singular quando os núcleos do sujeito designam juízo.” (Machado de Assis)
a mesma pessoa ou o mesmo ser. Exemplos: “A maior parte das pessoas pedem uma sopa, um prato de
“Aleluia! O brasileiro comum, o homem do povo, o João- carne e um prato de legumes.” (Ramalho Ortigão)
-ninguém, agora é cédula de Cr$ 500,00!” (Carlos Drummond “A maior parte dos nomes podem ser empregados em sentido
Andrade) definido ou em sentido indefinido.” (Mário Barreto)
“Embora sabendo que tudo vai continuar como está, fica o
registro, o protesto, em nome dos telespectadores.” (Valério An- Quando o verbo precede o sujeito, como nos dois últimos
drade) exemplos, a concordância se efetua no singular. Como se vê dos
Advogado e membro da instituição afirma que ela é corrupta. exemplos supracitados, as duas concordâncias são igualmente legí-
timas, porque têm tradição na língua. Cabe a quem fala ou escreve
- Núcleos do sujeito são infinitivos: O verbo concordará no escolher a que julgar mais adequada à situação. Pode-se, portanto,
plural se os infinitivos forem determinados pelo artigo ou expri- no caso em foco, usar o verbo no plural, efetuando a concordância
mirem idéias opostas; caso contrário, tanto é lícito usar o verbo no não com a forma gramatical das palavras, mas com a ideia de plu-
singular como no plural. Exemplos: ralidade que elas encerram e sugerem à nossa mente. Essa concor-
O comer e o beber são necessários. dância ideológica é bem mais expressiva que a gramatical, como
Rir e chorar fazem parte da vida se pode perceber relendo as frases citadas de Machado de Assis,
Montar brinquedos e desmontá-los divertiam muito o menino. Ramalho Ortigão, Ondina Ferreira e Aurélio Buarque de Holanda,
“Já tinha ouvido que plantar e colher feijão não dava traba- e cotejando-as com as dos autores que usaram o verbo no singular.
lho.” (Carlos Povina Cavalcânti) (ou davam) - Um e outro, nem um nem outro: O sujeito sendo uma dessas
expressões, o verbo concorda, de preferência, no plural. Exemplos:
- Sujeito oracional: Concorda no singular o verbo cujo sujeito “Um e outro gênero se destinavam ao conhecimento...” (Her-
é uma oração: nâni Cidade)
Ainda falta / comprar os cartões. “Um e outro descendiam de velhas famílias do Norte.” (Ma-
Predicado Sujeito Oracional chado de Assis)
Uma e outra família tinham (ou tinha) parentes no Rio.
Estas são realidades que não adianta esconder. “Depois nem um nem outro acharam novo motivo para diá-
Sujeito de adianta: esconder que (as realidades) logo.” (Fernando Namora)

- Sujeito Coletivo: O verbo concorda no singular com o sujei- - Um ou outro: O verbo concorda no singular com o sujeito
to coletivo no singular. Exemplos: um ou outro:
A multidão vociferava ameaças. “Respondi-lhe que um ou outro colar lhe ficava bem.” (Ma-
O exército dos aliados desembarcou no sul da Itália. chado de Assis)
Uma junta de bois tirou o automóvel do atoleiro. “Uma ou outra pode dar lugar a dissentimentos.” (Machado
Um bloco de foliões animava o centro da cidade. de Assis)
“Sempre tem um ou outro que vai dando um vintém.” (Raquel
Se o coletivo vier seguido de substantivo plural que o espe- de Queirós)
cifique e anteceder ao verbo, este poderá ir para o plural, quando
se quer salientar não a ação do conjunto, mas a dos indivíduos, - Um dos que, uma das que: Quando, em orações adjetivas
efetuando-se uma concordância não gramatical, mas ideológica: restritivas, o pronome que vem antecedido de um dos ou expres-
“Uma grande multidão de crianças, de velhos, de mulheres são análoga, o verbo da oração adjetiva flexiona-se, em regra, no
penetraram na caverna...” (Alexandre Herculano) plural:
“Uma grande vara de porcos que se afogaram de escantilhão “O príncipe foi um dos que despertaram mais cedo.” (Ale-
no mar...” (Camilo Castelo Branco) xandre Herculano)
“Reconheceu que era um par de besouros que zumbiam no “A baronesa era uma das pessoas que mais desconfiavam de
ar.” (Machado de Assis) nós.” (Machado de Assis)
“Havia na União um grupo de meninos que praticavam esse “Areteu da Capadócia era um dos muitos médicos gregos que
divertimento com uma pertinácia admirável.” (Carlos Povina Ca- viviam em Roma.” (Moacyr Scliar)
valcânti) Ele é desses charlatães que exploram a crendice humana.
- A maior parte de, grande número de, etc: Sendo o sujei-
to uma das expressões quantitativas a maior parte de, parte de, Essa é a concordância lógica, geralmente preferida pelos es-
a maioria de, grande número de, etc., seguida de substantivo ou critores modernos. Todavia, não é prática condenável fugir ao rigor
pronome no plural, o verbo, quando posposto ao sujeito, pode ir da lógica gramatical e usar o verbo da oração adjetiva no singular
para o singular ou para o plural, conforme se queira efetuar uma (fazendo-o concordar com a palavra um), quando se deseja desta-
concordância estritamente gramatical (com o coletivo singular) ou car o indivíduo do grupo, dando-se a entender que ele sobressaiu
uma concordância enfática, expressiva, com a idéia de pluralidade ou sobressai aos demais:
sugerida pelo sujeito. Exemplos: Ele é um desses parasitas que vive à custa dos outros.
A maior parte dos indígenas respeitavam os pajés.” (Gilberto “Foi um dos poucos do seu tempo que reconheceu a originali-
Freire) dade e importância da literatura brasileira.” (João Ribeiro)

Didatismo e Conhecimento 84
LÍNGUA PORTUGUESA
Há gramáticas que condenam tal concordância. Por coerência, - Pronomes quem, que, como sujeitos: O verbo concordará,
deveriam condenar também a comumente aceita em construções em regra, na 3ª pessoa, com os pronomes quem e que, em frases
anormais do tipo: Quais de vós sois isentos de culpa? Quantos de como estas:
nós somos completamente felizes? O verbo fica obrigatoriamente Sou eu quem responde pelos meus atos.
no singular quando se aplica apenas ao indivíduo de que se fala, Somos nós quem leva o prejuízo.
como no exemplo: Eram elas quem fazia a limpeza da casa.
Jairo é um dos meus empregados que não sabe ler. (Jairo é o “Eras tu quem tinha o dom de encantar-me.” (Osmã Lins)
único empregado que não sabe ler.)
Todavia, a linguagem enfática justifica a concordância com o
Ressalte-se porém, que nesse caso é preferível construir a fra- sujeito da oração principal:
se de outro modo: “Sou eu quem prendo aos céus a terra.” (Gonçalves Dias)
Jairo é um empregado meu que não sabe ler. “Não sou eu quem faço a perspectiva encolhida.” (Ricardo
Dos meus empregados, só Jairo não sabe ler. Ramos)
“És tu quem dás frescor à mansa brisa.” (Gonçalves Dias)
Na linguagem culta formal, ao empregar as expressões em “Nós somos os galegos que levamos a barrica.” (Camilo Cas-
foco, o mais acertado é usar no plural o verbo da oração adjetiva: telo Branco)
O Japão é um dos países que mais investem em tecnologia.
Gandhi foi um dos que mais lutaram pela paz. A concordância do verbo precedido do pronome relativo que
O sertão cearense é uma das áreas que mais sofrem com as far-se-á obrigatoriamente com o sujeito do verbo (ser) da oração
secas. principal, em frases do tipo:
Heráclito foi um dos empresários que conseguiram superar Sou eu que pago.
a crise. És tu que vens conosco?
Somos nós que cozinhamos.
Embora o caso seja diferente, é oportuno lembrar que, nas ora- Eram eles que mais reclamavam.
ções adjetivas explicativas, nas quais o pronome que é separado de
seu antecedente por pausa e vírgula, a concordância é determinada Em construções desse tipo, é lícito considerar o verbo ser e a
pelo sentido da frase: palavra que como elementos expletivos ou enfatizantes, portanto
Um dos meninos, que estava sentado à porta da casa, foi cha- não necessários ao enunciado. Assim:
mar o pai. (Só um menino estava sentado.) Sou eu que pago. (=Eu pago)
Um dos cinco homens, que assistiam àquela cena estupefatos, Somos nós que cozinhamos. (=Nós cozinhamos)
soltou um grito de protesto. (Todos os cinco homens assistiam à Foram os bombeiros que a salvaram. (= Os bombeiros a sal-
cena.) varam.)
Seja qual for a interpretação, o importante é saber que, neste
- Mais de um: O verbo concorda, em regra, no singular. O plu- caso, tanto o verbo ser como o outro devem concordar com o pro-
ral será de rigor se o verbo exprimir reciprocidade, ou se o numeral nome ou substantivo que precede a palavra que.
for superior a um. Exemplos:
Mais de um excursionista já perdeu a vida nesta montanha. - Concordância com os pronomes de tratamento: Os prono-
Mais de um dos circunstantes se entreolharam com espanto. mes de tratamento exigem o verbo na 3ª pessoa, embora se refira à
Devem ter fugido mais de vinte presos. 2ª pessoa do discurso:
Vossa Excelência agiu com moderação.
- Quais de vós? Alguns de nós: Sendo o sujeito um dos prono- Vossas Excelências não ficarão surdos à voz do povo.
mes interrogativos quais? quantos? Ou um dos indefinidos alguns, “Espero que V.Sª. não me faça mal.” (Camilo Castelo Branco)
muitos, poucos, etc., seguidos dos pronomes nós ou vós, o verbo “Vossa Majestade não pode consentir que os touros lhe matem
concordará, por atração, com estes últimos, ou, o que é mais lógi- o tempo e os vassalos.” (Rebelo da Silva)
co, na 3ª pessoa do plural:
“Quantos dentre nós a conhecemos?” (Rogério César Cer- - Concordância com certos substantivos próprios no plural:
queira) Certos substantivos próprios de forma plural, como Estados Uni-
“Quais de vós sois, como eu, desterrados...?” (Alexandre Her- dos, Andes, Campinas, Lusíadas, etc., levam o verbo para o plural
culano) quando se usam com o artigo; caso contrário, o verbo concorda no
“...quantos dentre vós estudam conscienciosamente o passa- singular.
do?” (José de Alencar) “Os Estados Unidos são o país mais rico do mundo.” (Eduar-
Alguns de nós vieram (ou viemos) de longe. do Prado)
Os Andes se estendem da Venezuela à Terra do Fogo.
Estando o pronome no singular, no singular (3ª pessoa) ficará “Os Lusíadas” imortalizaram Luís de Camões.
o verbo: Campinas orgulha-se de ter sido o berço de Carlos Gomes.
Qual de vós testemunhou o fato?
Nenhuma de nós a conhece. Tratando-se de títulos de obras, é comum deixar o verbo no
Nenhum de vós a viu? singular, sobretudo com o verbo ser seguido de predicativo no sin-
Qual de nós falará primeiro? gular:

Didatismo e Conhecimento 85
LÍNGUA PORTUGUESA
“As Férias de El-Rei é o título da novela.” (Rebelo da Silva) - Verbos impessoais: Os verbos haver, fazer (na indicação do
“As Valkírias mostra claramente o homem que existe por de- tempo), passar de (na indicação de horas), chover e outros que
trás do mago.” (Paulo Coelho) exprimem fenômenos meteorológicos, quando usados como im-
“Os Sertões é um ensaio sociológico e histórico...” (Celso pessoais, ficam na 3ª pessoa do singular:
Luft) “Não havia ali vizinhos naquele deserto.” (Monteiro Lobato)
“Havia já dois anos que nos não víamos.” (Machado de Assis)
A concordância, neste caso, não é gramatical, mas ideológica, “Aqui faz verões terríveis.” (Camilo Castelo Branco)
porque se efetua não com a palavra (Valkírias, Sertões, Férias de “Faz hoje ao certo dois meses que morreu na forca o tal mal-
El-Rei), mas com a ideia por ela sugerida (obra ou livro). Ressalte- vado...” (Camilo Castelo Branco)
-se, porém, que é também correto usar o verbo no plural:
As Valkírias mostram claramente o homem... Observações:
“Os Sertões são um livro de ciência e de paixão, de análise e
de protesto.” (Alfredo Bosi) - Também fica invariável na 3ª pessoa do singular o verbo que
forma locução com os verbos impessoais haver ou fazer:
- Concordância do verbo passivo: Quando apassivado pelo Deverá haver cinco anos que ocorreu o incêndio.
pronome apassivador se, o verbo concordará normalmente com o Vai haver grandes festas.
sujeito: Há de haver, sem dúvida, fortíssimas razões para ele não acei-
Vende-se a casa e compram-se dois apartamentos. tar o cargo.
Gataram-se milhões, sem que se vissem resultados concre- Começou a haver abusos na nova administração.
tos.
“Correram-se as cortinas da tribuna real.” (Rebelo da Silva) - o verbo chover, no sentido figurado (= cair ou sobrevir em
“Aperfeiçoavam-se as aspas, cravavam-se pregos necessá- grande quantidade), deixa de ser impessoal e, portanto concordará
rios à segurança dos postes...” (Camilo Castelo Branco) com o sujeito:
Choviam pétalas de flores.
Na literatura moderna há exemplos em contrário, mas que não “Sou aquele sobre quem mais têm chovido elogios e diatri-
devem ser seguidos: bes.” (Carlos de Laet)
“Vendia-se seiscentos convites e aquilo ficava cheio.” (Ricar- “Choveram comentários e palpites.” (Carlos Drummond de
do Ramos) Andrade)
“Em Paris há coisas que não se entende bem.” (Rubem Braga) “E nem lá (na Lua) chovem meteoritos, permanentemente.”
(Raquel de Queirós)
Nas locuções verbais formadas com os verbos auxiliares po-
der e dever, na voz passiva sintética, o verbo auxiliar concordará - Na língua popular brasileira é generalizado o uso de ter,
com o sujeito. Exemplos: impessoal, por haver, existir. Nem faltam exemplos em escritores
Não se podem cortar essas árvores. (sujeito: árvores; locução modernos:
verbal: podem cortar) “No centro do pátio tem uma figueira velhíssima, com um
Devem-se ler bons livros. (=Devem ser lidos bons livros) (su- banco embaixo.” (José Geraldo Vieira)
jeito: livros; locução verbal: devem-se ler) “Soube que tem um cavalo morto, no quintal.” (Carlos Drum-
“Nem de outra forma se poderiam imaginar façanhas me- mond de Andrade)
moráveis como a do fabuloso Aleixo Garcia.” (Sérgio Buarque de Esse emprego do verbo ter, impessoal, não é estranho ao por-
Holanda) tuguês europeu: “É verdade. Tem dias que sai ao romper de alva
“Em Santarém há poucas casas particulares que se possam e recolhe alta noite, respondeu Ângela.” (Camilo Castelo Branco)
dizer verdadeiramente antigas.” (Almeida Garrett) (Tem = Há)

Entretanto, pode-se considerar sujeito do verbo principal a - Existir não é verbo impessoal. Portanto:
oração iniciada pelo infinitivo e, nesse caso, não há locução verbal Nesta cidade existem ( e não existe) bons médicos.
e o verbo auxiliar concordará no singular. Assim: Não deviam (e não devia) existir crianças abandonadas.
Não se pode cortar essas árvores. (sujeito: cortar essas árvo-
res; predicado: não se pode) - Concordância do verbo ser: O verbo de ligação ser concor-
Deve-se ler bons livros. (sujeito: ler bons livros; predicado: da com o predicativo nos seguintes casos:
deve-se)
- Quando o sujeito é um dos pronomes tudo, o, isto, isso, ou
Em síntese: de acordo com a interpretação que se escolher, aquilo:
tanto é lícito usar o verbo auxiliar no singular como no plural. “Tudo eram hipóteses.” (Ledo Ivo)
Portanto: “Tudo isto eram sintomas graves.” (Machado de Assis)
Não se podem (ou pode) cortar essas árvores. Na mocidade tudo são esperanças.
Devem-se (ou deve-se) ler bons livros. “Não, nem tudo são dessemelhanças e contrastes entre Brasil
“Quando se joga, deve-se aceitar as regras.” (Ledo Ivo) e Estados Unidos.” (Viana Moog)
“Concluo que não se devem abolir as loterias.” (Machado de
Assis)

Didatismo e Conhecimento 86
LÍNGUA PORTUGUESA
A concordância com o sujeito, embora menos comum, é tam- Era uma hora da tarde.
bém lícita: “Era hora e meia, foi pôr o chapéu.” (Eça de Queirós)
“Tudo é flores no presente.” (Gonçalves Dias) “Seriam seis e meia da tarde.” ( Raquel de Queirós)
“O que de mim posso oferecer-lhe é espinhos da minha co- “Eram duas horas da tarde.” (Machado de Assis)
roa.” (Camilo Castelo Branco)
Observações:
O verbo ser fica no singular quando o predicativo é formado
de dois núcleos no singular: - Pode-se, entretanto na linguagem espontânea, deixar o ver-
“Tudo o mais é soledade e silêncio.” (Ferreira de Castro) bo no singular, concordando com a idéia implícita de “dia”:
“Hoje é seis de março.” (J. Matoso Câmara Jr.) (Hoje é dia
- Quando o sujeito é um nome de coisa, no singular, e o predi- seis de março.)
cativo um substantivo plural: “Hoje é dez de janeiro.” (Celso Luft)
“A cama são umas palhas.” (Camilo Castelo Branco)
“A causa eram os seus projetos.” (Machado de Assis) - Estando a expressão que designa horas precedida da locu-
“Vida de craque não são rosas.” (Raquel de Queirós) ção perto de, hesitam os escritores entre o plural e o singular:
Sua salvação foram aquelas ervas. “Eram perto de oito horas.” (Machado de Assis)
“Era perto de duas horas quando saiu da janela.” (Machado
O sujeito sendo nome de pessoa, com ele concordará o verbo ser: de Assis)
Emília é os encantos de sua avó. “...era perto das cinco quando saí.” (Eça de Queirós)
Abílio era só problemas.
Dá-se também a concordância no singular com o sujeito que: - O verbo passar, referente a horas, fica na 3ª pessoa do sin-
“Ergo-me hoje para escrever mais uma página neste Diário gular, em frases como: Quando o trem chegou, passava das sete
que breve será cinzas como eu.” (Camilo Castelo Branco) horas.

