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contextualização Pense
É possível conhecer uma criança observando-a, colhendo informações sobre os movimentos que ela
executa, de maneira intencional ou reflexa?Que linguagem ou que tipos de linguagens ela usa que
permitem o seu conhecimento? Ela expressa sua linguagem de maneira a se fazer entender? Como isso se
processa? Ou não se processa de maneira alguma e apenas inferimos informações dedutíveis?
Criança tem habilidades? Ou apenas movimentos reflexos a que denominamos habilidades manuais? Reflita sobre
essas questões, permita-se divagar sobre elas e dentro de um contexto educacional responda o que você acredita ser a
verdade. Ou não há verdades, apenas suposições?
Como se desenvolvem e aprendem as crianças pequenas Nesta unidade, estudaremos que no ser
humano, do nascer até os 6 anos, ocorrem as mais potentes e espetaculares mudanças, que se tornam
visíveis e fazem parte do dia a dia na vida de uma criança. Desse modo, crianças se parecem cada vez
mais com adultos.Bassedas, Huguet & Solé (1999) explicam que na educação infantil, o desenvolvimento
acontece no decorrer de 3 etapas. Vamos conhecê-las para entender o que esses autores querem dizer?
1. Maturação: etapa onde ocorrem mudanças ao longo da evolução, existente no sistema nervoso
central, sendo que o indivíduo se prepara para que todas suas condições e conexões nervosas
cresçam e se adaptem às necessidades futuras do ser humano.Você sabia que a maturação está
ligada, indelevelmente, às mudanças quantitativas?
Isso significa o aumento de peso, dos ossos e da musculatura, assim sendo, está ligada aos aspectos
biológicos, físicos, evolutivos, etc.Veja a confirmação dessa afirmação, através da explicação do autor
“quando falamos de maturação, estamos referindo-nos às
mudanças que ocorrem ao longo da evolução dos indivíduos, as
quais se fundamentam na variação da estrutura e da função das
células.”(Bassedas,p.20,1999)
abaixo:
2Desenvolvimento: trata-se de um processo no qual as potencialidades do ser humano desabrocham, e
por isso mesmo não têm fim, são intermináveis.
Refere-se, então, a uma fase/período de uma vida, na qual as funções humanas – fala, linguagem,
raciocínio, memória, estima, etc.- se formam/ampliam. Dessa forma, essa é uma fase de autonomia, de
menor dependência em relação a outros. Crescemos ou...
Para Bassedas (1999,p.21)
2. Aprendizagem: quando estamos realizando o processo de aprendizagem, incorporam-se novos
“quando falamos de desenvolvimento, referimo-nos explicitamente à
formação progressiva das funções propriamente humanas (linguagem,
raciocínio, memória, atenção, estima).Trata-se do processo mediante
o qual se põe em andamento as potencialidades dos seres humanos”.
conhecimentos, habilidades, valores culturais e sociais próprios do meio onde vivemos. Toda e
qualquer aprendizagem muda a conduta do ser humano. É preciso entender que esses valores
foram e são procedentes da sociedade em que vivemos, e do qual não tivemos contato anterior.
Somente após a aprendizagem, poderemos modificá-los a posteriori, e entender como as
crianças se desenvolvem e qual o papel potencial da escola nesse processo vital de
desenvolvimento educacional e humano.Bassedas (p.21, 1999) destaca as características do conceito de
aprendizagem.”Mediante os processos de aprendizagem, incorporamos novos conhecimentos, valores, habilidades,
que são próprias da cultura e da sociedade em que vivemos”. O primeiro ano nossas vidas >
compreende uma fase em que o subjetivo predomina, já que os movimentos são expressões advindas das
emoções, das interações, onde os bebês e adultos formam um canal privilegiado, que também pode ocorrer com
outras crianças, porém em menor escala, já que os encontros nessa fase são mais raros entre crianças.O
diálogo que há entre o bebê e adulto nessa fase se caracteriza de modo afetivo, se dá por meio do toque corpóreo,
pelas expressões com que adultos e crianças trocam experiências, pelo tom de voz que o bebê aprende a
reconhecer rapidamente. Assim, eles aprendem cada vez que essas modulações de voz e expressão se
manifestam a eles; e suas reações se fazem sentir: criando e imitando o parceiro levantando as pernas, virando a
cabeça, esboçando reações de alegria/dor etc.