- Locução de realce é que: O verbo ser permanece invariável


- Quando o sujeito é uma palavra ou expressão de sentido
na expressão expletiva ou de realce é que:
coletivo ou partitivo, e o predicativo um substantivo no plural:
Eu é que mantenho a ordem aqui. (= Sou eu que mantenho a
“A maioria eram rapazes.” (Aníbal Machado)
ordem aqui.)
A maior parte eram famílias pobres.
Nós é que trabalhávamos. (= Éramos nós que trabalhávamos)
O resto (ou o mais) são trastes velhos.
As mães é que devem educá-los. (= São as mães que devem
“A maior parte dessa multidão são mendigos.” (Eça de Queirós)
educá-los.)
Os astros é que os guiavam. (= Eram os astros que os guia-
- Quando o predicativo é um pronome pessoal ou um substan- vam.)
tivo, e o sujeito não é pronome pessoal reto:
“O Brasil, senhores, sois vós.” (Rui Barbosa) Da mesma forma se diz, com ênfase:
“Nas minhas terras o rei sou eu.” (Alexandre Herculano) “Vocês são muito é atrevidos.” (Raquel de Queirós)
“O dono da fazenda serás tu.” (Said Ali) “Sentia era vontade de ir também sentar-me numa cadeira
“...mas a minha riqueza eras tu.” (Camilo Castelo Branco) junto do palco.” (Graciliano Ramos)
“Por que era que ele usava chapéu sem aba?” (Graciliano Ramos)
Mas: Eu não sou ele. Vós não sois eles. Tu não és ele.
Observação: O verbo ser é impessoal e invariável em constru-
- Quando o predicativo é o pronome demonstrativo o ou a ções enfáticas como:
palavra coisa: Era aqui onde se açoitavam os escravos. (= Aqui se açoitavam
Divertimentos é o que não lhe falta. os escravos.)
“Os bastidores é só o que me toca.” (Correia Garção) Foi então que os dois se desentenderam. (= Então os dois se
“Mentiras, era o que me pediam, sempre mentiras.” ( Fernan- desentenderam.)
do Namora)
“Os responsórios e os sinos é coisa importuna em Tibães.” - Era uma vez: Por tradição, mantém-se invariável a expres-
(Camilo Castelo Branco) são inicial de histórias era uma vez, ainda quando seguida de subs-
tantivo plural: Era uma vez dois cavaleiros andantes.
- Nas locuções é muito, é pouco, é suficiente, é demais, é mais
que (ou do que), é menos que (ou do que), etc., cujo sujeito expri- - A não ser: É geralmente considerada locução invariável,
me quantidade, preço, medida, etc.: equivalente a exceto, salvo, senão. Exemplos:
“Seis anos era muito.” (Camilo Castelo Branco) Nada restou do edifício, a não ser escombros.
Dois mil dólares é pouco. A não ser alguns pescadores, ninguém conhecia aquela praia.
Cinco mil dólares era quanto bastava para a viagem. “Nunca pensara no que podia sair do papel e do lápis, a não
Doze metros de fio é demais. ser bonecos sem pescoço...” (Carlos Drummond de Andrade)

- Na indicação das horas, datas e distância , o verbo ser é Mas não constitui erro usar o verbo ser no plural, fazendo-o
impessoal (não tem sujeito) e concordará com a expressão desig- concordar com o substantivo seguinte, convertido em sujeito da
nativa de hora, data ou distância: oração infinitiva. Exemplos:

Didatismo e Conhecimento 87
LÍNGUA PORTUGUESA
“As dissipações não produzem nada, a não serem dívidas e Usando-se a oração desenvolvida, parecer concordará no sin-
desgostos.” (Machado de Assis) gular:
“A não serem os antigos companheiros de mocidade, nin- “Mesmo os doentes parece que são mais felizes.” (Cecília
guém o tratava pelo nome próprio.” (Álvaro Lins) Meireles)
“A não serem os críticos e eruditos, pouca gente manuseia “Outros, de aparência acabadiça, parecia que não podiam
hoje... aquela obra.” (Latino Coelho) com a enxada.” (José Américo)
“As notícias parece que têm asas.” (Oto Lara Resende) (Isto
- Haja vista: A expressão correta é haja vista, e não haja visto. é: Parece que as notícias têm asas.)
Pode ser construída de três modos:
Hajam vista os livros desse autor. (= tenham vista, vejam-se)
Essa dualidade de sintaxe verifica-se também com o verbo ver
Haja vista os livros desse autor. (= por exemplo, veja)
Haja vista aos livros desse autor. (= olhe-se para, atente-se na voz passiva: “Viam-se entrar mulheres e crianças.” Ou “Via-
para os livros) -se entrarem mulheres e crianças.”
A primeira construção (que é a mais lógica) analisa-se deste
modo. - Concordância com o sujeito oracional: O verbo cujo sujeito
Sujeito: os livros; verbo hajam (=tenham); objeto direto: vista. é uma oração concorda obrigatoriamente na 3ª pessoa do singular:
A situação é preocupante; hajam vista os incidentes de sábado. Parecia / que os dois homens estavam bêbedos.
Seguida de substantivo (ou pronome) singular, a expressão, Verbo sujeito (oração subjetiva)
evidentemente, permanece invariável: A situação é preocupante; Faltava / dar os últimos retoques.
haja vista o incidente de sábado. Verbo sujeito (oração subjetiva)

- Bem haja. Mal haja: Bem haja e mal haja usam-se em fra- Outros exemplos, com o sujeito oracional em destaque:
ses optativas e imprecativas, respectivamente. O verbo concordará Não me interessa ouvir essas parlendas.
normalmente com o sujeito, que vem sempre posposto: Anotei os livros que faltava adquirir. (faltava adquirir os li-
“Bem haja Sua Majestade!” (Camilo Castelo Branco) vros)
Bem hajam os promovedores dessa campanha! Esses fatos, importa (ou convém) não esquecê-los.
“Mal hajam as desgraças da minha vida...” (Camilo Castelo São viáveis as reformas que se intenta implantar?
Branco)
- Concordância dos verbos bater, dar e soar: Referindo-se
às horas, os três verbos acima concordam regularmente com o su- - Concordância com sujeito indeterminado: O pronome se,
jeito, que pode ser hora, horas (claro ou oculto), badaladas ou pode funcionar como índice de indeterminação do sujeito. Nesse
relógio: caso, o verbo concorda obrigatoriamente na 3ª pessoa do singular.
“Nisto, deu três horas o relógio da botica.” (Camilo Castelo Exemplos;
Branco) Em casa, fica-se mais à vontade.
“Bateram quatro da manhã em três torres a um tempo...” Detesta-se (e não detestam-se) aos indivíduos falsos.
(Mário Barreto) Acabe-se de vez com esses abusos!
“Tinham batido quatro horas no cartório do tabelião Vaz Nu- Para ir de São Paulo a Curitiba, levava-se doze horas.
nes.” (Machado de Assis)
“Deu uma e meia.” (Said Ali) - Concordância com os numerais milhão, bilhão e trilhão:
Estes substantivos numéricos, quando seguidos de substantivo no
Pasar, com referência a horas, no sentido de ser mais de, é plural, levam, de preferência, o verbo ao plural. Exemplos:
verbo impessoal, por isso fica na 3ª pessoa do singular: Quando Um milhão de fiéis agruparam-se em procissão.
chegamos ao aeroporto, passava das 16 horas; Vamos, já passa São gastos ainda um milhão de dólares por ano para a manu-
das oito horas – disse ela ao filho. tenção de cada Ciep.
Meio milhão de refugiados se aproximam da fronteira do Irã.
- Concordância do verbo parecer: Em construções com o
Meio milhão de pessoas foram às ruas para reverenciar os
verbo parecer seguido de infinitivo, pode-se flexionar o verbo pa-
mártires da resistência.
recer ou o infinitivo que o acompanha:
As paredes pareciam estremecer. (construção corrente)
As paredes parecia estremecerem. (construção literária) Observações:

Análise da construção dois: parecia: oração principal; as pare- - Milhão, bilhão e milhar são substantivos masculinos. Por
des estremeceram: oração subordinada substantiva subjetiva. isso, devem concordar no masculino os artigos, numerais e pro-
Outros exemplos: nomes que os precedem: os dois milhões de pessoas; os três mi-
“Nervos... que pareciam estourar no minuto seguinte.” (Fer- lhares de plantas; alguns milhares de telhas; esses bilhões de
nando Namora) criaturas, etc.
“Referiu-me circunstâncias que parece justificarem o proce- - Se o sujeito da oração for milhões, o particípio ou o adjeti-
dimento do soberano.” (Latino Coelho) vo podem concordar, no masculino, com milhões, ou, por atração,
“As lágrimas e os soluços parecia não a deixarem prosse- no feminino, com o substantivo feminino plural: Dois milhões de
guir.” (Alexandre Herculano) sacas de soja estão ali armazenados (ou armazenadas) no pró-
“...quando as estrelas, em ritmo moroso, parecia caminha- ximo ano. Foram colhidos três milhões de sacas de trigo. Os dois
rem no céu.” (Graça Aranha) milhões de árvores plantadas estão altas e bonitas.

Didatismo e Conhecimento 88
LÍNGUA PORTUGUESA
- Concordância com numerais fracionários: De regra, a con- Na placa estava “veiculos”, sem acento.
cordância do verbo efetua-se com o numerador. Exemplos: “Contudo, mercadores não tem a força de vendilhões.” (Ma-
“Mais ou menos um terço dos guerrilheiros ficou atocaiado chado de Assis)
perto...” (Autran Dourado)
“Um quinto dos bens cabe ao menino.” (José Gualda Dantas) - Mais de, menos de: O verbo concorda com o substantivo que
Dois terços da população vivem da agricultura. se segue a essas expressões:
Mais de cem pessoas perderam suas casas, na enchente.
Não nos parece, entretanto, incorreto usar o verbo no plural, Sobrou mais de uma cesta de pães.
quando o número fracionário, seguido de substantivo no plural, Gastaram-se menos de dois galões de tinta.
tem o numerador 1, como nos exemplos: Menos de dez homens fariam a colheita das uvas.
Um terço das mortes violentas no campo acontecem no sul
do Pará. Exercícios
Um quinto dos homens eram de cor escura.
01. Indique a opção correta, no que se refere à concordância
- Concordância com percentuais: O verbo deve concordar verbal, de acordo com a norma culta:
com o número expresso na porcentagem: a) Haviam muitos candidatos esperando a hora da prova.
Só 1% dos eleitores se absteve de votar. b) Choveu pedaços de granizo na serra gaúcha.
Só 2% dos eleitores se abstiveram de votar. c) Faz muitos anos que a equipe do IBGE não vem aqui.
Foram destruídos 20% da mata. d) Bateu três horas quando o entrevistador chegou.
“Cerca de 40% do território ficam abaixo de 200 metros.” e) Fui eu que abriu a porta para o agente do censo.
(Antônio Hauaiss)
02. Assinale a frase em que há erro de concordância verbal:
Em casos como o da última frase, a concordância efetua-se, a) Um ou outro escravo conseguiu a liberdade.
pela lógica, no feminino (oitenta e duas entre cem mulheres), ou, b) Não poderia haver dúvidas sobre a necessidade da imigração.
seguindo o uso geral, no masculino, por se considerar a porcenta- c) Faz mais de cem anos que a Lei Áurea foi assinada.
gem um conjunto numérico invariável em gênero. d) Deve existir problemas nos seus documentos.
e) Choveram papéis picados nos comícios.
- Concordância com o pronome nós subentendido: O verbo
concorda com o pronome subentendido nós em frases do tipo: 03. Assinale a opção em que há concordância inadequada:
Todos estávamos preocupados. (= Todos nós estávamos a) A maioria dos estudiosos acha difícil uma solução para o
preocupados.) problema.
Os dois vivíamos felizes. (=Nós dois vivíamos felizes.) b) A maioria dos conflitos foram resolvidos.
“Ficamos por aqui, insatisfeitos, os seus amigos.” (Carlos c) Deve haver bons motivos para a sua recusa.
Drummond de Andrade) d) De casa à escola é três quilômetros.
e) Nem uma nem outra questão é difícil.
- Não restam senão ruínas: Em frases negativas em que se-
não equivale a mais que, a não ser, e vem seguido de substantivo 04. Há erro de concordância em:
no plural, costuma-se usar o verbo no plural, fazendo-o concordar a) atos e coisas más
com o sujeito oculto outras coisas. Exemplos: b) dificuldades e obstáculo intransponível
Do antigo templo grego não restam senão ruínas. (Isto é: não c) cercas e trilhos abandonados
restam outras coisas senão ruínas.) d) fazendas e engenho prósperas
Da velha casa não sobraram senão escombros. e) serraria e estábulo conservados
“Para os lados do sul e poente, não se viam senão edifícios
queimados.” (Alexandre Herculano) 05. Indique a alternativa em que há erro:
“Por toda a parte não se ouviam senão gemidos ou clamores.” a) Os fatos falam por si sós.
(Rebelo da Silva) b) A casa estava meio desleixada.
c) Os livros estão custando cada vez mais caro.
Segundo alguns autores, pode-se, em tais frases, efetuar a con- d) Seus apartes eram sempre o mais pertinentes possíveis.
cordância do verbo no singular com o sujeito subentendido nada: e) Era a mim mesma que ele se referia, disse a moça.
Do antigo templo grego não resta senão ruínas. (Ou seja: não
resta nada, senão ruínas.) 06. Assinale a alternativa correta quanto à concordância verbal:
Ali não se via senão (ou mais que) escombros. a) Soava seis horas no relógio da matriz quando eles chega-
As duas interpretações são boas, mas só a primeira tem tradi- ram.
ção na língua. b) Apesar da greve, diretores, professores, funcionários, nin-
guém foram demitidos.
- Concordância com formas gramaticais: Palavras no plu- c) José chegou ileso a seu destino, embora houvessem muitas
ral com sentido gramatical e função de sujeito exigem o verbo no ciladas em seu caminho.
singular: d) Fomos nós quem resolvemos aquela questão.
“Elas” é um pronome pessoal. (= A palavra elas é um pronome e) O impetrante referiu-se aos artigos 37 e 38 que ampara sua
pessoal.) petição.

Didatismo e Conhecimento 89
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07. A concordância verbal está correta na alternativa: - acessível a: Este cargo não é acessível a todos.
a) Ela o esperava já faziam duas semanas. - acesso a, para: O acesso para a região ficou impossível.
b) Na sua bolsa haviam muitas moedas de ouro. - acostumado a, com: Todos estavam acostumados a ouvi-lo.
c) Eles parece estarem doentes. - adaptado a: Foi difícil adaptar-me a esse clima.
d) Devem haver aqui pessoas cultas. - afável com, para com: Tinha um jeito afável para com os
e) Todos parecem terem ficado tristes. turistas.
- aflito: com, por.
08. É provável que ....... vagas na academia, mas não ....... pes- - agradável a, de: Sua saída não foi agradável à equipe.
soas interessadas: são muitas as formalidades a ....... cumpridas. - alheio: a, de.
a) hajam - existem - ser - aliado: a, com.
b) hajam - existe - ser - alusão a: O professor fez alusão à prova final.
c) haja - existem - serem - amor a, por: Ele demonstrava grande amor à namorada.
d) haja - existe - ser - análogo: a.
e) hajam - existem - serem - antipatia a, por: Sentia antipatia por ela.
- apto a, para: Estava apto para ocupar o cargo.
09. ....... de exigências! Ou será que não ....... os sacrifícios que - atenção a, com, para com: Nunca deu atenção a ninguém.
....... por sua causa? - aversão a, por: Sempre tive aversão à política.
a) Chega - bastam - foram feitos - benéfico a, para: A reforma foi benéfica a todos.
b) Chega - bastam - foi feito - certeza de, em: A certeza de encontrá-lo novamente a ani-
c) Chegam - basta - foi feito mou.
d) Chegam - basta - foram feitos - coerente: com.
e) Chegam - bastam - foi feito - compatível: com.
- contíguo: a.
10. Soube que mais de dez alunos se ....... a participar dos desprezo: a, de, por.
jogos que tu e ele ...... - dúvida em sobre: Anotou todas as dúvidas sobre a questão dada.
a) negou – organizou empenho: de, em, por.
b) negou – organizastes equivalente: a.
c) negaram – organizaste - favorável a: Sou favorável à sua candidatura.
d) negou – organizaram fértil: de, em.
e) negaram - organizastes - gosto de, em: Tenho muito gosto em participar desta brin-
cadeira.
Respostas: (01-C) (02-D) (03-D) (04-D) (05-D) (06-D) (07- - grato a: Grata a todos que me ensinaram a ensinar.
C) (08-C) (09-A) (10-E) - horror a, de: Tinha horror a quiabo refogado.
hostil: a, para com.
- impróprio para: O filme era impróprio para menores.
REGÊNCIA (VERBAL E NOMINAL) inerente: a.
- junto a, com, de: Junto com o material, encontrei este do-
cumento.
- lento: em.
Regência Nominal - necessário a, para: A medida foi necessária para acabar com
tanta dúvida.
Regência nominal é a relação de dependência que se estabele- - passível de: As regras são passíveis de mudanças.
ce entre o nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) e o termo por - preferível a: Tudo era preferível à sua queixa.
ele regido. Certos substantivos e adjetivos admitem mais de uma - próximo: a, de.
regência. Na regência nominal o principal papel é desempenhado - rente: a.
pela preposição. - residente: em.
No estudo da regência nominal, é preciso levar em conta que - respeito a, com, de, entre, para com, por: É necessário o
vários nomes apresentam exatamente o mesmo regime dos verbos respeito às leis.
de que derivam. Conhecer o regime de um verbo significa, nesses - satisfeito: com, de, em, por.
casos, conhecer o regime dos nomes cognatos. Observe o exemplo: - semelhante: a.
Verbo obedecer e os nomes correspondentes: todos regem sensível: a.
complementos introduzidos pela preposição “a”. - sito em: O apartamento sito em Brasília foi vendido.
Obedecer a algo/ a alguém. - situado em: Minha casa está situada na Avenida Internacional.
Obediente a algo/ a alguém. - suspeito: de.
- útil: a, para.
Apresentamos a seguir vários nomes acompanhados da pre- - vazio: de.
posição ou preposições que os regem. Observe-os atentamente e - versado: em.
procure, sempre que possível, associar esses nomes entre si ou a - vizinho: a, de.
algum verbo cuja regência você conhece.

Didatismo e Conhecimento 90
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Exercícios 08. Dentre as frases abaixo, uma apenas apresenta a regência
nominal correta. Assinale-a:
01. O projeto.....estão dando andamento é incompatível.....tra- a) Ele não é digno a ser seu amigo.
dições da firma. b) Baseado laudos médicos, concedeu-lhe a licença.
a) de que, com as c) A atitude do Juiz é isenta de qualquer restrição.
b) a que, com as d) Ele se diz especialista para com computadores eletrônicos.
c) que, as e) O sol é indispensável da saúde.
d) à que, às
e) que, com as Respostas: 01-B / 02-A / 03-D / 04-D / 05-D / 06-A / 07-C /
08-C
02. Quanto a amigos, prefiro João.....Paulo,.....quem sinto...... Regência Verbal
simpatia.
a) a, por, menos
A regência verbal estuda a relação que se estabelece entre os
b) do que, por, menos
verbos e os termos que os complementam (objetos diretos e obje-
c) a, para, menos
d) do que, com, menos tos indiretos) ou caracterizam (adjuntos adverbiais). O estudo da
e) do que, para, menos regência verbal permite-nos ampliar nossa capacidade expressiva,
pois oferece oportunidade de conhecermos as diversas significa-
03. Assinale a opção em que todos adjetivos podem ser segui- ções que um verbo pode assumir com a simples mudança ou reti-
dos pela mesma preposição: rada de uma preposição.
a) ávido, bom, inconsequente
b) indigno, odioso, perito A mãe agrada o filho. (agradar significa acariciar, contentar)
c) leal, limpo, oneroso A mãe agrada ao filho. (agradar significa “causar agrado ou
d) orgulhoso, rico, sedento prazer”, satisfazer)
e) oposto, pálido, sábio Logo, conclui-se que “agradar alguém” é diferente de “agra-
dar a alguém”.
04. “As mulheres da noite,......o poeta faz alusão a colorir Ara- O conhecimento do uso adequado das preposições é um dos
caju,........coração bate de noite, no silêncio”. A opção que comple- aspectos fundamentais do estudo da regência verbal (e também
ta corretamente as lacunas da frase acima é: nominal). As preposições são capazes de modificar completamente
a) as quais, de cujo o sentido do que se está sendo dito.
b) a que, no qual
c) de que, o qual Cheguei ao metrô.
d) às quais, cujo Cheguei no metrô.
e) que, em cujo
No primeiro caso, o metrô é o lugar a que vou; no segundo
05. Assinale a alternativa correta quanto à regência: caso, é o meio de transporte por mim utilizado. A oração “Cheguei
a) A peça que assistimos foi muito boa. no metrô”, popularmente usada a fim de indicar o lugar a que se
b) Estes são os livros que precisamos. vai, possui, no padrão culto da língua, sentido diferente. Aliás, é
c) Esse foi um ponto que todos se esqueceram.
muito comum existirem divergências entre a regência coloquial,
d) Guimarães Rosa é o escritor que mais aprecio.
cotidiana de alguns verbos, e a regência culta.
e) O ideal que aspiramos é conhecido por todos.