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Ao mesmo tempo em que há toda uma série de conquistas e expressividade por parte da criança, ela
começa também a conquistar domínio do seu corpo: aprende a virar, rolar, sentar- se. Todas essas
conquistas primárias atendem e preparam a sua locomoção propriamente dita, o que vai lhe propiciar um
grande leque de ações independentes. Locomover-se para uma criança é uma conquisa
extraordinária.É importante sublinhar que há formas alternativas de locomoção (andar) que pode
ser: arrastar-se, engatinhar. Um bebê tem um grande tempo à sua disposição, e é grande o tempo que
dedica a explorar o seu próprio corpo: olha suas próprias mãos, leva-as à boca, pega os pés, e diverte-se
mantendo- os presos às suas mãos. Eles começam a descobrir o mundo exterior quando tocam um
objeto que emite um som, tentando agarrar os móbiles que passeiam sua cama, berço. Seria uma imitação
dos movimentos do móbile? Essas ações, que procuram descobrir seu próprio corpo, permitem que se
desenvolva uma coordenação sensorial e motora na descoberta do mundo exterior. Além disso,
um grande gesto que vai permitir conquistas no primeiro ano de vida é “gesto de preensão”, que é o
movimento das mãos que opõe o polegar aos outros dedos, utilizado para segurar, agarrar,
manipular, tec..”A locomoção e a preensão são conquistas importantes que ocorrem neste
plano de motricidade. E sua ação sobre o mundo que se desenrola a sua frente e lhe dá oportunidades
de realizar atividades, que o surpreendem e o desafiam.
Todo esse aspecto de motricidade e aceitação é algo recente na vida dos bebês e sua aceitação por pais,
educadores, etc.
Costumava-se até bem pouco atrás, manter o bebê em posições rígidas, enrolado em cueiros, fraldões que
o mantinham e o confinavam a uma única posição. Tudo isso sempre foi olhado como cuidados com a
segurança e bem estar do bebê. Ao mesmo tempo em que se revelavam esses cuidados, impossibilita-se o
bebê de se manifestar e interagir com o mundo ao seu redor. Para o bebê, era muito mais dificil se
expressar e desenvolver todas as suas habilidades a fim de reagir com o mundo de maneira mais livre e
consciente. Criança de um a três anos
Andar para uma criança é algo extraordinário – não há um fim específico em andar de um lugar para
outro, porém ela se encanta com a movimentação.O exercício em si, somado ao amadurecimento do
sistema nervoso, permitirá que a criança alcance logo o estágio de saltar, correr, pular, etc.