06. Assinale a alternativa que contém as respostas corretas. Abdicar: renunciar ao poder, a um cargo, título desistir. Pode
I. Visando apenas os seus próprios interesses, ele, involunta- ser intransitivo (VI não exige complemento) / transitivo direto
riamente, prejudicou toda uma família. (TD) ou transitivo indireto (TI + preposição): D. Pedro abdi-
II. Como era orgulhoso, preferiu declarar falida a firma a acei- cou em 1831. (VI); A vencedora abdicou o seu direto de rainha.
tar qualquer ajuda do sogro. (VTD); Nunca abdicarei de meus direitos. (VTI)
III. Desde criança sempre aspirava a uma posição de destaque,
embora fosse tão humilde. Abraçar: emprega-se sem / sem preposição no sentido de
IV. Aspirando o perfume das centenas de flores que enfeita- apertar nos braços: A mãe abraçou-a com ternura. (VTD); Abra-
vam a sala, desmaiou. çou-se a mim, chorando. (VTI)
a) II, III, IV
b) I, II, III Agradar: emprega-se com preposição no sentido de conten-
e) I, III, IV tar, satisfazer.(VTI): A banda Legião Urbana agrada aos jovens.
d) I, III (VTI); Emprega-se sem preposição no sentido de acariciar, mimar:
e) I, II Márcio agradou a esposa com um lindo presente. (VTD)

07. Assinale o item em que há erro quanto à regência: Ajudar: emprega-se sem preposição; objeto direto de pessoa:
a) São essas as atitudes de que discordo. Eu ajudava-a no serviço de casa. (VTD)
b) Há muito já lhe perdoei.
c) Informo-lhe de que paguei o colégio. Aludir: (=fazer alusão, referir-se a alguém), emprega-se com
d) Costumo obedecer a preceitos éticos. preposição: Na conversa aludiu vagamente ao seu novo projeto.
e) A enfermeira assistiu irrepreensivelmente o doente. (VTI)

Didatismo e Conhecimento 91
LÍNGUA PORTUGUESA
Ansiar: emprega-se sem preposição no sentido de causar Chegar: como intransitivo, o verbo chegar exige a preposi-
mal-estar, angustiar: A emoção ansiava-me. (VTD); Emprega-se ção a quando indica lugar: Chegou ao aeroporto meio apressada.
com preposição no sentido de desejar ardentemente por: Ansia- Como transitivo direto (VTD) e intransitivo (VI) no sentido de
va por vê-lo novamente. (VTI) aproximar; Cheguei-me a ele.

Aspirar: emprega-se sem preposição no sentido de respirar, Contentar-se: emprega-se com as preposições com, de, em:
cheirar: Aspiramos um ar excelente, no campo. (VTD) Emprega- Contentam-se com migalhas. (VTI); Contento-me em aplaudir da-
-se com preposição no sentido de querer muito, ter por objetivo: qui.
Gincizinho aspira ao cargo de diretor da Penitenciária. (VTI)
Custar: é transitivo direto no sentido de ter valor de, ser
Assistir: emprega-se com preposição a no sentido de ver, pre- caro. Este computador custa muito caro. (VTD) No sentido de ser
senciar: Todos assistíamos à novela Almas Gêmeas. (VTI) Nesse difícil é TI. É conjugado como verbo reflexivo, na 3ª pessoa do
caso, o verbo não aceita o pronome lhe, mas apenas os pronomes singular, e seu sujeito é uma oração reduzida de infinitivo: Custou-
pessoais retos + preposição: O filme é ótimo. Todos querem as- -me pegar um táxi.(foi difícil); O carro custou-me todas as econo-
sistir a ele. (VTI) Emprega-se sem / com preposição no sentido mias. É transitivo direto e indireto (TDI) no sentido de acarretar:
de socorrer, ajudar: A professora sempre assiste os alunos com A imprudência custou-lhe lágrimas amargas. (VTDI)
carinho. (VTD); A professora sempre assiste aos alunos com cari-
nho. (VTI) Emprega-se com preposição no sentido de caber, ter Ensinar: é intransitivo no sentido de doutrinar, pregar: Mi-
direito ou razão: O direito de se defender assiste a todos. (VTI) nha mãe ensina na FAI. É transitivo direto no sentido de educar:
No sentido de morar, residir é intransitivo e exige a preposição Nem todos ensinam as crianças. É transitivo direto e indireto no
em: Assiste em Manaus por muito tempo. (VI) sentido de dar instrução sobre: Ensino os exercícios mais difíceis
aos meus alunos.
Atender: empregado sem preposição no sentido de receber
alguém com atenção: O médico atendeu o cliente pacientemente. Entreter: empregado como divertir-se exige as preposições:
(VTD) No sentido de ouvir, conceder: Deus atendeu minhas pre- a, com, em: Entretinham-nos em recordar o passado.
ces.(VTD); Atenderemos quaisquer pedido via internet. Emprega-
-se com preposição no sentido de dar atenção a alguém: Lamen- Esquecer / Lembrar: estes verbos admitem as construções:
to não poder atender à solicitação de recursos. (VTI) Emprega-se Esqueci o endereço dele; Lembrei um caso interessante; Esqueci-
com preposição no sentido de ouvir com atenção o que alguém -me do endereço dele; Lembrei-me de um caso interessante. Es-
diz: Atenda ao telefone, por favor; Atenda o telefone. (preferência queceu-me seu endereço; Lembra-me um caso interessante. Você
brasileira) pode observar que no 1º exemplo tanto o verbo esquecer como
lembrar, não são pronominais, isto é, não exigem os pronomes
Avisar: avisar alguém de alguma coisa: O chefe avisou os me, se, lhe, são transitivos diretos (TD). Nos exemplos, ambos os
funcionários de que os documentos estavam prontos. (VTD); Avi- verbos, esquecer e lembrar, exigem o pronome e a preposição
saremos os clientes da mudança de endereço. (VTD ); Já tem tra- de; são transitivos indiretos e pronominais. No exemplo o verbo
dição na língua o uso de avisar como OI de pessoa e OD de coisa; esquecer está empregado no sentido de apagar da memória. e o
Avisamos aos clientes que vamos atendê-los em novo endereço. verbo lembrar está empregado no sentido de vir à memória. Na
língua culta, os verbos esquecer e lembrar quando usados com a
Bater: emprega-se com preposição no sentido de dar panca- preposição de, exigem os pronomes.
das em alguém: Os irmãos batiam nele (ou batiam-lhe) à toa; Ner-
voso, entrou em casa e bateu a porta.(fechou com força); Foi logo Implicar: emprega-se com preposição no sentido de ter im-
batendo à porta. (bater junto à porta, para alguém abrir); Para que plicância com alguém, é TI: Nunca implico com meus alunos.
ele pudesse ouvir, era preciso bater na porta de seu quarto. (dar (VTI) Emprega-se sem preposição no sentido de acarretar, en-
pancadas) volver, é TD: A queda do dólar implica corrida ao poder. (VTE);
O desestímulo ao álcool combustível implica uma volta ao pas-
Casar: Marina casou cedo e pobre. (VI não exige comple- sado. (VTD) Emprega-se sem preposição no sentido de embara-
mento); Você é realmente digno de casar com minha filha. (VTI çar, comprometer, é TD: O vizinho implicou-o naquele caso de
com preposição); Ela casou antes dos vinte anos. (VTD sem pre- estupro. (VTD) É inadequada a regência do verbo implicar em:
posição. O verbo casar pode vir acompanhado de pronome refle- Implicou em confusão.
xivo: Ela casou com o seu grande amor; ou Ela casou-se com seu
grande amor. Informar: o verbo informar possui duas construções, VTD
e VTI: Informei-o que sua aposentaria saiu. (VTD); Informei-lhe
Chamar: emprega-se sem preposição no sentido de convo- que sua aposentaria. (VT); Informou-se das mudanças logo cedo.
car; O juiz chamou o réu à sua presença. (VTD) Emprega-se com (inteirar-se, verbo pronominal)
ou sem preposição no sentido de denominar, apelidar, construído
com objeto + predicativo: Chamou-o covarde. (VTD) / Chamou-o Investir: emprega-se com preposição (com ou contra) no
de covarde. (VID); Chamou-lhe covarde. (VTI) / Chamou-lhe de sentido de atacar, é TI: O touro Bandido investiu contra Tião.
covarde. (VTI); Chamava por Deus nos momentos difíceis. (VTI) Empregado como verbo transitivo direto e indireto, no sentido
de dar posse: O prefeito investiu Renata no cargo de assessora.

Didatismo e Conhecimento 92
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(VTDI) Emprega-se sem preposição no sentido também de em- Preferir: emprega-se sem preposição no sentido de ter prefe-
pregar dinheiro, é TD: Nós investimos parte dos lucros em pes- rência. (sem escolha): Prefiro dias mais quentes. (VTD) Preferir
quisas científicas. (VTD) VTDI, no sentido de ter preferência, exige a preposição a: Prefiro
dançar a nadar; Prefiro chocolate a doce de leite. Na linguagem
Morar: antes de substantivo rua, avenida, usase morar com formal, culta, é inadequado usar este verbo reforçado pelas palavras
a preposição em: D. Marina Falcão mora na rua Dorival de Barros. ou expressões: antes, mais, muito mais, mil vezes mais, do que.

Namorar: a regência correta deste verbo é namorar alguém e Presidir: emprega-se com objeto direto ou objeto indireto,
NÃO namorar com alguém: Meu filho, Paulo César, namora Cris- com a preposição a: O reitor presidiu à sessão; O reitor presidiu
tiane. Marcelo namora Raquel. a sessão.

Necessitar: emprega-se com verbo transitivo direto ou indire- Prevenir: admite as construções: A paciência previne dissa-
bores; Preveni minha turma; Quero preveni-los; Prevenimo-nos
to, no sentido de precisar: Necessitávamos o seu apoio; Necessi-
para o exame final.
távamos de seu apoio,(VTDI)
Proceder: emprega-se como verbo intransitivo no sentido de
Obedecer / Desobedecer: emprega-se com verbo transitivo ter fundamento: Sua tese não procede. (VI) Emprega-se com a
direto e indireto no sentido de cumprir ordens: Obedecia às irmãs preposição de no sentido de originar-se, vir de: Muitos males da
e irmãos; Não desobedecia às leis de trânsito. humanidade procedem da falta de respeito ao próximo. Emprega-
-se como transitivo indireto com a preposição a, no sentido de dar
Pagar: emprega-se sem preposição no sentido de saldar coi- início: Procederemos a uma investigação rigorosa. (VTI)
sa, é VTI): Cida pagou o pão; Paguei a costura. (VTD) Emprega-
-se com preposição no sentido de remunerar pessoa, é VTI: Cida Querer: emprega-se sem preposição no sentido de desejar:
pagou ao padeiro; Paguei à costureira., à secretária. (VTI) Empre- Quero vê-lo ainda hoje.(VTD) Emprega-se com preposição no
ga-se como verbo transitivo direto e indireto, pagar alguma coisa sentido de gostar, ter afeto, amar: Quero muito bem às minhas
a alguém: Cida pagou a carne ao açougueiro. (VTDI) Por alguma cunhadas Vera e Ceiça.
coisa: Quanto pagou pelo carro? Sem complemento: Assistiu aos
jogos sem pagar. Residir: como o verbo morar, o verbo responder, constrói-se
com a preposição em: Residimos em Lucélia, na Avenida Interna-
Pedir: somente se usa pedir para, quando, entre pedir e o cional. Residente e residência têm a mesma regência de residir em.
para, puder colocar a palavra licença. Caso contrário, diz-se pedir
que; A secretária pediu para sair mais cedo. (pediu licença); A di- Responder: emprega-se no sentido de responder alguma coi-
reção pediu que todos os funcionários, comparecessem à reunião. sa a alguém: O senador respondeu ao jornalista que o projeto do
rio São Francisco estava no final. (VTDI) Emprega-se no sentido
Perdoar: emprega-se sem preposição no sentido de perdoar de responder a uma carta, a uma pergunta: Enrolou, enrolou e não
coisa, é TD: Devemos perdoar as ofensas. (VTD ) Emprega-se respondeu à pergunta do professor.
com preposição no sentido de conceder o perdão à pessoa, é TI:
Perdoemos aos nossos inimigos. (VTI) Emprega-se como verbo Reverter: emprega-se no sentido de regressar, voltar ao esta-
transitivo direto e indireto, no sentido de ter necessidade: A mãe do primitivo: Depois de aposentar-se reverteu à ativa. Emprega-
-se no sentido de voltar para.a posse de alguém: As jóias reverte-
perdoou ao filho a mentira. (VTDI) Admite voz passiva: Todos se-
rão ao seu verdadeiro dono. Emprega-se no sentido de destinar-se:
rão perdoados pelos pais.
A renda da festa será revertida em beneficio da Casa da Sopa.
Permitir: empregado com preposição, exige objeto indire- Simpatizar / Antipatizar: empregam-se com a preposição
to de pessoa: O médico permitiu ao paciente que falasse. (VTI) com: Sempre simpatizei com pessoas negras; Antipatizei com ela
Constrói-se com o pronome lhe e não o: O assistente permitiu-lhe desde o primeiro momento. Estes verbos não são pronominais, isto
que entrasse. Não se usa a preposição de antes de oração infinitiva: é, não exigem os pronomes me, se, nos, etc: Simpatizei-me com
Os pais não lhe permite ir sozinha à festa do Peão. (e não de ir você. (inadequado); Simpatizei com você. ( adequado)
sozinha)
Subir: Subiu ao céu; Subir à cabeça; Subir ao trono; Subir ao
Pisar: é verbo transitivo direto VTD: Tinha pisado o conti- poder. Essas expressões exigem a preposição a.
nente brasileiro. (não exige a preposição no)
Suceder: emprega-se com a preposição a no sentido de subs-
Precisar: emprega-se com preposição no sentido de ter ne- tituir, vir depois: O descanso sucede ao trabalho.
cessidade, é VTI: As crianças carentes precisam de melhor atendi-
mento médico. (VTI) Quando o verbo precisar vier acompanhado Tocar: emprega-se no sentido de pôr a mão, tocar alguém,
de infinitivo, pode-se usar a preposição de; a língua moderna ten- tocar em alguém: Não deixava tocar o / no gato doente. Empre-
de a dispensá-la: Você é rico, não precisa trabalhar muito. Usa-se, ga-se no sentido de comover, sensibilizar, usa-se com OD: O nas-
às vezes na voz passiva, com sujeito indeterminado: Precisa-se cimento do filho tocou-o profundamente. Emprega-se no sentido
de funcionários competentes. (sujeito indeterminado) Emprega-se de caber por sorte, herança, é OI: Tocou-lhe, por herança, uma
sem preposição no sentido de indicar com exatidão: Perdeu muito linda fazenda. Emprega-se no sentido de ser da competência de,
dinheiro no jogo, mas não sabe precisar a quantia.(VTD) caber: Ao prefeito é que toca deferir ou indeferir o projeto.

Didatismo e Conhecimento 93
LÍNGUA PORTUGUESA
Visar: emprega-se sem preposição como VT13 no sentido de 02. Assinale a opção em que o verbo chamar é empregado com
apontar ou pôr visto: O garoto visou o inocente passarinho; O ge- o mesmo sentido que apresenta em __ “No dia em que o chamaram
rente visou a correspondência. Emprega-se com preposição como de Ubirajara, Quaresma ficou reservado, taciturno e mudo”:
VTI no sentido de desejar, pretender: Todos visam ao reconheci- a) pelos seus feitos, chamaram-lhe o salvador da pátria;
mento de seus esforços. b) bateram à porta, chamando Rodrigo;
c) naquele momento difícil, chamou por Deus e pelo Diabo;
Casos Especiais d) o chefe chamou-os para um diálogo franco;
e) mandou chamar o médico com urgência.
Dar-se ao trabalho ou dar-se o trabalho? Ambas as constru-
ções são corretas. A primeira é mais aceita: Dava-se ao trabalho 03. Assinale a opção em que o verbo assistir é empregado com
de responder tudo em Inglês. O mesmo se dá com: dar-se ao / o o mesmo sentido que apresenta em “não direi que assisti às alvo-
incômodo; poupar-se ao /o trabalho; dar-se ao /o luxo. radas do romantismo”.
a) não assiste a você o direito de me julgar;
Propor-se alguma coisa ou propor-se a alguma coisa? Pro- b) é dever do médico assistir a todos os enfermos;
por-se, no sentido de ter em vista, dispor-se a, pode vir com ou c) em sua administração, sempre foi assistido por bons con-
sem a preposição a: Ela se propôs levá-lo/ a levá-lo ao circo. selheiros;
d) não se pode assistir indiferente a um ato de injustiça;
Passar revista a ou passar em revista? Ambas estão corretas, e) o padre lhe assistiu nos derradeiros momentos.
porém a segunda construção é mais frequente: O presidente passou
a tropa em revista. 04. Em todas as alternativas, o verbo grifado foi empregado
com regência certa, exceto em:
Em que pese a - expressão concessiva equivalendo a ainda a) a vista de José Dias lembrou-me o que ele me dissera.
que custe a, apesar de, não obstante: “Em que pese aos inimigos b) estou deserto e noite, e aspiro sociedade e luz.
do paraense, sinceramente confesso que o admiro.” (Graciliano c) custa-me dizer isto, mas antes peque por excesso;
Ramos)
d) redobrou de intensidade, como se obedecesse a voz do má-
gico;
Observações Finais
e) quando ela morresse, eu lhe perdoaria os defeitos.
Os verbos transitivos indiretos (exceção ao verbo obedecer),
05. O verbo chamar está com a regência incorreta em:
não admitem voz passiva. Os exemplos citados abaixo são consi-
derados inadequados. a) chamo-o de burguês, pois você legitima a submissão das
O filme foi assistido pelos estudantes; O cargo era visado mulheres;
por todos; Os estudantes assistiram ao filme; Todos visavam ao b) como ninguém assumia, chamei-lhes de discriminadores;
cargo. c) de repente, houve um nervosismo geral e chamaram-nas de
Não se deve dar o mesmo complemento a verbos de regên- feministas;
cias diferentes, como: Entrou e saiu de casa; Assisti e gostei da d) apesar de a hora ter chegado, o chefe não chamou às femi-
peça. Corrija-se para: Entrou na casa e saiu dela; Assisti à peça nistas a sua seção;
e gostei dela. e) as mulheres foram para o local do movimento, que elas
As formas oblíquas o, a, os, as funcionam como complemento chamaram de maternidade.
de verbos transitivos diretos, enquanto as formas lhe, lhes funcio-
nam como transitivos indiretos que exigem a preposição a. Con- 06. Assinale o exemplo, em que está bem empregada a cons-
videi as amigas. Convidei-as; Obedeço ao mestre. Obedeço-lhe. trução com o verbo preferir:
a) preferia ir ao cinema do que ficar vendo televisão;
Exercícios b) preferia sair a ficar em casa;
c) preferia antes sair a ficar em casa;
01. Assinale a única alternativa que está de acordo com as d) preferia mais sair do que ficar em casa;
normas de regência da língua culta. e) antes preferia sair do que ficar em casa.
a) avisei-o de que não desejava substituí-lo na presidência,
pois apesar de ter sempre servido à instituição, jamais aspirei a 07. Assinale a opção em que o verbo lembrar está empregado
tal cargo; de maneira inaceitável em relação à norma culta da língua:
b) avisei-lhe de que não desejava substituí-lo na presidência, a) pediu-me que o lembrasse a meus familiares;
pois apesar de ter sempre servido a instituição, jamais aspirei a tal b) é preciso lembrá-lo o compromisso que assumiu conosco;
cargo; c) lembrou-se mais tarde que havia deixado as chaves em casa;
c) avisei-o de que não desejava substituir- lhe na presidência, d) não me lembrava de ter marcado médico para hoje;
pois apesar de ter sempre servido à instituição, jamais aspirei tal e) na hora das promoções, lembre-se de mim.
cargo;
d) avisei-lhe de que não desejava substituir-lhe na presidência, 08. O verbo sublinhado foi empregado corretamente, exceto em:
pois apesar de ter sempre servido à instituição, jamais aspirei a tal a) aspiro à carreira militar desde criança;
cargo; b) dado o sinal, procedemos à leitura do texto.
e) avisei-o de que não desejava substituí-lo na presidência, c) a atitude tomada implicou descontentamento;
pois apesar de ter sempre servido a instituição, jamais aspirei tal d) prefiro estudar Português a estudar Matemática;
cargo. e) àquela hora, custei a encontrar um táxi disponível.

Didatismo e Conhecimento 94
LÍNGUA PORTUGUESA
09. Em qual das opções abaixo o uso da preposição acarreta - Antes de artigo indefinido: Levamos a mercadoria a uma
mudança total no sentido do verbo? firma; Refiro-me a uma pessoa educada.
a) usei todos os ritmos da metrificação portuguesa. /usei de
todos os ritmos da metrificação portuguesa; - Antes de expressão de tratamento introduzida pelos prono-
b) cuidado, não bebas esta água./ cuidado, não bebas desta mes possessivos Vossa ou Sua ou ainda da expressão Você, forma
água; reduzida de Vossa Mercê: Enviei dois ofícios a Vossa Senhoria;
c) enraivecido, pegou a vara e bateu no animal./ enraivecido, Traremos a Sua Majestade, o rei Hubertus, uma mensagem de paz;
pegou da vara e bateu no animal; Eles queriam oferecer flores a você.
d) precisou a quantia que gastaria nas férias./ precisou da
quantia que gastaria nas férias; - Antes dos pronomes demonstrativos esta e essa: Não me
e) a enfermeira tratou a ferida com cuidado. / a enfermeira refiro a esta carta; Os críticos não deram importância a essa obra.
tratou da ferida com cuidado.
- Antes dos pronomes pessoais: Nada revelei a ela; Dirigiu-se
a mim com ironia.
10. Assinale o mau emprego do vocábulo “onde”:
a) todas as ocasiões onde nos vimos às voltas com problemas
- Antes dos pronomes indefinidos com exceção de outra: Di-
no trabalho, o superintendente nos ajudou; rei isso a qualquer pessoa; A entrada é vedada a toda pessoa estra-
b) por toda parte, onde quer que fôssemos, encontrávamos nha. Com o pronome indefinido outra(s), pode haver crase porque
colegas; ele, às vezes, aceita o artigo definido a(s): As cartas estavam co-
c) não sei bem onde foi publicado o edital; locadas umas às outras (no masculino, ficaria “os cartões estavam
d) onde encontraremos quem nos forneça as informações de colocados uns aos outros”).
que necessitamos;
e) os processos onde podemos encontrar dados para o relató- - Quando o “a” estiver no singular e a palavra seguinte esti-
rio estão arquivados ver no plural: Falei a vendedoras desta firma; Refiro-me a pessoas
curiosas.
Respostas: 1-A / 2-A / 3-D / 4-B / 5-D / 6-B / 7-B / 8-E / 9-D
/ 10-B / - Quando, antes do “a”, existir preposição: Ela compareceu
perante a direção da empresa; Os papéis estavam sob a mesa. Ex-
ceção feita, às vezes, para até, por motivo de clareza: A água inun-
CRASE dou a rua até à casa de Maria (= a água chegou perto da casa); se
não houvesse o sinal da crase, o sentido ficaria ambíguo: a água
inundou a rua até a casa de Maria (= inundou inclusive a casa).
Quando até significa “perto de”, é preposição; quando significa
Crase é a superposição de dois “a”, geralmente a preposição “inclusive”, é partícula de inclusão.
“a” e o artigo a(s), podendo ser também a preposição “a” e o pro-
nome demonstrativo a(s) ou a preposição “a” e o “a” inicial dos - Com expressões repetitivas: Tomamos o remédio gota a
pronomes demonstrativos aqueles(s), aquela(s) e aquilo. Essa su- gota; Enfrentaram-se cara a cara.
perposição é marcada por um acento grave (`). - Com expressões tomadas de maneira indeterminada: O
Assim, em vez de escrevermos “entregamos a mercadoria a a doente foi submetido a dieta leve (no masc. = foi submetido a
vendedora”, “esta blusa é igual a a que compraste” ou “eles deve- repouso, a tratamento prolongado, etc.); Prefiro terninho a saia e
blusa (no masc. = prefiro terninho a vestido).
riam ter comparecido a aquela festa”, devemos sobrepor os dois
“a” e indicar esse fato com um acento grave: “Entregamos a mer-
- Antes de pronome interrogativo, não ocorre crase: A que
cadoria à vendedora”. “Esta blusa é igual à que compraste”. “Eles
artista te referes?
deveriam ter comparecido àquela festa.”
O acento grave que aparece sobre o “a” não constitui, pois, a - Na expressão valer a pena (no sentido de valer o sacrifício,
crase, mas é um mero sinal gráfico que indica ter havido a união o esforço), não ocorre crase, pois o “a” é artigo definido: Paro-
de dois “a” (crase). diando Fernando Pessoa, tudo vale a pena quando a alma não é
Para haver crase, é indispensável a presença da preposição pequena...
“a”, que é um problema de regência. Por isso, quanto mais conhe-
cer a regência de certos verbos e nomes, mais fácil será para ele ter A Crase é Facultativa
o domínio sobre a crase.
- Antes de nomes próprios feminino: Enviamos um telegrama
Não existe Crase à Marisa; Enviamos um telegrama a Marisa. Em português, antes
de um nome de pessoa, pode-se ou não empregar o artigo “a” (“A
- Antes de palavra masculina: Chegou a tempo ao trabalho; Marisa é uma boa menina”. Ou “Marisa é uma boa menina”). Por
Vieram a pé; Vende-se a prazo. isso, mesmo que a preposição esteja presente, a crase é facultati-
va. Quando o nome próprio feminino vier acompanhado de uma
- Antes de verbo: Ficamos a admirá-los; Ele começou a ter expressão que o determine, haverá crase porque o artigo definido
alucinações. estará presente. Dedico esta canção à Candinha do Major Queve-
do. [A (artigo) Candinha do Major Quevedo é fanática por seresta.]

Didatismo e Conhecimento 95
LÍNGUA PORTUGUESA
- Antes de pronome adjetivo possessivo feminino singular: - Palavra “casa”: quando a expressão casa significa “lar”,
Pediu informações à minha secretária; Pediu informações a minha “domicílio” e não vem acompanhada de adjetivo ou locução ad-
secretária. A explicação é idêntica à do item anterior: o pronome jetiva, não há crase: Chegamos alegres a casa; Assim que saiu do
adjetivo possessivo aceita artigo, mas não o exige (“Minha secre- escritório, dirigiu-se a casa; Iremos a casa à noitinha. Mas, se a
tária é exigente.” Ou: “A minha secretária é exigente”). Portanto, palavra casa estiver modificada por adjetivo ou locução adjetiva,
mesmo com a presença da preposição, a crase é facultativa. então haverá crase: Levaram-me à casa de Lúcia; Dirigiram-se à
casa das máquinas; Iremos à encantadora casa de campo da família
- Com o pronome substantivo possessivo feminino singular, Sousa.
o uso de acento indicativo de crase não é facultativo (conforme o
- Palavra “terra”: Não há crase, quando a palavra terra sig-
caso, será proibido ou obrigatório): A minha cidade é melhor que a
nifica o oposto a “mar”, “ar” ou “bordo”: Os marinheiros ficaram
tua. O acento indicativo de crase é proibido porque, no masculino, felizes, pois resolveram ir a terra; Os astronautas desceram a terra
ficaria assim: O meu sítio é melhor que o teu (não há preposição, na hora prevista. Há crase, quando a palavra significa “solo”, “pla-
apenas o artigo definido). Esta gravura é semelhante à nossa. O neta” ou “lugar onde a pessoa nasceu”: O colono dedicou à terra
acento indicativo de crase é obrigatório porque, no masculino, fi- os melhores anos de sua vida; Voltei à terra onde nasci; Viriam à
caria assim: Este quadro é semelhante ao nosso (presença de pre- Terra os marcianos?
posição + artigo definido).
- Palavra “distância”: Não se usa crase diante da palavra dis-
Casos Especiais tância, a menos que se trate de distância determinada: Via-se um
monstro marinho à distância de quinhentos metros; Estávamos à
- Nomes de localidades: Dentre as localidades, há as que ad- distância de dois quilômetros do sítio, quando aconteceu o aci-
mitem artigo antes de si e as que não o admitem. Por aí se deduz dente. Mas: A distância, via-se um barco pesqueiro; Olhava-nos
que, diante das primeiras, desde que comprovada a presença de a distância.
preposição, pode ocorrer crase; diante das segundas, não. Para se
saber se o nome de uma localidade aceita artigo, deve-se substituir - Pronome Relativo: Todo pronome relativo tem um subs-
o verbo da frase pelos verbos estar ou vir. Se ocorrer a combinação tantivo (expresso ou implícito) como antecedente. Para saber se
“na” com o verbo estar ou “da” com o verbo vir, haverá crase com existe crase ou não diante de um pronome relativo, deve-se subs-
tituir esse antecedente por um substantivo masculino. Se o “a” se
o “a” da frase original. Se ocorrer “em” ou “de”, não haverá crase:
transforma em “ao”, há crase diante do relativo. Mas, se o “a”
Enviou seus representantes à Paraíba (estou na Paraíba; vim da Pa- permanece inalterado ou se transforma em “o”, então não há crase:
raíba); O avião dirigia-se a Santa Catarina (estou em Santa Catari- é preposição pura ou pronome demonstrativo: A fábrica a que me
na; vim de Santa Catarina); Pretendo ir à Europa (estou na Europa; refiro precisa de empregados. (O escritório a que me refiro precisa
vim da Europa). Os nomes de localidades que não admitem artigo de empregados.); A carreira à qual aspiro é almejada por muitos.
passarão a admiti-lo, quando vierem determinados. Porto Alegre (O trabalho ao qual aspiro é almejado por muitos.). Na passagem
indeterminadamente não aceita artigo: Vou a Porto Alegre (estou do antecedente para o masculino, o pronome relativo não pode ser
em Porto Alegre; vim de Porto Alegre); Mas, acompanhando-se de substituído, sob pena de falsear o resultado: A festa a que compa-
uma expressão que a determine, passará a admiti-lo: Vou à grande reci estava linda (no masculino = o baile a que compareci estava
Porto Alegre (estou na grande Porto Alegre; vim da grande Porto lindo). Como se viu, substituímos festa por baile, mas o pronome
Alegre); Iríamos a Madri para ficar três dias; Iríamos à Madri das relativo que não foi substituído por nenhum outro (o qual etc.).
touradas para ficar três dias.
A Crase é Obrigatória
- Pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s), aquilo:
quando a preposição “a” surge diante desses demonstrativos, deve- - Sempre haverá crase em locuções prepositivas, locuções
mos sobrepor essa preposição à primeira letra dos demonstrativos adverbiais ou locuções conjuntivas que tenham como núcleo um
e indicar o fenômeno mediante um acento grave: Enviei convi- substantivo feminino: à queima-roupa, à maneira de, às cegas, à
noite, às tontas, à força de, às vezes, às escuras, à medida que, às
tes àquela sociedade (= a + aquela); A solução não se relaciona
pressas, à custa de, à vontade (de), à moda de, às mil maravilhas,
àqueles problemas (= a + aqueles); Não dei atenção àquilo (= a +
à tarde, às oito horas, às dezesseis horas, etc. É bom não confundir
aquilo). A simples interpretação da frase já nos faz concluir se o a locução adverbial às vezes com a expressão fazer as vezes de,
“a” inicial do demonstrativo é simples ou duplo. Entretanto, para em que não há crase porque o “as” é artigo definido puro: Ele se
maior segurança, podemos usar o seguinte artifício: Substituir os aborrece às vezes (= ele se aborrece de vez em quando); Quando
demonstrativos aquele(s), aquela(s), aquilo pelos demonstrativos o maestro falta ao ensaio, o violinista faz as vezes de regente (= o
este(s), esta(s), isto, respectivamente. Se, antes destes últimos, sur- violinista substitui o maestro).
gir a preposição “a”, estará comprovada a hipótese do acento de
crase sobre o “a” inicial dos pronomes aquele(s), aquela(s), aquilo. - Sempre haverá crase em locuções que exprimem hora de-
Se não surgir a preposição “a”, estará negada a hipótese de crase. terminada: Ele saiu às treze horas e trinta minutos; Chegamos à
Enviei cartas àquela empresa./ Enviei cartas a esta empresa; A so- uma hora. Cuidado para não confundir a, à e há com a expressão
lução não se relaciona àqueles problemas./ A solução não se rela- uma hora: Disseram-me que, daqui a uma hora, Teresa telefonará
ciona a estes problemas; Não dei atenção àquilo./ Não dei atenção de São Paulo (= faltam 60 minutos para o telefonema de Teresa);
a isto; A solução era aquela apresentada ontem./ A solução era esta Paula saiu daqui à uma hora; duas horas depois, já tinha mudado
apresentada ontem. todos os seus planos (= quando ela saiu, o relógio marcava 1 hora);
Pedro saiu daqui há uma hora (= faz 60 minutos que ele saiu).

Didatismo e Conhecimento 96
LÍNGUA PORTUGUESA
- Quando a expressão “à moda de” (ou “à maneira de”) es- 04. Marque a alternativa correta quanto ao acento indicativo
tiver subentendida: Nesse caso, mesmo que a palavra subsequente da crase:
seja masculina, haverá crase: No banquete, serviram lagosta à Ter- a) A cidade à que me refiro situa-se em plena floresta, a algu-
midor; Nos anos 60, as mulheres se apaixonavam por homens que mas horas de Manaus.
tinham olhos à Alain Delon. b) De hoje à duas semanas estaremos longe, a muitos quilô-
metros daqui, a gozar nossas merecidas férias.
- Quando as expressões “rua”, “loja”, “estação de rádio”, c) As amostras que servirão de base a nossa pesquisa estão há
etc. estiverem subentendidas: Dirigiu-se à Marechal Floriano (= muito tempo à disposição de todos.
dirigiu-se à Rua Marechal Floriano); Fomos à Renner (fomos à d) À qualquer distância percebia-se que, à falta de cuidados, a
loja Renner); Telefonem à Guaíba (= telefonem à rádio Guaíba). lavoura amarelecia e murchava.

- Quando está implícita uma palavra feminina: Esta religião 05. Em qual das alternativas o uso do acento indicativo de
é semelhante à dos hindus (= à religião dos hindus). crase é facultativo?
a) Minhas idéias são semelhantes às suas.
- Não confundir devido com dado (a, os, as): a primeira ex- b) Ele tem um estilo à Eça de Queiroz.
pressão pede preposição “a”, havendo crase antes de palavra fe- c) Dei um presente à Mariana.
minina determinada pelo artigo definido. Devido à discussão de d) Fizemos alusão à mesma teoria.
ontem, houve um mal-estar no ambiente (= devido ao barulho de e) Cortou o cabelo à Gal Costa.
ontem, houve...); A segunda expressão não aceita preposição “a”
(o “a” que aparece é artigo definido, não havendo, pois, crase): 06. “O pobre fica ___ meditar, ___ tarde, indiferente ___ que
Dada a questão primordial envolvendo tal fato (= dado o proble- acontece ao seu redor”.
ma primordial...); Dadas as respostas, o aluno conferiu a prova (=
a) à - a - aquilo
dados os resultados...).
b) a - a - àquilo
c) a - à - àquilo
Excluída a hipótese de se tratar de qualquer um dos casos
d) à - à - aquilo
anteriores, devemos substituir a palavra feminina por outra mas-
e) à - à - àquilo
culina da mesma função sintática. Se ocorrer “ao” no masculino,
haverá crase no “a” do feminino. Se ocorrer “a” ou “o” no masculi-
no, não haverá crase no “a” do feminino. O problema, para muitos, 07. “A casa fica ___ direita de quem sobe a rua, __ duas qua-
consiste em descobrir o masculino de certas palavras como “con- dras da Avenida Central”.
clusão”, “vezes”, “certeza”, “morte”, etc. É necessário então frisar a) à - há
que não há necessidade alguma de que a palavra masculina tenha b) a - à
qualquer relação de sentido com a palavra feminina: deve apenas c) a - há
ter a mesma função sintática: Fomos à cidade comprar carne. (ao d) à - a
supermercado); Pedimos um favor à diretora. (ao diretor); Muitos e) à - à
são incensíveis à dor alheia. (ao sofrimento); Os empregados dei-
xam a fábrica. (o escritório); O perfume cheira a rosa. (a cravo); O 08. “O grupo obedece ___ comando de um pernambucano,
professor chamou a aluna. (o aluno). radicado __ tempos em São Paulo, e se exibe diariamente ___ hora
do almoço”.
Exercícios a) o - à - a
b) ao - há - à
01. A crase não é admissível em: c) ao - a - a
a) Comprou a crédito. d) o - há - a
b) Vou a casa de Maria. e) o - a - a
c) Fui a Bahia.
d) Cheguei as doze horas. 09. “Nesta oportunidade, volto ___ referir-me ___ problemas
e) A sentença foi favorável a ré. já expostos __ V.Sª __ alguns dias”.
a) à - àqueles - a - há
02. Assinale a opção em que falta o acento de crase: b) a - àqueles - a - há
a) O ônibus vai chegar as cinco horas. c) a - aqueles - à - a
b) Os policiais chegarão a qualquer momento. d) à - àqueles - a - a
c) Não sei como responder a essa pergunta. e) a - aqueles - à - há
d) Não cheguei a nenhuma conclusão.
10. Assinale a frase gramaticalmente correta:
03. Assinale a alternativa correta: a) O Papa caminhava à passo firme.
a) O ministro não se prendia à nenhuma dificuldade burocrática. b) Dirigiu-se ao tribunal disposto à falar ao juiz.
b) O presidente ia a pé, mas a guarda oficial ia à cavalo. c) Chegou à noite, precisamente as dez horas.
c) Ouviu-se uma voz igual à que nos chamara anteriormente. d) Esta é a casa à qual me referi ontem às pressas.
d) Solicito à V. Exa. que reconheça os obstáculos que estamos e) Ora aspirava a isto, ora aquilo, ora a nada.
enfrentando.

Didatismo e Conhecimento 97
LÍNGUA PORTUGUESA
11. O Ministro informou que iria resistir __ pressões contrá-
rias __ modificações relativas __ aquisição da casa própria. COLOCAÇÃO DE PRONOMES
a) às - àquelas - à
b) as - aquelas - a
c) às - àquelas - a
d) às - aquelas - à OBS.: ESTE TÓPICO É EXCLUSIVO PARA O CARGO
e) as - àquelas - à DE ENSINO SUPERIOR.

12. A alusão ___ lembranças da casa materna trazia ___ tona Colocação dos Pronomes Oblíquos Átonos
uma vivência ___ qual já havia renunciado. Um dos aspectos da harmonia da frase refere-se à colocação
a) às - a - a dos pronomes oblíquos átonos. Tais pronomes situam-se em três
b) as - à - há posições:
c) as - a - à - Antes do verbo (próclise): Não te conheço.
d) às - à - à - No meio do verbo (mesóclise): Avisar-te-ei.
e) às - a - há - Depois do verbo (ênclise): Sente-se, por favor.