Existe uma interligação de funções altamente motivadora para a criança: logo que aprende a andar, liberta
as mãos (que a ajudavam a engatinhar) para em tudo mexer, explorar. Quando está andando e mexendo
em tudo que puder, a criança aperfeiçoa seus movimentos.É o início da adequação de gestos.Segurar uma
colher ou uma xícara e levá-la a boca, pegar um lápis e uma folha de papel e criar um risco nela são
alguns dos progressos que a gestualidade instrumental manipula objetos com finalidades culturais, onde
só havia um exercício físico. Ex. Pegar uma colher para levar alimento à boca.Outra dimensão expressiva
do gesto motor são os “atos simbólicos” nos quais a criança imita, faz de conta. Dar um tchau, mirar e
apontar para o céu. Nessas situações, o imitar desempenha papel fundamental.A consciência corporal
acontece por meio das interações sociais, nas quais ela distingue a imagem do seu corpo. Então, aprende
a reconhecer as características físicas do seu corpo, fundamental para construir sua identidade.Crianças
de quatro a seis anos O repertório de gestos instrumentais de crianças de quatro a seis anos, torna-se
progressivo e preciso. Com isso, atos que exigem vários segmentos motores como recortar, colar ou
encaixar tornam-se sofisticados. fase, há uma maior tendência lúdica em transformar objetos e gestos em
outras coisas e direções. Uma tesoura vira um avião, uma espada transforma-se num cavalo de pau e
vice-versa A contenção motora se traduz no aumento do tempo em que a criança se mantém numa
mesma posição. Isso exige da criança uma grande disposição muscular, correspondente ao “tônus”
(tensionamento muscular voluntário).Segundo Fonseca (1995,p.121),É válido ressaltar que o bebê é
impulsivo e a criança tem maior controle motor. Então, o repertório infantil e o uso de suas habilidades vai
variar conforme a cultura predominante no seu meio. Ex. Crianças que vivem próximo à beira-rio
aprenderão a nadar rapidamente, ao contrário de uma criança urbana que precisará de uma escola de
natação. “no âmbito da organização da psicomotricidade, o fator da tonicidade é o seu alicerce
fundamental. A tonicidade garante, por consequência, as atitudes, as posturas, as mímicas, as emoções,
etc., de onde emergem todas as atividades motoras humanas. A tonicidade tem um papel fundamental no
desenvolvimento motor - e igualmente no desenvolvimento psicológico, como asseguram os trabalhos de
Wallon 1932,1956,1966 e 1970; Ajuriaguerra 1950,1955,1961 e 1974; André-Thomas e Ajuriaguerra,

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1949; Stamback, 1963; e muitos outros”AS HABILIDADES MANUAIS E A LINGUAGEM
.Crianças de zero a três anos Para se comunicar, as crianças utilizam gestos, posturas, um ritmo
próprio e essas dimensões, quase sempre subjetivas, devem ser acolhidas pelo educador de modo a
propiciar a crianças o desenvolver-se de modo a alcançar e se apropriar dos significados que a sua
expressão demonstra.Tudo isso está relacionado à sua cultura, ao seu meio, às manifestações sociais do
grupo ao qual ela pertence e ao qual está intimamente ligado. É preciso deixar claro que as coisas adultas
não são as determinantes para o que as crianças fazem.Atividades como o banho e as massagens são
campos experimentais de primeira grandeza, onde as crianças podem experimentar sensações.
O cantar e movimentos simultâneos promovem a percepção rítmica do corpo enquanto linguagem e
movimento, além da sonoridade e harmonia.É importante que a criança descubra, não só em si, como
também nos outros a grande riqueza das expressões. Assim, o professor/educador é modelo e seu
repertório corporal e de gestos são veículos expressivos para a criança. Com isso, é primordial que se
tenha um cuidado muito grande a fim de fazer de sua expressividade algo útil e valioso.
Equilibrio e coordenação
Ações e atitudes ligadas às brincadeiras estão interligadas ao movimento e equilíbrio. Quando a criança vai
saltar, necessita coordenar habilidades motoras, a força, a flexibilidade,
velocidade, etc. para ter sucesso na empreitada. Ao empinar uma pipa, entra em ação flexibilidade, força,
ideia espacial, força e agilidade nos braços e pernas, etc. Todos os jogos devem ter regras mínimas, pois a
criança começa a jogar dentro de determinados conceitos, aprendendo a competir, cooperar, colaborar,
respeitar o combinado (regras).
Crianças de zero a três anos Quanto menor a criança, maior a responsabilidade do adulto ao
proporcionar qualquer tipo de experiência motora ou postural. Ele deve agir para modificar posturas,
observar nas crianças e nos bebês a necessidade de se sentir confortáveis e seguros. O
professor/educador necessita organizar o ambiente, com materiais condizentes, suaves e seguros com a
idade a que se destinam. Atividades que tragam desafios como rampas, labirintos, pontes ajudam as
crianças a se equilibrar, andar, escorregar, ensinam a vencer desafios. A brincadeira de estátua, onde se
exige que a criança fique parada, sem movimentar quaisquer músculos exige uma postura muscular que
promove o “tônus muscular” e o fortalece.