Próclise
13. Use a chave ao sair ou entrar ___ 20 horas.
a) após às
Por atração: usa-se a próclise quando o verbo vem precedido
b) após as das seguintes partículas atrativas:
c) após das - Palavras ou expressões negativas: Não te afastes de mim.
d) após a - Advérbios: Agora se negam a depor. Se houver pausa (na
e) após à escrita, vírgula) entre o advérbio e o verbo, usa-se a ênclise: Agora,
negam-se a depor.
14. ___ dias não se consegue chegar ___ nenhuma das locali- - Pronomes Relativos: Apresentaram-se duas pessoas que se
dades ___ que os socorros se destinam. identificaram com rapidez.
a) Há - à - a - Pronomes Indefinidos: Poucos se negaram ao trabalho.
b) A - a - a - Conjunções subordinativas: Soube que me dariam a autori-
c) À - à - a zação solicitada.
d) Há - a - a
e) À - a - a Com certas frases: há casos em que a próclise é motivada
pelo próprio tipo de frase em que se localiza o pronome.
15. Fique __ vontade; estou ___ seu inteiro dispor para ouvir - Frases Interrogativas: Quem se atreveria a isso?
o que tem ___ dizer. - Frases Exclamativas: Quanto te arriscas com esse procedi-
a) a - à – a mento!
b) à - a – a - Frases Optativas (exprimem desejo): Deus nos proteja. Se,
c) à - à – a nas frases optativas, o sujeito vem depois do verbo, usa-se a êncli-
d) à - à – à se: Proteja-nos Deus.
e) a - a - a Com certos verbos: a próclise pode ser motivada também pela
forma verbal a que se prende o pronome.
Respostas: (1-A) (2-A) (3-C) (4-C) - Com o gerúndio precedido de preposição ou de negação: Em
se ausentando, complicou-se; Não se satisfazendo com os resulta-
a – é facultativo o uso de crase antes de pronome adjetivo dos, mudou de método.
- Com o infinito pessoal precedido de preposição: Por se acha-
possessivo feminino singular (nossa).
rem infalíveis, caíram no ridículo.
à - Sempre haverá crase em locuções prepositivas, locuções
adverbiais ou locuções conjuntivas que tenham como núcleo um
Mesóclise
substantivo feminino (à disposição).
Usa-se a mesóclise tão somente com duas formas verbais, o
(5-C) (6-C) (7-D) (8-B) (9-B) (10-D) (11-A) (12-D) (13-B) futuro do presente e o futuro do pretérito, assim quando não vie-
(14-D) (15-B) rem precedidos de palavras atrativas. Exemplos:
Confrontar-se-ão os resultados.
Confrontar-se-iam os resultados.

Mas:
Não se confrontarão os resultados.
Não se confrontariam os resultados.

Não se usa a ênclise com o futuro do presente ou com o futuro


do pretérito sob hipótese alguma. Será contrária à norma culta es-
crita, portanto, uma colocação do tipo:

Didatismo e Conhecimento 98
LÍNGUA PORTUGUESA
Diria-se que as coisas melhoraram. (errado) - Nas locuções verbais, jamais se usa pronome oblíquo átono
Dir-se-ia que as coisas melhoraram. (correto) depois do particípio. Não o haviam convidado. (correto); Não ha-
viam convidado-o. (errado).
Ênclise
- Há uma colocação pronominal, restrita a contextos literários,
Usa-se a ênclise nos seguintes casos: que deve ser conhecida: Há males que se não curam com remé-
dios. Quando há duas partículas atraindo o pronome oblíquo átono,
- Imperativo Afirmativo: Prezado amigo, informe-se de seus este pode vir entre elas. Poderíamos dizer também: Há males que
compromissos. não se curam com remédios.

- Gerúndio não precedido da preposição “em” ou de partícu- - Os pronomes oblíquos átonos combinam-se entre si em ca-
la negativa: Falando-se de comércio exterior, progredimos muito. sos como estes:
me + o/a = mo/ma
Mas te + o/a = to/ta
Em se plantando no Brasil, tudo dá. lhe + o/a = lho/lha
Não se falando em futebol, ninguém briga. nos + o/a = no-lo/no-la
Ninguém me provocando, fico em paz. vos + o/a = vo-lo/vo-la

- Infinitivo Impessoal: Não era minha intenção magoar-te. Tais combinações podem vir:
Se o infinitivo vier precedido de palavra atrativa, ocorre tanto a - Proclítica: Eu não vo-lo disse?
próclise quanto a ênclise. - Mesoclítica: Dir-vo-lo-ei já.
Espero com isto não te magoar. - Enclítica: A correspondência, entregaram-lha há muito tem-
Espero com isto não magoar-te. po.

- No início de frases ou depois de pausa: Vão-se os anéis, Segundo a norma culta, a regra é a ênclise, ou seja, o pronome
ficam os dedos. Decorre daí a afirmação de que, na variante culta após o verbo. Isso tem origem em Portugal, onde essa colocação
escrita, não se inicia frase com pronome oblíquo átono. Causou- é mais comum. No Brasil, o uso da próclise é mais frequente, por
-me surpresa a tua reação. apresentar maior informalidade. Mas, como devemos abordar os
aspectos formais da língua, a regra será ênclise, usando próclise
O Pronome Oblíquo Átono nas Locuções Verbais em situações excepcionais, que são:
- Palavras invariáveis (advérbios, alguns pronomes, conjun-
- Com palavras atrativas: quando a locução vem precedida ção) atraem o pronome. Por “palavras invariáveis”, entendemos
de palavra atrativa, o pronome se coloca antes do verbo auxiliar ou os advérbios, as conjunções, alguns pronomes que não se fle-
depois do verbo principal. Exemplo: Nunca te posso negar isso; xionam, como o pronome relativo que, os pronomes indefinidos
Nunca posso negar-te isso. É possível, nesses casos, o uso da pró- quanto/como, os pronomes demonstrativos isso, aquilo, isto.
clise antes do verbo principal. Nesse caso, o pronome não se liga Exemplos: “Ele não se encontrou com a namorada.” – próclise
por hífen ao verbo auxiliar: Nunca posso te negar isso. obrigatória por força do advérbio de negação. “Quando se encon-
tra com a namorada, ele fica muito feliz.” – próclise obrigatória
- No início da oração ou depois de pausa: quando a locução por força da conjunção;
se situa no início da oração, não se usa o pronome antes do ver- - Orações exclamativas (“Vou te matar!”) ou que expressam
bo auxiliar. Exemplo: Posso-lhe dar garantia total; Posso dar-lhe desejo, chamadas de optativas (“Que Deus o abençoe!”) – próclise
garantia total. A mesma norma é válida para os casos em que a obrigatória.
locução verbal vem precedida de pausa. Exemplo: Em dias de lua - Orações subordinadas – (“... e é por isso que nele se acentua
cheia, pode-se ver a estrada mesmo com faróis apagados; Em dias o pensador político” – uma oração subordinada causal, como a da
de lua cheia, pode ver-se a estrada mesmo com os faróis apagados. questão, exige a próclise.).

- Sem atração nem pausa: quando a locução verbal não vem Emprego Proibido:
precedida de palavra atrativa nem de pausa, admite-se qualquer - Iniciar período com pronome (a forma correta é: Dá-me um
colocação do pronome. Exemplo: copo d’água; Permita-me fazer uma observação.);
A vida lhe pode trazer surpresas. - Após verbo no particípio, no futuro do presente e no futuro
A vida pode-lhe trazer surpresas. do pretérito. Com essas formas verbais, usa-se a próclise (desde
A vida pode trazer-lhe surpresas. que não caia na proibição acima), modifica-se a estrutura (troca o
“me” por “a mim”) ou, no caso dos futuros, emprega-se o prono-
Observações me em mesóclise. Exemplos: “Concedida a mim a licença, pude
começar a trabalhar.” (Não poderia ser “concedida-me” – após
- Quando o verbo auxiliar de uma locução verbal estiver no particípio é proibido -nem “me concedida” – iniciar período com
futuro do presente ou no futuro do pretérito, o pronome pode vir pronome é proibido). “Recolher-me-ei à minha insignificância”
em mesóclise em relação a ele: Ter-nos-ia aconselhado a partir. (Não poderia ser “recolherei-me” nem “Me recolherei”).

Didatismo e Conhecimento 99
LÍNGUA PORTUGUESA
Exercícios d) Há uma ambivalência em relação aos atores na qual espe-
lha a divisão entre o respeito e o menosprezo que deles costuma-
01. A expressão sublinhada está empregada adequadamente mos alimentar.
na frase: e) Os atores sobre os quais se fez menção no texto construí-
a) A inesgotabilidade da água é uma ilusão na qual não pode- ram uma carreira cinematográfica de cujo sucesso comercial nin-
mos mais alimentar. guém pode discutir.
b) A cadeia econômica à qual o texto faz referência tem na
água seu centro vital. 05. Está correto o emprego de ambos os elementos sublinha-
c) Os maus tempos dos quais estamos atravessando devem-se dos na frase:
a uma falta de previsão. a) Os sonhos de cujos nós queremos alimentar não satisfazem
d) A água é um elemento cujo o valor ninguém mais põe em os desejos com que a eles nos moveram.
dúvida. b) A expressão de Elio Gaspari, a qual se refere o autor do
e) A certeza em que ninguém mais pode fugir é a do valor texto, é “cidadãos descartáveis”, e alude às criaturas desesperadas
inestimável da água. cujo o rumo é inteiramente incerto.
c) Os objetivos de que se propõem os neoliberais não coinci-
02. Está correto o emprego de ambos os elementos sublinha-
dem com as necessidades por cujas se movem os “cidadãos des-
dos na frase:
cartáveis”.
a) O autor preza a discussão à qual se envolvem os moradores
d) As miragens a que nos prendemos, ao longo da vida, são
de um condomínio, quando os anima a aspiração de um consenso.
projeções de anseios cujo destino não é a satisfação conclusiva.
b) A frase de Mitterrand na qual se arremeteu o candidato
e) A força do nosso trabalho, de que não relutamos em vender,
Giscard não representava, de fato, uma posição com a qual nin-
guém pudesse discordar. dificilmente será paga pelo valor em que nos satisfaremos.
c) A frase de cujo teor Giscard discordou revelava, de fato, o
sentimento de superioridade do qual o discurso de Mitterrand era 06. É adequado o emprego de ambas as expressões sublinha-
uma clara manifestação. das na frase:
d) Os candidatos em cujos argumentos são fracos costumam a) As fogueiras de que todos testemunhamos nos noticiários
valer-se da oposição entre o certo e errado à qual se apóiam os da TV constituem um sinal a quem ninguém pode ser insensível.
maniqueístas. b) O encolhimento do Estado, ao qual muita gente foi com-
e) O comportamento dos condôminos cuja a disposição é o placente, abriu espaço para a lógica do mercado, de cuja frieza
consenso deveria servir de exemplo ao dos candidatos que seu vem fazendo um sem-número de vítimas.
único interesse é ganhar a eleição. c) Com essa sua subserviência, pela qual muitos se insurgem,
o Estado deixa de cumprir o papel social de que tantos estão con-
03. Está correto o emprego de ambos os elementos sublinha- tando.
dos na frase: d) As medidas repressivas de que o Estado vem se valendo
a) A diferenciação entre profissionais, à que o autor faz re- em nada contribuem para o encaminhamento das soluções a que
ferência, tem como critério um padrão ético, de cujo depende o os desempregados aspiram.
rumo do processo civilizatório. e) Diante da pujança do Mercado europeu, de cuja poucos
b) Se há apenas avanço técnico, numa época onde impera a vêm desfrutando, os excluídos acendem fogueiras cujo o vigor
globalização, as demandas sociais ficarão sem o atendimento a fala por si só.
que são carentes.
c) As razões porque a globalização não distribui a riqueza 07. A maior parte da água da chuva é interceptada pela copa
prendem-se à relação mecânica entre oferta e demanda, cuja a das árvores, ...... cobrem toda a região. ...... evapora rapidamente,
crueldade é notória. causando mais chuva, o que não ocorre em áreas desmatadas, ......
d) Os tecnocratas maliciosos imputam para o exercício da de- solo é pobre em matéria orgânica. As lacunas da frase acima estão
mocracia os desajustes econômicos em que assolam os excluídos corretamente preenchidas, respectivamente, por
da globalização. a) onde - A chuva - que o
e) O aumento da produção, de cuja necessidade não há quem b) nas quais - Aquela chuva - cujo
discorde, deve prever qualquer impacto ecológico, para o qual se c) em que - A água da chuva - que o
deve estar sempre alerta. d) que elas - Essa chuva - aonde
e) que - Essa água – cujo
04. Está correto o emprego de ambos os elementos sublinha-
dos na seguinte frase: 08. As razões ___ ele deverá invocar para justificar o que fez
a) A simpatia de que não goza um ator junto ao eleitorado é não alcançarão qualquer ressonância ___ membros do Conselho,
por vezes estendida a um político profissional sobre cuja honesti- ___ votos ele depende para permanecer na empresa. Preenchem
dade há controvérsias. de modo correto as lacunas da frase acima, respectivamente, as
b) O candidato a que devotamos nosso respeito tem uma his- expressões:
tória aonde os fatos nem sempre revelam uma conduta irrepreen- a) a que - para com os - de cujos
sível. b) de que - junto aos - cujos os
c) Reagan teve uma carreira de ator em cuja não houve mo- c) que - diante dos - de quem os
mentos brilhantes, como também não houve os mesmos na de d) às quais - em vista dos - em cujos
Schwarzenegger. e) que - junto aos - de cujos

Didatismo e Conhecimento 100


LÍNGUA PORTUGUESA
09. Sonhos não faltam; há sonhos dentro de nós e por toda - separar o vocativo: Maria, traga-me uma xícara de café; A
parte, razão pela qual a estratégia Neoliberal convoca esses so- educação, meus amigos, é fundamental para o progresso do país.
nhos, atribui a esses sonhos um valor incomensurável, sabendo - separar alguns apostos: Valdete, minha antiga empregada,
que nunca realizaremos esses sonhos. Evitam-se as viciosas repe- esteve aqui ontem.
tições dos elementos sublinhados na frase acima substituindo-os, - separar o adjunto adverbial antecipado ou intercalado: Che-
na ordem dada, por: gando de viagem, procurarei por você; As pessoas, muitas vezes,
a) há eles - convoca-os - atribui-lhes - realizaremo-los são falsas.
b) os há - os convoca - lhes atribui - realizaremo-los - separar elementos de uma enumeração: Precisa-se de pedrei-
c) há-os - convoca-lhes - os atribui – realizá-los-emos ros, serventes, mestre-de-obras.
d) há estes - lhes convoca - atribui-lhes - os realizaremos - isolar expressões de caráter explicativo ou corretivo: Ama-
e) há-os - os convoca - atribui-lhes - os realizaremos nhã, ou melhor, depois de amanhã podemos nos encontrar para
acertar a viagem.
10. O czar caçava homens, não ocorrendo ao czar que, em - separar conjunções intercaladas: Não havia, porém, motivo
vez de homens, se caçassem andorinhas e borboletas, parecendo- para tanta raiva.
-lhe uma barbaridade levar andorinhas e borboletas à morte. - separar o complemento pleonástico antecipado: A mim, nada
Evitam-se as repetições viciosas da frase acima substituindo-se, me importa.
de forma correta, os elementos sublinhados por, respectivamente, - isolar o nome de lugar na indicação de datas: Belo Horizon-
a) não o ocorrendo - de tais - levá-las. te, 26 de janeiro de 2011.
b) não ocorrendo-lhe - dos mesmos - levar-lhes. - separar termos coordenados assindéticos: “Lua, lua, lua, lua,
c) lhe não ocorrendo - destes - as levar-lhes. por um momento meu canto contigo compactua...” (Caetano Ve-
d) não ocorrendo-o - dos cujos - as levarem. loso)
e) não lhe ocorrendo - destes - levá-las. - marcar a omissão de um termo (normalmente o verbo): Ela
prefere ler jornais e eu, revistas. (omissão do verbo preferir)
Respostas: 01-B / 02-C / 03-E / 04-A / 05-D / 06-D / 07-E / Termos coordenados ligados pelas conjunções e, ou, nem dis-
08-E / 09-E / 10-E / pensam o uso da vírgula: Conversaram sobre futebol, religião e
política. Não se falavam nem se olhavam; Ainda não me decidi se
viajarei para Bahia ou Ceará. Entretanto, se essas conjunções apa-
PONTUAÇÃO recerem repetidas, com a finalidade de dar ênfase, o uso da vírgula
passa a ser obrigatório: Não fui nem ao velório, nem ao enterro,
nem à missa de sétimo dia.

A vírgula entre orações


Os sinais de pontuação são sinais gráficos empregados na lín-
gua escrita para tentar recuperar recursos específicos da língua fa- É utilizada nas seguintes situações:
lada, tais como: entonação, jogo de silêncio, pausas, etc. - separar as orações subordinadas adjetivas explicativas: Meu
pai, de quem guardo amargas lembranças, mora no Rio de Janeiro.
Ponto ( . ) - separar as orações coordenadas sindéticas e assindéticas (ex-
- indicar o final de uma frase declarativa: Lembro-me muito ceto as iniciadas pela conjunção “e”: Acordei, tomei meu banho,
bem dele. comi algo e saí para o trabalho; Estudou muito, mas não foi apro-
- separar períodos entre si: Fica comigo. Não vá embora. vado no exame.
- nas abreviaturas: Av.; V. Ex.ª
Há três casos em que se usa a vírgula antes da conjunção:
Vírgula ( , ): É usada para marcar uma pausa do enunciado - quando as orações coordenadas tiverem sujeitos diferentes:
com a finalidade de nos indicar que os termos por ela separados, Os ricos estão cada vez mais ricos, e os pobres, cada vez mais
apesar de participarem da mesma frase ou oração, não formam pobres.
uma unidade sintática: Lúcia, esposa de João, foi a ganhadora úni- - quando a conjunção e vier repetida com a finalidade de dar
ca da Sena. ênfase (polissíndeto): E chora, e ri, e grita, e pula de alegria.
Podemos concluir que, quando há uma relação sintática entre - quando a conjunção e assumir valores distintos que não seja
termos da oração, não se pode separá-los por meio de vírgula. Não da adição (adversidade, consequência, por exemplo): Coitada! Es-
se separam por vírgula: tudou muito, e ainda assim não foi aprovada.
- predicado de sujeito; - separar orações subordinadas adverbiais (desenvolvidas ou
- objeto de verbo; reduzidas), principalmente se estiverem antepostas à oração prin-
- adjunto adnominal de nome; cipal: “No momento em que o tigre se lançava, curvou-se ainda
- complemento nominal de nome; mais; e fugindo com o corpo apresentou o gancho.” (O selvagem
- predicativo do objeto do objeto; - José de Alencar)
- oração principal da subordinada substantiva (desde que esta - separar as orações intercaladas: “- Senhor, disse o velho, te-
não seja apositiva nem apareça na ordem inversa). nho grandes contentamentos em a estar plantando...”. Essas ora-
ções poderão ter suas vírgulas substituídas por duplo travessão:
“Senhor - disse o velho - tenho grandes contentamentos em a estar
A vírgula no interior da oração plantando...”
- separar as orações substantivas antepostas à principal: Quan-
É utilizada nas seguintes situações: to custa viver, realmente não sei.

Didatismo e Conhecimento 101


LÍNGUA PORTUGUESA
Ponto-e-Vírgula ( ; ) versando com meu superior, dei a ele um “feedback” do serviço a
mim requerido.
- separar os itens de uma lei, de um decreto, de uma petição, - indicar uma citação textual: “Ia viajar! Viajei. Trinta e quatro
de uma sequência, etc: vezes, às pressas, bufando, com todo o sangue na face, desfiz e
Art. 127 – São penalidades disciplinares: refiz a mala”. (O prazer de viajar - Eça de Queirós)
I- advertência; Se, dentro de um trecho já destacado por aspas, se fizer neces-
II- suspensão; sário a utilização de novas aspas, estas serão simples. ( ‘  ‘ )
III- demissão;
IV- cassação de aposentadoria ou disponibilidade; Parênteses ( () )
V- destituição de cargo em comissão; - isolar palavras, frases intercaladas de caráter explicativo e
VI-destituição de função comissionada. (cap. V das penalida- datas: Na 2ª Guerra Mundial (1939-1945), ocorreu inúmeras per-
des Direito Administrativo) das humanas; “Uma manhã lá no Cajapió (Joca lembrava-se como
se fora na véspera), acordara depois duma grande tormenta no fim
- separar orações coordenadas muito extensas ou orações do verão”. (O milagre das chuvas no nordeste- Graça Aranha)
coordenadas nas quais já tenham tido utilizado a vírgula: “O rosto Os parênteses também podem substituir a vírgula ou o tra-
de tez amarelenta e feições inexpressivas, numa quietude apática, vessão.
era pronunciadamente vultuoso, o que mais se acentuava no fim da
vida, quando a bronquite crônica de que sofria desde moço se foi Travessão ( __ )
transformando em opressora asma cardíaca; os lábios grossos, o - dar início à fala de um personagem: O filho perguntou: __
inferior um tanto tenso (...)” (Visconde de Taunay) Pai, quando começarão as aulas?
- indicar mudança do interlocutor nos diálogos. __Doutor, o
Dois-Pontos ( : ) que tenho é grave? __Não se preocupe, é uma simples infecção. É
- iniciar a fala dos personagens: Então o padre respondeu: só tomar um antibiótico e estará bom.
__Parta agora. - unir grupos de palavras que indicam itinerário: A rodovia
- antes de apostos ou orações apositivas, enumerações ou Belém-Brasília está em péssimo estado.
sequência de palavras que explicam, resumem ideias anteriores: Também pode ser usado em substituição à virgula em expres-
Meus amigos são poucos: Fátima, Rodrigo e Gilberto. sões ou frases explicativas: Xuxa – a rainha dos baixinhos – é loira.
- antes de citação: Como já dizia Vinícius de Morais: “Que
o amor não seja eterno posto que é chama, mas que seja infinito Parágrafo
enquanto dure.” Constitui cada uma das secções de frases de um escritor; co-
meça por letra maiúscula, um pouco além do ponto em que come-
Ponto de Interrogação ( ? ) çam as outras linhas.
- Em perguntas diretas: Como você se chama?
- Às vezes, juntamente com o ponto de exclamação: Quem Colchetes ( [] )
ganhou na loteria? Você. Eu?! Utilizados na linguagem científica.

Ponto de Exclamação ( ! ) Asterisco ( * )


- Após vocativo: “Parte, Heliel!” ( As violetas de Nossa Sra.- Empregado para chamar a atenção do leitor para alguma nota
Humberto de Campos). (observação).
- Após imperativo: Cale-se!
- Após interjeição: Ufa! Ai! Barra ( / )
- Após palavras ou frases que denotem caráter emocional: Que Aplicada nas abreviações das datas e em algumas abreviaturas.
pena!
Hífen (−)
Reticências ( ... ) Usado para ligar elementos de palavras compostas e para unir
- indicar dúvidas ou hesitação do falante: Sabe...eu queria te pronomes átonos a verbos. Exemplo: guarda-roupa
dizer que...esquece.
- interrupção de uma frase deixada gramaticalmente incom- Exercícios
pleta: Alô! João está? Agora não se encontra. Quem sabe se ligar
mais tarde... 01. Assinale o texto de pontuação correta:
- ao fim de uma frase gramaticalmente completa com a inten- a) Não sei se disse, que, isto se passava, em casa de uma co-
ção de sugerir prolongamento de ideia: “Sua tez, alva e pura como madre, minha avó.
um foco de algodão, tingia-se nas faces duns longes cor-de-rosa...” b) Eu tinha, o juízo fraco, e em vão tentava emendar-me: pro-
(Cecília- José de Alencar) vocava risos, muxoxos, palavrões.
- indicar supressão de palavra (s) numa frase transcrita: c) A estes, porém, o mais que pode acontecer é que se riam
“Quando penso em você (...) menos a felicidade.” (Canteiros - deles os outros, sem que este riso os impeça de conservar as suas
Raimundo Fagner) roupas e o seu calçado.
d) Na civilização e na fraqueza ia para onde me impeliam
Aspas ( “  ” ) muito dócil muito leve, como os pedaços da carta de ABC, tritu-
- isolar palavras ou expressões que fogem à norma culta, rados soltos no ar.
como gírias, estrangeirismos, palavrões, neologismos, arcaísmos e) Conduziram-me à rua da Conceição, mas só mais tarde no-
e expressões populares: Maria ganhou um apaixonado “ósculo” do tei, que me achava lá, numa sala pequena.
seu admirador; A festa na casa de Lúcio estava “chocante”; Con-

Didatismo e Conhecimento 102


LÍNGUA PORTUGUESA
02. Das redações abaixo, assinale a que não está pontuada e) Tenha cuidado, ao parafrasear o que ouvir. Nossa capaci-
corretamente: dade de retenção é variável - e muitas vezes inconscientemente
a) Os candidatos, em fila, aguardavam ansiosos o resultado - deturpamos, o que ouvimos.
do concurso.
b) Em fila, os candidatos, aguardavam, ansiosos, o resultado Nas questões 07 a 10, os períodos foram pontuados de cinco
do concurso. formas diferentes. Leia-os todos e assinale a letra que corresponde
c) Ansiosos, os candidatos aguardavam, em fila, o resultado ao período de pontuação correta:
do concurso.
d) Os candidatos ansiosos aguardavam o resultado do concur- 07.
so, em fila. a) Entra a propósito, disse Alves, o seu moleque, conhece pou-
e) Os candidatos, aguardavam ansiosos, em fila, o resultado co os deveres da hospitalidade.
do concurso. b) Entra a propósito disse Alves, o seu moleque conhece pou-
co os deveres da hospitalidade.
Instruções para as questões de números 03 e 04: Os períodos c) Entra a propósito, disse Alves o seu moleque conhece pou-
abaixo apresentam diferenças de pontuação, assinale a letra que co os deveres da hospitalidade.
corresponde ao período de pontuação correta: d) Entra a propósito, disse Alves, o seu moleque conhece pou-
co os deveres da hospitalidade.
03. e) Entra a propósito, disse Alves, o seu moleque conhece pou-
a) Pouco depois, quando chegaram, outras pessoas a reunião co, os deveres da hospitalidade.
ficou mais animada.
b) Pouco depois quando chegaram outras pessoas a reunião 08.
ficou mais animada. a) Prima faça calar titio suplicou o moço, com um leve sorriso
c) Pouco depois, quando chegaram outras pessoas, a reunião que imediatamente se lhe apagou.
ficou mais animada. b) Prima, faça calar titio, suplicou o moço com um leve sorri-
d) Pouco depois quando chegaram outras pessoas a reunião, so que imediatamente se lhe apagou.
ficou mais animada. c) Prima faça calar titio, suplicou o moço com um leve sorriso
e) Pouco depois quando chegaram outras pessoas a reunião que imediatamente se lhe apagou.
ficou, mais animada. d) Prima, faça calar titio suplicou o moço com um leve sorriso
que imediatamente se lhe apagou.
e) Prima faça calar titio, suplicou o moço com um leve sorriso
04.
que, imediatamente se lhe apagou.
a) Precisando de mim procure-me; ou melhor telefone que eu
venho.
09.
b) Precisando de mim procure-me, ou, melhor telefone que
a) Era um homem de quarenta e cinco anos, baixo, meio gor-
eu venho. do, fisionomia insinuante, destas que mesmo sérias, trazem im-
c) Precisando, de mim, procure-me ou melhor, telefone, que presso constante sorriso.
eu venho. b) Era um homem de quarenta e cinco anos, baixo, meio gor-
d) Precisando de mim, procure-me; ou melhor, telefone, que do, fisionomia insinuante, destas que mesmo sérias trazem, im-
eu venho. presso constante sorriso.
e) Precisando, de mim, procure-me ou, melhor telefone que c) Era um homem de quarenta e cinco anos, baixo, meio gor-
eu venho. do, fisionomia insinuante, destas que, mesmo sérias, trazem im-
presso, constante sorriso.
05. Os períodos abaixo apresentam diferenças de pontuação. d) Era um homem de quarenta e cinco anos, baixo, meio gor-
Assinale a letra que corresponde ao período de pontuação correta: do, fisionomia insinuante, destas que, mesmo sérias trazem im-
a) José dos Santos paulista, 23 anos vive no Rio. presso constante sorriso.
b) José dos Santos paulista 23 anos, vive no Rio. e) Era um homem de quarenta e cinco anos, baixo, meio gor-
c) José dos Santos, paulista 23 anos, vive no Rio. do, fisionomia insinuante, destas que, mesmo sérias, trazem im-
d) José dos Santos, paulista 23 anos vive, no Rio. presso constante sorriso.
e) José dos Santos, paulista, 23 anos, vive no Rio.
10.
06. A alternativa com pontuação correta é: a) Deixo ao leitor calcular quanta paixão a bela viúva, empre-
a) Tenha cuidado, ao parafrasear o que ouvir. Nossa capacida- gou na execução do canto.
de de retenção é variável e muitas vezes inconscientemente, detur- b) Deixo ao leitor calcular quanta paixão a bela viúva empre-
pamos o que ouvimos. gou na execução do canto.
b) Tenha cuidado ao parafrasear o que ouvir: nossa capacidade c) Deixo ao leitor calcular quanta paixão, a bela viúva, empre-
de retenção é variável e, muitas vezes, inconscientemente, detur- gou na execução do canto.
pamos o que ouvimos. d) Deixo ao leitor calcular, quanta paixão a bela viúva, empre-
c) Tenha cuidado, ao parafrasear o que ouvir! Nossa capacida- gou na execução do canto.
de de retenção é variável e muitas vezes inconscientemente, detur- e) Deixo ao leitor, calcular quanta paixão a bela viúva, empre-
pamos o que ouvimos. gou na execução do canto.
d) Tenha cuidado ao parafrasear o que ouvir; nossa capacidade
de retenção, é variável e - muitas vezes inconscientemente, detur- Respostas: 01-C / 02-E / 03-C / 04-D / 05-E / 06-B / 07-D /
pamos o que ouvimos. 08-B / 09-E / 10-B

Didatismo e Conhecimento 103


LÍNGUA PORTUGUESA
OBS.: Estes dois últimos tópicos são exclusivos para o Quando são colocados antes do radical, como acontece com
cargo de Ensino Médio. “a-”, os afixos recebem o nome de prefixos. Quando, como “-ar”,
surgem depois do radical, os afixos são chamados de sufixos.
Exemplo: in-at-ivo; em-pobr-ecer; inter-nacion-al.
ESTRUTURA DAS PALAVRAS E SEUS
PROCESSOS DE FORMAÇÃO Desinências: são os elementos terminais indicativos das fle-
xões das palavras. Existem dois tipos:
- Desinências Nominais: indicam as flexões de gênero (mas-
culino e feminino) e de número (singular e plural) dos nomes.
Estudar a estrutura é conhecer os elementos formadores das Exemplos: aluno-o / aluno-s; alun-a / aluna-s. Só podemos falar
palavras. Assim, compreendemos melhor o significado de cada em desinências nominais de gêneros e de números em palavras
uma delas. As palavras podem ser divididas em unidades menores, que admitem tais flexões, como nos exemplos acima. Em palavras
a que damos o nome de elementos mórficos ou morfemas. como mesa, tribo, telefonema, por exemplo, não temos desinência
Vamos analisar a palavra “cachorrinhas”. Nessa palavra ob- nominal de gênero. Já em pires, lápis, ônibus não temos desinên-
servamos facilmente a existência de quatro elementos. São eles: cia nominal de número.
cachorr - este é o elemento base da palavra, ou seja, aquele
que contém o significado. - Desinências Verbais: indicam as flexões de número e pes-
inh - indica que a palavra é um diminutivo soa e de modo e tempo dos verbos. A desinência “-o”, presente
a - indica que a palavra é feminina em “am-o”, é uma desinência número pessoal, pois indica que o
s - indica que a palavra se encontra no plural verbo está na primeira pessoa do singular; “-va”, de “ama-va”, é
desinência modo-temporal: caracteriza uma forma verbal do pre-
Morfemas: unidades mínimas de caráter significativo. Exis- térito imperfeito do indicativo, na 1ª conjugação.
tem palavras que não comportam divisão em unidades menores,
tais como: mar, sol, lua, etc. São elementos mórficos: Vogal Temática: é a vogal que se junta ao radical, preparando-
- Raiz, Radical, Tema: elementos básicos e significativos -o para receber as desinências. Nos verbos, distinguem-se três vo-
- Afixos (Prefixos, Sufixos), Desinência, Vogal Temática:
gais temáticas:
elementos modificadores da significação dos primeiros
- Caracteriza os verbos da 1ª conjugação: buscar, buscavas, etc.
- Vogal de Ligação, Consoante de Ligação: elementos de li-
- Caracteriza os verbos da 2ª conjugação: romper, rompemos, etc.
gação ou eufônicos.
- Caracteriza os verbos da 3ª conjugação: proibir, proibirá, etc.
Raiz: É o elemento originário e irredutível em que se concen-
Tema: é o grupo formado pelo radical mais vogal temática.
tra a significação das palavras, consideradas do ângulo histórico.
Nos verbos citados acima, os temas são: busca-, rompe-, proibi-
É a raiz que encerra o sentido geral, comum às palavras da mesma
família etimológica. Exemplo: Raiz noc [Latim nocere = prejudi-
car] tem a significação geral de causar dano, e a ela se prendem, Vogais e Consoantes de Ligação: As vogais e consoantes de
pela origem comum, as palavras nocivo, nocividade, inocente, ino- ligação são morfemas que surgem por motivos eufônicos, ou seja,
centar, inócuo, etc. para facilitar ou mesmo possibilitar a pronúncia de uma determi-
nada palavra. Exemplos: parisiense (paris= radical, ense=sufixo,
Uma raiz pode sofrer alterações: at-o; at-or; at-ivo; aç-ão; ac- vogal de ligação=i); gas-ô-metro, alv-i-negro, tecn-o-cracia, pau-l-
-ionar; -ada, cafe-t-eira, cha-l-eira, inset-i-cida, pe-z-inho, pobr-e-tão, etc.

Radical: Formação das Palavras: existem dois processos básicos pe-


los quais se formam as palavras: a Derivação e a Composição. A
Observe o seguinte grupo de palavras: livr-o; livr-inho; livr- diferença entre ambos consiste basicamente em que, no processo
-eiro; livr-eco. Você reparou que há um elemento comum nesse de derivação, partimos sempre de um único radical, enquanto no
grupo? Você reparou que o elemento livr serve de base para o sig- processo de composição sempre haverá mais de um radical.
nificado? Esse elemento é chamado de radical (ou semantema).
Elemento básico e significativo das palavras, consideradas sob Derivação: é o processo pelo qual se obtém uma palavra nova,
o aspecto gramatical e prático. É encontrado através do despojo chamada derivada, a partir de outra já existente, chamada primiti-
dos elementos secundários (quando houver) da palavra. Exemplo: va. Exemplo: Mar (marítimo, marinheiro, marujo); terra (enterrar,
cert-o; cert-eza; in-cert-eza. terreiro, aterrar). Observamos que «mar» e «terra» não se formam
de nenhuma outra palavra, mas, ao contrário, possibilitam a for-
Afixos: são elementos secundários (geralmente sem vida autô- mação de outras, por meio do acréscimo de um sufixo ou prefixo.
noma) que se agregam a um radical ou tema para formar palavras Logo, mar e terra são palavras primitivas, e as demais, derivadas. 
derivadas. Sabemos que o acréscimo do morfema “-mente”, por
exemplo, cria uma nova palavra a partir de “certo”: certamente, Tipos de Derivação
advérbio de modo. De maneira semelhante, o acréscimo dos mor-
femas “a-” e “-ar” à forma “cert-” cria o verbo acertar. Observe - Derivação Prefixal ou Prefixação: resulta do acréscimo de
que a- e -ar são morfemas capazes de operar mudança de classe prefixo à palavra primitiva, que tem o seu significado alterado:
gramatical na palavra a que são anexados. crer- descrer; ler- reler; capaz- incapaz.

Didatismo e Conhecimento 104


LÍNGUA PORTUGUESA
- Derivação Sufixal ou Sufixação: resulta de acréscimo de Por derivação regressiva, formam-se basicamente substanti-
sufixo à palavra primitiva, que pode sofrer alteração de significado vos a partir de verbos. Por isso, recebem o nome de substanti-
ou mudança de classe gramatical: alfabetização. No exemplo, o vos deverbais. Note que na linguagem popular, são frequentes os
sufixo -ção transforma em substantivo o verbo alfabetizar. Este, exemplos de palavras formadas por derivação regressiva. o portu-
por sua vez, já é derivado do substantivo alfabeto pelo acréscimo ga (de português); o boteco (de botequim); o comuna (de comu-
do sufixo -izar. nista); agito (de agitar); amasso (de amassar); chego (de chegar)

A derivação sufixal pode ser: O processo normal é criar um verbo a partir de um substanti-
Nominal, formando substantivos e adjetivos: papel – papela- vo. Na derivação regressiva, a língua procede em sentido inverso:
ria; riso – risonho. forma o substantivo a partir do verbo.
Verbal, formando verbos: atual - atualizar.
Adverbial, formando advérbios de modo: feliz – felizmente. - Derivação Imprópria: A derivação imprópria ocorre quando
determinada palavra, sem sofrer qualquer acréscimo ou supressão
- Derivação Parassintética ou Parassíntese: Ocorre quando a em sua forma, muda de classe gramatical. Neste processo:
palavra derivada resulta do acréscimo simultâneo de prefixo e sufi- Os adjetivos passam a substantivos: Os bons serão contem-
xo à palavra primitiva. Por meio da parassíntese formam-se nomes plados.
(substantivos e adjetivos) e verbos. Considere o adjetivo “triste”. Os particípios passam a substantivos ou adjetivos: Aquele ga-
Do radical “trist-” formamos o verbo entristecer através da junção roto alcançou um feito passando no concurso.
simultânea do prefixo  “en-” e do sufixo “-ecer”. A presença de Os infinitivos passam a substantivos: O andar de Roberta era
apenas um desses afixos não é suficiente para formar uma nova fascinante; O badalar dos sinos soou na cidadezinha.
palavra, pois em nossa língua não existem as palavras “entriste”, Os substantivos passam a adjetivos: O funcionário fantasma
nem “tristecer”. Exemplos: foi despedido; O menino prodígio resolveu o problema.
emudecer Os adjetivos passam a advérbios: Falei baixo para que nin-
mudo – palavra inicial guém escutasse.
e – prefixo
Palavras invariáveis passam a substantivos: Não entendo o
mud – radical
porquê disso tudo.
ecer – sufixo
Substantivos próprios tornam-se comuns: Aquele coordena-
dor é um caxias! (chefe severo e exigente)
desalmado
alma – palavra inicial
Os processos de derivação vistos anteriormente fazem parte
des – prefixo
da Morfologia porque implicam alterações na forma das palavras.
alm – radical
ado – sufixo No entanto, a derivação imprópria lida basicamente com seu sig-
nificado, o que acaba caracterizando um processo semântico. Por
Não devemos confundir derivação parassintética, em que o essa razão, entendemos o motivo pelo qual é denominada “impró-
acréscimo de sufixo e de prefixo é obrigatoriamente simultâneo, pria”.
com casos como os das palavras desvalorização e desigualdade.
Nessas palavras, os afixos são acoplados em sequência: desvalo- Composição: é o processo que forma palavras compostas, a
rização provém de desvalorizar, que provém de valorizar, que por partir da junção de dois ou mais radicais. Existem dois tipos:
sua vez provém de valor.
É impossível fazer o mesmo com palavras formadas por pa- - Composição por Justaposição: ao juntarmos duas ou mais
rassíntese: não se pode dizer que expropriar provém de “propriar” palavras ou radicais, não ocorre alteração fonética: passatempo,
ou de “expróprio”, pois tais palavras não existem. Logo, expro- quinta-feira, girassol, couve-flor. Em «girassol» houve uma altera-
priar provém diretamente de próprio, pelo acréscimo concomitante ção na grafia (acréscimo de um «s») justamente para manter inal-
de prefixo e sufixo. terada a sonoridade da palavra.
- Derivação Regressiva: ocorre derivação regressiva quando
uma palavra é formada não por acréscimo, mas por redução: com- - Composição por Aglutinação: ao unirmos dois ou mais
prar (verbo), compra (substantivo); beijar (verbo), beijo (substan- vocábulos ou radicais, ocorre supressão de um ou mais de seus
tivo). elementos fonéticos: embora (em boa hora); fidalgo (filho de algo
- referindo-se a família nobre); hidrelétrico (hidro + elétrico); pla-
Para descobrirmos se um substantivo deriva de um verbo ou nalto (plano alto). Ao aglutinarem-se, os componentes subordi-
se ocorre o contrário, podemos seguir a seguinte orientação: nam-se a um só acento tônico, o do último componente.
- Se o substantivo denota ação, será palavra derivada, e o ver-
bo palavra primitiva. - Redução: algumas palavras apresentam, ao lado de sua for-
- Se o nome denota algum objeto ou substância, verifica-se o ma plena, uma forma reduzida. Observe: auto - por automóvel;
contrário. cine - por cinema; micro - por microcomputador; Zé - por José.
Vamos observar os exemplos acima: compra e beijo indicam Como exemplo de redução ou simplificação de palavras, podem
ações, logo, são palavras derivadas. O mesmo não ocorre, porém, ser citadas também as siglas, muito frequentes na comunicação
com a palavra âncora, que é um objeto. Neste caso, um substanti- atual.
vo primitivo que dá origem ao verbo ancorar.