Crianças de quatro a seis anos Diferentes movimentos, nos quais, atividades como descer, subir,
dançar, cantar, jogar bola, rodar o bambolê são fundamentais para que a criança crie e perceba diferentes
movimentos corporais, que feitos com todas as crianças, evitam o desenvolvimento de movimentos que
são próprios só de meninas ou só de meninos. Sendo assim, situações como essa evitam estereótipo. A
percepção espaço-tempo dever ser proposta à criança para que ela conheça o tempo-espaço e sua
atividade lúdica. Por exemplo: pular corda, que é um jogo muito popular no Brasil, ensina a criança a
perceber a hora de entrar no jogo, pós o movimento da corda; e, a batida no chão, os sons emitidos com
a velocidade da corda irão lhe proporcionar o momento correto de “entrar” no jogo. Os jogos, nos quais,
as regras aparecem pela primeira vez devem ser simples, porém obedecidos. Então, a aprendizagem junto
ao respeito às regras irão valorizar sua participação e formação.Portanto, as brincadeiras e jogos vão
permitir descobertas físicas, prazeres, vergonha, medo, afeto, respeito e o professor/educador deve estar
atento para ajudar a criança a lidar com estas situações novas, mas que devem ser consideradas naturais.
Assim, desenvolver atividades que exijam diferentes posturas, contenção motora, ou que exijam posturas
diferenciadas em faixas etárias diferentes, deve ser uma preocupação do educador/professor.
O professor deve estar atento no que se concerne à lateralidade”, isto é, ao uso que se faz só de um lado
do corpo; afinal, após algum tempo, a criança manifesta preferência por um lado: ser destra ou canhota/
sinistra (direita ou esquerda). Com isso, O professor/educador ao observar essa tendência deve respeitá-la
e jamais reprimi-la.Portanto, o espaço e tempo, onde a criança se desenvolve, devem estar integrados à
sua rotina diária, valorizando as manifestações de motricidade/lateralidade, etc.

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Organização do tempo
Todo conteúdo em aprendizagem que envolva tempo e movimento devem ser planejados para que
alcancem o objetivo proposto.
Quando se observa uma criança e seu desenvolvimento, se os movimentos que executa são saudáveis ou
não, é necessário refletir sobre o meio-ambiente onde ela está se desenvolvendo.
Ela fica sentada muito tempo? O mobiliário é adequado à sua idade? Ela faz regularmente exercícios
posturais?Observar atentamente a criança e o seu grupo faz com que seja possível se obter elementos de
grande valia para sua avaliação/formação.
São consideradas experiências válidas para crianças de zero a três anos: gestos, rítmos corporais,
deslocamentos espaciais sem ajuda e para isso, é necessário oferecer-lhes condições efetivas para que
explorem esses desafios. Para as crianças de quatro a seis anos, devem ser interligados instrumentos que
possibilitem movimentos, linguagem expressiva e participação em jogos, brincadeiras que envolvam
tempo, movimentos e regras onde surja envolvimento de habilidades motoras e sensoriais diversas. Desse
modo, toda criança, sem exceção, deve ser encorajada a superar-se, ser valorizada em seus progressos
por mínimos que sejam. Em Síntese Sob quaisquer circunstâncias, as crianças não podem estar em
situações que as comparem, tornando- as mais ou menos inteligentes, a partir dessa observação, que será
considerada sempre canhestra.Assim sendo, o esforço é coletivo, e o progresso é individual, compará-los
seria um esforço inútil. Desse modo, você perceberá que essa matéria mostra a importância da exploração
dos objetos e brincadeiras, pelas crianças, para o desenvolvimento da capacidade de imaginar, que se
insere na cultura e na sociedade e aprender a viver em grupo. Sozinha ou com os amigos, ela usa todos os
recursos de que dispõe para explorar o mundo, ampliar sua percepção sobre ele, e também sobre si
mesma, principalmente quando o brincar envolve o chamado faz de conta.

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Unidade: A criança e suas capacidades motoras, linguagem e habilidades manuais

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