Didatismo e Conhecimento 105


LÍNGUA PORTUGUESA
- Hibridismo: ocorre hibridismo na palavra em cuja forma- peri-: movimento ou posição em torno de: periferia, peripé-
ção entram elementos de línguas diferentes: auto (grego) + móvel cia, período, periscópio.
(latim). pro-: posição em frente, anterioridade: prólogo, prognóstico,
profeta, programa.
- Onomatopeia: numerosas palavras devem sua origem a uma pros-: adjunção, em adição a: prosélito, prosódia.
tendência constante da fala humana para imitar as vozes e os ruí- proto-: início, começo, anterioridade: proto-história, protóti-
dos da natureza. As onomatopeias são vocábulos que reproduzem po, protomártir.
aproximadamente os sons e as vozes dos seres: miau, zumzum, poli-: multiplicidade: polissílabo, polissíndeto, politeísmo.
piar, tinir, urrar, chocalhar, cocoricar, etc. sin-, sim-: simultaneidade, companhia: síntese, sinfonia, sim-
patia, sinopse.
Prefixos: os prefixos são morfemas que se colocam antes dos tele-: distância, afastamento: televisão, telepatia, telégrafo.
radicais basicamente a fim de modificar-lhes o sentido; raramen-
te esses morfemas produzem mudança de classe gramatical. Os Prefixos de Origem Latina
prefixos ocorrentes em palavras portuguesas se originam do latim
e do grego, línguas em que funcionavam como preposições ou ad- a-, ab-, abs-: afastamento, separação: aversão, abuso, absti-
vérbios, logo, como vocábulos autônomos.  Alguns prefixos foram nência, abstração.
pouco ou nada produtivos em português. Outros, por sua vez, tive- a-, ad-: aproximação, movimento para junto:
ram grande vitalidade na formação de novas palavras: a- , contra- , adjunto,advogado, advir, aposto.
des- , em-  (ou en-) , es- , entre- re- , sub- , super- , anti-. ante-: anterioridade, procedência: antebraço, antessala, an-
teontem, antever.
Prefixos de Origem Grega ambi-: duplicidade: ambidestro, ambiente, ambiguidade, am-
bivalente.
a-, an-: afastamento, privação, negação, insuficiência, carên- ben(e)-, bem-: bem, excelência de fato ou ação: benefício,
cia: anônimo, amoral, ateu, afônico. bendito.
ana-: inversão, mudança, repetição: analogia, análise, anagra- bis-, bi-:  repetição, duas vezes: bisneto, bimestral, bisavô,
ma, anacrônico. biscoito.
anfi-: em redor, em torno, de um e outro lado, duplicidade: circu(m)-: movimento em torno: circunferência, circunscrito,
anfiteatro, anfíbio, anfibologia. circulação.
anti-: oposição, ação contrária: antídoto, antipatia, antagonis- cis-: posição aquém: cisalpino, cisplatino, cisandino.
co-, con-, com-: companhia, concomitância: colégio, coope-
ta, antítese.
rativa, condutor.
apo-: afastamento, separação: apoteose, apóstolo, apocalipse,
contra-: oposição: contrapeso, contrapor, contradizer.
apologia.
de-: movimento de cima para baixo, separação, negação: de-
arqui-, arce-: superioridade hierárquica, primazia, excesso:
capitar, decair, depor.
arquiduque, arquétipo, arcebispo, arquimilionário.
de(s)-, di(s)-: negação, ação contrária, separação: desventura,
cata-: movimento de cima para baixo: cataplasma, catálogo,
discórdia, discussão.
catarata. e-, es-, ex-: movimento para fora: excêntrico, evasão, expor-
di-:  duplicidade: dissílabo, ditongo, dilema. tação, expelir.
dia-: movimento através de, afastamento: diálogo, diagonal, en-, em-, in-: movimento para dentro, passagem para um es-
diafragma, diagrama. tado ou forma, revestimento: imergir, enterrar, embeber, injetar,
dis-: dificuldade, privação: dispneia, disenteria, dispepsia, importar.
disfasia. extra-: posição exterior, excesso: extradição, extraordinário,
ec-, ex-, exo-, ecto-: movimento para fora: eclipse, êxodo, ec- extraviar.
toderma, exorcismo. i-, in-, im-: sentido contrário, privação, negação: ilegal, im-
en-, em-, e-:  posição interior, movimento para dentro: encé- possível, improdutivo.
falo, embrião, elipse, entusiasmo. inter-, entre-: posição intermediária: internacional, interpla-
endo-: movimento para dentro: endovenoso, endocarpo, en- netário.
dosmose. intra-: posição interior: intramuscular, intravenoso, intraver-
epi-: posição superior, movimento para: epiderme, epílogo, bal.
epidemia, epitáfio. intro-: movimento para dentro: introduzir, introvertido, in-
eu-: excelência, perfeição, bondade: eufemismo, euforia, eu- trospectivo.
caristia, eufonia. justa-: posição ao lado: justapor, justalinear.
hemi-: metade, meio: hemisfério, hemistíquio, hemiplégico. ob-, o-: posição em frente, oposição: obstruir, ofuscar, ocupar,
hiper-: posição superior, excesso: hipertensão, hipérbole, hi- obstáculo.
pertrofia. per-: movimento através: percorrer, perplexo, perfurar, per-
hipo-: posição inferior, escassez: hipocrisia, hipótese, hipo- verter.
dérmico. pos-: posterioridade: pospor, posterior, pós-graduado.
meta-: mudança, sucessão: metamorfose, metáfora, metacarpo. pre-: anterioridade: prefácio, prever, prefixo, preliminar.
para-: proximidade, semelhança, intensidade: paralelo, para- pro-: movimento para frente: progresso, promover, prosse-
sita, paradoxo, paradigma. guir, projeção.

Didatismo e Conhecimento 106


LÍNGUA PORTUGUESA
re-: repetição, reciprocidade: rever, reduzir, rebater, reatar. Sufixos Formadores de Adjetivos
retro-: movimento para trás: retrospectiva, retrocesso, retroa-
gir, retrógrado. - de substantivos: -aco – maníaco; -ado – barbado; -áceo(a)
so-, sob-, sub-, su-: movimento de baixo para cima, inferiori- - herbáceo, liláceas; -aico – prosaico; -al – anual; -ar – escolar;
dade: soterrar, sobpor, subestimar. -ário - diário, ordinário; -ático – problemático; -az – mordaz;
super-, supra-, sobre-: posição superior, excesso: supercílio, -engo – mulherengo; -ento – cruento; -eo – róseo; -esco – pito-
supérfluo. resco; -este – agreste; -estre – terrestre; -enho – ferrenho; -eno
soto-, sota-: posição inferior: soto-mestre, sota-voga, soto-pôr. – terreno; -ício – alimentício; -ico – geométrico; -il – febril; -ino
trans-, tras-, tres-, tra-: movimento para além, movimento – cristalino; -ivo – lucrativo; -onho – tristonho; -oso – bondoso;
através: transatlântico, tresnoitar, tradição. -udo – barrigudo.
ultra-: posição além do limite, excesso: ultrapassar, ultrarro-
mantismo, ultrassom, ultraleve, ultravioleta. - de verbos:
-(a)(e)(i)nte: ação, qualidade, estado – semelhante, doente,
vice-, vis-: em lugar de: vice-presidente, visconde, vice-almi-
seguinte.
rante.
-(á)(í)vel: possibilidade de praticar ou sofrer uma ação – lou-
vável, perecível, punível.
Sufixos: são elementos (isoladamente insignificativos) que, -io, -(t)ivo: ação referência, modo de ser – tardio, afirmativo,
acrescentados a um radical, formam nova palavra. Sua principal pensativo.
característica é a mudança de classe gramatical que geralmente -(d)iço, -(t)ício: possibilidade de praticar ou sofrer uma ação,
opera. Dessa forma, podemos utilizar o significado de um verbo referência – movediço, quebradiço, factício.
num contexto em que se deve usar um substantivo, por exemplo. -(d)ouro,-(t)ório: ação, pertinência – casadouro, preparatório.
Como o sufixo é colocado depois do radical, a ele são incorpora-
das as desinências que indicam as flexões das palavras variáveis. Sufixos Adverbiais: Na Língua Portuguesa, existe apenas um
Existem dois grupos de sufixos formadores de substantivos extre- único sufixo adverbial: É o sufixo “-mente”, derivado do substan-
mamente importantes para o funcionamento da língua. São os que tivo feminino latino mens, mentis que pode significar “a mente,
formam nomes de ação e os que formam nomes de agente. o espírito, o intento”.Este sufixo juntou-se a adjetivos, na forma
feminina, para indicar circunstâncias, especialmente a de modo.
Sufixos que formam nomes de ação: -ada – caminhada; Exemplos: altiva-mente, brava-mente, bondosa-mente, nervo-
-ança – mudança; -ância – abundância; -ção – emoção; -dão – so- sa-mente, fraca-mente, pia-mente. Já os advérbios que se derivam
lidão; -ença – presença; -ez(a) – sensatez, beleza; -ismo – civismo; de adjetivos terminados em –ês (burgues-mente, portugues-men-
-mento – casamento; -são – compreensão; -tude – amplitude; -ura te, etc.) não seguem esta regra, pois esses adjetivos eram outrora
– formatura. uniformes. Exemplos: cabrito montês / cabrita montês.

Sufixos que formam nomes de agente: -ário(a) – secretário; Sufixos Verbais: Os sufixos verbais agregam-se, via de regra,
-eiro(a) – ferreiro; -ista – manobrista; -or – lutador; -nte – fei- ao radical de substantivos e adjetivos para formar novos verbos.
rante. Em geral, os verbos novos da língua formam-se pelo acréscimo
da terminação-ar. Exemplos: esqui-ar; radiograf-ar; (a)doç-ar;
Sufixos que formam nomes de lugar, depositório: -aria – nivel-ar; (a)fin-ar; telefon-ar; (a)portugues-ar.
churrascaria; -ário – herbanário; -eiro – açucareiro; -or – corre-
Os verbos exprimem, entre outras ideias, a prática de ação.
dor; -tério – cemitério; -tório – dormitório.
-ar: cruzar, analisar, limpar
-ear: guerrear, golear
Sufixos que formam nomes indicadores de abundância,
-entar: afugentar, amamentar
aglomeração, coleção: -aço – ricaço; -ada – papelada; -agem – -ficar: dignificar, liquidificar
folhagem; -al – capinzal; -ame – gentame; -ario(a) - casario, in- -izar: finalizar, organizar
fantaria; -edo – arvoredo; -eria – correria; -io – mulherio; -ume
– negrume. Verbo Frequentativo: é aquele que traduz ação repetida.
Verbo Factitivo: é aquele que envolve ideia de fazer ou cau-
Sufixos que formam nomes técnicos usados na ciência: sar.
-ite - bronquite, hepatite (inflamação), amotite (fósseis). Verbo Diminutivo: é aquele que exprime ação pouco in-
-oma - mioma, epitelioma, carcinoma (tumores). tensa.
-ato, eto, Ito - sulfato, cloreto, sulfito (sais), granito (pedra).
-ina - cafeína, codeína (alcaloides, álcalis artificiais). Exercícios
-ol - fenol, naftol (derivado de hidrocarboneto).
-ema - morfema, fonema, semema, semantema (ciência lin- 01. Assinale a opção em que todas as palavras se formam pelo
guística). mesmo processo:
-io - sódio, potássio, selênio (corpos simples) a) ajoelhar / antebraço / assinatura
b) atraso / embarque / pesca
Sufixo que forma nomes de religião, doutrinas filosóficas, c) o jota / o sim / o tropeço
sistemas políticos: - ismo: budismo, kantismo, comunismo. d) entrega / estupidez / sobreviver
e) antepor / exportação / sanguessuga

Didatismo e Conhecimento 107


LÍNGUA PORTUGUESA
02. A palavra “aguardente” formou-se por: 08. Assinale a série de palavras em que todas são formadas
a) hibridismo por parassíntese:
b) aglutinação a) acorrentar, esburacar, despedaçar, amanhecer
c) justaposição b) solução, passional, corrupção, visionário
d) parassíntese c) enrijecer, deslealdade, tortura, vidente
e) derivação regressiva d) biografia, macróbio, bibliografia, asteróide
e) acromatismo, hidrogênio, litografar, idiotismo
03. Que item contém somente palavras formadas por justa-
posição? 09. As palavras couve-flor, planalto e aguardente são forma-
a) desagradável – complemente das por:
b) vaga-lume - pé-de-cabra a) derivação
c) encruzilhada – estremeceu b) onomatopeia
d) supersticiosa – valiosas c) hibridismo
e) desatarraxou – estremeceu d) composição
e) prefixação
04. “Sarampo” é:
a) forma primitiva 10. Assinale a alternativa em que uma das palavras não é for-
b) formado por derivação parassintética mada por prefixação:
c) formado por derivação regressiva a) readquirir, predestinado, propor
d) formado por derivação imprópria b) irregular, amoral, demover
e) formado por onomatopéia c) remeter, conter, antegozar
d) irrestrito, antípoda, prever
05. Numere as palavras da primeira coluna conforme os pro- e) dever, deter, antever
cessos de formação numerados à direita. Em seguida, marque a
alternativa que corresponde à sequência numérica encontrada: Respostas: 1-B / 2-B / 3-B / 4-C / 5-E / 6-E / 7-D / 8-A / 9-D
( ) aguardente     1) justaposição / 10-E /
( ) casamento     2) aglutinação
( ) portuário         3) parassíntese
( ) pontapé         4) derivação sufixal
( ) os contras     5) derivação imprópria VARIAÇÃO LINGUÍSTICA: AS DIVERSAS
( ) submarino     6) derivação prefixal MODALIDADES DO USO DA LÍNGUA
( ) hipótese

a) 1, 4, 3, 2, 5, 6, 1 Variação Linguística
b) 4, 1, 4, 1, 5, 3, 6
c) 1, 4, 4, 1, 5, 6, 6 “Há uma grande diferença se fala um deus ou um herói; se
d) 2, 3, 4, 1, 5, 3, 6 um velho amadurecido ou um jovem impetuoso na flor da idade;
e) 2, 4, 4, 1, 5, 3, 6 se uma matrona autoritária ou uma dedicada; se um mercador
errante ou um lavrador de pequeno campo fértil (...)”
06. Indique a palavra que foge ao processo de formação de
chapechape: Todas as pessoas que falam uma determinada língua conhe-
a) zunzum cem as estruturas gerais, básicas, de funcionamento podem sofrer
b) reco-reco variações devido à influência de inúmeros fatores. Tais variações,
c) toque-toque que às vezes são pouco perceptíveis e outras vezes bastantes evi-
d) tlim-tlim dentes, recebem o nome genérico de variedades ou variações lin-
e) vivido guísticas.
Nenhuma língua é usada de maneira uniforme por todos os
07. Em que alternativa a palavra sublinhada resulta de deriva- seus falantes em todos os lugares e em qualquer situação. Sabe-se
ção imprópria? que, numa mesma língua, há formas distintas para traduzir o mes-
a) Às sete horas da manhã começou o trabalho principal: a mo significado dentro de um mesmo contexto. Suponham-se, por
votação. exemplo, os dois enunciados a seguir:
b) Pereirinha estava mesmo com a razão. Sigilo... Voto secre-
to... Bobagens, bobagens! Veio me visitar um amigo que eu morei na casa dele faz tempo.
c) Sem radical reforma da lei eleitoral, as eleições continua- Veio visitar-me um amigo em cuja casa eu morei há anos.
riam sendo uma farsa! Qualquer falante do português reconhecerá que os dois enun-
d) Não chegaram a trocar um isto de prosa, e se entenderam. ciados pertencem ao seu idioma e têm o mesmo sentido, mas tam-
e) Dr. Osmírio andaria desorientado, senão bufando de raiva. bém que há diferenças. Pode dizer, por exemplo, que o segundo é
de gente mais “estudada”.

Didatismo e Conhecimento 108


LÍNGUA PORTUGUESA
Isso é prova de que, ainda que intuitivamente e sem saber dar Variações Sintáticas
grandes explicações, as pessoas têm noção de que existem muitas
maneiras de falar a mesma língua. É o que os teóricos chamam de Dizem respeito às correlações entre as palavras da frase. No
variações linguísticas. domínio da sintaxe, como no da morfologia, não são tantas as dife-
As variações que distinguem uma variante de outra se mani- renças entre uma variante e outra. Como exemplo, podemos citar:
festam em quatro planos distintos, a saber: fônico, morfológico, - o uso de pronomes do caso reto com outra função que não a
sintático e lexical. de sujeito: encontrei ele (em vez de encontrei-o) na rua; não irão
sem você e eu (em vez de mim); nada houve entre tu (em vez de
ti) e ele.
Variações Fônicas
- o uso do pronome lhe como objeto direto: não lhe (em vez de
“o”) convidei; eu lhe (em vez de “o”) vi ontem.
São as que ocorrem no modo de pronunciar os sons constituin- - a ausência da preposição adequada antes do pronome rela-
tes da palavra. Os exemplos de variação fônica são abundantes e, tivo em função de complemento verbal: são pessoas que (em vez
ao lado do vocabulário, constituem os domínios em que se percebe de: de que) eu gosto muito; este é o melhor filme que (em vez de
com mais nitidez a diferença entre uma variante e outra. Entre es- a que) eu assisti; você é a pessoa que (em vez de em que) eu mais
ses casos, podemos citar: confio.
- a queda do “r” final dos verbos, muito comum na linguagem - a substituição do pronome relativo “cujo” pelo pronome
oral no português: falá, vendê, curti (em vez de curtir), compô. “que” no início da frase mais a combinação da preposição “de”
- o acréscimo de vogal no início de certas palavras: eu me com o pronome “ele” (=dele): É um amigo que eu já conhecia a
alembro, o pássaro avoa, formas comuns na linguagem clássica, família dele (em vez de ...cuja família eu já conhecia).
hoje frequentes na fala caipira. - a mistura de tratamento entre tu e você, sobretudo quando
- a queda de sons no início de palavras: ocê, cê, ta, tava, ma- se trata de verbos no imperativo: Entra, que eu quero falar com
relo (amarelo), margoso (amargoso), características na linguagem você (em vez de contigo); Fala baixo que a sua (em vez de tua)
oral coloquial. voz me irrita.
- a redução de proparoxítonas a paroxítonas: Petrópis (Petró- - ausência de concordância do verbo com o sujeito: Eles che-
polis), fórfi (fósforo), porva (pólvora), todas elas formam típicas gou tarde (em grupos de baixa extração social); Faltou naquela
semana muitos alunos; Comentou-se os episódios.
de pessoas de baixa extração social.
- A pronúncia do “l” final de sílaba como “u” (na maioria das Variações Léxicas
regiões do Brasil) ou como “l” (em certas regiões do Rio Grande
do Sul e Santa Catarina) ou ainda como “r” (na linguagem caipira): É o conjunto de palavras de uma língua. As variantes do
quintau, quintar, quintal; pastéu, paster, pastel; faróu, farór, farol. plano do léxico, como as do plano fônico, são muito numerosas
- deslocamento do “r” no interior da sílaba: largato, preguntar, e caracterizam com nitidez uma variante em confronto com
estrupo, cardeneta, típicos de pessoas de baixa extração social. outra. Eis alguns, entre múltiplos exemplos possíveis de citar:
- a escolha do adjetivo maior em vez do advérbio muito para
Variações Morfológicas formar o grau superlativo dos adjetivos, características da lingua-
gem jovem de alguns centros urbanos: maior legal; maior difícil;
São as que ocorrem nas formas constituintes da palavra. Nesse Esse amigo é um carinha maior esforçado.
domínio, as diferenças entre as variantes não são tão numerosas - as diferenças lexicais entre Brasil e Portugal são tantas e, às
quanto as de natureza fônica, mas não são desprezíveis. Como vezes, tão surpreendentes, que têm sido objeto de piada de lado
exemplos, podemos citar: a lado do Oceano. Em Portugal chamam de cueca aquilo que no
- o uso do prefixo hiper- em vez do sufixo -íssimo para criar Brasil chamamos de calcinha; o que chamamos de fila no Brasil,
o superlativo de adjetivos, recurso muito característico da lingua- em Portugal chamam de bicha; café da manhã em Portugal se diz
gem jovem urbana: um cara hiper-humano (em vez de humaníssi- pequeno almoço; camisola em Portugal traduz o mesmo que cha-
mamos de suéter, malha, camiseta.
mo), uma prova hiper difícil (em vez de dificílima), um carro hiper
possante (em vez de possantíssimo). Designações das Variantes Lexicais:
- a conjugação de verbos irregulares pelo modelo dos regu-
lares: ele interviu (interveio), se ele manter (mantiver), se ele ver - Arcaísmo: diz-se de palavras que já caíram de uso e, por
(vir) o recado, quando ele repor (repuser). isso, denunciam uma linguagem já ultrapassada e envelhecida. É
- a conjugação de verbos regulares pelo modelo de irregula- o caso de reclame, em vez de anúncio publicitário; na década de
res: vareia (varia), negoceia (negocia). 60, o rapaz chamava a namorada de broto (hoje se diz gatinha ou
- uso de substantivos masculinos como femininos ou vice- forma semelhante), e um homem bonito era um pão; na linguagem
-versa: duzentas gramas de presunto (duzentos), a champanha (o antiga, médico era designado pelo nome físico; um bobalhão era
champanha), tive muita dó dela (muito dó), mistura do cal (da chamado de coió ou bocó; em vez de refrigerante usava-se gasosa;
cal). algo muito bom, de qualidade excelente, era supimpa.
- a omissão do “s” como marca de plural de substantivos e ad-
jetivos (típicos do falar paulistano): os amigo e as amiga, os livro - Neologismo: é o contrário do arcaísmo. Trata-se de palavras
indicado, as noite fria, os caso mais comum. recém-criadas, muitas das quais mal ou nem estraram para os di-
- o enfraquecimento do uso do modo subjuntivo: Espero que o cionários. A moderna linguagem da computação tem vários exem-
Brasil reflete (reflita) sobre o que aconteceu nas últimas eleições; plos, como escanear, deletar, printar; outros exemplos extraídos
Se eu estava (estivesse) lá, não deixava acontecer; Não é possível da tecnologia moderna são mixar (fazer a combinação de sons),
que ele esforçou (tenha se esforçado) mais que eu. robotizar, robotização.

Didatismo e Conhecimento 109


LÍNGUA PORTUGUESA
- Estrangeirismo: trata-se do emprego de palavras empresta- Tipos de Variação
das de outra língua, que ainda não foram aportuguesadas, preser-
vando a forma de origem. Nesse caso, há muitas expressões lati- Não tem sido fácil para os estudiosos encontrar para as va-
nas, sobretudo da linguagem jurídica, tais como: habeas-corpus riantes linguísticas um sistema de classificação que seja simples
(literalmente, “tenhas o corpo” ou, mais livremente, “estejas em e, ao mesmo tempo, capaz de dar conta de todas as diferenças que
liberdade”), ipso facto (“pelo próprio fato de”, “por isso mesmo”), caracterizam os múltiplos modos de falar dentro de uma comuni-
ipsis litteris (textualmente, “com as mesmas letras”), grosso modo dade linguística. O principal problema é que os critérios adotados,
(“de modo grosseiro”, “impreciso”), sic (“assim, como está escri- muitas vezes, se superpõem, em vez de atuarem isoladamente.
to”), data venia (“com sua permissão”). As variações mais importantes, para o interesse do concurso
As palavras de origem inglesas são inúmeras: insight (com- público, são os seguintes:
preensão repentina de algo, uma percepção súbita), feeling (“sen-
sibilidade”, capacidade de percepção), briefing (conjunto de in- - Sócio-Cultural: Esse tipo de variação pode ser percebido
formações básicas), jingle (mensagem publicitária em forma de com certa facilidade. Por exemplo, alguém diz a seguinte frase:
música).
Do francês, hoje são poucos os estrangeirismos que ainda não “Tá na cara que eles não teve peito de encará os ladrão.”
se aportuguesaram, mas há ocorrências: hors-concours (“fora de (frase 1)
concurso”, sem concorrer a prêmios), tête-à-tête (palestra particu-
lar entre duas pessoas), esprit de corps (“espírito de corpo”, cor- Que tipo de pessoa comumente fala dessa maneira? Vamos
porativismo), menu (cardápio), à la carte (cardápio “à escolha do caracterizá-la, por exemplo, pela sua profissão: um advogado? Um
freguês”), physique du rôle (aparência adequada à caracterização trabalhador braçal de construção civil? Um médico? Um garimpei-
de um personagem). ro? Um repórter de televisão?
E quem usaria a frase abaixo?
- Jargão: é o lexo típico de um campo profissional como a
medicina, a engenharia, a publicidade, o jornalismo. No jargão “Obviamente faltou-lhe coragem para enfrentar os ladrões.”
médico temos uso tópico (para remédios que não devem ser inge- (frase 2)
ridos), apneia (interrupção da respiração), AVC ou acidente vascu-
lar cerebral (derrame cerebral). No jargão jornalístico chama-se
Sem dúvida, associamos à frase 1 os falantes pertencentes a
de gralha, pastel ou caco o erro tipográfico como a troca ou inver-
grupos sociais economicamente mais pobres. Pessoas que, muitas
são de uma letra. A palavra lide é o nome que se dá à abertura de
vezes, não frequentaram nem a escola primária, ou, quando muito,
uma notícia ou reportagem, onde se apresenta sucintamente o as-
fizeram-no em condições não adequadas.
sunto ou se destaca o fato essencial. Quando o lide é muito prolixo,
Por outro lado, a frase 2 é mais comum aos falantes que ti-
é chamado de nariz-de-cera. Furo é notícia dada em primeira mão.
veram possibilidades socioeconômicas melhores e puderam, por
Quando o furo se revela falso, foi uma barriga. Entre os jornalistas
é comum o uso do verbo repercutir como transitivo direto: __ Vá isso, ter um contato mais duradouro com a escola, com a leitura,
lá repercutir a notícia de renúncia! (esse uso é considerado errado com pessoas de um nível cultural mais elevado e, dessa forma,
pela gramática normativa). “aperfeiçoaram” o seu modo de utilização da língua.
Convém ficar claro, no entanto, que a diferenciação feita aci-
- Gíria: é o lexo especial de um grupo (originariamente de ma está bastante simplificada, uma vez que há diversos outros fa-
marginais) que não deseja ser entendido por outros grupos ou que tores que interferem na maneira como o falante escolhe as palavras
pretende marcar sua identidade por meio da linguagem. Existe a e constrói as frases. Por exemplo, a situação de uso da língua: um
gíria de grupos marginalizados, de grupos jovens e de segmen- advogado, num tribunal de júri, jamais usaria a expressão “tá na
tos sociais de contestação, sobretudo quando falam de atividades cara”, mas isso não significa que ele não possa usá-la numa situa-
proibidas. A lista de gírias é numerosíssima em qualquer língua: ção informal (conversando com alguns amigos, por exemplo).
ralado (no sentido de afetado por algum prejuízo ou má sorte), ir Da comparação entre as frases 1 e 2, podemos concluir que as
pro brejo (ser malsucedido, fracassar, prejudicar-se irremediavel- condições sociais influem no modo de falar dos indivíduos, geran-
mente), cara ou cabra (indivíduo, pessoa), bicha (homossexual do, assim, certas variações na maneira de usar uma mesma língua.
masculino), levar um lero (conversar). A elas damos o nome de variações socioculturais.

- Preciosismo: diz-se que é preciosista um léxico excessiva- - Geográfica: é, no Brasil, bastante grande e pode ser facil-
mente erudito, muito raro, afetado: Escoimar (em vez de corrigir); mente notada. Ela se caracteriza pelo acento linguístico, que é o
procrastinar (em vez de adiar); discrepar (em vez de discordar); conjunto das qualidades fisiológicas do som (altura, timbre, inten-
cinesíforo (em vez de motorista); obnubilar (em vez de obscurecer sidade), por isso é uma variante cujas marcas se notam principal-
ou embaçar); conúbio (em vez de casamento); chufa (em vez de mente na pronúncia. Ao conjunto das características da pronúncia
caçoada, troça). de uma determinada região dá-se o nome de sotaque: sotaque mi-
neiro, sotaque nordestino, sotaque gaúcho etc. A variação geográ-
- Vulgarismo: é o contrário do preciosismo, ou seja, o uso de fica, além de ocorrer na pronúncia, pode também ser percebida no
um léxico vulgar, rasteiro, obsceno, grosseiro. É o caso de quem vocabulário, em certas estruturas de frases e nos sentidos diferen-
diz, por exemplo, de saco cheio (em vez de aborrecido), se ferrou tes que algumas palavras podem assumir em diferentes regiões do
(em vez de se deu mal, arruinou-se), feder (em vez de cheirar país.
mal), ranho (em vez de muco, secreção do nariz).

Didatismo e Conhecimento 110


LÍNGUA PORTUGUESA
Leia, como exemplo de variação geográfica, o trecho abaixo, Você que me lê, preste atenção. Não deixe passar nenhuma
em que Guimarães Rosa, no conto “São Marcos”, recria a fala de palavra ou locução atual, pelo seu ouvido, sem registrá-la. Ama-
um típico sertanejo do centro-norte de Minas: nhã, pode precisar dela. E cuidado ao conversar com seu avô;
talvez ele não entenda o que você diz.
“__ Mas você tem medo dele... [de um feiticeiro chamado O malote, o cassete, o spray, o fuscão, o copião, a Vemaguet,
Mangolô!].
a chacrete, o linóleo, o nylon, o nycron, o ditafone, a informática,
__ Há-de-o!... Agora, abusar e arrastar mala, não faço. Não
faço, porque não paga a pena... De primeiro, quando eu era moço, a dublagem, o sinteco, o telex... Existiam em 1940?
isso sim!... Já fui gente. Para ganhar aposta, já fui, de noite, foras Ponha aí o computador, os anticoncepcionais, os mísseis, a
d’hora, em cemitério... (...). Quando a gente é novo, gosta de fa- motoneta, a Velo-Solex, o biquíni, o módulo lunar, o antibiótico,
zer bonito, gosta de se comparecer. Hoje, não, estou percurando o enfarte, a acumputura, a biônica, o acrílico, o ta legal, a apar-
é sossego...” theid, o som pop, as estruturas e a infraestrutura.
Não esqueça também (seria imperdoável) o Terceiro Mundo,
- Histórica: as línguas não são estáticas, fixas, imutáveis. Elas a descapitalização, o desenvolvimento, o unissex, o bandeirinha, o
se alteram com o passar do tempo e com o uso. Muda a forma de mass media, o Ibope, a renda per capita, a mixagem.
falar, mudam as palavras, a grafia e o sentido delas. Essas altera- Só? Não. Tem seu lugar ao sol a metalinguagem, o servo-
ções recebem o nome de variações históricas.
mecanismo, as algias, a coca-cola, o superego, a Futurologia, a
Os dois textos a seguir são de Carlos Drummond de Andrade.
homeostasia, a Adecif, a Transamazônica, a Sudene, o Incra, a
Neles, o escritor, meio em tom de brincadeira, mostra como a lín-
gua vai mudando com o tempo. No texto I, ele fala das palavras de Unesco, o Isop, a Oea, e a ONU.
antigamente e, no texto II, fala das palavras de hoje. Estão reclamando, porque não citei a conotação, o conglo-
merado, a diagramação, o ideologema, o idioleto, o ICM, a IBM,
Texto I o falou, as operações triangulares, o zoom, e a guitarra elétrica.
Olhe aí na fila – quem? Embreagem, defasagem, barra tenso-
Antigamente ra, vela de ignição, engarrafamento, Detran, poliéster, filhotes de
bonificação, letra imobiliária, conservacionismo, carnet da gira-
Antigamente, as moças chamavam-se mademoiselles e eram fa, poluição.
todas mimosas e prendadas. Não fazia anos; completavam prima- Fundos de investimento, e daí? Também os de incentivos fis-
veras, em geral dezoito. Os janotas, mesmo não sendo rapagões,
cais. Knon-how. Barbeador elétrico de noventa microrranhuras.
faziam-lhes pé-de-alferes, arrastando a asa, mas ficavam longos
meses debaixo do balaio. E se levantam tábua, o remédio era tirar Fenolite, Baquelite, LP e compacto. Alimentos super congelados.
o cavalo da chuva e ir pregar em outra freguesia. (...) Os mais ido- Viagens pelo crediário, Circuito fechado de TV Rodoviária. Argh!
sos, depois da janta, faziam o quilo, saindo para tomar a fresca; Pow! Click!
e também tomava cautela de não apanhar sereno. Os mais jovens, Não havia nada disso no Jornal do tempo de Venceslau Brás,
esses iam ao animatógrafo, e mais tarde ao cinematógrafo, chu- ou mesmo, de Washington Luís. Algumas coisas começam a apa-
pando balas de alteia. Ou sonhavam em andar de aeroplano; os recer sob Getúlio Vargas. Hoje estão ali na esquina, para consumo
quais, de pouco siso, se metiam em camisas de onze varas, e até geral. A enumeração caótica não é uma invenção crítica de Leo
em calças pardas; não admira que dessem com os burros n’agua. Spitzer. Está aí, na vida de todos os dias. Entre palavras circula-
(...) Embora sem saber da missa a metade, os presunçosos mos, vivemos, morremos, e palavras somos, finalmente, mas com
queriam ensinar padre-nosso ao vigário, e com isso punham a que significado?
mão em cumbuca. Era natural que com eles se perdesse a tramon-
(Carlos Drummond de Andrade, Poesia e prosa,
tana. A pessoa cheia de melindres ficava sentida com a desfeita
que lhe faziam quando, por exemplo, insinuavam que seu filho era Rio de Janeiro, Nova Aguiar, 1988)
artioso. Verdade seja que às vezes os meninos eram mesmo enca-
petados; chegavam a pitar escondido, atrás da igreja. As meninas, - De Situação: aquelas que são provocadas pelas alterações
não: verdadeiros cromos, umas teteias. das circunstâncias em que se desenrola o ato de comunicação. Um
(...) Antigamente, os sobrados tinham assombrações, os me- modo de falar compatível com determinada situação é incompatí-
ninos, lombrigas; asthma os gatos, os homens portavam ceroulas, vel com outra:
bortinas a capa de goma (...). Não havia fotógrafos, mas retratis-
tas, e os cristãos não morriam: descansavam. Ô mano, ta difícil de te entendê.
Mas tudo isso era antigamente, isto é, doutora.
Esse modo de dizer, que é adequado a um diálogo em situação
Texto II
informal, não tem cabimento se o interlocutor é o professor em
Entre Palavras situação de aula.
Assim, um único indivíduo não fala de maneira uniforme em
Entre coisas e palavras – principalmente entre palavras – cir- todas as circunstâncias, excetuados alguns falantes da linguagem
culamos. A maioria delas não figura nos dicionários de há trinta culta, que servem invariavelmente de uma linguagem formal, sen-
anos, ou figura com outras acepções. A todo momento impõe-se do, por isso mesmo, considerados excessivamente formais ou afe-
tornar conhecimento de novas palavras e combinações de. tados.

Didatismo e Conhecimento 111


LÍNGUA PORTUGUESA
São muitos os fatores de situação que interferem na fala de um
indivíduo, tais como o tema sobre o qual ele discorre (em princípio ANOTAÇÕES
ninguém fala da morte ou de suas crenças religiosas como falaria
de um jogo de futebol ou de uma briga que tenha presenciado), o
ambiente físico em que se dá um diálogo (num templo não se usa —————————————————————————
a mesma linguagem que numa sauna), o grau de intimidade entre
os falantes (com um superior, a linguagem é uma, com um colega —————————————————————————
de mesmo nível, é outra), o grau de comprometimento que a fala —————————————————————————
implica para o falante (num depoimento para um juiz no fórum
escolhem-se as palavras, num relato de uma conquista amorosa —————————————————————————
para um colega fala-se com menos preocupação).
As variações de acordo com a situação costumam ser chama- —————————————————————————
das de níveis de fala ou, simplesmente, variações de estilo e são —————————————————————————
classificadas em duas grandes divisões:
- Estilo Formal: aquele em que é alto o grau de reflexão sobre —————————————————————————
o que se diz, bem como o estado de atenção e vigilância. É na lin-
guagem escrita, em geral, que o grau de formalidade é mais tenso. —————————————————————————
- Estilo Informal (ou coloquial): aquele em que se fala com
—————————————————————————
despreocupação e espontaneidade, em que o grau de reflexão sobre
o que se diz é mínimo. É na linguagem oral íntima e familiar que —————————————————————————
esse estilo melhor se manifesta.
—————————————————————————
Como exemplo de estilo coloquial vem a seguir um pequeno
—————————————————————————
trecho da gravação de uma conversa telefônica entre duas universi-
tárias paulistanas de classe média, transcrito do livro Tempos Lin- —————————————————————————
guísticos, de Fernando Tarallo. AS reticências indicam as pausas.
—————————————————————————
Eu não sei tem dia... depende do meu estado de espírito, tem
—————————————————————————
dia que minha voz... mais ta assim, sabe? taquara rachada? Fica
assim aquela voz baixa. Outro dia eu fui lê um artigo, lê?! Um —————————————————————————
menino lá que faiz pós-graduação na, na GV, ele me, nóis ficamo
até duas hora da manhã ele me explicando toda a matéria de eco- —————————————————————————
nomia, das nove da noite.
—————————————————————————
Como se pode notar, não há preocupação com a pronúncia —————————————————————————
nem com a continuidade das ideias, nem com a escolha das pala-
vras. Para exemplificar o estilo formal, eis um trecho da gravação —————————————————————————
de uma aula de português de uma professora universitária do Rio
de Janeiro, transcrito do livro de Dinah Callou. A linguagem falada —————————————————————————
culta na cidade do Rio de Janeiro. As pausas são marcadas com —————————————————————————
reticências.
—————————————————————————
...o que está ocorrendo com nossos alunos é uma fragmenta-
ção do ensino... ou seja... ele perde a noção do todo... e fica com —————————————————————————
uma série... de aspectos teóricos... isolados... que ele não sabe —————————————————————————
vincular a realidade nenhuma de seu idioma... isto é válido tam-
bém para a faculdade de letras... ou seja... né? há uma série... de —————————————————————————
conceitos teóricos... que têm nomes bonitos e sofisticados... mas
que... na hora de serem empregados... deixam muito a desejar... —————————————————————————
—————————————————————————
Nota-se que, por tratar-se de exposição oral, não há o grau de
formalidade e planejamento típico do texto escrito, mas trata-se de —————————————————————————
um estilo bem mais formal e vigiado que o da menina ao telefone.
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